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17                        No que tange a crença de que o tempo da escola deve ser bem utilizado, observo que              ...
18Mizukami (1986) apresenta alguns pontos para relacionar o conceito de educação, segundoalgumas abordagens, inclusive a a...
19plano animal e continuara a se desenvolver até a sua condição atual. Implica tanto a evoluçãoindividual quanto a univers...
20integra-se na sociedade, e o responsável por esta reprodução é a instituição conhecida porescola. “Quanto mais um ser hu...
21então, algumas abordagens: Tradicional, Comportamentalista, Humanista, Cognitivista,Sócio-cultural, com base teórica em ...
22cultura e ideologia, infelizmente pode ser compreendida também como competição, ou seja,quem detém mais o conhecimento e...
23Diante dessa afirmação, tem-se consciência que a escola ainda traz algumas herançasconservadorismo e neoliberal, e acaba...
24                       Na sociedade atual, com seu elevado fluxo de informações (muitas das quais                       ...
25É importante ressaltar, também, do perigo de se utilizar do termo “pesquisa qualitativa” emtoda e qualquer pesquisa que ...
26olfato, do tato e do paladar, o pesquisador percorre minuciosamente as diversas sensaçõesencontradas.(p. 20), ou seja, n...
27O colégio compõe no seu espaço físico: uma secretaria, uma diretoria, uma biblioteca, cincosalas de aula, uma cozinha, t...
28ao lado da observação direta, representarem instrumentos básicos para a coleta de dadosdentro da perspectiva de pesquisa...
29                                    CAPÍTULO IV4. ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOSOs dados que se seguem ...
30alunos (sujeitos da pesquisa), considerando que o nosso foco era uma sala de aula específica,todas as pessoas que a habi...
31saíram de uma 4ª série de uma escola pequena, onde lecionava um só professor, agora não,tudo era diferente, colégio chei...
32Considerando o que diz Nóbrega (2005) as pessoas parecem viver em uma rede derelacionamentos onde cada uma deve explicaç...
33Diante desta situação, surge um questionamento de se pensar melhor a educação, sendo que oponto de partida é o aluno, no...
34sentir, pensar e agir. Um não está completo sem a presença do outro. Segundo Maturana(2004) “A criança só adquire sua co...
35vem ganhando espaço como uma fonte de possibilidades no que diz respeito aodesenvolvimento e a aprendizagem.4.4. “NÃO AG...
36lúdico, não necessariamente segue a esta regra. Luckesi (2009) afirma o que significa aludicidade voltada para a pedagog...
37aspecto lúdico quando de forma plena envolve a pessoa que a vivencia, mesmo quando osujeito está vivenciando essa experi...
38A rotina da sala se dava desta maneira, tocava-se o sino, os alunos corriam para porta da salaa espera da professora, al...
39Quando a professora terminou de ler pediu para que todos reproduzissem em um papel oanimal construído na sua imaginação,...
40um grupo, pulando corda ou sozinho desfrutando um momento de felicidade. Enquanto isto osprofessores ficavam descansando...
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  1. 1. 1 APRESENTAÇÃOA Ludicidade como um aspecto importante no processo de ensino e aprendizagem pode serincorporado no conjunto das metodologias e na organização de novas práxis pedagógicas. Elaestá cada vez mais presente nas discussões de instituições formadoras de docentes, e isto jápode ser considerado um avanço para a educação, pois há muito tempo a escola estevefechada às técnicas racionalista. No entanto, quando a ludicidade está presente, propicia aoeducando, como também para o professor, um encontro consigo mesmo, mergulhando nocampo de conhecimento da fantasia que a criança adquire com as sua experiências culturais.Sendo assim, este trabalho monográfico tem como questão norteadora como a ludicidadeacontece em uma sala de aula da 5ª série do ensino fundamental, no colégio UlissesGonçalves da Silva, no povoado de Caraíba, distrito de Campo Formoso, Bahia. Sendo estasala escolhida por ter como sujeitos, crianças em uma fase de transição, saindo da sua infânciapara a adolescência, tornando-os mais sensíveis as práticas lúdicas, por outro lado osprofessores geralmente os recebem como pequenos adultos, negando-lhes muitas vezesmomentos prazerosos. E a escola por ser o nosso espaço de atuação, o qual nos colocamos,também, como curiosos e observadores diante deste processo.Sendo assim, este trabalho levanta uma reflexão acerca de que brincar é coisa séria, podendoser vivenciada por todos: adultos e crianças, visto que, o ser humano aprende brincando, poisé neste momento de fantasia, onde criamos e recriamos o nosso próprio mundo.No capítulo I, apresentamos nosso problema de pesquisa, onde descreve como a ludicidade éreconhecida, ou seja, está vinculada somente como momento de recreação, simultaneamentehá a desvalorização dos adultos por este aspecto, desconhecendo as várias contribuiçõespedagógicas no processo de ensino e aprendizagem.No capitulo II, abrimos espaço para uma discussão fundamentada nos teóricos pesquisadoresa cerca do assunto, demonstrando fortes considerações e suas convicções.
  2. 2. 2No capítulo III, descrevemos a metodologia escolhida para a coleta de dados. Utilizamos oquestionário, a entrevista semiestruturada e a observação.No capitulo IV, expomos a interpretação dos dados obtidos e analisados, como destaque adescrição de fatos ocorridos dentro da instituição de ensino. Desta forma, conclui-se apresença lúdica, no entanto ainda tímida na prática e fortemente defendida no discurso.
  3. 3. 3 CAPÍTULO 1 PROBLEMÁTICAHá muito tempo o brincar sempre foi considerado, embora praticado por adultos e crianças,uma ação fútil e desqualificada, características dadas por algumas pessoas que acreditam nolúdico como uma representação de momentos não sérios da vida de quem a pratica. Mazzoni(2009) destaca que “O mundo existe para a criança na medida em que lhe é possível jogarcom ele, extraindo dos objetos possibilidades de prazer e de harmonia” Por conta disso,geralmente classificou-se o lúdico uma ação como algo inerente da criança, ou seja, umaligação direta da criança com o mundo que a cerca, muitos atribuíram desta forma por tercomo base o seu próprio preconceito em achar que a criança tem todo o tempo do mundo, ebrincar é perder tempo, no entanto, contrariando isto (LUCKESI,2009, apud. Donald WooksWinnicott) aborda um fenômeno psicológico na criança, mas que podemos dizer que elepertence ao ser humano em qualquer faixa de idade, que se trata do aspecto lúdico.Diante disso, atualmente a ludicidade tem sido alvo de várias discussões, em relação a suapresença no processo de ensino e aprendizagem. Esse assunto torna-se muito freqüente nasinstituições formadoras de docentes. A Ludicidade vem sendo apontada como um aspecto que
  4. 4. 4pode ser incorporado ao conjunto das metodologias e isto já pode ser considerado um avançopara a educação. Pois há muito tempo a escola deteve a preocupação em trazer para ascrianças o mundo dos adultos e as suprirem de variados conhecimentos, sem muito sepreocupar em mergulhar no vasto campo de conhecimento e fantasia que a criança adquire noseu cotidiano.O aspecto lúdico leva a criança a se identificar, reconhecendo seu papel social, e é importanteressaltar que a ludicidade sempre se fez presente na educação, no entanto, não tão reconhecidacomo um universo de simbologias existente em cada criança. Esquecemo-nos facilmente deque quando se brinca se aprende antes de tudo a brincar, a alimentar um universo simbólicoparticular. (BROUGERE, 2002, p. 23). Ouve-se atualmente muitas queixas doamadurecimento precoce das crianças, pois a vida contemporânea não propicia a ludicidade,desta forma, as crianças tornam-se pequenos adultos em corpo de crianças, apesar do aspectolúdico ser algo inerente do homem, hoje perde espaço para um mundo desorganizado, o qualexige o amadurecimento rápido das crianças, e a educação é responsável pela mudança destequadro.A educação sempre esteve ligada aos espaços fechados da sala de aula, com uma visãoimediatista do futuro onde a criança precisa ser formada e informada para um mundocompetitivo que a espera, desta forma, “não há tempo para brincadeiras”, diante desta visãoequivocada nega-se o homem como um ser pleno, “O aluno tem que se assumir como um ser(mente num corpo com alma) que observa o mundo e se observa a si, se questiona e procuraatribuir sentido aos objetos, aos acontecimentos e às interacções” (ALARCÃO,2008, p.26).Não demorou muito para se notar o fracasso escolar, que está diretamente ligada a falta destaidentidade e do prazer, está na hora de deixar para trás os ranços do conservadorismo, ondeassemelhava-se o aspecto lúdico a permissividade na sala de aula, negando a escolamomentos que proporcionam o prazer, através de desafios, superação. Mazzoni (2009) traz aideia de não se perder de vista a relação entre o prazer e a educação, proporcionando assim,momentos de plenitude: Trata-se, contudo, não de prazer instantâneo, mas sim de prazer postergado, mediado em função do envolvimento genuíno com o jogo, daquela sensação de completude que acompanha as coisas significativas e verdadeiras. O que não se deve, em educação (e por que não na vida?) é perder-se o prazer de vista, ignorar sua busca constante. Exercer o espírito lúdico é brincar, jogar com a vida e com a
