O QUE É LITERATURA DE CORDEL                                                          O cordel é conhecido como o jornal d...
fundada em 19887. Segundo Ana Paula Araujo 8, “devido ao linguajar despreocupado,regionalizado e informal utilizado para a...
Dentre as diferentes expressões da cultura popular, podemos incluir aLiteratura de Cordel.ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL  ...
Nordeste. Por volta de 1750, apareceram os primeiros poetas populares que narravamsagas em versos, visto que a maioria des...
de Canudos, em que o conflito de 1896 e 1897, opondo Antônio Conselheiro aoExército brasileiro.22LITERATURA DE CORDEL COMO...
Noticiosos (funcionam como jornais) 26; Histórias de valentia (apresentam personagenslendários na região); Anti-heróis (fa...
REPENTISTA X CORDELISTA            Por conta desta musicalidade, o cordel é constantemente confundido com orepente. É semp...
BIBLIOGRAFIAACOPIARA, Moreira de. Cordel em arte e versos. Xilogravuras de Erivaldo Ferreira     da Silva. São Paulo: Acat...
LUYTEN, Joseph M. O que é literatura de cordel. São Paulo: Brasiliense, 2007.    (Coleção Primeiros Passos; 317).MATOS, Ed...
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  1. 1. O QUE É LITERATURA DE CORDEL O cordel é conhecido como o jornal do povo. Ele faz registro de momentos históricos ou do contexto em que aconteceram esses fatos. O cordel contribui, assim, como fonte de informação histórica. Responder esta pergunta não é tarefa das mais fáceis. É extremamentedifícil encontrar uma resposta que satisfaça a todos os estudiosos do tema. Encontramosdiversas formas de definir o que é Literatura de Cordel, também conhecida por folhetosde feira, "folhas volantes" ou "folhas soltas" ou ainda literatura de cego1. Uma delas éde autoria de Marco Haurélio 2, que assim a define: é “a poesia popular impressa eherdeira do romanceiro tradicional, da literatura oral (em especial dos contospopulares, com predominância dos contos de encantamento)”. Francisco Diniz3 recorre ao formado de cordel para definir, segundo seuponto de vista o que é Literatura e Cordel: Literatura de Cordel É poesia popular, É história contada em versos Em estrofes a rimar, Escrita em papel comum Feita pra ler ou cantar (...) O cordel é uma expressão Da autêntica poesia Do povo da minha terra Que luta pra que um dia Acabem a fome e miséria, Haja paz e harmonia.4 Literatura de Cordel é, como qualquer outra forma artística, umamanifestação cultural. Por meio da escrita são transmitidas as cantigas, os poemas e ashistórias do povo — pelo próprio povo.5 É uma modalidade impressa de poesia, originaldo Nordeste do Brasil, que já foi muito estigmatizada, mas hoje em dia é bem aceita erespeitada6, possuindo, inclusive uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel,1 Esta nomenclatura é devido a uma lei promulgada por Dom João V, autorizando o comércio dos folhetos pela Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa.2 Cordelista e pesquisador da Cultura Popular Brasileira. Coordena pela editora Nova Alexandria, a Coleção Clássicos em Cordel. Literatura de Cordel: Tradição e modernidade in http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1817119. Acessado em 27 de agosto de 2012.3 Francisco Diniz. O que é Literatura de Cordel? In http://literaturadecordel.vila.bol.com.br. Acessado em 27 de agosto de 2012.4 Este texto faz parte do Cd Literatura de Cordel5 http://www.lendo.org/o-que-e-literatura-de-cordel-autores-obras/6 Araújo, A. Ana Paula de in http://www.infoescola.com/literatura/literatura-de-cordel/
  2. 2. fundada em 19887. Segundo Ana Paula Araujo 8, “devido ao linguajar despreocupado,regionalizado e informal utilizado para a composição dos textos essa modalidade deliteratura nem sempre foi respeitada”. Diferentemente de outras formas de literatura, o cordel é derivado datradição oral. Isto é, surge da fala comum das pessoas, e também das histórias comocontadas por elas, e não como fixadas no papel. A literatura nasceu oral e foi assimdurante muito tempo. Com a diversidade de assuntos que aborda e com uma linguagem poético-visual, o folheto de cordel atrai olhares e é – ou foi - fonte de inspiração para grandesescritores. A admiração entre cordel e grandes autores é recíproca. Clássicos daliteratura mundial já podem ser lidos em adaptações produzidas por cordelistas eilustradas pelos artistas responsáveis pela xilogravura no cordel. A Literatura de Cordel faz parte do folclore, da cultura popular. Para aComissão Nacional do Folclore (1995) Cultura Popular e Folclore são entendidos comosinônimo. Pode ser assim definida: “conjunto das criações culturais de umacomunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente,representativo de