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PRÉ-SOCRÁTICOS
Os primeiros filósofos
Por Bruno Carrasco,
psicoterapeuta existencial e professor
Surgimento da
Filosofia
A partir do século V a.C., os gregos
tiveram novas experiências que
modificaram suas formas de vida,
como a convivência em espaço
público, o desenvolvimento do
comércio e as viagens comerciais.
Neste período, as cidade se constituía
da união de seus membros para uma
vida coletiva.
O surgimento da filosofia como forma
de pensamento é fruto do espanto e da
admiração.
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“Foi por conta do espanto e
do assombro que os homens
começaram a filosofar e,
pelo mesmo objetivo,
filosofam até hoje.”
(Aristóteles, em ‘Metafísica’)
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Surgimento da
Filosofia
Essas novas experiências
possibilitaram questionamentos sobre
a veracidade dos mitos.
Aquilo que todos consideravam
verdadeiro foi colocado em dúvida, as
crenças tradicionais foram
questionadas.
A filosofia não aceita passivamente as
imposições do mundo sem antes
investigá-las e questioná-las.
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Surgimento da
Filosofia
A filosofia se inicia quando algo nos
espanta, que nos parece estranho e
gera curiosidade, direcionando nossa
atenção para perguntas do tipo:
-O que é isso?
-Como é isso?
-Por que isso é assim?
Trata-se de uma possibilidade de nos
interrogar sobre o que temos por
“realidade”, nos colocando na posição
de buscar um entendimento.
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“Os diferentes povos da Antiguidade –
assírios e babilônios, chineses e
indianos, egípcios, persas e hebreus –,
todos tiveram visões próprias da
natureza e maneiras diversas de
explicar os fenômenos e processos
naturais. Só os gregos, entretanto,
fizeram ciência, e é na cultura grega
que podemos identificar o princípio
deste tipo de pensamento que podemos
denominar, nesta sua fase inicial, de
filosófico-científico.”
(Danilo Marcondes, em ‘Iniciação
à História da Filosofia’, 2008)
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Filosofia Antiga
(Séc. VII a.C. - V d.C.)
Filosofia Antiga
A filosofia antiga influenciou grande parte
do modo de pensar e de investigar a
natureza e o ser humano no ocidente.
A filosofia antiga se inicia com a
transição do pensamento mítico ao
pensamento filosófico no ocidente,
quando se passa fazer o uso da razão
como forma de conhecimento na
Grécia Antiga, iniciando com os
filósofos pré-socráticos, depois os
sofistas e o período áureo da filosofia,
com Sócrates, Platão e Aristóteles, se
encerrando após o período Helenístico,
com o Epicurismo, Estoicismo,
Ceticismo e Ecletismo.
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Períodos da
Filosofia Antiga
Pré-socrático (séc. VII ao V a.C.):
busca da origem das coisas e do
mundo, estudo da natureza e da
geometria, entendimento do cosmos.
Socrático (séc. V ao IV a.C.):
seres humanos, essência, valores,
busca pela verdade e desenvolvimento
do pensamento metafísico;
Helenístico (séc. III a.C ao III d.C.):
questões morais e éticas sobre como
viver bem e evitar o mal,
questionamento sobre as verdades.
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Os primeiros filósofos
Pré-socráticos
Pré-socráticos: os
primeiros filósofos
Foram chamados pré-socráticos
aqueles que antecederam a Sócrates,
também chamados filósofos da
natureza (physis).
O termo grego “physis” vem de
“phyein”, que significa emergir, nascer,
crescer, fazer nascer ou fazer crescer,
correspondendo a tudo o que brota,
cresce, surge, vem a ser. Na mitologia
grega era chamada de “Prôtogéneia”,
sendo a divindade primordial da
natureza, sendo chamada na mitologia
romana de “Natura”.
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Pré-socráticos: os
primeiros filósofos
Eles buscavam entender os
fenômenos da natureza e a origem das
coisas, porém não mais por meio de
histórias fantásticas, e sim por meio da
razão e da observação.
Entendiam a natureza como uma
realidade primeira, originária e
fundamental. Por conta disso
pretendiam encontrar o que era
originário, primário, fundamental e
persistente, em oposição ao que fosse
secundário, derivado e transitório.
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“Durante todo o século VI, foi
sobre a physis, o mundo
natural, que se exerceu
sobretudo a especulação
racional dos gregos.
A filosofia nasceu como física,
e os primeiros filósofos foram,
acertadamente, também
chamados físicos.”
(Antônio Rezende, em ‘Curso de Filosofia’)
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A busca da arché Eles buscaram elaborar uma
cosmologia, uma explicação racional e
sistemática do funcionamento e das
características do universo, que
substituísse a antiga cosmogonia, a
explicação sobre a origem do universo
baseada nos mitos.
Com base na razão e não na mitologia,
os primeiros filósofos gregos tentaram
encontrar o princípio substancial ou
substância primordial, a “arché”, em
grego, que fosse existente em todos os
seres.
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A busca da arché Essa substância primordial seria esta a
“matéria-prima” de que todas as
coisas seriam feitas.
O princípio teria o papel de um
fundamento, pelo qual todas as outras
coisas seriam derivadas, sendo ele
próprio não derivado nem resultante de
nada. Este entendimento chegou a ser
usado tanto para a física, quanto para
a ética, a lógica e qualquer outra área
do saber, influenciando uma tendência
de se fazer filosofia.
