SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 1
Baixar para ler offline
mento de casos ocorridos nos últimos três
anos – a pesquisa tem como base o ano de
2013.NoEstadodeSãoPaulo,porexemplo,
onde o problema é mais grave, há 100 mu-
nicípios atualmente com surtos da mosca-
-dos-estábulos.
Os prejuízos foram estimados conside-
rando-se o total de animais em risco – ex-
postos a enfermidade – e as perdas de de-
sempenho conhecidas nessa categoria.
Participaram do trabalho, além da Embra-
pa Gado de Corte, a UFRRJ – Universida-
deFederalRuraldoRiodeJaneiro,aUFMG
– Universidade Federal de Minas Gerais, o
InstitutodePesquisasDesidérioFinamor,o
Laboratório de Pes-
quisa de insetos em
gado de corte (Lives-
tock Insects Resear-
ch Laboratory) Kni-
pling-Bushland, no
Texas, Estados Uni-
dos e a Champion Saúde Animal, de Aná-
polis, GO. Segundo Soares, os números ser-
vem de base para traçar políticas públicas
visando orientar os produtores. “As estima-
tivas não dão subsídios para elaborar ações
deprevençãoecontroledeparasitos”.  n
com verminoses gastrointestinais se justi-
ficampelofatodedesencadearemquadros
mais severos, além de serem a principal
causa de diarreia nos bezerros. Em segun-
do lugar no ranking das perdas está o car-
rapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus)
microplus, que provoca prejuízos estima-
dosemUS$3,24bilhõesanuais. “Osnúme-
ros reforçam a necessidade do uso racional
de anti-parasitários, medida que está inti-
mamente ligada à implantação do controle
estratégico para combater endo e ecto pa-
rasitas”, afirma. Com-
pletam a lista a mosca
dos chifres (Haema-
tobi irritants) – US$
2,56 bilhões; a mosca-
-da-bicheira (Cochlio-
myia hominivorax) –
US$ 340 milhões e a mosca-dos-estábulos
(Stomoxys calcitrans), praga diagnosticada
há pouco mais de 10 anos no Brasil, com
perdas também de US$ 340 milhões por
ano. De acordo com Soares, essa estima-
tiva pode ser ainda maior em razão do au-
A
pecuária brasileira tem um prejuízo
anual de US$ 13,96 bilhões com as
perdas de produtividade decorren-
tes da ação de parasitos internos e exter-
nos. A estimativa, assustadora, foi levanta-
da por pesquisadores de universidades e
instituiçõesagropecuáriasestaduaisefede-
rais. O impacto maior está no que os olhos
nem sempre conseguem ver: as vermino-
ses, doenças que se manifestam, em sua
maioria, na forma subclínica, ou seja, sem
sinais clínicos aparentes. De acordo com o
estudo, os nematódeos gastrintestinais, pa-
rasitos mais frequentemente observados
nos ruminantes, são os maiores vilões da
produtividade, responsáveis por perdas de
US$ 7,11 bilhões. Para Cléber Oliveira Soa-
res, chefe-geral da Embrapa Gado de Cor-
te, de Campo Grande, MS, mesmo os ca-
sos clínicos costumam ser negligenciados.
“O produtor associa a perda de peso, o fra-
codesempenhoeobaixoescorecorporalà
questões nutricionais. Dificilmente correla-
cionaessessintomasàsverminoses”,diz.
Soares afirma que as perdas maiores
64 Anuário DBO 2017
O
PNCEBT – Programa Nacional de
Controle e Erradicação da Bru-
celose e da Tuberculose Animal,
passou por mudanças no ano passado.
O novo regulamento técnico, ampara-
do pela Instrução Normativa (IN) no 19,
de 10 de outubro de 2016, traz algumas
modificações como a classificação dos
Estados de acordo com o grau de risco
para brucelose e tuberculose, variável de
A a E. A partir da IN 19/2016, publicada
no dia 3 de novembro, o produtor pode-
rá optar entre a vacinar as fêmeas com
a B19 ou substitui-la pela vacina contra
brucelose não indutora da formação de
anticorpos aglutinantes, amostra RB 51.
Vale lembrar que a vacinação contra a
brucelose continua obrigatória para to-
das as fêmeas bovinas e bubalinas, entre
3 e 8 meses de idade. Pelo texto da nor-
mativa, exclui-se da obrigatoriedade da
vacinação contra a brucelose os Estados
classificados como A (de risco muito bai-
xo ou desprezível da doença).
De acordo com a Divisão de Sanida-
de dos Ruminantes (DSR/Mapa), esta
classificação ainda não foi publicada.
Santa Catarina, no entanto, que possui
baixa prevalência da doença, se encai-
xa nessa categoria e está excluída, desde
2004, da obrigatoriedade da vacinação.
Para o Ministério da Agricultura, a IN
19/2016 configura um importante passo
para o avanço do PNCEBT. “Foram defi-
nidas as diretrizes que os Estados deve-
rão seguir para evoluir na erradicação da
brucelose e da tuberculose em seus ter-
ritórios. Os resultados serão vistos a mé-
dio e longo prazos, pois primeiramente
é necessário que os Serviços Veteriná-
rios Estaduais (SVEs) se estruturem para
o cumprimento das medidas propostas,
com a criação de fundos indenizatórios,
adequação de laboratórios e publicação
Programa avança
de normas estaduais”, diz o DRS.
A despeito da mudança no programa
para erradicar as doenças em território
nacional, os números não são muito ani-
madores. No início de 2016, o País pos-
suía 1.087 propriedades livres de bruce-
lose e tuberculose animal. Atualmente
são 946 propriedades. “A certificação do
estabelecimento é um instrumento uti-
lizado com o objetivo de agregar valor
aos produtos oriundos dessa proprieda-
de e dependem fundamentalmente de
estímulos das indústrias para a adesão
e manutenção dessa certificação”, diz o
DSR. Ainda de acordo com o órgão, nos
últimos anos houve um aumento no nú-
mero de propriedades certificadas devi-
do a um projeto-piloto de certificação re-
alizado em alguns municípios da região
Sul do País, onde todas as propriedades
foram certificadas. Essas certificações, no
entanto, não foram mantidas.
Por Renato VillelaOutras Doenças
Saúde Animal
Controle de brucelose e de tuberculose tem nova classificação
Valor corresponde, em reais,
a quase dez vezes o faturamento
da indústria veterinária.
Perdas com parasitos chegam a US$ 14 bi

