História, Literatura e Espaços
         Museológicos
Uma abordagem Criativa à Aprendizagem em Contexto




 Museu Nacional de Arte Antiga | Centro de Formação Prof. João Soares | 2012
P   onto de Partida
«Pelas precedentes considerações se manifesta
que não é ofício de poeta narrar o que aconteceu;
é, sim, o de representar o que poderia acontecer,
quer dizer: o que é possível segundo a
verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não
diferem o historiador e o poeta, por escreverem
verso ou prosa (pois que bem poderiam ser postas
em verso as obras de Heródoto, e nem por isso
deixariam de ser história, se fossem em verso o
que eram em prosa), - diferem, sim, em que diz
um as coisas que sucederam, e outro as que
poderiam suceder.»
                       Aristóteles | Poética | 335/323 a.C.
P   arte   1
História | Literatura
“Presbiter Johannes potentia et virtude Dei...”
«A concepção moderna acentua a sua relação
com a investigação: A historiografia apresenta
um saber histórico que é conseguido através de
processos        empíricos    de    investigação
metodicamente organizados e que, por isso, se
distingue pela qualidade especificamente
científica da sua racionalidade metódica. A
concepção pós-moderna         acentua a força
criadora, com a qual os autores formam o seu
saber histórico e se dirigem ao seu público e
que confere à historiografia uma qualidade
primariamente poética ou retórica.»
                                     Rüsen | 1990
«O historiador é obrigado a realizar sempre uma
ficção perspectivista da história, dado que é
impossível a     existência de uma história que
recolha simplesmente o passado nos arquivos…
Não se chega, pura e simplesmente, a factos
aprioristicamente estabelecidos    por fontes. A
história é, neste sentido, sempre construção
de uma experiência, que tanto reconstrói uma
temporalidade quanto a transpõe em narrativa.»

                                   Pesavento | 2000
«A busca da positividade em História não deve,
porém, fazer esquecer que ela só alcança o
passado por intermédio de            sinais e
representações mediadoras da realidade e não
por um exame directo da própria realidade.
Esses sinais são as marcas da passagem do
Homem, mas         são também as próprias
representações      verbais ou mentais que
permitem escolher entre eles os que são
considerados representativos. A História é,
portanto,       uma       representação    de
representações.       É um saber, e não
propriamente uma ciência.»
                                   Mattoso | 1997
"A arte presente atraiçoa a revolução,
corrompe os costumes. De tal forma, ou se há-
de tornar realista ou irá até à extinção completa
pela reacção das consciências. – O modo de a
salvar é fundar o realismo, que expõe o
verdadeiro elevado às condições do belo e
aspirando ao bem, - pela condenação do vício
e pelo engrandecimento do trabalho e o da
virtude” .
                               Eça de Queiroz | 1871
«[...] será necessário desprezar o termo
«ciência» quando se fala da história, para a
relegar para a categoria de         «saber»?
Julgamos que não e que entendê-la como arte
não implica que não a devamos incluir na
categoria de ciência, depois de nos termos
libertado   já da concepção positivista e
«moderna» de ciência [...]. A história será
ciência     e arte, será uma «literatura
científica», conforme lhe chamámos.»

                                  Torgal | 1996
«Ao contrário dos autores de romances, os
historiadores têm de se preocupar           com a
comprobabilidade empírica e com a verificação de
todas as suas afirmações. Pelo contrário, parece-me
que o escritor de romances tem, se desejar, muito
mais liberdade no tratamento do seu assunto e não
se    encontra    ligado   a   tais    regras   de
comprobabilidade.»
                                        Kocka | 1990
«Não podemos esquecer que o discurso crítico é
    historicamente condicionado, que cada época e
  cada historiador valoriza determinados autores e
      deixa cair outros no esquecimento e que esta
         escolha não depende de um qualquer valor
 intrínseco dos textos , mas daquilo que diferentes
leitores, em diferentes épocas, procuraram neles.»

                                Vanda Anastácio | 2002
P   arte   2
… e Espaços Museológicos…
Arte     Significados

História | Literatura | Museu
       Conhecimento


  Palavras      Imagens
Museus (?)
       «Um museu é uma instituição permanente, sem
      fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu
             desenvolvimento, aberto ao público, e que
          adquire, conserva, estuda, comunica e expõe
   testemunhos (i)materiais do homem e do seu meio
     ambiente, tendo em vista o estudo, a educação e
                                             a fruição.»

                                                                 ICOM
                                        (Internactional Council of Museums)
Somos nós os mesmos observadores?
Arte?
E   …   então?
«(…) as acções museológicas não são processadas
somente a partir dos objectos, das colecções, mas tendo
como referencial o património global, na dinâmica da
vida, tornando assim necessária uma ampla revisão dos
métodos a serem aplicados nas acções de pesquisa,
preservação      e   comunicação,       nos   diferentes
contextos.»
                                             Maria Célia Santos
«Para que servem os sentimentos? Poder-se-ia argumentar que as
      emoções sem sentimentos seriam mais do que suficientes para a
 regulação da vida e para a promoção da sobrevivência. Porém, não é
   esse o caso. Na orquestração da sobrevivência é extremamente
valioso ter sentimentos. As emoções são úteis em si mesmas, mas é
    o processo de sentir que alerta o organismo para o problema que a
                                         emoção começou a resolver.»
                                                          António Damásio
Precisamos (re)pensar alguma coisa?
P   arte   3
Desafio Colaborativo
Projecto | Ideia
Partindo do livro e da literatura como motor
 para o projecto, crie uma actividade
 criativa e exploratória do museu (peças,
 colecção ou percursos) que parta das
 obras escolhidas pelos elementos do
 grupo e que façam uma abordagens
 interdisciplinar entre a História e a
 Literatura tendo como pano de fundo o
 Museu Nacional de Arte Antiga.
Bom trabalho!



