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KEILER CHAVES DE VASCONCELOS
Filosofia das religiões aulas 1 e 2
‘Um grupo de cientistas colocou cinco macacos
numa jaula, em cujo centro pôs uma escada e, sobre
ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as
bananas, os cientistas lançavam um jato de água
muito fria nos que estavam no chão. Depois de certo
tempo, quando um macaco ia subir a escada, os
outros o enchiam de pancada. Passado mais algum
tempo, nenhum macaco subiu mais a escada, apesar
da tentação das bananas. Então os cientistas
substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada,
dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que
lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo
integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu,
tendo o primeiro substituto participado, com
entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.
Um quarto, e finalmente, o último dos
veteranos foi substituído. Os cientistas
ficaram, então, com um grupo de cinco
macacos que, mesmo nunca tendo tomado
um banho frio, continuavam a bater naquele
que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles
porque batia em quem tentasse subir a
escada, com certeza a resposta seria:
“Não sei, as coisas sempre foram assim por
aqui...”
O que a história dos macacos têm
a ver com a Filosofia?
E o que a Filosofia tem a ver comigo
ou com a minha vida?
Porquê ?
Como?
Para quê?
Com quê?
Quando?
Onde?
Filosofia das religiões aulas 1 e 2
O medo do desconhecido e a necessidade de
dar sentido ao mundo que o cerca levaram o
homem a fundar diversos sistemas de
crenças, cerimônias e cultos -- muitas vezes
centrados na figura de um ente supremo --
que o ajudam a compreender o significado
último de sua própria natureza.
Mitos, superstições ou ritos mágicos que as
sociedades primitivas teceram em torno de uma
existência sobrenatural, inatingível pela razão,
eqüivaleram à crença num ser superior e ao
desejo de comunhão com ele, nas primeiras
formas de religião.
A curiosidade humana levou o homem a
buscar explicações para os fenômenos do
cotidiano. Numa época em que não havia
nenhuma fundamentação científica capaz
de fornecer base para o conhecimento, o
homem encontrou na mitologia antiga
(ou cosmogonia) uma forma de entender o
mundo que o cercava.
Por isso mesmo, nós podemos afirmar
que o conhecimento mitológico
representou uma das primeiras tentativas
de organizar um conhecimento sobre a
realidade. De acordo com alguns autores,
na mitologia nada existe em uma única
forma. Existe sempre o antagonismo: a
comunhão dos opostos.
Assim, é impossível pensar vida sem morte,
trevas sem luz, saúde sem doença, bonito
sem feio, bem sem mal, ordem sem caos.
O mito, ao considerar os opostos, é um
movimento de passagem de uma situação
para outra: permanência e mutabilidade.
De acordo com a crença mitológica, para que
algo novo seja construído é preciso que haja
uma destruição da forma anterior. A morte,
por exemplo, seria uma eterna condição de
renascimento. Etimologicamente, a palavra
MITO vem do grego MYTHOS e significa
FÁBULA; NARRATIVA; PALAVRA.
Na crença grega, o mito era um fato narrado
pelo poeta-rapsodo, um escolhido dos deuses,
para quem era revelada a origem de todas as
coisas e seres, ficando ele incumbido de
transmiti-la aos ouvintes. A narrativa, mesmo
sendo fabulosa, incompreensível ou
contraditória, tornava-se confiável e sagrada.
Confiável devido à autoridade religiosa do
narrador. Sagrada porque tinha origem divina.
Filosofia das religiões aulas 1 e 2
Mitos
- Narrativas de origens.
- Contos fabulosos.
- Narrativas de passados longínquos.
- Contos de uma Era de Ouro.
- Genealogias das coisas.
- Origens de rivalidades e alianças divinas.
- Origem dos próprios deuses e de todas as coisas e
fenômenos do mundo natural explicados mediante
narrativas mágicas e não naturais.
Uma segunda importância creditada à
Mitologia é que ela contribuiu para o
surgimento da Filosofia, uma vez que a
Filosofia nasceu justamente questionando
a validade do conhecimento mitológico
A Filosofia, ao contrário do Mito, não
aceita fabulação, contradição ou
incompreensibilidade. Ela busca respostas
lógicas, coerentes e racionais. Na Filosofia, a
confiança não está assentada na autoridade
do filósofo, mas na razão, que é a mesma em
todas as pessoas.
O que perguntavam os primeiros filósofos ?
Por que os seres nascem e morrem ?
?
?
??
Por que os semelhantes dão origem
aos outros semelhantes ?
??
Por que os diferentes também
fazem surgir os diferentes ?
Por que tudo muda ?
? ?
De onde vêm os seres ?
Para onde vão quando desaparecem ?
? ?
? ?
Por que tudo parece repetir – se ?
é o estudo de problemas fundamentais
relacionados a existência, ao conhecimento, à
verdade, aos valores morais e estéticos, à
mente e à linguagem, é uma palavra
grega, que significa "amor à sabedoria" .
A Filosofia é uma atividade racional,
com base em ARGUMENTOS e na critica das
evidências.
“A Filosofia das religiões é o estudo lógico
dos conceitos religiosos e das concepções,
argumentos e expressões teológicas: o
escrutínio de várias interpretações da
experiência e das atividades religiosas. O
filósofo que pratica a mesma não precisa
dedicar-se a religião que estiver estudando.
A Filosofia das Religiões é um ramo filosófico
que investiga a esfera espiritual inerente ao
homem, do ponto de vista da metafísica, da
antropologia e da ética. Ela levanta
questionamentos fundamentais, tais como:
o que é a religião? Deus existe? Há vida depois
da morte? Como se explica o mal? Estas e
outras perguntas, idéias e postulados religiosos
são estudados por esta disciplina.
Há uma infinidade de religiões, compostas de
distintas modalidades de adoração, mitologias e
experiências espirituais, mas geralmente os
estudiosos se concentram na pesquisa das
principais vertentes espirituais, como o Judaísmo,
o Cristianismo e o Islamismo, pois elas oferecem
um sistema lógico e elaborado sobre o
comportamento do planeta e de todo o Universo,
enquanto as orientais normalmente se centram
em uma determinada filosofia de vida.
Razão, para a Filosofia, é uma forma de
organizar a realidade de modo que esta se
torne compreensível.
O conhecimento mitológico é anterior ao
conhecimento filosófico.
Diante disso, uma pergunta que ocupou a
mente dos estudiosos de Filosofia foi:
A Filosofia nasceu a partir de uma
transformação do conhecimento mitológico
ou de uma ruptura desse conhecimento?
As duas hipóteses já foram consideradas e
aceitas, mas, atualmente, admite-se que a
Filosofia, ao perceber que o conhecimento
mitológico era contraditório e limitado,
reformulou-o, racionalizando-o e
transformando-o num conhecimento novo e
diferente.
Pode-se definir filosofia, sem trair seu sentido
etimológico, como uma busca da sabedoria,
conceito que aponta para um saber mais profundo
e abrangente do homem e da natureza, que
transcende os conhecimentos concretos e orienta o
comportamento diante da vida.
A filosofia pretende ser também uma busca e
uma justificação racional dos princípios
primeiros e universais das coisas, das ciências e
dos valores, e uma reflexão sobre a origem e a
validade das idéias e das concepções que o
homem elabora sobre ele mesmo e sobre o que o
cerca.
FILOSOFIA ORIENTAL E OCIDENTAL:
1- A Filosofia Oriental é influenciada em muito pela
religião, pois no oriente não houve a separação entre
filosofia e religião, lá elas permanecem atreladas até
hoje. Como exemplos o Hinduísmo, o Budismo, O
Taoísmo e o Confucionismo, que são uma mistura
de religião e filosofia de vida; dentre elas o
Confucionismo é a mais racional.
2- Na Ocidental a separação entre filosofia e
religião foi mais delineada, porque a filosofia
ocidental foi emancipada pelos gregos, e os gregos
possuíam uma apelo forte à razão. Sendo assim a
filosofia ocidental como a conhecemos nasceu na
Grécia como um ato de fé na razão humana.
Muito embora a Filosofia Ocidental foi
incorporada à religião com a vitória do
Cristianismo, após um período de mil anos tal
divisão voltou á tona.
É fato hoje bastante aceito que o nascimento
da Filosofia na Grécia Antiga, não resultou
de um “milagre” realizado por um povo
privilegiado, e sim resultou de um processo
lento e gradual, influenciado por mudanças
sociais, políticas e econômicas.
Para o estudo filosófico da religião, vários são os
métodos utilizados:
-Método histórico-crítico comparativo – comparar as
várias religiões no tempo e no espaço, buscando seus
traços comuns e suas diferenças específicas, para
verificar o que constitui a essência do fenômeno
religioso;
-Método Filológico – mediante o estudo comparado das
línguas, busca encontrar nas línguas parentes o que
pensavam e acreditavam os povos antes de se dividirem
em línguas distintas (quais as palavras utilizadas para
descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns);
-Método Antropológico – reconstruir o passado
religioso com base na etnologia, estudando os
povos primitivos atuais (suas instituições,
crenças, rituais e tradições). A filosofia da
religião deve conjugá-los, para obter a melhor
soma de elementos para chegar às suas
conclusões sobre a essência das manifestações
religiosas e suas características universais.
-Método metafísico – busca o fundamento do
fenômeno religioso.
Condições históricas para o nascimento da
filosofia na Grécia:
• Viagens Marítimas: Os gregos voltaram a
colonizar novas terras e a navegar pelo Mar
Mediterrâneo e perceberam que não existiam
monstros ou criaturas mágicas no mar como
afirmado nos mitos homéricos, tal como na
Odisseia.
• Criação do Calendário: Os gregos racionalizaram
o tempo para navegar, colonizar e comercializar. O
cálculo de tempo abstrato favoreceu o
desenvolvimento do logos e a linearidade do tempo
colocou em dúvida o tempo cíclico dos mitos.
• Comércio, artesanato e utilização da moeda:
Com as navegações e novas colonizações de terras
além-mar os gregos voltaram ao comércio e ao
artesanato e tiveram que usar abstração para criar
formas de pesos e medidas de modo a facilitar o
comércio. A moeda favoreceu o pensamento lógico,
visto a necessidade de generalizar para vender e
comprar.
• Escrita alfabética e fonética:
Os gregos se apropriaram da escrita fenícia em
razão do comércio e essa escrita igualmente
desenvolveu a capacidade de abstração. Na
escrita pictórica, imagens são signos de coisa
assinalada, na fonética, ao contrário, as imagens
assinalam apenas ideias. Antes, a escrita era
sagrada ou voltada para uma elite, agora era uma
escrita laica e que aos poucos se difundiu para
muitos.
• Política de debate:
A política se diferenciou do poder despótico do rei.
Na política existe a necessidade do debate, da livre
argumentação e demonstração de ideias para que
a polis pudesse livremente escolher o melhor para
si mesma e isso exigiu a articulação de pensamento
e de discurso. O pensamento e a palavra para
convencer a outrem igualmente desenvolveu o
logos, o raciocínio e isso ajudou a filosofia a nascer
e florescer.
Logos e Filosofia
- Explicações das coisas como são, que possuem
temporalidade, dentro de um tempo linear.
- Coisas explicadas em sua essência, como elas são e
como foram criadas, dentro de um raciocínio lógico,
racional, verossímil e verdadeiro.
- Procura de elementos naturais primordiais (a physis
dos pré-socráticos) ou mesmo da essência das coisas
humanas (Pós-Sócrates e Pós-Platão).
- Pensamento sem contradições internas.
O momento inicial da expansão do pensamento
grego, uma prévia do que viria a ser a
expansão do “ocidentalismo” , foi a conquista da
Grécia pelos macedônicos, no Século IV.
Após conquistar os gregos, o Império
Macedônico adotou a cultura grega como o
princípio da cultura a ser levada na expansão
territorial.
As vitórias macedônicas se consolidaram na
Ásia Menor, no Egito e em todo o Mediterrâneo
Oriental. Os povos que foram submetidos por
Alexandre, o Grande, foram subordinados não
só a sua força militar, mas tiveram que
conviver com a cultura grega. Instituições
políticas e língua, por exemplo, passaram a ser
introduzidas nos “quatro cantos” do Império.
A influência não foi superficial como uma
mancha em um tecido, ela se aprofundou e
passou a ser incorporada nas práticas
comerciais, na vida pública na produção do
conhecimento, a orientação filosófica dos
pensadores gregos ganhou novo sentido.
O Império Macedônico não foi duradouro, na
prática, sua decomposição começou com a morte
de Alexandre (323 a.C), o seu fundador. Dividido
pelos generais, foi aos poucos conquistado por
romanos e árabes. Territórios foram retomados
pelos persas, e os egípcios se libertaram da
dominação macedônica, mas a cultura grega ficou,
deixou suas marcas e orientou o destino do
conhecimento do universo em muitas regiões onde
os macedônicos percorreram.
O clima de insegurança em que o Império
Macedônico se decompôs gerou uma angústia que
predominou também no pensamento filosófico do
período. Um pensador que expressa esse clima é
Diógenes (404 a 323 a.C). Um discípulo de
Antístenes, um seguidor de Sócrates, ele
questionava a vida mundana, a sedução pela
matéria e buscava uma vida simples.
Segundo a lenda, Diógenes andava perambulando
pelas ruas de Atenas e depois de ser expulso, pela
cidade de Corinto. Morava em um barril e andava
pelas ruas em plena luz do dia com uma
lamparina. Ele afirmava que fazia aquilo por estar
à procura de um homem honesto.
Sua atitude despertou a curiosidade do Imperador
Alexandre, que um dia quis conhecê-lo.
Quando o encontrou, ele estava deitado dentro
do barril onde vivia. O imperador teria dito
que ele poderia fazer o pedido que quisesse e
prontamente seria atendido. Diógenes teria
dito para que Alexandre saísse de sua frente e
parasse de roubar sua luz com a sombra.
Encantado pela convicção do “andarilho”
filósofo, o imperador teria afirmado que se
não fosse Alexandre, gostaria de ter sido
Diógenes.
