Manoel	Neves	
O	GÊNERO	ÉPICO
ELEMENTOS	DA	NARRATIVA
O	ENREDO	
É	a	história	em	si:	sequência	de	eventos	que	mantém	o	leitor	interessado;	
peripécias.	
TIPOS	DE	NARRATIVA	
TRADICIONAL	
centrada	na	peripécia;	
apresenta	início,	meio	e	fim;	
Lucíola	
Iracema	
MODERNA	
centrada	na	análise	psicológica;	
revelação	da	interioridade;	
São	Bernardo	
Dom	Casmurro
O	FOCO	NARRATIVO	
PerspecPva	por	meio	da	qual	a	narraPva	é	apresentada.	Em	geral,	arPcula-
se	em	terceira	ou	em	primeira	pessoa	
TIPOS	DE	FOCO	NARRATIVO	
ONISCIENTE	NEUTRO	
3ª.	pessoa;	visão	por	trás	
conta	a	história	e	não	emite	opinião	
ONISCIENTE	INTRUSO	
3ª.	pessoa;	visão	por	trás	
conta	a	história	e	emite	opinião	
PROTAGONISTA	
1ª.	pessoa;	visão	com	
conta	a	história	e	é	personagem	principal	
TESTEMUNHA	
1ª.	pessoa;	visão	com	
conta	a	história	e	é	personagem	secundária	
VISÃO	DE	FORA	
história	conta-se	sem	narrador	[diálogos]	
impessoalidade	
NARRATIVAS	POLIFÔNICAS	
presença	de	vários	narradores	
mulPplicidade	de	pontos	de	vista
A	PERSONAGEM	
Persona;	máscara;	ser	de	papel;	ser	por	intermédio	do	qual	o	autor	analisa	
a	condição	humana	nas	narraPvas.	
TIPOS	DE	PERSONAGENS	
PLANAS	
previsíveis;	mantêm	mesmas	ações	
não	tem	densidade	psicológica	
REDONDAS	
imprevisíveis;	surpreendem	o	leitor	
densidade	psicológica;	complexas	
PROTAGONISTA	
personagens	principais	
relevantes	na	obra	
SECUNDÁRIAS	
ficam	em	segundo	plano	
não	são	relevantes	para	o	enredo	
ANTAGONISTA	
opõem-se	às	personagens	principais	
dão	origem	a	conflito	e	a	peripécia	
CARICATURAS	E	TIPOS	
caricatura:	deformação	sa^rica	
Ppo:	estereóPpo,	padrão
O	TEMPO	
Duração,	medida,	passagem;	os	tempos	presentes	na	narraPva	adaptam-se	
a	esquemas	narraPvos	tradicionais,	modernos,	míPcos	ou	históricos.	
TIPOS	DE	TEMPO	
CRONOLÓGICO	
linear,	evoluPvo;	sequencial	
dias,	meses,	anos	
PSICOLÓGICO	
tempo	da	consciência	do	homem	
moPvações	existenciais	
MÍTICO	
illo	tempore;	mitos	e	lendas	
homens	e	deuses	viviam	em	harmonia	
CÍCLICO	
início-fim	da	narraPva	são	idênPcos	
imutabilidade	de	certa	modo	de	vida	
HISTÓRICO	
presença	de	evento	da	História	Oficial	
arPcula-se	a	eventos	verídicos
O	ESPAÇO	
Lugares	 onde	 transcorrem	 as	 narraPvas;	 o	 espaço,	 assim	 como	 o	 tempo,	
está	ligado	a	um	Ppo	de	narraPva	específica.	
TIPOS	DE	ESPAÇO	NARRATIVO	
FÍSICO	
lugar	bsico	onde	transcorrem	eventos	
caráter	tradicional	
PSICOLÓGICO	
conflitos	existenciais	da	personagem	
técnicas	de	revelação	interior	
SOCIAL	
realidades	sociais	que	permeiam	a	história	
raça,	exclusão,	engajamento...
VISÃO	GERAL
O	GÊNERO	ÉPICO	
Na	serra	de	Ibiapaba,	numa	de	suas	encostas	mais	altas	encontrei	um	jegue.	
Estava	 voltada	 para	 o	 lado	 leste	 e	 me	 pareceu	 que	 descorPnava	 o	
panorama.	Mas	quando	me	aproximei,	percebi	que	era	cego.	
