Teorias sociológicas do trabalho: Karl Marx e a divisão social do trabalho,
Durkheim e a coesão social.
Objetivo: rever as teorias de Karl Marx e Émile Durkheim a respeito do trabalho.
Leitura obrigatória
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 45-
48.
• Marx (1818-1883) construiu a teoria do materialismo histórico dialético,
argumentando que as estruturas econômicas são decisivas para o
entendimento e a mutação das demais características sociais, dentre elas,
a política e o direito.
Marx buscou promover um diálogo entre teoria e prática social
transformadora, forjando a noção de práxis e criando uma filosofia prática, visando
uma transformação radical na organização das sociedades em benefício prioritário dos
mais desfavorecidos. Ele procurou compreender a vida real das pessoas. E essa é
cheia de antagonismos de interesses, de dominação, de exploração... Ele procurou
entender o modo de produção capitalista de forma realista.
Em sua obra principal, O capital, Marx refuta os economistas clássicos
defensores do liberalismo e do capitalismo criticando suas obras que, usualmente,
mencionavam o personagem Robinson Crusoé para ilustrar seus pontos de vista: em
particular, o suposto individualismo e o egoísmo natural dos seres humanos. Marx
afirma que os homens estão inseridos em relações sociais específicas, em suas
determinadas épocas e lugares – historicidade.
Marx afirma no Prefácio à contribuição à crítica da economia política que
não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser
social é que lhes determina a consciência.
De acordo com o método materialista-histórico-dialético, os conflitos sociais
não nascem de um individualismo natural que pluraliza os interesses e as visões de
mundo, mas da realidade econômica que sempre dividiu os homens entre senhores e
escravos, proprietários feudais e servos, patrões capitalistas e empregados
assalariados. A política, a cultura, as artes e o direito, sendo componentes não
materiais da sociedade têm a função de legitimar o status quo, fazendo com que a
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dominação material pareça natural.
Marx entende que em qualquer sociedade o direito organiza o mundo tal como
ele é. Na modernidade, sua função é perpetuar a economia capitalista, legitimando a
dominação disfarçada pela igualização abstrata e formal dos indivíduos.
Marx afirma que a divisão social do trabalho é realizada no processo de desenvolvimento das
sociedades. Exemplos: sociedade tribal (sexo, idade), cidades (agricultura, comércio,
indústria), fábricas (proprietário, operador).
Conceitos importantes: acumulação de capital, capital, mais-valia (absoluta e relativa), classe
social, modo de produção, relação de produção, instrumento de produção, ideologia,
alienação.
Exercício: Ao contrário das formigas.
A dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da natureza que
não pode ser abolido — tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto,
enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno
pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as inter-relações dos
seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a
capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram
possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por
necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições,
instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas
obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode
influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o
pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel...
Fonte: EINSTEIN, Albert. Por que o Socialismo? Encontros com a Civilização
Brasileira, n. 17, / 11/979.
a) Assim como as abelhas e as formigas, o homem se relaciona com a
natureza e com outros seres de sua espécie. Entretanto, apresente as principais
diferenças entre os homens e esses animais a partir do conceito de trabalho na obra
de Marx.
b) Qual a importância das ações humanas apresentadas no texto para a
transformação da realidade social?
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ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)
• Desenvolveu a teoria funcionalista segundo a qual todas as
coletividades devem suprir, cada uma a sua maneira, funções
essenciais para sua sobrevivência e continuidade.
Inquietou-se com o problema da integração e coesão social. Como um
conjunto de pessoas pode chegar a um consenso, vindo a constituir uma sociedade.
Buscava demonstrar a possibilidade de uma ciência objetiva da sociedade.
Concepção coletivista – para ele o indivíduo não vem historicamente em
primeiro lugar. A sociedade não é uma simples soma de pessoas.
Fatos sociais – “toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer
sobre o indivíduo uma coação exterior, ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada
sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas
manifestações individuais”.
A peculiaridade principal do fato social é que ele exerce uma coerção sobre os
indivíduos. Os atos sociais das pessoas expressam a realização prática de valores
morais coletivos. A solidariedade social – fenômeno completamente moral – funda a
vida social.
Na obra Da divisão do trabalho social (1893), Durkheim revela o interesse
pelo problema da sociabilidade e suas espécies de direito concernentes. Para ele a vida
social é derivada da regulamentação da sociabilidade. Integração social: controle
normativo. Anomia: desintegração social – falta de instituições e normas integradoras
que permitam a solidariedade dos diversos setores da sociedade.
