LIVRO          DAS    RECEITAS              DE

  DOCES          E   COZINHADOS
                                VÁRIOS
       D´ESTE        CONVENTO               DE

SANTA CLARA D´ÉVORA
                                      1729




Sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa
Prefácio

                                                                                  Céu na Boca

Quando as vozes dos alunos se afastam e a luz é a única que ocupa os espaços,
percebemos melhor o espírito do lugar que foi recolhimento, contemplação e
trabalho das freiras Clarissas do convento, agora Escola EB 2|3 de Santa Clara.
Este trabalho da professora Pilar Silva revela aspectos e curiosidades dos doces
conventuais e suas delicadas decorações, realizados pelas freiras de Santa Clara.
As claras dos ovos eram utilizadas na confecção das hóstias e para a manutenção
do aprumo do vestuário das religiosas. E o que fazer das gemas? A resposta
estende-se por uma quantidade saborosa de receitas de doces que se mantêm
fiéis à simplicidade dos ingredientes.
A sua decoração, através de papéis recortados ou picotados, é de uma delicadeza
extrema e demorada. Aproxima os sentidos: a beleza do que se vê iguala o sabor
precioso na boca.
Assim se lembra um pouco da história concreta dos doces conventuais, sem
esquecer o mistério invisível e nutritivo dos milagres. Por essas duas portas
entreabertas se pode espreitar para o Convento de Santa Clara:
      “Um dia as irmãs só tinham meio pão, pois a outra metade tinha sido mandada aos
      frades que estavam ali fora. Santa Clara mandou que uma irmã cortasse o meio pão
      em cinquenta fatias e as levasse para as irmãs. Embora não entendendo como poderia
      cortar cinquenta fatias do meio pão, a irmã obedeceu e conseguiu cortar cinquenta fatias
      boas e grandes”.

O que é certo é que a doçaria conventual constitui um dos mais ricos exemplos do
património gastronómico e os papéis recortados e picotados, um esquecido patri-
mónio decorativo de rara beleza.
Aqui são apresentados. Apreciemos e aprendamos.
                                                                          Cristina Tavares, Maio 2010

                                                                                                   3
Broas de Milho de Santa Clara


900 g de farinha de milho
450 g de farinha de trigo
900 g de açúcar
1 chávena de leite
cravinho
erva doce quanto baste para aromatizar

Amasse tudo muito bem, tempere de sal, faça as broas, e leve-as
ao forno.




                                                              5
Barriguinhas de Freiras


450 g de açúcar em ponto de pasta
6 ovos
10 gemas
1 chávena de pão ralado


Misture e bata tudo muito bem.
Leve ao lume e logo que começar a ferver vai-se untando o tacho em
volta com manteiga, para não pegar.
Deixe cozer em lume brando, até ganhar por baixo uma camada aloirada.

Ponto de pasta: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de
água e deixa-se ferver até fazer ponto de pasta (100 C). Ou seja, quando
a calda de açúcar começar a aderir à escumadeira, formando levíssima e
transparente camada.




                                                                      7
Alfitetes de Santa Clara
450 g de amêndoas sem casca
450 g de grão de bico
675 g de açúcar branco
1 colher de sopa de manteiga de vaca
6 gemas de ovo
canela
Põe-se de véspera o grão de molho. No dia seguinte, antes de o cozer, descasque.
Depois coza e repasse por um ralador. Deite a massa desfeita numa tigela. Em segui-
da, escalde a pele, rale as amêndoas e adicione na mesma tigela onde temos o grão.
Leve ao lume, dentro de um tacho, o açúcar a que se junta uma pequena porção de
água para poder ferver. Quando estiver em ponto não muito alto, ponto de pasta, dei-
ta-se dentro a massa bem misturada, o grão, a amêndoa, a manteiga e um bocadito
de canela em pó.
Ferva tudo um pouco. Tire para fora do lume, para lhe juntar as gemas bem bati-
das, mexendo para que tudo fique envolvido por igual. Volta ao lume, levanta fer-
vura e se vir que a massa está pouco consistente, junte-lhe algumas colheradas,
a pouco e pouco, de miolo de pão ralado. Não se deve deixar ficar muito espesso
porque quando arrefece torna-se sólido. Está pronto. (Deixar arrefecer).

