ECONOMIA II
▪ 14.02.2023
Aula Teórica 02: O que é a macroeconomia
Sumário:
1. Apresentação da disciplina e do programa
1.2. O que é a macroeconomia
1.3. Macroeconomia versus microeconomia
Sumário:
Bibliografia
• Site da disciplina
• Lições, cap. 1
• http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/2860
Objetivos:
• O que é a macroeconomia: continuação;
• A especificidade da macroeconomia;
• A importância da macroeconomia no contexto atual.
Objetivos da aula:
O “nascimento” da
macroeconomia
John Maynard Keynes
(1883-1946)
“John Maynard Keynes &
Lydia Lopokova”,
óleo sobre tela de William
Roberts (1895 – 1980),
National Portrait Gallery,
Londres
A “revolução” Keynesiana
A CRISE DOS ANOS 30: CRISE ECONÓMICA,CRISE DA
TEORIA,CRISE DA IDEIA DE NÃO INTERVENÇÃO DO
ESTADO
EUA RU FRANÇA ALEMANHA
Prod.
Indust.
-46% -23% -24% -41%
Preços -32% -33% -34% -29%
Com. Inter. -70% -60% -54% -61%
Desempre
go
+607% +129% +214% +232%
Fonte: Jerome Blum, Rondo Cameron,Thomas G. Barnes, (1970). The EuropeanWorld:a
History, Boston: Little, Brown, p. 885.
ALGUNS DADOS
➢Taxa de desemprego nos EUA: 25%
4/22/2025 6
“Para além disso, o argumento de que o desemprego que caracteriza um
período de depressão se deve à recusa da mão-de-obra em aceitar uma
diminuição dos salários nominais não é claramente sustentada pelos
factos. Não é muito plausível afirmar que o desemprego nos Estados
Unidos em 1932 se deveu quer a uma obstinada recusa por parte dos
trabalhadores de aceitarem uma diminuição dos salários nominais, quer
por exigirem obstinadamente um salário real superior ao que permitia a
produtividade do sistema económico.” (T.G., 2010, Lisboa: Relógio
d’Água. pp.38-39)
Crítica ao “desemprego voluntário”
“Os teóricos da escola clássica lembram geómetras euclideanos num
mundo não euclideano que, tendo descoberto que, na realidade, as
linhas aparentemente paralelas se encontram com muita frequência, as
repreendem por não se conservarem rectas como único remédio para as
infelizes intersecções que se produzem. No entanto, de facto, não há
remédio nenhum senão rejeitar o axioma das paralelas e elaborar uma
geometria não euclideana. A ciência económica reclama hoje uma
medida desse género.” (op. cit. pp. 44-45)
Crítica à “lei de Say”
• Os mercados não são eficientes
• A oferta não cria a sua própria procura; a lei de Say é uma tautologia.
• O desemprego não é voluntário é involuntário.
• A propensão marginal para o consumo é decrescente.
• Não existe nenhum mecanismo automático que determine o nível de
investimento necessário.
• A taxa de juro não ajusta automaticamente a poupança e o
investimento.
É necessário compreender os grandes agregados da
economia (Macroeconomia).
É necessária a intervenção do Estado (Política Económica).
Nascimento da macroeconomia
David Hume (Filósofo escocês, 1711-1776)
Fixou uma das primeiras grandes relações macroeconómicas – a relação entre
quantidade de moeda, a balança comercial e o nível de preços numa dada
economia,que ficou consagrada como a
ABORDAGEM MONETÁRIA DA BALANÇA DE PAGAMENTOS.
Em termos práticos surge no início do século XX, com:
• Necessidade de melhorar o conhecimento estatístico (indemnizações da
Alemanha na 1ª Guerra Mundial, retorno ao padrão-ouro);
• Criação do NBER nos EUA e trabalhos de Simon Kuznets (anos 20) sobre o
crescimento e séries estatísticas;
• Estudos do ciclo económco de Wesley C. Mitchell (anos 30).
Ainda alguns antecedentes importantes:
• Afirmação da macroeconomia e da política económica.
• A reconstrução das economias criou o meio adequado.
• Plano Marshall foi o grande veículo.
• As organizações internacionais contribuiram decisivamente
(OECE/OCDE).
(Portugal adere à OCDE em 1961)
• O forte crescimento verificado no período ajudou à
hegemonização a nova visão.
• Acreditou-se no capitalismo pós-cíclico (fine tuning).
Período do pós-guerra:
➢ PROMOÇÃO DA EFICIÊNCIA
• Concorrência imperfeita
• Externalidades
• Bens públicos
➢ REDISTRIBUIÇÃO DO RENDIMENTO
• Impostos
• Equidade
➢ GESTÃO DA MACROECONOMIA
• Políticas de estabilização
• Flutuações do produto
• Inflação
• Desemprego
• Desequilibrio externo
• Estímulo ao crescimento
CONSENSO SOBRE O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO:
O fim da “Golden Age”
Evolução do preço do petróleo: crude
The current price of
WTI crude oil
as of February 02, 2023
is $76.33 per barrel.
Fonte: https://www.macrotrends.net/1369/crude-oil-price-history-chart
Novamente a crise: 1973 - 1974
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
10
12
Aleman. Ocid. França Portugal Reino Unido EUA Japão
1972 1973 1974 1975 1976
Evolução do PIB: taxa de variação anual (%)
(preços constantes de 2011)
Fonte: AMECO, fev. 2019
0
5
10
15
20
25
30
Alemanha França Portugal reino Unido EUA Japão
1972 1973 1974 1975 1976
Evolução da inflação (IPC): taxa de variação anual (%)
Fonte: AMECO, fev. 2019
Um novo fenómeno: estagflação
Crise do Keynesianismo
➔Reemergência do liberalismo
➔ prioridade ao lado da oferta
➔ políticas estruturais
Efeitos da crise dos anos 70:
O debate reacendeu-se exprimindo-se nas diferentes perspetivas
relativamente às causas da crise e ao modo de atacar os problemas:
➢De um lado temos a resposta pela austeridade, considerada
condição prévia para a retoma da atividade económica
(austeridade expansionsita);
➢Do outro lado, temos a resposta pelo estímulo à economia (a
política monetária esgotou-se; a política orçamental deve
comandar a retoma);
Acompanhar Krugman e Stieglitz versus Barro e Cochrane;
“saltwater economists” versus “freshwater economists”.
A crise de 2008 - 2009 : a grande recessão
O QUE É ENTÃO A
MACROECONOMIA?
Waltraud Maier and Heide Sickinger enjoy their Swabian housewife roles in
Gerlingen, near Stuttgart – and would never buy on credit. Photograph:
Frederick Florin/AFP
Angela Merkel's austerity poster girl, the
thrifty Swabian housewife.
É a poupança que gera o investimento, ou o
investimento que gera a poupança?
O paradoxo da poupança:
Macroeconomia:
• Estudo do funcionamento e desempenho das economias
numa perspetiva global, ou como um todo …
… e das políticas que as autoridades podem adotar para
melhorar esse desempenho.
Políticas macroeconómicas:
• Ações das autoridades concebidas para alterar o
desempenho da economia como um todo.
Macroeconomia e políticas macroeconómicas
Principais Problemas Macroeconómicos
• Crescimento económico e níveis de vida.
• Produtividade.
• Recessões e expansões: ciclos económicos
• Desemprego.
• Inflação/deflação.
• Interdependência económicas dos países.
• Integração económica
Problemas macroeconómicos:
Produto por habitante:
• O crescimento do produto pode não se traduzir no crescimento
do produto por habitante...
... se a população tiver também aumentado.
Desta forma, o produto por habitante é um melhor indicador
do nível de vida médio.
Produtividade (média do trabalho):
• Produto por trabalhador empregado.
Crescimento:
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
1100
1200
1530
1539
1548
1557
1566
1575
1584
1593
1602
1611
1620
1629
1638
1647
1656
1665
1674
1683
1692
1701
1710
1719
1728
1737
1746
1755
1764
1773
1782
1791
1800
1809
1818
1827
1836
1845
1854
1863
1872
1881
1890
1899
1908
1917
1926
1935
1944
1953
1962
1971
1980
1989
1998
2007
2016
Portugal: PIB Real per capita US$ 2011: 1530 - 2016
Indice: 1900 = 100
Fonte: Maddison Project Database,version 2018. Bolt, Jutta, Robert Inklaar, Herman de Jong and Jan Luiten
van Zanden (2018), www.ggdc.net
Crescimento: um fenómeno recente:
O crescimento não é constante:
• Recessões – abrandamento do crescimento económico.
• Depressões – recessões graves.
• Expansões – períodos de crescimento elevado.
Expansões e recessões:
-14
-12
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
10
12
14 1961
1962
1963
1964
1965
1966
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
European Union (15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal
Linear (Euro area (12 countries)) Linear (Spain) Linear (Portugal)
Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro, 2023.
PIB Real: Taxas de variação anual (1961 – 2024)
(2023 e 2024: Previsões)
Expansões e recessões
Euro
• Percentagem de pessoas que gostariam de, e
poderiam estar empregadas, mas não o estão.
• Importante indicador do estado do mercado de
trabalho e da situação económica geral.
Taxa de desemprego:
Portugal:Taxa de desemprego, 1960 – 2024
(Comparação com Espanha, União Europeia e Euro Área)
Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro 2023.
0
5
10
15
20
25
30
1960
1961
1962
1963
1964
1965
1966
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
European Union (15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal
Euro
Inflação:
• Taxa de variação do índice geral de preços.
• Implica custos económicos de diversa índole.
• Recentemente, tem sido muito baixa...
Deflação
Inflação versus deflação
Fontes: Ameco, Comissão Europeia (2014) e Valério (2001)
-20%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010
Taxa
de
Crescimento
Anos
Portugal:Taxa de inflação (IPC), 1900 - 2013
Fonte: AMECO, Comissão Europeia, fev. 2020.
Portugal: Inflação anual (IPC), 1961 – 2021
(Comparação com Espanha e Euro Área)
-4
-2
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
26
28
30
1961
1962
1963
1964
1965
1966
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
Portugal Espanha Euro área
EURO
• As economias são cada vez mais interdependentes.
• Comércio externo:
➢ Importações.
➢ Exportações.
• Movimentos financeiros.
• Integração económica e monetária:
➢ União Europeia.
➢ Zona do euro.
Interdependência entre países:
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
110
120
1960
1961
1962
1963
1964
1965
1966
1967
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
European Union (15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal
Portugal: grau de abertura da economia (%)
(Comparação com Espanha, União Europeia e Euro Área)
Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro 2023.
Euro
Políticas Macroeconómicas:
• Política monetária.
• Política orçamental.
• Política cambial.
• Políticas estruturais.
• Decisões que determinam o orçamento do
Estado (despesas e receitas públicas).
• Défice:
➢ Despesas excedem as receitas.
• Excedente:
➢ Receitas excedem as despesas.
• A política orçamental está limitada pela
capacidade de financiamento e…
… por acordos internacionais.
... E por programas de ajustamento (Troika)!
Política orçamental:
• Determinação da oferta de moeda.
• Variações na oferta de moeda afetam:
➢ Taxas de juro (Atualmente a política monetária fixa
a taxa de juro diretamente).
➢ Produto interno.
➢ Emprego.
➢ Inflação.
➢ Preços dos ativos financeiros.
➢ Valor internacional da moeda nacional (euro).
• Na Zona do Euro, a política monetária é da
responsabilidade do Banco Central Europeu.
Política monetária:
• Gestão do valor externo da moeda nacional (taxa de câmbio).
• Variações na taxa de câmbio nominal afetam:
➢ A competitividade dos bens e serviços.
➢ Exportações e importações.
➢ Produto, emprego e inflação.
➢ Preços dos ativos financeiros.
➢ A capacidade de conduzir a política monetária.
• Na Zona do Euro, a política cambial é da responsabilidade do
Banco Central Europeu.
Política cambial:
• Políticas governamentais que se destinam a
alterar a estrutura ou as instituições da
economia nacional.
• Abrangem um vasto leque de medidas, desde
pequenas intervenções a reformas de fundo.
• As chamadas políticas estruturais têm tido um
foco predominante no mercado de trabalho e
são muito orientadas para a liberalização
económica e privatizações de empresas
públicas.
