PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
Silvana Martins Dourado

FORTALEZA
Editora FGF
2007

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

COPYRIGHT ©2007 BY EDITORA GRANDE FORTALEZA
ESTA OBRA OU PARTE DELA NÃO PODE SER REPRODUZIDA POR QUALQUER
MEIO SEM A AUTORIZAÇÃO DO EDITOR.

FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA
Direção Geral
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Direção do Núcleo de Educação a Distância (NEAD)
Marina Abifadel Barrozo
Direção Acadêmica
Paulo Roberto Melo de Castro Nogueira
Coordenação Pedagógica do
Núcleo de Educação a Distância
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Editora Responsável
Renata Peluso de Oliveira
Coordenação de Divulgação Acadêmica
Maria das Graças Freire de Oliveira
Revisão Textual
Tarcísio Cavalcante
Capa
Célio Gomes Vieira
EDITORA GRANDE FORTALEZA - FGF
Av. Porto Velho, 401 - João XXIII-Fortaleza/CE - CEP. 60510040
Tel. (85)3299-990/Fax. (85)3496-4384 email.fgf@fgf.edu.br
Dourado, Silvana Martins
Psicologia da Educação
Fortaleza: Editora Grande Fortaleza FGF, 2007.
76p. 21 cm.
1. Psicologia Escolar 2. Motivação na Aprendizagem 3. Desenvolvimento.
Emocional 4. Desenvolvimento Cognitivo··.

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CDD: 370.15
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

SUMÁRIO
PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
OBJETIVOS DO MÓDULO. ................................................................................................7
UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
TEMA 1 A Psicologia da Educação ....................................................................................8
1.1Introdução.......................................................................................................................
1.2 Conceituação de psicologia e Temas de Estudo Relacionados com a educação ......9
1.2Concepções Psicológicas ..............................................................................................11
1.3 Psicologia da Educação ................................................................................................12
1.4 Contribuição da Psicologia da Educação .....................................................................13
Resumo ...............................................................................................................................14
Auto-Avaliação ....................................................................................................................14
Bibliografia ...........................................................................................................................14
UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
TEMA 2 Psicologia da Aprendizagem ................................................................................15
2.1 Aprendizagem ...............................................................................................................16
2.2 O que é aprendizagem..................................................................................................17
2.2.1 Características da Aprendizagem..............................................................................17
2.3 Elementos fundamentais do processo de ensino-aprendizagem ................................19
2.4 Fique atento às condições necessárias para a aprendizagem (dicas baseadas na
proposta de Ruth Caribe) ....................................................................................................19
Resumo ...............................................................................................................................20
Auto-avaliação .....................................................................................................................20
Bibliografia ...........................................................................................................................21
UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
TEMA 3 Parâmetros sobre o desenvolvimento Humano ...................................................22
3.1 Caracterização da Psicologia do Desenvolvimento .....................................................22
3.2 Psicologia do Desenvolvimento: Aspectos Históricos..................................................23
3.3 Conceito de Psicologia do Desenvolvimento................................................................24
3.4 Metas da Psicologia do Desenvolvimento ....................................................................24
3.5 Importância do Estudo do Desenvolvimento Humano para o Educador .....................25
3.6 fatores que Influenciam o desenvolvimento Humano ..................................................26
3.7 fases do desenvolvimento Humano..............................................................................26
Resumo ...............................................................................................................................28
Auto-avaliação .....................................................................................................................28
Bibliografia ...........................................................................................................................28
UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
TEMA 4 A Psicologia da Adolescência...............................................................................30
4.1 Adolescente..................................................................................................................31
4.2 Duração da adolescência..............................................................................................33
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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

4.3 Etapas de desenvolvimento da adolescência ..............................................................33
4.4 Algumas considerações sobre o adolescente atual .....................................................36
Resumo ...............................................................................................................................38
Auto-avaliação .....................................................................................................................38
Bibliografia ...........................................................................................................................39
UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
TEMA 5 Motivação no Conceito Educacional ....................................................................40
5.1 Definição e natureza do motivo ...................................................................................41
5.2 Teoria de Maslow – A Hierarquia das Necessidades ..................................................41
5.3 Frustração ....................................................................................................................42
5.4 Incentivos .....................................................................................................................42
5.5 Motivação na Escola .....................................................................................................42
5.6 Motivação no Ensino .....................................................................................................43
Resumo ...............................................................................................................................44
Auto-avaliação .....................................................................................................................44
Bibliografia ...........................................................................................................................44
UNIDADE II PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ......................................................................46
TEMA 1 A Aprendizagem para a Abordagem Humanista..................................................47
Apresentação
1.1 Carl Rogers ..................................................................................................................48
1.2 Princípios Básicos da Abordagem Humanista Proposta por Carl Rogers ...................48
1.3 A Teoria Pedagógica (Ensino Centrado no Aluno).......................................................
1.6 Resumo .........................................................................................................................50
Auto-Avaliação ...................................................................................................................50
Bibliografia ..........................................................................................................................51
UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO
DO CONHECIMENTO
TEMA 2 A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL NA EDUCAÇÃO....................................52
2.1 A Psicologia Comportamental......................................................................................53
2.2 Biografia: Skinner .........................................................................................................53
2.3 Pressupostos teóricos ..................................................................................................54
2.3Resumo ..........................................................................................................................57
Auto-Avaliação ...................................................................................................................57
Bibliografia ..........................................................................................................................57

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO
DO CONHECIMENTO
TEMA 3 VYGOTSKY E A EDUCAÇÃO .............................................................................58
3.1 Psicologia Sócio – Histórica..........................................................................................59
3.2 Pressupostos teóricos ...................................................................................................59
Resumo ..............................................................................................................................60
Auto-avaliação .....................................................................................................................61
Bibliografia ...........................................................................................................................61
UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO
DO CONHECIMENTO
TEMA 4 A Epistemiologia Genética de Jean Piaget e suas implicações educacionais ....62
4.1 Piaget e a Educação .....................................................................................................63
4.2 Pressupostos Básicos ...................................................................................................63
4.3 Fases do Desenvolvimento Cognitivo...........................................................................65
4.3.1 Fase Sensório-Motor..................................................................................................65
4.3.2 Fase Pré-Operacional ................................................................................................66
4.3.3 Fase Operacional Concreta .......................................................................................66
4.3.4Fase Operacional Formal............................................................................................66
Resumo ...............................................................................................................................67
Auto-avaliação .....................................................................................................................67
Bibliografia ...........................................................................................................................67
UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
TEMA 5 Educação Inclusiva ..............................................................................................69
5.1 Sociedade e Exclusão ..................................................................................................70
5.2 Distinção entre Diferenças e Deficiências ....................................................................71
5.3 Conceitos e Principais Terminologias...........................................................................71
Resumo ..............................................................................................................................72
Auto-avaliação ....................................................................................................................72
Bibliografia ..........................................................................................................................74

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO

Objetivos do Módulo
•

O presente módulo tem como objetivo contribuir para a compreensão e explicação
dos processos do desenvolvimento do educando e a conseqüente interferência
destes no processo ensino-aprendizagem.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE I
TEMA 1
A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
Objetivo
•

Favorecer a compreensão sobre o processo de aprendizagem, sobretudo ao que
diz respeito à dimensão afetiva do ser humano.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

1.1 Conceituação de Psicologia e temas de
estudos relacionados com a educação
Para os gregos, psicologia seria conceituada a partir da derivação das duas
palavras psyché e logos _ a primeira significa alma, mente e a outra, estudo _ “estudo da
mente ou da alma”. No entanto, a Psicologia não se dedica ao estudo da alma, não se
interessa em saber se ela existe ou não. É claro que, entre os psicólogos, podem existir
os que acreditam ou os que não acreditam, os que são religiosos e os que em nada
acreditam!

Psicologia – ciência que se dedica ao estudo do homem.
O objeto da psicologia é o homem.

Atualmente, concebemos psicologia como uma ciência que se dedica ao estudo do
homem. Significa se utilizar um método para conhecer o seu objeto profundamente. “O
método científico deseja superar as afirmações superficiais do senso comum, através da
observação atenta e controlada dos fenômenos psicológicos com o intuito de realizar
conclusões abrangentes a respeito deles”.
O objeto da psicologia é o homem. Ela não é a única a ter esse privilégio de
investigá-lo; outras ciências também têm o homem como objeto. É o caso da sociologia,
da biologia, da história. Cada uma delas observa o ser humano sob um determinado
prisma. Por exemplo: a biologia dedica-se ao estudo do funcionamento dos seres vivos e
das leis da vida. A psicologia é muito próxima da biologia, chegando a necessitar dela,
mas esse não é o aspecto dos seres humanos que a psicologia prioriza. Embora o objeto
seja o mesmo, o foco da psicologia é a subjetividade humana.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Importante!
A subjetividade é um dos temas mais importantes da psicologia. Significa as
características peculiares de cada pessoa.
Tenha atenção ao exemplo:
Dois irmãos gêmeos, que freqüentaram os mesmos ambientes, assistiram a filmes
violentos juntos. Um tornou-se mais inclinado a impulsos agressivos, enquanto o outro
teve, no filme, um momento de alivio dos seus impulsos destrutivos.
Assim podemos compreender que cada pessoa tem uma capacidade diferente de
pensar o mundo, reagir a determinados eventos, de superar obstáculos; é o seu jeito de
ser.
Compreendeu o que é subjetividade? É o que nos torna diferentes dos outros, pois
é algo que nos pertence, o que é próprio dos seres humanos.
A subjetividade é singularidade, que não é inata à pessoa; é formada gradualmente
através da sua interação com o mundo, intermediada pelas relações sociais.
A subjetividade é uma condição exclusiva dos seres humanos e, portanto, é uma
formação social e histórica.
A psicologia, portanto, é uma ciência que se dedica ao estudo da subjetividade por
meio dos processos psicológicos (por exemplo: memória, criatividade, inteligência,
sentimentos, imaginação).
Para darmos seguimento ao tema achamos importante fazer a diferenciação entre
o Psicólogo, o Psiquiatra e a Psicanalista. Na maioria das vezes, encontramos dúvidas
entre o público leigo a respeito da atuação destas profissões.
Psicólogo é o profissional que finalizou o curso de psicologia que tem a duração
média de cinco anos. O curso de Psicologia forma bacharéis, psicólogos e licenciados.
São atribuições adstritas ao Psicólogo a realização de psicoterapia, aplicação e análise
dos testes e elaboração de laudos psicológicos. Seu campo de atuação engloba diversos
setores, tais como: educação, saúde, justiça, esporte, organizações, comunidades etc.,
sempre baseando seu trabalho no respeito e na promoção da igualdade e da dignidade
humana.
Já o Psiquiatra é o profissional que concluiu o curso de medicina e fez sua opção
de especialização em psiquiatria. Seus estudos incluem a experiência de aprendizagem
como residentes em unidade de saúde mental, como hospital ou centro de atenção
psicossocial.
Cabe ao psiquiatra diagnosticar, tratar e prescrever medicamentos para os
transtornos mentais quem envolvam alterações bioquímicas. Em comparação com o
psicólogo, ele dedica mais tempo de sua formação nos casos considerados graves
(esquizofrenia, transtornos do humor, entre outros).
O psicanalista pode ser psicólogo ou psiquiatra desde que tenha realizado sua
formação por meio do tripé análise pessoal, supervisão e estudo sob a perspectiva da
teoria psicanalítica criada por Sigmund Freud.
Agora que você tem o conhecimento sobre o conceito de Psicologia e sobre um dos seus
temas de estudo, podemos seguir, não é?
O próximo passo é reconhecer as concepções psicológicas e suas repercussões para
a escola.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

1.2 Concepções Psicológicas
Comumente procuramos explicar o motivo pelo qual o aluno não efetivou sua
aprendizagem da maneira esperada; lançamos hipóteses para explicar o que pode ter
acontecido. São exemplos de algumas:
“Ele não estava amadurecido suficiente para aprender o
conteúdo”;
“É provável que seu ambiente familiar não proporcione a
aprendizagem”;
“Ele pode ter herdado a dificuldade para estudar de seus
pais ou tenha algum problema genético”.
As nossas explicações se baseiam na forma em que
compreendemos o mundo e o homem. Ou seja, o nosso
trabalho pedagógico depende diretamente da visão de homem
e de mundo que temos. Tais visões são chamadas também de
concepções.
A Psicologia e qualquer outra área de conhecimento
constroem concepções. A forma de compreender o homem e o
mundo faz parte da nossa forma de viver, de realizar nossos
objetivos, de estabelecer contatos e trabalhar. Vamos conhecer
as concepções inatista-maturacionista, comportamental e a
interacionista.
Concepção inatista-maturacionista
Parte do princípio de que os fatores hereditários ou de maturação são os mais
importantes para o desenvolvimento da criança. Acredita que as capacidades humanas já
se encontram determinadas de forma hereditária e não se modificam mesmo com a ação
do ambiente ao longo da vida.
Algumas características:
Seriam herdados dos pais os pensamentos, as emoções, personalidade, inteligência
e aprendizagem;
Tem como principais representantes Binet (elaboração dos Testes de QI) e Gesell
(Escalas de Desenvolvimento);
Contribuições para a educação:
A educação tem a função de aperfeiçoar as características geneticamente herdadas
do indivíduo;
O desenvolvimento biológico e sua maturação são vistos como requisitos
fundamentais para o aprendizado;
A escola deve ser estruturada em etapas progressivas, que corresponda à
maturação do indivíduo.
Concepção comportamental:
Parte do princípio de que as ações e as habilidades do indivíduo são determinadas
por suas relações com o meio em que se encontram.
Algumas contribuições:
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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Identifica o indivíduo como um ser passivo, que recebe influências do ambiente. Ele
é o que seu ambiente determina;
Representantes: Watson e Skinner.
Contribuições para a Educação.
Ênfase no planejamento do ensino;
Uso de reforços (notas, prêmios, elogios);
Concepção interacionista:
Acredita na inter-relação dos fatores biológicos com os estímulos ambientais.
Considera que os dois elementos: o biológico e o social, não podem ser dissociados e
exercem influência mútua.
Algumas características:
O homem se constrói a partir das interações que estabelece com o meio (objetos ou
pessoas);
Representantes: Piaget e Vygotski;
O homem é um sujeito ativo em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem.
Contribuições para a Educação:
Explicação sobre o processo de aquisição do conhecimento;
Importância das interações como promotoras de transformação.
Mais adiante iremos conhecer as contribuições da concepção interacionista para a
Psicologia e a Educação.
O próximo item se refere à área da Psicologia que muito tem contribuído para a
compreensão do espaço escolar.

1.3 Psicologia da Educação
Se nós pudéssemos entrar na máquina do tempo e estivéssemos dispostos a
retornar aos séculos passados, iríamos perceber vivências que hoje achamos que nem
existem mais. Poderíamos presenciar a situação de não existir eletricidade? carros? Nem
pensar!
Imagine ser testemunha de uma época em que não existiam escolas. Educar
significava uma interação profunda com a comunidade; era compreender e participar das
tradições do local pela transmissão da experiência dos mais velhos.
A educação tinha outro valor. Não estava aprisionada no espaço determinado e não
era feita por especialistas. E quem eram os “mestres”, os “doutores do saber?” Quem
educava quem? Todos os adultos educavam a partir da troca de suas experiências com
os outros. “Aprendia-se fazendo, o que tornava inseparáveis o saber, a vida e o trabalho”.
Ao retornarmos da viagem, provavelmente, estivéssemos impressionados com o
estilo da sociedade que fora visitada.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

A sociedade tem o compromisso em ensinar, em repassar
seus valores e suas tradições.
Cometeríamos um grave erro se achássemos que isso não existe mais (evidente
que fazendo as devidas correções). O que chamo a atenção é para o compromisso que a
nossa sociedade tem em ensinar, em repassar seus valores e suas tradições. Não
aprende apenas mediado por professores nas escolas. A família, os amigos, as
experiências, os meios de comunicação, a igreja, a VIDA! Educam (como na sociedade
da máquina do tempo). A Escola é uma instituição que tem a função de educar
sistematicamente as pessoas. Mas não é a única.
A Psicologia da Educação se interessa por todas as oportunidades em que se
estabelecem transmissões de conhecimentos. Como a escola é onde as trocas de
conhecimento teórico são permeadas pelas intensas interações sociais e múltiplas
diversidades de comportamentos e de valores, a Psicologia Educacional tem um campo
de atuação vasto, o qual tem se dedicado a transformá-la num local favorecedor de
desenvolvimento e aprendizagem harmônico.

1.4 Contribuição da Psicologia da Educação
A Psicologia da Educação tem contribuído englobando dois pontos fundamentais:
A compreensão do papel do aluno;
A compreensão do processo ensino-aprendizagem.
PILLETI (2001) considera sobre o papel do aluno:
“Compreensão de suas necessidades, suas características
individuais e seu desenvolvimento, no aspecto físico, emocional,
intelectual e social. O aluno não é um ser ideal, abstrato. É uma
pessoa concreta, com preocupações e problemas, defeitos e
qualidades. É um ser em formação, que precisa ser compreendido
pelo professor e pelos demais profissionais da escola, a fim de que
tenha condições de desenvolver-se de forma harmoniosa e
equilibrada”.
Fonte da imagem: www.vila.org.br/revista_vila
_21/alfabetizacao.htm
A aprendizagem é um fator que contribui para tornar mais eficiente o ensino.

13
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

O conhecimento sobre como se processa a aprendizagem é um fator que contribui
para tornar mais eficiente o ensino. Assim o professor poderá identificar quais as
possíveis falhas ou os pontos fortes que contribuem na aprendizagem.
É importante que o professor também tenha o conhecimento de seu papel no processo de
ensino-aprendizagem para que possa realizar sua tarefa de maneira eficiente. Este
assunto será abordado com profundidade nos próximos temas.

Resumo
A Psicologia é uma ciência que estuda a subjetividade humana.
Estudamos as concepções psicológicas, vimos que a visão de homem e de mundo
que temos são determinantes em nossas atitudes. Identificamos as características
básicas das concepções, seus representantes e influências na escola.
A Psicologia da Educação representa uma parte da Psicologia que se dedica aos
processos envolvidos no ensinar e no aprender. A Psicologia da Educação focaliza seus
estudos em duas bases: a primeira refere-se ao papel do aluno e a segunda, à
compreensão do processo ensino-aprendizagem.

Auto-Avaliação
1. Nas afirmações abaixo, marque com V as alternativas corretas e F para as falsas.
( ) a Psicologia é considerada uma ciência que estuda os processos internos dos seres
humanos, entre eles a subjetividade;
( ) a concepção interacionista pouco valoriza o meio;
( ) a compreensão do papel do aluno é fundamental para a Psicologia Educacional.
2. Apresente exemplos (02) do seu cotidiano em que surgiram situações relacionadas à
subjetividade humana em Psicologia.
3. O que estuda a psicologia educacional?
4. Como a Psicologia pode ajudá-lo a observar e compreender as pessoas a seu redor,
em especial seus alunos.
5. Como você compreende a influência do ambiente no desempenho de seus alunos e o
seu como educador? Você conhece a história de vida de seus alunos? Como você pode
modificar o contexto social deles?

Bibliografia
ANTUNES, M.A.M. A Psicologia no Brasil. São Paulo: Unimarco e Educ, 1999.
BOCK, A M. B. & outros. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13.
Ed.São Paulo.Saraiva, 2000.
COUTINHO, M.T.C. & MOREIRA, M. Psicologia da Educação. Ed.Lê. 2001.
FONTANA, R.& CRUZ, N. Psicologia e o Trabalho Pedagógico. São Paulo.Atual
Editora, 1997.
MOREIRA, P. R. Psicologia da Educação. Interação e identidade. São Paulo: FTD,
1996.
MUSSEN, P. H. e outros. Desenvolvimento e Personalidade da Criança. São Paulo:
Harbra Ltda, 1995.
OLIVEIRA, Z. & DAVIS, C. Psicologia na Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática, 1999.
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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE I
TEMA 2
PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM
Objetivos
•

Reconhecer o campo de atuação da Psicologia da educação presente no processo
ensino-aprendizagem e suas implicações no trabalho pedagógico.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

2.1 Aprendizagem
Cada momento em nossas vidas é uma experiência única, que não se repete. Por
mais que a rotina tente tornar nosso dia -a -dia previsível, o resultado ao final nunca será
igual.

Fonte da imagem - http://www.ic.sunysb.edu/Stu/bosulliv/classroom.gif
Torne os conteúdos escolares aparentemente
distantes da realidade dos alunos em algo significativo

O mesmo acontece com a Aprendizagem. Em todos os momentos podemos
aprender algo novo, diferente do que sempre foi feito anteriormente, mas determinados
assuntos são aprendidos de uma só vez, sem necessidade de repetições e que são
inesquecíveis.
Quem não se recorda, por exemplo, do seu primeiro dia de aula, ou então, quando
seu filho falou as primeiras palavras, ou quando foi duramente repreendido na infância
pelos seus pais? Por que tais eventos raramente são esquecidos? O que ocorre com os
alunos quando achamos que o conteúdo foi aprendido e, passados alguns dias, nada ou
pouco sabe sobre o referido conteúdo?
Ao assumirmos o papel de professor procuramos propor novos exercícios, outras
fontes de literatura, aulas-passeio, exemplos, exercícios e métodos diferentes para
transformar os conteúdos escolares em algo mais interessante para os nossos alunos.
Por isso, encontrar a fórmula correta para tornar os conteúdos escolares
aparentemente distantes da realidade dos alunos em algo significativo não é tarefa fácil.
Boa parte do sucesso na transmissão do conhecimento e na elaboração da
aprendizagem do aluno depende da colaboração do professor, pois este é um conhecedor
das peculiaridades dos seus estudantes assim como do processo que envolve o
aprender.

16
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

2.2 O que é aprendizagem?
“Aprendizagem é a progressiva mudança do comportamento que está ligada, de
um lado, a sucessivas apresentações de uma situação e, de outro, a repetidos esforços
dos indivíduos para enfrentá-los de modo eficiente”. (McConnell)
“A aprendizagem é uma modificação na disposição ou na capacidade do homem,
modificação essa que pode ser anulada e que não pode ser simplesmente atribuída ao
processo de crescimento”. (Gagné)
“Normalmente, Consideram-se como aprendidas as mudanças de comportamento
relativamente permanentes, que não podem ser atribuídas à maturação, lesões ou
alterações fisiológicas do organismo, mas que resultam da experiência” (Sawrey e
Telford).
“A aprendizagem: um processo contínuo, individual, cumulativo e integrativo”.
(Drouet)
Aprendizagem é um processo de transformação do
sujeito, de modificação de sua forma de pensar e
agir frente ao mundo. Aprender significa mudar. É
um feitiço que provoca no sujeito uma múltipla visão
das coisas, onde todo o corpo está envolvido.

É fantástico aprender e ser agente de promoção da
aprendizagem de outras pessoas.

2.2.1 Características da aprendizagem
Conclusões retiradas a partir da reflexão das conceituações mostradas acima:
• Aprendizagem significa mudanças no comportamento. Somente quando
existem de fato modificações no padrão do comportamento é que podemos dizer que
houve aprendizagem, pois o simples ato de repetir comportamentos já incorporados
anteriormente não significa estarmos aprendendo.
• Aprendizagem é a modificação de comportamentos resultantes da
experiência. “Quase todos os nossos comportamentos são aprendidos, mas não todos.
Há comportamentos que resultam da maturação ou do crescimento de nosso organismo
e, portanto, não constituem aprendizagem: respiração, digestão, salivação”. (Nelson
Piletti).

17
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

• A aprendizagem pode ser caracterizada por ser gradual. Isto é, aprendemos
aos poucos durante nossa existência. Assim ela pode ser considerada como um processo
contínuo, constante. Cada pessoa tem um ritmo de aprendizagem que lhe é peculiar, o
qual associado a seu esquema de ação irá formar sua individualidade.
• A aprendizagem como processo individual. Por razão da individualidade no
processo de aprender é que algumas pessoas são mais rápidas do que outras. O
processo de aprendizagem, como é pessoal, não pode sob nenhuma hipótese ser
transferido a outras pessoas; podemos assim considerar que a aprendizagem é um
processo pessoal, individual, isto é, tem fundo genético e depende de alguns fatores:
Dos esquemas de ação inatos do indivíduo; do estágio de maturação de seu
sistema nervoso; do seu tipo psicológico constitucional (introvertido ou extrovertido); de
seu grau de envolvimento, seu esforço e interesse.
• O fator cumulativo da aprendizagem. As novas aquisições aprendidas
dependem das nossas anteriores que funcionam como pré-requisitos para as
aprendizagens posteriores. Por esse motivo é que consideramos que a aprendizagem é
um processo cumulativo, ou seja, cada nova aprendizagem agrega-se ao repertorio de
conhecimentos e de experiências do indivíduo, construindo assim, sua bagagem cultural.
• Processo integrativo da aprendizagem. O processo de acumular
conhecimentos é extremamente dinâmico, pois a cada nova aprendizagem o sujeito
reorganiza suas idéias, estabelece relações entre as aprendizagens anteriores e as
novas; trata-se, assim, de um processo integrativo e dinâmico.
O processo de aprendizagem é de extrema importância aos homens, pois, graças
a ela, podemos modificar nosso comportamento e nossa maneira de compreender a
realidade.
Não esqueça!!
Compreender como a aprendizagem se efetiva no ser humano é um desafio a
educadores, a psicólogos, aos pais ou a qualquer pessoa interessada no desenvolvimento
humano, pois é através da aprendizagem que o homem se afirma como ser social, crítico
e racional, forma sua personalidade e se organiza para desenvolver um papel na
sociedade.
Para enriquecer seus conhecimentos sugiro que leia o texto do Rubem Alves
Sobre Moluscos e Homens que foi publicado na Folha de S. Paulo, (Tendências e
Debates,
em
17/02/2002)
disponível
no
site
http://www.rubemalves.com.br/sobremoluscosehomens.htm e faça uma reflexão
sobre a aprendizagem no ambiente escolar.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

2.3 Elementos fundamentais do
processo de ensino/aprendizagem
A aprendizagem, como parte de um processo social de comunicação – a
Educação -, apresenta os seguintes elementos:
Comunicador ou emissor é o transmissor das mensagens, cujo papel é ativo no
processo educativo; para tal deve estar motivado e ter pleno conhecimento da mensagem
que irá transmitir a seus alunos;
Mensagem é o conteúdo a ser transmitido aos alunos. É importante destacar que a
mensagem deverá ser de acordo com as características do educando;
Receptor é quem recebe a mensagem;
Meio ambiente que são os meios escolares, familiares e sociais, locais onde se
efetiva o processo de ensino/aprendizagem. O meio deve ser favorecedor e estimulante
para a ocorrência de aprendizagem satisfatória.
Importante!
A aprendizagem depende da interação entre os quatro elementos: receptor, emissor,
mensagem e do meio. Se houver falha em um desses a aprendizagem fica comprometida.

2.4 Fique atento as condições necessárias
para a aprendizagem
(dicas baseados na proposta de Ruth Caribé)
Para que a aprendizagem se efetive é necessário que pelo menos sete fatores
existam. A todos esses elementos, Bruner chamou de prontidão para a aprendizagem.
São eles assim caracterizados:

Saúde física e mental, motivação, prévio domínio, etapa de
desenvolvimento, múltiplas inteligências, concentração, memória
Fonte da imagem: adaptado de - www.ciberiglesia.net/educacion.htm

19
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

1. Observe a saúde física e mental dos alunos. Perturbações na área física como
na psicológica interferem significativamente na aprendizagem. Perceba cada aluno
individualmente e fique atento a sua mudança de comportamento e/ou humor. Eles
poderão ser o motor gerador dos problemas de aprendizagem.
2. Pode-se considerar que uma pessoa que deseja aprender tem uma maior
probabilidade em adquirir conhecimentos, habilidades ou técnicas. A motivação é, sem
duvida, a mola propulsora da aprendizagem. Na sala de aula, o uso de jogos bem
populares aos alunos para ensinar matemática, por exemplo, pode trazer resultados
surpreendentes. Mas tenha o cuidado para não perder o objetivo: é preciso despertar a
motivação do aluno ao conteúdo.
3. Valorize os conhecimentos, habilidades e experiências anteriores dos alunos. O
prévio domínio é essa bagagem cultural que formamos diante de nossa relação com
meio, experiências vivenciadas, etc.
4. Respeite a etapa de desenvolvimento dos alunos. Tenha a atenção para não
fazer exigências que vão além das capacidades neuro-físico-psico para realizá-las.
5. Estimule as múltiplas inteligências. A nova tendência é compreender a
inteligência como a capacidade para assimilar novos conteúdos e compreender as
informações recebidas; de estabelecer relações entre as informações; é também a
capacidade de criar e inventar coisas novas; capacidade de raciocinar de maneira lógica
na resolução de problemas.
6. Promova condições para melhorar a capacidade de concentração em um
determinado assunto nos alunos. Quanto maior a capacidade do indivíduo se concentrar
no objeto de conhecimento, maior sua facilidade para aprender.
7. A Memória é um dos fatores da inteligência, o qual se refere aos variados
processos (codificação, armazenamento e recuperação) e estruturas envolvidas no
armazenamento e recuperação de informações. Favoreça a motivação utilizando recursos
como a música, teatro, dança, desenho. Memorizamos mais rápido e retemos a
informação por mais tempo, quando ela nos mobilizou um envolvimento global.
Resumo
A aprendizagem é uma condição fundamental para a existência do ser humano. A
escola encontra-se envolvida com a mudança de atitudes frente ao mundo. Por isso a
aprendizagem é um valioso assunto a ser estudado pela escola.
A aprendizagem caracteriza-se por ser gradual, individual, transformadora e
modificadora de comportamentos. Para que exista são necessárias 4 condições
fundamentais: meio, mensagem, o receptor e o emissor.
É necessária a existência de sete fatores para ocorrer a aprendizagem: saúde
física e mental, motivação, prévio domínio, as etapas de desenvolvimento, as inteligências
múltiplas, concentração e memória.

Auto-Avaliação
1. Nas afirmações abaixo, marque com V nas alternativas corretas e F para as
falsas.
() duas crianças, estudantes da mesma sala de aula, têm idênticas as suas formas para
aprender;
() qualquer pessoa é capaz de aprender;
() a capacidade de aprender é vital para o ser humano, pois dela depende sua
sobrevivência;
20
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

() o professor deve estar preocupado exclusivamente com a transmissão do conteúdo, e o
aluno com a sua aprendizagem.

Bibliografia
ALENCAR, E.S. (1994). Novas contribuições da psicologia aos processos de ensino
e aprendizagem. São Paulo: Cortez.
BACHRACH, A.J. (1975). Introdução à pesquisa psicológica. São Paulo: EPU.
DOUET, R. C. R. Fundamentos da Educação Pré-Escolar. São Paulo: Editora Ática 1990
GAGNÉ, R.M. (1974). Como se realiza a aprendizagem. Rio de Janeiro: Livros Técnicos
e Científicos.
PFROMM NETTO, S. (1987). Psicologia da aprendizagem e do ensino. São Paulo:
EPU.
PILETTI, N. (2002). Psicologia Educacional. São Paulo: Ática.
SKINNER, B.F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix/Edusp.
WITTER, G.P. E LOMÔNACO, J. F. B. (1987). Psicologia da aprendizagem: áreas de
aplicação. São Paulo: EPU.

21
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE I
TEMA 3
PARÂMETROS SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO

Objetivo
•

Compreender a importância da Psicologia do desenvolvimento para o
planejamento das atividades de sala de aula, especialmente para a construção de
vínculos eficientes entre o educador e o educando.

22
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

3.1 Caracterização da Psicologia do Desenvolvimento
O desenvolvimento humano passa por um processo longo e gradual de
modificações, que englobam desde as características físicas às emocionais. Percebe-se
que cada pessoa tem um ritmo próprio de crescer, estabelecer vínculos e daí estruturar
sua vida.

Cada pessoa só pode ser compreendida se
levarmos em consideração sua individualidade e
sua época.
Fonte da imagem:
http://www.acclaimimagens.com/_galery/ SM/00150304-2620-0535_SM.jpeg

Não podemos analisar a história de vida de uma pessoa sem considerarmos o
contexto em que ela vive. Cada pessoa só pode ser compreendida se levarmos em
consideração sua individualidade e sua época. Uma percepção que tenho de uma criança
nascida no ano de 2000 será bem diferente da que nascerá do mesmo casal no 2020, por
exemplo.
O tempo tem sua dimensão individual e também social, pois cada sociedade tem
sua forma de se organizar, de definir seus papéis e representatividades. Cada sociedade
divide a existência em diferentes etapas.
Na nossa, costumeiramente dividimos em infância, adolescência, idade adulta e
velhice. E para cada uma delas, são definidos comportamentos específicos. Porém não
se tem certeza quando é o inicio e o fim de cada período.
A definição do tempo de início e fim é feita pelo seguimento dos padrões de
comportamento esperado pela sociedade. Por exemplo: o que se espera de um homem
adulto? Ou de uma criança?
Os estudiosos do desenvolvimento humano se interessam em estabelecer uma
relação entre o tempo e a existência do indivíduo, na busca de explicar e descrever as
modificações evolutivas físicas, psicológicas, sociais e cognitivas que ocorrem com os
indivíduos ao longo de suas vidas.

3.2 Psicologia do Desenvolvimento:
Aspectos históricos
Você acha que sempre se pensou a criança e o adolescente tal como hoje? É
claro que não. A preocupação com o estudo da criança é relativamente recente. A noção
de criança, tal como concebemos hoje, não existia antes do século XVII.
A forma pela qual a sociedade ocidental tem tratado a criança tem se modificado
ao longo dos tempos. O modo pelo qual o homem medieval e o moderno conceberam a

23
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

infância modificou-se. A modificação da concepção dos adultos frente à criança surgiu a
partir do século XVII.
Nos séculos X-XI, a criança não era caracterizada por uma expressão diferenciada
e reconhecida pela sociedade. Os adultos mal viam as crianças e pior ainda os
adolescentes.
A fase infantil reduzia-se ao período em que a criança demonstrava fragilidade e
dependência de seus pais ou cuidadores. Quando adquiria algum desembaraço físico, era
levada a compartilhar as atividades dos adultos, inclusive seus trabalhos e diversões.
Nesse sentido não havia o cuidado especial com as peculiaridades das crianças e
dos adolescentes por parte da família e também da sociedade da época.
Foi no século XX que se iniciou efetivamente o estudo científico sobre a criança e seu
comportamento. Desde então são realizadas pesquisas sobre diferentes aspectos infantis.

A modificação da concepção dos
adultos frente à criança surgiu a
partir do século XVII.

As teorizações da Psicologia Infantil, concepção do desenvolvimento psíquico sob o
enfoque psicanalítico, a construção da inteligência proposta por Piaget, o estudo da
interação do desenvolvimento físico e mental proposto por A. Gesel, as pesquisas sobre o
primeiro ano de vida de R. Spitz consolidam, atualmente, a significação da criança como
diferente do adulto, com necessidades diferentes, sentimentos e emoções particulares de
cada idade e, portanto, merecedores de abordagem específica, que apresente em seu
bojo sua situação de desenvolvimento.

3.3 Conceito de Psicologia do Desenvolvimento
É um ramo da Psicologia que tem por objetivo a investigação do processo do como e por
que os indivíduos evoluem durante o ciclo de vida.
O desenvolvimento implica as modificações físicas, cognitivas, psíquicas e neurológicas
que ocorrem de forma relativamente duradoura e ordenada.

3.4 Metas da Psicologia do Desenvolvimento
Os três aspectos da evolução infantil são de importância fundamental para a
compreensão abrangente sobre o processo de desenvolvimento humano. São eles:
a) Compreender as mudanças universais.
O interesse é de identificar mudanças pertinentes em todas as crianças
independentemente da cultura em que viveram ou das experiências que tiveram.
Inicialmente, os pesquisadores do desenvolvimento procuram descrever as mudanças
universais, para posteriormente compreendê-las.

24
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

O conhecimento oportunizado pode esclarecer dúvidas, como por exemplo, quais
os comportamentos normais ou apropriados para diferentes idades, ou se as atitudes
educacionais dos pais têm distintos efeitos nas diferentes idades.
b) Explicar as diferenças individuais.
As informações sobre as diferenças individuais podem esclarecer
questionamentos específicos de cada situação a fim de se poder tomar uma decisão em
prol da criança.
c) Identificar como o desenvolvimento é influenciado pelo contexto ou situação
ambiental.
O ambiente pode influenciar o desenvolvimento do indivíduo designando
oportunidades para que diferentes comportamentos ocorrerem ou influenciando o
comportamento dos pais.

3.5 Importância do Estudo do
Desenvolvimento Humano para o Educador
O estudo do desenvolvimento é bastante útil ao
professor, pois significa conhecer com amplitude as
características de cada etapa do desenvolvimento,
reconhecer suas peculiaridades. Pode-se também,
identificar as preferências, habilidades e limites. Fica
mais fácil observar e interpretar os comportamentos.
Esses dados são interessantes para que o
educador construa seu planejamento baseado no o
que e no como ensinar. Conhecer o desenvolvimento
dos alunos e, em especial, seu processo de
aprendizagem sempre ajuda ao professor a refletir
sobre sua prática e compreender seu papel como
facilitador.
O trabalho em sala de aula torna-se atraente
para motivar o aluno e conseqüentemente, a
aprendizagem se consolida de forma mais
significativa e prazerosa.

25
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

3.6 Fatores que Influenciam o Desenvolvimento Humano
O desenvolvimento humano sofre influência dos seguintes fatores: a
hereditariedade, o crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica e o meio.
• Hereditariedade:
Refere-se à carga genética herdada dos pais, que podem se desenvolver ou não.
• Crescimento orgânico
É representado pelo aspecto físico.
• Maturação neurofisiológica
Traz a possibilidade de executar padrões de comportamento.
• Meio
São estimulações ambientais de que sofremos influência.
Importante:
Estes fatores se encontram em interação constante e afetam todos os aspectos do
desenvolvimento humano.

3.7 Fases do Desenvolvimento Humano
Cada etapa tem suas características peculiares que envolvem o indivíduo como
um todo desde seus aspectos físicos aos cognitivos e emocionais, embora as etapas do
desenvolvimento humano envolvam as seguintes fases: lactência, pré – escolar, escolar,
adolescência, adulta e velhice. Neste tema apenas nos deteremos nas três primeiras
etapas; pois os assuntos referentes ao desenvolvimento do adolescente serão
aprofundados no próximo tema.
•

Primeira Infância ou Lactência:

A primeira infância abrange o período do
desenvolvimento que vai do nascimento aos dois
anos de idade, aproximadamente.
Existem diferenças fundamentais em cada uma
das crianças como, por exemplo, o peso, o tamanho
e o ritmo de crescimento. Ao nascer, o bebê tem
cerca de aproximadamente 3 kg a 3,5 kg e mede
cerca de 50 centímetros de altura. Estamos
informando dados aproximados, está certo?
Ao nascer, o bebê tem que enfrentar uma série
de modificações advindas do ambiente. Imagine que
ele estava convivendo em um ambiente
extremamente acolhedor, que a temperatura se
mantinha sempre quentinha, não havia fome, não existiam luzes intensas e o som
chegava fraquinho devido ao liquido amniótico. Um paraíso!! Inclusive alguns teóricos
psicanalistas sustentam a tese de que o primeiro trauma humano é o do nascimento.
Vamos conhecer algumas dessas modificações:

26
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

•

•
•

Temperatura. Como já comentamos no parágrafo anterior, o feto na vida intrauterina, se acostuma com uma temperatura elevada do corpo materno. Ao nascer,
o organismo do bebê procura se ajustar às variações ambientais de temperatura;
Respiração. Após o corte do cordão umbilical, o bebê vai ter que respirar por sua
própria conta pelo resto de sua vida.
Atividade de sucção e deglutição. Nos primeiros meses esses reflexos
assumem um papel primordial para obter a tal nutrição e, por conseguinte, sua
sobrevivência.

Eliminação de produtos excretórios. Na vida intra-uterina, o feto realiza a eliminação
através do cordão umbilical. Quando nasce, essa eliminação é feita pelos órgãos do bebê,
e naturalmente requer ajustamento orgânico e aprendizagem.
Para Piaget o bebê ao nascer até os dois anos de idade, aproximadamente está na
primeira fase do desenvolvimento cognitivo, a sensório - motor. Nesta fase a criança
aprende através de suas ações e de seus movimentos sobre o meio;
Do ponto de vista do desenvolvimento emocional segundo Erik Erikson um aspecto a
se considerar neste período é o da confiança básica. A confiança se estabelece quando
os pais apresentam à criança uma certeza de que será atendida assim que seja
necessário. A regularidade e a qualidade da atenção manifestada pelos cuidadores
promovem na criança a expectativa agradável e segura de que será atendida. Ela adquire
um sentimento de confiança nos adultos, mesmo que estes não se façam presentes, na
ocasião.
Percebemos quando a criança estabelece esse sentimento de confiança básica,
quando consegue deixar sua mãe sem sentir ansiedade.
Quando os cuidadores não conseguem passar o sentimento de confiança, não
satisfazendo às necessidades da criança de forma adequada, ela começa a perceber o
mundo de forma ameaçadora, não confiável. Os pais se mostram muito impacientes ou
hostis não oferecendo a atenção às necessidades da criança. Os sentimentos de raiva,
abandono, isolamento e ansiedade são inevitáveis e serão posteriormente estendidos a
outras situações / pessoas do mundo.
A confiança básica se desenvolve como uma conseqüência natural da vivência de um
clima emocional favorecedor de crescimento que nutrem as possibilidades de desenvolver
na criança uma personalidade segura e saudável.
O desenvolvimento social do bebê é basicamente seu envolvimento com os adultos de
sua família, especialmente com seus pais. Embora muitas vezes possamos encontrar
crianças brincando, não existe entre elas o sentimento de amizade, de estarem juntas.
Nesse período a tarefa básica é o reconhecimento de si e da realidade que a circula.
Elas se sentem como os elementos mais especiais e mais atrativos do mundo.
•

Fase Pré-escolar

Este período também é conhecido por Segunda Infância e, para finalidades
didáticas, esse período compreenderá as idades de dois aos seis anos,
aproximadamente. Sem dúvida é um dos períodos mais fascinantes do Desenvolvimento
Humano. É etapa marcada pela ansiedade por descobertas, na qual todas as novidades
assumem um caráter de onipotência.
Logo após os dois anos de idade a criança ostenta uma postura mais ativa frente
ao mundo e às pessoas. Ela agora já possui uma consciência de si mesma, compreende
que é diferente das outras pessoas e dos objetos. Sua sina é conhecer o mundo que a
rodeia para descobrir o tipo de pessoa que poderá tornar-se.

27
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

O mundo da fantasia rege a criança por todos os instantes, em todas as suas
atividades. A fantasia possibilita à criança a realizar situações impossíveis na realidade.
Na brincadeira, a criança pode junto a outras crianças ensaiarem novos papéis
sociais que posteriormente irá assumi-los. Nas gostosas brincadeiras de casinha, de
bonecas, de professor, de carrinhos, motorista etc. oferece vivências que, indiretamente,
ela está usando na aprendizagem do respeito às normas e no conceito de justiça. Assim,
a criança está se preparando para conviver de forma agradável e divertida com o mundo
que ela está começando a conhecer.
É um poderoso recurso para o desenvolvimento da capacidade criativa, além de
ser um recurso de comunicação simbólica na qual a criança expressa seus sentimentos
de culpa, suas idéias, suas emoções e aspectos importantes de sua realidade. De um
instante, uma caixa de sapatos pode se tornar um fogão, pouco tempo depois, ela
ressurge como um carro, e essas possibilidades não têm limites, a não ser o da
imaginação da criança. A imaginação ultrapassa a barreira do tempo, do espaço e da
realidade.
Fase Escolar (dos 7 aos 12 anos de idade)

A fase escolar vivencia o
estágio das operações concretas.

A criança na fase escolar apresenta um conjunto de características consideráveis
em todo a sua forma de ser. As mudanças atingem o seu comportamento, sua linguagem,
seu relacionamento interpessoal e a sua qualidade se raciocínio. É o período marcado
pela entrada das crianças no processo escolar.
O crescimento físico desta fase é consideravelmente mais lento que as demais,
porém as diferenças corporais sexuais começam a serem definidas mais claramente.
Do ponto de vista do desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget, o escolar
vivencia o estágio das operações concretas. Seu pensamento é capaz de realizar
interpretações valorizando vários pontos de vista tornando o jovem mais competente para
compreender a realidade de forma mais objetiva e clara permitidas pela aquisição das
capacidades de reversibilidade e a associação em decorrência da diminuição do
egocentrismo e da fantasia.
Na fase escolar as amizades e a escola desempenham um papel relevante. A
escola oferece a oportunidade de lidar com figuras de autoridade complementar aos
papéis de valores e ética dos familiares.
O término desta etapa é representado pela puberdade, que apesar de curta é de
fundamental importância no processo evolutivo, pois é nela que ocorrem as
transformações corporais mais expressivas na história do indivíduo. A puberdade se
caracteriza por uma série de modificações estruturais e fisiológicas. O fator mais
representativo do ponto de vista fisiológico é o amadurecimento sexual resultante das
funções hormonais. Tais transformações repercutem no indivíduo como um todo, inclusive
corroborando as conseqüências psicológicas.

28
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Para ampliar seus conhecimentos assista ao vídeo sobre esta etapa evolutiva do
desenvolvimento.

Resumo
A Psicologia do Desenvolvimento é uma área da Psicologia que se dedica à
compreensão do como e do por que se efetiva o processo da evolução humana.
Seu estudo é fundamental ao professor, pois a compreensão das características
dos indivíduos nas diferentes etapas de sua vida permite a adequação dos conteúdos a
serem ministrados e estratégias pedagógicas eficientes.
As metas da psicologia do desenvolvimento são: compreender as mudanças
universais, explicar as diferenças individuais e identificar como o desenvolvimento é
influenciado pelo contexto ou situação ambiental.
O desenvolvimento humano sofre influência dos seguintes fatores: a
hereditariedade, o crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica e o meio. Estes
fatores se encontram em interação constante e afetam todos os aspectos do
desenvolvimento humano.
Os aspectos do desenvolvimento são quatro: Físico-motor, Intelectual, AfetivoEmocional e Social. A divisão dos aspectos se efetiva diante da necessidade didática.
As fases do desenvolvimento humano são as seguintes: pré - natal, lactência, préescolar, escolar, adolescência, adulta e terceira idade.

Auto-avaliação
1. Marque com V as alternativas verdadeiras e com F as falsas nas sentenças abaixo:
O desenvolvimento é caracterizado pela evolução existente no ser humano do nascimento
até a adolescência. ( )
Os aspectos do desenvolvimento são o físico-motor, emocional, social e cognitivo. ( )
A hereditariedade é a principal responsável pelo desenvolvimento futuro do indivíduo. ( )
O interesse pelo estudo sobre o desenvolvimento humano é considerado recente entre os
cientistas. ( )
2. Como você, professor, percebe que mudanças emocionais afetam a aprendizagem dos
jovens na idade escolar?
3. Após a leitura deste tema qual a sua definição sobre o desenvolvimento humano?
4. Como as fases pré – escolar e escolar são compreendidas pela sua comunidade e na
escola? Justifique seu posicionamento.

Bibliografia
BADINTER, E. (1992). Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira.
BEE, H. (1996). A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas.
BEE, H. (1997). O ciclo vital. Porto Alegre: Artes Médicas.
BOWLBY, J. (1987). Apego. São Paulo: Martins Fontes.
29
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

BRAZELTON, T.B., CRAMER, B., KREISLER, L., SCHAPPI, R. & SOULÉ, M. (1987). A
dinâmica do bebê. Porto Alegre: Artes Médicas.
ERICKSON, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar.
MUSSEN, P.H., CONGER, J.J. & KAGAN, J. (1977). Desenvolvimento e personalidade
da criança. São Paulo: Harper & How.
PINKUNAS, J. (1979). Desenvolvimento humano. São Paulo: McGraw-Hill.

30
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE I
TEMA 4
PSICOLOGIA DA ADOLESCÊNCIA
Objetivo
•

Promover a reflexão sobre as diversas facetas que envolvem a fase da
adolescência

31
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

4.1 Adolescente
Etimologicamente,
a
palavra
adolescência tem origem do verbo latino
adolescere, que representa o crescer ou o se
desenvolver até a maturidade. O psicólogo
americano Stanley Hall criou o primeiro
conceito de Adolescência, em 1904.
É considerado um período de
transição entre a infância e a fase adulta.
Historicamente, a mudança da fase da
infância para a idade adulta era evidenciada
por rituais de passagem. Em todas as
sociedades existem rituais para a idade
adulta. Os rituais serviam para avaliar as possíveis condições do jovem para enfrentar as
responsabilidades dos adultos.
Vamos conhecer a evolução de alguns ritos de passagem para a adolescência ao
longo da história da humanidade:
•

Na Antiguidade Clássica

O jovem grego adquiria status se passasse pelo rito de passagem: um período de
aprendizagem com um mestre e discípulo.
•

Idade Média

Deixar de ser criança, significava ser ordenado cavaleiro. Fato que acontecia por
volta dos 15 anos de idade, época em que recebia armas, cavalo de combate e armadura
para os torneios.
•

No Século XVII

A iniciação na vida adulta se dava pelo ingresso do jovem no serviço militar. No
entanto, os trabalhos na agricultura e nas manufaturas eram iniciados desde cedo.
•

Entre os séculos XVIII e XIX.

A passagem do jovem para a fase adulta era feita após a primeira desilusão
amorosa.
•

Década de 50

Nos Estados Unidos a adolescência passa a ser considerada um status social. As
oportunidades de ingressar uma faculdade e consumir para o jovem eram crescentes.
•

Década de 60

32
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Neste período ser adolescente significava rebeldia. As musicas da época
relatavam sobre drogas, política, economia e sexualidade. Os adolescentes tinham com
sonho de consumo morar sozinho.
•
se.

Década de 80

A rebeldia se fragmenta em tribos, cada uma com um estilo próprio de comportar-

•

2000, a geração plugada

A marca registrada desta geração é seu envolvimento com a tecnologia. As
informações tecnológicas dominam as relações, comportamento e pensamento.

4.2 Duração da adolescência
O tempo de permanência da adolescência tem se modificado ao longo da historia
como também estar sujeito à cultura.
Nas sociedades industrializadas, o tempo de permanência na adolescência tem
aumentado, iniciando-se aos 12/13 anos indo até aos 19 anos aproximadamente, quando
o crescimento físico está totalizado.
No aspecto cronológico, principalmente, nos padrões ocidentais, a adolescência
vai dos 13, 14 anos aos 20,21 anos.

4.3 Etapas de desenvolvimento da adolescência
A adolescência é uma etapa bastante complexa que foi dividida em cinco subetapas; São de suma importância que os educadores e pais conheçam as peculiaridades
de cada etapa, a fim de facilitar a relação entre eles e propor atividades adequadas às
suas necessidades desenvolvimentais.
Içami Tiba no livro: “Disciplina. O limite na medida certa” considera a adolescência “um
segundo parto: nascer da família para andar sozinho na sociedade”. Para o adolescente,
nascer é necessário, expulsar seus laços dos familiares do seu mundo, embora continue
dependendo deles para sua sobrevivência.
O processo do adolescer depende do sexo. Nas meninas, o processo da
puberdade inicia-se nas idades de 9 e 10 anos; a menarca aos 11 ou 12 anos e acontece
a onipotência juvenil. Já nos meninos esse procedimento se organiza de maneira
diferente, a puberdade é mais longa e seu inicio é mais tardio (10 -11 anos); aos 15 – 16
anos é o momento da mutação e a onipotência juvenil pode ser prolongada até os 18 ou
20 anos.
Vamos conhecer essas cinco etapas da adolescência, segundo o referencial do
psiquiatra Içami Tiba:
•

Confusão pubertária

É a fase em que o jovem mais sofre pelas mudanças emocionais e físicas
originadas pela glândula hipófise. É comum ficar confuso e ansioso, neste
momento os professores e os pais têm um papel fundamental de apoiá-lo a
reestruturar seu posicionamento frente a si e ao mundo.
• Onipotência pubertária

33
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Neste período o menino “transpira testosterona”. E a presença dela acarreta
mudanças, digamos, um pouco estranhas. Existe um crescimento desproporcional
no seu corpo: um aumento das extremidades corporais (mãos e pés), porém sua
altura não. Seu pênis permanece com características infantis, no entanto ele já
produz espermatozóides. Aos 12 e 13 anos acontece a semenarca (É o nome que
se dá à primeira ejaculação do menino). Quanto às características
comportamentais observamos: crises de oposição, negação freqüente, mau-humor
e agressividade. Observe um trecho do livro Amor, Felicidade & Cia, do Içami
Tiba, e perceba algumas das características desse período:

Adolescente é adrenalina que agita a
juventude,
tumultua os pais e os que lidam com ele.
ADRENALINA que dá taquicardia nos pais,
depressão nas mães, raiva nos irmãos,
que provoca fidelidade nos amigos
desperta paixão no sexo oposto,
cansa os professores,
curte um barulhento som,
experimenta novidades,
revolta os vizinhos (...)

Já nas meninas, o sentimento de onipotência não é tão evidente e se mostra nas
ocasiões em que se sente injustiçada, incompreendida. Apresenta fortes sentimentos de
solidariedade e envolve-se nas campanhas assistenciais. Por outro lado, em
determinados momentos, torna-se agressiva e mal educada. As amizades assumem uma
função de importância em sua vida.
O educador deve procurar manter a calma. É essencial não provocar situações de
imposição de ordens. A regra é buscar o equilíbrio.
•

Estirão

É mais notado nos rapazes. Há um aumento significativo na sua altura devido ao
alongamento do fêmur. Nem tudo cresce, o rosto e pênis permanecem como de criança.
As mudanças não cessam por ai. Seu comportamento a cada dia se transforma;
apresenta timidez social, vergonha do corpo, torna-se desastrado (perdeu a noção de seu
esquema corporal) e começa a procurar uma roupa para sair, é um verdadeiro tormento.
Nas garotas o desenvolvimento corporal continua bastante acelerado; existe um aumento
de peso e, conseqüente arredondamento de suas formas e crescimento dos seios. Como
no rapaz, ela também começa a ter vergonha de seu corpo em transformação.

34
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

•

Menarca e a mutação

O inicio da próxima fase é marcada pela ocorrência de dois fenômenos biológicos:
menarca, primeira menstruação e a mutação, mudança de voz, nos rapazes. As garotas
apresentam amadurecimento psicológico.
É saudável ter cuidado com o físico. Na adolescência essa preocupação piora.
Imagina o que representa para um rapaz notar que seu nariz e as suas orelhas cresceram
mais acelerados do que o resto do corpo (o pênis se desenvolve). O rosto fica
desequilibrado. Imagina quando surgem as temidas acnes ou “as inimigas mortais”:
celulite e estria. Essas situações os deixam muito sensíveis.

35
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

•

Onipotência juvenil

ADOLESCENTE é um Deus com frágeis pés,
um apaixonado que não “segura” uma gravidez,
um atleta que busca o colo dos pais,
um ousado no volante que acaba com o carro,
um temerário que morre porque desconsidera o
perigo,
um herói sexual reprimido pela timidez,
um conquistador que sofre “um branco” na hora
H,
alegria de sonrizal em copo de água,
escuridão da casa em que foi cortada a luz...

Nesta fase rapazes e moças se sentem como “deuses”: a arrogância, a
impulsividade, as paixões, sexualmente potentes, pouco tolerantes às frustrações,
conquistador e desejo de aventuras. Desrespeita os ciclos vitais de alimentação e sono e,
sobretudo, os conselhos paternos.
O término dessa etapa se dá pelo amadurecimento psicológico. “Quanto mais
saudável o adolescente, menos onipotente precisará ser, pois aprendeu a lidar melhor
com as frustrações e a incapacidades do ser humano. O vestibular com suas
características competitivas ajuda bastante a resolver ou agravar essa ‘mania de Deus’”.

4.4 Algumas considerações sobre o adolescente atual
•

Síndrome da quinta série

Como vimos acima, os rapazes e as moças estão na idade de aproximadamente
11 anos na quinta série, em pleno período de modificação corporal e emocional. As
queixas de tonturas, dores e mal-estar são comuns nesta fase. É também normal não
encontrar correspondente fisiológico para as queixas.
O rapaz tem neste período a aquisição do pensamento lógico abstrato (ver sobre
desenvolvimento intelectual – Piaget). São freqüentes as queixas de dificuldade de
concentração e de organização.
•

Uso de drogas

36
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

O uso de drogas promove alterações diversas no organismo dos jovens. Embora
tenha se investido em campanhas contra as drogas, muitos dos jovens têm dito sim a
elas.
Desinformado ele não está. E o que leva um jovem a procurá-la? As respostas
podem ser: curiosidade ou o desejo de pertencer a um grupo de amigos.
Quando o aluno chega à escola drogado é porque esta já faz parte de seu
cotidiano. O professor facilmente identifica um aluno que tenha usado álcool, fumo, esteja
agitado ou sonolento. Cabe ao professor a tarefa de comunicar o fato a direção,
coordenação ou orientador. Limite-se a encaminhar a situação.

37
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

•

Sexualidade

Sem dúvida é a geração mais informada a respeito do sexo.
Atualmente existe um leque de opções em prol da informação sobre a
sexualidade.
A escola tem um papel importante neste processo, pois o
adolescente embora informado, em sua maioria é muito confuso. Sem
sermões – adolescentes os odeia. Sobretudo quando o tema for sexo.
•

Em busca de uma profissão

"A maioria das pessoas decide quanto à sua carreira numa idade em que não tem
experiência e discernimento para saber qual atividade é mais adequada para si". Erich
Fromm.
Para o jovem o momento da escolha profissional é um momento de conflito – é
como você estivesse à frente de uma vitrine de loja que você deve escolher um sapato,
sem ter a oportunidade de experimentá-lo. E assim ele terá que fazer uma opção de
futuro profissional que ocupará um período significativo em sua vida.
A escolha de uma profissão não é algo fácil, tendo em vista os vários fatores que
podem interferir (social, financeira, traço de personalidade, etc.). Quanto mais o
adolescente encontra-se seguro de si, compreende e conhece esses fatores, mais
domínio terá na sua escolha.

Resumo
Etimologicamente, a palavra adolescência tem origem do verbo latino adolescere,
que representa o crescer ou o se desenvolver até a maturidade. O psicólogo americano
Stanley Hall criou o primeiro conceito de Adolescência, em 1904.
O tempo de permanência da adolescência tem se modificado ao longo dos tempos
e também varia dependendo da cultura.
Içami Tiba no livro: “Disciplina. O limite na medida certa” considera a adolescência “um
segundo parto: nascer da família para andar sozinho na sociedade”.
É de suma importância que os educadores e pais conheçam as peculiaridades de
cada etapa, a fim de facilitar a relação entre eles e propor atividades adequadas as suas
necessidades desenvolvimentais.
As cinco etapas da adolescência, segundo o referencial do psiquiatra Içami Tiba:
Confusão pubertária; onipotência pubertária: Estirão; Menarca e a mutação; Onipotência
juvenil. Algumas características do adolescente atual incluem: Síndrome da quinta série;
Uso de drogas; Sexualidade e a busca de uma profissão.

Auto-avaliação
1. A fase de adolescência provoca apenas alterações físicas no organismo do jovem.
( ) certo ( ) errado
2. A escolha profissional é um momento importante na vida do jovem.
( ) certo ( )errado
3. A síndrome da quinta série acontece apenas com os homens.
( ) certo
( ) errado
38
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

4. De acordo com a sua realidade, quais os maiores desafios vivenciados pelo
adolescente na atualidade?
5. O que você compreende por disciplina? Faça uma reflexão sobre o fenômeno da
indisciplina na sala de aula.
6. Faça um comentário sobre suas percepções acerca deste texto:
Difícil é lidar com ele, porque
ele não se entende com o próprio corpo e ainda é ridicularizado pelos seus próprios
colegas,
ele quer resolver os problemas do mundo, mas se atrapalha com simples questões de
matemática,
ele prefere a certeza de não estudar a arriscar
sua inteligência numa prova escolar,
ele nem bem se mete a arrumar o seu quarto,
mas lava e lustra o carro como um joalheiro,
ele se indispõe contra os outros em defesa de seus pais, que ele mesmo maltrata,
ele fuma maconha empunhando a bandeira da ecologia e do menos mal,
ele é rebeldemente sociável e seguramente instável,
ele ri com lágrimas, enquanto chora com gargalhadas,
ele brinca de brigar e briga para amar,
ele vive sonhos e projetos de um vir a ser porque
O adolescente é pequeno demais para grandes coisas,
grande demais para pequenas coisas.
(Dr. Içami Tiba - Texto retirado do livro Amor, Felicidade & Cia.)

