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mento de casos ocorridos nos últimos três
anos – a pesquisa tem como base o ano de
2013.NoEstadodeSãoPaulo,porexemplo,
onde o problema é mais grave, há 100 mu-
nicípios atualmente com surtos da mosca-
-dos-estábulos.
Os prejuízos foram estimados conside-
rando-se o total de animais em risco – ex-
postos a enfermidade – e as perdas de de-
sempenho conhecidas nessa categoria.
Participaram do trabalho, além da Embra-
pa Gado de Corte, a UFRRJ – Universida-
deFederalRuraldoRiodeJaneiro,aUFMG
– Universidade Federal de Minas Gerais, o
InstitutodePesquisasDesidérioFinamor,o
Laboratório de Pes-
quisa de insetos em
gado de corte (Lives-
tock Insects Resear-
ch Laboratory) Kni-
pling-Bushland, no
Texas, Estados Uni-
dos e a Champion Saúde Animal, de Aná-
polis, GO. Segundo Soares, os números ser-
vem de base para traçar políticas públicas
visando orientar os produtores. “As estima-
tivas não dão subsídios para elaborar ações
deprevençãoecontroledeparasitos”.  n
com verminoses gastrointestinais se justi-
ficampelofatodedesencadearemquadros
mais severos, além de serem a principal
causa de diarreia nos bezerros. Em segun-
do lugar no ranking das perdas está o car-
rapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus)
microplus, que provoca prejuízos estima-
dosemUS$3,24bilhõesanuais. “Osnúme-
ros reforçam a necessidade do uso racional
de anti-parasitários, medida que está inti-
mamente ligada à implantação do controle
estratégico para combater endo e ecto pa-
rasitas”, afirma. Com-
pletam a lista a mosca
dos chifres (Haema-
tobi irritants) – US$
2,56 bilhões; a mosca-
-da-bicheira (Cochlio-
myia hominivorax) –
US$ 340 milhões e a mosca-dos-estábulos
(Stomoxys calcitrans), praga diagnosticada
há pouco mais de 10 anos no Brasil, com
perdas também de US$ 340 milhões por
ano. De acordo com Soares, essa estima-
tiva pode ser ainda maior em razão do au-
A
pecuária brasileira tem um prejuízo
anual de US$ 13,96 bilhões com as
perdas de produtividade decorren-
tes da ação de parasitos internos e exter-
nos. A estimativa, assustadora, foi levanta-
da por pesquisadores de universidades e
instituiçõesagropecuáriasestaduaisefede-
rais. O impacto maior está no que os olhos
nem sempre conseguem ver: as vermino-
ses, doenças que se manifestam, em sua
maioria, na forma subclínica, ou seja, sem
sinais clínicos aparentes. De acordo com o
estudo, os nematódeos gastrintestinais, pa-
rasitos mais frequentemente observados
nos ruminantes, são os maiores vilões da
produtividade, responsáveis por perdas de
US$ 7,11 bilhões. Para Cléber Oliveira Soa-
res, chefe-geral da Embrapa Gado de Cor-
te, de Campo Grande, MS, mesmo os ca-
sos clínicos costumam ser negligenciados.
“O produtor associa a perda de peso, o fra-
codesempenhoeobaixoescorecorporalà
questões nutricionais. Dificilmente correla-
cionaessessintomasàsverminoses”,diz.
Soares afirma que as perdas maiores
64 Anuário DBO 2017
O
PNCEBT – Programa Nacional de
Controle e Erradicação da Bru-
celose e da Tuberculose Animal,
passou por mudanças no ano passado.
O novo regulamento técnico, ampara-
do pela Instrução Normativa (IN) no 19,
de 10 de outubro de 2016, traz algumas
modificações como a classificação dos
Estados de acordo com o grau de risco
para brucelose e tuberculose, variável de
A a E. A partir da IN 19/2016, publicada
no dia 3 de novembro, o produtor pode-
rá optar entre a vacinar as fêmeas com
a B19 ou substitui-la pela vacina contra
brucelose não indutora da formação de
anticorpos aglutinantes, amostra RB 51.
