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PSICOLOGIA DA
APRENDIZAGEM
“A Psicologia da Aprendizagem pode reivindicar
todo estudo que, de perto ou de longe, trate das
estruturas e mecanismos psicológicos suscetíveis
de intervir numa situação educativa, formal ou
informal.” (Foulin e Mouchon, 2000,p.3).
ENSINO
“Apresentando um caráter triádico – quem
ensina, à quem se ensina, o que se ensina –
pressupõe, a atividade ensino, a priori, uma
“intenção”, uma pretensão de que um objetivo
almejado – que seja de ordem cognitiva, afetiva
ou motora – seja atingido por aquele submetido
ao processo.”(Gilberto Teixeira)
APRENDIZAGEM
um pouco de história
• SÓCRATES: O conhecimento preexiste no espírito do homem e a
aprendizagem consiste no despertar esses conhecimentos inatos e
adormecidos. Para ele, o método da “maiêutica” ou partejamento das ideias
é que disciplinaria o espírito e revelaria as verdades universais.
• PLATÃO: A alma está sujeita à metempsicose e guarda a lembrança das ideias
contempladas na encarnação anterior que, pela percepção, voltam à
consciência. Assim, a aprendizagem nada mais é do que uma reminiscência.
• ARISTÓTELES: Utilizou o método dedutivo, característico de seu sistema
lógico, e, o método indutivo, aplicando-o em suas observações, experiências
e hipóteses. Combatendo a preexistência das ideias, formulou a célebre
afirmação de que “nada está na inteligência que não tenha primeiro estado
nos sentidos”.
• Sto. Agostinho, Sto. Tomaz de Aquino e Juan Luís Vives também contribuíram
com as concepções antigas da conceituação de Aprendizagem.
Contribuições Modernas para a
Conceituação da Aprendizagem
• COPÉRNICO, BACON, GALILEU, DESCARTES e LOCKE voltaram
a usar método indutivo de
Aristóteles, exigindo as provas experimentais e a evidência empírica, para justificar
as generalidades sobre o homem e a natureza.
BACON, DESCARTES E LOCKE, propagaram uma nova fé no conhecimento, baseado no
senso-percepção e no raciocínio lógico.
Assim, o método científico de análise e de predição de eventos, estabeleceu-se,
requerendo a observação e a experimentação, como também a medida e a
classificação da experiência.
Muitos filósofos passaram a defender, então, a opinião de que nossa mente é
totalmente vazia de conteúdo, enquanto não vivemos uma experiência sensorial.
Esta visão é chamada de empirismo.
APRENDIZAGEM
• “Aprendizagem é a progressiva mudança do
comportamento que está ligada, de um lado, a
sucessivas apresentações de uma situação e, de
outro, a repetidos esforços dos indivíduos para
enfrentá-la de maneira eficiente.”(McConnell)
• “A aprendizagem é uma modificação na
disposição ou na capacidade do homem,
modificação essa que pode ser anulada e que não
pode ser simplesmente atribuída ao processo de
crescimento.” (Gagné)
CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM
• Aprendizagem é mudança de
comportamento.
A maior parte de nossos
comportamentos é aprendida: andar,
falar, gritar, digitar, pedalar, nadar,
calcular, telefonar, sentar, etc.
• Aprendizagem é mudança de
comportamento resultante da
experiência.
Quase todos os nossos
comportamentos são aprendidos,
mas não todos. Há comportamentos
que resultam da maturação ou do
crescimento de nosso organismo e,
portanto, não constituem
aprendizagem: respiração, digestão,
salivação.
A realização do processo de aprendizagem
depende de três elementos principais:
• SITUAÇÃO ESTIMULADORA
soma dos fatores que
estimulam os órgãos dos
sentidos da pessoa que
aprende. Se houver apenas um
fator, este recebe o nome de
estímulo. Exemplos de
estímulos: um nome falado em
voz alta; uma ordem, como
"sente-se"; uma mudança
ambiental, como falta de luz
elétrica, etc.
Pessoa que
aprende: indivíduo
atingindo pela
situação
estimuladora. Para a
aprendizagem, são
importantes os
órgãos dos sentidos,
afetados pela
situação
estimuladora; o
sistema nervoso
central, que
interpreta a situação
estimuladora e
ordena a ação; e os
músculos, que
executam a ação.