Os pré-socráticos são os filósofos que
primeiramente aprenderam a olhar o mundo de
uma forma científica e filosófica. Foram eles
que substituíram o olhar mítico pelo olhar do
logos, do racional. Os cientistas de hoje podem
se orgulhar de suas vastas descobertas, mas não
podem se esquecer daqueles que deram os
primeiros passos na busca do conhecimento, do
conhecimento pelas causas. Em se tratando dos
filósofos pré-socráticos, há quatro conceitos
fundamentais: kosmos, physis, arché e logos.
Kosmos. É o universo. O substantivo kosmos
deriva de um verbo cujo significado é "ordenar",
"arranjar", "comandar". Um "cosmo" é um
arranjo ordenado. Mais que isso, é um arranjo
dotado de estética, algo que embeleza, que é
agradável de se contemplar. Se é ordenado, deve,
em princípio, ser explicável. Desta palavra
surgiram: cosmogonia (lendas e teorias sobre as
origens do universo), cosmopolita (cidadão do
mundo), cosmético (relativo à beleza humana).
Physis ou "natureza". O termo deriva de um
verbo cujo significado é "crescer". Introduz uma
clara distinção entre o mundo natural e o
artificial, entre as coisas que se "desenvolvem" e
aquelas que são fabricadas, entre a physis e a
techne. Uma mesa provém da techne; uma árvore,
da physis. Em muitos casos, physis e kosmos
passam a ter o mesmo significado. Em outro
sentido, o mais importante para eles, é que physis
passa a denotar algo existente no próprio objeto.
Arché. É um termo de difícil tradução. Seu
verbo cognato tanto pode significar "começar",
"iniciar", como também "reger", "dirigir". Arché
é um princípio; physis, é crescimento. Os filósofos
pré-socráticos perguntavam: de onde se origina
então o crescimento? Como este teve origem?
Quais são seus princípios originais? Estas
questões tinham por fim achar o “arché “ das
coisas. Tales de Mileto, por exemplo, achou que o
primeiro princípio era a água.
Logos. É de tradução ainda mais difícil do que
a de arché. É cognato do verbo legein, que
normalmente significa "enunciar" ou "afirmar".
Assim, logos é por vezes enunciado ou afirmação.
Apresentar um logos ou um relato de algo é explicá-lo,
desdobrá-lo. Quando Platão afirma que um homem
inteligente é capaz de apresentar um logos das coisas,
ele não queria dizer que essa pessoa era capaz de
descrevê-las, mas de explicá-las, ou seja, de apresentar
razões dessas coisas. Em síntese, logos é razão,
racionalidade, raciocínio, argumentação e evidência.
Os Filósofos Pré-Socráticos
1. Escola Jônica: Tales, Anaximandro, Anaxímenes
2. Escola Pitagórica: Pitágoras e Filolau
3. Escola Eleata: Parmênides, Heráclides e Zenão
4. Escola da Pluralidade: Empédocles, Anaxágoras
de Clausomêna e os Atomistas
OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS
Concentraram-se, basicamente, em duas questões:
Qual é a origem, a matéria ou
principio da Natureza?
DEPENDENDO DAS ESCOLAS,
HAVERÁ DIFERENTES
RESPOSTAS:
FOGO, ÁGUA, ÁPEIRON, ETC.
Qual é a autêntica realidade?
O que nos oferece os sentidos
ou o que oferece a razão?
Período Pré-Socrático ou Cosmológico
- Temporalidade: Fim do século VII a.C ao fim
do século V A.C (Arcaico).
- Localização: Jônia – Mileto –Éfeso – Samos,
além da Magna Grécia.
- Objetivo: Busca da Physis, algo que faz
surgir, brotar, produzir e da Kínesis, o
movimento, o devir.
- Busca da origem de todas as coisas, a natureza
tomada em sua totalidade, natureza entendida
como coisa primordial e causa da existência, a
realidade e os seres humanos.
- Não trata-se mais de uma cosmogonia ou teologia,
mas de uma cosmologia, ou seja, a compreensão
da criação de todas as coisas por elementos
naturais, indivisíveis, válidos e possíveis.
Tales de Mileto
620 – 540 A.C
Filosofia Pré-Socrática
Nenhuma obra de Tales chegou até nós.
Sabemos de Tales por fontes como Heródoto, Plutarco,
Aristóteles e Diógenes
• Considerado o primeiro filósofo da Grécia Antiga.
• Aristóteles e Heródoto afirmaram que para Tales, a água
seria o elemento essencial da existência humana.
• Primeiro cientista natural e filósofo analítico da história,
prevendo um eclipse solar em Mileto.
• Primeiro pensador a retirar os deuses das explicações de
todas as coisas, fugindo das explicações míticas épicas
homéricas.
Água
• Não se conhecem textos de Tales.
• Aristóteles via em Tales o primeiro “físico”
(equivalente a filósofo).
• É o mais antigo dos Sete Sábios.
Inquieto, viajante, matemático,
astrônomo e político
Teorema de Tales Previu um Eclipse do Sol
(585 a.C)
TalesdeMileto
A origem da Natureza é um
elemento natural e
determinado
• Segundo sua metafísica, a água seria o primeiro
princípio das coisas, por se transformar em vapor
ou sólido em determinadas temperaturas.
• Também era conhecido por antecipar as ideias
sobre placas tectônicas, acreditando que a terra
boiava em água e que ondas subterrâneas
sacudiam as rochas da terra, ocasionando os
terremotos (não havia mais o deus Poseidon nas
explicações desses eventos).
• Afirmava também que o mundo teria uma mente
e essa mente seria Deus, ideias essas que se
assemelham a alguns aspectos do budismo.
Anaximandro de Mileto
(Aprox. 610-545 a.C.)
Estabelece que o elemento originário é
indeterminado e eterno:
Ápeiron()
Chegou-nos um único fragmento:
“Onde as coisas têm sua origem, aí ocorre sua
dissolução, segundo a necessidade. Pois pagam
reciprocamente a penitência por sua injustiça,
conforme a ordem do tempo”.
O Cosmos como dependente de forças
polares primordiais ou idênticas
(calor e frio; água e terra; masculino e
feminino)
Ápeiron → Opostos → Mundo
Atribuem–se-lhe múltiplas investigações e a afirmação de que a Terra é esférica.
Anaxímenes (Aprox. 585-524)
Indica uma substância
determinada e infinita como
elemento primeiro:
O Ar
O ar é divino e gera
divindades a partir de si, é
nossa alma e o que
mantém nossos corpos
unidos.
A Terra é plana e passeia no
ar, e os demais corpos
celestes giram em torno
dela.
(Geocentrismo ??)
PitágorasdeSamos
(584-496a.C.)
O conhecimento como
instrumento de purificação da
alma
Introduz a dualidade mente e corpo
Influirá na ideia platônica da transmigração das almas:
um modo de vida consciencioso e pautado pela moderação para
salvá-lo das sucessivas reencarnações (orfismo)
•A Justa medida entre os opostos (métron): a sua inexistência seria o caos.
•Sua doutrina, durante muito tempo, foi transmitida apenas oralmente e as
lendas se encarregaram do restante.
Escola Pitagórica ou
Itálica:
“todas as coisas são
números”.
Pitágoras de Samos
570 – 480 A.C
Filosofia Pré-Socrática
Nenhuma obra chegou até nós
Seguidores diziam: “autos ephe” (ele mesmo disse)
• Teorema de Pitágoras teria sido extraído de ensinamentos
babilônicos (em triângulos retângulos, a soma dos quadrados dos
catetos é igual ao quadrado da hipotenusa).
• Tinha fama de ser místico, sua escola sendo considerada um
culto religioso que ensinava a abstinência, a reencarnação da
alma e a numerologia, mais tarde influenciando Nostradamus.
• A realidade última da natureza seriam os números, ideia
desenvolvida a partir da música, visto que os intervalos dos
compassos poderiam ser expressos na proporção entre os quatro
primeiros números inteiros.
• Os pitagóricos veneravam padrões numéricos,
especialmente o número triangular dez, o
tetractys, um diagrama que representa os quatro
primeiros números inteiros em um triângulo de
dez pontos.
• Para ele o número dez era perfeito por ser a soma
dos quatro primeiros números inteiros.
• Os pitagóricos também acreditavam haver dez
corpos celestes, cinco planetas, o sol a lua, a terra
e dois astros invisíveis no qual a terra girava,
todos igualmente girando ao redor do fogo.
Escola Pitagórica
"A natureza (o cosmo e tudo
nele contido) formam um todo
harmônico, composição de
finito e infinito“
O cosmos está formado por um fogo
central (Hestia) e nove corpos que
giram a seu redor: Antiterra, Terra,
Lua, Sol, e os cinco planetas
observáveis além da esfera das estrelas
fixas:
O Sistema Pirocêntrico
Doutrina dos Números:
"A unidade [o um] é o princípio
de todas as coisas”
FilolaudeCrotona
(Séc.Va.C.)
Escola Eleata
Esta escola é de caráter exclusivamente filosófico; as anteriores foram físicas ou religiosas
•Parmênides
•Heráclito
•Zenão de Eléia
Parmênides (540-470 a.C.)
Opõe-se a Heráclito
Não admite a mudança e
o movimento
O ser é único, imutável e
eterno = Ideias platônicas
Introduz a diferença entre conhecimento
Influenciou Platão e Aristóteles
• Pensa o Uno-Eterno-Imóvel.
• Única via para o conhecimento.
• Mostra o Múltiplo-Cambiante.
• Não válida para o conhecimento.
• Introduz a ideia
de que os
sentidos nos
enganam.
• Considerado o
“pai” da
Dialética.
Suas reflexões tratam sobre:
O Mundo :
a) Está em estado de contínua
mudança: a luta entre contrários;
b) Está impregnado de constantes
opostos:
“O ser é e não é ao mesmo tempo”;
“Tudo flui” – tudo está em movimento
e nada dura para sempre;
“Não podemos entrar no mesmo rio
duas vezes”;
A essência de todas as coisas é o
Fogo.
HeráclitodeÉfeso
(544-484a.C.)
Zenão de Eléia(490-420 a.C.)
 Paradoxo:
“Em uma corrida, o mais lento nunca será alcançado pelo
mais rápido”.
 Argumentos através de paradoxos:
iniciador da dialética.
 Paradoxo de Aquiles e a tartaruga, segundo o qual, o
corredor nunca alcançaria o animal.
 Uma flecha em voo está a qualquer instante em repouso
(argumentos contra o movimento).
 Características atribuídas a Deus:
 Eternidade;
 Uno;
 A forma Esférica;
 Nem limitado nem ilimitado; nem móvel nem imóvel.
Escola da Pluralidade
 Corrente materialista e mecanicista –
 A única realidade existente são os corpos em movimento
Empédocles
Anaxágoras
Atomistas
Reagem contra as ideias de Heráclito e
Parmênides
Os elementos originários
seriam:
Fogo;
Água;
Ar;
Terra.
EmpédoclesdeAgrigento
(493-433a.C.)
•Estes quatro elementos, mesclando-se uns com os
outros, formam os diferentes objetos.
•Concepção cíclica do tempo e da natureza.
Concilia o
pensamento de
seus antecessores
 O ser é imutável.
Os objetos surgem quando as sementes
estão reunidas de forma tal, que no
objeto resultante predomina as de uma
espécie determinada.
O tudo está em tudo.
Anaxágoras de Clazômena (500-428 a.C)
Os Atomistas
(Desenvolveram a filosofia de Empédocles)
Há um número infinito de unidades indivisíveis.
Átomos
Diferem em tamanho e forma mas são
idênticos entre si.
Têm as mesmas características que o ser de Parmênides.
Não têm nenhuma qualidade, exceto a de serem sólidos e impenetráveis.
Infinitos em seu número, agitam-se no vazio
ao acaso.
LeucipoeDemócrito
deAbdera(470-370a.C.)
CONCLUSÕES
Tema central de estudo: a NATUREZA
Soluções:
Monismo
Físicos jônios
Parmênides
Dualismo
Pitagóricos
Pluralismo
Empédocles,
Anaxágoras,
Demócrito
Questão do CONHECIMENTO
Começa-se a levantar a distinção entre verdade e aparência.
Razão
Sentidos
+
CONCLUSÕES
Período Pré-Socrático
(VII-V a.C)
Escola Jônica: em busca do “arché”.
Tales, Anaximando e Anaxímenes.
Pitagóricos: os números.
Pitágoras e Filolau de Crotona.
Escola Eleata: reflexões sobre o mundo.
Parmênides, Heráclito e Zenão.
Escola da Pluralidade: movimento.
Empédocles, Anaxágoras e os Atomistas.
Período Socrático/Antropológico
• Época Clássica da Grécia (V – IV A.C)
• Atenas como polo cultural.
• Esplendor de Atenas e Século de Péricles (Imperialismo).
• Florescimento da Democracia e da Cidadania.
• Economia citadina do artesanato e do comércio.
• Ultrapassagem da noção aristocrática da aretê, em que
somente os eupátridas detinham a superioridade e
excelência.
• Paideia: ideal de educação não mais voltada para a
formação do bom guerreiro somente, do belo e do virtuoso
que descendia de heróis ou deuses, mas sim a formação do
bom cidadão.
• O bom cidadão deveria falar bem na Eclésia, a assembleia
dos cidadãos.
• Surgimento dos sofistas, tais como Protágoras, Górgias e Isócrates.
• Desses temos apenas fragmentos e opiniões depreciativas de Platão
e Aristóteles.
• Muito se diz que queriam ensinar políticos a mentir, a falar bem e
vencer o jogo das ideias, independentemente do conteúdo
(retórica).
• Hoje sabemos que eram difusores de ideias democráticas.
• Criticaram os cosmologistas, visto que suas ideias não tinham
utilidade para a polis.
• Sócrates seguiu essa crítica, mas igualmente criticou os sofistas,
afirmando que nem eles tinham utilidade, pois não ensinavam
qualquer verdade.
• Iniciava-se o período antropológico, em que o homem era o centro
das divagações filosóficas e não mais a Physis.
Sócrates
470 – 399 A.C
Filosofia Socrática
Nenhuma obra deixada por ele.
Sabemos sobre suas ideias nos escritos de Platão:
Apologia de Sócrates, Críton e Fédon
• Crítica as certezas conhecidas e ao conhecimento aristocrático.