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Primeiras escolas
de filosofia
Escola Jônica:
Interessados em teorias sobre a physis
Filósofos: Tales, Anaximandro,
Anaxímenes, Xenófanes e Heráclito.
Escola Italiana:
Mais abstrata, lógica e metafísica
Filósofos: Pitágoras, Alcmeon, Filolau,
Parmênides, Zenão, Melisso.
Escola Pluralista:
Visão da realidade plural e complexa
Filósofos: Anaxágoras, Leucipo,
Demócrito e Empédocles.
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Início da filosofia
ocidental
A filosofia ocidental teve como berço a
cidade de Mileto (atualmente Turquia),
caracterizada por múltiplas influências
culturais e por um rico comércio, de
onde surgiram os primeiros
pensadores da história ocidental a
quem atribuímos a denominação
filósofos.
São eles: Tales, Anaximandro e
Anaxímenes, que formam a chamada
“Escola de Mileto”.
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Tales de Mileto
(624-546 a.C.)
Tales é considerado primeiro filósofo
do ocidente, mas também foi
matemático, astrônomo e político.
Veio de uma família de pais ricos e
nobres e acreditava que a água era o
elemento que formava todas as coisas;
Segundo ele, encontramos água em
todos os lugares, ao furar o solo, no
tronco das árvores, nas nascentes dos
rios. Se a água está em tudo, então é
porque ela forma tudo.
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“A água é o princípio de
todas as coisas.”
(Tales de Mileto)
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Tales de Mileto
(624-546 a.C.)
Observou que a natureza possuía
padrões similares, e que suas leis não
eram regidas pelos deuses, mas que
poderiam ser estudadas e utilizadas
em nosso benefício.
Foi a primeira pessoa na história a
prever um eclipse solar, em 585 a.C.,
além disso trabalhou como
comerciante de sal e de azeite de oliva.
Numa época ele previu uma boa safra
de azeitona, comprou muitas prensas,
sua previsão funcionou e ele ganhou
um bom dinheiro com isso.
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Tales de Mileto
(624-546 a.C.)
Com isso, ele provou que o
conhecimento teórico e filosófico tinha
um valor prático, fazendo da filosofia
uma atividade respeitada.
Tales é considerado também o pai da
geometria, ele media a altura das
pirâmides por meio da relação
estabelecida com o tamanho de
sombra projetada.
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(Teorema de Tales)
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“A filosofia grega parece começar com uma ideia
extravagante: a tese segundo a qual a água seria
a origem e a matriz de todas as coisas. Será
mesmo necessário levá-la a sério? Certamente, e
por três razões: em primeiro lugar, porque esse
enunciado trata de alguma maneira da origem
das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem
imagem e sem fabulação; e, finalmente, em
terceiro lugar nela, porque contém, embora em
estado de crisálida, o pensamento de que tudo é
um. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales
ainda em comunidade com os religiosos e
supersticiosos; mas a segunda o exclui dessa
sociedade e se mostra a nós sob o semblante de
pensador da natureza; e a terceira razão faz dele
o primeiro filósofo grego.”
(Friedrich Nietzsche, em ‘A Filosofia na Época Trágica dos Gregos’)
Anaximandro de
Mileto
(610-547 a.C.)
Anaximandro foi discípulo de Tales,
aprofundou seus conhecimentos,
desenvolveu diversos estudos e
trabalhos nas áreas de geometria,
geografia e astronomia;
Ele elaborou um mapa celeste e um
mapa terrestre das regiões habitadas,
entendendo que a Terra era cilíndrica e
estaria no centro do universo.
Introduziu o relógio de sol, gnomon, na
Grécia Antiga.
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O indeterminado
(ápeiron)
Anaximandro pensou que deveria
haver alguma substância diferente,
ilimitada e indeterminada, e que dela
nascesse o céu e todos os mundos
nele contidos.
Foi assim que o filósofo chegou à
conclusão de que a arché é algo que
transcende os limites do observável,
ou seja, que não se situa em uma
realidade ao alcance dos sentidos,
como a água para Tales. Trata-se de
uma explicação mais abstrata sobre o
real.
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O indeterminado
(ápeiron)
Por isso, denominou por apeiron, termo
grego que significa “o infinito” ou “o
indeterminado”.
O apeiron, segundo Anaximandro, seria
a “massa geradora” dos seres e do
cosmo, contendo em si todos os
elementos opostos.
Por meio dos processos naturais de
diferenciação entre contrários e de
evaporação teriam surgido o céu e a
terra, bem como os animais, em uma
sucessão evolutiva.
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“O ilimitado é eterno.”
(Anaximandro)
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Anaxímenes de
Mileto
(588-524 a.C.)
Anaxímenes foi discípulo de
Anaximandro, concordava que a
origem de todas as coisas era
indeterminada, mas para ele a
substância primordial não poderia ser
um elemento situado fora dos limites
da observação e da experiência.
Ele propôs o ar como princípio de
todas as coisas, por ser quase
inobservável e mais sutil que a água,
mas que ao mesmo tempo nos anima
e nos dá vida, como testemunha nossa
respiração.
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Anaxímenes de
Mileto
(588-524 a.C.)
Para Anaxímenes, o ar é infinito e
ilimitado, pois penetra em todos os
vazios do universo, sendo também um
princípio ativo, gerador de movimento,
como no caso dos ventos.