Vale lembrar que a vacinação contra a
brucelose continua obrigatória para to-
das as fêmeas bovinas e bubalinas, entre
3 e 8 meses de idade. Pelo texto da nor-
mativa, exclui-se da obrigatoriedade da
vacinação contra a brucelose os Estados
classificados como A (de risco muito bai-
xo ou desprezível da doença).
De acordo com a Divisão de Sanida-
de dos Ruminantes (DSR/Mapa), esta
classificação ainda não foi publicada.
Santa Catarina, no entanto, que possui
baixa prevalência da doença, se encai-
xa nessa categoria e está excluída, desde
2004, da obrigatoriedade da vacinação.
Para o Ministério da Agricultura, a IN
19/2016 configura um importante passo
para o avanço do PNCEBT. “Foram defi-
nidas as diretrizes que os Estados deve-
rão seguir para evoluir na erradicação da
brucelose e da tuberculose em seus ter-
ritórios. Os resultados serão vistos a mé-
dio e longo prazos, pois primeiramente
é necessário que os Serviços Veteriná-
rios Estaduais (SVEs) se estruturem para
o cumprimento das medidas propostas,
com a criação de fundos indenizatórios,
adequação de laboratórios e publicação
Programa avança
de normas estaduais”, diz o DRS.
A despeito da mudança no programa
para erradicar as doenças em território
nacional, os números não são muito ani-
madores. No início de 2016, o País pos-
suía 1.087 propriedades livres de bruce-
lose e tuberculose animal. Atualmente
são 946 propriedades. “A certificação do
estabelecimento é um instrumento uti-
lizado com o objetivo de agregar valor
aos produtos oriundos dessa proprieda-
de e dependem fundamentalmente de
estímulos das indústrias para a adesão
e manutenção dessa certificação”, diz o
DSR. Ainda de acordo com o órgão, nos
últimos anos houve um aumento no nú-
mero de propriedades certificadas devi-
do a um projeto-piloto de certificação re-
alizado em alguns municípios da região
Sul do País, onde todas as propriedades
foram certificadas. Essas certificações, no
entanto, não foram mantidas.
Por Renato VillelaOutras Doenças
Saúde Animal
Controle de brucelose e de tuberculose tem nova classificação
Valor corresponde, em reais,
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Controle de brucelose e de tuberculose

  • 1. mento de casos ocorridos nos últimos três anos – a pesquisa tem como base o ano de 2013.NoEstadodeSãoPaulo,porexemplo, onde o problema é mais grave, há 100 mu- nicípios atualmente com surtos da mosca- -dos-estábulos. Os prejuízos foram estimados conside- rando-se o total de animais em risco – ex- postos a enfermidade – e as perdas de de- sempenho conhecidas nessa categoria. Participaram do trabalho, além da Embra- pa Gado de Corte, a UFRRJ – Universida- deFederalRuraldoRiodeJaneiro,aUFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, o InstitutodePesquisasDesidérioFinamor,o Laboratório de Pes- quisa de insetos em gado de corte (Lives- tock Insects Resear- ch Laboratory) Kni- pling-Bushland, no Texas, Estados Uni- dos e a Champion Saúde Animal, de Aná- polis, GO. Segundo Soares, os números ser- vem de base para traçar políticas públicas visando orientar os produtores. “As estima- tivas não dão subsídios para elaborar ações deprevençãoecontroledeparasitos”. n com verminoses gastrointestinais se justi- ficampelofatodedesencadearemquadros mais severos, além de serem a principal causa de diarreia nos bezerros. Em segun- do lugar no ranking das perdas está o car- rapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus) microplus, que provoca prejuízos estima- dosemUS$3,24bilhõesanuais. “Osnúme- ros reforçam a necessidade do uso racional de anti-parasitários, medida que está inti- mamente ligada à implantação do controle estratégico para combater endo e ecto pa- rasitas”, afirma. Com- pletam a lista a mosca dos chifres (Haema- tobi irritants) – US$ 2,56 bilhões; a mosca- -da-bicheira (Cochlio- myia hominivorax) – US$ 340 milhões e a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), praga diagnosticada há pouco mais de 10 anos