Políticas estruturais:
Análise Positiva versus Análise Normativa:
Análise positiva:
• Pretende-se analisar uma economia, tão objetivamente quanto possível, naquilo que ela
é, como funciona;
• e como reage às consequências das políticas adotadas, tanto quanto possível com
recurso à quantificação.
• Não se propõe fazer juízos de valor sobre se as consequências são
desejáveis.
Análise normativa:
• debruça sobre escolhas políticas, prioridades de ações governativas,
consequências de políticas adotadas, tendo como referência o sistema de
valores do analista. Depende dos valores de quem analisa.
Macroeconomia e Microeconomia
• Um bolo de aniversário não se reduz à soma dos seus
componentes, farinha, açúcar, ovos fermento, etc.;
• E dependendo de outros fatores, os mesmos componentes podem
dar origem a bolos muito diferentes;
• Ou, inclusive, um bolo incomestível se certos cuidados não forem
tidos em conta.
Macroeconomia versus microeconomia: analogias (I)
Um bolo de aniversário:
A água:
• Conhecem-se as propriedades dos seus elementos, o
oxigénio e o hidrogénio.
• Todavia, este conhecimento, por mais desenvolvido que seja,
nada nos diz sobre as propriedades da água: o seu ponto de
ebulição, a sua temperatura de congelação, a sua densidade e
todas as outras.
• Ou seja, a água é muito mais que a soma de dois átomos de
hidrogénio com um átomo de oxigénio.
Macroeconomia versus microeconomia: analogias (II)
Macroeconomia versus microeconomia: analogias (III)
• O próprio ser humano não pode ser considerado como o somatório
dos elementos que o compõem: músculos, ossos, pele, sistema
nervoso, sistema circulatório, etc.
• A totalidade ser humano transcende tudo isso: tem inteligência,
sentimentos, emoções, autoconsciência, capacidade de controlar os
seus próprios sistemas constitutivos.
• Estudar o ser humano, não se reduz a estudar cada um dos seus
sistemas.
O ser humano:
Macroeconomia:
• Visão panorâmica da economia.
• Compreensão do sistema no seu conjunto.
Microeconomia:
• Visão próxima dos agentes económicos.
• Estudo do comportamento económico das famílias, das empresas e dos mercados.
Agregação:
• Combinação das variáveis económicas individuais para obter os totais do conjunto da
economia.
ATENÇÃO: A Macroeconomia não se reduz a uma agregação
da microeconomia.
O todo transcende a soma das partes!
Macroeconomia e Microeconomia:
Bom trabalho

EC II - AT02. MACROECONOMIA.Pdf interested

  • 1.
    ECONOMIA II ▪ 14.02.2023 AulaTeórica 02: O que é a macroeconomia
  • 2.
    Sumário: 1. Apresentação dadisciplina e do programa 1.2. O que é a macroeconomia 1.3. Macroeconomia versus microeconomia Sumário: Bibliografia • Site da disciplina • Lições, cap. 1 • http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/2860
  • 3.
    Objetivos: • O queé a macroeconomia: continuação; • A especificidade da macroeconomia; • A importância da macroeconomia no contexto atual. Objetivos da aula:
  • 4.
  • 5.
    John Maynard Keynes (1883-1946) “JohnMaynard Keynes & Lydia Lopokova”, óleo sobre tela de William Roberts (1895 – 1980), National Portrait Gallery, Londres A “revolução” Keynesiana
  • 6.
    A CRISE DOSANOS 30: CRISE ECONÓMICA,CRISE DA TEORIA,CRISE DA IDEIA DE NÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO EUA RU FRANÇA ALEMANHA Prod. Indust. -46% -23% -24% -41% Preços -32% -33% -34% -29% Com. Inter. -70% -60% -54% -61% Desempre go +607% +129% +214% +232% Fonte: Jerome Blum, Rondo Cameron,Thomas G. Barnes, (1970). The EuropeanWorld:a History, Boston: Little, Brown, p. 885. ALGUNS DADOS ➢Taxa de desemprego nos EUA: 25% 4/22/2025 6
  • 8.
