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revisional de linguagens para o ENEM
Literatura
Manoel Neves
INTERLÚDIO
As	palavras	estão	muito	ditas	
e	o	mundo	muito	pensado.		
Fico	ao	teu	lado.	
Não	me	digas	que	há	futuro		
nem	passado.	
Deixa	o	presente	––	claro	muro		
sem	coisas	escritas.	
Deixa	o	presente.	Não	fales.		
Não	me	expliques	o	presente,		
pois	é	tudo	demasiado.	
Em	águas	de	eternamente,		
o	cometa	dos	meus	males		
afunda,	desarvorado.	
Fico	ao	teu	lado.	
MEIRELES,	Cecília.	Obra	poética.	Rio	de	Janeiro:	Aguilar,	1978.
QUESTÃO 01
revisional de literatura para o ENEM
Após	a	leitura	do	poema	é	correto	afirmar	que	
a)	 na	 duas	 primeiras	 estrofes	 o	 eu	 lírico	 apela	 para	 que	 haja	 mais	 debates	 e	
discussões	sobre	o	passado	e	o	futuro.	
b)	pela	leitura	das	duas	últimas	estrofes,	percebemos	que	o	eu	lírico	reforça	toda	
sua	carga	de	dor	e	decide	viver	com	a	pessoa	que	pode	fazê-lo	infeliz.	
c)	o	eu	lírico	torna	claro	que	teme	o	presente	pelo	fato	de	ser	incerto	e	duvidoso.	
d)	o	desejo	do	eu	lírico	em	ampliar	os	debates	e	as	discussões	sobre	o	presente	e	o	
futuro	constitui	o	eixo	central	do	poema.	
e)	o	eu	lírico	prefere	viver	o	presente	porque	esse	tempo	ainda	não	está	definido,	
escrito,	há	muito	a	registrar,	a	ser	vivido	com	intensidade.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	poema	em	análise,	o	sujeito	poético	[que,	conforme	se	lê	na	terceira	estrofe,	
tem	 uma	 visão	 bastante	 dolorida	 da	 existência]	 tece	 considerações	 filosóficas	
acerca	do	mundo	e	do	tempo.	Para	ele,	fala-se	muito	acerca	do	mundo,	do	futuro	e	
do	passado.	Por	isso	mesmo,	ele	deseja	viver	[ao	lado	da	pessoa	que	escolheu]	o	
presente,	que	é	visto	como	tempo	da	possibilidade.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	
“e”.
O	título	do	poema,	Interlúdio,	que	significa	“intervalo”,	“trecho	musical	entre	dois	
atos”,	tanto	aponta	para	a	tese	defendida	ao	longo	da	enunciação	[a	visão	de	que	o	
presente	é	um	tempo	que	se	situa	entre	dois	outros]	quanto	para	o	momento	de	
produção	textual,	o	neossimbolismo,	que	tem	na	musicalidade	um	de	seus	traços	
mais	relevantes.
Era	alta	e	esbelta.	Tinha	um	desses	talhes	flexíveis	e	lançados,	que	são	hastes	de	
lírio	 para	 o	 rosto	 gentil;	 porém	 na	 mesma	 delicadeza	 do	 porte	 esculpiam-se	 os	
contornos	mais	graciosos	com	firme	nitidez	das	linhas	e	uma	deliciosa	suavidade	
nos	relevos.	
Não	era	alva,	também	não	era	morena.	Tinha	sua	tez	a	cor	das	pétalas	da	magnólia,	
quando	vão	desfalecendo	ao	beijo	do	sol.	Mimosa	cor	de	mulher,	se	a	aveluda	a	
pubescência	juvenil,	e	a	luz	coa	pelo	fino	tecido,	e	um	sangue	puro	a	escumilha	de	
róseo	matiz.	A	dela	era	assim.	
Uma	altivez	de	rainha	cingia-lhe	a	fronte,	como	diadema	cintilando	na	cabeça	de	
um	anjo.	Havia	em	toda	a	sua	pessoa	um	quê	que	fosse	de	sublime	e	excelso	que	
abstraía	da	terra.	Contemplando-a	naquele	instante	de	enlevo,	dir-se-ia	que	ela	se	
preparava	para	sua	celeste	ascensão.	
ALENCAR,	José	de.	Diva.	Rio	de	Janeiro,	José	Olympio,	1951.
QUESTÃO 02
revisional de literatura para o ENEM
Pela	leitura	do	fragmento,	observamos	
a)	que	o	herói	romântico	é,	muitas	vezes,	marginal,	desregrado,	entregue	ao	ópio	e	
ao	 álcool.	 Contudo	 esse	 procedimento	 revela	 não	 má	 índole,	 mas	 desespero,	
repulsa	pelo	mundo	tal	como	ele	o	é.	
b)	que	o	herói	romântico	é	um	tipo	movido	por	propósitos	elevados,	solitários	em	
seus	anseios	e	atitudes,	um	incompreendido	pela	sociedade	a	qual	ele	pertence.	
c)	 que	 a	 idealização	 da	 mulher	 romântica	 é	 evidente.	 Ela	 não	 existe,	 paira;	 não	
respira,	pulsa;	não	anda,	flutua;	tem	a	prodigiosa	propriedade	de	irradiar	luz	pelos	
poros;	 é	 dotada	 de	 virtudes	 tão	 maravilhosas	 que	 fazem	 dela	 uma	 semideusa	
praticamente	inatingível.	
d)	 	que	os	limites	entre	loucura	e	sanidade	não	são	muito	simples	de	delimitar.	
Muitas	vezes,	eles	estão	condicionados	a	fatores	culturais,	temporais,	locais	ou	a	
todos	ao	mesmo	tempo.	Frequentemente,	a	loucura	se	manifesta	como	uma	forma	
de	rejeição	da	realidade	e	da	chamada	“normalidade”.	
e)	 	que	o	imaginário	romântico	é	riquíssimo	e,	muitas	vezes,	suplanta	a	noção	de	
realidade.	 Do	 mesmo	 modo,	 o	 sonho,	 ou	 a	 capacidade	 de	 projetar	 os	 desejos	 e	
anseios,	permeou	a	atitude	romântica.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	 romance	 urbano	 alencariano	 visava	 tanto	 a	 fixar	 os	 costumes	 da	 nascente	
burguesia	 brasileira	 quanto	 a	 construir	 modelos	 para	 os	 rapazes	 e	 as	 moças	
cariocas	da	segunda	metade	do	século	XIX.	Para	tanto,	o	locutor,	a	partir	de	uma	
perspectiva	 patriarcal	 e	 patrimonialista,	 cria	 personagens	 que	 reforçam	
determinados	padrões	físicos,	ideológicos	e	comportamentais,	dentre	os	quais	se	
incluem	 a	 valorização	 de	 traços	 fenotípicos	 europeus,	 da	 mulher	 submissa,	 do	
casamento	[por	amor]	e	da	virgindade.	São	esses	os	paradigmas	que	subjazem	à	
construção	de	romances	como	Diva.	Sendo	assim,	deve-se	assinalar	a	alternativa	
“c”.
O	texto	a	seguir	apresenta	uma	crítica	feita	por	Monteiro	Lobato,	publicada	em	
1917,	por	ocasião	da	exposição	de	Anita	Malfatti.
Todas	 as	 artes	 são	 regidas	 por	 princípios	 imutáveis,	 leis	 fundamentais	 que	 não	
dependem	do	tempo	nem	da	latitude.	As	medidas	de	proporção	e	equilíbrio,	na	
forma	 ou	 na	 cor,	 decorrem	 do	 que	 chamamos	 sentir.	 Quando	 as	 sensações	 do	
mundo	 externo	 transformam-se	 em	 impressões	 cerebrais,	 nós	 “sentimos”;	 para	
que	sintamos	de	maneira	diversa,	cúbica	ou	futurista,	é	forçoso	ou	que	a	harmonia	
do	universo	sofra	completa	alteração,	ou	que	o	nosso	cérebro	esteja	em	“pane”	por	
virtude	 de	 alguma	 grave	 lesão.	 Enquanto	 a	 percepção	 sensorial	 se	 fizer	
normalmente	no	homem,	através	da	porta	comum	dos	cinco	sentidos,	um	artista	
diante	de	um	gato	não	poderá	“sentir”	senão	um	gato,	e	é	falsa	a	“interpretação”	
que	 do	 bichano	 fizer	 um	 “totó”,	 um	 escaravelho,	 um	 amontoado	 de	 cubos	
transparentes.
LOBATO,	Monteiro.	Paranoia	ou	mistificação.	Texto	publicado	no	Estadinho,	suplemento	infantil	do	Estado	de	São	Paulo,	em	1917.
QUESTÃO 03
revisional de literatura para o ENEM
Com	base	no	texto,	é	correto	afirmar	que,	para	Monteiro	Lobato:	
a)	a	arte	moderna	busca	valorizar	o	poder	de	abstração	do	artista,	mostrando	todo	
seu	 talento	 e	 sua	 capacidade	 de	 interpretar	 a	 realidade,	 portanto	 deve	 ser	
valorizada	e	estimulada.	
b)	 a	 arte	 moderna	 é	 uma	 imitação	 do	 mundo	 visível,	 logo	 representa	 uma	
estagnação	artística	e	uma	negação	do	próprio	avanço	da	humanidade.	
c)	a	arte	moderna	é	fruto	da	distorção	cognitiva	de	seu	criador,	pois	o	mesmo	não	
observa	que	as	leis	fundamentais	da	arte	são:	proporção,	equilíbrio	de	forma	e	cor.	
d)	a	harmonia	do	universo	ampara	a	arte	moderna,	pois	as	coisas	não	devem	ser	
reproduzidas	exatamente	como	são,	mas	como	a	percepção	do	artista	capta.	
e)	 a	 arte	 moderna	 marca	 a	 revolta	 do	 homem	 do	 início	 do	 século	 XX	
profundamente	marcado	pelo	decadentismo	simbolista	que	o	levou	para	o	plano	
da	abstração	da	realidade,	sendo,	pois,	uma	expressão	artística	de	grande	valor.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Lobato,	no	fragmento	do	artigo	em	análise,	defende	um	ideal	acadêmico	de	arte.	
Para	o	autor	de	Urupês,	qualquer	representação,	deve-se	pautar	pela	proporção	e	
pelo	equilíbrio.	Sendo	assim,	deve-se	assinalar	a	alternativa	“c”.
A	poesia	existe	nos	fatos.	Os	casebres	de	açafrão	e	de	ocre	nos	verdes	da	Favela,	
sob	 o	 azul	 cabralino,	 são	 fatos	 estéticos.	 O	 carnaval	 no	 Rio	 é	 o	 acontecimento	
religioso	 da	 raça.	 Pau-Brasil.	 Wagner	 submerge	 ante	 os	 cordões	 de	 Botafogo.	
Bárbaro	e	nosso.	A	formação	étnica	rica.	Riqueza	vegetal.	O	minério.	A	cozinha.	O	
vatapá	o	ouro	e	a	dança...
REIS,	Carlos.	O	Conhecimento	da	Literatura:	introdução	aos	estudos	literários.	Lisboa:	Almeida	2008.
QUESTÃO 04
revisional de literatura para o ENEM
O	fragmento	posto	acima	está	relacionado	a	um	movimento	surgido	após	a	Semana	
de	Arte	Moderna.	Sobre	esse	movimento	é	correto	afirmar	que	
a)		pregava	uma	arte	genuinamente	nacional,	de	tom	ufanista,	com	a	valorização	do	
elemento	indígena	e	sem	fazer	quaisquer	concessões	aos	estrangeirismos.	
b)	 apresentava	 franco	 caráter	 direitista,	 com	 enunciações	 fascistas	 e	 forte	 teor	
nacionalista.
c)	pregava	a	devoração	da	cultura	e	das	técnicas	importadas	e	sua	reformulação	
com	autonomia,	transformando	o	produto	importado	em	exportável.	
d)	propunha	uma	arte	brasileira	de	exportação,	de	raiz,	telúrica	e	primitiva.	
e)	 propunha	 que	 o	 escritor	 se	 voltasse	 para	 a	 sua	 região,	 a	 fim	 de	 retratar	 os	
dramas	nordestinos	e	preservar	os	valores	culturais.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
A	Poesia	Pau-Brasil,	de	1924,	é	profundamente	nacionalista.	Criada	por	Oswald	de	
Andrade,	 em	 Paris,	 tinha	 por	 princípios	 a	 releitura	 crítica	 do	 passado	 histórico	
cultural;	 a	 construção	 de	 uma	 poesia	 de	 exportação;	 a	 criação	 de	 uma	 língua	
brasileira:	coloquial,	sintética	e	popular;	a	digestão	e	a	devoração	cultural;	a	base	
dupla:	 primitivo	 x	 moderno;	 o	 flash	 cinematográfico;	 o	 primitivismo	 crítico	 e	 a	
crítica	ao	academicismo	e	à	colonização.	Marque-se,	portanto,	a	alternativa	“c”.
A	Semana	de	Arte	Moderna	foi	possível	graças	à	arrecadação	de	fundos	promovida	
pelo	jornalista	René	Thiollier,	que	conseguiu	847	mil	réis	junto	aos	fazendeiros	e	
exportadores	 de	 café.	 O	 primeiro	 a	 subscrever	 a	 lista	 foi	 Pedro	 Paulo	 Prado.	 O	
acontecimento	 teve	 também	 o	 apoio	 do	 presidente	 do	 Estado	 e	 do	 prefeito.	 O	
Teatro	Municipal	de	São	Paulo,	fundado	em	1913,	com	projeto	de	Domiziano	Rossi	
e	construção	de	Ramos	de	Azevedo,	foi	alugado	para	a	ocasião.	
A	 Semana	 concentrou-se	 em	 três	 sessões,	 nos	 dias	 13,	 15,	 e	 17	 de	 fevereiro	 de	
1922.	Em	cada	um	desses	dias	houve	a	predominância	de	um	tema.	
MOISÉS,	Massaud.	A	Literatura	brasileira	através	dos	textos.	São	Paulo:	Cultrix,	2007.
QUESTÃO 05
revisional de literatura para o ENEM
A	Semana	de	Arte	Moderna	de	1922	tinha	como	principal	objetivo:	
a)	 A	 convicção	 estética	 e	 política	 de	 modernizar	 a	 arte	 brasileira,	 livrando-a	 da	
influência	europeia	e	buscando	criar	uma	cultura	nacional	pura.	
b)	 Celebrar	 a	 cultura	 nacional	 como	 base	 ideológica	 e	 romper	 com	 as	 correntes	
artísticas	europeias	que	dominavam	a	arte	brasileira,	assimilando	e	reelaborando	
alguns	de	seus	aspectos.	
c)	Retomar	a	arte	acadêmica	como	forma	de	oposição	ao	Barroco,	celebrado	até	
então	como	verdadeira	arte	nacional.	
d)	 Usar	 o	 nacionalismo	 romântico	 com	 sua	 busca	 por	 uma	 “cor	 local”	 como	
principal	referência	para	se	criar	uma	arte	nacional.	
e)	 Romper	 com	 a	 influência	 das	 culturas	 primitivas	 dos	 trópicos	 (ameríndias	 e	
africanas),	buscando	aliar	a	nossa	arte	à	vanguarda	europeia.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Os	 objetivos	 da	 Semana	 de	 Arte	 Moderna	 eram:	 atualizar	 as	 letras	 nacionais;	
destruir	 a	 tradição	 acadêmica	 [retórica	 e	 sentimental];	 experimentação	 estética;	
valorização	 do	 elemento	 nacional	 e	 defesa	 de	 uma	 independência	 mental	
brasileira.	Por	isso,	deve-se	assinalar	a	alternativa	“a”.