Solidariedade mecânica – derivada da semelhança de crenças, formas de agir
e sentir dos indivíduos de um grupo social, decorrendo, portanto, da similitude sentida
entre eles. Direito repressivo. Os homens que vivem nessa mesma coletividade
mantêm entre si vários elementos comuns, como religião costumes, visão de mundo,
princípios éticos, normas de convívio = consciência coletiva. Nessas sociedades o
direito não é posto por uma instituição especificamente destinada para tal. O direito
tem a função tem a função fundamental de preservar a consciência coletiva que é a
garantia do baixo grau de conflito. Aqui, o direito é repressivo excluindo e
eliminando toda e qualquer ameaça à manutenção da ordem social. A função do
direito é impedir, mediante sanções, que a sociedade não moderna se destrua pela
diversificação do trabalho, da religião, dos costumes...
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Solidariedade orgânica – surge primordialmente das diferenças entre os
indivíduos e da sua compreensão destas. A unidade de coerência da coletividade se
exprime por intermédio de uma diferenciação funcional pelo aumento da divisão do
trabalho social. Direito restitutivo. As sociedades ocidentais eliminaram
gradativamente a consciência coletiva. As pessoas são socializadas como indivíduos
diferenciados entre si: Pluralismo. Em vez de excluir do convívio social o elemento
que ameaça as normas coletivas embutidas na tradição, o direito terá a função
principal de regular as trocas entre indivíduos que têm interesses e visões de mundo
distintos e que, sem os acordos jurídicos ou a imposição de uma unidade normativa,
entrariam em choque frontal.
Uma vez que o tipo de solidariedade varia segundo o grau de desenvolvimento
da sociedade, a norma moral (coerção difusa) tende a tornar-se norma jurídica, já que
nas sociedades mais complexas torna-se primordial definir as regras garantidoras da
cooperação entre os que participam do trabalho coletivo. Assim, o direito é a
representação vivível da solidariedade social.
O instrumento de medida externo usado por Durkheim para avaliar a moral
social são as normas jurídicas. As normas jurídicas implicam sanções organizadas,
uma vez que não tenham sido observadas. Essas podem ser repressivas (expiação do
criminoso) ou restitutivas (reposição das coisas ao seu estado original). O direito é
definido como as regras dotadas de sanções socialmente organizadas.
Exercício: Leia a reportagem a seguir, ela relata o caso de um grupo de
jovens que espancou uma mulher na Barra da Tijuca. Jovens roubam e agridem
doméstica e afirmam que a confundiram com prostituta
RIO — A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos,
teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de
classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos
direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª. DP (Barra), três dos rapazes
— o estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto, de 20 anos, o técnico
de informática Leonardo Andrade, de 19, e o estudante de gastronomia Júlio
Junqueira, de 21 — confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como
justificativa para o que fizeram, alegaram ter confundido a vítima com uma
prostituta.
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Fonte: matéria publicada em 24/06/2007, às 17h13m, Lilian Fernandes, em O
Globo.
a) Utilizando como base de análise a perspectiva teórica de Durkheim e as
discussões em sala de aula, como podemos interpretar o comportamento individual e
em grupo dos jovens mostrados na matéria?
b) A partir da perspectiva sociológica de Durkheim, como você analisaria o
crime cometido por estes jovens? Você identificaria a transgressão da juventude
como um dado natural?
Fordismo-Taylorismo: uma nova forma de organização do trabalho
Objetivo: rever as teorias do Fordismo e do Taylorismo a respeito da organização do
trabalho.
Leitura obrigatória
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 49-
51.
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Entre os anos do pós-guerra (Segunda Guerra Mundial e os anos 70) a organização do
trabalho na fábrica estava baseada nas ideias de J. Ford (1863-1947) e F. Taylor (1856-
1915). Ford era dono da fábrica norte-americana Ford e Taylor era um engenheiro que
trabalhava na Fábrica Midvale Steel Company. Eles foram os responsáveis, cada um a sua
maneira, por estabelecerem medidas para um controle sobre os trabalhadores, no
cotidiano da fábrica. A compreensão de Henry Ford, conhecida como a proposta fordista,
estava baseada na seguinte premissa: ”(...) para um consumo em massa uma produção
em massa (...)”. Para isso, a produção deveria ser organizada de maneira a impedir
desperdício de tempo do operário na execução das tarefas. Para que isso ocorra o trabalho
deveria ser partido em várias funções e o trabalhador executaria somente uma função.
Para que haja continuidade entre estas tarefas parceladas, criou-se uma esteira rolante, na
qual os objetos vão sendo produzidos na medida em que os trabalhadores executam a sua
função um ao lado do outro. Para que não ocorressem interrupções nesta “linha de
montagem”, Ford propôs a padronização das peças.
Já as ideias de Frederick Taylor, conhecida como a proposta taylorista, estavam baseadas
nas seguintes questões, em que deveria haver:
• A separação entre quem planeja a atividade de produção de um objeto e quem de fato vai
executá-la;
• Um processo de seleção de operários que sejam adequados para o trabalho, sem que
tenham um perfil rebelde, capaz de questionar as regras na seleção dos trabalhadores;
• Um controle sobre o tempo e sobre o movimento que o trabalhador leva para executar uma
atividade. Esse controle deveria ser realizado pela chefia utilizando um cronômetro,
medindo a ação deste operário.
