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ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA
EVANGELHOS SINÓTICOS – 2012
Profª. Katia Rejane Sassi
O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS
É bem possível que Lucas tenha escrito uma só obra que depois se separa em evangelho e
Atos dos Apóstolos. Ambos estão concatenados não só pela ideia do caminho, mas também pelo
desenrolar desse processo e pela tensão que o sustenta. Jerusalém é o ponto de convergência da
missão de Jesus e o ponto de partida da missão dos discípulos dele (Lc 24,47 e At 1,8). O
caminho da libertação/salvação se realiza na História:
1º Testamento
“Lei e Profetas”
O caminho de Jesus (Lc) O caminho da Palavra,
da Igreja (At)
-Tempo de Israel
-Antiga Aliança
-Promessa e espera do Reino
-Espírito profético
-Tempo de Jesus, do Reino
-Nova Aliança para Israel
-Chegada e concretização do
Reino na ação e vida de Jesus
-O Espírito dinamiza a ação de
Jesus
-Tempo da Igreja
-Nova Aliança para o mundo
-Difusão do Reino no mundo
inteiro
-O Espírito é força para o
testemunho
AUTOR
Desde a 2ª metade do séc. II, a tradição atribui o evangelho a Lucas (2 Tm 4,11; Col 4,14,
Fm 24), um companheiro de missão de Paulo (“nós” – At 16,10-17; 20,6-15; 21,1-18; 27,1-
28,16). É possível que Lucas seja um “temente a Deus” ou “adorador de Deus” (At 10,2.22;
13,16.26; 16,14; 17,4.17), um pagão convertido de Antioquia. No entanto, é pouco provável que
um companheiro de missão de Paulo seja o autor de Lc-At, uma vez que não faz uso das cartas e
porque há muitas contradições entre Atos e as cartas paulinas.
DATA
A redação final se dá por volta do ano 85-90 d.C. Desde o Jesus histórico até a redação do
evangelho de Lucas há um lapso de mais de 55 anos e um salto cultural da cultura galilaico-
judaica para a cultura helenista, da cultura do campo para a da cidade.
LOCAL
Quanto ao lugar onde foi escrito, é incerto. Deve ter sido em alguma cidade do Império
Romano, provavelmente uma cidade importante da missão paulina, como Antioquia, Éfeso ou
Corinto. Algum lugar da Ásia Menor ou da Grécia.
AS COMUNIDADES LUCANAS
Os destinatários são as comunidades paulinas da segunda geração, espalhadas
especialmente pela Grécia, Macedônia e Ásia Menor. Os dois volumes da obra de Lucas as
chamam pelo nome Teófilo (Theós+Philos – Lc 1,3; At 1,1), que significa “amigo de Deus”.
Podem ser todas as comunidades “amigas de Deus”. São comunidades de tradição paulina e
podem ser caracterizadas como:
- Comunidades urbanas (rotas comercias, portuárias), diferentes das comunidades rurais da
Palestina. A palavra “cidade” aparece 40 vezes em Lucas. São comunidades localizadas nas
periferias das grandes cidades. É pelas cidades que Jesus anda muito (4,43; 10,1; 8,4).
- Comunidades nas quais participam ricos e pobres. Fortes contrastes sociais. De um lado
há pobres, famintos, aflitos perseguidos (6,20-23); de outro, há ricos que vivem na fartura e nas
festanças sem se preocupar com a miséria. São exclusivos de Lucas o Cântico de Maria; as mal-
aventuranças, os quatro “ais” contra os ricos (6,24-26); a parábola do rico que encheu o seu
celeiro (12, 16-21); a parábola do pobre Lázaro e do rico (16,19-31).
- Comunidades de cristãos de origem grega e uma minoria de origem judaica. Paulo já
percebia do risco da superioridade nas comunidades. Por isso, o Jesus de Lucas desce do monte
no Sermão da planície. Quase sempre está sentado, dá um passo, entra na casa, senta na mesa,
conversa e, é ao redor da mesa, que se discute o que significa ser cristão. Lucas faz Jesus
também descer a Jerusalém.
- Comunidades em que há cristãos que se converteram, mas que continuam ligados às
instituições do império romano (7,1-10). Ao longo de todo evangelho sente-se um forte apelo à
conversão. Mais de 20 vezes encontramos a palavra conversão.
- Em Lucas, Jesus aparece dando grande atenção às mulheres (7,36-50; 8,1-3; 10,38-42;
13,10-17; 15,8-10). Isso pode revelar que havia bastante desprezo e marginalização da mulher e,
ao mesmo tempo, há mulheres marcando significativamente presença nas comunidades. São
exclusivas de Lucas: Marta e Maria (10,38-42); a pecadora perdoada (7,36-50); a mulher que
procura a moeda perdida (15,8-10) e a mulher encurvada (13,10-17).
- Em Lc 24,13-35, há uma situação de desânimo, de quase revolta. As comunidades, lá
pelos nos 80 d.C. deviam estar desanimadas, perdidas, sem esperança por causa da situação que
viviam.
O Evangelho quer trazer luzes sobre dois problemas fundamentais, consequência da
diversidade de classe e de cultura. Quer confirmar a prática da equipe de Paulo, a abertura da
Boa Nova aos não-judeus, à comunhão de mesa. Contar quem é Jesus e como ser seu/sua
discípulo/a... Por outro lado, quer questionar as comunidades que reproduzem as relações de
opressão da sociedade escravocrata que legitimava a divisão entre ricos e pobres.
AS FONTES DE LUCAS
O próprio Lucas nos revela ter feito pesquisas acuradas e, portanto, ter usado fontes. Por
mais da metade do texto, Lucas certamente segue Marcos, mesmo na sequência; por mais de um
terço é provável que chegue à Q reproduzida com maior fidelidade do que em Mateus. Lucas
respeita quase literalmente estas duas fontes, mas as reinterpreta e baliza com suas próprias
reflexões teológicas ou com outros dados da tradição, tanto orais como escritos, que ele mesmo
conheceu.
CARACTERÍSTICAS DO EVANGELHO
Causa profunda impressão a referência a personagens conhecidos contemporâneos dos
fatos narrados, com nomes e datas (3,1) e informações biográficas (8,3). E os Atos dos Apóstolos
oferecem dados ainda mais abundantes. O objetivo de Lucas é duplo: enquadrar a revelação no
tempo e no espaço e garantir a continuidade e a fidelidade a uma tradição. Isto é: o terceiro
evangelista quer dizer que a fé professada por volta do ano 80 não é diferente daquela dos anos
30.
Lucas omite voluntariamente as tradições mais “judaicas” sobre Jesus e seu ensinamento,
tradições que os outros evangelistas relatam. Ele sublinha as palavras de Jesus contra a
incredulidade dos judeus, e suas boas relações com os samaritanos, que os judeus detestavam
(9,51-56;10,25-37; 17,11ss).
Lucas está preocupado em mostrar a parte humana de Jesus. Ele sabe e afirma que Jesus é
Filho de Deus, mas quer deixar claro a todo mundo que Jesus é homem de carne e osso, esperado
por toda a humanidade, que sente e sofre dor, que sente e vibra com a alegria.
Outra característica muito própria de Lucas é o trato que dá ao tempo. Para o evangelista o
tempo se chama hoje. “Hoje (Semeron/“Kairós”), se cumpriu esta passagem da Escritura que
acabais de ouvir”(Lc 4,21). Esta palavra aparece 41 vezes no NT sendo que 20 vezes está nos
escritos de Lucas. O recado deste evangelista é claro: com a chegada de Jesus acabou o tempo de
espera. O Reino de Deus já chegou. A salvação já está acontecendo, não se precisa mais esperar.
Hoje é o tempo da conversão, da mudança de vida. A conversão nos engaja no hoje de Deus
trazido e inaugurado por Jesus. Hoje, portanto é o dia da misericórdia e da salvação.
Lucas está atento também à oração de Jesus. Ele nos apresenta o Mestre em oração nos
momentos mais significativos da sua vida. Nesta vida impregnada pela oração, Jesus se mantém
sempre afinado com o Pai, estabelecendo a nova prática do Reino. Os momentos-chaves em que
Jesus ora, segundo Lucas, são: antes do batismo no rio Jordão (3,21), num dia de milagres, entre
entusiasmo da multidão (5,16), por ocasião da escolha dos Doze (6,11), antes da confissão de
Pedro e do anúncio da paixão (9,18), na transfiguração (9,28-29), no regresso dos 72 discípulos
enviados em missão (10,21-22), no ensino da oração do Pai-Nosso (11,1), para a consolidação da
fé de Pedro (22,32), diante da Paixão, quando apelou para o Pai (22,41-45), sobre a Cruz, antes
de expirar (23,46).
O evangelho de Lucas fala de mesa, casa, pão e partilha. Encontramos Jesus
frequentemente nas casas com pecadores, publicanos e fariseus. Além disso, há outras
referências à partilha do pão e até a negação do pão a quem tem fome. Rompe a lógica da
oferenda de carnes sobre o altar, substituindo pelo vinho e pelo pão partilhados. É na mesa da
igualdade e da fraternidade, da última ceia, que Jesus sempre vai colocar em destaque: pobres,
últimos, mulher, aquele que a sociedade grega desprezava. A centralidade está no pão, e pão
partilhado no projeto de Jesus: Lc 2,1-21: Belém (Bethlehem = casa do pão); Lc 9,11-17: partilha
do pão e sobra de 12 cestos; Lc 11,2-4: Pai Nosso; Lc 22,14-23: Ceia do Senhor (v. 19:
“memorial”).
