A  MORTE DE D. SEBASTIÃO E A QUESTÃO DA SUCESSÃO
Com a morte de D. João III, na ausência de um sucessor directo, jà que entretanto o seu filho tinha morrido, quem estava destinado a herdar o trono era o seu neto D. Sebastião. No entanto na altura este tinha apenas três anos e de acordo com as leis e costumes da época só aos catorze poderia ser coroado. Assim quem assegurou provisoriamente a regência do reino foram primeiro a sua avó Dona Catarina, e após a morte desta ,o seu tio-avô Cardeal D. Henrique . Rei por duas vezes. A primeira como regente e após a morte de D. Sebastião , rei de facto e por direito. Mas velho demais para deixar descendência..
Com a subida ao trono de D. Sebastião Portugal regressou nostalgicamente aos tempos das conquistas Africanas. Em nome dos valores cristãos e do espírito de cavalaria que tinham presidido à sua educação, D. Sebastião ressuscitava os tempos de D. Afonso V “ O Africano “No espírito e na pratica. Personagem imatura ,teimoso dado a acessos de exaltação  mística que roçavam a loucura , D. Sebastião vivia num mundo a que poucos tinham acesso .Não mais que os nobres e clérigos que o tinham moldado. E claro o habitual circulo de oportunistas e bajuladores que o acompanhava para todo o lado.
Para o jovem rei, a solução para os problemas do reino e  do Império , estaria  no reforço e alargamento das conquistas territoriais Africanas, opção que desde D. João II, tinha vindo progressivamente a perder  importância no âmbito da nossa  politica expansionista.  D. Sebastião tinha recebido , de um clero conservador e de uma nobreza que já tinha conhecido melhores tempos, uma educação que pouco tinha a ver com a época, e lhe predestinava o papel de salvador de um Império em crise. Para ele  o mar e o comércio não podiam ser tudo. Nem sequer o mais importante . O mais importante eram a conquista e expansão da Fé . No fundo ,o Império feito  de”Guerra Santa”.
Ora, para um clero sempre aberto a novas oportunidades para evangelizar selvagens ou infiéis , para criar novas dioceses e arrecadar mais impostos ,e para uma nobreza decadente que já só se revia no passado, estas palavras soavam a música.  Era altura de erguer um novo Império Territorial , altura de reviver Glórias passadas, e de dar novas energias a um povo demasiado acomodado perante a lenta decadência do império marítimo e colonial .
E para tal era preciso mais que um simples rei. Era preciso um homem providencial, que  exaltasse e fizesse cumprir o destino de um povo.  Foi acreditando que esse papel lhe estava destinado, que D. Sebastião cresceu. Disso se encarregaram os seus mestres.  Quanto ao povo, farto de velhos e apagados regentes, desesperava por um verdadeiro rei. E por isso também acreditava…Jovem, loiro, teimoso ,mimado e com  cara de anjo barroco, D. Sebastião era o filho de todos os portugueses. Nele depositavam todas as esperanças e dele não esperavam menos que a redenção.  Uma “ Pop  -  Star ” como hoje lhe chamaríamos. E como verdadeira  Pop- Star , quando morreu tornou-se uma lenda.
No tempo de D. Sebastião, vivia-se um clima de” fim de época “. A Saudade, o sentimento que os portugueses descobriram durante a expansão, contagiava todo o reino.  Enquanto um cansado Camões recitava os “Lusíadas” ao jovem rei , fechando as contas do Império, o  povo continuava pobre, e os mais poderosos já tinham passado melhor.  Qualquer mudança seria bem vinda. Entretanto em África os Muçulmanos desavinham-se. Parecia a altura ideal. Camões recitando os “ Lusíadas perante D. Sebastião
Além disso tinham falhado as medidas tomadas por D. João III para equilibrar as finanças do reino:  Nessa altura ,substituíram - se os tradicionais capitães -donatários por um único Governador, com o objectivo de  tornar mais eficiente e produtiva a colonização do Brasil. Foi encerrada a feitoria de Antuérpia na Flandres e abandonaram-se mesmo algumas praças Africanas. Gastando menos,  concentrando as atenções nos territórios e produtos mais lucrativos  tentávamos-mos , compensar as perdas no comercio oriental, e atenuar a escalada das despesas com a defesa das praças africanas. .Uma receita velha que ainda por cá se gasta.   Cultura e transporte  do Algodão
Entretanto a nossa agricultura  continuava tradicionalmente a produzir e  a exportar  o mel e o azeite, enquanto a produção de cereais teimava em não chegar para as necessidades .Mas a pesca estava desde há muito em franco desenvolvimento.  Valia-se das novas técnicas e embarcações. Ia-se agora mais longe , pescava-se  mais e em maior variedade. O mesmo acontecia com a produção de sal que continuávamos a exportar em considerável quantidade.
