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AULA 26 – LITERATURA
PROFª Edna Prado
MODERNISMO NO BRASIL –
TERCEIRA FASE
I – AUTORES
A terceira fase do Modernismo brasileiro é conhecida como a fase
da reflexão e da universalidade temática.
Veja os principais representantes dessa 3ª fase Modernista:
3ª Fase (1945 em diante)
REFLEXÃO
• Guimarães Rosa
• Clarice Lispector
• João Cabral de Melo Neto
Destacam-se nesse período: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, na
prosa e João Cabral de Melo Neto, na poesia.
A partir das novas contribuições da Lingüística, da atração pelo
místico e do introspectivo os autores dessa geração 45 instauraram
novos caminhos na Literatura Brasileira. Nessa fase, o texto literário
deixa de ser apenas a representação da realidade e adquiri um valor em
si mesmo.
Veja a imagem do primeiro e grande representante da terceira
geração modernista:
Guimarães Rosa foi um grande estudioso, principalmente de línguas. Alguns
estudiosos de sua obra afirmam que ele aprendeu sozinho o russo e o alemão. Essa
paixão por línguas se reflete em quase todos os seus textos. Ele faleceu três dias
depois de ter tomado posse na Academia Brasileira de Letras.
Veja as principais características de sua obra:
* REGIONALISMO
* UNIVERSALISMO
* CRIAÇÃO LINGÜÍSTICA
Assim como outros autores, Guimarães utiliza a relação do
homem com a paisagem árida do sertão mineiro como matéria-
prima de seus textos. Entretanto seu regionalismo apresenta um novo
significado extrapola os limites da realidade brasileira, atingindo o plano
universal. Como dizia o próprio autor, “o sertão é o mundo”. Tanto que
podemos interpretá-lo de várias maneiras: como realidade geográfica,
social, política e até mesmo numa dimensão metafísica.
Outra característica fundamental de Guimarães Rosa é o seu poder
inovador, sua habilidade em trabalhar e inventar palavras. Seus textos
são repletos de neologismos (neo= novo, logismo vem de logos que
significa palavra), ou seja, neologismos são palavras novas. Dizem que
Guimarães sempre andava com um caderninho no bolso anotando
palavras e expressões características do falar do povo brasileiro e a
partir delas criava outras tantas.
Veja alguns exemplos de seus famosos neologismos:
“desafogaréu” – “cigarrando” – “justinhamente”
“êssezinho” – “ossoso” – “retrovão”
“agarrante” – “bisbrisa” – “desfalar”
Outra característica é o seu poder de fusão dos gêneros literários.
Guimarães Rosa não ficou preso a um único gênero. Segundo a crítica
literária, ele e Clarice Lispector conseguiram desromancizar o
romance, aproximando-o da poesia.
Veja o que o próprio autor diz sobre a sua obra:
“ Não, não sou romancista; sou um contista de contos críticos.
Meus romances e ciclos de romances são na realidade contos nos quais
se unem a ficção poética e a realidade. Sei que daí pode facilmente
nascer um filho ilegítimo, mas justamente o autor deve ter um aparelho
de controle: sua cabeça. Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de
controle: o idioma português, tal como usamos no Brasil; entretanto, no
fundo, enquanto vou escrevendo, extraio de muitos outros idiomas.
Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e
pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos
dicionários dos outros. A gramática e a chamada filologia, ciência
lingüística, foram inventadas pelos inimigos da poesia”.
Guimarães Rosa
Veja a capa de Sagarana, seu primeiro livro:
Sagarana é um livro composto por nove contos escritos à moda das fábulas.
Note que o próprio título do livro também é um neologismo criado pelo autor. A
palavra saga, de origem germânica, significa um canto heróico, uma lenda, e rana, de
origem indígena, significa à maneira de, à espécie de.
Veja o índice de Primeiras Estórias, outro importante livro desse
autor:
Esse índice ilustrativo, feito por Luís Jardim, foi idéia do próprio Guimarães. Cada
seqüência de desenho sintetiza o enredo das 21 estórias que formam o livro. Essas
estórias foram retiradas de fatos corriqueiros, de situações fantásticas ou engraçadas,
numa proximação com as estórias narradas pelos contadores de “causos” muito
comuns no sertão mineiro.
Entre os principais contos de Primeiras Estórias, destacam-se: “A
terceira margem do rio”, “O espelho” e “A menina de lá”.
