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     UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
            DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
          CAMPUS XIV – CONCEIÇÃO DO COITÉ




               JADNA DE OLIVEIRA LIMA




    A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS




                CONCEIÇÃO DO COITÉ
                       2012
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               JADNA DE OLIVEIRA LIMA




    A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS



                  Monografia apresentada ao Departamento de Educação
                  Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia, como
                  requisito final para a conclusão do Curso de Letras com
                  Habilitação em Língua Inglesa.




                CONCEIÇÃO DO COITÉ
                       2012
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     A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE
 APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS




                               Monografia apresentada ao Departamento de Educação -
                               Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia, como
                               requisito final à conclusão do Curso de Letras com
                               Habilitação em Língua Inglesa.



Aprovada em: / /2012



                             Banca examinadora
________________________________________
Mônica Veloso Borges– Orientadora
Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV

_________________________________________
Neila Maria Oliveira Santana - Membro
Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV

_________________________________________
Juliana Bastos – Membro
Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV




                           CONCEIÇÃO DO COITÉ
                                  2012
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                                 AGRADECIMENTOS

Inicio esses agradecimentos primeiramente, ao senhor Deus, aquele que iluminou a minha
mente durante todo o tempo, que sempre esteve, e está comigo. Agradeço por dar-me essa
oportunidade de ingressar no Ensino Superior, no qual preparou-me, não somente para atuar
nessa árdua e gratificante profissão, que é a de educador, mas também para a vida em sí,
possibilitando–me, tanto o crescimento profissional quanto o crescimento pessoal.

Aos meus pais, a quem eu rogo todas as noites a minha existência, agradeço pelo apoio,
carinho e dedicação que deles tenho recebido.

Aos queridos mestres, os meus professores que me acompanharam durante a graduação e
cada um deles deram a sua parcela de contribuição para a minha aprendizagem.
Especialmente, a minha orientadora, professora Mônica Veloso, pela sua disposição e
empenho, sempre que necessitei do seu auxílio. E também não poderia deixar de agradecer de
forma grandiosa a professora Neila Santana, orientadora de TCC, que sempre foi atenciosa e
dedicada ao que faz. Ao professor Fernando Sodré pela sua colaboração.

Com muito carinho, agradeço a minha família pela compreensão dos momentos que precisei
ficar ausente para praticar atividades relacionadas ao curso.

Agradeço mais uma vez a Deus, pois finalmente aqui se encerra mais uma etapa da minha
vida de estudante universitária, na qual espero que seja apenas o primeiro degrau dessa
escada, na qual desejo seguir, para a minha realização profissional e também pessoal.
4




Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.
  Ensinar exige rigorosidade metodológica. Ensinar não se esgota no
  tratamento do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se
    alonga à produção das condições em que aprender criticamente é
    possível. E estas condições exigem a presença de educadores e de
 educandos criadores, investigadores, inquietos, curiosos, humildes e
                                                         persistentes.

                                                         Paulo Freire
5



                                       RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido a partir da pesquisa bibliográfica, na qual tinha como
objetivo, dialogar sobre o desenvolvimento da autonomia dos alunos de língua inglesa do
ensino médio nas escolas públicas. A segunda parte do trabalho investigou-se, através da
pesquisa de campo, a atuação dos estudantes dentro da sala de aula com relação ao
desenvolvimento da autonomia. Buscou-se também analisar, se os professores têm cumprido
com o seu papel de instigadores no processo de aprendizagem dos seus alunos, de forma que
eles viessem a se tornar autônomos, ou seja, investidores do seu próprio conhecimento.
Portanto, a pesquisa bibliográfica trouxe uma variedade de explicações de diversos teóricos
sobre as possíveis causas da ausência de estímulo entre os alunos de LI, ( Língua Inglesa )
que pôde ser comprovado através da pesquisa de campo (etnográfica) de base qualitativa.
Como instrumento de coleta de dados, foram utilizados questionários, nos quais os sujeitos
participantes foram alunos da escola pública do ensino médio e professores com no mínimo
dois anos de experiência. Os questionários aplicados foram instrumentos eficazes para
confirmar a falta de autonomia dos alunos das escolas públicas, sendo essa uma consequência
da ausência de professores que instiguem, em seus alunos, a necessidade de se tornarem
indivíduos independentes, capazes de buscar seu próprio conhecimento. Concluindo-se que,
na maioria das vezes, os professores trabalham com uma metodologia tradicional que não
atende os interesses dos alunos, e portanto não colabora com o desenvolvimento da autonomia
do aprendiz .

Palavras-chave: Escola Pública. Metodologia. Professor-instigador. Aprendiz-autônomo.
6



                                           ABSTRACT

This paper was developed from a bibliographic research, which aimed to dialogue about the
development of the English students' autonomy in high school in the public schools. The
second part investigated through field research, the performance of students in the classroom
in relation to the development of autonomy. It also sought to examine whether teachers have
fulfilled their role as instigators in the learning process of their students, so that they were to
become autonomous, ie investors of their own knowledge. Therefore, the literature has
brought a variety of different theoretical explanations on the possible causes of the lack of
stimulation of LI between students (English Language) that could be verified through field
research (ethnography) of qualitative basis. As an instrument of data collection,
questionnaires were used, in which participants were public school students and high school
teachers with at least two years of experience. The questionnaires were effective tools to
confirm the lack of autonomy of students in public schools, this being a consequence of the
absence of teachers who instigate in their students, the necessity to become independent
individuals, able to pursue their own knowledge. Concluding that, in most cases, teachers
work with a traditional methodology that does not meet the interests of students, and
therefore does not contribute to the development of learner autonomy.

Key-Words: Public School. Methodology. Professor-instigator. Learner –autonomous.
7




                                                SUMÁRIO




1 INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------- 08


2 A RELEVÂNCIA DA AUTONOMIA COMO UM FATOR INDISPENSÁVEL
NA CONTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM LI --------------                                            10
2.1 A orientação do professor: Estímulo necessário para motivar os alunos ao
desejo de aprender a Língua Inglesa -----------------------------------------------------------             14
2.2 O uso das tecnologias como um auxílio ao desenvolvimento da autonomia em
LI-------------------------------------------------------------------------------------------------------   18


3 METODOLOGIA -------------------------------------------------------------------------------- 22
3.1 Tipologia da Pesquisa -------------------------------------------------------------------------         22
3.2 Sujeito e lócus da Pesquisa -------------------------------------------------------------------         23
3.3 Instrumento de Coleta de dados ------------------------------------------------------------             24


4 ANÁLISE DE DADOS --------------------------------------------------------------------------               25


5 CONSIDERACÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------                   36


REFERÊNCIAS ------------------------------------------------------------------------------------            38
8



1 INTRODUÇÃO


       Através de observações que foram realizadas em algumas escolas públicas foi possível
perceber que a LI (língua inglesa) ainda é vista como uma disciplina a mais no currículo
escolar. Há também uma grande desvalorização do inglês por parte de alguns alunos que não
reconhecem a verdadeira importância em aprender essa língua, o que dificulta o processo de
aprendizagem tornando o estudo de LI cada vez mais enfadonho.
Conforme diversos teóricos, isso decorre em função da maneira como é lecionada essa
disciplina, geralmente com o mesmo tipo de aula em torno de itens gramaticais ao longo de
todo percurso escolar, além de não ser mostrado em algumas escolas a verdadeira importância
em aprender a língua inglesa, o que consequentemente gera entre os alunos uma falta de
interesse e desmotivação para aprender. Dessa forma, uma grande parte dos alunos estudam
essa disciplina somente por obrigação e não por serem conscientes da necessidade que temos
em saber uma segunda língua, gerando entre eles uma grande dependência do professor e do
contexto escolar .
       Diante dessa situação muitos alunos concluem o ensino médio e não sentem o menor
interesse em continuar estudando, tornando-se cada vez mais distantes do contato com a
língua inglesa. Porém, sabemos que no contexto globalizado no qual vivemos, se faz
necessário uma incansável busca pela aprimoração de conhecimentos em uma língua
estrangeira, principalmente a LI. Porém, para que isso aconteça os aprendizes precisam se
tornar autônomos, pois conforme Paiva (2010) torna-se inviável desenvolver uma
aprendizagem satisfatória com os conhecimentos adquiridos exclusivamente no ambiente
escolar. Por isso é preciso que os professores de LI utilizem suas aulas como um elemento
essencial para estimular os seus alunos a buscarem o desenvolvimento da autonomia,
tornando-se aprendizes conscientes do seu papel na construção da aprendizagem.
       Considerando os alunos das escolas públicas como indivíduos capazes de construir sua
própria aprendizagem dentro da língua inglesa, e o professor como o responsável por instigar
os estudantes, surge o questionamento: O que os alunos das escolas públicas do ensino médio
tem feito para desenvolver sua autonomia dentro da Língua Inglesa, e o que os professores
dessa mesma instituição tem feito para estimular os estudantes a ter um interesse maior por
essa disciplina de forma que ele venha se tornar independente do contexto escolar? Foi com o
objetivo de responder a essas questões, e a intenção de propor estratégias de aprendizagem
9



significativas, e pautadas no desenvolvimento do aprendiz de LI, de forma que viesse a
estimular os professores das escolas públicas a despertar nos seus alunos o interesse em se
tornar aprendizes autônomos, que foi realizada essa Pesquisa de Campo. Sendo esta uma
pesquisa de caráter qualitativo, realizada no colégio Estadual Wilson Lins no município de
Valente, com professores de Língua Inglesa e alunos do ensino médio, na qual foram
aplicados questionários como instrumento de pesquisa.
Inicialmente foi feita uma visita ao campo (colégio estadual Wilson Lins ) para detectar os
problemas de aprendizagem de LI existentes na sala de aula. Nos quais, um desses problemas
detectados foi a falta de interesse dos alunos com relação a disciplina de língua inglesa. A
partir desse problema encontrado nas escolas públicas, foram realizados alguns estudos para
identificar as possíveis causas do desinteresse dos alunos. Quando então, foi possível perceber
através da fala de diversos teóricos que a falta de autonomia é uma grande vilã para o
progresso na aprendizagem de qualquer língua estrangeira. Dessa forma, foi então
desenvolvida a pesquisa bibliográfica com o objetivo de entender a causa da falta de
autonomia entre os alunos, e também visando descobrir de que forma o professor de LI
poderia incentivar os estudantes a se tornarem verdadeiros aprendizes autônomos.
        Essa, foi a primeira etapa desse trabalho, que consistiu em compreender a causa da
falta de autonomia dos alunos, e em verificar as sugestões propostas por diversos estudiosos
da área de Língua inglesa, como possíveis soluções para tais problemas. No segundo capítulo,
encontra-se a metodologia, na qual descreve a parte técnica desse trabalho, como por
exemplo, o campo onde ele foi realizado, os sujeitos participantes da pesquisa, assim como o
instrumento utilizado para coletar os dados , as características gerais dos sujeitos
participantes, e o tipo de pesquisa realizada. No terceiro capítulo consta a análise de dados,
feita a partir dos questionários respondido por professores e alunos, no qual justifica-se pela
necessidade de conhecer o contexto real da sala de aula para então fazer comparações entre a
parte teórica, e analisar o que é mais viável de ser proposto como solução para a melhoria no
processo de aprendizagem de LI, conforme a necessidade dos alunos.
Por fim encontra-se as considerações finais, trazendo uma conclusão do que foi discorrido
nessa monografia, assim como as possíveis soluções para os problemas apresentados com
relação ao tema desenvolvido.
10



2 A RELEVÂNCIA DA AUTONOMIA COMO UM FATOR INDISPENSÁVEL NA
CONTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM LI


       No mundo globalizado, no qual estamos em que a cada dia que passa se intensifica
cada vez mais as relações comercias entre diversos países, principalmente após o surgimento
da internet, é de capital valor o conhecimento de uma língua estrangeira, principalmente o
inglês, considerado hoje como língua universal.
       O conhecimento da LI ( Língua inglesa) permite à uma ampla quantidade de jovens e
adultos oportunidades de emprego principalmente nas áreas de turismo, nas lojas,
supermercados etc. Sabe-se que a língua inglesa é a mais utilizada para comunicações entre
diferentes países, principalmente nas relações comerciais. Isso demonstra de forma ampla a
capacidade de abrangência da LI em diversos países, e a necessidade que temos de estar nos
preparando, tanto para o mercado de trabalho, no qual exige cada vez mais que os
profissionais tenham uma boa formação na língua inglesa, como para a vida em si, pois o
conhecimento dentro dessa área nos proporciona uma imensa riqueza intelectual, não só nos
aspectos de linguagem, como nos elementos culturais e sociais. Podemos observar a
amplitude de conhecimento que a aprendizagem em LI nos condiciona através da fala de Dias
(2012, p.13) que nos diz que “a aquisição de habilidades comunicativas em outra(s) língua(s)
representa, para o aluno,o acesso ao conhecimento em vários níveis (nas áreas turística,
política, artística, comercial, etc.), favorecendo as relações pessoais”.
       Apesar da imensa influência da LI no Brasil, principalmente após o surgimento da
internet, ainda há desvalorização dessa disciplina nas escolas públicas. Esse fato foi verificado
através de observações, realizadas em uma escola pública estadual no município de Valente
com alunos do Ensino Fundamental e Médio. Através dessas observações, pode se afirmar
que grande parte dos alunos reconhecem a importância em aprender a língua Inglesa no
mundo globalizado no qual estamos. Entretanto, há muitos que não gostam da disciplina por
considerá-la difícil para aprender.
       Uma das razões para se considerar a disciplina difícil, pode estar na falta de
aproximação dos alunos, que na maioria das vezes só entram em contato com a língua quando
estão na sala de aula, o que dificulta cada vez mais o processo de aprendizagem, pois quanto
menos contato com a LI, menos será o progresso do aprendiz com a língua estrangeira na
qual estuda.
11



       Os alunos precisam estar conscientes de que a aula é apenas um instrumento que o
auxiliará na aprendizagem. Embora seja necessário que haja aulas que motivem os estudantes
a querer buscar mais conhecimento, não é apenas a metodologia da aula, ou mesmo o
professor que serão os determinantes do sucesso dos alunos com a LI, pois eles são apenas os
auxiliadores desse processo de aprendizagem. Por isso, os alunos precisam ir muito além do
contexto escolar para poderem alcançar a aprendizagem ideal, pois sabemos que na escola não
há recurso, preparação profissional, ou mesmo tempo suficiente para atingir um nível ideal de
aprendizagem. Portanto os alunos precisam antes de tudo tornar-se responsáveis pelo seu
aprendizado, ao invés de esperar que esse chegue até ele somente por meio da sala de aula.
Em outras palavras isso quer dizer que, para alcançar uma aprendizagem eficaz na LI os
alunos precisam primeiramente tornar-se indivíduos autônomos.
       O que seria então, um aprendiz autônomo? Se relacionamos a palavra autonomia a
independência , logo responderemos que o aprendiz autônomo é aquele que aprende sozinho,
e não depende     do professor para orientá-lo. Se pensássemos dessa forma estaríamos
completamente enganados, pois a orientação do professor é indispensável no processo de
aprendizagem dos estudantes de LI, assim como a sua presença é indispensável no
acompanhamento da construção da autonomia, para indicar aos alunos o caminho mais rápido
para chegar a tal objetivo. Se para se tornar autônomo, o aprendiz precisa ser independente, e
por outro lado ele não deve se distanciar do professor, observamos aqui um pequeno
equívoco. Afinal qual a melhor maneira para se definir a autonomia ?
       O termo autonomia no processo de aprendizagem de língua, especialmente de língua
inglesa, foi sendo amadurecido com o passar dos tempos, devido às discussões entre
pesquisadores da área de Lingüística Aplicada. Segundo Cruz (apud LIMA, 2009, p. 60), essa
inquietação se iniciou com Henry Holec em 1980, com o livro intitulado: Autonomy in
Foreigh Language Learning. Essa inquietação se dá devido a necessidade de aprender uma
língua para usá-la no ato comunicativo, indo de encontro as abordagens tradicionais.
       Miccoli (2010, p.32) considera a definição para o termo “autonomia” apresentada em
Aurélio, segundo o qual autonomia é a capacidade de governar-se a si mesmo. Aplicada á sala
de aula, para Miccoli, essa noção é uma atitude que demonstra que o aluno assumiu
responsabilidade própria por seu processo de aprendizagem.
       Como podemos observar na definição dada por Miccoli, o aprendiz autônomo assume
uma postura de independência com relação ao professor, tornando–se um sujeito ativo na
12



busca de novos conhecimentos para auxiliar o seu processo de aprendizagem. É importante
enfatizar que, essa capacidade de „governar-se‟ não dá ao aluno o direito de sentir–se capaz de
desenvolver sua aprendizagem totalmente fora do ambiente educacional, pois sem a
orientação de um professor, o aprendiz pode cometer uma série de erros, gerando diversas
consequências negativas, como por exemplo, buscando fontes que não sejam confiáveis, ou
praticando estratégias de aprendizagem que não abarquem os caminhos necessários para uma
aprendizagem eficaz.
       A autonomia se dá em qualquer área de conhecimento, seja ela técnica, científica,
educacional, religiosa, etc.. Por isso, Como um exemplo de cidadão autônomo, podemos citar
um indivíduo que traça suas estratégias de vida, como a carreira profissional que pretende
seguir, e a partir da escolha, decide estudar em casa para um possível concurso que venha
acontecer. Essa pessoa demonstra uma atitude autônoma pelo fato de tomar decisões sozinha,
estabelecendo o estudo como uma meta para alcançar seu objetivo.
       É importante compreendermos que relacionar a autonomia ao fato de tomar decisões
sozinho, não implica em dizer que o estudante de LI deva estudar por si próprio, sem
nenhuma intervenção exterior. Muito pelo contrário, o sujeito autônomo precisa estar sempre
interagindo, tanto com o professor, que é o mais importante orientador, quanto com os
colegas, como por exemplo através de diálogos para treinar a pronúncia, em que um poderá
complementar o vocabulário do outro, através de atividades de listening, de leitura, etc..
Todas essas atividades trabalhadas em conjunto facilitará para todos os alunos, pois
geralmente cada um, contém uma habilidade diferente podendo assim contribuir uns com os
outros. Afinal “não existe autonomia pura, como se fosse capacidade absoluta de um sujeito
isolado.[... ] Por isso só é possível realizá-la como um processo coletivo, que implica relações
de poder não autoritárias” (PCN, 1997, p.35)
       Apesar da necessidade da presença de um educador para estar orientando o aluno nos
passos á serem seguidos, o aprendiz precisa ter confiança em si próprio, ao invés de pôr sua
total confiança no professor, como muitos alunos costumam fazer, e consequentemente,
acabam sentindo dificuldade no processo de aprendizagem de LI. Por isso é necessário que o
aprendiz desenvolva a autoconfiança, e então perca o medo de errar nas suas atitudes diante
da classe.
       Na dissertação de Silva (2008) a autonomia é conceituada como a capacidade do
individuo agir, consciente de que suas decisões foram projetadas e assumidas por ele. Se
13



enfatiza a autonomia também como uma condição que a pessoa exerce, assumindo riscos para
alcançar seus objetivos. Afinal todo cidadão que tem um ideal, busca meios para alcançá-lo
conforme a necessidade encontrada. Contudo o aprendiz autônomo, deve se sentir acima de
tudo um ser capaz.
       O aprendiz autônomo demonstra atitudes de responsabilidade e independência não só
pelo fato de estudar sozinho em casa, mas também na escola, até mesmo colaborando com os
colegas que apresentam dificuldade. Apesar da necessidade do aprendiz em estar sempre em
contato com colegas e professores, buscando a interação entre ambos, é necessário lembrar
que é preciso sentir-se livre e desapegado de qualquer pessoa para focar no objetivo próprio.
Como é enfatizado na definição de Rocha (apud SILVA, 2008 p.42) “autonomia é a facilidade
de dirigir se livremente de acordo com sua própria vontade e independência de qualquer
ordem.”
       Essa afirmação de Rocha deixa claro o amplo nível de liberdade que o aluno possui.
Essa liberdade, pode estar relacionada ao livre arbítrio para escolher por exemplo, quais
métodos seriam melhor para desenvolver uma boa pronúncia, ou quais as melhores estratégias
de leitura. É ter liberdade também, para sugerir ao professor de LI algum tema diferente para
estar sendo trabalhado na aula. Enfim há diversas possibilidades do aprendiz usar essa
liberdade, de forma que esteja sempre focando na aprendizagem de língua estrangeira.
       Elementos como independência, liberdade e autoconfiança são considerados
indispensáveis no desenvolvimento da autonomia. Porém é necessário deixar claro aos
estudantes de LI, que eles não devem confundir essa liberdade ou independência, com a
libertinagem em que o aluno pode fazer o que ele quiser, inclusive desconsiderando as
orientações dadas pelo profissional de educação. Pois a orientação do professor é
imprescindível no processo de aprendizagem dos estudantes de LI, assim como a sua presença
no acompanhamento da construção da autonomia, para indicar aos alunos o caminho mais
rápido para chegar a tal objetivo.
       Algo semelhante a fala de Rocha é a de Silva (2008, p.43 ) afirmando que “no
aprendizado de língua inglesa , a prática interativa construtiva e o poder de escolha são
posturas muito úteis para o surgimento da autonomia”. Isso quer dizer que embora o aprendiz
autônomo desenvolva uma responsabilidade maior por seus próprios estudos, ele deve
continuar tendo a instituição escolar, assim como o seus professores, como os colaboradores
desse processo, ao invés de entender que por ser um aluno que busca estratégias de
14



aprendizagem, não precise de nenhum auxílio, muito pelo contrário. O aprendiz autônomo
deve assumir uma postura de responsabilidade e disposição em meio á classe, até mesmo
auxiliando os colegas que tem mais dificuldade.
       A afirmação de Holec com relação a necessidade de uma aprendizagem de LI, voltada
para a comunicação, explica a principal razão para os estudantes de LI das escolas públicas
buscarem desenvolver sua independência, pois é através da autonomia que o aluno passa a
buscar estratégias que são pouco trabalhadas no contexto escolar, e consequentemente podem
atingir um progresso satisfatório.
       Todas as discussões que foram até aqui apresentadas, servem para deixar claro aos
estudantes de LI que o desenvolvimento da autonomia é um fator imprescindível para que ele
possa estar buscando a sua aprendizagem em tempo integral, sem a necessidade de estar na
escola, ou na presença do professor. Através da consciência de que ele tem capacidade para
desenvolver sua aprendizagem, basta querer e correr atrás dos seus objetivos, dessa forma a
aprendizagem de LI pode ocorrer em um intervalo de tempo menor e com muito mais
facilidade.


2.1 A orientação do professor: Estímulo necessário para motivar os alunos ao desejo de
aprender a língua Inglesa


       Um dos passos mais importantes para o desenvolvimento da autonomia é o
reconhecimento da importância da disciplina de LI na sociedade atual, pois torna-se difícil
valorizar qualquer disciplina sem antes saber qual a sua utilidade fora do contexto escolar.
       É comum nas escolas, os alunos se questionarem em que eles poderão aplicar os
conhecimentos adquiridos no Português, na Matemática, na Química, como nos demais
componentes. Se a dúvida dos alunos não for esclarecida em alguma dessas disciplinas,
possivelmente o nível de interesse por ela será inferior as demais. Isso acontece em qualquer
instancia da vida, o ser humano não pode gostar ou apresentar qualquer interesse por aquilo
que ele não conhece, e nem ao menos percebe motivo algum para conhecê-lo. Com a
disciplina de Língua Inglesa acontece o mesmo, por isso se faz necessário que os professores
de LI estejam constantemente mostrando através de suas aulas a influência da LI na sociedade
atual, e a necessidade de estar cada vez mais aprimorando os conhecimentos nessa língua.
15



       O tempo disponível para a disciplina de língua inglesa na instituição escolar é
insuficiente para aprender tudo que é necessário. Como afirma Miccoli (apud PAIVA, 2010
p.34 ) “a aprendizagem da língua estrangeira dentro de uma sala de aula é uma atividade que
pode levar de oito a dez anos de estudo ininterruptos.” Sendo assim torna-se inviável
desenvolver       uma aprendizagem satisfatória       com os conhecimentos adquiridos
exclusivamente no ambiente escolar, com apenas duas aulas semanais de cinquenta minutos
cada uma, sabendo que muita das vezes esses cinquenta minutos de aula nem são cumpridos
totalmente.
           Com a falta de conhecimento da influência da LI na sociedade brasileira, e em
diversas outras nações, somada ao pouco tempo estabelecido para o ensino dessa disciplina,
acaba surgindo uma grande desvalorização por parte da maioria dos alunos, que perdem o
interesse e se distanciam cada vez mais do contato com a língua inglesa, o que gera uma
imensa dificuldade no processo de aprendizagem.
       Diante dessa difícil realidade das escolas públicas com relação a essa língua
estrangeira, não há ninguém melhor que o professor para desmistificar essas crenças e mostrar
ao aprendiz a necessidade que eles têm de aprender uma língua estrangeira, principalmente a
língua inglesa que é utilizada hoje em inúmeros países, tanto como uma língua de
entretenimento, como para estabelecer relações comerciais. Sendo então considerada como
uma língua franca.
       Além de mostrar ao aluno a verdadeira importância em aprender a LI, é necessário que
os professores modifiquem sua abordagem de ensino focando-a no desenvolvimento da
autonomia dos alunos, incentivando-os a buscarem o desenvolvimento da sua aprendizagem
também fora do contexto escolar (já que o tempo estipulado para as aulas de LI é insuficiente
para uma aprendizagem completa), de forma que aprendam verdadeiramente a língua alvo e
tornem-se aprendizes autônomos, capazes de desenvolver seu próprio conhecimento na língua
inglesa.
       Um dos critérios indispensáveis ao educador para incentivar o desenvolvimento da
autonomia do aluno é através da mudança nas aulas de LI, pois se o primeiro passo para
desenvolver a autonomia é despertando o interesse do aluno, esse deve ser feito através da
troca de uma abordagem focada no ensino de gramática, para uma abordagem que contemple
aulas dinâmicas e prazerosas com foco na comunicação. Krashen ( 1985 ) aborda essa questão
através da hipótese do input, na qual todo o input oferecido ao aluno deve ser compreensível,
16



ou seja toda situação linguística durante as aulas deve ser tão real quanto possível, para que
seja compreendida pelos alunos.
       Conforme a teoria de Krashen, a aplicação de exercícios de repetições que visa a
prática de estruturas gramaticais, dificilmente são significantes ou relevantes, deixando assim
de ser um input compreensivo, e atrasando ainda mais o processo de aprendizagem. Além de
Krashen, há diversos outros teóricos que não apoiam o ensino de LI focado exclusivamente na
gramática, como Paiva (apud LIMA, 2009, p.32-33,) que afirma que “toda língua deve ser
ensinada em toda sua complexidade comunicativa sem restringir seu estudo a uma tecnologia
(leitura) ou aspectos apenas formais (gramaticais).”
       O ensino tradicional que se atém a uma única metodologia, pode levar os alunos a
perderem completamente o interesse nas aulas de LI. Dessa forma, a maioria deles podem se
sentir desmotivados para continuar aprendendo a língua inglesa após saírem da escola, já que
não conseguem ver nenhum progresso durante o tempo em que estiveram estudando. Por isso,
se pode concluir que os professores de LI que passam parte de suas aulas ensinando regras
gramaticais (ao invés de aplicá-las no processo de comunicação) estão atrasando o processo
de aprendizagem dos alunos, e um possível desenvolvimento da autonomia destes.
        Dessa forma, se faz necessário que os alunos ampliem o seu tempo de estudo, não se
limitando apenas ao que é aprendido durante as aulas. Pois “ninguém vai aprender uma língua
se ficar restrito as atividades da sala de aula por melhor que elas sejam e por maior que seja o
tempo previsto no currículo escolar,” Villaça (2010). Mas para que isso ocorra, é necessário
que os educadores incentivem os seus alunos ao desenvolvimento da autonomia e ofereçam a
esses um input compreensível, mostrando-lhes as melhores estratégias para adquirir
conhecimento na aprendizagem dessa língua, também fora do contexto escolar.
        O ensino de LI voltado para a comunicação é indispensável para o aluno perceber que
o que ele está aprendendo na sala de aula está sendo útil na prática, e não fica apenas na
teoria. Dessa maneira, o educador pode proporcionar ao aprendiz o desejo de continuar
aprendendo, pois isso pode gerar nele um sentimento de competência para atuar na sociedade,
sendo esse um grande passo para que ele se torne um aprendiz autônomo. Chaguri (2005,
p.01) também é um dos teóricos que enfatiza a importância de um ensino voltado para a
comunicação quando diz que:


                        É fundamental que se garanta as aprendizagens essenciais para a formação de
                        cidadãos autônomos, críticos, e participantes, capazes de atuar com competência,
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                       dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem, utilizando sua própria
                       língua, ou outra capazes de se comunicar e atuar como cidadãos, formando assim
                       sua própria história.


       Sem o incentivo do professor, a dificuldade dos alunos para o desenvolvimento da
autonomia seria ainda maior, e consequentemente o processo de aprendizagem se tornaria
muito mais lento. Pois são poucos os alunos que demonstram responsabilidade, ou atitudes de
autonomia.
       Miccoli (2010) mostra esse desinteresse dos alunos em tornar-se aprendizes
autônomos, quando diz que a maior resistência á promoção da autonomia vem do próprio
aluno, pois o desenvolvimento da autonomia é um processo que exige mais do aprendiz.
       Podemos considerar comum essa resistência dos alunos, pois esses ainda estão mal
acostumados com as salas de aula tradicionais, em que eram considerados como um recipiente
vazio que os professores depositavam seus conhecimentos e eles apenas os reproduziam. No
entanto, para o desenvolvimento de uma aprendizagem eficaz, é necessário que esse ensino
tradicional centralizado no professor seja modificado, e que os alunos se sintam como os
principais agentes do seu processo de aprendizagem. Pois como afirma Leffa (2002) “a
aprendizagem que realmente interessa é aquela que não é apenas reprodução do que já existe,
mas criação de algo novo, de progresso e avanço e só é possível com autonomia”.
       É indispensável que os alunos considerem-se como parte da aula e passem a fazer
questionamentos aos professores, assim como dar a eles suas opiniões sobre o que precisam
aprender. Esse já é um dos primeiros passos para o desenvolvimento da autonomia, mas para
que isso aconteça é necessário que o professor abra espaço para o aluno, dando lhe
oportunidade para demonstrarem as suas produções, fazendo-os se sentirem seguros e
independentes.
       De acordo com Freire (1996, apud SILVA, p.42), “na sala de aula, o estudante deve
encontrar meios que propiciem a sua autonomia para que ele se torne um colaborador e um
associado dos projetos montados para a aula”. Moita Lopes (1997) também enfatiza a
necessidade dessa participação dos alunos, quando afirma que os educadores devem
desenvolver nos alunos um conhecimento que vai além do conhecimento ritualístico e
mecânico, incentivando-os a participação consciente, que libertará o aluno da dependência do
professor. Dessa forma o docente estará cumprindo o seu ofício, como um verdadeiro
educador, que sabe que o seu papel é orientar os seus alunos, deixando-os livres, para
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observarem e aprenderem a corrigir seus próprios erros, ao invés de facilitar o processo de
ensino-aprendizagem, retirando dele todas as possíveis dificuldades que os aprendizes
poderiam enfrentar. Pois é a partir das dificuldades encontradas pelos alunos, que
posteriormente esses poderão alcançar um bom nível de aprendizagem em LI.
       Através de todas as discussões em torno do papel do professor na construção da
autonomia dos alunos de língua inglesa, podemos constatar que o conhecimento não é dado ao
aprendiz, mas esse é o único responsável em construí-lo. Porém, não se pode negar que
quanto maior for o estímulo oferecido pelos professores, maior serão as chances dos
estudantes despertarem o desejo, e desenvolverem a consciência da necessidade de se
tornarem aprendizes autônomos para que possam alcançar um nível satisfatório de
aprendizagem, tanto na língua inglesa, como em qualquer língua estrangeira que desejam
aprender.


2.2 O uso das tecnologias como um auxilio ao desenvolvimento da autonomia em LI


       O avanço ocorrido na tecnologia nos últimos anos apresenta uma série de vantagens, e
entre elas está a contribuição dos diversos meios tecnológicos para a aprendizagem de LI. Se
pararmos para imaginar a sala de aula de LI há alguns anos atrás podemos perceber o quanto
deveria ser difícil para os alunos se sentirem motivados, com o mesmo tipo de aula o tempo
todo já que não havia nas escolas nenhum tipo de recurso tecnológico moderno, e os
professores tinham como único recurso o quadro e o piloto. Felizmente essa realidade mudou
com o passar dos anos e as aulas puderam ser mais dinamizadas através das fitas cassetes, na
qual os alunos podiam assistir filmes para melhorar o seu vocabulário, ou ouvir músicas em
inglês, o que contribuía muito com os alunos na melhoria da pronuncia. Tudo isso é
importante, principalmente se compararmos com aulas expositivas, como foi citado
anteriormente com o uso do quadro e do piloto. Se esses únicos meios citados puderam
contribuir com a melhoria na aprendizagem de Língua Inglesa, hoje com a presença de
diversos outros recursos modernos trazidos através da grande evolução tecnológica, há muito
mais facilidade de aproximação entre os alunos e a língua-alvo na qual estão estudando.
       Se antes os alunos justificavam a dificuldade em aprender a LI devido a escassez de
recursos que pudessem lhes proporcionar uma maior interação com a língua, hoje essa
justificativa não é valida, pois os alunos conseguem aprender sozinhos a língua inglesa não só
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a habilidade de leitura e escrita, como também a sua pronúncia correta através de estudos
realizados em casa com o uso de cd, DVD, vídeos, e principalmente da internet.
       Podemos considerar normal a enorme dependência dos alunos com relação ao
professor de LI a algum tempo atrás, em que não existia se quer livros disponíveis para os
alunos. Como esses poderiam desenvolver uma aprendizagem eficaz com a inexistência de
tantos recursos imprescindíveis para o estudo de uma língua estrangeira? Torna-se difícil para
qualquer indivíduo que praticamente nasceu em uma era tecnológica responder a essa
pergunta, porém atualmente se tornou muito fácil afirmar como os alunos de LI podem
aproveitar o tempo em casa para aprofundar os seus estudos, após tanta riqueza proporcionada
pela tecnologia.
       A internet, por exemplo é um recurso que se pode considerar completo, já que dispõe
de meios para desenvolver todas as habilidades( listening, speaking, writting e reading).
Através dela os estudantes tanto podem assistir um filme com legenda em inglês, como ouvir
músicas, ler textos autênticos, historinhas em quadrinhos, ou até mesmo conversar com um
falante nativo de Língua Inglesa. Tudo isso contribui bastante para o aluno desenvolver sua
autonomia, já que eles têm o direito de escolher os textos que preferem ler, ou a música que
mais gostam , sendo esses um dos primeiros passos necessários para que ele se torne um
aprendiz autônomo.
       Para que a aprendizagem ocorra com sucesso em qualquer instancia, ela precisa está
associada ao prazer, por isso os meios tecnológicos puderam trazer uma imensa contribuição
ao processo de aprendizagem de LI, principalmente a internet, que disponibiliza diversas
maneiras de aprender de forma pratica e divertida.
       Através de entrevistas realizadas com alunos de Língua estrangeira podemos constatar
o quanto a presença da internet pôde estimular os alunos ao desenvolvimento da autonomia.
       Em uma entrevista realizada por Elisa Lioe sobre a aprendizagem de LI, a música, a
TV a cabo (seriados americanos, noticiários e programas falados em inglês) e a Internet foram
os recursos mais mencionados pelos alunos como meios de aprimorar a língua. Um dos
alunos entrevistados afirma que não gosta muito de ler embora faça isso por obrigação porque
sabe da sua importância, buscando um tema que seja de seu interesse, ele diz que prefere
ouvir e falar, assim como ouvir músicas do que aprender através do livro e gramática. Ele
também procura conversar com falantes nativos. Portanto, não há um recurso melhor que a
internet para trazer tanta diversidade e até mesmo a oportunidade de aproximar pessoas de
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diferentes países. Fica difícil imaginarmos, por exemplo, um estudante de escola pública (que
na maioria são de classe baixa) conversando, ou tendo aula com um falante nativo de LI, sem
o uso desse precioso recurso que é a internet.
       É importante lembrar que apesar da extrema necessidade do uso da internet para o
desenvolvimento da aprendizagem em LI, não se pode deixar de lado todos os outros recursos
que a tecnologia dispõe, para realizar as diferentes habilidades no processo de aprendizagem
de língua inglesa.
Através de estudos realizados, podemos afirmar que o desenvolvimento da autonomia é o
fator que indicará o desempenho dos alunos nas atividades a serem realizadas
individualmente. E para a realização de uma completa aprendizagem é necessário que os
aprendizes pratiquem atividades que abordem todas as habilidades, e não apenas uma delas.
Por isso, Laura Miccoli desenvolveu um programa chamado self study Project, que engloba as
quatro habilidades lingüísticas: listening, reading, speaking e writing. Ela realizou esse
programa de estudo individual, com o objetivo de fazer com que os alunos integrassem ações
autônomas fora da sala de aula ao seu processo de aprendizagem.
       Nas atividades de listening, Miccoli sugere que os aprendizes ouçam músicas que
gostam, descubram quantas palavras já conhecem, e façam uma lista incluindo aquelas que
são desconhecidas para que possam substituir por sinônimos em inglês. A mesma atividade
pode ser feita através de um filme, vídeo, ou através de entrevistas a artistas que tenham a
língua inglesa como sua língua materna. Os alunos devem estar sempre fazendo anotações e
buscando aprender a pronuncia de novas palavras. Ao assistir um filme, eles podem preencher
uma ficha contendo as seguintes descrições: name of movie, main actors, brief description of
movie, part you liked Best, list of words you did undestand.
Para as atividades de reading, a autora do Self Study Project orienta os aprendizes a
procurarem na própria cidade todas as palavras na língua inglesa que forem encontradas nas
vitrines das lojas, supermercados, em frases nas camisas das pessoas, lembrando-se de anotá-
las e observar se estão escritas corretamente. Outra atividade interessante é selecionar revistas
com temas escolhidos por eles, e preencher ( em inglês ) uma ficha com: Name of magazine,
brief description of content, part you liked Best, list of words you learned.
       Na realização de atividades com o uso do speaking a música continua sendo
indispensável, o aluno pode utilizá-la para melhorar a sua pronuncia. Miccoly aconselha os
aprendizes a iniciar com canções lentas, e depois passar para canções mais rápidas. O aluno
21



também pode fazer entrevistas com os professores, onde ele mesmo deve criar as questões.
Eles podem se reunir uma vez por semana com seus colegas para produzirem um diálogo
sobre um tópico específico, gravando as pronuncias dos colegas em um cd para fazerem as
devidas correções Essas reuniões podem ser chamadas de English Club. Podemos considerar
essa atividade como um ótimo requisito para tirar o medo dos alunos de se pronunciar em
público na língua-alvo. Eles podem inclusive, preparar-se para futuras apresentações em
Inglês na sala de aula, fazendo essas apresentações inicialmente para o seu clube.
       As atividades de writing podem ser feitas através da troca de bilhetes entre os colegas,
ou textos pessoais sobre a própria vida, como algum acontecimento marcante, as coisas que
gostaria de realizar, etc.. Essas atividades podem ser corrigidas entre os colegas, e
posteriormente levadas para a sala de aula para serem corrigidas pelo professor. A correção
feita inicialmente pelos alunos é um ótimo exercício para eles avaliarem o próprio nível de
aprendizagem.
       Podemos observar que todas essas estratégias de aprendizagem envolvem tarefas que
necessitam do uso da tecnologia para serem melhor elaboradas, principalmente atividades que
contemplam a habilidade de listening e Speaking. Além disso, podemos observar que todas
elas trabalham com o lúdico, e esse é um fator indispensável a ser utilizado pelos alunos na
construção do próprio conhecimento. Pois onde há o lúdico, há também o prazer e
conseqüentemente o aprendizado ocorre de forma natural.
       Portanto, para desenvolver uma aprendizagem em uma língua estrangeira, há dois
fatores fundamentais que devem ser estimulados pelos professores de língua estrangeira: o
primeiro é o fator autonomia, pois sem ela os alunos podem ser os “melhores da classe,” mas
não passarão de meros alunos. O segundo, é o fator tecnologia, pois sem essa, seria
praticamente impossível desenvolver uma aprendizagem eficaz, até mesmo para os alunos
autônomos.
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3 METODOLOGIA


       Este capítulo descreve a parte técnica desse trabalho, como por exemplo, o campo
onde ele foi realizado, os sujeitos participantes da pesquisa, assim como, o instrumento
utilizado para coletar os dados, as características gerais dos sujeitos participantes e o tipo de
pesquisa realizada.