• Homem como centro das divagações em torno da ética e da reflexão
críticas.
• “O homem é a medida de todas as coisas” e “Só sei que nada sei”.
• Método: maiêutica e as vezes, dialética.
• Busca da essência das coisas e divagações sobre certo e errado.
• Busca da formulação dos conceitos, dentro de princípios de validades
racionais.
• Pensamento que procura compreender as ações humanas, as ideias e as
crenças, o pensamento e sua capacidade de conhecer, a busca da verdade e
da essência das coisas.
• Filosofia voltada para a definição das virtudes dos
indivíduos e dos cidadãos (ética e política).
• Primeira separação entre tradição e opinião (dóxa) de
verdade, entre pensamento puro e sentidos.
• Informações sensoriais seriam fontes de erros e
falsidades.
• Acusado pelos juízes de Atenas de asebéia, ou seja, de
corromper os jovens.
• Morto ao ingerir cicuta.
• Platão narrou seu julgamento e seus últimos dias em
Fédon.
Platão
427 – 347 A.C
Período Socrático ou Antropológico
Obras: A República; Memo; Parmênides; Theatetus; Simpósio, mais
as obras sobre Sócrates.
• Teoria das Formas: formas eternas e imutáveis como sendo a
perfeição dos fenômenos efêmeros e materiais da experiência,
fenômenos esses que se apresentam imperfeitos a nossos sentidos.
• Mundo das Idéias e Alegoria da Caverna (idealismo e amor
platônico).
• Método Dialético.
• Busca de uma verdade transcendente ao homem e ao mundo
(supremo bem, supremo belo).
• Busca de um regime político ideal e justo (República de Platão).
• República de Platão e o governo do rei Filósofo e da
cidadania, cada cidadão com suas funções (soldados,
agricultores, comerciantes e artesãos).
• Teorias das formas de governos (Aristocracia –
Tirania/Oligarquia/Democracia).
• Separação entre o mundo sensível e o inteligível, entre
verdade e dóxa (opiniões baseadas em sentidos e muito
na tradição).
• Mito do Er e o esquecimento (Teoria da Reminiscência).
• Inatismo platônico – a razão é inata aos homens.
• Conhecer não é aprender, conhecer é recordar a
verdade.
Aristóteles
384 – 322 A.C
Período Sistemático
Obras: Ética a Nicômaco; Política; Física.
• Pai da analítica, chamada de lógica, que seria o estudo dos
princípios e das formas do pensamento, sendo um instrumento para
os conhecimentos.
• Era chamado de Estagirista.
• Chamado de Peripatético e fundador do Liceu ou Escola
Peripatética.
• Sistematizou os saberes em uma enciclopédia.
• Filosofia estabelece uma diferenciação entre os conhecimentos,
sendo cada campo do conhecimento uma epistéme.
• Conhecimento depende de demonstrações e provas.
• Conhecimentos distribuídos por campos
(produtivo/prático/teorético).
• Trata da filosofia primeira ou metafísica, o ato de
chegar ao pensamento puro (intuição intelectual) a
partir de sensações/percepções/memória/linguagem e
raciocínio.
• Nega a ideia de um mundo “extra-mundo” ou um
princípio filosófico universal.
• Cada ciência admite axiomas diferentes e níveis
variados de precisão.
• Busca de um telos, uma finalidade. Todas as coisas
possuem uma função e uma causalidade.
• Na questão ética, o agente ou é moralmente bom ou
mal, sendo que pensar bem é pensar de acordo com sua
virtude.
Logos é o termo grego que significa "a Palavra".
Filósofos gregos (como Platão) mencionavam Logos
não só quando se referindo à palavra falada, mas
também à palavra não dita, a que ainda está na
mente -- a razão, o pensamento. Quando aplicada
ao universo, os gregos estavam falando sobre o
princípio racional que governa todas as coisas.
Um filósofo grego chamado Heráclito usou pela
primeira vez o termo Logos cerca de 600 AC
para designar o plano divino que coordena todo
o universo. Os judeus monoteístas usavam
Logos para se referir a Deus, já que Ele era a
mente racional - a razão - por trás da criação e
coordenação do universo.
GRANDE IMPÉRIO GREGO (333 - 63 aEC)
Alexandre Magno ascendeu ao poder (336) e
conquistou o mundo durante 12 anos apenas.
Conquistou a Síria (333), Tiro e Gaza (332) entrou
no Egito e fundou Alexandria (332/331), destruiu o
império persa na batalha de Arbelas (331),
conquistou as províncias (satrapias) orientais
na India (330-326) e morreu na Babilônia (323).
Após sua morte (323), seus generais disputaram
o controle dos territórios conquistados por
Alexandre. Cassandro ficou com o reino da
Grécia e da Macedônia; Ptolomeu, com o reino
do Egito; Seleuco, com o reino da Síria, Pérsia e
Mesopotâmia. Assim surgiram as monarquias
helenísticas e uns pequenos reinados gregos de
pouca duração, na Índia.
Sob o domínio selêucida (a partir de 187) , diversos
conflitos, de ordem cultural e religiosa, começaram a
acontecer na Palestina. O processo de foi
massivo e opressivo para os mais resistentes. Aspectos
da cultura grega como: filosofia, religião, literatura,
política e principalmente a língua invadiram as
fronteiras dominadas. A cultura de cada povo foi
sendo mesclada à dos gregos. Cada povo falava sua
própria língua e o grego como idioma principal. Os
que resistiam a estas mudanças passaram a ser
perseguidos.
A INVASÃO CULTURAL GREGA E A
RESISTÊNCIA JUDAICA
O judaísmo exclusivista, monoteísta e segregador
de outras etnias estava em seu ápice pois aos
poucos os samaritanos foram se afastando até
deixar de pertencer a Israel. O monoteísmo zeloso
e étnico, recém conquistado, centrado nos três
pilares* estava começando a enraizar-se. A invasão
cultural dos gregos não foi bem recebida.
* Teshuvá (arrependimento), Tefilá (prece) e Tsedacá
(caridade); Teshuvá (Torá), Tefilá (Avodá) e Tzedacá
(Guemilut Chassadim)
Os gregos tratavam as tradições judaicas com
desprezo e provocação. A observância da Torá
foi proibida sob severas penas; os exemplares
das Escrituras que foram encontrados foram
queimados. É até possível que muitos livros
deste período nunca tenham sido encontrados
ou só o foram posteriormente. Deste período
advém os apócrifos e pseudepígrafos do AT.
Os judeus foram duramente perseguidos.
Durante mais de três anos foram completamente
privados de seus direitos civis e religiosos; os
sacrifícios diários foram proibidos; em
Jerusalém foi erigido um altar ao deus Júpiter.
No grande altar do sacrifício foi sacrificada uma
porca e a água em que foi servida sua carne foi
salpicada sobre os rolos da lei e sobre as
principais partes do templo.
Antíoco despojou o templo, o tesouro, matou
muita gente, deportou mulheres e crianças,
construiu a cidadela grega no meio de Jerusalém
conhecida como Antioquia. Construiu a imagem
do Zeus Olímpico sobre o altar dos holocaustos (a
abominação da desolação de Daniel), condenou à
morte os que detinham o livro da Aliança e as
mães que circuncidavam os filhos. Instituiu os
jogos olímpicos que obrigavam os atletas judeus a
competirem nus.
A maior comunidade judaica da diáspora, com
mais de cem mil judeus, encontrava-se em
Alexandria, um importante centro disseminador
da cultura helênica, onde os judeus eram parte
da população local e falavam a língua grega, a
educação e os costumes adotados eram helenicos.
Muitos judeus que partiram para a diáspora ,
falando grego em suas novas colônias, tiveram
necessidade de ler as Escrituras. Os lugares onde
isto era feito aos sábados foram chamados
sinagogas. Neste importante momento, atendendo
à demanda dos judeus na diáspora, que não
falavam o hebraico, apenas o grego, ocorre a
tradução do AT, com todos os seus livros, para o
idioma grego, surgindo assim a Septuaginta. Essa
tradução data de 200 a 100 a.C.
Setenta e dois estudiosos foram reunidos na capital
ptolomaica para esta tradução, a Septuaginta. A
influência dos textos sagrados em grego foi
expressiva, pois se tornou a escritura judaica
padrão e ainda foi pertinente na formação do Novo
Testamento, o livro do Cristianismo, já que as
citações foram extraídas da Septuaginta (versão dos
Setenta).
A Septuaginta foi usada extensamente pelos
judeus de língua grega antes e durante o
tempo de Jesus Cristo e seus apóstolos. Muitos
dos judeus e dos prosélitos reunidos em
Jerusalém no dia de Pentecostes de 33 EC
eram do distrito da Ásia, do Egito, da Líbia,
de Roma e de Creta — regiões em que se
falava grego.Sem dúvida, eles costumavam ler
a Septuaginta (Atos 2:9-11). De modo que essa
versão influiu na divulgação das boas novas no
primeiro século.
De início o monoteísmo judaico conservador do
templo, ofereceu resistência ao sincretismo
religioso helenístico. A fusão de costumes gregos,
persas, egípcios, mesopotâmicos, deflagrou ao
judeu de Jerusalém um universo confuso e
oposto às suas aspirações estritamente religiosas
e morais.
Muitos desses judeus viam no helenismo a
possibilidade da quebra com o tradicionalismo e
eram atraídos pela liberdade grega. Essa
aculturação helenística sobre os judeus pode ser
notada com grande rigor já na segunda metade do
século I a.C. e no século I d.C. Quando o
helenismo alcançou a elite de Jerusalém, os
saduceus sucumbiram a magnificência da
arquitetura helenística e do prazer heleno.
No reinado de Herodes o grande, final do séc. I a.C.
quando a Judéia era província romana, Herodes
criou cidades helenizadas, com anfiteatro,
hipódromo, palácios com grandes colunas.
Construções monumentais todas em arquitetura
helenística. Demonstram que mesmo sob forte
devoção espiritual, o helenismo permaneceu.
Jerusalém possuía uma população de
aproximadamente 120.000 habitantes, e que no
período das peregrinações religiosas ao Templo
chegavam a 500.000 (dados descritos por Josefo).
A historiografia grega inventariava fragmentos
históricos restritos, esmiuçando a historicidade nas
interpretações, ao passo que a judaica preocupava-se em
relatar a história desde a criação do mundo, numa
pesquisa ampla. Entretanto historiadores e filósofos
judeus foram considerados helenistas. Como o
historiador Flávio Josefo (37d.C. – 100d.C.) que acredita-
se ter escrito apenas “Guerra Judaica” em aramaico.
Sua grande obra, Antiguidades Judaicas, um paralelo a
bíblia hebraica, foi escrita em grego, assim como todo o
restante de sua obra.
Fílon (20 a.C.- 50 d.C) é outro exemplo clássico de
judeu helenista nascido na Judéia, mas domiciliado
em Alexandria, tentou integrar a filosofia grega a
teologia mosaica, escreveu toda sua obra em língua
grega. Ele foi um platônico e pitagórico firme, mais
um escritor filosófico do que um escritor de filosofia.
Era um poeta escrevendo sobre religião em prosa
filosófica. Provavelmente nenhum escritor da era
helenística, judeu ou gentio, podia-se comparar com
ele quanto ao estilo literário cristalino.
Judeus helenizados provenientes da diáspora e de
língua grega, já na primeira metade do séc. I d.C.
enfadados com o sistema religiosos tradicional, pelo
desprezo a que eram submetidos pelos diferentes
partidos políticos religiosos, se enveredavam para o
cristianismo primitivo, seguindo os apóstolos
cristãos. A literatura judaica esteve apoiada nas
bases da literatura helenística.
A utilização da língua grega como veículo de
comunicação entre várias cidades helenizadas
propiciou a expansão do cristianismo, a
influência nos judeus helenísticos é facilmente
observada nos registros dos escritos sagrados,
um exemplo foi o estilo literário do Novo
Testamento que apresenta explicações por
parábolas e epístolas.
O helenismo chegou a Judéia, não nos moldes de
outras cidades helenizadas, que de início
aceitaram a helenização como aculturamento, e
até mesmo como doutrina civilizatória. O
helenismo teve profundo impacto sobre os judeus
da diáspora, que estavam longe do templo em
Jerusalém.
Mas foi relevante também sobre a Judéia
(Cesaréia que foi capital da Judéia, estava
debruçada sobre o helenismo).
Jerusalém não escapou a um verniz helenístico
motivado pelos interesses da elite. O
tradicionalismo judaico sacerdotal tentou
minimizar essa influência, e até por
determinados períodos resistiu, como na revolta
macabéia.
• UM JUDEU QUE DEIXE DE PRATICAR O
JUDAÍSMO E SE TRANSFORME EM UM JUDEU
NÃO PRATICANTE CONTINUA A SER
CONSIDERADO JUDEU.
• UM JUDEU QUE NÃO ACEITE OS PRINCÍPIOS
DE FÉ JUDAICOS E SE TORNE AGNÓSTICO
OU ATEU TAMBÉM CONTINUA A SER
CONSIDERADO JUDEU.
• Um judeu que se converte a outra religião perde
lugar como membro da comunidade judaica e
torna-se um apóstata. Família e amigos tomam
luto por ele, pois para um judeu abandonar a
religião é como se morresse.
• Só três proibições são maiores do que a
preservação da vida: Incesto, assassinato e
idolatria.
FILOSOFIA E MUNDO JUDAICO
Fílon de Alexandria
Um pouco
da sua vida e
trajetória
como
pensador
 Fílon de Alexandria (ou Filo judeu/ Philo Judæus)
 Viveu aproximadamente de 20 aC à 50 dC (nasceu 15 e 10 a.C.?).
 O último período conhecido da vida de Fílon é 38/41 d.C., quando
lidera uma embaixada ao imperador Caio Calígula enquanto
representante dos judeus alexandrinos.
 O pouco que se sabe de sua vida pessoal é que fazia parte de uma rica e
influente família judaica de Alexandria, tendo por irmão Alexandre
Lysímaco, supostamente um funcionário ligado à administração
econômica da região, referido por Josefo.
 Um judeu da diáspora.
