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Sociedade, ideologia e língua(s) Maurício Castro Lopes . Seminário de reflexom sociolingüística.  Poio, GALIZA, 15 de Março de 2008.
Esta apresentaçom resume a comunicaçom de Maurício Castro à  V Escola de Formaçom  organizada por BRIGA e AGIR no concelho galego de Poio nos dias 14, 15 e 16 de Março de 2008.
Origem da linguagem Entre  100.000 e 40.000  anos atrás, no Paleolítico Médio. Factores  que explicam o desenvolvimento da linguagem na nossa espécie: Capacidade fisiológica  (aparelho vocal diferente do dos outros primatas). Necessidade social  (novos comportamentos complexos: construçom de cabanas, fabrico de ferramentas, etc).
O que é falar? (I) Língua, signo e ideologia  (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) Signo : produto ideológico que substitui o  objecto . O  objecto  nom significa,  é . A  imagem simbólica significa , reflecte ou  refracta  o objecto real, nom é. O  signo  é umha construçom social do objecto para o representar. Material semiótico (signos) : todo o que nos serve para expressar a realidade: gestos, sons, reacçons fisiológicas, etc. Por ex.  um arroto;   fazer beicinho  ou qualquer recurso gestual.
O que é falar? (II) Língua, signo e ideologia  (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) A palavra  é o recurso de expressom e representaçom mais apurado, ágil, flexível, formalizável,  social  e submetido à dialéctica materialista. Por ex.  Carro :  veículo destinado ao transporte de pessoas  ou o bjecto de consumo que transmite informaçom sobre o estatuto social da pessoa que o conduz?   Fouce e martelo :  ferramentas ou símbolo político?
O que é falar? (III) Língua, signo e ideologia  (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) É  a   dialéctica   entre o social e o individual , entre a psique e a ideologia, que fai avançar a comunicaçom e o pensamento.  Para umha mesma realidade, existem versons ideológicas mais ou menos marcadas, perspectivas diferentes segundo a perspectiva de quem a interpreta em cada momento histórico: La Coruña / A Coruña / A Corunha vs. Londres/London Nom há discurso que nom seja ideológico . O significado constrói-se fundamentalmente no  exterior  do pensamento individual , como  representaçom convencional  da realidade, em funçom das  condiçons socioeconómicas , da  perspectiva de classe  e das  crenças  historicamente dominantes,  em  mudança  contínua.  Por ex. Consideraçom do  idioma galego hoje (idioma independente ou parte do sistema galego-luso-brasileiro?) e há 150 anos (condiçom dialectal ou lingüística?). Por ex.  A natureza na interpretaçom de umha trabalhadora do campo e de um urbanita .
Língua: infra ou superestrutural? Polémica no marxismo (anos 50 do século XX): Existe pensamento separado da expressom?  (Marr dixit) Nom é possível existir pensamentos sem expressom, nom há ideias puras à margem da sua expressom concreta, nem foi provada a existência de universais lingüísticos.  Tem a língua carácter de classe?  (Marr e Laforgue dixerunt) Umha língua viva atravessa o conjunto das classes sociais. Nom pode falar-se de 'línguas proletárias', 'línguas burguesas' ou 'línguas camponesas'. É parte estrutural da formaçom social no seu conjunto, característica intrínseca das sociedades humanas partilhada polo conjunto das classes sociais. Evoluem as sociedades humanas para a simplificaçom nacional e lingüística?  (Engels e Staline dixerunt) A riqueza lingüística tem sido historicamente entendida como 'maldiçom' (mito de Babel), e a superaçom da diversidade umha meta para pensadores de mui diversas escolas. Também no marxismo, autores como o primeiro Engels ou J. Staline prognosticárom que o socialismo aboliria de maneira 'natural' as diferenças nacionais e lingüísticas, formando umha única naçom mundial a falar um único idioma mundial. Hoje essas visons estám superadas , mas o actual sistema capitalista ameaça a subsistência da maior parte das línguas vivas. Também se mantém umha evidente violência estrutural contra a maior parte das naçons do planeta.
