A Unicamp     COMISSÃO PERMANENTE
              PARA OS VESTIBULARES



comenta
suas provas
Tomás Vega
Coordenadoria Executiva
       dos Vestibulares e
  Programas Educacionais

              Coordenação Executiva       Colaboradores
          Maria Bernadete M. Abaurre
                                          Alex Antonelli                    Lúcia Kopschitz Xavier Bastos
                Coordenação Adjunta       Antonio Carlos do Patrocínio      Luiz Marco Brescansin
                Ernesto Ruppert Filho     Arício Xavier Linhares            Maria Augusta Bastos de Mattos
                                          Carlos Alberto de Castro Junior   Maria Elisa Quissak P Martins
                                                                                                  .
            Coordenação Acadêmica         Carlos Roberto Galvão Sobrinho    Maria Tereza Duarte Paes Luchiari
         Eugênia M. Reginato Charnet      Cristiane Duarte                  Matthieu Tubino
                                          Douglas Soares Galvão             Núria Hanglei Cacete
           Coordenação de Pesquisa        Edgar Salvadori de Decca          Patrícia Aparecida de Aquino
         Mara F. Lazzaretti Bittencourt   Enid Yatsuda Frederico            Regina Célia Bega dos Santos
                                          Fosca Pedini Pereira Leite        Rodolfo Ilari
            Coordenação de Logística
                                          Haquira Osakabe                   Sandra Maria Carmello Guerreiro
                    Ary O. Chiacchio
                                          Iara Lis Franco S. C. Souza       Shirlei Maria Recco Pimentel
 Coordenação de Comunicação Social        José de Alencar Simoni            Sírio Possenti
                  Carmo Gallo Netto       Leandro Russovski Tessler         Vera Nisaka Solferini




             Caderno de Questões
      Uma publicação da Coordenação
Executiva dos Vestibulares da Unicamp

                            Projeto
             Coordenação Acadêmica

             Coordenação de projeto
      Eugênia Maria Reginato Charnet

                       Apoio gráfico
                   Carmo Gallo Netto

                       Projeto gráfico
     Grafos Editoração e Comunicação

                                Fotos
                       Antoninho Perri
Câmara Deliberativa do Vestibular

                                                       Presidente
                                                  Angelo Luiz Cortelazzo

                                  Coordenador dos Vestibulares e Programas Educacionais
                                               Maria Bernadete M. Abaurre




Representantes de Cursos                  Engenharia Mecânica                      Representante da Reitoria
                                          Robson Pederiva                          Anésio dos Santos Junior
Arquitetura e Urbanismo
Silvia Aparecida Mikami G. Pina           Engenharia Química
                                                                                   Representantes da COMVEST
                                          Antonio José Gomez Cobo
Artes Cênicas                                                                      Ary O. Chiacchio
Verônica Fabrini Machado de Almeida       Estatística                              Carmo Gallo Netto
                                          Reinaldo Charnet                         Ernesto Ruppert Filho
Ciências Biológicas                                                                Eugênia M. Reginato Charnet
Eneida de Paula                           Filosofia                                Mara F. Lazzaretti Bittencourt
                                          Lucas Angioni
Ciência da Computação                                                              Representantes do
Neucimar Jerônimo Leite                   Física                                   Ensino Secundário
                                          Maurício Urban Kleinke
                                                                                   Sindicato dos Professores de Campinas
Ciências da Terra                                                                  Roselene dos Anjos
Regina Célia Bega dos Santos              Geociências
                                          Carlos Alberto L. S. Cunha
                                                                                   Coordenadoria de Estudos
Ciências Econômicas
                                          História                                 e Normas Pedagógicas
Eugênia Troncoso Leone
                                          Carlos Roberto Galvão Sobrinho           Marlene Gardel
Ciências Sociais                                                                   Associação dos Professores do Ensino
Rita de Cássia Lahoz Morelli              Letras e Lingüística
                                          Plínio Almeida Barbosa                   Oficial do Estado de São Paulo
                                                                                   Maria Quarezemin
Dança
Graziela E. F. Rodrigues                  Licenciatura
                                          Cristina Bruzzo                          Colégio Técnico de Campinas
                                                                                   Edgard Dal Molin Júnior
Educação Artística
Gastão Manoel Henrique                    Matemática Aplicada e Computacional
                                          Edmundo Capelas de Oliveira              Colégio Técnico de Limeira
                                                                                   Rosa Maria Machado
Educação Física
Elizabeth Paoliello Machado de Souza      Matemática
                                          Claudina Izepe Rodrigues
Enfermagem
Eliete Maria Silva                        Medicina
                                          Angélica Maria Bicudo Zeferino
Engenharia Agrícola
Luiz Henrique Antunes Rodrigues           Música
                                                                                     Universidade Estadual de
                                          Vicente de Paulo Justi
                                                                                     Campinas
Engenharia de Alimentos
Carlos Alberto Rodrigues Anjos            Odontologia                                Comissão de Vestibulares
                                          Fausto Bérzin
Engenharia Civil                                                                     Cidade Universitária “Zeferino Vaz”
Marina Sangoi de Oliveira Ilha            Pedagogia                                  Barão Geraldo - Campinas - SP
                                          Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira       13.083-970
Engenharia de Computação
                                          Química                                    Tel: (19)
Ivan Luiz Marques Ricarte
                                          Pedro Faria dos Santos Filho               289-3130 / 788-7440 / 788-7665
Engenharia de Controle e Automação                                                   Fax: (19) 289-4070
Geraldo Nonato Telles                     Tecnologias
                                          Carlos Augusto da Silva Timoni             http://www.convest.unicamp.br
Engenharia Elétrica                                                                  csocial@convest.unicamp.br
Cesar José Bonjuani Pagan
Caro estudante, caro professor:
      Apresentamos a vocês, novamente com           para uma preparação mais tranqüila dos
grande satisfação, este quarto Caderno de           candidatos, que a Comvest elabora e divulga
Questões: a Unicamp comenta suas provas.            anualmente este material. Acreditamos que é
Mantemos, nesta publicação, a mesma                 dever da Universidade fazer o que estiver ao
estrutura dos Cadernos anteriores. Aqui podem       seu alcance para ajudar os candidatos a
ser encontradas as expectativas e os comentá-       superarem a tensão associada ao exame
rios das bancas elaboradoras sobre os temas         vestibular. Esta publicação deve ser entendida,
de redação e sobre as questões das várias           portanto, como um passo nessa direção, por
disciplinas do Concurso Vestibular Unicamp          permitir que se estabeleça um canal através do
2000. A expectativa de todos nós, que               qual podem dialogar as bancas, os candidatos
trabalhamos ao longo de todo o ano na               e seus professores.
Comissão Permanente para os Vestibulares                  Repetimos, aqui, o que já afirmamos em
desta Universidade, é de que este material          anos anteriores: é nosso desejo que o interesse
possa ser tomado como importante referência         pela leitura deste Caderno de Questões não se
para a compreensão dos objetivos das provas e       restrinja apenas aos alunos que prestarão o
dos critérios empregados em sua correção.           Vestibular Unicamp 2001 e a seus professo-
Enfatizamos, mais uma vez, que a leitura atenta     res. As provas discursivas do nosso Vestibular
desta publicação já é parte da preparação dos       se têm constituído, ao longo dos últimos
candidatos para um bom desempenho no nosso          catorze anos, em importante espaço de
exame. Quanto aos professores, esperamos que,       interação com os docentes de todas as séries
a partir dos subsídios que aqui oferecemos,         do Ensino Médio, já que os temas e as
possam realizar um trabalho produtivo junto aos     questões de todas as provas deixam explícitos
seus alunos que estão em fase de preparação         os pontos de vista dos docentes da Universida-
para o Vestibular Unicamp 2001.                     de relativos à maneira como entendem que
      O eixo temático da prova da primeira fase     devem ser ensinados e trabalhados os
do Vestibular 2000 foi Água. Tema à primeira        conteúdos do núcleo comum obrigatório desse
vista singelo, mas que se revela de grande          nível escolar. Nossa prova de redação é
atualidade e pertinência em uma sociedade           exemplo disso. Essa prova, dados os seus
na qual, cada vez mais, por ignorância ou           objetivos e a maneira como são elaborados os
irresponsabilidade, colocam-se perigosamente        temas, reflete uma concepção de trabalho com
em risco os recursos hídricos necessários à         leitura e produção de textos que, se bem
vida no planeta.                                    entendida, pode influenciar positiva e
      Da mesma forma como no Vestibular             produtivamente o trabalho com a linguagem
Unicamp 1999, cuja primeira fase teve como          escrita na escola, contribuindo assim,
tema Brasil 500 Anos, as bancas elaboradoras        efetivamente, para a formação de leitores
tiveram por objetivo mostrar a possibilidade de     críticos e cidadãos participantes, capazes de
trabalho com temas transversais, respondendo        expressar de forma clara e coerente suas
assim às expectativas e recomendações               opiniões sobre temas polêmicos e atuais.
enfatizadas nos Parâmetros Curriculares                   Finalmente, vale lembrar que os comentá-
elaborados e divulgados pelo MEC para os vários     rios e análises constantes deste nosso quarto
ciclos de escolarização. Prestamos assim nossa      Caderno de Questões salientam aquilo que,
contribuição para a discussão a respeito das        em última análise, é um dos principais
possíveis formas de implementação de um             objetivos das provas do Vestibular da Uni-
trabalho que, nas salas de aula, integre            camp: avaliar não só o que os alunos de fato
efetivamente os conteúdos das várias disciplinas.   aprenderam ao longo do Ensino Médio, mas
Afinal, essa é a maneira de atribuir significado    sobretudo se são capazes de fazer uso dos
efetivo às atividades realizadas na escola.         conhecimentos adquiridos ao longo de sua
      Embora reconheçamos que o momento de          formação para resolver as situações-problema
preparação para um exame vestibular,                apresentadas nas questões das nossas provas.
sobretudo para um exame inteiramente                Esperamos, assim, que a leitura atenta desta
discursivo como o da Unicamp, é bastante            publicação leve à conclusão de que a eficácia
tenso, tanto para os candidatos, como para          do processo de ensino e aprendizagem dos
seus professores e seus familiares, gostaríamos     conteúdos de quaisquer disciplinas está, em
de lembrar que essa tensão tem origem, em           grande parte, na definição clara da relevância
grande parte, em uma insegurança a respeito         de tais conhecimentos para a formação dos
das provas. A partir de que critérios são           nossos estudantes.
elaboradas as provas das várias disciplinas? O
que se pretende exatamente avaliar com as
                                                        Profª Drª Maria Bernadete Marques Abaurre
questões? Quais as respostas esperadas? Como                                Coordenadora Executiva
serão corrigidas e pontuadas as respostas dos            Comissão Permanente para os Vestibulares
candidatos? É no sentido de fornecer respostas                            e Programas Educacionais
para essas indagações, contribuindo assim                                                Unicamp
Universidade Estadual de Campinas
                                                                Reitor
  Coordenador Geral da Universidade                          Hermano Tavares                              Chefe de Gabinete
              Fernando Galembeck                                                                               Ruy Albuquerque

     Pró-Reitoria de Pós-Graduação                   Pró-Reitoria de Graduação                        Pró-Reitoria de Pesquisa
              José Claudio Geromel                           Angelo Cortelazzo                          Ivan Emílio Chambouleyron

         Pró-Reitoria de Extensão e              Pró-Reitoria de Desenvolvimento                      Coordenadoria Executiva
           Assuntos Comunitários                           Universitário                                   do Vestibular
              Roberto Teixeira Mendes                    Luis Carlos Guedes Pinto                        Maria Bernadete Abaurre



Unidades de Ensino e Pesquisa               Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais        Centro de Memória
Instituto de Artes                          Archimedes Perez Filho                          Olga Rodrigues M. von Simson
Helena Jank                                 Núcleo de Planejamento Energético
Instituto de Biologia                       Luiz Augusto Barbosa Cortez                     Unidades de Apoio e Prestação de Serviços
Maria Luiza Silveira Melo                                                                   Hospital das Clínicas
                                            Núcleo de Estudos Estratégicos
                                                                                            Paulo Eduardo R. M. Silva
Instituto de Computação                     Eliézer Rizzo de Oliveira
Tomasz Kowaltowski                                                                          Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher
                                            Núcleo de Estudos de Pesquisas em Alimentação
                                                                                            Luiz Carlos Zeferino
Instituto de Economia                       Maria Antônia Martins Galeazzi
Geraldo Di Giovanni                                                                         Centro de Diagnóstico de Doenças do Aparelho
                                            Núcleo de Informática Biomédica                 Digestivo
Instituto de Estudos da Linguagem           Francesco Langone
Luís Carlos da Silva Dantas                                                                 José Murilo R. Zeitune
                                            Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade       Centro de Hematologia e Hemoterapia
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas   Cesar Ciacco
Paulo Celso Miceli                                                                          Fernando Costa
                                            Núcleo de Estudos de Políticas Públicas         Centro de Tecnologia
Instituto de Física “Gleb Wataghin”
                                            Pedro Luiz Barros Silva                         Douglas Eduardo Zampieri
Carlos Henrique de Brito Cruz
                                            Núcleo de Estudos da População                  Arquivo Central
Instituto de Geociências
                                            Daniel Hogan                                    Neire do Rossio Martins
Newton Müller Pereira
Instituto de Matemática e Estatística       Núcleo de Informática Aplicada à Educação       Centro de Manutenção de Equipamentos
José Luiz Boldrini                          José Armando Valente                            Cesar José Bonjuani Pagan
Instituto de Química                        Núcleo de Comunicação Sonora                    Centro de Ensino de Línguas
Celio Pasquini                              Jônatas Manzolli                                Ana Luíza V. Degelo
Faculdade de Ciências Médicas               Laboratório de Movimento e Expressão            Editora
Mario José Abdalla Saad                     Ivan Santo Barbosa                              Luiz Fernando Milanez
Faculdade de Educação                       Centro de Pesquisas Químicas,                   Escola de Extensão
Águeda Bernardete Bittencourt               Biológicas e Agrícolas                          Paulo Roberto Mei
Faculdade de Educação Física                João Alexandre F. Rocha Pereira                 Escritório Técnico de Construção
Pedro José Winterstein                                                                      Luiz Carlos de Almeida
                                            Centro de Documentação de Música
Faculdade de Engenharia Agrícola            Contemporânea                                   Biblioteca Central
José Tadeu Jorge                            José Augusto Mannis                             Maria Alice Rebello do Nascimento
Faculdade de Engenharia de Alimentos                                                        Centro de Computação
                                            Centro de Estudos do Petróleo
Gláucia Maria Pastore                                                                       Hans Kurt E. Liesenberg
                                            Denis José Schioser
Faculdade de Engenharia Civil                                                               Centro de Comunicação
Roberto Feijó de Figueiredo                 Centro de Biologia Molecular e
                                            Engenharia Genética                             Hélio Solha
Faculdade de Engenharia Elétrica e de                                                       Serviço de Apoio ao Estudante
                                            Paulo Arruda
Computação
                                                                                            João Frederico C. A. Meyer
Léo Pini Magalhães                          Centro de Bioterismo
Faculdade de Engenharia Mecânica            Ana Maria Aparecida Guaraldo                    Unidades Administrativas de Serviços
Antonio Celso F. de Arruda                  Centro de Componentes Semicondutores            Coordenadoria da Administração Geral
Faculdade de Engenharia Química             Jacobus Willibrordus Swart                      Vera Lúcia Randi Ferraz
Maria Regina Wolf Maciel                                                                    Secretaria Geral
                                            Centro de Engenharia Biomédica
Faculdade de Odontologia de Piracicaba      José Wilson Magalhães Bassani                   Paulo Sotero
Antonio Wilson Salum                                                                        Procuradoria Geral
                                            Centro de Estudos de Opinião Pública            Octacílio Machado Ribeiro
Centro Superior de Educação Tecnológica
                                            Rachel Meneguello
Maria A. Marinho                                                                            Prefeitura do Campus
Colégio Técnico de Campinas                 Centro de Estudos de Gênero “Pagu”              Orlando F. Lima Jr.
Michel Sadalla Filho                        Adriana Gracia Piscitelli                       Coordenadoria de Serviços Sociais
Colégio Técnico de Limeira                  Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura      Edison Bueno
Antonio Manuel Queirós                      Hilton Silveira Pinto                           Diretoria Geral de Recursos Humanos
Centros e Núcleos Interdisciplinares        Centro de Lógica, Espistemologia e              Luis Carlos Freitas
Núcleo de Integração e Difusão Cultural     História da Ciência                             Diretoria Acadêmica
Vicente de Paulo Justi                      Walter Alexandre Carnielli                      Antonio Faggiani
Uma explicação necessária
                                                  Mais uma vez, apresentamos o Caderno de Questões – a Unicamp comenta
                                             suas provas, preparado pela Coordenação Acadêmica para que você possa
                                             através de sua leitura conhecer melhor o que a Unicamp pretende avaliar no
                                             candidato. Procuramos apresentar informações que sirvam como orientação para
                                             sua preparação para o exame Vestibular da Unicamp. Você encontrará neste
                                             caderno as provas de 1a e 2a fases do Vestibular 2000, além de informações
                                             sobre o desempenho dos candidatos em cada uma delas. Começando pela
                                             Redação, estão aqui reproduzidos os três temas da prova de 2000 acompanha-
                                             dos de comentários sobre a abordagem que poderia ter sido feita pelos candida-
                                             tos e de exemplos* de redações que atenderam ou não às tarefas que foram
                                             solicitadas. Além disso, são também apresentadas algumas redações anuladas,
                                             com a justificativa de sua anulação. Vale lembrar aos candidatos, mais uma vez,
                                             que uma redação é anulada quando não atende minimamente às tarefas solicita-
                                             das conforme explicitado no Manual do Candidato. A correção das redações é
                                             feita por corretores que passaram por um longo treinamento e rigorosa seleção.
                                             Cada redação é corrigida por dois avaliadores independentes e se a diferença
                                             entre as duas notas for de no máximo 20% do valor total da nota, a média entre
                                             estas notas é atribuída como nota final do candidato na redação; havendo
                                             divergência superior a este valor, a redação recebe uma terceira correção;
                                             persistindo a divergência pode-se chegar até a uma quinta correção, feita então
                                             pelo Presidente de Banca. Esta nota é a nota final do candidato. Uma redação é
                                             anulada somente com a concordância de três avaliadores independentes.



Índice
                                                  As questões – doze da primeira fase e as que compõem as provas da
                                             segunda fase – são apresentadas com os comentários das Bancas Elaboradoras
                                             a respeito do objetivo e da expectativa de resposta a ser dada a cada uma delas.
                                             A maioria delas contém ainda exemplos* de duas respostas cujos desempenhos
                                             foram considerados abaixo e acima da média, respectivamente. Ainda fazem
1ª Fase                                      parte deste caderno, as provas de Aptidão aplicadas aos candidatos aos cursos
                                             de Arquitetura e Urbanismo, Educação Artística e Odontologia.
Redação .............................. 9
                                                  Finalmente, na última parte do Caderno de Questões, divulgamos dados
Questões ........................... 29      relativos ao desempenho dos candidatos nas diferentes áreas. As tabelas 1 e 2
                                             contêm informações sobre a Redação, a tabela 3 sobre as questões da primeira
                                             fase e a tabela 4 um resumo do desempenho na prova da primeira fase.
2ª Fase                                           O desempenho em cada uma das questões das provas da segunda fase pode
                                             ser verificado nas tabelas de 5 a 12 e, finalmente, na tabela 13 encontram-se as
Língua Portuguesa e Literaturas              informações sobre o desempenho relativo a cada curso dentro dos grupos
de Língua Portuguesa .......... 44           distintos. Observe que as notas de cada uma das questões estão na escala [0 – 5]
                                             e as notas da redação, bem como das provas completas, na escala [0 – 100].
Biologia ............................. 58
Química ............................. 69                                                      Profª Dra. Eugênia Maria Reginato Charnet
                                                                                                               Coordenadora Acadêmica
História ............................. 83                                                     Comissão Permanente para os Vestibulares
Física ................................ 97                                                                    e Programas Educacionais
                                                                                                                               Unicamp
Geografia ......................... 113
Matemática ...................... 128
Língua estrangeira ............ 139
Provas de aptidão ............. 152
Desempenho dos
candidatos ....................... 156       * Todos os exemplos aqui reproduzidos constituem cópia fiel da escrita dos candidatos.
1ª Fase
Redação 1ª fase


               Conscientes do que significa para você prestar o vestibular e das dúvidas que você pode estar tendo,
           vamos falar um pouco sobre a prova de Redação do Vestibular Unicamp e comentar as propostas do
           Vestibular 2000 e algumas redações de candidatos.
               Antes de passarmos aos comentários, gostaríamos de fazer alguns esclarecimentos com o objetivo de
           eliminar algumas inquietações, comuns a muitos candidatos. Você certamente já ouviu falar na “coletâ-
           nea” do Vestibular Unicamp. Ela sempre está presente nas propostas de Redação da Unicamp e vamos,
           aqui, explicitar a razão dessa constância.
               Ela é elaborada basicamente com três propósitos distintos. O primeiro deles é o de fornecer ao candidato
           um conjunto de informações que ajudam na elaboração do texto; com base nesse propósito, você pode (e deve)
           inferir que a Unicamp não pretende surpreender ninguém, pedindo que escreva sobre um tema desconhecido.
               O segundo propósito da coletânea é o de delimitar o tema. A partir da leitura do tema de uma proposta
           – e esse teste pode ser feito com qualquer uma – sem a consideração da coletânea, vários desenvolvimen-
           tos possíveis e pertinentes podem ser imaginados. Depois da leitura da coletânea, no entanto, alguns dos
           desenvolvimentos imaginados são obrigatoriamente descartados e outros continuam sendo possíveis, e é
           um destes possíveis que você deve escolher.
               O terceiro e último propósito é avaliar as diferentes capacidades de leitura dos candidatos; alguns
           fragmentos dão margem a leituras mais superficiais, mais ingênuas, ou, ao contrário, mais profundas,
           mais críticas; alguns fragmentos relacionam-se de maneira a sustentar uma determinada argumentação,
           ou a sugerir um determinado desenvolvimento de cenário, por exemplo; outros apresentam posições
           contraditórias, e é a partir da seleção e uso dos fragmentos da coletânea que os candidatos se distinguem
           com base em diferentes níveis de leitura.
               As afirmações acima serão retomadas nos comentários das redações ao longo deste texto. O importan-
           te é que fique claro que você não precisa ficar imaginando qual seria um desenvolvimento original para o
           tema proposto, ou o que ainda não foi dito sobre o assunto. Deve ler criticamente os fragmentos da
           coletânea e demonstrar sua capacidade de analisar e relacionar esses fragmentos num texto escrito.
               Esperamos que você leia os comentários a seguir com a certeza de que a Unicamp não tem o objetivo
           de surpreender ninguém. As três propostas de cada ano são elaboradas com o máximo de “pistas” para
           que você se sinta confiante e à vontade para desenvolver as tarefas solicitadas.
                A partir desses comentários você poderá perceber como os textos são avaliados, sobretudo no que se
           refere aos itens Tema, Coletânea e Tipo de texto.



TEMA A
         Ao longo da história, por muitas razões, a água – este elemento aparentemente comum – tem levado
         filósofos, poetas, cientistas, técnicos, políticos, etc, a reflexões que freqüentemente se cruzam.
         Tendo em mente este cruzamento de reflexões e considerando a coletânea abaixo, escreva uma dissertação
         sobre o tema
                                                   Água, cultura e civilização

         1. Misteriosa, santificada, purificadora, essencial. Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino
            ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civili-
            zação moderna. Cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída, atingiu um nível perigoso para a
            saúde pública. Divina ou profana, ninguém nega sua importância para a sobrevivência do homem, seu
            maior predador. Como se ensaiasse um suicídio, a humanidade está matando e extinguindo o elemento
            responsável pelo fim do mundo da tradição bíblica. E não haverá arca de Noé capaz de salvar aqueles que
            lutam ou se omitem na defesa do meio ambiente. Escolha a catástrofe: novo dilúvio universal com o
            derretimento da calota polar; envenenamento da humanidade com as substâncias tóxicas nos mananciais;
            chuva ácida; ou simplesmente a sede internacional pelo desaparecimento de água potável. (João Marcos
            Rainho, “Planeta água”, in: Educação, ano 26, n. 221, setembro de 1999, p. 48)
         2. A água tem sido vital para o desenvolvimento e a sobrevivência da civilização. As primeiras grandes civiliza-
            ções surgiram nos vales dos grandes rios – vale do Nilo no Egito, vale do Tigre-Eufrates na Mesopotâmia, vale
            do Indo no Paquistão, vale do rio Amarelo na China. Todas essas civilizações construíram grandes sistemas
            de irrigação, tornaram o solo produtivo e prosperaram. (Enciclopédia Delta Universal, vol. 1, p. 186)
         3. Após 229 anos, o mesmo rio que inspirou o povoamento e deu nome à cidade torna-se o principal vetor de
            desenvolvimento, passando a integrar a Hidrovia Tietê-Paraná, interligando-se ao porto de Santos, por via
            férrea, e ao pólo Petroquímico de Paulínia. Como marco zero da hidrovia, o porto de Artemis será o portal
            do Mercosul. (...) Logo após a Segunda Guerra Mundial, o Estado de São Paulo iniciou a construção de
                                                                                                                       9
Redação 1ª fase

                     barragens no rio Tietê, para gerar energia elétrica, porém dotadas de eclusas, um investimento a longo
                     prazo. (www.piracicaba.gov.br/portugues/hidrovia)
                  4. No que concerne à concepção mesma de salubridade, é possível notar que se, na primeira metade do
                     século XIX, os médicos continuam a ter um papel importante no desenvolvimento de uma nova sensibili-
                     dade em relação ao urbano e às habitações em particular, são os engenheiros, contudo, aqueles que são
                     responsáveis por trazer uma resposta prática aos problemas desencadeados pela falta de higiene. Por isso,
                     é do saber deles que depende essencialmente o novo modo de gestão urbana que se esboça nesta época:
                     “As grandes medidas de prevenção – a drenagem, a viabilização das ruas e das casas graças à água e à
                     melhoria do sistema de esgotos, a adoção de um sistema mais eficaz de coleta do lixo – são operações que
                     recorrem à ciência do engenheiro e não do médico, que tinha cumprido sua tarefa quando assinalou quais
                     as doenças que resultaram de carências neste domínio e quando aliviou o sofrimento das vítimas”. (Fran-
                     çois Beguin, “As maquinarias inglesas do conforto”, in: Políticas do habitat, 1800–1850)
                  5. Os progressos da higiene íntima efetivamente revolucionam a vida privada. Múltiplos fatores contribuem,
                     desde os primórdios do século [XVIII], para acentuar as antigas exigências de limpeza, que germinaram no
                     interior do espaço dos conventos. Tanto as descobertas dos mecanismos da transpiração como o grande
                     sucesso da teoria infeccionista levam a se acentuar os perigos da obstrução dos poros pela sujeira, porta-
                     dora de miasmas. (...) A reconhecida influência do físico sobre o moral valoriza e recomenda o limpo.
                     Novas exigências sensíveis rejuvenescem a civilidade; a acentuada delicadeza das elites, o desejo de
                     manter à distância o dejeto orgânico, que lembra a animalidade, o pecado, a morte, em resumo, os
                     cuidados de purificação aceleram o progresso. Este é estimulado igualmente pela vontade de distinguir-se
                     do imundo zé-povinho. (...) Em contrapartida, muitas crenças incitam à prudência. A água, cujos efeitos
                     sobre o físico e o moral são superestimados, reclama precauções. Normas extremamente estritas regulam
                     a prática do banho conforme o sexo, a idade, o temperamento e a profissão. A preocupação de evitar a
                     languidez, a complacência, o olhar para si (...) limita a extensão de tais práticas. A relação na época
                     firmemente estabelecida entre água e esterilidade dificulta o avanço da higiene íntima da mulher.
                     Entretanto, o progresso esgueira-se aos poucos, das classes superiores para a pequena burguesia. Os
                     empregados domésticos contribuem inclusive para a iniciação de uma pequena parcela do povo; mas
                     ainda não se trata de nada mais que uma higiene fragmentada. Lavam-se com freqüência as mãos; todos
                     os dias o rosto e os dentes, ou pelo menos os dentes da frente; os pés, uma ou duas vezes por mês; a
                     cabeça, jamais. O ritmo menstrual continua a regular o calendário do banho. (Alain Corbin, “O segredo do
                     indivíduo”, in: História da vida privada (Vol. 4: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra) [1987]. São
                     Paulo, Companhia das Letras, pp. 443-4)
                  6. A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz
                     de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim e por três razões: em
                     primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque
                     o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de
                     crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. (Friedrich Nietzsche, “Os filósofos trágicos”, in: Os pré-
                     socráticos, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, p. 16)
                  7. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
                     Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
                     Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
                     (...)
                     O Tejo desce da Espanha
                     E o Tejo entra no mar em Portugal.
                     Toda a gente sabe isso.
                     Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
                     E para onde ele vai
                     E donde ele vem.
                     E por isso, porque pertence a menos gente,
                     É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
                     Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
                     Para além do Tejo há a América
                     E a fortuna daqueles que a encontram.
                     Ninguém nunca pensou no que há para além
                     Do rio da minha aldeia.
                     O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
                     Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
                     (Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”, in: Fernando Pessoa, Ficções de Interlúdio)
10
Redação 1ª fase

   Comentários       O Tema A-2000 exigiu dos candidatos uma dissertação em que a água deveria ser tratada como um objeto
sobre o Tema A   cultural ou como um fator da civilização. O enunciado orienta no sentido de comparar as maneiras como
                 diferentes comunidades interagiram com a água, mostrando que suas diferentes experiências com este ele-
                 mento natural estão profundamente impregnadas de cultura (representada, por exemplo, por hábitos, técnicas
                 e valores) e também criam cultura.
                     O candidato deveria perceber, com base na leitura do tema e da coletânea, que a relação do homem com
                 a água sofreu mudanças ao longo do tempo, que ora significam um aprendizado (novos hábitos, novos usos
                 que resultam em conforto e higiene, por exemplo), ora significam um retrocesso (perda de valores, degradação
                 dos recursos hídricos), ora significaram apenas uma transformação nas relações de dominação de uma classe
                 social por outra (por aquela que detém o acesso à água).
                     Ele deveria, em seguida, eleger as mudanças sobre as quais pretendia dissertar e posicionar-se, critica-
                 mente, em relação a elas.

                                                                                                    1
                         Vejamos como a redação abaixo cumpre a tarefa :

   Exemplo de                                                       Evolução?
      redação        Desde os primórdios da Antigüidade, as civilizações foram se formando próximo aos rios. O fator funda-
                 mental para a escolha foi a presença da água, elemento fundamental para a sobrevivência dos seres vivos.
                 Obras de irrigação, drenagem e distribuição de água foram efetivadas, salientando, portanto, a importância
                 da água na sociedade.
                     Os povos foram se expandindo e desenvolvendo meios adequados de manejo da água. Os solos foram se
                 tornando mais férteis e produtivos, e, conseqüentemente, houve um grande aumento da população. Parale-
                 lamente, acentuou-se o processo de urbanização, fruto da industrialização européia do século XVIII, o que
                 demanda uma política ambiental específica, principalmente para o uso da água.
                     Entretanto, o desenvolvimento industrial não foi acompanhado de um desenvolvimento do caráter huma-
                 no. A industrialização não foi apenas uma revolução no modo de produção, mas foi, principalmente, uma
                 grande e grave mudança ambiental. A partir de então, problemas como contaminação das águas, foram
                 evidenciados e adquiriram dimensões gigantescas.
                     A água, que outrora era vista como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. Além disso, em
                 detrimento de uma política ambiental, o Estado incentivou o consumismo em massa. O lixo urbano aumen-
                 tou e passou a ser despejado na água, a mãe de nossa civilização. O desmatamento em larga escala, gerou
                 o assoreamento dos rios.
                     O mal está feito. Ora, ou a população é muito ingênua, ou age de má fé. Aplicando-se uma política
                 ambiental desfavorável, como a atual, a água, mola propulsora do desenvolvimento mundano, será o fator
                 determinante para o término da humanidade. É preciso uma revolução ambiental, através da conscientiza-
                 ção em massa, sobre a importância da água. Desde então, a água continuará sendo a mãe da civilização, e
                 nós, seremos os seus bons frutos.


  Comentários
                     O candidato que fez a redação acima optou por tratar das mudanças negativas que ocorreram na relação
                 entre a civilização e a água no decorrer do progresso da humanidade. Para isso, selecionou da coletânea os
                 fragmentos que contribuiriam para sua opção e cuja relação era bastante imediata: os fragmentos 1 e 2. O
                 candidato iniciou o texto com o fragmento 2, afirmando que as civilizações foram se formando próximo aos
                 rios, introduziu, no segundo parágrafo, seu conhecimento de mundo que promove o elo entre o momento
                 histórico tratado no 2º fragmento e o momento histórico atual, tratado no 1º fragmento e acrescentou um
                 elemento fundamental para o seu texto: a demanda de uma política ambiental específica, principalmente
                 para o uso da água.
                     No 3º parágrafo o candidato passa a usar o fragmento 1. O uso desse fragmento é em grande parte óbvio,
                 próximo do senso comum. Observe, por exemplo, a 1ª linha do 4º parágrafo: A água, que outrora era vista
                 como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. A única informação nova em relação ao trecho da
                 coletânea (“Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade
                 dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civilização moderna.”) é a palavra mercadoria,
                 trazida pelo candidato. Essa noção de água como mercadoria pode ser relacionada ao eixo desse texto que,
                 como vimos, é a necessidade de uma política ambiental específica. Essa relação, no entanto, que teria sido um
                 ganho para o texto se tivesse sido bem desenvolvida, não foi estabelecida pelo candidato. Somos nós que
                 estamos fazendo tal relação e, portanto, ele não pode ser premiado.
                     No último parágrafo, o candidato continua usando o 1º fragmento, inclusive seu tom “catastrófico”, e
                 conclui o texto demonstrando a necessidade de uma “revolução ambiental”, retomando o elemento introduzi-
                 do no 2º parágrafo.
                 1
                     A reprodução de todas as redações neste texto foi fiel à escrita dos candidatos.

                                                                                                                             11
Redação 1ª fase

                          Em alguns momentos, vemos que o candidato tentou usar o 4º fragmento da coletânea, sem, no entanto,
                      obter êxito. Percebemos apenas algumas menções a esse fragmento, como a do final do 4º parágrafo, em que
                      o candidato passa a falar do lixo urbano despejado na água. A própria questão da política ambiental pode ter
                      sido motivada pelo título do texto do qual o 4º fragmento foi extraído: Políticas do habitat, 1800–1850, mas
                      não se observa nenhuma integração relevante desse fragmento ao texto.
                          Como você pôde observar, o candidato conseguiu tratar das mudanças negativas da relação entre água e
                      civilização/cultura centrando-se apenas nos dois primeiros fragmentos da coletânea. Usar somente dois frag-
                      mentos da coletânea não é, como você está vendo, nenhum problema. O que mais importa é a qualidade do
                      uso e não a quantidade de fragmentos usados. Você não deve esquecer, no entanto, que, conforme já dissemos
                      na introdução, há fragmentos cuja leitura é mais difícil do que a de outros e usar somente fragmentos de leitura
                      mais fácil impede que a nota no critério Coletânea seja acima da média.
                          No tema A 2000, todos os outros fragmentos, com exceção dos dois primeiros, exigiam uma capacidade
                      de ler e de relacionar elementos um pouco acima da média e tiveram, portanto, o papel de diferenciar os
                      candidatos. Além de ter desenvolvido o tema e de ter integrado a coletânea de uma maneira bastante óbvia,
                      como vimos, o texto acima não poderia ter recebido notas além da média por outro motivo: embora articule
                      corretamente vários elementos em seu texto, peca na articulação ou na explicitação de outros. Vejamos o 3º
                      parágrafo: o que o candidato pretende ao afirmar que o desenvolvimento industrial não foi acompanhado de
                      um desenvolvimento do caráter humano? Além de tal afirmação exigir uma explicação, ela não se relaciona
                      com o que a segue. É um trecho completamente solto no texto do candidato e chega, até mesmo, a perturbar
                      um pouco o andamento da leitura.
                          No 4º parágrafo, há uma nova imprecisão: ...o Estado incentivou o consumismo em massa. De que estado
                      o candidato passou a falar, sem mais nem menos? É claro que se percebe a relação que ele estabelece, em
                      seguida, entre o consumismo em massa e o aumento do lixo urbano, mas faltou um elemento que introduzisse
                      o Estado, que caiu de pára-quedas no texto.
                          Se você ainda não estiver convencido de que este texto não está acima da média, mas até bastante
                      próximo do ingênuo, veja mais uma imprecisão: na 1ª linha do último parágrafo, o candidato lança uma
                      hipótese que não é retomada, a de que a população age de má fé. Com o final do texto nós entendemos por
                      que a humanidade é muito ingênua, a primeira hipótese levantada pelo candidato, mas não conseguimos
                      entender por que ela estaria agindo de má fé...

                         Vejamos agora um texto que reflete um equívoco do candidato em relação à função da coletânea. Trata-se
                      de um equívoco que, embora não resulte na anulação da redação, faz com que sua nota, em Coletânea, seja
                      muito baixa.

 Exemplo de redação                                                  Poluição Social
     com nota baixa         O homem ao longo dos tempos e através do seu trabalho modifica a cultura, conforme os sabores de
                       cada civilização e época.
                            Desde os tempos mais remotos, o homem necessitava de um local para se estabelecer, onde pudesse
                       encontrar suprimentos e abrigo, principalmente de água. Com o tempo foi-se evoluindo e passando de
                       nômade para sedentário.
                            Através das fontes de água: “As primeiras grandes civilizações surgiram no vale dos grandes rios...”,
                       conforme o fragmento número dois. E a água: “... é a origem e a matriz de todas as coisas”, segundo o
                       fragmento número seis.
                            O homem foi evoluindo, passando de um sistema feudal para um capitalista, bem explicado por Marx,
                       fundamentado em classes sociais. A classe dominante com: “... vontade de distinguir-se do zé-povinho”,
                       em conformidade ao fragmento 5, tornou a água: “cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída...”,
                       de acordo com o fragmento número um.
                            Assim, fica claro que o homem como um ser social, toma atitudes e exerce atos com um caráter de
                       dominação, objetivando a manutenção do status-quo, conforme a sua época e seus interesses.


       Comentários        Esta redação está equivocada no “uso” que faz da coletânea porque pressupõe que ela seja conhecida
                      pelos seus avaliadores. É bem verdade que os corretores conhecem a coletânea – afinal são eles que avaliam
                      a utilização que os candidatos fazem dos fragmentos – mas isso não significa que os candidatos podem contar
                      com tal colaboração dos leitores. Pelo contrário, eles devem produzir um redação “autônoma”, isto é, um texto
                      que, sozinho, faça sentido.
                          Veja que o autor da redação acima não extrai as informações dos fragmentos, integrando-as em seu texto,
                      mas copia alguns pequenos trechos referindo-se aos números dos fragmentos correspondentes, como se
                      estivesse indicando ao leitor que o restante do que ele queria dizer está escrito nos fragmentos. As expressões
                      que ele utiliza – conforme o fragmento número dois; segundo o fragmento número seis; em conformidade ao
                      fragmento 5; de acordo com o fragmento número um – revelam que ele não entendeu a finalidade da coletâ-
12
Redação 1ª fase

              nea. Ora, a coletânea deve servir como ponto de partida, na medida em que fornece informações para o
              desenvolvimento da redação que, por sua vez, precisa ser compreendida por qualquer leitor, mesmo por
              aquele que não tenha tido acesso à coletânea. Ou seja, você deve escrever como se o seu leitor não conheces-
              se a coletânea; as informações dela extraídas devem ficar bem integradas e devidamente explicadas em sua
              redação.

                A seguir, há um exemplo de redação em que a integração das informações da coletânea está acima da
              média:

Exemplo de                                                       O Espelho d´água
   redação         Ao tentar apreender a origem do mundo e dos homens, filósofos gregos propuseram um enunciado
              simples: a água seria o cerne, literalmente a fonte de todas as coisas. Longe de ser absurdo e tomadas as
              devidas referências históricas, tal idéia pode metaforizar o papel simples, vital e cultural do elemento quími-
              co capaz de fazer florescer civilizações, ditar limites geográficos e protagonizar conflitos. Se mitologicamente,
              a associação da vida e da sobrevivência se fez de forma divina e fantasiosa, hoje é possível analisar essa que
              pode ser tida como “vulgar premonição” como premissa das mais sábias tida pelos primeiros humanos e de
              fundamental importância para o mundo moderno.
                   O planeta ironicamente chamado Terra tem a maior parte de sua superfície tomada pelas águas, as quais
              fluíram no decorrer dos tempos estreitando os laços biológicos cotidiana e ininterruptamente, assinalando
              mais que divindades, problemas sociais e políticos bem pouco poéticos. A irrigação, a importância dos
              recursos hídricos para a economia humana foi se reforçando com o advento da tecnologia e mais que
              metáfora, a composição da vida (e dos meios para esta) confirmou a compleição e a complexidade da ligação
              homem-água. Ao galgar gradativo do aprimoramento técnico que trouxe indústrias, não só a religião de
              outrora remetera ao elemento cristalino a manutenção da vida. Junto ao desenvolvimento urbano (ainda sem
              tocar no processo de desequilíbrio e poluição do meio ambiente), à instalação de indústrias e estabelecimen-
              to do homem em aglomerados primordiais, virão os médicos a desconfiar do papel importante da água
              limpa. A estes, seguir-se-ão engenheiros e arquitetos, responsáveis pela elaboração de mecanismos facilita-
              dores da manutenção da limpeza e do escoamento de impurezas e dejetos.
                   Mesmo antes destes, no século XVIII, a preocupação com a purificação, com a higiene corporal marcará
              a vida privada de sociedades pouco habituadas a exigências de limpeza, de cuidados pessoais, atuando
              como precursora dos modernos métodos preventivos e profiláxicos. Será nesse tempo que se iniciará o
              conhecimento mais apurado e científico em relação à umidade e sua nem tão misteriosa influência na
              salubridade dos meios de vida. Ora, a higiene é, pois, um pequeno, mas fundamental ponto nessa saga.
                   Simultâneo, talvez, a isso, seja o processo que acelera o desenvolvimento econômico e faz marcar o
              utilitarismo. Se antes, para o Egito e a Mesopotâmia, a água já era componente cultural e econômico primor-
              dial, agora, as modernas vias dos meios de produção vão transmutá-la em pomo de discórdia. A poluição
              vem margear o alarde da tecnologia e da economia lastreada na produção industrial. O desequilíbrio natural
              vai crescendo paulatino, constante. E as chuvas ácidas, os rios poluídos ameaçam as sociedades higiênicas,
              estabelecidas nas margens de seus ternos ribeirões. O que remetia à recordação suave da queda cristalina
              d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe.
                   O mesmo ser que se constitui da água, que navega descobrindo mundos, escoando ou explorando rique-
              zas, começa a buscar sedento uma tábua de salvação. Seu mundo e sua sobrevivência estão sobre colunas
              vitais que podem soçobrar a qualquer momento. Mais que uma problemática geográfica, instaura-se um
              conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria água, que, dada
              a destruição, torna-se rara, preciosa. É o homem semelhante ao místico que agradecia as cheias do Nilo que
              se conscientiza aos poucos de que, talvez, mais do que sangue, lhe seja vital o elemento primordial, a água
              que encantou gregos, que fez Heráclito pensar que tudo fluía, mas que também arrasou a terra e fez Noé
              construir a arca. Bem como benção, ela é castigo se o “predador” assim pedir, mesmo quando gentil lhe faz
              poemas ou odes.
                   Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja
              abarcável por uma arca, tampouco plausível de filosofia.

                  O projeto de texto deste candidato é o de analisar a existência do homem através do espelho da água.
Comentários
              Baseando-se nos fragmentos 6, 1 e 2, o candidato inicia sua redação introduzindo os papéis da água com que
              vai trabalhar no decorrer do texto: a água não será avaliada somente como origem, tendo em vista sua
              importância para o desenvolvimento das civilizações, mas também como portadora de uma possível destrui-
              ção, se o predador assim pedir.
                  É interessante destacar o trabalho de leitura e articulação dos fragmentos (6 e 2) efetuado pelo candidato:
              ele trata da questão da água como origem de todas as coisas afirmando que ela fez florescer civilizações e
              acrescenta, tendo em vista o desenvolvimento que quer dar ao tema, que a água também é capaz de ditar
                                                                                                                             13
Redação 1ª fase

                  limites geográficos e protagonizar conflitos, apontando a análise que fará da relação entre Água, Cultura e
                  Civilização.
                                  o
                      Ainda no 1 parágrafo, além de negar o caráter divino do surgimento da vida e da sobrevivência, o candi-
                  dato destaca a importância da água para a vida – deixando claro que a afirmação dos gregos não deve ser
                                                      o
                  considerada um absurdo – e, no 2 parágrafo, esclarece: os recursos hídricos e a irrigação são fundamentais na
                  evolução da vida. Perceba que, à medida que o texto progride, ele retoma e desenvolve conceitos já mencio-
                                                                                                                       o
                  nados na introdução: a idéia de que a água poderá protagonizar conflitos – ainda genérica no 1 parágrafo – é
                                                                       o
                  retomada e especificada quando ele aponta, no 2 parágrafo, que a água assinala problemas sociais e políti-
                  cos. Ainda não podemos dizer claramente qual a avaliação do candidato, mas perceba que ele está nos
                  preparando para expor seu ponto de vista.
                      Vejamos como, nesse momento, o conteúdo do fragmento 4 é integrado ao texto. Ao descrever o progresso
                  da humanidade e o desenvolvimento urbano, o candidato destaca o papel do médico e dos engenheiros e
                  arquitetos na construção do que, em seguida, será retomado como sociedades higiênicas, dadas as preocupa-
                  ções com a limpeza e o escoamento dos dejetos. Ainda na perspectiva de progresso, ele apresenta o conteúdo
                  do fragmento 5 – a vida privada da sociedade começa a ser alterada por hábitos de higiene – ressaltando ainda
                  mais a importância da água.
                      E é justamente pensando na importância da água para a sociedade que o candidato esclarece os motivos
                  que poderão fazer dela pomo de discórdia. É importante destacar o uso que ele faz do fragmento 1, nesse
                  momento do texto. O utilitarismo mencionado nesse fragmento aparece avaliado pelo candidato na mesma
                  perspectiva de progresso e desenvolvimento econômico que vinha descrevendo: o homem, preocupado com a
                  tecnologia e a economia lastreada na produção industrial, assume uma postura utilitarista diante da água, já
                  que não tem se preocupado com o desequilíbrio que vem crescendo paulatino, constante. Veja que a avaliação
                  do candidato de que a água poderá protagonizar conflitos fica clara agora: os rios poluídos ameaçam as
                  sociedades higiênicas e talvez o dilúvio não seja a última catástrofe. Mais que uma problemática geográfica,
                  instaura-se um conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria
                  água, que, dada a destruição, torna-se rara, preciosa.
                      A avaliação que o candidato faz revela o quanto soube articular as idéias apresentadas na coletânea de
                  forma a desenvolver o tema proposto. A conclusão de seu texto – Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência
                  e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja abarcável por uma arca, tampouco plausível de
                  filosofia – mostra a maturidade com que articulou tais idéias, além de explicitar, com a palavra reflete, a razão
                  do título atribuído à redação.
                      Ainda quanto à qualidade das relações estabelecidas pelo candidato, veja como é interessante a menção
                  que faz à chuva ácida – elemento que, na coletânea, aparece como um simples dado e, no texto, aparece
                  como um significativo exemplo da mudança sofrida pela água: O que remetia à recordação suave da queda
                  cristalina d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe.
                      Cabe frisar que este texto está bastante acima da média no desenvolvimento do tema e da coletânea,
                  dadas a leitura e articulação tão boas dos fragmentos da coletânea. Isso não significa, no entanto, que este
                  seja um texto exemplar como um todo, na medida em que, em alguns momentos, não se sabe exatamente o
                  que o autor pretendia dizer.
                      Vejamos dois momentos significativos: o primeiro está na 6ª linha do 1º parágrafo. O que significa dizer
                  que os “primeiros humanos” tiveram uma “vulgar premonição” ao dar tanto valor à água? Não é certo que,
                                                                                       2
                  pelo fato de valorizar a água, eles estavam tendo uma premonição de que hoje estaríamos sofrendo por não
                  a valorizarmos. Por sinal, essa relação com os efeitos negativos que estamos vivenciando hoje não foi feita pelo
                  candidato; nós estamos fazendo isso por ele. Ou será que não era premonição que ele pretendia dizer, mas
                  algo como “uma atitude sábia”?
                      O segundo momento em que não fica claro o que o candidato pretendia está na 2ª linha do 2º parágrafo.
                  O que significaria, no texto, estreitando os laços biológicos? Se você, ao ler o texto, tiver sentido dificuldade de
                  interpretar este trecho, saiba que o problema não é seu!
                      O que queremos dizer aqui é que, apesar de, na maioria das vezes, o candidato demonstrar ter domínio da
                  escrita suficiente para dizer exatamente o que quer, em alguns outros, deu umas “deslizadas”, provavelmente
                  por tentar sofisticar demais sua escrita, desnecessariamente.
                      A seguir, há dois exemplos de redações que foram anuladas no tema A. Antes de comentá-las, gostaríamos
                  de esclarecer o que significa anular uma redação no Vestibular Unicamp.
                      Em primeiro lugar, a prova de redação propõe uma tarefa específica para o desenvolvimento do tema que,
                  não sendo cumprida, acarreta a anulação da redação. Portanto, se o candidato fugir ao tema proposto, ainda
                  que escreva muito bem sobre outro tema qualquer, terá sua redação anulada. Em segundo lugar, há uma
                  coletânea de textos que devem ser utilizados. Caso o candidato desconsidere todos os textos, sua redação será
                  anulada, mesmo que ele escreva sobre o tema proposto.
                  2
                      Premonição: sensação ou advertência antecipada do que vai acontecer; pressentimento. cf. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa, 1999.

14
Redação 1ª fase

                      Há ainda um último critério para anulação: o Tipo de Texto. Se o candidato optar pelo tema A, deve
                  escrever uma dissertação; se optar pelo B, uma narrativa usando o foco narrativo exigido na proposta e, se
                  optar pelo C, uma carta argumentativa dirigida a um interlocutor específico. Como se vê, é fundamental que
                  o candidato use os elementos característicos do tipo de texto pelo qual optou.
                      Perceba que, em nenhum momento, dissemos que anular uma redação significa afirmar que o seu autor
                  não sabe escrever! A redação pode até estar bem escrita, mas indica que o candidato deixou de cumprir uma
                  das exigências essenciais da proposta escolhida. Quando isso ocorre, a redação sequer recebe pontos nos
                  demais critérios, ou seja, se ela for anulada em pelo menos um dos três critérios (Tema, Coletânea e Tipo de
                  Texto), sua nota final será zero.

    Exemplo de                                                       Transformações
redação anulada          Lamenta-se profundamente o estado crítico que se encontra o rio Tietê ao atravessar a cidade de São
                   Paulo. O desenvolvimento e a industrialização usaram-no, jogando detritos, esgotos, substâncias tóxicas,
                   matando-o aos poucos. Infelizmente, esse é o efeito das grandes cidades.
                         Após 229 anos da fundação da capital se percorrermos suas marjens desde o nascimento, ao passar pela
                   serra da Cantareira, com suas águas frescas, transparentes, nota-se com certo pesar, que já não são mais puras,
                   estão paradas; mau cheirosas; poluentes; infectando o ar causando danos, tristeza e uma certa nostalgia.
                         Ao sair de São Paulo, suas águas mortas passam por Santana de Paraíba, região dos bandeirantes,
                   indo a Pirapora do Bom Jesus onde escondido sob efeito de espumas ocasionadas por detergentes dão
                   impressão de flocos de neve. Principalmente em Cabreúva. Ao chegar em Itu transforma-se em Usina
                   hidrelétrica parecendo um lixão, pois, nada é reciclável. De latas de refrigerantes a restos putrificados de
                   animais mortos, absorventes, chora-se baixinho.
                         Torna-se navegável em Piracicaba quando com hidrovia através das eclusas principalmente em Barra
                   Bonita. Aí renasce e suas águas voltam a ter transparências premiando aos pescadores que se deliciam, em
                   um dia de domingo.
                         Parabenizar os responsáveis pela realização de obras visando salvar o rio Tietê é o primeiro passo.
                   Mérito maior será reservado para os que trarão águas limpas ao palistano ressuscitando-o, dando esperan-
                   ças a essa sofrida população de poder respirar oxigênio, perceber através dos raios solares o saltitar dos
                   lambaris, dourados.
                         Enfim, milagres ainda existem.


   Comentários
                      A redação acima é um exemplo de equívoco total com relação ao tema. Ao escrever uma breve história do
                  Rio Tietê, o candidato demonstra não ter entendido a tarefa pedida. O que se esperava era uma reflexão a
                  respeito da relação Água, Cultura e Civilização e não uma história, mesmo que seja um exemplo visível de
                  como tal relação não está bem estabelecida. O que esse candidato fez foi basear-se, de maneira enviesada, no
                  fragmento 3 da coletânea, para escrever sobre o Rio Tietê. Tendo feito isso, fugiu ao tema proposto.

    Exemplo de                                                    O apocalipse final
redação anulada         A espécie humana está seriamente ameaçada de extinção.
                        Em trêz anos, as calotas polares estarão completamente derretidas, isso ocorrerá graças a uma série
                   de motivos. Um deles é o efeito estufa, provocado principalmente pela emissão de gases tóxicos, a cada dia
                   que passa ele está piorando, as áreas mais críticas são as metrópoles como: São Paulo, Cidade do México,
                   Nova Iorque e Cairo. Ele causa um super-aquecimento da Terra e inúmeros problemas respiratórios, como:
                   bronquite, asma, etc, sem falar no desconforto das pessoas em morar num lugar quente, abafado e poluído.
                        Mas o principal motivo está mesmo no buraco da camada de ozônio, que tem um tamanho equivalen-
                   te ao do Brasil e a cada semana aumenta 1 kilômetro. Ele está situada em cima da Antartida e com ele não
                   ocorre a devida filtragem dos raios solares que passam quase que levemente pela atmosféra. Esse raios
                   provocam o derretimento da calota polar que a cada quatro horas, a água derretida daria para encher a
                   Lagoa Rodrigo de Freitas do Rio de Janeiro (RJ)
                        Uma das maiores causas desse buraco é a liberação do gás CFC, presentes nos sprais aerozois. O que
                   tem dificultado também, foram os problemas de saúde, que esses raios têm causado, o mais grave é o
                   câncer de pele, onde sessenta por cento das pessoas que veviam lá adiquiriram a doença, o local está
                   completamente inadequado à sobrevivência humana.
                        Se toda a calota derreter, o nível do mar subirá cerca de 100 metro e todo o litoral será coberto por
                   água, mas água poluída, imprópria para o consumo.
                        Não haverá espaço suficiente para todos na Terra, países como Japão, Nova Zelândia, Inglaterra,
                   países escandinavos e América Central desaparecerão do mapa.
                        Seremos obrigados a desmatar todas as florestas, o que contribuirá ainda mais para o efeito estufa,
                   não haverá nem água, nem comida para todos.
                                                                                                                                     v




                                                                                                                                15
Redação 1ª fase




                  v
                            A Terra se tornará um verdadeiro caos, onde todos brigarão por comida e um lugar para morar, a vida
                       perderá o valor. Não tem solução, todos nós morreremos na miséria e sem dignidade.

                          A redação acima é outro caso de anulação por Tema. O candidato redefiniu o tema ao tratar do apocalipse
       Comentários
                      que seria gerado pelo derretimento das calotas polares que fariam com que as cidades litorâneas e até mesmo
                      países inteiros fossem inundados. Tal derretimento deverá acontecer, segundo o candidato, por causa do efeito
                      estufa e do “buraco” na camada de ozônio. Mesmo que se reconheça que as conseqüências do efeito estufa e
                      do buraco na camada de ozônio para o homem passem pela água (através do derretimento das calotas
                      polares), o texto do candidato não estabelece a relação exigida entre a água e homem, mas apenas entre o
                      meio ambiente e o homem. O tema desenvolvido pelo candidato é, portanto, outro.


TEMA B
                      No dia 5 de outubro de 1999, terça-feira, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP publicou a seguinte
                                                                                                         ,
                      manchete de primeira página, acompanhada de breve texto:

                                                           100 mil ficam sem água em Sumaré
                      Um crime ambiental provocou a suspensão do abastecimento de água de cerca de 100 mil moradores de
                      Sumaré. A medida foi tomada na sexta-feira, quando uma mancha de óleo de aproximadamente 3 quilômetros
                      de extensão surgiu nas águas do rio Atibaia. Anteontem, uma nova mancha apareceu nas proximidades da
                      Estação de Tratamento de Água I, na divisa entre o bairro Nova Veneza e o município de Paulínia. A situação
                      somente será normalizada na quinta-feira. A Cetesb investiga o caso e os técnicos acreditam que o produto
                      (óleo diesel ou gasolina) foi despejado em esgoto doméstico em Paulínia.

                       Leve em conta esta notícia e privilegie a hipótese dos técnicos, apresentada no final do texto. A partir
                       desses elementos, escreva uma narração em terceira pessoa, caracterizando adequadamente persona-
                       gens e ambiente. Crie um detetive ou um repórter investigativo que, quando tenta resolver o “crime
                       ambiental”, descobre que o ocorrido é parte de uma conspiração maior.


        Comentários
                          Neste tema, esperava-se que, a partir de uma breve notícia de jornal, o candidato produzisse uma narra-
     sobre o Tema B   tiva, em terceira pessoa, construindo necessariamente uma personagem – o detetive ou um repórter investiga-
                      tivo – que, ao tentar resolver um crime ambiental, descobre uma conspiração maior. O candidato poderia
                      introduzir outras personagens, a depender das ações que fariam parte de sua narrativa. Pedia-se ainda que o
                      candidato caracterizasse adequadamente tais personagens e o ambiente em que a história se desenrola.
                          O final do texto do jornal (ao qual se pedia particular atenção) induzia o candidato a encaminhar-se para
                      uma narrativa cujo eixo fosse um crime ambiental/ecológico. Esperava-se, então, que o candidato desenvol-
                      vesse uma narrativa que privilegiasse alguns aspectos: quem é o criminoso (ou quem são os criminosos), por
                      que comete(m) esse crime e qual é o plano maior/ a conspiração de que esse crime é parte.
                          As possibilidades para a construção de personagem(ns) eram muitas. O(s) criminoso(s) poderia(m) ser, por
                      exemplo, desafeto(s) político(s), alguém ou algum grupo ligado a uma organização terrorista ou criminosa,
                      gente interessada em desvalorizar as terras banhadas pelo rio Atibaia etc. Obviamente, trata-se apenas de
                      alguns exemplos entre outros possíveis.
                          Também podiam ser vários os motivos do crime. Podem servir como exemplos: interesses financeiros,
                      políticos, vingança, disputa de poder ou de terras. Na verdade, a motivação poderia ser qualquer uma, desde
                      que coerente com a história contada.
                          Você deve ter observado que todas as expectativas acima envolvem o trabalho com algum dos elementos
                      constitutivos do tipo de texto narrativo. Não basta, portanto, relatar algum acontecimento, alguma “histori-
                      nha”, é necessário construir uma narrativa a partir das instruções presentes na proposta.

                         Vejamos como alguns candidatos realizaram a tarefa.

        Exemplo de                                             O mistério da mancha de óleo.
           redação       Trim...
                         — Delegacia de Polícia de Sumaré, cabo Jonas falando. Sim. Claro. Infelizmente não podemos fazer
                      nada. Não é nosso departamento. Sinto muito. Até logo!
                         Cabo Jonas, irritado, se dirige à sala do detetive Hércules Leão. Entra sem bater e já despeja sua ira:
                         — Assim não dá, Leão! Já é a vigésima pessoa que liga reclamando da falta d’água desde a suspensão do
                      abastecimento por causa daquela mancha de óleo no rio Atibaia. E nós não temos nada com isso.
                                                                                                                                      v




16
Redação 1ª fase




         v
                  Leão alisando seu bigode responde calmamente:
                  — Aí é que você se engana. Eu estou indo agora mesmo em Paulínia colher informações. Parece que o
              departamento de lá recebeu um telefonema da Ceteb insinuando que essa mancha de óleo não é oriunda de
              vazamento de petróleo e sim da rede de esgoto. Eles agora suspeitam que tenha sido proposital. Ligue para
              o chefe e o ponha a par de tudo.
                  Jonas sai mais irritado do que entrou, afinal, falar com o chefe não é fácil.
                  Com a mesma calma que lhe é característica, Leão parte para Paulínia. A idéia de que o derramamento
              de óleo não foi um acidente o intriga. Afinal, não é algo comum.
                  À medida que se aproxima de Paulínia, ele vê uma multidão na beira do rio. Parando o carro, ele abre
              espaço até conseguir enxergar o motivo da aglomeração: outra mancha de óleo. E esta se encontra nas
              proximidades da Estação de tratamento de Água I.
                  Mais do que depressa, ele se dirige à delegacia de Paulínia para saber como anda o inquérito. Quem o
              recebe é seu grande amigo, delegado Gerson Maia, que vai logo dizendo:
                  — Oh, você está aqui! Eu tenho uma reunião importante, mas se você quiser dar uma olhadinha no
              caso... Até mais!
                  Leão fica paralisado. Nunca havia visto seu amigo tão displicente assim. Largar um caso de crime
              ambiental deste jeito! “O que será que está havendo com Maia. Parece que me evitou, que está com medo.”
              – pensou consigo mesmo.
                  Entrou em uma viatura e rumou para a Estação de Tratamento, munido de todas as informações sobre o
              caso. Nada lhe tirava da cabeça que Maia estava escondendo algo. Mas o quê?
                  Ordenou que o cabo que o acompanhava fosse investigar e sentou-se na recepção. Agora seria a hora do
              trabalho mental, que tanto o fascina. Pegou o inquérito e começou a lê-lo. Examinou o nome do fundador da
              Estação de Tratamento e lembrou que se tratava do prefeito. Lembrou também que estavam em época de
              eleição devido aos cartazes que tinha visto do lado de fora....
                  Levantou-se aturdido e gritando para o cabo:
                  — Leve-me à casa do Maia agora!
                  Chegando à casa de Maia foi direto à garagem e confirmou suas suspeitas: barris e mais barris de óleo,
              vazios.
                  Nesse instante Maia chega em casa. Ao ver Leão perto da garagem fica pálido. Tenta fugir, mas já é tarde.
              Leão já o tinha alcançado. Algemando-o, diz:
                  — Delegado Gerson Maia, você está preso acusado de poluir o rio Atibaia para denegrir o nome do atual
              prefeito de Paulínia, candidato à reeleição.
                  Maia, vendo-se sem saída, interroga-o com o olhar.
                  Leão sorri e diz:
                  — Vi os cartazes de sua campanha eleitoral. Você com medo de perder, apelou para a sabotagem.
                  No outro dia, os principais jornais da região estampavam na primeira página a cara apalermada de Maia
              no camburão.
                  E na delegacia de Sumaré o detetive Hércules Leão lendo o jornal, sente mais uma vez a sensação do
              dever cumprido.

                   O candidato cumpre o que foi pedido. Podemos observar, em primeiro lugar, que lança mão de alguns
Comentários
              recursos característicos da narrativa (faz alguma caracterização dos personagens, usa o discurso indireto
              livre); em segundo lugar, que seleciona os elementos da coletânea necessários para desenvolver o tema,
              contemplando todas as informações contidas na proposta (considera o crime ambiental, a hipótese dos técni-
              cos, o personagem do detetive e a existência de algo por trás do crime ambiental).
                   Vejamos como o candidato usou a coletânea. Na segunda linha, situa os fatos ocorridos na cidade de
              Sumaré, um uso bastante óbvio da coletânea (outros dados da coletânea serão usados com a mesma função
              em vários momentos do texto: rio Atibaia, na 6ª linha, Estou indo... em Paulínia, na 8ª linha etc.).
                   No 4º parágrafo, é de uma maneira interessante que outro dado da coletânea é introduzido: uma grande
              quantidade de pessoas atingidas pela falta d’água aparece através da freqüência dos telefonemas; essa grande
              quantidade de pessoas é retomada como multidão no 9º parágrafo, em que o detetive abre espaço até
              conseguir enxergar o motivo da aglomeração.
                   No 6º parágrafo, o candidato faz uso do elemento da coletânea cujo uso é exigência da proposta: a
              hipótese dos técnicos, que aparece como uma denúncia feita à delegacia de Paulínia. É no 9º parágrafo que
              um elemento da coletânea central para o texto do candidato é introduzido – a Estação de Tratamento de Água
              I – perto da qual está uma das manchas de óleo. Esse elemento será retomado no 13º parágrafo, em que
              ficamos sabendo que foi o atual prefeito de Paulínia, candidato à reeleição, que fundou essa estação.
                   No 12º parágrafo, o candidato usa a gravidade de um crime ambiental como um elemento para justificar
              o estranhamento de Leão frente ao comportamento de Maia. No 15º parágrafo, o óleo, também mencionado

                                                                                                                         17
Redação 1ª fase

                     na coletânea, aparece como vestígios dentro de barris, que constituem a prova do crime.
                         Finalmente, um outro elemento da coletânea é acionado: as manchetes de jornal que, na proposta, divul-
                     gavam o crime ambiental, agora divulgam, também em primeira página, o desfecho daquele crime.
                         Vendo um texto tão certinho e que traz tantos dados da coletânea como este, você pode estar se pergun-
                     tando por que não afirmamos que se trata de um texto que cumpre bem a tarefa pedida. A resposta é a
                     seguinte: o texto é, realmente, um pouco acima da média nos quesitos técnicos, como modalidade e coesão
                     (que vêm descritos no Manual do Candidato), mas apresenta uma articulação de conteúdos apenas razoável,
                     com momentos de certa ingenuidade, inclusive. Atente para o fato de Maia ser um grande amigo do detetive
                     Leão. Esse dado, embora tenha uma função, na medida em que justifica o estranhamento de Leão durante o
                     encontro dos dois na delegacia, é totalmente desconsiderado no momento em que Leão algema o Maia. Não
                     houve uma caracterização suficiente do personagem Leão para justificar essa atitude. Ao invés de o candidato
                     descrevê-lo usando bigode, deveria tê-lo descrito como alguém obcecado por justiça, por exemplo, e, no
                     desfecho, mostrar que houve um questionamento, por mínimo que fosse, por parte de Leão antes de prender
                     seu grande amigo.
                         O fato de os dois serem grandes amigos também causa estranhamento em nós, leitores, quando tomamos
                     conhecimento da candidatura de Maia. Leão só fica sabendo que seu grande amigo é candidato a prefeito
                     porque vê cartazes na rua?! Por que será que ficaram tanto tempo sem se falar? Não tiveram tempo pra
                     nenhum café, nenhuma cervejinha, nenhum telefonema...?! Outro dado que não combina com a “grande
                     amizade” dos dois é a tentativa de fuga do Maia no momento em que é flagrado por Leão.
                         Lembre-se de que um dos aspectos considerados na avaliação das redações é a relação entre os elementos
                     presentes no texto. Ora, a articulação dos elementos desse texto é apenas razoável. Veja, também, como é um
                     tanto facilitado o próprio desfecho desta narrativa: quanta ingenuidade a do criminoso em deixar a prova do
                     crime – os barris sujos de óleo – na garagem de sua própria casa, garagem à qual, por sinal, se tem livre
                     acesso. Estranho, não é?

                        Vejamos outra redação:

        Exemplo de       Sexta-feita, 1º de outubro de 1999
           redação       A mancha tomava conta do rio pouco-a-pouco. O rapaz, observando tudo, afrouxava a gravata, deu um
                     último trago no cigarro e, embora nesse momento já estivesse sozinho, falou alto – talvez para ver se assim
                     se convenceria – que estava apenas cumprindo ordens. Fora dura a sua jornada até ali. Pessoas como ele não
                     têm opção; se lutam contra o sistema se marginalizam. Ele não seria mais um. O avô havia sido um idealista,
                     o pai, um conformista, e o que conseguiram? Respaldado pela imponência de sua imagem: terno e gravata
                     impecáveis e um quê de altivez no olhar, procurava se convencer de que a Moral existe para subjugar os
                     fracos: a pobreza é nobre; a humildade, dignificante; sofre-se na Terra para ganhar-se o reino dos céus; vive-
                     se em condições sub-humanas para se chegar até Deus. Fracos. Após gerações, ele era o primeiro a ter
                     coragem de dizer não e enxergar a própria realidade, sem pseudo-moralismos. Ele não seria um fraco.
                     Procurava não dar muita vazão ao sentimento que teimava em invadir-lhe a mente quando pensava no pai.
                     “Fraco!”, dessa vez quase gritou. Agora cumpria ordens; amanhã mandaria, era só uma questão de tempo.
                         Sábado, 02 de outubro de 1999
                         Na redação, o calor era tórrido. O “foca”, ainda desacostumado à rotina acelerada de uma redação de
                     jornal, já pensava no próximo feriado. Os colegas achavam graça, “será que você escolheu a profissão
                     certa?”, perguntavam. Um jornalista não tem fim de semana, nem feriado, mas não era isso o que mais
                     incomodava o foca. A essa altura, tinha realmente dúvidas se havia escolhido a profissão certa, mas menos
                     devido à suposta superatividade que por ver frustrada a imagem que, em seus sonhos juvenis, fazia da
                     profissão; cobriria uma guerra no Golfo pérsico ou nas balcãs; anunciaria, em primeira-mão, notícia envol-
                     vendo um ministro ou chefe-de-Estado; vaticinaria, com autoridade, sobre um possível naufrágio econômico
                     no país. Sua mente trabalhava em um ritmo mais acelerado que sua rotina suportava. Talvez se desse bem
                     como ficcionista. Enquanto isso, ia alimentando uma ou duas histórias na cabeça. Quando o editor pediu que
                     ele fosse conferir a “tal da mancha” no rio, ele foi, com a mesma solicitude indiferente de sempre...
                         Domingo, 03 de outubro de 1999
                         No dia anterior havia feito inúmeras entrevistas: engenheiros, técnicos, autoridades...
                         Havia a possibilidade de a poluição ter sido intencional, mas tal hipótese, geralmente sussurrada ou dita
                     de modo sorrateiro, parecia causar incômodo. Apenas o “foca” se interessou pela teoria. “Intencional? Mais
                     de cem mil pessoas estão sem água, que, misturada a óleo, compõe um conjunto extremamente tóxico. Mas
                     que espécie de intenção é essa?” O BIP chamava: deveria ir a Paulínia, pois havia uma nova mancha por lá.
                         Segunda-feira, 04 de outubro.
                         Mal o editor deixara a sala, vieram os colegas felicitá-lo pela reportagem: a matéria seria manchete de
                     primeira página. Indiferente à repercussão, o “foca” sentia uma sensação ruim, uma espécie de um mau
                                                                                                                                      v




18
Redação 1ª fase




             v
                  presságio. Lembrara da conversa com os técnicos da Cetesb, da dúvida em colocar ou não a hipótese
                  criminosa na reportagem. Os técnicos falavam com certa reserva, mas bastante convicção. Temiam represá-
                  lias, mas sabiam o que estavam dizendo. Ao perceberem o interesse do jornalista, todos emudeceram unâ-
                  nimes. Ao sair, recebeu sinal para subir. Falando com o engenheiro-chefe, entendeu que nunca se deve dizer
                  tudo o que se sabe. É sensato saber calar. O jornal sairia na manhã seguinte e ele, arrasado, sentia-se
                  vencido. O telefone tocou.
                      Terça-feira, 05 de outubro.
                      O “foca” chegava ao lugar marcado com quinze minutos de antecedência. Pelo telefone, a pessoa apenas
                  informou a hora e o local em que deveriam se encontrar. Não se identificou e não disse como estaria.
                  Aparentemente um boteco, como qualquer outro; adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela.
                  Sabia que ter insinuado a hipótese criminosa em sua matéria havia irritado imensamente as autoridades
                  locais, que temiam que a população imaginasse que pudesse estar havendo perda de controle. Quem mais
                  ele teria irritado? Ao sentar-se à mesa recebeu um bilhete que o mandava subir. Obedeceu cauteloso. No
                  andar superior, conversou com uma pessoa que, por sua vez, conduziu-o a outra sala. Estava começando a
                  assustar-se. A sala estava escura, e ele não podia ver quem lá estava. Apenas ouvia uma voz que o advertia
                  a não fazer perguntas. A voz o informou de que um grupo, politicamente oposto ao governo vigente, tentava
                  sabotá-lo poluindo criminosamente o rio, o que, além de indispor a simpatia da população contra as autori-
                  dades, traria um grande prejuízo econômico à cidade. Falou mais, e o jornalista ouvia eufórico, entendendo
                  a dimensão do que ouvia. Ao sair do prédio, uma bala atingiu-o pelas costas. Seu corpo, por ali mesmo,
                  desapareceu.
                      Quarta-feira, 06 de outubro.
                      O rapaz afrouxava a gravata. Apenas cumpria ordens. O “tal do jornalista” bem que havia provocado. É
                  assim. Hoje se obedece; amanhã se manda. Cada um no seu lugar.


   Comentários         Provavelmente, lendo esta redação, você tenha percebido como são acima da média as relações estabele-
                  cidas entre os elementos trazidos pelo seu autor.
                       Observe que não há diferenças substantivas de enredo entre as duas redações acima: nas duas, além de
                  haver alguém interessado em desvendar o crime ambiental – tarefa exigida pela proposta – há um interessado
                  em denegrir a imagem de um político. O que diferencia as duas redações são o trabalho com os elementos da
                  narrativa e a relação estabelecida entre os elementos do texto; observe, no segundo texto, a profundidade com
                  que os dois personagens principais – o executor dos dois crimes, que cumpre ordens de derramar óleo no rio
                  e de matar o jornalista e o foca – foram construídos, o trabalho com o cenário e como todos elementos estão
                  relacionados entre si. Atente para a preparação que o candidato faz para cada ato dos personagens criados: as
                  coisas não acontecem por acontecer neste texto; o criminoso não comete os crimes como quem vai ao bar da
                  esquina, ele se questiona e tem a necessidade de se justificar. O foca não vai até aquele beco ao encontro do
                  seu assassinato por mera coincidência, ele foi construído pelo candidato como um jovem ingênuo e ambicioso
                  cujo sonho era fazer um furo de reportagem. A chance era aquela. Mesmo tendo suspeitado de que poderia
                  estar caindo numa cilada – adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela,... Quem mais teria
                  irritado? ... Obedeceu cauteloso... Estava começando a assustar-se – prosseguiu; a curiosidade – caracterís-
                  tica de um grande repórter – foi maior!
                       Veja como o dado de coletânea exigido pela proposta – a hipótese dos técnicos, como você já sabe – é
                  totalmente integrado à trama: é essa hipótese geralmente sussurrada e dita de modo sorrateiro que faz com
                  que o foca deixe de olhar para a matéria com a mesma solicitude de sempre e passe a se envolver com o caso.
                       Releia o texto pensando em cada elemento utilizado pelo candidato. Você verá que tudo tem uma função
                  no texto. Procure observar como os elementos se relacionam. Veja, por exemplo, o paralelismo na constituição
                  dos dois personagens – o foca e o criminoso: embora ninguém ouse ver no foca um criminoso, é bastante
                  importante vê-lo como alguém cujo caráter é bastante semelhante ao do vilão da história. O que move o foca
                  também é a ambição: atente para a euforia com que ele ouvia a explicação para o crime. Alguém preocupado
                  com a saúde pública, com a preservação da natureza, ou com alguma outra questão “nobre” se indignaria com
                  aquelas declarações, mas o foca, não. A sua reação foi de euforia pois entendia a dimensão do que ouvia,
                  sabia que alcançaria a tão almejada fama ao publicar tudo o que lhe fora desvendado sobre o crime ambiental.

    Exemplo de                                                  Crime no Bairro Sumaré
redação anulada          Todo dia acordo, pontualmente, às sete horas da manhã. Trabalho, como detetive, em um escritório lá na
                   rua dos Bandeirantes. Entretanto um telefonema me acordou às seis e quinze. Era meu chefe. Ele perguntara
                   se havia lido o jornal desta manhã. Respondi, obviamente, que não e disse que iria ler e ligaria para ele
                   depois. Com muito esforço, levantei e caminhei em direção à porta da frente para pegar o jornal. Não me
                   pareceu nada demais, os mesmos assuntos de sempre, mortes, roubos; entretanto, uma reportagem sobre a
                   falta de água em Sumaré me chamou atenção. Não pelo fato de faltar água, mas sim pelo motivo da falta.
                                                                                                                                  v




                                                                                                                             19
Redação 1ª fase




                  v
                              Liguei para o meu chefe e recebi ordens para ir ao local checar uma possível contaminação planejada.
                        Chegando ao local, o belo bairro Sumaré, me dirigi a um dos moradores, um homem velho porém forte de
                        uns 60 anos, e lhe perguntei o que estava acontecendo. Ele me disse que em dias recentes manchas de
                        óleo ou gasolina estariam contaminando a água. Indagado, perguntei a ele, como os moradores do bairro
                        estavam suprindo a falta de água. Ele me disse que tinham de comprar água em um armazém recém-
                        aberto a duas quadras dali.
                              Antes de ir para tal armazém, passei na Estação I de Tratamento de Água para ouvir a opinião de um
                        dos técnicos. José Crivaldo, o técnico que me recebeu, me explicou que tal contaminação teria sido causa-
                        da por alguém. Quando me disse isto, comecei a ligar os fatos. Essa onda de contaminação e a recém-
                        abertura do armazém seriam mera coincidência? Entrei no meu carro, um Gol 1992, liguei para o meu
                        chefe, Ricardo, e lhe contei a história. Recebi a orientação para ir investigar o tal armazém.
                              Chegando lá me deparei com um armazém velho, enferrujado, mas que tinha uma grande freguezia.
                        Entrei pelos fundos. Lá pude observar que havia uma meia dúzia de “bacanas”, todos bem vestidos e bem
                        armados. Cheguei mais perto e pude escutar que a contaminação e o armazém não eram mera coincidên-
                        cia. Liguei para a central e contei a situação.
                              Depois de algum tempo, a polícia chegou com um mandato. Verificaram o local. Encontraram dinhei-
                        ro, muito por sinal, e uns três ou quatro barris. Ao abrirem encontraram um líquido de mesma coloração ao
                        líquido suspeito encontrado na água. Resultado disso tudo é que foi parabenizado pelo meu bom trabalho
                        e os “bacanas” foram presos. Ao sair do armazém me deparei com uma pequena manifestação. Era o
                        responsável da Cetesb avisando, que devido ao feriado, a água só ia voltar na outra semana.

                          Embora esta redação contenha grande parte das exigências, como o crime ambiental, a construção de um
        Comentários
                       detetive e o plano maior (a conspiração) por trás do crime, ela foi feita em 1ª pessoa. Conforme consta no
                       Manual do Candidato, a utilização do foco narrativo exigido é condição para que a redação seja considerada e,
                       portanto, a redação acima foi anulada em Tipo de Texto.

         Exemplo de          Ambientalistas descobrem que está sumindo aves da floresta e resolveram avisar a polícia ambiental
     redação anulada    e eles nada fiseram. Com a icopetencia da policia ambiental, os ambientalistas resolveram contratar um
                        detetive para solucionar o caso.
                             O detetive começando as investigações que aves rarissimas que so existe no Brasil estão ficando
                        extintas, e a preocupação dos ambientalistas aumentou. Com o decorrer das investigações o detetive des-
                        cobre que não era só aves que estavam sumindo, mas também aranhas caranguejeiras.
                             Quando o detetive descobriu sobre as aranhas, começou a suspeita sobre que a policia ambiental
                        estava envolvida no desaparecimento das aves e aranhas, que eles estavam exportando para o exterior que
                        comprava que comprava por um preço alto.
                             Mas profundo nas investigações descobriu que tinha governadores envolvidos no sumiço das aves e
                        aranhas. Após essas descobertas o detetive relata tudo o que havia descoberto para os ambientalistas, e
                        mais, sugeriu que eles escrevessem uma carta para o presidente relatando tudo que havia descoberto.
                             Assim feito o presidente respondeu sua carta agradecendo por ter avisado e pedindo que o detetive
                        saisse do caso que ele iria mandar a policia federal investigar, meses depois o detetive foi morto e o caso
                        não foi solucionado.

                           O autor deste texto desconsiderou totalmente o crime ambiental, exigência do tema. A tarefa exigida não
        Comentários
                       era a de imaginar “um” crime ambiental, mas a de usar “o” crime ambiental da proposta. Essa desconsidera-
                       ção é gravíssima e acarreta a anulação da redação em Tema. Além do Tema, a redação foi anulada em
                       Coletânea. Veja que nenhum dos elementos da proposta foi usado: onde estão a mancha de óleo, a hipótese
                       dos técnicos, o rio Atibaia, o jornal?! Nem a falta d’água aparece no texto...

         Exemplo de           Além de muitos crimes que ocorre no país, o crime ambiental que é o que causa mais prejuízos tanto
     redação anulada    para a empresa como para o consumidor, um rio pode distribuir águas para uma cidade inteira, se qualquer
                        empresa ou fábrica vizinhas do rio causar um crime ambiental que é causar uma poluição no rio causa um
                        grande problema para a cidade que depende da água do rio para utilizar. A água é um dos itens fundamen-
                        tais para a população, que não tem como substitui-lá. Se fosse com a energia elétrica o homem conseguiria
                        substitui-lá com a energia solar e a eólica.
                              O que causam crimes ambientais são geralmente as grandes empresas.
                              Investigam mas quando descobrem que são as grandes empresas que causam este crime, os empre-
                        sários acabam oferecendo muito dinheiro, assim acabam não sendo punidos. Para causar um dano tão
                        grande como este só pode ser causado por uma grande empresa.
                                                                                                                                       v




20
Redação 1ª fase




             v
                         Se as empresas não poluíssem os rios a estação de tratamento de água não gastariam muito com o
                    tratamento.
                         Com o rio limpo sem poluição a estação de tratamento teriam menos gastos em materias de tratamen-
                    to da água, podendo cobrar mais barato a água consumida pela população.


    Comentários
                      Esta redação também foi anulada por dois motivos: além de o candidato desconsiderar totalmente “o
                  crime ambiental”, não escreveu um texto adequado ao tipo de texto escolhido: o texto acima não é uma
                  narrativa. A redação foi anulada em Tema e em Tipo de Texto, portanto.
                      Ao ler esta redação, você pode ter ficado com a impressão de que o candidato leu as três propostas de
                  desenvolvimento e, a partir dessa leitura – que, sem dúvida, foi superficial – escreveu alguma coisa sobre
                  água, que, aliás, foi o eixo de toda a prova. Mesmo nos casos em que toda a prova é temática, como ocorreu
                  nos dois últimos anos, deve-se seguir, exclusivamente, as instruções contidas na proposta escolhida.


TEMA C
                  Em várias instâncias têm surgido iniciativas que podem resultar em uma nova política em relação à água,
                  até hoje considerada um bem renovável à disposição dos usuários. Abaixo estão trechos de notícias relativa-
                  mente recentes com informações sobre algumas dessas iniciativas.
                  1. País pode ter agência de água
                  O secretário nacional de recursos hídricos, Raimundo José Garrido, participa na próxima quarta-feira, em
                  Porto Alegre, de um debate sobre a criação da Agência Nacional da Água (ANA). O encontro, que reunirá ainda
                  o jornalista Washington Novaes, o consultor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Affonso
                  Leme Machado, e o Secretário do Meio Ambiente do Estado, Cláudio Langoni, faz parte da 6ª Semana Intera-
                  mericana da Água. O evento vai se estender de hoje até o dia 9, em 200 municípios gaúchos, com atividades
                  ligadas à educação ambiental, painéis, exposições, mutirões de limpeza de rios e riachos, entre outras. Mais
                  de 50 entidades públicas e privadas, incluindo o governo do Rio Grande do Sul, a prefeitura de Porto Alegre,
                  a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, participam da iniciativa. (Campinas, Correio
                  Popular, 02/10/99)
                  2. Países concordam que, para evitar escassez, a água não pode ser gratuita
                  Paris – Uma conferência das Nações Unidas sobre gestão das escassas reservas de água doce do mundo
                                                                                  *
                  concluiu ontem que a água deveria ser paga como commodity , ao invés de ser tratada como um bem essen-
                  cial a ser fornecido gratuitamente. A reunião de três dias, da qual participaram ministros do meio-ambiente e
                  autoridades de 84 países, concluiu que os custos deverão permanecer baixos e que o acesso à água doce
                  deveria ser assegurado aos pobres.
                  O apelo feito ao final da reunião, no sentido de maior participação das forças do mercado, motivou uma nota
                  de cautela do primeiro ministro socialista [francês], Lionel Jospin, que se dirigiu à assembléia em seu último
                  dia. Jospin enfatizou a necessidade de prudência quando se trata de uma substância que não é “um produto
                  como outro qualquer”. “Vocês renunciaram à velha crença, que se manteve por muito tempo, de que a água
                  somente poderia ser gratuita porque cai do céu”, disse ele. Mas ele frisou que a mudança para uma forma de
                  lidar com a água mais orientada para o mercado “deve ser prudente”.
                  (www.igc.apc.org/globalpolicy/socecon/envromnt/water.htm)
                  * commodity: mercadoria, produtos agrícolas ou de extração mineral

                  3. Enquanto os ambientalistas preocupam-se em mobilizar a opinião pública e sensibilizar governos, os legis-
                  ladores querem enquadrar os abusados nas normas da lei. Aprovada há dois anos, mas ainda carente de
                  regulamentação, a Lei do Uso das Águas (9.433) disciplina a exploração dos recursos hídricos do país. Ela
                  prevê cobrança de taxas adicionais aos grandes usuários (como hidrelétricas), aos poluidores e às indústrias
                  que exploram a água economicamente ou na produção de algum produto. Outra lei, mais rigorosa e punitiva,
                  é a 9.605, em vigor há mais de um ano: quem poluir os rios, mananciais e devastar as florestas poderá sofrer
                  detenção de até cinco anos e multas de até R$ 50 milhões. (João Marcos Rainho, “Planeta água”, in: Educa-
                  ção, ano 26, n. 221, setembro de 1999, pp. 57-8)
                  4. A força política dos que promovem a concentração populacional nas áreas de mananciais é grande. (...) A
                  demonstração dessa força política está nas muitas mudanças da lei de Proteção dos Mananciais de 1975. A
                  maior dessas alterações que abrandaram a lei ocorreu em 1987, com a desculpa de que era necessária para
                  atender “à realidade criada pela ocupação desordenada”. Mas cabe a pergunta: quem permitiu essa ocupa-
                  ção? As prefeituras locais, sem dúvida, mas também a Secretaria de Meio Ambiente, por falta de vigilância.
                  (“Mananciais contaminados”, in: O Estado de S. Paulo, 17 /10/99, p. A3)


                                                                                                                             21
Redação 1ª fase


                       Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da Água (ANA). A
                       carta deverá argumentar a favor da criação do novo órgão que, como a ANP a ANATEL e a ANEEL, terá
                                                                                                      ,
                       a finalidade de definir e supervisionar as políticas de um setor vital para a sociedade. Nessa carta, você
                       deverá sugerir ao congressista pontos de um programa, a ser executado pela Agência Nacional da Água,
                       programa que deverá incluir novas formas de controle.

                      ANP: Agência Nacional do Petróleo; ANATEL: Agência Nacional das Telecomunicações; ANEEL: Agência Na-
                      cional de Energia Elétrica
                      Atenção: ao assinar a carta, use iniciais apenas, de forma a não se identificar.

        Comentários
                          No Tema C-2000, o candidato deveria escrever uma carta argumentativa a um congressista contrário à
     sobre o Tema C   criação da Agência Nacional da Água, procurando convencê-lo da importância de tal agência. Para isso, a
                      proposta temática fornecia uma coletânea de textos que abordavam a questão do gerenciamento da água sob
                      vários aspectos. Havia informações e fatos relacionados a algum tipo de controle da água, a partir dos quais o
                      candidato poderia argumentar para convencer o congressista da necessidade da ANA, além de poder extrair
                      dali pontos de uma possível proposta de programa para a ANA, já que parte da tarefa pedida era justamente
                      propor os pontos de um programa para a nova agência. Um bom leitor poderia encontrar ali argumentos para
                      redigir seu texto persuasivo, como o fizeram alguns candidatos.
                          Gostaríamos de esclarecer que o que se espera como resposta a esta tarefa específica não é simplesmente
                      uma carta, mas uma carta argumentativa dirigida a um interlocutor definido, que deverá ser convencido (ou
                      persuadido) de determinada questão. Para fazer isso, você deve identificar, em primeiro lugar, quem é o seu
                      interlocutor e, em segundo lugar, a questão que está sendo abordada, bem como os argumentos, opiniões ou
                      pontos de vista sobre essa questão que aparecem na coletânea. Em seguida, você deve selecionar, dentre os
                      argumentos, opiniões ou pontos de vista identificados, aqueles que melhor se prestam à análise que você
                      pretende fazer da questão, e trazer outros argumentos do seu conhecimento que sejam pertinentes à questão
                      discutida e integrá-los ao seu texto.
                          Além disso, escrever uma carta argumentativa não significa apenas argumentar defendendo um ponto de
                      vista, mas, sobretudo, é preciso direcionar a argumentação ao interlocutor definido pela prova. No Vestibular
                      2000, a carta argumentativa deveria ser endereçada a um congressista; você poderia se perguntar: mas que
                      congressista? a que partido político pertencia? qual sua posição ideológica com relação aos diversos proble-
                      mas do Brasil? por que ele era contrário à criação da ANA? quais as razões concretas para tal postura? E,
                      pensando em cada uma das possíveis respostas às perguntas acima, você deveria construir a imagem do “seu”
                      congressista.
                          Veja que a tarefa argumentativa seria outra se você tivesse que escrever para:
                          (1) um ambientalista, ligado a causas ecológicas;
                          (2) um amigo que precisasse ser convencido a assinar um abaixo-assinado em favor da nova agência;
                          (3) um gerente de uma indústria que estivesse poluindo rios;
                          (4) o presidente do Departamento de Água e Esgoto de sua cidade.
                          O que queremos enfatizar é que a construção de uma carta argumentativa é mais facilmente bem sucedida
                      quando você, além de relacionar bem os argumentos extraídos da coletânea e do seu conhecimento de mundo,
                      explora as características que conhece do seu interlocutor.
                          Foi uma estratégia inteligente a daqueles candidatos que, de antemão, definiram seu interlocutor – seja
                      tendo escolhido um que conhecessem, seja “criando” um deputado ou senador com determinadas caracterís-
                      ticas, desde que coerentes com a única informação dada na prova: a de que o congressista era contrário à
                      criação da ANA.
                          A seguir, há três exemplos de redações em que os candidatos, apesar de cumprirem a tarefa pedida,
                      exploraram a imagem de seu interlocutor em graus diferentes.

        Exemplo de    Ribeirão Preto, 28 de novembro de 1999.
           redação
                      Deputado Sílvio Golveia.
                          Leio sempre revistas e jornais e li sobre o seu posicionamento contrário a criação da Agência Nacional da
                      Água (A.N.A.). Sou estudante e sempre procuro saber sobre os problemas ambientais e seus reflexos na
                      natureza e nas sociedades futuras; fico profundamente decepcionado com atitudes como a do senhor, que
                      me parece não se preocupar com os problemas que poderiam ser evitados num futuro próximo com a
                      implantação da A.N.A.
                          A sua integridade é posta em questionamento quando se volta contra um projeto tão nobre. Não há
                      justificativas nem argumentos para esse seu posicionamento e a única alternativa que resta à população é
                                                                                                                                       v




22
Redação 1ª fase




         v
              desconfiar que por trás dessa decisão, há relações políticas ou algum interesse financeiro pressionando o
              senhor.
                  Se o senhor quer projeção política, imagine o marketing que o senhor não teria se ajudasse e desse idéia
              a esse projeto de controlar e inspecionar o uso da água, a qual terá grande problema de escassez se nada for
              feito nesse sentido de controle.
                  Como idéia, o senhor poderia propor não a taxação, mas a conscientização da população para não
              desperdiçá-la, o que seria muito mais eficiente, uma vez que cobrar água num país de maioria pobre e que
              em algumas áreas a população nem tem acesso a ela é inviável, além de que, informar e conscientizar é uma
              medida que servirá não só para a preservação da água, mas para qualquer outro recurso ambiental e ecológico.
                  O senhor seria visto com muito mais respeito, aderindo-se à esse projeto, e estaria assim respondendo à
              duas ambições suas; a de se ver bem quisto pelas pessoas e a de atender à sua consciência que, tenho
              certeza, quer um mundo melhor para seus descendentes e que se preocupa com o destino desse bem vital
              que é a água.
                  Desculpe pela minha franqueza, mas é que eu me preocupo muito com os recursos ambientais e sei da
              sua importância para a manutenção da vida.
                                                                  Respeitosamente,
                                                                  J.G.J.N.

                  O candidato que escreveu essa redação sabia muito bem que estava escrevendo uma carta a um congres-
Comentários
              sista. Daí ter “criado” um deputado – Sílvio Golveia – e ter construído uma imagem de um político envolvido
              em interesses financeiros e buscando projeção política. Na opinião do candidato, seriam essas as prováveis
              justificativas pelas quais o deputado seria contrário à criação da ANA. Veja que a primeira parte da construção
              de uma carta argumentativa foi feita corretamente pelo candidato. Vejamos, então, se ele conseguiu explorar
              bem essa imagem do deputado e quais foram os argumentos por ele utilizados para convencer Sílvio Golveia
              a mudar de idéia com relação à criação da ANA, já que a tarefa pedida não é somente uma carta, mas uma
              carta argumentativa!
                  Primeiramente, a ANA poderia evitar problemas ambientais no futuro, se fosse implantada (1º parágrafo).
              Tendo em mente a projeção política almejada pelo deputado, o candidato aponta o marketing que poderia
              alcançar se apoiasse o projeto de controlar e inspecionar o uso e a poluição da água (3º parágrafo). Em
              seguida, sugere que seria melhor propor a conscientização da população do que a cobrança de taxas para
              evitar o desperdício da água (4º parágrafo). E conclui que, fazendo isso, o deputado será visto com muito mais
              respeito.
                  Perceba que, embora o candidato não tenha apresentado nenhuma informação errada a respeito do super-
              visionamento da água, sua carta não tem força argumentativa, na medida em que os argumentos utilizados
              são ingênuos; observe que até mesmo no único momento do texto em que ele efetivamente sugere pontos para
              o programa da ANA, momento que exige argumentos extremamente consistentes, ele é ingênuo: ao justificar
              a conscientização e não a taxação (cobrança pelo uso da água) com base no fato de o Brasil ser um país de
              maioria pobre, o candidato desconsidera o fato de que, em grande parte, é a minoria – rica – que mais utiliza
              água e, muitas vezes, a desperdiça e a polui, com suas indústrias, por exemplo e que poderia haver cobrança
              de acordo com a quantidade de água utilizada.
                  Outro momento de ingenuidade ocorre quando, diante da imagem do político que deseja projeção política,
              o candidato apresenta o marketing político como tentativa de convencimento, não especificando, porém,
              como tal projeto colaboraria na formação de uma imagem mais positiva do deputado.
                  Não estamos querendo dizer que isso seja uma razão para penalizar a redação: trata-se de um desempe-
              nho apenas razoável. O candidato cumpriu a tarefa: escreveu a um congressista; procurou argumentar no
              sentido de convencê-lo a mudar de idéia e propôs algumas atividades a serem executadas pela ANA. O que
              questionamos é se o deputado ficaria convencido com esse tipo de argumentação, baseada no senso comum
              e, até certo ponto, um pouco apelativa. Se ele tivesse fundamentado melhor sua argumentação, ou se tivesse
              escolhido outros argumentos não tão próximos do senso comum, ou ainda, se tivesse explorado a imagem que
              fez de seu interlocutor, provavelmente sua redação teria um desempenho melhor.

Exemplo de    São Paulo, 28 de novembro de 1999.
   redação
              Senhor deputado Cézar Campos,

                 Soube, por meio de jornais e revistas, que o senhor é contrário à criação da ANA (Agência Nacional de
              Água), alegando que seria mais um dos “onerosos e espalhafatosos órgãos do governo”. Como cidadã, concor-
              do com o senhor: há inúmeros órgãos governamentais ineficientes e burocráticos. Porém, como Engenheira
              Sanitária, vejo a necessidade de intensificar as políticas de proteção ambiental de todas as maneiras possíveis.
                                                                                                                                 v




                                                                                                                            23
Redação 1ª fase




                  v
                          Certamente o senhor sabe da importância da água dentro de uma sociedade, não apenas para a saúde da
                      população, mas também em termos econômicos. E, certamente, o senhor não é contrário à punição de quem
                      faz mal uso desse bem, tais como indústrias pesadas e poluidoras. Há também grandes usuários que,
                      mesmo sem poluir a água, fazem largo uso dela – e isso, estando certo ou não, é uma grave agressão ao meio
                      ambiente, e que, portanto, merece também uma “punição” (taxas e tributos maiores do que os pagos por
                      cidadãos comuns). Pois bem, a Lei já dá conta desse tipo de regulamentação, cobrando inclusives pesadas
                      multas de quem polui e, em alguns casos, determinando a prisão em até cinco anos.
                          Contudo, senhor Campos, sabemos que a lei é raramente cumprida, mesmo em se tratando de uma
                      questão de vital importância e prioridade. Os órgãos governamentais tradicionais, quer por corrupção, quer
                      por ineficiência, já não dão conta da fiscalização sequer – quem dirá da punição. É por razões como essas
                      que a criação da ANA se faz urgente e necessária.
                          A prioridade da ANA seria a fiscalização e punição, portanto. Funcionaria como uma espécie de “órgão de
                      defesa da água”, estando subordinada diretamente ao Ministério do Meio Ambiente. A agência teria poder de
                      ação tanto sobre a esfera pública quanto sobre a privada, podendo multar, inclusive, programas governamen-
                      tais que se mostrassem prejudiciais ao Meio Ambiente. Seus processos jurídicos deveriam ter prioridade em
                      tribunais, ou então seriam julgados por juízes especiais, designados apenas para essa função, haja vista a
                      importância da água como bem econômico, social e geopolítico – o Brasil ainda não tem problemas com
                      países vizinhos por conta de recursos hídricos, mas essa situação pode vir a ocorrer um dia.
                          Por isso, é preciso que haja desde já conscientização. O governo não pode, tal como representante
                      legítimo da sociedade, fechar os olhos aos abusos que vêm sendo cometidos em relação à “água brasileira”.
                          Outro ponto importante da criação da ANA, e aparentemente o que mais causa a sua rechação à criação
                      da agência, é a ineficiência das empresas estatais. Para burlar esse fato, a ANA deveria ser um órgão misto,
                      do qual participariam governo, ONG’s e representantes diretos de vários setores da sociedade.
                          No caso da poluição dos mananciais, por exemplo, seriam feitas auditorias entre a ANA, ONG’s e repre-
                      sentantes da população que habita a região. Além disso, haveria ouvidorias para a denúncia de órgãos que
                      estivessem utilizando mal os recursos hídricos. Essa me parece ser a maneira mais democrática e honesta
                      para que a ANA possa realmente dar certo, sem se tornar “onerosa e espalhafatosa”.
                          Contudo, isso não basta para que a ANA dê certo. É necessário, antes de qualquer coisa, a conscientiza-
                      ção da população acerca da importância – e da limitação – dos recursos hídricos. E o governo é o órgão mais
                      indicado para esse projeto de reeducação ambiental.
                          Nós, cidadãos conscientes, esperamos uma resposta séria de vocês, governantes e representantes da
                      sociedade.
                                                                              Atenciosamente,
                                                                              C.B.M.

                          Decisão inteligente a desta candidata: criou um deputado, Cézar Campos – não há nenhum deputado com
       Comentários
                      esse nome na lista da Câmara – e um contexto (jornais e revistas) por meio do qual teria tomado conhecimento
                      da posição do deputado com relação à criação da Agência Nacional da Água e a justificativa para tal posicio-
                      namento: a criação de uma agência nacional seria mais um dos “onerosos e espalhafatosos órgãos do gover-
                      no”, tendo em vista os inúmeros órgãos governamentais ineficientes e burocráticos existentes.
                          Trata-se de uma boa justificativa e muito verossímil – diga-se de passagem –, especialmente porque é do
                      conhecimento geral que tais órgãos não são eficientes como deveriam, e a candidata, como cidadã consciente,
                      concorda com tal preocupação do deputado.
                                                                                                      3
                          E o que ela faz, então? Assumindo uma máscara de Engenheira Sanitária , apresenta a importância da
                      existência de um gerenciamento da água, tendo em vista os vários setores da sociedade, e tira da coletânea os
                      argumentos e dados relacionados à questão que corroboram sua opinião.
                          O que gostaríamos de destacar é a estratégia utilizada pela candidata para rebater a posição contrária do
                      deputado. Veja que, para persuadir seu interlocutor, ela procura construir uma argumentação baseada em
                      informações que poderiam ser comuns aos dois, estratégia de alguém que respeita o interlocutor, apesar de
                                                                                                                 o
                      não concordar com ele e, em todo o texto, estabelece explicitamente a interlocução: no 1 parágrafo, concor-
                                                                                                    o
                      da que inúmeros órgãos governamentais são ineficientes e burocráticos; no 2 parágrafo, aponta alguns aspec-
                                                                                           o
                      tos relacionados à utilização da água que seriam consensuais; no 3 parágrafo, concorda que as leis raramen-
                                                                                                                                  o
                      te são cumpridas, o que a faz argumentar no sentido de que a ANA também se encarregaria da punição; no 4
                      parágrafo, caracteriza a ANA como uma agência que teria prioridade nos tribunais e como portadora de um
                      poder até mesmo sobre programas governamentais. Veja que, neste parágrafo, ela já está procurando rebater
                      a idéia da ineficiência e da burocracia caracterizadoras dos grandes órgãos governamentais, para, em seguida,
                      propor que a agência seja uma organização “mista”, da qual participariam governo, ONG’s e representantes
                      3
                          Entende-se por máscara a utilização de um remetente fictício cuja caracterização possa auxiliar o desenvolvimento argumentativo do texto. No caso desta redação,
                          a máscara de Engenharia Sanitária estaria funcionando como a representação de alguém que tem conhecimento ou autoridade sobre a questão abordada.

24
Redação 1ª fase

              diretos de vários setores da sociedade. Perceba que ela procura “dialogar” com o deputado, levando em
              consideração o fato de que ele é contrário à criação da ANA e que tem motivos razoáveis para assumir tal
              postura.
                  Nesse diálogo, a candidata procura persuadi-lo a mudar de idéia – ela que, “sendo” Engenheira Sanitária,
              sabe tão bem o quanto a questão do gerenciamento da água é importante para evitar desperdícios!
                  Tendo em vista a argumentação construída em função do posicionamento do deputado, posicionamento
              esse que caracteriza a imagem que a candidata fez de seu interlocutor, pode-se dizer que este texto está
              acima da média.

Exemplo de    São Paulo, 28 de novembro de 1999.
   redação
              Caro deputado Inocêncio de Oliveira,
                  Decidi escrever esta carta para o senhor após ler algumas declarações suas contrárias à criação da
              Agência Nacional da Água (ANA), idéia que, defendida pelos inúmeros grupos de proteção dos recursos
              hídricos e do meio ambiente, faz parte de um movimento mundial para melhor gerenciamento das fontes de
              água doce e seu aproveitamento racional. A oposição movida no Congresso Nacional pelo senhor e por
              inúmeros de seus colegas parlamentares a um projeto que está conseguindo agregar grande parcela da
              opinião pública parece advir de uma aliança entre interesses próprios e falta de noção do valor que sempre
              representa e que, especialmente no próximo século, representará a posse de água.
                  Um primeiro aspecto que move a oposição à criação da agência é a perda das vantagens que a posse da
              água sempre lhes garantiu. Em seu caso, por exemplo, a posse da água na sua cidade de origem, em meio
              ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias demagógicas de combate à seca
              garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional. Outros congressistas, por outro lado,
              aproveitam-se da falta de controle sobre mananciais de rios para criar projetos de ocupação irregulares, com
              baixo custos, possibilitando fraudes. Enfim, dentro de uma perspectiva de pequeno alcance, a oposição da
              qual o senhor faz parte permanece presa à manutenção de antigos privilégios, sem atender a um projeto
              mundial, algo além de sua visão.
                  A perspectiva de que se reveste o projeto é mais global, faz parte de uma idéia que valoriza a importância
              histórica da água e seu poder num mundo em que as reservas de água diminuem constantemente. A posse
              da água, que moveu civilizações inteiras no decorrer dos séculos, sempre agregou valores; não só econômi-
              cos quanto culturais. Faz parte da cultura egípcia, por exemplo, agradecer aos deuses a posse do Nilo. Trata-
              se de uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma
              discussão mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a
              corroborar essa tendência mundial. Representaria um meio de controlar o uso da água no Brasil, asseguran-
              do a punição de indústrias e setores responsáveis pela poluição de rios e pela ocupação indevida de manan-
              ciais; a cobrança de taxas sobre grandes usuários de água; uma política de uso racional dos rios na produção
              de energia elétrica. Além disso, a agência deve zelar pela distribuição eqüitativa da água, tanto em cidades,
              quanto no meio rural, promovendo até a perfuração de poços artesianos na sua cidade natal, acabando com
              a falta de água. Não há, também, como esquecer-se de uma campanha de conscientização pública do
              adequado uso da água. Atrelado ao poder público, a ANA deveria promover, também um panorama de
              nossos recursos hídricos, para que toda uma política possa se realizar em sua plenitude.
                  O senhor, portanto, atento à importância da água no mundo de hoje, deve pensar mais cuidadosamente
              sobre o projeto, algo que nos prepararia melhor para o próximo milênio, um período que reserva, para países
              que agem com uma mentalidade como a sua, uma realidade onde a posse da água terá maior valor que a
              posse do dinheiro, quando as guerras serão promovidas pela posse de rios e mananciais. Espero não estar
              nesses países. Nem o senhor.
                                                                       Atenciosamente,
                                                                       TSA

                  No caso desta redação, a imagem que o candidato faz de seu interlocutor é baseada em conhecimentos
Comentários
              prévios que ele tem a respeito do deputado que escolheu para ser seu interlocutor na carta argumentativa. O
              candidato sabe que Inocêncio de Oliveira é proveniente de Pernambuco, de uma região onde falta água, e
              constrói, a partir dessa informação, uma imagem carregada de uma avaliação pessoal que o caracteriza como
              um parlamentar que leva vantagem com a situação de seca da região que o elege e o mantém no poder. O
              candidato justifica a imagem de demagogo que faz de Inocêncio de Oliveira, ao afirmar: a posse da água na
              sua cidade de origem, em meio ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias
              demagógicas de combate à seca garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional.
                  Veja que se o candidato somente chamasse Inocêncio de Oliveira de demagogo, sem fundamentar sua
              opinião, correria o risco de estar estabelecendo um juízo de valor, que não tem força argumentativa. O que ele
              fez, no entanto, foi vincular o fato de o deputado não ser favorável à criação da ANA ao privilégio de manter-
                                                                                                                          25
Redação 1ª fase

                       se no poder graças aos votos angariados em sua seca região, através de promessas demagógicas a respeito do
                       problema da seca.
                           Trata-se, segundo o candidato, de interesses próprios que fariam Inocêncio de Oliveira ser contrário à
                       criação de uma agência nacional da água. Aos interesses particulares do deputado do PFL, o candidato
                       contrapõe a iniciativa da criação da ANA, relacionada a um movimento mundial que visa ao melhor gerenci-
                       amento das fontes de água doce e seu aproveitamento racional, ligada, portanto, a interesses gerais da
                       população.
                           Nesse sentido, o candidato aponta a falta de noção do valor da água de Inocêncio de Oliveira, que não a
                       estaria valorizando em virtude de valores ideológicos próprios e não estaria percebendo que o que move a
                       iniciativa da criação da ANA faz parte de um projeto global de valorização da importância da água: trata-se de
                       uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma discussão
                       mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a corroborar
                                                                                   o
                       essa tendência mundial. E nesse momento do texto (3 parágrafo), o candidato apresenta os pontos do
                       programa que seria executado pela ANA, integrando várias informações extraídas da coletânea.
                           Pode-se dizer que o desempenho deste candidato está bem acima da média, se comparado com o universo
                       dos candidatos. O fato de ele construir uma imagem de seu interlocutor e explorá-la argumentativamente, isto
                       é, o fato de construir a imagem de um deputado demagogo, eleito a partir de uma região de seca do Nordeste,
                       torna verossímil que tal deputado seja contrário a políticas que visem a um melhor aproveitamento das fontes
                       de água existentes no país, dado que isso poderia ameaçar a manutenção de seus privilégios. Ora, a postura
                       ideal de um político sério seria a de procurar representar os interesses da população que o elegeu e não é isso
                       o que o deputado faz, ao negar a criação da ANA. Na argumentação do candidato, fica claro que a criação da
                       ANA estaria vinculada diretamente, como apontamos acima, aos interesses gerais da população, tendo em
                       vista os diferentes benefícios que tal agência poderia gerar.

         Exemplo de     Campinas, 28 de novembro de 1999.
     redação anulada
                        Deputado Carlos,
                             Li com muita atenção algumas notícias públicadas em vários jornais sobre a falta de água no país,
                        mais já estão discutindo sobre a criação da Agência Nacional da Água, isso não é tão importante. O que
                        deveria ser feito é a criação de um novo órgão como a Agência Nacional do Petróleo, porque observamos
                        que no século em que estamos existem muitos automóveis circulando e gastando petróleo. Sabemos que
                        daqui à alguns anos não terá mais petróleo para todos esses carros.
                             Devido este fato o Senhor deveria organizar uma reunião com os outros políticos para discutir sobre
                        esse novo órgão, para que daqui à alguns anos não correr perigo dos automóveis ficarem parados sem ter
                        combustíveis.
                             Deputado o Senhor já imaginou tendo um carro em casa e não poder usá-lo por falta de petróleo.
                             Deputado a criação da Agência Nacional da Água não é importante pois à água cai do céu e o petróleo não.
                             Gostaria que o Senhor batalhasse para a criação da Agência Nacional do Petróleo seja feita.
                                                                             Atenciosamente,
                                                                             M.O.S.

                          Uma surpresa para a Banca foi a recorrência de um equívoco de leitura do enunciado da prova que fez com
        Comentários
                       que alguns candidatos se confundissem e escrevessem contrariamente à criação da ANA. O enunciado dizia:
                                     Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência
                                     Nacional da Água... (grifo nosso)
                           Os candidatos que cometeram o equívoco leram “contrário” como “contrariamente” e associaram tal “ad-
                       vérbio” ao verbo “redija”; daí redigirem uma carta argumentando contrariamente à criação da ANA. O que se
                       espera, no entanto, é que os candidatos sejam capazes de reconhecer os diversos registros da língua portugue-
                       sa e que tenham domínio da linguagem padrão utilizada na escrita.
                           Perceba que a redação acima reflete bem a leitura equivocada do enunciado, na medida em que o candi-
                       dato, além de negar a criação da Agência Nacional da Água, propõe a criação de um “novo órgão”: a ANP       .
                       Nesse momento o candidato revela um novo equívoco de leitura, decorrente daquele. No enunciado da prova,
                       a Agência Nacional da Água é retomada por “novo órgão”; o candidato, porém, lê “novo órgão” não como
                       expressão que se referia à ANA e, portanto, propõe um novo órgão.

         Exemplo de     Campinas, 28 de novembro de 1999
     redação anulada
                        Ilmo. Raimundo José Garrido,
                             Atualmente a criação da Agência Nacional da Água é de fundamental importância para o país, já que
                                                                                                                                         v




26
Redação 1ª fase




v
     esse elemento vem se tornando cada vez mais escasso no mundo inteiro, apesar de ser muito abundante
     em algumas regiões do Brasil, uma quantidade considerável está poluída.
           Vários programas para preservação e controle poderiam ser criados. A Agência iria fiscalizar e multar
     ou até fechar empresas que estariam jogando dejetos sem tratamento adequado nos rios e corregos, pois
     grande parte da poluição vem de indústrias e fábricas, pois atualmente não há nenhum orgão do governo
     fiscalizando essas irregularidades e se há, estão atuando muito precariamente.
           A Agência Nacional da Água trabalhará junto com o Ibama, para proteger as matas siliares de nascen-
     tes rios e corregos para evitar o assoreamento destes.
           Ela gerenciará programas para irrigação no nordeste, já que atualmente isso é pouco explorado no
     nosso país. Isso ajudaria a diminuir a fome e a miséria no sertão nordestino e como conseqüência a
     diminuição da pobreza nessa região.
            A Agência dará apoio a pesquisas para uma melhor utilização de recursos hídricos, pois assim teremos
     como aproveitar melhor a água e tratá-la para reaproveitar ela de um modo mais eficiente. Desenvolver
     também projetos para recuperar rios poluidos e recuperar a vida que eles possuiam antes. Tentar descobrir
     como retirar água do subsolo, já que o pais possui uma das maiores reservas de água do mundo, mas essa
     grande reserva se encontra no subsolo. Outro fator importante é desenvolver essas pesquisas e projetos dentro
     de faculdades e centros de pesquisas brasileiros, pois ajuda o país a se desenvolver e a poupar dinheiro.
           A água é um recurso fundamental para a vida de todas as espécies e seres vivos da terra.
                                                            Obrigado pela atenção,
                                                            RAC

        Quando se fala em carta argumentativa, espera-se que o interlocutor não seja esquecido, isto é, que ao
    longo do texto a interlocução seja mantida. É lamentável encontrar casos como a redação acima, em que o
    candidato escreve uma dissertação, utilizando até mesmo bons argumentos que convenceriam qualquer um
    da posição defendida. É justamente aqui, porém, que reside um dos problemas: com a carta argumentativa,
    você deverá convencer o seu interlocutor – e apenas ele – sobre o que se pede, e não qualquer um (leitor
    universal) como acontece quando se escreve uma dissertação. Não bastam a data, o cabeçalho e a despedida
    para haver uma carta. É fundamental não esquecer, ao longo do texto, que você está escrevendo para uma
    única pessoa e isso significa que deverá utilizar as chamadas marcas de interlocução (vocativos, pronomes)
    que configuram uma espécie de “diálogo” entre os interlocutores: você e o destinatário de sua carta.
        Tenha em conta que não é o fato de o candidato ter assinalado que desenvolveria um dos tipos de texto que
    garante que seu texto está de acordo com o tipo de texto escolhido. Também não cabe ao leitor do texto decidir
    se ele teria feito uma dissertação, uma carta ou uma narrativa sobre um dos temas propostos. O próprio texto
    precisa garantir isso, ou seja, precisa conter os elementos característicos do tipo de texto escolhido.

       Um último esclarecimento
        Freqüentemente, chega até nós a seguinte questão: é preciso utilizar “corretamente” o pronome de trata-
    mento na carta argumentativa?
        Resposta: Não necessariamente. Se você não souber qual o pronome de tratamento adequado para se
    dirigir a um congressista, por exemplo, pode chamá-lo de “prezado senhor”, “caro congressista”, “senhor
    deputado” etc. Não perdem pontos os candidatos que não “acertam” o pronome de tratamento; é muito
    importante que você entenda que a tarefa pedida tem como objetivo avaliar a capacidade de argumentar no
    sentido de persuadir um interlocutor definido e que não estamos interessados, como já dito na Introdução, em
    surpreender ninguém com “pegadinhas” desse gênero...

       Conclusão
        Estamos certos de que agora você está mais tranqüilo em relação à prova de Redação do Vestibular
    Unicamp!
        Se, apesar de mais tranqüilo, você ainda tiver alguma dúvida a respeito dos princípios do Vestibular
    Unicamp ou especificamente sobre a prova de Redação, ou ainda se quiser ler tudo o que já foi publicado
    sobre a Redação no Vestibular Unicamp, segue a lista das publicações:
        Vestibular Unicamp, Redação, 1993; Vestibular Unicamp, Questões Comentadas do Vestibular 94, 1994;
    Vestibular Unicamp, Questões Comentadas do Vestibular 95; 1995 – Editora Globo, S/A; Caderno de Ques-
    tões, 97, 98 e 99.
       Bom trabalho!




                                                                                                                27
Questões 1ª fase
Questões 1ª fase


                  O conjunto das doze questões gerais que constituem, juntamente com a redação, a prova da 1a fase do
              Vestibular Unicamp tem como objetivo verificar se há domínio de conceitos básicos do conteúdo progra-
              mático das disciplinas do núcleo comum do Ensino Médio – Matemática, Física, Química, Biologia, Histó-
              ria e Geografia. Procura-se com estas questões verificar se o candidato sabe ler, compreender, interpretar
              e relacionar os dados que lhe são apresentados nas diferentes linguagens e se consegue redigir sua
              resposta com clareza e coerência.
                  No vestibular 2000, o tema central da primeira fase foi Água e pelo menos uma das questões de cada
              disciplina foi elaborada em torno deste tema.
                  As duas primeiras questões da prova foram de Biologia: a primeira questão teve como objetivo princi-
              pal relacionar conhecimentos básicos sobre o reino Monera com sua importância no ambiente aquático,
              poluição ambiental, seu metabolismo e com doenças causadas por bactérias. Os conhecimentos que
              foram solicitados são abordados freqüentemente pela imprensa pelo fato de serem utilizados rotineira-
              mente como parâmetros pelos órgãos de controle ambiental. A segunda questão verificava o conhecimen-
              to sobre as características dos grupos zoológicos, a origem de algumas estruturas animais bem como a
              importância desses animais no ambiente.
                  As questões de Química, cuja abordagem foi o tratamento da água, tiveram como objetivo avaliar a
              capacidade de entendimento do problema colocado e a resolução dentro da linguagem e dos parâmetros
              da Química, sendo que na questão de número quatro avaliava-se também a capacidade de associar
              equilíbrios químicos à sua representação gráfica.
                  As duas questões de Geografia avaliaram o conhecimento das conseqüências espaciais do desenvolvi-
              mento técnico-científico e hegemonização político-econômica – questão 5 – e o conhecimento dos proble-
              mas urbanos das grandes cidades, problemas ambientais e políticas de planejamento urbano – questão 6.
                  A questão número 7 testava a capacidade de o candidato resolver um problema do quotidiano de
              dificuldade média. Aqui, era extremamente importante a correta interpretação do gráfico. A outra questão
              de Física – número 8 – teve como objetivo avaliar a capacidade de o candidato interpretar um texto,
              equacionar e resolver um problema simples da realidade que o cerca, a geração de energia, além de trazer
              ao candidato uma idéia da ordem de magnitude da potência gerada por uma hidrelétrica.
                  As questões de História foram as de números 9 e 10. Na primeira, o objetivo foi o de avaliar a
              capacidade de julgamento histórico-crítico a partir de determinados conceitos elaborados pelo Iluminismo
              bem como o conhecimento do processo de transformação de energia. Cabe observar aqui que, proposita-
              damente, um dos itens desta questão tinha sua resposta no próprio enunciado da questão de Física
              imediatamente anterior e o bom leitor deveria ter se apercebido deste fato encontrando elementos para
              sua resposta. A segunda questão de História avaliou a capacidade de julgamento crítico do processo de
              colonização das Américas e conhecimento dos processos de indução histórica entre o desenvolvimento da
              agricultura e o crescimento das cidades.
                  As duas últimas questões foram de Matemática. As questões de Matemática da primeira fase procu-
              ram avaliar a capacidade de compreensão de textos em problemas associados à realidade do candidato,
              bem como a habilidade para executar operações matemáticas simples e interpretar dados e resultados. O
              candidato deve demonstrar o domínio de diversas formas de representação, tais como tabelas, figuras,
              gráficos e equações. O uso de unidades apropriadas, a seleção de informações e conclusões claras são
              também aspectos importantes dessa fase.
                  Veja a seguir todas as questões da primeira fase, com suas respectivas respostas esperadas e pontu-
              ações, exemplos de resolução e comentários feitos pelas bancas. Note que são apresentadas respostas
              esperadas. Outras respostas que não as apresentadas podem receber pontuação integral ou parcial. Por
              motivo de falta de espaço não é possível apresentar sempre todas as possibilidades. Cumpre, ainda,
              observar que o nível de exigência das respostas está relacionado ao nível dos candidatos de grau médio.
              Os exemplos apresentados de algumas respostas dadas por candidatos foram selecionados de forma que
              uma delas exemplifica um desempenho acima da média e a outra desempenho abaixo da média. Os
              comentários são feitos de modo a mostrar o que a questão pretendia examinar, a sua dificuldade esperada
              e o desempenho médio nela alcançado pelos candidatos.



QUESTÃO 1
            Os recursos hídricos estão sendo cada vez mais contaminados por esgoto doméstico, que traz consigo
            grande número de bactérias. Apesar de parte delas não serem patogênicas, muitas causam problemas de
            saúde ao homem. Levando em conta que as bactérias decompõem a matéria orgânica por processo aeróbico
            ou anaeróbico e que a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e o índice de coliformes fecais são utilizados
            como indicativos da poluição da água, resolva as questões abaixo.
                                                                                                                     29
Questões 1ª fase

                       a) Compare águas poluídas e não poluídas quanto a: DBO, índice de coliformes fecais, teor de oxigênio
                          dissolvido e ocorrência de processos aeróbicos e anaeróbicos.
                       b) Os coliformes fecais são bactérias anaeróbicas facultativas. Metabolicamente, o que é um organismo
                          anaeróbico facultativo?
                       c) Cite uma doença bacteriana adquirida pela ingestão de água contaminada e dê o nome de seu agente
                          causador.

           Resposta    a) Águas poluídas: alta DBO; alto índice de coliformes; pouco ou nada de O2 dissolvido; processos anaeró-
           esperada       bicos.
                          Águas não poluídas: baixo DBO; baixo índice de coliformes; alto teor de O2 dissolvido;
                          processos aeróbicos.                                                                        (3 pontos)
                       b) anaeróbico facultativo: é um organismo aeróbico que, na falta de O2, pode degradar a glicose
                          anaerobicamente, realizando apenas a fermentação.                                            (1 ponto)
                       c)
                       • cólera: Vibrio colerae (ou vibrião da cólera)
                       • febre tifóide: Salmonella typhi
                       • Shigelose: Shigella sp.
                       • Diarréia (e disenteria): E. coli; Salmonella sp.                          (1 ponto para qualquer item)



     Exemplo de nota   a) Indicando por: DBO=1, índice de coliformes fecais=2, teor de oxigênio dissolvido=3, ocorrência de
     acima da média       processos aeróbicos=4 e anaeróbico=5, temos:

                              águas                  1             2                 3                 4                5

                              poluída            alto             alto             baixo             baixo             alto

                            não poluída          baixo            baixo             alto             alto             baixo

                       b) Em presença de O2, realiza a respiração. Na ausência de O2, realiza a fermentação.
                       c) Amebíase, causada pela ameba.


     Exemplo de nota
                       a)
     abaixo da média
                                                                  Águas poluídas                       Águas não poluídas

                             DBO                                  baixo                                alto

                             Índice de coliformes fecais          alto                                 baixo

                             Teor de O2 dissolvido                baixo                                alto

                             Processo aeróbico                    não há ou é reduzido                 alto

                             Processo anaeróbico                  é alto                               não há ou é reduzido

                       b) É o organismo capaz de realizar suas atividades metabólicas aerobicamente se houver oxigênio no meio
                          onde ele se encontra, apesar de o organismo agir preferencialmente sem oxigênio (anaerobicamente).
                       c) Doença: amebíase; agente causador: Entomoeba hystolytica (ameba).


        Comentários        Pelo desempenho dos candidatos pode-se afirmar que esta questão apresentou um nível médio de dificul-
                       dade, pois 41,6% deles obtiveram nota entre 0 e 1 ou a deixaram em branco, enquanto que 9,3% obtiveram
                       notas 4 ou 5. Pode-se dizer que apesar desta dificuldade, foi uma das questões que melhor discriminou os
                       candidatos. As médias, pouco discrepantes, oscilaram entre 1,23 na área de Artes a 1,99 na área de Biológi-
                       cas demonstrando desta forma ser o assunto do conhecimento dos candidatos e a questão adequada para o
                       ensino médio.
                           A maior dificuldade na resolução desta questão pode ser atribuída ao desconhecimento do conceito de
                       organismo anaeróbico facultativo (ver item b do exemplo de nota abaixo da média) e de doenças bacterianas
                       e à confusão entre bactérias e protozoários (ver item c dos exemplos de nota). O primeiro item da questão, a
                       comparação de águas poluídas com não poluídas, foi em geral bem respondida.

30
Questões 1ª fase

QUESTÃO 2
                   Leia com atenção a tira abaixo:




                                                                                           (O Estado de S. Paulo, 08/09/99)


                   a) Calvin não entende por que precisa estudar os morcegos. Esses animais, porém, têm funções biológicas
                      importantes nos ecossistemas. Cite duas dessas funções.
                   b) Calvin acredita que os morcegos são insetos porque, além de considerá-los nojentos, eles voam. No
                      entanto, o que ele não sabe é que asas de insetos e de morcegos não são estruturas homólogas mas
                      análogas. Qual a diferença entre estruturas análogas e homólogas?
                   c) Dê duas características exclusivas da classe a que pertencem os morcegos.

       Resposta    a) polinização, insetivoria, dispersão de sementes, transmissão de várias doenças.          (2 pontos)
       esperada    b) Homólogo – mesma origem embrionária.
                      Análogo – mesma função; origem embrionária diferente.                                    (2 pontos)
                   c) pêlos; mamas; glândulas sudoríparas; ouvido interno; mandíbula com dois ossos; dentes diferenciados
                      ao longo da mandíbula.                                                                    (1 ponto)


 Exemplo de nota   a) Transportam energia para os ecossistemas afóticos (cavernas), ou seja, levam sementes em seus estôma-
  acima da média      gos que ao serem defecadas servem como alimento para espécies ali residentes. Ajudam na dispersão de
                      sementes de certas espécies vegetais.
                   b) As estruturas homólogas possuem mesma origem embrionária e, portanto, possuem semelhança anatô-
                      mica. As análogas não tem mesma origem embrionária mas desempenham a mesma função. Os homó-
                      logos podem ou não ter analogia funcional.
                   c) glândulas mamárias e presença de pêlos.


 Exemplo de nota   a) Principalmente os morcegos frutíferos (aqueles que se alimentam de frutos) são bons “cultivadores” de
 abaixo da média      novas árvores, quando alimentam-se espalham diversas sementes sobre diversos lugares.
                      Pela maioria dos morcegos viverem em cavernas, e como as cavernas possuem um ecossistema muito
                      frágil, devido a diversos fatores como a luz solar, temperatura, pode não parecer verdade, mas as fezes dos
                      morcegos possuem um papel muito importante para o cultivo de bactérias necessária naquele ambiente.
                   b) Estruturas homólogas possuem características iguais, ou seja, no processo de evolução de um ser, eles
                      passam a ter espécies diferentes mas características iguais como a asa de um pato e a asa de uma águia
                      (características homólogas). Porém as asas de um morcego é análoga quanto a de um inseto pois são
                      totalmente diferentes apesar de serem asas.
                   c) Os morcegos são artrópodos, mamíferos cobertos por pêlos, alguns se alimentam de sangue, carnívoros
                      ou frutiferos, são seres que não podem afetar o homem e não são maléficos ao homem.


                       Pelo desempenho dos candidatos, pode-se afirmar que esta questão apresentou um nível de dificuldade
    Comentários
                   elevado, pois 57,6% obtiveram nota 0 ou 1, ou a deixaram em branco, enquanto 7,5% obtiveram nota 4 ou
                   5. Apesar da dificuldade, foi uma questão que discriminou de maneira adequada os candidatos.
                       O item c desta questão, considerado o de menor dificuldade, foi geralmente bem respondido, muitas vezes
                   com respostas surpreendentes para um aluno do ensino médio (como por exemplo: orelha). Isto ocorreu
                   também com o item a no qual muitas vezes o candidato respondia com conhecimento ecológico bastante
                   especializado (ver item a do exemplo de nota acima da média). Notou-se que os candidatos estão adquirindo
                   conhecimento além da sala de aula. No item b, um erro muito freqüente foi definir estruturas homólogas como
                   de “mesma origem com funções diferentes”.


                                                                                                                                     31
Questões 1ª fase

QUESTÃO 3
                       O tratamento da água é fruto do desenvolvimento científico que se traduz em aplicação tecnológica relativa-
                       mente simples. Um dos processos mais comuns para o tratamento químico da água utiliza cal virgem (óxido
                       de cálcio) e sulfato de alumínio. Os íons alumínio, em presença de íons hidroxila, formam o hidróxido de
                       alumínio que é pouquíssimo solúvel em água. Ao hidróxido de alumínio formado adere a maioria das impu-
                       rezas presentes. Com a ação da gravidade, ocorre a deposição dos sólidos. A água é então separada e
                       encaminhada a uma outra fase de tratamento.
                       a) Que nome se dá ao processo de separação acima descrito que faz uso da ação da gravidade?
                       b) Por que se usa cal virgem no processo de tratamento da água? Justifique usando equação(ões) química(s).
                       c) Em algumas estações de tratamento de água usa-se cloreto de ferro(III) em lugar de sulfato de alumínio.
                           Escreva a fórmula e o nome do composto de ferro formado nesse caso.

           Resposta    a) decantação ou sedimentação                                                                     (1 ponto)
           esperada                         2+
                       b) CaO + H2O = Ca + 2 OH
                                                        –
                                                                                                                         (1 ponto)
                            3+         –
                          Al + 3 OH = Al(OH)3                                                                            (1 ponto)
                          ou
                          CaO + H2O = Ca (OH)2
                          3 Ca (OH)2 + Al2(SO4)3 = 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4
                          ou
                          3 CaO + Al2(SO4)3 + 3 H2O = 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4
                       c) Fe(OH)3                                                                                        (1 ponto)
                          hidróxido de ferro III ou hidróxido férrico                                                    (1 ponto)



     Exemplo de nota   a) O processo de separação é a decantação.
     acima da média    b) Pois a cal virgem reage com o sulfato formando um sólido e decantando:
                          2 CaOH + Al2SO3 = Al2(OH)2 + Ca SO3
                       c) Cl2Fe3 + 2 CaOH = Cl2(OH)2 + Ca2Fe3
                          Composto de ferro formado é o Ca2Fe3 : cálcio férrico II.

     Exemplo de nota   a) Decantação
     abaixo da média   b) CaO + H2O → Ca(OH)2
                          Ca(OH)2 (aq) → Ca + 2 OH
                                            2+           -


                          Al2(SO4)3 (aq) → 2Al + 3SO4
                                              3+           2-


                          3Ca(OH)2 (aq) + Al2(SO4)3 (aq) → 3CaSO4 + 2 Al(OH)3 ↓
                       c) Fe(OH)3 hidróxido de ferro III

                           Trata-se de questão que examina, dentro de um contexto de grande importância, o conhecimento de
        Comentários
                       procedimentos de separação, nomenclatura e formulação química simples, conceito ácido-base de Arrhenius,
                       equações químicas e estequiometria. O desempenho médio (1,62) calculado no universo dos candidatos é um
                       significativo indicador da situação do ensino de Química no grau médio. A média calculada considerando os
                       aprovados é igual a 2,52. O item a, particularmente, por corresponder a um procedimento bastante familiar,
                       que é a decantação, deveria, por si só, garantir uma nota mínima igual a 1. De fato, a nota típica da questão
                       (moda) foi igual a 1, referente ao acerto deste item.


QUESTÃO 4
                       No tratamento da água, a fase seguinte à de separação é sua desinfecção. Um agente desinfetante muito
                       usado é o cloro gasoso que é adicionado diretamente à água. Os equilíbrios químicos seguintes estão
                       envolvidos na dissolução desse gás:
                                                            +               –
                       Cl2 (aq) + H2O(aq) = HClO (aq) + H       (aq)   + Cl (aq)   (I)
                                      –        +
                       HClO(aq) = ClO (aq) + H  (aq)                               (II)
                       A figura a seguir mostra a distribuição aproximada das concentrações das espécies químicas envolvidas nos
                       equilíbrios acima em função do pH.
                       a) Levando em conta apenas as quantidades relativas das espécies químicas presentes nos equilíbrios
                           acima, é correto atribuir ao Cl2(aq) a ação bactericida na água potável? Justifique.

32
Questões 1ª fase

                   b) Escreva a expressão da constante de equilíbrio para o equilíbrio representado pela equação II.
                   c) Calcule o valor da constante de equilíbrio referente à equação II.
                                                                                                                      –
                                                                                                                  [ClO ]




                                                    –1
                                                    Concentração / mol L
                                                                                        [Cl2]
                                                                                                                  [HClO]

                                                                           0        2           4   6    8   10     12
                                                                                                    pH


       Resposta    a) Não, pois a concentração de cloro é muito pequena no pH da água potável.                                  (2 pontos)
       esperada                –    +
                   b) K = [ClO ] [H ] / [HClO]                                                                                   (1 ponto)
                                 –                  –8         –8
                   c) K = ( [ClO ] / [HClO] ) 1 x 10 = 1 x 10                                                                   (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) Não, pois a sua concentração no ph normal é muito pequena, na realidade quem realmente desinfecta a
  acima da média      água é o HClO.
                                            ’    –     +
                   b) v1 = k [HClO], v2 = k [ClO ] [H ]
                                    ’    -    +
                      k [HClO] = k [ClO ] [H ]
                          ’       –    +               ’
                      k/ k = [ClO ] [H ] / [HClO], k/ k = Kc
                                   –       +
                          Kc= [ClO ] [H ] / [HClO]
                                       +       –8
                   c) No ph = 8, [H ] = 10
                              –                                                –8
                          [ClO ] = [HClO], Kc = 10


 Exemplo de nota   a) É correto atribuir a ação bactericida ao Cl2 pois ajudam a combater as impurezas na água presentes.
 abaixo da média                 –    +
                   b) Kc = [ClO ] [H ] / [HClO]
                   c) A constante de equilíbrio é 1.


    Comentários        Esta questão, uma continuação da anterior, consistia, essencialmente, na leitura do gráfico que indica as
                   concentrações das espécies envolvidas no equilíbrio químico mostrado, em função do pH. O item b correspon-
                   de apenas ao conhecimento do que é uma constante de equilíbrio e foi introduzido com a intenção de abrir
                   caminho para a resolução do item c.
                       A primeira pergunta era muito fácil de ser respondida pois bastava uma leitura do gráfico. A água potável
                   apresenta pH próximo de 7 e, nestas condições, todo o cloro gasoso já se transformou em hipoclorito, segundo
                   o gráfico e de acordo com os equilíbrios I e II. É interessante que muitos candidatos fizeram a leitura das
                   abcissas como se estas representassem o desenrolar da reação e responderam que o cloro, à medida que é
                   adicionado à água, vai aumentando o pH da mesma e se transforma em hipoclorito, o que está errado. Outros
                   responderam que, como se sabe, é o hipoclorito que tem ação bactericida e não o cloro. Esta resposta não
                   pode ser considerada certa pois o candidato não usou os dados fornecidos pela questão mas, apenas, a sua
                   memória; para responder deste modo não usou nem os equilíbrios fornecidos e nem o gráfico.
                       O item c foi aquele que apresentou a maior dificuldade, apesar da sua simplicidade. A pergunta premiou
                   aqueles candidatos que entenderam o significado de equilíbrio químico. Com este entendimento, não terão
                   levado mais do que um minuto para respondê-la.
                       O desempenho na questão foi bastante baixo e não foi menor devido ao item b que exigia apenas o
                   conhecimento da expressão da constante de equilíbrio, o que é muito conhecido dos candidatos, conduzindo
                   à nota típica (moda) igual a 1. A média geral foi igual a 0,66 considerando os candidatos e 1,03 considerando
                   os aprovados.


QUESTÃO 5
                   “O meio geográfico em via de constituição (ou de reconstituição) tem uma substância científico-tecnológico-
                   informacional. Não é um meio natural, nem meio técnico. A ciência, a tecnologia e a informação estão na
                                                                                                                                        33
Questões 1ª fase

                       base mesma de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço, da mesma forma que participam
                       da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). (...) Atualmente,
                       apesar de uma difusão mais rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes, as novas variáveis não se
                       distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim recriada é, ainda, desigualitária.”
                       (SANTOS, Milton, Técnica, Espaço e Tempo, p. 51, grifo nosso)
                       a) Considerando que a ciência, a tecnologia e a informação estão na base do funcionamento do espaço, cite
                           dois países que podem ser considerados centros hegemônicos da economia mundial. Justifique suas
                           escolhas.
                       b) Como a África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico mundializado? Qual a razão dessa
                           situação?

           Resposta    a) Os dois países que podem ser considerados como pertencentes ao centro hegemônico da economia
           esperada       mundial são Estados Unidos e Inglaterra. Pode-se citar também, juntamente com os Estados Unidos, o
                          Japão, a Alemanha e a França. São países que detêm os maiores avanços em conhecimento científico e
                          tecnológico, incluindo a obtenção de tecnologia através dos altos investimentos em pesquisa científica, o
                          que lhes dá grande poder na decisão sobre as formas de difusão das informações e do conhecimento e
                          lhes permite influência direta na economia internacional.
                          Outra maneira de justificar a escolha dos países seria explicar a influência dos mesmos na economia
                          internacional:
                       • através dos altos custos cobrados pela transferência de algumas tecnologias aos países que não as
                          detêm;
                       • pelo comércio de produtos com preços competitivos, propiciados pelo uso das novas tecnologias, entre as
                          quais a biotecnologia, que permite a produção de novas espécies (vegetais e animais);
                       • pelo controle das bolsas de valores e de comércio; e principalmente
                       • pelo poderio bélico utilizado, por exemplo, quando existe o risco de perda de suas fontes de recursos
                          naturais ou de seus mercados cativos, ou simplesmente para afirmar a sua hegemonia.          (2 pontos)
                       b) A África subsaariana está situada na periferia do espaço geográfico mundial, dele participando como
                          fornecedora de produtos primários (principalmente minerais) e de mão-de-obra para serviços menos
                          exigentes e desqualificados, atendendo principalmente o mercado europeu. Os motivos desta situação
                          podem ser encontrados na história de colonização e exploração do continente africano por povos euro-
                          peus que não permitiram o seu desenvolvimento técnico-científico, e o acesso à educação para a maioria
                          de seus habitantes, além das desarticulações internas provocadas por guerras entre tribos e governos
                          ditatoriais que contribuem para o estado de extrema miséria vivido pela maioria dos povos que habitam
                          esta parte do continente africano – um exemplo da Geografia desigualitária criada no espaço geográfico
                          atual.                                                                                       (3 pontos)


     Exemplo de nota       Estados Unidos e Japão por serem centros irradiadores de tecnologia, pois investem pesado em ciência,
     acima da média    pesquisas que garantem informação, garantindo o controle da economia mundial.
                           Ela está atrasada, à parte do mundo globalizado, isso se deve a sua tardia descolonização, que agravou
                       problemas étnico-sociais e econômicos, pois fixou fronteiras de países independentes que juntaram tribos
                       rivais, agravando os conflitos, tirou a “ajuda financeira” das metrópoles, mas a dominação do modelo agrá-
                       rio-exportador continuou agravando os problemas sociais, a fome e a miséria.


     Exemplo de nota      Brasil e África. Por possuirem recursos necessários ao homem, como matéria-prima e mão-de-obra
     abaixo da média   abundante.
                          A África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico “pobre” pois não possui grandes riquezas
                       naturais e pouco povoamento.


        Comentários        Os vestibulandos não encontraram muita dificuldade para responder esta questão (média 2,11), que pode
                       ser considerada uma das mais fáceis da prova, juntamente com as questões 6 (Geografia) e 9 (História), com
                       médias semelhantes. Sosmente a questão 12 (Matemática) foi mais fácil que elas. Dentre os candidatos
                       selecionados para a segunda fase, a média foi 2,76. 36% dos candidatos inscritos e 59% dos aprovados
                       tiveram notas acima de 3. A porcentagem de zeros foi insignificante, apenas 4,5% dos inscritos e 3,0% dos
                       aprovados obtiveram esta nota. As maiores médias foram para os candidatos da área de Biológicas: 2,25 para
                       os inscritos e 3,06 para os aprovados; as menores ficaram com os candidatos da área de Artes: 1,70 e 2,27
                       respectivamente para os inscritos e aprovados.
                           A maioria dos candidatos responderam bem o item a. Quase todos mencionaram Estados Unidos e Japão
                       como países pertencentes ao centro hegemônico da economia mundial. A relação deste fato com o desenvol-
34
Questões 1ª fase

                vimento técnico-científico também é respondida de forma satisfatória por uma quantidade expressiva de
                candidatos, como no exemplo citado de resposta acima da média. O fatos destes países (ou de empresas neles
                sediadas) realizarem grandes investimentos em ciência e tecnologia torna-os detentores de um conhecimento
                que pode ser utilizado para a obtenção e manutenção de poder econômico e político, pois possuem o controle
                das formas de difusão do conhecimento e da tecnologia. Entretanto são muitas as respostas justificando tal
                fato pelo óbvio, ou seja, afirmando que tais países ocupam esta posição por serem tecnologicamente avançados.
                    Quanto ao item b, uma parte considerável de candidatos considerou a região sub-saariana da África, ou
                mesmo o próprio continente africano com um país, demonstrando um grave desconhecimento de conceitos
                fundamentais da Geografia, como país, região, lugar. Foram freqüentes também as respostas que justificam a
                extrema pobreza da região pelos fenômenos naturais: existência de áreas desérticas, pobreza em recursos
                naturais, localização na faixa equatorial. A maioria, entretanto, consegue identificar a posição marginal da
                África sub-saariana no mundo globalizado, mas é uma pequena parte que acerta as explicações para tal fato,
                apesar de o texto em que se baseia a pergunta trazer as pistas para, pelo menos, parte da resposta: A ciência,
                a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e de funcionamento do
                espaço. (...) Atualmente, apesar de uma difusão mais rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes,
                as novas variáveis não se distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim recriada
                é, ainda, desigualitária. Portanto, parte da explicação pode ser encontrada no próprio texto: como a ciência,
                a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e de funcionamento do
                espaço, a África sub-saariana não usufrui destas novas variáveis que se distribuem de maneira desigual pelo
                planeta. Os elementos explicativos para isso deveriam ser buscados no processo de colonização e descoloniza-
                ção tardia do continente africano, com a formação de estados nacionais, a partir da demarcação de fronteiras
                em desrespeito aos grupos étnicos pré-existentes, mergulhando a região em lutas e conflitos étnicos-sociais
                que contribuem para o estado de extrema miséria vivenciado pela maioria dos povos que habitam esta parte
                do continente africano.


QUESTÃO 6
                Estima-se que 1,5 milhão de pessoas vivem hoje às margens das represas Billings e Guarapiranga, áreas de
                mananciais responsáveis pelo abastecimento de água da Grande São Paulo, situação que ocorre de maneira
                semelhante em outros grandes centros urbanos do país. Embora haja atualmente uma legislação que permi-
                te a ocupação orientada dessas áreas, o fato é que ela continua ocorrendo à revelia do poder público.
                a) Do ponto de vista social, quais têm sido as justificativas utilizadas pelos moradores para a ocupação
                    dessas áreas?
                b) Cite dois problemas relacionados ao meio ambiente provocados por esse tipo de ocupação.
                c) Por que as políticas públicas para planejar a ocupação dessas áreas foram insuficientes ou nem mesmo
                    chegaram a ser aplicadas?

     Resposta   a) Os moradores que ocuparam a área podem justificar sua ação alegando que:
     esperada   • estas áreas encontravam-se “vazias” e eles não tinham nenhuma outra alternativa de moradia, ou seja,
                   estavam vivendo em favelas ou nas ruas.
                • são pessoas pobres, com baixíssima renda, e que precisam ocupar terras para sobreviverem, pois não
                   podem pagar aluguel.
                • estão morando na área há décadas e nunca foram impedidos de construir suas casas. Portanto, tem
                   direito àquela área e devem ser indenizados em caso de remoção;
                • muitos compraram lotes e casas porque esse “comércio” não era combatido pelas prefeituras.
                                                                                                                 (2 pontos)
                b) As críticas principais são a de que este tipo de ocupação é feita de forma desordenada, não atendendo à
                   legislação e provocando muitos problemas ambientais, como o desmatamento, a impermeabilização do
                   solo, a poluição das represas por esgoto e lixo, o que dificulta o uso das represas como manancial para
                   abastecimento urbano.                                                                          (1 ponto)
                c) As políticas de planejamento urbano, não existiram ou, quando existiram, não foram aplicadas ou foram
                   insuficientes para conter a ocupação destas áreas. O poder público foi impotente para fiscalizar e conter
                   essa ocupação e hoje se vê na contingência de ter que urbanizar estas áreas, pois não houve e não há
                   uma política habitacional eficiente que impedisse isso no passado e que hoje possa remover todos os
                   moradores destas áreas para locais mais adequados. Na falta de oferecimento de alternativas de moradia
                   factíveis para amplas parcelas da população, a ação do poder público foi no sentido de ignorar a ocupa-
                   ção clandestina dessas áreas.                                                                 (2 pontos)



                                                                                                                           35
Questões 1ª fase


     Exemplo de nota   a) Os moradores alegam que não têm dinheiro para comprar casas em outros lugares, nem têm como pagar
     acima da média
                          aluguéis. Outros dizem que foram enganados por pessoas que venderam lotes nessas áreas, ou culpam o
                          governo pelo desemprego.
                       b) Esse tipo de ocupação polui ainda mais as represas e destrói a vegetação das áreas dos mananciais,
                          prejudicando-as.
                       c) As políticas públicas foram insuficientes porque o governo não tem como fiscalizar toda a área as mar-
                          gens das represas e mananciais. Além disso, o governo não tem onde colocar as pessoas que moram às
                          margens das represas, pois sua política de habitação também é insuficiente.



     Exemplo de nota
     abaixo da média   a) As justificativas são o fácil acesso as águas e uma condição de vida melhor.
                       b) Os problemas são a poluição destas margens e as modificações ambientais que eles podem provocar
                          vivendo ali.
                       c) Porque os problemas ambientais não permitiram.


        Comentários        Os candidatos não tiveram muitas dificuldades com esta questão (média 2,23), que pôde ser considerada
                       uma das mais fáceis da prova, juntamente com as questões 5 (Geografia) e 9 (História), com médias seme-
                       lhantes. Como já assinalamos anteriormente, somente a questão 12 (Matemática) foi mais fácil que elas.
                       Dentre os candidatos selecionados para a segunda fase, a média foi 2,65. Como na questão anterior e de
                       acordo com uma tendência mais geral, os candidatos inscritos na área de Biológicas obtiveram as maiores
                       médias: 2,29 para os inscritos e 2,81 para os aprovados e as menores ficaram com os candidatos da área de
                       artes: 1,96 e 2,33, respectivamente. Dentre os inscritos, 43% dos candidatos obtiveram notas acima de 3.
                       Para os aprovados a porcentagem de notas acima de 3 é de 57%. A porcentagem de zeros foi, também,
                       insignificante: apenas 9,8% dos inscritos obteve esta nota.
                           A maior dificuldade dos candidatos ao responder questões como esta – que tratam de problemas urbanos,
                       de condições de vida e sobrevivência nas cidades, é a de avançar em relação ao senso-comum. Muitas vezes,
                       a problemática envolvida está muito próxima do cotidiano dos vestibulandos, o que leva muitos a responderem
                       a questão a partir de sua vivência pessoal, o que, em geral, é muito pouco. Outros devem imaginar que, a
                       partir de um raciocínio mais ou menos lógico e linear, podem chegar à resposta correta. Assim, já que se trata
                       de ocupação de áreas de mananciais, afirmam que as pessoas mudaram-se para lá motivados pela existência
                       de água para o consumo obtida gratuitamente, o que vai diminuir as despesas com a sobrevivência. Outros, a
                       partir do mesmo raciocínio, imaginam que o que atraiu as pessoas para a área de manancial foi a possibilidade
                       de obter lazer através da prática de esportes em área aprazível. Sem dúvida, isto também é possível; são
                       inúmeros os loteamentos de alto e médio padrão nessas áreas, planejados anteriormente à promulgação de
                       legislação restritiva. Mas, sem dúvida, não são estes loteamentos que podem explicar a existência de 1,5
                       milhão de pessoas vivendo às margens das represas Billings e Guarapiranga, como está enunciado na ques-
                       tão. Portanto, uma resposta correta, no item a, precisa fazer referência aos problemas sociais que empurram
                       os moradores das cidades para as áreas clandestinas: pobreza, desemprego, dificuldade de pagar os altos
                       preços dos aluguéis ou da compra de um imóvel, em áreas melhor situadas devido à grande valorização da
                       terra urbana, terrenos mais baratos, loteadores inescrupulosos que vendem terras em áreas sabidamente
                       clandestinas, sem divulgar a informação aos compradores, existência de favelas ou de ocupações (invasões de
                       áreas vazias e desocupadas que, sendo do poder público, seriam mais facilmente desapropriadas), antiga da
                       área, quando não existia ainda uma legislação impedindo ou regulamentando esta ocupação.
                           O item b foi o de mais fácil resolução: a poluição das águas, tornando-as impróprias para o abastecimento
                       da população, encarecendo o processo de tratamento para torná-las potável e o desmatamento das áreas
                       ribeirinhas foram as respostas mais encontradas .
                           Os candidatos para responder o item c, em geral, valeram-se do mesmo tipo de raciocínio linear empregado
                       para responder o primeiro item, como por exemplo: O governo quer controlar, mas não consegue. Muita gente
                       morando nestas áreas, acaba com o problema de moradia para o governo, mas começa outro, o da poluição. Foi
                       entretanto, expressiva a quantidade de candidatos que responderam este item de forma satisfatória, isto é
                       referindo-se às dificuldades de implementação de políticas públicas conseqüentes, pra a resolução dos proble-
                       mas sociais de forma mais abrangente. A menção às políticas habitacionais ineficientes face ao crescente au-
                       mento da pobreza nos grandes centros seria a melhor alternativa para dar uma resposta correta para este item.




36
Questões 1ª fase

QUESTÃO 7
                   O gráfico abaixo representa, em função do tempo, a altura em relação ao chão de um ponto localizado na
                   borda de uma das rodas de um automóvel em movimento. Aproxime π ≅ 3,1. Considere uma volta comple-
                   ta da roda e determine:

                                                          0,6




                                             Altura (m)
                                                          0,4



                                                          0,2



                                                          0,0
                                                            0,0   0,1               0,2   0,3
                                                                        tempo (s)

                   a) a velocidade angular da roda;
                   b) a componente vertical da velocidade média do ponto em relação ao chão;
                   c) a componente horizontal da velocidade média do ponto em relação ao chão.

       Resposta    a) ω = 2π = 2 x 3,1 = 62 rad/s                                                            (2 pontos)
       esperada            ∆t    0,1
                      • Aceitamos 600 rpm, 10 rps ou 3600 °/s
                   b) Vy = ∆y = 0 = 0                                                                         (1 ponto)
                           ∆t ∆t
                   c) Vx = ∆x = 2πr = 2 x 3,1 x 0,3 = 18,6 m/s ou v = ωr = 62 x 0,3 = 18,6 m/s               (2 pontos)
                             ∆t   ∆t        0,1


 Exemplo de nota
  acima da média




 Exemplo de nota
 abaixo da média




                                                                                                                      37
Questões 1ª fase

        Comentários       Questão que explora o conceito de velocidade média, fundamental em cinemática, e que não deve ser
                       confundido com a média das velocidades.


QUESTÃO 8
                       Uma usina hidrelétrica gera eletricidade a partir da transformação de energia potencial mecânica em ener-
                       gia elétrica. A usina de Itaipu, responsável pela geração de 25% da energia elétrica utilizada no Brasil, é
                       formada por 18 unidades geradoras. Nelas, a água desce por um duto sob a ação da gravidade, fazendo girar
                                                                                                                           3
                       a turbina e o gerador, como indicado na figura abaixo. Pela tubulação de cada unidade passam 700 m /s de
                       água. O processo de geração tem uma eficiência de 77%, ou seja, nem toda a energia potencial mecânica
                                                                                                       3             2
                       é transformada em energia elétrica. Considere a densidade da água 1000 kg/m e g = 10 m/s .

                                                                                                            v
                                                              Água
                                                                                                             H
                                                                                         Turbina/Gerador
                                                                                     v                      v

                                                                     Barragem




                       a) Qual a potência gerada em cada unidade da usina se a altura da coluna d’água for H = 130 m? Qual a
                          potência total gerada na usina?
                                                                       9
                       b) Uma cidade como Campinas consome 6x10 Wh por dia. Para quantas cidades como Campinas, Itaipu
                          é capaz de suprir energia elétrica? Ignore as perdas na distribuição

           Resposta               ∆E    ∆mgh      ∆V
                       a) P = η      =η      = ηρ
                                                                                                 8
           esperada                                  gh = 0,77 x 1000 x 700 x 10 x 130 = 7,0 x 10 W                   (2 pontos)
                                  ∆t     ∆t       ∆t

                          Ptot = 18 x 7,0 x 10 W = 1,26 x 10 W ≅ 1,3 x 10 W
                                                      8                 10      10
                                                                                                                       (1 ponto)
                                             9          1
                                       6 x 10 Wh              9                8
                       b) PCampinas =               = 4 x 10 W = 2,5 x 10 W
                                           24h                                          10
                                               10                             1,26 x 10
                                      1,3 x 10
                          NCampinas =          8
                                                  ≅ 52 Campinas ou NCampinas = 2,5 x 10 8 ≅ 50 Campinas
                                      2,5 x 10
                          ou
                                                   11
                                        3,1 x 10
                          NCampinas =             9
                                                          ≅ 52 ou 50 Campinas                                         (2 pontos)
                                         6 x 10


     Exemplo de nota
     acima da média




38
Questões 1ª fase


 Exemplo de nota
 abaixo da média




                       Dados reais de Itaipu. Muitos candidatos encontraram valores absurdos e não fizeram uma conexão com a
    Comentários
                   realidade. É preciso sempre ter em mente que Física é uma ciência que estuda o mundo real.


QUESTÃO 9
                   Leia com atenção o texto abaixo, baseado em Das trevas medievais (...) de Carlo Ginzburg:
                   Em 1965, a cidade de Nova York mergulhou numa imensa escuridão devido à pane de uma central hidrelé-
                   trica, situada nas cataratas do Niágara. A cidade foi lançada bruscamente nas trevas e os jornais, confecci-
                   onados manualmente, perceberam a extrema vulnerabilidade da sociedade industrial. Um escritor se inspi-
                   rou nesse acontecimento e fez um livro de ficção chamado Uma nova Idade Média de amanhã.
                   a) Que formas de energia estão envolvidas no processo de geração numa hidrelétrica?
                   b) Qual o sistema de pensamento do século XVIII que fez a associação entre a luz e o progresso científico?
                   c) Segundo esse sistema de pensamento, quais as características da Idade Média?


       Resposta        Em a, valendo 1 ponto, energia potencial (gravitacional), mecânica (cinética) e elétrica. O item b, valen-
       esperada
                   do 2 pontos, Iluminismo (Ilustração, Idade da Razão, Filosofia das Luzes). O item c também valia 2 pontos,
                   sendo 1 ponto para cada característica da Idade Média de acordo com o Iluminismo: Idade das Trevas,
                   atraso científico, irracionalismo, intolerância religiosa, misticismo, fanatismo religioso, teocentrismo, “domi-
                   nada pela Igreja”, barbarismo, etc.



    Comentários        Esta pergunta trazia uma novidade ao Vestibular da Unicamp, na medida em que a questão de História
                   cobrava do aluno conhecimentos de Física. Pretendia-se assim mostrar ao aluno a natureza interdisciplinar do
                   saber, que não é monopólio de nenhuma disciplina. Assim como os conteúdos de Física ou de qualquer outra
                   disciplina podem ser trabalhados do ponto de vista histórico, a História também se vale dos conceitos elabo-
                   rados por outras disciplinas. No exemplo da pergunta, para se entender o impacto histórico, social, ecológico,
                   etc. de uma tecnologia ou da falta dela (aqui, no caso, uma falha na hidrelétrica), é necessário compreender
                   minimamente as suas operações. Achamos bastante pertinente fazer uma experiência com este tipo de exer-
                   cício, uma vez que hoje já não se justifica mais o ensino que busca impor e fixar limites entre diferentes
                   campos do conhecimento. Nesse sentido, a prova caminha na direção dos novos parâmetros curriculares que
                   vêm insistindo na interdisciplinaridade e na integração dos repertórios das ciências e das humanidades.
                       A pergunta também apostava na capacidade de leitura do candidato, pois a resposta do item a desta
                   questão se encontrava, propositadamente, no enunciado da questão 8 da prova de Física, o que passou

                                                                                                                                 39
Questões 1ª fase

                       desapercebido para muitos candidatos. Foi surpreendente verificar que o mesmo candidato resolvia o proble-
                       ma da questão 8 de Física mas não respondia corretamente a pergunta de História, o que nos leva a crer que
                       o aluno aprende e assimila conteúdos de uma forma estanque e excludente, sem estabelecer relações entre
                       diferentes áreas do saber. É como se, ao passar de uma disciplina para outra (de uma prova para outra), o
                       candidato penetrasse num outro universo, passando através de um túnel, deixando uma bagagem de conhe-
                       cimentos na entrada para apanhar uma outra na saída. Isso é sintomático de um ensino que precisa urgente-
                       mente se renovar e superar os paradigmas que inspiram a sua prática.
                           Os itens b e c abordavam conhecimentos bem gerais, como é de costume na primeira fase, e foram bem
                       respondidos. Ainda assim, fica evidente que o candidato continua tendo dificuldade de trabalhar com metáfo-
                       ras (como no item b onde luz significa razão, ciência ou “progresso”). Muitos candidatos, como em um dos
                       exemplos adiante de nota abaixo da média, tomaram “luz” no seu sentido literal (energia ou eletricidade) e não
                       conseguiram resolver o item.


     Exemplo de nota   a) Numa hidrelétrica o processo de geração de energia envolve energia mecânica(potencial, no início e
     acima da média
                          cinética, depois) e energia elétrica, obedecendo o seguinte esquema: Emecânica – transfere – Eelétrica
                          (E=energia)
                       b) O sistema de pensamento do século XVIII que fez a associação entre a luz e o progresso científico foi o
                          Iluminismo.
                       c) Segundo o Iluminismo, a Idade Média representou o período das trevas, da escuridão, mas não por falta
                          de luz, mas sim pela falta de progresso cinetífico que se registrou naquela época. A principal responsável
                          por isso foi a Igreja e seu teocentrismo que prejudicou imensamente os cientistas e seus trabalhos,
                          impedindo novas descobertas e avanços. A Idade Média também se caracterizou pelo feudalismo, pelas
                          Cruzadas e pelo domínio muçulmano na Europa.
                       ou então:
                       a) As formas de energia são potencial, mecânica e elétrica.
                       b) O sistema de pensamento foi o Iluminismo.
                       c) Segundo tal sistema de pensamento, a Idade Média pode ser caracterizada como a Era das Trevas, na
                          qual o conhecimento estava estagnado e a ciência atrasada.



     Exemplo de nota
                       a)   A energia elétrica dada pela catarata do Niágara
     abaixo da média
                       b)   É dada na época pelo cientista Engels
                       c)   Uma burguesia rica, pensamento socialista...
                       ou   então:
                       a)   Está envolvida a vulnerabilidade da sociedade industrial
                       b)   A cidade foi lançada bruscamente nas trevas
                       c)   Como será a nova Idade Média amanhã
                       ou   então:
                       a)   Energia mecânica, potencial, cinética e da água.
                       b)   Foi a descoberta da eletricidade por um cientista.
                       c)   As características da Idade Média são: o medo da ciência e das descobertas o aparecimento de grandes
                            gênios mundiais.



QUESTÃO 10
                       Os estudos sobre a colonização no Novo Mundo destacam a produção e a comercialização do açúcar, do
                       tabaco e do café. Entretanto, a importância do cultivo de algumas plantas americanas, responsáveis pela
                       sedentarização e sobrevivência do homem em diversas partes do mundo, desperta menor atenção entre os
                       estudiosos. No campo das ciências é surpreendente avaliar as origens deste admirável “capital biológico”
                       transplantado da América para a Europa Tendo em vista esta proposição:
                       Cite duas plantas americanas importantes para a história da alimentação da Europa e do mundo e indique
                       quais os povos americanos que as cultivavam.
                       Explique de que modo o cultivo destas plantas americanas na Europa favoreceu o processo de urbanização
                       dos séculos 18 e 19.




40
Questões 1ª fase

       Resposta        No item a não se esperava uma resposta dissertativa e explicativa. O candidato deveria relacionar algu-
       esperada    mas plantas oriundas da América com os respectivos povos que as cultivavam. Entretanto, o candidato não
                   deveria perder de vista que a pergunta se referia às plantas que, depois da “descoberta” da América, foram
                   levadas e cultivadas na Europa. Assim, era possível fazer algumas correlações entre as plantas, dentre elas,
                   o milho cultivado por astecas e indígenas da América do Norte, o tomate cultivado pelos astecas; a batata
                   pelos incas. As respostas equivocadas neste item foram devido ao esquecimento dos candidatos de que só
                   eram válidas as plantas que não apenas foram cultivadas na América mas também levadas para o plantio na
                   Europa. Este item da questão valia 3 pontos.
                       No item b o candidato deveria saber relacionar o processo de industrialização ocorrido na Europa e a
                   possibilidade de cultivo dessas plantas para a alimentação de populações urbanas. Pela adaptação delas na
                   Europa, acabaram por se constituir em base de alimentação dessas populações, possibilitando o aumento
                   demográfico . Dentre estas plantas destaca-se principalmente a batata, alimento indispensável para os
                   trabalhadores na época da revolução industrial inglesa do final do século XVIII. Entretanto, o candidato
                   poderia se lembrar também da importância do tomate para a culinária italiana e do milho para diversos
                   povos europeus. Muitos candidatos se lembraram da disseminação do gosto europeu pelo chocolate, embora
                   esta planta não tenha sido levada para a Europa para o cultivo. Neste caso, por se tratar de um derivado de
                   planta americana muito aceito na Europa, resolvemos levar em consideração este tipo de resposta. Este item
                   valia 2 pontos.


                       Esta questão foi elaborada com o objetivo de fazer o candidato estabelecer relações de trocas culturais
    Comentários
                   entre povos. Evidentemente, o seu conteúdo era pouco conhecido, mas esperávamos que ele pudesse apreen-
                   der o “espírito” da questão. Não se explora nos currículos escolares a questão das trocas culturais e quando
                   este conteúdo é dado ao aluno, na maioria das vezes é para ele aprender de que maneira as culturas america-
                   nas absorveram valores e costumes europeus. Pouco se fala da maneira como os europeus absorveram hábi-
                   tos e costumes dos povos americanos. Assim, o que esperávamos era a percepção de que ocorreram trocas
                   culturais entre a América e a Europa, evidentemente não simétricas.
                       No outro item da questão também esperávamos uma resposta mais dedutiva do que de conhecimento de
                   conteúdo. Sabíamos, de antemão, que o assunto do cultivo de plantas e do processo de urbanização é pouco
                   abordado em sala de aula, no máximo restringindo-se ao período da antiguidade e à revolução agrícola com a
                   conseqüente sedentarização. Assim, procuramos nesta questão perceber de que maneira os candidatos pode-
                   riam extrapolar estas relações entre o cultivo das plantas e os processos de sedentarização e urbanização para
                   a história européia do século XVIII.

 Exemplo de nota   a) Duas plantas que merecem destaque para a alimentação da Europa e do mundo e que são cultivos
  acima da média      americanos são a batata plantada pelos incas e o milho pelos índios americanos.
                   b) O cultivo dessas plantas americanas na Europa favoreceu o processo de urbanização do Séc. XVIII e XIX
                      na medida em que aumentou a oferta de alimentos para a população, já que o seu cultivo era simples.
                      Em função do aumento da oferta de alimentos a população deslocou-se para os centros urbanos, o que
                      aliado a outros fatores resultou na industrialização.


 Exemplo de nota   a) Cana de açúcar e café pelos indígenas
 abaixo da média   b) Favoreceu o modo de que com o cultivo dessas plantas começaram a exportar criando capitalismo,
                      crescendo assim o capital


QUESTÃO 11
                   O mundo tem, atualmente, 6 bilhões de habitantes e uma disponibilidade máxima de água para consumo
                                               3                                                           3
                   em todo o planeta de 9000 km /ano. Sabendo-se que o consumo anual per capita é de 800 m , calcule:
                                                              3
                   a) o consumo mundial anual de água, em km ;
                   b) a população mundial máxima, considerando-se apenas a disponibilidade mundial máxima de água para
                      consumo.

       Resposta                                                                              9
                   a) A população mundial atual é de 6 bilhões de habitantes, ou seja, 6 .10 habitantes. Como cada habitan-
       esperada                         3                                         3
                      te consome 800m de água por ano, o consumo anual, em m , é de. Como a resposta deve ser dada em
                          3                        3         3           3                   –9  3
                      km , é necessário converter m para km . Como 1m corresponde a 10 km , equivalem a.
                                                                                   3
                   Resposta: O consumo mundial anual, atualmente, é de 4.800km .                                 (2 pontos)
                                                                                                                                    v




                                                                                                                              41
Questões 1ª fase




                   v
                       b) O texto do problema informa que a disponibilidade mundial máxima de água para consumo, em todo o
                                                 3                                      –9   3
                          planeta, é de 9000km . Como o consumo per-capita é de 800.10 km , a população mundial máxima é
                                                   –9             9
                          dada por: 900 / 800 . 10 = 11,25 . 10 .
                        Resposta: A população mundial máxima, considerando-se apenas a disponibilidade mundial máxima
                                                                         9
                                  de água para consumo, é de 11,25 . 10 habitantes, ou seja: 11 bilhões e 250 milhões
                                  de habitantes.                                                                  (3 pontos)


       Comentários        Esta questão foi considerada adequada aos objetivos da primeira fase: uso de unidades, operações ele-
                                                                          6                                           3         3
                       mentares, raciocínio. Alguns candidatos usaram 10 para bilhões ou erraram na conversão de m para km .
                       Entretanto, as maiores dificuldades foram o uso incorreto de dados numéricos e aproximações impróprias. A
                       nota média nessa questão foi de 1,49 na escala (0 – 5), considerando-se todos os candidatos presentes e de
                       2,80 considerando-se apenas os candidatos aprovados.


QUESTÃO 12
                       Neste ano, para obter as notas da primeira fase de seu vestibular, a Unicamp está usando, da seguinte
                       forma, a nota da prova do Enem: sejam U a nota da primeira fase da Unicamp, E a nota da prova de
                       conhecimentos gerais do Enem e NF a nota final de cada candidato. Se U ≥ E, então NF = U e se U < E,
                                   E + 4U
                       então NF =          . Suponha que algumas das notas dos candidatos A, B, C, X e Y sejam as apresentadas
                                      5
                       na tabela abaixo:
                                                    Estudante       U          E         NF
                                                         A         6,0        5,0
                                                         B         5,5        5,5
                                                         C         5,0        6,0
                                                         X                               6,0
                                                         Y                               6,0

                       a) Calcule as notas finais dos candidatos A, B e C.
                       b) Sabendo-se que as notas do candidato X são tais que E=2U e que as notas do candidato Y são tais que
                          U = 2E, calcule as notas obtidas por esses dois candidatos.

                       ATENÇÃO: Se suas respostas forem dadas através da tabela, não deixe de apresentá-la por completo no
                       caderno de resposta.

          Resposta     a) A tabela informa que o candidato A teve nota 6,0 na Unicamp e nota 5,0 no Enem; logo, para esse
          esperada        candidato, U > E e, portanto, NF = U = 6,0. Para o candidato B, as notas apresentadas na tabela
                          foram: U = 5,0 e E = 5,5, ou seja, U = E e, portanto, NF = 5,5. Para o candidato C, temos:
                                                                                        E + 4U      6 + 4.5
                          U = 5,0 e E = 6,0. Sendo nesse caso, U < E, temos: NF =                =            = 5,2.
                                                                                           5            5
                          Assim a nota final do candidato C é 5,2.
                       Resposta: As notas finais dos candidatos A, B e C foram, respectivamente, 6,0; 5,5 e 5,2.     (2 pontos)
                       b) Para o candidato X, temos: E = 2U. Se fosse igual a zero, então E e NF também seriam iguais a zero,
                          o que não é o caso visto que a tabela informa que, para esse candidato, NF = 6,0. Então U ≠ 0 e,
                                                    E + 4U      2U + 4U 6U
                          portanto, U < E e NF =             =            =      = 6,0 o que implica U = 5,0 e E = 10,0.
                                                       5            5        5
                          Para o candidato Y, U = 2E; se E = 0, então U = 0 e NF seria também igual a zero, o que não ocorre.
                          Logo, E ≠ 0 e, portanto, U > E e, por isso, NF = U = 6,0 e E = 3,0.
                       Resposta: As notas do candidato X são: U = 5,0 e E = 10,0.
                                 As notas do candidato Y são: U = 6,0 e E = 3,0.                                     (3 pontos)
                           Observação: As respostas poderiam ser dadas através da tabela completa, devidamente justificada atra-
                       vés dos cálculos correspondentes.

                           Esta questão foi muito apropriada para avaliar o uso de informações e raciocínio lógico; envolve apenas
       Comentários
                       conteúdos de Matemática do Ensino Fundamental e o desempenho dos candidatos foi satisfatório. A média
                       final nessa questão foi de 3,15 na escala (0 – 5) computadas as notas de todos os presentes, ou seja, 42.000
                       candidatos.
42
2ª Fase
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa


                            1. As questões de língua portuguesa
                             A prova de Língua Portuguesa obedeceu no Vestibular 2000 aos mesmos pressupostos que vêm
                        norteando sua elaboração desde que a Unicamp decidiu criar um vestibular próprio. Um desses pressu-
                        postos é o de que, na sociedade em que vivemos, qualquer pessoa é constantemente chamada a produzir
                        e interpretar mensagens verbais extremamente diversificadas, num sem número de situações distintas, e
                        a capacidade de interagir lingüisticamente é fundamental para garantir uma inserção social construtiva.
                        Isso vale para qualquer indivíduo e, com maior razão, para profissionais de nível universitário, pois deles
                        se espera que utilizem a linguagem não só para se expressarem respeitando as etiquetas de seu próprio
                        grupo social e de outros com os quais interagem, mas também para analisar e interpretar situações,
                        formular soluções e criar novos saberes, intervindo na realidade de maneira sensível e criativa. O ensino
                        tradicional de Português está interessado principalmente na assimilação da nomenclatura gramatical, na
                        ortografia e no domínio da norma culta. As provas que mediriam tal competência pouco têm a ver com a
                        função de intervenção e descoberta da qual a linguagem é instrumento. Por isso, a Unicamp decidiu que
                        sua prova de língua seria o que o nome diz, uma prova de língua, e não apenas uma prova de gramática.
                        Fiel a essa posição, tem proposto exames em que se cobra do candidato algo mais que a capacidade de
                        utilizar corretamente a variedade lingüística culta, ou de aplicar corretamente a nomenclatura com que
                        foram tradicionalmente descritas as estruturas da língua portuguesa.
                             Ao longo dos últimos vinte anos, a adoção dessa atitude ajudou a colocar em seu devido lugar a
                        gramática (e algumas gramatiquices), criando espaço para a redação e as respostas discursivas. Aliada à
                        preocupação de verificar nas questões de literatura a capacidade de ler criticamente obras literárias, a
                        prova de Português do Vestibular da Unicamp vem produzindo uma profunda mudança na maneira como
                        a linguagem é encarada no ensino médio e superior. Trata-se de uma autêntica mudança de mentalidade
                        que – é fácil compreender – deixa às vezes desconcertados os seus próprios agentes. Aos professores
                        secundários e dos cursinhos, impõe-se a tarefa nem sempre fácil de planejar atividades voltadas para o
                        uso real da linguagem e para os aspectos cognitivos e criativos da competência lingüística; para os
                        corretores, cria-se a obrigação de refazer e avaliar o raciocínio do candidato; para este último, sobra a
                        dificuldade à primeira vista desconcertante de enfrentar uma prova essencialmente aberta.
                             Como preparar-se para uma prova com essas características?
                             Antes de mais nada, é psicologicamente interessante que o candidato se convença de que uma prova
                        de língua não é necessariamente mais difícil que uma prova de gramática. Comentar a maneira como as
                        pessoas se expressam, valorizar uma boa resposta, apontar na fala (própria e dos outros) as expressões
                        que verdadeiramente fizeram diferença, explicar por que um texto não realizou os objetivos a que se
                        propunha, observar diferenças no modo de falar que caracterizam pessoas ou grupos são atos que qual-
                        quer falante de uma língua realiza corriqueiramente, não importando sua idade e seu grau de instrução;
                        a prova de língua da Unicamp valoriza o candidato que se acostumou a investir algum tempo e alguma
                        energia nesse trabalho de observação e comentário sobre como a língua funciona.
                             Também é importante perceber que, ao privilegiar questões de língua, a Unicamp valoriza o candidato
                        como pessoa inserida numa comunidade lingüística na qual se vivem problemas reais, em vez de tratá-lo
                        como um aluno de quem se cobram os efeitos de um treinamento cujo horizonte é principalmente a
                        escola. Como ficou apontado acima, a língua é importante demais para ser confundida com a representa-
                        ção que dela nos legaram as gramáticas.
                             A primeira orientação prática ao vestibulando consiste em repetir algo já muito comentado: que a
                        prova de língua do Vestibular Unicamp é essencialmente uma prova de leitura. Convém repetir essa
                        observação aparentemente banal, em primeiro lugar porque continua acontecendo algo bastante preocu-
                        pante: muitos candidatos precipitam-se em responder sem a adequada reflexão sobre os enunciados
                        propostos, e cometem erros bobos, que seriam evitados se o enunciado das questões fosse bem lido. A
                        prova é de leitura também num outro sentido, igualmente importante: todas as perguntas têm sido a
                        respeito de textos breves (frases, slogans, histórias, anedotas, tiras, etc.), e só responde bem quem for
                        capaz de ler e interpretar corretamente esses breves textos. Para dar uma boa resposta, é fundamental
                        entender os propósitos desses textos, situá-los e perceber o que os torna interessantes. Eles terão que ser
                        comentados, mas esse comentário deve basear-se no que dizem, implícita ou explicitamente. A menos
                        que haja instrução em contrário, não se trata de “inventar” a partir da leitura, mas de ser fiel à intenção
                        do texto, ao seu espírito e, algumas vezes, à sua letra.
                             A prova de língua da Unicamp é, tipicamente, uma prova aberta, mas é a esta altura uma prova que
                        tem uma história da qual o candidato pode tirar proveito. O que se quer dizer com isso é que a melhor
                        maneira de ver como funciona a prova de língua do Vestibular Unicamp consiste em analisar não só as
                        questões do Vestibular 2000, que vêm comentadas nesta publicação impressa, mas também as mais
                        antigas, que se encontram em várias brochuras distribuídas pelas escolas e, em formato eletrônico, no
                                                                                                                                      v




44
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa




            v
                site www.convest.unicamp.br. Recomendamos que o candidato se debruce sobre essas provas e que
                procure tomar conhecimento dos comentários que foram feitos a respeito das mesmas. No decorrer desse
                exercício, deveria ficar claro que, embora os fatos lingüísticos analisados tenham sido os mais variados
                (particularidades fonéticas, diferenças regionais e de registro, questões de sentido, coesão e coerência,
                etc.), eles receberam um tratamento que obedece, no fundo, a um padrão bastante uniforme.
                    Tentemos descrever resumidamente esse padrão, que emerge das provas propostas até o momento.
                Como já lembramos, toda pergunta se refere a um pequeno texto. A própria pergunta dá as informações
                contextuais necessárias à compreensão desse pequeno texto, e propõe ao candidato um problema a
                respeito do mesmo. Assim, em algumas perguntas, o candidato é chamado a observar e comentar formu-
                lações, passagens e trechos que o tornam particularmente eficaz (ou ineficaz) para os propósitos a que se
                propõe (uma escolha verbal inadequada pode, por exemplo, provocar uma segunda leitura, engraçada,
                num texto que se pretende sério; um uso inadequado de recursos coesivos pode prejudicar a compreen-
                são, etc.; inversamente, um jogo de palavras feliz pode dar mais impacto à tese que o texto defende).
                Outras perguntas pedem ao candidato algum tipo de “leitura entre as linhas”, isto é, que tire conseqüên-
                cias autorizadas pelo texto, ou explicite propostas que, no texto, são apenas implícitas. Com um pouco de
                reflexão, percebe-se que as tarefas exigidas para responder à prova de língua não têm nada de misterioso:
                são exatamente as mesmas que qualquer usuário da língua realiza quando discute um texto importante
                depois de uma leitura atenta. Se, além disso, lembrarmos que os textos são tirados em geral de grandes
                veículos de comunicação, é imediato concluir que um bom preparo é uma boa leitura desses mesmos
                veículos, atenta não só aos conteúdos, mas também à maneira como esses conteúdos são trabalhados
                lingüisticamente. É isso que se recomenda, em conclusão.
                    Antes de encerrar, convém porém repetir aqui dois lembretes que constaram do Caderno de Questões
                de 99 e que continuam válidos. O primeiro é que o candidato não precisa temer “pegadinhas” e formula-
                ções capciosas. Esse tipo de armadilha não faz sentido no modelo de prova proposto. O outro lembrete é
                que o candidato pode contar com corretores que se esforçarão ao máximo para entender o que ele,
                candidato, quis dizer em sua respostas; mas é sempre bom lembrar que os corretores só dispõem, para
                isso, do próprio texto que o candidato terá redigido. Convém, portanto, que também o candidato se
                imagine na situação dos corretores, e que procure escrever de maneira clara, concisa e relevante, respon-
                dendo ao que foi perguntado, evitando divagações.
                    Controlar o que funciona (ou não funciona) num texto e tirar conseqüências que vão além de seu
                sentido literal ou fatual são práticas para as quais todo estudante de escola superior e todo profissional de
                nível universitário precisariam estar dispostos, num mundo em que o bombardeio de informações é cons-
                tante. Da mesma forma, é sempre desejável (e altamente democrático) que as pessoas procurem interagir
                considerando o ponto de vista dos outros; uma maneira de fazê-lo, quando escrevemos, é imaginar como
                seríamos lidos por alguém que tem uma história diferente da nossa. A prova de língua do Vestibular
                Unicamp cobra dos candidatos esses dois tipos de disposição, e nós acreditamos que isso seja uma
                atitude de respeito para com você, o que faz uma enorme diferença.
                    Obs: Para todas as questões da prova, além das respostas esperadas, fornece-se um exemplo de
                resposta ruim (Candidato A) e um exemplo de boa resposta (Candidato B). A comparação com a resposta
                esperada permitirá a descoberta dos problemas da resposta ruim, por um lado, e da relativa liberdade de
                responder adequadamente às questões da prova.



QUESTÃO 1




                                                                                                                          45
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

                      O tema desta tira é, tecnicamente falando, um “neologismo semântico”, isto é, um novo sentido – surgido há
                      alguns anos –, assumido por uma palavra que já existia. A palavra em questão é o verbo “ficar”, que ocorre
                      três vezes.
                      a) qual (ou quais) das ocorrências representa(m) um sentido mais antigo do verbo “ficar”? Qual(is)
                          representa(m) o novo sentido?
                      b) qual a palavra que mais provavelmente preencheria as reticências da terceira fala?
                      c) a última fala pode ser interpretada como sendo irônica. Por quê?

          Resposta    a) a terceira ocorrência de “ficar” tem o sentido mais antigo; nas duas primeiras falas, as ocorrências têm o
          esperada       sentido novo.                                                                                    (2 pontos)
                      b) A palavra “grávida”.                                                                              (1 ponto)
                      c) Por que a conversa não foi nada clara; aliás, foi vaga, reticente / A conversa foi o contrário do que o pai
                         diz que foi.                                                                                     (2 pontos)

                          Para responder corretamente, o candidato precisaria ser capaz de comparar as diferentes ocorrências do
        Comentário
                      verbo “ficar”, percebendo que ilustram dois sentidos diferentes da palavra, que hoje convivem na língua: num
                      sentido mais antigo, que corresponde a um uso compartilhado por diferentes gerações e é ilustrado pela
                      segunda fala do pai, “ficar” é um verbo de ligação (ficar preocupado, ficar rico, ficar...grávida) que indica
                      mudança de estado. Num sentido mais novo, mais corrente entre os jovens, “ficar” indica um certo tipo de
                      relacionamento entre pessoas de sexos opostos, que é diferente tanto do namoro e do noivado quanto do
                      casamento tradicionais. Ao pai que quer compreender melhor esse tipo de relacionamento, o filho responde
                      com uma definição circular, que nada esclarece (“ficar é ficar”), sugerindo que não é possível compreender a
                      nova forma de relacionamento, a não ser vivendo-a. A última fala do pai é um comentário sobre todo o diálogo
                      anterior. Para avaliar essa fala do pai, o candidato precisaria reconhecer que o diálogo anterior foi pouco
                      esclarecedor e pouco explícito, justamente o oposto do que se espera de uma “conversa às claras”.

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) Quando o primeiro interlocutor se preocupa com a moça, se ela vai ficar preocupada ou assumir outras
                         atitudes ou ter sentimentos. As ocorrências que representam o novo sentido é a descoberta do que é ficar
                         e a esclarecida que o segundo interlocutor dá.
                      b) A palavra poderia ser: com outro.
                      c) Porque o interlocutor quer demonstração e saber praticar o que é ficar.


                      Candidato B
                      a) A ocorrência que representa o sentido mais antigo para o verbo “ficar” é na fala do homem: “Não há
                         perigo dela ficar...” e a que representa um novo sentido se encontra no diálogo entre o homem e o
                         menino, quando o primeiro pergunta o que é ficar e o segundo responde que é “ficar com uma garota”.
                      b) A palavra que preencheria as reticências da terceira fala é “grávida”.
                      c) Sim, a última fala pode ser interpretada como sendo irônica, pois o homem diz ao menino que eles
                         precisam ter mais conversas “às claras” como esta, sendo que esta conversa não foi às claras, os diálogos
                         não explicaram exatamente o que se perguntava e nem terminava algumas frases, deixando subentendi-
                         do.


QUESTÃO 2
                      Perguntado em fins de 1997 pelo Jornal das Letras (Lisboa) se seu nome seria uma boa indicação para o
                      Prêmio Nobel de Literatura, junto com os nomes, sempre lembrados pela imprensa, de José Saramago e
                      António Lobo Antunes, o escritor português José Cardoso Pires deu a seguinte resposta:
                      “A Imprensa tem lá as suas razões. Durante anos e anos passei a vida a assinar papéis a pedir um Nobel para
                      um escritor português e isso não serviu de nada. De modo que o facto da Imprensa agora prever isto ou
                      aquilo... Uma coisa eu sei: o Prémio Nobel dado a um escritor português de qualidade beneficiava todos os
                      escritores portugueses. Que todos gostariam de ter o Prémio Nobel também é verdade, mas se um ganhar
                      ganhamos todos. De qualquer modo o critério actual é o dos mais traduzidos e os mais traduzidos são o
                      Saramago e o Lobo Antunes. Eu sou menos. Mas isso não me preocupa nada. Sinceramente”.
                      a) aponte, na resposta de Cardoso Pires, as características de acentuação e de grafia que a identificam
                          como um texto em português europeu.
                      b) aponte, na mesma resposta, as construções que a caracterizam como um texto de português europeu, e
                          dê os prováveis equivalentes brasileiros dessas construções.

46
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

                  c) sabemos que o Nobel de Literatura foi ganho em 1998 por José Saramago. A partir de qual passagem do
                     texto poderíamos desconfiar que, na opinião do entrevistado, não necessariamente o vencedor é o me-
                     lhor?

      Resposta    a) acentuação: Prémio (duas vezes); grafia: facto, actual                                        (2 pontos)
      esperada    b) As construções típicas do português europeu são beneficiava, a assinar, a pedir; os equivalentes brasilei-
                     ros são beneficiaria, assinando, pedindo.                                                     (2 pontos)
                  c) “...o critério actual é o dos mais traduzidos”                                                 (1 ponto)


    Comentário        Para responder às perguntas a e b, bastaria que o candidato fizesse uma revisão do texto, atentando para
                  os aspectos da ortografia e da sintaxe que não são próprios do português brasileiro culto. Para responder à
                  pergunta c, ele precisaria perceber que Cardoso Pires não responde à pergunta do entrevistador que é sobre
                  “melhores autores”, mas a reformula em termos de “autores mais traduzidos”. Os prêmios Nobel, geralmente,
                  não vão aos melhores escritores, mas aos mais traduzidos; portanto o critério não é estético, e sim mercado-
                  lógico. Cardoso Pires diz com todas as letras que seus concorrentes são mais traduzidos do que ele. Não é
                  difícil, a partir deste ponto, concluir que ele evita uma avaliação estética para não parecer arrogante.

   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) “Lá”, “papéis”, são exemplos de acentuação. Já de grafia encontramos: “facto”, “actual”.
                  b) .....................................................
                  c) “Mas isso não me preocupa”.


                  Candidato B
                  a) Pode-se identificar o texto como sendo em português europeu nas seguintes passagens: 1. de modo que
                     o facto... 2. O prémio Nobel dado a ... 3. O critério actual é o...
                  b) E também nas seguintes construções: 1 “passei a vida a assinar papéis a pedir um ...”, 2. Beneficiava
                     todos os... onde os prováveis equivalentes brasileiros seriam 1. Assinando, pedindo 2. beneficiaria.
                  c) De qualquer modo o critério atual é o dos mais traduzidos.


QUESTÃO 3
                  A edição de 30 de janeiro de 1998 do Noite e Dia (Feira de Santana, BA) trazia, na seção Zé Coió, a seguinte
                  história:
                                                                Vou pegar o talão!
                  Cansado de não vender nada na sua loja, João pegou o carro e saiu pelo interior para vender seus produtos.
                  Depois de 15 dias sem tirar um só pedido, sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. De repente viu
                  uma garrafa e chutou. A garrafa deu meia volta e chegou junto. João tornou a chutar e a garrafa deu outra
                  meia volta e ficou bem ao seu lado. João pegou a garrafa, começou a acariciar e de repente surgiu uma voz
                  que disse:
                  — Você tem direito a três pedidos!
                   João levantou correndo e disse:
                  — Espere aí que eu vou buscar o talão.
                   Cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá.
                  a) a seqüência “Cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá.” não faz parte da história. Explique por quê.
                  b) a fala final de João, retomada no título, revela um equívoco fundamental na identificação de quem fala
                      de dentro da garrafa. Em que consiste esse equívoco?
                  c) transcreva as palavras que, no diálogo entre as duas personagens, permitem articular a resposta de João
                      com sua experiência prévia de vendedor itinerante.

      Resposta    a) Porque não acrescenta nenhum outro fato à história / porque se trata de uma reação do narrador e/ou do
      esperada       ouvinte, não de alguma personagem / porque antecipa a reação do ouvinte da história.         (1 ponto)
                  b) João entende que se trata de um cliente fazendo pedidos, quando se trata de um “gênio da garrafa”
                     (conforme lendas das Arábias) oferecendo-se para satisfazer três pedidos (=desejos) quaisquer de João
                     / O equívoco de João consiste no fato de que não consegue sair da situação de vendedor.     (2 pontos)
                  c) As palavras são “pedidos” e “talão”.                                                        (2 pontos)

                     O segredo de uma boa resposta à questão 3 é uma boa compreensão da anedota à qual ela se refere, uma
    Comentário
                  das tantas em que uma personagem de pouca imaginação desperdiça a grande chance de sua vida porque não

                                                                                                                             47
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

                      soube reconhecê-la. Para as perguntas b e c é relevante que o João da história, embora tenha sido milagrosa-
                      mente transportado para um mundo de fábula em que todas as possibilidade lhe são abertas, continua
                      raciocinando como o vendedor desesperado que era minutos antes, a tal ponto que confunde o gênio da
                      garrafa com um possível freguês e sai à procura do talão tão logo o gênio usa a palavra crucial “pedidos”. O
                      item a obrigava o candidato a separar a anedota propriamente dita do efeito que sua narração deveria provocar
                      no leitor, assim como se separa a história e a moral da história, o espaço reservado ao narrador e o espaço
                      reservado ao ouvinte-leitor.

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) Porque João sai aos risos do local em que ele estava descansando, ironizando a voz que vinha da garrafa.
                      b) Do qual João pensa que a voz que vem de dentro da garrafa também está na mesma situação em que
                         João está, desesperado para vender alguma coisa, e quando a voz da garrafa lhe oferece três pedidos,
                         João corre para buscar o seu talão mostrando que ele tem condições de apontar mais os três pedidos.


                      Candidato B
                      a ) Porque a seqüências Cá, cá, cá... representa os risos do leitor, os supostos risos provocados pelo texto.
                      b) João achou que a “voz” estava lhe concedendo direito de receber três pedidos de compra da suposta voz,
                          achou que ela iria comprara três mercadorias dele. Na verdade, ela estava conferindo a ele o direito de
                          fazer três pedidos, três desejos para ela realizar.
                      c) As palavras são: “pedidos”, “talão”.


QUESTÃO 4
                      O texto abaixo foi extraído de uma seção que divulga “novidades” científicas. Leia-o e responda às questões
                      que se seguem:
                      Idosa precoce – Dolly é uma cópia tão exata da ovelha de cuja mama os cientistas do Instituto Roslin tiraram
                      uma célula para clonar, que já nasceu “velha”. Quando veio ao mundo, o interior de suas células já apresen-
                      tava traços não de uma filhote, mas de um animal adulto. É o que os biólogos escoceses revelaram na revista
                      Nature. O problema está nos telômeros, apêndices dos cromossomos que compõem o material genético. Os
                      de Dolly são 20% mais curtos do que deveriam ser numa ovelha de sua idade. Sabe-se que o comprimento
                      dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo das vida. Eventualmente, ficam tão
                      pequenos que a célula perde essa capacidade. Nesse sentido, os telômeros estão fundamentalmente liga-
                      dos ao envelhecimento. Como Dolly foi criada a partir de uma célula adulta, seus telômeros são curtos. Se
                      essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar.
                      (...). (ISTO É 1548, 02/06/99).
                      a) o que é caracterizado como problema e como ele é explicado?
                      b) cite a passagem do texto que expresse uma verdade genética dada como conhecida de todos e transcre-
                           va a expressão que indica que esse conhecimento é compartilhado.
                      c) cite uma passagem do texto que expresse uma hipótese.

          Resposta    a) O problema é que Dolly nasceu velha / não filhote; a explicação é que essa característica se deve ao
          esperada       comprimento dos telômeros. Ou: O problema é que Dolly nasceu velha / nasceu com os telômeros curtos,
                         o que a caracteriza como um animal velho; a explicação é que foi gerada por clonagem.       (2 pontos)
                      b) Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo das
                         vida; a expressão é “sabe-se”.                                                              (2 pontos)
                      c) Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a
                         investigar / A hipótese é que ter nascido com os telômeros mais curtos acarreta envelhecimento precoce
                         da ovelha .                                                                                  (1 ponto)

                          Escrito com objetivos de divulgação para um público não especializado em genética, o trecho a que se
        Comentário
                      refere a questão 4 faz um balanço de alguns desenvolvimentos científicos recentes, que estabeleceram uma
                      relação inesperada entre clonagem e envelhecimento. As três perguntas orientam no sentido de extrair do texto
                      a) um problema, b) uma verdade consensual, c) uma hipótese, o que pode ser feito de maneira inteiramente
                      intuitiva. Verdades estabelecidas, problemas e hipóteses são, evidentemente, conteúdos aos quais o cientista
                      precisa atribuir funções muito diferentes, em sua atividade de investigação e de sistematização de conheci-
                      mentos, mas são também conteúdos que distinguimos porque a língua nos proporciona para eles formas de
                      representação diferenciadas. A análise solicitada por esta pergunta dá uma idéia do importante papel que a
                      linguagem desempenha na criação e sistematização de conhecimentos.

48
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa


   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) Telômero; através do oposto.
                  b) “Apêndices dos cromossomos que compõem o material genético”; “Os de Dolly são...”.
                  c) “Nesse sentido os telômeros estão fundamentalmente ligados ao envelhecimento”.


                  Candidato B
                  a) A presença dos telômeros curtos é caracterizado como problema. Esse problema é explicado através do
                     fato de Dolly ter sido criada a partir de uma célula adulta.
                  b) A passagem do texto que expressa uma verdade genética dada como conhecida de todos é a seguinte:
                     “Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo da
                     vida”. A expressão que indica esse compartilhamento é a expressão “sabe-se”.
                  c) A passagem do texto que expressa uma hipótese é: “Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento
                     precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar”.


QUESTÃO 5
                  Leia o texto abaixo, que apresenta outra “novidade” científica
                  Raposa na pele de cordeiro – Os golfinhos sempre tiveram uma das mais agradáveis imagens do mundo
                  animal. Dóceis e úteis, permeiam a literatura infantil com gestos dignos do melhor samaritano. Flipper que
                  o diga. Bom, descobriu-se que a coisa não é bem assim. Seguindo um rastro de evidências perturbadoras,
                  cientistas de vários países, que vêm estudando com mais cautela o comportamento desses mamíferos,
                  chegaram a uma triste conclusão: os golfinhos estão longe de ser aquelas criaturas felizes e pacíficas.
                  Foram observadas práticas de infanticídio – golfinhos adultos matando filhotes – e morte em série de outros
                  mamíferos aquáticos. Em locais tão distantes entre si quanto a costa americana e a da Irlanda, os golfinhos
                  usam seu bico pontudo e dentado como clavas para bater e retalhar suas presas. Mas, diferentemente de
                  outros animais carnívoros, eles não comem um pedaço sequer de suas vítimas. Como a espécie é muito
                  social com humanos, teme-se que essa violência possa se repetir em parques aquáticos ou cidades costei-
                  ras, onde há muita proximidade com golfinhos. (ISTOÉ 1554, 14/07/99)
                  a) suponha que alguém não saiba nada sobre golfinhos. Como os classificaria, do ponto de vista da zoolo-
                      gia, com base nas informações fornecidas pelo texto?
                  b) qual o receio expresso na última frase do texto, e o que o justifica?
                  c) Nas fábulas, o inimigo do cordeiro não é a raposa. Tendo isso em conta, qual deveria ser o título deste
                      texto?

      Resposta    a) Os golfinhos são mamíferos (aquáticos) e carnívoros.                                     (2 pontos)
      esperada    b) O receio é que os golfinhos ataquem humanos; a razão é que nos parques aquáticos freqüentemente há
                     golfinhos e nas cidades costeiras, golfinhos poderiam ter acesso a humanos.              (2 pontos)
                  c) Lobo na pele de cordeiro.                                                                 (1 ponto)


    Comentário
                      Mais uma vez, responderia bem à questão quem tivesse uma compreensão adequada do texto, que fala de
                  golfinhos, a propósito de algumas descobertas recentes que põem em dúvida sua docilidade e sua sociabilida-
                  de com os humanos. Em a, pedia-se ao candidato que extraísse do texto uma classificação zoológica dos
                  golfinhos: para isso, bastaria observar que o texto fala às vezes desses animais como um conjunto que pode
                  ser isolado num conjunto maior: “esses mamíferos”, “[os golfinhos e] outros [animais que, como os golfinhos
                  são] mamíferos aquáticos”, “[outros] animais carnívoros”; b pedia, em resumo, que o candidato, tendo lido no
                  texto que os golfinhos matam outros mamíferos aquáticos e sabendo que os seres humanos são mamíferos
                  que se aventuram em águas freqüentadas pelos golfinhos, principalmente em cidades costeiras e parques aquáti-
                  cos, tirasse a conclusão de que os golfinhos representam risco para os seres humanos. Para responder a c, bastava
                  lembrar que o inimigo tradicional do carneiro é o lobo, chegando assim ao ditado “lobo em pele de carneiro”.

   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) Se classificaria o golfinho sendo um animal extremamente perigoso, comparando às vezes até mesmo
                     com o tubarão.
                  b) O receio é que as atitudes do golfinho possa se repetir em parques aquáticos ou cidades costeiras, onde
                     há muita proximidade com eles.
                  c) Seria: Cordeiro na pele de Raposa.
                                                                                                                                      v




                                                                                                                                49
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa




                 v
                      Candidato B
                      a) Os golfinhos seriam classificados como mamíferos aquáticos e carnívoros.
                      b) Há receio que os golfinhos ataquem pessoas em parques aquáticos ou cidades costeiras e é justificado
                         pelo comportamento observado em estudos mais aprofundados sobre a espécie.
                      c) “Lobo na pele de cordeiro”.


QUESTÃO 6
                      Millôr Fernandes, considerado um dos maiores humoristas brasileiros, escreveu o texto “Leite, quéqué
                      isso?” em sua coluna no Caderno 2, no jornal O Estado de S. Paulo de 22/08/99. Abaixo, está um excerto
                      deste texto. Leia-o com atenção e responda:
                      Vocês, que têm mais de 15 anos, se lembram quando a gente comprava leite em garrafa, na leiteria da
                      esquina? Lembram mais longe, quando a vaca-leiteira, que não era vaca coisa nenhuma, era uma caminho-
                      nete-depósito, vinha vender leite na porta de casa? Lembram mais longe ainda, quando a gente ia comprar
                      leite no estábulo e tinha aquele cheiro forte de bicho, de bosta e de mijo, que a gente achava nojento e só
                      foi achar genial quando aprendeu que aquilo tudo era ecológico? Lembra bem mais longe ainda, quando a
                      gente mesmo criava a vaca e pegava nos peitinhos dela pra tirar o leite dos filhos dela, com muito jeito pra
                      ela não nos dar uma cipoada?
                      Mas vocês não lembram de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é leite. Estou falando isso
                      porque agora mesmo peguei um pacote de leite – leite em pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e
                      estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embromatologia,
                      foi enriquecido e o escambau.
                      a) a palavra “embromatologia” soa como um termo técnico, mas não é. Diga por que parece e por que não é.
                      b) o texto mostra que a moda pode afetar nossos gostos. Em que passagem?
                      c) as informações técnicas que acompanham muitos produtos não necessariamente esclarecem o consu-
                          midor, mas impressionam. Transcreva a passagem do texto em que o autor alude a tal problema nesses
                          textos.

          Resposta    a) O radical “-logia” (-tologia) usualmente identifica campos de conhecimento (como em geologia, ecolo-
          esperada       gia), mas embromar não é um desses campos de conhecimento.                               (2 pontos)
                      b) Achávamos nojento o cheiro de bicho, de bosta e de mijo, mas a ecologia nos fez achar
                         isso genial.                                                                              (1 ponto)
                      c) “... e estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina...”      (2 pontos)

                           O texto de Millôr Fernandes mostra, a propósito de um produto que todos julgamos conhecer de perto – o
        Comentário
                      leite – até que ponto nossa sociedade perdeu o contato com o real e passou a viver de suas representações
                      ideológicas. O contato perdido com os animais é valorizado, mas não recuperado, pelo modismo ecologista; as
                      propriedades do leite não são mais as do conteúdo da caixa (para a qual não há garantias), mas as que vêm
                      impressas no rótulo. Para mostrar que essas mensagens mais impressionam do que informam, Millôr Fernan-
                      des lembra, antes de mais nada, que para a maioria das pessoas a própria palavra “pasteurizar ou pausterizar”
                      é, por si só, motivo de dúvida; não seria de esperar que as pessoas soubessem o que significa. Para mostrar
                      que é possível falar difícil, sem dar à fala qualquer cientificidade, cria a palavra “embromatologia”, que parece
                      o nome de uma ciência (devido ao seu prefixo grego, que é o que forma a maioria dos nomes de ciências), mas
                      não é, porque nesse texto não significa “estudo científico da embromação”. A expressão “e o escambau”, uma
                      forma pouco lisonjeira de “etcétera”, lembra, por fim, que há muito mais conversa fiada nos rótulos dos
                      produtos industrializados, mas que não compensa entrar em detalhes, porque qualquer conversa fiada vale
                      qualquer outra conversa fiada, para quem tem bom senso.

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) ............
                      b) “leite em pacote, imagine, Tereza!”.
                      c) “Tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau”.


                      Candidato B
                      a) Embromatologia soa como um termo técnico devido ao “logia” de sua terminação, que significa estudo.
                         Não é um termo técnico porque vem da palavra embromar, que significa enganar.
                      b) “... foi achar genial quando aprendeu que aquilo tudo era ecológico...”.
                      c) “...estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá...”.

50
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa


                       2. As questões de Literatura
                        Uma prova de literatura deve constituir-se num modo de verificar se o candidato teve contato efetivo
                    com o texto literário. Não se trata, portanto, de cobrar informações externas a ele e que nada tenham a ver
                    com a sua organização. Logo, uma boa prova de literatura para concluintes de 2º grau deve colocar em
                    relevância aquilo que, de fato, o candidato apreendeu de sua experiência de leitura. Se tal experiência não
                    ocorreu (tendo ele se restringido a memorizar resumos, esquemas e mesmo comentários críticos), não se
                    pode afirmar de maneira alguma que ele conheça literatura. O que resultou desse modo de aprendizado é
                    simplesmente um conglomerado de informações gerais que não dependem de qualquer leitura de um
                    texto literário.
                        A prova elaborada pela Unicamp tem exatamente o seguinte escopo: cobrar uma leitura efetivamente
                    realizada, entendendo-se por isso a compreensão dos elementos fundamentais na construção de uma
                    obra literária (modos de narração, ação, personagens, organização episódica etc.) bem como a apreensão
                    desses elementos no plano da própria linguagem (procedimentos de estilo, recursos discursivos etc.). No
                    caso específico da leitura de poemas, tenta-se avaliar a capacidade de apreensão do texto através do
                    reconhecimento dos seus recursos poéticos mais relevantes e das relações que o candidato é capaz de
                    estabelecer entre as partes e o todo.



QUESTÃO 7
                  Em A Relíquia de Eça de Queirós, várias são as mulheres com quem Teodorico Raposo, o herói e narrador,
                  se vê envolvido. Dentre elas, podemos citar Mary, Adélia, Titi, Jesuína, Cíbele.
                  a) uma dessas personagens é importantíssima para a trama do romance, já que acompanha o narrador
                      desde a infância, e deve-se a ela a origem de todos os seus infortúnios posteriores. Quem é e o que fez
                      ela para que o plano de Raposo não desse certo?
                  b) a qual delas Raposo se refere como “Tinha trinta e dois anos e era zarolha”? Que relações tem essa
                      personagem com Crispim, a quem o narrador denomina como “a firma”?

      Resposta    a) Entre as diversas personagens femininas citadas no enunciado da questão, apenas uma acompanhou
      esperada       Teodorico Raposo desde a infância. Trata-se de Titi, sua tia, a cuja herança ele teria direito, caso se
                     comportasse como um perfeito católico (na acepção de sua tia). Como tal não aconteceu e, tendo sido
                     descoberto o engodo que Raposo lhe preparava, Titi deserdou-o.                               (3 pontos)
                  b) Jesuína é a referida personagem. O candidato deveria ter observado que é finalmente com ela que
                     Teodorico se casa. Trata-se da irmã de Crispim, o próspero amigo, herdeiro da firma Crispim & Cia. Não
                     sem ironia, Teodoria o chama de “a firma” para sugerir que a identidade do amigo se sustentava mais no
                     valor financeiro do que no afetivo.                                                          (2 pontos)

                      A questão trata do romance A Relíquia, de Eça de Queirós, mais precisamente do papel que nele exercem
    Comentário
                  determinadas figuras femininas. Esperava-se que o candidato, num primeiro momento, conseguisse destacar
                  a figura proeminente da tia do narrador-personagem, articulando-a com a origem e o desfecho da trama
                  central. Quanto à segunda personagem a que se refere a questão, trata-se de Jesuína, que, embora apareça
                  apenas aludida no final do romance, é de capital importância para se compreender que, apesar de tudo, o
                  herói do romance nada perde da sua esperteza original.

   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) Tal personagem era Titi, que acabou trocando o que Teodorico levaria como se fosse uma relíquia por
                     uma peça íntima e ousada, feminina.
                  b) Se refere a Cibele, que era filha de Crispim e que Teodorico Raposo pretendia casar visando o dinheiro de
                     seu pai.


                  Candidato B
                  a) A personagem é Titi, tia de Teodorico Raposo. Mulher muito devota a quem Teodorico finge ser devoto
                     também para receber sua herança. O plano de Raposo não deu certo pois trocou os embrulhos e acabou
                     entregando à sua tia (que tinha lhe pedido que trouxesse de sua viagem uma relíquia) o pacote com a
                     camisola de Mary. A tia, que não aprovava relações amorosas, expulsou o sobrinho de casa, que perdeu
                     o direito à fortuna da tia (ficando apenas com um binóculo).
                  b) Refere-se a Jesuína, irmã de Crispim e futura esposa do Raposão.

                                                                                                                            51
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

QUESTÃO 8
                      Ficou o Padre Bartolomeu Lourenço satisfeito com o lanço, era o primeiro dia, mandados assim à ventura,
                      para o meio duma cidade afligida de doença e luto, aí estão vinte e quatro vontades para assentar no papel.
                      Passado um mês, calcularam ter guardado no frasco um milheiro de vontades, força de elevação que o padre
                      supunha ser bastante para uma esfera, com o que segundo frasco foi entregue a Blimunda. Já em Lisboa
                      muito se falava daquela mulher e daquele homem que percorriam a cidade de ponta a ponta, sem medo da
                      epidemia, ele atrás, ela adiante, sempre calados, nas ruas por onde andavam, nas casas onde não se
                      demoravam, ela baixando os olhos quando tinha de passar por ele, e se o caso, todos os dias repetido, não
                      causou maiores suspeitas e estranhezas, foi por ter começado a correr a notícia de que cumpriam ambos
                      penitência, estratagema inventado pelo padre Bartolomeu Lourenço quando se ouviram as primeiras mur-
                      murações.
                      No trecho acima, extraído de Memorial do Convento de José Saramago aparecem duas personagens centrais
                      do romance, num momento decisivo para o desenrolar de um episódio muito significativo do livro e que
                      ocupa boa porção da primeira parte deste.
                      a) qual é esse episódio e o que têm a ver com ele as personagens Blimunda e padre Bartolomeu Lourenço?
                      b) ao lado do episódio a que se está referindo o trecho acima, o romance relata um outro, que é o da
                          construção do convento que se passa num outro espaço. Faça uma analogia entre as condições de vida
                          nesse outro espaço, Mafra, com aquelas existentes em Lisboa, tais como se podem depreender do trecho
                          citado.

          Resposta    a) O episódio a que se refere o fragmento citado é o da construção da passarola, ação que é comandada
          esperada       pelo Padre Bartolomeu Lourenço. Blimunda e seu marido Baltasar Sete-Sóis auxiliam o padre em seu
                         empreendimento. A participação de Blimunda é decisiva, pois é ela quem se responsabiliza por capturar
                         as vontades que farão a passarola erguer-se do solo.                                       (3 pontos)
                      b) O outro episódio é o que dá nome ao romance. Trata-se da construção do grande mosteiro em Mafra. Do
                         mesmo modo como em Lisboa, onde está a sede do poder monárquico português, espalha-se a miséria
                         e a fome, em Mafra, aqueles que constróem o convento, símbolo da ostentação real e da religião, pade-
                         cem da opressão e de condições precárias de sobrevivência.                                 (2 pontos)


        Comentário        Nessa questão, o que se pedia era que o candidato demonstrasse ter entendido a contraposição entre dois
                      grandes planos narrativos: a construção da passarola e a edificação do convento. De um lado, a tentativa de
                      materialização de um sonho do homem (voar) e, de outro, a concretização de um poder opressivo. Considera-
                      se que saber captar a relação entre esses planos bem como perceber a relevância de determinadas persona-
                      gens nos episódios que compõem tais planos é condição básica para se entender o significado crítico do
                      romance.

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) O episódio seria o pecado cometido pelas personagens. Pecado este que fez com que tais personagens
                         cumprissem a “penitência” citada. A relação com Blimunda e o padre Bartolomeu Lourenço é que ambos
                         teriam sido corrompidos por cederem a prazeres carnais.
                      b) A relação é da dificuldade e ardor que estão inerentes em ambos os espaços. A idéia de dúvida sobre o
                         verdadeiro motivo das tais ações e as condições de uma possível “penitência” nas duas situações.


                      Candidato B
                      a) O episódio é a construção da passarola, que iria voar pelos céus. Padre Bartolomeu Lourenço é o inventor
                         da passarola e dá as instruções para a construção da mesma. Blimunda, além de ajudar Baltasar na
                         construção, é responsável por recolher as vontades humanas, as quais farão a passarola levantar vôo.
                      b) Em ambos os espaços observa-se péssimas condições de vida para o povo, o qual vive mergulhado em
                         sofrimentos. Em Mafra, o sofrimento vem da exploração do trabalho e em Lisboa, da epidemia que mata
                         assustadoramente.


QUESTÃO 9
                      Uma semana depois, Lobo Neves foi nomeado presidente de província. Agarrei-me à esperança da recusa,
                      se o decreto viesse outra vez datado de 13; trouxe, porém, a data de 31, e esta simples transposição de
                      algarismos eliminou deles a substância diabólica. Que profundas que são as molas da vida!
                      Trata-se do capítulo CX, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e que significativa-
                      mente tem o título de “31”.
52
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

                  a) o narrador refere-se aí a um episódio de bastante importância para o prosseguimento de sua vida amo-
                     rosa. Quais as relações entre o narrador e a personagem Lobo Neves aí citada?
                  b) que episódio anterior deve ser levado em conta para se entender o trecho “Agarrei-me à esperança da
                     recusa, se o decreto viesse outra vez datado de 13” ?
                  c) a frase “Que profundas que são as molas da vida!” pode ser interpretada como irônica no contexto do
                     romance. Por quê?

      Resposta    a) Da recusa do cargo por parte Lobo Neves deve ocorrer a óbvia permanência de Virgília, sua esposa, de
      esperada       quem Brás Cubas, o narrador-personagem, é amante.                                            (1 ponto)
                  b) Anteriormente, o marido, Lobo Neves, já havia sido nomeado para um cargo idêntico e, na ocasião, ele o
                     recusara porque o decreto datava de um dia 13, número que marcava vários azares na sua vida (o pai
                     morrera num dia 13, treze dias depois de um jantar onde havia treze pessoas; a casa onde morrera a mãe
                     tinha o número treze). Brás Cubas, no trecho citado, tinha a esperança de que o novo decreto viesse
                     datado do mesmo número e que com isso o rival desistisse de partir e a esposa lhe continuasse disponí-
                     vel.                                                                                        (2 pontos)
                  c) A frase refere-se ao fato de que o decreto não foi datado de um providencial dia 13, mas do dia 31. Os
                     algarismos, embora sendo os mesmos, tinham perdido na nova ordem seu “poder diabólico” (não eram
                     mais o número de azar de Lobo Neves e de sorte de Brás Cubas). A referência à profundidade das “molas
                     da vida” é irônica, porque assinala que o destino das pessoas (no caso, do próprio Brás Cubas e de
                     Virgínia) depende de uma banalidade, como a troca de posição dos algarismos, por exemplo. (2 pontos)


    Comentário        Na questão 9, pede-se que o candidato atente para uma relação de causalidade entre determinados
                  episódios, nos quais se torna evidente o tipo de laços que se dão entre duas personagens importantes do
                  romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Além disso, levando em conta uma das
                  características mais conhecidas do estilo do autor, espera-se que o candidato saiba identificá-la numa seqüên-
                  cia bastante evidente do trecho citado.

   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) A relação é que Lobo Neves nomeado presidente da província daria um emprego a Brás Cubas (narrador-
                     personagem).
                  b) Para Brás Cubas, 13 não era um número de sorte porque ele morara boa parte de sua vida numa casa de
                     número 13, seu pai morreu num dia 13, ele havia participado de um jantar onde estiveram 13 pessoas.
                     Enfim, se o decreto fosse realizado no dia 13, Brás achava que não fosse dar certo.
                  c) Sim, porque a simples mudança da data do dia 13 para o dia 31 (transposição de algarismos) fez com
                     que tudo desse certo para Brás como se o número fosse o único responsável.


                  Candidato B
                  a) O narrador é amante da esposa de Lobo Neves.
                  b) Deve-se levar em conta um episódio anterior da narrativa, no qual Lobo Neves recusa-se a assumir um
                     cargo para o qual fora nomeado pois a nomeação era datada do dia 13, número que trazia lembranças
                     funestas a esse mesmo Lobo Neves.
                  c) Porque expressa o oposto do que o narrador está pensando já que os fatos que ele finge tratar como
                     “profundas molas da vida” são, na realidade, considerados por ele meras superstições infundadas.


QUESTÃO 10
                  Um “quarup”, a ser organizado por índios de área próxima ao posto do Serviço de Proteção aos Índios, no
                  Brasil Central, é uma das idéias mais constantes do segundo e terceiro capítulos do romance Quarup, que
                  Antônio Callado publicou em 1967. Não se trata de uma insistência aleatória: o terceiro capítulo culmina
                  com o relato daquela festa ritualística, que, nesse caso, envolve vários acontecimentos decisivos para uma
                  boa compreensão da obra.
                  a) aquele “quarup” coincide no romance com a notícia de um acontecimento trágico, que teria abalado o
                     quadro político brasileiro. Que acontecimento foi esse? Que outro fato político vinculado com aquele
                     acontecimento é referido no romance em páginas imediatamente precedentes ao relato do “quarup”?
                  b) por que um dos protagonistas diz que aquele será provavelmente o último “quarup” daquela tribo?

      Resposta    a) O acontecimento, cuja notícia coincide com o quarup, é a morte-suicídio de Getúlio Vargas. O anúncio
      esperada       desse acontecimento é precedido ou prenunciado pelo tumultuado episódio no qual teria sido ferido o
                     jornalista e político Carlos Lacerda, inimigo confesso de Vargas.                          (3 pontos)
                                                                                                                                   v




                                                                                                                             53
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa




                 v
                      b) O protagonista que afirma isso é Otávio. Refere-se ele ao fato de que aquela tribo está em extinção.
                         Lembre-se que ele dizia que Canato preparava o velório e a comedoria de Uranaco, mas ninguém iria
                         fazer o mesmo por Canato.                                                                 (2 pontos)


        Comentário        O que se pede na questão 10 é bastante simples, mas exige boa compreensão do romance. Ao solicitar que
                      o candidato relembre a ocorrência de um episódio histórico, a morte de Vargas, num dado momento da trama, é
                      preciso levar em conta que não se trata de qualquer episódio histórico. Ao contrário, trata-se de uma referência
                      fundamental para se entender a importância que a História do país tem na trama da obra. Nesse sentido, a
                      referência ao último quarup daquela tribo, coincidindo com a notícia da morte de Vargas, não é simples acaso.
                      Vale destacar, portanto, que a verificação de leitura suposta aqui (bem como na questão 8) leva em conta não só
                      a memória da leitura, mas também a capacidade do candidato de ir além do significado literal da obra.

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) A tomada do governo pelos militares em 64, e a repressão do governo contra movimentos revolucionários
                         de esquerda.
                      b) Porque julga que o governo tentará repreender esse ritual por considerá-lo irrelevante para o governo e
                         para a nação.


                      Candidato B
                      a) O acontecimento trágico foi o suicídio de Getúlio Vargas. Outro fato político foi o atentado da Rua Tone-
                         leros, com a morte de um oficial do exército e o ferimento de um jornalista de oposição a Vargas.
                      b) Porque a tribo estava se aculturando, perdendo seus hábitos normais, além de que, a tribo também
                         estava se extinguindo.


QUESTÃO 11
                      Os trechos abaixo do romance Madame Pommery referem-se a duas personagens importantes não só do
                      ponto de vista de sua participação na trama, como também do ponto de vista de sua presença no quadro
                      social de São Paulo no início deste século.
                         “
                      I. Uma centena de páginas adiante, vemos Pinto Gouveia, coronel e capitalista, desalojado do Paradis com
                      uma enorme conta a liquidar de 12.914$400!... E entretanto, o fato, embora muito sabido, passou com
                      algumas risadas maliciosas como cousa permitida, natural e costumeira...”
                          “
                      II. Com esta sublimação de ideais, a vida de Justiniano discorria tranqüila e ignorada, mas augusta, como
                      esses trabalhos tão portentosos como invisíveis da natureza, na vegetação dos polipos, das esponjas, e dos
                      zoófitos em geral. Mas não se vá imaginar, por isso, que era uma vida toda ela na sombra e nas profundida-
                      des. Tinhas os seus dias de florir e aparecer à luz , com pompa e solenidade. Justiniano florescia e Justini-
                      ano se ostentava, nos dias de procissão e de festas nacionais.
                      Sair de opa e de estandarte na procissão de Corpus Christi, envergar a sobrecasaca, pôr cartola e cumpri-
                      mentar o Presidente no dia 15 de Novembro, eram os acontecimentos mais festivos, as grandes funçanatas
                      de toda a sua existência. Afora isso, novenas, missas, sermões uma vez por outra, o Raposo Botelho, o Jornal
                      do Commercio e o Mensageiro Episcopal, enchiam-lhe os mais dos ócios que lhe deixavam a revisão e os
                      lançamentos. E ainda lhe sobrava tempo de pensar na aposentadoria; e não só tempo, ao que parece, pois
                      ia à Caixa Econômica uma vez por mês com exemplar pontualidade, e em seguida ao pagamento...
                      a) faça uma comparação entre ambas as personagens, Pinto Gouveia e Justiniano, quanto à sua participa-
                            ção nos projetos de Madame de Pommery.
                      b) aponte, no segundo trecho, expressões que demonstrem como o narrador descreve Justiniano como
                            metódico, religioso e patriota. Considerando o destino dessa mesma personagem, explique porque essa
                            descrição é, na verdade, irônica.

          Resposta    a) As duas personagens têm o mesmo destino: ambas são vítimas dos negócios e interesse de Madame
          esperada       Pommery. O Doutor Pinto Gouveia é aquele que lhe emprestara os seis contos, ainda nos primeiros
                         tempos da carreira desta e que, ao final de dois meses, se via, por conta de sua credulidade nos favores
                         da referida senhora, devendo muito mais. O caso de Justiniano Sacramento é semelhante: funcionário de
                         uma repartição de arrecadação do estado, cabe-lhe a tarefa de vistoriar e lançar imposto sobre o “Paradis
                         Retrouvé” de Madame Pommery, que a seus olhos nada tinha de uma pensão familiar. Lançado o impos-
                         to, aliás bastante pesado, Justiniano é seduzido pelos encantos da vida que se levava naquele palácio. E,
                         assim, não só Madame Pommery se vê livre dos impostos, como Justiniano vai rapidamente perdendo
                         suas economias acumuladas a custo de uma vida metódica.                                       (2 pontos)
                                                                                                                                         v




54
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa




             v
                  b) A caracterização de Justiniano como metódico, religioso e patriota pode ser percebida através de expres-
                     sões ou trechos como: “com exemplar pontualidade”, “sair de opa e de estandarte na procissão de
                     Corpus Christi”, “cumprimentar o presidente”. Considerando que Justiniano, ao fim do romance, cai na
                     mais absoluta desgraça por conta da armadilha tramada por Madame Pommery, é de se entender que
                     toda essa seriedade e religiosidade escondiam um tipo de pessoa não só ingênua como ocultamente
                     voltada para os prazeres da vida.                                                            (3 pontos)


    Comentário        O espírito da questão 11 é similar ao da questão 9, na qual se solicita que o candidato revele uma leitura
                  atenta da obra, através da relação entre episódios. Nesta questão, a relação solicitada é aquela que se estabe-
                  lece entre os papéis desempenhados por duas personagens masculinas centrais no desenvolvimento da trama.
                  Trata-se de um modo de verificar se, por comparação, o candidato é capaz de estabelecer aproximações e
                  diferenças entre personagens relevantes. A pergunta sobre os elementos do texto com que o narrador descreve
                  Justiniano tem função semelhante àquela que consta da questão 8 e que se refere ao recurso estilístico da
                  ironia.

   Exemplos de    Candidato A
      respostas   a) Pinto Gouveia, por ser mais rico, ajuda financeiramente nos projetos de Madame Pomery enquanto
                     Justiniano, por ter um caráter metódico, ajuda na criação e desenho do projeto. Ajuda também na reza
                     para que o projeto seja bem concluído.
                  b) As expressões seriam: “sublimação de ideais” (metódico), “augusta” (religioso), “e Justiniano se ostenta-
                     va, nos dias de procissão e de festas nacionais” (religioso e nacionalista). Ele acaba sendo morto pelo
                     próprio governo por ter uma relação amorosa com uma freira (ação de um não religioso).


                  Candidato B
                  a) Ambas são utilizadas por Madame Pommery para resolver aspectos financeiros. Pinto Gouveia dá à
                     Madame seis contos, dinheiro com o qual ela monta o Paradis Retrouvé, um Bordel de “Luxo”. Justiniano
                     por classificar o Paradis como hotel e local de apresentações, determinações que custariam altos impos-
                     tos à Pommery, é convidado a ingressar no Paradis, sob o argumento que lá é freqüentado por grandes
                     figurões e pessoas importantes. Assim Justiniano acaba por “mudar de idéia” classificando o Bordel
                     como pensão familiar. Ambos são descartados após não terem mais serventia.
                  b) “Sair de opa e de estandarte na procissão de Corpus Christi, (...) cumprimentar o presidente no dia 15 de
                     novembro, eram os acontecimentos mais festivos de sua existência”; “missas, novenas, sermões”; “uma
                     vez por mês com exemplar pontualidade”. É irônica, porque o personagem ingressa no Bordel e depois
                     disso nunca mais foi o mesmo, endividando-se e gastando seu dinheiro com as “alunas”.


QUESTÃO 12
                  O poema abaixo tem como referência uma cantiga tradicional muito conhecida que diz:
                                               O anel que tu me deste
                                               Era vidro e se quebrou
                                               O amor que tu me tinhas
                                               Era pouco e se acabou.
                  Leia-o com atenção.
                                                   Cantiga
                                                                          “O anel que tu me deste”[...}
                                                   Onde os anéis, onde os dedos
                                                   das estrelas neblinadas
                                                   Onde os caminhos das luas
                                                   descambando em madrugadas
                                                   Onde os sonhos que juntamos
                                                   nas mesmas águas pisadas
                                                   Onde o amor que de tão grande
                                                   ( no cair da trovoada)
                                                   sorria tão manso manso
                                                   como os olhos da boiada?
                                                   Me vejo: este anel partido
                                                   arcoflexa sem sentido
                                                                                                                              55
Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

                                                       ontem nos dedos da mão
                                                       hoje punhal solidão
                                                       que fere as cores da pele
                                                       sem gemido, sem um não
                                                       traçando um lugar vazio
                                                       na palma de cada mão
                                                       Arrastado amor antigo
                                                       desmanchado do contigo
                                                       desfibrado do comigo
                                                       quebrado na encantação
                                                       Aquele anel que de vidro
                                                       no abstrato se mudou
                                                       sumiu das fibras dos dedos
                                                       do círculo em que se fechou
                                                       Naquele anel que me deste
                                                       no vidro em que se quebrou
                                                       foi-se o amor que tu me davas
                                                       que era nada, se acabou
                                                                       ( Zila Mamede)
                      a) há um conjunto de expressões na primeira estrofe, sugerindo que o amor aí referido tem um contorno
                         vago, mais de penumbra do que de luminosa claridade, mais de tranqüilidade do que de agitação. Cite
                         pelo menos duas dessas expressões.
                      b) o caráter suave do amor, referido pelo poema na primeira estrofe, está contrastado, na segunda, por
                         expressões que indicam de modo agudo o sentimento decorrente de sua ruptura. Cite pelo menos duas
                         dessas expressões e tente relacioná-las (por oposição ou não) com os três últimos versos da mesma estrofe.
                      c) explique o verso “quebrado na encantação”, relacionando-o não só com o poema todo, mas também
                         com a cantiga original.

          Resposta    a) As expressões mais relevantes para indicar aquela forma de amor são: “estrelas neblinadas”, “luas des-
          esperada       cambando em madrugadas”, “sonhos”, “tão manso manso”.                                         (1 ponto)
                      b) As expressões que indicam mais fortemente o sentimento decorrente da ruptura amorosa são: “arcoflexa
                         sem sentido” e “punhal solidão”. A expectativa é a de que o candidato perceba a contraposição entre a
                         violência da ruptura (“punhal solidão”) e o sentimento de vazio, o silêncio, que se manifestam nos três
                         últimos versos ( “sem gemido, sem um não”, “lugar vazio”).                                   (2 pontos)
                      c) Trata-se de um verso que sintetiza todo o poema, porque retoma a idéia da ruptura amorosa ( “quebra-
                         do”), e denuncia pela palavra “encantação” o caráter ilusório de que era revestido esse amor ( “que era
                         nada, se acabou”). Nesse sentido , afirma-se uma diferença entre a cantiga original e o poema: naquela
                         o amor “era pouco”, neste “era nada”.                                                        (2 pontos)


        Comentário        A questão 12 tem a ver com a verificação da capacidade de leitura de um texto poético, supostamente
                      desconhecido do candidato. Essa capacidade se revela na compreensão do significado do poema como um todo
                      (pergunta c) e na percepção de detalhes, que, no seu conjunto, garantem tal compreensão (perguntas a e b).

       Exemplos de    Candidato A
          respostas   a) “onde os caminhos das luas descambando em madrugadas”.
                      b) “onde os anéis, onde os dedos” com “ontem nos dedos da mão” e ainda “na palma de cada mão”.
                      c) O anel se quebra durante o encantamento do amor. No momento que o encantamento é grande, belo e
                         puro o anel se quebra e prova que amor ali não tinha.


                      Candidato B
                      a) As expressões da primeira estrofe são: “estrelas neblinadas” e “sorria tão manso manso”.
                      b) Expressões como “arcoflexa sem sentido” e “punhal solidão” indicam o sentimento decorrente da ruptura
                         do amor. A primeira contrapõe-se aos últimos versos da segunda estrofe, pois indica algo sem sentido que
                         estaria “traçando um lugar vazio”. A segunda relaciona-se aos três últimos versos que aludem à solidão
                         através de expressões como “lugar vazio”.
                      c) O anel simbolizava a união, o amor de caráter encantado e a ruptura do anel – “quebrado na encantação”
                         – é uma metáfora do fim do amor a que se faz referência tanto no poema quanto na cantiga original.

56
Biologia
Biologia


                             A prova de Biologia do Vestibular Unicamp procura avaliar o conhecimento, a compreensão e a aplica-
                         ção dos conceitos básicos do ensino médio, abrangendo amplamente o conteúdo programático. Visa
                         também a verificar a capacidade de estabelecer relações entre os diferentes fenômenos biológicos, reco-
                         nhecendo a unidade dentro da diversidade. Assim, têm sido solicitadas explicações para fenômenos ob-
                         servados no cotidiano do candidato, interpretação e análise de informações apresentadas em gráficos,
                         figuras, tabelas, experimentos e interrelação de conhecimentos dentro dos diferentes campos da Biologia
                         e com outras áreas. São utilizadas também informações veiculadas pelos meios de comunicação valori-
                         zando o candidato que procura se manter informado e que faz uma leitura crítica com base nos conheci-
                         mentos de Biologia adquiridos no ensino médio.
                             As doze questões da 2ª fase apresentam itens que permitem estabelecer graus diferentes de dificulda-
                         de, direcionar as respostas e tornar a correção mais precisa e objetiva.



QUESTÃO 13
                       No século XVIII foram feitos experimentos simples mostrando que um camundongo colocado em um recipi-
                       ente de vidro fechado morria depois de algum tempo. Posteriormente, uma planta e um camundongo foram
                       colocados em um recipiente de vidro, fechado e iluminado, e verificou-se que o animal não morria.
                       a) Por que o camundongo morria no primeiro experimento?
                       b) Que processos interativos no segundo experimento permitem a sobrevivência do camundongo? Explique.
                       c) Quais as organelas celulares relacionadas a cada um dos processos mencionados na sua resposta ao
                           item b?

           Resposta    a) Porque o O2 disponível era gasto com a respiração do camundongo.                              (1 ponto)
           esperada    b) Fotossíntese e Respiração. Porque a planta, utilizando o CO2 liberado na respiração do camundongo (e da
                          planta), fazia fotossíntese, liberando O2 que o animal usava na respiração.                  (2 pontos)
                       c) mitocôndria - respiração; cloroplasto - fotossíntese.                                        (2 pontos)


     Exemplo de nota   a) Porque todo oxigênio que havia no recipiente de vidro era consumido pelo camundongo, através da
     acima da média       respiração celular.
                       b) A respiração e a fotossíntese. Através da respiração celular, o camundongo produzia gás carbônico (CO2).
                          O CO2 era utilizado pela planta para produzir glicose e oxigênio através da fotossíntese e na presença de
                          luz. O oxigênio produzido pela planta era utilizado então, na respiração, permitindo a sobrevivência do
                          camundongo.
                       c) Respiração – mitocôndrias; fotossíntese – cloroplastos.


     Exemplo de nota   a) O camundongo morria no primeiro experimento devido à falta de luminosidade e oxigenação do recipien-
     abaixo da média      te; ao contrário do segundo experimento.
                       b) Os processos interativos do segundo experimento permitiram a sobrevivência do camundongo por que a
                          luminosidade que ajudou na clorofilação da planta que dispensava o oxigênio e absorvia o CO2 emitido
                          pelo camundongo que por sua vez absorvia o oxigênio eliminado pela planta.
                       c) Oxigênio, gás carbônico e clorofila.


        Comentários
                           A questão foi simples e bastante fácil com a média mais alta da prova (3,89), exigindo conhecimentos
                       básicos dos processos de obtenção de energia e das organelas envolvidas nestes processos. Foi uma questão
                       praticamente respondida por todos os candidatos e em que mais da metade tirou notas entre 4 e 5.
                           Um dos erros mais freqüentes foi atribuir a morte do camundongo ao excesso de CO2 e à falta de alimento,
                       no caso, a planta.


QUESTÃO 14
                       Estima-se que um quarto da população européia dos meados do século XIX tenha morrido de tuberculose. A
                       progressiva melhoria da qualidade de vida, a descoberta de drogas eficazes contra a tuberculose e o desenvol-
                       vimento da vacina BCG fizeram com que a incidência da doença diminuísse na maioria dos países. Entretanto,
                       estatísticas recentes têm mostrado o aumento assustador do número de casos de tuberculose no mundo,
                       devido à diminuição da eficiência das drogas usadas e à piora das condições sanitárias em muitos países.

58
Biologia

                   a) Qual é o principal agente causador da tuberculose humana?
                   b) Como essa doença é comumente transmitida?
                   c) Explique por que a eficiência das drogas usadas contra a tuberculose está diminuindo.

       Resposta    a) Mycobacterium tuberculosis (ou: bacilo de Koch; ou bacilo da tuberculose ou M. bovis).        (1 ponto)
       esperada    b) Inalando bacilos expelidos pelos doentes, principalmente através da tosse.                   (2 pontos)
                   c) Porque o uso contínuo dessas drogas tem selecionado microorganismos resistentes.             (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) O agente causador é o bacilo de Koch.
  acima da média   b) A doença é transmitida pelo ar, quando um indivíduo contaminado tosse ou espirra, liberando gotículas
                      de secreção que contêm os bacilos. Ao inalar essas gotículas, uma pessoa sã é contaminada.
                   c) A eficiência das drogas, que são antibióticos, está diminuindo porque o uso incessante desses medica-
                      mentos ao longo dos anos selecionou os bacilos mais resistentes a esses medicamentos (matando os
                      bacilos mais fracos). Esses bacilos mais resistentes então se proliferaram, reduzindo a eficiência dos
                      antibióticos.


 Exemplo de nota   a) Vírus da tuberculose.
 abaixo da média   b) Através do ar.
                   c) Em razão da possível mutação dos agentes causadores da tuberculose.


    Comentários        A tuberculose é uma das doenças que estão ressurgindo no mundo, apesar de todos os conhecimentos
                   adquiridos a seu respeito e dos avanços no seu tratamento. A questão procurou medir o conhecimento dos
                   candidatos sobre a doença em si, seus mecanismos mais comuns de transmissão e a relação entre qualidade
                   de vida e incidência da doença. Paralelamente, verificou conhecimentos sobre seleção natural.
                       A nota média variou entre 1,68 para os candidatos da área de Artes até 2,54 para os candidatos da área
                   de Biológicas (média geral=2,20). Apesar de muito poucos candidatos terem deixado a prova em branco,
                   64% obtiveram nota menor do que 3. Este desempenho abaixo da expectativa é surpreendente, pois os
                   conhecimentos exigidos nesta questão são bastante abordados no ensino médio e o assunto tem sido muito
                   comentado na imprensa. No item b, foi dada nota parcial para respostas como “pelas secreções pulmonares
                   (ou objetos) contaminadas” e “por via respiratória”.
                       Notou-se a dificuldade dos candidatos em utilizar o conceito de seleção natural, para interpretar uma
                   situação real que é aumento da resistência às drogas.


QUESTÃO 15
                   Numa excursão à praia foram coletados alguns organismos que foram colocados em sacos plásticos e
                   identificados como: esponjas, cracas, algas macroscópicas, gastrópodes, mexilhões (bivalvos), ouriços-do-
                   mar, caranguejos e estrelas-do-mar.
                   a) Organize os animais coletados por filos.
                   b) Além dessa organização por filo, os animais podem ser classificados pela mobilidade (os fixos e os que se
                      deslocam) ou pelo seu principal modo de obter o alimento (filtradores, predadores e herbívoros). Organi-
                      ze-os segundo a mobilidade e depois, segundo o modo de obter alimentação.
                   c) Cite uma Divisão (filo) de algas macroscópicas que poderia ter sido encontrada na excursão à praia.

       Resposta     a) Esponjas – Porifera;
       esperada        gastrópodes e mexilhões – Mollusca;
                       ouriços e estrelas-do-mar – Echinodermata;
                       cracas e caranguejos – Arthropoda.                                                          (2 pontos)
                   b) Fixos: mexilhões, cracas e esponjas;
                       com locomoção: estrelas-do-mar, caranguejos, gastrópodes e ouriços;
                       filtradores: mexilhões, cracas e esponjas;
                       predadores: estrelas-do-mar, caranguejos, gastrópodes;
                       herbívoros: gastrópodes e ouriços.                                                          (2 pontos)
                   c) Chlorophyta ou Phaeophyta ou Rhodophyta.                                                      (1 ponto)




                                                                                                                            59
Biologia


     Exemplo de nota   a) Esponja – Porífero
     acima da média       Gastrópodes e mexilhoes – Moluscos
                          Estrela-do-mar e ouriço-do-mar – Equinodermos
                          Caranguejos e cracas – Artrópodes
                          Algas macroscópicas – Fitofícias
                       b) Mobilidade: esponjas e cracas – fixos
                                       demais – se deslocam
                          Alimentação: esponjas , cracas e mexilhões – filtradores
                                       gastrópodes e caranguejos – carnívoros
                                       estrela-do-mar e ouriço – herbívoro
                                       algas macroscópicas – produtores
                       c) Rodofícias.


     Exemplo de nota   a) Algas, esponjas, mexilhões, ouriços-do-mar, cracas , gastrópodes, estrela-do-mar, caranguejo.
     abaixo da média   b) esponjas, algas, cracas, ouriços-do-mar, mexilhões, caranguejos, gastrópodes, estrela-do-mar (organiza-
                          ção pela mobilidade). Organização pela obtenção de alimentos, esponjas, algas, gastrópodes, cracas,
                          mexilhões, ouriços-do-mar, estrelas do mar, caranguejos.
                       c) Algas Pirrofíceas.

        Comentários         Com esta questão objetiva e simples procurou-se avaliar o conhecimento dos candidatos sobre as caracte-
                       rísticas gerais dos grupos zoológicos e seus modos de vida. Apresentou-se uma situação que pode ocorrer no
                       cotidiano de um estudante para que ele agrupasse alguns seres vivos utilizando-se dos conhecimentos adqui-
                       ridos em sala de aula sobre taxonomia, mobilidade e hábitos alimentares.
                             Pelo desempenho dos candidatos, pode-se afirmar que esta questão apresentou pouca dificuldade, pois
                       15% obtiveram nota inferior a 2 ou a deixaram em branco, enquanto que 30% obtiveram notas 4 ou 5. Pode-
                       se dizer que, apesar desta aparente facilidade, foi uma questão que discriminou de maneira adequada os
                       candidatos. A média oscilou entre 2,09 na área de Artes a 3,34 na Área de Biológicas, demonstrando que o
                       assunto era do conhecimento dos candidatos.
                            Nos itens a e b desta questão, relacionados aos invertebrados, os candidatos mostraram desconhecer o
                       conceito de Filo. Muitos consideraram alga como grupo animal, além de outros erros grosseiros como classi-
                       ficar moluscos como artrópodes. Notou-se um desconhecimento dos modos de vida, especialmente alimenta-
                       ção e mobilidade, pois esta muitas vezes não foi relacionada a movimento ativo próprio do organismo mas ao
                       transporte passivo pela água.


QUESTÃO 16
                       As fases iniciais do desenvolvimento embrionário do anfioxo estão representadas nas figuras abaixo:




                                A                    B                  C                    D                          E

                       a) Identifique essas fases.
                       b) Descreva as diferenças de cada uma delas em relação à fase anterior.

           Resposta    a) Ovo, mórula, blástula, gástrula, nêurula.                                                    (1 ponto)
           esperada    b) Ovo (A)→ mórula (B) – clivagem ou segmentação ou formação de 32 blastômeros;
                          Mórula(B) → blástula (C) – formação da blastocele (com cavidade); mórula maciça;
                          Blástula (C) → gástrula (D) – formação do arquênteron (gastrocele) , com blastóporo a partir da
                                         invaginação de uma das regiões formando endoderme (mesentoderme) e ectoderme;
                          Gástrula (D) → nêurula (E) – ocorre simultaneamente a formação da mesoderme, celoma, tubo neural
                                         e notocorda.                                                                 (4 pontos)

60
Biologia


 Exemplo de nota   a) A representa o ovo, B a mórula, C a blástula, D a gástrula e E a nêurula.
  acima da média   b) B: no estágio de mórula, o ovo já sofrera clivagem, atingindo o estágio de 32 células.
                      C: no estágio de blástula, tem a caracterização de um espaço oco, chamado blastocele, revestido por
                         uma camada de células, chamada blastoderme, fruto de contínuas clivagens após o estágio de mórula.
                      D: a fase de gástrula se dá por um processo de invaginação sofrido pela parede dos macrômeros que
                         constituiam a blastoderme, na blástula. Depois deste processo de gastrulação por embolia forma-se o
                         arquênteron (cavidade interior = cavidade digestiva) e o blastóporo (abertura). Neste estágio há 2
                         folhetos embrionários a mesentoderme e a ectoderme (abertura).
                      E: Neurula: apresenta 3 folhetos embrionários, ectoderme, mesoderme, endoderme (os dois últimos são
                         provenientes da mesentoderme). Não há abertura que comunique a cavidade interior e exterior.


 Exemplo de nota   a) Zigoto, divisão celular, desenvolvimento, formação da estrutura e celoma.
 abaixo da média   b) Na segunda fase o zigoto se dividiu formando várias células
                      Na terceira fase houve um desenvolvimento do corpo.
                      Na quarta fase houve a formação estrutural
                      Na quinta fase o anfioxo está completo.

                       Esta questão trata das modificações que ocorrem nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário,
    Comentários
                   um assunto importante dentro da Biologia que, se bem compreendido, permite o entendimento da organogê-
                   nese e de todos os processos que se seguem.
                       A despeito da importância dos conhecimentos de Biologia do Desenvolvimento nos diferentes grupos
                   animais e de ser um assunto muito abordado no ensino médio, esta questão apresentou uma das médias mais
                   baixas da prova (1,24). Em grande parte, esta média baixa se deve ao alto índice de notas zero (46% - sendo
                   31% devido a respostas erradas e 15% a respostas em branco). No entanto, foi uma das questões que mais
                   discriminou os candidatos.
                       Verificou-se que a maior dificuldade dos candidatos foi identificar as características da blástula. Foi bas-
                   tante comum a identificação do zigoto como “embrião” e da nêurula como “organogênese”.


QUESTÃO 17
                   A fauna de fundo de cavernas é caracterizada por turbelários, minhocas, sanguessugas, muitos crustáceos
                   e insetos, aracnídeos e caramujos. Os vertebrados são representados por peixes, salamandras e morcegos.
                   Os morcegos se refugiam na caverna durante o dia. Geralmente os animais são despigmentados e os peixes
                   são cegos. Muitos insetos, miriápodes e aracnídeos têm pernas e antenas desmesuradas, não raro densa-
                   mente revestidas de cerdas. Alguns besouros têm cerdas distribuídas pelo corpo todo. A umidade constante
                   é de especial importância; geralmente os animais são estenotermos. O alimento é raro, a escuridão é
                   completa, faltam vegetais. (Adaptado de Mello Leitão, C. Zoogeografia do Brasil, 1943)
                   a) Pode-se dizer que foi a falta de luz que fez com que os peixes ficassem cegos? Explique sua resposta do
                       ponto de vista evolutivo.
                   b) No texto são citadas adaptações que permitem aos animais sobreviverem nesse ambiente. Identifique
                       uma delas e explique a sua função.
                   c) Construa uma cadeia alimentar de três níveis tróficos que pode ocorrer em cavernas, utilizando as
                       informações do texto.

       Resposta    a) Não. A falta de luz selecionou os peixes cegos por estarem melhor adaptados às condições da caverna
       esperada       e por desenvolverem outras adaptações mais vantajosas (como órgãos do sentido mais desenvolvidos).
                                                                                                                (2 pontos)
                   b) Pernas longas, permitindo perceber uma área maior ao redor;
                      ou: muitas cerdas, permitindo maior sensibilidade táctil;
                      ou: antenas desenvolvidas, permitindo maior quantidade de receptores sensoriais.          (2 pontos)
                   c) Exemplos de cadeias possíveis:
                      • fezes de morcego – besouro – aranha;
                      • turbelários – crustáceos – peixes;
                      • inseto – aracnídeos – salamandras.                                                       (1 ponto)


 Exemplo de nota   a) Não. Podemos dizer que a falta de luz selecionou os peixes que não dependiam dos olhos mas dos outros
  acima da média      sentidos.
                                                                                                                                      v




                                                                                                                                61
Biologia




                  v
                       b) O surgimento de cerdas pelo corpo suplanta a falta da luz pois aumenta a capacidade do animal em
                          tatear o meio.
                       c) Insetos → aracnídeo → morcegos.


     Exemplo de nota   a) Sim pois segundo Lamarck os órgãos que não são utilizados acabam atrofiados.
     abaixo da média   b) Cerdas que protegem das baixas temperaturas.
                       c) Vegetais → insetos → morcegos




                                        →
                               →




                                                   →
                                  decompositores

                           Esta questão envolveu conhecimentos integrados de Ecologia, Evolução e Zoologia relacionados ao ambi-
        Comentários
                       ente específico de cavernas. Porém não exigia que o candidato conhecesse de antemão as características
                       desse ambiente e dos seres que nele vivem, já que foram dadas as informações no texto. O candidato deveria
                       nelas se basear para formular suas respostas.
                           A questão se mostrou relativamente fácil, com média geral de 2,30. Praticamente não ocorreram provas
                       em branco e o número de notas zero foi baixo (6%).
                           Os erros mais freqüentes notados durante a correção foram: aceitação de que a falta de luz fez com que os
                       peixes ficassem cegos, segundo a explicação lamarckista (veja exemplos de nota); confusão entre lamarckis-
                       mo e darwinismo; atribuição de função de absorção de umidade às cerdas; inclusão de vegetais nas cadeias
                       alimentares (veja exemplos de nota), o que revela leitura desatenta, já que o texto se refere à escuridão
                       completa e à ausência de vegetais.


QUESTÃO 18
                       Muitas espécies são introduzidas em um ambiente sem que haja uma avaliação dos riscos associados a essa
                       prática. Isso tem acontecido em larga escala com peixes pelo mundo todo. A truta arco-íris já foi introduzida
                       em 82 países, uma espécie de tilápia, em 66 países e a carpa comum, em 59 países. (Ciência Hoje, 21,
                       (124): 36-44, 1996)
                       a) Cite duas possíveis conseqüências da introdução de peixes exóticos em rios e lagoas.
                       b) Caracterize os peixes quanto à anatomia do coração, quanto ao tipo de sistema respiratório e quanto ao
                          tipo de sistema circulatório.

           Resposta    a)
           esperada    • Extinção de espécies por competição, ou por alimento, ou por nichos;
                       • Diminuição / eliminação de espécies por predação, ou pela introdução de patógenos (doenças), ou com-
                          petição por nichos;
                       • Se forem introduzidas espécies herbívoras, diminuição / eliminação dos vegetais, afetando toda a cadeia
                          alimentar.
                       • Aumento da densidade de uma espécie por falta de inimigo natural, ou falta de predador.
                                                                                           (2 pontos para dois itens quaisquer)
                       b)
                       • Coração com 1 átrio e 1 ventrículo (1 seio venoso).
                       • Sistema respiratório brânquial.
                       • Sistema circulatório fechado.                                                                (3 pontos)


     Exemplo de nota   a) Uma das conseqüências é que esses peixes exóticos quando são introduzidos em um novo ambiente não
     acima da média       apresentam predadores naturais e por essa razão proliferam rapidamente podendo acabar com o alimen-
                          to da região e levar a extinção outras espécies que são dependentes desses alimentos. Outra conseqüên-
                          cia é que esses peixes exóticos podem levar a extinção da espécie da qual eles estão se alimentando.
                       b) Os peixes possuem um coração com duas cavidades, um ventrículo e um átrio, pelos quais passa apenas
                          sangue venoso. A respiração é realizada por brânquias e o sistema circulatório é fechado.


     Exemplo de nota   a) 1- Eles podem não se encaixar na cadeia alimentar, tendo coloração inadequada à sua sobrevivência
     abaixo da média         naquele ambiente, se tornando alvos muito visíveis.
                          2- Outro fator é a resistência do peixe em relação à água desses rios, como pH, acidez por exemplo.
                       b) O sistema respiratório é feito através de guelras e brânquias.

62
Biologia

    Comentários        A introdução de espécies exóticas em ambientes naturais pode ter sérias conseqüências para a flora e
                   fauna locais e este foi o assunto explorado nesta questão. Foi também pedido um conhecimento sobre aspec-
                   tos básicos da anatomia de peixes. Algumas respostas incompletas foram comuns na parte a, com a utilização
                   freqüente de termos vagos como “desequilíbrio ecológico” ou “morte dos rios”. Além disso, foi também fre-
                   qüente a utilização do termo “exótico” como sinônimo de “ornamental”.
                       O item b apresentou maior dificuldade aos candidatos, que muitas vezes usaram termos que não se
                   aplicam aos peixes, como circulação completa ou incompleta.
                       Foi uma questão fácil, em que 55% dos candidatos tiraram notas 3 e 4, mostrando, mais uma vez, que
                   temas ambientais são bastante discutidos no ensino médio despertando o interesse dos alunos.


QUESTÃO 19
                   O controle do volume de líquido circulante em mamíferos é feito através dos rins, que ou eliminam o excesso
                   de água ou reduzem a quantidade de urina produzida quando há deficiência de água. Além disso, os rins são
                   responsáveis também pela excreção de vários metabólitos e íons.
                   a) Qual é o hormônio responsável pelo controle do volume hídrico do organismo? Onde ele é produzido?
                   b) Qual é o mecanismo de ação desse hormônio?
                   c) Qual é o principal metabólito excretado pelos rins? De que substâncias esse metabólito se origina?

       Resposta    a) Hormônio antidiurético (ADH).                                                                 (1 ponto)
       esperada       Hipotálamo (ou neuro-hipófise; ou hipófise).                                                  (1 ponto)
                   b) Aumenta a reabsorção de água nos túbulos renais.                                             (2 pontos)
                   c) Uréia. De proteínas (ou polipeptídeo, aminoácidos, compostos nitrogenados ou amônia).         (1 ponto)


 Exemplo de nota   a) É o ADH (hormônio anti-diurético), produzido na hipófise.
  acima da média   b) O ADH determina a reabsorção de água nos néfrons dos rins. Quando há excesso de água a hipófise
                      produz menos ADH e o volume de urina produzida é maior. Quando há falta de água, a hipófise produz
                      mais ADH, reduzindo o volume de urina.
                   c) Trata-se da uréia, originária da amônia, resultante do metabolismo celular.


 Exemplo de nota   a) Insulina, na tireóide.
 abaixo da média   b) Controlar a quantidade de glicose no sangue.
                   c) Uréia, originária da amônia.

    Comentários        A prova de Biologia da Unicamp sempre tem contemplado assuntos relacionados à fisiologia humana,
                   abordando inclusive os mecanismos de ação de hormônios, por considerar importante que um aluno egresso
                   do ensino médio conheça os mecanismos integrados de funcionamento do organismo, importante também
                   para a compreensão de doenças e de interação entre os seres vivos. No entanto, questões desse tipo têm
                   causado dificuldade aos candidatos, pois as notas médias costumam ser baixas, mesmo que as perguntas
                   sejam diretas. Esta questão não fugiu à regra, podendo ser considerada difícil, pois a média geral ficou em
                   1,72. Notou-se também que o grau de dificuldade foi bastante variável, de acordo com a área. Desta forma,
                   candidatos da área de Artes obtiveram uma média de 0,61, enquanto que aqueles da área de Biológicas
                   obtiveram média de 2,65. Por essa razão foi uma das questões que mais discriminou os candidatos.


QUESTÃO 2O
                   Os médicos verificam se os gânglios linfáticos estão inchados e doloridos para avaliar se o paciente apresen-
                   ta algum processo infeccioso. O sistema imunitário, que atua no combate a infecções, é constituído por
                   diferentes tipos de glóbulos brancos e pelos órgãos responsáveis pela produção e maturação desses glóbulos.
                   a) Explique como macrófagos, linfócitos T e linfócitos B atuam no sistema imunitário.
                   b) Explique que mecanismos induzem a proliferação de linfócitos nos gânglios linfáticos.

       Resposta    a) Macrófagos – eliminam substâncias estranhas por fagocitose;
       esperada                    – imobilizam substâncias estranhas na membrana, estimulando os linfócitos T.
                      Linfócitos T – reconhecem substâncias estranhas na membrana do macrófago;
                                   – produzem interleucinas, que estimulam os linfócitos B a produzirem anticorpos;
                                   – eliminam células anormais.
                      Linfócitos B – produzem anticorpos.                                                        (4 pontos)
                                                                                                                                   v




                                                                                                                             63
Biologia




                  v
                       b) Presença de substâncias estranhas ao organismo
                          (ou estímulo por proteínas especiais – as interleucinas).                                         (1 ponto)


     Exemplo de nota   a) Os macrófagos atuam na fagocitose de agentes que penetram no organismo. Após a fagocitose, eles
     acima da média       expõem em suas membranas substâncias específicas desses agentes infecciosos aos linfócitos T. Estes,
                          por sua vez, reconhecem essas substâncias e enviam sinais para que os linfócitos B produzam anticorpos
                          específicos contra os invasores. Os lifócitos B podem, ainda, guardar em sua “memória” as característi-
                          cas do invasor para que, em uma próxima infecção, eles sejam novamente acionados.
                       b) Os linfócitos se proliferam nos gânglios linfáticos sempre que há agentes estranhos percorrendo o orga-
                          nismo, como uma forma de prepará-lo para combater uma possível infecção.


     Exemplo de nota   a) _____
     abaixo da média   b) Ao detectar algum corpo estranho, o organismo aumenta a produção de linfócitos nos gânglios linfáticos.

                           O sistema imunitário humano tem tido destaque em pesquisas na área biomédica e muitas vezes tornou-
        Comentários
                       se assunto da imprensa devido ao surgimento de doenças que afetam a capacidade de defesa do organismo,
                       principalmente a AIDS. Apesar disto, este é um assunto que causa dificuldades aos candidatos talvez devido
                       à complexidade dos mecanismos envolvidos. Além disso, no caso da questão, era necessária uma interpreta-
                       ção integrada e seqüencial, numa relação estímulo - resposta. A média geral foi 1,08, variando de 0,52 para
                       a área de Artes até 1,59 para a área de Biológicas, refletindo a dificuldade da questão.


QUESTÃO 21
                       No citoplasma das células são encontradas diversas organelas, cada uma com funções específicas, mas
                       interagindo e dependendo das outras para o funcionamento celular completo. Assim, por exemplo, os li-
                       sossomos estão relacionados ao complexo de Golgi e ao retículo endoplasmático rugoso, e todos às mitocôndrias.
                       a) Explique que relação existe entre lisossomos e complexo de Golgi.
                       b) Qual a função dos lisossomos?
                       c) Por que todas as organelas dependem das mitocôndrias?

           Resposta    a) Os lisossomos são produzidos como vesículas que se destacam das bolsas (cisternas, sáculos)
           esperada       do Complexo de Golgi.                                                                    (2 pontos)
                       b) Digestão intracelular.                                                                   (2 pontos)
                       c) Porque todas as funções celulares requerem energia na forma de ATP produzido nas mitocôndrias.
                                                                                                                    (1 ponto)


     Exemplo de nota   a) O Complexo de Golgi armazena substâncias e para liberá-las forma vesículas. Quando a substância
     acima da média       armazenada é a enzima digestiva, a vesícula formada leva o nome lisossomo.
                       b) A função dos lisossomos é a digestão intracelular.
                       c) Todas as organelas dependem das mitocôndrias porque estas produzem energia (ATP) através da respira-
                          ção celular aeróbica. Essa energia é utilizada pelas outras organelas para realizarem suas funções.


     Exemplo de nota   a) Os lisossomos ficam “grudados” ao Complexo de Golgi para, juntamente, fazerem a escreção da célula.
     abaixo da média   b) É de aumentar a superfície de absorção do complexo de Golgi, para auxiliá-lo na escreção da célula.
                       c) Porque todas as mitocôndrias é uma espécie de “armazém” de alimento da célula e é dela que veêm todo
                          o alimento necessário a todas as organelas.


        Comentários        Esta questão procurou verificar os conhecimentos dos candidatos sobre organelas celulares e suas inter-
                       relações morfológicas e fisiológicas. O desempenho dos candidatos foi muito bom nesta questão, com uma
                       das maiores médias (2,33) da prova. Apresentou baixa porcentagem de notas zero (15% - sendo 11% em
                       respostas erradas e 4% em branco) e discriminou adequadamente os candidatos.
                           Entre os erros conceituais mais comuns verificados durante a correção podem-se destacar algumas respostas ao
                       item a. Ao relacionar os lisossomos com o Complexo de Golgi, muitos candidatos atribuíram, erradamente, ao
                       Complexo de Golgi, a função de síntese das proteínas presentes nos lisossomos ou indicaram aquela organela como
                       o local da célula que recebe os “restos” da digestão feita pelos lisossomos, “excretando-os” para fora da célula.
64
Biologia

QUESTÃO 22
                   Abaixo estão esquematizadas as seqüências de aminoácidos de um trecho de uma proteína homóloga, em
                   quatro espécies próximas. Cada letra representa um aminoácido.
                   espécie 1: M E N S L R C V W V P K L A F V L F G A S L L S A H L Q
                   espécie 2: M E N S L R R V W V P A L A F V L F G A S L L S A H L Q
                   espécie 3: M E N S L R C V W V P K L A F V L F G A S L L S Q L H A
                   espécie 4: M E N S L R L A F V L F G A S L L S A H L Q
                   a) Quantos nucleotídeos são necessários para codificar a seqüência de aminoácidos nas espécies 1 e 2?
                      Justifique.
                   b) Pode-se dizer que seqüências idênticas de aminoácidos são sempre codificadas por seqüências idênticas
                      de nucleotídeos? Justifique.
                   c) Considerando que as espécies 2, 3 e 4 se originaram da espécie 1, que tipo de mutação originou cada
                      seqüência?

       Resposta    a) 84. Porque são requeridos 3 nucleotídeos para codificar 1 aminoácido.                   (1 ponto)
       esperada    b) Não, pois sendo o código genético degenerado, mais de uma seqüência de nucleotídeos pode codificar
                      um mesmo aminoácido.                                                                   (2 pontos)
                   c) Mutação de ponto (substituição), inversão e deleção (ou deficiência).                  (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) Como existem 28 aminoácidos nas espécies 1 e 2 teremos 84 nucleotídeos para codificá-los, visto que
  acima da média      uma trinca de nucleotídeos codifica um aminoácido. Três nucleotídeos do DNA codificam três nucleotíde-
                      os do RNAm que codifica três nucleotídeos do RNAt que traz consigo um aminoácido.
                   b) Não podemos afirmar isso porque o código genético é degenerado e mais de uma trinca de nucleotídeos
                      pode codificar um mesmo aminoácido mas o inverso nunca ocorre.
                   c) Uma substituição deu origem à espécie 2 enquanto que uma inversão deu origem à espécie 3. A espécie
                      4 foi originada por deleção.


 Exemplo de nota   a) São necessários (28 x 3) = 84 nucleotídeos para codificar a seqüência de aminoácidos pois cada amino-
 abaixo da média      ácido é formado por 3 nucleotídeos.
                   b) Não. Pode ocorrer outras formas de substrato e mutações genéticas.
                   c) As espécies 2, 3 e 4 sofreram, respectivamente os seguintes tipos de mutação: erro na tradução, erro na
                      tradução e erro na divisão celular.

                       Esta questão explorou e correlacionou os conceitos de código genético e mutações. Foi uma questão difícil
    Comentários
                   e que discriminou bem os candidatos. A distribuição das notas, com 45% entre respostas em branco e zero e
                   apenas 7% entre 4 e 5, reflete a deficiência dos candidatos em conceitos fundamentais da biologia celular e
                   molecular. Por outro lado, 21% dos candidatos obteve nota 3, geralmente respondendo aos itens a e b.
                       O item c foi o que apresentou maior dificuldade. Um erro muito freqüente foi a interpretação da ocorrência
                   das mutações nas seqüências de aminoácidos, desvinculadas das seqüências de nucleotídeos. Alguns termos
                   citados erroneamente como tipos de mutações foram mitose, meiose, clonagem, transcrição, refletindo a
                   dificuldade na interpretação destes conceitos.


QUESTÃO 23
                   O gráfico abaixo mostra a mortalidade de mosquitos de uma determinada espécie quando expostos a dife-
                   rentes concentrações de um inseticida. A resistência ou susceptibilidade ao inseticida é devida a um locus
                   com dois alelos, A1 e A2.                                                A2A2
                                                                                           A1A1      A1A2
                                                                        100
                                            Mortalidade (porcentagem)




                                                                        80

                                                                        60

                                                                        40

                                                                        20

                                                                         0
                                                                              Concentração de inseticida
                                                                                                                              65
Biologia

                       a) Qual é o genótipo mais resistente? Como você chegou a essa conclusão?
                       b) Observando as três curvas, que conclusão se pode tirar sobre as relações de dominância entre os alelos
                          deste locus? Explique.
                       c) Os indivíduos de cada um dos genótipos não se comportam da mesma forma quanto à resistência ao
                          inseticida e, por isso, os pontos distribuem-se ao longo da curva. Essas diferenças podem ser atribuídas
                          a efeitos pleiotrópicos de outros genes? Justifique sua resposta utilizando o conceito de efeito pleiotrópico.

           Resposta    a) A2A2. Porque para uma mesma concentração de inseticida os indivíduos com o genótipo A2A2
           esperada       sobreviveram em maior quantidade.                                                             (1 ponto)
                       b) É um caso de ausência de dominância ou codominância; o heterozigoto mostra fenótipo intermediário ao
                          dos dois homozigotos.                                                                        (2 pontos)
                       c) Sim, já que o efeito pleiotrópico ocorre quando um gene interfere em mais de uma característica. Assim,
                          outros genes, além de seu efeito principal, podem interferir na resistência a inseticidas.   (2 pontos)


     Exemplo de nota   a) A2A2. Como se observa pelo gráfico, tomando-se uma mesma concentração de inseticida, a menor morta-
     acima da média       lidade observada é de A2A2.
                       b) Trata-se de um caso de herança sem dominância ou codominância. Isto pode ser observado comparan-
                          do-se A1A2 com A1A1 e A2A2. O heterozigoto A1A2 tem fenótipo intermediário a A1A1 e A2A2. Se houvesse
                          dominância de um dos dois genes, o fenótipo de A1A2 deveria ser igual ao de A1A1 ou A2A2.
                       c) Sim. A pleiotropia é um fenômeno em que um mesmo par de genes determina vários fenótipos. Nesse
                          caso, um outro par de genes, além de determinar um outro fenótipo qualquer, pode estar interferindo na
                          determinação do fenótipo resistência à inseticida. Portanto esse fenótipo é determinado por mais de um
                          par de genes que não interferem um no outro (não há epistasia).


     Exemplo de nota   a) O genótipo mais resistente é o A2A2, pois para haver alta taxa de mortalidade, é preciso também alta
     abaixo da média      concentração de inseticida.
                       b) Como os alelos A2A2 são mais resistentes, eles são dominantes com relação ao A1A1.
                       c) Sim, pois o efeito pleiotrópico é a influência do meio sobre os genes, havendo ou não dominância.

                           Esta questão verificou não apenas o conhecimento do candidato sobre assuntos de genética básica como
        Comentários
                       também sua habilidade na leitura e interpretação de gráficos.
                           A maioria dos candidatos (53%), porém, teve nota 1, tendo acertado apenas o item a. Este desempenho
                       ruim foi atribuído ao fato de o assunto ser apresentado de forma não convencional, já que foi pedido que
                       tirassem conclusões a partir dos dados fornecidos em gráficos e não simplesmente que apresentassem uma
                       definição memorizada.
                           Erros conceituais foram bastante freqüentes, como de usar “alelo”, “locus” ou “espécie” no lugar de “genó-
                       tipo” (veja exemplos de nota); admitir A1 e A2 como sendo indivíduos ou genótipos; admitir que a maior
                       resistência de A2A2 ao inseticida indica dominância do alelo A2 (veja exemplos de nota); confundir codominân-
                       cia com herança quantitativa; confundir pleiotropia com epistasia.


QUESTÃO 24
                       A transpiração é importante para o vegetal por auxiliar no movimento de ascensão da água através do caule.
                       A transpiração nas folhas cria uma força de sucção sobre a coluna contínua de água do xilema: à medida
                       que esta se eleva, mais água é fornecida à planta.
                       a) Indique a estrutura que permite a transpiração na folha e a que permite a entrada de água na raiz.
                       b) Mencione duas maneiras pelas quais as plantas evitam a transpiração.
                       c) Se a transpiração é importante, por que a planta apresenta mecanismos para evitá-la?

           Resposta    a) Transpiração: estômatos                                                                           (1 ponto)
           esperada       Entrada de água: pêlos absorventes.                                                               (1 ponto)
                       b) Fechamento dos estômatos;
                          enrolamento de folhas (ou mudança da posição das folhas);
                          cutícula espessa (ou presença de cera);
                          estômatos na face inferior;
                          estômatos protegidos por pêlos;
                          estômatos em cripta;
                                                                                                                                           v




66
Biologia




                v
                        quedas das folhas;
                        ausência de folhas;
                        modificações das folhas – espinhos;
                        folhas revestidas de pêlos.                                    (1 ponto para dois itens quaisquer)
                     c) Porque a transpiração em excesso causa o murchamento da planta,
                        quando o suprimento de água é pequeno.                                                  (2 pontos)


  Exemplo de nota    a) A transpiração na folha: os estômatos.
   acima da média       A entrada de água na raiz: pêlos absorventes
                     b) Através do fechamento dos estômatos e a perda das folhas durante as estações secas.
                     c) Para evitar a perda excessiva de água.


  Exemplo de nota    a) A estrutura que permite a transpiração das folhas é o floema e a estrutura que permite a entrada de água
  abaixo da média       é o xilema.
                     b) Uma das maneiras pelas quais as plantas evitam a transpiração é a sucção descontínua de água e a outra
                        é consumindo água através do processo de fotossíntese.
                     c) Porque a transpiração abundante fragiliza a planta tornando-a mais fraca.