     FIM

História e Literatura MNAA

  • 1.
    História, Literatura eEspaços Museológicos Uma abordagem Criativa à Aprendizagem em Contexto Museu Nacional de Arte Antiga | Centro de Formação Prof. João Soares | 2012
  • 2.
    P onto de Partida
  • 4.
    «Pelas precedentes consideraçõesse manifesta que não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta, por escreverem verso ou prosa (pois que bem poderiam ser postas em verso as obras de Heródoto, e nem por isso deixariam de ser história, se fossem em verso o que eram em prosa), - diferem, sim, em que diz um as coisas que sucederam, e outro as que poderiam suceder.» Aristóteles | Poética | 335/323 a.C.
  • 6.
    P arte 1
  • 7.
  • 8.
    “Presbiter Johannes potentiaet virtude Dei...”
  • 9.
    «A concepção modernaacentua a sua relação com a investigação: A historiografia apresenta um saber histórico que é conseguido através de processos empíricos de investigação metodicamente organizados e que, por isso, se distingue pela qualidade especificamente científica da sua racionalidade metódica. A concepção pós-moderna acentua a força criadora, com a qual os autores formam o seu saber histórico e se dirigem ao seu público e que confere à historiografia uma qualidade primariamente poética ou retórica.» Rüsen | 1990
  • 11.
    «O historiador éobrigado a realizar sempre uma ficção perspectivista da história, dado que é impossível a existência de uma história que recolha simplesmente o passado nos arquivos… Não se chega, pura e simplesmente, a factos aprioristicamente estabelecidos por fontes. A história é, neste sentido, sempre construção de uma experiência, que tanto reconstrói uma temporalidade quanto a transpõe em narrativa.» Pesavento | 2000
  • 13.
    «A busca dapositividade em História não deve, porém, fazer esquecer que ela só alcança o passado por intermédio de sinais e representações mediadoras da realidade e não por um exame directo da própria realidade. Esses sinais são as marcas da passagem do Homem, mas são também as próprias representações verbais ou mentais que permitem escolher entre eles os que são considerados representativos. A História é, portanto, uma representação de representações. É um saber, e não propriamente uma ciência.» Mattoso | 1997
  • 15.
    "A arte presenteatraiçoa a revolução, corrompe os costumes. De tal forma, ou se há- de tornar realista ou irá até à extinção completa pela reacção das consciências. – O modo de a salvar é fundar o realismo, que expõe o verdadeiro elevado às condições do belo e aspirando ao bem, - pela condenação do vício e pelo engrandecimento do trabalho e o da virtude” . Eça de Queiroz | 1871
  • 17.
    «[...] será necessáriodesprezar o termo «ciência» quando se fala da história, para a relegar para a categoria de «saber»? Julgamos que não e que entendê-la como arte não implica que não a devamos incluir na categoria de ciência, depois de nos termos libertado já da concepção positivista e «moderna» de ciência [...]. A história será ciência e arte, será uma «literatura científica», conforme lhe chamámos.» Torgal | 1996
  • 19.
    «Ao contrário dosautores de romances, os historiadores têm de se preocupar com a comprobabilidade empírica e com a verificação de todas as suas afirmações. Pelo contrário, parece-me que o escritor de romances tem, se desejar, muito mais liberdade no tratamento do seu assunto e não se encontra ligado a tais regras de comprobabilidade.» Kocka | 1990
  • 21.
    «Não podemos esquecerque o discurso crítico é historicamente condicionado, que cada época e cada historiador valoriza determinados autores e deixa cair outros no esquecimento e que esta escolha não depende de um qualquer valor intrínseco dos textos , mas daquilo que diferentes leitores, em diferentes épocas, procuraram neles.» Vanda Anastácio | 2002
  • 23.
    P arte 2
  • 24.
    … e EspaçosMuseológicos…
  • 25.
    Arte Significados História | Literatura | Museu Conhecimento Palavras Imagens
  • 26.
    Museus (?) «Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberto ao público, e que adquire, conserva, estuda, comunica e expõe testemunhos (i)materiais do homem e do seu meio ambiente, tendo em vista o estudo, a educação e a fruição.» ICOM (Internactional Council of Museums)
  • 27.
    Somos nós osmesmos observadores?
  • 28.
  • 29.
    E … então? «(…) as acções museológicas não são processadas somente a partir dos objectos, das colecções, mas tendo como referencial o património global, na dinâmica da vida, tornando assim necessária uma ampla revisão dos métodos a serem aplicados nas acções de pesquisa, preservação e comunicação, nos diferentes contextos.» Maria Célia Santos
  • 30.
    «Para que servemos sentimentos? Poder-se-ia argumentar que as emoções sem sentimentos seriam mais do que suficientes para a regulação da vida e para a promoção da sobrevivência. Porém, não é esse o caso. Na orquestração da sobrevivência é extremamente valioso ter sentimentos. As emoções são úteis em si mesmas, mas é o processo de sentir que alerta o organismo para o problema que a emoção começou a resolver.» António Damásio
  • 32.
  • 33.
    P arte 3
  • 35.
  • 36.
    Projecto | Ideia Partindodo livro e da literatura como motor para o projecto, crie uma actividade criativa e exploratória do museu (peças, colecção ou percursos) que parta das obras escolhidas pelos elementos do grupo e que façam uma abordagens interdisciplinar entre a História e a Literatura tendo como pano de fundo o Museu Nacional de Arte Antiga.
  • 38.