RESPOSTA:
ação que resulta da estimulação e da atividade nervosa. Ouvindo seu nome, a pessoa
responde: O que foi? Diante da ordem, a pessoa obedece e senta-se. Na falta de luz, o
indivíduo acende um fósforo. Nesses casos, temos comportamentos aprendidos
anteriormente.
IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM
NA VIDA HUMANA
Na vida humana a aprendizagem se
inicia com o, ou até antes, do
nascimento e se prolonga até a
morte. Experiências várias têm
demonstrado que é possível obter
reações condicionadas em fetos.
Logo que a criança nasce, começa
aprender e continua a fazê-lo
durante toda a vida.
A aprendizagem é, afinal, um processo fundamental da
vida. Todo indivíduo aprende e, através da
aprendizagem, desenvolve os comportamentos que o
possibilitam viver. Todas as atividades e realizações
humanas exibem os resultados da aprendizagem.
Quando se considera a vida em termos do povo, da
comunidade ou do indivíduo, por todos os lados são
encontrados os efeitos da aprendizagem.
A aprendizagem é um processo
tão importante para o sucesso da
sobrevivência do homem, que
foram organizados meios
educacionais e escolas para
tornarem a aprendizagem mais
eficiente.
• O estudo e a aprendizagem, sua
natureza, suas características e
fatores que nela influenciam
constitui, portanto, um dos
problemas mais importantes para a
psicologia e para o educador, seja
ele pai, professor, orientador ou
administrador de instituições
educativas. Explicar o mecanismo
de aprendizagem é esclarecer a
maneira pela qual o ser humano se
desenvolve, toma conhecimento
de mundo em que vive, organiza a
sua conduta e se ajusta ao meio
físico social.
É, pois, pela aprendizagem que o
homem se afirma como ser
racional, forma a sua
personalidade e se prepara para o
papel que lhe cabe no seio da
sociedade.
Especialmente no setor da teoria
e da prática educativa, não pode
ser dispensada a contribuição da
psicologia da aprendizagem. Da
solução dos problemas desta, vai
depender, não só a escolha do
método didático, como também a
organização dos programas e
currículos e até a formulação dos
objetivos da educação.
ETAPAS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
1) Motivação. Sem motivação, não há aprendizagem. Não adianta
insistir. Se o aluno não estiver motivado, ele não vai aprender.
Recompensas e punições também não resolvem, se o aluno não quiser
aprender.
2) Objetivo. O comportamento é sempre intencional, isto é, orientado
para um objetivo que satisfaça alguma necessidade do indivíduo. Em
educação, é importante que os objetivos propostos pela escola e pelo
professor coincidam com os objetivos do aluno.
3) Preparação ou prontidão. De nada adianta o indivíduo estar
motivado, ter um objetivo, se não for capaz de atingir esse objetivo para
satisfazer sua necessidade. Por exemplo, não adianta ensinar equações
de 2º grau antes que o aluno tenha capacidade mental para operações
abstratas; etc.
4) Obstáculo. Se não houvesse obstáculos, barreiras, não haveria
necessidade de aprendizagem, pois bastaria o indivíduo repetir
comportamentos anteriores.
Os obstáculos podem ser de natureza social (a mãe que proíbe o filho de jogar
bola), psicológica (a criança que estar em dúvida entre brincar e estudar) ou
física (o doce que está numa prateleira muito alta.) Outros obstáculos podem
ser de natureza pessoal: a baixa estatura para um indivíduo que quer ser
jogador de basquete, as deficiências físicas trazidas por um acidente, etc.
5) Respostas. O indivíduo vai agir de acordo com sua interpretação da
situação, procurando a melhor maneira de vencer o obstáculo.
6) Reforço. Quando a pessoa tenta superar o obstáculo até conseguir, a
resposta que leva à satisfação da necessidade é reforçada e, futuramente, em
situações semelhantes, tende a ser repetida .
7) Generalização. Consiste em integrar a resposta correta ao repertório de
conhecimentos. Essa generalização permite que o indivíduo dê a mesma
resposta que levou ao êxito diante de situações semelhantes. A nova
aprendizagem passa a fazer parte do indivíduo e vai ser utilizada sempre que
for preciso.
TIPOS DE APRENDIZAGEM
Aprendemos muitas coisas na vida, umas diferentes das outras. Essas diferentes
formas de aprendizagem exigem condições diferentes para ocorrer.