Entretanto a ” industria” continuava atrasada. Por falta de investimentos, mas também por falta do espírito de risco e inovação de uma sociedade cada vez mais instalada e conservadora fechada às ideias reformistas que se impunham na Europa do norte. As importações  mantinham-se assim altas. A crise económica prometia durar. Mas nem tudo corria mal.  Em 1557 obtivemos da china o território de Macau, segundo a lenda como recompensa pelo auxilio prestado ao Imperador Chinês  na luta contra a pirataria .A partir de Macau e da sua Feitoria poderíamos expandir mais para oriente os nossos interesses na Ásia e fugir à concorrência  .O Império aguentava-se e permanecia quase intacto, apesar do abandono das praças de Safim , Azamor e Arzila ,por decisão de D. João III .
E. na Ásia abriam-se agora perspectivas de novas conquistas  e  negócios.  Entretanto as coisas corriam bem entre Portugal e Castela. Os dois Impérios católicos tornavam-se cada vez mais complementares.
Com o encerramento da feitoria da Flandres, era agora em Sevilha, transformada pelo comércio da prata num importante centro do  comercio internacional ,que os portugueses vendiam os produtos do oriente. O número de casamentos entre os nobres dos dois reinos não parava de aumentar ,esbatendo antigas rivalidades . As condições que iriam conduzir à união Ibérica começaram de facto a criar-se bem cedo No entanto ,num contexto de grande competição e de ataque aos nossos interesses, os lucros eram  cada vez menores. enquanto as despesas com o funcionamento e defesa dos nossos territórios não paravam de crescer…
Não foi por isso difícil convencer o país a regressar  ao Norte de África. Ao território dos infiéis. As conquistas Africanas interrompidas desde D. João III seriam retomadas A glória, a honra e a riqueza esperavam-nos.  Tal como aconteceu no caso de Ceuta , os escassos recursos da coroa e do reino foram utilizados para financiar a expedição militar a Alcácer - Quibir, mas os resultados foram bem diferentes. PARTIDA PARA ÁFRICA
Alcácer - Quibir não repetiu as glórias de que o pais se cobriu com a conquista de Ceuta. Aproximou-se mais do desastre de Tânger ,dos tempos de D. Duarte .Mas numa versão ainda mais negra. O martírio e a morte do infante D. Fernando repetem-se em Alcácer Quibir .Mas aqui a vítima é  próprio rei. E com ele a elite da nobreza Portuguesa e dos seus primogénitos. Em vez do baptismo de sangue que os consagraria como guerreiros, em vez do saque com que encheriam os cofres, muitos encontraram aí a morte. E os que sobreviveram só transportavam consigo a vergonha, a humilhação. Nem sombra da honra e da glória de que o país precisava.