sua identidade social” 9 Luis da Câmara define o folclore como “[...] a cultura do popular, tornadanormativa pela tradição”. Portanto, para o autor o folclore é a própria cultura popular 10. Cristiane Nepomuceno assim se posiciona quanto cultura popular: “cultura popular que perpassa a tradição e possui característica dinâmica e transformadora. Na cultura que ao passo que se moderniza e se transforma, também não esquece suas raízes: À própria cultura popular e ao povo cabe reinventar, recriar e ressignificar o seu saber e o seu saber- fazer. Revelar a todos que seu universo vai além da conservação, preservação ou resgate, tampouco pré-moderna e atrasada. Necessário se faz apreender a cultura popular como resultado de momentos históricos específicos e consequentemente dinâmica, apta a apropriar-se das práticas culturais mais diversas e adaptá-las ao seu cotidiano”.117 Concebida por Gonçalo Ferreira da Silva, cearense de Ipu, poeta com raízes eruditas e populares. A Academia acabou se fundindo com a Casa de Cultura São Saruê, criada pelo General Humberto Pelegrino, e incorporou ao seu acervo preciosidades hoje à disposição de estudiosos e entusiastas do cordel.8 Araújo, A. Ana Paula de in http://www.infoescola.com/literatura/literatura-de-cordel/9 COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Carta do folclore brasileiro. Salvador: [s.n.], 1995, 1 In: BRASIL. Ministério da Educação. Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/geral/folclore/carta.pdf>. Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.10 CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 11.ed. São Paulo: Global, 2001., p. 240. Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.11 NEPOMUCENO, Cristiane Maria. O jeito nordestino de ser globalizado. 2005, p. 31. 193 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais)–Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2005. Disponível em: <http://bdtd.bczm.ufrn.br/tedesimplificado//tde_busca/ arquivo.php?codArquivo=149>. Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de
  3. 3. Dentre as diferentes expressões da cultura popular, podemos incluir aLiteratura de Cordel.ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL Quando surgiu a Literatura de Cordel? Eis outra difícil pergunta a serrespondida. Para alguns, as origens do cordel nos remete a Idade Média. A origem doscordéis são as cantigas dos trovadores medievais, que comentavam as notícias da épocausando versos, que eles próprios cantavam. Esta forma literária era muito praticadapelos trovadores, que declamavam louvações e galanteios para, quase sempre agradaraos poderosos.12 Posteriormente, esses artistas começaram a registrar suas falas em folhassoltas, prendendo-as em torno do corpo em barbantes para que as recitassem e, aomesmo tempo, garantissem as mãos livres para os movimentos.13 Esses autores,denominados de trovadores, geralmente, quando as declamava, eram acompanhados poruma viola, que eles mesmos tocam. 14 Eles “se apresentavam para o povo e falavam dacultura popular da localidade, dos acontecimentos mais falados nas redondezas, deamor, etc.” Segundo Érica Georgino 15, o verbete "cordel" apareceu apenas em 1881,registrado no dicionário português Caldas Aulete. Era sinônimo de publicação de baixovalor e prestígio, como as que na época eram vendidas penduradas em cordões na portadas livrarias - esses "varais" de literatura logo caíram em desuso, mas o nomeprevaleceu. O termo “literatura de cordel” foi cunhado pela primeira vez pelopesquisador francês Raymond Cantel “para designar os folhetos da literatura popular,vendidos nas feiras populares, pendurados em pequenas cordas, cordinhas, cordões”. 16O CORDEL NO BRASIL A literatura de cordel é hoje uma das mais importantes manifestações daliteratura popular brasileira. O cordel está presente em todo o Brasil, mas é no nordesteque mostra sua força. Aqui o cordel fincou suas raízes e floresceu. Não resta a menordúvida entre os estudiosos que foram os portugueses os responsáveis pela introdução daLiteratura de Cordel no Brasil. No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do cordel como fonte de informação. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.12 Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Ver Como surgiu a literatura de cordel de Érica Georgino.13 Como surgiu a literatura de cordel de Érica Georgino.14 Araújo, A. Ana Paula de in http://www.infoescola.com/literatura/literatura-de-cordel/15 Ver Como surgiu a literatura de cordel de Érica Georgino.16 Dicionário Brasileiro de Literatura de Cordel (2005, p. 45 apud VASQUEZ, 2008, p. 11). Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, p.11. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.
