UNIVERSIDADE DE COIMBRA
              FACULDADE DE ECONOMIA




DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO NAS
                   ORGANIZAÇÕES




ANÁLISE À CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NOS PROFESSORES DO 1º CICLO




              MARIA DA PENHA BOINA DALVI




                       COIMBRA
                        2004
UNIVERSIDADE DE COIMBRA
                 FACULDADE DE ECONOMIA




ANÁLISE À CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NOS PROFESSORES DO 1º CICLO




   DISSERTAÇÃO APRESENTADA NA FACULDADE DE ECONOMIA DA

UNIVERSIDADE DE COIMBRA PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM

 GESTÃO DA INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES, SOB ORIENTAÇÃO DO

   PROFESSOR DOUTOR JOÃO VERÍSSIMO OLIVEIRA LISBOA (FEUC).




                 MARIA DA PENHA BOINA DALVI




                           COIMBRA
                            2004
Agradecimentos


                             “Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e
                      desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de
                      acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e
                      faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma
                      aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque
                      não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para
                      suspender”…
                               Fernando Pessoa – O livro do desassossego, trecho 152.

        Agradecer a todos que ajudaram e contribuíram no desenvolvimento deste
trabalho não é tarefa fácil. O maior perigo que se coloca para o agradecimento selectivo
não é decidir quem incluir, mas decidir quem não mencionar; mas se devo ser selectiva,
então é melhor começar.
        Os sinceros agradecimentos ao Professor Doutor João Veríssimo Oliveira
Lisboa, que acreditou no projecto a ponto de conferir a honra de sua orientação.
        A todos os professores que ministraram suas disciplinas no decorrer do curso, e
que agora pude integrar e enriquecer o conteúdo deste trabalho assim como a minha
vida.
        Agradeço aqueles que, de uma ou outra forma, ajudaram na difícil tarefa de
encontrar, fontes bibliográficas, não fontes oportunas, mas também facilitando
exemplares muito valiosos.
        Aos meus amigos, familiares e filhos, Virgínia e Thomas, abençoados sejam
pela compreensão e afecto, por minha ausência em momentos especiais e rotineiros.
        Sem dúvida, invejo e agradeço as milhares de pessoas que contribuíram e
contribuem para que conheçamos e façamos uso das novas tecnologias, dada tamanha
velocidade de transformação e dependências geradas, sem ofuscar o colorido de nossas
vidas, modificando o perfil da sociedade e nos possibilitando a continuidade desses
desenvolvimentos e difusão da nossa aprendizagem.
Resumo

       O presente trabalho propõe os princípios mínimos a serem considerados na
concepção e desenvolvimento do ensino / aprendizagem na utilização das Tecnologias
de Informação e Comunicação, propriamente o computador e a Internet por parte dos
professores que actuam nas escolas do 1º ciclo. Os princípios propostos estão
fundamentados na Abordagem Actuante da Ciência Cognitiva e na Metodologia
Problematizadora.
       Estudou-se como os professores estão incluindo o emprego do recurso
tecnológico no desenvolvimento das suas actividades na sala de aula, analisando os
factores motivacionais em que acreditamos que só podem existir se o professor estiver
satisfeito e quiser fazer parte do meio profissional que o envolve e deseja atingir os
objectivos educacionais.
       Na educação, os professores são chamados a participar nas novas mudanças que
estão ocorrendo com a inserção das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC) na escola e para isso a formação continuada, contextualizada e fixada na escola
tem um papel importante. Formar professores criativos, autónomos, reflexivos sobre a
sua prática e ousados na busca de novas metodologias, em prol de um ensino mais
aliciante, criativo e eficiente para os alunos, constitui o objectivo da escola, sob pena de
não desempenhar sua função neste século.
       Este trabalho apresenta uma análise na aquisição de conhecimento através das
TIC pelos professores do 1º ciclo, com ênfase na formação contínua, que possam ser
reflectidas de modo a articular o fazer e o pensar na profissão de professor.
       Com base numa amostra de 80 professores num universo de recolha de 1.338
professores, encontrámos os resultados necessários para a análise do estudo, existindo a
necessidade de desenvolver uma intensa acção colaborativa e cooperativa no âmbito de
projectos na formação de professores do 1º ciclo num ambiente propício para a
utilização das tecnologias de informação e comunicação na sala de aula, até que exista
autonomia dos professores para a verdadeira utilização dessas novas tecnologias como
mais um suporte no ensino/aprendizagem.


PALAVRAS -CHAVE: aprendizagem, motivação, formação, educação, tecnologia de
                           informação e comunicação.
Abstract

       This work proposes the minima principles to be observed in the conception and
development of the teaching/learning of the Information and Communication
Technologies, properly the computer and the Internet, by the educators in the "1º ciclo"
schools. The proposed principles are based upon the "Abordagem Actuante da Ciência
Cognitiva" and the "Metodologia Problematizadora".
       We have been studied how the educators are inserting the use of technological
resources in the development of his classroom works, analysing the motivational
factors, wich ones we believe that only can exist if the educator is satisfied and willing
to take part in the professional environment that encloses him and wish to achieve the
educational objectives.
       In education, educators are called to participate in the new changes that are
occurring with the insertion of the New Information and Communication Technologies
in the school, thus the continuated education, with focus in the school, has an important
role. To promote creative and autonomous educators, thinkers about his pratice and
daring in the serch of new methodologies for a more seductive, creative and efficient
teaching for the students, is the school goal, liable of not accomplish its mission in this
century.
       This work presents an analysis of knowledge acquisition through the ICT by the
educators of the "1º ciclo" with emphasis on the continuos education that can be thought
in a way to link the doing and thinking in the educating profession.
       Being based on the sample of 80 educators selected from a group of 1.338
educators, we have found the answers needed for the analysis of the study, being in
need of developing an intense and co-operative action related to the projects on the
formation of primary school educators inside an appropriate environment for the use of
information and communication technologies in the classroom until educators have
autonomy for the real use of those technologies as another support for the
teaching/learning process.


KEYWORDS:         learning,   motivation,    formation,   education,    information    and
                   communication technology.
Índice

Capítulo I...................................................................................... 11
  Introdução.........................................................................................11
Capítulo II .................................................................................... 16
  Fundamentação teórica.....................................................................16
     2.1. Aprendizagem ................................................................................ 17
     2.2. Motivação....................................................................................... 21
     2.3. Educação e as Tecnologias de Informação e Comunicação ........... 27
     2.4. Formação de professores ............................................................... 29
     2.5. Formação de professores e o processo da motivação, aprendizagem e
     as tecnologias de informação e comunicação........................................... 30
Capítulo III................................................................................... 45
  Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias .........45
     3.1. Estrutura tecnológica nas escolas do 1º ciclo.................................... 45
     3.2. Característica das escolas do 1º ciclo em Portugal ............................ 47
Capítulo IV ................................................................................... 51
  Metodologia ......................................................................................51
     4.1. População em estudo e a amostra identificada .................................. 51
Capítulo V..................................................................................... 57
  Resultados .........................................................................................57
     Atitude positiva face às TIC ................................................................... 67
     Atitude negativa face às TIC .................................................................. 68
Capítulo VI ................................................................................... 82
  Conclusões.........................................................................................82
     6.1. Constatações ................................................................................... 82
     6.2. Perspectivas .................................................................................... 89
     6.3. Proposições ..................................................................................... 90
Referências Bibliográficas............................................................ 92
Bibliografia ................................................................................... 95
Sites consultados na Internet ....................................................... 99
Anexo A....................................................................................... 104
     Questionário para os professores das escolas de 1º ciclo ....................... 104
Anexo B....................................................................................... 109
     Relatório de Visitas .............................................................................. 109
Anexo C....................................................................................... 111
     Portal UARTE ...................................................................................... 111
Anexo D....................................................................................... 112
     Página das Escolas do 1º ciclo .............................................................. 112
Lista de tabelas


Tabela II-1: Comparações das teorias da aprendizagem................................................ 20
Tabela II-2: Comparações dos modelos motivacionais ................................................. 31
Tabela II-3: Variáveis motivacionais............................................................................. 32
Tabela II-4: CTAP Information Literacy Guidelines K-12 ........................................... 39
Tabela IV-1: Escolas por Concelhos.............................................................................. 52
Tabela IV-2: Número de professores inquiridos............................................................ 55
Tabela V-1: Sexo – Situação profissional e Formação inicial ....................................... 58
Tabela V-2: Cruzamento da questão “possui computador” com, A, F, J, L e M........... 75
Tabela V-3: Cruzamento da questão “autoformação” com J, L, M e N ........................ 75
Tabela V-4: Cruzamento da questão “acções de formação do ME” com J, L, M e N... 76
Tabela V-5: Cruzamento da questão “realizou acções de formação” com J, L, M e N. 76
Tabela V-6: Cruzamento da questão “usa bastante o computador” com J, L, M e N.... 77
Tabela V-7: Representação das dificuldades com equipamentos .................................. 78
Tabela VI-1: Tópicos importantes das conclusões ........................................................ 91
Lista de gráficos


Gráfico V-1: Distribuição dos professores da amostra por idade .................................. 58
Gráfico V-2: Características do computador pessoal..................................................... 59
Gráfico V-3: Distribuições como os professores da amostra fizeram sua iniciação nas
      TIC .......................................................................................................................... 59
Gráfico V-4: Acções de formação que realizou em inormática..................................... 60
Gráfico V-5: Realização de acções de formação ........................................................... 60
Gráfico V-6: Balanço das acções de formação .............................................................. 60
Gráfico V-7: Âmbito das acções de formação em informática que os professores
      realizaram................................................................................................................ 61
Gráfico V-8: Distribuição de como os professores definiu a sua relação com o
      computador ............................................................................................................. 61
Gráfico V-9: Distribuição das horas por semana que os professores utilizam o
      computador ............................................................................................................. 62
Gráfico V-10: Distribuição em relação ao uso da Internet ............................................ 62
Gráfico V-11: Distribuição de como os professores utiliza o e-mail............................. 63
Gráfico V-12: Na preparação das aulas com que fins usa o computador ...................... 64
Gráfico V-13: Aplicações informáticas que utiliza directamente com os alunos .......... 64
Gráfico V-14: Distribuição em relação a quantidade de vezes que o professor utilizou o
      computador com os alunos no ano lectivo 2002/2003............................................ 65
Gráfico V-15: Tipos de actividades que o professor realiza com os seus alunos quando
      utilizam o computador ............................................................................................ 65
Gráfico V-16: Contexto de utilização dos professores com os seus alunos quando
      utilizam o computador ............................................................................................ 66
Gráfico V-17: Atitudes positivas dos professores face as TIC ...................................... 67
Gráfico V-18: Atitudes negativas dos professores face as TIC ..................................... 68
Gráfico V-19: Em que áreas da TIC os professores necessitam de mais formação ...... 71
Gráfico V-20: Obstáculos à real integração nas TIC analisadas pelos professores ....... 72
Gráfico V-21: Cruzamento sexo e idade........................................................................ 73
Gráfico V-22: Cruzamento sexo e formação profissional ............................................. 74
Gráfico V-23: Cruzamento formação inicial e idade..................................................... 74
Lista de figuras


Figura II-1: Representação do diálogo .......................................................................... 19
Figura II-2: Motivação e Competência: dois factores que determinam o nível de
      desempenho ............................................................................................................ 22
Figura II-3: Combinação de factores higiénicos e motivadores no trabalho ................. 23
Figura II-4: Modelo de literacia da informação............................................................. 40
Figura IV-1: Mapa do Distrito de Leiria........................................................................ 52
Lista de siglas

CMC ________Comunicação Mediada por Computador
EB1 _________Ensino Básico do 1º ciclo
ESE _________Escola Superior de Educação
ESEL ________Escola Superior de Educação de Leiria
FCCN _______Fundação para a Computação Científica Nacional
FTP _________File Transfer Protocol
ISDN ________Integrated System Digital Network
LD __________Literacia Digital
MCT ________Ministério da Ciência e da Tecnologia
PHP _________Hypertext Preprocessor
RCTS________Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade
RDIS ________Rede Digital de Serviços Integrados
TI ___________Tecnologia da Informação
TIC _________Tecnologia da Informação e Comunicação
Capítulo I

                                          Introdução

        Vivemos uma era de profundas transformações. De um lado, a chamada
globalização, termo que se tornou obrigatório em todos os círculos intelectuais, políticos
e económicos. Fenómeno facilitado pelas novas tecnologias da informação pressupõe
uma evolução do tradicional processo de internacionalização de mercados oriundos dos
primórdios do capitalismo. Esse novo processo não é mais conduzido apenas por
nações, mas, sobretudo, pelas organizações antes denominadas multinacionais,
transnacionais ou mundializadas. Essas organizações gerem espaços que atravessam as
fronteiras territoriais. (Ianni, 1996).
        A velocidade crescente de aceleração, a globalização que envolve as
comunicações, os mercados, os fluxos de capitais e tecnologias, as trocas de ideias e
imagens, impõem a dissolução de fronteiras e de barreiras proteccionistas. Em todo
momento se estabelecem tensos diálogos entre o local e o global, a homogeneidade e a
diversidade, o real e o virtual, a ordem e o caos. (Curvello, 1997).
        Assim como o mundo muda, também as organizações mudam e com certeza
nesse cenário são as pessoas as que mais sofrem os impactos dessas transformações. O
funcionamento de qualquer organização depende fundamentalmente da qualidade das
pessoas que a compõe. Os sistemas de ensino não poderiam ser uma excepção a essa
norma e, talvez mais do que em qualquer outro tipo de organização, seu êxito dependerá
não apenas da qualidade das pessoas que as integram, mas da motivação revelada no
desempenho de seus papéis. Por isso mesmo, é essencial que as pessoas que fazem parte
de uma organização, neste caso específico as instituições de ensino do 1º ciclo, mais
propriamente o papel do professor envolvido com as tecnologias da informação e
comunicação, sejam do melhor nível de qualidade possível e tenham o desempenho
esperado.
        A escola precisa transcender o seu antigo papel de selectora e transmissora de
informação, procurando uma nova postura na qual são mais importantes as ligações
hierárquicas e relações entre as informações. As novas tecnologias da informação e
Introdução                                               12
__________________________________________________________________________________________________________



comunicação, situadas no contexto das mudanças educacionais, podem contribuir para
uma caminhada em direcção às novas formas de busca e produção do conhecimento.
        Para isso é preciso contar com profissionais competentes, capacitados,
motivados, seguros e criativos que desenvolvam potencialidades educacionais abertas
pelas novas tecnologias, onde mais importantes não são as tecnologias tomadas em si
mesmo, mas sim as relações humanas e os valores pessoais e colectivos necessários
para uma intervenção transformadora no contexto sócio-educacional.
        O aspecto fundamental, em termos de políticas públicas, a ter em conta é o
sistema de ensino e formação profissional. O pleno aproveitamento e aplicação das
tecnologias de informação só podem ocorrer perante uma população altamente
qualificada. A necessidade de uma postura perante a vida que nos transforme a todos
enquanto indivíduos independentes (de regras, de normas, de grupos, de valores ditos
tradicionais, da sociedade que nos envolve) em indivíduos independentes, ou seja, em
pessoas que perfilhem as suas próprias regras, valores próprios e específicos e que não
se deixem subjugar pelo ambiente circundante. Só estas poderão situar-se num plano
superior ao do constrangimento social. (Martins, 2001).
        O que Martins defende é o homem uno, criativo, inovador, aquele que faz a
diferença e é capaz de transformar a sociedade, sem esquecer-se da ética social e
profissional.
        Nyhan (in: Martins, 2001), estamos a caminhar no sentido de “criar” o
trabalhador intelectual autodidacta, aquele que necessita de constantemente, adquirir
novos conhecimentos.
        Este trabalho surge de preocupações quanto às transformações radicais que vem
acontecendo no nosso quotidiano actual e, em específico, o quotidiano dos professores,
visto que a escola hoje vem sendo palco de transformações inovadoras, sejam de
carácter pedagógico ou da utilização das novas tecnologias no ensino/aprendizagem.
        As novas tecnologias educacionais têm sido objecto de preocupações de diversos
investigadores nas últimas décadas, mas até meados de 1990, essas tecnologias eram
pouco disseminadas, o que gerou uma lacuna entre especulações teóricas e a utilização
dessas inovações nos processos de ensino/aprendizagem e do trabalho docente.
        Portanto, as novas tecnologias estão sendo apresentadas ao trabalhador docente
de forma muito veloz – esteja ele iniciado ou não – nas escolas e em diversos ambientes
sociais. Devido à estreita vinculação entre o trabalhador em geral e trabalho docente. É
Introdução                                               13
__________________________________________________________________________________________________________



importante analisar as implicações dessas tecnologias no processo de trabalho do
professor nas escolas, em especial, nas escolas do 1º ciclo. Vale lembrar que as
vinculações acima mencionadas não reduzem a escola à sua função formadora para o
trabalho, mas inserem o trabalho como princípio educativo e a sua centralidade nas
relações sociais contemporâneas.
         A falta de familiaridade com computadores é vista, cada vez mais, em certos
contextos sociais, como um tipo de analfabetismo, impondo ao indivíduo
tecnologicamente iletrado o mesmo estigma que recai sobre o analfabeto tradicional.
Assim, a valorização simbólica do computador e de seus usos bem como a migração de
práticas quotidianas para o ambiente do computador contribuem para a “naturalização”
de seu uso e, consequentemente, para que professores não familiarizados com
computadores não se sintam socialmente diminuídos, devem buscar activamente, junto
a seus pares ou a seus alunos, a ajuda de que necessitam para se tornarem letrados
electronicamente. (Buzato, 2001).
         A aprendizagem autodirigida, que à primeira vista pode ser entendida como
solitária e isolada, na literatura mais relevante sobre esta temática tem centrado a sua
atenção sobre a necessidade da aprendizagem autodirigida, o indivíduo interagir com o
outro. O aprendente autodirigido tem acesso a perspectivas para entender a sua situação
e para dar sentido e direcção à sua vida, adquirir sensibilidade e competência na
interacção social, e ter as competências e capacidades necessárias para controlar as
tarefas produtivas associadas com o controlo e manipulação do ambiente. (Moura,
1998).
         Em 1997, a Internet entra de forma mais decisiva nas escolas portuguesas, nesse
mesmo ano era lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia o programa Internet na
Escola, e tinha como objectivo principal a distribuição de um computador multimédia
com capacidade de acesso à Internet em todas as escolas do 1º e 2º ciclos e ainda
secundários. A partir de então, todo o novo manancial de nova informação estava
acessível ao simples “click” do rato e à disposição dos professores e alunos na escola.
         O Programa Internet na Escola tem em todas as novas tecnologias e realizações
informáticas actualizações anuais desde que foi implementada sendo constantes os
debates, colóquios e conferências realizados nesse âmbito com objectivo de se tentar
encontrar uma harmoniosa convivência entre a tecnologia de informação e todo o
processo educativo em sentido mais lato. Tudo se encontra num estado considerado
Introdução                                               14
    __________________________________________________________________________________________________________



    ainda embrionário, pois tanto se encontra a efectuar o desenvolvimento estrutural do
    país bem como a formação mais específica dos professores, visto ser recente a
    convivência de um grande número da população em geral com a Internet. Todos os dias
    surgem inovações tecnológicas que põem à prova e desafiam a capacidade de adaptação
    das escolas, como instituições em si, mas também de adaptação por parte dos
    professores, pais e alunos, que têm de optar, nas constantes massas de informação, pelos
    melhores caminhos e para discernirem dos benefícios em determinada escolha.
            Partindo dos pressupostos que muitas escolas e profissionais ainda no mundo da
    dinâmica pedagógica tradicional, com curricula fechados, com a lógica das turmas
    isoladas, com muros que separam a escola do mundo externo, com tempos escolares
    rígidos, com modelos de relação aluno/professor tradicional, em que o professor
    transmite e o aluno assimila, com a ideia de sequencialidade/linearidade do
    conhecimento, acreditamos que muita coisa pode ser feita na mudança desse perfil
    escolar dentro dos diagnósticos exigidos pelas novas realidades mundializadas no
    ensino/aprendizagem.
            Acreditamos na incorporação mais significativa e mais crítica do uso das medias
    na prática pedagógica do professor, problematizando as conexões entre as culturas
    existentes e os novos conhecimentos, durante ou pós-período de consciencialização,
    familiarização e domínio na utilização, em particular, das redes de comunicações
    humanas, quer tradicionais quer as mais novas, concretizando um desenvolvimento
    contínuo de sua acção e reflexão pedagógica efectiva com vistas à formação de cidadãos
    questionadores que ajudem nas transformações necessárias à construção de uma
    sociedade menos injusta e mais igualitária.
            Com essa visão, analisamos alguns processos mobilizadores da capacitação e
    utilização das novas tecnologias inseridas nas escolas do primeiro ciclo.

    No âmbito desta problematização os objectivos deste trabalho em termos gerais serão:

•     Analisar a formação e a motivação profissional do docente no uso do computador na
      sala de aula nas escolas do 1º ciclo, em que o profissional educador “saiba ser”, “saiba
      fazer” e “seja criativo”, num processo de produção e disseminação de conhecimento
      com o uso das novas tecnologias.
Introdução                                               15
__________________________________________________________________________________________________________



Mais especificamente iremos procurar:


•   Compilar, caracterizar e reflectir sobre algumas experiências pedagógicas com o uso
    do computador, Internet e telemáticas significativas, com enfoque na actuação de
    professores tanto no que concerne a sua formação contínua quanto a sua prática em
    sala de aula junto a alunos de escolas do 1ºciclo;
•   Reflectir soluções viáveis para projectos de capacitação do professor com vistas à
    melhoria na transmissão de conhecimento;
•   Confrontar dados, qualitativos e quantitativos, obtidos nas escolas de primeiro ciclo;
•   Confrontar dados obtidos, analisando o nível de satisfação dos professores.


         Este trabalho encontra-se organizado da seguinte maneira: neste Capítulo
apresentamos o interesse e os objectivos do nosso estudo. No Capítulo II descrevemos a
fundamentação teórica das teorias da aprendizagem e da motivação, enfatizando a
educação e formação baseada no modelo relacional que leva a compreensão da escola
de forma sistémica. No Capítulo III analisamos as características das escolas do 1º ciclo
e as plataformas tecnológicas instaladas. No Capítulo IV discutimos a metodologia da
pesquisa que adoptamos. No Capítulo V analisamos o material de recolha de
informação, questionário e anotações, verificamos a utilização e inserção das
tecnologias no âmbito das escolas públicas do 1º ciclo, através da investigação sobre o
domínio da utilização das novas tecnologias e as suas necessidades para essa nova
concepção da realidade. No Capítulo VI desenvolvemos nossas constatações,
perspectivas e proposições, esboçando algumas recomendações com base nos resultados
alcançados na pesquisa, que no nosso entender, podem contribuir para utilização e
inserção dessas novas tecnologias no ensino de forma eficiente ao serem incorporados
pelos professores, através da formação num ambiente de aprendizagem propício.
Capítulo II

                         Fundamentação teórica

       Não se pode projectar a informatização educativa de uma escola ou a
implantação de um programa pedagógico telemático sem integra-lo numa política
educacional mais ampla da consciencialização, capacitação e motivação dos actores
directamente envolvidos neste contexto.
       Hoje vivemos num ambiente de mudanças rápidas, em que os sinais de
surgimento de uma “Sociedade do Conhecimento” são muito fortes e a gestão pró-
activa dos recursos de conhecimento é uma parte fundamental para o crescimento de
negócios e pessoas.
       Todavia, novos meios de comunicação e colaboração são necessários para suprir
alguns desafios de gestão do conhecimento que são: os enormes volumes de informação
que estão sendo criados, armazenados e distribuídos actualmente, a incrível velocidade
com que o conteúdo está mudando, e as transformações contínuas do local de trabalho.
       Com o aumento explosivo na capacidade e necessidade de comunicação via
Internet que é um ponto significativo no desenvolvimento humano, as novas tecnologias
baseadas nos padrões da Internet estão facilitando imensamente a troca de informações
entre as organizações e pessoas e as possibilidades de colaboração entre as pessoas em
modo síncrono ou assíncrono, independentemente de localização. Todavia, na educação,
as utilizações das tecnologias de informação e comunicação não têm sido suficientes
para preparar as pessoas para essa nova realidade.
       A Internet está mudando os padrões de interacção social e criando uma
sociedade caracterizada por um maior individualismo em rede, indicando que a Internet
aumentou imensamente a capacidade de aprendizagem de indivíduos, e a liberdade e
capacidade de eles criarem suas próprias redes e se comunicarem. (Castell, 1999).
       Mas quando Castell fala de individualismo, não trata da exclusão social, mas sim
da liberdade de criação com uma visão humanística para o desenvolvimento do
conhecimento, para atingir elevados níveis de colaboração orientado na direcção de um
aprendizado colectivo com impacto nos níveis de confiança e, consequentemente, níveis
mais altos de colaboração e criação do conhecimento.
Fundamentação teórica                                         17
__________________________________________________________________________________________________________



        A colaboração não significa ausência de competição. Para que a colaboração
eficaz ocorra, é necessário que cada indivíduo/grupo colaborador se esforce para atingir
níveis de desempenho cada vez melhor e mantenha esse desempenho de forma contínua.
        No caso específico da educação, não basta apenas o desenvolvimento de novas
ferramentas e utilização das tecnologias disponíveis, torna-se essencial, em primeiro
lugar, definir princípios que irão nortear a aprendizagem e a motivação para aprender.



2.1. Aprendizagem


        Uma análise importante no nosso estudo inclui o entendimento de como a
aprendizagem ocorre segundo a sua evolução teórica.
        A chamada teoria do apriorismo aborda o conhecimento como: as capacidades
básicas de cada ser humano encontram-se praticamente “prontas” no momento do
nascimento. (Gardner, 1996).
        Assim, ao nascer, o indivíduo já trás com ele as condições do conhecimento e da
aprendizagem que se manifestarão imediata e progressivamente pela maturação.


               Toda a actividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não
               participa. (Moura, Azevedo e Mahlecke, 2001, p. 3).


        Nessa corrente a relação sujeito versus objecto, não há nada no objecto que o
defina como tal e a imagem que fazemos dele não dá conta de seu conteúdo, em que o
pensamento (racional) não se conduz respectiva e passivamente perante a experiência,
mas sim espontânea e altivamente.
        Dentro do apriorismo surge a teoria da Gestalt, a qual crê na preformação do
conhecimento. A ideia essencial é de que o conhecimento se produz porque existe no
ser humano, uma capacidade interna inata que predispõe o sujeito ao conhecimento,
sendo a experiência desconsiderada.
        Experiências realizadas por pesquisadores “gestaltistas” demonstram que as
experiências passadas de um indivíduo afectam a sua percepção de estímulo e, como
resultado afecta a sua resposta ao estímulo.
Fundamentação teórica                                         18
__________________________________________________________________________________________________________



         A aprendizagem é determinada pela maturação e neste contexto o professor é
apenas um auxiliar na aprendizagem do aluno. Se o aluno não aprende é porque não
nasceu com as capacidades necessárias, isentando o professor de qualquer
responsabilidade.
         As contribuições importantes desta teoria são a atenção apresentada às
diferenças individuais e maturativas das funções cognitivas. (Moreira, 1997).
         De acordo com esta abordagem não há métodos de ensino, o aluno, de acordo
com as suas capacidades, segue seus próprios caminhos.
         A teoria empirista opõe-se a tese a qual o pensamento é a verdadeira fonte do
conhecimento, e sim que, provêm da experiência. (Bizzotto, 2003).
         A epistemologia empirista foi adoptada pelo comportamentalismo ou
behaviorismo, que de acordo com os empiristas, uma vez conhecidos o estímulo,
podemos prever a resposta, e uma vez conhecida a resposta, podemos identificar o
estímulo.
         O ser humano é fruto de uma modelagem, resultante de associações entre
estímulo e resposta ocorrido ao longo de sua existência. (Moreira, 1997).
         Aplicando-se os princípios do behaviorismo à educação, a ênfase do processo
passa a ser sobre o planeamento do ambiente da aprendizagem, mas a transmissão de
conteúdo se baseia em quem sabe para quem não sabe, através de uma prática
cristalizada ao longo do tempo (resultados experimentais). Os behavioristas
demonstraram a inadequação da abordagem inatista, demonstrando que qualquer pessoa
pode aprender um determinado assunto, desde que, o ambiente de aprendizagem seja
rigorosamente planeado. Mas ignoram a interdependência do organismo vivo e seu
ambiente, não podendo o ser humano ser autónomo, uma vez que seria impossível uma
manipulação do comportamento tão precisa quanto à física ou a biologia. (Bizzotto,
2003).
         O construtivismo ou teria interaccionista, representa uma postura epistemológica
que compreende o conhecimento como sendo originado da interacção do sujeito com o
objecto no processo de conhecimento.
         O epistemólogo Piaget (1976) não era educador, mas a sua teoria epistemológica
de como, quando e porque o conhecimento se constrói obteve grande repercussão na
área educacional. Seus estudos e teorias partem da génese (formação e construção do
conhecimento) do pensamento da criança. A criança desde que nasce, é um organismo
Fundamentação teórica                                         19
__________________________________________________________________________________________________________



em constante interacção como o objecto do conhecimento (natureza, objectos, ideias,
valores e relações humanas) e a partir desta interacção com o meio físico e social é que
a criança constrói formas cada vez mais elaboradas de adaptar sua inteligência à
complexidade do mundo que a rodeia.
        A metodologia Actuante surge com o trabalho de Varela, Thompson e Rosch,
(in: Bizzotto, 2003), na qual a cognição não é entendida como a solução de problemas
com base em representações, mas sim como a criação de um mundo a partir de uma
história de acoplamento estrutural. Esta teoria foi proposta por Paulo Freire designada
como metodologia problematizadora.
        Segundo a concepção problematizadora e libertadora da educação, ensinar não é
transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção, a sua
construção. (Freire, 1997).
        Essa concepção fundamenta-se no diálogo entre o educador e o aluno, que para
Freire, a “dialogicidade” é a essência da educação como prática da liberdade. Esse
diálogo é constituído de duas dimensões: acção e reflexão, em que, quando uma delas
for sacrificada, a outra irá ressentir imediatamente. (Bizzoto, 2003) (Figura II-1).



                                                      Acção


                Palavra                                                                  Praxis

                                                    Reflexão


                                Figura II-1: Representação do diálogo



        Se a acção for prejudicada, o diálogo transforma-se em verbalismo, não
existindo a acção para haver uma transformação. Quando a reflexão é prejudicada, o
diálogo se transforma em activismo. Freire coloca activismo como acção pela acção, ao
minimizar a reflexão, nega também a praxis verdadeira e impossibilita o diálogo.
        Assim, o diálogo para Freire (1987), não pode existir se não há amor, humildade,
fé, esperança e pensar verdadeiro.
        A partir dessas características essenciais ao diálogo, pode-se perceber que o
aprendizado é um processo aberto para a imprevisibilidade, onde o ser humano é
Fundamentação teórica                                                        20
__________________________________________________________________________________________________________



condicionado, mas não determinado. O ser condicionado tem consciência de seu
inacabado e sabe que pode ir além e construir e reconstruir. Mas que o ir além, construir
e reconstruir, não se faz no isolamento, levando os indivíduos à cooperação e assim a
adquirir autonomia. (Bizzotto, 2003).
        As diferentes abordagens das teorias da aprendizagem diferem entre si em
função dos princípios pelos quais elas se fundamentam.
        Como pode ser visto na Tabela II-1, as comparações entre os princípios básicos
das diferentes teorias da aprendizagem.


Abordagem          Princípios
                                    Fatalismo – Se o aprendente não nasceu com as habilidades necessárias, a educação
                                    pouco pode fazer por ele.
                    Fatalismo       Individualismo – O aluno já possui o conhecimento, precisando apenas traze-lo “à
Apriorismo        Individualismo    tona”. Por isso, o professor deve interferir o mínimo possível.
                                    Personalização – A forma como um aprendente interpreta um estímulo (bem como o
                  Personalização
                                    tipo de resposta fornecida) depende de sua experiência anterior.

                                    Heteronomia – O indivíduo é subordinado a um poder externo, ou seja, não existe
                                    autonomia.
                                    Autodidatismo – Material didáctico é elaborado de forma a privilegiar o estudo
                  Heteronomia       individual. Portanto, não existe interacção entre os participantes (aluno – aluno ou
                                    aluno – professor).
                  Autodidatismo     Reprodução – O aluno não constrói nada de novo. Ele apenas reproduz o conteúdo
Empirismo
                   Reprodução       repassado pelo professor.
                  Massificação      Massificação – O conteúdo não é adaptado às diferenças individuais, sendo o mesmo
                                    para todos os alunos. Neste sentido, o material didáctico é elaborado antes mesmo de
                                    se conhecer os alunos.

                                    Autonomia – Fundamentada na igualdade e na reciprocidade dos parceiros, libertando-
                                    se tanto da anomia, própria ao egocentrismo, quanto da heteronomia, própria da
                                    coação.
                   Autonomia        Interacção – A comunicação é multidireccional, ocorrendo tanto entre professor e
                                    aluno quanto entre os alunos.
                    Interacção      Construção – A ênfase não é sobre a reprodução, mas sim na construção de artefactos
Construtivismo
                   Construção       que sejam significativos para o aluno.
                  Personalização    Personalização – O processo de aprendizagem leva em consideração as características
                                    especificas de cada aluno. Assim, ao invés de um material didáctico massificado, existe
                                    a construção do conteúdo ao longo do processo.

                                    Autonomia – Fundamentada na igualdade e na reciprocidade dos parceiros, libertando-
                                    se tanto da anomia própria ao egocentrismo quanto da heteronomia própria da coação.
                                    Interacção – A comunicação é multidireccional, ocorrendo tanto entre professor e
                   Autonomia        aluno quanto entre os alunos.
                    Interacção      Construção – A ênfase não é sobre a reprodução, mas sim na construção de artefacto
                                    que sejam significativos para o aluno.
                   Construção
                                    Cooperação – O ser humano isolado não chegaria jamais a conhecer, sendo essencial à
Actuante           Cooperação       comunhão entre as pessoas.
                  Personalização    Personalização – O processo de aprendizagem leva em consideração as características
                    Constante       especificas de cada aluno. Assim, ao invés de um material didáctico massificado, existe
                                    a construção do conteúdo ao longo do processo.
                     Devenir
                                    Constante Devenir – A realidade não é estática, estando aberta para a
                                    imprevisibilidade.


                       Tabela II-1: Comparações das teorias da aprendizagem
Fundamentação teórica                                         21
__________________________________________________________________________________________________________



2.2. Motivação


        A palavra motivação (derivada do latim motivus, movere, que significa mover)
indica o processo pelo qual um conjunto de razões ou motivos explica, induz, incentiva,
estimula ou provoca algum tipo de acção ou comportamento humano. (Maximiano,
2001). Para podermos entender mais profundamente a motivação, dependemos do
conhecimento de factores que a influenciam directamente, como é o caso do
desempenho, aptidão e competência que os indivíduos possuem ou adquirem durante a
sua vida e carreira profissional.
        Desempenho é o resultado que uma pessoa consegue com a aplicação de algum
esforço intelectual ou físico, sendo a motivação para o trabalho o processo pelo qual o
esforço ou acção o que leva ao desempenho profissional de uma pessoa e é
impulsionado por certos motivos, podendo produzir o desempenho positivo ou negativo.
        Há dois grupos de motivos que influenciam o desempenho, são os motivos
internos, que surgem das próprias pessoas como os das necessidades humanas dentro de
uma hierarquia defendida por Maslow (1943, in: Maximiano, 2001): necessidades
básicas, de segurança, de participação, de estima e de auto-realização, em que uma vez
atendida uma das necessidades a outra deixa de se fazer sentir. A pessoa passa a ser
motivada pela ordem seguinte de necessidades.
        As aptidões (habilidades em potencial) e habilidades (aptidões que se
desenvolveram), aliadas aos conhecimentos, representam o limite superior do
desempenho. Esse é o ponto até o qual cada um pode chegar: seu desempenho
potencial. Chegar até esse ponto possível, no entanto, depende das atitudes
(características pessoais que emprestam significado a diferentes estímulos e se traduzem
em opiniões e escolhas) e interesses (atitudes favoráveis em relação a profissões,
actividades, à organização e a quaisquer outros aspectos do trabalho), que determinam
aonde a pessoa quer chegar. (Maximiano, 2001).
        Motivação sem competência significa que há interesse, mas falta habilidade,
conhecimento ou experiência para realizar a tarefa, alguém quer realizar uma tarefa,
mas não sabe como. Competência sem motivação representa o problema inverso,
alguém sabe fazer, mas não tem vontade. Competência e motivação são dois vectores
importantes, que agem simultaneamente para influenciar o nível de desempenho de cada
pessoa, conforme procura ilustrar a Figura II-2.
Fundamentação teórica                                   22
__________________________________________________________________________________________________________




                                Pessoas com                Pessoas motivadas,
                                formação e                 experientes e
                  COMPETÊNCIA   experiência, mas           altamente
                                sem motivação              Capacitadas


                                Pessoas sem                Pessoas motivadas,
                                motivação,                 mas sem
                                formação e                 formação
                                Experiência                ou experiência
                                                   MOTIVAÇÃO
   Figura II-2: Motivação e Competência: dois factores que determinam o nível de desempenho
                             (adaptado de Maximiano, p. 357, 2001)



        Os motivos externos são criados pela situação ou ambiente em que a pessoa se
encontra, são os estímulos ou incentivos que o ambiente oferece ou objectivos que a
pessoa persegue porque satisfazem as necessidades, despertam um sentimento de
interesse ou representam a recompensa a ser alcançada. (Chiavenato, 1999).
        Os motivos externos que afectam o desempenho podem ser divididos em duas
categorias principais – o trabalho e as condições de trabalho, segundo uma classificação
teórica proposta por Herzberg 1959 (in: Maximiano, 2001), chamada teoria dos dois
factores. É um dos mais influentes estudos sobre a motivação para o trabalho.
        A base da teoria dos dois factores é a premissa de que, em situações de trabalho,
somente os factores intrínsecos produzem a satisfação com o trabalho. Em outras
palavras, apenas o trabalho em si e os factores que lhe são directamente relacionados
podem fazer as pessoas sentirem-se satisfeitas. Os factores extrínsecos, porém, não
fazem a pessoa sentir-se satisfeita com o trabalho. Os factores extrínsecos influenciam
apenas o estado de satisfação com as condições dentro das quais o trabalho é realizado.
(Chiavenato, 1999).
        Portanto, de acordo com a teoria de Hezberg (in: Maximiano, 2001), é a
combinação do ambiente de trabalho e do conteúdo do trabalho que faz funcionar o
motor interno – um sem o outro tende a ser ineficaz. Para que os factores de motivação
sejam eficazes, é preciso haver uma base de segurança psicológica e material,
representada pela presença dos factores extrínsecos. Da mesma forma, para que os
factores de satisfação tenham efeito positivo desejado sobre o desempenho, é preciso
Fundamentação teórica                                      23
__________________________________________________________________________________________________________



que o trabalho ofereça algum grau de desafio ou interesse para o trabalhador, conforme
representado na Figura II-3.


             Presença

                             O trabalho é
                                                        Trabalho e ambiente
                             factor de motivação,
                                                        são percebidos como
                             mas o ambiente não
             Motivacionais


                                                        satisfatórios.
                             é bom.
              Factores




                             Ambiente e trabalho        O ambiente é bom, mas
                             percebidos como            o trabalho não é
                             insatisfatórios.           suficiente para motivar.

                             Ausência                                         Presença
                                            Factores Higiénicos

      Figura II-3: Combinação de factores higiénicos e motivadores no trabalho (adaptado de
                                    Maximiano, 2001, p. 362)


        Outra ordem importante de motivos externos que influenciam a motivação é
representada pelos factores sociais. A sociedade constrói atitudes e valores diferentes
em latitudes diferentes e produz as chamadas necessidades socialmente adquiridas, são
perseguidos não por sua natureza intrínseca, mas pela capacidade de valorizar o seu
possuidor aos olhos de seus vizinhos, colegas ou conterrâneos, e são influências da
educação, religião, folclore, usos e costumes, valores e propaganda.
        Estas teorias estudam a motivação como um processo, não se limitando ao
levantamento dos factores de motivação.


              As metas que podem permitir a realização do professor no domínio
              profissional, não são a existência do incentivo que motiva o professor, mas
              o facto de este desejar alcançá-lo. (Neves de Jesus, 1996, p. 99).


        A Teoria Relacional de Nuttin é uma teoria cognitivista da motivação que se
aproxima da corrente humanista por defender a realização de investigações com sujeitos
humanos. A tese central da teoria, tal como das teorias interaccionistas em geral, é de
que o sujeito e o mundo estão sempre em relação, só tendo sentido um a partir do outro,
considerando as necessidades cognitivas como sendo tão primárias como as
Fundamentação teórica                                         24
__________________________________________________________________________________________________________



biofisiológicas… A aprendizagem resulta da extensão dos esquemas motivacionais, já
existentes, a novos objectos, tendo em conta a indeterminação objectal que ocorre no
processo de concretização dos motivos… do desinvestimento de certos meios ou da não
valoração de actividades intermediárias não deve referir-se a ausência de motivação. Ela
poderá existir, o que falta é a percepção clara do para quê, da relação entre os meios e o
fim… No nível do funcionamento motivacional é imprescindível a elaboração de
projectos, pois a incapacidade de elaboração de projectos é um sintoma de problema ao
nível do funcionamento motivacional. Mas, na elaboração de projectos é importante,
não só a definição de metas a alcançar, como também o estabelecimento de tarefas
intermediárias que permitam alcançar essas metas ou objectos-fim… Nesse sentido, a
Teoria de Nuttin apresenta-se como uma das teorias da motivação mais completas e
originais, pois, para além de integrar, num quadro coerente, variáveis propostas por
outras teorias, propõe novas variáveis que permitem explicar e prever de forma mais
global a complexidade do comportamento humano. (Neves de Jesus, 1996).
        Ainda, segundo Neves de Jesus (1996, p. 75 - 76).
              Os incentivos mais reclamados pelos professores são: oportunidade para
              melhorar o currículo existente; aumento da eficiência como professor;
              sentir que as contribuições e sugestões pessoais são úteis; participar na
              tomada de decisões ligadas ao trabalho do docente; oportunidade para
              desenvolver novas competências e liderança; fornecimento de materiais
              para serem usados na escola; sentido de realização; diversificação de
              tarefas; aumento de autoconfiança; conhecimento de que as sugestões
              pessoais apresentadas foram tidas em conta… e para a motivação dos
              professores na escola: considerar as tarefas ligadas ao processo de ensino /
              aprendizagem como as principais actividades realizadas na escola;
              envolver os professores nas decisões tomadas na escola, nomeadamente
              sobre as políticas de ensino, o uso de recursos e os planos de estudo,
              permitindo que os professores participem e se identifiquem com os
              objectivos da escola enquanto organização; fornecer confiança, suporte e
              encorajar os professores a desenvolverem o seu estilo e estratégias pessoais
              de ensino, o que se traduz numa certa autonomia ou delegação
              relativamente às actividades desenvolvidas na sala de aula; fornecer um
              sentido de afiliação com os outros professores da escola, fomentando a
Fundamentação teórica                                         25
__________________________________________________________________________________________________________



              cooperação através das reuniões centradas na discussão de problemas
              comuns, sendo valorizada a opinião de cada professor, manifestar
              reconhecimento e, inclusivamente, orgulho pela qualidade do trabalho de
              cada professor; fornecer expectativas elevadas, embora realistas, de forma
              a fomentar uma postura de sucesso; fornecer feedback construtivo; fornecer
              oportunidade para o desenvolvimento profissional, através de participação
              em cursos de formação; fornecer um sentido de rotina ou estabilidade,
              através de regras e políticas, reduzindo a necessidade de continuamente
              haver problemas para resolver, nomeadamente quanto à avaliação e ao
              controlo dos comportamentos de disciplina dos alunos; fornecer um sistema
              de incentivos, não apenas intrínsecos, mas também extrínsecos, como seja o
              salário.
        Um factor relevante a ser considerado para o aspecto motivacional é de se
construir ambientes de trabalhos dignos da fabulosa complexidade humana. A sociedade
do conhecimento conclama os professores, como líderes educacionais, a desvendar os
mistérios cerebrais e emocionais do ser humano. É hora de visualizar e investir no poder
de mudança e desenvolvimento do ser humano total. Falar de estabelecer nas
instituições um novo conceito de trabalho. Uma cultura corporativa onde a Política de
Recursos Humanos não seja mero documento administrativo e burocrático. O factor
humano precisa ser meta-estratégia nas instituições de ensino. O desafio é grande, mas o
sonho também. Se o que desejamos é gerar resultados através das pessoas, os primeiros
passos devem determinar o resultado de desempenho que se deseja de cada colaborador,
como também, conhecer melhor as pessoas, suas necessidades, expectativas, desejos, o
que fazer para atrair e mantê-las no quadro de colaboradores. E por fim, o que as realiza
e quais as dificuldades no processo de aprendizagem. (Gomes, 2003).
        Em época em que a adversidade está em alta, o que não vale é aplicar a mesma
receita mágica para tudo e todos. Chegou a hora de encarar a grande máxima: O homem
é a última invenção da revolução tecnológica. Assim, esse é o momento de melhorar as
práticas de gestão de pessoas. Precisa-se pensar estrategicamente a função Recursos
Humanos nas instituições de ensino. As organizações precisam resgatar o espírito
guerreiro para esses tempos de crise. Tudo dependerá do nível de motivação, que
evidenciará um clima que ditará uma cultura, que por sua vez, afectará a produtividade.
(Iahn, 2003).
Fundamentação teórica                                         26
__________________________________________________________________________________________________________



         O testemunho da vida, a maneira de ser, de falar, de se relacionar com os outros,
de passar o sentimento sobre o significado do trabalho. Enfim, o nível de motivação
para o trabalho é que regerá o produto final da comunicação entre professor e seus
pares. O aluno aprende o que o professor é. Nossos filhos e alunos absorvem lenta e
cumulativamente o nosso exemplo. Especialistas afirmam que o mais persuasivo ensino
moral que os adultos podem dar é pelo exemplo. A ética deve ser estabelecida. O
ambiente de trabalho e estudo precisa reflectir a atmosfera que desejamos criar. Trata-se
de uma simples escolha.
         Segundo Gomes (2003) em seu artigo “Escolas onde faz bem trabalhar”, para
melhorar o ambiente de trabalho nas instituições de ensino neste século deve seguir os
tópicos abaixo:
    •   Estruturar e disseminar um conjunto de valores que fundamentem o código de
        ética da organização. Em que acreditamos?
    •   Deixar claro para todos os envolvidos no sistema escolar o conceito de trabalho
        preconizado por sua instituição.
    •   Estabelecer um sistema de comunicação interna. Uma gestão da comunicação que
        assente na divulgação da missão, cultura e projectos da escola, respeitando as
        diferenças individuais e maximizando as relações entre os diferentes processos.
    •   Utilizar os recursos existentes, melhorar o ambiente físico (salas de aula, sala de
        professores, etc.).
    •   Medir o clima organizacional através de pesquisas com vários canais de
         ouvidores.
    •   Instituir a cultura da participação. Encorajar a participação das pessoas.
    •   Elaborar programas de reconhecimento.
    •   Assegurar o gerenciamento por equipas através de TGI’s –Times de Gestão
         Integrada.
    •   Programar encontros de integração e lazer para a equipa de trabalho visando
        melhorar o relacionamento entre colegas e com gestores.
         Em concordância com essas visões, concluímos que, com uma boa estrutura de
trabalho, com um sistematizado processo de educação e formação, é mister que se
estabeleçam directrizes para a melhoria do ambiente interno de uma escola, porque o
que incomoda as pessoas no sistema de trabalho não é a responsabilidade, nem as
atribuições. O que aniquila a atmosfera é a raiva, o mau humor, o autoritarismo, a falta
Fundamentação teórica                                         27
__________________________________________________________________________________________________________



de informação e de objectivos claros, e ainda o deficiente sistema de desenvolvimento
das pessoas.



2.3. Educação e as Tecnologias de Informação e Comunicação


        A educação é um caminho para a preparação e adaptação dos indivíduos numa
sociedade em constante transformação, mas uma adaptação que seja pró-activa, não
reactiva e acomodada. Uma educação pluralista que se volte para a orientação do
desenvolvimento de habilidades e técnicas de adaptação, de escolha e de tomadas de
decisão a partir de projecções de alternativas, possibilidades e probabilidades do futuro.
Uma educação que se dedique à formação de indivíduos “tecnicamente inteligentes”,
que ensine aos jovens como utilizar os instrumentos práticos e mentais indispensáveis
para poder viver, trabalhar e sobretudo não se sentirem estranhos, nessa sociedade
fortemente competitiva. (Cortelazzo, 2000).
        Mas segundo Moressi (1999), a inteligência é a combinação de três elementos
(dado, informação e conhecimento), resultante do processo de análise e validação pelo
especialista.
        Somente para fortalecer a citação de Moressi; dados são abstracções formais
quantificadas que podem ser armazenadas e processadas por computador; um dado é
necessariamente uma entidade matemática e, desta forma, é puramente sintáctico. Como
exemplos de dados tem-se: texto, foto, figura, som gravado e animação. O dado pode
ser totalmente descrito através de representações formais, estruturais, significando que o
processamento de dados num computador limita-se exclusivamente a manipulações
estruturais dos mesmos, e é feito por meio de programas e estes são sempre funções
matemáticas e, portanto, também são “dados”. Sendo que a informação é uma
abstracção informal (isto é, não pode ser formalizada através de uma teoria lógica ou
matemática), que está na mente de alguém, representando algo significativo para essa
pessoa. Se a representação da informação for feita por meio de dados, pode ser
armazenada num computador, sendo que, o que é armazenado na máquina não é a
informação, mas a sua representação em forma de dados. Essa informação pode ser
transformada pela máquina, como na formatação de um texto (uma manipulação
matemática de dados). Assim, não é possível processar informação directamente num
Fundamentação teórica                                         28
__________________________________________________________________________________________________________



computador, para isso é necessário reduzi-la a dado. Uma distinção fundamental entre
dado e informação é que o primeiro é puramente sintáctico e o segundo contém
necessariamente semântica. É interessante notar que é impossível introduzir e processar
semântica num computador, porque a máquina mesma é puramente sintáctica. Assim, a
chamada “semântica formal” das “linguagens” de programação, é de facto, apenas um
tratamento sintáctico expresso por meio de uma teoria axiomática ou de associações
matemáticas de seus elementos com operações realizadas por um computador.
        O conhecimento é a abstracção interior, pessoal, diálogo que foi experimentado,
vivenciado, por alguém. Nesse sentido, o conhecimento não pode ser descrito; o que se
descreve é a informação. Também não depende apenas de uma interpretação pessoal,
como a informação, pois requer uma vivência do objecto do conhecimento.
         A inteligência pode ser entendida como sendo a informação como oportunidade,
ou seja, o conhecimento contextualmente relevante que permite actuar como vantagem
no ambiente considerado. A inteligência resulta da síntese de corpos de conhecimento,
sendo usados julgamento e intuição daquele que toma decisões e obtida uma
visualização completa da situação.
        Hoje o professor precisa ser capaz de interagir dinamicamente frente às novas e
mutantes realidades sociais que se configuram a partir de formas diferenciadas de
comunicação, de tecnologias, de constituição dos seres humanos e reestruturação de
laços sociais. O professor, ele mesmo, enquanto um dos sujeitos dos processos de
ensinar e aprender precisa constituir-se outro, se pôr nesse novo cenário. A partir de
então, cada vez mais se forja a necessidade da formação de um professor com um “novo
habitus”, sendo que, o habitus não é algo que o indivíduo tem, mas algo que ele é. Na
verdade, o habitus é a própria inteligência accionada, potencializada em campos
específicos, constituindo-se em conjunto de operações específicas, capazes de
activamente gerar vários novos esquemas de acções.
        Seguindo os estudos da Cortelazzo (2000), o professor tem sido formado para
exercer a função de distribuidor de informação e, mais ainda, em um ambiente de
aprendizagem que não corresponde ao mundo real fora da escola. Esse profissional se
vê colocado diante de alunos que, de uma forma ou de outra, estão expostos às mais
recentes tecnologias de comunicação. Sua reacção só pode ser de dois tipos: ou
amedronta-se de tal forma e recusa-se a aceitar, a reconhecer a importância e a conhecer
seu funcionamento bem como apropriar-se dela, ou passa a usá-la dentro daquele
Fundamentação teórica                                         29
__________________________________________________________________________________________________________



paradigma de comunicação tradicional, aumentando os defeitos desse paradigma e
transformando objectos ou meios de comunicação ricos de significados em suportes
aborrecidos e frustrantes, sem perceber a função, a especificidade e a linguagem de cada
media quer no processo de comunicação social quer no escolar ou em sua vida pessoal.