  5. 5. 5 criança, criar vínculos e relações entre os diversos acontecimentos, tecer toda sorte de teias, amarrar e desamarrar os fatos como narrativa.Desta forma, este aspecto levará a criança na construção de seus próprios valores e é por istotambém que a ludicidade tem sido um dos assuntos mais estudados na educação, no contextodesta pesquisa, tem se compreendido que a criança não é somente razão, é também prazer, ouseja, sentimento e corporeidade, no entanto, deve haver um equilíbrio entre o dever e o prazer.“Educar ludicamente tem um significado muito profundo e está presente em todos ossegmentos da vida.” (ALMEIDA, 2009 p.14)De acordo com Almeida (2009), em qualquer momento da vida, a ludicidade permite oindivíduo utilizar seus potenciais de forma criativa, ou seja, tendo liberdade em seus sentidos,algo que o envolva por inteiro, estando flexíveis, pois o que é mais importante na atividadelúdica, não é somente a diversão, mas um encontro consigo mesmo, levando qualquer um quevivencie a ludicidade momentos de reconhecimento de si mesmo, que antes não conhecia, esteserá o resultado de redefinir sentidos e significados do que antes já era conhecido, resultandoem um olhar diferente para si mesmo e para os outros.Concordando com Kishimoto (2002), as atividades lúdicas sempre estiveram presentes, eagora especialmente em vários campos sociais: na família como representação do momentode lazer; em clínicas com representação do bem estar e atrelada, também, a tratamentos depacientes; na escola durante as aulas de Educação Física e Artes. Atualmente a ludicidadevem ganhando espaço dentro da sala de aula como um aspecto importante da dimensãohumana e que pode favorecer no processo do ensino e aprendizagem e doautodesenvolvimento pessoal por disponibilizar no sujeito que brinca sentimentos deplenitude do ser. Segundo Luckesi (2009) o aspecto lúdico é a experiência de plenitude queele possibilita a quem o vivencia em seus atos. O que traz ludicidade para a sala de aula émuito mais uma "atitude" lúdica do educador e dos educandos, do que necessariamente trazerbrincadeiras. “Assumir essa postura implica sensibilidade, envolvimento, uma mudançainterna, e não apenas externa, implica não somente uma mudança cognitiva, mas,principalmente, uma mudança afetiva” (LUCKESI, 2009, p.96).Nota-se então, que a ludicidade vem ganhando espaço em vários campos, como já foi citado,inclusive nas discussões acadêmicas, onde há uma preocupação na formação de um educadorcada vez mais comprometido com os aspectos lúdicos da criança, tornando assim, a prática do
  6. 6. 6brincar não mais algo desvalorizado, mas algo sério, e é necessário ter uma visão real do quequer dizer esta palavra, pois durante muito tempo, a palavra seriedade, foi sinônimo de algoque não possibilita o prazer. Falando sobre o conceito de seriedade, Luckesi (2009) diz que: Sempre que nós utilizamos o termo sério em nosso cotidiano, ele vem carregado de conotações tais como “sisudo”, “cansativo”, “doloroso”, “alguma coisa que deve ser realizada com esforço e sofrimento”, ou coisa parecida. Neste contexto, qualquer experiência que traga alegria, prazer, riso, será considerada não-séria. Então sério aparece como sendo o oposto de alegre, prazeroso, leve, hilariante, criativo (a menos que seja uma criatividade sisuda, se ela for possível). Sério parece que deve ser rançoso.(2009)É bem verdade que a escola tradicional nos deixou uma herança de comportamento, que estáatrelada e centrada na transmissão de conteúdos, não dando espaço ao aspecto lúdico, por istoé tão normal hoje em dia valorizar a importância da ludicidade na sala de aula, mas ainda sevivencia pouco este aspecto, ou seja, fala-se, mas não se faz. Reconhecem o valor do lúdico,mas não é tão fácil romper com o modelo de uma educação que já ficou no passado, mas quetambém está presente. Considerar o aspecto lúdico exige hoje mudança de atitudes . Luckesi(2009) nos diz que: Quando a criança brinca, sua brincadeira tem a profundidade de quem se dedica a construir e cuidar do mundo, o mundo que é significativo para si, na idade e nas circunstâncias metafísico-evolutivas que está atravessando. O mesmo poder-se-á dizer do adolescente e do adulto. A criança estará brincando como criança, o adolescente como adolescente, e o adulto como adulto; cada qual em sua faixa de idade e com sua circunstância evolutivo-metafísica. Cada um realizando a sua poiesis. (2009)Assim, é possível afirmar que o ser humano, e especialmente as crianças, ao brincardesenvolvem, nesta profundidade, uma consciência lógica, pois o lúdico trabalha não só aparte prazerosa, o sentimento, mas também, o cognitivo, a razão, ou seja, trabalha com oraciocínio. Há um equilíbrio nas dimensões que formam o ser humano (Razão, emoção,sentimento, cognição).Em função disto, não é correto privar as crianças destes momentos de profunda relação com oseu eu, pois a criança se encontra no momento da brincadeira com situações reais que exigemdela soluções criativas, pois é neste momento que a criança irá confrontar momentos deautoconstrução. E é justamente por isso que ação lúdica tem profundidade e as criançasprecisam destes momentos de plenitudes. “A brincadeira é a atividade espiritual mais pura dohomem neste estágio e, ao mesmo tempo, típico da vida humana enquanto um todo – da vida
  7. 7. 7natural interna no homem e de todas as coisas”. (FROEBEL, 1912 c, p. 55, apud.KISHIMOTO, 2002, p.68)Huizinga (1971) apud Silva (2006) atribui a ludicidade ao homem relacionando a todas assuas atividades, estabelecendo assim, uma estreita relação entre o jogo e o conhecimento. Noentanto, o mundo contemporâneo tende a sufocar a presença dos elementos lúdicos.Sabe-se que há uma grande resistência por parte das pessoas principalmente dos adultos comrelação ao ato de brincar, apresentando a justificativa da “boa impressão”, nesse caso obrincar pode dificultar a “boa impressão”. Para Maturana (2004) “O homem perde acapacidade de brincar por estar continuamente submetido às exigências do competir, projetaruma imagem ou obter êxitos, esse sentimento está relacionado a uma rede de conversações.”(p. 230), na verdade tem-se uma impressão que todos devem permanecer enredados numsistema de normas e pré-julgamentos, desta forma, cada um estabelece normas seguindo asinstruções que a sociedade lhe impõe, refletindo assim, de forma evidente na educação, aotempo que este nega a criança, o direito de ser espontâneo, o direito ao seu momento pleno deinteração com seu corpo, do direito de brincar.E assim a ludicidade começa a ganhar espaço tornando-se um forte aliado, repleto designificados, dentro da sala de aula, criando condições para o autodesenvolvimento de todosenvolvidos no processo. Infelizmente este avanço da educação ainda encontra barreiras,tornando muitas vezes estas discussões em palavras soltas no ar sem significados, barreirasestas provocadas pelos próprios profissionais da educação que impõem um saber centralizado.Como afirma Almeida (2009): (...) o sistema investe também contra as crianças, incutindo, desde cedo, a imposição do saber mecanicista, predeterminado, destruindo na criança o verdadeiro sentido da escola (lugar de alegria, confraternização) e do gosto pelo estudo, levando-a a uma atitude passiva, competitiva e dominadora (os vestibulinhos e os vestibulares ditam todas as normas, desde a pré-escola até a universidade, e reforçam a produção de classes). (p. 13)Percebe-se esta desvalorização da ludicidade especialmente nas salas do 5ª série do ensinofundamental, pois é neste período que é mais comum notar índices de evasão e repetência.Almeida (2009) contribui ainda mais ao afirmar:
  8. 8. 8 Em meio a essa irracionalidade os educadores, muitas vezes usados pelo sistema para ser os verdadeiros guardiões de seus objetivos, tornando-se entraves permanentes da presença histórica de escolarização para crianças e adolescentes. As mínimas atitudes de um diretor ou professor – poder autoritário e centralizador, proibições inócuas, desinteresse pelo aluno, aulas desinteressantes, desrespeito, reprovações infundadas... -levam crianças a abandonar a escola muito cedo e nunca mais voltar. (p. 13)E é por esta desqualificação pelo que é lúdico, sendo este um forte aliado da sala de aula noprocesso de ensino e aprendizagem, é que surge o meu problema e a necessidade de pesquisarsobre este assunto, a partir deste, contribuir para uma maior valorização e uma reflexão e deuma prática, de todos aqueles envolvidos neste processo, principalmente educadores, emrelação à ludicidade dentro do espaço educativo. Visando também, despertar aresponsabilidade que se tem no que diz respeito, a contribuição de uma educação detransformação e libertação.Assim, temos como questão de pesquisa: Como a ludicidade acontece em uma sala de aula da5ª série do ensino fundamental?A partir da qual teremos como objetivo: Identificar como a ludicidade acontece em uma salade aula da 5ª série do ensino fundamental.Essa questão possibilita a tematização de alguns elementos do aspecto lúdico na formação dacriança, na valorização da criatividade, no cultivo da sua sensibilidade e afetividade, nalibertação do corpo e de seus movimentos, permitindo que a todos que vivenciem, professorese alunos, aflorem o que está adormecido dentro de si.
  9. 9. 9 CAPÍTULO II 2. A IMPORTÂNCIA DO ASPECTO LÚDICO NA EDUCAÇÃOApreciando a discussão feita no capítulo I, valorizando o problema bem como o objetivo, queé: Como a ludicidade acontece em uma sala da 5ª série da educação fundamental, vemos anecessidade de examinar teoricamente os conceitos: Ludicidade, educação e Sala de aula.Nessa perspectiva nos colocamos diante de uma questão que abre possibilidades de pensarsobre a educação, seus caminhos, seus aspectos e as posturas educacionais que têmprevalecido nos espaços escolares, posturas estas que geralmente negam a autonomia dascrianças, reprimido suas melhores qualidades de sujeitos ativos ao perpassar a característicapredominante da educação: uma sociedade disciplinada e atenta a reprodução de conteúdos. Usualmente, em nossa sociedade, nós damos pouco lugar aos sentimentos. Em função de nossa herança iluminista, queremos aprender e ensinar somente pelo processo cognitivo e, em função de nosso comprometimento com a produtividade, buscamos sempre mais e mais atividades. Com isso, nossa experiência de sentir permanece relegada ao segundo plano; ou terceiro, quarto... último plano! Portanto, nosso caminho predominante é viver no desequilíbrio dos nossos elementos constitutivos, psíquicos e corporais do mesmo tempo. (LUCKESI, 2009)