Bibliografia
BOCK, A. M. B. (2000)& outros. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de
Psicologia. 13. Ed.São Paulo. Saraiva.
BEE, H. (1996). A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas.
DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books,
ERICKSON, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar.
MUSSEN, P.H., CONGER, J.J. & KAGAN, J. (1995). Desenvolvimento e Personalidade
da Criança. São Paulo: Harbra Ltda, 1995.
PAPALIA, D. e OLDS, S. W. (1997) O Mundo da Criança. Da infância à adolescência.
São Paulo: Makbon.
ROSA, M. (1986) Psicologia Evolutiva. Psicologia da Adolescência. Petrópolis: Vozes.
TIBA, I. (1996) Disciplina: o limite na medida certa. São Paulo: Editora Gente.

39
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE I
TEMA 5
MOTIVAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

Objetivo
•

Favorecer a compreensão sobre a importância do estudo os aspectos gerais
da motivação para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.

40
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

5.1 Definição e natureza do motivo
Definição etimológica:
“Motivo” é de origem latina da palavra “movere. Motum” significa aquilo que faz
mover. Conseqüentemente, motivar significa provocar movimento, atividade no sujeito.
A palavra “motivo” é utilizada para designar as forças sociais e fisiológicas que
impulsionam o ser humano a agir. Quando nos referimos às forças que despertam os
animais chamamos de impulsos ou instintos.

5.2 Teoria de Maslow –
A Hierarquia das Necessidades
A teoria da motivação humana foi elaborada por Abraham H. Maslow e parte do
princípio da hierarquia das necessidades biológicas, psicológicas e sociais dos homens.
Ela se caracteriza por compreender o homem como um ser eternamente
descontente e detentor de necessidades, que se relacionam entre si por uma escala
hierárquica na qual uma necessidade deve estar parcialmente satisfeita, antes que outra
se revele como prioritária.
Essas necessidades estão dispostas no formato de uma pirâmide, em cuja base
encontram-se as necessidades básicas (necessidades fisiológicas) e no topo, as mais
elevadas (as necessidades de auto-realização).

Pirâmide de Maslow – A Hierarquia das Necessidades

41
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

espécie (alimentação, sono, abrigo etc).
Quanto à necessidade de segurança esta se refere ao desejo de proteção à fuga e
ao perigo.
O ser humano busca satisfação nos contatos sociais que compreendem o desejo
de associação, de participação, de amizade, afeto e amor.
A necessidade de auto estima está relacionada com a forma de auto-avaliação.
Envolve a autoconfiança, prestígio social, status, prestígio e importância,
independência e autonomia.
A necessidade de auto-realização é a mais elevada e encontra-se localizada no
topo da pirâmide. É esta necessidade que impulsiona cada pessoa a auto-desenvolver-se
continuamente, podendo incluir o aperfeiçoamento, experiências estéticas e metafísicas,
ou a busca da espiritualidade.

5.3 Frustração
Quando não conseguimos satisfazer um desejo ficamos frustrados. Alguns autores
consideram que uma das conseqüências mais freqüentes da frustração é a agressividade.

5.4 Incentivos
São exemplos de incentivos: Elogio, Punição, Censura e Recompensa.
As necessidades se encontram em cada indivíduo apagado e cabe ao incentivo
acendê-lo. Os incentivos são de origem externa ao indivíduo advindas do meio, enquanto
que o desejo é propriedade interna, de nossa personalidade. A motivação (intrínseca)
está dentro de nós. Resta aos incentivos (motivação extrínseca) impulsionar ou não o
comportamento em busca da satisfação.
Importante:
No cotidiano escolar podem-se utilizar os incentivos para despertar a atenção dos alunos.

5.5 Motivação na Escola
Não é fácil estabelecer uma relação
prazerosa entre o trabalho escolar e as
necessidades do aluno. Temos que mostrar
incentivos que despertem no aluno o prazer de
aprender.
•
Conhecimento sobre o aluno.
A definição da estratégia motivacional depende
do conhecimento que se tem do aluno. Devese levar em consideração a idade dos alunos,
sexo, contexto social etc.
•
Personalidade do professor.
Grau de envolvimento do professor com os
alunos, postura de respeito, dinamicidade, cordialidade e outros atributos;
•
Material didático.
Deve oferecer ao aluno o desenvolvimento de sua capacidade crítica e a cidadania de
maneira adequada à idade do leitor; o livro didático deve ser escolhido e bem utilizado
para despertar o desejo de aprender.
42
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

•
Método ou modalidades práticas de trabalho empregado pelo professor;
A metodologia promove o favorecimento da motivação. Planeje sua aula levando
em consideração a vivência dos seus alunos e o momento de participação;

5.6 Motivação no Ensino
A motivação na sala de aula deve buscar a relação entre os trabalhos escolares e
o desejo e necessidades dos alunos.
Vamos conhecer algumas sugestões práticas para a sala de aula:
•
Necessidade de atividade
É importante incluir o aluno em atividades, sejam elas físicas ou intelectuais.
Quanto mais atividades envolvidas na tarefa, maior a motivação.
Fique atenta à idade: crianças pré-escolares se concentram mais nas atividades
físicas, por um período de 10 a 15 minutos. Já as escolares, têm uma boa concentração
por um período de em média 20 minutos, podendo ser de atividades intelectuais. Os
maiores se beneficiam em atividades em média de 40 a 50 minutos.
•
Intenção deliberada para aprender;
O desejo em aprender é precioso. Ele é um grande auxílio para o processo de
aprendizagem.
A prática de sala de aula tem demonstrado que o esclarecimento sobre a
importância do conteúdo a ser aprendido para sua vida representa uma vantagem para
ocorrer à aprendizagem.
•
Envolvimento do eu;
Um poderoso recurso para aumentar o envolvimento do aluno nas atividades é
encorajá-lhe o espírito da iniciativa.
•

Conhecimento dos resultados do trabalho;
O aluno deve conhecer rapidamente o resultado de seu trabalho, pois cria
incentivos de auto-estima e sentimentos de realização.
•
Competição;
Na escola pode ser utilizada a competição entre grupos, pois traz resultados
positivos na aprendizagem;
•
Necessidade de um padrão a ser alcançado;
O professor pode fixar metas a serem alcançadas pelo aluno ou grupo, de acordo
com as possibilidades destes.
•

Manipulação, curiosidade e jogo;
Proporcionar manipulação física ou ideativa das coisas, de mexer, de conhecer
como as coisas acontecem.
•

Necessidade de segurança ou aceitação social.
As situações em que existem repreensões, severidades, julgamentos e
desrespeito provocam desorganização das atitudes favoráveis à aprendizagem.

43
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Resumo
Foi apresentado um conceito de motivação, como o “motivo” que nos conduz a
uma determinada meta. A motivação é dos principais requisitos para uma aprendizagem.
Existem dois tipos de motivação: a externa (cujo motivo vem do ambiente) e a interna ou
intrínseca (oriunda do próprio indivíduo); a segunda determina a ação.
A escola necessita da utilização freqüente de estratégias motivadas para manter a
vinculação com os alunos e a eficiência na aprendizagem.

Auto– avaliação
1. Assinale a alternativa correta, segundo a teoria de William I. Thomas:
a . O desejo de novas experiências está relacionado com a aceitação social;
b. São os desejos: de segurança, saúde, de correspondência e vida social;
c. o desejo de correspondência pode está relacionado com a necessidade de união, de
casamento.
d. algumas pessoas não tem desejos.
2.Elabore atividades com seus alunos utilizando-se do estudo sobre motivação. Descreva
as atividades, registre os resultados e avalie sua conduta e o desempenho dos alunos.
Apresente os resultados aos seus colegas.

Bibliografia
BOCK, A. M. B. & outros. (2000) Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de
Psicologia. 13. Ed.São Paulo. Saraiva.
DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books.
MOSCOVICI, F. (2004). Desenvolvimento Interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio.

44
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Avaliação Formativa – Unidade I
1. Conceitue com suas palavras o que entendeu sobre Psicologia, psicologia educacional
e subjetividade.
2. Quais são os fatores que contribuem para a aprendizagem?
3. Quais as condutas mais apropriadas para o professor manter sua sala de aula
motivada?
4. Escolha um dos autores da aprendizagem e escreva os seus principais pontos.
Boa Sorte!
Na proposta atual a avaliação é por modulo e não por unidade. Poderá utilizar
algumas destas questões nas auto-avaliações dos temas

45
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Objetivo
•

Gerar reflexão sobre os principais fundamentos psicológicos concernentes ap
processo de construção do conhecimento segundo a interpretação das
principais abordagens psicológicas.

46
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
TEMA I
A APRENDIZAGEM PARA A ABORDAGEM HUMANISTA

Objetivo
•

Conhecer os fundamentos teóricos da abordagem humanista e sua
aplicabilidade no contexto educacional.

47
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

1.1 Carl Rogers
O principal expoente da abordagem humanista é o norte
– americano Carl Ransom Rogers que nasceu em 8 de janeiro
de 1902 em Oak Park, Chicago. Teve uma infância isolada e
recebeu forte influencia da religiosidade de sua família.
Mostrou-se um excelente aluno, com ávidos interesses
científicos. Na Universidade de Wisconsin, teve significativas
experiências de relacionamento e recompensadoras. Já pastor
aprofundando seus estudos de teologia, passou a interessar-se
por psicologia.
Carl Rogers (1902 -1987)

Inicialmente, como psicólogo, trabalhou com crianças em
Rochester, Nova York, por doze anos. Seu envolvimento com as crianças vítimas de
violência física despertou o interesse em estruturar uma teoria, o que ele iria denominar
mais tarde de Abordagem Centrada na Pessoa.
O desenvolvimento de sua teoria sobre personalidade e abordagem clinica foi
aperfeiçoada através da experiência no exercício de magistério na Universidade de Ohio
e posteriormente, como diretor do centro de aconselhamento fundamentado em suas
idéias na Universidade de Chicago. Seu primeiro livro Terapia Centrada no Cliente (1951)
apresenta sua primeira teoria formal sobre a terapia.
Rogers é reconhecido como um dos pioneiros nos trabalhos de grupo de encontro e o
primeiro psicólogo a dirigir um departamento de psiquiatria de uma universidade de
grande porte (Universidade de Wisconsin). Inclusive foi agraciado Associação Americana
de Psicologia com prêmios de melhor contribuição científica e o de melhor profissional.
Rogers aplicou na área da Educação seus princípios da Psicologia Clínica (Abordagem
Centrada na Pessoa). No Brasil, as idéias de Rogers tiveram grande repercussão na
década dede 70.
Morreu de um ataque cardíaco aos 85 anos de idade, em 5 de fevereiro de 1987,
mesmo ano que foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em San Diego, Califórnia.

1.2 Princípios Básicos da Abordagem Humanista
Proposta Por Carl Rogers
A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), como o próprio nome sugere, considera
a pessoa como o centro de suas atenções, como o fim básico.
Postulado Fundamental: Tendência Atualizante – todo ser humano tem um
potencial de crescimento pessoal, natural, que lhe é inerente e que ocorrerá desde que
lhe sejam dadas condições psicológicas adequadas para tal.
Visão de Homem: enfoca o homem como uma totalidade, um organismo em
processo de integração.

1.3 A teoria Pedagógica (Ensino Centrado no Aluno)
Papel da Escola: Acredita que todos os seres humanos têm natural potencialidade
para aprender; O ensino está centrado na pessoa do aluno o que implica orientá-lo para
seu crescimento, desenvolvimento e auto-realização.

48
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Não se importa com conteúdos formais, em assistir aulas e dos procedimentos
didáticos, a ênfase esta no papel da escola em favorecer um clima harmônico que
possibilite o estabelecimento de boas relações interpessoal e intrapessoal.
A escola Centrada no Aluno, não valoriza a
transmissão de conteúdos. A aprendizagem tem a
qualidade de um envolvimento pessoal. O aluno é
responsável e do seu processo de conhecimento; mesmo
quando o primeiro impulso ou estimulo é externo, o
sentido de desvelar, do alcançar, do captar e do
compreender vem de motivações internas.
Os métodos usuais são dispensados na sala de
aula. O professor deve ter a atitude de confiança e de
respeito ao aluno e ter um estilo próprio de dar aulas. O
papel básico do professor é o facilitador do processo de
aprendizagem do aluno.

“... Mesmo que tentemos esse método para facilitar a aprendizagem, levantam-se muitas questões
difíceis. Podemos permitir aos estudantes que entrem em contato com os problemas reais? Toda a
nossa cultura-procura insistentemente manter os jovens afastados de qualquer contato com os
problemas reais. Os jovens não têm que trabalhar, assumir responsabilidades, intervir nos
problemas cívicos ou políticos, não tem lugar nos debates das questões internacionais. ...Será
possível inverter essa tendência?
...Uma outra questão é a de saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no e pelo
indivíduo, em vez de ser organizado para o indivíduo. Sob esse aspecto, os professores e os
educadores se alinham com os pais e com os dirigentes nacionais para insistirem que os alunos
devem ser guiados....Espero que, ao levantar essas questões, tenha mostrado claramente que o
duplo problema que é a aprendizagem significativa e forma de como realizá-la nos coloca perante
problemas profundos e graves. ...Tentei apontar algumas dessas implicações das condições
facilitadoras da aprendizagem no domínio da educação, e propus, uma resposta a essas
questões..." (Rogers, in Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes).

O relacionamento professor-aluno
deve ser pessoal e dinâmico e o aluno deve
ser tratado com autenticidade, empatia e
consideração positiva incondicional; as três
condições básicas no relacionamento
educativo; Autenticidade - apresenta
congruência entre o que pensa e como age.
Empatia – capacidade de colocar-se no
lugar do outro. “pensar como o outro pensa”
O
relacionamento
professor-aluno
e Aceitação Positiva Incondicional –
deve ser pessoal e dinâmico
valorizar o outro da forma que ele é, mesmo
Fonte da imagemnão sendo a pessoa ideal para seu ponto
http://www.sonoma.edu/
de vista.
users/n/nolan/501/teacher.gif
A aprendizagem é orientada pelo
próprio aluno, baseado em suas motivações internas facilitadas pelo professor. Desta
maneira, a aprendizagem o envolve totalmente, incluindo seus sentimentos, sua vontade
e inteligência.
Os aspectos psicológicos dos alunos (por exemplo: auto-estima, responsabilidade,
independência, a afetividade, a motivação, a criatividade e a auto confiança) são
49
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

continuamente trabalhados para que a aprendizagem torne-se algo significativo, durável e
envolvente:

"Por aprendizagem significativa entendo uma
aprendizagem que é mais do que uma acumulação de
fatos. É uma aprendizagem que provoca uma
modificação, quer seja no comportamento do
indivíduo, na orientação futura que escolhe ou nas
suas atitudes e personalidade. É uma aprendizagem
penetrante, que não se limita a um aumento de
conhecimentos, mas que penetra profundamente
todas as parcelas da sua existência." (Rogers, in
Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes).

Em conformidade com o principio da não diretividade o professor não deve
interferir na estrutura cognitiva e afetiva do aluno. Cabe ao professor conduzir o aluno a
reflexão sobre suas experiências, para que, a partir delas, o aluno se auto - dirija. Desta
forma, este princípio atua no sentido de tornar o aluno responsável pelo seu processo de
aprendizagem e pela suas escolhas pessoais e profissionais. São incentivadas as
autocríticas e as auto-avaliações. Estas são consideradas como mais importantes do que
as feitas por outros.

Resumo
Carl Rogers é considerado o principal representante da abordagem humanista na
educação. Sua teoria tem seu foco no homem, como um ser com tendência natural ao
crescimento, que necessita de condições facilitadoras para que se processe seu
desenvolvimento.
A aplicabilidade da abordagem não diretiva na educação concebe o aluno em sua
totalidade. Para a abordagem o importante é a auto-realização, o crescimento pessoal da
pessoa do aluno e do professor. Para a teoria humanista as experiências de vida, o clima
psicológico da sala de aula, a integração professor - aluno são condições fundamentais
para a aprendizagem. São ressaltados os aspectos dinâmicos do processo de
aprendizagem que estimulam a interação, o respeito ao outro e a capacidade do aluno
escolher sua direção de crescimento.

Auto – avaliação
1. Fale sobre a importância da relação professor – aluno para a abordagem
humanista?
2. Explique, com as suas palavras, sobre as condições básicas no relacionamento
educativo.
3. cite e explique duas contribuições da abordagem humanista para a educação e
para sua prática pedagógica.

50
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Bibliografia
ROGERS, CR (1973) Liberdade para aprender. São Paulo: Martins Fontes.
ROGERS, CR (1974) Grupos de Encontro. São Paulo: Martins Fontes.
ROGERS, CR (1977) Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes.

51
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
TEMA 2
A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL NA EDUCAÇÃO

Objetivo
•

Compreender os princípios da teoria comportamental.

52
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

2.1 A Psicologia Comportamental
O termo Behaviorismo foi cunhado pelo psicólogo americano John B. Watson, em
um artigo publicado em 1913, intitulado “Psicologia: como os Behavioristas a vêem”. O
termo Behaviorismo tem sua origem na língua inglesa “behavior” e significa
comportamento. A Psicologia Comportamental também é chamada por Psicologia
Behaviorista, Teoria Cognitiva - Comportamental ou simplesmente, Behaviorismo.
Para Watson o objeto de estudo da psicologia era o comportamento. Tal objeto
dava a psicologia à consistência que os psicólogos da época vinham buscando (objeto
mensurável, observável e passível de experimentação em diferentes condições e sujeitos)
para que finalmente a psicologia alcançasse o status de ciência, rompendo
definitivamente com a sua tradição filosófica.
O Behaviorismo restringe seu objeto de estudo ao comportamento humano
observável. Desta maneira, os fatores internos eram expostos através da análise do
comportamento apresentado, assim poderiam prevê-los, manipulá-los e, por fim modificálos.
Apesar de defender o comportamento como objeto da Psicologia Behaviorista, seu
sentido foi modificado ao longo dos tempos. Hoje, não se concebe comportamento como
uma ação isolada, reativa do sujeito, mas sim, como uma interação entre aquilo realizado
pelo sujeito e o ambiente onde o seu “fazer” ocorre. Os Behavioristas demonstram
interesse pelo processo de aprendizagem e o contemplam como um agente de
transformação do comportamento humano.
Portanto, a Psicologia Comportamental dedica-se ao estudo das interações entre o
indivíduo e o ambiente, entre as ações do indíviduo (suas respostas) e o ambiente (as
estimulações).

2.2 Biografia: Skinner
Burrhus Frederic Skinner nasceu na cidade de Susquehanna, no estado norteamericano da Pensilvânia em 20 de março de 1904. Foi considerado um adolescente
rebelde para os moldes de educação de disciplina rigorosa; nesta fase seus interesses
eram a filosofia e a poesia.
Em 1930 graduou-se em Psicologia na Universidade de Harvand onde teve a
oportunidade de conhecer os princípios do Behaviorismo proposto por Watson. Após
concluir seu Ph. D trabalhou na Faculdade de Medicina de Harvand (1948) onde realizou
diversos experimentos com animais e, paralelamente escreveu vários livros. Desde então
foi professor em Harvand quando influenciou uma geração de estudantes.
Ele desenvolveu um ambiente fechado especialmente para experimentos com
animais em laboratórios que são conhecidas como “caixa de Skinner”, depois de
amplamente adotadas em faculdades e indústrias farmacêuticas. O Behaviorismo Radical
foi o termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945 para designar uma filosofia da ciência
do comportamento que ele se propôs a defender por meio da análise experimental do
comportamento.

53
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

“caixa de Skinner”

Em 1948 escreveu o romance “Walden Two” que retratava o funcionamento de
uma sociedade alternativa edificada nos princípios de educação defendidos por ele.
Skinner era um defensor ardoroso pela experimentação laboratorial e pelo controle e
análise experimental do comportamento humano. Faleceu em 1990, vítima de leucemia,
em ativa militância em favor do behaviorismo.

2.3 Pressupostos teóricos
Watson partia do pressuposto de que o homem era uma “tabula rasa” e, portanto,
os pesquisadores poderiam modelar o comportamento das pessoas, independentes de
suas origens.
Comportamento para a Psicologia Comportamental significa um conjunto de
reações ou respostas que o organismo apresenta frente às estimulações ambientais. Ou
seja, o comportamento envolve um estimulo (E) ou um conjunto de estímulos que elicia
determinada resposta (R) ou a reação do indivíduo. E aprendizagem significa a
modificação ou aquisição de novas respostas, é o resultado do processo de
condicionamento.
O Condicionamento Clássico foi descoberto por Ivan P. Pavlov, fisiologista russo
em 1901 através de experimentos sobre o reflexo salivar em cães. Os experimentos
ocorriam da seguinte forma: os cães eram presos em arreios numa câmara experimental
e, sua saliva era coletada através de um tubo cirurgicamente implantado na glândula
salivar.
Os resultados de seu trabalho identificaram que o reflexo
salivar provocado pela presença do alimento também ocorria
por outros estímulos como a hora da alimentação, os passos do
experimentador se aproximando da sala ou quais quer outros
estímulos (visuais, sensoriais, olfativos ou auditivos) que
precediam ou acompanhavam a alimento.
Antes do Condicionamento clássico – Estimulo Não
Condicionado produz uma Resposta Não Condicionada; em
outra situação, o estimulo neutro não produz resposta alguma:
Ao relacionar o alimento a outros estímulos neutros

54
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

(som) quanto a sua capacidade de gerar salivação, identificou que esse estímulo, depois
de repetidas associações com o alimento, passou a eliciar a mesma resposta.
Depois do condicionamento – O estimulo neutro agora é um Estimulo
Condicionado e a resposta a ele é sempre condicionada. Ou seja, apenas de ouvir o som
que antecedia a presença do alimento, o cão já salivava, mesmo sem a presença do
alimento.
O Condicionamento clássico na vida cotidiana se apresenta das diversas maneiras
como nos casos de fobias, nos relacionamentos, na propaganda entre outros. Pessoas
que sofrem de fobias geralmente sugerem medos irracionais cuja origem envolveu o
condicionamento clássico.
Conheço diversas pessoas que tem medos que podem ser explicadas pelo
condicionamento clássico. Imagine na sala de espera ao ouvir o motor de um dentista;
você já fica tenso e ansioso só de ouvi-lo. Uma aluna relatou-me que a origem de sua
fobia a provas de matemática foi à alta expectativa dos seus pais a seu desempenho.
Skinner acrescenta à teoria Behaviorista a descoberta do condicionamento
operante. Este abrange o maior leque de atividades humanas e refere-se à ação do
organismo sobre o meio e o efeito dela resultante. Podemos dizer que o condicionamento
operante envolve um reforço a uma determinada resposta do indivíduo até ficar
condicionado a associar a necessidade à ação.

Pavlov – Condicionamento Clássico

Skinner - Condicionamento operante

Condicionamento Clássico (de Pavlov) e o condicionamento operante (de Skinner)
se diferenciam da seguinte maneira: no condicionamento clássico existe apenas uma
resposta a um estímulo puramente externo enquanto que no condicionamento operante
prevalece o hábito causado pela ação do indivíduo, o ambiente é mudado e produz
resultados que agem direcionados eles, alterando a probabilidade de evento futuro.
Na concepção de Skinner, todo comportamento operante se refere à ação do
indivíduo sobre o meio e produz um efeito satisfatório, ou seja, ele opera sobre o mundo.
É a resposta do organismo que o leva a um estimulo reforçador que tanto o interessa. O
estimulo reforçador é denominado reforço, considerado um dos temas centrais da teoria
de Skinner. Embora ele ocorra após o comportamento, ele é o responsável pela ação do
indivíduo. Pois ele aumenta a probabilidade de que uma determinada resposta venha a
ocorrer novamente. Desta maneira podemos concluir que agimos sobre o meio em função
das conseqüências oportunizadas pela nossa ação.
O reforço pode ser positivo ou negativo; do tipo primário ou secundário. O reforço
positivo tem o intuito de fortalecer o comportamento através da apresentação de algo que

55
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

agrade ao indivíduo. No caso de uma aluna que tira uma nota boa em uma prova, a nota
irá reforçar positivamente o comportamento de estudar. O reforço negativo está associado
à remoção de algum estimulo que reforçava um determinado comportamento.
Os reforços primários compreendem os eventos que tendem a ser reforçadores
para todas as espécies (como a água, afeto e alimento). Enquanto que os secundários, ao
contrário do anterior, são aqueles que adquiriram a função quando pareados
temporariamente com os primários. Alguns reforçadores secundários, quando
empareados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e
a aprovação social.
Skinner realizava seus experimentos com animais inferiores, principalmente ratos
brancos e pombos. Para facilitar o processo de análise e controle da experiência criou a
"Caixa de Skinner”. O experimento se processa da seguinte forma, um rato sedento é
colocado na caixa (“caixa de Skinner”) que contém uma alavanca e um fornecedor de
alimento.
Em conformidade com os critérios estabelecidos pelo observador, o rato aperta a
alavanca e o observador libera uma bolinha de alimento, recompensando assim o rato.
Desta forma, o experimentador pode controlar o comportamento do rato de acordo com o
estímulo ofertado. Assim, seu comportamento pode ser pouco a pouco alterado ou
modelado até surjam novas repostas que não estava presente no repertório
comportamental do rato.
Suas conclusões nos experimentos com os ratos foram estendias para as
situações de aprendizagem.
Podemos observar na prática de sala de aula que o
comportamento do aluno pode ser modelado pelo oferecimento das recompensas ou
reforços positivos.
De acordo com Skinner ensinar é meramente a disposição adequada de
contingências de reforço sob as quais estudantes aprendem e o processo de
aprendizagem é um agente de mudança de comportamento. Skinner sugere que o
ambiente escolar deve fazer uso freqüente das recompensas e do reforço positivo; sendo
contrário ao uso das punições e esquemas repressivos.
Para os Behavioristas a aprendizagem é concebida como um produto da relação
estímulo – resposta e conseqüentemente, durante o processo de aprendizagem são
reforçadas as condutas apropriadas um sistema de recompensa e as inapropriadas
mediante uma punição. Skinner procurou demonstrar que o processo de aprendizagem
regido por ameaças e castigos se restringe aos resultados insatisfatórios. Para o melhor
aproveitamento ele ressalta o ensino programado baseado em uma criteriosa análise do
conteúdo para ele fosse apresentado de forma a levar o aluno a dar comportamentos
aproximados ao objetivo final.
Skinner no livro Tecnologia do Ensino, de 1968, apresentou a Máquina de
Aprendizagem, como uma proposta de organização de material didático para que o aluno
tivesse a autonomia de gerenciar sua evolução no conhecimento. Os princípios
metodológicos usados na Máquina de Aprendizagem influenciaram a educação norteamericana e brasileira.
A avaliação também tem um papel fundamental: no início, para que o professor
possa estabelecer estratégias para atingir os objetivos; durante o processo de
aprendizagem, para controle e re - planejamento, e ao final, para verificar se os resultados
desejados foram obtidos.
O behaviorismo está representado nos pressupostos da orientação tecnicista da
educação, cuja proposta consiste em: planejamento e organização da atividade
pedagógica (plano de aula, de curso, programa), e-learning, softwares educativos,
educação à distância, ensino por computador, tele-ensino, buscando a objetividade e o
controle do processo ensino - aprendizagem.

56
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Resumo
O termo Behaviorismo foi criado pelo psicólogo John B. Watson em 1913; o termo
tem sua origem na língua inglesa “behavior” e significa comportamento.
Para o Behaviorismo o objeto de estudo é o comportamento humano observável.
Desta maneira, os fatores internos eram expostos através da análise do comportamento
apresentado, assim poderiam prevê-los, manipulá-los e, por fim modificá-los.
Atualmente, um dos principais expoentes do behaviorismo é o psicólogo F. Skinner
que demonstra interesse pelo processo de aprendizagem e o contempla como um
poderoso recurso de transformação do comportamento humano.
Os pressupostos básicos da Teoria Comportamental são largamente utilizados na
educação, nas propagandas, nos serviços de adestramento animal, nas empresas e nos
consultórios de psicologia.

Auto – avaliação

1) Apresente, com suas próprias palavras, o que você compreendeu sobre a
concepção behaviorista de Skinner sobre o comportamento humano.
2) Explique as diferenças entre o condicionamento operante, estudado por
Skinner, e o condicionamento clássico ou respondente, estudado por Pavlov.
4) De acordo com a sua experiência de sala de aula, conceitue Reforço Positivo e
Reforço Negativo.
Bibliografia
BAUM, W. M. (1999). Compreender o behaviorismo - ciência, comportamento e
cultura. Porto Alegre: Artes Médicas.
CARRARA, K. (1998). Behaviorismo radical: crítica e metacrítica. Marília/São Paulo:
UNESP/Marília Publicações/Fapesp.
FLAVELL, John H. (1999) Desenvolvimento Cognitivo. Porto Alegre: Artmed.
MARX, M.H. E HILLIX, W.A. (1963). Sistemas e teorias em Psicologia. São Paulo:
Editora Cultrix.
SKINNER, B. F. (1989). Ciência e Comportamento Humano. 7a ed. São Paulo: Martins
Fontes.
SKINNER, B.F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix/Edusp.

57
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
TEMA 3
VYGOTSKY E A EDUCAÇÃO
Objetivo
•

Favorecer a reflexão crítica acerca de Vygotsky e a perspectiva históricocultural da educação.

