Ciclos Econômicos e a Composição da Pobreza no Brasil Autor : Ricardo Agostini Martini Orientadora : Profa. Dra. Ana Maria Hermeto de Oliveira Co-Orientador : Prof. Dr. Frederico Gonzaga Jayme Jr.
Introdução Choques econômicos têm efeitos diferenciados sobre setores da economia e sobre agentes econômicos; mais pobres podem sofrer mais as crises. Brasil, de 1987 a 2005 apresentou grande variabilidade de desempenho macroeconômico e da proporção de pobres. Composição demográfica da pobreza: papel da discriminação de raça e gênero, da idade e do grau de escolaridade. Objetivo geral do trabalho: analisar e estimar, pela teoria e por dados empíricos, como que os choques econômicos afetam diferenciadamente os grupos demográficos associados à pobreza.
Introdução – 3 Questões Fundamentais 1) Quais grupos demográficos sofrem mais as recessões? 2) O crescimento econômico é suficiente para garantir a convergência de bem-estar entre diferentes grupos? 3) Quais políticas macroeconômicas estão mais associadas à pobreza e a sua amenização? Objetivos gerais dos capítulos.
A Economia da Pobreza: Aspectos Teóricos e Metodológicos Conceitos de Pobreza : Pobreza como privação; Pobreza absoluta, relativa e subjetiva; Abordagem multidimensional ( capabilities ); Abordagem microeconômica da pobreza. Mensuração da Pobreza : Critério da linha de pobreza;  poverty gap ; Critério da pobreza multidimensional; conjuntos  fuzzy .
Evolução da Pobreza na Economia Brasileira Contemporânea Década de 80 : elevação da pobreza no país: baixo crescimento e elevação das desigualdades. Efeitos regionais dos ciclos. Década de 90:  crise do plano Collor (1990-93); plano Real (1993-95); consolidação da estabilização (1995-1999). Redução da pobreza, concentração nas regiões urbanas. Década de 2000:  choques negativos (2001 a 2003), crescimento a partir de 2004. Papel da escolaridade e dos programas assistenciais sobre o bem-estar. Redução da desigualdade.
O Ambiente Macroeconômico e a Pobreza: Relações e Controvérsias Crescimento Econômico : aspectos qualitativos e quantitativos. Ciclos econômicos : instabilidade, choques e efeitos de amortecimento. Lei de Okun : bem-estar dos indivíduos mais pobres depende das condições do mercado de trabalho ao longo do tempo. Crescimento econômico reduz o desemprego e eleva o bem-estar social.
Desigualdade, Pobreza e Ciclos Econômicos: Aspectos Teóricos Por que os choques macroeconômicos afetam diferenciadamente os grupos de agentes e setores das economias? 1) Variação dos preços relativos; 2) Variação da demanda por mão-de-obra; histerese. 3) Exclusão financeira; variação da preferência pela liquidez das instituições financeiras; 4) Interação dos choques com as políticas públicas; 5) Efeitos dos choques sobre o capital social das comunidades; 6) Efeitos regionais dos choques; 7) Condições iniciais das famílias (renda e capital); mais pobres são mais vulneráveis a crises; 8) Concentração de renda e crescimento pró-pobre.
Crescimento Econômico e Pobreza: Does the Rise Tide Lift All Boats? Eco. Desenvolvidas : Direção do crescimento depende da empregabilidade dos indivíduos e das instituições do mercado de trabalho. Eco. Subdesenvolvidas : importância das políticas macroeconômicas e da exclusão social. Perspectivas demográficas : papel do sexo, da raça, da idade e do nível educacional. Alternativas Políticas : políticas macroeconômicas e sociais. Caso Brasileiro : concentração de renda; inflação e desemprego; impacto diferenciado de choques para os pobres e os trabalhadores mais jovens.
Metodologia Critério de bem-estar: linhas de pobreza por UF e renda familiar per capita real. Dados: PNADs trianuais de 1987 a 2005, mais indicadores de política econômica. Dados em nível individual e em médias de coortes. Amostra: 985.669 observações de pessoas entre 25 e 60 anos de idade. 1.680 coortes, de acordo com a raça, o sexo, grupos de anos de estudo e de idade. Modelo econométrico: Y it  =  β 0i  +  β 1 X it  +  β 2 Z it  + a i  + e it Em que Y it  é a variável de resposta, X it  corresponde a um vetor de variáveis de interesse, Z it  corresponde a um vetor de variáveis de controle, a i  corresponde a efeitos individuais fixos não-observados e e it  é o termo de erro aleatório. Variáveis de controle: indicadores de capital humano, variáveis sócio-econômicas e demográficas.
Modelos Econométricos y it  = α it  + β 0  + β 1 X it  + e it y it  = α it  + β 0  + β 1 X it  + β 2 D it  + e it y it  = α it  + β 0  + β 1 X it  + β 2 D it  + β 3 Z 1it  + e it y it  =  α it  +  β 0  +  β 1 X it  +  β 2 D it  +  β 3 Z 1it  + P it  + e it y it  =  α it  +  β 0  +  β 1 X it  +  β 2 D it  +  β 3 Z 2it  + e it y it  =  α it  +  β 0  +  β 1 X it  +  β 2 D it  +  β 3 Z 2it  + P it  + e it
Variáveis de Interesse – Indicadores de Ciclos Econômicos Valor da posição de cada ano no ciclo de recessão Posição no Ciclo de Recessão pos_ciclo_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 11 a 15 anos de estudo. Indivíduos com 11 a 15 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_11a15_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 8 a 10 anos de estudo. Indivíduos com 8 a 10 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_8a10_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 4 a 7 anos de estudo. Indivíduos com 4 a 7 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_4a7_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 0 a 3 anos de estudo. Indivíduos com 0 a 3 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_0a3_r Interação entre os anos de recessão e a raça dos indivíduos. Raça nos Anos de Recessão raca_r Interação entre os anos de recessão e a chefia do domicílio por mulher. Domicílios Chefiados por Mulheres nos Anos de Recessão chefem_r Valor da posição de cada ano no ciclo de expansão Posição no Ciclo de Expansão pos_ciclo_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 11 a 15 anos de estudo. Indivíduos com 11 a 15 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_11a15_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 8 a 10 anos de estudo. Indivíduos com 8 a 10 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_8a10_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 4 a 7 anos de estudo. Indivíduos com 4 a 7 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_4a7_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 0 a 3 anos de estudo. Indivíduos com 0 a 3 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_0a3_e Interação entre os anos de expansão e a raça dos indivíduos. Raça nos Anos de Expansão raca_e Interação entre os anos de expansão e a chefia do domicílio por mulher. Domicílios Chefiados por Mulheres nos Anos de Expansão chefem_e Descrição Nome Variável
Variáveis de Interesse – Indicadores de Política Econômica Diferença entre as receitas totais da União e o gasto primário, como proporção do PIB. Superávit Primário s_primario Gastos totais da União, descontados os pagamentos de juros da dívida, como proporção do PIB. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional. Gasto Público Primário g_primario Gastos da União com educação, cultura, saúde, saneamento, assistência e previdência como proporção do PIB. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional. Gasto Público Social g_social Taxa média de juros Selic ao ano, descontada a inflação. Fonte: BCB-DEMAB. Taxa Selic Real selic_real Inflação acumulada ao ano. Fonte: IPEA-DATA. Índice de Preços ao Consumidor Acumulado ipca Descrição Nome Variável
Procedimentos Econométricos Regressão Logística : modelo de variáveis dependentes binárias. Modelo parte da linearização da função de distribuição de Bernoulli: Modelos de dados em painel: acompanhamento dos mesmos indivíduos ao longo do tempo. Problema de variáveis omitidas, relacionado com a heterogeneidade dos indivíduos da amostra. MQOE: supõe que os fatores individuais não-observados não são correlacionados com os regressores. Modelo é estimado como em cross-section: Y it  =  α  + X it ’ β  + u it   i = 1, ..., N  t = 1, …, T
Procedimentos Econométricos Modelo de Efeitos Fixos:  supõe que a heterogeneidade individual é fixa no tempo. O viés de variável omitida é controlado pela subtração do modelo de sua média ao longo do tempo. Pseudo-painel:  baseia-se na observação de variáveis organizadas por coortes seccionais repetidas. Grupos de observações são seguidos ao longo do tempo, e não unidades de cross-section. Indivíduos são agregadas em coortes de acordo com suas características. Cada coorte apresenta o valor médio de seus indivíduos .