Tipo 1 - Aprendizagem de sinais
Ter simpatias e antipatias, preferências, medo da água ou das alturas: chorar com
facilidade, ruborizar-se e outros comportamentos involuntários pode ser resultado
de aprendizagem de sinais produzida por condicionamento respondente, também
chamado condicionamento clássico.
Condicionamento respondente porque se refere à aprendizagem de
comportamentos involuntários, que a pessoa apresenta automaticamente diante
de estímulos externos .
O cientista russo Pavlov, que no início do século fez os primeiros experimentos
sobre esse tipo de condicionamento, percebeu que seu cão salivava não só diante
do alimento, mas já quando ele abria a porta para levar-lhe comida.
Tipo 2 – Estímulo-resposta
Neste caso, a aprendizagem consiste em associar uma resposta a um determinado
estímulo: o cão dá a pata quando o dono pede, A associação estímulo-resposta é
estabelecida mais facilmente quando a resposta é reforçada, ou seja, recompensada
Esse tipo de aprendizagem é também chamado condicionamento operante ou
instrumental .
Tipo 3 - Cadeias motoras
Nenhum comportamento existe isoladamente: nadar consiste numa sucessão de
movimentos. Cada um desses comportamentos compõe-se de uma sucessão de
comportamentos mais simples: forma-se uma cadeia contínua de estímulos e
respostas. Em alguns casos, para que tais cadeias sejam aprendidas, é necessário
que se sucedam uma à outra, sempre na mesma ordem, e que sejam repetidas
muitas vezes.
Tipo 4 - Cadeias verbais
A memorização torna-se mais eficiente quando associamos as palavras, formando
cadeias. Neste caso, uma palavra funciona como estímulo para a lembrança de outra.
Um elo comum aos vários termos de uma cadeia pode facilitar a memorização.
Tipo 5 - Aprendizagem de discriminação
Discriminar consiste em dar respostas diferentes a estímulos semelhantes. Por
exemplo, uma criança vê um passarinho e diz: "Pintassilgo"; vê outro e diz:
"Andorinha"; vê um terceiro e grita: "Canário"; etc. Os três passarinhos são
semelhantes: têm características iguais (duas patas, cabeça, bico, penas, etc.), mas
têm também características diferentes (cor, tamanho, forma do rabo, etc.) e a criança
aprende a discriminar, a distinguir essas diferenças, atribuindo nome diferente a cada
passarinho. Para que isso aconteça, é preciso:
1º) associar cada estímulo distinto (cor, tamanho, rabo) a uma resposta específica
(pintassilgo, andorinha, canário) e
2º) fixar essas associações, por meio de repetições, verificando as semelhanças e as
diferenças entre os estímulos.
Tipo 6 - Aprendizagem de conceitos
Na aprendizagem de conceitos, acontece o contrário do que ocorre na aprendizagem de
discriminação: o indivíduo aprende a dar uma resposta comum a estímulos diferentes em
vários aspectos. Por exemplo, uma pessoa aprende o conceito de pássaro - um animal
voador, com duas patas, penas, asas, rabo, bico, etc. -, e já viu canários, pintassilgos e
andorinhas, mas nunca viu um sabiá. Aparece um sabiá e a pessoa logo o identifica como
um pássaro, embora não saiba discriminá-lo pelo nome, pois, na aprendizagem de
discriminação, nova aprendizagem é necessária para cada estímulo diferente.
Tipo 7 - Aprendizagem de princípios
Princípio é uma cadeia de dois ou mais conceitos. Para aprender um princípio é necessário
ter aprendido previamente os conceitos que o formam. "Para se encontrar a área de um
quadrado, multiplica-se a base por ela mesma": este é um princípio que só será aprendido
se seus conceitos (área, quadrado, multiplicar, base) forem conhecidos e quando, diante de
um problema, o indivíduo for capaz de aplicar o princípio para chegar à solução.
Tipo 8 - Solução de problemas
Essa é a forma superior de aprendizagem, pois permite à pessoa enfrentar suas dificuldades,
solucionar seus problemas, mediante a aplicação de princípios conhecidos. Se alguém
propõe o seguinte problema: "calcule a área de um quadrado que tem 10 metros de base",
basta aplicar o princípio de cálculo de área dos quadrados, multiplicando 10 por 10, para
obter a resposta: 100 m2 .
MOTIVAÇÃO DA APRENDIZAGEM
A motivação é fator fundamental da
aprendizagem, sem motivação não há
aprendizagem.
