Identidades na Contemporaneidade: deslocamentos

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Identidades na Contemporaneidade: deslocamentos

  1. 1. Mestrado em Educação, Cultura e Organizações SociaisFUNEDI/UEMG<br />Memória e Identidade<br />Módulo III:<br />Identidades na Contemporaneidade<br />
  2. 2. Prof. Alexandre Simões<br />maio de 2011<br />
  3. 3. Roteiro das próximas cinco semanas:<br />20/06:<br />Apresentação geral das bases conceituais que abarcam os atuais estudos e problemas relativos às identidades na contemporaneidade;<br />Distribuição dos seminários (valor: 40 pontos) e dos responsáveis pelos mesmos;<br />Demarcação das “problematizações” de cada aluno, buscando-se assim conectar a temática do módulo com os objetos de pesquisa (a serem entregues na próxima aula e trabalhadas em todos os módulos);<br />
  4. 4. 27/06:<br />Entrega das problematizações elaboradas por cada aluno; Leitura ágil das mesmas;<br />Abordagem do texto (via seminário) e verificação de suas possíveis relações com algumas problematizações<br />Texto: ROLNIK, Suely. Toxicômanos de identidade: subjetividade em tempo de globalização. In: Idem (Org.). Cultura e subjetividade. 5.ed. São Paulo: Papirus, 2006. p. 19-24<br />
  5. 5. 03/06:<br />Abordagem do texto (via seminário) e verificação de suas possíveis relações com algumas problematizações<br />Textos: BENEDETTI, Marcus. Entre curvas e sinuosidades: a fabricação do feminino no corpo das travestis. In: Idem. Toda feita; o corpo e o gênero das travestis. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. p. 51-88<br />Textos: BENEDETTI, Marcus. À guisa de conclusão: a ambigüidade das travestis. In: Idem. Toda feita; o corpo e o gênero das travestis. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. p. 129-132<br />Textos: BENEDETTI, Marcus. Referências biblioigráficas. In: Idem. Toda feita; o corpo e o gênero das travestis. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. p. 133-142<br />
  6. 6. 10/06:<br />Abordagem do texto (via seminário) e verificação de suas possíveis relações com algumas problematizações<br />Texto: COHEN, Jeffrey Jerome. A cultura dos monstros: sete teses. In: SILVA, Tomaz Tadeu (Org.). Pedagogia dos monstros; os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 23-60.<br />
  7. 7. 17/06:<br />Abordagem do texto (via seminário) e verificação de suas possíveis relações com algumas problematizações<br />Balanço de encerramento do módulo e do conteúdo temático<br />Texto: CANCLINI, Néstor Garcia. Globalizar-se ou defender a identidade: como escapar dessa opção. In: Idem. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003. p. 19-40<br />
  8. 8. Sendo assim, passemos à<br />Apresentação geral das bases conceituais que abarcam os atuais estudos e problemas relativos às identidades na contemporaneidade;<br />
  9. 9. As perspectivas contemporâneas sobre o tema das identidades podem ser agrupadas em três grandes plataformas:<br />As que se colocam na transição entre teorias tradicionais e teorias críticas;<br />As que se amparam de argumentos pós-críticos (também chamados de “pós-estruturalistas”);<br />
  10. 10. As teorias tradicionais (ou iluministas e clássicas) sobre a identidade:<br />Substância;<br />Naturalidade;<br />Teleologia;<br />Propriedades/características intrínsecas;<br />Auto-organização;<br />Representação // expressão<br />A conformidade quanto ao lugar da diferença (“o encontro com o outro”) => conduz a uma lógica colonizadora;<br />
  11. 11. As teorias críticas (fortemente influenciadas pelo marxismo) sobre a identidade:<br />Deslocam o primado da representação em prol das questões relativas à ideologia e ao poder;<br />Através de quais processos as diferenças são produzidas e ocultadas?<br />Qual a relação entre mercado, relações sociais de produção e identidade?<br />As teorias críticas tendem a desconfiar do status quo, responsabilizando-o pelas desigualdades e injustiças (logo, pelo estatuto do mesmo e do outro)<br />
  12. 12. As teorias pós-críticas sobre a identidade:<br />Deslocam o primado das questões relativas à ideologia e ao poder em prol da noção de discurso (que não descarta as questões sobre o poder, mas as reconfigura);<br />Implicam em pensar cultura, identidade, diferença e espaço em mundo pós-colonial;<br />
  13. 13. “O local costuma estar em outro lugar. A mais célebre música cubana, o danzón, agora se ouve e se dança mais no México do que em Cuba. O vallenato deslocou a cumbia do lugar de protagonista na Colômbia, mas a cumbia ganhou importância central no norte do México, em Porto Rico, em Nova Iorque, e até no Peru, convertida em chica. (...)<br /> O nacionalismo como defesa frente ao imperialismo, em parte justificável, nublou há quatro décadas a compreensão de como se reformulavam mundialmente os processos culturais quando se industrializavam. Reaparece agora, quando os efeitos destrutivos das políticas neoliberais se confundem com a globalização. Em tempos de interdependência mundial, a pergunta não é como construir alfândegas impenetráveis, mas, sim, como utilizar os recursos tecnólogicos-culturais para melhor atender às necessidades das maiorias e de diferentes grupos.”.<br />(CANCLINI, Néstor García. Leitores, espectadores e internautas. São Paulo: Iluminuras, 2008, p. 60)<br />
  14. 14. A diversidade no mundo contemporâneo:<br />Tornou-se lugar-comum destacar a diversidade (de culturas, hábitos, crenças, etc.) na cena contemporânea;<br />Todavia, há um paradoxo: atualmente, a diversidade convive com fenômenos evidentes de homogeneização;<br />Ocorre, inclusive da diversidade de culturas e identidades serem indicadas/veiculadas por instrumentos de homogeneização (cf. mídia);<br />Daí, não mais se tornar plausível separar questões de identidade de questões de poder;<br />
