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Poesia : Convite - José Paulo Paes - Criação de uma poesia a partir de outra
poesia
Autor e Coautor(es)
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
-reconhecer a estrutura textual de uma poesia
-utilizar concordância verbal e nominal
-construir um texto poético
Duração das atividades
4 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
-identificação de um texto poético
-ordenação de ideias de um texto
-percepção da função dos sinais de pontuação
Estratégias e recursos da aula
1º momento:
Apagar a luz e criar, na sala de aula, um ambiente acolhedor com uma música instrumental ao fundo
ou de sons da natureza e objetos como lua, sol, estrelas, caixinha de música, coração de pelúcia,
relógio, um livro de poesia, um quadro de Monet ou de um pintor da sua escolha e tudo mais que a
sua imaginação mandar. É importante que o ambiente deixe as emoções das crianças fluírem.
Peça que as crianças pensem em todas as emoções que a música traz e o que ela faz lembrar.
Neste momento, a luz é acesa, o professor senta com a turma em roda e coloca no centro plaquinhas
com palavras e desenhos que demonstre algumas emoções.
Sugiro que nas placas tenham as palavras amor, tristeza, alegria,calor e nos desenhos coração,
bomba, carinha sorriso e tudo mais que você imaginar e puder representar a expressão das emoções.
O professor pede que, a criança que desejar, fale sobre o que lembrou ou sentiu ou utilize as
plaquinhas para expressar suas emoções.
Depois, lê um poema para a turma. Sugiro “Os poemas” de Mario Quintana:
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Os alunos também utilizarão as plaquinhas levantando, no final ou no momento que quiser do
poema, para falar de suas emoções. É importante ressaltar que no momento que o aluno levanta a
plaquinha, ele expressa a sua emoção dentro do poema, sem interromper a leitura do mesmo.
O professor entrega um óculos de plástico (encontrado nos magazines populares) para as crianças e
explica que esse óculos o faz enxergar a grandeza da vida como ninguém. As crianças colocam o
óculos e olham o mundo com o olhar de um poeta, onde surgirão imagens indescritíveis.
O professor entrega uma folha de papel para cada criança escrever e desenhar as suas imagens (é
um poema!). Esses poemas ficarão expostos na sala de aula no varal de poesias da turma.
2º momento:
Selecione alguns poemas para serem distribuídos pela turma. Apresente os livros de onde foram
tirados os poemas e comente sobre os poetas, em uma breve e interessante biografia.
Peça para as crianças, em grupo, escolherem um poema e criar sons para eles (com os pés, com a
boca ou com instrumentos musicais trazidos pelo professor ou pelas crianças). Uma outra sugestão
é o professor ler uma poesia e as crianças criarem o som ou integrar poesia, som e movimento.
Caçada à Poesia
A turma, já dividida em grupos de 4 ou 5 alunos, receberá uma rede para uma caçada diferente.
Cada grupo terá que caçar um “saquinho poético” que estarão escondidos no pátio da escola. No
saquinho terá a poesia “Convite” de José Paulo Paes desmembrada, recortada em palavras e
pontuações.
Convite
Poesia
é brincar com as palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
3º momento:
Depois que todos os grupos encontrarem os saquinhos poéticos, o professor reunirá esses grupos no
pátio e fará a seguinte proposta:
“Os poemas são pássaros que se alimentam em nós...”`É por isso que precisamos libertar esses
poemas! Então, vamos libertá-los?
Cada grupo vai abrir o seu saquinho e libertar as palavras, formando um poema com elas.
POESIA EM SALA DE AULA
A revista NOVA ESCOLA trouxe um interessante plano de aula sobre poesia que pode ser
convertido em um ótimo projeto. Apesar de dedicado ao ensino fundamental, nada impede que
possa ser extensível ao nível médio, bastando o professor buscar incrementar o material de forma
mais abrangente. Transcrevo aqui o material da revista para ajudar aqueles que desejarem trabalhar
o tema.
Belinha.
Os poetas e o fazer poético
Introdução
Professor, este trabalho aborda um conteúdo pouco ensinado atualmente - a poesia. O assunto é
amplo e evidentemente não será esgotado aqui. Mas, antes de começar, gostaríamos de sugerir uma
reflexão sobre por que ensinar poesia na escola vale a pena:
- a poesia desperta a sensibilidade para a manifestação do poético no mundo, nas artes e nas
palavras;
- o convívio com a poesia favorece o prazer da leitura do texto poético e sensibiliza para a produção
dos próprios poemas;
- o exercício poético ajuda no desenvolvimento de uma percepção mais rica da realidade, aumenta a
familiaridade com a linguagem mais elaborada da literatura e enriquece a sensibilidade.
O poeta José Paulo Paes diz em seu livro É isso ali: “A poesia não é mais do que uma brincadeira
com as palavras. Nessa brincadeira, cada palavra pode e deve significar mais de uma coisa ao
mesmo tempo: isso aí é também isso ali. Toda poesia tem que ter uma surpresa. Se não tiver, não é
poesia: é papo furado.”
Objetivos
O aluno deverá ser capaz de escutar, ler, compreender, interpretar, declamar e produzir poemas.
Também deve reconhecer e fazer uso de recursos da linguagem poética, quanto à sonoridade.
Conteúdos
- Revisão dos conceitos de poesia e poema, rima, verso e estrofe.
- Recursos da linguagem poética, quanto à sonoridade: rima e aliteração.
Ano
8° e 9° anos
Tempo estimado
10 aulas de 50 minutos
Materiais necessários
- Fotos e biografias de alguns autores, cujos poemas serão estudados em classe.
- Computadores com acesso à internet, livros de poesia.
Desenvolvimento das atividades
Organização da sala
Para a discussão dos temas, divida a turma em pequenos grupos, em duplas e, às vezes, outros
momentos, abra uma roda, para que todos participem.
Ambiente favorável
Para criar um ambiente favorável ao estudo, leve para a classe imagens e breves biografias dos
poetas que serão lidos em sala de aula. Os alunos devem ser solicitados para também pesquisarem
imagens e biografias. Organize um painel num canto da sala com esse material e dê um título a ele,
ou faça um concurso entre os alunos para a escolha do nome da área. À medida que o trabalho vai
avançando, ali podem ser fixados poemas de autores escolhidos pelos alunos ou poemas produzidos
por eles
Mão na massa
Comece esta seqüência explicando para a classe que eles vão conhecer como alguns poetas
explicam poeticamente o que é fazer poesia, e assim, ampliar o estudo da linguagem poética.
Para introduzir o assunto e conhecer o que pensam os alunos sobre o tema, pergunte a eles: O que é
poesia? O que move alguém a fazer um poema? Alguém da turma já escreveu um poema? Em que
um texto científico é diferente de um poema?
Poesia e Poema querem dizer a mesma coisa?
No ensino da poesia, é muito comum haver confusão entre o que é poesia e o que é poema, como se
fossem vocábulos sinônimos. Não são.
Dê um tempo para a classe discutir as questões em pequenos grupos.
