A LITERATURA DO SÉCULO XIX PROSA E POESIADO ROMANTISMO AO SIMBOLISMO
ROMANTISMOO Romantismo é um movimento de expressão burguesa
CONTEXTO SOCIOPOLÍTICOASCENSÃO DA BURGUESIA MATERIALISTA.
DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO.
DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL.
CRESCIMENTO DAS ZONAS URBANAS.
IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA.
SENTIMENTO NACIONALISTA.
INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS. O CONFLITO ROMÂNTICOMATERIALISMO BURGUÊS CAPITALISTAVALORES EXISTÊNCIAS E ESPIRITUAIS.
VALORES MATERIAISBUSCA DO “STATUS QUO” BURGUÊS.
CRENÇA NO PROGRESSO MATERIAL.
ESTIMULO À COMPETIÇÃO INDIVIDUAL.
INÍCIO DA LUTA DE CLASSES.
VALORIZAÇÃO DA APARÊNCIA SOCIAL.
ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA A TODO CUSTO.
RELAÇÕES SOCIAIS E CULTURAIS URBANAS.VALORES EXISTENCIAS E ESPIRITUAISCRENÇA NA LIBERDADE INDIVIDUAL E COLETIVA.
BUSCA DA AUTORREALIZAÇÃO A TODO CUSTO.
A SOLIDARIEDADE HUMANA COMO FORMA DE CONVIVÊNCIA.
O AMOR PLATÔNICO COMO ALTERNATIVA ÚLTIMA DE FELICIDADE DO HOMEM.
SENTIMENTO POSITIVO EM RELAÇÃO À FELICIDADE HUMANA.
VALORIZAÇÃO DA IDEOLOGIA DE IGUALDADE ENTRE OS HOMENS E AS SOCIEDADES. CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO NO BRASILNo Brasil o contexto social e político difere bastante do europeu, mas em alguns aspectos se assemelham, basicamente em consequência de dois aspectos:
A vinda da família real ao Brasil que é de fundamental importância para impor ao país um modelo cultural e social europeu.
O processo de Independência política que cria em nossa cultura um sentimento de nacionalismo ufanista nunca visto entre nós.OS TEMAS E O ESTILO ROMÂNTICOA arte romântica, estética e tematicamente, vai refletir o conflito do homem burguês da primeira metade do século XIX.
Se de um lado, ele acredita nos valores existenciais e espirituais, advindos da ideologia da Revolução francesa; de outro, ele está inserido numa sociedade de base materialista que crer e valoriza aspectos capitalistas como fundamentais para o desenvolvimento social.
Os temas e a estética da arte romântica serão um reflexo, a grosso modo, dessa contradição, às vezes reduplicando a ideologia burguesa e/ ou contestando. A TEMÁTICA ROMÂNTICANum primeiro momento, o artista romântico revela-se otimista, acreditando ser ele um gênio que com sua arte vai ser o arauto de uma sociedade que está nascendo.
A arte romântica então é revolucionária, reformista, engajada, voltada para divulgar os valores humanos autênticos e universais, como liberdade, fraternidade e igualdade.
Assim a Literatura romântica passa a ser sistematicamente pela primeira vez na História um veículo também político, através do qual, o artista poderá expressar uma ideologia e uma contra ideologia. O amor platônico se torna então imperativo como forma de promover a solidariedade e a felicidade do homem.
O culto do herói é outro tema fundamental no Romantismo, em que se valorizam aspectos do homem medieval, na Europa, e homem natural, no Brasil.
“O bom selvagem” é o modelo cultuado pelo artista romântico que resgata, dessa maneira, o mesmo ideal do Arcadismo, na formulação pregada por Jean Jacques Rosseau.
Assim, o grande heroi da Literatura europeia será um personagem com características semelhantes ao Cavaleiro medieval, enquanto que na Literatura brasileira, o heroi será o Índio, em seu estado selvagem, por ser puro, ingênuo e nobre.