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a Controle de brucelose e de tuberculose

Manual-do-PNCEBT-Original.pdf
Manual-do-PNCEBT-Original.pdfManual-do-PNCEBT-Original.pdf
Manual-do-PNCEBT-Original.pdfAlexandrefelau1
 
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...Rural Pecuária
 
Periódico Extensão Rural 2011-2
Periódico Extensão Rural 2011-2Periódico Extensão Rural 2011-2
Periódico Extensão Rural 2011-2Ezequiel Redin
 
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...Rural Pecuária
 
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovina
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovinaA importância do diagnóstico no controle da mastite bovina
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovinaRural Pecuária
 
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...Guelfi Diego
 
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docx
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docxProtozooses_-_2deg_ano_BONA.docx
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docxGiordamiAlmeida
 
Forum inovacao saudeanimal
Forum inovacao saudeanimalForum inovacao saudeanimal
Forum inovacao saudeanimalRenato Villela
 

Semelhante a Controle de brucelose e de tuberculose (20)

Dengue
DengueDengue
Dengue
 
Manual-do-PNCEBT-Original.pdf
Manual-do-PNCEBT-Original.pdfManual-do-PNCEBT-Original.pdf
Manual-do-PNCEBT-Original.pdf
 
Professor iveraldo
Professor iveraldoProfessor iveraldo
Professor iveraldo
 
Do recorde produção 1.1.15
Do recorde produção 1.1.15Do recorde produção 1.1.15
Do recorde produção 1.1.15
 
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...
Diarréia em bezerros leiteiros lactantes: a doença e o manejo em diferentes u...
 
Periódico Extensão Rural 2011-2
Periódico Extensão Rural 2011-2Periódico Extensão Rural 2011-2
Periódico Extensão Rural 2011-2
 
Oncologia em pequenos animais
Oncologia em pequenos animaisOncologia em pequenos animais
Oncologia em pequenos animais
 
Cancer e agrot fruticultura
Cancer e agrot fruticulturaCancer e agrot fruticultura
Cancer e agrot fruticultura
 
Sintonia da Saúde 12-07-17
Sintonia da Saúde 12-07-17Sintonia da Saúde 12-07-17
Sintonia da Saúde 12-07-17
 
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...
Pecuária leiteira de precisão: uso de sensores para monitoramento e detecção ...
 
Sintonia da saúde 26-07-17
Sintonia da saúde 26-07-17Sintonia da saúde 26-07-17
Sintonia da saúde 26-07-17
 
EDIÇÃO 248
EDIÇÃO 248EDIÇÃO 248
EDIÇÃO 248
 
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovina
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovinaA importância do diagnóstico no controle da mastite bovina
A importância do diagnóstico no controle da mastite bovina
 
InformaPET 2ª Edição
InformaPET 2ª EdiçãoInformaPET 2ª Edição
InformaPET 2ª Edição
 
Aftosa julho
Aftosa julhoAftosa julho
Aftosa julho
 
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...
Estudo de aplicação de processos oxidativos avançados na degradação do antine...
 
