Gabriella Keren S Lima
Origem do Barroco no Brasil
• Introduzido por intermédio dos jesuítas;
• Movimento destinado à catequização;
• Conhecido também como Seiscentismo ou
Gongorismo;
• Influência Europeia
• Marco inicial em 1601, com a publicação do
poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira.
• Prosopopeia
•
I
Cantem Poetas o Poder Romano,
Sobmetendo Nações ao jugo duro;
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo à confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da Fé, da cara Pátria firme muro,
Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,
Pode estancar a Lácia e Grega lira.
II
As Délficas irmãs chamar não quero,
que tal invocação é vão estudo;
Aquele chamo só, de quem espero
A vida que se espera em fim de tudo.
Ele fará meu Verso tão sincero,
Quanto fora sem ele tosco e rudo,
Que per rezão negar não deve o menos
Quem deu o mais a míseros terrenos.
Características
• Linguagem rebuscada;
• Linguagem ambígua;
• Figuras de linguagem: sinestesia, paradoxo e
antítese.
• Exagero
• Exaltação à Igreja
Principais Autores
• Padre Antônio Vieira
• Gregório de Matos
Gregório de Matos (1633 – 1695)
• Conhecido como “Boca do
Inferno”
• Fase religiosa
• Fase Satírica
• Fase lírica
• Fase erótica
• A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana, e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa. Escuta, espreita, e
esquadrinha,
Para levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
Todos, os que não furtam, muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.
Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.
Meu Deus, que estais pendente de uma
madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme e inteiro:
Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso cordeiro.
Mui grande é vosso amor e o meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito
Esta razão me obriga a confiar,
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar.
Padre Antônio Vieira (1608 – 1697)
• Temas religiosos, bíblicos e morais;
• Temas políticos e religiosos.
• Combateu com radicalismo a escravização dos
índios e foi perseguido pelos colonos.
Sermão da Sexagésima
(...) Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo,
disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum,
praedicate omni creaturae: «Ide, e pregai a toda a criatura».
Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As
árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois
hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão-de pregar aos
troncos?! Hão-de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório,
depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam
pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e
incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas
as espécies de criaturas: haviam de achar homens homens,
haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens
troncos,haviam de achar homens pedras. (...)
Arte
• Exuberância decorativa
• Gosto pelo movimento
• Ausência de espaços vazios
• Grandiosidade
01. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da
vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude
que:
a)desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a
mocidade e a beleza
b)quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a
mocidade dura
c)descrê da misericórdia divina e contesta os valores
da religião
d)se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos
céticos
e)se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus
02. (VUNESP)
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.
O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta quais características:
a)Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por
simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o
paradoxo
b)Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a
ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo
c)Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e
do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta
d)Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das
metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida
03. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:
a)A literatura seiscentista reflete um dualismo: o ser humano
dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão
b)O Barroco apresenta estados de alma expressos através de
antíteses, paradoxos, interrogações
c)O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta,
extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de
ideias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista
d)A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-
se em fazer um levantamento da terra, daí ser
predominantemente descritiva
e)Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que
seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara
intenção catequista

Barroco brasileiro

  • 1.
  • 2.
    Origem do Barrocono Brasil • Introduzido por intermédio dos jesuítas; • Movimento destinado à catequização; • Conhecido também como Seiscentismo ou Gongorismo; • Influência Europeia • Marco inicial em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira.
  • 3.
    • Prosopopeia • I Cantem Poetaso Poder Romano, Sobmetendo Nações ao jugo duro; O Mantuano pinte o Rei Troiano, Descendo à confusão do Reino escuro; Que eu canto um Albuquerque soberano, Da Fé, da cara Pátria firme muro, Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira, Pode estancar a Lácia e Grega lira. II As Délficas irmãs chamar não quero, que tal invocação é vão estudo; Aquele chamo só, de quem espero A vida que se espera em fim de tudo. Ele fará meu Verso tão sincero, Quanto fora sem ele tosco e rudo, Que per rezão negar não deve o menos Quem deu o mais a míseros terrenos.
  • 4.
    Características • Linguagem rebuscada; •Linguagem ambígua; • Figuras de linguagem: sinestesia, paradoxo e antítese. • Exagero • Exaltação à Igreja
  • 5.
    Principais Autores • PadreAntônio Vieira • Gregório de Matos
  • 6.
    Gregório de Matos(1633 – 1695) • Conhecido como “Boca do Inferno” • Fase religiosa • Fase Satírica • Fase lírica • Fase erótica • A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana, e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um freqüentado olheiro, Que a vida do vizinho, e da vizinha Pesquisa. Escuta, espreita, e esquadrinha, Para levar à Praça, e ao Terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos pelos pés os homens nobres, Posta nas palmas toda picardia. Estupendas usuras nos mercados, Todos, os que não furtam, muito pobres, E eis aqui a cidade da Bahia.
  • 7.
    Tristes sucessos, casoslastimosos, Desgraças nunca vistas, nem faladas. São, ó Bahia, vésperas choradas De outros que estão por vir estranhos Sentimo-nos confusos e teimosos Pois não damos remédios as já passadas, Nem prevemos tampouco as esperadas Como que estamos delas desejosos. Levou-me o dinheiro, a má fortuna, Ficamos sem tostão, real nem branca, macutas, correão, nevelão, molhos: Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna, E é que quem o dinheiro nos arranca, Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos. Meu Deus, que estais pendente de uma madeiro, Em cuja lei protesto de viver, Em cuja santa lei hei de morrer Animoso, constante, firme e inteiro: Neste lance, por ser o derradeiro, Pois vejo a minha vida anoitecer, É, meu Jesus, a hora de se ver A brandura de um Pai, manso cordeiro. Mui grande é vosso amor e o meu delito; Porém pode ter fim todo o pecar, E não o vosso amor, que é infinito Esta razão me obriga a confiar, Que, por mais que pequei, neste conflito Espero em vosso amor de me salvar.
  • 8.
    Padre Antônio Vieira(1608 – 1697) • Temas religiosos, bíblicos e morais; • Temas políticos e religiosos. • Combateu com radicalismo a escravização dos índios e foi perseguido pelos colonos.
  • 9.
    Sermão da Sexagésima (...)Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum, praedicate omni creaturae: «Ide, e pregai a toda a criatura». Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão-de pregar aos troncos?! Hão-de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório, depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos,haviam de achar homens pedras. (...)
  • 10.
    Arte • Exuberância decorativa •Gosto pelo movimento • Ausência de espaços vazios • Grandiosidade
  • 14.
    01. (SANTA CASA)A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: a)desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza b)quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura c)descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião d)se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos e)se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus
  • 15.
    02. (VUNESP) Ardor emfirme coração nascido; pranto por belos olhos derramado; incêndio em mares de água disfarçado; rio de neve em fogo convertido: tu, que em um peito abrasas escondido; tu, que em um rosto corres desatado; quando fogo, em cristais aprisionado; quando crista, em chamas derretido. Se és fogo, como passas brandamente, se és fogo, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania, como quis que aqui fosse a neve ardente, permitiu parecesse a chama fria. O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta quais características: a)Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo b)Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo c)Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta d)Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida
  • 16.
    03. (MACKENZIE-SP) Assinalea alternativa incorreta: a)A literatura seiscentista reflete um dualismo: o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão b)O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações c)O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de ideias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista d)A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha- se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva e)Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista