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GESTÃO DE
PROCESSOS
EDUCACIONAIS
NÃO ESCOLARES
Pablo Rodrigo Bes
Educação como
processo humano
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Descrever a educação como processo de formação humana.
 Diferenciar educação formal, não formal e informal.
 Analisar a formação humana na educação formal, não formal e informal.
Introdução
A educação é parte importante da vida e constituinte da humanidade dos
sujeitos. As pessoas são educadas a partir das relações e interações que
vivenciamdesdequenascem,nosmaisdiversosgrupossociaiseinstituições.
Nessasexperiências,elasseapropriamdasnormasdeconvivênciasocial,de
conceitos e sentidos. Assim, acabam por produzir a sua subjetividade e a
suaprópriaidentidade.Existeumaclassificaçãodosprocessoseducacionais
segundo a seguinte tipologia: educação formal, educação não formal e
educação informal. Cada ambiente educativo apresenta suas particulari-
dades, que precisam ser conhecidas pelo pedagogo.
Neste capítulo, você vai estudar a educação e verificar a sua impor-
tância para o processo de formação humana. Você também vai ver como
diferenciar e analisar as ações e impactos da educação formal, não formal
e informal na constituição do ser humano.
A educação como processo de formação humana
A educação faz parte da vida das pessoas desde que elas nascem. Afinal, a
sociedade contemporânea considera a educação uma parte importante da
formação dos sujeitos como seres humanos. Assim, o incentivo a aprender e
desenvolver aspectos cognitivos, sociais e emocionais costuma acompanhar os
sujeitos desde as primeiras experiências infantis. Isso ocorre em vários espaços
educativos e instituições sociais ao longo da vida: começa na família, com os
ensinamentos dos genitores ou dos responsáveis, e se estende às redes sociais,
aos grupos de colegas na escola, às organizações onde o sujeito trabalha, etc.
O ser humano está em constante aprendizado: por onde passa, recebe
novos conhecimentos, aprende novas habilidades, muda a sua forma de pensar
sobre o mundo e a sua própria vida. Assim, a educação é central no processo
de humanidade. A curiosidade por conhecer mais e mais e a capacidade de
ensinar e aprender coloca o ser humano à frente de outros seres classificados
como irracionais, não é mesmo? Contudo, como você sabe, o ser humano
nasce completamente dependente e desprotegido, sem condição alguma de
sobreviver sozinho; logo, precisa ser cuidado, protegido e ensinado. Os in-
divíduos precisam se apropriar dos elementos que fazem parte da cultura a
que pertencem, aprender sobre as regras de convivência, o idioma, os papéis
sociais; enfim, estão em constante aprendizado para que possam (sobre)viver.
Para entender com maior profundidade o quanto a educação é humani-
zadora, o quanto implica e define a humanidade, considere os itens a seguir
(ASSMANN, 2004; VEIGA, 2006):
 entorno;
 historicidade;
 pensamento;
 linguagem;
 cultura;
 interação;
 intencionalidade;
 auto-organização;
 autonomia;
 emancipação.
O entorno é o ambiente que cerca o indivíduo. Ele é importante para que
a educação se efetive, pois o sujeito aprende a partir de todos os aspectos do
entorno: os elementos físicos que ali se encontram, as pessoas e os demais
seres vivos presentes, os fenômenos naturais, etc. Sabe-se, hoje, que quanto
maior for a exposição das crianças a ambientes ricos e estimulantes, mais
aprimorada e precoce será a sua capacidade de aprender.
Porém, cada um tem uma história de educação, ou seja, uma historicidade
particular, que foi sendo desenvolvida ao longo da vida, desde que o sujeito
começou a participar dos grupos sociais que integra. Essas vivências levam-no
a aprender determinadas coisas em certo tempo, o que é variável. Mesmo na
Educação como processo humano
2
escola, cada um aprende no seu ritmo, de acordo com suas possibilidades.
Ao referir-se às especificidades da educação (em relação aos locais e às formas
como se desenvolve), Piletti (1995, p. 12) pontua que “[...] em cada sociedade
ou país a educação existe de maneira diferente. A educação em pequenas
sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades, por
exemplo, é diferente da educação em sociedades camponesas, assim como
difere da que é dada em países desenvolvidos e industrializados”. Portanto,
as pessoas são educadas também com a finalidade de contribuírem com o
grupo a que pertencem, para que ele alcance determinados objetivos sociais.
Ser capaz de pensar sobre o que vivencia é uma grande potência do ser
humano. Por meio das variadas operações que realiza com sua mente, o homem
pode memorizar, selecionar, classificar, analisar, discernir, refletir e criticar
o que aprende. Dewey (1979, p. 159) definiu que o “[...] pensar é o esforço
intencional para descobrir as relações específicas entre uma coisa que fazemos
e a consequência que resulta, de modo a haver continuidade entre ambas”.
Assim, como seres pensantes, os sujeitos podem ser educados por meio da
compreensão dos resultados de suas ações. Ou seja, eles aprendem a ser huma-
nos, a ter empatia com os outros — ou pelo menos deveriam aprender assim.
Apropriar-se da linguagem padrão do grupo em que se nasce, ou das
múltiplas linguagens que ali são desenvolvidas, também é um elemento de
grande importância no processo humano de educação. Veiga (2006, p. 112)
enfatiza que “[...] a linguagem está no centro da trama cognitiva estabelecida
na aprendizagem”. Afinal, a linguagem leva ao entendimento do que o outro
manifesta e ajuda a transmitir mensagens com precisão. Basta observar um
bebê nos seus primeiros meses de vida para perceber o quanto ele se expressa e
se comunica com seus pais de uma forma particular, balbuciando sons, choros
e risos que um estranho não compreende, não é mesmo? A partir do momento
em que a criança já domina a capacidade de falar utilizando a língua oficial,
passa a ser mais bem compreendida por todos.
Você já assistiu aos filmes Mogli e Tarzan? Experiências reais em que crianças recém-
-nascidas foram criadas por outros seres vivos, como lobos ou gorilas, demonstram
como a educação é parte importante do desenvolvimento do ser humano. Por meio
dela, as pessoas se apropriam da linguagem, do jeito de ser e viver daqueles que as
cercam e com os quais interagem. Assim, os sujeitos se educam e se humanizam.
3
Educação como processo humano
Você já sabe do que se trata o entorno. Agora, vai ver a relação dele com
a cultura. A cultura pode ser compreendida como todos os ensinamentos
repassados por aqueles que integram os grupos sociais. Assim, os sujeitos
são educados a partir do que esses grupos entendem como certo e errado,
como útil e proveitoso para o seu desenvolvimento. As pessoas aprendem
sobre os valores morais e sobre as regras sociais que se estabeleceram ao
longo das gerações anteriores. Assim, aprendem a elaborar as suas primeiras
representações sobre o mundo a partir de elementos fornecidos pela cultura.
