Educacao Tecnologica

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Educacao Tecnologica

  1. 1. Mestrado em Educação Tecnológica EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Autora: Adriana Sales Zardini – Mestranda em Educação Tecnológica Estudo apresentado como trabalho final da disciplina: “Trabalho, Educação e Desenvolvimento Societário” – Professor: João Bosco Laudares – Agosto de 2006. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA INTRODUÇÃO Em um primeiro momento, quando vemos as palavras ‘educação tecnológica’ surgem diversos significados para o tema. Podemos procurar entender, educação tecnológica estar ligada às tecnologias educacionais, ou mais especificamente, à educação profissional ou à educação técnica. Acrescento ainda que o termo possa estar ligado à prática pedagógica apoiada em uso de tecnologias. Devido às numerosas definições e discussões que esta temática levanta, este artigo busca investigar e apresentar alguns aspectos ligados à temática da Educação Tecnológica. Inicialmente, irei abordar as definições de educação e tecnologia como aporte para uma investigação mais ampla do termo “Educação Tecnológica” principalmente no que diz respeito ao Brasil. Em seguida, buscarei fazer um diálogo entre vários pesquisadores e fazer uma exposição a respeito do tema. Concluindo farei algumas observações a respeito de todo o exposto e farei conclusões. 1 - EDUCAÇÃO Algumas definições preliminares a respeito do que é educação são relevantes para a discussão do tema. De acordo com Kuenzer (2002), a educação é uma “práxis cultural a exigir do homem habilidades para ser político e produtivo, como agente interventor do progresso social”. Grinspun (1999) considera a educação “como uma prática social, portanto, uma prática que se realiza num tempo histórico determinado, com características ideológicas específicas e voltadas para a
  2. 2. subjetividade”. É uma área da sociedade na qual mantém estreita relação pelos seus objetivos e pela formação do indivíduo que vai participar da sociedade. Ainda segundo Grinspun (1999): “etimologicamente educação provém de dois vocábulos latinos - educare e educere -, tendo o primeiro o significado de orientar, nutrir, decidir num sentido externo, levando o indivíduo de um ponto onde ele se encontra para outro que se deseja alcançar; educare se refere a promover o surgimento de dentro para fora das potencialidades que o indivíduo possui”. Sucupira (apud Grispun, 1999) caracteriza a educação como sendo quot;as atividades intencionalmente exercidas sobre o desenvolvimento de uma personalidade com o objetivo de promover e ativar processos de aprendizagem que conduzem a disposições, atitudes, capacidades e formas de comportamento consideradas úteis e valiosas pela sociedadequot;. 2 – TECNOLOGIA Laudares (2005) afirma que “o conceito da tecnologia, como a explicação e o construto teórico da geração e do uso da técnica, aparece com a ciência moderna, quando um saber prático deve ser explicado teoricamente e um saber teórico deve ser verificado pela experiência científica”. Entretanto, o processo laboral tecnológico foi iniciado pelo trabalho industrial precedido pelo tratamento teórico do planejamento, ressalta o autor. De acordo com Oliveira (2000), “tecnologias são produtos da ação humana, historicamente construídos, expressando relações sociais das quais dependem, mas que também são influenciadas por eles”. Grinspun (1999) menciona que “etimologicamente, tecnologia provém de técnica, como já vimos, cujo vocábulo latino techné quer dizer arte ou habilidade”. Sendo assim, esta derivação mostra que tecnologia é uma atividade voltada para a prática, enquanto a ciência é voltada para as leis a que cultura obedece, reforça a autora. Percebe-se também que atualmente o termo ‘tecnologia’ possui um significado alargado. Podemos apontar o uso deste termo para diversas áreas: “utilização no sentido de técnica; emprego com referência às máquinas, 2