A ESTRUTURA DO EVANGELHO
Lucas enfatiza a viagem de Jesus que, partindo da Galileia, atravessando a Samaria, chega
a Jerusalém. No centro do relato de viagem e do Evangelho ele coloca um capítulo com três
parábolas sobre o que foi perdido (cap.15).Toda a narração volta-se para Jerusalém, de que fala o
início (1,5) e no final do evangelho (24,52), formando uma verdadeira inclusão e da qual parte a
evangelização após a experiência do Espírito (At 2,1).
Segue uma proposta de esquema do evangelho:
-Prólogo: 1,1-4
-Introdução - Evangelho da Infância: 1,5-2,52
-Preparação da missão de Jesus: 3,1-4,13
-Ministério de Jesus na Galileia: 4,14-9,50
-Caminho para Jerusalém: 9,51-19,44
-Ministério de Jesus no Templo: 19,45-21,24
-Paixão, morte e ressurreição de Jesus: 22-24
A existência de um plano transparece também em alguns temas recorrentes como a oração,
a necessidade da conversão, a riqueza e a pobreza, a atenção voltada para os momentos de
convívio recorrentes também após a ressurreição e retomados nos Atos dos Apóstolos.
SÍNTESE DO EVANGELHO
Prólogo: 1,1-4 (de toda a obra lucana: Lc-At)
Neste prólogo aparecem cinco sujeitos históricos: o Jesus histórico (antes do ano 30); as
testemunhas oculares e ministros da palavra (em torno dos anos 30-60); muitos (talvez Marcos,
fonte Q e outros); eu (Lucas - ano 85); Teófilo (receptor do evangelho e Atos).
Evangelho da Infância: 1,5-2,52
É uma criação teológica própria de Lucas, mas, simultaneamente, é um texto que recolhe a
tradição histórica e teológica dos ambientes e personagens que aqui parecem. Ao contrário dos
relatos de Mateus, que são costurados de intrigas e de ameaças, os de Lucas são coloridos de
júbilo e de alegria.
JOÃO BATISTA JESUS
Anúncio a Zacarias (1,5-25)
- sacerdote
- no templo, em Jerusalém
- não deu crédito – ficou mudo, creu e cantou
Anúncio a Maria (1,26-38)
- mulher
-na casa, em Nazaré
Visita de Maria a Zacarias e Isabel (1,39-56)
-Uma “barriga virgem” e uma “barriga estéril”
Cântico de Maria, o Magnificat (cf.1 Sm 2,1-10): soberbos –poderosos –ricos
-os que temem -os humildes -os famintos
Nascimento de João Batista (1,57-58)
-visita dos vizinhos
-nascimento feliz
Nascimento de Jesus (2,1-20)
-anjos e visita dos pastores
-nascimento miserável
Circuncisão de João Batista (1,59-63) Circuncisão de Jesus (2,21)
Apresentação de Jesus no Templo (2,22-24)
Profecias de Zacarias (1,64-79)
-sacerdote
-Cântico: Benedictus (Salmo dos pobres de Javé
– versículos dos salmos 67-75 e 78-79)
Profecias de Simeão e Ana (2,25-38)
-profetas
-Cântico: Nunc dimitis = “Agora despede”
Crescimento de João Batista (1,80) Crescimento de Jesus (2,39-40) - em Nazaré
Jesus no Templo (2,41-50)
Crescimento de Jesus (2,51-52) - em Nazaré
Há um paralelismo entre João Batista e Jesus. É a confrontação e, ao mesmo tempo,
continuidade de dois períodos da história da salvação: “A lei e os profetas chegaram até João.
Desde então se anuncia o reino de Deus” (16,16). Temos também aqui contraposições típicas de
Lucas: templo-casa, homem-mulher, entre não dar crédito e ficar mudo e dar crédito e cantar,
entre sacerdote e profeta, contraposições socioteológicas entre ambos, poderosos e ricos, os que
temem a Deus, os humildes e famintos, etc.
Mostra também o protagonismo das mulheres: pobres, viúvas, idosas, estéreis e virgens no
início e ao longo do Evangelho. Os dois homens têm papéis secundários: Zacarias – incrédulo e
José – silencioso.
Preparação da missão de Jesus: 3,1-4,13
O capítulo 3 e parte do capítulo 4 de Lucas são como uma porta de entrada da casa do
Evangelho. Esta porta liga dois “mundos” da história bíblica: Antiga e Nova Aliança. Na
apresentação de João Batista, Lucas combina Marcos, fonte Q e algo típico de Lucas: a
contextualização histórica. Cita sete personagens: Tibério César, Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe,
Lisânias, Anás e Caifás. Apresenta João Batista como profeta e como um pregador apocalíptico
violento.
O batismo de Jesus é narrado segundo Marcos, mas Lucas põe a prisão de João antes do
batismo e muda a citação bíblica em 3,22b. A genealogia é tradição própria de Lucas, muito
diferente de Mateus. Lucas faz remontar a genealogia de Jesus além de Abraão até Adão, o
primeiro homem. As três tentações são segundo Q, mas Lucas inverte as duas últimas, pondo a
tentação do Templo no final.
Ministério de Jesus na Galileia: 4,14-9,50
Encontramos Jesus, o evangelizador, o visitador de Deus, o entusiasmado (cheio de
Espírito Santo) que percorre a Galileia. O povo recebe com alegria e gratidão esta visita. E
exclama feliz: “Deus veio visitar o seu povo!” (7,16). Ninguém fica de fora. Aqueles que
estavam excluídos do povo de Deus, por causa de discriminações sociais, raciais ou religiosas,
são incluídos por Jesus na lista dos seus preferidos. Esta novidade, por outro lado, provoca
decepções e ira entre as autoridades. Lucas põe no começo um texto claramente programático da
ação de Jesus. Sua missão é interpretada e atualizada à luz de Is 61,1-2a.
No ministério de Jesus em Cafarnaum, Lucas segue de perto a Mc e nos dá uma visão
totalizante da prática de Jesus: em todos os lugares (sinagoga, casa, lugar público, lugar
solitário), em todos os tempos (de dia, ao pôr-do-sol, ao amanhecer) e numa variedade de
atividades (ensina com autoridade, expulsa demônios, cura enfermos e dedica também um tempo
longo à oração).
Lucas tem a sua tradição própria sobre a escolha dos primeiros discípulos (5,1-11). Nas
cinco controvérsias (5,17-6,11) segue com pequenas variações a Marcos. Em Lc 6,17-49 temos o
sermão da planície, na sua versão original da fonte Q. Lucas só acrescenta as quatro maldições
em 6,24-26. Jesus deixa claro quem é seu discípulo e quem não é. Jesus ensina e chama os seus
discípulos, com os que o rejeitam tem fortes controvérsias e contradições.
Na seção (7,1-8,56) temos textos próprios de Lucas com alguns textos de Q e outros de
Marcos. O tema central são os “sinais” e a “palavra de Deus”. Lucas apresenta os sinais do
Messias como sinais inesperados e em ruptura com a tradição e as ideias dominantes. Os
discípulos e as discípulas são os que chegam a discernir certos sinais e escutam assim a palavra
de Deus. João Batista pensava em sinais messiânicos extraordinários, onde se manifestaria a ira e
o fogo de Deus. Jesus, pelo contrário, cura enfermos e anuncia aos pobres uma boa-nova, por
isso manda esta mensagem a João: “feliz é aquele que não se escandaliza de mim”(7,23). Em
8,1-3 aparecem explicitamente as “discípulas de Jesus” junto com os doze discípulos (texto
exclusivo de Lucas).
A seção de Lc 9,1-50 é dominada pela figura dos doze apóstolos, seguindo
fundamentalmente a Marcos, embora insira alguns pequenos textos que lhe são próprios (9,31).
Caminho para Jerusalém: 9,51-19,44
A viagem é uma forte característica do Jesus lucano. Ele está sempre passando de um lugar
a outro, fazendo caminho, avançando, e nada o impede de chegar à meta. A meta geográfica
chama-se Jerusalém. A caminhada é cheia de situações pedagógicas, partindo sempre de
situações concretas da vida e ensina atitudes de vida.
No bloco de 9,51-13,21 Jesus vai para Jerusalém não como peregrino, mas para defrontar-
se profeticamente com o Templo. Em 9,57-62 aparece o tema do discipulado. Só em Lucas
aparece a escolha, envio e volta dos 70 missionários (10,1 e 17-20). O texto do Pai-nosso (11,1-
4) é da tradição Q. Lucas emoldurou o Pai-nosso com dois textos próprios seus: Marta e Maria
(10,38-42) e o amigo inoportuno (11,5-8). O Jesus orante é típico da tradição lucana: cf. 3,21;
5,16; 16,12; 8,18; 9,28-29; 22,41. A “mesa” (a casa) e o “caminho” são fundamentais em toda a
redação lucana. A confrontação de Jesus com os fariseus e mestres da lei (11,37-54) atrai uma
multidão do povo (12,1). Então Jesus dá uma longa instrução, primeiro aos discípulos e depois à
multidão (12,1-13,9).
