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Lançando bases para uma primeira discussão  <ul><li>As  diferenças, a alteridade  estão na ordem do dia. </li></ul><ul><li...
Sobre diferenças... (brevemente) <ul><li>O “diferente”, para nós, é o “outro”,  </li></ul><ul><li>aquele que tem outras ca...
Sobre diferenças... (brevemente) <ul><li>O “diferente”  é aquele que foge ao que uma sociedade considera a  norma , o norm...
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Um pouco sobre literatura infantil <ul><li>Tendências atuais – o discurso da “crise da leitura”, a culpabilização da escol...
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Algumas análises feitas no projeto “Narrativas, diferenças e infância contemporânea” (PPGEducação – Ulbra) <ul><li>Análise...
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Exemplos de livros do 3o tipo (histórias de personagens humanos) <ul><li>Observações: </li></ul><ul><li>algumas diferenças...
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Como opera a pedagogia cultural da literatura infantil  ? <ul><li>Através do  prazer , do  encantamento  e, de forma muito...
Questões que ficam... <ul><li>Será o tratamento simbólico, metafórico, alegórico o mais fecundo para abordar literariament...
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Algumas diferenças não são “risíveis” ?   <ul><li>Nos livros de literatura infantil sobre os diferentes (estudo feito com ...
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Curso tessituras formação de mediadores sem figuras

  1. 1. Curso Tessituras – Formação de Mediadores de Leitura IDENTIDADE E DIFERENÇA NA LITERATURA INFANTIL Rosa Maria Hessel Silveira
  2. 2. Lançando bases para uma primeira discussão <ul><li>As diferenças, a alteridade estão na ordem do dia. </li></ul><ul><li>Mas... o que se quer dizer quando se fala em diferença ? </li></ul><ul><li>Há um movimento simultaneamente de “unificação” das diferenças e de multiplicação (visibilização) das mesmas. </li></ul><ul><li>Proliferação atual de textos de gêneros variados sobre diferença(s) </li></ul>
  3. 3. Sobre diferenças... (brevemente) <ul><li>O “diferente”, para nós, é o “outro”, </li></ul><ul><li>aquele que tem outras características que não são as nossas (ou mesmo se opõem às nossas) – </li></ul><ul><li>é de outro sexo (ou “gênero”), é de outra etnia, é de outra idade, é de outra religião, é de outra cultura, de outro país, fala outra língua (ou variedade linguística), tem uma configuração corporal que não é a nossa, tem uma “deficiência” etc... </li></ul>
  4. 4. Sobre diferenças... (brevemente) <ul><li>O “diferente” é aquele que foge ao que uma sociedade considera a norma , o normal. O “diferente” geralmente é menos valorizado. </li></ul><ul><li>Lembremos algumas dicotomias: </li></ul><ul><ul><ul><li>europeu versus índio/africano/”incivilizado” </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>branco versus negro </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>jovem/adulto versus velho </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>ouvinte versus surdo </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>homem versus mulher </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>magro versus gordo </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>classes médias versus classes populares </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>citadino-urbano versus rural, interiorano </li></ul></ul></ul>
  5. 5. Teorias da diferença... <ul><li>.... questionam a superioridade de um lado da equação em relação ao outro, desnaturalizando certas verdades que a justificariam (a “natureza”, a eficiência, a perfeição, a “ordem pública”, a “justiça”, a “moral”, a “meritocracia”, a “segurança”, a “manutenção do nosso senso estético”, a “ciência”, a “necessidade de se situar bem nos rankings”... (slogans simbólicos de muita força e pouca profundidade...) </li></ul><ul><li>... apontam não para a simples tolerância, </li></ul><ul><li>ou para a piedade, mas para um “saber viver com o outro”, para o reconhecimento da riqueza das diferenças, para a descentração, para a “ hospitalidade”. </li></ul>
  6. 6. Exemplo: uma “diferença” que foi ressignificada nas últimas décadas: o gênero <ul><li>Conceito que assinala o “caráter </li></ul><ul><li>fundamentalmente social das distinções baseadas no sexo” e, portanto, a variabilidade e contingência das representações de feminino e masculino </li></ul><ul><li>Questionamento da “naturalização” de características femininas e masculinas, de suas tarefas e restrições sociais </li></ul>
  7. 7. Outras diferenças que são questionadas (exemplos) <ul><li>A etnia – superioridade de raças? Existem etnias e raças ? </li></ul><ul><li>A surdez – uma deficiência física ou uma forma cultural específica (LIBRAS)? </li></ul><ul><li>A homossexualidade – um desvio e aberração ou uma orientação sexual específica ? </li></ul>
  8. 8. Um pouco sobre literatura infantil <ul><li>Surgimento histórico comprometido com uma idéia de infância e um ideal escolar </li></ul><ul><li>Persistente tensão entre uma maioridade artística (literariedade) e uma vocação pedagógica – a busca de “um livro para trabalhar X” </li></ul>
  9. 9. Um pouco sobre literatura infantil <ul><li>Tendências atuais – o discurso da “crise da leitura”, a culpabilização da escola tradicional, a ênfase no desenvolvimento do “gosto pela leitura” e numa “renovação da literatura infantil” </li></ul><ul><li>Grande ênfase atual ao contato precoce com livros, à ligação entre leitura (ou simples manuseio de livros ou audição de leituras) e prazer e à negação de um caráter escolarizante estrito ao livro </li></ul>
  10. 10. Toda a literatura infantil “ensina” ? Em que sentido ? <ul><li>Teresa Colomer relembra o deslocamento da função declaradamente educativa dos livros infantis para as funções de “entretenimento e ócio” (séc. XX). Isso, entretanto, não apaga a função produtora de representações e subjetividades dos livros escritos para crianças. </li></ul><ul><li>Toda a literatura abrange representações variadas e, como artefato cultural, também veicula uma “pedagogia cultural” (mesmo que não intencional) </li></ul>
  11. 11. A literatura infantil – mais algumas reflexões <ul><li>Uma das perguntas principais é: </li></ul><ul><li>- qual o lugar e a função que vêm sendo reservados para a literatura infantil ? </li></ul><ul><li>A resposta do mercado livreiro parece muito condicionada às expectativas do professorado: </li></ul><ul><li>“ a literatura é um ótimo recurso para... ensinar X, Y e Z...” </li></ul>
  12. 12. Literatura infantil e mercado <ul><li>Tal resposta tem produzido uma avalanche de publicações diretamente interessadas em “serem úteis para a professora ensinar X...”, desconsiderando-se... </li></ul><ul><li>... o inusual, o criativo, o lúdico, o imaginativo... </li></ul><ul><li>e acentuando-se... </li></ul><ul><li>... a lição... </li></ul>
  13. 13. Questões que se colocam <ul><li>Como essa literatura tem tratado e retratado a questão das diferenças em relação a uma norma? Como essa literatura tem refratado, replicado, desviado ou camuflado a questão das diferenças em relação a uma norma? </li></ul><ul><li>Como tem “ensinado” – deliberada ou implicitamente – a nossas crianças sobre o tema? </li></ul><ul><li>Tem se valido de ficções de caráter realista , retratando personagens com diferenças que implicam discriminações “reais” (negros, cegos, ciganos, deficientes, homossexuais...) ? </li></ul><ul><li>Tem lançado mão do fantástico, do maravilhoso, do metafórico para simbolizar as diferenças ? </li></ul>