2.4. Formação de professores


        A formação de professores no novo contexto da realidade virtual apontam para
uma verdadeira revolução, alguns apostam que pode haver o aumento da exclusão
social, os abismos entre ricos e pobres. Muitos resistem à inovação tecnológica, outros
acreditam que novas formas de laço social podem ser firmadas no sentido de maior
fraternidade e resolução colectiva de problemas que a sociedade enfrenta.
        A preocupação com a profissionalização docente frente a esses novos desafios e
atendendo que hoje há uma tendência que aponta para a formação profissional crítico-
reflexiva, em que os problemas da prática docente são visto através de uma crítica
reflexiva, que leva a uma apropriação teórica da realidade.
        Para que surta efeito e para que exista profissionais altamente motivados e
capacitados nas instituições de ensino num posicionamento competitivo diante dessa
nova realidade, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas salas de
aula devem ser encaradas como mais um meio de transmissão de conhecimento e
ferramenta facilitadora e motivadora ao desempenho desse profissional. Se os
professores vislumbram seu espaço no mercado têm que ter motivação para aprender.
“Aprender a aprender”, isto é, saber que o aprendizado não é uma experiência finita e
que deve ser continuamente elaborada, com resultados gratificantes. A Tecnologia de
Informação (TI) pode colaborar decisivamente ao contribuir à Gestão do Conhecimento,
ao permitir a sistematização do “saber” e do “decidir” ajudando a instituição a conhecer
melhor suas virtudes e falhas, a desenvolver suas competências. (Jamil, 2001).
        Para que os professores venham a superar a própria exclusão frente as TIC,
devem manter uma postura inteligente na busca da literacia digital e a autoformação.
Fundamentação teórica                                         30
__________________________________________________________________________________________________________



2.5. Formação de professores e o processo da motivação, aprendizagem
e as tecnologias de informação e comunicação


        A linguagem, a comunicação e os elementos comunicacionais formam um dos
eixos fundamentais de proposta educativa para ajudar o se humano a libertar-se da
manipulação e domesticação, desenvolvendo sua capacidade crítico-reflexiva,
especialmente em relação ao tema da formação do professor no uso de elementos mais
sofisticados de comunicação. As competências de um professor são as da leitura e da
escrita, bem como a competência de saber enfrentar os factos quotidianos através da
comunicação humana, seja esta por meio da escrita ou de redes telemáticas, ou seja, que
se trabalhe em favor do alfabetismo conceptual e político, porém sempre em relação a
dialéctica. Nesta óptica, a questão é desvendar, desarmar e recriar factos complexos de
leitura e escrita.
        A formação não pode fornecer normas de actuação ou ser centrada em
“situações ideias de ensino”, uma vez que as situações educativas são complexas e
diferenciadas, havendo várias formas de o professor responder adequadamente às
circunstâncias com que se confronta diariamente, isto é, há vários estilos ou estratégias
de ensino igualmente eficazes. Por exemplo, há professores que, para desenvolver
alunos nos conteúdos programáticos, preferem usar métodos auxiliares, como o vídeo e
o retroprojector, enquanto outros preferem servir-se da sua capacidade e facilidade em
verbalizar e expor ideias. É evidente que uma estratégia não é incompatível com a outra,
mas não há receitas universais sobre qual é a melhor. (Neves de Jesus, 1996).
        Segundo ainda Neves de Jesus, que faz o confronto de dois modelos de
formação do professor; o modelo normativo que pretende que os formandos devem
assistir passivamente às receitas pedagógicas apresentadas pelo formador e este se
compare com o modelo de “bom professor” com o qual não se identifica, e o modelo
relacional que enfatiza a importância da motivação, da autoconfiança e de cognições
adequadas sobre si próprio e sobre a profissão docente, sentindo-se um agente educativo
activo, não se limitando a cumprir programas de funções pedagógicas de uma forma
padronizada ou normativa.
Fundamentação teórica                                         31
__________________________________________________________________________________________________________



        Os formandos devem cooperar e trabalhar em equipa na descoberta de
alternativas para a resolução das situações profissionais problemáticas do processo de
ensino/aprendizagem.


  Principais diferenças entre os modelos normativo e relacional. (Neves de Jesus,
                                   1996, p. 319).

                        MODELO NORMATIVO                           MODELO RELACIONAL
                                                                 Há várias formas de ser “bom
                    Há um modelo de “bom
  Pressupostos                                                   professor” (especificidade
                    professor” idealizado e universal
                                                                 situacional)
                    Levar todos os formandos a                   Ajudar cada formando a
   Objectivos
                    adquirir as características do               descobrir e potencializar as suas
    gerais
                    “bom professor”                              qualidades relacionais
   Estratégias                                                   Antecipação e previsão de
                    Transmissão de “receitas
  de formação                                                    possíveis situações profissionais
                    pedagógicas” aos formandos
     inicial                                                     pelo formando
   Estratégias
                    Reciclagem de “receitas”                     Resolução de problemas reais
  de formação
                    pedagógicas                                  em equipa
    contínua
                                                                 Maior motivação dos
   Implicações      Menor motivação dos formandos                formandos

                        Tabela II-2: Comparações dos modelos motivacionais



        A formação de professor deve ser tanto inicial como contínua. A formação
inicial deve ser de nível superior, enquanto a contínua deve permitir complementar e
actualizar a primeira.
        A formação inicial é a formação fundamentalmente teórica que antecede o início
da prática profissional, e a formação em estágio pedagógico, em que a prática
profissional é orientado e supervisionado. Enquanto a formação inicial pode ser um
cariz preventivo, procurando preparar os potenciais professores para os possíveis
problemas da profissão docente, a formação contínua pode ter um sentido resoluto
desses problemas profissionais.
        A formação contínua não deve ser encarada como uma forma de compensar ou
preencher as lacunas ou deficiências da formação inicial, deve ser orientada para a
resolução de problemas ou para a promoção de inovações no meio escolar, segundo o
paradigma da mudança. Só assim a formação contínua poderá constituir um instrumento
ao serviço da inovação educativa escolar e do desenvolvimento pessoal e profissional
Fundamentação teórica                                         32
__________________________________________________________________________________________________________



do professor, cujo objectivo da formação contínua deverá ser o de promover a
cooperação entre os professores e que deverá incidir no trabalho dos professores em
equipa. (Neves de Jesus, 1996).
         O trabalho em equipa permite a redução do isolamento, o fornecimento de apoio
ou suporte social, a convergência nas estratégias utilizadas para a resolução de
problemas e o desenvolvimento profissional dos professores, sendo a motivação na
formação de professores um dos aspectos fundamentais para a carreira profissional
docente.
         Para motivar os potenciais professores é necessário relacionar as metas
profissionais com os meios que as podem permitir alcançar, deve ser estabelecida uma
relação entre o provável futuro profissional e os conteúdos e estratégias de formação
que podem contribuir para um desempenho mais adequado e eficaz. Neste sentido, a
motivação do formando para o processo formativo (meio), também depende da sua
motivação para a profissão docente (fim). A simulação de desempenhos profissionais
permite ao formando adquirir autoconfiança e logo, maior motivação. (Neves de Jesus,
1996).


      Variáveis do funcionamento motivacional e estratégias de intervenção na
 promoção da motivação para a profissão docente. (Neves de Jesus, 1996, p, 350).


     VARIÁVEIS                                  ESTRATÉGIAS
                         - Ajudar o professor a reexaminar o seu percurso vocacional
        Projecto         (Ajudar o professor a analisar outras alternativas profissionais)
      profissional       - Promover o auto-conhecimento das metas profissionais que
                         podem permitir a realização do professor na profissão docente
         Valor das
                         - Analisar a importância dessas metas
          metas

    Expectativas de
                    - Analisar a probabilidade de concretização dessas metas
       sucesso

                         - Analisar os passos a seguir para conseguir concretizar essas
    Planos de acção
                         metas

                                 Tabela II-3: Variáveis motivacionais
Fundamentação teórica                                         33
__________________________________________________________________________________________________________



        Com o advento da sociedade da informação deve caracterizar-se pela ênfase
curricular no aprender a aprender, daí decorrendo também a importância do processo e
da génese do conhecimento nas várias disciplinas. Isto implica uma formação científica
esmerada por parte dos professores que serão muito mais que transmissores de
conhecimento, tendendo, de acordo com as novas didácticas, a ser assistente da
construção do conhecimento e inspiradores de estratégias de acção, principalmente na
resolução de problemas. (Pereira, 1999)
        Portanto, este parecer, justifica a necessidade de professores com formação para
a carreira profissional segundo o modelo relacional e as teorias motivacionais
analisadas, motivados para a docência e não ser docente por falta de opção profissional;
conhecer as variáveis e os factores que envolvem o percurso da carreira profissional,
saber controlar estas variáveis, sejam elas, de bem ou mal-estar, as quais o contexto os
envolve.
        Segundo Pereira (1999), deverá ser assegurada a todos os actuais professores,
formação contínua de curta duração em tecnologia de informação e comunicação, pois
será imperativo o recurso a programas informáticos, muitos deles multimédia, que
poderão ajudá-los a cumprir a sua missão de assistentes de construção de
conhecimentos com seus pares e alunos, superando também algumas lacunas
relativamente a uma formação inicial muito especializada. Deverá ser dada prioridade a
formação contínua de curta duração e as acções de grande duração (talvez 100 horas)
para a reconversão do perfil de professor bidisciplinar e polidisciplinar.
        De acordo com o exposto, concordamos com Neves de Jesus, ao analisar que
muitos dos professores não tiveram a oportunidade da formação inicial com as TIC, a
formação de longa duração torna-se imprescindível para a sua inserção e domínio no
novo contexto ensino/aprendizagem. A formação de curta duração é amnésica, e para se
obter o verdadeiro conhecimento, esse deve ser instilado, o que ocorre somente com o
tempo necessário e que seja suficiente para atingirem a solicitude, adquirindo assim a
leniência e coragem para fortalecer a suas próprias individualidades no âmbito da
docência.
        Um ponto importante a considerar na formação contínua associada as TIC,
refere-se à problemática do erro. De acordo com Praia (1999), numa perspectiva
tradicional da didáctica, há uma tendência para evitar o erro, para o dissimular, para o
encobrir de forma que ninguém se aperceba que se cometeu o “pecado de errar”. Dessa
Fundamentação teórica                                         34
__________________________________________________________________________________________________________



forma, procura-se sobrepor a verdade ao erro. Pelo contrário, a epistemologia do erro,
atribuindo um valor positivo a este, considerando-o, mesmo, indispensável à construção
da verdade, encaminha para uma perspectiva didáctica em não ocultar o erro, que o trás
à consciência de quem errou a procurar analisar e o transformar num instrumento
privilegiado de aquisição e construção do conhecimento.
        Este é o diferencial existente entre a criança e o adulto, a criança não tem medo
de errar, e por conseguinte consegue ver o todo quando está diante de um tela de
computador através da sua inerente curiosidade, fá-los desvendar os mistérios ali
presentes, levando ao erro e ao aprendizado, enquanto, o adulto, é altamente crítico e
recriminador dos seus próprios actos, não podendo errar e erroneamente deixando assim
de explorar o novo e aprender com os erros, não aglutinando dessa forma o
desenvolvimento de seus alunos na cooperação e interacção no uso das TIC, elevando a
desmotivação para aprender o novo.
        O perfil do novo professor deve ser hoje de acreditar e mostrar que confia no seu
aluno e que promova o efeito “Pigmalião”. Uma criança, depois de ver que acreditamos
nela, pode fazer coisas espantosas. (Figueiredo, 1999)
        Resgatar outros tipos de parcerias, segundo ainda Figueiredo, que não são
exploradas e que não são modernas: as parcerias de aprendizagem de Sócrates, por
exemplo, eram parcerias de construtivismo social, bastante antigas e que foram
praticamente excluídas. Um outro exemplo é o do aprendiz medieval na sua relação
com o mestre: aprendia o aprendiz e aprendia o mestre; o aprendiz tinha outras
competências e a sua juventude para criar um ambiente de aprendizagem colectiva, de
estímulos, de mobilização e de aperfeiçoamento em conjunto com o mestre e seus
aprendizes.
        Acredita Freire (1997), que conhecer o contexto do processo comunicacional em
que a leitura e a escrita se produzem é de fundamental importância. É importante
reconhecer, por exemplo, que existe uma sociedade fortemente atravessada pelo
mercado que marca a produção das palavras, ao ponto de oferecer e procurar
conhecimento. Por isso, há com certeza necessidade de formação em certas
competências específicas para estar a par, pelo menos, de alguns dos novos emergentes
meios comunicacionais, permitindo, desta forma, que os professores retomem seu
próprio saber.
Fundamentação teórica                                         35
__________________________________________________________________________________________________________



         Partindo de uma das premissas do pensamento freireano, segundo a qual o
conhecimento é “entender o mundo-palavra”, reconhece-se a necessidade da
apropriação, pelos educadores, dos avanços científicos do conhecimento humano que
possam contribuir para a qualidade da escola que se quer.
        Por outro lado, o protagonismo do professor na leitura e escrita nos meios
comunicacionais, desde a óptica freireana da “leitura do mundo”, pode oferecer um
caminho para descobrir, descodificar e explorar o texto previamente escrito e gravado
no computador, o que virá, por sua vez, caracterizar a competência do professor. Se
bem que a escrita aparece como um processo inacabado, mas não há de deixar de
afrontar este desafio, bem como o de começar a reflectir e actuar para quando a
tecnologia não seja problema. De qualquer modo, os computadores e a leitura não são
incompatíveis, nem perturbam ou impedem a leitura e a escrita. Mas, se se pretendem
desenvolver a competência comunicativa por meio do desempenho nos computadores,
tem que se começar por considerar as teorias crítico-construtivistas em relação à
transformação do discurso escrito, tanto na alfabetização básica como no desempenho
de habilidades de escritas mais avançadas. Neste sentido, a media pode contribuir como
ferramenta para aprender, bem como servir de objecto de conhecimento. (Gomez, 2001)
        Segundo Buzato (2001), literacia electrónica – hoje mais conhecida como
literacia digital (LD) – é o conjunto de conhecimentos que permite às pessoas
participarem nas práticas letradas mediadas por computadores e outros dispositivos
electrónicos no mundo contemporâneo.
        Em geral as pessoas pensam na literacia digital como conhecimento “técnico”,
relacionado ao uso de teclados, interfaces gráficas e programas de computador. Porém,
a literacia digital é mais abrangente do que isso, ela inclui a habilidade para construir
sentido a partir de textos que mesclam palavras, elementos pictóricos e sonoros numa
mesma superfície, a capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informação
disponibilizada electronicamente, familiaridade com as “normas” que regem a
comunicação com outras pessoas através do computador (Comunicação Mediada por
Computador ou CMC).
Fundamentação teórica                                         36
__________________________________________________________________________________________________________



        Podemos verificar que muitos professores afirmam serem totalmente
“analfabetos” para o uso dos computadores. Mas segundo Kleiman (1995, in: Buzato),
“o analfabetismo tende a ser visto como um índice da incapacidade intelectual do
indivíduo e não como consequência natural da não inserção real do sujeito em contextos
sociais que demandam o conhecimento da escrita, ou que promovem a participação em
práticas sociais nas quais esse tipo de conhecimento tem um papel significativo”.
        Buzato (2001), afirma ainda que, para entender o conceito de literacia
electrónica, esse não se trata apenas de ensinar a pessoa a codificar e descodificar a
escrita, mas de inserir-se em práticas sociais nas quais a escrita tem um papel
significativo. Fica assim entendido, que mesmo sabendo ler e escrever, isso não
significa que essas pessoas saibam construir uma argumentação, redigir uma carta,
interpretar um gráfico, pesquisar sobre um assunto, etc. Esse tipo de conhecimento
constrói-se na prática social e não na aprendizagem do código por si só.
        Mas quando falamos de alguns professores, estamos falando em semi-letrados
nos termos da literacia digital, pois é letrado para os termos tradicionais estando em
posição de privilégio em relação a seus alunos, que ainda não possuem a base da
literacia alfabética. Conforme estas colocações, os professores são capazes de discernir
quais conteúdos são ou não relevantes.
         Mas para serem letrados electronicamente têm que ter disposição para aprender,
querer fazer e querer ser, ter acesso a computadores e pares mais competentes. Também
é necessário que os professores tenham uma atitude flexível e corajosa que propicie uma
atmosfera de colaboração e co-investigação com os seus alunos.
        Tomando a afirmação de Kaplan (1995, in: Buzato) segundo a qual, “a literacia
electrónica não substitui a literacia alfabética mas adiciona a ela outras habilidades e
tipos de conhecimento”.
        O iletrado electrónico é aquele indivíduo não familiarizado minimamente com o
sistema simbólico que permite manipular o computador, acarretando que o iletrado
electrónico é, a rigor, também um iletrado alfabético, pois, ao menos no presente
momento, a tela do computador mimetiza boa parte das convenções associadas à página
impressa; e como semi-letrado electrónico, aqueles indivíduos que, já dispondo do
letramento alfabético, adquiriram no mínimo alguns conhecimentos básicos que
permitem a interacção com textos no meio electrónico, mas ainda confundem coisas do
tipo, traços de géneros impressos e géneros electrónicos, sentindo-se mais a vontade
Fundamentação teórica                                         37
__________________________________________________________________________________________________________



utilizando o computador como um recurso adicional à escrita alfabética; sendo o letrado
electrónico capaz de interagir com uma gama ampla de textos e está mais apto a adquirir
conhecimento sobre novos tipos de textos e géneros discursivos no meio electrónico.
(Buzato, 2001).
        A aquisição da literacia electrónica, os cursos e programas de formação de
educadores para a superação dos obstáculos humanos, tais como os sentimentos de
incompetência e desqualificação frente às novas tecnologias de informação e
comunicação é importante criar uma “comunidade de prática” em que as pessoas
possam ir se integrando no uso da tecnologia assim como participarem de práticas
letradas no seu dia-a-dia, na família, círculos de amigos. É importante mostrar que para
aprender a lidar com o computador é preciso interagir com pessoas que sejam “fluentes”
no uso da máquina. Essas pessoas podem ser seus próprios alunos, um projecto de troca
de e-mail com pessoas de outras escolas / comunidades, sendo uma excelente forma de
começar.
        A literacia da informação é um processo de aprendizagem pelo qual se identifica
uma necessidade ou se define um problema; procura recursos eficazes; reúne e consome
informação; analisa e interpreta a informação: sintetiza e comunica com eficácia a
informação e avalia o processo.
        Adultos informados são leitores ávidos e consumidores de informação artística e
cultural. São pensadores críticos e criativos, aprendentes interessados e investigadores
organizados. Usam a informação de forma responsável e são comunicadores eficazes.
Colaboram com outros, não só pessoalmente como através das TIC, desenvolvendo e
avaliando projectos e produtos, o que os tornam utilizadores sistemáticos das novas
tecnologias.
        As competências da informação constituem ferramentas de aprendizagem ao
longo da vida, induzindo o desenvolvimento cognitivo do aluno. A literacia da
informação deve ser integrada transversalmente no currículo. As aprendizagens tornam-
se mais significativas quando operacionalizadas de forma interdisciplinar e/ou ligadas a
necessidades ou problemas da vida real.
        Achamos importante ressaltar estarmos em consonância com as afirmações de
Buzato (2001), mas que para derrubar a resistência ao uso do computador, é uma tarefa
muito complexa, pois argumentos não faltam para muitos dos professores se afastarem
de seu domínio.
Fundamentação teórica                                         38
__________________________________________________________________________________________________________



                       Desenvolvimento da Literacia da Informação.

                                         Tipos de informação
    Características do aluno                                                    Orientação
                                                Fontes
           Nível inicial:                     Nível inicial:                   Nível inicial:
  1. Tem pouca ou nenhuma             1. Utilização de um              1. Realiza pequenas
  experiência em recorrer a           número de fontes pré-            sessões sobre a utilização
  diferentes fontes de                seleccionadas.                   de fontes específicas.
  informação.
  2. Necessita de grande apoio 2. Simples, directas,                   2. Apoio de alunos-
  do professor.                claras e concisas e de                  monitores sobre a
                               leitura fácil.                          localização da informação.
  3. Revela pouca capacidade          3. Adequação da            3. Sensibiliza para as
  em definir, organizar e             informação impressa,       diferentes componentes da
  realizar um projecto.               visual e auditiva ao nível literacia da informação.
                                      conceptual.
  4. Tem pouca experiência na 4. Forma e apresentação                  4. Utiliza modelos simples
  análise e interpretação da  apelativas.                              de apresentação.
  informação.
  5. Tem falta de hábito de           5. Mecanismos de
  reflexão crítica.                   estrutura simples: o aluno
                                      pode facilmente encontrar
                                      a informação.
  6. Lê avidamente de forma
  não sistemática.
  7. Necessita desenvolver
  capacidades nas TIC.
        Nível intermédio:                  Nível intermédio:                Nível intermédio:
  1. Desenvolve o projecto            1. Acede a fontes de             1. Assegura o acesso a
  com entusiasmo, mas tem             informação simples e             fontes de informação
  dificuldade em delimitar o          complexas.                       múltiplas.
  tema.
  2. Tem experiência em               2. Atinge resultados com 2. Organiza pequenas
  utilizar correctamente              alguma complexidade.     sessões acerca da
  algumas fontes de                                            localização e pesquisa da
  informação.                                                  informação.

  3. Desiste com facilidade           3. O nível conceptual das 3. Apoia os alunos na
  face às dificuldades de             fontes de informação      identificação e filtragem
  desenvolvimento do                  requer maior capacidade da informação relevante.
  projecto.                           de leitura, audição,
                                      observação.
Fundamentação teórica                                         39
__________________________________________________________________________________________________________



  4. Tem dificuldade em        4. As fontes de           4. Promove a análise e
  reunir informação relevante. informação podem usar     interpretação da
                               símbolos codificados ou informação.
                               familiares que necessitam
                               ser traduzidos pelo
                               utilizador.
  5. Desenvolve capacidades 5. Acede a múltiplas                       5. Orienta e guia os alunos
  de análise e interpretação da fontes de informação e                 face à informação que
  informação.                   tecnologias.                           detêm.
  6. É um leitor independente                                          6. Ajuda os alunos nas
  e interessado.                                                       dificuldades que
                                                                       encontram.
  7. Desenvolve capacidades                                            7. Ensina as componentes
  nas TIC.                                                             da literacia da informação
                                                                       e a utilização das TIC.
                                                                       8. Mostra múltiplos
                                                                       modelos de apresentação
                                                                       da informação.
         Nível avançado:                    Nível avançado:                  Nível avançado:
  1. Lê com avidez.                   1. Tem acesso a fontes de 1. Encoraja a utilização de
                                      informação complexas.     múltiplas fontes de
                                                                informação em suportes
                                                                variados.
  2. Pensa de forma crítica.          2. Domina diferentes             2. Estimula a utilização de
                                      perspectivas e opiniões.         estratégias mais
                                                                       complexas de
                                                                       investigação.
  3. Aprende com interesse.           3. Explora a riqueza das         3. Desafia o pensamento
                                      fontes de informação.            crítico dos alunos.
  4. Investiga de forma               4. Códigos e formatos            4. Faz feedback no
  organizada.                         complexos já não                 processo de
                                      constituem barreira.             desenvolvimento do
                                                                       projecto.
  5. Comunica com eficácia.           5. Manipula fontes de    5. Induz a apresentação
                                      informação primárias tão dos produtos finais com
                                      bem como as secundárias. qualidade e recurso a
                                                               diferentes suportes.
  6. Usa a informação com             6. Usa um leque vasto das
  responsabilidade.                   TIC.
  7. Usa as TIC com destreza.

                      Tabela II-4: CTAP Information Literacy Guidelines K-12
Fundamentação teórica                                         40
__________________________________________________________________________________________________________



                          ORGANIZAR PARA A INVESTIGAÇÃO
                                             (PROCESSO)




                                              Questiona &
                                                 Reflecte
                                               (formula as
                                                questões)
                                                                                   Localiza a
                 Reflecte no                                                   Informação em
                processo & no                                                      diferentes
                   produto                                                          suportes
                 (como fiz e                                                    (livros, mapas,
               como poderia ter                                                    CD-ROM,
                    feito?)                                                       Internet…)




                                              ALUNO
                                                                                         Recolhe e
          Comunica a                                                                    selecciona a
          Informação                                                                    Informação
         (em diferentes                                                                   (lê, ouve,
           suportes)                                                                       observa,
                                                                                          reúne…)




                               Resume &
                                 Conclui                         Reflecte & Cria
                                 (elabora                        (compara, avalia,
                             Informação em                       escolhe, associa,
                                diferentes                          escreve…)
                                suportes)




                            Figura II-4: Modelo de literacia da informação




Identifica uma necessidade ou um problema – No primeiro contacto com a literacia
da informação o aluno deverá:
Fundamentação teórica                                         41
__________________________________________________________________________________________________________



    1. Perguntar sobre uma gama vasta de tópicos, assuntos, problemas, etc.
    2. Reconhecer a necessidade de gerir e completar a informação a um certo nível
          (razoável) de compreensão.
    3. Fazer brainstorming sobre o assunto e formular questões.

Procura recursos fáceis – Identificado o assunto e formuladas as questões o aluno
deverá:

    1. Identificar potenciais fontes de informação, incluindo documentos impressos,
          não impressos e electrónicos, dentro e fora da escola (i.e. em suporte informático
          - Internet, CD-ROM - audiovisual...).
    2. Utilizar estratégias eficazes de pesquisa recorrendo a palavras-chave, frases e
          conceitos.
    3. Aceder à informação usando índices, tabelas de conteúdos, pesquisa cruzada e
          suporte informático.
    4. Avaliar as fontes a utilizar (i.e. leituras, pontos de vista / opiniões, formatos de
          documentos).
    5. Rejeitar fontes que não servem as suas necessidades.

Reúne a informação – Depois da identificação e avaliação das fontes o aluno deverá:

    1. Ler, observar e ouvir uma grande variedade de materiais apropriados.
    2. Reunir material de suporte ao assunto.
    3. Começar a elaborar / construir / produzir informação sobre certos aspectos do
          assunto.

Analisa a informação – Enquanto os materiais/documentos estão a ser lidos,
observados, tratados, o aluno deverá:

    1. Descobrir e explorar palavras-chave e ideias principais.
    2. Determinar a correcção, relevância e qualidade da informação (autor, data, etc.)
          e rejeitar a informação desnecessária.
    3. Diferenciar entre facto e opinião, concordância e discordância, fontes principais
          e secundárias, causa e efeito.
    4. Identificar pontos de vista, diversidade e influência cultural.
Fundamentação teórica                                         42
__________________________________________________________________________________________________________



    5. Reconhecer omissões e erros de lógica.
    6. Reconhecer a inter-relação entre os conceitos.
    7. Reflectir sobre as questões que surgem, rejeitando algumas ou todas; decidir
        recolher mais informação / documentação para substituir a anterior.

Interpreta e sintetiza a informação – Depois de analisar a informação, o aluno deverá:

    1. Encontrar formas eficazes/correctas para tirar e tomar notas.
    2. Resumir e registar a informação por palavras suas.
    3. Tirar conclusões baseadas na informação recolhida.

        O conteúdo citado até esse momento, foi feita alusão para a formação de
professores de forma presencial, mas colocou-se que a prática é a melhor forma do
semi-letrado electrónico superar as barreiras para alcançar a literacia digital. As
tecnologias de informação e comunicação são uma realidade nas escolas e vieram para
ficar, bastando agora que os profissionais se consciencializem de que os obstáculos são
muitos, mas, de uma forma ou de outra terão que ser superados para serem “bons
professores” no novo contexto de ensino/aprendizagem.
        Levando em conta a prática, um bom argumento para a literacia electrónica seria
utilizar as plataformas existentes nas escolas e proporcionar aos professores a formação
à distância, como a aprendizagem via electrónica, o e-learning, levando a autoformação
através da prática no mundo digital. A formação on-line facilita em muitos aspectos a
autoformação. Em primeiro lugar, porque a formação pode ser acedida a qualquer hora,
em qualquer lugar, eliminando a necessidade de cumprir horários e sem estar limitada a
um espaço físico ou situação geográfica. Com um PC ligado à Internet, é possível que
populações isoladas dos grandes centros urbanos e culturais acedam a conhecimento e
formação qualificados.
        O e-learning também permite que cada formando aprenda a seu próprio ritmo e
escolha o seu estilo de aprendizagem, tanto em modo de colaboração assíncrona – em
que não existe interacção em tempo real entre formador e formandos e a comunicação
baseia-se em fórum ou e-mail – e síncrona, na qual o formador e formandos estão
interligados através de salas virtuais, conferências de áudio e vídeo, por satélite e
Internet.
        Além disso, o e-learning reduz as despesas com viagem, o tempo necessário
Fundamentação teórica                                         43
__________________________________________________________________________________________________________



para formar as pessoas e diminui a utilização de salas de aulas e pode cortar em até 50%
os custos de formação. O número de utilizadores é ilimitado, sendo sempre possível
acomodar mais pessoas. Outras vantagens são, a personalização dos conteúdos, os quais
podem ser adaptados às diferentes necessidades de aprendizagem. Como o conteúdo é
baseado na Web, pode ser actualizado sempre que necessário, tornando a informação
útil por um maior período de tempo e passível de ser reutilizável; o estímulo à auto-
aprendizagem, dado que o processo formativo passa a ser centrado no formando e não
no formador. O formando é quem define o que quer aprender, agindo o formador como
um guia ou um tutor para o aluno atingir o conhecimento e competência que deseja
alcançar. (Guia de e-Business, 2001).
        Mas existe a outra face do ensino a distância, onde as críticas centram-se
principalmente sobre a ausência de uma relação humana entre professor e alunos típica
de uma sala de aula, a escassa largura de banda que impede a transmissão de conteúdos
mais elaborados e dificulta as videoconferências.
        Os investimentos iniciais são elevados em termos de recursos humanos que
devem ser qualificados, tanto pedagógicos como informático, para a criação de
conteúdos e das plataformas. Mas além das barreiras tecnológicas e financeiras, também
existem as sociais. A resistência à mudança e a falta de conhecimento sobre e-learning,
levando à comparação com o ensino comercial de fraca fiabilidade, prejudicando a
aceitação por parte das pessoas. Além disso, verificam-se muitas dificuldades na auto-
motivação dos alunos, o e-learning exige dos formandos uma autodisciplina. Outro
factor importante é os conteúdos e a pedagogia utilizada nesses cursos. (Exame
Informática, 2002).
        Em primeira instância a auto-aprendizagem pode ser entendida como uma
aprendizagem solitária e isolada, mas a auto-aprendizagem necessita e requer a
colaboração com os outros. O aprendente não deve ser visto como independente ou
dependente, mas sim como interdependente, adquirindo os novos conhecimentos através
do diálogo, feedback e reflexão com formadores, facilitadores, mentores, colegas de
aprendizagem, etc. Assim, existindo a interacção entre formando e formador, formando
e formando, não existe o isolamento imaginado, elevando a auto-estima e auto-
motivação.
        Pesquisas do Canadá e Inglaterra sobre rendimento na aprendizagem em casos
de educação à distância através da Internet, estão revelando que o formando / aluno
Fundamentação teórica                                         44
__________________________________________________________________________________________________________



ganha mais conhecimento com a compreensão profunda de conceitos complexos,
quando participa de discussões analíticas com os seus colegas sobre os tópicos da
matéria em estudo. Isto é, mais do que o material textual de leitura obrigatória/opcional
colocado à disposição do formando / aluno, mais do que a intervenção do professor nas
discussões, e é a discussão analítica entre os alunos que provoca alto rendimento
escolar.
        No Capítulo III enfatizaremos a respeito da estrutura tecnológica nas escolas do
1º ciclo, assim como, das perspectivas de programas pedagógicos na realização do
projecto Internet na Escola.
        Discorreremos sobre as características das escolas do primeiro ciclo e das suas
vantagens e desvantagens na presença da pedagogia e comunicação e como as
características dessas escolas reflectem as tecnologias de informação e comunicação no
ensino / aprendizagem.
Capítulo III


 Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias


3.1. Estrutura tecnológica nas escolas do 1º ciclo


        Promovida pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) em colaboração
com as Autarquias, foi concluída, no final de 2001, a ligação das escolas públicas do 1º
ciclo do Ensino Básico à Internet, através da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade
(RCTS).
        Nessa perspectiva, o MCT lançou um programa de acompanhamento da
utilização educativa da Internet na Escola públicas do 1º ciclo do Ensino Básico (EB1),
tendo para o efeito celebrado, no ano de 2002, protocolos de colaboração com todas as
Escolas Superiores de Educação dos Institutos Politécnicos do Continente e, nos
Distritos onde aquelas não existem, com as Universidades neles sedeadas.
        O programa, até este momento, implica a realização de acções de
acompanhamento pedagógico nas escolas EB1 a efectuar por monitores com nível
superior, com formação pedagógica e de informática. As acções de acompanhamento
dotam cada escola EB1 de capacidades para produzir páginas Web e certificar a
aquisição de competências básicas em tecnologias de informação pelos professores e
alunos, designadamente os que concluem o 1º ciclo do ensino básico.
        A Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), enquanto entidade
gestora da RCTS coordena a execução deste programa, e oferece às instituições
envolvidas serviços tecnológicos que permitem, por exemplo, o alojamento na RCTS de
materiais de apoio educativo e a obtenção dos indicadores de utilização pelas escolas do
1º ciclo do Ensino Básico dos recursos disponibilizados.
        A Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (UARTE), assegura o
acompanhamento do Programa Internet na Escola através da promoção coordenada:
 •   Da produção de conteúdos científicos e tecnológicos a disponibilizar na Rede;
Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias                46
_________________________________________________________________________________________________________



 •   Do desenvolvimento de actividades telemáticas nas escolas, de formas de interacção
     e parceria entre os vários parceiros educativos.
        A UARTE tem contribuído de forma manifesta, a disponibilização de ideias que
têm vindo a ser exploradas pelos professores e pelos alunos nas escolas. Levanta-se,
contudo, a questão da criação de contextos macro, que se apresentem como “mundos”
para a integração de actividades pedagógicas.
        Com base nos protocolos estabelecidos com o MCT, a FCCN dotou estas
instituições de um equipamento multimédia e ligação digital ISDN (Integrated System
Digital Network) também conhecida na tradução para o português RDIS (Rede Digital
de Serviços Integrados) à RCTS e à Internet, utilizando um adaptador Ethernet para
ligação em Rede Local. Desde o início do ano 2000, as novas ligações à RCTS, então a
ser feitas através de um Office Router que possibilita a partilha da ligação RDIS entre
vários computadores multimédia, potenciando desta forma a criação de Redes Locais
nas instituições.
        O computador possui softwares de apoio há instalações, sistema operativo da
Microsoft (Windows 98), e aplicativos da Microsoft (Office) além do FTP (File
Transfer Protocol) “já configurado” para o alojamento da página, e um disco (CD-Rom)
de reposição em caso de perda de configuração do equipamento, sendo a Portugal
Telecom a entidade responsável pela instalação da infra-estrutura física desta rede. A
maioria das escolas possui um único computador, as excepções daquelas que
participaram do projecto Nónio Século XXI e que possuem mais de um computador que
estão interligados em Rede Local. Mesmo as que possuem este tipo de plataforma de
interligação de computadores, na maior parte das vezes apenas um computador partilha
a rede mundial.
        A Escola Superior de Educação de Leiria em conjunto com uma empresa de
desenvolvimento de software, desenvolvera uma plataforma para facilitar a gestão da
página das escolas pelos professores e alunos, dentro de um ambiente amigável PHP
(termo que designa: Hypertext Preprocessor) é uma linguagem de server-side e open-
source, em que a página fica directamente alojada no servidor, e que, após a página ser
divulgada pelos monitores / formadores basta que o professor ou aluno escreva
conteúdos directamente na janela da página ou, crie um texto, elementos pictóricos e
sons em aplicativos em que tenham conhecimento e depois é só copiar e colar na
página. Vide Anexo D.
Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias                47
_________________________________________________________________________________________________________



3.2. Característica das escolas do 1º ciclo em Portugal


         Considerar, por um momento, uma situação pedagógica antiga que durante
muitos anos apresentou resultados positivos e que hoje poderia ser aproveitada, tendo
em vista o facto de que se têm a disposição as novas tecnologias de comunicação e as
novas formas de aprender e trabalhar. A referencia às escolas de uma sala só que
ofereciam educação formal fundamental na área rural de muitos países do século
passado, neste século, e até agora oferecem em países carentes e ainda em Portugal,
sendo que, muitas destas escolas possuem tais características devido ao factor
localização geográfica.


         As principais características das escolas de uma só sala são:
•   Agrupamento em uma sala única de alunos de vários anos (1º ano a 4º ano, assim
    como alunos com necessidades especiais);
•   Realização de actividades diferentes simultaneamente pelos alunos, individualmente
    ou em grupo;
•   Compartilhando dos mesmos recursos materiais por todos os alunos: mapas, pequena
    biblioteca, computadores, etc.


         Existem relatos do sucesso didáctico destas escolas, obrigadas, por
circunstâncias geográficas e financeiras, a ter estas características. Além de aprender o
conteúdo obrigatório do currículo, os alunos aprendem a trabalhar verdadeiramente em
colaboração, e os mais velhos reforçam os seus conhecimentos ajudando os menores a
entender os conceitos mais complexos, assim como, a presença de alunos maiores
aumenta o nível de maturidade geral na sala de aula. Todos os alunos exercem um papel
activo para adquirir conhecimento, deixando o professor no seu papel de gerenciador
das actividades de aprendizagem e não no papel de transmissor de informação. (Litto,
1999).
         Sendo estas as características de um enorme número de escolas do 1º ciclo em
Portugal e aproveitando o contexto em que se inserem apoiadas nas novas tecnologias
de informação e comunicação e que hoje tudo indica que a educação será baseada,
principalmente, nos seguintes pilares:
•   Será centrada no aluno, cuja aprendizagem na escola consistirá em identificar
Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias                    48
_________________________________________________________________________________________________________



    problemas, achar informação pertinente para solucionar problemas, tirar soluções
    adequadas e escrever para terceiros relatórios sobre achados;
•   Exigirá habilidade no trabalho colaborativo, às vezes com pessoas de origem, idade,
    experiências e pontos de vista diferentes e localizadas em lugares distantes;
•   Durará a vida inteira, devido ao aumento contínuo de complexidade na execução do
    trabalho profissional e ao desejo de cada trabalhador de se manter actualizado para
    não perder seu espaço no mercado.

         A educação daqui adiante, tanto para jovens como para adultos, será realizada
em ambientes presenciais ou virtuais que terão muitas características da escola de uma
sala só e, com a presença do computador, com acesso à Internet e o seu vasto
repositório de informação actualizada e histórica, dará à educação um dinamismo e
riqueza inimagináveis. Dentro deste contexto, o alargamento das vantagens de
cooperação e comunicação de uma só via, em que a comunicação não mais será
entendida como emissor – receptor e sim emissor – emissor, tornando todos indivíduos
activos na comunicação e interacção. Como bem colocou o pesquisador argentino
Ricardo Noseda (1972), elucidando as diferenças entre comunicação e informação.

              "Comunicação não é ato, mas processo pelo qual o indivíduo entra em co-
             operação mental com outro até que ambos alcancem uma consciência
             comum – Informação, pelo contrário, é qualquer transcrição unilateral da
             mensagem de um emissor a um receptor – A irradiação da mensagem sem
             retorno de diálogo, proveniente de informantes centralizados, não pode ser
             identificada     com        a     co-atividade           intra-subjetiva     característica   da
             comunicação".

         Neste aspecto, é possível perceber que a comunicação se constitui numa
instância da aprendizagem, pois, se praticada como ética, pode provocar uma tendência
favorável à participação, dar maior sentido ao trabalho, favorecer a credibilidade (desde
que seja transparente), fomentar a responsabilidade e aumentar as possibilidades de
melhoria do ensino/aprendizagem ao favorecer o pensamento criativo entre os
professores – professores, professores – alunos e alunos – alunos. Mas, uns dos grandes
desafios desta nova realidade, será fazer da criatividade o principal foco do
desenvolvimento do aprendiz, pois este é o caminho para formar profissionais
Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias                49
_________________________________________________________________________________________________________



competitivos, capazes de gerar ideias criativas e a melhor maneira de atrair e manter
professores criativos é proporcionando-lhes um ambiente adequado para trabalhar. Esse
ambiente adequado pressupõe liberdade e competência para comunicar. Hoje, uma das
principais exigências para o exercício de função profissional é certamente a habilidade
comunicacional. As outras habilidades seriam a predisposição para a mudança e para a
inovação; a busca do equilíbrio entre a flexibilidade e a ética, a desordem e a incerteza;
a capacidade permanente de aprendizagem. Pode-se afirmar ainda, que as bases para a
construção de um ambiente propício à criatividade, à inovação e à aprendizagem estão
na auto-estima, na empatia e na afectividade. Sem esses elementos, não se estabelece a
comunicação nem o entendimento.
        Mas outros factores primordiais devem ser levados em conta quando se está
inserido na realidade da escola de uma só sala, como: falta de recursos humanos para
apoiar os alunos na presença do computador e a formação dos professores para gerir e
disseminar conhecimentos com o uso das TIC principalmente na utilização de uma
estratégia de como gerir a dicotomia alunos / recursos escassos.
        Para fundamentar melhor esta questão, a América do Norte está na liderança
mundial no aproveitamento bem sucedido de tudo o que a tecnologia moderna oferece,
cada escola norte-americana de educação fundamental e média tem um coordenador
tecnológico, um professor ou professora cuja função, além de ministrar aulas, é ser um
facilitador para assuntos tecnológicos, ajudando a direcção da escola e os demais
professores a planear, executar e avaliar o uso de tecnologias novas (computadores,
Internet, TV por cabo, retroprojectores, educação à distância em geral), além das escolas
estarem bem equipadas. A ajuda vai desde questões simples, como cabos e conectores,
até a selecção de uma plataforma principal para as actividades ligadas às tecnologias. É
neste professor que a escola investe em primeiro lugar, enviando-o para congressos,
formação especiais e reduzindo sua carga horária de aulas. Em troca, ele ou ela torna-se
multiplicador de conhecimento, a pessoa que reduz a complexidade aparente para
termos humanos e compreensíveis.
        A existência deste tipo de profissional nas escolas norte-americanas tem
facilitado a gradativa e serena adopção da tecnologia no coração da aprendizagem de
cada escola, o que ainda está por se pensar e projectar para as escolas do 1º ciclo em
Portugal.
Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias                50
_________________________________________________________________________________________________________



        Com certeza as maiores possibilidades de gerar autonomia e reflexão crítica nos
alunos está relacionada ao facto de poder enfatizar a revisão da construção dos discursos
inseridos na formação dos formadores de docentes, quanto nos conteúdos do desenho
curricular, assim como nos novos arranjos institucionais e organizacionais da escola,
que a sociedade da informação exige.
        A educação para os meios representa um paradigma em transição, onde as novas
formas de interacção professor/aluno requerem a ruptura de discursos gerados na
intralógica da formação de docentes preparados para formatar sentidos e versões
acríticas, num mundo cada dia mais globalizado e numa sociedade cada vez mais
voltada ao acesso à informação.
        Preparar os alunos para os meios será, sobretudo, um trabalho de abertura aos
novos sentidos, em relação à função social que a escola e o processo de
ensino/aprendizagem tem para com a construção de valores que reconheçam as
diferenças individuais, bem como as potencialidades criativas e verdadeiramente
inovadoras dos sujeitos inseridos no colectivo.
        Encontrar referenciais que possibilitem este movimento instituinte, supõe uma
mobilização no plano da política junto à pesquisa educativa, que possa mapear, no caso
português, as diferentes propostas e seus pontos de encontro e confronto no ensino da
educação para os meios, identificando as práticas discursivas e os sentidos construídos
em relação a este foco que nos convoca à reflexão.
        No Capítulo IV, discutiremos a metodologia abordada, posicionando,
dimensionando e capitulando o campo de estudo.
Capítulo IV

                                   Metodologia


       Este capítulo buscou alcançar os objectivos propostos, descrevendo a estrutura
da pesquisa e os procedimentos metodológicos empregados na busca dos resultados.
       Madsen 1974 (in: Neves de Jesus), diferencia o discurso científico com base no
grau de sistematização e no grau de informação que apresentam, podendo ser
distinguido um texto do senso comum, como o jornalístico, em que não apresenta
sistematização, assim como, um texto de ficção que não é intuito revelar nem
sistematizar nem informar, sendo o senso comum um mero esboço explicativo.
Enquanto o discurso científico é sistemático e informativo, integrando proposições
descritivas, explicativas e meta-teóricas em que conduz à investigação, em termos dos
métodos para adquirir informação e para verificar o verdadeiro valor dessa informação,
variando no lugar e no tempo.
       Desta forma, a estrutura conceptual deste trabalho, será bem definida, servindo
de guia para a investigação, recolha e análise de dados.
        A tecnologia pode ser utilizada tanto como ferramenta para o “repasse de
conteúdos padronizados”, quanto de mediadora de um processo de “questionamento
reconstrutivo” entre os aprendentes, conforme proposta problematizadora. (Paulo Freire,
1987). O que diferencia estas duas abordagens não é a tecnologia em si, mas sim os
paradigmas educacional e científico a partir dos quais a tecnologia é desenvolvida e
utilizada.
       Conforme ressaltado, por convergirem, este estudo está fundamentado na
abordagem actuante das ciências cognitivas e na metodologia problematizadora.

4.1. População em estudo e a amostra identificada

       Visando reconhecer a realidade das TIC em sintonia com as realidades
tecnológicas do nosso tempo, a população de estudo é constituído por 1338 professores
Metodologia                                            52
_________________________________________________________________________________________________________



do Distrito de Leiria das escolas do 1º ciclo, colocados em estabelecimentos da rede
pública no ano lectivo 2002/2003.


  Total de escolas do Distrito de Leiria representadas por Concelhos. Tabela IV-1.

                     CONCELHO                        TOTAL DE ESCOLAS
                     Alcobaça                               68
                     Alvaiázere                             13
                     Ansião                                 23
                     Batalha                                23
                     Bombarral                              21
                     Caldas da Rainha                       58
                     Castanheira de Pêra                     8
                     Figueiró dos Vinhos                    13
                     Leiria                                 119
                     Marinha Grande                         24
                     Nazaré                                  9
                     Óbidos                                 23
                     Pedrógão Grande                         9
                     Peniche                                19
                     Pombal                                 99
                     Porto de Mós                           36
                     Total Global                           565
                                  Tabela IV-1: Escolas por Concelhos




          Visualização no mapa do Distrito de Leiria e respectivos Concelhos:




                               Figura IV-1: Mapa do Distrito de Leiria
Metodologia                                          53
__________________________________________________________________________________________________________



          Conforme foi salientado, a ESEL ficou responsável por gerir o trabalho de apoio
pedagógico e informático nas escolas do 1º ciclo do Distrito de Leiria. Contudo,
necessitou fazer a gestão e contratação de colaboradores para o devido trabalho no
terreno.
          Constatando pela Tabela IV-1, os 16 Concelhos do Distrito de Leiria totalizam
565 escolas.
          O critério de contratação dos monitores, ficou sinalizado da seguinte forma:
    •     Monitores com conhecimento pedagógico;
    •     Monitores com conhecimento em informática;
    •     Monitores com disponibilidade total (5 dias na semana), ou com disponibilidade
          parcial, não podendo ser com menos de 3 dias semanais.
    •     Meio de locomoção próprio.
    •     Monitores com habilidade nas relações humanas e com espírito motivador.
    •     Monitores com nível superior ou em fase de conclusão.
          Definidos que foram os critérios, deu-se a fase de análise de currículo e a
segunda fase que foi das entrevistas, onde coube a selecção de 40 monitores que
trabalhariam no terreno em grupo de duas pessoas, ficando assim definido que 20
equipas abrangeriam as 565 escolas existentes no distrito, ficando cada equipa com uma
média de 28 escolas.
          Sabendo então, que algumas equipas não teriam disponibilidade total, foram
colocados os monitores com disponibilidade de 3 dias, 4 dias e 5 dias na semana para
trabalharem em conjunto, ficando assim equipas com disponibilidade total na semana
com 39 escolas e outras com menor número de escolas.
          Os custos de deslocamento e alimentação ficaram por conta de cada equipa, e
que o valor contratual para recebimento estava estabelecido por visitas diárias as
escolas, sendo que, por dia só poderia ser atendida uma escola no horário de
funcionamento da mesma, salvo contratempos que deveriam ser relatados para a ESEL.
A relevância de tal afirmação refere-se ao critério para a selecção das escolas a serem
visitadas por cada equipa, considerando os custos que as equipas viriam a suportar por
visita.
          Com o intuito de manter um equilíbrio nos custos de cada equipa, a ESEL optou
por estudar o endereço de residência de cada um dos monitores e colocando os pares
para a formação da equipa com residência o mais próximo possível, além de optar pelos
Metodologia                                          54
__________________________________________________________________________________________________________



deslocamentos, dividindo cada equipa por quilometragem a percorrer durante as 4
visitas que deveriam ser feita em cada uma das escolas, através do estudo de distâncias
entre as escolas e as residências dos monitores, o que perfez médias de 1600
quilómetros em que cada equipa percorreria por cada bloco de visitas, totalizando até o
final do projecto que seriam 4 visitas por equipa um total de 6400 quilómetros. Não
houve a preocupação da ESEL quanto aos custos com a alimentação e desgastes de
automóvel, tendo que ser suportado pelas equipas e que estas se encontravam cientes
através da leitura do contrato de prestação de serviços.
         De acordo com os critérios estabelecidos pela ESEL, este estudo engloba quatro
Concelhos do Distrito de Leiria: Ansião, Leiria, Pombal e Porto de Mós. Destes
Concelhos, 39 escolas foram abrangidas, cuja amostra perfaz num total de 80
professores.
        Após as três primeiras visitas e reuniões frequentes realizadas com todas as
equipas, foi possível constatar que as escolas apresentavam características muito
semelhantes em todo o Distrito, possuindo suas constituições estruturais (físicas),
número de alunos, número de professores, condições de funcionamento, o ambiente
social e cultural, problemas internos e externos e as novas tecnologias, limitando assim,
variáveis que poderiam influenciar o resultado final, caso houvesse grande discrepância
no ambiente em que as escolas se encontram inseridas. Motivados com estas
constatações e na condição do estudo poder reflectir a realidade populacional, buscamos
desenvolver questões que interessariam serem analisadas. Entre as muitas questões que
nos interessavam, buscamos as que influenciariam na formação e a motivação
profissional docente no uso do computador na sala de aula nas escolas do 1º ciclo, onde
a prática está intimamente ligada à colaboração e à integração das tecnologias de
comunicação na mediação educativa.
        A partir dessas delimitações, passamos para a análise do questionário que seriam
aplicados nos professores. O questionário foi baseado no da Doutora Jacinta Paiva no
estudo de responsabilidade do Programa Nónio-Século XXI, com sede no Departamento
de Avaliação Prospectiva e Planeamento do Ministério da Educação para levantamentos
estatísticos sobre as TIC na utilização no ensino desde o 1º ciclo ao secundário do
Continente em 2001/2002, e foi feita uma adaptação do mesmo para professores das
escolas do 1º ciclo a serem inquiridas.
Metodologia                                            55
__________________________________________________________________________________________________________



O questionário encontra-se estruturado da seguinte forma:


    •   Um primeiro grupo de questões teve como intuito de conhecer as características
        gerais dos professores da amostra, tais como: sexo, idade, situação profissional e
        formação inicial;


    •   Um segundo grupo de questões de carácter específico e que levam a múltiplas
        respostas, tais como: as acções de formação nas tecnologias de informação e
        comunicação, o domínio no uso destas tecnologias com seus pares e alunos, as
        necessidades de futuras formações e o grau de motivação quanto às formações
        realizadas e as necessidades de futuras formações nas TIC no contexto ensino /
        aprendizagem.