Deve-se	atentar	para	o	paradoxo	que	representa	a	SAM:	a	ruptura	com	os	modelos	
artísticos	anteriores	é	uma	atitude	de	vanguarda,	notadamente	futurista.	Ademais,	
é	importante	ressaltar	que	a	experimentação	estética	e	até	mesmo	a	defesa	dos	
ideais	 nacionais	 são	 desdobramentos	 de	 teses	 defendidas	 pelas	 correntes	 das	
Vanguardas	Europeias.
A	cozinha	é	feita	fora,	sob	um	telheiro	tosco,	um	puxado	no	telhado	da	edificação,	
para	aproveitar	o	abrigo	de	uma	das	paredes	da	barraca;	e	tudo	cercado	do	mais	
desolador	abandono.	Se	o	morador	cria	galinhas,	elas	vivem	soltas,	dormem	nas	
árvores,	 misturam-se	 com	 as	 dos	 vizinhos	 e,	 por	 isso,	 provocam	 rixas	 violentas	
entre	as	mulheres	e	maridos,	quando	disputam	a	posse	dos	ovos.	
BARRETO,	Lima.	O	moleque.	Rio	de	Janeiro:	Livraria	Editora,	s.d.
QUESTÃO 06
revisional de literatura para o ENEM
Além	de	inferir	e	de	resumir,	existe	um	recurso	especial,	que	identifica	os	fins	para	
os	quais	a	linguagem	está	sendo	utilizada	no	texto	que	estamos	lendo.	Esses	fins	
têm	 nome	 de	 função	 de	 linguagem.	 Os	 textos	 se	 servem	 da	 linguagem:	 eles	 a	
encarregam	de	representar	papéis	diferenciados	e	cumprir	funções	diversificadas.	
Leia	o	texto	acima	e	assinale	a	opção	em	que	as	características	estão	associadas	ao	
trecho	em	estudo.	
a)	Função	referencial	por	expressar	uma	realidade,	um	fato	externo.	
b)	Função	apelativa	por	expressar	conselhos,	mudança	de	comportamentos.	
c)	Função	emotiva	por	expressar	atitudes	e	emoções.	
d)	Função	poética	por	expressar	por	meio	da	forma	um	contexto	expressivo	singular.	
e)	Função	metalinguística	por	explicar	o	significado	da	própria	mensagem.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	 fragmento	 em	 análise,	 percebe-se	 a	 construção	 de	 um	 cenário	 de	 uma	
narrativa.	 Por	 isso,	 é	 possível	 afirmar	 que	 nele	 predomina	 a	 função	 poética	 ou	
estética.	Marque-se,	pois,	a	letra	“d”.
A	UM	POETA
Longe	do	estéril	turbilhão	da	rua,	
Beneditino,	escreve!	No	aconchego	
Do	claustro,	na	paciência	e	no	sossego,	
Trabalha,	e	teima,	e	lima,	e	sofre,	e	sua!
Mas	que	na	forma	se	disfarce	o	emprego	
Do	esforço;	e	a	trama	viva	se	construa	
De	tal	modo,	que	a	imagem	fique	nua,	
Rica	mas	sóbria,	como	um	templo	grego.
Não	se	mostre	na	fábrica	o	suplício	
Do	mestre.	E,	natural,	o	efeito	agrade,	
Sem	lembrar	os	andaimes	do	edifício:
Porque	a	Beleza,	gêmea	da	Verdade,	
Arte	pura,	inimiga	do	artifício,	
É	a	força	e	a	graça	na	simplicidade.
BILAC,	Olavo;	TEIXEIRA,	Ivan	(Org.).	Poesias.	São	Paulo:	Martins	Fontes,	1996.
QUESTÃO 07
revisional de literatura para o ENEM
O	soneto	de	Bilac,	como	evidencia	o	título,	pode	ser	entendido	como	uma	profissão	
de	 fé,	 ou	 antes,	 uma	 espécie	 de	 programa	 poético	 em	 que	 se	 expõem	 certos	
atributos	necessários	a	um	sujeito	que	deseja	se	tornar	poeta.	A	escrita	poética	que	
se	vincula	a	esse	programa	deve	aceitar	como	característica	fundamental	a	
a)	impaciência
b)	intransigência
c)	perfeição
d)	animosidade
e)	opulência
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	poema	de	Olavo	Bilac	é	metalinguístico	e	articula-se	com	vistas	a	defender	que	a	
poesia	é	fruto	do	esforço	e	do	trabalho	do	poeta.	Para	o	locutor,	a	perfeição	só	é	
atingida	por	meio	do	trabalho	árduo.	Sendo	assim,	este	poema-artefato	assemelha-
se	 a	 uma	 joia,	 cuja	 beleza	 parece	 natural,	 mas	 foi	 obtida	 graças	 a	 um	 penoso	
trabalho	de	burilamento.	Assinale-se,	portanto,	a	letra	“c”.
BANDEIRA,	Manuel.	Poesia	completa	e	prosa.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Aguilar,	1993.
NOVA	POÉTICA
Vou	lançar	a	teoria	do	poeta	sórdido.	
Poeta	sórdido:	
Aquele	em	cuja	poesia	há	a	marca	suja	da	vida.	
Vai	um	sujeito,	
Sai	um	sujeito	de	casa	com	a	roupa	de	brim	branco	muito	bem	engomada,	e	na	
primeira	esquina	passa	um	caminhão,	salpica-lhe	o	paletó	ou	a	calça	de	uma	nódoa	
de	lama:	
É	a	vida	
O	poema	deve	ser	como	a	nódoa	no	brim:	
Fazer	o	leitor	satisfeito	de	si	dar	o	desespero.	
Sei	que	a	poesia	é	também	orvalho.	
Mas	este	fica	para	as	menininhas,	as	estrelas	alfas,	as	virgens	cem	por	cento	e	as	
amadas	que	envelheceram	sem	maldade.
QUESTÃO 08
revisional de literatura para o ENEM
A	construção	de	uma	nova	poética,	centrada	na	opção	por	uma	“poesia	sórdida”,	é	
justificada	pela	
a)	 apologia	 ao	 “sujeito	 engomadinho”	 citado	 no	 poema,	 o	 qual	 personifica	 um	
entendimento	da	poesia	desvinculada	do	real.
b)	subversão	de	temas	e	formas	clássicos,	propondo	um	fazer	poético	pautado	em	
versos	brancos,	liberdade	rítmica	e	ausência	de	rimas.
c)	 ironia	 às	 manifestações	 poéticas	 de	 vanguarda,	 as	 quais,	 ao	 radicalizarem	 o	
experimentalismo	poético,	distanciaram-se	da	realidade	do	homem	moderno.
d)	nulidade	própria	da	vida	moderna,	que	acaba	por	produzir	versos	incapazes	de	
expressar	a	essencialidade	do	que	seja	a	humanidade.
e)	necessidade	de	conferir	à	poesia	significados	que	desestabilizam	e	inquietas	os	
sujeitos,	opondo-se	ao	poema	de	puro	deleite.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
“Sórdido”	 é	 sujo,	 asqueroso,	 repugnante.	 Sendo	 assim,	 o	 que	 se	 defende	 neste	
metapoema	 é	 uma	 literatura	 prosaica,	 cotidiana,	 próxima	 da	 vida	 do	 homem	
comum.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	“e”.	Deve-se	atentar	para	o	fato	de	que	a	
tese	defendida	por	Manuel	Bandeira	está	em	total	consonância	com	os	ideais	da	
Primeira	Geração	do	Modernismo	Brasileiro.
EUTANÁSIA
Morrer!	Alhures	ir…	Aonde?	Ao	paradeiro	
Para	o	qual	tudo	foi	e	onde	tudo	irá	ter!	
Ser,	outra	vez,	o	nada;	o	que	já	fui,	primeiro	
Que	abrolhasse	à	existência	e	ao	vivo	padecer!…
Contadas	do	viver	as	horas	de	ventura	
E	as	que,	isentas	de	dor,	do	mundo	hajam	corrido,	
Em	qualquer	condição,	a	humana	criatura	
Dirá:	“Melhor	me	fora	o	nunca	haver	nascido!”
BYRON,	George	Gordon	Noel.	Disponível	em:	http://www.lunaeamigos.com.br.	Acesso	em:	15	abr.	2005.
QUESTÃO 09
revisional de literatura para o ENEM
Byron	foi	um	importante	poeta	inglês	do	Ultrarromantismo	que	influenciou	muito	
poetas	 brasileiros	 da	 segunda	 geração	 romântica,	 principalmente	 Álvares	 de	
Azevedo.	No	fragmento	de	poema,	a	morte,	tema	que	tanto	fascinou	os	escritores	
do	século	XIX,	é	apresentada	como	uma	forma	de	evasão	porque	
a)	proporciona	ao	indivíduo	o	encontro	com	o	ser	amado.
b)	distancia	o	indivíduo	dos	prazeres	terrenos.
c)	liberta	o	indivíduo	de	sua	existência	vazia	e	sem	sentido.
d)	encaminha	a	alma	atormentada	do	indivíduo	para	a	eternidade.
e)	realiza	a	redenção	dos	sofrimentos	na	união	com	a	natureza.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	fragmento	no	poema	de	Lord	Byron,	percebe-se	que	a	morte	é	uma	libertação;	
a	vida,	um	fardo.	Ante	o	sofrimento,	a	angústia	e	a	dor	de	existir,	o	locutor	prefere	
não	ser.	O	obsessão	com	a	morte	é,	pois,	uma	forma	de	se	libertar	do	sofrimento	
terreno.
Tanto	 no	 terceiro	 verso	 da	 primeira	 estrofe	 quanto	 no	 quarto	 verso	 da	 segunda	
estrofe,	pode-se	ver	que	a	morte	não	é	um	portal	para	uma	vida	melhor,	mas	tão	
somente	uma	libertação	do	ser.	Marque-se,	pois,	a	letra	“c”.
QUESTÃO 10
revisional de literatura para o ENEM
Patativa	do	Assaré	foi	um	importante	poeta	nordestino.	Sua	trajetória	é	marcada	pela	
experimentação	 de	 estruturas	 poéticas	 populares	 como	 o	 cordel,	 e	 sua	 dicção	 de	
repentista	 alcançou	 as	 rádios	 e	 a	 televisão,	 firmando	 parceria	 com	 importantes	
cantores.	Entre	os	temas	presentes	em	sua	obra,	destaca-se	a	recorrência	de	matérias	
associadas	 à	 seca	 e	 à	 desigualdade	 social,	 com	 o	 intuito	 de	 informar	 e	 educar	 os	
sertanejos.	 Esse	 posicionamento,	 que	 se	 pode	 dizer	 engajado,	 é	 percebido	 nos	
seguintes	versos:	
a)	O	feiticeiro	gritou-lhe:/	Miserável	criatura!/	Tu	não	me	juraste	fé?/	Não	quebres	a	tua	
jura/	Tira	aquela	grande	pedra/	Ali	daquela	abertura.
b)	Os	poderosos	não	devem/	oprimir	de	mais	a	mais,/	A	justiça	é	para	todos/	Vamos	
lutar	pela	paz/	Ante	os	direitos	humanos/	Todos	nós	somos	iguais.
c)	Se	eu	fui	um	menino	bom/	Fui	também	um	bom	rapaz/	E	hoje	sou	pai	de	família//	
Gozando	da	mesma	paz/	Vou	queimar	estas	três	velas/	Em	tenção	de	Satanás.
d)	Eu	venho	dêrne	menino,/	Dêrne	muito	pequenino,/	Cumprindo	o	belo	destino/	Que	
me	deu	Nosso	Senhô./	Eu	nasci	pra	sê	vaquêro,/	Sou	o	mais	feliz	brasilêro,/	Eu	não	
invejo	dinhêro,/	Nem	diploma	de	dotô.
e)	Tendo	por	berço	o	lago	cristalino,/	Folga	o	peixe,	a	nadar	todo	inocente,/	Medo	ou	
receio	do	porvir	não	sente,/	Pois	vive	incauto	do	fatal	destino.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Diz-se	 da	 poesia	 engajada	 que	 ela	 está	 a	 serviço	 de	 uma	 leitura	 da	 realidade	
[social].	 Tal	 posicionamento	 é	 facilmente	 perceptível	 nos	 versos	 transcritos	 na	
alternativa	“b”,	nos	quais	se	defendem	a	liberdade	e	os	direitos	humanos.
MADRIGAL
Meu	amor	é	simples,	Dora,	
Como	água	e	o	pão	
Como	o	céu	refletido	
Nas	pupilas	de	um	cão.
ARRIGUCCI	JR.,	Davi	(Org.).	Melhores	poemas	de	José	Paulo	Paes.	São	Paulo:	Global,	2003.
QUESTÃO 11
revisional de literatura para o ENEM
O	sentido	do	poema	de	José	Paulo	Paes	é	construído	por	meio	de	comparações.	O	
eu	lírico,	para	definir	seu	amor	por	Dora,	vale-se	do	recurso	da	semelhança.	Sobre	a	
relação	estabelecida	entre	o	sentimento	amoroso	e	os	elementos	apresentados	no	
poema,	pode-se	inferir	que:	
a)	 os	 elementos	 “pão”	 e	 “água”	 sugerem	 que	 o	 amor	 é	 um	 sentimento	 tão	
essencial	para	o	eu	lírico	quanto	os	alimentos	mais	básicos.
b)	 o	 último	 verso	 revela	 que	 o	 amor	 do	 eu	 lírico	 por	 Dora	 carrega	 a	 mesma	
intensidade	do	sentimento	que	ele	dispensa	a	um	cão.
c)	a	imagem	do	“céu	refletido	nas	pupilas	de	um	cão”	sugere	que	o	eu	lírico	deseja	
impressionar	a	amada	com	a	grandiosidade	do	seu	sentimento.
d)	 a	 comparação	 do	 amor	 aos	 elementos	 “pão”	 e	 “água”	 revela	 que	 o	 eu	 lírico	
prescinde	de	qualquer	outro	elemento	para	viver.
e)	comparações	construídas	no	segundo	e	no	terceiro	versos	revelam	que	o	amor	
do	eu	lírico	por	Dora	é	marcado	pela	contradição.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
A	produção	poética	de	José	Paulo	Paes	situa-se	entre	as	décadas	de	1970	e	1990	e	
apresenta	 tanto	 o	 apuro	 formal	 da	 Poesia	 Concreta	 quanto	 a	 simplicidade	 e	 o	
prosaísmo	 da	 poesia	 marginal	 [herdeira	 da	 Primeira	 Geração	 do	 Modernismo	
Brasileiro].	 Dentre	 os	 distratores	 fornecidos,	 aquele	 que	 apresenta	 uma	 leitura	
pertinente	para	o	poema	em	análise	é	a	letra	“a”.
