O que são e para que
servem os museus?
Conversas em Rede | Rede Cultura 2027
Torres Novas, 2.3.2020
A actual definição:
“O museu é uma instituição permanente sem
fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do
seu desenvolvimento, aberta ao público, que
adquire, conserva, investiga, comunica e
expõe o património material e imaterial da
humanidade e do seu meio envolvente com
fins de educação, estudo e deleite.”
A actual definição:
“O museu é uma instituição permanente sem fins
lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu
desenvolvimento, aberta ao público, que adquire,
conserva, investiga, comunica e expõe o
património material e imaterial da humanidade e
do seu meio envolvente com fins de educação,
estudo e deleite.”
A actual definição:
“O museu é uma instituição permanente sem
fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do
seu desenvolvimento, aberta ao público, que
adquire, conserva, investiga, comunica e
expõe o património material e imaterial da
humanidade e do seu meio envolvente com
fins de educação, estudo e deleite.”
Rede de Museus
de V.N.Famalicão
A proposta para uma nova definição:
“Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e
polifónicos para um diálogo crítico sobre os passados e os
futuros. Reconhecendo e abordando os conflitos e desafios
do presente, guardam artefactos e espécimes para a
sociedade, salvaguardam diversas memórias para as
gerações futuras e garantem direitos iguais e acesso igual ao
património para todas as pessoas.
Os museus não têm fins lucrativos. São participativos e
transparentes, e trabalham em parceria activa com e para
diversas comunidades para coleccionar, preservar, pesquisar,
interpretar, expor e melhorar diversas compreensões do
mundo, visando contribuir para a dignidade humana e a
justiça social, a igualdade global e o bem-estar planetário."
A proposta para uma nova definição:
“Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e
polifónicos para um diálogo crítico sobre os passados e os
futuros. Reconhecendo e abordando os conflitos e desafios
do presente, guardam artefactos e espécimes para a
sociedade, salvaguardam diversas memórias para as
gerações futuras e garantem direitos iguais e acesso igual ao
património para todas as pessoas.
Os museus não têm fins lucrativos. São participativos e
transparentes, e trabalham em parceria activa com e para
diversas comunidades para coleccionar, preservar, pesquisar,
interpretar, expor e melhorar diversas compreensões do
mundo, visando contribuir para a dignidade humana e a
justiça social, a igualdade global e o bem-estar planetário."
“O British Museum não é uma
coisa boa por si só. Só é bom
na medida em que a sua
influência no mundo é para o
bem. A colecção é um ponto de
partida, uma oportunidade, um
instrumento. Será que o museu
a vai utilizar para influenciar o
futuro do planeta e dos seus
povos? (…) ”
Ahdaf Soueif
E se fechássemos amanhã, quem ia chorar por nós?
E se ardêssemos amanhã, quem ia chorar por nós?
E se ardêssemos amanhã, quem ia chorar por nós?
“Isto é a génese do nosso país… Do teu país… Do teu… Do teu…
Do meu. Por aqui passaram D. João VI, D. Pedro I, D. Pedro II; a
princesa Isabel nasceu aqui…”
Alexander Kellner, Museu Nacional, Rio de Janeiro
“A relevância é uma chave que desbloqueia o significado. Abre as
portas para experiências que nos interessam, nos surpreendem e
trazem valor para nossas vidas.”
Nina Simon, The art of relevance
“(...) mas porque ali, naquele espaço, e naquele momento, é dado ao
sujeito viver o inexplicável, a emoção, o choque diante de uma
experiência estética que o faz chorar, ou se alegrar, ou se irritar e
bravejar.. que coloca diante do lado mágico da vida, aquele que mais
se aproxima da razão da existência humana....”
Marta Porto, Imaginação: reinventando a cultura
“[O MNAA] é um museu
essencialmente de arte
europeia concebida para
a igreja e para palácios ou
casas nobres. Por isso, a
visão das obras de arte do
MNAA é sempre
duplamente eurocêntrica
e muito pouco crítica da
sociedade, a não ser em
pontos muito marginais.”
“O negro, que não era desconhecido
na Europa, nem na Antiguidade nem na
Idade Média, é profundamente
representado na nossa pintura
antiga. Se eu quisesse fazer uma
exposição sobre o negro no MNAA, ela
seria meramente ilustrativa, sem trazer
muitas questões, ou muito falsa. O que
é que me interessa ter 50 Adorações
dos Magos em que um é negro? Um
museu é um discurso, um pensamento,
sempre objectualizado, feito pelas
obras de arte que tem para mostrar.”