3.1 Tipologia da pesquisa


       Esse trabalho foi desenvolvido através da pesquisa bibliográfica e da pesquisa de
campo. O primeiro tipo de pesquisa foi feito com o objetivo de obter o máximo de
conhecimento possível em torno do tema desenvolvido. Para isso, foram realizados estudos de
diferentes teorias á respeito do tema, e foram feitas diversas comparações entre as abordagens
de cada teórico. Essa pesquisa inicial foi de fundamental importância para enriquecer o
conhecimento com relação ao tema desse trabalho, já que os conhecimentos adquiridos
serviram para uma melhor aplicabilidade da parte técnica do mesmo, pois através dela foi
possível obter o conhecimento necessário para se aplicar as técnicas de pesquisa de forma
adequada, e se chegar a conclusões que puderam ser evidenciadas anteriormente por
estudiosos da área na qual esta pesquisa se designou.
       O segundo tipo de pesquisa realizado é denominado pesquisa de campo, que é abaixo
definida segundo Markoni e Lakatos. (2005, p. 188) :


                        Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir
                        informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se
                        procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou,
                        ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles.

       A escolha desse tipo de pesquisa se justifica por ela proporcionar a obtenção de dados
relevantes para a continuidade desse trabalho da melhor forma possível, permitindo uma
proximidade maior com o objeto de estudo e com os sujeitos a serem investigados, tornando
os dados obtidos o mais real possível, e portanto confiáveis.
       A principal finalidade desta Pesquisa de Campo foi constatar o nível de conhecimento
dos alunos de LI ( Língua Inglesa ) das escolas públicas com relação a importância da
autonomia para o progresso na aprendizagem de uma língua estrangeira. Assim como,
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analisar se suas atitudes são coerentes ou incoerentes como aprendizes que devem ser
independentes. Além disso, buscou-se verificar se há uma preocupação por parte dos
professores em trabalhar o desenvolvimento da autonomia dos seus alunos através de suas
aulas, de forma que esses pudessem se tornar estudantes conscientes da sua responsabilidade
durante o seu processo de aprendizagem de LI.


3.2 Sujeitos e lócus da Pesquisa


        Os sujeitos escolhidos para a pesquisa foram 10 alunos do ensino médio das escolas
públicas e 3 professores da rede pública que lecionam nas séries do ensino médio, com no
mínimo dois anos de experiência. A escola escolhida como objeto de investigação foi o
Colégio Estadual Wilson Lins, no município de Valente-BA. A preferência por essa escola,
explica-se devido o contato que eu já possuí com ela por oito anos, durante o período em que
estudava o ensino fundamental e médio. Por isso buscou-se investigar o que mudou com
relação a aprendizagem de LI, de 2006 (no ano que conclui o ensino médio ) até esse ano de
2012.
        A preferência pelos alunos do ensino público se deu por se ter observado através de
estudos sobre o ensino e a aprendizagem de língua Inglesa, o preconceito que há desses
alunos com relação ao ensino de LI, pelo fato deles serem na maioria de baixa renda e não
terem oportunidade de viajar para países de língua estrangeira e se sentirem afastados dessa
língua devido a situação financeira na qual possuem. Por isso, buscou-se analisar se ainda há
esse preconceito entre os alunos, ou se eles tiveram autonomia para se dedicar aos estudos de
LI, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo mundo globalizado no qual estamos.
        A opção em utilizar estudantes do nível médio explica-se pelo fato desses já estarem
próximo de concluir, e por isso podem ter uma visão melhor do que os que ainda estão no
ensino fundamental. Além disso, esses alunos tem uma maturidade maior para participarem
da pesquisa, e para demonstrarem se possuem ou não interesse em prosseguir nos estudos de
língua inglesa.
        Os questionários dos alunos foram respondidos imediatamente no momento em que
lhes foi entregue. Isso possibilitou que eles fossem o mais sincero possível nas suas respostas,
o que contribuiu significativamente com o objetivo desse trabalho. Quanto ao questionário
dos professores, apenas um dos três que participaram da pesquisa respondeu no mesmo
24



momento em que lhes foi entregue. Os demais solicitaram um dia para entregar, e assim lhes
foi permitido.
       Todos os professores participantes da pesquisa tinham no mínimo 6 anos de
experiência no ensino de Língua Inglesa. Essa característica foi fundamental, já que um dos
critérios para escolha dos sujeitos seriam aqueles com no mínimo dois anos na sala de aula de
LI .


3.3 Instrumentos de coleta de dados


       A técnica utilizada para coletar os dados foi a aplicação de questionário. A escolha
desse instrumento foi feita, por ele ser ideal para alcançar o objetivo proposto nesse trabalho,
além de proporcionar uma maior liberdade e sinceridade nas respostas, já que os sujeitos
participantes não precisam se identificar, tornando a pesquisa mais confiável.
       O questionário é fundamental para esclarecer o problema da pesquisa como explica
Gil (apud BRENNER, 1999, p. 25):


                         Construir um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos em
                        questões específicas. As respostas a essas questões é que irão proporcionar
                        os dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema da
                        pesquisa.

       No questionário dos alunos haviam 5 questões, sendo elas 4 subjetivas e apenas uma
objetiva, quanto ao dos professores, haviam 4 questões, sendo 3 subjetivas e uma objetiva, o
que torna essa pesquisa de caráter qualitativo, ou seja, diferente da pesquisa quantitativa, os
dados não são analisados estatisticamente, mas através de uma visão um pouco mais
minuciosa, observando cada característica de forma mais detalhada.
       Visando melhores resultados desse trabalho, cada questão aplicada foi analisada
individualmente, e em casos necessários foram usados exemplos das respostas dos alunos,
assim como dos professores.
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4 ANÁLISE DE DADOS


       O resultado dessa pesquisa de campo foi consideravelmente relevante para confirmar
as ideias contidas na pesquisa bibliográfica a respeito da falta de autonomia dos alunos de
língua inglesa das escolas públicas, que traz como principal consequência a dificuldade na
aprendizagem de LI.
       Existem diversas estratégias que podem facilitar o processo de aprendizagem de uma
língua estrangeira para que ele ocorra de forma rápida e eficaz, mas para utilizar essas
estratégias é necessário ser um estudante autônomo, ou seja, o aluno deve sentir- se
independente do contexto escolar, e disposto a praticar habilidades que faça-o progredir no
processo de aprendizagem de LI.
       Com base nesses conhecimentos que foram adquiridos durante a pesquisa
bibliográfica, e com o objetivo de comprovar a realidade dos alunos do ensino médio das
escolas públicas com relação á autonomia desses, foram desenvolvidas 5 questões. A primeira
questão tinha como intenção principal perceber, se os alunos tinham consciência da
importância da autonomia para o seu progresso na aprendizagem de uma língua estrangeira, e
quais atitudes deles poderiam ser possíveis indicadores de que eles a obtivessem . Por isso, no
questionário realizado com os alunos, a primeira questão se referia a opinião deles com
relação ao que poderia facilitar a aprendizagem de LI para que ela acontecesse de forma
rápida e eficaz.
       Para essa questão grande parte dos alunos deram respostas relacionadas ao contexto
escolar. Alguns responderam que o professor deveria cobrar mais dos alunos, outros
afirmavam que seria necessário haver aulas mais dinâmicas em que houvesse interação entre
educador e educando, outros ainda asseguraram que aprenderiam melhor se o professor
levasse música para a sala de aula. As demais respostas eram semelhantes a essas, e sempre
tinham o professor como aquele que atua no processo de aprendizagem, enquanto os alunos
mantinham posturas passivas. Em todas essas respostas pode-se facilmente observar que os
alunos não citam o que eles deveriam fazer para melhorar o seu aprendizado, e sim o que o
professor deveria fazer, ou seja, eles excluem o próprio papel no processo de aprendizagem e
atribuem ao professor a responsabilidade total pela sua aprendizagem.
Isso traz a concepção de que os educadores precisam esclarecer o papel do aluno no processo
de aprendizagem de uma língua estrangeira, assim como mostrá-los que eles podem aprender
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muito mais quando tornarem-se independentes, pois é através do incentivo inicial do educador
que os alunos poderão desenvolver a consciência com relação a sua função como estudante de
uma língua estrangeira.
Apesar da necessidade de aulas que funcionem como uma motivação extrínseca para o aluno
sentir interesse em estudar a língua inglesa, é necessário que eles tenham conhecimento de
que a sala de aula não é o suficiente para desenvolver uma aprendizagem eficaz, como afirma
Miccoli ( apud PAIVA, 2010, p. 34):


                          Acreditar que o aluno aprenderá tudo que precisa para expressar-se bem em
                          uma língua estrangeira em sala de aula é impossível. Assim, tanto professor
                          quanto alunos devem saber que seus papéis em sala de aula são limitados,- o
                          professor não pode ensinar tudo, e o aluno não deve esperar que através do
                          professor se aprenda tudo.

       Entre 10 alunos que responderam o questionário, apenas 3 deles deram respostas
autônomas e eficazes sobre o que pode realmente facilitar a aprendizagem de LI permitindo
que ela aconteça em um intervalo de tempo menor. Contrariamente a maioria, esses deram
respostas demonstrando uma certa independência do professor, afirmando que para facilitar a
aprendizagem de LI eles poderiam fazer cursos extras, assistir filmes legendados, ouvir
músicas na língua inglesa, entrar em contato com falantes nativos, etc.. Percebe-se portanto,
que uma pequena minoria se insere como os construtores da própria aprendizagem, pois ao
invés de citar o professor, eles citaram seus próprios mecanismos e suas técnicas para
aprender fora do contexto escolar. Essa seria a melhor forma para atingir um nível ideal de
aprendizagem em língua inglesa, pois é uma maneira de ampliar o curto intervalo de tempo da
carga -horária dessa disciplina. No entanto, pode-se constatar que a maioria dos estudantes
ainda encontram–se dependentes do contexto escolar. Esse é um fato verídico que pode
acontecer por consequência da falta de conhecimento por parte do professores de como
trabalhar a autonomia durante suas aulas. Isso mostra uma necessidade de cursos direcionados
aos professores de LI com foco no desenvolvimento da autonomia dos estudantes.
       Diferentemente da primeira questão, a questão subsequente era fechada, contendo
apenas duas alternativas. Nela foi questionado sobre qual pessoa o aluno considera como o
principal responsável pela construção da sua aprendizagem em LI.Uma das alternativas era o
professor e a outra, o aluno. Essa questão foi feita com o objetivo de analisar o nível de
dependência dos alunos para com o professor.
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       Entre dez dos que responderam o questionário, oito marcaram na alternativa que se
refere ao professor, e apenas dois dos estudantes marcaram na opção aluno. Através das
respostas obtidas nessa questão, fica claro que os alunos de Língua Inglesa das escolas
públicas não assumem sua responsabilidade como aprendiz de uma língua estrangeira. E se
esses acreditam que o principal responsável pela construção do próprio conhecimento é o
professor, isso mostra que há uma imensa necessidade de ser esclarecidos os papeis de cada
um, e esse é o ofício do educador: Mostrar para os seus alunos que eles são os próprios
construtores do conhecimento, e que ele (o professor) é apenas o mediador. Enquanto os
aprendizes estiverem transferindo toda a responsabilidade para o professor, eles irão continuar
sentindo dificuldade com essa disciplina, pois, embora seja necessário que o professor faça
um bom trabalho, é também necessário que os alunos reconheçam o seu papel como
estudantes de uma língua estrangeira e compreendam que é a partir da dedicação deles que
poderão alcançar uma aprendizagem satisfatória. No entanto, o educador precisa orientá-lo a
respeito disso, pois segundo Paiva (apud LIMA, 2009, p.35 ).“o professor não é o responsável
pela aprendizagem do aluno, mas pode ajudá-lo a ser mais autônomo”
        É necessário frisar que, mesmo havendo apenas duas opções de resposta, na qual eles
teriam que optar apenas pelo professor ou pelo aluno como responsável pela construção da
aprendizagem, um dos alunos quebrou as regras de resposta e acrescentou outra alternativa,
contendo professor e aluno, marcando nesta opção. A atitude desse aluno mostra o quanto
ele é seguro e conhecedor de que os dois são importantes no processo de aprendizagem, pois
ele não quis decidir entre um ou outro, demonstrando o quanto ele é consciente a respeito da
necessidade de empenho tanto do professor, quanto do aluno. Embora se saiba que quanto
maior a responsabilidade do aluno no processo de aprendizagem de uma língua estrangeira,
maior as chances dele desenvolver sua própria aprendizagem. Porém, conforme Paiva (2010,
p. 34 ) isso precisa ser trabalhado pelo professor:


                        O desenvolvimento de alunos autônomos deve ser incentivado pelo professor
                        para que o aluno possa direcionar sua aprendizagem de forma a que este,
                        gradativamente, deixe de precisar do professor para resolver tarefas, sejam
                        elas dentro ou fora da sala de aula.


       Com o objetivo de saber quanto tempo de estudos extra escolares os alunos
consideram necessário para aprender a LI, foi feita uma questão na qual pedia que os alunos
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fizessem a suposição de que uma aluna só entrava em contato com a LI quando estivesse na
sala de aula, por conta da falta de tempo. Sendo ela uma aluna aplicada que respondia as
atividades, mas não tinha nenhum contato com a língua inglesa além daquele que possuía na
escola, seria possível que ela aprendesse essa língua?
       Nessa questão apenas dois dos alunos responderam que não seria possível, os demais
(oito alunos) responderam que seria possível dependendo da força de vontade. Uns afirmaram
que ela poderia aproveitar os finais de semana para ver vídeos-aulas e manter contato virtual
com estrangeiros, outros afirmaram que seria possível, já que a aluna era atenta nas aulas e
respondia as atividades. Outro aluno afirmou que o inglês está em todo lugar então, para ele, é
possível aprender mesmo só entrando em contato quando estiver na escola. Esse aluno dá uma
resposta aparentemente confusa, pois se ele próprio afirma que essa língua está em todo lugar,
é então necessário aproveitar esse conhecimentos extra escolares para desenvolver uma
aprendizagem satisfatória, porém ele afirma o contrário quando diz que é possível aprender
mantendo contato com a LI somente através da escola.
       Ainda houve outro aluno que respondeu que seria possível, se a professora explicasse
todos os assuntos que o aluno apresentasse dúvida.
Percebe-se claramente que há uma falta de noção por parte dos alunos do que seja realmente
aprender uma língua estrangeira e do tempo necessário para isso. Pois essa aluna não poderia
aprender a LI, mantendo contato com ela apenas no ambiente escolar. No entanto, a realidade
das escolas públicas, permite que os alunos sintam que aprenderam o suficiente apenas com o
que eles veem na escola. Isso pode ser ilustrado na fala da aluna que diz: “É possível
aprender, pois eu trabalho e não tenho tempo para nada, mas sou nota 10 em inglês.”
Conforme Miccoli (2010),“demonstrar conhecimentos em uma língua estrangeira não se
limita apenas ao preenchimento de espaços nas provas, mas também à realização de projetos,
onde esses conhecimentos sejam aplicados. Portanto, para demonstrar a aprendizagem em
uma língua estrangeira é necessário que o aprendiz domine todas as habilidades (listening,
speaking, writting e reading), e não apenas uma delas.
        Apesar da grande maioria dos estudantes acreditarem que é possível aprender a LI
mantendo contato com essa língua apenas no contexto escolar, há uma pequena parte que
pensa diferente e que é necessário ser frisado. Ou seja, entre os dez alunos que responderam
ao questionário, dois deles afirmaram que não seria possível aprender a LI nas condições
citadas na pergunta. Um deles respondeu que para aprender é necessário tempo, mesmo a
29



pessoa sendo um bom aluno, e o outro aluno demonstrou através de sua resposta que não seria
possível aprender através do contato unicamente com a escola, porque apenas com as aulas
escolares eles não aprendem o suficiente. A Resposta desse aluno chama a atenção, pois
percebe-se um pequeno desabafo, na qual ele se expressa da seguinte forma : “Não. Porque os
professores não ensinam 100% a falar, eles dão aula e ensinam só algumas palavras, como por
exemplo, love, you e I, que todos sabem o que significa.”
       A fala desse aluno, além de complementar a citação de Miccoli, serve também para
comprovar que há uma necessidade de mudança nas aulas de língua inglesa, de forma que os
aprendizes sintam que o que ele aprende será útil, não só para responder provas e obterem
uma nota, mas principalmente para utilizarem no seu cotidiano, no diálogo com estrangeiros,
na compreensão de uma música, ou de uma entrevista que passa na tv. Dessa maneira, os
alunos estarão aplicando o que viu na sala de aula em um contexto real, que é muito mais
significativo. É por observar a decadência no ensino de língua inglesa nas escolas públicas
que esse aluno se expressa dessa forma, mostrando que ele se sente incomodado com a
maneira na qual essa língua é lecionada, por isso é necessário uma mudança nas aulas de LI,
como afirma Paiva ( apud LIMA 2009, p.34-35):


                       O ensino de LE tem carga-horária reduzida,(.....) logo essas horas na sala de
                       aula precisam ser usadas de forma a despertar no aprendiz o desejo de
                       ultrapassar os limites de tempo e espaço na sala de aula em busca de novas
                       experiências com a língua.