O	BICHO
Vi	ontem	um	bicho		
Na	imundície	do	pátio	
Catando	comida	entre	os	detritos.
Quando	achava	alguma	coisa,	
Não	examinava	nem	cheirava:	
Engolia	com	voracidade.
O	bicho	não	era	um	cão,	
Não	era	um	gato,	
Não	era	um	rato.
O	bicho,	meu	Deus,	era	um	homem.
BANDEIRA,	Manuel.	Estrela	da	vida	inteira.	Rio	de	Janeiro:	Record,	2010.
QUESTÃO 12
revisional de literatura para o ENEM
Da	leitura	do	poema,	verifica-se	que:
a)	nele,	Bandeira	mostra	os	traços	simbolistas	típicos	de	sua	poesia,	marcada	pela	
evocação	dos	sentidos,	em	linguagem	metafórica.
b)	esses	versos	mostram	o	Bandeira	modernista,	pela	exposição	crítica	da	condição	
humana,	em	linguagem	simples,	prosaica.
c)	 sua	 linguagem	 representa	 uma	 exceção	 no	 quadro	 do	 modernismo,	 pois	 este	
preferia	tratar	de	temas	abstratos,	em	moldes	tradicionais.
d)	a	maior	parte	da	obra	de	Bandeira	foi	escrita	sob	influência	parnasiana,	razão	
pela	qual	sua	poesia	é	considerada	conservadora.
e)	a	predileção	pela	temática	humana,	em	linguagem	eloquente,	leva	a	identificar	
esse	poeta	como	um	dos	adeptos	do	verde-amarelismo.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Percebe-se,	no	poema	de	Bandeira,	que	o	sujeito	poético	opta	pela	simplicidade,	
que	 aparece	 tanto	 na	 forma	 [de	 versos	 livres	 e	 brancos]	 quanto	 no	 conteúdo	
[tratamento	 terno	 dado	 a	 um	 problema	 social].	 Essa	 opção	 atesta	 sua	 filiação	 à	
Primeira	 Geração	 do	 Modernismo	 Brasileiro,	 que,	 em	 linhas	 gerais,	 é	 coloquial,	
prosaica,	crítica	e	engajada.	Assinale-se,	pois,	a	letra	“b”.
Uma	 aluvião	 de	 cenas,	 que	 ela	 [Pombinha]	 jamais	 tentara	 explicar	 e	 que	 até	 ali	
jaziam	esquecidas	nos	meandros	do	seu	passado,	apresentavam-se		agora	nítidas	e	
transparentes.	 Compreendeu	 como	 era	 que	 certos	 velhos	 respeitáveis,	 cuja	
fotografia	Léonie	lhe	mostrou	no	dia	que	passaram	juntas,	deixavam-se	vilmente	
cavalgar	pela	loureira,	cativos	e	submissos,	pagando	a	escravidão	com	a	honra,	os	
bens,	e	até	com	a	própria	vida,	se	a	prostituta,	depois	de	os	ter	esgotado,	fechava-
lhes	 o	 corpo.	 E	 continuou	 a	 sorrir,	 desvanecida	 na	 sua	 superioridade	 sobre	 esse	
outro	sexo,	vaidoso	e	fanfarrão,	que	se	julgava	senhor	e	que,	no	entanto,	fora	posto	
no	mundo	simplesmente	para	servir	ao	feminino;	escravo	ridículo	que,	para	gozar	
um	pouco,	precisava	tirar	de	sua	mesma	ilusão	a	substância	de	seu	gozo;	ao	passo	
que	 a	 mulher,	 a	 senhora	 dona	 dele,	 ia	 tranquilamente	 desfrutando	 seu	 império,	
endeusada	 e	 querida,	 prodigalizando	 martírios,	 que	 os	 miseráveis	 aceitavam	
contritos.	“Ah!	Homens!	Homens!”	sussurrou	ela	de	envolta	com	um	suspiro.
AZEVEDO,	Aluísio.	O	cortiço.	São	Paulo:	Ática,	2008.	Fragmento.
QUESTÃO 13
revisional de literatura para o ENEM
No	texto,	os	pensamentos	da	personagem:	
a)	recuperam	o	princípio	da	prosa	naturalista,	que	condena	os	assuntos	repulsivos	e	
bestiais,	 sem	 amparo	 nas	 teorias	 científicas,	 ligados	 ao	 homem	 que	 põe	 em	
primeiro	plano	seus	instintos	animalescos.
b)	elucidam	o	princípio	do	determinismo	presente	na	prosa	naturalista,	revelando	
os	homens	e	as	mulheres	conscientes	dos	seus	instintos	em	função	do	meio	em	
que	vivem	e,	sobretudo,	capazes	de	controlá-los.
c)	trazem	uma	crítica	aos	aspectos	animalescos	próprios	do	homem,	mas,	por	outro	
lado,	 revelam	 uma	 forma	 de	 Pombinha	 submeter	 a	 muitos	 deles	 para	 obter	
vantagens:	eis	aí	um	princípio	do	Realismo	rechaçado	no	Naturalismo.
d)	 constroem	 uma	 visão	 de	 mundo	 e	 do	 homem	 idealizada,	 o	 que,	 em	 certa	
medida,	afronta	o	referencial	em	que	se	baseia	a	prosa	naturalista,	que	define	o	
homem	como	fruto	do	meio,	marcado	pelo	apelo	dos	seus	sentidos.
e)	consubstanciam	a	concepção	naturalista	de	que	o	homem	é	um	animal,	preso	
aos	instintos	e,	no	que	diz	respeito	à	sexualidade,	vê-se	que	Pombinha	considera	a	
mulher	 superior	 ao	 homem,	 e	 esse	 conhecimento	 é	 uma	 forma	 de	 se	 obterem	
vantagens.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Paralelamente	 ao	 engajamento	 social	 subjacente	 à	 focalização	 dos	 problemas	
enfrentados	 pelas	 classes	 menos	 favorecidas	 da	 população,	 o	 naturalismo	 teve	
como	 um	 de	 seus	 dogmas	 a	 produção	 de	 uma	 literatura	 profundamente	
influenciada	pelas	teses	científicas	da	segunda	metade	do	século	XIX.	Dentre	essas	
teorias,	 merece	 destaque	 o	 determinismo,	 que	 preconiza	 que	 o	 homem	 é	 fruto	
tanto	 de	 condicionantes	 sociais	 quanto	 genéticos	 ou	 corporais,	 como	 se	 pode	
vislumbrar	 no	 fragmento	 transcrito	 do	 romance	 O	 cortiço.	 Posto	 isso,	 deve-se	
assinalar	a	alternativa	“e”.
Pequei,	Senhor,	mas	não	porque	hei	pecado	
De	vossa	alta	piedade	me	despido,	
Porque,	quanto	mais	tenho	delinquido,	
Vos	tenho	a	perdoar	mais	empenhado.
MATOS,	Gregório	de.	A	Jesus	Cristo	Nosso	Senhor.	São	Paulo:	Cultrix,	2003.	Fragmento.
QUESTÃO 14
revisional de literatura para o ENEM
Na	estrofe,	o	poeta:	
a)	dirige-se	ao	Senhor	para	confessar	seus	pecados	e	submete-se	à	penitência	para	
obter	a	redenção	espiritual.
b)	invoca	Deus	para	manifestar,	com	muito	respeito	e	humildade,	a	intenção	de	não	
mais	pecar.
c)	 estabelece	 um	 diálogo	 de	 igual	 para	 igual	 com	 a	 divindade,	 sugerindo	 sua	
pretensão	de	livrar-se	do	castigo	e	da	piedade	de	Deus.
d)	confessa-se	pecador	e	expressa	a	convicção	de	que	será	abençoado	com	a	graça	
divina.
e)	arrepende-se	dos	pecados	cometidos,	acreditando	que,	assim,	terá	assegurada	a	
salvação	da	alma.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Na	estrofe	em	análise,	o	sujeito	poético	revela-se	pecador.	Em	atitude	desafiadora	
e	 paradoxal,	 afirma,	 entretanto,	 que	 quanto	 mais	 peca,	 mais	 Deus	 tem	 que	 se	
desdobrar	 para	 perdoar	 a	 ele,	 sujeito	 poético.	 Deve-se,	 portanto,	 assinalar	 a	
alternativa	“d”.
Na	cabeceira	da	mesa,	a	toalha	manchada	de	coca-cola,	o	bolo	desabado,	ela	era	a	
mãe.	A	aniversariante	piscou.	Eles	se	mexiam	agitados,	rindo,	a	sua	família.	E	ela	
era	a	mãe	de	todos.	E	se	de	repente	não	se	ergueu,	como	um	morto	se	levanta	
devagar	 e	 obriga	 mudez	 e	 terror	 aos	 vivos,	 a	 aniversariante	 ficou	 mais	 dura	 na	
cadeira,	e	mais	alta.	Ela	a	mãe	de	todos.	E	como	a	presilha	a	sufocasse,	ela	era	a	
mãe	de	todos	e,	impotente	à	cadeira,	desprezava-os.	Todos	aqueles	seus	filhos	e	
netos	 e	 bisnetos	 que	 não	 passavam	 de	 carne	 de	 seu	 joelho,	 pensou	 de	 repente	
como	se	cuspisse.	Rodrigo,	o	neto	de	sete	anos,	era	o	único	a	ser	a	carne	de	seu	
coração,	 Rodrigo,	 com	 aquela	 carinha	 dura,	 viril	 e	 despenteada.	 Cadê	 Rodrigo?	
Rodrigo	com	o	olhar	sonolento	e	intumescido	naquela	cabecinha	ardente,	confusa.	
Aquele	seria	um	homem.	Mas,	piscando,	ela	olhava	os	outros,	a	aniversariante.	Oh	
o	desprezo	pela	vida	que	falhava.
LISPECTOR.	Clarice.	Feliz	aniversário.	In.:	Laços	de	família.	Rio	de	Janeiro:	Record,	2008.	Fragmento.
QUESTÃO 15
revisional de literatura para o ENEM
No	excerto,	está	presente	um:	
a)	narrador	onisciente	que	descreve	cena	familiar	construída	a	partir	da	perspectiva	
da	mãe	aniversariante,	valendo-se,	para	isso,	do	discurso	indireto	livre.
b)	narrador	observador	que	procura	caracterizar	uma	comemoração	entre	familiares	-	
a	festa	de	aniversário	da	mãe	-,	posicionando-se	de	forma	neutra	e	objetiva.
c)	narrador	protagonista	que,	confundindo-se	com	a	personagem	Mãe,	rememora	
uma	festa	de	aniversários	conflituosa.
d)	narrador	de	terceira	pessoa	que,	ao	retratar	a	festa,	utiliza	também	a	voz	em	
primeira	pessoa	da	protagonista,	formalizada	em	discurso	indireto.
e)	narrador	onipresente	que,	valendo-se	apenas	da	observação	direta,	descreve	as	reações	
negativas	da	família,	na	ocasião	em	que	se	comemora	a	festa	de	aniversário	da	mãe.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	 excerto	 em	 análise,	 há	 um	 narrador	 onisciente,	 de	 terceira	 pessoa,	 que	
apresenta	uma	cena	em	que	há	uma	festa	de	aniversário.
Depois	de	construir	o	cenário,	o	locutor	funde-se	à	perspectiva	da	aniversariante	e,	
por	 intermédio	 do	 discurso	 indireto	 livre,	 mostra	 ao	 leitor	 o	 mundo	 a	 partir	 do	
ponto	de	vista	da	matriarca.	Sendo	assim,	deve-se	assinalar	a	alternativa	“a”.
ROSA,	J.	G.	Orientação.	Disponível:	http://manoelneves.com.	Acesso	em:	05	abr.	2013.
E	 –	 vai-se	 não	 ver,	 e	 vê-se!	 Yao	 o	 china	 surgiu	 sentimental.	 Xacoca,	 mascava	
lavadeira	respondedora,	a	amada,	por	apelido	Rita	Rola	–	Lola	ou	Lita,	conforme	ele	
silabava,	só	num	cacarejo	de	fé,	luzentos	os	olhos	de	ponto	e	vírgula.	Feia,	de	se	ter	
pena	 de	 seu	 espelho.	 Tão	 feia,	 com	 fossas	 nasais.	 Mas,	 havido	 o	 de	 haver.	
Cheiraram-se	e	gostaram-se.	[...]
Ora,	casaram-se.	Com	festa,	a	comedida	comédia:	noiva	e	noivo	e	bolo.	O	par	–	o	
compimpo	–	til	no	i,	ponto	no	a,	o	que	de	ambos,	parecidos	como	uma	rapadura	e	
uma	escada.	Ele,	gravata	no	pescoço,	aos	pimpolins	de	gato,	feliz	como	assovio.	Ela,	
pomposa,	ovante	feito	galinha	que	pôs.	Só	não	se	davam	o	braço.	No	que	não,	o	
mundo	não	movendo-se,	em	sua	válida	intraduzibilidade.
QUESTÃO 16
revisional de literatura para o ENEM
Atentando	 aos	 elementos	 constitutivos	 do	 fragmento	 de	 conto	 transcrito	
anteriormente,	é	possível	perceber	que	
a)	os	traços	de	lirismo	amoroso	são	tão	fortes	que	se	sobrepõem	ao	eixo	narrativa.
b)	a	linguagem	se	articula	analogamente	à	da	poesia,	com	a	presença	de	figuras	
fonéticas,	semânticas	e	sintáticas,	tais	como	aliteração,	paradoxo	e	anáfora.
c)	não	se	nota	a	presença	de	aforismos	na	escrita	rosiana.
d)	há	muita	simpatia	do	narrador	pelos	protagonistas.
e)	a	linguagem	apresenta-se	de	forma	previsível	e	canônica.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
A	linguagem	do	conto	em	análise	é	muito	elaborada.	Apesar	de	o	texto	articular-se	
em	 prosa,	 nota-se,	 entre	 outros	 recursos,	 a	 presença	 das	 figuras	 de	 linguagem	
referidas	na	letra	“b”.
SANT’ANNA,	André.	Sexo	e	amizade.	Rio	de	Janeiro:	Companhia	das	Letras,	2007.