 O Terapeuta
O seu “sincretismo”
Heleno-judaico
União da filosofia e formação helênica com a
teologia e exegese judaica. (Teologia mosaica)
Absorve da Estoá o conceito de Logos, e de Platão a
estrutura do mundo suprassensível.
“Alegorese”: Método
de interpretação.
Sentido literal:
com pouca importância
Sentido oculto:
As personagens e eventos bíblicos eram símbolos de
conceitos e verdades morais, espirituais e metafísicas.
Percebê-las requer disposição.
Alegorias - Busca de um sentido mais profundo
filosófico, moral.
CRIAÇÃO:
Deus cria do nada, e
dá forma a tudo,
mas antes cria o
cosmos inteligível,
como modelo ideal.
COSMOS
INTELIGÍVEL:
Logos de Deus no
ato de formar o
mundo.
Conceitos
“Filonianos”
os frutos de união entre helenismo e judaísmo
 Logos significa também "palavra" e no
texto bíblico indica a PALAVRA CRIADORA de
Deus ou a Sabedoria.
 Uma hipóstase (substância) criadora na qual se
formam o projeto ideal do mundo ( cosmo inteligível = mundo das
Ideias ) durante a criação
 Identificado também como "Arcanjo", "Mente de Deus", "Filho
primogênito de Deus“, Mediador entre Deus e o homem.
 Semelhanças com o prólogo do Evangelho de João.
LOGOS
Os poderes de
Deus
 Poder criador: com
o qual o Criador
produz o universo.
 Poder régio: com o
qual o Criador governa aquilo que criou.
 A esses dois principais se submetem as
demais atividades de Deus.
 Interpreta o homem como constituído por
três elementos: o corpo, a alma-intelecto
e o Espirito; apenas este ultimo seria
imortal, porque diretamente inspirado por
Deus
 ÉTICA como um itinerário para Deus,
uma “migração”.
“A vida feliz consiste precisamente nessa
transcendência do humano na dimensão
do divino:
"vivendo inteiramente para Deus ao invés de viver
para si mesmo".
Entre suas obras numerosas,
destaca-se a série de tratados que
constituem um Comentário
alegórico do Pentateuco :
A criação do mundo,
As alegorias das leis,
0 herdeiro das coisas divinas,
A migração de Abraão
A mutação dos nomes
As origens da Filosofia Cristã
• A religião cristã originária do judaísmo
surge e se desenvolve no contexto do
helenismo.
• A cultura ocidental da qual somos herdeiros
até hoje é a síntese entre o judaísmo, o
cristianismo e a cultura grega.
• O helenismo permitiu a aproximação entre a
cultura judaica e a filosofia grega que
tornará possível mais tarde, o surgimento de
uma filosofia cristã.
• Em Alexandria essas culturas convivem e se
integram e são faladas várias línguas.
• Nessa época encontra-se uma aproximação
entre a cosmologia platônica e a narrativa
da criação do mundo.
• Inicialmente o cristianismo não se
distinguia claramente do judaísmo e era
visto como uma seita reformista dentro da
religião e da cultura judaica.
• Paulo defende a concepção de uma religião
universal (esta é uma diferença básica em
relação ao judaísmo e as demais religiões da
época).
• Podemos dizer que a cultura de língua grega
hegemônica permitiu a concepção de uma
religião universal e que corresponde no plano
espiritual e religioso a concepção de império no
plano político e militar.
• Consolidou-se com o imperador Constantino
batizado em 337 e sua institucionalização como
religião oficial.
• Entretanto não havia ainda uma unidade no
cristianismo, mas a filosofia grega terá uma
importância fundamental nesse processo,
quando as discussões levaram a formulação
de uma unidade doutrinária hegemônica,
ortodoxa.
• Os primeiros representantes pertencem a
escola neoplatônica cristã de Alexandria.
Uma questão que acompanhará
todo o pensamento cristão é um
foco permanente de tensão que
ficou conhecido como o conflito
entre razão e fé.
•Os Concílios fixaram a doutrina considerada
legítima e condenaram os que não aceitavam
esses dogmas expulsando-os da Igreja.
•Podemos dizer que a filosofia grega é
incorporada de maneira definitiva à tradição
cristã.
• A lógica e a retórica fornecem meios de
argumentação.
• A metafísica de Platão e de Aristóteles
fornecem conceitos chaves (substâncias,
essências e etc.), em função dos quais
questões teológicas serão discutidas
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
Logov - Logos
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com
Deus, e era Deus.
Ela estava com Deus no princípio.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele,
nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais.
Palavra
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
O “Logos” aponta para a pré existência de
Jesus
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com
Deus, e era Deus.
Ela estava com Deus no princípio.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele,
nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais.
No princípio
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
O “Logos” aponta para a pré existência de
Jesus
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com
Deus, e era Deus.
Ela estava com Deus no princípio.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele,
nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais.
O “Logos” aponta para a divindade de Jesus
Face a face
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
O “Logos” aponta para a pré existência de
Jesus
O “Logos” aponta para a divindade de Jesus
O “Logos” aponta para Jesus como o agente
da criação
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com
Deus, e era Deus.
Ela estava com Deus no princípio.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele,
nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
No A.T., “a Palavra” (hebr. Dâbâr) de Deus está
ligada com:
 A poderosa atividade de Deus na criação (Gn
1.3; Sl 33.6)
 Sua revelação (Jr 1.4; Is 9.8; Ez 33.7)
 Sua libertação (Sl 107.20)
O “Logos” aponta para a revelação de Deus
no A.T.
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
O “Logos” aponta para a pré existência de
Jesus
Como esse “Logos” existia no princípio, pode-se
supor que ele estava com Deus, ou era o próprio
Deus. João insiste que as duas afirmações são
verdadeiras. E com isto, ele pretende que o todo de
seu evangelho deva ser lido à luz desse versículo.
“os feitos e as obras de Jesus são os feitos e as
obras de Deus”
O “Logos” aponta para a divindade de Jesus
O “Logos” aponta para a revelação de Deus
no A.T.
1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3)
ENTÃO: O que você precisa entender sobre Jesus
ser o “logos” de Deus?
 Ele já existia antes da ordem criada existir
 Ele tem um relacionamento pessoal e íntimo com
Deus
 Ele, em essência, é totalmente divino
A cultura ocidental é chamada impropriamente
de Judaico-Cristã, quando na realidade ela é
Heleno-Judaica. E isso faz alguma diferença?
Sim, muita. Porque o primeiro nome (Heleno)
indica a origem, como nipo-brasileiro, ítalo-
americano, greco-romano etc.
A propósito, o islamismo também é uma cultura
helenojudaica.
Na Antiguidade o ódio não era feio. Os gregos quase
faziam do ódio uma virtude e da vingança um dever.
Insistiam em que os amigos deveriam partilhar ódios
e afeições do mesmo modo. Para eles, não havia mal
no ódio, desde que tivesse uma razão de ser,
geralmente eram motivados por injúrias feitas à
honra. Sempre que isso acontecia, a única solução
era uma vingança sangrenta, o que explica as suas
inumeráveis guerras fratricidas.
O Judaísmo partilhava destas concepções com
poucas diferenças. O Cristianismo primitivo
advoga o contrário de tudo isso. Desta forma o
cristianismo não é continuação e nem reforma
do Judaísmo, como se faz acreditar. São
muitíssimo diferentes. Portanto, a história é
outra.
“No ano décimo-quinto do império de Tibério
César, sendo governador da Judéia Pôncio Pilatos,
tetrarca da Galiléia Herodes, Filipe seu irmão
tetrarca da Ituréia e da Traconites, e Lisânias
tetrarca de Abilene, sob o pontificado de Anás e
Caifás, foi dirigida a palavra de DEUS a João, filho
de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a
região do Jordão, pregando o batismo de penitência
para a remissão dos pecados ”
(Lc 3:1-3).
O exórdio solene com o qual Lucas introduz a
pregação de João Batista, indica a natureza
complexa da situação histórica na qual vai
inserir-se a vida e pregação de JESUS. Não é
difícil deslindar e discernir no texto evangélico
citado os três elementos culturais romano,
helenístico e judaico.
Contudo, por mais estranho que possa parecer,
entendemos que boa parte dos pressupostos
cristãos se originaram no pensamento filosófico
grego, através do Helenismo.
Este Helenismo, numa análise histórica, foi um
processo, essencialmente cultural, baseado na
influência da cultura grega sobre o Oriente,
incluindo-se aí o próprio Cristianismo,
inicialmente uma seita judaica isolada na Judéia.
Estes contatos culturais que ocorrem entre as
civilizações não são unilaterais; ou seja, quando
culturas ou determinadas práticas culturais de
um povo entram em contato com as de outro
povo, o que ocorre é uma espécie de
“contaminação cultural” mútua. Partindo dessa
premissa teórica da História Cultural , podemos
afirmar então que, ao passo que o Cristianismo
foi um desafio à cultura grega, esta cultura
também foi um desafio ao Cristianismo.
O primeiro desafio foi justamente o da chegada da
cultura grega ao Cristianismo, ainda uma seita cristã
da Judeia, uma vez que com a difusão do idioma grego
koiné pelo Oriente, graças a atuação primeva de
Alexandre, os judeus tiveram que passar por um amplo
processo de helenização. Ou seja, se deixaram levar
pela tendência da época e aprenderam a língua grega,
entretanto, ao constatarmos o uso do koiné por judeus-
cristãos, cabe considerar que esses palestinos
apropriaram-se também de um conjunto de conceitos
próprios da linguagem e cultura grega helenística.
Esse desafio enfrentado na Judéia, foi relativamente
facilitado, uma vez que o Cristianismo,
originalmente, foi um movimento judaico e os
próprios judeus tinham consciência de sua própria
helenização já nos tempos de Paulo, não somente
por conta da Diáspora, mas dentro da própria
Palestina; tanto é que foi em direção a essa parcela
de judeus já helenizados que os missionários
cristãos atuaram.
O segundo desafio é inversamente proporcional
ao primeiro, uma vez que movimenta-se do
Cristianismo para o Paganismo grego. O kérygma
ou a transmissão da “boa nova” não se limitou ao
isolamento da Judéia e na medida em que o
Cristianismo ganhou força, principalmente após a
conversão do imperador Constantino, tornou-se
necessário fundamentar as bases do movimento
em sólidos argumentos filosóficos.
Paulo de Tarso- uma nova visão
1-Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento:
O testemunho neotestamentário está profundamente
ligado com as expectativas e esperanças do judaísmo.
Grande parte dos conceitos do Novo Testamento são
ecos ou releituras do ambiente veterotestamentário.
Existe uma forte vinculação evidente entre os dois
Testamentos, recuperando assim o tema do judaísmo no
cristianismo. A Igreja não criou uma linguagem
teológica nova, mas apropriou-se de grande parte da já
conhecida linguagem veterotestamentária e a ampliou.
2-A Influência de Jesus e da Igreja Primitiva em
Paulo:
Uma vez compreendido o Novo Testamento e sua
vinculação com o Antigo, parte-se para a
vinculação de Paulo com o chamado “kérygma”
(querigma) cristão. As semelhanças e diferenças
existem, e precisam ser devidamente nvestigadas
e apontadas.
Muitos temas da pregação de Jesus estão
ausentes da pregação de Paulo. Não há registros
de parábolas, os ditos de Jesus praticamente
não aparecem nas epístolas, e não há uma
descrição pormenorizada da relação de Jesus
com o farisaísmo. Por outro lado, alguns temas
tratados por Jesus estão presentes em Paulo,
mesmo que não sejam citações explícitas da
pregação de Jesus.
O primeiro tema que pode ser destacado é a
atitude em relação à Lei. Jesus coloca-se acima
da Lei, alinhando-se aos profetas. Paulo, de
igual modo, afirma ser superior à Lei,
estabelecendo uma significativa oposição entre
Lei e Graça, além de desenvolver a doutrina da
Justificação pela Fé.
O segundo tema está ligado ao anterior: Jesus
e Paulo diminuíram a importância dos
sacrifícios. Eles nunca atacaram diretamente o
Templo e os piedosos que ali se reuniam, mas
acentuaram mais o “espírito” daquele que ali
oferecia sacrifícios, do que o sacrifício
propriamente dito.
O terceiro tema está ligado ao combate ao
particularismo judaico. Jesus e Paulo
rompem particularismos, em nome da
autoridade dada por Deus. Jesus elogia a fé
do centurião e da estrangeira. Paulo, por sua
vez, rompeu com particularismos afirmando
sua missão e apostolado como advindos do
próprio Cristo.
O quarto tema comum é a compreensão de
Deus como Pai, tipificada na expressão
aramaica “Abba”. Tanto Jesus quanto
Paulo entendiam a relação com Deus como
uma relação filial (Pai-filho).
3- Paulo Sob o Signo do Judaísmo e do Helenismo:
Um resumo da pregação neotestamentária está em
I Ts 1:9s. Esta pregação, em primeiro lugar, parte
da pregação missionária do judaísmo helenista,
que convida para a repulsa aos ídolos e a dedicação
ao Deus verdadeiro – e acrescenta a afirmação de
que os cristãos aguardam o retorno do
Filho de Deus.
Em segundo lugar, apontam para a ação de
Deus na cruz e na ressurreição de Jesus, e
destacam o testemunho daqueles que aceitaram
esta mensagem.(Rm 1:16 e 10:9 e 12; Lc 12:8s,
Jo 1:20s). Esta confissão se faz pelos títulos que
Jesus recebe (I Co 12.3; Fl 2.11; I Co 8.5s, Rm
3.30, Gl 3.20, Tg 2.19).
Para que se situem melhor as relações entre
estoicismo e cristianismo, devemos considerar
igualmente que é um equivoco identificar
o cristianismo dos primeiros séculos com uma
doutrina unitária e sólida.
Há uma luta entre aqueles que pretendem mantê-lo
vinculado à tradição oriental, não dualista, mas
monista, como era a cultura semita - e os fundadores
da Escola do Pórtico, Zenão e Crisipo, têm formação
semita - e os que procuram, talvez com o objetivo de
divulgar mais rápida e eficazmente a religião,
"encarná-la", revesti-la com a linguagem greco-
romana.