                        A questão procurou verificar de forma integrada conhecimentos da estrutura e função de determinados
      Comentários
                     órgãos das plantas e de mecanismos de regulação da transpiração. Foi uma questão relativamente fácil
                     (média = 2,95), porém foi a questão que melhor discriminou os candidatos. O item c foi o de maior dificulda-
                     de, tendo sido bastante freqüentes respostas como “a transpiração intensa prejudica a planta”, sem, no
                     entanto, dizer qual é esse prejuízo.

                     1) Várias respostas dos candidatos eram extremamente prolixas, resultando em notas idênticas àquelas
Comentários gerais
                        respostas mais concisas, igualmente completas e corretas. Compare, por exemplo, as respostas espera-
                        das pela banca nas questões 2 da primeira fase e 18 da segunda fase com o “exemplo de nota acima da
                        média” dos candidatos. Compare ainda a “Resposta esperada” pela banca e o “Exemplo de nota acima
                        da média” (concisa – nota 5) da questão 13 com a resposta (prolixa - nota 5) transcrita abaixo.
                     “a) O camundongo morria no primeiro experimento porque, em um dado momento, todo gás oxigênio que
                         existia no recipiente acabou. O animal consumiu todo o O2 do recipiente; sem que o gás fosse reposto, o
                         camundongo não pode mais respirar e morreu.
                     b) Os processos interativos, no segundo experimento, que permitem a sobrevivência do camundongo são a
                         fotossíntese e respiração. No processo fotossintético a planta contida no recipiente realizava a fixação do
                         carbono, isto é, sintetizava matéria orgânica a partir de água e gás carbônico (CO2), com subsequente
                         liberação de gás oxigênio (O2). No processo de respiração realizado pela planta e camundongo, ambos
                         quebram a glicose, para obtenção de energia, com a presença de O2, tendo como produtos o CO2 e H20,
                         além de energia. A interação dos dois processos se nota pelo fato de que o CO2 necessário para a
                         fotossíntese provém da respiração e o O2 necessário para a fotossíntese provém da fotossíntese.
                     c) As organelas relacionadas à fotossíntese e à respiração são, respectivamente, cloroplasto e mitocôndria.”
                     2) Ao redigir a resposta é desnecessário repetir o enunciado da questão. Isso ocorre com muita freqüência e
                        acarreta uma perda de tempo para o candidato. A leitura desatenta dos enunciados leva a respostas
                        erradas e a não perceber informações contidas no texto da questão que podem auxiliar o candidato em
                        sua resposta. Como já mencionado no Caderno de questões 99, o desconhecimento de vocabulário
                        específico, as redações confusas e o uso de palavras com sentido diferente, às vezes oposto, levam a
                        erros que muitas vezes comprometem as respostas.




                                                                                                                                  67
Química
Química


                            Nesta prova procurou-se apresentar a Química dentro de um contexto histórico e social, mostrando-a
                        como um conhecimento inerente ao ser humano e, portanto, à sociedade e ao momento. Em alguns casos
                        foram feitas algumas suposições, por exemplo, de como o ferro teria sido descoberto. Se a imaginação,
                        associada ao conhecimento de Química, conseguiu reproduzir os fatos não sabemos e nem isto, neste
                        momento, é muito importante. Vale, no caso, mostrar ao aluno como uma descoberta importante, que
                        muda a história da humanidade, pode ocorrer a partir de fatos corriqueiros e como é possível reconstruir
                        tais fatos, por hipótese, sem ter estado presente nos acontecimentos.




                   Esta prova é uma homenagem à Química, evidenciando alguns de seus aspectos relevantes que ajudaram a
                   entender, a continuar ou a melhorar a vida na Terra.
                   Comecemos por procurar entender, do ponto de vista químico, a origem da vida na Terra.


QUESTÃO 1
                   Ainda hoje persiste a dúvida de como surgiu a vida na Terra. Na década de 50, realizou-se um experimento
                   simulando as possíveis condições da atmosfera primitiva (pré-biótica), isto é, a atmosfera existente antes de
                   originar vida na Terra. A idéia era verificar como se comportariam quimicamente os gases hidrogênio,
                   metano, amônia e o vapor d’água na presença de faíscas elétricas, em tal ambiente. Após a realização do
                   experimento, verificou-se que se havia formado um grande número de substâncias. Dentre estas, detectou-
                   se a presença do mais simples α-aminoácido que existe.
                   a) Sabendo-se que este aminoácido possui dois átomos de carbono, escreva sua fórmula estrutural.
                   b) Este aminoácido poderia desviar o plano da luz polarizada? Justifique.
                   c) Escreva a fórmula estrutural da espécie química formada quando este aminoácido é colocado em meio
                       aquoso muito ácido.

       Resposta    a)
       esperada              H OH
                             |     |
                      H2N  C  C == O
                             |
                             H                                                                                      (2 pontos)
                   b) Não, pois a molécula não possui carbono (centro) assimétrico (quiral).                         (1 ponto)

                   c)
                               H   OH
                           +   |   |
                         H3N  C  C == O
                               |
                               H                                                                                    (2 pontos)



 Exemplo de nota   a)
 abaixo da média           H
                      H—C—N—C—H                  dimetil amônio
                           O     H H
                   b) Não, pois não possui um Carbono quiral (assimétrico)
                   c)
                                 H                   O
                      H — C — N — C — H → HO — C — N — C — H               +          H2
                           O     H   H                      H
                                             ácido metilamônio metanóico




                                                                                                                             69
Química


     Exemplo de nota    a)
     acima da média               H OH
                                  |    |
                           H2N — C — C = O=
                                  |
                                  H
                        b) Não. Pois não há isomeria óptica no composto, já que não possui carbono assimétrico.
                        c) grupo amina do aminoácido tem caráter básico. Portanto reage com o ácido da solução aquosa, forman-
                           do:
                                  H OH
                             +    |    |
                           H3N — C — C = O=
                                  |
                                  H


          Comentários       Esta questão examina, no item a, se o candidato sabe o que é um aminoácido e se sabe escrever uma
                        fórmula estrutural baseando-se, em parte, em seus conhecimentos, inclusive de funções orgânicas e, em
                        parte, nos dados conhecidos. Não era necessário, e nem se desejava que o candidato tivesse memorizado a
                        fórmula pedida. O item b é uma pergunta simples sobre isomeria óptica: bastava verificar que a molécula não
                        apresenta carbono assimétrico. No item c avaliou-se o conhecimento sobre conceito ácido-base de Lewis. O
                                                                                                       +
                        nitrogênio, tendo um par de elétrons livres, reagirá como base na presença de H .
                            O desempenho dos candidatos refletiu-se numa média igual a 1,43 que está próxima do esperado pelo fato
                        de a questão estar contextualizada, refletindo-se numa maior dificuldade.




                        Determinar a época em que o ser humano surgiu na Terra é um assunto ainda bastante polêmico. No entanto,
                        alguns acontecimentos importantes de sua existência já estão bem estabelecidos, dentre eles, o domínio do
                        fogo e a descoberta e o uso dos metais.



QUESTÃO 2
                        Já na pré-história, o homem descobriu como trabalhar metais. Inicialmente o cobre, depois o estanho, o
                        bronze e o ouro. Por volta de 1500 a.C., ele já trabalhava com o ferro. É bem provável que este metal tenha
                        sido encontrado nas cinzas de uma fogueira feita sobre algum minério de ferro, possivelmente óxidos de
                        ferro(II) e ferro(III). Estes óxidos teriam sido quimicamente reduzidos a ferro metálico pelo monóxido de
                        carbono originado na combustão parcial do carvão na chama da fogueira. Esse é um processo bastante
                        semelhante ao que hoje se usa nos fornos das mais modernas indústrias siderúrgicas.
                        a) Cite uma propriedade que possa ter levado o homem daquela época a pensar que “aquilo diferente”
                            junto às cinzas da fogueira era um metal.
                        b) Suponha duas amostras de rochas, de mesma massa, reagindo com monóxido de carbono, uma conten-
                            do exclusivamente óxido de ferro(II) e outra contendo exclusivamente óxido de ferro(III). Qual delas
                            possibilitaria a obtenção de mais ferro metálico ao final do processo? Justifique.
                        c) No caso do item b, escreva a fórmula estrutural do principal subproduto do processo de produção do
                            ferro metálico.

            Resposta
                        a) brilho; maleabilidade; som metálico; cor prateada; não quebradiço; incandescente no fogo. (1 ponto)
            esperada
                        b) Quem forneceria mais ferro metálico seria o FeO. Justificativa:
                           Porcentagem em massa de ferro nos óxidos: 78% de Fe no FeO
                                                                       70% de Fe no Fe2O3
                           portanto o FeO contém proporcionalmente mais ferro do que o Fe2O3                         (3 pontos)
                        Ou
                           moles de ferro nos óxidos: FeO                    n = m/72; Fe2O3     n’ = 2 (m/160) = m/80; n > n’
                           Portanto é o FeO que contém a maior quantidade de ferro.
                        c) O=C=O                                                                                      (1 ponto)




70
Química


 Exemplo de nota   a) Uma característica, que pode ter chamado atenção, é o barulho do metal, quando esse recebe uma
 abaixo da média       pancada.
                   b) FeO + CO → Fe + CO2
                       Fe2O3 + 3CO → 2Fe + 3CO2
                   R: A rocha de ferro III libera mais ferro metálico que a outra rocha, segundo as equações acima.
                   c) O=C=O


 Exemplo de nota   a) Os metais são conhecidos por serem maleáveis, não esfarelando-se e fáceis de trabalhar
  acima da média   b) Supondo que a massa das duas rochas é 11.520 gr. O composto de ferro II (massa molar:72 g/mol)
                       possui 160 mol. O composto de ferro III possui 72 mol (MM=160 g/mol). Porém cada mol do composto
                       de FeII possue somente 1 mol de Fe (FeO) enquanto o outro composto possue 2 mol (Fe2O3).Então
                       temos:
                       Fe (II) → FeO → 160 mol de ferro*
                       Fe (III) → Fe2O3 → 2.72 mol de ferro → 144 mol de ferro*
                       * considerando o rendimento de 100% pelas equações:
                       FeO(s) + CO(g) → Fe(s) + CO2(g)
                       Fe2O3(s) + 3CO(g) → 2Fe(s) + 3CO2(g)
                   R: a amostra de óxido de ferro II produziria mais ferro metálico
                   c) A fórmula estrutural do CO2 é O = C = O

                       Esta questão apresenta o aspecto interessante da reconstrução histórica usando-se conhecimentos sim-
    Comentários
                   ples de Química. O item a avalia se o candidato consegue correlacionar propriedades do metal com a possível
                   identificação do ferro naquela época remota. Observe-se que as respostas esperadas se apresentam num
                   intervalo bastante amplo. Evidentemente, não puderam ser aceitas como válidas respostas que incluíam, por
                   exemplo, a condutividade elétrica uma vez que esta propriedade não se ajusta à época tratada.
                       O desempenho nesta questão foi bastante baixo considerando-se que o item a é muito simples, o b refere-
                   se a um cálculo estequiométrico clássico e o c pede uma fórmula estrutural muito conhecida. A média geral
                   obtida foi 1,26.




                   Muito antes da era Cristã, o homem já dominava a fabricação e o uso do vidro. Desde então o seu emprego
                   foi, e continua sendo, muito variado: desde simples utensílios domésticos ou ornamentais até sofisticadas
                   fibras óticas utilizadas em telecomunicações.


QUESTÃO 3
                   Uma aplicação bastante moderna diz respeito à utilização do vidro em lentes fotossensíveis empregadas na
                   confecção de óculos especiais. Algumas dessas lentes contêm cristais de cloreto de prata e cristais de
                   cloreto de cobre(I). Quando a luz incide sobre a lente, ocorre uma reação de oxidação e redução entre os
                   íons cloreto e os íons prata, o que faz com que a lente se torne escura. Os íons cobre(I), também por uma
                   reação de oxidação e redução, regeneram os íons cloreto consumidos na reação anterior, sendo que a lente
                   ainda permanece escura. Ao ser retirada da exposição direta à luz, a lente torna-se clara pois os íons
                   cobre(II), formados na reação de regeneração dos íons cloreto, reagem com o outro produto da primeira
                   reação.
                   a) Escreva a equação química que descreve o escurecimento da lente.
                   b) Qual é a espécie química responsável pelo escurecimento da lente?
                   c) Escreva a equação química da reação que possibilita à lente clarear. Qual é o agente oxidante nesta
                       reação?

       Resposta          +     –                                +      –         1
                   a) Ag + Cl = Ag + Cl           ou          Ag + Cl = Ag + /2Cl2            ou
       esperada       AgCl = Ag + Cl              ou
                                                                           1
                                                              AgCl = Ag + /2Cl2                                   (2 pontos)
                                                                                                   o
                   b) Prata metálica      ou   Ag           ou       Ag(s)      ou            Ag                   (1 ponto)
                        2+              +    +
                   c) Cu + Ag = Cu + Ag           ou          CuCl2 + Ag = CuCl + AgCl                             (1 ponto)
                                          2+
                      Agente oxidante: Cu                                                                          (1 ponto)




                                                                                                                           71
Química


     Exemplo de nota    a) AgCl → 2 Ag + Cl2
     abaixo da média    b) é o Cl2
                        c) Cu + Ag → Cu + AgCl
                              2+    0

                                                  2+
                           agente oxidante é o Cu


                        a) Cl + Ag → Ag + Cl
                             –      +
     Exemplo de nota
     acima da média     b) é a prata metálica
                        c) Cu + Ag → Cu + Ag
                              2+      0      + +

                                                  2+
                           agente oxidante é o Cu


          Comentários       Esta questão aborda o assunto oxidação e redução dentro de um contexto atual e comum ao cotidiano. As
                        reações que ocorrem são bastante simples de modo que o candidato com conhecimento do que seja oxidação
                        e redução podia responder sem dificuldade. Se o candidato, ainda, correlacionasse o escurecimento da lente
                        com a formação de prata metálica, com mais facilidade poderia apresentar a resposta correta.
                            A média geral neste caso ficou em 1,01. O assunto abordado, oxidação e redução, é muito problemático
                        para os estudantes, o que se refletiu no baixo desempenho.




                        Com a revolução industrial do século XVIII, a sociedade ocidental experimentou uma nova escala de produ-
                        ção de bens. A indústria se mecanizou e, desde então, este processo está em crescimento.


QUESTÃO 4
                        O ácido sulfúrico, a substância mais produzida industrialmente no mundo, é importante na fabricação de
                        fertilizantes, na limpeza de metais ferrosos, na produção de muitos produtos químicos e no refino do petró-
                        leo. Sua produção industrial ocorre da seguinte forma: queima-se o enxofre elementar com oxigênio, o que
                        dá origem ao dióxido de enxofre; este, por sua vez, reage com mais oxigênio para formar o trióxido de
                        enxofre, um gás que, em contato com a água, forma finalmente o ácido sulfúrico.
                        a) Escreva a equação química que representa a reação da água com o trióxido de enxofre na última etapa
                            da produção do ácido sulfúrico, conforme descrito no texto.
                        Numa mesma fábrica, o ácido sulfúrico pode ser produzido em diferentes graus de concentração, por exem-
                        plo: 78% , 93% e 98%. O congelamento destes três produtos ocorre aproximadamente em : 3 ºC, –32 ºC e
                        –38 ºC (não necessariamente na mesma seqüência dos graus de pureza).
                        b) Qual é a mais baixa temperatura de fusão dentre as três?
                        c) A qual dos três produtos comerciais relaciona-se a temperatura de fusão apontada no item b? Justifique.

            Resposta    a) SO3 + H2O = H2SO4                                                                            (1 ponto)
                               o
            esperada    b) –38 C                                                                                        (1 ponto)
                        c) 78%                                                                                          (1 ponto)
                        Quanto mais impurezas presentes numa solução menor será o ponto de fusão.
                        Ou
                        Quanto mais partículas presentes na solução menor será o ponto de fusão.                       (2 pontos)


     Exemplo de nota    a) SO3 + H2O → H2SO4
     abaixo da média    b) 98%, pois é o que contém menos água e portanto é o que tem a temperatura de fusão mais distante da
                           da água.
                        c) A obtensão de produtos químicos que ocorre em diversas temperaturas, mas que tem sempre o ácido
                           sulfúrico líquido.


     Exemplo de nota    a) SO3 + H2O → H2SO4
     acima da média     b) A mais baixa temperatura de fusão será –38 ºC.
                        c) Relaciona-se a 78% de pureza, já que quanto menor o grau de pureza mais baixo será o ponto de fusão
                           pois possui mais partículas dissolvidas.

72
Química

    Comentários        Nesta questão avaliou-se, no item a, a capacidade do candidato de representar em linguagem química
                   (equação e fórmulas) um fenômeno descrito em linguagem comum. A pergunta b é muito simples e examina
                   o entendimento de uma escala de temperatura. O item c está relacionado ao conhecimento de propriedades
                   coligativas. De modo geral, esta questão pode ser considerada muito fácil.
                       O desempenho nesta questão foi o segundo mais alto da prova (média = 2,13) e reflete, provavelmente,
                   o fato de a reação de formação do ácido sulfúrico ser vista na ocasião em que se estuda a chuva ácida.
                   Também o item b é muito simples. O item c, também, não foi um grande problema para os candidatos.
                   Verificando-se a escala de pontos apresentada acima na resposta esperada, percebe-se que um candidato
                   atento poderia facilmente obter, pelo menos, nota 2.




                   A “revolução verde” , que compreende a grande utilização de fertilizantes inorgânicos na agricultura, fez
                   surgir a esperança de vida para uma população mundial cada vez mais crescente e, portanto, mais necessi-
                   tada de alimentos.


QUESTÃO 5
                   O nitrogênio é um dos principais constituintes de fertilizantes sintéticos de origem não orgânica. Pode
                   aparecer na forma de uréia, sulfato de amônio, fosfato de amônio etc., produtos cuja produção industrial
                   depende da amônia como reagente inicial. A produção de amônia, por sua vez, envolve a reação entre o gás
                   nitrogênio e o gás hidrogênio. A figura a seguir mostra, aproximadamente, as porcentagens de amônia em
                   equilíbrio com os gases nitrogênio e hidrogênio, na mistura da reação de síntese.
                                                           70
                                                                                             300 °C
                                                           60

                                                           50
                                        % NH3 na mistura




                                                           40
                                                                                             350 °C
                                                           30
                                                                                             450 °C
                                                           20                                500 °C

                                                           10

                                                            0
                                                                40   60   80   100 120 140 160        180 200 220
                                                                                  Pressão total/atm
                   a) A reação de síntese da amônia é um processo endotérmico? Justifique.
                   b) Imagine que uma síntese feita à temperatura de 450 ºC e pressão de 120 atm tenha produzido 50
                      toneladas de amônia até o equilíbrio. Se ela tivesse sido feita à temperatura de 300 ºC e à pressão de
                      100 atm, quantas toneladas a mais de amônia seriam obtidas? Mostre os cálculos.
                   c) Na figura, a curva não sinalizada com o valor de temperatura pode corresponder aos dados de equilíbrio
                      para uma reação realizada a 400 ºC na presença de um catalisador? Justifique.

       Resposta    a) Não, pois, segundo o gráfico, quando se aumenta a temperatura, o rendimento diminui.          (1 ponto)
       esperada    b) 20% de rendimento → 50 toneladas
                      50 % de rendimento → x toneladas            x = 125 toneladas                                 (1   ponto)
                      diferença: 125 – 50 = 75 toneladas a mais.                                                    (1   ponto)
                   c) Não. O catalisador não altera a posição de equilíbrio da reação, apenas a velocidade.         (1   ponto)
                                                    o                                             o
                      A curva para a reação a 400 C deveria estar posicionada entre 350 e 450 C.                    (1   ponto)


 Exemplo de nota   a) Não. É exotérmico, pois à mesma pressão, há maior porcentagem de amônia nos produtos ao diminuir-
 abaixo da média      se a temperatura.
                   b) 450 ºC e 120 atm
                      50 t          → 20%                                           ∴ Seriam produzidas 150 t a mais
                      m (N2 + H2) → 80%                                             300 ºC e 100 atm
                      m = 200 t                                                 200 t    → 50%
                                                                                m’(NH3) → 50%              m’ = 200 t
                                                                                                                                   v




                                                                                                                             73
Química




                   v
                        c) Na presença de um catalisador, a reação de síntese da amônia será muito rápida não sendo possível fazer
                           as medições progressivas para sinalizar a curva.


     Exemplo de nota    a) Não, pois quanto menor a concentração da amônia maior a temperatura e quanto maior a concentração
     acima da média        de amônia menor a temperatura, isso nos leva a concluir que a síntese da amônia é um processo
                           exotérmico.
                        b) Se 20% = 50 toneladas, porque quando temos a substância a 120 atm e 450 ºC é formada 20 % de
                           NH3.Quando temos a mistura a 300ºC e 100 atm produzimos 30% a mais, então se 20 % é 50 e 30 %
                           é 20 % + 10 %, podemos concluir que: 50 + 25 → 75 toneladas a mais.
                                                                                                                             o
                        c) Não, pois o catalisador não influi no equilíbrio e sim na velocidade. A curva para a reação a 400 C
                                                    o
                           estaria entre 350 e 450 C.


          Comentários       A leitura e interpretação de um gráfico é a principal avaliação desta questão. A média alcançada, 1,93,
                        mostra que este é um aspecto relativamente bem visto no ensino médio. Foi no item c que os candidatos mais
                        tropeçaram pois muitos não usaram o gráfico para a justificativa completa.




                        O homem, na tentativa de melhor compreender os mistérios da vida, sempre lançou mão de seus conheci-
                        mentos científicos e/ou religiosos. A datação por carbono quatorze é um belo exemplo da preocupação do
                        homem em atribuir idade aos objetos e datar os acontecimentos.


QUESTÃO 6
                                                                                                                                      14
                        Em 1946 a Química forneceu as bases científicas para a datação de artefatos arqueológicos, usando o C.
                        Esse isótopo é produzido na atmosfera pela ação da radiação cósmica sobre o nitrogênio, sendo posterior-
                        mente transformado em dióxido de carbono. Os vegetais absorvem o dióxido de carbono e, através da cadeia
                                                    14
                        alimentar, a proporção de C nos organismos vivos mantém-se constante. Quando o organismo morre, a
                                       14                                                                                   14
                        proporção de C nele presente diminui, já que, em função do tempo, se transforma novamente em N.
                                                                                    14
                        Sabe-se que, a cada período de 5730 anos, a quantidade de C reduz-se à metade.
                        a) Qual o nome do processo natural pelo qual os vegetais incorporam o carbono?
                                                                                    14
                        b) Poderia um artefato de madeira , cujo teor determinado de C corresponde a 25% daquele presente nos
                            organismos vivos, ser oriundo de uma árvore cortada no período do Antigo Egito (3200 a.C. a 2300
                            a.C.)? Justifique.
                                  14      14
                        c) Se o C e o N são elementos diferentes que possuem o mesmo número de massa, aponte uma carac-
                            terística que os distingue.

            Resposta    a) Fotossíntese ou quimiossíntese                                                           (1 ponto)
            esperada    b) Não.
                                                                                                 14
                            Justificativa: São necessários 11460 anos para que a quantidade de C se reduza à 25 % da original.
                        Isto mostra que o objeto seria de 9460 a.C., portanto anterior ao período do Antigo Egito. (2 pontos)
                                                                          14                                14
                        c) O número de prótons. O número de prótons do C é 6. O número de prótons do N é 7.        (2 pontos)


     Exemplo de nota    a) Fotossíntese
     abaixo da média                                       14
                        b) Não, pois a concentração de C no Antigo Egito era bem maior que a de hoje então ele não poderia ter
                                   14
                           teor de C tão baixo. Mas pensando na ipotese de esta arvore ter sido criada numa estufa com atmosfera
                           controlada poderia só que não no antigo Egito, sem grandes tecnologias.
                        c) A principal característica para distingui-los é que o N → pertence a família 5A e o C → pertence a família 4A.


     Exemplo de nota    a) Fotossíntese
                                      t
     acima da média     b) m= m0 / 2
                                               t
                           25/100 m0 = m0 / 2
                            t
                           2 = 4 , então t =2. Passou-se 2 períodos de meia vida, portanto a idade do artefato é de 11460 anos,
                           sendo de origem anterior ao período do antigo Egito. (hoje -2000. A idade seria 5200 anos)
                        c) presença de diferente número de prótons no núcleo (número atômico).

74
Química

                       Esta é uma questão bastante fácil. A média obtida foi igual a 3,05, a mais alta da prova. Os itens a e c,
                   pela sua facilidade, já justificam uma média igual a 3. O item b foi também bastante respondido, o que indica
                   um bom preparo dos candidatos.




                   A melhoria da qualidade de vida não passa somente pela necessidade de bem alimentar a população ou
                   pelas facilidades de produção de novos materiais. A questão da saúde também tem sido uma preocupação
                   constante da ciência.


QUESTÃO 7
                   A sulfa (p-amino benzeno sulfonamida), testada como medicamento pela primeira vez em 1935, represen-
                   tou, e ainda representa, uma etapa muito importante no combate às infecções bacterianas. A molécula da
                   sulfa é estruturalmente semelhante a uma parte do ácido fólico, uma substância essencial para o cresci-
                   mento de bactérias. Devido a essa semelhança, a síntese do ácido fólico fica prejudicada na presença da
                   sulfa, ficando também comprometido o crescimento da cultura bacteriana.
                   a) Escreva a fórmula estrutural e a fórmula molecular da sulfa, dado que o grupo sulfonamida é: –SO2NH2.
                   A estrutura do ácido fólico é:
                                                                                          O
                                                                                         ||
                                                         N     CH2 — NH —              — C — NHCHCH2COOH
                                             N                                                    |
                                                                                                  COOH
                                      H2N         N      N
                   b) Escreva a fórmula estrutural da parte da molécula do ácido fólico que é estruturalmente semelhante à
                      molécula da sulfa.

       Resposta    a)      NH2                         NH2                           NH2
       esperada            |                           |                             |
                                         ou                            ou


                           |                         |                           |
                           SO2NH2                O= S= O
                                                   =   =                       O←S—O
                                                                                — →
                                                     |                           |                                   (1 ponto)
                                                     NH2                         NH2
                        C6H8N2O2S                                                                                   (2 pontos)

                   b)      NH                          NH
                           |                           |

                                         ou

                           |                         |
                           CONH                 HN — C = O
                                                        =                                                           (2 pontos)




 Exemplo de nota   a)      NH2
 abaixo da média           |



                           |
                           SO2NH2

                   Fórmula molecular : C6H10N2SO2
                                                                                                                                   v




                                                                                                                             75
Química




                   v
                        b) O anel benzênico na molécula do ácido fólico é estruturalmente semelhante à molécula da sulfa.


     Exemplo de nota    a)     NH2
     acima da média            |



                              |
                              SO2NH2
                        Fórmula molecular: C6H8N2SO2

                        b)     NH
                               |



                               |
                               CONH


          Comentários
                            A média desta questão (0,99) foi a mais baixa da prova. À primeira vista, a questão parece bastante difícil
                        mas, observando-se com cuidado, verifica-se que se trata de perguntas relativamente simples de nomenclatu-
                        ra e de fórmulas. O item c podia ser respondido com certa facilidade pois bastava a identificação da parte da
                        molécula do ácido fólico que interessava. Parece que os candidatos se assustaram com a figura que represen-
                        tava o ácido fólico.




                        A aspirina, medicamento antitérmico, analgésico e anti-inflamatório é, de certo modo, um velho conhecido
                        da humanidade, já que a aplicação de infusão de casca de salgueiro, que contém salicina – produto com
                        propriedades semelhantes às da aspirina –, remonta ao antigo Egito. A aspirina foi sintetizada pela primeira
                        vez em 1853 e, ao final do século XIX, começou a ser comercializada.


QUESTÃO 8
                        Quando ingerimos uma substância qualquer, alimento ou remédio, a sua absorção no organismo pode se dar
                        através das paredes do estômago ou do intestino. O pH no intestino é 8,0 e no estômago 1,5, aproximada-
                        mente. Um dos fatores que determinam onde ocorrerá a absorção é a existência ou não de carga iônica na
                        molécula da substância. Em geral, uma molécula é absorvida melhor quando não apresenta carga, já que
                        nessa condição ela se dissolve na parte apolar das membranas celulares. Sabe-se que o ácido acetil-salicí-
                        lico (aspirina) é um ácido fraco e que o p-aminofenol, um outro antitérmico, é uma base fraca.
                        a) Transcreva a tabela abaixo no caderno de respostas e complete-a com as palavras alta e baixa, referindo-
                            se às absorções relativas das substâncias em questão.

                                               Local de absorção          Aspirina           p-aminofenol
                                                    Estômago
                                                    Intestino
                        b) Sabendo-se que a p-hidroxiacetanilida (paracetamol), que também é um antitérmico, é absorvida efici-
                           entemente tanto no estômago quanto no intestino, o que pode ser dito sobre o caráter ácido-base dessa
                           substância?

            Resposta    a)
            esperada                           Local de absorção          Aspirina           p-aminofenol
                                                    Estômago                Alta                 Baixa
                                                    Intestino              Baixa                 Alta                     (3 pontos)
                                                                                                                                          v




76
Química




              v
                                                                                                             –    +
                   b) Apresenta baixo caráter ácido-básico. OU reage em muito pequena extensão com OH e H . OU não se
                      ioniza significativamente em meio ácido ou básico nas condições do corpo humano.      (2 pontos)


 Exemplo de nota   a)
 abaixo da média                           Local de absorção           Aspirina        p-aminofenol
                                                 Estômago                   Alta           Fraca
                                                 Intestino                  Fraca           Alta

                   b) É uma substância neutra e apolar


 Exemplo de nota   a)
  acima da média                           Local de absorção           Aspirina        p-aminofenol
                                                 Estômago                   Alta           Baixa
                                                 Intestino                  Baixa           Alta

                   b) Que possui um fraco caráter ácido-base.

                       O desempenho dos candidatos nesta questão foi bem abaixo do esperado. Trata-se de perguntas relativa-
    Comentários
                   mente simples que, no entanto, se mostraram difíceis. No item a, muitos erraram, surpreendentemente. No
                   item b, grande parte dos candidatos não soube correlacionar as propriedades ácido-base com as informações
                   fornecidas. A média obtida pelos candidatos foi 1,30.




                   Para se ter uma idéia do que significa a presença de polímeros sintéticos na nossa vida, não é preciso muito
                   esforço: imagine o interior de um automóvel sem polímeros, olhe para sua roupa, para seus sapatos, para o
                   armário do banheiro. A demanda por polímeros é tão alta que, em países mais desenvolvidos, o seu consumo
                   chega a 150 kg por ano por habitante.


QUESTÃO 9
                   Em alguns polímeros sintéticos, uma propriedade bastante desejável é a sua resistência à tração. Essa
                   resistência ocorre, principalmente, quando átomos de cadeias poliméricas distintas se atraem. O náilon,
                   que é uma poliamida, e o polietileno, representados a seguir, são exemplos de polímeros.
                                             [–NH–(CH2)6–NH–CO–(CH2)4 –CO–]n             náilon
                                                             [–CH2–CH2–]n                polietileno
                   a) Admitindo-se que as cadeias destes polímeros são lineares, qual dos dois é mais resistente à tração?
                      Justifique.
                   b) Desenhe os fragmentos de duas cadeias poliméricas do polímero que você escolheu no item a, identifi-
                      cando o principal tipo de interação existente entre elas que implica na alta resistência à tração.

       Resposta    a) Náilon.                                                                                         (1 ponto)
       esperada        Justificativa: O náilon é o mais resistente à tração devido à existência de pontes de hidrogênio entre as
                   moléculas adjacentes do polímero. (2 pontos, desde que vinculados à correta indicação das pontes de
                   hidrogênio no item b).
                   b) — N — R6 — N — C — R4 — C —
                          |            |     ||         ||
                          H            H O              O
                          –––




                                     –––

                                           –––




                                                        –––




                          O        O H          H
                          ||       || |         |
                        — C — R4 — C — N — R6 — N —
                                                                                                                      (2 pontos)

                                                                                                                              77
Química


     Exemplo de nota    a) O náilon, pois a cadeia principal é formada por cadeia poliméricas distintas que se atraem.
     abaixo da média    b)
                                        →


                                                      Estas curvas existentes em cadeias distintas
                                                         implicam na alta resistência à tração



     Exemplo de nota    a) náilon, pois por ter hidrogênio ligado a nitrogênio pode formar pontes de hidrogênio, que são interações
     acima da média        fortes.

                        b) — N — R6 — N — C — R4 — C —
                             |        | | |        ||
                             H        H O          O
                              –––




                                          –––

                                                –––




                                                             –––
                             O        O H          H
                             ||       || |         |
                           — C — R4 — C — N — R6 — N —
                        A interação é a ponte de hidrogênio.


          Comentários       Trata-se de uma questão que avalia o conhecimento sobre pontes de hidrogênio e a capacidade de o
                        candidato trabalhar com este modelo microscópico para justificar propriedades macroscópicas da matéria. O
                        assunto pontes de hidrogênio é muito visto no ensino médio e esperava-se uma média mais alta do que a
                        alcançada (1,13). Provavelmente os candidatos mais uma vez se assustaram com a questão por apresentar
                        “estas fórmulas complicadas” .




                        Somos extremamente dependentes de energia. Atualmente, uma das mais importantes fontes de energia
                        combustível é o petróleo. Pelo fato de não ser renovável, torna-se necessária a busca de fontes alternativas.


QUESTÃO 10
                        Considere uma gasolina constituída apenas de etanol e de n-octano, com frações molares iguais. As ental-
                        pias de combustão do etanol e do n-octano são –1368 e –5471 kJ/mol, respectivamente. A densidade dessa
                                             3
                        gasolina é 0,72 g/cm e a sua massa molar aparente, 80,1 g/mol.
                        a) Escreva a equação química que representa a combustão de um dos componentes dessa gasolina.
                        b) Qual a energia liberada na combustão de 1,0 mol dessa gasolina?
                        c) Qual a energia liberada na combustão de 1,0 litro dessa gasolina?

            Resposta    a) C2H6O + 3 O2 = 2 CO2 + 3 H2O                    Ou
            esperada
                           C8H18 + 25/2 O2 = 8 CO2 + 9 H2O                                                                (1 ponto)
                        b) 0,5 mol de etanol ⇒          1368 × 0,5 = 684 kJ liberados                                     (1 ponto)
                           0,5 mol de octano ⇒          5471 × 0,5 = 2736 kJ liberados
                                                        Total       = 3420 kJ liberados                                   (1 ponto)
                        c) 1 litro corresponde a 720 g de gasolina ⇒ 720 / 80,1 ≅ 9 moles                                 (1 ponto)
                           1 mol ⇒ 3420 kJ
                           9 moles ⇒ ×                   × = 30742 kJ liberados                                           (1 ponto)


     Exemplo de nota    a) C2H6O + 3O2 → 2 CO2 + 3H2O
     abaixo da média    b) Energia = combustão etanol + combustão n-octano
                                                                                                                                        v




78
Química




              v
                      1 mol de etanol     → 1368 kJ
                      1 mol de n-octano → 5471 kJ
                      total = 6839 kJ
                      R.: A energia liberada é de 6839 kJ
                                       3      –9
                   c) 0,72 g — 1 cm — 10 L
                         _________
                      m             1L
                                    –9
                      m = 0,72 10 g
                      80,1 g        — 1 mol
                               9
                      0,72 10 g — n
                                                   6
                                          n = 9 10 mol
                      6839 kJ — 1 mol
                                            6                 6
                             E — 9 10 mol, E = 61551 10 kJ
                                                          6
                      R.: A energia liberada é de 61551 10 kJ


 Exemplo de nota   a) 2 C8H18 + 25 O2 → 16 CO2 + 18H2O
  acima da média
                   b) 1 mol de gasolina 0,5 mol de C8H18 e 0,5 mol etanol
                      1 mol de C8H18 libera 5471 kJ, 0,5 mol libera 2735,5 kJ
                      1 mol de etanol libera 1368 kJ, 0,5 mol libera 684 kJ
                      Logo a combustão de 1 mol de gasolina libera 3419,5 kJ
                   c) 1 mol de gasolina — 80,1 g — V
                                            0,72 g — 10 L ⇒ V = 11,125 10 L
                                                          –3                  –2



                                                        –2
                                            11,125 10 L — libera 3419,5 kJ de energia
                                            1L—x
                                                                              4
                                            x = 3419,5 / 0,11125 kJ = 3,073 10 kJ


    Comentários        A média obtida pelos candidatos nesta questão foi igual a 1,82. Tradicionalmente as questões envolvendo
                   termoquímica estão entre as de menor média. Neste caso, contudo, a tradição não se cumpriu e a nota média
                   desta questão ficou acima da média das médias das questões. Parece que houve uma reação positiva do
                   ensino deste assunto nas escolas.




                   Há quem afirme que as grandes questões da humanidade simplesmente restringem-se às necessidades e à
                   disponibilidade de energia. Temos de concordar que o aumento da demanda de energia é uma das principais
                   preocupações atuais. O uso de motores de combustão possibilitou grandes mudanças, porém seus dias
                   estão contados. Os problemas ambientais pelos quais estes motores podem ser responsabilizados, além de
                   seu baixo rendimento, têm levado à busca de outras tecnologias.


QUESTÃO 11
                   Uma alternativa promissora para os motores de combustão são as celas de combustível que permitem, entre
                   outras coisas, rendimentos de até 50% e operação em silêncio. Uma das mais promissoras celas de com-
                   bustível é a de hidrogênio, mostrada no esquema abaixo:
                                                                                   Motor elétrico

                                                                    –        +     Eletrodos




                                          Reagente                                     Reagente

                                                              X              Y

                                            Produto                                    Produto



                                                             Membrana polimérica
                                                                            +
                                                               permeável a H
                                                                                                                           79
Química

                        Nessa cela, um dos compartimentos é alimentado por hidrogênio gasoso e o outro, por oxigênio gasoso. As
                        semi-reações que ocorrem nos eletrodos são dadas pelas equações:
                                           +        –
                        ânodo: H2(g) = 2 H + 2 e
                                          +
                        cátodo: O2(g) + 4H + 4 e = 2 H2O
                        a) Por que se pode afirmar, do ponto de vista químico, que esta cela de combustível é “não poluente”?
                        b) Qual dos gases deve alimentar o compartimento X? Justifique.
                        c) Que proporção de massa entre os gases você usaria para alimentar a cela de combustível? Justifique.

            Resposta    a) Porque o único produto é a água.                                                             (1 ponto)
            esperada                                                                               +
                        b) Gás H2 , porque é onde ocorre a oxidação (ou onde o H2 passa para H ) e, portanto, é onde os elétrons
                           são liberados.                                                                              (2 pontos)
                        c) 1 H2: 8 O2 ou 2 H2: 16 O2 ou 4 H2: 32 O2
                                                                                                     1
                           Justificativa: a estequiometria da reação mostra que reage 1 mol de H2 com /2 mol de O2. A massa molar
                           do H2 é 2,0 e a massa molar do O2 é 32, donde sai a proporção indicada.                     (2 pontos)


     Exemplo de nota    a) Porque ela utiliza elementos que ao reagirem geram água, que não é poluente.
     abaixo da média    b) O oxigênio, pois o catodo da eletrólise é o negativo.
                        c) O dobro de hidrogênio em relação ao oxigênio.


     Exemplo de nota    a) Pois o produto da reação:
                           H2 → 2 H + 2 é
                                     +
     acima da média
                           O2 + 4 H + 4 é → 2 H2O
                                     +



                           2 H2 + O2 → 2 H2O
                           produto é água (H2O) que é não poluente
                        b) H2 alimenta o compartimento X, pois é o polo negativo, ou seja, ânodo, onde sofre oxidação, isto é, perde
                           elétrons.
                        c) Usaria: em massa, H2 : O2= 1:8 em massa (pela estequiometria da equação)

                            Trata-se de questão relativamente fácil de oxidação e redução e de estequiometria. Apesar da facilidade, a
          Comentários
                        média foi baixa (1,42) provavelmente devido ao contexto. Não há equações difíceis a escrever e nem cálculos
                        complicados. Esta questão é mais fácil do que a anterior mas a sua apresentação é menos usual, o que deve
                        ter dificultado os candidatos.




                        A corrida espacial, embora inicialmente inspirada em motivos políticos, acabou por trazer enormes avanços
                        para a humanidade. O projeto Apolo é um símbolo das conquistas tecnológicas do século XX e excelente
                        exemplo de como conceitos simples podem ser valiosos na resolução de problemas sérios.


QUESTÃO 12
                        A Apolo 13, uma nave tripulada, não pôde concluir sua missão de pousar no solo lunar devido a uma
                        explosão num tanque de oxigênio líquido. Esse fato desencadeou uma série de problemas que necessitaram
                        de soluções rápidas e criativas. Um desses problemas foi o acúmulo de gás carbônico no módulo espacial.
                        Para reduzir o teor desse gás na cabine da nave, foi improvisado um filtro com hidróxido de lítio que, por
                        reação química, removia o gás carbônico formado.
                        a) Escreva a equação química que justifica o uso do hidróxido de lítio como absorvedor desse gás.
                        b) Qual seria a massa de hidróxido de lítio necessária para remover totalmente o gás carbônico presente,
                           considerando-o a uma pressão parcial igual a 2 % da pressão ambiente total de 1,0 atm, estando a cabine
                                                                                            3                              –1  –1
                           à temperatura de 20 ºC e supondo-se um volume interno de 60 m ? Dado: R = 0,082 atm L mol K

            Resposta    a) 2 LiOH + CO2 = Li2CO3 + H2O
            esperada       Ou
                           LiOH + CO2 = LiHCO3                                                                           (2 pontos)
                                                                                                                                         v




80
Química




             v
                  b) 1 atm ⇒ 100%
                     pCO2     ⇒ 2%             pCO2 = 0,02 atm                                                (1 ponto)
                     p v = nCO2 RT ⇒ nCO2 = p v / RT = 0,02 × 60000 / 0,082 × 293 ⇒ nCO2 = 50 moles (1 ponto)
                     Se nCO2 = 50 moles, pela estequiometria da reação a quantidade de LiOH seria de 100 moles. Como a
                  massa molar do LiOH é 24 g / mol, a massa de LiOH seria 2400 gramas.
                  Ou
                     Se nCO2 = 50 moles, pela estequiometria da reação a quantidade de LiOH seria de 50 moles. Como a
                  massa molar do LiOH é 24 g / mol, a massa de LiOH seria 1200 gramas.                        (1 ponto)


Exemplo de nota   a) 2 Li(OH) + CO2 → 2Li + H2CO4
abaixo da média   b) Temos
                                                  -2
                     P CO2 = 2% de 1 atm = 2 x 10 atm
                              3         4
                     V = 60 m = 6 x 10 L
                     T = 20 ºC = 293 K , R = 0,082 , M Li(OH) = 24 g / mol
                     Sabendo que P V = n R T fi n = P V / R T fi n = 86 mol
                                                       m Li(OH) = 86 x 2 x 24 = 4128 g



Exemplo de nota   a) 2 LiOH + CO2 → Li2CO3 + H2O
 acima da média   b) P V/T = Po Vo / To
                  c) 0,02 x 60000 / 293 = 1 Vo / 273
                     Vo = 1118 L nas CNTP 2 x 24 g de Li — 22,4 L de CO2
                                                      m — 1118 L de CO2
                                                      m = 1118 x 48 / 22,4
                                                           m = 2,348 kg de LiOH



   Comentários        Trata-se de questão que examina o conhecimento de reações químicas ácido-base, de gases e de estequi-
                  ometria. A média (1,49) obtida pelos candidatos indica que tiveram dificuldade. Provavelmente, mais uma
                  vez, a dificuldade deve ter sido criada mais pelo fato de haver uma contextualização do que pelas perguntas
                  em si pois, examinado-se com cuidado a questão, verifica-se que ela trata de assuntos muito vistos na escola.




                                                                                                                            81
História
História


                      A prova dissertativa de História da Unicamp tem como objetivo principal avaliar o conhecimento
                  histórico adquirido pelo candidato durante o seu estudo nos ensinos fundamental e médio. Tal afirmação
                  dita de forma muito sintética pode parecer uma redundância, pois todos os vestibulares têm como finali-
                  dade medir o conhecimento adquirido pelos candidatos em sua formação na escola dos ensinos funda-
                  mental e médio. Entretanto, devemos esclarecer que a Unicamp em sua proposta de prova dissertativa
                  pretende avaliar o conhecimento histórico dos candidatos sem se restringir aos critérios de certo ou
                  errado, falso ou verdadeiro que caracterizam os exames vestibulares. Procurando levar em consideração
                  a natureza dos materiais didáticos utilizados pelos candidatos, a Unicamp pretende avaliar de que modo
                  os estudantes são capazes de elaborar respostas coerentes com o repertório de informações e conteúdos
                  históricos que, hoje em dia, são veiculados pelos materiais didáticos destinados às escolas do ensino
                  fundamental e do ensino médio.
                      As questões elaboradas pela Unicamp não prevêem um único tipo de resposta dissertativa, de acordo
                  com um gabarito utilizado para a correção da prova. Ao contrário, por se tratar de uma prova cuja proposta
                  é a de aferir os conhecimentos dos estudantes a partir de materiais didáticos que, de antemão, sabemos ser,
                  eles próprios, comprometidos com um certo modo de se conhecer a história, a Unicamp espera receber
                  como resposta, justamente, o modo como, a partir destes materiais didáticos disponíveis aos ensinos funda-
                  mental e médio, os estudantes entendem, compreendem e interpretam os acontecimentos históricos.
                      Por estas razões, a prova da Unicamp visa menos à justeza das respostas dos candidatos durante a
                  correção, mas, principalmente, ao modo como as respostas são elaboradas e às operações intelectuais
                  que eles são capazes de fazer para responder com coerência as questões propostas. Evidentemente, as
                  questões são propostas procurando alcançar um leque amplo de possibilidades de elaboração do conhe-
                  cimento histórico por parte dos candidatos. Nesse sentido, a prova da Unicamp procura avaliar também
                  em que medida os ensinos fundamental e médio têm sido capazes de propiciar as noções básicas para a
                  compreensão da história.
                      Neste caderno de questões, os candidatos não deverão procurar os gabaritos das questões do ano
                  anterior, nem tampouco o modo correto de sua resolução. Estaremos oferecendo ao candidato as informa-
                  ções e orientações necessárias para se resolver a prova de História da Unicamp, deixando claro que
                  estamos cientes das limitações do material didático disponível para os candidatos em sua preparação
                  para o vestibular. Temos consciência também de que as áreas de interesse do conhecimento histórico
                  mudam periodicamente e, às vezes, um assunto entra em evidência durante alguns anos e cai no esque-
                  cimento anos mais tarde. Isto porque o conhecimento histórico do passado responde às expectativas que
                  o próprio presente coloca para si mesmo, sendo por isso muito comum a renovação das abordagens
                  históricas e um renovar permanente dos temas e assuntos de interesse histórico.
                      Nessa medida, torna-se tarefa muito difícil, hoje em dia, delimitar o conteúdo da história como disci-
                  plina de aprendizagem dos ensinos fundamental e médio. A prova de História da Unicamp, procurando
                  apresentar um conteúdo próximo àquilo que vem sendo estudado pelos candidatos, leva em conta, prin-
                  cipalmente, o material didático de história que anualmente está sendo utilizado na maioria das escolas. A
                  diferença é que a Unicamp tem uma maneira muito própria de aferir estes conhecimentos históricos dos
                  candidatos. Nesse sentido, a prova da Unicamp é diferente de todas as outras, como os candidatos devem
                  ter notado ao longo destes anos.



QUESTÃO 13
                No ano de 73 a. C., um grande número de escravos e camponeses pobres se rebelaram contra as autorida-
                des romanas no sul da Itália. Os escravos buscavam retornar às suas pátrias. Depois de resistirem aos
                exércitos romanos durante dois anos, a maioria foi massacrada. (Traduzido e adaptado de P Brunt, Social
                                                                                                         .
                Conflicts in the Roman Republic)
                a) Compare a escravidão na Roma Antiga e na América Colonial, identificando suas diferenças.
                b) Quais foram as formas de resistência escrava nesses dois períodos?

     Resposta       Em a, o candidato pontuava ao identificar corretamente a característica da escravidão na Roma Antiga e
     esperada   na América colonial. O item valia 3 pontos. O candidato obtinha 2 pontos pelas características citadas,
                assim distribuídos: 1 ponto para Roma e 1 ponto para América. O candidato que executasse o exercício de
                comparação e identificasse as diferenças na escravidão naqueles dois períodos chegava aos 3 pontos.
                    O item b valia 2 pontos. O candidato pontuava ao citar formas de resistência escrava nestes dois períodos, por
                exemplo, fugas, rebeliões, abortos, assassinatos de senhores, suicídio, boicote ao trabalho, e, no caso da América,
                quilombos. Cada citação valia 1 ponto. O candidato que respondesse que não havia resistência zerava o item.

                                                                                                                                 83
História

           Comentários       Exercícios de história comparativa já não são novidade no Vestibular Unicamp. Esta questão exigia do
                         candidato um exercício comparativo sobre escravidão em Roma e na América colonial (incluindo-se aí o
                         Brasil). Na prova do ano anterior pedia-se um exercício semelhante com o conceito de colonização em Roma
                         e no Brasil.
                             A questão foi bem respondida. O tema é tradicional e bem conhecido dos alunos. O enunciado, que falava
                         de fuga e rebelião, ajudava na resposta. O candidato que soubesse o significado do termo resistência escrava
                         (o que foi o caso da maioria), retirava do próprio enunciado da questão a resposta para o item b.

     Exemplo de nota     a) A escravidão na Roma antiga era formada por prisioneiros de guerra (povos pertencentes às terras con-
     acima da média         quistadas pelo Império Romano). Os escravos exerciam funções diversas, inclusive atuavam como inte-
                            lectuais, como professores. Já, na América colonial, os escravos eram basicamente índios e negros,
                            capturados e transportados para as grandes fazendas ou para as minas, obrigados a realizarem trabalho
                            forçado e braçal.
                         b) Os escravos do antigo Império Romano se revoltavam, recusando-se a cumprir suas funções, os escravos
                            da América colonial fugiam para o mato e lá constituíam pequenas comunidades longe da violência
                            branca — os quilombos.


     Exemplo de nota     a) Na Roma: alimentação descente; os donos pagavam um tipo de imposto para serem seus governantes;
     abaixo da média         quem era escravo podia se tornar plebeu. Na América: maus cuidados ; era capturado e se tornava
                             escravo; quem nascia escravo morria escravo.
                         b) As lutas.


QUESTÃO 14
                         Em 15 de julho do ano de 1099, os cruzados tomaram Jerusalém. Eles massacraram homens, mulheres e
                         crianças, assaltaram casas e saquearam as mesquitas. O saque foi o ponto de partida de uma hostilidade
                         milenar entre o Islão e o Ocidente. (Adaptado de A. Maalouf, As cruzadas vistas pelos árabes)
                         a) Qual o significado da retomada de Jerusalém para a cristandade européia?
                         b) Caracterize dois conflitos na história contemporânea que revivem essa hostilidade entre cristãos e mu-
                             çulmanos.

             Resposta        O item a valia 1 ponto. A grade contemplava tanto o significado espiritual da retomada de Jerusalém para
             esperada    os cristãos do Ocidente como seus significados políticos. Como exemplo do primeiro caso, o candidato que
                         mencionasse que Jerusalém era a “Terra Santa para os cristãos” obtinha 1 ponto. Entre outras variantes,
                         aceitava-se também “Terra Sagrada”, “lugar onde Jesus morreu e ressuscitou”, “local do Santo Sepulcro”,
                         “berço do cristianismo,” etc. No segundo caso, o candidato enfatizava que a conquista de Jerusalém signifi-
                         cava a reunificação da Igreja; afirmava ou confirmava a “supremacia” da Igreja católica romana; “indicava
                         que Deus estava do lado dos católicos”; “ampliava o poder da Igreja de Roma,” etc.
                             O item b cruzava os conteúdos de história medieval com os de história moderna e contemporânea.
                         Esperava-se que o candidato citasse e caracterizasse conflitos envolvendo cristãos e muçulmanos no mundo
                         moderno. O item valia 4 pontos e comportava uma possibilidade grande de respostas. Para obter os 4
                         pontos, esperava-se que o candidato não só citasse os conflitos, mas que discorresse sobre suas caracterís-
                         ticas religiosas, políticas, econômicas, etc. Entre vários exemplos, a grade contemplava: Guerra do Golfo
                         (EUA vs. Iraque), imperialismo nos séculos XIX e XX (europeus na África do Norte, Oriente Médio e Índia), a
                         Guerra da Bósnia, do Kosovo e os conflitos no Timor Leste, a Guerra da Tchetchênia, os conflitos da Armênia
                         vs. Azerbaijão, Turquia vs. Armênia, conflitos em Chipre, Líbano, Nigéria, etc.

                             Esta questão explorava, mais uma vez, o tema guerras de religião, já abordado na prova do ano anterior.
           Comentários
                         Nas duas provas, entendia-se conflito religioso como um problema muito comum em situações históricas
                         distintas. Aproveitando o texto do enunciado, que fala de uma hostilidade milenar entre cristãos e muçulma-
                         nos, a questão também chamava atenção para a ressonância do passado no presente. Nos conflitos da Bósnia
                         e do Kosovo, por exemplo, a memória da derrota dos sérvios cristãos para os turcos muçulmanos na Idade
                         Média serviu como uma das justificativas para a aniquilação dos bósnios muçulmanos. No geral, a questão foi
                         bastante respondida. O item b apresentou mais dificuldades, uma vez que os candidatos não conseguiam
                         caracterizar o conflito citado ou o caracterizavam erradamente. Um erro muito comum foi tomar os conflitos
                         entre árabes e israelenses (ou seja, entre muçulmanos e judeus) por conflitos entre cristãos e muçulmanos, o
                         que parece refletir uma certa falta de preparo dos alunos do ensino médio para tratar de temas atuais em
                         história contemporânea.

84
História

 Exemplo de nota   a) A retomada de Jerusalém pelos europeus em 1099 significava retomar o domínio do berço do cristianis-
  acima da média      mo, ou seja, o local onde Jesus Cristo foi morto e ressuscitado.
                   b) Um conflito da história contemporânea entre cristãos e muçulmanos é o conflito entre os EUA e o Iraque.
                      O Iraque com intenções de dominar o comércio internacional de petróleo, invade o Kwait. Para evitar que
                      o Iraque dominasse o comércio de petróleo do mundo, os EUA entram em guerra com o Iraque, acirrando
                      as diferenças entre cristãos e muçulmanos, assim mesmo, depois do fim da guerra, a relação entre os
                      dois países continuou conflituosa. Outro conflito é o conflito entre sérvios cristãos ortodoxos e kosovares
                      muçulmanos. Após a morte de Tito, a Iugoslávia passa por um desmembramento em países com culturas
                      diferentes. O último a tentar independência foram os kosovares muçulmanos que foram reprimidos pelos
                      sérvios, gerando um conflito que contou com a participação americana a favor dos kosovares.


 Exemplo de nota   a) Para que os Jesuítas tenha um lugar para ficar, pois antes estavam espalhados pelo mundo.
 abaixo da média   b) Reforma e Contra-Reforma.


QUESTÃO 15
                   Podemos dizer que a idéia de globalização é mais antiga do que imaginamos. Alguns acreditam que sua
                   origem remonta a uma Bula Papal, de 1493, que pela primeira vez empregou a palavra descobrimento. Por
                   este documento, a Europa adquiria o direito de converter à sua religião os povos do mundo e se apropriar
                   das terras por ela descobertas. Evidentemente, trata-se de uma idéia unilateral e unidimensional de globa-
                   lização: foram desconsideradas, quando não aniquiladas, as diferenças culturais e sociais. (Adaptado de
                   Eduardo Subirats, O mundo, todo e uno)
                   a) Quais os países europeus que desencadearam essa globalização?
                   b) Por que o autor considera unilateral essa globalização?
                   c) De acordo com o enunciado, qual o significado de descobrimento para os europeus? Por que, hoje, eles
                       são contestados?

       Resposta        O item a valia 1 ponto, exigia informação e esperava-se que o candidato respondesse Portugal e Espa-
       esperada    nha. No item b, valendo 2 pontos, o candidato retirava a resposta do texto: a globalização foi unilateral
                   porque, segundo o autor, a unificação do mundo foi realizada exclusivamente pelos europeus, desrespeitando
                   as culturas e religiões dos povos conquistados e submetendo-os à exploração econômica. Em c, valendo 2
                   pontos, a partir do enunciado, o candidato obtinha 1 ponto ao responder sobre o significado religioso (“direi-
                   to de converter à sua religião os povos do mundo”) e/ou econômico dos descobrimentos (“direito... de se
                   apropriar das terras... descobertas”). Chegava aos 2 pontos o candidato que explicasse que os descobrimen-
                   tos são contestados porque o conceito de descobrimento impõe uma visão unilateral, eurocêntrica, que
                   desconsidera a história, a cultura ou a religião dos povos conquistados. O candidato igualmente obtinha 1
                   ponto se falasse que os descobrimentos foram associados à violência e ao genocídio de populações indígenas.

                       Aproveitando a efeméride dos 500 anos do Brasil, esta pergunta tratava do tema descobrimento e exigia
    Comentários
                   que o candidato refletisse sobre o caráter arbitrário e unilateral deste conceito. Em a, para obter 1 ponto, o
                   candidato precisava citar as duas potências ibéricas. Uma vez que a pergunta foi feita no plural, não bastava
                   o candidato mencionar uma só. A pergunta era fácil e abordava conteúdos clássicos e bastante trabalhados no
                   ensino médio. O candidato que enumerasse outros países sem identificar a precedência dos portugueses e
                   espanhóis, também não pontuava. Este foi um erro comum. O item b cobrava um exercício simples de leitura
                   e interpretação de texto. A resposta era retirada do próprio enunciado. Bastava que o candidato “copiasse”ou
                   parafraseasse o enunciado e tivesse lido com atenção a pergunta para pontuar neste item. O enunciado
                   também ajudava na resposta do item c, que exigia um exercício de raciocínio histórico. O candidato que
                   percebesse que o descobrimento garantia às potências européias o direito de converter e de se apropriar das
                   terras descobertas facilmente respondia esse item.

 Exemplo de nota   a) Portugal e Espanha.
  acima da média   b) Porque era imposto às regiões “descobertas” a cultura e a religião européias, sendo quase que eliminados
                      os elementos da cultura nativa. Os países que se lançavam na expansão marítima eram todos europeus
                      e todos implantaram o cristianismo e a exploração das duas colônias.
                   c) O significado do descobrimento para os europeus era a total dominação de suas colônias, explorando-as
                      com o objetivo de obter lucro e desenvolvimento para a metrópole, sendo necessário para isso dizimar a
                      cultura nativa e impor a européia. Esses descobrimentos são contestados porque não foi um mero desco-
                      brimento, mas uma dominação de um território que não pertencia aos europeus.
                                                                                                                               85
História


     Exemplo de nota     a) Portugal, Espanha, Holanda e Inglaterra.
     abaixo da média     b) Porque só prejudicaria os países menos desenvolvidos, que assumem uma posição de produtores de
                            matérias-primas e mercado consumidor, sendo prejudicados pela exploração dos seus recursos naturais.
                         c) Mais territórios para tomar posse. Esse conceito é contestado pelos países do 3º mundo ou subdesenvol-
                            vidos porque tende a prejudicá-los nas relações comerciais.


QUESTÃO 16
                         A caricatura abaixo, entitulada “A besta papal de sete cabeças”, de 1530, representa o papa e a hierarquia
                         eclesiástica sob uma cruz na qual está escrito, em alemão: “por dinheiro, uma bolsa de indulgências”.
                         Caricaturas como esta e outras semelhantes foram impressas e circularam amplamente na Europa nessa
                         época.




                         a) Que movimento religioso essa caricatura representa e qual a sua crítica à Igreja católica?
                         b) Qual o papel da imprensa na difusão desse movimento?

             Resposta        O trabalho com iconografia constitui uma tradição nas provas da Unicamp. O item a valia 3 pontos: 1
             esperada    ponto pela identificação do movimento religioso e 2 pontos pela crítica que este movimento faz à Igreja
                         Católica. O movimento era a Reforma Protestante (ou Luteranismo, Reforma, Protestantismo, etc.). Para
                         caracterizar a crítica à Igreja, o candidato podia remeter ao enunciado da pergunta à imagem ou à sua
                         bagagem de conhecimentos. A Reforma, especialmente a luterana, criticava a venda de indulgências, a
                         desmoralização e ganância dos clérigos, a autoridade e infalibilidade do Papa, o culto aos santos, às imagens
                         e às relíquias e a salvação pelos atos. O candidato que não identificasse corretamente o movimento, zerava
                         o item. Em b, valendo 2 pontos, o candidato que falasse que a imprensa possibilitou a difusão das idéias ou
                         doutrinas protestantes obtinha 1 ponto. A divulgação da Bíblia também valia 1 ponto. A melhor resposta,
                         que explicava que a imprensa contribuiu para quebrar o monopólio cultural da Igreja católica, valia 2 pontos.


           Comentários       Esta pergunta trabalhava um conteúdo tradicional e foi bastante respondida. O item a avaliava (1) a
                         capacidade de o candidato ler e interpretar imagens e (2) a capacidade de estabelecer relações entre elas e o
                         contexto histórico. A imagem era muito sugestiva e a legenda que a acompanhava ajudava na resposta deste
                         item. O item b exigia do candidato um exercício de raciocínio, testando a sua capacidade de estabelecer
                         relações entre fenômenos históricos contemporâneos mas distintos entre si, quais sejam, a Reforma e a
                         invenção da imprensa. A imagem e o enunciado, de novo, contribuíam para a solução deste item. Obviamente,
                         o candidato precisava situar a imprensa no contexto histórico do século XVI. Só assim evitava o anacronismo
                         de tratar a imprensa como a mídia moderna ou como uma instituição autônoma, que noticiava sobre os
                         desmandos da Igreja católica. Esse foi um erro comum.

     Exemplo de nota     a) É a Reforma, que criticava o alto clero e as suas mordomias, a venda de indulgências e a simonia.
     acima da média      b) Com a Reforma, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e pregou a livre interpretação da Bíblia. A
                            imprensa também ajudou na velocidade de difusão deste movimento.


     Exemplo de nota     a) É a Contra-Reforma e critica a venda de perdões: papéis com o perdão escrito (indulgência) eram troca-
     abaixo da média        dos por moedas. Ou seja, a Igreja ganhava dinheiro em cima da crença dos outros.
                         b) A imprensa introduziu à população um novo modo das (sic) pessoas pensarem, um modo de pensamento
                            mais liberal, o homem tendo o próprio pensamento, sobre tudo e todos.

86
História

QUESTÃO 17
                   No Brasil colonial, além da grande propriedade açucareira de produção escravista, o historiador Caio Prado
                   enumera outras atividades econômicas importantes como, por exemplo, a mineração do século XVIII, que
                   era também uma atividade voltada para o comércio externo. (Adaptado de Caio Prado Júnior, Formação do
                   Brasil Contemporâneo, Editora Brasiliense, 1979).
                   a) Caracterize esta atividade econômica em termos de região geográfica e de sua organização do trabalho
                       e de desenvolvimento urbano.
                   b) Cite e caracterize duas outras atividades econômicas do Brasil colonial que não eram voltadas para o
                       comércio externo.

       Resposta      De acordo com a grade de elaboração poderiam ser esperadas respostas mais ou menos objetivas em
       esperada    ambos os itens desta questão. Para a, valendo 3 pontos:
                   • Minas Gerais;
                   • Regime de trabalho escravo e de homens livres faiscadores;
                   • aparecimento de cidades com as atividades comerciais e profissionais ligas à mineração.
                     Para b, valendo 2 pontos
                   • Economia extrativa no Vale do Amazonas, com o cacau, a nós, o pau-brasil, feita por empresários colhe-
                     dores;
                   • Pecuária no sul do Brasil;
                   • agricultura de subsistência.


    Comentários       Questão formulada para se cobrar quase que exclusivamente o conteúdo de história colonial. Evidente-
                   mente, o conteúdo exigido não era apenas descritivo, uma vez que o candidato deveria conhecer o conceito de
                   mercado interno, de economia de subsistência e de mercado exportador.

 Exemplo de nota   a) A mineração no Brasil so século XVIII ocorreu sobretudo na região onde hoje se situa o estado de Minas
  acima da média      Gerais. Apesar de haver mão de obra livre, era a escrava que predominava, sendo utilizados os negros.
                      Durante esta época houve grande desenvolvimento urbano na região mineradora. Houve grande fluxo
                      migratório para região e, para suprir suas necessidades, existia um comércio expressivo.
                   b) Entre as atividades voltadas para o comércio interno destacam-se a pecuária nordestina, voltada inicial-
                      mente para suprir as necessidades das fazendas açucareiras, possuindo principalmente mão de obra livre
                      e também o extrativisimo vegetal, ocorrido na Amazônia, em que se procuravam drogas do sertão.



 Exemplo de nota   a) A mineração do século XVIII era muito rica, com dificuldades para a agricultura, suas plantações eram
 abaixo da média      feitas por irrigação, o trabalho era manual, pessoas tinham que fazer o trabalho pesado. No caso do
                      desenvolvimento urbano ainda era primitivo.
                   b) A produção de petróleo não era voltada para o comércio externo e também a plantation não era voltada
                      para o comércio externo.


QUESTÃO 18
                   O português entrou em contato íntimo e freqüente com a população de cor. Mais do que nenhum povo da
                   Europa, cedia com docilidade ao prestígio comunicativo dos costumes, da linguagem e das seitas dos
                   indígenas e negros. Americanizava-se ou africanizava-se, conforme fosse preciso. (Adaptado de Sérgio Bu-
                   arque de Holanda, Raízes do Brasil, Cia. das Letras, 1995, p. 64).
                   Simetria: (do grego symmetria, ‘justa proporção’) S. m. 1. Correspondência em grandeza, forma e posição
                   relativa de partes situadas em lados opostos (...) (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 1986, p.
                   1586).
                   De acordo com os enunciados acima responda:
                   a) Quais os componentes culinários, linguísticos e musicais da cultura brasileira que revelam a adoção de
                       costumes negros e indígenas por parte do branco europeu.
                   b) Você concordaria com a afirmação de que houve uma relação de simetria entre a cultura branca e a dos
                       negros e índios durante o período colonial? Justifique porque sim ou porque não.

       Resposta       Nesta questão o candidato precisava conhecer e saber trabalhar o conceito de trocas culturais e perceber
       esperada    de que maneira muitos de nossos hábitos e costumes são oriundos das culturas negra e indígena. Além
                                                                                                                                  v




                                                                                                                            87
História




                    v
                         disso, teria de raciocinar e deduzir se as trocas culturais, segundo a sua avaliação histórica, ocorreram
                         mediante uma condição de simetria
                             No item a, valendo 3 pontos, o candidato deveria citar elementos da língua indígena como o nome de
                         cidades, de rios e de alimentos, como também identificar elementos da cultura negra, como a religião, a
                         música, a culinária. Cada elemento vale 1 ponto.
                             No item b, valendo 2 pontos, ao responder negativamente, o candidato deveria explicar a inexistência da
                         simetria nessas trocas culturais, baseando-se principalmente na questão da escravidão e no aprisionamento
                         dos indígenas. Se respondessem afirmativamente, deveriam se referir à adaptação do português na adoção
                         de costumes dos negros e índios. (Recupera-se aqui o argumento do historiador Sérgio Buarque de Holanda,
                         que abre a possibilidade de explicar essas trocas como simétricas.)

                             Assim como havíamos proposto uma questão sobre trocas culturais na primeira fase que fugia dos conteú-
           Comentários
                         dos convencionais, aqui também está formulada uma questão onde exigimos conteúdo histórico e capacidade
                         de dedução. Para o item b da questão não havia apenas uma resposta certa posto que o que se esperava era
                         o modo de argumentação do candidato, a favor ou contra a idéia de trocas culturais simétricas. Houve respos-
                         tas ainda mais sofisticadas, que foram capazes de ponderar e argumentar a favor do sim e do não na questão
                         da simetria.

     Exemplo de nota     a) Na culinária destacam-se elementos como a feijoada. Na linguagem, pode-se citar palavras como Anhan-
     acima da média         gabaú e Mogi-Mirim de origem indígena e quanto à música, destacam-se o samba e a capoeira, oriundas
                            da cultura negra.
                         b) Não houve simetria entre essas culturas no período colonial. Apesar da influência negra e indígena nos
                            costumes do banco europeu, foi a cultura européia que se sobressaiu sobre as ouras. Religião, lingua-
                            gem, elementos culturais, modos de se vestir, todos esses elementos foram duramente impostos a negros
                            e índios no período colonial.


     Exemplo de nota     a) Elementos adotados de costumes negros e indígenas por parte do branco europeu são no caso da culiná-
     abaixo da média        ria, o bambu que é feito para comer, o modo de falar algumas palavras como saracura para nome de
                            pessoa e elementos musicais dos indígenas como o sopro, no caso a flauta dentre outros
                         b) Sim, pois muitos dos costumes dos brancos foram passados para os negros e indígenas, como aprender
                            a ler e escrever, no qual os padres ensinavam eles. Como alguns costumes de negros e indígenas foram
                            passados aos brancos, nos quais estão até os nossos dias.


QUESTÃO 19
                         Neste cenário, em uma triste e silenciosa solidão, quase perdidos no espaço, dispersos em uma imensa
                         plantação de café, dez ou vinte quilômetros distante do menor vilarejo, vivem milhares e milhares de
                         italianos. (Relato de uma viagem ao Brasil no início do século XX do viajante italiano Luciano Magrini, In
                         Brasile, 1926).
                         a) Quais as condições políticas e econômicas na Itália na segunda metade do século XIX que provocaram o
                              movimento migratório em direção à América?
                         b) Quais foram as localidades geográficas brasileiras ocupadas pela imigração italiana nas últimas décadas
                              do século XIX
                         c) Quais as características econômicas da agricultura cafeeira?

             Resposta        Outra questão de natureza conteudística na qual o candidato deveria saber cruzar informações históricas.
             esperada    Normalmente os conteúdos sobre o processo de unificação italiana e suas relações com a economia cafeeira
                         e com a imigração não aparecem relacionados de maneira criativa nos livros didáticos. A grade de resposta
                         era suficientemente ampla e dava muitas possibilidades de respostas relativamente objetivas em qualquer
                         um dos três itens.
                           Item a:
                         • processo político: unificação promovida pelos estados desenvolvidos do norte;                   (1 ponto)
                         • processo econômico:
                         • empobrecimento dos camponeses do sul da Itália devido às obrigações fiscais decorrentes
                           da unificação do reino da Itália.
                         • aparecimento de uma classe de grandes proprietários no sul aliada às burguesias
                           comerciais e industriais do norte.                                                              (1 ponto)
                                                                                                                                        v




88
História




              v
                       Item b:
                       Noroeste do estado de SP em direção a Minas Gerais, como também a região sul do Brasil,
                   principalmente Rio Grande do Sul, e também o Espírito Santo.                                        (1 ponto)
                      Item c:
                      Grande propriedade rural;
                      Produção voltada para a exportação;
                      Predominância do trabalho livre, que explica o fluxo imigratório;
                      Desenvolvimento de centros urbanos voltados às atividades complementares,
                   como a comercial, ferroviária, portuária, etc.                                                     (2 pontos)


    Comentários       Nesta questão procuramos reforçar mais uma vez a proposta já bastante em uso pelo vestibular da Uni-
                   camp, isto é, fazer com que o candidato estude a história do Brasil em conjunto com a história de outros
                   povos. Na maioria dos livros didáticos há pouca ênfase no estudo de processos históricos de grande amplitude
                   como foi o caso das emigrações européias do final do século XIX.

 Exemplo de nota   a) Na Itália, a causa fundamental desse movimento foi a unificação desse país. Antes dela, observava-se o
  acima da média      norte comercial e rico(com cidades ccomo Gênova e Veneza) e o sul agrário e mais pobre. A unificação
                      unificou também os impostos aos habitantes causando ruína na população do sul e fazendo-os migrar
                   b) Nas últimas décadas do século XIX os italianos ocuparam principalmente regiões do Oeste Paulista, onde
                      situavam grandes plantações de café
                   c) A agricultura cafeeira era maciçamente voltada para o mercado externo, sendo o principal produto de
                      exportação brasileiro do período. A mão de obra provinha se imigrantes, sobretudo italianos, que traba-
                      lhavam de forma livre na cultura cafeeira. O poder econômico era voltado para os cafeicultores, em
                      prejuízo dos trabalhadores.


 Exemplo de nota   a) Nas condições que a Itália estava em guerra, ou seja, em conflito com a Espanha pelo objetivo de
 abaixo da média      conquistar novas terras para a expansão do território. No caso politicamente, a Itália estava falindo, pois
                      teria que investir na guerra para poder vencer.
                   b) Foram ocupadas a região noredeste e a região central do Brasil pelos italianos.
                   c) O Brasil estava muito bem economicamente com a produção do café, sua economia estava crescendo
                      cada vez mais.


QUESTÃO 20
                   Leia com atenção este texto de 1901, em defesa dos direitos operários e responda:
                   A organização operária, que vai se fazendo nesta cidade, trouxe, como principal consequência, a multipli-
                   cação das greves.(...) Verdade é que tivemos de assistir, nos últimos anos, ao irrompimento de umas cinco
                   ou seis greves, quase todas bem sucedidas. (Evaristo de Moraes, Apontamentos de direito operário, 1905,
                   p. 61).
                   a) Caracterize a situação dos direitos dos trabalhistas urbanos e rurais no Brasil nas três primeiras décadas
                       do século XX e cite as principais conquistas grevistas do período?
                   b) Compare estas conquistas do início do século com os direitos trabalhistas e sindicais da constituição
                       brasileira de 1988

       Resposta       Procuramos com esta questão avaliar até que ponto os candidatos seriam capazes de ultrapassar os
       esperada    conhecimentos adquiridos através dos livros didáticos. Esperava-se que o candidato, lendo o enunciado com
                   atenção, fosse capaz de chegar a algumas conclusões sobre a legislação trabalhista no Brasil, sem transfor-
                   mar a figura de Getúlio Vargas num herói da classe trabalhadora.
                   a)
                   • ausência de direitos trabalhistas nas duas primeiras décadas, sendo a greve uma questão de polícia e não
                      de regulamentação estatal. Embora tenha havido a promulgação de algumas leis trabalhistas, elas não
                      chegaram a ser devidamente aplicadas, na maioria das vezes
                   • lutas e reivindicações dos trabalhadores nas três primeiras décadas do século XX:
                      • lei de férias;
                      • regulamentação do trabalho do menor e da mulher;
                      • limitação da jornada de trabalho;
                   • ausência de qualquer tipo de lei protetora do trabalhador rural.                              (3 pontos)
                                                                                                                                    v




                                                                                                                               89
História




                    v
                         b)
                         •    jornada de trabalho de 44h
                         •    licença gestante
                         •    trabalhador rural passou a ter o mesmo direito que o trabalhador urbano
                         •    o Estado está proibido de intervir nos sindicatos
                         •    direito irrestrito de greve, com funcionamento mínimo nos setores
                              fundamentais da sociedade.                                                                 (2 pontos)

                             Nesta questão esperava-se que o candidato fosse capaz de deduzir que a questão dos direitos trabalhistas
           Comentários
                         no Brasil não começou pela promulgação da CLT, com Vargas. O candidato deveria perceber que desde a
                         origem do movimento operário no Brasil há uma luta pela defesa dos direitos trabalhistas, nem sempre
                         aplicados mediante a tutela do Estado, como aconteceu a partir do Governo Vargas. Pretendemos também que
                         o candidato pensasse a questão dos direitos trabalhistas contidos na constituição de 1988, para avaliar de
                         que modo esta legislação é resultado de um processo histórico que não começou pela mãos benevolentes de
                         Getúlio Vargas.

     Exemplo de nota     a) Os trabalhadores urbanos e rurais não possuíam nenhuma legislação que lhes assegurasse direitos, ao
     acima da média         contrário disso, não possuíam férias, as jornadas eram de 12 a 16 horas. Comn o início das greves as
                            conquistas iniciaram, como redução gradual das horas de trabalho e o descanso semanal. Vale lembrar,
                            que muitas destas conquistas atingiram apenas os trabalhadores urbanos, já que eram nas cidades que
                            aconteciam a maior parte sos movimentos dos trabalhadores.
                         b) Comparando os direitos da atual constituição com as conquistas do início do século, vemos um grande
                            avanço, como por exemplo a equiparação do trabalhador rural com o urbano, a liberdade sindical e o
                            direito de greve. Entretanto, atualmente, segue-se uma tendência de diminuição dos direitos trabalhistas
                            que ocorrem devido a pressão das empresas.


     Exemplo de nota     a) A situação dos direitos dos trabalhadores no Brasil era ainda a mesma, os trabalhadores “sem direito” de
     abaixo da média        reivindicar seus direitos, sem cuidados no trabalho, com máquinas perigosas, trabalhando sem ter des-
                            canso em período de trabalho e sem ter um salário digno para poder sustentar a família.
                         b) Na constituição Brasileira os trabalhadores conseguiram muito mais conquistas grevistas, pois tinham
                            direito de trabalhar com segurança, sem emdo de morrer no trabalho, também com direito a salário
                            razoável para o sustento da família. Os direitos trabalhistas foram bons para ajudar os trabalhadores a
                            trabalhar mais seguro.


QUESTÃO 21
                         A ditadura de Porfirio Díaz (1876-1911) produziu no México uma situação de superficial bem-estar econô-
                         mico, mas de profundo mal-estar social. (...) Fizeram-no chefe de uma ditadura militar burocrática destina-
                         da a sufocar e reprimir as reivindicações revolucionárias. ...Amparavam-na os capitalistas estrangeiros,
                         tratados então com especial favor. (José Carlos Mariátegui, A Revolução Mexicana, Coleção Grandes Cientis-
                         tas Sociais, Ática, pp. 134-5).
                         a) Quais as características do desenvolvimento econômico mexicano durante este período?
                         b) Explique a situação socio-econômica da população indígena e camponesa durante a ditadura de Por-
                             fírio?
                         c) Quais os grupos sociais e políticos que se opuseram à ditadura de Porfirio Dias e que desencadearam o
                             processo da revolução mexicana?

             Resposta         Esta pergunta tratava da Revolução Mexicana enfocando seus antecedentes. Primeiro, o candidato deve-
             esperada    ria indicar a situação econômica do México baseada na expansão do capitalismo, com o crescimento indus-
                         trial, dos investimentos estrangeiros e dos latifúndios.
                              Na seqüência, o candidato deveria falar do empobrecimento e descontentamento social dos camponeses
                         e índios, à medida que as terras comunitárias dos índios foram incorporadas ao latifúndios e houve um
                         processo de proletarização dos camponeses. Estas descrições da situação econômica mexicana e a explora-
                         ção dos índios e camponeses, aliás comentada na afirmação de Mariátegui, garantia ao candidato até 4
                         pontos. Só então, era-lhe pedida uma informação nova acerca dos sujeitos sociais que iniciaram o processo
                         revolucionário: anarquistas, socialistas, liberais ligados a Madero, o grande contingente de camponeses
                         liderados por Zapata e Pancho Villa. Esta informação valia 1 ponto.
                                                                                                                                        v




90
História




              v
                        Na expectativa desta resposta, a grade assim era composta:
                   a)
                   •    estimulou indústria
                   •    investimento estrangeiro
                   •    favoreceu a elite fundiária com a ampliação dos latifúndios
                   •    modernização da rede de transportes
                   •    expansão do marcado consumidor
                   •    uso da mão-de-obra barata
                   •    concessão do uso do subsolo (a multinacionais principalmente para a exploração do petróleo)
                   •    isenção fiscal                                                                            (2 pontos)
                   b)
                   •    tomou as terras comunitárias dos índios, que foram absorvidas pelos latifúndios                  (1 ponto)
                   •    proletarização dos camponeses                                                                    (1 ponto)
                   c)   A elite liberal proprietária, liderada por Madero, anarquistas,
                        socialistas e a grande massa dos camponeses liderada por
                        Emiliano Zapata e Pancho Villa.                                 (1 ponto para dois destes sujeitos sociais)


    Comentários        Trata-se de um assunto recorrente nos livros didáticos ao estudar os movimentos revolucionários na América
                   Latina. Esta revolução destaca-se, contudo, nesta literatura pela força de sua movimentação social e efetivo
                   exercício de um governo revolucionário marcado pela presença camponesa – ao lado da Revolução Cubana.
                       A pergunta enfocava os antecedentes desta Revolução, valendo-se da afirmação de Mariátegui que flagra
                   justamente a contradição entre o desenvolvimento capitalista e o mal-estar social que ele produz entre campo-
                   neses e índios. O candidato dava uma densidade histórica ao comentário ao descrever tal contradição. Um
                   equívoco frequente no item a foi o candidato preocupar-se em justificar o avanço capitalista, valorizando-o
                   sem perceber a exploração social envolvida.
                       Centrado ainda nos antecedentes da revolução, pedia-se, em c, a identificação dos sujeitos sociais respon-
                   sáveis pela eclosão da revolução. Em b e c, privilegiava-se a precisão histórica da resposta sem escorregar em
                   generalidades tais como: a “marginalização dos pobres” em b ou os “nacionalistas” em c, pois a pergunta
                   incidia sobre grupos sociais atuantes na revolução.
                       Havia uma dada noção de que a revolução é, enquanto processo histórico, marcada por antecedentes que
                   podem funcionar como causas, motivos, motores, elementos que acabam acelerando e/ou detonando a revo-
                   lução e certo domínio desta noção podia ajudar a explicar e entender tal processo histórico.

Exemplos de nota   a) O desenvolvimento econômico que se dava se caracterizou pela desapropriação de terras de índios e
 acima da média       camponeses para a agricultura de plantation para exportação, garantindo capital para o país e usando
                      mão de obra barata a procura de emprego. Comerciava com petróleo com outros países compradores,
                      que estava em alta.
                   b) A situação sócio-econômica da população indígena e camponesa era ruim, pois o sistema que Díaz
                      implantou foi o de desapropriação de terras, deixando esses povos sem terra e assim sem sustento, tendo
                      que se oferecer para trabalho nas fazendas ganhando pouco ou nada para ficar na terra.
                   c) Povos nativos, camponeses, pequenos produtores e políticos que queriam chegar ao poder, de esquerda,
                      desencadearam a revolução mexicana.
                   a) Durante o governo de Porfírio Díaz, a economia desenvolveu-se apoiada no capital externo, que fazia
                      investimentos e empréstimos. A indústria e a agricultura de exportação cresceram, dando a falsa impres-
                      são de prosperidade.
                   b) A população indígena perdeu suas terras onde cultivava gêneros tradicionais para subsistência, o mesmo
                      acontecendo aos camponeses, que foram obrigados a trabalhar nas grandes propriedades.
                   c) Os grupos sociais rurais, camponeses e indígenas e líderes socialistas opuseram-se à ditadura, reivindi-
                      cando a reforma agrária através da revolução.


Exemplo de nota    a) A economia estava praticamente estagnada. O aparente bem-estar econômico não mostrava a má distri-
abaixo da média       buição de renda que provocava o mal-estar social.
                   b) Camponeses e indígenas estavam em péssimas condições tendo pouco para comer e muito o que fazer
                      para conseguir viver.
                   c) Os camponeses e a classe média.




                                                                                                                                 91
História

QUESTÃO 22
                         A República do Paraguai se defendia heroicamente contra as agressões do Império do Brasil. (...) Para todas
                         as nações, o heroísmo da resistência de tão pequena república contra aliados tão poderosos excitava a
                         simpatia que sempre há pelo fraco (...). (D. F. Sarmiento, Questões Americanas, Coleção Grandes Cientistas
                         Sociais, Atica, p. 124).
                         a) Como Sarmiento representa neste texto o conflito entre o Brasil e o Paraguai?
                         b) De que modo esta representação de Sarmiento ilustra o conflito político-ideológico no Brasil após a
                            Guerra do Paraguai?
                         c) Por que a Guerra do Paraguai contribuiu para o movimento abolicionista no Brasil?

             Resposta        A resposta pedia uma boa leitura do enunciado e sua efetiva compreensão. Isto exigia do candidato que
             esperada    percebesse para além do conflito entre países (Brasil e Paraguai, no caso citado) uma disputa quanto às
                         formas de governo: monarquia x república. Por outro lado, exigia a percepção, por parte do candidato, de que
                         tal disputa estava instalada dentro do próprio Brasil, devido à emergência e à expansão do movimento
                         republicano contra a monarquia vigente. Ora, pedia-se em a e b que o candidato nomeasse este conflito
                         dentro e fora do Brasil que se punha como uma questão do Estado.
                             Por último, a resposta vinculava a Guerra do Paraguai e o movimento abolicionista, pois os escravos nela
                         lutaram, os soldados passam a simpatizar com a causa abolicionista, muitos escravos conseguiram sua
                         alforria em virtude da sua participação na guerra e, além disso, crescia no Brasil a boa acolhida em meio à
                         opinião pública do tema da abolição.
                             Resumidamente a Grade era assim:
                         a) pequeno estado republicano vs. Império monarquista e/ou desigualdade de forças.                 (1 ponto)
                         b) ilustra o conflito entre o movimento republicano ascendente e a monarquia.                     (3 pontos)
                         c) negros lutaram no exército.                                                                     (1 ponto)

                             Baseada numa boa leitura de enunciado, tarefa em geral considerada fácil e de rápida execução, esta
           Comentários
                         pergunta foi pouco respondida e/ou teve muitos enganos no item a que pedia para nomear justamente o
                         conflito das formas de governo. A resposta mais comum somente menciona a luta entre o grande/forte Brasil
                         versus o pequeno/fraco Paraguai. Este comportamento do item a dificultava a apreensão de que o item b
                         repetia o mesmo conflito, desta feita dentro do Brasil. Propositadamente, a pergunta trabalhava esta relação
                         dentro e fora a fim de indicar a sua força e repercussão social. Este procedimento reforçava o jogo de contras-
                         tes entre Brasil e Paraguai notado por Sarmiento no enunciado da questão.
                             Aqui, tal como nas Q. 21, Q 23, Q. 24, um comentário de um pensador político funcionava como um
                         documento e, ao mesmo tempo, explicava um problema importante do processo histórico estudado, o que
                         conferia uma certa unidade e semelhança a essas questões. Vale a pena enfatizar que esta pergunta participa
                         do mesmo interesse em trabalhar temas históricos com recortes vários e/ou transversais. Desta feita, era um
                         recorte entre História da América Latina e do Brasil tanto quanto um confronto das formas de governo, ou então
                         ainda aludia implicitamente ao desejo de expansão imperialista do Brasil nesta região da América do Sul.
                             Ao contrário do desempenho de a, o item c foi bastante respondido ao retomar uma abordagem já consa-
                         grada das relações entre o abolicionismo e a Guerra do Paraguai, pois bastava assinalar a participação de
                         escravos para pontuar. Desta maneira, os itens a e c contrabalançavam-se no intuito de permitir que o candi-
                         dato escrevesse e mostrasse seus conhecimentos.

     Exemplo de nota     a) Sarmiento representa o conflito como de contrastes. O grande Brasil contra o pequeno Paraguai. O
     acima da média         Império contra a República.
                         b) Depois da Guerra do Paraguai a disputa entre republicanos e monarquistas ficou mais acirrada por causa
                            da crise que se instalou no país. Os republicanos culpavam a Monarquia pela situação caótica do país e
                            defendiam a imediata proclamação da República.
                         c) Porque o Exército aderiu ao movimento. Na Guerra do Paraguai os negros lutaram ao lado dos brancos e
                            sofreram as mesmas dores. Por isso, o Exército começou a apoiar a Abolição.

                         a) Sarmiento representa o conflito entre Brasil e Paraguai como sendo injusto, já que o Brasil era forte e o
                            Paraguai era fraco.
                         b) A representação de Sarmiento revela um conflito político-ideológico no Brasil entre a criação da República
                            e o fim do Império. Isto é representado através da luta entre o Império do Brasil e a República do Paraguai.
                         c) A Guerra do Paraguai contribuiu para o movimento abolicionista no Brasil porque muitos negros, que
                            foram alforriados por participarem da Guerra, voltaram armados e cientes das táticas de guerra. Além de
                            receberem o apoio de colegas militares, os quais os negros ajudaram durante a guerra.

92
História


  Exemplo de nota   a) Apresenta o Paraguai heroicamente ao contrário do Brasil.
  abaixo da média   b) Pois o Paraguai foi visto como símbolo de coragem tomando simpatia após a guerra. O conflito enfraque-
                       ceu ainda mais o Império que teve de ceder principalmente à Inglaterra, em relação à Abolição.


QUESTÃO 23
                    Para os pensadores do século XIX Stuart Mill e Fourier, o grau de elevação ou rebaixamento da mulher
                    constitui o critério mais seguro para avaliarmos a civilização de um povo. (Adaptado do N. Bobbio et al.,
                    orgs., Dicionário de Política, UnB, vol. 1, p. 488).
                    a) Qual o movimento de mulheres com idéias semelhantes a estas que ocorreu na Europa e nos Estados
                       Unidos no início deste século e qual a sua principal reivindicação?
                    b) Quais são as diferenças entre este movimento e o movimento feminista da década de 60?
                    c) Por que estes movimentos alargaram a cidadania?

        Resposta        O candidato tratava do movimento feminista, tendo por ponto de partida a luta pelo direito de voto pelas
        esperada    mulheres e passava pela conquista de vários direitos sociais e trabalhistas, além dos direitos relativos ao uso
                    de seu próprio corpo ou mesmo quanto à administração de sua casa. Entre o item a e b, estabelecia-se uma
                    temporalidade histórica que tem por ponto de partida a luta pelo sufrágio universal até as conquistas das
                    mulheres, tão comentadas na média, na década de 1960.
                        Depois, de elencar tais ganhos, a resposta tinha em c um teor mais conceitual ao trabalhar com a noção
                    de cidadania. Esta idéia começava com uma luta pelo direito ao voto e se expandia, cada vez mais, com a
                    introdução e luta por novos direitos, muitos deles adstritos ao universo feminino. Uma boa resposta tanto
                    casava informações quanto percebia a expansão e certa mudança da noção de cidadania.
                    a)
                    • sufragismo/sufragetes, movimento pelo direito do voto feminino e/ou
                    • direito de voto das mulheres.                                                                       (1 ponto)
                    b)
                    • igualdade de condições de trabalho entre homens e mulheres
                    • igualdade de oportunidades profissionais
                    • igualdade de direitos políticos
                    • acesso igual à educação
                    • igualdade dos papéis sexuais masculino e feminino
                    • direito do uso do corpo
                    • direito ao aborto.
                    • controle da reprodução.
                    • liberdade sexual e/ou revolução sexual
                    • licença maternidade
                    • divisão das tarefas domésticas                                            (3 pontos para 3 características)

                    c) Obs. Este item valia de 1 a 2 pontos de acordo com a qualidade conceitual da resposta Uma resposta
                       como a primeira, por exemplo, por si só valia 2 pontos.
                    • mulher passa a ser cidadã;
                    • mulheres votam ou participam da política.


     Comentários        A atuação da mulher na sociedade contemporânea é assunto querido da média, bastante debatido e
                    pertence ao cotidiano do candidato. Por outro lado, foi tematizada pela historiografia e encontra ecos em
                    vários livros didáticos. Daí, seu interesse para esta prova. Foi uma pergunta bastante respondida sobretudo
                    nos itens a e b – com mais acertos em b, dada a facilidade das informações.
                        O enunciado já se preocupava em evidenciar a importância política das mulheres para pensadores políti-
                    cos do porte de Stuart Mill e Fourier – tão distintos entre si. Desta maneira, reconstituiu-se ao longo da
                    pergunta – juntando enunciado e os itens a e b – um sentido histórico deste assunto, ao denotar sua conforma-
                    ção ao longo dos anos. Trabalhou-se também sua forte conotação política que vai desde a esfera das leis – com
                    as sufragetes, a licença maternidade, o direito legal ao aborto – até o uso cotidiano e mais pessoal do corpo
                    feminino com a liberação sexual. A questão assim atravessava desde o século XIX até as mais recentes
                    conquistas femininas e ainda reportava-se para outro conceito histórico chave: a noção de cidadania – que
                    nasce nos gregos antigos. Este entrecruzamento entre o estudo das mulheres e a cidadania dava chance do
                    candidato falar quer da cidadania como sinônimo da conquista ao voto quer da cidadania como uso da sua
                    própria individualidade conforme seu responsável livre arbítrio.

                                                                                                                                 93
História


     Exemplo de nota     a) Foi o movimento feminista, cuja principal reivindicação era o direito do voto feminino.
     acima da média      b) As idéias eram de igualdade entre os homens e mulheres. Esta igualdade se refere quanto aos direitos
                            salariais, profissionais e outros. Além disso, as mulheres buscavam eliminar o preconceito quanto à sua
                            capacidade intelectual, física e mesmo emocional.
                         c) Estes movimentos alargaram o conceito de cidadania pois estenderam direitos, que antes eram restritos
                            aos homens, às mulheres, dando a elas direitos e deveres que um cidadão possui.


     Exemplo de nota     a) O movimento das operárias, elas reivindicavam a regulamentação do trabalho feminino.
     abaixo da média     b) A de que a mulher não precisa estar nem acima nem abaixo dos homens e sim somente com o direito de
                             igualdade aos homens.
                             Ao promoverem estes movimentos, houve um questionamento quanto ao conceito de cidadania, que neces-
                         sitava de um alargamento sim, não ficando restritos a fracções das sociedades por critério algum que usassem.


QUESTÃO 24
                         Na origem do pitoresco há a guerra e a repulsa em compreender o inimigo: na verdade nossas luzes sobre a
                         Ásia vieram, inicialmente, de missionários irritados e de soldados. Mais tarde chegaram os viajantes –
                         comerciantes e turistas – que são militares frios: o saque se denomina shopping e as violações são pratica-
                         das honrosamente nas casas especializadas. (...) Criança, eu era vítima do pitoresco: tinham tudo feito para
                         tornar os chineses apavorantes (...) (Jean-Paul Sartre, Colonialismo e Neocolonialismo, Tempo Brasileiro,
                         1968, p. 7).
                         a) Retire do texto dois personagens da colonização européia da Ásia e da África do século XVI ao século XX
                             e explique qual o seu papel na exploração e dominação colonial.
                         b) Explique como a Revolução Cultural Chinesa em 1968 se posicionou frente aos valores econômicos e
                             culturais do Ocidente?

             Resposta        Trata-se de uma pergunta com uma longo recorte temporal por centrar-se na colonização européia da
             esperada    África e Ásia entre os séculos XVI e XX, tendo por porta de entrada a citação de Sartre, na qual destaca-se
                         esta repulsa pelo outro estrangeiro.
                             Recortando personagens que em si tipificaram a ação colonizadora, o candidato nomeava suas funções e
                         assim informava sobre a conquista destas áreas e ação dos europeus.
                             Em contraposição, o item b fazia o percurso inverso ao exigir do candidato que reconhecesse na Revolu-
                         ção Cultural Chinesa a repulsa do Ocidente, da Europa e seus valores civilizados e capitalistas.
                         a)
                         • missionários: conversão a religião e visão de mundo ocidental; dominação ideológica.
                         • comerciantes: “saque” da população nativa; introdução do capitalismo.
                         • turistas: contribuíram para transformar o modo de vida local
                         • militares: dominação pela força.
                         • prostituição: desumanização da mulher.            (vale 3 pontos, 1 ponto para cada informação correta)
                         Obs: Só ganha 2 pontos quando explicar o papel do personagem.
                         b)
                         • Rejeição de valores da cultura do ocidente que chegaram à China desde o século XVI.
                         • Não aceitação da sociedade de consumo ocidental e do modelo econômico do capitalismo. (2 pontos)


           Comentários       A pergunta baseada na afirmação de Sartre centrava-se no horror, repulsa e ressentimento que o processo
                         de colonização porta para o colonizador, colonizado, colono, com diversas conotações. Aqui, tratava-se do
                         colonizador e o colonizado, contrastando em a e b práticas que motivaram tal ideário.
                             O recorte temporal permitia uma tal diversidade de personagens no item a que era difícil não respondê-lo
                         e obter pontuação. A atual situação da China ganha assiduamente espaço da mídia, daí o reconhecimento do
                         estudante do tema. O item b, contudo, exigia do candidato que conhecesse especificamente a Revolução
                         Cultural Chinesa para perceber que sua reação negativa e de exclusão, perseguição, dos elementos do Ociden-
                         te reiteravam a repulsa comentada por Sartre. Neste item houve o maior índice de brancos e nulos.
                             O tema do Imperialismo e do Mercantilismo aparecia aqui recoberto pela experiência colonizadora, mar-
                         cando certas semelhanças e dava vazão a uma resposta vinda da China que mantinha o autoritarismo, empre-
                         gava também a violência e excluía a diferença.




94
História


Exemplo de nota   a) Os missionários e os soldados. Os missionários vinham para catequizar os povos dominados, impondo a
 acima da média      religião européia. Os soldados são os órgãos opressores que reprimiam a população para conter rebeliões
                     e revoluções.
                  b) A revolução Cultural Chinesa era contrária aos princípios capitalistas vindos do Ocidente. Pregava o
                     socialismo como transição para o comunismo, onde a terra seria um bem comum, não tendo interesses
                     voltados apenas para a obtenção de lucros, mas, sim, interesses voltados para o bem-estar da sociedade.

                  a) Os missionários tiveram papel importante na dominação de outros povos, eram eles que se aproximavam
                     dos povos, a fim de traze-los para a Igreja Católica. Com isso, impunham também valores europeus, que
                     facilitavam a dominação e escravização.
                     Os comerciantes finalizaram o processo de dominação: suas mercadorias afirmavam a supremacia euro-
                     péia sobre os povos e tornava-os dependentes de sua economia.
                  b) A Revolução Cultural Chinesa consistiu no fechamento em todos os aspectos da China aos povos do
                     Ocidente. Dessa maneira, tornou-se a influência menos violenta. A China criou seu próprio sistema
                     político, negando o capitalismo, e nela foi proibida e abafada qualquer manifestação da cultura ocidental.


Exemplo de nota   a) Soldado e missionário, exploração do comércio e dominação colonial chineses.
abaixo da média




                                                                                                                             95
Física
Física


                          As questões de Física do Vestibular Unicamp versam sobre assuntos variados do programa (que cons-
                      tam do Manual do Candidato). Elas são formuladas de forma a explorar as ligações entre situações reais
                      (preferencialmente ligadas à vida cotidiana do candidato) e conceitos básicos da Ciência Física, muitas
                      vezes percebidos como um conjunto desconexo de equações abstratas e fórmulas inacessíveis. Pelo con-
                      trário, o sucesso de um candidato no tipo de prova apresentado depende diretamente da sua capacidade
                      de interpretar uma situação proposta e tratá-la com um repertório de conhecimento compatível com um
                      estudante egresso do ensino médio. A banca elaboradora apresenta inúmeras propostas de questões e as
                      seleciona tendo em vista o equilíbrio entre as questões fáceis e difíceis, os diversos itens do programa e a
                      pertinência do fenômeno físico na vida cotidiana do candidato. Após a seleção, as questões são aprimora-
                      das na descrição dos dados correspondentes à situação ou ao fenômeno físico e na clareza do que é per-
                      guntado. Formuladas as questões, elas são submetidas a um professor revisor. Para ele, as questões são
                      inteiramente novas e desconhecidas. Sua crítica a elas se fará em termos de clareza dos enunciados, do
                      tempo para se resolvê-las, da perfeição de linguagem, da adequação ao programa, etc. Um bom trabalho
                      de revisão às vezes obriga a banca a reformular questões e mesmo a substituí-las. A política da Comvest,
                      que as bancas de Física vêm seguindo reiteradamente, é de não manter bancos de questões. Além disso,
                      não utilizamos questões de livros ou de qualquer compilação de problemas. Portanto, se alguma questão
                      se parece com a de algum livro ou compilação é porque o número de questões possíveis numa matéria
                      como a de Física é finito e coincidências não são impossíveis.

                      A correção:
                         A correção é feita de maneira a aproveitar tudo de correto que o candidato escreve. Em geral, erros
                      de unidade e erros de potência de 10 são penalizados com algum desconto de nota.



QUESTÃO 1
                   “Erro da NASA pode ter destruído sonda” (Folha de S. Paulo, 1/10/1999)
                   Para muita gente, as unidades em problemas de Física representam um mero detalhe sem importância.
                   No entanto, o descuido ou a confusão com unidades pode ter conseqüências catastróficas, como aconte-
                   ceu recentemente com a NASA. A agência espacial americana admitiu que a provável causa da perda de
                   uma sonda enviada a Marte estaria relacionada com um problema de conversão de unidades. Foi forne-
                   cido ao sistema de navegação da sonda o raio de sua órbita em metros, quando, na verdade, este valor
                                                                                                                  5
                   deveria estar em pés. O raio de uma órbita circular segura para a sonda seria r = 2,1 x 10 m, mas o sis-
                   tema de navegação interpretou esse dado como sendo em pés. Como o raio da órbita ficou menor, a sonda
                   desintegrou-se devido ao calor gerado pelo atrito com a atmosfera marciana.
                   a) Calcule, para essa órbita fatídica, o raio em metros. Considere 1 pé = 0,30 m.
                   b) Considerando que a velocidade linear da sonda é inversamente proporcional ao raio da órbita, deter-
                      mine a razão entre as velocidades lineares na órbita fatídica e na órbita segura.

        Resposta               0,3 m                           0,3 m
                                                 ⇒ 2,1 x 10 ft --------------- = 6,3 x 10 m
                                                           5                             4
        esperada   a) rm = rft ---------------                                                                        (3 pontos)
                                     ft                              ft

                                                            5
                      V ft    rm     2,1 x 10                   70       10
                   b) ----- = ---- = ------------------------ = ------ = ------ ≅ 3,3
                          -      -                          4
                                                                     -        -                                       (2 pontos)
                      Vm      r ft   6,3 x 10                   21         3


 Exemplo de nota
  acima da média




                                                                                                                               97
Física

     Exemplo de nota
     abaixo da média




         Comentários      Esse assunto teve grande destaque na mídia nos meses que antecederam o vestibular.


QUESTÃO 2
                       Uma das primeiras aplicações militares da ótica ocorreu no século III a.C. quando Siracusa estava sitiada
                       pelas forças navais romanas. Na véspera da batalha, Arquimedes ordenou que 60 soldados polissem seus
                       escudos retangulares de bronze, medindo 0,5 m de largura por 1,0 m de altura. Quando o primeiro navio
                       romano se encontrava a aproximadamente 30 m da praia para atacar, à luz do sol nascente, foi dada a
                       ordem para que os soldados se colocassem formando um arco e empunhassem seus escudos, como repre-
                       sentado esquematicamente na figura abaixo. Em poucos minutos as velas do navio estavam ardendo em
                       chamas. Isso foi repetido para cada navio, e assim não foi dessa vez que Siracusa caiu. Uma forma de
                       entendermos o que ocorreu consiste em tratar o conjunto de espelhos como um espelho côncavo. Suponha
                       que os raios do sol cheguem paralelos ao espelho e sejam focalizados na vela do navio.




                                                                                            Sol




                                                     30 m



                       a) Qual deve ser o raio do espelho côncavo para que a intensidade do sol concentrado seja máxima?
                       b) Considere a intensidade da radiação solar no momento da batalha como 500 W/m 2. Considere que a
                          refletividade efetiva do bronze sobre todo o espectro solar é de 0,6, ou seja, 60% da intensidade inci-
                          dente é refletida. Estime a potência total incidente na região do foco.

            Resposta   a) r = 2f = 2 ⋅ 30 m = 60 m                                                                  (2 pontos)
            esperada

                                   W                60
                       b) P = 500 ------ ⋅ 30 m ⋅ ---------- = 9000 W
                                               2
                                       -
                                       2
                                                                                                                    (3 pontos)
                                  m               100



     Exemplo de nota
      acima da média
                                                                                                                                    v




98
Física




              v




 Exemplo de nota
 abaixo da média




QUESTÃO 3
                   Um automóvel trafega com velocidade constante de 12 m/s por uma avenida e se aproxima de um cruzamento
                   onde há um semáforo com fiscalização eletrônica. Quando o automóvel se encontra a uma distância de 30 m
                   do cruzamento, o sinal muda de verde para amarelo. O motorista deve decidir entre parar o carro antes de che-
                   gar ao cruzamento ou acelerar o carro e passar pelo cruzamento antes do sinal mudar para vermelho. Este sinal
                   permanece amarelo por 2,2 s. O tempo de reação do motorista (tempo decorrido entre o momento em que o
                   motorista vê a mudança de sinal e o momento em que realiza alguma ação) é 0,5 s.
                   a) Determine a mínima aceleração constante que o carro deve ter para parar antes de atingir o cruza-
                       mento e não ser multado.
                   b) Calcule a menor aceleração constante que o carro deve ter para passar pelo cruzamento sem ser mul-
                      tado. Aproxime 1,72 ≅ 3,0.

        Resposta                                                            m
                   a) i. Distância percorrida no tempo de reação: d’ = 12 ------- ⋅ 0,5 s = 6 m
                                                                                -                                            (1 ponto)
        esperada                                                             s

                          2       2
                      ii. v = v 0 + 2ad                   d = 24 m


                                          12 m ⁄ s
                                      2          2         2        2
                                v0                                        144 m               3 x 48                  m
                         a = – ------ ⇒ – --------------------------- = – ---------- ---- = – ---------------- = –3,0 ----
                                    -                               -                                        -               (3 pontos)
                               2d            2 ⋅ 24 m                       48 s 2                 48                 s
                                                                                                                         2




                   b) i. Tempo para acelerar: t’ = tamarelo – tresp ⇒ 2,2 – 0,5 = 1,7 s                                      (1 ponto)

                                       1                            1                3,6 x 2                  m
                      ii. d = v0t’ + ------ at’ ⇒ 24 = 12 ⋅ 1,7 + ------ a 1,7 ⇒ a = ------------------ = 2,4 ----
                                          - 2                                 2
                                                                       -                                         2
                                                                                                                             (1 ponto)
                                       2                            2                     3,0                 s


 Exemplo de nota
  acima da média
                                                                                                                                            v




                                                                                                                                      99
Física




                v



   Exemplo de nota
   abaixo da média




QUESTÃO 4
                     Um canhão de massa M = 300 kg dispara na horizontal uma bala de massa m = 15 kg com uma veloci-
                     dade de 60 m/s em relação ao chão.
                     a) Qual a velocidade de recuo do canhão em relação ao chão?
                     b) Qual a velocidade de recuo do canhão em relação à bala?
                     c) Qual a variação da energia cinética no disparo?

          Resposta   a) pantes = pdepois ⇒ 0 = MVcanhão + mVbala ⇒
          esperada
                                       m                 15 kg                  m              m
                         Vcanhão = – ------- Vbala = – ----------------- ⋅ 60 ------- = –3,0 -------
                                           -                           -            -              -                                     (2 pontos)
                                       M               300 kg                    s              s


                     b) Vcanhão – bala = Vcanhão – terra – Vbala – terra = 60 ------- –  – 3 -------  = 63 -------
                                                                                m               m              m                 m
                                                                                    -               -              -   ou – 63 -------
                                                                                                                                     -   (1 ponto)
                                                                                 s              s             s                 s


                                                      1                   1
                     c) ∆Ec = ∆Efinal – ∆Einicial = ------ M V canhão + ------ m V bala – 0
                                                               2                   2
                                                         -                   -
                                                      2                   2

                                                            2                                2
                                 1              2 m         1              2 m         1
                         ∆Ec = ------ 300 kg ⋅ 3 ------ + ------ 15 kg ⋅ 60 ------ = ------ (2700 + 54000) =
                                    -                2
                                                      -        -                2
                                                                                 -        -
                                 2                s         2                s         2

                         28350 J ≅ 28000 J                                                                                               (2 pontos)




   Exemplo de nota
    acima da média
                                                                                                                                                      v




100
Física




              v




 Exemplo de nota
 abaixo da média




QUESTÃO 5
                   Algumas pilhas são vendidas com um testador de carga. O testador é formado por 3 resistores em paralelo
                   como mostrado esquematicamente na figura abaixo. Com a passagem de corrente, os resistores dissipam
                   potência e se aquecem. Sobre cada resistor é aplicado um material que muda de cor (“acende”) sempre
                   que a potência nele dissipada passa de um certo valor, que é o mesmo para os três indicadores. Uma pilha
                   nova é capaz de fornecer uma diferença de potencial (ddp) de 9,0 V, o que faz os 3 indicadores “acende-
                   rem”. Com uma ddp menor que 9,0 V, o indicador de 300 Ω já não “acende”. A ddp da pilha vai diminu-
                   indo à medida que a pilha vai sendo usada.




                                       ddp                        100 Ω        200 Ω      300 Ω




                   a) Qual a potência total dissipada em um teste com uma pilha nova?
                   b) Quando o indicador do resistor de 200 Ω deixa de “acender”, a pilha é considerada descarregada. A
                      partir de qual ddp a pilha é considerada descarregada?

                                                                                                                       101
Física

            Resposta          V
                                  2                2
                                          9,0 9,0 9,0
                                                                2            2

            esperada   a) P = ----- ⇒ P = ---------- + ---------- + ---------- = 1,485 W ≅ 1,5 W
                                                   -            -            -                                        (2 pontos)
                               R          100 200 300

                                                     81
                       b) Potência de corte = PC = ---------- = 0,27 W                                                (1 ponto)
                                                   300

                              2
                             VC
                           ---------- = 0,27 ⇒ VC =        54 ≅ 7,5 V                                                 (2 pontos)
                           200



   Exemplo de nota
    acima da média




   Exemplo de nota
   abaixo da média




         Comentários       O item a) pode ser resolvido também calculando explicitamente a resistência equivalente.



102
Física

QUESTÃO 6
                   Na prática, o circuito testador da questão anterior é construído sobre uma folha de plástico, como mostra o dia-
                   grama abaixo. Os condutores (cinza claro) consistem em uma camada metálica de resistência desprezível, e os
                                                                                                                                                                –6
                   resistores (cinza escuro) são feitos de uma camada fina (10 µm de espessura, ou seja, 10 x 10 m) de um polí-
                                                                                                                                                                     l
                   mero condutor. A resistência R de um resistor está relacionada com a resistividade ρ por R = ρ ------ onde l é o
                                                                                                                       -
                                                                                                                    A
                   comprimento e A é a área da seção reta perpendicular à passagem de corrente.


                                                +




                                                                                                  10 mm
                                                                     5 mm




                                                                                                                                                9 mm
                                              ddp                              100 Ω                        200 Ω                   300 Ω

                                                –                              10 mm
                                                                                                              10 mm                  6 mm



                   a) Determine o valor da resistividade ρ do polímero a partir da figura. As dimensões (em mm) estão indi-
                      cadas no diagrama.
                   b) O que aconteceria com o valor das resistências se a espessura da camada de polímero fosse reduzida à
                      metade? Justifique sua resposta.

        Resposta          RA
        esperada   a) ρ = ------- =
                               l

                        100 Ω ⋅ 10 x 10 –3 m ⋅ 10 x 10 –6 m                                                                        
                        ------------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 –3 Ωm 
                                                                                                                   -
                                                        5 x 10 m
                                                                          –3
                                                                                                                                    
                                                                                                                                   
                        200 Ω ⋅ 10 x 10 m ⋅ 10 x 10 m              –3                                    –6
                                                                                                                                    
                         ------------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 Ωm  ou 2 Ωmm (basta uma das 3)
                                                                                                                              –3
                                                                           –3
                                                                                                                   -                                                 (3 pontos)
                                                      10 x 10 m                                                                    
                                                                                                                                   
                         300 Ω ⋅ 6 x 10 m ⋅ 10 x 10 m
                                                                 –3                                    –6
                        ---------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 Ωm 
                                                                                                                -
                                                                                                                            –3
                                                      9 x 10 m
                                                                         –3                                                         
                                                                                                                                   


                              l-         l-
                   b) R = ρ ----- = ρ ------
                             A        wd

                       Portanto se d é reduzido à metade, R deve dobrar.                                                                                             (2 pontos)



 Exemplo de nota
  acima da média




                                                                                                                                                                             103
Física

   Exemplo de nota
   abaixo da média




         Comentários        Foi muito comum o uso da área dos dispositivos como vistos na figura no lugar da área transversal.


QUESTÃO 7
                       O bíceps é um dos músculos envolvidos no processo de dobrar nossos braços. Esse músculo funciona num sis-
                       tema de alavanca como é mostrado na figura abaixo. O simples ato de equilibrarmos um objeto na palma da mão,
                       estando o braço em posição vertical e o antebraço em posição horizontal, é o resultado de um equilíbrio das
                       seguintes forças: o peso P do objeto, a força F que o bíceps exerce sobre um dos ossos do antebraço e a força C
                       que o osso do braço exerce sobre o cotovelo. A distância do cotovelo até a palma da mão é a = 0,30 m e a distân-
                       cia do cotovelo ao ponto em que o bíceps está ligado a um dos ossos do antebraço é de d = 0, 04 m. O objeto
                       que a pessoa está segurando tem massa M = 2,0 kg. Despreze o peso do antebraço e da mão.


                                                            Bíceps      Ossos do                                            F
                                                                        antebraço
                                Osso do
                                  braço
                                                                              M
                                                                                                                        d
                                                                                                                                a
                                Cotovelo                                                                                                P
                                                  d                                                                 C
                                                                a

                       a) Determine a força F que o bíceps deve exercer no antebraço.
                       b) Determine a força C que o osso do braço exerce nos ossos do antebraço.


                            ∑τ
            Resposta
                       a)        d   = 0                                                                                            (1 ponto)
            esperada

                                               2,0 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 0,30
                                                                                       2
                            Fd – Mga = 0 ⇒ F = ---------------------------------------------------------- = 150 N
                                                                                                        -                           (2 pontos)
                                                                      0,04

                       b) C + P – F = 0 ⇒

                            C = F – P = 150 N – 20 N = 130 N                                                                        (2 pontos)



   Exemplo de nota
    acima da média




104
Física

 Exemplo de nota
 abaixo da média




    Comentários       Essa questão permitia várias soluções por caminhos diferentes. Todos os relevantes foram considera-
                   dos corretos.


QUESTÃO 8
                   Dois blocos homogêneos estão presos ao teto de um galpão por meio de fios, como mostra a figura abaixo.
                   Os dois blocos medem 1,0 m de comprimento por 0,4 m de largura por 0,4 m de espessura. As massas
                   dos blocos A e B são respectivamente iguais a 5,0 kg e 50 kg. Despreze a resistência do ar.

                                                                          Teto
                                                                          fio     fio


                                                                  A
                                                                                  B




                                              5,0 m




                                                                           Solo


                   a) Calcule a energia mecânica de cada bloco em relação ao solo.
                   b) Os três fios são cortados simultaneamente. Determine as velocidades dos blocos imediatamente antes
                      de tocarem o solo.
                   c) Determine o tempo de queda de cada bloco.

        Resposta
                                          E pA = 5,0 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 5,5 m = 275 J
                                                                      2
        esperada   a) Ep = mgh ⇒                                                                            (2 pontos)
                                          E pB = 50 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 5,2 m = 2600 J
                                                                2




                        1
                   b) ------ mv = mgh’ ⇒ v =                      ⇒
                               2
                           -                           2gh'
                        2


                        2 ⋅ 10 m/s ⋅ 5,0 m =
                                    2                         2   2
                                                      100 m /s = 10 m/s para os dois blocos                  (2 pontos)

                                          v      10 m/s
                   c) v = v0 + gt ⇒ t = ----- = -------------------- = 1,0 s para os dois blocos
                                            -                      2
                                                                                                              (1 ponto)
                                          g     10 m/s

                                                                                                                      105
Física


   Exemplo de nota
    acima da média




      Exemplo de nota
      abaixo da média




         Comentários      Uma questão aparentemente simples mas que envolve conceitos mais elaborados como centro de
                        massa, a definição de energia potencial e queda livre.


QUESTÃO 9
                        Algo muito comum nos filmes de ficção científica é o fato dos personagens não flutuarem no interior das
                        naves espaciais. Mesmo estando no espaço sideral, na ausência de campos gravitacionais externos, eles
                        se movem como se existisse uma força que os prendesse ao chão das espaçonaves. Um filme que se preo-
                        cupa com esta questão é “2001, uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Nesse filme a gravidade é
                        simulada pela rotação da estação espacial, que cria um peso efetivo agindo sobre o astronauta. A estação
                        espacial, em forma de cilindro oco, mostrada abaixo, gira com velocidade angular constante de 0,2 rad/s
                        em torno de um eixo horizontal E perpendicular à página. O raio R da espaçonave é 40 m.




                                                                            R



                                                                      E




                        a) Calcule a velocidade tangencial do astronauta representado na figura.
                        b) Determine a força de reação que o chão da espaçonave aplica no astronauta que tem massa m = 80 kg
106
Física



        Resposta                    rad                  m
                    a) v = ωR = 0,2 ------- ⋅ 40 m = 8 -------
                                          -                  -                                                                                                                                                  (2 pontos)
        esperada                       s                  s

                                                                                             2
                                             2 rad
                    b) N = mω R = 80 kg ⋅ 0,2 --------- ⋅ 40 m = 128 N ≅ 130 N
                             2
                                                    2
                                                      -                                                                                                                                                         (3 pontos)
                                                 s


 Exemplo de nota
  acima da média




  Exemplo de nota
  abaixo da média




QUESTÃO 10
                    Um escritório tem dimensões iguais a 5 m × 5 m × 3 m e possui paredes bem isoladas. Inicialmente a tempe-
                    ratura no interior do escritório é de 25 °C. Chegam então as 4 pessoas que nele trabalham, e cada uma liga seu
                    microcomputador. Tanto uma pessoa como um microcomputador dissipam em média 100 W cada na forma de
                    calor. O aparelho de ar condicionado instalado tem a capacidade de diminuir em 5 °C a temperatura do escritó-
                    rio em meia hora, com as pessoas presentes e os micros ligados. A eficiência do aparelho é de 50%. Considere
                                                                                                                                                                                     3
                    o calor específico do ar igual a 1000 J/kg °C e sua densidade igual a 1,2 kg/m .
                    a) Determine a potência elétrica consumida pelo aparelho de ar condicionado.
                    b) O aparelho de ar condicionado é acionado automaticamente quando a temperatura do ambiente atinge 27 °C,
                        abaixando-a para 25 °C. Quanto tempo depois da chegada das pessoas no escritório o aparelho é acionado?

        Resposta
                           mC∆T
        esperada           --------------- + 800 W
                                         -
                                  t
                    a) P = ---------------------------------------- =
                                                                  -
                                         0,50


                          1,2 kg/m ⋅ 75 m ⋅ 1000 J/kg °C ⋅ 5 °C
                                             3                 3
                          ---------------------------------------------------------------------------------------------------- + 800 W
                                                                                                                             -
                                                      30 min ⋅ 60 s/min                                                                                   250 W + 800 W
                          ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- = ------------------------------------------ = 2100 W
                                                                                                                                                      -                                            -            (3 pontos)
                                                                                   0,50                                                                                  0,50


                                                     1,2 kg/m ⋅ 75 m ⋅ 1000 J/kg °C ⋅ 2 °C
                                                                                                  3                 3
                               mC∆T
                    b) 800 W = --------------- ⇒ t = ---------------------------------------------------------------------------------------------------- = 225 s = 3 min 45 s
                                             -                                                                                                          -                                                       (2 pontos)
                                      t                                                       800 W

                                                                                                                                                                                                                        107
Física

   Exemplo de nota
    acima da média




      Exemplo de nota
      abaixo da média




QUESTÃO 11
                        Grande parte da tecnologia utilizada em informática e telecomunicações é baseada em dispositivos semi-
                        condutores, que não obedecem à lei de Ohm. Entre eles está o diodo, cujas características ideais são mos-
                        tradas no gráfico abaixo.


                                                  I

                            VD                                O gráfico deve ser interpretado da seguinte forma: se for aplicada
                        +        –                            uma tensão negativa sobre o diodo (VD < 0), não haverá corrente
                                                              (ele funciona como uma chave aberta). Caso contrário (VD > 0), ele
                             I
                                                              se comporta como uma chave fechada.
                                                      VD


108
Física

                  Considere o circuito abaixo:

                                                                  Diodo




                                                                  3 kΩ
                                                       +                  2 kΩ
                                                            U                             V       Voltímetro ideal
                                                        –


                                                                   A
                                                            Amperímetro ideal


                  a) Obtenha as resistências do diodo para U = +5 V e U = –5 V.
                  b) Determine os valores lidos no voltímetro e no amperímetro para U = +5 V e U = –5 V.

       Resposta
       esperada           ∞, para U = +5 V
                  a) R =                                                                                                         (1 ponto)
                          0, para U = –5 V


                  b)
                                    3 kΩ                                                  U                       5V
                                                                    U = +5 V ⇒ i = ------------------ = --------------------------- = 1 mA
                                                                                                                                  -
                                           2 kΩ
                                                                                   R1 + R2              ( 3 + 2 ) kΩ
                       +5 V                        V


                                                                    V = R2 i = 2 x 10 Ω ⋅ 1 x 10 A = 2 V
                                                                                              3                 –3

                                      A

                                                                                                                                (2 pontos)


                                                                                    U       –5 V
                                                                    U = –5 V ⇒ i = ----- = ------------ = – 2,5 mA
                                                                                       -              -
                                           2 kΩ    V                               R2      2 kΩ
                       –5 V

                                                                    V = ddp = –5 V                                              (2 pontos)
                                      A




Exemplo de nota
 acima da média




Exemplo de nota
abaixo da média
                                                                                                                                                      v




                                                                                                                                               109
Física




                  v




                           Trata-se de um condutor não-ohmico. Todos os elementos necessários para o tratamento dele estão no
         Comentários
                       texto e nos gráficos.


QUESTÃO 12
                       Uma barra de material condutor de massa igual a 30 g e comprimento 10 cm, suspensa por dois fios rígi-
                       dos também de material condutor e de massas desprezíveis, é colocada no interior de um campo magné-
                       tico, formando o chamado balanço magnético, representado na figura abaixo.




                                   i
                                                                i



                        fio                                             fio
                                                                                                                              fio
                                                                                                   θ



                                                i

                                                                        barra                                                barra




                                                B                                                           B
                                          Vista de frente                                              Vista de lado


                       Ao circular uma corrente i pelo balanço, este se inclina, formando um ângulo θ com a vertical (como indi-
                       cado na vista de lado). O ângulo θ depende da intensidade da corrente i. Para i = 2A, temos θ = 45°.
                       a) Faça o diagrama das forças que agem sobre a barra.
                       b) Calcule a intensidade da força magnética que atua sobre a barra.
                       c) Calcule a intensidade da indução magnética B.

            Resposta
                       a)
            esperada                                        T


                                                                    θ



                                                                                 FB



                                                                        P
                                                                                                                       (2 pontos)

                                                              m
                       b) θ = 45° ⇒ FB = mg = 0,030 kg ⋅ 10 ------- = 0,3 N
                                                                 2
                                                                  -                                                    (1 ponto)
                                                              s
                                                                                                                                     v




110
Física




             v
                  c) FB = iLB ⇒

                        FB           0,3 N
                    B = ---- = --------------------------- = 1,5 T
                           -                                         (2 pontos)
                        iL     2A ⋅ 0,1 m



Exemplo de nota
 acima da média




Exemplo de nota
abaixo da média




                                                                             111
Geografia
Geografia


                         Na segunda fase, a prova de Geografia examina o conhecimento de conteúdos mais específicos da
                     disciplina conforme o programa apresentado no Manual do Candidato. Isto é feito através da verificação
                     das mesmas habilidades já requeridas para a prova de 1ª fase, isto é capacidade de leitura, interpretação
                     de textos, gráficos, tabelas e cartogramas, devem ser trabalhados agora, de forma a demonstrar que o
                     candidato dispõe de conhecimentos geográficos suficientes e indispensáveis para uma boa compreensão
                     do mundo contemporâneo.



QUESTÃO 13




                   (...) a existência de Brasília, (...) sua própria posição geográfica, como local próximo do centro geométrico do
                   território, mas distante da área nuclear do país (Rio e São Paulo) denota uma política institucional praticada
                   como administração exercida por um grupo de especialistas que buscam um afastamento dos problemas
                   sociais mais candentes. (José William Vesentini – A capital da Geopolítica. São Paulo, Ática, 1986)
                   a) Interprete a charge acima.
                   b) Com base nessa charge e no texto apresentado, explique a influência exercida pela posição geográfica de
                      Brasília sobre as possibilidades de participação política da sociedade civil.

       Resposta        A charge de Angeli demonstra com clareza as afirmações feitas no texto de José William Vesentini sobre
       esperada    Brasília. Fica nítido o isolamento do Poder Central do país, notadamente o Poder Executivo, que se comporta
                   como uma ilha distante e inacessível diante da onda de movimentos sociais reivindicatórios e contestatórios
                   à sua volta.
                       (Esses movimentos pressionam por maior participação social nas decisões político-institucionais cen-
                   trais, contra a violência, contra o desemprego, contra pedágios e rodovias intransitáveis, a favor da reforma
                   agrária, etc. Entretanto, a ilha central “dos caras”, sobre-elevada no centro da multidão, demonstra o desca-
                   so e o afastamento que os especialistas do Governo procuram manter dos problemas sociais, o que transpa-
                   rece no sentido pejorativo da expressão “ilha dos caras”).                                         (2 pontos)
                       O texto dá ênfase ao caráter geopolítico da localização estratégica de Brasília (próxima ao centro geomé-
                   trico, mas distante da maioria da população, concentrada no eixo Rio-São Paulo) e o que ela representa em
                   termos de democracia representativa, ou seja, limitação à efetiva participação do cidadão nas decisões
                   governamentais, as quais não refletem os interesses diretos e imediatos da população.              (3 pontos)


 Exemplo de nota   a) a charge faz um trocadilho com a ilha de Caras, uma ilha em que são vão os ilustres convidados de uma
  acima da média      revista da sociedade. Colocando Brasília como a “Ilha dos Caras”, o autor mostra seu isolamento geográ-
                      fico e também coloca Brasília como um lugar que nem todos têm acesso, apenas uma seleta minoria. A
                      multidão abaixo da montanha que seria a ilha dos Caras, ou seja Brasília ou seja o palácio do planalto, só
                      confirma o distanciamento que existe entre quem administra o país e a população.

                                                                                                                              113
Geografia


                        b) Apesar de toda a poesia de uma integração nacional com a capital do país mudando para o centro
                           geográfico do Brasil, o que houve, na verdade foi um distanciamento das decisões políticas do centro
                           econômico, cultural e social do país, que é o eixo Rio-São Paulo. Essa distância estratégica dificulta a
                           cobrança por parte da sociedade civil para com os seus representantes.


      Exemplo de nota   a) A charge mostra como Brasília se posiciona de maneira superior ao resto do país, localizada numa região
      abaixo da média      que apresenta menos problemas sociais por ser menos povoada.
                        b) Devido a sua posição, Brasília fica afastada das regiões mais povoadas e problemáticas do país, como
                           São Paulo e Rio de Janeiro que apresentam grande número de desemprego e de insatisfeito com a
                           política adotada.

         Comentários        A média da questão foi 2,81 com uma baixíssima porcentagem de notas 0: apenas 1,3% dos candidatos
                        obteve esta nota. Apesar de não ter sido uma questão difícil, o desempenho dos candidatos não correspondeu
                        ao esperado. A maior concentração de notas (57%) esteve entre 2,5 e 3,0. Os objetivos desta questão eram
                        verificar conhecimentos sobre o papel geopolítico de Brasília e avaliar a capacidade de articulação e interpre-
                        tação da charge por meio da análise do texto. Os candidatos, via de regra, responderam a questão sem realizar
                        uma análise mais consistente. O texto e a charge se complementavam e, de certa forma, “dirigiam” a resposta
                        da questão, isto é, o texto apresentado “reforçava” a idéia presente na charge e o vestibulando deveria então
                        demonstrar capacidade de articulação dessas idéias analisando o caráter geopolítico da localização da capital
                        do país frente às possibilidades de participação política da sociedade civil. Nem todos os candidatos souberam
                        analisar de forma articulada esses dois aspectos da questão. Muitos se limitaram a reproduzir as palavras do
                        texto apresentado sem trabalhar de forma mais analítica o conceito de geopolítica, de localização estratégica
                        da capital do país, como fator limitador da participação política da sociedade civil.


QUESTÃO 14
                        Octávio Ianni, em seu livro A sociedade global, assim se refere a certos tipos de organizações internacionais:
                        Essas organizações e agências internacionais dedicadas a sanear, orientar e dinamizar as economias nacio-
                        nais e a economia internacional, nascem da crescente convicção de que os sistemas econômicos nacionais
                        e internacionais não são auto-reguláveis.
                        a) Dê dois exemplos dessas organizações.
                        b) Explique como elas interferem nas políticas econômicas e sociais do Brasil.

            Resposta    a) Fundo Monetário Internacional (FMI); Banco Mundial ou Banco Internacional de Reconstrução e Desen-
            esperada
                           volvimento (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).                               (2 pontos)
                        b) No caso brasileiro, a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) tem sido a de administrador das
                           contas nacionais brasileiras, visando garantir o pagamento da dívida externa, de modo a não causar
                           prejuízos aos investidores/especuladores estrangeiros. Para garantir esse fluxo de capital, o FMI impõe ao
                           país uma “cartilha” com várias medidas: controle do déficit público, obrigando o Estado a cortar gastos,
                           principalmente na área social (Saúde e Educação), diminuição do quadro de servidores, com a dispensa
                           e a não contratação de novos funcionários, retirada de conquistas sociais, tais como previdência social;
                           aumento das receitas do Estado com aumento de impostos e venda de empresas estatais. Essas medidas
                           provocam um quadro de grave recessão no país, aumentando o desemprego e as crises sociais. Entretan-
                           to, são operadas pelos agentes do FMI que ocupam altos cargos no Governo Brasileiro.            (3 pontos)


      Exemplo de nota   a) O FMI e o Banco Mundial
      acima da média    b) Elas interferem não só no Brasil , como em muito outros países capitalistas ou não. Essas organizações
                           impõem percentuais e índices a serem cumpridos como inflação, balança comercial, valor do dólar, PIB,
                           etc. As metas devem ser cumpridas para não haver embargos ou retaliações nem que com isso o país
                           tenha um custo social como recessão, desemprego.


      Exemplo de nota   a) O Mercosul e a Opep
      abaixo da média   b) Na tentativa do equilíbrio da balança comercial o Mercosul visa a isenção de impostos alfandegários
                           estimulando as exportações , isso representa mais empregos e aquecimento da economia. A Opep visa
                           tabelação dos preços de petróleo evitando concorrência.

114
Geografia

    Comentários       A média dessa questão foi 2,02, podendo, portanto, ser considerada como uma questão relativamente
                  difícil. Foi a segunda questão da prova com maior porcentagem de notas 0 (24,5%), entretanto, com poucas
                  respostas em branco – 2,9%. A maior concentração de notas ficou entre 2 e 3 – 41,8%.
                      Os objetivos desta questão era verificar conhecimentos do candidato sobre:
                  a) a existência e o modo de operação das agências e organismos internacionais de apoio ou intervenção nos
                      países com problemas econômicos;
                  b) os problemas decorrentes do modo de funcionamento destas agências, notadamente os econômicos e
                      sociais.
                      Esperava-se que o candidato reconhecesse e nominasse agências e organismos internacionais que atuam
                  no sentido de intervir nos países com problemas econômicos. Além disso era necessário o candidato explicitar
                  como essas organizações atuam no caso brasileiro. A intenção era de verificar em que medida os vestibulan-
                  dos têm acompanhado o debate acerca da atuação desses organismos em países como o Brasil, e a sua
                  compreensão do caráter e das consequências das medidas operadas por esses organismos.
                      O item a da questão solicitava dois exemplos dessas agências ou organizações, porém nem todos os
                  candidatos nomearam corretamente. O FMI e o BM foram os organismos mais citados. Entretanto não foram
                  poucos aqueles que citaram o MERCOSUL, a OTAN, o NAFTA errando portanto esse item da questão.
                      Em geral o candidato que respondia corretamente a primeira parte da questão conseguia também respon-
                  der o item b que solicitava uma explicação acerca da atuação desses organismos na economia do país. Os
                  candidatos demonstraram um certo conhecimento acerca das medidas de ajuste estrutural da economia
                  brasileira impostas por essas organizações mas nem todos chegaram a analisar os problemas decorrentes
                  dessas medidas notadamente no âmbito social.