  10. 10. 10É evidente a maneira como a educação é conduzida, o muro erguido que se constrói entre ocognitivo e o sentimento, entre o inteligível e o sensível, este por sua vez interligado acriatividade e a plenitude, o que implica no equilíbrio, diante disso, que a ludicidade deve serencarada de outra forma por todos envolvidos em um processo de ensino e aprendizagem. Atéporque, a ludicidade é a porta que conduz o homem às experiências plenas.Silva (2006) defende a ideia de que a ludicidade desenvolve nas civilizações o poder deultrapassar os limites, pelo simples fato de que, o aspecto lúdico propicia encantamento, nãopor ser um jogo, mas por o homem se fazer parte dele, o homem é um ser lúdico. O direito e a ordem, o comércio e o lucro, a indústria e a arte, a poesia, a sabedoria e a ciência. Todas elas tem suas raízes no solo primitivo do jogo (...) O homem primitivo procura, através do mito, dar conta do mundo dos fenômenos atribuindo a este um fundamento divino. Em todas as caprichosas invenções da mitologia, há um espírito fantasista que joga no extremo limite entre a brincadeira e a seriedade. ( HUIZINGA, 1971, p.7 apud SILVA, 2006, p.50)Somando a esta idéia, Nóbrega (2005) citando o filósofo Montaigne afirma que essalinguagem do corpo está circunscrita ao privado, ao íntimo, ao secreto, ao inconfessável umatransformação da intimidade cujos procedimentos de controle social se tornam mais severospor meio de formas educacionais da gestão da alma e do corpo. (p.601)Neste sentido de estabelecer padrões de comportamentos e pensamentos que a ludicidade éconsiderada um simples acessório, momento de pura descontração, gerando desta forma, umaracionalização do corpo, ou seja, a fragmentação do ser humano.Maturana (2004) diz ainda: Na criança, a consciência individual surge com desenvolvimento de sua consciência corporal, quando ela aprende seu corpo e o aceita como seu domínio de possibilidades, ao aprender a viver consigo mesmo e com os outros na linguagem. Esse processo ocorre como um aspecto normal do desenvolvimento, no qual a criança só alcança a plenitude de sua integridade biológica sensório-motora, emocional e intelectual se vive na total confiança que a plena aceitação da mãe e do pai implica. Isso não é fantasia. A dinâmica corporal e fisiológica da criança é diferente se ela vive na confiança trazida pela aceitação ou sob a dúvida ou a desconfiança que configuram a rejeição. E o seu corpo (inclusive, é claro, o sistema nervoso) cresce de modo diverso em cada caso. (p. 228)É diante desta aceitação do próprio corpo que a criança irá vivenciar suas experiências maissignificativas, e à medida que ela se sente integrada a uma plenitude, mais confiança terá em
  11. 11. 11enfrentar novos desafios, e a educação deve está atenta a essa questão e ser a ponte da criançana descoberta dela mesma. Nóbrega (2005) diz que as atitudes exteriores não são gestossuperficiais, inúteis ou desnecessárias, elas revelam o homem interior, por isso a educaçãodeve preocupar-se com esses aspectos.A educação tem um papel fundamental: a transformação e o envolvimento das áreas internasque compõe o homem: sentir, pensar e agir. Um não está completo sem a presença do outro,não é possível ter uma real plenitude se estes três estiverem desvinculados, ou, até mesmo ainexistência de algum deles, se isso acontece há um desequilíbrio, pois, como uma orquestracada uma compõe sua função de forma integrada e distinta. Segundo Maturana (2004): Valorizar a razão e a racionalidade como expressões básicas da existência humana de positivo, mas desvalorizar as emoções – que também são expressões fundamentais dessa mesma existência – não o é. As emoções são disposições corporais (estruturais) dinâmicas que especificam, a cada instante o domínio de ações em que um animal opera nesse instante. (p. 227)E se a educação assume a postura de considerar a importância da emoção, da corporeidade, daludicidade, da sensibilidade na formação da criança, porque assim a educação será capaz deenvolver e harmonizar o sentimento, o pensamento e o movimento. A sala de aula é umespaço onde pode acontecer a interação entre a razão e emoção, fugindo de planejamentosrígidos, sendo que o aspecto lúdico estimula o desenvolvimento intelectual, além de favorecera auto-estima, estimula também sua autonomia.O aspecto lúdico é importante não só porque ficamos alegres ou nos dá prazer, mas porvivenciar momentos de plenitude direta e reflexiva, estamos indo além da simbologia, mas,levando todos os envolvidos no processo a encontrar e restaurar o equilíbrio entre oscomponentes psíquico-corporais do nosso ser.2.1. Ludicidade e EducaçãoA ludicidade é um termo utilizado para toda atividade que é lúdica, este termo por sua vez,originou-se da palavra latina “ludus” que traduzida significa: jogos (LUCKESI, 2009). Noentanto, muitos estudiosos reconhecem hoje que a ludicidade vai além de simplesmenteatividades físicas, elas correspondem a momentos que propiciam um encontro com o seu eu
  12. 12. 12interior. Luckesi (2009) afirma que brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrada totaldo ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admite divisão; e, aspróprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado de consciência.(p.2)Por isso, a imagem vinculada por muitos a respeito do ato de brincar, às vezes, contraria averdadeira face da ludicidade, atribuindo a um mero momento de distração, futilidade, ou atémesmo perda de tempo. Friedmann (1992), afirma que a atividade lúdica é a forma através daqual a sensibilidade e o potencial são liberados e modelados, o que concedeu a mesma umpapel importante nas relações culturais e sociais.Na infância a ludicidade acaba tendo mais sentido, tornando assim, uma característica própriada criança, que transformará estas atividades lúdicas, para os adultos, em algo “inútil”, atéhoje muito tem se discutido sobre a ludicidade, aliado às atividades pedagógicas, pois para elea ludicidade é o primeiro recurso no caminho rumo à aprendizagem, no entanto, ela não deveser considerada “um faz de conta”.Kishimoto (2002) diz que a atividade infantil é lúdica, isto é, gratuita, não significa que elanão atenda as necessidades do desenvolvimento. Embora “inútil”, “fútil”, do ponto de vistaimediato, ela tem enorme importância a longo prazo. A necessidade de garantir espaço para ogesto “inútil” adquire enorme importância. (p. 115)E é desta forma que se caracteriza a ludicidade, relacionando sempre a figura da criança, ouatividades físicas e neste sentido, geralmente, são classificadas como momentos de puradescontração não tendo identificação com o ensino e aprendizagem.Neste aspecto, muito têm sido as discussões com relação a corporeidade advinda de uma novacompreensão, ampliando suas referências, com o objetivo de incorporar o brincar no processo,integrando o sentir, o agir, o pensar que compõe cada indivíduo, visando assim, o aluno comoum ser completo, alguém que sente, pensa e age.Infelizmente, as atividades lúdicas são para descontrair, e por causa deste tipo de comentário aludicidade está cada vez mais sistemática, a cada novo ano que a criança avança no período
  13. 13. 13escolar percebe a diminuição do espaço e do tempo de brincar, acaba sendo restrita somente ahora do recreio, momento este, para um relaxamento para retornar ao trabalho, atividades,tarefas, considerado, agora sim, momento sério.Como afirma Borba (2007): A brincadeira está entre atividades frequentemente avaliadas por nós como tempo perdido. Por que isso ocorre? Ora, essa visão é fruto da idéia de que a brincadeira é uma atividade oposta ao trabalho, sendo por isso menos importante, uma vez que não se vincula ao mundo produtivo, não gera resultados. (p. 35)Diante disso, é que se fortaleceu a idéia formada em relação à ludicidade como atividade quetem a função de proporcionar diversão e descontração, desvinculando-a da educação.Machado (1998) não concordando com isto afirma: “O lúdico encontra-se no espaço dosonho. Uma criança livre, feliz, brinca quando come, quando faz seus pequenos discursospoéticos.” (p. 19) e dentro dessa perspectiva acreditamos que o aspecto lúdico é fundamentalimportância para construir outras experiências em educação, uma experiência educacionalmais alegre e sensível.O aspecto lúdico está ligado diretamente a qualquer indivíduo, principalmente ao se tratar dascrianças, sendo algo intrínseco da infância e por isso não deveria estar desvinculada da suaformação. Silva (2005) concorda ao afirmar: “Temos de ter em mente, que para um bomdesenvolvimento é necessário haver educação do movimento, consciência do corpo, e deve-sepensar, agir, criar, imaginar e brincar.” (p. 20)Para Graciani (1999) que tem um encontro com este movimento do corpo, descreve aludicidade de um ponto de vista cultural, apresenta a rua como um espaço de descobertalúdica também, que na rua há plenitude, modelos socioculturais, que é neste espaço onde ascrianças se reuniram para exercitar ali o ato cultural de brincar, experimentar sua autonomia egerar sua criatividade, sentimentos estes, muitas vezes não podendo ser vivenciados nosespaços escolares, por isso, é na rua que a criança encontra sua liberdade. “Sem querermitificar a rua, ela foi e é um lugar de liberdade, para se escapulir dos espaços domésticos eescolares que sempre foram controlados pelos adultos.” (p. 150). No entanto, o espaço escolarpoderia criar conexões com essa liberdade interagindo mais com as experiências que ascrianças vivenciam fora da escola, e poder pensar o lúdico de forma mais positiva, não como
  14. 14. 14oposição ao trabalho, mas como uma atividade que se articula aos processos de aprender, dedesenvolver e conhecer, e que está ligada à cultura e ao cotidiano das crianças.Machado (1998) fala sobre que não há necessidade de monitoramento total por parte deadultos e professores durante o momento lúdico, tornando a ludicidade algo muitosistemático, ou até mesmo um estudo dirigido, não considerando o papel sério que estemomento representa de estruturação cultural dos pensamentos e emoções, mas deve sercompreendida como uma atividade atemporal. “E que o brincar seja, para todos, açãoapaixonada e comedida.” (p. 32)Vygotsky (1987) acredita no momento lúdico vinculado no desenvolvimento e aprendizageme aponta que o brincar é um importante processo psicológico, sendo também, uma atividadehumana criadora, ou seja, humanização do homem.Diante disso, conceituar a ludicidade valorizando uma perspectiva mais pedagógica éextremamente importante ressaltar a formação do pensamento a partir do conhecimento dopróprio corpo e conseqüentemente de sua personalidade e emoções. Ressurreição (2006) tratade como é essencial o educador construir pontes entre o saber e o sabor da vida e do cotidianoda criança, afirmando: Entendemos que a atividade docente, como práxis, não se restringe ao desempenho de habilidades técnicas, mas se apresenta como a elaboração de um saber socialmente compartilhado, tendo a finalidade de ampliar a consciência dos educandos no seu desenvolvimento como seres sócio-históricos. (p.83)Luckesi (2009) afirma o que significa a ludicidade voltada para a pedagogia: As atividades lúdicas são instrumentos da criação da identidade pessoal, na medida em que elas, nessa perspectiva, estabelecem uma ponte entre a realidade interior e a realidade exterior. Esse é o lado construtivo das atividades lúdicas. Pelas atividades em geral e pelas atividades lúdicas em específico, a criança aproxima da realidade, criando a sua identidade. O princípio do prazer equilibra-se com o princípio da realidade, na criança. Através das atividades lúdicas. (Bruno Bettelheim, apud Luckesi, 2009)Assim sendo, a ludicidade é uma atividade de construção interna possibilitando aaprendizagem, pois, a consciência de si surge quando há um desenvolvimento e umreconhecimento do próprio corpo. Desta forma, a ludicidade vem ganhando espaço como umafonte de possibilidades no que diz respeito ao desenvolvimento e a aprendizagem.