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“Como nossa alma, que
é ar, soberanamente nos
mantém unidos, assim
também todo o cosmo
sopro e ar o mantêm.”
(Anaxímenes de Mileto)
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Pitágoras de Samos
(570-490 a.C.)
Pitágoras foi um profundo estudioso
da matemática, e defendeu a tese de
que todas as coisas são números.
Percebeu que há uma harmonia dos
acordes musicais que correspondiam
a proporções aritméticas, com isso
supôs que as mesmas relações se
encontrariam na natureza. O filósofo
levou essa suposição para a
astronomia, calculando o
deslocamento dos astros, concebendo
a ideia de um cosmo harmônico,
regido por relações matemáticas.
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(Série Harmônica)
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Escola Pitagórica Pitágoras fundou uma comunidade
denominada pitagórica. Influenciando
fortemente o pensamento da
antiguidade, inclusive o cristianismo, e
ainda hoje continua a inspirar algumas
organizações de cunho místico.
Ele viajou muito, indo ao Egito e às
distantes regiões dos sábios caldeus e
dos magos da Pérsia, tornando-se um
transportador de conhecimentos,
introduzindo no Ocidente
particularidades trazidas do Oriente,
mistérios e ritos de purificação.
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Escola Pitagórica A escola pitagórica foi uma espécie de
seita religiosa que defendia a crença
na imortalidade da alma e na
metempsicose, teoria da
transmigração das almas.
Eles estudavam a matemática com o
intuito de promover a harmonia da
alma com o cosmo, realizando assim
uma purificação e libertação da alma
do ciclo das reencarnações, pois
entendiam o corpo como a prisão da
alma.
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Desconfiança pelo
corpo e o mundo
sensível
Esse desprezo e desconfiança para
com o corpo e a tudo o que faz parte
do mundo sensível, dando maior
importância para a alma, ao espiritual
e ao inteligível, vai influenciar
fortemente o pensamento filosófico
ocidental, exercendo grande influência
especialmente em Platão e tantos
outros filósofos posteriores a ele.
Especula-se uma possível influência
egípcia no pensamento de Pitágoras,
sobretudo sobre a crença na
imortalidade da alma.
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“Reflita antes de agir,
para que não leves a
cabo coisas insensatas.”
(Pitágoras de Samos)
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Números A tese principal do racionalismo
pitagórico é a dos números,
apresentados como elementos
constitutivos das coisas. Logo depois
adverte que estes números contêm o
caráter de obedecer a arquétipos
correspondentes, como exemplares
universais das coisas individuais.
Segundo Pitágoras, o número era o
elemento básico e explicativo da
realidade, de modo que era possível
constatar proporções numéricas em
todo o cosmo.
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“Essa mesma concepção, que busca
um princípio geométrico de proporção
como representante da harmonia
cósmica, encontra-se na arquitetura
grega, de linhas fortemente
geométricas, na escultura do período
clássico em que o corpo humano é
representado de acordo com princípios
que estabelecem uma proporção ideal
entre a cabeça, o tronco e os
membros.”
(Danilo Marcondes, em ‘Iniciação à História da Filosofia’)
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Heráclito de Éfeso
(535-475 a.C.)
Heráclito nasceu no seio da nobreza
governante de Éfeso, também
conhecido como o “obscuro”,
desenvolveu um pensamento
assistemático e polêmico.
Escreveu sob a forma de aforismos,
frases curtas e marcantes, muitas
vezes de sentido simbólico. Ele
propunha que a matéria básica do
Universo era o fogo. Acreditava que a
mudança constante, ou o fluxo, seria a
característica mais elementar da
natureza.
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Tudo flui
(“panta rei”)
Heráclito observou que a realidade
dinâmica, onde a vida está em
constante transformação, decidiu
focar sua reflexão sobre o que muda.
Para ele, tudo flui, nada persiste nem
permanece o mesmo. O ser não é mais
que o vir a ser. Há uma luta de forças
contrárias que é geradora de todas as
coisas: a ordem e a desordem, o bem e
o mal, o belo e o feio, a construção e a
destruição, a justiça e a injustiça, o
racional e o irracional, a alegria e a
tristeza etc.
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Tudo flui
(“panta rei”)
É por meio da luta das forças opostas
que o mundo se modifica e evolui.
Por essa razão, Heráclito imaginou
que, se devia haver um elemento
primordial da natureza, este teria que
ser o fogo, que está sempre em
movimento.
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“Nunca nos banhamos
nos mesmos rios.”
(Heráclito de Éfeso)
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Parmênides de Eléia
(510-470 a.C.)
Parmênides também nasceu numa
família nobre, suas reflexões sobre o
ser constituíram os primeiros passos
da ontologia e da lógica.
Entendia que o equívoco das pessoas
e dos pensadores era conceder muita
importância aos dados fornecidos
pelos sentidos. Para ele, deveriam
optar por escutar o que lhe dizia a
razão – e não os sentidos, que o
faziam sentir a mudança – e
proclamou que o ser existe, e não é
concebível sua não existência.
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Ontologia lógica Segundo ele, o “não ser” se
identificaria com a mudança, pois
mudar é justamente não ser mais
aquilo que era, nem ser ainda o que é.
Parmênides expôs que dois caminhos
para a compreensão da realidade têm
sido trilhados: o primeiro seria o da
verdade, da razão, da essência, e o
segundo seria da opinião, da aparência
enganosa, que ele considerava a via de
Heráclito.
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Ontologia lógica Para ele o ser “é”, e não há como “não
ser”. Esse ser lógico e cosmológico
não é acessado pelos sentidos, pois
para Parmênides eles não são
instrumentos adequados para ir em
direção do conhecimento verdadeiro.
Negando o valor dos sentidos para o
entendimento do ser, e adotando uma
postura estritamente lógica e racional,
o filósofo entende o ser como algo
racional e inteligível.
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Razão x aparência Quando a realidade é pensada pelo
caminho da aparência, tudo se
confunde em movimento, pluralidade e
devir.
De acordo com Parmênides, essa via
precisaria ser evitada para não termos
de concluir que “o ser e o não ser são e
não são a mesma coisa”, o que seria
um contrassenso, uma formulação
ilógica, se pensada racionalmente.
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“O ser é e o não ser não é.”
(Parmênides de Eléia)
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Empédocles de
Agrigento
(490-430 a.C.)
Empédocles foi filósofo, médico,
professor, místico e poeta. Além de
defensor da democracia, foi um teórico
da evolução dos seres vivos e é
considerado o primeiro sanitarista da
história.
Buscou conciliar as concepções de
Parmênides e Heráclito, aceitando a
existência e permanência do ser,
tentando encontrar uma maneira de
tornar racionais também os dados
captados por nossos sentidos.
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Quatro elementos:
fogo, terra, água, ar
Defendeu a existência de quatro
elementos primordiais, que constituem
as raízes de todas as coisas
percebidas: o fogo, a terra, a água e o
ar.
Esses elementos seriam movidos e
misturados de diferentes maneiras em
função de dois princípios universais
opostos: o amor e o ódio. Para ele,
todas as coisas existentes na
realidade estão submetidas às forças
cíclicas desses dois princípios.
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Amor e ódio ● Amor (philia, em grego):
responsável pela força de atração
e união e pelo movimento de
crescente harmonização das
coisas;
● Ódio (neikos, em grego):
responsável pela força de
repulsão e desagregação e pelo
movimento de decadência,
dissolução e separação das
coisas.
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“Quatro raízes
de todas as coisas:
fogo, ar, água e terra.”
(Empédocles de Agrigento)
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Demócrito de
Abdera
(460-370 a.C.)
Ele foi o responsável, junto com seu
mestre Leucipo, pelo desenvolvimento
de uma doutrina que ficou conhecida
pelo nome de atomismo.
Segundo Demócrito, todas as coisas
que formam a realidade são
constituídas por minúsculas partículas
invisíveis e indivisíveis, denominadas
por átomos – palavra de origem grega
que significa “não divisível”, onde “a”
vem de negação e “tomo” de parte ou
divisão.
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O “não ser” tem
existência
Para Demócrito, o “não ser”, tal como
o vazio, possuem tanta existência
quanto os seres.
Os seres são entendidos enquanto
átomos, infinitos em número e em
forma, mas cada um deles com as
propriedades do ser único: eternidade,
indestrutibilidade, homogeneidade,
indivisibilidade, etc.
A geração e a destruição das coisas
são explicadas por associação e
dissociação dos átomos.
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Vazio, acaso e
necessidade
Toda a realidade é composta também
do vazio, que representa a ausência de
ser, ou o “não ser”. É o vazio que torna
possível o movimento do ser, que é o
movimento dos átomos. Sem espaço
vazio, nada poderia se mover.
O atomismo explica tudo a partir da
matéria e de seus movimentos, onde a
sucessão dos acontecimentos é
natural, necessária e ocorre ao acaso,
pois não possui projeto ou finalidade.
As coisas acontecem de acordo com
as leis físicas.
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“Tudo o que existe no
universo nasce do acaso
ou da necessidade.”
(Demócrito de Abdera)
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Referências
Bibliográficas
BOTELHO, José F. A Odisséia da Filosofia: uma
breve história do pensamento ocidental. São
Paulo: Abril, 2016.
COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna.
Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva,
2013.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da
Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 12
ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
NIETZSCHE, Friedrich. A Filosofia na Época
Trágica dos Gregos. São Paulo: Escala, 2008.
REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia. Rio de
Janeiro: Zahar, 2016.
Por Bruno Carrasco Psicoterapeuta existencial e professor.
Graduado em Psicologia, licenciado em
Filosofia e Pedagogia, pós-graduado em
Ensino de Filosofia e Psicologia
Existencial Humanista e
Fenomenológica, possui especialização
em Psicoterapia Fenomenológico
Existencial, formação em Arteterapia,
Educação Popular e Educação
Participativa.
www.brunopsiexistencial.tk
www.fb.com/brunopsiexistencial
www.instagram.com/brunopsiexistencial
ex-isto Ex-isto é um projeto dedicado ao estudo
e pesquisa sobre o existencialismo e
suas relações com a psicologia, filosofia,
psicoterapia, fenomenologia, literatura e
artes, iniciado no final de 2016.
Tem como intuito oferecer conteúdos
que facilitem a compreensão sobre os
temas pesquisados, por meio de textos,
vídeos, cursos ou livros, optando por
utilizar uma linguagem acessível, de
modo a promover reflexões sobre a
subjetividade, a condição humana e suas
possibilidades.