58
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

3.1 Psicologia Sócio – Histórica
A corrente sócio-histórica tem seu principal expoente o psicólogo russo Lev
Semionovich Vygotsky que sob forte influencia da teoria marxista. Sua teoria apregoa o
papel do contexto sócio-histórico no desenvolvimento do psiquismo humano.
Lev S. Vygotsky (1896-1934), nasceu em Orsha, pequena cidade da Bielorrusia.
Formou-se em Direito, e também cursou Medicina, Historia e Filosofia. Embora tenha
falecido precocemente aos 37 anos de tuberculose teve uma produção científica bastante
intensa.
Suas obras apenas foram divulgadas ao Ocidente na década de 60 (no Brasil no
inicio dos anos 80) devido à ação da censura política.
Sua teoria apregoa que o desenvolvimento do indivíduo é o resultado de um
processo sócio-histórico. Ou seja, a aquisição de conhecimentos se da pela interação do
sujeito com o meio, mediado pela ação da linguagem.
A psicologia sócio-histórica compreende que o ser humano se estabelece como tal
pelas relações que forma com os outros. Assim, a história de cada indivíduo é construída
à medida que ele interage com o meio e se apropria da riqueza histórico - cultural da
humanidade.
A construção do conhecimento é, sobretudo, resultante da troca com outros e
consigo próprio. Assim o indivíduo vai internalizando os novos papéis e funções sociais, o
que permite a composição de um arcabouço de conhecimentos e do seu psiquismo.
Desta forma, o processo da construção de conhecimento parte da esfera social (inter
pessoal) para a esfera individual (intrapessoal), envolvendo o indivíduo como um todo, de
forma interativa.

3.2 Pressupostos teóricos
Para a Psicologia Sócio – Histórica a linguagem representa um salto qualitativo na
evolução da espécie. É através da linguagem que o ser humano transmite, elabora e
estrutura conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito e o
objeto do conhecimento.
São por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e
culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem
estruturas diferenciadas. Através da linguagem designamos objetos, os representamos,
abstraímos e generalizamos suas características.
O desenvolvimento de conceitos na perspectiva de Vygotsky remete ao significado
que a palavra transforma-se ao longo do desenvolvimento do sujeito posto que, ela
integra novos sentidos e conotações.
Ao longo de seu desenvolvimento o homem formula conceitos pela uma relação
direta com a realidade concreta. Após a apropriação do conceito, pouco a pouco o
homem se distancia dos vai isolando dos atributos do objeto, rumo a abstrações e
generalizações cada vez mais complexas.
A idéia de Mediação é fundamental para a compreensão do processo de
desenvolvimento proposto pela Psicologia Sócio-histórica.
o homem, sujeito do
conhecimento não tem acesso aos objetos. É necessário o contato mediado, por meio de
recortes da realidade, operados pelos sistemas simbólicos disponíveis.

59
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Desta forma a teoria apregoa que a construção do conhecimento é formada pela
interação mediada por várias relações humanas e culturais. O sujeito é compreendido
como um ser interativo e como tal, estrutura seu conhecimento pela interação intra e
interpessoal. . Neste sentido cabe a cultura equipar o indivíduo de símbolos
representativos da realidade.
Para a psicologia sócio - histórica a internalização é um processo que envolve uma
atividade externa que deve ser transformada para tornar-se interna. Paulatinamente, o
homem vai assumindo e interiorizando as informações, por intermédio da linguagem. Já
internalizados, o homem é capaz de se posicionar frente à realidade.
A teoria usa o termo função mental referindo-se aos processos de: pensamento,
memória, percepção e atenção. Ressalta a importância da motivação, interesse,
necessidade, impulso, afeto e a emoção para a construção do pensamento humano.
Para Vygotsky a interação e a linguagem são determinantes para o
desenvolvimento real e potencial. Sobre o desenvolvimento real podem-se incluir os
conhecimentos já adquiridos que o indivíduo é capaz de praticar por si próprio; o potencial
refere-se à capacidade de aprender com o auxilio dos outros.
Desta forma podemos concluir que o processo de aprendizagem encontra-se em
permanente interação com o desenvolvimento, causando abertura nas zonas de
desenvolvimento proximal (distância entre aquilo que o indivíduo faz com maestria e
independência e o que ele pode realizar com a intervenção de uma outra pessoa
(professor); é neste intervalo que é representada a potencialidade para aprender, ou seja,
a distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial).
Agora assista ao vídeo da professora Marta Kohl de Oliveira sobre A Zona de
Desenvolvimento Potencial e a Intervenção Pedagógica.
O aluno é o sujeito da aprendizagem, e também aquele que aprende com o outro a
produção de seu grupo social, por exemplo: valores, linguagem e o próprio conhecimento.
A escola é um espaço importante, onde a intervenção pedagógica intencional
finaliza no processo ensino-aprendizagem. Cabe ao professor intervir explicitamente no
processo. Portanto, é seu papel do estimular as conquistas dos alunos, tornando possível
com sua interferência na zona proximal.
Portanto, é papel do professor estimular o progresso dos alunos e isso se torna
possível por intermédio na Zona de Desenvolvimento Proximal. O Professor deve estar
atento zona proximal com o intuito de conduzir o aprendizado com o intuito aprimorar o
desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real.

Resumo
O principal expoente da corrente Sócio-historica é o psicólogo russo Lev
Semionovich Vygotsky, cujo principal foco é a interação inter e intrapessoal como um
elemento construtor do desenvolvimento do psiquismo humano.
Para a teoria o ser humano se estabelece como tal pelas relações que forma com
os outros, à medida que ele interage com o meio e se apropria da riqueza histórico cultural da humanidade.
A construção do conhecimento procede da troca com outros e consigo próprio.
Assim o indivíduo internaliza os novos papéis e funções sociais.
Para Vygotsky cabe ao professor atuar na ZDP do aluno avaliando o tipo de ajuda
necessária para que a aprendizagem ocorra com o intuito de favorecer a construção da
sua autonomia.

60
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Auto-avaliação
1. Fale sobre o posicionamento do professor para a Psicologia Sócio histórica.
2. Explique, com suas palavras, o que você entendeu sobre a Zona de
Desenvolvimento Proximal?
3. Qual a importância da linguagem para Vygotsky?
4. Fale sobre a relação existente entre a linguagem e o pensamento.
Bibliografia
VYGOTSKY, L. (1987) A formação social da mente. SP, Martins Fontes.
VYGOTSKY, L. (1988) Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes.
VYGOTSKY, Leontiev, Luria (1988) Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP,
Ícone.
VYGOTSKY, Leontiev, Luria. (1977) Psicologia e Pedagogia. Lisboa, Estampa.

61
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
TEMA 4
A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE JEAN PIAGET E
SUAS IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS
Objetivos

•

Proporcionar embasamento teórico referente à Psicologia Genética de
Jean Piaget.

62
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

4.1 Piaget e a Educação
Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suiça (1896-1980). Sua produção cientifica é
impressionante: escreveu mais de sessenta livros e publicou centenas de artigos.
Desde criança interessou-se por trabalhos científicos. Aos dez anos fez o seu
primeiro ensaio sobre um pardal albino e aos onze anos foi trabalhar como assistente do
Diretor do Museu de Historia Natural de sua cidade.
O seu interesse principal era compreender o processo de aquisição do
conhecimento humano, procurando identificar que mecanismos cognitivos o homem se
utiliza neste processo.
Até o início do século XX tinha-se a crença de que não havia diferença
fundamental entre o pensamento e o raciocínio das crianças e dos adultos. Acreditava-se
que a diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era de quantidade:
os adultos eram superiores mentalmente, mas seus processos cognitivos básicos não se
modificavam ao longo da vida.
Diante da observação de seus filhos e de outras crianças, Piaget chegou à
conclusão que as crianças pensam de maneira peculiar, qualitativamente diferente dos
adultos por ainda lhes faltarem certas habilidades.
A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget pressupõe que os seres humanos
passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis, divididas em etapas
sucessivas.
Piaget elaborou uma teoria do conhecimento (epistemologia genética) e
desenvolveu muitas investigações cujos resultados são usados por psicólogos e
pedagogos; Como sua teoria é de interesse dos profissionais de educação, ela foi
adaptada a esta realidade.
Assim seus trabalhos foram alvos de diversas interpretações que se concretizam
em propostas didáticas também diversas.
Agora assista ao vídeo do prof. Yves de La Taille sobre Piaget e a Educação e o
Construtivismo.

4.2 Pressupostos básicos
A criança é um ser dinâmico, que interage com o mundo, operando ativamente
com os objetos e as pessoas; Essa interação com o ambiente promove a construção de
estrutura cognitiva.
A construção do conhecimento se da a partir da interação ativa, do sujeito com o
meio. A interação ativa acontece quando o sujeito-aluno compara, ordena, exclui,
classifica, critica, hipotetiza, comprova etc.em uma ação interiorizada (pensamento) ou
em uma ação efetiva (de acordo com nível de desenvolvimento).
Há a estimulação da participação do aluno. Ele deve criar, questionar, interrogar,
participar ativamente da rotina educativa. Enfatiza o desenvolvimento da inteligência nos
alunos através das interações entre o aluno e o conteúdo a ser aprendido.
A escola construtivista procura problematizar as atividades a fim de provocar no
aluno reflexão. “Tudo que se ensina a criança impede-se que ela descubra ou invente” J.
Piaget.
O papel do professor é o ser mediador do processo de aprendizagem. Seu papel
não é de passividade, ele formula e lança situações provocadoras para a criança elaborar
seus próprios conhecimentos e conclusões. Encoraja o aluno e o estimula a ser autônomo
63
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

e a ter iniciativa. Privilegia a metodologia do trabalho grupal entre os alunos; Pois a
interação social possibilita a aprendizagem.
A escola construtivista procura desenvolver a inteligência por intermédio de
situações provocadoras, (substitui as aulas expositivas e a “decoreba”) que são
escolhidas de acordo com o nível mental dos alunos. As avaliações (é rejeitado a idéia
de prova) são utilizadas como um diagnóstico para os pais e professores identificarem as
áreas que necessitam serem mais trabalhadas para ampliar a aprendizagem.
As pesquisas são estimuladas como ricas possibilidades de aprendizagem. São
estruturadas de modo a privilegiarem o espírito desafiador, assim como a colaboração, a
cooperação e intercâmbio de pontos de vista na busca conjunta do conhecimento.
Percebe a criança como portadora de conhecimento, elaborações, adquiridos
antes da fase escolar. Sua autonomia é estimulada, conduzindo para sua própria
consciência, pensando e decidindo por si mesmo, questionando e vivenciando seus
direitos e deveres.

4.3 Fases do Desenvolvimento Cognitivo
Fase cognitiva

Idade aproximada

Sensório - motor

0 – 2 anos

Pré-operacional

2 –6 anos

Operacional Concreto

6 – 12 anos

Operacional Formal

12 em diante.

Observações:
1. As idades são consideradas apenas referenciais. Não se pode deter-se apenas nela e
sim no tipo de pensamento expresso pela criança;
2. A ordem das fases tem que ser rigorosamente obedecidas;
3. A estimulação oferecida pelo ambiente e sua relação com o sujeito pode alterar o
tempo de permanência em cada fase.

4.3.1 Fase Sensório – Motor
Para Piaget o bebê ao nascer até os dois anos de idade, aproximadamente está
na primeira fase do desenvolvimento cognitivo, a sensório - motor.
Características Principais:
A criança aprende através de suas ações e de seus movimentos sobre o meio.
Inicialmente, ela não se diferencia do meio. É como se ela não soubesse a diferença dela
para o pijama que está vestido. Um pouco maior, geralmente refere-se a si por “neném”.
No final do período sensório motor ela consegue se diferenciar do meio e demonstrar sua
individualidade usando a palavra “eu”.
No final do período ela compreende a permanência dos objetos (quando menor,
ela compreende que se o objeto ou as pessoas estão fora de seu campo visual, ela

64
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

desapareceram. Isso explica o motivo de tanto choro quando seus pais saem para
trabalhar ou se o objeto foi colocado dentro de uma gaveta).
A permanência dos objetos capacita a criança a evocar, formando a função
semiótica (capacidade de representar mentalmente os objetos). Esse é o motivo porque
os bebês só imitam se tiverem o objeto a sua frente.
É capaz de organizar, em torno dos 4 meses, os primeiros meios para conseguir
determinados fins. É o início da Intencionalidade, que é a demonstração da inteligência
prática, sem o uso das palavras. Por exemplo: uma criança brinca com uma bola e ela a
correr debaixo do sofá. A intencionalidade lhe permite a afastar o sofá para pegar a bola
ou buscar uma vassoura. É claro, que ela já tem a permanência do objeto. Inicio da
linguagem é com o balbucio, a ecolalia, evolui para a palavra-chave.
É fundamental a presença dos objetos uma vez que sua função semiótica só surge
no final do período. O principio didático deve estar atento a esse detalhe, pois a criança
deve ter a oportunidade de agir, de mexer, de empilhar os objetos, a misturar coisas etc.
Pois sua inteligência é PRÁTICA, ou seja, ela se representa através da AÇÃO.
O desenvolvimento social do bebê é basicamente seu envolvimento com os
adultos de sua família, especialmente com seus pais. Embora muitas vezes possamos
encontrar crianças brincando, não existe entre elas o sentimento de amizade, de estarem
juntas.

4.3.2 Fase Pré – Operacional
Para Piaget a criança dos 2 aos 6 anos de idade, aproximadamente está na
segunda fase do desenvolvimento cognitivo, a pré-operacional.
Características Principais:
Fase marcada pela estruturação da capacidade simbólica. Denota fazer uma
diferenciação entre o significado do significante. É através da capacidade simbólica que a
criança representa os objetos do conhecimento, mesmo sem a presença física deles,
evoluindo para o pensamento intuitivo.
A capacidade simbólica, inicialmente se manifesta através da imitação e da
imitação diferida. Posteriormente evolui para o desenho (representação gráfica), imagem
mental e linguagem.
Através do surgimento da função semiótica (linguagem, pensamento) que a
criança torna-se apta a produzir os primeiros conceitos, e represente situações ou
pessoas que estão distantes dela. É a fase dos “por quês”. Existe uma curiosidade em
compreender como ocorrem os fenômenos.
Na maior parte das brincadeiras o fundamento principal é a fantasia. Na
dramatização ela tem a oportunidade de interpretar outros papéis; como ser professora,
médico, mãe etc. No jogo dramático, a criança pode experimentar e aprender sobre a
sociedade que faz parte.
É pela brincadeira que a criança pode expressar seus medos, sentimentos e
conflitos. Aos 4 anos surgem os amigos imaginários. A criança cria um amigo para
conversar.
Demonstra interação com as outras crianças. Na maioria das vezes ela não se
importa em trocar opiniões, assim o tipo de comunicação mais comum em as crianças
menores é o monólogo coletivo (diálogo sem interesse em compartilhar). Ela só interage
para pedir algo.
Gradualmente, ela vai se interessar pelo que o outro fala e a solicitar jogos
interativos com regras a serem cumpridas (mais ou menos aos 5 anos).

65
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

4.3.3 Fase Operacional Concreta
Para Piaget a criança dos 7 aos 12 anos de idade, aproximadamente está na
terceira fase do desenvolvimento cognitivo, a operacional-concreta.
Características Principais:
Seu pensamento é lógico, porém ainda preso ao concreto. Ele necessita da
presença de objetos concretos no raciocínio. A diferença é que na fase pré-escolar a
criança tem que manusear os objetos para poder compreendê-lo e a criança operatória
concreta não precisa da presença física do objeto, ele pode solicitá-lo mentalmente.
Capaz de usar símbolos para realizar operações mentais, diferentes da fase préescolar em que se utilizava a atividade física para compreender o mundo.
Usando a representação mental pode classificar seriar, lidar como números e
conservar. Compreende a reversibilidade da maioria das operações físicas.
Tem o egocentrismo reduzido, favorecendo a mudança de percepção de si e do mundo.
Pode colocar-se do lugar dos outros, compreenderem seus pontos de vista e
conseqüentemente, facilitar o enriquecimento da comunicação interpessoal. Não há a
presença do realismo, animismo e artificialismo.
Podem conservar números e quantidades (7/8 anos), peso (8/9 anos) e volume (11/12
anos).
Tem interesse em estabelecer amizades duradouras. Sua socialização é facilitada pela
linguagem. Gosta de aventuras e colecionar objetos (figurinhas, tampas, revistas,
chaveiros etc).
Sua organização social é o bando (grupo sob o comando de um chefe). Freqüente o
grupo do “bolinha” e da “luluzinha”. Presença de grupos de formação homogênea quanto
à idade, sexo, etc. Presença da cooperação e das competições.
Busca diálogo. A percepção do outro é levada em consideração; Pode-se colocar
no lugar do outro e compreender seu ponto de vista. Apresenta uma tendência a
comparar seus pais com os amigos.
Explora os espaços que convive. A escola, seu bairro, os vizinhos, são os locais
prediletos. É muito rigorosa na obediência a regra.
4.3.4 Fase Operacional Formal
Para Piaget a criança dos 12 anos de idade em diante está na quarta fase do
desenvolvimento cognitivo, a operacional-formal.
Características Principais:
Começa a compreender os conceitos abstratos, sem a necessidade de se basear
no objeto concreto. Utiliza-se do pensamento hipotético-dedutivo.
Pensamento flexível. Apresenta a capacidade de analisar todas as possibilidades
que cercam um determinado evento. Envolve-se em questões abstratas e teóricas. Ao
construir o pensamento hipotético – dedutivo, o adolescente pode formular um
experimento cientifico para testá-lo sua veracidade. Tem a noção de conservação de
volume.
Capacidade de discutir com número rico de argumentos. O adolescente se utiliza o
pensamento operacional formal para se incluir na realidade dos adultos. O desligamento
66
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

da realidade física favorece a compreensão de eventos reais ou imaginários,
possibilitando a formulação de hipóteses e em conseqüência propor soluções.
Procura convencer a todos a possibilidade de decidir sobre sua vida e formular o
seu destino. Demonstra solidariedade e cooperação. Tem nos amigos seu principal
referencial. Apresenta interesse na problemática social e políticas.
O envolvimento grupal é favorecido pelo uso do raciocínio lógico, que oportuna ao
adolescente a compreender os diversos aspectos que envolvem os eventos físicos ou
abstratos.
A crítica dos amigos e suas atitudes são fundamentais para que ele analise suas
idéias, baseando-se no pensamento formal. Reformula seus princípios éticos (autonomia
moral). É capaz de agir segundo seus critérios internalizado de certo e errado.
Resumo
J. Piaget formulou uma teoria sobre o desenvolvimento da intelectualidade
humana. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget pressupõe que os seres
humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis, divididas em
etapas sucessivas.
Piaget elaborou uma teoria do conhecimento e desenvolveu muitas investigações
cujos resultados são usados por psicólogos e pedagogos; Como sua teoria é de interesse
dos profissionais de educação, ela foi adaptada a esta realidade.
Piaget divide o desenvolvimento da seguinte forma: fase Sensória - Motor (0-2
anos); Pré-Operacional (2-6 anos); Operacional – Concreta (6-12 anos) e Operacional formal (12 anos em diante).

Auto – avaliação
1. Indique o que for verdadeiro:
a. A fase sensória motor é a mais adiantada do processo de desenvolvimento cognitivo;
b. A fase pré-operacional é o período dos jogos lúdicos;
C. A fase concreta a criança pode compreender assuntos abstratos;
2. Explique, com as suas palavras, 03 contribuições de J. Piaget a educação?
3. Quais os marcos do desenvolvimento cognitivo de cada período proposto por Piaget?

Bibliografia
DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books.
FONTANA, R.& CRUZ, N. (1997) Psicologia e o Trabalho Pedagógico. São Paulo:
Atual Editora.
GARAKIS, S. C. (1992) Divulgando Piaget: exemplos e ilustrações sobre a
epistemologia genética. Fortaleza: Unifor.
MUSSEN, P. H. e outros. (1995) Desenvolvimento e Personalidade da Criança. São
Paulo: Harbra Ltda.
OLIVEIRA, Z. & DAVIS, C. (2002) Psicologia na Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez.
PAPALIA, D. e OLDS, S. W. (1997) O Mundo da Criança. Da infância à adolescência.
São Paulo: Makbon.
67
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

SYLVA, K. & LUNT, I. (1994) Iniciação ao Desenvolvimento da criança. São Paulo:
Martins Fontes.
SEBER, M.G. (1995) Psicologia do Pré-Escolar. Uma visão construtivista. São Paulo:
Moderna.

68
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

UNIDADE II
TEMA 5
EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Objetivo
•

Oferecer subsídios para a reflexão sobre o movimento de inclusão
educacional.

69
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

5.1 Sociedade e Exclusão
Poucos assuntos têm despertado tanto interesses entre os profissionais da área
educacional quanto à inclusão. É claro que esse interesse tem sua razão de existir. Sim!
Sei que este assunto está na moda. Mas, não é apenas isso! Incluir significa aceitar as
diferenças, o novo (no outro e também em mim), igualdade de oportunidades. E nós,
seres humanos, passamos muitos anos da história da humanidade excluindo socialmente
as pessoas diferentes.
Exclusão para Michel Foucault representa o banimento, expulsão, reclusão do
indivíduo na sociedade. Para Foucault, a exclusão está diretamente relacionada às
formas de distribuição de poder, representados aos termos: controle social, disciplina,
poder e hierarquia.
É importante ressaltar os mecanismos de exclusão frente às diferenças estiveram
presentes por toda a historia da humanidade, por meio da tradição oral como pela
reprodução nas mais diversas instituições; pois elas se constituem como as microrepresentações das relações do poder e da ideologia da sociedade.
Foucault identifica alguns tipos de segregação considerada “natural” pela sociedade ao de
toda a historia da humanidade. Na antiguidade as pessoas com deficiências não tinham
sequer o direito à vida. Logo que identificada como diferente a pessoa era exterminada,
sacrificada nos rituais de homenagem aos deuses. Como uma anomalia que não estava
adequada para a sobrevivência, especialmente, pela inutilidade da pessoa nos meios de
produção.
Sob a forte influencia da religiosidade, na Idade Média, ter um filho deficiente
significava na linguagem social, um castigo divino; e assim, a família se sentia obrigada a
manter uma vida de abnegação, protegendo o filho diferente e compadecendo-se dele. As
pessoas deficientes encontravam abrigo nas igrejas, como representado pelo livro de
Victor Hugo, “O Corcunda de Notre Dame”, que vivia isolado na torre da catedral de Paris.
Século XVII, nas instituições de saúde como as psiquiátricas não ofereciam tratamento
especializado aos doentes mentais. As pessoas deficientes físicas e mentais se
mantinham segregadas e isoladas do convívio social, em reclusão nos asilos, conventos e
albergues. Freqüentemente, os doentes eram acorrentados e encerrados, pois ofereciam
perigo aos familiares e/ou funcionários dos hospitais psiquiátricos.
No século XIX surgiu de uma nova mentalidade: a criação de instituições
educacionais especializadas e o movimento social da filantropia com a perspectiva de
ações de caridade.
Revendo a historia da segregação das pessoas deficientes, é importante ressaltar
as Instituições Especializadas, que foram as pioneiras a prestar atendimentos dignos aos
deficientes. No Brasil, Dom Pedro II, em 1854, funda o Instituto dos Cegos, hoje chamado
Instituto Benjamin Constant e o Imperial Instituto dos Surdos, em 1857, atualmente
Instituto Nacional de Educação de Surdos. Elas foram criadas por força de um decreto
imperial e, ambas foram fundados na cidade do Rio de Janeiro. Daí, então, vários
Institutos foram fundados pelo Brasil.
Foi somente no fim do século XIX quando, diante das radicais mudanças sociais
rumo à modernidade que se instaurou a escolaridade obrigatória.
Apenas no século XX que as pessoas deficientes passaram a serem considerados
como cidadãos com direitos e deveres de participação política na sociedade, mas sob a
ótica assistencial e caritativa. Porém o marco do processo de inclusão surge em 1948
com a Declaração Universal dos Direitos Humanos: “todo o ser humano tem direito à
educação”.
70
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Nos anos 60 pais e parentes de pessoas deficientes começaram e se reunir em
associações para lutarem em prol da igualdade de participação na sociedade. Um dos
diversos frutos dessa luta foi inclusão da Educação Especial na LDB 4024 de 1961. A lei
apregoa que os deficientes devem, quando possível, enquadrar-se no sistema regular de
educação.
No entanto, foram nos Estados Unidos na década de 70, que o movimento a favor
da inclusão colheu os resultados mais imediatos. O país necessitava proporcionar
melhores condições de vida aos jovens sequelados da Guerra do Vietnã. Nos Estados
Unidos, a educação Inclusiva foi impulsionada pela Lei 94.142 de 1975, que previa a
adaptação dos currículos e a criação de uma rede de informações interinstitucionais.
Em 1978, a emenda a Constituição Brasileira destaca os direitos da pessoa
deficiente: “É assegurada aos deficientes a melhoria de sua condição social e econômica
especialmente mediante a educação especial e gratuita”.
A Assembléia Geral das Nações Unidas lança em 1985 o Programa de Ação
Mundial para as Pessoas Deficientes. A atual Constituição Brasileira de 1988 garante
atendimento educacional especializado aos deficientes, preferencialmente na rede regular
de ensino. A Lei Federal 7853 prevê a oferta obrigatória e gratuita de Educação especial
nos estabelecimentos públicos e punição com reclusão de um a quatro anos e multa para
as instituições publicas e privadas que se recusarem e suspenderam, sem justa causa, a
matricula de um aluno.
Os principais marcos da década de 90 foram a Conferencia Mundial sobre
Educação para Todos (1990), o Estatuto da Infância e do Adolescente (1990), a
Declaração de Salamanca e a LDB (Nº 9394 de 1996).
A Educação Inclusiva não surgiu ao acaso, ela é um produto histórico de uma
época e de realidades educacionais contemporâneas, um contexto social que exige o
abandono aos estereótipos e preconceitos em todas as esferas.

5. 2 Distinção entre diferenças e deficiências
Devido ao desconhecimento por parte das instituições escolares sobre esta
distinção, e conseqüentemente este, produz o modelo de “deficiência”, e na verdade, isto
é um grande perigo. Assim a escola corrobora com a geração de preconceitos,
autoritarismo, elitismo e segregação.
Os alunos oriundos das camadas populares maioria da população escolar
brasileira, são os que mais sofrem. Pois, a escola lhes apresenta um modelo educacional
pasteurizado direcionado para um ideal de aluno, não se preocupando com as suas
vicissitudes. Ele pode apresentar diferenças, mas, não deficiências.
Quando o aluno não se enquadra neste perfil idealizado, a escola se defende,
eximindo-se de qualquer responsabilidade, justificando-se que com o argumento da
problemática sócio - cultural. Isso nos evidencia a importância da escola saber lidar com
as diferenças.
A pessoa com deficiência pode apresentar significativas diferenças físicas,
sensoriais ou intelectuais; decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter
permanente, que acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social.

5.3 Conceitos E Principais Terminologias
Os alunos com necessidades educativas especiais apresentam, de modo
permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla,
condutas típicas ou altas habilidades, necessitando de recursos especializados, para
desenvolver plenamente seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades.
71
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

O que são classes especiais? É uma sala de aula preferencialmente distribuída na
educação infantil e ensino fundamental; organizada de forma a se constituir em ambiente
próprio e adequado ao processo ensino/aprendizagem do educando com necessidades
educacionais especiais. Caminhos e meios facilitadores para a aprendizagem do
educando com necessidades educacionais especiais; através de uma política de ação
pedagógica; recursos educacionais mais individualizados e conta com o professor
especializado.
E o que é escola inclusiva? É uma escola regular cujo seu processo educativo é
concebido como um processo social. Nela é garantido o direito à escolarização aos
deficientes o mais próximo possível do normal. É uma escola líder em relação às demais
e se apresenta como a vanguarda do processo educacional.
O seu principal objetivo é fazer com que a escola atue através de todos os seus
escalões para possibilitar a integração das pessoas que dela fazem parte.
Agora, assista ao vídeo sobre o grupo Riverdance e estabeleça reflexões com a
educação inclusiva.
Romeu Sassaki no artigo “Escolas Inclusivas na Opinião Mundial” lança a seguinte
pergunta: Que tipo de atendimento educacional é melhor para as pessoas deficientes?
Podemos identificar neste artigo 05 aspectos importantes a este propósito:
1. A educação para pessoas deficientes depende fundamentalmente da interação
de vários fatores tais como: o envolvimento dos familiares, a realidade escolar,
compromisso dos gestores, as autoridades educacionais, etc. Não é necessário
exclusivamente o desejo do aluno de aprender, mas uma ação conjunta dos fatores acima
relatados;
2. O autor destaca ainda que a escola integrada é o mesmo que escola
integradora, pois são propostas oriundas da terceira fase da historia da deficiência. Nesta
fase, iniciou uma modificação em tornos dos princípios filosóficos. Assim a escola passou
a “integrar”, ou melhor, “adaptar” a criança a realidade da escola não promovendo
nenhuma mudança na sua estrutura educacional.
3. A proposta da Educação Inclusiva baseia-se no principio de flexibilização de sua
realidade para a melhor adequação do aluno ao processo educativo. A escola tem que
mudar de fisionomia para melhor acolhimento dos alunos. Este princípio enfatiza a
importância da aceitação incondicional do aluno, sem alguma restrição.
4. o simples fato de a escola receber as crianças com necessidades educacionais
não a credencia como uma escola inclusiva. Para tanto, a escola deve passar por um
período de reestruturação física, filosófica e cientifica para obedecer aos princípios de
uma integração com sucesso e de acordo com o documento de Salamanca.
5. Para a proposta da escola inclusiva o ensino baseia-se na educação flexível,
não tradicional e que não necessita da existência de salas especiais, pois a postura
inclusiva é não discriminatória e os professores das salas regulares estão preparados
teórica e metodologicamente para melhor receber o aluno e promover uma educação de
qualidade.
“O respeito mútuo, um respeito sem fingimentos e sem rotinas, um respeito bem
intencionado, que todos os dias se iluminam de argumentos novos e todos os dias se
sente pequeno diante da sua aspiração, poderá servir de base, dentro da obra
educacional, a um movimento de resultados eficientes, no problema urgentíssimo da
salvação do mundo pela garantia unânime da paz”.
Trecho extraído do livro Cecília Meireles: Coleção Melhores Crônicas, Global
Editora.
Qual a diferença entre a Inclusão e Integração? Embora ambas constituam formas
de inserção da pessoa com necessidades educacionais especiais; a prática da integração

72
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

vem dos anos 60 e 70, e baseou-se no modelo médico/clínico da deficiência. Neste
modelo os educandos especiais precisavam modificar-se (habilitar-se, reabilitar-se,
educar-se) para tornarem-se aptos a satisfazerem os padrões aceitos no meio social,
familiar, escolar, profissional, recreativo, ambiental.
A prática da inclusão tem sua origem na década de 80, porém consolidada nos
anos 90; segue o modelo social da deficiência. Sua principal tarefa consiste em modificar
a sociedade (escolas, empresas, programas, serviços, ambientes físicos, etc) para tornála capaz de acolher todas as pessoas que apresente alguma diversidade. Portanto a
escola inclusiva pressiona a sociedade para uma tomada de ação em prol dos direitos
universais.
No entanto, encontram-se muitas Resistências à inclusão tanto no âmbito escolar,
profissional, familiar como em outros setores, as principais resistências têm como origem
o preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos mais flexíveis. O medo do
novo nos educadores; formação acadêmica a qual não os habilitou para o trabalho com a
diversidade; e demais profissões que não estavam preparadas para uma sociedade para
todos.
Para que este quadro seja modificado é necessária a formação de eixos
fundamentais para alicerçar o processo de inclusão: um debate permanente com a
sociedade, ações de sensibilização, ênfase na convivência na diversidade humana dentro
das escolas, das empresas e nas políticas públicas direcionadas ao compromisso com a
garantia dos direitos educacionais.