É com Paulo (rabino, apóstolo, filo-grego e
Semita) que se dá a passagem do cristianismo
orientalizado para aquele helenizado, e que no
embate, às vezes áspero e nunca tranquilo, entre
os primeiros teólogos, acaba vencendo o
cristianismo helenizado, sucessiva base da
cultura filosófica medieval. A obra de Paulo de
Tarso serve de paradigma para toda a tradição
posterior.
É conhecido o discurso do apóstolo aos
atenienses no Areópago, hoje inscrito em pedra
ao sopé do Partenon, e que nos remete
diretamente a conceitos estóicos. Os Atos
dos Apóstolos referem-se explicitamente à
discussão de Paulo com "filósofos epicureus e
estóicos“. Para apresentar a nova religião, o
pregador usa de todos os recursos para mostrá-
la não como ruptura, mas como complemento e
acabamento da teologia grega.
Deus é apresentado como o "deus desconhecido",
cujo único templo é o universo, da mesma forma
como, para os estóicos, o logos habita o universo.
Contudo, o intento de convencer os atenienses
redunda em fracasso. Por isso, a seguir, Paulo
muda radicalmente de discurso:
"Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a
inteligência dos inteligentes...
Porventura não tornou Deus louca a sabedoria
deste mundo?... os judeus pedem sinal, e os
gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a
Cristo crucificado, que é escândalo para os
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(1 Cor.1:19-23).
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Filosofia das religiões aulas 1 e 2

  • 1. KEILER CHAVES DE VASCONCELOS
  • 3. ‘Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro pôs uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água muito fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o enchiam de pancada. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subiu mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
  • 4. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
  • 5. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto, e finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
  • 6. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batia em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...”
  • 7. O que a história dos macacos têm a ver com a Filosofia? E o que a Filosofia tem a ver comigo ou com a minha vida?
  • 8. Porquê ? Como? Para quê? Com quê? Quando? Onde?
  • 10. O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos -- muitas vezes centrados na figura de um ente supremo -- que o ajudam a compreender o significado último de sua própria natureza.
  • 11. Mitos, superstições ou ritos mágicos que as sociedades primitivas teceram em torno de uma existência sobrenatural, inatingível pela razão, eqüivaleram à crença num ser superior e ao desejo de comunhão com ele, nas primeiras formas de religião.
  • 12. A curiosidade humana levou o homem a buscar explicações para os fenômenos do cotidiano. Numa época em que não havia nenhuma fundamentação científica capaz de fornecer base para o conhecimento, o homem encontrou na mitologia antiga (ou cosmogonia) uma forma de entender o mundo que o cercava.
  • 13. Por isso mesmo, nós podemos afirmar que o conhecimento mitológico representou uma das primeiras tentativas de organizar um conhecimento sobre a realidade. De acordo com alguns autores, na mitologia nada existe em uma única forma. Existe sempre o antagonismo: a comunhão dos opostos.
  • 14. Assim, é impossível pensar vida sem morte, trevas sem luz, saúde sem doença, bonito sem feio, bem sem mal, ordem sem caos. O mito, ao considerar os opostos, é um movimento de passagem de uma situação para outra: permanência e mutabilidade.
  • 15. De acordo com a crença mitológica, para que algo novo seja construído é preciso que haja uma destruição da forma anterior. A morte, por exemplo, seria uma eterna condição de renascimento. Etimologicamente, a palavra MITO vem do grego MYTHOS e significa FÁBULA; NARRATIVA; PALAVRA.
  • 16. Na crença grega, o mito era um fato narrado pelo poeta-rapsodo, um escolhido dos deuses, para quem era revelada a origem de todas as coisas e seres, ficando ele incumbido de transmiti-la aos ouvintes. A narrativa, mesmo sendo fabulosa, incompreensível ou contraditória, tornava-se confiável e sagrada. Confiável devido à autoridade religiosa do narrador. Sagrada porque tinha origem divina.
  • 18. Mitos - Narrativas de origens. - Contos fabulosos. - Narrativas de passados longínquos. - Contos de uma Era de Ouro. - Genealogias das coisas. - Origens de rivalidades e alianças divinas. - Origem dos próprios deuses e de todas as coisas e fenômenos do mundo natural explicados mediante narrativas mágicas e não naturais.
  • 19. Uma segunda importância creditada à Mitologia é que ela contribuiu para o surgimento da Filosofia, uma vez que a Filosofia nasceu justamente questionando a validade do conhecimento mitológico
  • 20. A Filosofia, ao contrário do Mito, não aceita fabulação, contradição ou incompreensibilidade. Ela busca respostas lógicas, coerentes e racionais. Na Filosofia, a confiança não está assentada na autoridade do filósofo, mas na razão, que é a mesma em todas as pessoas.
  • 21. O que perguntavam os primeiros filósofos ?
  • 22. Por que os seres nascem e morrem ? ? ?
  • 23. ?? Por que os semelhantes dão origem aos outros semelhantes ?
  • 24. ?? Por que os diferentes também fazem surgir os diferentes ?
  • 25. Por que tudo muda ? ? ?
  • 26. De onde vêm os seres ?
  • 27. Para onde vão quando desaparecem ? ? ?
  • 28. ? ? Por que tudo parece repetir – se ?
  • 29. é o estudo de problemas fundamentais relacionados a existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem, é uma palavra grega, que significa "amor à sabedoria" . A Filosofia é uma atividade racional, com base em ARGUMENTOS e na critica das evidências.
  • 30. “A Filosofia das religiões é o estudo lógico dos conceitos religiosos e das concepções, argumentos e expressões teológicas: o escrutínio de várias interpretações da experiência e das atividades religiosas. O filósofo que pratica a mesma não precisa dedicar-se a religião que estiver estudando.
  • 31. A Filosofia das Religiões é um ramo filosófico que investiga a esfera espiritual inerente ao homem, do ponto de vista da metafísica, da antropologia e da ética. Ela levanta questionamentos fundamentais, tais como: o que é a religião? Deus existe? Há vida depois da morte? Como se explica o mal? Estas e outras perguntas, idéias e postulados religiosos são estudados por esta disciplina.
  • 32. Há uma infinidade de religiões, compostas de distintas modalidades de adoração, mitologias e experiências espirituais, mas geralmente os estudiosos se concentram na pesquisa das principais vertentes espirituais, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, pois elas oferecem um sistema lógico e elaborado sobre o comportamento do planeta e de todo o Universo, enquanto as orientais normalmente se centram em uma determinada filosofia de vida.
  • 33. Razão, para a Filosofia, é uma forma de organizar a realidade de modo que esta se torne compreensível. O conhecimento mitológico é anterior ao conhecimento filosófico.
  • 34. Diante disso, uma pergunta que ocupou a mente dos estudiosos de Filosofia foi: A Filosofia nasceu a partir de uma transformação do conhecimento mitológico ou de uma ruptura desse conhecimento?
  • 35. As duas hipóteses já foram consideradas e aceitas, mas, atualmente, admite-se que a Filosofia, ao perceber que o conhecimento mitológico era contraditório e limitado, reformulou-o, racionalizando-o e transformando-o num conhecimento novo e diferente.
  • 36. Pode-se definir filosofia, sem trair seu sentido etimológico, como uma busca da sabedoria, conceito que aponta para um saber mais profundo e abrangente do homem e da natureza, que transcende os conhecimentos concretos e orienta o comportamento diante da vida.
  • 37. A filosofia pretende ser também uma busca e uma justificação racional dos princípios primeiros e universais das coisas, das ciências e dos valores, e uma reflexão sobre a origem e a validade das idéias e das concepções que o homem elabora sobre ele mesmo e sobre o que o cerca.
  • 38. FILOSOFIA ORIENTAL E OCIDENTAL: 1- A Filosofia Oriental é influenciada em muito pela religião, pois no oriente não houve a separação entre filosofia e religião, lá elas permanecem atreladas até hoje. Como exemplos o Hinduísmo, o Budismo, O Taoísmo e o Confucionismo, que são uma mistura de religião e filosofia de vida; dentre elas o Confucionismo é a mais racional.
  • 39. 2- Na Ocidental a separação entre filosofia e religião foi mais delineada, porque a filosofia ocidental foi emancipada pelos gregos, e os gregos possuíam uma apelo forte à razão. Sendo assim a filosofia ocidental como a conhecemos nasceu na Grécia como um ato de fé na razão humana. Muito embora a Filosofia Ocidental foi incorporada à religião com a vitória do Cristianismo, após um período de mil anos tal divisão voltou á tona.
  • 40. É fato hoje bastante aceito que o nascimento da Filosofia na Grécia Antiga, não resultou de um “milagre” realizado por um povo privilegiado, e sim resultou de um processo lento e gradual, influenciado por mudanças sociais, políticas e econômicas.
  • 41. Para o estudo filosófico da religião, vários são os métodos utilizados: -Método histórico-crítico comparativo – comparar as várias religiões no tempo e no espaço, buscando seus traços comuns e suas diferenças específicas, para verificar o que constitui a essência do fenômeno religioso; -Método Filológico – mediante o estudo comparado das línguas, busca encontrar nas línguas parentes o que pensavam e acreditavam os povos antes de se dividirem em línguas distintas (quais as palavras utilizadas para descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns);
  • 42. -Método Antropológico – reconstruir o passado religioso com base na etnologia, estudando os povos primitivos atuais (suas instituições, crenças, rituais e tradições). A filosofia da religião deve conjugá-los, para obter a melhor soma de elementos para chegar às suas conclusões sobre a essência das manifestações religiosas e suas características universais. -Método metafísico – busca o fundamento do fenômeno religioso.
  • 43. Condições históricas para o nascimento da filosofia na Grécia: • Viagens Marítimas: Os gregos voltaram a colonizar novas terras e a navegar pelo Mar Mediterrâneo e perceberam que não existiam monstros ou criaturas mágicas no mar como afirmado nos mitos homéricos, tal como na Odisseia.
  • 44. • Criação do Calendário: Os gregos racionalizaram o tempo para navegar, colonizar e comercializar. O cálculo de tempo abstrato favoreceu o desenvolvimento do logos e a linearidade do tempo colocou em dúvida o tempo cíclico dos mitos.
  • 45. • Comércio, artesanato e utilização da moeda: Com as navegações e novas colonizações de terras além-mar os gregos voltaram ao comércio e ao artesanato e tiveram que usar abstração para criar formas de pesos e medidas de modo a facilitar o comércio. A moeda favoreceu o pensamento lógico, visto a necessidade de generalizar para vender e comprar.
  • 46. • Escrita alfabética e fonética: Os gregos se apropriaram da escrita fenícia em razão do comércio e essa escrita igualmente desenvolveu a capacidade de abstração. Na escrita pictórica, imagens são signos de coisa assinalada, na fonética, ao contrário, as imagens assinalam apenas ideias. Antes, a escrita era sagrada ou voltada para uma elite, agora era uma escrita laica e que aos poucos se difundiu para muitos.
  • 47. • Política de debate: A política se diferenciou do poder despótico do rei. Na política existe a necessidade do debate, da livre argumentação e demonstração de ideias para que a polis pudesse livremente escolher o melhor para si mesma e isso exigiu a articulação de pensamento e de discurso. O pensamento e a palavra para convencer a outrem igualmente desenvolveu o logos, o raciocínio e isso ajudou a filosofia a nascer e florescer.
  • 48. Logos e Filosofia - Explicações das coisas como são, que possuem temporalidade, dentro de um tempo linear. - Coisas explicadas em sua essência, como elas são e como foram criadas, dentro de um raciocínio lógico, racional, verossímil e verdadeiro. - Procura de elementos naturais primordiais (a physis dos pré-socráticos) ou mesmo da essência das coisas humanas (Pós-Sócrates e Pós-Platão). - Pensamento sem contradições internas.
  • 49. O momento inicial da expansão do pensamento grego, uma prévia do que viria a ser a expansão do “ocidentalismo” , foi a conquista da Grécia pelos macedônicos, no Século IV. Após conquistar os gregos, o Império Macedônico adotou a cultura grega como o princípio da cultura a ser levada na expansão territorial.
  • 50. As vitórias macedônicas se consolidaram na Ásia Menor, no Egito e em todo o Mediterrâneo Oriental. Os povos que foram submetidos por Alexandre, o Grande, foram subordinados não só a sua força militar, mas tiveram que conviver com a cultura grega. Instituições políticas e língua, por exemplo, passaram a ser introduzidas nos “quatro cantos” do Império.
  • 51. A influência não foi superficial como uma mancha em um tecido, ela se aprofundou e passou a ser incorporada nas práticas comerciais, na vida pública na produção do conhecimento, a orientação filosófica dos pensadores gregos ganhou novo sentido.
  • 52. O Império Macedônico não foi duradouro, na prática, sua decomposição começou com a morte de Alexandre (323 a.C), o seu fundador. Dividido pelos generais, foi aos poucos conquistado por romanos e árabes. Territórios foram retomados pelos persas, e os egípcios se libertaram da dominação macedônica, mas a cultura grega ficou, deixou suas marcas e orientou o destino do conhecimento do universo em muitas regiões onde os macedônicos percorreram.
  • 53. O clima de insegurança em que o Império Macedônico se decompôs gerou uma angústia que predominou também no pensamento filosófico do período. Um pensador que expressa esse clima é Diógenes (404 a 323 a.C). Um discípulo de Antístenes, um seguidor de Sócrates, ele questionava a vida mundana, a sedução pela matéria e buscava uma vida simples.
  • 54. Segundo a lenda, Diógenes andava perambulando pelas ruas de Atenas e depois de ser expulso, pela cidade de Corinto. Morava em um barril e andava pelas ruas em plena luz do dia com uma lamparina. Ele afirmava que fazia aquilo por estar à procura de um homem honesto. Sua atitude despertou a curiosidade do Imperador Alexandre, que um dia quis conhecê-lo.
  • 55. Quando o encontrou, ele estava deitado dentro do barril onde vivia. O imperador teria dito que ele poderia fazer o pedido que quisesse e prontamente seria atendido. Diógenes teria dito para que Alexandre saísse de sua frente e parasse de roubar sua luz com a sombra. Encantado pela convicção do “andarilho” filósofo, o imperador teria afirmado que se não fosse Alexandre, gostaria de ter sido Diógenes.