    “Para além disso,o argumento de que o desemprego que caracteriza um período de depressão se deve à recusa da mão-de-obra em aceitar uma diminuição dos salários nominais não é claramente sustentada pelos factos. Não é muito plausível afirmar que o desemprego nos Estados Unidos em 1932 se deveu quer a uma obstinada recusa por parte dos trabalhadores de aceitarem uma diminuição dos salários nominais, quer por exigirem obstinadamente um salário real superior ao que permitia a produtividade do sistema económico.” (T.G., 2010, Lisboa: Relógio d’Água. pp.38-39) Crítica ao “desemprego voluntário”
  • 9.
    “Os teóricos daescola clássica lembram geómetras euclideanos num mundo não euclideano que, tendo descoberto que, na realidade, as linhas aparentemente paralelas se encontram com muita frequência, as repreendem por não se conservarem rectas como único remédio para as infelizes intersecções que se produzem. No entanto, de facto, não há remédio nenhum senão rejeitar o axioma das paralelas e elaborar uma geometria não euclideana. A ciência económica reclama hoje uma medida desse género.” (op. cit. pp. 44-45) Crítica à “lei de Say”
  • 10.
    • Os mercadosnão são eficientes • A oferta não cria a sua própria procura; a lei de Say é uma tautologia. • O desemprego não é voluntário é involuntário. • A propensão marginal para o consumo é decrescente. • Não existe nenhum mecanismo automático que determine o nível de investimento necessário. • A taxa de juro não ajusta automaticamente a poupança e o investimento. É necessário compreender os grandes agregados da economia (Macroeconomia). É necessária a intervenção do Estado (Política Económica). Nascimento da macroeconomia
  • 11.
    David Hume (Filósofoescocês, 1711-1776) Fixou uma das primeiras grandes relações macroeconómicas – a relação entre quantidade de moeda, a balança comercial e o nível de preços numa dada economia,que ficou consagrada como a ABORDAGEM MONETÁRIA DA BALANÇA DE PAGAMENTOS. Em termos práticos surge no início do século XX, com: • Necessidade de melhorar o conhecimento estatístico (indemnizações da Alemanha na 1ª Guerra Mundial, retorno ao padrão-ouro); • Criação do NBER nos EUA e trabalhos de Simon Kuznets (anos 20) sobre o crescimento e séries estatísticas; • Estudos do ciclo económco de Wesley C. Mitchell (anos 30). Ainda alguns antecedentes importantes:
  • 12.
    • Afirmação damacroeconomia e da política económica. • A reconstrução das economias criou o meio adequado. • Plano Marshall foi o grande veículo. • As organizações internacionais contribuiram decisivamente (OECE/OCDE). (Portugal adere à OCDE em 1961) • O forte crescimento verificado no período ajudou à hegemonização a nova visão. • Acreditou-se no capitalismo pós-cíclico (fine tuning). Período do pós-guerra:
  • 13.
    ➢ PROMOÇÃO DAEFICIÊNCIA • Concorrência imperfeita • Externalidades • Bens públicos ➢ REDISTRIBUIÇÃO DO RENDIMENTO • Impostos • Equidade ➢ GESTÃO DA MACROECONOMIA • Políticas de estabilização • Flutuações do produto • Inflação • Desemprego • Desequilibrio externo • Estímulo ao crescimento CONSENSO SOBRE O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO:
  • 14.
    O fim da“Golden Age”
  • 15.
    Evolução do preçodo petróleo: crude The current price of WTI crude oil as of February 02, 2023 is $76.33 per barrel. Fonte: https://www.macrotrends.net/1369/crude-oil-price-history-chart
  • 16.
    Novamente a crise:1973 - 1974 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 Aleman. Ocid. França Portugal Reino Unido EUA Japão 1972 1973 1974 1975 1976 Evolução do PIB: taxa de variação anual (%) (preços constantes de 2011) Fonte: AMECO, fev. 2019
  • 17.
    0 5 10 15 20 25 30 Alemanha França Portugalreino Unido EUA Japão 1972 1973 1974 1975 1976 Evolução da inflação (IPC): taxa de variação anual (%) Fonte: AMECO, fev. 2019 Um novo fenómeno: estagflação
  • 18.
