Manoel	Neves	
O	GÊNERO	LÍRICO
O	GÊNERO	LÍRICO	
O	MUNDO	EXTERIOR	É	METÁFORA	DAS	EMOÇÕES	DO	EU	LÍRICO	
o	que	em	mim	
silencia	
é	o	que	em	mim	
poesia	
MARTINS,	João	BaJsta.	Cigarra.	In.:	Exercícios	de	seda	para	tempos	vagabundos.	Belo	Horizonte:	Edição	do	Autor,	1990.	
CARACTERÍSTICAS	
emoções	 subjeJvidade	 musicalidade	 conotação	 interioridade
ACEPÇÕES	GERAIS	DO	GÊNERO	LÍRICO	
01.	poiesis,	do	grego:	fazer,	trabalhar,	elaborar;	
02.	dichtung,	do	alemão:	condensar;	
03.	concepção	românHco-popular:	inspiração.
CAMPOS,	Augusto	de.	Não	me	vendo.	In.:	Despoesia.	São	Paulo:	PerspecJva,	1994.
COMO	DIVIDIR	UM	VERSO	EM	SÍLABAS	MÉTRICAS?	
01.	uso,	de	início,	o	processo	comum	de	divisão	silábica;	
02.	conto	apenas	até	a	úlJma	sílaba	tônica;	
03.	duas	vogais	seguidas	podem	ou	não	se	fundir	[só	se	eu	precisar].
POESIA,	RITMO	E	EXPRESSIVIDADE	
METRO	POPULAR	 METRO	CLÁSSICO	
5	ou	7	sílabas	métricas;	
difundido	na	Idade	Média;	
curto,	fácil	de	decorar,	coHdiano.	
10	ou	12	sílabas	métricas	
difundido	durante	o	Renascimento	
longo,	temas	sérios,	graves.
Seu	dotô	me	dê	licença	
Pra	minha	estória	contar	
Hoje	eu	tô	em	terra	estranha	
E	é	bem	triste	o	meu	pená	
Mas	já	fui	muito	feliz	
Vivendo	no	meu	lugá	
Eu	Jnha	cavalo	bom	
Gostava	de	campeá	
Todo	dia	aboiava	
Na	porteira	do	currá	
ASSARÉ,	PataJva	do.	Vaca	estrela	e	boi	fubá.	Disponível	em:	hjp://letras.terra.com.br.	Acesso	em	10	dez.	2015.	
seu	 do	 tô	 me	 dê	 li	 cen	 [ça]	
pra	 mi	 nha	es	 tó	 ria	 con	 tar	
ho	 je	eu	 tô	 em	 ter	 ra	es	 tra	 [nha]	
e	é	 bem	 tris	 te	o	meu	 pe	 ná	
mas	 já	 fui	 mui	 to	 fe	 liz	
vi	 ven	 do	 no	 meu	 lu	 gá	
eu	 H	 nha	 ca	 va	 lo	 bom	
gos	 ta	 va	 de	 cam	 pe	 á	
to	 do	 di	 a	 a	 boi	 a	 [va]	
na	 por	 tei	 ra	 do	 cur	 rá
TIPOS	DE	RIMAS	
COSOANTES	 apresenta	coincidência		em	todas	as	consoantes	e	vogais	
TOANTES	 apresenta	semelhança	apenas	na	vogal	da	sílaba	tônica	
CRUZADAS	 seguem	esquema	ABAB	ou	CDCD;	
EMPARELHADAS	 apresentam	esquema	AA,	BB,	CC,	DD,	entre	outros	
INTERPOLADAS	 rimas	entre	as	quais	aparecem	emparelhadas	ABBA,	CDDC...	
AGUDAS	 formadas	por	palavras	OXÍTONAS	
GRAVES	 formadas	por	palavras	PAROXÍTONAS	
ESDRÚXULAS	 formadas	por	palavras	PROPAROXÍTONAS	
POBRES	 mesma	classe	gramaHcal;	a	idenHficação	começa	antes	da	tônica	
RICAS	 classe	gramaHcal;	diferente	letras	iguais	a	parHr	da	vogal	tônica
UM	POUCO	MAIS	SOBRE	POEMAS	
LÍRICOS	 ÉPICOS	
ligados	à	subjeHvidade	de	um	“eu”;	
envolvimento	emocional;	
comentário,	senHmento,	emoção.	
contam	histórias;	
apresentam	elementos	da	narraHva;	
personagem,	tempo,	espaço...