Esse	pessoal	da	ecologia,	do	meio	ambiente,	salve	as	baleias,	são	uns	chatos.	Eles	
quer	 impedir	 o	 progresso	 do	 município.	 Querem	 acabar	 com	 o	 turismo,	 com	 o	
comércio.	 Querem	 que	 a	 cidade	 fique	 sempre	 pequena.	 Mas	 eu	 vou	 passar	 por	
cima	 deles	 tudo.	 Eu	 posso	 até	 não	 ser	 uma	 pessoa	 instruída,	 mas	 nasci	 aqui,	
conheço	todas	as	família.	Por	isso	que	eu	já	fui	prefeito	cinco	vezes	e	ainda	vou	ser	
mais.	Ano	que	vem,	entra	meu	filho,	que	eu	já	tô	no	segundo	mandato.	Mas	depois	
eu	volto.	Já	expliquei	tudo	pro	Júnior.	Primeiro,	vâmu	acabar	com	essa	lei	de	prédio	
com	menos	de	três	andar.	Antes,	até	dava.	Mas	o	turismo	tá	crescendo,	cada	vez	
vem	mais	veranista	pra	passar	o	verão,	e	a	gente	tem	que	aguentar	receber	todo	
mundo.	 Se	 não	 fosse	 esse	 pessoal	 que	 ficaram	 enchendo	 o	 saco	 pra	 tombar	 os	
morro,	 a	 gente	 dava	 um	 jeito	 de	 facilitar	 as	 construtora	 para	 fazer	 mais	 uns	
condomínio.	 Mas	 agora	 só	 dá	 pra	 crescer	 pra	 cima.	 Versiti,	 verfiqui...	 vestiliza...	
verti...	Porra,	crescer	pra	cima,	fazer	prédios	mais	alto.
QUESTÃO 17
revisional de literatura para o ENEM
Quanto	à	classificação	dos	gêneros	literários,	é	possível	afirmar	que	o	texto	anterior	
a)	 constitui-se	 de	 forma	 narrativa	 com	 um	 locutor	 que	 é	 dotado	 de	 uma	
consciência	 crítica	 que	 se	 revela	 paradoxal,	 considerada	 a	 posição	 que	 ocupa	 na	
sociedade.
b)	articula-se	como	uma	crônica	que	convida	o	leitor	a	refletir	acerca	da	ocupação	
do	espaço	urbano.
c)	 é	 uma	 prosa	 poética	 constituída	 por	 um	 fluxo	 contínuo	 no	 qual	 se	 percebe	 a	
hesitação	do	locutor	em	procurar	ajuda	para	realizar	os	seus	projetos	ambientais.
d)	 revela	 um	 sujeito	 com	 profunda	 consciência	 acerca	 de	 urbanização	 das	
metrópoles	nordestinas.
e)	é	um	claro	exemplo	de	peça	teatral	em	que	o	público	é	convocado	a	participar	
ativamente	da	discussão	de	problemas	sociais,	econômicos	e	ecológicos.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	fragmento	do	conto	em	análise,	o	locutor	revela	ser	prefeito.	Sua	fala	erige	um	
discurso	 que	 paradoxalmente	 fala	 dos	 malefícios	 ambientais	 da	 urbanização	
descontrolada	 e,	 ao	 mesmo	 tempo,	 engaja-se	 na	 defesa	 do	 crescimento	 das	
cidades.	Sendo	assim,	deve-se	assinalar	a	alternativa	“a”.
THEODOR	DE	BRY.	Nativos	americanos	vítimas	da	crueldade	dos	espanhóis.	Disponível	em:	http://digital.lib.lehigh.edu/trial/
justification/newspain/image.	Acesso	em	27/05/2012.
THEODOR	DE	BRY.	Representação	de	banquete	antropofágico	dos	índios	tupinambás.	Disponível	em:	http://
www.biblioteca.templodeapolo.net.	Acesso	em	27/05/2012.
QUESTÃO 18
revisional de literatura para o ENEM
Acerca	das	imagens,	afirma-se:
I.	Referem-se	ao	mesmo	período	histórico.
II.	As	imagens	confirmam	que	os	europeus	agiam	de	forma	civilizada,	enquanto	os	
índios	eram	realmente	selvagens.
III.	A	imagem	02	apresenta	um	costume	indígena	que	aparece	retratado	em	vários	
momentos	da	literatura	brasileira.
IV.	 A	 imagem	 01	 é	 um	 desdobramento	 do	 que	 se	 convencionou	 chamar	 de	
etnocentrismo.
V.	 Os	 escritos	 do	 período	 em	 questão,	 de	 índios	 e	 de	 europeus,	 retratam	 a	
colonização	de	forma	bastante	diversa.
(ENEM	Adaptada)	É	correto	o	que	se	afirma	em:	
a)	I	e	IV. b)	I,	II	e	V. c)	IV	e	V.
d)	I,	III	e	IV. e)	II,	III	e	V.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Apenas	 os	 itens	 I,	 III	 e	 V	 propõem	 análises	 adequadas	 para	 as	 reproduções	 de	
imagens.	Assinale-se,	portanto,	a	alternativa	“d”.
Ornemos	nossas	testas	com	as	flores		
E	façamos	de	feno	um	brando	leito;		
Prendamo-nos,	Marília,	em	laço	estreito,		
Gozemos	do	prazer	de	sãos	amores.		
Sobre	as	nossas	cabeças,		
Sem	que	o	possam	deter,	o	tempo	corre,		
E	para	nós	o	tempo,	que	se	passa,	
Também,	Marília,	morre.
GONZAGA,	T.	A.	Marília	de	Dirceu.	Lira	XIV.	Disponível	em:	http://biblio.com.br.	Acesso	em:	12	mai.	2015.
QUESTÃO 19
revisional de literatura para o ENEM
Só	 não	 é	 traço	 do	 Arcadismo	 presente	 no	 fragmento	 da	 Lira	 de	 Tomás	 Antônio	
Gonzaga:	
a)	Ideal	de	aurea	mediocritas,	que	leva	o	poeta	a	exaltar	o	cotidiano	prosaico	da	
classe	média.	
b)	Tema	do	carpe	diem	–	uma	proposta	para	se	aproveitar	a	vida,	desfrutando	o	
ócio	com	dignidade.	
c)	 Ideal	 de	 uma	 existência	 tranquila,	 sem	 extremos,	 espelhada	 na	 pureza	 e	
amenidade	da	natureza.	
d)	 Fugacidade	 do	 tempo,	 fatalidade	 do	 destino,	 necessidade	 de	 envelhecer	 com	
sabedoria.	
e)	Concepção	da	natureza	como	permanente	reflexo	dos	sentimentos	e	paixões	do	
“eu”	lírico.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	fragmento	em	análise,	a	natureza	não	é	reflexo	dos	sentimentos	do	eu	lírico.	
Deve-se,	portanto,	assinalar	a	alternativa	“e”.
JOIA
Beira	de	mar	
Beira	de	mar	
Beira	de	mar	é	na	América	do	Sul	
Um	selvagem	levanta	o	braço	
Abre	a	mão	e	tira	um	caju	
Um	momento	de	grande	amor	
De	grande	amor
Copacabana	
Copacabana	
Louca	total	e	completamente	louca	
A	menina	muito	contente	
Toca	a	coca-cola	na	boca	
Um	momento	de	puro	amor	
De	puro	amor	
VELOSO,	Caetano.	Joia.	Disponivel	em:	http://www.letrasterra.com.br.	Acesso	em:	10	ago.	2015.
QUESTÃO 20
revisional de literatura para o ENEM
O	 poema	 de	 Caetano	 Veloso,	 apesar	 de	 ter	 sido	 publicado	 em	 1976,	 dialoga	
diretamente	com	os	movimento	Pau-Brasil	e	Antropófago,	da	Primeira	Geração	do	
Modernismo	Brasileiro.	Só	não	é	um	ponto	de	contato	do	texto	de	Caetano	Veloso	
com	os	referidos	movimentos	poéticos:	
a)	O	emprego	da	base	dupla.
b)	A	devoração	cultural	seletiva.
c)	A	adesão	à	cultura	do	estrangeiro.
d)	A	constatação	de	que	o	Brasil	está	se	modernizando.
e)	O	uso	de	uma	linguagem	distante	dos	cânones	da	literatura.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	texto,	dos	anos	1970,	articula-se	por	intermédio	da	retomada	de	procedimentos	
da	Poesia	Pau-Brasil	e	da	Antropofagia,	a	saber:	o	uso	da	base	dupla,	a	devoração	
cultural	seletiva,	os	versos	livres	e	brancos,	a	releitura	crítica	do	passado	histórico	
cultural	 e	 o	 uso	 de	 uma	 linguagem	 próxima	 da	 fala	 urbana.	 Assinale-se,	 pois,	 a	
alterantiva	“c”.
SANT’ANNA,	André.	O	Brasil	é	bom.	São	Paulo:	Companhia	das	Letras,	2014.
O	 Delei	 lançou	 o	 Assis	 no	 lado	 direito	 da	 intermediária	 deles.	 Com	 a	 bola	
dominada,	o	Assis	entrou	na	área	sozinho	e	logo	chutou	no	canto	direito,	a	meia	
altura.	 O	 Raul	 ficou	 no	 meio	 do	 caminho,	 sem	 saber	 se	 ia	 no	 Assis	 ou	 se	 ficava	
esperando	o	chute.	Não	fez	nem	uma	coisa	nem	outra,	e	tomou	o	gol.	A	torcida	do	
Flamengo	estava	gritando	é	campeão	é	campeão	é	campeão	e	eu	eu	eu	Fluminense	
se	fudeu	e	parou	de	gritar.	Foi	lá	pelos	quarenta	e	cinco	minutos	e	alguma	coisa	do	
segundo	tempo.	A	torcida	do	Fluminense	começou	a	gritar	é	campeão	é	campeão	é	
campeão	e	eu	eu	eu	o	Flamengo	se	fudeu.	Eu	fiquei	muito	feliz.
QUESTÃO 21
revisional de literatura para o ENEM
Quanto	 à	 articulação	 do	 discurso	 no	 fragmento	 do	 conto	 transcrito,	 percebe-se	
claramente	que:	
a)	O	locutor	apropria-se	criticamente	dos	discursos	metafísicos	que	circulavam	na	
sociedade	brasileira	no	final	dos	anos	1990.
b)	As	vozes	que	constroem	o	texto	em	análise	manifestam-se,	principalmente,	por	
meio	 do	 discurso	 indireto	 livre,	 com	 fusão	 das	 perspectivas	 do	 narrador	 e	 da	
personagem.
c)	O	padrão	linguístico	adotado	é	o	formal,	culto,	urbano,	do	início	do	século	XXI,	o	
que	se	constata	por	meio	do	uso	de	expressões	com	“intermediária”	e	em	“chutou	
logo	no	canto	direito”.
d)	Apesar	da	presença	de	verbos	discendi,	não	há	marcas	gráficas	nem	conjunções	
que	indiquem	a	mudança	do	locutores	ao	longo	da	narrativa.
e)	A	narrativa	é	altamente	impessoal,	o	que	se	nota	por	meio	do	distanciamento	do	
narrador	em	relação	ao	objeto	do	seu	relato.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	excerto	em	análise,	nota-se	a	presença	de	um	narrador	de	primeira	pessoa	que	
apresenta,	 simultaneamente,	 a	 narração	 de	 alguns	 lances	 de	 uma	 partida	 de	
futebol	 e	 a	 reação	 [dele	 e]	 da	 torcida	 a	 eles.	 Sendo	 assim,	 deve-se	 assinalar	 a	
alternativa	“d”.
Eu	vi	a	luz	em	um	país	perdido.	
A	minha	alma	é	lânguida	e	inerme.	
Oh!	Quem	pudesse	deslizar	sem	ruído!	
No	chão	sumir-se,	como	faz	um	verme.
PESSANHA,	Camilo.	Clepsidra.	Lisboa:	Ulisseia,	1987.
QUESTÃO 22
revisional de literatura para o ENEM
O	poema	transcrito	anteriormente	está	na	abertura	do	livro	Clepsidra,	de	Camilo	
Pessanha.	De	sua	leitura,	não	é	possível	depreender	que:	
a)	 Oscila	 entre	 o	 hermetismo	 e	 a	 vaguidão	 ao	 articular	 um	 discurso	 de	 caráter	
metafísico.
b)	Há	nitidamente	um	desejo	de	elevação,	de	transcendência;	por	isso	é	que	se	
fala,	de	início,	em	verme.
c)	O	sujeito	poético	fala	de	um	estado	de	espírito	bastante	pessoal	e	articula	seu	
discurso	na	busca	de	exteriorizar	sua	visão	de	mundo.
d)	 Um	 tom	 melancólico	 e	 dolorido	 perpassa	 o	 texto,	 que	 se	 articula	 como	
testemunho	da	dor	de	viver	e	da	incerteza	acerca	do	que	há	de	vir.
e)	O	sujeito	poético	externa	sua	percepção	subjetiva	do	mundo:	os	elementos	do	
mundo	exterior	são	metáforas	do	modo	como	ele	interpreta	o	real.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	discurso	veiculado	pelo	sujeito	poético	é	subjetivo	[eu	vi],	melancólico	[minha	
alma	 é	 lânguida],	 hermético	 [inerme]	 e	 metafórico.	 Não	 é,	 entretanto,	
transcendente,	pois	fala-se	em	“sumir-se”	“no	chão”	“como	um	verme”.	Marque-se,	
portanto,	a	letra	“b”.
CAMINHO	I
Tenho	sonhos	cruéis:	n’alma	doente	
Sinto	um	vago	receio	prematuro.	
Vou	a	medo	na	aresta	do	futuro,	
Embebido	em	saudades	do	presente…
Saudades	desta	dor	que	em	vão	procuro	
Do	peito	afugentar	bem	rudemente	
Devendo	ao	desmaiar	sobre	o	poente,	
Cobrir-me	o	coração	dum	véu	escuro!…
Porque	a	dor,	esta	falta	de	harmonia,	
Toda	a	luz	desgrenhada	que	alumia	
As	almas	doidamente,	o	céu	de	agora,
Sem	ela	o	coração	é	quase	nada:	
Um	sol	onde	expirasse	a	madrugada,	
Porque	é	só	madrugada	quando	chora.
PESSANHA,	Camilo.	Caminho	I.	In.:	Clepsidra.	Lisboa:	Ulisseia,	1987.
QUESTÃO 23
revisional de literatura para o ENEM
Marque	a	alternativa	em	que	apareça	uma	imagem	de	caráter	paradoxal.	
a)	Sem	ela	o	coração	é	quase	nada:/	Um	sol	onde	expirasse	a	madrugada,
b)	Saudades	desta	dor	que	em	vão	procuro/	Do	peito	afugentar	bem	rudemente
c)	Porque	a	dor,	esta	falta	de	harmonia,/	Toda	a	luz	desgrenhada	que	alumia
d)	Vou	a	medo	na	aresta	do	futuro,/	Embebido	em	saudades	do	presente…
e)	Tenho	sonhos	cruéis:	n’alma	doente/	Sinto	um	vago	receio	prematuro.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Há,	nos	versos	transcritos	na	alternativa	“d”,	imagem	de	caráter	paradoxal,	pois	o	
sujeito	poético	se	descola	em	direção	ao	futuro	tendo	dentro	de	si	o	presente.	É,	
ainda,	paradoxal	a	imagem	poética	que	aponta	para	a	“saudade	do	presente”.