QUESTÃO 15
                                             Brasil: consumo de energia primária – 1970 e 1994


                                                      1970                                 carvão mineral

                                                                                           produtos de cana-de-açúcar

                                                                                           petróleo

                                                                                           energia hidráulica
                                  42 %                                                     lenha

                                                                        3%
                                                                        5%



                                  16 %

                                                                        34 %




                                                                                           carvão mineral
                                                      1994                                 produtos de cana-de-açúcar

                                                                                           petróleo

                                                                                           energia hidráulica
                                                                        13,3 %
                                                                                           lenha
                                                                        5,2 %
                                                                                           outros
                                                                        10,0 %
                                 35,8 %
                                                                        4,3 %


                                                                        31,5 %




                                                                               Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1974 e 1995.

                                                                                                                                         115
Geografia

                        Considerando os dados acima:
                        a) Cite as duas principais alterações ocorridas no consumo de energia primária no Brasil entre 1970 e
                           1994.
                        b) Cite alguns dos fatores responsáveis pela alteração.

            Resposta    a) Analisando os gráficos do “consumo de energia primária no Brasil, no período entre 1970 e 1974 (em %),
            esperada       pode-se notar que o consumo de:
                        • lenha, em 1970, era de 42% do total, declinando para 13,3% em 1994;
                        • energia elétrica, proveniente do aproveitamento da energia hidráulica, em 1970 era de 16%, passando
                           para 35,8% em 1994;
                        • produtos de cana-de-açúcar (bagaço e álcool combustível), não destacado em 1970, passam a represen-
                           tar 10% do consumo total em 1994;
                        • carvão mineral aumenta de 3% em 1970, para 5,2% em 1994;
                        • outras fontes diminuem de 5% (1970), para 4,3% em 1994.                                          (2 pontos)
                        b) A produção e o consumo de energia primária do país estão diretamente relacionadas com o modelo de
                           desenvolvimento adotado. Dessa forma, no período ocorreram diversas mudanças na produção e consu-
                           mo de energia primária associadas à intensa urbanização e industrialização ocorridas no Brasil no perío-
                           do, à substituição do tipo de transporte, priorizando o rodoviarismo (com alto consumo de petróleo e
                           álcool combustível), aos avanços técnico-científicos e aos conflitos/ações internacionais que elevaram o
                           preço de algumas fontes. Em relação às fontes mencionadas, os fatores da mudança foram:
                        • energia hidráulica: o consumo aumentou em virtude do maior aproveitamento do potencial hidráulico dos
                           rios brasileiros, proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aporte de recursos originados de
                           fontes externas. Esse tipo de energia veio substituir principalmente alguns derivados de petróleo (óleo
                           diesel), visando diminuir seu consumo na geração de energia elétrica e no setor industrial;
                        • produtos de cana-de-açúcar: a produção e o consumo de álcool combustível foi incentivada e intensificada,
                           principalmente pelo ProÁlcool, para fazer frente à crise do petróleo. No caso do bagaço de cana, este está
                           sendo utilizado para geração de energia elétrica no próprio local das usinas sucro-alcooleiras. (3 pontos)


      Exemplo de nota   a) Nota-se principalmente a elevada porcentagem de energia hidráulica no ano de 1994 e a baixa da
      acima da média       energia fornecida pela lenha.
                        b) Principalmente a mudança no modo de vida. O crescimento das cidades e da industrialização fez com
                           que a principal fonte de energia fosse a hidrelétrica. Tem também o fato de ter chegado energia elétrica
                           nas zonas rurais o que diminuiu o consumo de lenha.


      Exemplo de nota   a) Houve diminuição da porcentagem do uso de petróleo pois com o proálcool o uso de produtos de cana de
      abaixo da média      açúcar foram incentivados.
                        b) Poálcool, alta do petróleo.

                            A média de 3,39 demonstra que os vestibulandos não tiveram muita dificuldade em responder a questão.
         Comentários
                        A porcentagem de 0 foi insignificante ( 0,6%), o que reforça essa afirmação. A maior concentração de notas
                        ficou entre 3 e 4 – 76,8%. Os objetivos com esta questão eram verificar a capacidade de leitura e interpreta-
                        ção de representação cartográfica e a capacidade de analisar as transformações na matriz energética brasileira
                        (produção e consumo), reconhecendo as suas causas.
                            A partir de dois gráficos com dados sobre o consumo de energia primária no Brasil em 1970 e 1994, o
                        vestibulando deveria inicialmente ler o gráfico e identificar as duas principais alterações ocorridas no consumo
                        de energia primária no Brasil entre 1970 e 1994. A seguir esperava-se que o candidato relacionasse as
                        transformações na matriz energética brasileira, em termos de produção e consumo, com o modelo de desen-
                        volvimento adotado no período em questão.
                            No item a o candidato deveria qualificar as alterações no padrão de consumo ocorridas no período de-
                        monstrado pelos gráficos para obter os dois pontos relativos a esse item. Foram poucos os candidatos que não
                        conseguiram ler de forma correta os dados fornecidos. Entretanto o item b que exigia uma análise do modelo
                        de desenvolvimento adotado no período, o que justificaria as mudanças na produção e no consumo das fontes
                        de energia, não foi respondido a contento por boa parte dos candidatos.
                            Uma parcela significativa de candidatos fez uma análise superficial dessas mudanças, respondendo que os
                        investimentos, em geral, foram deslocados para outras fontes de energia e que a grande disponibilidade de rios
                        propiciou o aumento da energia hidráulica. As respostas para a diminuição do consumo e da produção de
                        lenha giraram, em geral, em torno da questão da preservação ambiental. Foram poucos os candidatos que
                        abordaram o modelo urbano/industrial adotado no período como justificativa para essas mudanças.
116
Geografia

QUESTÃO 16
                   Devido à falta de oxigênio, à instabilidade do substrato e à ação das correntes, estas espécies apresentam
                   raízes escoras, ou pneumatóforos, que ampliam a base de suporte e facilitam a troca gasosa com o ambien-
                   te. O emaranhado de raízes reduz a velocidade das correntes, acarretando um depósito extenso de argila e
                   lodo. (PGC/ZEE/Secretaria do Meio Ambiente)




                   a) A que formação vegetal se refere o texto?
                   b) Qual a importância desta formação vegetal para os ecossistemas costeiros?
                   c) Cite duas atividades sócio-econômicas que estão causando a sua degradação ou mesmo a sua extinção.

       Resposta    a) Manguezal ou vegetação de mangue.                                                           (1 ponto)
       esperada    b) São áreas de reprodução e de desenvolvimento de várias espécies marinhas: viveiro natural ou berçário
                      das mesmas, servindo como abrigo para os microorganismos. Têm importante papel na deposição de
                      sedimentos e tendem a ampliar e retificar a zona litorânea, protegendo a costa contra a erosão. Além
                      disso, atuam como filtro biológico (natural) na purificação das águas.                     (2 pontos)
                   c) As atividades a serem consideradas podem ser: a pesca predatória, o desmatamento e a exploração de
                      madeiras, a construção de aterros para a construção civil, a implantação de complexos industriais, a
                      própria expansão urbana com o despejo de esgotos urbano e industrial nas áreas de mangue ou a
                      construção de marinas e de portos.                                                         (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) Manguesais
  acima da média   b) Primeiro ela impede a erosão., geralmente essas formações são deltas de rios. É um verdadeiro “bercário”
                      onde muitas espécies se reproduzem como: peixes, crustáceos, etc.
                   c) Exploração imobiliária e pesca predatória


 Exemplo de nota   a) ....
 abaixo da média   b) Esta formação vegetal faz com que não haja acúmulo de argila e lodo nos territórios costeiros
                   c) Industrialização


    Comentários        A média da questão demonstrou uma relativa facilidade para respondê-la. A maioria das notas ficou entre
                   2 e 3 (50,4%) e apenas 11% dos candidatos obteve nota 0
                       Os objetivos relacionavam-se à verificação da capacidade de leitura e interpretação de gráficos e de anali-
                   sar a inserção da mão-de-obra feminina no mercado de trabalho e a questão de sua valorização profissional.
                       A partir de um fragmento de texto e de uma foto esperava-se que o candidato identificasse no item a o
                   mangue ou manguezal como formação vegetal aí expressa. No item b a resposta deveria contemplar a impor-
                   tância dessa formação vegetal para os ecossistemas costeiros, identificando-a como área de reprodução/
                   desenvolvimento de várias espécies marinhas, como abrigo de microorganismos, como proteção contra a
                   erosão da costa, entre outras. No último ítem o candidato deveria citar duas atividades sócio-econômicas que
                   estariam contribuindo para o processo de degradação dessas formações vegetais. Entre elas, a expansão
                   urbana, o aterro, o desmatamento ,etc.
                                                                                                                             117
Geografia

                            A resposta do 1º item era essencialmente objetiva: mangue ou maguezal. Entretanto respostas como
                        tundra, taiga, caatinga, etc. apareceram demonstrando que alguns vestibulando não conseguiram identificar a
                        formação vegetal solicitada pela questão. Esse tipo equivocado comprometia toda a questão na medida em
                        que os demais itens estavam relacionados a ele. No item b, em geral as respostas mais freqüentes diziam
                        respeito à característica do manguezal como área de reprodução de espécies com poucas respostas mais
                        completas, o que demonstra o pouco conhecimento dos vestibulando em relação às características dessa
                        formação vegetal. O item c foi melhor respondido evidenciando um melhor preparo do candidato quanto ao
                        conhecimento das atividades predatórias nessas áreas.


QUESTÃO 17




                                                                                                       Banco Mundial, 1994.

                        a) Além da Europa Ocidental e da América Anglo-Saxônica, quais as regiões do mundo onde há maior
                           expectativa de vida?
                        b) Explique por que essas regiões são as que apresentam maior expectativa de vida.

            Resposta    a)   As regiões do mundo que apresentam maior esperança de vida ao nascer são:
            esperada    •    sul da América do Sul: Chile, Argentina e Uruguai
                        •    Turquia e Israel
                        •    Oceania (Austrália, Nova Zelândia)
                        •    Sudeste asiático (Japão, Hong Kong, Cingapura)
                        •    Cuba e Malásia
                        b)   A esperança de vida ao nascer está diretamente relacionada com as condições econômicas e sociais de
                             cada país e de seu povo. Nos países ricos, a esperança de vida apresenta índices elevados, em virtude
                             das condições gerais de renda elevada, atendimento médico, educação, securidade social e infra-estrutu-
                             ra disponíveis para a população (IDH). Nos países indicados, estes valores também variam internamente,
                             existindo diferentes índices de esperança de vida por regiões e por setores sociais.


      Exemplo de nota   a) Oceania, sul da América do Sul, como a Argentina, Chile e o Uruguai, Japão e alguns Tigres Asiáticos,
      acima da média       alguns países da América Central.
                        b) Porque são regiões geralmente desenvolvidas e industrializadas, onde não há tanta desigualdade e pro-
                           blemas sociais quando comparado com regiões subdesenvolvidas. Essas regiões desenvolvidas possuem,
                           geralmente, baixo crescimento vegetativo e melhores condições de vida, permitindo que a população que
                           vive nessas áreas desfrute de condições estáveis, porém há também desigualdades sociais nessas regi-
                           ões, mas o nível de vida e de condições da população que vive nessas regiões é muito melhor que o nível
                           de vida das populações que vivem em regiões subdesenvolvidas. A partir dessas condições de vida
                           estável que estão relacionadas com níveis de industrialização econômica, PIB altos dentre outras coisas
                           como TM e TN baixas, pouco índice de analfabetismo é que há em decorrência e conseqüência disso
                           uma maior expectativa de vida nessas regiões.


      Exemplo de nota   a) da Europa Ocidental e América Anglo Saxônica, estão num nivel elevado de desenvolvimento econômico
      abaixo da média      e social isso faz com que a expectativa de vida almente. Já na região da oceania, é uma região pouco
                                                                                                                                       v




118
Geografia




              v
                      habitada, onde a preservação natural e dos costumes nativos são o fator contribuinte p/ maior expectativa
                      de vida. América do norte e América do sul
                   b) Por causa da localização geográfica, por causa do clima, melhores condições de vida, etc.


    Comentários        Esta questão foi a mais fácil desta prova, com a maior média: 3,69. A simples interpretação do tema
                   apresentado no mapa, e a localização de alguns países e/ou regiões já garantia ao candidato 3 pontos (item a).
                       O item b tinha por objetivo uma interpretação mais elaborada. Assim, além de reconhecer as regiões do
                   mundo onde há maior expectativa de vida, o candidato deveria associar este indicador demográfico às ques-
                   tões sociais e político-econômicas dos países em questão. Atingindo este objetivo o candidato obtinha os
                   outros 2 pontos. Tendo em vista que os candidatos não avaliaram as diferenças espaciais, a expectativa inicial
                   de pontuar as desigualdades sócio-espaciais neste item foi abandonada e substituída pela abordagem político-
                   econômica.


QUESTÃO 18
                   Data do século passado a entrada de norte-americanos no Brasil. Eram principalmente confederados fugi-
                   dos da Guerra de Secessão dos E.U.A. Entretanto, nada ficou entre nós desse contato, com exceção da
                   fundação da cidade de Americana, no Estado de São Paulo, e da instituição de ensino Mackenzie, na cidade
                   de São Paulo. (...) Apesar de poucos imigrantes norte-americanos no Brasil, se comparados com outros
                   povos, a influência dos E.U.A. na vida brasileira tornou-se marcante através do tempo. (Melhem Adas,
                   Panorama Geográfico do Brasil)
                   a) Cite dois exemplos da influência cultural que os EUA exercem na sociedade brasileira.
                   b) Por que a influência norte-americana no mundo assumiu proporções tão grandes após a Segunda Guerra
                      Mundial?

       Resposta    a) Existem inúmeros exemplos da influência norte-americana no país. Pode-se citar a influência na lingua-
       esperada       gem, que está permeada de termos originários do inglês, utilizados em inúmeros produtos e estabeleci-
                      mentos comerciais ou de serviços; o inglês passou a ser língua obrigatória para os que querem se capa-
                      citar a empregos, navegar na Internet, etc; influência no vestuário, com o uso do já tradicional jeans;
                      influência na música ... (influência econômica, com o dólar sendo a moeda padrão ou referência de valor
                      da moeda nacional; influência política, com inúmeras decisões locais tomadas para atender diretrizes
                      externas, tais como o “Consenso de Washington”; etc.)
                   b) A influência norte-americana assumiu grandes proporções primeiramente em virtude da expansão econô-
                      mica e militar dos EUA a partir da Primeira Guerra Mundial e, mais fortemente, depois da Segunda
                      Guerra Mundial, com a divisão do mundo em dois blocos. O Brasil ficou na área de influência direta dos
                      EUA, que procuraram impedir o avanço de idéias e forças de esquerda (comunistas) no Brasil, com a
                      ajuda política e militar de setores da sociedade brasileira. Com o declínio do bloco socialista, os EUA
                      passaram a atuar como a “polícia do mundo”, intervindo militarmente, direta ou indiretamente, em
                      inúmeros pontos do planeta. Além do aspecto militar, alicerçado nos mais avançados conhecimentos
                      tecnológicos e científicos, os EUA detêm o poder econômico, sendo o país mais rico do planeta, sediando
                      gigantescas corporações transnacionais e abrigando em seu território diversas instituições internacionais.
                      Em síntese, a influência dos EUA decorre principalmente de seu poderio bélico e econômico. A imposição
                      da língua inglesa como universal, além de fatores históricos, é decorrência deste poderio.


 Exemplo de nota   a) Rock rool na música e na alimentação a criação de sistemas de self-service e lanchonetes como Mac
  acima da média      Donnald’s.
                   b) Com o fim da 2ª Guerra Mundial, iniciou-se a Guerra Fria, dividindo o mundo em duas esferas de
                      influência, a dos Estados Unidos e União Soviética. O primeiro defendia o capitalismo e o segundo o
                      socialismo. Para ampliar suas zonas de influência, os Estados Unidos investiram enormes somas de
                      capitais, com o envio de dólares através de seus bancos, empresas e multinacionais, tanto na América e
                      Ásia como na África. O plano Marshall é um exemplo desse fato, pois financiou o crescimento da Europa
                      Ocidental – arrasada após a Grande Guerra. Também seguindo a política do Big Stick, foram promovidas
                      ditaduras nos países americanos. Simultaneamente, através da publicidade, da mídia, o país do Tio Sam
                      pregava o ideal de felicidade como sendo o seu, como a compra de automóveis, eletrodomésticos etc.,
                      financiando e proporcionando o crescimento de suas empresas e indústrias. Sem mencionar a Conferên-
                      cia de Bretton-Woods, na década de quarenta, com a adoção do dólar como moeda padrão mundial.



                                                                                                                             119
Geografia


      Exemplo de nota   a) Uso de marcas americanas. Costumes alimentícios.
      abaixo da média   b) Por ter uma grande importância econômica para a maioria dos países do mundo.


         Comentários        A média desta questão foi de 2,81, o que nos permitiu considerá-la como uma questão de nível médio de
                        dificuldade, juntamente com as questões 13 e 16.
                            No item a, bastava que o candidato citasse dois exemplos de influências norte-americanas na sociedade
                        brasileira para obter 2 pontos. Os exemplos mais freqüentes foram a língua, a música e os hábitos de alimen-
                        tação e vestimentas. A grande maioria dos candidatos atingiu os dois pontos neste item.
                            Para explicar as principais razões da influência norte-americana no mundo, o item b exigia do candidato
                        alguns elementos da história econômica e política do pós-guerra, até o período contemporâneo. Como este
                        item exigia uma maior elaboração para a confecção da resposta, a banca considerou que seria mais operaci-
                        onal para a discriminação dos candidatos que este item, por si só, valesse 3 pontos.


QUESTÃO 19
                        Estão reproduzidas abaixo duas gravuras (retiradas de Leonardo Benevolo, História da cidade) que repre-
                        sentam uma cidade cristã em 1440 e em 1840.




                        a) Identifique as principais alterações ocorridas na paisagem
                        b) Explique por que essas alterações ocorreram.

            Resposta    a) Trata-se de uma cidade localizada às margens de um rio, como é o caso de inúmeras cidades européias
            esperada       que se desenvolveram no final da Idade Média. Em 1440, a cidade encontrava-se cercada por uma
                           muralha e dominada pelas torres de inúmeras igrejas e catedrais em estilo gótico e pelos mosteiros e
                           conventos na periferia. Em 1840, os espaços vazios e áreas verdes existentes foram ocupados pelas
                           fábricas e edificações com vários pavimentos (verticalizações). Houve um adensamento habitacional
                           muito grande. As chaminés das fábricas, dispostas lado a lado com as torres das igrejas, passaram a
                           expelir gases poluentes, tornando o ambiente da cidade bastante insalubre. Houve um crescimento
                           demográfico acentuado e o espaço urbano expandiu-se, rompendo os limites da muralha, com o surgi-
                           mento de muitos subúrbios, onde se instalaram novas indústrias.
                        b) O processo de industrialização transformou radicalmente a cidade, imprimindo um rápido crescimento
                           populacional e modificando a estruturação de seu espaço urbano. Nesse período ocorre um enfraqueci-
                           mento do poder da Igreja na sociedade e este fato é fortemente representado na estruturação da paisa-
                           gem urbana.

120
Geografia


 Exemplo de nota   a) Na primeira figura, há muitas igrejas do estilo gótico, e estas são os pontos mais altos da cidade, junto
  acima da média      com o castelo feudal. Há também uma muralha em torno da cidade. É uma figura típica do feudalismo.
                      Na segunda, vê-se muitas indústrias, prédios altos, templos de religiões diferentes da católica. As igrejas
                      feudais perdem espaço para a urbanização e industrialização
                   b) Entre 1440 e 1840 ocorreram a Reforma Protestante, que diminuiu muito o poderio da Igreja e possibilitou
                      surgimento de novas religiões, a Revolução Comercial, que acabou com o feudalismo e tirou o poder dos
                      senhores feudais, e a Revolução Industrial, que trouxe a urbanização e muitas indústrias às principais cidades.


 Exemplo de nota   a) Na primeira paisagem as construções eram arquitetônicas. Na segunda indústrias começaram a tomar
 abaixo da média      espaços e construções mais altas, também surgiram.
                   b) Essas transformações ocorreram por causa do desenvolvimento de novas técnicas de produção e novas
                      técnicas arquitetônicas.

                        A média desta questão foi 3,01, o que nos permitiu situá-la entre as três questões mais fáceis da prova. A
    Comentários
                   maior média ficou para a área de Humanas: 3,17.
                        Aparentemente fácil, gerou uma certa dificuldade na correção. A proposta era clara: a apresentação de
                   duas figuras, representando a cidade em dois períodos, o feudal e o industrial. O item a pedia apenas a
                   identificação das principais alterações ocorridas na paisagem, tendo como referência os dois períodos (este
                   item valia 2 pontos). O item b pedia a explicação das alterações ocorridas (este item valia 3 pontos).Muitos
                   candidatos simplificaram demais a resposta do item a, remetendo às principais transformações mas sinteti-
                   zando a resposta em textos pouco elaborados, tais como: “Surgimento de indústrias e residências”. O item b
                   tinha por objetivo que o candidato apontasse, em linhas gerais, os processos de industrialização, urbanização,
                   êxodo rural, perda do poder da Igreja em relação ao poder mercantil. A urbanização, o êxodo rural e a indus-
                   trialização foram processos evidentes para a maioria dos candidatos, enquanto a perda da centralidade e do
                   poder da Igreja em relação ao mercantilismo só foi explorada por alguns.


QUESTÃO 20
                   A Venezuela tem sido presença constante na imprensa nos últimos meses. O Governo Hugo Cháves, eleito
                   por uma frente de coalisão de esquerda, tem encontrado grandes dificuldades para executar o seu programa
                   de governo baseado, segundo ele, nos ideais de Simon Bolívar. Cháves é crítico ao chamado neoliberalismo
                   selvagem que vê disseminado por toda a América Latina, numa guinada anti-EUA e pró América Latina,
                   sendo que o Brasil é prioridade na diplomacia venezuelana.
                   a) Quais seriam as possíveis conseqüências econômicas para a Venezuela se fosse efetivado um rompimen-
                       to com os EUA? Justifique sua resposta.
                   b) Por que o Brasil é prioridade na diplomacia venezuelana?

       Resposta    a) Como o Governo Hugo Cháves prega uma política anti-EUA e anti-neoliberalismo selvagem na América
       esperada       Latina, certamente um rompimento com os EUA poderá provocar uma pressão forte da potência para
                      inviabilizar a política de Cháves. Isso ainda poderia ser agravado pelo fato dos EUA serem um dos
                      principais compradores de petróleo venezuelano que é comercializado nos EUA através de uma rede de
                      postos de gasolina venezuelana e o principal fornecedor de produtos manufaturados para a Venezuela.
                                                                                                                  (3 pontos)
                   b) Em virtude do papel estratégico que o Brasil possui na América do Sul, e pelo seu amplo mercado
                      consumidor, poderia constituir uma alternativa comercial para produtos venezuelanos, intensificando o
                      comércio bilateral, incluindo melhorias no setor de circulação das mercadorias entre os dois países. O
                      Brasil é também um grande comprador do petróleo venezuelano e principal parceiro da Venezuela na
                      América Latina.                                                                             (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) Assim como os outros países da América Latina, a Venezuela tem uma grande dívida externa e depende
  acima da média      de recursos internacionais e do Fundo Monetário Internacional. Apesar de ser grande produtora de petró-
                      leo, de exportar grande quantidade dele e fazer parte da OPEP (Organização dos Países Exportadores de
                      Petróleo), a economia da Venezuela enfrenta grave crise. Crise que é agravada com os constantes ataques
                      de guerrilheiros que desestabilizam mais o governo. Assim, um rompimento com os EUA implicaria em
                      muitas sansões econômicas por parte dos EUA – o que agravaria a crise. A Venezuela, muito dependente
                      de produtos importados, poderia até ficar alijada do processo de exportação do Petróleo.

                                                                                                                                  121
Geografia


                        b) Por que o Brasil é o maior país da América Latina, membro de peso no Mercosul e pode ser um aliado de
                           poder em caso de necessidade política. O Brasil importa ainda mais ou menos 40% do petróleo aqui
                           consumido e tem na população brasileira um grande mercado consumidor.


      Exemplo de nota   a) Um possível rompimento com os EUA traria grave crise econômica à Venezuela, que não teria como
      abaixo da média      escoar sua produção, já que mantém balanço comercial positiva com os EUA.
                        b) O Brasil seria uma saída para o escoamento da produção venezuelana caso se efetue o rompimento com
                           os EUA.


         Comentários
                            Esta questão apresenta a terceira média mais baixa da prova: 1,97 (superior apenas às das questões 21 e
                        22). Demandou um conhecimento mais específico do candidato, o que pode explicar as médias relativamente
                        mais baixas. Muitos candidatos associaram a situação da Venezuela à de Cuba fazendo, a partir desta associ-
                        ação, uma análise genérica do boicote econômico e político. Apesar disto não ter sido previsto na grade, como
                        grande parte dos candidatos se utilizaram deste recurso, acabou sendo considerado na avaliação. Devido à
                        especificidade do tema abordado, a maioria dos candidatos fizeram abordagens genéricas; poucos consegui-
                        ram apresentar todos os itens esperados pela grade: política econômica, boicote comercial, retirada de inves-
                        timentos, crise na exportação de petróleo.
                            No item b, a alusão a uma possível relação comercial entre o Brasil e a Venezuela não foi considerada
                        correta, tendo em vista a forte relação econômica já existente entre os dois países. Contudo, bastava o candi-
                        dato citar a importância econômica e política (estratégica no Cone Sul) para atingir os 2 pontos.


QUESTÃO 21
                                                    Relações entre as cidades em uma rede urbana
                                         Esquema Clássico                               Esquema Atual

                                          metrópole nacional
                                                                                                           metrópole regional

                                                                             metrópole
                                          metrópole regional
                                                                             nacional

                                                                                                            centro regional
                                           centro regional

                                                                                                             cidade local
                                             cidade local


                                                                                                                  vila
                                                 vila


                        a) Explique como funciona o esquema clássico de rede urbana.
                        b) Como se justificam as novas formas de relações entre as cidades?

            Resposta    a) O esquema clássico estabelece uma hierarquia de relações entre as diferentes cidades, segundo a qual as
            esperada       cidades estabelecem suas interações com as cidades imediatamente inferiores ou superiores. Assim, a
                           cidade local exerce influências e é influenciada pela vila e pelo centro regional. A vila porém, não tem
                           interações diretas com o centro regional, devendo “passar” primeiramente pela cidade local. O nível mais
                           elevado nessa hierarquia de rede urbana é a metrópole nacional.                                (2 pontos)
                        b) Analisando o esquema atual, pode-se afirmar que as relações concretas entre as cidades contemporâne-
                           as não seguem a hierarquia do modelo clássico de rede urbana. As interações entre as cidades tem sido
                           alteradas pelo desenvolvimento tecnológico, pela evolução no sistema de transportes e de comunicação
                           o que permite a quebra na hierarquia urbana e mudanças nas formas das cidades se relacionarem entre
                           si, permitindo uma maior flexibilidade nas relações entre cidades, através da dessiminação (descentrali-
                           zação maior) dos fluxos e das relações entre as cidades de diferentes dimensões.               (3 pontos)


      Exemplo de nota   a) Segundo o modelo clássico de rede urbana, as diferenças entre os lugares é realizada pelo critério de
      acima da média       atuação em outros. Assim, a metrópole nacional (no Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro) influencia todo o
                                                                                                                                         v




122
Geografia




              v
                      país. A metrópole regional atua em outras regiões e recebe influências da metrópole nacional. Como
                      exemplo temos Belém, Fortaleza e Recife. Os centros regionais (Campinas, Sorocaba) é catalisado pela
                      metrópole regional, mas exerce influência nas cidades locais que influenciam vilas.
                   b) Atualmente não há escalas que generalizem a rede urbana. Quaisquer áreas influenciam outras não pelo
                      tamanho dessa, mas pelos setores político-econômicos e sociais. Mesmo ma pequena cidade pode influ-
                      enciar maiores centros urbanísticos, dependendo de seu avanço tecnológico.


 Exemplo de nota   a) O sistema clássico funciona como uma hierarquia patriarcal cheia de burocracias e com o caminho
 abaixo da média
                      determinado pelo grau de força e grandeza de cada lugar parece uma escada de poder.
                   b) Hoje se sabe que os problemas têm de serem resolvidos diretamente entre as partes envolvidas diminu-
                      indo a burocracia e agilizando as soluções.


    Comentários        Esta pode ser considerada como uma questão difícil em comparação com as demais desta mesma prova.
                   Sua média foi de 1.93 e cerca de 62% dos candidatos obtiveram nota 2 ou menos que 2 (por volta de 41%
                   obtiveram nota2). O objetivo desta questão era o comparar as concepções clássica e moderna de rede urbana
                   e analisar as transformações nas relações entre as cidades contemporâneas diante do avanço tecnológico e da
                   globalização da economia. O baixo desempenho dos candidatos pode ser explicado pelo fato de não se trata de
                   um tema comum nas provas de Geografia dos concursos vestibulares, embora seja um tema clássico da
                   Geografia urbana. Faltou assim conhecimento para a maioria dos candidatos, que têm se deparado nos últi-
                   mos anos com questões que exigem interpretações de problemas urbanos específicos e não conhecimento
                   conceitual a respeito das formas de funcionamento das cidades.


QUESTÃO 22
                   A região dos Bálcãs é uma das mais conflituosas da Terra. As freqüentes intervenções das potências ociden-
                   tais nessa região têm contribuído para aumentar ainda mais a tensão.
                   a) Cite duas potências ocidentais que se envolveram no conflito ocorrido nessa região no primeiro semestre
                       de 1999.
                   b) Por que houve o envolvimento dessas potências?
                   c) Quais são os interesses conflitantes locais?

       Resposta    a) Estados Unidos da América e Inglaterra, agindo em nome da OTAN.                                   (1 ponto)
       esperada    b) As nações ocidentais justificaram sua interferência alegando razões humanitárias em função do genocí-
                      dio praticado pela Sérvia no Kosovo. A Sérvia tem sido apoiada historicamente pela Rússia (ex-URSS), e
                      o que se buscava era afirmar a hegemonia americana e mesmo européia, para evitar a imigração maciça
                      de kozovares para os países europeus.                                                            (2 pontos)
                   c) A região toda vive o conflito entre as repúblicas da antiga Iugoslávia, destacando-se nos conflitos recentes
                      as rivalidades entre sérvios e albaneses, aparentemente por motivos étnico-religiosos: os albaneses do
                      Kosovo (em sua maioria islâmicos/muçulmanos) buscam a independência da Sérvia (em sua maioria de
                      origem eslava e cristã ortodoxa).                                                                (2 pontos)


 Exemplo de nota   a) Estados Unidos e Inglaterra.
  acima da média   b) Ambas almejavam criar na região mencionada zona de influência de suas economias e de seus sistemas
                      políticos. No entanto, alegam, oficialmente, que suas intervenções tem caráter pacífico.
                   c) Após a morte de Tito, na década de oitenta, ressurgiu na região movimentos separatistas que culminaram
                      na desagregação e emancipação da Iuguslávia (a qual pertenciam) de alguns países, como a Croácia,
                      Bósnia-Herzegovina. A Iuguslávia ficou formada então por duas repúblicas: Sérvia e Montenegro. A
                      Sérvia é formada por duas províncias, sendo uma delas Kosovo. Esta procurava conquistar sua indepen-
                      dência, por ser a maioria albanesa e islâmica. O que era negado pela maioria eslava e católica-ortodoxa
                      da Iuguslávia, tendo em vista fatores históricos. A ONU, com o voto os Estados Unidos e Inglaterra,
                      países pertencentes ao Conselho de Segurança e com poder de veto – ordenou à OTAN atacar a região,
                      com intuitos pró-kosovares.


 Exemplo de nota   a) Estados Unidos e União Soviética.
 abaixo da média
                                                                                                                                     v




                                                                                                                               123
Geografia




                v
                     b) Porque a região dos Bálcãs estavam escondendo armas nucleares, que poderiam colocar em risco a vida
                        de toda a humanidade.
                     c) Fazer com que as grandes potências, usem suas armas, para assim poderem acabar com as tais.

                         Esta questão, com 0,84 de média, foi a mais difícil da prova de Geografia. Cerca de 35% dos candidatos
       Comentários
                     obteve nota zero e 30,6% nota 1.
                         Esta questão tinha por objetivo caracterizar os conflitos étnicos da Ex-Iugoslávia e analisar os interesses
                     geopolíticos das potências ocidentais na região dos Bálcãs. Sem saber direito de qual conflito armado se
                     tratava, e de suas causas efetivas, muitos candidatos procuravam responder de acordo com fórmulas antigas,
                     aprendidas para outros contextos histórico-geográficos. Respondiam, por exemplo, tendo como referência a
                     Guerra Fria, que se tratava de uma disputa hegemônica entre Estados Unidos e Rússia (ex-URSS). Partindo do
                     pressuposto errado, respondiam incorretamente também os demais itens, obviamente. Outro modelo de res-
                     posta muito encontrado era o que remetia o conflito às questões de caráter étnico-religioso, porém de acordo
                     com o modelo usual os católicos ou cristãos (ocidentais) estão contra as etnias de origem árabes (islâmicos ou
                     muçulmanos). Assim, a Iuguslávia só poderia ser muçulmana e os albaneses católicos, invertendo-se assim a
                     ordem dos fatos. Outros, ainda, tentando responder a questão, mas sem dispor dos conhecimentos necessá-
                     rios, tentavam responder pelo óbvio: se é uma guerra, deve ser por território e poder ou por independência
                     política.
                           É preciso, portanto, mais atenção para com os problemas contemporâneos, procurando entendê-los de
                     acordo com os processos históricos concretos que conferem à cada região do planeta ou a cada lugar e a cada
                     território características peculiares identificadas a situações geográficas específicas e que não podem ser
                     tratadas de forma genérica.


QUESTÃO 23
                     As figuras abaixo representam o ciclo hidrológico de uma bacia hidrográfica da Grã-Bretanha. A armazena-
                     gem, em cada etapa do ciclo, corresponde à área pontilhada conforme a porcentagem do total de água que
                     processa. A espessura dos fluxos é proporcional à importância de cada etapa do fluxo da água.
                                                                                             Fluxo para os oceanos
                           evapotranspiração                                                                                           evapotranspiração
                                (saída)             precipitação                                                                            (saída)           precipitação
                                                     (entrada)                                                                                                 (entrada)




                                     evaporação                                                                                                  evaporação
                                                                        escoamento                                                                                                  escoamento
                                                    armazenagem                                                                                               armazenagem
                                                     da superfície                                                                                             de superfície
                                                                             fluxo fluvial




                                                                                                                                                                                       fluxo fluvial
                                                    infiltração




                                                                                                                                                                infiltração




                                                                                                                                                                                                                                         David Drew, Processos interativos homem-meio ambiente. São Paulo, Difel, 1986.
                                                                                                                                                                                                       entrada no rio de outras bacias
                                                                                                 entrada para o rio de outras bacias




                                                                     escoamento                                                                                               escoamento

                                                    armazenagem                                                                                               armazenagem
                                                       do solo                                                                              transpiração         do solo
                                transpiração
                                                                                                                                                                percolação
                                                     percolação




                                                                      descarga                                                                                                descarga
                                                                     subterrânea                                                                                              subterrânea

                                                    armazenagem                                                                                               armazenagem
                                                                                                                                                                                    fluxo fluvial




                                                     subterrânea                                                                                               subterrânea
                                                                           fluvial
                                                                           fluxo




                                               Armazenagem              armazenagem                                                                    Armazenagem                   armazenagem
                                                                           lacustre                                                                                                     lacustre
                                               Transferência                                                                                           Transferência



                                                                                                                                                                                 fluxo para os oceanos
                                                                                                                                                                                         (saída)

                                              Situação 1                                                                                                Situação 2
                                      Área sob utilização agrícola                                                                       Alterações no ciclo hidrológico após uma
                                                                                                                                          intensiva urbanização na área da bacia
124
Geografia

                   a) Compare o armazenamento subterrâneo e o escoamento superficial nas situações 1 e 2.
                   b) Quais as conseqüências ambientais decorrentes das mudanças observadas?

       Resposta    a) Na situação 1, o ciclo hidrológico pode ser descrito pela água que entra e é armazenada na superfície,
       esperada       fornecendo maior volume para a evaporação e infiltração, que irá abastecer a armazenagem do solo; uma
                      pequena parcela escoa superficialmente. Da água armazenada no solo (cerca de 75% da água é armaze-
                      nada na superfície), praticamente quantidades iguais são transferidas à transpiração, à percolação e ao
                      escoamento que abastecerá os rios. Da armazenagem subterrânea (cerca de 20% da armazenagem
                      superficial), ocorre a descarga para o fluxo fluvial. Na situação 2, com a intensa urbanização, e conse-
                      qüentemente grande impermeabilização do solo, ocorre a diminuição drástica da água armazenada no
                      solo e nenhuma armazenagem subterrânea. Os fluxos para evapotranspiração diminuem, pois o escoa-
                      mento superficial é acelerado e muito alto.                                                  (2 pontos)
                   b) As mudanças no ciclo hidrológico, com a supressão de algumas etapas de armazenagem e redução dos
                      fluxos entre diversas armazenagens, provocam o aumento apenas do fluxo fluvial. Como consequência
                      pode-se ter a aceleração dos processos erosivos, assoreamento dos cursos de água pelo transporte de
                      sedimentos. provocando a possibilidade de enchentes, reduzindo a alimentação do lençol freático e
                      conseqüentemente diminuindo a reserva dos mananciais.                                        (3 pontos)


 Exemplo de nota   a) Na área sob utilização agrícola percebemos que há infiltração de água e consequente armazenagem
  acima da média      subterrânea portanto ocorrendo pouco escoamento superficial. Já nas áreas urbanizadas, percebemos
                      uma “impermeabilização” do solo que resulta na inexistência da armazenagem subterrânea e um índice
                      avassalador de escoamento superficial.
                   b) Com a “impermeabilização” do solo, observaremos o empobrecimento do mesmo e um aumento no
                      número de enchentes (e doenças como a leptospirose) decorrentes da não infiltração das águas na
                      superfície.


 Exemplo de nota   a) Tanto o armazenamento subterrâneo quanto o escoamento são melhores na situação 1 que na 2. O
 abaixo da média
                      armazenamento subterrâneo não ocorre na situação 2 e o escoamento é maior também.
                   b) Essas mudanças geram extinções de espécies, assim como morte de vegetação nativa que não consegue
                      retirar água do solo.

    Comentários        A média desta questão (2,16) situa-a dentre as questões consideradas difíceis nesta prova. Cerca de 38%
                   dos candidatos obteve nota entre 1 e 2 e por volta de 35% entre 3 e 4. Esta questão coloca-se dentre aquelas
                   que podem ser bem respondidas mesmo sem que se tenha conhecimentos específicos sobre o tema. Seus
                   objetivos eram a leitura e interpretação de representação gráfica e o reconhecimento dos impactos provocados
                   pelo uso do solo no ciclo hidrológico. Os candidatos melhores preparados, que dominam as habilidades
                   consideradas indispensáveis para o prosseguimento dos estudos em nível superior, podem conseguir bons
                   resultados interpretando logicamente o gráfico e deduzindo as conseqüências ambientais advindas dos pro-
                   cessos descritos.


QUESTÃO 24
                   Sobre o aquecimento da Terra e o efeito estufa. Pode-se estar certo de que, apesar do contínuo crescimento
                   do teor em CO2 da atmosfera desde os começos da era industrial, o clima não conheceu aquecimento no
                   século XX. As normais medidas entre 1951 e 1980, em relação às do período 1921-1950 mostram, ao
                   contrário, uma baixa (não significativa) de – 0,3º. De qualquer modo, a evolução é muito lenta, e dezenas de
                   anos são necessários para que se registre uma mudança climática. O apocalipse anunciado - fusão de
                   glaciares, elevação do nível do mar etc. - não é seguramente para amanhã. Se é necessário lutar contra a
                   poluição, a degradação do meio ambiente, devemos fazê-lo com os olhos abertos, com base em análises
                   científicas e não nos limitando a gritar: “está pegando fogo!”. (Bernard Kayser, Pour une analyse non
                   conformiste de notre société, fev. 92, (mimeo) apud Milton Santos, Técnica, Espaço e Tempo)
                   a) O que é o efeito estufa?
                   b) Em que se baseia o autor na sua crítica aos que anunciam o apocalipse relacionado às mudanças
                       climáticas?

       Resposta    a) o efeito estufa é uma explicação científica para o aquecimento do clima na Terra, com elevação média de
       esperada       0,5 graus no último século. Essa teoria afirma que esse aquecimento é originado do aumento do gás
                                                                                                                                  v




                                                                                                                           125
Geografia




                   v
                           carbônico (CO2) na atmosfera, o qual, junto com outros gases (metano, p.ex.) funcionam como retentores
                           de parte do calor refletido pela Terra, após receber energia solar. O aumento da concentração de gás
                           carbônico estaria relacionado com o advento da era industrial, consumo de combustíveis fósseis, desma-
                           tamentos e queimadas das florestas e atividades vulcânicas.                                 (3 pontos)
                        b) A crítica aos apocalípticos refere-se ao alarmismo que estes provocam na população, apregoando a
                           mudança climática, e a condenação a priori de algumas fontes de CO2, como as indústrias e o desmata-
                           mento, como responsáveis pelo aquecimento do planeta, quando ainda não se tem confirmado se estas
                           são realmente as causas, ou se são intensificadores de causas naturais, astronômicas inclusive. Dado o
                           período curto de observações climáticas, podemos estar vivendo um novo ciclo de aquecimento geral do
                           clima no planeta, independentemente da ação antrópica. Além disso, o autor ressalta que o processo de
                           mudança climática é muito lento e que não há maiores estudos científicos que o comprovem e que
                           mostrem sua causa.                                                                          (2 pontos)


      Exemplo de nota   a) É o aquecimento global da terra. Os gases poluentes emanados pelas indústrias, carros, queimadas,
      acima da média       ficam acumulados na atmosfera terrestre, impedindo que os raios solares que atingem a terra sejam
                           refletidos de volta ao espaço. Logo a temperatura tende a aumentar.
                        b) Na falta de base científica daqueles que se dizem “profetas do apocalipse”. Não basta apenas sair por aí
                           dizendo que o mundo vai acabar, é preciso fazer uma série de experimentos científicos para se chegar a
                           uma conclusão lógica e racional.


      Exemplo de nota   a) É o derretimento das calotas polares decorrentes da poluição e o aquecimento elevado do globo terrestre
      abaixo da média      devido a destruição da camada de ozônio.
                        b) Com o aumento da temperatura global pode haver um derretimento das calotas polares, o que elevaria o
                           nível do oceano e inundaria os países litorâneos, e com o passar do tempo todos os continentes, o que
                           significaria o fim do mundo. O autor critica, pois há muito alarme por parte dos ecologistas e na verdade
                           o que se deveria fazer era oferecer alternativas ao uso de produtos que liberam CO2.


         Comentários        A média desta questão, 2,26 também permite classificá-la como difícil. 39% dos candidatos obteve nota
                        entre 2 e 1 e 41% entre 3 e 4, o que permite considerar que, como para a questão anterior, os candidatos mais
                        preparados, dominando melhor as habilidades necessárias, nesta caso a leitura e a interpretação de textos,
                        tinham grandes possibilidades de chegar a um bom resultado. Os objetivos aqui eram: definir efeito estufa e
                        estabelecer sua relação com as atividades antrópicas e analisar e criticar a ação e discurso dos ambientalis-
                        tas., a partir do texto apresentado. Acontece que o texto fazia referência a vários fenômenos: efeito estufa,
                        fusão de glaciares, elevação do nível do mar (que se sabe relacionada ao derretimentos das calotas polares) o
                        que levou uma parte significativa dos candidatos a generalizar em demasia, relacionando em inúmeras respos-
                        tas de forma incorreta, o efeito estufa (aquecimento provocado pela concentração de CO2, como o próprio texto
                        do enunciado menciona) com o aumento do buraco na camada de ozônio, provocado pelo uso do CFC.




126
Matemática
Matemática


                         As questões da segunda fase da prova de matemática procuram avaliar os conteúdos usualmente
                      presentes no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. As primeiras questões envolvem apenas as
                      noções básicas de matemática além da capacidade de leitura e raciocínio; as questões intermediárias
                      enfocam, normalmente, os conteúdos de quinta a oitava séries e as últimas dizem respeito ao Ensino
                      Médio. Em quase todas as questões, mesmo nas mais complexas, um dos itens é uma pergunta simples
                      cujo objetivo é levar o candidato até o final da prova. Além disso, a maioria das questões envolve, cada
                      uma delas, diversos tópicos do conteúdo programático.



QUESTÃO 1
                    Um determinado ano da última década do século XX é representado, na base 10, pelo número abba e um
                    outro, da primeira década do século XXI, é representado, também na base 10, pelo número cddc.
                    a) Escreva esses dois números.
                    b) A que século pertencerá o ano representado pela soma abba+cddc ?

         Resposta   a) abba = 1991 e cddc = 2002
         esperada      Resposta: Os números pedidos são 1991 e 2002.                                             (2 pontos)

                    b) 1991 + 2002 = 3993 (século 40)
                       Resposta: A soma é igual a 3993, que representa um ano do século XL .                     (3 pontos)

                       Questão simples, cujo objetivo é saber representar um número e reconhecer o século ao qual um dado
      Comentários
                    ano pertenceu. Muitos candidatos não sabem escrever um número em algarismos romanos – esta forma
                    ainda é usada em situações específicas. Entretanto, quando o candidato respondeu corretamente, escre-
                    vendo apenas século 40, isto foi considerado satisfatório. A nota média, considerados os candidatos pre-
                    sentes [13.910], foi de 3,94 na escala [0 – 5].


QUESTÃO 2
                    A soma de dois números positivos é igual ao triplo da diferença entre esses mesmos dois números. Essa
                    diferença, por sua vez, é igual ao dobro do quociente do maior pelo menor.
                    a) Encontre esses dois números.
                                                      2
                    b) Escreva uma equação do tipo x + bx + c = 0 cujas raízes são aqueles dois números.
         Resposta
                    a) Sejam x e y os dois números, e suponhamos que x > y. A partir do enunciado, podemos escrever o
         esperada
                       seguinte sistema linear de duas equações e duas incógnitas:


                       x + y = 3(x – y)
                       
                                    x
                        x – y = 2 -----
                                     y
                                       -
                       

                       Da primeira equação obtemos x = 2y e, fazendo-se a substituição na segunda equação, tem-se:
                                  2y
                       2y – y = 2 ----- = 4, ou seja, y = 4 e, portanto, x = 8.
                                      -
                                    y

                       Resposta: Os números pedidos são 8 e 4.                                                   (3 pontos)

                    b) Das relações entre raízes e coeficientes de uma equação do segundo grau com a=1, podemos escrever:
                       x + y = 8 + 4 = 12 = –b e xy = 8 ⋅ 4 = 32 = c.

                                                                 2
                       Resposta: A equação do segundo grau é x – 12x + 32 = 0                                    (2 pontos)

                        Um dos objetivos dessa questão foi a transcrição em linguagem matemática. O candidato deveria dei-
      Comentários
                    xar claro qual dos números, x ou y, seria tomado como o maior deles, para equacionar corretamente. Um
                    erro freqüente foi apresentar a resposta como um polinômio e não como equação. A questão foi resolvida
                    corretamente pela maioria dos candidatos e a média nessa questão foi de 3,04 na escala [0 – 5].
128
Matemática


QUESTÃO 3
                  a) Quantos são os triângulos não congruentes cujas medidas dos lados são números inteiros e cujos perí-
                     metros medem 11 metros ?
                  b) Quantos dos triângulos considerados no item anterior são eqüiláteros ? E quantos são isósceles ?

       Resposta   a) Sejam a, b e c as medidas, em metros, de 3 segmentos. Para que esses 3 segmentos formem um triân-
       esperada
                     gulo de perímetro 11, devemos ter:

                     a + b + c =11; a < b + c; b < a + c e c < a + b.

                     Então: 11 = a + b + c < b + c + b + c = 2 (b + c).

                     Como a, b e c são números naturais e b + c > 5,5, segue-se que b + c ≥ 6. Somando a aos dois mem-
                     bros dessa última desigualdade, temos:

                     11 ≥ 6 + a o que implica a ≤ 5.

                     O mesmo vale para b e c, ou seja, todos os 3 números são menores ou iguais a 5. Podemos então
                     construir a seguinte tabela:


                                                        a           b          c

                                                        5          5           1

                                                        5          4           2

                                                        5          3           3

                                                        4          4           3


                     Observando que permutações dos mesmos números produzem triângulos congruentes, podemos con-
                     cluir que existem apenas os 4 triângulos não congruentes apresentados na tabela acima.

                     Resposta: Existem apenas 4 triângulos não congruentes cujos lados são números inteiros (positivos) e
                     cujos perímetros medem 11 metros. São eles: (5, 5, 1), (5, 4, 2), (5, 3, 3) e (4, 4, 3). (3 pontos)

                  b) Para que um triângulo de lados a, b e c seja equilátero é necessário que a = b = c e, portanto, 3a =
                     3b = 3c = 11.

                     Como 11 não é divisível por 3, segue-se que a, b e c não podem ser inteiros, ou seja, não existe triân-
                     gulo equilátero com lados inteiros e perímetro igual a 11. Esta mesma conclusão pode ser obtida a par-
                     tir da resposta (a), observando-se que nenhum dos 4 triângulos possíveis é equilátero. Os triângulos
                     isósceles são: (5, 5, 1), (4, 4, 3) e (3, 3, 5), totalizando 3 triângulos.

                     Resposta: Nenhum triângulo é equilátero e três triângulos são isósceles.                   (2 pontos)

                     Esta questão avalia vários conceitos básicos de geometria e aritmética, especialmente as condições
    Comentários
                  para a existência de triângulos e a noção fundamental de congruência de triângulos. A média foi muito
                  menor que a da questão anterior, ficando em 1,47 na escala [0 – 5].


QUESTÃO 4
                  Em um certo jogo são usadas fichas de cores e valores diferentes. Duas fichas brancas equivalem a três
                  fichas amarelas, uma ficha amarela equivale a cinco fichas vermelhas, três fichas vermelhas equivalem a
                  oito fichas pretas e uma ficha preta vale quinze pontos.
                  a) Quantos pontos vale cada ficha ?
                  b) Encontre todas as maneiras possíveis para totalizar 560 pontos, usando, em cada soma, no máximo
                      cinco fichas de cada cor.

                                                                                                                         129
Matemática

         Resposta   a) Seja a o número de pontos de uma ficha amarela, b o número de pontos de uma ficha branca, v o
         esperada      número de pontos de uma ficha vermelha e p = 15 o número de pontos de uma ficha preta. Então:
                       2b = 3a, a = 5v, 3v = 8p e p =15.

                       Logo: v = 40, a = 200 e b = 300.

                       Resposta: Cada ficha vermelha vale 40 pontos; cada ficha amarela, 200 pontos; cada ficha branca,
                       300 pontos.                                                                           (2 pontos)

                    b) Para totalizar 560 pontos podemos usar, no máximo, 1 ficha branca. Usando uma ficha branca, restam
                       260 pontos que podem ser obtidos com 1 ficha amarela e 4 pretas ou com 5 vermelhas e 4 pretas. Não
                       usando ficha branca, podemos usar 2 amarelas e 4 vermelhas. Estas são as únicas respostas possíveis.

                       Resposta: (i) 1 ficha branca, 1 amarela e 4 pretas. (ii) 1 ficha branca, 5 vermelhas e 4 pretas. (iii) 2
                       amarelas e 4 vermelhas.                                                                    (3 pontos)

                        A solução dessa questão exige uma análise cuidadosa mas nenhum conteúdo matemático mais pro-
      Comentários
                    fundo. A parte (b) desta questão poderia também ser colocada no contexto de soluções inteiras não nega-
                    tivas da equação: 15x + 40y + 200z + 300w = 560, onde x, y, z e w são as quantidades de fichas
                    pretas, que valem 15 pontos, de fichas vermelhas, 40 pontos, fichas amarelas, 200 pontos e fichas bran-
                    cas, 300 pontos. A maioria dos candidatos foi bem sucedida na resolução dessa questão, o que se refletiu
                    na média de 3,84 na escala [0 – 5].


QUESTÃO 5
                    As diagonais D e d de um quadrilátero convexo, não necessariamente regular, formam um ângulo agudo.
                                                              D⋅d
                                                                       -sen α .
                    a) Mostre que a área desse quadrilátero é ----------
                                                                  2
                    b) Calcule a área de um quadrilátero convexo para o qual D = 8 cm, d = 6 cm e α = 30°.

         Resposta   a) No quadrilátero ABCF da figura abaixo:
         esperada
                                                                       B

                                                                  h1
                                                              A                d
                                                                                   E
                                                                                       α            D

                                                                                               h2       C


                                                                                           F

                       Seja E o ponto de intersecção das diagonais D e d e sejam h1 e h2 as alturas dos triângulos ABC e ACF,
                       respectivamente. Então temos: h1 = BE ⋅ sen α e h2 = FE ⋅ sen α.

                       A área S do quadrilátero é igual à soma das áreas dos triângulos ABC e ACF, ou seja:

                             1                  1                  1                          1
                       S = ------ ⋅ AC ⋅ h1 + ------ ⋅ AC ⋅ h2 = ------ ⋅ AC ⋅ BE ⋅ sen α + ------ ⋅ AC ⋅ FE ⋅ sen α =
                                -                  -                  -                          -
                             2                  2                  2                          2

                             1                                      1
                         = ------ ⋅ AC ⋅ ( BE + FE ) ⋅ sen α =
                                -                                 ------ D ⋅ d ⋅ sen α
                                                                       -                                                 (3 pontos)
                             2                                      2

                    b) Para calcular a área do quadrilátero para o qual D = 8 cm, d = 6 cm e α = 30°, basta observar que
                                   1
                       sen 30° = ------ e substituir na fórmula acima:
                                      -
                                   2
                             1                1
                       S = ------ ⋅ 8 ⋅ 6 ⋅ ------ = 12 cm
                                                          2
                                -                -
                             2                2
                                                                           2
                       Resposta: A área do quadrilátero é de 12 cm .                                                     (2 pontos)

130
Matemática

                      Os candidatos tiveram a oportunidade para “demonstrar” uma fórmula de geometria e, em seguida,
    Comentários
                  aplicá-la. A decomposição de uma figura plana em triângulos é um procedimento importante e, nesse
                  caso, muito simples. Convém observar que a parte (b) pode ser resolvida usando a parte (a) mesmo que o
                  candidato não tenha demonstrado a fórmula e muitos fizeram isso, o que contribuiu para que a nota média
                  dessa questão se aproximasse de 2, na escala [0 – 5]. Convém também salientar a dificuldade generali-
                  zada com demonstrações – conseqüência do descuido com essa componente importante da matemática, e
                  não somente da geometria, no ensino médio e no ensino fundamental. Além disso, muitos vestibulandos
                  particularizaram o quadrilátero, considerando-o um quadrado, ou um losango, um paralelogramo ou até
                  mesmo um trapézio. Outros consideraram que as diagonais se cortam nos seus pontos médios ou que são
                  perpendiculares. Na parte (b) a omissão da unidade foi o erro mais freqüente.


QUESTÃO 6
                  Suponha que o número de indivíduos de uma determinada população seja dado pela função: F(t) = a ⋅ 2 ,
                                                                                                                                                                         –bt


                  onde a variável t é dada em anos e a e b são constantes.
                  a) Encontre as constantes a e b de modo que a população inicial (t = 0) seja igual a 1024 indivíduos e a
                     população após 10 anos seja a metade da população inicial.
                  b) Qual o tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial?
                  c) Esboce o gráfico da função F(t) para t ∈ [0, 40].

      Resposta    a) Fazendo t = 0 na expressão F(t) = a ⋅ 2–bt tem-se: F(0) = a ⋅ 2–b0 ⇒ a = 1024 = 210
      esperada

                                                                                                                  ⋅ 2         = (2 )
                                                      10                                                     10         –bt         10 – bt
                     De modo que já temos a = 2            e, conseqüentemente, F(t) = 2

                                                                                    1               1
                                                                                = ------ ⋅ 1024 = ------ ⋅ 2 = 2 , de onde podemos concluir que:
                                                                10 – 10.b
                     Fazendo t = 10, tem-se: F(10) = 2                                 -               - 10     9
                                                                                    2               2

                                                        1
                     10 – 10 ⋅ b = 9 e, portanto: b = ------
                                                           -
                                                      10

                                                10           1
                     Resposta: a = 1024 = 2          e b = ------
                                                                -                                                                                           (2 pontos)
                                                           10

                                                                                                                                                               x
                     Observação: Para esta última conclusão estamos usando a “injetividade” da função exponencial y=2 , isto é:
                                                                                           x1           x2                                    10 – 10 . b      9
                                   “Se x1 e x2 são números reais tais que 2 = 2 , então x1=x2”. No caso, 2           = 2 implica
                                   10 – 10 ⋅ b = 9. Esta propriedade (injetividade) não é válida para todas as funções. Por exem-
                                   plo: cos(x1) = cos(x2) não implica x1=x2.

                                                                       1
                  b) Vamos encontrar o valor de t para o qual F(t) = ------ ⋅ 2 = 2
                                                                          - 10      7
                                                                       8

                                             10    t
                     Como a função F(t) = 2 – ------ = 7 é decrescente (ou seja, diminui à medida que t aumenta), o valor de
                                                     -
                                                  10
                                           7
                     t para o qual F(t) = 2 é o tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial.

                                                                          t
                                                                  10 – ------
                                                                            -
                                                                       10           7                    t
                     Então, basta resolver a equação: 2                          = 2 , ou seja : 10 – ------ = 7, o que significa t = 30
                                                                                                           -
                                                                                                      10

                     Resposta: O tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial é de 30 anos.
                                                                                                             (1 ponto)

                  c) Devemos usar o resultados obtidos em (a) e (b) para escrever a tabela abaixo e depois traçar o gráfico
                     da função no intervalo [0, 40].

                                          t             0                        10             20           30                 40
                                         F(t)          2
                                                           10
                                                                                 2
                                                                                     9
                                                                                                2
                                                                                                    8
                                                                                                              2
                                                                                                                  7
                                                                                                                                2
                                                                                                                                    6
                                                                                                                                                                               v




                                                                                                                                                                    131
Matemática




               v
                    Note que após cada período de 10 anos, F(t) se reduz à metade do valor no início do período.



                                                              210




                                                  população
                                                              29


                                                              28
                                                              27
                                                              26
                                                                    10           20   30   40    anos

                                                                                                                        (2 pontos)

                                                                             x
                        O conhecimento da função exponencial y = a é indispensável, visto que esta função descreve muitos
      Comentários
                    fenômenos naturais importantes, como é o caso da variação populacional apresentada nesse exemplo.
                    Observe que “à medida que t cresce, F(t) decresce”; entretanto, F(t) nunca será igual a zero, ou seja, o
                    gráfico não deve cortar o eixo horizontal, mesmo que t seja tomado como “arbitrariamente grande”. Seria
                    interessante analisar o que ocorre com a população descrita por essa função depois de 90 anos! A nota
                    média dessa questão, foi de 3,39 na escala [0 – 5].


QUESTÃO 7
                    Seja A a matriz formada pelos coeficientes do sistema linear abaixo:

                     λx + y + z = λ + 2
                    
                     x + λy + z = λ + 2
                    
                     x + y + λz = λ + 2
                    a) Ache as raízes da equação: det(A)=0.
                    b) Ache a solução geral desse sistema para= –2.

         Resposta   a) A matriz dos coeficientes do sistema linear dado é:
         esperada
                          λ 11
                       A= 1 λ 1
                          11 λ

                       Desenvolvendo-se pela primeira linha, temos:

                                                                         2
                       det(A) = λ (λ – 1) – (λ – 1) + (1 – λ) = λ (λ – 1) – 2 (λ – 1) = (λ – 1) [ λ (λ+1) – 2] = (λ – 1) [λ + λ – 2].
                                    2                                                                                     2




                       As raízes da equação:

                       det(A) = (λ – 1) (λ + λ – 2) = 0 são dadas por:
                                            2




                       λ – 1 = 0 e λ + λ – 2 = 0, ou seja, λ1=1, λ2=1, λ3= –2.
                                        2




                       Resposta: As raízes da equação det(A) = 0 são: λ = 1 (dupla) e λ = –2.                           (3 pontos)

                    b) Para λ = –2, o sistema linear é:

                        – 2x + y + z = 0
                       
                        x – 2y + z = 0
                       
                        x + y – 2z = 0
                                                                                                                                        v




132
Matemática




             v
                     Tal sistema é homogêneo, isto é, os termos constantes são todos iguais a zero, e, por isso, x = y = z = 0, ou
                     seja (0, 0, 0) é uma solução. Assim sendo, este sistema é possível, isto é, possui pelo menos uma solução.
                     Como para λ = –2, det(A) = 0, o sistema em questão é indeterminado. Isto quer dizer que o sistema tem
                     mais de uma solução e, por ser linear, tem na verdade infinitas soluções. Estas soluções podem ser encontra-
                     das por escalonamento, por exemplo. Este método produz o seguinte sistema, equivalente ao inicial:


                     x – z = 0
                     
                     y – z = 0

                     Podemos então concluir que x = z e y = z, ou seja: para cada valor atribuído à variável z, podemos
                     encontrar os valores correspondentes para x e y. Fazendo então z = α tem-se: x = α e y = α.

                     Resposta: O conjunto solução do sistema para λ = –2 é {(α, α, α); ∀α ∈ R}                       (2 pontos)

                      Esta questão pretende avaliar: (i) O conceito de matriz dos coeficientes de um sistema linear e o cál-
    Comentários
                  culo de seu determinante. (ii) Raízes de uma equação do terceiro grau e raízes múltiplas. (iii) Resolução de
                  um sistema linear homogêneo indeterminado.
                      A média obtida pelos candidatos nessa questão foi de 1,25, bem abaixo da média esperada pela Banca.


QUESTÃO 8

                  Sejam A e B os pontos de intersecção da parábola com a circunferência de centro na origem e raio             2.
                  a) Quais as coordenadas dos pontos A e B ?
                                                                                                                            ˆ
                  b) Se P é um ponto da circunferência diferente de A e de B, calcule as medidas possíveis para os ângulos AP B .

       Resposta
                  a) A equação da circunferência de centro na origem e raio        2 é:
       esperada

                                                 2
                     (x – 0) + (y – 0) = ( 2 ) , ou seja, x + y = 2.
                            2          2                         2    2



                                                                                                               2
                     As coordenadas dos pontos de intersecção dessa circunferência com a parábola y = x são as soluções
                     do sistema não linear:

                     x + y = 2
                        2    2

                     
                     y – x = 0
                           2




                                           2                                                        4    2
                     Substituindo y = x na primeira equação obtemos a equação biquadrada: x + x – 2 = 0, cujas raízes
                     reais são: x1 = 1 e x2 = –1.

                                  2
                     Como y = x , temos um único valor correspondente para y, a saber: y = 1.

                     Resposta: Os pontos de intersecção são: A(1, 1) e B(–1, 1).                                     (2 pontos)



                                                                              P’

                                                             B            135°          A




                                                                 –1
                                                             45°          O         1

                                                       P’’
                                                                                                                                     v




                                                                                                                               133
Matemática




               v
                                                                                                                            2   2
                    b) Vamos mostrar que o triângulo AOB, onde O é o centro da circunferência x + y = 2 e A e B são os
                       pontos obtidos anteriormente, é retângulo.

                                        2               2              2               2           2
                        De fato: AB = (–1 – 1) + (1 – 1) = 4 e AO + BO = 4.

                                       2          2         2
                        Assim, AO + BO = AB e pela recíproca do teorema de Pitágoras, o triângulo AOB é retângulo.

                        Se P’ está no arco correspondente ao ângulo central de 90°, então o arco correspondente ao ângulo
                        AP’B mede 270° e, portanto, o ângulo AP’B mede 135°.
                        Se P’’ está no arco correspondente ao ângulo central de 270°, então o arco correspondente ao ângulo
                        AP”B mede 90° e, portanto, o ângulo AP”B mede 45°.

                        Resposta: As medidas possíveis para o ângulo APB são 45° e 135°.                                             (3 pontos)

                        Esta questão procura relacionar conhecimentos de álgebra e geometria. O fato matemático fundamen-
      Comentários
                    tal é: a medida do ângulo central é o dobro da medida do ângulo cujo vértice está sobre a circunferência,
                    ambos subentendendo o mesmo arco. A nota média foi muito baixa, talvez refletindo a separação álgebra/
                    geometria que ainda é muito comum no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.


QUESTÃO 9
                    Os lados de um triângulo têm, como medidas, números inteiros ímpares consecutivos cuja soma é 15.
                    a) Quais são esses números ?
                    b) Calcule a medida do maior ângulo desse triângulo.
                                                                                                                         1
                    c) Sendo α e β os outros dois ângulos do referido triângulo, com β > α, mostre que sen β – sen α < ------ .
                                                                                                          2       2
                                                                                                                            -
                                                                                                                         4
         Resposta   a) Sejam a, a + 2 e a + 4 os 3 números ímpares consecutivos que são as medidas dos lados do triângulo.
         esperada

                        Então: a+ (a + 2) + (a + 4) = 15 o que implica de imediato a = 3.

                        Resposta: Os números são: 3, 5 e 7.                                                                          (1 ponto)

                    b) Sabendo-se que o maior ângulo é oposto ao maior lado e utilizando a lei dos cosenos, temos:
                                                                 –1
                       7 = 3 + 5 – 2 ⋅ 3 ⋅ 5 cos θ ⇒ cos θ = ------ .
                        2    2    2
                                                                  2

                        Resposta: O maior ângulo é θ = 120°                                                                         (2 pontos)

                                                     7                   5                3
                    c) Pela lei dos senos: ---------------------- = ------------- = ------------- de onde concluímos que:
                                                                -               -               -
                                           sen 120°                 sen β           sen α

                                3 3                  5 3                                   3
                        sen α = ---------- e sen β = ---------- uma vez que sen 120° = ------- .
                                         -                    -
                                  14                   14                                2
                                                     75           27           48           1
                        Então: (sen β) – (sen α) = ---------- – ---------- = ---------- < ------
                                   2         2
                                                                                               -
                                                   196 196                   196            4

                                                        1
                        Resposta: (sen β) – (sen α) < ------
                                      2         2
                                                           -                                                                        (2 pontos)
                                                        4

                        Esta questão explorou a trigonometria de um triângulo qualquer, em particular as leis do seno e do co-
      Comentários
                    seno. Consideramos importante observar que θ > β > α visto que a omissão desse cuidado produziu erros
                                                                                                                    –1
                    para muitos candidatos. Também é importante observar que o ângulo para o qual cos θ = ------ é θ =120°
                                                                                                                      2
                                                                                 1
                    e não θ = 60°. Muitos candidatos chegaram a cos θ = ------ e, conseqüentemente, erraram tudo.
                                                                                  -
                                                                                 2
                        A média final dos presentes nessa questão foi de 1,67; observamos que tal média é conseqüência da facilidade
                    da parte (a) que proporcionou 1 ponto aos candidatos que não desistiram antes de chegar a essa altura da prova.
134
Matemática


QUESTÃO 10
                  Para representar um número natural positivo na base 2, escreve-se esse número como soma de potências
                  de 2. Por exemplo: 13 = 1 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 = 1101.
                                                                      3               2           1        0

                                                     6
                  a) Escreva o número 2 + 13 na base 2.
                  b) Quantos números naturais positivos podem ser escritos na base 2 usando-se exatamente cinco algarismos?
                  c) Escolhendo-se ao acaso um número natural n tal que 1 ≤ n ≤ 2 , qual a probabilidade de que sejam
                                                                                                               50


                     usados exatamente quarenta e cinco algarismos para representar o número n na base 2?

       Resposta                                                           6
                  a) Devemos escrever o número 2 + 13 como soma de potências de 2, isto é:
       esperada

                      2 + 13 = 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 = 10011012.
                       6                         6                5               4           3       2        1    0



                                                         6
                      Resposta: O número 2 + 13 = 7710 escreve-se na base 2 como 1001101.                                   (1 ponto)

                  b) Um número que se escreve na base 2 com exatamente 5 algarismos é da forma:

                      1 ⋅ 2 + a ⋅ 2 + b ⋅ 2 + c ⋅ 2 + d ⋅ 2 onde a, b, c e d podem assumir valores 0 ou 1.
                              4             3                 2               1           0




                      De modo que temos duas possibilidades para cada uma dessas quatro letras; pelo princípio multiplica-
                                                                                  4
                      tivo, podemos concluir que temos 2 possibilidades, ou seja, são exatamente 16 estes números.

                      Resposta: São 16 os números que se escrevem na base 2 usando exatamente 5 algarismos.                 (2 pontos)

                                      50                 50
                  c) Entre 1 e 2           temos 2            números naturais.

                                                                                                      44
                      Representados na base 2 com 45 algarismos existem 2 números naturais – para ver isto basta repetir
                      o raciocínio usado na parte (b). Portanto, a probabilidade pedida é igual a:

                        44
                      2          1        1
                      ------- = ----- = ------
                          50
                            -       6
                                             -
                      2         2       64


                                                            1
                      Resposta: A probabilidade é igual a ------ .
                                                               -                                                            (2 pontos)
                                                          64

                      Essa questão abordou as noções básicas de contagem, sistema de numeração na base 2 e probabilidade. O
    Comentários
                  resultado evidencia que esses conceitos fundamentais ainda não são dominados pelos vestibulandos e, como
                  conseqüência, a média final foi uma das menores da prova de matemática: 0,73 na escala [0 – 5].


QUESTÃO 11

                  Considere a equação: 2  x + ------  + 7  x + ------  + 4 = 0 .
                                            2    1                  1
                                                    -                  -
                                               x 
                                                   2               x
                  a) Mostre que x = i é raiz dessa equação.
                  b) Encontre as outras raízes da mesma equação.

       Resposta   a) Substituindo x = i na equação dada e lembrando que, para esse valor de x, x = –1, tem-se:
                                                                                                                        2

       esperada

                      2  i + ------ + 7  i + ------ + 4 = 0 ⇒ 2  – 1 + ------ + 7 ⋅ 0 + 4 = 2 ⋅ (–2) + 4 = 0
                           2    1                 1                           1
                                   -                 -                           -
                               i 
                                  2               i                       –i 


                      Resposta: x = i é raiz da equação dada.                                                               (2 pontos)

                  b) Se x = i é raiz da equação, como os coeficientes são reais, x = –i, que é o conjugado de i, também é
                     raiz da mesma equação. Além disso:
                                                                                                                                          v




                                                                                                                                    135
Matemática




               v
                                                                                        4         3           2
                         2  x + ------ + 7  x + ------ + 4 ⇒ ------------------------------------------------------------- = 0
                              2    1                 1           2x + 7x + 4x + 7x + 2
                                      -                 -                                                                    -
                                 x 
                                     2              x                                       x
                                                                                                 2




                                                            4           3           2
                         se, e somente se, 2x + 7x + 4x + 7x + 2 = 0.

                                                                                                                                          4   3   2
                         Como x = i e x = –i são raízes dessa equação, segue-se que o polinômio p(x) = 2x + 7x + 4x + 7x + 2 é
                                                                        2
                         divisível por (x – i) (x + i) = x + 1.

                                                   4            3           2                         2                   2
                         Na verdade: 2x + 7x + 4x + 7x + 2 = (x + 1) (2x + 7x + 2).

                                                                                                  2
                         Resolvendo a equação do segundo grau 2x + 7x + 2 = 0, obteremos as raízes;


                               – 7 + 33                          – 7 – 33
                         x 3 = ------------------------- e x 4 = ------------------------ .
                                                                                        -
                                          2                                 2


                                                                                – 7 + 33 – 7 – 33
                         Resposta: As quatro raízes da equação dada são: i, –i, ------------------------- , ------------------------ .
                                                                                                                                   -                  (3 pontos)
                                                                                           2                           2

                       Números complexos e raízes de polinômios são os tópicos envolvidos nessa questão. Estes conteúdos
      Comentários
                    são, em geral, os últimos no programa do Ensino Médio e, por isso mesmo, nem sempre são tratados ade-
                    quadamente. A média final foi de 1,86 pontos na escala de zero a cinco.


QUESTÃO 12
                    Seja P um ponto do espaço eqüidistante dos vértices A, B e C de um triângulo cujos lados medem 8 cm, 8 cm
                    e 9,6 cm. Sendo d(P, A)=10 cm, calcule:
                    a) o raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC;
                    b) a altura do tetraedro, não regular, cujo vértice é o ponto P e cuja base é o triângulo ABC.

         Resposta   a)
         esperada
                                                                                                                  A




                                                                                              8                   R               8



                                                                                                  R               O           R

                                                                                                                      M
                                                                                B                                                     C
                                                                                                          9,6


                         Sejam O o centro e R o raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC; seja ainda M o ponto
                         médio do lado BC. O triângulo AMC é retângulo, de modo que:

                               2   2                                                2
                         AM + (4,8) = 64, ou seja, AM = 40,96 e, portanto, AM = 6,4 cm.

                                                                            2           2                 2
                         No triângulo OMC, temos: R = OM + (4,8) .


                         Como OM = AM – R = 6,4 – R, segue-se que:

                           2                      2                 2
                         R = (6,4 – R) + (4,8) de onde tiramos que R = 5 cm.

                         Resposta: O raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC mede 5 cm.                                                  (2 pontos)
                                                                                                                                                                   v




136
Matemática




         v
              b)
                                                                       P




                                                                                 B




                                                                           H=0

                                                    A
                                                                                      C



                   O ponto H, pé da perpendicular ao plano do triângulo ABC, baixada a partir do ponto P, coincide com o
                   ponto O.


                   De fato: como PA = PB = PC , os triângulos retângulos PHA, PHB e PHC são congruentes e, por-
                   tanto, o ponto H é eqüidistante de A, B e C ou seja H é o centro da circunferência circunscrita ao triân-
                   gulo ABC, isto é, H coincide com O.

                                                                   2
                   Então, a altura PH do tetraedro é dada por: AH = 102 – 53 = 75, ou seja, AH = 5 3 cm.


                   Resposta: a altura do tetraedro mede 5 3 cm.                                                 (3 pontos)


Comentários       Este é um problema clássico de geometria no espaço e a matemática necessária para resolvê-lo, além da
              visão espacial indispensável, se reduz ao uso apropriado do teorema de Pitágoras. A média final de 0,27
              nessa questão foi a mais baixa da prova, como tem acontecido nos últimos anos com a questão envolvendo
              geometria espacial. Isto que dizer que o entendimento dessa parte da geometria continua deficiente.




                                                                                                                         137
PROVA DE FRANCÊS
                Os interessados na resolução da prova de
                francês devem solicitá-la à Comissão de
                Vestibulares, que a enviará pelo correio.




Língua estrangeira
Inglês


                        A prova de Inglês do vestibular Unicamp do ano 2000 apresentou oito textos para leitura, número
                    maior que o dos anos anteriores, o que se justifica pelo tamanho e mesmo pela natureza dos próprios
                    textos escolhidos. Procurou-se, com isso, evitar uma concentração de perguntas em um ou dois textos,
                    para que ficassem aumentadas as chances de sucesso na leitura e, portanto, na resolução das questões.
                    Não há textos longos; os textos têm, todos, tamanhos aproximados. Guarda-se, no entanto, a variedade
                    quanto à diferença de complexidade de língua.
                        Os textos escolhidos para a prova de 2000 foram dois trechos de histórias, bastante diferentes entre
                    si, sendo que um deles prima pela presença marcante de diálogos; um trecho de um livro que narra a
                    história dos Beatles; uma resenha de um livro; uma carta de um leitor para a revista Popular Science; um
                    trecho de um livro sobre sonhos e pesadelos; o início de um artigo retirado da revista The Economist (que
                    não trata de economia, mas do tempo) e uma tirinha. Vejamos, texto por texto, questão por questão, as
                    respostas esperadas, o que era preciso fazer para se chegar a elas, exemplos de soluções e, ainda, de
                    maneira geral, o que chamou a atenção na solução de cada questão. Por fim, para algumas questões,
                    exercícios de observação e avaliação de respostas, exercícios que ajudam a preparação para uma prova
                    como esta.
                        Lembramos que na transcrição de respostas dadas pelos candidatos mantivemos a maneira exata
                    como ela veio redigida, incluindo a grafia.



QUESTÃO 13
                  Responda a todas as perguntas em português.




                  1. Qual é o nome do personagem que aparece na tirinha usando uma coroa? Como se pode chegar a essa
                     conclusão pela leitura da tirinha?

      Resposta        Dogbert. Pode-se chegar a essa conclusão porque ele diz que, daquele momento em diante, vai se referir
      esperada    a si mesmo na terceira pessoa, como de fato o faz no segundo quadrinho.

                      Observa-se imediatamente que há três nomes próprios no material com que o candidato tem que lidar para
    Comentários
                  resolver a questão 13: Bob, Dogbert e Dilbert. Na conversa entre os personagens que aparecem nos quadri-
                  nhos, no entanto, há apenas dois nomes próprios, Bob e Dogbert. Logo na primeira fala o dinossauro é
                  chamado de Bob pelo cachorro de óculos e coroa, portanto este é Dogbert. Em outras palavras, o reconheci-
                  mento do vocativo e da pontuação usada em sua introdução – a vírgula depois de Bob – já apontavam uma
                  solucão para a questão.
                      A solução envolvia ainda o entendimento da primeira fala, que passa por I, myself e third person e o
                  reconhecimento dos verbos empregados pelos dois personagens na terceira pessoa do singular (does, thinks)
                  nas falas seguintes, notadamente na fala do próprio Dogbert, junto com o uso que ele faz de his (sem neces-
                  sariamente apontar o caráter majestático que quer imprimir a sua fala). Era preciso entender ainda o fato de
                  Dogbert dizer o que fará daquele momento em diante (from now on) e o fato de ele o fazer usando um
                  anafórico (Dogbert does this...), bem como o que era uma boa idéia em Bob thinks that is a good idea.
                      Responder apenas o nome correto do personagem dava ao candidato 1 ponto. Receberam nota máxima
                  aquelas respostas que, além de darem o nome correto do personagem, indicaram que Dogbert diz que vai se
                  referir a si mesmo em terceira pessoa e que faz isso no segundo quadrinho.


                                                                                                                          139
Inglês


      Exemplo de nota      O nome do personagem é Dogbert. Pode-se chegar a esta conclusão porque ele diz que vai se referir a ele
      acima da média    mesmo na terceira pessoa, o que ele faz no segundo quadrinho, ao pronunciar seu próprio nome.


QUESTÃO 14
                        Leia o trecho seguinte, do livro The Love You Make. An Insider´s Story of The Beatles, de P Brown e S.
                                                                                                                   .
                        Gaines (trecho em que são mencionados John Lennon, sua mãe Júlia, sua tia Mimi e seu pai Fred) e
                        responda à questão 14.

                                  (...) But by that summer it had become clear that John wasn’t interested in his
                                  education, or in art, or in his future at all. John’s only interest was the American
                                  craze called “rock and roll”, a derivative form of black rhythm and blues with a
                                  prominent drum beat. (...)
                                   John wanted a guitar more than he had wanted anything before in his life. Surpri-
                                  singly, it wasn’t Julia who broke down and bought it for him, it was Mimi who
                                  marched him to a music shop in Whitechapel and bought him his first guitar for
                                  £17. A small, Spanish model with cheap wire strings, he played it continuously until
                                  his fingers bled. Julia taught him some banjo chords she had learned from Fred, and
                                  he started with those. He sat on the bed all day, and when Mimi tried to shoo him
                                  into the sunlight, he’d go out to the support and lean up against the brick wall
                                  practicing his guitar for so long that Mimi thought he’d rub part of the brick away
                                  with his behind. She watched him waste hour after hour, day after day with the
                                  damned thing and regretted having bought it for him. “The guitar’s all very well,
                                  John,” she warned him, “but you’ll never make a living out of it.”

                        Qual a previsão feita por Mimi a respeito do futuro de John Lennon?

            Resposta    Mimi achava que John jamais ganharia a vida com sua guitarra.
            esperada


         Comentários        Mimi, já identificada como a tia de John Lennon na introdução ao texto da questão 14, faz uma previsão
                        sobre o futuro do Beatle, é o que afirma a própria questão ao indagar qual a previsão feita. Dessa forma, o
                        enunciado da questão dá ao candidato um caminho para a leitura do trecho: ele contém uma previsão feita por
                        Mimi a respeito do futuro de John.
                            A previsão aparece de fato na fala da própria Mimi transcrita no final do trecho em questão: The guitar´s
                        very well, John, she warned him, but you´ll never make a living out of it. Para identificar a fala como sendo
                        de Mimi, necessariamente deve-se identificar o she, de she warned him, com o she, de she watched him
                        waste hour after hour (...) e com Mimi que aparece linhas antes, em (...) Mimi thought he´d rub part of the
                        brick away with his behind, tarefa aparentemente fácil. Algum entendimento de todo o trecho que antecede a
                        fala de Mimi seria de grande valia aqui. As estruturas lingüísticas são simples e o vocabulário, conhecido
                        (expressões como broke down, to shoo, sunporch, lean up poderiam ser interpretadas pelo contexto). Por fim,
                        havia ainda o verbo usado pelo autor para introduzir a fala de Mimi: to warn.
                            Houve uma distribuição razoavelmente equivalente de notas altas e zeros. Entre os zeros, foi notável a
                        dificuldade encontrada na leitura da expressão make a living out of (something). Foram aceitas várias manei-
                        ras de se dizer que, na opinião de Mimi, John jamais poderia ganhar a vida com a música, como, por exemplo:
                        se sustentar, viver de música, se dar bem na vida, ser bem sucedido, garantir a vida, subir, vencer na vida,
                        manter-se.

   Exemplos de nota     1. ‘The guitar’s very well (...) but you’ll never make a living out of it’. Com essa frase pode-se dizer que a tia
    acima da média         de J. Lennon previa que o rapaz nunca iria ser um músico que ganhasse dinheiro o suficiente para viver
                           somente ‘fazendo’ música.
                        2. Que Lennon nunca iria viver da música como uma fonte de renda.

                        A seguir, exemplos de respostas equivocadas que mostram a dificuldade com a expressão em questão:
                        1. Mimi disse a John que ele tocava muito bem mas nunca faria sua vida fora dali, ou seja, que ele nunca
                           tocaria em outro lugar a não ser ali.
                        2. Mimi, tia de J. Lennon, diz que ele nunca iria fazer um show fora de seu quarto, da sua casa.
                        3. O futuro dele está na guitarra. Ele nunca conseguirá viver a vida fora daquilo.

140
Inglês

                  Para responder às questões 15 e 16, leia a pergunta feita por um leitor à revista Popular Science (outubro
                  de 1999), bem como a resposta dada a ele pela revista.




QUESTÃO 15
                  Qual a explicação dada pela revista para a afirmação “(...)we are a bit taller in the morning than we are at
                  night”?

      Resposta       A posição horizontal em que dormimos reduz a pressão em nossa espinha e a cartilagem que existe entre
      esperada    nossas vértebras se expande.
                     Ou:
                     Os discos de cartilagem que existem entre as vértebras são constituídos de uma razoável percentagem de
                  água. Quando nos deitamos, diminuímos nosso peso e os discos se expandem. Quando o nosso peso está
                  sobre eles, eles se comprimem.

                      Em comparação com as questões anteriores, as questões 15 e 16 (ambas a respeito de uma carta-
    Comentários
                  resposta de uma revista a uma pergunta colocada por um leitor) eram mais trabalhosas, embora ainda de
                  dificuldade apenas média. A pergunta feita pelo leitor à revista envolve uma estrutura de comparativo bastante
                  familiar para o aluno do segundo grau. O mesmo pode ser dito do adjetivo em questão (tall). Tanto o primeiro
                  quanto o segundo parágrafo da resposta da revista poderiam ser usados para uma resposta para a questão 15.
                      Optando pelo primeiro parágrafo, era preciso mostrar a recuperação do referente do pronome it, isto é,
                  mostrar a que este pronome se referia quando usado em It´s because e o entendimento do próprio because,
                  é claro (assim como o entendimento do so conclusivo no final do parágrafo). O vocabulário que diz respeito à
                  anatomia humana traz termos que evocam seus correspondentes em português, facilitando a leitura do trecho:
                  spines, cartilage. Já a expressão throughout poderia ser um obstáculo, mas era possível atribuir-lhe um
                  significado através do entendimento da pergunta colocada pelo leitor da revista, que supõe uma comparação
                  entre um estado nosso de manhã e à noite.
                      Optando por responder com base no segundo parágrafo, surgem, mais uma vez, cognatos: vertebral,
                  discs. Este trecho, no entanto, é menos transparente. Sua dificuldade, além de estar em fairly, está também no
                                                                                                                           141
Inglês

                       vocabulário empregado na explicação: When you lie down you take the weight bearing off and the discs
                       expand. When your weight´s on them, they squeeze.
                           Certamente devido à presença desses cognatos, a questão 15 foi respondida pela maioria dos candidatos
                       (apenas 3% deixaram de respondê-la). No entanto, se a presença no texto dessas palavras muito parecidas
                       com palavras em português muitas vezes facilita a leitura, nem sempre ela é suficiente para uma compreensão
                       pelo menos razoável, que gere uma resposta da qual se possam aproveitar alguns trechos. É o caso dos
                       exemplos abaixo, que receberam nota zero:
                       1. A recuperação é melhor de manhã do que a noite.
                       2. Ao acordarmos depois de ficarmos muito tempo deitados pressionando nossa coluna vertebral a cartilagem
                           dos discos invertebrais está expandida o que provoca alguns ruídos (até mesmo a sensação de que ainda
                           é noite (dói as costas).
                       3. Nós parecemos estar mais velho de manhã do que a noite devido a claridade que mostra as marcas na pele
                           “amassada” de quando dormimos e por realçar as espinhas.
                       4. A explicação é que a posição horizontal que as grávidas dormem pressionam as costelas e a coluna
                           vertebral, devendo mudar tal posição.
                       5. Se os discos (cartilagem) ficarem ao sol, acontece a desgravação das músicas, se o aparelho estiver no sol.
                           Agora a noite não acontece isso.

   Exemplos de nota    1. A explicação dada pela revista para a afirmação “(...) we are a bit taller in the morning than we are at
    acima da média        night” é a de que por passarmos a noite em posição horizontal, existe um alívio da pressão da gravidade
                          exercida sobre as cartilagens invertebrais que se descomprimiram. Ao longo do dia, a pressão exercida
                          volta a comprimir as cartilagens.
                       2. No texto o autor afirma que somos um pouco mais altos durante a manhã do que somos à noite. Isso se
                          deve porque a pressão da gravidade sobre nossa espinha é aliviada pela posição horizontal em que
                          dormimos; assim a macia cartilagem entre nossas 26 vértebras se expandem. Durante o dia, como nos
                          mexemos na vertical, esses discos de cartilagem são comprimidos pela gravidade.
                       3. Quando dormimos na posição horizontal, nossas vértebras não fica pressionando os discos de cartilagem
                          que estão entre eles então eles se expandem e nós ficamos um pouco mais altos ao acordarmos pela
                          manhã. Durante o dia esses discos são pressionados pelas vertebras, eles se comprimem e ficamos mais
                          baixos.


QUESTÃO 16
                       O fenômeno em questão se manifesta igualmente em toda a população? Por quê?


           Resposta        Não. O fenômeno é mais notável entre os jovens. À medida que envelhecemos, encolhemos menos ao
           esperada
                       longo do dia, porque os tecidos se tornam menos flexíveis, menos elásticos.


         Comentários       A segunda questão a respeito da carta-resposta da revista Popular Science incide sobre um trecho bastante
                       específico do texto, o último parágrafo. Era fácil localizar o trecho por causa de people, palavra bastante conhe-
                       cida. A caracterização young people já direciona a resposta; more pronounced nem merece comentários.
                           Era preciso entender necessariamente a que diferenças o parágrafo se refere, já que começa com such
                       differences. O uso de such pode não ser muito familiar ao aluno de segundo grau, mas as diferenças enfoca-
                       das já foram objeto da questão anterior, a 15. A resposta à segunda parte da questão (Por quê?) passa pela
                       compreensão de as (em As we age...), por todas as estruturas de comparativo aí presentes e, principalmente,
                       pela atribuição de um significado a shrink. Resilience, palavra certamente menos conhecida, poderia até ser
                       ignorada (como de fato foi, por uma parte considerável dos candidatos) e a resposta ainda seria obtida com
                       sucesso, com o apoio em flexibility.

   Exemplos de nota    1. O fenômeno da variação de tamanho ocorre com mais ênfase nos jovens, pois nas pessoas mais velhas,
    acima da média        o tecido das vértebras tendem a perder a flexibilidade.

                       2. Sim, acontece com todos, mas é mais evidente nos jovens, pois estes têm os tecidos mais flexíveis: a
                          cartilagem se expande e contrai com mais facilidade.




142
Inglês

                  Leia, abaixo, a resenha do livro Last Climb e responda à questão 17.




QUESTÃO 17
                  Qual a dúvida levantada a respeito dos aventureiros que já escalaram o Monte Everest? Como se justifica
                  essa dúvida?


      Resposta        Quais foram realmente os primeiros alpinistas a atingir o topo do Everest? ( Ou: teriam sido George
      esperada    Mallory e Andrew Irvine os primeiros alpinistas a chegar ao topo do Everest e não Sir Edmund Hillary e Tenzig
                  Norway ?) O corpo de Mallory foi encontrado mas não se sabe se ele estava subindo ou descendo quando
                  morreu. Se estivesse descendo, ele e seu companheiro teriam atingido o topo trinta anos antes de Sir Edmund
                  Hillary e Tenzig Norway, tidos como os primeiros a realizar a façanha.

                      Para a questão 17 foi selecionada a resenha de um livro: Last Climb. Mais uma vez o enunciado da
    Comentários
                  questão adianta informações contidas no texto em inglês. Em outras palavras, ao perguntar sobre uma dúvida
                  levantada a respeito dos aventureiros que já escalaram o Monte Everest, informa a existência de tal dúvida. A
                  tarefa aqui era explicitar essa dúvida e justificar sua razão de ser.
                      Quando se olha para a resenha do livro, o que chama a atenção, além do título, que vem em letras
                  garrafais? Uma dúvida, expressa antes mesmo do título, através de uma pergunta: Could it be that Mallory
                  was the first to reach the top of the world? A explicitação de tal dúvida exige, de fato, a leitura da resenha
                  toda, já que só se completa no final do segundo parágrafo e não vem enunciada diretamente. (A resposta não
                  pode ser localizada, digamos assim, e traduzida diretamente do texto, como se pensa muitas vezes ser
                  possível para todas as questões.) Uma vez entendido o problema, restava, para responder à segunda parte da
                  pergunta, passando pelas inversões determinadas pelas interrogativas na língua inglesa, redigir o raciocínio
                  apresentado.
                      Para uma resposta completa era necessário:
                  a) que se questionasse se teriam sido George Mallory e Andrew Irvine os primeiros a escalar o pico do
                      Everest;
                  b) que fosse mencionado o fato do corpo de George Mallory ter sido encontrado e
                  c) que fosse dito que não era possível saber se naquele ponto, George Mallory e Andrew Irvine estavam ainda
                      subindo ou se já haviam alcançado o topo do Everest e, portanto, estavam descendo.

                                                                                                                            143
Inglês


   Exemplos de nota    1. A dúvida é se George Mallory e Andrew Irvine foram ou não os primeiros humanos a chegar ao topo do
    acima da média        Everest. A dúvida vem do fato do corpo de Mallory ter sido encontrado 2000 pés abaixo do topo, porém
                          não se sabe se ele estava subindo ou descendo quando, em junho de 1924 ele morreu.
                       2. A dúvida é se George Mallory estava subindo ou descendo o monte Everest e se ele e seu parceiro Andrew
                          Irvine foram os primeiros homens a chegar ao topo. Essa dúvida se justifica pois o corpo de George foi
                          encontrado a 2000 pés do topo.
                       3. Se George Mallory estava subindo ou descendo o monte Everest quando morreu. Ou seja, se ele e seu
                          parceiro Andrew Irvine foram os primeiros humanos a chegar ao topo do Everest. A dúvida se justifica
                          pelo fato de que o corpo de George Mallory foi encontrado a uma distância relativamente próxima ao topo
                          do Everest: 2000 pés.

                           Em muitas respostas ficou faltando parte do racicínio exigido para a nota máxima nessa questão (itens a,
                       b e c, acima). Um bom exercício é ler as respostas abaixo e tentar identificar o que ficou faltando em cada
                       uma delas:
                       1. Há dúvida se foi realmente George Mallory e seu parceiro Andrew Irvine os primeiros humanos a escalar e
                           pesquisar o topo do mundo, uma vez que existe um livro que conta a história de alguns pioneiros que esca-
                           laram trinta anos antes do senhor Edmund Hillary e Tenzig Norway que eram os primeiros a escalar o topo.
                       2. A dúvida é quem foi ou foram os primeiros a chegarem ao topo do mundo. A descoberta de um corpo
                           muito bem preservado e identificado levantou a polêmica.

                       Leia, abaixo, o início do capítulo sobre pesadelos, do livro Dreams and Nightmares, de J. A. Hadfield e
                       responda às questões 18 e 19.

                                                                       NIGHTMARES
                                   PEOPLE may ignore their dreams, they cannot ignore their nightmares. For
                                   nightmares can be most distressing, casting their shadows throughout the following
                                   day. Hamlet shrank from taking his life because he would have ‘perchance to
                                   dream’. Nightmares are a common cause of sleeplessness, for many people, like the
                                   war-shocked soldier or civilian, dare not sleep because of the horrifying dreams that
                                   await them. One does not lightly submit oneself to the experience of getting blown
                                   up or buried night after night. The night terrors of children are of this type, for not
                                   only are they terrifying in themselves, but their effects persist, filling the day with
                                   apprehension and foreboding. The child who is frightened by a dog during the day
                                   may have a nightmare of the monster, and may continue to be frightened all the next
                                   day. (...) How to define nightmares as distinct from ordinary dreams is a little
                                   difficult: the very origin of the term is obscure.
                                   The distinctive feature of a nightmare in the more restricted sense of the term is
                                   that of a monster, whether animal or subhuman, which visits us during sleep and
                                   produces a sense of dread. Sometimes it is a witch, sometimes a vampire, which is
                                   conceived as a reanimated dead person who returns to suck the blood of living
                                   people during their sleep; or it may be a night hag, an incubus, or a mare. The word
                                   nightmare originally referred to these monstrous creatures themselves and then came
                                   to be used of the dream in which these monsters appeared. (...)


QUESTÃO 18
                       Qual a explicação oferecida pelo autor do texto para o fato de que nós, principalmente as crianças, não
                       conseguimos esquecer facilmente nossos pesadelos?

           Resposta       Além de serem aterrorizantes em si mesmos, seus efeitos persistem, enchendo o dia seguinte de apreen-
           esperada    são e pressentimento. Uma criança, por exemplo, que é assustada por um cachorro durante o dia, pode ter
                       pesadelos com ele de noite e continuar aterrorizada durante o dia seguinte.

                           O importante aqui era o entendimento de que os efeitos dos pesadelos persistem no dia seguinte à noite
         Comentários
                       em que ocorreram. A questão era considerada difícil, principalmente pelo uso de for (em For nightmares can
                       be most distressing (...) e em (...) for many people (...) dare not sleep) e pelo vocabulário empregado. Se por
                       um lado havia essas dificuldades, por outro, a resposta podia ser apreendida em vários lugares através de todo
                       o primeiro parágrafo. Além disso, havia exemplos para o raciocínio desenvolvido.

144
Inglês

                        Uma boa resposta deveria afirmar que, além de os pesadelos serem aterrorizantes em si mesmos, seus
                    efeitos persistem, enchendo o dia seguinte de apreensão e pressentimento, ou simplesmente afirmar que os
                    pesadelos podem ser perturbadores e lançam suas sombras por todo o dia seguinte. Para obtenção da nota
                    máxima exigiu-se ainda a menção ao exemplo dado pelo autor no texto. Como efeitos dos pesadelos aceitou-
                    se, por exemplo, medo, angústia, estresse, desgaste inquietação, mal-estar. Já quanto à caracterização dos
                    pesadelos, aceitou-se, por exemplo, que estes podem ser perturbadores, assustadores, aterrorizantes, terrí-
                    veis, horríveis, chocantes, entre outros adjetivos.

 Exemplos de nota   1. Os pesadelos, de acordo com o autor não são somente aterrorizantes, mas o seu efeito persiste, enchendo
  acima da média       o dia com apreensão. O autor fala que uma criança que se apavorou com um cachorro em um dia pode
                       ter pesadelos com o monstro e continuar amedrontada durante o próximo dia inteiro. Temos medo de
                       sonhar e ter pesadelos novamente, segundo o autor.
                    2. A explicação oferecida pelo autor do texto para o fato de que nós, principalmente as crianças não conse-
                       guimos esquecer facilmente nossos pesadelos é que o pesadelo não nos aterroriza apenas por ele mesmo,
                       apenas enquanto estamos tendo o pesadelo. Os seus efeitos persistem, preenchendo o nosso dia com
                       sentimento de apreensão, medo. O autor exemplifica dizendo que uma criança que passa um dia com
                       medo de um cachorro, pode ter pesadelos com esse “monstro” e continuar com medo durante todo o dia
                       seguinte.
                        Uma resposta como a seguinte, embora não tenha obviamente recebido nota zero, apresenta-se bastante
                    incompleta:
                        “ Porque seus efeitos persistem durante o dia.”
                       Tomar o exemplo como sendo a explicação em si também não era suficiente para uma boa nota:
                        “A explicação oferecida é de que se uma criança for assustada por um cachorro durante o dia, poderá ter
                    um pesadelo com um monstro a noite e assim continuará assustada no dia seguinte.”
                       Como no exercício proposto para a questão anterior, tente identificar, a partir do que foi exposto a respeito
                    das soluções para a questão 18, o que ficou faltando na resposta abaixo:
                       “Porque os pesadelos refletem experiências trágicas que acontecem na vida normal. A criança que é
                    assustada por um cão, por exemplo, pode sonhar com um monstro e continuará assustada no dia seguinte.”


QUESTÃO 19
                    Qual é, segundo o autor, a origem do termo nightmare?

        Resposta       Originalmente o termo se referia a criaturas monstruosas, como bruxas, vampiros, lobisomens; depois
        esperada
                    passou a designar o sonho em que esses monstros aparecem.

                        Se prestarmos atenção à ordem das duas perguntas colocadas a respeito do texto Nightmares, notamos
     Comentários
                    que ela corresponde à ordem em que os argumentos sobre os quais as perguntas incidem vêm apresentados
                    no texto: no primeiro parágrafo, logo no início, vem a afirmação de que as pessoas podem ignorar seus sonhos,
                    mas não podem ignorar seus pesadelos. Em seguida, vêm explicitadas as razões disso. No final, lê-se: (...) the
                    very origin of the term is obscure. O segundo parágrafo mostra a que a palavra nightmare se referia original-
                    mente.
                        Assim, não seria suficiente como resposta para a questão 19 dizer que a origem do termo é obscura. A
                    resposta se completa com o final do segundo parágrafo – The word nightmare originally referred to these
                    monstruous creatures themselves and then came to be used of the dream in which these monsters appeared
                    – em que era necessário determinar a que este these se referia, reconhecer themselves e concluir com o que
                    o termo passou a designar. Atribuir um significado aí para came to be used poderia ser problemático, mas
                    havia o apoio do próprio used e de these.
                        Em resumo, foram consideradas boas respostas aquelas que:
                    a) mencionavam que a origem do termo é obscura;
                    b) apontavam para o fato de o termo provir da denominação dada a monstros;
                    c) apontavam ainda para o fato de que, com o passar do tempo, a palavra passou a denominar o sonho em
                        que estes monstros apareciam.

 Exemplo de nota        A origem do termo é obscura. A palavra nightmare referia-se originalmente aos monstros e criaturas,
  acima da média    depois começou a ser usada para sonhos em que essas criaturas apareciam. Ou seja, no início nightmare era
                    referência para falarmos de monstros, subhumanos, bruxas, vampiros, mortos-vivos.


                                                                                                                                 145
Inglês

                          Que elementos faltam em cada uma das respostas abaixo para que se tornem respostas completas?
                       1. Nightmare é um termo originalmente usado para descrever criaturas monstruosas.
                       2. O autor afirma que a origem do termo nightmare é obscura. O termo refere-se às criaturas monstruosas
                          (bruxas, vampiros, monstros, animais) que aparecem nos sonhos pessoais, durante o sono.
                       3. O termo nightmare se origina da referência a criaturas monstruosas e é usado para identificar sonhos em
                          que essas criaturas como: bruxas, vampiros e zumbis aparecem.


                       Segue-se um trecho de uma história retirada de The Victorian Fairy-Tale Book. Leia-o e responda às questões
                       20 e 21.

                                           A great fear came over the poor boy. Lonely as his life had been, he
                                       had never known what it was to be absolutely alone. A kind of despair
                                       seized him – no violent anger or terror, but a sort of patient desolation.
                                           “What in the world am I to do?” thought he, and sat down in the
                                       middle of the floor, half inclined to believe that it would be better to
                                       give up entirely, lay himself down, and die.
                                           This feeling, however, did not last long, for he was young and
                                       strong, and, I said before, by nature a very courageous boy. There
                                       came into his head, somehow or other, a proverb that his nurse had
                                       taught him – the people of Nomansland were very fond of proverbs –
                                                             For every evil under the sun
                                                             There is a remedy, or there’s none;
                                                             If there is one, try to find it-
                                                             If there isn’t, never mind it.
                                           “I wonder – is there a remedy now, and could I find it?” cried the
                                       Prince, jumping up and looking out of the window.


QUESTÃO 20
                       Em que situação se encontrava o protagonista da história e o que ele pensava em fazer inicialmente?

           Resposta       Ele estava completamente desanimado, desolado, sozinho, sem esperanças, sem saber o que fazer,
           esperada    sentado no chão, um pouco inclinado a achar que talvez fosse melhor desistir de tudo, deitar-se e morrer.


         Comentários       As questões 20 e 21 diziam respeito a um trecho de uma história chamada O Pequeno Príncipe Coxo e
                       seu Capote de Viagem, de um livro de contos de fadas. O trecho era de leitura difícil, não pelas palavras, pelo
                       vocabulário envolvido, mas pelas estruturas sintáticas presentes nele, como inversões típicas da língua inglesa.
                           No primeiro parágrafo, havia várias palavras que poderiam caracterizar a situação em que se encontrava o
                       protagonista da história, objeto da questão 20: fear, lonely, alone, despair, violent anger, terror, patient
                       desolation, umas mais transparentes, outras menos. Restava, pela leitura, separar as que caracterizam posi-
                       tivamente tal situação e as que eram apresentadas como não sendo características da situação, mas que
                       também serviam para explicitá-la, é claro. A pergunta exigia ainda que a resposta incluísse a leitura do
                       segundo parágrafo, que trata do que o protagonista pensava fazer inicialmente. O fato de que ele estava
                       inclinado a tomar uma atitude, mas mudou de idéia, vem dado em Português no enunciado das duas questões
                       a respeito do trecho: (...) o que ele pensava fazer inicialmente? (questão 20); (...) como ele chega a mudar de
                       idéia? (questão 21).
                           Duas frases introduziam a resposta: What in the world am I to do? e Thought he. Talvez (...) it would be
                       better to give up entirely, lay himself down não fosse de compreensão óbvia, mas die, como se esperava,
                       favoreceu bastante a resposta, dando sua direção.
                           Em poucas palavras, a resposta deveria conter informações em duas partes: a situaçao do protagonista e
                       o que ele pensava fazer inicialmente. Assim, receberam nota cinco respostas como as listadas abaixo.

   Exemplos de nota    1. Estava sozinho, desolado e pensava em morrer.
    acima da média     2. O protagonista da história se encontrava inicialmente sozinho, sentindo um certo desespero, desolado,
                          sem saber o que fazer no mundo. Ele pensa em desistir da vida e se deixar morrer.

                           Foram relativamente freqüentes respostas como as seguintes, com sua origem em patient (em patient
                       desolation), nurse, remedy e mesmo em jumping up and looking out of the window. (Não receberam nota
                       zero, já que em todas elas, como se pode notar, há pelo menos parte da leitura que deveria ser feita.)
146
Inglês

                   1. Se sentindo absolutamente sozinho e desolado e pensando em saltar do prédio no qual ele estava e
                      morrer.
                   2. Ele estava se sentindo solitário e pensava em se matar.
                   3. O protagonista da história estava sozinho desolado e doente.
                      Poor boy, que aparece na primeira linha, gerou respostas como:
                      Estava muito triste, muito abatido, por causa de sua situação de pobreza. Queria se matar.


QUESTÃO 21
                   Explique como ele chega a mudar de idéia.

       Resposta       Além de ser jovem, forte e corajoso ele se lembra de um provérbio que dizia que para todo o mal há um
       esperada    remédio e que, se há um remédio, deve-se tentar achá-lo, se não há, melhor deixar pra lá.


    Comentários        This feeling, however, did not last long – assim começa o terceiro parágrafo. O sentimento, retomado por
                   this feeling, estava contido na resposta à questão anterior, como vimos. O however marca o contraponto
                   apontado pelas questões 20 e 21 entre o que ele pensava fazer inicialmente e como ele chega a mudar de
                   idéia. O entendimento da caracterização do principezinho – jovem, forte e corajoso – era importante para a
                   direção da resposta. Era necessário também identificar this feeling com o sentimento identificado para a
                   resposta da questão anterior. A palavra proverb, embora semelhante ao português, surge em um trecho
                   bastante complexo. No entanto, a animação (pode-se até dizer assim, dada a presença de cried e jumping up)
                   que toma o protagonista no final do trecho pode elucidar o sentido do provérbio. Isso sem mencionar remedy,
                   que pode evocar o provérbio em português: O que não tem remédio, remediado está.
                       Essa era uma das questões mais difíceis da prova de 2000 e, no entanto, houve uma distribuição bastante
                   uniforme de todas as notas (de zero a cinco) o que indica que houve de fato tentativas diversas de resposta por
                   parte dos candidatos. Uma das dificuldades mais freqüentes acabou sendo o entendimento do provérbio e o
                   estabelecimento de sua relação com a mudança de atitude do personagem.
                       Receberam nota máxima aquelas respostas que:
                   a) estabeleciam uma vinculação da mudança de idéia do principezinho com a lembrança do provérbio;
                   b) mostravam o entendimento de que as características do principezinho apontadas pelo narrador (jovem,
                       forte e corajoso) tinham uma relação com o provérbio, o que resultou em sua mudança de atitude e
                   c) explicitavam ou apresentavam de alguma forma o provérbio.

 Exemplo de nota       O garoto era corajoso e forte, e veio a sua cabeça, de um jeito ou de outro, um provérbio dos povos
  acima da média   nórdicos, que sua enfermeira havia lhe ensinado.
                       O provérbio dizia que para cada mal, haveria uma cura ou não. Se houvesse cura, deveria ser procurada,
                   se não houvesse, que se esquecesse isso.
                       O garoto muda de idéia, a partir do momento em que ele se lembra do provérbio e descobre que para o
                   seu mal, pode haver uma cura.


                   As questões 22 e 23 referem-se ao texto abaixo:

                                                             SATURDAY-NIGHT SHOWERS
                                 “The rain it rained every day”. But              The link between these two new
                             more at the weekend than on the other            bits of weather lore seems to be that the end
                             days. That, according to Randall Cerveny         of the week brings worse air pollution than
                             and Robert Balling, of Arizona State             the beginning, and that something in the
                             University, is not mere paranoia – at least if   pollution is affecting the local climate. This
                             you happen to live on the east coast of          idea has been suggested in the past, but Dr.
                             North America. For their report in this          Cerveny and Dr. Balling confirmed it was
                             week’s Nature suggests what many, in their       true by looking at the air quality on Sable
                             heart of hearts, have secretly believed for a    Island – an isolated dot in the ocean some
                             long time – that Saturday is the wettest day     180 kilometers (110 miles) off the coast of
                             of the week. On the other hand, it also          Nova Scotia. (...)
                                                                                                                   th
                             suggests that if you are suffering a                      (The Economist August 8 1988)
                             hurricane, the wind will be least blustery on
                             that day.

                                                                                                                                 147
Inglês

QUESTÃO 22
                       Segundo Randal Cerveny e Robert Balling, que crença não pode ser considerada uma mera paranóia?

           Resposta        Segundo os autores, não é mera paranóia a idéia de que chove mais no fim de semana do que nos outros
           esperada    dias.

                           Duas questões foram formuladas a respeito de Saturday-Night Showers. A primeira diz respeito ao tema
         Comentários
                       mesmo do artigo, dado inclusive por seu título. A palavra paranóia, presente na pergunta e no texto, localizava
                       a resposta. (...) more at the weekend than on the other days era um trecho bastante claro. Recuperar o
                       referente de that em that (..) is not mere paranoia também não deve ter sido encarado como um grande
                       problema. O que era difícil aí, então, era separar o que serve como resposta e aquilo que vem como amparo
                       para a argumentação (como the rain it rained every day, que inicia o texto e o que vem depois de at least). A
                       resposta também pode ser depreendida da seqüência do parágrafo ((...) many (...) have secretly believed for
                       a long time – that Saturday is the wettest day of the week), seqüência que, uma vez bem entendida, já
                       encaminhava a resposta da questão seguinte.
                           Fora as notas zero, geradas pelo fato do texto ser um dos mais difíceis da prova, é interessante olharmos
                       aqui para duas outras notas bastante comuns, as notas 5 e 3. Atribuímos os sucessos na resposta principal-
                       mente à presença da palavra paranoia, que certamente foi reconhecida. As notas 3 surgiram de descontos de
                       pontos a cada inadequação ou impropriedade no entendimento do fenômeno em questão – chover mais nos
                       fins de semana – como, por exemplo:
                       • respostas que diziam que choveu mais no fim de semana;
                       • respostas que diziam que as chuvas são piores, ou que há tempestades nos finais de semana;
                       • respostas que restringiam a crença de que chove mais nos finais de semana exclusivamente à costa leste
                           da América do Norte.

   Exemplos de nota    1. A crença que costuma chover mais nos finais de semana que durante a semana.
    acima da média     2. O fato do sábado ser o dia mais chuvoso da semana.
                       3. Que chove mais aos sábados.

                          Tente identificar, nas respostas abaixo, o que não está exatamente de acordo com a resposta esperada:
                          1. de que há mais tempestades nos finais de semana de nos outros dias.
                          2. Choveu todos os dias e choveu mais no fim de semana do que nos outros dias.


QUESTÃO 23
                       O que aconteceria, segundo esses mesmos cientistas, com os furacões aos sábados?

           Resposta
                          Ficam mais fracos.
           esperada


         Comentários
                           Trata-se aqui da atribuição de um significado para blustery, principalmente. Uma questão como essa, em
                       que se pede significado para uma palavra, deve incidir necessariamente sobre palavras que não sejam conhe-
                       cidas entre os alunos do segundo grau, de modo que a resposta venha de um trabalho com o texto, venha
                       necessariamente pela leitura. A questão era difícil e, de fato, muitos ou deixaram de responder ou não conse-
                       guiram chegar a uma resposta minimamente satisfatória, ficando com nota zero. Mesmo assim, houve um
                       número muito grande de respostas com nota máxima.
                           A resposta estava relacionada ao entendimento exigido para a resposta à questão anterior, relação dada
                       pelo on the other hand e completada pelo least. Além disso, mais uma vez era indispensável ler that day como
                       referente a sábado (tarefa facílima aqui, mesmo porque sábado é o único dia mencionado). Não se pergunta
                       nada diretamente sobre o segundo parágrafo, que discorre sobre a causa de ambos os fenômenos – chuvas e
                       furacões. Portanto, esperava-se que os candidatos não incluíssem as informações que pudessem obter aí,
                       mostrando perfeito entendimento das questões (que, lembramos, são apresentadas em português!) e mostran-
                       do ainda que entendem pelo menos que o segundo parágrafo não diz respeito ao que se pergunta. Uma vez
                       incluídas as informações do segundo parágrafo, para serem consideradas, elas não deveriam apresentar qual-
                       quer problema de compreensão.
                           Receberam nota 5 respostas em que se afirmava que os furacões nos finais de semana seriam:
                       • mais fracos;
                       • menos violentos;
                       • menos destruidores;
148
Inglês

                    •   menos perigosos;
                    •   menos rigorosos;
                    •   mais amenos;
                    •   menos fortes ou, ainda,
                    •   mais calmos.

 Exemplos de nota   1. Segundo os cientistas, os ventos gerados por um furacão aos sábados é bem menos veloz e conseqüen-
  acima da média       temente destruidor do que um furacão gerado durante os dias úteis da semana, fato este também expli-
                       cado pela maior concentração de ar poluído nos finais de semana, o que acaba por alterar o miniclima da
                       região e conseqüentemente a intensidade dos fenômenos da natureza.
                    2. Segundo esses mesmos cientistas, aos sábados os ventos dos furacões são menos destrutivos. Observa-
                       ção: pelo contexto, sobretudo pela expressão “on the other hand”, essa mesma população que sofre com
                       as chuvas aos sábados não sofrerá tanto com os ventos dos furacões. “The wind will be least blustery on
                       that day”.
                    3. O vento dos furacões aos sábados seriam menos “blustery”. → Senhor corretor, pelo contexto acho que
                       esse termo quer dizer violentos, mas desconheço o real significado dessa palavra.


                    Leia a conversa entre Jack (The Pumpkinhead) e o espantalho (The Scarecrow), retirada de O Mágico de Oz,
                    de L.F. Baum (1856-1919) e responda à questão 24.

                         The King was the first to speak. After regarding Jack for some minutes he said, in a tone of wonder:
                              “Where on earth did you come from, and how do you happen to be alive?”
                              “I beg your Majesty’s pardon,” returned the Pumpkinhead; “but I do not understand you.”
                              “What don’t you understand?” asked the Scarecrow.
                              “Why, I don’t understand your language. You see, I came from the Country of the Gillikins,
                         so that I am a foreigner.”
                              “Ah, to be sure!” exclaimed the Scarecrow. “I myself speak the language of the Munchkins,
                         which is also the language of the Emerald City. But you, I suppose, speak the language of the
                         Pumpkinheads?”
                              “Exactly so, your Majesty,” replied the other, bowing; “so it will be impossible for us to
                         understand one another.”
                              “That is unfortunate, certainly,” said the Scarecrow, thoughtfully. “We must have an
                         interpreter.”
                              “What is an interpreter?” asked Jack.
                              “A person who understands both my language and your own. When I say anything, the
                         interpreter can tell you what I mean; and when you say anything the interpreter can tell me what
                         you mean. For the interpreter can speak both languages as well as understand them.”
                              “That is certainly clever,” said Jack, greatly pleased at finding so simple a way out of the
                         difficulty.
                              So the Scarecrow commanded the Soldier with the Green Whiskers to search among his
                         people until he found one who understood the language of the Gillikins as well as the language of
                         the Emerald City, and to bring that person to him at once.


QUESTÃO 24
                    O que há de estranho no diálogo entre os dois personagens da passagem acima?

        Resposta       O que é estranho é eles dizerem que precisam de um intérprete quando é possível perceber que se
        esperada
                    entendem perfeitamente bem.


     Comentários        O que é estranho é The Pumpkinhead e The Scarecrow, O Cabeça de Abóbora e O Espantalho, dizerem
                    que precisam de um intérprete, quando mostram, através de sua conversa, que se entendem perfeitamente
                    bem. Exige-se aqui mais a compreensão do texto como um todo e menos a compreensão de trechos específi-
                    cos que envolvam determinadas estruturas características da língua inglesa, ou mesmo a atribuição de signi-
                    ficado a alguns itens lexicais determinados.
                        Particularmente neste trecho, há muitos nomes que entrecortam a leitura (The King, The Pumpkinhead,
                    The Country of Gillikins, The Scarecrow, The Soldier with the green whiskers, e ainda Jack, Munchkins,
                    Emerald City) além da forma de tratamento Your Majesty, o que poderia dar um certo trabalho logo à primeira

                                                                                                                                  149
Inglês

                         vista. Inicialmente, é possível que o leitor se sentisse perdido diante de tantos nomes. Entretanto, a questão
                         incidia exatamente sobre a outra dificuldade de leitura do trecho: o fato de os personagens enunciarem a
                         necessidade de um intérprete, quando na verdade não precisam de nenhum, dado que mostram se entender
                         mutuamente perfeitamente bem. Desnecessário dizer que a recorrência da estranheza dá-se na recorrência de
                         understand (“I do not understand you”, “what don´t you understand”, “why, I don´t understand your
                         language”, etc), language, foreigner e interpreter. Os candidatos bem-sucedidos certamente fizeram uso do
                         texto como um todo para obter a resposta.

   Exemplos de nota      1. O estranho é que os dois se comunicam no diálogo afirmando que não falam a mesma língua e que ainda
    acima da média          precisam de tradutor.
                         2. O fato de estarem conversando, “se entendendo” e mesmo assim procuram um intérprete.
                         3. Jack diz que não entende o que o espantalho diz pois fala outra língua e este aceita a justificativa. Porém
                            ambos conversam normalmente sem precisar de intérprete.

                            Quanto aos mal sucedidos, de modo geral, o que se notou é que se iludiram pela presença de understand,
                         palavra certamente bastante conhecida do aluno do segundo grau, além de terem se apoiado em foreigner e
                         em interpreter, o que acabou determinando a conclusão de que os personagens não se entendiam... Ou
                         ainda, que se entendiam, mas falavam línguas diferentes. Veja os exemplos abaixo:
                         1. Que embora falem línguas diferentes, eles se entendem.
                         2. Cada personagem do texto acima, fala uma língua diferente tornando-se impossível a comunicação.

                             Se você seguiu o raciocínio exposto aqui para a correção de cada uma das questões, percebeu que, embora
      Últimas palavras
                         todas elas sejam questões de avaliação de seu desempenho na leitura de textos em inglês, são de nível de
                         exigência bastante variado. As questões não avaliam, lembre-se, outras coisas, como por exemplo sua capa-
                         cidade de escrever em inglês ou mesmo seus conhecimentos explícitos da gramática dessa língua. Mas, se por
                         um lado, nem sempre a proficiência em uma língua estrangeira é suficiente para a leitura de um texto nessa
                         língua, por outro, muitas questões aproveitam propositalmente conhecimentos de língua, gramaticais muitas
                         vezes, que você possa ter.
                             Em contrapartida, há vários lugares na prova dedicados à discriminação e, portanto, à classificação de
                         candidatos que eventualmente, por razões diversas, conheçam pouco a língua inglesa, já que, mesmo assim,
                         podem empreender um trabalho de leitura a partir desse pouco. É bom lembrar também que as notas atribu-
                         ídas a cada questão variam de zero a cinco; só não é possível mostrá-las todas aqui.




150
Provas de aptidão
Provas de aptidão


                          Para os candidatos aos cursos de Educação Artística, Arquitetura e Urbanismo e Odontologia, além
                       das provas comuns da 1ª e 2ª Fase, são ainda exigidas provas de aptidão. Apresentamos a seguir as
                       provas do Vestibular 2000 para que você possa conhecer melhor o que é esperado dos candidatos em
                       cada uma das provas de aptidão da Unicamp.




                    Arquitetura e Urbanismo
QUESTÃO 1
                    As informações pertinentes à questão (anexo I) são duas:
                    • A primeira delas é o projeto esquemático do traje com o título de “NEW LOOK p. VERÃO - 2 PEÇAS”
                        produzido pelo arquiteto e artista Flávio de Carvalho em 1956, que corresponde, em nossa prova, a uma
                        informação gráfica.
                    • A segunda, a foto do autor vestindo o traje e caminhando pelas ruas de São Paulo (1956), sendo
                        acompanhado pelos transeuntes e pela imprensa, corresponde a uma informação fotográfica do evento.
                                                                                             Anexo I




                                                                               In Flávio de Carvalho e A Volúpia da Forma, Luiz Carlos Daher, 1984, São Paulo.



                    In Flávio de Carvalho 100 anos de um revolucionário
                    romântico/curadoria Denise Mattar, 1999, Rio de Janeiro.



                    A partir destas informações e exclusivamente com a técnica de grafite série B, o candidato deverá realizar
                    sua composição gráfica no papel recebido, relacionando as duas informações fornecidas.
                    Observação: A composição do candidato deverá estar baseada unicamente nas informações dadas. Não
                    serão considerados outros trabalhos ou conhecimentos do candidato sobre a obra de Flávio de Carvalho que
                    não estejam contidos na prova.


QUESTÃO 2
                    Breve Histórico:
                    O concurso internacional para o “Farol de Colombo” (1928), teve a participação de mais de 1.400 arquite-
                    tos. “Esse concurso foi realizado em duas etapas (eliminatórias em 1928 e final em 1931) e nele Flávio de
                    Carvalho obteve menção honrosa.”... “O projeto de Flávio para esse Concurso, que homenageava o desco-
                    bridor da América, era notável. Compunha-se de duas plataformas gigantescas, travadas por 2 ...“templos
                    egípcios”... que também lembravam a primeira letra do alfabeto! Em seu centro, o patamar superior recebia
                    um aglomerado de edifícios prismáticos, simetricamente dispostos; ao meio, emergia a grandiosa torre do
                    Farol, com 160 metros de altura. Percebe-se, na elevação frontal e na perspectiva, certa ambigüidade
                    futurista: a composição assemelha-se ora a um transatlântico, ora a um brinquedo de armar; a cortina de

152
Provas de aptidão

                     arcos, desta vez completa, por vezes lembra um apoio centopéico, desproporcionalmente frágil, de um
                     imenso bicho mecânico”.
                                              Texto de Luiz Carlos Daher, “Flávio de Carvalho: arquitetura e expressionismo”;
                                                                              Projeto Editores; São Paulo, 1982; pp. 38-39.
                                                                                  Anexo II




                                               In Flávio de Carvalho e A Volúpia da Forma, Luiz Carlos Daher, 1984, São Paulo.


                     A partir dos elementos arquitetônicos fornecidos pelo “Projeto do Farol de Colombo” de autoria de Flávio de
                     Carvalho (anexo II), pede-se ao candidato (após a identificação dos principais sólidos geométricos, como
                     também de sua estruturação no espaço, ou seja, as relações espaciais entre eles) executar, graficamente no
                     papel recebido, usando as técnicas de perspectiva e lápis de cor, exclusivamente, uma composição volumé-
                     trica de sua autoria, a partir dos sólidos geométricos mencionados acima.



                     Educação Artística
P R O VA D E H I S T Ó R I A D A A R T E
                     Escolha TRÊS das cinco questões que seguem:
                     1. Em conferência pronunciada em abril de 1942 sobre o Movimento Modernista, Mário de Andrade decla-
                        rou que “a convulsão profundíssima da realidade brasileira” ocorrida após a realização da Semana de
                        Arte Moderna foi conseqüência da fusão, no movimento em questão, de três princípios fundamentais: “o
                        direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabiliza-
                        ção de uma consciência criadora nacional”. Comente tal afirmação relacionando-a à obra de três dos
                        maiores pintores brasileiros desse período: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Portinari.
                     2. Escreva sobre Flávio de Carvalho.
                     3. “Monet era apenas um olho, mas que olho!”, afirmou o pintor Cézanne sobre seu amigo Claude Monet.
                        Em que sentido essa afirmação ilustra as diferentes visões desses dois pintores sobre a arte? Comente
                        ainda as principais características do Movimento Impressionista.
                     4. “A visão de Guernica é a visão da morte em ação; o pintor não assiste ao fato com terror e piedade, mas
                        está dentro do fato, não celebra nem se compadece das vítimas, mas está entre as vítimas. Com ele
                        morre a arte, a civilização ‘clássica’, a arte e a civilização cuja meta era o conhecimento, a compreensão
                        plena da natureza e da história. (...) Com Les demoiselles d’Avignon, Picasso detonava, desintegrava a
                        linguagem tradicional da pintura; com Guernica, detonava a linguagem cubista (...)”. Comente essa
                        afirmação do crítico e historiador da arte Giulio Carlo Argan, comparando Guernica, realizada em 1937,
                        com o trabalho anterior de Pablo Picasso.
                     5. O que sabe sobre os diversos tipos de Abstracionismo surgidos na arte européia no imediato pós-guerra,
                        e dos seus desdobramentos entre fins dos anos 1940 e os anos 1970 na arte brasileira?




                                                                                                                                              153
Provas de aptidão

P R O VA D E D E S E N H O
                     Primeira parte:
                     Com os sólidos recebidos (um cubo, três prismas e uma lâmina retangular flexível), realize uma composição
                     espacial através de qualquer combinação entre todos eles.
                     Segunda parte:
                     Execute, na folha de canson fornecida (A3, 180 g) e utilizando grafite (da série B), um desenho de observa-
                     ção da composição realizada na primeira parte, desenho esse em que sejam trabalhados efeitos de luz e
                     sombra.
                     OBSERVAÇÕES:
                     • Será avaliada a capacidade do candidato na criação tridimensional, quanto à composição, à representa-
                        ção gráfica e ao emprego dos efeitos de luz, sombra e perspectiva.


P R O VA D E E X P R E S S Ã O G R Á F I C A , F O R M A S E C O R E S
                     Utilizando uma, duas ou as três figuras geométricas das faces dos sólidos recebidos (triângulo, quadrado e
                     retângulo), crie, no interior da circunferência já traçada na folha de papel canson (A3, 180 g), uma compo-
                     sição cromática que expresse valores de equilíbrio, contraste e policromia. Nessa composição as figuras
                     poderão ser inteiras ou seccionadas e estar presentes na quantidade, no tamanho e na proporção desejadas.
                     Tal trabalho deverá ser executado com os lápis de cor fornecidos, podendo ser realizado com instrumentos
                     de desenho (esquadros, régua etc.) ou à mão livre.
                     OBSERVAÇÕES:
                     • Será avaliada a capacidade do candidato para a utilização cromática de tons (valores) e matizes (nuan-
                         ças), bem como o equilíbrio gráfico das formas na composição.
                     • Ao final, deixe sobre a mesa os seus trabalhos, bem como os sólidos e a caixa de lápis de cor.



                     Odontologia
A P R OVA D E A P T I D Ã O
                     INSTRUÇÕES
                     1. Você está recebendo um bloco de cera especial para escultura (Fig.1);
                     2. Utilize, em todos os passos, a régua milimetrada e a ponta da espátula, para delimitar os contornos e
                        medidas propostas;
                     3. Com auxílio da espátula alise as faces do bloco até reduzir seu tamanho. (Fig. 2);
                     4. Marque na face lisa as 2 porções que compõem o bloco, nas medidas de 20mm cada, respectivamente,
                        (Fig. 2);
                     5. Em seguida, desenhe em uma das faces lisa os contornos da peça a ser esculpida (Fig. 2);
                     6. Comece então a esculpir (Fig. 3);
                     7. As figuras 04, 05, 06 e 07 representam a escultura em linguagem técnica, que poderão ajudá-lo;
                     8. Se desejar empregar outra técnica, você poderá usá-la.
                     9. A duração desta prova é de 02 (duas) horas.




154
Desempenho
dos candidatos
Desempenho dos candidatos

        Tabela 1 –    Totais e Porcentagens de Provas e Anulações por Tema de Redação – Segundo as Áreas
                                                                                                TEMA
                                                                                                                                                                Total (Área)
                                                             A                       B                               C                     Branco
                                 Área               (1)                        (1)                            (1)                        (1)                     (1)
                                                 N                Anul.      N            Anul.              N           Anul.          N        Anul.       N         Anul.
                                                 (%)               (%)       (%)           (%)               (%)          (%)           (%)       (%)        (%)        (%)
                                               12.265               43      1.763           83              2.266          85       103              103   16.757         314
                      Exatas
                                                73,19             0,26      10,52         0,50              13,52        0,51       0,61            0,61   100,00        1,87
                                                4.298               22       603            28               845           28         46              46    5.792         124
                      Humanas
                                                74,21             0,38      10,41         0,48              14,59        0,48       0,79            0,79   100,00        2,14
                                                 854                 4       200             7               126            8          9               9    1.189      28,00
                      Artes
                                                71,83             0,34      16,82         0,59              10,60        0,67       0,76            0,76   100,00       2,35
                                               14.252               47      1.466           62              2.473          76         73              73   18.264        258
                      Biológicas
                                                78,03             0,26       8,03         0,34              13,54        0,42       0,40            0,40   100,00        1,41
                      Total                    32.029             116       4.032          180              5.710         197        231             231   42.002         724
                      (Tema)                    76,26             0,28       9,60         0,43              13,59        0,47       0,55            0,55   100,00        1,72
                       (1)
                      N         = número de candidatos presentes.




        Tabela 2 –    Média e Desvio-Padrão (D.P da Prova de Redação Por Tema e Área – Fase I (Escala: [0–100])
                                                .)
                                                                                                               TEMA
                                Área
                                      (1)                               A                                            B                                      C
                                (N)                    (1)                                            (1)                                           (1)
                                                   N              Média         D.P.              N                 Média        D.P.           N          Média        D.P.
                      Exatas                   12.582              47,72        7,92            1.680               48,32        8,68          2.181       51,48        8,20
                      (16.757)
                      Humanas                    4.276             49,20        7,84              575               51,16        8,84           817        53,24        7,44
                      (5.792)
                      Artes                         850            47,16        8,16              193               49,84        7,88           118        50,56        8,48
                      (1.189)
                      Biológicas               14.205              49,48        7,88            1.404               48,88        9,20          2.397       53,00        8,28
                      (18.264)
                      Total                    31.913              48,68        7,96            3.852               49,00        8,92          5.513       52,40        8,16
                      (42.002)
                       (1)
                      N         = número de candidatos presentes, excluindo as provas em branco (231).




        Tabela 3 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Questões da Fase I – Por Área (Escala: [0–5])
                                                .)
                                                   Exatas                     Humanas                            Artes               Biológicas                  Geral
                                 Área          (1)                            (1)                            (1)                     (1)                     (1)
                                              N = 16.757                     N = 5.792                      N = 1.189               N = 18.264              N = 42.002
                     Questão                 Média               D.P.       Média        D.P.            Média           D.P.      Média         D.P.       Média       D.P.
                      01 (Bio)                1,64               1,24       1,44         1,24               1,23         1,18      1,99          1,32       1,75        1,29
                      02 (Bio)                1,26               1,17       1,04         1,10               0,91         1,03      1,73          1,36       1,42        1,28
                      03 (Quí)                1,58               1,43       1,08         1,21               0,86         5,00      1,88          1,57       1,62        1,48
                      04 (Quí)                0,63               0,80       0,42         0,65               0,29         0,54      0,80          0,81       0,66        0,79
                      05 (Geo)                1,99               1,26       2,09         1,33               1,70         1,18      2,25          1,33       2,11        1,31
                      06 (Geo)                2,17               1,24       2,25         1,25               1,96         1,19      2,29          1,23       2,23        1,24
                      07 (Fís)                1,14               1,37       0,62         1,04               0,43         0,81      1,20          1,37       1,07        1,34
                      08 (Fís)                1,26               1,46       0,70         1,15               0,41         0,86      1,32          1,46       1,19        1,43
                      09 (His)                2,11               1,62       2,27         1,71               1,96         1,68      2,44          1,67       2,27        1,66
                      10 (His)                0,56               0,97       0,62         1,03               0,50         0,88      0,59          0,98       0,58        0,98
                      11 (Mat)                1,70               2,14       1,02         1,80               0,66         1,48      1,51          2,06       1,49        2,06
                      12 (Mat)                3,30               1,68       2,65         1,77               2,51         1,76      3,22          1,72       3,15        1,73
                          (1)
                      N         = número de candidatos presentes




156
Desempenho dos candidatos

Tabela 4 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Provas da Fase I – Por Área (Escala: [0–100])
                                        .)
                                        Exatas             Humanas             Artes      Biológicas             Geral
                                    (1)                    (1)             (1)            (1)                (1)
                  Prova            N = 16.757             N = 5.792       N = 1.189      N = 18.264         N = 42.002
                                 Média           D.P.    Média   D.P.    Média    D.P.   Média     D.P.    Média    D.P.
              Redação             47,40         10,40    48,92   10,76   46,80   10,92   49,20    10,00    48,36   10,32
              Questões            32,23         16,65    27,00   15,72   22,40   12,68   35,35    18,18    32,58   17,42
              Fase I              43,41         13,34    40,81   13,25   37,07   11,82   46,22    13,78    44,09   13,67
               (1)
              N      = número de candidatos presentes.




