Literatura infantil.narrativa

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Palestra realizada no curso de extensão "Tessituras", em 06/05/2013.

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Literatura infantil.narrativa

  1. 1. Literatura Infantil:narrativa oral eautoralAna Paula Cecato de OliveiraMestranda em Letras, professora de Português e Literatura e Coordenadora deProgramas de Leitura na CRLleitura@camaradolivro.com.br
  2. 2. Parte I:A Literatura Infantil
  3. 3. Quando e como surgiu adenominação “LiteraturaInfantil”...
  4. 4. • O livro infantil alemão – assim como o autor nosintroduz em sua história – nasceu com oIluminismo. Com sua forma de educação, osfilantropos colocavam à prova o imensoprograma de formação humanista. Se o homemera piedoso, bondoso e sociável pornatureza, então deveria ser possível fazer dacriança, ser natural por excelência, o homemmais piedoso, mais bondoso e sociável.(BENJAMIN, 2002, p. 54-55)
  5. 5. • O surgimento das primeiras obras destinadas àinfância é concomitante ao estabelecimento dafamília nuclear burguesa, bem como àconsolidação da instituição escolar, por volta doséc. XVIII.• Não havia grandes preocupaçõesestéticas, atrelavam-se ao sentido didático-moralizante destinado ao público escolar.Muitas questões, ainda, são tabus no espaçoescolar, quando tratados em uma obra literária.
  6. 6. Quais seriam, então, as origens“mais puras” da Literatura Infantil?• A LI iniciou muito antes do que sua formalizaçãoconceitual, através da aproximação do mundo infantilcom o mundo mítico. Nelly Novaes Coelho afirma que aaproximação se estabelece pela identificação entre opopular e o infantil, pois ambos são definidos por uma“consciência primária na apreensão do eu interior ouda realidade exterior”, mediados pelas“emoções, sentidos e sensibilidade” (COELHO, 2000, p.36).• Dessa maneira, orientam-se pelo pensamentomágico, onde prevalecem textos como mitos e lendas.Vale lembrar, também, de um elo que se complementaà relação estabelecida previamente: a oralidade. Amaioria das crianças começa sua história de leitor comoouvinte de histórias, cantigas de ninar e demais
  7. 7. • Sendo assim, a última definição parece-nosmais oportuna, uma vez que parte de umaconcepção de literatura como forma deexpressão artística, que não precisacomprometer-se com ensinamentos e vincular-se ao espaço escolar.• Há autores que lançam dúvida à denominação“Literatura Infantil”, atribuindo “Literaturapara a infância”, defendendo que, dessamaneira, a produção não se restringe a umafase da vida ou classificação etária, e abrecaminhos para unir, pelo poder dapalavra, adultos e crianças num mesmouniverso estético.
  8. 8. Possibilidades parapensarmos o que éLiteratura Infantil...
  9. 9. • A criança exige do adulto uma representaçãoclara e compreensível, mas não “infantil” (nosentido de infantilizada). Muito menos aquiloque o adulto costuma considerar como tal. E jáque a criança possui senso aguçado mesmopara uma seriedade distante e grave, contantoque esta venha sincera e diretamente docoração, muita coisa se poderia dizer arespeito daqueles textos antigos e fora demoda.” (BENJAMIN, 2002, p.55)
  10. 10. A Literatura Infantil é, antes detudo, literatura; ou melhor, é arte:fenômeno de criatividade querepresenta o mundo, o homem, avida, através da palavra. Funde ossonhos e a vida prática, o imaginário eo real, os ideais e suapossível/impossível realização...(COELHO, 2000, p. 27)
  11. 11. De acordo com SORIANO apud COELHO(2000), a Literatura Infantil tem umavocação pedagógica, uma vez que sedestina a uma idade que é a daaprendizagem (especialmente alinguística). Também, é pedagógica mesmoquando se define como purodivertimento, pois “ensina” sem estarcomprometida em preencher falhas deconhecimento.
  12. 12. Acreditamos que a literatura (para crianças oupara adultos) precisa ser urgentementedescoberta, muito menos como meroentretenimento (pois deste se encarregam commais facilidade os meios de comunicação demassa), e muito mais como uma aventuraespiritual que engaje o eu em umaexperiência rica de vida, inteligência eemoções. (COELHO, 2000, p.32)
  13. 13. Produção (literária) que com rarafelicidade conseguiu equacionar os doistermos do problema: literatura paradivertir, dar prazer, emocionar... e que, aomesmo tempo, ensina modos novos de vero mundo, de viver, pensar, reagir, criar... Eprincipalmente se mostra consciente deque é pela invenção da linguagem que essaintencionalidade básica é atingida...(COELHO, 2000, p.48-49)
  14. 14. O que é um bom livro infantil?• Antes de tudo, deve considerar o repertório, o interesse e opropósito do leitor;• Como mediadores, o texto deve aproximar o leitor do prazerestético e propor “uma educação do olhar”;• Deve permitir ao leitor a construção de sentidos a partir daleitura;• O essencial é que as produções cativem com o recurso àfantasia, por seu caráter mágico, pela valorização dassensações e emoções que os transporta para o mundo daimaginação, edificado pelas imagens e símbolos do textoliterário. (MARTHA, 2011, p.50)• O livro inserir-se num campo de produção cultural para acriança.
  15. 15. Parte II:As narrativas