A indicação geográfica marca uma ruptura no texto que indica o começo de uma segunda
etapa no relato da viagem a Jerusalém (13,22-17,10). Lucas levanta a pergunta sobre quem se
salva (13,22). A salvação aqui não é a “salvação eterna”, mas a entrada no reino de Deus. Jesus
responde com diferentes ditos de Jesus tomados da fonte Q (13,24-30). Os últimos, que seriam
os gentios, chegam a ser os primeiros e os primeiros, que são os judeus ou judeu-cristãos,
chegariam a serem os últimos. O texto de Lucas 14,1-24 se situa no contexto histórico de uma
refeição, de uma mesa, em casa de um dos chefes dos fariseus e em dia de sábado. No contexto
de Jesus, trata-se realmente da casa de um fariseu, mas provavelmente Lucas pense também no
contexto da igreja judeu-cristã de Jerusalém, tal como aparece em Atos dos Apóstolos. Há uma
predominância do tema “ricos-pobres”. A cura do hidrópico está em paralelo estreito com a
mulher encurvada de 13,10-17 e tem o mesmo sentido de simbolizar a comunidade oprimida pela
lei. Lucas distingue entre o caminhar com Jesus e a exigência muito maior de ser discípulo/a de
Jesus. Para isso, faz maiores exigências (14,25-35). Renunciar todos os bens para ser discípulo/a
é uma tradição muito própria de Lucas. As três parábolas de Lucas 15,1-32 mostram um Deus de
misericórdia. O texto de Lc 16,1-31, em seu conjunto, é próprio do evangelista e de difícil
interpretação. Ele está emoldurado em duas parábolas que começam com a frase “havia um
homem rico...” (16,1-8 e 19,19-31). O tema central é o dinheiro da iniquidade (riquezas injustas).
Neste mesmo contexto, Jesus enfrenta os fariseus, que eram “amantes do dinheiro”. Lucas
sempre deixa um espaço para os ricos na comunidade, que renunciaram radicalmente ao dinheiro
injusto, como Zaqueu.
O terceiro bloco (17,11-18,30) faz menção a Samaria e ao samaritano apontando já para
Jerusalém. A menção positiva do samaritano (17,16), como o único que volta para Jesus, está em
sintonia com os Atos dos Apóstolos (At 8,4-24), onde Samaria aparece como o primeiro espaço
missionário fora de Jerusalém e do círculo judeu-cristão “dos doze”. Lucas é o único evangelista
que tem dois discursos apocalípticos: o “pequeno apocalipse” (17,20-21), tomado
fundamentalmente de Q, e o grande discurso apocalíptico de 21,5-38 tomado de Marcos. O
primeiro texto propõe o “quando” chegaria o Reino de Deus e o segundo texto fala sobre o
“onde”. Jesus não responde a estas perguntas. Para ele o mais importante é o discernimento e
estar sempre preparados.
O quarto bloco (18,31-19,44) trata do tema da proximidade de Jerusalém. Jesus anuncia a
sua paixão e ressurreição, mas os Doze não entendem nada. Em Jericó há dois fatos libertadores:
um no caminho com um mendigo (18,35-43) e outro na casa de um rico chamado Zaqueu (19,1-
10). A casa e o caminho são duas realidades paradigmáticas em Lucas. Segundo Lucas, que
modifica levemente o texto de Marcos, Jesus é aclamado no Monte das Oliveiras e não entra em
Jerusalém (19,29-38). A reação dos fariseus e o choro sobre a cidade (19,39-44) é um texto
próprio de Lucas. Jerusalém, fechada sobre si mesma, parece incapaz de converter-se. Explora
os pobres através do Templo. Rejeita e mata os que não se adaptam a ela. É uma cidade na qual
impera a lógica do poder. Uma cidade que aloja os opositores do Reino de Deus.
Ministério de Jesus no Templo: 19,45-21,24
Só agora Jesus entra no Templo. Até este momento Jesus apenas se aproxima de
Jerusalém. A primeira coisa a fazer é uma ação profética violenta: a expulsão dos vendedores do
Templo (19,45-48). O texto, tomado de Marcos, está muito reduzido. No Templo, Jesus se
defronta com as autoridades, mas ensina o povo e anuncia uma boa notícia. Todo o discurso
escatológico ou apocalíptico de Jesus (21,5-38) nos dá uma visão positiva da história para
fortalecer a resistência e a esperança. O discurso busca dar chaves para discernir o sentido
profundo e oculto da história.
Paixão, morte e ressurreição de Jesus: 22-24
Nesta seção, Lucas segue o esquema global de Marcos. Só em 22,28-30 temos um texto Q.
Lucas retrabalha redacionalmente estes relatos tradicionais com acréscimos de detalhes e
ampliações, definindo de maneira precisa a fisionomia de Jesus durante a paixão. Jesus é o mártir
fiel e paciente, o justo perseguido que, através da perseverança e bondade, torna-se fonte de
salvação para todos os que o encontram. A inocência de Jesus é sublinhada por Lucas muitas
vezes, sobretudo no contexto do processo romano. Pilatos, por quatro vezes, declara
publicamente a inocência de Jesus, apesar das insistentes acusações dos judeus. Desta maneira
Lucas pode demolir a suspeitas e as calúnias que pesam sobre as comunidades cristãs que vivem
dispersas no império romano, insistindo sobre a responsabilidade dos judeus, dos chefes em
particular. Jesus, rejeitado por seu povo, que não soube reconhecer o plano de Deus, dá início a
um povo novo.
Todos os acontecimentos da páscoa concentram-se num só lugar e num só dia (cap.24).
Lucas eliminou todo aceno às aparições de Jesus na Galileia, conhecidas pelo testemunho dos
outros evangelistas, para pôr em primeiro plano, uma vez mais, o papel de Jerusalém. A cidade,
representante simbólica da antiga história salvífica, é a meta não só geográfica, mas teológica da
caminhada de Jesus: em Jerusalém se revela a grande ação salvadora de Deus, a morte e
ressurreição do messias; aqui ele, como o “vivente” e glorificado, encontra os seus discípulos
para enviá-los a todos os povos.
CHAVES DE LEITURA
Lucas fixou sua atenção principalmente em alguns aspectos da vida cristã. Podemos dizer
que o seu evangelho e:
-Evangelho do Espírito.
Um tema que perpassa toda a obra de Lucas é a presença do Espírito Santo como força que
acompanha, conduz e inspira a missão de Jesus e da Igreja.
1º Pentecostes (Lc 1,5-4,17) – O Espírito elege os pobres de Javé. Neste bloco chama
atenção a quantidade de vezes que as coisas acontecem sob a ação do “Espírito”. As pessoas são
escolhidas por esse Espírito: João Batista (1,15; 3,36); Maria (1,35); Isabel (1,41); Zacarias
(1,67); Simeão (2,25); Ana (2,36) e Jesus (4,1.14). Pobres, mulheres, velhos estéreis... todos são
gente simples, marginalizada, anawin (pobres de Javé) mas querida por Deus para dar
continuidade ao seu projeto: o Reino.
2º Pentecostes (Lc 4,18-23,46) – é “tomado” pelo Espírito. Quando Jesus lê Isaías, na
sinagoga da sua terra, e afirma que hoje se cumpriu essa passagem das Escrituras (4,21),
misteriosamente o Espírito desaparece da narrativa de Lucas. O que aconteceu? Por que não se
fala mais sobre o Espírito? Talvez porque Jesus e o Espírito não são mais dois. Para saber onde
age o Espírito, é preciso olhar onde age Jesus; para saber quem são os escolhidos pelo Espírito,
temos que ver os eleitos de Jesus; para saber a que ação o Espírito nos impele, temos que
observar o que Jesus faz. Jesus é Filho obediente ao Espírito do Pai. Para não trair essa aliança
de amor, arrisca e perde a própria vida. Na cruz, solitário, abandonado, cheio de dores, ele reza:
“Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito”. O Espírito volta, aqui, à narrativa de Lucas.
3º Pentecostes (Lc 24,49 e Atos) – “todos ficam repletos do Espírito”. Ressuscitado,
Jesus instrui os discípulos: “... permanecei na cidade até serdes revestidos da força do alto”.
Essa força é o Espírito que enche a todos e os envia até os confins da terra, para falar das boas
notícias de Deus, de modo que cada um a “entenda na sua própria língua”.
-Evangelho da misericórdia de Deus:
A misericórdia, o carinho e acolhida para com os pecadores é outro ponto forte de Jesus,
segundo Lucas. Mais do que outros textos, se acentua, como gesto concreto da acolhida e do
perdão, a comunhão de mesa. Misericórdia é a recomendação expressa de Jesus (6,36-38), que se
comove com a dor da viúva de Naim (7,13-14) e perdoa a pecadora que lhe unge os pés (7,44-
48). Misericordioso foi o bom samaritano da parábola (10,29-37). O capítulo 15 é uma sequência
de parábolas de misericórdia: a ovelha perdida (15,4-7), a moeda perdida (15,8-10) e o filho
pródigo (15,11-31).
-Evangelho dos pobres e marginalizados:
A atenção de Jesus para com os pobres, segundo Lucas, é bem maior do que nos outros
evangelistas. Segundo ele, a primeira tarefa da missão de Jesus é evangelizar os pobres (4,18-
22). É também a prova de que ele é o Cristo, apresentada aos discípulos de João Batista (7,22).
Lucas coloca os pobres em primeiro lugar nas felicidades proclamadas por Jesus (6,20). Segundo
Lucas, os pobres são os preferidos de Jesus, mas Jesus mostra que não exclui ninguém (cap. 14 e
16). Os ricos também são convidados a fazer o que Jesus fez: voltarem-se para os pobres, ter
carinho, repartir os bens com eles e assim entrar juntos o banquete da glória e da felicidade que
nunca se acaba. O caminho da salvação e da felicidade do rico passa pelo pobre (cap. 15). Outro
ponto forte em relação aos pobres é a exigência que Jesus faz a quem quiser ser seu discípulo. A
primeira coisa que pede é: “Vende tudo que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos
céus”. A segunda é: “Depois vem e segue-me” (18,22). Novamente os pobres são o caminho
para seguir Jesus e não há outra proposta. Os pobres são o objeto da solicitude de Jesus:
pecadores e pecadoras, viúvas e crianças, publicanos, ladrões e penitentes, homens e mulheres
enfermos. Os pobres, no sentido concreto, aos que faltam bens materiais, são chamados bem-
aventurados (6,20) e os ricos são qualificados não de maus, mas de desventurados (6,24).
-Evangelho da valorização da mulher:
Lucas cita um número maior de mulheres do que os outros Sinóticos. Evangelista das
mulheres, porém nem sempre elas têm um papel profético, de fala... Dos 42 textos em Lucas que
falam de mulheres, 23 textos são só de Lucas: Maria: 1,26-38.39-45.46-56; 2,1-20.33-35.41-
50.51; Isabel:1,23-25.39-45.57-58.59-66; Ana: 1,36-38; viúva de Naim: 7,11-17; a pecadora:
7,11-17; discípulas: 8,1-3; Marta e Maria: 10,38-42; uma mulher anônima: 11,27-28; mulher
encurvada: 13,20-21; mulher que procura a moeda perdida: 15,8-10; mulheres no caminho da
cruz: 23,49.
Muitas mulheres serviam e seguiam desde a Galileia (8,1-13; 23,49). Discipulado de
homens e mulheres. Jesus cria um movimento novo, rompe com as estruturas de costumes
discriminatórios e marginalizadores que predominavam no mundo dos judeus. Contrário a prece
do varão que agradecia a Deus 3x ao dia por não tê-lo criado gentio, escravo, nem mulher, as
comunidades cristãs confirmavam a forma batismal de Gl 3,28. Eles são todos iguais, todos
eleitos e santos, porque adotados por Deus, todos sem exceção alguma: judeus, pagão, mulheres,
homens, escravos, libertos, pobres e ricos, os de status elevado e os que “nada” são aos olhos do
mundo. A casa da família de Deus é a nova família divina, onde todos sem exceção são irmãos.
-Evangelho do “caminho”:
O discipulado traz exigências radicais porque é o seguimento de Jesus no caminho da
Galileia a Jerusalém e na via dolorosa da Paixão e Morte que será coroada pela Ressurreição e
desembocará na Missão. Nesta caminhada, são fundamentais a oração (11,1-13), a prática da
misericórdia (10,29-37), a renúncia e o despojamento (9,57-62). O caminho da Igreja começa a
formar-se com judeus que abraçaram a fé. A “virada” para os pagãos, motivada pela recusa da
mensagem pelos judeus, é a ideia mestra das duas obras de Lucas. Essas duas fases são
consideradas como duas etapas de um “caminho” que avança em conformidade com o plano de
Deus e sob a direção do Espírito.
TEOLOGIA DE LUCAS
1. QUEM É JESUS?
Muitos olham para Jesus com os esquemas do paganismo. Lucas tem que corrigir isto.
Assim, apresenta Jesus como:
- O Salvador do mundo: Muitas religiões buscam a salvação, também os judeus. Lucas
quer mostrar Jesus como salvador do mundo pela:
-expulsão dos demônios (4,33-37.41; 7,21; 8,26-39; 9,37-43. O demônio pode ser visto
como sistema de Leis, sinagoga, Império.
-dirigindo-se a todos os excluídos: Zaqueu, samaritanos, leproso, a todas as nações (24,47).
Não é só dos judeus, mas de todas as pessoas, todos os povos.
Jesus vem proclamar o amor universal e a misericórdia de Deus. Lucas insiste no
universalismo da missão de Jesus. Lucas faz questão de dizer que Cristo é luz das nações (2,32).
Lucas estende sua genealogia até Adão, para mostrar que ele veio para toda a humanidade (3,38).
Além disso, lembra pessoas estrangeiras que foram agraciadas por Deus no Antigo Israel: viúva
de Sarepta (4,25-26; 1 Rs 17) e do sírio Naamã (4,27; 2 Rs 5). Lucas é o único Evangelho que
fala do envio dos setenta e dois discípulos (10, 1-16) a todos os povos. Esse universalismo se
confirma mais ainda nos Atos. Jesus é a salvação e a luz de todos os povos (2,31-32), e é a todos
os povos que ele mandará pregar o perdão (24,47).
- O Senhor (=Kyrios): Termo verificado mais de duzentas vezes na obra de Lucas. O
evangelista opõe o senhorio de Jesus ao de César. Na época em que o imperador é apresentado
como Senhor do mundo, ou melhor, como único senhor do mundo, Lucas apresenta Jesus como
o Senhor:
-Jesus é o Senhor (2,11) nascido entre os últimos
-Os senhores deste mundo (3,1-3) são relativizados (3,15-20)
-Herodes é raposa (13,32)
-Jesus enfrenta o imperador (20,20-26; 23,1-2)
-Jesus é o senhor (23,3)
-Os pobres e excluídos reconhecem Jesus como o Senhor (2,15-20 – pastores e 5,12 –
leprosos).
Isabel é a primeira em chamar a Jesus “Senhor” (1,43). Antes de Isabel, somente Deus foi
chamado “Senhor”. É a primeira confissão de fé.
- O homem do povo: As divindades pagãs estão longe do povo, nos montes altos. Javé dos
fariseus e saduceus, também (templo). Lucas mostra Jesus no meio do povão: nasce entre os
últimos (1,26-31; 2,1-11); Jesus é visita de Deus ao povão (1,68-78); andava entre o povo (4,40;
5,1.3.15.29).
- O profeta de Deus (7,16): Profetas a favor dos pobres: Isaías (4,17; 6,24-26; 7,22); novo
Elias (7,12-15; 9,24.61-62; 22,42-44; 24,50-51). O profeta, escolhido para manifestar o desígnio
de Deus aos homens.
O Jesus de Lucas é o grande profeta: nos evangelhos da Infância está rodeado de profetas
(Simeão, Ana, João Batista, Maria e Isabel); a estrutura da obra de Lucas manifesta Jesus
caminhando com o Espírito de Deus (sinal do profetismo) para Jerusalém, porque não se admite
que um profeta pereça fora de Jerusalém (13,33). O texto da sinagoga de Nazaré mostra Jesus
como profeta no início da sua atividade pública (4,13s). Na transfiguração (9,28s) Jesus é o
profeta que fala com os profetas Moisés e Elias da sua morte que ia dar-se em Jerusalém (9,31).
2. O QUE É SER DISCÍPULO DE JESUS?
Para os gregos o que importa é saber e conhecer. O fazer não tem importância. Tudo o que
se disse sobre Jesus é para aprender a segui-lo. Lucas dedica dez capítulos ao caminho do
discipulado (9,51-19,27). O caminho do discípulo é o mesmo caminho do Mestre.
- Caminhar com Jesus (9,57): Jesus, na sua caminhada para Jerusalém (9,51-19,27) revela
aos discípulos as exigências do seguimento:
-como seguir (9,57-62);
-Marta e Maria (10,38-42);
-astúcia dos seguidores (13,22-30);
-decisão dos seguidores (14,25-35);
-os dez leprosos (17,11-19);
-cegueira (18,35-43).
A palavra caminhar aparece cerca de 75 vezes, incluindo o Atos dos Apóstolos. Lucas
informa que as primeiras comunidades eram chamadas de “O pessoal do Caminho”. O caminho
de Jesus se aprende seguindo até a cruz. Seguir é romper com o modo de pensar comum. Seguir
Jesus é rumar para Jerusalém, enfrentar o poder.
- Permanecer firme: Há uma espera do fim do mundo entre o povo (2 Ts 2,1-3). Isto
deixa as pessoas sem assumir nada. Espera-se a mudança total, ou intervenção divina. Lucas quer
corrigir tal visão alienante (19,11). O mesmo se diga de Lc 21,8-11 (não se deixar enganar). O
Reino de Deus já está presente onde se leva em frente à ação de Jesus (17,20s).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos II. São
Paulo: Loyola, 1990.
CEBI. Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos. São Leopoldo/São Paulo: CEBI/Paulus
CEBI/Paulus, v 8, 1999.
CRB. Seguir Jesus. São Paulo: CRB/Loyola, 1994.
MAINVILLE, Odette (org). Escritos e Ambiente do Novo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2002.
MARCONCINI, Benito. Os Evangelhos Sinóticos: formação, redação e teologia. 4ª ed. São
Paulo: Paulinas, 2001.