  3. 3. equipamentos, instrumentos e sua fabricação ou mesmo na utilização ao manejo deles; relacionado com os estudos dos aspectos econômicos da tecnologia e seus efeitos sobre a sociedade” Vargas (apud Grinspun, 1999). Para Grinspun a tecnologia deve ser tratada no contexto das relações sociais e dentro de seu desenvolvimento histórico. “Ela é o conhecimento científico transformado em técnica que, por sua vez, irá ampliar a possibilidade de produção de novos conhecimentos científicos” Grinspun (1999). Segundo a autora, o principal objetivo da tecnologia aumentar a eficiência da atividade humana em todas as esferas, incluindo a produção. Grinspun considera que a tecnologia envolve um conjunto organizado e sistematizado de diferentes conhecimentos, científicos, empíricos e até intuitivos voltados para um processo de aplicação na produção e na comercialização de bens e serviços. 3 – EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Se buscarmos uma definição para educação tecnológica perceber-se diversas afirmações e percebemos que este é um conceito ainda em formação. “Sem dúvida, as diferenças terminológicas dificultam sobremaneira a comunicação entre aqueles que se interessam por esta área de estudo e atuação, pois não é apenas o conceito de educação técnica que comporta ambigüidades. Há imprecisão acerca do que seja iniciação, formação, aprendizagem, qualificação, treinamento, aperfeiçoamento, habilitação profissional, pois ora são usados como sinônimos, ora designam campos de atuação distintos, segundo nível de ensino.“(MACHADO, 1989: 76). Segundo Bastos (1997) a educação no mundo de hoje tende s ser tecnológica, o que por sua vez, vai exigir o entendimento e interpretação de tecnologias. Como as tecnologias são complexas e práticas ao mesmo tempo, elas estão a exigir uma nova formação do homem que remeta à reflexão e compreensão do meio social em que ele se circunscreve. De acordo com o Mec (1994), educação tecnológica é: 3
  4. 4. “vertente da Educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia, aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (...) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita, como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção, da Ciência e da Tecnologia, da capacitação de mão-de-obra, das relações de trabalho e outros, exigidos pelos avanços tecnológicos, sociais e econômicos que tem a ver com o desenvolvimento”. Grinspun (2001) afirma que: “... diz respeito à formação do indivíduo para viver na era tecnológica, de uma forma mais crítica e mais humana, ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica), assim como às questões mais contextuais da tecnologia, envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica”. O propósito da educação tecnológica é formar um cidadão crítico e consciente, em uma sociedade impregnada de tecnologia, numa nova cultura. É relevante destacar a diferença entre educação tecnológica e educação profissional. Enquanto a educação profissional é centrada na técnica, causa impacto nos processos de trabalho e é orientada pelos interesses econômicos. A educação tecnológica está centrada no ser humano, seu impacto se dá na convivência social e produtiva e é orientada pela ética. Em 2000, OLIVEIRA observava que a educação tecnológica e o ensino técnico “têm sido objeto de estudo em vários fóruns de debate e objeto de novas regulamentações no interior de políticas públicas atuais sobre educação tecnológica no País”. A autora confirma que as “diferenças entre formação técnica e formação tecnológica tem sido objeto de intenso e extenso debate nas Instituições de Educação Tecnológica no País” (OLIVEIRA, 2000). Segundo Oliveira (2000) o ensino técnico ocupa-se dos “processos de treinamento do trabalhador no mero domínio das técnicas de execução de atividades e tarefas, no setor produtivo e de serviços”. Já a formação tecnológica envolveria “o compromisso com o domínio, por parte do trabalhador, dos processos físicos e organizacionais ligados aos arranjos materiais e sociais, e de conhecimento aplicado e aplicável, pelo domínio dos 4
  5. 5. princípios científicos e tecnológicos próprios a um determinado ramo de atividade humana” (OLIVEIRA, 2000). Neste sentido, Laudares (2005) enfatiza que trabalhar a educação tecnológica significa tornar a educação profissional (antes denominada educação técnica) apta a suprir a necessidade do homem de responder às demandas do mundo do trabalho. Para GRINSPUN (2001) o conceito de educação tecnológica diz respeito à formação do cidadão e do profissional criativo e flexível, possuindo o domínio científico com visão crítica das tecnologias: “à formação do indivíduo para viver na era tecnológica, de uma forma mais crítica e mais humana, ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica), assim como às questões mais contextuais da tecnologia, envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica”. De acordo com Bastos (1998), a educação tecnológica situa-se, ao mesmo tempo, no âmbito da educação e qualificação, da