  16. 16. • As narrativas constituem uma das formas depensar o mundo.• Todos nós nascemos imersos numa trama denarrativas. Algumas delas, dada sua influênciasobre nosso imaginário, parecem que nospossuem. Elas condicionam nosso modo de ver avida, de tomar decisões, de resolver osproblemas afetivos...
  17. 17. • Essas narrativas formam o repertório queas crianças trazem à escola e deve serconsiderado pelo mediador de leitura.• As histórias são materiais de grande cargaafetiva. Por exemplo, todos nós nostornamos mediadores de leituraporque, de alguma forma, o espaço dabiblioteca é presente em nossa memóriaafetiva.
  18. 18. • Quando alguém conta uma história, desperta amemória do outro, e assim começa uma roda dehistórias.• O homem faz uma pergunta ao mundo. Desejacompreender o universo como um todo, mastambém quer conhecer os pormenores da vida.O homem coloca-se diante do mundo e ointerroga, pedindo que lhe revele seusfenômenos. Recebe então uma resposta:palavras que vêm ao encontro das suas. Porpergunta e resposta, temos a formação danarrativa mitológica.
  19. 19. • A relação de significação com alinguagem na infância acontece por ecom imagens, que remetem a um mundosensível e mítico.• A criança percebe o mundo através desuas imagens e de sua ludicidade.
  20. 20. FALCÃO, Adriana. Ilust. MASSARANI,Mariana. Mania de explicação. SãoPaulo: Salamandra, 2001.
  21. 21. Tirinha da Mafalda, de Quino
  22. 22. • Não se trata de somente conhecer a realidadesocial da comunidade onde trabalhamos, mastambém conhecermos o modo como nossosleitores se relacionam com a linguagem.• Em algumas comunidades, por exemplo, onde aleitura e de escrita pouco integram suaspráticas cotidianas, gêneros que envolvam aoralidade, a imagem e a poesia podem ser a“porta de entrada” para a constituição dosacervos de seus leitores.
  23. 23. Narrativas orais• Recuperam o saber arcaico e as formas primitivas deconhecimento, através da figura do narrador oral, cuja experiênciae técnica qualificam as narrativas transcritas para o papel: “entreas narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguemdas histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos”(BENJAMIN, 2012, p.214).• Benjamin defende a ideia de que essas narrativas foram osprimeiros conselheiros da humanidade e perduram como asprimeiras narrativas oferecidas às crianças, por recuperarem otempo da “poesia ingênua”, época na qual “o homem podia sentir-se em harmonia com a natureza” (BENJAMIN, 2012, p.227), como acoexistência e a atuação de personagens humanas e animais, emcontos como A Gata Borralheira, quando duas pombinhas brancas euma árvore ajudam a protagonista a ir ao baile oferecido pelo reipara encontrar uma pretendente para seu filho.
  24. 24. • Os Irmãos Grimm afirmam, no prefácio de seus contoscompletos, que os contos populares são “um testemunho donosso coração. As crianças apontam sem medo para asestrelas; outros, seguindo a crença popular, veem nisso umaofensa contra os anjos” (GRIMM, 2012, p.13).Matéria Literária das narrativas orais:• Mitos – Narrativa compartilhada por determinado grupocultural que se propõe a explicar a origem de fenômenosnaturais e de aspectos da natureza humana.• Lendas – são semelhantes aos mitos, porém, seu argumento étirado da tradição de um certo lugar.• Fábulas – narrativas curtas, com tom moralizante, que utilizaanimais e a natureza como personagens que representam ocomportamento humano.• Contos maravilhosos – narrativas que apresentam situaçõesexistenciais humanas com a presença de seres fantásticos(bruxas, fadas, magos).
  25. 25. Narrativas autoraisCom a modernidade, marcada principalmente pelo horrorda guerra, e pela incomunicabilidade desta experiência, aarte de narrar sofre modificações. As transformações domundo viram matéria literária para a construção dasnarrativas, que se apresentam através de:• Adaptações de textos clássicos• Romance, conto e novela.
  26. 26. O livro infantil como objeto cultural*• Elementos externos ao texto verbal(capa, contracapa, orelhas, paratextos, informaçõescontextualizantes dosautores, fonte, papel, ilustrações, projeto gráfico);• Elementos internos (estruturais como foconarrativo, verossimilhança, linguagem, caráter deexperimentação, intertextualidade, relação com outraslggs, rompimento de clichês e modelos, ambiguidade epluralidade de significação da lggmliterária, adequação do discurso das personagens avariáveis como tempo e espaço no mundo narrado).• Jogo de sentidos – diálogo entre palavras e imagens –Literatura Infantil é um gênero híbrido.*De acordo com MARTHA, 2011, p.49-53)
  27. 27. Referências teóricas:BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e aeducação. São Paulo: Editora 34, 2002._______________. Magia e técnica, arte e política. São Paulo:Brasiliense, 2012.COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática.São Paulo: Moderna, 2000.GRIMM, Irmãos. Contos maravilhosos infantis e domésticos (1812-1815). São Paulo: Cosac Naify, 2012.OLIVEIRA, Ieda de. (Org.) O que é qualidade em Literatura Infantil eJuvenil – com a palavra, o educador. São Paulo: DCL, 2011.

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