Sumário:
1. Apresentação dadisciplina e do programa
1.2. O que é a macroeconomia
1.3. Macroeconomia versus microeconomia
Sumário:
Bibliografia
• Site da disciplina
• Lições, cap. 1
• http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/2860
3.
Objetivos:
• O queé a macroeconomia: continuação;
• A especificidade da macroeconomia;
• A importância da macroeconomia no contexto atual.
Objetivos da aula:
John Maynard Keynes
(1883-1946)
“JohnMaynard Keynes &
Lydia Lopokova”,
óleo sobre tela de William
Roberts (1895 – 1980),
National Portrait Gallery,
Londres
A “revolução” Keynesiana
6.
A CRISE DOSANOS 30: CRISE ECONÓMICA,CRISE DA
TEORIA,CRISE DA IDEIA DE NÃO INTERVENÇÃO DO
ESTADO
EUA RU FRANÇA ALEMANHA
Prod.
Indust.
-46% -23% -24% -41%
Preços -32% -33% -34% -29%
Com. Inter. -70% -60% -54% -61%
Desempre
go
+607% +129% +214% +232%
Fonte: Jerome Blum, Rondo Cameron,Thomas G. Barnes, (1970). The EuropeanWorld:a
History, Boston: Little, Brown, p. 885.
ALGUNS DADOS
➢Taxa de desemprego nos EUA: 25%
4/22/2025 6
8.
“Para além disso,o argumento de que o desemprego que caracteriza um
período de depressão se deve à recusa da mão-de-obra em aceitar uma
diminuição dos salários nominais não é claramente sustentada pelos
factos. Não é muito plausível afirmar que o desemprego nos Estados
Unidos em 1932 se deveu quer a uma obstinada recusa por parte dos
trabalhadores de aceitarem uma diminuição dos salários nominais, quer
por exigirem obstinadamente um salário real superior ao que permitia a
produtividade do sistema económico.” (T.G., 2010, Lisboa: Relógio
d’Água. pp.38-39)
Crítica ao “desemprego voluntário”
9.
“Os teóricos daescola clássica lembram geómetras euclideanos num
mundo não euclideano que, tendo descoberto que, na realidade, as
linhas aparentemente paralelas se encontram com muita frequência, as
repreendem por não se conservarem rectas como único remédio para as
infelizes intersecções que se produzem. No entanto, de facto, não há
remédio nenhum senão rejeitar o axioma das paralelas e elaborar uma
geometria não euclideana. A ciência económica reclama hoje uma
medida desse género.” (op. cit. pp. 44-45)
Crítica à “lei de Say”
10.
• Os mercadosnão são eficientes
• A oferta não cria a sua própria procura; a lei de Say é uma tautologia.
• O desemprego não é voluntário é involuntário.
• A propensão marginal para o consumo é decrescente.
• Não existe nenhum mecanismo automático que determine o nível de
investimento necessário.
• A taxa de juro não ajusta automaticamente a poupança e o
investimento.
É necessário compreender os grandes agregados da
economia (Macroeconomia).
É necessária a intervenção do Estado (Política Económica).
Nascimento da macroeconomia
11.
David Hume (Filósofoescocês, 1711-1776)
Fixou uma das primeiras grandes relações macroeconómicas – a relação entre
quantidade de moeda, a balança comercial e o nível de preços numa dada
economia,que ficou consagrada como a
ABORDAGEM MONETÁRIA DA BALANÇA DE PAGAMENTOS.
Em termos práticos surge no início do século XX, com:
• Necessidade de melhorar o conhecimento estatístico (indemnizações da
Alemanha na 1ª Guerra Mundial, retorno ao padrão-ouro);
• Criação do NBER nos EUA e trabalhos de Simon Kuznets (anos 20) sobre o
crescimento e séries estatísticas;
• Estudos do ciclo económco de Wesley C. Mitchell (anos 30).
Ainda alguns antecedentes importantes:
12.
• Afirmação damacroeconomia e da política económica.
• A reconstrução das economias criou o meio adequado.
• Plano Marshall foi o grande veículo.
• As organizações internacionais contribuiram decisivamente
(OECE/OCDE).
(Portugal adere à OCDE em 1961)
• O forte crescimento verificado no período ajudou à
hegemonização a nova visão.