Nos grupos culturais, esse processo ocorre por meio da interação entre os
seus membros. São as relações que estabelecem com os outros que tornam os
indivíduos capazes de aprender e ensinar. Nesse contexto, você deve considerar
que a educação costuma ter uma intencionalidade, ou seja, busca-se atender
a um objetivo ao longo desse processo. Uma mãe, por exemplo, educa seu
filho sobre os perigos que podem existir ao mexer no fogão, impedindo-o de
tocar em panelas quentes.
Assmann (2004) destaca que a educação é um processo constante de auto-
-organização que ocorre entre as linguagens e os sentidos. Dessa forma, as
pessoas estão sempre utilizando as múltiplas linguagens que as cercam e
comunicam algo para produzir novos significados a partir de suas estruturas
cognitivas. Veja o que Assmann (2004, p. 65) afirma:
Educar significa recriar novas condições iniciais para a auto-organização
das experiências de aprendizagem. Aprender é sempre descoberta do novo.
Aprender é sempre pela primeira vez, senão não é aprender. Educar é ir criando
continuadamente novas condições iniciais que transformam todo o espectro
de possibilidades pela frente.
A educação torna os sujeitos mais autônomos, ou seja, fornece a eles
condições para agirem de forma independente dos demais à medida que
crescem e se aperfeiçoam — ou, melhor dizendo, se apropriam das condições
de possibilidade de sua própria existência, que foram construídas ao longo
do tempo na sociedade. Assim, ao se tornarem mais autônomas, as pessoas
podem, também por meio da educação que recebem, se emancipar, ou seja,
adquirir a capacidade de refletir e criticar até mesmo as bases sobre as quais
foram educadas, produzindo suas próprias leituras de mundo.
Uma das formas de analisar como esse processo de educação ocorre,
fazendo parte constante da vida, é por meio da divisão dos ambientes edu-
cativos entre espaços informais, formais e não formais de educação. É o que
você vai ver a seguir.
Educação como processo humano
4
Educação formal, não formal e informal
A educação está presente ao longo de todas as etapas da vida. Ela é impor-
tante e decisiva para a constituição dos seres humanos e para que se tornem
capazes de desempenhar os mais diversos papéis sociais requeridos durante
esse percurso. Assim, as pessoas são educadas em ambientes com maior ou
menor nível de organização e estrutura e com objetivos diversos.
Perceba que, na família, o sujeito é educado acerca de questões práticas,
do cotidiano e do convívio social. Nas organizações em que trabalha, ele é
ensinado sobre suas tarefas e afazeres. Já nas instituições escolares, aprende
sobre toda uma gama de conhecimentos e saberes acumulados ao longo da
existência humana. Ao frequentar um curso profissionalizante, aprende as
técnicas e atribuições da área específica em que quer atuar. Enfim, embora
exista uma intencionalidade nos processos educativos, eles são muito diferentes.
Cabe a você, como pedagogo, conhecer as particularidades desses processos.
Para isso, considere a seguinte divisão:
 educação formal;
 educação não formal;
 educação informal.
Ao estudar essas tipologias da educação, Gohn (2006, p. 28) sintetiza as
principais diferenças entre elas:
A educação formal é aquela que é desenvolvida nas escolas, com conteúdos
previamente demarcados; a informal como aquela que os indivíduos apren-
dem durante o seu processo de socialização — na família, bairro, clube,
amigos, etc. — carregada de valores e culturas próprias, de pertencimento
e sentimentos herdados; e a educação não formal é aquela que se apende no
“mundo de vida”, via os processos de partilha de experiências, principalmente
em espaços e ações coletivas cotidianas.
A educação formal é aquela que se realiza a partir da instituição social
conhecida como escola. É fato que o próprio conceito de educação, muitas
vezes, é confundido e reduzido ao entendimento de educação escolar, como se a
escolarização abrangesse todas as formas de educação, o que não é verdadeiro.
Quando se fala na educação como um direito social do cidadão, por exemplo,
está em jogo a educação escolar, formal. Gohn (2006) apresenta uma lista de
perguntas que podem servir de base para o estudo desses diferentes tipos de
educação. Veja a seguir.
5
Educação como processo humano
 Quem é o educador? (agente do processo de construção do saber)
 Onde se educa? (local, espaço, território)
 Como se educa? (contexto, situação)
 Por que se educa? (finalidades, objetivos)
 Quais são as características pertinentes?
 Quais são os resultados esperados?
Respondendo a essas perguntas, fica mais fácil entender as aproximações
e os distanciamentos entre as tipologias. Assim, na educação formal, embora
todos da escola de alguma maneira participem dos processos educativos que
ali ocorrem, o educador principal é o professor; o local é a própria escola; o
contexto, a forma como a educação ocorre, está prescrito e regulado pelas
práticas curriculares que o sistema educacional propõe; e as finalidades e
objetivos são constitucionais e envolvem a preparação para a cidadania, o
desenvolvimento pleno e a qualificação para o trabalho.
A escola possui características físicas, estruturais, processos, pessoas e
demais recursos que diferenciam a educação formal dos outros tipos de educa-
ção. Os seus resultados costumam se aliar às demandas de formação exigidas
em cada época histórica, que envolvem participar do processo civilizatório e
preparatório para viver de forma produtiva na sociedade.
A educação não formal, por sua vez, é aquela que ocorre a partir das neces-
sidades ou vivências a que o indivíduo se expõe ao longo da vida. Assim, pode
acontecer em vários locais onde se venha a aprender algo, com maior ou menor grau
de sistematização. Por exemplo, existem processos educacionais que ocorrem em
igrejas, em associações de bairro, nas ações voluntárias realizadas em organizações
da sociedade civil, em clubes, em grupos ou redes sociais. Esses espaços ricos
em processos educativos são denominados “espaços não formais de educação”,
dada a necessidade de diferenciá-los da educação promovida pela escola.
Gadotti (2005, p. 2) destaca que entre as particularidades da educação não
formal estão o tempo e o espaço:
[...] o tempo da aprendizagem na educação não formal é flexível, respeitando as
diferenças e as capacidades de cada um, de cada uma. Uma das características
da educação não formal é sua flexibilidade tanto em relação ao tempo quanto
em relação à criação e recriação dos seus múltiplos espaços.
Assim, aquele que atua como educador nesses espaços deve estar apto a
realizar planejamentos flexíveis e adaptáveis aos objetivos requeridos e às
condições de cada local.
Educação como processo humano
6
Gohn (2006, p. 31) define que a educação não formal propõe ao homem
o desenvolvimento de vários processos, como: “[...] consciência e organi-
zação de grupo; construção e reconstrução de concepções; sentimento de
identidade; formação para a vida; resgate do sentimento de valorização
de si próprio; os indivíduos aprendem a ler e interpretar o mundo que os
cerca”. Dessa forma, os espaços da educação não formal, que também
despontam como espaços para a atuação dos pedagogos, são essenciais
para a formação dos seres humanos em outros aspectos, como a produção
de sua identidade e a consciência política para a cidadania. A educação não
formal funciona, nesse caso, como complementar à ação da educação formal
realizada na escola.