• (PICANÇO, Katya. “Globalização” In.: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO.
Sociologia – Ensino Médio. 2ª. ed. Curitiba: Editoração eletrônica Ícone Audiovisual Ltda,
2007, p. 178.)
•
Para Harry Bravermann, o Taylorismo tirou do trabalhador o último resquício
de saber sobre a produção: a capacidade de operar uma máquina.
Elton Mayo (1880-1949) “buscou medidas que evitassem o conflito e
promovessem o equilíbrio e a colaboração no interior das empresas. Suas ideias de
conciliação, desenvolvidas na Escola de Relações Humanas a partir dos anos 1930,
procuravam revalorizar os grupos de referência dos trabalhadores, principalmente o
familiar, evitando assim um desenraizamento dos operários”. (TOMAZI, Nelson
Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 50)
As crises do capitalismo dos anos 70 levaram à desvalorização do modelo
fordista-taylorista e levaram à valorização de um novo modelo, o toyotista. As
mudanças no capitalismo possibilitaram, com o toyotismo, “outra forma de
organização da produção, mais enxuta, que produzia de acordo com a demanda do
mercado” (PICANÇO; 2007, p. 179).
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O padrão toyotista tem origem na fábrica japonesa Toyota, nos anos 50, e se diferencia do
Fordismo nos seguintes aspectos:
• enquanto o fordismo produzia em massa; o toyotismo produzia na medida em que
ocorre uma procura por determinado modelo de automóvel;
• o trabalho parcelar e individualizado passa a conviver com o trabalho em equipe,
em que as máquinas vão sendo utilizadas pelo grupo de trabalhadores
responsáveis que vão operando várias máquinas. Essa característica intensifica um
processo de convencimento do trabalhador, quando das mais diversas formas –
reuniões, jornais internos, premiações – ele é instigado a “vestir a camisa da
empresa”, e passa a achar que faz parte de uma equipe e que é capaz de participar
efetivamente do processo. Esse convencimento não aponta que as decisões sobre
o que vai ser produzido, quem vai ser demitido, em qual região do mundo a fábrica
vai se instalar, não passa pelo seu crivo;
• o trabalho deixa de ser especializado em uma única tarefa e passa a ser feito por
um operador preparado para realizar mais de uma função dentro do processo
produtivo;
• o planejamento da produção é adequado à demanda e a produção de mais de um
modelo e automóvel pode ser realizada na mesma fábrica, o que é diferente do
fordismo, quando se produz somente um modelo de automóvel.
Mas fundamentalmente, o toyotismo permite que a fábrica funcione com um número menor
de funcionários ao ser comparada com o fordismo, já que é possível que um operário
realize mais de uma função. Na Toyota, por exemplo, um operário pode operar mais de
cinco máquinas e ao atuar com outros operários, passa a realizar funções que antes eram
da chefia. Isso diminui as funções, possibilitando um “enxugamento” no processo produtivo.
• (PICANÇO, Katya. “Globalização” In.: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO.
Sociologia – Ensino Médio. 2ª. ed. Curitiba: Editoração eletrônica Ícone Audiovisual Ltda,
2007, p. 179-180.)
Exercício
Escreva sobre as principais diferenças entre o modelo fordista-taylorista e o
modelo toyotista.
A questão do trabalho no Brasil
Objetivo: refletir a respeito da situação do trabalho no Brasil considerando as
principais etapas da história brasileira.
Leitura obrigatória
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 56-
63.
O trabalho escravo prevaleceu no Brasil por mais de 350 anos. Assim, a
liberdade formal de trabalho tem pouco mais de cem anos. Além disso, os resultados
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do passado de escravidão continuam pesando sobre nós.
Ainda antes do fim da escravidão alguns grandes proprietários de terras,
sobretudo de São Paulo, começaram a trazer imigrantes para as terras brasileiras.
Colonos europeus eram aliciados para vir para o Brasil. Quando aqui chegavam
recebiam um pedaço de terra e um empréstimo em dinheiro para iniciar a produção.
No entanto, os ganhos com as plantações não eram suficientes para pagar as dívidas e
esses imigrantes ficavam muito tempo endividados. Esse fenômeno ficou conhecido
como colonato.
Esse fenômeno não foi bem-sucedido porque os colonos não aceitavam essa
exploração e muitos fugiam ou se revoltavam. Além disso, os governos estrangeiros
pressionavam para minimizar os sofrimentos infligidos a seus cidadãos no Brasil. A
maior parte desses colonos foi trabalhar no campo, mas muitos se fixaram nas grandes
cidades, principalmente, Rio de Janeiro e São Paulo.
No início do século XX os trabalhadores urbanos começaram a lutar por
melhores condições de trabalho. Utilizando os recursos da imprensa passaram a
organizar movimentos grevistas. Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, foi
dada uma atenção especial ao trabalhador urbano. O processo de industrialização,
iniciado em 1929, significou também o aumento do número de trabalhadores urbanos.
•••• A situação do trabalho nos últimos sessenta anos (p. 58)
Grande diversidade das situações de trabalho:
• “Povos da floresta” – retiram seu sustento das florestas.
• Trabalhadores da agropecuária, desde a agricultura de subsistência até
propriedades que utilizam máquinas sofisticadas (colheitadeiras
computadorizadas).
• Indústrias, desde as multinacionais até as pequenas fábricas.
• Trabalhadores nos setores de serviço e comércio: ambulantes,
autônomos, funcionários de grandes supermercados e shoppings
centers.
• Trabalhadores administrativos – empresas e organizações públicas e
privadas.
• Crianças.
• Trabalhadores submetidos à escravidão por dívida.
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No ano de 2010, a maior parte da população brasileira vivia na zona urbana,
enquanto em 1945, a maior parte da população vivia na zona rural.
Emprego e qualificação
Ouvimos a todo momento nas conversas informais e encontramos com frequência nos meios
de comunicação a afirmação de que só terá emprego quem tiver qualificação. A qualificação
em determinados ramos da produção é necessária e cada dia mais exigida, mas isso somente
para alguns poucos postos de trabalho. A maioria das ocupações exige somente o mínimo de
informação, que normalmente o trabalhador consegue adquirir no próprio processo de
trabalho.
A elevação do nível de escolaridade não significa necessariamente emprego no mesmo nível
e boas condições de trabalho. Quantos graduados em Engenharia ou Arquitetura estão
trabalhando como desenhistas? Quantos formados em Medicina são assalariados em hospitais
e serviços médicos, tendo uma jornada de trabalho excessiva? E os formados em Direito que
não conseguem passar no exame da OAB, muitos por ter uma formação deficiente, e se
empregam nos mais diversos ramos de atividade, em geral muito abaixo daquilo que estão,
em tese, habilitados a desenvolver? Ou seja, a formação universitária, cada dia mais
deficiente, não garante empregos àqueles que possuem diploma universitário, seja pela
qualificação insuficiente, seja porque não existe emprego para todos.
Encontram-se situações exemplares nos dois polos de qualificação:
Em muitas empresas de limpeza exige-se formação no ensino médio para a atividade de
varrição de rua, o que demonstra que não há relação entre o que se faz e a escolarização
solicitada, pois não é necessário ter nível médio para isso, mesmo que existam pessoas com
até mais escolaridade que por necessidade o fazem.
Jovens doutores (que concluíram ou estão fazendo o doutorado) são despedidos ou não são
contratados por universidades particulares porque recebem salários maiores e as instituições
não querem pagar mais. Neste caso, não importa a melhoria da qualidade de ensino, e sim a
lucratividade que as empresas educacionais podem obter.
(TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 59-60)
•••• O trabalho informal
Segundo pesquisa realizada em 2008, apenas 34,5% dos 92,4 milhões de
indivíduos ocupados têm carteira de trabalho assinada. Trabalhadores que executam
pequenos consertos, vendedores ambulantes, babás, empregadas domésticas,
entregadores, compõem o setor informal.
•••• O desemprego
Na agricultura, a mecanização em todas as fases ocasiona a expulsão de muitas
pessoas do campo. O mesmo acontece na indústria. “... na década de 1980, para
produzir 1,5 milhão de veículos, as montadoras empregavam 140 mil operários. Hoje,
para produzir 3 milhões de veículos, as montadoras empregam apenas 90 mil
trabalhadores.” (p. 61) Isso também acontece no setor de serviços.
Para alguns, a solução é o desenvolvimento econômico. Para outros “é
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impossível resolver o problema na sociedade capitalista, pois, por natureza, no estágio
em que se encontra, ela gera o desemprego, e não há como reverter isso na presente
estrutura social; há ainda os que consideram o desemprego uma questão de sorte, de
relações pessoais, de ganância das empresas, etc.” (p. 61)
É preciso observar que o desemprego não uma questão individual. As
explicações devem ser buscadas na política econômica do Brasil dos últimos vinte
anos, ou seja, numa política de juros altos e de uma política fiscal de redução dos
gastos públicos. Isso começou a mudar com queda gradativa dos juros e com o
aumento dos gastos públicos.
Exercício
• Por que o Estado não aumenta o salário mínimo, garantindo à maior parte da
população melhores condições de vida? Por que a riqueza gerada no país não se
transforma em renda para a maioria da população?
• No século XIX, a primeira luta dos trabalhadores foi pela extinção do trabalho
infantil. Procurava-se assegurar à criança os direitos de brincar, estudar e não ser
explorada no trabalho. Por que a exploração do trabalho infantil persiste até os dias de
hoje? Será que a pobreza extrema obriga a criança a trabalhar? Será que são os pais
que a forçam a trabalhar, por aguda necessidade?