Resumo
Neste tema foram realizados uma apreciação do movimento integracionista e o
movimento em prol da inclusão, passando pelos aspectos sócios – históricos envolvidos
nesta conquista.
Os aspectos relevantes das sociedades excludentes e inclusivas foram
analisados, assim como os desafios para a implantação/implementação de políticas
Públicas para a Ed. Inclusiva.

Auto-avaliação
1. A exclusão, no entendimento de Foucault, está diretamente relacionada à:
() educação como sistema
() filantropia
() formas de distribuição de poder
() doença mental
2. Você acha que todos têm o direito de ser diferente? Comente sua resposta.
3. Diferencie as terminologias Integração e Inclusão.
4. Comente esta frase: “a escola deve ser um espaço para as transformações, para as
diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a
criatividade”.

73
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Bibliografia
BRASIL – MEC (1994) Política Nacional de Educação especial: Brasília, 1994.
MANTOAN, M.T.E. (1997) A integração de pessoas com deficiências: Contribuições
para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon: Editora SENAC.
MANTOAN, M.T.E. (1989) Compreendendo a Deficiência Mental: novos caminhos
educacionais. Editora Scipione, São Paulo.
SASSAKI, R.K. (1997) Inclusão: Construindo uma sociedade para todos – WVA, Rio
de Janeiro.
WERNECK, C. (1997) Ninguém vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. WVA: Rio de
Janeiro.

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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

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Psicologiadaeducacao 08 03_07[1]