ciência e tecnologia, do trabalho e produção, enquanto processos interdependentes na compreensão e construção do progresso social reproduzidos nos campos do trabalho, da produção e da organização da sociedade. O autor complementa seu pensamento dizendo que a concepção fundamental da educação: quot;(...) não é adjetiva, pura e simplesmente da tecnologia, como ela estivesse incompleta e necessitando de técnicas para se tornar prática. É uma educação substantiva, sem apêndices e nem adendos. Existe por si só, não para dividir o Homem pelo trabalho e pelas aplicações técnicas. É substantiva porque unifica o ser humano empregando técnicas que precisam de rumos e de políticas para ser ordenadamente humanas. É substantiva porque é um Todo: educação como parceira da tecnologia e esta como companheira da educação - ambas unidas e convencidas a construir o destino histórico do Homem sem dominação e sem escravidão aos meios técnicosquot; Bastos (1998). 5
  6. 6. 3.1 – CONCEITOS DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Percebemos que a educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades comportando diferentes formas de atuação e concepção, desse modo, faz-se necessário ter uma visão mais objetiva do que entendemos atualmente por Educação Tecnológica. A respeito das principais referências que a legislação brasileira atual faz aos termos educação técnica e educação tecnológica, o art. 3° da Resolução CNE/CEB n.°1, de 3 de fevereiro de 2005: “Art. 3º A nomenclatura dos cursos e programas de Educação Profissional passará a ser atualizada nos seguintes termos”: I. “Educação Profissional de nível básico” passa a denominar- se “formação inicial e continuada de trabalhadores”; II. “Educação Profissional de nível técnico” passa a denominar- se “Educação Profissional Técnica de nível médio”; III. “Educação Profissional de nível tecnológico” passa a denominar-se “Educação Profissional Tecnológica, de graduação e de pós-graduação” (Resolução CNS/CEB n.°1, de 03/02/05). De acordo com a LDB (Lei 9394/96), o currículo do ensino médio (...). “I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;” Segundo o MEC/SEMTEC (1994): 6
  7. 7. quot;A Educação tecnológica é a vertente da Educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia, aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (...) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita, como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção, da Ciência e da Tecnologia, da capacitação de mão- de-obra, das relações de trabalho e outros, exigidos pelos avan- ços tecnológicos, sociais e econômicos que tem a ver com o desenvolvimentoquot;. Pereira (apud Grinspun, 1999) afirma que quot;O conceito de educação tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedadequot;. Grinspun (1999) aponta pontos básicos no conceito para educação tecnológica, quais sejam: · a educação é a tônica do processo evolutivo da tecnologia; · a formação do indivíduo deve estar voltada para as condições - em termos de acesso ao conhecimento e pesquisa - de sua inserção no campo da tecnologia, propiciando-lhe meios e ferramentas para criar tecnologias; · a interação ciência-tecnologia se faz presente em todo seu percurso, e para isto o comprometimento é bem maior com o processo do que com o produto/resultado final da tecnologia; · a construção de uma educação que não separe a tecnologia de seu cotidiano, esclarecendo e desvelando as implicações das novas relações sociais, em especial a formação do trabalhador; · despertar no indivíduo o lado humanístico da tecnologia e, por outro lado, instigá-lo à rede de conhecimentos e saberes que a tecnologia propicia. Não podemos valorizar a técnica em detrimento do mundo subjetivo; para tudo há lugar, em especial para se pensar e para aprender a aprender. 7
  8. 8. 3.2 – EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA NO BRASIL A educação tecnológica está presente na nossa realidade há muito tempo. Grinspun (1999) afirma que ela teve início, pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas, em 1909, tendo como objetivo formar pessoas que dominassem o trabalho manual. Nos anos seguintes, com o surgimento da industrialização, surge a educação técnica paralela ao sistema regular de ensino, em que instituições como o SENAI começaram a preparar mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho. A autora salienta que na década de 60, com o avanço do desenvolvimento tecnológico, volta-se à questão do ensino