Dizimadas as elites do reino ,o  caos  instalou-se.  O clima de fim de época Sebastianista, salpicado de nostalgia mas também de euforia e esperança, deu lugar à depressão,.A um novo “sentimento de orfandade colectiva” nunca inteiramente resolvido . Ninguém dizia ter  visto morrer o jovem rei. Alguns recusavam-se a admitir o facto. Outros punham a circular historias fantasiosas acerca do seu destino . Em todas elas ele tinha sobrevivido e só esperava um sinal para regressar e fazer redimir um povo. Recuperavam-se as profecias ,que no tempo de D. João III, tinham  dado ao  poeta - sapateiro Bandarra ,a reputação de vidente. A Morte de D. Sebastião
Nas suas trovas, um misterioso rei- salvador ,surgiria incógnito ,do nada. Foram muitos os que se apresentaram com “o regressado”. Todos foram desmascarados. Mas solidamente ancorada na tradição, começava a desenhar-se a lenda do “ Desejado”,que nos piores momentos do domínio filipino, entreteve um povo à espera de  um salvador e de melhores dias. Personagem que ,o duque de Bragança, futuro D. João IV , encarnará , nas vésperas da restauração.  A lenda do desejado perdura ainda, nos Sebastianismos de vário tipo que Portugal ressuscita sempre que está mal e não sabe o que fazer. Uma “canga”,que nos tornou passivos e indolentes. Afinal de contas tem sido sempre assim. Alguém nos salvará. Só é preciso esperar . O” Bandarra “
A D. Sebastião  sucede em 1578, agora como rei ,aquele que o tinha   precedido como regente. O seu tio - avô ,o Cardeal D. Henrique, que era também na altura o inquiridor - mor do  reino . Consciente da sua velhice ,num ambiente de descontentamento e instabilidade, em que se começavam a perfilar os candidatos à sua sucessão, D. Henrique cansado  e temeroso, convoca  as Cortes ,entre 1559 e 1580. Aí mostra-se hesitante e incapaz de tomar o partido de qualquer dos candidatos ao trono. Acaba então por delegar o poder numa Junta composta por cinco Governadores. A BATALHA DE ALCAÇER -QUIBIR
Esta encarregar-se-ia dos assuntos correntes da governação enquanto não fosse encontrado e aclamado um novo rei. Todos os pretendentes  naturais reclamavam laços de sangue com o rei D. Manuel I, já que D. João III não  tinha deixado  descendência. Dentre estes, pelo poder e influencia que detinham, destacavam-se três : Dona Catarina  neta de D. Manuel ,casada com o duque de Bragança, D. António. o Prior do Crato, e Filipe II de Espanha.  A Casa de Bragança, na pessoa do marido da pretendente D. Catarina. o Duque D. João, que também contava com algum apoio entre a alta nobreza, preferia esperar para ver.   FILIPE II D. ANTÓNIO
Mas secretamente esperava que vencesse o partido Espanhol. Assim pensavam também as principais famílias da nobreza e o alto clero. Afinal de contas Espanha era uma nação economicamente  pujante ,enriquecida pelo comércio da prata que vinha da América e também empenhada num processo de expansão marítima e  territorial.   Os Conquistadores espanhóis na América Central
Havia poder, terras ,riquezas e empregos que chegavam para todos A união Ibérica era por muitos visto como uma verdadeira bênção. E. como era mais fácil e barato, dirigir um império a partir do litoral Atlântico , do que a partir do interior, pensava-se mesmo que não seria difícil convencer os Castelhanos a estabelecer em Lisboa a capital do novo Império. D. Catarina por outro lado sem o apoio do povo, que se inclinava fortemente para o lado de D. António, era apenas uma pretendente formal.
Quanto ao velho cardeal apesar da sua proximidade com Dona Catarina via no prior do Crato um novo Mestre de Avis . O único candidato que contando com o apoio popular podia impedir que fossemos engolidos por Castela.
É D. António quem toma a iniciativa. Apercebendo-se da posição hesitante e esquiva da Casa de Bragança.  Talvez mais que isso .Oportunista e cobarde. É pois neste contexto , reunindo algum apoio popular que se estendia também ao baixo – clero, que  D. António se proclama rei em Lisboa e noutros concelhos do sul . No entanto logo de seguida as tropas do duque de Alba ,invadem o país desembarcando em Cascais e derrotam em Alcântara o escasso  e mal armado exercito de fiéis que D. António tinha conseguido reunir à pressa.
Exilado em França António tentará ainda recuperar a coroa ,a partir da ilha terceira que lhe permanecia leal .e que só se submeterá pela força em 1583,depois de ter conseguido repelir em 1551 um primeiro ataque castelhano.
