Módulo:
MODERNIZAÇÃO ADMINISTRATIVA:
A ESCOLA ENQUANTO ORGANIZAÇÃO
Tema: Medidas de Reforma na Prática Educativa

          Ensino Profissional nas
             Escolas Públicas,
          necessidade de reforma!
                Por: Jorge Artur Rodrigues Almeida Rita

     Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
1.    Introdução


                         2.1.   Entrada na     2.2. Relação
2. Indicadores                                                  2.3. Os
                           Universidade e         com o
Internacionais (o                                               nossos
                         entrada no Ensino     mercado de
que diz a OCDE)                                               Professores
                             Secundário          trabalho


3. Evolução histórica
    dos Sistemas
     Educativos


   4. Evolução do
 Ensino Profissional
    em Portugal



5. Estudo comparado




6. Desafios à Escola         6.1. Medidas de
      Pública                    Reforma
2. Indicadores Internacionais (o que diz a
  OCDE)


 Os governos estão a prestar cada vez mais atenção a comparações
  internacionais.

 A Direção de Educação da OCDE publica anualmente no Education at a
  Glance indicadores comparáveis ​a nível internacional.

 Permitem visualizar e discutir o desempenho de países e, em conjunto
  com críticas da OCDE projetar políticas para apoiar e avaliar os
  esforços que os governos estão a realizar nas reformas educativas e
  políticas.
2.1. Entrada na Universidade e entrada no Ensino
    Secundário
 Nos países da OCDE, estima-se que uma média de 84% dos jovens na atualidade vai
  completar o ensino secundário, situando Portugal, numa faixa etária de menores de
  25 anos, acima dos 65%, como indicado na figura.

         Percentagem de alunos graduados no ensino secundário (ISCED 3)
         por idade




                                      Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012, p.53
No ano de 2010 a que se refere a figura anterior, Portugal atravessou uma
medida politica baseada nas “Novas Oportunidades”. Pretendia abranger
toda a população com o ensino secundário. Dai as taxas de graduação
nesta figura serem acima dos 100%, pois proporcionou uma oportunidade
para os indivíduos que abandonaram a escola sem o diploma do
secundário.
                     Percentagem de alunos graduados no ensino secundário
                     (ISCED 3) por programa               Programa
                                     País
                                                      Geral            Vocacional
                                   Alemanha            40%                47%
Contudo, podemos visualizar         R. Checa           22%                57%
nesta tabela, a percentagem        Finlândia           46%                94%
                                     Áustria           18%                76%
de alunos graduados no               Bélgica           36%                69%
ensino secundário orientados         Irlanda           72%                68%
pelo tipo de programa             Luxemburgo           30%                41%
                                      Suíça            72%                74%
                                    Portugal           68%                36%
                                    Espanha            48%                43%
                                      OCDE             50%                46%
                                    EUA(21)            45%                54%
                                       G20             51%                30%
                                               Fonte: Adaptado de Education at a
                                               Glance 2012, p.53
 Abaixo da média - Alemanha, Áustria e Espanha com uma média de 30% de jovens
  que terminam este ensino. Todavia, espera-se que acima desta média, acima dos
  40%, se encontrem os países como Dinamarca, República Checa, Finlândia e
  Polónia. Portugal situa-se na média da OCDE, entre 30 a 40%.
 No entanto, será de analisar a importância que o diploma de ensino superior tem
  na projeção social destes jovens em cada país.

                Percentagem de alunos graduados no ensino superior (ISCED
                5)




                                                   Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012,
                                                   p.60
Como Azevedo (1999, p.114), afirma, “ o capital cultural é um
bem económico e por isso os grupos sociais conflituam entre
si, adotando diferentes estratégias de mobilidade social com
base no sistema escolar, suscetíveis de reproduzirem ou de
elevarem um certo “status” social”.

A posição cultural de um diploma em determinados países,
varia conforme a sua posição social e económica.
2.2. Relação com o mercado de trabalho

Nos países da OCDE, os
indivíduos com pelo menos o
ensino secundário têm uma
maior probabilidade de ser
contratados do que pessoas
sem o ensino secundário. Em
média, as taxas de emprego
variam entre 70 a 75%.
Nos países germânicos e nórdicos são onde existe maior probabilidade de
   os jovens graduados no ensino secundário vocacional encontrar emprego,
   e nos países mediterrâneos acontece o inverso.

Expectativas no mercado de trabalho por orientação educativa, após o ensino secundário
(ISCED 3)
                      Emprego                 Desemprego                Inativos
     País
               Vocacional    Geral      Vocacional     Geral      Vocacional     Geral
  Alemanha       72,2         59,8         6,9           8,3             17,1           34,8
   R.Checa       74,9         67,6         6,2           6,5             20,2           27,7
   Finlândia     73,7         73,4         7,8           6,9             21,1           21,2
    Áustria      78,2         75,2         3,4           4,5              19            21,3
    Bélgica      76,8         68,9          6             8              18,2           25,1
    Irlanda       66          66,7        16,7          12,1             20,8           24,1
  Luxemburgo     72,9          73          3,3           2,4             24,6           25,2
     Suíça       80,7         71,9         4,9           6,2             15,1           23,3
   Portugal      79,4         83,3         9,9           8,6             11,9            8,9
   Espanha       69,4         68,6        17,1          17,6             16,4           16,7
    OCDE         75,5         70,7         7,7           7,8             18,2           23,3
                                                 Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012,
                                                 p.138
Como podemos depreender através da figura, também é maior nestes
países (germânicos e nórdicos) o investimento na educação de nível
secundário, logo, o retorno educativo é consequentemente maior.

                  Despesa na Educação Secundária (ISCED 3)




                                                Fonte: Education at a Glance 2012, p.219
2.2. Os nossos Professores
O impacto dos professores na profissão, tendo em conta o seu salário, o número de
horas de trabalho e até, o rácio de estudantes por professor.
Portugal situa-se abaixo do nível médio da OCDE, revelando-nos um pouco sobre a
motivação destes profissionais, contradizendo, com países como Luxemburgo, onde a
contribuição dos salários é equiparada ao retorno educativo da sua formação.

Contribuição de vários fatores por salário dos professores no Ensino Secundário
(ISCED 3)




                                                          Fonte: Education at a Glance 2012, p.297
3. Evolução histórica dos Sistemas
    Educativos
 No contexto europeu, conforme Jackson discute em Merino, Casal e Garcia
  (2006), a relação entre as vertentes académicas e profissionais gerou três
  tipos ou modelos de sistemas educativos:


      Tracked                • sistema de vias separadas (países germânicos),
                               com o ensino secundário dividido em vias
      system                   académicas e profissionais sem ligação entre si



      Unified                • sistema unificado (países nórdicos), com o
                               ensino secundário integrado e uma diferenciação
      system                   muito reduzida de vias


                             • sistema interligado (existente em França em
      Linked                   Espanha e Portugal), ensino secundário com
                               vertentes separadas mas apresentando ligações
      system                   ou pontos de contacto entre as diferentes
                               vertentes
Tudo isto, segundo Merino e Garcia (2006), origina uma desigualdade
educativa por várias razões:


                        • usada pelas escolas na distinção e estratificação
Descriminação             social dos indivíduos, que destacaram Baudelot
                          e Establet (1976) nos seus estudos



                        • social e desigualdade social, tendo em conta a
     Atraso               estratificação legitimada pelas escolas



                        • escolar, legitimada e absorvida pelos nossos
                          jovens, segundo o capital cultural adquirido e
  Segregação              inato em algumas classes sociais, retratado
                          inicialmente por Pierre Boudieu

                        • e desfavorecimento de alguns grupos,
                          legitimados num determinado campo, que
Vulnerabilidade           segundo Basil Bernstein, ocorre sob um código
                          ou condicionamento linguístico que retrata estes
                          grupos
 As culturas ocidentais submetidas a mudanças, vão alterando os critérios
  do seu fundamento, fazendo surgir novos problemas, trajetórias, práticas,
  numa sociedade cada vez mais globalizada. O desajuste provocado por este
  ritmo diferencial de mudanças mobiliza e contrapõe-se a uma constante
  adaptabilidade e flexibilidade do sistema ensino.

           Esquema conceptual da (di)(com)vergência no ensino na
           Europa




                                                            Fonte: Silva 2012,p.nd
4. Evolução do Ensino Profissional em
 Portugal
 Reformas Compreensivas (1970 – 2006)



Portugal atravessou alguns períodos de referência crítica nas Políticas de
Educação. Neste trabalho interessa, sobretudo, analisar os períodos
decorridos entre 1974 e 2006.



