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Principais tipos de argumentos e falácias informais (Notas complementares)
Regras a considerar na avaliação das generalizações
1. A amostra deve ser ampla.
Quanto maior for a amostra observada mais forte o argumento será.
Ex.o: A conclusão de que certa dieta é adequada para certa doença será menos forte se for
baseada em dez observações e mais forte se for baseada em milhares.
2. A amostra deve ser relevante ou representativa.
Uma amostra relativamente grande pode ser a base de uma generalização mais fraca do que
outra baseada numa amostra menor que contenha informação mais relevante.
Ex.o: O estudo de uma dieta baseada em 500 observações de doentes com história clínica é
mais forte do que a observação de 1000 doentes com história clínica desconhecida.
3. A amostra não deve omitir informação relevante.
Um argumento, mesmo sendo baseado numa amostra ampla e relevante, será fraco se omitir
informação relevante.
A generalização deve ser rejeitada se já forem conhecidos contraexemplos.
Nota: O peso de cada uma das regras depende do conteúdo do argumento. Assim, se queremos
aprovar um medicamento novo, as três regras são igualmente importantes: a amostra deve ser
grande, relevante e não se pode omitir informação importante. Mas se quisermos avaliar o
vinho de uma pipa, bastam uns goles, um copo é uma amostra relevante, não é preciso beber a
pipa! Finalmente, por muito forte que seja, segundo as duas primeiras regras, a relação entre
premissas e conclusão, a regra da não omissão de provas pode desautorizar o argumento.
Regras a considerar na avaliação das analogias
1. A amostra deve ser suficiente.
A força da conclusão aumenta quando o número de objetos comparados aumenta.
Ex.o: «Como este cão é muito semelhante ao do Miguel, também deve morder sem razão
aparente.»
Se eu tivesse referido mais cães semelhantes ao do Miguel, o argumento teria mais força.
2. O número de semelhanças deve ser suficiente.
A força da analogia cresce com o aumento do número de semelhanças verificadas.
A força da analogia cresce com o aumento do número de semelhanças verificadas. Se
acrescentar mais semelhanças entre os dois cães, como as reações a automóveis, a bolas a
saltar e paradas, à chuva e à trovoada, à hora da refeição, a outros animais e assim por diante, o
meu argumento será mais forte.
3. As semelhanças verificadas devem ser relevantes.
2
Se tivesse apresentado como semelhanças relevantes o facto de os dois animais terem cauda,
pelo, dois olhos e quatro patas, o argumento seria desprezado por ser óbvio que essas
semelhanças são irrelevantes para a conclusão.
Regras a considerar na avaliação dos argumentos de autoridade
1. As pessoas ou organizações citadas têm de ser reconhecidos especialistas nas matérias em
questão.
Defender o uso de uma vacina por recomendação da Organização Mundial de Saúde é
justificado. Mas defender a pena de morte ou o consumo da cerveja Alpha por recomendação
de um famoso futebolista parece uma clara violação desta regra. A tradição designou esta
falácia por ad verecundiam – apelo a uma autoridade não qualificada.
2. Deve haver consenso entre os especialistas sobre as matérias em questão.
Se não há consenso entre os especialistas, não é legítimo citar um especialista para provar
uma afirmação.
Como em muitos assuntos o nosso conhecimento é nulo ou insuficiente, não podemos deixar
de recorrer a autoridades na matéria. Em muitas situações temos de confiar em médicos,
advogados, professores e outros profissionais.
Em muitos debates, porém, citar autoridades é apenas uma maneira de esconder a falta de
argumentos.
http://www.defnarede.com/f.html
Falácia da composição
FALÁCIA que consiste em concluir que, por as partes de um todo ou os elementos de uma
classe terem uma propriedade, o todo ou a classe também devem ter tal propriedade.
Exemplo: "As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito de células, não tem
consciência." Provamos que esta forma de argumento é falaciosa com exemplos simples como,
por exemplo, "O oxigénio e o hidrogénio não são bebíveis. Logo, a água não é bebível". JS
Falácia da divisão
FALÁCIA que consiste em atribuir às partes de um todo ou aos elementos de uma classe uma
propriedade do todo ou da classe. "F é uma excelente equipa. i joga na equipa F. Logo, i é um
excelente jogador." contraexemplo: "A classe dos números é infinita. Ora 2 é um número. Logo,
2 é infinito". JS
Documento original escrito de acordo com a antiga ortografia e convertido pelo Lince conforme o Acordo Ortográfico [1990].

