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Prova
Discursiva-Redação
TRT 9
Prova Discursiva-Redação
Na Prova Discursiva-Redação, o candidato deverá desenvolver texto dissertativo-
argumentativo a partir de proposta única, sobre assunto de interesse geral não atrelado
necessariamente ao Conteúdo Programático de Conhecimentos Específicos referido no
presente Edital. ........................................................................................................................1
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dedicação e por isso elaboramos nossa apostila com todo cuidado e nos exatos termos do
edital, para que você não estude assuntos desnecessários e nem perca tempo buscando
conteúdos faltantes. Somando sua dedicação aos nossos cuidados, esperamos que você
tenha uma ótima experiência de estudo e que consiga a tão almejada aprovação.
Pensando em auxiliar seus estudos e aprimorar nosso material, disponibilizamos o e-mail
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questionamentos sobre o conteúdo da apostila. Todos e-mails que chegam até nós, passam
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aproveitamento do Sistema de Atendimento ao Concurseiro (SAC) liste os seguintes itens:
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ARGUMENTAÇÃO
A argumentação é o conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a
quem a comunicação se destina. Está presente em todo tipo de texto e visa a promover adesão às teses
e aos pontos de vista defendidos.
O argumento é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo que está
sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio
da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recursos de linguagem.
Argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor
que adote a posição totalmente contrária.
Contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os argumentos que essa pessoa
imaginária possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta;
Refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta.
Tipos de Argumentos1
Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese
do enunciador é um argumento.
Argumento de Autoridade
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em
certo domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Ex.: A imaginação
é mais importante do que o conhecimento.
Quem disse a frase aí de cima não fui eu... foi Einstein. Para ele, uma coisa vem antes da outra: sem
imaginação, não há conhecimento. Nunca o inverso.
(Alex José Periscinoto.
In: Folha de S. Paulo,1993)
Argumento de Quantidade
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que existe em maior
número, o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de
argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de quantidade.
Argumento do Consenso
Baseada em afirmações de uma determinada época, aceitas como verdadeiras. Ex.: Atualmente o
meio ambiente precisa ser protegido. Ex.: Condições de vida melhores são piores nos países
subsdesenvolvidos.
Argumento de Existência
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe
do que aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. Ex.: Mais vale um pássaro na mão do que
dois voando. Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais (fotos, estatísticas,
depoimentos, gravações, etc.)
Argumento quase lógico
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e efeito, analogia, implicação, iden-
tidade, etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógicos,
eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sim instituir relações
prováveis, possíveis, plausíveis.
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http://educacao.globo.com/portugues/assunto/texto-argumentativo/recursos-argumentativos.html
Na Prova Discursiva-Redação, o candidato deverá desenvolver texto
dissertativo-argumentativo a partir de proposta única, sobre assunto de
interesse geral não atrelado necessariamente ao Conteúdo Programático de
Conhecimentos Específicos referido no presente Edital.
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Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é igual a C”, estabelece-se uma
relação de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” não se
institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável.
Argumento do Atributo
É aquele que considera melhor o que tem propriedades típicas daquilo que é mais valorizado
socialmente, por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que
é mais grosseiro, etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, celebridades recomendando prédios
residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor tende
a associar o produto anunciado com atributos da celebridade.
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade pública. Ele
poderia fazê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada
para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria uma imagem de
competência do médico:
Ex.: Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em conta o caráter invasivo de alguns
exames, a equipe médica houve por bem determinar o internamento do governador pelo período de três
dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque
alguns deles são barras-pesadas, a gente botou o governador no hospital por três dias.
Procedimentos Argumentativos
Constituem os procedimentos argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação,
dividos em: exemplificação, explicitação, enumeração, comparação.
Exemplificação
Justifica os pontos de vista através de exemplos. São expressões comuns nesse tipo de procedimento:
mais importante que, superior a, de maior relevância que. Empregam-se também dados estatísticos,
acompanhados de expressões: considerando os dados; conforme os dados apresentados. Faz-se a
exemplificação, ainda, pela apresentação de causas e consequências, usando-se comumente as
expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por causa de, em virtude de, em vista
de, por motivo de.
Explicitação
O objetivo de explicar ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar esse objetivo
pela definição, pelo testemunho e pela interpretação. Na explicitação por definição, empregam-se
expressões como: quer dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista, ou melhor; nos
testemunhos são comuns as expressões: conforme, segundo, na opinião de, no parecer de, consoante
as ideias de, no entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela interpretação, em
que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse ponto de vista.
Enumeração
Uma apresentação de uma sequência de elementos que comprovam uma opinião, tais como a
enumeração de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são frequentes as
expressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois, ainda, em seguida, então, presentemente,
antigamente, depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, respectivamente. Na
enumeração de fatos em uma sequência de espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá,
ali, aí, além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no
sul, no leste.
Comparação
Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a comparação, com a finalidade de
comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma forma, tal como,
tanto quanto, assim como, igualmente. Para estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais
que, menos que, melhor que, pior que.
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Tipos de Refutação
Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando o absurdo da consequência.
Exemplo clássico é a contra-argumentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”.
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las, apresentando-se,
então, aquela que se julga verdadeira.
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opinião pessoal subjetiva do enunciador,
restringindo-se a universalidade da afirmação.
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste em refutar um argumento
empregando os testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação apresentada.
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais, demonstrando
que o enunciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. Por
exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados estatísticos, que "o controle demográfico
produz o desenvolvimento", afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia em uma relação
de causa-efeito difícil de ser comprovada. Para contra-argumentar, propõe-se uma relação inversa: "o
desenvolvimento é que gera o controle demográfico".
Elaboração de um Plano de Redação
Tema - O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução tecnológica
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder a interrogação (assumir um ponto de
vista); dar o porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico;
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-argumentação;
pensar a forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos
de argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou indiretamente
ligadas ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequência);
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o argumento básico;
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que poderão ser aproveitadas no texto;
essas ideias transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argumento
básico;
- Fazer um esboço do plano de redação, organizando uma sequência na apresentação das ideias
selecionadas, obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou menos a
seguinte:
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, argumentar consiste em estabelecer
relações para tirar conclusões válidas, como se procede no método dialético. O método dialético não
envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se de um método de investigação
da realidade pelo estudo de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em questão e da
mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão. Qualquer erro na
enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
Silogismo
A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado
nas regras cartesianas, que contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a conclusão. As
três proposições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da
menor. A premissa maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não caracteriza a
universalidade.
Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silogística), que parte do geral para o
particular, e a indução, que vai do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o
silogismo.
A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em uma conexão descendente (do geral para
o particular) que leva à conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de verdades
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universais, pode-se chegar à previsão ou determinação de fenômenos particulares. O percurso do
raciocínio vai da causa para o efeito. Ex.:
Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
Fulano é homem (premissa menor = particular)
Logo, Fulano é mortal (conclusão)
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-se em uma conexão ascendente, do
particular para o geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de
fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O percurso do raciocínio se faz do
efeito para a causa. Ex.:
O calor dilata o ferro (particular)
O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
O ferro, o bronze, o cobre são metais
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira
se as duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos, pode-se partir
de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma.
Sofisma
Uma definição inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são algumas
causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando
o sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de argumentação de
paralogismo. Encontra-se um exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:
- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
- Lógico, concordo.
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
- Claro que não!
- Então você possui um brilhante de 40 quilates...
Exemplos de sofismas:
Dedução
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
Fulano tem um diploma (particular)
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)
Indução
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral – conclusão falsa)
Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas
que têm diploma são professores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete-se
erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas.
A "simples inspeção" é a ausência de análise ou análise superficial dos fatos, que leva a
pronunciamentos subjetivos, baseados nos sentimentos não ditados pela razão.
Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamentais, que contribuem para a descoberta
ou comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem outros
métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os processos de dedução e indução à natureza
de uma realidade particular.
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Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A
análise, a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, porque pela
organização e ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa.
São dois processos opostos, mas interligados; a análise parte do todo para as partes, a síntese, das
partes para o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma depende da outra. A análise
decompõe o todo em partes, enquanto a síntese recompõe o todo pela reunião das partes.
Sabe-se, porém, que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém reunisse todas as
peças de um relógio, não significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes.
Só reconstruiria todo se as partes estivessem organizadas, devidamente combinadas, seguida uma
ordem de relações necessárias, funcionais, então, o relógio estaria reconstruído.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das partes, reunidas
e relacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, que é a
decomposição. A análise, no entanto, exige uma decomposição organizada, é preciso saber como dividir
o todo em partes. As operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim relacionadas:
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema proposto, de seu
desdobramento e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha dos
elementos que farão parte do texto. A análise pode ser formal ou informal.
A Análise Formal pode ser científica ou experimental; é característica das ciências matemáticas,
físico-naturais e experimentais.
A Análise Informal é racional ou total, consiste em “discernir” por vários atos distintos da atenção os
elementos constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece as necessárias relações de
dependência e hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se
confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: análise é decomposição e classificação
é hierarquização.
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças;
fora das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou menos
arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são empregados de modo mais ou menos
convencional.
A classificação, no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e espécies, é um
exemplo de classificação natural, pelas características comuns e diferenciadoras. A classificação dos
variados itens integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial. Ex.: aquecedor, automóvel,
barbeador, batata, caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio, sabiá,
torradeira.
Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre
eles. Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é uma
habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma redação.
Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais importante para o menos importante, ou
decrescente, primeiro o menos importante e, no final, o impacto do mais importante; é indispensável que
haja uma lógica na classificação.
A elaboração do plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do
plano devem obedecer a uma hierarquização.
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na introdução, os termos e conceitos sejam
definidos, pois, para expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racionalmente
as posições assumidas e os argumentos que as justificam. É muito importante deixar claro o campo da
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discussão e a posição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos de vista sobre
ele.
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e consiste na enumeração das
qualidades próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a espécie
a que pertence, demonstra: a característica que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um dos mais importantes, sobretudo
no âmbito das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às palavras seu
sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de sentido figurado.
Segundo a lógica tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:
- o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
- a diferença específica.
O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. Exemplo:
É muito comum formular definições de maneira defeituosa, por exemplo: Análise é quando a gente
decompõe o todo em partes.
Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando é advérbio de tempo, não representa o
gênero, a espécie, a gente é forma coloquial não adequada à redação acadêmica.
Tão importante é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia, para determinar os "requisitos
da definição denotativa”. Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos:
- o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em que está incluído: “mesa é um móvel”
(classe em que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta ou
instalação”;
- o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os exemplos específicos da coisa definida,
e suficientemente restritos para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade;
- deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade, definição, quando se diz que o “triângulo
não é um prisma”;
- deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui definição exata, porque a recíproca, “Todo
ser vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem);
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, ou o que se pretenda como tal, é muito
longa (séries de períodos ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição expandida;
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo
(o gênero) + adjuntos (as diferenças).
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de paráfrases definitórias, ou seja, uma
operação metalinguística que consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a palavra e
seus significados.
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sempre é fundamental procurar um porquê,
uma razão verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada com
argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do mundo não tem valor, se não estiver
acompanhado de uma fundamentação coerente e adequada.
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, que foram abordados
anteriormente, auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode
reconhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e as conclusões
organizam-se de modo livre, misturando-se na estrutura do argumento.
Por isso, é preciso aprender a reconhecer os elementos que constituem um argumento:
premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos são verdadeiros ou falsos; em
seguida, avaliar se o argumento está expresso corretamente; se há coerência e adequação entre seus
elementos, ou se há contradição.
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Para isso é que se aprendem os processos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que
raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e
a conclusão.
Modalizadores
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Os modalizadores discursivos possuem a tarefa de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante,
além de assegurar o modo como ele produz o discurso.
Em nossas diversas interações diárias, existem inúmeras intenções que explicitamos, por conta disso
existem vários tipos de modalizadores discursivos. Em um argumento, há vários recursos linguísticos,
como verbos auxiliares, modos verbais, advérbios, adjetivos, etc.
Não há nenhum tipo de interação comunicativa sem modalização, pois, quando nos expressamos,
também indicamos nosso ponto de vista em relação ao assunto em pauta.
Castilho e Castilho3
classificaram esses modalizadores:
Modalização Epistêmica
Possui a função de expressar uma avaliação sobre o valor de verdade e as condições de verdade da
preposição. Dividem-se em três subclasses:
Os Asseverativos – Afirmativos: realmente, evidentemente, naturalmente, efetivamente, certo, claro,
sem dúvida, lógico, mesmo, entre outros. Negativos: de forma alguma, de jeito nenhum.
Os Quase-Asseverativos – assim, talvez, provavelmente, possivelmente, eventualmente.
Os Delimitadores – um tipo de, quase, uma espécie de, biologicamente, geograficamente, etc.
Modalização Deôntica
Tem relação com o princípio da obrigação e da permissão: obrigatoriamente, necessariamente, etc.
Modalização Afetiva
Tem a função de verbalizar as reações emotivas do falante em face do conteúdo proposicional,
colocando de lado quaisquer considerações de caráter epistêmico ou deôntico.
Modalizadores Afetivos
Dividem-se em dois tipos: Subjetivos – infelizmente, felizmente, surpreendentemente, curiosamente,
espantosamente, etc.
Intersubjetivos – francamente, sinceramente, estranhamente, lamentavelmente, etc.
Falácias argumentativas
Todo texto argumentativo busca convencer. Para alcançar esse objetivo, os argumentos tornam-se
imprescindíveis. Há várias estratégias argumentativas, as citações, exemplos, argumento, contra-
argumento, entre outras.
Todos os argumentos são válidos? Posso usar qualquer exemplo para embasar meu texto? Ao
argumentar, buscam-se razões que embasem uma conclusão, por isso é preciso tomar cuidado com as
falácias.
Falácia é um substantivo, derivado de um adjetivo latino fallace, que significa enganador, ilusório.
Todas as vezes em que um raciocínio errado ou mentiroso é colocado como verdadeiro ocorre a falácia.
Todo argumento falacioso pode encontrar razões psicológicas, íntimas, emocionais, mas nunca
lógicas. Por isso, é preciso estar atento à construção textual, porque o texto argumentativo deve usar
argumentos plausíveis, pautados na lógica. Então, cuidado com aqueles que parecem sustentar uma
conclusão, mas na realidade não sustentam.
A seguir, veja alguns exemplos de argumentos falaciosos:
“Todo político é corrupto”.
“A violência no Brasil é resultado dos programas de TV.”
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https://bit.ly/30HbVak.
3
CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M de. Advérbios modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (Org.). Gramática do português falado. 2. ed. Campinas: Editora da
Unicamp, 1993.
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“Joana morreu depois de fazer radioterapia. Então quem tem câncer não deve fazer esse
procedimento.”
Os argumentos acima são falaciosos, visto que não são pautados na lógica, portanto, não podem
sustentar uma conclusão.
No primeiro exemplo, a afirmação não leva em consideração que possam existir políticos honestos. Já
no segundo, afirma-se que a única culpada pela violência é a mídia e isso não é uma verdade absoluta,
uma vez que a violência tem outras causas. No último exemplo, o fato de os eventos terem acontecido
em sequência, não significa que um seja a causa do outro.
Como visto acima, a falácia pode fragilizar sua argumentação, por isso não a use. Lembre-se de que
os argumentos precisam ser contundentes.
Tipos de Falácias
Apelo à força - Consiste em ameaçar com consequências desagradáveis se não for aceita ou acatada
a proposição apresentada. Ex.:
- Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego?
- É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima.
- Cala essa tua boca, ou não te dou o dinheiro para o show.
- Ou nós, ou a desgraça, o caos.
Contra-argumentação: Argumente que apelar à força não é racional, não é argumento, que a emoção
não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.
Apelo à misericórdia, à piedade (ignorância de questão, fuga do assunto) - Consiste em apelar à
piedade, à misericórdia, ao estado ou virtudes do autor. Ex.: Ele não pode ser condenado: é bom pai de
família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc.
Contra-argumentação: Argumente que se trata de questões diferentes, que o que é invocado nada tem
a ver com a proposição. Quem argumenta assim ignora a questão, foge do assunto.
Apelo ao povo - Consiste em sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte
dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma ideia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem-
se aqui os boatos, o “ouvi falar”, o “dizem”, o “sabe-se que”. Ex.: Dizem que um disco voador caiu em
Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas.
Contra-argumentação: Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem
se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro.
Apelo à autoridade - Consiste em citar uma autoridade (muitas vezes não qualificada) para sustentar
uma opinião. Ex.: Segundo Schopearhauer, filósofo alemão do séc. XIX, “toda verdade passa por três
estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto-
evidente”. (De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por
esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein).
Contra-argumentação: Mostre que a pessoa citada não é autoridade qualificada. Ou que muitas vezes
é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar
a erro.
Apelo à novidade - Consiste no erro de afirmar que algo é melhor ou mais correto porque é novo, ou
mais novo. Ex.: Saiu a nova geladeira Pólo Sul. Com design moderno, arrojado, ela é perfeita para sua
família, sintonizada com o futuro.
Contra-argumentação: Mostre que o progresso ou a inovação tecnológica não implica
necessariamente que algo seja melhor.
Apelo à antiguidade - É o erro de afirmar que algo é bom, correto apenas porque é antigo, mais
tradicional. Ex.: Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas?
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Contra-argumentação: Argumenta que o fato de um grande número de pessoas durante muito tempo
ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando.
Falso dilema - Consiste em apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais. Exs.:
- Brasil: ame-o ou deixe-o.
- Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha?
- Você não suporta seu marido? Separe-se!
- Quem não está a favor de mim está contra mim.
Contra-argumentação: Simples. Mostre que há outras opções.
Falso axioma - Um axioma é uma verdade auto-evidente sobre a qual outros conhecimentos devem
se apoiar. Exs.:
- duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si.
- a educação é a base do progresso.
Muitas vezes atribuímos, no entanto, “status” de axioma a muitas sentenças ou máximas que são, na
realidade, verdades relativas, verdades aparentes. Ex.: Quem cedo madruga Deus ajuda.
Contra-argumentação: Mostre que muitas frases de efeito, impactantes, bombásticas, retóricas, muito
respeitadas podem ser meras estratégias mediantes as quais alguém tenta convencer, persuadir o
ouvinte/leitor em direção a um argumento. No caso dos provérbios, mostre que se contradizem:
- Ruim com ele, pior sem ele X Antes só do que mal acompanhado.
- Depois da tempestade vem a bonança X Uma desgraça nunca vem sozinha.
- Longe dos olhos, perto do coração X O que os olhos não veem o coração não sente.
Generalização não qualificada - É uma afirmação ou proposição de caráter geral, radical e que, por
isso, encerra um juízo falso em face da experiência. Ex.: A prática de esportes é prejudicial à saúde.
Contra-argumentação: Mostre que é necessário especificar os enunciados. Othon Garcia ilustra como
se pode especificar a falácia acima, dada como exemplo: A prática indiscriminada de certos esportes
violentos é prejudicial à saúde dos jovens subnutridos.
Generalização Apressada (erro de acidente) - Trata-se de tirar uma conclusão com base em dados
ou em evidências insuficientes. Dito de outro modo, trata-se de julgar todo um universo com base numa
amostragem reduzida. Exs.:
- Todo político é corrupto.
- Os padres são pedófilos.
- Os mulçumanos são todos uns fanáticos.
Contra-argumentação: Argumente que dois professores ruins não significam uma escola ruim; que em
ciência é preciso o maior número de dados antes de tirar uma conclusão; que não se pode usar alguns
membros do grupo para julgar todo o grupo.
Faça ver que se trata, na maioria das vezes, de estereótipo: imagem preconcebida de alguém ou de
um grupo. Faça ver também que são fonte de inspiração de muitas piadas racistas, como as piadas de
judeus (visto como avarento), de negro (vista como malandro ou pertencente a uma classe inferior), de
português (visto no Brasil como sem inteligência), etc.
É por isso que essa falácia está intimamente relacionada ao preconceito.
Ataque à pessoa - Consiste em atacar, em desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se
que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação. Ex.: Não deem ouvidos
ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.
Observação: Uma variação de “argumentum ad homimem” é o “tu quoque” (tu também): Consiste em
atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe “tu
também”! Isso, evidentemente, não prova nada.
Contra-argumentação: Mostre que o caráter da pessoa não tem relação com a proposição defendida
por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, etc., não prova que suas ideias
estejam erradas.
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Bola de Neve (derrapagem, redução ao absurdo reductio ad absurdum) - Consiste em tirar de
uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado
indevidamente ao extremo, às últimas consequências. Exs.:
- Mãe, cuidado com o Joãozinho. Hoje, na escolinha, ele deu um beijo na testa de Mariazinha. Amanhã,
estará beijando o rosto. Depois.... quando crescer, vai estar agarrando todas as meninas.
- O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à
nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do
fim da liberdade. (Veja, agosto 2000, p.36)
Contra-argumentação: Argumente dizendo que as consequências, os fatos, os eventos podem não
ocorrer.