  • 56. Os pré-socráticos são os filósofos que primeiramente aprenderam a olhar o mundo de uma forma científica e filosófica. Foram eles que substituíram o olhar mítico pelo olhar do logos, do racional. Os cientistas de hoje podem se orgulhar de suas vastas descobertas, mas não podem se esquecer daqueles que deram os primeiros passos na busca do conhecimento, do conhecimento pelas causas. Em se tratando dos filósofos pré-socráticos, há quatro conceitos fundamentais: kosmos, physis, arché e logos.
  • 57. Kosmos. É o universo. O substantivo kosmos deriva de um verbo cujo significado é "ordenar", "arranjar", "comandar". Um "cosmo" é um arranjo ordenado. Mais que isso, é um arranjo dotado de estética, algo que embeleza, que é agradável de se contemplar. Se é ordenado, deve, em princípio, ser explicável. Desta palavra surgiram: cosmogonia (lendas e teorias sobre as origens do universo), cosmopolita (cidadão do mundo), cosmético (relativo à beleza humana).
  • 58. Physis ou "natureza". O termo deriva de um verbo cujo significado é "crescer". Introduz uma clara distinção entre o mundo natural e o artificial, entre as coisas que se "desenvolvem" e aquelas que são fabricadas, entre a physis e a techne. Uma mesa provém da techne; uma árvore, da physis. Em muitos casos, physis e kosmos passam a ter o mesmo significado. Em outro sentido, o mais importante para eles, é que physis passa a denotar algo existente no próprio objeto.
  • 59. Arché. É um termo de difícil tradução. Seu verbo cognato tanto pode significar "começar", "iniciar", como também "reger", "dirigir". Arché é um princípio; physis, é crescimento. Os filósofos pré-socráticos perguntavam: de onde se origina então o crescimento? Como este teve origem? Quais são seus princípios originais? Estas questões tinham por fim achar o “arché “ das coisas. Tales de Mileto, por exemplo, achou que o primeiro princípio era a água.
  • 60. Logos. É de tradução ainda mais difícil do que a de arché. É cognato do verbo legein, que normalmente significa "enunciar" ou "afirmar". Assim, logos é por vezes enunciado ou afirmação. Apresentar um logos ou um relato de algo é explicá-lo, desdobrá-lo. Quando Platão afirma que um homem inteligente é capaz de apresentar um logos das coisas, ele não queria dizer que essa pessoa era capaz de descrevê-las, mas de explicá-las, ou seja, de apresentar razões dessas coisas. Em síntese, logos é razão, racionalidade, raciocínio, argumentação e evidência.
  • 61. Os Filósofos Pré-Socráticos 1. Escola Jônica: Tales, Anaximandro, Anaxímenes 2. Escola Pitagórica: Pitágoras e Filolau 3. Escola Eleata: Parmênides, Heráclides e Zenão 4. Escola da Pluralidade: Empédocles, Anaxágoras de Clausomêna e os Atomistas
  • 62. OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS Concentraram-se, basicamente, em duas questões: Qual é a origem, a matéria ou principio da Natureza? DEPENDENDO DAS ESCOLAS, HAVERÁ DIFERENTES RESPOSTAS: FOGO, ÁGUA, ÁPEIRON, ETC. Qual é a autêntica realidade? O que nos oferece os sentidos ou o que oferece a razão?
  • 63. Período Pré-Socrático ou Cosmológico - Temporalidade: Fim do século VII a.C ao fim do século V A.C (Arcaico). - Localização: Jônia – Mileto –Éfeso – Samos, além da Magna Grécia. - Objetivo: Busca da Physis, algo que faz surgir, brotar, produzir e da Kínesis, o movimento, o devir.
  • 64. - Busca da origem de todas as coisas, a natureza tomada em sua totalidade, natureza entendida como coisa primordial e causa da existência, a realidade e os seres humanos. - Não trata-se mais de uma cosmogonia ou teologia, mas de uma cosmologia, ou seja, a compreensão da criação de todas as coisas por elementos naturais, indivisíveis, válidos e possíveis.
  • 65. Tales de Mileto 620 – 540 A.C Filosofia Pré-Socrática Nenhuma obra de Tales chegou até nós. Sabemos de Tales por fontes como Heródoto, Plutarco, Aristóteles e Diógenes • Considerado o primeiro filósofo da Grécia Antiga. • Aristóteles e Heródoto afirmaram que para Tales, a água seria o elemento essencial da existência humana. • Primeiro cientista natural e filósofo analítico da história, prevendo um eclipse solar em Mileto. • Primeiro pensador a retirar os deuses das explicações de todas as coisas, fugindo das explicações míticas épicas homéricas.
  • 66. Água • Não se conhecem textos de Tales. • Aristóteles via em Tales o primeiro “físico” (equivalente a filósofo). • É o mais antigo dos Sete Sábios. Inquieto, viajante, matemático, astrônomo e político Teorema de Tales Previu um Eclipse do Sol (585 a.C) TalesdeMileto A origem da Natureza é um elemento natural e determinado
  • 67. • Segundo sua metafísica, a água seria o primeiro princípio das coisas, por se transformar em vapor ou sólido em determinadas temperaturas. • Também era conhecido por antecipar as ideias sobre placas tectônicas, acreditando que a terra boiava em água e que ondas subterrâneas sacudiam as rochas da terra, ocasionando os terremotos (não havia mais o deus Poseidon nas explicações desses eventos). • Afirmava também que o mundo teria uma mente e essa mente seria Deus, ideias essas que se assemelham a alguns aspectos do budismo.
  • 68. Anaximandro de Mileto (Aprox. 610-545 a.C.) Estabelece que o elemento originário é indeterminado e eterno: Ápeiron() Chegou-nos um único fragmento: “Onde as coisas têm sua origem, aí ocorre sua dissolução, segundo a necessidade. Pois pagam reciprocamente a penitência por sua injustiça, conforme a ordem do tempo”. O Cosmos como dependente de forças polares primordiais ou idênticas (calor e frio; água e terra; masculino e feminino) Ápeiron → Opostos → Mundo Atribuem–se-lhe múltiplas investigações e a afirmação de que a Terra é esférica.
  • 69. Anaxímenes (Aprox. 585-524) Indica uma substância determinada e infinita como elemento primeiro: O Ar O ar é divino e gera divindades a partir de si, é nossa alma e o que mantém nossos corpos unidos. A Terra é plana e passeia no ar, e os demais corpos celestes giram em torno dela. (Geocentrismo ??)
  • 70. PitágorasdeSamos (584-496a.C.) O conhecimento como instrumento de purificação da alma Introduz a dualidade mente e corpo Influirá na ideia platônica da transmigração das almas: um modo de vida consciencioso e pautado pela moderação para salvá-lo das sucessivas reencarnações (orfismo) •A Justa medida entre os opostos (métron): a sua inexistência seria o caos. •Sua doutrina, durante muito tempo, foi transmitida apenas oralmente e as lendas se encarregaram do restante. Escola Pitagórica ou Itálica: “todas as coisas são números”.
  • 71. Pitágoras de Samos 570 – 480 A.C Filosofia Pré-Socrática Nenhuma obra chegou até nós Seguidores diziam: “autos ephe” (ele mesmo disse) • Teorema de Pitágoras teria sido extraído de ensinamentos babilônicos (em triângulos retângulos, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa). • Tinha fama de ser místico, sua escola sendo considerada um culto religioso que ensinava a abstinência, a reencarnação da alma e a numerologia, mais tarde influenciando Nostradamus. • A realidade última da natureza seriam os números, ideia desenvolvida a partir da música, visto que os intervalos dos compassos poderiam ser expressos na proporção entre os quatro primeiros números inteiros.
  • 72. • Os pitagóricos veneravam padrões numéricos, especialmente o número triangular dez, o tetractys, um diagrama que representa os quatro primeiros números inteiros em um triângulo de dez pontos. • Para ele o número dez era perfeito por ser a soma dos quatro primeiros números inteiros. • Os pitagóricos também acreditavam haver dez corpos celestes, cinco planetas, o sol a lua, a terra e dois astros invisíveis no qual a terra girava, todos igualmente girando ao redor do fogo.
  • 73. Escola Pitagórica "A natureza (o cosmo e tudo nele contido) formam um todo harmônico, composição de finito e infinito“ O cosmos está formado por um fogo central (Hestia) e nove corpos que giram a seu redor: Antiterra, Terra, Lua, Sol, e os cinco planetas observáveis além da esfera das estrelas fixas: O Sistema Pirocêntrico Doutrina dos Números: "A unidade [o um] é o princípio de todas as coisas” FilolaudeCrotona (Séc.Va.C.)
  • 74. Escola Eleata Esta escola é de caráter exclusivamente filosófico; as anteriores foram físicas ou religiosas •Parmênides •Heráclito •Zenão de Eléia
  • 75. Parmênides (540-470 a.C.) Opõe-se a Heráclito Não admite a mudança e o movimento O ser é único, imutável e eterno = Ideias platônicas Introduz a diferença entre conhecimento Influenciou Platão e Aristóteles • Pensa o Uno-Eterno-Imóvel. • Única via para o conhecimento. • Mostra o Múltiplo-Cambiante. • Não válida para o conhecimento.
  • 76. • Introduz a ideia de que os sentidos nos enganam. • Considerado o “pai” da Dialética. Suas reflexões tratam sobre: O Mundo : a) Está em estado de contínua mudança: a luta entre contrários; b) Está impregnado de constantes opostos: “O ser é e não é ao mesmo tempo”; “Tudo flui” – tudo está em movimento e nada dura para sempre; “Não podemos entrar no mesmo rio duas vezes”; A essência de todas as coisas é o Fogo. HeráclitodeÉfeso (544-484a.C.)
  • 77. Zenão de Eléia(490-420 a.C.)  Paradoxo: “Em uma corrida, o mais lento nunca será alcançado pelo mais rápido”.  Argumentos através de paradoxos: iniciador da dialética.  Paradoxo de Aquiles e a tartaruga, segundo o qual, o corredor nunca alcançaria o animal.  Uma flecha em voo está a qualquer instante em repouso (argumentos contra o movimento).  Características atribuídas a Deus:  Eternidade;  Uno;  A forma Esférica;  Nem limitado nem ilimitado; nem móvel nem imóvel.
  • 78. Escola da Pluralidade  Corrente materialista e mecanicista –  A única realidade existente são os corpos em movimento Empédocles Anaxágoras Atomistas Reagem contra as ideias de Heráclito e Parmênides
  • 79. Os elementos originários seriam: Fogo; Água; Ar; Terra. EmpédoclesdeAgrigento (493-433a.C.) •Estes quatro elementos, mesclando-se uns com os outros, formam os diferentes objetos. •Concepção cíclica do tempo e da natureza. Concilia o pensamento de seus antecessores
  • 80.  O ser é imutável. Os objetos surgem quando as sementes estão reunidas de forma tal, que no objeto resultante predomina as de uma espécie determinada. O tudo está em tudo. Anaxágoras de Clazômena (500-428 a.C)
  • 81. Os Atomistas (Desenvolveram a filosofia de Empédocles) Há um número infinito de unidades indivisíveis. Átomos Diferem em tamanho e forma mas são idênticos entre si. Têm as mesmas características que o ser de Parmênides. Não têm nenhuma qualidade, exceto a de serem sólidos e impenetráveis. Infinitos em seu número, agitam-se no vazio ao acaso. LeucipoeDemócrito deAbdera(470-370a.C.)
  • 82. CONCLUSÕES Tema central de estudo: a NATUREZA Soluções: Monismo Físicos jônios Parmênides Dualismo Pitagóricos Pluralismo Empédocles, Anaxágoras, Demócrito Questão do CONHECIMENTO Começa-se a levantar a distinção entre verdade e aparência. Razão Sentidos +
  • 83. CONCLUSÕES Período Pré-Socrático (VII-V a.C) Escola Jônica: em busca do “arché”. Tales, Anaximando e Anaxímenes. Pitagóricos: os números. Pitágoras e Filolau de Crotona. Escola Eleata: reflexões sobre o mundo. Parmênides, Heráclito e Zenão. Escola da Pluralidade: movimento. Empédocles, Anaxágoras e os Atomistas.
  • 84. Período Socrático/Antropológico • Época Clássica da Grécia (V – IV A.C) • Atenas como polo cultural. • Esplendor de Atenas e Século de Péricles (Imperialismo). • Florescimento da Democracia e da Cidadania. • Economia citadina do artesanato e do comércio. • Ultrapassagem da noção aristocrática da aretê, em que somente os eupátridas detinham a superioridade e excelência. • Paideia: ideal de educação não mais voltada para a formação do bom guerreiro somente, do belo e do virtuoso que descendia de heróis ou deuses, mas sim a formação do bom cidadão.
  • 85. • O bom cidadão deveria falar bem na Eclésia, a assembleia dos cidadãos. • Surgimento dos sofistas, tais como Protágoras, Górgias e Isócrates. • Desses temos apenas fragmentos e opiniões depreciativas de Platão e Aristóteles. • Muito se diz que queriam ensinar políticos a mentir, a falar bem e vencer o jogo das ideias, independentemente do conteúdo (retórica). • Hoje sabemos que eram difusores de ideias democráticas. • Criticaram os cosmologistas, visto que suas ideias não tinham utilidade para a polis. • Sócrates seguiu essa crítica, mas igualmente criticou os sofistas, afirmando que nem eles tinham utilidade, pois não ensinavam qualquer verdade. • Iniciava-se o período antropológico, em que o homem era o centro das divagações filosóficas e não mais a Physis.
  • 86. Sócrates 470 – 399 A.C Filosofia Socrática Nenhuma obra deixada por ele. Sabemos sobre suas ideias nos escritos de Platão: Apologia de Sócrates, Críton e Fédon • Crítica as certezas conhecidas e ao conhecimento aristocrático. • Homem como centro das divagações em torno da ética e da reflexão críticas. • “O homem é a medida de todas as coisas” e “Só sei que nada sei”. • Método: maiêutica e as vezes, dialética. • Busca da essência das coisas e divagações sobre certo e errado. • Busca da formulação dos conceitos, dentro de princípios de validades racionais. • Pensamento que procura compreender as ações humanas, as ideias e as crenças, o pensamento e sua capacidade de conhecer, a busca da verdade e da essência das coisas.