  15. 15. O Multiculturalismocomo possível cena da diversidade<br />Origina-se nos países dominantes do norte;<br />É fundamentalmente ambíguo;<br />Por um lado, é um movimento legítimo de reivindicação dos grupos culturais dominados no interior daqueles países para terem suas formas culturais (e identidades) reconhecidas e apresentadas na cultura nacional;<br />Por outro lado, o multiculturalismo é também uma expectativa de solução para os desafios que a presença da diferença e dos diferentes coloca, no interior daqueles países, para a cultura nacional dominante;<br />
  16. 16. Por conta desta ambigüidade:<br />O multiculturalismo é um importante instrumento de luta política, pois ele propicia a politização da diferença;<br />O Multiculturalismo humanista: deve-se tolerar e respeitar a diferença porque sob a aparente diferença há uma mesma humanidade;<br />Um problema: este multiculturalismo naturaliza o humano, tirando-o da história e do tempo;<br />Devemos notar que em uma perspectiva crítica, não é apenas a diferença que é resultado de relações de poder, mas a própria definição daquilo que pode ser definido como ‘humano’.<br />
  17. 17. Examinenos mais de perto o multiculturalismo:<br />
  18. 18. Um outro aspecto problemático do multiculturalismo humanista:<br />As idéias/atitudes de tolerância, respeito e convivência harmoniosa entre os diferentes;<br />Essas noções deixam intactas as relações de poder que estão na base da produção de identidades e diferenças;<br />Apesar da atmosfera aparentemente generosa, a idéia de tolerância, por exemplo, implica em uma certa superioridade por parte de quem mostra ‘tolerância’;<br />A noção de respeito comporta um certo essencialismo cultural, pelo qual as diferenças são vistas como fixas, definitivamente estabelecidas e intrínsecas, restando apenas respeitá-las;<br />Enfim, preconizar a tolerância e o respeito, por mais desejável que isto possa ser, adia a análise dos processos pelos quais as diferenças e identidades são produzidas através de relações de assimetria e desigualdade;<br />
  19. 19. O multiculturalismo abordado criticamente<br />Concepção Pós-estruturalista e Concepção Materialista;<br />Concepção pós-estruturalista: a diferença (e a identidade) é essencialmente um processo lingüístico e discursivo (e, portanto, desnaturalizado). Em suma, não há diferença nem identidade fora do âmbito da significação;<br />Não se pode ser diferente de forma absoluta, contudo, frente a outra coisa considerada precisamente como ‘não-diferente’;<br />E, por seu turno, essa outra coisa (o não-diferente’) só tem sentido quando contrastado com o diferente (estabelecendo, por conseguinte, uma relação de diferença);<br />Na medida em que esta significação se dá em meio a relações sociais, há a conexão com o poder. São exatamente as relações de poder que fazem com que a diferença adquira sinal (por exemplo, que o diferente seja tomado negativamente relativamente ao não-diferente);<br />
  20. 20. Concepção materialista do multiculturalismo:<br />Para alguns, há um excessivo textualismo, uma excessiva ênfase em processos discursivos de produção da diferença propostos pela concepção pós-estruturalista;<br />A concepção materialista, em contrapartida, enfatiza mais os processos institucionais, econômicos e estruturais que estariam na base da produção dos processos de discriminação, reconhecimento e desigualdade;<br />Por exemplo, a análise do racismo não deve ficar limitada a processos exclusivamente discursivos, mas deve também examinar as estruturas institucionais e econômicas que estão lhe sustentando;<br />
  21. 21. Um ponto de forte inflexão nos debates acerca da identidade na contemporaneidade:<br />A teoria <br />queer<br />
  22. 22. É oriunda das indagações feministas acerca da estabilidade e fixidez das identidades;<br />Surge em países como Estados Unidos e Inglaterra;<br />O termo inglês queer: expressa uma ambigüidade convenientemente utilizada pelos teóricos;<br />Queer é um termo inglês que se liga aos estudos sobre as identidades dos gays, lésbicas e transgêneros e, daí, a diversas outras supostas minorias. Inicialmente, apresentava-se como gíria inglesa. Literalmente significa “estranho", “diferente” ou “bizarro”; mas a palavra foi usada em uma superposição de significado com a palavra queen, ou "rainha". <br />Outra derivação possível parece ser oriunda da palavra quare (Inglês Antigo), que significaria "questionado” ou “desconhecido".<br />O alvo: através da estranheza, quer-se perturbar a tranqüilidade da ‘normalidade’;<br />
  23. 23. A teoria queer começa por problematizar a identidade sexual considerada normal, ou seja, a heterossexualidade;<br />Vai mais uma vez nos lembrar que a identidade é sempre uma relação: o que eu sou só se define pelo que não sou;<br />A identidade não é um fato da natureza; porém, é definida em um processo de significação;<br />Não existe identidade sem significação e não existe significação sem poder;<br />
  24. 24. O travestismo, a mascarada, a drag-queen tornam-se potentes processos para a possibilidade de subverter o conforto e a ilusão da identidade fixa;<br />O queer se torna, assim, uma atitude epistemológica que não se restringe à identidade e ao conhecimento sexuais, mas que se estende para o conhecimento e a identidade de modo geral. Pensar queer significa questionar, problematizar, desconfiar, contestar toas as formas bem-comportadas de conhecimentos, de identidade e de fronteiras;<br />A questão não mais é, simplesmente, ‘como pensar?’, mas: ‘o que torna algo pensável?’<br />

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