1 JUSTIFICATIVA
Esse projetonasceuda necessidade de investigarsobre otemaindisciplina,poisé umdos
temasatuaisque maispreocupamos professorese todososenvolvidosnoprocessode ensino.
Alémde transformar– se emdesordem, aindisciplina dificultaarelaçãocomo professor,
alunoe aprendizageme pode apresentarsériascomplicaçõesnodesenvolvimentocognitivo,
moral e social.
Assim,pormeiodogerenciamentonaEducaçãoInfantil pode-se resguardarque todosos
alunosestejamativamente envolvidosnastarefas.Deste modooprofessorprevine as
questõesque desestabilizamadisciplinadasalaantesque elasocorram.O professortorna-se
proativoe deixade serreativo.É necessárioque acriança inicie oseuconvíviocomregras.
É interessante que,aoproporumaatividade,oprofessorjátenhapreparadoomaterial e o
ambiente emque trabalharácomo grupo.Alémdisso,temque pensarotempode duração
das atividades.Eaconvivêncianecessitadoestabelecimentode algumasregras.
Por meiodadisciplina,acriançacomunica-se consigomesmae como mundo,aceitaa
existênciadosoutros,estabelece relaçõessociaisconstrói conhecimentos,desenvolve
integralmente.A salade aulaé e sempre foi umespaçoque expressacontinuidadedavida,
reflexodoentorno.Se assimnãofor,nãoserá salade aula verdadeira,nãopermitiráque o
alunocontextualize emsuaexistênciaossaberesque ali aprende.(ANTUNES,2005).
Diante disso,gerouaseguinte problemática,Comoresolveroproblemadaindisciplinanasala
de aula?
É essencial que se restaure adisciplinaemsalade aula,que se faça desse valorumobjetivoa
se perseguir,nãopara que a salase isole dasociedade e tambémnãoparaque a aulado
professorfique maisconfortável,masantesparaque ali ao menosse aprendacomo tentar
modificarocaos urbanoque o desrespeitosocial precipitou.(ANTUNES,2005)
O alunoindisciplinadoé aquele cujasaçõesrompemcomasregras da escola,mastambém
aquele que nãoestádesenvolvendosuasprópriaspossibilidadescognitivas,atitudinaise
morais.(GARCIA,1999).
Então, o alunodisciplinadoteráumbomrendimentonaaprendizageme nocomportamento
ético,ouseja, autocontrole,hábitosde obediência,controle damente e docaráter,que
contribuiráparao convívioemsociedade.
Contudo,transformara disciplinaemum“valor”.Istoé, fazercom que sejavistacomouma
qualidade humana,imprescindível àconvivênciaé fundamentalparaas boasrelações
interpessoais.Este projetoé relevantesocialmente porqueoportunizarámaiorreflexãono
contextodaescolae cientificamente possibilitarácompreendermelhoroprocessode
indisciplinaalémde superarlacunassobre otemaestudado.
Este projetoserárealizadonacreche turma do pré I no CMEI – João PauloI,localizadonaRua
13 S/N do bairro Joãode Deus.Envolvendoasdisciplinasde Português,Matemática,Ciênciase
Artescom duração de quinze diasserãocolhidasasinformaçõescomaprofessoradasala
investigadae acoordenadoradainstituição.
2 OBJETIVOS
2.1 GERAL:
Investigarotrabalhodesenvolvidopeloprofessorparaminimizaraindisciplinanasalade aula
da educaçãoinfantil,nacreche dobairro Joãode Deus.
2.2 ESPECÍFICOS:
Verificarque atividadessãoutilizadasemsalade aulapara desenvolversentimentose atitudes
necessáriosaconvivênciasocial.
Identificarascausasmotivadorasparao comportamentoindisciplinar.
Analisarfatoresinternosque podeminterferi nasquestõesdisciplinaresdaescola.
3 PROBLEMA
Que fatoresque gerama indisciplinanumaturmado pré I da educaçãoinfantil,numacreche
emPetrolina?
3.1 QUESTÕES NORTEADORAS
Que atitudesdocentessãousadasparamelhoriacomportamental dosalunos?
O que deve fazera escolapara desenvolverregras naconvivência?
Que atividadessãomaisimportantesparadesenvolveraconcentraçãoe criatividade das
crianças?
4 DISCURSSÃOTEÓRICA
A Educação Infantil é onível educacional que,é parte integrante daEducaçãoBásica doPaís
destinadaatodas as criançasde zeroa cinco anosde idade.Noentanto,este nível de ensino
nemsempre ocupouumespaçorelevante naformaçãoda criança,como nos diasde hoje.Seu
surgimentoocorreulentamentee foi,durante oséculoXIX,mediante significativas
contribuiçõesteóricase dasmudançaspolíticase econômicasdaépoca,que se iniciouseu
desenvolvimento.
É nestafase que a criança aumentasuasrelaçõessociaise adquire noçõesde convivênciacom
o coletivo.Começatambémadesenvolverasnoções de valores,de justiçae de moralidade,e
a aprimorar seudesenvolvimentoaprendizagem, motore cognitivo.Nestaprimeiraetapada
Educação Básica,onde as crianças estãono iníciode seudesenvolvimentosocial,asnoçõesde
disciplinajácomeçamaser expostase osatos de indisciplinajácomeçama aparecer.
(OLIVEIRA,2010)
A indisciplinanaetapada Educação Infantil é demonstradade formasbemparticulare
diferente dasque ocorrememidadesmaisavançadas.Portanto,aocontráriodoque alguns
possampensar,elajáexiste desde que acriançaentra na escolae virauma das maiores
preocupaçãodosprofessoresdestaetapa,que estãofocadosnaestimulaçãodo
desenvolvimentodacriançacomo um todoe na educaçãopara a cidadania.
Karline Berger(1977, p. 103) complementa,que “algumascriançasdesde que começama
freqüentaraescola,jádemonstramalgumtipode indisciplina”.Entãocaberiaao professor
destaetapacriar possibilidadesdacriançase desenvolverparaa vidaem sociedade,
independente dohistóricofamiliarde cadauma delas.
Assimcomoemqualqueroutrolugar,o espaçoda Educação Infantil tambémapresenta
diferentesdemonstraçõesde indisciplinae que sópodemserpercebidasse forconsideradoo
contextoemque elasocorrem.Osentendimentossobre aindisciplina,segundoVergés(2003,
p. 31) variam,poisdependemdavivênciafamiliarde cadacriança, doscostumes,dacrença e
da culturaem que a criança estáinserida,assimcomopodemdependerdostraçosde
personalidadede cadauma,das fasesdodesenvolvimentoemque estápassandoe,também,
da influênciadoprofessor,daescolae dametodologiade ensinoutilizada.Háumavariedade
de causas e sentidosportrásdas demonstraçõesde indisciplinaescolare,identificá-lasé o
primeiropasso parainibi-las.
O importante é identificaroque envolveumatode indisciplinaparamelhorcompreendê-loe
defini-lo,destacandose suamanifestaçãose tratade umaquestãopessoal dacriança, familiar,
relacional ouescolar.Vergése Sana(2009, p. 35) sugerem:
O que devemosentenderé que nenhumalunonasce indisciplinado;ele se tornaindisciplinado
emdeterminadassituações,dependendodosentidodaindisciplinaparaele naquele
momento,comváriosfatoresque possamlevá-loaagirdessaforma.
Na Educação Infantil,de umamaneirageral,osatosindisciplinadosenvolvemaintolerânciaà
frustração,a necessidade de atenção,oegocentrismo –aindacaracterístico da faixaetáriaem
que se encontramas crianças, o desinteressepelaaula,aexclusãododiferente,afaltade
limitesdefinidose afalta de orientaçãoe consistêncianoambiente familiardacriança.
(ESTRELA,1992). Outro aspectocomumente envolvidonasexpressõesde indisciplina,nesta
fase,se refere aodesenvolvimentodoesquemacorporal que emalgumascriançasaindanão
estácompleto,assim,aindaapresentaumcomportamentocomunicativodevidoàfaltade
coordenaçãomotorafina,principalmente.Nestescasos,ascrianças sãoidentificadascomo
“estabanadas”,pisamnospé das outras,gostamde brincarde luta,exigindocontatofísico,
atingemosoutroscom peças de jogos,abraçam com força,podendomachucaro colegae
podem,até mesmo,seridentificadascomoagressivas.
Nosoutros casos,o aparecimentode indisciplinademonstraumacondição de aborrecimento,
como já citado,pode serde ordemfamiliar,pessoal,relacional ouescolar,reveladocomo
desinteresse,desatenção,resistência,desrespeitoe faltade empatia.Dessaformapercebe-se
que não é apenaso contextofamiliaroupessoal que determinaaocorrênciadosatos de
indisciplinaemsalade aula,comotambém, a própriasalade aula,o professor,ametodologia
de ensinoe a relaçãopedagógicapodemdesencadearaindisciplinaescolar.Segundokarline
Berger(1977, p. 20), quandoa aulanão estáinteressante e atraente paraascrianças,elas
perdemointeresse ouficamdesmotivadas,oque aslevaa agirde formaindisciplinadapara
demonstrarque estãoinsatisfeitacomalgumacoisa.
As demonstraçõesde aborrecimentoque envolvemosatos de indisciplinanascriançasda
Educação Infantil podemsercaracterizadaspormorder,beliscaroubaternocolega,brincarde
luta,destruiromaterial escolar,conversarenquantoaprofessoraououtrocolegaestá
falando,apresentarumcomportamentodesafiador,fazendocaretasourespondendomal à
professorae nãofazera atividade propostaemsalade aula,se recusandoouresistindoa
participar.
É válidodestacarque a agitação motoraé uma característica própriaao comportamentodas
crianças nestafaixade idade que precisambrincarse movimentare criarpara extravasara
energia.A movimentaçãoe obarulhopodemseresperado.Neste sentido,Vergés(2003, p.32)
afirmaque:
a criança que questiona,perguntae se movimentaemsalade aula,não pode ser considerada
indisciplinada,porque naconstruçãodoconhecimento,acriançaprecisabuscar as alternativas
para encontraro melhorcaminhopara aprender.Agora,aquele alunoque nãotemlimites,
não respeitaaopiniãoe ossentimentosdoscolegas,esse sim, é umalunoque pode ser
consideradoindisciplinado.