MNAA, exposição “Cidade Global” (2017)
“E, no entanto, eles e elas lá estavam
naquelas pinturas. Era impossível não os
ver. Aqui, um homem negro acorrentado.
Ali, mulheres negras carregando água do
Chafariz d’El Rei. Acolá, um escravo cheio
de dejetos porque um penico lhe rebentou
em cima enquanto o transportava à
cabeça. Seria impossível representar a
Lisboa do século XVI sem que ela tivesse
muitos escravos. ”
“Não só, mas não há mal nenhum em
que, apesar da espuma dos dias,
existam instituições mais ou menos
perenes com este cunho identitário
fortíssimo. Não me interessa ter um
museu particularmente sexy no debate
contemporâneo e não cumprir a função
essencial em relação à sociedade
actual e à vindoura que é a
preservação deste espólio.”
“Não posso construir uma memória falsa dos
séculos XVI, XVII, XVIII e XIX para responder a
uma ânsia, muito justa, de igualdade dos dias
de hoje. Não posso inventar um passado
democrático porque isso não é só errado, é
também perigoso.”
“As coisas precisam de mudar. Novas leis e políticas irão
ajudar, mas qualquer movimento em direcção a uma maior
compreensão e comunicação cultural e racial deve ser apoiado
pela infra-estrutura cultural e educativa do nosso país. Os
museus fazem parte desta rede educativa e cultural. Qual deve
ser o nosso papel (papéis)?
Museums respond to Ferguson
“Como mediadores culturais, todos os museus devem
comprometer-se em identificar de que forma podem relacionar-
se com questões contemporâneas relevantes,
independentemente da sua colecção, foco ou missão.”
Museums respond to Ferguson
“Até agora, apenas a Association of African American
Museums emitiu uma declaração formal sobre as questões
mais amplas relacionadas com Ferguson, Cleveland e Staten
Island. Acreditamos que o silêncio de outros museus envia uma
mensagem de que estas questões são uma preocupação
apenas para os afro-americanos e os museus afro-americanos.
Sabemos que este não é o caso.”
Museums respond to Ferguson
The museum “and”
Elaine Heumann Gurian
Civilizing the Museum
• Necessidade de uma outra visão;
• Intersecção em constante mudança
entre museus e comunidades;
• Declaração clara de missão;
• Porque é que fazemos o que fazemos;
• Outro tipo de liderança;
• Requisito de estudos em museologia;
• Promover a diversidade e repensar as
hierarquias dentro das equipas;
• Museus permeáveis;
• Os museus não são neutros;
• Parte da infra-estrutura cultural e
educativa do país
mariavlachou.pt@gmail.com
Blog: Musing on Culture
acessocultura.org
Obrigada!
#representationmatters

O que são e para que servem os museus?

  • 1.
    O que sãoe para que servem os museus? Conversas em Rede | Rede Cultura 2027 Torres Novas, 2.3.2020
  • 2.
    A actual definição: “Omuseu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.”
  • 3.
    A actual definição: “Omuseu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.”
  • 4.
    A actual definição: “Omuseu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite.”
  • 6.
    Rede de Museus deV.N.Famalicão
  • 7.
    A proposta parauma nova definição: “Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e polifónicos para um diálogo crítico sobre os passados e os futuros. Reconhecendo e abordando os conflitos e desafios do presente, guardam artefactos e espécimes para a sociedade, salvaguardam diversas memórias para as gerações futuras e garantem direitos iguais e acesso igual ao património para todas as pessoas. Os museus não têm fins lucrativos. São participativos e transparentes, e trabalham em parceria activa com e para diversas comunidades para coleccionar, preservar, pesquisar, interpretar, expor e melhorar diversas compreensões do mundo, visando contribuir para a dignidade humana e a justiça social, a igualdade global e o bem-estar planetário."
  • 8.
    A proposta parauma nova definição: “Os museus são espaços democratizantes, inclusivos e polifónicos para um diálogo crítico sobre os passados e os futuros. Reconhecendo e abordando os conflitos e desafios do presente, guardam artefactos e espécimes para a sociedade, salvaguardam diversas memórias para as gerações futuras e garantem direitos iguais e acesso igual ao património para todas as pessoas. Os museus não têm fins lucrativos. São participativos e transparentes, e trabalham em parceria activa com e para diversas comunidades para coleccionar, preservar, pesquisar, interpretar, expor e melhorar diversas compreensões do mundo, visando contribuir para a dignidade humana e a justiça social, a igualdade global e o bem-estar planetário."
  • 9.
    “O British Museumnão é uma coisa boa por si só. Só é bom na medida em que a sua influência no mundo é para o bem. A colecção é um ponto de partida, uma oportunidade, um instrumento. Será que o museu a vai utilizar para influenciar o futuro do planeta e dos seus povos? (…) ” Ahdaf Soueif
  • 10.