• Acreditou-se no capitalismo pós-cíclico (fine tuning).
Período do pós-guerra:
13.
➢ PROMOÇÃO DAEFICIÊNCIA
• Concorrência imperfeita
• Externalidades
• Bens públicos
➢ REDISTRIBUIÇÃO DO RENDIMENTO
• Impostos
• Equidade
➢ GESTÃO DA MACROECONOMIA
• Políticas de estabilização
• Flutuações do produto
• Inflação
• Desemprego
• Desequilibrio externo
• Estímulo ao crescimento
CONSENSO SOBRE O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO:
Evolução do preçodo petróleo: crude
The current price of
WTI crude oil
as of February 02, 2023
is $76.33 per barrel.
Fonte: https://www.macrotrends.net/1369/crude-oil-price-history-chart
16.
Novamente a crise:1973 - 1974
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
10
12
Aleman. Ocid. França Portugal Reino Unido EUA Japão
1972 1973 1974 1975 1976
Evolução do PIB: taxa de variação anual (%)
(preços constantes de 2011)
Fonte: AMECO, fev. 2019
17.
0
5
10
15
20
25
30
Alemanha França Portugalreino Unido EUA Japão
1972 1973 1974 1975 1976
Evolução da inflação (IPC): taxa de variação anual (%)
Fonte: AMECO, fev. 2019
Um novo fenómeno: estagflação
O debate reacendeu-seexprimindo-se nas diferentes perspetivas
relativamente às causas da crise e ao modo de atacar os problemas:
➢De um lado temos a resposta pela austeridade, considerada
condição prévia para a retoma da atividade económica
(austeridade expansionsita);
➢Do outro lado, temos a resposta pelo estímulo à economia (a
política monetária esgotou-se; a política orçamental deve
comandar a retoma);
Acompanhar Krugman e Stieglitz versus Barro e Cochrane;
“saltwater economists” versus “freshwater economists”.
A crise de 2008 - 2009 : a grande recessão
Waltraud Maier andHeide Sickinger enjoy their Swabian housewife roles in
Gerlingen, near Stuttgart – and would never buy on credit. Photograph:
Frederick Florin/AFP
Angela Merkel's austerity poster girl, the
thrifty Swabian housewife.
22.
É a poupançaque gera o investimento, ou o
investimento que gera a poupança?
O paradoxo da poupança:
23.
Macroeconomia:
• Estudo dofuncionamento e desempenho das economias
numa perspetiva global, ou como um todo …
… e das políticas que as autoridades podem adotar para
melhorar esse desempenho.
Políticas macroeconómicas:
• Ações das autoridades concebidas para alterar o
desempenho da economia como um todo.
Macroeconomia e políticas macroeconómicas
24.
Principais Problemas Macroeconómicos
•Crescimento económico e níveis de vida.
• Produtividade.
• Recessões e expansões: ciclos económicos
• Desemprego.
• Inflação/deflação.
• Interdependência económicas dos países.
• Integração económica
Problemas macroeconómicos:
25.
Produto por habitante:
•O crescimento do produto pode não se traduzir no crescimento
do produto por habitante...
... se a população tiver também aumentado.
Desta forma, o produto por habitante é um melhor indicador
do nível de vida médio.
Produtividade (média do trabalho):
• Produto por trabalhador empregado.
Crescimento:
• Percentagem depessoas que gostariam de, e
poderiam estar empregadas, mas não o estão.
• Importante indicador do estado do mercado de
trabalho e da situação económica geral.
Taxa de desemprego:
32.
Portugal:Taxa de desemprego,1960 – 2024
(Comparação com Espanha, União Europeia e Euro Área)
Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro 2023.
0
5
10
15
20
25
30
1960
1961
1962
1963
1964
1965
1966
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
European Union (15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal
Euro
33.
Inflação:
• Taxa devariação do índice geral de preços.
• Implica custos económicos de diversa índole.
• Recentemente, tem sido muito baixa...
Deflação
Inflação versus deflação
34.
Fontes: Ameco, ComissãoEuropeia (2014) e Valério (2001)
-20%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010
Taxa
de
Crescimento
Anos
Portugal:Taxa de inflação (IPC), 1900 - 2013
• As economiassão cada vez mais interdependentes.
• Comércio externo:
➢ Importações.
➢ Exportações.