Depois disso, logo por causa disso - É o erro de acreditar que em dois eventos em sequência um
seja a causa do outro. No extremo, é uma forma de superstição: eu estava com gravata azul e meu time
ganhou; portanto, vou usá-la de novo. Ex.: O chá de quebra-pedra é bom para cálculos renais. Tomei e
dois dias depois expeli a pedra.
Observação: uma variação deste sofisma é o chamado “non sequitur” (não se segue, “nada a ver”) em
que uma conclusão nada tem a ver com a premissa: Venceremos, pois Deus é bom. (Deus é bom, mas
não está necessariamente a seu lado; os inimigos podem dizer a mesma coisa).
Contra-argumentação: Mostre que correlação não é causação: o fato de que dois eventos aconteçam
em sequência não significa que um seja a causa do outro. Diga que pode ter sido apenas uma
coincidência.
Falsa analogia - Consiste em comparar objetos ou situações que não são comparáveis entre si, ou
transferir um resultado de uma situação para outra. Exs.:
- Minhas provas são sempre com consulta a todo tipo de material. Os advogados não consultam os
códigos? Os médicos não consultam seus colegas e livros? Não levam as radiografias para as cirurgias?
Os engenheiros, os pedreiros não consultam as plantas? Então?
- Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções.
- Tomei mata-cura e fiquei bom. Tome você também.
Contra-argumentação: Argumente que os dois objetos ou situações diferem de tal modo que a analogia
se torna insustentável. Mostre que o que vale para uma situação não vale para outra.
Mudança do ônus da prova - Consiste em transferir ao ouvinte o ônus de provar um enunciado, uma
afirmação. Ex.: Se você não acredita em Deus, como pode explicar a ordem que há no universo?
Contra-argumentação: Mostre que o ônus da prova, isto é, a responsabilidade de provar um enunciado
cabe a quem faz a afirmação.
Falácia da ignorância - Consiste em concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é
falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro. Exs.:
- Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe.
- Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem.
Contra-argumentação: Argumente que algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas.
Exigência de perfeição - É o erro de reivindicar apenas a solução perfeita para qualquer plano. Ex.:
A automação cada vez maior dos elevadores desemprega muitas pessoas. Isso, portanto, é ruim,
economicamente desaconselhável.
Contra-argumentação: Argumente que planos, medidas ou soluções não devem ser vistos como
integralmente perfeitos ou prejudiciais. Mostre que podem existir objeções para qualquer medida. Que os
desvantagens de um plano são suplantados pelas vantagens.
Questão complexa (pergunta capciosa, falácia da interrogação, da pressuposição) - Consiste em
apresentar duas proposições conectadas como se fossem uma única proposição, pressupondo-se que já
se tenha dado uma resposta a uma pergunta anterior. Exs.:
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- Você já abandonou seus maus hábitos?
- Você já deixou de roubar no mercado onde trabalha?
Contra-argumentação: mostre que existem duas proposições e que uma pode ser aceita e outra não.
Questões
01. (TRT 6ª Região - Técnico Judiciário - FCC/2018) O carnaval do Recife deve ao Galo da
Madrugada sua repercussão nacional. O bloco foi num crescendo ano a ano e virou o espetáculo
grandioso que é. Tem futuro promissor. Mas precisa ser encarado como um negócio a ser tocado cada
vez mais profissionalmente.
O potencial do carnaval do Recife para crescer como um “negócio” poderá ser estimulado a beneficiar
mais a cidade, gerando incremento de emprego, trabalho e renda nos hotéis, restaurantes, lanchonetes,
oficinas de madeira e ferro, shoppings, meios de hospedagem em residências, segurança... entre outros
segmentos ligados à cadeia produtiva do evento.
Para ampliar a dimensão desse carnaval, há que se explorar ainda mais o potencial do Recife Antigo
e o de Olinda. Uma cidade que dispõe, a seu lado, de uma festa tão singular, alegre e irreverente como
a da vizinha cidade já é por si só um produto comercializável e lucrativo. Nossa proposta pontual é fundir
os dois carnavais e transformá-los na marca “Carnaval Recife-Olinda”. Isto vai “pegar” e potencializará
uma maior atratividade nacional para a festa pernambucana. Que estado no Brasil dispõe de um conjunto
de atrativos em uma única festa como o “Galo” estrondoso, o frevo, os blocos antigos, maracatus, bonecos
gigantes, caboclinhos, tambores silenciosos, virgens de Olinda, escolas de samba, prévias tradicionais e
até espaço pop rock para os mais alternativos?
Qual caminho a seguir? Primeiro, institucionalizar a aliança entre Olinda e Recife. Em seguida, buscar
os patrocínios e parcerias com as associações de bares e restaurantes, indústrias de bebidas, empresas
de cartões de crédito, redes sociais e sites estratégicos. O estímulo para se conhecer o “Carnaval Recife-
Olinda” já deverá estar em anúncios publicitários nesses sites ao menos três meses antes da festa. Isso
despertará o interesse do público de diferentes localidades. É este o caminho para transformar
Pernambuco num destino ainda mais procurado a partir de 2019.
(LIMA, Mauro Ferreira. “Carnaval do Recife, proposta para crescer: www.diariodepernambuco.com.br. 2018)
O autor organiza sua argumentação da seguinte maneira:
(A) apresentação de uma opinião polêmica, seguida de opiniões que a contrariam.
(B) lembrança de fatos passados, seguida de confissões de ordem pessoal e emotiva.
(C) exposição de projeto para o futuro, seguida de sugestões para viabilizá-lo.
(D) narração de fatos passados da vida do autor, seguida de hipótese não confirmada.
(E) comparação entre duas ideias contrárias, seguida de uma terceira ideia que as contesta.
02. (TRT 2ª Região - Analista Judiciário - FCC/2018) Atenção: Para responder à questão, baseie-
se no texto abaixo, trecho de um diário pessoal do poeta Carlos Drummond de Andrade, escrito ao tempo
da II Guerra Mundial, em 1945.
O poeta e a política
Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Estou preparado? Posso entrar na militância sem
me engajar num partido? Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema da ação
política com bases individualistas, como pretende a minha natureza. Há uma contradição insolúvel entre
minhas ideias ou o que suponho minhas ideias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha
inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral,
impessoal, às vezes dura, senão impiedosa. Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional
ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem. Como posso convencer a outros se não me
convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malícia, a crueza, o oportunismo da ação política me
desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação
política?
(ANDRADE, Carlos Drummond de. O observador no escritório. Rio de Janeiro: Record, 1985)
Está pressuposta na argumentação de Carlos Drummond de Andrade a ideia de que a ação política
(A) deve assentar-se em sólidas bases individuais, a partir das quais se planejam e se executam as
ações mais consequentes.
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(B) permite que um indivíduo dê sentido às suas convicções mais pessoais ao dotá-las da
universalidade representada pelas linhas de ação de um partido.
(C) costuma executar-se segundo diretrizes partidárias, às quais devem submeter-se as convicções
mais particulares de um indivíduo.
(D) impede um indivíduo de formular para si mesmo utopias consoladoras, razão pela qual ele
procurará criá-las com base numa ideologia partidária.
(E) liberta o artista de seu individualismo estrito, fornecendo-lhe utopias que se formulam a partir dos
ideais coletivistas de um partido.
03. (IPSM - Assistente de Gestão Municipal - FUMARC/2018)
Para se alfabetizar de verdade, Brasil deve se livrar de algumas ideias tortas
Meses atrás, quando falei aqui do livro de Zinsser, um leitor deixou o seguinte comentário: “É de uma
pretensão sem tamanho, a vaidade elevada ao maior grau, o sujeito se meter a querer ensinar os outros
a escrever”.
Pois é. Muita gente acredita que, ao contrário de todas as demais atividades humanas, da música à
mecânica de automóveis, do macramê à bocha, a escrita não pode ser ensinada. Por quê?
Porque é especial demais, elevada demais, dizem alguns. É o caso do leitor citado, que completou seu
comentário com esta pérola: “Saber escrever é uma questão de talento, quem não tem, não vai nunca
aprender…”
Há os que chegam à mesma conclusão pelo lado oposto, a ilusão de que toda pessoa alfabetizada
domina a escrita, e o resto é joguinho de poder espúrio.
Talento literário é raro mesmo, mas não se trata disso. Também não estamos falando só de correção
gramatical e ortográfica, aspecto que será cada vez mais delegado à inteligência artificial.
Estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e precisão, sem matar o leitor de confusão ou
tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma igualitária por qualquer sociedade que se pretenda
civilizada e justa.
(Sérgio Rodrigues. Folha de S.Paulo, 2017)
Ao levar para seu texto os comentários do leitor, o autor pretende
(A) apresentar uma opinião da qual discorda radicalmente, já que ele defende que a escrita pode ser
ensinada.
(B) fundamentar a sua argumentação a favor da inspiração para escrever, o que encontra eco nesses
comentários.
(C) buscar um caminho alternativo para o modo como as pessoas escrevem, marcadamente confuso
e enfadonho.
(D) tratar de novas nuances da boa escrita, que ele acredita estar sob responsabilidade da inteligência
artificial.
(E) mostrar que o que interessa de fato na produção escrita é o atendimento à correção ortográfica e
gramatical.
Gabarito
01.C / 02.C / 03.A
Comentários
01.Resposta: C
O autor deseja que o carnaval de Pernambuco seja, futuramente (transformar Pernambuco num
destino ainda mais procurado a partir de 2019), mais reconhecido nacionalmente a partir da fusão do
Carnaval de Recife e do Carnaval de Olinda. Para alcançar esse objetivo, sugestões são descritas no
último parágrafo (institucionalizar a aliança entre Olinda e Recife. Em seguida, buscar os patrocínios e
parcerias com as associações de bares e restaurantes, indústrias de bebidas, empresas de cartões de
crédito, redes sociais e sites estratégicos.).
02.Resposta: C
O "se" de "submeter-se" é uma Partícula Apassivadora. Logo, o trecho está na Voz Passiva.
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Outra forma de escrever o texto, preservando o sentido, talvez ajude a visualizar melhor a resposta:
As convicções mais particulares de um indivíduo devem ser submetidas às diretrizes partidárias.
03.Resposta: A
O texto traz como ideia principal: O português pode sim ser ensinado/aprendido. Mesmo havendo
alguns comentários contrários a este entendimento, onde trouxe dúvidas quanto ao aprendizado e na
dificuldade de aprender o português de forma correta. E por fim, ele informa que não se trata da gramática
em sim, mas da clareza de informações trazidas em uma escrita por exemplo, deixando um texto fácil e
claro para leitura.
O principal objetivo do autor, é: (Texto)…estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e
precisão, sem matar o leitor de confusão ou tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma
igualitária por qualquer sociedade que se pretenda civilizada e justa.
TÉCNICAS DE ESCRITA DE REDAÇÃO
Introdução
Um dos grandes desafios na hora de realizar qualquer prova é a escrita da redação. Escrever um texto
pode ser uma tarefa difícil para algumas pessoas. Isso ocorre, pois essa atividade envolve a mobilização
de uma série de conhecimentos relacionados não só ao tema proposto para aquela redação, mas também
a questões linguísticas e discursivas.
Em toda produção textual você deve se preocupar com a organização de ideias, com a estruturação
de frases e parágrafos e com a execução de tudo isso dentro de um determinado gênero textual. Ao
mesmo tempo, há ainda a necessidade de ser claro, objetivo, coerente e bastante produtivo durante
aquele pequeno prazo estipulado para a realização da prova que você está prestando.
A fim de prepará-lo para o exercício dessa tarefa considerada muitas vezes penosa, organizamos esse
material com os principais conhecimentos que você precisa dominar para a escrita de um excelente texto.
Dentro de cada um dos tópicos, abordaremos os diferentes conhecimentos para a realização da escrita
de qualquer tipo de redação que venha a ser proposta. Esperamos que, com isso, a atividade de escrita
se torne mais prazerosa, menos preocupante e que você obtenha sucesso nas produções textuais a
serem realizadas.
O Processo de Planejamento Textual
O Conceito de Texto4
Para aprender sobre as qualidades de um bom texto é necessário, primeiramente, responder à
seguinte questão: afinal, o que seria texto?
Observaremos três imagens a fim de responder essa pergunta:
Imagem A
Disponível em: https://www.diferenca.com/fala-lingua-e-linguagem/
4
KOCH. Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto.
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Imagem B
Disponível em: http://estantedacomunicacao.com.br/a-acao-e-a-comunicacao/
Imagem C
Disponível em: https://gcn.net.br/nossasletras/noticia/390173/linguagem-e-massificacao/
Você percebeu que nas três imagens anteriores está representada a relação entre sujeito e linguagem.
Iniciaremos dizendo que a concepção de texto está diretamente ligada à concepção de linguagem. Dito
isto, existem três possíveis formas de compreender a linguagem e em cada uma das imagens anteriores
está presente cada uma dessas.
Na imagem A, podemos observar que a linguagem traduz o pensamento do sujeito, logo, o texto
surgiria como um produto da expressão do pensamento do falante. Já na imagem B, o texto se constitui
um instrumento de comunicação entre aquele que fala/escreve e aquele que ouve/lê. O texto é
considerado, dessa forma, um produto dessa codificação entre emissor e receptor, um instrumento de
comunicação apenas, pois carrega uma mensagem emitida a ser decodificada. Por fim, a imagem C traz
uma concepção mais alargada da linguagem, uma vez que é por meio dela que os sujeitos constituem
seus falares e se constituem como sujeitos no momento da interação em sociedade. O texto torna-se um
lugar de interação entre eles.
Ao trabalharmos a produção textual nesse material, tomamos como referência a terceira concepção
de linguagem. Por esse motivo, diremos que o texto não é algo que está apenas no domínio daquele que
escreve, e também não é apenas algo a ser decodificado por um leitor. O texto, desde sua produção, já
leva em consideração a existência de leitores e contextos de leitura, os quais irão influenciar diretamente
a organização das informações e estruturas linguísticas dentro do texto.
Dessa maneira, a escrita de qualquer texto, envolve sempre o seguinte tripé
TEXTO
AUTOR LEITOR
Toda vez que você pensar em escrever será necessário conhecer a situação bem como o provável
leitor para o qual será escrito. Isso é importante, pois o texto é interativo e vai se estruturar de acordo com
o contexto de comunicação.
TOME NOTA: Informe-se quanto aos critérios de avaliação
da redação exigidos por determinado órgão antes de prestar
uma prova.
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Quanto mais clareza você tiver em relação às condições para a escrita do seu texto, bem como o
possível leitor, melhor você consegue estruturar seu texto.
Os conhecimentos necessários para a escrita de um texto5
Escrever um texto não requer apenas um domínio de regras gramaticais da linguagem, mas mobiliza
outros conhecimentos:
1. Conhecimento de mundo ou enciclopédico: conhecimento do assunto a ser tratado. Não falamos
daquilo que não sabemos. Para se escrever um texto sobre um determinado tema é necessário conhecer
primeiramente sobre o assunto. Por esse motivo, para a escrita de boas redações, é necessária a
construção de um repertório de conhecimento através do hábito constante de leitura. Uma leitura
diversificada e constante irá lhe garantir uma boa escrita.
2. Conhecimento linguístico: conhecimento da língua a ser utilizada. Para que as ideias sejam
compreendidas, é necessária a organização delas através de uma boa estruturação dos elementos
linguísticos. Isso envolve o conhecimento de elementos coesivos, regras de pontuação e acentuação,
concordância e regência verbal e estruturação de tudo isso em frases e parágrafos.
3. Conhecimento interacional: conhecimento do contexto de escrita. Ao produzir um texto é
necessário conhecer a situação para a qual ele é escrito: A finalidade da escrita, a situação (formal ou
informal) e o gênero requerido (artigo, carta, ofício).
4. Conhecimento genérico: conhecimento do gênero e tipo textual em que o texto será escrito. Na
escrita de um texto sempre organizamos um determinado conteúdo temático dentro de uma forma de
linguagem a partir de um estilo autoral de escrita. As várias situações de comunicação em sociedade
possuem diferentes formas de organização de um texto as quais chamamos de gênero textual. Cada uma
tem uma função comunicativa e a linguagem se estrutura de uma determinada forma. Para noticiarmos
um fato, utilizamos a notícia. Para instruirmos sobre a montagem de um aparelho, recorremos ao manual
de instrução. Dentro de cada um dos gêneros a linguagem pode se estruturar de acordo com diferentes
tipos textuais: narrativo (relatar fatos), descritivo (caracterizar objetos, lugares e situações), expositivo
(expor conceitos e informações), argumentativo (defender pontos de vista fundamentado em
argumentos).
Etapas de produção de um texto6
A produção de um texto, quando planejada, torna-se mais eficaz e sofre uma otimização em relação
ao tempo proposto para a escrita. Por esse motivo, falaremos neste momento sobre três principais etapas
para o planejamento de um texto.
Primeiramente, é importante que você saiba que essas etapas não ocorrem necessariamente em
ordem e nem separadas, mas estão presentes durante todo o processo de escrita.
- Planificação Textual: planejamento da escrita. Antes da escrita de um texto, é necessário
estabelecer com clareza quais os seus objetivos ao escrever, bem como a organização das informações
no texto. Se lhe foi proposto um tema para ser escrito, é necessário definir o que será abordado dele.
Todo tema é de certa maneira amplo e precisa ser delimitado, ou seja, é importante que você escolha
qual aspecto daquilo você discutirá. A partir disso, você vai estabelecer quais os seus objetivos ao
escrever aquele texto. Com a ideia principal do seu texto definida, você vai pensar nas informações que
serão utilizadas para o desenvolvimento dessa. Todo texto possui ideias secundárias utilizadas para o
desenvolvimento da ideia principal. A organização delas é um exercício de planificação.
- Textualidade: ato de escrita propriamente dito. É a organização das ideias na linguagem. A
preocupação com a estruturação dos elementos linguísticos. Escrever é um processo constante de
organizar as ideias em palavras, organizar as frases em períodos e em parágrafos de forma a construir
determinados efeitos de sentido, com vistas a promover um texto com unidade e progressão. Nessa etapa
são trabalhadas a ligação entre frases e períodos (coesão), a organização das ideias de forma a evitar
contradições e repetições (coerência),as preocupações quanto à significação de palavras (lexicais) e a
relação entre verbos, nomes e adjetivos (concordância e regência). Mesmo que você já esteja
escrevendo, ainda há preocupação com a planificação do texto. Em todo momento, repensamos a
organização das ideias. Por isso afirmamos que não há a existência separada dessas etapas.
- Reescrita: releitura, análise, alteração e reescrita. Mesmo em situações de prova nas quais o tempo
é curto, é extremamente importante a releitura de seus textos para que você possa localizar erros pontuais
5
KOCH, Ingedore V. e ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2006.
6
http://repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/1811/1/Lara_Barbosa.pdf
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de questões gramaticais e erros mais sérios de estruturação de parágrafo e de sentidos do texto. A
reescrita de um trecho do texto, sempre envolve a reorganização das estruturas linguísticas dentro do
período com vista a manutenção do sentido original
Qualidades de um bom texto7
Planejar a escrita de seu texto segundo as etapas anteriores, bem como ter os conhecimentos
necessários à sua produção já são formas de contribuir para a escrita de um bom texto. Além disso, é
necessário pensar em algumas das qualidades essenciais a todo texto considerado bom. São elas
A) Progressão Textual
Todo texto possui um tema a ser desenvolvido. Esse tema tem vários aspectos dos quais você pode
falar. Para que haja progressão textual é necessária uma continuidade no assunto, o qual deve ser
desenvolvido, explorado e ampliado. Você não deve ficar falando de um mesmo ponto do tema por todo
o texto sem progredir para o outro. Isso o empobrece e o torna repetitivo. A progressão envolve o
estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto, por meio de movimentos de retroação
(retomada do que já foi dito anteriormente) e movimentos de prospecção (desenvolvimento de novas
ideias).
B) Sequência Lógica
O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido.
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de
fundamentar sua ideia.
C) Concisão e unidade
A concisão diz respeito à objetividade das informações apresentadas. Tudo o que for escrito em sua
redação precisa ser necessário e relevante para o desenvolvimento do tema e das ideias propostas. Nada
deve ser repetitivo, evitando assim a prolixidade (repetição desnecessária).
Além disso, todos as informações presentes no texto devem estar relacionadas ao tema principal a fim
de manter a unidade do seu texto. Qualquer parágrafo ou trecho que fuja à temática proposta, se não
estiver bem articulado por meio de recursos de coesão, prejudica a unidade.
C) Informatividade
Na sua redação é necessário que você traga informações diversas para discutir as ideias
apresentadas. Você pode utilizar dados, estudos, casos, notícias de diferentes fontes para fundamentar
suas ideias. Novamente reforçamos a importância de um hábito de leitura constante para a
realização de uma boa escrita.
