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Analisando a prática docente 
Lunara Backes 
Resumo 
O presente artigo tem como objetivo analisar o estágio realizado na modalidade Educação Infantil, com carga horária de 136 horas, na Escola Municipal de Educação Infantil Amiguinho, na turma do maternal I AB que atende 27 alunos tendo sua faixa etária dois a três anos. O estágio teve o objetivo de observar, aplicar e analisar os conhecimentos adquiridos no decorrer do curso de Licenciatura em Pedagogia à Distância da Universidade Federal de Pelotas, no Polo de apoio presencial de Novo Hamburgo. Buscando uma prática significativa tanto para mim quanto para os alunos, confrontado saberes e construindo metodologias a partir das vivências e do entorno escolar, pensando o planejamento, o processo avaliativo e a postura adotada. 
Palavras-chave: educação infantil; fazeres pedagógicos; relação aluno-professor-entorno. 
Analisando pontos básicos para organização do fazer pedagógico 
Este artigo faz uma abordagem sobre a experiência vivenciada no estágio supervisionado em Educação Infantil, realizado com uma turma cuja faixa etária abrangente é de três anos, visou o desenvolvimento integral, levando em conta as características próprias da idade, pensando que estas segundo Piaget, encontram-se no estágio pré-operacional que conforme Borges caracteriza-se pela: 
Interiorização das imagens dos objetos e das ações, unidas aos contatos com as diferentes linguagens do ambiente permitem gradativamente, tanto a compreensão dessas expressões simbólicas como a sua utilização. Isso significa, do ponto de vista cognitivo, um avanço qualitativo de grande importância, expresso pela ampliação das possibilidades de construção de conhecimentos, bem como de comunicação da criança (BORGES, 1994, p.21). 
As relações entre os segmentos que compõe o convívio escolar são a construção coletiva do saber, levando em consideração a faixa etária, conquistando um dos principais fatores que define a autonomia, a fala. A partir da expressão oral necessita-se instrui-los como usá-la a fim de que esta seja um instrumento que permita expressar desejos, anseios. Além desta conquista há também o desfralde, e outras situações cotidianas como o vestir-se, se socializar, resolver conflitos.
A turma em si tem uma realidade diversificada e o trabalho é realizado de uma forma conjunta tendo que contemplar as individualidades e ao mesmo tempo o trabalho coletivo mais viável na execução das atividades com 28 alunos, percebendo-se então o quão importante é o planejamento de acordo com a realidade existente, despertando o interesse, ao mesmo tempo valorizando e potencializando a rotina escolar. 
O planejamento é a organização dos fazeres pedagógicos dentro da rotina pré- estabelecida, visando atingir os objetivos definidos para aquele momento, necessitando assim de uma avaliação a fim de definir se o planejamento foi eficaz para aquela proposta, aqui pensando na avaliação não apenas para definir se os alunos atingiram o que foi proposto, mas também para que a prática seja analisada os recursos e as metodologias. Fazeres importantes previstos também no Parecer 20 do currículo da educação infantil: 
Intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, as práticas que estruturam o cotidiano das instituições de Educação Infantil devem considerar a integralidade e indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural das crianças, apontar as experiências de aprendizagem que se espera promover junto às crianças e efetivar-se por meio de modalidades que assegurem as metas educacionais de seu projeto pedagógico (BRASIL, 2009, p.2). 
Organização, elaboração e execução das atividades 
Analisando os pontos a cima e a partir das observações realizadas iniciei o processo de reflexão para elencar o que seria abordado neste período de sessenta horas assumindo a turma, em uma sondagem inicial sobre o trabalho realizado. A instituição organiza a sua prática diária através de projetos pedagógicos, neste momento percebi que os objetivos tanto da escola como das professoras titulares contemplam a construção coletiva das vivências, conforme é trazido também por Barbosa (2006, p.25) que afirma que: 
[...] a educação infantil é constituída de relações educativas entre crianças-crianças-adultos, pela expressão, o afeto, a sexualidade, os jogos, as brincadeiras, as linguagens, o movimento corporal, a fantasia, a nutrição, os cuidados, os projetos de estudos, em um espaço de convívio onde há respeito pelas relações culturais, sociais e familiares (BARBOSA, 2006, p.25). 