  15. 15. 15Borba (2007) apud Vygotsky (1987) diz que o brincar é uma atividade humana criadora, naqual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades deinterpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construirrelações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. (p.35)Visando desta forma, a imaginação e a fantasia, assim como, o raciocínio lógico interagemnão de forma linear, pois a realidade é constituída na razão através de símbolos e nessesentido, Dias (2001) nos diz que o homem é concebido como um sujeito que interpreta omundo a partir de esquemas de pensamento que são redes intrincadas afetivas, cognitivas,conscientes e inconscientes elaboradas internas de cada um, construídas dentro e a partir docontexto cultural e social. (p.47)A imaginação assim como a fantasia são aspectos presentes na ludicidade, não a restringindoao universo infantil, mas ao homem, estes aspectos estão presentes no sentimento e nopensamento também, a fantasia traz consigo a liberdade de se reconstruir uma realidade a qualestá associada ao desprazer, trazendo para a realidade o que lhe propicia prazer. Desta forma,unindo realidade e fantasia possibilita uma vivência mais plena, ou seja, mais prazerosa.Sendo assim, a ludicidade como uma atividade, também, pedagógica, isto não implica quehaja agora uma compreensão, o qual visa a esta atividade como um elemento favorávelsomente a assimilação de conteúdos, ou, simplesmente um recurso facilitador. A imaginaçãotambém faz parte do processo de humanização, pois, é uma ação importante iniciada nainfância e possibilita a sensação de plenitude e liberdade Benjamin (1984). Vozes, gestos,narrativos e cenários criados e articulados pelas crianças configuram a dimensão imaginária,revelando o complexo processo criador envolvido no brincar.Borba (2007) ultrapassa esta idéia de uma mera reprodução da brincadeira em sala de aula,dizendo: Se por um lado a criança de fato reproduz e representa o mundo por meio das situações criadas nas atividades de brincadeiras, por outro lado tal reprodução não se faz passivamente, mas mediante um processo ativo de reinterpretação do mundo, que abre lugar para a invenção e a produção de novos significados, saberes e práticas. (p. 35)
  16. 16. 16Desta forma, tudo é possível, identificar as atividades lúdicas como uma atividade cultural,psíquica e pedagógica, a qual envolve o social, emocional, o motor e a criatividade de todosaqueles que a vivencia plenamente, desta forma o resultado será uma educação integralpossibilitando as três áreas do ser humano: o sentir, o agir, o pensar.Diante dessas abordagens a escola poderia considerar, investindo num processo de formaçãode professores, e se buscasse uma mudança de postura no sentido de percorrer um caminhoeducacional, uma postura mais crítica e reflexiva, ter a capacidade de produzir novas idéias,percorrer novos caminhos, abandonando velhas práticas. Larrosa (2005) subscrevendo aspalavras de Nietzsche quando fala sobre a formação a qual deve ser voltada para o futuro,interrogando o passado e de voltá-lo contra o presente cujas potencialidades ainda estão paraserem desenvolvidas. Esta é a ideia de significado que conduz, ou deveria conduzir aformação da humanidade em especial a formação de professores. Alarcão (2008) contribuineste aspecto ao afirmar que todo ser humano tem a capacidade de refletir, pois isto é inato,no entanto necessite de um contexto para favorecer o seu desenvolvimento, contexto este queenvolve liberdade e responsabilidade. “É preciso vencer inércias, é preciso vontade epersistência. É preciso fazer um esforço grande pra passar do nível meramente descritivo ounarrativo para o nível em que se buscam interpretações articuladas e justificadas esistematizações cognitivas.” (p.45)2.2 Educação e os aspectos na formação da criançaEducação, do latim “edurece”, que significa extrair, tirar, desenvolver. Consiste,essencialmente, na formação do homem de caráter. Segundo o conceito de Ferreira (2001) nominiaurélio dicionário da língua Portuguesa a educação é o processo dedesenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança edo ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual esocial. (p. 272), ou seja, a educação é um processo vital, não podendo ser confundida com odesenvolvimento físico, mas uma atividade que eleva o ser humano a realizar as suaspotencialidades físicas, intelectuais, morais e espirituais.Segundo Soares (2006):
  17. 17. 17 No que tange a crença de que o tempo da escola deve ser bem utilizado, observo que as suas compreensões dizem respeito ao fato de que só é bem utilizado o período escolar se for dirigido ou relacionado para o ensino ou avaliação de conteúdos. Qualquer atividade que fuja desse terreno é considerada “momento roubado ao ensino”. (p.62)No entanto, deixa evidente que as instituições escolares têm trazido para si todos os créditosno ato de educar, embora, a criança ao chegar à escola, traz consigo toda uma estrutura deexperiências, valores que refletem sua cultura, e é oferecido outro tipo de educação, sendoesta fragmentada, que nega a sua plenitude, o prazer, a liberdade, sendo desta formaconfundida pela artificialidade, por tratar que é esta a educação vivenciada na sala de aula.Freire (1980) critica esta educação, quando se torna um sistema reprodutivo que nega omovimento e a cultura das crianças impondo-lhes comportamentos que devem ser inculcadas,quando diz: “Qualquer que seja a sociedade, a função da educação é sempre a de preparar asnovas gerações para a vida adulta, para a vida no mundo dos adultos”(p. 94).Se realmente este for o papel da educação, é possível afirmar que a educação nas instituiçõesescolares estimula a experiência da desigualdade e da dependência, dificultando o potencial ea capacidade de ser livre, de ser pleno para imaginar e construir alternativas.Como diz Freire (1980): A escola é, por outro lado, uma instituição que desequilibra os organismos mais sensíveis aos distúrbios psicossomáticos. O estudo de tensão nervosa provocado pelas provas e avaliações; pela atitude ditatorial de alguns professores; pelo pouco exercício físico ao ar livre; pelas ameaças de pais exigentes; e pela preocupação em tirar boas notas da parte de algumas crianças, acaba criando uma ansiedade crônica que atinge o funcionamento do aparelho digestivo. Isso sem se falar na enurese que se origina em traumas da vida familiar e pré-escolar, prolongados anormalmente por frequentes situações de ansiedade. (p. 13)Infelizmente este pode ser realmente o quadro vivo do ambiente escolar, uma educação que aoinvés de possibilitar momentos plenos de encontro e realização, que valorize os movimentos,os sentimentos, torna-se uma escola seletiva, que exclui, que prende, que domina o corpo.Desta forma a educação, que não se reconhece mais como tradicionalista, reproduz ainda opapel de transmissora, enquanto os alunos vivem aprisionados nas carteiras. Freire (1980; p.47) “Não, não é um acaso. É um plano. Um plano desconhecido para os que o cumprem.Trata-se de domar. Domesticar fisicamente essa máquina fantástica de desejos e prazeres queé a criança.”
  18. 18. 18Mizukami (1986) apresenta alguns pontos para relacionar o conceito de educação, segundoalgumas abordagens, inclusive a abordagens tradicional a qual como grande responsáveldeixou ranços na história da educação, sendo a percussora desta educação que nega aludicidade como uma atividade, também, pedagógica, e de acordo com a abordagemtradicional a educação é entendida como instrução, caracterizada pela transmissão deconhecimentos e restrita a instituição escolar. “A abordagem tradicional é caracterizada pelaconcepção de educação como produto, já que modelos a serem alcançados estão pré-estabelecidos, daí a ausência de ênfase no processo. Trata-se, pois, da transmissão de idéiasselecionadas e organizadas logicamente.” (p.11)Contrariando a idéia conservadora, que diz respeito e ênfase atribuída aos conteúdos, D’Àvila(2006) diz que a educação está no crescimento constante da vida, na medida em que oconteúdo da experiência vai sendo aumentado, assim como, o controle que podemos exercersobre ela, desta forma, a educação tem como finalidade propiciar à criança condições para queresolva por si própria os seus problemas, e não as tradicionais ideias de formar a criança deacordo com modelos prévios, ou mesmo orientá-la para um porvir.Para Rousseau a educação não vem de fora, é a expressão livre da criança no seu contato coma natureza. Contrariando também a abordagem tradicional, considerada por ele uma rígidadisciplina, dar para a educação uma finalidade de ensinar a criança a viver e a aprender aexercer a liberdade. (CERISARA ,1990; p.72. apud ROUSSEAU) “Viver é o que eu desejoensinar-lhe. Quando sair das minhas mãos, ele não será magistrado, soldado ou sacerdote, eleserá, antes de tudo, um homem.”Torna-se assim, a educação descentralizada, visando à criança como um sujeito que buscaconstantemente o conhecimento, tendo com o mundo uma relação crítica e criativa. Nestesentido o aspecto lúdico faz esta ponte para ampliar a relação sujeito/mundo e elevar seu nívelcognitivo.Para Froebel (1912) apud. Kishimoto (2002) o primeiro a enfatizar as atividades lúdicas naeducação das crianças, descreve educação como um processo pelo qual o indivíduodesenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionandocompleta e harmoniosamente, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era omesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, originariamente se elevara acima do
  19. 19. 19plano animal e continuara a se desenvolver até a sua condição atual. Implica tanto a evoluçãoindividual quanto a universal.Para a abordagem Humanista, tendo como proposta fundamentada nos estudos de Cal Rogers,conceitua uma educação centrada na pessoa, segundo uma perspectiva pautada napersonalidade e conduta. Esta teoria consiste em deixar a responsabilidade da educaçãovoltada para o indivíduo. Segundo Mizukami (1986) que a educação seria entendida, naproposta rogeriana, como um encontro deliberado e intencional entre pessoas que objetivamexperiências significativas, crescimento, atualização e mudança, que devem caracterizar umprocesso buscado, escolhido e não obrigado ou imposto. (p. 45)Diante dessa concepção, segundo a abordagem Humanista, é possível afirmar que através deexperiências vivenciadas pela criança ou adulto, a educação se dará nos momentos em que aconsciência sairá de um senso comum para uma forma mais elevada, ou seja, umaorganização de pensamento mais coerente.Para Piaget (apud MIZUKAMI, 1986), a educação é um todo não fragmentado, considerandodois elementos principais: intelecto e moral. Piaget vem defendendo um conceito voltado paraa abordagem cognitivista, a qual consiste em uma educação não transmissora de verdades,informações, demonstrações, mas que o aluno aprenda por si próprio, a conquistar estasverdades, ou seja, há uma autonomia. Embora, a educação hoje venha sendo minimizada auma reprodução de conhecimentos, a qual enfatiza a educação como um processo, pelo qual étransmitido ao indivíduo os conhecimentos necessários para integrar-se a sociedade, indo deencontro com as idéias citadas por Piaget.Diante disso Freire (1980) afirma: Mas é igualmente verdade que são sobretudo as exigências do sistema produtivo, do modo de produção, que determinam, em cada contexto sócio-cultural, quais são os conhecimentos e aptidões que devem ser adquiridos e quais são os valores e modos de comportamento que devem ser inculcados nos alunos. (p. 94)Concordamos com Freire (1980), quando ele posicionando criticamente com relação aosprocessos educativos desenvolvidos pela escola, diz que esta é uma indústria, ou seja, um bemde consumo, e que será bem sucedido aquele que mais reproduz o que lhe transmite para