D) Coesão e Coerência
A coesão e a coerência diz respeito à organização das ideias e das estruturas linguísticas nas frases,
períodos e parágrafos do texto. É interessante, antes, saber que a escrita de um texto possui um nível
mais superficial e um nível mais profundo. Observemos o esquema a seguir:
Texto
Coesão
Organização das estruturas linguísticas
Coerência
Organização das ideias
7
http://www.revistaversalete.ufpr.br/edicoes/vol1-00/Texto2Crislaine.pdf
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Trazemos acima uma representação dos níveis do texto. Em um nível mais superficial estão as
estruturas linguísticas, as palavras, verbos, conjunções a serem organizadas. Esse é o domínio da
coesão. Já em um nível mais profundo estão as ideias a serem estruturadas. Esse é o domínio da
coerência.
E) Clareza
A clareza é o que obtemos como resultado do bom emprego dos mecanismos de coesão, coerência e
progressão textual. Um texto claro é aquele em que as informações podem ser facilmente compreendidas,
sem problemas de contradições ou de encadeamento nas ideias. A presença da clareza pressupõe o bom
estabelecimento do tema, das ideias a serem desenvolvidas e da relação entre elas na estruturação das
frases e parágrafos.
A Organização da Frase e do Parágrafo
Agora que já falamos sobre as qualidades de um bom texto, sobre a estruturação das palavras e a
organização das ideias, vamos ver como organizar tudo isso dentro das frases e parágrafos.
Frase, Oração e Período
Frase
Sentença que expressa uma mensagem. Ela pode ou não conter verbos, contudo se ela comunicar
algo, mesmo que seja apenas uma palavra, já pode ser considerada frase. Um exemplo é a palavra
“Socorro!”. Apesar de se constituir apenas um vocábulo, ela já passa uma mensagem completa.
Oração
Presença de verbo na sentença. Toda oração se estrutura em torno de um verbo. Este passa uma
mensagem e muitas vezes, para que o seu sentido esteja completo, necessita de um sujeito e de
complementos. Dizemos que a oração está na sua ordem direta quando ela aparece na ordem Sujeito -
Verbo - Complementos. No entanto, essa ordem pode ser invertida de acordo com o seu estilo de escrita
e de acordo com as informações que você desejar ressaltar.
Vamos a um exemplo: Na oração “ Eu farei a prova amanhã” encontramos a ordem direta. Porém, se
eu quiser ressaltar a informação referente ao momento em que farei a prova, posso alterar a ordem dessa
oração e escrever “Amanhã, eu farei a prova”. Se você desejar ainda destacar a informação “a prova”, é
possível também trazê-la em primeiro plano, e assim terá “Amanhã, a prova eu farei.
Período
Toda oração ou conjunto de orações que possuam um sentido completo chamamos de período. As
ideias a serem desenvolvidas em seu texto serão organizadas em períodos.
Cada um desses períodos se estrutura em torno de verbos e não deve ser muito grande. É
recomendável que um período possua no máximo umas três linhas, pois quanto maior ele for, mais fácil
de apresentar problemas. Dentre os defeitos que um período grande pode trazer encontramos:
a) Presença de verbos sem os complementos necessários
b) Presença de contradições
c) Presença de informações irrelevantes
Todo período precisa estar de certa forma completa. Por exemplo, os verbos precisam ter seus
complementos e sujeitos presentes. A junção de orações repetidamente, sem a conclusão do raciocínio,
promove a presença de períodos truncados e incompletos, o que gera um problema na estruturação do
seu texto. Isso abre margem para a presença de incoerências.
Percebe-se que a estruturação da frase ocorre de acordo com a organização das ideias e das
informações contidas no texto e com a intenção daquele que escreve. Todo o texto, orações e parágrafos
sempre refletem o projeto de texto do autor.
Parágrafo
Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes
componentes do texto. Todo parágrafo é uma espécie de mini texto, pois precisa possuir começo, meio
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e fim. Ele se organiza sempre em torno de uma ideia principal, a qual está diretamente relacionada com
o tema principal de sua redação. Chamamos de tópico frasal o período do parágrafo que traz essa ideia
principal. Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar relacionadas com essa ideia e
vem para desenvolvê-la.
8
“Não há ligação direta entre a violência urbana e a pobreza ou o racismo. Suas raízes estão lançadas,
na verdade, sobre uma sociedade desigual, que privilegia uma minoria, deixando todos os demais à
margem da sociedade, distante de oportunidades iguais”.
No parágrafo anterior, o trecho sublinhado constitui o tópico frasal do parágrafo e traz sua ideia
principal: a não ligação entre violência urbana e pobreza ou racismo. As outras informações contidas no
outro período vêm para justificar e desenvolver essa não relação entre esses três termos.
Tipos de parágrafo
Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se
desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural.
A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais
longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou
para enfatizar uma ideia.
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras.
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias
ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá-
los.
Há ainda, além da necessidade de estruturar bem os períodos e parágrafos, a necessidade de
relacioná-los corretamente. Para isso, utilizaremos os mecanismos de coesão. Um bom texto traz
elementos coesivos diversificados ao longo de todo o texto. Esses precisam aparece tanto na relação
entre os períodos como também na relação entre os parágrafos.
Todas as orações que estiverem relacionadas entre si numa relação de igualdade precisam estar
estruturadas de uma maneira uniforme. A isso chamamos de paralelismo sintático. Vamos a um
exemplo para melhor entendimento
Frase sem paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e que não
compreendemos.
Frase com paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e incompreensível
Observamos no exemplo anterior que os termos separados por vírgula estão numa relação de
igualdade dentro da frase, ou seja, possuem a mesma função, são todos caracterizadores do sujeito da
frase “Português”. Desta maneira, todos eles devem aparecer com uma estrutura similar. Então, se você
8
Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2018/06/26/topico-frasal/
Não esqueça: no início de todo parágrafo é utilizado um
espaçamento inicial. Esse é essencial e deve ser respeitado,
sempre com um tamanho entre 1 a 2 centímetros.
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usou a forma de adjetivo no primeiro e no segundo, não pode trazer o terceiro na forma de uma oração
adjetiva. É necessário que esse apareça na mesma forma que os demais, como um adjetivo e não uma
oração adjetiva.
Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e
conclusão):
A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, para cuja
solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade (Ideia-núcleo). O governo, por exemplo,
deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis em vigor; o empresário
pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos gases e líquidos expelidos, e a população,
utilizando menos o transporte individual e aderindo aos programas de rodízio de automóveis e caminhões,
como já ocorre em São Paulo (Ideia secundária). Medidas que venham a excluir qualquer um desses três
setores da sociedade tendem a ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas
(Conclusão).
A Estrutura do Texto
Narrativo e Descritivo
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como pela
indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram os
fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em
especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte,
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de
orações coordenadas ou justapostas.
Dissertativo-Argumentativo
Dentre as redações mais propostas em concursos e vestibulares, está aquela constituída pelo tipo
textual dissertativo-argumentativo. Esse tipo de texto tem como objetivo principal a discussão e a defesa
de um ponto de vista acerca de uma temática proposta a partir de diferentes argumentos.
Para a escrita de um bom texto dissertativo-argumentativo precisamos atentar para alguns elementos
essenciais que o compõem:
Tema
Esse é o assunto proposto para a discussão na redação a ser escrita. O tema pode ser de caráter
sócio histórico, político, cultural e até mesmo filosófico. Antes de começar a escrever é necessário
estabelecer quais os aspectos desse tema serão trabalhados, quais as informações vinculadas e qual a
relação entre essas informações.
A delimitação do tema é um dos primeiros passos a serem realizados. Delimitar o tema significa
escolher o que você irá falar sobre esse tema. Por exemplo, numa redação sobre a corrupção você pode
abordar aspectos da corrupção no âmbito político ou da corrupção no âmbito das relações sociais do dia
a dia. É necessário delimitar qual faceta do tema você irá discutir.
Ainda relacionado ao tema, é importante, após a delimitação estabelecer a tese a ser defendida no
seu texto. A tese é a ideia principal em torno da qual o seu texto será construído. Ela constitui o seu
posicionamento frente ao aspecto do tema discutido. Por exemplo, em uma redação sobre a redução da
maioridade penal, você pode escolher um posicionamento contrário ou favorável a isso.
As provas de redação podem apresentar um conjunto de textos na hora de propor um determinado
tema. Esses são conhecidos como textos de apoio ou motivadores. Eles servem como motivação para
a discussão do tema, mas não para integrar a sua redação. . Tudo o que for escrito na sua redação tem
que ser de autoria própria. É importante que as ideias propostas para discussão sejam elaboradas por
você e que as informações utilizadas para o desenvolvimento de cada uma dessas ideias tenha origem
em seus conhecimentos adquiridos previamente.
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Diante disso, é essencial que entendamos a diferença existente entre estes dois elementos: Título e
Tema. Para tal, aprofundaremos mais nossos conhecimentos sobre o assunto.
TEMA TÍTULO
É geralmente uma oração com começo, meio e
fim, por isso tem sempre um verbo.
Normalmente não tem verbo
É o assunto de que trata o texto É o resumo do que você escreveu
Está inserido no texto, comentado, discutido,
trabalhado dentro do mesmo.
Aparece antes do texto, na primeira linha
ou em lugar específico.
Como podemos perceber, o tema é algo mais abrangente e consiste no assunto que deve ser
explorado ao longo do texto. Já o título é algo mais sintético, é como se fosse afunilando o assunto que
será posteriormente discutido. O importante é sabermos que: do tema é que se extrai o título, haja vista
que o tema é um elemento-base, fonte norteadora para os demais passos.
Existem certos temas que não revelam uma nítida objetividade, como o exposto anteriormente. É o
caso de fragmentos literários, trechos musicais, frases de efeito, entre outros. Nesse caso, exige-se mais
do leitor quanto à questão da interpretação, para daí chegar à ideia central, como podemos identificar por
meio deste excerto:
“As ideias são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que
possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa”. (José Saramago)
Essa linguagem, quando analisada, leva-nos a inferir o seguinte e que este poderia ser o título:
A importância da coerência e da coesão para o sentido do texto.
Fazendo parte também dessa composição estão os temas apoiados em imagens, como é o caso de
gráficos, histórias em quadrinhos, charges e pinturas. Tal ocorrência requer o mesmo procedimento por
parte do leitor, ou seja, que ele desenvolva seu conhecimento de mundo e sua capacidade de
interpretação para desenvolver um bom texto.
O concurso ou o vestibular pode dar tanto o tema quanto o título, de acordo com Gustavo Atallah Haun.
Cabe ao redator saber manejar as duas formas.
Caso seja dado o título, este se tornará obrigatório no início da prova, centralizado, na primeira linha
(se não houver um lugar específico para ele!). Podem daí surgir duas possibilidades, o tema estar inserido
nos textos de apoio que acompanham o enunciado da questão ou do título você terá que tirar o tema.
Se for dado o tema em destaque, durante ou após o enunciado da redação, você terá que falar
especificamente dele, independente do assunto tratado nos textos de apoio.
Muitas bancas examinadoras não exigem o título. Na maioria das vezes ele é opcional. Porém, quando
for obrigatório vai ter sempre na instrução da prova: “Dê um título ao seu texto” ou “Seu texto deve ter
título” e similares. Portanto, leia com atenção as instruções da sua prova de produção textual.
Construindo um Texto a Partir de um Tema Objetivo e Subjetivo
Vimos anteriormente que, o tema é a proposta para a redação. Você irá delimitar o assunto e a partir
dessa delimitação irá formular sua tese (a afirmação central sobre o assunto, que será desenvolvida e
comprovada no texto). Observe que há uma tendência de os vestibulares apresentarem o tema e uma
coletânea de textos, de todos os tipos: fragmentos filosóficos, excertos literários; poemas; reportagens ou
notícias de jornais e revistas; cartuns ou pinturas. Normalmente, o avaliador não deseja um texto com
visão limitada sobre o assunto. Caso tenha pela frente um tema subjetivo, haverá a necessidade de se
interpretar a proposta.
Observe os seguintes modelos:
- Modelo com tema subjetivo
1º. Tema subjetivo: “Tudo o que é sólido desmancha no ar.” (Karl Marx)
2º. Delimitação do Assunto:
- a observação de como a história elimina estruturas aparentemente eternas.
- trata-se de uma referência às instituições, comportamentos, modelos econômicos, que se modificam
no tempo.
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3º. Tese: Nosso cotidiano parece cercado por estruturas fixas, imutáveis, sejam instituições, relações
de poder, formas de vida. Mas, se dermos um passo atrás e olhamos a história, o que encontramos é
uma sucessão de transformações, em que estas estruturas, que pareciam eternas, são criadas e
destruídas.
Esse foi um exemplo com tema subjetivo. Vejamos um exemplo de tema objetivo. Lê-se o tema e
imediatamente se reconhece sobre o que se pode falar no texto.
- Modelo com tema objetivo
1º. Tema: Desenvolvimento e Meio Ambiente.
2º. Delimitação do Assunto:
- como conciliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente?
- estar o meio ambiente em estado de degradação é sinal de evolução da sociedade capitalista ou
“involução”?
3º. Tese: Depois de as grandes potências econômicas passarem pelo período de exploração da maior
parte dos recursos naturais existentes, e pelo completo descuido com o meio ambiente, surge a
preocupação em se controlar esse processo, antes desordenado, para que se possa falar em gerações
futuras.
Argumentos
Os argumentos são as ideias utilizadas para defender essa tese proposta. Geralmente, a depender
do tamanho da redação, trabalhamos com um média de dois a três argumentos. Cada um desses é
desenvolvido com outras ideias secundárias
Os argumentos são desenvolvidos a partir de diferentes informações. A essas informações que
fundamentam os argumentos chamamos de repertório. O repertório envolve todo um saber sócio cultural,
o qual trabalha com:
a) Informações sobre estudos científicos
b) Notícias de veículos de informação reconhecido
c) Frases de personalidades consagradas
d) Acontecimentos históricos
Todos esses argumentos precisam estar ligados entre si e apontar para a tese a ser defendida. Para
isso, é necessário usar diferentes mecanismos de coesão para ligar as ideias e parágrafos entre si, de
modo a atingir a unidade textual.
Estrutura do Texto Dissertativo-Argumentativo
O texto dissertativo-argumentativo possui uma estrutura construída em cima da necessidade de
argumentar, sempre com vistas a defender um ponto de vista. Com esse objetivo, as informações são
distribuídas, em geral, segundo um mesmo padrão nos textos dessa tipologia textual. Abaixo
apresentamos essa estrutura do texto dissertativo-argumentativo
Introdução
A introdução é o primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo. Nela você apresentará ao seu
leitor a tese a ser desenvolvida no seu parágrafo. A introdução geralmente constitui-se um único parágrafo
apenas e ali já é estabelecido esse posicionamento do autor frente ao tema proposto.
Há também a possibilidade de você já apresentar na introdução os argumentos que embasarão a sua
tese. Entretanto, eles devem ser apenas expostos sem desenvolvimento, uma vez que isso você fará na
segunda parte do texto dissertativo-argumentativo: o desenvolvimento.
a) Tipos de Introdução
O primeiro parágrafo da redação pode ser desenvolvido de diversas maneiras, no qual pode-se utilizar
os seguintes recursos, vejamos:
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Trajetória Histórica: este recurso de caracteriza por traçar uma analogia entre elementos do passado
e do presente. Já que uma analogia será apresentada, então os elementos devem ser similares; há de
haver semelhança entre os argumentos apresentados, ou seja, só usaremos a trajetória histórica, quando
houver um fato no passado que seja comparável, de alguma maneira, a outro no presente.
Quando apresentar a trajetória histórica na introdução, deve-se discutir, no desenvolvimento, cada
elemento em um só parágrafo. Não misture elementos de épocas diferentes em um mesmo parágrafo. A
trajetória histórica torna convincente a exemplificação; só se deve usar esse argumento, se houver
conhecimento que legitime a fonte histórica.
Comparação Social, Geográfica ou Histórica: também se trata de uma analogia entre elementos,
porém sem buscar a argumentação no passado, como por exemplo: comparar dois países, dois fatos,
duas personagens, enfim, comparar dois elementos, para comprovar o tema.
Lembre-se de que se trata da introdução, portanto a comparação apenas será apresentada para, no
desenvolvimento, ser discutido cada elemento da comparação em um parágrafo.
Conceito, Definição ou Situação: em alguns temas de dissertação surgem palavras-chave de
extrema importância para a argumentação. Nesses casos, pode-se iniciar a redação com o conceito ou
definição dessa palavra para posteriormente no desenvolvimento trabalhar com exemplos de
comprovação.
Contestação de uma ideia ou citação, contradizendo, em partes: quando o tema apresenta uma
ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se trabalhar com este método: concordar com o
tema, em partes, ou seja, argumentar que a ideia do tema é verdadeira, mas que existem controvérsias;
discutir que o assunto do tema é polêmico, que há elementos que o comprovem, e elementos que
discordem dele, igualmente.
Não se esqueça de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução, estar em
harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter as duas
comprovações, cada uma em um parágrafo.
Refutar o tema, contradizendo-o totalmente: refutar significa rebater os argumentos; contestar as
asserções; não concordar com algo; reprovar; ser contrário a algo; contrariar com provas; desmentir;
negar. Portanto refutar o tema é escrever, na introdução, ao contrário do que foi apresentado pelo tema.
Deve-se tomar muito cuidado, pois não é só escrever o contrário, mas mostrar que se é contra o que está
escrito. O ideal, nesse caso, é iniciar a introdução com “Ao contrário do que se acredita...”
Não se esqueça, novamente, de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução,
estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter
apenas elementos contrários ao tema. Cuidado para não cair em contradição. Se for, na introdução,
favorável ao tema, apresente, no desenvolvimento, apenas elementos favoráveis a ele; se for contrário,
apresente apenas elementos contrários.
Elaboração de interrogações: pode-se iniciar a redação com uma série de perguntas. Porém,
cuidado! Devem ser perguntas que levem a questionamentos e reflexões, e não perguntas vazias que
levem a nada ou apenas a respostas genéricas. As perguntas devem ser respondidas, no
desenvolvimento, com argumentações coerentes e importantes, cada uma em um parágrafo. Portanto
use esse método apenas quando já possuir as respostas, ou seja, escolha primeiramente os argumentos
que serão utilizados no desenvolvimento e elabore perguntas sobre eles, para funcionar como introdução
da dissertação.
Pode-se transformar a introdução em uma pergunta. O mesmo já citado anteriormente, mas com
apenas uma pergunta.
Elaboração de enumeras informações: quando se tem certeza de que as informações são verídicas,
podem-se usá-las na introdução e, depois, discuti-las, uma a uma, no desenvolvimento.
Caracterização de espaços ou aspectos: pode-se iniciar a introdução com uma descrição de lugares
ou de épocas, ou ainda com uma narração de fatos. Deve ser uma curta descrição ou narração, somente
para iniciar a redação de maneira interessante, curiosa. Não se empolgue! Não transforme a dissertação
em descrição, muito menos em narração.
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Resumo do que será apresentado no desenvolvimento: uma das maneiras mais fáceis de elaborar
a introdução é apresentar o resumo do que se vai discutir no desenvolvimento. Nesse caso, é necessário
planejar cuidadosamente a redação toda, antes de começá-la, pois, na introdução, serão apresentados
os tópicos a serem discutidos no desenvolvimento. Deve-se tomar o cuidado para não se apresentarem
muitos tópicos, senão a dissertação será somente expositiva e não argumentativa. Cada tópico
apresentado na introdução deve ser discutido no desenvolvimento em um parágrafo inteiro. Não se devem
misturá-los em um parágrafo só, nem utilizar dois ou mais parágrafos, para se discutir um mesmo assunto.
O ideal é que sejam apresentados somente dois ou três temas para discussão.
Paráfrase: uma maneira de se elaborar a introdução é valendo-se da paráfrase, que consiste em
reescrever o tema, utilizando suas próprias palavras. Deve-se tomar o cuidado, para não apenas
substituírem as palavras do tema por sinônimos, pois isso será demonstração de falta de criatividade; o
melhor é reestruturar totalmente o tema, realmente utilizando "suas" palavras.
Observe o que traz o Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, quanto à definição da
palavra paráfrase: Explicação ou tradução mais desenvolvida de um texto por meio de palavras diferentes
das nele empregadas. Portanto sua frase deve ser mais desenvolvida que a frase apresentada como
tema, e as palavras devem ser diferentes, e não sinônimas.
b) Frases-modelo, para o Início da Introdução
As frases abaixo podem ser utilizadas no desenvolvimento do primeiro parágrafo, porém não as tome
como receita infalível. Antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente o desenvolvimento
e use sua inteligência, para ter certeza daquilo que estará incluindo em sua dissertação. Só depois disso,
use estas frases:
- É de conhecimento geral que...
- Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observa-se...
Nesse caso, utilizei circunstância de lugar (em nosso país) e de tempo (há tempos). Isso é só para
mostrar que é possível acrescentar circunstâncias diversas na introdução, não necessariamente as aqui
apresentadas.