  4. 4. Nordeste. Por volta de 1750, apareceram os primeiros poetas populares que narravamsagas em versos, visto que a maioria desse povo, sequer sabia ler e as histórias eramdecoradas e recitadas nas feiras ou nas praças17. Foi no Nordeste, desde a época da colonização, distante dos centros dolitoral, abandonado pelas autoridades, dominado pelos grandes proprietários de terras –os fazendeiros e senhores de engenhos, onde as leis, as normas, os valores e costumeseram ditados por eles. Esse foi o cenário ideal para se talhado o homem nordestino –valente e destemido. O nordestino absorveu do colonizador europeu a poesia e a prosatransformado em discurso em meio às multidões onde ali se estaria narrando, a modo dereportagem, algum feito heroico, alguma novidade espetacular. Desde os tempos medievais, mesmo nos pequenos vilarejos, existia , pelomenos um dia da semana, quando se realizavam as tocas de mercadorias – as feiras. Erajustamente nessas ocasiões, que, “um grande número de pessoas se dirigia à cidade, e alios camponeses vendiam seus produtos, os comerciantes ofereciam suas mercadorias eartistas se apresentavam para a multidão”. Em meio as transações comerciais surgia oartista querido por muitos – o trovador ou menestrel, que logo começavam a contarhistórias de todo tipo: de aventuras, de romance, de paixões e lendas de reis valentes. Ao final da performace, da apresentação, a plateia agradecida,recompensava o artista, jogando moedas dentro do estojo do instrumento musical doartista (alaúde). O trovador, satisfeito, agradecia e partia em direção a outra cidade ouda próxima feira. 18 Segundo Paulo Moura19, “o ano de 1830 é considerado historicamente, oponto de partida da poesia popular nordestina. Tendo como seus primeirosdivulgadores os poetas Ugolino de Sabugi e seu irmão Nicandro, filhos do não menosfamoso Agostinho Nunes da Costa Teixeira. Estes, os primeiros cantadores da poesiade pé de parede e dos contos que se faziam acompanhar com o repique da viola, darabeca, do pandeiro ou até mesmo do ganzá”. Outros afirmam que “as honras de "pai" da literatura de cordel brasileiracabem ao paraibano Leandro Gomes de Barros, que começou a imprimir livretos ealcançou o mérito, digno de poucos poetas, populares ou não, de sustentar a famíliaapenas com os dividendos das centenas de títulos lançados”. 20 Com as primeiras publicações, a literatura de cordel se transformou nacoqueluche do nordeste, alcançando quase todos os estados nordestinos em particular eos de todo o país, de certa forma. 21 Um dos primeiros cordéis de sucesso foi A Guerra17 Literatura de Cordel. Poesia popular característica do Nordeste in Pedagogia & Comunicação, p. 3 in http://educacao.uol.com.br/cultura-brasileira/literatura-de-cordel-1-poesia-popular-caracteristica-do- nordeste.jhtm18 Fábio Sombra. “Proseando Sobre Cordel”. Extraído do Blog Cultura Nordestina.19 Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura in http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- cultura/358-origem-da-literatura-de-cordel.html20 Ver Como surgiu a literatura de cordel de Érica Georgino.21 Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura in http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- cultura/358-origem-da-literatura-de-cordel.html