       O aluno mostra-se crítico e reflexivo, não acreditando que é possível aprender a língua
inglesa somente através do ambiente escolar. A sua opinião mostra uma postura de alguém
que pode tornar-se um sujeito autônomo, pois independente da postura do seu professor, ele já
mostra ser consciente á respeito da necessidade de se tornar independente para que possa
progredir no seu processo de aprendizagem. Porém, foi possível perceber que são poucos
alunos que tem esse senso crítico, é exatamente por isso que os educadores tem o dever de
orientá-los a saírem da função de simples receptores, para os construtores do próprio
conhecimento.
       È sabido que para alcançar uma aprendizagem eficaz em LI, o estudante precisa se
tornar autônomo, e quando o aluno tem a consciência de que o espaço escolar não é suficiente
para promover tal conhecimento, ele tem mais facilidade de desenvolver essa autonomia.
30



Com base nesses conhecimentos, e com a intenção de saber o que os alunos entendiam com
relação a responsabilizar-se pela aprendizagem em LI, lhes foi indagado se eles se
consideravam responsáveis como estudantes de uma língua estrangeira e quais atitudes deles
poderiam exemplificar essa responsabilidade.
       Para essa questão 3 alunos responderam negativamente, afirmando que não se
consideravam muito responsáveis. Entre esses, houve um aluno que justificou essa resposta
explicando que a disciplina é muito difícil. Diferentemente desse, um outro estudante afirmou
que apesar de      não ser responsável, ele não apresentava nenhuma dificuldade com a
disciplina, já o outro estudante respondeu que não era totalmente responsável porque algumas
vezes deixava de fazer traduções solicitadas pela professora. Entretanto, a grande maioria
deram respostas positivas com relação ao fato de se considerarem responsáveis. Contudo,
todos justificavam essa responsabilidade pelo simples fato de responderem as atividades da
classe, ou ser atento durante as aulas.
       Ao analisar essas respostas, nota-se mais uma vez a falta de autonomia desses alunos,
na qual está evidente que os educadores não lhes mostram o que eles devem fazer para
assumir a responsabilidade como aprendiz de uma língua estrangeira. Se esses             alunos
acreditam que responder as atividades e ser atento durante as aulas é o suficiente, fica claro
que não há uma cobrança maior por parte do professor de forma que venha gradativamente
mudar o comportamento dos alunos, permitindo que esses passem a exigir mais de si próprios
no seu processo de aprendizagem .passando a responsabilizar-se não só pelas atividades
escolares, mas pela busca de conhecimentos que venham complementar o pouco tempo de
contato com a LI que eles possuem nas escolas públicas.
       Esse ensino que se apresenta descentralizado da autonomia, gera diversas
consequências, e uma dessas é o comodismo dos alunos. Pois para ser independente,
autônomo, ou responsável, é necessário mudar a postura de simples “alunos”, para a postura
de “estudante”, e para isso os professores de LI precisam orientar seus alunos a buscar novas
fontes de conhecimento,       de forma que eles     não se prendam somente as atividades
desenvolvidas no ambiente escolar.
       A última questão para os alunos foi construída com o intuito de entender quais seriam
os possíveis indicadores da autonomia, ou da ausência dessa, entre os estudantes de LI. Para
isso, a pergunta para esses alunos se referia ao que lhes estimula o desejo de aprender, e o que
desmotiva-os de forma que percam o interesse para estudar essa língua.
31



       As respostas para essa questão foram as mais semelhantes entre todas que foram feitas.
O estímulo dos alunos estava sempre relacionado com a motivação intrínseca, que se baseava
no desejo de viajar e poder se comunicar com falantes estrangeiros, e a necessidade de
ingressar logo no mercado de trabalho. Quanto a desmotivação desses, estava relacionada
principalmente a dificuldade com a pronuncia. O que mostra a necessidade de aulas que
trabalhe com a habilidade comunicativa, para despertar o interesse dos alunos, que desejam se
comunicar em uma língua estrangeira, e eliminar a dificuldade que eles apresentam com
relação a pronúncia.
       Um dos alunos explicou que o que lhes desmotiva é o fato da língua não ser tão
popular. Essa resposta traz a conclusão de que esse aluno raramente mantém contato com a
LI, o que torna para ele uma língua pouco popular, e portanto difícil para aprender. Além
disso, demonstra também a necessidade que há do professor trabalhar em sala de aula com as
consequências da globalização, e a importância do inglês neste cenário, para que os alunos
então percebam que a língua inglesa tornou-se, não            apenas uma língua popular, mas
principalmente uma língua conhecida como universal”, o que demonstra a sua                  grande
influência na atual sociedade.
       Um dos alunos demonstra que sua motivação é intrínseca, ou seja está relacionada a
seus desejos pessoais. Essa resposta é ilustrada da seguinte forma:
       “Me motiva por ser uma língua muito interessante e eu acho bonito e tenho vontade de
viajar , aí iria facilitar né, porque é muito difícil decorar palavra, falar corretamente, escrever
e saber o significado.”
       Através do comentário desse aluno, percebe-se que o que lhe estimula é o interesse
pessoal em aprender a língua inglesa, porém apesar do desejo desse aluno, ele demonstra a
dificuldade em desenvolver várias habilidades ao mesmo tempo. Isso confirma o que está
inserido na parte teórica desse trabalho, de que grande parte dos alunos perdem o interesse por
essa disciplina devido a metodologia tradicional adotada pelos professores, com foco
exclusivo na gramática, e que raramente trabalha com as demais habilidades, gerando uma
imensa dificuldade dos alunos e trazendo como consequência o desinteresse que impede-os
cada vez mais de tornem-se aprendizes autônomos. Confirmando portanto a fala de Paiva
(2009) quando ela diz que “ninguém vai se sentir motivado se ano após ano                     ficar
memorizando regras gramaticais e fazendo exercícios cansativos e sem sentido”.
32



       Devido aos conhecimentos obtidos através da pesquisa bibliográfica, feita durante esse
trabalho, foi possível perceber o quanto o incentivo do professor é necessário para que o
aprendiz desperte o interesse pela disciplina de LI, e torne-se aos poucos um sujeito
autônomo. Por isso, a primeira questão feita aos docentes perguntava-lhes a respeito das suas
crenças com relação a possibilidade de incentivar a autonomia dos estudantes de LI por meio
das aulas desta disciplina.
       Dois professores participantes da pesquisa responderam que seria possível incentivar a
autonomia por meio das aulas, e com relação a maneira como isso poderia acontecer, eles
responderam que estimulariam os alunos a acessar vídeos, áudios, filmes e a praticarem a
conversação. Esses professores deram respostas unânimes, e que são realmente importantes
para desenvolver a aprendizagem de LI, porém, sabe-se que antes de pesquisarem sozinhos os
alunos precisam quebrar todas as barreiras e as dificuldades encontradas, e acima de tudo
precisam compreender as vantagens que o ensino de língua inglesa pode lhes proporcionar.
Através das aulas, os professores poderiam buscar quebrar essas barreiras e o preconceito com
a LI, porém, eles não fizeram nenhum comentário á respeito disso. Subentende-se, portanto
que a maioria dos professores não apresentam muita preocupação em incentivar a autonomia
desses alunos, pois suas repostas diziam o que os alunos poderiam fazer, e não com o que eles
professores poderiam fazer em suas aulas para despertar o interesse dos alunos, de forma que
esses viessem sentir o desejo de aprender, e consequentemente se tornassem aprendizes
autônomos.
       É importante salientar que, a despeito de ser uma minoria, também há professores
pesquisadores que conhecem teorias relacionadas ao desenvolvimento da autonomia, isso
pôde ser constatado através da resposta da professora que diz: “Sim. Criar alunos autônomos
do seu próprio processo de aprendizagem é algo possível, porém é necessário muito incentivo
e atividades diversificadas. Sem esse incentivo é difícil o aluno aprender de fato a LI, pois não
é uma tarefa muito fácil. É preciso um trabalho voltado para a realidade em que vivemos, não
se limitando apenas ao ensino de gramática e vocabulário.” Diferentemente dos demais, esse
professor demonstrou que através da sua aula ele poderia incentivar o aluno, ao invés de
apenas orientá-los sobre o que eles poderiam pesquisar.
       Com o objetivo de compreender de que forma os professores percebiam a autonomia
dos seus alunos, ou a ausência dessa, foi criada uma pergunta, na qual questionava os
33



educadores sobre as atitudes dos estudantes que os fazia perceber se ele era ou não um
aprendiz autônomo.
          Para essa questão os professores deram respostas bem diversificadas. O professor A,
respondeu que percebia a característica autônoma do seu aluno, quando este demonstrava
habilidades para compreender o inglês que o rodeia, nas letras das música, na tv, nos produtos
que compram , ou na internet, etc.. já o professor B respondeu que os alunos demonstravam
obtê-la quando realizavam as atividades sem solicitar muita ajuda do professor, e também ao
fazerem sugestões para se trabalhar determinado texto, ou música para dinamizar a aula.
Entretanto, o professor C respondeu que o aprendiz é autônomo quando compreende que a
aquisição de um outro idioma traz a possibilidade de se comunicar com pessoas de outros
países.
          Percebe-se que os professores tem conhecimento com relação aos seus alunos que
possuem autonomia, no entanto, através das respostas dos alunos, foi possível entender que
são poucos, entre eles, que possuem esse comportamento de independência com relação ao
professor. E isso pode acontecer justamente pelo conformismo por parte dos docentes, que
não buscam por em prática estratégias de incentivo á autonomia dos seus alunos.
          Além da falta de incentivo por parte do professor com relação ao desenvolvimento da
autonomia do aluno, outro motivo que impede-os de se tornarem autônomos é a dificuldade
que eles tem em desenvolver todas as habilidades, pois geralmente os professores trabalham
apenas com foco exclusivo na gramática. Entretanto, “nos dias de hoje entender o ensino de
língua como restrito a aprendizagem de gramática e vocabulário pouco ajuda o aluno a lidar
com a realidade em que nos encontramos, onde o inglês cada vez mais nos cerca” Miccoli
(apud PAIVA,2010, p.32). Por isso o ensino de LI não pode ser baseado em uma única
metodologia. Portanto é necessário que os professores trabalhem também com atividades
comunicativas para que os alunos possam desenvolver o listening e speaking e
consequentemente se sintam capazes de se comunicar em uma língua estrangeira.
          Em função desses conhecimentos foi feita uma questão fechada na qual foi perguntado
o seguinte: Qual das atividades abaixo são constantes em suas aulas? Ela continha três
alternativas: Leitura e interpretação de texto/, comunicação através de diálogos/ ou
vocabulário e gramática. Dois professores marcaram na opção leitura e interpretação de texto,
sendo que um desses marcou em duas opções, escolhendo também gramática e vocabulário e
o outro marcou na opção comunicação através de diálogos.
34



       Constatou-se portanto, que a habilidade mais importante de ser trabalhada, que é a
comunicação está sendo a que os professores mais deixam de lado. Contribuindo dessa forma
para aumentar a desmotivação dos alunos que acabam sentido muita dificuldade com a
pronuncia, como pôde ser comprovado através do questionário. Essa realidade das escolas
públicas mostra mais um dos principais motivos da falta de autonomia dos estudantes, pois
esses se sentem frustrados quando tentam falar em inglês e não conseguem em função da falta
de prática de falar em uma outra língua na frente dos colegas.
       Devido ao fato da realidade do ensino de LI apresentar muitas defasagens, começando
pelo próprio sistema que deixa uma pequena carga-horária para o ensino dessa disciplina,
compreende-se que é necessário que os aprendizes estejam sempre buscando novas fontes de
aprendizagem e, sabe-se que não há ninguém melhor que o professor, para ser o instigador no
processo de aprendizagem de seus discentes, pois eles conhecem as principais metas para
orientá-los. Por isso, a última questão perguntava aos docentes se eles pediam aos seus alunos
para pesquisarem, e se a resposta fosse positiva que eles citassem quais materiais eram
solicitados por eles.
       Todos os professores responderam que estimulavam os estudantes a pesquisarem, e os
materiais solicitados foram comuns entre ambos. Um dos professores citou que pedia letras de
música para enriquecer o vocabulário, sites, blogs, aspectos gramaticais que estão sendo
estudados na sala. O outro também citou atividades que enriquecem o vocabulário e sites com
orientações sobre o ensino de LI. Já o terceiro deu uma resposta que não foi citada pelos
demais, afirmando que pedia aos seus alunos para levarem textos de seus interesses para
serem trabalhados na sala de aula.
        Apesar de todas as respostas serem relevantes, a única que chama a atenção para uma
maior possibilidade de desenvolver a autonomia dos alunos é a terceira, pois uma das
melhores formas de estimular os alunos, é trabalhando em cima daquilo que eles gostam para
que eles possam realizar a atividade por prazer, ao invés de fazê-la por obrigação. E essa
última resposta dada pelo professor permite que o aluno escolha o material que ele prefere
estudar, contribuindo com a motivação intrínseca do aprendiz, e além disso, permite que ele
exerça o seu papel como aprendiz autônomo, já que para escolher uma atividade de seu
interesse o aprendiz também precisa ser independente. O educador que faz isso, está seguindo
as orientações de Paiva ( apud LIMA, 2009 ), quando ela diz que o professor pode contribuir
35



para atitudes mais autônomas dos seus alunos, quando envolve-os nas suas decisões e dar a
eles opções de escolha de material e de atividades, transformando-os em seus colaboradores.
       Apesar das respostas dadas pelos professores serem importantes instrumentos de
aprendizagem, é necessário enfatizar que, por mais que os docentes peçam a seus alunos para
pesquisarem, dificilmente isso será feito por eles, se inicialmente não for desenvolvido um
trabalho com foco na autonomia, começando por exemplo por mostrar a importância em
aprender a LI e as demonstrações de que é possível aprender sem precisar sair do pais, além
da necessidade de aulas dinâmicas que contenha uma abordagem que contemple todas as
habilidades. No entanto, foi constatado através da primeira questão feita aos professores, que
eles incentivam seus alunos apenas pedindo para eles estudarem em casa. Porém, apenas um
desses professores afirmou que os-incentivava por meio das suas aulas.
       Foi possível perceber que as repostas dos professores e a dos alunos eram compatíveis,
principalmente no que se refere a necessidade de trabalhar mais a comunicação em sala de
aula, pois a maioria dos professores responderam que trabalham mais com gramática e
vocabulário. Isso explica o fato dos alunos terem respondido que sentiam muita dificuldade
com a pronúncia, sendo esses um dos principais motivos da falta de estímulo desses para
aprender, já que o inglês que eles aprendem na escola serve apenas para responder as
atividades solicitadas pelo professor.
36



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


       O presente trabalho foi significativamente relevante para compreender os principais
motivos da falta de interesse dos alunos com relação á disciplina de LI, e as possíveis causas
da ausência de autonomia entre esses.
       A começar pela pesquisa bibliográfica que possibilitou um profundo conhecimento da
realidade das escolas públicas em geral com relação a disciplina de LI, na qual houve a
possibilidade de entender o verdadeiro conceito de um aprendiz autônomo no seu processo de
aprendizagem , e quais as principais estratégias para alcançar uma aprendizagem eficaz em
uma língua estrangeira. Além disso, através da pesquisa bibliográfica, percebeu-se que os
aprendizes não podem se tornar autônomos, sem o estimulo inicial feito pelo professor,
através de suas aulas, começando pelas desmistificação das crenças, que causam diversos
preconceitos com essa disciplina, e posteriormente com aulas lúdicas e prazerosas que possam
despertar o interesse do aluno, através de atividades que contemple não apenas uma
habilidade, mas todas elas, e principalmente a comunicativa, que os estudiosos alegam ser a
principal, por trabalhar com a maior necessidade do aluno de LI, que é aprender a língua
para poder utilizá-la na sociedade, e não apenas no ambiente de aprendizagem.
       O questionário aplicado aos estudantes de LI foi indispensável para comprovar a
hipótese da falta de autonomia dos alunos de língua Inglesa das escolas públicas, e também
para compreender os principais motivos que impede-os de tornarem–se sujeitos autônomos.
Foi possível concluir que um dos principais motivos está relacionado com as crenças que
esses alunos ainda possuem, devido ao pouco contato que eles mantem com a LI, somente
quando estão no contexto escolar. A outra razão para a falta da autonomia está relacionada
com a falta de conscientização por parte dos professores com relação a necessidade dos
aprendizes se tornarem independentes do contexto escolar para praticarem melhor as
estratégias de aprendizagem que não são trabalhadas na escola.
       Os questionários também serviram como instrumentos essenciais para perceber que a
maioria dos alunos não possuem o conhecimento que para aprender uma língua estrangeira é
necessário dominar as quatro habilidades linguísticas, pois a escola dispõe de muito pouco, e
por isso não cobra muito dos alunos, o que gera entre eles uma certa “tranquilidade”, como se
essa disciplina fosse totalmente inferior as demais, e por isso alguns alunos chegam a afirmar
que, mesmo não sendo responsáveis como aprendizes de LI, tiravam boas notas, e eram
37



considerados bons alunos. Isso explica o fato de grande parte dos estudantes não terem o
menor interesse em desenvolver o próprio conhecimento e preferirem o comodismo, já que
eles podem da mesma forma passar de ano e até serem considerados “bons alunos”.
       Nesse trabalho foi explícito claramente, que a maior resistência á autonomia vem dos
próprios alunos que estão acostumados com esse ritmo ainda tradicional, na qual são passivos,
e esperam alcançar a aprendizagem através do professor, possuindo dessa forma uma visão do
docente como o transmissor de conhecimentos. Por isso, pode-se afirmar que, uma possível
solução para a resistência dos alunos ao desenvolvimento da autonomia está nas mãos dos
educadores, que podem instigar os seus alunos a deixarem de ser meros receptores de
conhecimento e passarem a ser os construtores desse. Além disso, cabe ao professore o papel
de orientá-los em torno das melhores estratégias de aprendizagem.
       Tanto na pesquisa de Campo, quanto na bibliográfica, constatou-se que as aulas de
língua inglesa são voltadas exclusivamente para gramatica e vocabulário, por isso, é dever dos
professores mudarem essa realidade, para que o aprendiz passe a valorizar essa disciplina
assim como as demais, e então reconheça a necessidade de ampliar o seu tempo de estudo
para atingir um nível ideal de aprendizagem. Isso deve ser feito através de uma maior
cobrança aos alunos, mostrando-lhes que a disciplina de língua estrangeira tem a mesma
importância que as demais. Além disso, por meio dessa monografia foi possível perceber que,
é necessário preparar os alunos para o mercado de trabalho, e para a vida em si, e um dos
caminhos pra isso é tornar o ensino de LI, o mais próximo possível da realidade dos
aprendizes, para que eles possam se sentir inseridos nesse “novo mundo” globalizado, e a
partir de então possam sentir interesse, e ao mesmo tempo, possam observar a necessidade de
estar aprimorando cada vez mais o seu inglês, ao invés de se conformarem com o inglês
básico que está inserido na grade curricular, pois é esse conformismo que impede-os de
tornarem-se verdadeiros aprendizes que usam a autonomia para construir a própria
aprendizagem.
38



                                     REFERÊNCIAS


CHAGURI, J. P. A importância do Ensino de Lìngua Inglesa nas Séries iniciais do
Ensino Fundamental. In :o desafio das letras, FACCAR, 2005. Acesso em: 20 jun 2012.

CRUZ, Giêdra Ferreira da. O papel do centro de aprendizagem autônoma de línguas
estrangeiras no desenvolvimento dos alunos de letras. In: LIMA, Diógenes Cândido de (org.).
Ensino aprendizagem de Língua Inglesa: Conversas com especialistas. São Paulo: Parábola
Editorial, 2009.

DIAS Reinildes. Proposta Curricular de Língua estrangeira do Ensino Fundamental, 6º
a 9º ano. Disponível em:<www.erv.educação.mg.gov.br >. Acesso em: 20 jun 2012.

Gil In: BRENNER , Eliana de Orais; JESUS Dalena Maria N. Manual de planejamento e
apresentação de trabalhos acadêmicos: Projeto de pesquisa, monografia e artigo. São
Paulo: Atlas, 2007.

HUEW, Elisa Lioe Teh. A Importância da Autonomia no Aprendizado de Língua
Estrangeira para Alunos de cursos livres. Disponível em:
<http://www.veramenezes.com/elisa.htm >. Acesso em: 10 jun 2012.
KRASHEN, S.D. Input Hipoteses: Issues and implications. London: Longman, 1985.
LEFFA,V. J.O professor de línguas estrangeiras: do corpo mole ao corpo dócil. In:
FREIRE,M;ABRAHÃO,M;BARCELOS,A.(orgs.).Linguística aplicada e
contemporaneidade. Campinas: ALAB/Pontes, 2005. p.203-218.
MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia
Científica. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2005.