Outro elemento com o qual se deve tomar muito cuidado, é o pronome “se”. Nesse caso, ele é partícula
apassivadora, portanto o verbo deverá concordar com o elemento que vier à frente (singular ou plural).
Sendo assim confira outros exemplos:
- Cogita-se, com muita frequência, de...
- O mesmo raciocínio da anterior, agora com a circunstância de modo (com muita frequência).
- Muito se tem discutido, recentemente, acerca de...
- Muito se debate, hoje em dia...
Partícula apassivadora novamente. Cuidado com a concordância.
- O (A)... é de fundamental importância em...
- É de fundamental importância o (a)...
- É indiscutível que... / É inegável que...
- Muito se discute a importância de...
- Comenta-se, com frequência, a respeito de...
- Não raro, toma-se conhecimento, por meio de..., de
- Apesar de muitos acreditarem que... (refutação)
- Ao contrário do que muitos acreditam... (refutação)
- Pode-se afirmar que, em razão de... (devido a, pelo)...
- Ao fazer uma análise da sociedade, busca-se descobrir as causas de...
- Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual...
- Ao analisar o (a, os, as)..., é possível conhecer o (a, os, as)...., pois...
Desenvolvimento
O desenvolvimento começa, geralmente, a partir do segundo parágrafo do seu texto. Cada um dos
argumentos propostos para a defesa de sua tese se constituirá no tópico frasal de cada parágrafo do
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desenvolvimento, ou seja, cada um deste irá se construir em torno de um argumento proposto para a
defesa da tese.
O desenvolvimento dos argumentos em cada um dos parágrafos se faz a partir de ideias secundárias,
as quais podem se constituir de informações diversas, de diferentes áreas do saber, o qual já
denominamos de repertório.
Além da fundamentação dos argumentos em informações das diferentes áreas do saber, é importante
que você comente e opine sobre as diferentes informações apresentadas. Lembre-se que você é o autor
do texto, então é importante que sua voz e opinião apareça por ele todo.
É importante que os mecanismos de coesão sejam empregados para ligar não só as ideias dentro
de cada um dos parágrafos, mas também entre os parágrafos. Quanto mais variado forem os recursos
coesivos empregados, melhor estruturado será o seu texto.
Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são:
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial.
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais.
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando,
assim, a linha de entendimento do leitor.
Conclusão
A conclusão, como o próprio nome já diz, é um fechamento das ideias discutidas ao longo do texto.
Existem diferentes tipos de conclusão as quais podem envolver a retomada das ideias apresentadas
e propostas de intervenção para as problemáticas discutidas. A conclusão, numa estrutura mais ortodoxa,
aparece no final do seu texto, mas não descartamos a possibilidade dela aparecer aos poucos ao longo
de cada um dos parágrafos.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”.
Ideias Principais e Secundárias
Para uma boa compreensão textual é necessário entender a estrutura interna do texto, analisar as
ideias primárias e secundárias e verificar como elas se relacionam.
As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o assunto núcleo; as ideias secundárias
unem-se às ideias principais e formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a
seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim de aprofundar o assunto.
Ideia principal:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte.
Ideias secundárias:
Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande presença
de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
A ideia principal refere-se ao a ação perigosa, agravada pelo aparecimento do trem.
As ideias secundárias aparecem para complementar a ideia principal.
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos nos colocar no papel de
narradores, isto é, vamos contar fatos com base na organização das ideias.
Leia o trecho abaixo:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte. Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e
deixou o corpo pendurado.
Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos um fato acontecido com seu
primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Analisemos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação perigosa, agravada pelo
aparecimento de um trem. As ideias secundárias complementam a ideia principal, mostrando como o
primo do narrador conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
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Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado de ideias secundárias.
Entretanto, é muito comum encontrarmos, em parágrafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o
exemplo:
O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo. Pegaram
um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe.
Nesse trecho, há dois parágrafos.
No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia principal do parágrafo: O dia
amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias secundárias. Observe:
Ideia principal
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo.
Ideia secundárias
Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche,
preparado pela mãe.
Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando: “Afinal, de que tamanho é o
parágrafo?”
O que podemos responder é que não há como apontar um padrão, no que se refere ao tamanho ou
extensão do parágrafo.
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em que são maiores e outros, ainda,
muito extensos.
Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da extensão do parágrafo, pois o que
é importante mesmo, é a organização das ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito
popular – “nem oito, nem oitenta…”.
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas parágrafos muito curtos,
também não é aconselhável empregarmos os muito longos.
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os trabalhos de redação. Com o tempo,
a prática dirá quando e como usar parágrafos – pequenos, grandes ou muito grandes.
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia principal e outras secundárias.
Isso não significa, no entanto, que sempre a ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em
que a ideia secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o exemplo:
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu violentamente sob
meus pés. Logo percebi que se tratava de um terremoto.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo percebi que se tratava de um
terremoto”, que aparece no final do parágrafo. As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou
comprovam a afirmação: “as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do parágrafo.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias podem organizar-se da seguinte
maneira:
Ideia principal + ideias secundárias
ou
Ideias secundárias + ideia principal
É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias secundárias não são ideias diferentes e,
por isso, não podem ser separadas em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias
devemos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia principal e mantê-las juntas
no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza.
É importante, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas que realmente se
relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer
assunto.
Vamos a uma simulação do processo de construção de um texto dissertativo-argumentativo:
1. Delimite o seu tema: ele é sempre muito amplo. Escolha sobre qual ponto do tema você irá escrever.
Suponha que o tema proposto para sua redação seja A violência contra a mulher. O primeiro passo
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seria delimitar esse tema, ou seja, escolher um ponto sobre ele a ser desenvolvido. Delimitaremos da
seguinte forma: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira.
2. Estabeleça as ideias principais do texto: escolha quais serão os principais pontos a serem abordados
sobre essa delimitação. Defina quais ideias serão utilizadas como centro de cada um dos parágrafos.
Pensamos da seguinte maneira:
Ideia principal 1: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é muitas vezes
silenciosa.
Ideia principal 2: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é um caso a ser
discutido na escola.
3. Estabelecimento das ideias secundárias: são elas que você usará para desenvolver cada uma das
principais em cada um dos parágrafos do seu desenvolvimento. Por exemplo:
Ideias secundárias para a ideia principal 1: o medo de muitas mulheres em denunciar os abusos
sofridos por conta de preconceitos e julgamentos sociais. Para enriquecer você pode citar notícias
e casos conhecidos no Brasil relacionados a isso. Você pode discutir as leis de amparo a mulher
existentes no Brasil.
Ideias secundárias para a ideia principal 2: a discussão sobre a violência doméstica contra a
mulher já na educação básica, de forma a conscientizar quanto a sua não prática e a formas de
socorro. Podem ser citados casos e projetos já realizados no Brasil em relação a isso.
4. Distribuição das ideias entre os parágrafos do texto: Cada parágrafo é construído em torno de uma
das ideias principais escolhidas. Você deve escolher em qual parágrafo virá cada ideia principal e suas
respectivas ideias secundárias.
5. Encadeie as ideias entre si: por mais que você esteja lidando com ideias diferentes, todas elas estão
ali em função do tema principal e devem estar interligadas pelos vários mecanismos de coesão que
falaremos adiante.
6. Para a conclusão, retome sucintamente as ideias apresentadas e apresente proposta reflexivas para
a transformação dessa problemática apresentada na sua tese.
Dessa forma você evita falar apenas de um mesmo aspecto e promove uma continuidade temática no
texto com a progressão (avanço) das ideias e ainda organiza bem suas ideias de modo a garantir a
presença da coesão e da coerência..
Fatores Prejudiciais à Redação
1. Repetição desnecessária de palavras e ideias: os mecanismos de coesão nos fornecem diferentes
recursos para substituir palavras e se referir a ideias já ditas anteriormente no texto.
2. Períodos e parágrafos muito extensos: o tamanho muito grande de períodos e parágrafos contribui
para uma quebra no raciocínio e pode levar a presença de orações incompletas, e problemas de
incoerência. É interessante que seu período tenha no máximo umas três linhas.
3. Copiar textos de apoio: os textos motivadores trazem dados e informações acerca da problemática
a ser tratada no texto. Você pode usá-los como referência mas não os deve copiar. Isso empobrece o seu
texto e confere ao seu repertório um tom empobrecedor.
4. Parágrafos incompletos: como já vimos, todo parágrafo se constrói em torno de uma ideia núcleo.
Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar desenvolvidas completamente.
5. Procure ater-se ao tema: é extremamente importante que a sua redação seja escrita sobre o tema
proposto. Qualquer outro tema desenvolvido que não tenha ligação com a proposta de escrita
apresentada pela prova, pode levar o seu texto a receber notas muito baixas ou até mesmo ser zerada.
6. Atente ao tipo textual dissertativo-argumentativo: quando há sua redação que contenham narração
ou descrição. Entretanto o tipo textual que deve predominar na sua redação é a argumentação.
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7. Muitos erros na grafia, acentuação e pontuação.
Questões
01. (ITAIPU Binacional - Engenheiro Civil - UFPR 2019) Considere o trecho a seguir:
A operação interligada de sistemas elétricos de potência proporciona vantagens para as
concessionárias de energia elétrica, tais como: a otimização da exploração dos recursos energéticos e o
aumento da confiabilidade, entre outras.
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho está adequada à língua padrão escrita e mantém
o sentido original.
(A) Entre outras, a otimização da exploração dos recursos energéticos e o aumento da confiabilidade
oferecem vantagens para a operação interligada de sistemas elétricos de potência.
(B) A operação de sistemas elétricos interligada de potência propõe benefícios para as concessionárias
de energia elétrica, dentre elas a melhoria da exploração dos recursos energéticos e o aperfeiçoamento
da confiança do sistema.
(C) A otimização da exploração dos recursos energéticos e a ampliação da confiabilidade são, entre
outras, vantagens propiciadas às concessionárias de energia elétrica pela operação interligada de
sistemas elétricos de potência.
(D) Dentre as vantagens apresentadas pelas concessionárias de energia elétrica à operação
interligada de sistemas elétricos de potência estão a melhor exploração dos recursos em termos de
energia e confiabilidade.
(E) O fato da interligação dos sistemas elétricos de potência em operação traz vantagens para as
fornecedoras de energia elétrica, tais como exploração ótima de recursos energéticos e confiança maior
nesses recursos.
02. (IFN-MG - Língua Portuguesa - FCM/2018) A essência de um bom texto reside na sustentação
da argumentação, que se dará a partir das informações apresentadas que a acompanham. No momento
da construção textual, os argumentos são essenciais. Além disso, a clareza das ideias é fundamental ao
entendimento do leitor.
A esse respeito, leia o texto seguinte.
Fake news do bem
Não tenho nenhum compromisso com a verdade.
Aqui na ISTOÉ me deixam escrever crônica, ficção ou não; posso inventar personagens e situações;
posso eleger presidentes ou mudar o sistema político do País.
Por isso, considerando que nas últimas semanas tivemos uma infinidade de lamentáveis True News,
decidi que a coluna dessa semana vai ser só de Fake News.
Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar.
Não me deixe na mão. Escolha alguma e espalhe por aí, sem dó.
Reproduza no whatsapp, fotografe no Insta, compartilhe no Facebook.
Como diria Groucho Marx: vai criar a maior confusão, mas vai ser divertido.
NETO, Mentor. Fake news do bem. IstoÉ n. 2543, 14 set. 2018, p. 66.
NÃO faz parte da argumentação do autor
(A) mencionar, no corpo de texto, uma informação extraída de outra fonte.
(B) declinar de defender um ponto de vista, por se tratar de fato controverso.
(C) reportar-se à sua experiência pessoal e profissional para convencer o leitor.
(D) abordar, em linhas gerais, um fato atual presente no cotidiano das pessoas.
(E) criar relações de causa e efeito para tratar o tema, de forma humorada.
03. (Instituto Rio Branco - Diplomata - CESPE/2019)
A frase escrita com correção e clareza está em:
(A) A vontade que impulsiona o homem, do ponto de vista de Nietzsche, não pode ser, como
Schopenhauer o fizera, entendido, como um ímpeto cego, desprovido de finalidade.
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(B) Por meio de seu pensamento filosófico, desafios e questões da atualidade são antecipadas por
Nietzsche, cuja ambição é determinar, a situação do homem moderno.
(C) Nietzsche investiga à fundo o campo da moralidade e da religião, com o intento de examinar a
base sobre a qual ergueu-se os edifícios éticos da tradição ocidental.
(D) Apresenta-se de forma dramática, em Assim falou Zaratrusta, as experiências do personagem que
dá título à obra, na qual se combina variados elementos de gênero e estilo.
(E) Para Nietzsche, a moderna sociedade de massa se caracterizaria pela tendência ao nivelamento
e à uniformização, que levaria ao conformismo e à mediocridade.
04. (Prefeitura de Campo Grande/MS - Auditor Fiscal da Receita Municipal - PUC/PR/2019)
Responsável pela ação que, em 2012, garantiu o direito legal ao aborto nos casos de anencefalia, a
professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz diz que a descriminalização retira a punição
que recai sobre a mulher.
]Segundo ela, descriminalizar significa retirar a investigação, o estigma e a perseguição contra vítimas,
em geral, mulheres mais jovens, pobres, negras, de áreas rurais, com menor acesso à informação e com
menor poder aquisitivo para acessar clínicas e medicamentos seguros.
A pesquisadora ressaltou ainda que esta decisão não obriga mulheres contrárias à prática do aborto,
mas garante às outras a liberdade de se submeter a esse procedimento de uma forma segura e livre.
De acordo com a especialista, uma em cada cinco mulheres brasileiras de 40 anos de idade já fez
pelo menos um aborto. Ainda segundo ela, em 2015, foram mais de 500 mil mulheres brasileiras se
submetendo a esse procedimento Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entretanto,
o tema deveria ser discutido no Legislativo. Na opinião da entidade, o assunto contaria com uma
participação popular mais expressiva se fosse discutido no Congresso Nacional.
Para dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS), a discussão restrita ao Supremo é "um
transtorno democrático porque impede um aprofundamento do debate e a participação efetiva da
população".
Mestre e doutor em Bioética e Teologia Moral na Academia Alfonsiana, em Roma, Hoepers defende
que o debate sobre o aborto é uma questão social e não apenas religiosa. Ele destaca ainda que a CNBB
é uma instituição que faz parte da história democrática do pais e, por isso, deve ter espaço para defender
sua posição. Segundo o bispo, seu papel será o de ressaltar a reflexão em defesa da vida.
Dom Hoepers reconhece o drama de milhares de mulheres que tentam o aborto de forma ilegal e que
acabam morrendo durante o procedimento. Segundo ele, esse problema poderia ser sanado com políticas
públicas integrais de proteção à maternidade e cuidado com a vida reprodutiva feminina.
JORNAL ESTADO DE DIREITO. 02/08/2018. Disponlvel em: ~AV. estadodedireito.com.br. Acesso em: 09/08/2018.
A progressão textual é um elemento que auxilia na construção de um texto com fluidez e coerência.
Nesse sentido, os termos sublinhados no início dos parágrafos dois, três e quatro
(A) não interferem na coerência e fluidez do texto, pois se subentende o autor das afirmações sem
esses recursos.
(B) ao serem substituídos por um pronome indefinido, têm o mesmo efeito, já que se referem a alguém
mencionado anteriormente.
(C) caracterizam um recurso linguístico para encadear, de forma progressiva, a ideia introduzida por
Débora Diniz, no primeiro parágrafo.
(D) não são relevantes nesse contexto relativo à coerência e à progressão porque se relacionam ao
estudo teórico da Linguística Textual.
(E) são dispensáveis para a progressão do texto, sendo, no entanto, fundamental manter “De acordo
com a especialista", no quarto parágrafo, para assinalar o fim do posicionamento.
05. (COREN/PE - Auxiliar Administrativo - IPAD)
Cientistas descobrem proteína envolvida no diabetes tipo 2.
O diabetes tipo 2, que impede as células de absorver glicose, tinha origem misteriosa até esta semana,
quando cientistas do Instituto de Pesquisa Biomédica Whitehead e da Universidade Yale, nos EUA,
divulgaram ter descoberto uma proteína que tem relação com a doença. Ao contrário do diabetes de tipo
1, adquirido na infância e na qual o sistema imunológico da pessoa ataca as células que produzem
insulina, a tipo 2, se desenvolve na fase adulta e impede que as células respondam à insulina. Esse
hormônio é secretado na corrente sanguínea pelo pâncreas quando o organismo detecta excesso de
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glicose no sangue, interagindo com “receptores” na superfície das células e instruindo-as a absorver e
armazenar o excesso de glicose.
Milhões de proteínas
O estudo, publicado na revista “Nature”, relata a descoberta de uma proteína denominada TUG. Ela
se mostrou intimamente ligada a um receptor celular de glicose, o GLUT4, único receptor da substância
que fica no interior das células (os restantes ficam em sua superfície). Quando a insulina atua nos
“receptores” da membrana celular, o GLUT4 sobe e traz a glicose para o interior da célula. Ele é, também,
o único receptor que responde exclusivamente à presença da insulina. Em pessoas com diabete tipo 2, o
GLUT4 não vai até a membrana celular, impedindo a absorção da glicose. Os cientistas Jonathan Bogan
e Harvey Lodish, autores do estudo, pesquisaram por cinco anos mais de 2,4 milhões de proteínas para
identificar qual delas atuaria na distribuição do GLUT4, chegando à TUG.
Fonte: Folha Online. Acesso em 10/2003
Os elementos linguísticos sintáticos e semânticos promovem a clareza de um texto, tornando-o coeso
e coerente. Diante disso não se pode afirmar:
(A) “Ao contrário do diabetes de tipo 1," - no segundo parágrafo - aponta para a construção de uma
adversidade.
(B) Para o texto apresentar clareza, é necessário, no primeiro parágrafo, citar os responsáveis pela
descoberta da proteína.
(C) Esse hormônio é..." - a utilização do pronome esse demonstra que, anteriormente já fora citado o
hormônio.
(D) “O estudo publicado na revista 'Nature',..". - Na construção pode-se perceber que existe um
conhecimento prévio acerca do estudo.
(E) O uso do pronome pessoal ele em: “Ele é, também, o único receptor..." estabelece a coesão na
construção textual.
06. (AL/GO – Revisor Ortográfico – IADES/2019
Quanto à definição de tópico frasal, assinale a alternativa correta.
(A) Trata-se da palavra-chave inserida no início do texto
(B) consiste no fechamento das ideias defendidas em todo o texto
(C) corresponde à apresentação do tema no primeiro parágrafo.
(D) é a ideia central ou nuclear presente em cada parágrafo.
(E) equivale ao tema escolhido e abordado na produção textual.
07. (UFSC - Jornalista - UFSC/2019). Dentre as qualidades do bom texto jornalístico estão a coerência
formal e as relações coesivas, ou coesão. No que consistem, respectivamente, essas qualidades?
(A) Reforço de consistências internas do texto; ausência de elipses e conjunções textuais.
(B) Presença do contraditório na apuração; acuidade na escolha dos tópicos frasais.
(C) Articulação clara entre temas e parágrafos; reforço de consistências internas do texto.
(D) Condição não contraditória do texto; estabelecimento de relações perceptíveis entre itens do texto.
(E) Uso de itens léxicos contíguos ou relacionados; presença do contraditório na apuração.
08. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018)
Quem protege os cidadãos do Estado?
Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate
O conjunto de leis nacionais, assim como de tratados e declarações internacionais ratificadas pelos
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias,
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados,
por exemplo.
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há
perigo para a população.
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e
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guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para
atender os que estão feridos e sob risco de vida.
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização.
Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que:
(A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e
tranquilidade da população;
(B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo
parágrafo;
(C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo
parágrafo;
(D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras;
(E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência.
09. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018)
“Eu era piloto…
Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine,
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia,
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha.
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia:
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha,
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes
como os do meu marido…
No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou.
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei
a pedir para ir para o front…
Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…”
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto
* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União
Soviética.
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.)
Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que
(A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve
uma filha antes da guerra.
(B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e
sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo.
(C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o
trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941.
(D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso
argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os
leitores reflitam sobre possíveis respostas.
(E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função
localizar temporalmente os eventos narrados.
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Gabarito
C / 02 B / 03 E / 04 C / 05 B /06 D/ 07 D/ 08.B / 09.E
Comentários
01. Resposta C
A reescrita do trecho nessa alternativa mantém completamente o sentido original do período proposto
pela questão, bem como está adequada à língua padrão. Ao reescrever, o trecho original que estava na
voz ativa foi colocado na voz passiva com uma inversão na frase original. Dessa forma, “operação
interligada de sistemas elétricos de potência” que é sujeito na primeira versão do trecho, torna-se agente
da passiva pelo acréscimo da preposição “pela”. Enquanto “otimização da exploração dos recursos
energéticos e o aumento da confiabilidade, entre outras” que era a especificação do complemento do
verbo “proporciona” no primeiro trecho, é transformado em sujeito na reescrita do trecho. Há apenas a
substituição da palavra “aumento” pelo sinônimo “ampliação”, sem prejuízo do sentido.