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www.youtube.com/existo
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Pré-Socráticos - Os Primeiros Filósofos

  • 1. PRÉ-SOCRÁTICOS Os primeiros filósofos Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial e professor
  • 2. Surgimento da Filosofia A partir do século V a.C., os gregos tiveram novas experiências que modificaram suas formas de vida, como a convivência em espaço público, o desenvolvimento do comércio e as viagens comerciais. Neste período, as cidade se constituía da união de seus membros para uma vida coletiva. O surgimento da filosofia como forma de pensamento é fruto do espanto e da admiração. ex-isto www.ex-isto.com
  • 3. “Foi por conta do espanto e do assombro que os homens começaram a filosofar e, pelo mesmo objetivo, filosofam até hoje.” (Aristóteles, em ‘Metafísica’) ex-isto www.ex-isto.com
  • 4. Surgimento da Filosofia Essas novas experiências possibilitaram questionamentos sobre a veracidade dos mitos. Aquilo que todos consideravam verdadeiro foi colocado em dúvida, as crenças tradicionais foram questionadas. A filosofia não aceita passivamente as imposições do mundo sem antes investigá-las e questioná-las. ex-isto www.ex-isto.com
  • 5.
  • 6. Surgimento da Filosofia A filosofia se inicia quando algo nos espanta, que nos parece estranho e gera curiosidade, direcionando nossa atenção para perguntas do tipo: -O que é isso? -Como é isso? -Por que isso é assim? Trata-se de uma possibilidade de nos interrogar sobre o que temos por “realidade”, nos colocando na posição de buscar um entendimento. ex-isto www.ex-isto.com
  • 7. “Os diferentes povos da Antiguidade – assírios e babilônios, chineses e indianos, egípcios, persas e hebreus –, todos tiveram visões próprias da natureza e maneiras diversas de explicar os fenômenos e processos naturais. Só os gregos, entretanto, fizeram ciência, e é na cultura grega que podemos identificar o princípio deste tipo de pensamento que podemos denominar, nesta sua fase inicial, de filosófico-científico.” (Danilo Marcondes, em ‘Iniciação à História da Filosofia’, 2008) ex-isto www.ex-isto.com
  • 9. Filosofia Antiga A filosofia antiga influenciou grande parte do modo de pensar e de investigar a natureza e o ser humano no ocidente. A filosofia antiga se inicia com a transição do pensamento mítico ao pensamento filosófico no ocidente, quando se passa fazer o uso da razão como forma de conhecimento na Grécia Antiga, iniciando com os filósofos pré-socráticos, depois os sofistas e o período áureo da filosofia, com Sócrates, Platão e Aristóteles, se encerrando após o período Helenístico, com o Epicurismo, Estoicismo, Ceticismo e Ecletismo. ex-isto www.ex-isto.com
  • 10. Períodos da Filosofia Antiga Pré-socrático (séc. VII ao V a.C.): busca da origem das coisas e do mundo, estudo da natureza e da geometria, entendimento do cosmos. Socrático (séc. V ao IV a.C.): seres humanos, essência, valores, busca pela verdade e desenvolvimento do pensamento metafísico; Helenístico (séc. III a.C ao III d.C.): questões morais e éticas sobre como viver bem e evitar o mal, questionamento sobre as verdades. ex-isto www.ex-isto.com
  • 12. Pré-socráticos: os primeiros filósofos Foram chamados pré-socráticos aqueles que antecederam a Sócrates, também chamados filósofos da natureza (physis). O termo grego “physis” vem de “phyein”, que significa emergir, nascer, crescer, fazer nascer ou fazer crescer, correspondendo a tudo o que brota, cresce, surge, vem a ser. Na mitologia grega era chamada de “Prôtogéneia”, sendo a divindade primordial da natureza, sendo chamada na mitologia romana de “Natura”. ex-isto www.ex-isto.com
  • 13. Pré-socráticos: os primeiros filósofos Eles buscavam entender os fenômenos da natureza e a origem das coisas, porém não mais por meio de histórias fantásticas, e sim por meio da razão e da observação. Entendiam a natureza como uma realidade primeira, originária e fundamental. Por conta disso pretendiam encontrar o que era originário, primário, fundamental e persistente, em oposição ao que fosse secundário, derivado e transitório. ex-isto www.ex-isto.com
  • 14. “Durante todo o século VI, foi sobre a physis, o mundo natural, que se exerceu sobretudo a especulação racional dos gregos. A filosofia nasceu como física, e os primeiros filósofos foram, acertadamente, também chamados físicos.” (Antônio Rezende, em ‘Curso de Filosofia’) ex-isto www.ex-isto.com
  • 15. A busca da arché Eles buscaram elaborar uma cosmologia, uma explicação racional e sistemática do funcionamento e das características do universo, que substituísse a antiga cosmogonia, a explicação sobre a origem do universo baseada nos mitos. Com base na razão e não na mitologia, os primeiros filósofos gregos tentaram encontrar o princípio substancial ou substância primordial, a “arché”, em grego, que fosse existente em todos os seres. ex-isto www.ex-isto.com
  • 16. A busca da arché Essa substância primordial seria esta a “matéria-prima” de que todas as coisas seriam feitas. O princípio teria o papel de um fundamento, pelo qual todas as outras coisas seriam derivadas, sendo ele próprio não derivado nem resultante de nada. Este entendimento chegou a ser usado tanto para a física, quanto para a ética, a lógica e qualquer outra área do saber, influenciando uma tendência de se fazer filosofia. ex-isto www.ex-isto.com