Diversidade lingüística Os idiomas respondem a necessidades concretas da comunidade que os cria . Nom há idiomas mais complexos e mais simples, só aspectos de cada idioma mais ou menos complexos em relaçom aos mesmos aspectos noutros idiomas. Por ex.  Escrita chinesa  em relaçom à galega;  Conjugaçom verbal galega em relaçom à chinesa . Por ex.  Sistema fonético português em relaçom ao espanhol ;  sistema fonético chinês em relaçom ao português . Protolínguas originárias:  7.000 anos atrás. Línguas mais antigas vivas:  4.000 anos atrás. Número de famílias lingüísticas actuais:  200. Número de línguas vivas:  5.000 aprox.
 
As línguas na história Que factores determinam a continuidade ou esmorecimento das comunidades lingüísticas? Facilidade  vs.  dificuldade ? O chinês tem um dos sistemas de escrita e fonéticos mais complexos, sem que tenha suposto qualquer problema para a continuidade do idioma durante tantos séculos. Também o basco, tam diferente e 'complicado' em relaçom aos idiomas vizinhos, é das mais antigas línguas vivas. Número de falantes? Há exemplos de pequenas comunidades de falantes com umha continuidade histórica importante, como a basca, e outros grandes espaços lingüísticos que se fragmentárom e dérom em novos idiomas, como aconteceu ao latim. Tradiçom literária? Em geral, as comunidades lingüísticas mais fortes tenhem tradiçons literárias importantes, mas... O ocitano e o bretom, apesar do passado literário glorioso, esmorecem. Albanês, checo, servo-croata e esloveno configurárom-se em comunidades viáveis apesar de nom contarem com umha tradiçom literária tam importante.  ...
Exemplos de planificaçons lingüísticas No corpus:   Chinês . Em 1956, a China revolucionária aplica o  Plano de Simplificaçom dos Caracteres Chineses , umha reforma da escrita nos anos 50 e 60, para permitir umha alfabetizaçom em massa da populaçom pobre.   Norueguês .  A partir de 1809, a Noruega independente desenvolverá dous padrons lingüísticos: o neo-norueguês, sobre a base dos dialectos locais, e o dano-norueguês, mais influenciado polo dinamarquês. Flamengo .  Durante o século XIX, com o debate intelectual que leva à adopçom de umha estratégia reintegracionista, que culmina em 1980: assinatura do  Tratado da Uniom da Língua Neerlandesa . A intervençom política na vida das línguas (I)
A intervençom política na vida das línguas (II) Exemplos de planificaçom lingüística No status:   Irlandês . A nova constituiçom da República da Irlanda estabelece em 1922 o irlandês como única 'língua nacional' e 'primeira língua oficial'. Desde 2005, é também idioma oficial da UE, mas os resultados som negativos: é língua materna de aproximadamente 2% da populaçom da República da Irlanda. O movimento independentista irlandês era já anglófono desde o século XIX. Hebraico . Já desde fins do século XIX, mas sobretodo a partir de 1948, aplica-se umha efectiva planificaçom para a 'ressurreiçom' da língua de culto como primeira língua da populaçom israelita. Feroês . Progressivo reconhecimento a partir dos anos vinte do séc. XX, por parte do Estado dinamarquês, até a definitiva condiçom de 'língua nacional' das Ilhas Faroé em 1948. Extensom progressiva e generalizada até reduzir o dinamarquês –historicamente imposto– a 5% de falantes.
A intervençom política na vida das línguas (III) Exemplos de planificaçom lingüística Na aquisiçom:   Flamengo .  A partir de 1932, reconhece-se progressivamente o flamengo (neerlandês) como idioma principal do ensino na Flandres, que no passado fora submetido à imposiçom do francês como único idioma estatal.  Suahili . Sendo tradicionalmente a principal língua de comunicaçom na costa tanzanesa,  o movimento independentista assumiu-no como bandeira da libertaçom nacional. A parti da independência, em 1961, aplicou-se umha planificaçom que conseguiu converter o suahili em língua maioritária da Tanzánia. Frísio . Em  1980 começou a introduçom obrigatória do frísio no ensino, até essa altura monopolizado polo neerlandês. Tem conseguido umha certa recuperaçom, mas continua em posiçom minorizada e em risco de extinçom.