  20. 20. 20integra-se na sociedade, e o responsável por esta reprodução é a instituição conhecida porescola. “Quanto mais um ser humano ‘consome’ educação, mais ele faz frutificar seu haver esobe na hierarquia dos capitalistas do conhecimento.” (FREIRE, 1980, p. 15)Duarte (1992) traz uma concepção de educação como uma atividade mediadora, ou seja, umperíodo o qual toda criança, jovem ou adulto deve passar para adquirir ferramentas culturaispara a sua atuação na sociedade, estabelece a mediação utilizando a figura de uma “ponte”que compreende uma relação recíproca.Desta forma, Duarte (1988) afirma: A educação mediação no seio da prática social precisa, portanto, ser compreendida enquanto atividade que mantém um movimento recíproco dentro dessa prática mais ampla, durante todo o seu processo de produzir-se, além de ser também um momento (os anos de escolaridades) na vida dos indivíduos de uma determinada sociedade. (p. 99)Este ato é imprescindível para que a política da educação funcione de fato, mas ainda nãosuficiente, é necessário ainda uma reflexão sobre a prática educacional intencionalizar oconteúdo estabelecendo relação com a prática educativa e seus objetivos, para que se tornemobjetivos concretos, possibilitando o sonho em realidade.Felizmente, pouco a pouco, a ludicidade tem feito parte de muitas discussões, e apesar daeducação ter tantas imperfeições, tem-se avistado novas soluções, a partir das própriasnecessidades, e percebe-se na ludicidade, a inovação a transformação que almeja.2.3 Sala de aula, um lugar possível para a ludicidadeÉ impossível falar em sala de aula antes de refletir um pouco sobre todo o espaço escolar,para não pensá-la de forma simplista, ou seja, um ambiente amplo, preenchido por carteiras,com janela e uma porta e um imenso quadro negro. Bem, de certa forma, esta é a imagem quepermanece na lembrança de muitas pessoas.Faz-se necessário, no entanto, mencionar alguns pontos de vista, na busca de uma maiorreflexão acerca da representação da escola na sociedade, bem como o seu papel, analisando
  21. 21. 21então, algumas abordagens: Tradicional, Comportamentalista, Humanista, Cognitivista,Sócio-cultural, com base teórica em Mizukami (1986):  Do ponto de vista Tradicional a escola, tal como a sala de aula, é o lugar por excelência onde se realiza a educação, e onde acontece a transmissão de informações, funcionando como uma agência sistematizadora de uma cultura complexa. (p.11)  Do ponto de vista Comportamentalista, a escola é o lugar onde o comportamento humano às finalidades de caráter social será direcionado, sendo que seu papel principal é manter e conservar e em parte modificar comportamentos aceitos como úteis e desejáveis para a sociedade. (p.29)  Do ponto de vista Humanista, a escola é um espaço onde oferece condições que possibilite a autonomia do aluno, firmando-se no princípio básico da não interferência com o crescimento da criança e de nenhuma pressão sobre ela. (p.95)  Do ponto de vista Cognitivista, a escola é um espaço que deve possibilitar ao aluno o desenvolvimento de suas possibilidades de ação motora, verbal e mental, de forma que possa, posteriormente, intervir no processo sócio-cultural e inovar a sociedade. Deve ser um espaço que possibilite ao aluno ter interesse intrínseco à sua própria ação. (p. 105)  Do ponto de vista Sócio-cultural, a escola é um espaço, a qual deve ser considerada um local onde seja possível o crescimento mútuo, do professor e dos alunos, no processo de conscientização, o que implica uma escola diferente da que se tem atualmente, com seus currículos e prioridades. (p. 122)Diante de todos os pontos de vista mencionados é importante ressaltar que as teorias não sãoas únicas fontes de resposta possíveis. No entanto, dar-se respaldo para várias discussões,principalmente quando o assunto em foco é o espaço escolar.Elevando o pensamento a uma visão não tão imediatista, a escola pode ser mais bementendida como todo e qualquer espaço que propicie a educação, pois, educação é também
  22. 22. 22cultura e ideologia, infelizmente pode ser compreendida também como competição, ou seja,quem detém mais o conhecimento e incorporação de técnicas será bem classificadoprofissionalmente na sociedade, esta é uma ideia neoliberal, bem descrita por Garcia (1996)quando afirma: A injusta distribuição de bens materiais, culturais e de educação é justificada pelas “diferenças” – uns são mais capazes do que outros, uns se esforçam mais do que outros, uns têm mais méritos que outros. Os outros são os que fracassam na escola e no trabalho, condenados ao analfabetismo e a posição subalternas na sociedade.(p. 167)Desta forma, a escola se caracteriza como uma indústria, onde o aluno é um consumidor daeducação, formado para o trabalho, no entanto, reproduz seguindo influências ideológicas,distanciando do seu papel. Garcia (1996) acrescenta: “Opor-se ao quadro neoliberal que seinstala na América Latina e no Brasil é construir uma escola que ao contrário de excludente,seja inclusiva, espaço democrático de socialização do saber historicamente produzido e direitode todos.” (p. 168) como poderia ser esta oposição, se o poder ludibria a sociedade não sendodiferente na escola, no que se diz respeito à educação.Diante disso, fica entendido que seja qual for a abordagem ou ideologia de uma escola, éessencial que todos tenham acesso a este espaço garantindo a qualquer indivíduo ter voz e vezno meio que vive, portanto, infelizmente, a escola tem uma outra imagem, segundo Snyders(1988), “As crianças representam a escola como um remédio amargo que deverá ser engolidopara mais tarde dá resultado.” (p.12). Esta idéia reflete o que ao longo dos anos a escola temse tornado, também, em um espaço de controle.Foucault (1998) afirma: O espaço escolar se desdobra; a classe torna-se homogênea, ela agora só se compõe de elementos individuais que vem se colocar uns ao lado dos outros sob os olhares do mestre. A ordenação por fileiras, no século XVIII, começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala, nos corredores, no pátio; colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova; colocação que ele obtém de semana em semana, de mês em mês, de ano em ano; alinhamento das classes de idade umas depois das outras; sucessão dos assuntos ensinados das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. (p.159)
  23. 23. 23Diante dessa afirmação, tem-se consciência que a escola ainda traz algumas herançasconservadorismo e neoliberal, e acaba deixando desfocada sua principal função: a formaçãode indivíduos livres, autônomos, capazes de exercer a cidadania.Entender o significado do que é uma sala de aula não é tarefa tão fácil, além de um espaçofísico e social, e um espaço representado por suas descobertas, momentos de criação, doensino e aprendizagem, como autores principais deste palco os alunos e os professores, peçaschave para dar significado à palavra sala de aula, se não fosse assim, seria apenas um espaçoqualquer sem nenhum anseio. Embora, a sala de aula traga ao longo do tempo sua formasimplória de definição como um mero ambiente físico que aprisiona o aluno.Freire (1980) conhecendo esta realidade escreve: Imediatamente depois do maternal, a criança de seis anos é “parafusada” numa carteira dura para estudar palavrórios durante horas e horas. Será por acaso que a criança em desenvolvimento, essa força da natureza, essa exploradora aventurosa, é mantida imóvel, pretificada, confinada, reduzida a contemplação das paredes, enquanto brilha o sol lá fora, obrigada a prender a bexiga e os intestinos, 6 horas por dia, exceto algumas minutos de recreio, durante 7 anos ou mais? Haverá maneira melhor de aprender a submissão? Isso penetra por músculos, sentidos, tripas, nervos e neurônios... Trata-se de uma verdadeira lição de totalitarismos. A posição sentada é reconhecida nefasta para a postura e para a circulação, e, no entanto eis nosso homem ocidental com problemas de coluna, as veias esclerosadas, os pulmões retraídos, hemorróidas e nádegas achatadas... Faz um século que vemos as crianças arrastando os pés debaixo das carteiras, entortando o corpo e pulando como rãs quando a sineta bate. Esse tipo de manifestação é atribuído à turbulência infantil: nunca a imobilidade insuportável, imposta a crianças – a culpa é sempre culpa da própria vítima, não, não é acaso. É um plano. Um plano desconhecido para os que cumprem. Trata-se de domar. Domesticar fisicamente essa máquina fantástica de desejos e prazeres que é a criança. (p. 47)Porém, a verdade é que, contrariando o conservadorismo e neoliberal, embora tenham sido esão marcantes até os dias de hoje, traz a abordagem sócio-cultural, uma forma subjetiva quedenota grande importância no que se diz respeito ao espaço da sala de aula, ou seja, a escola àformação do cidadão, visando desta forma, um local privilegiado, não único, porém é um dosprincipais ambientes de socialização e construção sistemática onde se tem respaldo para aelevação de uma visão crítica e verticalizada em relação ao ato de conhecer, pois abrepossibilidades a descobertas, a alimentação da alma e a uma profunda reflexão do mundo emque o cerca.Como afirma Gentili (2001):
  24. 24. 24 Na sociedade atual, com seu elevado fluxo de informações (muitas das quais enganosas), o espaço educativo readquire centralidade. As relações que ali se estabelecem, notadamente entre alunos e professores, além da necessária troca de saberes, são, intrinsecamente, espaços de troca de perspectivas; percepções e vivências. Crianças, jovens e também os adultos (aqueles que decidiram, contra a letal apatia reinante, aprender a ler, escrever e contar, no outono de suas vidas) são ativos discentes, portadores de esperanças.(p.22)Diante disso, ao descrever a sala de aula como um espaço de grande importância e ganhandocentralidade por ser um lugar de construção da esperança e de relações, pois é a partir delaque o aluno é levado a pensar no mundo que o cerca e ser um agente transformador, sendoassim, a sala de aula é reconhecida com privilégios por Gentili (2001) sendo o lugar quehabita os portadores da esperança, tornando-a um ambiente singular para as transformações ecomportamentos. CAPÍTULO III METODOLOGIA3.1 TIPO DE PESQUISA:Diante do papel do pesquisador, que é justamente de servir como veículo inteligente e ativoentre o conhecimento acumulado e as novas evidencia, são estabelecidos estudos a partir dapesquisa qualitativa. Segundo Ludke e André (1986) “A pesquisa qualitativa supõe umcontato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendoinvestigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo.” (p. 11). Conseqüentementetorna-se cada vez mais evidente a confiabilidade nas informações obtidas pelos pesquisadoresem educação através da metodologia.