Os momentosde brincadeirase jogos,noparquinhoouemsalade aulaconstituem,
facilmente,umcampode observaçãodas manifestaçõesde indisciplina,poisexpressõesde
intolerânciaàfrustraçãoe desrespeitosãocomunsnestesambientesnaEducaçãoInfantil,
onde as crianças aindaestãodesenvolvendosuasnoçõesde moralidade.Ascriançasque não
têmlimitesestabelecidose nãorespeitamoscolegas,aprofessorae asregras,e brincadeiras,
elasfreqüentemente apresentamcomportamentosindisciplinados.Cabe aescolae ao
professortransmitirosvalorese promoveraaprendizagemdasregrasde convivênciasocial,a
auto-regulageme aautodisciplina.LaTaille dizque “ascriançasprecisamaderirasregras que
implicamemvalorese formasde conduta.”Em outraspalavras,o pensadoremconsideração
estavadizendoque aeducaçãodeve começardesde osseusprimeirosanostrabalhando,
temasconcernentesaoassunto.Éum meiode diminuirlánafrente osmaus comportamentos
dos alunos.
As brincadeiraspodemlevaroacontecimentode conflitos,de desrespeitoaoscolegase a
agressividade.Essademonstraçãode intolerânciae frustraçãoque envolve oatoindisciplinado
implica,entre outrosfatores,arelaçãoque a criança temcom as regras,ou seja,a não relação
que a criança tem desenvolvidacomamoral.
A indisciplinamanifestadanessesmomentos,alémde perturbaroambiente e asrelaçõesem
salade aula,prejudicaodesenvolvimentoe oprocessode aprendizagem daprópriacriança.
Estas crianças exigemmaioratençãoe estímuloparaque possamse desenvolvermoralmente
e,conseqüentemente,socialmente.Ocampode relaçõessociaisque aEducação Infantil
propicia,nasatividades,brincadeiras,lanche e higiene, recreiooueducaçãofísica,constitui o
ambiente que acriança necessitaparadesenvolvertodasassuascompetênciase aprendera
convivercomo coletivo.Parte deste desenvolvimentoestáodesenvolvimentomoral,que
envolve oprocessode conscientizaçãodasregrasna criança e que,conduzas crianças à
autonomiae à autodisciplina,fazcomque as manifestaçõesde indisciplinase tornemcadavez
maisimprováveis.5METODOLOGIA
O trabalhoseráfeitopormeiode uma abordagemqualitativa,propondoentendercomo
resolveroproblemadaindisciplinanodesenvolvimentocognitivodascriançasnaeducação
infantil,nacreche – JoãoPaulol,e entenderavivenciadoprofessoremrelaçãoaisso.
A pesquisaserárealizadanacreche turmado pré I no CMEI – João Paulo I,localizadonaRua 13
S/N do bairroJoão de Deusem PetrolinaPernambuco,serãoinvestigadaaprofessorae a
coordenadorapedagógica,paraidentificarcomose processaa indisciplinanaeducaçãoinfantil
e que fatoresgerama indisciplina.
Para a realizaçãoda pesquisaseráutilizadoométodoqualitativo,sendoque essetipode
abordagemé essencial aopesquisador,poispropiciaumainterpretaçãomelhordosdados.
SegundoRodrigues(2006),é utilizadaparainvestigarproblemasembeneficiode sua
complexidade.Assimessetipoé caracterizadopelaconstruçãodoconhecimentoapartirde
hipótesese interpretaçõesque opesquisadorconstrói.
O projetoempregaráaentrevistanãoestruturadae observaçãonãoparticipante,bemcomoo
uso doquestionário.Para acoletade algunsdadospara o trabalho,a pesquisadoraobservará
os sujeitosdessealvo,pois´´a observaçãoconsiste emumatécnicade coletade dados a partir
da observaçãoe do registro,de formadireta,dofenômenooufatoestudado``.(BARROS;
LENFELD, 2010)
Justifica–se aescolhade entrevistaporserum meioemque o pesquisadorobtéminformações
maiscompletase detalhadas.A entrevistaé umatécnicautilizadaparaobterinformaçõespor
meiode uma conversaorientadacomo entrevistadoe deve atenderaum objetivo
predeterminado.Oquestionáriotambémé uminstrumentode coletade dados.Constituído
por uma listade questõesrelacionadascomoproblemade pesquisa,oquestionáriodeve ser
aplicadoa um númerodeterminadode informantes.(BARROS;LENFELD,2000).
O estudotambémcontarácom o diáriode campo, que é importante,poisé oregistrode fatos
observadosatravésde observações.(BARROS;LENFELD,2000). O trabalhoserá direcionado
aos alunosdaeducação infantil,professore coordenador.
Os dadosserãoanalisadosapartir de observaçãoemsala de aulae entrevistacomoprofessor
e coordenador,estabelecendo-se umconfrontocomasleiturasrealizadassobre otema.
6 CRONOGRAMA
PERÍODO
AGOSTO
SETEMBRO
OUTUBRO
NOVEMBRO
DEZEMBRO
ETAPAS
1ª
2ª
1ª
2ª
1ª
2ª
1ª
2ª
1ª
2ª
Reestruturaçãodoprojeto
X
PesquisaBibliográfica
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Elaboraçãodos instrumentos
X
Teste dosinstrumentos
X
Aplicaçãodosinstrumentos
X
Observaçãodasaulas – entrevistas
X
X
X
Organizaçãodosdados
X
X
Análise dosdados
X
X
Produçãofinal DoTCC
X
X
REVISÃO
X
X
IMPRESSÃOX
ENTREGA FINAL
X
REFERÊNCIAS
ANTUNES,Celso.A Arte de Comunicar,.EditoraVozes.SãoPaulo.2005;
BARROS,Cridil JesusdaSilveira;LENFELDE,Neide Aparecidade Souza.Fundamentosde
metodologiacientifica.2.ed.emp.SãoPaulo:Macron Books,2000.
DE LA TAILLE, Yves.A indisciplinae osentimentode vergonha.In:AQUINO,JúlioGroppa(Org.).
Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.14. ed.São Paulo:Summus,1996. p. 9 –
24.
ESTRELA, Maria Teresa.Relaçãopedagógica,disciplinae indisciplinanaaula.3. ed.Porto:
Porto,1992.
GARCIA,Joe.Indisciplinanaescola:umareflexãosobre adimensãopreventiva.Revista
Paranaense de Desenvolvimento,Curitiba,n.95, p. 101 – 108. Jan/Abrde 1999.
KARLIN,Muriel Schoenbrun;BERGER,Regina.Comolidarcomo alunoproblema.traduçaode
Ana Cecíliade CarvalhoGontijoBeloHorizonte,interlivros,1977.
OLIVEIRA,Zilmade MoraesRamos.Educação Infantil:fundamentose métodos.5.ed.São
Paulo:Cortez,2010.
RODRIGUES, Auvode Jesus.Metodologiacientifica.SãoPaulo:Avercampy2006.
VERGÉS, Maritza Rolimde Moura; SANA,Marli Aparecida.Limitese indisciplinanaeducação
infantil.2.ed.Campinas:Alínea,2009.
VERGÉS, Maritza Rolimde Moura. Ossentidosdaindisciplinanaeducaçãoinfantil,2003.
Trabalhode Conclusãode Curso (Pedagogia)–Faculdade de CiênciasHumanas,Letrase Artes,
Universidade TuiutidoParaná,Curitiba,2003.
INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL
Serrinha
2013
CRESCENCIANA JUNQUEIRA SANTOS
INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL
ArtigocientíficoapresentadoaoInstitutoPróSaber,comorequisitoparcial obrigatóriopara
conclusãodo cursode PósGraduação em Educação infantil.
Orientador:WagnerReis
Serrinha
2013
SUMÁRIO
RESUMO:
Com base nasmetodologiasaplicadasnoensinoda EducaçãoInfantil,discutiu-seideiasque se
consideremimportantesparacompreendersituaçõesde indisciplinacomagressividade em
crianças nestafase da educação.Comosuporte teórico,otrabalhofoi embasadoemRego,
Carvalho,Camargo,Cardoso,Winnicott,Içami Tiba.Oestudoda origemdaindisciplinae de
suas formasde manifestaçãonaprimeirainfânciapode nosfornecerelementosimportantes
para a compreensãodessetemade modoaentendercomoessamudançade comportamento
iniciae se transformaem indisciplina.Porassimser,percebe-se que umestudoprofundo
dessesfenômenospodeauxiliarpais,professorese gestoresaentenderemoselementosque
levamà práticada indisciplinae encontrarsoluçõesparaasmesmas.
Será feitaumaentrevistasemi-estruturadaestabelecendoquestões/temasque devemser
colocadasaos participantescomoinstrumentoque permite entraremcontatocomas posições
singularesde cadaindivíduoe deverãosersomadosaoutrosindíciossobre o Fenômeno
estudado.Paratal entrevista serãoutilizadosdoistiposde questionáriosaseremaplicadosna
Creche CriançaFelizI,Praça AgripinoMacedo,S/N,Centro,Teofilândia - BA que atende
crianças na faixaetáriade doisa seisanosde idade.Divisãodosquestionários:QuestionárioI –
Paisou responsáveisde alunose QuestionárioII –Professores.Éválidosalientarque todo
trabalhofoi precedidode autorizaçãosolicitadapreviamente aCoordenaçãodaCreche citada
acima e das professorasde cadauma das turmas envolvidas,bemcomo,foi realizadoum
contato com ospais dascrianças selecionadasparaa participaçãodelese dosfilhosnareferida
pesquisa.Atravésdosdadoslevantadosnapesquisafoi fácil verificarque existe uma
conformidade entre afamíliae ocomportamentodessascrianças.Asmaisindisciplinadassão
exatamente asque nãoencontramemcasa a segurançanecessáriaparaa formaçãoda
personalidadee nafaltadessasegurança,a criança manifestarebeldiaemsalade aulacomo
formade chamar a atençãodos professores,vistoque emcasaelanão encontraapoioe
orientaçãonecessáriaparaa formaçãode suaeducação comocidadão.Já a criançaque vive
emum ambiente saudávelonde é amparadae recebe total apoioeorientaçãodafamília,
torna-se umacriança tranquilae disciplinada. Considerandoque afunçãoda InstituiçãoInfantil
é de promoverodesenvolvimentointegral dascriançasemparceriacom a família,observamos
durante essapesquisaque,aCreche nãopossui pessoal habilitadoparalidarcomessareferida
adversidade que permeiamasInstituiçõesde EducaçãoInfantil.Sendoassim,decidi fazermeu
artigoseguindoessalinha,pretendendocomesse estudobuscarestratégias,de intervenção
educativa,que possibilite aessascrianças,experiênciaspromotorasdascapacidadese
habilidadesemcomplementaçãoaação das famílias,buscandosempre respeitara
particularidade de cadaumadelas.