Státus e modelos de intervençom  Status lingüístico segundo as funçons sociais e o número de falantes: Língua minorizada e maioritária: galego-português na Galiza até hoje.  Língua minorizada e minoritária: basco na maior parte de Euskal Herria. Língua maiorizada e minoritária: espanhol na Galiza até hoje. Língua maiorizada e maioritária: espanhol em Euskal Herria. Estados multilíngües: República Francesa; Reino de Espanha; Bélgica; Canadá; Suíça. Modelos de intervençom: Sem (quase nengum) reconhecimento:  República Francesa (Bretanha, Córsega, Alsácia). A língua estatal ocupa todas as funçons e os idiomas minorizados som abertamente perseguidos e/ou explicitamente excluídos. Modelo pessoal:  Reino de Espanha (só na Galiza, Euskal Herria e Països Cataláns em relaçom aos respectivos idiomas minorizados). A escolha da língua minorizada fica aberta a cada pessoa, a partir de critérios inidividuais. Modelo territorial:  Bélgica (Flandres), Canadá (Quebeque), Suíça. Prioridade elevada para a comunidade lingüística minorizada com base colectiva e territorial, ficando a língua dominante sujeita ao modelo pessoal.
Línguas da Europa
Outros reintegracionismos (I) Flamengo  vs.  neerlandês Valónia: monolingüismo territorial francês (língua dominante no passado) Flandres: monolingüismo territorial flamengo (língua dominada no passado) 1980: Tratado da Uniom Lingüística Neerlandesa. Bruxelas: bilingüismo a partir de um modelo pessoal (as pessoas escolhem flamengo (=neerlandês) ou francês).
Outros reintegracionismos (II) Moldavo  vs.  romeno Russificaçom do corpus, alfabeto cirílico. 1989: independência da República da Moldávia e recuperaçom da proximidade da Roménia e do alfabeto latino. Transnístria: maioria russa, mantém russificaçom.
Valenciano  vs.  catalám Poder autonómico valenciano promove castelhanizaçom e afasta a variante sul da norte. A Universidade opta maioritariamente pola opçom reintegracionista, face ao poder político, que tenta romper a unidade lingüística. Outros reintegracionismos (III)
Outros reintegracionismos (IV) Alemám-suíço  vs.  alemám padrom Falas pouco intercompreensíveis. Escrita comum construída exclusivamente a partir da variante alemá.
Bibliografia BAKHTIN, Mikhail.  Marxismo e filosofia da  linguagem .  Hucitec,  São  Paulo, 1992. CASTRO, Maurício. “A sorte está lançada? Sobre a continuidade do galego-português na Galiza do século XXI”, in  A Galiza do século XXI . Abrente Editora, Compostela, 2007. FASOLD, Ralph.  La sociolingüística de la sociedad . Visor Libros, Madrid, 1996. NINYOLES, Rafael L.  Estrutura social e política lingüística . Ir Indo, Vigo, 1991. POLINSKY, Comrie Matthews.  O atlas das línguas. A origem e a evolução das línguas no mundo . Editorial Estampa. RODRIGUES FAGIM, Valentim. “Quantas somos?”, in  Voz Própria  nº 19. Compostela, 2007. SÁNCHEZ CARRIÓN “TXTEPETX”, José María.  Márgenes de encuentro. Bilbao y el euskara. Aplicación sociolingüística de la territorialidad . Bilbo, 1999. STALIN, J.  El marxismo, la cuestión nacional y la lingüística . Akal, Madrid, 1977. WALTER, Henriette.  A aventura das linguas do Ocidente. A sua origem, a sua história, a sua geografia . Terramar, Lisboa, 1996. Wikipédia em português http://pt.wikipedia.org
 

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  • 2. Esta apresentaçom resume a comunicaçom de Maurício Castro à V Escola de Formaçom organizada por BRIGA e AGIR no concelho galego de Poio nos dias 14, 15 e 16 de Março de 2008.