no Brasil, com perdas também de US$ 340 milhões por ano. De acordo com Soares, essa estima- tiva pode ser ainda maior em razão do au- A pecuária brasileira tem um prejuízo anual de US$ 13,96 bilhões com as perdas de produtividade decorren- tes da ação de parasitos internos e exter- nos. A estimativa, assustadora, foi levanta- da por pesquisadores de universidades e instituiçõesagropecuáriasestaduaisefede- rais. O impacto maior está no que os olhos nem sempre conseguem ver: as vermino- ses, doenças que se manifestam, em sua maioria, na forma subclínica, ou seja, sem sinais clínicos aparentes. De acordo com o estudo, os nematódeos gastrintestinais, pa- rasitos mais frequentemente observados nos ruminantes, são os maiores vilões da produtividade, responsáveis por perdas de US$ 7,11 bilhões. Para Cléber Oliveira Soa- res, chefe-geral da Embrapa Gado de Cor- te, de Campo Grande, MS, mesmo os ca- sos clínicos costumam ser negligenciados. “O produtor associa a perda de peso, o fra- codesempenhoeobaixoescorecorporalà questões nutricionais. Dificilmente correla- cionaessessintomasàsverminoses”,diz. Soares afirma que as perdas maiores 64 Anuário DBO 2017 O PNCEBT – Programa Nacional de Controle e Erradicação da Bru- celose e da Tuberculose Animal, passou por mudanças no ano passado. O novo regulamento técnico, ampara- do pela Instrução Normativa (IN) no 19, de 10 de outubro de 2016, traz algumas modificações como a classificação dos Estados de acordo com o grau de risco para brucelose e tuberculose, variável de A a E. A partir da IN 19/2016, publicada no dia 3 de novembro, o produtor pode- rá optar entre a vacinar as fêmeas com a B19 ou substitui-la pela vacina contra brucelose não indutora da formação de anticorpos aglutinantes, amostra RB 51. Vale lembrar que a vacinação contra a brucelose continua obrigatória para to- das as fêmeas bovinas e bubalinas, entre 3 e 8 meses de idade. Pelo texto da nor- mativa, exclui-se da obrigatoriedade da vacinação contra a brucelose os Estados classificados como A (de risco muito bai- xo ou desprezível da doença). De acordo com a Divisão de Sanida- de dos Ruminantes (DSR/Mapa), esta classificação ainda não foi publicada. Santa Catarina, no entanto, que possui baixa prevalência da doença, se encai- xa nessa categoria e está excluída, desde 2004, da obrigatoriedade da vacinação. Para o Ministério da Agricultura, a IN 19/2016 configura um importante passo para o avanço do PNCEBT. “Foram defi- nidas as diretrizes que os Estados deve- rão seguir para evoluir na erradicação da brucelose e da tuberculose em seus ter- ritórios. Os resultados serão vistos a mé- dio e longo prazos, pois primeiramente é necessário que os Serviços Veteriná- rios Estaduais (SVEs) se estruturem para o cumprimento das medidas propostas, com a criação de fundos indenizatórios, adequação de laboratórios e publicação Programa avança de normas estaduais”, diz o DRS. A despeito da mudança no programa para erradicar as doenças em território nacional, os números não são muito ani- madores. No início de 2016, o País pos- suía 1.087 propriedades livres de bruce- lose e tuberculose animal. Atualmente são 946 propriedades. “A certificação do estabelecimento é um instrumento uti- lizado com o objetivo de agregar valor aos produtos oriundos dessa proprieda- de e dependem fundamentalmente de estímulos das indústrias para a adesão e manutenção dessa certificação”, diz o DSR. Ainda de acordo com o órgão, nos últimos anos houve um aumento no nú- mero de propriedades certificadas devi- do a um projeto-piloto de certificação re- alizado em alguns municípios da região Sul do País, onde todas as propriedades foram certificadas. Essas certificações, no entanto, não foram mantidas. Por Renato VillelaOutras Doenças Saúde Animal Controle de brucelose e de tuberculose tem nova classificação Valor corresponde, em reais, a quase dez vezes o faturamento da indústria veterinária. Perdas com parasitos chegam a US$ 14 bi