Palavrachave:Indisciplina;EducaçãoInfantil;Creche;Família;
INTRODUÇÃO
Ao nospreocuparmoscomo fator indisciplinanaeducaçãoinfantil,períodoemque acriança
se encontraem processode formação,estaremostrabalhandonaconstruçãodopróprio
sujeito,envolvendovalorese oprópriocaráternecessárioparao seudesenvolvimento
integral.Poressarazão tentaremoscompreender, sentir,fazere repartiresse processode
formação.Há umditadochinêsque diz,“se doishomensvemandandoporuma estrada,cada
um carregandoum pãoe, ao se encontrarem, elestrocamospães,cada homemvai embora
com um; porém,se doishomensvieremandandoporumaestrada,cada um carregandouma
ideiae,aose encontrarem,elestrocamasideias,cadahomemvai emboracom duas”.Quem
sabe é esse mesmoosentidodonossofazer:repartirideiasparatodosterempão...(CORTELA,
1998, p.159).
O presente estudotevecomoobjetivoidentificare compreenderosdiferentestiposde
indisciplinaapresentadosporcriançasde uma referidacreche paraintervirde formabenéfica.
Temosconsciênciade que asatitudesdodocente nasala de aula e dos paisou responsáveis
emcasa poderãointerferirde formapositivaounegativanoprocessocognitivoe afetivoda
criança e para comprovaro que está sendodito,realizou-se umapesquisade campoemuma
creche da zona urbanana cidade de Teofilândia-BA,que tevecomoobjetivoespecífico:1-
Analisara históriade vidae os diferentescomportamentosapresentadospelascriançasna
referidacreche e emseuambiente familiar,sejamelesobserváveisdiretamente ouinferidosa
partir de gestos,posturacorporal ou outrasformasde linguagem.2- Conheceradinâmica
familiarde umacriança consideradaindisciplinadae de outraconsideradadisciplinada.3-
Buscar compreenderquaisaspectosinfluenciouessacriançaamanifestaraindisciplina.4-
Contribuiresclarecendoosmotivospelosquaisosprofessorestemsidoalvode atosagressivos
dos alunose ao mesmotempotentarintervirmostrandocaminhosparaque se possacorrigir
esse tipode comportamento.
Durante a pesquisa,buscou-se teóricosque se aprofundaramaotemaindisciplina.Afinal oque
vema ser indisciplina?SegundooDicionárioAurélio –‘procedimento,atoouditocontrárioà
disciplina,desobediência,rebelião’.
O conceitode indisciplina,nãoé uniforme e nemuniversal.Elase relacionacomoconjuntode
valorese experiênciasque variamaolongodahistória,entre asdiferençasculturaise numa
mesmasociedade,nasdiversasclassessociais.“Noplanoindividual,apalavraindisciplinapode
ter diferentessentidosque dependerãodasvivênciasde cadasujeitoe docontextoemque
foramaplicados.”(REGO,1996, p.84).
Os traços de cada ser humanoestãovinculadosaoaprendizadodoseugrupocultural.Diante
disso,é possível afirmarque ocomportamentoindisciplinadodoindivíduodependeráde sua
históriae das característicassociaisemque estáinserido.Oserhumanovai adquirindoa
indisciplinaatravésdasinfluênciasque recebenodecorrerdoseudesenvolvimentoemseu
âmbitofamiliarounoespaçoescolar.De acordo com o sociólogofrancêsFrançoisDubet
(1997), “a disciplinaé conquistadatodososdias,é precisosempre lembrarasregrasdo jogo,
cada vezé precisoreinteressá-los,cadavezé precisoameaçar,cada vezé preciso
recompensar”.Issonosfazanalisaro quantoé importante orespeitoàsregrasdentrode uma
instituiçãoparaque seufuncionamentosejapositivo.SegundoIçami Tiba(1996) adisciplina
escolaré como um conjuntode regrasque devemserobedecidastantopelosfuncionários
quantopelospaise alunospara que o aprendizadoescolartenhaêxito.Portanto,adisciplina
escolaré uma qualidade de relacionamentohumanoentre ocorpodocente e osalunosem
uma salade aula.
DESENVOLVIMENTO
A indisciplinarepresentaumagrande ameaçaà desobediênciaàsregrasestabelecidas.A
famíliatransmite valoresàscriançase a escolatransmite conhecimentohistórico,científico,
social e moral.As crianças que noseu seiofamiliarnãosãoamadas e nãocompartilham
valores,consequentemente serãoalunoscomproblemasafetivose se sentirãodesprotegidos,
com dificuldadede manterrelaçõessociaispositivascomosoutros.Carvalho,(1996, p.138),
relataa importânciade criar formasprópriasde enfrentaroscasos de indisciplina.De acordo
com Rego(1996) os chamadospaisautoritáriosvalorizamaobediênciacomnormase regras,
semse preocuparem explicaràscriançasos motivosdasameaças,dos castigose das
imposições’.A importânciaque aeducaçãofamiliartemsobre oindivíduo,dopontode vista
cognitivo,afetivoe moral é muitogrande,porém, as influênciasque caracterizarãoosjovens
ao longode seudesenvolvimentonãoserãosomente asvivenciadasnasuafamília,mas
tambémas aprendizagensdosdiferentescontextossociais,comonaescola.Sendoassim,uma
relaçãoentre professorese alunosbaseadanocontrole excessivo,daameaça,da puniçãoou
tolerânciapermissiva,provocaráreaçõesdiversas.ParaRego(1996), a escolae os educadores
precisamadequaras suasexigênciasàspossibilidadese necessidadesdosalunos.Devemdar
condiçõesparaque os alunosconstruame interiorizemosvalorese asposturasconsideradas
corretasna nossacultura(atitudesde solidariedade,cooperação,respeitoaoscolegase
professores).De acordocom Rego(1996), oseducadoresprecisamsercoerentesentresua
condutae a que esperadosalunos,poisé atravésda imitaçãodosvaloresexternosque a
criança aprende sernormal.
DonaldWoodsWinnicott,psiquiatrainfantil,apresentasuaconcepçãode criança normal:
Uma criança normal se tema confiançado pai e da mãe,usa de todosos meiospossíveispara
se impor.Com o passardo tempo,põe à provao seupoderde desintegrar,destruir,assustar,
cansar, manobrar,consumire apropriar-se.Tudooque levaas pessoasaostribunais(ouaos
manicômios,poucoimportaocaso) temo seu equivalentenormal nainfância,narelaçãoda
criança com seuprópriolar.Se o lar consegue suportartudoque a criança pode fazerpara
desorganizá-lo,elasossegae vai brincar;mas primeiroosnegócios,ostestestemque ser
feitose,especialmente,se acriança tiveralgumadúvidaquantoàestabilidadeda
instituiçãoparental e dolar(que paramim é muitomaisdo que a casa). Antesde maisnada,a
criança precisaestarconsciente de umquadrode referênciase quisersentir-selivree ser
capaz de brincar, de fazerseusprópriosdesenhos,serumacriança irresponsável.(WINNICOTT,
1946, p.121)
Winnicottdizo quantoé importante oambiente familiarparaumperfeitodesenvolvimento
psicológicodacriança,pois,possibilitamumsentimentode segurançae de amparoe somente
desse modoa criança vai se sentira vontade porque pormaisque elafantasie seumundo,o
ambiente se manteráestável.Todavia,quandoissonãoocorre,acriança vai se tornar
indisciplinadae arrediaemoutrosambientes,nomeiode outraspessoasparatentar
encontrarum quadrode referência:
Ao constatarque o quadro de referênciase desfez,eladeixade se sentirlivre.Torna-se
angustiadae,se temalgumaesperança,trata de procurar um quadrode referênciaforadolar.
A criança cujolar não lhe ofereceuumsentimentode segurançabuscaforade casa às quatro
paredes;aindatemesperançae recorre aos avôs,tiose tias, amigosdafamília,escola.Procura
uma estabilidade externasemaqual poderáenlouquecer.Fornecidaemtempooportuno,essa
estabilidade poderátercrescidonacriança como os ossosemseucorpo, de modoque,
gradualmente,nodecorrerdosprimeirosmesese anosdevida,teráavançadoda dependência
e da necessidade de sercuidada,paraa independência.Éfrequente acriançaobteremsuas
relaçõese na escolao que lhe faltouemseuprópriolar.(WINNICOTT,1946, p. 121)
Essa citação reforçao motivoque levaumacriança a apresentarumcomportamentohostil.
Winnicottvê issocomouma formade comunicaçãoda realidade interiordessascrianças,que
assimagempor desespero,tentandoencontrarosentimentode segurançaque nãoencontrou
emseular. Winnicottcitaoutro pontoque ressaltoaimportânciadoambiente familiarparaa
criança:
De fato,é a partirdas coisasaparentemente pequenasque ocorremnolare emtorno dele
que a criança tece tudo que uma imaginaçãofértil pode tecer.Ovastomundoé um excelente
lugarpara osadultosbuscaremuma fugapara o tédiomas,geralmente,ascriançasnãosabem
o que sejao tédioe podemtertodosos sentimentosde que sãocapazesentre asquatro
paredesde seuquarto, emsua própriacasa, ou apenasa algunsminutosdaporta da rua. O
mundoserámais importante e satisfatóriose forcrescendo,paracada indivíduo,apartirda
porta de casa, ou do quintal dosfundos...Sim, aimaginaçãode umacriançapode encontrar
amplocampo de atividade nopequenomundode atividadede seuprópriolare da rua em
frente;e,de fato,é a segurançareal propiciadapelolarque liberaacriança para brincar e
desfrutarde outrasmaneirasde suahabilidade paraenriqueceromundosaídode suaprópria
cabeça.(WINNICOTT,1945, p. 54)
Issonos fazver o quantoà criança se sente aceitae seguraquandoconsegue experimentar
suas outrashabilidadesde imaginaçãoe criaçãoe assimampliarseuconhecimentodomundo
e de si mesma.Os paistêma função de dar amor, carinhoe limitessemagredi-las:
Às vezes,aagressãose manifestaplenamente e se consome,ouprecisade alguémpara
enfrentá-lae fazeralgoque impeçaosdanos que elapoderiacausar.Outrasvezesosimpulsos
agressivosse manifestamabertamente,masaparecemsoba formade algum tipode oposto...
As aparênciaspodemvariar,masexistemdenominadorescomunsnosproblemashumanos.
Pode serque uma criança tendapara a agressividade e outradificilmenterevele qualquer
sintomade agressividade,desde oprincípio,emboraambastenhamomesmoproblema.
Acontece simplesmenteque essascriançasestãolidandode maneirasdistintascomsuas
cargas de impulsosagressivos.(WINNICOTT,1964, p. 97)
Ao analisarmosoque dizo psiquiatrainfantil,podemosafirmarque adisciplinaouindisciplina
depende dopontode vistade quemanalisaasituação,depende docontextoe dossujeitos
envolvidos.Porém, alunose sociedade nãopodemesquecerque afinalidade principal da
escolaé a preparaçãopara o exercícioda cidadaniae para seremcidadãos,precisade
conhecimento,respeitopeloespaçopúblico,ética,normase relaçõesinterpessoais.Paulo
Freire diz:“(...) bomsenso.Autoridade nãopode serentendidacomoautoritarismo”(FREIRE,
1996, p.14). O professorprecisaperceberemcertasocasiõesospontosfalhosdoalunoe ao
invésde reprimi-lo,temque ajudá-locomhumildade e tolerância.Temossentimentos,desejos
e necessidadese,essessentimentosprecisamserrespeitadostantopeloeducadorquanto
peloeducando,poisamaneiracomonos relacionamosé que mostraosresultadosdessa
relação.SegundoFreire:
O professorautoritário,oprofessorlicencioso, oprofessorcompetente,sério,oprofessor
incompetente,irresponsável,oprofessoramorosodavidae dasgentes,oprofessormal
amado,sempre comraiva do mundoe das pessoas,frio,burocrático,racionalista,nenhum
dessespassapelosalunossemdeixar suamarca.(FREIRE,1996, p. 73)
O professortrazdentrodele todasua históriade vidae desconhece totalmenteavidado
aluno.SegundoCharlot:
Um educadornão é apenasumacriança de tal família,nãoé apenaso membrode um grupo
sóciocultural.Ele é tambémsujeitocomumahistóriapessoal e escolar.Éum alunoque
encontrouna escolataisprofessorestaisamigos,taisaulas,e que teve surpresasboase más.É
uma criança que cujospaisdisseramque oque se aprende naescolaé muitoimportante para
a vida,ou ao contrário,que não serve paranada. É umacriança que temmuitosirmãosou
irmãsou não, que sãobemsucedidonaescolaou não,e o que pode ajudara criança ou não, ...
(CHARLOT,2002. p.28)
Ao refletirmosnoque disse Charlot,todoeducador precisareversuaspráticaspedagógicas.A
busca de especializaçãoparaatuar na Educação Infantil é muitoimportante paratentar
amenizaralgunsproblemasde indisciplinaemsalade aula.Içami Tiba(1996) diz que os
grandesresponsáveispelaeducaçãodos jovens,afamíliae a escola,nãoestão sabendo
cumpriro seupapel.O que se observahoje é a falênciadaautoridade dospaisemcasa, do
professornasala de aulae do orientadornaescola.ParaIçami,tanto os fatoresexternos
quantoos internospodem influenciarnocomportamentode umacriança.Dependendodo
mimoe do trato, a criança pode ser maisoumenosindisciplinada.Todacriançaao sair do seio
familiar,entraemummundototalmente diferente e emvirtude disso,oprofissionalda
educação,o professor,deve serético,humilde,conhecedorde seuslimites.Içami Tibafaz
referênciaàgeraçãode paisque confundemautoridadecomautoritarismoe optampornão
colocar limitesnosfilhos:“Cabe ospaisdelegaraofilhotarefasque ele jáé capazde cumprir.
O que ele aprendeué dele.A mãe deveriaficarorgulhosapeloseucrescimento,emvezde se
sentirlesadapornão sermaisútil.”(TIBA,1996, p.35). É porissoque os paisnunca devem
fazertudopelofilho,bastaajudá-loaté opontoemque ele consigarealizarsuastarefas
sozinhosparaadquirirauto-confiançae elevarsuaauto-estima.Içami tambémcita:“Nenhuma
criança nasce folgada,elaaprende aser.A indolênciaconstantenãoé natural.Resultada
dificuldadede realizarseusdesejos.A criança sópode ser consideradafolgadaquando
conhece as suasresponsabilidadese nãoascumpre”.(TIBA,1996, p.37).A partir do momento
que os paisnão impõemlimitese regras,ofilhotorna-se folgado:“Ofilhotorna-se folgado
porque deixoude fazeroque é capaz e precisaexecutar,e a mãe torna-se umasufocada
porque precisadar tarefasque nãolhe cabemmais,alémde muitasoutras atividades”.(TIBA,
1996, p.39).
Hoje emdia,os paisestãopermitindoperderaprópriaautoridade.Costuma-se ouvirmuitos
paisse queixaremque osfilhosqueremaqualquercustoumdeterminadoobjeto,e ospais
que acostumarama fazertodosos gostosdo filho,sempremovidoporumadesculpa,acaba
cedendoaoscaprichosdo filhomimando-o.Atualmente,coma perdada autoridade paterna,
os filhosé que se tornamimplacáveiscomospais.Quandoo pai tentaimporuma disciplina,
negandoalgopara o filhoacostumadoater de tudo,este vê o pai comoum empecilhoe tenta
eliminá-lo.Tibarelataque:
“Nessasúltimasdécadas,amulher emancipou-see ganhoudestaque sócioeconômico,
profissionale cultural,masnamaioriaoinstintomaternoaindafalamaisaltodoque todas as
suas conquistas.Emvirtude desse instintoé que aindahoje asmulheresse sentemtão
culpadaspor ficaremlonge dosfilhos.”(TIBA,1996, p. 40)
Os pais,cada vezmaisausentesdosfilhosdevidoàjornadade trabalhoouseparações,estão
causandoa desestruturaçãodasfamíliase assim, se sentemculpados.Esse sentimentode
culpalevaos paisa fazeremmimostentandoamenizarasituação,e issoobrigao educadorà
capacitar-se,buscarhabilidadese principalmente gostarde serprofessorparalhe darcom
esse tipode comportamento.A criançajá vemde casa com seusmimos,todofolgado,
totalmente cheiosde vontade.SegundoRossini (2001),“crianças gostamde professoresque
lhe dêemlimites”.Éprecisoque oprofissionaldaeducaçãoestabeleçaregras,faça
combinadosadotemumpadrãobásicode atitudesperante asindisciplinasmaiscomuns.
Quandoum alunonãocumpre os combinados,ultrapassamoslimites,elenãoestá
simplesmentedesrespeitandoumprofessoremparticular,masasnormas da escola.Assim
cabe ao professoratuarcom competênciaprofissional e coerência,sentindo-seresponsáveis
peloque ocorre ao seuredor e os paistêma grande responsabilidade de estácientede tudo
que se passa com o filhonaunidade escolar.Masa realidade é totalmentediferente,pois,os
paistrabalhammuitoe têm menostempoparadedicarà educaçãodosfilhose queremque a
escolaassumaa função que deveriaserdeles:ade passar para a criança os valoreséticose de
comportamentobásicos.
Com o propósitode buscarformase métodosque possamajudara amenizaresse tipode
comportamentode formasaudável,devemosreforçarqual aprincipal funçãodasinstituições
de educação infantil:Ascriançasde zeroa seisanosde idade têmnecessidadesespecíficasde
cuidados,cabendoaosseusresponsáveisproporcionarsituaçõesque lhesauxiliemaadquirir
capacidadesmotoras(sentar,andar,controlaros esfíncteres‘músculoscircularesque aperta
as cavidadesaque corresponde’)psíquicas,(falar,pensar) e sociais(estabelecerrelaçõescom
outras pessoas).Essasinstituiçõesde EducaçãoInfantil sãoreconhecidasnaConstituição
Federal de 1988 e dispõe seusobjetivose normasde funcionamentodisciplinadopelaLei de
Diretrizese Base daEducação Nacional.Segundoseuartigo4º:“O deverdoestadocom a
educaçãoescolarpúblicaseráefetivadomedianteagarantiade:[...];IV – Atendimento
gratuitoemcrechese pré-escolasàscriançasde zeroa seisanosde idade”.(LDBEN nº
9394/96. Art. 04).
Quantosua finalidade,ofertae formade avaliaçãoforamdefinidasdaseguinte forma:
Art. 29. A Educação Infantil primeiraetapadaeducaçãobásica,tem como finalidade o
desenvolvimentointegral dacriançaaté seisanosde idade,emseusaspectos
físico,psicológico,intelectual e social complementandoaaçãoda famíliae da comunidade.
Art. 30. A Educação Infantil seráoferecidaem:
I- crechesouentidadesequivalentes,paracriançasde até seisanosde idade;
II- pré-escolas,paracriançasde quatro a seisanosde idade.
Art. 31. Na Educação Infantil aavaliaçãofar-se-ámedianteacompanhamentoe registrodoseu
desenvolvimento,semoobjetivode promoção,mesmoparaoacessoao ensinofundamental.
Conforme oque nos diza LDBEN, os profissionaisdaáreadevemestárevendocomfrequência
suas práticaspedagógicas,tercomoobjetivomaior,propiciarumatendimentode qualidade,
socializare nortearo trabalhoeducativocriandoestratégiasque melhoremascondiçõesde
trabalhojá que as mãesentregamseusfilhosnascrechesconfiandonasboascondiçõese
cuidadosemque os mesmosirãoreceber.Issonoslevaaacreditaro quanto é importante o
planejamentodasatividadesaseremdesenvolvidasnainstituição.Regochamaatençãoaisso:
O comportamentoindisciplinadoestádiretamenterelacionadoàineficiênciadaprática
pedagógicadesenvolvida:propostascurricularesproblemáticase metodologiasque
subestimamacapacidade doaluno(assuntospoucointeressantesoufáceisdemais),[ ...],
constante usode sançõese ameaçasvisandoao silênciodaclasse,poucodiálogoetc.Isso
apontaque em toda indisciplinaexiste umarazãoque precisaserinvestigada.(REGO,1996, p.
100)
É muitoimportante inovar,criar,buscarincessantemente meiosparanãodeixaroaluno
ansioso.Uma dasformasde inovaçãoé a inclusãode jogosnoplanejamentodacreche.
Vejamosoque nosdizFreire:
Professoresrealmente preocupadoscomodesenvolvimentodascaracterísticashumanas,ao
invésde tentaremeliminarocarátercompetitivodosjogos,deveriamprocurarcompreendê-lo
e utilizá-loparavalorizarasrelações.Creiosermaiseducativoreconheceraimportânciado
vencidoe dovencedordo que nunca competir.(FREIRE,1997, p. 153).
A inserçãode jogosnasaulas de educaçãoinfantil é umaformade fazercom que o aluno
trabalhe o corpoe a cabeça, podendosercooperativooucompetitivo,poisapesardosjogos
cooperativospossuíreminúmeras vantagens,nãopode,simplesmente,deixarde ladoosjogos
com caráter competitivo,poisse elesforemtrabalhadosde maneiraadequada,acriança
incorpora,igualmente,valoresimportantesparaavida,como a importânciadovencedore do
vencido,acooperaçãoentre os colegase o respeitoparacom todososjogadores.