Modelos por Coortes MQOE tem a vantagem de permitir que se trabalhe com amostras maiores, obtendo-se estimadores mais precisos e estatísticas de teste mais poderosas. Porém, método supõe que as observações são independentemente distribuídas ao longo do tempo. Essa hipótese pode ser forte, se houver fatores não-observads que afetam as variáveis de interesse. Estimadores podem apresentar viés de heterogeneidade, pela omissão de variáveis constantes no tempo. Heterogeneidade individual é controlada pela agregação dos indivíduos em grupos, de acordo com suas características fixas ao longo do tempo: sexo, raça, escolaridade e grupos de idade. Técnica de pseudo-painel consiste em acompanhar o comportamento desses grupos ao longo do tempo, pela construção de um novo banco de dados em que as observações são as médias dos grupos.
Evolução dos Indicadores Sócio-Econômicos, em Porcentagem (1987-2005)
Proporção de Pobres nas Regiões Brasileiras (1987-2005)
Evolução da Proporção de Pobres por Grupos de Idade (1987-2005)
Evolução da Renda Familiar Real per Capita por Grupos de Idade (1987-2005)
Evolução da Taxa de Desemprego por Grupos de Idade (1987-2005)
Descrição dos Ciclos Macroeconômicos Estabilidade monetária e crescimento econômico internacionais. Expansão 2008 2004 7 “ Apagão”; crise na Argentina; pânico financeiro pré-eleitoral. Desaceleração 2003 2001 6 Real desvalorizado; estabilização externa. Expansão 2000 2000 5 Crises financeiras na Ásia e na Rússia; pressão sobre taxa cambial sobre-valorizada; taxas de juros crescentes. Desaceleração 1999 1996 4 Plano Real; atração de capitais externos; expansão do consumo. Expansão 1995 1994 3 Plano Collor; contração monetária severa; abertura econômica externa. Desaceleração 1993 1990 2 Recuperação econômica após a crise da dívida externa; Plano Cruzado; estabilização monetária momentânea; políticas expansionistas. Expansão 1987 1984 1 Fatos Relevantes: Movimento Final Início Ciclo
Evolução dos Indicadores Fiscais (1987-1990)
Resultados: Modelo de Regressão Logística de Pobreza Pobreza positivamente relacionada ao desemprego, inatividade, poucos anos de estudo e menor idade. Mais pobres: trabalhadores no setor informal e em tempo não-integral. Grupos de ocupação: mais pobres são os trabalhadores do setor de serviços. Características demográficas mais associadas à pobreza: homens, negros, residência rural, famílias numerosas, chefia por mulher, coortes mais jovens. Ciclos negativos afetam mais intensamente os grupos demográficos associados a menor educação; sexo e raça são não-significativos. Expansões econômicas beneficiam mais os grupos de maior escolaridade. Inflação e gastos sociais reduzem pobreza; gastos primários e superávit primário aumentam a pobreza. Juros são não-significantes.