    Crise do Keynesianismo ➔Reemergênciado liberalismo ➔ prioridade ao lado da oferta ➔ políticas estruturais Efeitos da crise dos anos 70:
  • 19.
    O debate reacendeu-seexprimindo-se nas diferentes perspetivas relativamente às causas da crise e ao modo de atacar os problemas: ➢De um lado temos a resposta pela austeridade, considerada condição prévia para a retoma da atividade económica (austeridade expansionsita); ➢Do outro lado, temos a resposta pelo estímulo à economia (a política monetária esgotou-se; a política orçamental deve comandar a retoma); Acompanhar Krugman e Stieglitz versus Barro e Cochrane; “saltwater economists” versus “freshwater economists”. A crise de 2008 - 2009 : a grande recessão
  • 20.
    O QUE ÉENTÃO A MACROECONOMIA?
  • 21.
    Waltraud Maier andHeide Sickinger enjoy their Swabian housewife roles in Gerlingen, near Stuttgart – and would never buy on credit. Photograph: Frederick Florin/AFP Angela Merkel's austerity poster girl, the thrifty Swabian housewife.
  • 22.
    É a poupançaque gera o investimento, ou o investimento que gera a poupança? O paradoxo da poupança:
  • 23.
    Macroeconomia: • Estudo dofuncionamento e desempenho das economias numa perspetiva global, ou como um todo … … e das políticas que as autoridades podem adotar para melhorar esse desempenho. Políticas macroeconómicas: • Ações das autoridades concebidas para alterar o desempenho da economia como um todo. Macroeconomia e políticas macroeconómicas
  • 24.
    Principais Problemas Macroeconómicos •Crescimento económico e níveis de vida. • Produtividade. • Recessões e expansões: ciclos económicos • Desemprego. • Inflação/deflação. • Interdependência económicas dos países. • Integração económica Problemas macroeconómicos:
  • 25.
    Produto por habitante: •O crescimento do produto pode não se traduzir no crescimento do produto por habitante... ... se a população tiver também aumentado. Desta forma, o produto por habitante é um melhor indicador do nível de vida médio. Produtividade (média do trabalho): • Produto por trabalhador empregado. Crescimento:
  • 26.
  • 27.
    O crescimento nãoé constante: • Recessões – abrandamento do crescimento económico. • Depressões – recessões graves. • Expansões – períodos de crescimento elevado. Expansões e recessões:
  • 28.
    -14 -12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 European Union(15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal Linear (Euro area (12 countries)) Linear (Spain) Linear (Portugal) Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro, 2023. PIB Real: Taxas de variação anual (1961 – 2024) (2023 e 2024: Previsões) Expansões e recessões Euro
  • 31.
    • Percentagem depessoas que gostariam de, e poderiam estar empregadas, mas não o estão. • Importante indicador do estado do mercado de trabalho e da situação económica geral. Taxa de desemprego:
  • 32.
    Portugal:Taxa de desemprego,1960 – 2024 (Comparação com Espanha, União Europeia e Euro Área) Fonte: AMECO, Comissão Europeia, janeiro 2023. 0 5 10 15 20 25 30 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 European Union (15 countries) Euro area (12 countries) Spain Portugal Euro
  • 33.
    Inflação: • Taxa devariação do índice geral de preços. • Implica custos económicos de diversa índole. • Recentemente, tem sido muito baixa... Deflação Inflação versus deflação
  • 34.
    Fontes: Ameco, ComissãoEuropeia (2014) e Valério (2001) -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Taxa de Crescimento Anos Portugal:Taxa de inflação (IPC), 1900 - 2013
  • 35.
    Fonte: AMECO, ComissãoEuropeia, fev. 2020. Portugal: Inflação anual (IPC), 1961 – 2021 (Comparação com Espanha e Euro Área) -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Portugal Espanha Euro área EURO
  • 38.
    • As economiassão cada vez mais interdependentes. • Comércio externo: ➢ Importações. ➢ Exportações. • Movimentos financeiros. • Integração económica e monetária: ➢ União Europeia. ➢ Zona do euro. Interdependência entre países:
  • 39.
  • 40.