O professordeve ofereceremseuplanejamentooportunidadesparaestimulartodosos
sentidosdacriança,principalmente otato,que transmite segurança,Carvalhoe Rubiano
(1994) dizque “à medidaque característicasfísicasdoambiente convidamaotoque,aumenta
a sensaçãode segurança,permitindoácriançaexploraroespaçomaisprontamente.”A
ludicidade é umadasmaneirasde se explorarossentidosdascrianças.Ferreiradiz:
Brincar é um dos meiosde realizare agirno mundo,nãounicamente paraas criançasse
prepararempara ele,mas,usando-ocomoumrecursocomunicativo,paraparticiparemda
vidaquotidianapelasversõesdarealidadeque sãofeitasnainteraçãosocial,dandosignificado
às ações.Brincar é parte integrante davidasocial e é umprocessointerpretativocomuma
texturacomplexa,onde fazerrealidaderequernegociaçãodosignificado,conduzidopelo
corpo e pelalinguagem.”( FERREIRA,2004, p. 84)
Toda criança usa a brincadeiracomoprincipal modode ação.Elas não fazemdistinçãoentre
brincar e levara sério,nãoconsegue separaro real do imaginárioe acabamutilizando-as
naturalmente.
Ao considerarpertinentesessasreflexões,relatam-seosresultadosobtidosnaentrevistasemi-
estruturadaque permitiurefletirsobre ahistóriade vidade doisalunosemseuambiente
familiare naInstituiçãode Educação Infantil (CrecheCriançaFelizI,Praça AgripinoMacedo,
S/N,Centro,Teofilândia–BA) que atende criançasnafaixaetáriade doisa seisanosde idade,
no qual os paisou responsáveisdosreferidosalunosresponderamaumdeterminado
questionárioe doisprofessoresresponderamaoutrotipode questionário.
É válidosalientarque todotrabalhofoi precedidodeautorizaçãosolicitadaprimeiramente a
Coordenaçãoda Creche.Ademais,antesde cadaum dosprocedimentos,foi solicitadaa
autorizaçãodas professorasde cadauma das turmasenvolvidasbemcomofoi realizadoum
contato com ospais dascrianças selecionadasparaa participaçãodelese dosfilhosnareferida
pesquisa.
Indisciplinade JoãoPaulo:comportamento(relaçõesnoambientefamiliare nacreche).
A mãe de JoãoPaulo,apesarde manterum contatofrequente comofilho,estáenvolvidaem
um ambiente de alcoolismoe de agressividade comomarido.O pai de JoãoPaulorepresenta
uma ameaçaconstante,onde palavrõesfazemparte dovocabuláriodessafamília.A mãe tem
trêsfilhose Joãoé o segundo.Testemunhade constantesbrigasdospais,que utilizavam
armas frias,Joãojá relatoudetalhesdessasbrigasnacreche.Em virtude dessatotal faltade
estruturafamiliar,omesmochegouaopontode ameaçar matar a própriamãe caso elanão
desse oque ele queria.
Sabemosque para obterdisciplinaemqualquerambienteemque vivemosdevemosfalarde
respeitoe cadapessoavemjuntocom sua vidaintelectual,afetivae religiosaumavidamoral e
João,aos cinco anosde idade,nãoestá tendoesse direitoe,porconta disso,se tornouuma
criança excessivamente inquieta,agitadae indisciplinada,que se destacadogrupopela
dificuldadede aceitare cumpriras normasda creche devidoa vivênciae experiênciade
suacasa. Ele nãoconsegue produziroesperadoparasua idade,e issorepresentaumdesafio
constante para professorese gestoresdacreche.Suaidade cronológica(aque fornece uma
estimativaaproximadadonível de desenvolvimentodoindivíduo,que pode sermais
precisamente determinadoporoutrosmeios,taiscomoidade óssea,dental,sexual e motora)
não condizcom a estruturacognitivaprévia.OmodocomoJoão exploravaosobjetos,a
curiosidade diante de situaçõesnovasnãoindicavamumdesenvolvimentocognitivo
adequado,suainabilidade socialcomprometiatodasessasqualidades.Joãonãoconseguia
dominaros conhecimentosescolaresde reconhecimentode cores,de letrase números.Além
de todosessesproblemas,JoãoPauloapresentavasériostranstornos;nãoconseguiacontrolar
os esfíncteres:faziaxixi naroupa,sujavasuacueca de côco, não tinhanoção algumade
higiene e o piordeleseraa constante evacuaçãode fezescomum odorinsuportável.No
decorrerdessapesquisaaprofessoradescobriuque Joãofaziaasnecessidadesnacueca
porque a mãe não deixavautilizarosanitárioe mandavaos filhosfazerasnecessidades
fisiológicasnomatagal que tinhapróximodaresidênciae assim, nacreche,Joãose sentia
amedrontadonomomentode evacuare com medoacabava defecandonacueca.Esse
constrangimentodeixava-oaborrecidoporque oscolegasriame issoo irritavalevando-aa
cometerváriosatosdeindisciplina.
AtravésdosdispositivoslegaisdaLDBEN e de algunsestudiososdaáreacomo Carvalhoe
Rubiano,(1994) e Faria,(1999) evidenciamaimportânciadasInstituiçõesde EducaçãoInfantil
promoveremodesenvolvimentointegral peladuplafunçãode cuidare educar.O cuidarno
sentidomaisamplodeve serpensadocomoanecessidadede acrescentarnoprojeto
pedagógicodascrechesaçõesdirecionadotantoparaa satisfaçãodas necessidadesfisiológicas
e de higiene quantoparaodesenvolvimentopsicológicoe emocional dascriançase para tanto
é precisoque essainstituiçãoincremente atividadesde “cuidado”paraassegurar-lheum
melhordesenvolvimento.Deve-sepensarematividadesde promoçãoe socialização.
Analisandoasidéiasde Winnicottquantoàtendênciaanti-social,aindisciplinade JoãoPaulo
mostra comoele sempre buscachamar a atençãona creche já que em casa ele nãoencontraa
segurançae a aceitaçãonecessáriasparatranquilizá-loe é precisoque osresponsáveis
possuamfirmezae tranquilidade aomesmotempo,paraproporcionaràscriançasatividades
rotineirascapazesde transmitirsegurança,sentimentode confiançabásicatãofundamental
nas atividadescotidianas.
Disciplinade Tatiane:comportamento(relaçõesnoambiente familiare nacreche).
Tatiane é uma criança modelonacreche.Sua obediência,suaeducação,seucompromissoe
seucontrole nosmovimentose nafalareforçamoconceitode alunadisciplinada.Noentanto,
emcasa elase mostravauma meninaextrovertida,agitadae direta.Elase encaixanaidéiade
Winnicottquantoà criança “normal”que provoca,manobra tentandose impor.
Tatiane interagiae se relacionavabemcoma turma, cumpriaos combinados,contavasuas
façanhasde final de semana,inventavahistórias, repartiaosbrinquedose sempre estavacom
suas atividadesde casaemdia.
A reflexãosobre adisciplinade Tatiane nacreche e seucomportamentoemcasa reforçao
entendimentode que acriançadeve estáinseridaemumambiente saudável que lhe
proporcione maiorsatisfaçãoe lhe dê limites:“Parachegarà birra, a mãe foi uma
indisciplinada:proibiue deu,proibiue deu.Desrespeitousuasproibições,ensinandoseufilho
a fazero mesmo:desrespeitá-la.”(TIBA,1996, p.38). ComoTatiane sempre encontrouem
casa um ambiente equilibrado,ondeasregraseramsempre cumpridase o lazerum direito
dela,nãofoi difícil paraTatiane se adequaraoscombinadosdacreche.A mãe de Tatiane relata
que nunca deixouafilhaditarasregras, sempre teve autoridadeparacoma mesmae
concediasempre odireitode sercriançaalegre e feliz.SegundoIçami Tiba:
Quandoos paisse submetemaoscaprichosdo filho,eleficacaprichosotambémemrelaçãoàs
outras pessoas.Seupensamentopode sertraduzidoassim:Se até meuspaisque podem
mandar emmimnão mandam,quemsãovocêsparamandar emmim?Sentem-se então,o
poderosodacasa. (TIBA,1996, p.58)
Precisamosestánospoliciandoquantoeducadores,pois,ascriançascopiamo comportamento
dos adultos;
Filhosfolgadose internamente insegurosforade casapodemse submetertimidamente ao
primeiroque lhescolocarumlimite,umamigoouprofessor,porincapacidade de se defender.
Entretanto,comoas crianças usam tudoa seufavor,às vezesacontece oinverso:emcasa se
submeteme descontamdepoisnaescola.(TIBA,1996,p.59)
Ao refletirmossobre avidadessasduascrianças,observa-se oquantoé importante se
conhecera realidade dosalunose comoé importante se colocarnas atividadesinfantis
brincadeirasde faz-de-contae jogoslúdicosparase garantirum desenvolvimentopsicológico
saudável.Vygotsky(1984) consideraas experiênciassociaiscomoumelementoque influencia
tanto na maturaçãoe aprimoramentododesenvolvimentoemocional quantono
desenvolvimentointelectual.
CONSIDERAÇÕESFINAIS
Com isso,aorealizaresse trabalho,gostariade apresentarminhaavaliaçãoemrelaçãoaoque
dizos teóricosque me ajudarama escreveresse artigosobre aIndisciplinanaEducação
Infantil.Rego(1996, p.100) defendeque “ocomportamentoindisciplinadoestádiretamente
relacionadoàineficiênciadapráticapedagógicadesenvolvida:propostascurriculares
problemáticas[...],constante usode sançõese ameaças,etc.”(REGO,1996, p. 100); Içami Tiba
(1996) argumentaa disciplinaescolaré umconjuntode regras que devemserobedecidas
tanto pelosprofessoresquantopelosalunosparaque oaprendizadoescolartenhaêxito.
Freire nosdiz:“O professortemque entender,emcertasocasiões,pontosfalhosdoaluno.Ao
invés de reprimi-lo,temque ajudá-locomhumildade e tolerância.”(FREIRE,1996). Os
estudiososlevam-nosaentenderaimportânciadasinteraçõessociaiscomofonte de
desenvolvimentoe transformaçãosocial.Osproblemasestudadosindicamque ainfânciaé um
períodopeculiar,e porissodeve serdefinidoatravésdavivênciade cadacriança. De acordo
com os teóricosacima,ficouconstatadoque osprofessoresdevembuscarinovação,
habilidades,capacitação.Vejamosoque nosdizFreire:
Professoresque ministram umaboaaula,umaaula que faça sucessoentre osalunose pronto;
trata-se de uma preparaçãopara a vida,de dar a elescondiçõesde tornarem-secidadãos
autônomos,oferecerconhecimentosque se incorporemàvida,possibilitando-osseremlivres,
decidindo de acordocoma suaprópria consciência,ouseja,educaré maisque transmitir
conteúdos,é ensinaraviver(FREIRE,2005, p. 06).