Fazer os pastéis:
Com uma porção da farinha fina, amasse. E em estando pronta a empregar-se,
qualquer forma serve a massa tenra. Passemos a fazer os pastéis. Estende-se
uma pouca de massa com um rolo, deixando-a o mais delgado possível. Em se-
guida, deite-lhe em cima colheres de recheio, dobre a massa a meio, fazendo os
pastéis, recortando-os com uma carretilha.
Frite-os em banha, para poderem crescer, e polvilhe-os com açúcar branco fino.
Ponto de pasta: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e
deixa-se ferver até fazer ponto de pasta (100 C). Ou seja, quando a calda de açú-
car começar a aderir à escumadeira, formando levíssima e transparente camada.

                                                                                  9
Queijinho do Céu


450 g de açúcar

24 gemas de ovo

125 g de amêndoa

O ponto é alto. Junte a amêndoa, depois aqueça os ovos com um pouco
de açúcar.

A massa quer-se branda.

Corte hóstias redondas.

Cada queijo leva duas.

Molhe a hóstia em água, deite a massa e ponha a outra hóstia.

Depois de estar pronto, vai ao forno brando.

Deixe arrefecer, passe por açúcar em ponto.




                                                                 11
Pastelinhos de Nata


750 ml de natas
15 gemas de ovo
375 g de açúcar fino

Misture as natas, não batidas, com as gemas de ovo e o açúcar fino.
Leve a mistura ao lume, até engrossar.

Deixe arrefecer um pouco. Quando morno, deite nas formas com massa
afolhada.

Coza em forno bem quente.

Cozidos e bem alourados servem-se quentes os pastéis.




                                                                 13
Fatias de Santa Clara


450 g de açúcar

junte 12 ovos e bata
deite uma pitada de sal
volte a bater.

Adicione 450 g de farinha de trigo,
ou menos se estão muito grossas,
e dê-lhe uma pequena batedura.

Vão ao forno.

Os ovos devem ser muito frescos.




                                      15
Manjar Celeste

Convento de Santa Mónica, Especialidade dada por nossa irmã sóror Teresa
de Santa Rita.



250 g. de requeijão
250 g. de açúcar
6 gemas

Ponha o açúcar em ponto de fio, deite-lhe o requeijão ralado. Em ferven-
do, tire do lume e deite as 6 gemas. Torna a ir ao lume a ferver outra vez.
Tira-se então do lume e deita-se em tigelinhas de barro, pequenas.
Deixa-se arrefecer e vai ao forno a alourar.

Ponto de fio: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água
e deixa-se ferver até fazer ponto de fio (101 C). Ou seja, quando, ao
pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se
formam ténues fiozinhos ao afastar os dedos.




                                                                        17
Pão de Rala com azeitonas
(das nossas irmãs do Convento de Santa Helena do Calvário), dada pela irmã sóror
Umbelina Inez de Jesus.
Para 6 Ralos
450 g de amêndoa
900 g de açúcar
18 ovos
450 g de chila para recheio

Um salamim de azeitona
125 g de amêndoa
225 g de açúcar
2 ovos
e uma pequena porção de cacau em pó.
Deite num tacho o açúcar e uma pequena porção de água. Deixe ferver até chegar ao ponto
de cabelo e tire do lume. Rale a amêndoa, junte-lhe os dois ovos com as claras, e misture
tudo muito bem. Deita-se a massa no tacho. Vai novamente ao lume até dar consistência
não devendo deixar secar muito. Tire novamente do lume e deixe arrefecer bem.