    Políticas Macroeconómicas: • Políticamonetária. • Política orçamental. • Política cambial. • Políticas estruturais.
  • 41.
    • Decisões quedeterminam o orçamento do Estado (despesas e receitas públicas). • Défice: ➢ Despesas excedem as receitas. • Excedente: ➢ Receitas excedem as despesas. • A política orçamental está limitada pela capacidade de financiamento e… … por acordos internacionais. ... E por programas de ajustamento (Troika)! Política orçamental:
  • 42.
    • Determinação daoferta de moeda. • Variações na oferta de moeda afetam: ➢ Taxas de juro (Atualmente a política monetária fixa a taxa de juro diretamente). ➢ Produto interno. ➢ Emprego. ➢ Inflação. ➢ Preços dos ativos financeiros. ➢ Valor internacional da moeda nacional (euro). • Na Zona do Euro, a política monetária é da responsabilidade do Banco Central Europeu. Política monetária:
  • 43.
    • Gestão dovalor externo da moeda nacional (taxa de câmbio). • Variações na taxa de câmbio nominal afetam: ➢ A competitividade dos bens e serviços. ➢ Exportações e importações. ➢ Produto, emprego e inflação. ➢ Preços dos ativos financeiros. ➢ A capacidade de conduzir a política monetária. • Na Zona do Euro, a política cambial é da responsabilidade do Banco Central Europeu. Política cambial:
  • 44.
    • Políticas governamentaisque se destinam a alterar a estrutura ou as instituições da economia nacional. • Abrangem um vasto leque de medidas, desde pequenas intervenções a reformas de fundo. • As chamadas políticas estruturais têm tido um foco predominante no mercado de trabalho e são muito orientadas para a liberalização económica e privatizações de empresas públicas. Políticas estruturais:
  • 45.
    Análise Positiva versusAnálise Normativa: Análise positiva: • Pretende-se analisar uma economia, tão objetivamente quanto possível, naquilo que ela é, como funciona; • e como reage às consequências das políticas adotadas, tanto quanto possível com recurso à quantificação. • Não se propõe fazer juízos de valor sobre se as consequências são desejáveis. Análise normativa: • debruça sobre escolhas políticas, prioridades de ações governativas, consequências de políticas adotadas, tendo como referência o sistema de valores do analista. Depende dos valores de quem analisa.
  • 46.
  • 47.
    • Um bolode aniversário não se reduz à soma dos seus componentes, farinha, açúcar, ovos fermento, etc.; • E dependendo de outros fatores, os mesmos componentes podem dar origem a bolos muito diferentes; • Ou, inclusive, um bolo incomestível se certos cuidados não forem tidos em conta. Macroeconomia versus microeconomia: analogias (I) Um bolo de aniversário:
  • 48.
    A água: • Conhecem-seas propriedades dos seus elementos, o oxigénio e o hidrogénio. • Todavia, este conhecimento, por mais desenvolvido que seja, nada nos diz sobre as propriedades da água: o seu ponto de ebulição, a sua temperatura de congelação, a sua densidade e todas as outras. • Ou seja, a água é muito mais que a soma de dois átomos de hidrogénio com um átomo de oxigénio. Macroeconomia versus microeconomia: analogias (II)
  • 49.
    Macroeconomia versus microeconomia:analogias (III) • O próprio ser humano não pode ser considerado como o somatório dos elementos que o compõem: músculos, ossos, pele, sistema nervoso, sistema circulatório, etc. • A totalidade ser humano transcende tudo isso: tem inteligência, sentimentos, emoções, autoconsciência, capacidade de controlar os seus próprios sistemas constitutivos. • Estudar o ser humano, não se reduz a estudar cada um dos seus sistemas. O ser humano:
  • 50.
    Macroeconomia: • Visão panorâmicada economia. • Compreensão do sistema no seu conjunto. Microeconomia: • Visão próxima dos agentes económicos. • Estudo do comportamento económico das famílias, das empresas e dos mercados. Agregação: • Combinação das variáveis económicas individuais para obter os totais do conjunto da economia. ATENÇÃO: A Macroeconomia não se reduz a uma agregação da microeconomia. O todo transcende a soma das partes! Macroeconomia e Microeconomia:
  • 51.