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Universidade Católica Portuguese – Faculdade de Teologia
1º ano Doutoramento em Teologia Pastoral - Braga, 2020
Unidade: Evangelização
Aluno: João Miguel Pereira, joaofreigil@hotmail.com
Síntese: Felisa Elizondo, Evangelii Nuntiandi. balance y
significado.
A Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi (EN) foi assinada por Paulo VI e
publicada em 8 de dezembro de 1975, dia em que se comemorava o décimo aniversário
do encerramento do Concílio Vaticano II (7-12-1965). Espelha os frutos do Sínodo dos
Bispos celebrado de 27 de setembro a 26 de outubro do ano anterior, subordinado ao
tema: “A evangelização do mundo atual”, do conteúdo da bula convocatória do ano
santo de 1975 (ano da Reconciliação) e, em alguns números, acolhe também o Sínodo
de 1971, que abordou o tema do sacerdócio e a justiça no mundo. Surge num segundo
momento pós-conciliar, depois da euforia inicial, da crise e da crítica, num ambiente em
que se haviam estabelecido grandes mudanças sociais e culturais e na maneira de
compreender a Igreja e a sua vida de fé, fruto do alcance das orientações conciliares.
A redação da EN surge num ambiente que conta com um bom número de
trabalhos de historiadores, sociólogos, teólogos e pastoralistas. Ao mesmo tempo, há
uma imagem de «uma Igreja mais dividida que pluralista e mais polémica que
dinâmica». «Como consequência talvez do constante conflito e da acentuação do
pluralismo nas opções ideológicas e pastorais, sentem-se os sintomas de um certo
cansaço».
No Sínodo de 1974, a evangelização aparece como uma questão decisiva e
urgente, a principal tarefa da Igreja. O Sínodo questiona-se pela eficácia atual da
energia escondida na Boa-Nova, pela capacidade de transformar verdadeiramente a vida
dos homens de hoje, pelos métodos com que há que proclamar o Evangelho para que o
seu poder seja eficaz e, sobretudo, como é a capacidade evangelizadora da Igreja pós-
conciliar. No instrumento de trabalho, enviado em 1973 às conferências episcopais, a
teologia da evangelização ocupa um espaço notável. Também Paulo VI, no discurso de
abertura do Sínodo, indicou que este se dirigia a dar resposta às questões surgidas
acerca da forma adequada de realizar a evangelização. Para ele, evangelizar é um
compromisso e uma necessidade da Igreja que há-de contar com a questão importante e
delicada do ecumenismo, a consideração das religiões não cristãs e o problema das
regiões geográficas ou culturais onde a religião não encontra lugar. Na mesma altura
reafirmou a específica finalidade religiosa da evangelização, afirmando que não há
separação mas complementaridade entre evangelização e progresso humano. Entre as
respostas de 53 conferências episcopais, que não eram representativas de toda a
geografia eclesial, salientam-se alguns aspetos das sugestões do episcopado francês e
espanhol, respetivamente:
- O desejo de uma escuta profunda do mundo moderno, e uma observação positiva
sobre o que é vivido como novo na Igreja; de que para a Igreja institucional seja uma
ocasião de simplificação, de dar um real espaço aos leigos; uma possibilidade para os
pequenos se expressarem, de evangelização dos jovens e de caminhar com as
comunidades nascentes;
- Constatam que as dificuldades para evangelização não se radicam tanto no terreno das
formulações dogmáticas, mas o problema refere-se aos sinais de credibilidade que a
Igreja oferece; muitos crentes estão inseguros da confissão da fé e para muitos o ensino
católico que receberam está dramaticamente inadaptado; há uma necessidade de
interiorização da vida cristã; há preocupação com relações entre evangelização e
desenvolvimento humano e com a necessidade das igrejas jovens fazerem valer as suas
próprias culturas; constatam, em algumas latitudes, de uma falta de liberdade ou de
influência de uma ideologia materialista;
Em síntese, três preocupações: a secularização dos países europeus, a relação
com as culturas e religiões na Africa e Ásia, a relação entre evangelização e libertação
na América Latina.