Gohn (2006, p. 32) afirma que a educação não formal deve ser entendida
como:
[...] aquela voltada para o ser humano como um todo, cidadão do mundo,
homens e mulheres. Em hipótese alguma ela substitui ou compete com a
Educação Formal, escolar. Poderá ajudar na complementação dessa última,
via programações específicas, articulando escola e comunidade educativa
localizada no território de entorno da escola.
Desse modo, a educação não formal não é uma opositora da educação
formal. Pelo contrário, muitas vezes, iniciativas de educação não formal se
estabelecem dentro do próprio espaço da escola, valendo-se de suas estruturas
e até mesmo de seus órgãos colegiados para atingir objetivos sociais.
A educação informal, por sua vez, é aquela com que as pessoas se deparam
desde o nascimento, que ocorre ao longo da vida, de forma menos organizada
ou sistematizada que as demais, sendo seu principal ícone a família. Assim,
Marandino (2017, p. 812) define que a educação informal é o:
[...] verdadeiro processo realizado ao longo da vida, em que cada indivíduo
adquire atitudes, valores, procedimentos e conhecimentos da experiência
cotidiana e das influências educativas de seu meio — da família, no trabalho,
no lazer e nas diversas mídias de massa.
Os sujeitos estão sempre sendo educados de alguma forma; eles aprendem
a partir de todas as relações sociais que estabelecem nos grupos em que se
desenvolvem culturalmente. Para que isso ocorra, não é preciso definir um
planejamento prévio de objetivos a atingir ou recursos a serem utilizados no
processo educacional.
7
Educação como processo humano
Bruno (2014, p. 14) reforça as características da educação informal:
No âmbito da educação informal, o agente do processo de construção do saber
situa-se nas redes familiares e pessoais, ou nos meios de comunicação. Aqui
os espaços educativos não estão delimitados e são fortemente marcados por
referências de nacionalidade, localidade, idade, gênero, religião, etnia, mar-
cados pela espontaneidade dos ambientes, onde as relações sociais se definem
segundo gostos, preferências ou pertencimentos herdados. A educação informal
está associada ao processo de socialização dos indivíduos, e, neste sentido,
desenvolve hábitos, atitudes, comportamentos, modos de pensar e de se ex-
pressar segundo valores e crenças do grupo a que se pertence ou se frequenta.
Por meio do estudo desses três tipos de educação, você pode perceber que o
ser humano está em processo permanente de aprendizado. Em todos os espaços
que frequenta ao longo da vida, independentemente da fase cronológica, ele está
tanto sujeito a aprender quanto a ensinar. Dessa forma, é importante entender
mais detalhadamente como cada um desses tipos de educação (formal, não
formal e informal) contribui para a constituição dos indivíduos. É isso o que
você vai ver a seguir.
Um elemento muito presente na educação informal contemporânea são as mídias,
sejam elas eletrônicas ou digitais. As mídias adquirem caráter pedagógico, ensinando
conceitos sobre a vida, apontando direções, influenciando comportamentos e ajudando
a produzir as subjetividades da população.
A formação humana na educação formal,
não formal e informal
Como você viu anteriormente, a formação humana ocorre a partir dos pro-
cessos educacionais aos quais os sujeitos são submetidos desde que nascem.
Tal educação pode ser dividida nos tipos formal, não formal e informal.
Agora, você vai ver algumas questões importantes para a formação plena
dos seres humanos que ocorrem nos componentes dessa tipologia educacio-
nal. A educação informal é a primeira com a qual as pessoas se deparam,
Educação como processo humano
8
sobretudo se você considerar a família como a primeira instituição social
que a grande maioria das crianças encontra ao nascer. Assim, mesmo que
os arranjos familiares tenham se modificado ao longo do tempo, incorpo-
rando novas formações, as crianças são recebidas em seu lar por adultos
que se encarregam de fornecer-lhes os primeiros pontos de sua educação,
formando-as para a vida e construindo a sua humanidade. A esse respeito,
Sayão (2013, p. 9) comenta o seguinte:
Desde os anos 60, a família tem mudado bastante. Inicialmente sua configura-
ção se multiplicou, já que, no lugar do clássico modelo “homem e mulher que
se casam, têm filhos e ficam juntos até que a morte os separe”, começaram a
surgir outras formas de agrupamento familiar com o advento, por exemplo,
do divórcio, dos recasamentos e das uniões homossexuais. A função de cada
um de seus integrantes também tem se transformado. Se antes o homem era
o único ou o maior responsável pelo sustento familiar e a mulher pela orga-
nização doméstica e pela educação dos filhos, hoje essas funções são mais
compartilhadas — embora de modo nem sempre paritário.
Essas múltiplas reconfigurações familiares percebidas nas últimas dé-
cadas são frutos dos processos de afirmação de novas identidades culturais
que já não aceitam mais viver sob a lógica da tradicional família nuclear.
Elas, contudo, não eximem os genitores de suas responsabilidades quanto à
educação dos seus filhos. Considere também que, além da família direta e
indireta, existem as amizades, o convívio com as pessoas diariamente. Assim,
o sujeito adquire um jeito próprio de ser, de sentir e de viver sua vida a partir
da cultura compartilhada.
O processo de educação começa na infância. Os bebês imitam aqueles que os cercam
e, aos poucos, ao se apropriarem da linguagem (com o choro, o sorriso, o balbuciar de
alguns sons), se tornam mais aptos à comunicação, aprimorando a sua capacidade de se
relacionar em família, num primeiro momento. Os sujeitos também são educados pelo
exemplo diário e pelas ações cotidianas de seus familiares e amigos, por meio das quais
tecem seus próprios pensamentos e juízos sobre o mundo. Por esses motivos, diz-se
que educar muitas vezes é estabelecer limites. Saber dizer “não” na hora adequada e
definir junto à criança um conceito inicial de certo e errado são aspectos importantes
da formação e impactam a vida adulta.
9
Educação como processo humano
A seguir, veja alguns pontos importantes da educação informal que se
inicia na família — independentemente de sua configuração — e é reforçada
nos demais grupos sociais desde a infância (SAYÃO, 2013):
 convivência com os outros;
 transmissão da história;
 valores;
 tradições e costumes;
 virtudes;
 princípios morais.
A educação informal contribui diretamente para a formação da persona-
lidade e da identidade do sujeito, fornecendo a ele parâmetros morais para
conviver e discernir entre o certo e o errado. Assim, o indivíduo é introduzido
na cultura e no pertencimento aos grupos culturais de que faz parte. Essa base
educacional contribui para que as pessoas sejam bem-sucedidas nos processos
educacionais formais e não formais.