técnico, que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na Lei n° 5692/71, com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. Em 1978, foi assinada a Lei n° 6545, de 30.6.1978, criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho, encaminhado aos órgãos superiores, que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores. Afirmaram também que quot;os CEFETs exerceriam uma liderança natural do ensino de Tecnologia, sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico” relata Grinspun (1999). Em termos de cursos existentes na área de Educação Tecnológica na atualidade, podemos destacar o CEFETs do Paraná e de Minas Gerais. Laudares (2005) expõe a situação em que se encontra estas duas instituições assim como também faz um breve relato das mudanças ocorridas nas mesmas. O Cefet-PR implantou a reforma pelo decreto 2.208/97 e posteriormente a referendou com o decreto 5.154/04. De acordo com Laudares (2005), o Cefet-PR ampliou seu espaço de educação profissional tecnológica com os cursos de Tecnologia de graduação superior, curso de Engenharia e mestrado em Tecnologia. Esta decisão reduziu a oferta para a educação técnica e ampliou os cursos superiores, “podendo assim reinvidicar ao MEC sua projeção institucional de Cefet para universidade tecnológica” Laudares (2005). Por sua vez, Laudares (2005) cita que o Cefet-MG também realizou reformas para aplicação dos decretos sem mudanças em sua 8
  9. 9. oferta de nível de educação profissional, sem expandir cursos superiores de graduação e pós-graduação, já o cursos técnicos sofreram pequenas ampliações. Grinspun (1999) aponta as mudanças ocorridas no Cefet-RJ, que desde 1992 possue o curso de mestrado em Tecnologia, com uma área em Educação Tecnológica, sendo “seu objetivo o de enfocar a educação e a profissão de forma global, para a boa formação do indivíduo em todas as suas relações com a natureza e com o mundo social, econômico e cultural em que vive e atua profissionalmente” Grispun (1999). A autora acrescenta que O curso de mestrado em Tecnologia no CEFET/RJ, além do aprofundamento da relação educação-tecnologia, pretende dotar o profissional/aluno desta área de conhecimentos que se inter-relacionam de forma interdisciplinar, integrando-os aos conhecimentos específicos do campo profissional. 4 - CONCLUSÃO Ao citarmos o termo Educação Tecnológica, concordo com Grispun (1999) que estamos nos apropriando dos conceitos de educação -já explicitados - para inseri-los, conjugá-los, no mundo da tecnologia. Segundo a autora: “a diferença consiste em que no primeiro caso vamos utilizar mecanismos adequados, atuais, novos e tecnologicamente corretos para sua utilização no campo educacional, seja numa dimensão pessoal ou social; no caso da Educação Tecnológica, há uma referência ao quot;tipoquot; de educação que queremos atingir o que engloba o conceito da expressão com os aspectos do por que e para que esta educação existe” Grinspun (1999). Com relação à definição do que é Educação Tecnológica, podemos ver pontos polêmicos: a relativa indefinição, a diversidade de noções, uma não equivalência ao ensino técnico e a formação simplesmente profissional. A ciência e a tecnologia modificam cada vez mais nossas vidas, nossa sociedade e cultura. Nesse sentido, Grinspun (1999) aponta que “a educação tecnológica seria a mediação para discutirmos os pontos principais entre esta educação (o que, para que e como formar) e as tecnologias”. Neste contexto, faz-se necessário pensar em educação tecnológica, o que podemos caracterizar como a 9
  10. 10. interação entre a escola e a tecnologia, visando assim conciliar o desenvolvimento tecnológico e o social. A Educação Tecnológica deve preparar e atualizar seres humanos com os conhecimentos científicos ou tecnológicos neste mundo de constantes mudanças. No entanto, também é necessário que estes seres humanos sejam capazes de refletir sobre os impactos da tecnologia em nossas vidas. Grinspun afirma que: “No mundo atual, em que a microeletrônica, a microbiologia e a energia nuclear assinalam novos caminhos de desenvolvimento da humanidade, com todos os seus progressos e perigos, temos que nos educar para aprender e usar novas tecnologias, desenvolver e refletir sobre as necessidades dessas tecnologias e fazê-las aliadas e cúmplices do próprio bem-estar do homem e da sociedade”. Grinspun (1999) De maneira ampla a educação, hoje, não deve estar apenas comprometida com conteúdos diversificados, mas também se deve preocupar com a formação de