SlideShare uma empresa Scribd logo
RococóHistória da Cultura e das Artes
Iluminismo
z
O século XVIII foi um século de algumas ambiguidades e indefinições,
caracterizado por várias mudanças:
• Políticas: Revoluções liberais - Movimentações político-militares que, em
cada país, derrubaram o Absolutismo monárquico e implantaram a nova
ordem político-social do liberalismo;
• Económicas: novo dinamismo produtivo; novo comercio colonial; oficinas
domesticas; grandes manufaturas;
• Sociais: Crescimento populacional;
• Académicas: Desenvolvimento científico-técnico.
As consequências dessas mudanças foram:
• Ascensão social e política da burguesia: junto com a aristocracia política e
administrativa, esta classe formou a elite do Antigo Regime que beneficiou
do enriquecimento geral da época;
• Maior interesse pela educação e pela cultura: consequência da propagação
do pensamento iluminista, dominante no século XVIII. Considerava-se que
só pela educação seria possível levar os homens a perceber os erros em que
viviam e a reformar as sociedades segundo leis mais conformes à ordem
natural e à Razão.
AS LUZES (rupturas culturais e científicas):
No século XVIII, designou-se por Luzes o conhecimento racional, o saber
esclarecido, o único capaz de tornar claro (iluminar) todas as coisas. Aqueles que
aplicavam o conhecimento racional eram os iluministas, homens que ousavam
saber. Este valorizava o indivíduo por aquilo que ele possuía de mais valioso: a
sua Razão, único meio fidedigno para desvendar os segredos do Universo e
construir o conhecimento sobre a Natureza, os homens e as sociedades.
Concebia o conhecimento como o único meio de libertar o Homem da servidão,
dos preconceitos, dos erros e injustiças. O único caminho através do qual se
poderia construir o progresso e o bem-estar das populações, conduzindo-as à
felicidade , considerada como um direito natural de todos os homens e supremo
objectivo da sua existência.
O SALÃO
O Salão tornou-se o novo espaço de conforto e intimidade. A aristocracia começou
a passar mais tempo nas suas mansões privadas, que procurou tornar tão
confortáveis como a corte. A estética da moda privilegiava, na decoração dos
interiores, a beleza requintada e elegante, o luxo e a exuberância, a frivolidade, a
sensualidade e o intimismo. Assim, nasceu o Rococó que floresceu em ambientes
alegres, de bom viver. O crescente interesse das elites pelas coisas do espírito
tornou usuais as reuniões que tinham por objectivo o debate por áreas do saber, a
discussão literária, o exercício linguístico e a divulgação das línguas vivas ou a
apresentação de personalidades em voga - músicos, cantores de ópera, escritores,
filósofos e cientistas - à alta sociedade da época. Deste modo, o salão tornou-se o
centro de dinamização cultural!
A Arte do Rococó
z
O Rococó foi um movimento estético que floresceu na Europa entre o início e o
fim do século XVIII. Nasceu em Paris por volta de 1715-20 como uma reação
da aristocracia francesa contra o Barroco suntuoso, palaciano e solene praticado
no período de Luís XIV. Atingiu o seu apogeu em 1730 e entrou em declinio após
a morte de Luis XV (1774).
d
Caracterizou-se acima de tudo pela sua índole hedonista e aristocrática, e na
preferência por temas leves e sentimentais, estando nele impregnado um
espirito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista que caracterizou
o Homem do Século das Luzes. Fugiu assim às imposições canónicas apelando à
criatividade individual, excentricidade e a improvisação constante.
d
Da França, onde assumiu a sua feição mais típica e onde mais tarde foi
reconhecido como patrimônio nacional, o Rococó difundiu-se pela Europa e teve
como importantes centros de cultivo a Alemanha, Inglaterra, Áustria e Itália, com
alguma representação também em outros locais, como a Península Ibérica, os
países eslavos e nórdicos, chegando até mesmo às Américas.
d
O rococó tem como principais características:
• Cores claras e suaves;
• Linhas delicadas, sinuosas e informais;
• Tons pastel e douramento;
• Representação da vida profana da aristocracia;
• Representação de Alegorias;
• Estilo decorativo;
• Unificação do espaço interno, com maior graça e intimidade;
• Texturas suaves;
Arquitetura
z
Na arquitetura o rococó teve grande aceitação e desenvolvimento na Alemanha
e na Austria. Esta é marcada pela sensibilidade, percebida na distribuição dos
ambientes interiores, destinados a valorizar um modo de vida individual e
caprichoso. Dando-se principalmente nos espaços interiores ao nível de
adornação.
q
Princípios:
• Diferenciação dos edificios dando atenção à sua função;
• Traçado exterior simples;
• Espaço interior que deve proporcionar conforto, comodida e intimidade;
• Uso de elementos decorativos barrocos, mais exagerados mas também mais
libertinos e sensuais;
• Novos elementos decorativos ( conchas, algas marinhas, rocalhos, etc);
• Utilização de materiais fingidos: falsos mármores (escariola), madeiras e estuques
pintados;
• Decoração excessiva, tanto nas fachadas quanto nos interiores;
• Curvas e contra curvas animam as paredes e os ritmos decorativos, afirmando a
assimetria;
• Artificialidade dos detalhes, mas sem a grandiosidade nem a religiosidade do barroco;