Tabela 5 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II
                                        .)
              Prova de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa – Por Área (Escala: [0–5])
                                       Exatas              Humanas            Artes        Biológicas            Geral
                      Área           (1)                   (1)              (1)            (1)               (1)
                                    N = 6.645             N = 1.915        N = 393        N = 5.150         N = 14.103
             Questão             Média           D.P.    Média   D.P.    Média    D.P.   Média     D.P.    Média    D.P.
                     01           2,90          1,33      2,89   1,31    2,83     1,35   3,07      1,32     2,96    1,32
                     02           3,05          1,02      3,22   0,98    3,06     1,10   3,19      0,95     3,13    0,99
                     03           3,10          1,34      3,24   1,33    3,14     1,38   3,24      1,34     3,17    1,34
                     04           3,65          1,09      3,79   1,04    3,57     1,09   3,83      1,06     3,73    1,08
                     05           2,75          1,20      2,84   1,19    2,85     1,15   2,93      1,16     2,83    1,19
                     06           3,32          0,99      3,39   0,95    3,31     1,01   3,47      0,96     3,38    0,98
                     07           1,47          1,64      1,87   1,79    1,50     1,64   2,29      1,85     1,82    1,78
                     08           1,09          1,60      1,43   1,74    1,05     1,60   1,91      1,84     1,43    1,75
                     09           1,19          1,12      1,41   1,16    1,09     1,17   1,69      1,16     1,40    1,17
                     10           1,20          1,43      1,31   1,48    1,05     1,34   1,73      1,57     1,40    1,51
                     11           0,61          1,00      0,76   1,09    0,54     0,94   0,99      1,26     0,77    1,13
                     12           1,89          0,87      2,03   0,83    1,87     0,84   2,11      0,93     1,99    0,89




Tabela 6 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II
                                         .)
              Prova de Ciências Biológicas – Por Área (Escala: [0–5])
                                       Exatas              Humanas            Artes        Biológicas            Geral
                      Área           (1)                   (1)              (1)            (1)               (1)
                                    N = 6.645             N = 1.915        N = 393        N = 5.150         N = 14.103
             Questão             Média           D.P.    Média   D.P.    Média    D.P.   Média     D.P.    Média    D.P.
                     13           3,65          1,33      3,49   1,36    2,87     1,39   4,42      0,83     3,89    1,25
                     14           2,03          1,01      1,99   0,98    1,68     1,05   2,54      0,97     2,20    1,03
                     15           2,47          1,23      2,29   1,19    2,09     1,14   3,34      1,00     2,75    1,23
                     16           0,78          1,16      0,59   1,04    0,35     0,84   2,15      1,48     1,24    1,44
                     17           2,18          1,20      2,04   1,16    1,85     1,15   2,58      1,20     2,30    1,21
                     18           3,02          1,15      2,85   1,13    2,44     1,17   3,58      0,97     3,19    1,13
                     19           1,26          1,34      1,00   1,21    0,61     1,00   2,65      1,52     1,72    1,56
                     20           0,82          1,01      0,71   0,93    0,52     0,83   1,59      1,31     1,08    1,18
                     21           2,00          1,47      1,59   1,37    1,27     1,37   3,10      1,37     2,33    1,54
                     22           1,06          1,36      0,73   1,17    0,41     0,91   2,00      1,47     1,34    1,46
                     23           1,39          0,97      1,22   0,95    1,03     0,85   1,87      1,15     1,53    1,07
                     24           2,57          1,62      2,26   1,61    1,78     1,58   3,78      1,28     2,95    1,63
               (1)
              N      = número de candidatos presentes




                                                                                                                       157
Desempenho dos candidatos

        Tabela 7 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Química – Por Área (Escala: [0–5])
                                                .)
                                               Exatas             Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                              Área           (1)                  (1)             (1)           (1)               (1)
                                            N = 6.600            N = 1.895       N = 389       N = 5.125         N = 14.009
                     Questão             Média           D.P.   Média   D.P.   Média   D.P.   Média    D.P.     Média      D.P.
                             01           1,25          1,42    0,57    1,06   0,32    0,78   2,07     1,57      1,43      1,52
                             02           1,18          1,29    0,69    0,92   0,49    0,72   1,64     1,47      1,26      1,35
                             03           0,89          1,28    0,46    0,91   0,31    0,68   1,43     1,53      1,01      1,37
                             04           2,12          1,10    1,89    1,10   1,63    1,08   2,27     1,12      2,13      1,11
                             05           1,85          1,37    1,18    1,25   0,78    1,10   2,41     1,41      1,93      1,44
                             06           2,98          1,40    2,46    1,39   2,17    1,38   3,43     1,25      3,05      1,39
                             07           0,86          1,29    0,42    0,94   0,29    0,75   1,41     1,54      0,99      1,39
                             08           1,22          1,49    1,25    1,50   1,31    1,52   1,43     1,52      1,30      1,51
                             09           1,02          1,08    0,72    0,76   0,59    0,62   1,48     1,36      1,13      1,18
                             10           1,72          1,77    0,78    1,29   0,42    0,98   2,44     1,87      1,82      1,83
                             11           1,40          1,30    0,76    0,98   0,55    0,79   1,75     1,35      1,42      1,32
                             12           1,32          1,50    0,63    1,05   0,40    0,78   2,11     1,76      1,49      1,63
                       (1)
                      N      = número de candidatos presentes




        Tabela 8 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de História – Por Área (Escala: [0–5])
                                                .)
                                               Exatas             Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                              Área           (1)                  (1)             (1)           (1)               (1)
                                            N = 6.600            N = 1.895       N = 389       N = 5.125         N = 14.009
                     Questão             Média           D.P.   Média   D.P.   Média   D.P.   Média    D.P.     Média      D.P.
                             13           3,25          1,68    3,58    1,54   2,88    1,76   3,65     1,48      3,43      1,61
                             14           1,28          1,27    1,72    1,51   1,04    1,06   1,62     1,42      1,46      1,37
                             15           3,12          1,36    3,46    1,25   2,89    1,51   3,45     1,23      3,28      1,31
                             16           2,1           1,32    2,49    1,29   2,04    1,34   2,47     1,26      2,29      1,31
                             17           3,21          1,16    3,46    1,04   2,93    1,15   3,64     1,02      3,40      1,12
                             18           3,23          1,24    3,51    1,10   3,24    1,26   3,45     1,15      3,35      1,20
                             19           1,81          1,06    2,14    1,11   1,64    1,03   2,20     1,07      1,99      1,09
                             20           1,84          1,45    1,89    1,49   1,63    1,48   2,02     1,50      1,91      1,48
                             21           0,64          0,84    0,87    0,93   0,46    0,68   0,91     0,96      0,77      0,90
                             22           1,45          1,08    1,79    1,21   1,28    0,99   1,80     1,20      1,62      1,16
                             23           1,58          1,33    2,00    1,37   1,70    1,42   2,02     1,38      1,80      1,37
                             24           2,19          1,43    2,54    1,37   2,04    1,42   2,50     1,36      2,34      1,41
                       (1)
                      N      = número de candidatos presentes




        Tabela 9 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Física – Por Área (Escala: [0–5])
                                                .)
                                               Exatas             Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                              Área           (1)                  (1)             (1)           (1)               (1)
                                            N = 6.574            N = 1.886       N = 386       N = 5.100         N = 13.946
                     Questão             Média           D.P.   Média   D.P.   Média   D.P.   Média    D.P.     Média      D.P.
                             01           3,85          1,52    3,25    1,73   2,77    1,78   4,13     1,29      3,84      1,52
                             02           2,89          2,03    1,50    1,88   1,15    1,68   3,18     1,95      2,76      2,06
                             03           2,09          1,71    1,23    1,47   0,79    1,20   2,21     1,60      1,98      1,67
                             04           2,98          1,81    1,84    1,79   1,22    1,54   3,34     1,65      2,91      1,83
                             05           1,64          1,39    0,96    1,05   0,62    0,86   1,87     1,34      1,61      1,36
                             06           1,62          1,84    0,70    1,24   0,42    0,97   1,58     1,77      1,45      1,76
                             07           2,41          2,29    1,12    1,89   0,62    1,48   2,97     2,24      2,39      2,30
                             08           2,2           1,32    1,43    1,37   1,03    1,28   2,37     1,19      2,12      1,33
                             09           2,23          1,98    1,16    1,67   0,61    1,29   2,46     1,86      2,12      1,94
                             10           0,97          1,28    0,32    0,81   0,14    0,53   1,08     1,24      0,90      1,23
                             11           1,35          1,63    0,50    1,04   0,35    0,87   1,28     1,45      1,18      1,51
                             12           1,1           1,56    0,32    0,87   0,18    0,57   1,26     1,59      1,03      1,51
                       (1)
                      N      = número de candidatos presentes

158
Desempenho dos candidatos

Tabela 10 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Geografia – Por Área (Escala: [0–5])
                                         .)
                                        Exatas              Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                       Área           (1)                   (1)             (1)           (1)               (1)
                                     N = 6.574             N = 1.886       N = 386       N = 5.100         N = 13.946
              Questão             Média           D.P.    Média   D.P.   Média   D.P.   Média     D.P.    Média     D.P.
                      13           2,68          0,85     2,94    0,85   2,69    0,99   2,94      0,78     2,81     0,84
                      14           1,90          1,39     2,33    1,52   1,56    1,44   2,10      1,46     2,02     1,45
                      15           3,30          0,85     3,45    0,80   3,17    0,89   3,51      0,80     3,39     0,84
                      16           2,35          1,30     2,44    1,32   2,13    1,31   2,89      1,15     2,55     1,28
                      17           3,58          0,95     3,74    0,92   3,43    1,02   3,84      0,82     3,69     0,91
                      18           2,66          0,88     2,96    0,86   2,68    0,89   2,96      0,83     2,81     0,87
                      19           2,86          0,82     3,17    0,78   2,95    0,79   3,15      0,76     3,01     0,80
                      20           1,81          0,83     2,10    0,89   1,69    0,87   2,15      0,87     1,97     0,87
                      21           1,75          0,98     1,98    0,95   1,77    0,93   2,16      0,95     1,93     0,98
                      22           0,70          0,76     0,97    0,98   0,61    0,77   0,99      0,92     0,84     0,86
                      23           1,97          1,48     2,35    1,49   1,56    1,41   2,39      1,41     2,16     1,47
                      24           2,11          1,09     2,28    1,11   2,00    1,20   2,46      0,97     2,26     1,07
                (1)
               N      = número de candidatos presentes




Tabela 11 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Matemática – Por Área (Escala: [0–5])
                                         .)
                                        Exatas              Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                       Área           (1)                   (1)             (1)           (1)               (1)
                                     N = 6.554             N = 1.883       N = 384       N = 5.089         N = 13.910
              Questão             Média           D.P.    Média   D.P.   Média   D.P.   Média     D.P.    Média     D.P.
                      01           4,00          1,75     3,70    1,95   3,12    2,18   4,03      1,70     3,94     1,78
                      02           3,06          2,17     2,37    2,16   1,66    1,92   3,38      2,08     3,04     2,17
                      03           1,52          1,79     1,12    1,60   0,81    1,42   1,59      1,77     1,47     1,76
                      04           3,87          1,41     3,62    1,45   3,24    1,51   3,92      1,36     3,84     1,41
                      05           2,00          1,32     1,49    1,12   1,18    0,93   2,20      1,26     1,98     1,29
                      06           3,46          1,81     2,43    1,95   1,67    1,74   3,79      1,60     3,39     1,83
                      07           1,27          1,51     0,69    1,17   0,35    0,79   1,50      1,60     1,25     1,52
                      08           1,04          1,49     0,47    1,05   0,15    0,60   1,11      1,48     0,96     1,44
                      09           1,67          1,29     1,28    1,01   0,99    0,66   1,87      1,35     1,67     1,28
                      10           0,82          1,09     0,47    0,79   0,30    0,64   0,73      1,00     0,73     1,02
                      11           1,91          1,78     1,13    1,53   0,57    1,20   2,17      1,71     1,86     1,75
                      12           0,30          0,93     0,10    0,48   0,01    0,15   0,32      0,93     0,27     0,87
                (1)
               N      = número de candidatos presentes.




Tabela 12 –    Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Inglês – Por Área (Escala: [0–5])
                                         .)
                                        Exatas              Humanas           Artes       Biológicas            Geral
                       Área           (1)                   (1)             (1)           (1)               (1)
                                     N = 6.523             N = 1.857       N = 380       N = 5.075         N = 13.835
              Questão             Média           D.P.    Média   D.P.   Média   D.P.   Média     D.P.    Média     D.P.
                      13           3,06          1,87     3,12    1,86   3,08    1,82   3,48      1,76     3,23     1,84
                      14           2,49          2,29     2,68    2,29   2,36    2,32   2,88      2,26     2,66     2,29
                      15           3,09          1,70     3,03    1,63   3,06    1,75   3,59      1,48     3,26     1,64
                      16           3,29          1,63     3,36    1,52   3,15    1,63   3,79      1,37     3,48     1,55
                      17           2,81          1,64     2,91    1,66   2,79    1,63   3,19      1,50     2,96     1,61
                      18           0,99          1,12     1,18    1,24   0,99    1,19   1,39      1,25     1,16     1,20
                      19           2,18          1,57     2,27    1,54   1,99    1,42   2,63      1,61     2,35     1,59
                      20           3,20          1,68     3,31    1,62   3,04    1,71   3,66      1,46     3,38     1,61
                      21           2,02          1,51     2,19    1,55   2,05    1,66   2,48      1,48     2,21     1,52
                      22           3,15          2,18     3,24    2,10   2,94    2,22   3,62      1,93     3,33     2,10
                      23           1,74          2,32     1,74    2,31   1,03    1,93   2,15      2,39     1,87     2,35
                      24           2,85          1,96     3,18    1,88   3,17    1,93   3,43      1,75     3,12     1,89
                (1)
               N      = número de candidatos presentes.

                                                                                                                        159
.)
      Tabela 13 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Provas da Fase II – Por Grupo (Escala: [0–100])




160
                                               Português        Biologia                 Química         História                 Física        Geografia             Matemática                  Inglês
                                        (1)                                   (1)                                       (1)                                  (1)                      (1)
      Cód           Cursos          N                  .
                                              Média D.P Média D.P.            N                 .
                                                                                       Média D.P Média D.P.            N                .
                                                                                                                               Média D.P Média        D.P.   N        Média D.P.      N        Média    D.P.
                                                                                          Grupo: Ciências Exatas e Tecnológicas
        2   Estatística             278       35,35   10,20   23,78   11,18   272      15,60 10,15 33,12 11,70           270 18,75     15,10   36,97 10,82   267      26,52   14,07   267      38,57   25,17
        8   Eng. Agríc.             196       37,40   10,13   31,42   11,78   194      19,90 10,52 37,30 11,88           193 25,62     16,55   41,20 10,10   191      29,85   13,75   190      37,65   23,75
       10   Eng. Mec.               375       43,82   10,63   43,18   11,87   373      35,10 13,40 45,17 10,57           371 53,35     16,38   49,23 8,53    370      49,00   14,27   370      54,62   20,52
       12   Eng. Civil              214       43,95   10,78   40,07   11,93   214      31,47 13,12 44,53 10,50           213 48,48     16,08   48,13 8,43    213      47,42   13,47   213      54,08   21,33
       13   Eng. Alim. (D)          414       48,55   10,80   46,37   11,20   412      34,45 12,57 46,53 10,77           411 44,12     15,88   48,05 8,28    411      46,43   13,33   408      59,72   18,95
                                                                                                                                                                                                                   Desempenho dos candidatos




       29   Mat. Lic. (N)           137       37,17   10,27   22,57   12,85   133      14,60   8,82 32,00 11,00          134 19,90     17,05   35,98 8,57    133      27,63   14,48   132      25,77   21,07
       34   Eng. Comput. (D)        878       46,60   11,10   44,28   12,67   878      35,75 14,78 46,70 11,62           873 54,75     18,83   48,77 8,85    870      49,50   14,78   868      61,50   18,72
       40   Física (N)               91       41,50    9,32   36,35   12,03    89      26,85 12,27 42,38 11,27            90 44,62     17,70   44,90 8,60     90      36,45   13,33    90      43,15   24,48
       42   C. Comput. (N)          593       46,40   11,38   42,13   12,88   589      31,93 14,10 44,75 12,10           589 48,63     19,55   48,02 9,27    587      47,13   14,65   587      60,43   19,25
       43   Eng. Alim. (N)           99       51,92   12,40   44,10   12,85    99      33,32 13,23 47,40 10,75            98 38,65     17,22   49,10 7,43     98      41,18   11,75    98      53,40   18,95
       49   Eng.Cont Aut (N)        458       44,28   10,58   43,40   13,03   453      36,53 14,45 45,00 11,00           451 55,67     18,23   48,55 8,92    450      50,82   15,33   447      56,72   20,88
       51   Fís./Mat./MAC(D)        424       42,10   11,80   34,72   13,60   423      24,63 12,58 39,72 12,47           421 40,12     21,13   43,70 9,85    421      39,57   16,02   417      44,00   25,15
                                                                                               Grupo: Engenharia Elétrica
       11   Eng. Elétrica (D)       610 46,53         11,28 44,77 12,50       610      38,00 14,35 46,05 11,38           608 58,98     18,33 48,87    8,78   608      52,68 15,35     606      57,77   20,73
       41   Eng. Elétrica (N)       115 47,25         12,27 39,67 12,43       115      30,22 11,83 45,12 11,53           115 57,62     18,77 47,45    8,28   115      48,18 13,50     115      51,68   21,28
                                                                                              Grupo: Engenharia Química
        9   Eng. Química (D)        360 47,67         10,93 45,53 12,60       359      39,08 14,15 45,20 11,27           358 46,78     17,65 48,03    8,87   358      47,55 14,50     358      57,00   20,08
       39   Eng. Química (N)         92 49,08         11,88 41,58 14,18        91      36,48 11,67 45,20 10,52            91 37,75     18,33 49,78    7,80    91      39,70 12,58      90      44,73   19,08
                                                                                                   Grupo: Tecnologias
       31   Tec. Sanitária (N)      292 30,28         10,52 17,72 12,07       289      10,90    7,72 28,00 13,50         286    7,63    9,82 33,75 12,30     286      14,97 10,75     284      26,75   24,10
       36   Tec. Cons. Civil (N)    148 28,07         11,00 14,27 10,33       146       9,33    6,65 23,38 12,48         146    8,07   12,38 29,32 12,23     147      14,72 11,60     145      20,58   24,43
       37   Tec. Inform. (N)        130 38,37          9,22 28,63 11,75       129      16,28    9,52 38,15 12,57         129   20,05   16,22 46,43 8,50      129      26,45 13,82     129      40,22   22,95
                                                                                                    Grupo: Química
        5   Química (D)             206 44,92         10,63 43,52 12,10       205      32,08 12,65 42,30 11,62           203   33,35   16,92 47,63    9,02   202      34,63 13,57     201      49,77   21,65
                                                                                               Grupo: Química Tecnológica
       50   Quím. Tec. (N)              87 46,10      10,88 35,27 10,97           84   32,07 12,68 41,13 9,98             83   23,42   12,67 44,67    7,73       83   27,62 11,53         80   43,73   21,73
                                                                                                Grupo: Ciências da Terra
       52   Geol/Geog Bac (D)        89 41,88         11,78 33,80 11,45        89      16,93    9,12 46,65 10,70          89   19,30   14,62 52,15    8,13    89      24,45 12,85      86      45,85   23,77
       55   Geog. Lic. Bac. (N)     111 37,45          9,95 23,83 11,42       109      10,18    6,50 42,13 11,12         109   10,25   10,83 47,25    8,67   105      16,70 9,72      105      36,15   23,80
                                                                                             Grupo: Arquitetura e Urbanismo
       48   Arq. Urban. (N)         248 48,88          9,93 42,22 10,98       245      25,63 10,52 51,82 10,27           243   41,58   15,35 49,72    8,77   240      39,73 13,55     237      61,78   19,38
                                                                                                Grupo: Ciências Humanas
       16   C. Sociais (D)          143       50,63   10,87   36,15   11,52   142      20,38 11,53 53,12 11,03           142   23,23   15,27   56,80 10,15   142      31,08   11,65   142      64,28   18,78
       44   C. Sociais (N)          143       47,53   11,03   29,63   11,30   143      14,33    7,90 49,12 10,05         143   14,58   12,82   53,58 10,17   143      21,60   10,93   140      46,33   23,27
       19   História                109       48,82   10,43   40,58   11,37   108      20,27 10,22 56,53 10,58           106   23,70   14,65   55,33 9,15    106      29,72   13,62   106      56,60   19,13
       57   Letras Lic. (N)          84       49,92   12,23   26,47   10,15    83      13,32    7,43 47,22 11,63          83   11,67   11,05   47,57 9,27     83      20,23   10,70    82      51,78   23,80
       07   Letras Lic. Bach. (D)    84       55,03   11,33   37,93   12,52    81      19,43    9,32 51,37 9,02           80   18,97   11,65   51,43 8,45     80      27,27    9,83    76      65,50   17,42
       18   Lingüística Bach (D)     69       44,15   12,25   23,58   10,50    68      11,98    6,10 42,63 13,15          67    9,73   11,72   44,18 10,00    67      20,42   11,43    64      57,60   22,37
       20   Pedagogia (D)           138       43,27   11,53   25,68   11,45   137      13,50    6,48 41,63 11,12         136   10,80    8,27   39,88 9,43    136      18,98   10,02   134      38,93   21,42
       38   Pedagogia (N)           135       44,27   10,85   20,70    9,22   135      10,23    5,00 40,13 11,38         134    6,87    6,37   39,65 9,03    134      16,65    8,38   131      32,60   21,90
                                                                                                                                                                                                               v
v
                                                                Português    Biologia                Química          História                  Física      Geografia              Matemática                Inglês
                                                         (1)                              (1)                                         (1)                                 (1)                    (1)
      Cód                     Cursos                 N                  .
                                                               Média D.P Média D.P.       N                 .
                                                                                                   Média D.P Média D.P.               N               .
                                                                                                                                             Média D.P Média       D.P.   N        Média D.P.    N        Média    D.P.
                                                                                                                   Grupo: Filosofia
          30        Filosofia                            93 43,42    12,48 25,20 12,15        90   13,65      9,05 43,10 12,70          89 14,60     16,62 29,25   7,02       89   23,32 11,92       85   52,60   25,92
                                                                                                             Grupo: Ciências Econômicas
          17        C. Econ. (D)                     591 48,27       11,63 43,00 11,65    588      25,70     11,93 54,05 10,75         587 35,78     16,75 55,80   8,53   587      43,30 13,45   585      61,80   19,87
          47        C. Econ. (N)                     202 47,90       11,05 39,42 11,58    199      22,65      9,95 52,43 10,93         197 30,82     15,53 55,50   9,28   195      39,88 13,45   193      53,48   21,60
                                                                                                   Grupo:   Licenciatura Integrada Química/Física
          56        Lic.Quím/Fís (N)                 124 36,60        9,98 27,12 11,90    121      21,73     13,02 34,60 12,42         122 26,48     22,40 41,90 10,27    121      27,02 14,75   119      40,20   24,10
                                                                                                               Grupo: Artes Cênicas
          26        Artes Cênicas                        62 50,65     9,47 33,20 11,18        62   18,88     8,92 48,78 10,80             61 21,63   16,25 51,42   9,05       61   28,95 13,43       61   53,53   19,38
                                                                                                                  Grupo: Dança
          23        Dança                                74 44,20    12,77 26,68 12,97        73   14,43     8,35 36,98 12,27             73 12,95   10,48 40,13   9,28       73   21,90 11,70       73   46,13   23,82
                                                                                                           Grupo: Educação Artística
          25        Ed Artística                         71 46,53    10,87 30,70 13,27        69   15,35 10,30 44,25 11,87           68 16,23        13,35 46,62   9,08       67   23,90 10,80       64   54,22   23,17
                                                                                                       Grupo: Música Erudita - Composição
          22        Música - Comp.                       29 36,32    10,98 24,73 16,02        29   11,40    7,23 31,87 14,23         29 12,78        13,92 39,43   9,68       29   18,70 12,35       29   45,72   26,40
                                                                                                        Grupo: Música Erudita - Regência
          22        Música - Reg.                        33 37,78    11,48 23,37 12,27        33   11,33    6,20 33,53 13,13          33 10,87       13,00 38,25 10,42        33   17,58 10,80       32   38,67   25,22
                                                                                                       Grupo: Música Erudita - Instrumento
          22        Música - Instr.                      63 37,72    13,18 23,43 12,30        63   13,13    8,40 32,57 14,23          63 13,83       13,68 38,17 11,02        63   20,48 11,98       63    4,35    2,42
                                                                                                              Grupo: Música Popular
          22        Música Pop.                          61 41,92     8,63 31,10 10,88        60   19,58     9,75 42,45 11,72             59 23,82   14,25 47,95   9,68       58   27,80 11,55       58   58,07   18,80
                                                                                                        Grupo: Ciências Biológicas Diurno
                6   C. Biológicas (D)                674 47,52       11,07 53,07 11,78    672      33,88 14,03 46,85 11,45           668 36,32       17,20 51,00   9,20   666      38,30 13,48   664      60,92   19,80
                                                                                                       Grupo: Ciências Biológicas Noturno
          46        C. Biol. Lic. (N)                151 46,67       10,25 48,10 11,13    151      26,58 10,68 44,25 10,42          150 26,17        14,55 48,65   8,62   150      31,48 12,28   148      54,42   20,53
                                                                                                              Grupo: Educação Física
          27        Ed. Física (D)                   142 40,38       10,00 37,37 11,00    142      21,08    10,10 40,47 11,27        141     24,35   14,25 44,80   8,32   141      30,78 11,53   141      49,03   21,12
          45        Ed. Física (N)                   162 40,02        9,90 35,28 12,53    161      18,18    10,10 38,37 11,60        159     20,48   14,05 44,22   9,23   159      24,77 12,03   159      40,60   23,08
                                                                                                               Grupo: Enfermagem
          21        Enfermagem UNICAMP               117 46,00       10,82 45,95 12,57    117      26,72     9,93 41,87 11,75        116     24,00   13,35 46,23   8,20   116      29,85 11,08   116      47,47   20,28
          81        Enfermagem FAMERP                178 34,63        9,90 29,50 12,23    177      14,35     9,15 31,32 11,25        177     11,90   11,57 34,85   8,97   177      16,53 10,48   174      22,48   16,63
                                                                                                                 Grupo: Medicina
          15        Medicina UNICAMP                2.612 55,62      11,70 63,42 10,30 2.597       49,05    13,73 55,02 10,10 2.587          58,25   15,60 56,83   8,30 2.583      53,20 13,48 2.579      68,43   16,53
          75        Medicina FAMERP                   671 48,25      11,38 52,63 11,90   666       35,33    13,47 46,82 11,02        660     41,53   16,70 50,97   8,98   656      39,90 13,07   656      53,53   20,22
                                                                                                                Grupo: Odontologia
          14        Odontologia                      443 47,02       10,12 30,60   6,61   442      32,95    11,58 44,15 9,67         442     40,18   16,32 48,03   8,02   441      39,08 12,50   438      54,90   18,97
          (1)
      N         = número de candidatos presentes.




161
                                                                                                                                                                                                                          Desempenho dos candidatos
162
Caderno de respostas   NOME
                                 Modelo
                                                                                 ORDEM         INSCRIÇÃO                   LUGAR NA SALA




                       PROVA


                                                                                                      ASSINATURA DO CANDIDATO




                       SEQ.                             LOTE
                                                                                                                                            1
                       PROVA


                                                                                                                                            2

                                                                                                                                            3

                                                                                                                                            4

                                                                                                                                            5

                                              Questões                                                                                      6
                                                          Instruções
                                1 • Verifique se o seu nome e número de inscrição estão corretos.                                           7                                      Instruções
                                2 • A prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
                                3 • A resolução de cada questão deve ser apresentada no espaço                                              8
                                                                                                                                                         1 • Verifique se o seu nome e número de inscrição estão corretos.
                                    correspondente a cada questão.                                                                                       2 • A prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
                                4 • O rascunho poderá ser feito no espaço indicado e não será                                               9            3 • A resolução de cada questão deve ser apresentada no espaço
                                    considerado na correção.
                                                                                                                                                             correspondente a cada questão.
                                                                                                                                           10
                                                                                                                                                         4 • O rascunho poderá ser feito no espaço indicado e não será
                                                                                                                                           11                considerado na correção.
                       EMPC

                                                                                                                                           12

                       QUIMIC




                                                                                                                                                                                                        1
                                                                                                                                                QUEST O 1:


                                                     ATEN O:           Os rascunhos n o ser o considerados para
                                                                       efeito de corre o, em hip tese alguma.




                                                                                                                                                                                                                    1
                                                                                              HO




                                                                                                                                                                                                                    2
                                                                           UN




                                                                                                                                                                                                       2
                                                                                                                                                QUEST O 2:
                                                        SC
                                       RA