  14. 14. Algumas análises feitas no projeto “Narrativas, diferenças e infância contemporânea” (PPGEducação – Ulbra) <ul><li>Análises mais gerais apontam tendências dos livros que têm sido produzidos (cerca de 400 títulos) </li></ul><ul><li>Análises mais específicas já foram feitas sobre a questão da etnia, dos velhos, dos deficientes (cadeirantes e cegos), das personagens gordas, do papel da professora e professor nas histórias, sobre as ilustrações e sobre os paratextos. </li></ul>
  15. 15. Tipos de abordagem das diferenças (classificação simplificada) <ul><li>1o tipo de livros: </li></ul><ul><li>A diferença ou a diversidade ou a igualdade... são o mote central de livros, </li></ul><ul><li>que, basicamente, não contêm uma narrativa inteira de personagens, mas uma descrição ou uma “lição de vida” ou um texto explicativo com recomendações... </li></ul>
  16. 16. Tipos de abordagem das diferenças <ul><li>2o tipo de livros: </li></ul><ul><li>Contém uma narrativa, uma história, que envolve personagens que figurativizam/simbolizam a diferença: animais (principalmente), flores, objetos, etc. </li></ul><ul><li>Lança-se mão do fantástico, do maravilhoso, do metafórico para simbolizar as diferenças, como se fossem parábolas, fábulas contemporâneas. </li></ul>
  17. 17. Tipos de abordagem das diferenças <ul><li>3o tipo de livros: </li></ul><ul><li>Narrativas que trazem personagens com diferenças próximas à “realidade”, que implicam discriminações “reais” (mulheres, negros, gordos, surdos, cadeirantes, cegos...). </li></ul><ul><li>Entre esses livros, alguns são marcadamente pedagógicos, até “conteudistas”. </li></ul><ul><li>VEJAMOS EXEMPLOS DE CADA TIPO </li></ul>
  18. 18. Exemplos de livros do 3o tipo (histórias de personagens humanos) <ul><li>Observações: </li></ul><ul><li>algumas diferenças são mais focalizadas do que outras no mercado editorial; </li></ul><ul><li>algumas diferenças são focalizadas sob um viés extremamente pedagogizante – os livros contêm ensinamentos e recomendações e não histórias lúdicas ou criativas </li></ul>
  19. 19. Outros parâmetros a serem questionados <ul><li>A literariedade: </li></ul><ul><li>ainda que tal conceito tenha uma historicidade e sofra deslizamentos, ele pode ser situado no campo da polissemia, do inusitado, da ambiguidade, da ludicidade, do inesperado... </li></ul><ul><li>Explicar demais não é literário, não é desafiador, não é múltiplo... Dar todas as respostas – explicar para as crianças a “mensagem”, para não deixar dúvidas... – isso é pura pedagogia </li></ul>
  20. 20. Alguns “problemas” ou pontos a serem observados (esboço de roteiro para análise) <ul><li>Pesquisas têm mostrado a importância da forma como o personagem “diferente” é mostrado: </li></ul><ul><li>- às vezes, como vítima, inspirando sentimentos de piedade, </li></ul><ul><li>- às vezes, com um viés compensatório (o que lhe falta num aspecto é compensado por um excesso no outro) </li></ul><ul><li>- às vezes, preso em estereótipos – no texto verbal e/ou no texto imagético </li></ul><ul><li>- “narrado pelos outros” – ex.: o índio narrado pelos brancos... Os diferentes nunca têm voz para se narrarem </li></ul>
  21. 21. Alguns “problemas” ou pontos a serem observados <ul><li>A s ações do enredo são importantes para a abordagem da diferença, para a manutenção da verossimilhança e também para a literariedade... </li></ul><ul><li>A “diferença” é o principal nó narrativo ou o personagem “diferente” se envolve numa trama cujo problema é outro ? Então, a diferença do personagem “desaparece’... </li></ul>