O pais estava pacificado e ordeiro. Nada de conflitos revoltas ou motins.  Ainda assim ,de novo exilado em França, D. António conseguiu algum apoio de Franceses e ingleses que de vez em quando mas sem grandes consequências passaram a  atacar os nossos navios  e territórios. Aqui e nas colónias. Mas nada disso mudaria o curso dos acontecimentos. Em 1580 ao contrário do que aconteceu durante a crise de 1383-85,não se respirava a mesma atmosfera revolucionária  de exaltação nacionalista.  Os dez anos de incompetência e desvario que caracterizaram o reinado de D. Sebastião tinham devastado os recursos e as energias de um país e de um povo. Estávamos cansados e descrentes.
Além disso a união Ibérica tinha deixado para quase todos de ser um assustador fantasma .  Desde D. Afonso V ,que nos dois lados da Península se tinham urdido planos que conduziam à fusão entre os dois reinos . D. Manuel esteve quase a consegui-lo.  Há muito que os portugueses  entendiam e falavam o castelhano. Muitos autores portugueses publicavam as suas obras nesta língua e por cá circulavam escritos castelhanos que não precisavam de recorrer à tradução. Afinal  de contas só a elite lia… E esta pensava cada vez mais em fazer parte de um mundo maior e mais rico .Um Mundo que resultaria da união dos dois impérios católicos. ESTANDARTE DE D . AFONSO V
A forma inteligente como Filipe II se assumiu como soberano nas” Cortes de Tomar”, preservando no fundamental a nossa  autonomia  e identidade , aliada a uma eficiente administração , e a uma generosa distribuição de privilégios e dádivas , manteve os ânimos calmos.
Foi por isso tranquilamente que Filipe II se instalou em Lisboa até 1583, ano em que parte definitivamente .O país passou a partir de então a ser dirigido por representantes por si nomeados e que agiam em seu nome. E por algum tempo as coisas até melhoraram.  Graças a uma administração do reino mais moderna e eficiente . mas também graças à prosperidade de Espanha em  cujas áreas de interesse económico passamos a poder negociar.   FILIPE II DE ESPANHA

A Morte de D. Sebastião e a Questão da Sucessão

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    A MORTEDE D. SEBASTIÃO E A QUESTÃO DA SUCESSÃO
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    Com a mortede D. João III, na ausência de um sucessor directo, jà que entretanto o seu filho tinha morrido, quem estava destinado a herdar o trono era o seu neto D. Sebastião. No entanto na altura este tinha apenas três anos e de acordo com as leis e costumes da época só aos catorze poderia ser coroado. Assim quem assegurou provisoriamente a regência do reino foram primeiro a sua avó Dona Catarina, e após a morte desta ,o seu tio-avô Cardeal D. Henrique . Rei por duas vezes. A primeira como regente e após a morte de D. Sebastião , rei de facto e por direito. Mas velho demais para deixar descendência..
  • 3.
    Com a subidaao trono de D. Sebastião Portugal regressou nostalgicamente aos tempos das conquistas Africanas. Em nome dos valores cristãos e do espírito de cavalaria que tinham presidido à sua educação, D. Sebastião ressuscitava os tempos de D. Afonso V “ O Africano “No espírito e na pratica. Personagem imatura ,teimoso dado a acessos de exaltação mística que roçavam a loucura , D. Sebastião vivia num mundo a que poucos tinham acesso .Não mais que os nobres e clérigos que o tinham moldado. E claro o habitual circulo de oportunistas e bajuladores que o acompanhava para todo o lado.
  • 4.
    Para o jovemrei, a solução para os problemas do reino e do Império , estaria no reforço e alargamento das conquistas territoriais Africanas, opção que desde D. João II, tinha vindo progressivamente a perder importância no âmbito da nossa politica expansionista. D. Sebastião tinha recebido , de um clero conservador e de uma nobreza que já tinha conhecido melhores tempos, uma educação que pouco tinha a ver com a época, e lhe predestinava o papel de salvador de um Império em crise. Para ele o mar e o comércio não podiam ser tudo. Nem sequer o mais importante . O mais importante eram a conquista e expansão da Fé . No fundo ,o Império feito de”Guerra Santa”.
  • 5.
