Missão Langsdorff
Professora Andréa Dressler
Missões e expedições exploratórias
estrangeiras no Brasil
Por diversas vezes no Brasil missões artísticas e científicas
foram responsáveis por explorar e mostrar para o mundo as
potencialidades dessa nova terra chamada Brasil.
Dança Tapuia, Albert Eckhout, 1641.
Missão Francesa
A Missão Francesa foi a única estabelecida institucionalmente
no Brasil. Mas além dos artistas vindos com a Missão
Francesa (1816), muitos outros artistas estrangeiros
trabalharam por aqui.
Jean Baptiste Debret, Cidade do Bananal,1827
Missão Austríaca
No ano seguinte, 1817, na Missão
Austríaca, a arquiduquesa Leopoldina que
veio para se casar com Dom Pedro, trouxe
em sua comitiva diversos cientistas
austríacos. Esses naturalistas,
interessados na natureza tropical
registravam a paisagem, a fauna e a flora
brasileira:
Karl Friedrich Phillip von Martius (botânico)
Formas de plantas da
América tropical, c.
1828'
Johann Baptist von Spix (zoólogo)
Espécie de Sagui,
1823
Missão Langsdorff
Outras expedições científicas de estrangeiros e
brasileiros viajaram pelo interior do país
produzindo obras de grande valor descritivo e
iconográfico.
Em 1824 o naturalista alemão Georg Henrich
von Langsdorff, cônsul da Rússia no Brasil,
comanda viagens a Minas Gerais, São Paulo,
Mato Grosso, Amazonas e Pará, conhecidas
como Missão Langsdorf. Participam dessas
viagens vários artistas, dentre eles:
Johann Moritz
Rugendas
Alemão, vem para o Brasil em 1821, como desenhista documentarista da
Expedição Langsdorff. Abandona a expedição em 1824, mas continua sozinho
o registro de tipos, costumes, paisagens, fauna e flora brasileiros. Segue para
Mato Grosso, Bahia e Espírito Santo e retorna ao Rio de Janeiro ainda no
mesmo ano. Cem litografias com base em desenhos brasileiros de Rugendas
são publicadas no volume Viagem Pitoresca pelo Brasil (1827/1835). Nas
cenas da vida cotidiana da população brasileira da época e nos retratos
etnográficos percebemos que artista estava empenhado em criar imagens
idealizadas, mais programáticas do que reais. Os corpos de negros e índios são
representados em estilo clássico, os traços suavizados e europeizados, bem
como é amenizada a situação dos escravos.
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa707/johann-moritz-rugendas
Paisagem na Selva
Tropical Brasileira
1830
Dança de Guerra (capoeira), 1834
Navio Negreiro, 1830
Adrien Aimé
Taunay
Francês, muda-se para o Rio de Janeiro em 1816 acompanhando seu
pai, Nicolas Antoine Taunay integrante da Missão Artística Francesa.
Substituindo Rugendas, ocupa o posto de primeiro desenhista da
expedição liderada pelo cônsul Georg Heinrich von Langsdorff. Adrien
Taunay destaca-se como excepcional pintor de paisagens e pelas cenas
ricas em movimento. Suas aquarelas também apresentam interesse
como fonte de informação histórica, enfocando os costumes da época.
Algumas aquarelas são de grande interesse etnológico, com registro da
vida tribal dos índios bororo e daqueles que viviam na missão jesuítica
da Chapada dos Guimarães.
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22167/adrien-taunay
O Convento dos Capuchinhos em Santos
1825
Rico Habitante de São Paulo que
Conduz suas Mulas Carregadas
de Cana-de-Açúcar
1825
Homem e mulher Bororo
1827
Hércule
Florence
Francês, chega ao Brasil em 1824. Trabalha no comércio e numa empresa tipográfica,
antes de ingressar na Expedição Langsdorff como desenhista. Nos trabalhos realizados
por Florence, revela-se seu olhar objetivo e minucioso na tarefa de representação da
natureza. As plantas e animais são mostrados de diversos pontos de vista, por dentro e
por fora, com ênfase nas características de cada gênero. No caso dos retratos
etnográficos, apresenta as figuras de frente e perfil, esforçando-se em reproduzir suas
particularidades (por exemplo, cor da pele, pinturas corporais, adereços e
vestimentas). Nota-se que Hercule Florence procura individualizar as fisionomias e
afirmar a diversidade étnica, sem recorrer a padronizações. Nas paisagens, além da
topografia de cada região, interessa-se em registrar a luminosidade do céu e das
nuvens.
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6020/hercule-florence
Cachorro do Mato, 1829
Índio Bororo, 1827
O Salto de Itu, 1849
Início da fotografia no Brasil
Em 1832 Hercule Florence enventou um um método de
impressão de imagens a partir dos efeitos da luz
chamado de poligrafia, antes mesmo que fosse
inventada a fotografia.