MESTERS, Carlos e LOPES, Mercedes. O Avesso é o lado certo. Círculos bíblicos sobre o
Evangelho de Lucas. São Leopoldo/São Paulo: CEBI/Paulinas, 1998,
RICHARD, Pablo. O Evangelho de Lucas – Estrutura e chaves para uma interpretação
global do Evangelho. In: RIBLA. Petrópolis: Vozes, nº 44, p.7-36, 2003.
SHREINER, J.; DAUTZENBERG, G. Forma e exigências do Novo Testamento. São Paulo:
Paulus, 2004.
STORNIOLO, Ivo. Como ler o Evangelho de Lucas. Os pobres constroem a nova história.
São Paulo: Paulinas, 1992.
THEISSEN, Gerd. O Novo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2007.

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  • 1. ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA EVANGELHOS SINÓTICOS – 2012 Profª. Katia Rejane Sassi O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS É bem possível que Lucas tenha escrito uma só obra que depois se separa em evangelho e Atos dos Apóstolos. Ambos estão concatenados não só pela ideia do caminho, mas também pelo desenrolar desse processo e pela tensão que o sustenta. Jerusalém é o ponto de convergência da missão de Jesus e o ponto de partida da missão dos discípulos dele (Lc 24,47 e At 1,8). O caminho da libertação/salvação se realiza na História: 1º Testamento “Lei e Profetas” O caminho de Jesus (Lc) O caminho da Palavra, da Igreja (At) -Tempo de Israel -Antiga Aliança -Promessa e espera do Reino -Espírito profético -Tempo de Jesus, do Reino -Nova Aliança para Israel -Chegada e concretização do Reino na ação e vida de Jesus -O Espírito dinamiza a ação de Jesus -Tempo da Igreja -Nova Aliança para o mundo -Difusão do Reino no mundo inteiro -O Espírito é força para o testemunho AUTOR Desde a 2ª metade do séc. II, a tradição atribui o evangelho a Lucas (2 Tm 4,11; Col 4,14, Fm 24), um companheiro de missão de Paulo (“nós” – At 16,10-17; 20,6-15; 21,1-18; 27,1- 28,16). É possível que Lucas seja um “temente a Deus” ou “adorador de Deus” (At 10,2.22; 13,16.26; 16,14; 17,4.17), um pagão convertido de Antioquia. No entanto, é pouco provável que um companheiro de missão de Paulo seja o autor de Lc-At, uma vez que não faz uso das cartas e porque há muitas contradições entre Atos e as cartas paulinas. DATA A redação final se dá por volta do ano 85-90 d.C. Desde o Jesus histórico até a redação do evangelho de Lucas há um lapso de mais de 55 anos e um salto cultural da cultura galilaico- judaica para a cultura helenista, da cultura do campo para a da cidade. LOCAL Quanto ao lugar onde foi escrito, é incerto. Deve ter sido em alguma cidade do Império Romano, provavelmente uma cidade importante da missão paulina, como Antioquia, Éfeso ou Corinto. Algum lugar da Ásia Menor ou da Grécia. AS COMUNIDADES LUCANAS Os destinatários são as comunidades paulinas da segunda geração, espalhadas especialmente pela Grécia, Macedônia e Ásia Menor. Os dois volumes da obra de Lucas as chamam pelo nome Teófilo (Theós+Philos – Lc 1,3; At 1,1), que significa “amigo de Deus”. Podem ser todas as comunidades “amigas de Deus”. São comunidades de tradição paulina e podem ser caracterizadas como: - Comunidades urbanas (rotas comercias, portuárias), diferentes das comunidades rurais da Palestina. A palavra “cidade” aparece 40 vezes em Lucas. São comunidades localizadas nas periferias das grandes cidades. É pelas cidades que Jesus anda muito (4,43; 10,1; 8,4). - Comunidades nas quais participam ricos e pobres. Fortes contrastes sociais. De um lado há pobres, famintos, aflitos perseguidos (6,20-23); de outro, há ricos que vivem na fartura e nas festanças sem se preocupar com a miséria. São exclusivos de Lucas o Cântico de Maria; as mal-
  • 2. aventuranças, os quatro “ais” contra os ricos (6,24-26); a parábola do rico que encheu o seu celeiro (12, 16-21); a parábola do pobre Lázaro e do rico (16,19-31). - Comunidades de cristãos de origem grega e uma minoria de origem judaica. Paulo já percebia do risco da superioridade nas comunidades. Por isso, o Jesus de Lucas desce do monte no Sermão da planície. Quase sempre está sentado, dá um passo, entra na casa, senta na mesa, conversa e, é ao redor da mesa, que se discute o que significa ser cristão. Lucas faz Jesus também descer a Jerusalém. - Comunidades em que há cristãos que se converteram, mas que continuam ligados às instituições do império romano (7,1-10). Ao longo de todo evangelho sente-se um forte apelo à conversão. Mais de 20 vezes encontramos a palavra conversão. - Em Lucas, Jesus aparece dando grande atenção às mulheres (7,36-50; 8,1-3; 10,38-42; 13,10-17; 15,8-10). Isso pode revelar que havia bastante desprezo e marginalização da mulher e, ao mesmo tempo, há mulheres marcando significativamente presença nas comunidades. São exclusivas de Lucas: Marta e Maria (10,38-42); a pecadora perdoada (7,36-50); a mulher que procura a moeda perdida (15,8-10) e a mulher encurvada (13,10-17). - Em Lc 24,13-35, há uma situação de desânimo, de quase revolta. As comunidades, lá pelos nos 80 d.C. deviam estar desanimadas, perdidas, sem esperança por causa da situação que viviam. O Evangelho quer trazer luzes sobre dois problemas fundamentais, consequência da diversidade de classe e de cultura. Quer confirmar a prática da equipe de Paulo, a abertura da Boa Nova aos não-judeus, à comunhão de mesa. Contar quem é Jesus e como ser seu/sua discípulo/a... Por outro lado, quer questionar as comunidades que reproduzem as relações de opressão da sociedade escravocrata que legitimava a divisão entre ricos e pobres. AS FONTES DE LUCAS O próprio Lucas nos revela ter feito pesquisas acuradas e, portanto, ter usado fontes. Por mais da metade do texto, Lucas certamente segue Marcos, mesmo na sequência; por mais de um terço é provável que chegue à Q reproduzida com maior fidelidade do que em Mateus. Lucas respeita quase literalmente estas duas fontes, mas as reinterpreta e baliza com suas próprias reflexões teológicas ou com outros dados da tradição, tanto orais como escritos, que ele mesmo conheceu. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELHO Causa profunda impressão a referência a personagens conhecidos contemporâneos dos fatos narrados, com nomes e datas (3,1) e informações biográficas (8,3). E os Atos dos Apóstolos oferecem dados ainda mais abundantes. O objetivo de Lucas é duplo: enquadrar a revelação no tempo e no espaço e garantir a continuidade e a fidelidade a uma tradição. Isto é: o terceiro evangelista quer dizer que a fé professada por volta do ano 80 não é diferente daquela dos anos 30. Lucas omite voluntariamente as tradições mais “judaicas” sobre Jesus e seu ensinamento, tradições que os outros evangelistas relatam. Ele sublinha as palavras de Jesus contra a incredulidade dos judeus, e suas boas relações com os samaritanos, que os judeus detestavam (9,51-56;10,25-37; 17,11ss). Lucas está preocupado em mostrar a parte humana de Jesus. Ele sabe e afirma que Jesus é Filho de Deus, mas quer deixar claro a todo mundo que Jesus é homem de carne e osso, esperado por toda a humanidade, que sente e sofre dor, que sente e vibra com a alegria. Outra característica muito própria de Lucas é o trato que dá ao tempo. Para o evangelista o tempo se chama hoje. “Hoje (Semeron/“Kairós”), se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”(Lc 4,21). Esta palavra aparece 41 vezes no NT sendo que 20 vezes está nos escritos de Lucas. O recado deste evangelista é claro: com a chegada de Jesus acabou o tempo de espera. O Reino de Deus já chegou. A salvação já está acontecendo, não se precisa mais esperar. Hoje é o tempo da conversão, da mudança de vida. A conversão nos engaja no hoje de Deus trazido e inaugurado por Jesus. Hoje, portanto é o dia da misericórdia e da salvação.
  • 3. Lucas está atento também à oração de Jesus. Ele nos apresenta o Mestre em oração nos momentos mais significativos da sua vida. Nesta vida impregnada pela oração, Jesus se mantém sempre afinado com o Pai, estabelecendo a nova prática do Reino. Os momentos-chaves em que Jesus ora, segundo Lucas, são: antes do batismo no rio Jordão (3,21), num dia de milagres, entre entusiasmo da multidão (5,16), por ocasião da escolha dos Doze (6,11), antes da confissão de Pedro e do anúncio da paixão (9,18), na transfiguração (9,28-29), no regresso dos 72 discípulos enviados em missão (10,21-22), no ensino da oração do Pai-Nosso (11,1), para a consolidação da fé de Pedro (22,32), diante da Paixão, quando apelou para o Pai (22,41-45), sobre a Cruz, antes de expirar (23,46). O evangelho de Lucas fala de mesa, casa, pão e partilha. Encontramos Jesus frequentemente nas casas com pecadores, publicanos e fariseus. Além disso, há outras referências à partilha do pão e até a negação do pão a quem tem fome. Rompe a lógica da oferenda de carnes sobre o altar, substituindo pelo vinho e pelo pão partilhados. É na mesa da igualdade e da fraternidade, da última ceia, que Jesus sempre vai colocar em destaque: pobres, últimos, mulher, aquele que a sociedade grega desprezava. A centralidade está no pão, e pão partilhado no projeto de Jesus: Lc 2,1-21: Belém (Bethlehem = casa do pão); Lc 9,11-17: partilha do pão e sobra de 12 cestos; Lc 11,2-4: Pai Nosso; Lc 22,14-23: Ceia do Senhor (v. 19: “memorial”). A ESTRUTURA DO EVANGELHO Lucas enfatiza a viagem de Jesus que, partindo da Galileia, atravessando a Samaria, chega a Jerusalém. No centro do relato de viagem e do Evangelho ele coloca um capítulo com três parábolas sobre o que foi perdido (cap.15).Toda a narração volta-se para Jerusalém, de que fala o início (1,5) e no final do evangelho (24,52), formando uma verdadeira inclusão e da qual parte a evangelização após a experiência do Espírito (At 2,1). Segue uma proposta de esquema do evangelho: -Prólogo: 1,1-4 -Introdução - Evangelho da Infância: 1,5-2,52 -Preparação da missão de Jesus: 3,1-4,13 -Ministério de Jesus na Galileia: 4,14-9,50 -Caminho para Jerusalém: 9,51-19,44 -Ministério de Jesus no Templo: 19,45-21,24 -Paixão, morte e ressurreição de Jesus: 22-24 A existência de um plano transparece também em alguns temas recorrentes como a oração, a necessidade da conversão, a riqueza e a pobreza, a atenção voltada para os momentos de convívio recorrentes também após a ressurreição e retomados nos Atos dos Apóstolos. SÍNTESE DO EVANGELHO Prólogo: 1,1-4 (de toda a obra lucana: Lc-At) Neste prólogo aparecem cinco sujeitos históricos: o Jesus histórico (antes do ano 30); as testemunhas oculares e ministros da palavra (em torno dos anos 30-60); muitos (talvez Marcos, fonte Q e outros); eu (Lucas - ano 85); Teófilo (receptor do evangelho e Atos). Evangelho da Infância: 1,5-2,52 É uma criação teológica própria de Lucas, mas, simultaneamente, é um texto que recolhe a tradição histórica e teológica dos ambientes e personagens que aqui parecem. Ao contrário dos relatos de Mateus, que são costurados de intrigas e de ameaças, os de Lucas são coloridos de júbilo e de alegria.
  • 4. JOÃO BATISTA JESUS Anúncio a Zacarias (1,5-25) - sacerdote - no templo, em Jerusalém - não deu crédito – ficou mudo, creu e cantou Anúncio a Maria (1,26-38) - mulher -na casa, em Nazaré Visita de Maria a Zacarias e Isabel (1,39-56) -Uma “barriga virgem” e uma “barriga estéril” Cântico de Maria, o Magnificat (cf.1 Sm 2,1-10): soberbos –poderosos –ricos -os que temem -os humildes -os famintos Nascimento de João Batista (1,57-58) -visita dos vizinhos -nascimento feliz Nascimento de Jesus (2,1-20) -anjos e visita dos pastores -nascimento miserável Circuncisão de João Batista (1,59-63) Circuncisão de Jesus (2,21) Apresentação de Jesus no Templo (2,22-24) Profecias de Zacarias (1,64-79) -sacerdote -Cântico: Benedictus (Salmo dos pobres de Javé – versículos dos salmos 67-75 e 78-79) Profecias de Simeão e Ana (2,25-38) -profetas -Cântico: Nunc dimitis = “Agora despede” Crescimento de João Batista (1,80) Crescimento de Jesus (2,39-40) - em Nazaré Jesus no Templo (2,41-50) Crescimento de Jesus (2,51-52) - em Nazaré Há um paralelismo entre João Batista e Jesus. É a confrontação e, ao mesmo tempo, continuidade de dois períodos da história da salvação: “A lei e os profetas chegaram até João. Desde então se anuncia o reino de Deus” (16,16). Temos também aqui contraposições típicas de Lucas: templo-casa, homem-mulher, entre não dar crédito e ficar mudo e dar crédito e cantar, entre sacerdote e profeta, contraposições socioteológicas entre ambos, poderosos e ricos, os que temem a Deus, os humildes e famintos, etc. Mostra também o protagonismo das mulheres: pobres, viúvas, idosas, estéreis e virgens no início e ao longo do Evangelho. Os dois homens têm papéis secundários: Zacarias – incrédulo e José – silencioso. Preparação da missão de Jesus: 3,1-4,13 O capítulo 3 e parte do capítulo 4 de Lucas são como uma porta de entrada da casa do Evangelho. Esta porta liga dois “mundos” da história bíblica: Antiga e Nova Aliança. Na apresentação de João Batista, Lucas combina Marcos, fonte Q e algo típico de Lucas: a contextualização histórica. Cita sete personagens: Tibério César, Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, Anás e Caifás. Apresenta João Batista como profeta e como um pregador apocalíptico violento. O batismo de Jesus é narrado segundo Marcos, mas Lucas põe a prisão de João antes do batismo e muda a citação bíblica em 3,22b. A genealogia é tradição própria de Lucas, muito
  • 5. diferente de Mateus. Lucas faz remontar a genealogia de Jesus além de Abraão até Adão, o primeiro homem. As três tentações são segundo Q, mas Lucas inverte as duas últimas, pondo a tentação do Templo no final. Ministério de Jesus na Galileia: 4,14-9,50 Encontramos Jesus, o evangelizador, o visitador de Deus, o entusiasmado (cheio de Espírito Santo) que percorre a Galileia. O povo recebe com alegria e gratidão esta visita. E exclama feliz: “Deus veio visitar o seu povo!” (7,16). Ninguém fica de fora. Aqueles que estavam excluídos do povo de Deus, por causa de discriminações sociais, raciais ou religiosas, são incluídos por Jesus na lista dos seus preferidos. Esta novidade, por outro lado, provoca decepções e ira entre as autoridades. Lucas põe no começo um texto claramente programático da ação de Jesus. Sua missão é interpretada e atualizada à luz de Is 61,1-2a. No ministério de Jesus em Cafarnaum, Lucas segue de perto a Mc e nos dá uma visão totalizante da prática de Jesus: em todos os lugares (sinagoga, casa, lugar público, lugar solitário), em todos os tempos (de dia, ao pôr-do-sol, ao amanhecer) e numa variedade de atividades (ensina com autoridade, expulsa demônios, cura enfermos e dedica também um tempo longo à oração). Lucas tem a sua tradição própria sobre a escolha dos primeiros discípulos (5,1-11). Nas cinco controvérsias (5,17-6,11) segue com pequenas variações a Marcos. Em Lc 6,17-49 temos o sermão da planície, na sua versão original da fonte Q. Lucas só acrescenta as quatro maldições em 6,24-26. Jesus deixa claro quem é seu discípulo e quem não é. Jesus ensina e chama os seus discípulos, com os que o rejeitam tem fortes controvérsias e contradições. Na seção (7,1-8,56) temos textos próprios de Lucas com alguns textos de Q e outros de Marcos. O tema central são os “sinais” e a “palavra de Deus”. Lucas apresenta os sinais do Messias como sinais inesperados e em ruptura com a tradição e as ideias dominantes. Os discípulos e as discípulas são os que chegam a discernir certos sinais e escutam assim a palavra de Deus. João Batista pensava em sinais messiânicos extraordinários, onde se manifestaria a ira e o fogo de Deus. Jesus, pelo contrário, cura enfermos e anuncia aos pobres uma boa-nova, por isso manda esta mensagem a João: “feliz é aquele que não se escandaliza de mim”(7,23). Em 8,1-3 aparecem explicitamente as “discípulas de Jesus” junto com os doze discípulos (texto exclusivo de Lucas). A seção de Lc 9,1-50 é dominada pela figura dos doze apóstolos, seguindo fundamentalmente a Marcos, embora insira alguns pequenos textos que lhe são próprios (9,31). Caminho para Jerusalém: 9,51-19,44 A viagem é uma forte característica do Jesus lucano. Ele está sempre passando de um lugar a outro, fazendo caminho, avançando, e nada o impede de chegar à meta. A meta geográfica chama-se Jerusalém. A caminhada é cheia de situações pedagógicas, partindo sempre de situações concretas da vida e ensina atitudes de vida. No bloco de 9,51-13,21 Jesus vai para Jerusalém não como peregrino, mas para defrontar- se profeticamente com o Templo. Em 9,57-62 aparece o tema do discipulado. Só em Lucas aparece a escolha, envio e volta dos 70 missionários (10,1 e 17-20). O texto do Pai-nosso (11,1- 4) é da tradição Q. Lucas emoldurou o Pai-nosso com dois textos próprios seus: Marta e Maria (10,38-42) e o amigo inoportuno (11,5-8). O Jesus orante é típico da tradição lucana: cf. 3,21; 5,16; 16,12; 8,18; 9,28-29; 22,41. A “mesa” (a casa) e o “caminho” são fundamentais em toda a redação lucana. A confrontação de Jesus com os fariseus e mestres da lei (11,37-54) atrai uma multidão do povo (12,1). Então Jesus dá uma longa instrução, primeiro aos discípulos e depois à multidão (12,1-13,9). A indicação geográfica marca uma ruptura no texto que indica o começo de uma segunda etapa no relato da viagem a Jerusalém (13,22-17,10). Lucas levanta a pergunta sobre quem se salva (13,22). A salvação aqui não é a “salvação eterna”, mas a entrada no reino de Deus. Jesus