A escola, grande ícone da educação formal, se reveste de grande impor-
tância na atualidade. Para se dar conta disso, basta você observar que hoje o
Brasil vive um período de escolarização obrigatória nunca antes vivenciado:
as crianças com 4 anos de idade devem estar matriculadas na escola. Nas
últimas décadas, ocorreram mudanças na sociedade, como a inserção maciça
das mães no mercado de trabalho e o aumento das jornadas de ambos os ge-
nitores para a garantia do sustento familiar, bem como para reforçar a renda e
proporcionar maiores condições de consumo. Por isso, muitas vezes, a escola
tem absorvido boa parte das tarefas citadas anteriormente, que competiam à
educação informal. Assim, a escola acaba assumindo papéis antes realizados
por outras instâncias sociais, muitos deles relacionados com as demandas
sociais que precisam ser postas em prática no Brasil contemporâneo.
Cabe a você, como pedagogo, perceber e acompanhar esse processo. Hoje,
a escola se reconfigura e passa a ser também a instituição encarregada pelo
Estado de educar para a cidadania, além de se responsabilizar pela tradicio-
nal formação intelectual, cognitiva e sensorial dos estudantes. Traversini
e Lockmann (2017, p. 93) se referem a essa nova dimensão da escola como
um processo de “[...] educacionalização do social”. Ao analisarem projetos
e programas educacionais propostos e aplicados nas escolas, eles comentam
o seguinte:
Educação como processo humano
10
Nesses documentos, fica evidenciado que diversos problemas sociais são
apontados como passíveis de serem solucionados pela educação. Problemas
relacionados à saúde, produtividade, emprego, uso de drogas, gravidez na
adolescência tornam-se, em nossa sociedade, problemas educativos ou edu-
cacionais. A educação passa, assim, a se constituir como a grande salvadora
das mazelas sociais (TRAVERSINI; LOCKMANN, 2017, p. 93).
No auge da sociedade do conhecimento e da informação, a educação
formal passa a se revestir de importância também para a formação de outros
aspectos da vida. Nesse contexto, a escola adquire grande importância para
a condução de programas e projetos intersetoriais que envolvem áreas como
a da saúde e a da assistência social.
A educação não formal, por sua vez, aliada aos esforços da escola, visa a
complementar a formação específica para determinados objetivos pessoais.
Cada vez mais, ampliam-se os espaços da educação não formal. Neles, o
pedagogo pode planejar e desenvolver programas e projetos educacionais com
maior ou menor grau de estrutura e sistematização. Considere, por exemplo, o
terceiro setor, que cresce largamente no Brasil nas últimas décadas e envolve
milhares de associações, fundações e cooperativas. O principal objetivo do
terceiro setor é a busca do bem-estar público, normalmente focando suas ações
em algum direito social não plenamente atendido pelo Estado. As parcerias
entre a sociedade civil organizada e os órgãos estatais, ainda que se possa
criticar a desresponsabilização do Estado, é hoje essencial para o bom fun-
cionamento da nação. Ao referir-se ao trabalho desenvolvido pelos pedagogos
nas organizações que compõem o terceiro setor, Schmitz (2012, p. 84) ressalta
o seguinte:
O pedagogo se tornou um dos sujeitos que compõem as equipes multidisci-
plinares que pensam e implementam os projetos destinados a incentivar os
indivíduos das comunidades em que as ONGs estão inseridas a ocupar seu
lugar como sujeitos da história, aqueles que reconhecem seus pares e, juntos,
assumem-se como construtores da história, o que é algo vivo, orgânico. Assim,
começa-se a vislumbrar uma nova via de democratização do conhecimento
historicamente construído e a tessitura de uma sociedade que vise ao SER
em detrimento do TER, que tenha uma fraterna solidariedade.
A educação não formal está muito interligada com as questões que dizem
respeito à formação política e social, contribuindo para a constituição de
sujeitos críticos, que desenvolvam uma postura de luta pela manutenção de
11
Educação como processo humano
seus direitos e da própria democracia. A ideia é formar sujeitos capazes de
realizar leituras de mundo diferentes daquela voltada para o dinheiro e para
o consumo, típica dos tempos atuais.
Do mesmo modo, a educação não formal pode se voltar para a prepa-
ração para o mundo do trabalho e para o aprimoramento de competências,
que tanto pode ocorrer no interior das organizações públicas e privadas
quanto fora delas, em escolas profissionalizantes que desenvolvem projetos
educacionais com jovens e adultos. Você pode considerar como exemplo
os jovens que estudam na escola (educação formal) em seu turno regular
e frequentam no outro turno cursos profissionais na educação não formal,
em instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o Serviço
Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(Senar), entre outras.
Além disso, a educação não formal se expande para outros espaços da
área da saúde, como hospitais e clínicas interdisciplinares, além de centros de
atendimento psicossocial. Ela também integra espaços da assistência social,
como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) existentes nos
municípios brasileiros.
Como você pode constatar, os três tipos de educação — formal, não formal
e informal — são muito importantes na formação do ser humano, ocorrendo
de modo complementar e até mesmo interdependente durante boa parte da
vida. Cabe a você, como profissional da educação, realizar as suas escolhas
de carreira e se propor a atuar nesses espaços, contribuindo para a melhoria
da sociedade por meio do exercício de suas habilidades.
Acesse o link a seguir para assistir ao vídeo “Espaços não formais do conhecimento:
além da escola”.
https://qrgo.page.link/qz7wW
Educação como processo humano
12
ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedadeaprendente. 8. ed. Rio de
Janeiro: Vozes, 2004.
BRUNO, A. Educação formal, não formal e informal: da trilogia aos cruzamentos, dos
hibridismos a outros contributos. Medi@ções, v. 2, n. 2, 2014. Disponível em: http://
mediacoes.ese.ips.pt/index.php/mediacoesonline/article/view/68/pdf_28. Acesso
em: 3 nov. 2019.
DEWEY, J. Democraciaeeducação. 4. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979.
GADOTTI, M. A questão da educação formal/não-formal. In: INSTITUT INTERNACIO-
NAL DES DROITS DE L’ENFANT, 2005. Anais [...]. Sion, 2005. Disponível em: http://www.
aedmoodle.ufpa.br/pluginfile.php/305950/mod_resource/content/1/Educacao_For-
mal_Nao_Formal_2005.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019.
GOHN, M. da G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas
colegiadas nas escolas. Ensaio, v. 14, n. 50, jan./mar. 2006. Disponível em: http://www.
scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405. Acesso em: 3 nov. 2019.
MARANDINO, M. Faz sentido ainda propor a separação entre os termos educação formal,
não formal e informal? Ciência&Educação, v. 23, n. 4, 2017. Disponível em: http://www.
scielo.br/pdf/ciedu/v23n4/1516-7313-ciedu-23-04-0811.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019.
PILETTI, C. Didática geral. 18. ed. São Paulo: Ática, 1995.
SAYÃO, R. Apresentação. In: AQUINO, J. G. et al. Família e educação: quatro olhares. São
Paulo: Papirus, 2013.
SCHMITZ, T. A expansão do terceiro setor: um caminho sem volta? In: CUNHA, A. L. et
al. Pedagogia e ambientes não escolares. Curitiba: Intersaberes, 2012.
TRAVERSINI, C. S.; LOCKMANN, K. O alargamento das funções da escola contemporânea
e os processos de in/exclusão. In: CARVALHO, R. S.; CAMOZZATO, V. C. (org.). Educação,
escolaeculturacontemporânea: perspectivas investigativas. Curitiba: Intersaberes, 2017.