  • 17. Primeiras escolas de filosofia Escola Jônica: Interessados em teorias sobre a physis Filósofos: Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Xenófanes e Heráclito. Escola Italiana: Mais abstrata, lógica e metafísica Filósofos: Pitágoras, Alcmeon, Filolau, Parmênides, Zenão, Melisso. Escola Pluralista: Visão da realidade plural e complexa Filósofos: Anaxágoras, Leucipo, Demócrito e Empédocles. ex-isto www.ex-isto.com
  • 18. Início da filosofia ocidental A filosofia ocidental teve como berço a cidade de Mileto (atualmente Turquia), caracterizada por múltiplas influências culturais e por um rico comércio, de onde surgiram os primeiros pensadores da história ocidental a quem atribuímos a denominação filósofos. São eles: Tales, Anaximandro e Anaxímenes, que formam a chamada “Escola de Mileto”. ex-isto www.ex-isto.com
  • 19. Tales de Mileto (624-546 a.C.) Tales é considerado primeiro filósofo do ocidente, mas também foi matemático, astrônomo e político. Veio de uma família de pais ricos e nobres e acreditava que a água era o elemento que formava todas as coisas; Segundo ele, encontramos água em todos os lugares, ao furar o solo, no tronco das árvores, nas nascentes dos rios. Se a água está em tudo, então é porque ela forma tudo. ex-isto www.ex-isto.com
  • 21. “A água é o princípio de todas as coisas.” (Tales de Mileto) ex-isto www.ex-isto.com
  • 22. Tales de Mileto (624-546 a.C.) Observou que a natureza possuía padrões similares, e que suas leis não eram regidas pelos deuses, mas que poderiam ser estudadas e utilizadas em nosso benefício. Foi a primeira pessoa na história a prever um eclipse solar, em 585 a.C., além disso trabalhou como comerciante de sal e de azeite de oliva. Numa época ele previu uma boa safra de azeitona, comprou muitas prensas, sua previsão funcionou e ele ganhou um bom dinheiro com isso. ex-isto www.ex-isto.com
  • 23. Tales de Mileto (624-546 a.C.) Com isso, ele provou que o conhecimento teórico e filosófico tinha um valor prático, fazendo da filosofia uma atividade respeitada. Tales é considerado também o pai da geometria, ele media a altura das pirâmides por meio da relação estabelecida com o tamanho de sombra projetada. ex-isto www.ex-isto.com
  • 24. (Teorema de Tales) ex-isto www.ex-isto.com
  • 25. “A filosofia grega parece começar com uma ideia extravagante: a tese segundo a qual a água seria a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário levá-la a sério? Certamente, e por três razões: em primeiro lugar, porque esse enunciado trata de alguma maneira da origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e sem fabulação; e, finalmente, em terceiro lugar nela, porque contém, embora em estado de crisálida, o pensamento de que tudo é um. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos; mas a segunda o exclui dessa sociedade e se mostra a nós sob o semblante de pensador da natureza; e a terceira razão faz dele o primeiro filósofo grego.” (Friedrich Nietzsche, em ‘A Filosofia na Época Trágica dos Gregos’)
  • 26. Anaximandro de Mileto (610-547 a.C.) Anaximandro foi discípulo de Tales, aprofundou seus conhecimentos, desenvolveu diversos estudos e trabalhos nas áreas de geometria, geografia e astronomia; Ele elaborou um mapa celeste e um mapa terrestre das regiões habitadas, entendendo que a Terra era cilíndrica e estaria no centro do universo. Introduziu o relógio de sol, gnomon, na Grécia Antiga. ex-isto www.ex-isto.com
  • 28. O indeterminado (ápeiron) Anaximandro pensou que deveria haver alguma substância diferente, ilimitada e indeterminada, e que dela nascesse o céu e todos os mundos nele contidos. Foi assim que o filósofo chegou à conclusão de que a arché é algo que transcende os limites do observável, ou seja, que não se situa em uma realidade ao alcance dos sentidos, como a água para Tales. Trata-se de uma explicação mais abstrata sobre o real. ex-isto www.ex-isto.com
  • 29. O indeterminado (ápeiron) Por isso, denominou por apeiron, termo grego que significa “o infinito” ou “o indeterminado”. O apeiron, segundo Anaximandro, seria a “massa geradora” dos seres e do cosmo, contendo em si todos os elementos opostos. Por meio dos processos naturais de diferenciação entre contrários e de evaporação teriam surgido o céu e a terra, bem como os animais, em uma sucessão evolutiva. ex-isto www.ex-isto.com
  • 31. “O ilimitado é eterno.” (Anaximandro) ex-isto www.ex-isto.com
  • 32. Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.) Anaxímenes foi discípulo de Anaximandro, concordava que a origem de todas as coisas era indeterminada, mas para ele a substância primordial não poderia ser um elemento situado fora dos limites da observação e da experiência. Ele propôs o ar como princípio de todas as coisas, por ser quase inobservável e mais sutil que a água, mas que ao mesmo tempo nos anima e nos dá vida, como testemunha nossa respiração. ex-isto www.ex-isto.com
  • 33. Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.) Para Anaxímenes, o ar é infinito e ilimitado, pois penetra em todos os vazios do universo, sendo também um princípio ativo, gerador de movimento, como no caso dos ventos. ex-isto www.ex-isto.com