Em 1985 surge a estrutura de cinco níveis de formação.
 Período decorrido entre 1974 e 2006.


  1974       • Encerramento do Ensino Técnico na via Secundário inferior

             • Reconhece-se a via técnica mas visualizada no Ens. Sec.
  1983         superior

  1985       • Estrutura de 5 níveis
             • Lei de Bases do Sistema Educativo
  1986       • Criação cursos Técnico Profissionais no Sist. Sec. Superior
               Cursos Profissionais
                                                                             *Criação FP –


  1989       • Primeira reforma curricular – Dec Lei 289/89

  1993       • Escolas Prof. oferecem formação virada para a vida ativa

  1998       • Grupo de Missão – EFA
             • Dec Lei 74/2004 alarga o EP às Escolas Públicas
  2004       • Criação dos CEF – Despacho 453/04 *Reformulação dos planos
               de estudo

  2005       • Novas Oportunidades - CNO
A Iniciativa Novas Oportunidades em 2005, o aumento da oferta de Cursos
Profissionais e o aumento da participação dos jovens em cursos de dupla
certificação ao nível do secundário.
     Taxa de abandono precoce




                                             Fonte – INE, extraído em Maio de 2011
5. Estudo comparado
 Tanto em Espanha como em Portugal, as tradições políticas
  e institucionais caracterizam-se pela centralização no
  Estado e são “formas débiles de asociasón social y que
  aparecen vinculados con formas relativamente
  centralizadas de administración educativa”, como afirmam
  Green, Wolf e Leney (1999, p.33).
Existem diferenças na regulação e governação destes dois países, que
caracterizam os seus sistemas de Educação e Formação Profissional.
Apesar da convergência das reformas de ensino nestes dois países, existem
parâmetros de divergência quantitativos e qualitativos.
  Formas de descentralização no sistema de ensino em Portugal e em Espanha

                                                    PORTUGAL                          ESPANHA
        Formas de descentralização
                            Municipal   Conselho de Escola               Conselho de Escola do Centro

 Dispersão de
                                        Conselho Nacional de Educação,   Conselho de Escola de Estado e o
 poderes dos
                            Nacional    e o Conselho para Cooperação     Conselho Geral de Formação
 atores sociais
                                        do Ensino Superior - Empresas    Profissional em Espanha



 Poder a nível regional                              -                   Comunidade Autónomas

                                                                         Oficinas de Educação em todas
 Desconcentração Regional   Direções Regionais de Educação               as Províncias de Comunidades
                                                                         Autónomas

                                                          Fonte – Adaptado de Green, Wolf e Leney
                                                         (1999)
De que forma é equacionado/interpretado o
ensino profissional na educação nas regiões de
Barcelona e Lisboa?

1 - O sistema de ensino profissional na Catalunha é subdividido em
formação profissional superior e média, que configura uma estratificação
social diferente, logo recontextualização social através da formação, que
não acontece em Lisboa;
2 - O percurso formativo na Catalunha é diferente do de Lisboa

  Diferença entre os cursos profissionais em Lisboa e Barcelona


                       LISBOA                                 BARCELONA
Acesso com o diploma de escolaridade obrigatória Acesso com o diploma da ESO – 10
– 9 anos                                          anos, ou Bachillerato


Diploma de estudos secundários (acesso à          CFGM (com exame de acesso ao CFGS)
Universidade com exame específico de disciplina
                                                  Dois anos – 1200 H
do ensino regular) - 3 anos – 3100 H



                                                  CFGS (em alguns cursos acesso direto á
                                                  Universidade) - Dois anos – 1200 H



                                                                Fonte: Adaptado de, Silva
                                                                (2012)
3 - Na Catalunha existe uma maior percentagem de população juvenil, do
   que em Lisboa.
   fluxo migratório de populações estrangeiras.
   diferença entre a naturalidade dos pais.