A EN quer ser uma reflexão dirigida a todo o povo de Deus e especialmente a
quem trabalha na pregação e no ensino (cf. Tim 5,17). Segundo a EN, evangelizar
constitui, em efeito, a graça e vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda.
Ela existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça,
reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo … (n.14).
Evangelizar significa, para a Igreja, levar a Boa-Nova a todos os ambientes da
humanidade e, com o seu influxo, transformar desde dentro, renovar a mesma
humanidade (n.18). Não se trata somente de pregar o Evangelho em zonas geográficas
cada vez mais numerosas, mas de alcançar e transformar com a força do Evangelho os
critérios de juízo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de
pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que estão em
contraste com a palavra de Deus e com o desígnio da salvação (n.19).
A evangelização é uma dimensão de todas as tarefas da Igreja e evangelizar
constitui a razão de ser da Igreja (cf. Lumen gentium e Gaudium et spes). A EN não
apresenta a evangelização com uma visão unilateral: recorda que a Igreja que evangeliza
é por sua vez evangelizada («evangelizadora, a Igreja começa por evangelizar-se a si
mesma» [n.15]), interpelada permanentemente pelo Evangelho que anuncia e ao que há-
de servir («tem necessidade de escutar sem cessar o que deve crer, as razões para
esperar, o mandamento novo do amor» [n.15]), interpelada pela humanidade a qual há-
de evangelizar, pelos sinais dos tempos («povo de Deus imerso no mundo» [n.15]). Isto
tem implicações na valorização das culturas, no modo de entender o diálogo com as
religiões e expressa a consciência de uma permanente necessidade de conversão.
O documento está dividido em sete partes:
1ª – Cristo evangelizador e a Igreja Evangelizadora: A tarefa de evangelizar tem
como conteúdo e formas a evangelização tal como Jesus a concebeu e praticou (nn. 6-
7). Cristo é o evangelizador, o reino e a salvação que liberta o homem de tudo o que o
oprime, sobre tudo o mal e o pecado (nn. 8-9). Quem recebe a sua Palavra e se reúne,
constitui uma comunidade que por sua vez é evangelizadora (nn.12-13). A Igreja nasceu
da ação evangelizadora de Jesus, existe para evangelizar e essa é a sua missão essencial.
Ela começa por evangelizar-se a si mesma e, enviada e evangelizadora, ela envia
evangelizadores (nn. 14-16). Aceitar o anúncio significa transformar a vida, entrar numa
comunidade de fiéis, aderir à Igreja e acolher os sinais sacramentais e evangelizar (nn.
23-24).
2ª – Trata a relação do Evangelho com as culturas: O Evangelho não se
identifica nem se submete a nenhuma cultura mas é capaz de as impregnar a todas
(n.29). A evangelização não se concretiza se não houver o anúncio do nome, da
doutrina, da vida, das promessas, do reino, do mistério de Jesus de Nazaré, Filho de
Deus (n.22).
3º - O conteúdo essencial, a substância viva da evangelização, é o testemunho de
Deus revelado em Jesus Cristo mediante o Espírito, de que em Jesus Cristo, Filho de
Deus feito homem, morto e ressuscitado, se oferece a salvação. Neste núcleo se vincula
o anúncio da vocação profunda e definitiva do homem e a pregação da esperança nas
promessas (nn.25-28). Dá-se uma interpelação recíproca entre Evangelho e a vida
concreta, pessoal e social (nn.29-30). Há laços entre a evangelização e a promoção
humana, se bem que a finalidade da evangelização é especificamente religiosa (nn. 30-
31). Condena-se a violência e recorda que o amor fraterno e a doutrina social motivam a
libertação evangélica. Inscreve a defesa dos direitos, em especial a liberdade religiosa
(nn. 33-39).
4ª – Meios: o testemunho, a pregação, a catequese, a liturgia, os meios de
comunicação social; Aborda a necessidade de uma transmissão de pessoa a pessoa
(nn.45-46).