    Uma cópia do questionário encontra-se no Anexo A. O questionário inclui questões
quantitativas e qualitativas e foi impresso em papel branco, sendo as questões fechadas
de forma que fossem facilmente identificáveis e para facilitar o seu preenchimento.
    Para testar os questionários nos seus múltiplos aspectos, foi realizada uma passagem
do questionário a um grupo restrito de professores, em iguais condições às dos futuros
inquiridos da amostra. Foram obtidas algumas sugestões válidas, que suscitaram
algumas alterações no instrumento de notação. Todavia, após o tratamento do
questionário, foi notado que teria sido possível melhorar este instrumento de notação.


                   A Tabela IV-2 mostra o número de professores abrangidos.

  Tipologia         Dimensão / professores             Quantidade de questionários obtidos          %

  Professor                      80                                       52                        65

                           Tabela IV-2: Número de professores inquiridos



        A recolha dos dados decorre nos meses de Abril a Junho de 2003, e foram
obtidos 52 questionários preenchidos, cujos dados foram lançados numa folha de
cálculo do Excel. Numa segunda fase e depois de uma análise preliminar de lapsos na
introdução      dos     dados      e    erros     do     próprio     inquirido,     foi     feita    uma
Metodologia                                          56
__________________________________________________________________________________________________________



recategorização/divisão/agrupamento de algumas questões dos questionários de forma a
permitir uma mais correcta interpretação dos resultados.
        Os dados foram analisados utilizando gráficos e medidas descritivas, de modo a
possibilitar a sua síntese e retirar conclusões sobre o objectivo do trabalho.
        No Capítulo seguinte, mostramos os resultados alcançados, através de gráficos e
tabelas que estão fundamentados na realidade dos questionários aplicados nos
professores do 1º ciclo, ressaltando na forma escrita o foco que achamos relevante a ser
observado.
Capítulo V

                                    Resultados

       Para usar as novas tecnologias de informação é preciso lidar com numerosos
equipamentos, sistemas e suportes lógicos, daí ser bastante difícil preparar os
professores para introduzir estas tecnologias na sua prática pedagógica, numa postura
reflexiva e inovadora. Estes problemas advêm da fraca, às vezes inexistente, formação
inicial nas TIC que levam a que se reflicta sobre os processos de mudança dentro da
escola, como dos aspectos psicológicos ligados às teorias da aprendizagem, das
questões mais ligadas ao profissionalismo quanto à responsabilidade e motivação e
também quanto à característica da escola e o número de equipamentos disponíveis para
a utilização com os alunos.
       Este capítulo procura proceder a uma descrição não somente numa perspectiva
longitudinal, mas também o acompanhamento do grupo de professores desde o início ao
fim do projecto, procedendo a um cruzamento das suas atribuições e das suas práticas
no uso das novas tecnologias, precisamente o computador e à Internet e quanto ao
aproveitamento da formação recebida durante o decorrer do projecto. Ainda, procura
apresentar problemas relativos aos equipamentos, que foram sendo anotados durante
todas a visitas realizadas e que achamos relevante incluir neste trabalho, pois é um
factor importante que influencia directamente na formação do professor na utilização do
computador.
       Em geral, a ênfase do uso da tecnologia na educação é a qualidade do
aprendizado enquanto se está utilizando a tecnologia, ou seja, as facilidades oferecidas
pelas ferramentas na solução de problemas e o que realmente importa são os efeitos
gerados a partir do uso da tecnologia, o aprendizado significativo e o interesse passam a
ser, contribuir para o desenvolvimento da capacidade de “questionamento
reconstrutivo”, mesmo que não esteja utilizando a tecnologia.
       Para isso, a tecnologia não pode ser tratada como um fim em si mesma, mas sim
como mediadora da interacção entre os aprendentes no processo de construção do
conhecimento.
Resultados                                          58
__________________________________________________________________________________________________________



        A aprendizagem utilizando as tecnologias se encontra apoiada na interacção,
construção, cooperação e extensibilidade, que são gerados a partir da Abordagem
Actuante e a metodologia problematizadora.
        Começamos por apresentar as características da amostra, no que respeita ao
sexo, situação profissional e formação inicial. A Tabela V-1 faz uma síntese destes
resultados. Quanto ao sexo houve predominância do sexo feminino em 98% sendo que
na totalidade 98% dos professores possuem situação profissional profissionalizada e
65% obtiveram formação inicial em outras situações que não em Escolas Superiores de
Educação.
           Sexo                              Situação profissional                      Formação inicial
                                                                   Não                               Outra
   Feminino    Masculino               Profissionalizado                                ESE
                                                            profissionalizado                       situação
     92%                      8%             98%                   2%                   35%          65%

                               Tabela V-1: Sexo – Situação profissional e Formação inicial



        Quanto a idade dos participantes na amostra verificamos que (Gráfico V-1), 95%
dos professores têm idade compreendida entre 26 e 55 anos.

                                        Distribuição dos professores da amostra por idade
                              100
                Porcentagem




                               80
                                60
                                                                    38
                                40                   25                          31
                                20       2                                                    4
                                 0
                                       18-25       26-35          36-45         46-55     Mais de
                                                                                            56


                              Gráfico V-1: Distribuição dos professores da amostra por idade


        Essa primeira análise nos possibilita ter uma visão geral das características dos
professores inquiridos, que determina um domínio do sexo feminino e situação
profissional profissionalizado. Quanto à formação inicial, 65% dos professores
assinalaram em outra situação, e concluímos, em termos da idade, que a maioria
encontram-se entre os 36 e 55 anos, e nesse período havia predominância na opção
profissional para a docência no magistério primário e que estava longe da realidade de
hoje o uso do computador, principalmente nas escolas do 1º ciclo.
Resultados                                      59
__________________________________________________________________________________________________________



                        No que respeita o equipamento informático pessoal (Gráfico V-2), verificamos
que 96% dos professores na amostra possuem computador pessoal.



                               Equipamento informático dos professores da amostra
                                                 96                 92
                        100                                                             88
    Porcentagem




                         80                                                                            60
                         60                                                                                           44
                         40
                         20      4
                          0


                                                                    Impressora
                                                  Computador




                                                                                        Internet
                              computador




                                                                                                                  Gravador
                                                                                                       Scanner




                                                                                                                  de CD´s
                                Não tem




                                           Gráfico V-2: Características do computador pessoal



                        Em relação à iniciação no mundo da informática (Gráfico V-3), houve um
equilíbrio nas respostas assinaladas no questionário entre acções de formação do
Ministério da Educação e apoio de família / amigo. Apenas 2% dos professores na
amostra não apresentavam contacto inicial com o computador, o que aconteceu ou não,
a partir da presença dos monitores nas escolas.


                                 Distribuição da forma como os professores da amostra fizeram sua
                                                          iniciação às TIC
                        100
                         80
          Porcentagem




                                                               56                                      60
                         60
                                             42
                         40
                                                                                                                 21
                                                                                 15
                         20                                                                                                  6
                                  2                                                                2
                          0
                                             Au
                                    Ai




                                             Ap



                                             N



                                             Fo



                                             Ac



                                             O



                                             D
                                              o




                                              e
                                               ut
                                       nd



                                               to



                                                oi




                                                rm



                                                çõ
                                                 cu




                                                 ou
                                                 ra
                                                  -fo
                                         a




                                                  o




                                                   es
                                                   .s




                                                    s
                                                    rs




                                                    tra
                                           nã




                                                     fa
                                                      rm




                                                      Ac
                                                       up
                                                       o




                                                       fo
                                                       m
                                             o




                                                         fo
                                                          aç




                                                          su




                                                          rm



                                                          çõ
                                                           íli




                                                          .i
                                                            fe




                                                             rm
                                                               a/




                                                               nf
                                                               ão




                                                               pe




                                                                .d



                                                                es
                                                                z




                                                                 am




                                                                 o.




                                                                 a
                                                                  rio




                                                                   o
                                                                     ig



                                                                     r




                                                                      M
                                                                        o




                                                                        E




       Gráfico V-3: Distribuições como os professores da amostra fizeram sua iniciação nas TIC
Resultados                                                    60
__________________________________________________________________________________________________________



        Constatamos também que 75% dos professores na amostra realizou acções de
formação em informática (Gráfico V-4), tendo sido considerado por 87% como positiva
e muito positiva (Gráfico V-5) e ainda 82% dos professores que realizaram acções de
formação, destacaram que os formadores conseguiram um equilíbrio entra a teoria e a
prática, (Gráfico V-6).

                                                                     Realizou acções de formação em informática?
                                                              100
                                                                                 75
                                                              80
                                         P o rce n ta g e m




                                                              60

                                                              40                                               25
                                                              20

                                                               0
                                                                                Sim                           Não

                              Gráfico V-4: Acções de formação que realizou em inormática


                                                                    Balanço da acções de formação em informática que realizou

                                        100

                                               80
                                Porcentagem




                                                                                            64
                                               60

                                               40
                                                                         23
                                               20                                                              10
                                                                                                                                  3
                                                          0
                                                                    Muito positivo        Positivo      Pouco positivo       Nada positivo

                                                              Gráfico V-5: Realização de acções de formação


                                                                            Balanço das acções de formação
                  100
                                                                                                                                        82
                      80
        Porcentagem




                      60

                      40
                      20                         11
                                                                                      3                        5
                       0
                                 Fo rmado res                                    Fo rmado res             Fo rmado res             Fo rmado res
                           demasiado técnico s na                             demasiado teó rico s     demasiado prático s       co nseguiram um
                             linguagem utilizada                                                                                equilíbrio (teo ria e
                                                                                                                                      prática)

                                                               Gráfico V-6: Balanço das acções de formação
Resultados                                             61
__________________________________________________________________________________________________________



        Em relação ao âmbito das acções de formação em informática, 51% dos
professores afirmaram ter sido generalista e 33% somente acções de formação
específicas para o 1º ciclo, sendo que apenas 15% realizou acções em ambas
especificações (generalista e especifica), (Gráfico V-7). Quanto a utilização do
computador (Gráfico V-8), metade dos professores destacaram utilizar bastante o
computador, 12% usam raramente sendo que 27% somente para edição de textos.
        Verificamos também que a motivação para a prática do uso do computador não
se justifica no apetrechamento de equipamentos nas escolas e nem ao facto de possuir
computador pessoal, outros factores motivacionais devem ser analisados para que essa
prática ocorra.

                                         Âmbito das acções de formação em informática que
                                                             realizou

                                       100
                         Porcentagem




                                       80
                                       60               51
                                                                                 33
                                       40
                                                                                                        15
                                       20
                                        0
                                                    Generalista        Específica 1º ciclo            Ambas


    Gráfico V-7: Âmbito das acções de formação em informática que os professores realizaram




                       100                   Como definiria sua relação com o computador
         Porcentagem




                        80
                        60                                                                50
                        40                                                 29
                                                             12                                             8
                        20                   2
                         0
                                             Nã




                                                              Ra




                                                                                              Us
                                                                            Só




                                                                                                            O
                                                                                                             ut
                                                                                                 a
                                                o




                                                                 ra




                                                                                pa




                                                                                                                ra
                                                                                                 ba
                                                 us




                                                                   m




                                                                                  ra




                                                                                                                 si
                                                                   en
                                                   a




                                                                                                   st




                                                                                                                     tu
                                                                                      te




                                                                                                     an
                                                      co




                                                                      te




                                                                                                                       aç
                                                                                        xt
                                                        m




                                                                                                       te
                                                                       us




                                                                                          o




                                                                                                                         ão
                                                         p.




                                                                          a




     Gráfico V-8: Distribuição de como os professores definiu a sua relação com o computador
Resultados                                    62
__________________________________________________________________________________________________________



        Verificamos o pouco tempo de horas semanais no uso do computador, onde 50%
dos professores na amostra afirmaram utilizarem de 0 a 3 horas. (Gráfico V-9)

                                      Horas por semana que passa ao computador
                             100

                              80
               Porcentagem




                              60                   50

                              40
                                                                    25
                              20                                                     13         10
                                      2
                               0
                                      0h          0-3 h            3-5 h          5-10 h    Mais de 10 h

     Gráfico V-9: Distribuição das horas por semana que os professores utilizam o computador




        Quanto ao uso da Internet e onde mais a utiliza, verificamos que a maioria dos
professores inquiridos o fazem em casa 71% e 60% na escola, sendo que a Internet é
mais para o consumo de informação pessoal do que para o domínio educacional.
(Gráfico V-10).


                                                          Usa a Internet?
                             100
                             80                            71
         Porcentagem




                                                                                60
                             60
                             40
                                       15
                             20                                                                   6
                              0
                                    Não usa         Sim, em casa           Sim, na escola   Sim, noutros
                                                                                               locais
                                   Gráfico V-10: Distribuição em relação ao uso da Internet




        Quanto ao modo como os professores usam o correio electrónico, verificamos
que quase a metade dos professores que usam a Internet não fazem uso do correio
electrónico (Gráfico V-11).
Resultados                                                           63
__________________________________________________________________________________________________________




                                          Modo como os professores da amostra usam o e-mail
                        100
                         80
          Porcentagem
                         60
                                  44
                         40                                        35
                                                                                 19              17                21
                         20                       8
                          0




                                                                                                  C




                                                                                                                    O
                                    N




                                                       C




                                                                    C




                                                                                  C




                                                                                                      om




                                                                                                                        ut
                                     ão




                                                        om




                                                                     om




                                                                                   om




                                                                                                                          ra
                                       us




                                                                                                       es
                                                         al




                                                                        am




                                                                                      co




                                                                                                                             s
                                                                                                                            si
                                          a




                                                            un




                                                                                                          co
                                                                                        le
                                                                          ig




                                                                                                                              tu
                                            e-




                                                              os




                                                                                           ga




                                                                                                             la
                                                                            os




                                                                                                                                aç
                                               m




                                                                                                               s
                                                                                             s
                                                ai




                                                                                                                                   õe
                                                                                            pr
                                                   l




                                                                                                                                     s
                                                                                               of
                                                                                                  .
                              Gráfico V-11: Distribuição de como os professores utiliza o e-mail



        Achamos importante ainda destacar que através de observações e conversas
informais com os professores, que o facto destes possuírem computador nas suas
residências, é mais para serem utilizados pelos filhos e que contam com o apoio dos
mesmos para realizarem as tarefas quando necessitam que sejam feitas no computador,
tornando-se dependentes na preparação de suas actividades profissionais. Assim como,
a questão da faixa etária em que se encontram os professores inquiridos. A estagnação
do professor, limitando-se a fazer o que dele é esperado e a “viragem” na carreira,
havendo uma preparação para a reforma.
        Neves de Jesus, (1996) afirmou que o período entre os 35 e 40 anos de idade, em
que ocorre a desilusão com a profissão e é justamente nesse período que o professor
apresenta maior mal-estar e menor motivação. Neste estágio de “virada”, encontramos
muitos professores que foram inquiridos, que colocam a questão da reforma como factor
da não necessidade de participação em projectos e acções de formação nas TIC para a
sua utilização no ensino / aprendizagem, sendo que, muitos isolam os seus alunos dessa
participação, e assim, verificamos a veracidade da afirmação do autor.
        Na preparação das aulas, observamos que 92% dos professores na amostra
utilizam o computador para elaborar fichas e testes e 65% para pesquisas na Internet,
(Gráfico V-12), assim como seria previsível e que verificamos que 92% dos professores
utilizam aplicações informáticas directamente com os alunos na aplicação de
processamento de texto (Gráfico V-13). Concluímos assim, que grande parte dos
Resultados                                                                    64
__________________________________________________________________________________________________________



professores do 1º Ciclo utilizam o computador como apoio para a escrita alfabética,
demonstrando serem semi-letrados electrónicos.


                                         Com que fins usa o computador na preparação de aulas?
                                                   92
                       100
         Porcentagem




                        80                                                 65
                        60
                        40
                        20                                                                       12                    12
                                    2
                         0
                                    N




                                                       El




                                                                              Pe




                                                                                                  Po




                                                                                                                        O
                                        ão




                                                                                                                            ut
                                                          ab




                                                                                sq




                                                                                                    w




                                                                                                                              ra
                                                                                                       er
                                                            or
                                         us




                                                                                  ui




                                                                                                                                 si
                                                               a




                                                                                     sa




                                                                                                         P
                                            a




                                                                                                                                    tu
                                                              fi c




                                                                                                          oi
                                                                                       s




                                                                                                                                      aç
                                                                                                            nt
                                                                  ha




                                                                                       na




                                                                                                              ,e




                                                                                                                                        ão
                                                                    s/




                                                                                           N




                                                                                                                 tc
                                                                      te




                                                                                            et




                                                                                                                   .
                                                                        st
                                                                         es

                          Gráfico V-12: Na preparação das aulas com que fins usa o computador




                               Aplicações informáticas que usa directamente com os alunos
                       100                   92

                        80
                                                                                                  63
         Porcentagem




                        60                                                   50                                  46
                                                  35
                        40
                                                                                       15
                        20                                                                                                   8
                               4                                   0
                         0
                                N




                                         M


                                         E-




                                                                                                                               O
                                         Pr


                                         Pr


                                         Fo




                                                                                                      In



                                                                                                                  So
                                   en




                                           ul




                                                                                                                                   ut
                                                                                                        te
                                            m
                                            oc


                                            og



                                            lh




                                                                                                                    f tw
                                              tim




                                                                                                                                      ra
                                                                                                          rn
                                     hu




                                               ai
                                                a
                                                es


                                                .G




                                                  l


                                                                                                            et



                                                                                                                       ar



                                                                                                                                       ap
                                       m




                                                    éd
                                                    de
                                                    sa




                                                                                                                         e
                                                     rá
                                                      a




                                                                                                                                          lic
                                                       ia
                                                        do




                                                        cá




                                                                                                                             pe
                                                        fic




                                                         /C




                                                                                                                                             aç
                                                           rd




                                                           lc
                                                            os




                                                                                                                               da
                                                             D




                                                                                                                                                ão
                                                              ul
                                                               /d




                                                               -R
                                                               e




                                                                                                                                 gó
                                                                o
                                                                  te


                                                                  es




                                                                   O




                                                                                                                                   gi
                                                                    xt




                                                                     M
                                                                     en




                                                                                                                                       co
                                                                       o



                                                                        ho




                       Gráfico V-13: Aplicações informáticas que utiliza directamente com os alunos



        Os resultados gráficos (Gráficos, V-14, V-15 e V-16) vêm confirmar que o
número de vezes que os professores utilizam o computador com seus alunos na sala de
aula não pressupõe que o faz na construção de novos conhecimentos pessoal e de forma
criativa. O facto do professor utilizar mais o computador para elaboração de fichas /
Resultados                             65
__________________________________________________________________________________________________________



testes e elaboração de textos com os seus alunos é devido a falta de domínio que ainda
se apresenta no uso da máquina.




                                             Nº de vezes que utilizou o computador com alunos em 2002/2003
                                   100

                                    80
                     Porcentagem




                                    60                                                          54

                                    40
                                                                                                             23
                                    20           13
                                                                  2          4          4
                                    0
                                                  0               1          2          3    Mais de 4   Sempre

Gráfico V-14: Distribuição em relação a quantidade de vezes que o professor utilizou o computador
                             com os alunos no ano lectivo 2002/2003




                                               Actividades realizadas pelos alunos quando usam as TIC
                   100                                                                        88

                    80                                67
     Porcentagem




                                                                             60
                    60
                    40
                    20                                                10                12
                                         4                                                               6
                     0
                                         N




                                                              C




                                                              O
                                                       Pr




                                                              C



                                                              O



                                                              R
                                             en




                                                                om




                                                                ut
                                                                on




                                                                ec
                                                                rg
                                                          o




                                                                   ra
                                                           d.




                                                                   a.
                                                hu




                                                                    su




                                                                    re
                                                                     un
                                                              E




                                                                      at



                                                                       ac
                                                  m




                                                                       G
                                                                       lta
                                                                        ica
                                                                         di




                                                                         es



                                                                         iv
                                                  a




                                                                          ti v
                                                                           /p
                                                                            çã




                                                                             a/
                                                                             çã




                                                                              t.




                                                                              id
                                                                               es




                                                                                jo
                                                                                o/



                                                                                 o/




                                                                                 In




                                                                                 ad
                                                                                  qu




                                                                                  go
                                                                                   In



                                                                                    re




                                                                                    fo




                                                                                     e
                                                                                     fo




                                                                                      isa




                                                                                      s
                                                                                       .
                                                                                       de
                                                                                         r.




 Gráfico V-15: Tipos de actividades que o professor realiza com os seus alunos quando utilizam o
                                          computador
Resultados                           66
__________________________________________________________________________________________________________




                                       Contexto de utilização das TIC pelos alunos
                  100

        Porcentagem   80                 73                  71

                      60
                      40                                                       31
                                                                                    23
                      20                                                                 13
                           4
                       0

                                          D




                                                              Ap
                           N




                                                              Tr




                                                              Ap




                                                              O
                                              is
                               en




                                                                ut
                                                                ab




                                                                 oi




                                                                 oi
                                                 ci




                                                                  ro
                                 hu




                                                                   o




                                                                    o
                                                    pl




                                                                    .p




                                                                      pe
                                                      in




                                                                      al




                                                                      co
                                   m




                                                                      ro
                                                        ar




                                                                         un
                                                                         da
                                                                         je




                                                                         nt
                                                                           ct




                                                                            ex
                                                                            os
                                                                             g.
                                                                              o/




                                                                               to
                                                                                Ac




                                                                                es
                                                                                AE




                                                                                  pe
                                                                                   re
                                                                                      sc




                                                                                      ci
                                                                                         ai
                                                                                         id




                                                                                           s
                                                                                            o
    Gráfico V-16: Contexto de utilização dos professores com os seus alunos quando utilizam o
                                          computador



            O domínio do conteúdo técnico por parte do professor como uma das partes que
constituem sua prática pedagógica, que é eminentemente política, faz com que a sua
capacitação revista-se de uma grande importância, uma vez que será nos momentos em
que está sendo capacitado que o docente se apropriará dos instrumentos necessários ao
desempenho da acção crítica, criativa e transformadora. (Libaneo, 1998).
            As atitudes e a prática vão se modificando mais rapidamente do que as crenças,
assim se cessarem as condições de demanda, estimulação ou motivação, a prática pode
voltar a responder às crenças mais profundas arraigadas e ainda não modificadas.
Todavia, enquanto esses professores desejarem, as mudanças na prática pedagógica
docente e as inter-relações com seus pares, alunos e outros envolvidos acontecerá o
indicador não só dum aperfeiçoamento cognitivo mas dum amadurecimento
emocional/afectivo.
            Do questionário (Anexo A), a questão “S” – “Quer use ou não as TIC em
contexto educativo, assinale, para as afirmações abaixo, uma cruz (X) em “sim” ou
“não”, consoante concorde ou discorde, deixe em branco as alternativas sobre as quais
não tem opinião:” Esta questão foi dividida em duas partes, agrupando respectivamente
em cada uma delas as afirmações que denotem atitudes positivas ou negativas face às
TIC. As afirmações ficaram agrupadas do seguinte modo:
Resultados                                                      67
__________________________________________________________________________________________________________



As atitudes positivas: nº de afirmações: 1, 3, 4, 6, 7, 8, 10, 11, 13, 15, 19, 20, 21 e 22
As atitudes negativas: nº de afirmações: 2, 5, 9, 12, 14, 16, 17 e 18
                  A partir deste ponto, os Gráficos V-17 e V-18 respondem por si só as atitudes
positivas e negativas face às TIC.
                  Estes dados são grandes facilitadores de aprendizagem, pois atendem às
necessidades e interesses dos professores em dominar e fazer uso do computador. Desta
forma, qualquer mudança na educação deve contar com o apoio dos professores, pois a
formação docente passa por processos de investigação directamente articulados com as
práticas educativas. (Nóvoa, in: Caligiorne, 2002)

Atitude positiva face às TIC

                                               Atitude positiva face às TIC
                       96
                 100        92    92                       90      88
                 90                                                                83      85
                 80                               75
                 70
                                          60
   Porcentagem




                 60                                                                                                 52
                 50
                 40                                                                                  31     31
                 30                                                        21
                 20                                                                                                      13
                 10
                  0
                            Go staria de saber mais acerca das TIC

                            A s TIC ajudam-me a enco ntrar mais e melho r info rmação para a minha prática lectiva

                            A o utilizar as TIC nas minhas aulas to rno -as mais mo tivantes para o s aluno s

                            M anuseio a info rmação muito melho r po rque uso as TIC

                            A cho que as TIC to rnam mais fáceis as minhas ro tinas de pro fesso r(a)

                            P enso que as TIC ajudam o s meus aluno s a adquirir co nhecimento s no vo s e efectivo s

                            O uso das TIC, na sala de aula, exige-me no vas co mpetências co mo pro fesso r(a)

                            Sinto -me apo iado (a) para usar as TIC

                            A s TIC enco rajam o s meus aluno s a trabalhar em co labo ração

                            A minha esco la tem uma atitude po sitiva relativamente ao uso das TIC

                            Co nsigo gerir co m facilidade as no vas tecno lo gias na sala de aula

                            Esto u satisfeito co m o apo io técnico recebido pelo s ó rgão s co mpetentes

                            Eu já co nhecia antes do pro jecto Internet nas esco las, sítio s educativo s na Internet

                            Co nsidero fácil gerir a página da esco la



                            Gráfico V-17: Atitudes positivas dos professores face as TIC
Resultados                                           68
__________________________________________________________________________________________________________



          Em conformidade com o Gráfico V-17, 96% dos professores assumem querer
saber mais sobre às TIC; 92% considera que as TIC ajudam para que eles encontrem
melhor e mais informação para a prática lectiva; 92% dos professores considera que as
suas aulas passam a ser mais motivantes para os alunos; 60% afirma que manuseiam
muito melhor a informação por utilizar as TIC, 75% relata que com o uso das TIC as
rotinas de professor tornam-se mais fáceis; 90% pensa que as TIC ajudam os alunos a
adquirirem novos e efectivos conhecimentos; 88% diz que o uso das TIC na sala de aula
exige novas competências como professor, apenas 21% sente-se apoiado para usar as
novas tecnologias de informação e comunicação baseadas em computador; 83% afirma
que os seus alunos são encorajados a trabalharem em colaboração; 85% afirma que a
escola onde trabalha tem uma atitude positiva relativamente ao uso das TIC na sala de
aula; 31% dos professores não consegue gerir o computador na sala de aula, apenas
31% se sente satisfeito com o apoio técnico recebido em relação à Internet e o
computador; 52% dos professores já conhecia sítios educativos na Internet mesmo antes
do início do projecto Internet na Escola e uma minoria; 13% consegue gerir a página da
Escola.



Atitude negativa face às TIC
                                                           Atitude negativa face às TIC

                        100
                         80
          Porcentagem




                                                                                60
                         60                                                                                        48
                                            38                      38                      38
                         40                             31
                                                                                                       23
                                13
                         20
                         0

                              Os co mpudado res assustam-me

                              Uso as TIC em meu benefício , mas não sei co mo ensinar o s meus aluno s a usá-las

                              Nunca recebi fo rmação na área das TIC e desco nheço as po tencialidades de que dispo nho

                              Enco ntro po uca info rmação na Internet de so ftwares educativo s

                              A minha esco la não dispõ e de co ndiçõ es para usar o co mputado r em co ntexto educativo

                              Os meus aluno s, em muito s caso s, do minam o s co mputado res melho r do que eu

                              Não me sinto mo tivado (a) para usar as TIC co m o s meus aluno s

                              Não co nheço a fundo as vantagens pedagó gicas do uso das TIC co m o s meus aluno s




                               Gráfico V-18: Atitudes negativas dos professores face as TIC
Resultados                                             69
__________________________________________________________________________________________________________



          Quanto às atitudes negativas face às TIC, Gráfico V-18; 13% dos professores
pesquisados considera o computador uma ferramenta assustadora; 38% utiliza
computadores mas não sabe utilizar a ferramenta como um meio pedagógico para com
os seus alunos; 31% dos professores nunca recebeu formação na área das TIC e
desconhece os seus benefícios e potencialidades no ensino / aprendizagem; 38% afirma
ainda não encontrar informação na Internet de softwares educativos; 60% afirma que a
escola onde lecciona não dispõe de condições para usar o computador em contexto
educativo; 38% assume que em muitos casos, os alunos dominam mais o computador
que o próprio professor; 23% não tem motivação para utilizar o computador com os
alunos e 48% diz não conhecer as vantagens pedagógicas no uso do computador com os
alunos.
          É preciso romper com a resistência dos professores. Esta resistência precisa ser
trabalhada na formação de professores, desenvolvendo habilidades cognitivas e
operativas para o uso das medias e também a formação de atitudes favoráveis ao seu
emprego e à inovação tecnológica. Na verdade, em Portugal, a associação entre
educação e desenvolvimento tecnológico vem de uma visão tecnicista, que gerou uma
resistência de natureza política e tecnológica. Há também outras características a
considerar como questões culturais, sociais, um certo temor pela máquina e
equipamentos electrónicos, medo da despersonalização de ser substituído pelo
computador, ameaça ao emprego e formação que não inclui a tecnologia.
          Muitos professores, como já foi apresentado anteriormente, reconhece a
necessidade do domínio do computador e sabe que esse domínio não ocorre de maneira
imediata. Assim, o professor sente-se inseguro, o que dificulta a transição da postura
tradicional para uma postura que permita tirar proveito do computador como ferramenta
auxiliar do processo da construção do conhecimento. (Valente 1998).
          A falta de conhecimento dos professores sobre os recursos que podem garantir
uma forma de melhorar a sua prática pedagógica, provoca uma relação de rejeição à
tecnologia. O acesso aos recursos tecnológicos não só é necessário, como também
permitirá aos professores terem uma visão das possibilidades da utilização do
computador no processo de ensino. Um ambiente propício é necessário ser criado, para
a prática no uso das TIC. Percebemos no âmbito das várias escolas, com as mesmas
características, que há necessidade de um trabalho muito profundo para que as escolas
se tornem de facto, organizações de aprendizagem.
Resultados                                             70
__________________________________________________________________________________________________________



         Há algum tempo, o professor era pressionado a realizar “um fazer”, “um
ensinar” segundo alguma metodologia ou abordagem da moda. Os cursos de
capacitação dos professores vem aumentando, mas muitos deles vinculam uma enorme
quantidade de novos dogmas, substituindo os até então indiscutíveis, e apresentando
novas receitas para serem seguidas. Os professores acomodam-se nestes procedimentos
e quanto mais seguros ficam com uma nova abordagem mais acomodados e resistentes a
um outro novo se tornam. Constatamos, muitas vezes, que tudo funciona, bem ou mal,
dentro de uma normalidade inquestionável. Naquelas escolas onde há questionamentos,
respostas bem elaboradas, alternativa de programas já formulada em consenso, é
importante estar atento para não entrar em comodismo, mas sim dar continuidade ao
trabalho, ao pensar e a novos fazeres.
         Praticar e pesquisar comunicação com medias na escola, dentre elas, a
telemática, requer tomar como ponto de partida a perspectiva e a história dos
professores. Ao trabalhar com eles um questionário, uma entrevista, uma posição, um
conceito, requer a parceria de professores comunicadores com o pesquisador. A
reflexão, persuasão, convencimento, transformação devem ser obtidas através de um
trabalho de cumplicidade, de entusiasmo, de redescoberta da paixão de ajudar as
crianças, os adolescentes e jovens a aprenderem e a comunicarem com medias com a
mesma curiosidade do seu tempo anterior à escola.
         Talvez, essa empreitada seja árdua, mas deve ser enfrentada tanto com
professores já em serviço nas escolas quanto com professores iniciantes, alunos de
cursos de formadores de professores.
         O caminho para aprofundar as características da escola como organização, para
que a aprendizagem ocorra de facto e possa ser transferida para outras instituições na
sociedade, é um processo longo e lento. Cabe a cada um na sua devida função iniciar os
primeiros passos no âmbito de actuação para que se chegue em conjunto a um objectivo
geral.
         O objectivo do computador é promover um ambiente de aprendizado baseado na
resolução de problemas e não um instrumento que ensina o aprendiz, mas uma
ferramenta com o qual o aluno desenvolve uma tarefa.
         Podemos observar que mesmo possuindo computador e estarem sendo
orientados para o seu uso, os professores não conseguem discernir as suas necessidades
para futuras formações (Gráfico V-19), ressaltando principalmente quanto à colocação
Resultados                                  71
__________________________________________________________________________________________________________



da pouca necessidade de formação em sistema operativo e introdução ao computador,
por desconhecerem as suas potencialidades e ainda observamos com os trabalhos
realizados em conjunto com os professores que existe uma grande desfasagem no
domínio dessas ferramentas. Outra questão que não se justifica é a falta do uso do
correio electrónico, pois os monitores fortaleceram a sua prática de uso.



                               Como professor em que áreas da TIC necessita de mais formação?

                         100
                          80
                                                 62
           Porcentagem




                          60                52                    50
                                                                        44
                          40                                33
                                                      23
                          20           12                                        10
                                  2                                          4        0
                           0
                                      Pr

                                      Pr




                                      M

                                      E-




                                      Si
                                   D




                                      Fo




                                      In

                                      So

                                      In




                                      N
                                        ul
                                        es




                                        ão
                                         st
                                         te




                                         tr o
                                         oc

                                         og




                                         m
                                          lh




                                          f tw
                                            tim




                                            em
                                            rn
                                             ai
                                             co




                                              a
                                              es

                                              .g




                                              d.




                                              pr
                                                l

                                                et

                                                ar
                                                  éd
                                                  nh




                                                  de
                                                  sa




                                                  a

                                                  ec
                                                  ao
                                                   rá




                                                    e




                                                     op
                                                     eç




                                                      fi c




                                                      ia
                                                       do




                                                       is
                                                       cá




                                                        pe


                                                         co
                                                         /C




                                                          o
                                                          er
                                                          o/
                                                          o


                                                           rd




                                                           lc




                                                           da

                                                            m




                                                            de
                                                            D




                                                             at
                                                             as




                                                             de

                                                              ul
                                                               e




                                                               pu
                                                               -R




                                                               gó




                                                                iv
                                                                o
                                                                 se




                                                                 fo
                                                                  te
                                                                  TI




                                                                   o
                                                                   O




                                                                   gi

                                                                   ta




                                                                    rm
                                                                     xt

                                                                     nh
                                                                     C




                                                                     M




                                                                      co

                                                                      do
                                                                        os




                                                                        aç
                                                                         o




                                                                          r




                                                                            ã                   o
          Gráfico V-19: Em que áreas da TIC os professores necessitam de mais formação



        Conforme o Gráfico V-20, os principais obstáculos à real integração das TIC na
sala de aula estão relacionados com a falta de meios técnicos, principalmente no que
concerne ao apoio técnico vindo do exterior. A falta de recursos humanos,
fundamentado nas características das escolas de uma sala só, que possui um único
professor responsável por todas as actividades educativas. A falta de formação
pedagógica, o que está directamente relacionado com as idades predominantes dos
professores, em que a maioria realizou formação inicial sem o uso das novas
tecnologias. Os 40% de professores que assinalou a falta de software educativo
interpreta como, a falta de conhecimento das novas tecnologias quanto a diversidade de
conteúdos que estão disponibilizados para o uso no ensino / aprendizagem através da
rede mundial.
        Apenas 13% assinalou a falta de motivação para o domínio das TIC, o que
podemos entender como a dificuldade dos professores em discernir o conceito de
Resultados                                                                  72
__________________________________________________________________________________________________________



motivação profissional para as mudanças que ocorrem e os novos desafios profissionais,
relato este, suportado nos pilares da observação e do diálogo com os professores.

                                       Obstáculos à real integração TIC no 1º ciclo
                          100
                           80     63            69
            Porcentagem




                           60                                      44              40
                           40
                                                                                                  13
                           20                                                                                            4
                            0
                                                  Fa




                                                                     Fa
                                   Fa




                                                                                     Fa




                                                                                                     Fa




                                                                                                                         O
                                                                                                                             ut
                                                    lta




                                                                       lta
                                     lta




                                                                                       lta




                                                                                                       lta




                                                                                                                               ro
                                                        re




                                                                         fo
                                        m




                                                                                         so




                                                                                                           m




                                                                                                                                m
                                                          cu




                                                                           rm
                                         ei




                                                                                                            ot
                                                                                           ftw




                                                                                                                                 ot
                                           os




                                                                                                              iv
                                                            rs




                                                                              .p




                                                                                                                                   iv
                                                                                             ar




                                                                                                                 aç
                                                              os




                                                                                                                                      o
                                            té




                                                                                ed




                                                                                                e/




                                                                                                                    ão
                                              cn




                                                               hu




                                                                                                  ou
                                                                                  ag
                                                ic




                                                                                                                     pr
                                                                 m




                                                                                    óg




                                                                                                     tro
                                                   os




                                                                                                                        of
                                                                  an




                                                                                      ic




                                                                                                                          .
                                                                        os




                                                                                         a
            Gráfico V-20: Obstáculos à real integração nas TIC analisadas pelos professores



        Após estes resultados, podemos observar que não acontecem as interacções
dinâmicas para a construção do conhecimento.
        A interacção pressupõe a criação, ou seja, colocar o aprendiz na acção e posição
de agente e autor. A interactividade consiste na manipulação de todos os recursos
disponíveis dentro de uma modelagem, ou seja, tudo aquilo que é fornecido pela
máquina e colocado à disposição do aprendiz como autor, ou seja, permite a autonomia
do aprendente. (Guerra, 2001).
        Mas, com base no trabalho de Paulo Freire, não há autonomia sem cooperação e
não    há                 cooperação    sem      autonomia.                  Cooperar        é      definido             como             “Operar
simultaneamente; trabalhar em comum; auxiliar; ajudar”, que não pode ser confundido
com colaborar, que significa “Trabalhar na mesma obra… Concorrer para a realização
de qualquer coisa”.
        O ambiente de aprendizagem deve, permitir a criação de “Comunidades do
Conhecimento”, nas quais a cooperação entre as pessoas seja mediada pela tecnologia.
A melhor maneira de criar uma comunidade do conhecimento e na criação de
comunidade de prática, que possibilita, discutir, compartilhar e cooperar caminhando
para a extensibilidade que é a capacidade que um ambiente de aprendizagem tem em
Resultados                                           73
__________________________________________________________________________________________________________



permitir a sua alteração e/ou ampliação, em função de mudança no ambiente do
aprendente.
        Dentro dessa óptica, não devem ser apenas as diversas formas de utilização e
domínio do computador que devem ser questionadas no processo de formação de
educadores. Faz-se necessário analisar o processo de construção de um saber técnico,
visando dotar os docentes de habilidades e conhecimentos que lhes permitam melhor
desempenhar as suas actividades na escola. Mas o domínio mínimo como utilizador do
conteúdo técnico torna-se ponto de insatisfação por parte dos professores em formação,
para a construção de sua prática pedagógica.
        Entendemos assim, que cursos de capacitação contribuirão para que o professor
possa inserir-se na realidade escolar, ser capaz de resolver problemas técnicos ao nível
de utilizador, ser capaz de avaliar os softwares educativos, sites educativos que poderão
ser utilizados na sala de aula, também ser capaz de definir a forma de empregar a
tecnologia no ensino / aprendizagem.
        Na distribuição do género dos professores da amostra por idade e sexo, existe
uma prevalência significativa do sexo feminino nas idades entre os 26 e os 55 anos.
Entre os 18 e os 25 anos, um domínio total do sexo masculino e um equilíbrio (50%) do
sexo masculino e feminino para os que têm mais de 56 anos. (Gráfico V-21)

                                                 Idade - Sexo

                      100                  8
                                                                                   50
                      80
                      60     100
                  %                       92            100              100
                      40
                                                                                   50
                      20
                       0
                            18-25        26-35          36-45           46-55   Mais de 56
                                           Sexo Feminino       Sexo Masculino




                                Gráfico V-21: Cruzamento sexo e idade



        Na distribuição do género dos professores da amostra por formação inicial e
sexo, revela uma predominância do sexo masculino de 89% em Escola Superior de
Educação (ESE) e 97% em outra situação enquanto apenas 11% do sexo feminino têm
formação pela ESE e 3% em outra situação. (Gráfico V-22)
Resultados                                           74
__________________________________________________________________________________________________________



                                            Sexo - Form ação Inicial


                         100
                          80
                                                                                   Masculino
                          60           89                                          Feminino
                                                                   97


                     %
                          40
                          20
                                       11                          3
                           0
                                      ESE                        OUTRA


                         Gráfico V-22: Cruzamento sexo e formação profissional




        Na distribuição do género dos professores da amostra por formação inicial e
idade, a sua representação é expressiva nas idades entre 18 e 35 anos em que realizaram
a sua formação inicial em Institutos Politécnicos (ESE) e já neste sentido encontraram
nos currículos disciplinas relacionadas com as TIC na educação. Para a faixa etária dos
36 anos em diante houve uma queda expressiva, devido a não conformidade das
necessidades das TIC na educação na formação inicial da época em que realizaram as
suas formações inicial. (Gráfico V-23)



                                      Formação Inicial - Idade

                  100
                   80                       38
                                                            65
                   60                                                       81
                               100                                                       100
              %




                   40
                                            62
                   20                                       35
                                                                            19
                    0
                            18-25        26-35            36-45           46-55      Mais de 56

                                            I. Politécnico ESE    Outra situação


                           Gráfico V-23: Cruzamento formação inicial e idade




        Sabemos que dos professores que possuem computador pessoal 51% são homens
e 49% são mulheres.
        Conforme mostra a Tabela V-2, verificamos que relativamente ao sexo, idade e
formação inicial existe um grande equilíbrio quanto a possuir computador pessoal.
Resultados                                                75
__________________________________________________________________________________________________________



          Dos que possuem computador pessoal 35% usa bastante e 65% não usa bastante,
o que revela que não é possuir um computador pessoal que leva à sua utilização mais
efectiva.
          Dos que possuem computador pessoal somente 54% usam o e-mail e 46% não
utilizam o e-mail, revelando assim que não o fazem noutros computadores e não
utilizam o correio electrónico nos computadores da escola.
          Dos que possuem computador pessoal 86% usam a Internet e 14% não usam.



                                        Tem computador pessoal

                          Formação             Usa bastante o                                   Usa a
          Sexo                                                        Usa o e-mail
                           inicial              computador                                     Internet
                                     Outra
      F          M       ESE                     Sim        Não        Sim         Não        Sim    Não
                                    situação
   96%       100%       90%         100%        35%        65%        54%          46%        86%    14%
            Tabela V-2: Cruzamento da questão “possui computador” com, A, F, J, L e M


          Conforme a Tabela V-3, podemos constatar que, dos professores que fazem
autoformação 48% usam bastante o computador para realizar múltiplas tarefas e mais da
metade, 52% não utilizam o computador para realizar múltiplas tarefas, assim,
concluímos que não é o facto de fazer autoformação que eleva a motivação para a
utilização do computador para o seu uso e exploração.
          A conclusão acima é reflectida nos questionamentos do uso do computador para
elaboração de fichas e/ou teste, uso da Internet e uso do correio electrónico, observando
que para o uso do correio electrónico apenas 39% fazem uso e 61% não o utiliza.



                                               Autoformação

   Usa bastante o computador              Usa o computador para
                                                                             Usa a Internet     Usa e-mail
  para realizar múltiplas tarefas     elaboração de fichas e / ou testes
      Sim              Não                 Sim               Não             Sim      Não      Sim    Não
     48%              52%                  46%                  54%          48%     52%       39%    61%
                 Tabela V-3: Cruzamento da questão “autoformação” com J, L, M e N


          Os que fazem acções de formação do ME mostraram uma tendência maior para
o uso do computador para realizar múltiplas tarefas, elaboração de fichas e/ou testes, a
Internet e o e-mail, enquanto comparados com os que fazem autoformação. (Tabela V-
Resultados                                              76
__________________________________________________________________________________________________________



4). Há um aumento de 14% na utilização do computador para realizar múltiplas tarefas,
16% na elaboração de fichas e / ou testes, 11% no uso da Internet e 15% para o uso do
correio electrónico em relação aos professores que fazem autoformação.



                       Acções de formação do Ministério da Educação

   Usa bastante o computador            Usa o computador para
                                                                         Usa a Internet    Usa e-mail
  para realizar múltiplas tarefas   elaboração de fichas e / ou testes
      Sim              Não               Sim                Não          Sim      Não     Sim      Não
     62%              38%               62%                   38%        59%     41%      54%     46%
 Tabela V-4: Cruzamento         da questão “acções de formação do ME” com J, L, M e N


        A Tabela V-5 mostra a realização de acções de formação em informática e TIC,
englobando formações promovidas pelo ME e outras acções de formação em
informática.
        Os professores que realizam acções de formação tendem a usar mais o
computador, visto o acréscimo dos percentuais envolvidos para a maior utilização no
uso do computador para realizar múltiplas tarefas, na elaboração de fichas e/ou testes,
usam mais a Internet e o e-mail. Concluímos assim, a importância da realização de
acções de formação e da formação contínua.



                                    Realizou acções de formação

   Usa bastante o computador            Usa o computador para
                                                                         Usa a Internet    Usa e-mail
  para realizar múltiplas tarefas   elaboração de fichas e / ou testes
      Sim              Não               Sim                Não          Sim      Não     Sim      Não
     72%              28%               75%                   25%        75%     25%      75%     25%
        Tabela V-5: Cruzamento da questão “realizou acções de formação” com J, L, M e N


        Muitas acções de formação são disponibilizadas para os professores pelo ME,
Escolas Superiores de Educação, etc., mas existe uma falta de adesão a estas acções de
formação, o desinteresse na elaboração das páginas Web e na contribuição com
materiais produzidos pelos alunos, factores que podem ser destacados. Esta relutância
tendeu a dissipar-se gradualmente, com o tempo, à medida que a percepção do projecto
começou a atenuar-se. Os formadores que se deslocaram às escolas desempenharam,
Resultados                                               77
__________________________________________________________________________________________________________



neste aspecto, um papel missionário vital – bem distante da mera prestação de
formação.
        No entanto, o problema da participação dos professores das EB1 continua a
afigurar-se, tanto mais que os professores do 1º ciclo do Ensino Básico, nada têm a
ganhar, em termos de carreira, pela participação em acções de formação, que
sobrecarregam o seu dia-a-dia. Afigura-se que este será um dos aspectos onde a
intervenção da tutela, com medidas que reconheçam o esforço adicional dos
professores, poderá ter um papel muito importante a desempenhar.
        Quanto aos professores da amostra que usam o computador para realizar
múltiplas tarefas, podemos observar que existe um grande equilíbrio associado às
variáveis usam Internet, o computador na elaboração de fichas e/ou testes, usam e-mail
e usam o computador para pesquisar assuntos de várias disciplinas. (Tabela V-6)



               Usa bastante o computador para realizar múltiplas tarefas

     Usa o computador para             Usa o computador para
                                                                        Usa a Internet     Usa e-mail
   pesquisar assuntos variados     elaboração de fichas e / ou testes
     Sim              Não               Sim                Não          Sim      Não      Sim      Não
     65%              35%               54%                  46%        59%     41%      69%      31%
        Tabela V-6: Cruzamento da questão “usa bastante o computador” com J, L, M e N



        As Comunidades de Prática foram sendo criadas de forma transparente para os
professores, através de estímulos relacionados ao uso do correio electrónico entre os
professores e monitores, posicionando o professor na responsabilidade da sua
verificação diária, pois quaisquer eventualidades que ocorressem no decorrer do
planeamento do projecto seriam avisados por este meio para posicioná-los, tornando-os
desta forma, aprendizes e comunicadores, selectores de informação potencial para a
construção do conhecimento e constituindo-se em tomadores de decisão, adquirido pela
contextualização das informações recebidas, passando a utilizar a informação como
oportunidade e a constância em aprender a aprender, que segundo Jamil, 2001, a
aprendizagem não é uma experiência finita e que deve ser continuamente elaborada,
com resultados gratificantes. Mas o alcance dessa prática foi mínimo, conforme
apresentado, em face de várias razões em que a maior parte dos professores ainda utiliza
Resultados                                              78
__________________________________________________________________________________________________________



o computador como mero recurso adicional da escrita alfabética, por esta razão,
impossibilitando a sua utilização para a autoformação e formação à distância.
          A Tabela V-7 é referente à recolha feita através de anotações que foram sendo
preenchidas em cada uma das quatro visitas feitas em cada uma das escolas e em
relatório enviados para a FCCN, referente às condições das plataformas instaladas.
          Na questão de “nenhuma estação avariada e não reposta”, em muitas escolas
mesmo que a estação tenha sido reposta, nem sempre estava em condições para ser
utilizada, precisando ainda de alguns reparados, ainda assim, nem todo o equipamento
era reposto, como falta de impressora, cabos e outros.
          Muitas escolas que não possuíam o router em condições de uso, foi utilizado o
router da ESEL para a realização dos trabalhos. Ferramenta indispensável para
quaisquer projectos que dependam da Internet para o seu desenvolvimento e que deve
estar disponível para uso dos monitores.
          100% de escolas possui os softwares necessários de acordo com o projecto.
          Em algumas escolas houve a necessidade de baixar da Internet, o FTP e o Adobe
Acrobat Reader. Em alguns casos teve que ser reinstalado o Windows 98 e o Office.
          Problemas relacionados com o não acesso à Internet por motivo do servidor não
estar a funcionar, instalação do driver da impressora, travamento do equipamento,
oscilação do monitor de vídeo, rede eléctrica, extensão em curto-circuito, falta do cabo
serial para ligar ao router, foram sempre obstáculos para que a acção de formação
pedagógica ocorresse a contento.