O	nome	de	Cyro	dos	Anjos	é	menos	conhecido	do	que	o	de	muitos	companheiros	
de	sua	geração,	como	Carlos	Drummond	de	Andrade	e	João	Guimarães	Rosa,	só	
para	 citar	 os	 célebres	 ou	 de	 leitura	 escolar	 obrigatória.	 Sua	 produção	 literária,	
contudo	revela	a	estirpe.
Montanha	foi	publicado	pela	primeira	vez	em	1956	e	é	a	última	incursão	do	autor	
mineiro	no	romance,	antes	de	se	dedicar	ao	ensaio	e	às	memórias.	Conta	a	história	
do	ex-chefe	de	polícia	Pedro	Gabriel,	que,	em	pleno	Estado	Novo	getulista,	tanta	
subir	ao	governo	da	fictícia	Montanha.
Para	 isso,	 faz	 um	 pouco	 de	 tudo:	 lobby,	 chantagem,	 tortura	 psicológica	 e	 muito	
mais	 para	 engambelar	 quem	 possa	 representar	 um	 empecilho	 a	 seu	 intento.	 O	
leitor	 surpreende-se	 já	 no	 primeiro	 capítulo:	 à	 riqueza	 vocabular	 associa-se	 um	
ritmo	desorientador,	nem	por	isso	desestimulante,	marcado	pela	mistura	de	relato	
irônico	tradicional	com	diálogos	e	memórias	involuntárias	do	personagem.	Depois	
de	se	habituar,	fica	difícil	parar	de	ler.
BRESIGHELLO,	Mário.	Montanha.	In.	Guia	Folha.	29	mar.	2014.	p.14.
QUESTÃO 24
revisional de literatura para o ENEM
Ao	escolher	este	gênero	textual,	o	produtor	do	texto	objetivou
a)	construir	uma	apreciação	irônica	do	livro.
b)	evidenciar	argumentos	contrários	ao	livro	de	Anjos.
c)	elaborar	uma	narrativa	com	descrição	de	tipos	literários.
d)	apresentar	ao	leitor	um	painel	da	obra	e	se	posicionar	criticamente.
e)	afirmar	que	o	livro	transcende	o	seu	objetivo	inicial	e,	por	isso,	perde	sua	qualidade.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	texto	transcrito	nesta	questão	visa	a	apresentar	resumida	e	criticamente	o	livro	
Montanha.	 Trata-se	 de	 uma	 resenha	 que	 objetiva	 despertar	 a	 atenção	 do	 leitor	
para	 que	 ele	 compre	 o	 livro.	 Isso	 pode	 ser	 percebido,	 por	 exemplo,	 no	 uso	 de	
estruturas	como	depois	de	se	habituar,	fica	difícil	parar	de	ler	para	se	referir	à	obra	
em	análise.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	“d”.
Estava	andando	na	rua	apressada,	atrasada,	quando	vi	um	rapaz	de	uns	15	anos	no	
máximo,	 parado	 numa	 esquina,	 tentando,	 desacertadamente,	 ajeitar	 uma	 trança	
no	cabelo	da	irmãzinha,	que	devia	ter	uns	seis	anos.	Resolvi	parar	e	ajudá-lo,	ele	
estava	perdido	bagunçando	ainda	mais	os	cachinhos	dela.	Depois	que	eu	consegui	
ajeitá-la	ele	me	agradeceu	sem	graça,	colocou	a	mochila	rosa	da	irmã	nas	costas,	
segurou	a	mãozinha	dela	e	saiu	andando,	caminhando	lentamente,	acompanhando	
os	passinhos	curtos	da	pequena.	Não	sei	explicar	exatamente	o	porquê,	mas	esse	
menino	 botou	 um	 sorriso	 no	 meu	 rosto	 e	 fez	 o	 meu	 dia	 melhor.	 Em	 meio	 a	
adolescência,	hormônios,	rebeldia	e	espinhas,	esse	menino	andava	com	a	irmã	e	
segurava	 a	 mochilinha	 rosa	 como	 se	 ela	 naquele	 momento	 fosse	 seu	 bem	 mais	
precioso,	como	se	tivesse	nascido	para	proteger	aquela	pessoinha.	Eu	posso	estar	
emotiva,	de	tpm	ou	retardada,	mas	essa	cena	de	hoje	me	deu	uma	puta	alegria.
CHEFFINS,	Karla.	Sem	título.	In.:	Facebook.	25	mar.	2014.
QUESTÃO 25
revisional de literatura para o ENEM
As	escolhas	linguísticas,	as	intencionalidades,	os	elementos	da	narrativa,	bem	como	
o	modo	de	articular	o	discurso	são	índices	de	literariedade	e	auxiliam	não	só	na	
transmissão	 da	 mensagem,	 mas	 também	 na	 configuração	 da	 espécie	 literária	
específica.	Acerca	do	texto	de	Karla	Cheffins,	é	pertinente	o	seguinte	comentário:	
a)	Trata-se	de	um	poema	em	prosa,	pois	se	nota	claramente	a	ausência	de	elementos	
da	narrativa	e	que	o	locutor	articula	seu	discurso	como	tentativa	de	comentar	o	real.
b)	 Trata-se	 de	 uma	 crônica,	 pois	 se	 percebe	 que,	 além	 de	 construir	 uma	 narrativa	
altamente	lírica,	o	locutor	se	põe	a	analisar	a	cena	por	uma	ótima	bastante	singular.
c)	 Trata-se	 de	 um	 conto,	 devido	 ao	 fato	 de	 o	 texto	 articular-se	 como	 um	 relato	
curto,	 com	 uma	 cena	 corriqueira,	 ainda	 que	 se	 notem	 elementos	 da	 narrativa,	
como	narrador,	enredo,	tempo	e	espaço	e	personagens.
d)	Trata-se	de	um	depoimento,	cujo	objetivo	é	convencer	o	leitor	de	que	os	eventos	
apresentados	podem	acontecer	com	qualquer	um.
e)	Trata-se	de	um	apólogo,	narrativa	altamente	metafórica	que	se	descola	do	senso	
comum	 e	 visa	 a	 levar	 o	 leitor	 a	 fazer	 reflexões	 existenciais	 sobre	 as	 relações	
familiares.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	texto	de	Karla	Cheffins	é	uma	crônica.	Trata-se	de	uma	narrativa	altamente	lírica	
que	possui	traços	de	relato	e	visa	a	fazer	uma	reflexão	filosófica	sobre	a	condição	
humana.	Marque-se	a	letra	“b”.
Minha	terra	tem	palmeiras,	
Onde	canta	o	Sabiá;	
As	aves,	que	aqui	gorjeiam,	
Não	gorjeiam	como	lá.	
Nosso	céu	tem	mais	estrelas,	
Nossas	várzeas	têm	mais	flores,	
Nossos	bosques	têm	mais	vida,	
Nossa	vida	mais	amores.	[...]
Minha	terra	tem	primores,	
Que	tais	não	encontro	eu	cá;	
Em	cismar	—	sozinho,	à	noite	—	
Mais	prazer	eu	encontro	lá;	
Minha	terra	tem	palmeiras	
Onde	canta	o	Sabiá.
Não	permita	Deus	que	eu	morra,	
Sem	que	eu	volte	para	lá;	
Sem	que	desfrute	os	primores	
Que	não	encontro	por	cá;	
Sem	qu’inda	aviste	as	palmeiras	
Onde	canta	o	Sabiá.
DIAS,	Gonçalves.	Canção	do	exílio.	Disponível	em:	http://
pt.wikipedia.org/wiki/Canção_do_Ex%C3%ADlio.
Minha	terra	tem	Datena,		
Bolsonaro	e	Sheherazade,	
Que	me	causam	muita	pena,	
Mas	nenhuma	piedade.
Ao	ouvir	o	reverendo,	
Especulo	me	mudar,	
Tem	neguinho	defendendo	
Ditadura	militar.
Minha	terra	tem	pastores	
Que	dão	medo	de	escutar.	
Ao	ouvir	o	reverendo,	
Especulo	me	mudar.	
O	patife	faz	a	cena	
E	virou	parlamentar.
Que	me	mandem	pra	Gomorra,	
Pra	Crimeia	ou	Bagdá!	
Deus	me	livre	dos	pastores,	
Que	eu	não	sou	Ali	Babá!	
Aos	acólitos	da	ARENA:	
Vade	retro	–	sarava!
SANTIAGO,	Emmanuel.	Canção	do	exilem-me.	In.:	Facebook.	25	mar.	
2014.
QUESTÃO 26
revisional de literatura para o ENEM
Observando	as	relações	que	a	“Canção	do	exilem-me”	estabelece	com	a	“Canção	
do	exílio”,	de	Gonçalves	Dias,	nota-se	que	o	poema	de	Emmanuel	Santiago:	
a)	 constitui	 uma	 paráfrase,	 pois	 se	 apropria	 de	 vários	 elementos	 temáticos	 e	
formais	do	texto	de	Gonçalves	Dias.
b)	é	claramente	um	pastiche,	na	medida	em	que	articula-se	como	uma	cópia	do	
estilo	do	texto	do	poeta	romântico.
c)	é	um	meme,	pois,	além	de	apresentar	todas	as	características	de	um	“viral”,	foi	
publicado	nas	redes	sociais	e	possui	caráter	eminentemente	irônico.
d)	é	uma	bricolagem,	porque	apresenta	elementos	linguísticos	que	reproduzem	a	
mesma	estrutura	gramatical	da	“Canção	do	exílio”,	de	Gonçalves	Dias.
e)	trata-se	de	uma	paródia,	pois	os	dois	textos	tratam	do	mesmo	tema,	ainda	que	a	
abordagem	de	Santiago	adote	uma	linha	ideológica	diferente	do	texto	de	Dias.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	texto	de	Santiago	apresenta	o	mesmo	tema	do	de	Gonçalves	Dias,	entretanto	
revela	 uma	 visada	 crítica	 em	 relação	 ao	 Brasil.	 Trata-se,	 pois,	 de	 uma	 paródia.	
Marque-se,	portanto,	a	letra	“e”.
Até	agora	não	pudemos	saber	se	há	ouro	ou	prata	nela,	ou	outra	coisa	de	metal,	ou	
ferro;	 nem	 lha	 vimos.	 Contudo	 a	 terra	 em	 si	 é	 de	 muito	 bons	 ares	 frescos	 e	
temperados	como	os	de	Entre-Douro-e-Minho,	porque	neste	tempo	d'agora	assim	
os	achávamos	como	os	de	lá.	Águas	são	muitas;	infinitas.	Em	tal	maneira	é	graciosa	
que,	querendo-a	aproveitar,	dar-se-á	nela	tudo;	por	causa	das	águas	que	tem!	
CAMINHA,	Pero	Vaz	de.	Carta.	Disponível	em:	http://educaterra.terra.com.br.	Acesso	em:	04	mai.	2014.
QUESTÃO 27
revisional de literatura para o ENEM
Considerada	por	muitos	a	“certidão	de	nascimento	do	Brasil”,	a	Carta,	de	Pero	Vaz	
de	Caminha,	é	um	texto	que,	dentre	outros	aspectos,	apresenta,	denotativamente,	
ideais	 que	 auxiliam	 na	 definição	 da	 identidade	 nacional.	 Para	 além	 disso,	
entretanto,	é	possível	perceber	aspectos	tipicamente	europeus.	Identifique,	entre	
os	itens	apontados	a	seguir,	um	elemento	central	da	cultura	brasileira	que	aparece	
pela	primeira	vez	nos	textos	do	escrivão	da	frota	de	Pedro	Álvares	Cabral.	
a)	o	nativismo
b)	o	metalismo
c)	o	ufanismo
d)	a	linguagem
e)	o	antropocentrismo
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Dentre	 os	 elementos	 apontados	 nos	 distratores,	 aquele	 que	 atravessa	 toda	 a	
história	da	literatura	brasileira	é	o	nativismo	–	referência	a	elementos	da	natureza.	
A	 justificativa	 para	 tal	 ocorrência	 é	 o	 fato	 de,	 desde	 o	 século	 XV,	 os	 escritores	
articularem	 um	 discurso	 em	 que	 pátria	 e	 natureza	 aparecem	 indissociáveis.	
Ademais,	 nas	 palavras	 do	 crítico	 Antonio	 Candido,	 a	 recorrência	 dessa	 temática	
tanto	aponta	para	as	idiossincrasias	exóticas	brasileiras	quanto	para	a	ausência	de	
projetos	de	desenvolvimento	e	de	nação.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	“a”.
A	 feição	 deles	 é	 serem	 pardos,	 um	 tanto	 avermelhados,	 de	 bons	 rostos	 e	 bons	
narizes,	bem	feitos.	Andam	nus,	sem	cobertura	alguma.	Nem	fazem	mais	caso	de	
encobrir	ou	deixar	de	encobrir	suas	vergonhas	do	que	de	mostrar	a	cara.	Acerca	
disso	são	de	grande	inocência.	Ambos	traziam	o	lábio	de	baixo	furado	e	metido	
nele	um	osso	verdadeiro,	de	comprimento	de	uma	mão	travessa,	e	da	grossura	de	
um	fuso	de	algodão,	agudo	na	ponta	como	um	furador.	Metem-nos	pela	parte	de	
dentro	do	beiço	e	os	dentes	é	feita	a	modo	de	roque	de	xadrez.	E	trazem-no	ali	
encaixado	 de	 sorte	 que	 não	 os	 magoa,	 nem	 lhes	 põe	 estorvo	 no	 falar,	 nem	 no	
comer	e	beber.
CAMINHA,	Pero	Vaz	de.	Carta.	São	Paulo:	Dominus,	1963.
QUESTÃO 28
revisional de literatura para o ENEM
Considere	as	afirmações	a	seguir.
I.	Manifesta-se	no	fragmento	lido	a	incidência	da	Visão	Paraíso	de	que	trata	Sérgio	
Buarque	de	Holanda	em	seu	livro	Raízes	do	Brasil.
II.	O	confronto	entre	o	corpo	do	índio	e	o	do	europeu	é	pretexto	para	criticar	o	
habitante	das	terras	americanas.
III.	Há	no	fragmento	presença	de	analogia.
IV.	 A	 clareza	 e	 a	 objetividade	 no	 relato	 do	 cronista	 são	 manifestações	 do	
pensamento	renascentista.
São	corretas	apenas	as	assertivas:	
a)	I	e	IV. b)	I,	II	e	IV. c)	I,	III	e	IV.
d)	II	e	III. e)	III	e	IV.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Apenas	nos	itens	I,	III	e	IV	há	análises	adequadas	do	fragmento	transcrito.	Marque-
se,	pois,	a	alternativa	“c’.