Mat exercicios resolvidos e comentados 017

  • 1.
    A Unicamp COMISSÃO PERMANENTE PARA OS VESTIBULARES comenta suas provas
  • 2.
  • 3.
    Coordenadoria Executiva dos Vestibulares e Programas Educacionais Coordenação Executiva Colaboradores Maria Bernadete M. Abaurre Alex Antonelli Lúcia Kopschitz Xavier Bastos Coordenação Adjunta Antonio Carlos do Patrocínio Luiz Marco Brescansin Ernesto Ruppert Filho Arício Xavier Linhares Maria Augusta Bastos de Mattos Carlos Alberto de Castro Junior Maria Elisa Quissak P Martins . Coordenação Acadêmica Carlos Roberto Galvão Sobrinho Maria Tereza Duarte Paes Luchiari Eugênia M. Reginato Charnet Cristiane Duarte Matthieu Tubino Douglas Soares Galvão Núria Hanglei Cacete Coordenação de Pesquisa Edgar Salvadori de Decca Patrícia Aparecida de Aquino Mara F. Lazzaretti Bittencourt Enid Yatsuda Frederico Regina Célia Bega dos Santos Fosca Pedini Pereira Leite Rodolfo Ilari Coordenação de Logística Haquira Osakabe Sandra Maria Carmello Guerreiro Ary O. Chiacchio Iara Lis Franco S. C. Souza Shirlei Maria Recco Pimentel Coordenação de Comunicação Social José de Alencar Simoni Sírio Possenti Carmo Gallo Netto Leandro Russovski Tessler Vera Nisaka Solferini Caderno de Questões Uma publicação da Coordenação Executiva dos Vestibulares da Unicamp Projeto Coordenação Acadêmica Coordenação de projeto Eugênia Maria Reginato Charnet Apoio gráfico Carmo Gallo Netto Projeto gráfico Grafos Editoração e Comunicação Fotos Antoninho Perri
  • 4.
    Câmara Deliberativa doVestibular Presidente Angelo Luiz Cortelazzo Coordenador dos Vestibulares e Programas Educacionais Maria Bernadete M. Abaurre Representantes de Cursos Engenharia Mecânica Representante da Reitoria Robson Pederiva Anésio dos Santos Junior Arquitetura e Urbanismo Silvia Aparecida Mikami G. Pina Engenharia Química Representantes da COMVEST Antonio José Gomez Cobo Artes Cênicas Ary O. Chiacchio Verônica Fabrini Machado de Almeida Estatística Carmo Gallo Netto Reinaldo Charnet Ernesto Ruppert Filho Ciências Biológicas Eugênia M. Reginato Charnet Eneida de Paula Filosofia Mara F. Lazzaretti Bittencourt Lucas Angioni Ciência da Computação Representantes do Neucimar Jerônimo Leite Física Ensino Secundário Maurício Urban Kleinke Sindicato dos Professores de Campinas Ciências da Terra Roselene dos Anjos Regina Célia Bega dos Santos Geociências Carlos Alberto L. S. Cunha Coordenadoria de Estudos Ciências Econômicas História e Normas Pedagógicas Eugênia Troncoso Leone Carlos Roberto Galvão Sobrinho Marlene Gardel Ciências Sociais Associação dos Professores do Ensino Rita de Cássia Lahoz Morelli Letras e Lingüística Plínio Almeida Barbosa Oficial do Estado de São Paulo Maria Quarezemin Dança Graziela E. F. Rodrigues Licenciatura Cristina Bruzzo Colégio Técnico de Campinas Edgard Dal Molin Júnior Educação Artística Gastão Manoel Henrique Matemática Aplicada e Computacional Edmundo Capelas de Oliveira Colégio Técnico de Limeira Rosa Maria Machado Educação Física Elizabeth Paoliello Machado de Souza Matemática Claudina Izepe Rodrigues Enfermagem Eliete Maria Silva Medicina Angélica Maria Bicudo Zeferino Engenharia Agrícola Luiz Henrique Antunes Rodrigues Música Universidade Estadual de Vicente de Paulo Justi Campinas Engenharia de Alimentos Carlos Alberto Rodrigues Anjos Odontologia Comissão de Vestibulares Fausto Bérzin Engenharia Civil Cidade Universitária “Zeferino Vaz” Marina Sangoi de Oliveira Ilha Pedagogia Barão Geraldo - Campinas - SP Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira 13.083-970 Engenharia de Computação Química Tel: (19) Ivan Luiz Marques Ricarte Pedro Faria dos Santos Filho 289-3130 / 788-7440 / 788-7665 Engenharia de Controle e Automação Fax: (19) 289-4070 Geraldo Nonato Telles Tecnologias Carlos Augusto da Silva Timoni http://www.convest.unicamp.br Engenharia Elétrica csocial@convest.unicamp.br Cesar José Bonjuani Pagan
  • 5.
    Caro estudante, caroprofessor: Apresentamos a vocês, novamente com para uma preparação mais tranqüila dos grande satisfação, este quarto Caderno de candidatos, que a Comvest elabora e divulga Questões: a Unicamp comenta suas provas. anualmente este material. Acreditamos que é Mantemos, nesta publicação, a mesma dever da Universidade fazer o que estiver ao estrutura dos Cadernos anteriores. Aqui podem seu alcance para ajudar os candidatos a ser encontradas as expectativas e os comentá- superarem a tensão associada ao exame rios das bancas elaboradoras sobre os temas vestibular. Esta publicação deve ser entendida, de redação e sobre as questões das várias portanto, como um passo nessa direção, por disciplinas do Concurso Vestibular Unicamp permitir que se estabeleça um canal através do 2000. A expectativa de todos nós, que qual podem dialogar as bancas, os candidatos trabalhamos ao longo de todo o ano na e seus professores. Comissão Permanente para os Vestibulares Repetimos, aqui, o que já afirmamos em desta Universidade, é de que este material anos anteriores: é nosso desejo que o interesse possa ser tomado como importante referência pela leitura deste Caderno de Questões não se para a compreensão dos objetivos das provas e restrinja apenas aos alunos que prestarão o dos critérios empregados em sua correção. Vestibular Unicamp 2001 e a seus professo- Enfatizamos, mais uma vez, que a leitura atenta res. As provas discursivas do nosso Vestibular desta publicação já é parte da preparação dos se têm constituído, ao longo dos últimos candidatos para um bom desempenho no nosso catorze anos, em importante espaço de exame. Quanto aos professores, esperamos que, interação com os docentes de todas as séries a partir dos subsídios que aqui oferecemos, do Ensino Médio, já que os temas e as possam realizar um trabalho produtivo junto aos questões de todas as provas deixam explícitos seus alunos que estão em fase de preparação os pontos de vista dos docentes da Universida- para o Vestibular Unicamp 2001. de relativos à maneira como entendem que O eixo temático da prova da primeira fase devem ser ensinados e trabalhados os do Vestibular 2000 foi Água. Tema à primeira conteúdos do núcleo comum obrigatório desse vista singelo, mas que se revela de grande nível escolar. Nossa prova de redação é atualidade e pertinência em uma sociedade exemplo disso. Essa prova, dados os seus na qual, cada vez mais, por ignorância ou objetivos e a maneira como são elaborados os irresponsabilidade, colocam-se perigosamente temas, reflete uma concepção de trabalho com em risco os recursos hídricos necessários à leitura e produção de textos que, se bem vida no planeta. entendida, pode influenciar positiva e Da mesma forma como no Vestibular produtivamente o trabalho com a linguagem Unicamp 1999, cuja primeira fase teve como escrita na escola, contribuindo assim, tema Brasil 500 Anos, as bancas elaboradoras efetivamente, para a formação de leitores tiveram por objetivo mostrar a possibilidade de críticos e cidadãos participantes, capazes de trabalho com temas transversais, respondendo expressar de forma clara e coerente suas assim às expectativas e recomendações opiniões sobre temas polêmicos e atuais. enfatizadas nos Parâmetros Curriculares Finalmente, vale lembrar que os comentá- elaborados e divulgados pelo MEC para os vários rios e análises constantes deste nosso quarto ciclos de escolarização. Prestamos assim nossa Caderno de Questões salientam aquilo que, contribuição para a discussão a respeito das em última análise, é um dos principais possíveis formas de implementação de um objetivos das provas do Vestibular da Uni- trabalho que, nas salas de aula, integre camp: avaliar não só o que os alunos de fato efetivamente os conteúdos das várias disciplinas. aprenderam ao longo do Ensino Médio, mas Afinal, essa é a maneira de atribuir significado sobretudo se são capazes de fazer uso dos efetivo às atividades realizadas na escola. conhecimentos adquiridos ao longo de sua Embora reconheçamos que o momento de formação para resolver as situações-problema preparação para um exame vestibular, apresentadas nas questões das nossas provas. sobretudo para um exame inteiramente Esperamos, assim, que a leitura atenta desta discursivo como o da Unicamp, é bastante publicação leve à conclusão de que a eficácia tenso, tanto para os candidatos, como para do processo de ensino e aprendizagem dos seus professores e seus familiares, gostaríamos conteúdos de quaisquer disciplinas está, em de lembrar que essa tensão tem origem, em grande parte, na definição clara da relevância grande parte, em uma insegurança a respeito de tais conhecimentos para a formação dos das provas. A partir de que critérios são nossos estudantes. elaboradas as provas das várias disciplinas? O que se pretende exatamente avaliar com as Profª Drª Maria Bernadete Marques Abaurre questões? Quais as respostas esperadas? Como Coordenadora Executiva serão corrigidas e pontuadas as respostas dos Comissão Permanente para os Vestibulares candidatos? É no sentido de fornecer respostas e Programas Educacionais para essas indagações, contribuindo assim Unicamp
  • 6.
    Universidade Estadual deCampinas Reitor Coordenador Geral da Universidade Hermano Tavares Chefe de Gabinete Fernando Galembeck Ruy Albuquerque Pró-Reitoria de Pós-Graduação Pró-Reitoria de Graduação Pró-Reitoria de Pesquisa José Claudio Geromel Angelo Cortelazzo Ivan Emílio Chambouleyron Pró-Reitoria de Extensão e Pró-Reitoria de Desenvolvimento Coordenadoria Executiva Assuntos Comunitários Universitário do Vestibular Roberto Teixeira Mendes Luis Carlos Guedes Pinto Maria Bernadete Abaurre Unidades de Ensino e Pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais Centro de Memória Instituto de Artes Archimedes Perez Filho Olga Rodrigues M. von Simson Helena Jank Núcleo de Planejamento Energético Instituto de Biologia Luiz Augusto Barbosa Cortez Unidades de Apoio e Prestação de Serviços Maria Luiza Silveira Melo Hospital das Clínicas Núcleo de Estudos Estratégicos Paulo Eduardo R. M. Silva Instituto de Computação Eliézer Rizzo de Oliveira Tomasz Kowaltowski Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher Núcleo de Estudos de Pesquisas em Alimentação Luiz Carlos Zeferino Instituto de Economia Maria Antônia Martins Galeazzi Geraldo Di Giovanni Centro de Diagnóstico de Doenças do Aparelho Núcleo de Informática Biomédica Digestivo Instituto de Estudos da Linguagem Francesco Langone Luís Carlos da Silva Dantas José Murilo R. Zeitune Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade Centro de Hematologia e Hemoterapia Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Cesar Ciacco Paulo Celso Miceli Fernando Costa Núcleo de Estudos de Políticas Públicas Centro de Tecnologia Instituto de Física “Gleb Wataghin” Pedro Luiz Barros Silva Douglas Eduardo Zampieri Carlos Henrique de Brito Cruz Núcleo de Estudos da População Arquivo Central Instituto de Geociências Daniel Hogan Neire do Rossio Martins Newton Müller Pereira Instituto de Matemática e Estatística Núcleo de Informática Aplicada à Educação Centro de Manutenção de Equipamentos José Luiz Boldrini José Armando Valente Cesar José Bonjuani Pagan Instituto de Química Núcleo de Comunicação Sonora Centro de Ensino de Línguas Celio Pasquini Jônatas Manzolli Ana Luíza V. Degelo Faculdade de Ciências Médicas Laboratório de Movimento e Expressão Editora Mario José Abdalla Saad Ivan Santo Barbosa Luiz Fernando Milanez Faculdade de Educação Centro de Pesquisas Químicas, Escola de Extensão Águeda Bernardete Bittencourt Biológicas e Agrícolas Paulo Roberto Mei Faculdade de Educação Física João Alexandre F. Rocha Pereira Escritório Técnico de Construção Pedro José Winterstein Luiz Carlos de Almeida Centro de Documentação de Música Faculdade de Engenharia Agrícola Contemporânea Biblioteca Central José Tadeu Jorge José Augusto Mannis Maria Alice Rebello do Nascimento Faculdade de Engenharia de Alimentos Centro de Computação Centro de Estudos do Petróleo Gláucia Maria Pastore Hans Kurt E. Liesenberg Denis José Schioser Faculdade de Engenharia Civil Centro de Comunicação Roberto Feijó de Figueiredo Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética Hélio Solha Faculdade de Engenharia Elétrica e de Serviço de Apoio ao Estudante Paulo Arruda Computação João Frederico C. A. Meyer Léo Pini Magalhães Centro de Bioterismo Faculdade de Engenharia Mecânica Ana Maria Aparecida Guaraldo Unidades Administrativas de Serviços Antonio Celso F. de Arruda Centro de Componentes Semicondutores Coordenadoria da Administração Geral Faculdade de Engenharia Química Jacobus Willibrordus Swart Vera Lúcia Randi Ferraz Maria Regina Wolf Maciel Secretaria Geral Centro de Engenharia Biomédica Faculdade de Odontologia de Piracicaba José Wilson Magalhães Bassani Paulo Sotero Antonio Wilson Salum Procuradoria Geral Centro de Estudos de Opinião Pública Octacílio Machado Ribeiro Centro Superior de Educação Tecnológica Rachel Meneguello Maria A. Marinho Prefeitura do Campus Colégio Técnico de Campinas Centro de Estudos de Gênero “Pagu” Orlando F. Lima Jr. Michel Sadalla Filho Adriana Gracia Piscitelli Coordenadoria de Serviços Sociais Colégio Técnico de Limeira Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura Edison Bueno Antonio Manuel Queirós Hilton Silveira Pinto Diretoria Geral de Recursos Humanos Centros e Núcleos Interdisciplinares Centro de Lógica, Espistemologia e Luis Carlos Freitas Núcleo de Integração e Difusão Cultural História da Ciência Diretoria Acadêmica Vicente de Paulo Justi Walter Alexandre Carnielli Antonio Faggiani
  • 7.
    Uma explicação necessária Mais uma vez, apresentamos o Caderno de Questões – a Unicamp comenta suas provas, preparado pela Coordenação Acadêmica para que você possa através de sua leitura conhecer melhor o que a Unicamp pretende avaliar no candidato. Procuramos apresentar informações que sirvam como orientação para sua preparação para o exame Vestibular da Unicamp. Você encontrará neste caderno as provas de 1a e 2a fases do Vestibular 2000, além de informações sobre o desempenho dos candidatos em cada uma delas. Começando pela Redação, estão aqui reproduzidos os três temas da prova de 2000 acompanha- dos de comentários sobre a abordagem que poderia ter sido feita pelos candida- tos e de exemplos* de redações que atenderam ou não às tarefas que foram solicitadas. Além disso, são também apresentadas algumas redações anuladas, com a justificativa de sua anulação. Vale lembrar aos candidatos, mais uma vez, que uma redação é anulada quando não atende minimamente às tarefas solicita- das conforme explicitado no Manual do Candidato. A correção das redações é feita por corretores que passaram por um longo treinamento e rigorosa seleção. Cada redação é corrigida por dois avaliadores independentes e se a diferença entre as duas notas for de no máximo 20% do valor total da nota, a média entre estas notas é atribuída como nota final do candidato na redação; havendo divergência superior a este valor, a redação recebe uma terceira correção; persistindo a divergência pode-se chegar até a uma quinta correção, feita então pelo Presidente de Banca. Esta nota é a nota final do candidato. Uma redação é anulada somente com a concordância de três avaliadores independentes. Índice As questões – doze da primeira fase e as que compõem as provas da segunda fase – são apresentadas com os comentários das Bancas Elaboradoras a respeito do objetivo e da expectativa de resposta a ser dada a cada uma delas. A maioria delas contém ainda exemplos* de duas respostas cujos desempenhos foram considerados abaixo e acima da média, respectivamente. Ainda fazem 1ª Fase parte deste caderno, as provas de Aptidão aplicadas aos candidatos aos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Educação Artística e Odontologia. Redação .............................. 9 Finalmente, na última parte do Caderno de Questões, divulgamos dados Questões ........................... 29 relativos ao desempenho dos candidatos nas diferentes áreas. As tabelas 1 e 2 contêm informações sobre a Redação, a tabela 3 sobre as questões da primeira fase e a tabela 4 um resumo do desempenho na prova da primeira fase. 2ª Fase O desempenho em cada uma das questões das provas da segunda fase pode ser verificado nas tabelas de 5 a 12 e, finalmente, na tabela 13 encontram-se as Língua Portuguesa e Literaturas informações sobre o desempenho relativo a cada curso dentro dos grupos de Língua Portuguesa .......... 44 distintos. Observe que as notas de cada uma das questões estão na escala [0 – 5] e as notas da redação, bem como das provas completas, na escala [0 – 100]. Biologia ............................. 58 Química ............................. 69 Profª Dra. Eugênia Maria Reginato Charnet Coordenadora Acadêmica História ............................. 83 Comissão Permanente para os Vestibulares Física ................................ 97 e Programas Educacionais Unicamp Geografia ......................... 113 Matemática ...................... 128 Língua estrangeira ............ 139 Provas de aptidão ............. 152 Desempenho dos candidatos ....................... 156 * Todos os exemplos aqui reproduzidos constituem cópia fiel da escrita dos candidatos.
  • 8.
  • 9.
    Redação 1ª fase Conscientes do que significa para você prestar o vestibular e das dúvidas que você pode estar tendo, vamos falar um pouco sobre a prova de Redação do Vestibular Unicamp e comentar as propostas do Vestibular 2000 e algumas redações de candidatos. Antes de passarmos aos comentários, gostaríamos de fazer alguns esclarecimentos com o objetivo de eliminar algumas inquietações, comuns a muitos candidatos. Você certamente já ouviu falar na “coletâ- nea” do Vestibular Unicamp. Ela sempre está presente nas propostas de Redação da Unicamp e vamos, aqui, explicitar a razão dessa constância. Ela é elaborada basicamente com três propósitos distintos. O primeiro deles é o de fornecer ao candidato um conjunto de informações que ajudam na elaboração do texto; com base nesse propósito, você pode (e deve) inferir que a Unicamp não pretende surpreender ninguém, pedindo que escreva sobre um tema desconhecido. O segundo propósito da coletânea é o de delimitar o tema. A partir da leitura do tema de uma proposta – e esse teste pode ser feito com qualquer uma – sem a consideração da coletânea, vários desenvolvimen- tos possíveis e pertinentes podem ser imaginados. Depois da leitura da coletânea, no entanto, alguns dos desenvolvimentos imaginados são obrigatoriamente descartados e outros continuam sendo possíveis, e é um destes possíveis que você deve escolher. O terceiro e último propósito é avaliar as diferentes capacidades de leitura dos candidatos; alguns fragmentos dão margem a leituras mais superficiais, mais ingênuas, ou, ao contrário, mais profundas, mais críticas; alguns fragmentos relacionam-se de maneira a sustentar uma determinada argumentação, ou a sugerir um determinado desenvolvimento de cenário, por exemplo; outros apresentam posições contraditórias, e é a partir da seleção e uso dos fragmentos da coletânea que os candidatos se distinguem com base em diferentes níveis de leitura. As afirmações acima serão retomadas nos comentários das redações ao longo deste texto. O importan- te é que fique claro que você não precisa ficar imaginando qual seria um desenvolvimento original para o tema proposto, ou o que ainda não foi dito sobre o assunto. Deve ler criticamente os fragmentos da coletânea e demonstrar sua capacidade de analisar e relacionar esses fragmentos num texto escrito. Esperamos que você leia os comentários a seguir com a certeza de que a Unicamp não tem o objetivo de surpreender ninguém. As três propostas de cada ano são elaboradas com o máximo de “pistas” para que você se sinta confiante e à vontade para desenvolver as tarefas solicitadas. A partir desses comentários você poderá perceber como os textos são avaliados, sobretudo no que se refere aos itens Tema, Coletânea e Tipo de texto. TEMA A Ao longo da história, por muitas razões, a água – este elemento aparentemente comum – tem levado filósofos, poetas, cientistas, técnicos, políticos, etc, a reflexões que freqüentemente se cruzam. Tendo em mente este cruzamento de reflexões e considerando a coletânea abaixo, escreva uma dissertação sobre o tema Água, cultura e civilização 1. Misteriosa, santificada, purificadora, essencial. Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civili- zação moderna. Cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída, atingiu um nível perigoso para a saúde pública. Divina ou profana, ninguém nega sua importância para a sobrevivência do homem, seu maior predador. Como se ensaiasse um suicídio, a humanidade está matando e extinguindo o elemento responsável pelo fim do mundo da tradição bíblica. E não haverá arca de Noé capaz de salvar aqueles que lutam ou se omitem na defesa do meio ambiente. Escolha a catástrofe: novo dilúvio universal com o derretimento da calota polar; envenenamento da humanidade com as substâncias tóxicas nos mananciais; chuva ácida; ou simplesmente a sede internacional pelo desaparecimento de água potável. (João Marcos Rainho, “Planeta água”, in: Educação, ano 26, n. 221, setembro de 1999, p. 48) 2. A água tem sido vital para o desenvolvimento e a sobrevivência da civilização. As primeiras grandes civiliza- ções surgiram nos vales dos grandes rios – vale do Nilo no Egito, vale do Tigre-Eufrates na Mesopotâmia, vale do Indo no Paquistão, vale do rio Amarelo na China. Todas essas civilizações construíram grandes sistemas de irrigação, tornaram o solo produtivo e prosperaram. (Enciclopédia Delta Universal, vol. 1, p. 186) 3. Após 229 anos, o mesmo rio que inspirou o povoamento e deu nome à cidade torna-se o principal vetor de desenvolvimento, passando a integrar a Hidrovia Tietê-Paraná, interligando-se ao porto de Santos, por via férrea, e ao pólo Petroquímico de Paulínia. Como marco zero da hidrovia, o porto de Artemis será o portal do Mercosul. (...) Logo após a Segunda Guerra Mundial, o Estado de São Paulo iniciou a construção de 9
  • 10.
    Redação 1ª fase barragens no rio Tietê, para gerar energia elétrica, porém dotadas de eclusas, um investimento a longo prazo. (www.piracicaba.gov.br/portugues/hidrovia) 4. No que concerne à concepção mesma de salubridade, é possível notar que se, na primeira metade do século XIX, os médicos continuam a ter um papel importante no desenvolvimento de uma nova sensibili- dade em relação ao urbano e às habitações em particular, são os engenheiros, contudo, aqueles que são responsáveis por trazer uma resposta prática aos problemas desencadeados pela falta de higiene. Por isso, é do saber deles que depende essencialmente o novo modo de gestão urbana que se esboça nesta época: “As grandes medidas de prevenção – a drenagem, a viabilização das ruas e das casas graças à água e à melhoria do sistema de esgotos, a adoção de um sistema mais eficaz de coleta do lixo – são operações que recorrem à ciência do engenheiro e não do médico, que tinha cumprido sua tarefa quando assinalou quais as doenças que resultaram de carências neste domínio e quando aliviou o sofrimento das vítimas”. (Fran- çois Beguin, “As maquinarias inglesas do conforto”, in: Políticas do habitat, 1800–1850) 5. Os progressos da higiene íntima efetivamente revolucionam a vida privada. Múltiplos fatores contribuem, desde os primórdios do século [XVIII], para acentuar as antigas exigências de limpeza, que germinaram no interior do espaço dos conventos. Tanto as descobertas dos mecanismos da transpiração como o grande sucesso da teoria infeccionista levam a se acentuar os perigos da obstrução dos poros pela sujeira, porta- dora de miasmas. (...) A reconhecida influência do físico sobre o moral valoriza e recomenda o limpo. Novas exigências sensíveis rejuvenescem a civilidade; a acentuada delicadeza das elites, o desejo de manter à distância o dejeto orgânico, que lembra a animalidade, o pecado, a morte, em resumo, os cuidados de purificação aceleram o progresso. Este é estimulado igualmente pela vontade de distinguir-se do imundo zé-povinho. (...) Em contrapartida, muitas crenças incitam à prudência. A água, cujos efeitos sobre o físico e o moral são superestimados, reclama precauções. Normas extremamente estritas regulam a prática do banho conforme o sexo, a idade, o temperamento e a profissão. A preocupação de evitar a languidez, a complacência, o olhar para si (...) limita a extensão de tais práticas. A relação na época firmemente estabelecida entre água e esterilidade dificulta o avanço da higiene íntima da mulher. Entretanto, o progresso esgueira-se aos poucos, das classes superiores para a pequena burguesia. Os empregados domésticos contribuem inclusive para a iniciação de uma pequena parcela do povo; mas ainda não se trata de nada mais que uma higiene fragmentada. Lavam-se com freqüência as mãos; todos os dias o rosto e os dentes, ou pelo menos os dentes da frente; os pés, uma ou duas vezes por mês; a cabeça, jamais. O ritmo menstrual continua a regular o calendário do banho. (Alain Corbin, “O segredo do indivíduo”, in: História da vida privada (Vol. 4: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra) [1987]. São Paulo, Companhia das Letras, pp. 443-4) 6. A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. (Friedrich Nietzsche, “Os filósofos trágicos”, in: Os pré- socráticos, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, p. 16) 7. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. (...) O Tejo desce da Espanha E o Tejo entra no mar em Portugal. Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia E para onde ele vai E donde ele vem. E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. Pelo Tejo vai-se para o Mundo. Para além do Tejo há a América E a fortuna daqueles que a encontram. Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia. O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele. (Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”, in: Fernando Pessoa, Ficções de Interlúdio) 10
  • 11.
    Redação 1ª fase Comentários O Tema A-2000 exigiu dos candidatos uma dissertação em que a água deveria ser tratada como um objeto sobre o Tema A cultural ou como um fator da civilização. O enunciado orienta no sentido de comparar as maneiras como diferentes comunidades interagiram com a água, mostrando que suas diferentes experiências com este ele- mento natural estão profundamente impregnadas de cultura (representada, por exemplo, por hábitos, técnicas e valores) e também criam cultura. O candidato deveria perceber, com base na leitura do tema e da coletânea, que a relação do homem com a água sofreu mudanças ao longo do tempo, que ora significam um aprendizado (novos hábitos, novos usos que resultam em conforto e higiene, por exemplo), ora significam um retrocesso (perda de valores, degradação dos recursos hídricos), ora significaram apenas uma transformação nas relações de dominação de uma classe social por outra (por aquela que detém o acesso à água). Ele deveria, em seguida, eleger as mudanças sobre as quais pretendia dissertar e posicionar-se, critica- mente, em relação a elas. 1 Vejamos como a redação abaixo cumpre a tarefa : Exemplo de Evolução? redação Desde os primórdios da Antigüidade, as civilizações foram se formando próximo aos rios. O fator funda- mental para a escolha foi a presença da água, elemento fundamental para a sobrevivência dos seres vivos. Obras de irrigação, drenagem e distribuição de água foram efetivadas, salientando, portanto, a importância da água na sociedade. Os povos foram se expandindo e desenvolvendo meios adequados de manejo da água. Os solos foram se tornando mais férteis e produtivos, e, conseqüentemente, houve um grande aumento da população. Parale- lamente, acentuou-se o processo de urbanização, fruto da industrialização européia do século XVIII, o que demanda uma política ambiental específica, principalmente para o uso da água. Entretanto, o desenvolvimento industrial não foi acompanhado de um desenvolvimento do caráter huma- no. A industrialização não foi apenas uma revolução no modo de produção, mas foi, principalmente, uma grande e grave mudança ambiental. A partir de então, problemas como contaminação das águas, foram evidenciados e adquiriram dimensões gigantescas. A água, que outrora era vista como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. Além disso, em detrimento de uma política ambiental, o Estado incentivou o consumismo em massa. O lixo urbano aumen- tou e passou a ser despejado na água, a mãe de nossa civilização. O desmatamento em larga escala, gerou o assoreamento dos rios. O mal está feito. Ora, ou a população é muito ingênua, ou age de má fé. Aplicando-se uma política ambiental desfavorável, como a atual, a água, mola propulsora do desenvolvimento mundano, será o fator determinante para o término da humanidade. É preciso uma revolução ambiental, através da conscientiza- ção em massa, sobre a importância da água. Desde então, a água continuará sendo a mãe da civilização, e nós, seremos os seus bons frutos. Comentários O candidato que fez a redação acima optou por tratar das mudanças negativas que ocorreram na relação entre a civilização e a água no decorrer do progresso da humanidade. Para isso, selecionou da coletânea os fragmentos que contribuiriam para sua opção e cuja relação era bastante imediata: os fragmentos 1 e 2. O candidato iniciou o texto com o fragmento 2, afirmando que as civilizações foram se formando próximo aos rios, introduziu, no segundo parágrafo, seu conhecimento de mundo que promove o elo entre o momento histórico tratado no 2º fragmento e o momento histórico atual, tratado no 1º fragmento e acrescentou um elemento fundamental para o seu texto: a demanda de uma política ambiental específica, principalmente para o uso da água. No 3º parágrafo o candidato passa a usar o fragmento 1. O uso desse fragmento é em grande parte óbvio, próximo do senso comum. Observe, por exemplo, a 1ª linha do 4º parágrafo: A água, que outrora era vista como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. A única informação nova em relação ao trecho da coletânea (“Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civilização moderna.”) é a palavra mercadoria, trazida pelo candidato. Essa noção de água como mercadoria pode ser relacionada ao eixo desse texto que, como vimos, é a necessidade de uma política ambiental específica. Essa relação, no entanto, que teria sido um ganho para o texto se tivesse sido bem desenvolvida, não foi estabelecida pelo candidato. Somos nós que estamos fazendo tal relação e, portanto, ele não pode ser premiado. No último parágrafo, o candidato continua usando o 1º fragmento, inclusive seu tom “catastrófico”, e conclui o texto demonstrando a necessidade de uma “revolução ambiental”, retomando o elemento introduzi- do no 2º parágrafo. 1 A reprodução de todas as redações neste texto foi fiel à escrita dos candidatos. 11
  • 12.
    Redação 1ª fase Em alguns momentos, vemos que o candidato tentou usar o 4º fragmento da coletânea, sem, no entanto, obter êxito. Percebemos apenas algumas menções a esse fragmento, como a do final do 4º parágrafo, em que o candidato passa a falar do lixo urbano despejado na água. A própria questão da política ambiental pode ter sido motivada pelo título do texto do qual o 4º fragmento foi extraído: Políticas do habitat, 1800–1850, mas não se observa nenhuma integração relevante desse fragmento ao texto. Como você pôde observar, o candidato conseguiu tratar das mudanças negativas da relação entre água e civilização/cultura centrando-se apenas nos dois primeiros fragmentos da coletânea. Usar somente dois frag- mentos da coletânea não é, como você está vendo, nenhum problema. O que mais importa é a qualidade do uso e não a quantidade de fragmentos usados. Você não deve esquecer, no entanto, que, conforme já dissemos na introdução, há fragmentos cuja leitura é mais difícil do que a de outros e usar somente fragmentos de leitura mais fácil impede que a nota no critério Coletânea seja acima da média. No tema A 2000, todos os outros fragmentos, com exceção dos dois primeiros, exigiam uma capacidade de ler e de relacionar elementos um pouco acima da média e tiveram, portanto, o papel de diferenciar os candidatos. Além de ter desenvolvido o tema e de ter integrado a coletânea de uma maneira bastante óbvia, como vimos, o texto acima não poderia ter recebido notas além da média por outro motivo: embora articule corretamente vários elementos em seu texto, peca na articulação ou na explicitação de outros. Vejamos o 3º parágrafo: o que o candidato pretende ao afirmar que o desenvolvimento industrial não foi acompanhado de um desenvolvimento do caráter humano? Além de tal afirmação exigir uma explicação, ela não se relaciona com o que a segue. É um trecho completamente solto no texto do candidato e chega, até mesmo, a perturbar um pouco o andamento da leitura. No 4º parágrafo, há uma nova imprecisão: ...o Estado incentivou o consumismo em massa. De que estado o candidato passou a falar, sem mais nem menos? É claro que se percebe a relação que ele estabelece, em seguida, entre o consumismo em massa e o aumento do lixo urbano, mas faltou um elemento que introduzisse o Estado, que caiu de pára-quedas no texto. Se você ainda não estiver convencido de que este texto não está acima da média, mas até bastante próximo do ingênuo, veja mais uma imprecisão: na 1ª linha do último parágrafo, o candidato lança uma hipótese que não é retomada, a de que a população age de má fé. Com o final do texto nós entendemos por que a humanidade é muito ingênua, a primeira hipótese levantada pelo candidato, mas não conseguimos entender por que ela estaria agindo de má fé... Vejamos agora um texto que reflete um equívoco do candidato em relação à função da coletânea. Trata-se de um equívoco que, embora não resulte na anulação da redação, faz com que sua nota, em Coletânea, seja muito baixa. Exemplo de redação Poluição Social com nota baixa O homem ao longo dos tempos e através do seu trabalho modifica a cultura, conforme os sabores de cada civilização e época. Desde os tempos mais remotos, o homem necessitava de um local para se estabelecer, onde pudesse encontrar suprimentos e abrigo, principalmente de água. Com o tempo foi-se evoluindo e passando de nômade para sedentário. Através das fontes de água: “As primeiras grandes civilizações surgiram no vale dos grandes rios...”, conforme o fragmento número dois. E a água: “... é a origem e a matriz de todas as coisas”, segundo o fragmento número seis. O homem foi evoluindo, passando de um sistema feudal para um capitalista, bem explicado por Marx, fundamentado em classes sociais. A classe dominante com: “... vontade de distinguir-se do zé-povinho”, em conformidade ao fragmento 5, tornou a água: “cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída...”, de acordo com o fragmento número um. Assim, fica claro que o homem como um ser social, toma atitudes e exerce atos com um caráter de dominação, objetivando a manutenção do status-quo, conforme a sua época e seus interesses. Comentários Esta redação está equivocada no “uso” que faz da coletânea porque pressupõe que ela seja conhecida pelos seus avaliadores. É bem verdade que os corretores conhecem a coletânea – afinal são eles que avaliam a utilização que os candidatos fazem dos fragmentos – mas isso não significa que os candidatos podem contar com tal colaboração dos leitores. Pelo contrário, eles devem produzir um redação “autônoma”, isto é, um texto que, sozinho, faça sentido. Veja que o autor da redação acima não extrai as informações dos fragmentos, integrando-as em seu texto, mas copia alguns pequenos trechos referindo-se aos números dos fragmentos correspondentes, como se estivesse indicando ao leitor que o restante do que ele queria dizer está escrito nos fragmentos. As expressões que ele utiliza – conforme o fragmento número dois; segundo o fragmento número seis; em conformidade ao fragmento 5; de acordo com o fragmento número um – revelam que ele não entendeu a finalidade da coletâ- 12
  • 13.
    Redação 1ª fase nea. Ora, a coletânea deve servir como ponto de partida, na medida em que fornece informações para o desenvolvimento da redação que, por sua vez, precisa ser compreendida por qualquer leitor, mesmo por aquele que não tenha tido acesso à coletânea. Ou seja, você deve escrever como se o seu leitor não conheces- se a coletânea; as informações dela extraídas devem ficar bem integradas e devidamente explicadas em sua redação. A seguir, há um exemplo de redação em que a integração das informações da coletânea está acima da média: Exemplo de O Espelho d´água redação Ao tentar apreender a origem do mundo e dos homens, filósofos gregos propuseram um enunciado simples: a água seria o cerne, literalmente a fonte de todas as coisas. Longe de ser absurdo e tomadas as devidas referências históricas, tal idéia pode metaforizar o papel simples, vital e cultural do elemento quími- co capaz de fazer florescer civilizações, ditar limites geográficos e protagonizar conflitos. Se mitologicamente, a associação da vida e da sobrevivência se fez de forma divina e fantasiosa, hoje é possível analisar essa que pode ser tida como “vulgar premonição” como premissa das mais sábias tida pelos primeiros humanos e de fundamental importância para o mundo moderno. O planeta ironicamente chamado Terra tem a maior parte de sua superfície tomada pelas águas, as quais fluíram no decorrer dos tempos estreitando os laços biológicos cotidiana e ininterruptamente, assinalando mais que divindades, problemas sociais e políticos bem pouco poéticos. A irrigação, a importância dos recursos hídricos para a economia humana foi se reforçando com o advento da tecnologia e mais que metáfora, a composição da vida (e dos meios para esta) confirmou a compleição e a complexidade da ligação homem-água. Ao galgar gradativo do aprimoramento técnico que trouxe indústrias, não só a religião de outrora remetera ao elemento cristalino a manutenção da vida. Junto ao desenvolvimento urbano (ainda sem tocar no processo de desequilíbrio e poluição do meio ambiente), à instalação de indústrias e estabelecimen- to do homem em aglomerados primordiais, virão os médicos a desconfiar do papel importante da água limpa. A estes, seguir-se-ão engenheiros e arquitetos, responsáveis pela elaboração de mecanismos facilita- dores da manutenção da limpeza e do escoamento de impurezas e dejetos. Mesmo antes destes, no século XVIII, a preocupação com a purificação, com a higiene corporal marcará a vida privada de sociedades pouco habituadas a exigências de limpeza, de cuidados pessoais, atuando como precursora dos modernos métodos preventivos e profiláxicos. Será nesse tempo que se iniciará o conhecimento mais apurado e científico em relação à umidade e sua nem tão misteriosa influência na salubridade dos meios de vida. Ora, a higiene é, pois, um pequeno, mas fundamental ponto nessa saga. Simultâneo, talvez, a isso, seja o processo que acelera o desenvolvimento econômico e faz marcar o utilitarismo. Se antes, para o Egito e a Mesopotâmia, a água já era componente cultural e econômico primor- dial, agora, as modernas vias dos meios de produção vão transmutá-la em pomo de discórdia. A poluição vem margear o alarde da tecnologia e da economia lastreada na produção industrial. O desequilíbrio natural vai crescendo paulatino, constante. E as chuvas ácidas, os rios poluídos ameaçam as sociedades higiênicas, estabelecidas nas margens de seus ternos ribeirões. O que remetia à recordação suave da queda cristalina d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe. O mesmo ser que se constitui da água, que navega descobrindo mundos, escoando ou explorando rique- zas, começa a buscar sedento uma tábua de salvação. Seu mundo e sua sobrevivência estão sobre colunas vitais que podem soçobrar a qualquer momento. Mais que uma problemática geográfica, instaura-se um conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria água, que, dada a destruição, torna-se rara, preciosa. É o homem semelhante ao místico que agradecia as cheias do Nilo que se conscientiza aos poucos de que, talvez, mais do que sangue, lhe seja vital o elemento primordial, a água que encantou gregos, que fez Heráclito pensar que tudo fluía, mas que também arrasou a terra e fez Noé construir a arca. Bem como benção, ela é castigo se o “predador” assim pedir, mesmo quando gentil lhe faz poemas ou odes. Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja abarcável por uma arca, tampouco plausível de filosofia. O projeto de texto deste candidato é o de analisar a existência do homem através do espelho da água. Comentários Baseando-se nos fragmentos 6, 1 e 2, o candidato inicia sua redação introduzindo os papéis da água com que vai trabalhar no decorrer do texto: a água não será avaliada somente como origem, tendo em vista sua importância para o desenvolvimento das civilizações, mas também como portadora de uma possível destrui- ção, se o predador assim pedir. É interessante destacar o trabalho de leitura e articulação dos fragmentos (6 e 2) efetuado pelo candidato: ele trata da questão da água como origem de todas as coisas afirmando que ela fez florescer civilizações e acrescenta, tendo em vista o desenvolvimento que quer dar ao tema, que a água também é capaz de ditar 13
  • 14.
    Redação 1ª fase limites geográficos e protagonizar conflitos, apontando a análise que fará da relação entre Água, Cultura e Civilização. o Ainda no 1 parágrafo, além de negar o caráter divino do surgimento da vida e da sobrevivência, o candi- dato destaca a importância da água para a vida – deixando claro que a afirmação dos gregos não deve ser o considerada um absurdo – e, no 2 parágrafo, esclarece: os recursos hídricos e a irrigação são fundamentais na evolução da vida. Perceba que, à medida que o texto progride, ele retoma e desenvolve conceitos já mencio- o nados na introdução: a idéia de que a água poderá protagonizar conflitos – ainda genérica no 1 parágrafo – é o retomada e especificada quando ele aponta, no 2 parágrafo, que a água assinala problemas sociais e políti- cos. Ainda não podemos dizer claramente qual a avaliação do candidato, mas perceba que ele está nos preparando para expor seu ponto de vista. Vejamos como, nesse momento, o conteúdo do fragmento 4 é integrado ao texto. Ao descrever o progresso da humanidade e o desenvolvimento urbano, o candidato destaca o papel do médico e dos engenheiros e arquitetos na construção do que, em seguida, será retomado como sociedades higiênicas, dadas as preocupa- ções com a limpeza e o escoamento dos dejetos. Ainda na perspectiva de progresso, ele apresenta o conteúdo do fragmento 5 – a vida privada da sociedade começa a ser alterada por hábitos de higiene – ressaltando ainda mais a importância da água. E é justamente pensando na importância da água para a sociedade que o candidato esclarece os motivos que poderão fazer dela pomo de discórdia. É importante destacar o uso que ele faz do fragmento 1, nesse momento do texto. O utilitarismo mencionado nesse fragmento aparece avaliado pelo candidato na mesma perspectiva de progresso e desenvolvimento econômico que vinha descrevendo: o homem, preocupado com a tecnologia e a economia lastreada na produção industrial, assume uma postura utilitarista diante da água, já que não tem se preocupado com o desequilíbrio que vem crescendo paulatino, constante. Veja que a avaliação do candidato de que a água poderá protagonizar conflitos fica clara agora: os rios poluídos ameaçam as sociedades higiênicas e talvez o dilúvio não seja a última catástrofe. Mais que uma problemática geográfica, instaura-se um conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria água, que, dada a destruição, torna-se rara, preciosa. A avaliação que o candidato faz revela o quanto soube articular as idéias apresentadas na coletânea de forma a desenvolver o tema proposto. A conclusão de seu texto – Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja abarcável por uma arca, tampouco plausível de filosofia – mostra a maturidade com que articulou tais idéias, além de explicitar, com a palavra reflete, a razão do título atribuído à redação. Ainda quanto à qualidade das relações estabelecidas pelo candidato, veja como é interessante a menção que faz à chuva ácida – elemento que, na coletânea, aparece como um simples dado e, no texto, aparece como um significativo exemplo da mudança sofrida pela água: O que remetia à recordação suave da queda cristalina d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe. Cabe frisar que este texto está bastante acima da média no desenvolvimento do tema e da coletânea, dadas a leitura e articulação tão boas dos fragmentos da coletânea. Isso não significa, no entanto, que este seja um texto exemplar como um todo, na medida em que, em alguns momentos, não se sabe exatamente o que o autor pretendia dizer. Vejamos dois momentos significativos: o primeiro está na 6ª linha do 1º parágrafo. O que significa dizer que os “primeiros humanos” tiveram uma “vulgar premonição” ao dar tanto valor à água? Não é certo que, 2 pelo fato de valorizar a água, eles estavam tendo uma premonição de que hoje estaríamos sofrendo por não a valorizarmos. Por sinal, essa relação com os efeitos negativos que estamos vivenciando hoje não foi feita pelo candidato; nós estamos fazendo isso por ele. Ou será que não era premonição que ele pretendia dizer, mas algo como “uma atitude sábia”? O segundo momento em que não fica claro o que o candidato pretendia está na 2ª linha do 2º parágrafo. O que significaria, no texto, estreitando os laços biológicos? Se você, ao ler o texto, tiver sentido dificuldade de interpretar este trecho, saiba que o problema não é seu! O que queremos dizer aqui é que, apesar de, na maioria das vezes, o candidato demonstrar ter domínio da escrita suficiente para dizer exatamente o que quer, em alguns outros, deu umas “deslizadas”, provavelmente por tentar sofisticar demais sua escrita, desnecessariamente. A seguir, há dois exemplos de redações que foram anuladas no tema A. Antes de comentá-las, gostaríamos de esclarecer o que significa anular uma redação no Vestibular Unicamp. Em primeiro lugar, a prova de redação propõe uma tarefa específica para o desenvolvimento do tema que, não sendo cumprida, acarreta a anulação da redação. Portanto, se o candidato fugir ao tema proposto, ainda que escreva muito bem sobre outro tema qualquer, terá sua redação anulada. Em segundo lugar, há uma coletânea de textos que devem ser utilizados. Caso o candidato desconsidere todos os textos, sua redação será anulada, mesmo que ele escreva sobre o tema proposto. 2 Premonição: sensação ou advertência antecipada do que vai acontecer; pressentimento. cf. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa, 1999. 14
  • 15.
    Redação 1ª fase Há ainda um último critério para anulação: o Tipo de Texto. Se o candidato optar pelo tema A, deve escrever uma dissertação; se optar pelo B, uma narrativa usando o foco narrativo exigido na proposta e, se optar pelo C, uma carta argumentativa dirigida a um interlocutor específico. Como se vê, é fundamental que o candidato use os elementos característicos do tipo de texto pelo qual optou. Perceba que, em nenhum momento, dissemos que anular uma redação significa afirmar que o seu autor não sabe escrever! A redação pode até estar bem escrita, mas indica que o candidato deixou de cumprir uma das exigências essenciais da proposta escolhida. Quando isso ocorre, a redação sequer recebe pontos nos demais critérios, ou seja, se ela for anulada em pelo menos um dos três critérios (Tema, Coletânea e Tipo de Texto), sua nota final será zero. Exemplo de Transformações redação anulada Lamenta-se profundamente o estado crítico que se encontra o rio Tietê ao atravessar a cidade de São Paulo. O desenvolvimento e a industrialização usaram-no, jogando detritos, esgotos, substâncias tóxicas, matando-o aos poucos. Infelizmente, esse é o efeito das grandes cidades. Após 229 anos da fundação da capital se percorrermos suas marjens desde o nascimento, ao passar pela serra da Cantareira, com suas águas frescas, transparentes, nota-se com certo pesar, que já não são mais puras, estão paradas; mau cheirosas; poluentes; infectando o ar causando danos, tristeza e uma certa nostalgia. Ao sair de São Paulo, suas águas mortas passam por Santana de Paraíba, região dos bandeirantes, indo a Pirapora do Bom Jesus onde escondido sob efeito de espumas ocasionadas por detergentes dão impressão de flocos de neve. Principalmente em Cabreúva. Ao chegar em Itu transforma-se em Usina hidrelétrica parecendo um lixão, pois, nada é reciclável. De latas de refrigerantes a restos putrificados de animais mortos, absorventes, chora-se baixinho. Torna-se navegável em Piracicaba quando com hidrovia através das eclusas principalmente em Barra Bonita. Aí renasce e suas águas voltam a ter transparências premiando aos pescadores que se deliciam, em um dia de domingo. Parabenizar os responsáveis pela realização de obras visando salvar o rio Tietê é o primeiro passo. Mérito maior será reservado para os que trarão águas limpas ao palistano ressuscitando-o, dando esperan- ças a essa sofrida população de poder respirar oxigênio, perceber através dos raios solares o saltitar dos lambaris, dourados. Enfim, milagres ainda existem. Comentários A redação acima é um exemplo de equívoco total com relação ao tema. Ao escrever uma breve história do Rio Tietê, o candidato demonstra não ter entendido a tarefa pedida. O que se esperava era uma reflexão a respeito da relação Água, Cultura e Civilização e não uma história, mesmo que seja um exemplo visível de como tal relação não está bem estabelecida. O que esse candidato fez foi basear-se, de maneira enviesada, no fragmento 3 da coletânea, para escrever sobre o Rio Tietê. Tendo feito isso, fugiu ao tema proposto. Exemplo de O apocalipse final redação anulada A espécie humana está seriamente ameaçada de extinção. Em trêz anos, as calotas polares estarão completamente derretidas, isso ocorrerá graças a uma série de motivos. Um deles é o efeito estufa, provocado principalmente pela emissão de gases tóxicos, a cada dia que passa ele está piorando, as áreas mais críticas são as metrópoles como: São Paulo, Cidade do México, Nova Iorque e Cairo. Ele causa um super-aquecimento da Terra e inúmeros problemas respiratórios, como: bronquite, asma, etc, sem falar no desconforto das pessoas em morar num lugar quente, abafado e poluído. Mas o principal motivo está mesmo no buraco da camada de ozônio, que tem um tamanho equivalen- te ao do Brasil e a cada semana aumenta 1 kilômetro. Ele está situada em cima da Antartida e com ele não ocorre a devida filtragem dos raios solares que passam quase que levemente pela atmosféra. Esse raios provocam o derretimento da calota polar que a cada quatro horas, a água derretida daria para encher a Lagoa Rodrigo de Freitas do Rio de Janeiro (RJ) Uma das maiores causas desse buraco é a liberação do gás CFC, presentes nos sprais aerozois. O que tem dificultado também, foram os problemas de saúde, que esses raios têm causado, o mais grave é o câncer de pele, onde sessenta por cento das pessoas que veviam lá adiquiriram a doença, o local está completamente inadequado à sobrevivência humana. Se toda a calota derreter, o nível do mar subirá cerca de 100 metro e todo o litoral será coberto por água, mas água poluída, imprópria para o consumo. Não haverá espaço suficiente para todos na Terra, países como Japão, Nova Zelândia, Inglaterra, países escandinavos e América Central desaparecerão do mapa. Seremos obrigados a desmatar todas as florestas, o que contribuirá ainda mais para o efeito estufa, não haverá nem água, nem comida para todos. v 15
  • 16.
    Redação 1ª fase v A Terra se tornará um verdadeiro caos, onde todos brigarão por comida e um lugar para morar, a vida perderá o valor. Não tem solução, todos nós morreremos na miséria e sem dignidade. A redação acima é outro caso de anulação por Tema. O candidato redefiniu o tema ao tratar do apocalipse Comentários que seria gerado pelo derretimento das calotas polares que fariam com que as cidades litorâneas e até mesmo países inteiros fossem inundados. Tal derretimento deverá acontecer, segundo o candidato, por causa do efeito estufa e do “buraco” na camada de ozônio. Mesmo que se reconheça que as conseqüências do efeito estufa e do buraco na camada de ozônio para o homem passem pela água (através do derretimento das calotas polares), o texto do candidato não estabelece a relação exigida entre a água e homem, mas apenas entre o meio ambiente e o homem. O tema desenvolvido pelo candidato é, portanto, outro. TEMA B No dia 5 de outubro de 1999, terça-feira, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP publicou a seguinte , manchete de primeira página, acompanhada de breve texto: 100 mil ficam sem água em Sumaré Um crime ambiental provocou a suspensão do abastecimento de água de cerca de 100 mil moradores de Sumaré. A medida foi tomada na sexta-feira, quando uma mancha de óleo de aproximadamente 3 quilômetros de extensão surgiu nas águas do rio Atibaia. Anteontem, uma nova mancha apareceu nas proximidades da Estação de Tratamento de Água I, na divisa entre o bairro Nova Veneza e o município de Paulínia. A situação somente será normalizada na quinta-feira. A Cetesb investiga o caso e os técnicos acreditam que o produto (óleo diesel ou gasolina) foi despejado em esgoto doméstico em Paulínia. Leve em conta esta notícia e privilegie a hipótese dos técnicos, apresentada no final do texto. A partir desses elementos, escreva uma narração em terceira pessoa, caracterizando adequadamente persona- gens e ambiente. Crie um detetive ou um repórter investigativo que, quando tenta resolver o “crime ambiental”, descobre que o ocorrido é parte de uma conspiração maior. Comentários Neste tema, esperava-se que, a partir de uma breve notícia de jornal, o candidato produzisse uma narra- sobre o Tema B tiva, em terceira pessoa, construindo necessariamente uma personagem – o detetive ou um repórter investiga- tivo – que, ao tentar resolver um crime ambiental, descobre uma conspiração maior. O candidato poderia introduzir outras personagens, a depender das ações que fariam parte de sua narrativa. Pedia-se ainda que o candidato caracterizasse adequadamente tais personagens e o ambiente em que a história se desenrola. O final do texto do jornal (ao qual se pedia particular atenção) induzia o candidato a encaminhar-se para uma narrativa cujo eixo fosse um crime ambiental/ecológico. Esperava-se, então, que o candidato desenvol- vesse uma narrativa que privilegiasse alguns aspectos: quem é o criminoso (ou quem são os criminosos), por que comete(m) esse crime e qual é o plano maior/ a conspiração de que esse crime é parte. As possibilidades para a construção de personagem(ns) eram muitas. O(s) criminoso(s) poderia(m) ser, por exemplo, desafeto(s) político(s), alguém ou algum grupo ligado a uma organização terrorista ou criminosa, gente interessada em desvalorizar as terras banhadas pelo rio Atibaia etc. Obviamente, trata-se apenas de alguns exemplos entre outros possíveis. Também podiam ser vários os motivos do crime. Podem servir como exemplos: interesses financeiros, políticos, vingança, disputa de poder ou de terras. Na verdade, a motivação poderia ser qualquer uma, desde que coerente com a história contada. Você deve ter observado que todas as expectativas acima envolvem o trabalho com algum dos elementos constitutivos do tipo de texto narrativo. Não basta, portanto, relatar algum acontecimento, alguma “histori- nha”, é necessário construir uma narrativa a partir das instruções presentes na proposta. Vejamos como alguns candidatos realizaram a tarefa. Exemplo de O mistério da mancha de óleo. redação Trim... — Delegacia de Polícia de Sumaré, cabo Jonas falando. Sim. Claro. Infelizmente não podemos fazer nada. Não é nosso departamento. Sinto muito. Até logo! Cabo Jonas, irritado, se dirige à sala do detetive Hércules Leão. Entra sem bater e já despeja sua ira: — Assim não dá, Leão! Já é a vigésima pessoa que liga reclamando da falta d’água desde a suspensão do abastecimento por causa daquela mancha de óleo no rio Atibaia. E nós não temos nada com isso. v 16
  • 17.
    Redação 1ª fase v Leão alisando seu bigode responde calmamente: — Aí é que você se engana. Eu estou indo agora mesmo em Paulínia colher informações. Parece que o departamento de lá recebeu um telefonema da Ceteb insinuando que essa mancha de óleo não é oriunda de vazamento de petróleo e sim da rede de esgoto. Eles agora suspeitam que tenha sido proposital. Ligue para o chefe e o ponha a par de tudo. Jonas sai mais irritado do que entrou, afinal, falar com o chefe não é fácil. Com a mesma calma que lhe é característica, Leão parte para Paulínia. A idéia de que o derramamento de óleo não foi um acidente o intriga. Afinal, não é algo comum. À medida que se aproxima de Paulínia, ele vê uma multidão na beira do rio. Parando o carro, ele abre espaço até conseguir enxergar o motivo da aglomeração: outra mancha de óleo. E esta se encontra nas proximidades da Estação de tratamento de Água I. Mais do que depressa, ele se dirige à delegacia de Paulínia para saber como anda o inquérito. Quem o recebe é seu grande amigo, delegado Gerson Maia, que vai logo dizendo: — Oh, você está aqui! Eu tenho uma reunião importante, mas se você quiser dar uma olhadinha no caso... Até mais! Leão fica paralisado. Nunca havia visto seu amigo tão displicente assim. Largar um caso de crime ambiental deste jeito! “O que será que está havendo com Maia. Parece que me evitou, que está com medo.” – pensou consigo mesmo. Entrou em uma viatura e rumou para a Estação de Tratamento, munido de todas as informações sobre o caso. Nada lhe tirava da cabeça que Maia estava escondendo algo. Mas o quê? Ordenou que o cabo que o acompanhava fosse investigar e sentou-se na recepção. Agora seria a hora do trabalho mental, que tanto o fascina. Pegou o inquérito e começou a lê-lo. Examinou o nome do fundador da Estação de Tratamento e lembrou que se tratava do prefeito. Lembrou também que estavam em época de eleição devido aos cartazes que tinha visto do lado de fora.... Levantou-se aturdido e gritando para o cabo: — Leve-me à casa do Maia agora! Chegando à casa de Maia foi direto à garagem e confirmou suas suspeitas: barris e mais barris de óleo, vazios. Nesse instante Maia chega em casa. Ao ver Leão perto da garagem fica pálido. Tenta fugir, mas já é tarde. Leão já o tinha alcançado. Algemando-o, diz: — Delegado Gerson Maia, você está preso acusado de poluir o rio Atibaia para denegrir o nome do atual prefeito de Paulínia, candidato à reeleição. Maia, vendo-se sem saída, interroga-o com o olhar. Leão sorri e diz: — Vi os cartazes de sua campanha eleitoral. Você com medo de perder, apelou para a sabotagem. No outro dia, os principais jornais da região estampavam na primeira página a cara apalermada de Maia no camburão. E na delegacia de Sumaré o detetive Hércules Leão lendo o jornal, sente mais uma vez a sensação do dever cumprido. O candidato cumpre o que foi pedido. Podemos observar, em primeiro lugar, que lança mão de alguns Comentários recursos característicos da narrativa (faz alguma caracterização dos personagens, usa o discurso indireto livre); em segundo lugar, que seleciona os elementos da coletânea necessários para desenvolver o tema, contemplando todas as informações contidas na proposta (considera o crime ambiental, a hipótese dos técni- cos, o personagem do detetive e a existência de algo por trás do crime ambiental). Vejamos como o candidato usou a coletânea. Na segunda linha, situa os fatos ocorridos na cidade de Sumaré, um uso bastante óbvio da coletânea (outros dados da coletânea serão usados com a mesma função em vários momentos do texto: rio Atibaia, na 6ª linha, Estou indo... em Paulínia, na 8ª linha etc.). No 4º parágrafo, é de uma maneira interessante que outro dado da coletânea é introduzido: uma grande quantidade de pessoas atingidas pela falta d’água aparece através da freqüência dos telefonemas; essa grande quantidade de pessoas é retomada como multidão no 9º parágrafo, em que o detetive abre espaço até conseguir enxergar o motivo da aglomeração. No 6º parágrafo, o candidato faz uso do elemento da coletânea cujo uso é exigência da proposta: a hipótese dos técnicos, que aparece como uma denúncia feita à delegacia de Paulínia. É no 9º parágrafo que um elemento da coletânea central para o texto do candidato é introduzido – a Estação de Tratamento de Água I – perto da qual está uma das manchas de óleo. Esse elemento será retomado no 13º parágrafo, em que ficamos sabendo que foi o atual prefeito de Paulínia, candidato à reeleição, que fundou essa estação. No 12º parágrafo, o candidato usa a gravidade de um crime ambiental como um elemento para justificar o estranhamento de Leão frente ao comportamento de Maia. No 15º parágrafo, o óleo, também mencionado 17
  • 18.
    Redação 1ª fase na coletânea, aparece como vestígios dentro de barris, que constituem a prova do crime. Finalmente, um outro elemento da coletânea é acionado: as manchetes de jornal que, na proposta, divul- gavam o crime ambiental, agora divulgam, também em primeira página, o desfecho daquele crime. Vendo um texto tão certinho e que traz tantos dados da coletânea como este, você pode estar se pergun- tando por que não afirmamos que se trata de um texto que cumpre bem a tarefa pedida. A resposta é a seguinte: o texto é, realmente, um pouco acima da média nos quesitos técnicos, como modalidade e coesão (que vêm descritos no Manual do Candidato), mas apresenta uma articulação de conteúdos apenas razoável, com momentos de certa ingenuidade, inclusive. Atente para o fato de Maia ser um grande amigo do detetive Leão. Esse dado, embora tenha uma função, na medida em que justifica o estranhamento de Leão durante o encontro dos dois na delegacia, é totalmente desconsiderado no momento em que Leão algema o Maia. Não houve uma caracterização suficiente do personagem Leão para justificar essa atitude. Ao invés de o candidato descrevê-lo usando bigode, deveria tê-lo descrito como alguém obcecado por justiça, por exemplo, e, no desfecho, mostrar que houve um questionamento, por mínimo que fosse, por parte de Leão antes de prender seu grande amigo. O fato de os dois serem grandes amigos também causa estranhamento em nós, leitores, quando tomamos conhecimento da candidatura de Maia. Leão só fica sabendo que seu grande amigo é candidato a prefeito porque vê cartazes na rua?! Por que será que ficaram tanto tempo sem se falar? Não tiveram tempo pra nenhum café, nenhuma cervejinha, nenhum telefonema...?! Outro dado que não combina com a “grande amizade” dos dois é a tentativa de fuga do Maia no momento em que é flagrado por Leão. Lembre-se de que um dos aspectos considerados na avaliação das redações é a relação entre os elementos presentes no texto. Ora, a articulação dos elementos desse texto é apenas razoável. Veja, também, como é um tanto facilitado o próprio desfecho desta narrativa: quanta ingenuidade a do criminoso em deixar a prova do crime – os barris sujos de óleo – na garagem de sua própria casa, garagem à qual, por sinal, se tem livre acesso. Estranho, não é? Vejamos outra redação: Exemplo de Sexta-feita, 1º de outubro de 1999 redação A mancha tomava conta do rio pouco-a-pouco. O rapaz, observando tudo, afrouxava a gravata, deu um último trago no cigarro e, embora nesse momento já estivesse sozinho, falou alto – talvez para ver se assim se convenceria – que estava apenas cumprindo ordens. Fora dura a sua jornada até ali. Pessoas como ele não têm opção; se lutam contra o sistema se marginalizam. Ele não seria mais um. O avô havia sido um idealista, o pai, um conformista, e o que conseguiram? Respaldado pela imponência de sua imagem: terno e gravata impecáveis e um quê de altivez no olhar, procurava se convencer de que a Moral existe para subjugar os fracos: a pobreza é nobre; a humildade, dignificante; sofre-se na Terra para ganhar-se o reino dos céus; vive- se em condições sub-humanas para se chegar até Deus. Fracos. Após gerações, ele era o primeiro a ter coragem de dizer não e enxergar a própria realidade, sem pseudo-moralismos. Ele não seria um fraco. Procurava não dar muita vazão ao sentimento que teimava em invadir-lhe a mente quando pensava no pai. “Fraco!”, dessa vez quase gritou. Agora cumpria ordens; amanhã mandaria, era só uma questão de tempo. Sábado, 02 de outubro de 1999 Na redação, o calor era tórrido. O “foca”, ainda desacostumado à rotina acelerada de uma redação de jornal, já pensava no próximo feriado. Os colegas achavam graça, “será que você escolheu a profissão certa?”, perguntavam. Um jornalista não tem fim de semana, nem feriado, mas não era isso o que mais incomodava o foca. A essa altura, tinha realmente dúvidas se havia escolhido a profissão certa, mas menos devido à suposta superatividade que por ver frustrada a imagem que, em seus sonhos juvenis, fazia da profissão; cobriria uma guerra no Golfo pérsico ou nas balcãs; anunciaria, em primeira-mão, notícia envol- vendo um ministro ou chefe-de-Estado; vaticinaria, com autoridade, sobre um possível naufrágio econômico no país. Sua mente trabalhava em um ritmo mais acelerado que sua rotina suportava. Talvez se desse bem como ficcionista. Enquanto isso, ia alimentando uma ou duas histórias na cabeça. Quando o editor pediu que ele fosse conferir a “tal da mancha” no rio, ele foi, com a mesma solicitude indiferente de sempre... Domingo, 03 de outubro de 1999 No dia anterior havia feito inúmeras entrevistas: engenheiros, técnicos, autoridades... Havia a possibilidade de a poluição ter sido intencional, mas tal hipótese, geralmente sussurrada ou dita de modo sorrateiro, parecia causar incômodo. Apenas o “foca” se interessou pela teoria. “Intencional? Mais de cem mil pessoas estão sem água, que, misturada a óleo, compõe um conjunto extremamente tóxico. Mas que espécie de intenção é essa?” O BIP chamava: deveria ir a Paulínia, pois havia uma nova mancha por lá. Segunda-feira, 04 de outubro. Mal o editor deixara a sala, vieram os colegas felicitá-lo pela reportagem: a matéria seria manchete de primeira página. Indiferente à repercussão, o “foca” sentia uma sensação ruim, uma espécie de um mau v 18
  • 19.
    Redação 1ª fase v presságio. Lembrara da conversa com os técnicos da Cetesb, da dúvida em colocar ou não a hipótese criminosa na reportagem. Os técnicos falavam com certa reserva, mas bastante convicção. Temiam represá- lias, mas sabiam o que estavam dizendo. Ao perceberem o interesse do jornalista, todos emudeceram unâ- nimes. Ao sair, recebeu sinal para subir. Falando com o engenheiro-chefe, entendeu que nunca se deve dizer tudo o que se sabe. É sensato saber calar. O jornal sairia na manhã seguinte e ele, arrasado, sentia-se vencido. O telefone tocou. Terça-feira, 05 de outubro. O “foca” chegava ao lugar marcado com quinze minutos de antecedência. Pelo telefone, a pessoa apenas informou a hora e o local em que deveriam se encontrar. Não se identificou e não disse como estaria. Aparentemente um boteco, como qualquer outro; adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela. Sabia que ter insinuado a hipótese criminosa em sua matéria havia irritado imensamente as autoridades locais, que temiam que a população imaginasse que pudesse estar havendo perda de controle. Quem mais ele teria irritado? Ao sentar-se à mesa recebeu um bilhete que o mandava subir. Obedeceu cauteloso. No andar superior, conversou com uma pessoa que, por sua vez, conduziu-o a outra sala. Estava começando a assustar-se. A sala estava escura, e ele não podia ver quem lá estava. Apenas ouvia uma voz que o advertia a não fazer perguntas. A voz o informou de que um grupo, politicamente oposto ao governo vigente, tentava sabotá-lo poluindo criminosamente o rio, o que, além de indispor a simpatia da população contra as autori- dades, traria um grande prejuízo econômico à cidade. Falou mais, e o jornalista ouvia eufórico, entendendo a dimensão do que ouvia. Ao sair do prédio, uma bala atingiu-o pelas costas. Seu corpo, por ali mesmo, desapareceu. Quarta-feira, 06 de outubro. O rapaz afrouxava a gravata. Apenas cumpria ordens. O “tal do jornalista” bem que havia provocado. É assim. Hoje se obedece; amanhã se manda. Cada um no seu lugar. Comentários Provavelmente, lendo esta redação, você tenha percebido como são acima da média as relações estabele- cidas entre os elementos trazidos pelo seu autor. Observe que não há diferenças substantivas de enredo entre as duas redações acima: nas duas, além de haver alguém interessado em desvendar o crime ambiental – tarefa exigida pela proposta – há um interessado em denegrir a imagem de um político. O que diferencia as duas redações são o trabalho com os elementos da narrativa e a relação estabelecida entre os elementos do texto; observe, no segundo texto, a profundidade com que os dois personagens principais – o executor dos dois crimes, que cumpre ordens de derramar óleo no rio e de matar o jornalista e o foca – foram construídos, o trabalho com o cenário e como todos elementos estão relacionados entre si. Atente para a preparação que o candidato faz para cada ato dos personagens criados: as coisas não acontecem por acontecer neste texto; o criminoso não comete os crimes como quem vai ao bar da esquina, ele se questiona e tem a necessidade de se justificar. O foca não vai até aquele beco ao encontro do seu assassinato por mera coincidência, ele foi construído pelo candidato como um jovem ingênuo e ambicioso cujo sonho era fazer um furo de reportagem. A chance era aquela. Mesmo tendo suspeitado de que poderia estar caindo numa cilada – adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela,... Quem mais teria irritado? ... Obedeceu cauteloso... Estava começando a assustar-se – prosseguiu; a curiosidade – caracterís- tica de um grande repórter – foi maior! Veja como o dado de coletânea exigido pela proposta – a hipótese dos técnicos, como você já sabe – é totalmente integrado à trama: é essa hipótese geralmente sussurrada e dita de modo sorrateiro que faz com que o foca deixe de olhar para a matéria com a mesma solicitude de sempre e passe a se envolver com o caso. Releia o texto pensando em cada elemento utilizado pelo candidato. Você verá que tudo tem uma função no texto. Procure observar como os elementos se relacionam. Veja, por exemplo, o paralelismo na constituição dos dois personagens – o foca e o criminoso: embora ninguém ouse ver no foca um criminoso, é bastante importante vê-lo como alguém cujo caráter é bastante semelhante ao do vilão da história. O que move o foca também é a ambição: atente para a euforia com que ele ouvia a explicação para o crime. Alguém preocupado com a saúde pública, com a preservação da natureza, ou com alguma outra questão “nobre” se indignaria com aquelas declarações, mas o foca, não. A sua reação foi de euforia pois entendia a dimensão do que ouvia, sabia que alcançaria a tão almejada fama ao publicar tudo o que lhe fora desvendado sobre o crime ambiental. Exemplo de Crime no Bairro Sumaré redação anulada Todo dia acordo, pontualmente, às sete horas da manhã. Trabalho, como detetive, em um escritório lá na rua dos Bandeirantes. Entretanto um telefonema me acordou às seis e quinze. Era meu chefe. Ele perguntara se havia lido o jornal desta manhã. Respondi, obviamente, que não e disse que iria ler e ligaria para ele depois. Com muito esforço, levantei e caminhei em direção à porta da frente para pegar o jornal. Não me pareceu nada demais, os mesmos assuntos de sempre, mortes, roubos; entretanto, uma reportagem sobre a falta de água em Sumaré me chamou atenção. Não pelo fato de faltar água, mas sim pelo motivo da falta. v 19
  • 20.
    Redação 1ª fase v Liguei para o meu chefe e recebi ordens para ir ao local checar uma possível contaminação planejada. Chegando ao local, o belo bairro Sumaré, me dirigi a um dos moradores, um homem velho porém forte de uns 60 anos, e lhe perguntei o que estava acontecendo. Ele me disse que em dias recentes manchas de óleo ou gasolina estariam contaminando a água. Indagado, perguntei a ele, como os moradores do bairro estavam suprindo a falta de água. Ele me disse que tinham de comprar água em um armazém recém- aberto a duas quadras dali. Antes de ir para tal armazém, passei na Estação I de Tratamento de Água para ouvir a opinião de um dos técnicos. José Crivaldo, o técnico que me recebeu, me explicou que tal contaminação teria sido causa- da por alguém. Quando me disse isto, comecei a ligar os fatos. Essa onda de contaminação e a recém- abertura do armazém seriam mera coincidência? Entrei no meu carro, um Gol 1992, liguei para o meu chefe, Ricardo, e lhe contei a história. Recebi a orientação para ir investigar o tal armazém. Chegando lá me deparei com um armazém velho, enferrujado, mas que tinha uma grande freguezia. Entrei pelos fundos. Lá pude observar que havia uma meia dúzia de “bacanas”, todos bem vestidos e bem armados. Cheguei mais perto e pude escutar que a contaminação e o armazém não eram mera coincidên- cia. Liguei para a central e contei a situação. Depois de algum tempo, a polícia chegou com um mandato. Verificaram o local. Encontraram dinhei- ro, muito por sinal, e uns três ou quatro barris. Ao abrirem encontraram um líquido de mesma coloração ao líquido suspeito encontrado na água. Resultado disso tudo é que foi parabenizado pelo meu bom trabalho e os “bacanas” foram presos. Ao sair do armazém me deparei com uma pequena manifestação. Era o responsável da Cetesb avisando, que devido ao feriado, a água só ia voltar na outra semana. Embora esta redação contenha grande parte das exigências, como o crime ambiental, a construção de um Comentários detetive e o plano maior (a conspiração) por trás do crime, ela foi feita em 1ª pessoa. Conforme consta no Manual do Candidato, a utilização do foco narrativo exigido é condição para que a redação seja considerada e, portanto, a redação acima foi anulada em Tipo de Texto. Exemplo de Ambientalistas descobrem que está sumindo aves da floresta e resolveram avisar a polícia ambiental redação anulada e eles nada fiseram. Com a icopetencia da policia ambiental, os ambientalistas resolveram contratar um detetive para solucionar o caso. O detetive começando as investigações que aves rarissimas que so existe no Brasil estão ficando extintas, e a preocupação dos ambientalistas aumentou. Com o decorrer das investigações o detetive des- cobre que não era só aves que estavam sumindo, mas também aranhas caranguejeiras. Quando o detetive descobriu sobre as aranhas, começou a suspeita sobre que a policia ambiental estava envolvida no desaparecimento das aves e aranhas, que eles estavam exportando para o exterior que comprava que comprava por um preço alto. Mas profundo nas investigações descobriu que tinha governadores envolvidos no sumiço das aves e aranhas. Após essas descobertas o detetive relata tudo o que havia descoberto para os ambientalistas, e mais, sugeriu que eles escrevessem uma carta para o presidente relatando tudo que havia descoberto. Assim feito o presidente respondeu sua carta agradecendo por ter avisado e pedindo que o detetive saisse do caso que ele iria mandar a policia federal investigar, meses depois o detetive foi morto e o caso não foi solucionado. O autor deste texto desconsiderou totalmente o crime ambiental, exigência do tema. A tarefa exigida não Comentários era a de imaginar “um” crime ambiental, mas a de usar “o” crime ambiental da proposta. Essa desconsidera- ção é gravíssima e acarreta a anulação da redação em Tema. Além do Tema, a redação foi anulada em Coletânea. Veja que nenhum dos elementos da proposta foi usado: onde estão a mancha de óleo, a hipótese dos técnicos, o rio Atibaia, o jornal?! Nem a falta d’água aparece no texto... Exemplo de Além de muitos crimes que ocorre no país, o crime ambiental que é o que causa mais prejuízos tanto redação anulada para a empresa como para o consumidor, um rio pode distribuir águas para uma cidade inteira, se qualquer empresa ou fábrica vizinhas do rio causar um crime ambiental que é causar uma poluição no rio causa um grande problema para a cidade que depende da água do rio para utilizar. A água é um dos itens fundamen- tais para a população, que não tem como substitui-lá. Se fosse com a energia elétrica o homem conseguiria substitui-lá com a energia solar e a eólica. O que causam crimes ambientais são geralmente as grandes empresas. Investigam mas quando descobrem que são as grandes empresas que causam este crime, os empre- sários acabam oferecendo muito dinheiro, assim acabam não sendo punidos. Para causar um dano tão grande como este só pode ser causado por uma grande empresa. v 20
  • 21.
    Redação 1ª fase v Se as empresas não poluíssem os rios a estação de tratamento de água não gastariam muito com o tratamento. Com o rio limpo sem poluição a estação de tratamento teriam menos gastos em materias de tratamen- to da água, podendo cobrar mais barato a água consumida pela população. Comentários Esta redação também foi anulada por dois motivos: além de o candidato desconsiderar totalmente “o crime ambiental”, não escreveu um texto adequado ao tipo de texto escolhido: o texto acima não é uma narrativa. A redação foi anulada em Tema e em Tipo de Texto, portanto. Ao ler esta redação, você pode ter ficado com a impressão de que o candidato leu as três propostas de desenvolvimento e, a partir dessa leitura – que, sem dúvida, foi superficial – escreveu alguma coisa sobre água, que, aliás, foi o eixo de toda a prova. Mesmo nos casos em que toda a prova é temática, como ocorreu nos dois últimos anos, deve-se seguir, exclusivamente, as instruções contidas na proposta escolhida. TEMA C Em várias instâncias têm surgido iniciativas que podem resultar em uma nova política em relação à água, até hoje considerada um bem renovável à disposição dos usuários. Abaixo estão trechos de notícias relativa- mente recentes com informações sobre algumas dessas iniciativas. 1. País pode ter agência de água O secretário nacional de recursos hídricos, Raimundo José Garrido, participa na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, de um debate sobre a criação da Agência Nacional da Água (ANA). O encontro, que reunirá ainda o jornalista Washington Novaes, o consultor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Affonso Leme Machado, e o Secretário do Meio Ambiente do Estado, Cláudio Langoni, faz parte da 6ª Semana Intera- mericana da Água. O evento vai se estender de hoje até o dia 9, em 200 municípios gaúchos, com atividades ligadas à educação ambiental, painéis, exposições, mutirões de limpeza de rios e riachos, entre outras. Mais de 50 entidades públicas e privadas, incluindo o governo do Rio Grande do Sul, a prefeitura de Porto Alegre, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, participam da iniciativa. (Campinas, Correio Popular, 02/10/99) 2. Países concordam que, para evitar escassez, a água não pode ser gratuita Paris – Uma conferência das Nações Unidas sobre gestão das escassas reservas de água doce do mundo * concluiu ontem que a água deveria ser paga como commodity , ao invés de ser tratada como um bem essen- cial a ser fornecido gratuitamente. A reunião de três dias, da qual participaram ministros do meio-ambiente e autoridades de 84 países, concluiu que os custos deverão permanecer baixos e que o acesso à água doce deveria ser assegurado aos pobres. O apelo feito ao final da reunião, no sentido de maior participação das forças do mercado, motivou uma nota de cautela do primeiro ministro socialista [francês], Lionel Jospin, que se dirigiu à assembléia em seu último dia. Jospin enfatizou a necessidade de prudência quando se trata de uma substância que não é “um produto como outro qualquer”. “Vocês renunciaram à velha crença, que se manteve por muito tempo, de que a água somente poderia ser gratuita porque cai do céu”, disse ele. Mas ele frisou que a mudança para uma forma de lidar com a água mais orientada para o mercado “deve ser prudente”. (www.igc.apc.org/globalpolicy/socecon/envromnt/water.htm) * commodity: mercadoria, produtos agrícolas ou de extração mineral 3. Enquanto os ambientalistas preocupam-se em mobilizar a opinião pública e sensibilizar governos, os legis- ladores querem enquadrar os abusados nas normas da lei. Aprovada há dois anos, mas ainda carente de regulamentação, a Lei do Uso das Águas (9.433) disciplina a exploração dos recursos hídricos do país. Ela prevê cobrança de taxas adicionais aos grandes usuários (como hidrelétricas), aos poluidores e às indústrias que exploram a água economicamente ou na produção de algum produto. Outra lei, mais rigorosa e punitiva, é a 9.605, em vigor há mais de um ano: quem poluir os rios, mananciais e devastar as florestas poderá sofrer detenção de até cinco anos e multas de até R$ 50 milhões. (João Marcos Rainho, “Planeta água”, in: Educa- ção, ano 26, n. 221, setembro de 1999, pp. 57-8) 4. A força política dos que promovem a concentração populacional nas áreas de mananciais é grande. (...) A demonstração dessa força política está nas muitas mudanças da lei de Proteção dos Mananciais de 1975. A maior dessas alterações que abrandaram a lei ocorreu em 1987, com a desculpa de que era necessária para atender “à realidade criada pela ocupação desordenada”. Mas cabe a pergunta: quem permitiu essa ocupa- ção? As prefeituras locais, sem dúvida, mas também a Secretaria de Meio Ambiente, por falta de vigilância. (“Mananciais contaminados”, in: O Estado de S. Paulo, 17 /10/99, p. A3) 21
  • 22.
    Redação 1ª fase Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da Água (ANA). A carta deverá argumentar a favor da criação do novo órgão que, como a ANP a ANATEL e a ANEEL, terá , a finalidade de definir e supervisionar as políticas de um setor vital para a sociedade. Nessa carta, você deverá sugerir ao congressista pontos de um programa, a ser executado pela Agência Nacional da Água, programa que deverá incluir novas formas de controle. ANP: Agência Nacional do Petróleo; ANATEL: Agência Nacional das Telecomunicações; ANEEL: Agência Na- cional de Energia Elétrica Atenção: ao assinar a carta, use iniciais apenas, de forma a não se identificar. Comentários No Tema C-2000, o candidato deveria escrever uma carta argumentativa a um congressista contrário à sobre o Tema C criação da Agência Nacional da Água, procurando convencê-lo da importância de tal agência. Para isso, a proposta temática fornecia uma coletânea de textos que abordavam a questão do gerenciamento da água sob vários aspectos. Havia informações e fatos relacionados a algum tipo de controle da água, a partir dos quais o candidato poderia argumentar para convencer o congressista da necessidade da ANA, além de poder extrair dali pontos de uma possível proposta de programa para a ANA, já que parte da tarefa pedida era justamente propor os pontos de um programa para a nova agência. Um bom leitor poderia encontrar ali argumentos para redigir seu texto persuasivo, como o fizeram alguns candidatos. Gostaríamos de esclarecer que o que se espera como resposta a esta tarefa específica não é simplesmente uma carta, mas uma carta argumentativa dirigida a um interlocutor definido, que deverá ser convencido (ou persuadido) de determinada questão. Para fazer isso, você deve identificar, em primeiro lugar, quem é o seu interlocutor e, em segundo lugar, a questão que está sendo abordada, bem como os argumentos, opiniões ou pontos de vista sobre essa questão que aparecem na coletânea. Em seguida, você deve selecionar, dentre os argumentos, opiniões ou pontos de vista identificados, aqueles que melhor se prestam à análise que você pretende fazer da questão, e trazer outros argumentos do seu conhecimento que sejam pertinentes à questão discutida e integrá-los ao seu texto. Além disso, escrever uma carta argumentativa não significa apenas argumentar defendendo um ponto de vista, mas, sobretudo, é preciso direcionar a argumentação ao interlocutor definido pela prova. No Vestibular 2000, a carta argumentativa deveria ser endereçada a um congressista; você poderia se perguntar: mas que congressista? a que partido político pertencia? qual sua posição ideológica com relação aos diversos proble- mas do Brasil? por que ele era contrário à criação da ANA? quais as razões concretas para tal postura? E, pensando em cada uma das possíveis respostas às perguntas acima, você deveria construir a imagem do “seu” congressista. Veja que a tarefa argumentativa seria outra se você tivesse que escrever para: (1) um ambientalista, ligado a causas ecológicas; (2) um amigo que precisasse ser convencido a assinar um abaixo-assinado em favor da nova agência; (3) um gerente de uma indústria que estivesse poluindo rios; (4) o presidente do Departamento de Água e Esgoto de sua cidade. O que queremos enfatizar é que a construção de uma carta argumentativa é mais facilmente bem sucedida quando você, além de relacionar bem os argumentos extraídos da coletânea e do seu conhecimento de mundo, explora as características que conhece do seu interlocutor. Foi uma estratégia inteligente a daqueles candidatos que, de antemão, definiram seu interlocutor – seja tendo escolhido um que conhecessem, seja “criando” um deputado ou senador com determinadas caracterís- ticas, desde que coerentes com a única informação dada na prova: a de que o congressista era contrário à criação da ANA. A seguir, há três exemplos de redações em que os candidatos, apesar de cumprirem a tarefa pedida, exploraram a imagem de seu interlocutor em graus diferentes. Exemplo de Ribeirão Preto, 28 de novembro de 1999. redação Deputado Sílvio Golveia. Leio sempre revistas e jornais e li sobre o seu posicionamento contrário a criação da Agência Nacional da Água (A.N.A.). Sou estudante e sempre procuro saber sobre os problemas ambientais e seus reflexos na natureza e nas sociedades futuras; fico profundamente decepcionado com atitudes como a do senhor, que me parece não se preocupar com os problemas que poderiam ser evitados num futuro próximo com a implantação da A.N.A. A sua integridade é posta em questionamento quando se volta contra um projeto tão nobre. Não há justificativas nem argumentos para esse seu posicionamento e a única alternativa que resta à população é v 22
  • 23.
    Redação 1ª fase v desconfiar que por trás dessa decisão, há relações políticas ou algum interesse financeiro pressionando o senhor. Se o senhor quer projeção política, imagine o marketing que o senhor não teria se ajudasse e desse idéia a esse projeto de controlar e inspecionar o uso da água, a qual terá grande problema de escassez se nada for feito nesse sentido de controle. Como idéia, o senhor poderia propor não a taxação, mas a conscientização da população para não desperdiçá-la, o que seria muito mais eficiente, uma vez que cobrar água num país de maioria pobre e que em algumas áreas a população nem tem acesso a ela é inviável, além de que, informar e conscientizar é uma medida que servirá não só para a preservação da água, mas para qualquer outro recurso ambiental e ecológico. O senhor seria visto com muito mais respeito, aderindo-se à esse projeto, e estaria assim respondendo à duas ambições suas; a de se ver bem quisto pelas pessoas e a de atender à sua consciência que, tenho certeza, quer um mundo melhor para seus descendentes e que se preocupa com o destino desse bem vital que é a água. Desculpe pela minha franqueza, mas é que eu me preocupo muito com os recursos ambientais e sei da sua importância para a manutenção da vida. Respeitosamente, J.G.J.N. O candidato que escreveu essa redação sabia muito bem que estava escrevendo uma carta a um congres- Comentários sista. Daí ter “criado” um deputado – Sílvio Golveia – e ter construído uma imagem de um político envolvido em interesses financeiros e buscando projeção política. Na opinião do candidato, seriam essas as prováveis justificativas pelas quais o deputado seria contrário à criação da ANA. Veja que a primeira parte da construção de uma carta argumentativa foi feita corretamente pelo candidato. Vejamos, então, se ele conseguiu explorar bem essa imagem do deputado e quais foram os argumentos por ele utilizados para convencer Sílvio Golveia a mudar de idéia com relação à criação da ANA, já que a tarefa pedida não é somente uma carta, mas uma carta argumentativa! Primeiramente, a ANA poderia evitar problemas ambientais no futuro, se fosse implantada (1º parágrafo). Tendo em mente a projeção política almejada pelo deputado, o candidato aponta o marketing que poderia alcançar se apoiasse o projeto de controlar e inspecionar o uso e a poluição da água (3º parágrafo). Em seguida, sugere que seria melhor propor a conscientização da população do que a cobrança de taxas para evitar o desperdício da água (4º parágrafo). E conclui que, fazendo isso, o deputado será visto com muito mais respeito. Perceba que, embora o candidato não tenha apresentado nenhuma informação errada a respeito do super- visionamento da água, sua carta não tem força argumentativa, na medida em que os argumentos utilizados são ingênuos; observe que até mesmo no único momento do texto em que ele efetivamente sugere pontos para o programa da ANA, momento que exige argumentos extremamente consistentes, ele é ingênuo: ao justificar a conscientização e não a taxação (cobrança pelo uso da água) com base no fato de o Brasil ser um país de maioria pobre, o candidato desconsidera o fato de que, em grande parte, é a minoria – rica – que mais utiliza água e, muitas vezes, a desperdiça e a polui, com suas indústrias, por exemplo e que poderia haver cobrança de acordo com a quantidade de água utilizada. Outro momento de ingenuidade ocorre quando, diante da imagem do político que deseja projeção política, o candidato apresenta o marketing político como tentativa de convencimento, não especificando, porém, como tal projeto colaboraria na formação de uma imagem mais positiva do deputado. Não estamos querendo dizer que isso seja uma razão para penalizar a redação: trata-se de um desempe- nho apenas razoável. O candidato cumpriu a tarefa: escreveu a um congressista; procurou argumentar no sentido de convencê-lo a mudar de idéia e propôs algumas atividades a serem executadas pela ANA. O que questionamos é se o deputado ficaria convencido com esse tipo de argumentação, baseada no senso comum e, até certo ponto, um pouco apelativa. Se ele tivesse fundamentado melhor sua argumentação, ou se tivesse escolhido outros argumentos não tão próximos do senso comum, ou ainda, se tivesse explorado a imagem que fez de seu interlocutor, provavelmente sua redação teria um desempenho melhor. Exemplo de São Paulo, 28 de novembro de 1999. redação Senhor deputado Cézar Campos, Soube, por meio de jornais e revistas, que o senhor é contrário à criação da ANA (Agência Nacional de Água), alegando que seria mais um dos “onerosos e espalhafatosos órgãos do governo”. Como cidadã, concor- do com o senhor: há inúmeros órgãos governamentais ineficientes e burocráticos. Porém, como Engenheira Sanitária, vejo a necessidade de intensificar as políticas de proteção ambiental de todas as maneiras possíveis. v 23
  • 24.
    Redação 1ª fase v Certamente o senhor sabe da importância da água dentro de uma sociedade, não apenas para a saúde da população, mas também em termos econômicos. E, certamente, o senhor não é contrário à punição de quem faz mal uso desse bem, tais como indústrias pesadas e poluidoras. Há também grandes usuários que, mesmo sem poluir a água, fazem largo uso dela – e isso, estando certo ou não, é uma grave agressão ao meio ambiente, e que, portanto, merece também uma “punição” (taxas e tributos maiores do que os pagos por cidadãos comuns). Pois bem, a Lei já dá conta desse tipo de regulamentação, cobrando inclusives pesadas multas de quem polui e, em alguns casos, determinando a prisão em até cinco anos. Contudo, senhor Campos, sabemos que a lei é raramente cumprida, mesmo em se tratando de uma questão de vital importância e prioridade. Os órgãos governamentais tradicionais, quer por corrupção, quer por ineficiência, já não dão conta da fiscalização sequer – quem dirá da punição. É por razões como essas que a criação da ANA se faz urgente e necessária. A prioridade da ANA seria a fiscalização e punição, portanto. Funcionaria como uma espécie de “órgão de defesa da água”, estando subordinada diretamente ao Ministério do Meio Ambiente. A agência teria poder de ação tanto sobre a esfera pública quanto sobre a privada, podendo multar, inclusive, programas governamen- tais que se mostrassem prejudiciais ao Meio Ambiente. Seus processos jurídicos deveriam ter prioridade em tribunais, ou então seriam julgados por juízes especiais, designados apenas para essa função, haja vista a importância da água como bem econômico, social e geopolítico – o Brasil ainda não tem problemas com países vizinhos por conta de recursos hídricos, mas essa situação pode vir a ocorrer um dia. Por isso, é preciso que haja desde já conscientização. O governo não pode, tal como representante legítimo da sociedade, fechar os olhos aos abusos que vêm sendo cometidos em relação à “água brasileira”. Outro ponto importante da criação da ANA, e aparentemente o que mais causa a sua rechação à criação da agência, é a ineficiência das empresas estatais. Para burlar esse fato, a ANA deveria ser um órgão misto, do qual participariam governo, ONG’s e representantes diretos de vários setores da sociedade. No caso da poluição dos mananciais, por exemplo, seriam feitas auditorias entre a ANA, ONG’s e repre- sentantes da população que habita a região. Além disso, haveria ouvidorias para a denúncia de órgãos que estivessem utilizando mal os recursos hídricos. Essa me parece ser a maneira mais democrática e honesta para que a ANA possa realmente dar certo, sem se tornar “onerosa e espalhafatosa”. Contudo, isso não basta para que a ANA dê certo. É necessário, antes de qualquer coisa, a conscientiza- ção da população acerca da importância – e da limitação – dos recursos hídricos. E o governo é o órgão mais indicado para esse projeto de reeducação ambiental. Nós, cidadãos conscientes, esperamos uma resposta séria de vocês, governantes e representantes da sociedade. Atenciosamente, C.B.M. Decisão inteligente a desta candidata: criou um deputado, Cézar Campos – não há nenhum deputado com Comentários esse nome na lista da Câmara – e um contexto (jornais e revistas) por meio do qual teria tomado conhecimento da posição do deputado com relação à criação da Agência Nacional da Água e a justificativa para tal posicio- namento: a criação de uma agência nacional seria mais um dos “onerosos e espalhafatosos órgãos do gover- no”, tendo em vista os inúmeros órgãos governamentais ineficientes e burocráticos existentes. Trata-se de uma boa justificativa e muito verossímil – diga-se de passagem –, especialmente porque é do conhecimento geral que tais órgãos não são eficientes como deveriam, e a candidata, como cidadã consciente, concorda com tal preocupação do deputado. 3 E o que ela faz, então? Assumindo uma máscara de Engenheira Sanitária , apresenta a importância da existência de um gerenciamento da água, tendo em vista os vários setores da sociedade, e tira da coletânea os argumentos e dados relacionados à questão que corroboram sua opinião. O que gostaríamos de destacar é a estratégia utilizada pela candidata para rebater a posição contrária do deputado. Veja que, para persuadir seu interlocutor, ela procura construir uma argumentação baseada em informações que poderiam ser comuns aos dois, estratégia de alguém que respeita o interlocutor, apesar de o não concordar com ele e, em todo o texto, estabelece explicitamente a interlocução: no 1 parágrafo, concor- o da que inúmeros órgãos governamentais são ineficientes e burocráticos; no 2 parágrafo, aponta alguns aspec- o tos relacionados à utilização da água que seriam consensuais; no 3 parágrafo, concorda que as leis raramen- o te são cumpridas, o que a faz argumentar no sentido de que a ANA também se encarregaria da punição; no 4 parágrafo, caracteriza a ANA como uma agência que teria prioridade nos tribunais e como portadora de um poder até mesmo sobre programas governamentais. Veja que, neste parágrafo, ela já está procurando rebater a idéia da ineficiência e da burocracia caracterizadoras dos grandes órgãos governamentais, para, em seguida, propor que a agência seja uma organização “mista”, da qual participariam governo, ONG’s e representantes 3 Entende-se por máscara a utilização de um remetente fictício cuja caracterização possa auxiliar o desenvolvimento argumentativo do texto. No caso desta redação, a máscara de Engenharia Sanitária estaria funcionando como a representação de alguém que tem conhecimento ou autoridade sobre a questão abordada. 24
  • 25.
    Redação 1ª fase diretos de vários setores da sociedade. Perceba que ela procura “dialogar” com o deputado, levando em consideração o fato de que ele é contrário à criação da ANA e que tem motivos razoáveis para assumir tal postura. Nesse diálogo, a candidata procura persuadi-lo a mudar de idéia – ela que, “sendo” Engenheira Sanitária, sabe tão bem o quanto a questão do gerenciamento da água é importante para evitar desperdícios! Tendo em vista a argumentação construída em função do posicionamento do deputado, posicionamento esse que caracteriza a imagem que a candidata fez de seu interlocutor, pode-se dizer que este texto está acima da média. Exemplo de São Paulo, 28 de novembro de 1999. redação Caro deputado Inocêncio de Oliveira, Decidi escrever esta carta para o senhor após ler algumas declarações suas contrárias à criação da Agência Nacional da Água (ANA), idéia que, defendida pelos inúmeros grupos de proteção dos recursos hídricos e do meio ambiente, faz parte de um movimento mundial para melhor gerenciamento das fontes de água doce e seu aproveitamento racional. A oposição movida no Congresso Nacional pelo senhor e por inúmeros de seus colegas parlamentares a um projeto que está conseguindo agregar grande parcela da opinião pública parece advir de uma aliança entre interesses próprios e falta de noção do valor que sempre representa e que, especialmente no próximo século, representará a posse de água. Um primeiro aspecto que move a oposição à criação da agência é a perda das vantagens que a posse da água sempre lhes garantiu. Em seu caso, por exemplo, a posse da água na sua cidade de origem, em meio ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias demagógicas de combate à seca garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional. Outros congressistas, por outro lado, aproveitam-se da falta de controle sobre mananciais de rios para criar projetos de ocupação irregulares, com baixo custos, possibilitando fraudes. Enfim, dentro de uma perspectiva de pequeno alcance, a oposição da qual o senhor faz parte permanece presa à manutenção de antigos privilégios, sem atender a um projeto mundial, algo além de sua visão. A perspectiva de que se reveste o projeto é mais global, faz parte de uma idéia que valoriza a importância histórica da água e seu poder num mundo em que as reservas de água diminuem constantemente. A posse da água, que moveu civilizações inteiras no decorrer dos séculos, sempre agregou valores; não só econômi- cos quanto culturais. Faz parte da cultura egípcia, por exemplo, agradecer aos deuses a posse do Nilo. Trata- se de uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma discussão mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a corroborar essa tendência mundial. Representaria um meio de controlar o uso da água no Brasil, asseguran- do a punição de indústrias e setores responsáveis pela poluição de rios e pela ocupação indevida de manan- ciais; a cobrança de taxas sobre grandes usuários de água; uma política de uso racional dos rios na produção de energia elétrica. Além disso, a agência deve zelar pela distribuição eqüitativa da água, tanto em cidades, quanto no meio rural, promovendo até a perfuração de poços artesianos na sua cidade natal, acabando com a falta de água. Não há, também, como esquecer-se de uma campanha de conscientização pública do adequado uso da água. Atrelado ao poder público, a ANA deveria promover, também um panorama de nossos recursos hídricos, para que toda uma política possa se realizar em sua plenitude. O senhor, portanto, atento à importância da água no mundo de hoje, deve pensar mais cuidadosamente sobre o projeto, algo que nos prepararia melhor para o próximo milênio, um período que reserva, para países que agem com uma mentalidade como a sua, uma realidade onde a posse da água terá maior valor que a posse do dinheiro, quando as guerras serão promovidas pela posse de rios e mananciais. Espero não estar nesses países. Nem o senhor. Atenciosamente, TSA No caso desta redação, a imagem que o candidato faz de seu interlocutor é baseada em conhecimentos Comentários prévios que ele tem a respeito do deputado que escolheu para ser seu interlocutor na carta argumentativa. O candidato sabe que Inocêncio de Oliveira é proveniente de Pernambuco, de uma região onde falta água, e constrói, a partir dessa informação, uma imagem carregada de uma avaliação pessoal que o caracteriza como um parlamentar que leva vantagem com a situação de seca da região que o elege e o mantém no poder. O candidato justifica a imagem de demagogo que faz de Inocêncio de Oliveira, ao afirmar: a posse da água na sua cidade de origem, em meio ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias demagógicas de combate à seca garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional. Veja que se o candidato somente chamasse Inocêncio de Oliveira de demagogo, sem fundamentar sua opinião, correria o risco de estar estabelecendo um juízo de valor, que não tem força argumentativa. O que ele fez, no entanto, foi vincular o fato de o deputado não ser favorável à criação da ANA ao privilégio de manter- 25
  • 26.
    Redação 1ª fase se no poder graças aos votos angariados em sua seca região, através de promessas demagógicas a respeito do problema da seca. Trata-se, segundo o candidato, de interesses próprios que fariam Inocêncio de Oliveira ser contrário à criação de uma agência nacional da água. Aos interesses particulares do deputado do PFL, o candidato contrapõe a iniciativa da criação da ANA, relacionada a um movimento mundial que visa ao melhor gerenci- amento das fontes de água doce e seu aproveitamento racional, ligada, portanto, a interesses gerais da população. Nesse sentido, o candidato aponta a falta de noção do valor da água de Inocêncio de Oliveira, que não a estaria valorizando em virtude de valores ideológicos próprios e não estaria percebendo que o que move a iniciativa da criação da ANA faz parte de um projeto global de valorização da importância da água: trata-se de uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma discussão mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a corroborar o essa tendência mundial. E nesse momento do texto (3 parágrafo), o candidato apresenta os pontos do programa que seria executado pela ANA, integrando várias informações extraídas da coletânea. Pode-se dizer que o desempenho deste candidato está bem acima da média, se comparado com o universo dos candidatos. O fato de ele construir uma imagem de seu interlocutor e explorá-la argumentativamente, isto é, o fato de construir a imagem de um deputado demagogo, eleito a partir de uma região de seca do Nordeste, torna verossímil que tal deputado seja contrário a políticas que visem a um melhor aproveitamento das fontes de água existentes no país, dado que isso poderia ameaçar a manutenção de seus privilégios. Ora, a postura ideal de um político sério seria a de procurar representar os interesses da população que o elegeu e não é isso o que o deputado faz, ao negar a criação da ANA. Na argumentação do candidato, fica claro que a criação da ANA estaria vinculada diretamente, como apontamos acima, aos interesses gerais da população, tendo em vista os diferentes benefícios que tal agência poderia gerar. Exemplo de Campinas, 28 de novembro de 1999. redação anulada Deputado Carlos, Li com muita atenção algumas notícias públicadas em vários jornais sobre a falta de água no país, mais já estão discutindo sobre a criação da Agência Nacional da Água, isso não é tão importante. O que deveria ser feito é a criação de um novo órgão como a Agência Nacional do Petróleo, porque observamos que no século em que estamos existem muitos automóveis circulando e gastando petróleo. Sabemos que daqui à alguns anos não terá mais petróleo para todos esses carros. Devido este fato o Senhor deveria organizar uma reunião com os outros políticos para discutir sobre esse novo órgão, para que daqui à alguns anos não correr perigo dos automóveis ficarem parados sem ter combustíveis. Deputado o Senhor já imaginou tendo um carro em casa e não poder usá-lo por falta de petróleo. Deputado a criação da Agência Nacional da Água não é importante pois à água cai do céu e o petróleo não. Gostaria que o Senhor batalhasse para a criação da Agência Nacional do Petróleo seja feita. Atenciosamente, M.O.S. Uma surpresa para a Banca foi a recorrência de um equívoco de leitura do enunciado da prova que fez com Comentários que alguns candidatos se confundissem e escrevessem contrariamente à criação da ANA. O enunciado dizia: Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da Água... (grifo nosso) Os candidatos que cometeram o equívoco leram “contrário” como “contrariamente” e associaram tal “ad- vérbio” ao verbo “redija”; daí redigirem uma carta argumentando contrariamente à criação da ANA. O que se espera, no entanto, é que os candidatos sejam capazes de reconhecer os diversos registros da língua portugue- sa e que tenham domínio da linguagem padrão utilizada na escrita. Perceba que a redação acima reflete bem a leitura equivocada do enunciado, na medida em que o candi- dato, além de negar a criação da Agência Nacional da Água, propõe a criação de um “novo órgão”: a ANP . Nesse momento o candidato revela um novo equívoco de leitura, decorrente daquele. No enunciado da prova, a Agência Nacional da Água é retomada por “novo órgão”; o candidato, porém, lê “novo órgão” não como expressão que se referia à ANA e, portanto, propõe um novo órgão. Exemplo de Campinas, 28 de novembro de 1999 redação anulada Ilmo. Raimundo José Garrido, Atualmente a criação da Agência Nacional da Água é de fundamental importância para o país, já que v 26
  • 27.
    Redação 1ª fase v esse elemento vem se tornando cada vez mais escasso no mundo inteiro, apesar de ser muito abundante em algumas regiões do Brasil, uma quantidade considerável está poluída. Vários programas para preservação e controle poderiam ser criados. A Agência iria fiscalizar e multar ou até fechar empresas que estariam jogando dejetos sem tratamento adequado nos rios e corregos, pois grande parte da poluição vem de indústrias e fábricas, pois atualmente não há nenhum orgão do governo fiscalizando essas irregularidades e se há, estão atuando muito precariamente. A Agência Nacional da Água trabalhará junto com o Ibama, para proteger as matas siliares de nascen- tes rios e corregos para evitar o assoreamento destes. Ela gerenciará programas para irrigação no nordeste, já que atualmente isso é pouco explorado no nosso país. Isso ajudaria a diminuir a fome e a miséria no sertão nordestino e como conseqüência a diminuição da pobreza nessa região. A Agência dará apoio a pesquisas para uma melhor utilização de recursos hídricos, pois assim teremos como aproveitar melhor a água e tratá-la para reaproveitar ela de um modo mais eficiente. Desenvolver também projetos para recuperar rios poluidos e recuperar a vida que eles possuiam antes. Tentar descobrir como retirar água do subsolo, já que o pais possui uma das maiores reservas de água do mundo, mas essa grande reserva se encontra no subsolo. Outro fator importante é desenvolver essas pesquisas e projetos dentro de faculdades e centros de pesquisas brasileiros, pois ajuda o país a se desenvolver e a poupar dinheiro. A água é um recurso fundamental para a vida de todas as espécies e seres vivos da terra. Obrigado pela atenção, RAC Quando se fala em carta argumentativa, espera-se que o interlocutor não seja esquecido, isto é, que ao longo do texto a interlocução seja mantida. É lamentável encontrar casos como a redação acima, em que o candidato escreve uma dissertação, utilizando até mesmo bons argumentos que convenceriam qualquer um da posição defendida. É justamente aqui, porém, que reside um dos problemas: com a carta argumentativa, você deverá convencer o seu interlocutor – e apenas ele – sobre o que se pede, e não qualquer um (leitor universal) como acontece quando se escreve uma dissertação. Não bastam a data, o cabeçalho e a despedida para haver uma carta. É fundamental não esquecer, ao longo do texto, que você está escrevendo para uma única pessoa e isso significa que deverá utilizar as chamadas marcas de interlocução (vocativos, pronomes) que configuram uma espécie de “diálogo” entre os interlocutores: você e o destinatário de sua carta. Tenha em conta que não é o fato de o candidato ter assinalado que desenvolveria um dos tipos de texto que garante que seu texto está de acordo com o tipo de texto escolhido. Também não cabe ao leitor do texto decidir se ele teria feito uma dissertação, uma carta ou uma narrativa sobre um dos temas propostos. O próprio texto precisa garantir isso, ou seja, precisa conter os elementos característicos do tipo de texto escolhido. Um último esclarecimento Freqüentemente, chega até nós a seguinte questão: é preciso utilizar “corretamente” o pronome de trata- mento na carta argumentativa? Resposta: Não necessariamente. Se você não souber qual o pronome de tratamento adequado para se dirigir a um congressista, por exemplo, pode chamá-lo de “prezado senhor”, “caro congressista”, “senhor deputado” etc. Não perdem pontos os candidatos que não “acertam” o pronome de tratamento; é muito importante que você entenda que a tarefa pedida tem como objetivo avaliar a capacidade de argumentar no sentido de persuadir um interlocutor definido e que não estamos interessados, como já dito na Introdução, em surpreender ninguém com “pegadinhas” desse gênero... Conclusão Estamos certos de que agora você está mais tranqüilo em relação à prova de Redação do Vestibular Unicamp! Se, apesar de mais tranqüilo, você ainda tiver alguma dúvida a respeito dos princípios do Vestibular Unicamp ou especificamente sobre a prova de Redação, ou ainda se quiser ler tudo o que já foi publicado sobre a Redação no Vestibular Unicamp, segue a lista das publicações: Vestibular Unicamp, Redação, 1993; Vestibular Unicamp, Questões Comentadas do Vestibular 94, 1994; Vestibular Unicamp, Questões Comentadas do Vestibular 95; 1995 – Editora Globo, S/A; Caderno de Ques- tões, 97, 98 e 99. Bom trabalho! 27
  • 28.
  • 29.
    Questões 1ª fase O conjunto das doze questões gerais que constituem, juntamente com a redação, a prova da 1a fase do Vestibular Unicamp tem como objetivo verificar se há domínio de conceitos básicos do conteúdo progra- mático das disciplinas do núcleo comum do Ensino Médio – Matemática, Física, Química, Biologia, Histó- ria e Geografia. Procura-se com estas questões verificar se o candidato sabe ler, compreender, interpretar e relacionar os dados que lhe são apresentados nas diferentes linguagens e se consegue redigir sua resposta com clareza e coerência. No vestibular 2000, o tema central da primeira fase foi Água e pelo menos uma das questões de cada disciplina foi elaborada em torno deste tema. As duas primeiras questões da prova foram de Biologia: a primeira questão teve como objetivo princi- pal relacionar conhecimentos básicos sobre o reino Monera com sua importância no ambiente aquático, poluição ambiental, seu metabolismo e com doenças causadas por bactérias. Os conhecimentos que foram solicitados são abordados freqüentemente pela imprensa pelo fato de serem utilizados rotineira- mente como parâmetros pelos órgãos de controle ambiental. A segunda questão verificava o conhecimen- to sobre as características dos grupos zoológicos, a origem de algumas estruturas animais bem como a importância desses animais no ambiente. As questões de Química, cuja abordagem foi o tratamento da água, tiveram como objetivo avaliar a capacidade de entendimento do problema colocado e a resolução dentro da linguagem e dos parâmetros da Química, sendo que na questão de número quatro avaliava-se também a capacidade de associar equilíbrios químicos à sua representação gráfica. As duas questões de Geografia avaliaram o conhecimento das conseqüências espaciais do desenvolvi- mento técnico-científico e hegemonização político-econômica – questão 5 – e o conhecimento dos proble- mas urbanos das grandes cidades, problemas ambientais e políticas de planejamento urbano – questão 6. A questão número 7 testava a capacidade de o candidato resolver um problema do quotidiano de dificuldade média. Aqui, era extremamente importante a correta interpretação do gráfico. A outra questão de Física – número 8 – teve como objetivo avaliar a capacidade de o candidato interpretar um texto, equacionar e resolver um problema simples da realidade que o cerca, a geração de energia, além de trazer ao candidato uma idéia da ordem de magnitude da potência gerada por uma hidrelétrica. As questões de História foram as de números 9 e 10. Na primeira, o objetivo foi o de avaliar a capacidade de julgamento histórico-crítico a partir de determinados conceitos elaborados pelo Iluminismo bem como o conhecimento do processo de transformação de energia. Cabe observar aqui que, proposita- damente, um dos itens desta questão tinha sua resposta no próprio enunciado da questão de Física imediatamente anterior e o bom leitor deveria ter se apercebido deste fato encontrando elementos para sua resposta. A segunda questão de História avaliou a capacidade de julgamento crítico do processo de colonização das Américas e conhecimento dos processos de indução histórica entre o desenvolvimento da agricultura e o crescimento das cidades. As duas últimas questões foram de Matemática. As questões de Matemática da primeira fase procu- ram avaliar a capacidade de compreensão de textos em problemas associados à realidade do candidato, bem como a habilidade para executar operações matemáticas simples e interpretar dados e resultados. O candidato deve demonstrar o domínio de diversas formas de representação, tais como tabelas, figuras, gráficos e equações. O uso de unidades apropriadas, a seleção de informações e conclusões claras são também aspectos importantes dessa fase. Veja a seguir todas as questões da primeira fase, com suas respectivas respostas esperadas e pontu- ações, exemplos de resolução e comentários feitos pelas bancas. Note que são apresentadas respostas esperadas. Outras respostas que não as apresentadas podem receber pontuação integral ou parcial. Por motivo de falta de espaço não é possível apresentar sempre todas as possibilidades. Cumpre, ainda, observar que o nível de exigência das respostas está relacionado ao nível dos candidatos de grau médio. Os exemplos apresentados de algumas respostas dadas por candidatos foram selecionados de forma que uma delas exemplifica um desempenho acima da média e a outra desempenho abaixo da média. Os comentários são feitos de modo a mostrar o que a questão pretendia examinar, a sua dificuldade esperada e o desempenho médio nela alcançado pelos candidatos. QUESTÃO 1 Os recursos hídricos estão sendo cada vez mais contaminados por esgoto doméstico, que traz consigo grande número de bactérias. Apesar de parte delas não serem patogênicas, muitas causam problemas de saúde ao homem. Levando em conta que as bactérias decompõem a matéria orgânica por processo aeróbico ou anaeróbico e que a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e o índice de coliformes fecais são utilizados como indicativos da poluição da água, resolva as questões abaixo. 29
  • 30.
    Questões 1ª fase a) Compare águas poluídas e não poluídas quanto a: DBO, índice de coliformes fecais, teor de oxigênio dissolvido e ocorrência de processos aeróbicos e anaeróbicos. b) Os coliformes fecais são bactérias anaeróbicas facultativas. Metabolicamente, o que é um organismo anaeróbico facultativo? c) Cite uma doença bacteriana adquirida pela ingestão de água contaminada e dê o nome de seu agente causador. Resposta a) Águas poluídas: alta DBO; alto índice de coliformes; pouco ou nada de O2 dissolvido; processos anaeró- esperada bicos. Águas não poluídas: baixo DBO; baixo índice de coliformes; alto teor de O2 dissolvido; processos aeróbicos. (3 pontos) b) anaeróbico facultativo: é um organismo aeróbico que, na falta de O2, pode degradar a glicose anaerobicamente, realizando apenas a fermentação. (1 ponto) c) • cólera: Vibrio colerae (ou vibrião da cólera) • febre tifóide: Salmonella typhi • Shigelose: Shigella sp. • Diarréia (e disenteria): E. coli; Salmonella sp. (1 ponto para qualquer item) Exemplo de nota a) Indicando por: DBO=1, índice de coliformes fecais=2, teor de oxigênio dissolvido=3, ocorrência de acima da média processos aeróbicos=4 e anaeróbico=5, temos: águas 1 2 3 4 5 poluída alto alto baixo baixo alto não poluída baixo baixo alto alto baixo b) Em presença de O2, realiza a respiração. Na ausência de O2, realiza a fermentação. c) Amebíase, causada pela ameba. Exemplo de nota a) abaixo da média Águas poluídas Águas não poluídas DBO baixo alto Índice de coliformes fecais alto baixo Teor de O2 dissolvido baixo alto Processo aeróbico não há ou é reduzido alto Processo anaeróbico é alto não há ou é reduzido b) É o organismo capaz de realizar suas atividades metabólicas aerobicamente se houver oxigênio no meio onde ele se encontra, apesar de o organismo agir preferencialmente sem oxigênio (anaerobicamente). c) Doença: amebíase; agente causador: Entomoeba hystolytica (ameba). Comentários Pelo desempenho dos candidatos pode-se afirmar que esta questão apresentou um nível médio de dificul- dade, pois 41,6% deles obtiveram nota entre 0 e 1 ou a deixaram em branco, enquanto que 9,3% obtiveram notas 4 ou 5. Pode-se dizer que apesar desta dificuldade, foi uma das questões que melhor discriminou os candidatos. As médias, pouco discrepantes, oscilaram entre 1,23 na área de Artes a 1,99 na área de Biológi- cas demonstrando desta forma ser o assunto do conhecimento dos candidatos e a questão adequada para o ensino médio. A maior dificuldade na resolução desta questão pode ser atribuída ao desconhecimento do conceito de organismo anaeróbico facultativo (ver item b do exemplo de nota abaixo da média) e de doenças bacterianas e à confusão entre bactérias e protozoários (ver item c dos exemplos de nota). O primeiro item da questão, a comparação de águas poluídas com não poluídas, foi em geral bem respondida. 30
  • 31.
    Questões 1ª fase QUESTÃO2 Leia com atenção a tira abaixo: (O Estado de S. Paulo, 08/09/99) a) Calvin não entende por que precisa estudar os morcegos. Esses animais, porém, têm funções biológicas importantes nos ecossistemas. Cite duas dessas funções. b) Calvin acredita que os morcegos são insetos porque, além de considerá-los nojentos, eles voam. No entanto, o que ele não sabe é que asas de insetos e de morcegos não são estruturas homólogas mas análogas. Qual a diferença entre estruturas análogas e homólogas? c) Dê duas características exclusivas da classe a que pertencem os morcegos. Resposta a) polinização, insetivoria, dispersão de sementes, transmissão de várias doenças. (2 pontos) esperada b) Homólogo – mesma origem embrionária. Análogo – mesma função; origem embrionária diferente. (2 pontos) c) pêlos; mamas; glândulas sudoríparas; ouvido interno; mandíbula com dois ossos; dentes diferenciados ao longo da mandíbula. (1 ponto) Exemplo de nota a) Transportam energia para os ecossistemas afóticos (cavernas), ou seja, levam sementes em seus estôma- acima da média gos que ao serem defecadas servem como alimento para espécies ali residentes. Ajudam na dispersão de sementes de certas espécies vegetais. b) As estruturas homólogas possuem mesma origem embrionária e, portanto, possuem semelhança anatô- mica. As análogas não tem mesma origem embrionária mas desempenham a mesma função. Os homó- logos podem ou não ter analogia funcional. c) glândulas mamárias e presença de pêlos. Exemplo de nota a) Principalmente os morcegos frutíferos (aqueles que se alimentam de frutos) são bons “cultivadores” de abaixo da média novas árvores, quando alimentam-se espalham diversas sementes sobre diversos lugares. Pela maioria dos morcegos viverem em cavernas, e como as cavernas possuem um ecossistema muito frágil, devido a diversos fatores como a luz solar, temperatura, pode não parecer verdade, mas as fezes dos morcegos possuem um papel muito importante para o cultivo de bactérias necessária naquele ambiente. b) Estruturas homólogas possuem características iguais, ou seja, no processo de evolução de um ser, eles passam a ter espécies diferentes mas características iguais como a asa de um pato e a asa de uma águia (características homólogas). Porém as asas de um morcego é análoga quanto a de um inseto pois são totalmente diferentes apesar de serem asas. c) Os morcegos são artrópodos, mamíferos cobertos por pêlos, alguns se alimentam de sangue, carnívoros ou frutiferos, são seres que não podem afetar o homem e não são maléficos ao homem. Pelo desempenho dos candidatos, pode-se afirmar que esta questão apresentou um nível de dificuldade Comentários elevado, pois 57,6% obtiveram nota 0 ou 1, ou a deixaram em branco, enquanto 7,5% obtiveram nota 4 ou 5. Apesar da dificuldade, foi uma questão que discriminou de maneira adequada os candidatos. O item c desta questão, considerado o de menor dificuldade, foi geralmente bem respondido, muitas vezes com respostas surpreendentes para um aluno do ensino médio (como por exemplo: orelha). Isto ocorreu também com o item a no qual muitas vezes o candidato respondia com conhecimento ecológico bastante especializado (ver item a do exemplo de nota acima da média). Notou-se que os candidatos estão adquirindo conhecimento além da sala de aula. No item b, um erro muito freqüente foi definir estruturas homólogas como de “mesma origem com funções diferentes”. 31
  • 32.
    Questões 1ª fase QUESTÃO3 O tratamento da água é fruto do desenvolvimento científico que se traduz em aplicação tecnológica relativa- mente simples. Um dos processos mais comuns para o tratamento químico da água utiliza cal virgem (óxido de cálcio) e sulfato de alumínio. Os íons alumínio, em presença de íons hidroxila, formam o hidróxido de alumínio que é pouquíssimo solúvel em água. Ao hidróxido de alumínio formado adere a maioria das impu- rezas presentes. Com a ação da gravidade, ocorre a deposição dos sólidos. A água é então separada e encaminhada a uma outra fase de tratamento. a) Que nome se dá ao processo de separação acima descrito que faz uso da ação da gravidade? b) Por que se usa cal virgem no processo de tratamento da água? Justifique usando equação(ões) química(s). c) Em algumas estações de tratamento de água usa-se cloreto de ferro(III) em lugar de sulfato de alumínio. Escreva a fórmula e o nome do composto de ferro formado nesse caso. Resposta a) decantação ou sedimentação (1 ponto) esperada 2+ b) CaO + H2O = Ca + 2 OH – (1 ponto) 3+ – Al + 3 OH = Al(OH)3 (1 ponto) ou CaO + H2O = Ca (OH)2 3 Ca (OH)2 + Al2(SO4)3 = 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4 ou 3 CaO + Al2(SO4)3 + 3 H2O = 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4 c) Fe(OH)3 (1 ponto) hidróxido de ferro III ou hidróxido férrico (1 ponto) Exemplo de nota a) O processo de separação é a decantação. acima da média b) Pois a cal virgem reage com o sulfato formando um sólido e decantando: 2 CaOH + Al2SO3 = Al2(OH)2 + Ca SO3 c) Cl2Fe3 + 2 CaOH = Cl2(OH)2 + Ca2Fe3 Composto de ferro formado é o Ca2Fe3 : cálcio férrico II. Exemplo de nota a) Decantação abaixo da média b) CaO + H2O → Ca(OH)2 Ca(OH)2 (aq) → Ca + 2 OH 2+ - Al2(SO4)3 (aq) → 2Al + 3SO4 3+ 2- 3Ca(OH)2 (aq) + Al2(SO4)3 (aq) → 3CaSO4 + 2 Al(OH)3 ↓ c) Fe(OH)3 hidróxido de ferro III Trata-se de questão que examina, dentro de um contexto de grande importância, o conhecimento de Comentários procedimentos de separação, nomenclatura e formulação química simples, conceito ácido-base de Arrhenius, equações químicas e estequiometria. O desempenho médio (1,62) calculado no universo dos candidatos é um significativo indicador da situação do ensino de Química no grau médio. A média calculada considerando os aprovados é igual a 2,52. O item a, particularmente, por corresponder a um procedimento bastante familiar, que é a decantação, deveria, por si só, garantir uma nota mínima igual a 1. De fato, a nota típica da questão (moda) foi igual a 1, referente ao acerto deste item. QUESTÃO 4 No tratamento da água, a fase seguinte à de separação é sua desinfecção. Um agente desinfetante muito usado é o cloro gasoso que é adicionado diretamente à água. Os equilíbrios químicos seguintes estão envolvidos na dissolução desse gás: + – Cl2 (aq) + H2O(aq) = HClO (aq) + H (aq) + Cl (aq) (I) – + HClO(aq) = ClO (aq) + H (aq) (II) A figura a seguir mostra a distribuição aproximada das concentrações das espécies químicas envolvidas nos equilíbrios acima em função do pH. a) Levando em conta apenas as quantidades relativas das espécies químicas presentes nos equilíbrios acima, é correto atribuir ao Cl2(aq) a ação bactericida na água potável? Justifique. 32
  • 33.
    Questões 1ª fase b) Escreva a expressão da constante de equilíbrio para o equilíbrio representado pela equação II. c) Calcule o valor da constante de equilíbrio referente à equação II. – [ClO ] –1 Concentração / mol L [Cl2] [HClO] 0 2 4 6 8 10 12 pH Resposta a) Não, pois a concentração de cloro é muito pequena no pH da água potável. (2 pontos) esperada – + b) K = [ClO ] [H ] / [HClO] (1 ponto) – –8 –8 c) K = ( [ClO ] / [HClO] ) 1 x 10 = 1 x 10 (2 pontos) Exemplo de nota a) Não, pois a sua concentração no ph normal é muito pequena, na realidade quem realmente desinfecta a acima da média água é o HClO. ’ – + b) v1 = k [HClO], v2 = k [ClO ] [H ] ’ - + k [HClO] = k [ClO ] [H ] ’ – + ’ k/ k = [ClO ] [H ] / [HClO], k/ k = Kc – + Kc= [ClO ] [H ] / [HClO] + –8 c) No ph = 8, [H ] = 10 – –8 [ClO ] = [HClO], Kc = 10 Exemplo de nota a) É correto atribuir a ação bactericida ao Cl2 pois ajudam a combater as impurezas na água presentes. abaixo da média – + b) Kc = [ClO ] [H ] / [HClO] c) A constante de equilíbrio é 1. Comentários Esta questão, uma continuação da anterior, consistia, essencialmente, na leitura do gráfico que indica as concentrações das espécies envolvidas no equilíbrio químico mostrado, em função do pH. O item b correspon- de apenas ao conhecimento do que é uma constante de equilíbrio e foi introduzido com a intenção de abrir caminho para a resolução do item c. A primeira pergunta era muito fácil de ser respondida pois bastava uma leitura do gráfico. A água potável apresenta pH próximo de 7 e, nestas condições, todo o cloro gasoso já se transformou em hipoclorito, segundo o gráfico e de acordo com os equilíbrios I e II. É interessante que muitos candidatos fizeram a leitura das abcissas como se estas representassem o desenrolar da reação e responderam que o cloro, à medida que é adicionado à água, vai aumentando o pH da mesma e se transforma em hipoclorito, o que está errado. Outros responderam que, como se sabe, é o hipoclorito que tem ação bactericida e não o cloro. Esta resposta não pode ser considerada certa pois o candidato não usou os dados fornecidos pela questão mas, apenas, a sua memória; para responder deste modo não usou nem os equilíbrios fornecidos e nem o gráfico. O item c foi aquele que apresentou a maior dificuldade, apesar da sua simplicidade. A pergunta premiou aqueles candidatos que entenderam o significado de equilíbrio químico. Com este entendimento, não terão levado mais do que um minuto para respondê-la. O desempenho na questão foi bastante baixo e não foi menor devido ao item b que exigia apenas o conhecimento da expressão da constante de equilíbrio, o que é muito conhecido dos candidatos, conduzindo à nota típica (moda) igual a 1. A média geral foi igual a 0,66 considerando os candidatos e 1,03 considerando os aprovados. QUESTÃO 5 “O meio geográfico em via de constituição (ou de reconstituição) tem uma substância científico-tecnológico- informacional. Não é um meio natural, nem meio técnico. A ciência, a tecnologia e a informação estão na 33
  • 34.
    Questões 1ª fase base mesma de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço, da mesma forma que participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). (...) Atualmente, apesar de uma difusão mais rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes, as novas variáveis não se distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim recriada é, ainda, desigualitária.” (SANTOS, Milton, Técnica, Espaço e Tempo, p. 51, grifo nosso) a) Considerando que a ciência, a tecnologia e a informação estão na base do funcionamento do espaço, cite dois países que podem ser considerados centros hegemônicos da economia mundial. Justifique suas escolhas. b) Como a África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico mundializado? Qual a razão dessa situação? Resposta a) Os dois países que podem ser considerados como pertencentes ao centro hegemônico da economia esperada mundial são Estados Unidos e Inglaterra. Pode-se citar também, juntamente com os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a França. São países que detêm os maiores avanços em conhecimento científico e tecnológico, incluindo a obtenção de tecnologia através dos altos investimentos em pesquisa científica, o que lhes dá grande poder na decisão sobre as formas de difusão das informações e do conhecimento e lhes permite influência direta na economia internacional. Outra maneira de justificar a escolha dos países seria explicar a influência dos mesmos na economia internacional: • através dos altos custos cobrados pela transferência de algumas tecnologias aos países que não as detêm; • pelo comércio de produtos com preços competitivos, propiciados pelo uso das novas tecnologias, entre as quais a biotecnologia, que permite a produção de novas espécies (vegetais e animais); • pelo controle das bolsas de valores e de comércio; e principalmente • pelo poderio bélico utilizado, por exemplo, quando existe o risco de perda de suas fontes de recursos naturais ou de seus mercados cativos, ou simplesmente para afirmar a sua hegemonia. (2 pontos) b) A África subsaariana está situada na periferia do espaço geográfico mundial, dele participando como fornecedora de produtos primários (principalmente minerais) e de mão-de-obra para serviços menos exigentes e desqualificados, atendendo principalmente o mercado europeu. Os motivos desta situação podem ser encontrados na história de colonização e exploração do continente africano por povos euro- peus que não permitiram o seu desenvolvimento técnico-científico, e o acesso à educação para a maioria de seus habitantes, além das desarticulações internas provocadas por guerras entre tribos e governos ditatoriais que contribuem para o estado de extrema miséria vivido pela maioria dos povos que habitam esta parte do continente africano – um exemplo da Geografia desigualitária criada no espaço geográfico atual. (3 pontos) Exemplo de nota Estados Unidos e Japão por serem centros irradiadores de tecnologia, pois investem pesado em ciência, acima da média pesquisas que garantem informação, garantindo o controle da economia mundial. Ela está atrasada, à parte do mundo globalizado, isso se deve a sua tardia descolonização, que agravou problemas étnico-sociais e econômicos, pois fixou fronteiras de países independentes que juntaram tribos rivais, agravando os conflitos, tirou a “ajuda financeira” das metrópoles, mas a dominação do modelo agrá- rio-exportador continuou agravando os problemas sociais, a fome e a miséria. Exemplo de nota Brasil e África. Por possuirem recursos necessários ao homem, como matéria-prima e mão-de-obra abaixo da média abundante. A África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico “pobre” pois não possui grandes riquezas naturais e pouco povoamento. Comentários Os vestibulandos não encontraram muita dificuldade para responder esta questão (média 2,11), que pode ser considerada uma das mais fáceis da prova, juntamente com as questões 6 (Geografia) e 9 (História), com médias semelhantes. Sosmente a questão 12 (Matemática) foi mais fácil que elas. Dentre os candidatos selecionados para a segunda fase, a média foi 2,76. 36% dos candidatos inscritos e 59% dos aprovados tiveram notas acima de 3. A porcentagem de zeros foi insignificante, apenas 4,5% dos inscritos e 3,0% dos aprovados obtiveram esta nota. As maiores médias foram para os candidatos da área de Biológicas: 2,25 para os inscritos e 3,06 para os aprovados; as menores ficaram com os candidatos da área de Artes: 1,70 e 2,27 respectivamente para os inscritos e aprovados. A maioria dos candidatos responderam bem o item a. Quase todos mencionaram Estados Unidos e Japão como países pertencentes ao centro hegemônico da economia mundial. A relação deste fato com o desenvol- 34
  • 35.
    Questões 1ª fase vimento técnico-científico também é respondida de forma satisfatória por uma quantidade expressiva de candidatos, como no exemplo citado de resposta acima da média. O fatos destes países (ou de empresas neles sediadas) realizarem grandes investimentos em ciência e tecnologia torna-os detentores de um conhecimento que pode ser utilizado para a obtenção e manutenção de poder econômico e político, pois possuem o controle das formas de difusão do conhecimento e da tecnologia. Entretanto são muitas as respostas justificando tal fato pelo óbvio, ou seja, afirmando que tais países ocupam esta posição por serem tecnologicamente avançados. Quanto ao item b, uma parte considerável de candidatos considerou a região sub-saariana da África, ou mesmo o próprio continente africano com um país, demonstrando um grave desconhecimento de conceitos fundamentais da Geografia, como país, região, lugar. Foram freqüentes também as respostas que justificam a extrema pobreza da região pelos fenômenos naturais: existência de áreas desérticas, pobreza em recursos naturais, localização na faixa equatorial. A maioria, entretanto, consegue identificar a posição marginal da África sub-saariana no mundo globalizado, mas é uma pequena parte que acerta as explicações para tal fato, apesar de o texto em que se baseia a pergunta trazer as pistas para, pelo menos, parte da resposta: A ciência, a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e de funcionamento do espaço. (...) Atualmente, apesar de uma difusão mais rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes, as novas variáveis não se distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim recriada é, ainda, desigualitária. Portanto, parte da explicação pode ser encontrada no próprio texto: como a ciência, a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e de funcionamento do espaço, a África sub-saariana não usufrui destas novas variáveis que se distribuem de maneira desigual pelo planeta. Os elementos explicativos para isso deveriam ser buscados no processo de colonização e descoloniza- ção tardia do continente africano, com a formação de estados nacionais, a partir da demarcação de fronteiras em desrespeito aos grupos étnicos pré-existentes, mergulhando a região em lutas e conflitos étnicos-sociais que contribuem para o estado de extrema miséria vivenciado pela maioria dos povos que habitam esta parte do continente africano. QUESTÃO 6 Estima-se que 1,5 milhão de pessoas vivem hoje às margens das represas Billings e Guarapiranga, áreas de mananciais responsáveis pelo abastecimento de água da Grande São Paulo, situação que ocorre de maneira semelhante em outros grandes centros urbanos do país. Embora haja atualmente uma legislação que permi- te a ocupação orientada dessas áreas, o fato é que ela continua ocorrendo à revelia do poder público. a) Do ponto de vista social, quais têm sido as justificativas utilizadas pelos moradores para a ocupação dessas áreas? b) Cite dois problemas relacionados ao meio ambiente provocados por esse tipo de ocupação. c) Por que as políticas públicas para planejar a ocupação dessas áreas foram insuficientes ou nem mesmo chegaram a ser aplicadas? Resposta a) Os moradores que ocuparam a área podem justificar sua ação alegando que: esperada • estas áreas encontravam-se “vazias” e eles não tinham nenhuma outra alternativa de moradia, ou seja, estavam vivendo em favelas ou nas ruas. • são pessoas pobres, com baixíssima renda, e que precisam ocupar terras para sobreviverem, pois não podem pagar aluguel. • estão morando na área há décadas e nunca foram impedidos de construir suas casas. Portanto, tem direito àquela área e devem ser indenizados em caso de remoção; • muitos compraram lotes e casas porque esse “comércio” não era combatido pelas prefeituras. (2 pontos) b) As críticas principais são a de que este tipo de ocupação é feita de forma desordenada, não atendendo à legislação e provocando muitos problemas ambientais, como o desmatamento, a impermeabilização do solo, a poluição das represas por esgoto e lixo, o que dificulta o uso das represas como manancial para abastecimento urbano. (1 ponto) c) As políticas de planejamento urbano, não existiram ou, quando existiram, não foram aplicadas ou foram insuficientes para conter a ocupação destas áreas. O poder público foi impotente para fiscalizar e conter essa ocupação e hoje se vê na contingência de ter que urbanizar estas áreas, pois não houve e não há uma política habitacional eficiente que impedisse isso no passado e que hoje possa remover todos os moradores destas áreas para locais mais adequados. Na falta de oferecimento de alternativas de moradia factíveis para amplas parcelas da população, a ação do poder público foi no sentido de ignorar a ocupa- ção clandestina dessas áreas. (2 pontos) 35
  • 36.
    Questões 1ª fase Exemplo de nota a) Os moradores alegam que não têm dinheiro para comprar casas em outros lugares, nem têm como pagar acima da média aluguéis. Outros dizem que foram enganados por pessoas que venderam lotes nessas áreas, ou culpam o governo pelo desemprego. b) Esse tipo de ocupação polui ainda mais as represas e destrói a vegetação das áreas dos mananciais, prejudicando-as. c) As políticas públicas foram insuficientes porque o governo não tem como fiscalizar toda a área as mar- gens das represas e mananciais. Além disso, o governo não tem onde colocar as pessoas que moram às margens das represas, pois sua política de habitação também é insuficiente. Exemplo de nota abaixo da média a) As justificativas são o fácil acesso as águas e uma condição de vida melhor. b) Os problemas são a poluição destas margens e as modificações ambientais que eles podem provocar vivendo ali. c) Porque os problemas ambientais não permitiram. Comentários Os candidatos não tiveram muitas dificuldades com esta questão (média 2,23), que pôde ser considerada uma das mais fáceis da prova, juntamente com as questões 5 (Geografia) e 9 (História), com médias seme- lhantes. Como já assinalamos anteriormente, somente a questão 12 (Matemática) foi mais fácil que elas. Dentre os candidatos selecionados para a segunda fase, a média foi 2,65. Como na questão anterior e de acordo com uma tendência mais geral, os candidatos inscritos na área de Biológicas obtiveram as maiores médias: 2,29 para os inscritos e 2,81 para os aprovados e as menores ficaram com os candidatos da área de artes: 1,96 e 2,33, respectivamente. Dentre os inscritos, 43% dos candidatos obtiveram notas acima de 3. Para os aprovados a porcentagem de notas acima de 3 é de 57%. A porcentagem de zeros foi, também, insignificante: apenas 9,8% dos inscritos obteve esta nota. A maior dificuldade dos candidatos ao responder questões como esta – que tratam de problemas urbanos, de condições de vida e sobrevivência nas cidades, é a de avançar em relação ao senso-comum. Muitas vezes, a problemática envolvida está muito próxima do cotidiano dos vestibulandos, o que leva muitos a responderem a questão a partir de sua vivência pessoal, o que, em geral, é muito pouco. Outros devem imaginar que, a partir de um raciocínio mais ou menos lógico e linear, podem chegar à resposta correta. Assim, já que se trata de ocupação de áreas de mananciais, afirmam que as pessoas mudaram-se para lá motivados pela existência de água para o consumo obtida gratuitamente, o que vai diminuir as despesas com a sobrevivência. Outros, a partir do mesmo raciocínio, imaginam que o que atraiu as pessoas para a área de manancial foi a possibilidade de obter lazer através da prática de esportes em área aprazível. Sem dúvida, isto também é possível; são inúmeros os loteamentos de alto e médio padrão nessas áreas, planejados anteriormente à promulgação de legislação restritiva. Mas, sem dúvida, não são estes loteamentos que podem explicar a existência de 1,5 milhão de pessoas vivendo às margens das represas Billings e Guarapiranga, como está enunciado na ques- tão. Portanto, uma resposta correta, no item a, precisa fazer referência aos problemas sociais que empurram os moradores das cidades para as áreas clandestinas: pobreza, desemprego, dificuldade de pagar os altos preços dos aluguéis ou da compra de um imóvel, em áreas melhor situadas devido à grande valorização da terra urbana, terrenos mais baratos, loteadores inescrupulosos que vendem terras em áreas sabidamente clandestinas, sem divulgar a informação aos compradores, existência de favelas ou de ocupações (invasões de áreas vazias e desocupadas que, sendo do poder público, seriam mais facilmente desapropriadas), antiga da área, quando não existia ainda uma legislação impedindo ou regulamentando esta ocupação. O item b foi o de mais fácil resolução: a poluição das águas, tornando-as impróprias para o abastecimento da população, encarecendo o processo de tratamento para torná-las potável e o desmatamento das áreas ribeirinhas foram as respostas mais encontradas . Os candidatos para responder o item c, em geral, valeram-se do mesmo tipo de raciocínio linear empregado para responder o primeiro item, como por exemplo: O governo quer controlar, mas não consegue. Muita gente morando nestas áreas, acaba com o problema de moradia para o governo, mas começa outro, o da poluição. Foi entretanto, expressiva a quantidade de candidatos que responderam este item de forma satisfatória, isto é referindo-se às dificuldades de implementação de políticas públicas conseqüentes, pra a resolução dos proble- mas sociais de forma mais abrangente. A menção às políticas habitacionais ineficientes face ao crescente au- mento da pobreza nos grandes centros seria a melhor alternativa para dar uma resposta correta para este item. 36
  • 37.
    Questões 1ª fase QUESTÃO7 O gráfico abaixo representa, em função do tempo, a altura em relação ao chão de um ponto localizado na borda de uma das rodas de um automóvel em movimento. Aproxime π ≅ 3,1. Considere uma volta comple- ta da roda e determine: 0,6 Altura (m) 0,4 0,2 0,0 0,0 0,1 0,2 0,3 tempo (s) a) a velocidade angular da roda; b) a componente vertical da velocidade média do ponto em relação ao chão; c) a componente horizontal da velocidade média do ponto em relação ao chão. Resposta a) ω = 2π = 2 x 3,1 = 62 rad/s (2 pontos) esperada ∆t 0,1 • Aceitamos 600 rpm, 10 rps ou 3600 °/s b) Vy = ∆y = 0 = 0 (1 ponto) ∆t ∆t c) Vx = ∆x = 2πr = 2 x 3,1 x 0,3 = 18,6 m/s ou v = ωr = 62 x 0,3 = 18,6 m/s (2 pontos) ∆t ∆t 0,1 Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média 37
  • 38.
    Questões 1ª fase Comentários Questão que explora o conceito de velocidade média, fundamental em cinemática, e que não deve ser confundido com a média das velocidades. QUESTÃO 8 Uma usina hidrelétrica gera eletricidade a partir da transformação de energia potencial mecânica em ener- gia elétrica. A usina de Itaipu, responsável pela geração de 25% da energia elétrica utilizada no Brasil, é formada por 18 unidades geradoras. Nelas, a água desce por um duto sob a ação da gravidade, fazendo girar 3 a turbina e o gerador, como indicado na figura abaixo. Pela tubulação de cada unidade passam 700 m /s de água. O processo de geração tem uma eficiência de 77%, ou seja, nem toda a energia potencial mecânica 3 2 é transformada em energia elétrica. Considere a densidade da água 1000 kg/m e g = 10 m/s . v Água H Turbina/Gerador v v Barragem a) Qual a potência gerada em cada unidade da usina se a altura da coluna d’água for H = 130 m? Qual a potência total gerada na usina? 9 b) Uma cidade como Campinas consome 6x10 Wh por dia. Para quantas cidades como Campinas, Itaipu é capaz de suprir energia elétrica? Ignore as perdas na distribuição Resposta ∆E ∆mgh ∆V a) P = η =η = ηρ 8 esperada gh = 0,77 x 1000 x 700 x 10 x 130 = 7,0 x 10 W (2 pontos) ∆t ∆t ∆t Ptot = 18 x 7,0 x 10 W = 1,26 x 10 W ≅ 1,3 x 10 W 8 10 10 (1 ponto) 9 1 6 x 10 Wh 9 8 b) PCampinas = = 4 x 10 W = 2,5 x 10 W 24h 10 10 1,26 x 10 1,3 x 10 NCampinas = 8 ≅ 52 Campinas ou NCampinas = 2,5 x 10 8 ≅ 50 Campinas 2,5 x 10 ou 11 3,1 x 10 NCampinas = 9 ≅ 52 ou 50 Campinas (2 pontos) 6 x 10 Exemplo de nota acima da média 38
  • 39.
    Questões 1ª fase Exemplo de nota abaixo da média Dados reais de Itaipu. Muitos candidatos encontraram valores absurdos e não fizeram uma conexão com a Comentários realidade. É preciso sempre ter em mente que Física é uma ciência que estuda o mundo real. QUESTÃO 9 Leia com atenção o texto abaixo, baseado em Das trevas medievais (...) de Carlo Ginzburg: Em 1965, a cidade de Nova York mergulhou numa imensa escuridão devido à pane de uma central hidrelé- trica, situada nas cataratas do Niágara. A cidade foi lançada bruscamente nas trevas e os jornais, confecci- onados manualmente, perceberam a extrema vulnerabilidade da sociedade industrial. Um escritor se inspi- rou nesse acontecimento e fez um livro de ficção chamado Uma nova Idade Média de amanhã. a) Que formas de energia estão envolvidas no processo de geração numa hidrelétrica? b) Qual o sistema de pensamento do século XVIII que fez a associação entre a luz e o progresso científico? c) Segundo esse sistema de pensamento, quais as características da Idade Média? Resposta Em a, valendo 1 ponto, energia potencial (gravitacional), mecânica (cinética) e elétrica. O item b, valen- esperada do 2 pontos, Iluminismo (Ilustração, Idade da Razão, Filosofia das Luzes). O item c também valia 2 pontos, sendo 1 ponto para cada característica da Idade Média de acordo com o Iluminismo: Idade das Trevas, atraso científico, irracionalismo, intolerância religiosa, misticismo, fanatismo religioso, teocentrismo, “domi- nada pela Igreja”, barbarismo, etc. Comentários Esta pergunta trazia uma novidade ao Vestibular da Unicamp, na medida em que a questão de História cobrava do aluno conhecimentos de Física. Pretendia-se assim mostrar ao aluno a natureza interdisciplinar do saber, que não é monopólio de nenhuma disciplina. Assim como os conteúdos de Física ou de qualquer outra disciplina podem ser trabalhados do ponto de vista histórico, a História também se vale dos conceitos elabo- rados por outras disciplinas. No exemplo da pergunta, para se entender o impacto histórico, social, ecológico, etc. de uma tecnologia ou da falta dela (aqui, no caso, uma falha na hidrelétrica), é necessário compreender minimamente as suas operações. Achamos bastante pertinente fazer uma experiência com este tipo de exer- cício, uma vez que hoje já não se justifica mais o ensino que busca impor e fixar limites entre diferentes campos do conhecimento. Nesse sentido, a prova caminha na direção dos novos parâmetros curriculares que vêm insistindo na interdisciplinaridade e na integração dos repertórios das ciências e das humanidades. A pergunta também apostava na capacidade de leitura do candidato, pois a resposta do item a desta questão se encontrava, propositadamente, no enunciado da questão 8 da prova de Física, o que passou 39
  • 40.
    Questões 1ª fase desapercebido para muitos candidatos. Foi surpreendente verificar que o mesmo candidato resolvia o proble- ma da questão 8 de Física mas não respondia corretamente a pergunta de História, o que nos leva a crer que o aluno aprende e assimila conteúdos de uma forma estanque e excludente, sem estabelecer relações entre diferentes áreas do saber. É como se, ao passar de uma disciplina para outra (de uma prova para outra), o candidato penetrasse num outro universo, passando através de um túnel, deixando uma bagagem de conhe- cimentos na entrada para apanhar uma outra na saída. Isso é sintomático de um ensino que precisa urgente- mente se renovar e superar os paradigmas que inspiram a sua prática. Os itens b e c abordavam conhecimentos bem gerais, como é de costume na primeira fase, e foram bem respondidos. Ainda assim, fica evidente que o candidato continua tendo dificuldade de trabalhar com metáfo- ras (como no item b onde luz significa razão, ciência ou “progresso”). Muitos candidatos, como em um dos exemplos adiante de nota abaixo da média, tomaram “luz” no seu sentido literal (energia ou eletricidade) e não conseguiram resolver o item. Exemplo de nota a) Numa hidrelétrica o processo de geração de energia envolve energia mecânica(potencial, no início e acima da média cinética, depois) e energia elétrica, obedecendo o seguinte esquema: Emecânica – transfere – Eelétrica (E=energia) b) O sistema de pensamento do século XVIII que fez a associação entre a luz e o progresso científico foi o Iluminismo. c) Segundo o Iluminismo, a Idade Média representou o período das trevas, da escuridão, mas não por falta de luz, mas sim pela falta de progresso cinetífico que se registrou naquela época. A principal responsável por isso foi a Igreja e seu teocentrismo que prejudicou imensamente os cientistas e seus trabalhos, impedindo novas descobertas e avanços. A Idade Média também se caracterizou pelo feudalismo, pelas Cruzadas e pelo domínio muçulmano na Europa. ou então: a) As formas de energia são potencial, mecânica e elétrica. b) O sistema de pensamento foi o Iluminismo. c) Segundo tal sistema de pensamento, a Idade Média pode ser caracterizada como a Era das Trevas, na qual o conhecimento estava estagnado e a ciência atrasada. Exemplo de nota a) A energia elétrica dada pela catarata do Niágara abaixo da média b) É dada na época pelo cientista Engels c) Uma burguesia rica, pensamento socialista... ou então: a) Está envolvida a vulnerabilidade da sociedade industrial b) A cidade foi lançada bruscamente nas trevas c) Como será a nova Idade Média amanhã ou então: a) Energia mecânica, potencial, cinética e da água. b) Foi a descoberta da eletricidade por um cientista. c) As características da Idade Média são: o medo da ciência e das descobertas o aparecimento de grandes gênios mundiais. QUESTÃO 10 Os estudos sobre a colonização no Novo Mundo destacam a produção e a comercialização do açúcar, do tabaco e do café. Entretanto, a importância do cultivo de algumas plantas americanas, responsáveis pela sedentarização e sobrevivência do homem em diversas partes do mundo, desperta menor atenção entre os estudiosos. No campo das ciências é surpreendente avaliar as origens deste admirável “capital biológico” transplantado da América para a Europa Tendo em vista esta proposição: Cite duas plantas americanas importantes para a história da alimentação da Europa e do mundo e indique quais os povos americanos que as cultivavam. Explique de que modo o cultivo destas plantas americanas na Europa favoreceu o processo de urbanização dos séculos 18 e 19. 40
  • 41.
    Questões 1ª fase Resposta No item a não se esperava uma resposta dissertativa e explicativa. O candidato deveria relacionar algu- esperada mas plantas oriundas da América com os respectivos povos que as cultivavam. Entretanto, o candidato não deveria perder de vista que a pergunta se referia às plantas que, depois da “descoberta” da América, foram levadas e cultivadas na Europa. Assim, era possível fazer algumas correlações entre as plantas, dentre elas, o milho cultivado por astecas e indígenas da América do Norte, o tomate cultivado pelos astecas; a batata pelos incas. As respostas equivocadas neste item foram devido ao esquecimento dos candidatos de que só eram válidas as plantas que não apenas foram cultivadas na América mas também levadas para o plantio na Europa. Este item da questão valia 3 pontos. No item b o candidato deveria saber relacionar o processo de industrialização ocorrido na Europa e a possibilidade de cultivo dessas plantas para a alimentação de populações urbanas. Pela adaptação delas na Europa, acabaram por se constituir em base de alimentação dessas populações, possibilitando o aumento demográfico . Dentre estas plantas destaca-se principalmente a batata, alimento indispensável para os trabalhadores na época da revolução industrial inglesa do final do século XVIII. Entretanto, o candidato poderia se lembrar também da importância do tomate para a culinária italiana e do milho para diversos povos europeus. Muitos candidatos se lembraram da disseminação do gosto europeu pelo chocolate, embora esta planta não tenha sido levada para a Europa para o cultivo. Neste caso, por se tratar de um derivado de planta americana muito aceito na Europa, resolvemos levar em consideração este tipo de resposta. Este item valia 2 pontos. Esta questão foi elaborada com o objetivo de fazer o candidato estabelecer relações de trocas culturais Comentários entre povos. Evidentemente, o seu conteúdo era pouco conhecido, mas esperávamos que ele pudesse apreen- der o “espírito” da questão. Não se explora nos currículos escolares a questão das trocas culturais e quando este conteúdo é dado ao aluno, na maioria das vezes é para ele aprender de que maneira as culturas america- nas absorveram valores e costumes europeus. Pouco se fala da maneira como os europeus absorveram hábi- tos e costumes dos povos americanos. Assim, o que esperávamos era a percepção de que ocorreram trocas culturais entre a América e a Europa, evidentemente não simétricas. No outro item da questão também esperávamos uma resposta mais dedutiva do que de conhecimento de conteúdo. Sabíamos, de antemão, que o assunto do cultivo de plantas e do processo de urbanização é pouco abordado em sala de aula, no máximo restringindo-se ao período da antiguidade e à revolução agrícola com a conseqüente sedentarização. Assim, procuramos nesta questão perceber de que maneira os candidatos pode- riam extrapolar estas relações entre o cultivo das plantas e os processos de sedentarização e urbanização para a história européia do século XVIII. Exemplo de nota a) Duas plantas que merecem destaque para a alimentação da Europa e do mundo e que são cultivos acima da média americanos são a batata plantada pelos incas e o milho pelos índios americanos. b) O cultivo dessas plantas americanas na Europa favoreceu o processo de urbanização do Séc. XVIII e XIX na medida em que aumentou a oferta de alimentos para a população, já que o seu cultivo era simples. Em função do aumento da oferta de alimentos a população deslocou-se para os centros urbanos, o que aliado a outros fatores resultou na industrialização. Exemplo de nota a) Cana de açúcar e café pelos indígenas abaixo da média b) Favoreceu o modo de que com o cultivo dessas plantas começaram a exportar criando capitalismo, crescendo assim o capital QUESTÃO 11 O mundo tem, atualmente, 6 bilhões de habitantes e uma disponibilidade máxima de água para consumo 3 3 em todo o planeta de 9000 km /ano. Sabendo-se que o consumo anual per capita é de 800 m , calcule: 3 a) o consumo mundial anual de água, em km ; b) a população mundial máxima, considerando-se apenas a disponibilidade mundial máxima de água para consumo. Resposta 9 a) A população mundial atual é de 6 bilhões de habitantes, ou seja, 6 .10 habitantes. Como cada habitan- esperada 3 3 te consome 800m de água por ano, o consumo anual, em m , é de. Como a resposta deve ser dada em 3 3 3 3 –9 3 km , é necessário converter m para km . Como 1m corresponde a 10 km , equivalem a. 3 Resposta: O consumo mundial anual, atualmente, é de 4.800km . (2 pontos) v 41
  • 42.
    Questões 1ª fase v b) O texto do problema informa que a disponibilidade mundial máxima de água para consumo, em todo o 3 –9 3 planeta, é de 9000km . Como o consumo per-capita é de 800.10 km , a população mundial máxima é –9 9 dada por: 900 / 800 . 10 = 11,25 . 10 . Resposta: A população mundial máxima, considerando-se apenas a disponibilidade mundial máxima 9 de água para consumo, é de 11,25 . 10 habitantes, ou seja: 11 bilhões e 250 milhões de habitantes. (3 pontos) Comentários Esta questão foi considerada adequada aos objetivos da primeira fase: uso de unidades, operações ele- 6 3 3 mentares, raciocínio. Alguns candidatos usaram 10 para bilhões ou erraram na conversão de m para km . Entretanto, as maiores dificuldades foram o uso incorreto de dados numéricos e aproximações impróprias. A nota média nessa questão foi de 1,49 na escala (0 – 5), considerando-se todos os candidatos presentes e de 2,80 considerando-se apenas os candidatos aprovados. QUESTÃO 12 Neste ano, para obter as notas da primeira fase de seu vestibular, a Unicamp está usando, da seguinte forma, a nota da prova do Enem: sejam U a nota da primeira fase da Unicamp, E a nota da prova de conhecimentos gerais do Enem e NF a nota final de cada candidato. Se U ≥ E, então NF = U e se U < E, E + 4U então NF = . Suponha que algumas das notas dos candidatos A, B, C, X e Y sejam as apresentadas 5 na tabela abaixo: Estudante U E NF A 6,0 5,0 B 5,5 5,5 C 5,0 6,0 X 6,0 Y 6,0 a) Calcule as notas finais dos candidatos A, B e C. b) Sabendo-se que as notas do candidato X são tais que E=2U e que as notas do candidato Y são tais que U = 2E, calcule as notas obtidas por esses dois candidatos. ATENÇÃO: Se suas respostas forem dadas através da tabela, não deixe de apresentá-la por completo no caderno de resposta. Resposta a) A tabela informa que o candidato A teve nota 6,0 na Unicamp e nota 5,0 no Enem; logo, para esse esperada candidato, U > E e, portanto, NF = U = 6,0. Para o candidato B, as notas apresentadas na tabela foram: U = 5,0 e E = 5,5, ou seja, U = E e, portanto, NF = 5,5. Para o candidato C, temos: E + 4U 6 + 4.5 U = 5,0 e E = 6,0. Sendo nesse caso, U < E, temos: NF = = = 5,2. 5 5 Assim a nota final do candidato C é 5,2. Resposta: As notas finais dos candidatos A, B e C foram, respectivamente, 6,0; 5,5 e 5,2. (2 pontos) b) Para o candidato X, temos: E = 2U. Se fosse igual a zero, então E e NF também seriam iguais a zero, o que não é o caso visto que a tabela informa que, para esse candidato, NF = 6,0. Então U ≠ 0 e, E + 4U 2U + 4U 6U portanto, U < E e NF = = = = 6,0 o que implica U = 5,0 e E = 10,0. 5 5 5 Para o candidato Y, U = 2E; se E = 0, então U = 0 e NF seria também igual a zero, o que não ocorre. Logo, E ≠ 0 e, portanto, U > E e, por isso, NF = U = 6,0 e E = 3,0. Resposta: As notas do candidato X são: U = 5,0 e E = 10,0. As notas do candidato Y são: U = 6,0 e E = 3,0. (3 pontos) Observação: As respostas poderiam ser dadas através da tabela completa, devidamente justificada atra- vés dos cálculos correspondentes. Esta questão foi muito apropriada para avaliar o uso de informações e raciocínio lógico; envolve apenas Comentários conteúdos de Matemática do Ensino Fundamental e o desempenho dos candidatos foi satisfatório. A média final nessa questão foi de 3,15 na escala (0 – 5) computadas as notas de todos os presentes, ou seja, 42.000 candidatos. 42
  • 43.
  • 44.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa 1. As questões de língua portuguesa A prova de Língua Portuguesa obedeceu no Vestibular 2000 aos mesmos pressupostos que vêm norteando sua elaboração desde que a Unicamp decidiu criar um vestibular próprio. Um desses pressu- postos é o de que, na sociedade em que vivemos, qualquer pessoa é constantemente chamada a produzir e interpretar mensagens verbais extremamente diversificadas, num sem número de situações distintas, e a capacidade de interagir lingüisticamente é fundamental para garantir uma inserção social construtiva. Isso vale para qualquer indivíduo e, com maior razão, para profissionais de nível universitário, pois deles se espera que utilizem a linguagem não só para se expressarem respeitando as etiquetas de seu próprio grupo social e de outros com os quais interagem, mas também para analisar e interpretar situações, formular soluções e criar novos saberes, intervindo na realidade de maneira sensível e criativa. O ensino tradicional de Português está interessado principalmente na assimilação da nomenclatura gramatical, na ortografia e no domínio da norma culta. As provas que mediriam tal competência pouco têm a ver com a função de intervenção e descoberta da qual a linguagem é instrumento. Por isso, a Unicamp decidiu que sua prova de língua seria o que o nome diz, uma prova de língua, e não apenas uma prova de gramática. Fiel a essa posição, tem proposto exames em que se cobra do candidato algo mais que a capacidade de utilizar corretamente a variedade lingüística culta, ou de aplicar corretamente a nomenclatura com que foram tradicionalmente descritas as estruturas da língua portuguesa. Ao longo dos últimos vinte anos, a adoção dessa atitude ajudou a colocar em seu devido lugar a gramática (e algumas gramatiquices), criando espaço para a redação e as respostas discursivas. Aliada à preocupação de verificar nas questões de literatura a capacidade de ler criticamente obras literárias, a prova de Português do Vestibular da Unicamp vem produzindo uma profunda mudança na maneira como a linguagem é encarada no ensino médio e superior. Trata-se de uma autêntica mudança de mentalidade que – é fácil compreender – deixa às vezes desconcertados os seus próprios agentes. Aos professores secundários e dos cursinhos, impõe-se a tarefa nem sempre fácil de planejar atividades voltadas para o uso real da linguagem e para os aspectos cognitivos e criativos da competência lingüística; para os corretores, cria-se a obrigação de refazer e avaliar o raciocínio do candidato; para este último, sobra a dificuldade à primeira vista desconcertante de enfrentar uma prova essencialmente aberta. Como preparar-se para uma prova com essas características? Antes de mais nada, é psicologicamente interessante que o candidato se convença de que uma prova de língua não é necessariamente mais difícil que uma prova de gramática. Comentar a maneira como as pessoas se expressam, valorizar uma boa resposta, apontar na fala (própria e dos outros) as expressões que verdadeiramente fizeram diferença, explicar por que um texto não realizou os objetivos a que se propunha, observar diferenças no modo de falar que caracterizam pessoas ou grupos são atos que qual- quer falante de uma língua realiza corriqueiramente, não importando sua idade e seu grau de instrução; a prova de língua da Unicamp valoriza o candidato que se acostumou a investir algum tempo e alguma energia nesse trabalho de observação e comentário sobre como a língua funciona. Também é importante perceber que, ao privilegiar questões de língua, a Unicamp valoriza o candidato como pessoa inserida numa comunidade lingüística na qual se vivem problemas reais, em vez de tratá-lo como um aluno de quem se cobram os efeitos de um treinamento cujo horizonte é principalmente a escola. Como ficou apontado acima, a língua é importante demais para ser confundida com a representa- ção que dela nos legaram as gramáticas. A primeira orientação prática ao vestibulando consiste em repetir algo já muito comentado: que a prova de língua do Vestibular Unicamp é essencialmente uma prova de leitura. Convém repetir essa observação aparentemente banal, em primeiro lugar porque continua acontecendo algo bastante preocu- pante: muitos candidatos precipitam-se em responder sem a adequada reflexão sobre os enunciados propostos, e cometem erros bobos, que seriam evitados se o enunciado das questões fosse bem lido. A prova é de leitura também num outro sentido, igualmente importante: todas as perguntas têm sido a respeito de textos breves (frases, slogans, histórias, anedotas, tiras, etc.), e só responde bem quem for capaz de ler e interpretar corretamente esses breves textos. Para dar uma boa resposta, é fundamental entender os propósitos desses textos, situá-los e perceber o que os torna interessantes. Eles terão que ser comentados, mas esse comentário deve basear-se no que dizem, implícita ou explicitamente. A menos que haja instrução em contrário, não se trata de “inventar” a partir da leitura, mas de ser fiel à intenção do texto, ao seu espírito e, algumas vezes, à sua letra. A prova de língua da Unicamp é, tipicamente, uma prova aberta, mas é a esta altura uma prova que tem uma história da qual o candidato pode tirar proveito. O que se quer dizer com isso é que a melhor maneira de ver como funciona a prova de língua do Vestibular Unicamp consiste em analisar não só as questões do Vestibular 2000, que vêm comentadas nesta publicação impressa, mas também as mais antigas, que se encontram em várias brochuras distribuídas pelas escolas e, em formato eletrônico, no v 44