Pensem	nas	crianças	
Mudas	telepáJcas	
Pensem	nas	meninas	
Cegas	inexatas	
Pensem	nas	mulheres	
Rotas	alteradas	
Pensem	nas	feridas	
Como	rosas	cálidas	
Mas	oh	não	se	esqueçam	
Da	rosa	da	rosa	
Da	rosa	de	Hiroxima	
A	rosa	hereditária	
A	rosa	radioaJva	
Estúpida	e	inválida	
A	rosa	com	cirrose	
A	anJ-rosa	atômica	
Sem	cor	sem	perfume	
Sem	rosa	sem	nada	
MORAES,	V.	de.	A	rosa	de	Hiroxima.	In.:	MORICONI,	Ítalo.	Os	cem	melhores	poemas	do	século.	RJ:	ObjeJva,	2008.
E	Santo	Cristo	até	a	morte	trabalhava	
Mas	o	dinheiro	não	dava	pra	ele	se	alimentar	
E	ouvia	às	sete	horas	o	noJciário	
Que	sempre	dizia	que	o	seu	ministro	ia	ajudar	
Mas	ele	não	queria	mais	conversa	
E	decidiu	que,	como	Pablo,	ele	ia	se	virar	
Elaborou	mais	uma	vez	seu	plano	santo	
E	sem	ser	crucificado,	a	plantação	foi	começar.	
RUSSO,	Renato.	Faroeste	caboclo.	Disponível	em:	hjp://letras.mus.br.	Acesso	em:	12	dez.	2015.	Fragmento.
UM	POUCO	MAIS	SOBRE	O	POEMA	LÍRICO	
POÉTICO	 PROSAICO	
belo;	
elevado;	
especial	[poesia	pura].	
falam	de	assuntos	coHdianos;	
o	ordinário	do	dia	a	dia;	
comum,	banal.
No	descomeço	era	o	verbo.	
Só	depois	é	que	veio	o	delírio	do	verbo.	
O	delírio	do	verbo	estava	no	começo,	lá	
onde	a	criança	diz:	Eu	escuto	a	cor	dos	
passarinhos.	
A	criança	não	sabe	que	o	verbo	escutar	
não	funciona	para	cor,	mas	para	som.	
Então	se	a	criança	muda	a	função	de	um	
verbo,	ele	delira.	
E	pois.	
Em	poesia	que	é	voz	de	poeta,	que	é	a	voz	
de	fazer	nascimentos	–		
o	verbo	tem	que	pegar	delírio	
BARROS,	Manoel	de.	Uma	didáJca	da	invenção.	In.:	MORICONI,	Ítalo.	Os	cem	melhores	poemas	do	século.	RJ:	ObjeJva,	2008.
Merda	é	veneno.	
No	entanto,	não	há	nada	
que	seja	mais	bonito	
que	uma	bela	cagada.	
Cagam	ricos,	cagam	padres,	
cagam	reis	e	cagam	fadas.	
Não	há	merda	que	se	compare	
à	bosta	da	pessoa	amada.		
LEMINSKI,	Paulo.	Merda	e	ouro.	Disponível	em:	hjp://manoelneves.com.	Acesso	em:	30	de	mar.	2013.
TIPOS	DE	VERSOS	
METRIFICADO	 apresenta	uniformidade	quanto	ao	número	de	sílabas	métricas	
LIVRE	 não	apresenta	uniformidade	quanto	ao	número	de	sílabas	poéHcas	
O	ENJAMBEMENT	
o	senHdo	de	um	verso	conHnua	no	outro
EIXOS	TEMÁTICOS	DA	POESIA	
AMOROSO	 SOCIAL	 FILOSÓFICO	 METALINGUÍSTICO	
afeHvidade	
senHmentalidade	
amado/a	
amor	
políHca	
economia	
sociedade	
história	
mundo	
vida	
morte	
homem	
fazer	literário	
escrita	
escrever	
verso,	prosa
Quebrado	quebrado	
	girando	e	caindo	no	chão	
Quebrado	quebrado	
	girando	e	caindo	no	chão	
A	folha	de	samaúma	
	quebrada	girando	
	 	e	caindo	no	chão	
Alegrando	as	estrelas;	canto	kashinawá.	COHN,	Sérgio	(Org.).	Poesia.br:	cantos	ameríndios.	Rio	de	Janeiro:	Beco	do	Azougue,	2012.