A	América	é	uma	terra	vasta	onde	vivem	muitas	tribos	de	homens	selvagens	com	
diversas	 línguas	 diferentes.	 Também	 há	 muitos	 animais	 bizarros.	 Essa	 terra	 tem	
uma	aparência	amistosa,	visto	que	as	árvores	ficam	verdes	por	todo	o	ano,	mas	os	
tipos	 de	 madeira	 que	 lá	 existem	 não	 são	 comparáveis	 com	 os	 nossos.	 Todos	 os	
homens	andam	nus,	pois	naquela	parte	da	terra	situada	entre	os	trópicos	nunca	faz	
tanto	 frio	 quanto,	 entre	 nós,	 no	 dia	 de	 São	 Miguel.	 [...]	 Na	 terra	 em	 questão,	
nascem	e	crescem,	tanto	nas	árvores	quanto	nas	terras,	frutos	de	que	os	homens	e	
os	animais	se	alimentam.	Por	causa	do	sol	forte	os	habitantes	da	terra	tem	uma	cor	
de	pele	marrom-avermelhada.
STADEN,	H.	A	verdadeira	história	dos	selvagens,	nus	e	ferozes	devoradores	de	homens.	RJ:	Dantes,	1998.
QUESTÃO 29
revisional de literatura para o ENEM
Leia,	agora,	considerações	acerca	do	texto	de	Hans	Staden.	
I.	 O	 tema	 do	 fragmento	 é	 a	 apresentação	 do	 homem	 americano,	 o	 selvagem	
antropófago	referido	no	título	da	publicação.
II.	Predomina	no	fragmento	acima,	tal	qual	na	Literatura	de	Informação,	tanto	a	
denotação	quanto	a	descrição,	traços	que	tanto	conferem	um	tom	objetivo	ao	texto	
quanto	o	tornam	mais	simples	e	de	fácil	compreensão.
III.	O	texto	em	análise	é	um	desdobramento	das	grandes	navegações	do	século	XV	e	
apresenta	símiles	entre	elementos	europeus	e	elementos	brasileiros.
Assinale	a	alternativa	que	apresente	apenas	afirmações	corretas:
a)	I	e	II. b)	II. c)	II	e	III.
d)	III e)	I,	II	e	III.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Todas	as	análises	propostas	para	o	texto	de	Hans	Staden	estão	corretas.	Deve-se,	
portanto,	assinalar	a	alternativa	“e”.
POEMA	DO	BECO
Que	importa	a	paisagem,	a	baía,	a	glória,	a	linha	do	horizonte?	
O	que	eu	vejo	é	o	beco.
BANDEIRA,	Manuel.	Estrela	da	vida	inteira.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Fronteira,	1999.
QUESTÃO 30
revisional de literatura para o ENEM
Dadas	as	afirmações.
I.	Nota-se,	na	estrutura	do	poema,	a	presença	da	antítese.
II.	É	possível	ver,	no	texto,	a	afirmação	da	vida	como	um	beco	sem	saída.
III.	Há	exploração	de	elementos	ópticos.
IV.	O	culto	às	formas	tradicionais	de	poesia	faz-se	presente	no	poema	de	Bandeira.
V.	No	texto,	manifesta-se	o	lirismo	metafísico	ou	filosófico,	além	do	social.
É	correto	o	que	se	afirma	em:	
a)	I,	II	e	V. b)	II	e	III. c)	I,	II,	III	e	IV.
d)	I,	III	e	V. e)	II	e	IV.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Os	 itens	 que	 propõem	 análises	 pertinentes	 ao	 Poema	 do	 Beco	 são	 I,	 III	 e	 V.	
Marque-se,	pois,	a	letra	“d”.
MORRER...	AMAR...
Morrer...	dormir...	não	mais!	Termina	a	vida,	
E	com	ela	terminam	nossas	dores;	
Um	punhado	de	terra,	algumas	flores,	
E,	às	vezes,	uma	lágrima	fingida!
Sim!	minha	morte	não	será	sentida;	
Não	deixo	amigos,	e	nem	tive	amores!	
Ou,	se	os	tive,	mostraram-se	traidores,	
-	Algozes	vis	de	uma	alma	consumida.
Tudo	é	podre	no	mundo!	Que	me	importa	
Que	ele	amanhã	se	esboroe	e	que	desabe,	
Se	a	natureza	para	mim	é	morta!
É	tempo	já	que	o	meu	exílio	acabe…	
Vem,	pois,	ó	Morte	ao	nada	me	transporta…	
Morrer...	dormir...	talvez	sonhar...	quem	sabe?
OTAVIANO,	F.	Disponível	em:	http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=861&sid=169.	Acesso	em	23	mai.	2014.
QUESTÃO 31
revisional de literatura para o ENEM
Francisco	 Otaviano	 de	 Almeida	 Rosa	 foi	 advogado,	 poeta	 e	 jornalista.	 Sua	 obra	
reflete	bastante	claramente	o	mal-do-século	da	poesia	do	romantismo	brasileiro.	O	
soneto	acima,	entretanto,	dialoga	com	ideais	das	poéticas	barroca	e	simbolista.	Tal	
diálogo	se	faz	presente,	porque	
a)	a	morte	é	vista	como	momento	de	comunhão	com	Deus	e	com	os	homens.
b)	a	vida	é	vista	como	uma	sucessão	de	sofrimentos	e	de	frustrações.
c)	a	morte	é	vista	como	libertação	do	rosário	de	mágoas	que	é	a	existência.
d)	o	fim	da	existência	culmina	com	o	amor	em	sua	mais	alta	manifestação.
e)	a	vida	é	um	sudário	de	mágoas	e	a	morte	é	algo	ainda	mais	aterrorizante.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	 diálogo	 entre	 as	 estéticas	 barroca,	 romântica	 e	 simbolista	 presente	 no	 poema	
reside	no	fato	de	a	morte	ser	vista	pelo	sujeito	poético	como	fim	do	sofrimento	
terreno.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	“c”.
Todas	as	estrelas	[estão	no	Céu]	por	sua	ordem;	mas	é	ordem	que	faz	influência,	
não	é	ordem	que	faça	favor.	Não	fez	Deus	o	Céu	em	xadrez	de	estrelas,	como	os	
pregadores	fazem	o	sermão	em	xadrez	de	palavras.	Se	de	uma	parte	está	Branco,	
da	outra	há	de	estar	Negro,	se	de	uma	parte	está	Dia,	da	outra	há	de	estar	Noite;	se	
de	uma	parte	dizem	Luz,	da	outra	hão	de	dizer	Sombra;	se	de	uma	parte	dizem	
Desceu,	da	outra	hão	de	dizer	Subiu.	Basta	que	não	havemos	de	ver	num	sermão	
duas	palavras	em	paz?	Todos	hão	de	estar	sempre	em	fronteira	com	o	contrário?
VIEIRA,	A.	Sermão	da	sexagésima;	fragmento.	Disponível	em:	http://manoelneves.com.	Acesso	23	ago.	2013.
QUESTÃO 32
revisional de literatura para o ENEM
Padre	 Antônio	 Vieira,	 no	 Sermão	 da	 sexagésima,	 critica	 veementemente	 o	
virtuosismo	dos	pregadores,	que	usavam	intrincados	jogos	verbais	na	construção	
de	suas	prédicas.	Paradoxalmente,	entretanto,	percebe-se,	no	fragmento	transcrito,	
o	uso	expedientes	cultistas,	dentre	os	quais:	
a)	paradoxos	e	hipérbatos
b)	antíteses	e	anáforas
c)	eufemismos	e	metáforas
d)	paralelismos	e	zeugmas
e)	antonomásias	e	sinédoques
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	 fragmento	 em	 análise,	 há	 antíteses	 e	 anáforas	 em	 abundância.	 Deve-se	
assinalar,	portanto,	a	alternativa	“b”.
Copo	com	auto	fluxo	de	Robert	Boyle.	Disponível	em:	http://autopiadonexooposto.blogspot.com.br/2011/09/como-se-nada-
contrariasse-o-que-quer.html.	Acesso	em:	21	mai.	2014.
QUESTÃO 33
revisional de literatura para o ENEM
Robert	Boyle	(Lismore,	25	de	janeiro	de	1627	—	Londres,	31	de	dezembro	de	1691)	
foi	 um	 filósofo	 natural,	 químico	 e	 físico	 irlandês	 que	 se	 destacou	 pelos	 seus	
trabalhos	no	âmbito	da	física	e	da	química.	A	imagem	acima	reproduz	uma	de	suas	
ideias.	Ela	pode	ser	considerada	uma	utopia,	porque	máquinas	de	moto-contínuo	
não	existem.	A	ideia,	absurda	de	acordo	com	a	física	e	a	lógica	científica,	encontra	
uma	explicação	na	literatura,	que	é:	
a)	a	ironia
a)	a	metonímia
c)	o	paradoxo
d)	a	analogia
e)	a	reificação
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
O	conceito	impossível	apresentado	na	imagem	pode	ser	considerado	um	paradoxo	
–	 fusão	 dos	 contrários	 ou	 ideia	 aparentemente	 absurda.	 Assinale-se,	 pois,	 a	
alternativa	“c”.
Logo	todos	na	cidade	souberam:	Halim	se	embeiçara	por	Zana.	As	cristãs	maronitas	
de	Manaus,	velhas	e	moças,	não	aceitavam	a	ideia	de	ver	Zana	casar-se	com	um	
muçulmano.	Ficavam	de	vigília	na	calçada	do	Biblos,	encomendavam	novenas	para	
que	ela	não	se	casasse	com	Halim.	Diziam	a	Deus	e	ao	mundo	fuxicos	assim:	que	
ele	 era	 um	 mascate,	 um	 teque-teque	 qualquer,	 um	 rude,	 um	 maometano	 das	
montanhas	do	sul	do	Líbano	que	se	vestia	como	um	pé	rapado	e	matraqueava	nas	
ruas	e	praças	de	Manaus.	Galib	reagiu,	enxotou	as	beatas:	que	deixassem	sua	filha	
em	paz,	aquela	ladainha	prejudicava	o	movimento	do	Biblos.	Zana	se	recolheu	ao	
quarto.	Os	clientes	queriam	vê-la,	e	o	assunto	do	almoço	era	só	este:	a	reclusão	da	
moça,	o	amor	louco	do	“maometano”.	
HATOUM,	M.	Dois	irmãos.	São	Paulo:	Cia.	das	Letras,	2006	(fragmento).
QUESTÃO 34
revisional de literatura para o ENEM
Dois	 irmãos	 narra	 a	 história	 da	 família	 que	 Halim	 e	 Zana	 formaram	 na	 segunda	
metade	 do	 século	 XX.	 Considerando	 o	 perfil	 sociocultural	 das	 personagens	 e	 os	
valores	sociais	da	época,	a	oposição	ao	casamento	dos	dois	evidencia	
a)	as	fortes	barreiras	erguidas	pelas	diferenças	de	nível	financeiro.	
b)	o	impacto	dos	preceitos	religiosos	no	campo	das	escolhas	afetivas.	
c)	a	divisão	das	famílias	em	castas	formadas	pela	origem	geográfica.	
d)	a	intolerância	com	atos	litúrgicos,	aqui	representados	pelas	novenas	e	ladainhas.	
e)	a	importância	atribuída	à	ocupação	exercida	por	um	futuro	chefe	de	família.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Dois	 irmãos,	 um	 dos	 romances	 mais	 representativos	 dos	 anos	 2000,	 trata	 da	
colonização	 libanesa	 na	 região	 amazônica.	 A	 obra	 oferece	 uma	 mirada	 intimista	
acerca	de	aspectos	regionais	e	dos	conflitos	vividos	pelos	imigrantes	no	Norte	do	
país.	 Dentre	 os	 temas	 abordados	 por	 Milton	 Hatoum,	 destacam-se	 os	 conflitos	
religiosos,	 como	 se	 vê	 no	 fragmento	 transcrito	 nesta	 questão.	 Por	 isso	 mesmo,	
deve-se	assinalar	a	alternativa	“b”.
DOIS	QUADROS
Na	seca	inclemente	do	nosso	Nordeste,	
O	sol	é	mais	quente	e	o	céu	mais	azul	
E	o	povo	se	achando	sem	pão	e	sem	veste,		
Viaja	à	procura	das	terras	do	Sul.	
De	nuvem	no	espaço,	não	há	um	farrapo,		
Se	acaba	a	esperança	da	gente	roceira,	
Na	mesma	lagoa	da	festa	do	sapo,	
Agita-se	o	vento	levando	a	poeira.	
ASSARÉ,	Patativa	do.	Dois	quadros.	Disponível	em:	http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/seca-
inverno-634217.shtml.	Acesso	em:	23	abr.	2010	(fragmento).
ABC	DO	NORDESTE	FLAGELADO
O	–	Outro	tem	opinião

de	deixar	mãe,	deixar	pai,		
porém	para	o	Sul	não	vai,		
procura	outra	direção.

Vai	bater	no	Maranhão		
onde	nunca	falta	inverno;		
outro	com	grande	consterno		
deixa	o	casebre	e	a	mobília		
e	leva	a	sua	família

pra	construção	do	governo.	
Disponível	em:	www.revista.agulha.com.br.	Acesso	em:	23	abr.	2010	(fragmento).
QUESTÃO 35
revisional de literatura para o ENEM
Os	Textos	I	e	II	são	de	autoria	do	escritor	nordestino	Patativa	do	Assaré,	que,	em	
sua	 obra,	 retrata	 de	 forma	 bastante	 peculiar	 os	 problemas	 de	 sua	 região.	 Esses	
textos	têm	em	comum	o	fato	de	abordarem	
a)	a	falta	de	esperança	do	povo	nordestino,	que	se	deixa	vencer	pela	seca.	
b)	a	dúvida	de	que	a	ajuda	do	governo	chegará	ao	povo	nordestino.	
c)	o	êxodo	do	homem	nordestino	à	procura	de	melhores	condições	de	vida.	
d)	o	sentimento	de	tristeza	do	povo	nordestino	devido	à	falta	de	chuva.	
e)	o	sofrimento	dos	animais	durante	os	longos	períodos	de	estiagem.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Nos	dois	fragmentos,	o	mesmo	tema	–	o	deslocamento	do	nordestino	em	busca	de	
melhores	condições	de	vida	–	recebe	tratamento	diferente:	enquanto	no	primeiro,	
o	migrante	desloca-se	para	o	Sul	do	país;	no	segundo,	há	uma	migração	regional.	
Assinale-se,	portanto,	a	alternativa	“c”.
hoje	à	noite	
até	as	estrelas	
cheiram	a	flor	de	laranjeira
LEMINSKI,	Paulo.	Toda	poesia.	São	Paulo:	Companhia	das	Letras,	2013.