                                                       Nacionalidade dos alunos inquiridos
                Barcelona                   Lisboa     na Catalunha e em Lisboa
     Espanhol
                   86%       Portuguesa      82%
         a

       Outra       14%         Outra         18%


Nacionalidade dos pais                Barcelona                             Lisboa
dos alunos inquiridos                      Mãe       Pai                         Mãe         Pai
na Catalunha e em
Lisboa                      Espanhola     86%        86%      Portuguesa         71%        66%

                              Outra       14%        14%          Outra          29%        32%

                                                               Não sabe           1%         2%
                                                           Fonte: Dados dos inquéritos online, Silva
A diferença ainda existente entre géneros. Destacando-se já uma maior
percentagem de população feminina na Catalunha. No entanto, uma das
orientações a nível europeu é de que se deve tentar igualar em termos de
género a população escolar neste tipo de formação;


         Género dos alunos inquiridos na Catalunha e em Lisboa

                           Catalunha
                                                  Portugal (Lisboa)
                          (Barcelona)

         Masculino            74%                           79%


          Feminino            26%                           21%

                                 Fonte: Dados dos inquéritos online, Silva
                                 (2012)
4 - Os gastos na educação e PIB, que são despendidos na Catalunha são
superiores aos despendidos em Lisboa, o que configura:

   Uma maior motivação por parte das famílias;
   Um maior investimento social;
   Uma maior formação dos professores, levando a um maior
    investimento na carreira.

5 - Na Catalunha o ensino profissional é ministrado em escolas
específicas criadas para o efeito…




       Institut Escola del
       Treball
Em Portugal o ensino profissional está também nas escolas públicas
  misturado com o ensino regular. Observaram-se resultados controversos,
  que apenas se explicam pela maior exigência dos formandos da Catalunha.


Dados dos inquéritos online sobre instalações e competência dos professores na
Catalunha e em Lisboa.




                                                           Fonte – Inquéritos online, Silva (2012)
6 - A contratação de professores na Catalunha é feita de forma diferente
 daquela praticada em Portugal.
 Em entrevistas efetuadas a Diretores de escolas na Catalunha foi um dos
 principais problemas referidos. Também poderá ser um motivo das
 respostas aos inquéritos por parte dos alunos de insatisfação




Visita à: EMAV – Escola de Mitjans Audiovisuals
7 - As perspetivas dos jovens da Catalunha após a finalização de um percurso
de Ensino Profissional são mais ambiciosas que a dos Portugueses.

Dados dos inquéritos online “Que pensa fazer depois de terminar de estudar?”
formandos na Catalunha e em Lisboa




                                                          Fonte – Inquéritos online, Silva (2012)
6. Desafios à Escola Pública
Cabe agora, depois de exposta a situação atual e sua
comparação com outras realidades, propor uma reforma
no sentido de tentar melhorar o Ensino Profissional em
Portugal, dando-lhe um carater mais globalizante como
pretendido pela OCDE e Banco Mundial.

Aponto de seguida cinco propostas de alteração, ou
mesmo de uma reforma do nosso sistema de Ensino
Profissional.
6.1. Medidas de Reforma
1 - A primeira proposta centra-se no Ensino Secundário Obrigatório.

   o 12º ano ensino obrigatório
   o Apenas dois capitais culturais distintos




  Criação de um nível de estudos intermedio promovendo, tal como na
  Catalunha, um Ensino Profissional de nível superior. Teríamos assim,
  técnicos de qualificação profissional superior e média que criariam
  uma nova oferta, estratificando o capital cultural e as grandes
  diferenças sociais.
2 - Maior participação entre o tecido empresarial e o poder local.



   o Componente de Formação Técnica ministrada por profissionais da área,
     ou afins



  Esta componente deverá ser lecionada preferencialmente nas empresas,
  por profissionais das mesmas, sendo para isso celebrados acordos de
  parcerias entre escolas e empresas, o que só traria vantagens para a
  credibilização das formações ministradas, como para as empresas que
  estariam a apostar nos seus futuros quadros de pessoal.
3 - Ensino Profissional público, estar a ser ministrado nas mesmas
  escolas que o ensino regular

  o Ambiente escolar
  o “Facilitismo” do ensino regular


  Criar escolas públicas com a exclusividade de Ensino Profissional.
  Está facilitado devido à criação dos Agrupamentos de Escolas.
  Criando um ambiente nitidamente favorável ao funcionamento
  destes cursos, em que os alunos respirassem uma atmosfera de
  trabalho e profissionalismo técnico.
4 - O corpo docente

  o Papel importantíssimo
  o Desempenho e desenvolvimento dos nossos formandos
  o Formados adequadamente no sentido da responsabilidade de
     formação de jovens para o nosso tecido empresarial.