Mas somente a partir de 1956, ano de publicação da sua obra-
prima, que o autor alcança a notoriedade.
Veja a capa de Grande Sertão: Veredas:
Grande Sertão: Veredas foi traduzido para muitas línguas, sendo muito
vendido em vários países. E é considerado a expressão máxima do regionalismo
universalista de Literatura Brasileira.
O romance Grande Sertão: Veredas é construído a partir da
narrativa de Riobaldo, um ex-jagunço, que questiona a existência do
diabo.O narrador conta a história de sua vida, marcada por vinganças,
disputas e mortes. O espaço físico é o sertão. Entre as personagens
destacam-se o próprio Riobaldo e o valente Diadorin. Depois de
muitas idas e vindas, no final da história Riobaldo descobre que na
realidade Diadorin, por quem sempre nutriu um forte sentimento, era
uma mulher.
Veja a imagem da representante feminina da terceira fase
modernista:
Clarice Lispector aprofunda-se num caminho já percorrido por outros autores
no início do movimento modernista, a literatura de caráter introspectivo e intimista.
Clarice sempre foi muito mística e supersticiosa, tanto que em 1976, representou o
Brasil num Congresso de Bruxaria, na Colômbia.
Clarice Lispector dedicou-se à prosa de sondagem psicológica, à
análise das angústias e crises existenciais, ou seja, dedicou-se à análise
do mundo interior de suas personagens. Clarice rompeu com a
linearidade da estrutura do romance, seus textos baseiam-se no fluxo
de consciência (na expressão direta dos estados mentais), na memória.
Tempo, espaço, começo, meio e fim deixaram de ser importantes.
Segundo a própria autora “o importante é a repercussão do fato no
indivíduo” e não o fato em si. Outra característica de Clarice Lispector é
o freqüente uso do monólogo interior, técnica em que o narrador
conversa consigo mesmo, como se estivesse divagando. Entre seus
livros mais conhecidos estão: Perto do Coração Selvagem, Laços de
Família e A Hora da Estrela, último livro publicado em vida.
Veja a imagem de João Cabral de Melo Neto, outra importante
figura dessa geração:
Embora freqüentemente estudado como um poeta da geração de 45, João
Cabral de Melo Neto apresenta características bem diversas dos escritores dessa
fase. Guiado pelo raciocínio lógico, voltou-se para a concretude, para a análise objetiva
da realidade.
João Cabral de Melo apresentava uma grande preocupação com a
construção formal de seus textos, procurando eliminar tudo o que fosse
supérfluo. Caracterizou-se pela linguagem direta e precisa, contrária ao
subjetivismo. Para ele os poemas não eram fruto de inspiração, mas de
construção. Daí ser conhecido como o “engenheiro das palavras”.
João Cabral de Melo Neto conquistou notoriedade internacional
graças ao longo poema Morte e Vida Severina – um auto de natal
pernambucano, que em 1969, foi encenado por um grupo de jovens
atores do TUCA, Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Morte e Vida Severina narra a história de um retirante
pernambucano que deixa sua terra castiga pela seca e parte em busca
de uma vida melhor, mas ao longo de suas andanças só encontra a
fome, a miséria e a morte.
Veja alguns fragmentos da grande obra-prima desse autor:
Morte e vida Severina
O retirante explica ao leitor quem é e a que vai.
_ O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias
(...)
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
( de fraqueza e de doença
que é a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida )
(...)
João Cabral de Melo Neto
II – EXERCÍCIOS
1) (FUVEST) – É correto afirmar que, em Morte e Vida Severina:
a) a alternância das falas de ricos e de pobres, em contraste,
imprime à dinâmica geral do poema o ritmo da luta de classes.
b) a visão do mar aberto, quando Severino finalmente chega ao
Recife, representa para o retirante a primeira afirmação da vida
contra a morte.
c) o caráter de afirmação, da vida, apesar de toda a miséria,
comprova-se pela ausência da idéia de suicídio.
d) as falas finais do retirante, após o nascimento de seu filho,
configuram o “momento afirmativo”, por excelência, do poema.
e) a viagem do retirante, que atravessa ambientes menos e mais
hostis, mostra-lhe que a miséria é a mesma, apesar dessas
variações do meio físico.