Perguntei-lhe	o	que	fazia	nas	encostas	daquela	serra.	Ele	me	respondeu	que	
sempre	 Pvera	 vontade	 de	 ficar	 ali,	 parado,	 descorPnando	 o	 panorama	
árido.	 Mas	 o	 homem	 não	 permiPa	 que	 ele	 abandonasse	 o	 trabalho	 e	 se	
dirigisse	 àquele	 síPo.	 Só	 houve	 um	 meio	 de	 o	 homem	 deixá-lo	 ir:	 era	
tornando-se	inúPl.	E	ele	tornou-se	cego	e	ali	estava.	
–	Mas	você	não	pode	ver	o	panorama	–	eu	lhe	disse.	Não	tem	importância	–	
ele	respondeu	–,	eu	posso	imaginá-lo.	
FRANÇA	JÚNIOR,	Oswaldo.	O	jegue	cedo.	In.:	As	laranjas	iguais;	contos.	Rio	de	Janeiro:	Nova	Fronteira,	2001.	
narrador	 tempo	 espaço	
enredo	 personagem	
visão	objePva	 ficção	 caráter	dinâmico	
predomínio	do	pretérito	 prosa	ou	verso
O	HERÓI	ÉPICO	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
O	Pgre	desta	vez	não	se	demorou;	apenas	se	achou	à	cousa	de	15	passos	do	
inimigo,	retraiu-se	com	uma	força	de	elasPcidade	extraordinária,	e	aProu-se	
como	um	esPlhaço	de	rocha	cortada	pelo	raio.	
Foi	cair	sobre	o	índio,	apoiado	nas	largas	patas	de	trás,	com	o	corpo	direito,	
as	garras	estendidas	para	degolar	a	sua	víPma,	e	os	dentes	prontos	a	cortar-
lhe	a	jugular.	
A	velocidade	deste	salto	monstruoso	foi	tal	que,	no	mesmo	instante	em	que	
se	vira	brilhar	entre	as	folhas	os	reflexos	negros	de	sua	pele	azevichada,	já	a	
fera	tocava	o	chão	com	as	patas.	[…]	
Como	a	princípio	o	índio	havia	dobrado	um	pouco	os	joelhos,	e	segurava	na	
esquerda	 a	 longa	 forquilha,	 sua	 única	 defesa,	 os	 olhos	 sempre	 fixos	
magnePzavam	o	animal.	No	momento	em	que	o	Pgre	se	lançava,	curvou-se	
ainda	mais,	e	fugindo	com	o	corpo	apresentou	o	gancho.	A	fera,	caindo	com	
a	força	do	peso	e	a	ligeireza	do	pulo,	senPu	o	forcado	cerrar-lhe	o	colo,	e	
vacilou.	
Então,	o	selvagem	distendeu-se	com	a	flexibilidade	da	cascavel	ao	lançar	o	
bote:	fincando	os	pés	e	as	costas	no	tronco,	arremessou-se	e	foi	cair	sobre	
o	ventre	da	onça,	que,	subjugada,	prostrada	de	costas,	com	a	cabeça	presa	
pelo	 gancho,	 debaPa-se	 contra	 o	 seu	 vencedor,	 procurando	 debalde	
alcançá-lo	com	as	garras.
Esta	 luta	 durou	 minutos;	 o	 índio,	 com	 os	 pés	 apoiados	 fortemente	 nas	
pernas	 da	 onça,	 e	 o	 corpo	 inclinado	 sobre	 a	 forquilha,	 manPnha	 assim	
imóvel	a	fera	que	há	pouco	corria	a	mata	não	encontrando	obstáculos	à	sua	
passagem.	
Quando	 o	 animal,	 quase	 asfixiado	 pela	 estrangulação,	 já	 não	 fazia	 senão	
uma	fraca	resistência,	o	selvagem,	segurando	sempre	a	forquilha,	meteu	a	
mão	debaixo	da	túnica	e	Prou	uma	corda	de	!cum	que	Pnha	enrolada	à	
cintura	em	muitas	voltas.	
Nas	 pontas	 desta	 corda	 havia	 dois	 laços	 que	 ele	 abriu	 com	 os	 dentes	 e	
passou	nas	patas	dianteiras,	ligando-as	fortemente	uma	a	outra;	depois	fez	
o	mesmo	às	pernas,	e	acabou	por	amarrar	as	duas	mandíbulas,	de	modo	
que	a	onça	não	pudesse	abrir	a	boca.	
ALENCAR,	José	de.	O	guarani.	In.:	Obras	completas.	São	Paulo:	Montecristo	Editora,	2012.	Edição	digital.	