• Como vimos, o trabalho escravo prevaleceu no Brasil por mais de 350 anos. Quais
são as semelhanças e as diferenças entre o trabalho escravo no Brasil colonial e
imperial e o trabalho escravo no Brasil de hoje?
• Por que a exploração do trabalho escravo persiste, apesar de proibida por lei? Será
que os empresários e fazendeiros que submetem os trabalhadores à escravidão por
dívida ainda têm uma visão colonial do Brasil?
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Apostila de sociologia_1ano

  • 1.
    Teorias sociológicas dotrabalho: Karl Marx e a divisão social do trabalho, Durkheim e a coesão social. Objetivo: rever as teorias de Karl Marx e Émile Durkheim a respeito do trabalho. Leitura obrigatória TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 45- 48. • Marx (1818-1883) construiu a teoria do materialismo histórico dialético, argumentando que as estruturas econômicas são decisivas para o entendimento e a mutação das demais características sociais, dentre elas, a política e o direito. Marx buscou promover um diálogo entre teoria e prática social transformadora, forjando a noção de práxis e criando uma filosofia prática, visando uma transformação radical na organização das sociedades em benefício prioritário dos mais desfavorecidos. Ele procurou compreender a vida real das pessoas. E essa é cheia de antagonismos de interesses, de dominação, de exploração... Ele procurou entender o modo de produção capitalista de forma realista. Em sua obra principal, O capital, Marx refuta os economistas clássicos defensores do liberalismo e do capitalismo criticando suas obras que, usualmente, mencionavam o personagem Robinson Crusoé para ilustrar seus pontos de vista: em particular, o suposto individualismo e o egoísmo natural dos seres humanos. Marx afirma que os homens estão inseridos em relações sociais específicas, em suas determinadas épocas e lugares – historicidade. Marx afirma no Prefácio à contribuição à crítica da economia política que não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que lhes determina a consciência. De acordo com o método materialista-histórico-dialético, os conflitos sociais não nascem de um individualismo natural que pluraliza os interesses e as visões de mundo, mas da realidade econômica que sempre dividiu os homens entre senhores e escravos, proprietários feudais e servos, patrões capitalistas e empregados assalariados. A política, a cultura, as artes e o direito, sendo componentes não materiais da sociedade têm a função de legitimar o status quo, fazendo com que a 1
  • 2.
    dominação material pareçanatural. Marx entende que em qualquer sociedade o direito organiza o mundo tal como ele é. Na modernidade, sua função é perpetuar a economia capitalista, legitimando a dominação disfarçada pela igualização abstrata e formal dos indivíduos. Marx afirma que a divisão social do trabalho é realizada no processo de desenvolvimento das sociedades. Exemplos: sociedade tribal (sexo, idade), cidades (agricultura, comércio, indústria), fábricas (proprietário, operador). Conceitos importantes: acumulação de capital, capital, mais-valia (absoluta e relativa), classe social, modo de produção, relação de produção, instrumento de produção, ideologia, alienação. Exercício: Ao contrário das formigas. A dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da natureza que não pode ser abolido — tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as inter-relações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel... Fonte: EINSTEIN, Albert. Por que o Socialismo? Encontros com a Civilização Brasileira, n. 17, / 11/979. a) Assim como as abelhas e as formigas, o homem se relaciona com a natureza e com outros seres de sua espécie. Entretanto, apresente as principais diferenças entre os homens e esses animais a partir do conceito de trabalho na obra de Marx. b) Qual a importância das ações humanas apresentadas no texto para a transformação da realidade social? 2
  • 3.
    ÉMILE DURKHEIM (1858-1917) •Desenvolveu a teoria funcionalista segundo a qual todas as coletividades devem suprir, cada uma a sua maneira, funções essenciais para sua sobrevivência e continuidade. Inquietou-se com o problema da integração e coesão social. Como um conjunto de pessoas pode chegar a um consenso, vindo a constituir uma sociedade. Buscava demonstrar a possibilidade de uma ciência objetiva da sociedade. Concepção coletivista – para ele o indivíduo não vem historicamente em primeiro lugar. A sociedade não é uma simples soma de pessoas. Fatos sociais – “toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior, ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais”. A peculiaridade principal do fato social é que ele exerce uma coerção sobre os indivíduos. Os atos sociais das pessoas expressam a realização prática de valores morais coletivos. A solidariedade social – fenômeno completamente moral – funda a vida social. Na obra Da divisão do trabalho social (1893), Durkheim revela o interesse pelo problema da sociabilidade e suas espécies de direito concernentes. Para ele a vida social é derivada da regulamentação da sociabilidade. Integração social: controle normativo. Anomia: desintegração social – falta de instituições e normas integradoras que permitam a solidariedade dos diversos setores da sociedade. Solidariedade mecânica – derivada da semelhança de crenças, formas de agir e sentir dos indivíduos de um grupo social, decorrendo, portanto, da similitude sentida entre eles. Direito repressivo. Os homens que vivem nessa mesma coletividade mantêm entre si vários elementos comuns, como religião costumes, visão de mundo, princípios éticos, normas de convívio = consciência coletiva. Nessas sociedades o direito não é posto por uma instituição especificamente destinada para tal. O direito tem a função tem a função fundamental de preservar a consciência coletiva que é a garantia do baixo grau de conflito. Aqui, o direito é repressivo excluindo e eliminando toda e qualquer ameaça à manutenção da ordem social. A função do direito é impedir, mediante sanções, que a sociedade não moderna se destrua pela diversificação do trabalho, da religião, dos costumes... 3
  • 4.