• Exagero formal.
Devido a isto a arquitetura civil foi a mais previligiada, aparacendo o hôtel e o château
(palácio campestre).
Caracteristicas exteriores dos edificios:
• Perde-se a monumentalidade – edifícios baixos;
• Fachadas são mais alinhadas, nelas banem-se os elementos clássicos de decoração e
os ângulos retos sao suavizados por curvas;
• Os tetos apresentam ser de duas àguas;
• Porta e janelas são agora de maiores dimensões, encontram-se alinhadas na vertical
e na horizontal emolduradas com arcos de volta perfeita ou abatidos;
• Uso abundante do ferro furjado.
Hotel Soubise, França
Palácio de Biron, Paris
Palácio do Raio, Braga
Palácio de Queluz, Lisboa
Os jardins seguem o exemplo do Barroco tendo um grande impacto na integração do
cenário arquitetónico.
“É o tempo do efémero e do folguedo”
m
Palácio de Queluz, Lisboa
Caracteristicas interiores dos edifícios:
• O plano das habitações centra-se no salão
principal;
• Divisões baixas, pequenas, independentes
e arredondadas;
• Paredes cobertas de exagerada decoração
pintadas em cores claras e ténues onde
sobressai o dourado e o prateado das
molduras dos painéis.
Salão Gasparini, Palácio Real de Madrid, Espanha
Palácio de Nymphenburg, Alemanha
Kaisersaal do Palácio de Wurzburg, Alemanha
Arquitetura Relegiosa:
• Plantas longitudinais complexas;
• Exteriores simples mas cheios de janelas;
• Uso e abuso da concha como elemento decorativo;
• Decoração interior onde a pintura e a escultura se misturam com a arquitetura.
Capela Interior da Residência de Wurzburg, Alemanha
Igreja de Wies, Alemanha
Igreja de Wies, Alemanha
Igreja de São Francisco, Porto
Igreja de São Francisco, Porto
Escultura
z
Próxima da estética barroca pela expressão plástica, mas igualmente oposta a
ela pelas novas formas, objectivos e materiais, a escultura deste período
apresenta características inovadoras.
6
Características específicas:
• Novos cânones estéticos – linhas curvas e contracurvas mais delicadas e fluidas;
• Na figura humana, utilizaram o cânone anatómico maneirista, de corpos alongados e
silhuetas caprichosas;
• Nos grupos escultóricos, as composições possuíam movimento e ritmo e um elevado
sentido cénico, fazendo o enquadramento perfeito da escultura com o cenário.
Podemos referir dois géneros:
• Escultura decorativa, parte integrante da arquitectura, cobrindo quase todas as
estruturas e superfícies construídas com rebuscados e movimentados relevos de
inspiração naturalista;
• Estatuária de pequeno porte, destinada sobretudo a interiores, com funções
decorativas e/ou de entretenimento.
Os materiais mais usados foram:
• A pedra e o bronze (esculturas grandes de exterior);
• O ouro e a prata (esculturas de pequena dimensão e objetos ornamentais);
• A madeira, a argila, o estuque e o gesso;
• A porcelana - biscuit (“O verdadeiro e inato material do Rococó”).
Abandono dos temas “nobres” e preferência por temas “menores”.
Temas da pequena escultura:
• Irónicos
• Jocosos
• Sensuais
Temas da estatuário monumental:
• Mitológica
• Profana
• Religiosa
Principais Escultores
Nicola Salvi
Fonte de Trevos, Roma
Étienne-Maurice Falconet
Bouchardon
Clodion
Pintura
z
A pintura do Rococó divide-se em dois campos nitidamente diferenciados. Um
deles forma um documento visual intimista e despreocupado do modo de vida e
da concepção de mundo das elites européias do século XVIII, e o outro,
adaptando elementos constituintes do estilo à decoração monumental de igrejas
e palácios, serviu como meio de glorificação da fé e do poder civil.
7
Temáticas:
• Cenas pastoris;
• Amor, sedução e erotismo;
• Hedonismo;
• Retrato.
Todos os temas foram tratados de forma ligeira
e superficial. Composições ritmicas,
exuberantes, ornamentados com elementos
ligados ao mundo marinho, nos quais o
cromatismo varias entre os brancos, azuis e
rosas.
A pintura moral foi quase inexistente pois a decoração moral era feita através de
pequenos painéis de tela colocados sobre os paineis decorativos fixos.
Principais Pintores
Antoine Watteau
Jean-Antoine Watteau (1684
– 1721) foi um grande pintor
francês do movimento
rococó era um homem
inteligente e bastante
esperto. Tendo sido uma das
principais figuras deste
período artístico, destacou-
se pelas suas pinturas de
temas galantes e pastorais.
Brueghel, Bosch e Rubens
foram suas principais
inspirações, artistas que
reconhecidamente se
utilizavam da luz, sombra e
de cores fortes nas suas
obras.
Rococó, HCA 11º
Jean-Antoine Watteau, Italian Comedians
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
François Boucher
François Boucher (1703 —
1770) foi um pintor francês,
um dos pintores que melhor
soube interpretar o espírito
do Rococó. É muito
conhecido pelas suas
pinturas idílicas (ambiente
campestre e pelo amor
suave e terno), plenas de
volume e carisma, que
vulgarmente recorriam a
temas mitológicos e
evocavam a Antiguidade
Clássica.
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Fragonard
Rococó, HCA 11º
Nicolas Lancret
Rococó, HCA 11º
Thomas Gainsborough
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Mobiliário
z
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º
Rococó, HCA 11º