VEIGA, I. P. A. Lições de didática. São Paulo: Papirus, 2006.
Leitura recomendada
RODA de conversa - tema: espaços não-formais do conhecimento: a escola além da
escola. [S. l.: s. n., 2013]. 1 vídeo (20 min). Publicado pelo canal Magistraeemg. Disponí-
vel em: https://www.youtube.com/watch?v=JdLKPMCVPEY. Acesso em: 3 nov. 2019.
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  • 2. Educação como processo humano Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:  Descrever a educação como processo de formação humana.  Diferenciar educação formal, não formal e informal.  Analisar a formação humana na educação formal, não formal e informal. Introdução A educação é parte importante da vida e constituinte da humanidade dos sujeitos. As pessoas são educadas a partir das relações e interações que vivenciamdesdequenascem,nosmaisdiversosgrupossociaiseinstituições. Nessasexperiências,elasseapropriamdasnormasdeconvivênciasocial,de conceitos e sentidos. Assim, acabam por produzir a sua subjetividade e a suaprópriaidentidade.Existeumaclassificaçãodosprocessoseducacionais segundo a seguinte tipologia: educação formal, educação não formal e educação informal. Cada ambiente educativo apresenta suas particulari- dades, que precisam ser conhecidas pelo pedagogo. Neste capítulo, você vai estudar a educação e verificar a sua impor- tância para o processo de formação humana. Você também vai ver como diferenciar e analisar as ações e impactos da educação formal, não formal e informal na constituição do ser humano. A educação como processo de formação humana A educação faz parte da vida das pessoas desde que elas nascem. Afinal, a sociedade contemporânea considera a educação uma parte importante da formação dos sujeitos como seres humanos. Assim, o incentivo a aprender e desenvolver aspectos cognitivos, sociais e emocionais costuma acompanhar os sujeitos desde as primeiras experiências infantis. Isso ocorre em vários espaços
  • 3. educativos e instituições sociais ao longo da vida: começa na família, com os ensinamentos dos genitores ou dos responsáveis, e se estende às redes sociais, aos grupos de colegas na escola, às organizações onde o sujeito trabalha, etc. O ser humano está em constante aprendizado: por onde passa, recebe novos conhecimentos, aprende novas habilidades, muda a sua forma de pensar sobre o mundo e a sua própria vida. Assim, a educação é central no processo de humanidade. A curiosidade por conhecer mais e mais e a capacidade de ensinar e aprender coloca o ser humano à frente de outros seres classificados como irracionais, não é mesmo? Contudo, como você sabe, o ser humano nasce completamente dependente e desprotegido, sem condição alguma de sobreviver sozinho; logo, precisa ser cuidado, protegido e ensinado. Os in- divíduos precisam se apropriar dos elementos que fazem parte da cultura a que pertencem, aprender sobre as regras de convivência, o idioma, os papéis sociais; enfim, estão em constante aprendizado para que possam (sobre)viver. Para entender com maior profundidade o quanto a educação é humani- zadora, o quanto implica e define a humanidade, considere os itens a seguir (ASSMANN, 2004; VEIGA, 2006):  entorno;  historicidade;  pensamento;  linguagem;  cultura;  interação;  intencionalidade;  auto-organização;  autonomia;  emancipação. O entorno é o ambiente que cerca o indivíduo. Ele é importante para que a educação se efetive, pois o sujeito aprende a partir de todos os aspectos do entorno: os elementos físicos que ali se encontram, as pessoas e os demais seres vivos presentes, os fenômenos naturais, etc. Sabe-se, hoje, que quanto maior for a exposição das crianças a ambientes ricos e estimulantes, mais aprimorada e precoce será a sua capacidade de aprender. Porém, cada um tem uma história de educação, ou seja, uma historicidade particular, que foi sendo desenvolvida ao longo da vida, desde que o sujeito começou a participar dos grupos sociais que integra. Essas vivências levam-no a aprender determinadas coisas em certo tempo, o que é variável. Mesmo na Educação como processo humano 2
  • 4. escola, cada um aprende no seu ritmo, de acordo com suas possibilidades. Ao referir-se às especificidades da educação (em relação aos locais e às formas como se desenvolve), Piletti (1995, p. 12) pontua que “[...] em cada sociedade ou país a educação existe de maneira diferente. A educação em pequenas sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades, por exemplo, é diferente da educação em sociedades camponesas, assim como difere da que é dada em países desenvolvidos e industrializados”. Portanto, as pessoas são educadas também com a finalidade de contribuírem com o grupo a que pertencem, para que ele alcance determinados objetivos sociais. Ser capaz de pensar sobre o que vivencia é uma grande potência do ser humano. Por meio das variadas operações que realiza com sua mente, o homem pode memorizar, selecionar, classificar, analisar, discernir, refletir e criticar o que aprende. Dewey (1979, p. 159) definiu que o “[...] pensar é o esforço intencional para descobrir as relações específicas entre uma coisa que fazemos e a consequência que resulta, de modo a haver continuidade entre ambas”. Assim, como seres pensantes, os sujeitos podem ser educados por meio da compreensão dos resultados de suas ações. Ou seja, eles aprendem a ser huma- nos, a ter empatia com os outros — ou pelo menos deveriam aprender assim. Apropriar-se da linguagem padrão do grupo em que se nasce, ou das múltiplas linguagens que ali são desenvolvidas, também é um elemento de grande importância no processo humano de educação. Veiga (2006, p. 112) enfatiza que “[...] a linguagem está no centro da trama cognitiva estabelecida na aprendizagem”. Afinal, a linguagem leva ao entendimento do que o outro manifesta e ajuda a transmitir mensagens com precisão. Basta observar um bebê nos seus primeiros meses de vida para perceber o quanto ele se expressa e se comunica com seus pais de uma forma particular, balbuciando sons, choros e risos que um estranho não compreende, não é mesmo? A partir do momento em que a criança já domina a capacidade de falar utilizando a língua oficial, passa a ser mais bem compreendida por todos. Você já assistiu aos filmes Mogli e Tarzan? Experiências reais em que crianças recém- -nascidas foram criadas por outros seres vivos, como lobos ou gorilas, demonstram como a educação é parte importante do desenvolvimento do ser humano. Por meio dela, as pessoas se apropriam da linguagem, do jeito de ser e viver daqueles que as cercam e com os quais interagem. Assim, os sujeitos se educam e se humanizam. 3 Educação como processo humano