  • 45.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa v site www.convest.unicamp.br. Recomendamos que o candidato se debruce sobre essas provas e que procure tomar conhecimento dos comentários que foram feitos a respeito das mesmas. No decorrer desse exercício, deveria ficar claro que, embora os fatos lingüísticos analisados tenham sido os mais variados (particularidades fonéticas, diferenças regionais e de registro, questões de sentido, coesão e coerência, etc.), eles receberam um tratamento que obedece, no fundo, a um padrão bastante uniforme. Tentemos descrever resumidamente esse padrão, que emerge das provas propostas até o momento. Como já lembramos, toda pergunta se refere a um pequeno texto. A própria pergunta dá as informações contextuais necessárias à compreensão desse pequeno texto, e propõe ao candidato um problema a respeito do mesmo. Assim, em algumas perguntas, o candidato é chamado a observar e comentar formu- lações, passagens e trechos que o tornam particularmente eficaz (ou ineficaz) para os propósitos a que se propõe (uma escolha verbal inadequada pode, por exemplo, provocar uma segunda leitura, engraçada, num texto que se pretende sério; um uso inadequado de recursos coesivos pode prejudicar a compreen- são, etc.; inversamente, um jogo de palavras feliz pode dar mais impacto à tese que o texto defende). Outras perguntas pedem ao candidato algum tipo de “leitura entre as linhas”, isto é, que tire conseqüên- cias autorizadas pelo texto, ou explicite propostas que, no texto, são apenas implícitas. Com um pouco de reflexão, percebe-se que as tarefas exigidas para responder à prova de língua não têm nada de misterioso: são exatamente as mesmas que qualquer usuário da língua realiza quando discute um texto importante depois de uma leitura atenta. Se, além disso, lembrarmos que os textos são tirados em geral de grandes veículos de comunicação, é imediato concluir que um bom preparo é uma boa leitura desses mesmos veículos, atenta não só aos conteúdos, mas também à maneira como esses conteúdos são trabalhados lingüisticamente. É isso que se recomenda, em conclusão. Antes de encerrar, convém porém repetir aqui dois lembretes que constaram do Caderno de Questões de 99 e que continuam válidos. O primeiro é que o candidato não precisa temer “pegadinhas” e formula- ções capciosas. Esse tipo de armadilha não faz sentido no modelo de prova proposto. O outro lembrete é que o candidato pode contar com corretores que se esforçarão ao máximo para entender o que ele, candidato, quis dizer em sua respostas; mas é sempre bom lembrar que os corretores só dispõem, para isso, do próprio texto que o candidato terá redigido. Convém, portanto, que também o candidato se imagine na situação dos corretores, e que procure escrever de maneira clara, concisa e relevante, respon- dendo ao que foi perguntado, evitando divagações. Controlar o que funciona (ou não funciona) num texto e tirar conseqüências que vão além de seu sentido literal ou fatual são práticas para as quais todo estudante de escola superior e todo profissional de nível universitário precisariam estar dispostos, num mundo em que o bombardeio de informações é cons- tante. Da mesma forma, é sempre desejável (e altamente democrático) que as pessoas procurem interagir considerando o ponto de vista dos outros; uma maneira de fazê-lo, quando escrevemos, é imaginar como seríamos lidos por alguém que tem uma história diferente da nossa. A prova de língua do Vestibular Unicamp cobra dos candidatos esses dois tipos de disposição, e nós acreditamos que isso seja uma atitude de respeito para com você, o que faz uma enorme diferença. Obs: Para todas as questões da prova, além das respostas esperadas, fornece-se um exemplo de resposta ruim (Candidato A) e um exemplo de boa resposta (Candidato B). A comparação com a resposta esperada permitirá a descoberta dos problemas da resposta ruim, por um lado, e da relativa liberdade de responder adequadamente às questões da prova. QUESTÃO 1 45
  • 46.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa O tema desta tira é, tecnicamente falando, um “neologismo semântico”, isto é, um novo sentido – surgido há alguns anos –, assumido por uma palavra que já existia. A palavra em questão é o verbo “ficar”, que ocorre três vezes. a) qual (ou quais) das ocorrências representa(m) um sentido mais antigo do verbo “ficar”? Qual(is) representa(m) o novo sentido? b) qual a palavra que mais provavelmente preencheria as reticências da terceira fala? c) a última fala pode ser interpretada como sendo irônica. Por quê? Resposta a) a terceira ocorrência de “ficar” tem o sentido mais antigo; nas duas primeiras falas, as ocorrências têm o esperada sentido novo. (2 pontos) b) A palavra “grávida”. (1 ponto) c) Por que a conversa não foi nada clara; aliás, foi vaga, reticente / A conversa foi o contrário do que o pai diz que foi. (2 pontos) Para responder corretamente, o candidato precisaria ser capaz de comparar as diferentes ocorrências do Comentário verbo “ficar”, percebendo que ilustram dois sentidos diferentes da palavra, que hoje convivem na língua: num sentido mais antigo, que corresponde a um uso compartilhado por diferentes gerações e é ilustrado pela segunda fala do pai, “ficar” é um verbo de ligação (ficar preocupado, ficar rico, ficar...grávida) que indica mudança de estado. Num sentido mais novo, mais corrente entre os jovens, “ficar” indica um certo tipo de relacionamento entre pessoas de sexos opostos, que é diferente tanto do namoro e do noivado quanto do casamento tradicionais. Ao pai que quer compreender melhor esse tipo de relacionamento, o filho responde com uma definição circular, que nada esclarece (“ficar é ficar”), sugerindo que não é possível compreender a nova forma de relacionamento, a não ser vivendo-a. A última fala do pai é um comentário sobre todo o diálogo anterior. Para avaliar essa fala do pai, o candidato precisaria reconhecer que o diálogo anterior foi pouco esclarecedor e pouco explícito, justamente o oposto do que se espera de uma “conversa às claras”. Exemplos de Candidato A respostas a) Quando o primeiro interlocutor se preocupa com a moça, se ela vai ficar preocupada ou assumir outras atitudes ou ter sentimentos. As ocorrências que representam o novo sentido é a descoberta do que é ficar e a esclarecida que o segundo interlocutor dá. b) A palavra poderia ser: com outro. c) Porque o interlocutor quer demonstração e saber praticar o que é ficar. Candidato B a) A ocorrência que representa o sentido mais antigo para o verbo “ficar” é na fala do homem: “Não há perigo dela ficar...” e a que representa um novo sentido se encontra no diálogo entre o homem e o menino, quando o primeiro pergunta o que é ficar e o segundo responde que é “ficar com uma garota”. b) A palavra que preencheria as reticências da terceira fala é “grávida”. c) Sim, a última fala pode ser interpretada como sendo irônica, pois o homem diz ao menino que eles precisam ter mais conversas “às claras” como esta, sendo que esta conversa não foi às claras, os diálogos não explicaram exatamente o que se perguntava e nem terminava algumas frases, deixando subentendi- do. QUESTÃO 2 Perguntado em fins de 1997 pelo Jornal das Letras (Lisboa) se seu nome seria uma boa indicação para o Prêmio Nobel de Literatura, junto com os nomes, sempre lembrados pela imprensa, de José Saramago e António Lobo Antunes, o escritor português José Cardoso Pires deu a seguinte resposta: “A Imprensa tem lá as suas razões. Durante anos e anos passei a vida a assinar papéis a pedir um Nobel para um escritor português e isso não serviu de nada. De modo que o facto da Imprensa agora prever isto ou aquilo... Uma coisa eu sei: o Prémio Nobel dado a um escritor português de qualidade beneficiava todos os escritores portugueses. Que todos gostariam de ter o Prémio Nobel também é verdade, mas se um ganhar ganhamos todos. De qualquer modo o critério actual é o dos mais traduzidos e os mais traduzidos são o Saramago e o Lobo Antunes. Eu sou menos. Mas isso não me preocupa nada. Sinceramente”. a) aponte, na resposta de Cardoso Pires, as características de acentuação e de grafia que a identificam como um texto em português europeu. b) aponte, na mesma resposta, as construções que a caracterizam como um texto de português europeu, e dê os prováveis equivalentes brasileiros dessas construções. 46
  • 47.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa c) sabemos que o Nobel de Literatura foi ganho em 1998 por José Saramago. A partir de qual passagem do texto poderíamos desconfiar que, na opinião do entrevistado, não necessariamente o vencedor é o me- lhor? Resposta a) acentuação: Prémio (duas vezes); grafia: facto, actual (2 pontos) esperada b) As construções típicas do português europeu são beneficiava, a assinar, a pedir; os equivalentes brasilei- ros são beneficiaria, assinando, pedindo. (2 pontos) c) “...o critério actual é o dos mais traduzidos” (1 ponto) Comentário Para responder às perguntas a e b, bastaria que o candidato fizesse uma revisão do texto, atentando para os aspectos da ortografia e da sintaxe que não são próprios do português brasileiro culto. Para responder à pergunta c, ele precisaria perceber que Cardoso Pires não responde à pergunta do entrevistador que é sobre “melhores autores”, mas a reformula em termos de “autores mais traduzidos”. Os prêmios Nobel, geralmente, não vão aos melhores escritores, mas aos mais traduzidos; portanto o critério não é estético, e sim mercado- lógico. Cardoso Pires diz com todas as letras que seus concorrentes são mais traduzidos do que ele. Não é difícil, a partir deste ponto, concluir que ele evita uma avaliação estética para não parecer arrogante. Exemplos de Candidato A respostas a) “Lá”, “papéis”, são exemplos de acentuação. Já de grafia encontramos: “facto”, “actual”. b) ..................................................... c) “Mas isso não me preocupa”. Candidato B a) Pode-se identificar o texto como sendo em português europeu nas seguintes passagens: 1. de modo que o facto... 2. O prémio Nobel dado a ... 3. O critério actual é o... b) E também nas seguintes construções: 1 “passei a vida a assinar papéis a pedir um ...”, 2. Beneficiava todos os... onde os prováveis equivalentes brasileiros seriam 1. Assinando, pedindo 2. beneficiaria. c) De qualquer modo o critério atual é o dos mais traduzidos. QUESTÃO 3 A edição de 30 de janeiro de 1998 do Noite e Dia (Feira de Santana, BA) trazia, na seção Zé Coió, a seguinte história: Vou pegar o talão! Cansado de não vender nada na sua loja, João pegou o carro e saiu pelo interior para vender seus produtos. Depois de 15 dias sem tirar um só pedido, sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. De repente viu uma garrafa e chutou. A garrafa deu meia volta e chegou junto. João tornou a chutar e a garrafa deu outra meia volta e ficou bem ao seu lado. João pegou a garrafa, começou a acariciar e de repente surgiu uma voz que disse: — Você tem direito a três pedidos! João levantou correndo e disse: — Espere aí que eu vou buscar o talão. Cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá. a) a seqüência “Cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá, cá.” não faz parte da história. Explique por quê. b) a fala final de João, retomada no título, revela um equívoco fundamental na identificação de quem fala de dentro da garrafa. Em que consiste esse equívoco? c) transcreva as palavras que, no diálogo entre as duas personagens, permitem articular a resposta de João com sua experiência prévia de vendedor itinerante. Resposta a) Porque não acrescenta nenhum outro fato à história / porque se trata de uma reação do narrador e/ou do esperada ouvinte, não de alguma personagem / porque antecipa a reação do ouvinte da história. (1 ponto) b) João entende que se trata de um cliente fazendo pedidos, quando se trata de um “gênio da garrafa” (conforme lendas das Arábias) oferecendo-se para satisfazer três pedidos (=desejos) quaisquer de João / O equívoco de João consiste no fato de que não consegue sair da situação de vendedor. (2 pontos) c) As palavras são “pedidos” e “talão”. (2 pontos) O segredo de uma boa resposta à questão 3 é uma boa compreensão da anedota à qual ela se refere, uma Comentário das tantas em que uma personagem de pouca imaginação desperdiça a grande chance de sua vida porque não 47
  • 48.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa soube reconhecê-la. Para as perguntas b e c é relevante que o João da história, embora tenha sido milagrosa- mente transportado para um mundo de fábula em que todas as possibilidade lhe são abertas, continua raciocinando como o vendedor desesperado que era minutos antes, a tal ponto que confunde o gênio da garrafa com um possível freguês e sai à procura do talão tão logo o gênio usa a palavra crucial “pedidos”. O item a obrigava o candidato a separar a anedota propriamente dita do efeito que sua narração deveria provocar no leitor, assim como se separa a história e a moral da história, o espaço reservado ao narrador e o espaço reservado ao ouvinte-leitor. Exemplos de Candidato A respostas a) Porque João sai aos risos do local em que ele estava descansando, ironizando a voz que vinha da garrafa. b) Do qual João pensa que a voz que vem de dentro da garrafa também está na mesma situação em que João está, desesperado para vender alguma coisa, e quando a voz da garrafa lhe oferece três pedidos, João corre para buscar o seu talão mostrando que ele tem condições de apontar mais os três pedidos. Candidato B a ) Porque a seqüências Cá, cá, cá... representa os risos do leitor, os supostos risos provocados pelo texto. b) João achou que a “voz” estava lhe concedendo direito de receber três pedidos de compra da suposta voz, achou que ela iria comprara três mercadorias dele. Na verdade, ela estava conferindo a ele o direito de fazer três pedidos, três desejos para ela realizar. c) As palavras são: “pedidos”, “talão”. QUESTÃO 4 O texto abaixo foi extraído de uma seção que divulga “novidades” científicas. Leia-o e responda às questões que se seguem: Idosa precoce – Dolly é uma cópia tão exata da ovelha de cuja mama os cientistas do Instituto Roslin tiraram uma célula para clonar, que já nasceu “velha”. Quando veio ao mundo, o interior de suas células já apresen- tava traços não de uma filhote, mas de um animal adulto. É o que os biólogos escoceses revelaram na revista Nature. O problema está nos telômeros, apêndices dos cromossomos que compõem o material genético. Os de Dolly são 20% mais curtos do que deveriam ser numa ovelha de sua idade. Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo das vida. Eventualmente, ficam tão pequenos que a célula perde essa capacidade. Nesse sentido, os telômeros estão fundamentalmente liga- dos ao envelhecimento. Como Dolly foi criada a partir de uma célula adulta, seus telômeros são curtos. Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar. (...). (ISTO É 1548, 02/06/99). a) o que é caracterizado como problema e como ele é explicado? b) cite a passagem do texto que expresse uma verdade genética dada como conhecida de todos e transcre- va a expressão que indica que esse conhecimento é compartilhado. c) cite uma passagem do texto que expresse uma hipótese. Resposta a) O problema é que Dolly nasceu velha / não filhote; a explicação é que essa característica se deve ao esperada comprimento dos telômeros. Ou: O problema é que Dolly nasceu velha / nasceu com os telômeros curtos, o que a caracteriza como um animal velho; a explicação é que foi gerada por clonagem. (2 pontos) b) Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo das vida; a expressão é “sabe-se”. (2 pontos) c) Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar / A hipótese é que ter nascido com os telômeros mais curtos acarreta envelhecimento precoce da ovelha . (1 ponto) Escrito com objetivos de divulgação para um público não especializado em genética, o trecho a que se Comentário refere a questão 4 faz um balanço de alguns desenvolvimentos científicos recentes, que estabeleceram uma relação inesperada entre clonagem e envelhecimento. As três perguntas orientam no sentido de extrair do texto a) um problema, b) uma verdade consensual, c) uma hipótese, o que pode ser feito de maneira inteiramente intuitiva. Verdades estabelecidas, problemas e hipóteses são, evidentemente, conteúdos aos quais o cientista precisa atribuir funções muito diferentes, em sua atividade de investigação e de sistematização de conheci- mentos, mas são também conteúdos que distinguimos porque a língua nos proporciona para eles formas de representação diferenciadas. A análise solicitada por esta pergunta dá uma idéia do importante papel que a linguagem desempenha na criação e sistematização de conhecimentos. 48
  • 49.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa Exemplos de Candidato A respostas a) Telômero; através do oposto. b) “Apêndices dos cromossomos que compõem o material genético”; “Os de Dolly são...”. c) “Nesse sentido os telômeros estão fundamentalmente ligados ao envelhecimento”. Candidato B a) A presença dos telômeros curtos é caracterizado como problema. Esse problema é explicado através do fato de Dolly ter sido criada a partir de uma célula adulta. b) A passagem do texto que expressa uma verdade genética dada como conhecida de todos é a seguinte: “Sabe-se que o comprimento dos telômeros diminui à medida que as células vão se dividindo ao longo da vida”. A expressão que indica esse compartilhamento é a expressão “sabe-se”. c) A passagem do texto que expressa uma hipótese é: “Se essa anomalia pode acarretar o envelhecimento precoce da ovelha ou não é outra história ainda a investigar”. QUESTÃO 5 Leia o texto abaixo, que apresenta outra “novidade” científica Raposa na pele de cordeiro – Os golfinhos sempre tiveram uma das mais agradáveis imagens do mundo animal. Dóceis e úteis, permeiam a literatura infantil com gestos dignos do melhor samaritano. Flipper que o diga. Bom, descobriu-se que a coisa não é bem assim. Seguindo um rastro de evidências perturbadoras, cientistas de vários países, que vêm estudando com mais cautela o comportamento desses mamíferos, chegaram a uma triste conclusão: os golfinhos estão longe de ser aquelas criaturas felizes e pacíficas. Foram observadas práticas de infanticídio – golfinhos adultos matando filhotes – e morte em série de outros mamíferos aquáticos. Em locais tão distantes entre si quanto a costa americana e a da Irlanda, os golfinhos usam seu bico pontudo e dentado como clavas para bater e retalhar suas presas. Mas, diferentemente de outros animais carnívoros, eles não comem um pedaço sequer de suas vítimas. Como a espécie é muito social com humanos, teme-se que essa violência possa se repetir em parques aquáticos ou cidades costei- ras, onde há muita proximidade com golfinhos. (ISTOÉ 1554, 14/07/99) a) suponha que alguém não saiba nada sobre golfinhos. Como os classificaria, do ponto de vista da zoolo- gia, com base nas informações fornecidas pelo texto? b) qual o receio expresso na última frase do texto, e o que o justifica? c) Nas fábulas, o inimigo do cordeiro não é a raposa. Tendo isso em conta, qual deveria ser o título deste texto? Resposta a) Os golfinhos são mamíferos (aquáticos) e carnívoros. (2 pontos) esperada b) O receio é que os golfinhos ataquem humanos; a razão é que nos parques aquáticos freqüentemente há golfinhos e nas cidades costeiras, golfinhos poderiam ter acesso a humanos. (2 pontos) c) Lobo na pele de cordeiro. (1 ponto) Comentário Mais uma vez, responderia bem à questão quem tivesse uma compreensão adequada do texto, que fala de golfinhos, a propósito de algumas descobertas recentes que põem em dúvida sua docilidade e sua sociabilida- de com os humanos. Em a, pedia-se ao candidato que extraísse do texto uma classificação zoológica dos golfinhos: para isso, bastaria observar que o texto fala às vezes desses animais como um conjunto que pode ser isolado num conjunto maior: “esses mamíferos”, “[os golfinhos e] outros [animais que, como os golfinhos são] mamíferos aquáticos”, “[outros] animais carnívoros”; b pedia, em resumo, que o candidato, tendo lido no texto que os golfinhos matam outros mamíferos aquáticos e sabendo que os seres humanos são mamíferos que se aventuram em águas freqüentadas pelos golfinhos, principalmente em cidades costeiras e parques aquáti- cos, tirasse a conclusão de que os golfinhos representam risco para os seres humanos. Para responder a c, bastava lembrar que o inimigo tradicional do carneiro é o lobo, chegando assim ao ditado “lobo em pele de carneiro”. Exemplos de Candidato A respostas a) Se classificaria o golfinho sendo um animal extremamente perigoso, comparando às vezes até mesmo com o tubarão. b) O receio é que as atitudes do golfinho possa se repetir em parques aquáticos ou cidades costeiras, onde há muita proximidade com eles. c) Seria: Cordeiro na pele de Raposa. v 49
  • 50.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa v Candidato B a) Os golfinhos seriam classificados como mamíferos aquáticos e carnívoros. b) Há receio que os golfinhos ataquem pessoas em parques aquáticos ou cidades costeiras e é justificado pelo comportamento observado em estudos mais aprofundados sobre a espécie. c) “Lobo na pele de cordeiro”. QUESTÃO 6 Millôr Fernandes, considerado um dos maiores humoristas brasileiros, escreveu o texto “Leite, quéqué isso?” em sua coluna no Caderno 2, no jornal O Estado de S. Paulo de 22/08/99. Abaixo, está um excerto deste texto. Leia-o com atenção e responda: Vocês, que têm mais de 15 anos, se lembram quando a gente comprava leite em garrafa, na leiteria da esquina? Lembram mais longe, quando a vaca-leiteira, que não era vaca coisa nenhuma, era uma caminho- nete-depósito, vinha vender leite na porta de casa? Lembram mais longe ainda, quando a gente ia comprar leite no estábulo e tinha aquele cheiro forte de bicho, de bosta e de mijo, que a gente achava nojento e só foi achar genial quando aprendeu que aquilo tudo era ecológico? Lembra bem mais longe ainda, quando a gente mesmo criava a vaca e pegava nos peitinhos dela pra tirar o leite dos filhos dela, com muito jeito pra ela não nos dar uma cipoada? Mas vocês não lembram de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é leite. Estou falando isso porque agora mesmo peguei um pacote de leite – leite em pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau. a) a palavra “embromatologia” soa como um termo técnico, mas não é. Diga por que parece e por que não é. b) o texto mostra que a moda pode afetar nossos gostos. Em que passagem? c) as informações técnicas que acompanham muitos produtos não necessariamente esclarecem o consu- midor, mas impressionam. Transcreva a passagem do texto em que o autor alude a tal problema nesses textos. Resposta a) O radical “-logia” (-tologia) usualmente identifica campos de conhecimento (como em geologia, ecolo- esperada gia), mas embromar não é um desses campos de conhecimento. (2 pontos) b) Achávamos nojento o cheiro de bicho, de bosta e de mijo, mas a ecologia nos fez achar isso genial. (1 ponto) c) “... e estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina...” (2 pontos) O texto de Millôr Fernandes mostra, a propósito de um produto que todos julgamos conhecer de perto – o Comentário leite – até que ponto nossa sociedade perdeu o contato com o real e passou a viver de suas representações ideológicas. O contato perdido com os animais é valorizado, mas não recuperado, pelo modismo ecologista; as propriedades do leite não são mais as do conteúdo da caixa (para a qual não há garantias), mas as que vêm impressas no rótulo. Para mostrar que essas mensagens mais impressionam do que informam, Millôr Fernan- des lembra, antes de mais nada, que para a maioria das pessoas a própria palavra “pasteurizar ou pausterizar” é, por si só, motivo de dúvida; não seria de esperar que as pessoas soubessem o que significa. Para mostrar que é possível falar difícil, sem dar à fala qualquer cientificidade, cria a palavra “embromatologia”, que parece o nome de uma ciência (devido ao seu prefixo grego, que é o que forma a maioria dos nomes de ciências), mas não é, porque nesse texto não significa “estudo científico da embromação”. A expressão “e o escambau”, uma forma pouco lisonjeira de “etcétera”, lembra, por fim, que há muito mais conversa fiada nos rótulos dos produtos industrializados, mas que não compensa entrar em detalhes, porque qualquer conversa fiada vale qualquer outra conversa fiada, para quem tem bom senso. Exemplos de Candidato A respostas a) ............ b) “leite em pacote, imagine, Tereza!”. c) “Tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau”. Candidato B a) Embromatologia soa como um termo técnico devido ao “logia” de sua terminação, que significa estudo. Não é um termo técnico porque vem da palavra embromar, que significa enganar. b) “... foi achar genial quando aprendeu que aquilo tudo era ecológico...”. c) “...estava escrito que é pausterizado, ou pasteurizado, sei lá...”. 50
  • 51.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa 2. As questões de Literatura Uma prova de literatura deve constituir-se num modo de verificar se o candidato teve contato efetivo com o texto literário. Não se trata, portanto, de cobrar informações externas a ele e que nada tenham a ver com a sua organização. Logo, uma boa prova de literatura para concluintes de 2º grau deve colocar em relevância aquilo que, de fato, o candidato apreendeu de sua experiência de leitura. Se tal experiência não ocorreu (tendo ele se restringido a memorizar resumos, esquemas e mesmo comentários críticos), não se pode afirmar de maneira alguma que ele conheça literatura. O que resultou desse modo de aprendizado é simplesmente um conglomerado de informações gerais que não dependem de qualquer leitura de um texto literário. A prova elaborada pela Unicamp tem exatamente o seguinte escopo: cobrar uma leitura efetivamente realizada, entendendo-se por isso a compreensão dos elementos fundamentais na construção de uma obra literária (modos de narração, ação, personagens, organização episódica etc.) bem como a apreensão desses elementos no plano da própria linguagem (procedimentos de estilo, recursos discursivos etc.). No caso específico da leitura de poemas, tenta-se avaliar a capacidade de apreensão do texto através do reconhecimento dos seus recursos poéticos mais relevantes e das relações que o candidato é capaz de estabelecer entre as partes e o todo. QUESTÃO 7 Em A Relíquia de Eça de Queirós, várias são as mulheres com quem Teodorico Raposo, o herói e narrador, se vê envolvido. Dentre elas, podemos citar Mary, Adélia, Titi, Jesuína, Cíbele. a) uma dessas personagens é importantíssima para a trama do romance, já que acompanha o narrador desde a infância, e deve-se a ela a origem de todos os seus infortúnios posteriores. Quem é e o que fez ela para que o plano de Raposo não desse certo? b) a qual delas Raposo se refere como “Tinha trinta e dois anos e era zarolha”? Que relações tem essa personagem com Crispim, a quem o narrador denomina como “a firma”? Resposta a) Entre as diversas personagens femininas citadas no enunciado da questão, apenas uma acompanhou esperada Teodorico Raposo desde a infância. Trata-se de Titi, sua tia, a cuja herança ele teria direito, caso se comportasse como um perfeito católico (na acepção de sua tia). Como tal não aconteceu e, tendo sido descoberto o engodo que Raposo lhe preparava, Titi deserdou-o. (3 pontos) b) Jesuína é a referida personagem. O candidato deveria ter observado que é finalmente com ela que Teodorico se casa. Trata-se da irmã de Crispim, o próspero amigo, herdeiro da firma Crispim & Cia. Não sem ironia, Teodoria o chama de “a firma” para sugerir que a identidade do amigo se sustentava mais no valor financeiro do que no afetivo. (2 pontos) A questão trata do romance A Relíquia, de Eça de Queirós, mais precisamente do papel que nele exercem Comentário determinadas figuras femininas. Esperava-se que o candidato, num primeiro momento, conseguisse destacar a figura proeminente da tia do narrador-personagem, articulando-a com a origem e o desfecho da trama central. Quanto à segunda personagem a que se refere a questão, trata-se de Jesuína, que, embora apareça apenas aludida no final do romance, é de capital importância para se compreender que, apesar de tudo, o herói do romance nada perde da sua esperteza original. Exemplos de Candidato A respostas a) Tal personagem era Titi, que acabou trocando o que Teodorico levaria como se fosse uma relíquia por uma peça íntima e ousada, feminina. b) Se refere a Cibele, que era filha de Crispim e que Teodorico Raposo pretendia casar visando o dinheiro de seu pai. Candidato B a) A personagem é Titi, tia de Teodorico Raposo. Mulher muito devota a quem Teodorico finge ser devoto também para receber sua herança. O plano de Raposo não deu certo pois trocou os embrulhos e acabou entregando à sua tia (que tinha lhe pedido que trouxesse de sua viagem uma relíquia) o pacote com a camisola de Mary. A tia, que não aprovava relações amorosas, expulsou o sobrinho de casa, que perdeu o direito à fortuna da tia (ficando apenas com um binóculo). b) Refere-se a Jesuína, irmã de Crispim e futura esposa do Raposão. 51
  • 52.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa QUESTÃO 8 Ficou o Padre Bartolomeu Lourenço satisfeito com o lanço, era o primeiro dia, mandados assim à ventura, para o meio duma cidade afligida de doença e luto, aí estão vinte e quatro vontades para assentar no papel. Passado um mês, calcularam ter guardado no frasco um milheiro de vontades, força de elevação que o padre supunha ser bastante para uma esfera, com o que segundo frasco foi entregue a Blimunda. Já em Lisboa muito se falava daquela mulher e daquele homem que percorriam a cidade de ponta a ponta, sem medo da epidemia, ele atrás, ela adiante, sempre calados, nas ruas por onde andavam, nas casas onde não se demoravam, ela baixando os olhos quando tinha de passar por ele, e se o caso, todos os dias repetido, não causou maiores suspeitas e estranhezas, foi por ter começado a correr a notícia de que cumpriam ambos penitência, estratagema inventado pelo padre Bartolomeu Lourenço quando se ouviram as primeiras mur- murações. No trecho acima, extraído de Memorial do Convento de José Saramago aparecem duas personagens centrais do romance, num momento decisivo para o desenrolar de um episódio muito significativo do livro e que ocupa boa porção da primeira parte deste. a) qual é esse episódio e o que têm a ver com ele as personagens Blimunda e padre Bartolomeu Lourenço? b) ao lado do episódio a que se está referindo o trecho acima, o romance relata um outro, que é o da construção do convento que se passa num outro espaço. Faça uma analogia entre as condições de vida nesse outro espaço, Mafra, com aquelas existentes em Lisboa, tais como se podem depreender do trecho citado. Resposta a) O episódio a que se refere o fragmento citado é o da construção da passarola, ação que é comandada esperada pelo Padre Bartolomeu Lourenço. Blimunda e seu marido Baltasar Sete-Sóis auxiliam o padre em seu empreendimento. A participação de Blimunda é decisiva, pois é ela quem se responsabiliza por capturar as vontades que farão a passarola erguer-se do solo. (3 pontos) b) O outro episódio é o que dá nome ao romance. Trata-se da construção do grande mosteiro em Mafra. Do mesmo modo como em Lisboa, onde está a sede do poder monárquico português, espalha-se a miséria e a fome, em Mafra, aqueles que constróem o convento, símbolo da ostentação real e da religião, pade- cem da opressão e de condições precárias de sobrevivência. (2 pontos) Comentário Nessa questão, o que se pedia era que o candidato demonstrasse ter entendido a contraposição entre dois grandes planos narrativos: a construção da passarola e a edificação do convento. De um lado, a tentativa de materialização de um sonho do homem (voar) e, de outro, a concretização de um poder opressivo. Considera- se que saber captar a relação entre esses planos bem como perceber a relevância de determinadas persona- gens nos episódios que compõem tais planos é condição básica para se entender o significado crítico do romance. Exemplos de Candidato A respostas a) O episódio seria o pecado cometido pelas personagens. Pecado este que fez com que tais personagens cumprissem a “penitência” citada. A relação com Blimunda e o padre Bartolomeu Lourenço é que ambos teriam sido corrompidos por cederem a prazeres carnais. b) A relação é da dificuldade e ardor que estão inerentes em ambos os espaços. A idéia de dúvida sobre o verdadeiro motivo das tais ações e as condições de uma possível “penitência” nas duas situações. Candidato B a) O episódio é a construção da passarola, que iria voar pelos céus. Padre Bartolomeu Lourenço é o inventor da passarola e dá as instruções para a construção da mesma. Blimunda, além de ajudar Baltasar na construção, é responsável por recolher as vontades humanas, as quais farão a passarola levantar vôo. b) Em ambos os espaços observa-se péssimas condições de vida para o povo, o qual vive mergulhado em sofrimentos. Em Mafra, o sofrimento vem da exploração do trabalho e em Lisboa, da epidemia que mata assustadoramente. QUESTÃO 9 Uma semana depois, Lobo Neves foi nomeado presidente de província. Agarrei-me à esperança da recusa, se o decreto viesse outra vez datado de 13; trouxe, porém, a data de 31, e esta simples transposição de algarismos eliminou deles a substância diabólica. Que profundas que são as molas da vida! Trata-se do capítulo CX, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e que significativa- mente tem o título de “31”. 52
  • 53.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa a) o narrador refere-se aí a um episódio de bastante importância para o prosseguimento de sua vida amo- rosa. Quais as relações entre o narrador e a personagem Lobo Neves aí citada? b) que episódio anterior deve ser levado em conta para se entender o trecho “Agarrei-me à esperança da recusa, se o decreto viesse outra vez datado de 13” ? c) a frase “Que profundas que são as molas da vida!” pode ser interpretada como irônica no contexto do romance. Por quê? Resposta a) Da recusa do cargo por parte Lobo Neves deve ocorrer a óbvia permanência de Virgília, sua esposa, de esperada quem Brás Cubas, o narrador-personagem, é amante. (1 ponto) b) Anteriormente, o marido, Lobo Neves, já havia sido nomeado para um cargo idêntico e, na ocasião, ele o recusara porque o decreto datava de um dia 13, número que marcava vários azares na sua vida (o pai morrera num dia 13, treze dias depois de um jantar onde havia treze pessoas; a casa onde morrera a mãe tinha o número treze). Brás Cubas, no trecho citado, tinha a esperança de que o novo decreto viesse datado do mesmo número e que com isso o rival desistisse de partir e a esposa lhe continuasse disponí- vel. (2 pontos) c) A frase refere-se ao fato de que o decreto não foi datado de um providencial dia 13, mas do dia 31. Os algarismos, embora sendo os mesmos, tinham perdido na nova ordem seu “poder diabólico” (não eram mais o número de azar de Lobo Neves e de sorte de Brás Cubas). A referência à profundidade das “molas da vida” é irônica, porque assinala que o destino das pessoas (no caso, do próprio Brás Cubas e de Virgínia) depende de uma banalidade, como a troca de posição dos algarismos, por exemplo. (2 pontos) Comentário Na questão 9, pede-se que o candidato atente para uma relação de causalidade entre determinados episódios, nos quais se torna evidente o tipo de laços que se dão entre duas personagens importantes do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Além disso, levando em conta uma das características mais conhecidas do estilo do autor, espera-se que o candidato saiba identificá-la numa seqüên- cia bastante evidente do trecho citado. Exemplos de Candidato A respostas a) A relação é que Lobo Neves nomeado presidente da província daria um emprego a Brás Cubas (narrador- personagem). b) Para Brás Cubas, 13 não era um número de sorte porque ele morara boa parte de sua vida numa casa de número 13, seu pai morreu num dia 13, ele havia participado de um jantar onde estiveram 13 pessoas. Enfim, se o decreto fosse realizado no dia 13, Brás achava que não fosse dar certo. c) Sim, porque a simples mudança da data do dia 13 para o dia 31 (transposição de algarismos) fez com que tudo desse certo para Brás como se o número fosse o único responsável. Candidato B a) O narrador é amante da esposa de Lobo Neves. b) Deve-se levar em conta um episódio anterior da narrativa, no qual Lobo Neves recusa-se a assumir um cargo para o qual fora nomeado pois a nomeação era datada do dia 13, número que trazia lembranças funestas a esse mesmo Lobo Neves. c) Porque expressa o oposto do que o narrador está pensando já que os fatos que ele finge tratar como “profundas molas da vida” são, na realidade, considerados por ele meras superstições infundadas. QUESTÃO 10 Um “quarup”, a ser organizado por índios de área próxima ao posto do Serviço de Proteção aos Índios, no Brasil Central, é uma das idéias mais constantes do segundo e terceiro capítulos do romance Quarup, que Antônio Callado publicou em 1967. Não se trata de uma insistência aleatória: o terceiro capítulo culmina com o relato daquela festa ritualística, que, nesse caso, envolve vários acontecimentos decisivos para uma boa compreensão da obra. a) aquele “quarup” coincide no romance com a notícia de um acontecimento trágico, que teria abalado o quadro político brasileiro. Que acontecimento foi esse? Que outro fato político vinculado com aquele acontecimento é referido no romance em páginas imediatamente precedentes ao relato do “quarup”? b) por que um dos protagonistas diz que aquele será provavelmente o último “quarup” daquela tribo? Resposta a) O acontecimento, cuja notícia coincide com o quarup, é a morte-suicídio de Getúlio Vargas. O anúncio esperada desse acontecimento é precedido ou prenunciado pelo tumultuado episódio no qual teria sido ferido o jornalista e político Carlos Lacerda, inimigo confesso de Vargas. (3 pontos) v 53
  • 54.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa v b) O protagonista que afirma isso é Otávio. Refere-se ele ao fato de que aquela tribo está em extinção. Lembre-se que ele dizia que Canato preparava o velório e a comedoria de Uranaco, mas ninguém iria fazer o mesmo por Canato. (2 pontos) Comentário O que se pede na questão 10 é bastante simples, mas exige boa compreensão do romance. Ao solicitar que o candidato relembre a ocorrência de um episódio histórico, a morte de Vargas, num dado momento da trama, é preciso levar em conta que não se trata de qualquer episódio histórico. Ao contrário, trata-se de uma referência fundamental para se entender a importância que a História do país tem na trama da obra. Nesse sentido, a referência ao último quarup daquela tribo, coincidindo com a notícia da morte de Vargas, não é simples acaso. Vale destacar, portanto, que a verificação de leitura suposta aqui (bem como na questão 8) leva em conta não só a memória da leitura, mas também a capacidade do candidato de ir além do significado literal da obra. Exemplos de Candidato A respostas a) A tomada do governo pelos militares em 64, e a repressão do governo contra movimentos revolucionários de esquerda. b) Porque julga que o governo tentará repreender esse ritual por considerá-lo irrelevante para o governo e para a nação. Candidato B a) O acontecimento trágico foi o suicídio de Getúlio Vargas. Outro fato político foi o atentado da Rua Tone- leros, com a morte de um oficial do exército e o ferimento de um jornalista de oposição a Vargas. b) Porque a tribo estava se aculturando, perdendo seus hábitos normais, além de que, a tribo também estava se extinguindo. QUESTÃO 11 Os trechos abaixo do romance Madame Pommery referem-se a duas personagens importantes não só do ponto de vista de sua participação na trama, como também do ponto de vista de sua presença no quadro social de São Paulo no início deste século. “ I. Uma centena de páginas adiante, vemos Pinto Gouveia, coronel e capitalista, desalojado do Paradis com uma enorme conta a liquidar de 12.914$400!... E entretanto, o fato, embora muito sabido, passou com algumas risadas maliciosas como cousa permitida, natural e costumeira...” “ II. Com esta sublimação de ideais, a vida de Justiniano discorria tranqüila e ignorada, mas augusta, como esses trabalhos tão portentosos como invisíveis da natureza, na vegetação dos polipos, das esponjas, e dos zoófitos em geral. Mas não se vá imaginar, por isso, que era uma vida toda ela na sombra e nas profundida- des. Tinhas os seus dias de florir e aparecer à luz , com pompa e solenidade. Justiniano florescia e Justini- ano se ostentava, nos dias de procissão e de festas nacionais. Sair de opa e de estandarte na procissão de Corpus Christi, envergar a sobrecasaca, pôr cartola e cumpri- mentar o Presidente no dia 15 de Novembro, eram os acontecimentos mais festivos, as grandes funçanatas de toda a sua existência. Afora isso, novenas, missas, sermões uma vez por outra, o Raposo Botelho, o Jornal do Commercio e o Mensageiro Episcopal, enchiam-lhe os mais dos ócios que lhe deixavam a revisão e os lançamentos. E ainda lhe sobrava tempo de pensar na aposentadoria; e não só tempo, ao que parece, pois ia à Caixa Econômica uma vez por mês com exemplar pontualidade, e em seguida ao pagamento... a) faça uma comparação entre ambas as personagens, Pinto Gouveia e Justiniano, quanto à sua participa- ção nos projetos de Madame de Pommery. b) aponte, no segundo trecho, expressões que demonstrem como o narrador descreve Justiniano como metódico, religioso e patriota. Considerando o destino dessa mesma personagem, explique porque essa descrição é, na verdade, irônica. Resposta a) As duas personagens têm o mesmo destino: ambas são vítimas dos negócios e interesse de Madame esperada Pommery. O Doutor Pinto Gouveia é aquele que lhe emprestara os seis contos, ainda nos primeiros tempos da carreira desta e que, ao final de dois meses, se via, por conta de sua credulidade nos favores da referida senhora, devendo muito mais. O caso de Justiniano Sacramento é semelhante: funcionário de uma repartição de arrecadação do estado, cabe-lhe a tarefa de vistoriar e lançar imposto sobre o “Paradis Retrouvé” de Madame Pommery, que a seus olhos nada tinha de uma pensão familiar. Lançado o impos- to, aliás bastante pesado, Justiniano é seduzido pelos encantos da vida que se levava naquele palácio. E, assim, não só Madame Pommery se vê livre dos impostos, como Justiniano vai rapidamente perdendo suas economias acumuladas a custo de uma vida metódica. (2 pontos) v 54
  • 55.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa v b) A caracterização de Justiniano como metódico, religioso e patriota pode ser percebida através de expres- sões ou trechos como: “com exemplar pontualidade”, “sair de opa e de estandarte na procissão de Corpus Christi”, “cumprimentar o presidente”. Considerando que Justiniano, ao fim do romance, cai na mais absoluta desgraça por conta da armadilha tramada por Madame Pommery, é de se entender que toda essa seriedade e religiosidade escondiam um tipo de pessoa não só ingênua como ocultamente voltada para os prazeres da vida. (3 pontos) Comentário O espírito da questão 11 é similar ao da questão 9, na qual se solicita que o candidato revele uma leitura atenta da obra, através da relação entre episódios. Nesta questão, a relação solicitada é aquela que se estabe- lece entre os papéis desempenhados por duas personagens masculinas centrais no desenvolvimento da trama. Trata-se de um modo de verificar se, por comparação, o candidato é capaz de estabelecer aproximações e diferenças entre personagens relevantes. A pergunta sobre os elementos do texto com que o narrador descreve Justiniano tem função semelhante àquela que consta da questão 8 e que se refere ao recurso estilístico da ironia. Exemplos de Candidato A respostas a) Pinto Gouveia, por ser mais rico, ajuda financeiramente nos projetos de Madame Pomery enquanto Justiniano, por ter um caráter metódico, ajuda na criação e desenho do projeto. Ajuda também na reza para que o projeto seja bem concluído. b) As expressões seriam: “sublimação de ideais” (metódico), “augusta” (religioso), “e Justiniano se ostenta- va, nos dias de procissão e de festas nacionais” (religioso e nacionalista). Ele acaba sendo morto pelo próprio governo por ter uma relação amorosa com uma freira (ação de um não religioso). Candidato B a) Ambas são utilizadas por Madame Pommery para resolver aspectos financeiros. Pinto Gouveia dá à Madame seis contos, dinheiro com o qual ela monta o Paradis Retrouvé, um Bordel de “Luxo”. Justiniano por classificar o Paradis como hotel e local de apresentações, determinações que custariam altos impos- tos à Pommery, é convidado a ingressar no Paradis, sob o argumento que lá é freqüentado por grandes figurões e pessoas importantes. Assim Justiniano acaba por “mudar de idéia” classificando o Bordel como pensão familiar. Ambos são descartados após não terem mais serventia. b) “Sair de opa e de estandarte na procissão de Corpus Christi, (...) cumprimentar o presidente no dia 15 de novembro, eram os acontecimentos mais festivos de sua existência”; “missas, novenas, sermões”; “uma vez por mês com exemplar pontualidade”. É irônica, porque o personagem ingressa no Bordel e depois disso nunca mais foi o mesmo, endividando-se e gastando seu dinheiro com as “alunas”. QUESTÃO 12 O poema abaixo tem como referência uma cantiga tradicional muito conhecida que diz: O anel que tu me deste Era vidro e se quebrou O amor que tu me tinhas Era pouco e se acabou. Leia-o com atenção. Cantiga “O anel que tu me deste”[...} Onde os anéis, onde os dedos das estrelas neblinadas Onde os caminhos das luas descambando em madrugadas Onde os sonhos que juntamos nas mesmas águas pisadas Onde o amor que de tão grande ( no cair da trovoada) sorria tão manso manso como os olhos da boiada? Me vejo: este anel partido arcoflexa sem sentido 55
  • 56.
    Língua Portuguesa eLiteraturas de Língua Portuguesa ontem nos dedos da mão hoje punhal solidão que fere as cores da pele sem gemido, sem um não traçando um lugar vazio na palma de cada mão Arrastado amor antigo desmanchado do contigo desfibrado do comigo quebrado na encantação Aquele anel que de vidro no abstrato se mudou sumiu das fibras dos dedos do círculo em que se fechou Naquele anel que me deste no vidro em que se quebrou foi-se o amor que tu me davas que era nada, se acabou ( Zila Mamede) a) há um conjunto de expressões na primeira estrofe, sugerindo que o amor aí referido tem um contorno vago, mais de penumbra do que de luminosa claridade, mais de tranqüilidade do que de agitação. Cite pelo menos duas dessas expressões. b) o caráter suave do amor, referido pelo poema na primeira estrofe, está contrastado, na segunda, por expressões que indicam de modo agudo o sentimento decorrente de sua ruptura. Cite pelo menos duas dessas expressões e tente relacioná-las (por oposição ou não) com os três últimos versos da mesma estrofe. c) explique o verso “quebrado na encantação”, relacionando-o não só com o poema todo, mas também com a cantiga original. Resposta a) As expressões mais relevantes para indicar aquela forma de amor são: “estrelas neblinadas”, “luas des- esperada cambando em madrugadas”, “sonhos”, “tão manso manso”. (1 ponto) b) As expressões que indicam mais fortemente o sentimento decorrente da ruptura amorosa são: “arcoflexa sem sentido” e “punhal solidão”. A expectativa é a de que o candidato perceba a contraposição entre a violência da ruptura (“punhal solidão”) e o sentimento de vazio, o silêncio, que se manifestam nos três últimos versos ( “sem gemido, sem um não”, “lugar vazio”). (2 pontos) c) Trata-se de um verso que sintetiza todo o poema, porque retoma a idéia da ruptura amorosa ( “quebra- do”), e denuncia pela palavra “encantação” o caráter ilusório de que era revestido esse amor ( “que era nada, se acabou”). Nesse sentido , afirma-se uma diferença entre a cantiga original e o poema: naquela o amor “era pouco”, neste “era nada”. (2 pontos) Comentário A questão 12 tem a ver com a verificação da capacidade de leitura de um texto poético, supostamente desconhecido do candidato. Essa capacidade se revela na compreensão do significado do poema como um todo (pergunta c) e na percepção de detalhes, que, no seu conjunto, garantem tal compreensão (perguntas a e b). Exemplos de Candidato A respostas a) “onde os caminhos das luas descambando em madrugadas”. b) “onde os anéis, onde os dedos” com “ontem nos dedos da mão” e ainda “na palma de cada mão”. c) O anel se quebra durante o encantamento do amor. No momento que o encantamento é grande, belo e puro o anel se quebra e prova que amor ali não tinha. Candidato B a) As expressões da primeira estrofe são: “estrelas neblinadas” e “sorria tão manso manso”. b) Expressões como “arcoflexa sem sentido” e “punhal solidão” indicam o sentimento decorrente da ruptura do amor. A primeira contrapõe-se aos últimos versos da segunda estrofe, pois indica algo sem sentido que estaria “traçando um lugar vazio”. A segunda relaciona-se aos três últimos versos que aludem à solidão através de expressões como “lugar vazio”. c) O anel simbolizava a união, o amor de caráter encantado e a ruptura do anel – “quebrado na encantação” – é uma metáfora do fim do amor a que se faz referência tanto no poema quanto na cantiga original. 56
  • 57.
  • 58.
    Biologia A prova de Biologia do Vestibular Unicamp procura avaliar o conhecimento, a compreensão e a aplica- ção dos conceitos básicos do ensino médio, abrangendo amplamente o conteúdo programático. Visa também a verificar a capacidade de estabelecer relações entre os diferentes fenômenos biológicos, reco- nhecendo a unidade dentro da diversidade. Assim, têm sido solicitadas explicações para fenômenos ob- servados no cotidiano do candidato, interpretação e análise de informações apresentadas em gráficos, figuras, tabelas, experimentos e interrelação de conhecimentos dentro dos diferentes campos da Biologia e com outras áreas. São utilizadas também informações veiculadas pelos meios de comunicação valori- zando o candidato que procura se manter informado e que faz uma leitura crítica com base nos conheci- mentos de Biologia adquiridos no ensino médio. As doze questões da 2ª fase apresentam itens que permitem estabelecer graus diferentes de dificulda- de, direcionar as respostas e tornar a correção mais precisa e objetiva. QUESTÃO 13 No século XVIII foram feitos experimentos simples mostrando que um camundongo colocado em um recipi- ente de vidro fechado morria depois de algum tempo. Posteriormente, uma planta e um camundongo foram colocados em um recipiente de vidro, fechado e iluminado, e verificou-se que o animal não morria. a) Por que o camundongo morria no primeiro experimento? b) Que processos interativos no segundo experimento permitem a sobrevivência do camundongo? Explique. c) Quais as organelas celulares relacionadas a cada um dos processos mencionados na sua resposta ao item b? Resposta a) Porque o O2 disponível era gasto com a respiração do camundongo. (1 ponto) esperada b) Fotossíntese e Respiração. Porque a planta, utilizando o CO2 liberado na respiração do camundongo (e da planta), fazia fotossíntese, liberando O2 que o animal usava na respiração. (2 pontos) c) mitocôndria - respiração; cloroplasto - fotossíntese. (2 pontos) Exemplo de nota a) Porque todo oxigênio que havia no recipiente de vidro era consumido pelo camundongo, através da acima da média respiração celular. b) A respiração e a fotossíntese. Através da respiração celular, o camundongo produzia gás carbônico (CO2). O CO2 era utilizado pela planta para produzir glicose e oxigênio através da fotossíntese e na presença de luz. O oxigênio produzido pela planta era utilizado então, na respiração, permitindo a sobrevivência do camundongo. c) Respiração – mitocôndrias; fotossíntese – cloroplastos. Exemplo de nota a) O camundongo morria no primeiro experimento devido à falta de luminosidade e oxigenação do recipien- abaixo da média te; ao contrário do segundo experimento. b) Os processos interativos do segundo experimento permitiram a sobrevivência do camundongo por que a luminosidade que ajudou na clorofilação da planta que dispensava o oxigênio e absorvia o CO2 emitido pelo camundongo que por sua vez absorvia o oxigênio eliminado pela planta. c) Oxigênio, gás carbônico e clorofila. Comentários A questão foi simples e bastante fácil com a média mais alta da prova (3,89), exigindo conhecimentos básicos dos processos de obtenção de energia e das organelas envolvidas nestes processos. Foi uma questão praticamente respondida por todos os candidatos e em que mais da metade tirou notas entre 4 e 5. Um dos erros mais freqüentes foi atribuir a morte do camundongo ao excesso de CO2 e à falta de alimento, no caso, a planta. QUESTÃO 14 Estima-se que um quarto da população européia dos meados do século XIX tenha morrido de tuberculose. A progressiva melhoria da qualidade de vida, a descoberta de drogas eficazes contra a tuberculose e o desenvol- vimento da vacina BCG fizeram com que a incidência da doença diminuísse na maioria dos países. Entretanto, estatísticas recentes têm mostrado o aumento assustador do número de casos de tuberculose no mundo, devido à diminuição da eficiência das drogas usadas e à piora das condições sanitárias em muitos países. 58
  • 59.
    Biologia a) Qual é o principal agente causador da tuberculose humana? b) Como essa doença é comumente transmitida? c) Explique por que a eficiência das drogas usadas contra a tuberculose está diminuindo. Resposta a) Mycobacterium tuberculosis (ou: bacilo de Koch; ou bacilo da tuberculose ou M. bovis). (1 ponto) esperada b) Inalando bacilos expelidos pelos doentes, principalmente através da tosse. (2 pontos) c) Porque o uso contínuo dessas drogas tem selecionado microorganismos resistentes. (2 pontos) Exemplo de nota a) O agente causador é o bacilo de Koch. acima da média b) A doença é transmitida pelo ar, quando um indivíduo contaminado tosse ou espirra, liberando gotículas de secreção que contêm os bacilos. Ao inalar essas gotículas, uma pessoa sã é contaminada. c) A eficiência das drogas, que são antibióticos, está diminuindo porque o uso incessante desses medica- mentos ao longo dos anos selecionou os bacilos mais resistentes a esses medicamentos (matando os bacilos mais fracos). Esses bacilos mais resistentes então se proliferaram, reduzindo a eficiência dos antibióticos. Exemplo de nota a) Vírus da tuberculose. abaixo da média b) Através do ar. c) Em razão da possível mutação dos agentes causadores da tuberculose. Comentários A tuberculose é uma das doenças que estão ressurgindo no mundo, apesar de todos os conhecimentos adquiridos a seu respeito e dos avanços no seu tratamento. A questão procurou medir o conhecimento dos candidatos sobre a doença em si, seus mecanismos mais comuns de transmissão e a relação entre qualidade de vida e incidência da doença. Paralelamente, verificou conhecimentos sobre seleção natural. A nota média variou entre 1,68 para os candidatos da área de Artes até 2,54 para os candidatos da área de Biológicas (média geral=2,20). Apesar de muito poucos candidatos terem deixado a prova em branco, 64% obtiveram nota menor do que 3. Este desempenho abaixo da expectativa é surpreendente, pois os conhecimentos exigidos nesta questão são bastante abordados no ensino médio e o assunto tem sido muito comentado na imprensa. No item b, foi dada nota parcial para respostas como “pelas secreções pulmonares (ou objetos) contaminadas” e “por via respiratória”. Notou-se a dificuldade dos candidatos em utilizar o conceito de seleção natural, para interpretar uma situação real que é aumento da resistência às drogas. QUESTÃO 15 Numa excursão à praia foram coletados alguns organismos que foram colocados em sacos plásticos e identificados como: esponjas, cracas, algas macroscópicas, gastrópodes, mexilhões (bivalvos), ouriços-do- mar, caranguejos e estrelas-do-mar. a) Organize os animais coletados por filos. b) Além dessa organização por filo, os animais podem ser classificados pela mobilidade (os fixos e os que se deslocam) ou pelo seu principal modo de obter o alimento (filtradores, predadores e herbívoros). Organi- ze-os segundo a mobilidade e depois, segundo o modo de obter alimentação. c) Cite uma Divisão (filo) de algas macroscópicas que poderia ter sido encontrada na excursão à praia. Resposta a) Esponjas – Porifera; esperada gastrópodes e mexilhões – Mollusca; ouriços e estrelas-do-mar – Echinodermata; cracas e caranguejos – Arthropoda. (2 pontos) b) Fixos: mexilhões, cracas e esponjas; com locomoção: estrelas-do-mar, caranguejos, gastrópodes e ouriços; filtradores: mexilhões, cracas e esponjas; predadores: estrelas-do-mar, caranguejos, gastrópodes; herbívoros: gastrópodes e ouriços. (2 pontos) c) Chlorophyta ou Phaeophyta ou Rhodophyta. (1 ponto) 59
  • 60.
    Biologia Exemplo de nota a) Esponja – Porífero acima da média Gastrópodes e mexilhoes – Moluscos Estrela-do-mar e ouriço-do-mar – Equinodermos Caranguejos e cracas – Artrópodes Algas macroscópicas – Fitofícias b) Mobilidade: esponjas e cracas – fixos demais – se deslocam Alimentação: esponjas , cracas e mexilhões – filtradores gastrópodes e caranguejos – carnívoros estrela-do-mar e ouriço – herbívoro algas macroscópicas – produtores c) Rodofícias. Exemplo de nota a) Algas, esponjas, mexilhões, ouriços-do-mar, cracas , gastrópodes, estrela-do-mar, caranguejo. abaixo da média b) esponjas, algas, cracas, ouriços-do-mar, mexilhões, caranguejos, gastrópodes, estrela-do-mar (organiza- ção pela mobilidade). Organização pela obtenção de alimentos, esponjas, algas, gastrópodes, cracas, mexilhões, ouriços-do-mar, estrelas do mar, caranguejos. c) Algas Pirrofíceas. Comentários Com esta questão objetiva e simples procurou-se avaliar o conhecimento dos candidatos sobre as caracte- rísticas gerais dos grupos zoológicos e seus modos de vida. Apresentou-se uma situação que pode ocorrer no cotidiano de um estudante para que ele agrupasse alguns seres vivos utilizando-se dos conhecimentos adqui- ridos em sala de aula sobre taxonomia, mobilidade e hábitos alimentares. Pelo desempenho dos candidatos, pode-se afirmar que esta questão apresentou pouca dificuldade, pois 15% obtiveram nota inferior a 2 ou a deixaram em branco, enquanto que 30% obtiveram notas 4 ou 5. Pode- se dizer que, apesar desta aparente facilidade, foi uma questão que discriminou de maneira adequada os candidatos. A média oscilou entre 2,09 na área de Artes a 3,34 na Área de Biológicas, demonstrando que o assunto era do conhecimento dos candidatos. Nos itens a e b desta questão, relacionados aos invertebrados, os candidatos mostraram desconhecer o conceito de Filo. Muitos consideraram alga como grupo animal, além de outros erros grosseiros como classi- ficar moluscos como artrópodes. Notou-se um desconhecimento dos modos de vida, especialmente alimenta- ção e mobilidade, pois esta muitas vezes não foi relacionada a movimento ativo próprio do organismo mas ao transporte passivo pela água. QUESTÃO 16 As fases iniciais do desenvolvimento embrionário do anfioxo estão representadas nas figuras abaixo: A B C D E a) Identifique essas fases. b) Descreva as diferenças de cada uma delas em relação à fase anterior. Resposta a) Ovo, mórula, blástula, gástrula, nêurula. (1 ponto) esperada b) Ovo (A)→ mórula (B) – clivagem ou segmentação ou formação de 32 blastômeros; Mórula(B) → blástula (C) – formação da blastocele (com cavidade); mórula maciça; Blástula (C) → gástrula (D) – formação do arquênteron (gastrocele) , com blastóporo a partir da invaginação de uma das regiões formando endoderme (mesentoderme) e ectoderme; Gástrula (D) → nêurula (E) – ocorre simultaneamente a formação da mesoderme, celoma, tubo neural e notocorda. (4 pontos) 60
  • 61.
    Biologia Exemplo denota a) A representa o ovo, B a mórula, C a blástula, D a gástrula e E a nêurula. acima da média b) B: no estágio de mórula, o ovo já sofrera clivagem, atingindo o estágio de 32 células. C: no estágio de blástula, tem a caracterização de um espaço oco, chamado blastocele, revestido por uma camada de células, chamada blastoderme, fruto de contínuas clivagens após o estágio de mórula. D: a fase de gástrula se dá por um processo de invaginação sofrido pela parede dos macrômeros que constituiam a blastoderme, na blástula. Depois deste processo de gastrulação por embolia forma-se o arquênteron (cavidade interior = cavidade digestiva) e o blastóporo (abertura). Neste estágio há 2 folhetos embrionários a mesentoderme e a ectoderme (abertura). E: Neurula: apresenta 3 folhetos embrionários, ectoderme, mesoderme, endoderme (os dois últimos são provenientes da mesentoderme). Não há abertura que comunique a cavidade interior e exterior. Exemplo de nota a) Zigoto, divisão celular, desenvolvimento, formação da estrutura e celoma. abaixo da média b) Na segunda fase o zigoto se dividiu formando várias células Na terceira fase houve um desenvolvimento do corpo. Na quarta fase houve a formação estrutural Na quinta fase o anfioxo está completo. Esta questão trata das modificações que ocorrem nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário, Comentários um assunto importante dentro da Biologia que, se bem compreendido, permite o entendimento da organogê- nese e de todos os processos que se seguem. A despeito da importância dos conhecimentos de Biologia do Desenvolvimento nos diferentes grupos animais e de ser um assunto muito abordado no ensino médio, esta questão apresentou uma das médias mais baixas da prova (1,24). Em grande parte, esta média baixa se deve ao alto índice de notas zero (46% - sendo 31% devido a respostas erradas e 15% a respostas em branco). No entanto, foi uma das questões que mais discriminou os candidatos. Verificou-se que a maior dificuldade dos candidatos foi identificar as características da blástula. Foi bas- tante comum a identificação do zigoto como “embrião” e da nêurula como “organogênese”. QUESTÃO 17 A fauna de fundo de cavernas é caracterizada por turbelários, minhocas, sanguessugas, muitos crustáceos e insetos, aracnídeos e caramujos. Os vertebrados são representados por peixes, salamandras e morcegos. Os morcegos se refugiam na caverna durante o dia. Geralmente os animais são despigmentados e os peixes são cegos. Muitos insetos, miriápodes e aracnídeos têm pernas e antenas desmesuradas, não raro densa- mente revestidas de cerdas. Alguns besouros têm cerdas distribuídas pelo corpo todo. A umidade constante é de especial importância; geralmente os animais são estenotermos. O alimento é raro, a escuridão é completa, faltam vegetais. (Adaptado de Mello Leitão, C. Zoogeografia do Brasil, 1943) a) Pode-se dizer que foi a falta de luz que fez com que os peixes ficassem cegos? Explique sua resposta do ponto de vista evolutivo. b) No texto são citadas adaptações que permitem aos animais sobreviverem nesse ambiente. Identifique uma delas e explique a sua função. c) Construa uma cadeia alimentar de três níveis tróficos que pode ocorrer em cavernas, utilizando as informações do texto. Resposta a) Não. A falta de luz selecionou os peixes cegos por estarem melhor adaptados às condições da caverna esperada e por desenvolverem outras adaptações mais vantajosas (como órgãos do sentido mais desenvolvidos). (2 pontos) b) Pernas longas, permitindo perceber uma área maior ao redor; ou: muitas cerdas, permitindo maior sensibilidade táctil; ou: antenas desenvolvidas, permitindo maior quantidade de receptores sensoriais. (2 pontos) c) Exemplos de cadeias possíveis: • fezes de morcego – besouro – aranha; • turbelários – crustáceos – peixes; • inseto – aracnídeos – salamandras. (1 ponto) Exemplo de nota a) Não. Podemos dizer que a falta de luz selecionou os peixes que não dependiam dos olhos mas dos outros acima da média sentidos. v 61
  • 62.
    Biologia v b) O surgimento de cerdas pelo corpo suplanta a falta da luz pois aumenta a capacidade do animal em tatear o meio. c) Insetos → aracnídeo → morcegos. Exemplo de nota a) Sim pois segundo Lamarck os órgãos que não são utilizados acabam atrofiados. abaixo da média b) Cerdas que protegem das baixas temperaturas. c) Vegetais → insetos → morcegos → → → decompositores Esta questão envolveu conhecimentos integrados de Ecologia, Evolução e Zoologia relacionados ao ambi- Comentários ente específico de cavernas. Porém não exigia que o candidato conhecesse de antemão as características desse ambiente e dos seres que nele vivem, já que foram dadas as informações no texto. O candidato deveria nelas se basear para formular suas respostas. A questão se mostrou relativamente fácil, com média geral de 2,30. Praticamente não ocorreram provas em branco e o número de notas zero foi baixo (6%). Os erros mais freqüentes notados durante a correção foram: aceitação de que a falta de luz fez com que os peixes ficassem cegos, segundo a explicação lamarckista (veja exemplos de nota); confusão entre lamarckis- mo e darwinismo; atribuição de função de absorção de umidade às cerdas; inclusão de vegetais nas cadeias alimentares (veja exemplos de nota), o que revela leitura desatenta, já que o texto se refere à escuridão completa e à ausência de vegetais. QUESTÃO 18 Muitas espécies são introduzidas em um ambiente sem que haja uma avaliação dos riscos associados a essa prática. Isso tem acontecido em larga escala com peixes pelo mundo todo. A truta arco-íris já foi introduzida em 82 países, uma espécie de tilápia, em 66 países e a carpa comum, em 59 países. (Ciência Hoje, 21, (124): 36-44, 1996) a) Cite duas possíveis conseqüências da introdução de peixes exóticos em rios e lagoas. b) Caracterize os peixes quanto à anatomia do coração, quanto ao tipo de sistema respiratório e quanto ao tipo de sistema circulatório. Resposta a) esperada • Extinção de espécies por competição, ou por alimento, ou por nichos; • Diminuição / eliminação de espécies por predação, ou pela introdução de patógenos (doenças), ou com- petição por nichos; • Se forem introduzidas espécies herbívoras, diminuição / eliminação dos vegetais, afetando toda a cadeia alimentar. • Aumento da densidade de uma espécie por falta de inimigo natural, ou falta de predador. (2 pontos para dois itens quaisquer) b) • Coração com 1 átrio e 1 ventrículo (1 seio venoso). • Sistema respiratório brânquial. • Sistema circulatório fechado. (3 pontos) Exemplo de nota a) Uma das conseqüências é que esses peixes exóticos quando são introduzidos em um novo ambiente não acima da média apresentam predadores naturais e por essa razão proliferam rapidamente podendo acabar com o alimen- to da região e levar a extinção outras espécies que são dependentes desses alimentos. Outra conseqüên- cia é que esses peixes exóticos podem levar a extinção da espécie da qual eles estão se alimentando. b) Os peixes possuem um coração com duas cavidades, um ventrículo e um átrio, pelos quais passa apenas sangue venoso. A respiração é realizada por brânquias e o sistema circulatório é fechado. Exemplo de nota a) 1- Eles podem não se encaixar na cadeia alimentar, tendo coloração inadequada à sua sobrevivência abaixo da média naquele ambiente, se tornando alvos muito visíveis. 2- Outro fator é a resistência do peixe em relação à água desses rios, como pH, acidez por exemplo. b) O sistema respiratório é feito através de guelras e brânquias. 62
  • 63.
    Biologia Comentários A introdução de espécies exóticas em ambientes naturais pode ter sérias conseqüências para a flora e fauna locais e este foi o assunto explorado nesta questão. Foi também pedido um conhecimento sobre aspec- tos básicos da anatomia de peixes. Algumas respostas incompletas foram comuns na parte a, com a utilização freqüente de termos vagos como “desequilíbrio ecológico” ou “morte dos rios”. Além disso, foi também fre- qüente a utilização do termo “exótico” como sinônimo de “ornamental”. O item b apresentou maior dificuldade aos candidatos, que muitas vezes usaram termos que não se aplicam aos peixes, como circulação completa ou incompleta. Foi uma questão fácil, em que 55% dos candidatos tiraram notas 3 e 4, mostrando, mais uma vez, que temas ambientais são bastante discutidos no ensino médio despertando o interesse dos alunos. QUESTÃO 19 O controle do volume de líquido circulante em mamíferos é feito através dos rins, que ou eliminam o excesso de água ou reduzem a quantidade de urina produzida quando há deficiência de água. Além disso, os rins são responsáveis também pela excreção de vários metabólitos e íons. a) Qual é o hormônio responsável pelo controle do volume hídrico do organismo? Onde ele é produzido? b) Qual é o mecanismo de ação desse hormônio? c) Qual é o principal metabólito excretado pelos rins? De que substâncias esse metabólito se origina? Resposta a) Hormônio antidiurético (ADH). (1 ponto) esperada Hipotálamo (ou neuro-hipófise; ou hipófise). (1 ponto) b) Aumenta a reabsorção de água nos túbulos renais. (2 pontos) c) Uréia. De proteínas (ou polipeptídeo, aminoácidos, compostos nitrogenados ou amônia). (1 ponto) Exemplo de nota a) É o ADH (hormônio anti-diurético), produzido na hipófise. acima da média b) O ADH determina a reabsorção de água nos néfrons dos rins. Quando há excesso de água a hipófise produz menos ADH e o volume de urina produzida é maior. Quando há falta de água, a hipófise produz mais ADH, reduzindo o volume de urina. c) Trata-se da uréia, originária da amônia, resultante do metabolismo celular. Exemplo de nota a) Insulina, na tireóide. abaixo da média b) Controlar a quantidade de glicose no sangue. c) Uréia, originária da amônia. Comentários A prova de Biologia da Unicamp sempre tem contemplado assuntos relacionados à fisiologia humana, abordando inclusive os mecanismos de ação de hormônios, por considerar importante que um aluno egresso do ensino médio conheça os mecanismos integrados de funcionamento do organismo, importante também para a compreensão de doenças e de interação entre os seres vivos. No entanto, questões desse tipo têm causado dificuldade aos candidatos, pois as notas médias costumam ser baixas, mesmo que as perguntas sejam diretas. Esta questão não fugiu à regra, podendo ser considerada difícil, pois a média geral ficou em 1,72. Notou-se também que o grau de dificuldade foi bastante variável, de acordo com a área. Desta forma, candidatos da área de Artes obtiveram uma média de 0,61, enquanto que aqueles da área de Biológicas obtiveram média de 2,65. Por essa razão foi uma das questões que mais discriminou os candidatos. QUESTÃO 2O Os médicos verificam se os gânglios linfáticos estão inchados e doloridos para avaliar se o paciente apresen- ta algum processo infeccioso. O sistema imunitário, que atua no combate a infecções, é constituído por diferentes tipos de glóbulos brancos e pelos órgãos responsáveis pela produção e maturação desses glóbulos. a) Explique como macrófagos, linfócitos T e linfócitos B atuam no sistema imunitário. b) Explique que mecanismos induzem a proliferação de linfócitos nos gânglios linfáticos. Resposta a) Macrófagos – eliminam substâncias estranhas por fagocitose; esperada – imobilizam substâncias estranhas na membrana, estimulando os linfócitos T. Linfócitos T – reconhecem substâncias estranhas na membrana do macrófago; – produzem interleucinas, que estimulam os linfócitos B a produzirem anticorpos; – eliminam células anormais. Linfócitos B – produzem anticorpos. (4 pontos) v 63
  • 64.
    Biologia v b) Presença de substâncias estranhas ao organismo (ou estímulo por proteínas especiais – as interleucinas). (1 ponto) Exemplo de nota a) Os macrófagos atuam na fagocitose de agentes que penetram no organismo. Após a fagocitose, eles acima da média expõem em suas membranas substâncias específicas desses agentes infecciosos aos linfócitos T. Estes, por sua vez, reconhecem essas substâncias e enviam sinais para que os linfócitos B produzam anticorpos específicos contra os invasores. Os lifócitos B podem, ainda, guardar em sua “memória” as característi- cas do invasor para que, em uma próxima infecção, eles sejam novamente acionados. b) Os linfócitos se proliferam nos gânglios linfáticos sempre que há agentes estranhos percorrendo o orga- nismo, como uma forma de prepará-lo para combater uma possível infecção. Exemplo de nota a) _____ abaixo da média b) Ao detectar algum corpo estranho, o organismo aumenta a produção de linfócitos nos gânglios linfáticos. O sistema imunitário humano tem tido destaque em pesquisas na área biomédica e muitas vezes tornou- Comentários se assunto da imprensa devido ao surgimento de doenças que afetam a capacidade de defesa do organismo, principalmente a AIDS. Apesar disto, este é um assunto que causa dificuldades aos candidatos talvez devido à complexidade dos mecanismos envolvidos. Além disso, no caso da questão, era necessária uma interpreta- ção integrada e seqüencial, numa relação estímulo - resposta. A média geral foi 1,08, variando de 0,52 para a área de Artes até 1,59 para a área de Biológicas, refletindo a dificuldade da questão. QUESTÃO 21 No citoplasma das células são encontradas diversas organelas, cada uma com funções específicas, mas interagindo e dependendo das outras para o funcionamento celular completo. Assim, por exemplo, os li- sossomos estão relacionados ao complexo de Golgi e ao retículo endoplasmático rugoso, e todos às mitocôndrias. a) Explique que relação existe entre lisossomos e complexo de Golgi. b) Qual a função dos lisossomos? c) Por que todas as organelas dependem das mitocôndrias? Resposta a) Os lisossomos são produzidos como vesículas que se destacam das bolsas (cisternas, sáculos) esperada do Complexo de Golgi. (2 pontos) b) Digestão intracelular. (2 pontos) c) Porque todas as funções celulares requerem energia na forma de ATP produzido nas mitocôndrias. (1 ponto) Exemplo de nota a) O Complexo de Golgi armazena substâncias e para liberá-las forma vesículas. Quando a substância acima da média armazenada é a enzima digestiva, a vesícula formada leva o nome lisossomo. b) A função dos lisossomos é a digestão intracelular. c) Todas as organelas dependem das mitocôndrias porque estas produzem energia (ATP) através da respira- ção celular aeróbica. Essa energia é utilizada pelas outras organelas para realizarem suas funções. Exemplo de nota a) Os lisossomos ficam “grudados” ao Complexo de Golgi para, juntamente, fazerem a escreção da célula. abaixo da média b) É de aumentar a superfície de absorção do complexo de Golgi, para auxiliá-lo na escreção da célula. c) Porque todas as mitocôndrias é uma espécie de “armazém” de alimento da célula e é dela que veêm todo o alimento necessário a todas as organelas. Comentários Esta questão procurou verificar os conhecimentos dos candidatos sobre organelas celulares e suas inter- relações morfológicas e fisiológicas. O desempenho dos candidatos foi muito bom nesta questão, com uma das maiores médias (2,33) da prova. Apresentou baixa porcentagem de notas zero (15% - sendo 11% em respostas erradas e 4% em branco) e discriminou adequadamente os candidatos. Entre os erros conceituais mais comuns verificados durante a correção podem-se destacar algumas respostas ao item a. Ao relacionar os lisossomos com o Complexo de Golgi, muitos candidatos atribuíram, erradamente, ao Complexo de Golgi, a função de síntese das proteínas presentes nos lisossomos ou indicaram aquela organela como o local da célula que recebe os “restos” da digestão feita pelos lisossomos, “excretando-os” para fora da célula. 64
  • 65.
    Biologia QUESTÃO 22 Abaixo estão esquematizadas as seqüências de aminoácidos de um trecho de uma proteína homóloga, em quatro espécies próximas. Cada letra representa um aminoácido. espécie 1: M E N S L R C V W V P K L A F V L F G A S L L S A H L Q espécie 2: M E N S L R R V W V P A L A F V L F G A S L L S A H L Q espécie 3: M E N S L R C V W V P K L A F V L F G A S L L S Q L H A espécie 4: M E N S L R L A F V L F G A S L L S A H L Q a) Quantos nucleotídeos são necessários para codificar a seqüência de aminoácidos nas espécies 1 e 2? Justifique. b) Pode-se dizer que seqüências idênticas de aminoácidos são sempre codificadas por seqüências idênticas de nucleotídeos? Justifique. c) Considerando que as espécies 2, 3 e 4 se originaram da espécie 1, que tipo de mutação originou cada seqüência? Resposta a) 84. Porque são requeridos 3 nucleotídeos para codificar 1 aminoácido. (1 ponto) esperada b) Não, pois sendo o código genético degenerado, mais de uma seqüência de nucleotídeos pode codificar um mesmo aminoácido. (2 pontos) c) Mutação de ponto (substituição), inversão e deleção (ou deficiência). (2 pontos) Exemplo de nota a) Como existem 28 aminoácidos nas espécies 1 e 2 teremos 84 nucleotídeos para codificá-los, visto que acima da média uma trinca de nucleotídeos codifica um aminoácido. Três nucleotídeos do DNA codificam três nucleotíde- os do RNAm que codifica três nucleotídeos do RNAt que traz consigo um aminoácido. b) Não podemos afirmar isso porque o código genético é degenerado e mais de uma trinca de nucleotídeos pode codificar um mesmo aminoácido mas o inverso nunca ocorre. c) Uma substituição deu origem à espécie 2 enquanto que uma inversão deu origem à espécie 3. A espécie 4 foi originada por deleção. Exemplo de nota a) São necessários (28 x 3) = 84 nucleotídeos para codificar a seqüência de aminoácidos pois cada amino- abaixo da média ácido é formado por 3 nucleotídeos. b) Não. Pode ocorrer outras formas de substrato e mutações genéticas. c) As espécies 2, 3 e 4 sofreram, respectivamente os seguintes tipos de mutação: erro na tradução, erro na tradução e erro na divisão celular. Esta questão explorou e correlacionou os conceitos de código genético e mutações. Foi uma questão difícil Comentários e que discriminou bem os candidatos. A distribuição das notas, com 45% entre respostas em branco e zero e apenas 7% entre 4 e 5, reflete a deficiência dos candidatos em conceitos fundamentais da biologia celular e molecular. Por outro lado, 21% dos candidatos obteve nota 3, geralmente respondendo aos itens a e b. O item c foi o que apresentou maior dificuldade. Um erro muito freqüente foi a interpretação da ocorrência das mutações nas seqüências de aminoácidos, desvinculadas das seqüências de nucleotídeos. Alguns termos citados erroneamente como tipos de mutações foram mitose, meiose, clonagem, transcrição, refletindo a dificuldade na interpretação destes conceitos. QUESTÃO 23 O gráfico abaixo mostra a mortalidade de mosquitos de uma determinada espécie quando expostos a dife- rentes concentrações de um inseticida. A resistência ou susceptibilidade ao inseticida é devida a um locus com dois alelos, A1 e A2. A2A2 A1A1 A1A2 100 Mortalidade (porcentagem) 80 60 40 20 0 Concentração de inseticida 65
  • 66.
    Biologia a) Qual é o genótipo mais resistente? Como você chegou a essa conclusão? b) Observando as três curvas, que conclusão se pode tirar sobre as relações de dominância entre os alelos deste locus? Explique. c) Os indivíduos de cada um dos genótipos não se comportam da mesma forma quanto à resistência ao inseticida e, por isso, os pontos distribuem-se ao longo da curva. Essas diferenças podem ser atribuídas a efeitos pleiotrópicos de outros genes? Justifique sua resposta utilizando o conceito de efeito pleiotrópico. Resposta a) A2A2. Porque para uma mesma concentração de inseticida os indivíduos com o genótipo A2A2 esperada sobreviveram em maior quantidade. (1 ponto) b) É um caso de ausência de dominância ou codominância; o heterozigoto mostra fenótipo intermediário ao dos dois homozigotos. (2 pontos) c) Sim, já que o efeito pleiotrópico ocorre quando um gene interfere em mais de uma característica. Assim, outros genes, além de seu efeito principal, podem interferir na resistência a inseticidas. (2 pontos) Exemplo de nota a) A2A2. Como se observa pelo gráfico, tomando-se uma mesma concentração de inseticida, a menor morta- acima da média lidade observada é de A2A2. b) Trata-se de um caso de herança sem dominância ou codominância. Isto pode ser observado comparan- do-se A1A2 com A1A1 e A2A2. O heterozigoto A1A2 tem fenótipo intermediário a A1A1 e A2A2. Se houvesse dominância de um dos dois genes, o fenótipo de A1A2 deveria ser igual ao de A1A1 ou A2A2. c) Sim. A pleiotropia é um fenômeno em que um mesmo par de genes determina vários fenótipos. Nesse caso, um outro par de genes, além de determinar um outro fenótipo qualquer, pode estar interferindo na determinação do fenótipo resistência à inseticida. Portanto esse fenótipo é determinado por mais de um par de genes que não interferem um no outro (não há epistasia). Exemplo de nota a) O genótipo mais resistente é o A2A2, pois para haver alta taxa de mortalidade, é preciso também alta abaixo da média concentração de inseticida. b) Como os alelos A2A2 são mais resistentes, eles são dominantes com relação ao A1A1. c) Sim, pois o efeito pleiotrópico é a influência do meio sobre os genes, havendo ou não dominância. Esta questão verificou não apenas o conhecimento do candidato sobre assuntos de genética básica como Comentários também sua habilidade na leitura e interpretação de gráficos. A maioria dos candidatos (53%), porém, teve nota 1, tendo acertado apenas o item a. Este desempenho ruim foi atribuído ao fato de o assunto ser apresentado de forma não convencional, já que foi pedido que tirassem conclusões a partir dos dados fornecidos em gráficos e não simplesmente que apresentassem uma definição memorizada. Erros conceituais foram bastante freqüentes, como de usar “alelo”, “locus” ou “espécie” no lugar de “genó- tipo” (veja exemplos de nota); admitir A1 e A2 como sendo indivíduos ou genótipos; admitir que a maior resistência de A2A2 ao inseticida indica dominância do alelo A2 (veja exemplos de nota); confundir codominân- cia com herança quantitativa; confundir pleiotropia com epistasia. QUESTÃO 24 A transpiração é importante para o vegetal por auxiliar no movimento de ascensão da água através do caule. A transpiração nas folhas cria uma força de sucção sobre a coluna contínua de água do xilema: à medida que esta se eleva, mais água é fornecida à planta. a) Indique a estrutura que permite a transpiração na folha e a que permite a entrada de água na raiz. b) Mencione duas maneiras pelas quais as plantas evitam a transpiração. c) Se a transpiração é importante, por que a planta apresenta mecanismos para evitá-la? Resposta a) Transpiração: estômatos (1 ponto) esperada Entrada de água: pêlos absorventes. (1 ponto) b) Fechamento dos estômatos; enrolamento de folhas (ou mudança da posição das folhas); cutícula espessa (ou presença de cera); estômatos na face inferior; estômatos protegidos por pêlos; estômatos em cripta; v 66
  • 67.
    Biologia v quedas das folhas; ausência de folhas; modificações das folhas – espinhos; folhas revestidas de pêlos. (1 ponto para dois itens quaisquer) c) Porque a transpiração em excesso causa o murchamento da planta, quando o suprimento de água é pequeno. (2 pontos) Exemplo de nota a) A transpiração na folha: os estômatos. acima da média A entrada de água na raiz: pêlos absorventes b) Através do fechamento dos estômatos e a perda das folhas durante as estações secas. c) Para evitar a perda excessiva de água. Exemplo de nota a) A estrutura que permite a transpiração das folhas é o floema e a estrutura que permite a entrada de água abaixo da média é o xilema. b) Uma das maneiras pelas quais as plantas evitam a transpiração é a sucção descontínua de água e a outra é consumindo água através do processo de fotossíntese. c) Porque a transpiração abundante fragiliza a planta tornando-a mais fraca. A questão procurou verificar de forma integrada conhecimentos da estrutura e função de determinados Comentários órgãos das plantas e de mecanismos de regulação da transpiração. Foi uma questão relativamente fácil (média = 2,95), porém foi a questão que melhor discriminou os candidatos. O item c foi o de maior dificulda- de, tendo sido bastante freqüentes respostas como “a transpiração intensa prejudica a planta”, sem, no entanto, dizer qual é esse prejuízo. 1) Várias respostas dos candidatos eram extremamente prolixas, resultando em notas idênticas àquelas Comentários gerais respostas mais concisas, igualmente completas e corretas. Compare, por exemplo, as respostas espera- das pela banca nas questões 2 da primeira fase e 18 da segunda fase com o “exemplo de nota acima da média” dos candidatos. Compare ainda a “Resposta esperada” pela banca e o “Exemplo de nota acima da média” (concisa – nota 5) da questão 13 com a resposta (prolixa - nota 5) transcrita abaixo. “a) O camundongo morria no primeiro experimento porque, em um dado momento, todo gás oxigênio que existia no recipiente acabou. O animal consumiu todo o O2 do recipiente; sem que o gás fosse reposto, o camundongo não pode mais respirar e morreu. b) Os processos interativos, no segundo experimento, que permitem a sobrevivência do camundongo são a fotossíntese e respiração. No processo fotossintético a planta contida no recipiente realizava a fixação do carbono, isto é, sintetizava matéria orgânica a partir de água e gás carbônico (CO2), com subsequente liberação de gás oxigênio (O2). No processo de respiração realizado pela planta e camundongo, ambos quebram a glicose, para obtenção de energia, com a presença de O2, tendo como produtos o CO2 e H20, além de energia. A interação dos dois processos se nota pelo fato de que o CO2 necessário para a fotossíntese provém da respiração e o O2 necessário para a fotossíntese provém da fotossíntese. c) As organelas relacionadas à fotossíntese e à respiração são, respectivamente, cloroplasto e mitocôndria.” 2) Ao redigir a resposta é desnecessário repetir o enunciado da questão. Isso ocorre com muita freqüência e acarreta uma perda de tempo para o candidato. A leitura desatenta dos enunciados leva a respostas erradas e a não perceber informações contidas no texto da questão que podem auxiliar o candidato em sua resposta. Como já mencionado no Caderno de questões 99, o desconhecimento de vocabulário específico, as redações confusas e o uso de palavras com sentido diferente, às vezes oposto, levam a erros que muitas vezes comprometem as respostas. 67
  • 68.
  • 69.
    Química Nesta prova procurou-se apresentar a Química dentro de um contexto histórico e social, mostrando-a como um conhecimento inerente ao ser humano e, portanto, à sociedade e ao momento. Em alguns casos foram feitas algumas suposições, por exemplo, de como o ferro teria sido descoberto. Se a imaginação, associada ao conhecimento de Química, conseguiu reproduzir os fatos não sabemos e nem isto, neste momento, é muito importante. Vale, no caso, mostrar ao aluno como uma descoberta importante, que muda a história da humanidade, pode ocorrer a partir de fatos corriqueiros e como é possível reconstruir tais fatos, por hipótese, sem ter estado presente nos acontecimentos. Esta prova é uma homenagem à Química, evidenciando alguns de seus aspectos relevantes que ajudaram a entender, a continuar ou a melhorar a vida na Terra. Comecemos por procurar entender, do ponto de vista químico, a origem da vida na Terra. QUESTÃO 1 Ainda hoje persiste a dúvida de como surgiu a vida na Terra. Na década de 50, realizou-se um experimento simulando as possíveis condições da atmosfera primitiva (pré-biótica), isto é, a atmosfera existente antes de originar vida na Terra. A idéia era verificar como se comportariam quimicamente os gases hidrogênio, metano, amônia e o vapor d’água na presença de faíscas elétricas, em tal ambiente. Após a realização do experimento, verificou-se que se havia formado um grande número de substâncias. Dentre estas, detectou- se a presença do mais simples α-aminoácido que existe. a) Sabendo-se que este aminoácido possui dois átomos de carbono, escreva sua fórmula estrutural. b) Este aminoácido poderia desviar o plano da luz polarizada? Justifique. c) Escreva a fórmula estrutural da espécie química formada quando este aminoácido é colocado em meio aquoso muito ácido. Resposta a) esperada H OH | | H2N  C  C == O | H (2 pontos) b) Não, pois a molécula não possui carbono (centro) assimétrico (quiral). (1 ponto) c) H OH + | | H3N  C  C == O | H (2 pontos) Exemplo de nota a) abaixo da média H H—C—N—C—H dimetil amônio O H H b) Não, pois não possui um Carbono quiral (assimétrico) c) H O H — C — N — C — H → HO — C — N — C — H + H2 O H H H ácido metilamônio metanóico 69
  • 70.
    Química Exemplo de nota a) acima da média H OH | | H2N — C — C = O= | H b) Não. Pois não há isomeria óptica no composto, já que não possui carbono assimétrico. c) grupo amina do aminoácido tem caráter básico. Portanto reage com o ácido da solução aquosa, forman- do: H OH + | | H3N — C — C = O= | H Comentários Esta questão examina, no item a, se o candidato sabe o que é um aminoácido e se sabe escrever uma fórmula estrutural baseando-se, em parte, em seus conhecimentos, inclusive de funções orgânicas e, em parte, nos dados conhecidos. Não era necessário, e nem se desejava que o candidato tivesse memorizado a fórmula pedida. O item b é uma pergunta simples sobre isomeria óptica: bastava verificar que a molécula não apresenta carbono assimétrico. No item c avaliou-se o conhecimento sobre conceito ácido-base de Lewis. O + nitrogênio, tendo um par de elétrons livres, reagirá como base na presença de H . O desempenho dos candidatos refletiu-se numa média igual a 1,43 que está próxima do esperado pelo fato de a questão estar contextualizada, refletindo-se numa maior dificuldade. Determinar a época em que o ser humano surgiu na Terra é um assunto ainda bastante polêmico. No entanto, alguns acontecimentos importantes de sua existência já estão bem estabelecidos, dentre eles, o domínio do fogo e a descoberta e o uso dos metais. QUESTÃO 2 Já na pré-história, o homem descobriu como trabalhar metais. Inicialmente o cobre, depois o estanho, o bronze e o ouro. Por volta de 1500 a.C., ele já trabalhava com o ferro. É bem provável que este metal tenha sido encontrado nas cinzas de uma fogueira feita sobre algum minério de ferro, possivelmente óxidos de ferro(II) e ferro(III). Estes óxidos teriam sido quimicamente reduzidos a ferro metálico pelo monóxido de carbono originado na combustão parcial do carvão na chama da fogueira. Esse é um processo bastante semelhante ao que hoje se usa nos fornos das mais modernas indústrias siderúrgicas. a) Cite uma propriedade que possa ter levado o homem daquela época a pensar que “aquilo diferente” junto às cinzas da fogueira era um metal. b) Suponha duas amostras de rochas, de mesma massa, reagindo com monóxido de carbono, uma conten- do exclusivamente óxido de ferro(II) e outra contendo exclusivamente óxido de ferro(III). Qual delas possibilitaria a obtenção de mais ferro metálico ao final do processo? Justifique. c) No caso do item b, escreva a fórmula estrutural do principal subproduto do processo de produção do ferro metálico. Resposta a) brilho; maleabilidade; som metálico; cor prateada; não quebradiço; incandescente no fogo. (1 ponto) esperada b) Quem forneceria mais ferro metálico seria o FeO. Justificativa: Porcentagem em massa de ferro nos óxidos: 78% de Fe no FeO 70% de Fe no Fe2O3 portanto o FeO contém proporcionalmente mais ferro do que o Fe2O3 (3 pontos) Ou moles de ferro nos óxidos: FeO n = m/72; Fe2O3 n’ = 2 (m/160) = m/80; n > n’ Portanto é o FeO que contém a maior quantidade de ferro. c) O=C=O (1 ponto) 70
  • 71.
    Química Exemplo denota a) Uma característica, que pode ter chamado atenção, é o barulho do metal, quando esse recebe uma abaixo da média pancada. b) FeO + CO → Fe + CO2 Fe2O3 + 3CO → 2Fe + 3CO2 R: A rocha de ferro III libera mais ferro metálico que a outra rocha, segundo as equações acima. c) O=C=O Exemplo de nota a) Os metais são conhecidos por serem maleáveis, não esfarelando-se e fáceis de trabalhar acima da média b) Supondo que a massa das duas rochas é 11.520 gr. O composto de ferro II (massa molar:72 g/mol) possui 160 mol. O composto de ferro III possui 72 mol (MM=160 g/mol). Porém cada mol do composto de FeII possue somente 1 mol de Fe (FeO) enquanto o outro composto possue 2 mol (Fe2O3).Então temos: Fe (II) → FeO → 160 mol de ferro* Fe (III) → Fe2O3 → 2.72 mol de ferro → 144 mol de ferro* * considerando o rendimento de 100% pelas equações: FeO(s) + CO(g) → Fe(s) + CO2(g) Fe2O3(s) + 3CO(g) → 2Fe(s) + 3CO2(g) R: a amostra de óxido de ferro II produziria mais ferro metálico c) A fórmula estrutural do CO2 é O = C = O Esta questão apresenta o aspecto interessante da reconstrução histórica usando-se conhecimentos sim- Comentários ples de Química. O item a avalia se o candidato consegue correlacionar propriedades do metal com a possível identificação do ferro naquela época remota. Observe-se que as respostas esperadas se apresentam num intervalo bastante amplo. Evidentemente, não puderam ser aceitas como válidas respostas que incluíam, por exemplo, a condutividade elétrica uma vez que esta propriedade não se ajusta à época tratada. O desempenho nesta questão foi bastante baixo considerando-se que o item a é muito simples, o b refere- se a um cálculo estequiométrico clássico e o c pede uma fórmula estrutural muito conhecida. A média geral obtida foi 1,26. Muito antes da era Cristã, o homem já dominava a fabricação e o uso do vidro. Desde então o seu emprego foi, e continua sendo, muito variado: desde simples utensílios domésticos ou ornamentais até sofisticadas fibras óticas utilizadas em telecomunicações. QUESTÃO 3 Uma aplicação bastante moderna diz respeito à utilização do vidro em lentes fotossensíveis empregadas na confecção de óculos especiais. Algumas dessas lentes contêm cristais de cloreto de prata e cristais de cloreto de cobre(I). Quando a luz incide sobre a lente, ocorre uma reação de oxidação e redução entre os íons cloreto e os íons prata, o que faz com que a lente se torne escura. Os íons cobre(I), também por uma reação de oxidação e redução, regeneram os íons cloreto consumidos na reação anterior, sendo que a lente ainda permanece escura. Ao ser retirada da exposição direta à luz, a lente torna-se clara pois os íons cobre(II), formados na reação de regeneração dos íons cloreto, reagem com o outro produto da primeira reação. a) Escreva a equação química que descreve o escurecimento da lente. b) Qual é a espécie química responsável pelo escurecimento da lente? c) Escreva a equação química da reação que possibilita à lente clarear. Qual é o agente oxidante nesta reação? Resposta + – + – 1 a) Ag + Cl = Ag + Cl ou Ag + Cl = Ag + /2Cl2 ou esperada AgCl = Ag + Cl ou 1 AgCl = Ag + /2Cl2 (2 pontos) o b) Prata metálica ou Ag ou Ag(s) ou Ag (1 ponto) 2+ + + c) Cu + Ag = Cu + Ag ou CuCl2 + Ag = CuCl + AgCl (1 ponto) 2+ Agente oxidante: Cu (1 ponto) 71
  • 72.
    Química Exemplo de nota a) AgCl → 2 Ag + Cl2 abaixo da média b) é o Cl2 c) Cu + Ag → Cu + AgCl 2+ 0 2+ agente oxidante é o Cu a) Cl + Ag → Ag + Cl – + Exemplo de nota acima da média b) é a prata metálica c) Cu + Ag → Cu + Ag 2+ 0 + + 2+ agente oxidante é o Cu Comentários Esta questão aborda o assunto oxidação e redução dentro de um contexto atual e comum ao cotidiano. As reações que ocorrem são bastante simples de modo que o candidato com conhecimento do que seja oxidação e redução podia responder sem dificuldade. Se o candidato, ainda, correlacionasse o escurecimento da lente com a formação de prata metálica, com mais facilidade poderia apresentar a resposta correta. A média geral neste caso ficou em 1,01. O assunto abordado, oxidação e redução, é muito problemático para os estudantes, o que se refletiu no baixo desempenho. Com a revolução industrial do século XVIII, a sociedade ocidental experimentou uma nova escala de produ- ção de bens. A indústria se mecanizou e, desde então, este processo está em crescimento. QUESTÃO 4 O ácido sulfúrico, a substância mais produzida industrialmente no mundo, é importante na fabricação de fertilizantes, na limpeza de metais ferrosos, na produção de muitos produtos químicos e no refino do petró- leo. Sua produção industrial ocorre da seguinte forma: queima-se o enxofre elementar com oxigênio, o que dá origem ao dióxido de enxofre; este, por sua vez, reage com mais oxigênio para formar o trióxido de enxofre, um gás que, em contato com a água, forma finalmente o ácido sulfúrico. a) Escreva a equação química que representa a reação da água com o trióxido de enxofre na última etapa da produção do ácido sulfúrico, conforme descrito no texto. Numa mesma fábrica, o ácido sulfúrico pode ser produzido em diferentes graus de concentração, por exem- plo: 78% , 93% e 98%. O congelamento destes três produtos ocorre aproximadamente em : 3 ºC, –32 ºC e –38 ºC (não necessariamente na mesma seqüência dos graus de pureza). b) Qual é a mais baixa temperatura de fusão dentre as três? c) A qual dos três produtos comerciais relaciona-se a temperatura de fusão apontada no item b? Justifique. Resposta a) SO3 + H2O = H2SO4 (1 ponto) o esperada b) –38 C (1 ponto) c) 78% (1 ponto) Quanto mais impurezas presentes numa solução menor será o ponto de fusão. Ou Quanto mais partículas presentes na solução menor será o ponto de fusão. (2 pontos) Exemplo de nota a) SO3 + H2O → H2SO4 abaixo da média b) 98%, pois é o que contém menos água e portanto é o que tem a temperatura de fusão mais distante da da água. c) A obtensão de produtos químicos que ocorre em diversas temperaturas, mas que tem sempre o ácido sulfúrico líquido. Exemplo de nota a) SO3 + H2O → H2SO4 acima da média b) A mais baixa temperatura de fusão será –38 ºC. c) Relaciona-se a 78% de pureza, já que quanto menor o grau de pureza mais baixo será o ponto de fusão pois possui mais partículas dissolvidas. 72
  • 73.
    Química Comentários Nesta questão avaliou-se, no item a, a capacidade do candidato de representar em linguagem química (equação e fórmulas) um fenômeno descrito em linguagem comum. A pergunta b é muito simples e examina o entendimento de uma escala de temperatura. O item c está relacionado ao conhecimento de propriedades coligativas. De modo geral, esta questão pode ser considerada muito fácil. O desempenho nesta questão foi o segundo mais alto da prova (média = 2,13) e reflete, provavelmente, o fato de a reação de formação do ácido sulfúrico ser vista na ocasião em que se estuda a chuva ácida. Também o item b é muito simples. O item c, também, não foi um grande problema para os candidatos. Verificando-se a escala de pontos apresentada acima na resposta esperada, percebe-se que um candidato atento poderia facilmente obter, pelo menos, nota 2. A “revolução verde” , que compreende a grande utilização de fertilizantes inorgânicos na agricultura, fez surgir a esperança de vida para uma população mundial cada vez mais crescente e, portanto, mais necessi- tada de alimentos. QUESTÃO 5 O nitrogênio é um dos principais constituintes de fertilizantes sintéticos de origem não orgânica. Pode aparecer na forma de uréia, sulfato de amônio, fosfato de amônio etc., produtos cuja produção industrial depende da amônia como reagente inicial. A produção de amônia, por sua vez, envolve a reação entre o gás nitrogênio e o gás hidrogênio. A figura a seguir mostra, aproximadamente, as porcentagens de amônia em equilíbrio com os gases nitrogênio e hidrogênio, na mistura da reação de síntese. 70 300 °C 60 50 % NH3 na mistura 40 350 °C 30 450 °C 20 500 °C 10 0 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 Pressão total/atm a) A reação de síntese da amônia é um processo endotérmico? Justifique. b) Imagine que uma síntese feita à temperatura de 450 ºC e pressão de 120 atm tenha produzido 50 toneladas de amônia até o equilíbrio. Se ela tivesse sido feita à temperatura de 300 ºC e à pressão de 100 atm, quantas toneladas a mais de amônia seriam obtidas? Mostre os cálculos. c) Na figura, a curva não sinalizada com o valor de temperatura pode corresponder aos dados de equilíbrio para uma reação realizada a 400 ºC na presença de um catalisador? Justifique. Resposta a) Não, pois, segundo o gráfico, quando se aumenta a temperatura, o rendimento diminui. (1 ponto) esperada b) 20% de rendimento → 50 toneladas 50 % de rendimento → x toneladas x = 125 toneladas (1 ponto) diferença: 125 – 50 = 75 toneladas a mais. (1 ponto) c) Não. O catalisador não altera a posição de equilíbrio da reação, apenas a velocidade. (1 ponto) o o A curva para a reação a 400 C deveria estar posicionada entre 350 e 450 C. (1 ponto) Exemplo de nota a) Não. É exotérmico, pois à mesma pressão, há maior porcentagem de amônia nos produtos ao diminuir- abaixo da média se a temperatura. b) 450 ºC e 120 atm 50 t → 20% ∴ Seriam produzidas 150 t a mais m (N2 + H2) → 80% 300 ºC e 100 atm m = 200 t 200 t → 50% m’(NH3) → 50% m’ = 200 t v 73
  • 74.
    Química v c) Na presença de um catalisador, a reação de síntese da amônia será muito rápida não sendo possível fazer as medições progressivas para sinalizar a curva. Exemplo de nota a) Não, pois quanto menor a concentração da amônia maior a temperatura e quanto maior a concentração acima da média de amônia menor a temperatura, isso nos leva a concluir que a síntese da amônia é um processo exotérmico. b) Se 20% = 50 toneladas, porque quando temos a substância a 120 atm e 450 ºC é formada 20 % de NH3.Quando temos a mistura a 300ºC e 100 atm produzimos 30% a mais, então se 20 % é 50 e 30 % é 20 % + 10 %, podemos concluir que: 50 + 25 → 75 toneladas a mais. o c) Não, pois o catalisador não influi no equilíbrio e sim na velocidade. A curva para a reação a 400 C o estaria entre 350 e 450 C. Comentários A leitura e interpretação de um gráfico é a principal avaliação desta questão. A média alcançada, 1,93, mostra que este é um aspecto relativamente bem visto no ensino médio. Foi no item c que os candidatos mais tropeçaram pois muitos não usaram o gráfico para a justificativa completa. O homem, na tentativa de melhor compreender os mistérios da vida, sempre lançou mão de seus conheci- mentos científicos e/ou religiosos. A datação por carbono quatorze é um belo exemplo da preocupação do homem em atribuir idade aos objetos e datar os acontecimentos. QUESTÃO 6 14 Em 1946 a Química forneceu as bases científicas para a datação de artefatos arqueológicos, usando o C. Esse isótopo é produzido na atmosfera pela ação da radiação cósmica sobre o nitrogênio, sendo posterior- mente transformado em dióxido de carbono. Os vegetais absorvem o dióxido de carbono e, através da cadeia 14 alimentar, a proporção de C nos organismos vivos mantém-se constante. Quando o organismo morre, a 14 14 proporção de C nele presente diminui, já que, em função do tempo, se transforma novamente em N. 14 Sabe-se que, a cada período de 5730 anos, a quantidade de C reduz-se à metade. a) Qual o nome do processo natural pelo qual os vegetais incorporam o carbono? 14 b) Poderia um artefato de madeira , cujo teor determinado de C corresponde a 25% daquele presente nos organismos vivos, ser oriundo de uma árvore cortada no período do Antigo Egito (3200 a.C. a 2300 a.C.)? Justifique. 14 14 c) Se o C e o N são elementos diferentes que possuem o mesmo número de massa, aponte uma carac- terística que os distingue. Resposta a) Fotossíntese ou quimiossíntese (1 ponto) esperada b) Não. 14 Justificativa: São necessários 11460 anos para que a quantidade de C se reduza à 25 % da original. Isto mostra que o objeto seria de 9460 a.C., portanto anterior ao período do Antigo Egito. (2 pontos) 14 14 c) O número de prótons. O número de prótons do C é 6. O número de prótons do N é 7. (2 pontos) Exemplo de nota a) Fotossíntese abaixo da média 14 b) Não, pois a concentração de C no Antigo Egito era bem maior que a de hoje então ele não poderia ter 14 teor de C tão baixo. Mas pensando na ipotese de esta arvore ter sido criada numa estufa com atmosfera controlada poderia só que não no antigo Egito, sem grandes tecnologias. c) A principal característica para distingui-los é que o N → pertence a família 5A e o C → pertence a família 4A. Exemplo de nota a) Fotossíntese t acima da média b) m= m0 / 2 t 25/100 m0 = m0 / 2 t 2 = 4 , então t =2. Passou-se 2 períodos de meia vida, portanto a idade do artefato é de 11460 anos, sendo de origem anterior ao período do antigo Egito. (hoje -2000. A idade seria 5200 anos) c) presença de diferente número de prótons no núcleo (número atômico). 74
  • 75.
    Química Esta é uma questão bastante fácil. A média obtida foi igual a 3,05, a mais alta da prova. Os itens a e c, pela sua facilidade, já justificam uma média igual a 3. O item b foi também bastante respondido, o que indica um bom preparo dos candidatos. A melhoria da qualidade de vida não passa somente pela necessidade de bem alimentar a população ou pelas facilidades de produção de novos materiais. A questão da saúde também tem sido uma preocupação constante da ciência. QUESTÃO 7 A sulfa (p-amino benzeno sulfonamida), testada como medicamento pela primeira vez em 1935, represen- tou, e ainda representa, uma etapa muito importante no combate às infecções bacterianas. A molécula da sulfa é estruturalmente semelhante a uma parte do ácido fólico, uma substância essencial para o cresci- mento de bactérias. Devido a essa semelhança, a síntese do ácido fólico fica prejudicada na presença da sulfa, ficando também comprometido o crescimento da cultura bacteriana. a) Escreva a fórmula estrutural e a fórmula molecular da sulfa, dado que o grupo sulfonamida é: –SO2NH2. A estrutura do ácido fólico é: O || N CH2 — NH — — C — NHCHCH2COOH N | COOH H2N N N b) Escreva a fórmula estrutural da parte da molécula do ácido fólico que é estruturalmente semelhante à molécula da sulfa. Resposta a) NH2 NH2 NH2 esperada | | | ou ou | | | SO2NH2 O= S= O = = O←S—O — → | | (1 ponto) NH2 NH2 C6H8N2O2S (2 pontos) b) NH NH | | ou | | CONH HN — C = O = (2 pontos) Exemplo de nota a) NH2 abaixo da média | | SO2NH2 Fórmula molecular : C6H10N2SO2 v 75
  • 76.
    Química v b) O anel benzênico na molécula do ácido fólico é estruturalmente semelhante à molécula da sulfa. Exemplo de nota a) NH2 acima da média | | SO2NH2 Fórmula molecular: C6H8N2SO2 b) NH | | CONH Comentários A média desta questão (0,99) foi a mais baixa da prova. À primeira vista, a questão parece bastante difícil mas, observando-se com cuidado, verifica-se que se trata de perguntas relativamente simples de nomenclatu- ra e de fórmulas. O item c podia ser respondido com certa facilidade pois bastava a identificação da parte da molécula do ácido fólico que interessava. Parece que os candidatos se assustaram com a figura que represen- tava o ácido fólico. A aspirina, medicamento antitérmico, analgésico e anti-inflamatório é, de certo modo, um velho conhecido da humanidade, já que a aplicação de infusão de casca de salgueiro, que contém salicina – produto com propriedades semelhantes às da aspirina –, remonta ao antigo Egito. A aspirina foi sintetizada pela primeira vez em 1853 e, ao final do século XIX, começou a ser comercializada. QUESTÃO 8 Quando ingerimos uma substância qualquer, alimento ou remédio, a sua absorção no organismo pode se dar através das paredes do estômago ou do intestino. O pH no intestino é 8,0 e no estômago 1,5, aproximada- mente. Um dos fatores que determinam onde ocorrerá a absorção é a existência ou não de carga iônica na molécula da substância. Em geral, uma molécula é absorvida melhor quando não apresenta carga, já que nessa condição ela se dissolve na parte apolar das membranas celulares. Sabe-se que o ácido acetil-salicí- lico (aspirina) é um ácido fraco e que o p-aminofenol, um outro antitérmico, é uma base fraca. a) Transcreva a tabela abaixo no caderno de respostas e complete-a com as palavras alta e baixa, referindo- se às absorções relativas das substâncias em questão. Local de absorção Aspirina p-aminofenol Estômago Intestino b) Sabendo-se que a p-hidroxiacetanilida (paracetamol), que também é um antitérmico, é absorvida efici- entemente tanto no estômago quanto no intestino, o que pode ser dito sobre o caráter ácido-base dessa substância? Resposta a) esperada Local de absorção Aspirina p-aminofenol Estômago Alta Baixa Intestino Baixa Alta (3 pontos) v 76
  • 77.
    Química v – + b) Apresenta baixo caráter ácido-básico. OU reage em muito pequena extensão com OH e H . OU não se ioniza significativamente em meio ácido ou básico nas condições do corpo humano. (2 pontos) Exemplo de nota a) abaixo da média Local de absorção Aspirina p-aminofenol Estômago Alta Fraca Intestino Fraca Alta b) É uma substância neutra e apolar Exemplo de nota a) acima da média Local de absorção Aspirina p-aminofenol Estômago Alta Baixa Intestino Baixa Alta b) Que possui um fraco caráter ácido-base. O desempenho dos candidatos nesta questão foi bem abaixo do esperado. Trata-se de perguntas relativa- Comentários mente simples que, no entanto, se mostraram difíceis. No item a, muitos erraram, surpreendentemente. No item b, grande parte dos candidatos não soube correlacionar as propriedades ácido-base com as informações fornecidas. A média obtida pelos candidatos foi 1,30. Para se ter uma idéia do que significa a presença de polímeros sintéticos na nossa vida, não é preciso muito esforço: imagine o interior de um automóvel sem polímeros, olhe para sua roupa, para seus sapatos, para o armário do banheiro. A demanda por polímeros é tão alta que, em países mais desenvolvidos, o seu consumo chega a 150 kg por ano por habitante. QUESTÃO 9 Em alguns polímeros sintéticos, uma propriedade bastante desejável é a sua resistência à tração. Essa resistência ocorre, principalmente, quando átomos de cadeias poliméricas distintas se atraem. O náilon, que é uma poliamida, e o polietileno, representados a seguir, são exemplos de polímeros. [–NH–(CH2)6–NH–CO–(CH2)4 –CO–]n náilon [–CH2–CH2–]n polietileno a) Admitindo-se que as cadeias destes polímeros são lineares, qual dos dois é mais resistente à tração? Justifique. b) Desenhe os fragmentos de duas cadeias poliméricas do polímero que você escolheu no item a, identifi- cando o principal tipo de interação existente entre elas que implica na alta resistência à tração. Resposta a) Náilon. (1 ponto) esperada Justificativa: O náilon é o mais resistente à tração devido à existência de pontes de hidrogênio entre as moléculas adjacentes do polímero. (2 pontos, desde que vinculados à correta indicação das pontes de hidrogênio no item b). b) — N — R6 — N — C — R4 — C — | | || || H H O O ––– ––– ––– ––– O O H H || || | | — C — R4 — C — N — R6 — N — (2 pontos) 77
  • 78.
    Química Exemplo de nota a) O náilon, pois a cadeia principal é formada por cadeia poliméricas distintas que se atraem. abaixo da média b) → Estas curvas existentes em cadeias distintas implicam na alta resistência à tração Exemplo de nota a) náilon, pois por ter hidrogênio ligado a nitrogênio pode formar pontes de hidrogênio, que são interações acima da média fortes. b) — N — R6 — N — C — R4 — C — | | | | || H H O O ––– ––– ––– ––– O O H H || || | | — C — R4 — C — N — R6 — N — A interação é a ponte de hidrogênio. Comentários Trata-se de uma questão que avalia o conhecimento sobre pontes de hidrogênio e a capacidade de o candidato trabalhar com este modelo microscópico para justificar propriedades macroscópicas da matéria. O assunto pontes de hidrogênio é muito visto no ensino médio e esperava-se uma média mais alta do que a alcançada (1,13). Provavelmente os candidatos mais uma vez se assustaram com a questão por apresentar “estas fórmulas complicadas” . Somos extremamente dependentes de energia. Atualmente, uma das mais importantes fontes de energia combustível é o petróleo. Pelo fato de não ser renovável, torna-se necessária a busca de fontes alternativas. QUESTÃO 10 Considere uma gasolina constituída apenas de etanol e de n-octano, com frações molares iguais. As ental- pias de combustão do etanol e do n-octano são –1368 e –5471 kJ/mol, respectivamente. A densidade dessa 3 gasolina é 0,72 g/cm e a sua massa molar aparente, 80,1 g/mol. a) Escreva a equação química que representa a combustão de um dos componentes dessa gasolina. b) Qual a energia liberada na combustão de 1,0 mol dessa gasolina? c) Qual a energia liberada na combustão de 1,0 litro dessa gasolina? Resposta a) C2H6O + 3 O2 = 2 CO2 + 3 H2O Ou esperada C8H18 + 25/2 O2 = 8 CO2 + 9 H2O (1 ponto) b) 0,5 mol de etanol ⇒ 1368 × 0,5 = 684 kJ liberados (1 ponto) 0,5 mol de octano ⇒ 5471 × 0,5 = 2736 kJ liberados Total = 3420 kJ liberados (1 ponto) c) 1 litro corresponde a 720 g de gasolina ⇒ 720 / 80,1 ≅ 9 moles (1 ponto) 1 mol ⇒ 3420 kJ 9 moles ⇒ × × = 30742 kJ liberados (1 ponto) Exemplo de nota a) C2H6O + 3O2 → 2 CO2 + 3H2O abaixo da média b) Energia = combustão etanol + combustão n-octano v 78
  • 79.
    Química v 1 mol de etanol → 1368 kJ 1 mol de n-octano → 5471 kJ total = 6839 kJ R.: A energia liberada é de 6839 kJ 3 –9 c) 0,72 g — 1 cm — 10 L _________ m 1L –9 m = 0,72 10 g 80,1 g — 1 mol 9 0,72 10 g — n 6 n = 9 10 mol 6839 kJ — 1 mol 6 6 E — 9 10 mol, E = 61551 10 kJ 6 R.: A energia liberada é de 61551 10 kJ Exemplo de nota a) 2 C8H18 + 25 O2 → 16 CO2 + 18H2O acima da média b) 1 mol de gasolina 0,5 mol de C8H18 e 0,5 mol etanol 1 mol de C8H18 libera 5471 kJ, 0,5 mol libera 2735,5 kJ 1 mol de etanol libera 1368 kJ, 0,5 mol libera 684 kJ Logo a combustão de 1 mol de gasolina libera 3419,5 kJ c) 1 mol de gasolina — 80,1 g — V 0,72 g — 10 L ⇒ V = 11,125 10 L –3 –2 –2 11,125 10 L — libera 3419,5 kJ de energia 1L—x 4 x = 3419,5 / 0,11125 kJ = 3,073 10 kJ Comentários A média obtida pelos candidatos nesta questão foi igual a 1,82. Tradicionalmente as questões envolvendo termoquímica estão entre as de menor média. Neste caso, contudo, a tradição não se cumpriu e a nota média desta questão ficou acima da média das médias das questões. Parece que houve uma reação positiva do ensino deste assunto nas escolas. Há quem afirme que as grandes questões da humanidade simplesmente restringem-se às necessidades e à disponibilidade de energia. Temos de concordar que o aumento da demanda de energia é uma das principais preocupações atuais. O uso de motores de combustão possibilitou grandes mudanças, porém seus dias estão contados. Os problemas ambientais pelos quais estes motores podem ser responsabilizados, além de seu baixo rendimento, têm levado à busca de outras tecnologias. QUESTÃO 11 Uma alternativa promissora para os motores de combustão são as celas de combustível que permitem, entre outras coisas, rendimentos de até 50% e operação em silêncio. Uma das mais promissoras celas de com- bustível é a de hidrogênio, mostrada no esquema abaixo: Motor elétrico – + Eletrodos Reagente Reagente X Y Produto Produto Membrana polimérica + permeável a H 79
  • 80.
    Química Nessa cela, um dos compartimentos é alimentado por hidrogênio gasoso e o outro, por oxigênio gasoso. As semi-reações que ocorrem nos eletrodos são dadas pelas equações: + – ânodo: H2(g) = 2 H + 2 e + cátodo: O2(g) + 4H + 4 e = 2 H2O a) Por que se pode afirmar, do ponto de vista químico, que esta cela de combustível é “não poluente”? b) Qual dos gases deve alimentar o compartimento X? Justifique. c) Que proporção de massa entre os gases você usaria para alimentar a cela de combustível? Justifique. Resposta a) Porque o único produto é a água. (1 ponto) esperada + b) Gás H2 , porque é onde ocorre a oxidação (ou onde o H2 passa para H ) e, portanto, é onde os elétrons são liberados. (2 pontos) c) 1 H2: 8 O2 ou 2 H2: 16 O2 ou 4 H2: 32 O2 1 Justificativa: a estequiometria da reação mostra que reage 1 mol de H2 com /2 mol de O2. A massa molar do H2 é 2,0 e a massa molar do O2 é 32, donde sai a proporção indicada. (2 pontos) Exemplo de nota a) Porque ela utiliza elementos que ao reagirem geram água, que não é poluente. abaixo da média b) O oxigênio, pois o catodo da eletrólise é o negativo. c) O dobro de hidrogênio em relação ao oxigênio. Exemplo de nota a) Pois o produto da reação: H2 → 2 H + 2 é + acima da média O2 + 4 H + 4 é → 2 H2O + 2 H2 + O2 → 2 H2O produto é água (H2O) que é não poluente b) H2 alimenta o compartimento X, pois é o polo negativo, ou seja, ânodo, onde sofre oxidação, isto é, perde elétrons. c) Usaria: em massa, H2 : O2= 1:8 em massa (pela estequiometria da equação) Trata-se de questão relativamente fácil de oxidação e redução e de estequiometria. Apesar da facilidade, a Comentários média foi baixa (1,42) provavelmente devido ao contexto. Não há equações difíceis a escrever e nem cálculos complicados. Esta questão é mais fácil do que a anterior mas a sua apresentação é menos usual, o que deve ter dificultado os candidatos. A corrida espacial, embora inicialmente inspirada em motivos políticos, acabou por trazer enormes avanços para a humanidade. O projeto Apolo é um símbolo das conquistas tecnológicas do século XX e excelente exemplo de como conceitos simples podem ser valiosos na resolução de problemas sérios. QUESTÃO 12 A Apolo 13, uma nave tripulada, não pôde concluir sua missão de pousar no solo lunar devido a uma explosão num tanque de oxigênio líquido. Esse fato desencadeou uma série de problemas que necessitaram de soluções rápidas e criativas. Um desses problemas foi o acúmulo de gás carbônico no módulo espacial. Para reduzir o teor desse gás na cabine da nave, foi improvisado um filtro com hidróxido de lítio que, por reação química, removia o gás carbônico formado. a) Escreva a equação química que justifica o uso do hidróxido de lítio como absorvedor desse gás. b) Qual seria a massa de hidróxido de lítio necessária para remover totalmente o gás carbônico presente, considerando-o a uma pressão parcial igual a 2 % da pressão ambiente total de 1,0 atm, estando a cabine 3 –1 –1 à temperatura de 20 ºC e supondo-se um volume interno de 60 m ? Dado: R = 0,082 atm L mol K Resposta a) 2 LiOH + CO2 = Li2CO3 + H2O esperada Ou LiOH + CO2 = LiHCO3 (2 pontos) v 80
  • 81.
    Química v b) 1 atm ⇒ 100% pCO2 ⇒ 2% pCO2 = 0,02 atm (1 ponto) p v = nCO2 RT ⇒ nCO2 = p v / RT = 0,02 × 60000 / 0,082 × 293 ⇒ nCO2 = 50 moles (1 ponto) Se nCO2 = 50 moles, pela estequiometria da reação a quantidade de LiOH seria de 100 moles. Como a massa molar do LiOH é 24 g / mol, a massa de LiOH seria 2400 gramas. Ou Se nCO2 = 50 moles, pela estequiometria da reação a quantidade de LiOH seria de 50 moles. Como a massa molar do LiOH é 24 g / mol, a massa de LiOH seria 1200 gramas. (1 ponto) Exemplo de nota a) 2 Li(OH) + CO2 → 2Li + H2CO4 abaixo da média b) Temos -2 P CO2 = 2% de 1 atm = 2 x 10 atm 3 4 V = 60 m = 6 x 10 L T = 20 ºC = 293 K , R = 0,082 , M Li(OH) = 24 g / mol Sabendo que P V = n R T fi n = P V / R T fi n = 86 mol m Li(OH) = 86 x 2 x 24 = 4128 g Exemplo de nota a) 2 LiOH + CO2 → Li2CO3 + H2O acima da média b) P V/T = Po Vo / To c) 0,02 x 60000 / 293 = 1 Vo / 273 Vo = 1118 L nas CNTP 2 x 24 g de Li — 22,4 L de CO2 m — 1118 L de CO2 m = 1118 x 48 / 22,4 m = 2,348 kg de LiOH Comentários Trata-se de questão que examina o conhecimento de reações químicas ácido-base, de gases e de estequi- ometria. A média (1,49) obtida pelos candidatos indica que tiveram dificuldade. Provavelmente, mais uma vez, a dificuldade deve ter sido criada mais pelo fato de haver uma contextualização do que pelas perguntas em si pois, examinado-se com cuidado a questão, verifica-se que ela trata de assuntos muito vistos na escola. 81
  • 82.
  • 83.
    História A prova dissertativa de História da Unicamp tem como objetivo principal avaliar o conhecimento histórico adquirido pelo candidato durante o seu estudo nos ensinos fundamental e médio. Tal afirmação dita de forma muito sintética pode parecer uma redundância, pois todos os vestibulares têm como finali- dade medir o conhecimento adquirido pelos candidatos em sua formação na escola dos ensinos funda- mental e médio. Entretanto, devemos esclarecer que a Unicamp em sua proposta de prova dissertativa pretende avaliar o conhecimento histórico dos candidatos sem se restringir aos critérios de certo ou errado, falso ou verdadeiro que caracterizam os exames vestibulares. Procurando levar em consideração a natureza dos materiais didáticos utilizados pelos candidatos, a Unicamp pretende avaliar de que modo os estudantes são capazes de elaborar respostas coerentes com o repertório de informações e conteúdos históricos que, hoje em dia, são veiculados pelos materiais didáticos destinados às escolas do ensino fundamental e do ensino médio. As questões elaboradas pela Unicamp não prevêem um único tipo de resposta dissertativa, de acordo com um gabarito utilizado para a correção da prova. Ao contrário, por se tratar de uma prova cuja proposta é a de aferir os conhecimentos dos estudantes a partir de materiais didáticos que, de antemão, sabemos ser, eles próprios, comprometidos com um certo modo de se conhecer a história, a Unicamp espera receber como resposta, justamente, o modo como, a partir destes materiais didáticos disponíveis aos ensinos funda- mental e médio, os estudantes entendem, compreendem e interpretam os acontecimentos históricos. Por estas razões, a prova da Unicamp visa menos à justeza das respostas dos candidatos durante a correção, mas, principalmente, ao modo como as respostas são elaboradas e às operações intelectuais que eles são capazes de fazer para responder com coerência as questões propostas. Evidentemente, as questões são propostas procurando alcançar um leque amplo de possibilidades de elaboração do conhe- cimento histórico por parte dos candidatos. Nesse sentido, a prova da Unicamp procura avaliar também em que medida os ensinos fundamental e médio têm sido capazes de propiciar as noções básicas para a compreensão da história. Neste caderno de questões, os candidatos não deverão procurar os gabaritos das questões do ano anterior, nem tampouco o modo correto de sua resolução. Estaremos oferecendo ao candidato as informa- ções e orientações necessárias para se resolver a prova de História da Unicamp, deixando claro que estamos cientes das limitações do material didático disponível para os candidatos em sua preparação para o vestibular. Temos consciência também de que as áreas de interesse do conhecimento histórico mudam periodicamente e, às vezes, um assunto entra em evidência durante alguns anos e cai no esque- cimento anos mais tarde. Isto porque o conhecimento histórico do passado responde às expectativas que o próprio presente coloca para si mesmo, sendo por isso muito comum a renovação das abordagens históricas e um renovar permanente dos temas e assuntos de interesse histórico. Nessa medida, torna-se tarefa muito difícil, hoje em dia, delimitar o conteúdo da história como disci- plina de aprendizagem dos ensinos fundamental e médio. A prova de História da Unicamp, procurando apresentar um conteúdo próximo àquilo que vem sendo estudado pelos candidatos, leva em conta, prin- cipalmente, o material didático de história que anualmente está sendo utilizado na maioria das escolas. A diferença é que a Unicamp tem uma maneira muito própria de aferir estes conhecimentos históricos dos candidatos. Nesse sentido, a prova da Unicamp é diferente de todas as outras, como os candidatos devem ter notado ao longo destes anos. QUESTÃO 13 No ano de 73 a. C., um grande número de escravos e camponeses pobres se rebelaram contra as autorida- des romanas no sul da Itália. Os escravos buscavam retornar às suas pátrias. Depois de resistirem aos exércitos romanos durante dois anos, a maioria foi massacrada. (Traduzido e adaptado de P Brunt, Social . Conflicts in the Roman Republic) a) Compare a escravidão na Roma Antiga e na América Colonial, identificando suas diferenças. b) Quais foram as formas de resistência escrava nesses dois períodos? Resposta Em a, o candidato pontuava ao identificar corretamente a característica da escravidão na Roma Antiga e esperada na América colonial. O item valia 3 pontos. O candidato obtinha 2 pontos pelas características citadas, assim distribuídos: 1 ponto para Roma e 1 ponto para América. O candidato que executasse o exercício de comparação e identificasse as diferenças na escravidão naqueles dois períodos chegava aos 3 pontos. O item b valia 2 pontos. O candidato pontuava ao citar formas de resistência escrava nestes dois períodos, por exemplo, fugas, rebeliões, abortos, assassinatos de senhores, suicídio, boicote ao trabalho, e, no caso da América, quilombos. Cada citação valia 1 ponto. O candidato que respondesse que não havia resistência zerava o item. 83
  • 84.
    História Comentários Exercícios de história comparativa já não são novidade no Vestibular Unicamp. Esta questão exigia do candidato um exercício comparativo sobre escravidão em Roma e na América colonial (incluindo-se aí o Brasil). Na prova do ano anterior pedia-se um exercício semelhante com o conceito de colonização em Roma e no Brasil. A questão foi bem respondida. O tema é tradicional e bem conhecido dos alunos. O enunciado, que falava de fuga e rebelião, ajudava na resposta. O candidato que soubesse o significado do termo resistência escrava (o que foi o caso da maioria), retirava do próprio enunciado da questão a resposta para o item b. Exemplo de nota a) A escravidão na Roma antiga era formada por prisioneiros de guerra (povos pertencentes às terras con- acima da média quistadas pelo Império Romano). Os escravos exerciam funções diversas, inclusive atuavam como inte- lectuais, como professores. Já, na América colonial, os escravos eram basicamente índios e negros, capturados e transportados para as grandes fazendas ou para as minas, obrigados a realizarem trabalho forçado e braçal. b) Os escravos do antigo Império Romano se revoltavam, recusando-se a cumprir suas funções, os escravos da América colonial fugiam para o mato e lá constituíam pequenas comunidades longe da violência branca — os quilombos. Exemplo de nota a) Na Roma: alimentação descente; os donos pagavam um tipo de imposto para serem seus governantes; abaixo da média quem era escravo podia se tornar plebeu. Na América: maus cuidados ; era capturado e se tornava escravo; quem nascia escravo morria escravo. b) As lutas. QUESTÃO 14 Em 15 de julho do ano de 1099, os cruzados tomaram Jerusalém. Eles massacraram homens, mulheres e crianças, assaltaram casas e saquearam as mesquitas. O saque foi o ponto de partida de uma hostilidade milenar entre o Islão e o Ocidente. (Adaptado de A. Maalouf, As cruzadas vistas pelos árabes) a) Qual o significado da retomada de Jerusalém para a cristandade européia? b) Caracterize dois conflitos na história contemporânea que revivem essa hostilidade entre cristãos e mu- çulmanos. Resposta O item a valia 1 ponto. A grade contemplava tanto o significado espiritual da retomada de Jerusalém para esperada os cristãos do Ocidente como seus significados políticos. Como exemplo do primeiro caso, o candidato que mencionasse que Jerusalém era a “Terra Santa para os cristãos” obtinha 1 ponto. Entre outras variantes, aceitava-se também “Terra Sagrada”, “lugar onde Jesus morreu e ressuscitou”, “local do Santo Sepulcro”, “berço do cristianismo,” etc. No segundo caso, o candidato enfatizava que a conquista de Jerusalém signifi- cava a reunificação da Igreja; afirmava ou confirmava a “supremacia” da Igreja católica romana; “indicava que Deus estava do lado dos católicos”; “ampliava o poder da Igreja de Roma,” etc. O item b cruzava os conteúdos de história medieval com os de história moderna e contemporânea. Esperava-se que o candidato citasse e caracterizasse conflitos envolvendo cristãos e muçulmanos no mundo moderno. O item valia 4 pontos e comportava uma possibilidade grande de respostas. Para obter os 4 pontos, esperava-se que o candidato não só citasse os conflitos, mas que discorresse sobre suas caracterís- ticas religiosas, políticas, econômicas, etc. Entre vários exemplos, a grade contemplava: Guerra do Golfo (EUA vs. Iraque), imperialismo nos séculos XIX e XX (europeus na África do Norte, Oriente Médio e Índia), a Guerra da Bósnia, do Kosovo e os conflitos no Timor Leste, a Guerra da Tchetchênia, os conflitos da Armênia vs. Azerbaijão, Turquia vs. Armênia, conflitos em Chipre, Líbano, Nigéria, etc. Esta questão explorava, mais uma vez, o tema guerras de religião, já abordado na prova do ano anterior. Comentários Nas duas provas, entendia-se conflito religioso como um problema muito comum em situações históricas distintas. Aproveitando o texto do enunciado, que fala de uma hostilidade milenar entre cristãos e muçulma- nos, a questão também chamava atenção para a ressonância do passado no presente. Nos conflitos da Bósnia e do Kosovo, por exemplo, a memória da derrota dos sérvios cristãos para os turcos muçulmanos na Idade Média serviu como uma das justificativas para a aniquilação dos bósnios muçulmanos. No geral, a questão foi bastante respondida. O item b apresentou mais dificuldades, uma vez que os candidatos não conseguiam caracterizar o conflito citado ou o caracterizavam erradamente. Um erro muito comum foi tomar os conflitos entre árabes e israelenses (ou seja, entre muçulmanos e judeus) por conflitos entre cristãos e muçulmanos, o que parece refletir uma certa falta de preparo dos alunos do ensino médio para tratar de temas atuais em história contemporânea. 84
  • 85.
    História Exemplo denota a) A retomada de Jerusalém pelos europeus em 1099 significava retomar o domínio do berço do cristianis- acima da média mo, ou seja, o local onde Jesus Cristo foi morto e ressuscitado. b) Um conflito da história contemporânea entre cristãos e muçulmanos é o conflito entre os EUA e o Iraque. O Iraque com intenções de dominar o comércio internacional de petróleo, invade o Kwait. Para evitar que o Iraque dominasse o comércio de petróleo do mundo, os EUA entram em guerra com o Iraque, acirrando as diferenças entre cristãos e muçulmanos, assim mesmo, depois do fim da guerra, a relação entre os dois países continuou conflituosa. Outro conflito é o conflito entre sérvios cristãos ortodoxos e kosovares muçulmanos. Após a morte de Tito, a Iugoslávia passa por um desmembramento em países com culturas diferentes. O último a tentar independência foram os kosovares muçulmanos que foram reprimidos pelos sérvios, gerando um conflito que contou com a participação americana a favor dos kosovares. Exemplo de nota a) Para que os Jesuítas tenha um lugar para ficar, pois antes estavam espalhados pelo mundo. abaixo da média b) Reforma e Contra-Reforma. QUESTÃO 15 Podemos dizer que a idéia de globalização é mais antiga do que imaginamos. Alguns acreditam que sua origem remonta a uma Bula Papal, de 1493, que pela primeira vez empregou a palavra descobrimento. Por este documento, a Europa adquiria o direito de converter à sua religião os povos do mundo e se apropriar das terras por ela descobertas. Evidentemente, trata-se de uma idéia unilateral e unidimensional de globa- lização: foram desconsideradas, quando não aniquiladas, as diferenças culturais e sociais. (Adaptado de Eduardo Subirats, O mundo, todo e uno) a) Quais os países europeus que desencadearam essa globalização? b) Por que o autor considera unilateral essa globalização? c) De acordo com o enunciado, qual o significado de descobrimento para os europeus? Por que, hoje, eles são contestados? Resposta O item a valia 1 ponto, exigia informação e esperava-se que o candidato respondesse Portugal e Espa- esperada nha. No item b, valendo 2 pontos, o candidato retirava a resposta do texto: a globalização foi unilateral porque, segundo o autor, a unificação do mundo foi realizada exclusivamente pelos europeus, desrespeitando as culturas e religiões dos povos conquistados e submetendo-os à exploração econômica. Em c, valendo 2 pontos, a partir do enunciado, o candidato obtinha 1 ponto ao responder sobre o significado religioso (“direi- to de converter à sua religião os povos do mundo”) e/ou econômico dos descobrimentos (“direito... de se apropriar das terras... descobertas”). Chegava aos 2 pontos o candidato que explicasse que os descobrimen- tos são contestados porque o conceito de descobrimento impõe uma visão unilateral, eurocêntrica, que desconsidera a história, a cultura ou a religião dos povos conquistados. O candidato igualmente obtinha 1 ponto se falasse que os descobrimentos foram associados à violência e ao genocídio de populações indígenas. Aproveitando a efeméride dos 500 anos do Brasil, esta pergunta tratava do tema descobrimento e exigia Comentários que o candidato refletisse sobre o caráter arbitrário e unilateral deste conceito. Em a, para obter 1 ponto, o candidato precisava citar as duas potências ibéricas. Uma vez que a pergunta foi feita no plural, não bastava o candidato mencionar uma só. A pergunta era fácil e abordava conteúdos clássicos e bastante trabalhados no ensino médio. O candidato que enumerasse outros países sem identificar a precedência dos portugueses e espanhóis, também não pontuava. Este foi um erro comum. O item b cobrava um exercício simples de leitura e interpretação de texto. A resposta era retirada do próprio enunciado. Bastava que o candidato “copiasse”ou parafraseasse o enunciado e tivesse lido com atenção a pergunta para pontuar neste item. O enunciado também ajudava na resposta do item c, que exigia um exercício de raciocínio histórico. O candidato que percebesse que o descobrimento garantia às potências européias o direito de converter e de se apropriar das terras descobertas facilmente respondia esse item. Exemplo de nota a) Portugal e Espanha. acima da média b) Porque era imposto às regiões “descobertas” a cultura e a religião européias, sendo quase que eliminados os elementos da cultura nativa. Os países que se lançavam na expansão marítima eram todos europeus e todos implantaram o cristianismo e a exploração das duas colônias. c) O significado do descobrimento para os europeus era a total dominação de suas colônias, explorando-as com o objetivo de obter lucro e desenvolvimento para a metrópole, sendo necessário para isso dizimar a cultura nativa e impor a européia. Esses descobrimentos são contestados porque não foi um mero desco- brimento, mas uma dominação de um território que não pertencia aos europeus. 85
  • 86.
    História Exemplo de nota a) Portugal, Espanha, Holanda e Inglaterra. abaixo da média b) Porque só prejudicaria os países menos desenvolvidos, que assumem uma posição de produtores de matérias-primas e mercado consumidor, sendo prejudicados pela exploração dos seus recursos naturais. c) Mais territórios para tomar posse. Esse conceito é contestado pelos países do 3º mundo ou subdesenvol- vidos porque tende a prejudicá-los nas relações comerciais. QUESTÃO 16 A caricatura abaixo, entitulada “A besta papal de sete cabeças”, de 1530, representa o papa e a hierarquia eclesiástica sob uma cruz na qual está escrito, em alemão: “por dinheiro, uma bolsa de indulgências”. Caricaturas como esta e outras semelhantes foram impressas e circularam amplamente na Europa nessa época. a) Que movimento religioso essa caricatura representa e qual a sua crítica à Igreja católica? b) Qual o papel da imprensa na difusão desse movimento? Resposta O trabalho com iconografia constitui uma tradição nas provas da Unicamp. O item a valia 3 pontos: 1 esperada ponto pela identificação do movimento religioso e 2 pontos pela crítica que este movimento faz à Igreja Católica. O movimento era a Reforma Protestante (ou Luteranismo, Reforma, Protestantismo, etc.). Para caracterizar a crítica à Igreja, o candidato podia remeter ao enunciado da pergunta à imagem ou à sua bagagem de conhecimentos. A Reforma, especialmente a luterana, criticava a venda de indulgências, a desmoralização e ganância dos clérigos, a autoridade e infalibilidade do Papa, o culto aos santos, às imagens e às relíquias e a salvação pelos atos. O candidato que não identificasse corretamente o movimento, zerava o item. Em b, valendo 2 pontos, o candidato que falasse que a imprensa possibilitou a difusão das idéias ou doutrinas protestantes obtinha 1 ponto. A divulgação da Bíblia também valia 1 ponto. A melhor resposta, que explicava que a imprensa contribuiu para quebrar o monopólio cultural da Igreja católica, valia 2 pontos. Comentários Esta pergunta trabalhava um conteúdo tradicional e foi bastante respondida. O item a avaliava (1) a capacidade de o candidato ler e interpretar imagens e (2) a capacidade de estabelecer relações entre elas e o contexto histórico. A imagem era muito sugestiva e a legenda que a acompanhava ajudava na resposta deste item. O item b exigia do candidato um exercício de raciocínio, testando a sua capacidade de estabelecer relações entre fenômenos históricos contemporâneos mas distintos entre si, quais sejam, a Reforma e a invenção da imprensa. A imagem e o enunciado, de novo, contribuíam para a solução deste item. Obviamente, o candidato precisava situar a imprensa no contexto histórico do século XVI. Só assim evitava o anacronismo de tratar a imprensa como a mídia moderna ou como uma instituição autônoma, que noticiava sobre os desmandos da Igreja católica. Esse foi um erro comum. Exemplo de nota a) É a Reforma, que criticava o alto clero e as suas mordomias, a venda de indulgências e a simonia. acima da média b) Com a Reforma, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e pregou a livre interpretação da Bíblia. A imprensa também ajudou na velocidade de difusão deste movimento. Exemplo de nota a) É a Contra-Reforma e critica a venda de perdões: papéis com o perdão escrito (indulgência) eram troca- abaixo da média dos por moedas. Ou seja, a Igreja ganhava dinheiro em cima da crença dos outros. b) A imprensa introduziu à população um novo modo das (sic) pessoas pensarem, um modo de pensamento mais liberal, o homem tendo o próprio pensamento, sobre tudo e todos. 86
  • 87.
    História QUESTÃO 17 No Brasil colonial, além da grande propriedade açucareira de produção escravista, o historiador Caio Prado enumera outras atividades econômicas importantes como, por exemplo, a mineração do século XVIII, que era também uma atividade voltada para o comércio externo. (Adaptado de Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo, Editora Brasiliense, 1979). a) Caracterize esta atividade econômica em termos de região geográfica e de sua organização do trabalho e de desenvolvimento urbano. b) Cite e caracterize duas outras atividades econômicas do Brasil colonial que não eram voltadas para o comércio externo. Resposta De acordo com a grade de elaboração poderiam ser esperadas respostas mais ou menos objetivas em esperada ambos os itens desta questão. Para a, valendo 3 pontos: • Minas Gerais; • Regime de trabalho escravo e de homens livres faiscadores; • aparecimento de cidades com as atividades comerciais e profissionais ligas à mineração. Para b, valendo 2 pontos • Economia extrativa no Vale do Amazonas, com o cacau, a nós, o pau-brasil, feita por empresários colhe- dores; • Pecuária no sul do Brasil; • agricultura de subsistência. Comentários Questão formulada para se cobrar quase que exclusivamente o conteúdo de história colonial. Evidente- mente, o conteúdo exigido não era apenas descritivo, uma vez que o candidato deveria conhecer o conceito de mercado interno, de economia de subsistência e de mercado exportador. Exemplo de nota a) A mineração no Brasil so século XVIII ocorreu sobretudo na região onde hoje se situa o estado de Minas acima da média Gerais. Apesar de haver mão de obra livre, era a escrava que predominava, sendo utilizados os negros. Durante esta época houve grande desenvolvimento urbano na região mineradora. Houve grande fluxo migratório para região e, para suprir suas necessidades, existia um comércio expressivo. b) Entre as atividades voltadas para o comércio interno destacam-se a pecuária nordestina, voltada inicial- mente para suprir as necessidades das fazendas açucareiras, possuindo principalmente mão de obra livre e também o extrativisimo vegetal, ocorrido na Amazônia, em que se procuravam drogas do sertão. Exemplo de nota a) A mineração do século XVIII era muito rica, com dificuldades para a agricultura, suas plantações eram abaixo da média feitas por irrigação, o trabalho era manual, pessoas tinham que fazer o trabalho pesado. No caso do desenvolvimento urbano ainda era primitivo. b) A produção de petróleo não era voltada para o comércio externo e também a plantation não era voltada para o comércio externo. QUESTÃO 18 O português entrou em contato íntimo e freqüente com a população de cor. Mais do que nenhum povo da Europa, cedia com docilidade ao prestígio comunicativo dos costumes, da linguagem e das seitas dos indígenas e negros. Americanizava-se ou africanizava-se, conforme fosse preciso. (Adaptado de Sérgio Bu- arque de Holanda, Raízes do Brasil, Cia. das Letras, 1995, p. 64). Simetria: (do grego symmetria, ‘justa proporção’) S. m. 1. Correspondência em grandeza, forma e posição relativa de partes situadas em lados opostos (...) (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 1986, p. 1586). De acordo com os enunciados acima responda: a) Quais os componentes culinários, linguísticos e musicais da cultura brasileira que revelam a adoção de costumes negros e indígenas por parte do branco europeu. b) Você concordaria com a afirmação de que houve uma relação de simetria entre a cultura branca e a dos negros e índios durante o período colonial? Justifique porque sim ou porque não. Resposta Nesta questão o candidato precisava conhecer e saber trabalhar o conceito de trocas culturais e perceber esperada de que maneira muitos de nossos hábitos e costumes são oriundos das culturas negra e indígena. Além v 87
  • 88.
    História v disso, teria de raciocinar e deduzir se as trocas culturais, segundo a sua avaliação histórica, ocorreram mediante uma condição de simetria No item a, valendo 3 pontos, o candidato deveria citar elementos da língua indígena como o nome de cidades, de rios e de alimentos, como também identificar elementos da cultura negra, como a religião, a música, a culinária. Cada elemento vale 1 ponto. No item b, valendo 2 pontos, ao responder negativamente, o candidato deveria explicar a inexistência da simetria nessas trocas culturais, baseando-se principalmente na questão da escravidão e no aprisionamento dos indígenas. Se respondessem afirmativamente, deveriam se referir à adaptação do português na adoção de costumes dos negros e índios. (Recupera-se aqui o argumento do historiador Sérgio Buarque de Holanda, que abre a possibilidade de explicar essas trocas como simétricas.) Assim como havíamos proposto uma questão sobre trocas culturais na primeira fase que fugia dos conteú- Comentários dos convencionais, aqui também está formulada uma questão onde exigimos conteúdo histórico e capacidade de dedução. Para o item b da questão não havia apenas uma resposta certa posto que o que se esperava era o modo de argumentação do candidato, a favor ou contra a idéia de trocas culturais simétricas. Houve respos- tas ainda mais sofisticadas, que foram capazes de ponderar e argumentar a favor do sim e do não na questão da simetria. Exemplo de nota a) Na culinária destacam-se elementos como a feijoada. Na linguagem, pode-se citar palavras como Anhan- acima da média gabaú e Mogi-Mirim de origem indígena e quanto à música, destacam-se o samba e a capoeira, oriundas da cultura negra. b) Não houve simetria entre essas culturas no período colonial. Apesar da influência negra e indígena nos costumes do banco europeu, foi a cultura européia que se sobressaiu sobre as ouras. Religião, lingua- gem, elementos culturais, modos de se vestir, todos esses elementos foram duramente impostos a negros e índios no período colonial. Exemplo de nota a) Elementos adotados de costumes negros e indígenas por parte do branco europeu são no caso da culiná- abaixo da média ria, o bambu que é feito para comer, o modo de falar algumas palavras como saracura para nome de pessoa e elementos musicais dos indígenas como o sopro, no caso a flauta dentre outros b) Sim, pois muitos dos costumes dos brancos foram passados para os negros e indígenas, como aprender a ler e escrever, no qual os padres ensinavam eles. Como alguns costumes de negros e indígenas foram passados aos brancos, nos quais estão até os nossos dias. QUESTÃO 19 Neste cenário, em uma triste e silenciosa solidão, quase perdidos no espaço, dispersos em uma imensa plantação de café, dez ou vinte quilômetros distante do menor vilarejo, vivem milhares e milhares de italianos. (Relato de uma viagem ao Brasil no início do século XX do viajante italiano Luciano Magrini, In Brasile, 1926). a) Quais as condições políticas e econômicas na Itália na segunda metade do século XIX que provocaram o movimento migratório em direção à América? b) Quais foram as localidades geográficas brasileiras ocupadas pela imigração italiana nas últimas décadas do século XIX c) Quais as características econômicas da agricultura cafeeira? Resposta Outra questão de natureza conteudística na qual o candidato deveria saber cruzar informações históricas. esperada Normalmente os conteúdos sobre o processo de unificação italiana e suas relações com a economia cafeeira e com a imigração não aparecem relacionados de maneira criativa nos livros didáticos. A grade de resposta era suficientemente ampla e dava muitas possibilidades de respostas relativamente objetivas em qualquer um dos três itens. Item a: • processo político: unificação promovida pelos estados desenvolvidos do norte; (1 ponto) • processo econômico: • empobrecimento dos camponeses do sul da Itália devido às obrigações fiscais decorrentes da unificação do reino da Itália. • aparecimento de uma classe de grandes proprietários no sul aliada às burguesias comerciais e industriais do norte. (1 ponto) v 88
  • 89.
    História v Item b: Noroeste do estado de SP em direção a Minas Gerais, como também a região sul do Brasil, principalmente Rio Grande do Sul, e também o Espírito Santo. (1 ponto) Item c: Grande propriedade rural; Produção voltada para a exportação; Predominância do trabalho livre, que explica o fluxo imigratório; Desenvolvimento de centros urbanos voltados às atividades complementares, como a comercial, ferroviária, portuária, etc. (2 pontos) Comentários Nesta questão procuramos reforçar mais uma vez a proposta já bastante em uso pelo vestibular da Uni- camp, isto é, fazer com que o candidato estude a história do Brasil em conjunto com a história de outros povos. Na maioria dos livros didáticos há pouca ênfase no estudo de processos históricos de grande amplitude como foi o caso das emigrações européias do final do século XIX. Exemplo de nota a) Na Itália, a causa fundamental desse movimento foi a unificação desse país. Antes dela, observava-se o acima da média norte comercial e rico(com cidades ccomo Gênova e Veneza) e o sul agrário e mais pobre. A unificação unificou também os impostos aos habitantes causando ruína na população do sul e fazendo-os migrar b) Nas últimas décadas do século XIX os italianos ocuparam principalmente regiões do Oeste Paulista, onde situavam grandes plantações de café c) A agricultura cafeeira era maciçamente voltada para o mercado externo, sendo o principal produto de exportação brasileiro do período. A mão de obra provinha se imigrantes, sobretudo italianos, que traba- lhavam de forma livre na cultura cafeeira. O poder econômico era voltado para os cafeicultores, em prejuízo dos trabalhadores. Exemplo de nota a) Nas condições que a Itália estava em guerra, ou seja, em conflito com a Espanha pelo objetivo de abaixo da média conquistar novas terras para a expansão do território. No caso politicamente, a Itália estava falindo, pois teria que investir na guerra para poder vencer. b) Foram ocupadas a região noredeste e a região central do Brasil pelos italianos. c) O Brasil estava muito bem economicamente com a produção do café, sua economia estava crescendo cada vez mais. QUESTÃO 20 Leia com atenção este texto de 1901, em defesa dos direitos operários e responda: A organização operária, que vai se fazendo nesta cidade, trouxe, como principal consequência, a multipli- cação das greves.(...) Verdade é que tivemos de assistir, nos últimos anos, ao irrompimento de umas cinco ou seis greves, quase todas bem sucedidas. (Evaristo de Moraes, Apontamentos de direito operário, 1905, p. 61). a) Caracterize a situação dos direitos dos trabalhistas urbanos e rurais no Brasil nas três primeiras décadas do século XX e cite as principais conquistas grevistas do período? b) Compare estas conquistas do início do século com os direitos trabalhistas e sindicais da constituição brasileira de 1988 Resposta Procuramos com esta questão avaliar até que ponto os candidatos seriam capazes de ultrapassar os esperada conhecimentos adquiridos através dos livros didáticos. Esperava-se que o candidato, lendo o enunciado com atenção, fosse capaz de chegar a algumas conclusões sobre a legislação trabalhista no Brasil, sem transfor- mar a figura de Getúlio Vargas num herói da classe trabalhadora. a) • ausência de direitos trabalhistas nas duas primeiras décadas, sendo a greve uma questão de polícia e não de regulamentação estatal. Embora tenha havido a promulgação de algumas leis trabalhistas, elas não chegaram a ser devidamente aplicadas, na maioria das vezes • lutas e reivindicações dos trabalhadores nas três primeiras décadas do século XX: • lei de férias; • regulamentação do trabalho do menor e da mulher; • limitação da jornada de trabalho; • ausência de qualquer tipo de lei protetora do trabalhador rural. (3 pontos) v 89
  • 90.
    História v b) • jornada de trabalho de 44h • licença gestante • trabalhador rural passou a ter o mesmo direito que o trabalhador urbano • o Estado está proibido de intervir nos sindicatos • direito irrestrito de greve, com funcionamento mínimo nos setores fundamentais da sociedade. (2 pontos) Nesta questão esperava-se que o candidato fosse capaz de deduzir que a questão dos direitos trabalhistas Comentários no Brasil não começou pela promulgação da CLT, com Vargas. O candidato deveria perceber que desde a origem do movimento operário no Brasil há uma luta pela defesa dos direitos trabalhistas, nem sempre aplicados mediante a tutela do Estado, como aconteceu a partir do Governo Vargas. Pretendemos também que o candidato pensasse a questão dos direitos trabalhistas contidos na constituição de 1988, para avaliar de que modo esta legislação é resultado de um processo histórico que não começou pela mãos benevolentes de Getúlio Vargas. Exemplo de nota a) Os trabalhadores urbanos e rurais não possuíam nenhuma legislação que lhes assegurasse direitos, ao acima da média contrário disso, não possuíam férias, as jornadas eram de 12 a 16 horas. Comn o início das greves as conquistas iniciaram, como redução gradual das horas de trabalho e o descanso semanal. Vale lembrar, que muitas destas conquistas atingiram apenas os trabalhadores urbanos, já que eram nas cidades que aconteciam a maior parte sos movimentos dos trabalhadores. b) Comparando os direitos da atual constituição com as conquistas do início do século, vemos um grande avanço, como por exemplo a equiparação do trabalhador rural com o urbano, a liberdade sindical e o direito de greve. Entretanto, atualmente, segue-se uma tendência de diminuição dos direitos trabalhistas que ocorrem devido a pressão das empresas. Exemplo de nota a) A situação dos direitos dos trabalhadores no Brasil era ainda a mesma, os trabalhadores “sem direito” de abaixo da média reivindicar seus direitos, sem cuidados no trabalho, com máquinas perigosas, trabalhando sem ter des- canso em período de trabalho e sem ter um salário digno para poder sustentar a família. b) Na constituição Brasileira os trabalhadores conseguiram muito mais conquistas grevistas, pois tinham direito de trabalhar com segurança, sem emdo de morrer no trabalho, também com direito a salário razoável para o sustento da família. Os direitos trabalhistas foram bons para ajudar os trabalhadores a trabalhar mais seguro. QUESTÃO 21 A ditadura de Porfirio Díaz (1876-1911) produziu no México uma situação de superficial bem-estar econô- mico, mas de profundo mal-estar social. (...) Fizeram-no chefe de uma ditadura militar burocrática destina- da a sufocar e reprimir as reivindicações revolucionárias. ...Amparavam-na os capitalistas estrangeiros, tratados então com especial favor. (José Carlos Mariátegui, A Revolução Mexicana, Coleção Grandes Cientis- tas Sociais, Ática, pp. 134-5). a) Quais as características do desenvolvimento econômico mexicano durante este período? b) Explique a situação socio-econômica da população indígena e camponesa durante a ditadura de Por- fírio? c) Quais os grupos sociais e políticos que se opuseram à ditadura de Porfirio Dias e que desencadearam o processo da revolução mexicana? Resposta Esta pergunta tratava da Revolução Mexicana enfocando seus antecedentes. Primeiro, o candidato deve- esperada ria indicar a situação econômica do México baseada na expansão do capitalismo, com o crescimento indus- trial, dos investimentos estrangeiros e dos latifúndios. Na seqüência, o candidato deveria falar do empobrecimento e descontentamento social dos camponeses e índios, à medida que as terras comunitárias dos índios foram incorporadas ao latifúndios e houve um processo de proletarização dos camponeses. Estas descrições da situação econômica mexicana e a explora- ção dos índios e camponeses, aliás comentada na afirmação de Mariátegui, garantia ao candidato até 4 pontos. Só então, era-lhe pedida uma informação nova acerca dos sujeitos sociais que iniciaram o processo revolucionário: anarquistas, socialistas, liberais ligados a Madero, o grande contingente de camponeses liderados por Zapata e Pancho Villa. Esta informação valia 1 ponto. v 90
  • 91.
    História v Na expectativa desta resposta, a grade assim era composta: a) • estimulou indústria • investimento estrangeiro • favoreceu a elite fundiária com a ampliação dos latifúndios • modernização da rede de transportes • expansão do marcado consumidor • uso da mão-de-obra barata • concessão do uso do subsolo (a multinacionais principalmente para a exploração do petróleo) • isenção fiscal (2 pontos) b) • tomou as terras comunitárias dos índios, que foram absorvidas pelos latifúndios (1 ponto) • proletarização dos camponeses (1 ponto) c) A elite liberal proprietária, liderada por Madero, anarquistas, socialistas e a grande massa dos camponeses liderada por Emiliano Zapata e Pancho Villa. (1 ponto para dois destes sujeitos sociais) Comentários Trata-se de um assunto recorrente nos livros didáticos ao estudar os movimentos revolucionários na América Latina. Esta revolução destaca-se, contudo, nesta literatura pela força de sua movimentação social e efetivo exercício de um governo revolucionário marcado pela presença camponesa – ao lado da Revolução Cubana. A pergunta enfocava os antecedentes desta Revolução, valendo-se da afirmação de Mariátegui que flagra justamente a contradição entre o desenvolvimento capitalista e o mal-estar social que ele produz entre campo- neses e índios. O candidato dava uma densidade histórica ao comentário ao descrever tal contradição. Um equívoco frequente no item a foi o candidato preocupar-se em justificar o avanço capitalista, valorizando-o sem perceber a exploração social envolvida. Centrado ainda nos antecedentes da revolução, pedia-se, em c, a identificação dos sujeitos sociais respon- sáveis pela eclosão da revolução. Em b e c, privilegiava-se a precisão histórica da resposta sem escorregar em generalidades tais como: a “marginalização dos pobres” em b ou os “nacionalistas” em c, pois a pergunta incidia sobre grupos sociais atuantes na revolução. Havia uma dada noção de que a revolução é, enquanto processo histórico, marcada por antecedentes que podem funcionar como causas, motivos, motores, elementos que acabam acelerando e/ou detonando a revo- lução e certo domínio desta noção podia ajudar a explicar e entender tal processo histórico. Exemplos de nota a) O desenvolvimento econômico que se dava se caracterizou pela desapropriação de terras de índios e acima da média camponeses para a agricultura de plantation para exportação, garantindo capital para o país e usando mão de obra barata a procura de emprego. Comerciava com petróleo com outros países compradores, que estava em alta. b) A situação sócio-econômica da população indígena e camponesa era ruim, pois o sistema que Díaz implantou foi o de desapropriação de terras, deixando esses povos sem terra e assim sem sustento, tendo que se oferecer para trabalho nas fazendas ganhando pouco ou nada para ficar na terra. c) Povos nativos, camponeses, pequenos produtores e políticos que queriam chegar ao poder, de esquerda, desencadearam a revolução mexicana. a) Durante o governo de Porfírio Díaz, a economia desenvolveu-se apoiada no capital externo, que fazia investimentos e empréstimos. A indústria e a agricultura de exportação cresceram, dando a falsa impres- são de prosperidade. b) A população indígena perdeu suas terras onde cultivava gêneros tradicionais para subsistência, o mesmo acontecendo aos camponeses, que foram obrigados a trabalhar nas grandes propriedades. c) Os grupos sociais rurais, camponeses e indígenas e líderes socialistas opuseram-se à ditadura, reivindi- cando a reforma agrária através da revolução. Exemplo de nota a) A economia estava praticamente estagnada. O aparente bem-estar econômico não mostrava a má distri- abaixo da média buição de renda que provocava o mal-estar social. b) Camponeses e indígenas estavam em péssimas condições tendo pouco para comer e muito o que fazer para conseguir viver. c) Os camponeses e a classe média. 91
  • 92.
    História QUESTÃO 22 A República do Paraguai se defendia heroicamente contra as agressões do Império do Brasil. (...) Para todas as nações, o heroísmo da resistência de tão pequena república contra aliados tão poderosos excitava a simpatia que sempre há pelo fraco (...). (D. F. Sarmiento, Questões Americanas, Coleção Grandes Cientistas Sociais, Atica, p. 124). a) Como Sarmiento representa neste texto o conflito entre o Brasil e o Paraguai? b) De que modo esta representação de Sarmiento ilustra o conflito político-ideológico no Brasil após a Guerra do Paraguai? c) Por que a Guerra do Paraguai contribuiu para o movimento abolicionista no Brasil? Resposta A resposta pedia uma boa leitura do enunciado e sua efetiva compreensão. Isto exigia do candidato que esperada percebesse para além do conflito entre países (Brasil e Paraguai, no caso citado) uma disputa quanto às formas de governo: monarquia x república. Por outro lado, exigia a percepção, por parte do candidato, de que tal disputa estava instalada dentro do próprio Brasil, devido à emergência e à expansão do movimento republicano contra a monarquia vigente. Ora, pedia-se em a e b que o candidato nomeasse este conflito dentro e fora do Brasil que se punha como uma questão do Estado. Por último, a resposta vinculava a Guerra do Paraguai e o movimento abolicionista, pois os escravos nela lutaram, os soldados passam a simpatizar com a causa abolicionista, muitos escravos conseguiram sua alforria em virtude da sua participação na guerra e, além disso, crescia no Brasil a boa acolhida em meio à opinião pública do tema da abolição. Resumidamente a Grade era assim: a) pequeno estado republicano vs. Império monarquista e/ou desigualdade de forças. (1 ponto) b) ilustra o conflito entre o movimento republicano ascendente e a monarquia. (3 pontos) c) negros lutaram no exército. (1 ponto) Baseada numa boa leitura de enunciado, tarefa em geral considerada fácil e de rápida execução, esta Comentários pergunta foi pouco respondida e/ou teve muitos enganos no item a que pedia para nomear justamente o conflito das formas de governo. A resposta mais comum somente menciona a luta entre o grande/forte Brasil versus o pequeno/fraco Paraguai. Este comportamento do item a dificultava a apreensão de que o item b repetia o mesmo conflito, desta feita dentro do Brasil. Propositadamente, a pergunta trabalhava esta relação dentro e fora a fim de indicar a sua força e repercussão social. Este procedimento reforçava o jogo de contras- tes entre Brasil e Paraguai notado por Sarmiento no enunciado da questão. Aqui, tal como nas Q. 21, Q 23, Q. 24, um comentário de um pensador político funcionava como um documento e, ao mesmo tempo, explicava um problema importante do processo histórico estudado, o que conferia uma certa unidade e semelhança a essas questões. Vale a pena enfatizar que esta pergunta participa do mesmo interesse em trabalhar temas históricos com recortes vários e/ou transversais. Desta feita, era um recorte entre História da América Latina e do Brasil tanto quanto um confronto das formas de governo, ou então ainda aludia implicitamente ao desejo de expansão imperialista do Brasil nesta região da América do Sul. Ao contrário do desempenho de a, o item c foi bastante respondido ao retomar uma abordagem já consa- grada das relações entre o abolicionismo e a Guerra do Paraguai, pois bastava assinalar a participação de escravos para pontuar. Desta maneira, os itens a e c contrabalançavam-se no intuito de permitir que o candi- dato escrevesse e mostrasse seus conhecimentos. Exemplo de nota a) Sarmiento representa o conflito como de contrastes. O grande Brasil contra o pequeno Paraguai. O acima da média Império contra a República. b) Depois da Guerra do Paraguai a disputa entre republicanos e monarquistas ficou mais acirrada por causa da crise que se instalou no país. Os republicanos culpavam a Monarquia pela situação caótica do país e defendiam a imediata proclamação da República. c) Porque o Exército aderiu ao movimento. Na Guerra do Paraguai os negros lutaram ao lado dos brancos e sofreram as mesmas dores. Por isso, o Exército começou a apoiar a Abolição. a) Sarmiento representa o conflito entre Brasil e Paraguai como sendo injusto, já que o Brasil era forte e o Paraguai era fraco. b) A representação de Sarmiento revela um conflito político-ideológico no Brasil entre a criação da República e o fim do Império. Isto é representado através da luta entre o Império do Brasil e a República do Paraguai. c) A Guerra do Paraguai contribuiu para o movimento abolicionista no Brasil porque muitos negros, que foram alforriados por participarem da Guerra, voltaram armados e cientes das táticas de guerra. Além de receberem o apoio de colegas militares, os quais os negros ajudaram durante a guerra. 92
  • 93.
    História Exemplode nota a) Apresenta o Paraguai heroicamente ao contrário do Brasil. abaixo da média b) Pois o Paraguai foi visto como símbolo de coragem tomando simpatia após a guerra. O conflito enfraque- ceu ainda mais o Império que teve de ceder principalmente à Inglaterra, em relação à Abolição. QUESTÃO 23 Para os pensadores do século XIX Stuart Mill e Fourier, o grau de elevação ou rebaixamento da mulher constitui o critério mais seguro para avaliarmos a civilização de um povo. (Adaptado do N. Bobbio et al., orgs., Dicionário de Política, UnB, vol. 1, p. 488). a) Qual o movimento de mulheres com idéias semelhantes a estas que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos no início deste século e qual a sua principal reivindicação? b) Quais são as diferenças entre este movimento e o movimento feminista da década de 60? c) Por que estes movimentos alargaram a cidadania? Resposta O candidato tratava do movimento feminista, tendo por ponto de partida a luta pelo direito de voto pelas esperada mulheres e passava pela conquista de vários direitos sociais e trabalhistas, além dos direitos relativos ao uso de seu próprio corpo ou mesmo quanto à administração de sua casa. Entre o item a e b, estabelecia-se uma temporalidade histórica que tem por ponto de partida a luta pelo sufrágio universal até as conquistas das mulheres, tão comentadas na média, na década de 1960. Depois, de elencar tais ganhos, a resposta tinha em c um teor mais conceitual ao trabalhar com a noção de cidadania. Esta idéia começava com uma luta pelo direito ao voto e se expandia, cada vez mais, com a introdução e luta por novos direitos, muitos deles adstritos ao universo feminino. Uma boa resposta tanto casava informações quanto percebia a expansão e certa mudança da noção de cidadania. a) • sufragismo/sufragetes, movimento pelo direito do voto feminino e/ou • direito de voto das mulheres. (1 ponto) b) • igualdade de condições de trabalho entre homens e mulheres • igualdade de oportunidades profissionais • igualdade de direitos políticos • acesso igual à educação • igualdade dos papéis sexuais masculino e feminino • direito do uso do corpo • direito ao aborto. • controle da reprodução. • liberdade sexual e/ou revolução sexual • licença maternidade • divisão das tarefas domésticas (3 pontos para 3 características) c) Obs. Este item valia de 1 a 2 pontos de acordo com a qualidade conceitual da resposta Uma resposta como a primeira, por exemplo, por si só valia 2 pontos. • mulher passa a ser cidadã; • mulheres votam ou participam da política. Comentários A atuação da mulher na sociedade contemporânea é assunto querido da média, bastante debatido e pertence ao cotidiano do candidato. Por outro lado, foi tematizada pela historiografia e encontra ecos em vários livros didáticos. Daí, seu interesse para esta prova. Foi uma pergunta bastante respondida sobretudo nos itens a e b – com mais acertos em b, dada a facilidade das informações. O enunciado já se preocupava em evidenciar a importância política das mulheres para pensadores políti- cos do porte de Stuart Mill e Fourier – tão distintos entre si. Desta maneira, reconstituiu-se ao longo da pergunta – juntando enunciado e os itens a e b – um sentido histórico deste assunto, ao denotar sua conforma- ção ao longo dos anos. Trabalhou-se também sua forte conotação política que vai desde a esfera das leis – com as sufragetes, a licença maternidade, o direito legal ao aborto – até o uso cotidiano e mais pessoal do corpo feminino com a liberação sexual. A questão assim atravessava desde o século XIX até as mais recentes conquistas femininas e ainda reportava-se para outro conceito histórico chave: a noção de cidadania – que nasce nos gregos antigos. Este entrecruzamento entre o estudo das mulheres e a cidadania dava chance do candidato falar quer da cidadania como sinônimo da conquista ao voto quer da cidadania como uso da sua própria individualidade conforme seu responsável livre arbítrio. 93
  • 94.