MICCOLI, Laura. Autonomia na aprendizagem de língua estrangeira. In:PAIVA, Vera Lúcia
Menezes de oliveira.(org.) Práticas de ensino e aprendizagem de Inglês com foco na
autonomia.Campinas,São Paulo.3ª Ed: Pontes, 2010.
PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. O Ensino de Língua Estrangeira e a questão da
autonomia. In: LIMA, Diógenes Cândido de. Ensino aprendizagem de Língua Inglesa:
Conversa com especialistas. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Apresentação dos temas transversais,
ética. Secretaria de Educação fundamental, Brasília:MEC/SEF,1997.Disponível em :
<www.ebah.com.br>. Acesso em: 03 jun 2012.
SILVA,Gesiel de Albuquerque.A autonomia no ensino-aprendizagem de Língua Inglesa:
Suas relações com a motivação e as estratégias. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.ufba.br>. Acesso em: 20 jun 2012.
VILAÇA, M.L.C. Pesquisas em estratégias de aprendizagem: um panorama. Revista Escrita:
Revista do curso de Letras da UNIABEU, v.1, 2010.

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A construção da autonomia no processo de aprendizagem de Língua Inglesa na escolas públicas

  • 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS XIV – CONCEIÇÃO DO COITÉ JADNA DE OLIVEIRA LIMA A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  • 2. 1 JADNA DE OLIVEIRA LIMA A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS Monografia apresentada ao Departamento de Educação Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia, como requisito final para a conclusão do Curso de Letras com Habilitação em Língua Inglesa. CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  • 3. 2 A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS Monografia apresentada ao Departamento de Educação - Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia, como requisito final à conclusão do Curso de Letras com Habilitação em Língua Inglesa. Aprovada em: / /2012 Banca examinadora ________________________________________ Mônica Veloso Borges– Orientadora Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV _________________________________________ Neila Maria Oliveira Santana - Membro Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV _________________________________________ Juliana Bastos – Membro Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV CONCEIÇÃO DO COITÉ 2012
  • 4. 3 AGRADECIMENTOS Inicio esses agradecimentos primeiramente, ao senhor Deus, aquele que iluminou a minha mente durante todo o tempo, que sempre esteve, e está comigo. Agradeço por dar-me essa oportunidade de ingressar no Ensino Superior, no qual preparou-me, não somente para atuar nessa árdua e gratificante profissão, que é a de educador, mas também para a vida em sí, possibilitando–me, tanto o crescimento profissional quanto o crescimento pessoal. Aos meus pais, a quem eu rogo todas as noites a minha existência, agradeço pelo apoio, carinho e dedicação que deles tenho recebido. Aos queridos mestres, os meus professores que me acompanharam durante a graduação e cada um deles deram a sua parcela de contribuição para a minha aprendizagem. Especialmente, a minha orientadora, professora Mônica Veloso, pela sua disposição e empenho, sempre que necessitei do seu auxílio. E também não poderia deixar de agradecer de forma grandiosa a professora Neila Santana, orientadora de TCC, que sempre foi atenciosa e dedicada ao que faz. Ao professor Fernando Sodré pela sua colaboração. Com muito carinho, agradeço a minha família pela compreensão dos momentos que precisei ficar ausente para praticar atividades relacionadas ao curso. Agradeço mais uma vez a Deus, pois finalmente aqui se encerra mais uma etapa da minha vida de estudante universitária, na qual espero que seja apenas o primeiro degrau dessa escada, na qual desejo seguir, para a minha realização profissional e também pessoal.
  • 5. 4 Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Ensinar exige rigorosidade metodológica. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. E estas condições exigem a presença de educadores e de educandos criadores, investigadores, inquietos, curiosos, humildes e persistentes. Paulo Freire
  • 6. 5 RESUMO O presente trabalho foi desenvolvido a partir da pesquisa bibliográfica, na qual tinha como objetivo, dialogar sobre o desenvolvimento da autonomia dos alunos de língua inglesa do ensino médio nas escolas públicas. A segunda parte do trabalho investigou-se, através da pesquisa de campo, a atuação dos estudantes dentro da sala de aula com relação ao desenvolvimento da autonomia. Buscou-se também analisar, se os professores têm cumprido com o seu papel de instigadores no processo de aprendizagem dos seus alunos, de forma que eles viessem a se tornar autônomos, ou seja, investidores do seu próprio conhecimento. Portanto, a pesquisa bibliográfica trouxe uma variedade de explicações de diversos teóricos sobre as possíveis causas da ausência de estímulo entre os alunos de LI, ( Língua Inglesa ) que pôde ser comprovado através da pesquisa de campo (etnográfica) de base qualitativa. Como instrumento de coleta de dados, foram utilizados questionários, nos quais os sujeitos participantes foram alunos da escola pública do ensino médio e professores com no mínimo dois anos de experiência. Os questionários aplicados foram instrumentos eficazes para confirmar a falta de autonomia dos alunos das escolas públicas, sendo essa uma consequência da ausência de professores que instiguem, em seus alunos, a necessidade de se tornarem indivíduos independentes, capazes de buscar seu próprio conhecimento. Concluindo-se que, na maioria das vezes, os professores trabalham com uma metodologia tradicional que não atende os interesses dos alunos, e portanto não colabora com o desenvolvimento da autonomia do aprendiz . Palavras-chave: Escola Pública. Metodologia. Professor-instigador. Aprendiz-autônomo.
  • 7. 6 ABSTRACT This paper was developed from a bibliographic research, which aimed to dialogue about the development of the English students' autonomy in high school in the public schools. The second part investigated through field research, the performance of students in the classroom in relation to the development of autonomy. It also sought to examine whether teachers have fulfilled their role as instigators in the learning process of their students, so that they were to become autonomous, ie investors of their own knowledge. Therefore, the literature has brought a variety of different theoretical explanations on the possible causes of the lack of stimulation of LI between students (English Language) that could be verified through field research (ethnography) of qualitative basis. As an instrument of data collection, questionnaires were used, in which participants were public school students and high school teachers with at least two years of experience. The questionnaires were effective tools to confirm the lack of autonomy of students in public schools, this being a consequence of the absence of teachers who instigate in their students, the necessity to become independent individuals, able to pursue their own knowledge. Concluding that, in most cases, teachers work with a traditional methodology that does not meet the interests of students, and therefore does not contribute to the development of learner autonomy. Key-Words: Public School. Methodology. Professor-instigator. Learner –autonomous.
  • 8. 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------- 08 2 A RELEVÂNCIA DA AUTONOMIA COMO UM FATOR INDISPENSÁVEL NA CONTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM LI -------------- 10 2.1 A orientação do professor: Estímulo necessário para motivar os alunos ao desejo de aprender a Língua Inglesa ----------------------------------------------------------- 14 2.2 O uso das tecnologias como um auxílio ao desenvolvimento da autonomia em LI------------------------------------------------------------------------------------------------------- 18 3 METODOLOGIA -------------------------------------------------------------------------------- 22 3.1 Tipologia da Pesquisa ------------------------------------------------------------------------- 22 3.2 Sujeito e lócus da Pesquisa ------------------------------------------------------------------- 23 3.3 Instrumento de Coleta de dados ------------------------------------------------------------ 24 4 ANÁLISE DE DADOS -------------------------------------------------------------------------- 25 5 CONSIDERACÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------ 36 REFERÊNCIAS ------------------------------------------------------------------------------------ 38
  • 9. 8 1 INTRODUÇÃO Através de observações que foram realizadas em algumas escolas públicas foi possível perceber que a LI (língua inglesa) ainda é vista como uma disciplina a mais no currículo escolar. Há também uma grande desvalorização do inglês por parte de alguns alunos que não reconhecem a verdadeira importância em aprender essa língua, o que dificulta o processo de aprendizagem tornando o estudo de LI cada vez mais enfadonho. Conforme diversos teóricos, isso decorre em função da maneira como é lecionada essa disciplina, geralmente com o mesmo tipo de aula em torno de itens gramaticais ao longo de todo percurso escolar, além de não ser mostrado em algumas escolas a verdadeira importância em aprender a língua inglesa, o que consequentemente gera entre os alunos uma falta de interesse e desmotivação para aprender. Dessa forma, uma grande parte dos alunos estudam essa disciplina somente por obrigação e não por serem conscientes da necessidade que temos em saber uma segunda língua, gerando entre eles uma grande dependência do professor e do contexto escolar . Diante dessa situação muitos alunos concluem o ensino médio e não sentem o menor interesse em continuar estudando, tornando-se cada vez mais distantes do contato com a língua inglesa. Porém, sabemos que no contexto globalizado no qual vivemos, se faz necessário uma incansável busca pela aprimoração de conhecimentos em uma língua estrangeira, principalmente a LI. Porém, para que isso aconteça os aprendizes precisam se tornar autônomos, pois conforme Paiva (2010) torna-se inviável desenvolver uma aprendizagem satisfatória com os conhecimentos adquiridos exclusivamente no ambiente escolar. Por isso é preciso que os professores de LI utilizem suas aulas como um elemento essencial para estimular os seus alunos a buscarem o desenvolvimento da autonomia, tornando-se aprendizes conscientes do seu papel na construção da aprendizagem. Considerando os alunos das escolas públicas como indivíduos capazes de construir sua própria aprendizagem dentro da língua inglesa, e o professor como o responsável por instigar os estudantes, surge o questionamento: O que os alunos das escolas públicas do ensino médio tem feito para desenvolver sua autonomia dentro da Língua Inglesa, e o que os professores dessa mesma instituição tem feito para estimular os estudantes a ter um interesse maior por essa disciplina de forma que ele venha se tornar independente do contexto escolar? Foi com o objetivo de responder a essas questões, e a intenção de propor estratégias de aprendizagem
  • 10. 9 significativas, e pautadas no desenvolvimento do aprendiz de LI, de forma que viesse a estimular os professores das escolas públicas a despertar nos seus alunos o interesse em se tornar aprendizes autônomos, que foi realizada essa Pesquisa de Campo. Sendo esta uma pesquisa de caráter qualitativo, realizada no colégio Estadual Wilson Lins no município de Valente, com professores de Língua Inglesa e alunos do ensino médio, na qual foram aplicados questionários como instrumento de pesquisa. Inicialmente foi feita uma visita ao campo (colégio estadual Wilson Lins ) para detectar os problemas de aprendizagem de LI existentes na sala de aula. Nos quais, um desses problemas detectados foi a falta de interesse dos alunos com relação a disciplina de língua inglesa. A partir desse problema encontrado nas escolas públicas, foram realizados alguns estudos para identificar as possíveis causas do desinteresse dos alunos. Quando então, foi possível perceber através da fala de diversos teóricos que a falta de autonomia é uma grande vilã para o progresso na aprendizagem de qualquer língua estrangeira. Dessa forma, foi então desenvolvida a pesquisa bibliográfica com o objetivo de entender a causa da falta de autonomia entre os alunos, e também visando descobrir de que forma o professor de LI poderia incentivar os estudantes a se tornarem verdadeiros aprendizes autônomos. Essa, foi a primeira etapa desse trabalho, que consistiu em compreender a causa da falta de autonomia dos alunos, e em verificar as sugestões propostas por diversos estudiosos da área de Língua inglesa, como possíveis soluções para tais problemas. No segundo capítulo, encontra-se a metodologia, na qual descreve a parte técnica desse trabalho, como por exemplo, o campo onde ele foi realizado, os sujeitos participantes da pesquisa, assim como o instrumento utilizado para coletar os dados , as características gerais dos sujeitos participantes, e o tipo de pesquisa realizada. No terceiro capítulo consta a análise de dados, feita a partir dos questionários respondido por professores e alunos, no qual justifica-se pela necessidade de conhecer o contexto real da sala de aula para então fazer comparações entre a parte teórica, e analisar o que é mais viável de ser proposto como solução para a melhoria no processo de aprendizagem de LI, conforme a necessidade dos alunos. Por fim encontra-se as considerações finais, trazendo uma conclusão do que foi discorrido nessa monografia, assim como as possíveis soluções para os problemas apresentados com relação ao tema desenvolvido.
  • 11. 10 2 A RELEVÂNCIA DA AUTONOMIA COMO UM FATOR INDISPENSÁVEL NA CONTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM LI No mundo globalizado, no qual estamos em que a cada dia que passa se intensifica cada vez mais as relações comercias entre diversos países, principalmente após o surgimento da internet, é de capital valor o conhecimento de uma língua estrangeira, principalmente o inglês, considerado hoje como língua universal. O conhecimento da LI ( Língua inglesa) permite à uma ampla quantidade de jovens e adultos oportunidades de emprego principalmente nas áreas de turismo, nas lojas, supermercados etc. Sabe-se que a língua inglesa é a mais utilizada para comunicações entre diferentes países, principalmente nas relações comerciais. Isso demonstra de forma ampla a capacidade de abrangência da LI em diversos países, e a necessidade que temos de estar nos preparando, tanto para o mercado de trabalho, no qual exige cada vez mais que os profissionais tenham uma boa formação na língua inglesa, como para a vida em si, pois o conhecimento dentro dessa área nos proporciona uma imensa riqueza intelectual, não só nos aspectos de linguagem, como nos elementos culturais e sociais. Podemos observar a amplitude de conhecimento que a aprendizagem em LI nos condiciona através da fala de Dias (2012, p.13) que nos diz que “a aquisição de habilidades comunicativas em outra(s) língua(s) representa, para o aluno,o acesso ao conhecimento em vários níveis (nas áreas turística, política, artística, comercial, etc.), favorecendo as relações pessoais”. Apesar da imensa influência da LI no Brasil, principalmente após o surgimento da internet, ainda há desvalorização dessa disciplina nas escolas públicas. Esse fato foi verificado através de observações, realizadas em uma escola pública estadual no município de Valente com alunos do Ensino Fundamental e Médio. Através dessas observações, pode se afirmar que grande parte dos alunos reconhecem a importância em aprender a língua Inglesa no mundo globalizado no qual estamos. Entretanto, há muitos que não gostam da disciplina por considerá-la difícil para aprender. Uma das razões para se considerar a disciplina difícil, pode estar na falta de aproximação dos alunos, que na maioria das vezes só entram em contato com a língua quando estão na sala de aula, o que dificulta cada vez mais o processo de aprendizagem, pois quanto menos contato com a LI, menos será o progresso do aprendiz com a língua estrangeira na qual estuda.
  • 12. 11 Os alunos precisam estar conscientes de que a aula é apenas um instrumento que o auxiliará na aprendizagem. Embora seja necessário que haja aulas que motivem os estudantes a querer buscar mais conhecimento, não é apenas a metodologia da aula, ou mesmo o professor que serão os determinantes do sucesso dos alunos com a LI, pois eles são apenas os auxiliadores desse processo de aprendizagem. Por isso, os alunos precisam ir muito além do contexto escolar para poderem alcançar a aprendizagem ideal, pois sabemos que na escola não há recurso, preparação profissional, ou mesmo tempo suficiente para atingir um nível ideal de aprendizagem. Portanto os alunos precisam antes de tudo tornar-se responsáveis pelo seu aprendizado, ao invés de esperar que esse chegue até ele somente por meio da sala de aula. Em outras palavras isso quer dizer que, para alcançar uma aprendizagem eficaz na LI os alunos precisam primeiramente tornar-se indivíduos autônomos. O que seria então, um aprendiz autônomo? Se relacionamos a palavra autonomia a independência , logo responderemos que o aprendiz autônomo é aquele que aprende sozinho, e não depende do professor para orientá-lo. Se pensássemos dessa forma estaríamos completamente enganados, pois a orientação do professor é indispensável no processo de aprendizagem dos estudantes de LI, assim como a sua presença é indispensável no acompanhamento da construção da autonomia, para indicar aos alunos o caminho mais rápido para chegar a tal objetivo. Se para se tornar autônomo, o aprendiz precisa ser independente, e por outro lado ele não deve se distanciar do professor, observamos aqui um pequeno equívoco. Afinal qual a melhor maneira para se definir a autonomia ? O termo autonomia no processo de aprendizagem de língua, especialmente de língua inglesa, foi sendo amadurecido com o passar dos tempos, devido às discussões entre pesquisadores da área de Lingüística Aplicada. Segundo Cruz (apud LIMA, 2009, p. 60), essa inquietação se iniciou com Henry Holec em 1980, com o livro intitulado: Autonomy in Foreigh Language Learning. Essa inquietação se dá devido a necessidade de aprender uma língua para usá-la no ato comunicativo, indo de encontro as abordagens tradicionais. Miccoli (2010, p.32) considera a definição para o termo “autonomia” apresentada em Aurélio, segundo o qual autonomia é a capacidade de governar-se a si mesmo. Aplicada á sala de aula, para Miccoli, essa noção é uma atitude que demonstra que o aluno assumiu responsabilidade própria por seu processo de aprendizagem. Como podemos observar na definição dada por Miccoli, o aprendiz autônomo assume uma postura de independência com relação ao professor, tornando–se um sujeito ativo na
  • 13. 12 busca de novos conhecimentos para auxiliar o seu processo de aprendizagem. É importante enfatizar que, essa capacidade de „governar-se‟ não dá ao aluno o direito de sentir–se capaz de desenvolver sua aprendizagem totalmente fora do ambiente educacional, pois sem a orientação de um professor, o aprendiz pode cometer uma série de erros, gerando diversas consequências negativas, como por exemplo, buscando fontes que não sejam confiáveis, ou praticando estratégias de aprendizagem que não abarquem os caminhos necessários para uma aprendizagem eficaz. A autonomia se dá em qualquer área de conhecimento, seja ela técnica, científica, educacional, religiosa, etc.. Por isso, Como um exemplo de cidadão autônomo, podemos citar um indivíduo que traça suas estratégias de vida, como a carreira profissional que pretende seguir, e a partir da escolha, decide estudar em casa para um possível concurso que venha acontecer. Essa pessoa demonstra uma atitude autônoma pelo fato de tomar decisões sozinha, estabelecendo o estudo como uma meta para alcançar seu objetivo. É importante compreendermos que relacionar a autonomia ao fato de tomar decisões sozinho, não implica em dizer que o estudante de LI deva estudar por si próprio, sem nenhuma intervenção exterior. Muito pelo contrário, o sujeito autônomo precisa estar sempre interagindo, tanto com o professor, que é o mais importante orientador, quanto com os colegas, como por exemplo através de diálogos para treinar a pronúncia, em que um poderá complementar o vocabulário do outro, através de atividades de listening, de leitura, etc.. Todas essas atividades trabalhadas em conjunto facilitará para todos os alunos, pois geralmente cada um, contém uma habilidade diferente podendo assim contribuir uns com os outros. Afinal “não existe autonomia pura, como se fosse capacidade absoluta de um sujeito isolado.[... ] Por isso só é possível realizá-la como um processo coletivo, que implica relações de poder não autoritárias” (PCN, 1997, p.35) Apesar da necessidade da presença de um educador para estar orientando o aluno nos passos á serem seguidos, o aprendiz precisa ter confiança em si próprio, ao invés de pôr sua total confiança no professor, como muitos alunos costumam fazer, e consequentemente, acabam sentindo dificuldade no processo de aprendizagem de LI. Por isso é necessário que o aprendiz desenvolva a autoconfiança, e então perca o medo de errar nas suas atitudes diante da classe. Na dissertação de Silva (2008) a autonomia é conceituada como a capacidade do individuo agir, consciente de que suas decisões foram projetadas e assumidas por ele. Se