Poesia é um termo que vem do grego. No sentido original, poiesis é “a atividade de produção
artística”, “a atividade de criar ou de fazer”. De acordo com essa definição, haverá poesia sempre
que, criando ou fazendo coisas, somos dominados pelo sentimento do belo, sempre que nos
comovermos com lugares, pessoas e objetos. A poesia, portanto, pode estar nos lugares, nos objetos
e nas pessoas. Assim, não só os poemas, mas uma paisagem, uma pintura, uma foto, uma dança, um
gesto, um conto, por exemplo, podem estar carregados de poesia. Poema é uma palavra que vem do
latim poema, que significava 'poema, composição em verso; companhia de atores, comédia, peça
teatral', e do gr. poíéma 'o que se faz, obra, manual; criação do espírito, invenção'. Poema é poesia
que se organiza com palavras.
Roda de conversa
Depois, abra uma roda de conversa e solicite que contem o que pensaram. Essa conversa dará a
você, professor, uma idéia do que seus alunos já sabem ou pensam sobre poesia. Na roda de
conversa, eles vão expor o conhecimento prévio que têm do tema.
Prepare-se para ler
Em seguida, diga aos alunos que você vai ler para eles três famosos poemas, dos não menos
famosos poetas: Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa. Os poemas
são semelhantes no tema: os três falam do fazer poético. Não leia todos os poemas de uma vez. Dê
uma atenção especial a cada um. Estude previamente a leitura dos textos. Prepare-se para ler. Leia
os poemas para a classe com bastante expressividade.
Primeira Leitura
Antes de começar a leitura, pergunte para a classe se eles sabem queal é o tema do poema "Motivo”,
de Cecília Meireles.
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles
Para compreender melhor: canção e poesia
Peça aos alunos para observarem que Cecília Meireles chama seu poema de “canção”.
Existe uma explicação histórica para isso. Forneça à classe o trecho a seguir:
“Remonte-se à Antigüidade greco-latina ou à Idade Média e evidente será a interdependência entre
música e literatura. Na época medieval, por exemplo, os trovadores compunham seus textos
poéticos - as cantigas - para serem cantados e acompanhados de instrumentos como a lira. Mas com
o advento de novas práticas formais, os textos literários separaram-se da melodia, resultando no
estabelecimento de dois gêneros distintos: o poema, gênero literário, e a canção, gênero lítero-
musical.”
Fonte: www.ufes.br/~mlb/multiteorias/pdf/FernandaScopeFalcaoOPemaEACancao.pdf
Conversa com o texto
Forneça questões que vão ajudar os alunos a compreender melhor o texto. Peça que, em duplas, eles
respondam as questões no caderno. Eis algumas:
1. Explique por que o poema se chama “Motivo”.
2. Em que sentido a autora diz “Eu canto”?
autora usa palavras no masculino como se quem está falando no poema é um homem. Quais são
essas palavras?
4. Qual é o motivo que tudo justifica na vida do “eu-lírico” do poema? Justifique sua resposta,
citando versos do poema.
5. Tomando como base a questão anterior, o “eu-lírico” de um poema pode ser outro, em relação ao
escritor do poema? Por exemplo, o “eu-lírico” pode ser uma criança e o autor ser um adulto?
6. Com a ajuda do professor(a), pesquise uma letra de canção do compositor Chico Buarque, em
que o “eu-lírico” é uma mulher.
Conversa sobre o texto
Reúna os alunos em círculo para conversar sobre o texto. Depois de terem discutido as questões em
dupla, os alunos já têm o que falar sobre ele. Abra um espaço de discussão sobre o que foi
entendido. Aqui, não existem respostas certas. O mais importante é a oportunidade para todos
expressarem seus pontos de vista - o que entenderam, pensaram e sentiram, a partir da leitura e
estudo do poema. Coloque as questões de compreensão em debate.
Segunda Leitura
Em outra aula, prepare-se para ler o poema “Autopsicografia”, do português Fernando Pessoa. Dê
informações sobre a vida e obra desse importante poeta.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
Vocabulário
Explique que, em língua portuguesa de Portugal, calhas de roda são trilhos e comboio de corda é
um trem de brinquedo.
Conversa com o texto
Ajude os alunos a compreender melhor o texto. Peça que, em duplas, respondam no caderno:
1. O que é “autopsicografia”? Observe que na formação dessa palavra entraram: auto, psico e grafia.
Você conhece outras palavras com esses radicais gregos?
2. Explique o que você compreende dos quatro primeiros versos:
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"
3. Analise os versos seguintes:
"E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm"
a) A quem se referem as formas verbais no plural: lêem, sentem e têm?
b) O que você compreende por “a dor lida”?
c) A quem se referem as formas verbais no singular: escreve e teve?
d) Que palavra foi omitida neste verso: Não as duas que ele teve?
e) E nesse verso, que palavra foi omitida: Mas só a que eles não têm.?
4. Como você explica os quatro versos que acabou de analisar?
5. Nos versos a seguir, o poeta sintetiza o que disse nos versos anteriores. Vamos analisá-los:
"E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração"
a) O que gira nas calhas de roda (trilhos de trem)?
b) Que nome o poeta dá para a palavra “coração”?
c) O que significa na língua portuguesa de Portugal a expressão “comboio de corda”?
d) Com que finalidade o coração gira nas calhas de roda?
Conversa sobre o texto
Reúna os alunos em círculo para conversar sobre o foi lido. Abra um espaço de discussão sobre o
entendimento do texto. Crie um clima favorável para que todos expressem seus pontos de vista - o
que entenderam, pensaram e sentiram, a partir da leitura e estudo do poema.
Terceira leitura
Escolha um bom momento para ler Procura da Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. É um
poema lindíssimo e longo que vai exigir tempo. Uma sugestão é que você o deixe como síntese de
tudo que for estudado nesta unidade.
Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
Não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem: rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara: ermas de melodia e conceito,
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Fonte: http://www.culturapara.art.br/opoema/carlosdrummond/carlosdrummond.htm
Conversa sobre o texto
Proponha que os alunos façam as atividades abaixo em duplas:
1. Em que versos está expressa a seguinte ideia: “Parece nulo o poder do poeta sobre as palavras.
Elas existem autônomas em estado latente. Mas não basta apanhá-las e justapô-las. Não se faz
poesia assim. No entanto, se as palavras rodopiam na frente do poeta, elas também não podem
prescindir dele, pois é a chave do poeta que abrirá as portas para que elas saiam da latência em que
se encontram.”? (O FAZER POÉTICO EM DRUMMOND, Fábio Della Paschoa Rodrigues) -
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/f00004.htm
2. De que estrofe você mais gostou? Leia-a para os colegas e explique por que você a escolheu.
Atividades de revisão
Proponha as seguintes atividades para serem feitas em trio:
1. Quantos versos e quantas estrofes têm cada poema lido?
2. Leia em voz alta um dos poemas para os colegas e peça para eles perceberem as rimas. Depois,
troquem a posição, até as rimas dos três poemas terem sido percebidas. Discutam se todos os
poemas lidos têm rima.
Peça que os alunos comparem como Cecília Meireles, Pessoa e Drummond vêem o fazer poético.
Há pontos semelhantes? Quais?
Avaliação
Este é o momento de saber se eles, de fato, aprenderam aquilo que você queria que aprendessem. Se
não aconteceu, você deve buscar as causas e reorientar a prática.
Atividades de avaliação
Produção de texto - Por meio dos textos que os alunos irão produzir, você avaliará o que
compreenderam do que foi estudado e se os seus objetivos de aprendizagem foram atingidos.