Freire noslevaa verque o professordeve demonstrarsegurançanaquiloque estáfazendo,
para ser respeitadoporseusalunosdesdeoprimeirodiade aulae paraissofaz-se necessário
um bomplanejamento,ambiente adequado,estrutura,materialdidáticosuficiente e criação
de normas que possamsercumpridascom eficiência.
Não bastaapenaso professorestáinteressadonaboadisciplinae nobomandamentodo
aluno,mas,toda a creche juntamente coma família.É na salade aula que se ajuda a construir
futuroscidadãoscom personalidade,onde vãoaprenderalimitarseusinstintosque são
impulsivose necessitamde correçãodesde a primeirainfância,acomeçarpelafamília.
Ao levarospaisa participarde encontros,palestras,reuniõese trocade experiênciascom
outrospais,elessairãofortalecidose sentirãoque nãoestãosozinhosnessaluta.É
exatamente aíque entraa importânciadoGestor.Ele precisatermuitacriatividade,iniciativa,
bomhumor,respeitohumanoe disciplinaparaconscientizarospaisàfrequentarema
instituiçãoque ofilhoestuda,comoobjetivode participarde eventosque osauxiliarãoa
superare resolveralgunsproblemasde indisciplinaemseuambiente familiar.
Tendonesse artigoinformaçõessobre ocomportamentode duascriançasdiferentesemseu
ambiente familiare nacreche,ficareforçadaa necessidade de integraçãoentre famíliae
instituiçãono que se refere àgarantiade vínculosde qualidade.Paraissoé precisoque se
criempolíticaspúblicasconcretase urgentesparaauxiliare organizarmelhoraatuação e
aintegraçãodessasinstituições.
Vimosque oestudoda indisciplinae suasdiferentes formasde manifestaçãonaprimeira
infâncianosfornecemelementosimportantesparaauxiliarpais,professorese gestoresa
encontrarsoluçõesparaas mesmas.Destacoa necessidade dasociedade e doestadoagirem
de modo a subsidiaraatuação dessasinstituiçõesmelhorandooprocessopedagógico,criando
cursos profissionalizantese estabelecendomedidasconcretasparaapoiaras famíliase
melhorara qualidade de vidadaspessoas.
Por fim,recomendamosoaprofundamentode estudossobre aindisciplinanaEducação
Infantil que poderãotrazernovosolhares,comnovasabordagense que essespossamservir
como alavancapropulsorade novasreflexõesparaessaquestãopolêmica,nãocomofórmula
mágica,mas, que sejaquestionada,provadae quemsabe,aprovada,jáque omeuobjetivoé
identificare compreenderosdiferentestiposde indisciplinaapresentadospelascriançasdas
crechespara intervirde formabenéfica.
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1 INTRODUÇÃO
Com reflexõessobre aindisciplinanaeducaçãoinfantil,buscamosdiscutirsobre anecessidade
de ampliaçãoda visãocriticaem relaçãoà indisciplina,alémde atentarparaa questãodo
papel daescola,paise da relaçãoprofessor-alunonestaestabelecida.
A escolasofre reflexosdomeioemque estáinserida.Oproblemadisciplinaré,
frequentemente,repercussãodosconflitosdafamíliae domeiosocial envolvente.
As pessoasque rodeiamoaluno,maispropriamente aspessoasde família,influemmuitono
seucomportamento,poisacriança nasce no seiodesta,sendo,portanto,ospaisosprimeiros
educadores. A extraordináriainfluênciadosque quotidianamentetratamcomos alunos
reflete-se emmuitosdosatospraticadosporeles.A ação da Famíliacomeça desde oberço,
muitoantesda ação da Escola.Sendoa importânciada ação familiarnatarefaeducativa
reconhecidapelaEscola,impõe-seumaíntimacolaboração,que deverásignificaraajuda
mútuana consecuçãodo ideal educativo.
Para uma educaçãoidealmenteconstruída,adisciplinadeveriaserconseqüênciavoluntáriada
escolhalivre e,comoconsequênciadadisciplina,aliberdadedeveriaenriquecer-se de
possibilidades,nãosendoantagônicososdoisprincípiosde liberdade e de disciplina.
O climada aula deve serde liberdade e de tolerância,de modoapermitirque osalunos
tomemconsciênciadosseusvalorese ajamemsintoniacomeles.A autonomiaconduzà
autodisciplina,nãosignificando,noentanto,que oprofessortenhaumaatitude de
indiferença,oude apatiaperante osalunos.Pelocontrário,assuasatitudes,embora
democráticas,devemserfirmes.
Nosnossosdias,cada vezé maisdifícil estabeleceradisciplinae fazê-larespeitar.Comoefeito
da evoluçãodascondiçõesgeraisde vida,emtodososmeios,ascrianças tornaram-se mais
independentes,menosdispostasaobedeceràautoridade dosadultos.
Hoje,vive-senumasociedadeemque aunidade familiarse encontradesgastada,semque o
lar possaofereceraconchego,umavezque ospais,graças às deslocaçõesparao empregoe às
longasjornadasde trabalhoque lhesasseguramasubsistência,deixamde estarpresentesnos
momentosmaisdifíceis.
Este tema é,semdúvida,demasiadovasto.Tendoemconsideraçãoasua amplitude,serão
tratadas apenasalgumasvertentes,nãonumaperspectivade metade chegadade
conhecimentosdefinitivos,masde pontode partida para outras abordagensinterativasdoato
educativo.Comoaindisciplinaconstitui,atualmente,unsdosproblemasmaisgravesque a
Escola enfrenta,nãopodiamdeixarde serreferidos,também, osefeitosnegativosque ela
produzemrelação aosdocentes.
Portanto,o objetivoque orase propõe opresente trabalhoseráidentificarconcepçõesde
disciplinae comoprofessores,paise alunosasincorporamnoseucotidiano.
Para tanto,tivemoscomobase os estudosde Groppa(1996) e de Estrela(1994), nosquais,
atravésda abordagemqualitativa,procuramosdemonstrarasváriaspossibilidadesde
entendimentosobre otemaproposto,alémde discutiraquestãoda disciplinae daindisciplina
como elementopertencente aoprocessoeducativo,e porissomesmo,fomentador deste.
O presente trabalhoconstade Introdução,naqual apresentamosotema,a justificativae os
objetivosdapesquisa.
Capítulo1. A Trajetóriada Pesquisa(justificativa)
Capitulo2.Indisciplinaescolar,noqual desenvolvemosreflexõesacercadosváriosaspectos
emque pode ser consideradaaindisciplinae adisciplina,alémdosefeitossobre osdocentes.
Capitulo3.Onde falada diferençaentre autoridade e autoritarismonapráticado docente e
tambémdopapel da escolae da relaçãoprofessor-aluno.
Capitulo4.Referencial teórico(A ParticipaçãodospaisnaEd. Escolar)
CAPITULOI – A TRAJETÓRIA DA PESQUISA
1.1 JUSTIFICATIVA
Historicamente,aescolae a família,tal qual as conhecemoshoje,sãoinstituiçõesque surgem,
com o adventodamodernidade, ambasdestinadasaocuidadoe educaçãodascrianças e
jovens.Naverdade,àescolacoube a funçãode educar a juventude namedidaemque o
tempoe a competênciadafamíliaeramconsideradosescassosparao cumprimentode tal
tarefa.Os saberesdiversose especializados,necessários,àformaçãodasnovasgerações,
demandavamcadavezmaisao longodo tempo,umespaçoprópriodedicadoaotrabalhode
apresentaçãoe sistematizaçãode conhecimentosdessanatureza,diferente,portanto,daquele
organizadopelafamília.
No Brasil,aescola,como instituiçãodistintadafamília,construiu-seaospoucos,àscustas das
pressõescientíficase doscostumescaracterísticosde uma vidamais
urbana.Aproximadamente doisséculos,sinalizaramparaanecessidade de umaorganização
voltadaà formaçãofísica, moral e mental dosindivíduos;missãoessaimpossívelparao âmbito
doméstico.
Esse modeloesteve aserviço,sobretudodurante oséculoXIX,damoldagemdaselites
intelectuaisnacionais.A escolaeraprofundamente diferente dafamíliae,ofereciaàformação
das crianças e dos jovensauma educaçãoda qual nenhumaoutrainstituiçãopoderiase
ocupar. OsprimórdiosdaRepública,naondadosmovimentossociais,políticose culturaisque
marcaram a época,impuseramanecessidade de modernizarasociedade e colocara Nação
nos trilhosdocrescimento,exigindoentãoumoutromodeloe umamaiorabrangênciadaação
educacional.
Assim,comopodemosobservar,adiscussãosobre aparticipaçãoda famíliana vidaescolarde
seusfilhosnão é recente.Hádécadasque se vemrefletindosobre comoenvolverafamília,
promovera co-responsabilidadee torná-laparte doprocessoeducativo.Semdúvida,tal
aproximaçãotrata-se de umadifícil tarefa,isto,emfunçãodasinseguranças,incertezase da
faltade esclarecimentosobre oprocessoeducacional,suaslimitações,bemcomosua
abrangência.
Comporuma parceriaentre escolae famíliapressupõe de ambasaspartes,a compreensãode
que a relaçãofamília-escoladevese manifestarde formaque ospais não responsabilizem
somente àescolaa educaçãode seusfilhose,poroutrolado,a escolanão pode eximir-sede
serco-responsável noprocessoformativodoaluno.
A presente pesquisajustifica-se pelanecessidadede contribuirnoprocessoensino-
aprendizagemdacriançade zero a seisanosda Educação Infantil,e porentendermosque a
parceriaentre a famíliae a escolaé de suma importânciaparao sucessono desenvolvimento
intelectual,moral e naformação doindivíduonessafaixaetária.
Os paradigmasde interpretaçãoe de gestãodasrealidadessociaisdefendemmodelos
sistêmicosnumaperspectivade integraçãofuncional emque aflexibilidade,amudançae o
conflitosãoelementosque devemsercoagidos.Neste sentido,alémdoestudodasestruturas
e dasfunçõesda famíliae da escola,havemosde considerar,também,astransformaçõesque
estãoocorrendona sociedade moderna,nassuasinstituiçõese conforme osquadrossociais
que estãoinstáveis,daídecorrentesque exigemumacompreensãodinâmicae respostasmais
articuladas.
1.2 EDUCAÇÃOINFANTIL
As preocupaçõescoma educaçãoinfantil nãoé umfato recente,desde oiniciodascivilizações
que elatemseupapel na formaçãodo indivíduo.Oque mudoufoi a maneirade pensaressa
educação.