Com esses modelos de personagens, a Literatura romântica cria um modelo social harmônico, sem conflitos, surgindo, consequentemente, um ambiente idealizado, longe de refletir a realidade dura, opressora e violenta em que já se caracteriza a sociedade burguesa. O confronto entre o desejo do artista e dos personagens com a realidade concreta vai provocar uma literatura conflituosa.
A primeira consequência é o desejo de reformar a sociedade, surgindo então uma literatura revolucionária para refletir ideias que contrastem com a realidade concreta.
Mas os desejos do artista romântico e dos personagens surgem individualmente e por ser tão puros e perfeitos tornam-se irrealizáveis.
A segunda consequência é um sentimento de impotência e de frustração que vai levar o romântico a mergulhar exacerbadamente num conflito existencial que será chamado de “mal do século”.AS FORMAS DE EVASÃO A evasão do romântico é muito mais um estado de espírito do que real. Seus desejos, seus anseios não realizados estimulam uma fuga do mundo concreto.
O Sonho, a imaginação, a fantasia, o delírio, tornam-se assim o veículo através do qual o romântico veicula o desejo de uma vida e de uma sociedade melhor e diferente da realidade.
Entretanto, ao perceber que o sonho está distante de se concretizar, o romântico mergulha num sentimento de frustração tão intenso que a grande saída será a morte.  A MORTE COMO TRANSCENDÊNCIAA morte será o grande tema do Romantismo e a última saída para o homem se reencontrar com um estado de paz e harmonia, e, por isso, torna-se uma forma de transcendência.
Com a morte o romântico vai encontrar a paz, a harmonia e a felicidade tão procuradas na vida real que se revela opressora e castradora de seus anseios em busca da realização individual.
A morte, portanto, será uma solução para os problemas e obstáculos encontrados pelo homem romântico, pois, com ela, desaparecem todos elementos que o tornam existencialmente infeliz. A NATUREZA COMO FORMA DE EVASÃODesde o Arcadismo que o artista tematiza a natureza como refúgio do homem burguês, inserido já numa sociedade materialista e industrial, centrada na competição, no progresso e na acumulação de riqueza.
O Romantismo encara a Natureza não só como espaço bucólico, harmônico, mas também como elemento que pode interagir espiritualmente como o homem e restituir a ele a paz que necessita.
A natureza, no Romantismo, é personificada e reflete o estado de alma do artista e dos personagens.
No Brasil, a Natureza vai servir de símbolo nacional, reforçando o ufanismo e o nativismo que serão frequentes em nossos poetas e romancistas. A IDEALIZAÇÃO ROMÂNTICAAs formas de evasão do romântico levam-no a idealizar a realidade, ou seja, ela aparece descrita no plano do desejo, do sonho e da imaginação.
Daí a ênfase no amor platônico, no sentimento puro, espiritual, capaz enobrecer as ações humanas, e a busca de uma integração total com a natureza primitiva e bucólica.
 As ações dos personagens românticos também aparecem idealizadas, daí o culto do herói, nobre, natural e capaz de grandes proezas para fazer prevalecer o bem na luta contra o mal. O ULTRARROMANTISMO A impossibilidade de auto realização leva o romântico a mergulhar em diversas formas de evasão, inclusive, na valorização de uma forma existencial não convencional.
Na maioria das vezes, a ênfase temática nessas formas não convencionais é muito mais um estado de espírito do que uma atitude real.
A apologia de orgias sexuais, relações incestuosas, o culto do satanismo, o alcoolismo, a vida boêmia e noturna são temas cultuados por Lord Byron, daí a denominação Byoronismo. O ROMANTISMO NO BRASILO Romantismo brasileiro, num primeiro momento, é uma extensão temática e estilística do Romantismo europeu.
Mas aos poucos vai adquirindo alguns temas típicos e originais que dão uma certa ideia de independência cultural e artística em relação ao Movimento europeu.