                                 Problemas de acesso à Internet

     Acesso à            Estação                                                           Páginas
                                                 Router              Impressora
     Internet           Multimédia                                                         Criadas
                                  Não                   Não         Com
    Sim      Não     Avariada              Avariado                             Não      Sim      Não
                                Avariada              Avariado    Impressora

   85%      15%        5%        95%        35%        65%          92%         8%      85%      15%
                   Tabela V-7: Representação das dificuldades com equipamentos


          Além das dificuldades com os equipamentos, outras dificuldades foram
encontradas, como o saber trabalhar em grupo, pois a falta de domínio técnico do
computador levou um grande grupo de professores a preocupar-se com o
Resultados                                             79
__________________________________________________________________________________________________________



desenvolvimento de habilidades operativas no uso da máquina, enquanto outros sentiam
a necessidade de lidar com a tecnologia integrada ao processo ensino / aprendizagem,
mas muitas das vezes na escola não encontrávamos condições para desenvolver essas
habilidades. Uma outra dificuldade detectada foi, uma grande resistência observada na
formação do professor quando acompanhado de seus pares e alunos, devido à perda da
autoridade que consiste em ele próprio ser o detentor incontestável do conhecimento.
Quando não conseguimos romper esse velho paradigma, os professores isolam-se da
pragmática necessária para dominar o computador entre outras ferramentas didácticas
relacionadas com as TIC.
           A experiência e este trabalho demonstraram que algumas instituições de Ensino
não apresentam um ambiente propício para a aprendizagem e para a construção e
socialização de novos conhecimentos. Entre os indicadores desta constatação, mais forte
em instituições estudadas, colocamos factos como:
•   A diversidade dos actores mobilizados pelo processo (projecto) foi muito elevada e
    as relações entre eles eram complexas, combinando interesses e motivações de difícil
    conciliação;
•   A complexidade sociológica das redes por eles constituídas, associada à sua grande
    sensibilidade a dinâmicas sociais de elevada contingência, largamente dependentes
    da existência e permanência, ou não, de lideranças individuais, aos diversos níveis,
    reforça um cenário de grande complexidade;
•   Compreendem-se as dificuldades acrescidas que terão resultado de o Ministério da
    Educação, órgão tutelar do subsistema onde a intervenção tinha lugar, se ter mantido
    afastado do processo. Na prática, tece-se um ministério mandatado para pôr em
    prática as políticas nacionais para a Sociedade de Informação (o Ministério da
    Ciência e da Tecnologia) a tentar actuar na área de intervenção de um outro
    ministério (o Ministério da Educação) que não se manifestava interessado em acolhê-
    las;
•   Como consequência da situação anterior, as Instituições de Ensino Superior, que
    assumiram a concretização do programa no terreno, ver-se-iam obrigadas a construir
    pacientemente, a partir do zero, a complexa teia de relacionamentos indispensável ao
    funcionamento do programa, sendo de facto, que ao tentarem iniciar a calendarização
    das acções de terreno, depararem inesperadamente com compreensíveis reacções de
Resultados                                             80
__________________________________________________________________________________________________________



    obstrução por parte das escolas e dos professores, que se interrogavam sobre a
    legitimidade de tais intervenções;
•   Descontinuidade de trabalho com a frequente mudança de professores;
•   Falta de documentação e história, o que prejudica a aprendizagem através da
    experiência do passado da própria instituição;
•   Dificuldade de equipamentos e meios para acesso e difusão de informações para os
    alunos e professores, tais como: avarias nos PC multimédia, furtos dos equipamentos
    por deficiente protecção das escolas e atrasos na reposição, avarias nos equipamentos
    de acesso básico RDIS, cuja vulnerabilidade a descargas atmosféricas excedeu
    largamente o aceitável num produto comercial, avarias no routers RDIS, igualmente
    expostos às descargas atmosféricas (das quais os equipamentos de acesso RDIS não
    as protegiam), conforme apresentado anteriormente.
        Todas estas dificuldades viriam atrasar de forma significativa a formação dos
professores e a entrada do projecto, que em muitas escolas só viria a verificar-se perto
do final do ano. As perdas de tempo dos formadores, nas escolas, na resolução de
problemas de natureza técnica, com grande prejuízo da acção pedagógica efectiva,
associadas às dificuldades do factor tecnologia.
        Para ajudar a melhorar a actuação comunicacional escolar de professores, com
as diversas medias é preciso verificar: que significados os conceitos ensino escolar e
aprendizagem escolar têm para professores que já actuam há anos, ou que recém
começaram, na sala de aula; quais são seus objectivos de ensino e aprendizagem? Quais
diferenças explicitam entre método, abordagem, técnicas, medias de ensino e
aprendizagem? O que esses professores entendem por trabalho em rede, ou por redes de
comunicações? O que são tecnologias de comunicação para eles? O que são as novas
tecnologias de informação e comunicação? Para uma melhor apropriação das redes de
comunicações com as diversas tecnologias acreditamos ser essencial que o professor
tenha muito claro o paradigma educacional, e também, o comunicacional que norteia a
sua acção.
        Os projectos de redes telemáticas que o Ministério de Educação, junto com a
Fundação da Computação Científica Nacional, Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade,
Escolas Superiores de Educação, Câmaras Municipais, Agrupamentos, UARTE –
Unidade de Apoio a Rede Telemática Educativa e outros se propuseram a implantar nas
escolas públicas portuguesas, parecem começar a preocupar-se com estas questões.
Resultados                                             81
__________________________________________________________________________________________________________



Educadores em geral, legisladores e outros representantes têm discutido a necessidade
de se desenhar um projecto de preparação mais consistente do corpo pedagógico escolar
para a implantação das redes comunicacionais nas escolas, não como um modismo
como outras tecnologias foram introduzidas, mas preocupados com a diminuição do
fosso que se estabelece entre os estudantes das escolas públicas e as questões de
melhoria da qualidade da vida de todos no país.
        Não é suficiente a colocação dos equipamentos (hardware e software) nas
unidades escolares, não é suficiente chamar profissionais de informática para ministrar
"cursinhos" de informática para os professores. Há que se realizar um trabalho de médio
e longo prazo para que os professores descubram e incorporem o novo papel do
professor comunicador para ser uma das forças transformadoras desta sociedade
tecnocrática em busca da diminuição das diferenças e das injustiças sociais e
comprometidos com a revalorização do ser humano, que se conceitua como "um ser que
conhece", e que se comunica.
        Muitos estudos foram realizados desde que as TIC entraram nas escolas
portuguesas para a análise dos investimentos do Estado Português e a valoração destes
investimentos, com resultados dentro de uma visão muito optimista. O que não se
caracterizou com essa análise e que ainda muito se tem por fazer.
        A importância desta fase da análise caracterizou-se pela obtenção de dados que
contribuem para a melhoria da nossa visão sobre o problema pesquisado e permite uma
percepção mais próxima da realidade em conformidade com os objectivos deste
trabalho.
        Em seguida iremos apresentar as conclusões finais do trabalho realizado, bem
como referir algumas sugestões para investigações futuras.
Capítulo VI

                                       Conclusões
       O objectivo desta pesquisa foi o de descrever e analisar algumas actuações de
professores na criação do conhecimento com as tecnologias de informação e
comunicação nas escolas, a partir das suas perspectivas integradas e a melhor prática
comunicacional educativa nas escolas. Decorrentes deste estudo são os que se voltam
para acções formadoras de professores, procurando fazer uso das mais diversas
tecnologias comunicacionais de tal modo que eles passem a reflectir sobre elas e a
integrá-las (ou não) na sua actividade comunicacional educativa em sala de aula e na
sua capacitação contínua na busca de realizar acções formadoras de professores que
aperfeiçoem suas práticas comunicacionais pedagógicas com as TIC, embasadas nas
teorias da aprendizagem e motivação são necessárias então, ampliações de pesquisas
nessa área, mobilizadas por questões como as que explicitamos a seguir e sobre as quais
desenvolvemos reflexões e apresentamos algumas perspectivas e proposições.



6.1. Constatações

       Vislumbramos que a heterogeneidade de conhecimentos e vivências em
diferentes áreas de conhecimento permitiriam uma experiência rica para todos os
participantes. As perspectivas de enfoque e análise das questões propostas seriam
múltiplas, variadas, multifacetadas.
       O discurso mais consciente desvelado em respostas ao questionário e
observações e nos debates em sala de aula, muitas vezes, não se mostrou tão coerente
com a prática, demonstrada nas actividades pedagógicas desenvolvidas. O projecto
serviu para que pudéssemos ter um certo perfil dos professores no momento em que
estávamos presentes em cada escola enquanto aconteciam os debates, os depoimentos e
a produção escrita e oral em sala de aula, permitindo acompanhar como esse perfil se
mantinha ou se revelava paradoxal no decorrer do projecto. As tais condições oferecem,
assim, um campo fértil para a pesquisa sobre as relações que esses profissionais
constroem em relação à Educação, Comunicação e Tecnologia e a consequente prática
no seu campo de trabalho no Ensino.
Conclusões                                               83
__________________________________________________________________________________________________________



        Tanto na época de sua aplicação quanto na análise para este trabalho, podemos
observar mudanças no comportamento e na produção individual de alguns professores,
constatando sobre a interacção colaborativa e cooperativa e os seus reflexos nas atitudes
e até mesmo no comportamento dos colaboradores.
        Em relação às tecnologias de informação e de comunicação, transformou-se de
simples recursos de apoio em mediadores nas relações interpessoais e na construção do
conhecimento e, mais ainda, em tecnologias de colaboração e cooperação, em alguns
casos, entusiástica.
        É necessário promover um ambiente que conduza à aprendizagem − como
processo de transformação que envolve conhecimento, habilidade e atitudes do
indivíduo, com tempo para a reflexão e análise, para dissecar tanto as necessidades dos
alunos e professores quanto da sociedade onde se inserem como profissionais e
cidadãos e para avaliar os sistemas de ensino e pesquisa em uso e inventar novas
técnicas e novas abordagens que promovam a aprendizagem. A aprendizagem, o
desenvolvimento de habilidades e novas competências e a socialização de conhecimento
é incompatível com o sistema de monopólio do conhecimento e a sua concentração nas
mãos de poucos.
        Muitas escolas mantêm ainda uma expressiva resistência, aliás, compreensível, a
um programa que se lhes apresenta como alienígena. A urgência em assegurar que o
projecto se inscreve harmoniosamente na hierarquia pedagógico-administrativa das
escolas é assim elevada.
        Associadas à realidade das escolas, manifestaram-se também dificuldades em
algumas básicas integradas, onde o processo de intervenção foi difícil de gerir. Como no
caso em que um número significativo de professores das escolas manifestou grande
relutância em associar-se ao projecto, a ponto de se poder considerar que a participação
dos professores é uma das dimensões da intervenção no terreno onde as dificuldades se
apresentam como de mais difícil resolução.
        A todas essas constatações, acrescentamos a relacionada aos ambientes em que o
projecto foi estudado. Em uma das instituições não era propício, ao contrário,
dificultava a prática do uso das TIC pelos professores e alunos, entre pares e outros.
Ainda assim, a prática ocorreu entre aqueles que de facto já incorporavam crenças,
atitudes e competências necessárias à colaboração e cooperação ou entre aqueles abertos
a aprender e desenvolver novas crenças, atitudes e competências. À medida que se
Conclusões                                               84
__________________________________________________________________________________________________________



desenvolvia a acção, agia-se sobre esse ambiente, modificando-o na medida das
possibilidades e estudando-o em relação às suas deficiências.
        A esse ambiente, contrapôs-se o de outras escolas que ofereceu uma infra-
estrutura adequada para o desenvolvimento do projecto, não só em termos de
equipamento e espaço como de pessoal mais envolvido, motivado e melhor formado. O
desenvolvimento        dos    trabalhos      com     os    professores      nessas     escolas    foram
significativamente mais dinâmicos e a incorporação de novos conceitos, o repensar de
velhos conceitos e a discussão das inter-relações da educação, tecnologia e comunicação
reflectiram-se nos trabalhos finais do projecto.
        Enfim, o resultado de alguns trabalhos de muito bom nível demonstram que
houve um desenvolvimento do projecto de formação de boa qualidade quando, em
paralelo com o desejo, a vontade e o esforço, a acção ocorreu e, dentro desse paradigma,
e a utilização das tecnologias, essa acção foi de facto optimizada e a prática foi
incorporada.
        Conforme as características que envolvem as escolas analisadas e os resultados
apresentados, o projecto sustentou as suas estratégias de desenvolvimento de produção
do conhecimento, dentro dos incentivos mais reclamados pelos professores e seus
aspectos motivacionais, citados no Capítulo II segundo Neves de Jesus, e que esses
aspectos motivacionais foram galgados através da adaptabilidade e capacidade de
inovação, combinados à capacidade de satisfazer rapidamente a demanda com a
aprendizagem colectiva e o desenvolvimento de novos conhecimentos.
        Os três pilares que sustentam um programa educativo são as infra-estruturas,
conteúdos e contextos, assunto bem trabalhado por Figueiredo (2003), asseguradas que
estão as infra-estruturas materiais que sustentam o programa e as infra-estruturas
técnicas e pedagógicas que o apoiam, garantido que está o acesso a um abundante
repositório de conteúdos, que a UARTE tem vindo a acumular (e deverá ser apoiada no
sentido de continuar a enriquecer).
        Para dar continuidade, então, a esses estudos, acreditamos ser importante
constatar o que os professores pensam e fazem com as redes comunicacionais
mediáticas, como pensam outros conceitos relativos à educação e ao seu trabalho na
Escola, e como podem conseguir maior profundidade conceptual. Reflectir sobre esses e
outros conceitos fundamentais para a sua actuação profissional pode ajudá-los a melhor
nortear o seu trabalho. Alguns professores, já constatam e assumem a necessidade de
Conclusões                                               85
__________________________________________________________________________________________________________



resgatar esse tempo de reflexão. Outros ainda ignoram essa constatação e posicionam-
se, frontalmente, contra quaisquer actividades que os coloquem novamente diante dessa
situação. Há ainda aqueles que não só resistem, mas se transformam em obstáculo
principal a transformações, dificultando qualquer atitude, posicionamento ou
questionamento que possamos apresentar para abalar a sua posição de poder e decisão
dentro da hierarquia administrativo-pedagógica da escola.
        O trabalho de repensar e reestruturar a educação escolar exige o passar pelo
caminho da sensibilização e consciencialização dos professores em relação às
constantes e rápidas transformações de ordem político-sócio-económica, cultural,
comunicacional e educacional que as novas tecnologias de comunicação vem
acelerando a velocidades nunca antes pensadas. O ser humano tem que reencontrar seu
equilíbrio e o papel do professor é fundamental. O conceito de rede como uma ligação
mais voltada às transformações sócio-culturais deve-se espalhar e expandir para todos
os lados. Compartilhar as experiências bem sucedidas pode tornar a vida humana, mais
saudável. Os professores não podem furtar-se a esta função, principalmente hoje, no
mundo em que a escola precisa ajudar a preencher as lacunas deixadas pela falta de
orientação de crianças, adolescentes e jovens quanto aos valores morais, aos princípios
éticos, à actuação política no sentido puro dessa palavra e ao exercício de uma cidadania
questionadora e modificadora.
        A utilização da comunicação através das TIC e de computadores, por exemplo,
conforme a necessidade e a disponibilidade desses meios, pode tornar-se mais habitual
entre os alunos e professores. Para essa incorporação, faz-se necessário o uso constante
não só de actividades desempenhadas através dessas medias, através de consultas
constantes ao correio electrónico, a pesquisas, etc.
        Os professores reconhecem a importância das redes de comunicação para
resolver problemas, mas muitos professores ainda não praticam mais intencionalmente
os modos comunicacionais por diversas razões (económicas, habilidades insuficientes,
etc.) que precisam ser superadas.
        É fundamental que o professor continue a pesquisar, a comunicar-se com
diversas medias, com seus pares e a passar ele próprio pela aventura construtivista e
colaborativa da descoberta e da criação para servir de exemplo e motivação aos seus
alunos, e nessa comunicação, desenvolva a percepção de si mesmo, percepção de sua
relação com as medias que utiliza, do grau de controlo que tem sobre essas medias e do
Conclusões                                               86
__________________________________________________________________________________________________________



contexto em que as utiliza, bem como o conteúdo da mensagem e o quanto podem
controlá-la ou mesmo alterá-la.
        O professor precisa ter muito clara essa questão da percepção no gerenciamento
dos projectos pedagógicos telemáticos que se realizam através de encontros electrónicos
mais ou menos interactivos, dependendo das medias empregues. Há que estar atento
ainda para as amplas possibilidades do desenvolvimento de processos de construção
colectiva do conhecimento.
        A comunicação electrónica pode abrir portas para a superação de alguns
preconceitos ainda existentes nessa área. Quando alunos e/ou os professores usam um
computador trocando ideias e informações com pessoas de outras regiões da cidade, do
distrito, do país ou do mundo, podem ser estimulados a abrir o coração e a mente à
recepção das ideias, sentimentos. Apreciações do outro para julgá-las a partir das
mesmas e não a partir do preconceito (rejeição) pela aparência física, pela posição
social, pela etnia, pela idade, pelo sexo.
        Quando os professores efectivamente se comunicam e trabalham com seus pares
colaborativamente e cooperativamente descobrem suas inteligências específicas que
lhes permitem também respeitar as diferenças de seus alunos e a ter sensibilidade para
as diversas inteligências. Essa comunicação permite-lhe apreender e estimular os pontos
fortes; atentar e cuidar dos pontos fracos. Permite-lhe trabalhar com a auto-estima dos
seus alunos de modo a fazê-los crescer e desenvolver-se integralmente. Um outro
elemento fundamental de comprometimento de professores e alunos é a pertinência.
        Nesses projectos, em que o principal não é o uso da comunicação electrónica,
mas o uso da comunicação social, na conjuntura escolar, os professores podem aprender
a descobrir os seus talentos e a usá-los com eficácia, aumentando a sua própria auto-
estima e provocando o bom desempenho e entusiasmo de seus alunos, uma vez que a
comunicação é um caminho de ida e volta, bidireccional e de construção conjunta
envolvendo emissor e receptor em que passa a não existir emissor activo e receptor
passivo, em que ambos os sujeitos passam a ser sujeitos activos na comunicação.
        As novas tecnologias de informação e de comunicação trazem uma quantidade
imensa de informação que vem fragmentada, dispersa, descontextualizada e,
recontextualizada, que adquire uma subdimensão ao se inter-relacionarem umas com as
outras e que manifestadas em som, imagem e textos se associam nas mais complexas
formas. Reiteramos, pois, a necessidade de se preparar o professor em programas de
Conclusões                                               87
__________________________________________________________________________________________________________



formação inicial e de formação em serviço para que eles aprendam a desembaraçar a
complexidade, detectar as ligações de uns dados com outros e a reconhecer contextos
com suas correspondentes repercussões e factos informativos, para poder trabalhar
comunicacional e educativamente com seus alunos, não apenas como um disseminador
de informação, mas como educador, como guia, que tem posse de critérios e orientações
e saiba analisar e contextualizar a informação para depurá-la através da selecção, da
valorização, do contraste, para ser um "despertador de espíritos" que levará seus alunos
a adquirir um domínio de representações e abstracções para transformar conhecimentos
adquiridos em saber elaborado.
        Para que os projectos ou planos de comunicação escolar telemática possam ser
pedagogicamente efectivos é indispensável que sejam acompanhados por processos de
planeamento consistente, partindo-se de um embasamento teórico, tendo por consenso a
definição dos objectivos gerais e específicos, a escolha dos métodos e procedimentos
adequados, a designação de actividades e delegação de responsabilidades.
        O acesso à Internet é, hoje, na cultura ocidental, pelo menos, uma prática
comunicativa social cada vez mais presente. Nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia,
na Austrália, na América Latina, aumenta o número de projectos pedagógicos
telemáticos que se utilizam dessa media. Entretanto, é sabido que a maioria dos
professores ainda não incorporou essa cultura e, portanto, essa cultura tem se reflectido
na cultura da sala de aula como actividade extra, como perda de tempo, como modismo,
sem se incorporar como uma prática desveladora de um mundo local descobrindo-se,
analisando-se, criticando-se e alterando-se mas afirmando-se, nas suas especificidades,
em relação ao transnacional, ao global, ao planetário.
        Tem que se partir para uma formação do professor com ênfase na competência
cultural, o que significa que o professor tem que primeiramente perceber a sua própria
cultura, conhecendo-a, compreendendo-a, depois, abrir-se para o conhecimento e a
compreensão de outras culturas e aprender a criar ambientes multiculturais que
permitirão que seus alunos desenvolvam suas habilidades e seus estilos de
aprendizagem. Isso significa que o professor tem que se preparar para ser um
pesquisador, um comunicador, mas, sobretudo, um aprendiz por toda a sua vida e ajudar
seus alunos a desenvolverem a autonomia para também se tornarem eficientes
pesquisadores, comunicadores e aprendizes autónomos, não importa qual carreira,
profissão ou função que optem para a sua vida.
Conclusões                                               88
__________________________________________________________________________________________________________



        O professor ao tornar-se competente em relação à utilização do computador
contribui melhor com seus alunos que já chegam à escola com uma certa competência
na utilização dessa tecnologia. Alguns desses alunos tornam-se professores dos seus
professores sobre uso de computadores e, o professor tem que estar aberto para ser
aprendiz nesse ambiente de aprendizagem multi-direccional.
        As escolas abrangidas neste trabalho possuem características semelhantes, de
uma só sala. Algumas escolas em que as professoras acreditavam na utilização da rede
de computadores para abrir os horizontes de seus alunos, integraram um quadro em
forma de mapa para que os alunos pudessem ir ao computador nos dias específicos e
que no final da semana todos teriam feito uma actividade utilizando as novas
tecnologias inserida na sala de aula. Outras escolas optaram pela colaboração e
cooperação entre os alunos mais velhos com alunos mais novos na utilização do
computador, na utilização de softwares educativos e conversas em tempo real.
        Em outros casos, se o professor se disponibilizava voluntariamente a participar,
os monitores agradeciam; se, ao contrário, os professores não acreditavam no projecto,
ou se mantinham cépticos e afastados, os monitores, em geral, levavam o projecto a
contento, satisfeito com os resultados alcançados com os alunos, nessa situação, o
projecto pedagógico com a utilização das TIC não se incorporava à prática
comunicacional educativa da escola, pois estivera restrito à actuação dos alunos. Assim
como, o inverso também aconteceu, em que os professores participavam activamente
das actividades dos monitores, mas não abriam espaço para a participação dos alunos.
        O trabalho no campo da educação escolar tem mostrado que o mais importante é
mudar ou resgatar mentalidades e práticas que representem um novo paradigma
comunicacional e educacional e reflictam o discurso dos professores. Na verdade, ao
chegar à escola e lhes propor a conhecer a prática dos professores e avaliar o quanto ela
está próxima daquela que defendemos, encontramos um grupo diversificado de pessoas
ansiosas, resistentes, e cépticas. Após os primeiros contactos em que procuramos
resgatar a sua prática e envolvê-los nas actividades propostas, não desprezando toda a
sua experiência, mas valorizando-a ou fazendo-os reflectir sobre ela, questionando-a,
alguns professores passaram a participar de forma realmente colaborativa e cooperativa.
        Um dos problemas enfrentados em muitas das escolas reflecte que o trabalho
com o professor tem que ter acompanhamento ao longo de todo o projecto. Um
acompanhamento constante, pois o professor tende a acomodar-se e voltar para a sua
Conclusões                                               89
__________________________________________________________________________________________________________



prática tradicional quando o agente estimulador não está presente. O que foi percebido é
que se o professor se compromete de forma completa com o projecto, isto é, se ele
acredita desde o início e a sua prática já está de certa forma voltada para uma postura
construtivista e de pesquisa, os resultados são, desde o início, positivos e os alunos estão
sempre estimulados e assimilam essa postura. Esse professor pode ser um auxiliar nos
acompanhamentos dos mais resistentes; entretanto, se o envolvimento é aparente e o
professor continua apegado a curricula e às actividades tradicionais obsoletas, o
acompanhamento dos monitores do projecto tem que ser mais constante e efectivo.
        Acreditamos que as actividades propostas para os alunos devem ser
desempenhadas e realizadas em primeiro lugar pelos professores; só a partir do
momento em que o professor vivência a proposta que vai ser feita ao aluno é que ele
passa a ter mais consciência das possibilidades e limitações que serão enfrentadas pelos
mesmos e criam condições de uma melhor orientação para os alunos.



6.2. Perspectivas

        Através do trabalho desenvolvido com os professores, alunos e colegas
monitores podemos vislumbrar que mudanças significativas estão acontecendo em
algumas escolas, quer por iniciativa dos agrupamentos, quer por iniciativa individual de
professores. Há um movimento de repensar o Ensino como tempo e espaço de trabalho,
aprendizagem, pesquisa e construção de conhecimento segundo o prisma da
colaboração e cooperação e do desenvolvimento de uma inteligência colectiva que
valoriza o indivíduo em consonância com a comunidade da qual faz parte.
        Tanto as novas tecnologias no contexto educativo como o trabalho em equipa
sob a liderança do professor (como membro activo) ainda estão para serem descobertos.
        A partir das dificuldades enfrentadas durante esta pesquisa e redacção da
dissertação, recomendo a meus colegas pesquisadores a prática de documentação
através de relatórios constantes, impressos, bem como através de áudio e videogravação
das acções quotidianas, quer as situações de conflito ou de dificuldades quer as acções
de sucesso. Essa documentação pode ser utilizada tanto para uma análise conjunta
seguida de reflexão quanto de matéria-prima para futuros projectos sobre o processo de
ensino/aprendizagem utilizando as novas tecnologias de informação e comunicação nas
escolas do 1º ciclo.
Conclusões                                               90
__________________________________________________________________________________________________________



        Com a utilização das tecnologias optimizam-se de sobremaneira as acções
colaborativas e cooperativas entre alunos e professores e devem ser utilizadas sempre
que existentes e disponíveis na instituição optimizando a comunicação tanto
presencialmente, quanto à distância.
        A prática deve ser uma constante. O crescimento individual e colectivo são
significativamente maiores. Ainda que seja mais trabalhoso e envolva mais horas de
trabalho e dedicação do docente – e em decorrência dos alunos – os resultados
compensam.



6.3. Proposições

        Ao concluirmos esta dissertação, encaminhamos como proposição de trabalho
junto à comunidade académica, a necessidade de se desenvolver uma intensa acção
colaborativa e cooperativa no desenvolvimento de projectos na formação de professores
do 1º ciclo e um ambiente propício para a utilização das tecnologias de informação e
comunicação na sala de aula, até que exista uma autonomia dos professores no uso das
TIC, e assim evitar a decadência de projectos tão valiosos como Internet na Escola e
coloque verdadeiramente em prática todos os objectivos do projecto além de uma
reflexão constante, que se amplie à participação dos alunos na cultura escolar com a
utilização das tecnologias como optimizadoras da sua acção e mediadoras da sua
reflexão. Uma participação que vá para além dos encontros temporários que alunos e
professores têm durante o período de cada ano lectivo, quer através de artigos
impressos, quer com artigos divulgados na WWW. Que se consolide em projectos
activos com contribuições significativas no âmbito de novas abordagens educacionais e
na implementação das tecnologias de informação e de comunicação como tecnologias
didácticas. Projectos que envolvam aprendizagem contínua, com certeza dinamizarão a
actividade escolar e contribuirão para a transformação de professores e alunos em
agentes activos de um projecto maior de reconstrução da Escola como instituição de
aprendizagem, facilitando a aprendizagem de todos os seus integrantes e que se
transforma continuamente. Vivemos em tempos de mudanças rápidas e constantes que
exigem um processo cognitivo e inter-subjectivo, que construa novos saberes
relacionados a essas mudanças e que, se necessário, redefina situações até mesmo com
medidas radicais temporárias ou definitivas. Esta acção deve ainda estar comprometida
Conclusões                                               91
__________________________________________________________________________________________________________



com as Escolas Superiores de Educação enquanto centro de pesquisa e de construção de
conhecimento com uma perspectiva de socialização do conhecimento que vai alimentar
a reconstrução de uma sociedade mais humana, mais justa e mais igualitária.



                         Tópicos importantes das conclusões
•   Desenvolver a mudança no comportamento e na produção individual dos professores.

•   Desenvolver a interacção colaborativa e cooperativa nos professores.

•   Desenvolver reflexos nas atitudes e no comportamento dos professores.

•   Desenvolver relações interpessoais e na construção do conhecimento

•   Construir um ambiente propício que conduza à aprendizagem.

•   Perspectivar a incorporação de novos conceitos em detrimento dos velhos conceitos.

•   Desenvolver a percepção de projectos pedagógicos telemáticos com planeamento.
•   Difundir o aspecto de analisar e contextualizar a informação para a depurar através da
    selecção, da valorização e do contraste.
•   Despertar o conhecimento da própria cultura para depois se abrir a outras culturas.

•   Aprender a criar ambientes multiculturais.

•   Tornar-se competente e autónomo para utilização das TIC.

•   Desenvolver mentalidades de prática.

•   Desenvolver a aprendizagem segundo o prisma da cooperação e colaboração.
•   Desenvolver uma intensa acção colaborativa no desenvolvimento de projectos na formação
    de professores num ambiente propício para a aprendizagem das TIC.
•   Projectos para desenvolver a aprendizagem contínua.

                          Tabela VI-1: Tópicos importantes das conclusões



             "Se a sua opção política é uma opção transformadora e você é coerente com
      sua opção –... - se é substantivamente democrática, você não renuncia a seu
      trabalho de educador, você se afirma nele e desafia o educando a assumir-se
      como sujeito do processo de conhecer”.
                                                                                           Paulo Freire
Referências Bibliográficas

BIZZOTTO, C. E. N. (2003). O aprendiz: ambiente extensível para o aprendizado
distribuído. (Tese de Mestrado em Engenharia da Produção da Universidade Federal de
Santa Catarina).

BUSATO, Luís R. (1997). Tecnologia de informação, comunicação e educação.
Trabalho apresentado no 4º EDUCADOR Congresso Internacional de Educação. São
Paulo.

CASTELL, Manuel. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra.

CHIAVENATO, Idalberto (1999). Introdução à teoria geral da administração. São
Paulo: 5ª edição, Editora Makron Books.

CORTELAZZO, I. B. C. (2000). Colaboração, trabalho em equipe e as tecnologias de
comunicação: relações de proximidade em curso de pós-graduação. São Paulo: Tese de
doutorado – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

CURVELLO, J. J. A. (1993). Comunicação interna e cultura organizacional: um
enfoque qualitativo da questão no Banco do Brasil. Dissertação de Mestrado – Instituto
Metodista de Ensino Superior.

FIGUEIREDO, A. Dias de. (1999). Importância e complexidade da formação de
professores na sociedade da informação. In Conselho Nacional de Educação. (1999). A
sociedade da informação na escola. Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da
Educação.

_____. In Conselho Nacional de Educação (2002). Redes de aprendizagem, Redes de
conhecimento. Ministério da Educação. Lisboa.

FIGUEIREDO, A. Dias de; AFONSO, A. P.; FERREIRA, A. M. (2003). Programa “
Acompanhamento da utilização educativa da Internet nas escolas públicas do 1º ciclo do
ensino básico”. Relatório de avaliação intercalar. Laboratório de informática e sistemas.
Coimbra.

FREIRE, Paulo. (1987). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Referência bibliográfica                                      93
__________________________________________________________________________________________________________



_____. Pedagogia da autonomia. (1997). Saberes necessários à prática educativa. Rio de
Janeiro: Paz e Terra.

GARDNER, H. (1996). A nova ciência da mente: uma história da revolução cognitiva.
São Paulo: Universidade de São Paulo.

GUERRA, A.F. (2001). Uma experiência com ambientes de aprendizagem cooperativa:
a educação em áreas costeiras através de página web. Florianópolis. (Doutorado em
Engenharia da Produção). Centro Tecnológico. Universidade Federal de Santa Catarina.

GUIA de e-Business (2001).

GOMES, Debora. (2003). In Artigos para a educação e escola. COPPE/UFRJ.

IAHN, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista @prender virtual.

IANNI, O. (1996). Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

JAMIL, G.L. (2001). Repensando a TI na empresa moderna – atualizando a gestão com
a tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Axcel.

LITTO, Fredric M. (1999). País sem coesão social. In: Folha de São Paulo.

LIBANEO, José C. (1998). Adeus professor, adeus professora: novas exigências
educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez.

MARTINS, J. C. (2001). Emprego, mercado e pessoas. Coimbra: Quarteto Editora.

MAXIMIANO, António C. A. (2001). Introdução à administração. São Paulo: Editora
Atlas.

MOREIRA, Mércia. (1997). A questão da informática na educação. Refletindo a
prática do EDUCOM-MG. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.
(Dissertação, Mestrado em Educação).

MORESSI, Eduardo Amadeu Dutra (1999). Delineando o valor do sistema de
informação de uma organização. Tese de doutoramento apresentada na Universidade de
Brasília.
Referências Bibliográficas                                     94
__________________________________________________________________________________________________________



MOURA, A.M.; AZEVEDO, A.M.P; MEHLECKE, Q. (2001). As teorias de
aprendizagem e os recursos da internet auxiliando o professor na construção do
conhecimento. In Congresso Internacional a Distância. Brasília. Anais.

NEVES DE JESUS, Saúl. (1996). Motivação e formação de professores. Coimbra:
Quarteto Editora.

PRAIA, João Félix. (1999). A didáctica e as novas tecnologias na formação de
professores: algumas reflexões. In: CNC – Conselho Nacional de Educação. (1999). A
sociedade da informação na escola. Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da
Educação.

PIAGET, J. & outros. (1976). Fazer e comprender. São Paulo. Melhoramentos e
Editora da Universidade de São Paulo.

PEREIRA, Julio E. D. (1999). Formação de profesores: pesquisa, representações e
poder. Belo Horizonte. Editora Autêntica.

REVISTA Exame Informática (2002).
Bibliografia

AKTOUF, Omar. O Simbolismo e a cultura de empresas: dos abusos conceituais às
lições empíricas. In Chanlat, Jean F. O Indivíduo na organização - Dimensões
Esquecidas - Volume II, São Paulo, Atlas, 1994.

ALMEIDA, Meneleu A. de (1981). Diagnóstico preliminar do sistema de comunicação
de uma grande Instituição Brasileira de Crédito - Dissertação de Mestrado. Brasília,
UnB.

AMARAL FILHO, J do (1999). A endogeneização no desenvolvimento econômico
regional. Anais da ANPEC, XXVII Encontro Nacional da Anpec. Belém –Pará.

AMARAL, Luís & VARAJÃO, João (2000). Planeamento de sistemas de informação.
Lisboa: Editora FCA.

BERINO, A. (1994). Elementos para uma teoria da subjetividade de Marx. Niterói:
UFF (Dissertação de Mestrado).

BIPEL, Boletim de informação ao pessoal do Banco do Brasil, (1997).

BRUNO, Reestruturação capitalista e Estado Nacional. In: Oliveira, Dalila. A.; Duarte,
Marisa R. T. (1999). Política e trabalho na escola: administração dos sistemas públicos
de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica.

CAMPOS, G. Informática na educação. (1993). In: Iahn, L. F. (2003). Portais
educacionais, artigo revista @prender virtual.

CNE – Conselho Nacional de Educação. (1999). A sociedade da informação na escola.
Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da Educação.

CRONIN, Blaise. Esquemas conceituais e estratégicos para a gerencia da informação.
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Setembro 1990.

DALVI, Antenor Cesar & Vieira, Paulo Sérgio. (1999). Produtos comerciais de
videoconferência, Testes na Rede da Receita Federal. Dissertação de Pós-Graduação em
Redes de computadores, sob orientação do Professor Doutor José Gonçalves Pereira
Filho. Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.
Bibliografia                                             96
__________________________________________________________________________________________________________



DALVI, M. P. Boina. (2000). Videoconferência nas Organizações como Implemento da
Comunicação. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) (Monografia). Faculdades
Integradas EspíritoSantenses – FAESA.

DALVI, M. P. Boina. (2003). Artigo “ Formar Professores no Contexto da Cultura
Digital ” (3ª colocação) – V Simpósio Internacional na Educação” – Challenges –
Centro de Competência Nónio Século XXI da Universidade do Minho – BRAGA.

DERTOUZOS, Michael L. (1997). O que será? Como o mundo da informação
transformará nossas vidas. São Paulo: Companhia das Letras.

DUARTE, M. R. T. (1999). Política e trabalho na escola: administração dos sistemas
públicos de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica.

DRUCKER, Peter F. (1988). The coming of the new organization. Harvard Bisiness
Review. Boston.

FERNANDES, A. (2001). Administração inteligente – novos caminhos para
organizações do século XXI. São Paulo: Futura.

HERZBERG, Frederick; MAUSNER, Bernard; SNYDERMAN, Barbara Block. The
motivation to work. (1959). In: Maximiano, António C. A. (2000). Introdução à
administração. São Paulo: Editora Atlas.

KING, J. L. & KRAEMER, K. L. (1988). Information resource management: is it
sensible and can work?

LÉVY, Pierre. (1996). In: Iahn, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista
@prender virtual.

_____. (1997). L´Intelligence Collective: Pour une anthropologie du cyberspace. Paris:
La Découverte.

_____. (1999). Cibercultura. São Paulo, Editora 34.

MARTIN, Joanne (1994). Cultures in Organizations - Three Perspectives, New York,
Oxford.

MASLOW, Abraham A. (1943). A theory of human motivation. In: Maximiano,
António C. A. (2000). Introdução à administração. São Paulo: Editora Atlas.
Bibliografia                                             97
__________________________________________________________________________________________________________



MEIRIEU. (1999). Aprender sim, mas como? In: Iahn, L. F. (2003). Portais
educacionais, artigo revista @prender virtual.

MONTEIRO, E. & Boavida, F. (2000). Engenharia de redes informáticas. Lisboa:
FCA.

MORAN, José Manuel; Masetto, Marcos e Behrens, Marilda. (2000). Novas
tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus Editora.

NONAKA, I. & KROGH, G.& ICHIJO, K. (2001). Facilitando a criação de
conhecimento – reinventando a empresa com o poder da inovação contínua – Tradução
de Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Editora Campus.

NÓVOA, A. (1992). Os professores e a sua formação – Formação de professores e
Profissão docente. Lisboa: Dom Quixote.

NUTTIN, J. (1987). In: Neves de Jesus, Saúl. (1996). Motivação e formação de
professores. Coimbra: Quarteto Editora.

NYHAN, Barry. (1991). Desenvolver a capacidade de aprendizagem das pessoas,
Eurotecnet. In: Martins, J. C. (2001). Emprego, mercado e pessoas. Coimbra: Quarteto
Editora.

PETTIGREW, Andrew M. (1989) - A cultura das organizações é administrável? In
Fleury, Maria.

RICARTE, Jose Maria. (1996). La creatividad y la innovación en la comunicación e en
la cultura de empresa, material do seminário avançado ministrado na ECA/USP.

SCHERR, Sérgio (2002). Tópicos especiais em educação a distância. Curitiba: Editora
Apta.

STAIR, Ralph M. (1998). Princípios de sistemas de informação. Uma abordagem
gerencial. Rio de Janeiro: 2ª edição, Editora LTC.

TAPSCOTT, Don. (1999). Geração digital: A crescente e irreversível ascensão da
geração Net; tradução Ruth Gabriela Bahr. São Paulo: Makron Books.

TERRA, J. C. C. & Gordon, C.(2002). Portais corporativos – a revolução na gestão do
conhecimento – Tradução de Érica Saubermann Rodigo Baroni: São Paulo: Negócio
Editora.
Bibliografia                                             98
__________________________________________________________________________________________________________




THÉVENET, Maurice. (1989). Cultura de empresa - Auditoria e Mudança, Lisboa.

VALENTE, J. A. E Almeida, F. J. (1998). A visão analítica da informática no Brasil: a
questão da formação do professor. In Revista Brasileira de Informática na Educação.

_____. (2001). O computador na sociedade do conhecimento. Coleção informática para
a mudança na Educação. Brasília: Proinfo, MEC.

VARELA, F.; THOMPSON, E.; ROSCH, E. (1997). The embodied mind. Cambridge:
MIT.

VAN Wegen; BERT & De HOOG, Robert. (1996). Measuring the economic value of
information systems. Journal of Information Technology.
Sites consultados na Internet

A Internet como aliada dos estudos. http://www.terra.com.br/internetnasescolas/
(consultado em 17 de Setembro de 2003).

A Internet no ensino das ciências físico-químicas.
http://nautilus.fis.uc.pt/softc/Read_c/destaque/teseind.htm (consultado em 06 de Maio
de 2003).

Anrez@ Pedago@, Pedagogia de Célestin Freinet.
http://www.andrezapedagoga.hpg.ig.com.br/index.htm (consultado em 29 de Março de
2003).

Bonilla, M. H. S. (2002). Desencadeando outras formas de comunicação na escola.
http://www.intervir.org/n4/bonilla/b1.html (consultado em 06 de Março de 2003).

Branco, Castelo. A Internet na educação.
http://www.terravista.pt/nazare/4263/InternetEduc.htm#Bibliografia (consultado em 22
de Junho de 2003).

Buzato, M. E. K. (2001). Entrevista EducaRede. Letramento digital abre portas para o
conhecimento.
http://planeta.terra.com.br/educacao/mbuzato/articles/inpla.html (consultado em 03 de
Março de 2003)

Catarino, José C. Aplicações da Internet no ensino das línguas.
http://www.terravista.pt/aguaalto/2285/ (consultado em 04 de Abril de 2003).

Ciência na escola. http://www.comciencia.br/especial/escola/esc02.htm (consultado em
06 de Junho de 2003).

Educom. Associação portuguesa de telemática educativa. http://educom.sce.fct.unl.pt/
(consultado em 17 de Maio de 2003).

Educare. http://www.educare.pt/ (consultado em 15 de Julho de 2003).

Educarede. http://www.educarede.org.br/educa/html/index_educalinks.cfm (consultado
em 20 de Agosto de 2003).
Sites na Internet                                         100
__________________________________________________________________________________________________________



Educaterra. http://educaterra.terra.com.br/educacao/ (consultado em 04 de Junho de
2003).

e-educacional. Internet na Educação. http://www.educacional.com.br/index/indice.asp
(consultado em 06 de Junho de 2003).

Escola Secundária de Camões. Redes Locais no espaço escolar.
http://redescola.ist.utl.pt/ (consultado em 03 de Novembro de 2003).

FDG. Fundação de desenvolvimento gerencial.
http://www.fdg.org.br/subfdg/noticias/noticias.asp?noticia=102 (consultado em 16 de
Outubro de 2003).

Gabaritando educacional. http://www.gabaritando.com.br/ (consultado em 18 de
Setembro de 2003).

Gabaritando. Soluções web. http://www.gabaritando.com.br/web/portfolio.htm
(consultado em 11 de Maio de 2003).

Gomez, M.V. (2000). Paulo Freire: Re-Leitura para uma teoria da informática na
educação.
http://www.eca.usp.br/nucleos/nce/perfil_margari.html (consultado na Internet em 04 de
Junho de 2003).

ID.     Design    institucional.     http://www.instructionaldesign.com.br/artigos.htm
(consultado em 08 de Julho de 2003).

Instituto de estudo da criança, U. Minho. http://www.iec.uminho.pt/iebi/mainiebi.htm
(consultado em 17 de Setembro de 2003).

Ladeira, Pedro Miguel Henriques dos Santos Pimentel. A educação através da Internet.
http://student.dei.uc.pt/~pladeira/pagsf.html (consultado em 10 de Junho de 2003).

Literacia, http://ctap.fcoe.k12.ca.us/ctap/Info.Lit/Guidelines.html (consultado em 14 de
Março de 2004).

Litto, Frederico (1999). Educação do futuro; A escola de uma sala só; Informática na
educação. http://www.darwin.futuro.usp.br (consultado em 08 de Agosto de 2003).

Mediativa. Mídia da qualidade para as novas gerações. http://www.midiativa.tv/
(consultado em 06 de Junho de 2003).
Sites na Internet                                         101
__________________________________________________________________________________________________________




Mirshawka, V.Jr. (2002). A revolução do aprendizado on-line.
http://eaprender.ig.com.br/ensinar.asp?RegSel=8&Pagina=1 (consultado em 11 de
Março de 2003).

Moran, J.M. (1997). Como utilizar a Internet na educação. http://www.usp.br
(consultado em 09 de Abril de 2003).

Moran, Manuel José. Como utilizar a Internet na educação.
http://www.batina.com/moran/internet.htm (consultado em 22 de Maio de 2003).

Moura, R.M. (1998). A Internet na educação: um contributo para a aprendizagem auto-
dirigida.
http://www.geocities.com/Atthens/Acropolis/5909/sdl.html (consultado em 10 de
Março de 2003).

Núcleo de comunicação e educação. CCA. ECA, USP.
http://www.eca.usp.br/nucleos/nce/artigos.html (consultado em 02 de Outubro de 2003).

Oliveira, de Figueiredo Jayr. TIC – Tecnologia da informação e da comunicação.
http://www.editoraerica.com.br/imprensa_final.asp?cod=9441 (consultado em 30 de
Março de 2003).

Paiva, J. (2002). As tecnologias de informação e comunicação: utilização pelos
professores.
http://www.dapp.min-edu.pt/nonio/pdf/utilizacao_tic_profs.pdf (consultado em 06 de
Junho de 2003).

Por uma nova escola do 1º ciclo do ensino básico.
http://www.escolanova.com/default.html (consultado em 29 de Junho de 2003).

Portal FCCN. Fundação para a computação científica nacional. http://www.fccn.pt/
(consultado em 12 de Fevereio de 2003).

Portal Janela na web. http://www.janelanaweb.com/reinv/principa.html (consultado
em 18 de Março de 2003).

Ramal, A. C. (1996; 2000). Um novo perfil do professor; Ler e escrever na cultura
digital.
http://www.instructionaldesign.com.br/artigos.htm (consultado em 06 de Junho de
2003).
Sites na Internet                                         102
__________________________________________________________________________________________________________




Recensio. Tecnologia da Informação.
http://www.recensio.ubi.pt/modelos/listas/l_tematica.php3?codtema=14 (consultado em
18 de Março de 2003).

Recursos de ciências na Internet. http://cfc.fis.uc.pt/roteiro/internet.htm (consultado
em 06 de Junho de 2003).

Rede escolar livre. http://www.redeescolarlivre.rs.gov.br/Apresentacao.html
(consultado em 28 de Maio de 2003).

Redes de computadores e suas aplicações na educação. http://penta2.ufrgs.br/
(consultado em 22 de Maio de 2003).

Revista @prender virtual. O mundo da educação.
http://www.aprendervirtual.com/index.php (consultado em 22 de Março de 2003).

Revista PCGuia. http://www.xl.pt/pcg/1101/suplemento/a01-00-00.shtml (consultado
em 19 de Junho de 2003).

Ribeiro, Maria Lígia. A história da Internet.
http://www.fe.up.pt/~mgi97018/historia.html (consultado em 12 de Abril de 2003).

Rosa, Leonel Melo. As TIC na escola: que condições? Universidade Aberta.
http://www.prof2000.pt/users/cfppa/coloquio/notas.htm (consultado em 02 de Junho de
2003).

Sabbatini, Renato. Computadores nas escolas.
http://www.epub.org.br/correio/cp980721.htm (consultado em 14 de Fevereiro de
2003).

Sociedade da informação.
http://www.clovisgorg.hpg.ig.com.br/tecnologiasdainformacao.pdf (consultado em 06
de Junho de 2003).

Strassmann, Paul. Cuidado com o paradoxo das TI´s.
http://www.janelanaweb.com/manageme/strassmann3.html (consultado em 08 de Maio
de 2003).

The Network Administrator's Guide Copyright © Olaf Kirch. Tradução autorizada
pelo autor. LINUX: Redes de Computadores Impresso em 22 de Outubro de 1999.
Sites na Internet                                         103
__________________________________________________________________________________________________________



Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil http://www.li.facens.br/gar/node1.html
(consultado em 30 de Maio de 2003).

Tecnologia da informação e da comunicação. http://www.porto.ucp.pt/cti/nonio/
(consultado em 13 de Outubro de 2003).

Tecnologias da informação e comunicação.
http://www.des.min-edu.pt/download/apoio_curr/tema1/mc_es/tic.(13).pdf (consultado
em 08 de Julho de 2003).

Trás-os-Montes Digital. http://aquinta.espigueiro.pt/espiguinha/index.html (consultado
em 02 de Fevereiro de 2003).

UARTE – Unidade de apoio à rede telemática educativa. http://www.uarte.rcts.pt/
(consultado em 22 de Maio de 2003).

Uma estante de recursos…projeto Minerva.
http://www.minerva.uevora.pt/web1/estante.htm (consultado em 17 de Agosto de 2003).

Visonet. projeto educativo. http://www.tecnorom.pt/visonet/framepri.htm (consultado
em 25 de Junho de 2003).

Zampieron, Sônia Lúcia Modesto. O uso do micro nas escolas. USP.
http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/micros1.htm (consultado em 20 de Julho de
2003).
Anexo A

Questionário para os professores das escolas de 1º ciclo
As questões que se seguem são de resposta confidencial. Destinam-se a um estudo para a defesa de
tese de mestrado em Gestão da Informação nas Organizações - Faculdade de Economia – Universidade
de Coimbra, sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no ensino. Este estudo
destina-se em analisar as necessidades de formação dos professores nas novas tecnologias inseridas
nas escolas e o grau de satisfação dos mesmos nas respectivas acções de formação em informática,
desde os formadores até as necessidades de como futuras acções de formação podem ser estruturadas
para que se atinja os objectivos esperados pelos professores.
Agradeço desde já a sua colaboração!                        (tempo típico de preenchimento: ± 7 minutos)


A - Sexo:

    1 : Masculino           2 : Feminino


B - Idade:

    1 : 18-25            2 : 26-35         3 : 36-45             4 : 46-55             5 : + de 56


C - Situação profissional:

    1 : Profissionalizado            2 : Não profissionalizado               3 : Em profissionalização


D - A sua formação inicial foi feita:

    1 : No Ensino Superior Universitário

    2 : Num Instituto Politécnico (Escola Superior de Educação)

    3 : Outra situação


Nesta como noutras questões pode escolher mais do que uma opção


E - Características do seu equipamento informático pessoal:

    1 : Não tenho computador                     4 : Equipamento de ligação à Internet

    2 : Computador                               5 : Scanner

    3 : Impressora                               6 : DVD                                7 : Gravador de CD’s
Anexo A                                                105
__________________________________________________________________________________________________________



F - Como se fez a sua iniciação no mundo da informática?

    1 : Ainda não se fez                           5 : Tenho formação superior em informática ou afim

    2 : Autoformação                              6 : acções de formação ligadas ao Ministério da
                                               Educação

    3 : Apoio de familiar/amigo(a)                 7 : Outras acções de formação não contempladas em 6

    4 : Durante o curso superior                   8 : De outra forma—


G - Se realizou acção(ões) de formação em informática que balanço faz dessa(s) acção(ões) tendo
em conta os efeitos que tiveram no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) junto
dos seus alunos?

    1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática

    2 : Muito positivo          3 : Positivo         4: Pouco positivo         5 : Nada positivo


H - Se realizou acção(ões) de formação em informática que balanço faz dos formadores?

    1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática

    2 : Formadores demasiados técnicos na linguagem utilizada

    3 : Formadores demasiados teóricos

    4 : Formadores demasiados práticos com pouca teoria

    5 : Os formadores conseguiram um equilíbrio da teoria com a prática


I - De que âmbito foi a maioria das acções de formação em informática que realizou?

    1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática

    2 : De âmbito generalista

    3 : De âmbito específico às necessidades do 1º ciclo


J - Como definiria a sua relação com o computador?

    1 : Não trabalho com o computador

    2 : Raramente uso o computador

    3 : Uso o computador apenas para processar texto

    4 : Uso bastante o computador para realizar múltiplas tarefas

    5 : Outra situação
Anexo A                                                       106
__________________________________________________________________________________________________________



K - Quantas horas por semana passa ao computador:

    1 : Zero horas       2 : De 0 h a 3 h        3 : De 3 h a 5 h      4 : De 5 h a 10 h       5 : Mais de 10 h


L - Usa a Internet?

    1 : Não              2 : Sim, em casa                3 : Sim, na escola                4 : Sim, noutros locais


M - Com quem comunica por e-mail ?

    1 : Não uso e-mail                               4 : Com colegas professores (por razões profissionais)

    2 : Com alunos                                  5 : Com a escola (órgão de gestão, serviços
                                                 administrativos, etc.)

    3 : Com amigos                                   6 : Outros


N - Na preparação das suas aulas com que fim usa o computador?

    1 : Não uso o computador para preparar as minhas aulas

    2 : Elaboração de fichas e/ou testes

    3 : Pesquisas na Internet de assuntos das várias disciplinas

    4 : Apresentações audiovisuais (Power Point, etc.)

    5 : Outra situação


O – No ano lectivo 2002 / 2003, quantas vezes usou o computador com os seus alunos?

    1 : Zero          2 : Uma         3 : Duas          4 : Três         5 : Quatro ou mais          6 : Sempre


P - Indique que tipo(s) de aplicação(ões) informática(s) usa em interacção direita com os seus
alunos?

    1 : Nenhuma                                                 6 : E-mail

    2 : Processador de texto (Word, etc.)                       7 : Internet

    3 : Programas gráficos/ de desenho                          8 : Software pedagógico

    4 : Folha de cálculo (Excel, etc.)                          9 : Outra

    5 : Multimédia/CD-ROM             ——
Anexo A                                                 107
__________________________________________________________________________________________________________



Q - Indique o(s) tipo(s) de actividade que realiza com os seus alunos quando estes utilizam as
aplicações informáticas que referiu em P?