5ª – Destinatários: Os que não conhecem a Cristo. Alude à arte, à investigação e
ao recurso ao sentimento como meios através dos quais se anuncia (n.51). Expressa
preocupação pelo secularismo, pelas diversas formas de ateísmo e pelo fenómeno dos
não praticantes (nn.54-56). Regista um breve espaço à relação com as outras religiões
(n.53) e detém-se sobre as comunidades eclesiais de base (n.58).
6ª e 7ª – Tratam dos agentes e do espirito que há-de dar alento à evangelização.
Destaca que evangelizar não é um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial
(n.60) e considera que nas igrejas particulares encarna-se a Igreja universal. A partir da
compreensão da eclesiologia conciliar e tendo em conta a consideração da cultura que
havia oferecido o Concilio Vaticano II na Gaudim et spes, EN aborda o problema da
evangelização das culturas e da encarnação da fé em distintos contextos, como haviam
pedido sobretudo os representantes das Igrejas de Africa, todavia não utiliza ainda o
termo «inculturação». Nos números finais recorda que a evangelização é dever de todos
e que todos, cada um a seu modo, hão-de ser evangelizadores (nn. 67-73). Conclui
exortando a superar o cansaço, a desilusão, a acomodação ao ambiente, o desinteresse e
a falta de alegria e de esperança, algo que destacavam os diagnósticos da situação da
Igreja naqueles anos e que surge como preocupação no Sínodo.
No referente à receção da EN, verificou-se que, nos anos sucessivos, alguns
temas tiveram amplo desenvolvimento: como a relação entre evangelização e justiça ou
libertação (Conferência de Puebla, 1979); a relação entre Evangelho e culturas
(Inculturação. Teologia e método, A. Tornos, 2001); o diálogo inter-religioso
(Evangelização e diálogo no Vaticano II e no Sínodo de 1974, M. Dhavamony, 1993)
que os autores, considerando que a sua abordagem na EN foi reduzida e com uma visão
das outras religiões indevidamente negativa (entendidas somente como ecos de um
sincero questionamento humano e da busca de Deus), admitem como um início para o
diálogo inter-religioso. Todavia, reconhece-se que nem o Sínodo precedente nem a EN
tiveram a incidência que se podia esperar, dada a temática que abordaram e que
retomaria João Paulo II com a proclamação da «nova evangelização».

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A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi

  • 1. Universidade Católica Portuguese – Faculdade de Teologia 1º ano Doutoramento em Teologia Pastoral - Braga, 2020 Unidade: Evangelização Aluno: João Miguel Pereira, joaofreigil@hotmail.com Síntese: Felisa Elizondo, Evangelii Nuntiandi. balance y significado. A Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi (EN) foi assinada por Paulo VI e publicada em 8 de dezembro de 1975, dia em que se comemorava o décimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II (7-12-1965). Espelha os frutos do Sínodo dos Bispos celebrado de 27 de setembro a 26 de outubro do ano anterior, subordinado ao tema: “A evangelização do mundo atual”, do conteúdo da bula convocatória do ano santo de 1975 (ano da Reconciliação) e, em alguns números, acolhe também o Sínodo de 1971, que abordou o tema do sacerdócio e a justiça no mundo. Surge num segundo momento pós-conciliar, depois da euforia inicial, da crise e da crítica, num ambiente em que se haviam estabelecido grandes mudanças sociais e culturais e na maneira de compreender a Igreja e a sua vida de fé, fruto do alcance das orientações conciliares. A redação da EN surge num ambiente que conta com um bom número de trabalhos de historiadores, sociólogos, teólogos e pastoralistas. Ao mesmo tempo, há uma imagem de «uma Igreja mais dividida que pluralista e mais polémica que dinâmica». «Como consequência talvez do constante conflito e da acentuação do pluralismo nas opções ideológicas e pastorais, sentem-se os sintomas de um certo cansaço». No Sínodo de 1974, a evangelização aparece como uma questão decisiva e urgente, a principal tarefa da Igreja. O Sínodo questiona-se pela eficácia atual da energia escondida na Boa-Nova, pela capacidade de transformar verdadeiramente