competências sociais, como afirma Mello (1996): quot;(...) como liderança, iniciativa, capacidade de tomar decisões, autonomia de trabalho, habilidade de comunicação, constituem novos desafios educacionais. Em contraposição ao acúmulo de informações segmentadas e superficiais, torna-se mais importante dominar em profundidade as básicas e as formas de acesso à informação, desenvolvendo a capacidade de reunir e organizar aquelas que são relevantesquot;. Creio que Grinspun (1999) sintetiza bem a respeito de quais são as características da Educação Tecnológica, mencionadas abaixo: · a Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias, mas sim promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos; . a Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento em que vive, sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia. em todos os setores sociais; 10
  11. 11. · a Educação Tecnológica exige uma interação da teoria e prática, ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de se rever a prática pelo que a teoria sinalizou; · a Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos; a Educação Tecnológica procura identificar a partir do trabalho as novas exigências impostas pelas relações sociais e de que maneira poderemos superar as dificuldades existentes; · a fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber- fazer, saber-pensar e criar que não se esgota na transmissão de conhecimentos, mas inicia-se na busca da construção de conhecimentos que possibilite transformar e superar o conhecido e ensinado. · a Educação Tecnológica não é tecnicismo, determinismo ou conformismo a um status quo da sociedade, e sim um posicionamento, um conhecimento e envolvimento com saberes que não acabam na escola, não se iniciam com um trabalho, mas estão permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. A Educação Tecnológica deve ser alvo de estudos e pesquisas que reflitam seu desenvolvimento na sociedade brasileira. O compromisso da Educação Tecnológica é com a tecnologia, mas acrescento também seu compromisso com o homem e o que este é capaz de fazer com o uso da mesma. Em conclusão, acredito e me baseio em Grinspun ao afirmar que três valores, estão subjacentes à Educação Tecnológica: responsabilidade, liberdade e autonomia. Finalizo este trabalho citando Grinspun que norteou toda discussão aqui feita: “Saber desenvolvê-los e cultivá-los é uma tarefa da educação, mas por certo será uma tarefa bem maior de todos que, produzindo, inventando, inovando a tecnologia, sejam capazes de formar um cidadão crítico e consciente para fazer a história de seu país... bem mais desenvolvido e humano” Grinspun (1999). 11
  12. 12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BASTOS, João Augusto de Souza Leão de Almeida. Educação e tecnologia. Educação & Tecnologia. Revista Técnico Científica dos Programas de Pós- graduação em Tecnologia dos CEFETs PR/MG/RJ, Curitiba, ano I, n° 1, abr. 1997, pp. 4 – 29. BASTOS, João Augusto de Souza Leão de Almeida. A educação tecnológica - conceitos, características e perspectivas. Tecnologia & Educação. Coletânea Educação e Tecnologia: publicação do programa de Pós-Graduação em Tecnologia- PPGTEICEFET-PR. Curitiba, CEFET-PR, 1998. ENGUITA, Mariano Fernández. Tecnologia e sociedade: a ideologia da racionalidade técnica, a organização do trabalho e a educação. Educação e Realidade, Porto Alegre, 13(1),jan.-jun. 1988. LAUDARES, J. B. Educação Tecnológica: Os impactos nos projetos pedagógicos dos cursos técnicos dos CEFETS Minas Gerais e Paraná pelos Decretos 2.208/97 e 5.154/04. In: João Bosco Laudares; Antônia Vitória S. Aranha; Daisy Moreira Cunha. (Org.). Diálogos sobre o trabalho. 1ª ed. Campinas - São Paulo: PAPIRUS, 2005, v. 1, p. 57-90. MELLO, Guiomar Namo de. Cidadania e competitividade - desafios educacionais do terceiro milênio. São Paulo, Cortez, 1996, 5ª edição. OLIVEIRA, M. R. N. S. Mudanças no mundo do trabalho: acertos e desacertos na proposta curricular para o ensino médio (Resolução CNE 03/98). Diferenças entre formação técnica e formação tecnológica. Educação & Sociedade, Campinas, v. 21, n. 70, p. 40-62, 2000. OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales. Mudanças no mundo do trabalho: acertos e desacertos na proposta curricular para o Ensino Médio (Resolução CNE 03/98). Diferenças entre formação técnica e formação tecnológica. Educ. Soc., abr. 2000, vol.21, no.70, p.40-62. ISSN 0101-7330. 12

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