02. Resposta B
Declinar de defender um ponto de vista por se tratar de tema controverso significa deixar de defender
aquela ideia por ser polêmica. Isso não faz parte da argumentação, pois o autor afirma por todo o texto
que vai espalhar notícias falsas, mesmo que elas sejam criticadas e problemáticas. Podemos confirmar
isso no trecho “Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar. Não me deixe na mão. Escolha
alguma e espalhe por aí, sem dó. “
“
03. Resposta E
A compreensão da mensagem expressa nessa alternativa é clara. Entendemos claramente que o
nivelamento e a uniformização seriam fatores característicos da sociedade moderna de massa e isso
promoveria conformismo e mediocridade.
04. Resposta C
Os termos “segundo ela”, “a pesquisadora” e “de acordo com a especialista” são elementos coesivos
que permitem a relação entre diferentes informações e partes do texto, sem repetição desnecessária e
sem prejuízo da clareza e progressão textual. Eles retomam a ideia da pesquisadora para acrescentar
novas informações, promovendo progressão.
05. Resposta B
Para a existência da clareza no texto, não é necessário citar o nome dos responsáveis pela descoberta
da proteína, pois o texto tem como foco trabalhar as informações relacionadas às proteínas mais
especificamente.
06. Resposta D
O tópico frasal é o período que traz a ideia principal do parágrafo, em torno do qual se constrói toda a
discussão estabelecida nele.
07. Resposta D
A coerência formal é a relação lógica entre as ideias de um texto e, para sua existência, não deve
haver contradições entre as informações relacionadas dentro do texto. Já a coesão são mecanismos de
ligação entre as partes do texto, expressos em palavras e em conjunções.
08. Resposta: B
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade.
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc.
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras),
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras;
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente.
e) Não há relação de causa e consequência.
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09. Resposta: E
“Eu era piloto…” - 1º parágrafo.
“Quando ainda estava no sétimo ano (...)” - 2º parágrafo.
“Desde os primeiros dias da guerra (...)” - 3º parágrafo.
“No fim de 1941 (...)” - 4º parágrafo.
“Na última noite (...)” - 5º parágrafo.
Com exceção do primeiro parágrafo, todos os demais buscam localizar temporariamente a narrativa
do texto.
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07_Prova_Discursiva_Redacao.pdf

  • 1.
    1 Prova Discursiva-Redação TRT 9 Prova Discursiva-Redação NaProva Discursiva-Redação, o candidato deverá desenvolver texto dissertativo- argumentativo a partir de proposta única, sobre assunto de interesse geral não atrelado necessariamente ao Conteúdo Programático de Conhecimentos Específicos referido no presente Edital. ........................................................................................................................1 Olá Concurseiro, tudo bem? Sabemos que estudar para concurso público não é tarefa fácil, mas acreditamos na sua dedicação e por isso elaboramos nossa apostila com todo cuidado e nos exatos termos do edital, para que você não estude assuntos desnecessários e nem perca tempo buscando conteúdos faltantes. Somando sua dedicação aos nossos cuidados, esperamos que você tenha uma ótima experiência de estudo e que consiga a tão almejada aprovação. Pensando em auxiliar seus estudos e aprimorar nosso material, disponibilizamos o e-mail professores@maxieduca.com.br para que possa mandar suas dúvidas, sugestões ou questionamentos sobre o conteúdo da apostila. Todos e-mails que chegam até nós, passam por uma triagem e são direcionados aos tutores da matéria em questão. Para o maior aproveitamento do Sistema de Atendimento ao Concurseiro (SAC) liste os seguintes itens: 01. Apostila (concurso e cargo); 02. Disciplina (matéria); 03. Número da página onde se encontra a dúvida; e 04. Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhar em e-mails separados, pois facilita e agiliza o processo de envio para o tutor responsável, lembrando que teremos até cinco dias úteis para respondê-lo (a). Não esqueça de mandar um feedback e nos contar quando for aprovado! Bons estudos e conte sempre conosco! 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
  • 2.
    1 ARGUMENTAÇÃO A argumentação éo conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de vista defendidos. O argumento é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recursos de linguagem. Argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor que adote a posição totalmente contrária. Contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os argumentos que essa pessoa imaginária possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta; Refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta. Tipos de Argumentos1 Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argumento. Argumento de Autoridade É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em certo domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Ex.: A imaginação é mais importante do que o conhecimento. Quem disse a frase aí de cima não fui eu... foi Einstein. Para ele, uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há conhecimento. Nunca o inverso. (Alex José Periscinoto. In: Folha de S. Paulo,1993) Argumento de Quantidade É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de quantidade. Argumento do Consenso Baseada em afirmações de uma determinada época, aceitas como verdadeiras. Ex.: Atualmente o meio ambiente precisa ser protegido. Ex.: Condições de vida melhores são piores nos países subsdesenvolvidos. Argumento de Existência É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. Ex.: Mais vale um pássaro na mão do que dois voando. Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gravações, etc.) Argumento quase lógico É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e efeito, analogia, implicação, iden- tidade, etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógicos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis. 1 http://educacao.globo.com/portugues/assunto/texto-argumentativo/recursos-argumentativos.html Na Prova Discursiva-Redação, o candidato deverá desenvolver texto dissertativo-argumentativo a partir de proposta única, sobre assunto de interesse geral não atrelado necessariamente ao Conteúdo Programático de Conhecimentos Específicos referido no presente Edital. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
  • 3.
    2 Por exemplo, quandose diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável. Argumento do Atributo É aquele que considera melhor o que tem propriedades típicas daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que é mais grosseiro, etc. Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, celebridades recomendando prédios residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor tende a associar o produto anunciado com atributos da celebridade. Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade pública. Ele poderia fazê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico: Ex.: Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve por bem determinar o internamento do governador pelo período de três dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque alguns deles são barras-pesadas, a gente botou o governador no hospital por três dias. Procedimentos Argumentativos Constituem os procedimentos argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação, dividos em: exemplificação, explicitação, enumeração, comparação. Exemplificação Justifica os pontos de vista através de exemplos. São expressões comuns nesse tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior relevância que. Empregam-se também dados estatísticos, acompanhados de expressões: considerando os dados; conforme os dados apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de causas e consequências, usando-se comumente as expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por causa de, em virtude de, em vista de, por motivo de. Explicitação O objetivo de explicar ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpretação. Na explicitação por definição, empregam-se expressões como: quer dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista, ou melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme, segundo, na opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela interpretação, em que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse ponto de vista. Enumeração Uma apresentação de uma sequência de elementos que comprovam uma opinião, tais como a enumeração de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois, ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente, depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, respectivamente. Na enumeração de fatos em uma sequência de espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no sul, no leste. Comparação Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma forma, tal como, tanto quanto, assim como, igualmente. Para estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais que, menos que, melhor que, pior que. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
  • 4.
    3 Tipos de Refutação Refutaçãopelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando o absurdo da consequência. Exemplo clássico é a contra-argumentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”. Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela que se julga verdadeira. Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-se a universalidade da afirmação. Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste em refutar um argumento empregando os testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação apresentada. Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais, demonstrando que o enunciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados estatísticos, que "o controle demográfico produz o desenvolvimento", afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia em uma relação de causa-efeito difícil de ser comprovada. Para contra-argumentar, propõe-se uma relação inversa: "o desenvolvimento é que gera o controle demográfico". Elaboração de um Plano de Redação Tema - O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução tecnológica - Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico; - Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-argumentação; pensar a forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos de argumentação); - Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequência); - Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o argumento básico; - Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argumento básico; - Fazer um esboço do plano de redação, organizando uma sequência na apresentação das ideias selecionadas, obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou menos a seguinte: A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, argumentar consiste em estabelecer relações para tirar conclusões válidas, como se procede no método dialético. O método dialético não envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em questão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo. Silogismo A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado nas regras cartesianas, que contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a conclusão. As três proposições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não caracteriza a universalidade. Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silogística), que parte do geral para o particular, e a indução, que vai do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva à conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de verdades 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    4 universais, pode-se chegarà previsão ou determinação de fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para o efeito. Ex.: Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal) Fulano é homem (premissa menor = particular) Logo, Fulano é mortal (conclusão) A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-se em uma conexão ascendente, do particular para o geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Ex.: O calor dilata o ferro (particular) O calor dilata o bronze (particular) O calor dilata o cobre (particular) O ferro, o bronze, o cobre são metais Logo, o calor dilata metais (geral, universal) Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos, pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Sofisma Uma definição inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de argumentação de paralogismo. Encontra-se um exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo: - Você concorda que possui uma coisa que não perdeu? - Lógico, concordo. - Você perdeu um brilhante de 40 quilates? - Claro que não! - Então você possui um brilhante de 40 quilates... Exemplos de sofismas: Dedução Todo professor tem um diploma (geral, universal) Fulano tem um diploma (particular) Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa) Indução O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular) Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular) Rio de Janeiro e Taubaté são cidades. Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral – conclusão falsa) Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm diploma são professores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete-se erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A "simples inspeção" é a ausência de análise ou análise superficial dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados nos sentimentos não ditados pela razão. Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamentais, que contribuem para a descoberta ou comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem outros métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os processos de dedução e indução à natureza de uma realidade particular. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    5 Pode-se afirmar quecada ciência tem seu método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, porque pela organização e ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa. São dois processos opostos, mas interligados; a análise parte do todo para as partes, a síntese, das partes para o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma depende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém, que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém reunisse todas as peças de um relógio, não significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as partes estivessem organizadas, devidamente combinadas, seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, o relógio estaria reconstruído. Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das partes, reunidas e relacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, que é a decomposição. A análise, no entanto, exige uma decomposição organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim relacionadas: Análise: penetrar, decompor, separar, dividir. Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir. A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema proposto, de seu desdobramento e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha dos elementos que farão parte do texto. A análise pode ser formal ou informal. A Análise Formal pode ser científica ou experimental; é característica das ciências matemáticas, físico-naturais e experimentais. A Análise Informal é racional ou total, consiste em “discernir” por vários atos distintos da atenção os elementos constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno. A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: análise é decomposição e classificação é hierarquização. Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças; fora das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou menos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são empregados de modo mais ou menos convencional. A classificação, no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas características comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial. Ex.: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira. Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá. Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo. Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira. Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus. Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro o menos importante e, no final, o impacto do mais importante; é indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração do plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização. Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na introdução, os termos e conceitos sejam definidos, pois, para expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racionalmente as posições assumidas e os argumentos que as justificam. É muito importante deixar claro o campo da 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    6 discussão e aposição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos de vista sobre ele. A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e consiste na enumeração das qualidades próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a espécie a que pertence, demonstra: a característica que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie. Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um dos mais importantes, sobretudo no âmbito das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às palavras seu sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos: - o termo a ser definido; - o gênero ou espécie; - a diferença específica. O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. Exemplo: É muito comum formular definições de maneira defeituosa, por exemplo: Análise é quando a gente decompõe o todo em partes. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando é advérbio de tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é forma coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão importante é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia, para determinar os "requisitos da definição denotativa”. Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos: - o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta ou instalação”; - o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os exemplos específicos da coisa definida, e suficientemente restritos para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade; - deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade, definição, quando se diz que o “triângulo não é um prisma”; - deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui definição exata, porque a recíproca, “Todo ser vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem); - deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, ou o que se pretenda como tal, é muito longa (séries de períodos ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição expandida; - deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as diferenças). As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de paráfrases definitórias, ou seja, uma operação metalinguística que consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a palavra e seus significados. A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sempre é fundamental procurar um porquê, uma razão verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do mundo não tem valor, se não estiver acompanhado de uma fundamentação coerente e adequada. Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, que foram abordados anteriormente, auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode reconhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e as conclusões organizam-se de modo livre, misturando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a reconhecer os elementos que constituem um argumento: premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o argumento está expresso corretamente; se há coerência e adequação entre seus elementos, ou se há contradição. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    7 Para isso éque se aprendem os processos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e a conclusão. Modalizadores 2 Os modalizadores discursivos possuem a tarefa de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante, além de assegurar o modo como ele produz o discurso. Em nossas diversas interações diárias, existem inúmeras intenções que explicitamos, por conta disso existem vários tipos de modalizadores discursivos. Em um argumento, há vários recursos linguísticos, como verbos auxiliares, modos verbais, advérbios, adjetivos, etc. Não há nenhum tipo de interação comunicativa sem modalização, pois, quando nos expressamos, também indicamos nosso ponto de vista em relação ao assunto em pauta. Castilho e Castilho3 classificaram esses modalizadores: Modalização Epistêmica Possui a função de expressar uma avaliação sobre o valor de verdade e as condições de verdade da preposição. Dividem-se em três subclasses: Os Asseverativos – Afirmativos: realmente, evidentemente, naturalmente, efetivamente, certo, claro, sem dúvida, lógico, mesmo, entre outros. Negativos: de forma alguma, de jeito nenhum. Os Quase-Asseverativos – assim, talvez, provavelmente, possivelmente, eventualmente. Os Delimitadores – um tipo de, quase, uma espécie de, biologicamente, geograficamente, etc. Modalização Deôntica Tem relação com o princípio da obrigação e da permissão: obrigatoriamente, necessariamente, etc. Modalização Afetiva Tem a função de verbalizar as reações emotivas do falante em face do conteúdo proposicional, colocando de lado quaisquer considerações de caráter epistêmico ou deôntico. Modalizadores Afetivos Dividem-se em dois tipos: Subjetivos – infelizmente, felizmente, surpreendentemente, curiosamente, espantosamente, etc. Intersubjetivos – francamente, sinceramente, estranhamente, lamentavelmente, etc. Falácias argumentativas Todo texto argumentativo busca convencer. Para alcançar esse objetivo, os argumentos tornam-se imprescindíveis. Há várias estratégias argumentativas, as citações, exemplos, argumento, contra- argumento, entre outras. Todos os argumentos são válidos? Posso usar qualquer exemplo para embasar meu texto? Ao argumentar, buscam-se razões que embasem uma conclusão, por isso é preciso tomar cuidado com as falácias. Falácia é um substantivo, derivado de um adjetivo latino fallace, que significa enganador, ilusório. Todas as vezes em que um raciocínio errado ou mentiroso é colocado como verdadeiro ocorre a falácia. Todo argumento falacioso pode encontrar razões psicológicas, íntimas, emocionais, mas nunca lógicas. Por isso, é preciso estar atento à construção textual, porque o texto argumentativo deve usar argumentos plausíveis, pautados na lógica. Então, cuidado com aqueles que parecem sustentar uma conclusão, mas na realidade não sustentam. A seguir, veja alguns exemplos de argumentos falaciosos: “Todo político é corrupto”. “A violência no Brasil é resultado dos programas de TV.” 2 https://bit.ly/30HbVak. 3 CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M de. Advérbios modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (Org.). Gramática do português falado. 2. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1993. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    8 “Joana morreu depoisde fazer radioterapia. Então quem tem câncer não deve fazer esse procedimento.” Os argumentos acima são falaciosos, visto que não são pautados na lógica, portanto, não podem sustentar uma conclusão. No primeiro exemplo, a afirmação não leva em consideração que possam existir políticos honestos. Já no segundo, afirma-se que a única culpada pela violência é a mídia e isso não é uma verdade absoluta, uma vez que a violência tem outras causas. No último exemplo, o fato de os eventos terem acontecido em sequência, não significa que um seja a causa do outro. Como visto acima, a falácia pode fragilizar sua argumentação, por isso não a use. Lembre-se de que os argumentos precisam ser contundentes. Tipos de Falácias Apelo à força - Consiste em ameaçar com consequências desagradáveis se não for aceita ou acatada a proposição apresentada. Ex.: - Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego? - É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima. - Cala essa tua boca, ou não te dou o dinheiro para o show. - Ou nós, ou a desgraça, o caos. Contra-argumentação: Argumente que apelar à força não é racional, não é argumento, que a emoção não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição. Apelo à misericórdia, à piedade (ignorância de questão, fuga do assunto) - Consiste em apelar à piedade, à misericórdia, ao estado ou virtudes do autor. Ex.: Ele não pode ser condenado: é bom pai de família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc. Contra-argumentação: Argumente que se trata de questões diferentes, que o que é invocado nada tem a ver com a proposição. Quem argumenta assim ignora a questão, foge do assunto. Apelo ao povo - Consiste em sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma ideia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem- se aqui os boatos, o “ouvi falar”, o “dizem”, o “sabe-se que”. Ex.: Dizem que um disco voador caiu em Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas. Contra-argumentação: Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro. Apelo à autoridade - Consiste em citar uma autoridade (muitas vezes não qualificada) para sustentar uma opinião. Ex.: Segundo Schopearhauer, filósofo alemão do séc. XIX, “toda verdade passa por três estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto- evidente”. (De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein). Contra-argumentação: Mostre que a pessoa citada não é autoridade qualificada. Ou que muitas vezes é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar a erro. Apelo à novidade - Consiste no erro de afirmar que algo é melhor ou mais correto porque é novo, ou mais novo. Ex.: Saiu a nova geladeira Pólo Sul. Com design moderno, arrojado, ela é perfeita para sua família, sintonizada com o futuro. Contra-argumentação: Mostre que o progresso ou a inovação tecnológica não implica necessariamente que algo seja melhor. Apelo à antiguidade - É o erro de afirmar que algo é bom, correto apenas porque é antigo, mais tradicional. Ex.: Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas? 