Ensine que nenhum texto nasce pronto. Para ficar bom, é preciso escrevê-lo e reescrevê-lo muitas
vezes, como fazem os bons escritores.
Diga à classe que cada um planeje o que vai escrever, faça rascunho, revise e finalmente passe a
limpo seu poema. Reúna as produções dos alunos e exponha-as num mural ou organize uma
antologia:
1. O fazer poético - Solicite que escrevam para o 7° ano, um texto expositivo em que explique o que
é o fazer poético. Esse texto deve ser de pronto, marque um encontro com os colegas do 7° ano.
Avise que os textos que escreveram serão avaliados por esses colegas. O leitor é que dirá se
entendeu a explicação dada no texto lido por ele. Será considerado bom o texto que conseguiu dar
uma explicação satisfatória para o leitor de outra série.
2. Imite o poeta - Peça que produzam um poema em que falem o que é o fazer poético. Esse texto
deve ser em versos, distribuídos em estrofes, com rima. Enfatize que poesia é invenção.
O grupo receberá uma folha de cartolina ou papel 40 quilos para colar a poesia “construída” por ele.
Antes da construção da poesia, rever com a turma alguns pontos importantes que serão avaliados no
final da produção:
-concordância verbal e nominal
-versos contendo ideias completas
-utilização da pontuação adequada
4º momento:
Cada grupo apresentará a sua poesia para a turma.
O professor também poderá pedir que cada grupo apresente a sua poesia integrando som e
movimento.
Os alunos deverão observar a construção do texto poético de cada grupo apresentado através dos
pontos destacados anteriormente para a construção do texto.
Então, o professor apresentará a poesia original e as crianças descobrirão que a original é bela, mas
A INTERTEXTUALIDE EM “BALADA DO AMOR ATRÁS DAS IDADES”.
Suely LEITE (PG/UEL)
ABSTRACT: This article analyzes the poem Balada do amor atrás das idades by Carlos Drummond
de Andrade, trying to find in this text the presence of the argumentativ resources als the
intertextuality. .
KEYWORDS: argumentativ resources, intertextuality Drummond.
0. Introdução
Este artigo tem por objetivo verificar os processos de intertextualidade utilizados por Carlos
Drummond de Andrade, no poema “Balada do amor atrás das idades”, publicado em 1969, no livro
intitulado Reunião. O caminho percorrido pelo autor para a construção do poema está centrado na
intertextualidade, recurso ligado à tessitura argumentativa do texto e considerado um dos principais
fatores de textualidade.
1. Fundamentação teórica
A linguagem é um instrumento de comunicação cujo objetivo, além de informar, é persuadir e
convencer através das palavras que nascem e ganham sentido no interior de determinados
contextos: “a linguagem, como se sabe, é sempre, em maior ou menor grau, uma forma de
persuasão, de levar o outro a aderir a um ponto de vista”. (Brait, 1994/1995:20).
Quando se produz um discurso há sempre a presença de um outro, que recebe várias denominações
em várias instâncias: leitor, co-enunicador, receptor. Embora tenha denominações diferentes, em
diversos contextos, o outro faz parte do discurso: “se num primeiro nível de análise é o locutor que
se coloca em evidência, num nível mais profundo, é possível observar que o ouvinte é um agente
indireto do discurso na medida em que é nele que se justifica o próprio discurso”. (Osakabe, 1999:
54).
A relação com o outro está na entrelinha de um discurso que opta pela relação dúbia com este outro,
“quem enuncia é, no momento específico em que enuncia, a entidade dominante, na medida em que
é ela quem manipula as coordenadas do discurso”. (Osakabe, 1999: 70).
É preciso que esse outro, ouvinte ou leitor, participe efetivamente da construção de sentidos de um
texto, e esteja capacitado para reconhecer os vários recursos enunciativos ou de argumentação
presentes no discurso. Entre esses procedimentos, destaca-se o princípio de dialogismo.
O pensamento de Bakhtin revelado em suas obras, apesar de plural, tem uma unidade garantida pela
centralidade da linguagem, cujo método de análise é a dialética. Dialogismo é o conceito que
permeia toda a sua obra. É o princípio constitutivo da linguagem. A concepção dialógica contém a
idéia da relatividade da autoria individual e conseqüentemente o destaque do caráter coletivo, social
da produção de idéias e textos. O próprio ser humano é um intertexto, não existe isolado, sua
experiência se tece , entrecruza-se com o outro. Pensar em relação dialógica é remeter a um outro
princípio: a não autonomia do discurso. As palavras estão sempre e inevitavelmente atravessadas
pelas palavras de um outro. Todos são sujeitos da enunciação – enunciador e enunciatário, porque o
caráter interativo consiste na possibilidade de transformação, seja pelo enunciador, seja pelo
enunciatário. É a idéia da palavra em movimento, o poder da palavra, por meio dela, os sujeitos são
postos em ação para reproduzir ou mudar o social.
Para Bakhtin, (1981, p. 263), o texto é uma tessitura polifônica que dialoga com vários outros
textos, outras vozes. Julia Kristeva (1974, p. 43), considerou o fenômeno do dialogismo textual
como intertextualidade.
A intertextualidade constitui-se em um dos recursos de construção de sentido e de argumentação
mais utilizados em textos literários. Para Perrone-Moisés (1993, p. 59), ‘e “em todos os tempos, o
texto literário surgiu relacionado com outros textos anteriores ou contemporâneos, a literatura
sempre nasceu da e na literatura”.
Segundo Frasson (1992, p. 90), “para captar a intertextualidade, é preciso ativar o conhecimento de
mundo, aquele que está armazenado na memória, pela vivência, como também o conhecimento
partilhado, que determina a estrutura informacional, e que, juntos, darão sentido ao texto”. É
necessário que haja, por parte de quem recebe o texto, um repertório ou memória cultural e literária
para decodificar os textos superpostos e reconhecer a intencionalidade do autor ao usar este recurso
que está intimamente ligado ao fator de argumentatividade. Koch (1986, p. 40), afirma que a
intertextaulidade constitui um dos poderosos fatores de textualidade, estando subjacente a ela em
maior ou menor grau, a argumentatividade.
Argumentação, intertextualidade, intencionalidade, são procedimentos que estão interligados e que
direcionam a leitura de um texto, portanto, devem ser identificados, reconhecidos e interpretados
pelo leitor.
2. Análise do corpus
Em “Balada do amor atrás das idades”, tem-se o trajeto de personagens apaixonados que encontram
obstáculos para a realização desse amor. Em tempos mais amenos, acontece a realização parcial
desse amor, porém, os jovens apaixonados não podem viver juntos. Só na última estrofe, ocorre de
fato uma alteração na estrutura narrativa do poema: o amor parece realizar-se. O poeta usa de
intertextos para mostrar que mudam as personagens, os espaços, os tempos e as circunstâncias, mas
não se altera, a não ser nos tempos modernos, o resultado de um amor entre pessoas marcadas por
diferenças.