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Notas dos argumentos

  • 1. 1 Principais tipos de argumentos e falácias informais (Notas complementares) Regras a considerar na avaliação das generalizações 1. A amostra deve ser ampla. Quanto maior for a amostra observada mais forte o argumento será. Ex.o: A conclusão de que certa dieta é adequada para certa doença será menos forte se for baseada em dez observações e mais forte se for baseada em milhares. 2. A amostra deve ser relevante ou representativa. Uma amostra relativamente grande pode ser a base de uma generalização mais fraca do que outra baseada numa amostra menor que contenha informação mais relevante. Ex.o: O estudo de uma dieta baseada em 500 observações de doentes com história clínica é mais forte do que a observação de 1000 doentes com história clínica desconhecida. 3. A amostra não deve omitir informação relevante. Um argumento, mesmo sendo baseado numa amostra ampla e relevante, será fraco se omitir informação relevante. A generalização deve ser rejeitada se já forem conhecidos contraexemplos. Nota: O peso de cada uma das regras depende do conteúdo do argumento. Assim, se queremos aprovar um medicamento novo, as três regras são igualmente importantes: a amostra deve ser grande, relevante e não se pode omitir informação importante. Mas se quisermos avaliar o vinho de uma pipa, bastam uns goles, um copo é uma amostra relevante, não é preciso beber a pipa! Finalmente, por muito forte que seja, segundo as duas primeiras regras, a relação entre premissas e conclusão, a regra da não omissão de provas pode desautorizar o argumento. Regras a considerar na avaliação das analogias 1. A amostra deve ser suficiente. A força da conclusão aumenta quando o número de objetos comparados aumenta. Ex.o: «Como este cão é muito semelhante ao do Miguel, também deve morder sem razão aparente.» Se eu tivesse referido mais cães semelhantes ao do Miguel, o argumento teria mais força. 2. O número de semelhanças deve ser suficiente. A força da analogia cresce com o aumento do número de semelhanças verificadas. A força da analogia cresce com o aumento do número de semelhanças verificadas. Se acrescentar mais semelhanças entre os dois cães, como as reações a automóveis, a bolas a saltar e paradas, à chuva e à trovoada, à hora da refeição, a outros animais e assim por diante, o meu argumento será mais forte. 3. As semelhanças verificadas devem ser relevantes.
  • 2. 2 Se tivesse apresentado como semelhanças relevantes o facto de os dois animais terem cauda, pelo, dois olhos e quatro patas, o argumento seria desprezado por ser óbvio que essas semelhanças são irrelevantes para a conclusão. Regras a considerar na avaliação dos argumentos de autoridade 1. As pessoas ou organizações citadas têm de ser reconhecidos especialistas nas matérias em questão. Defender o uso de uma vacina por recomendação da Organização Mundial de Saúde é justificado. Mas defender a pena de morte ou o consumo da cerveja Alpha por recomendação de um famoso futebolista parece uma clara violação desta regra. A tradição designou esta falácia por ad verecundiam – apelo a uma autoridade não qualificada. 2. Deve haver consenso entre os especialistas sobre as matérias em questão. Se não há consenso entre os especialistas, não é legítimo citar um especialista para provar uma afirmação. Como em muitos assuntos o nosso conhecimento é nulo ou insuficiente, não podemos deixar de recorrer a autoridades na matéria. Em muitas situações temos de confiar em médicos, advogados, professores e outros profissionais. Em muitos debates, porém, citar autoridades é apenas uma maneira de esconder a falta de argumentos. http://www.defnarede.com/f.html Falácia da composição FALÁCIA que consiste em concluir que, por as partes de um todo ou os elementos de uma classe terem uma propriedade, o todo ou a classe também devem ter tal propriedade. Exemplo: "As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito de células, não tem consciência." Provamos que esta forma de argumento é falaciosa com exemplos simples como, por exemplo, "O oxigénio e o hidrogénio não são bebíveis. Logo, a água não é bebível". JS Falácia da divisão FALÁCIA que consiste em atribuir às partes de um todo ou aos elementos de uma classe uma propriedade do todo ou da classe. "F é uma excelente equipa. i joga na equipa F. Logo, i é um excelente jogador." contraexemplo: "A classe dos números é infinita. Ora 2 é um número. Logo, 2 é infinito". JS Documento original escrito de acordo com a antiga ortografia e convertido pelo Lince conforme o Acordo Ortográfico [1990].