Edição 9-informapet-final-copia
Edição 9-informapet-final-copiaEdição 9-informapet-final-copia
Edição 9-informapet-final-copia
 
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docx
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docxProtozooses_-_2deg_ano_BONA.docx
Protozooses_-_2deg_ano_BONA.docx
 
Experiências NE – PREPARAÇÃO E RESPOSTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ÀS EMERGÊNCIAS...
Experiências NE – PREPARAÇÃO E RESPOSTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ÀS EMERGÊNCIAS...Experiências NE – PREPARAÇÃO E RESPOSTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ÀS EMERGÊNCIAS...
Experiências NE – PREPARAÇÃO E RESPOSTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ÀS EMERGÊNCIAS...
 
Forum inovacao saudeanimal
Forum inovacao saudeanimalForum inovacao saudeanimal
Forum inovacao saudeanimal
 

Mais de Renato Villela (20)

Controle certeiro f2
Controle certeiro f2Controle certeiro f2
Controle certeiro f2
 
Mulheres agronegocio
Mulheres agronegocio Mulheres agronegocio
Mulheres agronegocio
 
Controle certeiro f1
Controle certeiro f1Controle certeiro f1
Controle certeiro f1
 
Coccidiose
CoccidioseCoccidiose
Coccidiose
 
Rotacionado
RotacionadoRotacionado
Rotacionado
 
Energia eletrica bombeamento
Energia eletrica bombeamentoEnergia eletrica bombeamento
Energia eletrica bombeamento
 
Cure o umbigo
Cure o umbigoCure o umbigo
Cure o umbigo
 
Muito alem da ilp
Muito alem da ilpMuito alem da ilp
Muito alem da ilp
 
Pg 34
Pg 34Pg 34
Pg 34
 
Tristeza
TristezaTristeza
Tristeza
 
Balanço
BalançoBalanço
Balanço
 
Cigarrinha
CigarrinhaCigarrinha
Cigarrinha
 
Bvd linkedin
Bvd linkedinBvd linkedin
Bvd linkedin
 
Bvd linkedin
Bvd linkedinBvd linkedin
Bvd linkedin
 
Especial confinamento cerca elétrica
Especial confinamento cerca elétricaEspecial confinamento cerca elétrica
Especial confinamento cerca elétrica
 
Higiene para evitar abscessos
Higiene para evitar abscessosHigiene para evitar abscessos
Higiene para evitar abscessos
 
Mosca dos chifres
Mosca dos chifresMosca dos chifres
Mosca dos chifres
 
Dbo vacinacao pdf
Dbo vacinacao pdfDbo vacinacao pdf
Dbo vacinacao pdf
 
Machos ou femeas
Machos ou femeasMachos ou femeas
Machos ou femeas
 
Machos ou femeas
Machos ou femeasMachos ou femeas
Machos ou femeas
 

Último

Treinamento NR 18.pdf .......................................
Treinamento NR 18.pdf .......................................Treinamento NR 18.pdf .......................................
Treinamento NR 18.pdf .......................................paulo222341
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfDanieldaSade
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasProf. Marcus Renato de Carvalho
 
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSProf. Marcus Renato de Carvalho
 
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino FelisbertoAltas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisbertoadelinofelisberto3
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfDanieldaSade
 
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclosCaracterísticas gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclosThaiseGerber2
 
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdfIANAHAAS
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfHELLEN CRISTINA
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdfHELLEN CRISTINA
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfHELLEN CRISTINA
 

Último (11)

Treinamento NR 18.pdf .......................................
Treinamento NR 18.pdf .......................................Treinamento NR 18.pdf .......................................
Treinamento NR 18.pdf .......................................
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
 
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
 
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino FelisbertoAltas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
 
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclosCaracterísticas gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
 