    História Exemplo de nota a) Foi o movimento feminista, cuja principal reivindicação era o direito do voto feminino. acima da média b) As idéias eram de igualdade entre os homens e mulheres. Esta igualdade se refere quanto aos direitos salariais, profissionais e outros. Além disso, as mulheres buscavam eliminar o preconceito quanto à sua capacidade intelectual, física e mesmo emocional. c) Estes movimentos alargaram o conceito de cidadania pois estenderam direitos, que antes eram restritos aos homens, às mulheres, dando a elas direitos e deveres que um cidadão possui. Exemplo de nota a) O movimento das operárias, elas reivindicavam a regulamentação do trabalho feminino. abaixo da média b) A de que a mulher não precisa estar nem acima nem abaixo dos homens e sim somente com o direito de igualdade aos homens. Ao promoverem estes movimentos, houve um questionamento quanto ao conceito de cidadania, que neces- sitava de um alargamento sim, não ficando restritos a fracções das sociedades por critério algum que usassem. QUESTÃO 24 Na origem do pitoresco há a guerra e a repulsa em compreender o inimigo: na verdade nossas luzes sobre a Ásia vieram, inicialmente, de missionários irritados e de soldados. Mais tarde chegaram os viajantes – comerciantes e turistas – que são militares frios: o saque se denomina shopping e as violações são pratica- das honrosamente nas casas especializadas. (...) Criança, eu era vítima do pitoresco: tinham tudo feito para tornar os chineses apavorantes (...) (Jean-Paul Sartre, Colonialismo e Neocolonialismo, Tempo Brasileiro, 1968, p. 7). a) Retire do texto dois personagens da colonização européia da Ásia e da África do século XVI ao século XX e explique qual o seu papel na exploração e dominação colonial. b) Explique como a Revolução Cultural Chinesa em 1968 se posicionou frente aos valores econômicos e culturais do Ocidente? Resposta Trata-se de uma pergunta com uma longo recorte temporal por centrar-se na colonização européia da esperada África e Ásia entre os séculos XVI e XX, tendo por porta de entrada a citação de Sartre, na qual destaca-se esta repulsa pelo outro estrangeiro. Recortando personagens que em si tipificaram a ação colonizadora, o candidato nomeava suas funções e assim informava sobre a conquista destas áreas e ação dos europeus. Em contraposição, o item b fazia o percurso inverso ao exigir do candidato que reconhecesse na Revolu- ção Cultural Chinesa a repulsa do Ocidente, da Europa e seus valores civilizados e capitalistas. a) • missionários: conversão a religião e visão de mundo ocidental; dominação ideológica. • comerciantes: “saque” da população nativa; introdução do capitalismo. • turistas: contribuíram para transformar o modo de vida local • militares: dominação pela força. • prostituição: desumanização da mulher. (vale 3 pontos, 1 ponto para cada informação correta) Obs: Só ganha 2 pontos quando explicar o papel do personagem. b) • Rejeição de valores da cultura do ocidente que chegaram à China desde o século XVI. • Não aceitação da sociedade de consumo ocidental e do modelo econômico do capitalismo. (2 pontos) Comentários A pergunta baseada na afirmação de Sartre centrava-se no horror, repulsa e ressentimento que o processo de colonização porta para o colonizador, colonizado, colono, com diversas conotações. Aqui, tratava-se do colonizador e o colonizado, contrastando em a e b práticas que motivaram tal ideário. O recorte temporal permitia uma tal diversidade de personagens no item a que era difícil não respondê-lo e obter pontuação. A atual situação da China ganha assiduamente espaço da mídia, daí o reconhecimento do estudante do tema. O item b, contudo, exigia do candidato que conhecesse especificamente a Revolução Cultural Chinesa para perceber que sua reação negativa e de exclusão, perseguição, dos elementos do Ociden- te reiteravam a repulsa comentada por Sartre. Neste item houve o maior índice de brancos e nulos. O tema do Imperialismo e do Mercantilismo aparecia aqui recoberto pela experiência colonizadora, mar- cando certas semelhanças e dava vazão a uma resposta vinda da China que mantinha o autoritarismo, empre- gava também a violência e excluía a diferença. 94
  • 95.
    História Exemplo de nota a) Os missionários e os soldados. Os missionários vinham para catequizar os povos dominados, impondo a acima da média religião européia. Os soldados são os órgãos opressores que reprimiam a população para conter rebeliões e revoluções. b) A revolução Cultural Chinesa era contrária aos princípios capitalistas vindos do Ocidente. Pregava o socialismo como transição para o comunismo, onde a terra seria um bem comum, não tendo interesses voltados apenas para a obtenção de lucros, mas, sim, interesses voltados para o bem-estar da sociedade. a) Os missionários tiveram papel importante na dominação de outros povos, eram eles que se aproximavam dos povos, a fim de traze-los para a Igreja Católica. Com isso, impunham também valores europeus, que facilitavam a dominação e escravização. Os comerciantes finalizaram o processo de dominação: suas mercadorias afirmavam a supremacia euro- péia sobre os povos e tornava-os dependentes de sua economia. b) A Revolução Cultural Chinesa consistiu no fechamento em todos os aspectos da China aos povos do Ocidente. Dessa maneira, tornou-se a influência menos violenta. A China criou seu próprio sistema político, negando o capitalismo, e nela foi proibida e abafada qualquer manifestação da cultura ocidental. Exemplo de nota a) Soldado e missionário, exploração do comércio e dominação colonial chineses. abaixo da média 95
  • 96.
  • 97.
    Física As questões de Física do Vestibular Unicamp versam sobre assuntos variados do programa (que cons- tam do Manual do Candidato). Elas são formuladas de forma a explorar as ligações entre situações reais (preferencialmente ligadas à vida cotidiana do candidato) e conceitos básicos da Ciência Física, muitas vezes percebidos como um conjunto desconexo de equações abstratas e fórmulas inacessíveis. Pelo con- trário, o sucesso de um candidato no tipo de prova apresentado depende diretamente da sua capacidade de interpretar uma situação proposta e tratá-la com um repertório de conhecimento compatível com um estudante egresso do ensino médio. A banca elaboradora apresenta inúmeras propostas de questões e as seleciona tendo em vista o equilíbrio entre as questões fáceis e difíceis, os diversos itens do programa e a pertinência do fenômeno físico na vida cotidiana do candidato. Após a seleção, as questões são aprimora- das na descrição dos dados correspondentes à situação ou ao fenômeno físico e na clareza do que é per- guntado. Formuladas as questões, elas são submetidas a um professor revisor. Para ele, as questões são inteiramente novas e desconhecidas. Sua crítica a elas se fará em termos de clareza dos enunciados, do tempo para se resolvê-las, da perfeição de linguagem, da adequação ao programa, etc. Um bom trabalho de revisão às vezes obriga a banca a reformular questões e mesmo a substituí-las. A política da Comvest, que as bancas de Física vêm seguindo reiteradamente, é de não manter bancos de questões. Além disso, não utilizamos questões de livros ou de qualquer compilação de problemas. Portanto, se alguma questão se parece com a de algum livro ou compilação é porque o número de questões possíveis numa matéria como a de Física é finito e coincidências não são impossíveis. A correção: A correção é feita de maneira a aproveitar tudo de correto que o candidato escreve. Em geral, erros de unidade e erros de potência de 10 são penalizados com algum desconto de nota. QUESTÃO 1 “Erro da NASA pode ter destruído sonda” (Folha de S. Paulo, 1/10/1999) Para muita gente, as unidades em problemas de Física representam um mero detalhe sem importância. No entanto, o descuido ou a confusão com unidades pode ter conseqüências catastróficas, como aconte- ceu recentemente com a NASA. A agência espacial americana admitiu que a provável causa da perda de uma sonda enviada a Marte estaria relacionada com um problema de conversão de unidades. Foi forne- cido ao sistema de navegação da sonda o raio de sua órbita em metros, quando, na verdade, este valor 5 deveria estar em pés. O raio de uma órbita circular segura para a sonda seria r = 2,1 x 10 m, mas o sis- tema de navegação interpretou esse dado como sendo em pés. Como o raio da órbita ficou menor, a sonda desintegrou-se devido ao calor gerado pelo atrito com a atmosfera marciana. a) Calcule, para essa órbita fatídica, o raio em metros. Considere 1 pé = 0,30 m. b) Considerando que a velocidade linear da sonda é inversamente proporcional ao raio da órbita, deter- mine a razão entre as velocidades lineares na órbita fatídica e na órbita segura. Resposta 0,3 m 0,3 m ⇒ 2,1 x 10 ft --------------- = 6,3 x 10 m 5 4 esperada a) rm = rft --------------- (3 pontos) ft ft 5 V ft rm 2,1 x 10 70 10 b) ----- = ---- = ------------------------ = ------ = ------ ≅ 3,3 - - 4 - - (2 pontos) Vm r ft 6,3 x 10 21 3 Exemplo de nota acima da média 97
  • 98.
    Física Exemplo de nota abaixo da média Comentários Esse assunto teve grande destaque na mídia nos meses que antecederam o vestibular. QUESTÃO 2 Uma das primeiras aplicações militares da ótica ocorreu no século III a.C. quando Siracusa estava sitiada pelas forças navais romanas. Na véspera da batalha, Arquimedes ordenou que 60 soldados polissem seus escudos retangulares de bronze, medindo 0,5 m de largura por 1,0 m de altura. Quando o primeiro navio romano se encontrava a aproximadamente 30 m da praia para atacar, à luz do sol nascente, foi dada a ordem para que os soldados se colocassem formando um arco e empunhassem seus escudos, como repre- sentado esquematicamente na figura abaixo. Em poucos minutos as velas do navio estavam ardendo em chamas. Isso foi repetido para cada navio, e assim não foi dessa vez que Siracusa caiu. Uma forma de entendermos o que ocorreu consiste em tratar o conjunto de espelhos como um espelho côncavo. Suponha que os raios do sol cheguem paralelos ao espelho e sejam focalizados na vela do navio. Sol 30 m a) Qual deve ser o raio do espelho côncavo para que a intensidade do sol concentrado seja máxima? b) Considere a intensidade da radiação solar no momento da batalha como 500 W/m 2. Considere que a refletividade efetiva do bronze sobre todo o espectro solar é de 0,6, ou seja, 60% da intensidade inci- dente é refletida. Estime a potência total incidente na região do foco. Resposta a) r = 2f = 2 ⋅ 30 m = 60 m (2 pontos) esperada W 60 b) P = 500 ------ ⋅ 30 m ⋅ ---------- = 9000 W 2 - 2 (3 pontos) m 100 Exemplo de nota acima da média v 98
  • 99.
    Física v Exemplo de nota abaixo da média QUESTÃO 3 Um automóvel trafega com velocidade constante de 12 m/s por uma avenida e se aproxima de um cruzamento onde há um semáforo com fiscalização eletrônica. Quando o automóvel se encontra a uma distância de 30 m do cruzamento, o sinal muda de verde para amarelo. O motorista deve decidir entre parar o carro antes de che- gar ao cruzamento ou acelerar o carro e passar pelo cruzamento antes do sinal mudar para vermelho. Este sinal permanece amarelo por 2,2 s. O tempo de reação do motorista (tempo decorrido entre o momento em que o motorista vê a mudança de sinal e o momento em que realiza alguma ação) é 0,5 s. a) Determine a mínima aceleração constante que o carro deve ter para parar antes de atingir o cruza- mento e não ser multado. b) Calcule a menor aceleração constante que o carro deve ter para passar pelo cruzamento sem ser mul- tado. Aproxime 1,72 ≅ 3,0. Resposta m a) i. Distância percorrida no tempo de reação: d’ = 12 ------- ⋅ 0,5 s = 6 m - (1 ponto) esperada s 2 2 ii. v = v 0 + 2ad d = 24 m 12 m ⁄ s 2 2 2 2 v0 144 m 3 x 48 m a = – ------ ⇒ – --------------------------- = – ---------- ---- = – ---------------- = –3,0 ---- - - - (3 pontos) 2d 2 ⋅ 24 m 48 s 2 48 s 2 b) i. Tempo para acelerar: t’ = tamarelo – tresp ⇒ 2,2 – 0,5 = 1,7 s (1 ponto) 1 1 3,6 x 2 m ii. d = v0t’ + ------ at’ ⇒ 24 = 12 ⋅ 1,7 + ------ a 1,7 ⇒ a = ------------------ = 2,4 ---- - 2 2 - 2 (1 ponto) 2 2 3,0 s Exemplo de nota acima da média v 99
  • 100.
    Física v Exemplo de nota abaixo da média QUESTÃO 4 Um canhão de massa M = 300 kg dispara na horizontal uma bala de massa m = 15 kg com uma veloci- dade de 60 m/s em relação ao chão. a) Qual a velocidade de recuo do canhão em relação ao chão? b) Qual a velocidade de recuo do canhão em relação à bala? c) Qual a variação da energia cinética no disparo? Resposta a) pantes = pdepois ⇒ 0 = MVcanhão + mVbala ⇒ esperada m 15 kg m m Vcanhão = – ------- Vbala = – ----------------- ⋅ 60 ------- = –3,0 ------- - - - - (2 pontos) M 300 kg s s b) Vcanhão – bala = Vcanhão – terra – Vbala – terra = 60 ------- –  – 3 -------  = 63 ------- m m m m - - - ou – 63 ------- - (1 ponto) s  s  s s 1 1 c) ∆Ec = ∆Efinal – ∆Einicial = ------ M V canhão + ------ m V bala – 0 2 2 - - 2 2 2 2 1 2 m 1 2 m 1 ∆Ec = ------ 300 kg ⋅ 3 ------ + ------ 15 kg ⋅ 60 ------ = ------ (2700 + 54000) = - 2 - - 2 - - 2 s 2 s 2 28350 J ≅ 28000 J (2 pontos) Exemplo de nota acima da média v 100
  • 101.
    Física v Exemplo de nota abaixo da média QUESTÃO 5 Algumas pilhas são vendidas com um testador de carga. O testador é formado por 3 resistores em paralelo como mostrado esquematicamente na figura abaixo. Com a passagem de corrente, os resistores dissipam potência e se aquecem. Sobre cada resistor é aplicado um material que muda de cor (“acende”) sempre que a potência nele dissipada passa de um certo valor, que é o mesmo para os três indicadores. Uma pilha nova é capaz de fornecer uma diferença de potencial (ddp) de 9,0 V, o que faz os 3 indicadores “acende- rem”. Com uma ddp menor que 9,0 V, o indicador de 300 Ω já não “acende”. A ddp da pilha vai diminu- indo à medida que a pilha vai sendo usada. ddp 100 Ω 200 Ω 300 Ω a) Qual a potência total dissipada em um teste com uma pilha nova? b) Quando o indicador do resistor de 200 Ω deixa de “acender”, a pilha é considerada descarregada. A partir de qual ddp a pilha é considerada descarregada? 101
  • 102.
    Física Resposta V 2 2 9,0 9,0 9,0 2 2 esperada a) P = ----- ⇒ P = ---------- + ---------- + ---------- = 1,485 W ≅ 1,5 W - - - (2 pontos) R 100 200 300 81 b) Potência de corte = PC = ---------- = 0,27 W (1 ponto) 300 2 VC ---------- = 0,27 ⇒ VC = 54 ≅ 7,5 V (2 pontos) 200 Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média Comentários O item a) pode ser resolvido também calculando explicitamente a resistência equivalente. 102
  • 103.
    Física QUESTÃO 6 Na prática, o circuito testador da questão anterior é construído sobre uma folha de plástico, como mostra o dia- grama abaixo. Os condutores (cinza claro) consistem em uma camada metálica de resistência desprezível, e os –6 resistores (cinza escuro) são feitos de uma camada fina (10 µm de espessura, ou seja, 10 x 10 m) de um polí- l mero condutor. A resistência R de um resistor está relacionada com a resistividade ρ por R = ρ ------ onde l é o - A comprimento e A é a área da seção reta perpendicular à passagem de corrente. + 10 mm 5 mm 9 mm ddp 100 Ω 200 Ω 300 Ω – 10 mm 10 mm 6 mm a) Determine o valor da resistividade ρ do polímero a partir da figura. As dimensões (em mm) estão indi- cadas no diagrama. b) O que aconteceria com o valor das resistências se a espessura da camada de polímero fosse reduzida à metade? Justifique sua resposta. Resposta RA esperada a) ρ = ------- = l  100 Ω ⋅ 10 x 10 –3 m ⋅ 10 x 10 –6 m   ------------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 –3 Ωm  -  5 x 10 m –3     200 Ω ⋅ 10 x 10 m ⋅ 10 x 10 m –3 –6  ------------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 Ωm  ou 2 Ωmm (basta uma das 3) –3  –3 - (3 pontos)  10 x 10 m    300 Ω ⋅ 6 x 10 m ⋅ 10 x 10 m –3 –6  ---------------------------------------------------------------------------------------- = 2 x 10 Ωm  - –3  9 x 10 m –3    l- l- b) R = ρ ----- = ρ ------ A wd Portanto se d é reduzido à metade, R deve dobrar. (2 pontos) Exemplo de nota acima da média 103
  • 104.
    Física Exemplo de nota abaixo da média Comentários Foi muito comum o uso da área dos dispositivos como vistos na figura no lugar da área transversal. QUESTÃO 7 O bíceps é um dos músculos envolvidos no processo de dobrar nossos braços. Esse músculo funciona num sis- tema de alavanca como é mostrado na figura abaixo. O simples ato de equilibrarmos um objeto na palma da mão, estando o braço em posição vertical e o antebraço em posição horizontal, é o resultado de um equilíbrio das seguintes forças: o peso P do objeto, a força F que o bíceps exerce sobre um dos ossos do antebraço e a força C que o osso do braço exerce sobre o cotovelo. A distância do cotovelo até a palma da mão é a = 0,30 m e a distân- cia do cotovelo ao ponto em que o bíceps está ligado a um dos ossos do antebraço é de d = 0, 04 m. O objeto que a pessoa está segurando tem massa M = 2,0 kg. Despreze o peso do antebraço e da mão. Bíceps Ossos do F antebraço Osso do braço M d a Cotovelo P d C a a) Determine a força F que o bíceps deve exercer no antebraço. b) Determine a força C que o osso do braço exerce nos ossos do antebraço. ∑τ Resposta a) d = 0 (1 ponto) esperada 2,0 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 0,30 2 Fd – Mga = 0 ⇒ F = ---------------------------------------------------------- = 150 N - (2 pontos) 0,04 b) C + P – F = 0 ⇒ C = F – P = 150 N – 20 N = 130 N (2 pontos) Exemplo de nota acima da média 104
  • 105.
    Física Exemplo denota abaixo da média Comentários Essa questão permitia várias soluções por caminhos diferentes. Todos os relevantes foram considera- dos corretos. QUESTÃO 8 Dois blocos homogêneos estão presos ao teto de um galpão por meio de fios, como mostra a figura abaixo. Os dois blocos medem 1,0 m de comprimento por 0,4 m de largura por 0,4 m de espessura. As massas dos blocos A e B são respectivamente iguais a 5,0 kg e 50 kg. Despreze a resistência do ar. Teto fio fio A B 5,0 m Solo a) Calcule a energia mecânica de cada bloco em relação ao solo. b) Os três fios são cortados simultaneamente. Determine as velocidades dos blocos imediatamente antes de tocarem o solo. c) Determine o tempo de queda de cada bloco. Resposta  E pA = 5,0 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 5,5 m = 275 J 2 esperada a) Ep = mgh ⇒  (2 pontos)  E pB = 50 kg ⋅ 10 m/s ⋅ 5,2 m = 2600 J 2 1 b) ------ mv = mgh’ ⇒ v = ⇒ 2 - 2gh' 2 2 ⋅ 10 m/s ⋅ 5,0 m = 2 2 2 100 m /s = 10 m/s para os dois blocos (2 pontos) v 10 m/s c) v = v0 + gt ⇒ t = ----- = -------------------- = 1,0 s para os dois blocos - 2 (1 ponto) g 10 m/s 105
  • 106.
    Física Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média Comentários Uma questão aparentemente simples mas que envolve conceitos mais elaborados como centro de massa, a definição de energia potencial e queda livre. QUESTÃO 9 Algo muito comum nos filmes de ficção científica é o fato dos personagens não flutuarem no interior das naves espaciais. Mesmo estando no espaço sideral, na ausência de campos gravitacionais externos, eles se movem como se existisse uma força que os prendesse ao chão das espaçonaves. Um filme que se preo- cupa com esta questão é “2001, uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Nesse filme a gravidade é simulada pela rotação da estação espacial, que cria um peso efetivo agindo sobre o astronauta. A estação espacial, em forma de cilindro oco, mostrada abaixo, gira com velocidade angular constante de 0,2 rad/s em torno de um eixo horizontal E perpendicular à página. O raio R da espaçonave é 40 m. R E a) Calcule a velocidade tangencial do astronauta representado na figura. b) Determine a força de reação que o chão da espaçonave aplica no astronauta que tem massa m = 80 kg 106
  • 107.
    Física Resposta rad m a) v = ωR = 0,2 ------- ⋅ 40 m = 8 ------- - - (2 pontos) esperada s s 2 2 rad b) N = mω R = 80 kg ⋅ 0,2 --------- ⋅ 40 m = 128 N ≅ 130 N 2 2 - (3 pontos) s Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média QUESTÃO 10 Um escritório tem dimensões iguais a 5 m × 5 m × 3 m e possui paredes bem isoladas. Inicialmente a tempe- ratura no interior do escritório é de 25 °C. Chegam então as 4 pessoas que nele trabalham, e cada uma liga seu microcomputador. Tanto uma pessoa como um microcomputador dissipam em média 100 W cada na forma de calor. O aparelho de ar condicionado instalado tem a capacidade de diminuir em 5 °C a temperatura do escritó- rio em meia hora, com as pessoas presentes e os micros ligados. A eficiência do aparelho é de 50%. Considere 3 o calor específico do ar igual a 1000 J/kg °C e sua densidade igual a 1,2 kg/m . a) Determine a potência elétrica consumida pelo aparelho de ar condicionado. b) O aparelho de ar condicionado é acionado automaticamente quando a temperatura do ambiente atinge 27 °C, abaixando-a para 25 °C. Quanto tempo depois da chegada das pessoas no escritório o aparelho é acionado? Resposta mC∆T esperada --------------- + 800 W - t a) P = ---------------------------------------- = - 0,50 1,2 kg/m ⋅ 75 m ⋅ 1000 J/kg °C ⋅ 5 °C 3 3 ---------------------------------------------------------------------------------------------------- + 800 W - 30 min ⋅ 60 s/min 250 W + 800 W ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- = ------------------------------------------ = 2100 W - - (3 pontos) 0,50 0,50 1,2 kg/m ⋅ 75 m ⋅ 1000 J/kg °C ⋅ 2 °C 3 3 mC∆T b) 800 W = --------------- ⇒ t = ---------------------------------------------------------------------------------------------------- = 225 s = 3 min 45 s - - (2 pontos) t 800 W 107
  • 108.
    Física Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média QUESTÃO 11 Grande parte da tecnologia utilizada em informática e telecomunicações é baseada em dispositivos semi- condutores, que não obedecem à lei de Ohm. Entre eles está o diodo, cujas características ideais são mos- tradas no gráfico abaixo. I VD O gráfico deve ser interpretado da seguinte forma: se for aplicada + – uma tensão negativa sobre o diodo (VD < 0), não haverá corrente (ele funciona como uma chave aberta). Caso contrário (VD > 0), ele I se comporta como uma chave fechada. VD 108
  • 109.
    Física Considere o circuito abaixo: Diodo 3 kΩ + 2 kΩ U V Voltímetro ideal – A Amperímetro ideal a) Obtenha as resistências do diodo para U = +5 V e U = –5 V. b) Determine os valores lidos no voltímetro e no amperímetro para U = +5 V e U = –5 V. Resposta esperada  ∞, para U = +5 V a) R =  (1 ponto)  0, para U = –5 V b) 3 kΩ U 5V U = +5 V ⇒ i = ------------------ = --------------------------- = 1 mA - 2 kΩ R1 + R2 ( 3 + 2 ) kΩ +5 V V V = R2 i = 2 x 10 Ω ⋅ 1 x 10 A = 2 V 3 –3 A (2 pontos) U –5 V U = –5 V ⇒ i = ----- = ------------ = – 2,5 mA - - 2 kΩ V R2 2 kΩ –5 V V = ddp = –5 V (2 pontos) A Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média v 109
  • 110.
    Física v Trata-se de um condutor não-ohmico. Todos os elementos necessários para o tratamento dele estão no Comentários texto e nos gráficos. QUESTÃO 12 Uma barra de material condutor de massa igual a 30 g e comprimento 10 cm, suspensa por dois fios rígi- dos também de material condutor e de massas desprezíveis, é colocada no interior de um campo magné- tico, formando o chamado balanço magnético, representado na figura abaixo. i i fio fio fio θ i barra barra B B Vista de frente Vista de lado Ao circular uma corrente i pelo balanço, este se inclina, formando um ângulo θ com a vertical (como indi- cado na vista de lado). O ângulo θ depende da intensidade da corrente i. Para i = 2A, temos θ = 45°. a) Faça o diagrama das forças que agem sobre a barra. b) Calcule a intensidade da força magnética que atua sobre a barra. c) Calcule a intensidade da indução magnética B. Resposta a) esperada T θ FB P (2 pontos) m b) θ = 45° ⇒ FB = mg = 0,030 kg ⋅ 10 ------- = 0,3 N 2 - (1 ponto) s v 110
  • 111.
    Física v c) FB = iLB ⇒ FB 0,3 N B = ---- = --------------------------- = 1,5 T - (2 pontos) iL 2A ⋅ 0,1 m Exemplo de nota acima da média Exemplo de nota abaixo da média 111
  • 112.
  • 113.
    Geografia Na segunda fase, a prova de Geografia examina o conhecimento de conteúdos mais específicos da disciplina conforme o programa apresentado no Manual do Candidato. Isto é feito através da verificação das mesmas habilidades já requeridas para a prova de 1ª fase, isto é capacidade de leitura, interpretação de textos, gráficos, tabelas e cartogramas, devem ser trabalhados agora, de forma a demonstrar que o candidato dispõe de conhecimentos geográficos suficientes e indispensáveis para uma boa compreensão do mundo contemporâneo. QUESTÃO 13 (...) a existência de Brasília, (...) sua própria posição geográfica, como local próximo do centro geométrico do território, mas distante da área nuclear do país (Rio e São Paulo) denota uma política institucional praticada como administração exercida por um grupo de especialistas que buscam um afastamento dos problemas sociais mais candentes. (José William Vesentini – A capital da Geopolítica. São Paulo, Ática, 1986) a) Interprete a charge acima. b) Com base nessa charge e no texto apresentado, explique a influência exercida pela posição geográfica de Brasília sobre as possibilidades de participação política da sociedade civil. Resposta A charge de Angeli demonstra com clareza as afirmações feitas no texto de José William Vesentini sobre esperada Brasília. Fica nítido o isolamento do Poder Central do país, notadamente o Poder Executivo, que se comporta como uma ilha distante e inacessível diante da onda de movimentos sociais reivindicatórios e contestatórios à sua volta. (Esses movimentos pressionam por maior participação social nas decisões político-institucionais cen- trais, contra a violência, contra o desemprego, contra pedágios e rodovias intransitáveis, a favor da reforma agrária, etc. Entretanto, a ilha central “dos caras”, sobre-elevada no centro da multidão, demonstra o desca- so e o afastamento que os especialistas do Governo procuram manter dos problemas sociais, o que transpa- rece no sentido pejorativo da expressão “ilha dos caras”). (2 pontos) O texto dá ênfase ao caráter geopolítico da localização estratégica de Brasília (próxima ao centro geomé- trico, mas distante da maioria da população, concentrada no eixo Rio-São Paulo) e o que ela representa em termos de democracia representativa, ou seja, limitação à efetiva participação do cidadão nas decisões governamentais, as quais não refletem os interesses diretos e imediatos da população. (3 pontos) Exemplo de nota a) a charge faz um trocadilho com a ilha de Caras, uma ilha em que são vão os ilustres convidados de uma acima da média revista da sociedade. Colocando Brasília como a “Ilha dos Caras”, o autor mostra seu isolamento geográ- fico e também coloca Brasília como um lugar que nem todos têm acesso, apenas uma seleta minoria. A multidão abaixo da montanha que seria a ilha dos Caras, ou seja Brasília ou seja o palácio do planalto, só confirma o distanciamento que existe entre quem administra o país e a população. 113
  • 114.
    Geografia b) Apesar de toda a poesia de uma integração nacional com a capital do país mudando para o centro geográfico do Brasil, o que houve, na verdade foi um distanciamento das decisões políticas do centro econômico, cultural e social do país, que é o eixo Rio-São Paulo. Essa distância estratégica dificulta a cobrança por parte da sociedade civil para com os seus representantes. Exemplo de nota a) A charge mostra como Brasília se posiciona de maneira superior ao resto do país, localizada numa região abaixo da média que apresenta menos problemas sociais por ser menos povoada. b) Devido a sua posição, Brasília fica afastada das regiões mais povoadas e problemáticas do país, como São Paulo e Rio de Janeiro que apresentam grande número de desemprego e de insatisfeito com a política adotada. Comentários A média da questão foi 2,81 com uma baixíssima porcentagem de notas 0: apenas 1,3% dos candidatos obteve esta nota. Apesar de não ter sido uma questão difícil, o desempenho dos candidatos não correspondeu ao esperado. A maior concentração de notas (57%) esteve entre 2,5 e 3,0. Os objetivos desta questão eram verificar conhecimentos sobre o papel geopolítico de Brasília e avaliar a capacidade de articulação e interpre- tação da charge por meio da análise do texto. Os candidatos, via de regra, responderam a questão sem realizar uma análise mais consistente. O texto e a charge se complementavam e, de certa forma, “dirigiam” a resposta da questão, isto é, o texto apresentado “reforçava” a idéia presente na charge e o vestibulando deveria então demonstrar capacidade de articulação dessas idéias analisando o caráter geopolítico da localização da capital do país frente às possibilidades de participação política da sociedade civil. Nem todos os candidatos souberam analisar de forma articulada esses dois aspectos da questão. Muitos se limitaram a reproduzir as palavras do texto apresentado sem trabalhar de forma mais analítica o conceito de geopolítica, de localização estratégica da capital do país, como fator limitador da participação política da sociedade civil. QUESTÃO 14 Octávio Ianni, em seu livro A sociedade global, assim se refere a certos tipos de organizações internacionais: Essas organizações e agências internacionais dedicadas a sanear, orientar e dinamizar as economias nacio- nais e a economia internacional, nascem da crescente convicção de que os sistemas econômicos nacionais e internacionais não são auto-reguláveis. a) Dê dois exemplos dessas organizações. b) Explique como elas interferem nas políticas econômicas e sociais do Brasil. Resposta a) Fundo Monetário Internacional (FMI); Banco Mundial ou Banco Internacional de Reconstrução e Desen- esperada volvimento (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). (2 pontos) b) No caso brasileiro, a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) tem sido a de administrador das contas nacionais brasileiras, visando garantir o pagamento da dívida externa, de modo a não causar prejuízos aos investidores/especuladores estrangeiros. Para garantir esse fluxo de capital, o FMI impõe ao país uma “cartilha” com várias medidas: controle do déficit público, obrigando o Estado a cortar gastos, principalmente na área social (Saúde e Educação), diminuição do quadro de servidores, com a dispensa e a não contratação de novos funcionários, retirada de conquistas sociais, tais como previdência social; aumento das receitas do Estado com aumento de impostos e venda de empresas estatais. Essas medidas provocam um quadro de grave recessão no país, aumentando o desemprego e as crises sociais. Entretan- to, são operadas pelos agentes do FMI que ocupam altos cargos no Governo Brasileiro. (3 pontos) Exemplo de nota a) O FMI e o Banco Mundial acima da média b) Elas interferem não só no Brasil , como em muito outros países capitalistas ou não. Essas organizações impõem percentuais e índices a serem cumpridos como inflação, balança comercial, valor do dólar, PIB, etc. As metas devem ser cumpridas para não haver embargos ou retaliações nem que com isso o país tenha um custo social como recessão, desemprego. Exemplo de nota a) O Mercosul e a Opep abaixo da média b) Na tentativa do equilíbrio da balança comercial o Mercosul visa a isenção de impostos alfandegários estimulando as exportações , isso representa mais empregos e aquecimento da economia. A Opep visa tabelação dos preços de petróleo evitando concorrência. 114
  • 115.
    Geografia Comentários A média dessa questão foi 2,02, podendo, portanto, ser considerada como uma questão relativamente difícil. Foi a segunda questão da prova com maior porcentagem de notas 0 (24,5%), entretanto, com poucas respostas em branco – 2,9%. A maior concentração de notas ficou entre 2 e 3 – 41,8%. Os objetivos desta questão era verificar conhecimentos do candidato sobre: a) a existência e o modo de operação das agências e organismos internacionais de apoio ou intervenção nos países com problemas econômicos; b) os problemas decorrentes do modo de funcionamento destas agências, notadamente os econômicos e sociais. Esperava-se que o candidato reconhecesse e nominasse agências e organismos internacionais que atuam no sentido de intervir nos países com problemas econômicos. Além disso era necessário o candidato explicitar como essas organizações atuam no caso brasileiro. A intenção era de verificar em que medida os vestibulan- dos têm acompanhado o debate acerca da atuação desses organismos em países como o Brasil, e a sua compreensão do caráter e das consequências das medidas operadas por esses organismos. O item a da questão solicitava dois exemplos dessas agências ou organizações, porém nem todos os candidatos nomearam corretamente. O FMI e o BM foram os organismos mais citados. Entretanto não foram poucos aqueles que citaram o MERCOSUL, a OTAN, o NAFTA errando portanto esse item da questão. Em geral o candidato que respondia corretamente a primeira parte da questão conseguia também respon- der o item b que solicitava uma explicação acerca da atuação desses organismos na economia do país. Os candidatos demonstraram um certo conhecimento acerca das medidas de ajuste estrutural da economia brasileira impostas por essas organizações mas nem todos chegaram a analisar os problemas decorrentes dessas medidas notadamente no âmbito social. QUESTÃO 15 Brasil: consumo de energia primária – 1970 e 1994 1970 carvão mineral produtos de cana-de-açúcar petróleo energia hidráulica 42 % lenha 3% 5% 16 % 34 % carvão mineral 1994 produtos de cana-de-açúcar petróleo energia hidráulica 13,3 % lenha 5,2 % outros 10,0 % 35,8 % 4,3 % 31,5 % Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1974 e 1995. 115
  • 116.
    Geografia Considerando os dados acima: a) Cite as duas principais alterações ocorridas no consumo de energia primária no Brasil entre 1970 e 1994. b) Cite alguns dos fatores responsáveis pela alteração. Resposta a) Analisando os gráficos do “consumo de energia primária no Brasil, no período entre 1970 e 1974 (em %), esperada pode-se notar que o consumo de: • lenha, em 1970, era de 42% do total, declinando para 13,3% em 1994; • energia elétrica, proveniente do aproveitamento da energia hidráulica, em 1970 era de 16%, passando para 35,8% em 1994; • produtos de cana-de-açúcar (bagaço e álcool combustível), não destacado em 1970, passam a represen- tar 10% do consumo total em 1994; • carvão mineral aumenta de 3% em 1970, para 5,2% em 1994; • outras fontes diminuem de 5% (1970), para 4,3% em 1994. (2 pontos) b) A produção e o consumo de energia primária do país estão diretamente relacionadas com o modelo de desenvolvimento adotado. Dessa forma, no período ocorreram diversas mudanças na produção e consu- mo de energia primária associadas à intensa urbanização e industrialização ocorridas no Brasil no perío- do, à substituição do tipo de transporte, priorizando o rodoviarismo (com alto consumo de petróleo e álcool combustível), aos avanços técnico-científicos e aos conflitos/ações internacionais que elevaram o preço de algumas fontes. Em relação às fontes mencionadas, os fatores da mudança foram: • energia hidráulica: o consumo aumentou em virtude do maior aproveitamento do potencial hidráulico dos rios brasileiros, proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aporte de recursos originados de fontes externas. Esse tipo de energia veio substituir principalmente alguns derivados de petróleo (óleo diesel), visando diminuir seu consumo na geração de energia elétrica e no setor industrial; • produtos de cana-de-açúcar: a produção e o consumo de álcool combustível foi incentivada e intensificada, principalmente pelo ProÁlcool, para fazer frente à crise do petróleo. No caso do bagaço de cana, este está sendo utilizado para geração de energia elétrica no próprio local das usinas sucro-alcooleiras. (3 pontos) Exemplo de nota a) Nota-se principalmente a elevada porcentagem de energia hidráulica no ano de 1994 e a baixa da acima da média energia fornecida pela lenha. b) Principalmente a mudança no modo de vida. O crescimento das cidades e da industrialização fez com que a principal fonte de energia fosse a hidrelétrica. Tem também o fato de ter chegado energia elétrica nas zonas rurais o que diminuiu o consumo de lenha. Exemplo de nota a) Houve diminuição da porcentagem do uso de petróleo pois com o proálcool o uso de produtos de cana de abaixo da média açúcar foram incentivados. b) Poálcool, alta do petróleo. A média de 3,39 demonstra que os vestibulandos não tiveram muita dificuldade em responder a questão. Comentários A porcentagem de 0 foi insignificante ( 0,6%), o que reforça essa afirmação. A maior concentração de notas ficou entre 3 e 4 – 76,8%. Os objetivos com esta questão eram verificar a capacidade de leitura e interpreta- ção de representação cartográfica e a capacidade de analisar as transformações na matriz energética brasileira (produção e consumo), reconhecendo as suas causas. A partir de dois gráficos com dados sobre o consumo de energia primária no Brasil em 1970 e 1994, o vestibulando deveria inicialmente ler o gráfico e identificar as duas principais alterações ocorridas no consumo de energia primária no Brasil entre 1970 e 1994. A seguir esperava-se que o candidato relacionasse as transformações na matriz energética brasileira, em termos de produção e consumo, com o modelo de desen- volvimento adotado no período em questão. No item a o candidato deveria qualificar as alterações no padrão de consumo ocorridas no período de- monstrado pelos gráficos para obter os dois pontos relativos a esse item. Foram poucos os candidatos que não conseguiram ler de forma correta os dados fornecidos. Entretanto o item b que exigia uma análise do modelo de desenvolvimento adotado no período, o que justificaria as mudanças na produção e no consumo das fontes de energia, não foi respondido a contento por boa parte dos candidatos. Uma parcela significativa de candidatos fez uma análise superficial dessas mudanças, respondendo que os investimentos, em geral, foram deslocados para outras fontes de energia e que a grande disponibilidade de rios propiciou o aumento da energia hidráulica. As respostas para a diminuição do consumo e da produção de lenha giraram, em geral, em torno da questão da preservação ambiental. Foram poucos os candidatos que abordaram o modelo urbano/industrial adotado no período como justificativa para essas mudanças. 116
  • 117.
    Geografia QUESTÃO 16 Devido à falta de oxigênio, à instabilidade do substrato e à ação das correntes, estas espécies apresentam raízes escoras, ou pneumatóforos, que ampliam a base de suporte e facilitam a troca gasosa com o ambien- te. O emaranhado de raízes reduz a velocidade das correntes, acarretando um depósito extenso de argila e lodo. (PGC/ZEE/Secretaria do Meio Ambiente) a) A que formação vegetal se refere o texto? b) Qual a importância desta formação vegetal para os ecossistemas costeiros? c) Cite duas atividades sócio-econômicas que estão causando a sua degradação ou mesmo a sua extinção. Resposta a) Manguezal ou vegetação de mangue. (1 ponto) esperada b) São áreas de reprodução e de desenvolvimento de várias espécies marinhas: viveiro natural ou berçário das mesmas, servindo como abrigo para os microorganismos. Têm importante papel na deposição de sedimentos e tendem a ampliar e retificar a zona litorânea, protegendo a costa contra a erosão. Além disso, atuam como filtro biológico (natural) na purificação das águas. (2 pontos) c) As atividades a serem consideradas podem ser: a pesca predatória, o desmatamento e a exploração de madeiras, a construção de aterros para a construção civil, a implantação de complexos industriais, a própria expansão urbana com o despejo de esgotos urbano e industrial nas áreas de mangue ou a construção de marinas e de portos. (2 pontos) Exemplo de nota a) Manguesais acima da média b) Primeiro ela impede a erosão., geralmente essas formações são deltas de rios. É um verdadeiro “bercário” onde muitas espécies se reproduzem como: peixes, crustáceos, etc. c) Exploração imobiliária e pesca predatória Exemplo de nota a) .... abaixo da média b) Esta formação vegetal faz com que não haja acúmulo de argila e lodo nos territórios costeiros c) Industrialização Comentários A média da questão demonstrou uma relativa facilidade para respondê-la. A maioria das notas ficou entre 2 e 3 (50,4%) e apenas 11% dos candidatos obteve nota 0 Os objetivos relacionavam-se à verificação da capacidade de leitura e interpretação de gráficos e de anali- sar a inserção da mão-de-obra feminina no mercado de trabalho e a questão de sua valorização profissional. A partir de um fragmento de texto e de uma foto esperava-se que o candidato identificasse no item a o mangue ou manguezal como formação vegetal aí expressa. No item b a resposta deveria contemplar a impor- tância dessa formação vegetal para os ecossistemas costeiros, identificando-a como área de reprodução/ desenvolvimento de várias espécies marinhas, como abrigo de microorganismos, como proteção contra a erosão da costa, entre outras. No último ítem o candidato deveria citar duas atividades sócio-econômicas que estariam contribuindo para o processo de degradação dessas formações vegetais. Entre elas, a expansão urbana, o aterro, o desmatamento ,etc. 117
  • 118.
    Geografia A resposta do 1º item era essencialmente objetiva: mangue ou maguezal. Entretanto respostas como tundra, taiga, caatinga, etc. apareceram demonstrando que alguns vestibulando não conseguiram identificar a formação vegetal solicitada pela questão. Esse tipo equivocado comprometia toda a questão na medida em que os demais itens estavam relacionados a ele. No item b, em geral as respostas mais freqüentes diziam respeito à característica do manguezal como área de reprodução de espécies com poucas respostas mais completas, o que demonstra o pouco conhecimento dos vestibulando em relação às características dessa formação vegetal. O item c foi melhor respondido evidenciando um melhor preparo do candidato quanto ao conhecimento das atividades predatórias nessas áreas. QUESTÃO 17 Banco Mundial, 1994. a) Além da Europa Ocidental e da América Anglo-Saxônica, quais as regiões do mundo onde há maior expectativa de vida? b) Explique por que essas regiões são as que apresentam maior expectativa de vida. Resposta a) As regiões do mundo que apresentam maior esperança de vida ao nascer são: esperada • sul da América do Sul: Chile, Argentina e Uruguai • Turquia e Israel • Oceania (Austrália, Nova Zelândia) • Sudeste asiático (Japão, Hong Kong, Cingapura) • Cuba e Malásia b) A esperança de vida ao nascer está diretamente relacionada com as condições econômicas e sociais de cada país e de seu povo. Nos países ricos, a esperança de vida apresenta índices elevados, em virtude das condições gerais de renda elevada, atendimento médico, educação, securidade social e infra-estrutu- ra disponíveis para a população (IDH). Nos países indicados, estes valores também variam internamente, existindo diferentes índices de esperança de vida por regiões e por setores sociais. Exemplo de nota a) Oceania, sul da América do Sul, como a Argentina, Chile e o Uruguai, Japão e alguns Tigres Asiáticos, acima da média alguns países da América Central. b) Porque são regiões geralmente desenvolvidas e industrializadas, onde não há tanta desigualdade e pro- blemas sociais quando comparado com regiões subdesenvolvidas. Essas regiões desenvolvidas possuem, geralmente, baixo crescimento vegetativo e melhores condições de vida, permitindo que a população que vive nessas áreas desfrute de condições estáveis, porém há também desigualdades sociais nessas regi- ões, mas o nível de vida e de condições da população que vive nessas regiões é muito melhor que o nível de vida das populações que vivem em regiões subdesenvolvidas. A partir dessas condições de vida estável que estão relacionadas com níveis de industrialização econômica, PIB altos dentre outras coisas como TM e TN baixas, pouco índice de analfabetismo é que há em decorrência e conseqüência disso uma maior expectativa de vida nessas regiões. Exemplo de nota a) da Europa Ocidental e América Anglo Saxônica, estão num nivel elevado de desenvolvimento econômico abaixo da média e social isso faz com que a expectativa de vida almente. Já na região da oceania, é uma região pouco v 118
  • 119.
    Geografia v habitada, onde a preservação natural e dos costumes nativos são o fator contribuinte p/ maior expectativa de vida. América do norte e América do sul b) Por causa da localização geográfica, por causa do clima, melhores condições de vida, etc. Comentários Esta questão foi a mais fácil desta prova, com a maior média: 3,69. A simples interpretação do tema apresentado no mapa, e a localização de alguns países e/ou regiões já garantia ao candidato 3 pontos (item a). O item b tinha por objetivo uma interpretação mais elaborada. Assim, além de reconhecer as regiões do mundo onde há maior expectativa de vida, o candidato deveria associar este indicador demográfico às ques- tões sociais e político-econômicas dos países em questão. Atingindo este objetivo o candidato obtinha os outros 2 pontos. Tendo em vista que os candidatos não avaliaram as diferenças espaciais, a expectativa inicial de pontuar as desigualdades sócio-espaciais neste item foi abandonada e substituída pela abordagem político- econômica. QUESTÃO 18 Data do século passado a entrada de norte-americanos no Brasil. Eram principalmente confederados fugi- dos da Guerra de Secessão dos E.U.A. Entretanto, nada ficou entre nós desse contato, com exceção da fundação da cidade de Americana, no Estado de São Paulo, e da instituição de ensino Mackenzie, na cidade de São Paulo. (...) Apesar de poucos imigrantes norte-americanos no Brasil, se comparados com outros povos, a influência dos E.U.A. na vida brasileira tornou-se marcante através do tempo. (Melhem Adas, Panorama Geográfico do Brasil) a) Cite dois exemplos da influência cultural que os EUA exercem na sociedade brasileira. b) Por que a influência norte-americana no mundo assumiu proporções tão grandes após a Segunda Guerra Mundial? Resposta a) Existem inúmeros exemplos da influência norte-americana no país. Pode-se citar a influência na lingua- esperada gem, que está permeada de termos originários do inglês, utilizados em inúmeros produtos e estabeleci- mentos comerciais ou de serviços; o inglês passou a ser língua obrigatória para os que querem se capa- citar a empregos, navegar na Internet, etc; influência no vestuário, com o uso do já tradicional jeans; influência na música ... (influência econômica, com o dólar sendo a moeda padrão ou referência de valor da moeda nacional; influência política, com inúmeras decisões locais tomadas para atender diretrizes externas, tais como o “Consenso de Washington”; etc.) b) A influência norte-americana assumiu grandes proporções primeiramente em virtude da expansão econô- mica e militar dos EUA a partir da Primeira Guerra Mundial e, mais fortemente, depois da Segunda Guerra Mundial, com a divisão do mundo em dois blocos. O Brasil ficou na área de influência direta dos EUA, que procuraram impedir o avanço de idéias e forças de esquerda (comunistas) no Brasil, com a ajuda política e militar de setores da sociedade brasileira. Com o declínio do bloco socialista, os EUA passaram a atuar como a “polícia do mundo”, intervindo militarmente, direta ou indiretamente, em inúmeros pontos do planeta. Além do aspecto militar, alicerçado nos mais avançados conhecimentos tecnológicos e científicos, os EUA detêm o poder econômico, sendo o país mais rico do planeta, sediando gigantescas corporações transnacionais e abrigando em seu território diversas instituições internacionais. Em síntese, a influência dos EUA decorre principalmente de seu poderio bélico e econômico. A imposição da língua inglesa como universal, além de fatores históricos, é decorrência deste poderio. Exemplo de nota a) Rock rool na música e na alimentação a criação de sistemas de self-service e lanchonetes como Mac acima da média Donnald’s. b) Com o fim da 2ª Guerra Mundial, iniciou-se a Guerra Fria, dividindo o mundo em duas esferas de influência, a dos Estados Unidos e União Soviética. O primeiro defendia o capitalismo e o segundo o socialismo. Para ampliar suas zonas de influência, os Estados Unidos investiram enormes somas de capitais, com o envio de dólares através de seus bancos, empresas e multinacionais, tanto na América e Ásia como na África. O plano Marshall é um exemplo desse fato, pois financiou o crescimento da Europa Ocidental – arrasada após a Grande Guerra. Também seguindo a política do Big Stick, foram promovidas ditaduras nos países americanos. Simultaneamente, através da publicidade, da mídia, o país do Tio Sam pregava o ideal de felicidade como sendo o seu, como a compra de automóveis, eletrodomésticos etc., financiando e proporcionando o crescimento de suas empresas e indústrias. Sem mencionar a Conferên- cia de Bretton-Woods, na década de quarenta, com a adoção do dólar como moeda padrão mundial. 119
  • 120.
    Geografia Exemplo de nota a) Uso de marcas americanas. Costumes alimentícios. abaixo da média b) Por ter uma grande importância econômica para a maioria dos países do mundo. Comentários A média desta questão foi de 2,81, o que nos permitiu considerá-la como uma questão de nível médio de dificuldade, juntamente com as questões 13 e 16. No item a, bastava que o candidato citasse dois exemplos de influências norte-americanas na sociedade brasileira para obter 2 pontos. Os exemplos mais freqüentes foram a língua, a música e os hábitos de alimen- tação e vestimentas. A grande maioria dos candidatos atingiu os dois pontos neste item. Para explicar as principais razões da influência norte-americana no mundo, o item b exigia do candidato alguns elementos da história econômica e política do pós-guerra, até o período contemporâneo. Como este item exigia uma maior elaboração para a confecção da resposta, a banca considerou que seria mais operaci- onal para a discriminação dos candidatos que este item, por si só, valesse 3 pontos. QUESTÃO 19 Estão reproduzidas abaixo duas gravuras (retiradas de Leonardo Benevolo, História da cidade) que repre- sentam uma cidade cristã em 1440 e em 1840. a) Identifique as principais alterações ocorridas na paisagem b) Explique por que essas alterações ocorreram. Resposta a) Trata-se de uma cidade localizada às margens de um rio, como é o caso de inúmeras cidades européias esperada que se desenvolveram no final da Idade Média. Em 1440, a cidade encontrava-se cercada por uma muralha e dominada pelas torres de inúmeras igrejas e catedrais em estilo gótico e pelos mosteiros e conventos na periferia. Em 1840, os espaços vazios e áreas verdes existentes foram ocupados pelas fábricas e edificações com vários pavimentos (verticalizações). Houve um adensamento habitacional muito grande. As chaminés das fábricas, dispostas lado a lado com as torres das igrejas, passaram a expelir gases poluentes, tornando o ambiente da cidade bastante insalubre. Houve um crescimento demográfico acentuado e o espaço urbano expandiu-se, rompendo os limites da muralha, com o surgi- mento de muitos subúrbios, onde se instalaram novas indústrias. b) O processo de industrialização transformou radicalmente a cidade, imprimindo um rápido crescimento populacional e modificando a estruturação de seu espaço urbano. Nesse período ocorre um enfraqueci- mento do poder da Igreja na sociedade e este fato é fortemente representado na estruturação da paisa- gem urbana. 120
  • 121.
    Geografia Exemplo denota a) Na primeira figura, há muitas igrejas do estilo gótico, e estas são os pontos mais altos da cidade, junto acima da média com o castelo feudal. Há também uma muralha em torno da cidade. É uma figura típica do feudalismo. Na segunda, vê-se muitas indústrias, prédios altos, templos de religiões diferentes da católica. As igrejas feudais perdem espaço para a urbanização e industrialização b) Entre 1440 e 1840 ocorreram a Reforma Protestante, que diminuiu muito o poderio da Igreja e possibilitou surgimento de novas religiões, a Revolução Comercial, que acabou com o feudalismo e tirou o poder dos senhores feudais, e a Revolução Industrial, que trouxe a urbanização e muitas indústrias às principais cidades. Exemplo de nota a) Na primeira paisagem as construções eram arquitetônicas. Na segunda indústrias começaram a tomar abaixo da média espaços e construções mais altas, também surgiram. b) Essas transformações ocorreram por causa do desenvolvimento de novas técnicas de produção e novas técnicas arquitetônicas. A média desta questão foi 3,01, o que nos permitiu situá-la entre as três questões mais fáceis da prova. A Comentários maior média ficou para a área de Humanas: 3,17. Aparentemente fácil, gerou uma certa dificuldade na correção. A proposta era clara: a apresentação de duas figuras, representando a cidade em dois períodos, o feudal e o industrial. O item a pedia apenas a identificação das principais alterações ocorridas na paisagem, tendo como referência os dois períodos (este item valia 2 pontos). O item b pedia a explicação das alterações ocorridas (este item valia 3 pontos).Muitos candidatos simplificaram demais a resposta do item a, remetendo às principais transformações mas sinteti- zando a resposta em textos pouco elaborados, tais como: “Surgimento de indústrias e residências”. O item b tinha por objetivo que o candidato apontasse, em linhas gerais, os processos de industrialização, urbanização, êxodo rural, perda do poder da Igreja em relação ao poder mercantil. A urbanização, o êxodo rural e a indus- trialização foram processos evidentes para a maioria dos candidatos, enquanto a perda da centralidade e do poder da Igreja em relação ao mercantilismo só foi explorada por alguns. QUESTÃO 20 A Venezuela tem sido presença constante na imprensa nos últimos meses. O Governo Hugo Cháves, eleito por uma frente de coalisão de esquerda, tem encontrado grandes dificuldades para executar o seu programa de governo baseado, segundo ele, nos ideais de Simon Bolívar. Cháves é crítico ao chamado neoliberalismo selvagem que vê disseminado por toda a América Latina, numa guinada anti-EUA e pró América Latina, sendo que o Brasil é prioridade na diplomacia venezuelana. a) Quais seriam as possíveis conseqüências econômicas para a Venezuela se fosse efetivado um rompimen- to com os EUA? Justifique sua resposta. b) Por que o Brasil é prioridade na diplomacia venezuelana? Resposta a) Como o Governo Hugo Cháves prega uma política anti-EUA e anti-neoliberalismo selvagem na América esperada Latina, certamente um rompimento com os EUA poderá provocar uma pressão forte da potência para inviabilizar a política de Cháves. Isso ainda poderia ser agravado pelo fato dos EUA serem um dos principais compradores de petróleo venezuelano que é comercializado nos EUA através de uma rede de postos de gasolina venezuelana e o principal fornecedor de produtos manufaturados para a Venezuela. (3 pontos) b) Em virtude do papel estratégico que o Brasil possui na América do Sul, e pelo seu amplo mercado consumidor, poderia constituir uma alternativa comercial para produtos venezuelanos, intensificando o comércio bilateral, incluindo melhorias no setor de circulação das mercadorias entre os dois países. O Brasil é também um grande comprador do petróleo venezuelano e principal parceiro da Venezuela na América Latina. (2 pontos) Exemplo de nota a) Assim como os outros países da América Latina, a Venezuela tem uma grande dívida externa e depende acima da média de recursos internacionais e do Fundo Monetário Internacional. Apesar de ser grande produtora de petró- leo, de exportar grande quantidade dele e fazer parte da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a economia da Venezuela enfrenta grave crise. Crise que é agravada com os constantes ataques de guerrilheiros que desestabilizam mais o governo. Assim, um rompimento com os EUA implicaria em muitas sansões econômicas por parte dos EUA – o que agravaria a crise. A Venezuela, muito dependente de produtos importados, poderia até ficar alijada do processo de exportação do Petróleo. 121
  • 122.
    Geografia b) Por que o Brasil é o maior país da América Latina, membro de peso no Mercosul e pode ser um aliado de poder em caso de necessidade política. O Brasil importa ainda mais ou menos 40% do petróleo aqui consumido e tem na população brasileira um grande mercado consumidor. Exemplo de nota a) Um possível rompimento com os EUA traria grave crise econômica à Venezuela, que não teria como abaixo da média escoar sua produção, já que mantém balanço comercial positiva com os EUA. b) O Brasil seria uma saída para o escoamento da produção venezuelana caso se efetue o rompimento com os EUA. Comentários Esta questão apresenta a terceira média mais baixa da prova: 1,97 (superior apenas às das questões 21 e 22). Demandou um conhecimento mais específico do candidato, o que pode explicar as médias relativamente mais baixas. Muitos candidatos associaram a situação da Venezuela à de Cuba fazendo, a partir desta associ- ação, uma análise genérica do boicote econômico e político. Apesar disto não ter sido previsto na grade, como grande parte dos candidatos se utilizaram deste recurso, acabou sendo considerado na avaliação. Devido à especificidade do tema abordado, a maioria dos candidatos fizeram abordagens genéricas; poucos consegui- ram apresentar todos os itens esperados pela grade: política econômica, boicote comercial, retirada de inves- timentos, crise na exportação de petróleo. No item b, a alusão a uma possível relação comercial entre o Brasil e a Venezuela não foi considerada correta, tendo em vista a forte relação econômica já existente entre os dois países. Contudo, bastava o candi- dato citar a importância econômica e política (estratégica no Cone Sul) para atingir os 2 pontos. QUESTÃO 21 Relações entre as cidades em uma rede urbana Esquema Clássico Esquema Atual metrópole nacional metrópole regional metrópole metrópole regional nacional centro regional centro regional cidade local cidade local vila vila a) Explique como funciona o esquema clássico de rede urbana. b) Como se justificam as novas formas de relações entre as cidades? Resposta a) O esquema clássico estabelece uma hierarquia de relações entre as diferentes cidades, segundo a qual as esperada cidades estabelecem suas interações com as cidades imediatamente inferiores ou superiores. Assim, a cidade local exerce influências e é influenciada pela vila e pelo centro regional. A vila porém, não tem interações diretas com o centro regional, devendo “passar” primeiramente pela cidade local. O nível mais elevado nessa hierarquia de rede urbana é a metrópole nacional. (2 pontos) b) Analisando o esquema atual, pode-se afirmar que as relações concretas entre as cidades contemporâne- as não seguem a hierarquia do modelo clássico de rede urbana. As interações entre as cidades tem sido alteradas pelo desenvolvimento tecnológico, pela evolução no sistema de transportes e de comunicação o que permite a quebra na hierarquia urbana e mudanças nas formas das cidades se relacionarem entre si, permitindo uma maior flexibilidade nas relações entre cidades, através da dessiminação (descentrali- zação maior) dos fluxos e das relações entre as cidades de diferentes dimensões. (3 pontos) Exemplo de nota a) Segundo o modelo clássico de rede urbana, as diferenças entre os lugares é realizada pelo critério de acima da média atuação em outros. Assim, a metrópole nacional (no Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro) influencia todo o v 122
  • 123.
    Geografia v país. A metrópole regional atua em outras regiões e recebe influências da metrópole nacional. Como exemplo temos Belém, Fortaleza e Recife. Os centros regionais (Campinas, Sorocaba) é catalisado pela metrópole regional, mas exerce influência nas cidades locais que influenciam vilas. b) Atualmente não há escalas que generalizem a rede urbana. Quaisquer áreas influenciam outras não pelo tamanho dessa, mas pelos setores político-econômicos e sociais. Mesmo ma pequena cidade pode influ- enciar maiores centros urbanísticos, dependendo de seu avanço tecnológico. Exemplo de nota a) O sistema clássico funciona como uma hierarquia patriarcal cheia de burocracias e com o caminho abaixo da média determinado pelo grau de força e grandeza de cada lugar parece uma escada de poder. b) Hoje se sabe que os problemas têm de serem resolvidos diretamente entre as partes envolvidas diminu- indo a burocracia e agilizando as soluções. Comentários Esta pode ser considerada como uma questão difícil em comparação com as demais desta mesma prova. Sua média foi de 1.93 e cerca de 62% dos candidatos obtiveram nota 2 ou menos que 2 (por volta de 41% obtiveram nota2). O objetivo desta questão era o comparar as concepções clássica e moderna de rede urbana e analisar as transformações nas relações entre as cidades contemporâneas diante do avanço tecnológico e da globalização da economia. O baixo desempenho dos candidatos pode ser explicado pelo fato de não se trata de um tema comum nas provas de Geografia dos concursos vestibulares, embora seja um tema clássico da Geografia urbana. Faltou assim conhecimento para a maioria dos candidatos, que têm se deparado nos últi- mos anos com questões que exigem interpretações de problemas urbanos específicos e não conhecimento conceitual a respeito das formas de funcionamento das cidades. QUESTÃO 22 A região dos Bálcãs é uma das mais conflituosas da Terra. As freqüentes intervenções das potências ociden- tais nessa região têm contribuído para aumentar ainda mais a tensão. a) Cite duas potências ocidentais que se envolveram no conflito ocorrido nessa região no primeiro semestre de 1999. b) Por que houve o envolvimento dessas potências? c) Quais são os interesses conflitantes locais? Resposta a) Estados Unidos da América e Inglaterra, agindo em nome da OTAN. (1 ponto) esperada b) As nações ocidentais justificaram sua interferência alegando razões humanitárias em função do genocí- dio praticado pela Sérvia no Kosovo. A Sérvia tem sido apoiada historicamente pela Rússia (ex-URSS), e o que se buscava era afirmar a hegemonia americana e mesmo européia, para evitar a imigração maciça de kozovares para os países europeus. (2 pontos) c) A região toda vive o conflito entre as repúblicas da antiga Iugoslávia, destacando-se nos conflitos recentes as rivalidades entre sérvios e albaneses, aparentemente por motivos étnico-religiosos: os albaneses do Kosovo (em sua maioria islâmicos/muçulmanos) buscam a independência da Sérvia (em sua maioria de origem eslava e cristã ortodoxa). (2 pontos) Exemplo de nota a) Estados Unidos e Inglaterra. acima da média b) Ambas almejavam criar na região mencionada zona de influência de suas economias e de seus sistemas políticos. No entanto, alegam, oficialmente, que suas intervenções tem caráter pacífico. c) Após a morte de Tito, na década de oitenta, ressurgiu na região movimentos separatistas que culminaram na desagregação e emancipação da Iuguslávia (a qual pertenciam) de alguns países, como a Croácia, Bósnia-Herzegovina. A Iuguslávia ficou formada então por duas repúblicas: Sérvia e Montenegro. A Sérvia é formada por duas províncias, sendo uma delas Kosovo. Esta procurava conquistar sua indepen- dência, por ser a maioria albanesa e islâmica. O que era negado pela maioria eslava e católica-ortodoxa da Iuguslávia, tendo em vista fatores históricos. A ONU, com o voto os Estados Unidos e Inglaterra, países pertencentes ao Conselho de Segurança e com poder de veto – ordenou à OTAN atacar a região, com intuitos pró-kosovares. Exemplo de nota a) Estados Unidos e União Soviética. abaixo da média v 123
  • 124.
    Geografia v b) Porque a região dos Bálcãs estavam escondendo armas nucleares, que poderiam colocar em risco a vida de toda a humanidade. c) Fazer com que as grandes potências, usem suas armas, para assim poderem acabar com as tais. Esta questão, com 0,84 de média, foi a mais difícil da prova de Geografia. Cerca de 35% dos candidatos Comentários obteve nota zero e 30,6% nota 1. Esta questão tinha por objetivo caracterizar os conflitos étnicos da Ex-Iugoslávia e analisar os interesses geopolíticos das potências ocidentais na região dos Bálcãs. Sem saber direito de qual conflito armado se tratava, e de suas causas efetivas, muitos candidatos procuravam responder de acordo com fórmulas antigas, aprendidas para outros contextos histórico-geográficos. Respondiam, por exemplo, tendo como referência a Guerra Fria, que se tratava de uma disputa hegemônica entre Estados Unidos e Rússia (ex-URSS). Partindo do pressuposto errado, respondiam incorretamente também os demais itens, obviamente. Outro modelo de res- posta muito encontrado era o que remetia o conflito às questões de caráter étnico-religioso, porém de acordo com o modelo usual os católicos ou cristãos (ocidentais) estão contra as etnias de origem árabes (islâmicos ou muçulmanos). Assim, a Iuguslávia só poderia ser muçulmana e os albaneses católicos, invertendo-se assim a ordem dos fatos. Outros, ainda, tentando responder a questão, mas sem dispor dos conhecimentos necessá- rios, tentavam responder pelo óbvio: se é uma guerra, deve ser por território e poder ou por independência política. É preciso, portanto, mais atenção para com os problemas contemporâneos, procurando entendê-los de acordo com os processos históricos concretos que conferem à cada região do planeta ou a cada lugar e a cada território características peculiares identificadas a situações geográficas específicas e que não podem ser tratadas de forma genérica. QUESTÃO 23 As figuras abaixo representam o ciclo hidrológico de uma bacia hidrográfica da Grã-Bretanha. A armazena- gem, em cada etapa do ciclo, corresponde à área pontilhada conforme a porcentagem do total de água que processa. A espessura dos fluxos é proporcional à importância de cada etapa do fluxo da água. Fluxo para os oceanos evapotranspiração evapotranspiração (saída) precipitação (saída) precipitação (entrada) (entrada) evaporação evaporação escoamento escoamento armazenagem armazenagem da superfície de superfície fluxo fluvial fluxo fluvial infiltração infiltração David Drew, Processos interativos homem-meio ambiente. São Paulo, Difel, 1986. entrada no rio de outras bacias entrada para o rio de outras bacias escoamento escoamento armazenagem armazenagem do solo transpiração do solo transpiração percolação percolação descarga descarga subterrânea subterrânea armazenagem armazenagem fluxo fluvial subterrânea subterrânea fluvial fluxo Armazenagem armazenagem Armazenagem armazenagem lacustre lacustre Transferência Transferência fluxo para os oceanos (saída) Situação 1 Situação 2 Área sob utilização agrícola Alterações no ciclo hidrológico após uma intensiva urbanização na área da bacia 124
  • 125.
    Geografia a) Compare o armazenamento subterrâneo e o escoamento superficial nas situações 1 e 2. b) Quais as conseqüências ambientais decorrentes das mudanças observadas? Resposta a) Na situação 1, o ciclo hidrológico pode ser descrito pela água que entra e é armazenada na superfície, esperada fornecendo maior volume para a evaporação e infiltração, que irá abastecer a armazenagem do solo; uma pequena parcela escoa superficialmente. Da água armazenada no solo (cerca de 75% da água é armaze- nada na superfície), praticamente quantidades iguais são transferidas à transpiração, à percolação e ao escoamento que abastecerá os rios. Da armazenagem subterrânea (cerca de 20% da armazenagem superficial), ocorre a descarga para o fluxo fluvial. Na situação 2, com a intensa urbanização, e conse- qüentemente grande impermeabilização do solo, ocorre a diminuição drástica da água armazenada no solo e nenhuma armazenagem subterrânea. Os fluxos para evapotranspiração diminuem, pois o escoa- mento superficial é acelerado e muito alto. (2 pontos) b) As mudanças no ciclo hidrológico, com a supressão de algumas etapas de armazenagem e redução dos fluxos entre diversas armazenagens, provocam o aumento apenas do fluxo fluvial. Como consequência pode-se ter a aceleração dos processos erosivos, assoreamento dos cursos de água pelo transporte de sedimentos. provocando a possibilidade de enchentes, reduzindo a alimentação do lençol freático e conseqüentemente diminuindo a reserva dos mananciais. (3 pontos) Exemplo de nota a) Na área sob utilização agrícola percebemos que há infiltração de água e consequente armazenagem acima da média subterrânea portanto ocorrendo pouco escoamento superficial. Já nas áreas urbanizadas, percebemos uma “impermeabilização” do solo que resulta na inexistência da armazenagem subterrânea e um índice avassalador de escoamento superficial. b) Com a “impermeabilização” do solo, observaremos o empobrecimento do mesmo e um aumento no número de enchentes (e doenças como a leptospirose) decorrentes da não infiltração das águas na superfície. Exemplo de nota a) Tanto o armazenamento subterrâneo quanto o escoamento são melhores na situação 1 que na 2. O abaixo da média armazenamento subterrâneo não ocorre na situação 2 e o escoamento é maior também. b) Essas mudanças geram extinções de espécies, assim como morte de vegetação nativa que não consegue retirar água do solo. Comentários A média desta questão (2,16) situa-a dentre as questões consideradas difíceis nesta prova. Cerca de 38% dos candidatos obteve nota entre 1 e 2 e por volta de 35% entre 3 e 4. Esta questão coloca-se dentre aquelas que podem ser bem respondidas mesmo sem que se tenha conhecimentos específicos sobre o tema. Seus objetivos eram a leitura e interpretação de representação gráfica e o reconhecimento dos impactos provocados pelo uso do solo no ciclo hidrológico. Os candidatos melhores preparados, que dominam as habilidades consideradas indispensáveis para o prosseguimento dos estudos em nível superior, podem conseguir bons resultados interpretando logicamente o gráfico e deduzindo as conseqüências ambientais advindas dos pro- cessos descritos. QUESTÃO 24 Sobre o aquecimento da Terra e o efeito estufa. Pode-se estar certo de que, apesar do contínuo crescimento do teor em CO2 da atmosfera desde os começos da era industrial, o clima não conheceu aquecimento no século XX. As normais medidas entre 1951 e 1980, em relação às do período 1921-1950 mostram, ao contrário, uma baixa (não significativa) de – 0,3º. De qualquer modo, a evolução é muito lenta, e dezenas de anos são necessários para que se registre uma mudança climática. O apocalipse anunciado - fusão de glaciares, elevação do nível do mar etc. - não é seguramente para amanhã. Se é necessário lutar contra a poluição, a degradação do meio ambiente, devemos fazê-lo com os olhos abertos, com base em análises científicas e não nos limitando a gritar: “está pegando fogo!”. (Bernard Kayser, Pour une analyse non conformiste de notre société, fev. 92, (mimeo) apud Milton Santos, Técnica, Espaço e Tempo) a) O que é o efeito estufa? b) Em que se baseia o autor na sua crítica aos que anunciam o apocalipse relacionado às mudanças climáticas? Resposta a) o efeito estufa é uma explicação científica para o aquecimento do clima na Terra, com elevação média de esperada 0,5 graus no último século. Essa teoria afirma que esse aquecimento é originado do aumento do gás v 125
  • 126.
    Geografia v carbônico (CO2) na atmosfera, o qual, junto com outros gases (metano, p.ex.) funcionam como retentores de parte do calor refletido pela Terra, após receber energia solar. O aumento da concentração de gás carbônico estaria relacionado com o advento da era industrial, consumo de combustíveis fósseis, desma- tamentos e queimadas das florestas e atividades vulcânicas. (3 pontos) b) A crítica aos apocalípticos refere-se ao alarmismo que estes provocam na população, apregoando a mudança climática, e a condenação a priori de algumas fontes de CO2, como as indústrias e o desmata- mento, como responsáveis pelo aquecimento do planeta, quando ainda não se tem confirmado se estas são realmente as causas, ou se são intensificadores de causas naturais, astronômicas inclusive. Dado o período curto de observações climáticas, podemos estar vivendo um novo ciclo de aquecimento geral do clima no planeta, independentemente da ação antrópica. Além disso, o autor ressalta que o processo de mudança climática é muito lento e que não há maiores estudos científicos que o comprovem e que mostrem sua causa. (2 pontos) Exemplo de nota a) É o aquecimento global da terra. Os gases poluentes emanados pelas indústrias, carros, queimadas, acima da média ficam acumulados na atmosfera terrestre, impedindo que os raios solares que atingem a terra sejam refletidos de volta ao espaço. Logo a temperatura tende a aumentar. b) Na falta de base científica daqueles que se dizem “profetas do apocalipse”. Não basta apenas sair por aí dizendo que o mundo vai acabar, é preciso fazer uma série de experimentos científicos para se chegar a uma conclusão lógica e racional. Exemplo de nota a) É o derretimento das calotas polares decorrentes da poluição e o aquecimento elevado do globo terrestre abaixo da média devido a destruição da camada de ozônio. b) Com o aumento da temperatura global pode haver um derretimento das calotas polares, o que elevaria o nível do oceano e inundaria os países litorâneos, e com o passar do tempo todos os continentes, o que significaria o fim do mundo. O autor critica, pois há muito alarme por parte dos ecologistas e na verdade o que se deveria fazer era oferecer alternativas ao uso de produtos que liberam CO2. Comentários A média desta questão, 2,26 também permite classificá-la como difícil. 39% dos candidatos obteve nota entre 2 e 1 e 41% entre 3 e 4, o que permite considerar que, como para a questão anterior, os candidatos mais preparados, dominando melhor as habilidades necessárias, nesta caso a leitura e a interpretação de textos, tinham grandes possibilidades de chegar a um bom resultado. Os objetivos aqui eram: definir efeito estufa e estabelecer sua relação com as atividades antrópicas e analisar e criticar a ação e discurso dos ambientalis- tas., a partir do texto apresentado. Acontece que o texto fazia referência a vários fenômenos: efeito estufa, fusão de glaciares, elevação do nível do mar (que se sabe relacionada ao derretimentos das calotas polares) o que levou uma parte significativa dos candidatos a generalizar em demasia, relacionando em inúmeras respos- tas de forma incorreta, o efeito estufa (aquecimento provocado pela concentração de CO2, como o próprio texto do enunciado menciona) com o aumento do buraco na camada de ozônio, provocado pelo uso do CFC. 126
  • 127.
  • 128.
    Matemática As questões da segunda fase da prova de matemática procuram avaliar os conteúdos usualmente presentes no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. As primeiras questões envolvem apenas as noções básicas de matemática além da capacidade de leitura e raciocínio; as questões intermediárias enfocam, normalmente, os conteúdos de quinta a oitava séries e as últimas dizem respeito ao Ensino Médio. Em quase todas as questões, mesmo nas mais complexas, um dos itens é uma pergunta simples cujo objetivo é levar o candidato até o final da prova. Além disso, a maioria das questões envolve, cada uma delas, diversos tópicos do conteúdo programático. QUESTÃO 1 Um determinado ano da última década do século XX é representado, na base 10, pelo número abba e um outro, da primeira década do século XXI, é representado, também na base 10, pelo número cddc. a) Escreva esses dois números. b) A que século pertencerá o ano representado pela soma abba+cddc ? Resposta a) abba = 1991 e cddc = 2002 esperada Resposta: Os números pedidos são 1991 e 2002. (2 pontos) b) 1991 + 2002 = 3993 (século 40) Resposta: A soma é igual a 3993, que representa um ano do século XL . (3 pontos) Questão simples, cujo objetivo é saber representar um número e reconhecer o século ao qual um dado Comentários ano pertenceu. Muitos candidatos não sabem escrever um número em algarismos romanos – esta forma ainda é usada em situações específicas. Entretanto, quando o candidato respondeu corretamente, escre- vendo apenas século 40, isto foi considerado satisfatório. A nota média, considerados os candidatos pre- sentes [13.910], foi de 3,94 na escala [0 – 5]. QUESTÃO 2 A soma de dois números positivos é igual ao triplo da diferença entre esses mesmos dois números. Essa diferença, por sua vez, é igual ao dobro do quociente do maior pelo menor. a) Encontre esses dois números. 2 b) Escreva uma equação do tipo x + bx + c = 0 cujas raízes são aqueles dois números. Resposta a) Sejam x e y os dois números, e suponhamos que x > y. A partir do enunciado, podemos escrever o esperada seguinte sistema linear de duas equações e duas incógnitas: x + y = 3(x – y)   x  x – y = 2 ----- y -  Da primeira equação obtemos x = 2y e, fazendo-se a substituição na segunda equação, tem-se: 2y 2y – y = 2 ----- = 4, ou seja, y = 4 e, portanto, x = 8. - y Resposta: Os números pedidos são 8 e 4. (3 pontos) b) Das relações entre raízes e coeficientes de uma equação do segundo grau com a=1, podemos escrever: x + y = 8 + 4 = 12 = –b e xy = 8 ⋅ 4 = 32 = c. 2 Resposta: A equação do segundo grau é x – 12x + 32 = 0 (2 pontos) Um dos objetivos dessa questão foi a transcrição em linguagem matemática. O candidato deveria dei- Comentários xar claro qual dos números, x ou y, seria tomado como o maior deles, para equacionar corretamente. Um erro freqüente foi apresentar a resposta como um polinômio e não como equação. A questão foi resolvida corretamente pela maioria dos candidatos e a média nessa questão foi de 3,04 na escala [0 – 5]. 128
  • 129.
    Matemática QUESTÃO 3 a) Quantos são os triângulos não congruentes cujas medidas dos lados são números inteiros e cujos perí- metros medem 11 metros ? b) Quantos dos triângulos considerados no item anterior são eqüiláteros ? E quantos são isósceles ? Resposta a) Sejam a, b e c as medidas, em metros, de 3 segmentos. Para que esses 3 segmentos formem um triân- esperada gulo de perímetro 11, devemos ter: a + b + c =11; a < b + c; b < a + c e c < a + b. Então: 11 = a + b + c < b + c + b + c = 2 (b + c). Como a, b e c são números naturais e b + c > 5,5, segue-se que b + c ≥ 6. Somando a aos dois mem- bros dessa última desigualdade, temos: 11 ≥ 6 + a o que implica a ≤ 5. O mesmo vale para b e c, ou seja, todos os 3 números são menores ou iguais a 5. Podemos então construir a seguinte tabela: a b c 5 5 1 5 4 2 5 3 3 4 4 3 Observando que permutações dos mesmos números produzem triângulos congruentes, podemos con- cluir que existem apenas os 4 triângulos não congruentes apresentados na tabela acima. Resposta: Existem apenas 4 triângulos não congruentes cujos lados são números inteiros (positivos) e cujos perímetros medem 11 metros. São eles: (5, 5, 1), (5, 4, 2), (5, 3, 3) e (4, 4, 3). (3 pontos) b) Para que um triângulo de lados a, b e c seja equilátero é necessário que a = b = c e, portanto, 3a = 3b = 3c = 11. Como 11 não é divisível por 3, segue-se que a, b e c não podem ser inteiros, ou seja, não existe triân- gulo equilátero com lados inteiros e perímetro igual a 11. Esta mesma conclusão pode ser obtida a par- tir da resposta (a), observando-se que nenhum dos 4 triângulos possíveis é equilátero. Os triângulos isósceles são: (5, 5, 1), (4, 4, 3) e (3, 3, 5), totalizando 3 triângulos. Resposta: Nenhum triângulo é equilátero e três triângulos são isósceles. (2 pontos) Esta questão avalia vários conceitos básicos de geometria e aritmética, especialmente as condições Comentários para a existência de triângulos e a noção fundamental de congruência de triângulos. A média foi muito menor que a da questão anterior, ficando em 1,47 na escala [0 – 5]. QUESTÃO 4 Em um certo jogo são usadas fichas de cores e valores diferentes. Duas fichas brancas equivalem a três fichas amarelas, uma ficha amarela equivale a cinco fichas vermelhas, três fichas vermelhas equivalem a oito fichas pretas e uma ficha preta vale quinze pontos. a) Quantos pontos vale cada ficha ? b) Encontre todas as maneiras possíveis para totalizar 560 pontos, usando, em cada soma, no máximo cinco fichas de cada cor. 129
  • 130.
    Matemática Resposta a) Seja a o número de pontos de uma ficha amarela, b o número de pontos de uma ficha branca, v o esperada número de pontos de uma ficha vermelha e p = 15 o número de pontos de uma ficha preta. Então: 2b = 3a, a = 5v, 3v = 8p e p =15. Logo: v = 40, a = 200 e b = 300. Resposta: Cada ficha vermelha vale 40 pontos; cada ficha amarela, 200 pontos; cada ficha branca, 300 pontos. (2 pontos) b) Para totalizar 560 pontos podemos usar, no máximo, 1 ficha branca. Usando uma ficha branca, restam 260 pontos que podem ser obtidos com 1 ficha amarela e 4 pretas ou com 5 vermelhas e 4 pretas. Não usando ficha branca, podemos usar 2 amarelas e 4 vermelhas. Estas são as únicas respostas possíveis. Resposta: (i) 1 ficha branca, 1 amarela e 4 pretas. (ii) 1 ficha branca, 5 vermelhas e 4 pretas. (iii) 2 amarelas e 4 vermelhas. (3 pontos) A solução dessa questão exige uma análise cuidadosa mas nenhum conteúdo matemático mais pro- Comentários fundo. A parte (b) desta questão poderia também ser colocada no contexto de soluções inteiras não nega- tivas da equação: 15x + 40y + 200z + 300w = 560, onde x, y, z e w são as quantidades de fichas pretas, que valem 15 pontos, de fichas vermelhas, 40 pontos, fichas amarelas, 200 pontos e fichas bran- cas, 300 pontos. A maioria dos candidatos foi bem sucedida na resolução dessa questão, o que se refletiu na média de 3,84 na escala [0 – 5]. QUESTÃO 5 As diagonais D e d de um quadrilátero convexo, não necessariamente regular, formam um ângulo agudo. D⋅d -sen α . a) Mostre que a área desse quadrilátero é ---------- 2 b) Calcule a área de um quadrilátero convexo para o qual D = 8 cm, d = 6 cm e α = 30°. Resposta a) No quadrilátero ABCF da figura abaixo: esperada B h1 A d E α D h2 C F Seja E o ponto de intersecção das diagonais D e d e sejam h1 e h2 as alturas dos triângulos ABC e ACF, respectivamente. Então temos: h1 = BE ⋅ sen α e h2 = FE ⋅ sen α. A área S do quadrilátero é igual à soma das áreas dos triângulos ABC e ACF, ou seja: 1 1 1 1 S = ------ ⋅ AC ⋅ h1 + ------ ⋅ AC ⋅ h2 = ------ ⋅ AC ⋅ BE ⋅ sen α + ------ ⋅ AC ⋅ FE ⋅ sen α = - - - - 2 2 2 2 1 1 = ------ ⋅ AC ⋅ ( BE + FE ) ⋅ sen α = - ------ D ⋅ d ⋅ sen α - (3 pontos) 2 2 b) Para calcular a área do quadrilátero para o qual D = 8 cm, d = 6 cm e α = 30°, basta observar que 1 sen 30° = ------ e substituir na fórmula acima: - 2 1 1 S = ------ ⋅ 8 ⋅ 6 ⋅ ------ = 12 cm 2 - - 2 2 2 Resposta: A área do quadrilátero é de 12 cm . (2 pontos) 130
  • 131.
    Matemática Os candidatos tiveram a oportunidade para “demonstrar” uma fórmula de geometria e, em seguida, Comentários aplicá-la. A decomposição de uma figura plana em triângulos é um procedimento importante e, nesse caso, muito simples. Convém observar que a parte (b) pode ser resolvida usando a parte (a) mesmo que o candidato não tenha demonstrado a fórmula e muitos fizeram isso, o que contribuiu para que a nota média dessa questão se aproximasse de 2, na escala [0 – 5]. Convém também salientar a dificuldade generali- zada com demonstrações – conseqüência do descuido com essa componente importante da matemática, e não somente da geometria, no ensino médio e no ensino fundamental. Além disso, muitos vestibulandos particularizaram o quadrilátero, considerando-o um quadrado, ou um losango, um paralelogramo ou até mesmo um trapézio. Outros consideraram que as diagonais se cortam nos seus pontos médios ou que são perpendiculares. Na parte (b) a omissão da unidade foi o erro mais freqüente. QUESTÃO 6 Suponha que o número de indivíduos de uma determinada população seja dado pela função: F(t) = a ⋅ 2 , –bt onde a variável t é dada em anos e a e b são constantes. a) Encontre as constantes a e b de modo que a população inicial (t = 0) seja igual a 1024 indivíduos e a população após 10 anos seja a metade da população inicial. b) Qual o tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial? c) Esboce o gráfico da função F(t) para t ∈ [0, 40]. Resposta a) Fazendo t = 0 na expressão F(t) = a ⋅ 2–bt tem-se: F(0) = a ⋅ 2–b0 ⇒ a = 1024 = 210 esperada ⋅ 2 = (2 ) 10 10 –bt 10 – bt De modo que já temos a = 2 e, conseqüentemente, F(t) = 2 1 1 = ------ ⋅ 1024 = ------ ⋅ 2 = 2 , de onde podemos concluir que: 10 – 10.b Fazendo t = 10, tem-se: F(10) = 2 - - 10 9 2 2 1 10 – 10 ⋅ b = 9 e, portanto: b = ------ - 10 10 1 Resposta: a = 1024 = 2 e b = ------ - (2 pontos) 10 x Observação: Para esta última conclusão estamos usando a “injetividade” da função exponencial y=2 , isto é: x1 x2 10 – 10 . b 9 “Se x1 e x2 são números reais tais que 2 = 2 , então x1=x2”. No caso, 2 = 2 implica 10 – 10 ⋅ b = 9. Esta propriedade (injetividade) não é válida para todas as funções. Por exem- plo: cos(x1) = cos(x2) não implica x1=x2. 1 b) Vamos encontrar o valor de t para o qual F(t) = ------ ⋅ 2 = 2 - 10 7 8 10 t Como a função F(t) = 2 – ------ = 7 é decrescente (ou seja, diminui à medida que t aumenta), o valor de - 10 7 t para o qual F(t) = 2 é o tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial. t 10 – ------ - 10 7 t Então, basta resolver a equação: 2 = 2 , ou seja : 10 – ------ = 7, o que significa t = 30 - 10 Resposta: O tempo mínimo para que a população se reduza a 1/8 da população inicial é de 30 anos. (1 ponto) c) Devemos usar o resultados obtidos em (a) e (b) para escrever a tabela abaixo e depois traçar o gráfico da função no intervalo [0, 40]. t 0 10 20 30 40 F(t) 2 10 2 9 2 8 2 7 2 6 v 131
  • 132.
    Matemática v Note que após cada período de 10 anos, F(t) se reduz à metade do valor no início do período. 210 população 29 28 27 26 10 20 30 40 anos (2 pontos) x O conhecimento da função exponencial y = a é indispensável, visto que esta função descreve muitos Comentários fenômenos naturais importantes, como é o caso da variação populacional apresentada nesse exemplo. Observe que “à medida que t cresce, F(t) decresce”; entretanto, F(t) nunca será igual a zero, ou seja, o gráfico não deve cortar o eixo horizontal, mesmo que t seja tomado como “arbitrariamente grande”. Seria interessante analisar o que ocorre com a população descrita por essa função depois de 90 anos! A nota média dessa questão, foi de 3,39 na escala [0 – 5]. QUESTÃO 7 Seja A a matriz formada pelos coeficientes do sistema linear abaixo:  λx + y + z = λ + 2   x + λy + z = λ + 2   x + y + λz = λ + 2 a) Ache as raízes da equação: det(A)=0. b) Ache a solução geral desse sistema para= –2. Resposta a) A matriz dos coeficientes do sistema linear dado é: esperada λ 11 A= 1 λ 1 11 λ Desenvolvendo-se pela primeira linha, temos: 2 det(A) = λ (λ – 1) – (λ – 1) + (1 – λ) = λ (λ – 1) – 2 (λ – 1) = (λ – 1) [ λ (λ+1) – 2] = (λ – 1) [λ + λ – 2]. 2 2 As raízes da equação: det(A) = (λ – 1) (λ + λ – 2) = 0 são dadas por: 2 λ – 1 = 0 e λ + λ – 2 = 0, ou seja, λ1=1, λ2=1, λ3= –2. 2 Resposta: As raízes da equação det(A) = 0 são: λ = 1 (dupla) e λ = –2. (3 pontos) b) Para λ = –2, o sistema linear é:  – 2x + y + z = 0   x – 2y + z = 0   x + y – 2z = 0 v 132
  • 133.
    Matemática v Tal sistema é homogêneo, isto é, os termos constantes são todos iguais a zero, e, por isso, x = y = z = 0, ou seja (0, 0, 0) é uma solução. Assim sendo, este sistema é possível, isto é, possui pelo menos uma solução. Como para λ = –2, det(A) = 0, o sistema em questão é indeterminado. Isto quer dizer que o sistema tem mais de uma solução e, por ser linear, tem na verdade infinitas soluções. Estas soluções podem ser encontra- das por escalonamento, por exemplo. Este método produz o seguinte sistema, equivalente ao inicial: x – z = 0  y – z = 0 Podemos então concluir que x = z e y = z, ou seja: para cada valor atribuído à variável z, podemos encontrar os valores correspondentes para x e y. Fazendo então z = α tem-se: x = α e y = α. Resposta: O conjunto solução do sistema para λ = –2 é {(α, α, α); ∀α ∈ R} (2 pontos) Esta questão pretende avaliar: (i) O conceito de matriz dos coeficientes de um sistema linear e o cál- Comentários culo de seu determinante. (ii) Raízes de uma equação do terceiro grau e raízes múltiplas. (iii) Resolução de um sistema linear homogêneo indeterminado. A média obtida pelos candidatos nessa questão foi de 1,25, bem abaixo da média esperada pela Banca. QUESTÃO 8 Sejam A e B os pontos de intersecção da parábola com a circunferência de centro na origem e raio 2. a) Quais as coordenadas dos pontos A e B ? ˆ b) Se P é um ponto da circunferência diferente de A e de B, calcule as medidas possíveis para os ângulos AP B . Resposta a) A equação da circunferência de centro na origem e raio 2 é: esperada 2 (x – 0) + (y – 0) = ( 2 ) , ou seja, x + y = 2. 2 2 2 2 2 As coordenadas dos pontos de intersecção dessa circunferência com a parábola y = x são as soluções do sistema não linear: x + y = 2 2 2  y – x = 0 2 2 4 2 Substituindo y = x na primeira equação obtemos a equação biquadrada: x + x – 2 = 0, cujas raízes reais são: x1 = 1 e x2 = –1. 2 Como y = x , temos um único valor correspondente para y, a saber: y = 1. Resposta: Os pontos de intersecção são: A(1, 1) e B(–1, 1). (2 pontos) P’ B 135° A –1 45° O 1 P’’ v 133
  • 134.
    Matemática v 2 2 b) Vamos mostrar que o triângulo AOB, onde O é o centro da circunferência x + y = 2 e A e B são os pontos obtidos anteriormente, é retângulo. 2 2 2 2 2 De fato: AB = (–1 – 1) + (1 – 1) = 4 e AO + BO = 4. 2 2 2 Assim, AO + BO = AB e pela recíproca do teorema de Pitágoras, o triângulo AOB é retângulo. Se P’ está no arco correspondente ao ângulo central de 90°, então o arco correspondente ao ângulo AP’B mede 270° e, portanto, o ângulo AP’B mede 135°. Se P’’ está no arco correspondente ao ângulo central de 270°, então o arco correspondente ao ângulo AP”B mede 90° e, portanto, o ângulo AP”B mede 45°. Resposta: As medidas possíveis para o ângulo APB são 45° e 135°. (3 pontos) Esta questão procura relacionar conhecimentos de álgebra e geometria. O fato matemático fundamen- Comentários tal é: a medida do ângulo central é o dobro da medida do ângulo cujo vértice está sobre a circunferência, ambos subentendendo o mesmo arco. A nota média foi muito baixa, talvez refletindo a separação álgebra/ geometria que ainda é muito comum no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. QUESTÃO 9 Os lados de um triângulo têm, como medidas, números inteiros ímpares consecutivos cuja soma é 15. a) Quais são esses números ? b) Calcule a medida do maior ângulo desse triângulo. 1 c) Sendo α e β os outros dois ângulos do referido triângulo, com β > α, mostre que sen β – sen α < ------ . 2 2 - 4 Resposta a) Sejam a, a + 2 e a + 4 os 3 números ímpares consecutivos que são as medidas dos lados do triângulo. esperada Então: a+ (a + 2) + (a + 4) = 15 o que implica de imediato a = 3. Resposta: Os números são: 3, 5 e 7. (1 ponto) b) Sabendo-se que o maior ângulo é oposto ao maior lado e utilizando a lei dos cosenos, temos: –1 7 = 3 + 5 – 2 ⋅ 3 ⋅ 5 cos θ ⇒ cos θ = ------ . 2 2 2 2 Resposta: O maior ângulo é θ = 120° (2 pontos) 7 5 3 c) Pela lei dos senos: ---------------------- = ------------- = ------------- de onde concluímos que: - - - sen 120° sen β sen α 3 3 5 3 3 sen α = ---------- e sen β = ---------- uma vez que sen 120° = ------- . - - 14 14 2 75 27 48 1 Então: (sen β) – (sen α) = ---------- – ---------- = ---------- < ------ 2 2 - 196 196 196 4 1 Resposta: (sen β) – (sen α) < ------ 2 2 - (2 pontos) 4 Esta questão explorou a trigonometria de um triângulo qualquer, em particular as leis do seno e do co- Comentários seno. Consideramos importante observar que θ > β > α visto que a omissão desse cuidado produziu erros –1 para muitos candidatos. Também é importante observar que o ângulo para o qual cos θ = ------ é θ =120° 2 1 e não θ = 60°. Muitos candidatos chegaram a cos θ = ------ e, conseqüentemente, erraram tudo. - 2 A média final dos presentes nessa questão foi de 1,67; observamos que tal média é conseqüência da facilidade da parte (a) que proporcionou 1 ponto aos candidatos que não desistiram antes de chegar a essa altura da prova. 134
  • 135.
    Matemática QUESTÃO 10 Para representar um número natural positivo na base 2, escreve-se esse número como soma de potências de 2. Por exemplo: 13 = 1 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 = 1101. 3 2 1 0 6 a) Escreva o número 2 + 13 na base 2. b) Quantos números naturais positivos podem ser escritos na base 2 usando-se exatamente cinco algarismos? c) Escolhendo-se ao acaso um número natural n tal que 1 ≤ n ≤ 2 , qual a probabilidade de que sejam 50 usados exatamente quarenta e cinco algarismos para representar o número n na base 2? Resposta 6 a) Devemos escrever o número 2 + 13 como soma de potências de 2, isto é: esperada 2 + 13 = 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 + 0 ⋅ 2 + 1 ⋅ 2 = 10011012. 6 6 5 4 3 2 1 0 6 Resposta: O número 2 + 13 = 7710 escreve-se na base 2 como 1001101. (1 ponto) b) Um número que se escreve na base 2 com exatamente 5 algarismos é da forma: 1 ⋅ 2 + a ⋅ 2 + b ⋅ 2 + c ⋅ 2 + d ⋅ 2 onde a, b, c e d podem assumir valores 0 ou 1. 4 3 2 1 0 De modo que temos duas possibilidades para cada uma dessas quatro letras; pelo princípio multiplica- 4 tivo, podemos concluir que temos 2 possibilidades, ou seja, são exatamente 16 estes números. Resposta: São 16 os números que se escrevem na base 2 usando exatamente 5 algarismos. (2 pontos) 50 50 c) Entre 1 e 2 temos 2 números naturais. 44 Representados na base 2 com 45 algarismos existem 2 números naturais – para ver isto basta repetir o raciocínio usado na parte (b). Portanto, a probabilidade pedida é igual a: 44 2 1 1 ------- = ----- = ------ 50 - 6 - 2 2 64 1 Resposta: A probabilidade é igual a ------ . - (2 pontos) 64 Essa questão abordou as noções básicas de contagem, sistema de numeração na base 2 e probabilidade. O Comentários resultado evidencia que esses conceitos fundamentais ainda não são dominados pelos vestibulandos e, como conseqüência, a média final foi uma das menores da prova de matemática: 0,73 na escala [0 – 5]. QUESTÃO 11 Considere a equação: 2  x + ------  + 7  x + ------  + 4 = 0 . 2 1 1 - -  x  2  x a) Mostre que x = i é raiz dessa equação. b) Encontre as outras raízes da mesma equação. Resposta a) Substituindo x = i na equação dada e lembrando que, para esse valor de x, x = –1, tem-se: 2 esperada 2  i + ------ + 7  i + ------ + 4 = 0 ⇒ 2  – 1 + ------ + 7 ⋅ 0 + 4 = 2 ⋅ (–2) + 4 = 0 2 1 1 1 - - -  i  2  i   –i  Resposta: x = i é raiz da equação dada. (2 pontos) b) Se x = i é raiz da equação, como os coeficientes são reais, x = –i, que é o conjugado de i, também é raiz da mesma equação. Além disso: v 135
  • 136.
    Matemática v 4 3 2 2  x + ------ + 7  x + ------ + 4 ⇒ ------------------------------------------------------------- = 0 2 1 1 2x + 7x + 4x + 7x + 2 - - -  x  2  x x 2 4 3 2 se, e somente se, 2x + 7x + 4x + 7x + 2 = 0. 4 3 2 Como x = i e x = –i são raízes dessa equação, segue-se que o polinômio p(x) = 2x + 7x + 4x + 7x + 2 é 2 divisível por (x – i) (x + i) = x + 1. 4 3 2 2 2 Na verdade: 2x + 7x + 4x + 7x + 2 = (x + 1) (2x + 7x + 2). 2 Resolvendo a equação do segundo grau 2x + 7x + 2 = 0, obteremos as raízes; – 7 + 33 – 7 – 33 x 3 = ------------------------- e x 4 = ------------------------ . - 2 2 – 7 + 33 – 7 – 33 Resposta: As quatro raízes da equação dada são: i, –i, ------------------------- , ------------------------ . - (3 pontos) 2 2 Números complexos e raízes de polinômios são os tópicos envolvidos nessa questão. Estes conteúdos Comentários são, em geral, os últimos no programa do Ensino Médio e, por isso mesmo, nem sempre são tratados ade- quadamente. A média final foi de 1,86 pontos na escala de zero a cinco. QUESTÃO 12 Seja P um ponto do espaço eqüidistante dos vértices A, B e C de um triângulo cujos lados medem 8 cm, 8 cm e 9,6 cm. Sendo d(P, A)=10 cm, calcule: a) o raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC; b) a altura do tetraedro, não regular, cujo vértice é o ponto P e cuja base é o triângulo ABC. Resposta a) esperada A 8 R 8 R O R M B C 9,6 Sejam O o centro e R o raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC; seja ainda M o ponto médio do lado BC. O triângulo AMC é retângulo, de modo que: 2 2 2 AM + (4,8) = 64, ou seja, AM = 40,96 e, portanto, AM = 6,4 cm. 2 2 2 No triângulo OMC, temos: R = OM + (4,8) . Como OM = AM – R = 6,4 – R, segue-se que: 2 2 2 R = (6,4 – R) + (4,8) de onde tiramos que R = 5 cm. Resposta: O raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC mede 5 cm. (2 pontos) v 136
  • 137.
    Matemática v b) P B H=0 A C O ponto H, pé da perpendicular ao plano do triângulo ABC, baixada a partir do ponto P, coincide com o ponto O. De fato: como PA = PB = PC , os triângulos retângulos PHA, PHB e PHC são congruentes e, por- tanto, o ponto H é eqüidistante de A, B e C ou seja H é o centro da circunferência circunscrita ao triân- gulo ABC, isto é, H coincide com O. 2 Então, a altura PH do tetraedro é dada por: AH = 102 – 53 = 75, ou seja, AH = 5 3 cm. Resposta: a altura do tetraedro mede 5 3 cm. (3 pontos) Comentários Este é um problema clássico de geometria no espaço e a matemática necessária para resolvê-lo, além da visão espacial indispensável, se reduz ao uso apropriado do teorema de Pitágoras. A média final de 0,27 nessa questão foi a mais baixa da prova, como tem acontecido nos últimos anos com a questão envolvendo geometria espacial. Isto que dizer que o entendimento dessa parte da geometria continua deficiente. 137
  • 138.
    PROVA DE FRANCÊS Os interessados na resolução da prova de francês devem solicitá-la à Comissão de Vestibulares, que a enviará pelo correio. Língua estrangeira
  • 139.
    Inglês A prova de Inglês do vestibular Unicamp do ano 2000 apresentou oito textos para leitura, número maior que o dos anos anteriores, o que se justifica pelo tamanho e mesmo pela natureza dos próprios textos escolhidos. Procurou-se, com isso, evitar uma concentração de perguntas em um ou dois textos, para que ficassem aumentadas as chances de sucesso na leitura e, portanto, na resolução das questões. Não há textos longos; os textos têm, todos, tamanhos aproximados. Guarda-se, no entanto, a variedade quanto à diferença de complexidade de língua. Os textos escolhidos para a prova de 2000 foram dois trechos de histórias, bastante diferentes entre si, sendo que um deles prima pela presença marcante de diálogos; um trecho de um livro que narra a história dos Beatles; uma resenha de um livro; uma carta de um leitor para a revista Popular Science; um trecho de um livro sobre sonhos e pesadelos; o início de um artigo retirado da revista The Economist (que não trata de economia, mas do tempo) e uma tirinha. Vejamos, texto por texto, questão por questão, as respostas esperadas, o que era preciso fazer para se chegar a elas, exemplos de soluções e, ainda, de maneira geral, o que chamou a atenção na solução de cada questão. Por fim, para algumas questões, exercícios de observação e avaliação de respostas, exercícios que ajudam a preparação para uma prova como esta. Lembramos que na transcrição de respostas dadas pelos candidatos mantivemos a maneira exata como ela veio redigida, incluindo a grafia. QUESTÃO 13 Responda a todas as perguntas em português. 1. Qual é o nome do personagem que aparece na tirinha usando uma coroa? Como se pode chegar a essa conclusão pela leitura da tirinha? Resposta Dogbert. Pode-se chegar a essa conclusão porque ele diz que, daquele momento em diante, vai se referir esperada a si mesmo na terceira pessoa, como de fato o faz no segundo quadrinho. Observa-se imediatamente que há três nomes próprios no material com que o candidato tem que lidar para Comentários resolver a questão 13: Bob, Dogbert e Dilbert. Na conversa entre os personagens que aparecem nos quadri- nhos, no entanto, há apenas dois nomes próprios, Bob e Dogbert. Logo na primeira fala o dinossauro é chamado de Bob pelo cachorro de óculos e coroa, portanto este é Dogbert. Em outras palavras, o reconheci- mento do vocativo e da pontuação usada em sua introdução – a vírgula depois de Bob – já apontavam uma solucão para a questão. A solução envolvia ainda o entendimento da primeira fala, que passa por I, myself e third person e o reconhecimento dos verbos empregados pelos dois personagens na terceira pessoa do singular (does, thinks) nas falas seguintes, notadamente na fala do próprio Dogbert, junto com o uso que ele faz de his (sem neces- sariamente apontar o caráter majestático que quer imprimir a sua fala). Era preciso entender ainda o fato de Dogbert dizer o que fará daquele momento em diante (from now on) e o fato de ele o fazer usando um anafórico (Dogbert does this...), bem como o que era uma boa idéia em Bob thinks that is a good idea. Responder apenas o nome correto do personagem dava ao candidato 1 ponto. Receberam nota máxima aquelas respostas que, além de darem o nome correto do personagem, indicaram que Dogbert diz que vai se referir a si mesmo em terceira pessoa e que faz isso no segundo quadrinho. 139
  • 140.
    Inglês Exemplo de nota O nome do personagem é Dogbert. Pode-se chegar a esta conclusão porque ele diz que vai se referir a ele acima da média mesmo na terceira pessoa, o que ele faz no segundo quadrinho, ao pronunciar seu próprio nome. QUESTÃO 14 Leia o trecho seguinte, do livro The Love You Make. An Insider´s Story of The Beatles, de P Brown e S. . Gaines (trecho em que são mencionados John Lennon, sua mãe Júlia, sua tia Mimi e seu pai Fred) e responda à questão 14. (...) But by that summer it had become clear that John wasn’t interested in his education, or in art, or in his future at all. John’s only interest was the American craze called “rock and roll”, a derivative form of black rhythm and blues with a prominent drum beat. (...) John wanted a guitar more than he had wanted anything before in his life. Surpri- singly, it wasn’t Julia who broke down and bought it for him, it was Mimi who marched him to a music shop in Whitechapel and bought him his first guitar for £17. A small, Spanish model with cheap wire strings, he played it continuously until his fingers bled. Julia taught him some banjo chords she had learned from Fred, and he started with those. He sat on the bed all day, and when Mimi tried to shoo him into the sunlight, he’d go out to the support and lean up against the brick wall practicing his guitar for so long that Mimi thought he’d rub part of the brick away with his behind. She watched him waste hour after hour, day after day with the damned thing and regretted having bought it for him. “The guitar’s all very well, John,” she warned him, “but you’ll never make a living out of it.” Qual a previsão feita por Mimi a respeito do futuro de John Lennon? Resposta Mimi achava que John jamais ganharia a vida com sua guitarra. esperada Comentários Mimi, já identificada como a tia de John Lennon na introdução ao texto da questão 14, faz uma previsão sobre o futuro do Beatle, é o que afirma a própria questão ao indagar qual a previsão feita. Dessa forma, o enunciado da questão dá ao candidato um caminho para a leitura do trecho: ele contém uma previsão feita por Mimi a respeito do futuro de John. A previsão aparece de fato na fala da própria Mimi transcrita no final do trecho em questão: The guitar´s very well, John, she warned him, but you´ll never make a living out of it. Para identificar a fala como sendo de Mimi, necessariamente deve-se identificar o she, de she warned him, com o she, de she watched him waste hour after hour (...) e com Mimi que aparece linhas antes, em (...) Mimi thought he´d rub part of the brick away with his behind, tarefa aparentemente fácil. Algum entendimento de todo o trecho que antecede a fala de Mimi seria de grande valia aqui. As estruturas lingüísticas são simples e o vocabulário, conhecido (expressões como broke down, to shoo, sunporch, lean up poderiam ser interpretadas pelo contexto). Por fim, havia ainda o verbo usado pelo autor para introduzir a fala de Mimi: to warn. Houve uma distribuição razoavelmente equivalente de notas altas e zeros. Entre os zeros, foi notável a dificuldade encontrada na leitura da expressão make a living out of (something). Foram aceitas várias manei- ras de se dizer que, na opinião de Mimi, John jamais poderia ganhar a vida com a música, como, por exemplo: se sustentar, viver de música, se dar bem na vida, ser bem sucedido, garantir a vida, subir, vencer na vida, manter-se. Exemplos de nota 1. ‘The guitar’s very well (...) but you’ll never make a living out of it’. Com essa frase pode-se dizer que a tia acima da média de J. Lennon previa que o rapaz nunca iria ser um músico que ganhasse dinheiro o suficiente para viver somente ‘fazendo’ música. 2. Que Lennon nunca iria viver da música como uma fonte de renda. A seguir, exemplos de respostas equivocadas que mostram a dificuldade com a expressão em questão: 1. Mimi disse a John que ele tocava muito bem mas nunca faria sua vida fora dali, ou seja, que ele nunca tocaria em outro lugar a não ser ali. 2. Mimi, tia de J. Lennon, diz que ele nunca iria fazer um show fora de seu quarto, da sua casa. 3. O futuro dele está na guitarra. Ele nunca conseguirá viver a vida fora daquilo. 140
  • 141.
    Inglês Para responder às questões 15 e 16, leia a pergunta feita por um leitor à revista Popular Science (outubro de 1999), bem como a resposta dada a ele pela revista. QUESTÃO 15 Qual a explicação dada pela revista para a afirmação “(...)we are a bit taller in the morning than we are at night”? Resposta A posição horizontal em que dormimos reduz a pressão em nossa espinha e a cartilagem que existe entre esperada nossas vértebras se expande. Ou: Os discos de cartilagem que existem entre as vértebras são constituídos de uma razoável percentagem de água. Quando nos deitamos, diminuímos nosso peso e os discos se expandem. Quando o nosso peso está sobre eles, eles se comprimem. Em comparação com as questões anteriores, as questões 15 e 16 (ambas a respeito de uma carta- Comentários resposta de uma revista a uma pergunta colocada por um leitor) eram mais trabalhosas, embora ainda de dificuldade apenas média. A pergunta feita pelo leitor à revista envolve uma estrutura de comparativo bastante familiar para o aluno do segundo grau. O mesmo pode ser dito do adjetivo em questão (tall). Tanto o primeiro quanto o segundo parágrafo da resposta da revista poderiam ser usados para uma resposta para a questão 15. Optando pelo primeiro parágrafo, era preciso mostrar a recuperação do referente do pronome it, isto é, mostrar a que este pronome se referia quando usado em It´s because e o entendimento do próprio because, é claro (assim como o entendimento do so conclusivo no final do parágrafo). O vocabulário que diz respeito à anatomia humana traz termos que evocam seus correspondentes em português, facilitando a leitura do trecho: spines, cartilage. Já a expressão throughout poderia ser um obstáculo, mas era possível atribuir-lhe um significado através do entendimento da pergunta colocada pelo leitor da revista, que supõe uma comparação entre um estado nosso de manhã e à noite. Optando por responder com base no segundo parágrafo, surgem, mais uma vez, cognatos: vertebral, discs. Este trecho, no entanto, é menos transparente. Sua dificuldade, além de estar em fairly, está também no 141
  • 142.
    Inglês vocabulário empregado na explicação: When you lie down you take the weight bearing off and the discs expand. When your weight´s on them, they squeeze. Certamente devido à presença desses cognatos, a questão 15 foi respondida pela maioria dos candidatos (apenas 3% deixaram de respondê-la). No entanto, se a presença no texto dessas palavras muito parecidas com palavras em português muitas vezes facilita a leitura, nem sempre ela é suficiente para uma compreensão pelo menos razoável, que gere uma resposta da qual se possam aproveitar alguns trechos. É o caso dos exemplos abaixo, que receberam nota zero: 1. A recuperação é melhor de manhã do que a noite. 2. Ao acordarmos depois de ficarmos muito tempo deitados pressionando nossa coluna vertebral a cartilagem dos discos invertebrais está expandida o que provoca alguns ruídos (até mesmo a sensação de que ainda é noite (dói as costas). 3. Nós parecemos estar mais velho de manhã do que a noite devido a claridade que mostra as marcas na pele “amassada” de quando dormimos e por realçar as espinhas. 4. A explicação é que a posição horizontal que as grávidas dormem pressionam as costelas e a coluna vertebral, devendo mudar tal posição. 5. Se os discos (cartilagem) ficarem ao sol, acontece a desgravação das músicas, se o aparelho estiver no sol. Agora a noite não acontece isso. Exemplos de nota 1. A explicação dada pela revista para a afirmação “(...) we are a bit taller in the morning than we are at acima da média night” é a de que por passarmos a noite em posição horizontal, existe um alívio da pressão da gravidade exercida sobre as cartilagens invertebrais que se descomprimiram. Ao longo do dia, a pressão exercida volta a comprimir as cartilagens. 2. No texto o autor afirma que somos um pouco mais altos durante a manhã do que somos à noite. Isso se deve porque a pressão da gravidade sobre nossa espinha é aliviada pela posição horizontal em que dormimos; assim a macia cartilagem entre nossas 26 vértebras se expandem. Durante o dia, como nos mexemos na vertical, esses discos de cartilagem são comprimidos pela gravidade. 3. Quando dormimos na posição horizontal, nossas vértebras não fica pressionando os discos de cartilagem que estão entre eles então eles se expandem e nós ficamos um pouco mais altos ao acordarmos pela manhã. Durante o dia esses discos são pressionados pelas vertebras, eles se comprimem e ficamos mais baixos. QUESTÃO 16 O fenômeno em questão se manifesta igualmente em toda a população? Por quê? Resposta Não. O fenômeno é mais notável entre os jovens. À medida que envelhecemos, encolhemos menos ao esperada longo do dia, porque os tecidos se tornam menos flexíveis, menos elásticos. Comentários A segunda questão a respeito da carta-resposta da revista Popular Science incide sobre um trecho bastante específico do texto, o último parágrafo. Era fácil localizar o trecho por causa de people, palavra bastante conhe- cida. A caracterização young people já direciona a resposta; more pronounced nem merece comentários. Era preciso entender necessariamente a que diferenças o parágrafo se refere, já que começa com such differences. O uso de such pode não ser muito familiar ao aluno de segundo grau, mas as diferenças enfoca- das já foram objeto da questão anterior, a 15. A resposta à segunda parte da questão (Por quê?) passa pela compreensão de as (em As we age...), por todas as estruturas de comparativo aí presentes e, principalmente, pela atribuição de um significado a shrink. Resilience, palavra certamente menos conhecida, poderia até ser ignorada (como de fato foi, por uma parte considerável dos candidatos) e a resposta ainda seria obtida com sucesso, com o apoio em flexibility. Exemplos de nota 1. O fenômeno da variação de tamanho ocorre com mais ênfase nos jovens, pois nas pessoas mais velhas, acima da média o tecido das vértebras tendem a perder a flexibilidade. 2. Sim, acontece com todos, mas é mais evidente nos jovens, pois estes têm os tecidos mais flexíveis: a cartilagem se expande e contrai com mais facilidade. 142
  • 143.
    Inglês Leia, abaixo, a resenha do livro Last Climb e responda à questão 17. QUESTÃO 17 Qual a dúvida levantada a respeito dos aventureiros que já escalaram o Monte Everest? Como se justifica essa dúvida? Resposta Quais foram realmente os primeiros alpinistas a atingir o topo do Everest? ( Ou: teriam sido George esperada Mallory e Andrew Irvine os primeiros alpinistas a chegar ao topo do Everest e não Sir Edmund Hillary e Tenzig Norway ?) O corpo de Mallory foi encontrado mas não se sabe se ele estava subindo ou descendo quando morreu. Se estivesse descendo, ele e seu companheiro teriam atingido o topo trinta anos antes de Sir Edmund Hillary e Tenzig Norway, tidos como os primeiros a realizar a façanha. Para a questão 17 foi selecionada a resenha de um livro: Last Climb. Mais uma vez o enunciado da Comentários questão adianta informações contidas no texto em inglês. Em outras palavras, ao perguntar sobre uma dúvida levantada a respeito dos aventureiros que já escalaram o Monte Everest, informa a existência de tal dúvida. A tarefa aqui era explicitar essa dúvida e justificar sua razão de ser. Quando se olha para a resenha do livro, o que chama a atenção, além do título, que vem em letras garrafais? Uma dúvida, expressa antes mesmo do título, através de uma pergunta: Could it be that Mallory was the first to reach the top of the world? A explicitação de tal dúvida exige, de fato, a leitura da resenha toda, já que só se completa no final do segundo parágrafo e não vem enunciada diretamente. (A resposta não pode ser localizada, digamos assim, e traduzida diretamente do texto, como se pensa muitas vezes ser possível para todas as questões.) Uma vez entendido o problema, restava, para responder à segunda parte da pergunta, passando pelas inversões determinadas pelas interrogativas na língua inglesa, redigir o raciocínio apresentado. Para uma resposta completa era necessário: a) que se questionasse se teriam sido George Mallory e Andrew Irvine os primeiros a escalar o pico do Everest; b) que fosse mencionado o fato do corpo de George Mallory ter sido encontrado e c) que fosse dito que não era possível saber se naquele ponto, George Mallory e Andrew Irvine estavam ainda subindo ou se já haviam alcançado o topo do Everest e, portanto, estavam descendo. 143
  • 144.
    Inglês Exemplos de nota 1. A dúvida é se George Mallory e Andrew Irvine foram ou não os primeiros humanos a chegar ao topo do acima da média Everest. A dúvida vem do fato do corpo de Mallory ter sido encontrado 2000 pés abaixo do topo, porém não se sabe se ele estava subindo ou descendo quando, em junho de 1924 ele morreu. 2. A dúvida é se George Mallory estava subindo ou descendo o monte Everest e se ele e seu parceiro Andrew Irvine foram os primeiros homens a chegar ao topo. Essa dúvida se justifica pois o corpo de George foi encontrado a 2000 pés do topo. 3. Se George Mallory estava subindo ou descendo o monte Everest quando morreu. Ou seja, se ele e seu parceiro Andrew Irvine foram os primeiros humanos a chegar ao topo do Everest. A dúvida se justifica pelo fato de que o corpo de George Mallory foi encontrado a uma distância relativamente próxima ao topo do Everest: 2000 pés. Em muitas respostas ficou faltando parte do racicínio exigido para a nota máxima nessa questão (itens a, b e c, acima). Um bom exercício é ler as respostas abaixo e tentar identificar o que ficou faltando em cada uma delas: 1. Há dúvida se foi realmente George Mallory e seu parceiro Andrew Irvine os primeiros humanos a escalar e pesquisar o topo do mundo, uma vez que existe um livro que conta a história de alguns pioneiros que esca- laram trinta anos antes do senhor Edmund Hillary e Tenzig Norway que eram os primeiros a escalar o topo. 2. A dúvida é quem foi ou foram os primeiros a chegarem ao topo do mundo. A descoberta de um corpo muito bem preservado e identificado levantou a polêmica. Leia, abaixo, o início do capítulo sobre pesadelos, do livro Dreams and Nightmares, de J. A. Hadfield e responda às questões 18 e 19. NIGHTMARES PEOPLE may ignore their dreams, they cannot ignore their nightmares. For nightmares can be most distressing, casting their shadows throughout the following day. Hamlet shrank from taking his life because he would have ‘perchance to dream’. Nightmares are a common cause of sleeplessness, for many people, like the war-shocked soldier or civilian, dare not sleep because of the horrifying dreams that await them. One does not lightly submit oneself to the experience of getting blown up or buried night after night. The night terrors of children are of this type, for not only are they terrifying in themselves, but their effects persist, filling the day with apprehension and foreboding. The child who is frightened by a dog during the day may have a nightmare of the monster, and may continue to be frightened all the next day. (...) How to define nightmares as distinct from ordinary dreams is a little difficult: the very origin of the term is obscure. The distinctive feature of a nightmare in the more restricted sense of the term is that of a monster, whether animal or subhuman, which visits us during sleep and produces a sense of dread. Sometimes it is a witch, sometimes a vampire, which is conceived as a reanimated dead person who returns to suck the blood of living people during their sleep; or it may be a night hag, an incubus, or a mare. The word nightmare originally referred to these monstrous creatures themselves and then came to be used of the dream in which these monsters appeared. (...) QUESTÃO 18 Qual a explicação oferecida pelo autor do texto para o fato de que nós, principalmente as crianças, não conseguimos esquecer facilmente nossos pesadelos? Resposta Além de serem aterrorizantes em si mesmos, seus efeitos persistem, enchendo o dia seguinte de apreen- esperada são e pressentimento. Uma criança, por exemplo, que é assustada por um cachorro durante o dia, pode ter pesadelos com ele de noite e continuar aterrorizada durante o dia seguinte. O importante aqui era o entendimento de que os efeitos dos pesadelos persistem no dia seguinte à noite Comentários em que ocorreram. A questão era considerada difícil, principalmente pelo uso de for (em For nightmares can be most distressing (...) e em (...) for many people (...) dare not sleep) e pelo vocabulário empregado. Se por um lado havia essas dificuldades, por outro, a resposta podia ser apreendida em vários lugares através de todo o primeiro parágrafo. Além disso, havia exemplos para o raciocínio desenvolvido. 144
  • 145.
    Inglês Uma boa resposta deveria afirmar que, além de os pesadelos serem aterrorizantes em si mesmos, seus efeitos persistem, enchendo o dia seguinte de apreensão e pressentimento, ou simplesmente afirmar que os pesadelos podem ser perturbadores e lançam suas sombras por todo o dia seguinte. Para obtenção da nota máxima exigiu-se ainda a menção ao exemplo dado pelo autor no texto. Como efeitos dos pesadelos aceitou- se, por exemplo, medo, angústia, estresse, desgaste inquietação, mal-estar. Já quanto à caracterização dos pesadelos, aceitou-se, por exemplo, que estes podem ser perturbadores, assustadores, aterrorizantes, terrí- veis, horríveis, chocantes, entre outros adjetivos. Exemplos de nota 1. Os pesadelos, de acordo com o autor não são somente aterrorizantes, mas o seu efeito persiste, enchendo acima da média o dia com apreensão. O autor fala que uma criança que se apavorou com um cachorro em um dia pode ter pesadelos com o monstro e continuar amedrontada durante o próximo dia inteiro. Temos medo de sonhar e ter pesadelos novamente, segundo o autor. 2. A explicação oferecida pelo autor do texto para o fato de que nós, principalmente as crianças não conse- guimos esquecer facilmente nossos pesadelos é que o pesadelo não nos aterroriza apenas por ele mesmo, apenas enquanto estamos tendo o pesadelo. Os seus efeitos persistem, preenchendo o nosso dia com sentimento de apreensão, medo. O autor exemplifica dizendo que uma criança que passa um dia com medo de um cachorro, pode ter pesadelos com esse “monstro” e continuar com medo durante todo o dia seguinte. Uma resposta como a seguinte, embora não tenha obviamente recebido nota zero, apresenta-se bastante incompleta: “ Porque seus efeitos persistem durante o dia.” Tomar o exemplo como sendo a explicação em si também não era suficiente para uma boa nota: “A explicação oferecida é de que se uma criança for assustada por um cachorro durante o dia, poderá ter um pesadelo com um monstro a noite e assim continuará assustada no dia seguinte.” Como no exercício proposto para a questão anterior, tente identificar, a partir do que foi exposto a respeito das soluções para a questão 18, o que ficou faltando na resposta abaixo: “Porque os pesadelos refletem experiências trágicas que acontecem na vida normal. A criança que é assustada por um cão, por exemplo, pode sonhar com um monstro e continuará assustada no dia seguinte.” QUESTÃO 19 Qual é, segundo o autor, a origem do termo nightmare? Resposta Originalmente o termo se referia a criaturas monstruosas, como bruxas, vampiros, lobisomens; depois esperada passou a designar o sonho em que esses monstros aparecem. Se prestarmos atenção à ordem das duas perguntas colocadas a respeito do texto Nightmares, notamos Comentários que ela corresponde à ordem em que os argumentos sobre os quais as perguntas incidem vêm apresentados no texto: no primeiro parágrafo, logo no início, vem a afirmação de que as pessoas podem ignorar seus sonhos, mas não podem ignorar seus pesadelos. Em seguida, vêm explicitadas as razões disso. No final, lê-se: (...) the very origin of the term is obscure. O segundo parágrafo mostra a que a palavra nightmare se referia original- mente. Assim, não seria suficiente como resposta para a questão 19 dizer que a origem do termo é obscura. A resposta se completa com o final do segundo parágrafo – The word nightmare originally referred to these monstruous creatures themselves and then came to be used of the dream in which these monsters appeared – em que era necessário determinar a que este these se referia, reconhecer themselves e concluir com o que o termo passou a designar. Atribuir um significado aí para came to be used poderia ser problemático, mas havia o apoio do próprio used e de these. Em resumo, foram consideradas boas respostas aquelas que: a) mencionavam que a origem do termo é obscura; b) apontavam para o fato de o termo provir da denominação dada a monstros; c) apontavam ainda para o fato de que, com o passar do tempo, a palavra passou a denominar o sonho em que estes monstros apareciam. Exemplo de nota A origem do termo é obscura. A palavra nightmare referia-se originalmente aos monstros e criaturas, acima da média depois começou a ser usada para sonhos em que essas criaturas apareciam. Ou seja, no início nightmare era referência para falarmos de monstros, subhumanos, bruxas, vampiros, mortos-vivos. 145
  • 146.
    Inglês Que elementos faltam em cada uma das respostas abaixo para que se tornem respostas completas? 1. Nightmare é um termo originalmente usado para descrever criaturas monstruosas. 2. O autor afirma que a origem do termo nightmare é obscura. O termo refere-se às criaturas monstruosas (bruxas, vampiros, monstros, animais) que aparecem nos sonhos pessoais, durante o sono. 3. O termo nightmare se origina da referência a criaturas monstruosas e é usado para identificar sonhos em que essas criaturas como: bruxas, vampiros e zumbis aparecem. Segue-se um trecho de uma história retirada de The Victorian Fairy-Tale Book. Leia-o e responda às questões 20 e 21. A great fear came over the poor boy. Lonely as his life had been, he had never known what it was to be absolutely alone. A kind of despair seized him – no violent anger or terror, but a sort of patient desolation. “What in the world am I to do?” thought he, and sat down in the middle of the floor, half inclined to believe that it would be better to give up entirely, lay himself down, and die. This feeling, however, did not last long, for he was young and strong, and, I said before, by nature a very courageous boy. There came into his head, somehow or other, a proverb that his nurse had taught him – the people of Nomansland were very fond of proverbs – For every evil under the sun There is a remedy, or there’s none; If there is one, try to find it- If there isn’t, never mind it. “I wonder – is there a remedy now, and could I find it?” cried the Prince, jumping up and looking out of the window. QUESTÃO 20 Em que situação se encontrava o protagonista da história e o que ele pensava em fazer inicialmente? Resposta Ele estava completamente desanimado, desolado, sozinho, sem esperanças, sem saber o que fazer, esperada sentado no chão, um pouco inclinado a achar que talvez fosse melhor desistir de tudo, deitar-se e morrer. Comentários As questões 20 e 21 diziam respeito a um trecho de uma história chamada O Pequeno Príncipe Coxo e seu Capote de Viagem, de um livro de contos de fadas. O trecho era de leitura difícil, não pelas palavras, pelo vocabulário envolvido, mas pelas estruturas sintáticas presentes nele, como inversões típicas da língua inglesa. No primeiro parágrafo, havia várias palavras que poderiam caracterizar a situação em que se encontrava o protagonista da história, objeto da questão 20: fear, lonely, alone, despair, violent anger, terror, patient desolation, umas mais transparentes, outras menos. Restava, pela leitura, separar as que caracterizam posi- tivamente tal situação e as que eram apresentadas como não sendo características da situação, mas que também serviam para explicitá-la, é claro. A pergunta exigia ainda que a resposta incluísse a leitura do segundo parágrafo, que trata do que o protagonista pensava fazer inicialmente. O fato de que ele estava inclinado a tomar uma atitude, mas mudou de idéia, vem dado em Português no enunciado das duas questões a respeito do trecho: (...) o que ele pensava fazer inicialmente? (questão 20); (...) como ele chega a mudar de idéia? (questão 21). Duas frases introduziam a resposta: What in the world am I to do? e Thought he. Talvez (...) it would be better to give up entirely, lay himself down não fosse de compreensão óbvia, mas die, como se esperava, favoreceu bastante a resposta, dando sua direção. Em poucas palavras, a resposta deveria conter informações em duas partes: a situaçao do protagonista e o que ele pensava fazer inicialmente. Assim, receberam nota cinco respostas como as listadas abaixo. Exemplos de nota 1. Estava sozinho, desolado e pensava em morrer. acima da média 2. O protagonista da história se encontrava inicialmente sozinho, sentindo um certo desespero, desolado, sem saber o que fazer no mundo. Ele pensa em desistir da vida e se deixar morrer. Foram relativamente freqüentes respostas como as seguintes, com sua origem em patient (em patient desolation), nurse, remedy e mesmo em jumping up and looking out of the window. (Não receberam nota zero, já que em todas elas, como se pode notar, há pelo menos parte da leitura que deveria ser feita.) 146
  • 147.
    Inglês 1. Se sentindo absolutamente sozinho e desolado e pensando em saltar do prédio no qual ele estava e morrer. 2. Ele estava se sentindo solitário e pensava em se matar. 3. O protagonista da história estava sozinho desolado e doente. Poor boy, que aparece na primeira linha, gerou respostas como: Estava muito triste, muito abatido, por causa de sua situação de pobreza. Queria se matar. QUESTÃO 21 Explique como ele chega a mudar de idéia. Resposta Além de ser jovem, forte e corajoso ele se lembra de um provérbio que dizia que para todo o mal há um esperada remédio e que, se há um remédio, deve-se tentar achá-lo, se não há, melhor deixar pra lá. Comentários This feeling, however, did not last long – assim começa o terceiro parágrafo. O sentimento, retomado por this feeling, estava contido na resposta à questão anterior, como vimos. O however marca o contraponto apontado pelas questões 20 e 21 entre o que ele pensava fazer inicialmente e como ele chega a mudar de idéia. O entendimento da caracterização do principezinho – jovem, forte e corajoso – era importante para a direção da resposta. Era necessário também identificar this feeling com o sentimento identificado para a resposta da questão anterior. A palavra proverb, embora semelhante ao português, surge em um trecho bastante complexo. No entanto, a animação (pode-se até dizer assim, dada a presença de cried e jumping up) que toma o protagonista no final do trecho pode elucidar o sentido do provérbio. Isso sem mencionar remedy, que pode evocar o provérbio em português: O que não tem remédio, remediado está. Essa era uma das questões mais difíceis da prova de 2000 e, no entanto, houve uma distribuição bastante uniforme de todas as notas (de zero a cinco) o que indica que houve de fato tentativas diversas de resposta por parte dos candidatos. Uma das dificuldades mais freqüentes acabou sendo o entendimento do provérbio e o estabelecimento de sua relação com a mudança de atitude do personagem. Receberam nota máxima aquelas respostas que: a) estabeleciam uma vinculação da mudança de idéia do principezinho com a lembrança do provérbio; b) mostravam o entendimento de que as características do principezinho apontadas pelo narrador (jovem, forte e corajoso) tinham uma relação com o provérbio, o que resultou em sua mudança de atitude e c) explicitavam ou apresentavam de alguma forma o provérbio. Exemplo de nota O garoto era corajoso e forte, e veio a sua cabeça, de um jeito ou de outro, um provérbio dos povos acima da média nórdicos, que sua enfermeira havia lhe ensinado. O provérbio dizia que para cada mal, haveria uma cura ou não. Se houvesse cura, deveria ser procurada, se não houvesse, que se esquecesse isso. O garoto muda de idéia, a partir do momento em que ele se lembra do provérbio e descobre que para o seu mal, pode haver uma cura. As questões 22 e 23 referem-se ao texto abaixo: SATURDAY-NIGHT SHOWERS “The rain it rained every day”. But The link between these two new more at the weekend than on the other bits of weather lore seems to be that the end days. That, according to Randall Cerveny of the week brings worse air pollution than and Robert Balling, of Arizona State the beginning, and that something in the University, is not mere paranoia – at least if pollution is affecting the local climate. This you happen to live on the east coast of idea has been suggested in the past, but Dr. North America. For their report in this Cerveny and Dr. Balling confirmed it was week’s Nature suggests what many, in their true by looking at the air quality on Sable heart of hearts, have secretly believed for a Island – an isolated dot in the ocean some long time – that Saturday is the wettest day 180 kilometers (110 miles) off the coast of of the week. On the other hand, it also Nova Scotia. (...) th suggests that if you are suffering a (The Economist August 8 1988) hurricane, the wind will be least blustery on that day. 147
  • 148.
    Inglês QUESTÃO 22 Segundo Randal Cerveny e Robert Balling, que crença não pode ser considerada uma mera paranóia? Resposta Segundo os autores, não é mera paranóia a idéia de que chove mais no fim de semana do que nos outros esperada dias. Duas questões foram formuladas a respeito de Saturday-Night Showers. A primeira diz respeito ao tema Comentários mesmo do artigo, dado inclusive por seu título. A palavra paranóia, presente na pergunta e no texto, localizava a resposta. (...) more at the weekend than on the other days era um trecho bastante claro. Recuperar o referente de that em that (..) is not mere paranoia também não deve ter sido encarado como um grande problema. O que era difícil aí, então, era separar o que serve como resposta e aquilo que vem como amparo para a argumentação (como the rain it rained every day, que inicia o texto e o que vem depois de at least). A resposta também pode ser depreendida da seqüência do parágrafo ((...) many (...) have secretly believed for a long time – that Saturday is the wettest day of the week), seqüência que, uma vez bem entendida, já encaminhava a resposta da questão seguinte. Fora as notas zero, geradas pelo fato do texto ser um dos mais difíceis da prova, é interessante olharmos aqui para duas outras notas bastante comuns, as notas 5 e 3. Atribuímos os sucessos na resposta principal- mente à presença da palavra paranoia, que certamente foi reconhecida. As notas 3 surgiram de descontos de pontos a cada inadequação ou impropriedade no entendimento do fenômeno em questão – chover mais nos fins de semana – como, por exemplo: • respostas que diziam que choveu mais no fim de semana; • respostas que diziam que as chuvas são piores, ou que há tempestades nos finais de semana; • respostas que restringiam a crença de que chove mais nos finais de semana exclusivamente à costa leste da América do Norte. Exemplos de nota 1. A crença que costuma chover mais nos finais de semana que durante a semana. acima da média 2. O fato do sábado ser o dia mais chuvoso da semana. 3. Que chove mais aos sábados. Tente identificar, nas respostas abaixo, o que não está exatamente de acordo com a resposta esperada: 1. de que há mais tempestades nos finais de semana de nos outros dias. 2. Choveu todos os dias e choveu mais no fim de semana do que nos outros dias. QUESTÃO 23 O que aconteceria, segundo esses mesmos cientistas, com os furacões aos sábados? Resposta Ficam mais fracos. esperada Comentários Trata-se aqui da atribuição de um significado para blustery, principalmente. Uma questão como essa, em que se pede significado para uma palavra, deve incidir necessariamente sobre palavras que não sejam conhe- cidas entre os alunos do segundo grau, de modo que a resposta venha de um trabalho com o texto, venha necessariamente pela leitura. A questão era difícil e, de fato, muitos ou deixaram de responder ou não conse- guiram chegar a uma resposta minimamente satisfatória, ficando com nota zero. Mesmo assim, houve um número muito grande de respostas com nota máxima. A resposta estava relacionada ao entendimento exigido para a resposta à questão anterior, relação dada pelo on the other hand e completada pelo least. Além disso, mais uma vez era indispensável ler that day como referente a sábado (tarefa facílima aqui, mesmo porque sábado é o único dia mencionado). Não se pergunta nada diretamente sobre o segundo parágrafo, que discorre sobre a causa de ambos os fenômenos – chuvas e furacões. Portanto, esperava-se que os candidatos não incluíssem as informações que pudessem obter aí, mostrando perfeito entendimento das questões (que, lembramos, são apresentadas em português!) e mostran- do ainda que entendem pelo menos que o segundo parágrafo não diz respeito ao que se pergunta. Uma vez incluídas as informações do segundo parágrafo, para serem consideradas, elas não deveriam apresentar qual- quer problema de compreensão. Receberam nota 5 respostas em que se afirmava que os furacões nos finais de semana seriam: • mais fracos; • menos violentos; • menos destruidores; 148
  • 149.
    Inglês • menos perigosos; • menos rigorosos; • mais amenos; • menos fortes ou, ainda, • mais calmos. Exemplos de nota 1. Segundo os cientistas, os ventos gerados por um furacão aos sábados é bem menos veloz e conseqüen- acima da média temente destruidor do que um furacão gerado durante os dias úteis da semana, fato este também expli- cado pela maior concentração de ar poluído nos finais de semana, o que acaba por alterar o miniclima da região e conseqüentemente a intensidade dos fenômenos da natureza. 2. Segundo esses mesmos cientistas, aos sábados os ventos dos furacões são menos destrutivos. Observa- ção: pelo contexto, sobretudo pela expressão “on the other hand”, essa mesma população que sofre com as chuvas aos sábados não sofrerá tanto com os ventos dos furacões. “The wind will be least blustery on that day”. 3. O vento dos furacões aos sábados seriam menos “blustery”. → Senhor corretor, pelo contexto acho que esse termo quer dizer violentos, mas desconheço o real significado dessa palavra. Leia a conversa entre Jack (The Pumpkinhead) e o espantalho (The Scarecrow), retirada de O Mágico de Oz, de L.F. Baum (1856-1919) e responda à questão 24. The King was the first to speak. After regarding Jack for some minutes he said, in a tone of wonder: “Where on earth did you come from, and how do you happen to be alive?” “I beg your Majesty’s pardon,” returned the Pumpkinhead; “but I do not understand you.” “What don’t you understand?” asked the Scarecrow. “Why, I don’t understand your language. You see, I came from the Country of the Gillikins, so that I am a foreigner.” “Ah, to be sure!” exclaimed the Scarecrow. “I myself speak the language of the Munchkins, which is also the language of the Emerald City. But you, I suppose, speak the language of the Pumpkinheads?” “Exactly so, your Majesty,” replied the other, bowing; “so it will be impossible for us to understand one another.” “That is unfortunate, certainly,” said the Scarecrow, thoughtfully. “We must have an interpreter.” “What is an interpreter?” asked Jack. “A person who understands both my language and your own. When I say anything, the interpreter can tell you what I mean; and when you say anything the interpreter can tell me what you mean. For the interpreter can speak both languages as well as understand them.” “That is certainly clever,” said Jack, greatly pleased at finding so simple a way out of the difficulty. So the Scarecrow commanded the Soldier with the Green Whiskers to search among his people until he found one who understood the language of the Gillikins as well as the language of the Emerald City, and to bring that person to him at once. QUESTÃO 24 O que há de estranho no diálogo entre os dois personagens da passagem acima? Resposta O que é estranho é eles dizerem que precisam de um intérprete quando é possível perceber que se esperada entendem perfeitamente bem. Comentários O que é estranho é The Pumpkinhead e The Scarecrow, O Cabeça de Abóbora e O Espantalho, dizerem que precisam de um intérprete, quando mostram, através de sua conversa, que se entendem perfeitamente bem. Exige-se aqui mais a compreensão do texto como um todo e menos a compreensão de trechos específi- cos que envolvam determinadas estruturas características da língua inglesa, ou mesmo a atribuição de signi- ficado a alguns itens lexicais determinados. Particularmente neste trecho, há muitos nomes que entrecortam a leitura (The King, The Pumpkinhead, The Country of Gillikins, The Scarecrow, The Soldier with the green whiskers, e ainda Jack, Munchkins, Emerald City) além da forma de tratamento Your Majesty, o que poderia dar um certo trabalho logo à primeira 149
  • 150.
    Inglês vista. Inicialmente, é possível que o leitor se sentisse perdido diante de tantos nomes. Entretanto, a questão incidia exatamente sobre a outra dificuldade de leitura do trecho: o fato de os personagens enunciarem a necessidade de um intérprete, quando na verdade não precisam de nenhum, dado que mostram se entender mutuamente perfeitamente bem. Desnecessário dizer que a recorrência da estranheza dá-se na recorrência de understand (“I do not understand you”, “what don´t you understand”, “why, I don´t understand your language”, etc), language, foreigner e interpreter. Os candidatos bem-sucedidos certamente fizeram uso do texto como um todo para obter a resposta. Exemplos de nota 1. O estranho é que os dois se comunicam no diálogo afirmando que não falam a mesma língua e que ainda acima da média precisam de tradutor. 2. O fato de estarem conversando, “se entendendo” e mesmo assim procuram um intérprete. 3. Jack diz que não entende o que o espantalho diz pois fala outra língua e este aceita a justificativa. Porém ambos conversam normalmente sem precisar de intérprete. Quanto aos mal sucedidos, de modo geral, o que se notou é que se iludiram pela presença de understand, palavra certamente bastante conhecida do aluno do segundo grau, além de terem se apoiado em foreigner e em interpreter, o que acabou determinando a conclusão de que os personagens não se entendiam... Ou ainda, que se entendiam, mas falavam línguas diferentes. Veja os exemplos abaixo: 1. Que embora falem línguas diferentes, eles se entendem. 2. Cada personagem do texto acima, fala uma língua diferente tornando-se impossível a comunicação. Se você seguiu o raciocínio exposto aqui para a correção de cada uma das questões, percebeu que, embora Últimas palavras todas elas sejam questões de avaliação de seu desempenho na leitura de textos em inglês, são de nível de exigência bastante variado. As questões não avaliam, lembre-se, outras coisas, como por exemplo sua capa- cidade de escrever em inglês ou mesmo seus conhecimentos explícitos da gramática dessa língua. Mas, se por um lado, nem sempre a proficiência em uma língua estrangeira é suficiente para a leitura de um texto nessa língua, por outro, muitas questões aproveitam propositalmente conhecimentos de língua, gramaticais muitas vezes, que você possa ter. Em contrapartida, há vários lugares na prova dedicados à discriminação e, portanto, à classificação de candidatos que eventualmente, por razões diversas, conheçam pouco a língua inglesa, já que, mesmo assim, podem empreender um trabalho de leitura a partir desse pouco. É bom lembrar também que as notas atribu- ídas a cada questão variam de zero a cinco; só não é possível mostrá-las todas aqui. 150
  • 151.
  • 152.
    Provas de aptidão Para os candidatos aos cursos de Educação Artística, Arquitetura e Urbanismo e Odontologia, além das provas comuns da 1ª e 2ª Fase, são ainda exigidas provas de aptidão. Apresentamos a seguir as provas do Vestibular 2000 para que você possa conhecer melhor o que é esperado dos candidatos em cada uma das provas de aptidão da Unicamp. Arquitetura e Urbanismo QUESTÃO 1 As informações pertinentes à questão (anexo I) são duas: • A primeira delas é o projeto esquemático do traje com o título de “NEW LOOK p. VERÃO - 2 PEÇAS” produzido pelo arquiteto e artista Flávio de Carvalho em 1956, que corresponde, em nossa prova, a uma informação gráfica. • A segunda, a foto do autor vestindo o traje e caminhando pelas ruas de São Paulo (1956), sendo acompanhado pelos transeuntes e pela imprensa, corresponde a uma informação fotográfica do evento. Anexo I In Flávio de Carvalho e A Volúpia da Forma, Luiz Carlos Daher, 1984, São Paulo. In Flávio de Carvalho 100 anos de um revolucionário romântico/curadoria Denise Mattar, 1999, Rio de Janeiro. A partir destas informações e exclusivamente com a técnica de grafite série B, o candidato deverá realizar sua composição gráfica no papel recebido, relacionando as duas informações fornecidas. Observação: A composição do candidato deverá estar baseada unicamente nas informações dadas. Não serão considerados outros trabalhos ou conhecimentos do candidato sobre a obra de Flávio de Carvalho que não estejam contidos na prova. QUESTÃO 2 Breve Histórico: O concurso internacional para o “Farol de Colombo” (1928), teve a participação de mais de 1.400 arquite- tos. “Esse concurso foi realizado em duas etapas (eliminatórias em 1928 e final em 1931) e nele Flávio de Carvalho obteve menção honrosa.”... “O projeto de Flávio para esse Concurso, que homenageava o desco- bridor da América, era notável. Compunha-se de duas plataformas gigantescas, travadas por 2 ...“templos egípcios”... que também lembravam a primeira letra do alfabeto! Em seu centro, o patamar superior recebia um aglomerado de edifícios prismáticos, simetricamente dispostos; ao meio, emergia a grandiosa torre do Farol, com 160 metros de altura. Percebe-se, na elevação frontal e na perspectiva, certa ambigüidade futurista: a composição assemelha-se ora a um transatlântico, ora a um brinquedo de armar; a cortina de 152
  • 153.
    Provas de aptidão arcos, desta vez completa, por vezes lembra um apoio centopéico, desproporcionalmente frágil, de um imenso bicho mecânico”. Texto de Luiz Carlos Daher, “Flávio de Carvalho: arquitetura e expressionismo”; Projeto Editores; São Paulo, 1982; pp. 38-39. Anexo II In Flávio de Carvalho e A Volúpia da Forma, Luiz Carlos Daher, 1984, São Paulo. A partir dos elementos arquitetônicos fornecidos pelo “Projeto do Farol de Colombo” de autoria de Flávio de Carvalho (anexo II), pede-se ao candidato (após a identificação dos principais sólidos geométricos, como também de sua estruturação no espaço, ou seja, as relações espaciais entre eles) executar, graficamente no papel recebido, usando as técnicas de perspectiva e lápis de cor, exclusivamente, uma composição volumé- trica de sua autoria, a partir dos sólidos geométricos mencionados acima. Educação Artística P R O VA D E H I S T Ó R I A D A A R T E Escolha TRÊS das cinco questões que seguem: 1. Em conferência pronunciada em abril de 1942 sobre o Movimento Modernista, Mário de Andrade decla- rou que “a convulsão profundíssima da realidade brasileira” ocorrida após a realização da Semana de Arte Moderna foi conseqüência da fusão, no movimento em questão, de três princípios fundamentais: “o direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabiliza- ção de uma consciência criadora nacional”. Comente tal afirmação relacionando-a à obra de três dos maiores pintores brasileiros desse período: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Portinari. 2. Escreva sobre Flávio de Carvalho. 3. “Monet era apenas um olho, mas que olho!”, afirmou o pintor Cézanne sobre seu amigo Claude Monet. Em que sentido essa afirmação ilustra as diferentes visões desses dois pintores sobre a arte? Comente ainda as principais características do Movimento Impressionista. 4. “A visão de Guernica é a visão da morte em ação; o pintor não assiste ao fato com terror e piedade, mas está dentro do fato, não celebra nem se compadece das vítimas, mas está entre as vítimas. Com ele morre a arte, a civilização ‘clássica’, a arte e a civilização cuja meta era o conhecimento, a compreensão plena da natureza e da história. (...) Com Les demoiselles d’Avignon, Picasso detonava, desintegrava a linguagem tradicional da pintura; com Guernica, detonava a linguagem cubista (...)”. Comente essa afirmação do crítico e historiador da arte Giulio Carlo Argan, comparando Guernica, realizada em 1937, com o trabalho anterior de Pablo Picasso. 5. O que sabe sobre os diversos tipos de Abstracionismo surgidos na arte européia no imediato pós-guerra, e dos seus desdobramentos entre fins dos anos 1940 e os anos 1970 na arte brasileira? 153
  • 154.
    Provas de aptidão PR O VA D E D E S E N H O Primeira parte: Com os sólidos recebidos (um cubo, três prismas e uma lâmina retangular flexível), realize uma composição espacial através de qualquer combinação entre todos eles. Segunda parte: Execute, na folha de canson fornecida (A3, 180 g) e utilizando grafite (da série B), um desenho de observa- ção da composição realizada na primeira parte, desenho esse em que sejam trabalhados efeitos de luz e sombra. OBSERVAÇÕES: • Será avaliada a capacidade do candidato na criação tridimensional, quanto à composição, à representa- ção gráfica e ao emprego dos efeitos de luz, sombra e perspectiva. P R O VA D E E X P R E S S Ã O G R Á F I C A , F O R M A S E C O R E S Utilizando uma, duas ou as três figuras geométricas das faces dos sólidos recebidos (triângulo, quadrado e retângulo), crie, no interior da circunferência já traçada na folha de papel canson (A3, 180 g), uma compo- sição cromática que expresse valores de equilíbrio, contraste e policromia. Nessa composição as figuras poderão ser inteiras ou seccionadas e estar presentes na quantidade, no tamanho e na proporção desejadas. Tal trabalho deverá ser executado com os lápis de cor fornecidos, podendo ser realizado com instrumentos de desenho (esquadros, régua etc.) ou à mão livre. OBSERVAÇÕES: • Será avaliada a capacidade do candidato para a utilização cromática de tons (valores) e matizes (nuan- ças), bem como o equilíbrio gráfico das formas na composição. • Ao final, deixe sobre a mesa os seus trabalhos, bem como os sólidos e a caixa de lápis de cor. Odontologia A P R OVA D E A P T I D Ã O INSTRUÇÕES 1. Você está recebendo um bloco de cera especial para escultura (Fig.1); 2. Utilize, em todos os passos, a régua milimetrada e a ponta da espátula, para delimitar os contornos e medidas propostas; 3. Com auxílio da espátula alise as faces do bloco até reduzir seu tamanho. (Fig. 2); 4. Marque na face lisa as 2 porções que compõem o bloco, nas medidas de 20mm cada, respectivamente, (Fig. 2); 5. Em seguida, desenhe em uma das faces lisa os contornos da peça a ser esculpida (Fig. 2); 6. Comece então a esculpir (Fig. 3); 7. As figuras 04, 05, 06 e 07 representam a escultura em linguagem técnica, que poderão ajudá-lo; 8. Se desejar empregar outra técnica, você poderá usá-la. 9. A duração desta prova é de 02 (duas) horas. 154
  • 155.
  • 156.
    Desempenho dos candidatos Tabela 1 – Totais e Porcentagens de Provas e Anulações por Tema de Redação – Segundo as Áreas TEMA Total (Área) A B C Branco Área (1) (1) (1) (1) (1) N Anul. N Anul. N Anul. N Anul. N Anul. (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) 12.265 43 1.763 83 2.266 85 103 103 16.757 314 Exatas 73,19 0,26 10,52 0,50 13,52 0,51 0,61 0,61 100,00 1,87 4.298 22 603 28 845 28 46 46 5.792 124 Humanas 74,21 0,38 10,41 0,48 14,59 0,48 0,79 0,79 100,00 2,14 854 4 200 7 126 8 9 9 1.189 28,00 Artes 71,83 0,34 16,82 0,59 10,60 0,67 0,76 0,76 100,00 2,35 14.252 47 1.466 62 2.473 76 73 73 18.264 258 Biológicas 78,03 0,26 8,03 0,34 13,54 0,42 0,40 0,40 100,00 1,41 Total 32.029 116 4.032 180 5.710 197 231 231 42.002 724 (Tema) 76,26 0,28 9,60 0,43 13,59 0,47 0,55 0,55 100,00 1,72 (1) N = número de candidatos presentes. Tabela 2 – Média e Desvio-Padrão (D.P da Prova de Redação Por Tema e Área – Fase I (Escala: [0–100]) .) TEMA Área (1) A B C (N) (1) (1) (1) N Média D.P. N Média D.P. N Média D.P. Exatas 12.582 47,72 7,92 1.680 48,32 8,68 2.181 51,48 8,20 (16.757) Humanas 4.276 49,20 7,84 575 51,16 8,84 817 53,24 7,44 (5.792) Artes 850 47,16 8,16 193 49,84 7,88 118 50,56 8,48 (1.189) Biológicas 14.205 49,48 7,88 1.404 48,88 9,20 2.397 53,00 8,28 (18.264) Total 31.913 48,68 7,96 3.852 49,00 8,92 5.513 52,40 8,16 (42.002) (1) N = número de candidatos presentes, excluindo as provas em branco (231). Tabela 3 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Questões da Fase I – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 16.757 N = 5.792 N = 1.189 N = 18.264 N = 42.002 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 01 (Bio) 1,64 1,24 1,44 1,24 1,23 1,18 1,99 1,32 1,75 1,29 02 (Bio) 1,26 1,17 1,04 1,10 0,91 1,03 1,73 1,36 1,42 1,28 03 (Quí) 1,58 1,43 1,08 1,21 0,86 5,00 1,88 1,57 1,62 1,48 04 (Quí) 0,63 0,80 0,42 0,65 0,29 0,54 0,80 0,81 0,66 0,79 05 (Geo) 1,99 1,26 2,09 1,33 1,70 1,18 2,25 1,33 2,11 1,31 06 (Geo) 2,17 1,24 2,25 1,25 1,96 1,19 2,29 1,23 2,23 1,24 07 (Fís) 1,14 1,37 0,62 1,04 0,43 0,81 1,20 1,37 1,07 1,34 08 (Fís) 1,26 1,46 0,70 1,15 0,41 0,86 1,32 1,46 1,19 1,43 09 (His) 2,11 1,62 2,27 1,71 1,96 1,68 2,44 1,67 2,27 1,66 10 (His) 0,56 0,97 0,62 1,03 0,50 0,88 0,59 0,98 0,58 0,98 11 (Mat) 1,70 2,14 1,02 1,80 0,66 1,48 1,51 2,06 1,49 2,06 12 (Mat) 3,30 1,68 2,65 1,77 2,51 1,76 3,22 1,72 3,15 1,73 (1) N = número de candidatos presentes 156
  • 157.
    Desempenho dos candidatos Tabela4 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Provas da Fase I – Por Área (Escala: [0–100]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral (1) (1) (1) (1) (1) Prova N = 16.757 N = 5.792 N = 1.189 N = 18.264 N = 42.002 Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Redação 47,40 10,40 48,92 10,76 46,80 10,92 49,20 10,00 48,36 10,32 Questões 32,23 16,65 27,00 15,72 22,40 12,68 35,35 18,18 32,58 17,42 Fase I 43,41 13,34 40,81 13,25 37,07 11,82 46,22 13,78 44,09 13,67 (1) N = número de candidatos presentes. Tabela 5 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II .) Prova de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa – Por Área (Escala: [0–5]) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.645 N = 1.915 N = 393 N = 5.150 N = 14.103 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 01 2,90 1,33 2,89 1,31 2,83 1,35 3,07 1,32 2,96 1,32 02 3,05 1,02 3,22 0,98 3,06 1,10 3,19 0,95 3,13 0,99 03 3,10 1,34 3,24 1,33 3,14 1,38 3,24 1,34 3,17 1,34 04 3,65 1,09 3,79 1,04 3,57 1,09 3,83 1,06 3,73 1,08 05 2,75 1,20 2,84 1,19 2,85 1,15 2,93 1,16 2,83 1,19 06 3,32 0,99 3,39 0,95 3,31 1,01 3,47 0,96 3,38 0,98 07 1,47 1,64 1,87 1,79 1,50 1,64 2,29 1,85 1,82 1,78 08 1,09 1,60 1,43 1,74 1,05 1,60 1,91 1,84 1,43 1,75 09 1,19 1,12 1,41 1,16 1,09 1,17 1,69 1,16 1,40 1,17 10 1,20 1,43 1,31 1,48 1,05 1,34 1,73 1,57 1,40 1,51 11 0,61 1,00 0,76 1,09 0,54 0,94 0,99 1,26 0,77 1,13 12 1,89 0,87 2,03 0,83 1,87 0,84 2,11 0,93 1,99 0,89 Tabela 6 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II .) Prova de Ciências Biológicas – Por Área (Escala: [0–5]) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.645 N = 1.915 N = 393 N = 5.150 N = 14.103 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 13 3,65 1,33 3,49 1,36 2,87 1,39 4,42 0,83 3,89 1,25 14 2,03 1,01 1,99 0,98 1,68 1,05 2,54 0,97 2,20 1,03 15 2,47 1,23 2,29 1,19 2,09 1,14 3,34 1,00 2,75 1,23 16 0,78 1,16 0,59 1,04 0,35 0,84 2,15 1,48 1,24 1,44 17 2,18 1,20 2,04 1,16 1,85 1,15 2,58 1,20 2,30 1,21 18 3,02 1,15 2,85 1,13 2,44 1,17 3,58 0,97 3,19 1,13 19 1,26 1,34 1,00 1,21 0,61 1,00 2,65 1,52 1,72 1,56 20 0,82 1,01 0,71 0,93 0,52 0,83 1,59 1,31 1,08 1,18 21 2,00 1,47 1,59 1,37 1,27 1,37 3,10 1,37 2,33 1,54 22 1,06 1,36 0,73 1,17 0,41 0,91 2,00 1,47 1,34 1,46 23 1,39 0,97 1,22 0,95 1,03 0,85 1,87 1,15 1,53 1,07 24 2,57 1,62 2,26 1,61 1,78 1,58 3,78 1,28 2,95 1,63 (1) N = número de candidatos presentes 157
  • 158.
    Desempenho dos candidatos Tabela 7 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Química – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.600 N = 1.895 N = 389 N = 5.125 N = 14.009 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 01 1,25 1,42 0,57 1,06 0,32 0,78 2,07 1,57 1,43 1,52 02 1,18 1,29 0,69 0,92 0,49 0,72 1,64 1,47 1,26 1,35 03 0,89 1,28 0,46 0,91 0,31 0,68 1,43 1,53 1,01 1,37 04 2,12 1,10 1,89 1,10 1,63 1,08 2,27 1,12 2,13 1,11 05 1,85 1,37 1,18 1,25 0,78 1,10 2,41 1,41 1,93 1,44 06 2,98 1,40 2,46 1,39 2,17 1,38 3,43 1,25 3,05 1,39 07 0,86 1,29 0,42 0,94 0,29 0,75 1,41 1,54 0,99 1,39 08 1,22 1,49 1,25 1,50 1,31 1,52 1,43 1,52 1,30 1,51 09 1,02 1,08 0,72 0,76 0,59 0,62 1,48 1,36 1,13 1,18 10 1,72 1,77 0,78 1,29 0,42 0,98 2,44 1,87 1,82 1,83 11 1,40 1,30 0,76 0,98 0,55 0,79 1,75 1,35 1,42 1,32 12 1,32 1,50 0,63 1,05 0,40 0,78 2,11 1,76 1,49 1,63 (1) N = número de candidatos presentes Tabela 8 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de História – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.600 N = 1.895 N = 389 N = 5.125 N = 14.009 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 13 3,25 1,68 3,58 1,54 2,88 1,76 3,65 1,48 3,43 1,61 14 1,28 1,27 1,72 1,51 1,04 1,06 1,62 1,42 1,46 1,37 15 3,12 1,36 3,46 1,25 2,89 1,51 3,45 1,23 3,28 1,31 16 2,1 1,32 2,49 1,29 2,04 1,34 2,47 1,26 2,29 1,31 17 3,21 1,16 3,46 1,04 2,93 1,15 3,64 1,02 3,40 1,12 18 3,23 1,24 3,51 1,10 3,24 1,26 3,45 1,15 3,35 1,20 19 1,81 1,06 2,14 1,11 1,64 1,03 2,20 1,07 1,99 1,09 20 1,84 1,45 1,89 1,49 1,63 1,48 2,02 1,50 1,91 1,48 21 0,64 0,84 0,87 0,93 0,46 0,68 0,91 0,96 0,77 0,90 22 1,45 1,08 1,79 1,21 1,28 0,99 1,80 1,20 1,62 1,16 23 1,58 1,33 2,00 1,37 1,70 1,42 2,02 1,38 1,80 1,37 24 2,19 1,43 2,54 1,37 2,04 1,42 2,50 1,36 2,34 1,41 (1) N = número de candidatos presentes Tabela 9 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Física – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.574 N = 1.886 N = 386 N = 5.100 N = 13.946 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 01 3,85 1,52 3,25 1,73 2,77 1,78 4,13 1,29 3,84 1,52 02 2,89 2,03 1,50 1,88 1,15 1,68 3,18 1,95 2,76 2,06 03 2,09 1,71 1,23 1,47 0,79 1,20 2,21 1,60 1,98 1,67 04 2,98 1,81 1,84 1,79 1,22 1,54 3,34 1,65 2,91 1,83 05 1,64 1,39 0,96 1,05 0,62 0,86 1,87 1,34 1,61 1,36 06 1,62 1,84 0,70 1,24 0,42 0,97 1,58 1,77 1,45 1,76 07 2,41 2,29 1,12 1,89 0,62 1,48 2,97 2,24 2,39 2,30 08 2,2 1,32 1,43 1,37 1,03 1,28 2,37 1,19 2,12 1,33 09 2,23 1,98 1,16 1,67 0,61 1,29 2,46 1,86 2,12 1,94 10 0,97 1,28 0,32 0,81 0,14 0,53 1,08 1,24 0,90 1,23 11 1,35 1,63 0,50 1,04 0,35 0,87 1,28 1,45 1,18 1,51 12 1,1 1,56 0,32 0,87 0,18 0,57 1,26 1,59 1,03 1,51 (1) N = número de candidatos presentes 158
  • 159.
    Desempenho dos candidatos Tabela10 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Geografia – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.574 N = 1.886 N = 386 N = 5.100 N = 13.946 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 13 2,68 0,85 2,94 0,85 2,69 0,99 2,94 0,78 2,81 0,84 14 1,90 1,39 2,33 1,52 1,56 1,44 2,10 1,46 2,02 1,45 15 3,30 0,85 3,45 0,80 3,17 0,89 3,51 0,80 3,39 0,84 16 2,35 1,30 2,44 1,32 2,13 1,31 2,89 1,15 2,55 1,28 17 3,58 0,95 3,74 0,92 3,43 1,02 3,84 0,82 3,69 0,91 18 2,66 0,88 2,96 0,86 2,68 0,89 2,96 0,83 2,81 0,87 19 2,86 0,82 3,17 0,78 2,95 0,79 3,15 0,76 3,01 0,80 20 1,81 0,83 2,10 0,89 1,69 0,87 2,15 0,87 1,97 0,87 21 1,75 0,98 1,98 0,95 1,77 0,93 2,16 0,95 1,93 0,98 22 0,70 0,76 0,97 0,98 0,61 0,77 0,99 0,92 0,84 0,86 23 1,97 1,48 2,35 1,49 1,56 1,41 2,39 1,41 2,16 1,47 24 2,11 1,09 2,28 1,11 2,00 1,20 2,46 0,97 2,26 1,07 (1) N = número de candidatos presentes Tabela 11 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Matemática – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.554 N = 1.883 N = 384 N = 5.089 N = 13.910 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 01 4,00 1,75 3,70 1,95 3,12 2,18 4,03 1,70 3,94 1,78 02 3,06 2,17 2,37 2,16 1,66 1,92 3,38 2,08 3,04 2,17 03 1,52 1,79 1,12 1,60 0,81 1,42 1,59 1,77 1,47 1,76 04 3,87 1,41 3,62 1,45 3,24 1,51 3,92 1,36 3,84 1,41 05 2,00 1,32 1,49 1,12 1,18 0,93 2,20 1,26 1,98 1,29 06 3,46 1,81 2,43 1,95 1,67 1,74 3,79 1,60 3,39 1,83 07 1,27 1,51 0,69 1,17 0,35 0,79 1,50 1,60 1,25 1,52 08 1,04 1,49 0,47 1,05 0,15 0,60 1,11 1,48 0,96 1,44 09 1,67 1,29 1,28 1,01 0,99 0,66 1,87 1,35 1,67 1,28 10 0,82 1,09 0,47 0,79 0,30 0,64 0,73 1,00 0,73 1,02 11 1,91 1,78 1,13 1,53 0,57 1,20 2,17 1,71 1,86 1,75 12 0,30 0,93 0,10 0,48 0,01 0,15 0,32 0,93 0,27 0,87 (1) N = número de candidatos presentes. Tabela 12 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Questões da Fase II – Prova de Inglês – Por Área (Escala: [0–5]) .) Exatas Humanas Artes Biológicas Geral Área (1) (1) (1) (1) (1) N = 6.523 N = 1.857 N = 380 N = 5.075 N = 13.835 Questão Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. Média D.P. 13 3,06 1,87 3,12 1,86 3,08 1,82 3,48 1,76 3,23 1,84 14 2,49 2,29 2,68 2,29 2,36 2,32 2,88 2,26 2,66 2,29 15 3,09 1,70 3,03 1,63 3,06 1,75 3,59 1,48 3,26 1,64 16 3,29 1,63 3,36 1,52 3,15 1,63 3,79 1,37 3,48 1,55 17 2,81 1,64 2,91 1,66 2,79 1,63 3,19 1,50 2,96 1,61 18 0,99 1,12 1,18 1,24 0,99 1,19 1,39 1,25 1,16 1,20 19 2,18 1,57 2,27 1,54 1,99 1,42 2,63 1,61 2,35 1,59 20 3,20 1,68 3,31 1,62 3,04 1,71 3,66 1,46 3,38 1,61 21 2,02 1,51 2,19 1,55 2,05 1,66 2,48 1,48 2,21 1,52 22 3,15 2,18 3,24 2,10 2,94 2,22 3,62 1,93 3,33 2,10 23 1,74 2,32 1,74 2,31 1,03 1,93 2,15 2,39 1,87 2,35 24 2,85 1,96 3,18 1,88 3,17 1,93 3,43 1,75 3,12 1,89 (1) N = número de candidatos presentes. 159
  • 160.
    .) Tabela 13 – Média e Desvio-Padrão (D.P das Notas das Provas da Fase II – Por Grupo (Escala: [0–100]) 160 Português Biologia Química História Física Geografia Matemática Inglês (1) (1) (1) (1) (1) Cód Cursos N . Média D.P Média D.P. N . Média D.P Média D.P. N . Média D.P Média D.P. N Média D.P. N Média D.P. Grupo: Ciências Exatas e Tecnológicas 2 Estatística 278 35,35 10,20 23,78 11,18 272 15,60 10,15 33,12 11,70 270 18,75 15,10 36,97 10,82 267 26,52 14,07 267 38,57 25,17 8 Eng. Agríc. 196 37,40 10,13 31,42 11,78 194 19,90 10,52 37,30 11,88 193 25,62 16,55 41,20 10,10 191 29,85 13,75 190 37,65 23,75 10 Eng. Mec. 375 43,82 10,63 43,18 11,87 373 35,10 13,40 45,17 10,57 371 53,35 16,38 49,23 8,53 370 49,00 14,27 370 54,62 20,52 12 Eng. Civil 214 43,95 10,78 40,07 11,93 214 31,47 13,12 44,53 10,50 213 48,48 16,08 48,13 8,43 213 47,42 13,47 213 54,08 21,33 13 Eng. Alim. (D) 414 48,55 10,80 46,37 11,20 412 34,45 12,57 46,53 10,77 411 44,12 15,88 48,05 8,28 411 46,43 13,33 408 59,72 18,95 Desempenho dos candidatos 29 Mat. Lic. (N) 137 37,17 10,27 22,57 12,85 133 14,60 8,82 32,00 11,00 134 19,90 17,05 35,98 8,57 133 27,63 14,48 132 25,77 21,07 34 Eng. Comput. (D) 878 46,60 11,10 44,28 12,67 878 35,75 14,78 46,70 11,62 873 54,75 18,83 48,77 8,85 870 49,50 14,78 868 61,50 18,72 40 Física (N) 91 41,50 9,32 36,35 12,03 89 26,85 12,27 42,38 11,27 90 44,62 17,70 44,90 8,60 90 36,45 13,33 90 43,15 24,48 42 C. Comput. (N) 593 46,40 11,38 42,13 12,88 589 31,93 14,10 44,75 12,10 589 48,63 19,55 48,02 9,27 587 47,13 14,65 587 60,43 19,25 43 Eng. Alim. (N) 99 51,92 12,40 44,10 12,85 99 33,32 13,23 47,40 10,75 98 38,65 17,22 49,10 7,43 98 41,18 11,75 98 53,40 18,95 49 Eng.Cont Aut (N) 458 44,28 10,58 43,40 13,03 453 36,53 14,45 45,00 11,00 451 55,67 18,23 48,55 8,92 450 50,82 15,33 447 56,72 20,88 51 Fís./Mat./MAC(D) 424 42,10 11,80 34,72 13,60 423 24,63 12,58 39,72 12,47 421 40,12 21,13 43,70 9,85 421 39,57 16,02 417 44,00 25,15 Grupo: Engenharia Elétrica 11 Eng. Elétrica (D) 610 46,53 11,28 44,77 12,50 610 38,00 14,35 46,05 11,38 608 58,98 18,33 48,87 8,78 608 52,68 15,35 606 57,77 20,73 41 Eng. Elétrica (N) 115 47,25 12,27 39,67 12,43 115 30,22 11,83 45,12 11,53 115 57,62 18,77 47,45 8,28 115 48,18 13,50 115 51,68 21,28 Grupo: Engenharia Química 9 Eng. Química (D) 360 47,67 10,93 45,53 12,60 359 39,08 14,15 45,20 11,27 358 46,78 17,65 48,03 8,87 358 47,55 14,50 358 57,00 20,08 39 Eng. Química (N) 92 49,08 11,88 41,58 14,18 91 36,48 11,67 45,20 10,52 91 37,75 18,33 49,78 7,80 91 39,70 12,58 90 44,73 19,08 Grupo: Tecnologias 31 Tec. Sanitária (N) 292 30,28 10,52 17,72 12,07 289 10,90 7,72 28,00 13,50 286 7,63 9,82 33,75 12,30 286 14,97 10,75 284 26,75 24,10 36 Tec. Cons. Civil (N) 148 28,07 11,00 14,27 10,33 146 9,33 6,65 23,38 12,48 146 8,07 12,38 29,32 12,23 147 14,72 11,60 145 20,58 24,43 37 Tec. Inform. (N) 130 38,37 9,22 28,63 11,75 129 16,28 9,52 38,15 12,57 129 20,05 16,22 46,43 8,50 129 26,45 13,82 129 40,22 22,95 Grupo: Química 5 Química (D) 206 44,92 10,63 43,52 12,10 205 32,08 12,65 42,30 11,62 203 33,35 16,92 47,63 9,02 202 34,63 13,57 201 49,77 21,65 Grupo: Química Tecnológica 50 Quím. Tec. (N) 87 46,10 10,88 35,27 10,97 84 32,07 12,68 41,13 9,98 83 23,42 12,67 44,67 7,73 83 27,62 11,53 80 43,73 21,73 Grupo: Ciências da Terra 52 Geol/Geog Bac (D) 89 41,88 11,78 33,80 11,45 89 16,93 9,12 46,65 10,70 89 19,30 14,62 52,15 8,13 89 24,45 12,85 86 45,85 23,77 55 Geog. Lic. Bac. (N) 111 37,45 9,95 23,83 11,42 109 10,18 6,50 42,13 11,12 109 10,25 10,83 47,25 8,67 105 16,70 9,72 105 36,15 23,80 Grupo: Arquitetura e Urbanismo 48 Arq. Urban. (N) 248 48,88 9,93 42,22 10,98 245 25,63 10,52 51,82 10,27 243 41,58 15,35 49,72 8,77 240 39,73 13,55 237 61,78 19,38 Grupo: Ciências Humanas 16 C. Sociais (D) 143 50,63 10,87 36,15 11,52 142 20,38 11,53 53,12 11,03 142 23,23 15,27 56,80 10,15 142 31,08 11,65 142 64,28 18,78 44 C. Sociais (N) 143 47,53 11,03 29,63 11,30 143 14,33 7,90 49,12 10,05 143 14,58 12,82 53,58 10,17 143 21,60 10,93 140 46,33 23,27 19 História 109 48,82 10,43 40,58 11,37 108 20,27 10,22 56,53 10,58 106 23,70 14,65 55,33 9,15 106 29,72 13,62 106 56,60 19,13 57 Letras Lic. (N) 84 49,92 12,23 26,47 10,15 83 13,32 7,43 47,22 11,63 83 11,67 11,05 47,57 9,27 83 20,23 10,70 82 51,78 23,80 07 Letras Lic. Bach. (D) 84 55,03 11,33 37,93 12,52 81 19,43 9,32 51,37 9,02 80 18,97 11,65 51,43 8,45 80 27,27 9,83 76 65,50 17,42 18 Lingüística Bach (D) 69 44,15 12,25 23,58 10,50 68 11,98 6,10 42,63 13,15 67 9,73 11,72 44,18 10,00 67 20,42 11,43 64 57,60 22,37 20 Pedagogia (D) 138 43,27 11,53 25,68 11,45 137 13,50 6,48 41,63 11,12 136 10,80 8,27 39,88 9,43 136 18,98 10,02 134 38,93 21,42 38 Pedagogia (N) 135 44,27 10,85 20,70 9,22 135 10,23 5,00 40,13 11,38 134 6,87 6,37 39,65 9,03 134 16,65 8,38 131 32,60 21,90 v
  • 161.
    v Português Biologia Química História Física Geografia Matemática Inglês (1) (1) (1) (1) (1) Cód Cursos N . Média D.P Média D.P. N . Média D.P Média D.P. N . Média D.P Média D.P. N Média D.P. N Média D.P. Grupo: Filosofia 30 Filosofia 93 43,42 12,48 25,20 12,15 90 13,65 9,05 43,10 12,70 89 14,60 16,62 29,25 7,02 89 23,32 11,92 85 52,60 25,92 Grupo: Ciências Econômicas 17 C. Econ. (D) 591 48,27 11,63 43,00 11,65 588 25,70 11,93 54,05 10,75 587 35,78 16,75 55,80 8,53 587 43,30 13,45 585 61,80 19,87 47 C. Econ. (N) 202 47,90 11,05 39,42 11,58 199 22,65 9,95 52,43 10,93 197 30,82 15,53 55,50 9,28 195 39,88 13,45 193 53,48 21,60 Grupo: Licenciatura Integrada Química/Física 56 Lic.Quím/Fís (N) 124 36,60 9,98 27,12 11,90 121 21,73 13,02 34,60 12,42 122 26,48 22,40 41,90 10,27 121 27,02 14,75 119 40,20 24,10 Grupo: Artes Cênicas 26 Artes Cênicas 62 50,65 9,47 33,20 11,18 62 18,88 8,92 48,78 10,80 61 21,63 16,25 51,42 9,05 61 28,95 13,43 61 53,53 19,38 Grupo: Dança 23 Dança 74 44,20 12,77 26,68 12,97 73 14,43 8,35 36,98 12,27 73 12,95 10,48 40,13 9,28 73 21,90 11,70 73 46,13 23,82 Grupo: Educação Artística 25 Ed Artística 71 46,53 10,87 30,70 13,27 69 15,35 10,30 44,25 11,87 68 16,23 13,35 46,62 9,08 67 23,90 10,80 64 54,22 23,17 Grupo: Música Erudita - Composição 22 Música - Comp. 29 36,32 10,98 24,73 16,02 29 11,40 7,23 31,87 14,23 29 12,78 13,92 39,43 9,68 29 18,70 12,35 29 45,72 26,40 Grupo: Música Erudita - Regência 22 Música - Reg. 33 37,78 11,48 23,37 12,27 33 11,33 6,20 33,53 13,13 33 10,87 13,00 38,25 10,42 33 17,58 10,80 32 38,67 25,22 Grupo: Música Erudita - Instrumento 22 Música - Instr. 63 37,72 13,18 23,43 12,30 63 13,13 8,40 32,57 14,23 63 13,83 13,68 38,17 11,02 63 20,48 11,98 63 4,35 2,42 Grupo: Música Popular 22 Música Pop. 61 41,92 8,63 31,10 10,88 60 19,58 9,75 42,45 11,72 59 23,82 14,25 47,95 9,68 58 27,80 11,55 58 58,07 18,80 Grupo: Ciências Biológicas Diurno 6 C. Biológicas (D) 674 47,52 11,07 53,07 11,78 672 33,88 14,03 46,85 11,45 668 36,32 17,20 51,00 9,20 666 38,30 13,48 664 60,92 19,80 Grupo: Ciências Biológicas Noturno 46 C. Biol. Lic. (N) 151 46,67 10,25 48,10 11,13 151 26,58 10,68 44,25 10,42 150 26,17 14,55 48,65 8,62 150 31,48 12,28 148 54,42 20,53 Grupo: Educação Física 27 Ed. Física (D) 142 40,38 10,00 37,37 11,00 142 21,08 10,10 40,47 11,27 141 24,35 14,25 44,80 8,32 141 30,78 11,53 141 49,03 21,12 45 Ed. Física (N) 162 40,02 9,90 35,28 12,53 161 18,18 10,10 38,37 11,60 159 20,48 14,05 44,22 9,23 159 24,77 12,03 159 40,60 23,08 Grupo: Enfermagem 21 Enfermagem UNICAMP 117 46,00 10,82 45,95 12,57 117 26,72 9,93 41,87 11,75 116 24,00 13,35 46,23 8,20 116 29,85 11,08 116 47,47 20,28 81 Enfermagem FAMERP 178 34,63 9,90 29,50 12,23 177 14,35 9,15 31,32 11,25 177 11,90 11,57 34,85 8,97 177 16,53 10,48 174 22,48 16,63 Grupo: Medicina 15 Medicina UNICAMP 2.612 55,62 11,70 63,42 10,30 2.597 49,05 13,73 55,02 10,10 2.587 58,25 15,60 56,83 8,30 2.583 53,20 13,48 2.579 68,43 16,53 75 Medicina FAMERP 671 48,25 11,38 52,63 11,90 666 35,33 13,47 46,82 11,02 660 41,53 16,70 50,97 8,98 656 39,90 13,07 656 53,53 20,22 Grupo: Odontologia 14 Odontologia 443 47,02 10,12 30,60 6,61 442 32,95 11,58 44,15 9,67 442 40,18 16,32 48,03 8,02 441 39,08 12,50 438 54,90 18,97 (1) N = número de candidatos presentes. 161 Desempenho dos candidatos
  • 162.
  • 163.
    Caderno de respostas NOME Modelo ORDEM INSCRIÇÃO LUGAR NA SALA PROVA ASSINATURA DO CANDIDATO SEQ. LOTE 1 PROVA 2 3 4 5 Questões 6 Instruções 1 • Verifique se o seu nome e número de inscrição estão corretos. 7 Instruções 2 • A prova deve ser feita com caneta azul ou preta. 3 • A resolução de cada questão deve ser apresentada no espaço 8 1 • Verifique se o seu nome e número de inscrição estão corretos. correspondente a cada questão. 2 • A prova deve ser feita com caneta azul ou preta. 4 • O rascunho poderá ser feito no espaço indicado e não será 9 3 • A resolução de cada questão deve ser apresentada no espaço considerado na correção. correspondente a cada questão. 10 4 • O rascunho poderá ser feito no espaço indicado e não será 11 considerado na correção. EMPC 12 QUIMIC 1 QUEST O 1: ATEN O: Os rascunhos n o ser o considerados para efeito de corre o, em hip tese alguma. 1 HO 2 UN 2 QUEST O 2: SC RA