Na Gréciaantiga, o conhecimentoeratransmitidocomoobjetivode elevaçãointelectual,
porémcom o passar dotempoe muitosdesgastesnastécnicaseducacionais,levarama
educaçãoa serresumidaatransmissãode conhecimentos,e acessível apenasásclasses
abastadas.Porémcom a criação da escolapública(séc.XVI) inspiradanasidéiasalemãs,
tornou-se maisacessível áquase todos,porémaeducaçãoainda nãoera de muita qualidade.
O progressoalcançadoempoucosanos noscuidadose educação das crianças,pode ser
atribuídomaisa umdespertarde consciênciadoque á evoluçãodascondiçõesde vida.Nãofoi
apenaso progressodevidoahigieneinfantil que se desenvolveuemespecial naúltimadécada
do séculoXVIII,apersonalidade daprópriacriançamanifestou-sesobnovosaspectos,
assumindoamaisalta importância,comofrisaMONTESSORI(1980):"Não é a criança física
,masa psíquicaque poderádar ao aperfeiçoamentohumanoumimpulsodominante e
poderoso."A concepçãode educaçãoinfantil implantadanoséculoXVIII,foi de suma
importânciaparaa criança ,poissegundooeducadore fundadordosjardins-de-infânciao
alemãoFROEBEL (1782-1852) ,a infânciaé a fase maisimportante e decisivanaformaçãode
pessoas,e comparava-asa umaplanta emsua fase de formação,exigindocuidadosperiódicos
para que cresça de maneirasaudável .Astécnicasutilizadasaté hoje emEducaçãoInfantil
devemmuitoaFroebel ,poisparaele,asbrincadeirassãoosprimeirosrecursosnocaminhoda
aprendizagem.
É no períodopré-escolar,que ascrianças têma oportunidade de trabalharcomconteúdos
adequadosparasua idade,sendomanipuladosde formacorretaparaseremabsorvidospor
elas,trabalharcom atividadeslúdicas,de formacomque estacontribuacom seu
desenvolvimento,auxiliandocoma construçãodo conhecimento,e assim, naformaçãoda
criança, pois,jáse sabe ,que acriança não aprende apenascomatividadesformaise
sistematizadas.
A socializaçãoé outracontribuiçãofornecidapelaEducaçãoInfantil,poisdepoisdafamília,o
primeirocontato que a criança tem,é comum grupoestanhoe acontece nascrechese pré–
escolas,oportunizando-asexploraronovo.
Enfim,a Educação Infantil temumpapel umpapel significativonomundoinfantil,pois
apresentaráatividadesque iramauxiliarnoseudesenvolvimentosocial,cultural,psíquico,
motor sensorial e cognitivo,construindooaprendizadoatravésdasexperiênciasvivenciadas
pelacriança.
1.3 A EDUCAÇÃOINFANTILCOMODIREITO DA CRIANÇA
As significativasmudançasocorridas,noâmbitolegal,social e educacional,determinando
novasdiretrizese parâmetrosnoatendimentoácriançasde 0 á 3 anos de idade promoverama
necessidadede reordenamentonaestruturafuncional e organizacional dessasinstituições,e
principalmente naquelasvoltadasparaoatendimentode criançasvulnerabilizadaspela
situaçãopelasituaçãode pobreza,abrangendoalémdaassistênciasocial ,alcançara
educação.
Estas mudançasse deram nãoapenaspor movimentossociaisorganizados,maspela
promulgaçãoda ConstituiçãoFederal de1988(CF/98),naqual a criança é reconhecidaemsua
cidadania,e portantocomo sujeitode direitos.
A CF/88 em seuartigo208-IV determinaque "odeverdoEstadocom a educaçãoás crianças
de 0 á 6 anos seráefetivadomediantegarantiade atendimentoemcrechese pré-escola."
Por sua vez,oEstatuto da Criançae do Adolescente,em1990 retificouque é deverdoEstado
assegurar..atendimentoemcrechese pré-escolaáscriançasde zeroa seisanosde
idade..(ECA,art54-IV).
A lei nº394, de 20 de dezembrode 1996 ,Lei de Diretrizese Bases(LDB),emseuartigo4°-
VI,confirmou,maisumavez,que oatendimentogratuitoemcrechese pré-escolaé deverdo
Estado.Deixouclarotambémque oatendimentoaestafaixaetáriaestásoba incumbênciados
municípios(art.11-V),determinandoque todasasinstituiçõesde EducaçãoInfantil ,publicase
privadas,estejaminseridasnosistemade ensino.Comoparte integrantedaprimeiraetapada
educaçãobásica,aEducação Infantil foi divididaemcreche(zeroatrêsanos) e pré-
escola(quatro áseisanos),conforme artigo31-Ida LDB/96.
CAPÍTULOII – FATORESCONDICIONANTESDA DISCIPLINA/INDISCIPLINA
São múltiplososfatoresque condicionamadisciplina,tantonoespaçosalade aula,como no
espaçoEscola.
SegundoDomingues(1995),podemconsiderar-sefatoresestruturais(escolaridadeobrigatória,
númerode alunosporturma, currículosescolarese autoridade doprofessor),fatoressociais
(representaçõessociais,subculturasdocentese discentes,e poderesdosprofessorese dos
alunos) e fatorespessoais(objetivosindividuais,estilosde ensinoe estratégiasde
aprendizagem).
2.1 INDISCIPLINA ESCOLAR
Neste momento,discorremosacercadasdiscussõesemtornodosconflitosque permeiama
educaçãoformal e dasvárias tentativasde se estabelecer,ouaindade se encontraras causas
dos distúrbiosnoprocessode aprendizagem,é que propomos,comeste trabalho,confrontar
idéiasque têmcomofiocondutora questãoda indisciplinanasalade aula,sobpensamentos
advindosdoprocessoeducativocomoumtodo.
É a partirda ótica panorâmicade Groppa (1996), a problemáticageradapelaindisciplinana
escolaesuasrelaçõescomosaspectosformadoresdohomem, taiscomoos psicológicos,
sociológicos,filosóficos,políticose éticos,que desenvolvemosnossa pesquisa.
Indisciplinaé sempre comportamentoimpróprio(desobediência,desrespeitoou
agressividade),sejanafamíliaquandoumacriançafaz algode perigoso,se elaforagredidaao
invésde orientadapode se tornaragressivae expressarsuarevoltaemformade
indisciplina.Noesporte háregrasmasse elasforemmal aplicadastambémpoderágerar
indisciplina.Omesmoocorre naescola,quandoasregrasde convívionãosão bemelaborada
se esclarecidas:ocorre aindisciplina.PoiscomodizFREIRE(1998): "Disciplinaprontanão
existe,é precisoque todosossujeitosenvolvidosnoprocessoeducacional (pais,alunose
escolas) participemdaconstruçãodosistemade disciplina".
Numpaís que prima peladesorganização,pelodesrespeitoatodoe qualquertipode ordem
ou norma,que coloca interessesde algumaspessoasougruposminoritáriospoderososacima
de valoreshumanosde dignidade,respeitoe solidariedade,disciplinaré nãosó uma proposta
temerária,comoumgrande desafio.
A escolavemestruturadacomuma série de regras,diferentesdadisciplinadafamília,e
querendoenquadrartodosnessaregra.A escolatomaadisciplinacomoregrae não como
objetivoeducacional,comodeveria.
De acordocom o pesquisador,oexcessode indisciplinanaescolasugere que ainstituiçãonão
estácumprindoseupapel."Asescolasde hoje se dizempreocupadascoma formaçãocidadã
dos alunose propõemoensinode regrasdeconvivênciasocial.Porisso,aindisciplinaouo
excessodelademonstrafracassonoseutrabalhode socialização",argumenta.A indisciplina
afetaa vidaescolarporque perturbaa relaçãopedagógica,impactandonegativamente o
aprendizadodosalunos.SegundoCampos,existempesquisasque demonstramque osalunos
de periferiasãomaisafetadosporesse distúrbionarelaçãode aprendizado."Issoé maisuma
barreira,que se soma às outrasque a gente jáconhece",conclui.
A indisciplinaemcriançasemidade pré-escolarpode ocorrertambémpelofatode aaulaser
mal planejadaounão planejada,tendoemvistaque nessaidadeasatividadesescolares
devemserdiversificadase de curto tempo,poisacriança.
2.2 OS VÁRIOSASPECTOSDA INDISCIPLINA
De acordocom os estudosde Groppa (1996), a problemáticageradapelaindisciplinanaescola
estárelacionadacoma interpretaçãoe administraçãodoato indisciplinado.Éopontoem que
o educador,(porsentira substituiçãodaautoridade pelaperplexidade),se perde e iniciaa
busca por soluçõesimediatistas,umavezque alinhadivisóriaentre aindisciplinae a violência
é muitotênue.
Desse modo,é sobas consideraçõesde Yvese de La Taille,que encontramossubsídiosou
argumentos,paratratar dosproblemasrelacionadosàaprendizagem, (consideradosna
maioriadasvezessobuma visãosimplista)àluzde uma ótica emque estão inseridosmaisque
as questõesescolarese sãoconsideradososaspectosouelementosformadoresdohomem.
Assim,aindisciplinapassaaser discutidasobdimensõeshumanasemque nãocabemmais
julgamentos,rótulosoujustificativasculposas,e simquestionamentos,reflexõese aampliação
do conhecimentoacercadohomemcontemporâneo,dadisciplina,daaprendizageme do
espaçoe da identidadeocupadoshoje pelaescola.
Para La Taille (1996),trata-se de estenderaindisciplinaàarticulaçãode váriasdimensõesem
que não cabemmaisa normatizaçãodotemaapenasà questãomoral,aoseureducionismo
psicológicosobumúnicoviés,assimcomoa indiferençapelacomplexidade que compõe.Sob
tal pensamento,oautordiscorre que
[...] Se entendemospordisciplinacomportamentosregidosporumconjuntode normas,a
indisciplinapoderáse traduzirde duasformas:1) a revoltacontraestasnormas; 2) o
desconhecimentodelas.Noprimeirocaso,aindisciplinatraduz-seporumaformade
desobediênciainsolente;nosegundo, pelocaosdoscomportamentos,peladesorganização
das relações.(LA TAILLE1996, p.10)
Sob taisconsiderações,é tecidaalinhade pensamentonaqual oautor observaque o
desconhecimentodasnormas,osconflitoscomportamentaise oestremecimentodasrelações,
atualmente revelamoquadroemque se encontraa educaçãobrasileira.
Assim,oautor utiliza-sedotextode Yvese de La Taille,paraquestionarporque ascrianças
não obedecemnemaospaise nemaos professorese porque elasnãotêmlimites.