  • 5. Você já sabe do que se trata o entorno. Agora, vai ver a relação dele com a cultura. A cultura pode ser compreendida como todos os ensinamentos repassados por aqueles que integram os grupos sociais. Assim, os sujeitos são educados a partir do que esses grupos entendem como certo e errado, como útil e proveitoso para o seu desenvolvimento. As pessoas aprendem sobre os valores morais e sobre as regras sociais que se estabeleceram ao longo das gerações anteriores. Assim, aprendem a elaborar as suas primeiras representações sobre o mundo a partir de elementos fornecidos pela cultura. Nos grupos culturais, esse processo ocorre por meio da interação entre os seus membros. São as relações que estabelecem com os outros que tornam os indivíduos capazes de aprender e ensinar. Nesse contexto, você deve considerar que a educação costuma ter uma intencionalidade, ou seja, busca-se atender a um objetivo ao longo desse processo. Uma mãe, por exemplo, educa seu filho sobre os perigos que podem existir ao mexer no fogão, impedindo-o de tocar em panelas quentes. Assmann (2004) destaca que a educação é um processo constante de auto- -organização que ocorre entre as linguagens e os sentidos. Dessa forma, as pessoas estão sempre utilizando as múltiplas linguagens que as cercam e comunicam algo para produzir novos significados a partir de suas estruturas cognitivas. Veja o que Assmann (2004, p. 65) afirma: Educar significa recriar novas condições iniciais para a auto-organização das experiências de aprendizagem. Aprender é sempre descoberta do novo. Aprender é sempre pela primeira vez, senão não é aprender. Educar é ir criando continuadamente novas condições iniciais que transformam todo o espectro de possibilidades pela frente. A educação torna os sujeitos mais autônomos, ou seja, fornece a eles condições para agirem de forma independente dos demais à medida que crescem e se aperfeiçoam — ou, melhor dizendo, se apropriam das condições de possibilidade de sua própria existência, que foram construídas ao longo do tempo na sociedade. Assim, ao se tornarem mais autônomas, as pessoas podem, também por meio da educação que recebem, se emancipar, ou seja, adquirir a capacidade de refletir e criticar até mesmo as bases sobre as quais foram educadas, produzindo suas próprias leituras de mundo. Uma das formas de analisar como esse processo de educação ocorre, fazendo parte constante da vida, é por meio da divisão dos ambientes edu- cativos entre espaços informais, formais e não formais de educação. É o que você vai ver a seguir. Educação como processo humano 4
  • 6. Educação formal, não formal e informal A educação está presente ao longo de todas as etapas da vida. Ela é impor- tante e decisiva para a constituição dos seres humanos e para que se tornem capazes de desempenhar os mais diversos papéis sociais requeridos durante esse percurso. Assim, as pessoas são educadas em ambientes com maior ou menor nível de organização e estrutura e com objetivos diversos. Perceba que, na família, o sujeito é educado acerca de questões práticas, do cotidiano e do convívio social. Nas organizações em que trabalha, ele é ensinado sobre suas tarefas e afazeres. Já nas instituições escolares, aprende sobre toda uma gama de conhecimentos e saberes acumulados ao longo da existência humana. Ao frequentar um curso profissionalizante, aprende as técnicas e atribuições da área específica em que quer atuar. Enfim, embora exista uma intencionalidade nos processos educativos, eles são muito diferentes. Cabe a você, como pedagogo, conhecer as particularidades desses processos. Para isso, considere a seguinte divisão:  educação formal;  educação não formal;  educação informal. Ao estudar essas tipologias da educação, Gohn (2006, p. 28) sintetiza as principais diferenças entre elas: A educação formal é aquela que é desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente demarcados; a informal como aquela que os indivíduos apren- dem durante o seu processo de socialização — na família, bairro, clube, amigos, etc. — carregada de valores e culturas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados; e a educação não formal é aquela que se apende no “mundo de vida”, via os processos de partilha de experiências, principalmente em espaços e ações coletivas cotidianas. A educação formal é aquela que se realiza a partir da instituição social conhecida como escola. É fato que o próprio conceito de educação, muitas vezes, é confundido e reduzido ao entendimento de educação escolar, como se a escolarização abrangesse todas as formas de educação, o que não é verdadeiro. Quando se fala na educação como um direito social do cidadão, por exemplo, está em jogo a educação escolar, formal. Gohn (2006) apresenta uma lista de perguntas que podem servir de base para o estudo desses diferentes tipos de educação. Veja a seguir. 5 Educação como processo humano
  • 7.  Quem é o educador? (agente do processo de construção do saber)  Onde se educa? (local, espaço, território)  Como se educa? (contexto, situação)  Por que se educa? (finalidades, objetivos)  Quais são as características pertinentes?  Quais são os resultados esperados? Respondendo a essas perguntas, fica mais fácil entender as aproximações e os distanciamentos entre as tipologias. Assim, na educação formal, embora todos da escola de alguma maneira participem dos processos educativos que ali ocorrem, o educador principal é o professor; o local é a própria escola; o contexto, a forma como a educação ocorre, está prescrito e regulado pelas práticas curriculares que o sistema educacional propõe; e as finalidades e objetivos são constitucionais e envolvem a preparação para a cidadania, o desenvolvimento pleno e a qualificação para o trabalho. A escola possui características físicas, estruturais, processos, pessoas e demais recursos que diferenciam a educação formal dos outros tipos de educa- ção. Os seus resultados costumam se aliar às demandas de formação exigidas em cada época histórica, que envolvem participar do processo civilizatório e preparatório para viver de forma produtiva na sociedade. A educação não formal, por sua vez, é aquela que ocorre a partir das neces- sidades ou vivências a que o indivíduo se expõe ao longo da vida. Assim, pode acontecer em vários locais onde se venha a aprender algo, com maior ou menor grau de sistematização. Por exemplo, existem processos educacionais que ocorrem em igrejas, em associações de bairro, nas ações voluntárias realizadas em organizações da sociedade civil, em clubes, em grupos ou redes sociais. Esses espaços ricos em processos educativos são denominados “espaços não formais de educação”, dada a necessidade de diferenciá-los da educação promovida pela escola. Gadotti (2005, p. 2) destaca que entre as particularidades da educação não formal estão o tempo e o espaço: [...] o tempo da aprendizagem na educação não formal é flexível, respeitando as diferenças e as capacidades de cada um, de cada uma. Uma das características da educação não formal é sua flexibilidade tanto em relação ao tempo quanto em relação à criação e recriação dos seus múltiplos espaços. Assim, aquele que atua como educador nesses espaços deve estar apto a realizar planejamentos flexíveis e adaptáveis aos objetivos requeridos e às condições de cada local. Educação como processo humano 6