  • 6. responde com diferentes ditos de Jesus tomados da fonte Q (13,24-30). Os últimos, que seriam os gentios, chegam a ser os primeiros e os primeiros, que são os judeus ou judeu-cristãos, chegariam a serem os últimos. O texto de Lucas 14,1-24 se situa no contexto histórico de uma refeição, de uma mesa, em casa de um dos chefes dos fariseus e em dia de sábado. No contexto de Jesus, trata-se realmente da casa de um fariseu, mas provavelmente Lucas pense também no contexto da igreja judeu-cristã de Jerusalém, tal como aparece em Atos dos Apóstolos. Há uma predominância do tema “ricos-pobres”. A cura do hidrópico está em paralelo estreito com a mulher encurvada de 13,10-17 e tem o mesmo sentido de simbolizar a comunidade oprimida pela lei. Lucas distingue entre o caminhar com Jesus e a exigência muito maior de ser discípulo/a de Jesus. Para isso, faz maiores exigências (14,25-35). Renunciar todos os bens para ser discípulo/a é uma tradição muito própria de Lucas. As três parábolas de Lucas 15,1-32 mostram um Deus de misericórdia. O texto de Lc 16,1-31, em seu conjunto, é próprio do evangelista e de difícil interpretação. Ele está emoldurado em duas parábolas que começam com a frase “havia um homem rico...” (16,1-8 e 19,19-31). O tema central é o dinheiro da iniquidade (riquezas injustas). Neste mesmo contexto, Jesus enfrenta os fariseus, que eram “amantes do dinheiro”. Lucas sempre deixa um espaço para os ricos na comunidade, que renunciaram radicalmente ao dinheiro injusto, como Zaqueu. O terceiro bloco (17,11-18,30) faz menção a Samaria e ao samaritano apontando já para Jerusalém. A menção positiva do samaritano (17,16), como o único que volta para Jesus, está em sintonia com os Atos dos Apóstolos (At 8,4-24), onde Samaria aparece como o primeiro espaço missionário fora de Jerusalém e do círculo judeu-cristão “dos doze”. Lucas é o único evangelista que tem dois discursos apocalípticos: o “pequeno apocalipse” (17,20-21), tomado fundamentalmente de Q, e o grande discurso apocalíptico de 21,5-38 tomado de Marcos. O primeiro texto propõe o “quando” chegaria o Reino de Deus e o segundo texto fala sobre o “onde”. Jesus não responde a estas perguntas. Para ele o mais importante é o discernimento e estar sempre preparados. O quarto bloco (18,31-19,44) trata do tema da proximidade de Jerusalém. Jesus anuncia a sua paixão e ressurreição, mas os Doze não entendem nada. Em Jericó há dois fatos libertadores: um no caminho com um mendigo (18,35-43) e outro na casa de um rico chamado Zaqueu (19,1- 10). A casa e o caminho são duas realidades paradigmáticas em Lucas. Segundo Lucas, que modifica levemente o texto de Marcos, Jesus é aclamado no Monte das Oliveiras e não entra em Jerusalém (19,29-38). A reação dos fariseus e o choro sobre a cidade (19,39-44) é um texto próprio de Lucas. Jerusalém, fechada sobre si mesma, parece incapaz de converter-se. Explora os pobres através do Templo. Rejeita e mata os que não se adaptam a ela. É uma cidade na qual impera a lógica do poder. Uma cidade que aloja os opositores do Reino de Deus. Ministério de Jesus no Templo: 19,45-21,24 Só agora Jesus entra no Templo. Até este momento Jesus apenas se aproxima de Jerusalém. A primeira coisa a fazer é uma ação profética violenta: a expulsão dos vendedores do Templo (19,45-48). O texto, tomado de Marcos, está muito reduzido. No Templo, Jesus se defronta com as autoridades, mas ensina o povo e anuncia uma boa notícia. Todo o discurso escatológico ou apocalíptico de Jesus (21,5-38) nos dá uma visão positiva da história para fortalecer a resistência e a esperança. O discurso busca dar chaves para discernir o sentido profundo e oculto da história. Paixão, morte e ressurreição de Jesus: 22-24 Nesta seção, Lucas segue o esquema global de Marcos. Só em 22,28-30 temos um texto Q. Lucas retrabalha redacionalmente estes relatos tradicionais com acréscimos de detalhes e ampliações, definindo de maneira precisa a fisionomia de Jesus durante a paixão. Jesus é o mártir fiel e paciente, o justo perseguido que, através da perseverança e bondade, torna-se fonte de salvação para todos os que o encontram. A inocência de Jesus é sublinhada por Lucas muitas
  • 7. vezes, sobretudo no contexto do processo romano. Pilatos, por quatro vezes, declara publicamente a inocência de Jesus, apesar das insistentes acusações dos judeus. Desta maneira Lucas pode demolir a suspeitas e as calúnias que pesam sobre as comunidades cristãs que vivem dispersas no império romano, insistindo sobre a responsabilidade dos judeus, dos chefes em particular. Jesus, rejeitado por seu povo, que não soube reconhecer o plano de Deus, dá início a um povo novo. Todos os acontecimentos da páscoa concentram-se num só lugar e num só dia (cap.24). Lucas eliminou todo aceno às aparições de Jesus na Galileia, conhecidas pelo testemunho dos outros evangelistas, para pôr em primeiro plano, uma vez mais, o papel de Jerusalém. A cidade, representante simbólica da antiga história salvífica, é a meta não só geográfica, mas teológica da caminhada de Jesus: em Jerusalém se revela a grande ação salvadora de Deus, a morte e ressurreição do messias; aqui ele, como o “vivente” e glorificado, encontra os seus discípulos para enviá-los a todos os povos. CHAVES DE LEITURA Lucas fixou sua atenção principalmente em alguns aspectos da vida cristã. Podemos dizer que o seu evangelho e: -Evangelho do Espírito. Um tema que perpassa toda a obra de Lucas é a presença do Espírito Santo como força que acompanha, conduz e inspira a missão de Jesus e da Igreja. 1º Pentecostes (Lc 1,5-4,17) – O Espírito elege os pobres de Javé. Neste bloco chama atenção a quantidade de vezes que as coisas acontecem sob a ação do “Espírito”. As pessoas são escolhidas por esse Espírito: João Batista (1,15; 3,36); Maria (1,35); Isabel (1,41); Zacarias (1,67); Simeão (2,25); Ana (2,36) e Jesus (4,1.14). Pobres, mulheres, velhos estéreis... todos são gente simples, marginalizada, anawin (pobres de Javé) mas querida por Deus para dar continuidade ao seu projeto: o Reino. 2º Pentecostes (Lc 4,18-23,46) – é “tomado” pelo Espírito. Quando Jesus lê Isaías, na sinagoga da sua terra, e afirma que hoje se cumpriu essa passagem das Escrituras (4,21), misteriosamente o Espírito desaparece da narrativa de Lucas. O que aconteceu? Por que não se fala mais sobre o Espírito? Talvez porque Jesus e o Espírito não são mais dois. Para saber onde age o Espírito, é preciso olhar onde age Jesus; para saber quem são os escolhidos pelo Espírito, temos que ver os eleitos de Jesus; para saber a que ação o Espírito nos impele, temos que observar o que Jesus faz. Jesus é Filho obediente ao Espírito do Pai. Para não trair essa aliança de amor, arrisca e perde a própria vida. Na cruz, solitário, abandonado, cheio de dores, ele reza: “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito”. O Espírito volta, aqui, à narrativa de Lucas. 3º Pentecostes (Lc 24,49 e Atos) – “todos ficam repletos do Espírito”. Ressuscitado, Jesus instrui os discípulos: “... permanecei na cidade até serdes revestidos da força do alto”. Essa força é o Espírito que enche a todos e os envia até os confins da terra, para falar das boas notícias de Deus, de modo que cada um a “entenda na sua própria língua”. -Evangelho da misericórdia de Deus: A misericórdia, o carinho e acolhida para com os pecadores é outro ponto forte de Jesus, segundo Lucas. Mais do que outros textos, se acentua, como gesto concreto da acolhida e do perdão, a comunhão de mesa. Misericórdia é a recomendação expressa de Jesus (6,36-38), que se comove com a dor da viúva de Naim (7,13-14) e perdoa a pecadora que lhe unge os pés (7,44- 48). Misericordioso foi o bom samaritano da parábola (10,29-37). O capítulo 15 é uma sequência de parábolas de misericórdia: a ovelha perdida (15,4-7), a moeda perdida (15,8-10) e o filho pródigo (15,11-31). -Evangelho dos pobres e marginalizados: A atenção de Jesus para com os pobres, segundo Lucas, é bem maior do que nos outros evangelistas. Segundo ele, a primeira tarefa da missão de Jesus é evangelizar os pobres (4,18-