Somente em 1840 o francês Louis Compte introduz a
daguerreotipia no Brasil. Entusiasmado com a nova
invenção, o Imperador Pedro II, então com 15 anos,
encomenda um daguerreótipo em Paris tornando-se o
primeiro brasileiro nato a praticar fotografia.
Inclusive, mais tarde, torna-se um verdadeiro
colecionador e mecenas desse tipo de arte, atribuindo
títulos e honrarias aos principais fotógrafos atuantes
no país.
Poligrafia: Anúncio em cinco cores da
Fábrica de Chapéus São Gonçalo, na
Província de Minas Gerais.
“Epréuve Nº2 (photographie)”
Conjunto de rótulos para frascos
farmacêuticos, 1833. Vila de São Carlos,
Campinas, SP
Imagens do Acervo IMS (Instituto Moreira Salles).
Visite: https://ims.com.br/titular-colecao/hercule-florence/
Joseph
Nicéphore
Niépce
Em 1826, do
sotão da sua casa,
registrou a
primeira imagem
através da
Câmara Escura
numa exposição
solar que durou
cerca de 8 horas.
Jacques
Mandé
Daguerre
Em 1837 inventou
o daguerreótipo
que fixava a
imagem capturada
com luz solar
numa chapa de
metal que durava
cerca de 30
minutos.
William
Henry Fox
Talbot
Em 1841 inventou
os calótipos, uma
forma de obter
impressões da
fotografia
(fotocópia) por
meio da absorção
da luminosidade.
Pioneiros da fotografia na Europa
Fim da arte neoclássica no Brasil
Como vimos, a presença estrangeira define a produção
artística no Brasil nesse período, e o Rio de Janeiro é
o grande centro cultural, o que causa insatisfação nas
outras regiões.
Ainda não existe uma arte genuinamente brasileira,
mas o sentimento nacional e o desejo de autonomia
inspiram alguns locais.
A imitação dos modelos clássicos começa a decair no
gosto dos artistas e do público e uma nova
transformação se anuncia, mas a influência do
academicismo ainda perdura por muito tempo,
principalmente na pintura.
Bibliografia
Sobre os artistas:
•JOHANN Moritz Rugendas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura
Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa707/johann-moritz-
rugendas>. Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia.
•ADRIEN Taunay. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura
Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22167/adrien-taunay>.
Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia.
•HERCULE Florence. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura
Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6020/hercule-florence>.
Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia.
falandodeartes.com.br

Missão Langsdorff no Brasil

  • 1.
  • 2.
    Missões e expediçõesexploratórias estrangeiras no Brasil Por diversas vezes no Brasil missões artísticas e científicas foram responsáveis por explorar e mostrar para o mundo as potencialidades dessa nova terra chamada Brasil. Dança Tapuia, Albert Eckhout, 1641.
  • 3.
    Missão Francesa A MissãoFrancesa foi a única estabelecida institucionalmente no Brasil. Mas além dos artistas vindos com a Missão Francesa (1816), muitos outros artistas estrangeiros trabalharam por aqui. Jean Baptiste Debret, Cidade do Bananal,1827
  • 4.
    Missão Austríaca No anoseguinte, 1817, na Missão Austríaca, a arquiduquesa Leopoldina que veio para se casar com Dom Pedro, trouxe em sua comitiva diversos cientistas austríacos. Esses naturalistas, interessados na natureza tropical registravam a paisagem, a fauna e a flora brasileira:
  • 5.
    Karl Friedrich Phillipvon Martius (botânico) Formas de plantas da América tropical, c. 1828'
  • 6.
    Johann Baptist vonSpix (zoólogo) Espécie de Sagui, 1823
  • 7.
    Missão Langsdorff Outras expediçõescientíficas de estrangeiros e brasileiros viajaram pelo interior do país produzindo obras de grande valor descritivo e iconográfico. Em 1824 o naturalista alemão Georg Henrich von Langsdorff, cônsul da Rússia no Brasil, comanda viagens a Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Pará, conhecidas como Missão Langsdorf. Participam dessas viagens vários artistas, dentre eles:
  • 8.
    Johann Moritz Rugendas Alemão, vempara o Brasil em 1821, como desenhista documentarista da Expedição Langsdorff. Abandona a expedição em 1824, mas continua sozinho o registro de tipos, costumes, paisagens, fauna e flora brasileiros. Segue para Mato Grosso, Bahia e Espírito Santo e retorna ao Rio de Janeiro ainda no mesmo ano. Cem litografias com base em desenhos brasileiros de Rugendas são publicadas no volume Viagem Pitoresca pelo Brasil (1827/1835). Nas cenas da vida cotidiana da população brasileira da época e nos retratos etnográficos percebemos que artista estava empenhado em criar imagens idealizadas, mais programáticas do que reais. Os corpos de negros e índios são representados em estilo clássico, os traços suavizados e europeizados, bem como é amenizada a situação dos escravos. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa707/johann-moritz-rugendas
  • 9.
  • 10.
    Dança de Guerra(capoeira), 1834
  • 11.
  • 12.
    Adrien Aimé Taunay Francês, muda-separa o Rio de Janeiro em 1816 acompanhando seu pai, Nicolas Antoine Taunay integrante da Missão Artística Francesa. Substituindo Rugendas, ocupa o posto de primeiro desenhista da expedição liderada pelo cônsul Georg Heinrich von Langsdorff. Adrien Taunay destaca-se como excepcional pintor de paisagens e pelas cenas ricas em movimento. Suas aquarelas também apresentam interesse como fonte de informação histórica, enfocando os costumes da época. Algumas aquarelas são de grande interesse etnológico, com registro da vida tribal dos índios bororo e daqueles que viviam na missão jesuítica da Chapada dos Guimarães. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22167/adrien-taunay
  • 13.
    O Convento dosCapuchinhos em Santos 1825
  • 14.
    Rico Habitante deSão Paulo que Conduz suas Mulas Carregadas de Cana-de-Açúcar 1825
  • 15.
    Homem e mulherBororo 1827
  • 16.
    Hércule Florence Francês, chega aoBrasil em 1824. Trabalha no comércio e numa empresa tipográfica, antes de ingressar na Expedição Langsdorff como desenhista. Nos trabalhos realizados por Florence, revela-se seu olhar objetivo e minucioso na tarefa de representação da natureza. As plantas e animais são mostrados de diversos pontos de vista, por dentro e por fora, com ênfase nas características de cada gênero. No caso dos retratos etnográficos, apresenta as figuras de frente e perfil, esforçando-se em reproduzir suas particularidades (por exemplo, cor da pele, pinturas corporais, adereços e vestimentas). Nota-se que Hercule Florence procura individualizar as fisionomias e afirmar a diversidade étnica, sem recorrer a padronizações. Nas paisagens, além da topografia de cada região, interessa-se em registrar a luminosidade do céu e das nuvens. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6020/hercule-florence
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    O Salto deItu, 1849
  • 20.
    Início da fotografiano Brasil Em 1832 Hercule Florence enventou um um método de impressão de imagens a partir dos efeitos da luz chamado de poligrafia, antes mesmo que fosse inventada a fotografia. Somente em 1840 o francês Louis Compte introduz a daguerreotipia no Brasil. Entusiasmado com a nova invenção, o Imperador Pedro II, então com 15 anos, encomenda um daguerreótipo em Paris tornando-se o primeiro brasileiro nato a praticar fotografia. Inclusive, mais tarde, torna-se um verdadeiro colecionador e mecenas desse tipo de arte, atribuindo títulos e honrarias aos principais fotógrafos atuantes no país.
  • 21.
    Poligrafia: Anúncio emcinco cores da Fábrica de Chapéus São Gonçalo, na Província de Minas Gerais. “Epréuve Nº2 (photographie)” Conjunto de rótulos para frascos farmacêuticos, 1833. Vila de São Carlos, Campinas, SP Imagens do Acervo IMS (Instituto Moreira Salles). Visite: https://ims.com.br/titular-colecao/hercule-florence/
  • 22.
    Joseph Nicéphore Niépce Em 1826, do sotãoda sua casa, registrou a primeira imagem através da Câmara Escura numa exposição solar que durou cerca de 8 horas. Jacques Mandé Daguerre Em 1837 inventou o daguerreótipo que fixava a imagem capturada com luz solar numa chapa de metal que durava cerca de 30 minutos. William Henry Fox Talbot Em 1841 inventou os calótipos, uma forma de obter impressões da fotografia (fotocópia) por meio da absorção da luminosidade. Pioneiros da fotografia na Europa
  • 23.
    Fim da arteneoclássica no Brasil Como vimos, a presença estrangeira define a produção artística no Brasil nesse período, e o Rio de Janeiro é o grande centro cultural, o que causa insatisfação nas outras regiões. Ainda não existe uma arte genuinamente brasileira, mas o sentimento nacional e o desejo de autonomia inspiram alguns locais. A imitação dos modelos clássicos começa a decair no gosto dos artistas e do público e uma nova transformação se anuncia, mas a influência do academicismo ainda perdura por muito tempo, principalmente na pintura.
  • 24.
    Bibliografia Sobre os artistas: •JOHANNMoritz Rugendas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa707/johann-moritz- rugendas>. Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia. •ADRIEN Taunay. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22167/adrien-taunay>. Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia. •HERCULE Florence. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6020/hercule-florence>. Acesso em: 15 de Abr. 2018. Verbete da Enciclopédia. falandodeartes.com.br