     1 : Nenhuma                                                  5 : Organização e gestão de informação

     2 : Produção e edição de informação                          6 : Recreativa / jogos

     3 : Comunicação e intercâmbio em rede                        7 : Outra

     4 : Consulta e pesquisa de informação


R - Indique o(s) contexto(s) de utilização com os seus alunos das aplicações informáticas que
citou em Q:

     1 : Nenhum                                                 5 : Apoio a alunos com necessidades
                                                            educativas especiais

     2 : Disciplinar                                              6 : Outro

     3 : Trabalho projecto / Área-escola—

     4 : Apoio pedagógico acrescido


S - Quer use ou não as TIC em contexto educativo dentro ou fora do âmbito disciplinar, assinale,
para as afirmações abaixo, uma cruz (X) em “sim” ou “não”, consoante concorde ou discorde.
Deixe em branco as alternativas sobre as quais não tem opinião:

                                          Afirmações                                         Concordo   Discordo
                                                                                               (Sim)      (Não)
1     Gostaria de saber mais acerca das TIC.
2     Os computadores assustam-me!
3     As TIC ajudam-me a encontrar mais e melhor informação para a minha prática lectiva.
4     Ao utilizar as TIC nas minhas aulas torno-as mais motivantes para os alunos.
5     Uso as TIC em meu benefício, mas não sei como ensinar os meus alunos a usá-las.
6     Manuseio a informação muito melhor porque uso as TIC.
7     Acho que as TIC tornam mais fáceis as minhas rotinas de professor(a).
8     Penso que as TIC ajudam os meus alunos a adquirir conhecimentos novos e efectivos.
9     Nunca recebi formação na área TIC e desconheço as potencialidades de que disponho.
10    O uso das TIC, na sala de aula, exige-me novas competências como professor(a).
11    Sinto-me apoiado(a) para usar as TIC.
12    Encontro pouca informação na Internet de softwares educativos.
13    As TIC encorajam os meus alunos a trabalhar em colaboração.
14    A minha escola não dispõe de condições para usar o computador em contexto educativo.
15    A minha escola tem uma atitude positiva relativamente ao uso das TIC.
16    Os meus alunos, em muitos casos, dominam os computadores melhor do que eu.
17    Não me sinto motivado(a) para usar as TIC com os meus alunos.
18    Não conheço a fundo as vantagens pedagógicas do uso das TIC com os meus alunos.
19    Achas que consegues gerir com facilidade as novas tecnologias na sala de aula?
20    Está satisfeito com o apoio técnico recebido pelos órgãos competentes?
21    Já conhecia antes do projecto Internet nas escolas, sítios educativos na Internet?
22    Considera fácil gerir a página da escola?
Anexo A                                                108
__________________________________________________________________________________________________________



T - Pensando nas TIC ao serviço do ensino e aprendizagem, em que áreas necessitam de mais
formação (indique, no máximo, três áreas)?

    1 : Desconheço tudo o que se relaciona com as TIC             6 : E-mail

    2 : Processador de texto (Word, etc.)                         7 : Internet

    3 : Programas gráficos/de desenho                             8 : Software pedagógico

    4 : Folha de cálculo (Excel, etc.)                            9 : Introdução ao computador (básico)

    5 : Multimédia/CD-ROM                                        10 : Noções básicas do Sistema
                                                              Operativo (Windows)

                                                                  11: Não preciso de mais formação

U - No seu entender qual é, para a escola, o obstáculo mais difícil de ultrapassar no que respeita a
uma real integração das TIC no ensino e aprendizagem?

    1 : Falta de meios técnicos (computadores, salas, etc.)

    2 : Falta de recursos humanos específicos para apoio do professor face às suas dúvidas de
       informática (por exemplo, a existência de um técnico de informática ao serviço dos professores).

    3 : Falta de formação específica para a integração das TIC junto dos alunos

    4 : Falta de software e recursos digitais apropriados

    5 : Falta de motivação dos professores

    6 : Outro
Anexo B
Relatório de Visitas
Data: 1ª visita:
Data: 2ª visita:                            Visita Nº: 1ª       2ª        3ª        4ª
Data: 3ª visita:
Data: 4ª visita:
Escola                                      Concelho:

Hora de chegada:                            Hora de saída:
1ª visita:                                  1ª visita:
2ª visita:                                  2ª visita:
3ª visita:                                  3ª visita:
4ª visita:                                  4ª visita:
Nº de professores sem turma:
Nº de computadores:
                                              Nenhuma anomalia
                                              Falta de acesso à Internet (servidor)
                                              Problemas de acesso (linha)
Anomalias de equipamento                      Estação Internet (PC multimédia) avariada
                                              Estação Internet furtada e não reposta
                                              Router avariado
                                              Falta de impressora
                                              Falta de software
                                              Outros problemas
Possui página                                 Sim                         Não
A escola actualiza regularmente a página      Sim                         Não
Foi criada a página                           Sim                         Não
               Escalão     Homens        Mulheres           Envolvidos no projecto
                                                             Homens          Mulheres
   Professores




               20 – 24
               25 – 34
               35 – 44
               45 – 49
               50 – 54
               55 – 65
               ≥66
                                    Ano de escolaridade                        Total
                                             1º ano
Alunos                                       2º ano
                                             3º ano
                                             4º ano

Endereço de correio electrónico:
Anexo B                                     110
__________________________________________________________________________________________________________



A escola utiliza regularmente o correio electrónico                            Sim                   Não

Endereço página:


                                    Código:

Sigma:
                                    Password:
                                    Username:
Mail e FTP

                                    Password:

                Nº de utilizador:
A escola desenvolveu algum serviço com as TIC em relação ao período        Sim
de intervalo entre as visitas?                                             Não
    Componente pedagógica – Estratégias e conteúdos para a formação dos alunos e
               professores e descrição de utilizações pedagógicas inovadoras:
     1ª Visita:
Alunos e Professores




                       2ª Visita:


                       3ª Visita:


                       4ª Visita:


           Satisfação dos objectivos específicos do programa Internet nas EB1
1ª visita:    Empenho dos professores        Positivo      Suficiente       Negativo
              Relação com os alunos          Positivo      Suficiente       Negativo
              Competências adquiridas        Positivo      Suficiente       Negativo

2ª visita:                          Empenho dos professores         Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Relação com os alunos           Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Competências adquiridas         Positivo   Suficiente         Negativo

3ª visita:                          Empenho dos professores         Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Relação com os alunos           Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Competências adquiridas         Positivo   Suficiente         Negativo

4ª visita                           Empenho dos professores         Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Relação com os alunos           Positivo   Suficiente         Negativo
                                    Competências adquiridas         Positivo   Suficiente         Negativo
Anexo C


Portal UARTE




                                                          Netmóvel na Junta de Freguesia do
                                                          Lumiar

                                                          Netconversas - 11 de Março -
                                                          "Expressões, ditos e provérbios
                                                          populares"

                                                          É Carnav@l...

                                                          Atelier apoia Engenho e Obra




           D




                                       uARTE   | Partida |
             Miúdos  | Radical | Professores | Atelier WWW | Sugestões | Actividades
                  Notícias e Novidades   | Livro de Visitas | Correio Electrónico |
        Ajuda Geral | Ideias e Materiais | Info do Programa | Catálogo e Pesquisa | Índice
Anexo D


                    Página das Escolas do 1º ciclo
                              Para seleccionar o modelo desejado basta clicar em cima




PASSO 1

Seleccionar o
Modelo

Responsável
Edite Lopes

Escola
EB 1 de
Estevães




                          Para seleccionar a cor desejada basta clicar em cima




PASSO 2

Seleccionar a
Cor

Responsável
Edite Lopes

Escola
EB 1 de Estevães




                                                 CONTINUA R




                                                     Parabéns!!!
PASSO 3
                   Agora que já seleccionou o seu modelo, basta confirmar para que se torne activo e
Confirmar                                  começar a introduzir conteúdo.


Responsável
Edite Lopes
                                                 CO NF IRMA R
Escola
EB 1 de Estevães



                                                               2004-03-05
Anexo D                                                113
__________________________________________________________________________________________________________



                                Bem-vindo ao Sítio da EB 1 de Estevães!
                                     Início   Alunos     Novidades
                                              A nossa escola!




                Novidades
                Carnaval                                             Escola EB1 de Estevães




        A página da escola utiliza a linguagem PHP que é uma linguagem que permite
criar sites WEB dinâmicos, possibilitando uma interacção com o usuário através de
formulários, parâmetros da URL e links. A diferença de PHP com relação a linguagens
semelhantes a Javascript é que o código PHP é executado no servidor, sendo enviado
para o cliente apenas html puro. Desta maneira é possível interagir com bases de dados
e aplicações existentes no servidor, com a vantagem de não expor o código fonte para o
cliente. Isso pode ser útil quando o programa está lidando com senhas ou qualquer tipo
de informação confidencial.
        O que diferencia PHP de um script CGI escrito em C ou Perl é que o código
PHP fica embutido no próprio HTML, enquanto no outro caso é necessário que o script
CGI gere todo o código HTML, ou leia de um outro arquivo. Qualquer coisa que pode
ser feita por algum programa CGI pode ser feita também com PHP, como colectar
dados de um formulário, gerar páginas dinamicamente ou enviar e receber cookies.
        A PHP também tem como uma das características mais importantes que é o
suporte a um grande número de bases de dados, como dBase, Interbase, mSQL, mySQL,
Oracle, Sybase, PostgreSQL e vários outros. Construir uma página baseada numa base
de dados torna-se uma tarefa extremamente simples com PHP. Além disso, PHP tem
suporte a outros serviços através de protocolos como IMAP, SNMP, NNTP, POP3 e,
logicamente, HTTP. Ainda é possível abrir sockets e interagir com outros protocolos.