a vida dos homens de hoje, pelos métodos com que há que proclamar o Evangelho para que o seu poder seja eficaz e, sobretudo, como é a capacidade evangelizadora da Igreja pós- conciliar. No instrumento de trabalho, enviado em 1973 às conferências episcopais, a teologia da evangelização ocupa um espaço notável. Também Paulo VI, no discurso de abertura do Sínodo, indicou que este se dirigia a dar resposta às questões surgidas acerca da forma adequada de realizar a evangelização. Para ele, evangelizar é um compromisso e uma necessidade da Igreja que há-de contar com a questão importante e delicada do ecumenismo, a consideração das religiões não cristãs e o problema das regiões geográficas ou culturais onde a religião não encontra lugar. Na mesma altura reafirmou a específica finalidade religiosa da evangelização, afirmando que não há
  • 2. separação mas complementaridade entre evangelização e progresso humano. Entre as respostas de 53 conferências episcopais, que não eram representativas de toda a geografia eclesial, salientam-se alguns aspetos das sugestões do episcopado francês e espanhol, respetivamente: - O desejo de uma escuta profunda do mundo moderno, e uma observação positiva sobre o que é vivido como novo na Igreja; de que para a Igreja institucional seja uma ocasião de simplificação, de dar um real espaço aos leigos; uma possibilidade para os pequenos se expressarem, de evangelização dos jovens e de caminhar com as comunidades nascentes; - Constatam que as dificuldades para evangelização não se radicam tanto no terreno das formulações dogmáticas, mas o problema refere-se aos sinais de credibilidade que a Igreja oferece; muitos crentes estão inseguros da confissão da fé e para muitos o ensino católico que receberam está dramaticamente inadaptado; há uma necessidade de interiorização da vida cristã; há preocupação com relações entre evangelização e desenvolvimento humano e com a necessidade das igrejas jovens fazerem valer as suas próprias culturas; constatam, em algumas latitudes, de uma falta de liberdade ou de influência de uma ideologia materialista; Em síntese, três preocupações: a secularização dos países europeus, a relação com as culturas e religiões na Africa e Ásia, a relação entre evangelização e libertação na América Latina. A EN quer ser uma reflexão dirigida a todo o povo de Deus e especialmente a quem trabalha na pregação e no ensino (cf. Tim 5,17). Segundo a EN, evangelizar constitui, em efeito, a graça e vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo … (n.14). Evangelizar significa, para a Igreja, levar a Boa-Nova a todos os ambientes da humanidade e, com o seu influxo, transformar desde dentro, renovar a mesma humanidade (n.18). Não se trata somente de pregar o Evangelho em zonas geográficas cada vez mais numerosas, mas de alcançar e transformar com a força do Evangelho os critérios de juízo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que estão em contraste com a palavra de Deus e com o desígnio da salvação (n.19). A evangelização é uma dimensão de todas as tarefas da Igreja e evangelizar
  • 3. constitui a razão de ser da Igreja (cf. Lumen gentium e Gaudium et spes). A EN não apresenta a evangelização com uma visão unilateral: recorda que a Igreja que evangeliza é por sua vez evangelizada («evangelizadora, a Igreja começa por evangelizar-se a si mesma» [n.15]), interpelada permanentemente pelo Evangelho que anuncia e ao que há- de servir («tem necessidade de escutar sem cessar o que deve crer, as razões para esperar, o mandamento novo do amor» [n.15]), interpelada pela humanidade a qual há- de evangelizar, pelos sinais dos tempos («povo de Deus imerso no mundo» [n.15]). Isto tem implicações na valorização das culturas, no modo de entender o diálogo com as religiões e expressa a consciência de uma permanente necessidade de conversão. O documento está dividido em sete partes: 1ª – Cristo evangelizador e a Igreja Evangelizadora: A tarefa de evangelizar tem como conteúdo e formas a evangelização tal como Jesus a concebeu e praticou (nn. 6- 7). Cristo é o evangelizador, o reino e a salvação que liberta o homem de tudo o que o oprime, sobre tudo o mal e o pecado (nn. 8-9). Quem recebe a sua Palavra e se reúne, constitui uma comunidade que por sua vez é evangelizadora (nn.12-13). A Igreja nasceu da ação evangelizadora de Jesus, existe para evangelizar e essa é a sua missão essencial. Ela começa por evangelizar-se a si mesma e, enviada e evangelizadora, ela envia evangelizadores (nn. 14-16). Aceitar o anúncio significa transformar a vida, entrar numa comunidade de fiéis, aderir à Igreja e acolher os sinais sacramentais e evangelizar (nn. 23-24). 