A primeira estrofe aborda a guerra entre gregos e troianos. O personagem narrador coloca-se como
grego, e a amada como troiana. A diferença entre ambos é marcada por questões políticas, e há
impossibilidade da realização amorosa. O autor recupera a epopéia literária escrita por Homero no
séc. IX a.C. A Ilíada tem como assunto a guerra de Tróia (originalmente esta cidade se chamava
Ílion, daí o nome Ilíada), que ocorreu presumidamente no século XIII a.C. O motivo do ataque dos
aqueus a Tróia é o rapto de Helena, esposa de Menelau, por Páris, que ali se refugia com a moça. Os
aqueus, chefiados por Agamenon, cercam a cidade, tentando resgatar Helena. O chefe dos troianos é
Heitor, irmão de Páris. Depois de inúmeras batalhas, os aqueus conseguem lançar mão de uma
estratégia para vencer as muralhas da cidade: deixam à sua porta um gigantesco cavalo que traz no
seu interior os guerreiros. Os troianos, presumindo que fosse um presente, o acolhem. Já dentro da
cidade, os aqueus a incendeiam e destroem-na, vencendo, enfim, a guerra.
É preciso que o leitor tenha conhecimento deste texto para entender a ênfase dada às diferenças que
marcam os personagens. É importante saber do que trata a Íliada, a menção aos troianos, à
personagem Helena, a referência ao episódio do cavalo de pau.
“Eu era grego, você troiana,
troiana, mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão”.
Enfim, é impotante que o leitor recupere esses elementos literários e históricos para que analise se
há na construção escolhida pelo autor uma simples informação poética ou uma crítica aos contextos
citados no poema.
Em outros tempos, há a retomada das diferenças religiosas, a perseguição feita pelos romanos aos
cristãos. “Virei soldado romano,/ perseguidor de cristãos. Há uma referência à passagem bíblica em
que Daniel é lançado à cova dos leões. Se no texto bíblico ocorre o milagre da sobrevivência de
Daniel, no texto de Drummond, os personagens são devorados pelos ferozes animais, e novamente
não concretizam sua união. A diferença religiosa é realçada aqui, e será apenas uma citação igênua
ou um olhar mais perspicaz acerca das intolerâncias que acompanham a humanidade.
A terceira estrofe aborda a questão das diferenças geográficas e da invasão da Península Ibérica. No
texto, há a menção à Tripolitânia, e se o leitor não acionar o seu conhecimento sobre a história,
provavelmente a leitura e o sentido do texto estarão comprometidos. A conquista e a ocupação da
Ásia e da África ocorreram através da força militar e da violência. Aventureiros, traficantes, homens
ambiciosos fizeram parte das expedições que usaram de todos os meios como saques, destruição de
aldeias, escravização da população, requisição forçada de alimentos para o domínio da região
desejada. Os imperialistas defendiam a necessidade de se fornecer proteção aos comerciantes,
missionários ou aventureiros que se encontravam longe da pátria. 0 ataque a cidadãos europeus,
principalmente religiosos, fornecia o pretexto para a intervenção armada na Ásia e na África e a
região da Tripolitânia, hoje território da Líbia, acabou sendo fixada à expansão italiana. Aqui, a
diferença de interesses econômicos e políticos é o que leva os personagens à morte, aliás, uma
morte que lembra o final de Romeu e Julieta, personagens Shakesperianos: “... e rasgou o peito a
punhal.../ Me suicidei também”.
Em tempos mais amenos, não mais são as diferenças entre os personagens que os impedem de
concretizar o amor que sentem, pois ambos estão contemplados socialmente, ambos pertencem à
aristocracia francesa, ela pertence ao clero e ele é um nobre que desfruta dos privilégios da corte:
“.... fui cortesão de Versailles,/ espirituoso e devasso./ Você cismou de ser freira...”. A diferença
está na posição social e política que comprometem os personagens na época e no país em que
vivem. Aqui, o leitor terá que reconstituir todos os fatos históricos desde a Queda da Bastilha , a
prisão e morte do rei Luís XVI, executado na guilhotina até a Revolução Francesa.
Na última estrofe, as diferenças são superadas, ainda que virtualmente.Os personagens aparecem
como pessoas do mesmo nível social, com os mesmos interesses, vivem sob a égide da influência
cinematográfica que determina o que é a moda, que dita os padrões de comportamento a serem
seguidos: “Hoje sou moço moderno,/ remo, pulo, danço, boxo, / tenho dinheiro no banco. / Você é
uma loura notável,/ boxa, dança, pula, rema”. A descrição é típica de personagens de filmes
americanos, e o final, também, característico do mundo da ficção no cinema: “Mas depois de mil
peripécias,/ eu, herói da Paramount,/ te abraço, beijo e casamos”.
As diferenças são claramente marcadas pela intertextualidade que aparece na composição dos
personagens: ele, ora grego, romano, mouro, nobre; ela, troiana, cristã, ibérica e freira. Os espaços
que aparecem no poema também estão marcados por aspectos intertextuais: Grécia, Roma,
Península Ibérica, França e Brasil. Cabe ao leitor reconstituir todos esses intertextos para que possa
construir o sentido do texto, entender, ou pelo menos estar atento às intenções do autor ao trazer
para o poema outros textos, em outros contextos. Cabe ao leitor questionar-se sobre o que
Drummond está falando, sobre uma estória de amor impossível ? Ou sobre relações humanas
desastrosas, que culminam em mortes ? Idealismo confundido com interesses, diferenças como
sinônimo de intolerância? Cada leitura provavelmente encontrará sua resposta, depende do olhar, do
conhecimento de mundo, do saber compartilhado, da capacidade de reconhecer cada texto
sobreposto no poema, enfim, de cada leitor.
2. Considerações finais:
A intertextualidade como recurso argumentativo depende não só da intencionalidade do autor, mas
também do modo como o leitor percebe essa construção. Recepção e produção de texto constituem
os dois lados de uma mesma situação comunicativa.
O estudo da intertextualidade, não só literária, constitui-se em uma prática de leitura crítica do
mundo e cabe aqui as palavras de Toledo (1996, p. 164): “A intertextualidade é como reflexo de
muitos sujeitos em uma manifestação individual. Em épocas de desagregação sócio-cultural é ela
quem confere uma possível estruturação ao estilhaçamento dos discursos” e como Drummond já
dizia “Este é tempo de partida/ Tempo de homens partidos”.
RESUMO: Este artigo tem por objetivo reconhecer as marcas de intertextualidades que são como o
fio condutor da construção do poema “Balada do amor atrás das idades”, e alertar para os efeitos de
sentido que esse recurso suscita e ainda a argumentação que pode estar implícita em cada texto
resgatado no poema.