  • 1.
  • 2.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO FACULDADEINTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Silvana Martins Dourado FORTALEZA Editora FGF 2007 2
  • 3.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO COPYRIGHT©2007 BY EDITORA GRANDE FORTALEZA ESTA OBRA OU PARTE DELA NÃO PODE SER REPRODUZIDA POR QUALQUER MEIO SEM A AUTORIZAÇÃO DO EDITOR. FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA Direção Geral Renata Peluso de Oliveira Direção do Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Marina Abifadel Barrozo Direção Acadêmica Paulo Roberto Melo de Castro Nogueira Coordenação Pedagógica do Núcleo de Educação a Distância João José Saraiva da Fonseca Sônia Maria Henrique Pereira da Fonseca Editora Responsável Renata Peluso de Oliveira Coordenação de Divulgação Acadêmica Maria das Graças Freire de Oliveira Revisão Textual Tarcísio Cavalcante Capa Célio Gomes Vieira EDITORA GRANDE FORTALEZA - FGF Av. Porto Velho, 401 - João XXIII-Fortaleza/CE - CEP. 60510040 Tel. (85)3299-990/Fax. (85)3496-4384 email.fgf@fgf.edu.br Dourado, Silvana Martins Psicologia da Educação Fortaleza: Editora Grande Fortaleza FGF, 2007. 76p. 21 cm. 1. Psicologia Escolar 2. Motivação na Aprendizagem 3. Desenvolvimento. Emocional 4. Desenvolvimento Cognitivo··. 3 CDD: 370.15
  • 4.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO SUMÁRIO PSICOLOGIAE A EDUCAÇÃO OBJETIVOS DO MÓDULO. ................................................................................................7 UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO TEMA 1 A Psicologia da Educação ....................................................................................8 1.1Introdução....................................................................................................................... 1.2 Conceituação de psicologia e Temas de Estudo Relacionados com a educação ......9 1.2Concepções Psicológicas ..............................................................................................11 1.3 Psicologia da Educação ................................................................................................12 1.4 Contribuição da Psicologia da Educação .....................................................................13 Resumo ...............................................................................................................................14 Auto-Avaliação ....................................................................................................................14 Bibliografia ...........................................................................................................................14 UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO TEMA 2 Psicologia da Aprendizagem ................................................................................15 2.1 Aprendizagem ...............................................................................................................16 2.2 O que é aprendizagem..................................................................................................17 2.2.1 Características da Aprendizagem..............................................................................17 2.3 Elementos fundamentais do processo de ensino-aprendizagem ................................19 2.4 Fique atento às condições necessárias para a aprendizagem (dicas baseadas na proposta de Ruth Caribe) ....................................................................................................19 Resumo ...............................................................................................................................20 Auto-avaliação .....................................................................................................................20 Bibliografia ...........................................................................................................................21 UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO TEMA 3 Parâmetros sobre o desenvolvimento Humano ...................................................22 3.1 Caracterização da Psicologia do Desenvolvimento .....................................................22 3.2 Psicologia do Desenvolvimento: Aspectos Históricos..................................................23 3.3 Conceito de Psicologia do Desenvolvimento................................................................24 3.4 Metas da Psicologia do Desenvolvimento ....................................................................24 3.5 Importância do Estudo do Desenvolvimento Humano para o Educador .....................25 3.6 fatores que Influenciam o desenvolvimento Humano ..................................................26 3.7 fases do desenvolvimento Humano..............................................................................26 Resumo ...............................................................................................................................28 Auto-avaliação .....................................................................................................................28 Bibliografia ...........................................................................................................................28 UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO TEMA 4 A Psicologia da Adolescência...............................................................................30 4.1 Adolescente..................................................................................................................31 4.2 Duração da adolescência..............................................................................................33 4
  • 5.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 4.3Etapas de desenvolvimento da adolescência ..............................................................33 4.4 Algumas considerações sobre o adolescente atual .....................................................36 Resumo ...............................................................................................................................38 Auto-avaliação .....................................................................................................................38 Bibliografia ...........................................................................................................................39 UNIDADE I A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO TEMA 5 Motivação no Conceito Educacional ....................................................................40 5.1 Definição e natureza do motivo ...................................................................................41 5.2 Teoria de Maslow – A Hierarquia das Necessidades ..................................................41 5.3 Frustração ....................................................................................................................42 5.4 Incentivos .....................................................................................................................42 5.5 Motivação na Escola .....................................................................................................42 5.6 Motivação no Ensino .....................................................................................................43 Resumo ...............................................................................................................................44 Auto-avaliação .....................................................................................................................44 Bibliografia ...........................................................................................................................44 UNIDADE II PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ......................................................................46 TEMA 1 A Aprendizagem para a Abordagem Humanista..................................................47 Apresentação 1.1 Carl Rogers ..................................................................................................................48 1.2 Princípios Básicos da Abordagem Humanista Proposta por Carl Rogers ...................48 1.3 A Teoria Pedagógica (Ensino Centrado no Aluno)....................................................... 1.6 Resumo .........................................................................................................................50 Auto-Avaliação ...................................................................................................................50 Bibliografia ..........................................................................................................................51 UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO TEMA 2 A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL NA EDUCAÇÃO....................................52 2.1 A Psicologia Comportamental......................................................................................53 2.2 Biografia: Skinner .........................................................................................................53 2.3 Pressupostos teóricos ..................................................................................................54 2.3Resumo ..........................................................................................................................57 Auto-Avaliação ...................................................................................................................57 Bibliografia ..........................................................................................................................57 5
  • 6.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO TEMA 3 VYGOTSKY E A EDUCAÇÃO .............................................................................58 3.1 Psicologia Sócio – Histórica..........................................................................................59 3.2 Pressupostos teóricos ...................................................................................................59 Resumo ..............................................................................................................................60 Auto-avaliação .....................................................................................................................61 Bibliografia ...........................................................................................................................61 UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO TEMA 4 A Epistemiologia Genética de Jean Piaget e suas implicações educacionais ....62 4.1 Piaget e a Educação .....................................................................................................63 4.2 Pressupostos Básicos ...................................................................................................63 4.3 Fases do Desenvolvimento Cognitivo...........................................................................65 4.3.1 Fase Sensório-Motor..................................................................................................65 4.3.2 Fase Pré-Operacional ................................................................................................66 4.3.3 Fase Operacional Concreta .......................................................................................66 4.3.4Fase Operacional Formal............................................................................................66 Resumo ...............................................................................................................................67 Auto-avaliação .....................................................................................................................67 Bibliografia ...........................................................................................................................67 UNIDADE II DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO TEMA 5 Educação Inclusiva ..............................................................................................69 5.1 Sociedade e Exclusão ..................................................................................................70 5.2 Distinção entre Diferenças e Deficiências ....................................................................71 5.3 Conceitos e Principais Terminologias...........................................................................71 Resumo ..............................................................................................................................72 Auto-avaliação ....................................................................................................................72 Bibliografia ..........................................................................................................................74 6
  • 7.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO APSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO Objetivos do Módulo • O presente módulo tem como objetivo contribuir para a compreensão e explicação dos processos do desenvolvimento do educando e a conseqüente interferência destes no processo ensino-aprendizagem. 7
  • 8.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEI TEMA 1 A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO Objetivo • Favorecer a compreensão sobre o processo de aprendizagem, sobretudo ao que diz respeito à dimensão afetiva do ser humano. 8
  • 9.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 1.1Conceituação de Psicologia e temas de estudos relacionados com a educação Para os gregos, psicologia seria conceituada a partir da derivação das duas palavras psyché e logos _ a primeira significa alma, mente e a outra, estudo _ “estudo da mente ou da alma”. No entanto, a Psicologia não se dedica ao estudo da alma, não se interessa em saber se ela existe ou não. É claro que, entre os psicólogos, podem existir os que acreditam ou os que não acreditam, os que são religiosos e os que em nada acreditam! Psicologia – ciência que se dedica ao estudo do homem. O objeto da psicologia é o homem. Atualmente, concebemos psicologia como uma ciência que se dedica ao estudo do homem. Significa se utilizar um método para conhecer o seu objeto profundamente. “O método científico deseja superar as afirmações superficiais do senso comum, através da observação atenta e controlada dos fenômenos psicológicos com o intuito de realizar conclusões abrangentes a respeito deles”. O objeto da psicologia é o homem. Ela não é a única a ter esse privilégio de investigá-lo; outras ciências também têm o homem como objeto. É o caso da sociologia, da biologia, da história. Cada uma delas observa o ser humano sob um determinado prisma. Por exemplo: a biologia dedica-se ao estudo do funcionamento dos seres vivos e das leis da vida. A psicologia é muito próxima da biologia, chegando a necessitar dela, mas esse não é o aspecto dos seres humanos que a psicologia prioriza. Embora o objeto seja o mesmo, o foco da psicologia é a subjetividade humana. 9
  • 10.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Importante! Asubjetividade é um dos temas mais importantes da psicologia. Significa as características peculiares de cada pessoa. Tenha atenção ao exemplo: Dois irmãos gêmeos, que freqüentaram os mesmos ambientes, assistiram a filmes violentos juntos. Um tornou-se mais inclinado a impulsos agressivos, enquanto o outro teve, no filme, um momento de alivio dos seus impulsos destrutivos. Assim podemos compreender que cada pessoa tem uma capacidade diferente de pensar o mundo, reagir a determinados eventos, de superar obstáculos; é o seu jeito de ser. Compreendeu o que é subjetividade? É o que nos torna diferentes dos outros, pois é algo que nos pertence, o que é próprio dos seres humanos. A subjetividade é singularidade, que não é inata à pessoa; é formada gradualmente através da sua interação com o mundo, intermediada pelas relações sociais. A subjetividade é uma condição exclusiva dos seres humanos e, portanto, é uma formação social e histórica. A psicologia, portanto, é uma ciência que se dedica ao estudo da subjetividade por meio dos processos psicológicos (por exemplo: memória, criatividade, inteligência, sentimentos, imaginação). Para darmos seguimento ao tema achamos importante fazer a diferenciação entre o Psicólogo, o Psiquiatra e a Psicanalista. Na maioria das vezes, encontramos dúvidas entre o público leigo a respeito da atuação destas profissões. Psicólogo é o profissional que finalizou o curso de psicologia que tem a duração média de cinco anos. O curso de Psicologia forma bacharéis, psicólogos e licenciados. São atribuições adstritas ao Psicólogo a realização de psicoterapia, aplicação e análise dos testes e elaboração de laudos psicológicos. Seu campo de atuação engloba diversos setores, tais como: educação, saúde, justiça, esporte, organizações, comunidades etc., sempre baseando seu trabalho no respeito e na promoção da igualdade e da dignidade humana. Já o Psiquiatra é o profissional que concluiu o curso de medicina e fez sua opção de especialização em psiquiatria. Seus estudos incluem a experiência de aprendizagem como residentes em unidade de saúde mental, como hospital ou centro de atenção psicossocial. Cabe ao psiquiatra diagnosticar, tratar e prescrever medicamentos para os transtornos mentais quem envolvam alterações bioquímicas. Em comparação com o psicólogo, ele dedica mais tempo de sua formação nos casos considerados graves (esquizofrenia, transtornos do humor, entre outros). O psicanalista pode ser psicólogo ou psiquiatra desde que tenha realizado sua formação por meio do tripé análise pessoal, supervisão e estudo sob a perspectiva da teoria psicanalítica criada por Sigmund Freud. Agora que você tem o conhecimento sobre o conceito de Psicologia e sobre um dos seus temas de estudo, podemos seguir, não é? O próximo passo é reconhecer as concepções psicológicas e suas repercussões para a escola. 10
  • 11.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 1.2Concepções Psicológicas Comumente procuramos explicar o motivo pelo qual o aluno não efetivou sua aprendizagem da maneira esperada; lançamos hipóteses para explicar o que pode ter acontecido. São exemplos de algumas: “Ele não estava amadurecido suficiente para aprender o conteúdo”; “É provável que seu ambiente familiar não proporcione a aprendizagem”; “Ele pode ter herdado a dificuldade para estudar de seus pais ou tenha algum problema genético”. As nossas explicações se baseiam na forma em que compreendemos o mundo e o homem. Ou seja, o nosso trabalho pedagógico depende diretamente da visão de homem e de mundo que temos. Tais visões são chamadas também de concepções. A Psicologia e qualquer outra área de conhecimento constroem concepções. A forma de compreender o homem e o mundo faz parte da nossa forma de viver, de realizar nossos objetivos, de estabelecer contatos e trabalhar. Vamos conhecer as concepções inatista-maturacionista, comportamental e a interacionista. Concepção inatista-maturacionista Parte do princípio de que os fatores hereditários ou de maturação são os mais importantes para o desenvolvimento da criança. Acredita que as capacidades humanas já se encontram determinadas de forma hereditária e não se modificam mesmo com a ação do ambiente ao longo da vida. Algumas características: Seriam herdados dos pais os pensamentos, as emoções, personalidade, inteligência e aprendizagem; Tem como principais representantes Binet (elaboração dos Testes de QI) e Gesell (Escalas de Desenvolvimento); Contribuições para a educação: A educação tem a função de aperfeiçoar as características geneticamente herdadas do indivíduo; O desenvolvimento biológico e sua maturação são vistos como requisitos fundamentais para o aprendizado; A escola deve ser estruturada em etapas progressivas, que corresponda à maturação do indivíduo. Concepção comportamental: Parte do princípio de que as ações e as habilidades do indivíduo são determinadas por suas relações com o meio em que se encontram. Algumas contribuições: 11
  • 12.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Identificao indivíduo como um ser passivo, que recebe influências do ambiente. Ele é o que seu ambiente determina; Representantes: Watson e Skinner. Contribuições para a Educação. Ênfase no planejamento do ensino; Uso de reforços (notas, prêmios, elogios); Concepção interacionista: Acredita na inter-relação dos fatores biológicos com os estímulos ambientais. Considera que os dois elementos: o biológico e o social, não podem ser dissociados e exercem influência mútua. Algumas características: O homem se constrói a partir das interações que estabelece com o meio (objetos ou pessoas); Representantes: Piaget e Vygotski; O homem é um sujeito ativo em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Contribuições para a Educação: Explicação sobre o processo de aquisição do conhecimento; Importância das interações como promotoras de transformação. Mais adiante iremos conhecer as contribuições da concepção interacionista para a Psicologia e a Educação. O próximo item se refere à área da Psicologia que muito tem contribuído para a compreensão do espaço escolar. 1.3 Psicologia da Educação Se nós pudéssemos entrar na máquina do tempo e estivéssemos dispostos a retornar aos séculos passados, iríamos perceber vivências que hoje achamos que nem existem mais. Poderíamos presenciar a situação de não existir eletricidade? carros? Nem pensar! Imagine ser testemunha de uma época em que não existiam escolas. Educar significava uma interação profunda com a comunidade; era compreender e participar das tradições do local pela transmissão da experiência dos mais velhos. A educação tinha outro valor. Não estava aprisionada no espaço determinado e não era feita por especialistas. E quem eram os “mestres”, os “doutores do saber?” Quem educava quem? Todos os adultos educavam a partir da troca de suas experiências com os outros. “Aprendia-se fazendo, o que tornava inseparáveis o saber, a vida e o trabalho”. Ao retornarmos da viagem, provavelmente, estivéssemos impressionados com o estilo da sociedade que fora visitada. 12
  • 13.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Asociedade tem o compromisso em ensinar, em repassar seus valores e suas tradições. Cometeríamos um grave erro se achássemos que isso não existe mais (evidente que fazendo as devidas correções). O que chamo a atenção é para o compromisso que a nossa sociedade tem em ensinar, em repassar seus valores e suas tradições. Não aprende apenas mediado por professores nas escolas. A família, os amigos, as experiências, os meios de comunicação, a igreja, a VIDA! Educam (como na sociedade da máquina do tempo). A Escola é uma instituição que tem a função de educar sistematicamente as pessoas. Mas não é a única. A Psicologia da Educação se interessa por todas as oportunidades em que se estabelecem transmissões de conhecimentos. Como a escola é onde as trocas de conhecimento teórico são permeadas pelas intensas interações sociais e múltiplas diversidades de comportamentos e de valores, a Psicologia Educacional tem um campo de atuação vasto, o qual tem se dedicado a transformá-la num local favorecedor de desenvolvimento e aprendizagem harmônico. 1.4 Contribuição da Psicologia da Educação A Psicologia da Educação tem contribuído englobando dois pontos fundamentais: A compreensão do papel do aluno; A compreensão do processo ensino-aprendizagem. PILLETI (2001) considera sobre o papel do aluno: “Compreensão de suas necessidades, suas características individuais e seu desenvolvimento, no aspecto físico, emocional, intelectual e social. O aluno não é um ser ideal, abstrato. É uma pessoa concreta, com preocupações e problemas, defeitos e qualidades. É um ser em formação, que precisa ser compreendido pelo professor e pelos demais profissionais da escola, a fim de que tenha condições de desenvolver-se de forma harmoniosa e equilibrada”. Fonte da imagem: www.vila.org.br/revista_vila _21/alfabetizacao.htm A aprendizagem é um fator que contribui para tornar mais eficiente o ensino. 13
  • 14.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Oconhecimento sobre como se processa a aprendizagem é um fator que contribui para tornar mais eficiente o ensino. Assim o professor poderá identificar quais as possíveis falhas ou os pontos fortes que contribuem na aprendizagem. É importante que o professor também tenha o conhecimento de seu papel no processo de ensino-aprendizagem para que possa realizar sua tarefa de maneira eficiente. Este assunto será abordado com profundidade nos próximos temas. Resumo A Psicologia é uma ciência que estuda a subjetividade humana. Estudamos as concepções psicológicas, vimos que a visão de homem e de mundo que temos são determinantes em nossas atitudes. Identificamos as características básicas das concepções, seus representantes e influências na escola. A Psicologia da Educação representa uma parte da Psicologia que se dedica aos processos envolvidos no ensinar e no aprender. A Psicologia da Educação focaliza seus estudos em duas bases: a primeira refere-se ao papel do aluno e a segunda, à compreensão do processo ensino-aprendizagem. Auto-Avaliação 1. Nas afirmações abaixo, marque com V as alternativas corretas e F para as falsas. ( ) a Psicologia é considerada uma ciência que estuda os processos internos dos seres humanos, entre eles a subjetividade; ( ) a concepção interacionista pouco valoriza o meio; ( ) a compreensão do papel do aluno é fundamental para a Psicologia Educacional. 2. Apresente exemplos (02) do seu cotidiano em que surgiram situações relacionadas à subjetividade humana em Psicologia. 3. O que estuda a psicologia educacional? 4. Como a Psicologia pode ajudá-lo a observar e compreender as pessoas a seu redor, em especial seus alunos. 5. Como você compreende a influência do ambiente no desempenho de seus alunos e o seu como educador? Você conhece a história de vida de seus alunos? Como você pode modificar o contexto social deles? Bibliografia ANTUNES, M.A.M. A Psicologia no Brasil. São Paulo: Unimarco e Educ, 1999. BOCK, A M. B. & outros. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13. Ed.São Paulo.Saraiva, 2000. COUTINHO, M.T.C. & MOREIRA, M. Psicologia da Educação. Ed.Lê. 2001. FONTANA, R.& CRUZ, N. Psicologia e o Trabalho Pedagógico. São Paulo.Atual Editora, 1997. MOREIRA, P. R. Psicologia da Educação. Interação e identidade. São Paulo: FTD, 1996. MUSSEN, P. H. e outros. Desenvolvimento e Personalidade da Criança. São Paulo: Harbra Ltda, 1995. OLIVEIRA, Z. & DAVIS, C. Psicologia na Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002. PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática, 1999. 14
  • 15.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEI TEMA 2 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM Objetivos • Reconhecer o campo de atuação da Psicologia da educação presente no processo ensino-aprendizagem e suas implicações no trabalho pedagógico. 15
  • 16.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 2.1Aprendizagem Cada momento em nossas vidas é uma experiência única, que não se repete. Por mais que a rotina tente tornar nosso dia -a -dia previsível, o resultado ao final nunca será igual. Fonte da imagem - http://www.ic.sunysb.edu/Stu/bosulliv/classroom.gif Torne os conteúdos escolares aparentemente distantes da realidade dos alunos em algo significativo O mesmo acontece com a Aprendizagem. Em todos os momentos podemos aprender algo novo, diferente do que sempre foi feito anteriormente, mas determinados assuntos são aprendidos de uma só vez, sem necessidade de repetições e que são inesquecíveis. Quem não se recorda, por exemplo, do seu primeiro dia de aula, ou então, quando seu filho falou as primeiras palavras, ou quando foi duramente repreendido na infância pelos seus pais? Por que tais eventos raramente são esquecidos? O que ocorre com os alunos quando achamos que o conteúdo foi aprendido e, passados alguns dias, nada ou pouco sabe sobre o referido conteúdo? Ao assumirmos o papel de professor procuramos propor novos exercícios, outras fontes de literatura, aulas-passeio, exemplos, exercícios e métodos diferentes para transformar os conteúdos escolares em algo mais interessante para os nossos alunos. Por isso, encontrar a fórmula correta para tornar os conteúdos escolares aparentemente distantes da realidade dos alunos em algo significativo não é tarefa fácil. Boa parte do sucesso na transmissão do conhecimento e na elaboração da aprendizagem do aluno depende da colaboração do professor, pois este é um conhecedor das peculiaridades dos seus estudantes assim como do processo que envolve o aprender. 16
  • 17.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 2.2O que é aprendizagem? “Aprendizagem é a progressiva mudança do comportamento que está ligada, de um lado, a sucessivas apresentações de uma situação e, de outro, a repetidos esforços dos indivíduos para enfrentá-los de modo eficiente”. (McConnell) “A aprendizagem é uma modificação na disposição ou na capacidade do homem, modificação essa que pode ser anulada e que não pode ser simplesmente atribuída ao processo de crescimento”. (Gagné) “Normalmente, Consideram-se como aprendidas as mudanças de comportamento relativamente permanentes, que não podem ser atribuídas à maturação, lesões ou alterações fisiológicas do organismo, mas que resultam da experiência” (Sawrey e Telford). “A aprendizagem: um processo contínuo, individual, cumulativo e integrativo”. (Drouet) Aprendizagem é um processo de transformação do sujeito, de modificação de sua forma de pensar e agir frente ao mundo. Aprender significa mudar. É um feitiço que provoca no sujeito uma múltipla visão das coisas, onde todo o corpo está envolvido. É fantástico aprender e ser agente de promoção da aprendizagem de outras pessoas. 2.2.1 Características da aprendizagem Conclusões retiradas a partir da reflexão das conceituações mostradas acima: • Aprendizagem significa mudanças no comportamento. Somente quando existem de fato modificações no padrão do comportamento é que podemos dizer que houve aprendizagem, pois o simples ato de repetir comportamentos já incorporados anteriormente não significa estarmos aprendendo. • Aprendizagem é a modificação de comportamentos resultantes da experiência. “Quase todos os nossos comportamentos são aprendidos, mas não todos. Há comportamentos que resultam da maturação ou do crescimento de nosso organismo e, portanto, não constituem aprendizagem: respiração, digestão, salivação”. (Nelson Piletti). 17
  • 18.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO •A aprendizagem pode ser caracterizada por ser gradual. Isto é, aprendemos aos poucos durante nossa existência. Assim ela pode ser considerada como um processo contínuo, constante. Cada pessoa tem um ritmo de aprendizagem que lhe é peculiar, o qual associado a seu esquema de ação irá formar sua individualidade. • A aprendizagem como processo individual. Por razão da individualidade no processo de aprender é que algumas pessoas são mais rápidas do que outras. O processo de aprendizagem, como é pessoal, não pode sob nenhuma hipótese ser transferido a outras pessoas; podemos assim considerar que a aprendizagem é um processo pessoal, individual, isto é, tem fundo genético e depende de alguns fatores: Dos esquemas de ação inatos do indivíduo; do estágio de maturação de seu sistema nervoso; do seu tipo psicológico constitucional (introvertido ou extrovertido); de seu grau de envolvimento, seu esforço e interesse. • O fator cumulativo da aprendizagem. As novas aquisições aprendidas dependem das nossas anteriores que funcionam como pré-requisitos para as aprendizagens posteriores. Por esse motivo é que consideramos que a aprendizagem é um processo cumulativo, ou seja, cada nova aprendizagem agrega-se ao repertorio de conhecimentos e de experiências do indivíduo, construindo assim, sua bagagem cultural. • Processo integrativo da aprendizagem. O processo de acumular conhecimentos é extremamente dinâmico, pois a cada nova aprendizagem o sujeito reorganiza suas idéias, estabelece relações entre as aprendizagens anteriores e as novas; trata-se, assim, de um processo integrativo e dinâmico. O processo de aprendizagem é de extrema importância aos homens, pois, graças a ela, podemos modificar nosso comportamento e nossa maneira de compreender a realidade. Não esqueça!! Compreender como a aprendizagem se efetiva no ser humano é um desafio a educadores, a psicólogos, aos pais ou a qualquer pessoa interessada no desenvolvimento humano, pois é através da aprendizagem que o homem se afirma como ser social, crítico e racional, forma sua personalidade e se organiza para desenvolver um papel na sociedade. Para enriquecer seus conhecimentos sugiro que leia o texto do Rubem Alves Sobre Moluscos e Homens que foi publicado na Folha de S. Paulo, (Tendências e Debates, em 17/02/2002) disponível no site http://www.rubemalves.com.br/sobremoluscosehomens.htm e faça uma reflexão sobre a aprendizagem no ambiente escolar. 18
  • 19.
    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 2.3Elementos fundamentais do processo de ensino/aprendizagem A aprendizagem, como parte de um processo social de comunicação – a Educação -, apresenta os seguintes elementos: Comunicador ou emissor é o transmissor das mensagens, cujo papel é ativo no processo educativo; para tal deve estar motivado e ter pleno conhecimento da mensagem que irá transmitir a seus alunos; Mensagem é o conteúdo a ser transmitido aos alunos. É importante destacar que a mensagem deverá ser de acordo com as características do educando; Receptor é quem recebe a mensagem; Meio ambiente que são os meios escolares, familiares e sociais, locais onde se efetiva o processo de ensino/aprendizagem. O meio deve ser favorecedor e estimulante para a ocorrência de aprendizagem satisfatória. Importante! A aprendizagem depende da interação entre os quatro elementos: receptor, emissor, mensagem e do meio. Se houver falha em um desses a aprendizagem fica comprometida. 2.4 Fique atento as condições necessárias para a aprendizagem (dicas baseados na proposta de Ruth Caribé) Para que a aprendizagem se efetive é necessário que pelo menos sete fatores existam. A todos esses elementos, Bruner chamou de prontidão para a aprendizagem. São eles assim caracterizados: Saúde física e mental, motivação, prévio domínio, etapa de desenvolvimento, múltiplas inteligências, concentração, memória Fonte da imagem: adaptado de - www.ciberiglesia.net/educacion.htm 19
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 1.Observe a saúde física e mental dos alunos. Perturbações na área física como na psicológica interferem significativamente na aprendizagem. Perceba cada aluno individualmente e fique atento a sua mudança de comportamento e/ou humor. Eles poderão ser o motor gerador dos problemas de aprendizagem. 2. Pode-se considerar que uma pessoa que deseja aprender tem uma maior probabilidade em adquirir conhecimentos, habilidades ou técnicas. A motivação é, sem duvida, a mola propulsora da aprendizagem. Na sala de aula, o uso de jogos bem populares aos alunos para ensinar matemática, por exemplo, pode trazer resultados surpreendentes. Mas tenha o cuidado para não perder o objetivo: é preciso despertar a motivação do aluno ao conteúdo. 3. Valorize os conhecimentos, habilidades e experiências anteriores dos alunos. O prévio domínio é essa bagagem cultural que formamos diante de nossa relação com meio, experiências vivenciadas, etc. 4. Respeite a etapa de desenvolvimento dos alunos. Tenha a atenção para não fazer exigências que vão além das capacidades neuro-físico-psico para realizá-las. 5. Estimule as múltiplas inteligências. A nova tendência é compreender a inteligência como a capacidade para assimilar novos conteúdos e compreender as informações recebidas; de estabelecer relações entre as informações; é também a capacidade de criar e inventar coisas novas; capacidade de raciocinar de maneira lógica na resolução de problemas. 6. Promova condições para melhorar a capacidade de concentração em um determinado assunto nos alunos. Quanto maior a capacidade do indivíduo se concentrar no objeto de conhecimento, maior sua facilidade para aprender. 7. A Memória é um dos fatores da inteligência, o qual se refere aos variados processos (codificação, armazenamento e recuperação) e estruturas envolvidas no armazenamento e recuperação de informações. Favoreça a motivação utilizando recursos como a música, teatro, dança, desenho. Memorizamos mais rápido e retemos a informação por mais tempo, quando ela nos mobilizou um envolvimento global. Resumo A aprendizagem é uma condição fundamental para a existência do ser humano. A escola encontra-se envolvida com a mudança de atitudes frente ao mundo. Por isso a aprendizagem é um valioso assunto a ser estudado pela escola. A aprendizagem caracteriza-se por ser gradual, individual, transformadora e modificadora de comportamentos. Para que exista são necessárias 4 condições fundamentais: meio, mensagem, o receptor e o emissor. É necessária a existência de sete fatores para ocorrer a aprendizagem: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, as etapas de desenvolvimento, as inteligências múltiplas, concentração e memória. Auto-Avaliação 1. Nas afirmações abaixo, marque com V nas alternativas corretas e F para as falsas. () duas crianças, estudantes da mesma sala de aula, têm idênticas as suas formas para aprender; () qualquer pessoa é capaz de aprender; () a capacidade de aprender é vital para o ser humano, pois dela depende sua sobrevivência; 20
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ()o professor deve estar preocupado exclusivamente com a transmissão do conteúdo, e o aluno com a sua aprendizagem. Bibliografia ALENCAR, E.S. (1994). Novas contribuições da psicologia aos processos de ensino e aprendizagem. São Paulo: Cortez. BACHRACH, A.J. (1975). Introdução à pesquisa psicológica. São Paulo: EPU. DOUET, R. C. R. Fundamentos da Educação Pré-Escolar. São Paulo: Editora Ática 1990 GAGNÉ, R.M. (1974). Como se realiza a aprendizagem. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. PFROMM NETTO, S. (1987). Psicologia da aprendizagem e do ensino. São Paulo: EPU. PILETTI, N. (2002). Psicologia Educacional. São Paulo: Ática. SKINNER, B.F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix/Edusp. WITTER, G.P. E LOMÔNACO, J. F. B. (1987). Psicologia da aprendizagem: áreas de aplicação. São Paulo: EPU. 21
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEI TEMA 3 PARÂMETROS SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO Objetivo • Compreender a importância da Psicologia do desenvolvimento para o planejamento das atividades de sala de aula, especialmente para a construção de vínculos eficientes entre o educador e o educando. 22
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 3.1Caracterização da Psicologia do Desenvolvimento O desenvolvimento humano passa por um processo longo e gradual de modificações, que englobam desde as características físicas às emocionais. Percebe-se que cada pessoa tem um ritmo próprio de crescer, estabelecer vínculos e daí estruturar sua vida. Cada pessoa só pode ser compreendida se levarmos em consideração sua individualidade e sua época. Fonte da imagem: http://www.acclaimimagens.com/_galery/ SM/00150304-2620-0535_SM.jpeg Não podemos analisar a história de vida de uma pessoa sem considerarmos o contexto em que ela vive. Cada pessoa só pode ser compreendida se levarmos em consideração sua individualidade e sua época. Uma percepção que tenho de uma criança nascida no ano de 2000 será bem diferente da que nascerá do mesmo casal no 2020, por exemplo. O tempo tem sua dimensão individual e também social, pois cada sociedade tem sua forma de se organizar, de definir seus papéis e representatividades. Cada sociedade divide a existência em diferentes etapas. Na nossa, costumeiramente dividimos em infância, adolescência, idade adulta e velhice. E para cada uma delas, são definidos comportamentos específicos. Porém não se tem certeza quando é o inicio e o fim de cada período. A definição do tempo de início e fim é feita pelo seguimento dos padrões de comportamento esperado pela sociedade. Por exemplo: o que se espera de um homem adulto? Ou de uma criança? Os estudiosos do desenvolvimento humano se interessam em estabelecer uma relação entre o tempo e a existência do indivíduo, na busca de explicar e descrever as modificações evolutivas físicas, psicológicas, sociais e cognitivas que ocorrem com os indivíduos ao longo de suas vidas. 3.2 Psicologia do Desenvolvimento: Aspectos históricos Você acha que sempre se pensou a criança e o adolescente tal como hoje? É claro que não. A preocupação com o estudo da criança é relativamente recente. A noção de criança, tal como concebemos hoje, não existia antes do século XVII. A forma pela qual a sociedade ocidental tem tratado a criança tem se modificado ao longo dos tempos. O modo pelo qual o homem medieval e o moderno conceberam a 23
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO infânciamodificou-se. A modificação da concepção dos adultos frente à criança surgiu a partir do século XVII. Nos séculos X-XI, a criança não era caracterizada por uma expressão diferenciada e reconhecida pela sociedade. Os adultos mal viam as crianças e pior ainda os adolescentes. A fase infantil reduzia-se ao período em que a criança demonstrava fragilidade e dependência de seus pais ou cuidadores. Quando adquiria algum desembaraço físico, era levada a compartilhar as atividades dos adultos, inclusive seus trabalhos e diversões. Nesse sentido não havia o cuidado especial com as peculiaridades das crianças e dos adolescentes por parte da família e também da sociedade da época. Foi no século XX que se iniciou efetivamente o estudo científico sobre a criança e seu comportamento. Desde então são realizadas pesquisas sobre diferentes aspectos infantis. A modificação da concepção dos adultos frente à criança surgiu a partir do século XVII. As teorizações da Psicologia Infantil, concepção do desenvolvimento psíquico sob o enfoque psicanalítico, a construção da inteligência proposta por Piaget, o estudo da interação do desenvolvimento físico e mental proposto por A. Gesel, as pesquisas sobre o primeiro ano de vida de R. Spitz consolidam, atualmente, a significação da criança como diferente do adulto, com necessidades diferentes, sentimentos e emoções particulares de cada idade e, portanto, merecedores de abordagem específica, que apresente em seu bojo sua situação de desenvolvimento. 3.3 Conceito de Psicologia do Desenvolvimento É um ramo da Psicologia que tem por objetivo a investigação do processo do como e por que os indivíduos evoluem durante o ciclo de vida. O desenvolvimento implica as modificações físicas, cognitivas, psíquicas e neurológicas que ocorrem de forma relativamente duradoura e ordenada. 3.4 Metas da Psicologia do Desenvolvimento Os três aspectos da evolução infantil são de importância fundamental para a compreensão abrangente sobre o processo de desenvolvimento humano. São eles: a) Compreender as mudanças universais. O interesse é de identificar mudanças pertinentes em todas as crianças independentemente da cultura em que viveram ou das experiências que tiveram. Inicialmente, os pesquisadores do desenvolvimento procuram descrever as mudanças universais, para posteriormente compreendê-las. 24
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Oconhecimento oportunizado pode esclarecer dúvidas, como por exemplo, quais os comportamentos normais ou apropriados para diferentes idades, ou se as atitudes educacionais dos pais têm distintos efeitos nas diferentes idades. b) Explicar as diferenças individuais. As informações sobre as diferenças individuais podem esclarecer questionamentos específicos de cada situação a fim de se poder tomar uma decisão em prol da criança. c) Identificar como o desenvolvimento é influenciado pelo contexto ou situação ambiental. O ambiente pode influenciar o desenvolvimento do indivíduo designando oportunidades para que diferentes comportamentos ocorrerem ou influenciando o comportamento dos pais. 3.5 Importância do Estudo do Desenvolvimento Humano para o Educador O estudo do desenvolvimento é bastante útil ao professor, pois significa conhecer com amplitude as características de cada etapa do desenvolvimento, reconhecer suas peculiaridades. Pode-se também, identificar as preferências, habilidades e limites. Fica mais fácil observar e interpretar os comportamentos. Esses dados são interessantes para que o educador construa seu planejamento baseado no o que e no como ensinar. Conhecer o desenvolvimento dos alunos e, em especial, seu processo de aprendizagem sempre ajuda ao professor a refletir sobre sua prática e compreender seu papel como facilitador. O trabalho em sala de aula torna-se atraente para motivar o aluno e conseqüentemente, a aprendizagem se consolida de forma mais significativa e prazerosa. 25