  25. 25. 25É importante ressaltar, também, do perigo de se utilizar do termo “pesquisa qualitativa” emtoda e qualquer pesquisa que não envolva os números, pois a pesquisa qualitativa está ligadadiretamente aos fenômenos humanos e sociais. André (1995), escreve: Dilthey, que era historiador, foi um dos primeiros a fazer esse tipo de indagação e a buscar uma metodologia diferente para as ciências sociais, argumentando que os fenômenos humanos e sociais são muito complexos e dinâmicos, o que torna quase impossível o estabelecimento de leis gerais como na física ou na biologia. Por outro lado, afirma Dilthey, quando se estuda história, o interesse maior é o entendimento de um fato particular e não a sua explicação casual. Além disso, continua ele, o contexto particular em que ocorre o fato é um elemento essencial para sua compreensão. (p.16)Diante disto foi realizada uma pesquisa qualitativa para observação direta e sistemática darotina dos professores na sala de 5ª série da Educação Fundamental, intencionada a observarna prática como acontece a ludicidade na sala de aula. Procurando redirecionar o saber e ofazer de algumas práticas docentes.Utilizou-se a pesquisa etnográfica. No entanto, cabe destacar que neste tipo de investigação,observação, descrição e análise do cotidiano de uma sala de aula que está sendo estudada sãopassos essenciais para uma compreensão mais profunda. Por outro lado, julgamento,avaliação ou configuração das condutas observadas não faz parte desta metodologia. Sendoque o objetivo deste método é contribuir para um ensino de qualidade e mudança de atitude.Como afirma André (1995): A pesquisa etnografia é o estudo de como os indivíduos compreendem e estruturam seu dia-a-dia, isto é, procura descobrir “os métodos” que as pessoas usam no seu dia-a-dia, para entender e construir a realidade que as cerca. Seus princípios focos de interesse são, portanto, os conhecimentos tácitos, as formas de entendimento do senso comum, as práticas cotidianas e as atividades rotineiras que forjam as condutas atores sociais.(p.19) Desta forma, é possível afirmar, um ponto que se destaca na pesquisa etnográfica é ametodologia que permiti a descoberta da maneira de vida e as experiências no cotidiano daspessoas – a sua visão do mundo, os sentimentos, ritos, padrões, significados, atitudes,comportamentos e ações. Esta perspectiva permite apreender o fenômeno humano e a suatotalidade.A etnografia permite um olhar mais profundo que envolve o pesquisador com todos os seussentidos, ela possibilita a descoberta. Para Laplatine (2004) “Através da vista, do ouvido, do
  26. 26. 26olfato, do tato e do paladar, o pesquisador percorre minuciosamente as diversas sensaçõesencontradas.(p. 20), ou seja, não basta olhar, mas vivenciar, saborear experiências, o trabalhodo pesquisador não se consiste somente em coletar dados, mas em construir pontes do seu eucom o que está externo.A etnografia permite, também, demonstrar para o outro aquilo que se vê através das palavras,para isso, é necessário escrever o que é visto. Laplatine (2004) diz que sem a escrita, o visívelpermaneceria confuso e desordenado. A etnografia é precisamente a elaboração e atransformação pela escritura desta experiência, é a organização textual do visível em que umadas funções maiores é também a luta contra o esquecimento. (p.29)Sendo assim, o trabalho etnográfico será uma descrição das experiências do pesquisador,procurando descrever aquilo que é visto, sentindo, falado ou ouvido, isto está além de umasimples descrição de imagens. A descrição enuncia e anuncia, enumera, soletra, detalha,decompõe, mas antes registra, demonstra, recenseia, contabiliza.(LAPLATINE, 2004, p. 31).3.2 LÓCUS:A pesquisa foi operacionalizada no Colégio Municipal Dr. Ulisses Gonçalves da Silva, nopovoado de Caraíbas, aproximadamente 17 km da sede de Campo Formoso, cidade esta,situada a 400 km de Salvador, com cerca de 80 mil habitantes, sendo dividida em zona rural ezona urbana. A economia do município está voltada, principalmente, para extração deminérios, e também, agropecuária e o comércio.O município dispõe para a população em geral as modalidades de Educação Infantil, EnsinoFundamental de 1ª a 8ª série, Educação de Jovens e Adultos (EJA). O Colégio foco dapesquisa atende crianças e jovens do povoado já citado e seus circunvizinhos que sãotransportados pelo ônibus escolar, o colégio funciona os três turnos: matutino, vespertino enoturno, de 4ª a 8ª série; seu quadro de funcionários possui: um diretor, uma coordenadora,doze professores, uma secretária, dois auxiliares de secretaria, duas merendeiras, seiszeladores e três vigias.
  27. 27. 27O colégio compõe no seu espaço físico: uma secretaria, uma diretoria, uma biblioteca, cincosalas de aula, uma cozinha, três banheiros, um almoxarifado, um pátio para os eventos, e umaárea livre para as atividades de Educação Física.Em relação aos equipamentos áudio-visuais do colégio, é possível contar com umcomputador, um retro projetor, uma televisão, um aparelho de DVD, um aparelho de som,sendo este material insuficiente para atender a necessidade de todos os professores.Este local foi escolhido para esta pesquisa por ser local de trabalho por mais de três anos dopesquisador, sendo assim um ambiente conhecido e de fácil acesso, já que o mesmo se fazpresente todos os dias.3.3 SUJEITOS DE PESQUISA:Por meio desta pesquisa científica e de uma interação com o objeto de interesse estudado, épossível aprofundar as investigações e transformar o tema em uma discussão detransformação. LUDKE e ANDRÉ (1986) afirmam que o interesse do pesquisador ao estudarum determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nosprocedimentos e nas interações cotidianas. (p. 12)Compõe como sujeitos diretos desta pesquisa todos os professores que fazem parte da 5ª série,do turno matutino, no total de oito professores, apresentam faixa etária entre 20 e 50 anos deidade todos graduados em pedagogia, com mais de cinco anos de atuação em sala de aula.Assim como, todos os alunos que também fazem parte da 5ª série, do turno matutino, no totalde 34 crianças de faixa etária entre 10 e 17 anos.3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOSA coleta de dados e a “descoberta” de aspectos novos de como acontece a ludicidade em umasala de 5ª série da Educação Fundamental e possibilitando o contato pessoal e estreito com osujeito, os instrumentos de coleta de dados foram à entrevista semi-estruturada, o questionário
  28. 28. 28ao lado da observação direta, representarem instrumentos básicos para a coleta de dadosdentro da perspectiva de pesquisa qualitativa.Segundo Triviños (1987) afirma: Temos expressado reiteradamente que o processo de pesquisa qualitativa não admite visões isoladas, parceladas, estanques. Ela se desenvolve em interação dinâmica retroalimentando-se, reformulando-se constantemente, de maneira que, por exemplo, a Coleta de Dados, num instante deixa de ser tal e é análise de dados, e esta, em seguida, é veículo para nova busca de informações. (p. 137)No que diz respeito à entrevista semi-estruturada Lakatos e Marconi (1991) diz que aentrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações arespeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional.Entende-se desta forma, que é uma conversa entre duas pessoas ou mais, tendo de antemãouma preparação do entrevistador como o roteiro preestabelecido, que tem como objetivoaveriguar fatos e obter respostas as suas indagações. Cada entrevista será gravada para depoisser analisada com mais eficiência.Além da entrevista semiestruturada foi utilizado o questionário, com o objetivo de aproximarmelhor o pesquisador ao perfil dos sujeitos, consiste de perguntas claras para que oinformante tenha motivação para responder (BARROS e LEHFELD, 2000; p.90) Perguntasfechadas são aquelas questões que apresentam categorias ou alternativas de respostas fixas.3.4.1. DESENVOLVIMENTOS DA PESQUISADepois da coleta de dados, sem nenhuma modificação para garantir a veracidade da pesquisafoi feito a análise dos conteúdos, sem revelar a identidade dos participantes.Esta análise poderá ser contemplada no próximo capítulo fazendo sua interpretação ebuscando esclarecer o problema apresentado no 1º capítulo - Como a ludicidade acontece emuma sala da 5ª série da educação fundamental no Colégio Municipal Ulisses Gonçalves daSilva do povoado de Caraíbas – Bahia.
  29. 29. 29 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOSOs dados que se seguem foram observados no Colégio Municipal Dr. Ulisses Gonçalves daSilva, povoado de Caraíbas, Campo Formoso. Analisados numa perspectiva etnográfica, ondebuscamos uma postura de descrever o cotidiano de uma sala de aula de 5ª série, contexto esseem que temos atuação como docente. Observamos o movimento de alunos e professores nodesenvolvimento de suas atividades pedagógicas. Ficamos vigilantes aos detalhes presentes nasala de aula na expectativa de que estes colaborassem na revelação de pontos “luminosos” quenos inspirassem a olhar esse campo da ludicidade, fazendo uma reflexão.A pesquisa na perspectiva da mesma, desperta a sensibilidade de descrever o que é visto, nãose limita somente neste aspecto de ver, mas de fazer ver. (LAPLATINE,2004). Então nosocupamos em observar e descrever, junto a observação a entrevista com os professores e
  30. 30. 30alunos (sujeitos da pesquisa), considerando que o nosso foco era uma sala de aula específica,todas as pessoas que a habitavam se tornaram sujeitos diretos para o desenvolvimento dessetrabalho. Os detalhas mais simples foram considerados importantes, desde a proposição deuma atividade, de uma dinâmica, das brincadeiras no recreio, conversas informais entresprofessores na secretaria ou no momento de planejamento.Estes sutis detalhes foram fundamentais para observarmos a postura lúdica de professores ealunos, bem como para observarmos bem como a ludicidade é tratada e vista num contextoescolar.O campo visível foi ampliado com outros recursos, através da entrevista semiestruturada aqual nos colaborou com as percepções, somando ao questionário fechado que possibilitoutraçar o perfil diante a formação pedagógica dos professores observados.4.1. ONDE TUDO COMEÇAInicia-se o ano letivo em todo o município, todos retornaram a seu ambiente de trabalho, noColégio Ulisses Gonçalves reencontros, pois esta contempla um quadro de professores fixos amais três anos, possibilitando um trabalho mais harmonioso, a faixa etária está entre os vinte aquarenta anos, todas do sexo feminino, exceto o diretor, o único homem do grupo, todostambém, graduados em pedagogia.Esta equipe de trabalho recebe no colégio crianças de todas as partes circunvizinhas oriundasda zona rural e de classe baixa. Algumas crianças, uma minoria, saem de suas casas o diaainda escuro pelo fato de morarem distantes, porém isto não é um obstáculo, pois poucosfaltam às atividades escolares, a outra parte dos alunos, os quais compõem sua maioria,residem próximo da escola.Os alunos que chegavam para cursar a 5ª série do Ensino Fundamental tinham um diferencialmaior, percebe-se a inquietação de seus comportamentos, era a primeira vez que estavam ali,
  31. 31. 31saíram de uma 4ª série de uma escola pequena, onde lecionava um só professor, agora não,tudo era diferente, colégio cheio, muitos colegas conhecidos e muitos outros para conhecer.Da secretaria, uma sala ampla, mobiliário com dois armários pequenos, um computador e umamesa redonda no centro, ouviam-se as crianças perguntando entre elas, “Quem é a professorade matemática?”, “Quem é a de português?”, os que já eram do colégio respondiam comautoridade por estar dando as informações a um novato, “ a de matemática é aquela que estáde blusa preta, mas não fique animado não que a mulher é uma fera”, “Aquela ali é a deInglês...”, “Inglês? Oba!”, “Oba...? deixa ela começar a aula pra ver se tu diz oba...”. E assimse fazia as apresentações pelos alunos já experientes aos alunos que chegavam para cursar a 5ªsérie.Na hora da apresentação, tocou a campainha e todos correm felizes para o centro do pátio, nãoera o dia de levar o caderno, por ser somente dia da apresentação e planejamento dosprofessores, mas as crianças nem se importaram muito, queriam mesmo era levar o caderno emostrar para os colegas. O diretor se dirige a frente pega o microfone e anuncia o início donovo ano letivo dando-lhes as boas vindas, todos muito quietos prestam atenção em cadapalavra dita, pois a escola de onde vieram não tinha equipamentos eletrônicos, a direção daescola ficava ao cargo dos próprios professores, tendo somente a visita da coordenadorapedagógica periodicamente, então neste momento era tudo muito novo.O diretor começa a chamada dos professores anunciando as referentes matérias e são todosrecebidos com muito entusiasmo e calorosos aplausos, e fitavam os olhos, a tudo observavam.Terminado o momento de boas vindas, o alunos retornam as suas casas e os professores sereúnem para seu planejamento.4.2. O MOMENTO DO PLANEJAMENTOEm uma sala de aula reservada, todos os professores se reuniram para ouvir o diretor, o qualdava as boas vindas, leu uma mensagem e fez uma dinâmica para iniciar a reunião, a maioriapresa à cadeira se recusaram a participar, queriam ficar só olhando, percebemos o quanto aspessoas resistem ao movimento do corpo.