2ª – Trata a relação do Evangelho com as culturas: O Evangelho não se identifica nem se submete a nenhuma cultura mas é capaz de as impregnar a todas (n.29). A evangelização não se concretiza se não houver o anúncio do nome, da doutrina, da vida, das promessas, do reino, do mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus (n.22). 3º - O conteúdo essencial, a substância viva da evangelização, é o testemunho de Deus revelado em Jesus Cristo mediante o Espírito, de que em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, se oferece a salvação. Neste núcleo se vincula o anúncio da vocação profunda e definitiva do homem e a pregação da esperança nas promessas (nn.25-28). Dá-se uma interpelação recíproca entre Evangelho e a vida concreta, pessoal e social (nn.29-30). Há laços entre a evangelização e a promoção humana, se bem que a finalidade da evangelização é especificamente religiosa (nn. 30- 31). Condena-se a violência e recorda que o amor fraterno e a doutrina social motivam a libertação evangélica. Inscreve a defesa dos direitos, em especial a liberdade religiosa
  • 4. (nn. 33-39). 4ª – Meios: o testemunho, a pregação, a catequese, a liturgia, os meios de comunicação social; Aborda a necessidade de uma transmissão de pessoa a pessoa (nn.45-46). 5ª – Destinatários: Os que não conhecem a Cristo. Alude à arte, à investigação e ao recurso ao sentimento como meios através dos quais se anuncia (n.51). Expressa preocupação pelo secularismo, pelas diversas formas de ateísmo e pelo fenómeno dos não praticantes (nn.54-56). Regista um breve espaço à relação com as outras religiões (n.53) e detém-se sobre as comunidades eclesiais de base (n.58). 6ª e 7ª – Tratam dos agentes e do espirito que há-de dar alento à evangelização. Destaca que evangelizar não é um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial (n.60) e considera que nas igrejas particulares encarna-se a Igreja universal. A partir da compreensão da eclesiologia conciliar e tendo em conta a consideração da cultura que havia oferecido o Concilio Vaticano II na Gaudim et spes, EN aborda o problema da evangelização das culturas e da encarnação da fé em distintos contextos, como haviam pedido sobretudo os representantes das Igrejas de Africa, todavia não utiliza ainda o termo «inculturação». Nos números finais recorda que a evangelização é dever de todos e que todos, cada um a seu modo, hão-de ser evangelizadores (nn. 67-73). Conclui exortando a superar o cansaço, a desilusão, a acomodação ao ambiente, o desinteresse e a falta de alegria e de esperança, algo que destacavam os diagnósticos da situação da Igreja naqueles anos e que surge como preocupação no Sínodo. No referente à receção da EN, verificou-se que, nos anos sucessivos, alguns temas tiveram amplo desenvolvimento: como a relação entre evangelização e justiça ou libertação (Conferência de Puebla, 1979); a relação entre Evangelho e culturas (Inculturação. Teologia e método, A. Tornos, 2001); o diálogo inter-religioso (Evangelização e diálogo no Vaticano II e no Sínodo de 1974, M. Dhavamony, 1993) que os autores, considerando que a sua abordagem na EN foi reduzida e com uma visão das outras religiões indevidamente negativa (entendidas somente como ecos de um sincero questionamento humano e da busca de Deus), admitem como um início para o diálogo inter-religioso. Todavia, reconhece-se que nem o Sínodo precedente nem a EN tiveram a incidência que se podia esperar, dada a temática que abordaram e que retomaria João Paulo II com a proclamação da «nova evangelização».