Um representante do Neoclassicismo
Nasceu em Paris, a 30 de Agosto de 1748. Aos nove anos, pela mãe ,ficou ao cuidado dos tios abastados devido à morte do pai em duelo. E estes providenciaram-lhe uma primorosa educação com esperança que ele se tornasse arquitecto. Não obstante, nunca foi um bom aluno, passava o tempo todo a desenhar e sofria de um tumor na face que lhe afectava a fala. Procurou ser aceite como discípulo de Boucher (importante personagem na pintura do Rococó ) contudo este enviou-o para aprender com Joseph-Marie Vien.
Após 4 tentativas falhadas de ganhar o Prémio de Roma à 5º em 1774 foi de vez, com a tela "Antíoco e Estratonice“. Dirigiu-se a Roma e lá tornou-se o mais entusiasta defensor do neoclassicismo. Permaneceu lá por 5 anos. Executou inúmeros desenhos e esboços das ruínas da cidade histórica, material que o proveu de inspiração para as arquitecturas das suas telas ao longo de toda a vida. Ao visitar  Pompeia ficou maravilhado  pela sua magnificência Possuía também uma predilecção pelo trabalho de Rafael Sanzio  .
 
Em Paris instalou-se no Louvre, privilégio concedido apenas a alguns grandes artistas. Desposou  Marguerite Charlotte e com ela teve 4 filhos. Em 1784  recebeu a encomenda do rei para pintar “ O juramento dos Horácios”  e para tal retornou a Roma. Ainda em Roma o pintor pensou em tornar-se director da secção da Academia Francesa  mas devido à sua idade este desejo foi-lhe recusado.
 
 
Pormenor do quadro Todos os elementos do quadro se destinam a facilitar o nosso entendimento do drama: os três bravos romanos arriscam a vida pelo seu país. A justeza da sua intenção revela-se no modo como estendem os braços quando recebem as espadas da mão do pai. Grandes arcos simétricos estabilizam o acto do juramento, inserindo-o num contexto nobre. A austeridade e a claridade das cores realçam a abnegação e a totalidade do seu fervor.
Pormenor do quadro Os homens são duros, concentrados, activos; do outro lado do recinto agrupam-se as mulheres, suaves, passivas, pesarosas… O contraste entre eles é absoluto, e é neste clima não comprometedor de absolutos que David se sente mais à vontade. Quando David pintou o juramento dos Horácios, a Revolução não vinha longe, e o quadro encerra uma clara referência a esse acontecimento. Não precisamos de enquadrá-lo no seu contexto histórico para podermos reagir inteiramente: é maravilhoso na concisão total da sua visão. Não há elementos supérfluos, mas o despojamento é adequado.
Em 1787 foi concluída a sua obra  “A morte de Sócrates “  a qual Diderot qualificou como : “absolutamente perfeita”.
As seguintes obras de  David  em  1788  “ Os litores trazendo a Brutus os corpos de seus filhos ” e “ Retrato de Lavoisier e sua esposa ”deveriam ser aprovadas de antemão para serem exibidas devido à Revolução e estas duas  obras não foram aprovadas. Uma pela sua simbologia republicana e a outra pelas associações do famoso químico com o partido Jacobino. Contudo  devido à reacção do público face à proibição o Júri teve que reconsiderar e expôs os quadro sob uma escolta voluntária de estudantes de arte.
 