  32. 32. 32Considerando o que diz Nóbrega (2005) as pessoas parecem viver em uma rede derelacionamentos onde cada uma deve explicações de seus atos, presas a normas decomportamentos, as quais julgam ser aceitas pela sociedade, privando seus movimentos aoíntimo, racionalizando o seu próprio corpo. “Desaprendemos a conviver com a realidadecorpórea e a aprender partindo da reversibilidade dos sentidos, privilegiamos a razão semcorpo.” (NÓBREGA , 2005, p.608). Então, quando uma pequena parte do grupo confirma suaparticipação, levantaram-se e foram até a frente, desajeitados, havia duas ou três professorasque demonstraram animação, mas, percebe-se em seus movimentos controle do corpo na horade bater palmas ou pular, as que ficaram em seus lugares riam muito dos movimentosrealizados pelas colegas, a brincadeira dirigida pelo diretor acabou logo, sem prolongar muito.Maturana (2004) afirma que o aspecto lúdico faz parte do ser humano, e através de umabrincadeira o corpo toma consciência de sua liberdade, “As brincadeiras expandem aconsciência corporal à medida que existimos como seres sociais, que se tornam pela totalaceitação e confiança do corpo.” (p.231).Comentou-se então o objetivo da brincadeira, é percebido neste momento que entre algumasrisadas dos educadores, ainda se divertindo com a brincadeira, que o importante na ludicidadenão é somente a diversão, mas, o encontro consigo mesmo, e se reconhecer o que antes sefazia oculto, um olhar diferenciado para o seu próprio comportamento e o comportamento dooutro.Almeida (2003) diz que, em qualquer momento da vida, a ludicidade permite o indivíduoutilizar seus potenciais de forma criativa, ou seja, tendo liberdade em seus sentidos, algo queo envolva por inteiro, estando flexíveis, pois o que é mais importante na atividade lúdica, nãoé somente a diversão, mas um encontro com o que está dentro de si.Dar-se seguimento a reunião, dividiram-se grupos por segmentos, professores de 1ª a 4ª emuma mesa, professores de 5ª a 8ª em outra mesa, foi distribuído um projeto elaborado pelogrupo de coordenadores do município, o qual contemplava um tema, Resgatando os Valores,e várias sugestões de atividades, ao ler estas atividades, os professores não fizeram nenhumquestionamento ou adaptação à realidade daquele povoado, visto que o projeto foi feito paraser aplicado em todo o município, dividiram-se as atividades em partes iguais, a modo queninguém ficasse com mais que outros e também que estas não fossem repetidas na mesmasérie.
  33. 33. 33Diante desta situação, surge um questionamento de se pensar melhor a educação, sendo que oponto de partida é o aluno, no entanto, atitudes não refletidas levam a ações medíocres, onde oobjeto essencial da educação se perde pelo caminho, negam a autonomia das crianças,reprimido suas melhores qualidades de sujeitos ativos e criativos ao perpassar a característicapredominante da educação: uma sociedade disciplinada e atenta à reprodução de conteúdos,onde reprime a liberdade sistematizando a educação, desta forma, torna possível até umsentimento de repúdio na relação professor/aluno, por não desenvolver na sua práticapedagógica o essencial, que seria ver no aluno um ser social, histórico e cultural, ou seja,reconhecer o aluno como um sujeito pleno. Parte deste ponto de vista, a prática pedagógicalúdica, sendo identificadas por aplicação de meras dinâmicas, atividades técnicas,aprisionando a relação da espontaneidade, liberdade, flexibilidade e dialogicidade no processode ensino-aprendizagem. (RESSURREIÇÃO, 2006,p.90-91)4.3 O PRIMEIRO DIA DA SALA DE AULA.A capainha toca, todos correndo dirigem-se a sala de aula, os professores começam a sair dasala da secretaria de um a um, depois de um breve e rápido café da manhã, andam devagarpelos corredores e cumprimentam os alunos com um sorriso ou aceno de mão, na sala da 5ªsérie há uma diferença das demais, o silêncio, a professora dá um alegre “Bom Dia” e em coroas crianças respondem, a partir daqui a professora conduz uma conversa informal, sobre o queacharam da escola e as expectativas para o ano, assim também, a medida que os alunos maisdescontraídos falavam iam sendo interrogados a respeito de seus nomes e de onde moravam.Quando todos já tinham se apresentado, a professora disse “Bem gente, vamos começar aaula?”, esta frase remete as relações de uma sala de aula, a qual se torna fragmentada, poisesta, pode ser interpretada de outra forma: “Bem gente, vamos para a parte séria?”, Nóbrega(2005) diz que as atitudes exteriores não são gestos superficiais, inúteis ou desnecessárias,elas revelam o homem interior, por isso a educação deve preocupar-se com esses aspectos. Omomento de descontração também faz parte da aprendizagem, pois o homem é composto de:
  34. 34. 34sentir, pensar e agir. Um não está completo sem a presença do outro. Segundo Maturana(2004) “A criança só adquire sua consciência social e autoconsciência quando cresce naconsciência operacional de sua corporeidade.” (p. 229)A professora, então, distribuiu o texto: Fábula do Porco-espinho, o qual falava sobre orespeito com o próximo e pediu para que fizessem uma leitura silenciosa, após alguns minutoso texto foi lido pela professora enquanto os alunos acompanhavam, depois da leitura, aprofessora fez uma breve reflexão, instigando os alunos sobre como deve acontecer umaconvivência harmoniosa entre as pessoas, para tanto é necessário existir o respeito. Seguindoa atividade de reflexão, nota-se a atenção que os alunos davam a professora na leitura de cadaparágrafo, um momento onde a ludicidade se fez presente, pois é importante ressaltar queaspecto lúdico não diz respeito somente à brincadeiras e movimentos, mas também, aosmomentos de plenitude, momentos de entrega ela pode ser identificada em um estado de purasingeleza e reflexão. Luckesi (2009) afirma que Brincar, jogar, agir ludicamente, exige umaentrada total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admitedivisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado deconsciência (p.2)Friedman (1992), também afirma que a atividade lúdica é a forma através da qual asensibilidade e o potencial são liberados e modelados, o que concedeu a mesma um papelimportante nas relações culturais e sociais.Seguindo com a atividade, a professora propôs para que a turma confeccionasse umcombinado da boa convivência, foi analisando esta atividade que ficou mais claro a formacomo os alunos transformam uma atividade teórica em um momento de construção decriatividade, a alegria em que cada grupo confeccionou seus cartazes, e o envolvimento plenocom a atividade. . Silva (2006) trata de como é essencial o educador construir pontes entre osaber e o sabor da vida e do cotidiano da criança, afirmando: “A ludicidade propicia prazer,descontração, espontaneidade, pré-requisitos importantíssimos para a fluência dos processoscriativos.” (p. 106)Assim sendo, a ludicidade é uma atividade de construção interna possibilitando aaprendizagem, pois, a consciência de si surge quando há um desenvolvimento e umreconhecimento do próprio corpo de suas habilidades e criatividade. Desta forma, a ludicidade
  35. 35. 35vem ganhando espaço como uma fonte de possibilidades no que diz respeito aodesenvolvimento e a aprendizagem.4.4. “NÃO AGUENTO MAIS TANTA BRINCADEIRA”Finalizando o momento de confecção de cartazes, foi feita a apresentação, alguns alunosresistiram em ir até a frente e apresentar sua obra, mas a professora não insistiu, afixaram nasparedes e para terminar o que já tinha duração de duas aulas, foi feita uma brincadeira. Aprofessora pediu que afastassem as carteiras para a parede e fizessem um círculo no centro dasala, percebe-se o entusiasmo da maioria, embora um pequeno grupo de alunos não quisparticipar, a professora insistiu, mas, não obteve sucesso, isto faz lembrar o dia anteriorquando alguns professores no planejamento se recusaram também em participar da dinâmicade grupo.Para Maturana (2004) “O homem perde a capacidade de brincar por estar continuamentesubmetido às exigências do competir, projetar uma imagem ou obter êxitos, esse sentimentoestá relacionado a uma rede de conversações.” (p. 230). Esta resistência ao ato de movimento,rir, ser espontânea, está ligado diretamente ao fato de que sempre se deve passar uma “boaimpressão de comportamento” para as outras pessoas, e o brincar vai dificultar esta “boaimpressão”, desta forma se estabelecem normas de comportamentos rígidas que prendem osmovimentos, negando desta forma o momento de plenitude e de sentidos e interação com opróprio corpo.E foi desta forma, muita dinâmica e descontraída deu-se início a primeira semana de aula docolégio, conhecida como semana de integração, chegando já ao término desta semana, a salada 5ª série não tão mais silenciosa como o primeiro dia, os colegas já se conheciam melhor, jáse criara algumas amizades. O professor ao entrar na sala de aula, com alguns materiais namão, quando de repente um aluno do fundo da sala grita: “Brincadeira de novo? Não agüentomais tanta brincadeira...”, o outro completa dizendo: “Professor, hoje o professor vai escreverno quadro?”.Este fato deixa claro a forte interpretação do significado do que é lúdico, geralmente quandose fala em ludicidade vem a mente brincadeiras, no entanto atividades que tem um aspecto