Dissertação

  • 1.
    UNIVERSIDADE DE COIMBRA FACULDADE DE ECONOMIA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES ANÁLISE À CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NOS PROFESSORES DO 1º CICLO MARIA DA PENHA BOINA DALVI COIMBRA 2004
  • 2.
    UNIVERSIDADE DE COIMBRA FACULDADE DE ECONOMIA ANÁLISE À CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NOS PROFESSORES DO 1º CICLO DISSERTAÇÃO APRESENTADA NA FACULDADE DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES, SOB ORIENTAÇÃO DO PROFESSOR DOUTOR JOÃO VERÍSSIMO OLIVEIRA LISBOA (FEUC). MARIA DA PENHA BOINA DALVI COIMBRA 2004
  • 3.
    Agradecimentos “Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender”… Fernando Pessoa – O livro do desassossego, trecho 152. Agradecer a todos que ajudaram e contribuíram no desenvolvimento deste trabalho não é tarefa fácil. O maior perigo que se coloca para o agradecimento selectivo não é decidir quem incluir, mas decidir quem não mencionar; mas se devo ser selectiva, então é melhor começar. Os sinceros agradecimentos ao Professor Doutor João Veríssimo Oliveira Lisboa, que acreditou no projecto a ponto de conferir a honra de sua orientação. A todos os professores que ministraram suas disciplinas no decorrer do curso, e que agora pude integrar e enriquecer o conteúdo deste trabalho assim como a minha vida. Agradeço aqueles que, de uma ou outra forma, ajudaram na difícil tarefa de encontrar, fontes bibliográficas, não fontes oportunas, mas também facilitando exemplares muito valiosos. Aos meus amigos, familiares e filhos, Virgínia e Thomas, abençoados sejam pela compreensão e afecto, por minha ausência em momentos especiais e rotineiros. Sem dúvida, invejo e agradeço as milhares de pessoas que contribuíram e contribuem para que conheçamos e façamos uso das novas tecnologias, dada tamanha velocidade de transformação e dependências geradas, sem ofuscar o colorido de nossas vidas, modificando o perfil da sociedade e nos possibilitando a continuidade desses desenvolvimentos e difusão da nossa aprendizagem.
  • 4.
    Resumo O presente trabalho propõe os princípios mínimos a serem considerados na concepção e desenvolvimento do ensino / aprendizagem na utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação, propriamente o computador e a Internet por parte dos professores que actuam nas escolas do 1º ciclo. Os princípios propostos estão fundamentados na Abordagem Actuante da Ciência Cognitiva e na Metodologia Problematizadora. Estudou-se como os professores estão incluindo o emprego do recurso tecnológico no desenvolvimento das suas actividades na sala de aula, analisando os factores motivacionais em que acreditamos que só podem existir se o professor estiver satisfeito e quiser fazer parte do meio profissional que o envolve e deseja atingir os objectivos educacionais. Na educação, os professores são chamados a participar nas novas mudanças que estão ocorrendo com a inserção das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na escola e para isso a formação continuada, contextualizada e fixada na escola tem um papel importante. Formar professores criativos, autónomos, reflexivos sobre a sua prática e ousados na busca de novas metodologias, em prol de um ensino mais aliciante, criativo e eficiente para os alunos, constitui o objectivo da escola, sob pena de não desempenhar sua função neste século. Este trabalho apresenta uma análise na aquisição de conhecimento através das TIC pelos professores do 1º ciclo, com ênfase na formação contínua, que possam ser reflectidas de modo a articular o fazer e o pensar na profissão de professor. Com base numa amostra de 80 professores num universo de recolha de 1.338 professores, encontrámos os resultados necessários para a análise do estudo, existindo a necessidade de desenvolver uma intensa acção colaborativa e cooperativa no âmbito de projectos na formação de professores do 1º ciclo num ambiente propício para a utilização das tecnologias de informação e comunicação na sala de aula, até que exista autonomia dos professores para a verdadeira utilização dessas novas tecnologias como mais um suporte no ensino/aprendizagem. PALAVRAS -CHAVE: aprendizagem, motivação, formação, educação, tecnologia de informação e comunicação.
  • 5.
    Abstract This work proposes the minima principles to be observed in the conception and development of the teaching/learning of the Information and Communication Technologies, properly the computer and the Internet, by the educators in the "1º ciclo" schools. The proposed principles are based upon the "Abordagem Actuante da Ciência Cognitiva" and the "Metodologia Problematizadora". We have been studied how the educators are inserting the use of technological resources in the development of his classroom works, analysing the motivational factors, wich ones we believe that only can exist if the educator is satisfied and willing to take part in the professional environment that encloses him and wish to achieve the educational objectives. In education, educators are called to participate in the new changes that are occurring with the insertion of the New Information and Communication Technologies in the school, thus the continuated education, with focus in the school, has an important role. To promote creative and autonomous educators, thinkers about his pratice and daring in the serch of new methodologies for a more seductive, creative and efficient teaching for the students, is the school goal, liable of not accomplish its mission in this century. This work presents an analysis of knowledge acquisition through the ICT by the educators of the "1º ciclo" with emphasis on the continuos education that can be thought in a way to link the doing and thinking in the educating profession. Being based on the sample of 80 educators selected from a group of 1.338 educators, we have found the answers needed for the analysis of the study, being in need of developing an intense and co-operative action related to the projects on the formation of primary school educators inside an appropriate environment for the use of information and communication technologies in the classroom until educators have autonomy for the real use of those technologies as another support for the teaching/learning process. KEYWORDS: learning, motivation, formation, education, information and communication technology.
  • 6.
    Índice Capítulo I...................................................................................... 11 Introdução.........................................................................................11 Capítulo II .................................................................................... 16 Fundamentação teórica.....................................................................16 2.1. Aprendizagem ................................................................................ 17 2.2. Motivação....................................................................................... 21 2.3. Educação e as Tecnologias de Informação e Comunicação ........... 27 2.4. Formação de professores ............................................................... 29 2.5. Formação de professores e o processo da motivação, aprendizagem e as tecnologias de informação e comunicação........................................... 30 Capítulo III................................................................................... 45 Características das escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias .........45 3.1. Estrutura tecnológica nas escolas do 1º ciclo.................................... 45 3.2. Característica das escolas do 1º ciclo em Portugal ............................ 47 Capítulo IV ................................................................................... 51 Metodologia ......................................................................................51 4.1. População em estudo e a amostra identificada .................................. 51 Capítulo V..................................................................................... 57 Resultados .........................................................................................57 Atitude positiva face às TIC ................................................................... 67 Atitude negativa face às TIC .................................................................. 68 Capítulo VI ................................................................................... 82 Conclusões.........................................................................................82 6.1. Constatações ................................................................................... 82 6.2. Perspectivas .................................................................................... 89 6.3. Proposições ..................................................................................... 90 Referências Bibliográficas............................................................ 92 Bibliografia ................................................................................... 95 Sites consultados na Internet ....................................................... 99 Anexo A....................................................................................... 104 Questionário para os professores das escolas de 1º ciclo ....................... 104 Anexo B....................................................................................... 109 Relatório de Visitas .............................................................................. 109 Anexo C....................................................................................... 111 Portal UARTE ...................................................................................... 111 Anexo D....................................................................................... 112 Página das Escolas do 1º ciclo .............................................................. 112
  • 7.
    Lista de tabelas TabelaII-1: Comparações das teorias da aprendizagem................................................ 20 Tabela II-2: Comparações dos modelos motivacionais ................................................. 31 Tabela II-3: Variáveis motivacionais............................................................................. 32 Tabela II-4: CTAP Information Literacy Guidelines K-12 ........................................... 39 Tabela IV-1: Escolas por Concelhos.............................................................................. 52 Tabela IV-2: Número de professores inquiridos............................................................ 55 Tabela V-1: Sexo – Situação profissional e Formação inicial ....................................... 58 Tabela V-2: Cruzamento da questão “possui computador” com, A, F, J, L e M........... 75 Tabela V-3: Cruzamento da questão “autoformação” com J, L, M e N ........................ 75 Tabela V-4: Cruzamento da questão “acções de formação do ME” com J, L, M e N... 76 Tabela V-5: Cruzamento da questão “realizou acções de formação” com J, L, M e N. 76 Tabela V-6: Cruzamento da questão “usa bastante o computador” com J, L, M e N.... 77 Tabela V-7: Representação das dificuldades com equipamentos .................................. 78 Tabela VI-1: Tópicos importantes das conclusões ........................................................ 91
  • 8.
    Lista de gráficos GráficoV-1: Distribuição dos professores da amostra por idade .................................. 58 Gráfico V-2: Características do computador pessoal..................................................... 59 Gráfico V-3: Distribuições como os professores da amostra fizeram sua iniciação nas TIC .......................................................................................................................... 59 Gráfico V-4: Acções de formação que realizou em inormática..................................... 60 Gráfico V-5: Realização de acções de formação ........................................................... 60 Gráfico V-6: Balanço das acções de formação .............................................................. 60 Gráfico V-7: Âmbito das acções de formação em informática que os professores realizaram................................................................................................................ 61 Gráfico V-8: Distribuição de como os professores definiu a sua relação com o computador ............................................................................................................. 61 Gráfico V-9: Distribuição das horas por semana que os professores utilizam o computador ............................................................................................................. 62 Gráfico V-10: Distribuição em relação ao uso da Internet ............................................ 62 Gráfico V-11: Distribuição de como os professores utiliza o e-mail............................. 63 Gráfico V-12: Na preparação das aulas com que fins usa o computador ...................... 64 Gráfico V-13: Aplicações informáticas que utiliza directamente com os alunos .......... 64 Gráfico V-14: Distribuição em relação a quantidade de vezes que o professor utilizou o computador com os alunos no ano lectivo 2002/2003............................................ 65 Gráfico V-15: Tipos de actividades que o professor realiza com os seus alunos quando utilizam o computador ............................................................................................ 65 Gráfico V-16: Contexto de utilização dos professores com os seus alunos quando utilizam o computador ............................................................................................ 66 Gráfico V-17: Atitudes positivas dos professores face as TIC ...................................... 67 Gráfico V-18: Atitudes negativas dos professores face as TIC ..................................... 68 Gráfico V-19: Em que áreas da TIC os professores necessitam de mais formação ...... 71 Gráfico V-20: Obstáculos à real integração nas TIC analisadas pelos professores ....... 72 Gráfico V-21: Cruzamento sexo e idade........................................................................ 73 Gráfico V-22: Cruzamento sexo e formação profissional ............................................. 74 Gráfico V-23: Cruzamento formação inicial e idade..................................................... 74
  • 9.
    Lista de figuras FiguraII-1: Representação do diálogo .......................................................................... 19 Figura II-2: Motivação e Competência: dois factores que determinam o nível de desempenho ............................................................................................................ 22 Figura II-3: Combinação de factores higiénicos e motivadores no trabalho ................. 23 Figura II-4: Modelo de literacia da informação............................................................. 40 Figura IV-1: Mapa do Distrito de Leiria........................................................................ 52
  • 10.
    Lista de siglas CMC________Comunicação Mediada por Computador EB1 _________Ensino Básico do 1º ciclo ESE _________Escola Superior de Educação ESEL ________Escola Superior de Educação de Leiria FCCN _______Fundação para a Computação Científica Nacional FTP _________File Transfer Protocol ISDN ________Integrated System Digital Network LD __________Literacia Digital MCT ________Ministério da Ciência e da Tecnologia PHP _________Hypertext Preprocessor RCTS________Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade RDIS ________Rede Digital de Serviços Integrados TI ___________Tecnologia da Informação TIC _________Tecnologia da Informação e Comunicação
  • 11.
    Capítulo I Introdução Vivemos uma era de profundas transformações. De um lado, a chamada globalização, termo que se tornou obrigatório em todos os círculos intelectuais, políticos e económicos. Fenómeno facilitado pelas novas tecnologias da informação pressupõe uma evolução do tradicional processo de internacionalização de mercados oriundos dos primórdios do capitalismo. Esse novo processo não é mais conduzido apenas por nações, mas, sobretudo, pelas organizações antes denominadas multinacionais, transnacionais ou mundializadas. Essas organizações gerem espaços que atravessam as fronteiras territoriais. (Ianni, 1996). A velocidade crescente de aceleração, a globalização que envolve as comunicações, os mercados, os fluxos de capitais e tecnologias, as trocas de ideias e imagens, impõem a dissolução de fronteiras e de barreiras proteccionistas. Em todo momento se estabelecem tensos diálogos entre o local e o global, a homogeneidade e a diversidade, o real e o virtual, a ordem e o caos. (Curvello, 1997). Assim como o mundo muda, também as organizações mudam e com certeza nesse cenário são as pessoas as que mais sofrem os impactos dessas transformações. O funcionamento de qualquer organização depende fundamentalmente da qualidade das pessoas que a compõe. Os sistemas de ensino não poderiam ser uma excepção a essa norma e, talvez mais do que em qualquer outro tipo de organização, seu êxito dependerá não apenas da qualidade das pessoas que as integram, mas da motivação revelada no desempenho de seus papéis. Por isso mesmo, é essencial que as pessoas que fazem parte de uma organização, neste caso específico as instituições de ensino do 1º ciclo, mais propriamente o papel do professor envolvido com as tecnologias da informação e comunicação, sejam do melhor nível de qualidade possível e tenham o desempenho esperado. A escola precisa transcender o seu antigo papel de selectora e transmissora de informação, procurando uma nova postura na qual são mais importantes as ligações hierárquicas e relações entre as informações. As novas tecnologias da informação e
  • 12.
    Introdução 12 __________________________________________________________________________________________________________ comunicação, situadas no contexto das mudanças educacionais, podem contribuir para uma caminhada em direcção às novas formas de busca e produção do conhecimento. Para isso é preciso contar com profissionais competentes, capacitados, motivados, seguros e criativos que desenvolvam potencialidades educacionais abertas pelas novas tecnologias, onde mais importantes não são as tecnologias tomadas em si mesmo, mas sim as relações humanas e os valores pessoais e colectivos necessários para uma intervenção transformadora no contexto sócio-educacional. O aspecto fundamental, em termos de políticas públicas, a ter em conta é o sistema de ensino e formação profissional. O pleno aproveitamento e aplicação das tecnologias de informação só podem ocorrer perante uma população altamente qualificada. A necessidade de uma postura perante a vida que nos transforme a todos enquanto indivíduos independentes (de regras, de normas, de grupos, de valores ditos tradicionais, da sociedade que nos envolve) em indivíduos independentes, ou seja, em pessoas que perfilhem as suas próprias regras, valores próprios e específicos e que não se deixem subjugar pelo ambiente circundante. Só estas poderão situar-se num plano superior ao do constrangimento social. (Martins, 2001). O que Martins defende é o homem uno, criativo, inovador, aquele que faz a diferença e é capaz de transformar a sociedade, sem esquecer-se da ética social e profissional. Nyhan (in: Martins, 2001), estamos a caminhar no sentido de “criar” o trabalhador intelectual autodidacta, aquele que necessita de constantemente, adquirir novos conhecimentos. Este trabalho surge de preocupações quanto às transformações radicais que vem acontecendo no nosso quotidiano actual e, em específico, o quotidiano dos professores, visto que a escola hoje vem sendo palco de transformações inovadoras, sejam de carácter pedagógico ou da utilização das novas tecnologias no ensino/aprendizagem. As novas tecnologias educacionais têm sido objecto de preocupações de diversos investigadores nas últimas décadas, mas até meados de 1990, essas tecnologias eram pouco disseminadas, o que gerou uma lacuna entre especulações teóricas e a utilização dessas inovações nos processos de ensino/aprendizagem e do trabalho docente. Portanto, as novas tecnologias estão sendo apresentadas ao trabalhador docente de forma muito veloz – esteja ele iniciado ou não – nas escolas e em diversos ambientes sociais. Devido à estreita vinculação entre o trabalhador em geral e trabalho docente. É
  • 13.
    Introdução 13 __________________________________________________________________________________________________________ importante analisar as implicações dessas tecnologias no processo de trabalho do professor nas escolas, em especial, nas escolas do 1º ciclo. Vale lembrar que as vinculações acima mencionadas não reduzem a escola à sua função formadora para o trabalho, mas inserem o trabalho como princípio educativo e a sua centralidade nas relações sociais contemporâneas. A falta de familiaridade com computadores é vista, cada vez mais, em certos contextos sociais, como um tipo de analfabetismo, impondo ao indivíduo tecnologicamente iletrado o mesmo estigma que recai sobre o analfabeto tradicional. Assim, a valorização simbólica do computador e de seus usos bem como a migração de práticas quotidianas para o ambiente do computador contribuem para a “naturalização” de seu uso e, consequentemente, para que professores não familiarizados com computadores não se sintam socialmente diminuídos, devem buscar activamente, junto a seus pares ou a seus alunos, a ajuda de que necessitam para se tornarem letrados electronicamente. (Buzato, 2001). A aprendizagem autodirigida, que à primeira vista pode ser entendida como solitária e isolada, na literatura mais relevante sobre esta temática tem centrado a sua atenção sobre a necessidade da aprendizagem autodirigida, o indivíduo interagir com o outro. O aprendente autodirigido tem acesso a perspectivas para entender a sua situação e para dar sentido e direcção à sua vida, adquirir sensibilidade e competência na interacção social, e ter as competências e capacidades necessárias para controlar as tarefas produtivas associadas com o controlo e manipulação do ambiente. (Moura, 1998). Em 1997, a Internet entra de forma mais decisiva nas escolas portuguesas, nesse mesmo ano era lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia o programa Internet na Escola, e tinha como objectivo principal a distribuição de um computador multimédia com capacidade de acesso à Internet em todas as escolas do 1º e 2º ciclos e ainda secundários. A partir de então, todo o novo manancial de nova informação estava acessível ao simples “click” do rato e à disposição dos professores e alunos na escola. O Programa Internet na Escola tem em todas as novas tecnologias e realizações informáticas actualizações anuais desde que foi implementada sendo constantes os debates, colóquios e conferências realizados nesse âmbito com objectivo de se tentar encontrar uma harmoniosa convivência entre a tecnologia de informação e todo o processo educativo em sentido mais lato. Tudo se encontra num estado considerado
  • 14.
    Introdução 14 __________________________________________________________________________________________________________ ainda embrionário, pois tanto se encontra a efectuar o desenvolvimento estrutural do país bem como a formação mais específica dos professores, visto ser recente a convivência de um grande número da população em geral com a Internet. Todos os dias surgem inovações tecnológicas que põem à prova e desafiam a capacidade de adaptação das escolas, como instituições em si, mas também de adaptação por parte dos professores, pais e alunos, que têm de optar, nas constantes massas de informação, pelos melhores caminhos e para discernirem dos benefícios em determinada escolha. Partindo dos pressupostos que muitas escolas e profissionais ainda no mundo da dinâmica pedagógica tradicional, com curricula fechados, com a lógica das turmas isoladas, com muros que separam a escola do mundo externo, com tempos escolares rígidos, com modelos de relação aluno/professor tradicional, em que o professor transmite e o aluno assimila, com a ideia de sequencialidade/linearidade do conhecimento, acreditamos que muita coisa pode ser feita na mudança desse perfil escolar dentro dos diagnósticos exigidos pelas novas realidades mundializadas no ensino/aprendizagem. Acreditamos na incorporação mais significativa e mais crítica do uso das medias na prática pedagógica do professor, problematizando as conexões entre as culturas existentes e os novos conhecimentos, durante ou pós-período de consciencialização, familiarização e domínio na utilização, em particular, das redes de comunicações humanas, quer tradicionais quer as mais novas, concretizando um desenvolvimento contínuo de sua acção e reflexão pedagógica efectiva com vistas à formação de cidadãos questionadores que ajudem nas transformações necessárias à construção de uma sociedade menos injusta e mais igualitária. Com essa visão, analisamos alguns processos mobilizadores da capacitação e utilização das novas tecnologias inseridas nas escolas do primeiro ciclo. No âmbito desta problematização os objectivos deste trabalho em termos gerais serão: • Analisar a formação e a motivação profissional do docente no uso do computador na sala de aula nas escolas do 1º ciclo, em que o profissional educador “saiba ser”, “saiba fazer” e “seja criativo”, num processo de produção e disseminação de conhecimento com o uso das novas tecnologias.
  • 15.
    Introdução 15 __________________________________________________________________________________________________________ Mais especificamente iremos procurar: • Compilar, caracterizar e reflectir sobre algumas experiências pedagógicas com o uso do computador, Internet e telemáticas significativas, com enfoque na actuação de professores tanto no que concerne a sua formação contínua quanto a sua prática em sala de aula junto a alunos de escolas do 1ºciclo; • Reflectir soluções viáveis para projectos de capacitação do professor com vistas à melhoria na transmissão de conhecimento; • Confrontar dados, qualitativos e quantitativos, obtidos nas escolas de primeiro ciclo; • Confrontar dados obtidos, analisando o nível de satisfação dos professores. Este trabalho encontra-se organizado da seguinte maneira: neste Capítulo apresentamos o interesse e os objectivos do nosso estudo. No Capítulo II descrevemos a fundamentação teórica das teorias da aprendizagem e da motivação, enfatizando a educação e formação baseada no modelo relacional que leva a compreensão da escola de forma sistémica. No Capítulo III analisamos as características das escolas do 1º ciclo e as plataformas tecnológicas instaladas. No Capítulo IV discutimos a metodologia da pesquisa que adoptamos. No Capítulo V analisamos o material de recolha de informação, questionário e anotações, verificamos a utilização e inserção das tecnologias no âmbito das escolas públicas do 1º ciclo, através da investigação sobre o domínio da utilização das novas tecnologias e as suas necessidades para essa nova concepção da realidade. No Capítulo VI desenvolvemos nossas constatações, perspectivas e proposições, esboçando algumas recomendações com base nos resultados alcançados na pesquisa, que no nosso entender, podem contribuir para utilização e inserção dessas novas tecnologias no ensino de forma eficiente ao serem incorporados pelos professores, através da formação num ambiente de aprendizagem propício.
  • 16.
    Capítulo II Fundamentação teórica Não se pode projectar a informatização educativa de uma escola ou a implantação de um programa pedagógico telemático sem integra-lo numa política educacional mais ampla da consciencialização, capacitação e motivação dos actores directamente envolvidos neste contexto. Hoje vivemos num ambiente de mudanças rápidas, em que os sinais de surgimento de uma “Sociedade do Conhecimento” são muito fortes e a gestão pró- activa dos recursos de conhecimento é uma parte fundamental para o crescimento de negócios e pessoas. Todavia, novos meios de comunicação e colaboração são necessários para suprir alguns desafios de gestão do conhecimento que são: os enormes volumes de informação que estão sendo criados, armazenados e distribuídos actualmente, a incrível velocidade com que o conteúdo está mudando, e as transformações contínuas do local de trabalho. Com o aumento explosivo na capacidade e necessidade de comunicação via Internet que é um ponto significativo no desenvolvimento humano, as novas tecnologias baseadas nos padrões da Internet estão facilitando imensamente a troca de informações entre as organizações e pessoas e as possibilidades de colaboração entre as pessoas em modo síncrono ou assíncrono, independentemente de localização. Todavia, na educação, as utilizações das tecnologias de informação e comunicação não têm sido suficientes para preparar as pessoas para essa nova realidade. A Internet está mudando os padrões de interacção social e criando uma sociedade caracterizada por um maior individualismo em rede, indicando que a Internet aumentou imensamente a capacidade de aprendizagem de indivíduos, e a liberdade e capacidade de eles criarem suas próprias redes e se comunicarem. (Castell, 1999). Mas quando Castell fala de individualismo, não trata da exclusão social, mas sim da liberdade de criação com uma visão humanística para o desenvolvimento do conhecimento, para atingir elevados níveis de colaboração orientado na direcção de um aprendizado colectivo com impacto nos níveis de confiança e, consequentemente, níveis mais altos de colaboração e criação do conhecimento.
  • 17.
    Fundamentação teórica 17 __________________________________________________________________________________________________________ A colaboração não significa ausência de competição. Para que a colaboração eficaz ocorra, é necessário que cada indivíduo/grupo colaborador se esforce para atingir níveis de desempenho cada vez melhor e mantenha esse desempenho de forma contínua. No caso específico da educação, não basta apenas o desenvolvimento de novas ferramentas e utilização das tecnologias disponíveis, torna-se essencial, em primeiro lugar, definir princípios que irão nortear a aprendizagem e a motivação para aprender. 2.1. Aprendizagem Uma análise importante no nosso estudo inclui o entendimento de como a aprendizagem ocorre segundo a sua evolução teórica. A chamada teoria do apriorismo aborda o conhecimento como: as capacidades básicas de cada ser humano encontram-se praticamente “prontas” no momento do nascimento. (Gardner, 1996). Assim, ao nascer, o indivíduo já trás com ele as condições do conhecimento e da aprendizagem que se manifestarão imediata e progressivamente pela maturação. Toda a actividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não participa. (Moura, Azevedo e Mahlecke, 2001, p. 3). Nessa corrente a relação sujeito versus objecto, não há nada no objecto que o defina como tal e a imagem que fazemos dele não dá conta de seu conteúdo, em que o pensamento (racional) não se conduz respectiva e passivamente perante a experiência, mas sim espontânea e altivamente. Dentro do apriorismo surge a teoria da Gestalt, a qual crê na preformação do conhecimento. A ideia essencial é de que o conhecimento se produz porque existe no ser humano, uma capacidade interna inata que predispõe o sujeito ao conhecimento, sendo a experiência desconsiderada. Experiências realizadas por pesquisadores “gestaltistas” demonstram que as experiências passadas de um indivíduo afectam a sua percepção de estímulo e, como resultado afecta a sua resposta ao estímulo.
  • 18.
    Fundamentação teórica 18 __________________________________________________________________________________________________________ A aprendizagem é determinada pela maturação e neste contexto o professor é apenas um auxiliar na aprendizagem do aluno. Se o aluno não aprende é porque não nasceu com as capacidades necessárias, isentando o professor de qualquer responsabilidade. As contribuições importantes desta teoria são a atenção apresentada às diferenças individuais e maturativas das funções cognitivas. (Moreira, 1997). De acordo com esta abordagem não há métodos de ensino, o aluno, de acordo com as suas capacidades, segue seus próprios caminhos. A teoria empirista opõe-se a tese a qual o pensamento é a verdadeira fonte do conhecimento, e sim que, provêm da experiência. (Bizzotto, 2003). A epistemologia empirista foi adoptada pelo comportamentalismo ou behaviorismo, que de acordo com os empiristas, uma vez conhecidos o estímulo, podemos prever a resposta, e uma vez conhecida a resposta, podemos identificar o estímulo. O ser humano é fruto de uma modelagem, resultante de associações entre estímulo e resposta ocorrido ao longo de sua existência. (Moreira, 1997). Aplicando-se os princípios do behaviorismo à educação, a ênfase do processo passa a ser sobre o planeamento do ambiente da aprendizagem, mas a transmissão de conteúdo se baseia em quem sabe para quem não sabe, através de uma prática cristalizada ao longo do tempo (resultados experimentais). Os behavioristas demonstraram a inadequação da abordagem inatista, demonstrando que qualquer pessoa pode aprender um determinado assunto, desde que, o ambiente de aprendizagem seja rigorosamente planeado. Mas ignoram a interdependência do organismo vivo e seu ambiente, não podendo o ser humano ser autónomo, uma vez que seria impossível uma manipulação do comportamento tão precisa quanto à física ou a biologia. (Bizzotto, 2003). O construtivismo ou teria interaccionista, representa uma postura epistemológica que compreende o conhecimento como sendo originado da interacção do sujeito com o objecto no processo de conhecimento. O epistemólogo Piaget (1976) não era educador, mas a sua teoria epistemológica de como, quando e porque o conhecimento se constrói obteve grande repercussão na área educacional. Seus estudos e teorias partem da génese (formação e construção do conhecimento) do pensamento da criança. A criança desde que nasce, é um organismo
  • 19.
    Fundamentação teórica 19 __________________________________________________________________________________________________________ em constante interacção como o objecto do conhecimento (natureza, objectos, ideias, valores e relações humanas) e a partir desta interacção com o meio físico e social é que a criança constrói formas cada vez mais elaboradas de adaptar sua inteligência à complexidade do mundo que a rodeia. A metodologia Actuante surge com o trabalho de Varela, Thompson e Rosch, (in: Bizzotto, 2003), na qual a cognição não é entendida como a solução de problemas com base em representações, mas sim como a criação de um mundo a partir de uma história de acoplamento estrutural. Esta teoria foi proposta por Paulo Freire designada como metodologia problematizadora. Segundo a concepção problematizadora e libertadora da educação, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção, a sua construção. (Freire, 1997). Essa concepção fundamenta-se no diálogo entre o educador e o aluno, que para Freire, a “dialogicidade” é a essência da educação como prática da liberdade. Esse diálogo é constituído de duas dimensões: acção e reflexão, em que, quando uma delas for sacrificada, a outra irá ressentir imediatamente. (Bizzoto, 2003) (Figura II-1). Acção Palavra Praxis Reflexão Figura II-1: Representação do diálogo Se a acção for prejudicada, o diálogo transforma-se em verbalismo, não existindo a acção para haver uma transformação. Quando a reflexão é prejudicada, o diálogo se transforma em activismo. Freire coloca activismo como acção pela acção, ao minimizar a reflexão, nega também a praxis verdadeira e impossibilita o diálogo. Assim, o diálogo para Freire (1987), não pode existir se não há amor, humildade, fé, esperança e pensar verdadeiro. A partir dessas características essenciais ao diálogo, pode-se perceber que o aprendizado é um processo aberto para a imprevisibilidade, onde o ser humano é
  • 20.
    Fundamentação teórica 20 __________________________________________________________________________________________________________ condicionado, mas não determinado. O ser condicionado tem consciência de seu inacabado e sabe que pode ir além e construir e reconstruir. Mas que o ir além, construir e reconstruir, não se faz no isolamento, levando os indivíduos à cooperação e assim a adquirir autonomia. (Bizzotto, 2003). As diferentes abordagens das teorias da aprendizagem diferem entre si em função dos princípios pelos quais elas se fundamentam. Como pode ser visto na Tabela II-1, as comparações entre os princípios básicos das diferentes teorias da aprendizagem. Abordagem Princípios Fatalismo – Se o aprendente não nasceu com as habilidades necessárias, a educação pouco pode fazer por ele. Fatalismo Individualismo – O aluno já possui o conhecimento, precisando apenas traze-lo “à Apriorismo Individualismo tona”. Por isso, o professor deve interferir o mínimo possível. Personalização – A forma como um aprendente interpreta um estímulo (bem como o Personalização tipo de resposta fornecida) depende de sua experiência anterior. Heteronomia – O indivíduo é subordinado a um poder externo, ou seja, não existe autonomia. Autodidatismo – Material didáctico é elaborado de forma a privilegiar o estudo Heteronomia individual. Portanto, não existe interacção entre os participantes (aluno – aluno ou aluno – professor). Autodidatismo Reprodução – O aluno não constrói nada de novo. Ele apenas reproduz o conteúdo Empirismo Reprodução repassado pelo professor. Massificação Massificação – O conteúdo não é adaptado às diferenças individuais, sendo o mesmo para todos os alunos. Neste sentido, o material didáctico é elaborado antes mesmo de se conhecer os alunos. Autonomia – Fundamentada na igualdade e na reciprocidade dos parceiros, libertando- se tanto da anomia, própria ao egocentrismo, quanto da heteronomia, própria da coação. Autonomia Interacção – A comunicação é multidireccional, ocorrendo tanto entre professor e aluno quanto entre os alunos. Interacção Construção – A ênfase não é sobre a reprodução, mas sim na construção de artefactos Construtivismo Construção que sejam significativos para o aluno. Personalização Personalização – O processo de aprendizagem leva em consideração as características especificas de cada aluno. Assim, ao invés de um material didáctico massificado, existe a construção do conteúdo ao longo do processo. Autonomia – Fundamentada na igualdade e na reciprocidade dos parceiros, libertando- se tanto da anomia própria ao egocentrismo quanto da heteronomia própria da coação. Interacção – A comunicação é multidireccional, ocorrendo tanto entre professor e Autonomia aluno quanto entre os alunos. Interacção Construção – A ênfase não é sobre a reprodução, mas sim na construção de artefacto que sejam significativos para o aluno. Construção Cooperação – O ser humano isolado não chegaria jamais a conhecer, sendo essencial à Actuante Cooperação comunhão entre as pessoas. Personalização Personalização – O processo de aprendizagem leva em consideração as características Constante especificas de cada aluno. Assim, ao invés de um material didáctico massificado, existe a construção do conteúdo ao longo do processo. Devenir Constante Devenir – A realidade não é estática, estando aberta para a imprevisibilidade. Tabela II-1: Comparações das teorias da aprendizagem
  • 21.
    Fundamentação teórica 21 __________________________________________________________________________________________________________ 2.2. Motivação A palavra motivação (derivada do latim motivus, movere, que significa mover) indica o processo pelo qual um conjunto de razões ou motivos explica, induz, incentiva, estimula ou provoca algum tipo de acção ou comportamento humano. (Maximiano, 2001). Para podermos entender mais profundamente a motivação, dependemos do conhecimento de factores que a influenciam directamente, como é o caso do desempenho, aptidão e competência que os indivíduos possuem ou adquirem durante a sua vida e carreira profissional. Desempenho é o resultado que uma pessoa consegue com a aplicação de algum esforço intelectual ou físico, sendo a motivação para o trabalho o processo pelo qual o esforço ou acção o que leva ao desempenho profissional de uma pessoa e é impulsionado por certos motivos, podendo produzir o desempenho positivo ou negativo. Há dois grupos de motivos que influenciam o desempenho, são os motivos internos, que surgem das próprias pessoas como os das necessidades humanas dentro de uma hierarquia defendida por Maslow (1943, in: Maximiano, 2001): necessidades básicas, de segurança, de participação, de estima e de auto-realização, em que uma vez atendida uma das necessidades a outra deixa de se fazer sentir. A pessoa passa a ser motivada pela ordem seguinte de necessidades. As aptidões (habilidades em potencial) e habilidades (aptidões que se desenvolveram), aliadas aos conhecimentos, representam o limite superior do desempenho. Esse é o ponto até o qual cada um pode chegar: seu desempenho potencial. Chegar até esse ponto possível, no entanto, depende das atitudes (características pessoais que emprestam significado a diferentes estímulos e se traduzem em opiniões e escolhas) e interesses (atitudes favoráveis em relação a profissões, actividades, à organização e a quaisquer outros aspectos do trabalho), que determinam aonde a pessoa quer chegar. (Maximiano, 2001). Motivação sem competência significa que há interesse, mas falta habilidade, conhecimento ou experiência para realizar a tarefa, alguém quer realizar uma tarefa, mas não sabe como. Competência sem motivação representa o problema inverso, alguém sabe fazer, mas não tem vontade. Competência e motivação são dois vectores importantes, que agem simultaneamente para influenciar o nível de desempenho de cada pessoa, conforme procura ilustrar a Figura II-2.
  • 22.
    Fundamentação teórica 22 __________________________________________________________________________________________________________ Pessoas com Pessoas motivadas, formação e experientes e COMPETÊNCIA experiência, mas altamente sem motivação Capacitadas Pessoas sem Pessoas motivadas, motivação, mas sem formação e formação Experiência ou experiência MOTIVAÇÃO Figura II-2: Motivação e Competência: dois factores que determinam o nível de desempenho (adaptado de Maximiano, p. 357, 2001) Os motivos externos são criados pela situação ou ambiente em que a pessoa se encontra, são os estímulos ou incentivos que o ambiente oferece ou objectivos que a pessoa persegue porque satisfazem as necessidades, despertam um sentimento de interesse ou representam a recompensa a ser alcançada. (Chiavenato, 1999). Os motivos externos que afectam o desempenho podem ser divididos em duas categorias principais – o trabalho e as condições de trabalho, segundo uma classificação teórica proposta por Herzberg 1959 (in: Maximiano, 2001), chamada teoria dos dois factores. É um dos mais influentes estudos sobre a motivação para o trabalho. A base da teoria dos dois factores é a premissa de que, em situações de trabalho, somente os factores intrínsecos produzem a satisfação com o trabalho. Em outras palavras, apenas o trabalho em si e os factores que lhe são directamente relacionados podem fazer as pessoas sentirem-se satisfeitas. Os factores extrínsecos, porém, não fazem a pessoa sentir-se satisfeita com o trabalho. Os factores extrínsecos influenciam apenas o estado de satisfação com as condições dentro das quais o trabalho é realizado. (Chiavenato, 1999). Portanto, de acordo com a teoria de Hezberg (in: Maximiano, 2001), é a combinação do ambiente de trabalho e do conteúdo do trabalho que faz funcionar o motor interno – um sem o outro tende a ser ineficaz. Para que os factores de motivação sejam eficazes, é preciso haver uma base de segurança psicológica e material, representada pela presença dos factores extrínsecos. Da mesma forma, para que os factores de satisfação tenham efeito positivo desejado sobre o desempenho, é preciso
  • 23.
    Fundamentação teórica 23 __________________________________________________________________________________________________________ que o trabalho ofereça algum grau de desafio ou interesse para o trabalhador, conforme representado na Figura II-3. Presença O trabalho é Trabalho e ambiente factor de motivação, são percebidos como mas o ambiente não Motivacionais satisfatórios. é bom. Factores Ambiente e trabalho O ambiente é bom, mas percebidos como o trabalho não é insatisfatórios. suficiente para motivar. Ausência Presença Factores Higiénicos Figura II-3: Combinação de factores higiénicos e motivadores no trabalho (adaptado de Maximiano, 2001, p. 362) Outra ordem importante de motivos externos que influenciam a motivação é representada pelos factores sociais. A sociedade constrói atitudes e valores diferentes em latitudes diferentes e produz as chamadas necessidades socialmente adquiridas, são perseguidos não por sua natureza intrínseca, mas pela capacidade de valorizar o seu possuidor aos olhos de seus vizinhos, colegas ou conterrâneos, e são influências da educação, religião, folclore, usos e costumes, valores e propaganda. Estas teorias estudam a motivação como um processo, não se limitando ao levantamento dos factores de motivação. As metas que podem permitir a realização do professor no domínio profissional, não são a existência do incentivo que motiva o professor, mas o facto de este desejar alcançá-lo. (Neves de Jesus, 1996, p. 99). A Teoria Relacional de Nuttin é uma teoria cognitivista da motivação que se aproxima da corrente humanista por defender a realização de investigações com sujeitos humanos. A tese central da teoria, tal como das teorias interaccionistas em geral, é de que o sujeito e o mundo estão sempre em relação, só tendo sentido um a partir do outro, considerando as necessidades cognitivas como sendo tão primárias como as
  • 24.
    Fundamentação teórica 24 __________________________________________________________________________________________________________ biofisiológicas… A aprendizagem resulta da extensão dos esquemas motivacionais, já existentes, a novos objectos, tendo em conta a indeterminação objectal que ocorre no processo de concretização dos motivos… do desinvestimento de certos meios ou da não valoração de actividades intermediárias não deve referir-se a ausência de motivação. Ela poderá existir, o que falta é a percepção clara do para quê, da relação entre os meios e o fim… No nível do funcionamento motivacional é imprescindível a elaboração de projectos, pois a incapacidade de elaboração de projectos é um sintoma de problema ao nível do funcionamento motivacional. Mas, na elaboração de projectos é importante, não só a definição de metas a alcançar, como também o estabelecimento de tarefas intermediárias que permitam alcançar essas metas ou objectos-fim… Nesse sentido, a Teoria de Nuttin apresenta-se como uma das teorias da motivação mais completas e originais, pois, para além de integrar, num quadro coerente, variáveis propostas por outras teorias, propõe novas variáveis que permitem explicar e prever de forma mais global a complexidade do comportamento humano. (Neves de Jesus, 1996). Ainda, segundo Neves de Jesus (1996, p. 75 - 76). Os incentivos mais reclamados pelos professores são: oportunidade para melhorar o currículo existente; aumento da eficiência como professor; sentir que as contribuições e sugestões pessoais são úteis; participar na tomada de decisões ligadas ao trabalho do docente; oportunidade para desenvolver novas competências e liderança; fornecimento de materiais para serem usados na escola; sentido de realização; diversificação de tarefas; aumento de autoconfiança; conhecimento de que as sugestões pessoais apresentadas foram tidas em conta… e para a motivação dos professores na escola: considerar as tarefas ligadas ao processo de ensino / aprendizagem como as principais actividades realizadas na escola; envolver os professores nas decisões tomadas na escola, nomeadamente sobre as políticas de ensino, o uso de recursos e os planos de estudo, permitindo que os professores participem e se identifiquem com os objectivos da escola enquanto organização; fornecer confiança, suporte e encorajar os professores a desenvolverem o seu estilo e estratégias pessoais de ensino, o que se traduz numa certa autonomia ou delegação relativamente às actividades desenvolvidas na sala de aula; fornecer um sentido de afiliação com os outros professores da escola, fomentando a
  • 25.
    Fundamentação teórica 25 __________________________________________________________________________________________________________ cooperação através das reuniões centradas na discussão de problemas comuns, sendo valorizada a opinião de cada professor, manifestar reconhecimento e, inclusivamente, orgulho pela qualidade do trabalho de cada professor; fornecer expectativas elevadas, embora realistas, de forma a fomentar uma postura de sucesso; fornecer feedback construtivo; fornecer oportunidade para o desenvolvimento profissional, através de participação em cursos de formação; fornecer um sentido de rotina ou estabilidade, através de regras e políticas, reduzindo a necessidade de continuamente haver problemas para resolver, nomeadamente quanto à avaliação e ao controlo dos comportamentos de disciplina dos alunos; fornecer um sistema de incentivos, não apenas intrínsecos, mas também extrínsecos, como seja o salário. Um factor relevante a ser considerado para o aspecto motivacional é de se construir ambientes de trabalhos dignos da fabulosa complexidade humana. A sociedade do conhecimento conclama os professores, como líderes educacionais, a desvendar os mistérios cerebrais e emocionais do ser humano. É hora de visualizar e investir no poder de mudança e desenvolvimento do ser humano total. Falar de estabelecer nas instituições um novo conceito de trabalho. Uma cultura corporativa onde a Política de Recursos Humanos não seja mero documento administrativo e burocrático. O factor humano precisa ser meta-estratégia nas instituições de ensino. O desafio é grande, mas o sonho também. Se o que desejamos é gerar resultados através das pessoas, os primeiros passos devem determinar o resultado de desempenho que se deseja de cada colaborador, como também, conhecer melhor as pessoas, suas necessidades, expectativas, desejos, o que fazer para atrair e mantê-las no quadro de colaboradores. E por fim, o que as realiza e quais as dificuldades no processo de aprendizagem. (Gomes, 2003). Em época em que a adversidade está em alta, o que não vale é aplicar a mesma receita mágica para tudo e todos. Chegou a hora de encarar a grande máxima: O homem é a última invenção da revolução tecnológica. Assim, esse é o momento de melhorar as práticas de gestão de pessoas. Precisa-se pensar estrategicamente a função Recursos Humanos nas instituições de ensino. As organizações precisam resgatar o espírito guerreiro para esses tempos de crise. Tudo dependerá do nível de motivação, que evidenciará um clima que ditará uma cultura, que por sua vez, afectará a produtividade. (Iahn, 2003).
  • 26.
    Fundamentação teórica 26 __________________________________________________________________________________________________________ O testemunho da vida, a maneira de ser, de falar, de se relacionar com os outros, de passar o sentimento sobre o significado do trabalho. Enfim, o nível de motivação para o trabalho é que regerá o produto final da comunicação entre professor e seus pares. O aluno aprende o que o professor é. Nossos filhos e alunos absorvem lenta e cumulativamente o nosso exemplo. Especialistas afirmam que o mais persuasivo ensino moral que os adultos podem dar é pelo exemplo. A ética deve ser estabelecida. O ambiente de trabalho e estudo precisa reflectir a atmosfera que desejamos criar. Trata-se de uma simples escolha. Segundo Gomes (2003) em seu artigo “Escolas onde faz bem trabalhar”, para melhorar o ambiente de trabalho nas instituições de ensino neste século deve seguir os tópicos abaixo: • Estruturar e disseminar um conjunto de valores que fundamentem o código de ética da organização. Em que acreditamos? • Deixar claro para todos os envolvidos no sistema escolar o conceito de trabalho preconizado por sua instituição. • Estabelecer um sistema de comunicação interna. Uma gestão da comunicação que assente na divulgação da missão, cultura e projectos da escola, respeitando as diferenças individuais e maximizando as relações entre os diferentes processos. • Utilizar os recursos existentes, melhorar o ambiente físico (salas de aula, sala de professores, etc.). • Medir o clima organizacional através de pesquisas com vários canais de ouvidores. • Instituir a cultura da participação. Encorajar a participação das pessoas. • Elaborar programas de reconhecimento. • Assegurar o gerenciamento por equipas através de TGI’s –Times de Gestão Integrada. • Programar encontros de integração e lazer para a equipa de trabalho visando melhorar o relacionamento entre colegas e com gestores. Em concordância com essas visões, concluímos que, com uma boa estrutura de trabalho, com um sistematizado processo de educação e formação, é mister que se estabeleçam directrizes para a melhoria do ambiente interno de uma escola, porque o que incomoda as pessoas no sistema de trabalho não é a responsabilidade, nem as atribuições. O que aniquila a atmosfera é a raiva, o mau humor, o autoritarismo, a falta
  • 27.
    Fundamentação teórica 27 __________________________________________________________________________________________________________ de informação e de objectivos claros, e ainda o deficiente sistema de desenvolvimento das pessoas. 2.3. Educação e as Tecnologias de Informação e Comunicação A educação é um caminho para a preparação e adaptação dos indivíduos numa sociedade em constante transformação, mas uma adaptação que seja pró-activa, não reactiva e acomodada. Uma educação pluralista que se volte para a orientação do desenvolvimento de habilidades e técnicas de adaptação, de escolha e de tomadas de decisão a partir de projecções de alternativas, possibilidades e probabilidades do futuro. Uma educação que se dedique à formação de indivíduos “tecnicamente inteligentes”, que ensine aos jovens como utilizar os instrumentos práticos e mentais indispensáveis para poder viver, trabalhar e sobretudo não se sentirem estranhos, nessa sociedade fortemente competitiva. (Cortelazzo, 2000). Mas segundo Moressi (1999), a inteligência é a combinação de três elementos (dado, informação e conhecimento), resultante do processo de análise e validação pelo especialista. Somente para fortalecer a citação de Moressi; dados são abstracções formais quantificadas que podem ser armazenadas e processadas por computador; um dado é necessariamente uma entidade matemática e, desta forma, é puramente sintáctico. Como exemplos de dados tem-se: texto, foto, figura, som gravado e animação. O dado pode ser totalmente descrito através de representações formais, estruturais, significando que o processamento de dados num computador limita-se exclusivamente a manipulações estruturais dos mesmos, e é feito por meio de programas e estes são sempre funções matemáticas e, portanto, também são “dados”. Sendo que a informação é uma abstracção informal (isto é, não pode ser formalizada através de uma teoria lógica ou matemática), que está na mente de alguém, representando algo significativo para essa pessoa. Se a representação da informação for feita por meio de dados, pode ser armazenada num computador, sendo que, o que é armazenado na máquina não é a informação, mas a sua representação em forma de dados. Essa informação pode ser transformada pela máquina, como na formatação de um texto (uma manipulação matemática de dados). Assim, não é possível processar informação directamente num
  • 28.
    Fundamentação teórica 28 __________________________________________________________________________________________________________ computador, para isso é necessário reduzi-la a dado. Uma distinção fundamental entre dado e informação é que o primeiro é puramente sintáctico e o segundo contém necessariamente semântica. É interessante notar que é impossível introduzir e processar semântica num computador, porque a máquina mesma é puramente sintáctica. Assim, a chamada “semântica formal” das “linguagens” de programação, é de facto, apenas um tratamento sintáctico expresso por meio de uma teoria axiomática ou de associações matemáticas de seus elementos com operações realizadas por um computador. O conhecimento é a abstracção interior, pessoal, diálogo que foi experimentado, vivenciado, por alguém. Nesse sentido, o conhecimento não pode ser descrito; o que se descreve é a informação. Também não depende apenas de uma interpretação pessoal, como a informação, pois requer uma vivência do objecto do conhecimento. A inteligência pode ser entendida como sendo a informação como oportunidade, ou seja, o conhecimento contextualmente relevante que permite actuar como vantagem no ambiente considerado. A inteligência resulta da síntese de corpos de conhecimento, sendo usados julgamento e intuição daquele que toma decisões e obtida uma visualização completa da situação. Hoje o professor precisa ser capaz de interagir dinamicamente frente às novas e mutantes realidades sociais que se configuram a partir de formas diferenciadas de comunicação, de tecnologias, de constituição dos seres humanos e reestruturação de laços sociais. O professor, ele mesmo, enquanto um dos sujeitos dos processos de ensinar e aprender precisa constituir-se outro, se pôr nesse novo cenário. A partir de então, cada vez mais se forja a necessidade da formação de um professor com um “novo habitus”, sendo que, o habitus não é algo que o indivíduo tem, mas algo que ele é. Na verdade, o habitus é a própria inteligência accionada, potencializada em campos específicos, constituindo-se em conjunto de operações específicas, capazes de activamente gerar vários novos esquemas de acções. Seguindo os estudos da Cortelazzo (2000), o professor tem sido formado para exercer a função de distribuidor de informação e, mais ainda, em um ambiente de aprendizagem que não corresponde ao mundo real fora da escola. Esse profissional se vê colocado diante de alunos que, de uma forma ou de outra, estão expostos às mais recentes tecnologias de comunicação. Sua reacção só pode ser de dois tipos: ou amedronta-se de tal forma e recusa-se a aceitar, a reconhecer a importância e a conhecer seu funcionamento bem como apropriar-se dela, ou passa a usá-la dentro daquele
  • 29.
    Fundamentação teórica 29 __________________________________________________________________________________________________________ paradigma de comunicação tradicional, aumentando os defeitos desse paradigma e transformando objectos ou meios de comunicação ricos de significados em suportes aborrecidos e frustrantes, sem perceber a função, a especificidade e a linguagem de cada media quer no processo de comunicação social quer no escolar ou em sua vida pessoal. 2.4. Formação de professores A formação de professores no novo contexto da realidade virtual apontam para uma verdadeira revolução, alguns apostam que pode haver o aumento da exclusão social, os abismos entre ricos e pobres. Muitos resistem à inovação tecnológica, outros acreditam que novas formas de laço social podem ser firmadas no sentido de maior fraternidade e resolução colectiva de problemas que a sociedade enfrenta. A preocupação com a profissionalização docente frente a esses novos desafios e atendendo que hoje há uma tendência que aponta para a formação profissional crítico- reflexiva, em que os problemas da prática docente são visto através de uma crítica reflexiva, que leva a uma apropriação teórica da realidade. Para que surta efeito e para que exista profissionais altamente motivados e capacitados nas instituições de ensino num posicionamento competitivo diante dessa nova realidade, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas salas de aula devem ser encaradas como mais um meio de transmissão de conhecimento e ferramenta facilitadora e motivadora ao desempenho desse profissional. Se os professores vislumbram seu espaço no mercado têm que ter motivação para aprender. “Aprender a aprender”, isto é, saber que o aprendizado não é uma experiência finita e que deve ser continuamente elaborada, com resultados gratificantes. A Tecnologia de Informação (TI) pode colaborar decisivamente ao contribuir à Gestão do Conhecimento, ao permitir a sistematização do “saber” e do “decidir” ajudando a instituição a conhecer melhor suas virtudes e falhas, a desenvolver suas competências. (Jamil, 2001). Para que os professores venham a superar a própria exclusão frente as TIC, devem manter uma postura inteligente na busca da literacia digital e a autoformação.
  • 30.
    Fundamentação teórica 30 __________________________________________________________________________________________________________ 2.5. Formação de professores e o processo da motivação, aprendizagem e as tecnologias de informação e comunicação A linguagem, a comunicação e os elementos comunicacionais formam um dos eixos fundamentais de proposta educativa para ajudar o se humano a libertar-se da manipulação e domesticação, desenvolvendo sua capacidade crítico-reflexiva, especialmente em relação ao tema da formação do professor no uso de elementos mais sofisticados de comunicação. As competências de um professor são as da leitura e da escrita, bem como a competência de saber enfrentar os factos quotidianos através da comunicação humana, seja esta por meio da escrita ou de redes telemáticas, ou seja, que se trabalhe em favor do alfabetismo conceptual e político, porém sempre em relação a dialéctica. Nesta óptica, a questão é desvendar, desarmar e recriar factos complexos de leitura e escrita. A formação não pode fornecer normas de actuação ou ser centrada em “situações ideias de ensino”, uma vez que as situações educativas são complexas e diferenciadas, havendo várias formas de o professor responder adequadamente às circunstâncias com que se confronta diariamente, isto é, há vários estilos ou estratégias de ensino igualmente eficazes. Por exemplo, há professores que, para desenvolver alunos nos conteúdos programáticos, preferem usar métodos auxiliares, como o vídeo e o retroprojector, enquanto outros preferem servir-se da sua capacidade e facilidade em verbalizar e expor ideias. É evidente que uma estratégia não é incompatível com a outra, mas não há receitas universais sobre qual é a melhor. (Neves de Jesus, 1996). Segundo ainda Neves de Jesus, que faz o confronto de dois modelos de formação do professor; o modelo normativo que pretende que os formandos devem assistir passivamente às receitas pedagógicas apresentadas pelo formador e este se compare com o modelo de “bom professor” com o qual não se identifica, e o modelo relacional que enfatiza a importância da motivação, da autoconfiança e de cognições adequadas sobre si próprio e sobre a profissão docente, sentindo-se um agente educativo activo, não se limitando a cumprir programas de funções pedagógicas de uma forma padronizada ou normativa.
  • 31.
    Fundamentação teórica 31 __________________________________________________________________________________________________________ Os formandos devem cooperar e trabalhar em equipa na descoberta de alternativas para a resolução das situações profissionais problemáticas do processo de ensino/aprendizagem. Principais diferenças entre os modelos normativo e relacional. (Neves de Jesus, 1996, p. 319). MODELO NORMATIVO MODELO RELACIONAL Há várias formas de ser “bom Há um modelo de “bom Pressupostos professor” (especificidade professor” idealizado e universal situacional) Levar todos os formandos a Ajudar cada formando a Objectivos adquirir as características do descobrir e potencializar as suas gerais “bom professor” qualidades relacionais Estratégias Antecipação e previsão de Transmissão de “receitas de formação possíveis situações profissionais pedagógicas” aos formandos inicial pelo formando Estratégias Reciclagem de “receitas” Resolução de problemas reais de formação pedagógicas em equipa contínua Maior motivação dos Implicações Menor motivação dos formandos formandos Tabela II-2: Comparações dos modelos motivacionais A formação de professor deve ser tanto inicial como contínua. A formação inicial deve ser de nível superior, enquanto a contínua deve permitir complementar e actualizar a primeira. A formação inicial é a formação fundamentalmente teórica que antecede o início da prática profissional, e a formação em estágio pedagógico, em que a prática profissional é orientado e supervisionado. Enquanto a formação inicial pode ser um cariz preventivo, procurando preparar os potenciais professores para os possíveis problemas da profissão docente, a formação contínua pode ter um sentido resoluto desses problemas profissionais. A formação contínua não deve ser encarada como uma forma de compensar ou preencher as lacunas ou deficiências da formação inicial, deve ser orientada para a resolução de problemas ou para a promoção de inovações no meio escolar, segundo o paradigma da mudança. Só assim a formação contínua poderá constituir um instrumento ao serviço da inovação educativa escolar e do desenvolvimento pessoal e profissional
  • 32.
    Fundamentação teórica 32 __________________________________________________________________________________________________________ do professor, cujo objectivo da formação contínua deverá ser o de promover a cooperação entre os professores e que deverá incidir no trabalho dos professores em equipa. (Neves de Jesus, 1996). O trabalho em equipa permite a redução do isolamento, o fornecimento de apoio ou suporte social, a convergência nas estratégias utilizadas para a resolução de problemas e o desenvolvimento profissional dos professores, sendo a motivação na formação de professores um dos aspectos fundamentais para a carreira profissional docente. Para motivar os potenciais professores é necessário relacionar as metas profissionais com os meios que as podem permitir alcançar, deve ser estabelecida uma relação entre o provável futuro profissional e os conteúdos e estratégias de formação que podem contribuir para um desempenho mais adequado e eficaz. Neste sentido, a motivação do formando para o processo formativo (meio), também depende da sua motivação para a profissão docente (fim). A simulação de desempenhos profissionais permite ao formando adquirir autoconfiança e logo, maior motivação. (Neves de Jesus, 1996). Variáveis do funcionamento motivacional e estratégias de intervenção na promoção da motivação para a profissão docente. (Neves de Jesus, 1996, p, 350). VARIÁVEIS ESTRATÉGIAS - Ajudar o professor a reexaminar o seu percurso vocacional Projecto (Ajudar o professor a analisar outras alternativas profissionais) profissional - Promover o auto-conhecimento das metas profissionais que podem permitir a realização do professor na profissão docente Valor das - Analisar a importância dessas metas metas Expectativas de - Analisar a probabilidade de concretização dessas metas sucesso - Analisar os passos a seguir para conseguir concretizar essas Planos de acção metas Tabela II-3: Variáveis motivacionais
  • 33.
    Fundamentação teórica 33 __________________________________________________________________________________________________________ Com o advento da sociedade da informação deve caracterizar-se pela ênfase curricular no aprender a aprender, daí decorrendo também a importância do processo e da génese do conhecimento nas várias disciplinas. Isto implica uma formação científica esmerada por parte dos professores que serão muito mais que transmissores de conhecimento, tendendo, de acordo com as novas didácticas, a ser assistente da construção do conhecimento e inspiradores de estratégias de acção, principalmente na resolução de problemas. (Pereira, 1999) Portanto, este parecer, justifica a necessidade de professores com formação para a carreira profissional segundo o modelo relacional e as teorias motivacionais analisadas, motivados para a docência e não ser docente por falta de opção profissional; conhecer as variáveis e os factores que envolvem o percurso da carreira profissional, saber controlar estas variáveis, sejam elas, de bem ou mal-estar, as quais o contexto os envolve. Segundo Pereira (1999), deverá ser assegurada a todos os actuais professores, formação contínua de curta duração em tecnologia de informação e comunicação, pois será imperativo o recurso a programas informáticos, muitos deles multimédia, que poderão ajudá-los a cumprir a sua missão de assistentes de construção de conhecimentos com seus pares e alunos, superando também algumas lacunas relativamente a uma formação inicial muito especializada. Deverá ser dada prioridade a formação contínua de curta duração e as acções de grande duração (talvez 100 horas) para a reconversão do perfil de professor bidisciplinar e polidisciplinar. De acordo com o exposto, concordamos com Neves de Jesus, ao analisar que muitos dos professores não tiveram a oportunidade da formação inicial com as TIC, a formação de longa duração torna-se imprescindível para a sua inserção e domínio no novo contexto ensino/aprendizagem. A formação de curta duração é amnésica, e para se obter o verdadeiro conhecimento, esse deve ser instilado, o que ocorre somente com o tempo necessário e que seja suficiente para atingirem a solicitude, adquirindo assim a leniência e coragem para fortalecer a suas próprias individualidades no âmbito da docência. Um ponto importante a considerar na formação contínua associada as TIC, refere-se à problemática do erro. De acordo com Praia (1999), numa perspectiva tradicional da didáctica, há uma tendência para evitar o erro, para o dissimular, para o encobrir de forma que ninguém se aperceba que se cometeu o “pecado de errar”. Dessa
  • 34.
    Fundamentação teórica 34 __________________________________________________________________________________________________________ forma, procura-se sobrepor a verdade ao erro. Pelo contrário, a epistemologia do erro, atribuindo um valor positivo a este, considerando-o, mesmo, indispensável à construção da verdade, encaminha para uma perspectiva didáctica em não ocultar o erro, que o trás à consciência de quem errou a procurar analisar e o transformar num instrumento privilegiado de aquisição e construção do conhecimento. Este é o diferencial existente entre a criança e o adulto, a criança não tem medo de errar, e por conseguinte consegue ver o todo quando está diante de um tela de computador através da sua inerente curiosidade, fá-los desvendar os mistérios ali presentes, levando ao erro e ao aprendizado, enquanto, o adulto, é altamente crítico e recriminador dos seus próprios actos, não podendo errar e erroneamente deixando assim de explorar o novo e aprender com os erros, não aglutinando dessa forma o desenvolvimento de seus alunos na cooperação e interacção no uso das TIC, elevando a desmotivação para aprender o novo. O perfil do novo professor deve ser hoje de acreditar e mostrar que confia no seu aluno e que promova o efeito “Pigmalião”. Uma criança, depois de ver que acreditamos nela, pode fazer coisas espantosas. (Figueiredo, 1999) Resgatar outros tipos de parcerias, segundo ainda Figueiredo, que não são exploradas e que não são modernas: as parcerias de aprendizagem de Sócrates, por exemplo, eram parcerias de construtivismo social, bastante antigas e que foram praticamente excluídas. Um outro exemplo é o do aprendiz medieval na sua relação com o mestre: aprendia o aprendiz e aprendia o mestre; o aprendiz tinha outras competências e a sua juventude para criar um ambiente de aprendizagem colectiva, de estímulos, de mobilização e de aperfeiçoamento em conjunto com o mestre e seus aprendizes. Acredita Freire (1997), que conhecer o contexto do processo comunicacional em que a leitura e a escrita se produzem é de fundamental importância. É importante reconhecer, por exemplo, que existe uma sociedade fortemente atravessada pelo mercado que marca a produção das palavras, ao ponto de oferecer e procurar conhecimento. Por isso, há com certeza necessidade de formação em certas competências específicas para estar a par, pelo menos, de alguns dos novos emergentes meios comunicacionais, permitindo, desta forma, que os professores retomem seu próprio saber.
  • 35.
