POEMA PESSOANO
Claudia Mota
12ºA Nº8
Índice
 Fernando Pessoa
 Álvaro de Campos
 Poema – Não, não é cansaço…
 Análise do poema
Fernando Pessoa
 1888, em Lisboa.
 Estudou em Durban High School e frequentava o curso Superior de Letras em
Lisboa.
 Tradutor e Escritor.
 Mensagem e outros escritos diversos.
 Estrutura Média, cabelo preto e Bigode.
Fernando Pessoa
Poesia do Ortónimo
• Fingimento Artístico
• Oposição: sentir e pensar
• Nostalgia de infância
Temáticas
• Linguagem simples, mas expressiva
• Uso frequente do presente do indicativo
• Pontuação emotiva
• Recursos expressivos: Comparação, metáfora…
Estilo e
Linguagem
• Tradicional
• Regular
• Quadra e Quintilha
• Verso curto (2 a 7 silabas)
Estrutura
Álvaro de Campos
 1890, em Tavira
 Estudou no Liceu;
 Educação Moderna;
 Engenheiro Naval
 Ode Triunfal, Opiário e outros escritos diversos.
 Estrutura Alta, cabelo liso, monóculo e cara rapada.
 Heterónimo de Fernando Pessoa: surgiu por súbito impulso.
Álvaro de Campos
• O poeta exprime
as ideias de tédio, cansaço,
náusea
e ausência de sentido da vida.
• Poema «Opiário»
Fase
Decadentista
• O poeta celebra
a técnica,
a velocidade e a força da
civilização moderna, deseja
experimentar a multiplicidade de
sensações que lhe estão
associadas
e abandona
o paradigma aristotélico.
• Poema «Ode triunfal»
Fase Futurista • Consciente
do fracasso de todos os sonhos
e aspirações,
o poeta sente
a nostalgia da infância e exprime
o vazio, a angústia, o cansaço,
o ceticismo e a desilusão do
presente.
• Poema «Aniversário»
Fase Intimista
Poesia de Campos
Álvaro de Campos
Poesia de Campos
• Desejo de uma nova poética, sem
pressupostos estéticos (fase futurista)
• Cede ao impulso do sentimento e da emoção
Estilo e
Linguagem
• Versos longos
• Enumeração, exclamações, interjeições;
• Desvios sintáticos;
• Recurso á metáfora e á ironia
Estrutura
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Não, não é cansaço...
 Fase Intimista
 incapacidade de viver a vida, transmitindo o sentimento de tédio,desistência
perante o mundo e os outros
 Nada motiva o sujeito poético, nada lhe interessa, tudo se resume a um “cansaço”.
 Levando assim a apercebemos do tema do poema a angústia existencial, o cansaço
e desilusão com a vida
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
O sujeito poético afirma no primeiro verso que não é cansaço aquilo
que sente, realçando essa afirmação ao longo do poema.
No entanto, e talvez um pouco paradoxalmente, refere que a desilusão
se lhe “entranha na espécie de pensar”, sublinha a monotonia da vida
(“é a mesma coisa variada em cópias iguais”)
Exprime a angústia perante o mistério e a indefinição que se espalham
nesse “falso cansaço”; finalmente aceita que, “porque ouve e vê”, o
estado em que se encontra é de cansaço: “Confesso: é cansaço!…”
Assim, pode-se afirmar que, progressivamente, o sujeito poético se
deixa envolver/dominar pelo desinteresse, um estado de cansaço e
desistência, que o afasta do mundo.
A primeira estrofe inicia-se com a repetição do advérbio de negação
“não” empregue numa frase reticente, o que revela uma certa
indefinição.
O discurso assume um tom claramente metafórico – (“domingo às
avessas/Do sentimento, /Um feriado passado no abismo...”),
terminando a estrofe também com uma frase reticente. O conjunto
destes recursos expressivos, aliado à repetição anafórica presente nos
versos 2 e 4, traduz a tentativa de definir o estado de espírito que
domina o sujeito poético.
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
O parêntese constitui um momento em que o sujeito poético
abandona o tom reflexivo, se volta para o exterior e o vê como um
“formidável realejo”, é como que um conjunto de características
claramente negativas, uma vez que é o próprio sujeito poético que
lhe confere uma conotação negativa.
Simbolicamente, poder-se-ia afirmar que a felicidade só é possível
para quem é “cego”, ou seja, para quem não vê a verdadeira
realidade do mundo, realçando que os sentidos poderão se
relacionar com esta sensação.
Entre o sujeito poético, os outros e o mundo há um distanciamento,
decorrente da incapacidade de relação;
O único ponto comum é o facto de todos existirem: “É eu estar
existindo/E também o mundo”.
Os outros, os “cegos que cantam na rua”, são apenas aqueles que o
sujeito poético observa, mas com quem não se relaciona.
Bibliografia
http://arquivopessoa.net/textos/228
http://storamjoao.blogspot.com/2009/05/cenarios-de-resposta-nao-nao-e-cansaco.html
https://gavetadenuvens.blogspot.com/2009/09/leituras.html
FIM

Não, não é cansaço...

  • 1.
  • 2.