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
 

Controle de brucelose e de tuberculose

  • 1. mento de casos ocorridos nos últimos três anos – a pesquisa tem como base o ano de 2013.NoEstadodeSãoPaulo,porexemplo, onde o problema é mais grave, há 100 mu- nicípios atualmente com surtos da mosca- -dos-estábulos. Os prejuízos foram estimados conside- rando-se o total de animais em risco – ex- postos a enfermidade – e as perdas de de- sempenho conhecidas nessa categoria. Participaram do trabalho, além da Embra- pa Gado de Corte, a UFRRJ – Universida- deFederalRuraldoRiodeJaneiro,aUFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, o InstitutodePesquisasDesidérioFinamor,o Laboratório de Pes- quisa de insetos em gado de corte (Lives- tock Insects Resear- ch Laboratory) Kni- pling-Bushland, no Texas, Estados Uni- dos e a Champion Saúde Animal, de Aná- polis, GO. Segundo Soares, os números ser- vem de base para traçar políticas públicas visando orientar os produtores. “As estima- tivas não dão subsídios para elaborar ações deprevençãoecontroledeparasitos”. n com verminoses gastrointestinais se justi- ficampelofatodedesencadearemquadros mais severos, além de serem a principal causa de diarreia nos bezerros. Em segun- do lugar no ranking das perdas está o car- rapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus) microplus, que provoca prejuízos estima- dosemUS$3,24bilhõesanuais. “Osnúme- ros reforçam a necessidade do uso racional de anti-parasitários, medida que está inti- mamente ligada à implantação do controle estratégico para combater endo e ecto pa- rasitas”, afirma. Com- pletam a lista a mosca dos chifres (Haema- tobi irritants) – US$ 2,56 bilhões; a mosca- -da-bicheira (Cochlio- myia hominivorax) – US$ 340 milhões e a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), praga diagnosticada há pouco mais de 10 anos no Brasil, com perdas também de US$ 340 milhões por ano. De acordo com Soares, essa estima- tiva pode ser ainda maior em razão do au- A pecuária brasileira tem um prejuízo anual de US$ 13,96 bilhões com as perdas de produtividade decorren- tes da ação de parasitos internos e exter- nos. A estimativa, assustadora, foi levanta- da por pesquisadores de universidades e instituiçõesagropecuáriasestaduaisefede- rais. O impacto maior está no que os olhos nem sempre conseguem ver: as vermino- ses, doenças que se manifestam, em sua maioria, na forma subclínica, ou seja, sem sinais clínicos aparentes. De acordo com o estudo, os nematódeos gastrintestinais, pa- rasitos mais frequentemente observados nos ruminantes, são os maiores vilões da produtividade, responsáveis por perdas de US$ 7,11 bilhões. Para Cléber Oliveira Soa- res, chefe-geral da Embrapa Gado de Cor- te, de Campo Grande, MS, mesmo os ca- sos clínicos costumam ser negligenciados. “O produtor associa a perda de peso, o fra- codesempenhoeobaixoescorecorporalà questões nutricionais. Dificilmente correla- cionaessessintomasàsverminoses”,diz. Soares afirma que as perdas maiores 64 Anuário DBO 2017 O PNCEBT – Programa Nacional de Controle e Erradicação da Bru- celose e da Tuberculose Animal, passou por mudanças no ano passado. O novo regulamento técnico, ampara- do pela Instrução Normativa (IN) no 19, de 10 de outubro de 2016, traz algumas modificações como a classificação dos Estados de acordo com o grau de risco para brucelose e tuberculose, variável de A a E. A partir da IN 19/2016, publicada no dia 3 de novembro, o produtor pode- rá optar entre a vacinar as fêmeas com a B19 ou substitui-la pela vacina contra brucelose não indutora da formação de anticorpos aglutinantes, amostra RB 51. Vale lembrar que a vacinação contra a brucelose continua obrigatória para to- das as fêmeas bovinas e bubalinas, entre 3 e 8 meses de idade. Pelo texto da nor- mativa, exclui-se da obrigatoriedade da vacinação contra a brucelose os Estados classificados como A (de risco muito bai- xo ou desprezível da doença). De acordo com a Divisão de Sanida- de dos Ruminantes (DSR/Mapa), esta classificação ainda não foi publicada. Santa Catarina, no entanto, que possui baixa prevalência da doença, se encai- xa nessa categoria e está excluída, desde 2004, da obrigatoriedade da vacinação. Para o Ministério da Agricultura, a IN 19/2016 configura um importante passo para o avanço do PNCEBT. “Foram defi- nidas as diretrizes que os Estados deve- rão seguir para evoluir na erradicação da brucelose e da tuberculose em seus ter- ritórios. Os resultados serão vistos a mé- dio e longo prazos, pois primeiramente é necessário que os Serviços Veteriná- rios Estaduais (SVEs) se estruturem para o cumprimento das medidas propostas, com a criação de fundos indenizatórios, adequação de laboratórios e publicação Programa avança de normas estaduais”, diz o DRS. A despeito da mudança no programa para erradicar as doenças em território nacional, os números não são muito ani- madores. No início de 2016, o País pos- suía 1.087 propriedades livres de bruce- lose e tuberculose animal. Atualmente são 946 propriedades. “A certificação do estabelecimento é um instrumento uti- lizado com o objetivo de agregar valor aos produtos oriundos dessa proprieda- de e dependem fundamentalmente de estímulos das indústrias para a adesão e manutenção dessa certificação”, diz o DSR. Ainda de acordo com o órgão, nos últimos anos houve um aumento no nú- mero de propriedades certificadas devi- do a um projeto-piloto de certificação re- alizado em alguns municípios da região Sul do País, onde todas as propriedades foram certificadas. Essas certificações, no entanto, não foram mantidas. Por Renato VillelaOutras Doenças Saúde Animal Controle de brucelose e de tuberculose tem nova classificação Valor corresponde, em reais, a quase dez vezes o faturamento da indústria veterinária. Perdas com parasitos chegam a US$ 14 bi