R: e
2) (ITA) – Dadas as afirmações:
I) O Ateneu, ao contrário de tantos outros romances brasileiros
da época, apresenta-se como a narrativa de uma personagem
central que faz questão de registrar suas emoções e
sensações, sem levar em conta a neutralidade do narrador
diante dos fatos narrados. Nesse sentido, o autor rompe com
a moda predominante em seu tempo e que tecnicamente se
materializava na presença de um narrador onisciente em
terceira pessoa.
II) Como narrador-protagonista e centro único de todos os
eventos relatados, o coronel Ponciano constituiu, a rigor, o
próprio romance em si. Cindido entre o “mundo dos pastos” e
o “mundo da cidade”, ele domina o primeiro e é envolvido
pelo segundo, que não entende e pelo qual, afinal, é
destruído.
III) A trajetória de Riobaldo – narrador e protagonista dos eventos
relatados – é a rigor uma só, podendo ser, apenas em termos
didáticos, dividida em três planos: o econômico-social (de
filho oficialmente não-reconhecido ele passa à confortável
posição de rico proprietário), o cultural (de visão de mundo
místico-social, pré-racionalista, ele passa a ter uma visão
claramente racionalista e agnóstica) e o estritamente pessoal
(relato de sua estranha experiência: paixão por um
companheiro de jagunçagem, que na verdade era uma
mulher).
Está (ão) correta(s):
a) Apenas III.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) Todas.
R: b
Leia os trechos abaixo da obra de Guimarães Rosa, “A hora e vez de
Augusto Matraga”, e responda às questões 3 e 4.
E o camarada Quim sabia disso, tanto que foi se encostando de
medo que ele entrou. Tinha poeira até na boca. Tossiu.
Levanta e veste a roupa, meu patrão Nhô augusto, que eu tenho
uma novidade meia ruim, p’ra lhe contar.
E tremeu mais, porque Nhô Augusto se erguia de um pulo num
átimo se vestia. Só depois de de meter na cintura o revólver, foi que
interpolou, dente em dente:
- Fala tudo!
Quim Recadeiro gaguejou suas palavras poucas, e ainda pôde
acrescentar:
- ...Eu podia ter arresistido, mas era negócio de honra, com
sangue só p’ra o dono, e pensei que o senhor podia não gostar...
- Fez na regra, e feito! Chama os meus homens!
Dali a pouco, porém, tornava o Quim, com nova desolação: os
bate-paus não vinham... Não queriam ficar mais com Nhô Augusto... O
Major Consilva tinha ajustado, um e mais um, os quatro, para seus
capangas, pagando bem.
(...)
O cavalo de Nhô Augusto obedeceu para adiante; as ferraduras
tiniram e deram fogo no lajedo; e o cavaleiro, em pé nos estribos,
trouxe a taca no ar, querendo a figura do velho. Mas o Major piscou,
apenas, e encolheu a cabeça, porque mais não era preciso, e os
capangas pulavam de cada beirada, e eram só pernas e braços.
- Frecha,;povo! Desmancha!
3) (PUC) – Levando em conta essa obra de Guimarães Rosa e os
trechos apresentados, assinale a alternativa correta.
a) Reconhecem-se três desilusões de Nhô Augusto: a fuga da
esposa e da filha, o abandono dos bate-paus e o ataque de
tocaia.
b) Verifica-se que Nhô Augusto era “couro ainda por curtir”e sem
demora atira no Major Consilva.
c) Observa-se, nesses trechos, que Nhô Augusto, ao invés de
guerreiro, é místico e age em nome de Deus.
d) Nota-se que a fala sertaneja de Quim Recadeiro revela a
oralidade da prosa regional romântica.
e) Reconhece-se um narrador em terceira pessoa que explora o
universo das relações humanas, conforme os padrões do
Naturalismo.
R: a
4) (PUC) – Além do coloquialismo, comum ao diálogo, a linguagem de
Quim e de Nhô Augusto caracteriza também os habitantes da região
onde transcorre a história, conferindo-lhe veracidade.
Suponha que a situação do Recadeiro seja outra: ele vive na
cidade e é um homem letrado.
Aponte a alternativa caracterizada da modalidade de língua que
seria utilizada pela personagem nas condições acima propostas.
a) Levanta e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu
tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar.
b) Levante e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu
tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar.
c) Levante e vista a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu
tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar.
d) Levante e vista a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu
tenho uma novidade meio ruim, para lhe contar.
e) Levanta e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu
tenho uma novidade meio ruim, para lhe contar.
R: d

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Aula 26 modernismo no brasil - 3ª fase

  • 1. AULA 26 – LITERATURA PROFª Edna Prado MODERNISMO NO BRASIL – TERCEIRA FASE I – AUTORES A terceira fase do Modernismo brasileiro é conhecida como a fase da reflexão e da universalidade temática. Veja os principais representantes dessa 3ª fase Modernista: 3ª Fase (1945 em diante) REFLEXÃO • Guimarães Rosa • Clarice Lispector • João Cabral de Melo Neto Destacam-se nesse período: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, na prosa e João Cabral de Melo Neto, na poesia. A partir das novas contribuições da Lingüística, da atração pelo místico e do introspectivo os autores dessa geração 45 instauraram novos caminhos na Literatura Brasileira. Nessa fase, o texto literário
  • 2. deixa de ser apenas a representação da realidade e adquiri um valor em si mesmo. Veja a imagem do primeiro e grande representante da terceira geração modernista: Guimarães Rosa foi um grande estudioso, principalmente de línguas. Alguns estudiosos de sua obra afirmam que ele aprendeu sozinho o russo e o alemão. Essa paixão por línguas se reflete em quase todos os seus textos. Ele faleceu três dias depois de ter tomado posse na Academia Brasileira de Letras. Veja as principais características de sua obra: * REGIONALISMO * UNIVERSALISMO * CRIAÇÃO LINGÜÍSTICA Assim como outros autores, Guimarães utiliza a relação do homem com a paisagem árida do sertão mineiro como matéria- prima de seus textos. Entretanto seu regionalismo apresenta um novo significado extrapola os limites da realidade brasileira, atingindo o plano universal. Como dizia o próprio autor, “o sertão é o mundo”. Tanto que podemos interpretá-lo de várias maneiras: como realidade geográfica, social, política e até mesmo numa dimensão metafísica.
  • 3. Outra característica fundamental de Guimarães Rosa é o seu poder inovador, sua habilidade em trabalhar e inventar palavras. Seus textos são repletos de neologismos (neo= novo, logismo vem de logos que significa palavra), ou seja, neologismos são palavras novas. Dizem que Guimarães sempre andava com um caderninho no bolso anotando palavras e expressões características do falar do povo brasileiro e a partir delas criava outras tantas. Veja alguns exemplos de seus famosos neologismos: “desafogaréu” – “cigarrando” – “justinhamente” “êssezinho” – “ossoso” – “retrovão” “agarrante” – “bisbrisa” – “desfalar” Outra característica é o seu poder de fusão dos gêneros literários. Guimarães Rosa não ficou preso a um único gênero. Segundo a crítica literária, ele e Clarice Lispector conseguiram desromancizar o romance, aproximando-o da poesia. Veja o que o próprio autor diz sobre a sua obra: “ Não, não sou romancista; sou um contista de contos críticos. Meus romances e ciclos de romances são na realidade contos nos quais se unem a ficção poética e a realidade. Sei que daí pode facilmente nascer um filho ilegítimo, mas justamente o autor deve ter um aparelho de controle: sua cabeça. Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros. A gramática e a chamada filologia, ciência lingüística, foram inventadas pelos inimigos da poesia”. Guimarães Rosa
  • 4. Veja a capa de Sagarana, seu primeiro livro: Sagarana é um livro composto por nove contos escritos à moda das fábulas. Note que o próprio título do livro também é um neologismo criado pelo autor. A palavra saga, de origem germânica, significa um canto heróico, uma lenda, e rana, de origem indígena, significa à maneira de, à espécie de. Veja o índice de Primeiras Estórias, outro importante livro desse autor: Esse índice ilustrativo, feito por Luís Jardim, foi idéia do próprio Guimarães. Cada seqüência de desenho sintetiza o enredo das 21 estórias que formam o livro. Essas estórias foram retiradas de fatos corriqueiros, de situações fantásticas ou engraçadas,