Noutro tacho, deite 250 g de açúcar, o qual se deixa ferver até fazer ponto de pasta. Neste
açúcar, formam-se então as vulgares folhas de ovos e, no açúcar que fica, deita-se o recheio
de chila e mais 4 gemas, indo seguidamente ao lume a ferver um bocadinho.

Quando frias as duas preparações, tenda os pães desta maneira: com farinha divida o
maçapão em 12 bocados, 6 maiores que são os fundos, e 6 mais pequenos que são as
tampas. Nos maiores faça uma cavidade onde se deita uma camada de folhas, outra de chila
e uma terceira de folhas, após o que se tapam. Ajeite de maneira a formar um pão arredon-
dado. Tendidos os 6 ralos, vão ao forno muito quente, mas só para alourar, em tabuleiro
untado com manteiga de porco e de vaca.

Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se
ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). O ponto de cabelo consegue-se quando, ao pôr
uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formar um ou mais
fiozinhos ao afastar os dedos.


                                                                                         19
Bolo do Paraíso

Especialidade do Convento de Nossa Senhora do Paraíso



1350 g de açúcar em ponto de cabelo
450 g de amêndoa ralada
15 gemas de ovo, sendo 5 com claras
125 g de pão ralado
canela

Prepare o açúcar em ponto de cabelo, deixe arrefecer um pouco e
adicione-lhe a amêndoa ralada. Vai ao lume até espessar (fazer castelo
pequeno). Depois de frio, junte as gemas. Bater tudo muito bem e vai
novamente ao lume até engrossar e fazer castelo pequeno.

Torne a retirar e misture o pão ralado e a canela, envolve-se levemente
as claras em castelo, sem bater, e coze-se em forno moderado em forma
bem untada.

Depois de frio, cobre-se com glacê de açúcar ou empoa-se com icing sugar.

Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de
água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). Isto é, quando,
ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador,
se formar um ou mais fiozinhos ao afastar os dedos.


                                                                      21
Índice



Prefácio................................................................................................... 3


Receita de Broas de Milho de Santa Clara..................................................... 5


Receita de Barriguinhas de Freiras .............................................................. 7


Receita de Alfitetes de Santa Clara ............................................................. 9


Receita de Queijinho do Céu ................................................................... 11


Receita de Pastelinhos de Nata ................................................................ 13


Receita de Fatias de Santa Clara .............................................................. 15


Receita de Manjar Celeste ....................................................................... 17


Receita de Pão de Rala com azeitonas ...................................................... 19


Receita de Bolo do Paraíso ...................................................................... 21
Escola EB 2|3 de Santa Clara de Évora
Agrupamento n.º3 de Escolas de Évora
Rua de Santa Clara n.º 2
7000 Évora
                                                          C




Título Livro das Receitas de Doces                        M




e Cozinhados Vários d´este Convento                       Y



de Santa Clara d´Évora, 1729                             CM



                                                         MY



Autor Sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa   CY



                                                         CMY


Apresentação e notas Maria de Pilar Silva                 K




Prefácio Cristina Tavares

Edição Setembro 2010

ISBN 978-989-96883-0-8

Depósito legal 316140/10                                       Apoios:

Impressão e Acabamento Gráfica Eborense

Capa reprodução de papel recortado,
da obra João Rosa, Alentejo à Janela do
Passado (1940), com a seguinte legenda:
“Belo exemplar dos “papéis picados” que se
trabalhavam em Santa Clara, de Évora, executado
por D.Angélica Serra, ex-educanda daquele Convento.”

Cf. Biblioteca Nacional de Lisboa, códice 10763,
“Livro das Receitas de Doces e Cozinhados vários
d´Este Convento de Santa Clara d´Évora, sóror
Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa.
Santa Clara de Évora 26 de outubro de 1729”
Terno                    Íntimo; reservado; secreto.