  • 3. Origem da linguagem Entre 100.000 e 40.000 anos atrás, no Paleolítico Médio. Factores que explicam o desenvolvimento da linguagem na nossa espécie: Capacidade fisiológica (aparelho vocal diferente do dos outros primatas). Necessidade social (novos comportamentos complexos: construçom de cabanas, fabrico de ferramentas, etc).
  • 4. O que é falar? (I) Língua, signo e ideologia (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) Signo : produto ideológico que substitui o objecto . O objecto nom significa, é . A imagem simbólica significa , reflecte ou refracta o objecto real, nom é. O signo é umha construçom social do objecto para o representar. Material semiótico (signos) : todo o que nos serve para expressar a realidade: gestos, sons, reacçons fisiológicas, etc. Por ex. um arroto; fazer beicinho ou qualquer recurso gestual.
  • 5. O que é falar? (II) Língua, signo e ideologia (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) A palavra é o recurso de expressom e representaçom mais apurado, ágil, flexível, formalizável, social e submetido à dialéctica materialista. Por ex. Carro : veículo destinado ao transporte de pessoas ou o bjecto de consumo que transmite informaçom sobre o estatuto social da pessoa que o conduz? Fouce e martelo : ferramentas ou símbolo político?
  • 6. O que é falar? (III) Língua, signo e ideologia (Mikhail Bakhtin, 1895 - 1975) É a dialéctica entre o social e o individual , entre a psique e a ideologia, que fai avançar a comunicaçom e o pensamento. Para umha mesma realidade, existem versons ideológicas mais ou menos marcadas, perspectivas diferentes segundo a perspectiva de quem a interpreta em cada momento histórico: La Coruña / A Coruña / A Corunha vs. Londres/London Nom há discurso que nom seja ideológico . O significado constrói-se fundamentalmente no exterior do pensamento individual , como representaçom convencional da realidade, em funçom das condiçons socioeconómicas , da perspectiva de classe e das crenças historicamente dominantes, em mudança contínua. Por ex. Consideraçom do idioma galego hoje (idioma independente ou parte do sistema galego-luso-brasileiro?) e há 150 anos (condiçom dialectal ou lingüística?). Por ex. A natureza na interpretaçom de umha trabalhadora do campo e de um urbanita .
  • 7. Língua: infra ou superestrutural? Polémica no marxismo (anos 50 do século XX): Existe pensamento separado da expressom? (Marr dixit) Nom é possível existir pensamentos sem expressom, nom há ideias puras à margem da sua expressom concreta, nem foi provada a existência de universais lingüísticos. Tem a língua carácter de classe? (Marr e Laforgue dixerunt) Umha língua viva atravessa o conjunto das classes sociais. Nom pode falar-se de 'línguas proletárias', 'línguas burguesas' ou 'línguas camponesas'. É parte estrutural da formaçom social no seu conjunto, característica intrínseca das sociedades humanas partilhada polo conjunto das classes sociais. Evoluem as sociedades humanas para a simplificaçom nacional e lingüística? (Engels e Staline dixerunt) A riqueza lingüística tem sido historicamente entendida como 'maldiçom' (mito de Babel), e a superaçom da diversidade umha meta para pensadores de mui diversas escolas. Também no marxismo, autores como o primeiro Engels ou J. Staline prognosticárom que o socialismo aboliria de maneira 'natural' as diferenças nacionais e lingüísticas, formando umha única naçom mundial a falar um único idioma mundial. Hoje essas visons estám superadas , mas o actual sistema capitalista ameaça a subsistência da maior parte das línguas vivas. Também se mantém umha evidente violência estrutural contra a maior parte das naçons do planeta.