  • 34. “Como nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantêm.” (Anaxímenes de Mileto) ex-isto www.ex-isto.com
  • 35. Pitágoras de Samos (570-490 a.C.) Pitágoras foi um profundo estudioso da matemática, e defendeu a tese de que todas as coisas são números. Percebeu que há uma harmonia dos acordes musicais que correspondiam a proporções aritméticas, com isso supôs que as mesmas relações se encontrariam na natureza. O filósofo levou essa suposição para a astronomia, calculando o deslocamento dos astros, concebendo a ideia de um cosmo harmônico, regido por relações matemáticas. ex-isto www.ex-isto.com
  • 37. Escola Pitagórica Pitágoras fundou uma comunidade denominada pitagórica. Influenciando fortemente o pensamento da antiguidade, inclusive o cristianismo, e ainda hoje continua a inspirar algumas organizações de cunho místico. Ele viajou muito, indo ao Egito e às distantes regiões dos sábios caldeus e dos magos da Pérsia, tornando-se um transportador de conhecimentos, introduzindo no Ocidente particularidades trazidas do Oriente, mistérios e ritos de purificação. ex-isto www.ex-isto.com
  • 38. Escola Pitagórica A escola pitagórica foi uma espécie de seita religiosa que defendia a crença na imortalidade da alma e na metempsicose, teoria da transmigração das almas. Eles estudavam a matemática com o intuito de promover a harmonia da alma com o cosmo, realizando assim uma purificação e libertação da alma do ciclo das reencarnações, pois entendiam o corpo como a prisão da alma. ex-isto www.ex-isto.com
  • 40. Desconfiança pelo corpo e o mundo sensível Esse desprezo e desconfiança para com o corpo e a tudo o que faz parte do mundo sensível, dando maior importância para a alma, ao espiritual e ao inteligível, vai influenciar fortemente o pensamento filosófico ocidental, exercendo grande influência especialmente em Platão e tantos outros filósofos posteriores a ele. Especula-se uma possível influência egípcia no pensamento de Pitágoras, sobretudo sobre a crença na imortalidade da alma. ex-isto www.ex-isto.com
  • 41. “Reflita antes de agir, para que não leves a cabo coisas insensatas.” (Pitágoras de Samos) ex-isto www.ex-isto.com
  • 42. Números A tese principal do racionalismo pitagórico é a dos números, apresentados como elementos constitutivos das coisas. Logo depois adverte que estes números contêm o caráter de obedecer a arquétipos correspondentes, como exemplares universais das coisas individuais. Segundo Pitágoras, o número era o elemento básico e explicativo da realidade, de modo que era possível constatar proporções numéricas em todo o cosmo. ex-isto www.ex-isto.com
  • 43. “Essa mesma concepção, que busca um princípio geométrico de proporção como representante da harmonia cósmica, encontra-se na arquitetura grega, de linhas fortemente geométricas, na escultura do período clássico em que o corpo humano é representado de acordo com princípios que estabelecem uma proporção ideal entre a cabeça, o tronco e os membros.” (Danilo Marcondes, em ‘Iniciação à História da Filosofia’) ex-isto www.ex-isto.com
  • 44. Heráclito de Éfeso (535-475 a.C.) Heráclito nasceu no seio da nobreza governante de Éfeso, também conhecido como o “obscuro”, desenvolveu um pensamento assistemático e polêmico. Escreveu sob a forma de aforismos, frases curtas e marcantes, muitas vezes de sentido simbólico. Ele propunha que a matéria básica do Universo era o fogo. Acreditava que a mudança constante, ou o fluxo, seria a característica mais elementar da natureza. ex-isto www.ex-isto.com
  • 46. Tudo flui (“panta rei”) Heráclito observou que a realidade dinâmica, onde a vida está em constante transformação, decidiu focar sua reflexão sobre o que muda. Para ele, tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo. O ser não é mais que o vir a ser. Há uma luta de forças contrárias que é geradora de todas as coisas: a ordem e a desordem, o bem e o mal, o belo e o feio, a construção e a destruição, a justiça e a injustiça, o racional e o irracional, a alegria e a tristeza etc. ex-isto www.ex-isto.com
  • 47. Tudo flui (“panta rei”) É por meio da luta das forças opostas que o mundo se modifica e evolui. Por essa razão, Heráclito imaginou que, se devia haver um elemento primordial da natureza, este teria que ser o fogo, que está sempre em movimento. ex-isto www.ex-isto.com
  • 48. “Nunca nos banhamos nos mesmos rios.” (Heráclito de Éfeso) ex-isto www.ex-isto.com
  • 49. Parmênides de Eléia (510-470 a.C.) Parmênides também nasceu numa família nobre, suas reflexões sobre o ser constituíram os primeiros passos da ontologia e da lógica. Entendia que o equívoco das pessoas e dos pensadores era conceder muita importância aos dados fornecidos pelos sentidos. Para ele, deveriam optar por escutar o que lhe dizia a razão – e não os sentidos, que o faziam sentir a mudança – e proclamou que o ser existe, e não é concebível sua não existência. ex-isto www.ex-isto.com
  • 51. Ontologia lógica Segundo ele, o “não ser” se identificaria com a mudança, pois mudar é justamente não ser mais aquilo que era, nem ser ainda o que é. Parmênides expôs que dois caminhos para a compreensão da realidade têm sido trilhados: o primeiro seria o da verdade, da razão, da essência, e o segundo seria da opinião, da aparência enganosa, que ele considerava a via de Heráclito. ex-isto www.ex-isto.com