    Ora, para umclero sempre aberto a novas oportunidades para evangelizar selvagens ou infiéis , para criar novas dioceses e arrecadar mais impostos ,e para uma nobreza decadente que já só se revia no passado, estas palavras soavam a música. Era altura de erguer um novo Império Territorial , altura de reviver Glórias passadas, e de dar novas energias a um povo demasiado acomodado perante a lenta decadência do império marítimo e colonial .
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    E para talera preciso mais que um simples rei. Era preciso um homem providencial, que exaltasse e fizesse cumprir o destino de um povo. Foi acreditando que esse papel lhe estava destinado, que D. Sebastião cresceu. Disso se encarregaram os seus mestres. Quanto ao povo, farto de velhos e apagados regentes, desesperava por um verdadeiro rei. E por isso também acreditava…Jovem, loiro, teimoso ,mimado e com cara de anjo barroco, D. Sebastião era o filho de todos os portugueses. Nele depositavam todas as esperanças e dele não esperavam menos que a redenção. Uma “ Pop - Star ” como hoje lhe chamaríamos. E como verdadeira Pop- Star , quando morreu tornou-se uma lenda.
  • 7.
    No tempo deD. Sebastião, vivia-se um clima de” fim de época “. A Saudade, o sentimento que os portugueses descobriram durante a expansão, contagiava todo o reino. Enquanto um cansado Camões recitava os “Lusíadas” ao jovem rei , fechando as contas do Império, o povo continuava pobre, e os mais poderosos já tinham passado melhor. Qualquer mudança seria bem vinda. Entretanto em África os Muçulmanos desavinham-se. Parecia a altura ideal. Camões recitando os “ Lusíadas perante D. Sebastião
  • 8.
    Além disso tinhamfalhado as medidas tomadas por D. João III para equilibrar as finanças do reino: Nessa altura ,substituíram - se os tradicionais capitães -donatários por um único Governador, com o objectivo de tornar mais eficiente e produtiva a colonização do Brasil. Foi encerrada a feitoria de Antuérpia na Flandres e abandonaram-se mesmo algumas praças Africanas. Gastando menos, concentrando as atenções nos territórios e produtos mais lucrativos tentávamos-mos , compensar as perdas no comercio oriental, e atenuar a escalada das despesas com a defesa das praças africanas. .Uma receita velha que ainda por cá se gasta. Cultura e transporte do Algodão
  • 9.
    Entretanto a nossaagricultura continuava tradicionalmente a produzir e a exportar o mel e o azeite, enquanto a produção de cereais teimava em não chegar para as necessidades .Mas a pesca estava desde há muito em franco desenvolvimento. Valia-se das novas técnicas e embarcações. Ia-se agora mais longe , pescava-se mais e em maior variedade. O mesmo acontecia com a produção de sal que continuávamos a exportar em considerável quantidade.
  • 10.
    Entretanto a ”industria” continuava atrasada. Por falta de investimentos, mas também por falta do espírito de risco e inovação de uma sociedade cada vez mais instalada e conservadora fechada às ideias reformistas que se impunham na Europa do norte. As importações mantinham-se assim altas. A crise económica prometia durar. Mas nem tudo corria mal. Em 1557 obtivemos da china o território de Macau, segundo a lenda como recompensa pelo auxilio prestado ao Imperador Chinês na luta contra a pirataria .A partir de Macau e da sua Feitoria poderíamos expandir mais para oriente os nossos interesses na Ásia e fugir à concorrência .O Império aguentava-se e permanecia quase intacto, apesar do abandono das praças de Safim , Azamor e Arzila ,por decisão de D. João III .
  • 11.
    E. na Ásiaabriam-se agora perspectivas de novas conquistas e negócios. Entretanto as coisas corriam bem entre Portugal e Castela. Os dois Impérios católicos tornavam-se cada vez mais complementares.
  • 12.
    Com o encerramentoda feitoria da Flandres, era agora em Sevilha, transformada pelo comércio da prata num importante centro do comercio internacional ,que os portugueses vendiam os produtos do oriente. O número de casamentos entre os nobres dos dois reinos não parava de aumentar ,esbatendo antigas rivalidades . As condições que iriam conduzir à união Ibérica começaram de facto a criar-se bem cedo No entanto ,num contexto de grande competição e de ataque aos nossos interesses, os lucros eram cada vez menores. enquanto as despesas com o funcionamento e defesa dos nossos territórios não paravam de crescer…
  • 13.