    Solidariedade orgânica –surge primordialmente das diferenças entre os indivíduos e da sua compreensão destas. A unidade de coerência da coletividade se exprime por intermédio de uma diferenciação funcional pelo aumento da divisão do trabalho social. Direito restitutivo. As sociedades ocidentais eliminaram gradativamente a consciência coletiva. As pessoas são socializadas como indivíduos diferenciados entre si: Pluralismo. Em vez de excluir do convívio social o elemento que ameaça as normas coletivas embutidas na tradição, o direito terá a função principal de regular as trocas entre indivíduos que têm interesses e visões de mundo distintos e que, sem os acordos jurídicos ou a imposição de uma unidade normativa, entrariam em choque frontal. Uma vez que o tipo de solidariedade varia segundo o grau de desenvolvimento da sociedade, a norma moral (coerção difusa) tende a tornar-se norma jurídica, já que nas sociedades mais complexas torna-se primordial definir as regras garantidoras da cooperação entre os que participam do trabalho coletivo. Assim, o direito é a representação vivível da solidariedade social. O instrumento de medida externo usado por Durkheim para avaliar a moral social são as normas jurídicas. As normas jurídicas implicam sanções organizadas, uma vez que não tenham sido observadas. Essas podem ser repressivas (expiação do criminoso) ou restitutivas (reposição das coisas ao seu estado original). O direito é definido como as regras dotadas de sanções socialmente organizadas. Exercício: Leia a reportagem a seguir, ela relata o caso de um grupo de jovens que espancou uma mulher na Barra da Tijuca. Jovens roubam e agridem doméstica e afirmam que a confundiram com prostituta RIO — A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª. DP (Barra), três dos rapazes — o estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto, de 20 anos, o técnico de informática Leonardo Andrade, de 19, e o estudante de gastronomia Júlio Junqueira, de 21 — confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram, alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta. 4
  • 5.
    Fonte: matéria publicadaem 24/06/2007, às 17h13m, Lilian Fernandes, em O Globo. a) Utilizando como base de análise a perspectiva teórica de Durkheim e as discussões em sala de aula, como podemos interpretar o comportamento individual e em grupo dos jovens mostrados na matéria? b) A partir da perspectiva sociológica de Durkheim, como você analisaria o crime cometido por estes jovens? Você identificaria a transgressão da juventude como um dado natural? Fordismo-Taylorismo: uma nova forma de organização do trabalho Objetivo: rever as teorias do Fordismo e do Taylorismo a respeito da organização do trabalho. Leitura obrigatória TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 49- 51. 5
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    Entre os anosdo pós-guerra (Segunda Guerra Mundial e os anos 70) a organização do trabalho na fábrica estava baseada nas ideias de J. Ford (1863-1947) e F. Taylor (1856- 1915). Ford era dono da fábrica norte-americana Ford e Taylor era um engenheiro que trabalhava na Fábrica Midvale Steel Company. Eles foram os responsáveis, cada um a sua maneira, por estabelecerem medidas para um controle sobre os trabalhadores, no cotidiano da fábrica. A compreensão de Henry Ford, conhecida como a proposta fordista, estava baseada na seguinte premissa: ”(...) para um consumo em massa uma produção em massa (...)”. Para isso, a produção deveria ser organizada de maneira a impedir desperdício de tempo do operário na execução das tarefas. Para que isso ocorra o trabalho deveria ser partido em várias funções e o trabalhador executaria somente uma função. Para que haja continuidade entre estas tarefas parceladas, criou-se uma esteira rolante, na qual os objetos vão sendo produzidos na medida em que os trabalhadores executam a sua função um ao lado do outro. Para que não ocorressem interrupções nesta “linha de montagem”, Ford propôs a padronização das peças. Já as ideias de Frederick Taylor, conhecida como a proposta taylorista, estavam baseadas nas seguintes questões, em que deveria haver: • A separação entre quem planeja a atividade de produção de um objeto e quem de fato vai executá-la; • Um processo de seleção de operários que sejam adequados para o trabalho, sem que tenham um perfil rebelde, capaz de questionar as regras na seleção dos trabalhadores; • Um controle sobre o tempo e sobre o movimento que o trabalhador leva para executar uma atividade. Esse controle deveria ser realizado pela chefia utilizando um cronômetro, medindo a ação deste operário. • (PICANÇO, Katya. “Globalização” In.: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Sociologia – Ensino Médio. 