  5. 5. de Canudos, em que o conflito de 1896 e 1897, opondo Antônio Conselheiro aoExército brasileiro.22LITERATURA DE CORDEL COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO A literatura de cordel como um meio de comunicação, retrata a cultura dopovo nordestino através da expressão de seus valores, convidando a refletir acerca darealidade da sociedade em que vivemos, possibilitando a inserção de ideias e dessamaneira influencia e modifica o leitor por meio de seus folhetos23. A literatura de cordelevoluiu, passando da comunicação oral para a comunicação escrita, e atualmentemodificou a forma de se comunicar com seus leitores, se desprendendo de seu suportetradicional, o folheto, e indo para o mundo digital24. A incorporação dessas novas tecnologias tem garantido “a sobrevivênciados cordelistas, que não dependiam mais de um único suporte para a produção de suaarte”25. Esta nova forma de se comunicar e manter viva a tradição do cordel tambémpermitem que surjam novos autores e novas formas de colaboração. As famosas pelejasdos folhetos de cordel foram incorporadas no meio digital e não perderam seudinamismo, e seus leitores podem acompanhar tanto o resultado final desse embate.OS TEMAS O que os cordelistas falam em seus folhetos? Na literatura de cordelnordestina há uma grande variedade de temas, tradicionais ou contemporâneos, querefletem a vivência popular, desde os problemas atuais até a conservação de narrativasinspiradas no imaginário ibérico. Portanto, os temas são os mais variados. Eis alguns temas: Romances (histórias de amor não correspondido, virtudesou sacrifícios); Histórias mágicas e maravilhosas (histórias da carochinha, que falam depríncipes, fadas, dragões e reinos encantados); Histórias ligadas ao cangaço e a temareligioso (apresentam o imaginário nordestino ligado a figuras como Lampião);22 O tema foi “retratado em versos por João Melquíades Ferreira da Silva, que fora soldado naquelas batalhas e se tornaria um grande nome da primeira geração de cordelistas brasileiros”. Citado por Érica Gregorino em Como surgiu a Literatura de Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012.23 SILVA, Silvio Profirio da et. al. Literatura de cordel: linguagem, comunicação, cultura, memória e interdisciplinaridade. Raídos, Dourados, MS, v. 4, n. 7, p. 303-322, jan./jun. 2010. Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, p.9. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.24 SILVA, 2010, p. citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, p.9. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.25 DINIZ, Madson Góis. Do folheto de cordel para o cordel virtual: interfaces hipertextuais da cultura popular. Hipertextus: revista digital. v. 1. 2007. Disponível em: <http://www.hipertextus.net/volume1/artigo11-madson-gois.pdf>. Citado por ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, .9. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.