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 3.6Fatores que Influenciam o Desenvolvimento Humano O desenvolvimento humano sofre influência dos seguintes fatores: a hereditariedade, o crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica e o meio. • Hereditariedade: Refere-se à carga genética herdada dos pais, que podem se desenvolver ou não. • Crescimento orgânico É representado pelo aspecto físico. • Maturação neurofisiológica Traz a possibilidade de executar padrões de comportamento. • Meio São estimulações ambientais de que sofremos influência. Importante: Estes fatores se encontram em interação constante e afetam todos os aspectos do desenvolvimento humano. 3.7 Fases do Desenvolvimento Humano Cada etapa tem suas características peculiares que envolvem o indivíduo como um todo desde seus aspectos físicos aos cognitivos e emocionais, embora as etapas do desenvolvimento humano envolvam as seguintes fases: lactência, pré – escolar, escolar, adolescência, adulta e velhice. Neste tema apenas nos deteremos nas três primeiras etapas; pois os assuntos referentes ao desenvolvimento do adolescente serão aprofundados no próximo tema. • Primeira Infância ou Lactência: A primeira infância abrange o período do desenvolvimento que vai do nascimento aos dois anos de idade, aproximadamente. Existem diferenças fundamentais em cada uma das crianças como, por exemplo, o peso, o tamanho e o ritmo de crescimento. Ao nascer, o bebê tem cerca de aproximadamente 3 kg a 3,5 kg e mede cerca de 50 centímetros de altura. Estamos informando dados aproximados, está certo? Ao nascer, o bebê tem que enfrentar uma série de modificações advindas do ambiente. Imagine que ele estava convivendo em um ambiente extremamente acolhedor, que a temperatura se mantinha sempre quentinha, não havia fome, não existiam luzes intensas e o som chegava fraquinho devido ao liquido amniótico. Um paraíso!! Inclusive alguns teóricos psicanalistas sustentam a tese de que o primeiro trauma humano é o do nascimento. Vamos conhecer algumas dessas modificações: 26
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO • • • Temperatura.Como já comentamos no parágrafo anterior, o feto na vida intrauterina, se acostuma com uma temperatura elevada do corpo materno. Ao nascer, o organismo do bebê procura se ajustar às variações ambientais de temperatura; Respiração. Após o corte do cordão umbilical, o bebê vai ter que respirar por sua própria conta pelo resto de sua vida. Atividade de sucção e deglutição. Nos primeiros meses esses reflexos assumem um papel primordial para obter a tal nutrição e, por conseguinte, sua sobrevivência. Eliminação de produtos excretórios. Na vida intra-uterina, o feto realiza a eliminação através do cordão umbilical. Quando nasce, essa eliminação é feita pelos órgãos do bebê, e naturalmente requer ajustamento orgânico e aprendizagem. Para Piaget o bebê ao nascer até os dois anos de idade, aproximadamente está na primeira fase do desenvolvimento cognitivo, a sensório - motor. Nesta fase a criança aprende através de suas ações e de seus movimentos sobre o meio; Do ponto de vista do desenvolvimento emocional segundo Erik Erikson um aspecto a se considerar neste período é o da confiança básica. A confiança se estabelece quando os pais apresentam à criança uma certeza de que será atendida assim que seja necessário. A regularidade e a qualidade da atenção manifestada pelos cuidadores promovem na criança a expectativa agradável e segura de que será atendida. Ela adquire um sentimento de confiança nos adultos, mesmo que estes não se façam presentes, na ocasião. Percebemos quando a criança estabelece esse sentimento de confiança básica, quando consegue deixar sua mãe sem sentir ansiedade. Quando os cuidadores não conseguem passar o sentimento de confiança, não satisfazendo às necessidades da criança de forma adequada, ela começa a perceber o mundo de forma ameaçadora, não confiável. Os pais se mostram muito impacientes ou hostis não oferecendo a atenção às necessidades da criança. Os sentimentos de raiva, abandono, isolamento e ansiedade são inevitáveis e serão posteriormente estendidos a outras situações / pessoas do mundo. A confiança básica se desenvolve como uma conseqüência natural da vivência de um clima emocional favorecedor de crescimento que nutrem as possibilidades de desenvolver na criança uma personalidade segura e saudável. O desenvolvimento social do bebê é basicamente seu envolvimento com os adultos de sua família, especialmente com seus pais. Embora muitas vezes possamos encontrar crianças brincando, não existe entre elas o sentimento de amizade, de estarem juntas. Nesse período a tarefa básica é o reconhecimento de si e da realidade que a circula. Elas se sentem como os elementos mais especiais e mais atrativos do mundo. • Fase Pré-escolar Este período também é conhecido por Segunda Infância e, para finalidades didáticas, esse período compreenderá as idades de dois aos seis anos, aproximadamente. Sem dúvida é um dos períodos mais fascinantes do Desenvolvimento Humano. É etapa marcada pela ansiedade por descobertas, na qual todas as novidades assumem um caráter de onipotência. Logo após os dois anos de idade a criança ostenta uma postura mais ativa frente ao mundo e às pessoas. Ela agora já possui uma consciência de si mesma, compreende que é diferente das outras pessoas e dos objetos. Sua sina é conhecer o mundo que a rodeia para descobrir o tipo de pessoa que poderá tornar-se. 27
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Omundo da fantasia rege a criança por todos os instantes, em todas as suas atividades. A fantasia possibilita à criança a realizar situações impossíveis na realidade. Na brincadeira, a criança pode junto a outras crianças ensaiarem novos papéis sociais que posteriormente irá assumi-los. Nas gostosas brincadeiras de casinha, de bonecas, de professor, de carrinhos, motorista etc. oferece vivências que, indiretamente, ela está usando na aprendizagem do respeito às normas e no conceito de justiça. Assim, a criança está se preparando para conviver de forma agradável e divertida com o mundo que ela está começando a conhecer. É um poderoso recurso para o desenvolvimento da capacidade criativa, além de ser um recurso de comunicação simbólica na qual a criança expressa seus sentimentos de culpa, suas idéias, suas emoções e aspectos importantes de sua realidade. De um instante, uma caixa de sapatos pode se tornar um fogão, pouco tempo depois, ela ressurge como um carro, e essas possibilidades não têm limites, a não ser o da imaginação da criança. A imaginação ultrapassa a barreira do tempo, do espaço e da realidade. Fase Escolar (dos 7 aos 12 anos de idade) A fase escolar vivencia o estágio das operações concretas. A criança na fase escolar apresenta um conjunto de características consideráveis em todo a sua forma de ser. As mudanças atingem o seu comportamento, sua linguagem, seu relacionamento interpessoal e a sua qualidade se raciocínio. É o período marcado pela entrada das crianças no processo escolar. O crescimento físico desta fase é consideravelmente mais lento que as demais, porém as diferenças corporais sexuais começam a serem definidas mais claramente. Do ponto de vista do desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget, o escolar vivencia o estágio das operações concretas. Seu pensamento é capaz de realizar interpretações valorizando vários pontos de vista tornando o jovem mais competente para compreender a realidade de forma mais objetiva e clara permitidas pela aquisição das capacidades de reversibilidade e a associação em decorrência da diminuição do egocentrismo e da fantasia. Na fase escolar as amizades e a escola desempenham um papel relevante. A escola oferece a oportunidade de lidar com figuras de autoridade complementar aos papéis de valores e ética dos familiares. O término desta etapa é representado pela puberdade, que apesar de curta é de fundamental importância no processo evolutivo, pois é nela que ocorrem as transformações corporais mais expressivas na história do indivíduo. A puberdade se caracteriza por uma série de modificações estruturais e fisiológicas. O fator mais representativo do ponto de vista fisiológico é o amadurecimento sexual resultante das funções hormonais. Tais transformações repercutem no indivíduo como um todo, inclusive corroborando as conseqüências psicológicas. 28
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Paraampliar seus conhecimentos assista ao vídeo sobre esta etapa evolutiva do desenvolvimento. Resumo A Psicologia do Desenvolvimento é uma área da Psicologia que se dedica à compreensão do como e do por que se efetiva o processo da evolução humana. Seu estudo é fundamental ao professor, pois a compreensão das características dos indivíduos nas diferentes etapas de sua vida permite a adequação dos conteúdos a serem ministrados e estratégias pedagógicas eficientes. As metas da psicologia do desenvolvimento são: compreender as mudanças universais, explicar as diferenças individuais e identificar como o desenvolvimento é influenciado pelo contexto ou situação ambiental. O desenvolvimento humano sofre influência dos seguintes fatores: a hereditariedade, o crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica e o meio. Estes fatores se encontram em interação constante e afetam todos os aspectos do desenvolvimento humano. Os aspectos do desenvolvimento são quatro: Físico-motor, Intelectual, AfetivoEmocional e Social. A divisão dos aspectos se efetiva diante da necessidade didática. As fases do desenvolvimento humano são as seguintes: pré - natal, lactência, préescolar, escolar, adolescência, adulta e terceira idade. Auto-avaliação 1. Marque com V as alternativas verdadeiras e com F as falsas nas sentenças abaixo: O desenvolvimento é caracterizado pela evolução existente no ser humano do nascimento até a adolescência. ( ) Os aspectos do desenvolvimento são o físico-motor, emocional, social e cognitivo. ( ) A hereditariedade é a principal responsável pelo desenvolvimento futuro do indivíduo. ( ) O interesse pelo estudo sobre o desenvolvimento humano é considerado recente entre os cientistas. ( ) 2. Como você, professor, percebe que mudanças emocionais afetam a aprendizagem dos jovens na idade escolar? 3. Após a leitura deste tema qual a sua definição sobre o desenvolvimento humano? 4. Como as fases pré – escolar e escolar são compreendidas pela sua comunidade e na escola? Justifique seu posicionamento. Bibliografia BADINTER, E. (1992). Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. BEE, H. (1996). A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas. BEE, H. (1997). O ciclo vital. Porto Alegre: Artes Médicas. BOWLBY, J. (1987). Apego. São Paulo: Martins Fontes. 29
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO BRAZELTON,T.B., CRAMER, B., KREISLER, L., SCHAPPI, R. & SOULÉ, M. (1987). A dinâmica do bebê. Porto Alegre: Artes Médicas. ERICKSON, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar. MUSSEN, P.H., CONGER, J.J. & KAGAN, J. (1977). Desenvolvimento e personalidade da criança. São Paulo: Harper & How. PINKUNAS, J. (1979). Desenvolvimento humano. São Paulo: McGraw-Hill. 30
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEI TEMA 4 PSICOLOGIA DA ADOLESCÊNCIA Objetivo • Promover a reflexão sobre as diversas facetas que envolvem a fase da adolescência 31
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 4.1Adolescente Etimologicamente, a palavra adolescência tem origem do verbo latino adolescere, que representa o crescer ou o se desenvolver até a maturidade. O psicólogo americano Stanley Hall criou o primeiro conceito de Adolescência, em 1904. É considerado um período de transição entre a infância e a fase adulta. Historicamente, a mudança da fase da infância para a idade adulta era evidenciada por rituais de passagem. Em todas as sociedades existem rituais para a idade adulta. Os rituais serviam para avaliar as possíveis condições do jovem para enfrentar as responsabilidades dos adultos. Vamos conhecer a evolução de alguns ritos de passagem para a adolescência ao longo da história da humanidade: • Na Antiguidade Clássica O jovem grego adquiria status se passasse pelo rito de passagem: um período de aprendizagem com um mestre e discípulo. • Idade Média Deixar de ser criança, significava ser ordenado cavaleiro. Fato que acontecia por volta dos 15 anos de idade, época em que recebia armas, cavalo de combate e armadura para os torneios. • No Século XVII A iniciação na vida adulta se dava pelo ingresso do jovem no serviço militar. No entanto, os trabalhos na agricultura e nas manufaturas eram iniciados desde cedo. • Entre os séculos XVIII e XIX. A passagem do jovem para a fase adulta era feita após a primeira desilusão amorosa. • Década de 50 Nos Estados Unidos a adolescência passa a ser considerada um status social. As oportunidades de ingressar uma faculdade e consumir para o jovem eram crescentes. • Década de 60 32
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Nesteperíodo ser adolescente significava rebeldia. As musicas da época relatavam sobre drogas, política, economia e sexualidade. Os adolescentes tinham com sonho de consumo morar sozinho. • se. Década de 80 A rebeldia se fragmenta em tribos, cada uma com um estilo próprio de comportar- • 2000, a geração plugada A marca registrada desta geração é seu envolvimento com a tecnologia. As informações tecnológicas dominam as relações, comportamento e pensamento. 4.2 Duração da adolescência O tempo de permanência da adolescência tem se modificado ao longo da historia como também estar sujeito à cultura. Nas sociedades industrializadas, o tempo de permanência na adolescência tem aumentado, iniciando-se aos 12/13 anos indo até aos 19 anos aproximadamente, quando o crescimento físico está totalizado. No aspecto cronológico, principalmente, nos padrões ocidentais, a adolescência vai dos 13, 14 anos aos 20,21 anos. 4.3 Etapas de desenvolvimento da adolescência A adolescência é uma etapa bastante complexa que foi dividida em cinco subetapas; São de suma importância que os educadores e pais conheçam as peculiaridades de cada etapa, a fim de facilitar a relação entre eles e propor atividades adequadas às suas necessidades desenvolvimentais. Içami Tiba no livro: “Disciplina. O limite na medida certa” considera a adolescência “um segundo parto: nascer da família para andar sozinho na sociedade”. Para o adolescente, nascer é necessário, expulsar seus laços dos familiares do seu mundo, embora continue dependendo deles para sua sobrevivência. O processo do adolescer depende do sexo. Nas meninas, o processo da puberdade inicia-se nas idades de 9 e 10 anos; a menarca aos 11 ou 12 anos e acontece a onipotência juvenil. Já nos meninos esse procedimento se organiza de maneira diferente, a puberdade é mais longa e seu inicio é mais tardio (10 -11 anos); aos 15 – 16 anos é o momento da mutação e a onipotência juvenil pode ser prolongada até os 18 ou 20 anos. Vamos conhecer essas cinco etapas da adolescência, segundo o referencial do psiquiatra Içami Tiba: • Confusão pubertária É a fase em que o jovem mais sofre pelas mudanças emocionais e físicas originadas pela glândula hipófise. É comum ficar confuso e ansioso, neste momento os professores e os pais têm um papel fundamental de apoiá-lo a reestruturar seu posicionamento frente a si e ao mundo. • Onipotência pubertária 33
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Nesteperíodo o menino “transpira testosterona”. E a presença dela acarreta mudanças, digamos, um pouco estranhas. Existe um crescimento desproporcional no seu corpo: um aumento das extremidades corporais (mãos e pés), porém sua altura não. Seu pênis permanece com características infantis, no entanto ele já produz espermatozóides. Aos 12 e 13 anos acontece a semenarca (É o nome que se dá à primeira ejaculação do menino). Quanto às características comportamentais observamos: crises de oposição, negação freqüente, mau-humor e agressividade. Observe um trecho do livro Amor, Felicidade & Cia, do Içami Tiba, e perceba algumas das características desse período: Adolescente é adrenalina que agita a juventude, tumultua os pais e os que lidam com ele. ADRENALINA que dá taquicardia nos pais, depressão nas mães, raiva nos irmãos, que provoca fidelidade nos amigos desperta paixão no sexo oposto, cansa os professores, curte um barulhento som, experimenta novidades, revolta os vizinhos (...) Já nas meninas, o sentimento de onipotência não é tão evidente e se mostra nas ocasiões em que se sente injustiçada, incompreendida. Apresenta fortes sentimentos de solidariedade e envolve-se nas campanhas assistenciais. Por outro lado, em determinados momentos, torna-se agressiva e mal educada. As amizades assumem uma função de importância em sua vida. O educador deve procurar manter a calma. É essencial não provocar situações de imposição de ordens. A regra é buscar o equilíbrio. • Estirão É mais notado nos rapazes. Há um aumento significativo na sua altura devido ao alongamento do fêmur. Nem tudo cresce, o rosto e pênis permanecem como de criança. As mudanças não cessam por ai. Seu comportamento a cada dia se transforma; apresenta timidez social, vergonha do corpo, torna-se desastrado (perdeu a noção de seu esquema corporal) e começa a procurar uma roupa para sair, é um verdadeiro tormento. Nas garotas o desenvolvimento corporal continua bastante acelerado; existe um aumento de peso e, conseqüente arredondamento de suas formas e crescimento dos seios. Como no rapaz, ela também começa a ter vergonha de seu corpo em transformação. 34
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO • Menarcae a mutação O inicio da próxima fase é marcada pela ocorrência de dois fenômenos biológicos: menarca, primeira menstruação e a mutação, mudança de voz, nos rapazes. As garotas apresentam amadurecimento psicológico. É saudável ter cuidado com o físico. Na adolescência essa preocupação piora. Imagina o que representa para um rapaz notar que seu nariz e as suas orelhas cresceram mais acelerados do que o resto do corpo (o pênis se desenvolve). O rosto fica desequilibrado. Imagina quando surgem as temidas acnes ou “as inimigas mortais”: celulite e estria. Essas situações os deixam muito sensíveis. 35
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO • Onipotênciajuvenil ADOLESCENTE é um Deus com frágeis pés, um apaixonado que não “segura” uma gravidez, um atleta que busca o colo dos pais, um ousado no volante que acaba com o carro, um temerário que morre porque desconsidera o perigo, um herói sexual reprimido pela timidez, um conquistador que sofre “um branco” na hora H, alegria de sonrizal em copo de água, escuridão da casa em que foi cortada a luz... Nesta fase rapazes e moças se sentem como “deuses”: a arrogância, a impulsividade, as paixões, sexualmente potentes, pouco tolerantes às frustrações, conquistador e desejo de aventuras. Desrespeita os ciclos vitais de alimentação e sono e, sobretudo, os conselhos paternos. O término dessa etapa se dá pelo amadurecimento psicológico. “Quanto mais saudável o adolescente, menos onipotente precisará ser, pois aprendeu a lidar melhor com as frustrações e a incapacidades do ser humano. O vestibular com suas características competitivas ajuda bastante a resolver ou agravar essa ‘mania de Deus’”. 4.4 Algumas considerações sobre o adolescente atual • Síndrome da quinta série Como vimos acima, os rapazes e as moças estão na idade de aproximadamente 11 anos na quinta série, em pleno período de modificação corporal e emocional. As queixas de tonturas, dores e mal-estar são comuns nesta fase. É também normal não encontrar correspondente fisiológico para as queixas. O rapaz tem neste período a aquisição do pensamento lógico abstrato (ver sobre desenvolvimento intelectual – Piaget). São freqüentes as queixas de dificuldade de concentração e de organização. • Uso de drogas 36
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Ouso de drogas promove alterações diversas no organismo dos jovens. Embora tenha se investido em campanhas contra as drogas, muitos dos jovens têm dito sim a elas. Desinformado ele não está. E o que leva um jovem a procurá-la? As respostas podem ser: curiosidade ou o desejo de pertencer a um grupo de amigos. Quando o aluno chega à escola drogado é porque esta já faz parte de seu cotidiano. O professor facilmente identifica um aluno que tenha usado álcool, fumo, esteja agitado ou sonolento. Cabe ao professor a tarefa de comunicar o fato a direção, coordenação ou orientador. Limite-se a encaminhar a situação. 37
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO • Sexualidade Semdúvida é a geração mais informada a respeito do sexo. Atualmente existe um leque de opções em prol da informação sobre a sexualidade. A escola tem um papel importante neste processo, pois o adolescente embora informado, em sua maioria é muito confuso. Sem sermões – adolescentes os odeia. Sobretudo quando o tema for sexo. • Em busca de uma profissão "A maioria das pessoas decide quanto à sua carreira numa idade em que não tem experiência e discernimento para saber qual atividade é mais adequada para si". Erich Fromm. Para o jovem o momento da escolha profissional é um momento de conflito – é como você estivesse à frente de uma vitrine de loja que você deve escolher um sapato, sem ter a oportunidade de experimentá-lo. E assim ele terá que fazer uma opção de futuro profissional que ocupará um período significativo em sua vida. A escolha de uma profissão não é algo fácil, tendo em vista os vários fatores que podem interferir (social, financeira, traço de personalidade, etc.). Quanto mais o adolescente encontra-se seguro de si, compreende e conhece esses fatores, mais domínio terá na sua escolha. Resumo Etimologicamente, a palavra adolescência tem origem do verbo latino adolescere, que representa o crescer ou o se desenvolver até a maturidade. O psicólogo americano Stanley Hall criou o primeiro conceito de Adolescência, em 1904. O tempo de permanência da adolescência tem se modificado ao longo dos tempos e também varia dependendo da cultura. Içami Tiba no livro: “Disciplina. O limite na medida certa” considera a adolescência “um segundo parto: nascer da família para andar sozinho na sociedade”. É de suma importância que os educadores e pais conheçam as peculiaridades de cada etapa, a fim de facilitar a relação entre eles e propor atividades adequadas as suas necessidades desenvolvimentais. As cinco etapas da adolescência, segundo o referencial do psiquiatra Içami Tiba: Confusão pubertária; onipotência pubertária: Estirão; Menarca e a mutação; Onipotência juvenil. Algumas características do adolescente atual incluem: Síndrome da quinta série; Uso de drogas; Sexualidade e a busca de uma profissão. Auto-avaliação 1. A fase de adolescência provoca apenas alterações físicas no organismo do jovem. ( ) certo ( ) errado 2. A escolha profissional é um momento importante na vida do jovem. ( ) certo ( )errado 3. A síndrome da quinta série acontece apenas com os homens. ( ) certo ( ) errado 38
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 4.De acordo com a sua realidade, quais os maiores desafios vivenciados pelo adolescente na atualidade? 5. O que você compreende por disciplina? Faça uma reflexão sobre o fenômeno da indisciplina na sala de aula. 6. Faça um comentário sobre suas percepções acerca deste texto: Difícil é lidar com ele, porque ele não se entende com o próprio corpo e ainda é ridicularizado pelos seus próprios colegas, ele quer resolver os problemas do mundo, mas se atrapalha com simples questões de matemática, ele prefere a certeza de não estudar a arriscar sua inteligência numa prova escolar, ele nem bem se mete a arrumar o seu quarto, mas lava e lustra o carro como um joalheiro, ele se indispõe contra os outros em defesa de seus pais, que ele mesmo maltrata, ele fuma maconha empunhando a bandeira da ecologia e do menos mal, ele é rebeldemente sociável e seguramente instável, ele ri com lágrimas, enquanto chora com gargalhadas, ele brinca de brigar e briga para amar, ele vive sonhos e projetos de um vir a ser porque O adolescente é pequeno demais para grandes coisas, grande demais para pequenas coisas. (Dr. Içami Tiba - Texto retirado do livro Amor, Felicidade & Cia.) Bibliografia BOCK, A. M. B. (2000)& outros. Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13. Ed.São Paulo. Saraiva. BEE, H. (1996). A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas. DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books, ERICKSON, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar. MUSSEN, P.H., CONGER, J.J. & KAGAN, J. (1995). Desenvolvimento e Personalidade da Criança. São Paulo: Harbra Ltda, 1995. PAPALIA, D. e OLDS, S. W. (1997) O Mundo da Criança. Da infância à adolescência. São Paulo: Makbon. ROSA, M. (1986) Psicologia Evolutiva. Psicologia da Adolescência. Petrópolis: Vozes. TIBA, I. (1996) Disciplina: o limite na medida certa. São Paulo: Editora Gente. 39
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEI TEMA 5 MOTIVAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL Objetivo • Favorecer a compreensão sobre a importância do estudo os aspectos gerais da motivação para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. 40
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 5.1Definição e natureza do motivo Definição etimológica: “Motivo” é de origem latina da palavra “movere. Motum” significa aquilo que faz mover. Conseqüentemente, motivar significa provocar movimento, atividade no sujeito. A palavra “motivo” é utilizada para designar as forças sociais e fisiológicas que impulsionam o ser humano a agir. Quando nos referimos às forças que despertam os animais chamamos de impulsos ou instintos. 5.2 Teoria de Maslow – A Hierarquia das Necessidades A teoria da motivação humana foi elaborada por Abraham H. Maslow e parte do princípio da hierarquia das necessidades biológicas, psicológicas e sociais dos homens. Ela se caracteriza por compreender o homem como um ser eternamente descontente e detentor de necessidades, que se relacionam entre si por uma escala hierárquica na qual uma necessidade deve estar parcialmente satisfeita, antes que outra se revele como prioritária. Essas necessidades estão dispostas no formato de uma pirâmide, em cuja base encontram-se as necessidades básicas (necessidades fisiológicas) e no topo, as mais elevadas (as necessidades de auto-realização). Pirâmide de Maslow – A Hierarquia das Necessidades 41
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO espécie(alimentação, sono, abrigo etc). Quanto à necessidade de segurança esta se refere ao desejo de proteção à fuga e ao perigo. O ser humano busca satisfação nos contatos sociais que compreendem o desejo de associação, de participação, de amizade, afeto e amor. A necessidade de auto estima está relacionada com a forma de auto-avaliação. Envolve a autoconfiança, prestígio social, status, prestígio e importância, independência e autonomia. A necessidade de auto-realização é a mais elevada e encontra-se localizada no topo da pirâmide. É esta necessidade que impulsiona cada pessoa a auto-desenvolver-se continuamente, podendo incluir o aperfeiçoamento, experiências estéticas e metafísicas, ou a busca da espiritualidade. 5.3 Frustração Quando não conseguimos satisfazer um desejo ficamos frustrados. Alguns autores consideram que uma das conseqüências mais freqüentes da frustração é a agressividade. 5.4 Incentivos São exemplos de incentivos: Elogio, Punição, Censura e Recompensa. As necessidades se encontram em cada indivíduo apagado e cabe ao incentivo acendê-lo. Os incentivos são de origem externa ao indivíduo advindas do meio, enquanto que o desejo é propriedade interna, de nossa personalidade. A motivação (intrínseca) está dentro de nós. Resta aos incentivos (motivação extrínseca) impulsionar ou não o comportamento em busca da satisfação. Importante: No cotidiano escolar podem-se utilizar os incentivos para despertar a atenção dos alunos. 5.5 Motivação na Escola Não é fácil estabelecer uma relação prazerosa entre o trabalho escolar e as necessidades do aluno. Temos que mostrar incentivos que despertem no aluno o prazer de aprender. • Conhecimento sobre o aluno. A definição da estratégia motivacional depende do conhecimento que se tem do aluno. Devese levar em consideração a idade dos alunos, sexo, contexto social etc. • Personalidade do professor. Grau de envolvimento do professor com os alunos, postura de respeito, dinamicidade, cordialidade e outros atributos; • Material didático. Deve oferecer ao aluno o desenvolvimento de sua capacidade crítica e a cidadania de maneira adequada à idade do leitor; o livro didático deve ser escolhido e bem utilizado para despertar o desejo de aprender. 42
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO • Métodoou modalidades práticas de trabalho empregado pelo professor; A metodologia promove o favorecimento da motivação. Planeje sua aula levando em consideração a vivência dos seus alunos e o momento de participação; 5.6 Motivação no Ensino A motivação na sala de aula deve buscar a relação entre os trabalhos escolares e o desejo e necessidades dos alunos. Vamos conhecer algumas sugestões práticas para a sala de aula: • Necessidade de atividade É importante incluir o aluno em atividades, sejam elas físicas ou intelectuais. Quanto mais atividades envolvidas na tarefa, maior a motivação. Fique atenta à idade: crianças pré-escolares se concentram mais nas atividades físicas, por um período de 10 a 15 minutos. Já as escolares, têm uma boa concentração por um período de em média 20 minutos, podendo ser de atividades intelectuais. Os maiores se beneficiam em atividades em média de 40 a 50 minutos. • Intenção deliberada para aprender; O desejo em aprender é precioso. Ele é um grande auxílio para o processo de aprendizagem. A prática de sala de aula tem demonstrado que o esclarecimento sobre a importância do conteúdo a ser aprendido para sua vida representa uma vantagem para ocorrer à aprendizagem. • Envolvimento do eu; Um poderoso recurso para aumentar o envolvimento do aluno nas atividades é encorajá-lhe o espírito da iniciativa. • Conhecimento dos resultados do trabalho; O aluno deve conhecer rapidamente o resultado de seu trabalho, pois cria incentivos de auto-estima e sentimentos de realização. • Competição; Na escola pode ser utilizada a competição entre grupos, pois traz resultados positivos na aprendizagem; • Necessidade de um padrão a ser alcançado; O professor pode fixar metas a serem alcançadas pelo aluno ou grupo, de acordo com as possibilidades destes. • Manipulação, curiosidade e jogo; Proporcionar manipulação física ou ideativa das coisas, de mexer, de conhecer como as coisas acontecem. • Necessidade de segurança ou aceitação social. As situações em que existem repreensões, severidades, julgamentos e desrespeito provocam desorganização das atitudes favoráveis à aprendizagem. 43
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Resumo Foiapresentado um conceito de motivação, como o “motivo” que nos conduz a uma determinada meta. A motivação é dos principais requisitos para uma aprendizagem. Existem dois tipos de motivação: a externa (cujo motivo vem do ambiente) e a interna ou intrínseca (oriunda do próprio indivíduo); a segunda determina a ação. A escola necessita da utilização freqüente de estratégias motivadas para manter a vinculação com os alunos e a eficiência na aprendizagem. Auto– avaliação 1. Assinale a alternativa correta, segundo a teoria de William I. Thomas: a . O desejo de novas experiências está relacionado com a aceitação social; b. São os desejos: de segurança, saúde, de correspondência e vida social; c. o desejo de correspondência pode está relacionado com a necessidade de união, de casamento. d. algumas pessoas não tem desejos. 2.Elabore atividades com seus alunos utilizando-se do estudo sobre motivação. Descreva as atividades, registre os resultados e avalie sua conduta e o desempenho dos alunos. Apresente os resultados aos seus colegas. Bibliografia BOCK, A. M. B. & outros. (2000) Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13. Ed.São Paulo. Saraiva. DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books. MOSCOVICI, F. (2004). Desenvolvimento Interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio. 44
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO AvaliaçãoFormativa – Unidade I 1. Conceitue com suas palavras o que entendeu sobre Psicologia, psicologia educacional e subjetividade. 2. Quais são os fatores que contribuem para a aprendizagem? 3. Quais as condutas mais apropriadas para o professor manter sua sala de aula motivada? 4. Escolha um dos autores da aprendizagem e escreva os seus principais pontos. Boa Sorte! Na proposta atual a avaliação é por modulo e não por unidade. Poderá utilizar algumas destas questões nas auto-avaliações dos temas 45
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Objetivo • Gerar reflexão sobre os principais fundamentos psicológicos concernentes ap processo de construção do conhecimento segundo a interpretação das principais abordagens psicológicas. 46
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII TEMA I A APRENDIZAGEM PARA A ABORDAGEM HUMANISTA Objetivo • Conhecer os fundamentos teóricos da abordagem humanista e sua aplicabilidade no contexto educacional. 47
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 1.1Carl Rogers O principal expoente da abordagem humanista é o norte – americano Carl Ransom Rogers que nasceu em 8 de janeiro de 1902 em Oak Park, Chicago. Teve uma infância isolada e recebeu forte influencia da religiosidade de sua família. Mostrou-se um excelente aluno, com ávidos interesses científicos. Na Universidade de Wisconsin, teve significativas experiências de relacionamento e recompensadoras. Já pastor aprofundando seus estudos de teologia, passou a interessar-se por psicologia. Carl Rogers (1902 -1987) Inicialmente, como psicólogo, trabalhou com crianças em Rochester, Nova York, por doze anos. Seu envolvimento com as crianças vítimas de violência física despertou o interesse em estruturar uma teoria, o que ele iria denominar mais tarde de Abordagem Centrada na Pessoa. O desenvolvimento de sua teoria sobre personalidade e abordagem clinica foi aperfeiçoada através da experiência no exercício de magistério na Universidade de Ohio e posteriormente, como diretor do centro de aconselhamento fundamentado em suas idéias na Universidade de Chicago. Seu primeiro livro Terapia Centrada no Cliente (1951) apresenta sua primeira teoria formal sobre a terapia. Rogers é reconhecido como um dos pioneiros nos trabalhos de grupo de encontro e o primeiro psicólogo a dirigir um departamento de psiquiatria de uma universidade de grande porte (Universidade de Wisconsin). Inclusive foi agraciado Associação Americana de Psicologia com prêmios de melhor contribuição científica e o de melhor profissional. Rogers aplicou na área da Educação seus princípios da Psicologia Clínica (Abordagem Centrada na Pessoa). No Brasil, as idéias de Rogers tiveram grande repercussão na década dede 70. Morreu de um ataque cardíaco aos 85 anos de idade, em 5 de fevereiro de 1987, mesmo ano que foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em San Diego, Califórnia. 1.2 Princípios Básicos da Abordagem Humanista Proposta Por Carl Rogers A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), como o próprio nome sugere, considera a pessoa como o centro de suas atenções, como o fim básico. Postulado Fundamental: Tendência Atualizante – todo ser humano tem um potencial de crescimento pessoal, natural, que lhe é inerente e que ocorrerá desde que lhe sejam dadas condições psicológicas adequadas para tal. Visão de Homem: enfoca o homem como uma totalidade, um organismo em processo de integração. 1.3 A teoria Pedagógica (Ensino Centrado no Aluno) Papel da Escola: Acredita que todos os seres humanos têm natural potencialidade para aprender; O ensino está centrado na pessoa do aluno o que implica orientá-lo para seu crescimento, desenvolvimento e auto-realização. 48
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Nãose importa com conteúdos formais, em assistir aulas e dos procedimentos didáticos, a ênfase esta no papel da escola em favorecer um clima harmônico que possibilite o estabelecimento de boas relações interpessoal e intrapessoal. A escola Centrada no Aluno, não valoriza a transmissão de conteúdos. A aprendizagem tem a qualidade de um envolvimento pessoal. O aluno é responsável e do seu processo de conhecimento; mesmo quando o primeiro impulso ou estimulo é externo, o sentido de desvelar, do alcançar, do captar e do compreender vem de motivações internas. Os métodos usuais são dispensados na sala de aula. O professor deve ter a atitude de confiança e de respeito ao aluno e ter um estilo próprio de dar aulas. O papel básico do professor é o facilitador do processo de aprendizagem do aluno. “... Mesmo que tentemos esse método para facilitar a aprendizagem, levantam-se muitas questões difíceis. Podemos permitir aos estudantes que entrem em contato com os problemas reais? Toda a nossa cultura-procura insistentemente manter os jovens afastados de qualquer contato com os problemas reais. Os jovens não têm que trabalhar, assumir responsabilidades, intervir nos problemas cívicos ou políticos, não tem lugar nos debates das questões internacionais. ...Será possível inverter essa tendência? ...Uma outra questão é a de saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no e pelo indivíduo, em vez de ser organizado para o indivíduo. Sob esse aspecto, os professores e os educadores se alinham com os pais e com os dirigentes nacionais para insistirem que os alunos devem ser guiados....Espero que, ao levantar essas questões, tenha mostrado claramente que o duplo problema que é a aprendizagem significativa e forma de como realizá-la nos coloca perante problemas profundos e graves. ...Tentei apontar algumas dessas implicações das condições facilitadoras da aprendizagem no domínio da educação, e propus, uma resposta a essas questões..." (Rogers, in Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes). O relacionamento professor-aluno deve ser pessoal e dinâmico e o aluno deve ser tratado com autenticidade, empatia e consideração positiva incondicional; as três condições básicas no relacionamento educativo; Autenticidade - apresenta congruência entre o que pensa e como age. Empatia – capacidade de colocar-se no lugar do outro. “pensar como o outro pensa” O relacionamento professor-aluno e Aceitação Positiva Incondicional – deve ser pessoal e dinâmico valorizar o outro da forma que ele é, mesmo Fonte da imagemnão sendo a pessoa ideal para seu ponto http://www.sonoma.edu/ de vista. users/n/nolan/501/teacher.gif A aprendizagem é orientada pelo próprio aluno, baseado em suas motivações internas facilitadas pelo professor. Desta maneira, a aprendizagem o envolve totalmente, incluindo seus sentimentos, sua vontade e inteligência. Os aspectos psicológicos dos alunos (por exemplo: auto-estima, responsabilidade, independência, a afetividade, a motivação, a criatividade e a auto confiança) são 49
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO continuamentetrabalhados para que a aprendizagem torne-se algo significativo, durável e envolvente: "Por aprendizagem significativa entendo uma aprendizagem que é mais do que uma acumulação de fatos. É uma aprendizagem que provoca uma modificação, quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação futura que escolhe ou nas suas atitudes e personalidade. É uma aprendizagem penetrante, que não se limita a um aumento de conhecimentos, mas que penetra profundamente todas as parcelas da sua existência." (Rogers, in Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes). Em conformidade com o principio da não diretividade o professor não deve interferir na estrutura cognitiva e afetiva do aluno. Cabe ao professor conduzir o aluno a reflexão sobre suas experiências, para que, a partir delas, o aluno se auto - dirija. Desta forma, este princípio atua no sentido de tornar o aluno responsável pelo seu processo de aprendizagem e pela suas escolhas pessoais e profissionais. São incentivadas as autocríticas e as auto-avaliações. Estas são consideradas como mais importantes do que as feitas por outros. Resumo Carl Rogers é considerado o principal representante da abordagem humanista na educação. Sua teoria tem seu foco no homem, como um ser com tendência natural ao crescimento, que necessita de condições facilitadoras para que se processe seu desenvolvimento. A aplicabilidade da abordagem não diretiva na educação concebe o aluno em sua totalidade. Para a abordagem o importante é a auto-realização, o crescimento pessoal da pessoa do aluno e do professor. Para a teoria humanista as experiências de vida, o clima psicológico da sala de aula, a integração professor - aluno são condições fundamentais para a aprendizagem. São ressaltados os aspectos dinâmicos do processo de aprendizagem que estimulam a interação, o respeito ao outro e a capacidade do aluno escolher sua direção de crescimento. Auto – avaliação 1. Fale sobre a importância da relação professor – aluno para a abordagem humanista? 2. Explique, com as suas palavras, sobre as condições básicas no relacionamento educativo. 3. cite e explique duas contribuições da abordagem humanista para a educação e para sua prática pedagógica. 50
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Bibliografia ROGERS,CR (1973) Liberdade para aprender. São Paulo: Martins Fontes. ROGERS, CR (1974) Grupos de Encontro. São Paulo: Martins Fontes. ROGERS, CR (1977) Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes. 51
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII TEMA 2 A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL NA EDUCAÇÃO Objetivo • Compreender os princípios da teoria comportamental. 52
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 2.1A Psicologia Comportamental O termo Behaviorismo foi cunhado pelo psicólogo americano John B. Watson, em um artigo publicado em 1913, intitulado “Psicologia: como os Behavioristas a vêem”. O termo Behaviorismo tem sua origem na língua inglesa “behavior” e significa comportamento. A Psicologia Comportamental também é chamada por Psicologia Behaviorista, Teoria Cognitiva - Comportamental ou simplesmente, Behaviorismo. Para Watson o objeto de estudo da psicologia era o comportamento. Tal objeto dava a psicologia à consistência que os psicólogos da época vinham buscando (objeto mensurável, observável e passível de experimentação em diferentes condições e sujeitos) para que finalmente a psicologia alcançasse o status de ciência, rompendo definitivamente com a sua tradição filosófica. O Behaviorismo restringe seu objeto de estudo ao comportamento humano observável. Desta maneira, os fatores internos eram expostos através da análise do comportamento apresentado, assim poderiam prevê-los, manipulá-los e, por fim modificálos. Apesar de defender o comportamento como objeto da Psicologia Behaviorista, seu sentido foi modificado ao longo dos tempos. Hoje, não se concebe comportamento como uma ação isolada, reativa do sujeito, mas sim, como uma interação entre aquilo realizado pelo sujeito e o ambiente onde o seu “fazer” ocorre. Os Behavioristas demonstram interesse pelo processo de aprendizagem e o contemplam como um agente de transformação do comportamento humano. Portanto, a Psicologia Comportamental dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do indíviduo (suas respostas) e o ambiente (as estimulações). 2.2 Biografia: Skinner Burrhus Frederic Skinner nasceu na cidade de Susquehanna, no estado norteamericano da Pensilvânia em 20 de março de 1904. Foi considerado um adolescente rebelde para os moldes de educação de disciplina rigorosa; nesta fase seus interesses eram a filosofia e a poesia. Em 1930 graduou-se em Psicologia na Universidade de Harvand onde teve a oportunidade de conhecer os princípios do Behaviorismo proposto por Watson. Após concluir seu Ph. D trabalhou na Faculdade de Medicina de Harvand (1948) onde realizou diversos experimentos com animais e, paralelamente escreveu vários livros. Desde então foi professor em Harvand quando influenciou uma geração de estudantes. Ele desenvolveu um ambiente fechado especialmente para experimentos com animais em laboratórios que são conhecidas como “caixa de Skinner”, depois de amplamente adotadas em faculdades e indústrias farmacêuticas. O Behaviorismo Radical foi o termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945 para designar uma filosofia da ciência do comportamento que ele se propôs a defender por meio da análise experimental do comportamento. 53