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A cultura do cinema
A cultura do cinema   A cultura do cinema
A cultura do cinema
Ana Barreiros
 
Pintura e escultura neoclássica
Pintura e escultura neoclássicaPintura e escultura neoclássica
Pintura e escultura neoclássica
Ana Barreiros
 
Arquitectura romantica
Arquitectura romanticaArquitectura romantica
Arquitectura romantica
Andreia Ramos
 
Neoclassicismo em portugal
Neoclassicismo em portugalNeoclassicismo em portugal
Neoclassicismo em portugal
Ana Barreiros
 
Cultura do Salão – Escultura do rococo
Cultura do Salão – Escultura do rococoCultura do Salão – Escultura do rococo
Cultura do Salão – Escultura do rococo
Carlos Vieira
 
Cultura do Palco - Escultura Barroca
Cultura do Palco - Escultura BarrocaCultura do Palco - Escultura Barroca
Cultura do Palco - Escultura Barroca
Carlos Vieira
 
Pintura do Neoclássica
Pintura do NeoclássicaPintura do Neoclássica
Pintura do Neoclássica
Carlos Vieira
 
Rococó - Artes Decorativas
Rococó - Artes DecorativasRococó - Artes Decorativas
Rococó - Artes Decorativas
hcaslides
 
O romantismo
O romantismoO romantismo
O romantismo
Ana Barreiros
 
Módulo 7 arquitetura neoclássica
Módulo 7   arquitetura neoclássicaMódulo 7   arquitetura neoclássica
Módulo 7 arquitetura neoclássica
Carla Freitas
 
A Escultura de Rodin
A Escultura de RodinA Escultura de Rodin
A Escultura de Rodin
Michele Pó
 
HCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
HCA Módulo 9 - Pintura e EsculturaHCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
HCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
Mafalda Cardeira
 
ARTES: Renascimento
ARTES: RenascimentoARTES: Renascimento
ARTES: Renascimento
BlogSJuniinho
 
Pintura barroca
Pintura barrocaPintura barroca
Pintura barroca
Hca Faro
 
Cultura do salao
Cultura do salaoCultura do salao
Cultura do salao
Ana Barreiros
 
Módulo 7 a arte rococó
Módulo 7   a arte rococóMódulo 7   a arte rococó
Módulo 7 a arte rococó
Carla Freitas
 