• Movimentos financeiros.
• Integração económica e monetária:
➢ União Europeia.
➢ Zona do euro.
Interdependência entre países:
• Decisões quedeterminam o orçamento do
Estado (despesas e receitas públicas).
• Défice:
➢ Despesas excedem as receitas.
• Excedente:
➢ Receitas excedem as despesas.
• A política orçamental está limitada pela
capacidade de financiamento e…
… por acordos internacionais.
... E por programas de ajustamento (Troika)!
Política orçamental:
42.
• Determinação daoferta de moeda.
• Variações na oferta de moeda afetam:
➢ Taxas de juro (Atualmente a política monetária fixa
a taxa de juro diretamente).
➢ Produto interno.
➢ Emprego.
➢ Inflação.
➢ Preços dos ativos financeiros.
➢ Valor internacional da moeda nacional (euro).
• Na Zona do Euro, a política monetária é da
responsabilidade do Banco Central Europeu.
Política monetária:
43.
• Gestão dovalor externo da moeda nacional (taxa de câmbio).
• Variações na taxa de câmbio nominal afetam:
➢ A competitividade dos bens e serviços.
➢ Exportações e importações.
➢ Produto, emprego e inflação.
➢ Preços dos ativos financeiros.
➢ A capacidade de conduzir a política monetária.
• Na Zona do Euro, a política cambial é da responsabilidade do
Banco Central Europeu.
Política cambial:
44.
• Políticas governamentaisque se destinam a
alterar a estrutura ou as instituições da
economia nacional.
• Abrangem um vasto leque de medidas, desde
pequenas intervenções a reformas de fundo.
• As chamadas políticas estruturais têm tido um
foco predominante no mercado de trabalho e
são muito orientadas para a liberalização
económica e privatizações de empresas
públicas.
Políticas estruturais:
45.
Análise Positiva versusAnálise Normativa:
Análise positiva:
• Pretende-se analisar uma economia, tão objetivamente quanto possível, naquilo que ela
é, como funciona;
• e como reage às consequências das políticas adotadas, tanto quanto possível com
recurso à quantificação.
• Não se propõe fazer juízos de valor sobre se as consequências são
desejáveis.
Análise normativa:
• debruça sobre escolhas políticas, prioridades de ações governativas,
consequências de políticas adotadas, tendo como referência o sistema de
valores do analista. Depende dos valores de quem analisa.
• Um bolode aniversário não se reduz à soma dos seus
componentes, farinha, açúcar, ovos fermento, etc.;
• E dependendo de outros fatores, os mesmos componentes podem
dar origem a bolos muito diferentes;
• Ou, inclusive, um bolo incomestível se certos cuidados não forem
tidos em conta.
Macroeconomia versus microeconomia: analogias (I)
Um bolo de aniversário:
48.
A água:
• Conhecem-seas propriedades dos seus elementos, o
oxigénio e o hidrogénio.
• Todavia, este conhecimento, por mais desenvolvido que seja,
nada nos diz sobre as propriedades da água: o seu ponto de
ebulição, a sua temperatura de congelação, a sua densidade e
todas as outras.
• Ou seja, a água é muito mais que a soma de dois átomos de
hidrogénio com um átomo de oxigénio.
Macroeconomia versus microeconomia: analogias (II)
49.
Macroeconomia versus microeconomia:analogias (III)
• O próprio ser humano não pode ser considerado como o somatório
dos elementos que o compõem: músculos, ossos, pele, sistema
nervoso, sistema circulatório, etc.
• A totalidade ser humano transcende tudo isso: tem inteligência,
sentimentos, emoções, autoconsciência, capacidade de controlar os
seus próprios sistemas constitutivos.
• Estudar o ser humano, não se reduz a estudar cada um dos seus
sistemas.
O ser humano:
50.
Macroeconomia:
• Visão panorâmicada economia.
• Compreensão do sistema no seu conjunto.
Microeconomia:
• Visão próxima dos agentes económicos.
• Estudo do comportamento económico das famílias, das empresas e dos mercados.
Agregação:
• Combinação das variáveis económicas individuais para obter os totais do conjunto da
economia.
ATENÇÃO: A Macroeconomia não se reduz a uma agregação
da microeconomia.
O todo transcende a soma das partes!
Macroeconomia e Microeconomia: