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24 • CiênCia Hoje • vol. 4 4 • nº 263
Cem
A falta de medidas de proteção
ambiental no sepultamento
de corpos humanos em covas
abertas no solo, ao longo
dos últimos séculos,
fez com que a área de muitos
cemitérios fosse contaminada
por diversas substâncias, orgânicas
e inorgânicas, e por micro-organismos
patogênicos. Essa contaminação
ocorre quando os cemitérios
são implantados em locais
que apresentam condições
ambientais desfavoráveis.
No Brasil, ainda não existe
uma política eficiente de
planejamento e de gestão
ambiental dos cemitérios,
principalmente os públicos.
Robson Willians da Costa Silva
e Walter Malagutti Filho
Departamento de Geologia Aplicada,
Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, SP)
G E O L O G I A A M B I E N T A L
setembro de 20 09 • CiênCia Hoje • 25
G E O L O G I A A M B I E N T A L

Desde a pré-história, de acordo com registros arqueológicos,
existe o hábito de enterrar os mortos, ou cobri-los
com pedras. Há evidências de que comunidades
neandertais enterravam seus mortos. Entretanto,
os cemitérios – terrenos destinados apenas ao se-
pultamento dos mortos – teriam sido implantados
pelos primeiros cristãos. As palavras ‘cemitério’ e
‘necrópole’ têm origem grega. A primeira vem de
koumetèrian (que significa ‘dormitório’), enquanto
necrópole deriva de necrópolis (‘cidade da morte’
ou ‘cidade dos mortos’). Já a palavra ‘cadáver’, que
faz parte do mesmo contexto, tem origem latina e
significa ‘carne dada aos vermes’, o que traduz o
destino dessa matéria orgânica.
O costume de enterrar os cristãos mortos nas
igrejas ou em suas imediações começou durante
a Idade Média. Essa prática significou uma apro-
ximação entre os cadáveres, muitos vitimados por
doenças contagiosas, e os vivos, o que aumentou
significativamente a disseminação dos agentes
patogênicos em epidemias como as de tifo, peste
bubônica e outras. Na época, o tipo de sepultamento
predominante era a inumação, processo simplifica-
do com simples recobrimento dos corpos com terra
em profundidades que variavam de 1 m a 2 m.
mitérios
Embora algumas civilizações, como a romana,
já determinassem que os mortos deviam ser enter-
rados fora dos limites da cidade, foi a partir do
século 18 que a palavra cemitério começou a ter
o sentido atual, quando por razões de saúde pú-
blica foi proibido o sepultamento nos locais habi-
tuais (em terras da família ou em igrejas). Na
França, já em 1737, uma comissão de médicos,
formada pelo Parlamento de Paris, recomendou
mais cuidado nas sepulturas e decência na manu-
tenção dos locais onde os mortos eram enterrados.
Na mesma época, em 1743, o abade francês
Charles-Gabriel Porée publicou um texto conde-
nando os enterros em igrejas e propondo a criação
de cemitérios fora das cidades. Autoridades de
países e cidades da Europa, a partir daí, passam a
proibir sepultamentos nas igrejas e a promover a
instalação de cemitérios, para que os enterros
ocorressem ao ar livre e longe do perímetro urba-
no. Em Portugal, em 1801, o príncipe regente D.
João VI proibiu os sepultamentos em igrejas (in-
clusive em suas colônias, como o Brasil).
As decisões sobre a implantação de cemitérios
fora das cidades eram baseadas no mau cheiro dos
cadáveres e em ‘emanações’ tidas como perigosas
Fontespotenciais
decontaminação
Fotocícerorodrigues
setembro de 20 09 • CiênCia Hoje • 25
G E O L O G I A A M B I E N T A L
G E O L O G I A A M B I E N T A L
Figura 1. Muitos cemitérios
brasileiros foram implantados
quando não existiam leis ambientais
específicas e terão que
se adaptar as novas normas
26 • Ciência Hoje • vol. 4 4 • nº 263
para a saúde, mas a preocupação com os problemas
ecológicos causados pelos corpos sepultados é bem
mais recente. Só em 1998 a Organização Mundial da
Saúde (OMS) publicou um relatório afirmando que
os cemitérios poderiam causar impactos ao ambien-
te, com a liberação de substâncias orgânicas e inor-
gânicas e de micro-organismos patogênicos para o
solo e os lençóis freáticos.
Um problema ambiental
O sepultamento de cadáveres gera fontes de poluição
para o meio físico, e por isso deve ser considerado
como atividade causadora de impacto ambiental. No
entanto, apesar da existência de alguns relatos em
Berlim (Alemanha) e Paris, na década de 1970, apon-
tando o posicionamento dos cemitérios em relação
a fontes de água, como lençóis freáticos e nascentes,
como uma das causas de epidemias de febre tifóide,
esses locais nunca foram incluídos entre as fontes
tradicionais de contaminação ambiental.