O rococó e o neoclássico parte 1
O rococó e o neoclássico parte 1O rococó e o neoclássico parte 1
O rococó e o neoclássico parte 1
Carla Teixeira
 
Módulo 9 arte
Módulo 9   arteMódulo 9   arte
Módulo 9 arte
cattonia
 
A cultura da gare
A cultura da gareA cultura da gare
A cultura da gare
Ana Barreiros
 
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
Ana Barreiros
 

Mais procurados (20)

A cultura do cinema
A cultura do cinema   A cultura do cinema
A cultura do cinema
 
Pintura e escultura neoclássica
Pintura e escultura neoclássicaPintura e escultura neoclássica
Pintura e escultura neoclássica
 
Arquitectura romantica
Arquitectura romanticaArquitectura romantica
Arquitectura romantica
 
Neoclassicismo em portugal
Neoclassicismo em portugalNeoclassicismo em portugal
Neoclassicismo em portugal
 
Cultura do Salão – Escultura do rococo
Cultura do Salão – Escultura do rococoCultura do Salão – Escultura do rococo
Cultura do Salão – Escultura do rococo
 
Cultura do Palco - Escultura Barroca
Cultura do Palco - Escultura BarrocaCultura do Palco - Escultura Barroca
Cultura do Palco - Escultura Barroca
 
Pintura do Neoclássica
Pintura do NeoclássicaPintura do Neoclássica
Pintura do Neoclássica
 
Rococó - Artes Decorativas
Rococó - Artes DecorativasRococó - Artes Decorativas
Rococó - Artes Decorativas
 
O romantismo
O romantismoO romantismo
O romantismo
 
Módulo 7 arquitetura neoclássica
Módulo 7   arquitetura neoclássicaMódulo 7   arquitetura neoclássica
Módulo 7 arquitetura neoclássica
 
A Escultura de Rodin
A Escultura de RodinA Escultura de Rodin
A Escultura de Rodin
 
HCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
HCA Módulo 9 - Pintura e EsculturaHCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
HCA Módulo 9 - Pintura e Escultura
 
ARTES: Renascimento
ARTES: RenascimentoARTES: Renascimento
ARTES: Renascimento
 
Pintura barroca
Pintura barrocaPintura barroca
Pintura barroca
 
Cultura do salao
Cultura do salaoCultura do salao
Cultura do salao
 
Módulo 7 a arte rococó
Módulo 7   a arte rococóMódulo 7   a arte rococó
Módulo 7 a arte rococó
 
O rococó e o neoclássico parte 1
O rococó e o neoclássico parte 1O rococó e o neoclássico parte 1
O rococó e o neoclássico parte 1
 
Módulo 9 arte
Módulo 9   arteMódulo 9   arte
Módulo 9 arte
 
A cultura da gare
A cultura da gareA cultura da gare
A cultura da gare
 
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
Ficha formativa "A Cultura da Gare 1"
 

Semelhante a Rococó, HCA 11º

Barroco(s)
Barroco(s)Barroco(s)
Barroco(s)
cattonia
 
Maneirismo, barroco e rococo
Maneirismo, barroco e rococoManeirismo, barroco e rococo
Maneirismo, barroco e rococo
victorosa
 
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
Rafael Lucas da Silva
 
Arte 2 médio slide
Arte 2 médio   slideArte 2 médio   slide
Arte 2 médio slide
Eponina Alencar
 
A cultura da catedral escultura e pintura
A cultura da catedral   escultura e pinturaA cultura da catedral   escultura e pintura
A cultura da catedral escultura e pintura
cattonia
 
Arte Medieval
Arte MedievalArte Medieval
Arte Medieval
Rafael Lucas da Silva
 
História da arte
História da arteHistória da arte
História da arte
andreaires
 
História da arte
História da arteHistória da arte
História da arte
andreaires
 
O Rococó
O RococóO Rococó
O Rococó
Leonor Fernandes
 
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE AArt History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
JapinhaAq
 
Resumo idade media- CBG
Resumo idade media- CBGResumo idade media- CBG
Resumo idade media- CBG
Aline Raposo
 
A cultura do palco
A cultura do palcoA cultura do palco
A cultura do palco
Carlos Pinheiro
 
Período Artístico Rococó
Período Artístico RococóPeríodo Artístico Rococó
Período Artístico Rococó
Gab's Proença
 
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdfA arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
Beto Cavalcante
 
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdfA-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
ssuser3b314d
 
Apresentação sobre Artes Visuais.pptx
Apresentação sobre Artes Visuais.pptxApresentação sobre Artes Visuais.pptx
Apresentação sobre Artes Visuais.pptx
Gael Arias Aguilar
 
Arte gotica
Arte goticaArte gotica
Arte gotica
RosaNardaci1
 
Romantismo grupo A
Romantismo grupo ARomantismo grupo A
Romantismo grupo A
becresforte
 
Histarte resumos
Histarte resumosHistarte resumos
Histarte resumos
Fernanda Duarte
 
Aula 04 barroco-e_rococo
Aula 04 barroco-e_rococoAula 04 barroco-e_rococo
Aula 04 barroco-e_rococo
Marcio Duarte
 

Semelhante a Rococó, HCA 11º (20)

Barroco(s)
Barroco(s)Barroco(s)
Barroco(s)
 
Maneirismo, barroco e rococo
Maneirismo, barroco e rococoManeirismo, barroco e rococo
Maneirismo, barroco e rococo
 
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
Arte moderna (Séc. XIV a XVIII)
 
Arte 2 médio slide
Arte 2 médio   slideArte 2 médio   slide
Arte 2 médio slide
 
A cultura da catedral escultura e pintura
A cultura da catedral   escultura e pinturaA cultura da catedral   escultura e pintura
A cultura da catedral escultura e pintura
 
Arte Medieval
Arte MedievalArte Medieval
Arte Medieval
 
História da arte
História da arteHistória da arte
História da arte
 
História da arte
História da arteHistória da arte
História da arte
 
O Rococó
O RococóO Rococó
O Rococó
 
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE AArt History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
Art History Thesis XL- ARTE PARA SLIDE A
 
Resumo idade media- CBG
Resumo idade media- CBGResumo idade media- CBG
Resumo idade media- CBG
 
A cultura do palco
A cultura do palcoA cultura do palco
A cultura do palco
 
Período Artístico Rococó
Período Artístico RococóPeríodo Artístico Rococó
Período Artístico Rococó
 
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdfA arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
A arte do Rococó, suas características, principais artistas.pdf
 
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdfA-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
A-Cultura-Do-Palco-Modulo-6.pdf
 
Apresentação sobre Artes Visuais.pptx
Apresentação sobre Artes Visuais.pptxApresentação sobre Artes Visuais.pptx
Apresentação sobre Artes Visuais.pptx
 
Arte gotica
Arte goticaArte gotica
Arte gotica
 
Romantismo grupo A
Romantismo grupo ARomantismo grupo A
Romantismo grupo A
 
Histarte resumos
Histarte resumosHistarte resumos
Histarte resumos
 
Aula 04 barroco-e_rococo
Aula 04 barroco-e_rococoAula 04 barroco-e_rococo
Aula 04 barroco-e_rococo
 