O	HERÓI	ÉPICO	
corajoso	 forte	 inteligente	
virtuoso	 modelo	a	ser	seguido	
parte	de	sua	terra	 enfrenta	perigos	mil	 volta	coroado	de	glórias	
epopeias	árcades	 romances		românRcos	indianistas
O	ANTI-HERÓI	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
Dona	Margarida	tocou	a	campainha	com	decisão	e	subiu	a	pequena	escada	
que	dava	acesso	à	casa.	Disse	à	criada	que	desejava	falar	à	dona	da	casa.	
Dona	 SalusPana,	 que	 esperava	 tudo,	 menos	 aquela	 visita	 portadora	 de	
semelhante	 mensagem,	 não	 tardou	 mandar	 entrar	 as	 duas	 mulheres.	
Ambas	estavam	bem	vesPdas	e	nada	denunciava	o	que	as	trazia	ali.	[…]	A	
mãe	de	Cassi,	depois	de	ouvi-la,	pensou	um	pouco	e	disse	com	um	ar	um	
tanto	irônico:	
–	Que	é	que	a	senhora	quer	que	eu	faça?	[…]	
–	Que	se	case	comigo.	
Dona	 SalusPana	 ficou	 lívida;	 a	 intervenção	 da	 mulaPnha	 a	 exasperou.	
Olhou-a	 cheia	 de	 malvadez	 e	 indignação,	 demorando	 o	 olhar	
propositadamente.	Por	fim,	expectorou:	
–	Que	é	que	você	diz,	sua	negra?	[…]
Na	 rua,	 Clara	 pensou	 em	 tudo	 aquilo,	 naquela	 dolorosa	 cena	 que	 Pnha	
presenciado	e	no	vexame	que	sofrera.	Agora	é	que	Pnha	a	noção	exata	da	
sua	 situação	 na	 sociedade.	 Fora	 preciso	 ser	 ofendida	 irremediavelmente	
nos	 seus	 melindres	 de	 solteira,	 ouvir	 os	 desaforos	 da	 mãe	 do	 seu	 algoz,	
para	se	convencer	de	que	ela	não	era	uma	moça	como	as	outras;	era	muito	
menos	no	conceito	de	todos.	[…]	
A	educação	que	recebera,	de	mimos	e	vigilâncias,	era	errônea.	Ela	devia	ter	
aprendido	 da	 boca	 de	 seus	 pais	 que	 a	 sua	 honesPdade	 de	 moça	 e	 de	
mulher	 Pnha	 todos	 por	 inimigos,	 mas	 isto	 ao	 vivo,	 com	 exemplos,	
claramente…	 O	 bonde	 vinha	 cheio.	 Olhou	 todos	 aqueles	 homens	 e	
mulheres…	Não	haveria	um	talvez,	entre	toda	aquela	gente	de	ambos	os	
sexos,	que	não	fosse	indiferente	à	sua	desgraça…	Ora,	uma	mulaPnha,	filha	
de	 um	 carteiro!	 O	 que	 era	 preciso,	 tanto	 a	 ela	 como	 às	 suas	 iguais,	 era	
educar	o	caráter,	revesPr-se	de	vontade	[…]	e	bater-se	contra	todos	os	que	
se	opusessem,	por	este	ou	aquele	modo,	contra	a	elevação	dela,	social	ou	
moralmente.	 Nada	 a	 fazia	 inferior	 às	 outras,	 senão	 o	 conceito	 geral	 e	 a	
covardia	com	que	elas	o	admiPam…
Chegaram	em	casa;	Joaquim	ainda	não	Pnha	vindo.	Dona	Margarida	relatou	
a	entrevista,	por	entre	choro	e	os	soluços	da	filha	e	da	mãe.	
Num	 dado	 momento,	 Clara	 ergueu-se	 da	 cadeira	 em	 que	 se	 sentara	 e	
abraçou	muito	fortemente	sua	mãe,	com	um	grade	acento	de	desespero:	
–	Mamãe!	Mamãe!	
–	Que	é	minha	filha?	
–	Nós	não	somos	nada	nesta	vida.	
O	ANTI-HERÓI	
não	é	virtuoso	nem	corajoso;	
BARRETO,	Lima.	Clara	dos	Anjos.	Belo	Horizonte:	ItaPaia,	2001.	
problemaPza	a	condição	do	homem	moderno;	
representa	setores	oprimidos/excluídos	da	sociedade	[nicho?].	
Rpos	regionais	 moradores	das	periferias	
mulheres	 negros	
crianças	de	rua	 homossexuais	
ex-presidiários	 imigrantes
O	MALANDRO	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
Na	na	meninice	fez	coisas	de	sarapantar.	De	primeiro	passou	mais	de	seis	
anos	não	falando.	Si	o	incitavam	a	falar	exclamava:	
–	Ai	que	preguiça!...	
e	 não	 dizia	 mais	 nada.	 Ficava	 no	 canto	 da	 maloca,	 trepado	 no	 jirau	 de	
pixaúba,	espiando	o	trabalho	dos	outros	e	principalmente	os	dois	manos	
que	Pnha,	Maanape	já	velhinho	e	Jiguê	na	força	de	homem.	O	diverPmento	
dele	era	decepar	cabeça	de	saúva.	vivia	deitado	mas	si	punha	os	olhos	em	
dinheiro,	 Macunaíma	 dandava	 para	 ganhar	 vintém.	 E	 também	 espertava	
quando	 a	 família	 ia	 tomar	 banho	 no	 rio,	 todos	 juntos	 e	 nus.	 Passava	 o	
tempo	 todo	 do	 banho	 dando	 mergulho,	 e	 as	 mulheres	 soltavam	 gritos	
gozados	por	causa	dos	guaimuns	diz-que	habitnado	a	água	doce	por	lá.	No	
mucambo	 si	 alguma	 cunhã	 se	 aproximava	 dele	 para	 fazer	 fesPnha,	
Macunaíma	punha	a	mão	na	graça	dela,	cunhatã	se	afastava.	Nos	machos	
guspia	na	cara.	Porém	respeitava	os	velhos	e	frequentava	com	aplicação	a	
murua	 a	 poracê	 o	 terê	 o	 bacorocô	 a	 cucuicogue,	 todas	 essas	 danças	
religiosas	da	tribo.
Quando	 era	 para	 dormir	 trepava	 no	 macuru	 pequenininho	 sempre	 se	
esquecendo	 de	 mijar.	 Como	 a	 rede	 da	 mãe	 estava	 debaixo	 do	 berço,	 	 o	
herói	 mijava	 quente	 na	 velha,	 espantando	 os	 mosquitos	 bem.	 Então,	
adormecia	 sonhando	 palavras	 feitas,	 imoralidades	 estrambólicas	 e	 dava	
patadas	no	ar.	
Nas	 conversas	 das	 mulheres	 no	 pino	 do	 dia	 o	 assunto	 eram	 sempre	 as	
peraltagens	do	herói.	As	mulheres	se	riam	muito	simpaPzadas,	falando	que	
“espinho	que	pinica,	de	pequeño	já	traz	ponta”,	e	numa	pajelança	Rei	Nagô	
fez	um	discurso	e	avisou	que	o	herói	era	inteligente.	
O	MALANDRO	
e	esperto,	sagaz,	ágil;	
ANDRADE,	Mário	de.	Macunaíma:	o	herói	sem	nenhum	caráter.	Belo	Horizonte/Rio	de	Janeiro:	Livraria	Garnier,	2000.	
seu	triunfo	está	ligado	à	astúcia	e	à	improvisação;	
vive	do	jogo,	da	trapaça	e	até	de	pequenos	furtos;	
não	está	dentro	da	ordem	[é	um	anP-herói],	mas	aproveita-se	dela	para	triunfar.	
Leonardo	Filho	 Macunaíma	
João	Grilo	 Geraldo	Viramundo	
João	Miramar	 Serafim	Ponte	Grande
ESPÉCIES	DO	GÊNERO	ÉPICO	
EPOPEIA	 poema	que	conta	história	de	um	herói	que	representa	um	povo	
ROMANCE	 narraRva	longa	que	apresenta	vários	eixos	dramáRcos	
NOVELA	 narraRva	longa	com	um	eixo	dramáRco	apenas	
CONTO	 narraRva	curta	que	apresenta	os	melhores	momentos	da	história	
CRÔNICA	 narraRva	vinculada	ao	jornal:	lirismo,	ironia	e	elaboração	
FÁBULA	 narraRva	alegórica	que	apresenta	lição	de	moral	explícita;	
CORDEL	 narraRva	em	versos	de	cunho	didáRco-pedagógico-moralizante	
MICROCONTO	 conto	curassimo	que,	em	geral,	não	ultrapassa	200	caracteres
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O gênero épico