Baseando-se nesta vivência apresentamos a literatura infantil como ponto de partida para a realização de atividades que possibilitam o faz-de-conta trazendo também as
concepções de mundo já existentes. O projeto em andamento possibilita o desenvolvimento esperado pensando que o tema permite trazer fatos do interesse dos alunos e desenvolver atividades posteriores ligadas as histórias trabalhando assim todas as linguagens norteadoras previstas nesta modalidade de ensino. Conforme Borges, (1994, p. 125): 
Através da fantasia, a criança reorganiza o real e representa as situações em que vive, resolvendo as suas dificuldades e superando seus conflitos. Como o egocentrismo é uma característica desta faixa etária, este processo realiza-se como forma de assimilação do exterior ao eu, em uma constante tentativa de ordenação do mundo. (BORGES, 1994, p.125) 
Visto isto elaborei o planejamento conforme a organização da turma focando em algumas propostas nas quais percebi mais atenção, decidindo então abranger duas histórias infantis sendo elas “o nascimento da borboletinha” retirada da coleção Baú do professor e “A flor cor-de-rosa”, que é de domínio público. As histórias apresentavam temas do interesse das crianças, como animais e natureza. A contação foi realizada com o recurso de varal e teatro de fantoches que despertou interesse da turma em participar, prestando atenção e tendo prazer ao realizar os trabalhos posteriores. 
No decorrer do estágio apropriei-me mais da organização mantida naquela turma, por exemplo, os horários da rotina, alguns projetos já realizados, principalmente o que remete a “mão amiga”, com o objetivo de fazer coisas boas como carinho, juntar brinquedos, vendo que a turma no inicio do ano demonstrava resolver os conflitos com agressões e dificuldade em ajudar a guardar os brinquedos. E outras características como o ato de conversar sempre antes de fazer algo se vão para o pátio de senta no tapete e questiona o que é permitido ou não, e qual a finalidade, se vamos brincar livremente ou de maneira dirigida, com que material. É difícil fazer com que ouçam as instruções, por isso é feito os combinados sempre antes de realizar as atividades. 
Esta construção feita diariamente reflete nas ações dos alunos, visando que ao elencar os objetivos a serem alcançados, um foi o desenvolvimento da linguagem oral baseando-se em um objetivo apresentado no referencial curricular nacional da Educação Infantil (BRASIL,1998, p.121), “participar de variadas situações de comunicação oral, para interagir e expressar desejos, necessidades e sentimentos por meio da linguagem oral, contando suas vivências;” 
Entre as inúmeras atividades realizadas neste período percebi que algumas despertaram mais interesse como, por exemplo, a plantação de mudas de flores no canteiro,
atividade que surgiu após o inicio do estágio partindo do pedido deles, o momento de manuseio da terra, e a construção oral dos passos e dos cuidados necessários, permitiu a interação com os colegas e com o meio, além da conscientização da importância da valorização do meio ambiente. 
Avaliação das práticas 
A reflexão sobre estas vivências permitem uma avaliação sendo esta do desenvolvimento dos alunos como da postura e metodologias adotadas, e também da relação deles comigo que até então não convivia ali. 