    Fundamentação teórica 35 __________________________________________________________________________________________________________ Partindo de uma das premissas do pensamento freireano, segundo a qual o conhecimento é “entender o mundo-palavra”, reconhece-se a necessidade da apropriação, pelos educadores, dos avanços científicos do conhecimento humano que possam contribuir para a qualidade da escola que se quer. Por outro lado, o protagonismo do professor na leitura e escrita nos meios comunicacionais, desde a óptica freireana da “leitura do mundo”, pode oferecer um caminho para descobrir, descodificar e explorar o texto previamente escrito e gravado no computador, o que virá, por sua vez, caracterizar a competência do professor. Se bem que a escrita aparece como um processo inacabado, mas não há de deixar de afrontar este desafio, bem como o de começar a reflectir e actuar para quando a tecnologia não seja problema. De qualquer modo, os computadores e a leitura não são incompatíveis, nem perturbam ou impedem a leitura e a escrita. Mas, se se pretendem desenvolver a competência comunicativa por meio do desempenho nos computadores, tem que se começar por considerar as teorias crítico-construtivistas em relação à transformação do discurso escrito, tanto na alfabetização básica como no desempenho de habilidades de escritas mais avançadas. Neste sentido, a media pode contribuir como ferramenta para aprender, bem como servir de objecto de conhecimento. (Gomez, 2001) Segundo Buzato (2001), literacia electrónica – hoje mais conhecida como literacia digital (LD) – é o conjunto de conhecimentos que permite às pessoas participarem nas práticas letradas mediadas por computadores e outros dispositivos electrónicos no mundo contemporâneo. Em geral as pessoas pensam na literacia digital como conhecimento “técnico”, relacionado ao uso de teclados, interfaces gráficas e programas de computador. Porém, a literacia digital é mais abrangente do que isso, ela inclui a habilidade para construir sentido a partir de textos que mesclam palavras, elementos pictóricos e sonoros numa mesma superfície, a capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informação disponibilizada electronicamente, familiaridade com as “normas” que regem a comunicação com outras pessoas através do computador (Comunicação Mediada por Computador ou CMC).
  • 36.
    Fundamentação teórica 36 __________________________________________________________________________________________________________ Podemos verificar que muitos professores afirmam serem totalmente “analfabetos” para o uso dos computadores. Mas segundo Kleiman (1995, in: Buzato), “o analfabetismo tende a ser visto como um índice da incapacidade intelectual do indivíduo e não como consequência natural da não inserção real do sujeito em contextos sociais que demandam o conhecimento da escrita, ou que promovem a participação em práticas sociais nas quais esse tipo de conhecimento tem um papel significativo”. Buzato (2001), afirma ainda que, para entender o conceito de literacia electrónica, esse não se trata apenas de ensinar a pessoa a codificar e descodificar a escrita, mas de inserir-se em práticas sociais nas quais a escrita tem um papel significativo. Fica assim entendido, que mesmo sabendo ler e escrever, isso não significa que essas pessoas saibam construir uma argumentação, redigir uma carta, interpretar um gráfico, pesquisar sobre um assunto, etc. Esse tipo de conhecimento constrói-se na prática social e não na aprendizagem do código por si só. Mas quando falamos de alguns professores, estamos falando em semi-letrados nos termos da literacia digital, pois é letrado para os termos tradicionais estando em posição de privilégio em relação a seus alunos, que ainda não possuem a base da literacia alfabética. Conforme estas colocações, os professores são capazes de discernir quais conteúdos são ou não relevantes. Mas para serem letrados electronicamente têm que ter disposição para aprender, querer fazer e querer ser, ter acesso a computadores e pares mais competentes. Também é necessário que os professores tenham uma atitude flexível e corajosa que propicie uma atmosfera de colaboração e co-investigação com os seus alunos. Tomando a afirmação de Kaplan (1995, in: Buzato) segundo a qual, “a literacia electrónica não substitui a literacia alfabética mas adiciona a ela outras habilidades e tipos de conhecimento”. O iletrado electrónico é aquele indivíduo não familiarizado minimamente com o sistema simbólico que permite manipular o computador, acarretando que o iletrado electrónico é, a rigor, também um iletrado alfabético, pois, ao menos no presente momento, a tela do computador mimetiza boa parte das convenções associadas à página impressa; e como semi-letrado electrónico, aqueles indivíduos que, já dispondo do letramento alfabético, adquiriram no mínimo alguns conhecimentos básicos que permitem a interacção com textos no meio electrónico, mas ainda confundem coisas do tipo, traços de géneros impressos e géneros electrónicos, sentindo-se mais a vontade
  • 37.
    Fundamentação teórica 37 __________________________________________________________________________________________________________ utilizando o computador como um recurso adicional à escrita alfabética; sendo o letrado electrónico capaz de interagir com uma gama ampla de textos e está mais apto a adquirir conhecimento sobre novos tipos de textos e géneros discursivos no meio electrónico. (Buzato, 2001). A aquisição da literacia electrónica, os cursos e programas de formação de educadores para a superação dos obstáculos humanos, tais como os sentimentos de incompetência e desqualificação frente às novas tecnologias de informação e comunicação é importante criar uma “comunidade de prática” em que as pessoas possam ir se integrando no uso da tecnologia assim como participarem de práticas letradas no seu dia-a-dia, na família, círculos de amigos. É importante mostrar que para aprender a lidar com o computador é preciso interagir com pessoas que sejam “fluentes” no uso da máquina. Essas pessoas podem ser seus próprios alunos, um projecto de troca de e-mail com pessoas de outras escolas / comunidades, sendo uma excelente forma de começar. A literacia da informação é um processo de aprendizagem pelo qual se identifica uma necessidade ou se define um problema; procura recursos eficazes; reúne e consome informação; analisa e interpreta a informação: sintetiza e comunica com eficácia a informação e avalia o processo. Adultos informados são leitores ávidos e consumidores de informação artística e cultural. São pensadores críticos e criativos, aprendentes interessados e investigadores organizados. Usam a informação de forma responsável e são comunicadores eficazes. Colaboram com outros, não só pessoalmente como através das TIC, desenvolvendo e avaliando projectos e produtos, o que os tornam utilizadores sistemáticos das novas tecnologias. As competências da informação constituem ferramentas de aprendizagem ao longo da vida, induzindo o desenvolvimento cognitivo do aluno. A literacia da informação deve ser integrada transversalmente no currículo. As aprendizagens tornam- se mais significativas quando operacionalizadas de forma interdisciplinar e/ou ligadas a necessidades ou problemas da vida real. Achamos importante ressaltar estarmos em consonância com as afirmações de Buzato (2001), mas que para derrubar a resistência ao uso do computador, é uma tarefa muito complexa, pois argumentos não faltam para muitos dos professores se afastarem de seu domínio.
  • 38.
    Fundamentação teórica 38 __________________________________________________________________________________________________________ Desenvolvimento da Literacia da Informação. Tipos de informação Características do aluno Orientação Fontes Nível inicial: Nível inicial: Nível inicial: 1. Tem pouca ou nenhuma 1. Utilização de um 1. Realiza pequenas experiência em recorrer a número de fontes pré- sessões sobre a utilização diferentes fontes de seleccionadas. de fontes específicas. informação. 2. Necessita de grande apoio 2. Simples, directas, 2. Apoio de alunos- do professor. claras e concisas e de monitores sobre a leitura fácil. localização da informação. 3. Revela pouca capacidade 3. Adequação da 3. Sensibiliza para as em definir, organizar e informação impressa, diferentes componentes da realizar um projecto. visual e auditiva ao nível literacia da informação. conceptual. 4. Tem pouca experiência na 4. Forma e apresentação 4. Utiliza modelos simples análise e interpretação da apelativas. de apresentação. informação. 5. Tem falta de hábito de 5. Mecanismos de reflexão crítica. estrutura simples: o aluno pode facilmente encontrar a informação. 6. Lê avidamente de forma não sistemática. 7. Necessita desenvolver capacidades nas TIC. Nível intermédio: Nível intermédio: Nível intermédio: 1. Desenvolve o projecto 1. Acede a fontes de 1. Assegura o acesso a com entusiasmo, mas tem informação simples e fontes de informação dificuldade em delimitar o complexas. múltiplas. tema. 2. Tem experiência em 2. Atinge resultados com 2. Organiza pequenas utilizar correctamente alguma complexidade. sessões acerca da algumas fontes de localização e pesquisa da informação. informação. 3. Desiste com facilidade 3. O nível conceptual das 3. Apoia os alunos na face às dificuldades de fontes de informação identificação e filtragem desenvolvimento do requer maior capacidade da informação relevante. projecto. de leitura, audição, observação.
  • 39.
    Fundamentação teórica 39 __________________________________________________________________________________________________________ 4. Tem dificuldade em 4. As fontes de 4. Promove a análise e reunir informação relevante. informação podem usar interpretação da símbolos codificados ou informação. familiares que necessitam ser traduzidos pelo utilizador. 5. Desenvolve capacidades 5. Acede a múltiplas 5. Orienta e guia os alunos de análise e interpretação da fontes de informação e face à informação que informação. tecnologias. detêm. 6. É um leitor independente 6. Ajuda os alunos nas e interessado. dificuldades que encontram. 7. Desenvolve capacidades 7. Ensina as componentes nas TIC. da literacia da informação e a utilização das TIC. 8. Mostra múltiplos modelos de apresentação da informação. Nível avançado: Nível avançado: Nível avançado: 1. Lê com avidez. 1. Tem acesso a fontes de 1. Encoraja a utilização de informação complexas. múltiplas fontes de informação em suportes variados. 2. Pensa de forma crítica. 2. Domina diferentes 2. Estimula a utilização de perspectivas e opiniões. estratégias mais complexas de investigação. 3. Aprende com interesse. 3. Explora a riqueza das 3. Desafia o pensamento fontes de informação. crítico dos alunos. 4. Investiga de forma 4. Códigos e formatos 4. Faz feedback no organizada. complexos já não processo de constituem barreira. desenvolvimento do projecto. 5. Comunica com eficácia. 5. Manipula fontes de 5. Induz a apresentação informação primárias tão dos produtos finais com bem como as secundárias. qualidade e recurso a diferentes suportes. 6. Usa a informação com 6. Usa um leque vasto das responsabilidade. TIC. 7. Usa as TIC com destreza. Tabela II-4: CTAP Information Literacy Guidelines K-12
  • 40.
    Fundamentação teórica 40 __________________________________________________________________________________________________________ ORGANIZAR PARA A INVESTIGAÇÃO (PROCESSO) Questiona & Reflecte (formula as questões) Localiza a Reflecte no Informação em processo & no diferentes produto suportes (como fiz e (livros, mapas, como poderia ter CD-ROM, feito?) Internet…) ALUNO Recolhe e Comunica a selecciona a Informação Informação (em diferentes (lê, ouve, suportes) observa, reúne…) Resume & Conclui Reflecte & Cria (elabora (compara, avalia, Informação em escolhe, associa, diferentes escreve…) suportes) Figura II-4: Modelo de literacia da informação Identifica uma necessidade ou um problema – No primeiro contacto com a literacia da informação o aluno deverá:
  • 41.
    Fundamentação teórica 41 __________________________________________________________________________________________________________ 1. Perguntar sobre uma gama vasta de tópicos, assuntos, problemas, etc. 2. Reconhecer a necessidade de gerir e completar a informação a um certo nível (razoável) de compreensão. 3. Fazer brainstorming sobre o assunto e formular questões. Procura recursos fáceis – Identificado o assunto e formuladas as questões o aluno deverá: 1. Identificar potenciais fontes de informação, incluindo documentos impressos, não impressos e electrónicos, dentro e fora da escola (i.e. em suporte informático - Internet, CD-ROM - audiovisual...). 2. Utilizar estratégias eficazes de pesquisa recorrendo a palavras-chave, frases e conceitos. 3. Aceder à informação usando índices, tabelas de conteúdos, pesquisa cruzada e suporte informático. 4. Avaliar as fontes a utilizar (i.e. leituras, pontos de vista / opiniões, formatos de documentos). 5. Rejeitar fontes que não servem as suas necessidades. Reúne a informação – Depois da identificação e avaliação das fontes o aluno deverá: 1. Ler, observar e ouvir uma grande variedade de materiais apropriados. 2. Reunir material de suporte ao assunto. 3. Começar a elaborar / construir / produzir informação sobre certos aspectos do assunto. Analisa a informação – Enquanto os materiais/documentos estão a ser lidos, observados, tratados, o aluno deverá: 1. Descobrir e explorar palavras-chave e ideias principais. 2. Determinar a correcção, relevância e qualidade da informação (autor, data, etc.) e rejeitar a informação desnecessária. 3. Diferenciar entre facto e opinião, concordância e discordância, fontes principais e secundárias, causa e efeito. 4. Identificar pontos de vista, diversidade e influência cultural.
  • 42.
    Fundamentação teórica 42 __________________________________________________________________________________________________________ 5. Reconhecer omissões e erros de lógica. 6. Reconhecer a inter-relação entre os conceitos. 7. Reflectir sobre as questões que surgem, rejeitando algumas ou todas; decidir recolher mais informação / documentação para substituir a anterior. Interpreta e sintetiza a informação – Depois de analisar a informação, o aluno deverá: 1. Encontrar formas eficazes/correctas para tirar e tomar notas. 2. Resumir e registar a informação por palavras suas. 3. Tirar conclusões baseadas na informação recolhida. O conteúdo citado até esse momento, foi feita alusão para a formação de professores de forma presencial, mas colocou-se que a prática é a melhor forma do semi-letrado electrónico superar as barreiras para alcançar a literacia digital. As tecnologias de informação e comunicação são uma realidade nas escolas e vieram para ficar, bastando agora que os profissionais se consciencializem de que os obstáculos são muitos, mas, de uma forma ou de outra terão que ser superados para serem “bons professores” no novo contexto de ensino/aprendizagem. Levando em conta a prática, um bom argumento para a literacia electrónica seria utilizar as plataformas existentes nas escolas e proporcionar aos professores a formação à distância, como a aprendizagem via electrónica, o e-learning, levando a autoformação através da prática no mundo digital. A formação on-line facilita em muitos aspectos a autoformação. Em primeiro lugar, porque a formação pode ser acedida a qualquer hora, em qualquer lugar, eliminando a necessidade de cumprir horários e sem estar limitada a um espaço físico ou situação geográfica. Com um PC ligado à Internet, é possível que populações isoladas dos grandes centros urbanos e culturais acedam a conhecimento e formação qualificados. O e-learning também permite que cada formando aprenda a seu próprio ritmo e escolha o seu estilo de aprendizagem, tanto em modo de colaboração assíncrona – em que não existe interacção em tempo real entre formador e formandos e a comunicação baseia-se em fórum ou e-mail – e síncrona, na qual o formador e formandos estão interligados através de salas virtuais, conferências de áudio e vídeo, por satélite e Internet. Além disso, o e-learning reduz as despesas com viagem, o tempo necessário
  • 43.
    Fundamentação teórica 43 __________________________________________________________________________________________________________ para formar as pessoas e diminui a utilização de salas de aulas e pode cortar em até 50% os custos de formação. O número de utilizadores é ilimitado, sendo sempre possível acomodar mais pessoas. Outras vantagens são, a personalização dos conteúdos, os quais podem ser adaptados às diferentes necessidades de aprendizagem. Como o conteúdo é baseado na Web, pode ser actualizado sempre que necessário, tornando a informação útil por um maior período de tempo e passível de ser reutilizável; o estímulo à auto- aprendizagem, dado que o processo formativo passa a ser centrado no formando e não no formador. O formando é quem define o que quer aprender, agindo o formador como um guia ou um tutor para o aluno atingir o conhecimento e competência que deseja alcançar. (Guia de e-Business, 2001). Mas existe a outra face do ensino a distância, onde as críticas centram-se principalmente sobre a ausência de uma relação humana entre professor e alunos típica de uma sala de aula, a escassa largura de banda que impede a transmissão de conteúdos mais elaborados e dificulta as videoconferências. Os investimentos iniciais são elevados em termos de recursos humanos que devem ser qualificados, tanto pedagógicos como informático, para a criação de conteúdos e das plataformas. Mas além das barreiras tecnológicas e financeiras, também existem as sociais. A resistência à mudança e a falta de conhecimento sobre e-learning, levando à comparação com o ensino comercial de fraca fiabilidade, prejudicando a aceitação por parte das pessoas. Além disso, verificam-se muitas dificuldades na auto- motivação dos alunos, o e-learning exige dos formandos uma autodisciplina. Outro factor importante é os conteúdos e a pedagogia utilizada nesses cursos. (Exame Informática, 2002). Em primeira instância a auto-aprendizagem pode ser entendida como uma aprendizagem solitária e isolada, mas a auto-aprendizagem necessita e requer a colaboração com os outros. O aprendente não deve ser visto como independente ou dependente, mas sim como interdependente, adquirindo os novos conhecimentos através do diálogo, feedback e reflexão com formadores, facilitadores, mentores, colegas de aprendizagem, etc. Assim, existindo a interacção entre formando e formador, formando e formando, não existe o isolamento imaginado, elevando a auto-estima e auto- motivação. Pesquisas do Canadá e Inglaterra sobre rendimento na aprendizagem em casos de educação à distância através da Internet, estão revelando que o formando / aluno
  • 44.
    Fundamentação teórica 44 __________________________________________________________________________________________________________ ganha mais conhecimento com a compreensão profunda de conceitos complexos, quando participa de discussões analíticas com os seus colegas sobre os tópicos da matéria em estudo. Isto é, mais do que o material textual de leitura obrigatória/opcional colocado à disposição do formando / aluno, mais do que a intervenção do professor nas discussões, e é a discussão analítica entre os alunos que provoca alto rendimento escolar. No Capítulo III enfatizaremos a respeito da estrutura tecnológica nas escolas do 1º ciclo, assim como, das perspectivas de programas pedagógicos na realização do projecto Internet na Escola. Discorreremos sobre as características das escolas do primeiro ciclo e das suas vantagens e desvantagens na presença da pedagogia e comunicação e como as características dessas escolas reflectem as tecnologias de informação e comunicação no ensino / aprendizagem.
  • 45.
    Capítulo III Característicasdas escolas do 1º ciclo e as novas tecnologias 3.1. Estrutura tecnológica nas escolas do 1º ciclo Promovida pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) em colaboração com as Autarquias, foi concluída, no final de 2001, a ligação das escolas públicas do 1º ciclo do Ensino Básico à Internet, através da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS). Nessa perspectiva, o MCT lançou um programa de acompanhamento da utilização educativa da Internet na Escola públicas do 1º ciclo do Ensino Básico (EB1), tendo para o efeito celebrado, no ano de 2002, protocolos de colaboração com todas as Escolas Superiores de Educação dos Institutos Politécnicos do Continente e, nos Distritos onde aquelas não existem, com as Universidades neles sedeadas. O programa, até este momento, implica a realização de acções de acompanhamento pedagógico nas escolas EB1 a efectuar por monitores com nível superior, com formação pedagógica e de informática. As acções de acompanhamento dotam cada escola EB1 de capacidades para produzir páginas Web e certificar a aquisição de competências básicas em tecnologias de informação pelos professores e alunos, designadamente os que concluem o 1º ciclo do ensino básico. A Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), enquanto entidade gestora da RCTS coordena a execução deste programa, e oferece às instituições envolvidas serviços tecnológicos que permitem, por exemplo, o alojamento na RCTS de materiais de apoio educativo e a obtenção dos indicadores de utilização pelas escolas do 1º ciclo do Ensino Básico dos recursos disponibilizados. A Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (UARTE), assegura o acompanhamento do Programa Internet na Escola através da promoção coordenada: • Da produção de conteúdos científicos e tecnológicos a disponibilizar na Rede;
  • 46.
    Características das escolasdo 1º ciclo e as novas tecnologias 46 _________________________________________________________________________________________________________ • Do desenvolvimento de actividades telemáticas nas escolas, de formas de interacção e parceria entre os vários parceiros educativos. A UARTE tem contribuído de forma manifesta, a disponibilização de ideias que têm vindo a ser exploradas pelos professores e pelos alunos nas escolas. Levanta-se, contudo, a questão da criação de contextos macro, que se apresentem como “mundos” para a integração de actividades pedagógicas. Com base nos protocolos estabelecidos com o MCT, a FCCN dotou estas instituições de um equipamento multimédia e ligação digital ISDN (Integrated System Digital Network) também conhecida na tradução para o português RDIS (Rede Digital de Serviços Integrados) à RCTS e à Internet, utilizando um adaptador Ethernet para ligação em Rede Local. Desde o início do ano 2000, as novas ligações à RCTS, então a ser feitas através de um Office Router que possibilita a partilha da ligação RDIS entre vários computadores multimédia, potenciando desta forma a criação de Redes Locais nas instituições. O computador possui softwares de apoio há instalações, sistema operativo da Microsoft (Windows 98), e aplicativos da Microsoft (Office) além do FTP (File Transfer Protocol) “já configurado” para o alojamento da página, e um disco (CD-Rom) de reposição em caso de perda de configuração do equipamento, sendo a Portugal Telecom a entidade responsável pela instalação da infra-estrutura física desta rede. A maioria das escolas possui um único computador, as excepções daquelas que participaram do projecto Nónio Século XXI e que possuem mais de um computador que estão interligados em Rede Local. Mesmo as que possuem este tipo de plataforma de interligação de computadores, na maior parte das vezes apenas um computador partilha a rede mundial. A Escola Superior de Educação de Leiria em conjunto com uma empresa de desenvolvimento de software, desenvolvera uma plataforma para facilitar a gestão da página das escolas pelos professores e alunos, dentro de um ambiente amigável PHP (termo que designa: Hypertext Preprocessor) é uma linguagem de server-side e open- source, em que a página fica directamente alojada no servidor, e que, após a página ser divulgada pelos monitores / formadores basta que o professor ou aluno escreva conteúdos directamente na janela da página ou, crie um texto, elementos pictóricos e sons em aplicativos em que tenham conhecimento e depois é só copiar e colar na página. Vide Anexo D.
  • 47.
    Características das escolasdo 1º ciclo e as novas tecnologias 47 _________________________________________________________________________________________________________ 3.2. Característica das escolas do 1º ciclo em Portugal Considerar, por um momento, uma situação pedagógica antiga que durante muitos anos apresentou resultados positivos e que hoje poderia ser aproveitada, tendo em vista o facto de que se têm a disposição as novas tecnologias de comunicação e as novas formas de aprender e trabalhar. A referencia às escolas de uma sala só que ofereciam educação formal fundamental na área rural de muitos países do século passado, neste século, e até agora oferecem em países carentes e ainda em Portugal, sendo que, muitas destas escolas possuem tais características devido ao factor localização geográfica. As principais características das escolas de uma só sala são: • Agrupamento em uma sala única de alunos de vários anos (1º ano a 4º ano, assim como alunos com necessidades especiais); • Realização de actividades diferentes simultaneamente pelos alunos, individualmente ou em grupo; • Compartilhando dos mesmos recursos materiais por todos os alunos: mapas, pequena biblioteca, computadores, etc. Existem relatos do sucesso didáctico destas escolas, obrigadas, por circunstâncias geográficas e financeiras, a ter estas características. Além de aprender o conteúdo obrigatório do currículo, os alunos aprendem a trabalhar verdadeiramente em colaboração, e os mais velhos reforçam os seus conhecimentos ajudando os menores a entender os conceitos mais complexos, assim como, a presença de alunos maiores aumenta o nível de maturidade geral na sala de aula. Todos os alunos exercem um papel activo para adquirir conhecimento, deixando o professor no seu papel de gerenciador das actividades de aprendizagem e não no papel de transmissor de informação. (Litto, 1999). Sendo estas as características de um enorme número de escolas do 1º ciclo em Portugal e aproveitando o contexto em que se inserem apoiadas nas novas tecnologias de informação e comunicação e que hoje tudo indica que a educação será baseada, principalmente, nos seguintes pilares: • Será centrada no aluno, cuja aprendizagem na escola consistirá em identificar
  • 48.
    Características das escolasdo 1º ciclo e as novas tecnologias 48 _________________________________________________________________________________________________________ problemas, achar informação pertinente para solucionar problemas, tirar soluções adequadas e escrever para terceiros relatórios sobre achados; • Exigirá habilidade no trabalho colaborativo, às vezes com pessoas de origem, idade, experiências e pontos de vista diferentes e localizadas em lugares distantes; • Durará a vida inteira, devido ao aumento contínuo de complexidade na execução do trabalho profissional e ao desejo de cada trabalhador de se manter actualizado para não perder seu espaço no mercado. A educação daqui adiante, tanto para jovens como para adultos, será realizada em ambientes presenciais ou virtuais que terão muitas características da escola de uma sala só e, com a presença do computador, com acesso à Internet e o seu vasto repositório de informação actualizada e histórica, dará à educação um dinamismo e riqueza inimagináveis. Dentro deste contexto, o alargamento das vantagens de cooperação e comunicação de uma só via, em que a comunicação não mais será entendida como emissor – receptor e sim emissor – emissor, tornando todos indivíduos activos na comunicação e interacção. Como bem colocou o pesquisador argentino Ricardo Noseda (1972), elucidando as diferenças entre comunicação e informação. "Comunicação não é ato, mas processo pelo qual o indivíduo entra em co- operação mental com outro até que ambos alcancem uma consciência comum – Informação, pelo contrário, é qualquer transcrição unilateral da mensagem de um emissor a um receptor – A irradiação da mensagem sem retorno de diálogo, proveniente de informantes centralizados, não pode ser identificada com a co-atividade intra-subjetiva característica da comunicação". Neste aspecto, é possível perceber que a comunicação se constitui numa instância da aprendizagem, pois, se praticada como ética, pode provocar uma tendência favorável à participação, dar maior sentido ao trabalho, favorecer a credibilidade (desde que seja transparente), fomentar a responsabilidade e aumentar as possibilidades de melhoria do ensino/aprendizagem ao favorecer o pensamento criativo entre os professores – professores, professores – alunos e alunos – alunos. Mas, uns dos grandes desafios desta nova realidade, será fazer da criatividade o principal foco do desenvolvimento do aprendiz, pois este é o caminho para formar profissionais
  • 49.
    Características das escolasdo 1º ciclo e as novas tecnologias 49 _________________________________________________________________________________________________________ competitivos, capazes de gerar ideias criativas e a melhor maneira de atrair e manter professores criativos é proporcionando-lhes um ambiente adequado para trabalhar. Esse ambiente adequado pressupõe liberdade e competência para comunicar. Hoje, uma das principais exigências para o exercício de função profissional é certamente a habilidade comunicacional. As outras habilidades seriam a predisposição para a mudança e para a inovação; a busca do equilíbrio entre a flexibilidade e a ética, a desordem e a incerteza; a capacidade permanente de aprendizagem. Pode-se afirmar ainda, que as bases para a construção de um ambiente propício à criatividade, à inovação e à aprendizagem estão na auto-estima, na empatia e na afectividade. Sem esses elementos, não se estabelece a comunicação nem o entendimento. Mas outros factores primordiais devem ser levados em conta quando se está inserido na realidade da escola de uma só sala, como: falta de recursos humanos para apoiar os alunos na presença do computador e a formação dos professores para gerir e disseminar conhecimentos com o uso das TIC principalmente na utilização de uma estratégia de como gerir a dicotomia alunos / recursos escassos. Para fundamentar melhor esta questão, a América do Norte está na liderança mundial no aproveitamento bem sucedido de tudo o que a tecnologia moderna oferece, cada escola norte-americana de educação fundamental e média tem um coordenador tecnológico, um professor ou professora cuja função, além de ministrar aulas, é ser um facilitador para assuntos tecnológicos, ajudando a direcção da escola e os demais professores a planear, executar e avaliar o uso de tecnologias novas (computadores, Internet, TV por cabo, retroprojectores, educação à distância em geral), além das escolas estarem bem equipadas. A ajuda vai desde questões simples, como cabos e conectores, até a selecção de uma plataforma principal para as actividades ligadas às tecnologias. É neste professor que a escola investe em primeiro lugar, enviando-o para congressos, formação especiais e reduzindo sua carga horária de aulas. Em troca, ele ou ela torna-se multiplicador de conhecimento, a pessoa que reduz a complexidade aparente para termos humanos e compreensíveis. A existência deste tipo de profissional nas escolas norte-americanas tem facilitado a gradativa e serena adopção da tecnologia no coração da aprendizagem de cada escola, o que ainda está por se pensar e projectar para as escolas do 1º ciclo em Portugal.
  • 50.
    Características das escolasdo 1º ciclo e as novas tecnologias 50 _________________________________________________________________________________________________________ Com certeza as maiores possibilidades de gerar autonomia e reflexão crítica nos alunos está relacionada ao facto de poder enfatizar a revisão da construção dos discursos inseridos na formação dos formadores de docentes, quanto nos conteúdos do desenho curricular, assim como nos novos arranjos institucionais e organizacionais da escola, que a sociedade da informação exige. A educação para os meios representa um paradigma em transição, onde as novas formas de interacção professor/aluno requerem a ruptura de discursos gerados na intralógica da formação de docentes preparados para formatar sentidos e versões acríticas, num mundo cada dia mais globalizado e numa sociedade cada vez mais voltada ao acesso à informação. Preparar os alunos para os meios será, sobretudo, um trabalho de abertura aos novos sentidos, em relação à função social que a escola e o processo de ensino/aprendizagem tem para com a construção de valores que reconheçam as diferenças individuais, bem como as potencialidades criativas e verdadeiramente inovadoras dos sujeitos inseridos no colectivo. Encontrar referenciais que possibilitem este movimento instituinte, supõe uma mobilização no plano da política junto à pesquisa educativa, que possa mapear, no caso português, as diferentes propostas e seus pontos de encontro e confronto no ensino da educação para os meios, identificando as práticas discursivas e os sentidos construídos em relação a este foco que nos convoca à reflexão. No Capítulo IV, discutiremos a metodologia abordada, posicionando, dimensionando e capitulando o campo de estudo.
  • 51.
    Capítulo IV Metodologia Este capítulo buscou alcançar os objectivos propostos, descrevendo a estrutura da pesquisa e os procedimentos metodológicos empregados na busca dos resultados. Madsen 1974 (in: Neves de Jesus), diferencia o discurso científico com base no grau de sistematização e no grau de informação que apresentam, podendo ser distinguido um texto do senso comum, como o jornalístico, em que não apresenta sistematização, assim como, um texto de ficção que não é intuito revelar nem sistematizar nem informar, sendo o senso comum um mero esboço explicativo. Enquanto o discurso científico é sistemático e informativo, integrando proposições descritivas, explicativas e meta-teóricas em que conduz à investigação, em termos dos métodos para adquirir informação e para verificar o verdadeiro valor dessa informação, variando no lugar e no tempo. Desta forma, a estrutura conceptual deste trabalho, será bem definida, servindo de guia para a investigação, recolha e análise de dados. A tecnologia pode ser utilizada tanto como ferramenta para o “repasse de conteúdos padronizados”, quanto de mediadora de um processo de “questionamento reconstrutivo” entre os aprendentes, conforme proposta problematizadora. (Paulo Freire, 1987). O que diferencia estas duas abordagens não é a tecnologia em si, mas sim os paradigmas educacional e científico a partir dos quais a tecnologia é desenvolvida e utilizada. Conforme ressaltado, por convergirem, este estudo está fundamentado na abordagem actuante das ciências cognitivas e na metodologia problematizadora. 4.1. População em estudo e a amostra identificada Visando reconhecer a realidade das TIC em sintonia com as realidades tecnológicas do nosso tempo, a população de estudo é constituído por 1338 professores
  • 52.
    Metodologia 52 _________________________________________________________________________________________________________ do Distrito de Leiria das escolas do 1º ciclo, colocados em estabelecimentos da rede pública no ano lectivo 2002/2003. Total de escolas do Distrito de Leiria representadas por Concelhos. Tabela IV-1. CONCELHO TOTAL DE ESCOLAS Alcobaça 68 Alvaiázere 13 Ansião 23 Batalha 23 Bombarral 21 Caldas da Rainha 58 Castanheira de Pêra 8 Figueiró dos Vinhos 13 Leiria 119 Marinha Grande 24 Nazaré 9 Óbidos 23 Pedrógão Grande 9 Peniche 19 Pombal 99 Porto de Mós 36 Total Global 565 Tabela IV-1: Escolas por Concelhos Visualização no mapa do Distrito de Leiria e respectivos Concelhos: Figura IV-1: Mapa do Distrito de Leiria
  • 53.
    Metodologia 53 __________________________________________________________________________________________________________ Conforme foi salientado, a ESEL ficou responsável por gerir o trabalho de apoio pedagógico e informático nas escolas do 1º ciclo do Distrito de Leiria. Contudo, necessitou fazer a gestão e contratação de colaboradores para o devido trabalho no terreno. Constatando pela Tabela IV-1, os 16 Concelhos do Distrito de Leiria totalizam 565 escolas. O critério de contratação dos monitores, ficou sinalizado da seguinte forma: • Monitores com conhecimento pedagógico; • Monitores com conhecimento em informática; • Monitores com disponibilidade total (5 dias na semana), ou com disponibilidade parcial, não podendo ser com menos de 3 dias semanais. • Meio de locomoção próprio. • Monitores com habilidade nas relações humanas e com espírito motivador. • Monitores com nível superior ou em fase de conclusão. Definidos que foram os critérios, deu-se a fase de análise de currículo e a segunda fase que foi das entrevistas, onde coube a selecção de 40 monitores que trabalhariam no terreno em grupo de duas pessoas, ficando assim definido que 20 equipas abrangeriam as 565 escolas existentes no distrito, ficando cada equipa com uma média de 28 escolas. Sabendo então, que algumas equipas não teriam disponibilidade total, foram colocados os monitores com disponibilidade de 3 dias, 4 dias e 5 dias na semana para trabalharem em conjunto, ficando assim equipas com disponibilidade total na semana com 39 escolas e outras com menor número de escolas. Os custos de deslocamento e alimentação ficaram por conta de cada equipa, e que o valor contratual para recebimento estava estabelecido por visitas diárias as escolas, sendo que, por dia só poderia ser atendida uma escola no horário de funcionamento da mesma, salvo contratempos que deveriam ser relatados para a ESEL. A relevância de tal afirmação refere-se ao critério para a selecção das escolas a serem visitadas por cada equipa, considerando os custos que as equipas viriam a suportar por visita. Com o intuito de manter um equilíbrio nos custos de cada equipa, a ESEL optou por estudar o endereço de residência de cada um dos monitores e colocando os pares para a formação da equipa com residência o mais próximo possível, além de optar pelos
  • 54.
    Metodologia 54 __________________________________________________________________________________________________________ deslocamentos, dividindo cada equipa por quilometragem a percorrer durante as 4 visitas que deveriam ser feita em cada uma das escolas, através do estudo de distâncias entre as escolas e as residências dos monitores, o que perfez médias de 1600 quilómetros em que cada equipa percorreria por cada bloco de visitas, totalizando até o final do projecto que seriam 4 visitas por equipa um total de 6400 quilómetros. Não houve a preocupação da ESEL quanto aos custos com a alimentação e desgastes de automóvel, tendo que ser suportado pelas equipas e que estas se encontravam cientes através da leitura do contrato de prestação de serviços. De acordo com os critérios estabelecidos pela ESEL, este estudo engloba quatro Concelhos do Distrito de Leiria: Ansião, Leiria, Pombal e Porto de Mós. Destes Concelhos, 39 escolas foram abrangidas, cuja amostra perfaz num total de 80 professores. Após as três primeiras visitas e reuniões frequentes realizadas com todas as equipas, foi possível constatar que as escolas apresentavam características muito semelhantes em todo o Distrito, possuindo suas constituições estruturais (físicas), número de alunos, número de professores, condições de funcionamento, o ambiente social e cultural, problemas internos e externos e as novas tecnologias, limitando assim, variáveis que poderiam influenciar o resultado final, caso houvesse grande discrepância no ambiente em que as escolas se encontram inseridas. Motivados com estas constatações e na condição do estudo poder reflectir a realidade populacional, buscamos desenvolver questões que interessariam serem analisadas. Entre as muitas questões que nos interessavam, buscamos as que influenciariam na formação e a motivação profissional docente no uso do computador na sala de aula nas escolas do 1º ciclo, onde a prática está intimamente ligada à colaboração e à integração das tecnologias de comunicação na mediação educativa. A partir dessas delimitações, passamos para a análise do questionário que seriam aplicados nos professores. O questionário foi baseado no da Doutora Jacinta Paiva no estudo de responsabilidade do Programa Nónio-Século XXI, com sede no Departamento de Avaliação Prospectiva e Planeamento do Ministério da Educação para levantamentos estatísticos sobre as TIC na utilização no ensino desde o 1º ciclo ao secundário do Continente em 2001/2002, e foi feita uma adaptação do mesmo para professores das escolas do 1º ciclo a serem inquiridas.
  • 55.
    Metodologia 55 __________________________________________________________________________________________________________ O questionário encontra-se estruturado da seguinte forma: • Um primeiro grupo de questões teve como intuito de conhecer as características gerais dos professores da amostra, tais como: sexo, idade, situação profissional e formação inicial; • Um segundo grupo de questões de carácter específico e que levam a múltiplas respostas, tais como: as acções de formação nas tecnologias de informação e comunicação, o domínio no uso destas tecnologias com seus pares e alunos, as necessidades de futuras formações e o grau de motivação quanto às formações realizadas e as necessidades de futuras formações nas TIC no contexto ensino / aprendizagem. Uma cópia do questionário encontra-se no Anexo A. O questionário inclui questões quantitativas e qualitativas e foi impresso em papel branco, sendo as questões fechadas de forma que fossem facilmente identificáveis e para facilitar o seu preenchimento. Para testar os questionários nos seus múltiplos aspectos, foi realizada uma passagem do questionário a um grupo restrito de professores, em iguais condições às dos futuros inquiridos da amostra. Foram obtidas algumas sugestões válidas, que suscitaram algumas alterações no instrumento de notação. Todavia, após o tratamento do questionário, foi notado que teria sido possível melhorar este instrumento de notação. A Tabela IV-2 mostra o número de professores abrangidos. Tipologia Dimensão / professores Quantidade de questionários obtidos % Professor 80 52 65 Tabela IV-2: Número de professores inquiridos A recolha dos dados decorre nos meses de Abril a Junho de 2003, e foram obtidos 52 questionários preenchidos, cujos dados foram lançados numa folha de cálculo do Excel. Numa segunda fase e depois de uma análise preliminar de lapsos na introdução dos dados e erros do próprio inquirido, foi feita uma
  • 56.
    Metodologia 56 __________________________________________________________________________________________________________ recategorização/divisão/agrupamento de algumas questões dos questionários de forma a permitir uma mais correcta interpretação dos resultados. Os dados foram analisados utilizando gráficos e medidas descritivas, de modo a possibilitar a sua síntese e retirar conclusões sobre o objectivo do trabalho. No Capítulo seguinte, mostramos os resultados alcançados, através de gráficos e tabelas que estão fundamentados na realidade dos questionários aplicados nos professores do 1º ciclo, ressaltando na forma escrita o foco que achamos relevante a ser observado.
  • 57.
    Capítulo V Resultados Para usar as novas tecnologias de informação é preciso lidar com numerosos equipamentos, sistemas e suportes lógicos, daí ser bastante difícil preparar os professores para introduzir estas tecnologias na sua prática pedagógica, numa postura reflexiva e inovadora. Estes problemas advêm da fraca, às vezes inexistente, formação inicial nas TIC que levam a que se reflicta sobre os processos de mudança dentro da escola, como dos aspectos psicológicos ligados às teorias da aprendizagem, das questões mais ligadas ao profissionalismo quanto à responsabilidade e motivação e também quanto à característica da escola e o número de equipamentos disponíveis para a utilização com os alunos. Este capítulo procura proceder a uma descrição não somente numa perspectiva longitudinal, mas também o acompanhamento do grupo de professores desde o início ao fim do projecto, procedendo a um cruzamento das suas atribuições e das suas práticas no uso das novas tecnologias, precisamente o computador e à Internet e quanto ao aproveitamento da formação recebida durante o decorrer do projecto. Ainda, procura apresentar problemas relativos aos equipamentos, que foram sendo anotados durante todas a visitas realizadas e que achamos relevante incluir neste trabalho, pois é um factor importante que influencia directamente na formação do professor na utilização do computador. Em geral, a ênfase do uso da tecnologia na educação é a qualidade do aprendizado enquanto se está utilizando a tecnologia, ou seja, as facilidades oferecidas pelas ferramentas na solução de problemas e o que realmente importa são os efeitos gerados a partir do uso da tecnologia, o aprendizado significativo e o interesse passam a ser, contribuir para o desenvolvimento da capacidade de “questionamento reconstrutivo”, mesmo que não esteja utilizando a tecnologia. Para isso, a tecnologia não pode ser tratada como um fim em si mesma, mas sim como mediadora da interacção entre os aprendentes no processo de construção do conhecimento.
  • 58.
    Resultados 58 __________________________________________________________________________________________________________ A aprendizagem utilizando as tecnologias se encontra apoiada na interacção, construção, cooperação e extensibilidade, que são gerados a partir da Abordagem Actuante e a metodologia problematizadora. Começamos por apresentar as características da amostra, no que respeita ao sexo, situação profissional e formação inicial. A Tabela V-1 faz uma síntese destes resultados. Quanto ao sexo houve predominância do sexo feminino em 98% sendo que na totalidade 98% dos professores possuem situação profissional profissionalizada e 65% obtiveram formação inicial em outras situações que não em Escolas Superiores de Educação. Sexo Situação profissional Formação inicial Não Outra Feminino Masculino Profissionalizado ESE profissionalizado situação 92% 8% 98% 2% 35% 65% Tabela V-1: Sexo – Situação profissional e Formação inicial Quanto a idade dos participantes na amostra verificamos que (Gráfico V-1), 95% dos professores têm idade compreendida entre 26 e 55 anos. Distribuição dos professores da amostra por idade 100 Porcentagem 80 60 38 40 25 31 20 2 4 0 18-25 26-35 36-45 46-55 Mais de 56 Gráfico V-1: Distribuição dos professores da amostra por idade Essa primeira análise nos possibilita ter uma visão geral das características dos professores inquiridos, que determina um domínio do sexo feminino e situação profissional profissionalizado. Quanto à formação inicial, 65% dos professores assinalaram em outra situação, e concluímos, em termos da idade, que a maioria encontram-se entre os 36 e 55 anos, e nesse período havia predominância na opção profissional para a docência no magistério primário e que estava longe da realidade de hoje o uso do computador, principalmente nas escolas do 1º ciclo.
  • 59.
    Resultados 59 __________________________________________________________________________________________________________ No que respeita o equipamento informático pessoal (Gráfico V-2), verificamos que 96% dos professores na amostra possuem computador pessoal. Equipamento informático dos professores da amostra 96 92 100 88 Porcentagem 80 60 60 44 40 20 4 0 Impressora Computador Internet computador Gravador Scanner de CD´s Não tem Gráfico V-2: Características do computador pessoal Em relação à iniciação no mundo da informática (Gráfico V-3), houve um equilíbrio nas respostas assinaladas no questionário entre acções de formação do Ministério da Educação e apoio de família / amigo. Apenas 2% dos professores na amostra não apresentavam contacto inicial com o computador, o que aconteceu ou não, a partir da presença dos monitores nas escolas. Distribuição da forma como os professores da amostra fizeram sua iniciação às TIC 100 80 Porcentagem 56 60 60 42 40 21 15 20 6 2 2 0 Au Ai Ap N Fo Ac O D o e ut nd to oi rm çõ cu ou ra -fo a o es .s s rs tra nã fa rm Ac up o fo m o fo aç su rm çõ íli .i fe rm a/ nf ão pe .d es z am o. a rio o ig r M o E Gráfico V-3: Distribuições como os professores da amostra fizeram sua iniciação nas TIC
  • 60.
    Resultados 60 __________________________________________________________________________________________________________ Constatamos também que 75% dos professores na amostra realizou acções de formação em informática (Gráfico V-4), tendo sido considerado por 87% como positiva e muito positiva (Gráfico V-5) e ainda 82% dos professores que realizaram acções de formação, destacaram que os formadores conseguiram um equilíbrio entra a teoria e a prática, (Gráfico V-6). Realizou acções de formação em informática? 100 75 80 P o rce n ta g e m 60 40 25 20 0 Sim Não Gráfico V-4: Acções de formação que realizou em inormática Balanço da acções de formação em informática que realizou 100 80 Porcentagem 64 60 40 23 20 10 3 0 Muito positivo Positivo Pouco positivo Nada positivo Gráfico V-5: Realização de acções de formação Balanço das acções de formação 100 82 80 Porcentagem 60 40 20 11 3 5 0 Fo rmado res Fo rmado res Fo rmado res Fo rmado res demasiado técnico s na demasiado teó rico s demasiado prático s co nseguiram um linguagem utilizada equilíbrio (teo ria e prática) Gráfico V-6: Balanço das acções de formação
  • 61.
    Resultados 61 __________________________________________________________________________________________________________ Em relação ao âmbito das acções de formação em informática, 51% dos professores afirmaram ter sido generalista e 33% somente acções de formação específicas para o 1º ciclo, sendo que apenas 15% realizou acções em ambas especificações (generalista e especifica), (Gráfico V-7). Quanto a utilização do computador (Gráfico V-8), metade dos professores destacaram utilizar bastante o computador, 12% usam raramente sendo que 27% somente para edição de textos. Verificamos também que a motivação para a prática do uso do computador não se justifica no apetrechamento de equipamentos nas escolas e nem ao facto de possuir computador pessoal, outros factores motivacionais devem ser analisados para que essa prática ocorra. Âmbito das acções de formação em informática que realizou 100 Porcentagem 80 60 51 33 40 15 20 0 Generalista Específica 1º ciclo Ambas Gráfico V-7: Âmbito das acções de formação em informática que os professores realizaram 100 Como definiria sua relação com o computador Porcentagem 80 60 50 40 29 12 8 20 2 0 Nã Ra Us Só O ut a o ra pa ra ba us m ra si en a st tu te an co te aç xt m te us o ão p. a Gráfico V-8: Distribuição de como os professores definiu a sua relação com o computador
  • 62.
    Resultados 62 __________________________________________________________________________________________________________ Verificamos o pouco tempo de horas semanais no uso do computador, onde 50% dos professores na amostra afirmaram utilizarem de 0 a 3 horas. (Gráfico V-9) Horas por semana que passa ao computador 100 80 Porcentagem 60 50 40 25 20 13 10 2 0 0h 0-3 h 3-5 h 5-10 h Mais de 10 h Gráfico V-9: Distribuição das horas por semana que os professores utilizam o computador Quanto ao uso da Internet e onde mais a utiliza, verificamos que a maioria dos professores inquiridos o fazem em casa 71% e 60% na escola, sendo que a Internet é mais para o consumo de informação pessoal do que para o domínio educacional. (Gráfico V-10). Usa a Internet? 100 80 71 Porcentagem 60 60 40 15 20 6 0 Não usa Sim, em casa Sim, na escola Sim, noutros locais Gráfico V-10: Distribuição em relação ao uso da Internet Quanto ao modo como os professores usam o correio electrónico, verificamos que quase a metade dos professores que usam a Internet não fazem uso do correio electrónico (Gráfico V-11).
  • 63.
    Resultados 63 __________________________________________________________________________________________________________ Modo como os professores da amostra usam o e-mail 100 80 Porcentagem 60 44 40 35 19 17 21 20 8 0 C O N C C C om ut ão om om om ra us es al am co s si a un co le ig tu e- os ga la os aç m s s ai õe pr l s of . Gráfico V-11: Distribuição de como os professores utiliza o e-mail Achamos importante ainda destacar que através de observações e conversas informais com os professores, que o facto destes possuírem computador nas suas residências, é mais para serem utilizados pelos filhos e que contam com o apoio dos mesmos para realizarem as tarefas quando necessitam que sejam feitas no computador, tornando-se dependentes na preparação de suas actividades profissionais. Assim como, a questão da faixa etária em que se encontram os professores inquiridos. A estagnação do professor, limitando-se a fazer o que dele é esperado e a “viragem” na carreira, havendo uma preparação para a reforma. Neves de Jesus, (1996) afirmou que o período entre os 35 e 40 anos de idade, em que ocorre a desilusão com a profissão e é justamente nesse período que o professor apresenta maior mal-estar e menor motivação. Neste estágio de “virada”, encontramos muitos professores que foram inquiridos, que colocam a questão da reforma como factor da não necessidade de participação em projectos e acções de formação nas TIC para a sua utilização no ensino / aprendizagem, sendo que, muitos isolam os seus alunos dessa participação, e assim, verificamos a veracidade da afirmação do autor. Na preparação das aulas, observamos que 92% dos professores na amostra utilizam o computador para elaborar fichas e testes e 65% para pesquisas na Internet, (Gráfico V-12), assim como seria previsível e que verificamos que 92% dos professores utilizam aplicações informáticas directamente com os alunos na aplicação de processamento de texto (Gráfico V-13). Concluímos assim, que grande parte dos
  • 64.
    Resultados 64 __________________________________________________________________________________________________________ professores do 1º Ciclo utilizam o computador como apoio para a escrita alfabética, demonstrando serem semi-letrados electrónicos. Com que fins usa o computador na preparação de aulas? 92 100 Porcentagem 80 65 60 40 20 12 12 2 0 N El Pe Po O ão ut ab sq w ra er or us ui si a sa P a tu fi c oi s aç nt ha na ,e ão s/ N tc te et . st es Gráfico V-12: Na preparação das aulas com que fins usa o computador Aplicações informáticas que usa directamente com os alunos 100 92 80 63 Porcentagem 60 50 46 35 40 15 20 8 4 0 0 N M E- O Pr Pr Fo In So en ul ut te m oc og lh f tw tim ra rn hu ai a es .G l et ar ap m éd de sa e rá a lic ia do cá pe fic /C aç rd lc os da D ão ul /d -R e gó o te es O gi xt M en co o ho Gráfico V-13: Aplicações informáticas que utiliza directamente com os alunos Os resultados gráficos (Gráficos, V-14, V-15 e V-16) vêm confirmar que o número de vezes que os professores utilizam o computador com seus alunos na sala de aula não pressupõe que o faz na construção de novos conhecimentos pessoal e de forma criativa. O facto do professor utilizar mais o computador para elaboração de fichas /
  • 65.
    Resultados 65 __________________________________________________________________________________________________________ testes e elaboração de textos com os seus alunos é devido a falta de domínio que ainda se apresenta no uso da máquina. Nº de vezes que utilizou o computador com alunos em 2002/2003 100 80 Porcentagem 60 54 40 23 20 13 2 4 4 0 0 1 2 3 Mais de 4 Sempre Gráfico V-14: Distribuição em relação a quantidade de vezes que o professor utilizou o computador com os alunos no ano lectivo 2002/2003 Actividades realizadas pelos alunos quando usam as TIC 100 88 80 67 Porcentagem 60 60 40 20 10 12 4 6 0 N C O Pr C O R en om ut on ec rg o ra d. a. hu su re un E at ac m G lta ica di es iv a ti v /p çã a/ çã t. id es jo o/ o/ In ad qu go In re fo e fo isa s . de r. Gráfico V-15: Tipos de actividades que o professor realiza com os seus alunos quando utilizam o computador
  • 66.
    Resultados 66 __________________________________________________________________________________________________________ Contexto de utilização das TIC pelos alunos 100 Porcentagem 80 73 71 60 40 31 23 20 13 4 0 D Ap N Tr Ap O is en ut ab oi oi ci ro hu o o pl .p pe in al co m ro ar un da je nt ct ex os g. o/ to Ac es AE pe re sc ci ai id s o Gráfico V-16: Contexto de utilização dos professores com os seus alunos quando utilizam o computador O domínio do conteúdo técnico por parte do professor como uma das partes que constituem sua prática pedagógica, que é eminentemente política, faz com que a sua capacitação revista-se de uma grande importância, uma vez que será nos momentos em que está sendo capacitado que o docente se apropriará dos instrumentos necessários ao desempenho da acção crítica, criativa e transformadora. (Libaneo, 1998). As atitudes e a prática vão se modificando mais rapidamente do que as crenças, assim se cessarem as condições de demanda, estimulação ou motivação, a prática pode voltar a responder às crenças mais profundas arraigadas e ainda não modificadas. Todavia, enquanto esses professores desejarem, as mudanças na prática pedagógica docente e as inter-relações com seus pares, alunos e outros envolvidos acontecerá o indicador não só dum aperfeiçoamento cognitivo mas dum amadurecimento emocional/afectivo. Do questionário (Anexo A), a questão “S” – “Quer use ou não as TIC em contexto educativo, assinale, para as afirmações abaixo, uma cruz (X) em “sim” ou “não”, consoante concorde ou discorde, deixe em branco as alternativas sobre as quais não tem opinião:” Esta questão foi dividida em duas partes, agrupando respectivamente em cada uma delas as afirmações que denotem atitudes positivas ou negativas face às TIC. As afirmações ficaram agrupadas do seguinte modo:
  • 67.
    Resultados 67 __________________________________________________________________________________________________________ As atitudes positivas: nº de afirmações: 1, 3, 4, 6, 7, 8, 10, 11, 13, 15, 19, 20, 21 e 22 As atitudes negativas: nº de afirmações: 2, 5, 9, 12, 14, 16, 17 e 18 A partir deste ponto, os Gráficos V-17 e V-18 respondem por si só as atitudes positivas e negativas face às TIC. Estes dados são grandes facilitadores de aprendizagem, pois atendem às necessidades e interesses dos professores em dominar e fazer uso do computador. Desta forma, qualquer mudança na educação deve contar com o apoio dos professores, pois a formação docente passa por processos de investigação directamente articulados com as práticas educativas. (Nóvoa, in: Caligiorne, 2002) Atitude positiva face às TIC Atitude positiva face às TIC 96 100 92 92 90 88 90 83 85 80 75 70 60 Porcentagem 60 52 50 40 31 31 30 21 20 13 10 0 Go staria de saber mais acerca das TIC A s TIC ajudam-me a enco ntrar mais e melho r info rmação para a minha prática lectiva A o utilizar as TIC nas minhas aulas to rno -as mais mo tivantes para o s aluno s M anuseio a info rmação muito melho r po rque uso as TIC A cho que as TIC to rnam mais fáceis as minhas ro tinas de pro fesso r(a) P enso que as TIC ajudam o s meus aluno s a adquirir co nhecimento s no vo s e efectivo s O uso das TIC, na sala de aula, exige-me no vas co mpetências co mo pro fesso r(a) Sinto -me apo iado (a) para usar as TIC A s TIC enco rajam o s meus aluno s a trabalhar em co labo ração A minha esco la tem uma atitude po sitiva relativamente ao uso das TIC Co nsigo gerir co m facilidade as no vas tecno lo gias na sala de aula Esto u satisfeito co m o apo io técnico recebido pelo s ó rgão s co mpetentes Eu já co nhecia antes do pro jecto Internet nas esco las, sítio s educativo s na Internet Co nsidero fácil gerir a página da esco la Gráfico V-17: Atitudes positivas dos professores face as TIC
  • 68.
    Resultados 68 __________________________________________________________________________________________________________ Em conformidade com o Gráfico V-17, 96% dos professores assumem querer saber mais sobre às TIC; 92% considera que as TIC ajudam para que eles encontrem melhor e mais informação para a prática lectiva; 92% dos professores considera que as suas aulas passam a ser mais motivantes para os alunos; 60% afirma que manuseiam muito melhor a informação por utilizar as TIC, 75% relata que com o uso das TIC as rotinas de professor tornam-se mais fáceis; 90% pensa que as TIC ajudam os alunos a adquirirem novos e efectivos conhecimentos; 88% diz que o uso das TIC na sala de aula exige novas competências como professor, apenas 21% sente-se apoiado para usar as novas tecnologias de informação e comunicação baseadas em computador; 83% afirma que os seus alunos são encorajados a trabalharem em colaboração; 85% afirma que a escola onde trabalha tem uma atitude positiva relativamente ao uso das TIC na sala de aula; 31% dos professores não consegue gerir o computador na sala de aula, apenas 31% se sente satisfeito com o apoio técnico recebido em relação à Internet e o computador; 52% dos professores já conhecia sítios educativos na Internet mesmo antes do início do projecto Internet na Escola e uma minoria; 13% consegue gerir a página da Escola. Atitude negativa face às TIC Atitude negativa face às TIC 100 80 Porcentagem 60 60 48 38 38 38 40 31 23 13 20 0 Os co mpudado res assustam-me Uso as TIC em meu benefício , mas não sei co mo ensinar o s meus aluno s a usá-las Nunca recebi fo rmação na área das TIC e desco nheço as po tencialidades de que dispo nho Enco ntro po uca info rmação na Internet de so ftwares educativo s A minha esco la não dispõ e de co ndiçõ es para usar o co mputado r em co ntexto educativo Os meus aluno s, em muito s caso s, do minam o s co mputado res melho r do que eu Não me sinto mo tivado (a) para usar as TIC co m o s meus aluno s Não co nheço a fundo as vantagens pedagó gicas do uso das TIC co m o s meus aluno s Gráfico V-18: Atitudes negativas dos professores face as TIC
  • 69.
    Resultados 69 __________________________________________________________________________________________________________ Quanto às atitudes negativas face às TIC, Gráfico V-18; 13% dos professores pesquisados considera o computador uma ferramenta assustadora; 38% utiliza computadores mas não sabe utilizar a ferramenta como um meio pedagógico para com os seus alunos; 31% dos professores nunca recebeu formação na área das TIC e desconhece os seus benefícios e potencialidades no ensino / aprendizagem; 38% afirma ainda não encontrar informação na Internet de softwares educativos; 60% afirma que a escola onde lecciona não dispõe de condições para usar o computador em contexto educativo; 38% assume que em muitos casos, os alunos dominam mais o computador que o próprio professor; 23% não tem motivação para utilizar o computador com os alunos e 48% diz não conhecer as vantagens pedagógicas no uso do computador com os alunos. É preciso romper com a resistência dos professores. Esta resistência precisa ser trabalhada na formação de professores, desenvolvendo habilidades cognitivas e operativas para o uso das medias e também a formação de atitudes favoráveis ao seu emprego e à inovação tecnológica. Na verdade, em Portugal, a associação entre educação e desenvolvimento tecnológico vem de uma visão tecnicista, que gerou uma resistência de natureza política e tecnológica. Há também outras características a considerar como questões culturais, sociais, um certo temor pela máquina e equipamentos electrónicos, medo da despersonalização de ser substituído pelo computador, ameaça ao emprego e formação que não inclui a tecnologia. Muitos professores, como já foi apresentado anteriormente, reconhece a necessidade do domínio do computador e sabe que esse domínio não ocorre de maneira imediata. Assim, o professor sente-se inseguro, o que dificulta a transição da postura tradicional para uma postura que permita tirar proveito do computador como ferramenta auxiliar do processo da construção do conhecimento. (Valente 1998). A falta de conhecimento dos professores sobre os recursos que podem garantir uma forma de melhorar a sua prática pedagógica, provoca uma relação de rejeição à tecnologia. O acesso aos recursos tecnológicos não só é necessário, como também permitirá aos professores terem uma visão das possibilidades da utilização do computador no processo de ensino. Um ambiente propício é necessário ser criado, para a prática no uso das TIC. Percebemos no âmbito das várias escolas, com as mesmas características, que há necessidade de um trabalho muito profundo para que as escolas se tornem de facto, organizações de aprendizagem.
  • 70.
    Resultados 70 __________________________________________________________________________________________________________ Há algum tempo, o professor era pressionado a realizar “um fazer”, “um ensinar” segundo alguma metodologia ou abordagem da moda. Os cursos de capacitação dos professores vem aumentando, mas muitos deles vinculam uma enorme quantidade de novos dogmas, substituindo os até então indiscutíveis, e apresentando novas receitas para serem seguidas. Os professores acomodam-se nestes procedimentos e quanto mais seguros ficam com uma nova abordagem mais acomodados e resistentes a um outro novo se tornam. Constatamos, muitas vezes, que tudo funciona, bem ou mal, dentro de uma normalidade inquestionável. Naquelas escolas onde há questionamentos, respostas bem elaboradas, alternativa de programas já formulada em consenso, é importante estar atento para não entrar em comodismo, mas sim dar continuidade ao trabalho, ao pensar e a novos fazeres. Praticar e pesquisar comunicação com medias na escola, dentre elas, a telemática, requer tomar como ponto de partida a perspectiva e a história dos professores. Ao trabalhar com eles um questionário, uma entrevista, uma posição, um conceito, requer a parceria de professores comunicadores com o pesquisador. A reflexão, persuasão, convencimento, transformação devem ser obtidas através de um trabalho de cumplicidade, de entusiasmo, de redescoberta da paixão de ajudar as crianças, os adolescentes e jovens a aprenderem e a comunicarem com medias com a mesma curiosidade do seu tempo anterior à escola. Talvez, essa empreitada seja árdua, mas deve ser enfrentada tanto com professores já em serviço nas escolas quanto com professores iniciantes, alunos de cursos de formadores de professores. O caminho para aprofundar as características da escola como organização, para que a aprendizagem ocorra de facto e possa ser transferida para outras instituições na sociedade, é um processo longo e lento. Cabe a cada um na sua devida função iniciar os primeiros passos no âmbito de actuação para que se chegue em conjunto a um objectivo geral. O objectivo do computador é promover um ambiente de aprendizado baseado na resolução de problemas e não um instrumento que ensina o aprendiz, mas uma ferramenta com o qual o aluno desenvolve uma tarefa. Podemos observar que mesmo possuindo computador e estarem sendo orientados para o seu uso, os professores não conseguem discernir as suas necessidades para futuras formações (Gráfico V-19), ressaltando principalmente quanto à colocação
  • 71.
    Resultados 71 __________________________________________________________________________________________________________ da pouca necessidade de formação em sistema operativo e introdução ao computador, por desconhecerem as suas potencialidades e ainda observamos com os trabalhos realizados em conjunto com os professores que existe uma grande desfasagem no domínio dessas ferramentas. Outra questão que não se justifica é a falta do uso do correio electrónico, pois os monitores fortaleceram a sua prática de uso. Como professor em que áreas da TIC necessita de mais formação? 100 80 62 Porcentagem 60 52 50 44 40 33 23 20 12 10 2 4 0 0 Pr Pr M E- Si D Fo In So In N ul es ão st te tr o oc og m lh f tw tim em rn ai co a es .g d. pr l et ar éd nh de sa a ec ao rá e op eç fi c ia do is cá pe co /C o er o/ o rd lc da m de D at as de ul e pu -R gó iv o se fo te TI o O gi ta rm xt nh C M co do os aç o r ã o Gráfico V-19: Em que áreas da TIC os professores necessitam de mais formação Conforme o Gráfico V-20, os principais obstáculos à real integração das TIC na sala de aula estão relacionados com a falta de meios técnicos, principalmente no que concerne ao apoio técnico vindo do exterior. A falta de recursos humanos, fundamentado nas características das escolas de uma sala só, que possui um único professor responsável por todas as actividades educativas. A falta de formação pedagógica, o que está directamente relacionado com as idades predominantes dos professores, em que a maioria realizou formação inicial sem o uso das novas tecnologias. Os 40% de professores que assinalou a falta de software educativo interpreta como, a falta de conhecimento das novas tecnologias quanto a diversidade de conteúdos que estão disponibilizados para o uso no ensino / aprendizagem através da rede mundial. Apenas 13% assinalou a falta de motivação para o domínio das TIC, o que podemos entender como a dificuldade dos professores em discernir o conceito de
  • 72.
    Resultados 72 __________________________________________________________________________________________________________ motivação profissional para as mudanças que ocorrem e os novos desafios profissionais, relato este, suportado nos pilares da observação e do diálogo com os professores. Obstáculos à real integração TIC no 1º ciclo 100 80 63 69 Porcentagem 60 44 40 40 13 20 4 0 Fa Fa Fa Fa Fa O ut lta lta lta lta lta ro re fo m so m m cu rm ei ot ftw ot os iv rs .p iv ar aç os o té ed e/ ão cn hu ou ag ic pr m óg tro os of an ic . os a Gráfico V-20: Obstáculos à real integração nas TIC analisadas pelos professores Após estes resultados, podemos observar que não acontecem as interacções dinâmicas para a construção do conhecimento. A interacção pressupõe a criação, ou seja, colocar o aprendiz na acção e posição de agente e autor. A interactividade consiste na manipulação de todos os recursos disponíveis dentro de uma modelagem, ou seja, tudo aquilo que é fornecido pela máquina e colocado à disposição do aprendiz como autor, ou seja, permite a autonomia do aprendente. (Guerra, 2001). Mas, com base no trabalho de Paulo Freire, não há autonomia sem cooperação e não há cooperação sem autonomia. Cooperar é definido como “Operar simultaneamente; trabalhar em comum; auxiliar; ajudar”, que não pode ser confundido com colaborar, que significa “Trabalhar na mesma obra… Concorrer para a realização de qualquer coisa”. O ambiente de aprendizagem deve, permitir a criação de “Comunidades do Conhecimento”, nas quais a cooperação entre as pessoas seja mediada pela tecnologia. A melhor maneira de criar uma comunidade do conhecimento e na criação de comunidade de prática, que possibilita, discutir, compartilhar e cooperar caminhando para a extensibilidade que é a capacidade que um ambiente de aprendizagem tem em
  • 73.
    Resultados 73 __________________________________________________________________________________________________________ permitir a sua alteração e/ou ampliação, em função de mudança no ambiente do aprendente. Dentro dessa óptica, não devem ser apenas as diversas formas de utilização e domínio do computador que devem ser questionadas no processo de formação de educadores. Faz-se necessário analisar o processo de construção de um saber técnico, visando dotar os docentes de habilidades e conhecimentos que lhes permitam melhor desempenhar as suas actividades na escola. Mas o domínio mínimo como utilizador do conteúdo técnico torna-se ponto de insatisfação por parte dos professores em formação, para a construção de sua prática pedagógica. Entendemos assim, que cursos de capacitação contribuirão para que o professor possa inserir-se na realidade escolar, ser capaz de resolver problemas técnicos ao nível de utilizador, ser capaz de avaliar os softwares educativos, sites educativos que poderão ser utilizados na sala de aula, também ser capaz de definir a forma de empregar a tecnologia no ensino / aprendizagem. Na distribuição do género dos professores da amostra por idade e sexo, existe uma prevalência significativa do sexo feminino nas idades entre os 26 e os 55 anos. Entre os 18 e os 25 anos, um domínio total do sexo masculino e um equilíbrio (50%) do sexo masculino e feminino para os que têm mais de 56 anos. (Gráfico V-21) Idade - Sexo 100 8 50 80 60 100 % 92 100 100 40 50 20 0 18-25 26-35 36-45 46-55 Mais de 56 Sexo Feminino Sexo Masculino Gráfico V-21: Cruzamento sexo e idade Na distribuição do género dos professores da amostra por formação inicial e sexo, revela uma predominância do sexo masculino de 89% em Escola Superior de Educação (ESE) e 97% em outra situação enquanto apenas 11% do sexo feminino têm formação pela ESE e 3% em outra situação. (Gráfico V-22)
  • 74.