  • 8. Diversidade lingüística Os idiomas respondem a necessidades concretas da comunidade que os cria . Nom há idiomas mais complexos e mais simples, só aspectos de cada idioma mais ou menos complexos em relaçom aos mesmos aspectos noutros idiomas. Por ex. Escrita chinesa em relaçom à galega; Conjugaçom verbal galega em relaçom à chinesa . Por ex. Sistema fonético português em relaçom ao espanhol ; sistema fonético chinês em relaçom ao português . Protolínguas originárias: 7.000 anos atrás. Línguas mais antigas vivas: 4.000 anos atrás. Número de famílias lingüísticas actuais: 200. Número de línguas vivas: 5.000 aprox.
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  • 10. As línguas na história Que factores determinam a continuidade ou esmorecimento das comunidades lingüísticas? Facilidade vs. dificuldade ? O chinês tem um dos sistemas de escrita e fonéticos mais complexos, sem que tenha suposto qualquer problema para a continuidade do idioma durante tantos séculos. Também o basco, tam diferente e 'complicado' em relaçom aos idiomas vizinhos, é das mais antigas línguas vivas. Número de falantes? Há exemplos de pequenas comunidades de falantes com umha continuidade histórica importante, como a basca, e outros grandes espaços lingüísticos que se fragmentárom e dérom em novos idiomas, como aconteceu ao latim. Tradiçom literária? Em geral, as comunidades lingüísticas mais fortes tenhem tradiçons literárias importantes, mas... O ocitano e o bretom, apesar do passado literário glorioso, esmorecem. Albanês, checo, servo-croata e esloveno configurárom-se em comunidades viáveis apesar de nom contarem com umha tradiçom literária tam importante. ...
  • 11. Exemplos de planificaçons lingüísticas No corpus: Chinês . Em 1956, a China revolucionária aplica o Plano de Simplificaçom dos Caracteres Chineses , umha reforma da escrita nos anos 50 e 60, para permitir umha alfabetizaçom em massa da populaçom pobre. Norueguês . A partir de 1809, a Noruega independente desenvolverá dous padrons lingüísticos: o neo-norueguês, sobre a base dos dialectos locais, e o dano-norueguês, mais influenciado polo dinamarquês. Flamengo . Durante o século XIX, com o debate intelectual que leva à adopçom de umha estratégia reintegracionista, que culmina em 1980: assinatura do Tratado da Uniom da Língua Neerlandesa . A intervençom política na vida das línguas (I)
  • 12. A intervençom política na vida das línguas (II) Exemplos de planificaçom lingüística No status: Irlandês . A nova constituiçom da República da Irlanda estabelece em 1922 o irlandês como única 'língua nacional' e 'primeira língua oficial'. Desde 2005, é também idioma oficial da UE, mas os resultados som negativos: é língua materna de aproximadamente 2% da populaçom da República da Irlanda. O movimento independentista irlandês era já anglófono desde o século XIX. Hebraico . Já desde fins do século XIX, mas sobretodo a partir de 1948, aplica-se umha efectiva planificaçom para a 'ressurreiçom' da língua de culto como primeira língua da populaçom israelita. Feroês . Progressivo reconhecimento a partir dos anos vinte do séc. XX, por parte do Estado dinamarquês, até a definitiva condiçom de 'língua nacional' das Ilhas Faroé em 1948. Extensom progressiva e generalizada até reduzir o dinamarquês –historicamente imposto– a 5% de falantes.
  • 13. A intervençom política na vida das línguas (III) Exemplos de planificaçom lingüística Na aquisiçom: Flamengo . A partir de 1932, reconhece-se progressivamente o flamengo (neerlandês) como idioma principal do ensino na Flandres, que no passado fora submetido à imposiçom do francês como único idioma estatal. Suahili . Sendo tradicionalmente a principal língua de comunicaçom na costa tanzanesa, o movimento independentista assumiu-no como bandeira da libertaçom nacional. A parti da independência, em 1961, aplicou-se umha planificaçom que conseguiu converter o suahili em língua maioritária da Tanzánia. Frísio . Em 1980 começou a introduçom obrigatória do frísio no ensino, até essa altura monopolizado polo neerlandês. Tem conseguido umha certa recuperaçom, mas continua em posiçom minorizada e em risco de extinçom.