  • 87. • Filosofia voltada para a definição das virtudes dos indivíduos e dos cidadãos (ética e política). • Primeira separação entre tradição e opinião (dóxa) de verdade, entre pensamento puro e sentidos. • Informações sensoriais seriam fontes de erros e falsidades. • Acusado pelos juízes de Atenas de asebéia, ou seja, de corromper os jovens. • Morto ao ingerir cicuta. • Platão narrou seu julgamento e seus últimos dias em Fédon.
  • 88. Platão 427 – 347 A.C Período Socrático ou Antropológico Obras: A República; Memo; Parmênides; Theatetus; Simpósio, mais as obras sobre Sócrates. • Teoria das Formas: formas eternas e imutáveis como sendo a perfeição dos fenômenos efêmeros e materiais da experiência, fenômenos esses que se apresentam imperfeitos a nossos sentidos. • Mundo das Idéias e Alegoria da Caverna (idealismo e amor platônico). • Método Dialético. • Busca de uma verdade transcendente ao homem e ao mundo (supremo bem, supremo belo). • Busca de um regime político ideal e justo (República de Platão).
  • 89. • República de Platão e o governo do rei Filósofo e da cidadania, cada cidadão com suas funções (soldados, agricultores, comerciantes e artesãos). • Teorias das formas de governos (Aristocracia – Tirania/Oligarquia/Democracia). • Separação entre o mundo sensível e o inteligível, entre verdade e dóxa (opiniões baseadas em sentidos e muito na tradição). • Mito do Er e o esquecimento (Teoria da Reminiscência). • Inatismo platônico – a razão é inata aos homens. • Conhecer não é aprender, conhecer é recordar a verdade.
  • 90. Aristóteles 384 – 322 A.C Período Sistemático Obras: Ética a Nicômaco; Política; Física. • Pai da analítica, chamada de lógica, que seria o estudo dos princípios e das formas do pensamento, sendo um instrumento para os conhecimentos. • Era chamado de Estagirista. • Chamado de Peripatético e fundador do Liceu ou Escola Peripatética. • Sistematizou os saberes em uma enciclopédia. • Filosofia estabelece uma diferenciação entre os conhecimentos, sendo cada campo do conhecimento uma epistéme. • Conhecimento depende de demonstrações e provas. • Conhecimentos distribuídos por campos (produtivo/prático/teorético).
  • 91. • Trata da filosofia primeira ou metafísica, o ato de chegar ao pensamento puro (intuição intelectual) a partir de sensações/percepções/memória/linguagem e raciocínio. • Nega a ideia de um mundo “extra-mundo” ou um princípio filosófico universal. • Cada ciência admite axiomas diferentes e níveis variados de precisão. • Busca de um telos, uma finalidade. Todas as coisas possuem uma função e uma causalidade. • Na questão ética, o agente ou é moralmente bom ou mal, sendo que pensar bem é pensar de acordo com sua virtude.
  • 92. Logos é o termo grego que significa "a Palavra". Filósofos gregos (como Platão) mencionavam Logos não só quando se referindo à palavra falada, mas também à palavra não dita, a que ainda está na mente -- a razão, o pensamento. Quando aplicada ao universo, os gregos estavam falando sobre o princípio racional que governa todas as coisas.
  • 93. Um filósofo grego chamado Heráclito usou pela primeira vez o termo Logos cerca de 600 AC para designar o plano divino que coordena todo o universo. Os judeus monoteístas usavam Logos para se referir a Deus, já que Ele era a mente racional - a razão - por trás da criação e coordenação do universo.
  • 94. GRANDE IMPÉRIO GREGO (333 - 63 aEC) Alexandre Magno ascendeu ao poder (336) e conquistou o mundo durante 12 anos apenas. Conquistou a Síria (333), Tiro e Gaza (332) entrou no Egito e fundou Alexandria (332/331), destruiu o império persa na batalha de Arbelas (331), conquistou as províncias (satrapias) orientais na India (330-326) e morreu na Babilônia (323).
  • 95. Após sua morte (323), seus generais disputaram o controle dos territórios conquistados por Alexandre. Cassandro ficou com o reino da Grécia e da Macedônia; Ptolomeu, com o reino do Egito; Seleuco, com o reino da Síria, Pérsia e Mesopotâmia. Assim surgiram as monarquias helenísticas e uns pequenos reinados gregos de pouca duração, na Índia.
  • 96. Sob o domínio selêucida (a partir de 187) , diversos conflitos, de ordem cultural e religiosa, começaram a acontecer na Palestina. O processo de foi massivo e opressivo para os mais resistentes. Aspectos da cultura grega como: filosofia, religião, literatura, política e principalmente a língua invadiram as fronteiras dominadas. A cultura de cada povo foi sendo mesclada à dos gregos. Cada povo falava sua própria língua e o grego como idioma principal. Os que resistiam a estas mudanças passaram a ser perseguidos.
  • 97. A INVASÃO CULTURAL GREGA E A RESISTÊNCIA JUDAICA O judaísmo exclusivista, monoteísta e segregador de outras etnias estava em seu ápice pois aos poucos os samaritanos foram se afastando até deixar de pertencer a Israel. O monoteísmo zeloso e étnico, recém conquistado, centrado nos três pilares* estava começando a enraizar-se. A invasão cultural dos gregos não foi bem recebida. * Teshuvá (arrependimento), Tefilá (prece) e Tsedacá (caridade); Teshuvá (Torá), Tefilá (Avodá) e Tzedacá (Guemilut Chassadim)
  • 98. Os gregos tratavam as tradições judaicas com desprezo e provocação. A observância da Torá foi proibida sob severas penas; os exemplares das Escrituras que foram encontrados foram queimados. É até possível que muitos livros deste período nunca tenham sido encontrados ou só o foram posteriormente. Deste período advém os apócrifos e pseudepígrafos do AT.
  • 99. Os judeus foram duramente perseguidos. Durante mais de três anos foram completamente privados de seus direitos civis e religiosos; os sacrifícios diários foram proibidos; em Jerusalém foi erigido um altar ao deus Júpiter. No grande altar do sacrifício foi sacrificada uma porca e a água em que foi servida sua carne foi salpicada sobre os rolos da lei e sobre as principais partes do templo.
  • 100. Antíoco despojou o templo, o tesouro, matou muita gente, deportou mulheres e crianças, construiu a cidadela grega no meio de Jerusalém conhecida como Antioquia. Construiu a imagem do Zeus Olímpico sobre o altar dos holocaustos (a abominação da desolação de Daniel), condenou à morte os que detinham o livro da Aliança e as mães que circuncidavam os filhos. Instituiu os jogos olímpicos que obrigavam os atletas judeus a competirem nus.
  • 101. A maior comunidade judaica da diáspora, com mais de cem mil judeus, encontrava-se em Alexandria, um importante centro disseminador da cultura helênica, onde os judeus eram parte da população local e falavam a língua grega, a educação e os costumes adotados eram helenicos.
  • 102. Muitos judeus que partiram para a diáspora , falando grego em suas novas colônias, tiveram necessidade de ler as Escrituras. Os lugares onde isto era feito aos sábados foram chamados sinagogas. Neste importante momento, atendendo à demanda dos judeus na diáspora, que não falavam o hebraico, apenas o grego, ocorre a tradução do AT, com todos os seus livros, para o idioma grego, surgindo assim a Septuaginta. Essa tradução data de 200 a 100 a.C.
  • 103. Setenta e dois estudiosos foram reunidos na capital ptolomaica para esta tradução, a Septuaginta. A influência dos textos sagrados em grego foi expressiva, pois se tornou a escritura judaica padrão e ainda foi pertinente na formação do Novo Testamento, o livro do Cristianismo, já que as citações foram extraídas da Septuaginta (versão dos Setenta).
  • 104. A Septuaginta foi usada extensamente pelos judeus de língua grega antes e durante o tempo de Jesus Cristo e seus apóstolos. Muitos dos judeus e dos prosélitos reunidos em Jerusalém no dia de Pentecostes de 33 EC eram do distrito da Ásia, do Egito, da Líbia, de Roma e de Creta — regiões em que se falava grego.Sem dúvida, eles costumavam ler a Septuaginta (Atos 2:9-11). De modo que essa versão influiu na divulgação das boas novas no primeiro século.
  • 105. De início o monoteísmo judaico conservador do templo, ofereceu resistência ao sincretismo religioso helenístico. A fusão de costumes gregos, persas, egípcios, mesopotâmicos, deflagrou ao judeu de Jerusalém um universo confuso e oposto às suas aspirações estritamente religiosas e morais.
  • 106. Muitos desses judeus viam no helenismo a possibilidade da quebra com o tradicionalismo e eram atraídos pela liberdade grega. Essa aculturação helenística sobre os judeus pode ser notada com grande rigor já na segunda metade do século I a.C. e no século I d.C. Quando o helenismo alcançou a elite de Jerusalém, os saduceus sucumbiram a magnificência da arquitetura helenística e do prazer heleno.
  • 107. No reinado de Herodes o grande, final do séc. I a.C. quando a Judéia era província romana, Herodes criou cidades helenizadas, com anfiteatro, hipódromo, palácios com grandes colunas. Construções monumentais todas em arquitetura helenística. Demonstram que mesmo sob forte devoção espiritual, o helenismo permaneceu. Jerusalém possuía uma população de aproximadamente 120.000 habitantes, e que no período das peregrinações religiosas ao Templo chegavam a 500.000 (dados descritos por Josefo).
  • 108. A historiografia grega inventariava fragmentos históricos restritos, esmiuçando a historicidade nas interpretações, ao passo que a judaica preocupava-se em relatar a história desde a criação do mundo, numa pesquisa ampla. Entretanto historiadores e filósofos judeus foram considerados helenistas. Como o historiador Flávio Josefo (37d.C. – 100d.C.) que acredita- se ter escrito apenas “Guerra Judaica” em aramaico. Sua grande obra, Antiguidades Judaicas, um paralelo a bíblia hebraica, foi escrita em grego, assim como todo o restante de sua obra.
  • 109. Fílon (20 a.C.- 50 d.C) é outro exemplo clássico de judeu helenista nascido na Judéia, mas domiciliado em Alexandria, tentou integrar a filosofia grega a teologia mosaica, escreveu toda sua obra em língua grega. Ele foi um platônico e pitagórico firme, mais um escritor filosófico do que um escritor de filosofia. Era um poeta escrevendo sobre religião em prosa filosófica. Provavelmente nenhum escritor da era helenística, judeu ou gentio, podia-se comparar com ele quanto ao estilo literário cristalino.
  • 110. Judeus helenizados provenientes da diáspora e de língua grega, já na primeira metade do séc. I d.C. enfadados com o sistema religiosos tradicional, pelo desprezo a que eram submetidos pelos diferentes partidos políticos religiosos, se enveredavam para o cristianismo primitivo, seguindo os apóstolos cristãos. A literatura judaica esteve apoiada nas bases da literatura helenística.
  • 111. A utilização da língua grega como veículo de comunicação entre várias cidades helenizadas propiciou a expansão do cristianismo, a influência nos judeus helenísticos é facilmente observada nos registros dos escritos sagrados, um exemplo foi o estilo literário do Novo Testamento que apresenta explicações por parábolas e epístolas.
  • 112. O helenismo chegou a Judéia, não nos moldes de outras cidades helenizadas, que de início aceitaram a helenização como aculturamento, e até mesmo como doutrina civilizatória. O helenismo teve profundo impacto sobre os judeus da diáspora, que estavam longe do templo em Jerusalém.
  • 113. Mas foi relevante também sobre a Judéia (Cesaréia que foi capital da Judéia, estava debruçada sobre o helenismo). Jerusalém não escapou a um verniz helenístico motivado pelos interesses da elite. O tradicionalismo judaico sacerdotal tentou minimizar essa influência, e até por determinados períodos resistiu, como na revolta macabéia.
  • 114. • UM JUDEU QUE DEIXE DE PRATICAR O JUDAÍSMO E SE TRANSFORME EM UM JUDEU NÃO PRATICANTE CONTINUA A SER CONSIDERADO JUDEU. • UM JUDEU QUE NÃO ACEITE OS PRINCÍPIOS DE FÉ JUDAICOS E SE TORNE AGNÓSTICO OU ATEU TAMBÉM CONTINUA A SER CONSIDERADO JUDEU.
  • 115. • Um judeu que se converte a outra religião perde lugar como membro da comunidade judaica e torna-se um apóstata. Família e amigos tomam luto por ele, pois para um judeu abandonar a religião é como se morresse. • Só três proibições são maiores do que a preservação da vida: Incesto, assassinato e idolatria.
  • 116. FILOSOFIA E MUNDO JUDAICO Fílon de Alexandria
  • 117. Um pouco da sua vida e trajetória como pensador  Fílon de Alexandria (ou Filo judeu/ Philo Judæus)  Viveu aproximadamente de 20 aC à 50 dC (nasceu 15 e 10 a.C.?).  O último período conhecido da vida de Fílon é 38/41 d.C., quando lidera uma embaixada ao imperador Caio Calígula enquanto representante dos judeus alexandrinos.  O pouco que se sabe de sua vida pessoal é que fazia parte de uma rica e influente família judaica de Alexandria, tendo por irmão Alexandre Lysímaco, supostamente um funcionário ligado à administração econômica da região, referido por Josefo.  Um judeu da diáspora.  O Terapeuta
  • 118. O seu “sincretismo” Heleno-judaico União da filosofia e formação helênica com a teologia e exegese judaica. (Teologia mosaica) Absorve da Estoá o conceito de Logos, e de Platão a estrutura do mundo suprassensível.
  • 119. “Alegorese”: Método de interpretação. Sentido literal: com pouca importância Sentido oculto: As personagens e eventos bíblicos eram símbolos de conceitos e verdades morais, espirituais e metafísicas. Percebê-las requer disposição. Alegorias - Busca de um sentido mais profundo filosófico, moral.
  • 120. CRIAÇÃO: Deus cria do nada, e dá forma a tudo, mas antes cria o cosmos inteligível, como modelo ideal. COSMOS INTELIGÍVEL: Logos de Deus no ato de formar o mundo. Conceitos “Filonianos” os frutos de união entre helenismo e judaísmo
  • 121.  Logos significa também "palavra" e no texto bíblico indica a PALAVRA CRIADORA de Deus ou a Sabedoria.  Uma hipóstase (substância) criadora na qual se formam o projeto ideal do mundo ( cosmo inteligível = mundo das Ideias ) durante a criação  Identificado também como "Arcanjo", "Mente de Deus", "Filho primogênito de Deus“, Mediador entre Deus e o homem.  Semelhanças com o prólogo do Evangelho de João. LOGOS
  • 122. Os poderes de Deus  Poder criador: com o qual o Criador produz o universo.  Poder régio: com o qual o Criador governa aquilo que criou.  A esses dois principais se submetem as demais atividades de Deus.
  • 123.  Interpreta o homem como constituído por três elementos: o corpo, a alma-intelecto e o Espirito; apenas este ultimo seria imortal, porque diretamente inspirado por Deus  ÉTICA como um itinerário para Deus, uma “migração”.
  • 124. “A vida feliz consiste precisamente nessa transcendência do humano na dimensão do divino: "vivendo inteiramente para Deus ao invés de viver para si mesmo".
  • 125. Entre suas obras numerosas, destaca-se a série de tratados que constituem um Comentário alegórico do Pentateuco : A criação do mundo, As alegorias das leis, 0 herdeiro das coisas divinas, A migração de Abraão A mutação dos nomes
  • 126. As origens da Filosofia Cristã • A religião cristã originária do judaísmo surge e se desenvolve no contexto do helenismo. • A cultura ocidental da qual somos herdeiros até hoje é a síntese entre o judaísmo, o cristianismo e a cultura grega. • O helenismo permitiu a aproximação entre a cultura judaica e a filosofia grega que tornará possível mais tarde, o surgimento de uma filosofia cristã.
  • 127. • Em Alexandria essas culturas convivem e se integram e são faladas várias línguas. • Nessa época encontra-se uma aproximação entre a cosmologia platônica e a narrativa da criação do mundo. • Inicialmente o cristianismo não se distinguia claramente do judaísmo e era visto como uma seita reformista dentro da religião e da cultura judaica.
  • 128. • Paulo defende a concepção de uma religião universal (esta é uma diferença básica em relação ao judaísmo e as demais religiões da época). • Podemos dizer que a cultura de língua grega hegemônica permitiu a concepção de uma religião universal e que corresponde no plano espiritual e religioso a concepção de império no plano político e militar. • Consolidou-se com o imperador Constantino batizado em 337 e sua institucionalização como religião oficial.
  • 129. • Entretanto não havia ainda uma unidade no cristianismo, mas a filosofia grega terá uma importância fundamental nesse processo, quando as discussões levaram a formulação de uma unidade doutrinária hegemônica, ortodoxa. • Os primeiros representantes pertencem a escola neoplatônica cristã de Alexandria.
  • 130. Uma questão que acompanhará todo o pensamento cristão é um foco permanente de tensão que ficou conhecido como o conflito entre razão e fé.
  • 131. •Os Concílios fixaram a doutrina considerada legítima e condenaram os que não aceitavam esses dogmas expulsando-os da Igreja. •Podemos dizer que a filosofia grega é incorporada de maneira definitiva à tradição cristã.
  • 132. • A lógica e a retórica fornecem meios de argumentação. • A metafísica de Platão e de Aristóteles fornecem conceitos chaves (substâncias, essências e etc.), em função dos quais questões teológicas serão discutidas
  • 133. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) Logov - Logos No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais. Palavra
  • 134. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) O “Logos” aponta para a pré existência de Jesus No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais. No princípio
  • 135. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) O “Logos” aponta para a pré existência de Jesus No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais. O “Logos” aponta para a divindade de Jesus Face a face
  • 136. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) O “Logos” aponta para a pré existência de Jesus O “Logos” aponta para a divindade de Jesus O “Logos” aponta para Jesus como o agente da criação No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.ibém vós creiais. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele
  • 137. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) No A.T., “a Palavra” (hebr. Dâbâr) de Deus está ligada com:  A poderosa atividade de Deus na criação (Gn 1.3; Sl 33.6)  Sua revelação (Jr 1.4; Is 9.8; Ez 33.7)  Sua libertação (Sl 107.20) O “Logos” aponta para a revelação de Deus no A.T.
  • 138. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) O “Logos” aponta para a pré existência de Jesus Como esse “Logos” existia no princípio, pode-se supor que ele estava com Deus, ou era o próprio Deus. João insiste que as duas afirmações são verdadeiras. E com isto, ele pretende que o todo de seu evangelho deva ser lido à luz desse versículo. “os feitos e as obras de Jesus são os feitos e as obras de Deus” O “Logos” aponta para a divindade de Jesus O “Logos” aponta para a revelação de Deus no A.T.
  • 139. 1- JESUS É O DEUS ETERNO (1-3) ENTÃO: O que você precisa entender sobre Jesus ser o “logos” de Deus?  Ele já existia antes da ordem criada existir  Ele tem um relacionamento pessoal e íntimo com Deus  Ele, em essência, é totalmente divino
  • 140. A cultura ocidental é chamada impropriamente de Judaico-Cristã, quando na realidade ela é Heleno-Judaica. E isso faz alguma diferença? Sim, muita. Porque o primeiro nome (Heleno) indica a origem, como nipo-brasileiro, ítalo- americano, greco-romano etc. A propósito, o islamismo também é uma cultura helenojudaica.
  • 141. Na Antiguidade o ódio não era feio. Os gregos quase faziam do ódio uma virtude e da vingança um dever. Insistiam em que os amigos deveriam partilhar ódios e afeições do mesmo modo. Para eles, não havia mal no ódio, desde que tivesse uma razão de ser, geralmente eram motivados por injúrias feitas à honra. Sempre que isso acontecia, a única solução era uma vingança sangrenta, o que explica as suas inumeráveis guerras fratricidas.
  • 142. O Judaísmo partilhava destas concepções com poucas diferenças. O Cristianismo primitivo advoga o contrário de tudo isso. Desta forma o cristianismo não é continuação e nem reforma do Judaísmo, como se faz acreditar. São muitíssimo diferentes. Portanto, a história é outra.
  • 143. “No ano décimo-quinto do império de Tibério César, sendo governador da Judéia Pôncio Pilatos, tetrarca da Galiléia Herodes, Filipe seu irmão tetrarca da Ituréia e da Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, sob o pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de DEUS a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando o batismo de penitência para a remissão dos pecados ” (Lc 3:1-3).
  • 144. O exórdio solene com o qual Lucas introduz a pregação de João Batista, indica a natureza complexa da situação histórica na qual vai inserir-se a vida e pregação de JESUS. Não é difícil deslindar e discernir no texto evangélico citado os três elementos culturais romano, helenístico e judaico.
  • 145. Contudo, por mais estranho que possa parecer, entendemos que boa parte dos pressupostos cristãos se originaram no pensamento filosófico grego, através do Helenismo. Este Helenismo, numa análise histórica, foi um processo, essencialmente cultural, baseado na influência da cultura grega sobre o Oriente, incluindo-se aí o próprio Cristianismo, inicialmente uma seita judaica isolada na Judéia.
  • 146. Estes contatos culturais que ocorrem entre as civilizações não são unilaterais; ou seja, quando culturas ou determinadas práticas culturais de um povo entram em contato com as de outro povo, o que ocorre é uma espécie de “contaminação cultural” mútua. Partindo dessa premissa teórica da História Cultural , podemos afirmar então que, ao passo que o Cristianismo foi um desafio à cultura grega, esta cultura também foi um desafio ao Cristianismo.
  • 147. O primeiro desafio foi justamente o da chegada da cultura grega ao Cristianismo, ainda uma seita cristã da Judeia, uma vez que com a difusão do idioma grego koiné pelo Oriente, graças a atuação primeva de Alexandre, os judeus tiveram que passar por um amplo processo de helenização. Ou seja, se deixaram levar pela tendência da época e aprenderam a língua grega, entretanto, ao constatarmos o uso do koiné por judeus- cristãos, cabe considerar que esses palestinos apropriaram-se também de um conjunto de conceitos próprios da linguagem e cultura grega helenística.
  • 148. Esse desafio enfrentado na Judéia, foi relativamente facilitado, uma vez que o Cristianismo, originalmente, foi um movimento judaico e os próprios judeus tinham consciência de sua própria helenização já nos tempos de Paulo, não somente por conta da Diáspora, mas dentro da própria Palestina; tanto é que foi em direção a essa parcela de judeus já helenizados que os missionários cristãos atuaram.
  • 149. O segundo desafio é inversamente proporcional ao primeiro, uma vez que movimenta-se do Cristianismo para o Paganismo grego. O kérygma ou a transmissão da “boa nova” não se limitou ao isolamento da Judéia e na medida em que o Cristianismo ganhou força, principalmente após a conversão do imperador Constantino, tornou-se necessário fundamentar as bases do movimento em sólidos argumentos filosóficos.
  • 150. Paulo de Tarso- uma nova visão 1-Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento: O testemunho neotestamentário está profundamente ligado com as expectativas e esperanças do judaísmo. Grande parte dos conceitos do Novo Testamento são ecos ou releituras do ambiente veterotestamentário. Existe uma forte vinculação evidente entre os dois Testamentos, recuperando assim o tema do judaísmo no cristianismo. A Igreja não criou uma linguagem teológica nova, mas apropriou-se de grande parte da já conhecida linguagem veterotestamentária e a ampliou.
  • 151. 2-A Influência de Jesus e da Igreja Primitiva em Paulo: Uma vez compreendido o Novo Testamento e sua vinculação com o Antigo, parte-se para a vinculação de Paulo com o chamado “kérygma” (querigma) cristão. As semelhanças e diferenças existem, e precisam ser devidamente nvestigadas e apontadas.
  • 152. Muitos temas da pregação de Jesus estão ausentes da pregação de Paulo. Não há registros de parábolas, os ditos de Jesus praticamente não aparecem nas epístolas, e não há uma descrição pormenorizada da relação de Jesus com o farisaísmo. Por outro lado, alguns temas tratados por Jesus estão presentes em Paulo, mesmo que não sejam citações explícitas da pregação de Jesus.
  • 153. O primeiro tema que pode ser destacado é a atitude em relação à Lei. Jesus coloca-se acima da Lei, alinhando-se aos profetas. Paulo, de igual modo, afirma ser superior à Lei, estabelecendo uma significativa oposição entre Lei e Graça, além de desenvolver a doutrina da Justificação pela Fé.
  • 154. O segundo tema está ligado ao anterior: Jesus e Paulo diminuíram a importância dos sacrifícios. Eles nunca atacaram diretamente o Templo e os piedosos que ali se reuniam, mas acentuaram mais o “espírito” daquele que ali oferecia sacrifícios, do que o sacrifício propriamente dito.
  • 155. O terceiro tema está ligado ao combate ao particularismo judaico. Jesus e Paulo rompem particularismos, em nome da autoridade dada por Deus. Jesus elogia a fé do centurião e da estrangeira. Paulo, por sua vez, rompeu com particularismos afirmando sua missão e apostolado como advindos do próprio Cristo.
  • 156. O quarto tema comum é a compreensão de Deus como Pai, tipificada na expressão aramaica “Abba”. Tanto Jesus quanto Paulo entendiam a relação com Deus como uma relação filial (Pai-filho).
  • 157. 3- Paulo Sob o Signo do Judaísmo e do Helenismo: Um resumo da pregação neotestamentária está em I Ts 1:9s. Esta pregação, em primeiro lugar, parte da pregação missionária do judaísmo helenista, que convida para a repulsa aos ídolos e a dedicação ao Deus verdadeiro – e acrescenta a afirmação de que os cristãos aguardam o retorno do Filho de Deus.
  • 158. Em segundo lugar, apontam para a ação de Deus na cruz e na ressurreição de Jesus, e destacam o testemunho daqueles que aceitaram esta mensagem.(Rm 1:16 e 10:9 e 12; Lc 12:8s, Jo 1:20s). Esta confissão se faz pelos títulos que Jesus recebe (I Co 12.3; Fl 2.11; I Co 8.5s, Rm 3.30, Gl 3.20, Tg 2.19).
  • 159. Para que se situem melhor as relações entre estoicismo e cristianismo, devemos considerar igualmente que é um equivoco identificar o cristianismo dos primeiros séculos com uma doutrina unitária e sólida.
  • 160. Há uma luta entre aqueles que pretendem mantê-lo vinculado à tradição oriental, não dualista, mas monista, como era a cultura semita - e os fundadores da Escola do Pórtico, Zenão e Crisipo, têm formação semita - e os que procuram, talvez com o objetivo de divulgar mais rápida e eficazmente a religião, "encarná-la", revesti-la com a linguagem greco- romana.
  • 161. É com Paulo (rabino, apóstolo, filo-grego e Semita) que se dá a passagem do cristianismo orientalizado para aquele helenizado, e que no embate, às vezes áspero e nunca tranquilo, entre os primeiros teólogos, acaba vencendo o cristianismo helenizado, sucessiva base da cultura filosófica medieval. A obra de Paulo de Tarso serve de paradigma para toda a tradição posterior.
  • 162. É conhecido o discurso do apóstolo aos atenienses no Areópago, hoje inscrito em pedra ao sopé do Partenon, e que nos remete diretamente a conceitos estóicos. Os Atos dos Apóstolos referem-se explicitamente à discussão de Paulo com "filósofos epicureus e estóicos“. Para apresentar a nova religião, o pregador usa de todos os recursos para mostrá- la não como ruptura, mas como complemento e acabamento da teologia grega.
  • 163. Deus é apresentado como o "deus desconhecido", cujo único templo é o universo, da mesma forma como, para os estóicos, o logos habita o universo. Contudo, o intento de convencer os atenienses redunda em fracasso. Por isso, a seguir, Paulo muda radicalmente de discurso:
  • 164. "Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes... Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?... os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos" (1 Cor.1:19-23).
  • 165. Ptóxima aula: Filosofia Patrística