  • 14. 13 enfatiza a autonomia também como uma condição que a pessoa exerce, assumindo riscos para alcançar seus objetivos. Afinal todo cidadão que tem um ideal, busca meios para alcançá-lo conforme a necessidade encontrada. Contudo o aprendiz autônomo, deve se sentir acima de tudo um ser capaz. O aprendiz autônomo demonstra atitudes de responsabilidade e independência não só pelo fato de estudar sozinho em casa, mas também na escola, até mesmo colaborando com os colegas que apresentam dificuldade. Apesar da necessidade do aprendiz em estar sempre em contato com colegas e professores, buscando a interação entre ambos, é necessário lembrar que é preciso sentir-se livre e desapegado de qualquer pessoa para focar no objetivo próprio. Como é enfatizado na definição de Rocha (apud SILVA, 2008 p.42) “autonomia é a facilidade de dirigir se livremente de acordo com sua própria vontade e independência de qualquer ordem.” Essa afirmação de Rocha deixa claro o amplo nível de liberdade que o aluno possui. Essa liberdade, pode estar relacionada ao livre arbítrio para escolher por exemplo, quais métodos seriam melhor para desenvolver uma boa pronúncia, ou quais as melhores estratégias de leitura. É ter liberdade também, para sugerir ao professor de LI algum tema diferente para estar sendo trabalhado na aula. Enfim há diversas possibilidades do aprendiz usar essa liberdade, de forma que esteja sempre focando na aprendizagem de língua estrangeira. Elementos como independência, liberdade e autoconfiança são considerados indispensáveis no desenvolvimento da autonomia. Porém é necessário deixar claro aos estudantes de LI, que eles não devem confundir essa liberdade ou independência, com a libertinagem em que o aluno pode fazer o que ele quiser, inclusive desconsiderando as orientações dadas pelo profissional de educação. Pois a orientação do professor é imprescindível no processo de aprendizagem dos estudantes de LI, assim como a sua presença no acompanhamento da construção da autonomia, para indicar aos alunos o caminho mais rápido para chegar a tal objetivo. Algo semelhante a fala de Rocha é a de Silva (2008, p.43 ) afirmando que “no aprendizado de língua inglesa , a prática interativa construtiva e o poder de escolha são posturas muito úteis para o surgimento da autonomia”. Isso quer dizer que embora o aprendiz autônomo desenvolva uma responsabilidade maior por seus próprios estudos, ele deve continuar tendo a instituição escolar, assim como o seus professores, como os colaboradores desse processo, ao invés de entender que por ser um aluno que busca estratégias de
  • 15. 14 aprendizagem, não precise de nenhum auxílio, muito pelo contrário. O aprendiz autônomo deve assumir uma postura de responsabilidade e disposição em meio á classe, até mesmo auxiliando os colegas que tem mais dificuldade. A afirmação de Holec com relação a necessidade de uma aprendizagem de LI, voltada para a comunicação, explica a principal razão para os estudantes de LI das escolas públicas buscarem desenvolver sua independência, pois é através da autonomia que o aluno passa a buscar estratégias que são pouco trabalhadas no contexto escolar, e consequentemente podem atingir um progresso satisfatório. Todas as discussões que foram até aqui apresentadas, servem para deixar claro aos estudantes de LI que o desenvolvimento da autonomia é um fator imprescindível para que ele possa estar buscando a sua aprendizagem em tempo integral, sem a necessidade de estar na escola, ou na presença do professor. Através da consciência de que ele tem capacidade para desenvolver sua aprendizagem, basta querer e correr atrás dos seus objetivos, dessa forma a aprendizagem de LI pode ocorrer em um intervalo de tempo menor e com muito mais facilidade. 2.1 A orientação do professor: Estímulo necessário para motivar os alunos ao desejo de aprender a língua Inglesa Um dos passos mais importantes para o desenvolvimento da autonomia é o reconhecimento da importância da disciplina de LI na sociedade atual, pois torna-se difícil valorizar qualquer disciplina sem antes saber qual a sua utilidade fora do contexto escolar. É comum nas escolas, os alunos se questionarem em que eles poderão aplicar os conhecimentos adquiridos no Português, na Matemática, na Química, como nos demais componentes. Se a dúvida dos alunos não for esclarecida em alguma dessas disciplinas, possivelmente o nível de interesse por ela será inferior as demais. Isso acontece em qualquer instancia da vida, o ser humano não pode gostar ou apresentar qualquer interesse por aquilo que ele não conhece, e nem ao menos percebe motivo algum para conhecê-lo. Com a disciplina de Língua Inglesa acontece o mesmo, por isso se faz necessário que os professores de LI estejam constantemente mostrando através de suas aulas a influência da LI na sociedade atual, e a necessidade de estar cada vez mais aprimorando os conhecimentos nessa língua.
  • 16. 15 O tempo disponível para a disciplina de língua inglesa na instituição escolar é insuficiente para aprender tudo que é necessário. Como afirma Miccoli (apud PAIVA, 2010 p.34 ) “a aprendizagem da língua estrangeira dentro de uma sala de aula é uma atividade que pode levar de oito a dez anos de estudo ininterruptos.” Sendo assim torna-se inviável desenvolver uma aprendizagem satisfatória com os conhecimentos adquiridos exclusivamente no ambiente escolar, com apenas duas aulas semanais de cinquenta minutos cada uma, sabendo que muita das vezes esses cinquenta minutos de aula nem são cumpridos totalmente. Com a falta de conhecimento da influência da LI na sociedade brasileira, e em diversas outras nações, somada ao pouco tempo estabelecido para o ensino dessa disciplina, acaba surgindo uma grande desvalorização por parte da maioria dos alunos, que perdem o interesse e se distanciam cada vez mais do contato com a língua inglesa, o que gera uma imensa dificuldade no processo de aprendizagem. Diante dessa difícil realidade das escolas públicas com relação a essa língua estrangeira, não há ninguém melhor que o professor para desmistificar essas crenças e mostrar ao aprendiz a necessidade que eles têm de aprender uma língua estrangeira, principalmente a língua inglesa que é utilizada hoje em inúmeros países, tanto como uma língua de entretenimento, como para estabelecer relações comerciais. Sendo então considerada como uma língua franca. Além de mostrar ao aluno a verdadeira importância em aprender a LI, é necessário que os professores modifiquem sua abordagem de ensino focando-a no desenvolvimento da autonomia dos alunos, incentivando-os a buscarem o desenvolvimento da sua aprendizagem também fora do contexto escolar (já que o tempo estipulado para as aulas de LI é insuficiente para uma aprendizagem completa), de forma que aprendam verdadeiramente a língua alvo e tornem-se aprendizes autônomos, capazes de desenvolver seu próprio conhecimento na língua inglesa. Um dos critérios indispensáveis ao educador para incentivar o desenvolvimento da autonomia do aluno é através da mudança nas aulas de LI, pois se o primeiro passo para desenvolver a autonomia é despertando o interesse do aluno, esse deve ser feito através da troca de uma abordagem focada no ensino de gramática, para uma abordagem que contemple aulas dinâmicas e prazerosas com foco na comunicação. Krashen ( 1985 ) aborda essa questão através da hipótese do input, na qual todo o input oferecido ao aluno deve ser compreensível,
  • 17. 16 ou seja toda situação linguística durante as aulas deve ser tão real quanto possível, para que seja compreendida pelos alunos. Conforme a teoria de Krashen, a aplicação de exercícios de repetições que visa a prática de estruturas gramaticais, dificilmente são significantes ou relevantes, deixando assim de ser um input compreensivo, e atrasando ainda mais o processo de aprendizagem. Além de Krashen, há diversos outros teóricos que não apoiam o ensino de LI focado exclusivamente na gramática, como Paiva (apud LIMA, 2009, p.32-33,) que afirma que “toda língua deve ser ensinada em toda sua complexidade comunicativa sem restringir seu estudo a uma tecnologia (leitura) ou aspectos apenas formais (gramaticais).” O ensino tradicional que se atém a uma única metodologia, pode levar os alunos a perderem completamente o interesse nas aulas de LI. Dessa forma, a maioria deles podem se sentir desmotivados para continuar aprendendo a língua inglesa após saírem da escola, já que não conseguem ver nenhum progresso durante o tempo em que estiveram estudando. Por isso, se pode concluir que os professores de LI que passam parte de suas aulas ensinando regras gramaticais (ao invés de aplicá-las no processo de comunicação) estão atrasando o processo de aprendizagem dos alunos, e um possível desenvolvimento da autonomia destes. Dessa forma, se faz necessário que os alunos ampliem o seu tempo de estudo, não se limitando apenas ao que é aprendido durante as aulas. Pois “ninguém vai aprender uma língua se ficar restrito as atividades da sala de aula por melhor que elas sejam e por maior que seja o tempo previsto no currículo escolar,” Villaça (2010). Mas para que isso ocorra, é necessário que os educadores incentivem os seus alunos ao desenvolvimento da autonomia e ofereçam a esses um input compreensível, mostrando-lhes as melhores estratégias para adquirir conhecimento na aprendizagem dessa língua, também fora do contexto escolar. O ensino de LI voltado para a comunicação é indispensável para o aluno perceber que o que ele está aprendendo na sala de aula está sendo útil na prática, e não fica apenas na teoria. Dessa maneira, o educador pode proporcionar ao aprendiz o desejo de continuar aprendendo, pois isso pode gerar nele um sentimento de competência para atuar na sociedade, sendo esse um grande passo para que ele se torne um aprendiz autônomo. Chaguri (2005, p.01) também é um dos teóricos que enfatiza a importância de um ensino voltado para a comunicação quando diz que: É fundamental que se garanta as aprendizagens essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos, e participantes, capazes de atuar com competência,
  • 18. 17 dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem, utilizando sua própria língua, ou outra capazes de se comunicar e atuar como cidadãos, formando assim sua própria história. Sem o incentivo do professor, a dificuldade dos alunos para o desenvolvimento da autonomia seria ainda maior, e consequentemente o processo de aprendizagem se tornaria muito mais lento. Pois são poucos os alunos que demonstram responsabilidade, ou atitudes de autonomia. Miccoli (2010) mostra esse desinteresse dos alunos em tornar-se aprendizes autônomos, quando diz que a maior resistência á promoção da autonomia vem do próprio aluno, pois o desenvolvimento da autonomia é um processo que exige mais do aprendiz. Podemos considerar comum essa resistência dos alunos, pois esses ainda estão mal acostumados com as salas de aula tradicionais, em que eram considerados como um recipiente vazio que os professores depositavam seus conhecimentos e eles apenas os reproduziam. No entanto, para o desenvolvimento de uma aprendizagem eficaz, é necessário que esse ensino tradicional centralizado no professor seja modificado, e que os alunos se sintam como os principais agentes do seu processo de aprendizagem. Pois como afirma Leffa (2002) “a aprendizagem que realmente interessa é aquela que não é apenas reprodução do que já existe, mas criação de algo novo, de progresso e avanço e só é possível com autonomia”. É indispensável que os alunos considerem-se como parte da aula e passem a fazer questionamentos aos professores, assim como dar a eles suas opiniões sobre o que precisam aprender. Esse já é um dos primeiros passos para o desenvolvimento da autonomia, mas para que isso aconteça é necessário que o professor abra espaço para o aluno, dando lhe oportunidade para demonstrarem as suas produções, fazendo-os se sentirem seguros e independentes. De acordo com Freire (1996, apud SILVA, p.42), “na sala de aula, o estudante deve encontrar meios que propiciem a sua autonomia para que ele se torne um colaborador e um associado dos projetos montados para a aula”. Moita Lopes (1997) também enfatiza a necessidade dessa participação dos alunos, quando afirma que os educadores devem desenvolver nos alunos um conhecimento que vai além do conhecimento ritualístico e mecânico, incentivando-os a participação consciente, que libertará o aluno da dependência do professor. Dessa forma o docente estará cumprindo o seu ofício, como um verdadeiro educador, que sabe que o seu papel é orientar os seus alunos, deixando-os livres, para
  • 19. 18 observarem e aprenderem a corrigir seus próprios erros, ao invés de facilitar o processo de ensino-aprendizagem, retirando dele todas as possíveis dificuldades que os aprendizes poderiam enfrentar. Pois é a partir das dificuldades encontradas pelos alunos, que posteriormente esses poderão alcançar um bom nível de aprendizagem em LI. Através de todas as discussões em torno do papel do professor na construção da autonomia dos alunos de língua inglesa, podemos constatar que o conhecimento não é dado ao aprendiz, mas esse é o único responsável em construí-lo. Porém, não se pode negar que quanto maior for o estímulo oferecido pelos professores, maior serão as chances dos estudantes despertarem o desejo, e desenvolverem a consciência da necessidade de se tornarem aprendizes autônomos para que possam alcançar um nível satisfatório de aprendizagem, tanto na língua inglesa, como em qualquer língua estrangeira que desejam aprender. 2.2 O uso das tecnologias como um auxilio ao desenvolvimento da autonomia em LI O avanço ocorrido na tecnologia nos últimos anos apresenta uma série de vantagens, e entre elas está a contribuição dos diversos meios tecnológicos para a aprendizagem de LI. Se pararmos para imaginar a sala de aula de LI há alguns anos atrás podemos perceber o quanto deveria ser difícil para os alunos se sentirem motivados, com o mesmo tipo de aula o tempo todo já que não havia nas escolas nenhum tipo de recurso tecnológico moderno, e os professores tinham como único recurso o quadro e o piloto. Felizmente essa realidade mudou com o passar dos anos e as aulas puderam ser mais dinamizadas através das fitas cassetes, na qual os alunos podiam assistir filmes para melhorar o seu vocabulário, ou ouvir músicas em inglês, o que contribuía muito com os alunos na melhoria da pronuncia. Tudo isso é importante, principalmente se compararmos com aulas expositivas, como foi citado anteriormente com o uso do quadro e do piloto. Se esses únicos meios citados puderam contribuir com a melhoria na aprendizagem de Língua Inglesa, hoje com a presença de diversos outros recursos modernos trazidos através da grande evolução tecnológica, há muito mais facilidade de aproximação entre os alunos e a língua-alvo na qual estão estudando. Se antes os alunos justificavam a dificuldade em aprender a LI devido a escassez de recursos que pudessem lhes proporcionar uma maior interação com a língua, hoje essa justificativa não é valida, pois os alunos conseguem aprender sozinhos a língua inglesa não só
  • 20. 19 a habilidade de leitura e escrita, como também a sua pronúncia correta através de estudos realizados em casa com o uso de cd, DVD, vídeos, e principalmente da internet. Podemos considerar normal a enorme dependência dos alunos com relação ao professor de LI a algum tempo atrás, em que não existia se quer livros disponíveis para os alunos. Como esses poderiam desenvolver uma aprendizagem eficaz com a inexistência de tantos recursos imprescindíveis para o estudo de uma língua estrangeira? Torna-se difícil para qualquer indivíduo que praticamente nasceu em uma era tecnológica responder a essa pergunta, porém atualmente se tornou muito fácil afirmar como os alunos de LI podem aproveitar o tempo em casa para aprofundar os seus estudos, após tanta riqueza proporcionada pela tecnologia. A internet, por exemplo é um recurso que se pode considerar completo, já que dispõe de meios para desenvolver todas as habilidades( listening, speaking, writting e reading). Através dela os estudantes tanto podem assistir um filme com legenda em inglês, como ouvir músicas, ler textos autênticos, historinhas em quadrinhos, ou até mesmo conversar com um falante nativo de Língua Inglesa. Tudo isso contribui bastante para o aluno desenvolver sua autonomia, já que eles têm o direito de escolher os textos que preferem ler, ou a música que mais gostam , sendo esses um dos primeiros passos necessários para que ele se torne um aprendiz autônomo. Para que a aprendizagem ocorra com sucesso em qualquer instancia, ela precisa está associada ao prazer, por isso os meios tecnológicos puderam trazer uma imensa contribuição ao processo de aprendizagem de LI, principalmente a internet, que disponibiliza diversas maneiras de aprender de forma pratica e divertida. Através de entrevistas realizadas com alunos de Língua estrangeira podemos constatar o quanto a presença da internet pôde estimular os alunos ao desenvolvimento da autonomia. Em uma entrevista realizada por Elisa Lioe sobre a aprendizagem de LI, a música, a TV a cabo (seriados americanos, noticiários e programas falados em inglês) e a Internet foram os recursos mais mencionados pelos alunos como meios de aprimorar a língua. Um dos alunos entrevistados afirma que não gosta muito de ler embora faça isso por obrigação porque sabe da sua importância, buscando um tema que seja de seu interesse, ele diz que prefere ouvir e falar, assim como ouvir músicas do que aprender através do livro e gramática. Ele também procura conversar com falantes nativos. Portanto, não há um recurso melhor que a internet para trazer tanta diversidade e até mesmo a oportunidade de aproximar pessoas de
  • 21. 20 diferentes países. Fica difícil imaginarmos, por exemplo, um estudante de escola pública (que na maioria são de classe baixa) conversando, ou tendo aula com um falante nativo de LI, sem o uso desse precioso recurso que é a internet. É importante lembrar que apesar da extrema necessidade do uso da internet para o desenvolvimento da aprendizagem em LI, não se pode deixar de lado todos os outros recursos que a tecnologia dispõe, para realizar as diferentes habilidades no processo de aprendizagem de língua inglesa. Através de estudos realizados, podemos afirmar que o desenvolvimento da autonomia é o fator que indicará o desempenho dos alunos nas atividades a serem realizadas individualmente. E para a realização de uma completa aprendizagem é necessário que os aprendizes pratiquem atividades que abordem todas as habilidades, e não apenas uma delas. Por isso, Laura Miccoli desenvolveu um programa chamado self study Project, que engloba as quatro habilidades lingüísticas: listening, reading, speaking e writing. Ela realizou esse programa de estudo individual, com o objetivo de fazer com que os alunos integrassem ações autônomas fora da sala de aula ao seu processo de aprendizagem. Nas atividades de listening, Miccoli sugere que os aprendizes ouçam músicas que gostam, descubram quantas palavras já conhecem, e façam uma lista incluindo aquelas que são desconhecidas para que possam substituir por sinônimos em inglês. A mesma atividade pode ser feita através de um filme, vídeo, ou através de entrevistas a artistas que tenham a língua inglesa como sua língua materna. Os alunos devem estar sempre fazendo anotações e buscando aprender a pronuncia de novas palavras. Ao assistir um filme, eles podem preencher uma ficha contendo as seguintes descrições: name of movie, main actors, brief description of movie, part you liked Best, list of words you did undestand. Para as atividades de reading, a autora do Self Study Project orienta os aprendizes a procurarem na própria cidade todas as palavras na língua inglesa que forem encontradas nas vitrines das lojas, supermercados, em frases nas camisas das pessoas, lembrando-se de anotá- las e observar se estão escritas corretamente. Outra atividade interessante é selecionar revistas com temas escolhidos por eles, e preencher ( em inglês ) uma ficha com: Name of magazine, brief description of content, part you liked Best, list of words you learned. Na realização de atividades com o uso do speaking a música continua sendo indispensável, o aluno pode utilizá-la para melhorar a sua pronuncia. Miccoly aconselha os aprendizes a iniciar com canções lentas, e depois passar para canções mais rápidas. O aluno