    Não foi porisso difícil convencer o país a regressar ao Norte de África. Ao território dos infiéis. As conquistas Africanas interrompidas desde D. João III seriam retomadas A glória, a honra e a riqueza esperavam-nos. Tal como aconteceu no caso de Ceuta , os escassos recursos da coroa e do reino foram utilizados para financiar a expedição militar a Alcácer - Quibir, mas os resultados foram bem diferentes. PARTIDA PARA ÁFRICA
  • 14.
    Alcácer - Quibirnão repetiu as glórias de que o pais se cobriu com a conquista de Ceuta. Aproximou-se mais do desastre de Tânger ,dos tempos de D. Duarte .Mas numa versão ainda mais negra. O martírio e a morte do infante D. Fernando repetem-se em Alcácer Quibir .Mas aqui a vítima é próprio rei. E com ele a elite da nobreza Portuguesa e dos seus primogénitos. Em vez do baptismo de sangue que os consagraria como guerreiros, em vez do saque com que encheriam os cofres, muitos encontraram aí a morte. E os que sobreviveram só transportavam consigo a vergonha, a humilhação. Nem sombra da honra e da glória de que o país precisava.
  • 15.
    Dizimadas as elitesdo reino ,o caos instalou-se. O clima de fim de época Sebastianista, salpicado de nostalgia mas também de euforia e esperança, deu lugar à depressão,.A um novo “sentimento de orfandade colectiva” nunca inteiramente resolvido . Ninguém dizia ter visto morrer o jovem rei. Alguns recusavam-se a admitir o facto. Outros punham a circular historias fantasiosas acerca do seu destino . Em todas elas ele tinha sobrevivido e só esperava um sinal para regressar e fazer redimir um povo. Recuperavam-se as profecias ,que no tempo de D. João III, tinham dado ao poeta - sapateiro Bandarra ,a reputação de vidente. A Morte de D. Sebastião
  • 16.
    Nas suas trovas,um misterioso rei- salvador ,surgiria incógnito ,do nada. Foram muitos os que se apresentaram com “o regressado”. Todos foram desmascarados. Mas solidamente ancorada na tradição, começava a desenhar-se a lenda do “ Desejado”,que nos piores momentos do domínio filipino, entreteve um povo à espera de um salvador e de melhores dias. Personagem que ,o duque de Bragança, futuro D. João IV , encarnará , nas vésperas da restauração. A lenda do desejado perdura ainda, nos Sebastianismos de vário tipo que Portugal ressuscita sempre que está mal e não sabe o que fazer. Uma “canga”,que nos tornou passivos e indolentes. Afinal de contas tem sido sempre assim. Alguém nos salvará. Só é preciso esperar . O” Bandarra “
  • 17.
    A D. Sebastião sucede em 1578, agora como rei ,aquele que o tinha precedido como regente. O seu tio - avô ,o Cardeal D. Henrique, que era também na altura o inquiridor - mor do reino . Consciente da sua velhice ,num ambiente de descontentamento e instabilidade, em que se começavam a perfilar os candidatos à sua sucessão, D. Henrique cansado e temeroso, convoca as Cortes ,entre 1559 e 1580. Aí mostra-se hesitante e incapaz de tomar o partido de qualquer dos candidatos ao trono. Acaba então por delegar o poder numa Junta composta por cinco Governadores. A BATALHA DE ALCAÇER -QUIBIR
  • 18.
    Esta encarregar-se-ia dosassuntos correntes da governação enquanto não fosse encontrado e aclamado um novo rei. Todos os pretendentes naturais reclamavam laços de sangue com o rei D. Manuel I, já que D. João III não tinha deixado descendência. Dentre estes, pelo poder e influencia que detinham, destacavam-se três : Dona Catarina neta de D. Manuel ,casada com o duque de Bragança, D. António. o Prior do Crato, e Filipe II de Espanha. A Casa de Bragança, na pessoa do marido da pretendente D. Catarina. o Duque D. João, que também contava com algum apoio entre a alta nobreza, preferia esperar para ver. FILIPE II D. ANTÓNIO
  • 19.