    E se fechássemosamanhã, quem ia chorar por nós?
  • 11.
    E se ardêssemosamanhã, quem ia chorar por nós?
  • 12.
    E se ardêssemosamanhã, quem ia chorar por nós? “Isto é a génese do nosso país… Do teu país… Do teu… Do teu… Do meu. Por aqui passaram D. João VI, D. Pedro I, D. Pedro II; a princesa Isabel nasceu aqui…” Alexander Kellner, Museu Nacional, Rio de Janeiro
  • 14.
    “A relevância éuma chave que desbloqueia o significado. Abre as portas para experiências que nos interessam, nos surpreendem e trazem valor para nossas vidas.” Nina Simon, The art of relevance
  • 16.
    “(...) mas porqueali, naquele espaço, e naquele momento, é dado ao sujeito viver o inexplicável, a emoção, o choque diante de uma experiência estética que o faz chorar, ou se alegrar, ou se irritar e bravejar.. que coloca diante do lado mágico da vida, aquele que mais se aproxima da razão da existência humana....” Marta Porto, Imaginação: reinventando a cultura
  • 18.
    “[O MNAA] éum museu essencialmente de arte europeia concebida para a igreja e para palácios ou casas nobres. Por isso, a visão das obras de arte do MNAA é sempre duplamente eurocêntrica e muito pouco crítica da sociedade, a não ser em pontos muito marginais.”
  • 19.
    “O negro, quenão era desconhecido na Europa, nem na Antiguidade nem na Idade Média, é profundamente representado na nossa pintura antiga. Se eu quisesse fazer uma exposição sobre o negro no MNAA, ela seria meramente ilustrativa, sem trazer muitas questões, ou muito falsa. O que é que me interessa ter 50 Adorações dos Magos em que um é negro? Um museu é um discurso, um pensamento, sempre objectualizado, feito pelas obras de arte que tem para mostrar.”
  • 20.
  • 21.
    “E, no entanto,eles e elas lá estavam naquelas pinturas. Era impossível não os ver. Aqui, um homem negro acorrentado. Ali, mulheres negras carregando água do Chafariz d’El Rei. Acolá, um escravo cheio de dejetos porque um penico lhe rebentou em cima enquanto o transportava à cabeça. Seria impossível representar a Lisboa do século XVI sem que ela tivesse muitos escravos. ”
  • 22.
    “Não só, masnão há mal nenhum em que, apesar da espuma dos dias, existam instituições mais ou menos perenes com este cunho identitário fortíssimo. Não me interessa ter um museu particularmente sexy no debate contemporâneo e não cumprir a função essencial em relação à sociedade actual e à vindoura que é a preservação deste espólio.”
  • 24.
    “Não posso construiruma memória falsa dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX para responder a uma ânsia, muito justa, de igualdade dos dias de hoje. Não posso inventar um passado democrático porque isso não é só errado, é também perigoso.”
  • 26.
    “As coisas precisamde mudar. Novas leis e políticas irão ajudar, mas qualquer movimento em direcção a uma maior compreensão e comunicação cultural e racial deve ser apoiado pela infra-estrutura cultural e educativa do nosso país. Os museus fazem parte desta rede educativa e cultural. Qual deve ser o nosso papel (papéis)? Museums respond to Ferguson
  • 27.
    “Como mediadores culturais,todos os museus devem comprometer-se em identificar de que forma podem relacionar- se com questões contemporâneas relevantes, independentemente da sua colecção, foco ou missão.” Museums respond to Ferguson
  • 28.
    “Até agora, apenasa Association of African American Museums emitiu uma declaração formal sobre as questões mais amplas relacionadas com Ferguson, Cleveland e Staten Island. Acreditamos que o silêncio de outros museus envia uma mensagem de que estas questões são uma preocupação apenas para os afro-americanos e os museus afro-americanos. Sabemos que este não é o caso.” Museums respond to Ferguson
  • 30.
    The museum “and” ElaineHeumann Gurian Civilizing the Museum • Necessidade de uma outra visão; • Intersecção em constante mudança entre museus e comunidades; • Declaração clara de missão; • Porque é que fazemos o que fazemos; • Outro tipo de liderança; • Requisito de estudos em museologia; • Promover a diversidade e repensar as hierarquias dentro das equipas; • Museus permeáveis; • Os museus não são neutros; • Parte da infra-estrutura cultural e educativa do país
  • 31.
    mariavlachou.pt@gmail.com Blog: Musing onCulture acessocultura.org Obrigada! #representationmatters