Este livro se não entregará
a outrem que não seja pessoa
desta Casa, nem por cedência, nem
por empréstimo por afectar
os proveitos, da feitura de
doces que nesta Casa são feitos.

Santa Clara de Évora 26 de Outubro de 1729

Inez Maria do Rosário
Escrivã




E s c o l a EB 2 | 3 S a n t a C l a r a

Livro Doces do convento de Santa Clara

  • 1.
    LIVRO DAS RECEITAS DE DOCES E COZINHADOS VÁRIOS D´ESTE CONVENTO DE SANTA CLARA D´ÉVORA 1729 Sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa
  • 3.
    Prefácio Céu na Boca Quando as vozes dos alunos se afastam e a luz é a única que ocupa os espaços, percebemos melhor o espírito do lugar que foi recolhimento, contemplação e trabalho das freiras Clarissas do convento, agora Escola EB 2|3 de Santa Clara. Este trabalho da professora Pilar Silva revela aspectos e curiosidades dos doces conventuais e suas delicadas decorações, realizados pelas freiras de Santa Clara. As claras dos ovos eram utilizadas na confecção das hóstias e para a manutenção do aprumo do vestuário das religiosas. E o que fazer das gemas? A resposta estende-se por uma quantidade saborosa de receitas de doces que se mantêm fiéis à simplicidade dos ingredientes. A sua decoração, através de papéis recortados ou picotados, é de uma delicadeza extrema e demorada. Aproxima os sentidos: a beleza do que se vê iguala o sabor precioso na boca. Assim se lembra um pouco da história concreta dos doces conventuais, sem esquecer o mistério invisível e nutritivo dos milagres. Por essas duas portas entreabertas se pode espreitar para o Convento de Santa Clara: “Um dia as irmãs só tinham meio pão, pois a outra metade tinha sido mandada aos frades que estavam ali fora. Santa Clara mandou que uma irmã cortasse o meio pão em cinquenta fatias e as levasse para as irmãs. Embora não entendendo como poderia cortar cinquenta fatias do meio pão, a irmã obedeceu e conseguiu cortar cinquenta fatias boas e grandes”. O que é certo é que a doçaria conventual constitui um dos mais ricos exemplos do património gastronómico e os papéis recortados e picotados, um esquecido patri- mónio decorativo de rara beleza. Aqui são apresentados. Apreciemos e aprendamos. Cristina Tavares, Maio 2010 3
  • 5.
    Broas de Milhode Santa Clara 900 g de farinha de milho 450 g de farinha de trigo 900 g de açúcar 1 chávena de leite cravinho erva doce quanto baste para aromatizar Amasse tudo muito bem, tempere de sal, faça as broas, e leve-as ao forno. 5
  • 7.
    Barriguinhas de Freiras 450g de açúcar em ponto de pasta 6 ovos 10 gemas 1 chávena de pão ralado Misture e bata tudo muito bem. Leve ao lume e logo que começar a ferver vai-se untando o tacho em volta com manteiga, para não pegar. Deixe cozer em lume brando, até ganhar por baixo uma camada aloirada. Ponto de pasta: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de pasta (100 C). Ou seja, quando a calda de açúcar começar a aderir à escumadeira, formando levíssima e transparente camada. 7
  • 9.
    Alfitetes de SantaClara 450 g de amêndoas sem casca 450 g de grão de bico 675 g de açúcar branco 1 colher de sopa de manteiga de vaca 6 gemas de ovo canela Põe-se de véspera o grão de molho. No dia seguinte, antes de o cozer, descasque. Depois coza e repasse por um ralador. Deite a massa desfeita numa tigela. Em segui- da, escalde a pele, rale as amêndoas e adicione na mesma tigela onde temos o grão. Leve ao lume, dentro de um tacho, o açúcar a que se junta uma pequena porção de água para poder ferver. Quando estiver em ponto não muito alto, ponto de pasta, dei- ta-se dentro a massa bem misturada, o grão, a amêndoa, a manteiga e um bocadito de canela em pó. Ferva tudo um pouco. Tire para fora do lume, para lhe juntar as gemas bem bati- das, mexendo para que tudo fique envolvido por igual. Volta ao lume, levanta fer- vura e se vir que a massa está pouco consistente, junte-lhe algumas colheradas, a pouco e pouco, de miolo de pão ralado. Não se deve deixar ficar muito espesso porque quando arrefece torna-se sólido. Está pronto. (Deixar arrefecer). Fazer os pastéis: Com uma porção da farinha fina, amasse. E em estando pronta a empregar-se, qualquer forma serve a massa tenra. Passemos a fazer os pastéis. Estende-se uma pouca de massa com um rolo, deixando-a o mais delgado possível. Em se- guida, deite-lhe em cima colheres de recheio, dobre a massa a meio, fazendo os pastéis, recortando-os com uma carretilha. Frite-os em banha, para poderem crescer, e polvilhe-os com açúcar branco fino. Ponto de pasta: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de pasta (100 C). Ou seja, quando a calda de açú- car começar a aderir à escumadeira, formando levíssima e transparente camada. 9
  • 11.
    Queijinho do Céu 450g de açúcar 24 gemas de ovo 125 g de amêndoa O ponto é alto. Junte a amêndoa, depois aqueça os ovos com um pouco de açúcar. A massa quer-se branda. Corte hóstias redondas. Cada queijo leva duas. Molhe a hóstia em água, deite a massa e ponha a outra hóstia. Depois de estar pronto, vai ao forno brando. Deixe arrefecer, passe por açúcar em ponto. 11
  • 13.
    Pastelinhos de Nata 750ml de natas 15 gemas de ovo 375 g de açúcar fino Misture as natas, não batidas, com as gemas de ovo e o açúcar fino. Leve a mistura ao lume, até engrossar. Deixe arrefecer um pouco. Quando morno, deite nas formas com massa afolhada. Coza em forno bem quente. Cozidos e bem alourados servem-se quentes os pastéis. 13
  • 15.
    Fatias de SantaClara 450 g de açúcar junte 12 ovos e bata deite uma pitada de sal volte a bater. Adicione 450 g de farinha de trigo, ou menos se estão muito grossas, e dê-lhe uma pequena batedura. Vão ao forno. Os ovos devem ser muito frescos. 15
  • 17.
    Manjar Celeste Convento deSanta Mónica, Especialidade dada por nossa irmã sóror Teresa de Santa Rita. 250 g. de requeijão 250 g. de açúcar 6 gemas Ponha o açúcar em ponto de fio, deite-lhe o requeijão ralado. Em ferven- do, tire do lume e deite as 6 gemas. Torna a ir ao lume a ferver outra vez. Tira-se então do lume e deita-se em tigelinhas de barro, pequenas. Deixa-se arrefecer e vai ao forno a alourar. Ponto de fio: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de fio (101 C). Ou seja, quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formam ténues fiozinhos ao afastar os dedos. 17
  • 19.
    Pão de Ralacom azeitonas (das nossas irmãs do Convento de Santa Helena do Calvário), dada pela irmã sóror Umbelina Inez de Jesus. Para 6 Ralos 450 g de amêndoa 900 g de açúcar 18 ovos 450 g de chila para recheio Um salamim de azeitona 125 g de amêndoa 225 g de açúcar 2 ovos e uma pequena porção de cacau em pó. Deite num tacho o açúcar e uma pequena porção de água. Deixe ferver até chegar ao ponto de cabelo e tire do lume. Rale a amêndoa, junte-lhe os dois ovos com as claras, e misture tudo muito bem. Deita-se a massa no tacho. Vai novamente ao lume até dar consistência não devendo deixar secar muito. Tire novamente do lume e deixe arrefecer bem. Noutro tacho, deite 250 g de açúcar, o qual se deixa ferver até fazer ponto de pasta. Neste açúcar, formam-se então as vulgares folhas de ovos e, no açúcar que fica, deita-se o recheio de chila e mais 4 gemas, indo seguidamente ao lume a ferver um bocadinho. Quando frias as duas preparações, tenda os pães desta maneira: com farinha divida o maçapão em 12 bocados, 6 maiores que são os fundos, e 6 mais pequenos que são as tampas. Nos maiores faça uma cavidade onde se deita uma camada de folhas, outra de chila e uma terceira de folhas, após o que se tapam. Ajeite de maneira a formar um pão arredon- dado. Tendidos os 6 ralos, vão ao forno muito quente, mas só para alourar, em tabuleiro untado com manteiga de porco e de vaca. Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). O ponto de cabelo consegue-se quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formar um ou mais fiozinhos ao afastar os dedos. 19