  • 8. 22). É também a prova de que ele é o Cristo, apresentada aos discípulos de João Batista (7,22). Lucas coloca os pobres em primeiro lugar nas felicidades proclamadas por Jesus (6,20). Segundo Lucas, os pobres são os preferidos de Jesus, mas Jesus mostra que não exclui ninguém (cap. 14 e 16). Os ricos também são convidados a fazer o que Jesus fez: voltarem-se para os pobres, ter carinho, repartir os bens com eles e assim entrar juntos o banquete da glória e da felicidade que nunca se acaba. O caminho da salvação e da felicidade do rico passa pelo pobre (cap. 15). Outro ponto forte em relação aos pobres é a exigência que Jesus faz a quem quiser ser seu discípulo. A primeira coisa que pede é: “Vende tudo que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos céus”. A segunda é: “Depois vem e segue-me” (18,22). Novamente os pobres são o caminho para seguir Jesus e não há outra proposta. Os pobres são o objeto da solicitude de Jesus: pecadores e pecadoras, viúvas e crianças, publicanos, ladrões e penitentes, homens e mulheres enfermos. Os pobres, no sentido concreto, aos que faltam bens materiais, são chamados bem- aventurados (6,20) e os ricos são qualificados não de maus, mas de desventurados (6,24). -Evangelho da valorização da mulher: Lucas cita um número maior de mulheres do que os outros Sinóticos. Evangelista das mulheres, porém nem sempre elas têm um papel profético, de fala... Dos 42 textos em Lucas que falam de mulheres, 23 textos são só de Lucas: Maria: 1,26-38.39-45.46-56; 2,1-20.33-35.41- 50.51; Isabel:1,23-25.39-45.57-58.59-66; Ana: 1,36-38; viúva de Naim: 7,11-17; a pecadora: 7,11-17; discípulas: 8,1-3; Marta e Maria: 10,38-42; uma mulher anônima: 11,27-28; mulher encurvada: 13,20-21; mulher que procura a moeda perdida: 15,8-10; mulheres no caminho da cruz: 23,49. Muitas mulheres serviam e seguiam desde a Galileia (8,1-13; 23,49). Discipulado de homens e mulheres. Jesus cria um movimento novo, rompe com as estruturas de costumes discriminatórios e marginalizadores que predominavam no mundo dos judeus. Contrário a prece do varão que agradecia a Deus 3x ao dia por não tê-lo criado gentio, escravo, nem mulher, as comunidades cristãs confirmavam a forma batismal de Gl 3,28. Eles são todos iguais, todos eleitos e santos, porque adotados por Deus, todos sem exceção alguma: judeus, pagão, mulheres, homens, escravos, libertos, pobres e ricos, os de status elevado e os que “nada” são aos olhos do mundo. A casa da família de Deus é a nova família divina, onde todos sem exceção são irmãos. -Evangelho do “caminho”: O discipulado traz exigências radicais porque é o seguimento de Jesus no caminho da Galileia a Jerusalém e na via dolorosa da Paixão e Morte que será coroada pela Ressurreição e desembocará na Missão. Nesta caminhada, são fundamentais a oração (11,1-13), a prática da misericórdia (10,29-37), a renúncia e o despojamento (9,57-62). O caminho da Igreja começa a formar-se com judeus que abraçaram a fé. A “virada” para os pagãos, motivada pela recusa da mensagem pelos judeus, é a ideia mestra das duas obras de Lucas. Essas duas fases são consideradas como duas etapas de um “caminho” que avança em conformidade com o plano de Deus e sob a direção do Espírito. TEOLOGIA DE LUCAS 1. QUEM É JESUS? Muitos olham para Jesus com os esquemas do paganismo. Lucas tem que corrigir isto. Assim, apresenta Jesus como: - O Salvador do mundo: Muitas religiões buscam a salvação, também os judeus. Lucas quer mostrar Jesus como salvador do mundo pela: -expulsão dos demônios (4,33-37.41; 7,21; 8,26-39; 9,37-43. O demônio pode ser visto como sistema de Leis, sinagoga, Império. -dirigindo-se a todos os excluídos: Zaqueu, samaritanos, leproso, a todas as nações (24,47). Não é só dos judeus, mas de todas as pessoas, todos os povos.
  • 9. Jesus vem proclamar o amor universal e a misericórdia de Deus. Lucas insiste no universalismo da missão de Jesus. Lucas faz questão de dizer que Cristo é luz das nações (2,32). Lucas estende sua genealogia até Adão, para mostrar que ele veio para toda a humanidade (3,38). Além disso, lembra pessoas estrangeiras que foram agraciadas por Deus no Antigo Israel: viúva de Sarepta (4,25-26; 1 Rs 17) e do sírio Naamã (4,27; 2 Rs 5). Lucas é o único Evangelho que fala do envio dos setenta e dois discípulos (10, 1-16) a todos os povos. Esse universalismo se confirma mais ainda nos Atos. Jesus é a salvação e a luz de todos os povos (2,31-32), e é a todos os povos que ele mandará pregar o perdão (24,47). - O Senhor (=Kyrios): Termo verificado mais de duzentas vezes na obra de Lucas. O evangelista opõe o senhorio de Jesus ao de César. Na época em que o imperador é apresentado como Senhor do mundo, ou melhor, como único senhor do mundo, Lucas apresenta Jesus como o Senhor: -Jesus é o Senhor (2,11) nascido entre os últimos -Os senhores deste mundo (3,1-3) são relativizados (3,15-20) -Herodes é raposa (13,32) -Jesus enfrenta o imperador (20,20-26; 23,1-2) -Jesus é o senhor (23,3) -Os pobres e excluídos reconhecem Jesus como o Senhor (2,15-20 – pastores e 5,12 – leprosos). Isabel é a primeira em chamar a Jesus “Senhor” (1,43). Antes de Isabel, somente Deus foi chamado “Senhor”. É a primeira confissão de fé. - O homem do povo: As divindades pagãs estão longe do povo, nos montes altos. Javé dos fariseus e saduceus, também (templo). Lucas mostra Jesus no meio do povão: nasce entre os últimos (1,26-31; 2,1-11); Jesus é visita de Deus ao povão (1,68-78); andava entre o povo (4,40; 5,1.3.15.29). - O profeta de Deus (7,16): Profetas a favor dos pobres: Isaías (4,17; 6,24-26; 7,22); novo Elias (7,12-15; 9,24.61-62; 22,42-44; 24,50-51). O profeta, escolhido para manifestar o desígnio de Deus aos homens. O Jesus de Lucas é o grande profeta: nos evangelhos da Infância está rodeado de profetas (Simeão, Ana, João Batista, Maria e Isabel); a estrutura da obra de Lucas manifesta Jesus caminhando com o Espírito de Deus (sinal do profetismo) para Jerusalém, porque não se admite que um profeta pereça fora de Jerusalém (13,33). O texto da sinagoga de Nazaré mostra Jesus como profeta no início da sua atividade pública (4,13s). Na transfiguração (9,28s) Jesus é o profeta que fala com os profetas Moisés e Elias da sua morte que ia dar-se em Jerusalém (9,31). 2. O QUE É SER DISCÍPULO DE JESUS? Para os gregos o que importa é saber e conhecer. O fazer não tem importância. Tudo o que se disse sobre Jesus é para aprender a segui-lo. Lucas dedica dez capítulos ao caminho do discipulado (9,51-19,27). O caminho do discípulo é o mesmo caminho do Mestre. - Caminhar com Jesus (9,57): Jesus, na sua caminhada para Jerusalém (9,51-19,27) revela aos discípulos as exigências do seguimento: -como seguir (9,57-62); -Marta e Maria (10,38-42); -astúcia dos seguidores (13,22-30); -decisão dos seguidores (14,25-35); -os dez leprosos (17,11-19); -cegueira (18,35-43). A palavra caminhar aparece cerca de 75 vezes, incluindo o Atos dos Apóstolos. Lucas informa que as primeiras comunidades eram chamadas de “O pessoal do Caminho”. O caminho
  • 10. de Jesus se aprende seguindo até a cruz. Seguir é romper com o modo de pensar comum. Seguir Jesus é rumar para Jerusalém, enfrentar o poder. - Permanecer firme: Há uma espera do fim do mundo entre o povo (2 Ts 2,1-3). Isto deixa as pessoas sem assumir nada. Espera-se a mudança total, ou intervenção divina. Lucas quer corrigir tal visão alienante (19,11). O mesmo se diga de Lc 21,8-11 (não se deixar enganar). O Reino de Deus já está presente onde se leva em frente à ação de Jesus (17,20s). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos II. São Paulo: Loyola, 1990. CEBI. Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos. São Leopoldo/São Paulo: CEBI/Paulus CEBI/Paulus, v 8, 1999. CRB. Seguir Jesus. São Paulo: CRB/Loyola, 1994. MAINVILLE, Odette (org). Escritos e Ambiente do Novo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2002. MARCONCINI, Benito. Os Evangelhos Sinóticos: formação, redação e teologia. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 2001. MESTERS, Carlos e LOPES, Mercedes. O Avesso é o lado certo. Círculos bíblicos sobre o Evangelho de Lucas. São Leopoldo/São Paulo: CEBI/Paulinas, 1998, RICHARD, Pablo. O Evangelho de Lucas – Estrutura e chaves para uma interpretação global do Evangelho. In: RIBLA. Petrópolis: Vozes, nº 44, p.7-36, 2003. SHREINER, J.; DAUTZENBERG, G. Forma e exigências do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2004. STORNIOLO, Ivo. Como ler o Evangelho de Lucas. Os pobres constroem a nova história. São Paulo: Paulinas, 1992. THEISSEN, Gerd. O Novo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2007.