  Assim, o corpo docente estaria adstrito unicamente a esta tipologia
  de ensino e com formação adequada ao mesmo.
5 - Os períodos escolares

o O ensino regular divide-se em 3 períodos
o Realidade do EP é por módulos


Um período escolar no ensino profissional deveria ser de um ano
letivo sem interrupções, sem períodos de avaliação definidos, mas
com reuniões da equipa pedagógica periódicas, tal como previsto
atualmente por Dec. Lei, mas também com a função de ir recolhendo
avaliações à medida que os módulos curriculares vão sendo
lecionados.

Proj reforma v2

  • 1.
    Módulo: MODERNIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: A ESCOLAENQUANTO ORGANIZAÇÃO Tema: Medidas de Reforma na Prática Educativa Ensino Profissional nas Escolas Públicas, necessidade de reforma! Por: Jorge Artur Rodrigues Almeida Rita Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
  • 2.
    1. Introdução 2.1. Entrada na 2.2. Relação 2. Indicadores 2.3. Os Universidade e com o Internacionais (o nossos entrada no Ensino mercado de que diz a OCDE) Professores Secundário trabalho 3. Evolução histórica dos Sistemas Educativos 4. Evolução do Ensino Profissional em Portugal 5. Estudo comparado 6. Desafios à Escola 6.1. Medidas de Pública Reforma
  • 3.
    2. Indicadores Internacionais(o que diz a OCDE)  Os governos estão a prestar cada vez mais atenção a comparações internacionais.  A Direção de Educação da OCDE publica anualmente no Education at a Glance indicadores comparáveis ​a nível internacional.  Permitem visualizar e discutir o desempenho de países e, em conjunto com críticas da OCDE projetar políticas para apoiar e avaliar os esforços que os governos estão a realizar nas reformas educativas e políticas.
  • 4.
    2.1. Entrada naUniversidade e entrada no Ensino Secundário  Nos países da OCDE, estima-se que uma média de 84% dos jovens na atualidade vai completar o ensino secundário, situando Portugal, numa faixa etária de menores de 25 anos, acima dos 65%, como indicado na figura. Percentagem de alunos graduados no ensino secundário (ISCED 3) por idade Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012, p.53
  • 5.
    No ano de2010 a que se refere a figura anterior, Portugal atravessou uma medida politica baseada nas “Novas Oportunidades”. Pretendia abranger toda a população com o ensino secundário. Dai as taxas de graduação nesta figura serem acima dos 100%, pois proporcionou uma oportunidade para os indivíduos que abandonaram a escola sem o diploma do secundário. Percentagem de alunos graduados no ensino secundário (ISCED 3) por programa Programa País Geral Vocacional Alemanha 40% 47% Contudo, podemos visualizar R. Checa 22% 57% nesta tabela, a percentagem Finlândia 46% 94% Áustria 18% 76% de alunos graduados no Bélgica 36% 69% ensino secundário orientados Irlanda 72% 68% pelo tipo de programa Luxemburgo 30% 41% Suíça 72% 74% Portugal 68% 36% Espanha 48% 43% OCDE 50% 46% EUA(21) 45% 54% G20 51% 30% Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012, p.53
  • 6.
     Abaixo damédia - Alemanha, Áustria e Espanha com uma média de 30% de jovens que terminam este ensino. Todavia, espera-se que acima desta média, acima dos 40%, se encontrem os países como Dinamarca, República Checa, Finlândia e Polónia. Portugal situa-se na média da OCDE, entre 30 a 40%.  No entanto, será de analisar a importância que o diploma de ensino superior tem na projeção social destes jovens em cada país. Percentagem de alunos graduados no ensino superior (ISCED 5) Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012, p.60
  • 7.
    Como Azevedo (1999,p.114), afirma, “ o capital cultural é um bem económico e por isso os grupos sociais conflituam entre si, adotando diferentes estratégias de mobilidade social com base no sistema escolar, suscetíveis de reproduzirem ou de elevarem um certo “status” social”. A posição cultural de um diploma em determinados países, varia conforme a sua posição social e económica.
  • 8.