    Mas secretamente esperavaque vencesse o partido Espanhol. Assim pensavam também as principais famílias da nobreza e o alto clero. Afinal de contas Espanha era uma nação economicamente pujante ,enriquecida pelo comércio da prata que vinha da América e também empenhada num processo de expansão marítima e territorial. Os Conquistadores espanhóis na América Central
  • 20.
    Havia poder, terras,riquezas e empregos que chegavam para todos A união Ibérica era por muitos visto como uma verdadeira bênção. E. como era mais fácil e barato, dirigir um império a partir do litoral Atlântico , do que a partir do interior, pensava-se mesmo que não seria difícil convencer os Castelhanos a estabelecer em Lisboa a capital do novo Império. D. Catarina por outro lado sem o apoio do povo, que se inclinava fortemente para o lado de D. António, era apenas uma pretendente formal.
  • 21.
    Quanto ao velhocardeal apesar da sua proximidade com Dona Catarina via no prior do Crato um novo Mestre de Avis . O único candidato que contando com o apoio popular podia impedir que fossemos engolidos por Castela.
  • 22.
    É D. Antónioquem toma a iniciativa. Apercebendo-se da posição hesitante e esquiva da Casa de Bragança. Talvez mais que isso .Oportunista e cobarde. É pois neste contexto , reunindo algum apoio popular que se estendia também ao baixo – clero, que D. António se proclama rei em Lisboa e noutros concelhos do sul . No entanto logo de seguida as tropas do duque de Alba ,invadem o país desembarcando em Cascais e derrotam em Alcântara o escasso e mal armado exercito de fiéis que D. António tinha conseguido reunir à pressa.
  • 23.
    Exilado em FrançaAntónio tentará ainda recuperar a coroa ,a partir da ilha terceira que lhe permanecia leal .e que só se submeterá pela força em 1583,depois de ter conseguido repelir em 1551 um primeiro ataque castelhano.
  • 24.
    O pais estavapacificado e ordeiro. Nada de conflitos revoltas ou motins. Ainda assim ,de novo exilado em França, D. António conseguiu algum apoio de Franceses e ingleses que de vez em quando mas sem grandes consequências passaram a atacar os nossos navios e territórios. Aqui e nas colónias. Mas nada disso mudaria o curso dos acontecimentos. Em 1580 ao contrário do que aconteceu durante a crise de 1383-85,não se respirava a mesma atmosfera revolucionária de exaltação nacionalista. Os dez anos de incompetência e desvario que caracterizaram o reinado de D. Sebastião tinham devastado os recursos e as energias de um país e de um povo. Estávamos cansados e descrentes.
  • 25.
    Além disso aunião Ibérica tinha deixado para quase todos de ser um assustador fantasma . Desde D. Afonso V ,que nos dois lados da Península se tinham urdido planos que conduziam à fusão entre os dois reinos . D. Manuel esteve quase a consegui-lo. Há muito que os portugueses entendiam e falavam o castelhano. Muitos autores portugueses publicavam as suas obras nesta língua e por cá circulavam escritos castelhanos que não precisavam de recorrer à tradução. Afinal de contas só a elite lia… E esta pensava cada vez mais em fazer parte de um mundo maior e mais rico .Um Mundo que resultaria da união dos dois impérios católicos. ESTANDARTE DE D . AFONSO V
  • 26.
    A forma inteligentecomo Filipe II se assumiu como soberano nas” Cortes de Tomar”, preservando no fundamental a nossa autonomia e identidade , aliada a uma eficiente administração , e a uma generosa distribuição de privilégios e dádivas , manteve os ânimos calmos.
  • 27.
    Foi por issotranquilamente que Filipe II se instalou em Lisboa até 1583, ano em que parte definitivamente .O país passou a partir de então a ser dirigido por representantes por si nomeados e que agiam em seu nome. E por algum tempo as coisas até melhoraram. Graças a uma administração do reino mais moderna e eficiente . mas também graças à prosperidade de Espanha em cujas áreas de interesse económico passamos a poder negociar. FILIPE II DE ESPANHA