Resultados: Modelo MQOE de Renda Familiar Real Per Capita Resultados semelhantes ao exercício anterior. Inatividade positiva: efeitos regionais das linhas de pobreza. Trabalhadores de menor renda: transportes e indústria. Variabilidade negativa na décade de 90. Expansões viesadas para os negros e os grupos de maior escolaridade. Recessões são sofridas mais pelos brancos e pelos grupos de menor escolaridade. Inflação, gasto primário da União e superávit primário reduzem renda. Gasto social e taxa de juros aumentam a renda.
Conclusões Gerais dos Modelos de Nível Individual Tendência estável de convergência de bem-estar entre negros e brancos e entre famílias chefiadas por mulheres e as demais. Empobrecimento relativo dos trabalhadores de menor qualificação. Crecimento é viesado aos de maior escolaridade. Política mais associada a variações do bem-estar: política fiscal. Impacto da inflação e da taxa de juros é ambíguo.
Resultados: Modelo de Pseudo-Painel para a Pobreza Resultados semelhantes aos de nível individual. Mas, como o banco de dados e a sua variabilidade é menor, algumas variáveis perderam significância. Expansões beneficiam grupos de menor escolaridade (crescimento pró-pobre) Mas coortes podem ter problemas de composição. Recessões prejudicam mais os menos escolarizados. Inclusão das variáveis de políticas tiram a significância das coortes. Política fiscal afeta a pobreza. Inflação reduz a pobreza e taxa de juros tem efeito muito suave.
Resultados: Modelos de Pseudo-Painel para a Renda Familiar Real Per Capita Muitas variáveis apresentaram sinais invertidos em relação aos demais exercícios. Provável problema de composição das coortes e de correlação entre variáveis. Coortes mais jovens tendem a ter menos renda. Inclusão de políticas macroeconômicas tiram toda sua significância. Expansões beneficiam mais as famílias não chefiadas por mulheres. Recessões prejudicam as famílias não chefiadas por mulheres e os grupos de menor escolaridade. Política fiscal pouco significante e com sinais invertidos. Taxa de juros eleva a renda e inflação a diminui.
Conclusões Gerais dos Modelos de Pseudo-Painel Expansões beneficiam os grupos de menor escolaridade. Efeito sobre famílias chefiadas por mulheres é ambíguo. Recessões permitem convergência das famílias chefiadas por mulheres em relação as demais. Grupos de menor escolaridade saem mais prejudicados Política fiscal afeta bem-estar. Inflação negativamente relacionada com a pobreza, mas ela não segue os ciclos macroeconômicos. Taxa de juros tem efeito suave de melhora do bem-estar das famílias.
Considerações Finais 1) Quem sofre mais as recessões? Indivíduos de menor escolaridade. Causas: variação da demanda por mão-de-obra, efeito sobre políticas públicas (1993), informalidade e exclusão financeira. 2) Quem é mais beneficiado pelo crescimento? Indivíduos de maior escolaridade e mais idade. Causas: expectativas adversas, concentração de renda, reestruturação produtiva, efeito-renda negativo sobre famílias. 3) Quais políticas macroeconômicas estão mais correlacionadas com o bem-estar? Política fiscal. Política monetária é incerta. Teoria do crescimento pró-pobre: choques macroeconômicos devem ser administrados de modo a não prejudicar população pobre. Políticas sociais devem ser utilizadas para amortecer esse impacto.
Considerações Finais Resultados dos modelos de coortes: recessões prejudicam mais os menos escolarizados e os mais jovens; expansões beneficiam os menos escolarizados e os de mais idade. Política fiscal é mais efetiva para a pobreza. Próximo passo da pesquisa: uso de indicador multidimensional para mensurar a pobreza. Método permitirá diferenciar os casos de pobreza transitória (associada à empregabilidade) da pobreza crônica (associada à exclusão social).

Ciclos Econômicos e a Composição da Pobreza no Brasil

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    Ciclos Econômicos ea Composição da Pobreza no Brasil Autor : Ricardo Agostini Martini Orientadora : Profa. Dra. Ana Maria Hermeto de Oliveira Co-Orientador : Prof. Dr. Frederico Gonzaga Jayme Jr.