    2.2. Relação como mercado de trabalho Nos países da OCDE, os indivíduos com pelo menos o ensino secundário têm uma maior probabilidade de ser contratados do que pessoas sem o ensino secundário. Em média, as taxas de emprego variam entre 70 a 75%.
  • 9.
    Nos países germânicose nórdicos são onde existe maior probabilidade de os jovens graduados no ensino secundário vocacional encontrar emprego, e nos países mediterrâneos acontece o inverso. Expectativas no mercado de trabalho por orientação educativa, após o ensino secundário (ISCED 3) Emprego Desemprego Inativos País Vocacional Geral Vocacional Geral Vocacional Geral Alemanha 72,2 59,8 6,9 8,3 17,1 34,8 R.Checa 74,9 67,6 6,2 6,5 20,2 27,7 Finlândia 73,7 73,4 7,8 6,9 21,1 21,2 Áustria 78,2 75,2 3,4 4,5 19 21,3 Bélgica 76,8 68,9 6 8 18,2 25,1 Irlanda 66 66,7 16,7 12,1 20,8 24,1 Luxemburgo 72,9 73 3,3 2,4 24,6 25,2 Suíça 80,7 71,9 4,9 6,2 15,1 23,3 Portugal 79,4 83,3 9,9 8,6 11,9 8,9 Espanha 69,4 68,6 17,1 17,6 16,4 16,7 OCDE 75,5 70,7 7,7 7,8 18,2 23,3 Fonte: Adaptado de Education at a Glance 2012, p.138
  • 10.
    Como podemos depreenderatravés da figura, também é maior nestes países (germânicos e nórdicos) o investimento na educação de nível secundário, logo, o retorno educativo é consequentemente maior. Despesa na Educação Secundária (ISCED 3) Fonte: Education at a Glance 2012, p.219
  • 11.
    2.2. Os nossosProfessores O impacto dos professores na profissão, tendo em conta o seu salário, o número de horas de trabalho e até, o rácio de estudantes por professor. Portugal situa-se abaixo do nível médio da OCDE, revelando-nos um pouco sobre a motivação destes profissionais, contradizendo, com países como Luxemburgo, onde a contribuição dos salários é equiparada ao retorno educativo da sua formação. Contribuição de vários fatores por salário dos professores no Ensino Secundário (ISCED 3) Fonte: Education at a Glance 2012, p.297
  • 12.
    3. Evolução históricados Sistemas Educativos  No contexto europeu, conforme Jackson discute em Merino, Casal e Garcia (2006), a relação entre as vertentes académicas e profissionais gerou três tipos ou modelos de sistemas educativos: Tracked • sistema de vias separadas (países germânicos), com o ensino secundário dividido em vias system académicas e profissionais sem ligação entre si Unified • sistema unificado (países nórdicos), com o ensino secundário integrado e uma diferenciação system muito reduzida de vias • sistema interligado (existente em França em Linked Espanha e Portugal), ensino secundário com vertentes separadas mas apresentando ligações system ou pontos de contacto entre as diferentes vertentes
  • 13.
    Tudo isto, segundoMerino e Garcia (2006), origina uma desigualdade educativa por várias razões: • usada pelas escolas na distinção e estratificação Descriminação social dos indivíduos, que destacaram Baudelot e Establet (1976) nos seus estudos • social e desigualdade social, tendo em conta a Atraso estratificação legitimada pelas escolas • escolar, legitimada e absorvida pelos nossos jovens, segundo o capital cultural adquirido e Segregação inato em algumas classes sociais, retratado inicialmente por Pierre Boudieu • e desfavorecimento de alguns grupos, legitimados num determinado campo, que Vulnerabilidade segundo Basil Bernstein, ocorre sob um código ou condicionamento linguístico que retrata estes grupos
  • 14.
     As culturasocidentais submetidas a mudanças, vão alterando os critérios do seu fundamento, fazendo surgir novos problemas, trajetórias, práticas, numa sociedade cada vez mais globalizada. O desajuste provocado por este ritmo diferencial de mudanças mobiliza e contrapõe-se a uma constante adaptabilidade e flexibilidade do sistema ensino. Esquema conceptual da (di)(com)vergência no ensino na Europa Fonte: Silva 2012,p.nd
  • 15.
    4. Evolução doEnsino Profissional em Portugal Reformas Compreensivas (1970 – 2006) Portugal atravessou alguns períodos de referência crítica nas Políticas de Educação. Neste trabalho interessa, sobretudo, analisar os períodos decorridos entre 1974 e 2006. Em 1985 surge a estrutura de cinco níveis de formação.
  • 17.
     Período decorridoentre 1974 e 2006. 1974 • Encerramento do Ensino Técnico na via Secundário inferior • Reconhece-se a via técnica mas visualizada no Ens. Sec. 1983 superior 1985 • Estrutura de 5 níveis • Lei de Bases do Sistema Educativo 1986 • Criação cursos Técnico Profissionais no Sist. Sec. Superior Cursos Profissionais *Criação FP – 1989 • Primeira reforma curricular – Dec Lei 289/89 1993 • Escolas Prof. oferecem formação virada para a vida ativa 1998 • Grupo de Missão – EFA • Dec Lei 74/2004 alarga o EP às Escolas Públicas 2004 • Criação dos CEF – Despacho 453/04 *Reformulação dos planos de estudo 2005 • Novas Oportunidades - CNO
  • 18.
    A Iniciativa NovasOportunidades em 2005, o aumento da oferta de Cursos Profissionais e o aumento da participação dos jovens em cursos de dupla certificação ao nível do secundário. Taxa de abandono precoce Fonte – INE, extraído em Maio de 2011
  • 19.
    5. Estudo comparado Tanto em Espanha como em Portugal, as tradições políticas e institucionais caracterizam-se pela centralização no Estado e são “formas débiles de asociasón social y que aparecen vinculados con formas relativamente centralizadas de administración educativa”, como afirmam Green, Wolf e Leney (1999, p.33).
  • 20.
    Existem diferenças naregulação e governação destes dois países, que caracterizam os seus sistemas de Educação e Formação Profissional. Apesar da convergência das reformas de ensino nestes dois países, existem parâmetros de divergência quantitativos e qualitativos. Formas de descentralização no sistema de ensino em Portugal e em Espanha PORTUGAL ESPANHA Formas de descentralização Municipal Conselho de Escola Conselho de Escola do Centro Dispersão de Conselho Nacional de Educação, Conselho de Escola de Estado e o poderes dos Nacional e o Conselho para Cooperação Conselho Geral de Formação atores sociais do Ensino Superior - Empresas Profissional em Espanha Poder a nível regional - Comunidade Autónomas Oficinas de Educação em todas Desconcentração Regional Direções Regionais de Educação as Províncias de Comunidades Autónomas Fonte – Adaptado de Green, Wolf e Leney (1999)
  • 21.
    De que formaé equacionado/interpretado o ensino profissional na educação nas regiões de Barcelona e Lisboa? 1 - O sistema de ensino profissional na Catalunha é subdividido em formação profissional superior e média, que configura uma estratificação social diferente, logo recontextualização social através da formação, que não acontece em Lisboa;
  • 22.
    2 - Opercurso formativo na Catalunha é diferente do de Lisboa Diferença entre os cursos profissionais em Lisboa e Barcelona LISBOA BARCELONA Acesso com o diploma de escolaridade obrigatória Acesso com o diploma da ESO – 10 – 9 anos anos, ou Bachillerato Diploma de estudos secundários (acesso à CFGM (com exame de acesso ao CFGS) Universidade com exame específico de disciplina Dois anos – 1200 H do ensino regular) - 3 anos – 3100 H CFGS (em alguns cursos acesso direto á Universidade) - Dois anos – 1200 H Fonte: Adaptado de, Silva (2012)
  • 23.
    3 - NaCatalunha existe uma maior percentagem de população juvenil, do que em Lisboa. fluxo migratório de populações estrangeiras. diferença entre a naturalidade dos pais. Nacionalidade dos alunos inquiridos Barcelona Lisboa na Catalunha e em Lisboa Espanhol 86% Portuguesa 82% a Outra 14% Outra 18% Nacionalidade dos pais Barcelona Lisboa dos alunos inquiridos Mãe Pai Mãe Pai na Catalunha e em Lisboa Espanhola 86% 86% Portuguesa 71% 66% Outra 14% 14% Outra 29% 32% Não sabe 1% 2% Fonte: Dados dos inquéritos online, Silva
  • 24.
    A diferença aindaexistente entre géneros. Destacando-se já uma maior percentagem de população feminina na Catalunha. No entanto, uma das orientações a nível europeu é de que se deve tentar igualar em termos de género a população escolar neste tipo de formação; Género dos alunos inquiridos na Catalunha e em Lisboa Catalunha Portugal (Lisboa) (Barcelona) Masculino 74% 79% Feminino 26% 21% Fonte: Dados dos inquéritos online, Silva (2012)
  • 25.
    4 - Osgastos na educação e PIB, que são despendidos na Catalunha são superiores aos despendidos em Lisboa, o que configura:  Uma maior motivação por parte das famílias;  Um maior investimento social;  Uma maior formação dos professores, levando a um maior investimento na carreira. 5 - Na Catalunha o ensino profissional é ministrado em escolas específicas criadas para o efeito… Institut Escola del Treball
  • 26.
    Em Portugal oensino profissional está também nas escolas públicas misturado com o ensino regular. Observaram-se resultados controversos, que apenas se explicam pela maior exigência dos formandos da Catalunha. Dados dos inquéritos online sobre instalações e competência dos professores na Catalunha e em Lisboa. Fonte – Inquéritos online, Silva (2012)
  • 27.
    6 - Acontratação de professores na Catalunha é feita de forma diferente daquela praticada em Portugal. Em entrevistas efetuadas a Diretores de escolas na Catalunha foi um dos principais problemas referidos. Também poderá ser um motivo das respostas aos inquéritos por parte dos alunos de insatisfação Visita à: EMAV – Escola de Mitjans Audiovisuals
  • 31.
    7 - Asperspetivas dos jovens da Catalunha após a finalização de um percurso de Ensino Profissional são mais ambiciosas que a dos Portugueses. Dados dos inquéritos online “Que pensa fazer depois de terminar de estudar?” formandos na Catalunha e em Lisboa Fonte – Inquéritos online, Silva (2012)
  • 32.
    6. Desafios àEscola Pública Cabe agora, depois de exposta a situação atual e sua comparação com outras realidades, propor uma reforma no sentido de tentar melhorar o Ensino Profissional em Portugal, dando-lhe um carater mais globalizante como pretendido pela OCDE e Banco Mundial. Aponto de seguida cinco propostas de alteração, ou mesmo de uma reforma do nosso sistema de Ensino Profissional.
  • 33.
    6.1. Medidas deReforma 1 - A primeira proposta centra-se no Ensino Secundário Obrigatório. o 12º ano ensino obrigatório o Apenas dois capitais culturais distintos Criação de um nível de estudos intermedio promovendo, tal como na Catalunha, um Ensino Profissional de nível superior. Teríamos assim, técnicos de qualificação profissional superior e média que criariam uma nova oferta, estratificando o capital cultural e as grandes diferenças sociais.
  • 34.
    2 - Maiorparticipação entre o tecido empresarial e o poder local. o Componente de Formação Técnica ministrada por profissionais da área, ou afins Esta componente deverá ser lecionada preferencialmente nas empresas, por profissionais das mesmas, sendo para isso celebrados acordos de parcerias entre escolas e empresas, o que só traria vantagens para a credibilização das formações ministradas, como para as empresas que estariam a apostar nos seus futuros quadros de pessoal.
  • 35.
    3 - EnsinoProfissional público, estar a ser ministrado nas mesmas escolas que o ensino regular o Ambiente escolar o “Facilitismo” do ensino regular Criar escolas públicas com a exclusividade de Ensino Profissional. Está facilitado devido à criação dos Agrupamentos de Escolas. Criando um ambiente nitidamente favorável ao funcionamento destes cursos, em que os alunos respirassem uma atmosfera de trabalho e profissionalismo técnico.
  • 36.
    4 - Ocorpo docente o Papel importantíssimo o Desempenho e desenvolvimento dos nossos formandos o Formados adequadamente no sentido da responsabilidade de formação de jovens para o nosso tecido empresarial. Assim, o corpo docente estaria adstrito unicamente a esta tipologia de ensino e com formação adequada ao mesmo.
  • 37.
    5 - Osperíodos escolares o O ensino regular divide-se em 3 períodos o Realidade do EP é por módulos Um período escolar no ensino profissional deveria ser de um ano letivo sem interrupções, sem períodos de avaliação definidos, mas com reuniões da equipa pedagógica periódicas, tal como previsto atualmente por Dec. Lei, mas também com a função de ir recolhendo avaliações à medida que os módulos curriculares vão sendo lecionados.