Rococó, HCA 11º

  • 3. O século XVIII foi um século de algumas ambiguidades e indefinições, caracterizado por várias mudanças: • Políticas: Revoluções liberais - Movimentações político-militares que, em cada país, derrubaram o Absolutismo monárquico e implantaram a nova ordem político-social do liberalismo; • Económicas: novo dinamismo produtivo; novo comercio colonial; oficinas domesticas; grandes manufaturas; • Sociais: Crescimento populacional; • Académicas: Desenvolvimento científico-técnico.
  • 4. As consequências dessas mudanças foram: • Ascensão social e política da burguesia: junto com a aristocracia política e administrativa, esta classe formou a elite do Antigo Regime que beneficiou do enriquecimento geral da época; • Maior interesse pela educação e pela cultura: consequência da propagação do pensamento iluminista, dominante no século XVIII. Considerava-se que só pela educação seria possível levar os homens a perceber os erros em que viviam e a reformar as sociedades segundo leis mais conformes à ordem natural e à Razão.
  • 5. AS LUZES (rupturas culturais e científicas): No século XVIII, designou-se por Luzes o conhecimento racional, o saber esclarecido, o único capaz de tornar claro (iluminar) todas as coisas. Aqueles que aplicavam o conhecimento racional eram os iluministas, homens que ousavam saber. Este valorizava o indivíduo por aquilo que ele possuía de mais valioso: a sua Razão, único meio fidedigno para desvendar os segredos do Universo e construir o conhecimento sobre a Natureza, os homens e as sociedades. Concebia o conhecimento como o único meio de libertar o Homem da servidão, dos preconceitos, dos erros e injustiças. O único caminho através do qual se poderia construir o progresso e o bem-estar das populações, conduzindo-as à felicidade , considerada como um direito natural de todos os homens e supremo objectivo da sua existência.
  • 6. O SALÃO O Salão tornou-se o novo espaço de conforto e intimidade. A aristocracia começou a passar mais tempo nas suas mansões privadas, que procurou tornar tão confortáveis como a corte. A estética da moda privilegiava, na decoração dos interiores, a beleza requintada e elegante, o luxo e a exuberância, a frivolidade, a sensualidade e o intimismo. Assim, nasceu o Rococó que floresceu em ambientes alegres, de bom viver. O crescente interesse das elites pelas coisas do espírito tornou usuais as reuniões que tinham por objectivo o debate por áreas do saber, a discussão literária, o exercício linguístico e a divulgação das línguas vivas ou a apresentação de personalidades em voga - músicos, cantores de ópera, escritores, filósofos e cientistas - à alta sociedade da época. Deste modo, o salão tornou-se o centro de dinamização cultural!
  • 7. A Arte do Rococó z
  • 8. O Rococó foi um movimento estético que floresceu na Europa entre o início e o fim do século XVIII. Nasceu em Paris por volta de 1715-20 como uma reação da aristocracia francesa contra o Barroco suntuoso, palaciano e solene praticado no período de Luís XIV. Atingiu o seu apogeu em 1730 e entrou em declinio após a morte de Luis XV (1774). d
  • 9. Caracterizou-se acima de tudo pela sua índole hedonista e aristocrática, e na preferência por temas leves e sentimentais, estando nele impregnado um espirito tolerante, crítico, irreverente, intimista e individualista que caracterizou o Homem do Século das Luzes. Fugiu assim às imposições canónicas apelando à criatividade individual, excentricidade e a improvisação constante. d
  • 10. Da França, onde assumiu a sua feição mais típica e onde mais tarde foi reconhecido como patrimônio nacional, o Rococó difundiu-se pela Europa e teve como importantes centros de cultivo a Alemanha, Inglaterra, Áustria e Itália, com alguma representação também em outros locais, como a Península Ibérica, os países eslavos e nórdicos, chegando até mesmo às Américas. d
  • 11. O rococó tem como principais características: • Cores claras e suaves; • Linhas delicadas, sinuosas e informais; • Tons pastel e douramento; • Representação da vida profana da aristocracia; • Representação de Alegorias; • Estilo decorativo; • Unificação do espaço interno, com maior graça e intimidade; • Texturas suaves;
  • 13. Na arquitetura o rococó teve grande aceitação e desenvolvimento na Alemanha e na Austria. Esta é marcada pela sensibilidade, percebida na distribuição dos ambientes interiores, destinados a valorizar um modo de vida individual e caprichoso. Dando-se principalmente nos espaços interiores ao nível de adornação. q
  • 14. Princípios: • Diferenciação dos edificios dando atenção à sua função; • Traçado exterior simples; • Espaço interior que deve proporcionar conforto, comodida e intimidade; • Uso de elementos decorativos barrocos, mais exagerados mas também mais libertinos e sensuais; • Novos elementos decorativos ( conchas, algas marinhas, rocalhos, etc); • Utilização de materiais fingidos: falsos mármores (escariola), madeiras e estuques pintados; • Decoração excessiva, tanto nas fachadas quanto nos interiores; • Curvas e contra curvas animam as paredes e os ritmos decorativos, afirmando a assimetria; • Artificialidade dos detalhes, mas sem a grandiosidade nem a religiosidade do barroco; • Exagero formal.