    Resultados 74 __________________________________________________________________________________________________________ Sexo - Form ação Inicial 100 80 Masculino 60 89 Feminino 97 % 40 20 11 3 0 ESE OUTRA Gráfico V-22: Cruzamento sexo e formação profissional Na distribuição do género dos professores da amostra por formação inicial e idade, a sua representação é expressiva nas idades entre 18 e 35 anos em que realizaram a sua formação inicial em Institutos Politécnicos (ESE) e já neste sentido encontraram nos currículos disciplinas relacionadas com as TIC na educação. Para a faixa etária dos 36 anos em diante houve uma queda expressiva, devido a não conformidade das necessidades das TIC na educação na formação inicial da época em que realizaram as suas formações inicial. (Gráfico V-23) Formação Inicial - Idade 100 80 38 65 60 81 100 100 % 40 62 20 35 19 0 18-25 26-35 36-45 46-55 Mais de 56 I. Politécnico ESE Outra situação Gráfico V-23: Cruzamento formação inicial e idade Sabemos que dos professores que possuem computador pessoal 51% são homens e 49% são mulheres. Conforme mostra a Tabela V-2, verificamos que relativamente ao sexo, idade e formação inicial existe um grande equilíbrio quanto a possuir computador pessoal.
  • 75.
    Resultados 75 __________________________________________________________________________________________________________ Dos que possuem computador pessoal 35% usa bastante e 65% não usa bastante, o que revela que não é possuir um computador pessoal que leva à sua utilização mais efectiva. Dos que possuem computador pessoal somente 54% usam o e-mail e 46% não utilizam o e-mail, revelando assim que não o fazem noutros computadores e não utilizam o correio electrónico nos computadores da escola. Dos que possuem computador pessoal 86% usam a Internet e 14% não usam. Tem computador pessoal Formação Usa bastante o Usa a Sexo Usa o e-mail inicial computador Internet Outra F M ESE Sim Não Sim Não Sim Não situação 96% 100% 90% 100% 35% 65% 54% 46% 86% 14% Tabela V-2: Cruzamento da questão “possui computador” com, A, F, J, L e M Conforme a Tabela V-3, podemos constatar que, dos professores que fazem autoformação 48% usam bastante o computador para realizar múltiplas tarefas e mais da metade, 52% não utilizam o computador para realizar múltiplas tarefas, assim, concluímos que não é o facto de fazer autoformação que eleva a motivação para a utilização do computador para o seu uso e exploração. A conclusão acima é reflectida nos questionamentos do uso do computador para elaboração de fichas e/ou teste, uso da Internet e uso do correio electrónico, observando que para o uso do correio electrónico apenas 39% fazem uso e 61% não o utiliza. Autoformação Usa bastante o computador Usa o computador para Usa a Internet Usa e-mail para realizar múltiplas tarefas elaboração de fichas e / ou testes Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não 48% 52% 46% 54% 48% 52% 39% 61% Tabela V-3: Cruzamento da questão “autoformação” com J, L, M e N Os que fazem acções de formação do ME mostraram uma tendência maior para o uso do computador para realizar múltiplas tarefas, elaboração de fichas e/ou testes, a Internet e o e-mail, enquanto comparados com os que fazem autoformação. (Tabela V-
  • 76.
    Resultados 76 __________________________________________________________________________________________________________ 4). Há um aumento de 14% na utilização do computador para realizar múltiplas tarefas, 16% na elaboração de fichas e / ou testes, 11% no uso da Internet e 15% para o uso do correio electrónico em relação aos professores que fazem autoformação. Acções de formação do Ministério da Educação Usa bastante o computador Usa o computador para Usa a Internet Usa e-mail para realizar múltiplas tarefas elaboração de fichas e / ou testes Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não 62% 38% 62% 38% 59% 41% 54% 46% Tabela V-4: Cruzamento da questão “acções de formação do ME” com J, L, M e N A Tabela V-5 mostra a realização de acções de formação em informática e TIC, englobando formações promovidas pelo ME e outras acções de formação em informática. Os professores que realizam acções de formação tendem a usar mais o computador, visto o acréscimo dos percentuais envolvidos para a maior utilização no uso do computador para realizar múltiplas tarefas, na elaboração de fichas e/ou testes, usam mais a Internet e o e-mail. Concluímos assim, a importância da realização de acções de formação e da formação contínua. Realizou acções de formação Usa bastante o computador Usa o computador para Usa a Internet Usa e-mail para realizar múltiplas tarefas elaboração de fichas e / ou testes Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não 72% 28% 75% 25% 75% 25% 75% 25% Tabela V-5: Cruzamento da questão “realizou acções de formação” com J, L, M e N Muitas acções de formação são disponibilizadas para os professores pelo ME, Escolas Superiores de Educação, etc., mas existe uma falta de adesão a estas acções de formação, o desinteresse na elaboração das páginas Web e na contribuição com materiais produzidos pelos alunos, factores que podem ser destacados. Esta relutância tendeu a dissipar-se gradualmente, com o tempo, à medida que a percepção do projecto começou a atenuar-se. Os formadores que se deslocaram às escolas desempenharam,
  • 77.
    Resultados 77 __________________________________________________________________________________________________________ neste aspecto, um papel missionário vital – bem distante da mera prestação de formação. No entanto, o problema da participação dos professores das EB1 continua a afigurar-se, tanto mais que os professores do 1º ciclo do Ensino Básico, nada têm a ganhar, em termos de carreira, pela participação em acções de formação, que sobrecarregam o seu dia-a-dia. Afigura-se que este será um dos aspectos onde a intervenção da tutela, com medidas que reconheçam o esforço adicional dos professores, poderá ter um papel muito importante a desempenhar. Quanto aos professores da amostra que usam o computador para realizar múltiplas tarefas, podemos observar que existe um grande equilíbrio associado às variáveis usam Internet, o computador na elaboração de fichas e/ou testes, usam e-mail e usam o computador para pesquisar assuntos de várias disciplinas. (Tabela V-6) Usa bastante o computador para realizar múltiplas tarefas Usa o computador para Usa o computador para Usa a Internet Usa e-mail pesquisar assuntos variados elaboração de fichas e / ou testes Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não 65% 35% 54% 46% 59% 41% 69% 31% Tabela V-6: Cruzamento da questão “usa bastante o computador” com J, L, M e N As Comunidades de Prática foram sendo criadas de forma transparente para os professores, através de estímulos relacionados ao uso do correio electrónico entre os professores e monitores, posicionando o professor na responsabilidade da sua verificação diária, pois quaisquer eventualidades que ocorressem no decorrer do planeamento do projecto seriam avisados por este meio para posicioná-los, tornando-os desta forma, aprendizes e comunicadores, selectores de informação potencial para a construção do conhecimento e constituindo-se em tomadores de decisão, adquirido pela contextualização das informações recebidas, passando a utilizar a informação como oportunidade e a constância em aprender a aprender, que segundo Jamil, 2001, a aprendizagem não é uma experiência finita e que deve ser continuamente elaborada, com resultados gratificantes. Mas o alcance dessa prática foi mínimo, conforme apresentado, em face de várias razões em que a maior parte dos professores ainda utiliza
  • 78.
    Resultados 78 __________________________________________________________________________________________________________ o computador como mero recurso adicional da escrita alfabética, por esta razão, impossibilitando a sua utilização para a autoformação e formação à distância. A Tabela V-7 é referente à recolha feita através de anotações que foram sendo preenchidas em cada uma das quatro visitas feitas em cada uma das escolas e em relatório enviados para a FCCN, referente às condições das plataformas instaladas. Na questão de “nenhuma estação avariada e não reposta”, em muitas escolas mesmo que a estação tenha sido reposta, nem sempre estava em condições para ser utilizada, precisando ainda de alguns reparados, ainda assim, nem todo o equipamento era reposto, como falta de impressora, cabos e outros. Muitas escolas que não possuíam o router em condições de uso, foi utilizado o router da ESEL para a realização dos trabalhos. Ferramenta indispensável para quaisquer projectos que dependam da Internet para o seu desenvolvimento e que deve estar disponível para uso dos monitores. 100% de escolas possui os softwares necessários de acordo com o projecto. Em algumas escolas houve a necessidade de baixar da Internet, o FTP e o Adobe Acrobat Reader. Em alguns casos teve que ser reinstalado o Windows 98 e o Office. Problemas relacionados com o não acesso à Internet por motivo do servidor não estar a funcionar, instalação do driver da impressora, travamento do equipamento, oscilação do monitor de vídeo, rede eléctrica, extensão em curto-circuito, falta do cabo serial para ligar ao router, foram sempre obstáculos para que a acção de formação pedagógica ocorresse a contento. Problemas de acesso à Internet Acesso à Estação Páginas Router Impressora Internet Multimédia Criadas Não Não Com Sim Não Avariada Avariado Não Sim Não Avariada Avariado Impressora 85% 15% 5% 95% 35% 65% 92% 8% 85% 15% Tabela V-7: Representação das dificuldades com equipamentos Além das dificuldades com os equipamentos, outras dificuldades foram encontradas, como o saber trabalhar em grupo, pois a falta de domínio técnico do computador levou um grande grupo de professores a preocupar-se com o
  • 79.
    Resultados 79 __________________________________________________________________________________________________________ desenvolvimento de habilidades operativas no uso da máquina, enquanto outros sentiam a necessidade de lidar com a tecnologia integrada ao processo ensino / aprendizagem, mas muitas das vezes na escola não encontrávamos condições para desenvolver essas habilidades. Uma outra dificuldade detectada foi, uma grande resistência observada na formação do professor quando acompanhado de seus pares e alunos, devido à perda da autoridade que consiste em ele próprio ser o detentor incontestável do conhecimento. Quando não conseguimos romper esse velho paradigma, os professores isolam-se da pragmática necessária para dominar o computador entre outras ferramentas didácticas relacionadas com as TIC. A experiência e este trabalho demonstraram que algumas instituições de Ensino não apresentam um ambiente propício para a aprendizagem e para a construção e socialização de novos conhecimentos. Entre os indicadores desta constatação, mais forte em instituições estudadas, colocamos factos como: • A diversidade dos actores mobilizados pelo processo (projecto) foi muito elevada e as relações entre eles eram complexas, combinando interesses e motivações de difícil conciliação; • A complexidade sociológica das redes por eles constituídas, associada à sua grande sensibilidade a dinâmicas sociais de elevada contingência, largamente dependentes da existência e permanência, ou não, de lideranças individuais, aos diversos níveis, reforça um cenário de grande complexidade; • Compreendem-se as dificuldades acrescidas que terão resultado de o Ministério da Educação, órgão tutelar do subsistema onde a intervenção tinha lugar, se ter mantido afastado do processo. Na prática, tece-se um ministério mandatado para pôr em prática as políticas nacionais para a Sociedade de Informação (o Ministério da Ciência e da Tecnologia) a tentar actuar na área de intervenção de um outro ministério (o Ministério da Educação) que não se manifestava interessado em acolhê- las; • Como consequência da situação anterior, as Instituições de Ensino Superior, que assumiram a concretização do programa no terreno, ver-se-iam obrigadas a construir pacientemente, a partir do zero, a complexa teia de relacionamentos indispensável ao funcionamento do programa, sendo de facto, que ao tentarem iniciar a calendarização das acções de terreno, depararem inesperadamente com compreensíveis reacções de
  • 80.
    Resultados 80 __________________________________________________________________________________________________________ obstrução por parte das escolas e dos professores, que se interrogavam sobre a legitimidade de tais intervenções; • Descontinuidade de trabalho com a frequente mudança de professores; • Falta de documentação e história, o que prejudica a aprendizagem através da experiência do passado da própria instituição; • Dificuldade de equipamentos e meios para acesso e difusão de informações para os alunos e professores, tais como: avarias nos PC multimédia, furtos dos equipamentos por deficiente protecção das escolas e atrasos na reposição, avarias nos equipamentos de acesso básico RDIS, cuja vulnerabilidade a descargas atmosféricas excedeu largamente o aceitável num produto comercial, avarias no routers RDIS, igualmente expostos às descargas atmosféricas (das quais os equipamentos de acesso RDIS não as protegiam), conforme apresentado anteriormente. Todas estas dificuldades viriam atrasar de forma significativa a formação dos professores e a entrada do projecto, que em muitas escolas só viria a verificar-se perto do final do ano. As perdas de tempo dos formadores, nas escolas, na resolução de problemas de natureza técnica, com grande prejuízo da acção pedagógica efectiva, associadas às dificuldades do factor tecnologia. Para ajudar a melhorar a actuação comunicacional escolar de professores, com as diversas medias é preciso verificar: que significados os conceitos ensino escolar e aprendizagem escolar têm para professores que já actuam há anos, ou que recém começaram, na sala de aula; quais são seus objectivos de ensino e aprendizagem? Quais diferenças explicitam entre método, abordagem, técnicas, medias de ensino e aprendizagem? O que esses professores entendem por trabalho em rede, ou por redes de comunicações? O que são tecnologias de comunicação para eles? O que são as novas tecnologias de informação e comunicação? Para uma melhor apropriação das redes de comunicações com as diversas tecnologias acreditamos ser essencial que o professor tenha muito claro o paradigma educacional, e também, o comunicacional que norteia a sua acção. Os projectos de redes telemáticas que o Ministério de Educação, junto com a Fundação da Computação Científica Nacional, Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade, Escolas Superiores de Educação, Câmaras Municipais, Agrupamentos, UARTE – Unidade de Apoio a Rede Telemática Educativa e outros se propuseram a implantar nas escolas públicas portuguesas, parecem começar a preocupar-se com estas questões.
  • 81.
    Resultados 81 __________________________________________________________________________________________________________ Educadores em geral, legisladores e outros representantes têm discutido a necessidade de se desenhar um projecto de preparação mais consistente do corpo pedagógico escolar para a implantação das redes comunicacionais nas escolas, não como um modismo como outras tecnologias foram introduzidas, mas preocupados com a diminuição do fosso que se estabelece entre os estudantes das escolas públicas e as questões de melhoria da qualidade da vida de todos no país. Não é suficiente a colocação dos equipamentos (hardware e software) nas unidades escolares, não é suficiente chamar profissionais de informática para ministrar "cursinhos" de informática para os professores. Há que se realizar um trabalho de médio e longo prazo para que os professores descubram e incorporem o novo papel do professor comunicador para ser uma das forças transformadoras desta sociedade tecnocrática em busca da diminuição das diferenças e das injustiças sociais e comprometidos com a revalorização do ser humano, que se conceitua como "um ser que conhece", e que se comunica. Muitos estudos foram realizados desde que as TIC entraram nas escolas portuguesas para a análise dos investimentos do Estado Português e a valoração destes investimentos, com resultados dentro de uma visão muito optimista. O que não se caracterizou com essa análise e que ainda muito se tem por fazer. A importância desta fase da análise caracterizou-se pela obtenção de dados que contribuem para a melhoria da nossa visão sobre o problema pesquisado e permite uma percepção mais próxima da realidade em conformidade com os objectivos deste trabalho. Em seguida iremos apresentar as conclusões finais do trabalho realizado, bem como referir algumas sugestões para investigações futuras.
  • 82.
    Capítulo VI Conclusões O objectivo desta pesquisa foi o de descrever e analisar algumas actuações de professores na criação do conhecimento com as tecnologias de informação e comunicação nas escolas, a partir das suas perspectivas integradas e a melhor prática comunicacional educativa nas escolas. Decorrentes deste estudo são os que se voltam para acções formadoras de professores, procurando fazer uso das mais diversas tecnologias comunicacionais de tal modo que eles passem a reflectir sobre elas e a integrá-las (ou não) na sua actividade comunicacional educativa em sala de aula e na sua capacitação contínua na busca de realizar acções formadoras de professores que aperfeiçoem suas práticas comunicacionais pedagógicas com as TIC, embasadas nas teorias da aprendizagem e motivação são necessárias então, ampliações de pesquisas nessa área, mobilizadas por questões como as que explicitamos a seguir e sobre as quais desenvolvemos reflexões e apresentamos algumas perspectivas e proposições. 6.1. Constatações Vislumbramos que a heterogeneidade de conhecimentos e vivências em diferentes áreas de conhecimento permitiriam uma experiência rica para todos os participantes. As perspectivas de enfoque e análise das questões propostas seriam múltiplas, variadas, multifacetadas. O discurso mais consciente desvelado em respostas ao questionário e observações e nos debates em sala de aula, muitas vezes, não se mostrou tão coerente com a prática, demonstrada nas actividades pedagógicas desenvolvidas. O projecto serviu para que pudéssemos ter um certo perfil dos professores no momento em que estávamos presentes em cada escola enquanto aconteciam os debates, os depoimentos e a produção escrita e oral em sala de aula, permitindo acompanhar como esse perfil se mantinha ou se revelava paradoxal no decorrer do projecto. As tais condições oferecem, assim, um campo fértil para a pesquisa sobre as relações que esses profissionais constroem em relação à Educação, Comunicação e Tecnologia e a consequente prática no seu campo de trabalho no Ensino.
  • 83.
    Conclusões 83 __________________________________________________________________________________________________________ Tanto na época de sua aplicação quanto na análise para este trabalho, podemos observar mudanças no comportamento e na produção individual de alguns professores, constatando sobre a interacção colaborativa e cooperativa e os seus reflexos nas atitudes e até mesmo no comportamento dos colaboradores. Em relação às tecnologias de informação e de comunicação, transformou-se de simples recursos de apoio em mediadores nas relações interpessoais e na construção do conhecimento e, mais ainda, em tecnologias de colaboração e cooperação, em alguns casos, entusiástica. É necessário promover um ambiente que conduza à aprendizagem − como processo de transformação que envolve conhecimento, habilidade e atitudes do indivíduo, com tempo para a reflexão e análise, para dissecar tanto as necessidades dos alunos e professores quanto da sociedade onde se inserem como profissionais e cidadãos e para avaliar os sistemas de ensino e pesquisa em uso e inventar novas técnicas e novas abordagens que promovam a aprendizagem. A aprendizagem, o desenvolvimento de habilidades e novas competências e a socialização de conhecimento é incompatível com o sistema de monopólio do conhecimento e a sua concentração nas mãos de poucos. Muitas escolas mantêm ainda uma expressiva resistência, aliás, compreensível, a um programa que se lhes apresenta como alienígena. A urgência em assegurar que o projecto se inscreve harmoniosamente na hierarquia pedagógico-administrativa das escolas é assim elevada. Associadas à realidade das escolas, manifestaram-se também dificuldades em algumas básicas integradas, onde o processo de intervenção foi difícil de gerir. Como no caso em que um número significativo de professores das escolas manifestou grande relutância em associar-se ao projecto, a ponto de se poder considerar que a participação dos professores é uma das dimensões da intervenção no terreno onde as dificuldades se apresentam como de mais difícil resolução. A todas essas constatações, acrescentamos a relacionada aos ambientes em que o projecto foi estudado. Em uma das instituições não era propício, ao contrário, dificultava a prática do uso das TIC pelos professores e alunos, entre pares e outros. Ainda assim, a prática ocorreu entre aqueles que de facto já incorporavam crenças, atitudes e competências necessárias à colaboração e cooperação ou entre aqueles abertos a aprender e desenvolver novas crenças, atitudes e competências. À medida que se
  • 84.
    Conclusões 84 __________________________________________________________________________________________________________ desenvolvia a acção, agia-se sobre esse ambiente, modificando-o na medida das possibilidades e estudando-o em relação às suas deficiências. A esse ambiente, contrapôs-se o de outras escolas que ofereceu uma infra- estrutura adequada para o desenvolvimento do projecto, não só em termos de equipamento e espaço como de pessoal mais envolvido, motivado e melhor formado. O desenvolvimento dos trabalhos com os professores nessas escolas foram significativamente mais dinâmicos e a incorporação de novos conceitos, o repensar de velhos conceitos e a discussão das inter-relações da educação, tecnologia e comunicação reflectiram-se nos trabalhos finais do projecto. Enfim, o resultado de alguns trabalhos de muito bom nível demonstram que houve um desenvolvimento do projecto de formação de boa qualidade quando, em paralelo com o desejo, a vontade e o esforço, a acção ocorreu e, dentro desse paradigma, e a utilização das tecnologias, essa acção foi de facto optimizada e a prática foi incorporada. Conforme as características que envolvem as escolas analisadas e os resultados apresentados, o projecto sustentou as suas estratégias de desenvolvimento de produção do conhecimento, dentro dos incentivos mais reclamados pelos professores e seus aspectos motivacionais, citados no Capítulo II segundo Neves de Jesus, e que esses aspectos motivacionais foram galgados através da adaptabilidade e capacidade de inovação, combinados à capacidade de satisfazer rapidamente a demanda com a aprendizagem colectiva e o desenvolvimento de novos conhecimentos. Os três pilares que sustentam um programa educativo são as infra-estruturas, conteúdos e contextos, assunto bem trabalhado por Figueiredo (2003), asseguradas que estão as infra-estruturas materiais que sustentam o programa e as infra-estruturas técnicas e pedagógicas que o apoiam, garantido que está o acesso a um abundante repositório de conteúdos, que a UARTE tem vindo a acumular (e deverá ser apoiada no sentido de continuar a enriquecer). Para dar continuidade, então, a esses estudos, acreditamos ser importante constatar o que os professores pensam e fazem com as redes comunicacionais mediáticas, como pensam outros conceitos relativos à educação e ao seu trabalho na Escola, e como podem conseguir maior profundidade conceptual. Reflectir sobre esses e outros conceitos fundamentais para a sua actuação profissional pode ajudá-los a melhor nortear o seu trabalho. Alguns professores, já constatam e assumem a necessidade de
  • 85.
    Conclusões 85 __________________________________________________________________________________________________________ resgatar esse tempo de reflexão. Outros ainda ignoram essa constatação e posicionam- se, frontalmente, contra quaisquer actividades que os coloquem novamente diante dessa situação. Há ainda aqueles que não só resistem, mas se transformam em obstáculo principal a transformações, dificultando qualquer atitude, posicionamento ou questionamento que possamos apresentar para abalar a sua posição de poder e decisão dentro da hierarquia administrativo-pedagógica da escola. O trabalho de repensar e reestruturar a educação escolar exige o passar pelo caminho da sensibilização e consciencialização dos professores em relação às constantes e rápidas transformações de ordem político-sócio-económica, cultural, comunicacional e educacional que as novas tecnologias de comunicação vem acelerando a velocidades nunca antes pensadas. O ser humano tem que reencontrar seu equilíbrio e o papel do professor é fundamental. O conceito de rede como uma ligação mais voltada às transformações sócio-culturais deve-se espalhar e expandir para todos os lados. Compartilhar as experiências bem sucedidas pode tornar a vida humana, mais saudável. Os professores não podem furtar-se a esta função, principalmente hoje, no mundo em que a escola precisa ajudar a preencher as lacunas deixadas pela falta de orientação de crianças, adolescentes e jovens quanto aos valores morais, aos princípios éticos, à actuação política no sentido puro dessa palavra e ao exercício de uma cidadania questionadora e modificadora. A utilização da comunicação através das TIC e de computadores, por exemplo, conforme a necessidade e a disponibilidade desses meios, pode tornar-se mais habitual entre os alunos e professores. Para essa incorporação, faz-se necessário o uso constante não só de actividades desempenhadas através dessas medias, através de consultas constantes ao correio electrónico, a pesquisas, etc. Os professores reconhecem a importância das redes de comunicação para resolver problemas, mas muitos professores ainda não praticam mais intencionalmente os modos comunicacionais por diversas razões (económicas, habilidades insuficientes, etc.) que precisam ser superadas. É fundamental que o professor continue a pesquisar, a comunicar-se com diversas medias, com seus pares e a passar ele próprio pela aventura construtivista e colaborativa da descoberta e da criação para servir de exemplo e motivação aos seus alunos, e nessa comunicação, desenvolva a percepção de si mesmo, percepção de sua relação com as medias que utiliza, do grau de controlo que tem sobre essas medias e do
  • 86.
    Conclusões 86 __________________________________________________________________________________________________________ contexto em que as utiliza, bem como o conteúdo da mensagem e o quanto podem controlá-la ou mesmo alterá-la. O professor precisa ter muito clara essa questão da percepção no gerenciamento dos projectos pedagógicos telemáticos que se realizam através de encontros electrónicos mais ou menos interactivos, dependendo das medias empregues. Há que estar atento ainda para as amplas possibilidades do desenvolvimento de processos de construção colectiva do conhecimento. A comunicação electrónica pode abrir portas para a superação de alguns preconceitos ainda existentes nessa área. Quando alunos e/ou os professores usam um computador trocando ideias e informações com pessoas de outras regiões da cidade, do distrito, do país ou do mundo, podem ser estimulados a abrir o coração e a mente à recepção das ideias, sentimentos. Apreciações do outro para julgá-las a partir das mesmas e não a partir do preconceito (rejeição) pela aparência física, pela posição social, pela etnia, pela idade, pelo sexo. Quando os professores efectivamente se comunicam e trabalham com seus pares colaborativamente e cooperativamente descobrem suas inteligências específicas que lhes permitem também respeitar as diferenças de seus alunos e a ter sensibilidade para as diversas inteligências. Essa comunicação permite-lhe apreender e estimular os pontos fortes; atentar e cuidar dos pontos fracos. Permite-lhe trabalhar com a auto-estima dos seus alunos de modo a fazê-los crescer e desenvolver-se integralmente. Um outro elemento fundamental de comprometimento de professores e alunos é a pertinência. Nesses projectos, em que o principal não é o uso da comunicação electrónica, mas o uso da comunicação social, na conjuntura escolar, os professores podem aprender a descobrir os seus talentos e a usá-los com eficácia, aumentando a sua própria auto- estima e provocando o bom desempenho e entusiasmo de seus alunos, uma vez que a comunicação é um caminho de ida e volta, bidireccional e de construção conjunta envolvendo emissor e receptor em que passa a não existir emissor activo e receptor passivo, em que ambos os sujeitos passam a ser sujeitos activos na comunicação. As novas tecnologias de informação e de comunicação trazem uma quantidade imensa de informação que vem fragmentada, dispersa, descontextualizada e, recontextualizada, que adquire uma subdimensão ao se inter-relacionarem umas com as outras e que manifestadas em som, imagem e textos se associam nas mais complexas formas. Reiteramos, pois, a necessidade de se preparar o professor em programas de
  • 87.
    Conclusões 87 __________________________________________________________________________________________________________ formação inicial e de formação em serviço para que eles aprendam a desembaraçar a complexidade, detectar as ligações de uns dados com outros e a reconhecer contextos com suas correspondentes repercussões e factos informativos, para poder trabalhar comunicacional e educativamente com seus alunos, não apenas como um disseminador de informação, mas como educador, como guia, que tem posse de critérios e orientações e saiba analisar e contextualizar a informação para depurá-la através da selecção, da valorização, do contraste, para ser um "despertador de espíritos" que levará seus alunos a adquirir um domínio de representações e abstracções para transformar conhecimentos adquiridos em saber elaborado. Para que os projectos ou planos de comunicação escolar telemática possam ser pedagogicamente efectivos é indispensável que sejam acompanhados por processos de planeamento consistente, partindo-se de um embasamento teórico, tendo por consenso a definição dos objectivos gerais e específicos, a escolha dos métodos e procedimentos adequados, a designação de actividades e delegação de responsabilidades. O acesso à Internet é, hoje, na cultura ocidental, pelo menos, uma prática comunicativa social cada vez mais presente. Nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia, na Austrália, na América Latina, aumenta o número de projectos pedagógicos telemáticos que se utilizam dessa media. Entretanto, é sabido que a maioria dos professores ainda não incorporou essa cultura e, portanto, essa cultura tem se reflectido na cultura da sala de aula como actividade extra, como perda de tempo, como modismo, sem se incorporar como uma prática desveladora de um mundo local descobrindo-se, analisando-se, criticando-se e alterando-se mas afirmando-se, nas suas especificidades, em relação ao transnacional, ao global, ao planetário. Tem que se partir para uma formação do professor com ênfase na competência cultural, o que significa que o professor tem que primeiramente perceber a sua própria cultura, conhecendo-a, compreendendo-a, depois, abrir-se para o conhecimento e a compreensão de outras culturas e aprender a criar ambientes multiculturais que permitirão que seus alunos desenvolvam suas habilidades e seus estilos de aprendizagem. Isso significa que o professor tem que se preparar para ser um pesquisador, um comunicador, mas, sobretudo, um aprendiz por toda a sua vida e ajudar seus alunos a desenvolverem a autonomia para também se tornarem eficientes pesquisadores, comunicadores e aprendizes autónomos, não importa qual carreira, profissão ou função que optem para a sua vida.
  • 88.
    Conclusões 88 __________________________________________________________________________________________________________ O professor ao tornar-se competente em relação à utilização do computador contribui melhor com seus alunos que já chegam à escola com uma certa competência na utilização dessa tecnologia. Alguns desses alunos tornam-se professores dos seus professores sobre uso de computadores e, o professor tem que estar aberto para ser aprendiz nesse ambiente de aprendizagem multi-direccional. As escolas abrangidas neste trabalho possuem características semelhantes, de uma só sala. Algumas escolas em que as professoras acreditavam na utilização da rede de computadores para abrir os horizontes de seus alunos, integraram um quadro em forma de mapa para que os alunos pudessem ir ao computador nos dias específicos e que no final da semana todos teriam feito uma actividade utilizando as novas tecnologias inserida na sala de aula. Outras escolas optaram pela colaboração e cooperação entre os alunos mais velhos com alunos mais novos na utilização do computador, na utilização de softwares educativos e conversas em tempo real. Em outros casos, se o professor se disponibilizava voluntariamente a participar, os monitores agradeciam; se, ao contrário, os professores não acreditavam no projecto, ou se mantinham cépticos e afastados, os monitores, em geral, levavam o projecto a contento, satisfeito com os resultados alcançados com os alunos, nessa situação, o projecto pedagógico com a utilização das TIC não se incorporava à prática comunicacional educativa da escola, pois estivera restrito à actuação dos alunos. Assim como, o inverso também aconteceu, em que os professores participavam activamente das actividades dos monitores, mas não abriam espaço para a participação dos alunos. O trabalho no campo da educação escolar tem mostrado que o mais importante é mudar ou resgatar mentalidades e práticas que representem um novo paradigma comunicacional e educacional e reflictam o discurso dos professores. Na verdade, ao chegar à escola e lhes propor a conhecer a prática dos professores e avaliar o quanto ela está próxima daquela que defendemos, encontramos um grupo diversificado de pessoas ansiosas, resistentes, e cépticas. Após os primeiros contactos em que procuramos resgatar a sua prática e envolvê-los nas actividades propostas, não desprezando toda a sua experiência, mas valorizando-a ou fazendo-os reflectir sobre ela, questionando-a, alguns professores passaram a participar de forma realmente colaborativa e cooperativa. Um dos problemas enfrentados em muitas das escolas reflecte que o trabalho com o professor tem que ter acompanhamento ao longo de todo o projecto. Um acompanhamento constante, pois o professor tende a acomodar-se e voltar para a sua
  • 89.
    Conclusões 89 __________________________________________________________________________________________________________ prática tradicional quando o agente estimulador não está presente. O que foi percebido é que se o professor se compromete de forma completa com o projecto, isto é, se ele acredita desde o início e a sua prática já está de certa forma voltada para uma postura construtivista e de pesquisa, os resultados são, desde o início, positivos e os alunos estão sempre estimulados e assimilam essa postura. Esse professor pode ser um auxiliar nos acompanhamentos dos mais resistentes; entretanto, se o envolvimento é aparente e o professor continua apegado a curricula e às actividades tradicionais obsoletas, o acompanhamento dos monitores do projecto tem que ser mais constante e efectivo. Acreditamos que as actividades propostas para os alunos devem ser desempenhadas e realizadas em primeiro lugar pelos professores; só a partir do momento em que o professor vivência a proposta que vai ser feita ao aluno é que ele passa a ter mais consciência das possibilidades e limitações que serão enfrentadas pelos mesmos e criam condições de uma melhor orientação para os alunos. 6.2. Perspectivas Através do trabalho desenvolvido com os professores, alunos e colegas monitores podemos vislumbrar que mudanças significativas estão acontecendo em algumas escolas, quer por iniciativa dos agrupamentos, quer por iniciativa individual de professores. Há um movimento de repensar o Ensino como tempo e espaço de trabalho, aprendizagem, pesquisa e construção de conhecimento segundo o prisma da colaboração e cooperação e do desenvolvimento de uma inteligência colectiva que valoriza o indivíduo em consonância com a comunidade da qual faz parte. Tanto as novas tecnologias no contexto educativo como o trabalho em equipa sob a liderança do professor (como membro activo) ainda estão para serem descobertos. A partir das dificuldades enfrentadas durante esta pesquisa e redacção da dissertação, recomendo a meus colegas pesquisadores a prática de documentação através de relatórios constantes, impressos, bem como através de áudio e videogravação das acções quotidianas, quer as situações de conflito ou de dificuldades quer as acções de sucesso. Essa documentação pode ser utilizada tanto para uma análise conjunta seguida de reflexão quanto de matéria-prima para futuros projectos sobre o processo de ensino/aprendizagem utilizando as novas tecnologias de informação e comunicação nas escolas do 1º ciclo.
  • 90.
    Conclusões 90 __________________________________________________________________________________________________________ Com a utilização das tecnologias optimizam-se de sobremaneira as acções colaborativas e cooperativas entre alunos e professores e devem ser utilizadas sempre que existentes e disponíveis na instituição optimizando a comunicação tanto presencialmente, quanto à distância. A prática deve ser uma constante. O crescimento individual e colectivo são significativamente maiores. Ainda que seja mais trabalhoso e envolva mais horas de trabalho e dedicação do docente – e em decorrência dos alunos – os resultados compensam. 6.3. Proposições Ao concluirmos esta dissertação, encaminhamos como proposição de trabalho junto à comunidade académica, a necessidade de se desenvolver uma intensa acção colaborativa e cooperativa no desenvolvimento de projectos na formação de professores do 1º ciclo e um ambiente propício para a utilização das tecnologias de informação e comunicação na sala de aula, até que exista uma autonomia dos professores no uso das TIC, e assim evitar a decadência de projectos tão valiosos como Internet na Escola e coloque verdadeiramente em prática todos os objectivos do projecto além de uma reflexão constante, que se amplie à participação dos alunos na cultura escolar com a utilização das tecnologias como optimizadoras da sua acção e mediadoras da sua reflexão. Uma participação que vá para além dos encontros temporários que alunos e professores têm durante o período de cada ano lectivo, quer através de artigos impressos, quer com artigos divulgados na WWW. Que se consolide em projectos activos com contribuições significativas no âmbito de novas abordagens educacionais e na implementação das tecnologias de informação e de comunicação como tecnologias didácticas. Projectos que envolvam aprendizagem contínua, com certeza dinamizarão a actividade escolar e contribuirão para a transformação de professores e alunos em agentes activos de um projecto maior de reconstrução da Escola como instituição de aprendizagem, facilitando a aprendizagem de todos os seus integrantes e que se transforma continuamente. Vivemos em tempos de mudanças rápidas e constantes que exigem um processo cognitivo e inter-subjectivo, que construa novos saberes relacionados a essas mudanças e que, se necessário, redefina situações até mesmo com medidas radicais temporárias ou definitivas. Esta acção deve ainda estar comprometida
  • 91.
    Conclusões 91 __________________________________________________________________________________________________________ com as Escolas Superiores de Educação enquanto centro de pesquisa e de construção de conhecimento com uma perspectiva de socialização do conhecimento que vai alimentar a reconstrução de uma sociedade mais humana, mais justa e mais igualitária. Tópicos importantes das conclusões • Desenvolver a mudança no comportamento e na produção individual dos professores. • Desenvolver a interacção colaborativa e cooperativa nos professores. • Desenvolver reflexos nas atitudes e no comportamento dos professores. • Desenvolver relações interpessoais e na construção do conhecimento • Construir um ambiente propício que conduza à aprendizagem. • Perspectivar a incorporação de novos conceitos em detrimento dos velhos conceitos. • Desenvolver a percepção de projectos pedagógicos telemáticos com planeamento. • Difundir o aspecto de analisar e contextualizar a informação para a depurar através da selecção, da valorização e do contraste. • Despertar o conhecimento da própria cultura para depois se abrir a outras culturas. • Aprender a criar ambientes multiculturais. • Tornar-se competente e autónomo para utilização das TIC. • Desenvolver mentalidades de prática. • Desenvolver a aprendizagem segundo o prisma da cooperação e colaboração. • Desenvolver uma intensa acção colaborativa no desenvolvimento de projectos na formação de professores num ambiente propício para a aprendizagem das TIC. • Projectos para desenvolver a aprendizagem contínua. Tabela VI-1: Tópicos importantes das conclusões "Se a sua opção política é uma opção transformadora e você é coerente com sua opção –... - se é substantivamente democrática, você não renuncia a seu trabalho de educador, você se afirma nele e desafia o educando a assumir-se como sujeito do processo de conhecer”. Paulo Freire
  • 92.
    Referências Bibliográficas BIZZOTTO, C.E. N. (2003). O aprendiz: ambiente extensível para o aprendizado distribuído. (Tese de Mestrado em Engenharia da Produção da Universidade Federal de Santa Catarina). BUSATO, Luís R. (1997). Tecnologia de informação, comunicação e educação. Trabalho apresentado no 4º EDUCADOR Congresso Internacional de Educação. São Paulo. CASTELL, Manuel. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra. CHIAVENATO, Idalberto (1999). Introdução à teoria geral da administração. São Paulo: 5ª edição, Editora Makron Books. CORTELAZZO, I. B. C. (2000). Colaboração, trabalho em equipe e as tecnologias de comunicação: relações de proximidade em curso de pós-graduação. São Paulo: Tese de doutorado – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. CURVELLO, J. J. A. (1993). Comunicação interna e cultura organizacional: um enfoque qualitativo da questão no Banco do Brasil. Dissertação de Mestrado – Instituto Metodista de Ensino Superior. FIGUEIREDO, A. Dias de. (1999). Importância e complexidade da formação de professores na sociedade da informação. In Conselho Nacional de Educação. (1999). A sociedade da informação na escola. Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da Educação. _____. In Conselho Nacional de Educação (2002). Redes de aprendizagem, Redes de conhecimento. Ministério da Educação. Lisboa. FIGUEIREDO, A. Dias de; AFONSO, A. P.; FERREIRA, A. M. (2003). Programa “ Acompanhamento da utilização educativa da Internet nas escolas públicas do 1º ciclo do ensino básico”. Relatório de avaliação intercalar. Laboratório de informática e sistemas. Coimbra. FREIRE, Paulo. (1987). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
  • 93.
    Referência bibliográfica 93 __________________________________________________________________________________________________________ _____. Pedagogia da autonomia. (1997). Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra. GARDNER, H. (1996). A nova ciência da mente: uma história da revolução cognitiva. São Paulo: Universidade de São Paulo. GUERRA, A.F. (2001). Uma experiência com ambientes de aprendizagem cooperativa: a educação em áreas costeiras através de página web. Florianópolis. (Doutorado em Engenharia da Produção). Centro Tecnológico. Universidade Federal de Santa Catarina. GUIA de e-Business (2001). GOMES, Debora. (2003). In Artigos para a educação e escola. COPPE/UFRJ. IAHN, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista @prender virtual. IANNI, O. (1996). Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. JAMIL, G.L. (2001). Repensando a TI na empresa moderna – atualizando a gestão com a tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Axcel. LITTO, Fredric M. (1999). País sem coesão social. In: Folha de São Paulo. LIBANEO, José C. (1998). Adeus professor, adeus professora: novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez. MARTINS, J. C. (2001). Emprego, mercado e pessoas. Coimbra: Quarteto Editora. MAXIMIANO, António C. A. (2001). Introdução à administração. São Paulo: Editora Atlas. MOREIRA, Mércia. (1997). A questão da informática na educação. Refletindo a prática do EDUCOM-MG. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais. (Dissertação, Mestrado em Educação). MORESSI, Eduardo Amadeu Dutra (1999). Delineando o valor do sistema de informação de uma organização. Tese de doutoramento apresentada na Universidade de Brasília.
  • 94.
    Referências Bibliográficas 94 __________________________________________________________________________________________________________ MOURA, A.M.; AZEVEDO, A.M.P; MEHLECKE, Q. (2001). As teorias de aprendizagem e os recursos da internet auxiliando o professor na construção do conhecimento. In Congresso Internacional a Distância. Brasília. Anais. NEVES DE JESUS, Saúl. (1996). Motivação e formação de professores. Coimbra: Quarteto Editora. PRAIA, João Félix. (1999). A didáctica e as novas tecnologias na formação de professores: algumas reflexões. In: CNC – Conselho Nacional de Educação. (1999). A sociedade da informação na escola. Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da Educação. PIAGET, J. & outros. (1976). Fazer e comprender. São Paulo. Melhoramentos e Editora da Universidade de São Paulo. PEREIRA, Julio E. D. (1999). Formação de profesores: pesquisa, representações e poder. Belo Horizonte. Editora Autêntica. REVISTA Exame Informática (2002).
  • 95.
    Bibliografia AKTOUF, Omar. OSimbolismo e a cultura de empresas: dos abusos conceituais às lições empíricas. In Chanlat, Jean F. O Indivíduo na organização - Dimensões Esquecidas - Volume II, São Paulo, Atlas, 1994. ALMEIDA, Meneleu A. de (1981). Diagnóstico preliminar do sistema de comunicação de uma grande Instituição Brasileira de Crédito - Dissertação de Mestrado. Brasília, UnB. AMARAL FILHO, J do (1999). A endogeneização no desenvolvimento econômico regional. Anais da ANPEC, XXVII Encontro Nacional da Anpec. Belém –Pará. AMARAL, Luís & VARAJÃO, João (2000). Planeamento de sistemas de informação. Lisboa: Editora FCA. BERINO, A. (1994). Elementos para uma teoria da subjetividade de Marx. Niterói: UFF (Dissertação de Mestrado). BIPEL, Boletim de informação ao pessoal do Banco do Brasil, (1997). BRUNO, Reestruturação capitalista e Estado Nacional. In: Oliveira, Dalila. A.; Duarte, Marisa R. T. (1999). Política e trabalho na escola: administração dos sistemas públicos de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica. CAMPOS, G. Informática na educação. (1993). In: Iahn, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista @prender virtual. CNE – Conselho Nacional de Educação. (1999). A sociedade da informação na escola. Seminários e Colóquios. Editorial do Ministério da Educação. CRONIN, Blaise. Esquemas conceituais e estratégicos para a gerencia da informação. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Setembro 1990. DALVI, Antenor Cesar & Vieira, Paulo Sérgio. (1999). Produtos comerciais de videoconferência, Testes na Rede da Receita Federal. Dissertação de Pós-Graduação em Redes de computadores, sob orientação do Professor Doutor José Gonçalves Pereira Filho. Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.
  • 96.
    Bibliografia 96 __________________________________________________________________________________________________________ DALVI, M. P. Boina. (2000). Videoconferência nas Organizações como Implemento da Comunicação. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) (Monografia). Faculdades Integradas EspíritoSantenses – FAESA. DALVI, M. P. Boina. (2003). Artigo “ Formar Professores no Contexto da Cultura Digital ” (3ª colocação) – V Simpósio Internacional na Educação” – Challenges – Centro de Competência Nónio Século XXI da Universidade do Minho – BRAGA. DERTOUZOS, Michael L. (1997). O que será? Como o mundo da informação transformará nossas vidas. São Paulo: Companhia das Letras. DUARTE, M. R. T. (1999). Política e trabalho na escola: administração dos sistemas públicos de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica. DRUCKER, Peter F. (1988). The coming of the new organization. Harvard Bisiness Review. Boston. FERNANDES, A. (2001). Administração inteligente – novos caminhos para organizações do século XXI. São Paulo: Futura. HERZBERG, Frederick; MAUSNER, Bernard; SNYDERMAN, Barbara Block. The motivation to work. (1959). In: Maximiano, António C. A. (2000). Introdução à administração. São Paulo: Editora Atlas. KING, J. L. & KRAEMER, K. L. (1988). Information resource management: is it sensible and can work? LÉVY, Pierre. (1996). In: Iahn, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista @prender virtual. _____. (1997). L´Intelligence Collective: Pour une anthropologie du cyberspace. Paris: La Découverte. _____. (1999). Cibercultura. São Paulo, Editora 34. MARTIN, Joanne (1994). Cultures in Organizations - Three Perspectives, New York, Oxford. MASLOW, Abraham A. (1943). A theory of human motivation. In: Maximiano, António C. A. (2000). Introdução à administração. São Paulo: Editora Atlas.
  • 97.
    Bibliografia 97 __________________________________________________________________________________________________________ MEIRIEU. (1999). Aprender sim, mas como? In: Iahn, L. F. (2003). Portais educacionais, artigo revista @prender virtual. MONTEIRO, E. & Boavida, F. (2000). Engenharia de redes informáticas. Lisboa: FCA. MORAN, José Manuel; Masetto, Marcos e Behrens, Marilda. (2000). Novas tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus Editora. NONAKA, I. & KROGH, G.& ICHIJO, K. (2001). Facilitando a criação de conhecimento – reinventando a empresa com o poder da inovação contínua – Tradução de Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Editora Campus. NÓVOA, A. (1992). Os professores e a sua formação – Formação de professores e Profissão docente. Lisboa: Dom Quixote. NUTTIN, J. (1987). In: Neves de Jesus, Saúl. (1996). Motivação e formação de professores. Coimbra: Quarteto Editora. NYHAN, Barry. (1991). Desenvolver a capacidade de aprendizagem das pessoas, Eurotecnet. In: Martins, J. C. (2001). Emprego, mercado e pessoas. Coimbra: Quarteto Editora. PETTIGREW, Andrew M. (1989) - A cultura das organizações é administrável? In Fleury, Maria. RICARTE, Jose Maria. (1996). La creatividad y la innovación en la comunicación e en la cultura de empresa, material do seminário avançado ministrado na ECA/USP. SCHERR, Sérgio (2002). Tópicos especiais em educação a distância. Curitiba: Editora Apta. STAIR, Ralph M. (1998). Princípios de sistemas de informação. Uma abordagem gerencial. Rio de Janeiro: 2ª edição, Editora LTC. TAPSCOTT, Don. (1999). Geração digital: A crescente e irreversível ascensão da geração Net; tradução Ruth Gabriela Bahr. São Paulo: Makron Books. TERRA, J. C. C. & Gordon, C.(2002). Portais corporativos – a revolução na gestão do conhecimento – Tradução de Érica Saubermann Rodigo Baroni: São Paulo: Negócio Editora.
  • 98.
    Bibliografia 98 __________________________________________________________________________________________________________ THÉVENET, Maurice. (1989). Cultura de empresa - Auditoria e Mudança, Lisboa. VALENTE, J. A. E Almeida, F. J. (1998). A visão analítica da informática no Brasil: a questão da formação do professor. In Revista Brasileira de Informática na Educação. _____. (2001). O computador na sociedade do conhecimento. Coleção informática para a mudança na Educação. Brasília: Proinfo, MEC. VARELA, F.; THOMPSON, E.; ROSCH, E. (1997). The embodied mind. Cambridge: MIT. VAN Wegen; BERT & De HOOG, Robert. (1996). Measuring the economic value of information systems. Journal of Information Technology.
  • 99.
    Sites consultados naInternet A Internet como aliada dos estudos. http://www.terra.com.br/internetnasescolas/ (consultado em 17 de Setembro de 2003). A Internet no ensino das ciências físico-químicas. http://nautilus.fis.uc.pt/softc/Read_c/destaque/teseind.htm (consultado em 06 de Maio de 2003). Anrez@ Pedago@, Pedagogia de Célestin Freinet. http://www.andrezapedagoga.hpg.ig.com.br/index.htm (consultado em 29 de Março de 2003). Bonilla, M. H. S. (2002). Desencadeando outras formas de comunicação na escola. http://www.intervir.org/n4/bonilla/b1.html (consultado em 06 de Março de 2003). Branco, Castelo. A Internet na educação. http://www.terravista.pt/nazare/4263/InternetEduc.htm#Bibliografia (consultado em 22 de Junho de 2003). Buzato, M. E. K. (2001). Entrevista EducaRede. Letramento digital abre portas para o conhecimento. http://planeta.terra.com.br/educacao/mbuzato/articles/inpla.html (consultado em 03 de Março de 2003) Catarino, José C. Aplicações da Internet no ensino das línguas. http://www.terravista.pt/aguaalto/2285/ (consultado em 04 de Abril de 2003). Ciência na escola. http://www.comciencia.br/especial/escola/esc02.htm (consultado em 06 de Junho de 2003). Educom. Associação portuguesa de telemática educativa. http://educom.sce.fct.unl.pt/ (consultado em 17 de Maio de 2003). Educare. http://www.educare.pt/ (consultado em 15 de Julho de 2003). Educarede. http://www.educarede.org.br/educa/html/index_educalinks.cfm (consultado em 20 de Agosto de 2003).
  • 100.
    Sites na Internet 100 __________________________________________________________________________________________________________ Educaterra. http://educaterra.terra.com.br/educacao/ (consultado em 04 de Junho de 2003). e-educacional. Internet na Educação. http://www.educacional.com.br/index/indice.asp (consultado em 06 de Junho de 2003). Escola Secundária de Camões. Redes Locais no espaço escolar. http://redescola.ist.utl.pt/ (consultado em 03 de Novembro de 2003). FDG. Fundação de desenvolvimento gerencial. http://www.fdg.org.br/subfdg/noticias/noticias.asp?noticia=102 (consultado em 16 de Outubro de 2003). Gabaritando educacional. http://www.gabaritando.com.br/ (consultado em 18 de Setembro de 2003). Gabaritando. Soluções web. http://www.gabaritando.com.br/web/portfolio.htm (consultado em 11 de Maio de 2003). Gomez, M.V. (2000). Paulo Freire: Re-Leitura para uma teoria da informática na educação. http://www.eca.usp.br/nucleos/nce/perfil_margari.html (consultado na Internet em 04 de Junho de 2003). ID. Design institucional. http://www.instructionaldesign.com.br/artigos.htm (consultado em 08 de Julho de 2003). Instituto de estudo da criança, U. Minho. http://www.iec.uminho.pt/iebi/mainiebi.htm (consultado em 17 de Setembro de 2003). Ladeira, Pedro Miguel Henriques dos Santos Pimentel. A educação através da Internet. http://student.dei.uc.pt/~pladeira/pagsf.html (consultado em 10 de Junho de 2003). Literacia, http://ctap.fcoe.k12.ca.us/ctap/Info.Lit/Guidelines.html (consultado em 14 de Março de 2004). Litto, Frederico (1999). Educação do futuro; A escola de uma sala só; Informática na educação. http://www.darwin.futuro.usp.br (consultado em 08 de Agosto de 2003). Mediativa. Mídia da qualidade para as novas gerações. http://www.midiativa.tv/ (consultado em 06 de Junho de 2003).
  • 101.
    Sites na Internet 101 __________________________________________________________________________________________________________ Mirshawka, V.Jr. (2002). A revolução do aprendizado on-line. http://eaprender.ig.com.br/ensinar.asp?RegSel=8&Pagina=1 (consultado em 11 de Março de 2003). Moran, J.M. (1997). Como utilizar a Internet na educação. http://www.usp.br (consultado em 09 de Abril de 2003). Moran, Manuel José. Como utilizar a Internet na educação. http://www.batina.com/moran/internet.htm (consultado em 22 de Maio de 2003). Moura, R.M. (1998). A Internet na educação: um contributo para a aprendizagem auto- dirigida. http://www.geocities.com/Atthens/Acropolis/5909/sdl.html (consultado em 10 de Março de 2003). Núcleo de comunicação e educação. CCA. ECA, USP. http://www.eca.usp.br/nucleos/nce/artigos.html (consultado em 02 de Outubro de 2003). Oliveira, de Figueiredo Jayr. TIC – Tecnologia da informação e da comunicação. http://www.editoraerica.com.br/imprensa_final.asp?cod=9441 (consultado em 30 de Março de 2003). Paiva, J. (2002). As tecnologias de informação e comunicação: utilização pelos professores. http://www.dapp.min-edu.pt/nonio/pdf/utilizacao_tic_profs.pdf (consultado em 06 de Junho de 2003). Por uma nova escola do 1º ciclo do ensino básico. http://www.escolanova.com/default.html (consultado em 29 de Junho de 2003). Portal FCCN. Fundação para a computação científica nacional. http://www.fccn.pt/ (consultado em 12 de Fevereio de 2003). Portal Janela na web. http://www.janelanaweb.com/reinv/principa.html (consultado em 18 de Março de 2003). Ramal, A. C. (1996; 2000). Um novo perfil do professor; Ler e escrever na cultura digital. http://www.instructionaldesign.com.br/artigos.htm (consultado em 06 de Junho de 2003).
  • 102.
    Sites na Internet 102 __________________________________________________________________________________________________________ Recensio. Tecnologia da Informação. http://www.recensio.ubi.pt/modelos/listas/l_tematica.php3?codtema=14 (consultado em 18 de Março de 2003). Recursos de ciências na Internet. http://cfc.fis.uc.pt/roteiro/internet.htm (consultado em 06 de Junho de 2003). Rede escolar livre. http://www.redeescolarlivre.rs.gov.br/Apresentacao.html (consultado em 28 de Maio de 2003). Redes de computadores e suas aplicações na educação. http://penta2.ufrgs.br/ (consultado em 22 de Maio de 2003). Revista @prender virtual. O mundo da educação. http://www.aprendervirtual.com/index.php (consultado em 22 de Março de 2003). Revista PCGuia. http://www.xl.pt/pcg/1101/suplemento/a01-00-00.shtml (consultado em 19 de Junho de 2003). Ribeiro, Maria Lígia. A história da Internet. http://www.fe.up.pt/~mgi97018/historia.html (consultado em 12 de Abril de 2003). Rosa, Leonel Melo. As TIC na escola: que condições? Universidade Aberta. http://www.prof2000.pt/users/cfppa/coloquio/notas.htm (consultado em 02 de Junho de 2003). Sabbatini, Renato. Computadores nas escolas. http://www.epub.org.br/correio/cp980721.htm (consultado em 14 de Fevereiro de 2003). Sociedade da informação. http://www.clovisgorg.hpg.ig.com.br/tecnologiasdainformacao.pdf (consultado em 06 de Junho de 2003). Strassmann, Paul. Cuidado com o paradoxo das TI´s. http://www.janelanaweb.com/manageme/strassmann3.html (consultado em 08 de Maio de 2003). The Network Administrator's Guide Copyright © Olaf Kirch. Tradução autorizada pelo autor. LINUX: Redes de Computadores Impresso em 22 de Outubro de 1999.
  • 103.
    Sites na Internet 103 __________________________________________________________________________________________________________ Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil http://www.li.facens.br/gar/node1.html (consultado em 30 de Maio de 2003). Tecnologia da informação e da comunicação. http://www.porto.ucp.pt/cti/nonio/ (consultado em 13 de Outubro de 2003). Tecnologias da informação e comunicação. http://www.des.min-edu.pt/download/apoio_curr/tema1/mc_es/tic.(13).pdf (consultado em 08 de Julho de 2003). Trás-os-Montes Digital. http://aquinta.espigueiro.pt/espiguinha/index.html (consultado em 02 de Fevereiro de 2003). UARTE – Unidade de apoio à rede telemática educativa. http://www.uarte.rcts.pt/ (consultado em 22 de Maio de 2003). Uma estante de recursos…projeto Minerva. http://www.minerva.uevora.pt/web1/estante.htm (consultado em 17 de Agosto de 2003). Visonet. projeto educativo. http://www.tecnorom.pt/visonet/framepri.htm (consultado em 25 de Junho de 2003). Zampieron, Sônia Lúcia Modesto. O uso do micro nas escolas. USP. http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/micros1.htm (consultado em 20 de Julho de 2003).
  • 104.
    Anexo A Questionário paraos professores das escolas de 1º ciclo As questões que se seguem são de resposta confidencial. Destinam-se a um estudo para a defesa de tese de mestrado em Gestão da Informação nas Organizações - Faculdade de Economia – Universidade de Coimbra, sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no ensino. Este estudo destina-se em analisar as necessidades de formação dos professores nas novas tecnologias inseridas nas escolas e o grau de satisfação dos mesmos nas respectivas acções de formação em informática, desde os formadores até as necessidades de como futuras acções de formação podem ser estruturadas para que se atinja os objectivos esperados pelos professores. Agradeço desde já a sua colaboração! (tempo típico de preenchimento: ± 7 minutos) A - Sexo: 1 : Masculino 2 : Feminino B - Idade: 1 : 18-25 2 : 26-35 3 : 36-45 4 : 46-55 5 : + de 56 C - Situação profissional: 1 : Profissionalizado 2 : Não profissionalizado 3 : Em profissionalização D - A sua formação inicial foi feita: 1 : No Ensino Superior Universitário 2 : Num Instituto Politécnico (Escola Superior de Educação) 3 : Outra situação Nesta como noutras questões pode escolher mais do que uma opção E - Características do seu equipamento informático pessoal: 1 : Não tenho computador 4 : Equipamento de ligação à Internet 2 : Computador 5 : Scanner 3 : Impressora 6 : DVD 7 : Gravador de CD’s
  • 105.
    Anexo A 105 __________________________________________________________________________________________________________ F - Como se fez a sua iniciação no mundo da informática? 1 : Ainda não se fez 5 : Tenho formação superior em informática ou afim 2 : Autoformação 6 : acções de formação ligadas ao Ministério da Educação 3 : Apoio de familiar/amigo(a) 7 : Outras acções de formação não contempladas em 6 4 : Durante o curso superior 8 : De outra forma— G - Se realizou acção(ões) de formação em informática que balanço faz dessa(s) acção(ões) tendo em conta os efeitos que tiveram no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) junto dos seus alunos? 1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática 2 : Muito positivo 3 : Positivo 4: Pouco positivo 5 : Nada positivo H - Se realizou acção(ões) de formação em informática que balanço faz dos formadores? 1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática 2 : Formadores demasiados técnicos na linguagem utilizada 3 : Formadores demasiados teóricos 4 : Formadores demasiados práticos com pouca teoria 5 : Os formadores conseguiram um equilíbrio da teoria com a prática I - De que âmbito foi a maioria das acções de formação em informática que realizou? 1 : Não realizei nenhuma acção de formação em informática 2 : De âmbito generalista 3 : De âmbito específico às necessidades do 1º ciclo J - Como definiria a sua relação com o computador? 1 : Não trabalho com o computador 2 : Raramente uso o computador 3 : Uso o computador apenas para processar texto 4 : Uso bastante o computador para realizar múltiplas tarefas 5 : Outra situação
  • 106.
    Anexo A 106 __________________________________________________________________________________________________________ K - Quantas horas por semana passa ao computador: 1 : Zero horas 2 : De 0 h a 3 h 3 : De 3 h a 5 h 4 : De 5 h a 10 h 5 : Mais de 10 h L - Usa a Internet? 1 : Não 2 : Sim, em casa 3 : Sim, na escola 4 : Sim, noutros locais M - Com quem comunica por e-mail ? 1 : Não uso e-mail 4 : Com colegas professores (por razões profissionais) 2 : Com alunos 5 : Com a escola (órgão de gestão, serviços administrativos, etc.) 3 : Com amigos 6 : Outros N - Na preparação das suas aulas com que fim usa o computador? 1 : Não uso o computador para preparar as minhas aulas 2 : Elaboração de fichas e/ou testes 3 : Pesquisas na Internet de assuntos das várias disciplinas 4 : Apresentações audiovisuais (Power Point, etc.) 5 : Outra situação O – No ano lectivo 2002 / 2003, quantas vezes usou o computador com os seus alunos? 1 : Zero 2 : Uma 3 : Duas 4 : Três 5 : Quatro ou mais 6 : Sempre P - Indique que tipo(s) de aplicação(ões) informática(s) usa em interacção direita com os seus alunos? 1 : Nenhuma 6 : E-mail 2 : Processador de texto (Word, etc.) 7 : Internet 3 : Programas gráficos/ de desenho 8 : Software pedagógico 4 : Folha de cálculo (Excel, etc.) 9 : Outra 5 : Multimédia/CD-ROM ——
  • 107.
    Anexo A 107 __________________________________________________________________________________________________________ Q - Indique o(s) tipo(s) de actividade que realiza com os seus alunos quando estes utilizam as aplicações informáticas que referiu em P? 1 : Nenhuma 5 : Organização e gestão de informação 2 : Produção e edição de informação 6 : Recreativa / jogos 3 : Comunicação e intercâmbio em rede 7 : Outra 4 : Consulta e pesquisa de informação R - Indique o(s) contexto(s) de utilização com os seus alunos das aplicações informáticas que citou em Q: 1 : Nenhum 5 : Apoio a alunos com necessidades educativas especiais 2 : Disciplinar 6 : Outro 3 : Trabalho projecto / Área-escola— 4 : Apoio pedagógico acrescido S - Quer use ou não as TIC em contexto educativo dentro ou fora do âmbito disciplinar, assinale, para as afirmações abaixo, uma cruz (X) em “sim” ou “não”, consoante concorde ou discorde. Deixe em branco as alternativas sobre as quais não tem opinião: Afirmações Concordo Discordo (Sim) (Não) 1 Gostaria de saber mais acerca das TIC. 2 Os computadores assustam-me! 3 As TIC ajudam-me a encontrar mais e melhor informação para a minha prática lectiva. 4 Ao utilizar as TIC nas minhas aulas torno-as mais motivantes para os alunos. 5 Uso as TIC em meu benefício, mas não sei como ensinar os meus alunos a usá-las. 6 Manuseio a informação muito melhor porque uso as TIC. 7 Acho que as TIC tornam mais fáceis as minhas rotinas de professor(a). 8 Penso que as TIC ajudam os meus alunos a adquirir conhecimentos novos e efectivos. 9 Nunca recebi formação na área TIC e desconheço as potencialidades de que disponho. 10 O uso das TIC, na sala de aula, exige-me novas competências como professor(a). 11 Sinto-me apoiado(a) para usar as TIC. 12 Encontro pouca informação na Internet de softwares educativos. 13 As TIC encorajam os meus alunos a trabalhar em colaboração. 14 A minha escola não dispõe de condições para usar o computador em contexto educativo. 15 A minha escola tem uma atitude positiva relativamente ao uso das TIC. 16 Os meus alunos, em muitos casos, dominam os computadores melhor do que eu. 17 Não me sinto motivado(a) para usar as TIC com os meus alunos. 18 Não conheço a fundo as vantagens pedagógicas do uso das TIC com os meus alunos. 19 Achas que consegues gerir com facilidade as novas tecnologias na sala de aula? 20 Está satisfeito com o apoio técnico recebido pelos órgãos competentes? 21 Já conhecia antes do projecto Internet nas escolas, sítios educativos na Internet? 22 Considera fácil gerir a página da escola?
  • 108.
    Anexo A 108 __________________________________________________________________________________________________________ T - Pensando nas TIC ao serviço do ensino e aprendizagem, em que áreas necessitam de mais formação (indique, no máximo, três áreas)? 1 : Desconheço tudo o que se relaciona com as TIC 6 : E-mail 2 : Processador de texto (Word, etc.) 7 : Internet 3 : Programas gráficos/de desenho 8 : Software pedagógico 4 : Folha de cálculo (Excel, etc.) 9 : Introdução ao computador (básico) 5 : Multimédia/CD-ROM 10 : Noções básicas do Sistema Operativo (Windows) 11: Não preciso de mais formação U - No seu entender qual é, para a escola, o obstáculo mais difícil de ultrapassar no que respeita a uma real integração das TIC no ensino e aprendizagem? 1 : Falta de meios técnicos (computadores, salas, etc.) 2 : Falta de recursos humanos específicos para apoio do professor face às suas dúvidas de informática (por exemplo, a existência de um técnico de informática ao serviço dos professores). 3 : Falta de formação específica para a integração das TIC junto dos alunos 4 : Falta de software e recursos digitais apropriados 5 : Falta de motivação dos professores 6 : Outro
  • 109.
    Anexo B Relatório deVisitas Data: 1ª visita: Data: 2ª visita: Visita Nº: 1ª 2ª 3ª 4ª Data: 3ª visita: Data: 4ª visita: Escola Concelho: Hora de chegada: Hora de saída: 1ª visita: 1ª visita: 2ª visita: 2ª visita: 3ª visita: 3ª visita: 4ª visita: 4ª visita: Nº de professores sem turma: Nº de computadores: Nenhuma anomalia Falta de acesso à Internet (servidor) Problemas de acesso (linha) Anomalias de equipamento Estação Internet (PC multimédia) avariada Estação Internet furtada e não reposta Router avariado Falta de impressora Falta de software Outros problemas Possui página Sim Não A escola actualiza regularmente a página Sim Não Foi criada a página Sim Não Escalão Homens Mulheres Envolvidos no projecto Homens Mulheres Professores 20 – 24 25 – 34 35 – 44 45 – 49 50 – 54 55 – 65 ≥66 Ano de escolaridade Total 1º ano Alunos 2º ano 3º ano 4º ano Endereço de correio electrónico:
  • 110.
    Anexo B 110 __________________________________________________________________________________________________________ A escola utiliza regularmente o correio electrónico Sim Não Endereço página: Código: Sigma: Password: Username: Mail e FTP Password: Nº de utilizador: A escola desenvolveu algum serviço com as TIC em relação ao período Sim de intervalo entre as visitas? Não Componente pedagógica – Estratégias e conteúdos para a formação dos alunos e professores e descrição de utilizações pedagógicas inovadoras: 1ª Visita: Alunos e Professores 2ª Visita: 3ª Visita: 4ª Visita: Satisfação dos objectivos específicos do programa Internet nas EB1 1ª visita: Empenho dos professores Positivo Suficiente Negativo Relação com os alunos Positivo Suficiente Negativo Competências adquiridas Positivo Suficiente Negativo 2ª visita: Empenho dos professores Positivo Suficiente Negativo Relação com os alunos Positivo Suficiente Negativo Competências adquiridas Positivo Suficiente Negativo 3ª visita: Empenho dos professores Positivo Suficiente Negativo Relação com os alunos Positivo Suficiente Negativo Competências adquiridas Positivo Suficiente Negativo 4ª visita Empenho dos professores Positivo Suficiente Negativo Relação com os alunos Positivo Suficiente Negativo Competências adquiridas Positivo Suficiente Negativo
  • 111.
    Anexo C Portal UARTE Netmóvel na Junta de Freguesia do Lumiar Netconversas - 11 de Março - "Expressões, ditos e provérbios populares" É Carnav@l... Atelier apoia Engenho e Obra D uARTE | Partida | Miúdos | Radical | Professores | Atelier WWW | Sugestões | Actividades Notícias e Novidades | Livro de Visitas | Correio Electrónico | Ajuda Geral | Ideias e Materiais | Info do Programa | Catálogo e Pesquisa | Índice
  • 112.
    Anexo D Página das Escolas do 1º ciclo Para seleccionar o modelo desejado basta clicar em cima PASSO 1 Seleccionar o Modelo Responsável Edite Lopes Escola EB 1 de Estevães Para seleccionar a cor desejada basta clicar em cima PASSO 2 Seleccionar a Cor Responsável Edite Lopes Escola EB 1 de Estevães CONTINUA R Parabéns!!! PASSO 3 Agora que já seleccionou o seu modelo, basta confirmar para que se torne activo e Confirmar começar a introduzir conteúdo. Responsável Edite Lopes CO NF IRMA R Escola EB 1 de Estevães 2004-03-05
  • 113.
    Anexo D 113 __________________________________________________________________________________________________________ Bem-vindo ao Sítio da EB 1 de Estevães! Início Alunos Novidades A nossa escola! Novidades Carnaval Escola EB1 de Estevães A página da escola utiliza a linguagem PHP que é uma linguagem que permite criar sites WEB dinâmicos, possibilitando uma interacção com o usuário através de formulários, parâmetros da URL e links. A diferença de PHP com relação a linguagens semelhantes a Javascript é que o código PHP é executado no servidor, sendo enviado para o cliente apenas html puro. Desta maneira é possível interagir com bases de dados e aplicações existentes no servidor, com a vantagem de não expor o código fonte para o cliente. Isso pode ser útil quando o programa está lidando com senhas ou qualquer tipo de informação confidencial. O que diferencia PHP de um script CGI escrito em C ou Perl é que o código PHP fica embutido no próprio HTML, enquanto no outro caso é necessário que o script CGI gere todo o código HTML, ou leia de um outro arquivo. Qualquer coisa que pode ser feita por algum programa CGI pode ser feita também com PHP, como colectar dados de um formulário, gerar páginas dinamicamente ou enviar e receber cookies. A PHP também tem como uma das características mais importantes que é o suporte a um grande número de bases de dados, como dBase, Interbase, mSQL, mySQL, Oracle, Sybase, PostgreSQL e vários outros. Construir uma página baseada numa base de dados torna-se uma tarefa extremamente simples com PHP. Além disso, PHP tem suporte a outros serviços através de protocolos como IMAP, SNMP, NNTP, POP3 e, logicamente, HTTP. Ainda é possível abrir sockets e interagir com outros protocolos.