  22. 22. O personagem diferente... <ul><li>Sob a inspiração da autora Lygia Assumpção Amaral, podemos analisar a forma como o personagem “diferente” é mostrado: </li></ul><ul><li>- às vezes, como vítima, inspirando sentimentos de piedade; </li></ul><ul><li>- frequentemente, com um viés compensatório (o que lhe falta num aspecto é compensado por um excesso no outro) [o diferente não pode ser apenas “outro” – deve se redimir da falha...] </li></ul><ul><li>- às vezes, preso em estereótipos – no texto verbal e/ou no texto imagético (vovó que faz bolos, cego musical, o gordinho bonachão...) </li></ul><ul><li>- às vezes, envolto numa atmosfera de excessiva pacificação da diferença </li></ul><ul><li>- quase sempre “narrado pelos outros” – ex.: o índio narrado pelos brancos... Os diferentes nunca têm voz para se narrarem </li></ul>
  23. 23. Alguns “problemas” ou pontos a serem observados <ul><li>Quando a “diferença” consiste no principal nó narrativo... </li></ul><ul><li>qual é o desfecho para este personagem com uma diferença “real”? </li></ul><ul><li>- elimina-se a diferença, normalizando-se o diferente ? </li></ul><ul><li>- há uma ênfase no amor dos outros ? </li></ul><ul><li>- há uma aceitação da diferença pelos outros ou pelo próprio personagem ? </li></ul><ul><li>- há uma inserção do “diferente” no seu grupo de iguais ? </li></ul><ul><li>- Existe outro desfecho ? </li></ul>
  24. 24. O QUE ALGUMAS ANÁLISES FEITAS TÊM MOSTRADO? <ul><li>Um didatismo explícito e exacerbado – incluindo paratextos </li></ul><ul><li>A utilização de estereótipos </li></ul><ul><li>A “lição” como a principal preocupação </li></ul><ul><li>A autoria de especialistas em determinadas diferenças (médicos, psicopedagogos, militantes de movimentos...) </li></ul><ul><li>Uma visão anacrônica de criança e de literatura </li></ul><ul><li>Um grande enfoque no consumo fácil (reprodução de imagens que se aproximam das imagens da indústria cultural, p.ex., e de um decorativismo padronizado) </li></ul>
  25. 25. Como opera a pedagogia cultural da literatura infantil ? <ul><li>Através do prazer , do encantamento e, de forma muito importante, dos personagens </li></ul><ul><li>Para Colomer (2003, p.201), os personagens devem ser vistos como “suporte fundamental dos valores propostos e da interpretação da obra”, com uma importância tanto maior quanto trazem </li></ul><ul><li>ou uma “proposta de identificação através de protagonistas infantis” </li></ul><ul><li>ou a proposição de “modelos adultos”. </li></ul>
  26. 26. Questões que ficam... <ul><li>Será o tratamento simbólico, metafórico, alegórico o mais fecundo para abordar literariamente tais questões, abrindo às crianças leitores-ouvintes diferentes possibilidades de entendimento e conexões com suas vivências ? </li></ul><ul><li>A projeção em animais, objetos, etc... facilita às crianças “trabalhar” com a diferença ? </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Ou, para crianças maiores, que se defrontam de forma mais direta com preconceitos e discriminação, a focalização realista permite uma negociação e uma identificação mais poderosas ? </li></ul>
  28. 28. <ul><li>Por que, com tanta freqüência, se delega ao discurso científico - mesmo em obras que se intitulam literárias - o poder de dizer e explicar longamente a verdade, no intuito de “resolver” as questões do âmbito social e cultural dos grupos, incluindo as “diferenças”? </li></ul>
  29. 29. Algumas diferenças não são “risíveis” ? <ul><li>Nos livros de literatura infantil sobre os diferentes (estudo feito com 20 obras...) </li></ul><ul><li>ri-se pouco dos velhos... </li></ul><ul><li>ri-se pouco dos deficientes... </li></ul><ul><li>.... Mesmo que eles sejam objeto de repúdio, afastamento, estranheza, repulsa... </li></ul><ul><li>Tais escolhas estariam relacionadas à coexistência da piedade e compaixão ? </li></ul>

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