  • 14. Státus e modelos de intervençom Status lingüístico segundo as funçons sociais e o número de falantes: Língua minorizada e maioritária: galego-português na Galiza até hoje. Língua minorizada e minoritária: basco na maior parte de Euskal Herria. Língua maiorizada e minoritária: espanhol na Galiza até hoje. Língua maiorizada e maioritária: espanhol em Euskal Herria. Estados multilíngües: República Francesa; Reino de Espanha; Bélgica; Canadá; Suíça. Modelos de intervençom: Sem (quase nengum) reconhecimento: República Francesa (Bretanha, Córsega, Alsácia). A língua estatal ocupa todas as funçons e os idiomas minorizados som abertamente perseguidos e/ou explicitamente excluídos. Modelo pessoal: Reino de Espanha (só na Galiza, Euskal Herria e Països Cataláns em relaçom aos respectivos idiomas minorizados). A escolha da língua minorizada fica aberta a cada pessoa, a partir de critérios inidividuais. Modelo territorial: Bélgica (Flandres), Canadá (Quebeque), Suíça. Prioridade elevada para a comunidade lingüística minorizada com base colectiva e territorial, ficando a língua dominante sujeita ao modelo pessoal.
  • 16. Outros reintegracionismos (I) Flamengo vs. neerlandês Valónia: monolingüismo territorial francês (língua dominante no passado) Flandres: monolingüismo territorial flamengo (língua dominada no passado) 1980: Tratado da Uniom Lingüística Neerlandesa. Bruxelas: bilingüismo a partir de um modelo pessoal (as pessoas escolhem flamengo (=neerlandês) ou francês).
  • 17. Outros reintegracionismos (II) Moldavo vs. romeno Russificaçom do corpus, alfabeto cirílico. 1989: independência da República da Moldávia e recuperaçom da proximidade da Roménia e do alfabeto latino. Transnístria: maioria russa, mantém russificaçom.
  • 18. Valenciano vs. catalám Poder autonómico valenciano promove castelhanizaçom e afasta a variante sul da norte. A Universidade opta maioritariamente pola opçom reintegracionista, face ao poder político, que tenta romper a unidade lingüística. Outros reintegracionismos (III)
  • 19. Outros reintegracionismos (IV) Alemám-suíço vs. alemám padrom Falas pouco intercompreensíveis. Escrita comum construída exclusivamente a partir da variante alemá.
  • 20. Bibliografia BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem . Hucitec, São Paulo, 1992. CASTRO, Maurício. “A sorte está lançada? Sobre a continuidade do galego-português na Galiza do século XXI”, in A Galiza do século XXI . Abrente Editora, Compostela, 2007. FASOLD, Ralph. La sociolingüística de la sociedad . Visor Libros, Madrid, 1996. NINYOLES, Rafael L. Estrutura social e política lingüística . Ir Indo, Vigo, 1991. POLINSKY, Comrie Matthews. O atlas das línguas. A origem e a evolução das línguas no mundo . Editorial Estampa. RODRIGUES FAGIM, Valentim. “Quantas somos?”, in Voz Própria nº 19. Compostela, 2007. SÁNCHEZ CARRIÓN “TXTEPETX”, José María. Márgenes de encuentro. Bilbao y el euskara. Aplicación sociolingüística de la territorialidad . Bilbo, 1999. STALIN, J. El marxismo, la cuestión nacional y la lingüística . Akal, Madrid, 1977. WALTER, Henriette. A aventura das linguas do Ocidente. A sua origem, a sua história, a sua geografia . Terramar, Lisboa, 1996. Wikipédia em português http://pt.wikipedia.org
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