Balada do Amor através das Idades Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'

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  • 1. Poesia : Convite - José Paulo Paes - Criação de uma poesia a partir de outra poesia Autor e Coautor(es) Dados da Aula O que o aluno poderá aprender com esta aula -reconhecer a estrutura textual de uma poesia -utilizar concordância verbal e nominal -construir um texto poético Duração das atividades 4 aulas de 50 minutos Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno -identificação de um texto poético -ordenação de ideias de um texto -percepção da função dos sinais de pontuação Estratégias e recursos da aula 1º momento: Apagar a luz e criar, na sala de aula, um ambiente acolhedor com uma música instrumental ao fundo ou de sons da natureza e objetos como lua, sol, estrelas, caixinha de música, coração de pelúcia, relógio, um livro de poesia, um quadro de Monet ou de um pintor da sua escolha e tudo mais que a sua imaginação mandar. É importante que o ambiente deixe as emoções das crianças fluírem. Peça que as crianças pensem em todas as emoções que a música traz e o que ela faz lembrar. Neste momento, a luz é acesa, o professor senta com a turma em roda e coloca no centro plaquinhas com palavras e desenhos que demonstre algumas emoções. Sugiro que nas placas tenham as palavras amor, tristeza, alegria,calor e nos desenhos coração, bomba, carinha sorriso e tudo mais que você imaginar e puder representar a expressão das emoções. O professor pede que, a criança que desejar, fale sobre o que lembrou ou sentiu ou utilize as plaquinhas para expressar suas emoções. Depois, lê um poema para a turma. Sugiro “Os poemas” de Mario Quintana: Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo
  • 2. como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... Os alunos também utilizarão as plaquinhas levantando, no final ou no momento que quiser do poema, para falar de suas emoções. É importante ressaltar que no momento que o aluno levanta a plaquinha, ele expressa a sua emoção dentro do poema, sem interromper a leitura do mesmo. O professor entrega um óculos de plástico (encontrado nos magazines populares) para as crianças e explica que esse óculos o faz enxergar a grandeza da vida como ninguém. As crianças colocam o óculos e olham o mundo com o olhar de um poeta, onde surgirão imagens indescritíveis. O professor entrega uma folha de papel para cada criança escrever e desenhar as suas imagens (é um poema!). Esses poemas ficarão expostos na sala de aula no varal de poesias da turma. 2º momento: Selecione alguns poemas para serem distribuídos pela turma. Apresente os livros de onde foram tirados os poemas e comente sobre os poetas, em uma breve e interessante biografia. Peça para as crianças, em grupo, escolherem um poema e criar sons para eles (com os pés, com a boca ou com instrumentos musicais trazidos pelo professor ou pelas crianças). Uma outra sugestão é o professor ler uma poesia e as crianças criarem o som ou integrar poesia, som e movimento. Caçada à Poesia A turma, já dividida em grupos de 4 ou 5 alunos, receberá uma rede para uma caçada diferente. Cada grupo terá que caçar um “saquinho poético” que estarão escondidos no pátio da escola. No saquinho terá a poesia “Convite” de José Paulo Paes desmembrada, recortada em palavras e pontuações. Convite Poesia é brincar com as palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas mais novas ficam.
  • 3. Como a água do rio que é água sempre nova. Como cada dia que é sempre um novo dia. Vamos brincar de poesia? 3º momento: Depois que todos os grupos encontrarem os saquinhos poéticos, o professor reunirá esses grupos no pátio e fará a seguinte proposta: “Os poemas são pássaros que se alimentam em nós...”`É por isso que precisamos libertar esses poemas! Então, vamos libertá-los? Cada grupo vai abrir o seu saquinho e libertar as palavras, formando um poema com elas. POESIA EM SALA DE AULA A revista NOVA ESCOLA trouxe um interessante plano de aula sobre poesia que pode ser convertido em um ótimo projeto. Apesar de dedicado ao ensino fundamental, nada impede que possa ser extensível ao nível médio, bastando o professor buscar incrementar o material de forma mais abrangente. Transcrevo aqui o material da revista para ajudar aqueles que desejarem trabalhar o tema. Belinha. Os poetas e o fazer poético Introdução Professor, este trabalho aborda um conteúdo pouco ensinado atualmente - a poesia. O assunto é amplo e evidentemente não será esgotado aqui. Mas, antes de começar, gostaríamos de sugerir uma reflexão sobre por que ensinar poesia na escola vale a pena: - a poesia desperta a sensibilidade para a manifestação do poético no mundo, nas artes e nas palavras; - o convívio com a poesia favorece o prazer da leitura do texto poético e sensibiliza para a produção dos próprios poemas; - o exercício poético ajuda no desenvolvimento de uma percepção mais rica da realidade, aumenta a familiaridade com a linguagem mais elaborada da literatura e enriquece a sensibilidade. O poeta José Paulo Paes diz em seu livro É isso ali: “A poesia não é mais do que uma brincadeira com as palavras. Nessa brincadeira, cada palavra pode e deve significar mais de uma coisa ao mesmo tempo: isso aí é também isso ali. Toda poesia tem que ter uma surpresa. Se não tiver, não é poesia: é papo furado.” Objetivos O aluno deverá ser capaz de escutar, ler, compreender, interpretar, declamar e produzir poemas. Também deve reconhecer e fazer uso de recursos da linguagem poética, quanto à sonoridade. Conteúdos
  • 4. - Revisão dos conceitos de poesia e poema, rima, verso e estrofe. - Recursos da linguagem poética, quanto à sonoridade: rima e aliteração. Ano 8° e 9° anos Tempo estimado 10 aulas de 50 minutos Materiais necessários - Fotos e biografias de alguns autores, cujos poemas serão estudados em classe. - Computadores com acesso à internet, livros de poesia. Desenvolvimento das atividades Organização da sala Para a discussão dos temas, divida a turma em pequenos grupos, em duplas e, às vezes, outros momentos, abra uma roda, para que todos participem. Ambiente favorável Para criar um ambiente favorável ao estudo, leve para a classe imagens e breves biografias dos poetas que serão lidos em sala de aula. Os alunos devem ser solicitados para também pesquisarem imagens e biografias. Organize um painel num canto da sala com esse material e dê um título a ele, ou faça um concurso entre os alunos para a escolha do nome da área. À medida que o trabalho vai avançando, ali podem ser fixados poemas de autores escolhidos pelos alunos ou poemas produzidos por eles Mão na massa Comece esta seqüência explicando para a classe que eles vão conhecer como alguns poetas explicam poeticamente o que é fazer poesia, e assim, ampliar o estudo da linguagem poética. Para introduzir o assunto e conhecer o que pensam os alunos sobre o tema, pergunte a eles: O que é poesia? O que move alguém a fazer um poema? Alguém da turma já escreveu um poema? Em que um texto científico é diferente de um poema? Poesia e Poema querem dizer a mesma coisa? No ensino da poesia, é muito comum haver confusão entre o que é poesia e o que é poema, como se fossem vocábulos sinônimos. Não são. Dê um tempo para a classe discutir as questões em pequenos grupos. Poesia é um termo que vem do grego. No sentido original, poiesis é “a atividade de produção artística”, “a atividade de criar ou de fazer”. De acordo com essa definição, haverá poesia sempre que, criando ou fazendo coisas, somos dominados pelo sentimento do belo, sempre que nos comovermos com lugares, pessoas e objetos. A poesia, portanto, pode estar nos lugares, nos objetos e nas pessoas. Assim, não só os poemas, mas uma paisagem, uma pintura, uma foto, uma dança, um gesto, um conto, por exemplo, podem estar carregados de poesia. Poema é uma palavra que vem do latim poema, que significava 'poema, composição em verso; companhia de atores, comédia, peça teatral', e do gr. poíéma 'o que se faz, obra, manual; criação do espírito, invenção'. Poema é poesia que se organiza com palavras. Roda de conversa Depois, abra uma roda de conversa e solicite que contem o que pensaram. Essa conversa dará a você, professor, uma idéia do que seus alunos já sabem ou pensam sobre poesia. Na roda de