  36. 36. 36lúdico, não necessariamente segue a esta regra. Luckesi (2009) afirma o que significa aludicidade voltada para a pedagogia: As atividades lúdicas são instrumentos da criação da identidade pessoal, na medida em que elas, nessa perspectiva, estabelecem uma ponte entre a realidade interior e a realidade exterior. Esse é o lado construtivo das atividades lúdicas. Pelas atividades em geral e pelas atividades lúdicas em específico, a criança aproxima da realidade, criando a sua identidade. O princípio do prazer equilibra-se com o princípio da realidade, na criança. Através das atividades lúdicas. (2009)Diante disso, identificar as atividades lúdicas como uma atividade cultural, psíquica epedagógica, a qual envolve o social, emocional, o motor e a criatividade de todos aqueles quea vivencia plenamente, desta forma o resultado será uma educação integral possibilitando astrês áreas do ser humano: o sentir, o agir, o pensar.No entanto as atitudes adotadas por uma grande parte de pessoas, ao tentar elaborar umprojeto de integração, tem como conceito do que é ludicidade, momentos de brincadeiras oudescontração, ou seja, ludicidade é somente o agir, porém, não existe aspecto lúdico quandosó um destes elementos se encontram presentes, um não está completo sem a presença dooutro, não é possível ter uma real plenitude se estes três estiverem desvinculados: omovimento, o sentimento e a razão.Dando seguimento ao planejamento, a professora, continuou seu trabalho, seria a culminânciado projeto “Resgatando Valores”, logo após o recreio, e todos precisavam estar preparadospara apresentar os trabalhos desenvolvidos durante a semana, a sala de 5ª série ficou com atarefa de apresentar suas produções textuais e ilustrações, restava somente colar em um cartaz,a sala foi dividida em grupos, neste dia o colégio estava agitado, muito barulho emovimentação, todas as salas estavam desenvolvendo a mesma atividade de preparação, umajanela quebrada foi um obstáculo para a professora que tentava conter os alunos concentradosem suas atividades, pois queriam ficar admirando a movimentação da escola, fora da sala deaula.Não tendo muito êxito, a professora se dedicou a um pequeno grupo que estava interessadoem concluir o trabalho. Durante o processo de ornamentação dos cartazes a professora feztodo o trabalho enquanto os alunos a observava atentamente, a professora não demonstroupreocupação com o barulho da sala nem o entra e sai de alguns alunos. Uma atividade terá um
  37. 37. 37aspecto lúdico quando de forma plena envolve a pessoa que a vivencia, mesmo quando osujeito está vivenciando essa experiência com outros, a ludicidade é interna; a partilha e aconvivência poderão oferecer-lhe, e certamente oferece, sensações do prazer. (LUCKESI,2009), ainda assim, este sentimento é de cada um de forma particular, mesmo que o grupopossa harmonizar-se nessa sensação comum, não deixará de ser algo interno de cada sujeito.Em um momento de distração, a criança cria em si novos significados, a ludicidade tem estepoder de fazer com que as pessoas projetem em si outra realidade, como em uma dinâmica desentimentos, no qual se dá um novo saber.4.5. “AULA NORMAL”.Algumas semanas depois da semana de integração a realidade na escola já tinha tomado outrodirecionamento, segundo alguns professores, “agora é aula normal”, a semana de brincadeiratinha passado, chegando assim, o momento “sério”.Como afirma Borba (2007): A brincadeira está entre atividades frequentemente avaliadas por nós como tempo perdido. Por que isso ocorre? Ora, essa visão é fruto da idéia de que a brincadeira é uma atividade oposta ao trabalho, sendo por isso menos importante, uma vez que não se vincula ao mundo produtivo, não gera resultados. (p. 35)E assim, se fortalece a idéia formada, a divisão do que é sério não pode ser divertido nemproporcionar prazer, movimento, fantasia, diversão e descontração, desvinculando-a daeducação. Machado (1998) não concordando com isto afirma: “O lúdico encontra-se noespaço do sonho. Uma criança livre, feliz, brinca quando come, quando faz seus pequenosdiscursos poéticos.” (p. 19).Os alunos agora fardados davam também, outra imagem a sala para quem ali entrava, aomesmo tempo em que era bonito, todos de blusas branca e calças azul-marinho, também umar rígido e de padronização obrigatória. As carteiras não eram alinhadas, mas também, nãotinha uma organização, os alunos se amontoavam em qualquer espaço obedecendo a suasafinidades com algum grupo de colegas.
  38. 38. 38A rotina da sala se dava desta maneira, tocava-se o sino, os alunos corriam para porta da salaa espera da professora, alguns minutos depois todos os professores saiam da secretaria emdireção a suas salas de aula, era um grupo muito harmonioso, gostavam de rir, trocarexperiências, isto transparecia para os alunos muito empatia com todos eles, ao chegar na salatodos sentavam para ouvir a chamada, os alunos pareciam já estar mais acostumado com arotina de ter vários professores, cada um com sua matéria e cada um com suas cobranças,tornando assim, a rotina escolar comum e monótona. As aulas eram expositivas, geralmentenão se utilizavam recursos didáticos ou audiovisuais, os recursos normalmente utilizadoseram os livros e o quadro.Todos os alunos ao iniciar uma 5ª série trazem consigo muitas expectativas, anseios, noentanto isto não demora tanto, nesta sala de 5ª série, durou menos que três semanas, pois osalunos já reclamavam das cobranças, da quantidade de atividades diárias que cada professorexigia.A cada aula que se iniciava, a mesma rotina recomeçava, é possível notar o comportamento daprimeira semana com a terceira semana, a bagagem de valores e cultura trazidos pela criança,em nenhum momento foi mencionada, a escola oferece a criança um outro tipo de educação,uma educação fragmentada, negando a plenitude. FREIRE (1980) critica esta educação,quando se torna um sistema reprodutivo que nega o movimento e a cultura das criançasimpondo-lhes comportamentos que devem ser inculcadas nos alunos, quando diz: Qualquerque seja a sociedade, a função da educação é sempre a de preparar as novas gerações para avida adulta, para a vida no mundo dos adultos (p. 94)Seguiu-se assim a semana de “aula normal” na escola.Havia o dia esperado por todos, não fugia muito da rotina, mas, os alunos experimentavammais liberdade, usavam sua autonomia na excussão de atividade, uma aula muito interessante,foi quando a professora sem mostrar gravuras nenhuma, leu um texto sobre “O boitatá”, olivro era ilustrado, mas a professora pediu para que todos fechassem os olhos e imaginasseaquela cobra enorme que saíra do centro da terra com seus grandes olhos brilhantes, nestemomento cada um pôde criar na sua mente o boitatá da sua imaginação, a professora iniciou aestória, causando às vezes alguns sorrisos e murmúrios na sala.
  39. 39. 39Quando a professora terminou de ler pediu para que todos reproduzissem em um papel oanimal construído na sua imaginação, eles gostavam de desenhar, cada um seguindo aorientação do seu imaginário construiu seu bicho, impressionante a criatividade de cada um.Vendo os alunos animados com seu desenho mostrando para os colegas a professora solicitouque eles em grupos escrevessem agora uma estória, onde estivessem fazendo parte delajuntamente com seu animal gigante, mais uma vez a sala de aula foi palco de descobertas,momentos de criação, do ensino e aprendizagem, os alunos como autores principais destaconstrução. A aprendizagem ocorrerá significativamente quando mais formos capazes deaproximar o pensar do pensar e do sentir. (D’ÁVILA, 2006). Infelizmente, isto não duroumuito tempo, a aula foi interrompida pelo som do sino, não concluindo o trabalho a professorapediu para concluírem a atividade depois.No momento seguinte, outra professora entra na sala, faz a chamada, e diz: “Vamos parar abrincadeira, a aula de artes acabou, guardem seus desenhos, pois a aula é de história”.Acredito que não só as estruturas cognitivas devam ser objetivo de preocupação dosprofessores, mas a educação do ser por inteiro. (D’ÁVILA, 2006)4.6. HORA DO RECREIONo colégio havia uma preocupação especial no momento do recreio com os alunos de 5ª sériepor serem os mais novos, sempre saiam poucos minutos antes da sineta tocar, para evitar queos maiores machucassem os menores na fila da merenda.Possivelmente o melhor horário para as crianças, que corriam em direção à fila e combrincadeiras, empurravam-se para pegar logo sua merenda, cada aluno seguia para um cantodo colégio e ia saborear seu lanche, aos poucos começava a correria, uns com bola, outrossem bola, mas gostavam de se movimentar e gritar, faziam de tudo instrumentos para suasbrincadeiras, o papel de escritório ou a folha de caderno encontrado no lixo, se confeccionavauma bola, coberta com fita adesiva e começava a brincadeira de bolear. O espaço da escolaera muito amplo, sobravam espaços para as brincadeiras em grupos ou individuais. ParaLuckesi (2009) a brincadeira propicia um estado interno de inteireza, alegria, prazer, seja em
  40. 40. 40um grupo, pulando corda ou sozinho desfrutando um momento de felicidade. Enquanto isto osprofessores ficavam descansando na secretaria, e conversando com os colegas de trabalho.Pela movimentação existente na hora do recreio, deixa claro o encontro com a plenitude doser, plenitude esta muitas vezes negada dentro da sala de aula, o suor correndo pelo rosto, arespiração ofegante, a farda que estava branca agora suja com as marcas das brincadeiras eprincipalmente os sorrisos.Mas o que mais me chamou a atenção, foi um pequeno grupo de alunas que brincavam deShow de Calouros, entre estas alunas havia uma que na sala de aula pouco ouvia sua voz, oumelhor, sua voz era ouvida na hora da chamada, tamanha a sua timidez, sua presença na salade aula quase imperceptível, mas ela estava lá, brincando de “show de Calouros” e para asurpresa maior, ela era a apresentadora, falava alto, dançava, rodopiava, fazia entrevista,criara em sua cabeça uma fantasia e a vivenciava plenamente. O espaço da sala de aulapoderia criar conexões com essa liberdade interagindo mais com as experiências que ascrianças vivenciam fora dela, e poder pensar o lúdico de forma mais positiva, não comooposição ao trabalho, mas como uma atividade que se articula aos processos de aprender, dedesenvolver e conhecer, e que está ligada à cultura e ao cotidiano das crianças. Machado(1998) diz: “E que o brincar seja, para todos, ação apaixonada e comedida.” (p. 32)Para os alunos o recreio torna-se o momento mais esperado, é neste momento, que a criança écriança, pois dá sentindo a característica própria da infância, que para muitos adultos não temgrande importância. A prova real disto é quando se percebe que não havia nenhum professor,secretária ou direção escolar participando deste momento espetacular para os alunos que era àhora do recreio.Mas, infelizmente, nem tudo era brincadeira no recreio, uma menina muito assustada entrouna secretaria com os olhos arregalados, mal conseguia falar, informando aos professores quesua colega havia sido agredida pelo seu outro colega, os professores perguntaram: “Onde estáa menina? Chame-a aqui...” a criança ainda nervosa responde: “Ela não pode caminhar”. Osprofessores preocupados com a gravidade saem correndo da sala ao encontro da criança,estava deitada no chão e chorando muito, enquanto alguns professores preocupavam-se emlevá-la para a secretaria e cuidar dos seus ferimentos, outros questionavam aos alunos que alifaziam um círculo em torno da confusão, quem teria causado aquilo e como teria sido, depois

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