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO “caixade Skinner” Em 1948 escreveu o romance “Walden Two” que retratava o funcionamento de uma sociedade alternativa edificada nos princípios de educação defendidos por ele. Skinner era um defensor ardoroso pela experimentação laboratorial e pelo controle e análise experimental do comportamento humano. Faleceu em 1990, vítima de leucemia, em ativa militância em favor do behaviorismo. 2.3 Pressupostos teóricos Watson partia do pressuposto de que o homem era uma “tabula rasa” e, portanto, os pesquisadores poderiam modelar o comportamento das pessoas, independentes de suas origens. Comportamento para a Psicologia Comportamental significa um conjunto de reações ou respostas que o organismo apresenta frente às estimulações ambientais. Ou seja, o comportamento envolve um estimulo (E) ou um conjunto de estímulos que elicia determinada resposta (R) ou a reação do indivíduo. E aprendizagem significa a modificação ou aquisição de novas respostas, é o resultado do processo de condicionamento. O Condicionamento Clássico foi descoberto por Ivan P. Pavlov, fisiologista russo em 1901 através de experimentos sobre o reflexo salivar em cães. Os experimentos ocorriam da seguinte forma: os cães eram presos em arreios numa câmara experimental e, sua saliva era coletada através de um tubo cirurgicamente implantado na glândula salivar. Os resultados de seu trabalho identificaram que o reflexo salivar provocado pela presença do alimento também ocorria por outros estímulos como a hora da alimentação, os passos do experimentador se aproximando da sala ou quais quer outros estímulos (visuais, sensoriais, olfativos ou auditivos) que precediam ou acompanhavam a alimento. Antes do Condicionamento clássico – Estimulo Não Condicionado produz uma Resposta Não Condicionada; em outra situação, o estimulo neutro não produz resposta alguma: Ao relacionar o alimento a outros estímulos neutros 54
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO (som)quanto a sua capacidade de gerar salivação, identificou que esse estímulo, depois de repetidas associações com o alimento, passou a eliciar a mesma resposta. Depois do condicionamento – O estimulo neutro agora é um Estimulo Condicionado e a resposta a ele é sempre condicionada. Ou seja, apenas de ouvir o som que antecedia a presença do alimento, o cão já salivava, mesmo sem a presença do alimento. O Condicionamento clássico na vida cotidiana se apresenta das diversas maneiras como nos casos de fobias, nos relacionamentos, na propaganda entre outros. Pessoas que sofrem de fobias geralmente sugerem medos irracionais cuja origem envolveu o condicionamento clássico. Conheço diversas pessoas que tem medos que podem ser explicadas pelo condicionamento clássico. Imagine na sala de espera ao ouvir o motor de um dentista; você já fica tenso e ansioso só de ouvi-lo. Uma aluna relatou-me que a origem de sua fobia a provas de matemática foi à alta expectativa dos seus pais a seu desempenho. Skinner acrescenta à teoria Behaviorista a descoberta do condicionamento operante. Este abrange o maior leque de atividades humanas e refere-se à ação do organismo sobre o meio e o efeito dela resultante. Podemos dizer que o condicionamento operante envolve um reforço a uma determinada resposta do indivíduo até ficar condicionado a associar a necessidade à ação. Pavlov – Condicionamento Clássico Skinner - Condicionamento operante Condicionamento Clássico (de Pavlov) e o condicionamento operante (de Skinner) se diferenciam da seguinte maneira: no condicionamento clássico existe apenas uma resposta a um estímulo puramente externo enquanto que no condicionamento operante prevalece o hábito causado pela ação do indivíduo, o ambiente é mudado e produz resultados que agem direcionados eles, alterando a probabilidade de evento futuro. Na concepção de Skinner, todo comportamento operante se refere à ação do indivíduo sobre o meio e produz um efeito satisfatório, ou seja, ele opera sobre o mundo. É a resposta do organismo que o leva a um estimulo reforçador que tanto o interessa. O estimulo reforçador é denominado reforço, considerado um dos temas centrais da teoria de Skinner. Embora ele ocorra após o comportamento, ele é o responsável pela ação do indivíduo. Pois ele aumenta a probabilidade de que uma determinada resposta venha a ocorrer novamente. Desta maneira podemos concluir que agimos sobre o meio em função das conseqüências oportunizadas pela nossa ação. O reforço pode ser positivo ou negativo; do tipo primário ou secundário. O reforço positivo tem o intuito de fortalecer o comportamento através da apresentação de algo que 55
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO agradeao indivíduo. No caso de uma aluna que tira uma nota boa em uma prova, a nota irá reforçar positivamente o comportamento de estudar. O reforço negativo está associado à remoção de algum estimulo que reforçava um determinado comportamento. Os reforços primários compreendem os eventos que tendem a ser reforçadores para todas as espécies (como a água, afeto e alimento). Enquanto que os secundários, ao contrário do anterior, são aqueles que adquiriram a função quando pareados temporariamente com os primários. Alguns reforçadores secundários, quando empareados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e a aprovação social. Skinner realizava seus experimentos com animais inferiores, principalmente ratos brancos e pombos. Para facilitar o processo de análise e controle da experiência criou a "Caixa de Skinner”. O experimento se processa da seguinte forma, um rato sedento é colocado na caixa (“caixa de Skinner”) que contém uma alavanca e um fornecedor de alimento. Em conformidade com os critérios estabelecidos pelo observador, o rato aperta a alavanca e o observador libera uma bolinha de alimento, recompensando assim o rato. Desta forma, o experimentador pode controlar o comportamento do rato de acordo com o estímulo ofertado. Assim, seu comportamento pode ser pouco a pouco alterado ou modelado até surjam novas repostas que não estava presente no repertório comportamental do rato. Suas conclusões nos experimentos com os ratos foram estendias para as situações de aprendizagem. Podemos observar na prática de sala de aula que o comportamento do aluno pode ser modelado pelo oferecimento das recompensas ou reforços positivos. De acordo com Skinner ensinar é meramente a disposição adequada de contingências de reforço sob as quais estudantes aprendem e o processo de aprendizagem é um agente de mudança de comportamento. Skinner sugere que o ambiente escolar deve fazer uso freqüente das recompensas e do reforço positivo; sendo contrário ao uso das punições e esquemas repressivos. Para os Behavioristas a aprendizagem é concebida como um produto da relação estímulo – resposta e conseqüentemente, durante o processo de aprendizagem são reforçadas as condutas apropriadas um sistema de recompensa e as inapropriadas mediante uma punição. Skinner procurou demonstrar que o processo de aprendizagem regido por ameaças e castigos se restringe aos resultados insatisfatórios. Para o melhor aproveitamento ele ressalta o ensino programado baseado em uma criteriosa análise do conteúdo para ele fosse apresentado de forma a levar o aluno a dar comportamentos aproximados ao objetivo final. Skinner no livro Tecnologia do Ensino, de 1968, apresentou a Máquina de Aprendizagem, como uma proposta de organização de material didático para que o aluno tivesse a autonomia de gerenciar sua evolução no conhecimento. Os princípios metodológicos usados na Máquina de Aprendizagem influenciaram a educação norteamericana e brasileira. A avaliação também tem um papel fundamental: no início, para que o professor possa estabelecer estratégias para atingir os objetivos; durante o processo de aprendizagem, para controle e re - planejamento, e ao final, para verificar se os resultados desejados foram obtidos. O behaviorismo está representado nos pressupostos da orientação tecnicista da educação, cuja proposta consiste em: planejamento e organização da atividade pedagógica (plano de aula, de curso, programa), e-learning, softwares educativos, educação à distância, ensino por computador, tele-ensino, buscando a objetividade e o controle do processo ensino - aprendizagem. 56
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Resumo Otermo Behaviorismo foi criado pelo psicólogo John B. Watson em 1913; o termo tem sua origem na língua inglesa “behavior” e significa comportamento. Para o Behaviorismo o objeto de estudo é o comportamento humano observável. Desta maneira, os fatores internos eram expostos através da análise do comportamento apresentado, assim poderiam prevê-los, manipulá-los e, por fim modificá-los. Atualmente, um dos principais expoentes do behaviorismo é o psicólogo F. Skinner que demonstra interesse pelo processo de aprendizagem e o contempla como um poderoso recurso de transformação do comportamento humano. Os pressupostos básicos da Teoria Comportamental são largamente utilizados na educação, nas propagandas, nos serviços de adestramento animal, nas empresas e nos consultórios de psicologia. Auto – avaliação 1) Apresente, com suas próprias palavras, o que você compreendeu sobre a concepção behaviorista de Skinner sobre o comportamento humano. 2) Explique as diferenças entre o condicionamento operante, estudado por Skinner, e o condicionamento clássico ou respondente, estudado por Pavlov. 4) De acordo com a sua experiência de sala de aula, conceitue Reforço Positivo e Reforço Negativo. Bibliografia BAUM, W. M. (1999). Compreender o behaviorismo - ciência, comportamento e cultura. Porto Alegre: Artes Médicas. CARRARA, K. (1998). Behaviorismo radical: crítica e metacrítica. Marília/São Paulo: UNESP/Marília Publicações/Fapesp. FLAVELL, John H. (1999) Desenvolvimento Cognitivo. Porto Alegre: Artmed. MARX, M.H. E HILLIX, W.A. (1963). Sistemas e teorias em Psicologia. São Paulo: Editora Cultrix. SKINNER, B. F. (1989). Ciência e Comportamento Humano. 7a ed. São Paulo: Martins Fontes. SKINNER, B.F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix/Edusp. 57
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII TEMA 3 VYGOTSKY E A EDUCAÇÃO Objetivo • Favorecer a reflexão crítica acerca de Vygotsky e a perspectiva históricocultural da educação. 58
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 3.1Psicologia Sócio – Histórica A corrente sócio-histórica tem seu principal expoente o psicólogo russo Lev Semionovich Vygotsky que sob forte influencia da teoria marxista. Sua teoria apregoa o papel do contexto sócio-histórico no desenvolvimento do psiquismo humano. Lev S. Vygotsky (1896-1934), nasceu em Orsha, pequena cidade da Bielorrusia. Formou-se em Direito, e também cursou Medicina, Historia e Filosofia. Embora tenha falecido precocemente aos 37 anos de tuberculose teve uma produção científica bastante intensa. Suas obras apenas foram divulgadas ao Ocidente na década de 60 (no Brasil no inicio dos anos 80) devido à ação da censura política. Sua teoria apregoa que o desenvolvimento do indivíduo é o resultado de um processo sócio-histórico. Ou seja, a aquisição de conhecimentos se da pela interação do sujeito com o meio, mediado pela ação da linguagem. A psicologia sócio-histórica compreende que o ser humano se estabelece como tal pelas relações que forma com os outros. Assim, a história de cada indivíduo é construída à medida que ele interage com o meio e se apropria da riqueza histórico - cultural da humanidade. A construção do conhecimento é, sobretudo, resultante da troca com outros e consigo próprio. Assim o indivíduo vai internalizando os novos papéis e funções sociais, o que permite a composição de um arcabouço de conhecimentos e do seu psiquismo. Desta forma, o processo da construção de conhecimento parte da esfera social (inter pessoal) para a esfera individual (intrapessoal), envolvendo o indivíduo como um todo, de forma interativa. 3.2 Pressupostos teóricos Para a Psicologia Sócio – Histórica a linguagem representa um salto qualitativo na evolução da espécie. É através da linguagem que o ser humano transmite, elabora e estrutura conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. São por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. Através da linguagem designamos objetos, os representamos, abstraímos e generalizamos suas características. O desenvolvimento de conceitos na perspectiva de Vygotsky remete ao significado que a palavra transforma-se ao longo do desenvolvimento do sujeito posto que, ela integra novos sentidos e conotações. Ao longo de seu desenvolvimento o homem formula conceitos pela uma relação direta com a realidade concreta. Após a apropriação do conceito, pouco a pouco o homem se distancia dos vai isolando dos atributos do objeto, rumo a abstrações e generalizações cada vez mais complexas. A idéia de Mediação é fundamental para a compreensão do processo de desenvolvimento proposto pela Psicologia Sócio-histórica. o homem, sujeito do conhecimento não tem acesso aos objetos. É necessário o contato mediado, por meio de recortes da realidade, operados pelos sistemas simbólicos disponíveis. 59
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Destaforma a teoria apregoa que a construção do conhecimento é formada pela interação mediada por várias relações humanas e culturais. O sujeito é compreendido como um ser interativo e como tal, estrutura seu conhecimento pela interação intra e interpessoal. . Neste sentido cabe a cultura equipar o indivíduo de símbolos representativos da realidade. Para a psicologia sócio - histórica a internalização é um processo que envolve uma atividade externa que deve ser transformada para tornar-se interna. Paulatinamente, o homem vai assumindo e interiorizando as informações, por intermédio da linguagem. Já internalizados, o homem é capaz de se posicionar frente à realidade. A teoria usa o termo função mental referindo-se aos processos de: pensamento, memória, percepção e atenção. Ressalta a importância da motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto e a emoção para a construção do pensamento humano. Para Vygotsky a interação e a linguagem são determinantes para o desenvolvimento real e potencial. Sobre o desenvolvimento real podem-se incluir os conhecimentos já adquiridos que o indivíduo é capaz de praticar por si próprio; o potencial refere-se à capacidade de aprender com o auxilio dos outros. Desta forma podemos concluir que o processo de aprendizagem encontra-se em permanente interação com o desenvolvimento, causando abertura nas zonas de desenvolvimento proximal (distância entre aquilo que o indivíduo faz com maestria e independência e o que ele pode realizar com a intervenção de uma outra pessoa (professor); é neste intervalo que é representada a potencialidade para aprender, ou seja, a distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial). Agora assista ao vídeo da professora Marta Kohl de Oliveira sobre A Zona de Desenvolvimento Potencial e a Intervenção Pedagógica. O aluno é o sujeito da aprendizagem, e também aquele que aprende com o outro a produção de seu grupo social, por exemplo: valores, linguagem e o próprio conhecimento. A escola é um espaço importante, onde a intervenção pedagógica intencional finaliza no processo ensino-aprendizagem. Cabe ao professor intervir explicitamente no processo. Portanto, é seu papel do estimular as conquistas dos alunos, tornando possível com sua interferência na zona proximal. Portanto, é papel do professor estimular o progresso dos alunos e isso se torna possível por intermédio na Zona de Desenvolvimento Proximal. O Professor deve estar atento zona proximal com o intuito de conduzir o aprendizado com o intuito aprimorar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real. Resumo O principal expoente da corrente Sócio-historica é o psicólogo russo Lev Semionovich Vygotsky, cujo principal foco é a interação inter e intrapessoal como um elemento construtor do desenvolvimento do psiquismo humano. Para a teoria o ser humano se estabelece como tal pelas relações que forma com os outros, à medida que ele interage com o meio e se apropria da riqueza histórico cultural da humanidade. A construção do conhecimento procede da troca com outros e consigo próprio. Assim o indivíduo internaliza os novos papéis e funções sociais. Para Vygotsky cabe ao professor atuar na ZDP do aluno avaliando o tipo de ajuda necessária para que a aprendizagem ocorra com o intuito de favorecer a construção da sua autonomia. 60
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Auto-avaliação 1.Fale sobre o posicionamento do professor para a Psicologia Sócio histórica. 2. Explique, com suas palavras, o que você entendeu sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal? 3. Qual a importância da linguagem para Vygotsky? 4. Fale sobre a relação existente entre a linguagem e o pensamento. Bibliografia VYGOTSKY, L. (1987) A formação social da mente. SP, Martins Fontes. VYGOTSKY, L. (1988) Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes. VYGOTSKY, Leontiev, Luria (1988) Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Ícone. VYGOTSKY, Leontiev, Luria. (1977) Psicologia e Pedagogia. Lisboa, Estampa. 61
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII TEMA 4 A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE JEAN PIAGET E SUAS IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS Objetivos • Proporcionar embasamento teórico referente à Psicologia Genética de Jean Piaget. 62
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 4.1Piaget e a Educação Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suiça (1896-1980). Sua produção cientifica é impressionante: escreveu mais de sessenta livros e publicou centenas de artigos. Desde criança interessou-se por trabalhos científicos. Aos dez anos fez o seu primeiro ensaio sobre um pardal albino e aos onze anos foi trabalhar como assistente do Diretor do Museu de Historia Natural de sua cidade. O seu interesse principal era compreender o processo de aquisição do conhecimento humano, procurando identificar que mecanismos cognitivos o homem se utiliza neste processo. Até o início do século XX tinha-se a crença de que não havia diferença fundamental entre o pensamento e o raciocínio das crianças e dos adultos. Acreditava-se que a diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era de quantidade: os adultos eram superiores mentalmente, mas seus processos cognitivos básicos não se modificavam ao longo da vida. Diante da observação de seus filhos e de outras crianças, Piaget chegou à conclusão que as crianças pensam de maneira peculiar, qualitativamente diferente dos adultos por ainda lhes faltarem certas habilidades. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis, divididas em etapas sucessivas. Piaget elaborou uma teoria do conhecimento (epistemologia genética) e desenvolveu muitas investigações cujos resultados são usados por psicólogos e pedagogos; Como sua teoria é de interesse dos profissionais de educação, ela foi adaptada a esta realidade. Assim seus trabalhos foram alvos de diversas interpretações que se concretizam em propostas didáticas também diversas. Agora assista ao vídeo do prof. Yves de La Taille sobre Piaget e a Educação e o Construtivismo. 4.2 Pressupostos básicos A criança é um ser dinâmico, que interage com o mundo, operando ativamente com os objetos e as pessoas; Essa interação com o ambiente promove a construção de estrutura cognitiva. A construção do conhecimento se da a partir da interação ativa, do sujeito com o meio. A interação ativa acontece quando o sujeito-aluno compara, ordena, exclui, classifica, critica, hipotetiza, comprova etc.em uma ação interiorizada (pensamento) ou em uma ação efetiva (de acordo com nível de desenvolvimento). Há a estimulação da participação do aluno. Ele deve criar, questionar, interrogar, participar ativamente da rotina educativa. Enfatiza o desenvolvimento da inteligência nos alunos através das interações entre o aluno e o conteúdo a ser aprendido. A escola construtivista procura problematizar as atividades a fim de provocar no aluno reflexão. “Tudo que se ensina a criança impede-se que ela descubra ou invente” J. Piaget. O papel do professor é o ser mediador do processo de aprendizagem. Seu papel não é de passividade, ele formula e lança situações provocadoras para a criança elaborar seus próprios conhecimentos e conclusões. Encoraja o aluno e o estimula a ser autônomo 63
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ea ter iniciativa. Privilegia a metodologia do trabalho grupal entre os alunos; Pois a interação social possibilita a aprendizagem. A escola construtivista procura desenvolver a inteligência por intermédio de situações provocadoras, (substitui as aulas expositivas e a “decoreba”) que são escolhidas de acordo com o nível mental dos alunos. As avaliações (é rejeitado a idéia de prova) são utilizadas como um diagnóstico para os pais e professores identificarem as áreas que necessitam serem mais trabalhadas para ampliar a aprendizagem. As pesquisas são estimuladas como ricas possibilidades de aprendizagem. São estruturadas de modo a privilegiarem o espírito desafiador, assim como a colaboração, a cooperação e intercâmbio de pontos de vista na busca conjunta do conhecimento. Percebe a criança como portadora de conhecimento, elaborações, adquiridos antes da fase escolar. Sua autonomia é estimulada, conduzindo para sua própria consciência, pensando e decidindo por si mesmo, questionando e vivenciando seus direitos e deveres. 4.3 Fases do Desenvolvimento Cognitivo Fase cognitiva Idade aproximada Sensório - motor 0 – 2 anos Pré-operacional 2 –6 anos Operacional Concreto 6 – 12 anos Operacional Formal 12 em diante. Observações: 1. As idades são consideradas apenas referenciais. Não se pode deter-se apenas nela e sim no tipo de pensamento expresso pela criança; 2. A ordem das fases tem que ser rigorosamente obedecidas; 3. A estimulação oferecida pelo ambiente e sua relação com o sujeito pode alterar o tempo de permanência em cada fase. 4.3.1 Fase Sensório – Motor Para Piaget o bebê ao nascer até os dois anos de idade, aproximadamente está na primeira fase do desenvolvimento cognitivo, a sensório - motor. Características Principais: A criança aprende através de suas ações e de seus movimentos sobre o meio. Inicialmente, ela não se diferencia do meio. É como se ela não soubesse a diferença dela para o pijama que está vestido. Um pouco maior, geralmente refere-se a si por “neném”. No final do período sensório motor ela consegue se diferenciar do meio e demonstrar sua individualidade usando a palavra “eu”. No final do período ela compreende a permanência dos objetos (quando menor, ela compreende que se o objeto ou as pessoas estão fora de seu campo visual, ela 64
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO desapareceram.Isso explica o motivo de tanto choro quando seus pais saem para trabalhar ou se o objeto foi colocado dentro de uma gaveta). A permanência dos objetos capacita a criança a evocar, formando a função semiótica (capacidade de representar mentalmente os objetos). Esse é o motivo porque os bebês só imitam se tiverem o objeto a sua frente. É capaz de organizar, em torno dos 4 meses, os primeiros meios para conseguir determinados fins. É o início da Intencionalidade, que é a demonstração da inteligência prática, sem o uso das palavras. Por exemplo: uma criança brinca com uma bola e ela a correr debaixo do sofá. A intencionalidade lhe permite a afastar o sofá para pegar a bola ou buscar uma vassoura. É claro, que ela já tem a permanência do objeto. Inicio da linguagem é com o balbucio, a ecolalia, evolui para a palavra-chave. É fundamental a presença dos objetos uma vez que sua função semiótica só surge no final do período. O principio didático deve estar atento a esse detalhe, pois a criança deve ter a oportunidade de agir, de mexer, de empilhar os objetos, a misturar coisas etc. Pois sua inteligência é PRÁTICA, ou seja, ela se representa através da AÇÃO. O desenvolvimento social do bebê é basicamente seu envolvimento com os adultos de sua família, especialmente com seus pais. Embora muitas vezes possamos encontrar crianças brincando, não existe entre elas o sentimento de amizade, de estarem juntas. 4.3.2 Fase Pré – Operacional Para Piaget a criança dos 2 aos 6 anos de idade, aproximadamente está na segunda fase do desenvolvimento cognitivo, a pré-operacional. Características Principais: Fase marcada pela estruturação da capacidade simbólica. Denota fazer uma diferenciação entre o significado do significante. É através da capacidade simbólica que a criança representa os objetos do conhecimento, mesmo sem a presença física deles, evoluindo para o pensamento intuitivo. A capacidade simbólica, inicialmente se manifesta através da imitação e da imitação diferida. Posteriormente evolui para o desenho (representação gráfica), imagem mental e linguagem. Através do surgimento da função semiótica (linguagem, pensamento) que a criança torna-se apta a produzir os primeiros conceitos, e represente situações ou pessoas que estão distantes dela. É a fase dos “por quês”. Existe uma curiosidade em compreender como ocorrem os fenômenos. Na maior parte das brincadeiras o fundamento principal é a fantasia. Na dramatização ela tem a oportunidade de interpretar outros papéis; como ser professora, médico, mãe etc. No jogo dramático, a criança pode experimentar e aprender sobre a sociedade que faz parte. É pela brincadeira que a criança pode expressar seus medos, sentimentos e conflitos. Aos 4 anos surgem os amigos imaginários. A criança cria um amigo para conversar. Demonstra interação com as outras crianças. Na maioria das vezes ela não se importa em trocar opiniões, assim o tipo de comunicação mais comum em as crianças menores é o monólogo coletivo (diálogo sem interesse em compartilhar). Ela só interage para pedir algo. Gradualmente, ela vai se interessar pelo que o outro fala e a solicitar jogos interativos com regras a serem cumpridas (mais ou menos aos 5 anos). 65
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 4.3.3Fase Operacional Concreta Para Piaget a criança dos 7 aos 12 anos de idade, aproximadamente está na terceira fase do desenvolvimento cognitivo, a operacional-concreta. Características Principais: Seu pensamento é lógico, porém ainda preso ao concreto. Ele necessita da presença de objetos concretos no raciocínio. A diferença é que na fase pré-escolar a criança tem que manusear os objetos para poder compreendê-lo e a criança operatória concreta não precisa da presença física do objeto, ele pode solicitá-lo mentalmente. Capaz de usar símbolos para realizar operações mentais, diferentes da fase préescolar em que se utilizava a atividade física para compreender o mundo. Usando a representação mental pode classificar seriar, lidar como números e conservar. Compreende a reversibilidade da maioria das operações físicas. Tem o egocentrismo reduzido, favorecendo a mudança de percepção de si e do mundo. Pode colocar-se do lugar dos outros, compreenderem seus pontos de vista e conseqüentemente, facilitar o enriquecimento da comunicação interpessoal. Não há a presença do realismo, animismo e artificialismo. Podem conservar números e quantidades (7/8 anos), peso (8/9 anos) e volume (11/12 anos). Tem interesse em estabelecer amizades duradouras. Sua socialização é facilitada pela linguagem. Gosta de aventuras e colecionar objetos (figurinhas, tampas, revistas, chaveiros etc). Sua organização social é o bando (grupo sob o comando de um chefe). Freqüente o grupo do “bolinha” e da “luluzinha”. Presença de grupos de formação homogênea quanto à idade, sexo, etc. Presença da cooperação e das competições. Busca diálogo. A percepção do outro é levada em consideração; Pode-se colocar no lugar do outro e compreender seu ponto de vista. Apresenta uma tendência a comparar seus pais com os amigos. Explora os espaços que convive. A escola, seu bairro, os vizinhos, são os locais prediletos. É muito rigorosa na obediência a regra. 4.3.4 Fase Operacional Formal Para Piaget a criança dos 12 anos de idade em diante está na quarta fase do desenvolvimento cognitivo, a operacional-formal. Características Principais: Começa a compreender os conceitos abstratos, sem a necessidade de se basear no objeto concreto. Utiliza-se do pensamento hipotético-dedutivo. Pensamento flexível. Apresenta a capacidade de analisar todas as possibilidades que cercam um determinado evento. Envolve-se em questões abstratas e teóricas. Ao construir o pensamento hipotético – dedutivo, o adolescente pode formular um experimento cientifico para testá-lo sua veracidade. Tem a noção de conservação de volume. Capacidade de discutir com número rico de argumentos. O adolescente se utiliza o pensamento operacional formal para se incluir na realidade dos adultos. O desligamento 66
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO darealidade física favorece a compreensão de eventos reais ou imaginários, possibilitando a formulação de hipóteses e em conseqüência propor soluções. Procura convencer a todos a possibilidade de decidir sobre sua vida e formular o seu destino. Demonstra solidariedade e cooperação. Tem nos amigos seu principal referencial. Apresenta interesse na problemática social e políticas. O envolvimento grupal é favorecido pelo uso do raciocínio lógico, que oportuna ao adolescente a compreender os diversos aspectos que envolvem os eventos físicos ou abstratos. A crítica dos amigos e suas atitudes são fundamentais para que ele analise suas idéias, baseando-se no pensamento formal. Reformula seus princípios éticos (autonomia moral). É capaz de agir segundo seus critérios internalizado de certo e errado. Resumo J. Piaget formulou uma teoria sobre o desenvolvimento da intelectualidade humana. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis, divididas em etapas sucessivas. Piaget elaborou uma teoria do conhecimento e desenvolveu muitas investigações cujos resultados são usados por psicólogos e pedagogos; Como sua teoria é de interesse dos profissionais de educação, ela foi adaptada a esta realidade. Piaget divide o desenvolvimento da seguinte forma: fase Sensória - Motor (0-2 anos); Pré-Operacional (2-6 anos); Operacional – Concreta (6-12 anos) e Operacional formal (12 anos em diante). Auto – avaliação 1. Indique o que for verdadeiro: a. A fase sensória motor é a mais adiantada do processo de desenvolvimento cognitivo; b. A fase pré-operacional é o período dos jogos lúdicos; C. A fase concreta a criança pode compreender assuntos abstratos; 2. Explique, com as suas palavras, 03 contribuições de J. Piaget a educação? 3. Quais os marcos do desenvolvimento cognitivo de cada período proposto por Piaget? Bibliografia DAVIDOFF, L. L. (2001) Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books. FONTANA, R.& CRUZ, N. (1997) Psicologia e o Trabalho Pedagógico. São Paulo: Atual Editora. GARAKIS, S. C. (1992) Divulgando Piaget: exemplos e ilustrações sobre a epistemologia genética. Fortaleza: Unifor. MUSSEN, P. H. e outros. (1995) Desenvolvimento e Personalidade da Criança. São Paulo: Harbra Ltda. OLIVEIRA, Z. & DAVIS, C. (2002) Psicologia na Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez. PAPALIA, D. e OLDS, S. W. (1997) O Mundo da Criança. Da infância à adolescência. São Paulo: Makbon. 67
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO SYLVA,K. & LUNT, I. (1994) Iniciação ao Desenvolvimento da criança. São Paulo: Martins Fontes. SEBER, M.G. (1995) Psicologia do Pré-Escolar. Uma visão construtivista. São Paulo: Moderna. 68
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO UNIDADEII TEMA 5 EDUCAÇÃO INCLUSIVA Objetivo • Oferecer subsídios para a reflexão sobre o movimento de inclusão educacional. 69
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 5.1Sociedade e Exclusão Poucos assuntos têm despertado tanto interesses entre os profissionais da área educacional quanto à inclusão. É claro que esse interesse tem sua razão de existir. Sim! Sei que este assunto está na moda. Mas, não é apenas isso! Incluir significa aceitar as diferenças, o novo (no outro e também em mim), igualdade de oportunidades. E nós, seres humanos, passamos muitos anos da história da humanidade excluindo socialmente as pessoas diferentes. Exclusão para Michel Foucault representa o banimento, expulsão, reclusão do indivíduo na sociedade. Para Foucault, a exclusão está diretamente relacionada às formas de distribuição de poder, representados aos termos: controle social, disciplina, poder e hierarquia. É importante ressaltar os mecanismos de exclusão frente às diferenças estiveram presentes por toda a historia da humanidade, por meio da tradição oral como pela reprodução nas mais diversas instituições; pois elas se constituem como as microrepresentações das relações do poder e da ideologia da sociedade. Foucault identifica alguns tipos de segregação considerada “natural” pela sociedade ao de toda a historia da humanidade. Na antiguidade as pessoas com deficiências não tinham sequer o direito à vida. Logo que identificada como diferente a pessoa era exterminada, sacrificada nos rituais de homenagem aos deuses. Como uma anomalia que não estava adequada para a sobrevivência, especialmente, pela inutilidade da pessoa nos meios de produção. Sob a forte influencia da religiosidade, na Idade Média, ter um filho deficiente significava na linguagem social, um castigo divino; e assim, a família se sentia obrigada a manter uma vida de abnegação, protegendo o filho diferente e compadecendo-se dele. As pessoas deficientes encontravam abrigo nas igrejas, como representado pelo livro de Victor Hugo, “O Corcunda de Notre Dame”, que vivia isolado na torre da catedral de Paris. Século XVII, nas instituições de saúde como as psiquiátricas não ofereciam tratamento especializado aos doentes mentais. As pessoas deficientes físicas e mentais se mantinham segregadas e isoladas do convívio social, em reclusão nos asilos, conventos e albergues. Freqüentemente, os doentes eram acorrentados e encerrados, pois ofereciam perigo aos familiares e/ou funcionários dos hospitais psiquiátricos. No século XIX surgiu de uma nova mentalidade: a criação de instituições educacionais especializadas e o movimento social da filantropia com a perspectiva de ações de caridade. Revendo a historia da segregação das pessoas deficientes, é importante ressaltar as Instituições Especializadas, que foram as pioneiras a prestar atendimentos dignos aos deficientes. No Brasil, Dom Pedro II, em 1854, funda o Instituto dos Cegos, hoje chamado Instituto Benjamin Constant e o Imperial Instituto dos Surdos, em 1857, atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos. Elas foram criadas por força de um decreto imperial e, ambas foram fundados na cidade do Rio de Janeiro. Daí, então, vários Institutos foram fundados pelo Brasil. Foi somente no fim do século XIX quando, diante das radicais mudanças sociais rumo à modernidade que se instaurou a escolaridade obrigatória. Apenas no século XX que as pessoas deficientes passaram a serem considerados como cidadãos com direitos e deveres de participação política na sociedade, mas sob a ótica assistencial e caritativa. Porém o marco do processo de inclusão surge em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos: “todo o ser humano tem direito à educação”. 70
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Nosanos 60 pais e parentes de pessoas deficientes começaram e se reunir em associações para lutarem em prol da igualdade de participação na sociedade. Um dos diversos frutos dessa luta foi inclusão da Educação Especial na LDB 4024 de 1961. A lei apregoa que os deficientes devem, quando possível, enquadrar-se no sistema regular de educação. No entanto, foram nos Estados Unidos na década de 70, que o movimento a favor da inclusão colheu os resultados mais imediatos. O país necessitava proporcionar melhores condições de vida aos jovens sequelados da Guerra do Vietnã. Nos Estados Unidos, a educação Inclusiva foi impulsionada pela Lei 94.142 de 1975, que previa a adaptação dos currículos e a criação de uma rede de informações interinstitucionais. Em 1978, a emenda a Constituição Brasileira destaca os direitos da pessoa deficiente: “É assegurada aos deficientes a melhoria de sua condição social e econômica especialmente mediante a educação especial e gratuita”. A Assembléia Geral das Nações Unidas lança em 1985 o Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes. A atual Constituição Brasileira de 1988 garante atendimento educacional especializado aos deficientes, preferencialmente na rede regular de ensino. A Lei Federal 7853 prevê a oferta obrigatória e gratuita de Educação especial nos estabelecimentos públicos e punição com reclusão de um a quatro anos e multa para as instituições publicas e privadas que se recusarem e suspenderam, sem justa causa, a matricula de um aluno. Os principais marcos da década de 90 foram a Conferencia Mundial sobre Educação para Todos (1990), o Estatuto da Infância e do Adolescente (1990), a Declaração de Salamanca e a LDB (Nº 9394 de 1996). A Educação Inclusiva não surgiu ao acaso, ela é um produto histórico de uma época e de realidades educacionais contemporâneas, um contexto social que exige o abandono aos estereótipos e preconceitos em todas as esferas. 5. 2 Distinção entre diferenças e deficiências Devido ao desconhecimento por parte das instituições escolares sobre esta distinção, e conseqüentemente este, produz o modelo de “deficiência”, e na verdade, isto é um grande perigo. Assim a escola corrobora com a geração de preconceitos, autoritarismo, elitismo e segregação. Os alunos oriundos das camadas populares maioria da população escolar brasileira, são os que mais sofrem. Pois, a escola lhes apresenta um modelo educacional pasteurizado direcionado para um ideal de aluno, não se preocupando com as suas vicissitudes. Ele pode apresentar diferenças, mas, não deficiências. Quando o aluno não se enquadra neste perfil idealizado, a escola se defende, eximindo-se de qualquer responsabilidade, justificando-se que com o argumento da problemática sócio - cultural. Isso nos evidencia a importância da escola saber lidar com as diferenças. A pessoa com deficiência pode apresentar significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais; decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter permanente, que acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social. 5.3 Conceitos E Principais Terminologias Os alunos com necessidades educativas especiais apresentam, de modo permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas habilidades, necessitando de recursos especializados, para desenvolver plenamente seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades. 71
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Oque são classes especiais? É uma sala de aula preferencialmente distribuída na educação infantil e ensino fundamental; organizada de forma a se constituir em ambiente próprio e adequado ao processo ensino/aprendizagem do educando com necessidades educacionais especiais. Caminhos e meios facilitadores para a aprendizagem do educando com necessidades educacionais especiais; através de uma política de ação pedagógica; recursos educacionais mais individualizados e conta com o professor especializado. E o que é escola inclusiva? É uma escola regular cujo seu processo educativo é concebido como um processo social. Nela é garantido o direito à escolarização aos deficientes o mais próximo possível do normal. É uma escola líder em relação às demais e se apresenta como a vanguarda do processo educacional. O seu principal objetivo é fazer com que a escola atue através de todos os seus escalões para possibilitar a integração das pessoas que dela fazem parte. Agora, assista ao vídeo sobre o grupo Riverdance e estabeleça reflexões com a educação inclusiva. Romeu Sassaki no artigo “Escolas Inclusivas na Opinião Mundial” lança a seguinte pergunta: Que tipo de atendimento educacional é melhor para as pessoas deficientes? Podemos identificar neste artigo 05 aspectos importantes a este propósito: 1. A educação para pessoas deficientes depende fundamentalmente da interação de vários fatores tais como: o envolvimento dos familiares, a realidade escolar, compromisso dos gestores, as autoridades educacionais, etc. Não é necessário exclusivamente o desejo do aluno de aprender, mas uma ação conjunta dos fatores acima relatados; 2. O autor destaca ainda que a escola integrada é o mesmo que escola integradora, pois são propostas oriundas da terceira fase da historia da deficiência. Nesta fase, iniciou uma modificação em tornos dos princípios filosóficos. Assim a escola passou a “integrar”, ou melhor, “adaptar” a criança a realidade da escola não promovendo nenhuma mudança na sua estrutura educacional. 3. A proposta da Educação Inclusiva baseia-se no principio de flexibilização de sua realidade para a melhor adequação do aluno ao processo educativo. A escola tem que mudar de fisionomia para melhor acolhimento dos alunos. Este princípio enfatiza a importância da aceitação incondicional do aluno, sem alguma restrição. 4. o simples fato de a escola receber as crianças com necessidades educacionais não a credencia como uma escola inclusiva. Para tanto, a escola deve passar por um período de reestruturação física, filosófica e cientifica para obedecer aos princípios de uma integração com sucesso e de acordo com o documento de Salamanca. 5. Para a proposta da escola inclusiva o ensino baseia-se na educação flexível, não tradicional e que não necessita da existência de salas especiais, pois a postura inclusiva é não discriminatória e os professores das salas regulares estão preparados teórica e metodologicamente para melhor receber o aluno e promover uma educação de qualidade. “O respeito mútuo, um respeito sem fingimentos e sem rotinas, um respeito bem intencionado, que todos os dias se iluminam de argumentos novos e todos os dias se sente pequeno diante da sua aspiração, poderá servir de base, dentro da obra educacional, a um movimento de resultados eficientes, no problema urgentíssimo da salvação do mundo pela garantia unânime da paz”. Trecho extraído do livro Cecília Meireles: Coleção Melhores Crônicas, Global Editora. Qual a diferença entre a Inclusão e Integração? Embora ambas constituam formas de inserção da pessoa com necessidades educacionais especiais; a prática da integração 72
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO vemdos anos 60 e 70, e baseou-se no modelo médico/clínico da deficiência. Neste modelo os educandos especiais precisavam modificar-se (habilitar-se, reabilitar-se, educar-se) para tornarem-se aptos a satisfazerem os padrões aceitos no meio social, familiar, escolar, profissional, recreativo, ambiental. A prática da inclusão tem sua origem na década de 80, porém consolidada nos anos 90; segue o modelo social da deficiência. Sua principal tarefa consiste em modificar a sociedade (escolas, empresas, programas, serviços, ambientes físicos, etc) para tornála capaz de acolher todas as pessoas que apresente alguma diversidade. Portanto a escola inclusiva pressiona a sociedade para uma tomada de ação em prol dos direitos universais. No entanto, encontram-se muitas Resistências à inclusão tanto no âmbito escolar, profissional, familiar como em outros setores, as principais resistências têm como origem o preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos mais flexíveis. O medo do novo nos educadores; formação acadêmica a qual não os habilitou para o trabalho com a diversidade; e demais profissões que não estavam preparadas para uma sociedade para todos. Para que este quadro seja modificado é necessária a formação de eixos fundamentais para alicerçar o processo de inclusão: um debate permanente com a sociedade, ações de sensibilização, ênfase na convivência na diversidade humana dentro das escolas, das empresas e nas políticas públicas direcionadas ao compromisso com a garantia dos direitos educacionais. Resumo Neste tema foram realizados uma apreciação do movimento integracionista e o movimento em prol da inclusão, passando pelos aspectos sócios – históricos envolvidos nesta conquista. Os aspectos relevantes das sociedades excludentes e inclusivas foram analisados, assim como os desafios para a implantação/implementação de políticas Públicas para a Ed. Inclusiva. Auto-avaliação 1. A exclusão, no entendimento de Foucault, está diretamente relacionada à: () educação como sistema () filantropia () formas de distribuição de poder () doença mental 2. Você acha que todos têm o direito de ser diferente? Comente sua resposta. 3. Diferencie as terminologias Integração e Inclusão. 4. Comente esta frase: “a escola deve ser um espaço para as transformações, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade”. 73
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    PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Bibliografia BRASIL– MEC (1994) Política Nacional de Educação especial: Brasília, 1994. MANTOAN, M.T.E. (1997) A integração de pessoas com deficiências: Contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon: Editora SENAC. MANTOAN, M.T.E. (1989) Compreendendo a Deficiência Mental: novos caminhos educacionais. Editora Scipione, São Paulo. SASSAKI, R.K. (1997) Inclusão: Construindo uma sociedade para todos – WVA, Rio de Janeiro. WERNECK, C. (1997) Ninguém vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. WVA: Rio de Janeiro. 74
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