  • 21.
    Bolo do Paraíso Especialidadedo Convento de Nossa Senhora do Paraíso 1350 g de açúcar em ponto de cabelo 450 g de amêndoa ralada 15 gemas de ovo, sendo 5 com claras 125 g de pão ralado canela Prepare o açúcar em ponto de cabelo, deixe arrefecer um pouco e adicione-lhe a amêndoa ralada. Vai ao lume até espessar (fazer castelo pequeno). Depois de frio, junte as gemas. Bater tudo muito bem e vai novamente ao lume até engrossar e fazer castelo pequeno. Torne a retirar e misture o pão ralado e a canela, envolve-se levemente as claras em castelo, sem bater, e coze-se em forno moderado em forma bem untada. Depois de frio, cobre-se com glacê de açúcar ou empoa-se com icing sugar. Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). Isto é, quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formar um ou mais fiozinhos ao afastar os dedos. 21
  • 22.
    Índice Prefácio................................................................................................... 3 Receita deBroas de Milho de Santa Clara..................................................... 5 Receita de Barriguinhas de Freiras .............................................................. 7 Receita de Alfitetes de Santa Clara ............................................................. 9 Receita de Queijinho do Céu ................................................................... 11 Receita de Pastelinhos de Nata ................................................................ 13 Receita de Fatias de Santa Clara .............................................................. 15 Receita de Manjar Celeste ....................................................................... 17 Receita de Pão de Rala com azeitonas ...................................................... 19 Receita de Bolo do Paraíso ...................................................................... 21
  • 23.
    Escola EB 2|3de Santa Clara de Évora Agrupamento n.º3 de Escolas de Évora Rua de Santa Clara n.º 2 7000 Évora C Título Livro das Receitas de Doces M e Cozinhados Vários d´este Convento Y de Santa Clara d´Évora, 1729 CM MY Autor Sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa CY CMY Apresentação e notas Maria de Pilar Silva K Prefácio Cristina Tavares Edição Setembro 2010 ISBN 978-989-96883-0-8 Depósito legal 316140/10 Apoios: Impressão e Acabamento Gráfica Eborense Capa reprodução de papel recortado, da obra João Rosa, Alentejo à Janela do Passado (1940), com a seguinte legenda: “Belo exemplar dos “papéis picados” que se trabalhavam em Santa Clara, de Évora, executado por D.Angélica Serra, ex-educanda daquele Convento.” Cf. Biblioteca Nacional de Lisboa, códice 10763, “Livro das Receitas de Doces e Cozinhados vários d´Este Convento de Santa Clara d´Évora, sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa. Santa Clara de Évora 26 de outubro de 1729”
  • 24.
    Terno Íntimo; reservado; secreto. Este livro se não entregará a outrem que não seja pessoa desta Casa, nem por cedência, nem por empréstimo por afectar os proveitos, da feitura de doces que nesta Casa são feitos. Santa Clara de Évora 26 de Outubro de 1729 Inez Maria do Rosário Escrivã E s c o l a EB 2 | 3 S a n t a C l a r a