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    Introdução Choques econômicostêm efeitos diferenciados sobre setores da economia e sobre agentes econômicos; mais pobres podem sofrer mais as crises. Brasil, de 1987 a 2005 apresentou grande variabilidade de desempenho macroeconômico e da proporção de pobres. Composição demográfica da pobreza: papel da discriminação de raça e gênero, da idade e do grau de escolaridade. Objetivo geral do trabalho: analisar e estimar, pela teoria e por dados empíricos, como que os choques econômicos afetam diferenciadamente os grupos demográficos associados à pobreza.
  • 3.
    Introdução – 3Questões Fundamentais 1) Quais grupos demográficos sofrem mais as recessões? 2) O crescimento econômico é suficiente para garantir a convergência de bem-estar entre diferentes grupos? 3) Quais políticas macroeconômicas estão mais associadas à pobreza e a sua amenização? Objetivos gerais dos capítulos.
  • 4.
    A Economia daPobreza: Aspectos Teóricos e Metodológicos Conceitos de Pobreza : Pobreza como privação; Pobreza absoluta, relativa e subjetiva; Abordagem multidimensional ( capabilities ); Abordagem microeconômica da pobreza. Mensuração da Pobreza : Critério da linha de pobreza; poverty gap ; Critério da pobreza multidimensional; conjuntos fuzzy .
  • 5.
    Evolução da Pobrezana Economia Brasileira Contemporânea Década de 80 : elevação da pobreza no país: baixo crescimento e elevação das desigualdades. Efeitos regionais dos ciclos. Década de 90: crise do plano Collor (1990-93); plano Real (1993-95); consolidação da estabilização (1995-1999). Redução da pobreza, concentração nas regiões urbanas. Década de 2000: choques negativos (2001 a 2003), crescimento a partir de 2004. Papel da escolaridade e dos programas assistenciais sobre o bem-estar. Redução da desigualdade.
  • 6.
    O Ambiente Macroeconômicoe a Pobreza: Relações e Controvérsias Crescimento Econômico : aspectos qualitativos e quantitativos. Ciclos econômicos : instabilidade, choques e efeitos de amortecimento. Lei de Okun : bem-estar dos indivíduos mais pobres depende das condições do mercado de trabalho ao longo do tempo. Crescimento econômico reduz o desemprego e eleva o bem-estar social.
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    Desigualdade, Pobreza eCiclos Econômicos: Aspectos Teóricos Por que os choques macroeconômicos afetam diferenciadamente os grupos de agentes e setores das economias? 1) Variação dos preços relativos; 2) Variação da demanda por mão-de-obra; histerese. 3) Exclusão financeira; variação da preferência pela liquidez das instituições financeiras; 4) Interação dos choques com as políticas públicas; 5) Efeitos dos choques sobre o capital social das comunidades; 6) Efeitos regionais dos choques; 7) Condições iniciais das famílias (renda e capital); mais pobres são mais vulneráveis a crises; 8) Concentração de renda e crescimento pró-pobre.
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    Crescimento Econômico ePobreza: Does the Rise Tide Lift All Boats? Eco. Desenvolvidas : Direção do crescimento depende da empregabilidade dos indivíduos e das instituições do mercado de trabalho. Eco. Subdesenvolvidas : importância das políticas macroeconômicas e da exclusão social. Perspectivas demográficas : papel do sexo, da raça, da idade e do nível educacional. Alternativas Políticas : políticas macroeconômicas e sociais. Caso Brasileiro : concentração de renda; inflação e desemprego; impacto diferenciado de choques para os pobres e os trabalhadores mais jovens.
  • 9.