O indianismo, o nacionalismo nativista e ufanista e o condoreirismo foram temas adaptados à realidade brasileira e que deram ao nosso Romantismo um estilo mais original.
Mas de uma forma geral, o Romantismo no Brasil ainda espelhou a ideologia estrangeira, tanto temática, quanto estilisticamente, só sendo possível uma ruptura durante o Modernismo. A LINGUAGEM ROMÂNTICAO sentimentalismo se reflete no plano da enunciação dos textos românticos no uso de diminutivos afetivos e de metáforas denotadoras de estado de espírito.
A idealização ocorre pela incidência de metáforas grandiosas, intensa adjetivação, hipérboles e personificações principalmente de elementos naturais.
A subjetividade se dá pelo uso constante de verbos e pronomes em primeira pessoa, por um vocabulário intensamente abstrato e revelador do estado de alma dos personagens.
De uma forma geral, a linguagem romântica já apresenta uma tendência a uma ruptura em relação à linguagem clássica, principalmente, pela presença de elementos da oralidade e do coloquialismo.
No Brasil, já ocorre a inserção de uma linguagem de origem indígena, além de uma escrita baseada num português brasileiro. ANTOLOGIA ROMÂNTICA
Se eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã! ( ... )  Que sol! Que céu azul! Que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no peitoSe eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devoraA ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menosSe eu morresse amanhã! ( ... )  Eu deixo a vida como deixa o tédioDo deserto, o poento caminheiroComo as horas de um longo pesadeloQue se desfaz ao dobre de um sineiro;  Sombras do vale, noites da montanha,Que minh' alma cantou e amava tanto,Protegei o meu corpo abandonado,E no silêncio derramai-lhe canto! Mas quando preludia ave d' auroraE quando à meia-noite o céu repousa,Arvoredos do bosque, abri os ramos...Deixai a lua prantear a lousa!"( Álvares de Azevedo )
Pálida, à luz da lâmpada sombria,Sobre o leito de flores reclinada,Como a lua por noite embalsamada,Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar! Na escuma friaPela maré das águas embalada!Era um anjo entre nuvens d’alvorada!Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era  mais bela! O seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo...Formas nuas no peito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo!Por ti – as noites eu velei chorando,Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!                               ( Álvares de Azevedo )
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.  ( ... )                                                José de Alencar em Iracema.
“Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.Era rica e formosa.Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor?Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. ( ...  )”                                                          José de Alencar em senhora
REALISMO/NATURALISMOO Realismo é um movimento artístico-literário que se desenvolve na segunda metade do século XIX que, em alguns aspectos, aprofunda temas já abordados pelo Romantismo e, em outros, reage ao sentimentalismo dos românticos.
O Naturalismo também se desenvolve na mesma época e se constitui estética e estilística numa reação ao Romantismo, enquanto que em seu enfoque temático aprofunda o Realismo na abordagem da realidade.
No Brasil, foram dois movimentos que se desenvolveram concomitantemente e do ponto de vista literário ocorreram principalmente na prosa, pois na poesia o Parnasianismo foi a expressão realista.
O Realismo brasileiro teve como grande nome Machado de Assis que desenvolveu temas e estilos diferentes do Realismo europeu, inaugurando uma literatura que prenunciava o Modernismo, enquanto que o Naturalismo reproduziu praticamente a ideologia europeia, tanto em relação aos temas, quanto à linguagem. O CONTEXTO SOCIAL E HISTÓRICOO contexto social e histórico será determinante para o aparecimento de um novo fazer artístico e literário.
A consolidação do Capitalismo como sistema político e econômico, o que vai reforçar a competitividade entre as classes sociais.
A consolidação da Burguesia como classe dominante, e a consequente aparição do proletariado, como classe dominada.
A segunda Revolução Industrial que reforçará a estratificação social, dividindo a sociedade em duas classes distintas: burguesia X proletariado.
O crescimento demasiado das zonas urbanas que ao incharem deixam à mostra a miséria do proletariado  explorado pelas classes burguesas.  CONTEXTO FILOSÓFICO-CIENTÍFICO A segunda metade do século XIX experimenta um grande desenvolvimento científico e filosófico que ideologicamente vai influenciar as artes e a sociedade burguesa.
O Positivismo de Augusto Conte dá as bases para a abordagem racional dos problemas sociais e humanos, inaugurando uma concepção científica da realidade.
O Evolucionismo de Charles Darwin muda a concepção da origem e do desenvolvimento do homem, com base nas ciências naturais.
O Determinismo de Taine revela que o homem e a sociedade são determinados pelos fatores meio, raça, instinto, hereditariedade e momento histórico.
Karl Marx elabora a teoria da luta de classe em que explica a evolução social por meio de um conflito permanente entre Burguesia e proletariado.
Renan nega com o seu livro O Poder da ciência a dimensão espiritual e metafísica do homem, reforçando o materialismo que os demais ramos do conhecimento já valorizavam. O REALISMO LITERÁRIOO Realismo literário se afastará da idealização romântica para abordar a realidade pelo ângulo da psicologia e da sociologia. O NATURALISMO LITERÁRIOO Naturalismo vai extrapolar o Realismo ao conceber a realidade e homem como determinados por fatores biopsicossocial.  ASPECTOS TEMÁTICOS DO REALISMOAs relações sociais e afetivas das classes burguesas são os grandes temas da Literatura realista, vista pelo ângulo da psicologia e da sociologia.

A literatura do século xix

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    A LITERATURA DOSÉCULO XIX PROSA E POESIADO ROMANTISMO AO SIMBOLISMO
  • 2.
    ROMANTISMOO Romantismo éum movimento de expressão burguesa
  • 3.
  • 4.
  • 5.
  • 6.
  • 7.
  • 8.
  • 9.
    INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOSUNIDOS. O CONFLITO ROMÂNTICOMATERIALISMO BURGUÊS CAPITALISTAVALORES EXISTÊNCIAS E ESPIRITUAIS.
  • 10.
    VALORES MATERIAISBUSCA DO“STATUS QUO” BURGUÊS.
  • 11.
  • 12.
  • 13.
    INÍCIO DA LUTADE CLASSES.
  • 14.
  • 15.
  • 16.
    RELAÇÕES SOCIAIS ECULTURAIS URBANAS.VALORES EXISTENCIAS E ESPIRITUAISCRENÇA NA LIBERDADE INDIVIDUAL E COLETIVA.
  • 17.
  • 18.
    A SOLIDARIEDADE HUMANACOMO FORMA DE CONVIVÊNCIA.
  • 19.
    O AMOR PLATÔNICOCOMO ALTERNATIVA ÚLTIMA DE FELICIDADE DO HOMEM.
  • 20.
    SENTIMENTO POSITIVO EMRELAÇÃO À FELICIDADE HUMANA.
  • 21.
    VALORIZAÇÃO DA IDEOLOGIADE IGUALDADE ENTRE OS HOMENS E AS SOCIEDADES. CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO NO BRASILNo Brasil o contexto social e político difere bastante do europeu, mas em alguns aspectos se assemelham, basicamente em consequência de dois aspectos:
  • 22.
    A vinda dafamília real ao Brasil que é de fundamental importância para impor ao país um modelo cultural e social europeu.
  • 23.
    O processo deIndependência política que cria em nossa cultura um sentimento de nacionalismo ufanista nunca visto entre nós.OS TEMAS E O ESTILO ROMÂNTICOA arte romântica, estética e tematicamente, vai refletir o conflito do homem burguês da primeira metade do século XIX.
  • 24.
    Se de umlado, ele acredita nos valores existenciais e espirituais, advindos da ideologia da Revolução francesa; de outro, ele está inserido numa sociedade de base materialista que crer e valoriza aspectos capitalistas como fundamentais para o desenvolvimento social.
  • 25.
    Os temas ea estética da arte romântica serão um reflexo, a grosso modo, dessa contradição, às vezes reduplicando a ideologia burguesa e/ ou contestando. A TEMÁTICA ROMÂNTICANum primeiro momento, o artista romântico revela-se otimista, acreditando ser ele um gênio que com sua arte vai ser o arauto de uma sociedade que está nascendo.
  • 26.
    A arte românticaentão é revolucionária, reformista, engajada, voltada para divulgar os valores humanos autênticos e universais, como liberdade, fraternidade e igualdade.
  • 27.
    Assim a Literaturaromântica passa a ser sistematicamente pela primeira vez na História um veículo também político, através do qual, o artista poderá expressar uma ideologia e uma contra ideologia. O amor platônico se torna então imperativo como forma de promover a solidariedade e a felicidade do homem.
  • 28.
    O culto doherói é outro tema fundamental no Romantismo, em que se valorizam aspectos do homem medieval, na Europa, e homem natural, no Brasil.
  • 29.
    “O bom selvagem”é o modelo cultuado pelo artista romântico que resgata, dessa maneira, o mesmo ideal do Arcadismo, na formulação pregada por Jean Jacques Rosseau.
  • 30.
    Assim, o grandeheroi da Literatura europeia será um personagem com características semelhantes ao Cavaleiro medieval, enquanto que na Literatura brasileira, o heroi será o Índio, em seu estado selvagem, por ser puro, ingênuo e nobre.
  • 31.
    Com esses modelosde personagens, a Literatura romântica cria um modelo social harmônico, sem conflitos, surgindo, consequentemente, um ambiente idealizado, longe de refletir a realidade dura, opressora e violenta em que já se caracteriza a sociedade burguesa. O confronto entre o desejo do artista e dos personagens com a realidade concreta vai provocar uma literatura conflituosa.
  • 32.
    A primeira consequênciaé o desejo de reformar a sociedade, surgindo então uma literatura revolucionária para refletir ideias que contrastem com a realidade concreta.
  • 33.
    Mas os desejosdo artista romântico e dos personagens surgem individualmente e por ser tão puros e perfeitos tornam-se irrealizáveis.
  • 34.
    A segunda consequênciaé um sentimento de impotência e de frustração que vai levar o romântico a mergulhar exacerbadamente num conflito existencial que será chamado de “mal do século”.AS FORMAS DE EVASÃO A evasão do romântico é muito mais um estado de espírito do que real. Seus desejos, seus anseios não realizados estimulam uma fuga do mundo concreto.
  • 35.
    O Sonho, aimaginação, a fantasia, o delírio, tornam-se assim o veículo através do qual o romântico veicula o desejo de uma vida e de uma sociedade melhor e diferente da realidade.
  • 36.
    Entretanto, ao perceberque o sonho está distante de se concretizar, o romântico mergulha num sentimento de frustração tão intenso que a grande saída será a morte. A MORTE COMO TRANSCENDÊNCIAA morte será o grande tema do Romantismo e a última saída para o homem se reencontrar com um estado de paz e harmonia, e, por isso, torna-se uma forma de transcendência.
  • 37.
    Com a morteo romântico vai encontrar a paz, a harmonia e a felicidade tão procuradas na vida real que se revela opressora e castradora de seus anseios em busca da realização individual.
  • 38.
    A morte, portanto,será uma solução para os problemas e obstáculos encontrados pelo homem romântico, pois, com ela, desaparecem todos elementos que o tornam existencialmente infeliz. A NATUREZA COMO FORMA DE EVASÃODesde o Arcadismo que o artista tematiza a natureza como refúgio do homem burguês, inserido já numa sociedade materialista e industrial, centrada na competição, no progresso e na acumulação de riqueza.
  • 39.
    O Romantismo encaraa Natureza não só como espaço bucólico, harmônico, mas também como elemento que pode interagir espiritualmente como o homem e restituir a ele a paz que necessita.
  • 40.
    A natureza, noRomantismo, é personificada e reflete o estado de alma do artista e dos personagens.
  • 41.
    No Brasil, aNatureza vai servir de símbolo nacional, reforçando o ufanismo e o nativismo que serão frequentes em nossos poetas e romancistas. A IDEALIZAÇÃO ROMÂNTICAAs formas de evasão do romântico levam-no a idealizar a realidade, ou seja, ela aparece descrita no plano do desejo, do sonho e da imaginação.
  • 42.
    Daí a ênfaseno amor platônico, no sentimento puro, espiritual, capaz enobrecer as ações humanas, e a busca de uma integração total com a natureza primitiva e bucólica.
  • 43.
    As açõesdos personagens românticos também aparecem idealizadas, daí o culto do herói, nobre, natural e capaz de grandes proezas para fazer prevalecer o bem na luta contra o mal. O ULTRARROMANTISMO A impossibilidade de auto realização leva o romântico a mergulhar em diversas formas de evasão, inclusive, na valorização de uma forma existencial não convencional.
  • 44.
    Na maioria dasvezes, a ênfase temática nessas formas não convencionais é muito mais um estado de espírito do que uma atitude real.
  • 45.
    A apologia deorgias sexuais, relações incestuosas, o culto do satanismo, o alcoolismo, a vida boêmia e noturna são temas cultuados por Lord Byron, daí a denominação Byoronismo. O ROMANTISMO NO BRASILO Romantismo brasileiro, num primeiro momento, é uma extensão temática e estilística do Romantismo europeu.
  • 46.
    Mas aos poucosvai adquirindo alguns temas típicos e originais que dão uma certa ideia de independência cultural e artística em relação ao Movimento europeu.
  • 47.
    O indianismo, onacionalismo nativista e ufanista e o condoreirismo foram temas adaptados à realidade brasileira e que deram ao nosso Romantismo um estilo mais original.
  • 48.
    Mas de umaforma geral, o Romantismo no Brasil ainda espelhou a ideologia estrangeira, tanto temática, quanto estilisticamente, só sendo possível uma ruptura durante o Modernismo. A LINGUAGEM ROMÂNTICAO sentimentalismo se reflete no plano da enunciação dos textos românticos no uso de diminutivos afetivos e de metáforas denotadoras de estado de espírito.
  • 49.
    A idealização ocorrepela incidência de metáforas grandiosas, intensa adjetivação, hipérboles e personificações principalmente de elementos naturais.
  • 50.
    A subjetividade sedá pelo uso constante de verbos e pronomes em primeira pessoa, por um vocabulário intensamente abstrato e revelador do estado de alma dos personagens.
  • 51.
    De uma formageral, a linguagem romântica já apresenta uma tendência a uma ruptura em relação à linguagem clássica, principalmente, pela presença de elementos da oralidade e do coloquialismo.
  • 52.
    No Brasil, jáocorre a inserção de uma linguagem de origem indígena, além de uma escrita baseada num português brasileiro. ANTOLOGIA ROMÂNTICA
  • 53.
    Se eu morresseamanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã! ( ... )  Que sol! Que céu azul! Que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no peitoSe eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devoraA ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menosSe eu morresse amanhã! ( ... )  Eu deixo a vida como deixa o tédioDo deserto, o poento caminheiroComo as horas de um longo pesadeloQue se desfaz ao dobre de um sineiro;  Sombras do vale, noites da montanha,Que minh' alma cantou e amava tanto,Protegei o meu corpo abandonado,E no silêncio derramai-lhe canto! Mas quando preludia ave d' auroraE quando à meia-noite o céu repousa,Arvoredos do bosque, abri os ramos...Deixai a lua prantear a lousa!"( Álvares de Azevedo )
  • 54.
    Pálida, à luzda lâmpada sombria,Sobre o leito de flores reclinada,Como a lua por noite embalsamada,Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar! Na escuma friaPela maré das águas embalada!Era um anjo entre nuvens d’alvorada!Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! O seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo...Formas nuas no peito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo!Por ti – as noites eu velei chorando,Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo! ( Álvares de Azevedo )
  • 55.
    “Além, muito alémdaquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. ( ... ) José de Alencar em Iracema.
  • 56.
    “Há anos raiouno céu fluminense uma nova estrela.Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.Era rica e formosa.Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor?Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. ( ... )” José de Alencar em senhora
  • 57.
    REALISMO/NATURALISMOO Realismo éum movimento artístico-literário que se desenvolve na segunda metade do século XIX que, em alguns aspectos, aprofunda temas já abordados pelo Romantismo e, em outros, reage ao sentimentalismo dos românticos.
  • 58.
    O Naturalismo tambémse desenvolve na mesma época e se constitui estética e estilística numa reação ao Romantismo, enquanto que em seu enfoque temático aprofunda o Realismo na abordagem da realidade.
  • 59.
    No Brasil, foramdois movimentos que se desenvolveram concomitantemente e do ponto de vista literário ocorreram principalmente na prosa, pois na poesia o Parnasianismo foi a expressão realista.
  • 60.
    O Realismo brasileiroteve como grande nome Machado de Assis que desenvolveu temas e estilos diferentes do Realismo europeu, inaugurando uma literatura que prenunciava o Modernismo, enquanto que o Naturalismo reproduziu praticamente a ideologia europeia, tanto em relação aos temas, quanto à linguagem. O CONTEXTO SOCIAL E HISTÓRICOO contexto social e histórico será determinante para o aparecimento de um novo fazer artístico e literário.
  • 61.
    A consolidação doCapitalismo como sistema político e econômico, o que vai reforçar a competitividade entre as classes sociais.
  • 62.
    A consolidação daBurguesia como classe dominante, e a consequente aparição do proletariado, como classe dominada.
  • 63.
    A segunda RevoluçãoIndustrial que reforçará a estratificação social, dividindo a sociedade em duas classes distintas: burguesia X proletariado.
  • 64.
    O crescimento demasiadodas zonas urbanas que ao incharem deixam à mostra a miséria do proletariado explorado pelas classes burguesas. CONTEXTO FILOSÓFICO-CIENTÍFICO A segunda metade do século XIX experimenta um grande desenvolvimento científico e filosófico que ideologicamente vai influenciar as artes e a sociedade burguesa.
  • 65.
    O Positivismo deAugusto Conte dá as bases para a abordagem racional dos problemas sociais e humanos, inaugurando uma concepção científica da realidade.
  • 66.
    O Evolucionismo deCharles Darwin muda a concepção da origem e do desenvolvimento do homem, com base nas ciências naturais.
  • 67.
    O Determinismo deTaine revela que o homem e a sociedade são determinados pelos fatores meio, raça, instinto, hereditariedade e momento histórico.
  • 68.
    Karl Marx elaboraa teoria da luta de classe em que explica a evolução social por meio de um conflito permanente entre Burguesia e proletariado.
  • 69.
    Renan nega como seu livro O Poder da ciência a dimensão espiritual e metafísica do homem, reforçando o materialismo que os demais ramos do conhecimento já valorizavam. O REALISMO LITERÁRIOO Realismo literário se afastará da idealização romântica para abordar a realidade pelo ângulo da psicologia e da sociologia. O NATURALISMO LITERÁRIOO Naturalismo vai extrapolar o Realismo ao conceber a realidade e homem como determinados por fatores biopsicossocial. ASPECTOS TEMÁTICOS DO REALISMOAs relações sociais e afetivas das classes burguesas são os grandes temas da Literatura realista, vista pelo ângulo da psicologia e da sociologia.