  • 22. 21 também pode fazer entrevistas com os professores, onde ele mesmo deve criar as questões. Eles podem se reunir uma vez por semana com seus colegas para produzirem um diálogo sobre um tópico específico, gravando as pronuncias dos colegas em um cd para fazerem as devidas correções Essas reuniões podem ser chamadas de English Club. Podemos considerar essa atividade como um ótimo requisito para tirar o medo dos alunos de se pronunciar em público na língua-alvo. Eles podem inclusive, preparar-se para futuras apresentações em Inglês na sala de aula, fazendo essas apresentações inicialmente para o seu clube. As atividades de writing podem ser feitas através da troca de bilhetes entre os colegas, ou textos pessoais sobre a própria vida, como algum acontecimento marcante, as coisas que gostaria de realizar, etc.. Essas atividades podem ser corrigidas entre os colegas, e posteriormente levadas para a sala de aula para serem corrigidas pelo professor. A correção feita inicialmente pelos alunos é um ótimo exercício para eles avaliarem o próprio nível de aprendizagem. Podemos observar que todas essas estratégias de aprendizagem envolvem tarefas que necessitam do uso da tecnologia para serem melhor elaboradas, principalmente atividades que contemplam a habilidade de listening e Speaking. Além disso, podemos observar que todas elas trabalham com o lúdico, e esse é um fator indispensável a ser utilizado pelos alunos na construção do próprio conhecimento. Pois onde há o lúdico, há também o prazer e conseqüentemente o aprendizado ocorre de forma natural. Portanto, para desenvolver uma aprendizagem em uma língua estrangeira, há dois fatores fundamentais que devem ser estimulados pelos professores de língua estrangeira: o primeiro é o fator autonomia, pois sem ela os alunos podem ser os “melhores da classe,” mas não passarão de meros alunos. O segundo, é o fator tecnologia, pois sem essa, seria praticamente impossível desenvolver uma aprendizagem eficaz, até mesmo para os alunos autônomos.
  • 23. 22 3 METODOLOGIA Este capítulo descreve a parte técnica desse trabalho, como por exemplo, o campo onde ele foi realizado, os sujeitos participantes da pesquisa, assim como, o instrumento utilizado para coletar os dados, as características gerais dos sujeitos participantes e o tipo de pesquisa realizada. 3.1 Tipologia da pesquisa Esse trabalho foi desenvolvido através da pesquisa bibliográfica e da pesquisa de campo. O primeiro tipo de pesquisa foi feito com o objetivo de obter o máximo de conhecimento possível em torno do tema desenvolvido. Para isso, foram realizados estudos de diferentes teorias á respeito do tema, e foram feitas diversas comparações entre as abordagens de cada teórico. Essa pesquisa inicial foi de fundamental importância para enriquecer o conhecimento com relação ao tema desse trabalho, já que os conhecimentos adquiridos serviram para uma melhor aplicabilidade da parte técnica do mesmo, pois através dela foi possível obter o conhecimento necessário para se aplicar as técnicas de pesquisa de forma adequada, e se chegar a conclusões que puderam ser evidenciadas anteriormente por estudiosos da área na qual esta pesquisa se designou. O segundo tipo de pesquisa realizado é denominado pesquisa de campo, que é abaixo definida segundo Markoni e Lakatos. (2005, p. 188) : Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. A escolha desse tipo de pesquisa se justifica por ela proporcionar a obtenção de dados relevantes para a continuidade desse trabalho da melhor forma possível, permitindo uma proximidade maior com o objeto de estudo e com os sujeitos a serem investigados, tornando os dados obtidos o mais real possível, e portanto confiáveis. A principal finalidade desta Pesquisa de Campo foi constatar o nível de conhecimento dos alunos de LI ( Língua Inglesa ) das escolas públicas com relação a importância da autonomia para o progresso na aprendizagem de uma língua estrangeira. Assim como,
  • 24. 23 analisar se suas atitudes são coerentes ou incoerentes como aprendizes que devem ser independentes. Além disso, buscou-se verificar se há uma preocupação por parte dos professores em trabalhar o desenvolvimento da autonomia dos seus alunos através de suas aulas, de forma que esses pudessem se tornar estudantes conscientes da sua responsabilidade durante o seu processo de aprendizagem de LI. 3.2 Sujeitos e lócus da Pesquisa Os sujeitos escolhidos para a pesquisa foram 10 alunos do ensino médio das escolas públicas e 3 professores da rede pública que lecionam nas séries do ensino médio, com no mínimo dois anos de experiência. A escola escolhida como objeto de investigação foi o Colégio Estadual Wilson Lins, no município de Valente-BA. A preferência por essa escola, explica-se devido o contato que eu já possuí com ela por oito anos, durante o período em que estudava o ensino fundamental e médio. Por isso buscou-se investigar o que mudou com relação a aprendizagem de LI, de 2006 (no ano que conclui o ensino médio ) até esse ano de 2012. A preferência pelos alunos do ensino público se deu por se ter observado através de estudos sobre o ensino e a aprendizagem de língua Inglesa, o preconceito que há desses alunos com relação ao ensino de LI, pelo fato deles serem na maioria de baixa renda e não terem oportunidade de viajar para países de língua estrangeira e se sentirem afastados dessa língua devido a situação financeira na qual possuem. Por isso, buscou-se analisar se ainda há esse preconceito entre os alunos, ou se eles tiveram autonomia para se dedicar aos estudos de LI, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo mundo globalizado no qual estamos. A opção em utilizar estudantes do nível médio explica-se pelo fato desses já estarem próximo de concluir, e por isso podem ter uma visão melhor do que os que ainda estão no ensino fundamental. Além disso, esses alunos tem uma maturidade maior para participarem da pesquisa, e para demonstrarem se possuem ou não interesse em prosseguir nos estudos de língua inglesa. Os questionários dos alunos foram respondidos imediatamente no momento em que lhes foi entregue. Isso possibilitou que eles fossem o mais sincero possível nas suas respostas, o que contribuiu significativamente com o objetivo desse trabalho. Quanto ao questionário dos professores, apenas um dos três que participaram da pesquisa respondeu no mesmo
  • 25. 24 momento em que lhes foi entregue. Os demais solicitaram um dia para entregar, e assim lhes foi permitido. Todos os professores participantes da pesquisa tinham no mínimo 6 anos de experiência no ensino de Língua Inglesa. Essa característica foi fundamental, já que um dos critérios para escolha dos sujeitos seriam aqueles com no mínimo dois anos na sala de aula de LI . 3.3 Instrumentos de coleta de dados A técnica utilizada para coletar os dados foi a aplicação de questionário. A escolha desse instrumento foi feita, por ele ser ideal para alcançar o objetivo proposto nesse trabalho, além de proporcionar uma maior liberdade e sinceridade nas respostas, já que os sujeitos participantes não precisam se identificar, tornando a pesquisa mais confiável. O questionário é fundamental para esclarecer o problema da pesquisa como explica Gil (apud BRENNER, 1999, p. 25): Construir um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos em questões específicas. As respostas a essas questões é que irão proporcionar os dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema da pesquisa. No questionário dos alunos haviam 5 questões, sendo elas 4 subjetivas e apenas uma objetiva, quanto ao dos professores, haviam 4 questões, sendo 3 subjetivas e uma objetiva, o que torna essa pesquisa de caráter qualitativo, ou seja, diferente da pesquisa quantitativa, os dados não são analisados estatisticamente, mas através de uma visão um pouco mais minuciosa, observando cada característica de forma mais detalhada. Visando melhores resultados desse trabalho, cada questão aplicada foi analisada individualmente, e em casos necessários foram usados exemplos das respostas dos alunos, assim como dos professores.
  • 26. 25 4 ANÁLISE DE DADOS O resultado dessa pesquisa de campo foi consideravelmente relevante para confirmar as ideias contidas na pesquisa bibliográfica a respeito da falta de autonomia dos alunos de língua inglesa das escolas públicas, que traz como principal consequência a dificuldade na aprendizagem de LI. Existem diversas estratégias que podem facilitar o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira para que ele ocorra de forma rápida e eficaz, mas para utilizar essas estratégias é necessário ser um estudante autônomo, ou seja, o aluno deve sentir- se independente do contexto escolar, e disposto a praticar habilidades que faça-o progredir no processo de aprendizagem de LI. Com base nesses conhecimentos que foram adquiridos durante a pesquisa bibliográfica, e com o objetivo de comprovar a realidade dos alunos do ensino médio das escolas públicas com relação á autonomia desses, foram desenvolvidas 5 questões. A primeira questão tinha como intenção principal perceber, se os alunos tinham consciência da importância da autonomia para o seu progresso na aprendizagem de uma língua estrangeira, e quais atitudes deles poderiam ser possíveis indicadores de que eles a obtivessem . Por isso, no questionário realizado com os alunos, a primeira questão se referia a opinião deles com relação ao que poderia facilitar a aprendizagem de LI para que ela acontecesse de forma rápida e eficaz. Para essa questão grande parte dos alunos deram respostas relacionadas ao contexto escolar. Alguns responderam que o professor deveria cobrar mais dos alunos, outros afirmavam que seria necessário haver aulas mais dinâmicas em que houvesse interação entre educador e educando, outros ainda asseguraram que aprenderiam melhor se o professor levasse música para a sala de aula. As demais respostas eram semelhantes a essas, e sempre tinham o professor como aquele que atua no processo de aprendizagem, enquanto os alunos mantinham posturas passivas. Em todas essas respostas pode-se facilmente observar que os alunos não citam o que eles deveriam fazer para melhorar o seu aprendizado, e sim o que o professor deveria fazer, ou seja, eles excluem o próprio papel no processo de aprendizagem e atribuem ao professor a responsabilidade total pela sua aprendizagem. Isso traz a concepção de que os educadores precisam esclarecer o papel do aluno no processo de aprendizagem de uma língua estrangeira, assim como mostrá-los que eles podem aprender
  • 27. 26 muito mais quando tornarem-se independentes, pois é através do incentivo inicial do educador que os alunos poderão desenvolver a consciência com relação a sua função como estudante de uma língua estrangeira. Apesar da necessidade de aulas que funcionem como uma motivação extrínseca para o aluno sentir interesse em estudar a língua inglesa, é necessário que eles tenham conhecimento de que a sala de aula não é o suficiente para desenvolver uma aprendizagem eficaz, como afirma Miccoli ( apud PAIVA, 2010, p. 34): Acreditar que o aluno aprenderá tudo que precisa para expressar-se bem em uma língua estrangeira em sala de aula é impossível. Assim, tanto professor quanto alunos devem saber que seus papéis em sala de aula são limitados,- o professor não pode ensinar tudo, e o aluno não deve esperar que através do professor se aprenda tudo. Entre 10 alunos que responderam o questionário, apenas 3 deles deram respostas autônomas e eficazes sobre o que pode realmente facilitar a aprendizagem de LI permitindo que ela aconteça em um intervalo de tempo menor. Contrariamente a maioria, esses deram respostas demonstrando uma certa independência do professor, afirmando que para facilitar a aprendizagem de LI eles poderiam fazer cursos extras, assistir filmes legendados, ouvir músicas na língua inglesa, entrar em contato com falantes nativos, etc.. Percebe-se portanto, que uma pequena minoria se insere como os construtores da própria aprendizagem, pois ao invés de citar o professor, eles citaram seus próprios mecanismos e suas técnicas para aprender fora do contexto escolar. Essa seria a melhor forma para atingir um nível ideal de aprendizagem em língua inglesa, pois é uma maneira de ampliar o curto intervalo de tempo da carga -horária dessa disciplina. No entanto, pode-se constatar que a maioria dos estudantes ainda encontram–se dependentes do contexto escolar. Esse é um fato verídico que pode acontecer por consequência da falta de conhecimento por parte do professores de como trabalhar a autonomia durante suas aulas. Isso mostra uma necessidade de cursos direcionados aos professores de LI com foco no desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Diferentemente da primeira questão, a questão subsequente era fechada, contendo apenas duas alternativas. Nela foi questionado sobre qual pessoa o aluno considera como o principal responsável pela construção da sua aprendizagem em LI.Uma das alternativas era o professor e a outra, o aluno. Essa questão foi feita com o objetivo de analisar o nível de dependência dos alunos para com o professor.
  • 28. 27 Entre dez dos que responderam o questionário, oito marcaram na alternativa que se refere ao professor, e apenas dois dos estudantes marcaram na opção aluno. Através das respostas obtidas nessa questão, fica claro que os alunos de Língua Inglesa das escolas públicas não assumem sua responsabilidade como aprendiz de uma língua estrangeira. E se esses acreditam que o principal responsável pela construção do próprio conhecimento é o professor, isso mostra que há uma imensa necessidade de ser esclarecidos os papeis de cada um, e esse é o ofício do educador: Mostrar para os seus alunos que eles são os próprios construtores do conhecimento, e que ele (o professor) é apenas o mediador. Enquanto os aprendizes estiverem transferindo toda a responsabilidade para o professor, eles irão continuar sentindo dificuldade com essa disciplina, pois, embora seja necessário que o professor faça um bom trabalho, é também necessário que os alunos reconheçam o seu papel como estudantes de uma língua estrangeira e compreendam que é a partir da dedicação deles que poderão alcançar uma aprendizagem satisfatória. No entanto, o educador precisa orientá-lo a respeito disso, pois segundo Paiva (apud LIMA, 2009, p.35 ).“o professor não é o responsável pela aprendizagem do aluno, mas pode ajudá-lo a ser mais autônomo” É necessário frisar que, mesmo havendo apenas duas opções de resposta, na qual eles teriam que optar apenas pelo professor ou pelo aluno como responsável pela construção da aprendizagem, um dos alunos quebrou as regras de resposta e acrescentou outra alternativa, contendo professor e aluno, marcando nesta opção. A atitude desse aluno mostra o quanto ele é seguro e conhecedor de que os dois são importantes no processo de aprendizagem, pois ele não quis decidir entre um ou outro, demonstrando o quanto ele é consciente a respeito da necessidade de empenho tanto do professor, quanto do aluno. Embora se saiba que quanto maior a responsabilidade do aluno no processo de aprendizagem de uma língua estrangeira, maior as chances dele desenvolver sua própria aprendizagem. Porém, conforme Paiva (2010, p. 34 ) isso precisa ser trabalhado pelo professor: O desenvolvimento de alunos autônomos deve ser incentivado pelo professor para que o aluno possa direcionar sua aprendizagem de forma a que este, gradativamente, deixe de precisar do professor para resolver tarefas, sejam elas dentro ou fora da sala de aula. Com o objetivo de saber quanto tempo de estudos extra escolares os alunos consideram necessário para aprender a LI, foi feita uma questão na qual pedia que os alunos
  • 29. 28 fizessem a suposição de que uma aluna só entrava em contato com a LI quando estivesse na sala de aula, por conta da falta de tempo. Sendo ela uma aluna aplicada que respondia as atividades, mas não tinha nenhum contato com a língua inglesa além daquele que possuía na escola, seria possível que ela aprendesse essa língua? Nessa questão apenas dois dos alunos responderam que não seria possível, os demais (oito alunos) responderam que seria possível dependendo da força de vontade. Uns afirmaram que ela poderia aproveitar os finais de semana para ver vídeos-aulas e manter contato virtual com estrangeiros, outros afirmaram que seria possível, já que a aluna era atenta nas aulas e respondia as atividades. Outro aluno afirmou que o inglês está em todo lugar então, para ele, é possível aprender mesmo só entrando em contato quando estiver na escola. Esse aluno dá uma resposta aparentemente confusa, pois se ele próprio afirma que essa língua está em todo lugar, é então necessário aproveitar esse conhecimentos extra escolares para desenvolver uma aprendizagem satisfatória, porém ele afirma o contrário quando diz que é possível aprender mantendo contato com a LI somente através da escola. Ainda houve outro aluno que respondeu que seria possível, se a professora explicasse todos os assuntos que o aluno apresentasse dúvida. Percebe-se claramente que há uma falta de noção por parte dos alunos do que seja realmente aprender uma língua estrangeira e do tempo necessário para isso. Pois essa aluna não poderia aprender a LI, mantendo contato com ela apenas no ambiente escolar. No entanto, a realidade das escolas públicas, permite que os alunos sintam que aprenderam o suficiente apenas com o que eles veem na escola. Isso pode ser ilustrado na fala da aluna que diz: “É possível aprender, pois eu trabalho e não tenho tempo para nada, mas sou nota 10 em inglês.” Conforme Miccoli (2010),“demonstrar conhecimentos em uma língua estrangeira não se limita apenas ao preenchimento de espaços nas provas, mas também à realização de projetos, onde esses conhecimentos sejam aplicados. Portanto, para demonstrar a aprendizagem em uma língua estrangeira é necessário que o aprendiz domine todas as habilidades (listening, speaking, writting e reading), e não apenas uma delas. Apesar da grande maioria dos estudantes acreditarem que é possível aprender a LI mantendo contato com essa língua apenas no contexto escolar, há uma pequena parte que pensa diferente e que é necessário ser frisado. Ou seja, entre os dez alunos que responderam ao questionário, dois deles afirmaram que não seria possível aprender a LI nas condições citadas na pergunta. Um deles respondeu que para aprender é necessário tempo, mesmo a
  • 30. 29 pessoa sendo um bom aluno, e o outro aluno demonstrou através de sua resposta que não seria possível aprender através do contato unicamente com a escola, porque apenas com as aulas escolares eles não aprendem o suficiente. A Resposta desse aluno chama a atenção, pois percebe-se um pequeno desabafo, na qual ele se expressa da seguinte forma : “Não. Porque os professores não ensinam 100% a falar, eles dão aula e ensinam só algumas palavras, como por exemplo, love, you e I, que todos sabem o que significa.” A fala desse aluno, além de complementar a citação de Miccoli, serve também para comprovar que há uma necessidade de mudança nas aulas de língua inglesa, de forma que os aprendizes sintam que o que ele aprende será útil, não só para responder provas e obterem uma nota, mas principalmente para utilizarem no seu cotidiano, no diálogo com estrangeiros, na compreensão de uma música, ou de uma entrevista que passa na tv. Dessa maneira, os alunos estarão aplicando o que viu na sala de aula em um contexto real, que é muito mais significativo. É por observar a decadência no ensino de língua inglesa nas escolas públicas que esse aluno se expressa dessa forma, mostrando que ele se sente incomodado com a maneira na qual essa língua é lecionada, por isso é necessário uma mudança nas aulas de LI, como afirma Paiva ( apud LIMA 2009, p.34-35): O ensino de LE tem carga-horária reduzida,(.....) logo essas horas na sala de aula precisam ser usadas de forma a despertar no aprendiz o desejo de ultrapassar os limites de tempo e espaço na sala de aula em busca de novas experiências com a língua. O aluno mostra-se crítico e reflexivo, não acreditando que é possível aprender a língua inglesa somente através do ambiente escolar. A sua opinião mostra uma postura de alguém que pode tornar-se um sujeito autônomo, pois independente da postura do seu professor, ele já mostra ser consciente á respeito da necessidade de se tornar independente para que possa progredir no seu processo de aprendizagem. Porém, foi possível perceber que são poucos alunos que tem esse senso crítico, é exatamente por isso que os educadores tem o dever de orientá-los a saírem da função de simples receptores, para os construtores do próprio conhecimento. È sabido que para alcançar uma aprendizagem eficaz em LI, o estudante precisa se tornar autônomo, e quando o aluno tem a consciência de que o espaço escolar não é suficiente para promover tal conhecimento, ele tem mais facilidade de desenvolver essa autonomia.
  • 31. 30 Com base nesses conhecimentos, e com a intenção de saber o que os alunos entendiam com relação a responsabilizar-se pela aprendizagem em LI, lhes foi indagado se eles se consideravam responsáveis como estudantes de uma língua estrangeira e quais atitudes deles poderiam exemplificar essa responsabilidade. Para essa questão 3 alunos responderam negativamente, afirmando que não se consideravam muito responsáveis. Entre esses, houve um aluno que justificou essa resposta explicando que a disciplina é muito difícil. Diferentemente desse, um outro estudante afirmou que apesar de não ser responsável, ele não apresentava nenhuma dificuldade com a disciplina, já o outro estudante respondeu que não era totalmente responsável porque algumas vezes deixava de fazer traduções solicitadas pela professora. Entretanto, a grande maioria deram respostas positivas com relação ao fato de se considerarem responsáveis. Contudo, todos justificavam essa responsabilidade pelo simples fato de responderem as atividades da classe, ou ser atento durante as aulas. Ao analisar essas respostas, nota-se mais uma vez a falta de autonomia desses alunos, na qual está evidente que os educadores não lhes mostram o que eles devem fazer para assumir a responsabilidade como aprendiz de uma língua estrangeira. Se esses alunos acreditam que responder as atividades e ser atento durante as aulas é o suficiente, fica claro que não há uma cobrança maior por parte do professor de forma que venha gradativamente mudar o comportamento dos alunos, permitindo que esses passem a exigir mais de si próprios no seu processo de aprendizagem .passando a responsabilizar-se não só pelas atividades escolares, mas pela busca de conhecimentos que venham complementar o pouco tempo de contato com a LI que eles possuem nas escolas públicas. Esse ensino que se apresenta descentralizado da autonomia, gera diversas consequências, e uma dessas é o comodismo dos alunos. Pois para ser independente, autônomo, ou responsável, é necessário mudar a postura de simples “alunos”, para a postura de “estudante”, e para isso os professores de LI precisam orientar seus alunos a buscar novas fontes de conhecimento, de forma que eles não se prendam somente as atividades desenvolvidas no ambiente escolar. A última questão para os alunos foi construída com o intuito de entender quais seriam os possíveis indicadores da autonomia, ou da ausência dessa, entre os estudantes de LI. Para isso, a pergunta para esses alunos se referia ao que lhes estimula o desejo de aprender, e o que desmotiva-os de forma que percam o interesse para estudar essa língua.
  • 32. 31 As respostas para essa questão foram as mais semelhantes entre todas que foram feitas. O estímulo dos alunos estava sempre relacionado com a motivação intrínseca, que se baseava no desejo de viajar e poder se comunicar com falantes estrangeiros, e a necessidade de ingressar logo no mercado de trabalho. Quanto a desmotivação desses, estava relacionada principalmente a dificuldade com a pronuncia. O que mostra a necessidade de aulas que trabalhe com a habilidade comunicativa, para despertar o interesse dos alunos, que desejam se comunicar em uma língua estrangeira, e eliminar a dificuldade que eles apresentam com relação a pronúncia. Um dos alunos explicou que o que lhes desmotiva é o fato da língua não ser tão popular. Essa resposta traz a conclusão de que esse aluno raramente mantém contato com a LI, o que torna para ele uma língua pouco popular, e portanto difícil para aprender. Além disso, demonstra também a necessidade que há do professor trabalhar em sala de aula com as consequências da globalização, e a importância do inglês neste cenário, para que os alunos então percebam que a língua inglesa tornou-se, não apenas uma língua popular, mas principalmente uma língua conhecida como universal”, o que demonstra a sua grande influência na atual sociedade. Um dos alunos demonstra que sua motivação é intrínseca, ou seja está relacionada a seus desejos pessoais. Essa resposta é ilustrada da seguinte forma: “Me motiva por ser uma língua muito interessante e eu acho bonito e tenho vontade de viajar , aí iria facilitar né, porque é muito difícil decorar palavra, falar corretamente, escrever e saber o significado.” Através do comentário desse aluno, percebe-se que o que lhe estimula é o interesse pessoal em aprender a língua inglesa, porém apesar do desejo desse aluno, ele demonstra a dificuldade em desenvolver várias habilidades ao mesmo tempo. Isso confirma o que está inserido na parte teórica desse trabalho, de que grande parte dos alunos perdem o interesse por essa disciplina devido a metodologia tradicional adotada pelos professores, com foco exclusivo na gramática, e que raramente trabalha com as demais habilidades, gerando uma imensa dificuldade dos alunos e trazendo como consequência o desinteresse que impede-os cada vez mais de tornem-se aprendizes autônomos. Confirmando portanto a fala de Paiva (2009) quando ela diz que “ninguém vai se sentir motivado se ano após ano ficar memorizando regras gramaticais e fazendo exercícios cansativos e sem sentido”.
  • 33. 32 Devido aos conhecimentos obtidos através da pesquisa bibliográfica, feita durante esse trabalho, foi possível perceber o quanto o incentivo do professor é necessário para que o aprendiz desperte o interesse pela disciplina de LI, e torne-se aos poucos um sujeito autônomo. Por isso, a primeira questão feita aos docentes perguntava-lhes a respeito das suas crenças com relação a possibilidade de incentivar a autonomia dos estudantes de LI por meio das aulas desta disciplina. Dois professores participantes da pesquisa responderam que seria possível incentivar a autonomia por meio das aulas, e com relação a maneira como isso poderia acontecer, eles responderam que estimulariam os alunos a acessar vídeos, áudios, filmes e a praticarem a conversação. Esses professores deram respostas unânimes, e que são realmente importantes para desenvolver a aprendizagem de LI, porém, sabe-se que antes de pesquisarem sozinhos os alunos precisam quebrar todas as barreiras e as dificuldades encontradas, e acima de tudo precisam compreender as vantagens que o ensino de língua inglesa pode lhes proporcionar. Através das aulas, os professores poderiam buscar quebrar essas barreiras e o preconceito com a LI, porém, eles não fizeram nenhum comentário á respeito disso. Subentende-se, portanto que a maioria dos professores não apresentam muita preocupação em incentivar a autonomia desses alunos, pois suas repostas diziam o que os alunos poderiam fazer, e não com o que eles professores poderiam fazer em suas aulas para despertar o interesse dos alunos, de forma que esses viessem sentir o desejo de aprender, e consequentemente se tornassem aprendizes autônomos. É importante salientar que, a despeito de ser uma minoria, também há professores pesquisadores que conhecem teorias relacionadas ao desenvolvimento da autonomia, isso pôde ser constatado através da resposta da professora que diz: “Sim. Criar alunos autônomos do seu próprio processo de aprendizagem é algo possível, porém é necessário muito incentivo e atividades diversificadas. Sem esse incentivo é difícil o aluno aprender de fato a LI, pois não é uma tarefa muito fácil. É preciso um trabalho voltado para a realidade em que vivemos, não se limitando apenas ao ensino de gramática e vocabulário.” Diferentemente dos demais, esse professor demonstrou que através da sua aula ele poderia incentivar o aluno, ao invés de apenas orientá-los sobre o que eles poderiam pesquisar. Com o objetivo de compreender de que forma os professores percebiam a autonomia dos seus alunos, ou a ausência dessa, foi criada uma pergunta, na qual questionava os
  • 34. 33 educadores sobre as atitudes dos estudantes que os fazia perceber se ele era ou não um aprendiz autônomo. Para essa questão os professores deram respostas bem diversificadas. O professor A, respondeu que percebia a característica autônoma do seu aluno, quando este demonstrava habilidades para compreender o inglês que o rodeia, nas letras das música, na tv, nos produtos que compram , ou na internet, etc.. já o professor B respondeu que os alunos demonstravam obtê-la quando realizavam as atividades sem solicitar muita ajuda do professor, e também ao fazerem sugestões para se trabalhar determinado texto, ou música para dinamizar a aula. Entretanto, o professor C respondeu que o aprendiz é autônomo quando compreende que a aquisição de um outro idioma traz a possibilidade de se comunicar com pessoas de outros países. Percebe-se que os professores tem conhecimento com relação aos seus alunos que possuem autonomia, no entanto, através das respostas dos alunos, foi possível entender que são poucos, entre eles, que possuem esse comportamento de independência com relação ao professor. E isso pode acontecer justamente pelo conformismo por parte dos docentes, que não buscam por em prática estratégias de incentivo á autonomia dos seus alunos. Além da falta de incentivo por parte do professor com relação ao desenvolvimento da autonomia do aluno, outro motivo que impede-os de se tornarem autônomos é a dificuldade que eles tem em desenvolver todas as habilidades, pois geralmente os professores trabalham apenas com foco exclusivo na gramática. Entretanto, “nos dias de hoje entender o ensino de língua como restrito a aprendizagem de gramática e vocabulário pouco ajuda o aluno a lidar com a realidade em que nos encontramos, onde o inglês cada vez mais nos cerca” Miccoli (apud PAIVA,2010, p.32). Por isso o ensino de LI não pode ser baseado em uma única metodologia. Portanto é necessário que os professores trabalhem também com atividades comunicativas para que os alunos possam desenvolver o listening e speaking e consequentemente se sintam capazes de se comunicar em uma língua estrangeira. Em função desses conhecimentos foi feita uma questão fechada na qual foi perguntado o seguinte: Qual das atividades abaixo são constantes em suas aulas? Ela continha três alternativas: Leitura e interpretação de texto/, comunicação através de diálogos/ ou vocabulário e gramática. Dois professores marcaram na opção leitura e interpretação de texto, sendo que um desses marcou em duas opções, escolhendo também gramática e vocabulário e o outro marcou na opção comunicação através de diálogos.
  • 35. 34 Constatou-se portanto, que a habilidade mais importante de ser trabalhada, que é a comunicação está sendo a que os professores mais deixam de lado. Contribuindo dessa forma para aumentar a desmotivação dos alunos que acabam sentido muita dificuldade com a pronuncia, como pôde ser comprovado através do questionário. Essa realidade das escolas públicas mostra mais um dos principais motivos da falta de autonomia dos estudantes, pois esses se sentem frustrados quando tentam falar em inglês e não conseguem em função da falta de prática de falar em uma outra língua na frente dos colegas. Devido ao fato da realidade do ensino de LI apresentar muitas defasagens, começando pelo próprio sistema que deixa uma pequena carga-horária para o ensino dessa disciplina, compreende-se que é necessário que os aprendizes estejam sempre buscando novas fontes de aprendizagem e, sabe-se que não há ninguém melhor que o professor, para ser o instigador no processo de aprendizagem de seus discentes, pois eles conhecem as principais metas para orientá-los. Por isso, a última questão perguntava aos docentes se eles pediam aos seus alunos para pesquisarem, e se a resposta fosse positiva que eles citassem quais materiais eram solicitados por eles. Todos os professores responderam que estimulavam os estudantes a pesquisarem, e os materiais solicitados foram comuns entre ambos. Um dos professores citou que pedia letras de música para enriquecer o vocabulário, sites, blogs, aspectos gramaticais que estão sendo estudados na sala. O outro também citou atividades que enriquecem o vocabulário e sites com orientações sobre o ensino de LI. Já o terceiro deu uma resposta que não foi citada pelos demais, afirmando que pedia aos seus alunos para levarem textos de seus interesses para serem trabalhados na sala de aula. Apesar de todas as respostas serem relevantes, a única que chama a atenção para uma maior possibilidade de desenvolver a autonomia dos alunos é a terceira, pois uma das melhores formas de estimular os alunos, é trabalhando em cima daquilo que eles gostam para que eles possam realizar a atividade por prazer, ao invés de fazê-la por obrigação. E essa última resposta dada pelo professor permite que o aluno escolha o material que ele prefere estudar, contribuindo com a motivação intrínseca do aprendiz, e além disso, permite que ele exerça o seu papel como aprendiz autônomo, já que para escolher uma atividade de seu interesse o aprendiz também precisa ser independente. O educador que faz isso, está seguindo as orientações de Paiva ( apud LIMA, 2009 ), quando ela diz que o professor pode contribuir
  • 36. 35 para atitudes mais autônomas dos seus alunos, quando envolve-os nas suas decisões e dar a eles opções de escolha de material e de atividades, transformando-os em seus colaboradores. Apesar das respostas dadas pelos professores serem importantes instrumentos de aprendizagem, é necessário enfatizar que, por mais que os docentes peçam a seus alunos para pesquisarem, dificilmente isso será feito por eles, se inicialmente não for desenvolvido um trabalho com foco na autonomia, começando por exemplo por mostrar a importância em aprender a LI e as demonstrações de que é possível aprender sem precisar sair do pais, além da necessidade de aulas dinâmicas que contenha uma abordagem que contemple todas as habilidades. No entanto, foi constatado através da primeira questão feita aos professores, que eles incentivam seus alunos apenas pedindo para eles estudarem em casa. Porém, apenas um desses professores afirmou que os-incentivava por meio das suas aulas. Foi possível perceber que as repostas dos professores e a dos alunos eram compatíveis, principalmente no que se refere a necessidade de trabalhar mais a comunicação em sala de aula, pois a maioria dos professores responderam que trabalham mais com gramática e vocabulário. Isso explica o fato dos alunos terem respondido que sentiam muita dificuldade com a pronúncia, sendo esses um dos principais motivos da falta de estímulo desses para aprender, já que o inglês que eles aprendem na escola serve apenas para responder as atividades solicitadas pelo professor.
  • 37. 36 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho foi significativamente relevante para compreender os principais motivos da falta de interesse dos alunos com relação á disciplina de LI, e as possíveis causas da ausência de autonomia entre esses. A começar pela pesquisa bibliográfica que possibilitou um profundo conhecimento da realidade das escolas públicas em geral com relação a disciplina de LI, na qual houve a possibilidade de entender o verdadeiro conceito de um aprendiz autônomo no seu processo de aprendizagem , e quais as principais estratégias para alcançar uma aprendizagem eficaz em uma língua estrangeira. Além disso, através da pesquisa bibliográfica, percebeu-se que os aprendizes não podem se tornar autônomos, sem o estimulo inicial feito pelo professor, através de suas aulas, começando pelas desmistificação das crenças, que causam diversos preconceitos com essa disciplina, e posteriormente com aulas lúdicas e prazerosas que possam despertar o interesse do aluno, através de atividades que contemple não apenas uma habilidade, mas todas elas, e principalmente a comunicativa, que os estudiosos alegam ser a principal, por trabalhar com a maior necessidade do aluno de LI, que é aprender a língua para poder utilizá-la na sociedade, e não apenas no ambiente de aprendizagem. O questionário aplicado aos estudantes de LI foi indispensável para comprovar a hipótese da falta de autonomia dos alunos de língua Inglesa das escolas públicas, e também para compreender os principais motivos que impede-os de tornarem–se sujeitos autônomos. Foi possível concluir que um dos principais motivos está relacionado com as crenças que esses alunos ainda possuem, devido ao pouco contato que eles mantem com a LI, somente quando estão no contexto escolar. A outra razão para a falta da autonomia está relacionada com a falta de conscientização por parte dos professores com relação a necessidade dos aprendizes se tornarem independentes do contexto escolar para praticarem melhor as estratégias de aprendizagem que não são trabalhadas na escola. Os questionários também serviram como instrumentos essenciais para perceber que a maioria dos alunos não possuem o conhecimento que para aprender uma língua estrangeira é necessário dominar as quatro habilidades linguísticas, pois a escola dispõe de muito pouco, e por isso não cobra muito dos alunos, o que gera entre eles uma certa “tranquilidade”, como se essa disciplina fosse totalmente inferior as demais, e por isso alguns alunos chegam a afirmar que, mesmo não sendo responsáveis como aprendizes de LI, tiravam boas notas, e eram
  • 38. 37 considerados bons alunos. Isso explica o fato de grande parte dos estudantes não terem o menor interesse em desenvolver o próprio conhecimento e preferirem o comodismo, já que eles podem da mesma forma passar de ano e até serem considerados “bons alunos”. Nesse trabalho foi explícito claramente, que a maior resistência á autonomia vem dos próprios alunos que estão acostumados com esse ritmo ainda tradicional, na qual são passivos, e esperam alcançar a aprendizagem através do professor, possuindo dessa forma uma visão do docente como o transmissor de conhecimentos. Por isso, pode-se afirmar que, uma possível solução para a resistência dos alunos ao desenvolvimento da autonomia está nas mãos dos educadores, que podem instigar os seus alunos a deixarem de ser meros receptores de conhecimento e passarem a ser os construtores desse. Além disso, cabe ao professore o papel de orientá-los em torno das melhores estratégias de aprendizagem. Tanto na pesquisa de Campo, quanto na bibliográfica, constatou-se que as aulas de língua inglesa são voltadas exclusivamente para gramatica e vocabulário, por isso, é dever dos professores mudarem essa realidade, para que o aprendiz passe a valorizar essa disciplina assim como as demais, e então reconheça a necessidade de ampliar o seu tempo de estudo para atingir um nível ideal de aprendizagem. Isso deve ser feito através de uma maior cobrança aos alunos, mostrando-lhes que a disciplina de língua estrangeira tem a mesma importância que as demais. Além disso, por meio dessa monografia foi possível perceber que, é necessário preparar os alunos para o mercado de trabalho, e para a vida em si, e um dos caminhos pra isso é tornar o ensino de LI, o mais próximo possível da realidade dos aprendizes, para que eles possam se sentir inseridos nesse “novo mundo” globalizado, e a partir de então possam sentir interesse, e ao mesmo tempo, possam observar a necessidade de estar aprimorando cada vez mais o seu inglês, ao invés de se conformarem com o inglês básico que está inserido na grade curricular, pois é esse conformismo que impede-os de tornarem-se verdadeiros aprendizes que usam a autonomia para construir a própria aprendizagem.
  • 39. 38 REFERÊNCIAS CHAGURI, J. P. A importância do Ensino de Lìngua Inglesa nas Séries iniciais do Ensino Fundamental. In :o desafio das letras, FACCAR, 2005. Acesso em: 20 jun 2012. CRUZ, Giêdra Ferreira da. O papel do centro de aprendizagem autônoma de línguas estrangeiras no desenvolvimento dos alunos de letras. In: LIMA, Diógenes Cândido de (org.). Ensino aprendizagem de Língua Inglesa: Conversas com especialistas. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. DIAS Reinildes. Proposta Curricular de Língua estrangeira do Ensino Fundamental, 6º a 9º ano. Disponível em:<www.erv.educação.mg.gov.br >. Acesso em: 20 jun 2012. Gil In: BRENNER , Eliana de Orais; JESUS Dalena Maria N. Manual de planejamento e apresentação de trabalhos acadêmicos: Projeto de pesquisa, monografia e artigo. São Paulo: Atlas, 2007. HUEW, Elisa Lioe Teh. A Importância da Autonomia no Aprendizado de Língua Estrangeira para Alunos de cursos livres. Disponível em: <http://www.veramenezes.com/elisa.htm >. Acesso em: 10 jun 2012. KRASHEN, S.D. Input Hipoteses: Issues and implications. London: Longman, 1985. LEFFA,V. J.O professor de línguas estrangeiras: do corpo mole ao corpo dócil. In: FREIRE,M;ABRAHÃO,M;BARCELOS,A.(orgs.).Linguística aplicada e contemporaneidade. Campinas: ALAB/Pontes, 2005. p.203-218. MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2005. MICCOLI, Laura. Autonomia na aprendizagem de língua estrangeira. In:PAIVA, Vera Lúcia Menezes de oliveira.(org.) Práticas de ensino e aprendizagem de Inglês com foco na autonomia.Campinas,São Paulo.3ª Ed: Pontes, 2010. PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. O Ensino de Língua Estrangeira e a questão da autonomia. In: LIMA, Diógenes Cândido de. Ensino aprendizagem de Língua Inglesa: Conversa com especialistas. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Apresentação dos temas transversais, ética. Secretaria de Educação fundamental, Brasília:MEC/SEF,1997.Disponível em : <www.ebah.com.br>. Acesso em: 03 jun 2012. SILVA,Gesiel de Albuquerque.A autonomia no ensino-aprendizagem de Língua Inglesa: Suas relações com a motivação e as estratégias. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.ufba.br>. Acesso em: 20 jun 2012. VILAÇA, M.L.C. Pesquisas em estratégias de aprendizagem: um panorama. Revista Escrita: Revista do curso de Letras da UNIABEU, v.1, 2010.