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    9 Contra-argumentação: Argumenta queo fato de um grande número de pessoas durante muito tempo ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando. Falso dilema - Consiste em apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais. Exs.: - Brasil: ame-o ou deixe-o. - Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha? - Você não suporta seu marido? Separe-se! - Quem não está a favor de mim está contra mim. Contra-argumentação: Simples. Mostre que há outras opções. Falso axioma - Um axioma é uma verdade auto-evidente sobre a qual outros conhecimentos devem se apoiar. Exs.: - duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si. - a educação é a base do progresso. Muitas vezes atribuímos, no entanto, “status” de axioma a muitas sentenças ou máximas que são, na realidade, verdades relativas, verdades aparentes. Ex.: Quem cedo madruga Deus ajuda. Contra-argumentação: Mostre que muitas frases de efeito, impactantes, bombásticas, retóricas, muito respeitadas podem ser meras estratégias mediantes as quais alguém tenta convencer, persuadir o ouvinte/leitor em direção a um argumento. No caso dos provérbios, mostre que se contradizem: - Ruim com ele, pior sem ele X Antes só do que mal acompanhado. - Depois da tempestade vem a bonança X Uma desgraça nunca vem sozinha. - Longe dos olhos, perto do coração X O que os olhos não veem o coração não sente. Generalização não qualificada - É uma afirmação ou proposição de caráter geral, radical e que, por isso, encerra um juízo falso em face da experiência. Ex.: A prática de esportes é prejudicial à saúde. Contra-argumentação: Mostre que é necessário especificar os enunciados. Othon Garcia ilustra como se pode especificar a falácia acima, dada como exemplo: A prática indiscriminada de certos esportes violentos é prejudicial à saúde dos jovens subnutridos. Generalização Apressada (erro de acidente) - Trata-se de tirar uma conclusão com base em dados ou em evidências insuficientes. Dito de outro modo, trata-se de julgar todo um universo com base numa amostragem reduzida. Exs.: - Todo político é corrupto. - Os padres são pedófilos. - Os mulçumanos são todos uns fanáticos. Contra-argumentação: Argumente que dois professores ruins não significam uma escola ruim; que em ciência é preciso o maior número de dados antes de tirar uma conclusão; que não se pode usar alguns membros do grupo para julgar todo o grupo. Faça ver que se trata, na maioria das vezes, de estereótipo: imagem preconcebida de alguém ou de um grupo. Faça ver também que são fonte de inspiração de muitas piadas racistas, como as piadas de judeus (visto como avarento), de negro (vista como malandro ou pertencente a uma classe inferior), de português (visto no Brasil como sem inteligência), etc. É por isso que essa falácia está intimamente relacionada ao preconceito. Ataque à pessoa - Consiste em atacar, em desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação. Ex.: Não deem ouvidos ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes. Observação: Uma variação de “argumentum ad homimem” é o “tu quoque” (tu também): Consiste em atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe “tu também”! Isso, evidentemente, não prova nada. Contra-argumentação: Mostre que o caráter da pessoa não tem relação com a proposição defendida por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, etc., não prova que suas ideias estejam erradas. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    10 Bola de Neve(derrapagem, redução ao absurdo reductio ad absurdum) - Consiste em tirar de uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado indevidamente ao extremo, às últimas consequências. Exs.: - Mãe, cuidado com o Joãozinho. Hoje, na escolinha, ele deu um beijo na testa de Mariazinha. Amanhã, estará beijando o rosto. Depois.... quando crescer, vai estar agarrando todas as meninas. - O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade. (Veja, agosto 2000, p.36) Contra-argumentação: Argumente dizendo que as consequências, os fatos, os eventos podem não ocorrer. Depois disso, logo por causa disso - É o erro de acreditar que em dois eventos em sequência um seja a causa do outro. No extremo, é uma forma de superstição: eu estava com gravata azul e meu time ganhou; portanto, vou usá-la de novo. Ex.: O chá de quebra-pedra é bom para cálculos renais. Tomei e dois dias depois expeli a pedra. Observação: uma variação deste sofisma é o chamado “non sequitur” (não se segue, “nada a ver”) em que uma conclusão nada tem a ver com a premissa: Venceremos, pois Deus é bom. (Deus é bom, mas não está necessariamente a seu lado; os inimigos podem dizer a mesma coisa). Contra-argumentação: Mostre que correlação não é causação: o fato de que dois eventos aconteçam em sequência não significa que um seja a causa do outro. Diga que pode ter sido apenas uma coincidência. Falsa analogia - Consiste em comparar objetos ou situações que não são comparáveis entre si, ou transferir um resultado de uma situação para outra. Exs.: - Minhas provas são sempre com consulta a todo tipo de material. Os advogados não consultam os códigos? Os médicos não consultam seus colegas e livros? Não levam as radiografias para as cirurgias? Os engenheiros, os pedreiros não consultam as plantas? Então? - Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções. - Tomei mata-cura e fiquei bom. Tome você também. Contra-argumentação: Argumente que os dois objetos ou situações diferem de tal modo que a analogia se torna insustentável. Mostre que o que vale para uma situação não vale para outra. Mudança do ônus da prova - Consiste em transferir ao ouvinte o ônus de provar um enunciado, uma afirmação. Ex.: Se você não acredita em Deus, como pode explicar a ordem que há no universo? Contra-argumentação: Mostre que o ônus da prova, isto é, a responsabilidade de provar um enunciado cabe a quem faz a afirmação. Falácia da ignorância - Consiste em concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro. Exs.: - Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe. - Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem. Contra-argumentação: Argumente que algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas. Exigência de perfeição - É o erro de reivindicar apenas a solução perfeita para qualquer plano. Ex.: A automação cada vez maior dos elevadores desemprega muitas pessoas. Isso, portanto, é ruim, economicamente desaconselhável. Contra-argumentação: Argumente que planos, medidas ou soluções não devem ser vistos como integralmente perfeitos ou prejudiciais. Mostre que podem existir objeções para qualquer medida. Que os desvantagens de um plano são suplantados pelas vantagens. Questão complexa (pergunta capciosa, falácia da interrogação, da pressuposição) - Consiste em apresentar duas proposições conectadas como se fossem uma única proposição, pressupondo-se que já se tenha dado uma resposta a uma pergunta anterior. Exs.: 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    11 - Você jáabandonou seus maus hábitos? - Você já deixou de roubar no mercado onde trabalha? Contra-argumentação: mostre que existem duas proposições e que uma pode ser aceita e outra não. Questões 01. (TRT 6ª Região - Técnico Judiciário - FCC/2018) O carnaval do Recife deve ao Galo da Madrugada sua repercussão nacional. O bloco foi num crescendo ano a ano e virou o espetáculo grandioso que é. Tem futuro promissor. Mas precisa ser encarado como um negócio a ser tocado cada vez mais profissionalmente. O potencial do carnaval do Recife para crescer como um “negócio” poderá ser estimulado a beneficiar mais a cidade, gerando incremento de emprego, trabalho e renda nos hotéis, restaurantes, lanchonetes, oficinas de madeira e ferro, shoppings, meios de hospedagem em residências, segurança... entre outros segmentos ligados à cadeia produtiva do evento. Para ampliar a dimensão desse carnaval, há que se explorar ainda mais o potencial do Recife Antigo e o de Olinda. Uma cidade que dispõe, a seu lado, de uma festa tão singular, alegre e irreverente como a da vizinha cidade já é por si só um produto comercializável e lucrativo. Nossa proposta pontual é fundir os dois carnavais e transformá-los na marca “Carnaval Recife-Olinda”. Isto vai “pegar” e potencializará uma maior atratividade nacional para a festa pernambucana. Que estado no Brasil dispõe de um conjunto de atrativos em uma única festa como o “Galo” estrondoso, o frevo, os blocos antigos, maracatus, bonecos gigantes, caboclinhos, tambores silenciosos, virgens de Olinda, escolas de samba, prévias tradicionais e até espaço pop rock para os mais alternativos? Qual caminho a seguir? Primeiro, institucionalizar a aliança entre Olinda e Recife. Em seguida, buscar os patrocínios e parcerias com as associações de bares e restaurantes, indústrias de bebidas, empresas de cartões de crédito, redes sociais e sites estratégicos. O estímulo para se conhecer o “Carnaval Recife- Olinda” já deverá estar em anúncios publicitários nesses sites ao menos três meses antes da festa. Isso despertará o interesse do público de diferentes localidades. É este o caminho para transformar Pernambuco num destino ainda mais procurado a partir de 2019. (LIMA, Mauro Ferreira. “Carnaval do Recife, proposta para crescer: www.diariodepernambuco.com.br. 2018) O autor organiza sua argumentação da seguinte maneira: (A) apresentação de uma opinião polêmica, seguida de opiniões que a contrariam. (B) lembrança de fatos passados, seguida de confissões de ordem pessoal e emotiva. (C) exposição de projeto para o futuro, seguida de sugestões para viabilizá-lo. (D) narração de fatos passados da vida do autor, seguida de hipótese não confirmada. (E) comparação entre duas ideias contrárias, seguida de uma terceira ideia que as contesta. 02. (TRT 2ª Região - Analista Judiciário - FCC/2018) Atenção: Para responder à questão, baseie- se no texto abaixo, trecho de um diário pessoal do poeta Carlos Drummond de Andrade, escrito ao tempo da II Guerra Mundial, em 1945. O poeta e a política Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Estou preparado? Posso entrar na militância sem me engajar num partido? Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema da ação política com bases individualistas, como pretende a minha natureza. Há uma contradição insolúvel entre minhas ideias ou o que suponho minhas ideias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral, impessoal, às vezes dura, senão impiedosa. Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem. Como posso convencer a outros se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malícia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política? (ANDRADE, Carlos Drummond de. O observador no escritório. Rio de Janeiro: Record, 1985) Está pressuposta na argumentação de Carlos Drummond de Andrade a ideia de que a ação política (A) deve assentar-se em sólidas bases individuais, a partir das quais se planejam e se executam as ações mais consequentes. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    12 (B) permite queum indivíduo dê sentido às suas convicções mais pessoais ao dotá-las da universalidade representada pelas linhas de ação de um partido. (C) costuma executar-se segundo diretrizes partidárias, às quais devem submeter-se as convicções mais particulares de um indivíduo. (D) impede um indivíduo de formular para si mesmo utopias consoladoras, razão pela qual ele procurará criá-las com base numa ideologia partidária. (E) liberta o artista de seu individualismo estrito, fornecendo-lhe utopias que se formulam a partir dos ideais coletivistas de um partido. 03. (IPSM - Assistente de Gestão Municipal - FUMARC/2018) Para se alfabetizar de verdade, Brasil deve se livrar de algumas ideias tortas Meses atrás, quando falei aqui do livro de Zinsser, um leitor deixou o seguinte comentário: “É de uma pretensão sem tamanho, a vaidade elevada ao maior grau, o sujeito se meter a querer ensinar os outros a escrever”. Pois é. Muita gente acredita que, ao contrário de todas as demais atividades humanas, da música à mecânica de automóveis, do macramê à bocha, a escrita não pode ser ensinada. Por quê? Porque é especial demais, elevada demais, dizem alguns. É o caso do leitor citado, que completou seu comentário com esta pérola: “Saber escrever é uma questão de talento, quem não tem, não vai nunca aprender…” Há os que chegam à mesma conclusão pelo lado oposto, a ilusão de que toda pessoa alfabetizada domina a escrita, e o resto é joguinho de poder espúrio. Talento literário é raro mesmo, mas não se trata disso. Também não estamos falando só de correção gramatical e ortográfica, aspecto que será cada vez mais delegado à inteligência artificial. Estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e precisão, sem matar o leitor de confusão ou tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma igualitária por qualquer sociedade que se pretenda civilizada e justa. (Sérgio Rodrigues. Folha de S.Paulo, 2017) Ao levar para seu texto os comentários do leitor, o autor pretende (A) apresentar uma opinião da qual discorda radicalmente, já que ele defende que a escrita pode ser ensinada. (B) fundamentar a sua argumentação a favor da inspiração para escrever, o que encontra eco nesses comentários. (C) buscar um caminho alternativo para o modo como as pessoas escrevem, marcadamente confuso e enfadonho. (D) tratar de novas nuances da boa escrita, que ele acredita estar sob responsabilidade da inteligência artificial. (E) mostrar que o que interessa de fato na produção escrita é o atendimento à correção ortográfica e gramatical. Gabarito 01.C / 02.C / 03.A Comentários 01.Resposta: C O autor deseja que o carnaval de Pernambuco seja, futuramente (transformar Pernambuco num destino ainda mais procurado a partir de 2019), mais reconhecido nacionalmente a partir da fusão do Carnaval de Recife e do Carnaval de Olinda. Para alcançar esse objetivo, sugestões são descritas no último parágrafo (institucionalizar a aliança entre Olinda e Recife. Em seguida, buscar os patrocínios e parcerias com as associações de bares e restaurantes, indústrias de bebidas, empresas de cartões de crédito, redes sociais e sites estratégicos.). 02.Resposta: C O "se" de "submeter-se" é uma Partícula Apassivadora. Logo, o trecho está na Voz Passiva. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    13 Outra forma deescrever o texto, preservando o sentido, talvez ajude a visualizar melhor a resposta: As convicções mais particulares de um indivíduo devem ser submetidas às diretrizes partidárias. 03.Resposta: A O texto traz como ideia principal: O português pode sim ser ensinado/aprendido. Mesmo havendo alguns comentários contrários a este entendimento, onde trouxe dúvidas quanto ao aprendizado e na dificuldade de aprender o português de forma correta. E por fim, ele informa que não se trata da gramática em sim, mas da clareza de informações trazidas em uma escrita por exemplo, deixando um texto fácil e claro para leitura. O principal objetivo do autor, é: (Texto)…estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e precisão, sem matar o leitor de confusão ou tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma igualitária por qualquer sociedade que se pretenda civilizada e justa. TÉCNICAS DE ESCRITA DE REDAÇÃO Introdução Um dos grandes desafios na hora de realizar qualquer prova é a escrita da redação. Escrever um texto pode ser uma tarefa difícil para algumas pessoas. Isso ocorre, pois essa atividade envolve a mobilização de uma série de conhecimentos relacionados não só ao tema proposto para aquela redação, mas também a questões linguísticas e discursivas. Em toda produção textual você deve se preocupar com a organização de ideias, com a estruturação de frases e parágrafos e com a execução de tudo isso dentro de um determinado gênero textual. Ao mesmo tempo, há ainda a necessidade de ser claro, objetivo, coerente e bastante produtivo durante aquele pequeno prazo estipulado para a realização da prova que você está prestando. A fim de prepará-lo para o exercício dessa tarefa considerada muitas vezes penosa, organizamos esse material com os principais conhecimentos que você precisa dominar para a escrita de um excelente texto. Dentro de cada um dos tópicos, abordaremos os diferentes conhecimentos para a realização da escrita de qualquer tipo de redação que venha a ser proposta. Esperamos que, com isso, a atividade de escrita se torne mais prazerosa, menos preocupante e que você obtenha sucesso nas produções textuais a serem realizadas. O Processo de Planejamento Textual O Conceito de Texto4 Para aprender sobre as qualidades de um bom texto é necessário, primeiramente, responder à seguinte questão: afinal, o que seria texto? Observaremos três imagens a fim de responder essa pergunta: Imagem A Disponível em: https://www.diferenca.com/fala-lingua-e-linguagem/ 4 KOCH. Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    14 Imagem B Disponível em:http://estantedacomunicacao.com.br/a-acao-e-a-comunicacao/ Imagem C Disponível em: https://gcn.net.br/nossasletras/noticia/390173/linguagem-e-massificacao/ Você percebeu que nas três imagens anteriores está representada a relação entre sujeito e linguagem. Iniciaremos dizendo que a concepção de texto está diretamente ligada à concepção de linguagem. Dito isto, existem três possíveis formas de compreender a linguagem e em cada uma das imagens anteriores está presente cada uma dessas. Na imagem A, podemos observar que a linguagem traduz o pensamento do sujeito, logo, o texto surgiria como um produto da expressão do pensamento do falante. Já na imagem B, o texto se constitui um instrumento de comunicação entre aquele que fala/escreve e aquele que ouve/lê. O texto é considerado, dessa forma, um produto dessa codificação entre emissor e receptor, um instrumento de comunicação apenas, pois carrega uma mensagem emitida a ser decodificada. Por fim, a imagem C traz uma concepção mais alargada da linguagem, uma vez que é por meio dela que os sujeitos constituem seus falares e se constituem como sujeitos no momento da interação em sociedade. O texto torna-se um lugar de interação entre eles. Ao trabalharmos a produção textual nesse material, tomamos como referência a terceira concepção de linguagem. Por esse motivo, diremos que o texto não é algo que está apenas no domínio daquele que escreve, e também não é apenas algo a ser decodificado por um leitor. O texto, desde sua produção, já leva em consideração a existência de leitores e contextos de leitura, os quais irão influenciar diretamente a organização das informações e estruturas linguísticas dentro do texto. Dessa maneira, a escrita de qualquer texto, envolve sempre o seguinte tripé TEXTO AUTOR LEITOR Toda vez que você pensar em escrever será necessário conhecer a situação bem como o provável leitor para o qual será escrito. Isso é importante, pois o texto é interativo e vai se estruturar de acordo com o contexto de comunicação. TOME NOTA: Informe-se quanto aos critérios de avaliação da redação exigidos por determinado órgão antes de prestar uma prova. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    15 Quanto mais clarezavocê tiver em relação às condições para a escrita do seu texto, bem como o possível leitor, melhor você consegue estruturar seu texto. Os conhecimentos necessários para a escrita de um texto5 Escrever um texto não requer apenas um domínio de regras gramaticais da linguagem, mas mobiliza outros conhecimentos: 1. Conhecimento de mundo ou enciclopédico: conhecimento do assunto a ser tratado. Não falamos daquilo que não sabemos. Para se escrever um texto sobre um determinado tema é necessário conhecer primeiramente sobre o assunto. Por esse motivo, para a escrita de boas redações, é necessária a construção de um repertório de conhecimento através do hábito constante de leitura. Uma leitura diversificada e constante irá lhe garantir uma boa escrita. 2. Conhecimento linguístico: conhecimento da língua a ser utilizada. Para que as ideias sejam compreendidas, é necessária a organização delas através de uma boa estruturação dos elementos linguísticos. Isso envolve o conhecimento de elementos coesivos, regras de pontuação e acentuação, concordância e regência verbal e estruturação de tudo isso em frases e parágrafos. 3. Conhecimento interacional: conhecimento do contexto de escrita. Ao produzir um texto é necessário conhecer a situação para a qual ele é escrito: A finalidade da escrita, a situação (formal ou informal) e o gênero requerido (artigo, carta, ofício). 4. Conhecimento genérico: conhecimento do gênero e tipo textual em que o texto será escrito. Na escrita de um texto sempre organizamos um determinado conteúdo temático dentro de uma forma de linguagem a partir de um estilo autoral de escrita. As várias situações de comunicação em sociedade possuem diferentes formas de organização de um texto as quais chamamos de gênero textual. Cada uma tem uma função comunicativa e a linguagem se estrutura de uma determinada forma. Para noticiarmos um fato, utilizamos a notícia. Para instruirmos sobre a montagem de um aparelho, recorremos ao manual de instrução. Dentro de cada um dos gêneros a linguagem pode se estruturar de acordo com diferentes tipos textuais: narrativo (relatar fatos), descritivo (caracterizar objetos, lugares e situações), expositivo (expor conceitos e informações), argumentativo (defender pontos de vista fundamentado em argumentos). Etapas de produção de um texto6 A produção de um texto, quando planejada, torna-se mais eficaz e sofre uma otimização em relação ao tempo proposto para a escrita. Por esse motivo, falaremos neste momento sobre três principais etapas para o planejamento de um texto. Primeiramente, é importante que você saiba que essas etapas não ocorrem necessariamente em ordem e nem separadas, mas estão presentes durante todo o processo de escrita. - Planificação Textual: planejamento da escrita. Antes da escrita de um texto, é necessário estabelecer com clareza quais os seus objetivos ao escrever, bem como a organização das informações no texto. Se lhe foi proposto um tema para ser escrito, é necessário definir o que será abordado dele. Todo tema é de certa maneira amplo e precisa ser delimitado, ou seja, é importante que você escolha qual aspecto daquilo você discutirá. A partir disso, você vai estabelecer quais os seus objetivos ao escrever aquele texto. Com a ideia principal do seu texto definida, você vai pensar nas informações que serão utilizadas para o desenvolvimento dessa. Todo texto possui ideias secundárias utilizadas para o desenvolvimento da ideia principal. A organização delas é um exercício de planificação. - Textualidade: ato de escrita propriamente dito. É a organização das ideias na linguagem. A preocupação com a estruturação dos elementos linguísticos. Escrever é um processo constante de organizar as ideias em palavras, organizar as frases em períodos e em parágrafos de forma a construir determinados efeitos de sentido, com vistas a promover um texto com unidade e progressão. Nessa etapa são trabalhadas a ligação entre frases e períodos (coesão), a organização das ideias de forma a evitar contradições e repetições (coerência),as preocupações quanto à significação de palavras (lexicais) e a relação entre verbos, nomes e adjetivos (concordância e regência). Mesmo que você já esteja escrevendo, ainda há preocupação com a planificação do texto. Em todo momento, repensamos a organização das ideias. Por isso afirmamos que não há a existência separada dessas etapas. - Reescrita: releitura, análise, alteração e reescrita. Mesmo em situações de prova nas quais o tempo é curto, é extremamente importante a releitura de seus textos para que você possa localizar erros pontuais 5 KOCH, Ingedore V. e ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2006. 6 http://repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/1811/1/Lara_Barbosa.pdf 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    16 de questões gramaticaise erros mais sérios de estruturação de parágrafo e de sentidos do texto. A reescrita de um trecho do texto, sempre envolve a reorganização das estruturas linguísticas dentro do período com vista a manutenção do sentido original Qualidades de um bom texto7 Planejar a escrita de seu texto segundo as etapas anteriores, bem como ter os conhecimentos necessários à sua produção já são formas de contribuir para a escrita de um bom texto. Além disso, é necessário pensar em algumas das qualidades essenciais a todo texto considerado bom. São elas A) Progressão Textual Todo texto possui um tema a ser desenvolvido. Esse tema tem vários aspectos dos quais você pode falar. Para que haja progressão textual é necessária uma continuidade no assunto, o qual deve ser desenvolvido, explorado e ampliado. Você não deve ficar falando de um mesmo ponto do tema por todo o texto sem progredir para o outro. Isso o empobrece e o torna repetitivo. A progressão envolve o estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto, por meio de movimentos de retroação (retomada do que já foi dito anteriormente) e movimentos de prospecção (desenvolvimento de novas ideias). B) Sequência Lógica O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido. Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de fundamentar sua ideia. C) Concisão e unidade A concisão diz respeito à objetividade das informações apresentadas. Tudo o que for escrito em sua redação precisa ser necessário e relevante para o desenvolvimento do tema e das ideias propostas. Nada deve ser repetitivo, evitando assim a prolixidade (repetição desnecessária). Além disso, todos as informações presentes no texto devem estar relacionadas ao tema principal a fim de manter a unidade do seu texto. Qualquer parágrafo ou trecho que fuja à temática proposta, se não estiver bem articulado por meio de recursos de coesão, prejudica a unidade. C) Informatividade Na sua redação é necessário que você traga informações diversas para discutir as ideias apresentadas. Você pode utilizar dados, estudos, casos, notícias de diferentes fontes para fundamentar suas ideias. Novamente reforçamos a importância de um hábito de leitura constante para a realização de uma boa escrita. D) Coesão e Coerência A coesão e a coerência diz respeito à organização das ideias e das estruturas linguísticas nas frases, períodos e parágrafos do texto. É interessante, antes, saber que a escrita de um texto possui um nível mais superficial e um nível mais profundo. Observemos o esquema a seguir: Texto Coesão Organização das estruturas linguísticas Coerência Organização das ideias 7 http://www.revistaversalete.ufpr.br/edicoes/vol1-00/Texto2Crislaine.pdf 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    17 Trazemos acima umarepresentação dos níveis do texto. Em um nível mais superficial estão as estruturas linguísticas, as palavras, verbos, conjunções a serem organizadas. Esse é o domínio da coesão. Já em um nível mais profundo estão as ideias a serem estruturadas. Esse é o domínio da coerência. E) Clareza A clareza é o que obtemos como resultado do bom emprego dos mecanismos de coesão, coerência e progressão textual. Um texto claro é aquele em que as informações podem ser facilmente compreendidas, sem problemas de contradições ou de encadeamento nas ideias. A presença da clareza pressupõe o bom estabelecimento do tema, das ideias a serem desenvolvidas e da relação entre elas na estruturação das frases e parágrafos. A Organização da Frase e do Parágrafo Agora que já falamos sobre as qualidades de um bom texto, sobre a estruturação das palavras e a organização das ideias, vamos ver como organizar tudo isso dentro das frases e parágrafos. Frase, Oração e Período Frase Sentença que expressa uma mensagem. Ela pode ou não conter verbos, contudo se ela comunicar algo, mesmo que seja apenas uma palavra, já pode ser considerada frase. Um exemplo é a palavra “Socorro!”. Apesar de se constituir apenas um vocábulo, ela já passa uma mensagem completa. Oração Presença de verbo na sentença. Toda oração se estrutura em torno de um verbo. Este passa uma mensagem e muitas vezes, para que o seu sentido esteja completo, necessita de um sujeito e de complementos. Dizemos que a oração está na sua ordem direta quando ela aparece na ordem Sujeito - Verbo - Complementos. No entanto, essa ordem pode ser invertida de acordo com o seu estilo de escrita e de acordo com as informações que você desejar ressaltar. Vamos a um exemplo: Na oração “ Eu farei a prova amanhã” encontramos a ordem direta. Porém, se eu quiser ressaltar a informação referente ao momento em que farei a prova, posso alterar a ordem dessa oração e escrever “Amanhã, eu farei a prova”. Se você desejar ainda destacar a informação “a prova”, é possível também trazê-la em primeiro plano, e assim terá “Amanhã, a prova eu farei. Período Toda oração ou conjunto de orações que possuam um sentido completo chamamos de período. As ideias a serem desenvolvidas em seu texto serão organizadas em períodos. Cada um desses períodos se estrutura em torno de verbos e não deve ser muito grande. É recomendável que um período possua no máximo umas três linhas, pois quanto maior ele for, mais fácil de apresentar problemas. Dentre os defeitos que um período grande pode trazer encontramos: a) Presença de verbos sem os complementos necessários b) Presença de contradições c) Presença de informações irrelevantes Todo período precisa estar de certa forma completa. Por exemplo, os verbos precisam ter seus complementos e sujeitos presentes. A junção de orações repetidamente, sem a conclusão do raciocínio, promove a presença de períodos truncados e incompletos, o que gera um problema na estruturação do seu texto. Isso abre margem para a presença de incoerências. Percebe-se que a estruturação da frase ocorre de acordo com a organização das ideias e das informações contidas no texto e com a intenção daquele que escreve. Todo o texto, orações e parágrafos sempre refletem o projeto de texto do autor. Parágrafo Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal (ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes componentes do texto. Todo parágrafo é uma espécie de mini texto, pois precisa possuir começo, meio 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    18 e fim. Elese organiza sempre em torno de uma ideia principal, a qual está diretamente relacionada com o tema principal de sua redação. Chamamos de tópico frasal o período do parágrafo que traz essa ideia principal. Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar relacionadas com essa ideia e vem para desenvolvê-la. 8 “Não há ligação direta entre a violência urbana e a pobreza ou o racismo. Suas raízes estão lançadas, na verdade, sobre uma sociedade desigual, que privilegia uma minoria, deixando todos os demais à margem da sociedade, distante de oportunidades iguais”. No parágrafo anterior, o trecho sublinhado constitui o tópico frasal do parágrafo e traz sua ideia principal: a não ligação entre violência urbana e pobreza ou racismo. As outras informações contidas no outro período vêm para justificar e desenvolver essa não relação entre esses três termos. Tipos de parágrafo Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia. Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá- los. Há ainda, além da necessidade de estruturar bem os períodos e parágrafos, a necessidade de relacioná-los corretamente. Para isso, utilizaremos os mecanismos de coesão. Um bom texto traz elementos coesivos diversificados ao longo de todo o texto. Esses precisam aparece tanto na relação entre os períodos como também na relação entre os parágrafos. Todas as orações que estiverem relacionadas entre si numa relação de igualdade precisam estar estruturadas de uma maneira uniforme. A isso chamamos de paralelismo sintático. Vamos a um exemplo para melhor entendimento Frase sem paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e que não compreendemos. Frase com paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e incompreensível Observamos no exemplo anterior que os termos separados por vírgula estão numa relação de igualdade dentro da frase, ou seja, possuem a mesma função, são todos caracterizadores do sujeito da frase “Português”. Desta maneira, todos eles devem aparecer com uma estrutura similar. Então, se você 8 Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2018/06/26/topico-frasal/ Não esqueça: no início de todo parágrafo é utilizado um espaçamento inicial. Esse é essencial e deve ser respeitado, sempre com um tamanho entre 1 a 2 centímetros. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    19 usou a formade adjetivo no primeiro e no segundo, não pode trazer o terceiro na forma de uma oração adjetiva. É necessário que esse apareça na mesma forma que os demais, como um adjetivo e não uma oração adjetiva. Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e conclusão): A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade (Ideia-núcleo). O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo (Ideia secundária). Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas (Conclusão). A Estrutura do Texto Narrativo e Descritivo Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como pela indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram os fatos. Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em especial às falas dos personagens. Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte, dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente. Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de orações coordenadas ou justapostas. Dissertativo-Argumentativo Dentre as redações mais propostas em concursos e vestibulares, está aquela constituída pelo tipo textual dissertativo-argumentativo. Esse tipo de texto tem como objetivo principal a discussão e a defesa de um ponto de vista acerca de uma temática proposta a partir de diferentes argumentos. Para a escrita de um bom texto dissertativo-argumentativo precisamos atentar para alguns elementos essenciais que o compõem: Tema Esse é o assunto proposto para a discussão na redação a ser escrita. O tema pode ser de caráter sócio histórico, político, cultural e até mesmo filosófico. Antes de começar a escrever é necessário estabelecer quais os aspectos desse tema serão trabalhados, quais as informações vinculadas e qual a relação entre essas informações. A delimitação do tema é um dos primeiros passos a serem realizados. Delimitar o tema significa escolher o que você irá falar sobre esse tema. Por exemplo, numa redação sobre a corrupção você pode abordar aspectos da corrupção no âmbito político ou da corrupção no âmbito das relações sociais do dia a dia. É necessário delimitar qual faceta do tema você irá discutir. Ainda relacionado ao tema, é importante, após a delimitação estabelecer a tese a ser defendida no seu texto. A tese é a ideia principal em torno da qual o seu texto será construído. Ela constitui o seu posicionamento frente ao aspecto do tema discutido. Por exemplo, em uma redação sobre a redução da maioridade penal, você pode escolher um posicionamento contrário ou favorável a isso. As provas de redação podem apresentar um conjunto de textos na hora de propor um determinado tema. Esses são conhecidos como textos de apoio ou motivadores. Eles servem como motivação para a discussão do tema, mas não para integrar a sua redação. . Tudo o que for escrito na sua redação tem que ser de autoria própria. É importante que as ideias propostas para discussão sejam elaboradas por você e que as informações utilizadas para o desenvolvimento de cada uma dessas ideias tenha origem em seus conhecimentos adquiridos previamente. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    20 Diante disso, éessencial que entendamos a diferença existente entre estes dois elementos: Título e Tema. Para tal, aprofundaremos mais nossos conhecimentos sobre o assunto. TEMA TÍTULO É geralmente uma oração com começo, meio e fim, por isso tem sempre um verbo. Normalmente não tem verbo É o assunto de que trata o texto É o resumo do que você escreveu Está inserido no texto, comentado, discutido, trabalhado dentro do mesmo. Aparece antes do texto, na primeira linha ou em lugar específico. Como podemos perceber, o tema é algo mais abrangente e consiste no assunto que deve ser explorado ao longo do texto. Já o título é algo mais sintético, é como se fosse afunilando o assunto que será posteriormente discutido. O importante é sabermos que: do tema é que se extrai o título, haja vista que o tema é um elemento-base, fonte norteadora para os demais passos. Existem certos temas que não revelam uma nítida objetividade, como o exposto anteriormente. É o caso de fragmentos literários, trechos musicais, frases de efeito, entre outros. Nesse caso, exige-se mais do leitor quanto à questão da interpretação, para daí chegar à ideia central, como podemos identificar por meio deste excerto: “As ideias são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa”. (José Saramago) Essa linguagem, quando analisada, leva-nos a inferir o seguinte e que este poderia ser o título: A importância da coerência e da coesão para o sentido do texto. Fazendo parte também dessa composição estão os temas apoiados em imagens, como é o caso de gráficos, histórias em quadrinhos, charges e pinturas. Tal ocorrência requer o mesmo procedimento por parte do leitor, ou seja, que ele desenvolva seu conhecimento de mundo e sua capacidade de interpretação para desenvolver um bom texto. O concurso ou o vestibular pode dar tanto o tema quanto o título, de acordo com Gustavo Atallah Haun. Cabe ao redator saber manejar as duas formas. Caso seja dado o título, este se tornará obrigatório no início da prova, centralizado, na primeira linha (se não houver um lugar específico para ele!). Podem daí surgir duas possibilidades, o tema estar inserido nos textos de apoio que acompanham o enunciado da questão ou do título você terá que tirar o tema. Se for dado o tema em destaque, durante ou após o enunciado da redação, você terá que falar especificamente dele, independente do assunto tratado nos textos de apoio. Muitas bancas examinadoras não exigem o título. Na maioria das vezes ele é opcional. Porém, quando for obrigatório vai ter sempre na instrução da prova: “Dê um título ao seu texto” ou “Seu texto deve ter título” e similares. Portanto, leia com atenção as instruções da sua prova de produção textual. Construindo um Texto a Partir de um Tema Objetivo e Subjetivo Vimos anteriormente que, o tema é a proposta para a redação. Você irá delimitar o assunto e a partir dessa delimitação irá formular sua tese (a afirmação central sobre o assunto, que será desenvolvida e comprovada no texto). Observe que há uma tendência de os vestibulares apresentarem o tema e uma coletânea de textos, de todos os tipos: fragmentos filosóficos, excertos literários; poemas; reportagens ou notícias de jornais e revistas; cartuns ou pinturas. Normalmente, o avaliador não deseja um texto com visão limitada sobre o assunto. Caso tenha pela frente um tema subjetivo, haverá a necessidade de se interpretar a proposta. Observe os seguintes modelos: - Modelo com tema subjetivo 1º. Tema subjetivo: “Tudo o que é sólido desmancha no ar.” (Karl Marx) 2º. Delimitação do Assunto: - a observação de como a história elimina estruturas aparentemente eternas. - trata-se de uma referência às instituições, comportamentos, modelos econômicos, que se modificam no tempo. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    21 3º. Tese: Nossocotidiano parece cercado por estruturas fixas, imutáveis, sejam instituições, relações de poder, formas de vida. Mas, se dermos um passo atrás e olhamos a história, o que encontramos é uma sucessão de transformações, em que estas estruturas, que pareciam eternas, são criadas e destruídas. Esse foi um exemplo com tema subjetivo. Vejamos um exemplo de tema objetivo. Lê-se o tema e imediatamente se reconhece sobre o que se pode falar no texto. - Modelo com tema objetivo 1º. Tema: Desenvolvimento e Meio Ambiente. 2º. Delimitação do Assunto: - como conciliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente? - estar o meio ambiente em estado de degradação é sinal de evolução da sociedade capitalista ou “involução”? 3º. Tese: Depois de as grandes potências econômicas passarem pelo período de exploração da maior parte dos recursos naturais existentes, e pelo completo descuido com o meio ambiente, surge a preocupação em se controlar esse processo, antes desordenado, para que se possa falar em gerações futuras. Argumentos Os argumentos são as ideias utilizadas para defender essa tese proposta. Geralmente, a depender do tamanho da redação, trabalhamos com um média de dois a três argumentos. Cada um desses é desenvolvido com outras ideias secundárias Os argumentos são desenvolvidos a partir de diferentes informações. A essas informações que fundamentam os argumentos chamamos de repertório. O repertório envolve todo um saber sócio cultural, o qual trabalha com: a) Informações sobre estudos científicos b) Notícias de veículos de informação reconhecido c) Frases de personalidades consagradas d) Acontecimentos históricos Todos esses argumentos precisam estar ligados entre si e apontar para a tese a ser defendida. Para isso, é necessário usar diferentes mecanismos de coesão para ligar as ideias e parágrafos entre si, de modo a atingir a unidade textual. Estrutura do Texto Dissertativo-Argumentativo O texto dissertativo-argumentativo possui uma estrutura construída em cima da necessidade de argumentar, sempre com vistas a defender um ponto de vista. Com esse objetivo, as informações são distribuídas, em geral, segundo um mesmo padrão nos textos dessa tipologia textual. Abaixo apresentamos essa estrutura do texto dissertativo-argumentativo Introdução A introdução é o primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo. Nela você apresentará ao seu leitor a tese a ser desenvolvida no seu parágrafo. A introdução geralmente constitui-se um único parágrafo apenas e ali já é estabelecido esse posicionamento do autor frente ao tema proposto. Há também a possibilidade de você já apresentar na introdução os argumentos que embasarão a sua tese. Entretanto, eles devem ser apenas expostos sem desenvolvimento, uma vez que isso você fará na segunda parte do texto dissertativo-argumentativo: o desenvolvimento. a) Tipos de Introdução O primeiro parágrafo da redação pode ser desenvolvido de diversas maneiras, no qual pode-se utilizar os seguintes recursos, vejamos: 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    22 Trajetória Histórica: esterecurso de caracteriza por traçar uma analogia entre elementos do passado e do presente. Já que uma analogia será apresentada, então os elementos devem ser similares; há de haver semelhança entre os argumentos apresentados, ou seja, só usaremos a trajetória histórica, quando houver um fato no passado que seja comparável, de alguma maneira, a outro no presente. Quando apresentar a trajetória histórica na introdução, deve-se discutir, no desenvolvimento, cada elemento em um só parágrafo. Não misture elementos de épocas diferentes em um mesmo parágrafo. A trajetória histórica torna convincente a exemplificação; só se deve usar esse argumento, se houver conhecimento que legitime a fonte histórica. Comparação Social, Geográfica ou Histórica: também se trata de uma analogia entre elementos, porém sem buscar a argumentação no passado, como por exemplo: comparar dois países, dois fatos, duas personagens, enfim, comparar dois elementos, para comprovar o tema. Lembre-se de que se trata da introdução, portanto a comparação apenas será apresentada para, no desenvolvimento, ser discutido cada elemento da comparação em um parágrafo. Conceito, Definição ou Situação: em alguns temas de dissertação surgem palavras-chave de extrema importância para a argumentação. Nesses casos, pode-se iniciar a redação com o conceito ou definição dessa palavra para posteriormente no desenvolvimento trabalhar com exemplos de comprovação. Contestação de uma ideia ou citação, contradizendo, em partes: quando o tema apresenta uma ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se trabalhar com este método: concordar com o tema, em partes, ou seja, argumentar que a ideia do tema é verdadeira, mas que existem controvérsias; discutir que o assunto do tema é polêmico, que há elementos que o comprovem, e elementos que discordem dele, igualmente. Não se esqueça de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução, estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter as duas comprovações, cada uma em um parágrafo. Refutar o tema, contradizendo-o totalmente: refutar significa rebater os argumentos; contestar as asserções; não concordar com algo; reprovar; ser contrário a algo; contrariar com provas; desmentir; negar. Portanto refutar o tema é escrever, na introdução, ao contrário do que foi apresentado pelo tema. Deve-se tomar muito cuidado, pois não é só escrever o contrário, mas mostrar que se é contra o que está escrito. O ideal, nesse caso, é iniciar a introdução com “Ao contrário do que se acredita...” Não se esqueça, novamente, de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução, estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter apenas elementos contrários ao tema. Cuidado para não cair em contradição. Se for, na introdução, favorável ao tema, apresente, no desenvolvimento, apenas elementos favoráveis a ele; se for contrário, apresente apenas elementos contrários. Elaboração de interrogações: pode-se iniciar a redação com uma série de perguntas. Porém, cuidado! Devem ser perguntas que levem a questionamentos e reflexões, e não perguntas vazias que levem a nada ou apenas a respostas genéricas. As perguntas devem ser respondidas, no desenvolvimento, com argumentações coerentes e importantes, cada uma em um parágrafo. Portanto use esse método apenas quando já possuir as respostas, ou seja, escolha primeiramente os argumentos que serão utilizados no desenvolvimento e elabore perguntas sobre eles, para funcionar como introdução da dissertação. Pode-se transformar a introdução em uma pergunta. O mesmo já citado anteriormente, mas com apenas uma pergunta. Elaboração de enumeras informações: quando se tem certeza de que as informações são verídicas, podem-se usá-las na introdução e, depois, discuti-las, uma a uma, no desenvolvimento. Caracterização de espaços ou aspectos: pode-se iniciar a introdução com uma descrição de lugares ou de épocas, ou ainda com uma narração de fatos. Deve ser uma curta descrição ou narração, somente para iniciar a redação de maneira interessante, curiosa. Não se empolgue! Não transforme a dissertação em descrição, muito menos em narração. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    23 Resumo do queserá apresentado no desenvolvimento: uma das maneiras mais fáceis de elaborar a introdução é apresentar o resumo do que se vai discutir no desenvolvimento. Nesse caso, é necessário planejar cuidadosamente a redação toda, antes de começá-la, pois, na introdução, serão apresentados os tópicos a serem discutidos no desenvolvimento. Deve-se tomar o cuidado para não se apresentarem muitos tópicos, senão a dissertação será somente expositiva e não argumentativa. Cada tópico apresentado na introdução deve ser discutido no desenvolvimento em um parágrafo inteiro. Não se devem misturá-los em um parágrafo só, nem utilizar dois ou mais parágrafos, para se discutir um mesmo assunto. O ideal é que sejam apresentados somente dois ou três temas para discussão. Paráfrase: uma maneira de se elaborar a introdução é valendo-se da paráfrase, que consiste em reescrever o tema, utilizando suas próprias palavras. Deve-se tomar o cuidado, para não apenas substituírem as palavras do tema por sinônimos, pois isso será demonstração de falta de criatividade; o melhor é reestruturar totalmente o tema, realmente utilizando "suas" palavras. Observe o que traz o Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, quanto à definição da palavra paráfrase: Explicação ou tradução mais desenvolvida de um texto por meio de palavras diferentes das nele empregadas. Portanto sua frase deve ser mais desenvolvida que a frase apresentada como tema, e as palavras devem ser diferentes, e não sinônimas. b) Frases-modelo, para o Início da Introdução As frases abaixo podem ser utilizadas no desenvolvimento do primeiro parágrafo, porém não as tome como receita infalível. Antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente o desenvolvimento e use sua inteligência, para ter certeza daquilo que estará incluindo em sua dissertação. Só depois disso, use estas frases: - É de conhecimento geral que... - Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observa-se... Nesse caso, utilizei circunstância de lugar (em nosso país) e de tempo (há tempos). Isso é só para mostrar que é possível acrescentar circunstâncias diversas na introdução, não necessariamente as aqui apresentadas. Outro elemento com o qual se deve tomar muito cuidado, é o pronome “se”. Nesse caso, ele é partícula apassivadora, portanto o verbo deverá concordar com o elemento que vier à frente (singular ou plural). Sendo assim confira outros exemplos: - Cogita-se, com muita frequência, de... - O mesmo raciocínio da anterior, agora com a circunstância de modo (com muita frequência). - Muito se tem discutido, recentemente, acerca de... - Muito se debate, hoje em dia... Partícula apassivadora novamente. Cuidado com a concordância. - O (A)... é de fundamental importância em... - É de fundamental importância o (a)... - É indiscutível que... / É inegável que... - Muito se discute a importância de... - Comenta-se, com frequência, a respeito de... - Não raro, toma-se conhecimento, por meio de..., de - Apesar de muitos acreditarem que... (refutação) - Ao contrário do que muitos acreditam... (refutação) - Pode-se afirmar que, em razão de... (devido a, pelo)... - Ao fazer uma análise da sociedade, busca-se descobrir as causas de... - Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual... - Ao analisar o (a, os, as)..., é possível conhecer o (a, os, as)...., pois... Desenvolvimento O desenvolvimento começa, geralmente, a partir do segundo parágrafo do seu texto. Cada um dos argumentos propostos para a defesa de sua tese se constituirá no tópico frasal de cada parágrafo do 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    24 desenvolvimento, ou seja,cada um deste irá se construir em torno de um argumento proposto para a defesa da tese. O desenvolvimento dos argumentos em cada um dos parágrafos se faz a partir de ideias secundárias, as quais podem se constituir de informações diversas, de diferentes áreas do saber, o qual já denominamos de repertório. Além da fundamentação dos argumentos em informações das diferentes áreas do saber, é importante que você comente e opine sobre as diferentes informações apresentadas. Lembre-se que você é o autor do texto, então é importante que sua voz e opinião apareça por ele todo. É importante que os mecanismos de coesão sejam empregados para ligar não só as ideias dentro de cada um dos parágrafos, mas também entre os parágrafos. Quanto mais variado forem os recursos coesivos empregados, melhor estruturado será o seu texto. Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são: 1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial. 2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais. 3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando, assim, a linha de entendimento do leitor. Conclusão A conclusão, como o próprio nome já diz, é um fechamento das ideias discutidas ao longo do texto. Existem diferentes tipos de conclusão as quais podem envolver a retomada das ideias apresentadas e propostas de intervenção para as problemáticas discutidas. A conclusão, numa estrutura mais ortodoxa, aparece no final do seu texto, mas não descartamos a possibilidade dela aparecer aos poucos ao longo de cada um dos parágrafos. Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”. Ideias Principais e Secundárias Para uma boa compreensão textual é necessário entender a estrutura interna do texto, analisar as ideias primárias e secundárias e verificar como elas se relacionam. As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o assunto núcleo; as ideias secundárias unem-se às ideias principais e formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim de aprofundar o assunto. Ideia principal: Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Ideias secundárias: Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado. A ideia principal refere-se ao a ação perigosa, agravada pelo aparecimento do trem. As ideias secundárias aparecem para complementar a ideia principal. Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos nos colocar no papel de narradores, isto é, vamos contar fatos com base na organização das ideias. Leia o trecho abaixo: Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado. Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos um fato acontecido com seu primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Analisemos, agora, o parágrafo quanto à estrutura. A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação perigosa, agravada pelo aparecimento de um trem. As ideias secundárias complementam a ideia principal, mostrando como o primo do narrador conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    25 Os parágrafos devemconter apenas uma ideia principal acompanhado de ideias secundárias. Entretanto, é muito comum encontrarmos, em parágrafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o exemplo: O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio. Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo. Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe. Nesse trecho, há dois parágrafos. No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia principal do parágrafo: O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio. No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias secundárias. Observe: Ideia principal Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo. Ideia secundárias Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe. Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando: “Afinal, de que tamanho é o parágrafo?” O que podemos responder é que não há como apontar um padrão, no que se refere ao tamanho ou extensão do parágrafo. Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em que são maiores e outros, ainda, muito extensos. Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da extensão do parágrafo, pois o que é importante mesmo, é a organização das ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito popular – “nem oito, nem oitenta…”. Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas parágrafos muito curtos, também não é aconselhável empregarmos os muito longos. Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os trabalhos de redação. Com o tempo, a prática dirá quando e como usar parágrafos – pequenos, grandes ou muito grandes. Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia principal e outras secundárias. Isso não significa, no entanto, que sempre a ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em que a ideia secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o exemplo: As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu violentamente sob meus pés. Logo percebi que se tratava de um terremoto. Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo percebi que se tratava de um terremoto”, que aparece no final do parágrafo. As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou comprovam a afirmação: “as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do parágrafo. Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias podem organizar-se da seguinte maneira: Ideia principal + ideias secundárias ou Ideias secundárias + ideia principal É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias secundárias não são ideias diferentes e, por isso, não podem ser separadas em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias devemos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia principal e mantê-las juntas no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza. É importante, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas que realmente se relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer assunto. Vamos a uma simulação do processo de construção de um texto dissertativo-argumentativo: 1. Delimite o seu tema: ele é sempre muito amplo. Escolha sobre qual ponto do tema você irá escrever. Suponha que o tema proposto para sua redação seja A violência contra a mulher. O primeiro passo 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    26 seria delimitar essetema, ou seja, escolher um ponto sobre ele a ser desenvolvido. Delimitaremos da seguinte forma: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira. 2. Estabeleça as ideias principais do texto: escolha quais serão os principais pontos a serem abordados sobre essa delimitação. Defina quais ideias serão utilizadas como centro de cada um dos parágrafos. Pensamos da seguinte maneira: Ideia principal 1: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é muitas vezes silenciosa. Ideia principal 2: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é um caso a ser discutido na escola. 3. Estabelecimento das ideias secundárias: são elas que você usará para desenvolver cada uma das principais em cada um dos parágrafos do seu desenvolvimento. Por exemplo: Ideias secundárias para a ideia principal 1: o medo de muitas mulheres em denunciar os abusos sofridos por conta de preconceitos e julgamentos sociais. Para enriquecer você pode citar notícias e casos conhecidos no Brasil relacionados a isso. Você pode discutir as leis de amparo a mulher existentes no Brasil. Ideias secundárias para a ideia principal 2: a discussão sobre a violência doméstica contra a mulher já na educação básica, de forma a conscientizar quanto a sua não prática e a formas de socorro. Podem ser citados casos e projetos já realizados no Brasil em relação a isso. 4. Distribuição das ideias entre os parágrafos do texto: Cada parágrafo é construído em torno de uma das ideias principais escolhidas. Você deve escolher em qual parágrafo virá cada ideia principal e suas respectivas ideias secundárias. 5. Encadeie as ideias entre si: por mais que você esteja lidando com ideias diferentes, todas elas estão ali em função do tema principal e devem estar interligadas pelos vários mecanismos de coesão que falaremos adiante. 6. Para a conclusão, retome sucintamente as ideias apresentadas e apresente proposta reflexivas para a transformação dessa problemática apresentada na sua tese. Dessa forma você evita falar apenas de um mesmo aspecto e promove uma continuidade temática no texto com a progressão (avanço) das ideias e ainda organiza bem suas ideias de modo a garantir a presença da coesão e da coerência.. Fatores Prejudiciais à Redação 1. Repetição desnecessária de palavras e ideias: os mecanismos de coesão nos fornecem diferentes recursos para substituir palavras e se referir a ideias já ditas anteriormente no texto. 2. Períodos e parágrafos muito extensos: o tamanho muito grande de períodos e parágrafos contribui para uma quebra no raciocínio e pode levar a presença de orações incompletas, e problemas de incoerência. É interessante que seu período tenha no máximo umas três linhas. 3. Copiar textos de apoio: os textos motivadores trazem dados e informações acerca da problemática a ser tratada no texto. Você pode usá-los como referência mas não os deve copiar. Isso empobrece o seu texto e confere ao seu repertório um tom empobrecedor. 4. Parágrafos incompletos: como já vimos, todo parágrafo se constrói em torno de uma ideia núcleo. Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar desenvolvidas completamente. 5. Procure ater-se ao tema: é extremamente importante que a sua redação seja escrita sobre o tema proposto. Qualquer outro tema desenvolvido que não tenha ligação com a proposta de escrita apresentada pela prova, pode levar o seu texto a receber notas muito baixas ou até mesmo ser zerada. 6. Atente ao tipo textual dissertativo-argumentativo: quando há sua redação que contenham narração ou descrição. Entretanto o tipo textual que deve predominar na sua redação é a argumentação. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    27 7. Muitos errosna grafia, acentuação e pontuação. Questões 01. (ITAIPU Binacional - Engenheiro Civil - UFPR 2019) Considere o trecho a seguir: A operação interligada de sistemas elétricos de potência proporciona vantagens para as concessionárias de energia elétrica, tais como: a otimização da exploração dos recursos energéticos e o aumento da confiabilidade, entre outras. Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho está adequada à língua padrão escrita e mantém o sentido original. (A) Entre outras, a otimização da exploração dos recursos energéticos e o aumento da confiabilidade oferecem vantagens para a operação interligada de sistemas elétricos de potência. (B) A operação de sistemas elétricos interligada de potência propõe benefícios para as concessionárias de energia elétrica, dentre elas a melhoria da exploração dos recursos energéticos e o aperfeiçoamento da confiança do sistema. (C) A otimização da exploração dos recursos energéticos e a ampliação da confiabilidade são, entre outras, vantagens propiciadas às concessionárias de energia elétrica pela operação interligada de sistemas elétricos de potência. (D) Dentre as vantagens apresentadas pelas concessionárias de energia elétrica à operação interligada de sistemas elétricos de potência estão a melhor exploração dos recursos em termos de energia e confiabilidade. (E) O fato da interligação dos sistemas elétricos de potência em operação traz vantagens para as fornecedoras de energia elétrica, tais como exploração ótima de recursos energéticos e confiança maior nesses recursos. 02. (IFN-MG - Língua Portuguesa - FCM/2018) A essência de um bom texto reside na sustentação da argumentação, que se dará a partir das informações apresentadas que a acompanham. No momento da construção textual, os argumentos são essenciais. Além disso, a clareza das ideias é fundamental ao entendimento do leitor. A esse respeito, leia o texto seguinte. Fake news do bem Não tenho nenhum compromisso com a verdade. Aqui na ISTOÉ me deixam escrever crônica, ficção ou não; posso inventar personagens e situações; posso eleger presidentes ou mudar o sistema político do País. Por isso, considerando que nas últimas semanas tivemos uma infinidade de lamentáveis True News, decidi que a coluna dessa semana vai ser só de Fake News. Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar. Não me deixe na mão. Escolha alguma e espalhe por aí, sem dó. Reproduza no whatsapp, fotografe no Insta, compartilhe no Facebook. Como diria Groucho Marx: vai criar a maior confusão, mas vai ser divertido. NETO, Mentor. Fake news do bem. IstoÉ n. 2543, 14 set. 2018, p. 66. NÃO faz parte da argumentação do autor (A) mencionar, no corpo de texto, uma informação extraída de outra fonte. (B) declinar de defender um ponto de vista, por se tratar de fato controverso. (C) reportar-se à sua experiência pessoal e profissional para convencer o leitor. (D) abordar, em linhas gerais, um fato atual presente no cotidiano das pessoas. (E) criar relações de causa e efeito para tratar o tema, de forma humorada. 03. (Instituto Rio Branco - Diplomata - CESPE/2019) A frase escrita com correção e clareza está em: (A) A vontade que impulsiona o homem, do ponto de vista de Nietzsche, não pode ser, como Schopenhauer o fizera, entendido, como um ímpeto cego, desprovido de finalidade. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    28 (B) Por meiode seu pensamento filosófico, desafios e questões da atualidade são antecipadas por Nietzsche, cuja ambição é determinar, a situação do homem moderno. (C) Nietzsche investiga à fundo o campo da moralidade e da religião, com o intento de examinar a base sobre a qual ergueu-se os edifícios éticos da tradição ocidental. (D) Apresenta-se de forma dramática, em Assim falou Zaratrusta, as experiências do personagem que dá título à obra, na qual se combina variados elementos de gênero e estilo. (E) Para Nietzsche, a moderna sociedade de massa se caracterizaria pela tendência ao nivelamento e à uniformização, que levaria ao conformismo e à mediocridade. 04. (Prefeitura de Campo Grande/MS - Auditor Fiscal da Receita Municipal - PUC/PR/2019) Responsável pela ação que, em 2012, garantiu o direito legal ao aborto nos casos de anencefalia, a professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz diz que a descriminalização retira a punição que recai sobre a mulher. ]Segundo ela, descriminalizar significa retirar a investigação, o estigma e a perseguição contra vítimas, em geral, mulheres mais jovens, pobres, negras, de áreas rurais, com menor acesso à informação e com menor poder aquisitivo para acessar clínicas e medicamentos seguros. A pesquisadora ressaltou ainda que esta decisão não obriga mulheres contrárias à prática do aborto, mas garante às outras a liberdade de se submeter a esse procedimento de uma forma segura e livre. De acordo com a especialista, uma em cada cinco mulheres brasileiras de 40 anos de idade já fez pelo menos um aborto. Ainda segundo ela, em 2015, foram mais de 500 mil mulheres brasileiras se submetendo a esse procedimento Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entretanto, o tema deveria ser discutido no Legislativo. Na opinião da entidade, o assunto contaria com uma participação popular mais expressiva se fosse discutido no Congresso Nacional. Para dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS), a discussão restrita ao Supremo é "um transtorno democrático porque impede um aprofundamento do debate e a participação efetiva da população". Mestre e doutor em Bioética e Teologia Moral na Academia Alfonsiana, em Roma, Hoepers defende que o debate sobre o aborto é uma questão social e não apenas religiosa. Ele destaca ainda que a CNBB é uma instituição que faz parte da história democrática do pais e, por isso, deve ter espaço para defender sua posição. Segundo o bispo, seu papel será o de ressaltar a reflexão em defesa da vida. Dom Hoepers reconhece o drama de milhares de mulheres que tentam o aborto de forma ilegal e que acabam morrendo durante o procedimento. Segundo ele, esse problema poderia ser sanado com políticas públicas integrais de proteção à maternidade e cuidado com a vida reprodutiva feminina. JORNAL ESTADO DE DIREITO. 02/08/2018. Disponlvel em: ~AV. estadodedireito.com.br. Acesso em: 09/08/2018. A progressão textual é um elemento que auxilia na construção de um texto com fluidez e coerência. Nesse sentido, os termos sublinhados no início dos parágrafos dois, três e quatro (A) não interferem na coerência e fluidez do texto, pois se subentende o autor das afirmações sem esses recursos. (B) ao serem substituídos por um pronome indefinido, têm o mesmo efeito, já que se referem a alguém mencionado anteriormente. (C) caracterizam um recurso linguístico para encadear, de forma progressiva, a ideia introduzida por Débora Diniz, no primeiro parágrafo. (D) não são relevantes nesse contexto relativo à coerência e à progressão porque se relacionam ao estudo teórico da Linguística Textual. (E) são dispensáveis para a progressão do texto, sendo, no entanto, fundamental manter “De acordo com a especialista", no quarto parágrafo, para assinalar o fim do posicionamento. 05. (COREN/PE - Auxiliar Administrativo - IPAD) Cientistas descobrem proteína envolvida no diabetes tipo 2. O diabetes tipo 2, que impede as células de absorver glicose, tinha origem misteriosa até esta semana, quando cientistas do Instituto de Pesquisa Biomédica Whitehead e da Universidade Yale, nos EUA, divulgaram ter descoberto uma proteína que tem relação com a doença. Ao contrário do diabetes de tipo 1, adquirido na infância e na qual o sistema imunológico da pessoa ataca as células que produzem insulina, a tipo 2, se desenvolve na fase adulta e impede que as células respondam à insulina. Esse hormônio é secretado na corrente sanguínea pelo pâncreas quando o organismo detecta excesso de 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    29 glicose no sangue,interagindo com “receptores” na superfície das células e instruindo-as a absorver e armazenar o excesso de glicose. Milhões de proteínas O estudo, publicado na revista “Nature”, relata a descoberta de uma proteína denominada TUG. Ela se mostrou intimamente ligada a um receptor celular de glicose, o GLUT4, único receptor da substância que fica no interior das células (os restantes ficam em sua superfície). Quando a insulina atua nos “receptores” da membrana celular, o GLUT4 sobe e traz a glicose para o interior da célula. Ele é, também, o único receptor que responde exclusivamente à presença da insulina. Em pessoas com diabete tipo 2, o GLUT4 não vai até a membrana celular, impedindo a absorção da glicose. Os cientistas Jonathan Bogan e Harvey Lodish, autores do estudo, pesquisaram por cinco anos mais de 2,4 milhões de proteínas para identificar qual delas atuaria na distribuição do GLUT4, chegando à TUG. Fonte: Folha Online. Acesso em 10/2003 Os elementos linguísticos sintáticos e semânticos promovem a clareza de um texto, tornando-o coeso e coerente. Diante disso não se pode afirmar: (A) “Ao contrário do diabetes de tipo 1," - no segundo parágrafo - aponta para a construção de uma adversidade. (B) Para o texto apresentar clareza, é necessário, no primeiro parágrafo, citar os responsáveis pela descoberta da proteína. (C) Esse hormônio é..." - a utilização do pronome esse demonstra que, anteriormente já fora citado o hormônio. (D) “O estudo publicado na revista 'Nature',..". - Na construção pode-se perceber que existe um conhecimento prévio acerca do estudo. (E) O uso do pronome pessoal ele em: “Ele é, também, o único receptor..." estabelece a coesão na construção textual. 06. (AL/GO – Revisor Ortográfico – IADES/2019 Quanto à definição de tópico frasal, assinale a alternativa correta. (A) Trata-se da palavra-chave inserida no início do texto (B) consiste no fechamento das ideias defendidas em todo o texto (C) corresponde à apresentação do tema no primeiro parágrafo. (D) é a ideia central ou nuclear presente em cada parágrafo. (E) equivale ao tema escolhido e abordado na produção textual. 07. (UFSC - Jornalista - UFSC/2019). Dentre as qualidades do bom texto jornalístico estão a coerência formal e as relações coesivas, ou coesão. No que consistem, respectivamente, essas qualidades? (A) Reforço de consistências internas do texto; ausência de elipses e conjunções textuais. (B) Presença do contraditório na apuração; acuidade na escolha dos tópicos frasais. (C) Articulação clara entre temas e parágrafos; reforço de consistências internas do texto. (D) Condição não contraditória do texto; estabelecimento de relações perceptíveis entre itens do texto. (E) Uso de itens léxicos contíguos ou relacionados; presença do contraditório na apuração. 08. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018) Quem protege os cidadãos do Estado? Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate O conjunto de leis nacionais, assim como de tratados e declarações internacionais ratificadas pelos países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias, investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados, por exemplo. Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras. Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há perigo para a população. Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    30 guerras, sem queessa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para atender os que estão feridos e sob risco de vida. Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização. Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que: (A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e tranquilidade da população; (B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo parágrafo; (C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo parágrafo; (D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras; (E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência. 09. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018) “Eu era piloto… Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine, em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia, ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha. Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia: eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha, passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes como os do meu marido… No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou. Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei a pedir para ir para o front… Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…” Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto * komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União Soviética. (Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.) Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que (A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve uma filha antes da guerra. (B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo. (C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941. (D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os leitores reflitam sobre possíveis respostas. (E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função localizar temporalmente os eventos narrados. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    31 Gabarito C / 02B / 03 E / 04 C / 05 B /06 D/ 07 D/ 08.B / 09.E Comentários 01. Resposta C A reescrita do trecho nessa alternativa mantém completamente o sentido original do período proposto pela questão, bem como está adequada à língua padrão. Ao reescrever, o trecho original que estava na voz ativa foi colocado na voz passiva com uma inversão na frase original. Dessa forma, “operação interligada de sistemas elétricos de potência” que é sujeito na primeira versão do trecho, torna-se agente da passiva pelo acréscimo da preposição “pela”. Enquanto “otimização da exploração dos recursos energéticos e o aumento da confiabilidade, entre outras” que era a especificação do complemento do verbo “proporciona” no primeiro trecho, é transformado em sujeito na reescrita do trecho. Há apenas a substituição da palavra “aumento” pelo sinônimo “ampliação”, sem prejuízo do sentido. 02. Resposta B Declinar de defender um ponto de vista por se tratar de tema controverso significa deixar de defender aquela ideia por ser polêmica. Isso não faz parte da argumentação, pois o autor afirma por todo o texto que vai espalhar notícias falsas, mesmo que elas sejam criticadas e problemáticas. Podemos confirmar isso no trecho “Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar. Não me deixe na mão. Escolha alguma e espalhe por aí, sem dó. “ “ 03. Resposta E A compreensão da mensagem expressa nessa alternativa é clara. Entendemos claramente que o nivelamento e a uniformização seriam fatores característicos da sociedade moderna de massa e isso promoveria conformismo e mediocridade. 04. Resposta C Os termos “segundo ela”, “a pesquisadora” e “de acordo com a especialista” são elementos coesivos que permitem a relação entre diferentes informações e partes do texto, sem repetição desnecessária e sem prejuízo da clareza e progressão textual. Eles retomam a ideia da pesquisadora para acrescentar novas informações, promovendo progressão. 05. Resposta B Para a existência da clareza no texto, não é necessário citar o nome dos responsáveis pela descoberta da proteína, pois o texto tem como foco trabalhar as informações relacionadas às proteínas mais especificamente. 06. Resposta D O tópico frasal é o período que traz a ideia principal do parágrafo, em torno do qual se constrói toda a discussão estabelecida nele. 07. Resposta D A coerência formal é a relação lógica entre as ideias de um texto e, para sua existência, não deve haver contradições entre as informações relacionadas dentro do texto. Já a coesão são mecanismos de ligação entre as partes do texto, expressos em palavras e em conjunções. 08. Resposta: B a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade. b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc. c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras), nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras; d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente. e) Não há relação de causa e consequência. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA
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    32 09. Resposta: E “Euera piloto…” - 1º parágrafo. “Quando ainda estava no sétimo ano (...)” - 2º parágrafo. “Desde os primeiros dias da guerra (...)” - 3º parágrafo. “No fim de 1941 (...)” - 4º parágrafo. “Na última noite (...)” - 5º parágrafo. Com exceção do primeiro parágrafo, todos os demais buscam localizar temporariamente a narrativa do texto. 1712729 E-book gerado especialmente para WALTER JOSE MOREIRA