ANTUNES,	Arnaldo.	O	seu	olhar.	Disponível	em:	hjp://arnaldoantunes.com.br.	Acesso	em	30	de	mar.	2015.
ANTUNES,	Arnaldo.	Derme/Verme.	Disponível	em:	hjp://arnaldoantunes.com.br.	Acesso	em	30	de	mar.	2015.
ALEIXO,	Ricardo.	Rondó	da	ronda	noturna.	In.:	Trívio.	Belo	Horizonte:	Scriptum,	2001.
MACHADO,	Gilka.	Poesias	completas.	Rio	de	Janeiro:	L.	ChrisJano/FUNARJ,	1991.	
Ser	mulher,	vir	à	luz	trazendo	a	alma	talhada	
para	os	gozos	da	vida;	a	liberdade	e	o	amor;	
tentar	da	glória	a	etérea	e	alyvola	escalada,	
na	eterna	aspiração	de	um	sonho	superior…	
Ser	mulher,	desejar	outra	alma	pura	e	alada	
para	poder,	com	ela,	o	infinito	transpor;	
senJr	a	vida	triste,	insípida,	isolada,	
buscar	um	companheiro	e	encontrar	um	senhor…	
Ser	mulher,	calcular	todo	o	infinito	curto	
para	a	larga	expansão	do	desejado	surto,	
no	ascensão	espiritual	aos	perfeitos	ideais…	
Ser	mulher,	e,	oh,	atroz,	tantálica	tristeza!	
ficar	na	vida	qual	uma	águia	inerte,	presa	
nos	pesados	grilhões	dos	preceitos	sociais!
ESTRATO	FÔNICO	
01.	exploração	da	expressividade	dos	sons	e	do	ritmo;	
02.	figuras	de	linguagem;	paralelismos;	
03.	aliteração,	assonância,	paronomásia,	onomatopeia.
Café	com	pão		
Café	com	pão	
Café	com	pão	
Virge	Maria	que	foi	isso	maquinista?	
Agora	sim	
Café	com	pão	
Agora	sim	
Voa,	fumaça	
Corre,	cerca	
Ai	seu	foguista	
Bota	fogo	
Na	fornalha	
Que	eu	preciso	
Muita	força	
Muita	força	
Muita	força
Oô...	
Foge,	bicho	
Foge,	povo	
Passa	ponte	
Passa	poste	
Passa	pasto	
Passa	boi	
Passa	boiada	
Passa	galho	
Da	ingazeira	
Debruçada	
No	riacho	
Que	vontade	
De	cantar!	
Oô...	
BANDEIRA,	Manuel.	Trem	de	ferro.	In.:	Estrela	da	vida	inteira.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Fronteira,	1992.	Fragmento.
ESTRATO	ÓPTICO	
01.	exploração	dos	aspectos	visuais	do	poema;	
02.	abolição	do	verso	tradicional;	
03.	exploração	de	paronomásias,	estrangeirismos	e	neologismos.	
04.	separação	de	prefixos	e	sufixos;	
05.	repeJção	de	morfemas	[estruturas	lexicais];	
06.	o	poema	pode	ser	lido	em	qualquer	direção;	
07.	valorização	do	espaço	em	branco	da	página;	
08.	o	poema	é	um	objeto	verbivocovisual.
BROSSA,	Joan.	Poema.	Disponível	em:	hjps://escamandro.wordpress.com.	Acesso	em:	12	dez.	2015.
AZEREDO,	Renato.	Velocidade.	Disponível	em:	hjp://meuspoemasnossosproblemas.blogspot.com.br.	Acesso	em:	12	dez.	2015.
CAMPOS,	Augusto	de.	Olho	por	olho.	In.:	Poesia:	1949-1979.	São	Paulo:	Duas	Cidades,	1979.
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O gênero lírico