2ª. ed. Curitiba: Editoração eletrônica Ícone Audiovisual Ltda, 2007, p. 178.) • Para Harry Bravermann, o Taylorismo tirou do trabalhador o último resquício de saber sobre a produção: a capacidade de operar uma máquina. Elton Mayo (1880-1949) “buscou medidas que evitassem o conflito e promovessem o equilíbrio e a colaboração no interior das empresas. Suas ideias de conciliação, desenvolvidas na Escola de Relações Humanas a partir dos anos 1930, procuravam revalorizar os grupos de referência dos trabalhadores, principalmente o familiar, evitando assim um desenraizamento dos operários”. (TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 50) As crises do capitalismo dos anos 70 levaram à desvalorização do modelo fordista-taylorista e levaram à valorização de um novo modelo, o toyotista. As mudanças no capitalismo possibilitaram, com o toyotismo, “outra forma de organização da produção, mais enxuta, que produzia de acordo com a demanda do mercado” (PICANÇO; 2007, p. 179). 6
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    O padrão toyotistatem origem na fábrica japonesa Toyota, nos anos 50, e se diferencia do Fordismo nos seguintes aspectos: • enquanto o fordismo produzia em massa; o toyotismo produzia na medida em que ocorre uma procura por determinado modelo de automóvel; • o trabalho parcelar e individualizado passa a conviver com o trabalho em equipe, em que as máquinas vão sendo utilizadas pelo grupo de trabalhadores responsáveis que vão operando várias máquinas. Essa característica intensifica um processo de convencimento do trabalhador, quando das mais diversas formas – reuniões, jornais internos, premiações – ele é instigado a “vestir a camisa da empresa”, e passa a achar que faz parte de uma equipe e que é capaz de participar efetivamente do processo. Esse convencimento não aponta que as decisões sobre o que vai ser produzido, quem vai ser demitido, em qual região do mundo a fábrica vai se instalar, não passa pelo seu crivo; • o trabalho deixa de ser especializado em uma única tarefa e passa a ser feito por um operador preparado para realizar mais de uma função dentro do processo produtivo; • o planejamento da produção é adequado à demanda e a produção de mais de um modelo e automóvel pode ser realizada na mesma fábrica, o que é diferente do fordismo, quando se produz somente um modelo de automóvel. Mas fundamentalmente, o toyotismo permite que a fábrica funcione com um número menor de funcionários ao ser comparada com o fordismo, já que é possível que um operário realize mais de uma função. Na Toyota, por exemplo, um operário pode operar mais de cinco máquinas e ao atuar com outros operários, passa a realizar funções que antes eram da chefia. Isso diminui as funções, possibilitando um “enxugamento” no processo produtivo. • (PICANÇO, Katya. “Globalização” In.: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Sociologia – Ensino Médio. 2ª. ed. Curitiba: Editoração eletrônica Ícone Audiovisual Ltda, 2007, p. 179-180.) Exercício Escreva sobre as principais diferenças entre o modelo fordista-taylorista e o modelo toyotista. A questão do trabalho no Brasil Objetivo: refletir a respeito da situação do trabalho no Brasil considerando as principais etapas da história brasileira. Leitura obrigatória TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 56- 63. O trabalho escravo prevaleceu no Brasil por mais de 350 anos. Assim, a liberdade formal de trabalho tem pouco mais de cem anos. Além disso, os resultados 7
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    do passado deescravidão continuam pesando sobre nós. Ainda antes do fim da escravidão alguns grandes proprietários de terras, sobretudo de São Paulo, começaram a trazer imigrantes para as terras brasileiras. Colonos europeus eram aliciados para vir para o Brasil. Quando aqui chegavam recebiam um pedaço de terra e um empréstimo em dinheiro para iniciar a produção. No entanto, os ganhos com as plantações não eram suficientes para pagar as dívidas e esses imigrantes ficavam muito tempo endividados. Esse fenômeno ficou conhecido como colonato. Esse fenômeno não foi bem-sucedido porque os colonos não aceitavam essa exploração e muitos fugiam ou se revoltavam. Além disso, os governos estrangeiros pressionavam para minimizar os sofrimentos infligidos a seus cidadãos no Brasil. A maior parte desses colonos foi trabalhar no campo, mas muitos se fixaram nas grandes cidades, principalmente, Rio de Janeiro e São Paulo. No início do século XX os trabalhadores urbanos começaram a lutar por melhores condições de trabalho. Utilizando os recursos da imprensa passaram a organizar movimentos grevistas. Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, foi dada uma atenção especial ao trabalhador urbano. O processo de industrialização, iniciado em 1929, significou também o aumento do número de trabalhadores urbanos. •••• A situação do trabalho nos últimos sessenta anos (p. 58) Grande diversidade das situações de trabalho: • “Povos da floresta” – retiram seu sustento das florestas. • Trabalhadores da agropecuária, desde a agricultura de subsistência até propriedades que utilizam máquinas sofisticadas (colheitadeiras computadorizadas). • Indústrias, desde as multinacionais até as pequenas fábricas. • Trabalhadores nos setores de serviço e comércio: ambulantes, autônomos, funcionários de grandes supermercados e shoppings centers. • Trabalhadores administrativos – empresas e organizações públicas e privadas. • Crianças. • Trabalhadores submetidos à escravidão por dívida. 8