Motivar significa predispor o indivíduo para certo
comportamento desejável naquele momento. O
aluno está motivado para aprender quando está
disposto a iniciar e continuar o processo de
aprendizagem, quando está interessado em
aprender certo assunto, em resolver um dado
problema, etc.
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  • 2. “A Psicologia da Aprendizagem pode reivindicar todo estudo que, de perto ou de longe, trate das estruturas e mecanismos psicológicos suscetíveis de intervir numa situação educativa, formal ou informal.” (Foulin e Mouchon, 2000,p.3).
  • 3. ENSINO “Apresentando um caráter triádico – quem ensina, à quem se ensina, o que se ensina – pressupõe, a atividade ensino, a priori, uma “intenção”, uma pretensão de que um objetivo almejado – que seja de ordem cognitiva, afetiva ou motora – seja atingido por aquele submetido ao processo.”(Gilberto Teixeira)
  • 4. APRENDIZAGEM um pouco de história • SÓCRATES: O conhecimento preexiste no espírito do homem e a aprendizagem consiste no despertar esses conhecimentos inatos e adormecidos. Para ele, o método da “maiêutica” ou partejamento das ideias é que disciplinaria o espírito e revelaria as verdades universais. • PLATÃO: A alma está sujeita à metempsicose e guarda a lembrança das ideias contempladas na encarnação anterior que, pela percepção, voltam à consciência. Assim, a aprendizagem nada mais é do que uma reminiscência. • ARISTÓTELES: Utilizou o método dedutivo, característico de seu sistema lógico, e, o método indutivo, aplicando-o em suas observações, experiências e hipóteses. Combatendo a preexistência das ideias, formulou a célebre afirmação de que “nada está na inteligência que não tenha primeiro estado nos sentidos”. • Sto. Agostinho, Sto. Tomaz de Aquino e Juan Luís Vives também contribuíram com as concepções antigas da conceituação de Aprendizagem.
  • 5. Contribuições Modernas para a Conceituação da Aprendizagem • COPÉRNICO, BACON, GALILEU, DESCARTES e LOCKE voltaram a usar método indutivo de Aristóteles, exigindo as provas experimentais e a evidência empírica, para justificar as generalidades sobre o homem e a natureza. BACON, DESCARTES E LOCKE, propagaram uma nova fé no conhecimento, baseado no senso-percepção e no raciocínio lógico. Assim, o método científico de análise e de predição de eventos, estabeleceu-se, requerendo a observação e a experimentação, como também a medida e a classificação da experiência. Muitos filósofos passaram a defender, então, a opinião de que nossa mente é totalmente vazia de conteúdo, enquanto não vivemos uma experiência sensorial. Esta visão é chamada de empirismo.
  • 6. APRENDIZAGEM • “Aprendizagem é a progressiva mudança do comportamento que está ligada, de um lado, a sucessivas apresentações de uma situação e, de outro, a repetidos esforços dos indivíduos para enfrentá-la de maneira eficiente.”(McConnell) • “A aprendizagem é uma modificação na disposição ou na capacidade do homem, modificação essa que pode ser anulada e que não pode ser simplesmente atribuída ao processo de crescimento.” (Gagné)
  • 7. CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM • Aprendizagem é mudança de comportamento. A maior parte de nossos comportamentos é aprendida: andar, falar, gritar, digitar, pedalar, nadar, calcular, telefonar, sentar, etc. • Aprendizagem é mudança de comportamento resultante da experiência. Quase todos os nossos comportamentos são aprendidos, mas não todos. Há comportamentos que resultam da maturação ou do crescimento de nosso organismo e, portanto, não constituem aprendizagem: respiração, digestão, salivação.
  • 8. A realização do processo de aprendizagem depende de três elementos principais: • SITUAÇÃO ESTIMULADORA soma dos fatores que estimulam os órgãos dos sentidos da pessoa que aprende. Se houver apenas um fator, este recebe o nome de estímulo. Exemplos de estímulos: um nome falado em voz alta; uma ordem, como "sente-se"; uma mudança ambiental, como falta de luz elétrica, etc. Pessoa que aprende: indivíduo atingindo pela situação estimuladora. Para a aprendizagem, são importantes os órgãos dos sentidos, afetados pela situação estimuladora; o sistema nervoso central, que interpreta a situação estimuladora e ordena a ação; e os músculos, que executam a ação.
  • 9. RESPOSTA: ação que resulta da estimulação e da atividade nervosa. Ouvindo seu nome, a pessoa responde: O que foi? Diante da ordem, a pessoa obedece e senta-se. Na falta de luz, o indivíduo acende um fósforo. Nesses casos, temos comportamentos aprendidos anteriormente.
  • 10. IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM NA VIDA HUMANA Na vida humana a aprendizagem se inicia com o, ou até antes, do nascimento e se prolonga até a morte. Experiências várias têm demonstrado que é possível obter reações condicionadas em fetos. Logo que a criança nasce, começa aprender e continua a fazê-lo durante toda a vida.
  • 11. A aprendizagem é, afinal, um processo fundamental da vida. Todo indivíduo aprende e, através da aprendizagem, desenvolve os comportamentos que o possibilitam viver. Todas as atividades e realizações humanas exibem os resultados da aprendizagem. Quando se considera a vida em termos do povo, da comunidade ou do indivíduo, por todos os lados são encontrados os efeitos da aprendizagem.
  • 12. A aprendizagem é um processo tão importante para o sucesso da sobrevivência do homem, que foram organizados meios educacionais e escolas para tornarem a aprendizagem mais eficiente. • O estudo e a aprendizagem, sua natureza, suas características e fatores que nela influenciam constitui, portanto, um dos problemas mais importantes para a psicologia e para o educador, seja ele pai, professor, orientador ou administrador de instituições educativas. Explicar o mecanismo de aprendizagem é esclarecer a maneira pela qual o ser humano se desenvolve, toma conhecimento de mundo em que vive, organiza a sua conduta e se ajusta ao meio físico social. É, pois, pela aprendizagem que o homem se afirma como ser racional, forma a sua personalidade e se prepara para o papel que lhe cabe no seio da sociedade. Especialmente no setor da teoria e da prática educativa, não pode ser dispensada a contribuição da psicologia da aprendizagem. Da solução dos problemas desta, vai depender, não só a escolha do método didático, como também a organização dos programas e currículos e até a formulação dos objetivos da educação.
  • 13. ETAPAS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM 1) Motivação. Sem motivação, não há aprendizagem. Não adianta insistir. Se o aluno não estiver motivado, ele não vai aprender. Recompensas e punições também não resolvem, se o aluno não quiser aprender. 2) Objetivo. O comportamento é sempre intencional, isto é, orientado para um objetivo que satisfaça alguma necessidade do indivíduo. Em educação, é importante que os objetivos propostos pela escola e pelo professor coincidam com os objetivos do aluno. 3) Preparação ou prontidão. De nada adianta o indivíduo estar motivado, ter um objetivo, se não for capaz de atingir esse objetivo para satisfazer sua necessidade. Por exemplo, não adianta ensinar equações de 2º grau antes que o aluno tenha capacidade mental para operações abstratas; etc. 4) Obstáculo. Se não houvesse obstáculos, barreiras, não haveria necessidade de aprendizagem, pois bastaria o indivíduo repetir comportamentos anteriores.
  • 14. Os obstáculos podem ser de natureza social (a mãe que proíbe o filho de jogar bola), psicológica (a criança que estar em dúvida entre brincar e estudar) ou física (o doce que está numa prateleira muito alta.) Outros obstáculos podem ser de natureza pessoal: a baixa estatura para um indivíduo que quer ser jogador de basquete, as deficiências físicas trazidas por um acidente, etc. 5) Respostas. O indivíduo vai agir de acordo com sua interpretação da situação, procurando a melhor maneira de vencer o obstáculo. 6) Reforço. Quando a pessoa tenta superar o obstáculo até conseguir, a resposta que leva à satisfação da necessidade é reforçada e, futuramente, em situações semelhantes, tende a ser repetida . 7) Generalização. Consiste em integrar a resposta correta ao repertório de conhecimentos. Essa generalização permite que o indivíduo dê a mesma resposta que levou ao êxito diante de situações semelhantes. A nova aprendizagem passa a fazer parte do indivíduo e vai ser utilizada sempre que for preciso.
  • 15. TIPOS DE APRENDIZAGEM Aprendemos muitas coisas na vida, umas diferentes das outras. Essas diferentes formas de aprendizagem exigem condições diferentes para ocorrer. Tipo 1 - Aprendizagem de sinais Ter simpatias e antipatias, preferências, medo da água ou das alturas: chorar com facilidade, ruborizar-se e outros comportamentos involuntários pode ser resultado de aprendizagem de sinais produzida por condicionamento respondente, também chamado condicionamento clássico. Condicionamento respondente porque se refere à aprendizagem de comportamentos involuntários, que a pessoa apresenta automaticamente diante de estímulos externos . O cientista russo Pavlov, que no início do século fez os primeiros experimentos sobre esse tipo de condicionamento, percebeu que seu cão salivava não só diante do alimento, mas já quando ele abria a porta para levar-lhe comida.
  • 16. Tipo 2 – Estímulo-resposta Neste caso, a aprendizagem consiste em associar uma resposta a um determinado estímulo: o cão dá a pata quando o dono pede, A associação estímulo-resposta é estabelecida mais facilmente quando a resposta é reforçada, ou seja, recompensada Esse tipo de aprendizagem é também chamado condicionamento operante ou instrumental . Tipo 3 - Cadeias motoras Nenhum comportamento existe isoladamente: nadar consiste numa sucessão de movimentos. Cada um desses comportamentos compõe-se de uma sucessão de comportamentos mais simples: forma-se uma cadeia contínua de estímulos e respostas. Em alguns casos, para que tais cadeias sejam aprendidas, é necessário que se sucedam uma à outra, sempre na mesma ordem, e que sejam repetidas muitas vezes.
  • 17. Tipo 4 - Cadeias verbais A memorização torna-se mais eficiente quando associamos as palavras, formando cadeias. Neste caso, uma palavra funciona como estímulo para a lembrança de outra. Um elo comum aos vários termos de uma cadeia pode facilitar a memorização. Tipo 5 - Aprendizagem de discriminação Discriminar consiste em dar respostas diferentes a estímulos semelhantes. Por exemplo, uma criança vê um passarinho e diz: "Pintassilgo"; vê outro e diz: "Andorinha"; vê um terceiro e grita: "Canário"; etc. Os três passarinhos são semelhantes: têm características iguais (duas patas, cabeça, bico, penas, etc.), mas têm também características diferentes (cor, tamanho, forma do rabo, etc.) e a criança aprende a discriminar, a distinguir essas diferenças, atribuindo nome diferente a cada passarinho. Para que isso aconteça, é preciso: 1º) associar cada estímulo distinto (cor, tamanho, rabo) a uma resposta específica (pintassilgo, andorinha, canário) e 2º) fixar essas associações, por meio de repetições, verificando as semelhanças e as diferenças entre os estímulos.
  • 18. Tipo 6 - Aprendizagem de conceitos Na aprendizagem de conceitos, acontece o contrário do que ocorre na aprendizagem de discriminação: o indivíduo aprende a dar uma resposta comum a estímulos diferentes em vários aspectos. Por exemplo, uma pessoa aprende o conceito de pássaro - um animal voador, com duas patas, penas, asas, rabo, bico, etc. -, e já viu canários, pintassilgos e andorinhas, mas nunca viu um sabiá. Aparece um sabiá e a pessoa logo o identifica como um pássaro, embora não saiba discriminá-lo pelo nome, pois, na aprendizagem de discriminação, nova aprendizagem é necessária para cada estímulo diferente. Tipo 7 - Aprendizagem de princípios Princípio é uma cadeia de dois ou mais conceitos. Para aprender um princípio é necessário ter aprendido previamente os conceitos que o formam. "Para se encontrar a área de um quadrado, multiplica-se a base por ela mesma": este é um princípio que só será aprendido se seus conceitos (área, quadrado, multiplicar, base) forem conhecidos e quando, diante de um problema, o indivíduo for capaz de aplicar o princípio para chegar à solução. Tipo 8 - Solução de problemas Essa é a forma superior de aprendizagem, pois permite à pessoa enfrentar suas dificuldades, solucionar seus problemas, mediante a aplicação de princípios conhecidos. Se alguém propõe o seguinte problema: "calcule a área de um quadrado que tem 10 metros de base", basta aplicar o princípio de cálculo de área dos quadrados, multiplicando 10 por 10, para obter a resposta: 100 m2 .
  • 19. MOTIVAÇÃO DA APRENDIZAGEM A motivação é fator fundamental da aprendizagem, sem motivação não há aprendizagem. Motivar significa predispor o indivíduo para certo comportamento desejável naquele momento. O aluno está motivado para aprender quando está disposto a iniciar e continuar o processo de aprendizagem, quando está interessado em aprender certo assunto, em resolver um dado problema, etc.