  6. 6. Noticiosos (funcionam como jornais) 26; Histórias de valentia (apresentam personagenslendários na região); Anti-heróis (falam de nordestinos que vencem mais pela espertezado que pela força); Humorísticos e picarescos (os mais populares); Exemplos morais(deixam uma lição); Pelejas (relatos de cantorias entre repentistas. Os textos são frutosda imaginação do cordelista); Folhetos de discussão (apresentam dois pontos de vistasobre uma mesma questão) e conselhos, profecias, cachorradas, descaração, política,educação e aqueles feitos sob encomenda. 27 Com o advento dos meios de comunicaçãode massa, os astros da TV também passaram a aparecer como personagens de cordel. No século XX, marcado pelas inovações tecnológicas, novas formas decomunicação entre as pessoas, “o teor da literatura de cordel jamais parou de sedesenvolver. Os versos não abandonaram o tom matuto, o diálogo do sertanejo comsuas crenças, suas percepções e seus dilemas cotidianos, embora ao longo das décadas arealidade do povo nordestino mudasse e muitos autores e leitores partissem, em ondasmigratórias, para o centro-sul do país”. 28 Segundo Mark J. Curran29 os folhetos cumpriram o papel de jornal e novelado povo sertanejo, exerceram a função de ao mesmo tempo informar e entreter, emmuitos momentos integrando à vida nacional populações que ainda não haviam sidoatendidas pelos serviços tradicionais de comunicação. Na opinião de Raymond Cantel30, o nosso cordel "o mais importante, nosentido quantitativo, entre as literaturas populares do mundo" em função da quantidadede livretos publicados.A XILOGRAVURA A xilogravura foi adotada pela Academia Brasileira de Literatura de Cordelcomo a ilustração por excelência dos folhetos de cordel. Ela é a ilustração maiscaracterística, mas não a única. Como diz Marco Haurélio, “a ilustração não nasceu com o cordel.. Asprimeiras publicações não utilizavam capas ilustradas. Nas primeiras publicações eramusadas as chamadas “capas cegas”, sem qualquer ilustração”. As editoras preferiam osdesenhos e os clichês de cartões postais e com fotos de artistas de Hollywood.3126 Como no Nordeste, no início do século XIX não havia jornais, rádio ou televisão, os cordéis passaram a falar também sobre os acontecimentos recentes. Ver De que nos fala a literatura de cordel? http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/images/atividadespedagogicas/atividade-literatura-de- cordel.pdf27 Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura in http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- cultura/358-origem-da-literatura-de-cordel.html28 Mark J. Curran. Retrato do Brasil em Cordel. Citado por Érica Gregorino em Como surgiu a Literatura de Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012.29 Mark J. Curran. Retrato do Brasil em Cordel. Citado por Érica Gregorino em Como surgiu a Literatura de Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012.30 Segundo Érica Gregorino, Raymond Cantel é autoridade internacional no tema. Chegou ao Brasil na década de 1950 para pesquisas de campo, tornou-se um dedicado colecionador das histórias e introduziu seu estudo na Universidade de Sorbonne, em Paris. Ver Érica Gregorino in Como surgiu a Literatura de Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012.31 Literatura de Cordel: Tradição e modernidade in http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1817119. Acessado em 27 de agosto de 2012.
  7. 7. REPENTISTA X CORDELISTA Por conta desta musicalidade, o cordel é constantemente confundido com orepente. É sempre bom lembrar que repentista não é cordelista, e cordelista não érepentista. Repentista pode ser cordelista, e vice-versa. Mas não é regra. Têm-seregistros de repentistas que se aventuram com sucesso pela literatura de cordel, apesarde raros nos dias atuais, existem.CLODOMIR SILVA E A CORDELTECA Embora seja a literatura de cordel potencial fonte de informação e um meiode comunicação de linguagem acessível, ainda são poucas as bibliotecas que possuemfolhetos em seu acervo. Cabe a toda a Biblioteca e ao “profissional bibliotecáriodisponibilizar e divulgar este tipo de literatura, demonstrando seu valor e importância.A presença da literatura de cordel na biblioteca contribui não só para a valorização deseu conteúdo informativo, mas também de seu autor”32. Desde ..... funciona no térreo da Biblioteca Clodomir Silva no bairroSiqueira Campos, a primeira Cordelteca do Estado de