As pesquisas sobre esse tema são recentes. Em
1995, o hidrogeólogo Boyd Dent, da Universidade
Tec­nológica de Sidney (Austrália), constatou, em es­
tudo no cemitério da cidade australiana de Botany,
aumento da condutividade elétrica e da concentração
de sais minerais em águas subterrâneas próximas de
sepultamentos recentes. No Brasil também há estudos
sobre contaminação de cemitérios. Desde o final da
década de 1980, o hidrogeólogo Alberto Pacheco, da
Universidade de São Paulo, realiza estudos sobre a
contaminação nos cemitérios paulistas de Vila Nova
Cachoeirinha e Vila Formosa. Em um cemitério de
Santos (SP), a água subterrânea próxima a sepul­
tamentos recentes apresentava alta
con­dutividade elétrica e íons de
cloreto e nitrato, além de bac-
térias e vírus.
Outro pesquisador brasileiro, o geólogo Leziro
Marques Silva, da Universidade de São Judas Tadeu,
em São Paulo, investigou a situação de 600 cemi­-
térios do país (75% municipais e 25% particula­res)
e constatou que de 15% a 20% deles apresentam
contaminação do subsolo pelo necrochorume, lí-
quido formado quando os corpos se decompõem.
Cerca de 60% dos casos foram observados em cemi-
térios municipais. A contaminação é detectada por
análises físicas, químicas e bacteriológicas de amos-
tras de água do lençol freático sob os cemitérios ou
em suas proximidades.
No Cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba (SP),
uma pesquisa realizada pelo primeiro autor deste ar-
tigo (em seu mestrado, orientado pelo segundo autor)
mostrou que as condições do solo desfavorecem a
filtração do necrochorume e facilitam a inundação
das covas. Foram localizadas duas ‘plumas’ de con-
taminação, como são chamados os contaminantes
dissolvidos no solo, uma delas estendendo-se para
fora dos limites do cemitério. O estudo constatou
que a contaminação tem ligação com a profundidade
do nível freático e com o tempo de sepultamento,
e sugeriu ao administrador do cemitério (a Prefei-
tura de Piracicaba) a instalação de seis poços de
monitoramento para o controle da contaminação. O
segundo autor também coordena estudo semelhante
no Cemitério São João Batista, em Rio Claro (SP).
Legislação específica no país
O Brasil não tinha qualquer dispositivo legal federal
sobre cemitérios até 28 de maio de 2003, quando foi
promulgada a Resolução nº 335, do Conselho Na-
cional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe so-
bre o licenciamento ambiental de cemitérios hori-
zontais e verticais. A resolução estabeleceu critérios
Fotocícerorodrigues
setembro de 20 09 • Ciência Hoje • 2 7
G E O L O G I A A M B I E N T A L

A ocorrência desses fenômenos depende de fa-
tores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros estão
associados ao próprio cadáver: idade, constituição
física e causa da morte. Os segundos, ao ambiente de
sepultamento: temperatura, umidade, aeração, cons-
tituição mineral do solo, permeabilidade e outros.
Fontes de poluição ambiental
O necrochorume é o principal responsável pela po-
luição ambiental causada pelos cemitérios (figura 2).
É um líquido viscoso, de cor castanho-acinzentada,
com 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de
substâncias orgânicas degradáveis. Apresenta varia-
do grau de patogenicidade, por causa da presença
de vírus, bactérias e outros agentes causadores de
doenças. Cada quilo de massa corpórea do cadáver
gera 0,6 litro de necrochorume.
Na putrefação são liberados gás sulfídrico (H2
S),
dióxido de carbono (CO2
), metano (CH4
), amônia
(NH3
) e mercaptanas (compostos que contêm enxo-
fre, como a cadaverina e a putrescina, responsáveis
pelo cheiro de carne podre), além da fosfina (PH3
),
um hidrato de fósforo incolor e inflamável. O ne­
crochorume contém quantidades elevadas de dife-
rentes bactérias, como as causadoras de tétano
(Clostridium tetani), gangrena gasosa (Clostridium
perfringes), febre tifóide (Salmonella typhi), febre
parasitóide (Salmonella paratyphi), disenteria (Shi-
gella dysenteriae) e outras, além de muitos tipos de
vírus (como os da hepatite).
FotoAlbertoPachecoeBolívarAntunesMatos(2000)
Figura 2.
Vazamento de
necrochorume
no cemitério
Vila Nova
Cachoeirinha (SP)
mínimos para a implantação de futuros cemitérios,
visando garantir a decomposição normal dos corpos
e proteger os lençóis freáticos da infiltração do ne-
crochorume, e deu prazo de 180 dias para que os
cemitérios já existentes se adequassem às novas nor-
mas (figura 1).
Em 28 de março de 2006, na Resolução nº 368, o
Conama alterou alguns dispositivos da resolução
anterior, proibindo a instalação de cemitérios em
Áreas de Preservação Permanente (APPs) ou em
outras que exijam desmatamento da mata atlântica,
em estágio médio ou avançado de regeneração, em
terrenos onde existem cavernas, sumidouros ou rios
subterrâneos e em áreas onde o lençol freático, me-
dido no final da estação chuvosa, fique a menos de
1,5 m da base das sepulturas.
A partir da entrada em vigor dessa resolução, os
órgãos ambientais estaduais e municipais passaram
a ter a obrigação de licenciar e fiscalizar a implanta-
ção de novos cemitérios. O prazo de adequação dos
cemitérios antigos, porém, foi eliminado por nova
resolução do Conama (nº 402, de 17 de novembro
de 2008). Essa norma deu aos órgãos estaduais e
municipais de meio ambiente prazo até dezembro de
2010 para “estabelecer critérios para a adequação dos
cemitérios existentes antes de 2003”. O descumpri-
mento dessas disposições implicará sanções penais
e administrativas.
A transformação dos cadáveres
Os corpos, mesmo em caixões, podem sofrer, sob
certas condições ambientais, fenômenos transfor­
mativos destrutivos, como autólise e putrefação, ou
conservativos, como saponificação. A autólise é
iniciada logo que cessa a vida: as células deixam
de receber oxigênio e de trocar nutrientes, e pas­-
sam a ser dissolvidas por enzimas do próprio corpo.
Em seguida vem a putrefação, ou seja, a decom­
posição de tecidos e órgãos por bactérias e outros
mi­cro-or­ganismos.
Quando a umidade no solo é alta, pode acontecer
a saponificação, processo em que a ‘quebra’ das
gorduras corporais libera ácidos graxos, cuja acidez
inibe a ação das bactérias putrefativas, atrasando a
decomposição. O fenômeno ocorre em ambientes
quentes e úmidos, com baixos níveis de oxigênio,
em geral em solos argilosos, com baixa permeabili-
dade (que retêm água) e alta capacidade de troca de
cátions (capacidade de reter íons positivos de certos
elementos e liberar outros). A saponificação é comum
nos cemitérios brasileiros, em decorrência do clima
quente e úmido e da invasão das sepulturas por águas
superficiais e subterrâneas.
28 • Ciência Hoje • vol. 4 4 • nº 263
G E O L O G I A A M B I E N T A L
cos e à retenção e eliminação de bactérias e vírus.
A eficácia na retenção de micro-organismos de-
pende de fatores como tipo de solo, aeração, baixa
umidade, teor de nutrientes e outros. Para reter
organismos maiores, como as bactérias, o meca-
nismo mais importante é o de filtração, relaciona-
do à permeabilidade do solo. Para reter vírus, bem
menores, e evitar que atinjam o lençol freático, é
mais relevante a adsorção (adesão de moléculas
de um fluido a uma superfície sólida), que depen-
de da capacidade de troca iônica da argila e da
matéria orgânica do solo.
Nos terrenos destinados à implantação de ce-
mitérios, a espessura da zona não saturada e o tipo
de material geológico são fatores determinantes
para a filtragem do necrochorume (figura 4). A
proporção de argila no solo deve ficar entre 20%
e 40%, para favorecer os processos de decompo­
sição (que dependem da presença de ar) e as con­
dições de drenagem do necrochorume.
Solos com média permeabilidade e nível freá-
tico profundo são ideais para sepultamentos, pois
favorecem a putrefação e a filtragem do necrocho-
rume, o que significa baixa vulnerabilidade de
contaminação. Se o material geológico tem pouca
permeabilidade e o nível freático é quase afloran-
te, o solo é extremamente vulnerável à contami-
nação, pois favorece fenômenos como a saponifi-
cação. Também podem ocorrer diversas situações
intermediárias: se, por exemplo, a permeabilidade
do solo for alta e o nível freático pouco profundo,
a vulnerabilidade à contaminação será alta.
Risco para a água superficial
Em cemitérios em que o terreno está impermea­
bilizado pelos túmulos e pela pavimentação das
ruas em torno, e onde o sistema de drenagem das
águas das chuvas é deficiente, estas podem escoar
superficialmente e inundar os túmulos mais vul-
neráveis. Após atravessarem a área dos cemitérios,
essas águas são em geral lançadas na rede pluvial
urbana e canalizadas para os corpos d’água, con-
taminando-os com substâncias trazidas do interior
do cemitério.
Para minimizar esse problema, a Resolução
nº 355 do Conama estabelece que a área de sepul-
tamento deve ter um recuo mínimo de 5 m em
relação ao perímetro do cemitério. Esse recuo deve
Estão presentes ainda no necrochorume metais
pesados, provenientes dos adereços dos caixões,
além de formaldeído e metanol, utilizados na
embalsamação dos corpos. O uso, comum atual-
mente, da tanatopraxia – técnica de maquiar par­-
tes do falecido com cosméticos, corantes, enrije­
ce­dores e outros produtos – também é fonte de
substâncias para o necrochorume, que pode ainda
conter resíduos de tratamentos químicos hospi­
talares (de medicamentos, por exemplo).
Os compostos orgânicos degradáveis liberados
no processo de decomposição dos corpos esti­
mulam a atividade microbiana no solo sob áreas
de se­pultamentos. Também aumentam, no solo, o
teor de compostos de nitrogênio e fósforo e o de
sais (o que eleva a condutividade elétrica) e o ín-
dice de acidez.
A contaminação do subsolo
O necrochorume proveniente dos cemitérios po­
de contaminar o subsolo se o meio físico local for
vul­nerável, o que dependerá de suas características
geológicas e hidrogeológicas. O solo pode ser divi­
di­do, de modo simplificado, em duas zonas (figura
3). A zona não saturada (ou de aeração) é compos­-
ta de partículas sólidas e de espaços vazios, ocu­
pados por porções variáveis de ar e água. Já a zona
saturada é aquela em que a água ocupa todos os es­
paços. O limite entre essas zonas é definido pelo ní-
vel do lençol freático. O movimento da água ten­de a
ser vertical na primeira e horizontal na segunda.
A zona não saturada atua como um filtro, por
apresentar um ambiente (solo, ar e água) favorável
à modificação de compostos orgânicos e inorgâni-
AdaptadodeBraga,2006
Figura 3. A distribuição das águas no solo produz
duas zonas distintas, a zona não saturada (ou de aeração),
onde o ar penetra nos espaços existentes, e a zona saturada,
onde os espaços são preenchidos apenas pela água
setembro de 20 09 • Ciência Hoje • 29
G E O L O G I A A M B I E N T A L
Sugestões
para leitura
FÁVERO, F.
Medicina legal.
Belo Horizonte,
Vila Rica Editoras
Reunidas,
1991.
MANOEL FILHO, J.
Hidrogeologia:
conceitos
e aplicações.
Fortaleza,
CPRM, 1997.
MIGLIORINI, R. B.
Cemitérios
contaminam o
meio ambiente?
Um estudo
de caso.
Cuiabá,
Editora da UFMT,
2002.
SILVA, L. M.
Os cemitérios
na problemática
ambiental.
São Paulo,
Sincesp
& Acembra,
1995.
ser ampliado se as características do solo da área
forem desfavoráveis, como permeabilidade redu-
zida, distância inadequada em relação ao nível do
lençol freático e outras.
Risco para a água subterrânea
Implantar cemitérios em locais onde as caracterís-
ticas geológicas favorecem os fenômenos conser-
vativos dos corpos ou reduzem a retenção do con-
taminante na camada superficial, e onde o lençol
freático é pouco profundo, pode contaminar as
águas subterrâneas. Túmulos em ruínas ou com
rachaduras, problemas causados principalmente
pela compactação do solo, por raízes de árvores e
pela negligência dos proprietários, também favo-
recem a contaminação dessas águas.
Ao estabelecer que o lençol freático deve estar,
no mínimo, a 1,5 m do fundo das sepulturas, a
resolução do Conama ainda prevê que, se não for
possível manter essa distância ou se as condições
do solo não forem apropriadas, os sepultamentos
devem ser feitos acima do nível natural do terreno,
para reduzir o risco de contaminação. A posição
do lençol freático, as características do solo e ou-
tros aspectos (entre eles as rachaduras nas sepul-
turas) influenciam (figura 5) os riscos de contami-
nação das águas subterrâneas.
Quando o solo apresenta média permeabilidade
e alta capacidade de adsorção e retenção do mate-
rial argiloso, associada à grande distância até o
lençol freático, o necrochorume move-se lentamen-
te e as substâncias do contaminante são intercep-
tadas na zona não saturada. Essa situação é clas-
sificada como de médio risco de contaminação de
águas subterrâneas. Se a sepultura estiver abaixo
do nível freático, pode ser inundada, gerando uma
situação de extremo risco, já que, em geral, os
caixões não são impermeáveis. Quando o solo tem
elevada permeabilidade, o que permite a infiltração
profunda do necrochorume, ou a distância para o
lençol freático é inadequada, a situação é de alto
risco, porque os contaminantes chegam facilmen-
te às águas subterrâneas. Nesses casos, para dimi-
nuir a possibilidade de contaminação do aquífero,
o sepultamento deve ocorrer acima do nível natu-
ral do terreno.   
AdaptadosdePacheco,1986
Figura 4. A vulnerabilidade das áreas dos cemitérios à
contaminação ambiental depende da estrutura e dos materiais
do solo e da posição das covas em relação ao nível freático
Figura 5. O risco de contaminação de águas subterrâneas pelo
necrochorume formado pela decomposição dos corpos também
está associado às características do solo e à distância das covas para o lençol freático.
Em casos de alto risco, o sepultamento deve ser feito acima do nível natural do terreno

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  • 1. G E O L O G I A A M B I E N T A L 24 • CiênCia Hoje • vol. 4 4 • nº 263 Cem A falta de medidas de proteção ambiental no sepultamento de corpos humanos em covas abertas no solo, ao longo dos últimos séculos, fez com que a área de muitos cemitérios fosse contaminada por diversas substâncias, orgânicas e inorgânicas, e por micro-organismos patogênicos. Essa contaminação ocorre quando os cemitérios são implantados em locais que apresentam condições ambientais desfavoráveis. No Brasil, ainda não existe uma política eficiente de planejamento e de gestão ambiental dos cemitérios, principalmente os públicos. Robson Willians da Costa Silva e Walter Malagutti Filho Departamento de Geologia Aplicada, Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, SP) G E O L O G I A A M B I E N T A L
  • 2. setembro de 20 09 • CiênCia Hoje • 25 G E O L O G I A A M B I E N T A L  Desde a pré-história, de acordo com registros arqueológicos, existe o hábito de enterrar os mortos, ou cobri-los com pedras. Há evidências de que comunidades neandertais enterravam seus mortos. Entretanto, os cemitérios – terrenos destinados apenas ao se- pultamento dos mortos – teriam sido implantados pelos primeiros cristãos. As palavras ‘cemitério’ e ‘necrópole’ têm origem grega. A primeira vem de koumetèrian (que significa ‘dormitório’), enquanto necrópole deriva de necrópolis (‘cidade da morte’ ou ‘cidade dos mortos’). Já a palavra ‘cadáver’, que faz parte do mesmo contexto, tem origem latina e significa ‘carne dada aos vermes’, o que traduz o destino dessa matéria orgânica. O costume de enterrar os cristãos mortos nas igrejas ou em suas imediações começou durante a Idade Média. Essa prática significou uma apro- ximação entre os cadáveres, muitos vitimados por doenças contagiosas, e os vivos, o que aumentou significativamente a disseminação dos agentes patogênicos em epidemias como as de tifo, peste bubônica e outras. Na época, o tipo de sepultamento predominante era a inumação, processo simplifica- do com simples recobrimento dos corpos com terra em profundidades que variavam de 1 m a 2 m. mitérios Embora algumas civilizações, como a romana, já determinassem que os mortos deviam ser enter- rados fora dos limites da cidade, foi a partir do século 18 que a palavra cemitério começou a ter o sentido atual, quando por razões de saúde pú- blica foi proibido o sepultamento nos locais habi- tuais (em terras da família ou em igrejas). Na França, já em 1737, uma comissão de médicos, formada pelo Parlamento de Paris, recomendou mais cuidado nas sepulturas e decência na manu- tenção dos locais onde os mortos eram enterrados. Na mesma época, em 1743, o abade francês Charles-Gabriel Porée publicou um texto conde- nando os enterros em igrejas e propondo a criação de cemitérios fora das cidades. Autoridades de países e cidades da Europa, a partir daí, passam a proibir sepultamentos nas igrejas e a promover a instalação de cemitérios, para que os enterros ocorressem ao ar livre e longe do perímetro urba- no. Em Portugal, em 1801, o príncipe regente D. João VI proibiu os sepultamentos em igrejas (in- clusive em suas colônias, como o Brasil). As decisões sobre a implantação de cemitérios fora das cidades eram baseadas no mau cheiro dos cadáveres e em ‘emanações’ tidas como perigosas Fontespotenciais decontaminação Fotocícerorodrigues setembro de 20 09 • CiênCia Hoje • 25 G E O L O G I A A M B I E N T A L
  • 3. G E O L O G I A A M B I E N T A L Figura 1. Muitos cemitérios brasileiros foram implantados quando não existiam leis ambientais específicas e terão que se adaptar as novas normas 26 • Ciência Hoje • vol. 4 4 • nº 263 para a saúde, mas a preocupação com os problemas ecológicos causados pelos corpos sepultados é bem mais recente. Só em 1998 a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório afirmando que os cemitérios poderiam causar impactos ao ambien- te, com a liberação de substâncias orgânicas e inor- gânicas e de micro-organismos patogênicos para o solo e os lençóis freáticos. Um problema ambiental O sepultamento de cadáveres gera fontes de poluição para o meio físico, e por isso deve ser considerado como atividade causadora de impacto ambiental. No entanto, apesar da existência de alguns relatos em Berlim (Alemanha) e Paris, na década de 1970, apon- tando o posicionamento dos cemitérios em relação a fontes de água, como lençóis freáticos e nascentes, como uma das causas de epidemias de febre tifóide, esses locais nunca foram incluídos entre as fontes tradicionais de contaminação ambiental. As pesquisas sobre esse tema são recentes. Em 1995, o hidrogeólogo Boyd Dent, da Universidade Tec­nológica de Sidney (Austrália), constatou, em es­ tudo no cemitério da cidade australiana de Botany, aumento da condutividade elétrica e da concentração de sais minerais em águas subterrâneas próximas de sepultamentos recentes. No Brasil também há estudos sobre contaminação de cemitérios. Desde o final da década de 1980, o hidrogeólogo Alberto Pacheco, da Universidade de São Paulo, realiza estudos sobre a contaminação nos cemitérios paulistas de Vila Nova Cachoeirinha e Vila Formosa. Em um cemitério de Santos (SP), a água subterrânea próxima a sepul­ tamentos recentes apresentava alta con­dutividade elétrica e íons de cloreto e nitrato, além de bac- térias e vírus. Outro pesquisador brasileiro, o geólogo Leziro Marques Silva, da Universidade de São Judas Tadeu, em São Paulo, investigou a situação de 600 cemi­- térios do país (75% municipais e 25% particula­res) e constatou que de 15% a 20% deles apresentam contaminação do subsolo pelo necrochorume, lí- quido formado quando os corpos se decompõem. Cerca de 60% dos casos foram observados em cemi- térios municipais. A contaminação é detectada por análises físicas, químicas e bacteriológicas de amos- tras de água do lençol freático sob os cemitérios ou em suas proximidades. No Cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba (SP), uma pesquisa realizada pelo primeiro autor deste ar- tigo (em seu mestrado, orientado pelo segundo autor) mostrou que as condições do solo desfavorecem a filtração do necrochorume e facilitam a inundação das covas. Foram localizadas duas ‘plumas’ de con- taminação, como são chamados os contaminantes dissolvidos no solo, uma delas estendendo-se para fora dos limites do cemitério. O estudo constatou que a contaminação tem ligação com a profundidade do nível freático e com o tempo de sepultamento, e sugeriu ao administrador do cemitério (a Prefei- tura de Piracicaba) a instalação de seis poços de monitoramento para o controle da contaminação. O segundo autor também coordena estudo semelhante no Cemitério São João Batista, em Rio Claro (SP). Legislação específica no país O Brasil não tinha qualquer dispositivo legal federal sobre cemitérios até 28 de maio de 2003, quando foi promulgada a Resolução nº 335, do Conselho Na- cional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe so- bre o licenciamento ambiental de cemitérios hori- zontais e verticais. A resolução estabeleceu critérios Fotocícerorodrigues
  • 4. setembro de 20 09 • Ciência Hoje • 2 7 G E O L O G I A A M B I E N T A L  A ocorrência desses fenômenos depende de fa- tores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros estão associados ao próprio cadáver: idade, constituição física e causa da morte. Os segundos, ao ambiente de sepultamento: temperatura, umidade, aeração, cons- tituição mineral do solo, permeabilidade e outros. Fontes de poluição ambiental O necrochorume é o principal responsável pela po- luição ambiental causada pelos cemitérios (figura 2). É um líquido viscoso, de cor castanho-acinzentada, com 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas degradáveis. Apresenta varia- do grau de patogenicidade, por causa da presença de vírus, bactérias e outros agentes causadores de doenças. Cada quilo de massa corpórea do cadáver gera 0,6 litro de necrochorume. Na putrefação são liberados gás sulfídrico (H2 S), dióxido de carbono (CO2 ), metano (CH4 ), amônia (NH3 ) e mercaptanas (compostos que contêm enxo- fre, como a cadaverina e a putrescina, responsáveis pelo cheiro de carne podre), além da fosfina (PH3 ), um hidrato de fósforo incolor e inflamável. O ne­ crochorume contém quantidades elevadas de dife- rentes bactérias, como as causadoras de tétano (Clostridium tetani), gangrena gasosa (Clostridium perfringes), febre tifóide (Salmonella typhi), febre parasitóide (Salmonella paratyphi), disenteria (Shi- gella dysenteriae) e outras, além de muitos tipos de vírus (como os da hepatite). FotoAlbertoPachecoeBolívarAntunesMatos(2000) Figura 2. Vazamento de necrochorume no cemitério Vila Nova Cachoeirinha (SP) mínimos para a implantação de futuros cemitérios, visando garantir a decomposição normal dos corpos e proteger os lençóis freáticos da infiltração do ne- crochorume, e deu prazo de 180 dias para que os cemitérios já existentes se adequassem às novas nor- mas (figura 1). Em 28 de março de 2006, na Resolução nº 368, o Conama alterou alguns dispositivos da resolução anterior, proibindo a instalação de cemitérios em Áreas de Preservação Permanente (APPs) ou em outras que exijam desmatamento da mata atlântica, em estágio médio ou avançado de regeneração, em terrenos onde existem cavernas, sumidouros ou rios subterrâneos e em áreas onde o lençol freático, me- dido no final da estação chuvosa, fique a menos de 1,5 m da base das sepulturas. A partir da entrada em vigor dessa resolução, os órgãos ambientais estaduais e municipais passaram a ter a obrigação de licenciar e fiscalizar a implanta- ção de novos cemitérios. O prazo de adequação dos cemitérios antigos, porém, foi eliminado por nova resolução do Conama (nº 402, de 17 de novembro de 2008). Essa norma deu aos órgãos estaduais e municipais de meio ambiente prazo até dezembro de 2010 para “estabelecer critérios para a adequação dos cemitérios existentes antes de 2003”. O descumpri- mento dessas disposições implicará sanções penais e administrativas. A transformação dos cadáveres Os corpos, mesmo em caixões, podem sofrer, sob certas condições ambientais, fenômenos transfor­ mativos destrutivos, como autólise e putrefação, ou conservativos, como saponificação. A autólise é iniciada logo que cessa a vida: as células deixam de receber oxigênio e de trocar nutrientes, e pas­- sam a ser dissolvidas por enzimas do próprio corpo. Em seguida vem a putrefação, ou seja, a decom­ posição de tecidos e órgãos por bactérias e outros mi­cro-or­ganismos. Quando a umidade no solo é alta, pode acontecer a saponificação, processo em que a ‘quebra’ das gorduras corporais libera ácidos graxos, cuja acidez inibe a ação das bactérias putrefativas, atrasando a decomposição. O fenômeno ocorre em ambientes quentes e úmidos, com baixos níveis de oxigênio, em geral em solos argilosos, com baixa permeabili- dade (que retêm água) e alta capacidade de troca de cátions (capacidade de reter íons positivos de certos elementos e liberar outros). A saponificação é comum nos cemitérios brasileiros, em decorrência do clima quente e úmido e da invasão das sepulturas por águas superficiais e subterrâneas.
  • 5. 28 • Ciência Hoje • vol. 4 4 • nº 263 G E O L O G I A A M B I E N T A L cos e à retenção e eliminação de bactérias e vírus. A eficácia na retenção de micro-organismos de- pende de fatores como tipo de solo, aeração, baixa umidade, teor de nutrientes e outros. Para reter organismos maiores, como as bactérias, o meca- nismo mais importante é o de filtração, relaciona- do à permeabilidade do solo. Para reter vírus, bem menores, e evitar que atinjam o lençol freático, é mais relevante a adsorção (adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida), que depen- de da capacidade de troca iônica da argila e da matéria orgânica do solo. Nos terrenos destinados à implantação de ce- mitérios, a espessura da zona não saturada e o tipo de material geológico são fatores determinantes para a filtragem do necrochorume (figura 4). A proporção de argila no solo deve ficar entre 20% e 40%, para favorecer os processos de decompo­ sição (que dependem da presença de ar) e as con­ dições de drenagem do necrochorume. Solos com média permeabilidade e nível freá- tico profundo são ideais para sepultamentos, pois favorecem a putrefação e a filtragem do necrocho- rume, o que significa baixa vulnerabilidade de contaminação. Se o material geológico tem pouca permeabilidade e o nível freático é quase afloran- te, o solo é extremamente vulnerável à contami- nação, pois favorece fenômenos como a saponifi- cação. Também podem ocorrer diversas situações intermediárias: se, por exemplo, a permeabilidade do solo for alta e o nível freático pouco profundo, a vulnerabilidade à contaminação será alta. Risco para a água superficial Em cemitérios em que o terreno está impermea­ bilizado pelos túmulos e pela pavimentação das ruas em torno, e onde o sistema de drenagem das águas das chuvas é deficiente, estas podem escoar superficialmente e inundar os túmulos mais vul- neráveis. Após atravessarem a área dos cemitérios, essas águas são em geral lançadas na rede pluvial urbana e canalizadas para os corpos d’água, con- taminando-os com substâncias trazidas do interior do cemitério. Para minimizar esse problema, a Resolução nº 355 do Conama estabelece que a área de sepul- tamento deve ter um recuo mínimo de 5 m em relação ao perímetro do cemitério. Esse recuo deve Estão presentes ainda no necrochorume metais pesados, provenientes dos adereços dos caixões, além de formaldeído e metanol, utilizados na embalsamação dos corpos. O uso, comum atual- mente, da tanatopraxia – técnica de maquiar par­- tes do falecido com cosméticos, corantes, enrije­ ce­dores e outros produtos – também é fonte de substâncias para o necrochorume, que pode ainda conter resíduos de tratamentos químicos hospi­ talares (de medicamentos, por exemplo). Os compostos orgânicos degradáveis liberados no processo de decomposição dos corpos esti­ mulam a atividade microbiana no solo sob áreas de se­pultamentos. Também aumentam, no solo, o teor de compostos de nitrogênio e fósforo e o de sais (o que eleva a condutividade elétrica) e o ín- dice de acidez. A contaminação do subsolo O necrochorume proveniente dos cemitérios po­ de contaminar o subsolo se o meio físico local for vul­nerável, o que dependerá de suas características geológicas e hidrogeológicas. O solo pode ser divi­ di­do, de modo simplificado, em duas zonas (figura 3). A zona não saturada (ou de aeração) é compos­- ta de partículas sólidas e de espaços vazios, ocu­ pados por porções variáveis de ar e água. Já a zona saturada é aquela em que a água ocupa todos os es­ paços. O limite entre essas zonas é definido pelo ní- vel do lençol freático. O movimento da água ten­de a ser vertical na primeira e horizontal na segunda. A zona não saturada atua como um filtro, por apresentar um ambiente (solo, ar e água) favorável à modificação de compostos orgânicos e inorgâni- AdaptadodeBraga,2006 Figura 3. A distribuição das águas no solo produz duas zonas distintas, a zona não saturada (ou de aeração), onde o ar penetra nos espaços existentes, e a zona saturada, onde os espaços são preenchidos apenas pela água
  • 6. setembro de 20 09 • Ciência Hoje • 29 G E O L O G I A A M B I E N T A L Sugestões para leitura FÁVERO, F. Medicina legal. Belo Horizonte, Vila Rica Editoras Reunidas, 1991. MANOEL FILHO, J. Hidrogeologia: conceitos e aplicações. Fortaleza, CPRM, 1997. MIGLIORINI, R. B. Cemitérios contaminam o meio ambiente? Um estudo de caso. Cuiabá, Editora da UFMT, 2002. SILVA, L. M. Os cemitérios na problemática ambiental. São Paulo, Sincesp & Acembra, 1995. ser ampliado se as características do solo da área forem desfavoráveis, como permeabilidade redu- zida, distância inadequada em relação ao nível do lençol freático e outras. Risco para a água subterrânea Implantar cemitérios em locais onde as caracterís- ticas geológicas favorecem os fenômenos conser- vativos dos corpos ou reduzem a retenção do con- taminante na camada superficial, e onde o lençol freático é pouco profundo, pode contaminar as águas subterrâneas. Túmulos em ruínas ou com rachaduras, problemas causados principalmente pela compactação do solo, por raízes de árvores e pela negligência dos proprietários, também favo- recem a contaminação dessas águas. Ao estabelecer que o lençol freático deve estar, no mínimo, a 1,5 m do fundo das sepulturas, a resolução do Conama ainda prevê que, se não for possível manter essa distância ou se as condições do solo não forem apropriadas, os sepultamentos devem ser feitos acima do nível natural do terreno, para reduzir o risco de contaminação. A posição do lençol freático, as características do solo e ou- tros aspectos (entre eles as rachaduras nas sepul- turas) influenciam (figura 5) os riscos de contami- nação das águas subterrâneas. Quando o solo apresenta média permeabilidade e alta capacidade de adsorção e retenção do mate- rial argiloso, associada à grande distância até o lençol freático, o necrochorume move-se lentamen- te e as substâncias do contaminante são intercep- tadas na zona não saturada. Essa situação é clas- sificada como de médio risco de contaminação de águas subterrâneas. Se a sepultura estiver abaixo do nível freático, pode ser inundada, gerando uma situação de extremo risco, já que, em geral, os caixões não são impermeáveis. Quando o solo tem elevada permeabilidade, o que permite a infiltração profunda do necrochorume, ou a distância para o lençol freático é inadequada, a situação é de alto risco, porque os contaminantes chegam facilmen- te às águas subterrâneas. Nesses casos, para dimi- nuir a possibilidade de contaminação do aquífero, o sepultamento deve ocorrer acima do nível natu- ral do terreno.    AdaptadosdePacheco,1986 Figura 4. A vulnerabilidade das áreas dos cemitérios à contaminação ambiental depende da estrutura e dos materiais do solo e da posição das covas em relação ao nível freático Figura 5. O risco de contaminação de águas subterrâneas pelo necrochorume formado pela decomposição dos corpos também está associado às características do solo e à distância das covas para o lençol freático. Em casos de alto risco, o sepultamento deve ser feito acima do nível natural do terreno