QUESTÃO 36
revisional de literatura para o ENEM
Considerando	os	elementos	constitutivos	do	texto,	do	gênero	e	da	espécie	literária,	
é	correto	afirmar	que:	
a)	 o	 texto	 se	 constrói	 como	 uma	 elegia,	 pois	 apresenta	 considerações	 doloridas	
acerca	da	passagem	do	tempo.
b)	há	uma	micronarrativa	que	se	articula	por	intermédio	de	observações	da	natureza	e	
de	um	grande	envolvimento	do	sujeito	poético	com	as	personagens.
c)	articulado	em	três	movimentos,	o	texto	apresenta	três	painéis	que	funcionam	como	
falas	de	personagens,	o	que	acaba	por	se	configurar	como	um	texto	dramático.
d)	o	poema	se	estrutura	em	três	movimentos,	que	sugerem	que	o	locutor	está	na	
contemplação	de	uma	paisagem.
e)	os	sentimentos	do	sujeito	poético	contaminam	a	paisagem;	por	isso	mesmo,	a	
paisagem	se	dá	a	conhecer	gradativamente:	noite,	estrelas,	laranjeira.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Marque-se	a	letra	“d”,	pois	o	poema	é	um	hai	cai,	que	articula	por	intermédio	de	
três	cenas	da	natureza.	Infere-se	que	o	locutor	está	contemplando	uma	paisagem	e	
meditando.
Filho	 meu,	 guarda	 as	 minhas	 palavras,	 e	 esconde	 dentro	 de	 ti	 os	 meus	
mandamentos.
Guarda	 os	 meus	 mandamentos	 e	 vive;	 e	 a	 minha	 lei,	 como	 a	 menina	 dos	 teus	
olhos.
Ata	aos	teus	dedos,	escreve-os	na	tábua	do	teu	coração.
BÍBLIA	SAGRADA.	Velho	Testamento.	Provérbios.	Português.	Reed.	Versão	de	Anttonio	Pereira	de	Figueiredo.	São	Paulo:	
Editora	das	Américas,	1950.	Cap.	07,	ver.1-3.
QUESTÃO 37
revisional de literatura para o ENEM
Pela	análise	do	texto,	percebe-se	a	presença	marcante	de	uma	determinada	função	
da	linguagem,	por	intermédio	da	qual	o	locutor:	
a)	imprime	ao	texto	as	marcas	de	sua	atitude	pessoal,	seus	sentimentos.
b)	transmite	informações	objetivas	sobre	o	tema	de	que	trata	o	texto.
c)	busca	persuadir	o	receptor	do	texto	a	adotar	um	certo	comportamento.
d)	procura	explicar	a	própria	linguagem	que	utiliza	para	construir	o	texto.
e)	objetiva	verificar	ou	fortalecer	a	eficiência	da	mensagem	veiculada.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Os	 verbos	 no	 imperativo	 guarda,	 esconde,	 guarda,	 ata	 e	 escreve	 indicam	 que	
predomina,	 no	 texto,	 a	 função	 conativa	 ou	 apelativa,	 por	 intermédio	 da	 qual	 o	
locutor	 busca	 persuadir	 o	 interlocutor	 a	 adotar	 um	 comportamento.	 Marque-se,	
pois,	a	letra	“c”.
Vou	apertar,	mas	não	vou	acender	agora		
Se	segura	malandro,	pra	fazer	a	cabeça	tem	hora	
É	que	você	não	está	vendo		
Que	a	boca	tá	assim	de	corujão		
Tem	dedo	de	seta	adoidado		
Todos	eles	a	fim	de	entregar	os	irmãos
Malandragem,	dá	um	tempo	
Deixe	essa	pá	de	sujeira	ir	embora	
É	por	isso	que	eu	vou	apertar,	
Mas	não	vou	acender	agora.
É	que	o	281	foi	afastado		
O	16	e	o	12	no	lugar	ficou		
E	uma	muvuca	de	espertos	demais		
Deu	mole	e	o	bicho	pegou
Quando	os	home	da	lei	grampeiam,	
o	coro	come	toda	hora	
É	por	isso	que	eu	vou	apertar,	
Mas	não	vou	acender	agora.	
ADELZONILTON, MOACIR BOMBEIRO. Malandragem dá um tempo. Disponível em: http://
www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/bezerra-da-silva/malandragem-da-um-tempo/2471937.
QUESTÃO 38
revisional de literatura para o ENEM
Na	 construção	 textual,	 por	 vezes,	 ao	 articular	 seu	 discurso,	 o	 autor	 vale-se	 da	
linguagem	 conotativa.	 Dois	 dos	 procedimentos	 figurativos	 mais	 comuns	 são	 a	
substituição	e	a	analogia.	Indique,	dentre	os	fragmentos	abaixo,	extraídos	da	letra	
da	música	Malandragem,	dá	um	tempo,	aquele	cuja	natureza	é	eminentemente	
metonímica:	
a)	“É	que...	tá	assim	de	corujão”;
b)	“dedo...	a	fim	de	entregar	os	irmão”;
c)	“pra	fazer	a	cabeça	tem	hora”;
d)	“uma	muvuca	deu...	o	bicho	pegou”;
e)	“quando	os	home	da	lei	grampeia”.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
A	metonímia	opera	pela	substituição.	O	“dedo”,	na	alternativa	“b”,	ocupa	o	lugar	da	
pessoa	que	chama	o	policial.
Sabe	o	Bezerra	da	Silva,	aquele	malandrinho	simpático	do	“Vou	apertar/	Mas	não	
vou	acender	agora”?	Já	prestaram	atenção	à	letra?	“É	que	o	281	foi	afastado/	O	16	
e	o	12	no	lugar	ficou”.	Além	de	malandrinho	e	simpático,	ainda	versado	nas	letras	
da	lei!	 	Ele	sabia	que	o	art.	281	do	Código	Penal	de	1940	fora	revogado	pela	Lei	
6368/76	 (hoje	 já	 revogada),	 cujos	 artigos	 12	 e	 16	 descreviam	 as	 condutas	
relacionadas	 ao	 consumo,	 porte	 e	 tráfico	 de	 drogas.	 Razoável	 conhecimento	
técnico-jurídico	da	malandragem	que	dá	um	tempo.
V	de	justiça.	Disponível	em:	http://cantandonotoro.blogspot.com.br/2011/08/justica-da-vinganca.html.	Acesso	em	03	abr.	2014.
QUESTÃO 39
revisional de literatura para o ENEM
O	parágrafo	acima,	extraído	do	texto	V	de	justiça	articula-se	como	uma	leitura	da	
letra	de	música	Malandragem,	dá	um	tempo,	transcrita	anteriormente.	Percebe-se,	
muito	claramente,	que	sua	intencionalidade	é	fazer	uma	leitura	de	um	fragmento	
do	texto	cantado	por	Bezerra	da	Silva.	Para	atender	ao	seu	objetivo	discursivo,	o	
autor:
a)	incorpora	parodicamente	o	texto	que	se	propõe	a	analisar,	na	medida	em	que	
aborda	o	mesmo	tema.
b)	comprova	suas	hipóteses	por	intermédio	de	opiniões	e	de	constatações,	o	que	
configura	seu	algo	nível	de	argumentação.
c)	 usa	 diferentes	 variantes	 linguísticas,	 o	 que	 acaba	 por	 garantir	 uma	
heterogeneidade	tipológica	ao	texto.
d)	articula	seu	texto	por	intermédio	de	sequências	expositivas	e	argumentativas,	tal	
qual	se	faz	na	dissertação.
e)	mantém,	o	tempo	todo,	o	uso	do	padrão	formal,	culto,	da	linguagem,	conforme	
exige	o	suporte	de	que	se	vale.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Marque-se	a	letra	“d”,	pois	o	locutor	apresenta	uma	hipótese	e,	para	comprová-la,	
exibe	dados	e	estratégias	argumentativas.
O	telefone	tocou.
—	Alô?	Quem	fala?
—	Como?	Com	quem	deseja	falar?
—	Quero	falar	com	o	sr.	Samuel	Cardoso.
—	É	ele	mesmo.	Quem	fala,	por	obséquio?
—	Não	se	lembra	mais	da	minha	voz,	seu	Samuel?	Faça	um	esforço.
—	Lamento	muito,	minha	senhora,	mas	não	me	lembro.	Pode	dizer-me	de	quem	se	
trata?
ANDRADE,	C.	D.	Contos	de	aprendiz.	Rio	de	Janeiro:	José	Olympio,	1958.	Fragmento.
QUESTÃO 40
terceira aplicação do ENEM-2014
Pela	insistência	em	manter	o	contato	entre	o	emissor	e	o	receptor,	predomina	no	
texto	a	função
a)	metalinguística
b)	fática
c)	referencial
d)	emotiva
e)	conativa
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
A	função	da	linguagem	cuja	intencionalidade	é	estabelecer	contato	com	o	leitor	é	a	
fática.	Deve-se,	pois,	assinalar	a	alternativa	“b”.
Gerou	os	filhos,	os	netos,	
Deu	à	casa	o	ar	de	sua	graça	
e	vai	morrer	de	câncer.	
O	modo	como	pousa	a	cabeça	para	um	retrato	
é	o	da	que,	afinal,	aceitou	ser	dispensável.	
Espera,	sem	uivos,	a	campa,	a	tampa,	a	inscrição:	
1906-1970.	
SAUDADE	DOS	SEUS,	LEONORA.
RESUMO
PRADO,	A.	Bagagem.	Rio	de	Janeiro:	Record,	2007.
QUESTÃO 41
terceira aplicação do ENEM-2014
O	 texto	 de	 Adélia	 Prado	 apresenta	 uma	 mulher	 cuja	 vida	 se	 “resume”.	 Sua	
expressão	poética	revela
a)	contradições	do	universo	feminino	infeliz.
b)	frustração	relativa	às	obrigações	cotidianas.
c)	busca	de	identidade	no	universo	familiar.
d)	subterfúgios	de	uma	existência	complexa.
e)	resignação	diante	da	condição	social	imposta.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
O	 poema	 de	 Adélia	 Prado	 articula-se	 como	 uma	 biografia	 poética	 de	 uma	
personagem	[feminina]	que	está	totalmente	resignada	à	encenação	dos	papeis	a	
ela	destinados	pela	sociedade.	Tal	afirmação	pode	ser	comprovada	pelos	versos	5	e	
6.	Sendo	assim,	deve-se	assinalar	a	alternativa	“e”.
Pecados,	 vagância	 de	 pecados.	 Mas,	 a	 gente	 estava	 com	 Deus?	 Jagunço	 podia?	
Jagunço	 –	 criatura	 paga	 para	 crimes,	 impondo	 o	 sofrer	 no	 quieto	 arruado	 dos	
outros,	 matando	 e	 roupilhando.	 Que	 podia?	 Esmo	 disso,	 disso,	 queri,	 por	 pura	
toleima;	que	sensata	resposta	podia	me	assentar	o	Jõe,	broreiro	peludo	do	Riachão	
do	 Jequitinhonha?	 Que	 podia?	 A	 gente,	 nós,	 assim	 jagunços,	 se	 estava	 em	
permissão	de	fé	para	esperar	de	Deus	perdão	de	proteção?	Perguntei,	quente.
—	“Uai?	Nós	vive...	—	foi	o	respondido	que	ele	me	deu.
ROSA,	G.	Grande	sertão:	veredas.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Fronteira,	2011.	Fragmento.
QUESTÃO 42
terceira aplicação do ENEM-2014
Guimarães	 Rosa	 destaca-se	 pela	 inovação	 da	 linguagem	 com	 marcas	 dos	 falares	
populares	 e	 regionais.	 Constrói	 seu	 vocabulário	 a	 partir	 de	 arcaísmos	 e	 da	
intervenção	nos	campos	sintático-semânticos.	Em	Grande	sertão:	veredas,	seu	livro	
mais	marcante,	faz	o	enredo	girar	em	torno	de	Riobaldo,	que	tece	a	história	de	sua	
vida	 e	 sua	 interlocução	 com	 o	 mundo-sertão.	 No	 fragmento	 em	 referência,	 o	
narrador	faz	uso	da	linguagem	para	revelar
a)	inquietação	por	desconhecer	se	os	jagunços	podem	ou	não	ser	protegidos	por	
Deus.
b)	 uma	 insatisfação	 profunda	 com	 relação	 à	 sua	 condição	 de	 jagunço	 e	 homem	
pecador.
c)	 confiança	 na	 resposta	 de	 seu	 amigo	 Jõe,	 que	 parecia	 ser	 homem	 estudado	 e	
entendido.
d)	muitas	dúvidas	sobre	a	vida	após	a	morte,	a	vida	espiritual	e	sobre	a	fé	que	pode	
ter	o	jagunço.
e)	arrependimento	pelos	pecados	cometidos	na	vida	errante	de	jagunço	e	medo	da	
perdição	eterna.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
Apesar	de	o	enunciado	da	questão	direcionar	o	leitor,	de	modo	bastante	simplista,	
para	a	alternativa	que	apresenta	uma	cópia	literal	da	parte	final	do	fragmento	e	
permitir	ao	aluno	assinalar	a	letra	“a”	sem	ter	tido	uma	compreensão	um	pouco	
mais	 profunda	 do	 trecho	 transcrito,	 o	 texto	 em	 análise	 apresenta	 ricamente	 a	
inquietação	 existencial	 do	 jagunço-narrador	 Riobaldo	 acerca	 da	 possibilidade	 de	
Deus	 proteger	 quem	 está	 a	 serviço	 da	 cólera	 do	 homem	 [de	 posses?].	 Deve-se	
destacar	 que	 tal	 angústia	 é	 traduzida	 por	 intermédio	 de	 uma	 sequência	 de	 seis	
perguntas,	o	que,	tanto	aponta	para	cabala,	posto	que,	em	tal	sistema	de	crença,	
seis	 é	 o	 número	 da	 imperfeição	 [refere-se	 ao	 homem	 e	 ao	 próprio	 Demônio],	
quanto	para	certo	barroquismo,	traduzido	nas	espirais	sugeridas	pela	sequência	de	
perguntas	e	pela	elaboração	[cultista]	da	linguagem.
Olhou	para	o	teto,	a	telha	parecia	um	quadrado	de	doce.		
Ah!	—	falou	sem	se	dar	conta	de	que	descobria,		
durando	desde

a	infância,	aquela	hora	do	dia,	mais	um	galo	cantando,		
um	corte	de	trator,	as	três	camadas	de	terra,	
a	ocre,	a	marrom,	a	roxeada.	Um	pasto,	
não	tinha	certeza	se	uma	vaca	
e	o	sarilho	da	cisterna	desembestado,	a	lata	
batendo	no	fundo	com	estrondo.	
Quando	insistiram,	vem	jantar,	que	esfria,	
ele	foi	e	disse	antes	de	comer:	
“Qualidade	de	telha	é	essas	de	antigamente”.
A	DESPROPÓSITO
PRADO,	A.	Bagagem.	Rio	de	Janeiro:	Record,	2007.