Sergipe. A iniciativa foi docordelista Gilmar Santana Ferreira. Trata-se de uma pequena sala onde abriga umminúsculo acervo cordelista sergipano bem como a biografia e foto de 36 cordelistassergipanos ou radicalizado aqui. A este espaço foi dado o nome de “Cordelteca João Firmino Cabral”,“conhecido por ser o maior cordelista do estado de Sergipe em atividade. Ele cresceuouvindo e lendo as histórias escritas pelo pai. É dele a missão de abrir todas as manhãs aúnica barraca do Mercado Antônio Franco 33 no centro de Aracaju, destinada a literaturade cordel. João Firmino é natural de Itabaiana, nascido no ano de 1940. Aprendeu a lerpraticamente sozinho, ouvindo as leituras do seu mestre Manoel D’Almeida Filho. Aosdezessete anos escreveu seu primeiro folheto, uma profecia do Padre Cícero. 34 João Firmino há 55 anos tem procurado elevar a cultura nordestina. Possuimais de 200 obras publicadas e tem grande reconhecimento fora do estado. Reina umacerta mágoa, pois, sendo filho ilustre da terra sente muito pela desvalorização do povode Sergipe. “A gente aqui vende mais para turista, o pessoal daqui mesmo não levamuito, só estudantes de escolas ou universidades”.3532 ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, p. 18. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.33 horário de funcionamento: das 09 ás 17 horas.34 http://reporterpontocom.wordpress.com/2011/04/30/o-cordel-em-sergipe/35 http://reporterpontocom.wordpress.com/2011/04/30/o-cordel-em-sergipe/
  8. 8. BIBLIOGRAFIAACOPIARA, Moreira de. Cordel em arte e versos. Xilogravuras de Erivaldo Ferreira da Silva. São Paulo: Acatu, 2009.______. O que é cultura popular. Xilogravura de Erivaldo da Silva. São Paulo: [s.n], 2006.AMORIM, Maria Alice. Existe um novo cordel?: Imaginário, tradição, cibercultura. [2008?]. Acervo Maria Alice Amorim: catálogo de literatura de cordel. Acesso em: 25 out. 2011. Disponível em: < http://www.cibertecadecordel.com.br/pdf/existeumnovo cordel.pdf>.ÂNGELO, Assis. As origens do cordel. In:______. Presença dos cordelistas e cantadores repentistas em São Paulo. São Paulo: IBRASA, 1996.______. Uma breve história do cordel. Xilo: Nireuda. São Paulo: [s.n.], [2003].ARANTES, Antonio Augusto. O que é cultura popular. São Paulo: Brasiliense, 1995.ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação. Trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) sob orientação da Profª Dra. Tânia Callegaro e coordenação da Profº Dra. Maria Ignês Carlos Magno. CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012.BRANDÃO, Adelino. Crime e castigo no cordel: (crime e pena no folheto de cordel e no romanceiro folclórico do Brasil). Rio de Janeiro: Presença, 1991.CASA NOVA, Vera L. C. Cordel e biblioteca. R. Esc. Bibliotecon. UFMG, Belo Horizonte, v. 1, n. 11, p. 7-13, mar. 1982.CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 11. Ed. São Paulo: Global, 2001.CHAUI, Marilena. Introdução, como de praxe. In:______. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1996.CLÁSSICOS rimados: obras célebres como “Os miseráveis” e “O alienista” ganham versões de cordel. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 mar. 2009. Folhateen, p. 5.COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Carta do folclore brasileiro. Salvador: [s.n.], 1995. In: BRASIL. Ministério da Educação. Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/geral/folclore/carta.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2011.DINIZ, Madson Góis. Do folheto de cordel para o cordel virtual: interfaces hipertextuais da cultura popular. Hipertextus: revista digital. v. 1. 2007. Disponível em: <http://www.hipertextus.net/volume1/artigo11-madson-gois.pdf>. Acesso em: 02 maio 2011.FREIRE, Wilson. O cordel e suas histórias: medicina preventiva. São Paulo: Abooks, [2002?].GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Papéis atribuídos à leitura/audição de folhetos. In:______. Cordel: leitores e ouvintes. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. (Coleção Historial).HAURÉLIO, Marco; SÁ, João Gomes de. O cordel: sua história, seus valores. Revista Cultura Crítica, São Paulo, p. 17-21, jul./dez. 2007.KUNZ, Martine. Cordel, criação mestiça. Revista Cultura Crítica, São Paulo, p. 26- 31, jul./dez. 2007.LUCIANO, Aderaldo. Literatura de cordel, literatura brasileira. Revista Cultura Crítica, São Paulo, p. 32-37, jul./dez. 2007.
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