Primeiramente a relação foi se constituindo, nos primeiros dias percebi que muitos não se dirigiam a mim para expor seus pensamentos e fazer pedidos, no decorrer dos dias isto foi melhorando. Algumas propostas também foram sendo qualificadas e acrescentadas, como por exemplo, fazer a gelatina para o almoço dos pais, e o próprio almoço, complementando o planejamento. Com as horas de observação ainda não conhecia a turma tão bem, e muitas ideias surgiram depois, sendo também sugeridas pelas professoras da turma. Percebendo o quão importante é o dialogo naquele espaço e que temos que conhecer o aluno para perceber sua progressão, não pensando em comportamentos e sim em desenvolvimento. Na obra Avaliação na pré-escola, Hoffmann sintetiza muito bem esse olhar: 
Compreendendo a criança, o professor redimensiona o seu fazer a partir do mundo descoberto e re-significado. E dessa significação decorre diretamente a qualidade de sua interação com a criança. É essa a complexidade própria da avaliação em educação infantil (HOFFMANN,2001, p.15) 
A avaliação nesta modalidade se torna complexa, pois não tem o papel de progressão de turma como em outras modalidades, tendo em vista o desenvolvimento como a autora completa, 
A avaliação em educação infantil precisa resgatar urgentemente o sentido essencial de acompanhamento do desenvolvimento infantil, de reflexão permanente sobre as crianças em seu cotidiano como elo da continuidade a ação pedagógica (HOFFMANN, 1998, p.48). 
Tomando como base estes pensamentos elenquei o mais significativo para eles neste período e quais linguagens foram desenvolvidas. Iniciando pelas músicas trazidas, percebi
muito interesse por parte deles e também seguiam os gestos, criavam novos, e a capacidade de expressar os desejos, isto acontece em inúmeros momentos, às atividades que trabalhavam o manuseio de diferentes materiais na confecção de trabalhos, como a tinta com relevo, cola colorida e tinta guache. Percebendo assim o domínio dos materiais, e a utilização conforme orientação, ou seja, se a tinta é no papel eles assim o fazem, isto claro porque são familiarizados com estas situações. 
No momento de procurar imagens em revistas levaram a pesquisa a sério, quando encontravam algo diferente que chamasse a atenção eles mostravam comentavam, mas percebiam o foco da proposta. 
Todos diferem, reconhecem e nomeiam cores, alguns mais outros menos e na maioria diferem formas geométricas como círculo, quadrado, triângulo. A questão de gênero, azul de menino e rosa de menina, foi trabalhada e acredito que suavizada principalmente com a atividade das asas de borboletas, por ser apenas na cor rosa não havia a opção para os meninos e mesmo assim eles brincaram. Em todo o estágio o momento mais significativo foi quando passeamos pela escola observamos os canteiros, então descobrimos a responsabilidade da turma em manter um, eles pediram para plantar e em grupo o arrumamos, tirando os matinhos, plantando e regando, e as vivências deles foram trazidas, pois eles sabiam que para plantar é necessário um buraco, devendo ter cuidado no manuseio da muda, e depois precisa de sol e de água, este movimento foi tão importante e diariamente eles se lembram de ir molhar as flores. 
A linguagem oral desenvolveu-se diariamente junto com a coordenação motora a noção de espaço, o trabalho em grupo, estes movimentos estão dando resultado, pois os alunos cantaram em casa as músicas aprendidas, mostraram o canteiro arrumado para as famílias, relatavam as atividades realizadas com detalhes. 
O trabalho realizado desde o começo do ano é exemplar, então acredito ter reforçado o que já estava em construção, apesar do egocentrismo ser uma característica desta faixa etária há possibilidade do trabalho coletivo. 
Postura do professor 
O professor ao assumir uma turma primeiramente precisa fazer um diagnóstico sendo este apropriar-se do Projeto Político Pedagógico, pensando no entorno e na abrangência da escola e sua função, então conhecer a turma a faixa etária, as características da mesma. As
observações foram destinadas a este contado inicial, mas ao percorrer do tempo é necessário um olhar sensível para perceber no grupo as individualidades, perceber como cada um reage às propostas, aceitando desafios e participando. 
O planejamento como já relatei deve ser baseado no estudo acima, e de acordo com os interesses, portanto é necessário buscar as mais diferentes metodologias com materiais diversificados, propiciando o manuseio livre e respeitando o tempo de cada um. Conhecer bem a intuição em seu espaço físico também é importante, para que os espaços sejam bem aproveitados. 
Concluindo estudar seu plano, para estar apropriada para assumir a turma, e principalmente fornecer aos alunos as respostas procuradas, e ajudar a desbravar o desconhecido. 
Conclusão 
A experiência docente acima apresentada oportunizou a reflexão sobre as minhas práticas, afinal já trabalho nesta realidade a quatro anos, estes momentos nos fazem parar e questionar o certo, o errado e o possível, como a maneira que se remete as crianças, vendo que somos o exemplo para eles, a maneira que se resolve os conflitos, a paciência ao sanar todos os questionamentos feitos, se não souber responder as perguntar ir atrás das respostas em conjunto, respeitar os tempos individuais, principalmente na execução de atividades de manuseio e artes plásticas, escutar com atenção o que falam pra gente, estes são alguns aspectos que refleti. Trouxe também o que foi estudado neste tempo de curso para a prática como a fala, a importância de deixar que se expressem da sua maneira, sem corrigir ou apressar, a vivência de cada um, as estruturas familiares com suas peculiaridades, o que chama mais atenção, o que dá mais certo, a diversificação dos recursos e espaços. 
A resposta que obtive não poderia ser melhor, em pequenos momentos ganhamos o retorno sendo ao ver uma mãe vim me perguntar sobre uma música aprendida por seu filho, ao ganhar uma muda de flor do aluno para plantar na minha casa ou perceber o interesse deles nas atividades propostas. 
O projeto que seguirá agora é de rever os espaços da sala, como estes podem se organizar, visando à importância que estes têm no dia-a-dia dando continuidade na postura adotada no estágio por mim e no cotidiano pelas professoras, pelo excelente trabalho realizado neste ano.
Durante este processo percebi a importância da rotatividade das metodologias e dos materiais utilizados e das dinâmicas, às vezes em grupo outras individuais, construindo assim as organizações necessárias para um ambiente de aprendizagem constante. 
Referências Bibliográficas 
BARBOSA, Maria Carmem Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006. 
BORGES, Teresa Maria Machado. A criança em idade Pré-escolar. São Paulo. Ática, 1994. 
HOFFMANN, Jussara. Avaliação na pré-escola. Porto Alegre. Mediação, 2001. 
BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Referencial nacional para educação infantil vol. 1. Brasília, 1998. 
BRASIL, Ministério da Educação e Conselho Nacional da Educação, Parecer 20. 2009.

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Lunara analisando a-pru00_e1tica_docente-artigo_2_revisado

  • 1. Analisando a prática docente Lunara Backes Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar o estágio realizado na modalidade Educação Infantil, com carga horária de 136 horas, na Escola Municipal de Educação Infantil Amiguinho, na turma do maternal I AB que atende 27 alunos tendo sua faixa etária dois a três anos. O estágio teve o objetivo de observar, aplicar e analisar os conhecimentos adquiridos no decorrer do curso de Licenciatura em Pedagogia à Distância da Universidade Federal de Pelotas, no Polo de apoio presencial de Novo Hamburgo. Buscando uma prática significativa tanto para mim quanto para os alunos, confrontado saberes e construindo metodologias a partir das vivências e do entorno escolar, pensando o planejamento, o processo avaliativo e a postura adotada. Palavras-chave: educação infantil; fazeres pedagógicos; relação aluno-professor-entorno. Analisando pontos básicos para organização do fazer pedagógico Este artigo faz uma abordagem sobre a experiência vivenciada no estágio supervisionado em Educação Infantil, realizado com uma turma cuja faixa etária abrangente é de três anos, visou o desenvolvimento integral, levando em conta as características próprias da idade, pensando que estas segundo Piaget, encontram-se no estágio pré-operacional que conforme Borges caracteriza-se pela: Interiorização das imagens dos objetos e das ações, unidas aos contatos com as diferentes linguagens do ambiente permitem gradativamente, tanto a compreensão dessas expressões simbólicas como a sua utilização. Isso significa, do ponto de vista cognitivo, um avanço qualitativo de grande importância, expresso pela ampliação das possibilidades de construção de conhecimentos, bem como de comunicação da criança (BORGES, 1994, p.21). As relações entre os segmentos que compõe o convívio escolar são a construção coletiva do saber, levando em consideração a faixa etária, conquistando um dos principais fatores que define a autonomia, a fala. A partir da expressão oral necessita-se instrui-los como usá-la a fim de que esta seja um instrumento que permita expressar desejos, anseios. Além desta conquista há também o desfralde, e outras situações cotidianas como o vestir-se, se socializar, resolver conflitos.
  • 2. A turma em si tem uma realidade diversificada e o trabalho é realizado de uma forma conjunta tendo que contemplar as individualidades e ao mesmo tempo o trabalho coletivo mais viável na execução das atividades com 28 alunos, percebendo-se então o quão importante é o planejamento de acordo com a realidade existente, despertando o interesse, ao mesmo tempo valorizando e potencializando a rotina escolar. O planejamento é a organização dos fazeres pedagógicos dentro da rotina pré- estabelecida, visando atingir os objetivos definidos para aquele momento, necessitando assim de uma avaliação a fim de definir se o planejamento foi eficaz para aquela proposta, aqui pensando na avaliação não apenas para definir se os alunos atingiram o que foi proposto, mas também para que a prática seja analisada os recursos e as metodologias. Fazeres importantes previstos também no Parecer 20 do currículo da educação infantil: Intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, as práticas que estruturam o cotidiano das instituições de Educação Infantil devem considerar a integralidade e indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural das crianças, apontar as experiências de aprendizagem que se espera promover junto às crianças e efetivar-se por meio de modalidades que assegurem as metas educacionais de seu projeto pedagógico (BRASIL, 2009, p.2). Organização, elaboração e execução das atividades Analisando os pontos a cima e a partir das observações realizadas iniciei o processo de reflexão para elencar o que seria abordado neste período de sessenta horas assumindo a turma, em uma sondagem inicial sobre o trabalho realizado. A instituição organiza a sua prática diária através de projetos pedagógicos, neste momento percebi que os objetivos tanto da escola como das professoras titulares contemplam a construção coletiva das vivências, conforme é trazido também por Barbosa (2006, p.25) que afirma que: [...] a educação infantil é constituída de relações educativas entre crianças-crianças-adultos, pela expressão, o afeto, a sexualidade, os jogos, as brincadeiras, as linguagens, o movimento corporal, a fantasia, a nutrição, os cuidados, os projetos de estudos, em um espaço de convívio onde há respeito pelas relações culturais, sociais e familiares (BARBOSA, 2006, p.25). Baseando-se nesta vivência apresentamos a literatura infantil como ponto de partida para a realização de atividades que possibilitam o faz-de-conta trazendo também as
  • 3. concepções de mundo já existentes. O projeto em andamento possibilita o desenvolvimento esperado pensando que o tema permite trazer fatos do interesse dos alunos e desenvolver atividades posteriores ligadas as histórias trabalhando assim todas as linguagens norteadoras previstas nesta modalidade de ensino. Conforme Borges, (1994, p. 125): Através da fantasia, a criança reorganiza o real e representa as situações em que vive, resolvendo as suas dificuldades e superando seus conflitos. Como o egocentrismo é uma característica desta faixa etária, este processo realiza-se como forma de assimilação do exterior ao eu, em uma constante tentativa de ordenação do mundo. (BORGES, 1994, p.125) Visto isto elaborei o planejamento conforme a organização da turma focando em algumas propostas nas quais percebi mais atenção, decidindo então abranger duas histórias infantis sendo elas “o nascimento da borboletinha” retirada da coleção Baú do professor e “A flor cor-de-rosa”, que é de domínio público. As histórias apresentavam temas do interesse das crianças, como animais e natureza. A contação foi realizada com o recurso de varal e teatro de fantoches que despertou interesse da turma em participar, prestando atenção e tendo prazer ao realizar os trabalhos posteriores. No decorrer do estágio apropriei-me mais da organização mantida naquela turma, por exemplo, os horários da rotina, alguns projetos já realizados, principalmente o que remete a “mão amiga”, com o objetivo de fazer coisas boas como carinho, juntar brinquedos, vendo que a turma no inicio do ano demonstrava resolver os conflitos com agressões e dificuldade em ajudar a guardar os brinquedos. E outras características como o ato de conversar sempre antes de fazer algo se vão para o pátio de