Pormenor do quadro Madame Récamier  é o epítome do encanto neoclássico. Percebemos que ela sabe que tem encanto e que quase observa o efeito que este provoca no pintor. Tudo o que a cobre e a rodeia é de uma simplicidade sofisticada: sentimos que ela troça da vulgaridade dos artifícios, mas ela é um artifício vivo, obrigando-nos a aceita-la pelo seu próprio valor. David vê que ela é encantadora e dá-no-la a ver também: ela reclina-se porque está certa do poder do seu encanto, segura por trás da frieza marfínica da sua pose.  Mas  ele procura conhece-la a um nível que se situa abaixo do consciente  e é nisso que reside a força da imagem.
David apoiou a Revolução desde o início. Não deixou o país, permanecendo assim para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei; de facto, na primeira Convenção Nacional em que se reuniu ele foi alcunhado de " terrorista feroz" . Um dos seus mais célebres quadros foi " Marat assassinado"  de  1793 , obra cuja mestria técnica realça uma sincera emoção. Quando apresentou a tela na Convenção, disse: "Cidadãos, o povo novamente clamou por seu amigo; sua voz desolada foi ouvida: 'David, toma teus pincéis, vinga Marat!'... Eu ouvi a voz do povo, e obedeci". Apesar de manifestar seu apoio a Marat, David não foi executado, apenas preso. Na prisão fez um auto-retrato, mostrando-se muito mais jovem do que aparentava. Visitado por sua esposa no cárcere, concebeu a ideia para uma nova obra, “ A intervenção das Sabinas” , como um apelo pela reunião nacional e pela paz, depois de tanto sangue derramado.
 
Pormenor do quadro A Morte de Marat é um símbolo revolucionário. David idealiza Marat como um santo moderno, foi assassinado pela adepta da realeza Charlotte Corday, que se preparou para o seu acto com jejum e orações. Na vida real, Marat foi um politico de aspecto particularmente desagradável, que era obrigado a tomar banho com frequência devido a uma grave infecção de pele.
Pormenor do quadro David mostra-o belo e martirizado, abatido, nos intervalos das suas tarefas em prol do bem comum. Mas a verdade literal não é importante neste caso. David pintou a verdade em que quis acreditar, um acto deliberado de propaganda, e a ansiedade total, a crença apaixonada na revolução e no seu poder santificador conferem à obra uma força gigantesca.
Se esquecermos o próprio Marat e generalizarmos, temos aqui uma imagem da morte em toda a sua pureza. Tudo conspira para recordar os mártires cristãos – o fundo escuro ilumina-se para a direita, como se a glória celeste aguardasse o santo moribundo.  No entanto, trata-se de um truque, pois David engana-nos com imagens cristãs: tudo é obra de uma reminiscência subtil.
 
No reinado de Napoleão o ambiente mudara radicalmente. Os mártires da Revolução foram removidos do Panteão e reenterrados na vala comum, e as suas estátuas destruídas. Desde o regicídio que David estava divorciado, contudo em  1796  volta a casar-se com a sua ex-mulher após ela lhe ter confessado que nunca o deixara de amar. Reabilitado e reintegrado no seu atelier e posição, voltou a aceitar alunos e retirou-se da política.
Napoleão e David admiravam-se mutuamente. David desde o primeiro encontro ficara impressionado com o então general, e quando este subiu ao trono solicitou David para fazer o seu  retrato .  Depois pintou-o na cena da  coroação, nas bodas com Josefina , outra grande composição, e de novo na da  Passagem dos Alpes , montado  num fogoso cavalo. Por sua vez, Napoleão o indicou-o  pintor oficial da corte, e pediu que ele o acompanhasse na campanha do Egipto, mas o pintor recusou, alegando que era velho demais para aventuras, e enviou no seu lugar um dos seus estudantes, Antoine-Jean Gros.
 
Cúpido e Psiquê de Jacques-Louis David 1817 Na monarquia Bourbon rejeita uma posição na corte oferecida por Luís XVIII, preferindo o auto-exílio em Bruxelas. Lá pintou  “Cupido e Psiquê ”, vivendo tranquilamente com a sua esposa, e dedicando-se a composições em pequena escala e retratos.
 
Pormenor do quadro A sua última grande criação foi “ Marte desarmado por Vénus e as três Graças” , terminada um ano antes da sua morte. Segundo expressou,  desejava que a obra fosse o seu testamento artístico . Exposta em Paris, reuniu uma multidão de admiradores.
Faleceu depois de ter sido atropelado por um carro na saída do teatro ,  a 29 de Dezembro de 1825 . O seu espólio foi vendido, mas as pinturas remanescentes obtiveram baixos valores. Pelas suas actividades revolucionárias o seu corpo foi impedido de retornar à pátria, e foi sepultado no cemitério Evere, em Bruxelas. O seu coração, porém, repousa no cemitério Père Lachaise, em Paris.
 
Trabalho elaborado por Filipa Galo

Jacques Louis David

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    Um representante doNeoclassicismo
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    Nasceu em Paris,a 30 de Agosto de 1748. Aos nove anos, pela mãe ,ficou ao cuidado dos tios abastados devido à morte do pai em duelo. E estes providenciaram-lhe uma primorosa educação com esperança que ele se tornasse arquitecto. Não obstante, nunca foi um bom aluno, passava o tempo todo a desenhar e sofria de um tumor na face que lhe afectava a fala. Procurou ser aceite como discípulo de Boucher (importante personagem na pintura do Rococó ) contudo este enviou-o para aprender com Joseph-Marie Vien.
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    Após 4 tentativasfalhadas de ganhar o Prémio de Roma à 5º em 1774 foi de vez, com a tela "Antíoco e Estratonice“. Dirigiu-se a Roma e lá tornou-se o mais entusiasta defensor do neoclassicismo. Permaneceu lá por 5 anos. Executou inúmeros desenhos e esboços das ruínas da cidade histórica, material que o proveu de inspiração para as arquitecturas das suas telas ao longo de toda a vida. Ao visitar Pompeia ficou maravilhado pela sua magnificência Possuía também uma predilecção pelo trabalho de Rafael Sanzio .
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    Em Paris instalou-seno Louvre, privilégio concedido apenas a alguns grandes artistas. Desposou Marguerite Charlotte e com ela teve 4 filhos. Em 1784 recebeu a encomenda do rei para pintar “ O juramento dos Horácios” e para tal retornou a Roma. Ainda em Roma o pintor pensou em tornar-se director da secção da Academia Francesa mas devido à sua idade este desejo foi-lhe recusado.
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    Pormenor do quadroTodos os elementos do quadro se destinam a facilitar o nosso entendimento do drama: os três bravos romanos arriscam a vida pelo seu país. A justeza da sua intenção revela-se no modo como estendem os braços quando recebem as espadas da mão do pai. Grandes arcos simétricos estabilizam o acto do juramento, inserindo-o num contexto nobre. A austeridade e a claridade das cores realçam a abnegação e a totalidade do seu fervor.
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    Pormenor do quadroOs homens são duros, concentrados, activos; do outro lado do recinto agrupam-se as mulheres, suaves, passivas, pesarosas… O contraste entre eles é absoluto, e é neste clima não comprometedor de absolutos que David se sente mais à vontade. Quando David pintou o juramento dos Horácios, a Revolução não vinha longe, e o quadro encerra uma clara referência a esse acontecimento. Não precisamos de enquadrá-lo no seu contexto histórico para podermos reagir inteiramente: é maravilhoso na concisão total da sua visão. Não há elementos supérfluos, mas o despojamento é adequado.
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    Em 1787 foiconcluída a sua obra “A morte de Sócrates “ a qual Diderot qualificou como : “absolutamente perfeita”.
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    As seguintes obrasde David em 1788 “ Os litores trazendo a Brutus os corpos de seus filhos ” e “ Retrato de Lavoisier e sua esposa ”deveriam ser aprovadas de antemão para serem exibidas devido à Revolução e estas duas obras não foram aprovadas. Uma pela sua simbologia republicana e a outra pelas associações do famoso químico com o partido Jacobino. Contudo devido à reacção do público face à proibição o Júri teve que reconsiderar e expôs os quadro sob uma escolta voluntária de estudantes de arte.
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    Pormenor do quadroMadame Récamier é o epítome do encanto neoclássico. Percebemos que ela sabe que tem encanto e que quase observa o efeito que este provoca no pintor. Tudo o que a cobre e a rodeia é de uma simplicidade sofisticada: sentimos que ela troça da vulgaridade dos artifícios, mas ela é um artifício vivo, obrigando-nos a aceita-la pelo seu próprio valor. David vê que ela é encantadora e dá-no-la a ver também: ela reclina-se porque está certa do poder do seu encanto, segura por trás da frieza marfínica da sua pose. Mas ele procura conhece-la a um nível que se situa abaixo do consciente e é nisso que reside a força da imagem.