  • 8. Gohn (2006, p. 31) define que a educação não formal propõe ao homem o desenvolvimento de vários processos, como: “[...] consciência e organi- zação de grupo; construção e reconstrução de concepções; sentimento de identidade; formação para a vida; resgate do sentimento de valorização de si próprio; os indivíduos aprendem a ler e interpretar o mundo que os cerca”. Dessa forma, os espaços da educação não formal, que também despontam como espaços para a atuação dos pedagogos, são essenciais para a formação dos seres humanos em outros aspectos, como a produção de sua identidade e a consciência política para a cidadania. A educação não formal funciona, nesse caso, como complementar à ação da educação formal realizada na escola. Gohn (2006, p. 32) afirma que a educação não formal deve ser entendida como: [...] aquela voltada para o ser humano como um todo, cidadão do mundo, homens e mulheres. Em hipótese alguma ela substitui ou compete com a Educação Formal, escolar. Poderá ajudar na complementação dessa última, via programações específicas, articulando escola e comunidade educativa localizada no território de entorno da escola. Desse modo, a educação não formal não é uma opositora da educação formal. Pelo contrário, muitas vezes, iniciativas de educação não formal se estabelecem dentro do próprio espaço da escola, valendo-se de suas estruturas e até mesmo de seus órgãos colegiados para atingir objetivos sociais. A educação informal, por sua vez, é aquela com que as pessoas se deparam desde o nascimento, que ocorre ao longo da vida, de forma menos organizada ou sistematizada que as demais, sendo seu principal ícone a família. Assim, Marandino (2017, p. 812) define que a educação informal é o: [...] verdadeiro processo realizado ao longo da vida, em que cada indivíduo adquire atitudes, valores, procedimentos e conhecimentos da experiência cotidiana e das influências educativas de seu meio — da família, no trabalho, no lazer e nas diversas mídias de massa. Os sujeitos estão sempre sendo educados de alguma forma; eles aprendem a partir de todas as relações sociais que estabelecem nos grupos em que se desenvolvem culturalmente. Para que isso ocorra, não é preciso definir um planejamento prévio de objetivos a atingir ou recursos a serem utilizados no processo educacional. 7 Educação como processo humano
  • 9. Bruno (2014, p. 14) reforça as características da educação informal: No âmbito da educação informal, o agente do processo de construção do saber situa-se nas redes familiares e pessoais, ou nos meios de comunicação. Aqui os espaços educativos não estão delimitados e são fortemente marcados por referências de nacionalidade, localidade, idade, gênero, religião, etnia, mar- cados pela espontaneidade dos ambientes, onde as relações sociais se definem segundo gostos, preferências ou pertencimentos herdados. A educação informal está associada ao processo de socialização dos indivíduos, e, neste sentido, desenvolve hábitos, atitudes, comportamentos, modos de pensar e de se ex- pressar segundo valores e crenças do grupo a que se pertence ou se frequenta. Por meio do estudo desses três tipos de educação, você pode perceber que o ser humano está em processo permanente de aprendizado. Em todos os espaços que frequenta ao longo da vida, independentemente da fase cronológica, ele está tanto sujeito a aprender quanto a ensinar. Dessa forma, é importante entender mais detalhadamente como cada um desses tipos de educação (formal, não formal e informal) contribui para a constituição dos indivíduos. É isso o que você vai ver a seguir. Um elemento muito presente na educação informal contemporânea são as mídias, sejam elas eletrônicas ou digitais. As mídias adquirem caráter pedagógico, ensinando conceitos sobre a vida, apontando direções, influenciando comportamentos e ajudando a produzir as subjetividades da população. A formação humana na educação formal, não formal e informal Como você viu anteriormente, a formação humana ocorre a partir dos pro- cessos educacionais aos quais os sujeitos são submetidos desde que nascem. Tal educação pode ser dividida nos tipos formal, não formal e informal. Agora, você vai ver algumas questões importantes para a formação plena dos seres humanos que ocorrem nos componentes dessa tipologia educacio- nal. A educação informal é a primeira com a qual as pessoas se deparam, Educação como processo humano 8
  • 10. sobretudo se você considerar a família como a primeira instituição social que a grande maioria das crianças encontra ao nascer. Assim, mesmo que os arranjos familiares tenham se modificado ao longo do tempo, incorpo- rando novas formações, as crianças são recebidas em seu lar por adultos que se encarregam de fornecer-lhes os primeiros pontos de sua educação, formando-as para a vida e construindo a sua humanidade. A esse respeito, Sayão (2013, p. 9) comenta o seguinte: Desde os anos 60, a família tem mudado bastante. Inicialmente sua configura- ção se multiplicou, já que, no lugar do clássico modelo “homem e mulher que se casam, têm filhos e ficam juntos até que a morte os separe”, começaram a surgir outras formas de agrupamento familiar com o advento, por exemplo, do divórcio, dos recasamentos e das uniões homossexuais. A função de cada um de seus integrantes também tem se transformado. Se antes o homem era o único ou o maior responsável pelo sustento familiar e a mulher pela orga- nização doméstica e pela educação dos filhos, hoje essas funções são mais compartilhadas — embora de modo nem sempre paritário. Essas múltiplas reconfigurações familiares percebidas nas últimas dé- cadas são frutos dos processos de afirmação de novas identidades culturais que já não aceitam mais viver sob a lógica da tradicional família nuclear. Elas, contudo, não eximem os genitores de suas responsabilidades quanto à educação dos seus filhos. Considere também que, além da família direta e indireta, existem as amizades, o convívio com as pessoas diariamente. Assim, o sujeito adquire um jeito próprio de ser, de sentir e de viver sua vida a partir da cultura compartilhada. O processo de educação começa na infância. Os bebês imitam aqueles que os cercam e, aos poucos, ao se apropriarem da linguagem (com o choro, o sorriso, o balbuciar de alguns sons), se tornam mais aptos à comunicação, aprimorando a sua capacidade de se relacionar em família, num primeiro momento. Os sujeitos também são educados pelo exemplo diário e pelas ações cotidianas de seus familiares e amigos, por meio das quais tecem seus próprios pensamentos e juízos sobre o mundo. Por esses motivos, diz-se que educar muitas vezes é estabelecer limites. Saber dizer “não” na hora adequada e definir junto à criança um conceito inicial de certo e errado são aspectos importantes da formação e impactam a vida adulta. 9 Educação como processo humano
  • 11. A seguir, veja alguns pontos importantes da educação informal que se inicia na família — independentemente de sua configuração — e é reforçada nos demais grupos sociais desde a infância (SAYÃO, 2013):  convivência com os outros;  transmissão da história;  valores;  tradições e costumes;  virtudes;  princípios morais. A educação informal contribui diretamente para a formação da persona- lidade e da identidade do sujeito, fornecendo a ele parâmetros morais para conviver e discernir entre o certo e o errado. Assim, o indivíduo é introduzido na cultura e no pertencimento aos grupos culturais de que faz parte. Essa base educacional contribui para que as pessoas sejam bem-sucedidas nos processos educacionais formais e não formais. A escola, grande ícone da educação formal, se reveste de grande impor- tância na atualidade. Para se dar conta disso, basta você observar que hoje o Brasil vive um período de escolarização obrigatória nunca antes vivenciado: as crianças com 4 anos de idade devem estar matriculadas na escola. Nas últimas décadas, ocorreram mudanças na sociedade, como a inserção maciça das mães no mercado de trabalho e o aumento das jornadas de ambos os ge- nitores para a garantia do sustento familiar, bem como para reforçar a renda e proporcionar maiores condições de consumo. Por isso, muitas vezes, a escola tem absorvido boa parte das tarefas citadas anteriormente, que competiam à educação informal. Assim, a escola acaba assumindo papéis antes realizados por outras instâncias sociais, muitos deles relacionados com as demandas sociais que precisam ser postas em prática no Brasil contemporâneo. Cabe a você, como pedagogo, perceber e acompanhar esse processo. Hoje, a escola se reconfigura e passa a ser também a instituição encarregada pelo Estado de educar para a cidadania, além de se responsabilizar pela tradicio- nal formação intelectual, cognitiva e sensorial dos estudantes. Traversini e Lockmann (2017, p. 93) se referem a essa nova dimensão da escola como um processo de “[...] educacionalização do social”. Ao analisarem projetos e programas educacionais propostos e aplicados nas escolas, eles comentam o seguinte: Educação como processo humano 10