QUESTÃO 43
terceira aplicação do ENEM-2014
A	 poesia	 brasileira	 sofreu	 importantes	 transformações	 após	 a	 Semana	 de	 1922,	
sendo	 a	 aproximação	 com	 a	 prosa	 uma	 das	 mais	 significativas.	 O	 poema	 da			
mineira	 Adélia	 Prado	 rompe	 com	 a	 lírica	 tradicional	 e	 se	 aproxima	 da	 prosa	 por	
apresentar
a)	travessão,	estrutura	do	verso	com	pontuação	comum	a	orações	e	aproximação	
com	a	oralidade,	elementos	próprios	da	narrativa.
b)	uma	estrutura	narrativa	que	não	segue	a	sequência	de	estrofes	nem	utiliza	de	
linguagem	metafórica.
c)	 personagem	 situado	 no	 tempo	 e	 espaço,	 descrevendo	 suas	 memórias	 da	
infância.
d)	discurso	direto	e	indireto	alternados	na	voz	do	eu	lírico	e	localização	espacial.
e)	narrador	em	primeira	pessoa,	linguagem	discursiva	e	elementos	descritivos.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
A	indistinção	[/fusão]	dos	gêneros	[e	das	espécies	literárias]	é	um	dos	principais	
traços	da	poesia	[marginal]	produzida	no	Brasil	desde	o	final	dos	anos	1960.	No	
texto	de	Adélia	Prado,	os	traços	narrativos	estão	indicados	na	alternativa	“a”.
STIGGER,	V.	Disponível	em:	http://culturaebarbarie.org.	Acesso	em:	28	jul.	2012.
José	tinha	um	verso	do	poeta	morto	tatuado	na	barriga,	logo	abaixo	do	umbigo.	
Um	dia,	a	família	viva	do	poeta	morto	viu	José	refestelando-se	na	areia	da	praia,	
com	 o	 tal	 verso	 bem	 à	 vista,	 logo	 acima	 da	 sunga	 amarela.	 Horrorizada	 com	 o	
acinte,	 a	 família	 o	 processou.	 Era	 um	 inequívoco	 oferecimento	 da	 obra	 ao	
conhecimento	público	—	e	num	local	de	frequência	coletiva.	A	família	ganhou	a	
causa	e	a	tatuagem,	que	hoje	está	emoldurada	na	grande	sala	de	estar,	logo	acima	
do	sofá	vermelho.
QUESTÃO 44
terceira aplicação do ENEM-2014
No	 texto,	 o	 verso	 tatuado	 no	 corpo	 de	 José	 é	 reinvindicado	 pelos	 herdeiros	 do	
poeta,	que	não	aceitam	sua	exposição	pública.	Nesse	sentido,	o	texto	tem	como	
objetivo
a)	abordar	a	questão	dos	limites	dos	direitos	autorais.
b)	fazer	uma	reflexão	sobre	as	diversas	formas	de	circulação	do	texto	poé†co.
c)	explicar	que	a	poesia	pertence	à	coletividade	e	não	à	família	herdeira	do	poeta.
d)	evidenciar	a	perda	do	caráter	sagrado	da	poesia,	ao	mencionar	a	localização	da	tatuagem.
e)	chamar	atenção	do	leitor	para	as	políticas	de	divulgação	de	obras	literárias.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
O	 fato	 de	 a	 família	 do	 poeta	 morto	 ficar	 horrorizada	 com	 a	 reprodução	 não	
autorizada	de	parte	da	obra	de	seu	parente	permite	afirmar	que	o	poema	em	prosa	
analisado	discute	de	modo	alegórico	os	direitos	autorais.	Marque-se,	pois,	a	letra	
“a”.
BARRETO,	L.	Triste	fim	de	Policarpo	Quaresma.	São	Paulo:	Brasiliense,	1986.
A	sua	concepção	de	governo	[do	Marechal	Floriano	Peixoto]	não	era	o	despotismo,	
nem	 a	 democracia,	 nem	 a	 aristocracia;	 era	 a	 de	 uma	 tirania	 doméstica.	 O	 bebê	
portou-se	mal,	castiga-se.	Levada	a	coisa	ao	grande	o	portar-se	mal	era	fazer-lhe	
oposição,	ter	opiniões	contrárias	às	suas	e	o	castigo	não	eram	mais	palmadas,	sim,	
porém,	prisão	e	morte.	Não	há	dinheiro	no	tesouro;	ponham-se	as	notas	recolhidas	
em	circulação,	assim	como	se	faz	em	casa	quando	chegam	visitas	e	a	sopa	é	pouca:	
põe-se	mais	água.
QUESTÃO 45
terceira aplicação do ENEM-2014
A	 obra	 literária	 de	 Lima	 Barreto	 faz	 uma	 crítica	 incisiva	 ao	 período	 da	 Primeira	
República	no	Brasil.	No	fragmento	do	romance	Triste	fim	de	Policarpo	Quaresma	a	
expressão	 “tirania	 doméstica”,	 como	 concepção	 do	 governo	 florianista,	 significa	
que
a)	o	regime	político	era	omisso	e	elitista.
b)	a	visão	política	de	governo	era	infantilizada.
c)	o	presidente	empregava	seus	parentes	no	governo.
d)	o	modelo	de	ação	política	e	econômica	era	patriarcal.
e)	o	presidente	assumiu	a	imagem	populista	de	pai	da	nação.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
No	fragmento	em	análise,	pode-se	perceber	que,	para	o	enunciador,	a	visão	política	
de	Floriano	é	bastante	míope:	ele	via	qualquer	ato	contrário	ao	seu	pensamento	
como	 algo	 pessoal.	 Ademais,	 o	 adjetivo	 “doméstico”	 permite	 pressupor	 que	 o	
Presidente	seria	o	pai	e	administraria	as	questões	sociais	[portar-se	mal],	políticas	
[ter	opiniões	contrárias]	e	econômicas	[falta	de	dinheiro	no	tesouro]	como	algo	de	
foro	familiar.	Deve-se,	pois,	assinalar	a	alternativa	“d”.
ASSIS,	M.	Memórias	póstumas	de	Brás	Cubas.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Aguilar.	1974.	Fragmento.
E	 vejam	 agora	 com	 que	 destreza,	 com	 que	 arte	 faço	 eu	 a	 maior	 transição	 deste	
livro.	Vejam:	o	meu	delírio	começou	em	presença	de	Virgília;	Virgília	foi	o	meu	grão	
de	 pecado	 de	 juventude;	 não	 há	 juventude	 sem	 meninice;	 meninice	 supõe	
nascimento;	e	eis	aqui	como	chegamos	nós,	sem	esforço,	ao	dia	20	de	outubro	de	
1805,	em	que	nasci.	Viram?
QUESTÃO 46
terceira aplicação do ENEM-2014
A	repetição	é	um	recurso	linguístico	utilizado	para	promover	a	progressão	textual,	
pois	 indica	 entrelaçamento	 de	 ideias.	 No	 fragmento	 do	 romance,	 as	 repetições	
foram	utilizadas	com	o	objetivo	de
a)	 marcar	 a	 transição	 entre	 dois	 momentos	 distintos	 da	 narrativa,	 o	 amor	 do	
narrador	por	Virgília	e	seu	nascimento.
b)	tornar	mais	lento	o	fluxo	de	informações,	para	finalmente	conduzir	o	leitor	ao	
tema	principal.
c)	reforçar,	pelo	acúmulo	de	afirmações,	a	ideia	do	quanto	é	grande	o	sentimento	
do	narrador	por	Virgília.
d)	 representar	 a	 monotonia,	 caracterizadora	 das	 etapas	 da	 vida	 do	 autor:	 a	
juventude	e	a	velhice.
e)	assegurar	a	sequenciação	cronológica	dos	fatos	representados	e	a	precisão	das	
informações.
SOLUÇÃO COMENTADA
terceira aplicação do ENEM-2014
Por	intermédio	da	repetição	vocabular,	apresentam-se	ao	leitor	quatro	marcos	da	
vida	 do	 narrador,	 a	 saber:	 amor,	 juventude,	 infância,	 nascimento.	 Posto	 isso,	 a	
alternativa	que	apresenta	a	melhor	análise	do	referido	recurso	coesivo	é	a	letra	“a”.
Tu	choraste	em	presença	de	morte?	
Em	presença	de	estranhos	choraste?	
Não	descende	o	cobarde	do	forte;	
Pois	choraste	meu	filho	não	és!
Disponível	em:	http://www.biblio.com.br
Não	chores,	meu	filho;	
Não	chores,	que	a	vida	
É	luta	renhida:	
Viver	é	lutar.	
A	vida	é	combate,	
Que	os	fracos	abate,	
Que	os	fortes,	que	os	bravos	
Só	pode	exaltar
Disponível	em:	http://www.biblio.com.br
QUESTÃO 47
revisional de literatura para o ENEM
Os	dois	textos	possuem	uma	ideia	em	comum:
a)	a	exaltação	das	belezas	naturais	do	Brasil;
b)	a	negação	da	paternidade;
c)	a	fortaleza	moral	do	índio	diante	da	adversidade;
d)	visão	idealista	e	rósea	da	existência;
e)	constatação	da	fragilidade	espiritual	do	índio.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Nos	 dois	 fragmentos,	 há	 a	 idealização	 da	 figura	 do	 silvícola.	 Assinale-se,	 pois,	 a	
alternativa	“c”.
ALENCAR,	José	de.	Iracema.	São	Paulo:	Ática,	2005.
Enterra	o	corpo	de	tua	esposa	ao	pé	do	coqueiro	que	tu	amavas.	Quando	o	vento	
do	 mar	 soprar	 nas	 folhas,	 Iracema	 pensará	 que	 é	 a	 tua	 voz	 que	 fala	 entre	 seus	
cabelos.	O	doce	lábio	emudeceu	para	sempre;	o	último	lampejo	despediu-se	dos	
olhos	baços.	Poti	amparou	o	irmão	na	grande	dor.	Martim	sentiu	quanto	um	amigo	
verdadeiro	é	precioso	na	desventura.
QUESTÃO 48
revisional de literatura para o ENEM
Referindo-se	ao	texto	acima,	indique	o	comentário	não	pertinente:
a)	Os	romances	indianistas	podem	ser	vistos	como	recriações	literárias	do	processo	
colonizatório	brasileiro.
b)	O	escritor	romântico,	ao	construir	sua	obra,	tinha	por	objetivo	traçar	um	perfil	
da	alma	e	da	identidade	nacionais.
c)	 Há,	 na	 dicção	 romântica	 indianista,	 um	 afastamento	 do	 ideário	 colonialista	
europeu.
d)	 O	 processo	 civilizatório	 traz	 apenas	 benefícios	 para	 os	 habitantes	 da	 terra	
americana.
e)	 Alencar	 é	 o	 único,	 dentre	 os	 prosadores	 românticos,	 a	 construir	 romances	
indianistas.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
Da	leitura	do	fragmento	depreende-se	que	houve	perdas	no	processo	colonizatório.	
Metaforicamente,	é	possível	entrever	que,	para	que	houvesse	a	formação	do	Brasil,	
foi	necessário	que	o	elemento	natural	indígena	fosse	dizimado.	Marque-se,	pois,	a	
alternativa	“d”.
GUIMARÃES,	Bernardo.	A	escrava	Isaura.	São	Paulo:	Ática,	2001.
Acha-se	ali	sozinha	e	sentada	ao	piano	uma	bela	e	nobre	figura	de	moça.	As	linhas	
de	perfil	desenham-se	distintamente	entre	o	ébano	da	caixa	de	piano,	e	as	bastas	
madeixas	aqui	negras	do	que	ele.	São	tão	puras	e	suaves	essas	linhas,	que	fascinam	
os	olhos,	enlevam	a	mente	e	paralisam	toda	análise.	A	tez	é	como	o	marfim	do	
teclado,	 alva	 que	 não	 deslumbra,	 embaçada	 por	 uma	 nuança	 delicada,	 que	 não	
sabereis	dizer	se	é	leve	palidez	ou	cor-de-rosa	desmaiada.
QUESTÃO 49
revisional de literatura para o ENEM
Extraído	 do	 romance	 A	 escrava	 Isaura,	 o	 trecho	 exemplifica	 uma	 característica	
romântica,	que	é:	
a)	consciência	da	solidão;
b)	ânsia	de	glória;
c)	idealização	da	personagem;
d)	contestação	da	ideologia	europeia;
e)	valorização	do	negro.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
No	fragmento	em	análise,	o	locutor	apresenta	a	personagem	Isaura,	uma	escrava,	
como	 portadora	 dos	 traços	 físicos	 e	 dos	 comportamentos	 típicos	 das	 heroínas	
românticas	tradicionais.	Marque-se,	pois,	a	alternativa	“c”.
NEL	MEZZO	DEL	CAMIN...
Cheguei.	Chegaste.	Vinhas	fatigada	
E	triste,	e	triste	e	fatigado	eu	vinha.	
Tinhas	a	alma	de	sonhos	povoada,	
E	alma	de	sonhos	povoada	eu	tinha...	
E	paramos	de	súbito	na	estrada	
Da	vida:	longos	anos,	presa	à	minha	
A	tua	mão,	a	vista	deslumbrada	
Tive	da	luz	que	teu	olhar	continha.	
Hoje	segues	de	novo...	Na	partida	
Nem	o	pranto	os	teus	olhos	umedece,	
Nem	te	comove	a	dor	da	despedida.
E	eu,	solitário,	volto	a	face,	e	tremo,	
Vendo	o	teu	vulto	que	desaparece	
Na	extrema	curva	do	caminho	extremo.	
BILAC,	O.	Disponível	em:	http://www.revista.agulha.nom.br/bilac2.html
QUESTÃO 50
revisional de literatura para o ENEM
Sobre	a	primeira	estrofe	do	famoso	poema	de	Bilac:	
a)	O	eu	lírico	se	oculta	na	subjetividade	característica	da	estética	parnasiana.
b)	O	eu	lírico	mostra-se	reservado	na	manifestação	de	seus	sentimentos.
c)	 Apesar	 de	 parnasiano	 na	 forma,	 identifica-se	 com	 o	 Romantismo	 na	
manifestação	de	sentimentos	do	eu	lírico.
d)	A	presença	da	palavra	sonhos	identifica-o	com	a	estética	simbolista.
e)	Corresponde	plenamente	ao	ideário	da	estética	parnasiana.
SOLUÇÃO COMENTADA
revisional de literatura para o ENEM
A	 forma	 do	 poema	 de	 Bilac	 é	 parnasiana	 [soneto	 decassílabo,	 rimas	 ricas,	
vocabulário	 elevado,	 chave	 de	 ouro].	 A	 temática	 e	 a	 perspectiva	 adotada	 pelo	
locutor	 para	 abordar	 o	 assunto	 são	 totalmente	 românticas	 [subjetividade	 e	
envolvimento	emocional].	Deve-se,	pois,	assinalar	a	alternativa	“c”.

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