  • 5. numa proximação com as estórias narradas pelos contadores de “causos” muito comuns no sertão mineiro. Entre os principais contos de Primeiras Estórias, destacam-se: “A terceira margem do rio”, “O espelho” e “A menina de lá”. Mas somente a partir de 1956, ano de publicação da sua obra- prima, que o autor alcança a notoriedade. Veja a capa de Grande Sertão: Veredas: Grande Sertão: Veredas foi traduzido para muitas línguas, sendo muito vendido em vários países. E é considerado a expressão máxima do regionalismo universalista de Literatura Brasileira. O romance Grande Sertão: Veredas é construído a partir da narrativa de Riobaldo, um ex-jagunço, que questiona a existência do diabo.O narrador conta a história de sua vida, marcada por vinganças, disputas e mortes. O espaço físico é o sertão. Entre as personagens destacam-se o próprio Riobaldo e o valente Diadorin. Depois de muitas idas e vindas, no final da história Riobaldo descobre que na realidade Diadorin, por quem sempre nutriu um forte sentimento, era uma mulher. Veja a imagem da representante feminina da terceira fase modernista:
  • 6. Clarice Lispector aprofunda-se num caminho já percorrido por outros autores no início do movimento modernista, a literatura de caráter introspectivo e intimista. Clarice sempre foi muito mística e supersticiosa, tanto que em 1976, representou o Brasil num Congresso de Bruxaria, na Colômbia. Clarice Lispector dedicou-se à prosa de sondagem psicológica, à análise das angústias e crises existenciais, ou seja, dedicou-se à análise do mundo interior de suas personagens. Clarice rompeu com a linearidade da estrutura do romance, seus textos baseiam-se no fluxo de consciência (na expressão direta dos estados mentais), na memória. Tempo, espaço, começo, meio e fim deixaram de ser importantes. Segundo a própria autora “o importante é a repercussão do fato no indivíduo” e não o fato em si. Outra característica de Clarice Lispector é o freqüente uso do monólogo interior, técnica em que o narrador conversa consigo mesmo, como se estivesse divagando. Entre seus livros mais conhecidos estão: Perto do Coração Selvagem, Laços de Família e A Hora da Estrela, último livro publicado em vida. Veja a imagem de João Cabral de Melo Neto, outra importante figura dessa geração:
  • 7. Embora freqüentemente estudado como um poeta da geração de 45, João Cabral de Melo Neto apresenta características bem diversas dos escritores dessa fase. Guiado pelo raciocínio lógico, voltou-se para a concretude, para a análise objetiva da realidade. João Cabral de Melo apresentava uma grande preocupação com a construção formal de seus textos, procurando eliminar tudo o que fosse supérfluo. Caracterizou-se pela linguagem direta e precisa, contrária ao subjetivismo. Para ele os poemas não eram fruto de inspiração, mas de construção. Daí ser conhecido como o “engenheiro das palavras”. João Cabral de Melo Neto conquistou notoriedade internacional graças ao longo poema Morte e Vida Severina – um auto de natal pernambucano, que em 1969, foi encenado por um grupo de jovens atores do TUCA, Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Morte e Vida Severina narra a história de um retirante pernambucano que deixa sua terra castiga pela seca e parte em busca de uma vida melhor, mas ao longo de suas andanças só encontra a fome, a miséria e a morte. Veja alguns fragmentos da grande obra-prima desse autor: Morte e vida Severina O retirante explica ao leitor quem é e a que vai. _ O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria; como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias (...) Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido
  • 8. sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia ( de fraqueza e de doença que é a morte Severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida ) (...) João Cabral de Melo Neto II – EXERCÍCIOS 1) (FUVEST) – É correto afirmar que, em Morte e Vida Severina: a) a alternância das falas de ricos e de pobres, em contraste, imprime à dinâmica geral do poema o ritmo da luta de classes. b) a visão do mar aberto, quando Severino finalmente chega ao Recife, representa para o retirante a primeira afirmação da vida contra a morte. c) o caráter de afirmação, da vida, apesar de toda a miséria, comprova-se pela ausência da idéia de suicídio. d) as falas finais do retirante, após o nascimento de seu filho, configuram o “momento afirmativo”, por excelência, do poema. e) a viagem do retirante, que atravessa ambientes menos e mais hostis, mostra-lhe que a miséria é a mesma, apesar dessas variações do meio físico. R: e 2) (ITA) – Dadas as afirmações:
  • 9. I) O Ateneu, ao contrário de tantos outros romances brasileiros da época, apresenta-se como a narrativa de uma personagem central que faz questão de registrar suas emoções e sensações, sem levar em conta a neutralidade do narrador diante dos fatos narrados. Nesse sentido, o autor rompe com a moda predominante em seu tempo e que tecnicamente se materializava na presença de um narrador onisciente em terceira pessoa. II) Como narrador-protagonista e centro único de todos os eventos relatados, o coronel Ponciano constituiu, a rigor, o próprio romance em si. Cindido entre o “mundo dos pastos” e o “mundo da cidade”, ele domina o primeiro e é envolvido pelo segundo, que não entende e pelo qual, afinal, é destruído. III) A trajetória de Riobaldo – narrador e protagonista dos eventos relatados – é a rigor uma só, podendo ser, apenas em termos didáticos, dividida em três planos: o econômico-social (de filho oficialmente não-reconhecido ele passa à confortável posição de rico proprietário), o cultural (de visão de mundo místico-social, pré-racionalista, ele passa a ter uma visão claramente racionalista e agnóstica) e o estritamente pessoal (relato de sua estranha experiência: paixão por um companheiro de jagunçagem, que na verdade era uma mulher). Está (ão) correta(s): a) Apenas III. b) Apenas I e II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) Todas. R: b Leia os trechos abaixo da obra de Guimarães Rosa, “A hora e vez de Augusto Matraga”, e responda às questões 3 e 4. E o camarada Quim sabia disso, tanto que foi se encostando de medo que ele entrou. Tinha poeira até na boca. Tossiu. Levanta e veste a roupa, meu patrão Nhô augusto, que eu tenho uma novidade meia ruim, p’ra lhe contar.
  • 10. E tremeu mais, porque Nhô Augusto se erguia de um pulo num átimo se vestia. Só depois de de meter na cintura o revólver, foi que interpolou, dente em dente: - Fala tudo! Quim Recadeiro gaguejou suas palavras poucas, e ainda pôde acrescentar: - ...Eu podia ter arresistido, mas era negócio de honra, com sangue só p’ra o dono, e pensei que o senhor podia não gostar... - Fez na regra, e feito! Chama os meus homens! Dali a pouco, porém, tornava o Quim, com nova desolação: os bate-paus não vinham... Não queriam ficar mais com Nhô Augusto... O Major Consilva tinha ajustado, um e mais um, os quatro, para seus capangas, pagando bem. (...) O cavalo de Nhô Augusto obedeceu para adiante; as ferraduras tiniram e deram fogo no lajedo; e o cavaleiro, em pé nos estribos, trouxe a taca no ar, querendo a figura do velho. Mas o Major piscou, apenas, e encolheu a cabeça, porque mais não era preciso, e os capangas pulavam de cada beirada, e eram só pernas e braços. - Frecha,;povo! Desmancha! 3) (PUC) – Levando em conta essa obra de Guimarães Rosa e os trechos apresentados, assinale a alternativa correta. a) Reconhecem-se três desilusões de Nhô Augusto: a fuga da esposa e da filha, o abandono dos bate-paus e o ataque de tocaia. b) Verifica-se que Nhô Augusto era “couro ainda por curtir”e sem demora atira no Major Consilva. c) Observa-se, nesses trechos, que Nhô Augusto, ao invés de guerreiro, é místico e age em nome de Deus. d) Nota-se que a fala sertaneja de Quim Recadeiro revela a oralidade da prosa regional romântica. e) Reconhece-se um narrador em terceira pessoa que explora o universo das relações humanas, conforme os padrões do Naturalismo. R: a 4) (PUC) – Além do coloquialismo, comum ao diálogo, a linguagem de Quim e de Nhô Augusto caracteriza também os habitantes da região onde transcorre a história, conferindo-lhe veracidade. Suponha que a situação do Recadeiro seja outra: ele vive na cidade e é um homem letrado.
  • 11. Aponte a alternativa caracterizada da modalidade de língua que seria utilizada pela personagem nas condições acima propostas. a) Levanta e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar. b) Levante e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar. c) Levante e vista a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu tenho uma novidade meia ruim, para lhe contar. d) Levante e vista a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu tenho uma novidade meio ruim, para lhe contar. e) Levanta e veste a roupa, meu patrão senhor Augusto, que eu tenho uma novidade meio ruim, para lhe contar. R: d