  • 5. conversa, eles vão expor o conhecimento prévio que têm do tema. Prepare-se para ler Em seguida, diga aos alunos que você vai ler para eles três famosos poemas, dos não menos famosos poetas: Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa. Os poemas são semelhantes no tema: os três falam do fazer poético. Não leia todos os poemas de uma vez. Dê uma atenção especial a cada um. Estude previamente a leitura dos textos. Prepare-se para ler. Leia os poemas para a classe com bastante expressividade. Primeira Leitura Antes de começar a leitura, pergunte para a classe se eles sabem queal é o tema do poema "Motivo”, de Cecília Meireles. Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. Cecília Meireles Para compreender melhor: canção e poesia Peça aos alunos para observarem que Cecília Meireles chama seu poema de “canção”. Existe uma explicação histórica para isso. Forneça à classe o trecho a seguir: “Remonte-se à Antigüidade greco-latina ou à Idade Média e evidente será a interdependência entre música e literatura. Na época medieval, por exemplo, os trovadores compunham seus textos poéticos - as cantigas - para serem cantados e acompanhados de instrumentos como a lira. Mas com o advento de novas práticas formais, os textos literários separaram-se da melodia, resultando no estabelecimento de dois gêneros distintos: o poema, gênero literário, e a canção, gênero lítero- musical.” Fonte: www.ufes.br/~mlb/multiteorias/pdf/FernandaScopeFalcaoOPemaEACancao.pdf Conversa com o texto Forneça questões que vão ajudar os alunos a compreender melhor o texto. Peça que, em duplas, eles respondam as questões no caderno. Eis algumas:
  • 6. 1. Explique por que o poema se chama “Motivo”. 2. Em que sentido a autora diz “Eu canto”? autora usa palavras no masculino como se quem está falando no poema é um homem. Quais são essas palavras? 4. Qual é o motivo que tudo justifica na vida do “eu-lírico” do poema? Justifique sua resposta, citando versos do poema. 5. Tomando como base a questão anterior, o “eu-lírico” de um poema pode ser outro, em relação ao escritor do poema? Por exemplo, o “eu-lírico” pode ser uma criança e o autor ser um adulto? 6. Com a ajuda do professor(a), pesquise uma letra de canção do compositor Chico Buarque, em que o “eu-lírico” é uma mulher. Conversa sobre o texto Reúna os alunos em círculo para conversar sobre o texto. Depois de terem discutido as questões em dupla, os alunos já têm o que falar sobre ele. Abra um espaço de discussão sobre o que foi entendido. Aqui, não existem respostas certas. O mais importante é a oportunidade para todos expressarem seus pontos de vista - o que entenderam, pensaram e sentiram, a partir da leitura e estudo do poema. Coloque as questões de compreensão em debate. Segunda Leitura Em outra aula, prepare-se para ler o poema “Autopsicografia”, do português Fernando Pessoa. Dê informações sobre a vida e obra desse importante poeta. Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração. Fernando Pessoa Vocabulário Explique que, em língua portuguesa de Portugal, calhas de roda são trilhos e comboio de corda é um trem de brinquedo. Conversa com o texto Ajude os alunos a compreender melhor o texto. Peça que, em duplas, respondam no caderno: 1. O que é “autopsicografia”? Observe que na formação dessa palavra entraram: auto, psico e grafia.
  • 7. Você conhece outras palavras com esses radicais gregos? 2. Explique o que você compreende dos quatro primeiros versos: "O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente" 3. Analise os versos seguintes: "E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm" a) A quem se referem as formas verbais no plural: lêem, sentem e têm? b) O que você compreende por “a dor lida”? c) A quem se referem as formas verbais no singular: escreve e teve? d) Que palavra foi omitida neste verso: Não as duas que ele teve? e) E nesse verso, que palavra foi omitida: Mas só a que eles não têm.? 4. Como você explica os quatro versos que acabou de analisar? 5. Nos versos a seguir, o poeta sintetiza o que disse nos versos anteriores. Vamos analisá-los: "E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração" a) O que gira nas calhas de roda (trilhos de trem)? b) Que nome o poeta dá para a palavra “coração”? c) O que significa na língua portuguesa de Portugal a expressão “comboio de corda”? d) Com que finalidade o coração gira nas calhas de roda? Conversa sobre o texto Reúna os alunos em círculo para conversar sobre o foi lido. Abra um espaço de discussão sobre o entendimento do texto. Crie um clima favorável para que todos expressem seus pontos de vista - o que entenderam, pensaram e sentiram, a partir da leitura e estudo do poema. Terceira leitura Escolha um bom momento para ler Procura da Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. É um poema lindíssimo e longo que vai exigir tempo. Uma sugestão é que você o deixe como síntese de tudo que for estudado nesta unidade. Procura da Poesia Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, Não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
  • 8. Não faças poesia com o corpo, esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica. Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes. Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia. Não cantes tua cidade, deixa-a em paz. O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas. Não é música ouvida de passagem: rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma. O canto não é a natureza nem os homens em sociedade. Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam. A poesia (não tires poesia das coisas) elide sujeito e objeto. Não dramatizes, não invoques, não indagues. Não percas tempo em mentir. Não te aborreças. Teu iate de marfim, teu sapato de diamante, vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável. Não recomponhas tua sepultada e merencória infância. Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação. Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era. Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consuma com seu poder de palavra e seu poder de silêncio. Não forces o poema a desprender-se do limbo. Não colhas no chão o poema que se perdeu. Não adules o poema. Aceita-o como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? Repara: ermas de melodia e conceito, elas se refugiaram na noite, as palavras. Ainda úmidas e impregnadas de sono, rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
  • 9. Fonte: http://www.culturapara.art.br/opoema/carlosdrummond/carlosdrummond.htm Conversa sobre o texto Proponha que os alunos façam as atividades abaixo em duplas: 1. Em que versos está expressa a seguinte ideia: “Parece nulo o poder do poeta sobre as palavras. Elas existem autônomas em estado latente. Mas não basta apanhá-las e justapô-las. Não se faz poesia assim. No entanto, se as palavras rodopiam na frente do poeta, elas também não podem prescindir dele, pois é a chave do poeta que abrirá as portas para que elas saiam da latência em que se encontram.”? (O FAZER POÉTICO EM DRUMMOND, Fábio Della Paschoa Rodrigues) - http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/f00004.htm 2. De que estrofe você mais gostou? Leia-a para os colegas e explique por que você a escolheu. Atividades de revisão Proponha as seguintes atividades para serem feitas em trio: 1. Quantos versos e quantas estrofes têm cada poema lido? 2. Leia em voz alta um dos poemas para os colegas e peça para eles perceberem as rimas. Depois, troquem a posição, até as rimas dos três poemas terem sido percebidas. Discutam se todos os poemas lidos têm rima. Peça que os alunos comparem como Cecília Meireles, Pessoa e Drummond vêem o fazer poético. Há pontos semelhantes? Quais? Avaliação Este é o momento de saber se eles, de fato, aprenderam aquilo que você queria que aprendessem. Se não aconteceu, você deve buscar as causas e reorientar a prática. Atividades de avaliação Produção de texto - Por meio dos textos que os alunos irão produzir, você avaliará o que compreenderam do que foi estudado e se os seus objetivos de aprendizagem foram atingidos. Ensine que nenhum texto nasce pronto. Para ficar bom, é preciso escrevê-lo e reescrevê-lo muitas vezes, como fazem os bons escritores. Diga à classe que cada um planeje o que vai escrever, faça rascunho, revise e finalmente passe a limpo seu poema. Reúna as produções dos alunos e exponha-as num mural ou organize uma antologia: 1. O fazer poético - Solicite que escrevam para o 7° ano, um texto expositivo em que explique o que é o fazer poético. Esse texto deve ser de pronto, marque um encontro com os colegas do 7° ano. Avise que os textos que escreveram serão avaliados por esses colegas. O leitor é que dirá se entendeu a explicação dada no texto lido por ele. Será considerado bom o texto que conseguiu dar uma explicação satisfatória para o leitor de outra série. 2. Imite o poeta - Peça que produzam um poema em que falem o que é o fazer poético. Esse texto deve ser em versos, distribuídos em estrofes, com rima. Enfatize que poesia é invenção. O grupo receberá uma folha de cartolina ou papel 40 quilos para colar a poesia “construída” por ele.
  • 10. Antes da construção da poesia, rever com a turma alguns pontos importantes que serão avaliados no final da produção: -concordância verbal e nominal -versos contendo ideias completas -utilização da pontuação adequada 4º momento: Cada grupo apresentará a sua poesia para a turma. O professor também poderá pedir que cada grupo apresente a sua poesia integrando som e movimento. Os alunos deverão observar a construção do texto poético de cada grupo apresentado através dos pontos destacados anteriormente para a construção do texto. Então, o professor apresentará a poesia original e as crianças descobrirão que a original é bela, mas A INTERTEXTUALIDE EM “BALADA DO AMOR ATRÁS DAS IDADES”. Suely LEITE (PG/UEL) ABSTRACT: This article analyzes the poem Balada do amor atrás das idades by Carlos Drummond de Andrade, trying to find in this text the presence of the argumentativ resources als the intertextuality. . KEYWORDS: argumentativ resources, intertextuality Drummond. 0. Introdução Este artigo tem por objetivo verificar os processos de intertextualidade utilizados por Carlos Drummond de Andrade, no poema “Balada do amor atrás das idades”, publicado em 1969, no livro intitulado Reunião. O caminho percorrido pelo autor para a construção do poema está centrado na intertextualidade, recurso ligado à tessitura argumentativa do texto e considerado um dos principais fatores de textualidade. 1. Fundamentação teórica A linguagem é um instrumento de comunicação cujo objetivo, além de informar, é persuadir e
  • 11. convencer através das palavras que nascem e ganham sentido no interior de determinados contextos: “a linguagem, como se sabe, é sempre, em maior ou menor grau, uma forma de persuasão, de levar o outro a aderir a um ponto de vista”. (Brait, 1994/1995:20). Quando se produz um discurso há sempre a presença de um outro, que recebe várias denominações em várias instâncias: leitor, co-enunicador, receptor. Embora tenha denominações diferentes, em diversos contextos, o outro faz parte do discurso: “se num primeiro nível de análise é o locutor que se coloca em evidência, num nível mais profundo, é possível observar que o ouvinte é um agente indireto do discurso na medida em que é nele que se justifica o próprio discurso”. (Osakabe, 1999: 54). A relação com o outro está na entrelinha de um discurso que opta pela relação dúbia com este outro, “quem enuncia é, no momento específico em que enuncia, a entidade dominante, na medida em que é ela quem manipula as coordenadas do discurso”. (Osakabe, 1999: 70). É preciso que esse outro, ouvinte ou leitor, participe efetivamente da construção de sentidos de um texto, e esteja capacitado para reconhecer os vários recursos enunciativos ou de argumentação presentes no discurso. Entre esses procedimentos, destaca-se o princípio de dialogismo. O pensamento de Bakhtin revelado em suas obras, apesar de plural, tem uma unidade garantida pela centralidade da linguagem, cujo método de análise é a dialética. Dialogismo é o conceito que permeia toda a sua obra. É o princípio constitutivo da linguagem. A concepção dialógica contém a idéia da relatividade da autoria individual e conseqüentemente o destaque do caráter coletivo, social da produção de idéias e textos. O próprio ser humano é um intertexto, não existe isolado, sua experiência se tece , entrecruza-se com o outro. Pensar em relação dialógica é remeter a um outro princípio: a não autonomia do discurso. As palavras estão sempre e inevitavelmente atravessadas pelas palavras de um outro. Todos são sujeitos da enunciação – enunciador e enunciatário, porque o caráter interativo consiste na possibilidade de transformação, seja pelo enunciador, seja pelo enunciatário. É a idéia da palavra em movimento, o poder da palavra, por meio dela, os sujeitos são postos em ação para reproduzir ou mudar o social. Para Bakhtin, (1981, p. 263), o texto é uma tessitura polifônica que dialoga com vários outros textos, outras vozes. Julia Kristeva (1974, p. 43), considerou o fenômeno do dialogismo textual como intertextualidade. A intertextualidade constitui-se em um dos recursos de construção de sentido e de argumentação mais utilizados em textos literários. Para Perrone-Moisés (1993, p. 59), ‘e “em todos os tempos, o texto literário surgiu relacionado com outros textos anteriores ou contemporâneos, a literatura sempre nasceu da e na literatura”. Segundo Frasson (1992, p. 90), “para captar a intertextualidade, é preciso ativar o conhecimento de mundo, aquele que está armazenado na memória, pela vivência, como também o conhecimento partilhado, que determina a estrutura informacional, e que, juntos, darão sentido ao texto”. É necessário que haja, por parte de quem recebe o texto, um repertório ou memória cultural e literária para decodificar os textos superpostos e reconhecer a intencionalidade do autor ao usar este recurso que está intimamente ligado ao fator de argumentatividade. Koch (1986, p. 40), afirma que a intertextaulidade constitui um dos poderosos fatores de textualidade, estando subjacente a ela em maior ou menor grau, a argumentatividade. Argumentação, intertextualidade, intencionalidade, são procedimentos que estão interligados e que direcionam a leitura de um texto, portanto, devem ser identificados, reconhecidos e interpretados pelo leitor.
  • 12. 2. Análise do corpus Em “Balada do amor atrás das idades”, tem-se o trajeto de personagens apaixonados que encontram obstáculos para a realização desse amor. Em tempos mais amenos, acontece a realização parcial desse amor, porém, os jovens apaixonados não podem viver juntos. Só na última estrofe, ocorre de fato uma alteração na estrutura narrativa do poema: o amor parece realizar-se. O poeta usa de intertextos para mostrar que mudam as personagens, os espaços, os tempos e as circunstâncias, mas não se altera, a não ser nos tempos modernos, o resultado de um amor entre pessoas marcadas por diferenças. A primeira estrofe aborda a guerra entre gregos e troianos. O personagem narrador coloca-se como grego, e a amada como troiana. A diferença entre ambos é marcada por questões políticas, e há impossibilidade da realização amorosa. O autor recupera a epopéia literária escrita por Homero no séc. IX a.C. A Ilíada tem como assunto a guerra de Tróia (originalmente esta cidade se chamava Ílion, daí o nome Ilíada), que ocorreu presumidamente no século XIII a.C. O motivo do ataque dos aqueus a Tróia é o rapto de Helena, esposa de Menelau, por Páris, que ali se refugia com a moça. Os aqueus, chefiados por Agamenon, cercam a cidade, tentando resgatar Helena. O chefe dos troianos é Heitor, irmão de Páris. Depois de inúmeras batalhas, os aqueus conseguem lançar mão de uma estratégia para vencer as muralhas da cidade: deixam à sua porta um gigantesco cavalo que traz no seu interior os guerreiros. Os troianos, presumindo que fosse um presente, o acolhem. Já dentro da cidade, os aqueus a incendeiam e destroem-na, vencendo, enfim, a guerra. É preciso que o leitor tenha conhecimento deste texto para entender a ênfase dada às diferenças que marcam os personagens. É importante saber do que trata a Íliada, a menção aos troianos, à personagem Helena, a referência ao episódio do cavalo de pau. “Eu era grego, você troiana, troiana, mas não Helena. Saí do cavalo de pau para matar seu irmão”. Enfim, é impotante que o leitor recupere esses elementos literários e históricos para que analise se há na construção escolhida pelo autor uma simples informação poética ou uma crítica aos contextos citados no poema. Em outros tempos, há a retomada das diferenças religiosas, a perseguição feita pelos romanos aos cristãos. “Virei soldado romano,/ perseguidor de cristãos. Há uma referência à passagem bíblica em que Daniel é lançado à cova dos leões. Se no texto bíblico ocorre o milagre da sobrevivência de Daniel, no texto de Drummond, os personagens são devorados pelos ferozes animais, e novamente não concretizam sua união. A diferença religiosa é realçada aqui, e será apenas uma citação igênua ou um olhar mais perspicaz acerca das intolerâncias que acompanham a humanidade. A terceira estrofe aborda a questão das diferenças geográficas e da invasão da Península Ibérica. No texto, há a menção à Tripolitânia, e se o leitor não acionar o seu conhecimento sobre a história, provavelmente a leitura e o sentido do texto estarão comprometidos. A conquista e a ocupação da Ásia e da África ocorreram através da força militar e da violência. Aventureiros, traficantes, homens
  • 13. ambiciosos fizeram parte das expedições que usaram de todos os meios como saques, destruição de aldeias, escravização da população, requisição forçada de alimentos para o domínio da região desejada. Os imperialistas defendiam a necessidade de se fornecer proteção aos comerciantes, missionários ou aventureiros que se encontravam longe da pátria. 0 ataque a cidadãos europeus, principalmente religiosos, fornecia o pretexto para a intervenção armada na Ásia e na África e a região da Tripolitânia, hoje território da Líbia, acabou sendo fixada à expansão italiana. Aqui, a diferença de interesses econômicos e políticos é o que leva os personagens à morte, aliás, uma morte que lembra o final de Romeu e Julieta, personagens Shakesperianos: “... e rasgou o peito a punhal.../ Me suicidei também”. Em tempos mais amenos, não mais são as diferenças entre os personagens que os impedem de concretizar o amor que sentem, pois ambos estão contemplados socialmente, ambos pertencem à aristocracia francesa, ela pertence ao clero e ele é um nobre que desfruta dos privilégios da corte: “.... fui cortesão de Versailles,/ espirituoso e devasso./ Você cismou de ser freira...”. A diferença está na posição social e política que comprometem os personagens na época e no país em que vivem. Aqui, o leitor terá que reconstituir todos os fatos históricos desde a Queda da Bastilha , a prisão e morte do rei Luís XVI, executado na guilhotina até a Revolução Francesa. Na última estrofe, as diferenças são superadas, ainda que virtualmente.Os personagens aparecem como pessoas do mesmo nível social, com os mesmos interesses, vivem sob a égide da influência cinematográfica que determina o que é a moda, que dita os padrões de comportamento a serem seguidos: “Hoje sou moço moderno,/ remo, pulo, danço, boxo, / tenho dinheiro no banco. / Você é uma loura notável,/ boxa, dança, pula, rema”. A descrição é típica de personagens de filmes americanos, e o final, também, característico do mundo da ficção no cinema: “Mas depois de mil peripécias,/ eu, herói da Paramount,/ te abraço, beijo e casamos”. As diferenças são claramente marcadas pela intertextualidade que aparece na composição dos personagens: ele, ora grego, romano, mouro, nobre; ela, troiana, cristã, ibérica e freira. Os espaços que aparecem no poema também estão marcados por aspectos intertextuais: Grécia, Roma, Península Ibérica, França e Brasil. Cabe ao leitor reconstituir todos esses intertextos para que possa construir o sentido do texto, entender, ou pelo menos estar atento às intenções do autor ao trazer para o poema outros textos, em outros contextos. Cabe ao leitor questionar-se sobre o que Drummond está falando, sobre uma estória de amor impossível ? Ou sobre relações humanas desastrosas, que culminam em mortes ? Idealismo confundido com interesses, diferenças como sinônimo de intolerância? Cada leitura provavelmente encontrará sua resposta, depende do olhar, do conhecimento de mundo, do saber compartilhado, da capacidade de reconhecer cada texto sobreposto no poema, enfim, de cada leitor. 2. Considerações finais: A intertextualidade como recurso argumentativo depende não só da intencionalidade do autor, mas também do modo como o leitor percebe essa construção. Recepção e produção de texto constituem os dois lados de uma mesma situação comunicativa. O estudo da intertextualidade, não só literária, constitui-se em uma prática de leitura crítica do mundo e cabe aqui as palavras de Toledo (1996, p. 164): “A intertextualidade é como reflexo de muitos sujeitos em uma manifestação individual. Em épocas de desagregação sócio-cultural é ela quem confere uma possível estruturação ao estilhaçamento dos discursos” e como Drummond já dizia “Este é tempo de partida/ Tempo de homens partidos”.
  • 14. RESUMO: Este artigo tem por objetivo reconhecer as marcas de intertextualidades que são como o fio condutor da construção do poema “Balada do amor atrás das idades”, e alertar para os efeitos de sentido que esse recurso suscita e ainda a argumentação que pode estar implícita em cada texto resgatado no poema. Balada do Amor através das Idades Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena. Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigámos, morremos. Virei soldado romano, perseguidor de cristãos. Na porta da catacumba encontrei-te novamente. Mas quando vi você nua caída na areia do circo e o leão que vinha vindo, dei um pulo desesperado e o leão comeu nós dois. Depois fui pirata mouro, flagelo da Tripolitânia. Toquei fogo na fragata onde você se escondia da fúria de meu bergantim. Mas quando ia te pegar e te fazer minha escrava, você fez o sinal-da-cruz e rasgou o peito a punhal... Me suicidei também. Depois (tempos mais amenos) fui cortesão de Versailles, espirituoso e devasso. Você cismou de ser freira... Pulei muro de convento mas complicações políticas nos levaram à guilhotina. Hoje sou moço moderno, remo, pulo, danço, boxo, tenho dinheiro no banco. Você é uma loura notável, boxa, dança, pula, rema. Seu pai é que não faz gosto. Mas depois de mil peripécias,
  • 15. eu, herói da Paramount, te abraço, beijo e casamos. Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'