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    David apoiou aRevolução desde o início. Não deixou o país, permanecendo assim para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei; de facto, na primeira Convenção Nacional em que se reuniu ele foi alcunhado de " terrorista feroz" . Um dos seus mais célebres quadros foi " Marat assassinado" de 1793 , obra cuja mestria técnica realça uma sincera emoção. Quando apresentou a tela na Convenção, disse: "Cidadãos, o povo novamente clamou por seu amigo; sua voz desolada foi ouvida: 'David, toma teus pincéis, vinga Marat!'... Eu ouvi a voz do povo, e obedeci". Apesar de manifestar seu apoio a Marat, David não foi executado, apenas preso. Na prisão fez um auto-retrato, mostrando-se muito mais jovem do que aparentava. Visitado por sua esposa no cárcere, concebeu a ideia para uma nova obra, “ A intervenção das Sabinas” , como um apelo pela reunião nacional e pela paz, depois de tanto sangue derramado.
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    Pormenor do quadroA Morte de Marat é um símbolo revolucionário. David idealiza Marat como um santo moderno, foi assassinado pela adepta da realeza Charlotte Corday, que se preparou para o seu acto com jejum e orações. Na vida real, Marat foi um politico de aspecto particularmente desagradável, que era obrigado a tomar banho com frequência devido a uma grave infecção de pele.
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    Pormenor do quadroDavid mostra-o belo e martirizado, abatido, nos intervalos das suas tarefas em prol do bem comum. Mas a verdade literal não é importante neste caso. David pintou a verdade em que quis acreditar, um acto deliberado de propaganda, e a ansiedade total, a crença apaixonada na revolução e no seu poder santificador conferem à obra uma força gigantesca.
  • 18.
    Se esquecermos opróprio Marat e generalizarmos, temos aqui uma imagem da morte em toda a sua pureza. Tudo conspira para recordar os mártires cristãos – o fundo escuro ilumina-se para a direita, como se a glória celeste aguardasse o santo moribundo. No entanto, trata-se de um truque, pois David engana-nos com imagens cristãs: tudo é obra de uma reminiscência subtil.
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    No reinado deNapoleão o ambiente mudara radicalmente. Os mártires da Revolução foram removidos do Panteão e reenterrados na vala comum, e as suas estátuas destruídas. Desde o regicídio que David estava divorciado, contudo em 1796 volta a casar-se com a sua ex-mulher após ela lhe ter confessado que nunca o deixara de amar. Reabilitado e reintegrado no seu atelier e posição, voltou a aceitar alunos e retirou-se da política.
  • 21.
    Napoleão e Davidadmiravam-se mutuamente. David desde o primeiro encontro ficara impressionado com o então general, e quando este subiu ao trono solicitou David para fazer o seu retrato . Depois pintou-o na cena da coroação, nas bodas com Josefina , outra grande composição, e de novo na da Passagem dos Alpes , montado num fogoso cavalo. Por sua vez, Napoleão o indicou-o pintor oficial da corte, e pediu que ele o acompanhasse na campanha do Egipto, mas o pintor recusou, alegando que era velho demais para aventuras, e enviou no seu lugar um dos seus estudantes, Antoine-Jean Gros.
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    Cúpido e Psiquêde Jacques-Louis David 1817 Na monarquia Bourbon rejeita uma posição na corte oferecida por Luís XVIII, preferindo o auto-exílio em Bruxelas. Lá pintou “Cupido e Psiquê ”, vivendo tranquilamente com a sua esposa, e dedicando-se a composições em pequena escala e retratos.
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    Pormenor do quadroA sua última grande criação foi “ Marte desarmado por Vénus e as três Graças” , terminada um ano antes da sua morte. Segundo expressou, desejava que a obra fosse o seu testamento artístico . Exposta em Paris, reuniu uma multidão de admiradores.
  • 26.
    Faleceu depois deter sido atropelado por um carro na saída do teatro , a 29 de Dezembro de 1825 . O seu espólio foi vendido, mas as pinturas remanescentes obtiveram baixos valores. Pelas suas actividades revolucionárias o seu corpo foi impedido de retornar à pátria, e foi sepultado no cemitério Evere, em Bruxelas. O seu coração, porém, repousa no cemitério Père Lachaise, em Paris.
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