    Metodologia Critério debem-estar: linhas de pobreza por UF e renda familiar per capita real. Dados: PNADs trianuais de 1987 a 2005, mais indicadores de política econômica. Dados em nível individual e em médias de coortes. Amostra: 985.669 observações de pessoas entre 25 e 60 anos de idade. 1.680 coortes, de acordo com a raça, o sexo, grupos de anos de estudo e de idade. Modelo econométrico: Y it = β 0i + β 1 X it + β 2 Z it + a i + e it Em que Y it é a variável de resposta, X it corresponde a um vetor de variáveis de interesse, Z it corresponde a um vetor de variáveis de controle, a i corresponde a efeitos individuais fixos não-observados e e it é o termo de erro aleatório. Variáveis de controle: indicadores de capital humano, variáveis sócio-econômicas e demográficas.
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    Modelos Econométricos yit = α it + β 0 + β 1 X it + e it y it = α it + β 0 + β 1 X it + β 2 D it + e it y it = α it + β 0 + β 1 X it + β 2 D it + β 3 Z 1it + e it y it = α it + β 0 + β 1 X it + β 2 D it + β 3 Z 1it + P it + e it y it = α it + β 0 + β 1 X it + β 2 D it + β 3 Z 2it + e it y it = α it + β 0 + β 1 X it + β 2 D it + β 3 Z 2it + P it + e it
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    Variáveis de Interesse– Indicadores de Ciclos Econômicos Valor da posição de cada ano no ciclo de recessão Posição no Ciclo de Recessão pos_ciclo_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 11 a 15 anos de estudo. Indivíduos com 11 a 15 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_11a15_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 8 a 10 anos de estudo. Indivíduos com 8 a 10 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_8a10_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 4 a 7 anos de estudo. Indivíduos com 4 a 7 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_4a7_r Interação entre os anos de recessão e os indivíduos com 0 a 3 anos de estudo. Indivíduos com 0 a 3 Anos de Estudo nos Anos de Recessão escol_0a3_r Interação entre os anos de recessão e a raça dos indivíduos. Raça nos Anos de Recessão raca_r Interação entre os anos de recessão e a chefia do domicílio por mulher. Domicílios Chefiados por Mulheres nos Anos de Recessão chefem_r Valor da posição de cada ano no ciclo de expansão Posição no Ciclo de Expansão pos_ciclo_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 11 a 15 anos de estudo. Indivíduos com 11 a 15 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_11a15_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 8 a 10 anos de estudo. Indivíduos com 8 a 10 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_8a10_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 4 a 7 anos de estudo. Indivíduos com 4 a 7 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_4a7_e Interação entre os anos de expansão e os indivíduos com 0 a 3 anos de estudo. Indivíduos com 0 a 3 Anos de Estudo nos Anos de Expansão escol_0a3_e Interação entre os anos de expansão e a raça dos indivíduos. Raça nos Anos de Expansão raca_e Interação entre os anos de expansão e a chefia do domicílio por mulher. Domicílios Chefiados por Mulheres nos Anos de Expansão chefem_e Descrição Nome Variável
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    Variáveis de Interesse– Indicadores de Política Econômica Diferença entre as receitas totais da União e o gasto primário, como proporção do PIB. Superávit Primário s_primario Gastos totais da União, descontados os pagamentos de juros da dívida, como proporção do PIB. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional. Gasto Público Primário g_primario Gastos da União com educação, cultura, saúde, saneamento, assistência e previdência como proporção do PIB. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional. Gasto Público Social g_social Taxa média de juros Selic ao ano, descontada a inflação. Fonte: BCB-DEMAB. Taxa Selic Real selic_real Inflação acumulada ao ano. Fonte: IPEA-DATA. Índice de Preços ao Consumidor Acumulado ipca Descrição Nome Variável
  • 13.