    Índice  Fernando Pessoa Álvaro de Campos  Poema – Não, não é cansaço…  Análise do poema
  • 3.
    Fernando Pessoa  1888,em Lisboa.  Estudou em Durban High School e frequentava o curso Superior de Letras em Lisboa.  Tradutor e Escritor.  Mensagem e outros escritos diversos.  Estrutura Média, cabelo preto e Bigode.
  • 4.
    Fernando Pessoa Poesia doOrtónimo • Fingimento Artístico • Oposição: sentir e pensar • Nostalgia de infância Temáticas • Linguagem simples, mas expressiva • Uso frequente do presente do indicativo • Pontuação emotiva • Recursos expressivos: Comparação, metáfora… Estilo e Linguagem • Tradicional • Regular • Quadra e Quintilha • Verso curto (2 a 7 silabas) Estrutura
  • 5.
    Álvaro de Campos 1890, em Tavira  Estudou no Liceu;  Educação Moderna;  Engenheiro Naval  Ode Triunfal, Opiário e outros escritos diversos.  Estrutura Alta, cabelo liso, monóculo e cara rapada.  Heterónimo de Fernando Pessoa: surgiu por súbito impulso.
  • 6.
    Álvaro de Campos •O poeta exprime as ideias de tédio, cansaço, náusea e ausência de sentido da vida. • Poema «Opiário» Fase Decadentista • O poeta celebra a técnica, a velocidade e a força da civilização moderna, deseja experimentar a multiplicidade de sensações que lhe estão associadas e abandona o paradigma aristotélico. • Poema «Ode triunfal» Fase Futurista • Consciente do fracasso de todos os sonhos e aspirações, o poeta sente a nostalgia da infância e exprime o vazio, a angústia, o cansaço, o ceticismo e a desilusão do presente. • Poema «Aniversário» Fase Intimista Poesia de Campos
  • 7.
    Álvaro de Campos Poesiade Campos • Desejo de uma nova poética, sem pressupostos estéticos (fase futurista) • Cede ao impulso do sentimento e da emoção Estilo e Linguagem • Versos longos • Enumeração, exclamações, interjeições; • Desvios sintáticos; • Recurso á metáfora e á ironia Estrutura
  • 8.
    Não, não écansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Com tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço porquê? É uma sensação abstracta Da vida concreta — Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como... Como quê?... Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua, Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, vejo. Confesso: é cansaço!...
  • 9.
    Não, não écansaço...  Fase Intimista  incapacidade de viver a vida, transmitindo o sentimento de tédio,desistência perante o mundo e os outros  Nada motiva o sujeito poético, nada lhe interessa, tudo se resume a um “cansaço”.  Levando assim a apercebemos do tema do poema a angústia existencial, o cansaço e desilusão com a vida
  • 10.
    Não, não écansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Com tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço porquê? É uma sensação abstracta Da vida concreta — Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como... Como quê?... Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua, Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, vejo. Confesso: é cansaço!... O sujeito poético afirma no primeiro verso que não é cansaço aquilo que sente, realçando essa afirmação ao longo do poema. No entanto, e talvez um pouco paradoxalmente, refere que a desilusão se lhe “entranha na espécie de pensar”, sublinha a monotonia da vida (“é a mesma coisa variada em cópias iguais”) Exprime a angústia perante o mistério e a indefinição que se espalham nesse “falso cansaço”; finalmente aceita que, “porque ouve e vê”, o estado em que se encontra é de cansaço: “Confesso: é cansaço!…” Assim, pode-se afirmar que, progressivamente, o sujeito poético se deixa envolver/dominar pelo desinteresse, um estado de cansaço e desistência, que o afasta do mundo. A primeira estrofe inicia-se com a repetição do advérbio de negação “não” empregue numa frase reticente, o que revela uma certa indefinição. O discurso assume um tom claramente metafórico – (“domingo às avessas/Do sentimento, /Um feriado passado no abismo...”), terminando a estrofe também com uma frase reticente. O conjunto destes recursos expressivos, aliado à repetição anafórica presente nos versos 2 e 4, traduz a tentativa de definir o estado de espírito que domina o sujeito poético.
  • 11.
    Não, não écansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Com tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço porquê? É uma sensação abstracta Da vida concreta — Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como... Como quê?... Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, vejo. Confesso: é cansaço!... O parêntese constitui um momento em que o sujeito poético abandona o tom reflexivo, se volta para o exterior e o vê como um “formidável realejo”, é como que um conjunto de características claramente negativas, uma vez que é o próprio sujeito poético que lhe confere uma conotação negativa. Simbolicamente, poder-se-ia afirmar que a felicidade só é possível para quem é “cego”, ou seja, para quem não vê a verdadeira realidade do mundo, realçando que os sentidos poderão se relacionar com esta sensação. Entre o sujeito poético, os outros e o mundo há um distanciamento, decorrente da incapacidade de relação; O único ponto comum é o facto de todos existirem: “É eu estar existindo/E também o mundo”. Os outros, os “cegos que cantam na rua”, são apenas aqueles que o sujeito poético observa, mas com quem não se relaciona.
  • 12.
  • 13.