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    No ano de2010, a maior parte da população brasileira vivia na zona urbana, enquanto em 1945, a maior parte da população vivia na zona rural. Emprego e qualificação Ouvimos a todo momento nas conversas informais e encontramos com frequência nos meios de comunicação a afirmação de que só terá emprego quem tiver qualificação. A qualificação em determinados ramos da produção é necessária e cada dia mais exigida, mas isso somente para alguns poucos postos de trabalho. A maioria das ocupações exige somente o mínimo de informação, que normalmente o trabalhador consegue adquirir no próprio processo de trabalho. A elevação do nível de escolaridade não significa necessariamente emprego no mesmo nível e boas condições de trabalho. Quantos graduados em Engenharia ou Arquitetura estão trabalhando como desenhistas? Quantos formados em Medicina são assalariados em hospitais e serviços médicos, tendo uma jornada de trabalho excessiva? E os formados em Direito que não conseguem passar no exame da OAB, muitos por ter uma formação deficiente, e se empregam nos mais diversos ramos de atividade, em geral muito abaixo daquilo que estão, em tese, habilitados a desenvolver? Ou seja, a formação universitária, cada dia mais deficiente, não garante empregos àqueles que possuem diploma universitário, seja pela qualificação insuficiente, seja porque não existe emprego para todos. Encontram-se situações exemplares nos dois polos de qualificação: Em muitas empresas de limpeza exige-se formação no ensino médio para a atividade de varrição de rua, o que demonstra que não há relação entre o que se faz e a escolarização solicitada, pois não é necessário ter nível médio para isso, mesmo que existam pessoas com até mais escolaridade que por necessidade o fazem. Jovens doutores (que concluíram ou estão fazendo o doutorado) são despedidos ou não são contratados por universidades particulares porque recebem salários maiores e as instituições não querem pagar mais. Neste caso, não importa a melhoria da qualidade de ensino, e sim a lucratividade que as empresas educacionais podem obter. (TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 59-60) •••• O trabalho informal Segundo pesquisa realizada em 2008, apenas 34,5% dos 92,4 milhões de indivíduos ocupados têm carteira de trabalho assinada. Trabalhadores que executam pequenos consertos, vendedores ambulantes, babás, empregadas domésticas, entregadores, compõem o setor informal. •••• O desemprego Na agricultura, a mecanização em todas as fases ocasiona a expulsão de muitas pessoas do campo. O mesmo acontece na indústria. “... na década de 1980, para produzir 1,5 milhão de veículos, as montadoras empregavam 140 mil operários. Hoje, para produzir 3 milhões de veículos, as montadoras empregam apenas 90 mil trabalhadores.” (p. 61) Isso também acontece no setor de serviços. Para alguns, a solução é o desenvolvimento econômico. Para outros “é 9
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    impossível resolver oproblema na sociedade capitalista, pois, por natureza, no estágio em que se encontra, ela gera o desemprego, e não há como reverter isso na presente estrutura social; há ainda os que consideram o desemprego uma questão de sorte, de relações pessoais, de ganância das empresas, etc.” (p. 61) É preciso observar que o desemprego não uma questão individual. As explicações devem ser buscadas na política econômica do Brasil dos últimos vinte anos, ou seja, numa política de juros altos e de uma política fiscal de redução dos gastos públicos. Isso começou a mudar com queda gradativa dos juros e com o aumento dos gastos públicos. Exercício • Por que o Estado não aumenta o salário mínimo, garantindo à maior parte da população melhores condições de vida? Por que a riqueza gerada no país não se transforma em renda para a maioria da população? • No século XIX, a primeira luta dos trabalhadores foi pela extinção do trabalho infantil. Procurava-se assegurar à criança os direitos de brincar, estudar e não ser explorada no trabalho. Por que a exploração do trabalho infantil persiste até os dias de hoje? Será que a pobreza extrema obriga a criança a trabalhar? Será que são os pais que a forçam a trabalhar, por aguda necessidade? • Como vimos, o trabalho escravo prevaleceu no Brasil por mais de 350 anos. Quais são as semelhanças e as diferenças entre o trabalho escravo no Brasil colonial e imperial e o trabalho escravo no Brasil de hoje? • Por que a exploração do trabalho escravo persiste, apesar de proibida por lei? Será que os empresários e fazendeiros que submetem os trabalhadores à escravidão por dívida ainda têm uma visão colonial do Brasil? 10