  • 12. Nesses documentos, fica evidenciado que diversos problemas sociais são apontados como passíveis de serem solucionados pela educação. Problemas relacionados à saúde, produtividade, emprego, uso de drogas, gravidez na adolescência tornam-se, em nossa sociedade, problemas educativos ou edu- cacionais. A educação passa, assim, a se constituir como a grande salvadora das mazelas sociais (TRAVERSINI; LOCKMANN, 2017, p. 93). No auge da sociedade do conhecimento e da informação, a educação formal passa a se revestir de importância também para a formação de outros aspectos da vida. Nesse contexto, a escola adquire grande importância para a condução de programas e projetos intersetoriais que envolvem áreas como a da saúde e a da assistência social. A educação não formal, por sua vez, aliada aos esforços da escola, visa a complementar a formação específica para determinados objetivos pessoais. Cada vez mais, ampliam-se os espaços da educação não formal. Neles, o pedagogo pode planejar e desenvolver programas e projetos educacionais com maior ou menor grau de estrutura e sistematização. Considere, por exemplo, o terceiro setor, que cresce largamente no Brasil nas últimas décadas e envolve milhares de associações, fundações e cooperativas. O principal objetivo do terceiro setor é a busca do bem-estar público, normalmente focando suas ações em algum direito social não plenamente atendido pelo Estado. As parcerias entre a sociedade civil organizada e os órgãos estatais, ainda que se possa criticar a desresponsabilização do Estado, é hoje essencial para o bom fun- cionamento da nação. Ao referir-se ao trabalho desenvolvido pelos pedagogos nas organizações que compõem o terceiro setor, Schmitz (2012, p. 84) ressalta o seguinte: O pedagogo se tornou um dos sujeitos que compõem as equipes multidisci- plinares que pensam e implementam os projetos destinados a incentivar os indivíduos das comunidades em que as ONGs estão inseridas a ocupar seu lugar como sujeitos da história, aqueles que reconhecem seus pares e, juntos, assumem-se como construtores da história, o que é algo vivo, orgânico. Assim, começa-se a vislumbrar uma nova via de democratização do conhecimento historicamente construído e a tessitura de uma sociedade que vise ao SER em detrimento do TER, que tenha uma fraterna solidariedade. A educação não formal está muito interligada com as questões que dizem respeito à formação política e social, contribuindo para a constituição de sujeitos críticos, que desenvolvam uma postura de luta pela manutenção de 11 Educação como processo humano
  • 13. seus direitos e da própria democracia. A ideia é formar sujeitos capazes de realizar leituras de mundo diferentes daquela voltada para o dinheiro e para o consumo, típica dos tempos atuais. Do mesmo modo, a educação não formal pode se voltar para a prepa- ração para o mundo do trabalho e para o aprimoramento de competências, que tanto pode ocorrer no interior das organizações públicas e privadas quanto fora delas, em escolas profissionalizantes que desenvolvem projetos educacionais com jovens e adultos. Você pode considerar como exemplo os jovens que estudam na escola (educação formal) em seu turno regular e frequentam no outro turno cursos profissionais na educação não formal, em instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o Serviço Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), entre outras. Além disso, a educação não formal se expande para outros espaços da área da saúde, como hospitais e clínicas interdisciplinares, além de centros de atendimento psicossocial. Ela também integra espaços da assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) existentes nos municípios brasileiros. Como você pode constatar, os três tipos de educação — formal, não formal e informal — são muito importantes na formação do ser humano, ocorrendo de modo complementar e até mesmo interdependente durante boa parte da vida. Cabe a você, como profissional da educação, realizar as suas escolhas de carreira e se propor a atuar nesses espaços, contribuindo para a melhoria da sociedade por meio do exercício de suas habilidades. Acesse o link a seguir para assistir ao vídeo “Espaços não formais do conhecimento: além da escola”. https://qrgo.page.link/qz7wW Educação como processo humano 12
  • 14. ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedadeaprendente. 8. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2004. BRUNO, A. Educação formal, não formal e informal: da trilogia aos cruzamentos, dos hibridismos a outros contributos. Medi@ções, v. 2, n. 2, 2014. Disponível em: http:// mediacoes.ese.ips.pt/index.php/mediacoesonline/article/view/68/pdf_28. Acesso em: 3 nov. 2019. DEWEY, J. Democraciaeeducação. 4. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979. GADOTTI, M. A questão da educação formal/não-formal. In: INSTITUT INTERNACIO- NAL DES DROITS DE L’ENFANT, 2005. Anais [...]. Sion, 2005. Disponível em: http://www. aedmoodle.ufpa.br/pluginfile.php/305950/mod_resource/content/1/Educacao_For- mal_Nao_Formal_2005.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019. GOHN, M. da G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio, v. 14, n. 50, jan./mar. 2006. Disponível em: http://www. scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405. Acesso em: 3 nov. 2019. MARANDINO, M. Faz sentido ainda propor a separação entre os termos educação formal, não formal e informal? Ciência&Educação, v. 23, n. 4, 2017. Disponível em: http://www. scielo.br/pdf/ciedu/v23n4/1516-7313-ciedu-23-04-0811.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019. PILETTI, C. Didática geral. 18. ed. São Paulo: Ática, 1995. SAYÃO, R. Apresentação. In: AQUINO, J. G. et al. Família e educação: quatro olhares. São Paulo: Papirus, 2013. SCHMITZ, T. A expansão do terceiro setor: um caminho sem volta? In: CUNHA, A. L. et al. Pedagogia e ambientes não escolares. Curitiba: Intersaberes, 2012. TRAVERSINI, C. S.; LOCKMANN, K. O alargamento das funções da escola contemporânea e os processos de in/exclusão. In: CARVALHO, R. S.; CAMOZZATO, V. C. (org.). Educação, escolaeculturacontemporânea: perspectivas investigativas. Curitiba: Intersaberes, 2017. VEIGA, I. P. A. Lições de didática. São Paulo: Papirus, 2006. Leitura recomendada RODA de conversa - tema: espaços não-formais do conhecimento: a escola além da escola. [S. l.: s. n., 2013]. 1 vídeo (20 min). Publicado pelo canal Magistraeemg. Disponí- vel em: https://www.youtube.com/watch?v=JdLKPMCVPEY. Acesso em: 3 nov. 2019. 13 Educação como processo humano