    Procedimentos Econométricos RegressãoLogística : modelo de variáveis dependentes binárias. Modelo parte da linearização da função de distribuição de Bernoulli: Modelos de dados em painel: acompanhamento dos mesmos indivíduos ao longo do tempo. Problema de variáveis omitidas, relacionado com a heterogeneidade dos indivíduos da amostra. MQOE: supõe que os fatores individuais não-observados não são correlacionados com os regressores. Modelo é estimado como em cross-section: Y it = α + X it ’ β + u it i = 1, ..., N t = 1, …, T
  • 14.
    Procedimentos Econométricos Modelode Efeitos Fixos: supõe que a heterogeneidade individual é fixa no tempo. O viés de variável omitida é controlado pela subtração do modelo de sua média ao longo do tempo. Pseudo-painel: baseia-se na observação de variáveis organizadas por coortes seccionais repetidas. Grupos de observações são seguidos ao longo do tempo, e não unidades de cross-section. Indivíduos são agregadas em coortes de acordo com suas características. Cada coorte apresenta o valor médio de seus indivíduos .
  • 15.
    Modelos por CoortesMQOE tem a vantagem de permitir que se trabalhe com amostras maiores, obtendo-se estimadores mais precisos e estatísticas de teste mais poderosas. Porém, método supõe que as observações são independentemente distribuídas ao longo do tempo. Essa hipótese pode ser forte, se houver fatores não-observads que afetam as variáveis de interesse. Estimadores podem apresentar viés de heterogeneidade, pela omissão de variáveis constantes no tempo. Heterogeneidade individual é controlada pela agregação dos indivíduos em grupos, de acordo com suas características fixas ao longo do tempo: sexo, raça, escolaridade e grupos de idade. Técnica de pseudo-painel consiste em acompanhar o comportamento desses grupos ao longo do tempo, pela construção de um novo banco de dados em que as observações são as médias dos grupos.
  • 16.
    Evolução dos IndicadoresSócio-Econômicos, em Porcentagem (1987-2005)
  • 17.
    Proporção de Pobresnas Regiões Brasileiras (1987-2005)
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    Evolução da Proporçãode Pobres por Grupos de Idade (1987-2005)
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    Evolução da RendaFamiliar Real per Capita por Grupos de Idade (1987-2005)
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    Evolução da Taxade Desemprego por Grupos de Idade (1987-2005)
  • 21.
    Descrição dos CiclosMacroeconômicos Estabilidade monetária e crescimento econômico internacionais. Expansão 2008 2004 7 “ Apagão”; crise na Argentina; pânico financeiro pré-eleitoral. Desaceleração 2003 2001 6 Real desvalorizado; estabilização externa. Expansão 2000 2000 5 Crises financeiras na Ásia e na Rússia; pressão sobre taxa cambial sobre-valorizada; taxas de juros crescentes. Desaceleração 1999 1996 4 Plano Real; atração de capitais externos; expansão do consumo. Expansão 1995 1994 3 Plano Collor; contração monetária severa; abertura econômica externa. Desaceleração 1993 1990 2 Recuperação econômica após a crise da dívida externa; Plano Cruzado; estabilização monetária momentânea; políticas expansionistas. Expansão 1987 1984 1 Fatos Relevantes: Movimento Final Início Ciclo
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    Evolução dos IndicadoresFiscais (1987-1990)
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    Resultados: Modelo deRegressão Logística de Pobreza Pobreza positivamente relacionada ao desemprego, inatividade, poucos anos de estudo e menor idade. Mais pobres: trabalhadores no setor informal e em tempo não-integral. Grupos de ocupação: mais pobres são os trabalhadores do setor de serviços. Características demográficas mais associadas à pobreza: homens, negros, residência rural, famílias numerosas, chefia por mulher, coortes mais jovens. Ciclos negativos afetam mais intensamente os grupos demográficos associados a menor educação; sexo e raça são não-significativos. Expansões econômicas beneficiam mais os grupos de maior escolaridade. Inflação e gastos sociais reduzem pobreza; gastos primários e superávit primário aumentam a pobreza. Juros são não-significantes.
  • 24.
    Resultados: Modelo MQOEde Renda Familiar Real Per Capita Resultados semelhantes ao exercício anterior. Inatividade positiva: efeitos regionais das linhas de pobreza. Trabalhadores de menor renda: transportes e indústria. Variabilidade negativa na décade de 90. Expansões viesadas para os negros e os grupos de maior escolaridade. Recessões são sofridas mais pelos brancos e pelos grupos de menor escolaridade. Inflação, gasto primário da União e superávit primário reduzem renda. Gasto social e taxa de juros aumentam a renda.
  • 25.
    Conclusões Gerais dosModelos de Nível Individual Tendência estável de convergência de bem-estar entre negros e brancos e entre famílias chefiadas por mulheres e as demais. Empobrecimento relativo dos trabalhadores de menor qualificação. Crecimento é viesado aos de maior escolaridade. Política mais associada a variações do bem-estar: política fiscal. Impacto da inflação e da taxa de juros é ambíguo.
  • 26.
    Resultados: Modelo dePseudo-Painel para a Pobreza Resultados semelhantes aos de nível individual. Mas, como o banco de dados e a sua variabilidade é menor, algumas variáveis perderam significância. Expansões beneficiam grupos de menor escolaridade (crescimento pró-pobre) Mas coortes podem ter problemas de composição. Recessões prejudicam mais os menos escolarizados. Inclusão das variáveis de políticas tiram a significância das coortes. Política fiscal afeta a pobreza. Inflação reduz a pobreza e taxa de juros tem efeito muito suave.
  • 27.
    Resultados: Modelos dePseudo-Painel para a Renda Familiar Real Per Capita Muitas variáveis apresentaram sinais invertidos em relação aos demais exercícios. Provável problema de composição das coortes e de correlação entre variáveis. Coortes mais jovens tendem a ter menos renda. Inclusão de políticas macroeconômicas tiram toda sua significância. Expansões beneficiam mais as famílias não chefiadas por mulheres. Recessões prejudicam as famílias não chefiadas por mulheres e os grupos de menor escolaridade. Política fiscal pouco significante e com sinais invertidos. Taxa de juros eleva a renda e inflação a diminui.
  • 28.
    Conclusões Gerais dosModelos de Pseudo-Painel Expansões beneficiam os grupos de menor escolaridade. Efeito sobre famílias chefiadas por mulheres é ambíguo. Recessões permitem convergência das famílias chefiadas por mulheres em relação as demais. Grupos de menor escolaridade saem mais prejudicados Política fiscal afeta bem-estar. Inflação negativamente relacionada com a pobreza, mas ela não segue os ciclos macroeconômicos. Taxa de juros tem efeito suave de melhora do bem-estar das famílias.
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    Considerações Finais 1)Quem sofre mais as recessões? Indivíduos de menor escolaridade. Causas: variação da demanda por mão-de-obra, efeito sobre políticas públicas (1993), informalidade e exclusão financeira. 2) Quem é mais beneficiado pelo crescimento? Indivíduos de maior escolaridade e mais idade. Causas: expectativas adversas, concentração de renda, reestruturação produtiva, efeito-renda negativo sobre famílias. 3) Quais políticas macroeconômicas estão mais correlacionadas com o bem-estar? Política fiscal. Política monetária é incerta. Teoria do crescimento pró-pobre: choques macroeconômicos devem ser administrados de modo a não prejudicar população pobre. Políticas sociais devem ser utilizadas para amortecer esse impacto.
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    Considerações Finais Resultadosdos modelos de coortes: recessões prejudicam mais os menos escolarizados e os mais jovens; expansões beneficiam os menos escolarizados e os de mais idade. Política fiscal é mais efetiva para a pobreza. Próximo passo da pesquisa: uso de indicador multidimensional para mensurar a pobreza. Método permitirá diferenciar os casos de pobreza transitória (associada à empregabilidade) da pobreza crônica (associada à exclusão social).