  • 52. Ontologia lógica Para ele o ser “é”, e não há como “não ser”. Esse ser lógico e cosmológico não é acessado pelos sentidos, pois para Parmênides eles não são instrumentos adequados para ir em direção do conhecimento verdadeiro. Negando o valor dos sentidos para o entendimento do ser, e adotando uma postura estritamente lógica e racional, o filósofo entende o ser como algo racional e inteligível. ex-isto www.ex-isto.com
  • 53. Razão x aparência Quando a realidade é pensada pelo caminho da aparência, tudo se confunde em movimento, pluralidade e devir. De acordo com Parmênides, essa via precisaria ser evitada para não termos de concluir que “o ser e o não ser são e não são a mesma coisa”, o que seria um contrassenso, uma formulação ilógica, se pensada racionalmente. ex-isto www.ex-isto.com
  • 54. “O ser é e o não ser não é.” (Parmênides de Eléia) ex-isto www.ex-isto.com
  • 55. Empédocles de Agrigento (490-430 a.C.) Empédocles foi filósofo, médico, professor, místico e poeta. Além de defensor da democracia, foi um teórico da evolução dos seres vivos e é considerado o primeiro sanitarista da história. Buscou conciliar as concepções de Parmênides e Heráclito, aceitando a existência e permanência do ser, tentando encontrar uma maneira de tornar racionais também os dados captados por nossos sentidos. ex-isto www.ex-isto.com
  • 57. Quatro elementos: fogo, terra, água, ar Defendeu a existência de quatro elementos primordiais, que constituem as raízes de todas as coisas percebidas: o fogo, a terra, a água e o ar. Esses elementos seriam movidos e misturados de diferentes maneiras em função de dois princípios universais opostos: o amor e o ódio. Para ele, todas as coisas existentes na realidade estão submetidas às forças cíclicas desses dois princípios. ex-isto www.ex-isto.com
  • 58. Amor e ódio ● Amor (philia, em grego): responsável pela força de atração e união e pelo movimento de crescente harmonização das coisas; ● Ódio (neikos, em grego): responsável pela força de repulsão e desagregação e pelo movimento de decadência, dissolução e separação das coisas. ex-isto www.ex-isto.com
  • 59. “Quatro raízes de todas as coisas: fogo, ar, água e terra.” (Empédocles de Agrigento) ex-isto www.ex-isto.com
  • 60. Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) Ele foi o responsável, junto com seu mestre Leucipo, pelo desenvolvimento de uma doutrina que ficou conhecida pelo nome de atomismo. Segundo Demócrito, todas as coisas que formam a realidade são constituídas por minúsculas partículas invisíveis e indivisíveis, denominadas por átomos – palavra de origem grega que significa “não divisível”, onde “a” vem de negação e “tomo” de parte ou divisão. ex-isto www.ex-isto.com
  • 61. O “não ser” tem existência Para Demócrito, o “não ser”, tal como o vazio, possuem tanta existência quanto os seres. Os seres são entendidos enquanto átomos, infinitos em número e em forma, mas cada um deles com as propriedades do ser único: eternidade, indestrutibilidade, homogeneidade, indivisibilidade, etc. A geração e a destruição das coisas são explicadas por associação e dissociação dos átomos. ex-isto www.ex-isto.com
  • 63. Vazio, acaso e necessidade Toda a realidade é composta também do vazio, que representa a ausência de ser, ou o “não ser”. É o vazio que torna possível o movimento do ser, que é o movimento dos átomos. Sem espaço vazio, nada poderia se mover. O atomismo explica tudo a partir da matéria e de seus movimentos, onde a sucessão dos acontecimentos é natural, necessária e ocorre ao acaso, pois não possui projeto ou finalidade. As coisas acontecem de acordo com as leis físicas. ex-isto www.ex-isto.com
  • 64. “Tudo o que existe no universo nasce do acaso ou da necessidade.” (Demócrito de Abdera) ex-isto www.ex-isto.com
  • 65.
  • 66. Referências Bibliográficas BOTELHO, José F. A Odisséia da Filosofia: uma breve história do pensamento ocidental. São Paulo: Abril, 2016. COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013. MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 12 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. NIETZSCHE, Friedrich. A Filosofia na Época Trágica dos Gregos. São Paulo: Escala, 2008. REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.
  • 67. Por Bruno Carrasco Psicoterapeuta existencial e professor. Graduado em Psicologia, licenciado em Filosofia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino de Filosofia e Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica, possui especialização em Psicoterapia Fenomenológico Existencial, formação em Arteterapia, Educação Popular e Educação Participativa. www.brunopsiexistencial.tk www.fb.com/brunopsiexistencial www.instagram.com/brunopsiexistencial
  • 68. ex-isto Ex-isto é um projeto dedicado ao estudo e pesquisa sobre o existencialismo e suas relações com a psicologia, filosofia, psicoterapia, fenomenologia, literatura e artes, iniciado no final de 2016. Tem como intuito oferecer conteúdos que facilitem a compreensão sobre os temas pesquisados, por meio de textos, vídeos, cursos ou livros, optando por utilizar uma linguagem acessível, de modo a promover reflexões sobre a subjetividade, a condição humana e suas possibilidades.