  • 15. Devido a isto a arquitetura civil foi a mais previligiada, aparacendo o hôtel e o château (palácio campestre).
  • 16. Caracteristicas exteriores dos edificios: • Perde-se a monumentalidade – edifícios baixos; • Fachadas são mais alinhadas, nelas banem-se os elementos clássicos de decoração e os ângulos retos sao suavizados por curvas; • Os tetos apresentam ser de duas àguas; • Porta e janelas são agora de maiores dimensões, encontram-se alinhadas na vertical e na horizontal emolduradas com arcos de volta perfeita ou abatidos; • Uso abundante do ferro furjado.
  • 21. Os jardins seguem o exemplo do Barroco tendo um grande impacto na integração do cenário arquitetónico. “É o tempo do efémero e do folguedo” m Palácio de Queluz, Lisboa
  • 22. Caracteristicas interiores dos edifícios: • O plano das habitações centra-se no salão principal; • Divisões baixas, pequenas, independentes e arredondadas; • Paredes cobertas de exagerada decoração pintadas em cores claras e ténues onde sobressai o dourado e o prateado das molduras dos painéis.
  • 23. Salão Gasparini, Palácio Real de Madrid, Espanha
  • 25. Kaisersaal do Palácio de Wurzburg, Alemanha
  • 26. Arquitetura Relegiosa: • Plantas longitudinais complexas; • Exteriores simples mas cheios de janelas; • Uso e abuso da concha como elemento decorativo; • Decoração interior onde a pintura e a escultura se misturam com a arquitetura.
  • 27. Capela Interior da Residência de Wurzburg, Alemanha
  • 28. Igreja de Wies, Alemanha
  • 29. Igreja de Wies, Alemanha
  • 30. Igreja de São Francisco, Porto
  • 31. Igreja de São Francisco, Porto
  • 33. Próxima da estética barroca pela expressão plástica, mas igualmente oposta a ela pelas novas formas, objectivos e materiais, a escultura deste período apresenta características inovadoras. 6
  • 34. Características específicas: • Novos cânones estéticos – linhas curvas e contracurvas mais delicadas e fluidas; • Na figura humana, utilizaram o cânone anatómico maneirista, de corpos alongados e silhuetas caprichosas; • Nos grupos escultóricos, as composições possuíam movimento e ritmo e um elevado sentido cénico, fazendo o enquadramento perfeito da escultura com o cenário.
  • 35. Podemos referir dois géneros: • Escultura decorativa, parte integrante da arquitectura, cobrindo quase todas as estruturas e superfícies construídas com rebuscados e movimentados relevos de inspiração naturalista; • Estatuária de pequeno porte, destinada sobretudo a interiores, com funções decorativas e/ou de entretenimento.
  • 36. Os materiais mais usados foram: • A pedra e o bronze (esculturas grandes de exterior); • O ouro e a prata (esculturas de pequena dimensão e objetos ornamentais); • A madeira, a argila, o estuque e o gesso; • A porcelana - biscuit (“O verdadeiro e inato material do Rococó”).
  • 37. Abandono dos temas “nobres” e preferência por temas “menores”. Temas da pequena escultura: • Irónicos • Jocosos • Sensuais Temas da estatuário monumental: • Mitológica • Profana • Religiosa
  • 39. Nicola Salvi Fonte de Trevos, Roma
  • 44. A pintura do Rococó divide-se em dois campos nitidamente diferenciados. Um deles forma um documento visual intimista e despreocupado do modo de vida e da concepção de mundo das elites européias do século XVIII, e o outro, adaptando elementos constituintes do estilo à decoração monumental de igrejas e palácios, serviu como meio de glorificação da fé e do poder civil. 7
  • 45. Temáticas: • Cenas pastoris; • Amor, sedução e erotismo; • Hedonismo; • Retrato. Todos os temas foram tratados de forma ligeira e superficial. Composições ritmicas, exuberantes, ornamentados com elementos ligados ao mundo marinho, nos quais o cromatismo varias entre os brancos, azuis e rosas.
  • 46. A pintura moral foi quase inexistente pois a decoração moral era feita através de pequenos painéis de tela colocados sobre os paineis decorativos fixos.
  • 48. Antoine Watteau Jean-Antoine Watteau (1684 – 1721) foi um grande pintor francês do movimento rococó era um homem inteligente e bastante esperto. Tendo sido uma das principais figuras deste período artístico, destacou- se pelas suas pinturas de temas galantes e pastorais. Brueghel, Bosch e Rubens foram suas principais inspirações, artistas que reconhecidamente se utilizavam da luz, sombra e de cores fortes nas suas obras.
  • 53. François Boucher François Boucher (1703 — 1770) foi um pintor francês, um dos pintores que melhor soube interpretar o espírito do Rococó. É muito conhecido pelas suas pinturas idílicas (ambiente campestre e pelo amor suave e terno), plenas de volume e carisma, que vulgarmente recorriam a temas mitológicos e evocavam a Antiguidade Clássica.