senta no tapete e questiona o que é permitido ou não, e qual a finalidade, se vamos brincar livremente ou de maneira dirigida, com que material. É difícil fazer com que ouçam as instruções, por isso é feito os combinados sempre antes de realizar as atividades. Esta construção feita diariamente reflete nas ações dos alunos, visando que ao elencar os objetivos a serem alcançados, um foi o desenvolvimento da linguagem oral baseando-se em um objetivo apresentado no referencial curricular nacional da Educação Infantil (BRASIL,1998, p.121), “participar de variadas situações de comunicação oral, para interagir e expressar desejos, necessidades e sentimentos por meio da linguagem oral, contando suas vivências;” Entre as inúmeras atividades realizadas neste período percebi que algumas despertaram mais interesse como, por exemplo, a plantação de mudas de flores no canteiro,
  • 4. atividade que surgiu após o inicio do estágio partindo do pedido deles, o momento de manuseio da terra, e a construção oral dos passos e dos cuidados necessários, permitiu a interação com os colegas e com o meio, além da conscientização da importância da valorização do meio ambiente. Avaliação das práticas A reflexão sobre estas vivências permitem uma avaliação sendo esta do desenvolvimento dos alunos como da postura e metodologias adotadas, e também da relação deles comigo que até então não convivia ali. Primeiramente a relação foi se constituindo, nos primeiros dias percebi que muitos não se dirigiam a mim para expor seus pensamentos e fazer pedidos, no decorrer dos dias isto foi melhorando. Algumas propostas também foram sendo qualificadas e acrescentadas, como por exemplo, fazer a gelatina para o almoço dos pais, e o próprio almoço, complementando o planejamento. Com as horas de observação ainda não conhecia a turma tão bem, e muitas ideias surgiram depois, sendo também sugeridas pelas professoras da turma. Percebendo o quão importante é o dialogo naquele espaço e que temos que conhecer o aluno para perceber sua progressão, não pensando em comportamentos e sim em desenvolvimento. Na obra Avaliação na pré-escola, Hoffmann sintetiza muito bem esse olhar: Compreendendo a criança, o professor redimensiona o seu fazer a partir do mundo descoberto e re-significado. E dessa significação decorre diretamente a qualidade de sua interação com a criança. É essa a complexidade própria da avaliação em educação infantil (HOFFMANN,2001, p.15) A avaliação nesta modalidade se torna complexa, pois não tem o papel de progressão de turma como em outras modalidades, tendo em vista o desenvolvimento como a autora completa, A avaliação em educação infantil precisa resgatar urgentemente o sentido essencial de acompanhamento do desenvolvimento infantil, de reflexão permanente sobre as crianças em seu cotidiano como elo da continuidade a ação pedagógica (HOFFMANN, 1998, p.48). Tomando como base estes pensamentos elenquei o mais significativo para eles neste período e quais linguagens foram desenvolvidas. Iniciando pelas músicas trazidas, percebi
  • 5. muito interesse por parte deles e também seguiam os gestos, criavam novos, e a capacidade de expressar os desejos, isto acontece em inúmeros momentos, às atividades que trabalhavam o manuseio de diferentes materiais na confecção de trabalhos, como a tinta com relevo, cola colorida e tinta guache. Percebendo assim o domínio dos materiais, e a utilização conforme orientação, ou seja, se a tinta é no papel eles assim o fazem, isto claro porque são familiarizados com estas situações. No momento de procurar imagens em revistas levaram a pesquisa a sério, quando encontravam algo diferente que chamasse a atenção eles mostravam comentavam, mas percebiam o foco da proposta. Todos diferem, reconhecem e nomeiam cores, alguns mais outros menos e na maioria diferem formas geométricas como círculo, quadrado, triângulo. A questão de gênero, azul de menino e rosa de menina, foi trabalhada e acredito que suavizada principalmente com a atividade das asas de borboletas, por ser apenas na cor rosa não havia a opção para os meninos e mesmo assim eles brincaram. Em todo o estágio o momento mais significativo foi quando passeamos pela escola observamos os canteiros, então descobrimos a responsabilidade da turma em manter um, eles pediram para plantar e em grupo o arrumamos, tirando os matinhos, plantando e regando, e as vivências deles foram trazidas, pois eles sabiam que para plantar é necessário um buraco, devendo ter cuidado no manuseio da muda, e depois precisa de sol e de água, este movimento foi tão importante e diariamente eles se lembram de ir molhar as flores. A linguagem oral desenvolveu-se diariamente junto com a coordenação motora a noção de espaço, o trabalho em grupo, estes movimentos estão dando resultado, pois os alunos cantaram em casa as músicas aprendidas, mostraram o canteiro arrumado para as famílias, relatavam as atividades realizadas com detalhes. O trabalho realizado desde o começo do ano é exemplar, então acredito ter reforçado o que já estava em construção, apesar do egocentrismo ser uma característica desta faixa etária há possibilidade do trabalho coletivo. Postura do professor O professor ao assumir uma turma primeiramente precisa fazer um diagnóstico sendo este apropriar-se do Projeto Político Pedagógico, pensando no entorno e na abrangência da escola e sua função, então conhecer a turma a faixa etária, as características da mesma. As
  • 6. observações foram destinadas a este contado inicial, mas ao percorrer do tempo é necessário um olhar sensível para perceber no grupo as individualidades, perceber como cada um reage às propostas, aceitando desafios e participando. O planejamento como já relatei deve ser baseado no estudo acima, e de acordo com os interesses, portanto é necessário buscar as mais diferentes metodologias com materiais diversificados, propiciando o manuseio livre e respeitando o tempo de cada um. Conhecer bem a intuição em seu espaço físico também é importante, para que os espaços sejam bem aproveitados. Concluindo estudar seu plano, para estar apropriada para assumir a turma, e principalmente fornecer aos alunos as respostas procuradas, e ajudar a desbravar o desconhecido. Conclusão A experiência docente acima apresentada oportunizou a reflexão sobre as minhas práticas, afinal já trabalho nesta realidade a quatro anos, estes momentos nos fazem parar e questionar o certo, o errado e o possível, como a maneira que se remete as crianças, vendo que somos o exemplo para eles, a maneira que se resolve os conflitos, a paciência ao sanar todos os questionamentos feitos, se não souber responder as perguntar ir atrás das respostas em conjunto, respeitar os tempos individuais, principalmente na execução de atividades de manuseio e artes plásticas, escutar com atenção o que falam pra gente, estes são alguns aspectos que refleti. Trouxe também o que foi estudado neste tempo de curso para a prática como a fala, a importância de deixar que se expressem da sua maneira, sem corrigir ou apressar, a vivência de cada um, as estruturas familiares com suas peculiaridades, o que chama mais atenção, o que dá mais certo, a diversificação dos recursos e espaços. A resposta que obtive não poderia ser melhor, em pequenos momentos ganhamos o retorno sendo ao ver uma mãe vim me perguntar sobre uma música aprendida por seu filho, ao ganhar uma muda de flor do aluno para plantar na minha casa ou perceber o interesse deles nas atividades propostas. O projeto que seguirá agora é de rever os espaços da sala, como estes podem se organizar, visando à importância que estes têm no dia-a-dia dando continuidade na postura adotada no estágio por mim e no cotidiano pelas professoras, pelo excelente trabalho realizado neste ano.
  • 7. Durante este processo percebi a importância da rotatividade das metodologias e dos materiais utilizados e das dinâmicas, às vezes em grupo outras individuais, construindo assim as organizações necessárias para um ambiente de aprendizagem constante. Referências Bibliográficas BARBOSA, Maria Carmem Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006. BORGES, Teresa Maria Machado. A criança em idade Pré-escolar. São Paulo. Ática, 1994. HOFFMANN, Jussara. Avaliação na pré-escola. Porto Alegre. Mediação, 2001. BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Referencial nacional para educação infantil vol. 1. Brasília, 1998. BRASIL, Ministério da Educação e Conselho Nacional da Educação, Parecer 20. 2009.