Tal questionamentotambémé feitoporEstrela(1994), sobo pensamentode que oproblema
da disciplinanaaulae na escolaé um problemade prevençãoe é a nível de prevenção,e não
da correção que a pesquisatemavançadoe tambémfornecidomaterialimportante paraa
reflexãoe açãodosdocentes.
Desse modo,a autora consideraque,aescolaenquantosistemaabertoemconstante
interaçãocom o meiosofre reflexode todososconflitosexistentes,comoporexemplo:
turmas numerosas,escolassuperlotadas,nível de remuneraçãobaixodosdocentes,oque
afasta doensinoosmaiscapazes,númeroelevadode alunosoriundosde meios
economicamentedegradados.
No entanto,amanutençãoda disciplinaconstituiumapreocupaçãode todasas épocas,a vida
do professortemsido sempre amarguradapelaindisciplinadascriançasque perturbam
‘ordeminstituídaparaseuprópriobem’.
Para Estrela(1994), é importante que tenhamosumainterpretaçãofuncional daindisciplina,
que nos permitafazerdistinçãoentre indisciplinanaescola e outras formasde indisciplina
social e nesse sentido,aautorapontuaque a indisciplinaescolarnãodeve,portanto,
confundir-se comdelinqüência.
Groppa (1996) argumentaque a disciplinapode serentendidacomocondiçãonecessáriapara
arrancar o homemde suacondiçãonatural selvageme nessaperspectiva,apermanência
quietanasala de aula,serviriapara ensinaracriança a controlar seusimpulsose afetose não
para o bom funcionamentodaescola,jáque a questãoorganizacional daescolanãodepende
cem porcento docomportamentodoalunoe simda interaçãodeste como funcionamentode
suas políticasinternas.Nestecaso,existeumfocodispensadomuitomaisaospreceitosmorais
da disciplina,doque areal dimensãoemque estase insere,umavezque estetemanãose
encerrano contextoescolar,aocontrário,este é apenasumreflexodasituaçãosocial vigente.
2.3 – EFEITOSDA INDISCIPLINA SOBREOPROFESSOR
A indisciplinaproduzefeitosnegativosnoaproveitamentoescolare nasocializaçãodosalunos.
Estesefeitosnegativosexercem-setambémsobre oprofessor,provocandonele desgaste físico
e psicológico,ansiedade,fadiga,tensão,perdade eficáciaeducativa,diminuiçãode auto-
estima,sentimentode frustraçãoe desânimoe "stress".Este conjunto de fatorespodelevar,
emúltimocaso,ao abandonoda profissão(Estrela,1992).
Estesaspectosnegativosatingem,sobretudoosprofessoresmenosexperientese menos
preparadospedagogicamente.
CAPITULOIII - AUTORIDADEE AUTORITARISMONA PRATICA DOCENTE
Muitas vezesacriança se depara com umaaula mal planejadaounão planejada,com
conteúdosincoerentescomsuaidade e/ourealidade social daturma,e reage a issocom a
indisciplina,e osprofessorespassamausar seucargo de autoridade,emformade
autoritarismo,parainibir-los.
A autoridade porparte do professoré fundamentalparacontrolara disciplina,poiscomo
defende FREIRE(1989):"A criança entregue aelamesma,dificilmentese disciplinará".Todavia,
ele tambémprega,que estaautoridade nãodeve se daremforma de autoritarismo,pelo
contrario,oprofessortemque respeitarascaracterísticas sócio-culturaisdosalunos.
Há uma necessidade de autoridade,poissemessanãose fazeducação; o alunoprecisadela,
sejapara se orientar,sejapara poderopor-se (oconflitocomaautoridade é normal,
especialmentenoadolescente),noprocessode constituiçãode suapersonalidade.Oque se
critica é o autoritarismo,que é a negaçãoda verdadeiraautoridade,poisse baseiana
coisificação,nadomesticação dooutro.
A autoridade se definesempreemcontextoshistóricosconcretos.Eo primeirogrande desafio
para o resgate da autoridade doprofessoré a necessidade de ressignificaroespaçoescolar,
ganhar clarezasobre qual é de fatoo papel daescolahoje, porque serájustamenteneste
espaçosocial que o professordeveráexercersuaautoridade,que obviamentecareceráde
sentidose a própriainstituiçãonãoconseguirjustificarsuaexistência.Umsegundodesafioé o
professorconseguirse refazer,se reconstruirdepoisdesteturbilhãotodoaque foi - e ainda
está- submetido.
3.1 O PAPELDA ESCOLA E A RELAÇÃOPROFESSOR-ALUNO
Ao abordara questãodopapel daescolana sociedade e sobre aresponsabilidadedestaem
relaçãoà criação de espaçosque proporcionamoexercíciodacidadania,La Taille (1996),
considerao‘olharadmirador’dosdiasde hoje,noqual o homempós-modernoage de acordo
com a relaçãovergonha-sociedade,(jásofre astiraniasdaintimidadee seuinteresse diz
respeitoàsua personalidade, aseusafetos),parasituaro que ele denominade declíniodo
Homem-Público.
Nesse sentido,discorre sobre asconseqüênciasmorais,que estassãonaturaisa este processo
do declínio,(nãoque ohomemsejaimoral),porémconsideraque suaaçãomoral fica
relutante emassumircertosvaloresque estariamcontradizendosuabuscadeprazer,oque lhe
seriamaisautêntico.
Remetendotaisconsideraçõesàindisciplinaemsalade aulaLa Taille,(1996),desenvolve seus
pensamentossobidéiade que “Todamoral pede disciplina,mastodadisciplinanãoé moral.”
E desse modolançao seguinte questionamento:“Oque há de moral empermanecerem
silênciohorasafio,ouem fazerfila?”La Taille (1999, p.19).
Nessaperspectiva,oautorenfatizaconsideraaimportânciae a necessidade doexamedas
razõesde ser das normasimpostase doscomportamentosesperadossoboângulodo
enfraquecimentodarelaçãovergonha-moral,daatençãodadasomente aoque é particular,do
direcionamentodasmotivaçõesdoserhumanoaodesejo,davergonhade servelhoe parecer
joveme da desvalorizaçãodoestudoe dainstrução.
Groppa (1999, p.23), defende umalinhade pensamentocomplexaemque “[...] paraser
cidadãos,sãonecessáriossólidosconhecimentos,memórias,respeitopeloespaçopúblico, um
conjuntomínimode normasde relaçõesinterpessoais,e diálogofrancoentre olhareséticos.
Não há democraciase houvercompletodesprezopelaopiniãopública.”
Tambémas consideraçõesde Estrela(1994),vêmde encontroà concepçãohumanistade que
é a partir de relaçõesreaisque oindivíduopode aprenderalidarcom as maisdiversas
situaçõese considerandoaescolacomoum espaçoonde intencionalmente conhecimentoe
culturasão exercitados,pode-selidarcomaindisciplinae construirumnovopadrão de
disciplina.
Nestestermos,cadaescola,cadasala de aula,é um espaçohistórico-pedagógico;apesardas
modificaçõesprofundasque aescolasofreunaépocacontemporânea,existemnela,ainda,
herançasdo magistrocentrismotradicionalemque oprofessoré o donodo saber,que
resistemàmudançasdos tempose dasvontades.
Para Groppa (1996), o pontode vistapsicológicoentende o‘reconhecimentodaautoridade’
externaque é anteriorà escolarização,daíporque a queixadoseducadoressobre a
inexistência, nosujeitodanoçãode autoridade e aindaque há de se pensara estruturaescolar
juntamente comafamiliar,poissãoduasdimensõesque se articulam.
Desse modo,a educaçãonão é responsabilidadeintegral daescola,e sim, umdoseixosque
compõe todoprocesso.Entretanto,narelaçãoprofessor-aluno,que aindaexiste,percebe-sea
ênfase ànormatizaçãoindividual,esvaziandoaescolade seuobjetivomaior,que é otrabalho
de recriação do legadocultural,oque fazcom que gaste-se muitomaisenergiae tempocoma
questãodisciplinadoradoque com a tarefaepistêmicafundamental.
No entanto,parao autor, investirnumasedimentaçãomoral doalunoexigiriaumanova
posiçãoconsensual dosenvolvidossobre estainfra-estruturapsíquicae istonãoexiste.Assim,
a tarefa doprofessor,aocontrário,é bemdefinidae dizrespeitoaoconhecimentoacumulado.
De acordocom os estudosaqui apresentados,procuramosatentarparaa questãodadisciplina
e da indisciplinaemseussentidosmaisamplos,de modoque nãopairasse aidéiade visão
reducionistaentre ume outrotema.Buscamos,ainda,deixarimplícitasreflexõesacercado
papel daescolae da importânciadarelaçãoeducador-aluno,paraque afunçãodaescolase
cumpra.
Fica clara,portanto,que a indisciplinaháque servistocomo umfenômenoprópriodohomem
contemporâneoe dasimplicaçõesadvindasde seumeiosocial.
A grande questão,é que,quandose trata de observara indisciplinanocontextoescolar,mais
precisamente nasalade aula,entramemconfrontoa ótica da escola,(pautadaemuma
educaçãotradicional,que temoautoritarismocomobase),aeducaçãodemocrática
(defendidaporváriosestudiosos)e oalunoreal,freqüentadordaescolae que é frutoda
sociedade contemporâneae porissomesmo,comanseios democráticos,libertadores,
autônomos.
Desse modo,oque deve sermudadoneste conflito,é óticapelaqual adisciplinae a
indisciplinasãoobservadas.
Há então,que se ampliarasvisões,osconhecimentos,asconsiderações,osestudose as
relações,paraque professores,alunose cidadãospossaminter-relacionarem-se emuma
escolareal,comvaloresreais,e que cumpra seureal papel que é o de fornecerespaçosde
culturae de vidapara que o alunoque de lá saia,estejaprontoparapraticar a cidadania
apreendidadocontextoescolar.
Nessaperspectiva,e de acordocomos autoresaqui abordados,a indisciplinadeixaráde sero
motivodasdoresde cabeça dos educadores,paraatuar comoagente revolucionadore
construtordos váriosconhecimentosque oindivíduonecessitaparaviveremcomunidade e
emcomunhãoconsigoe com osoutros.
CAPÍTULOIV - A PARTICIPAÇÃODOSPAISNA EDUCAÇÃOESCOLAR(REFERENCIALTEÓRICO)
A escolapode serpensadacomoo meiodocaminhoentre a famíliae asociedade.
Neste delicadolugar,tantoafamíliaquantoà sociedade lançamolharese exigênciasàescola.
No que se refere àfamília,é necessáriodizerque ahistoriografiabrasileiranoslevaaconcluir
que não existe um“modelode família”e simumainfinidade de modelosfamiliares, com
traços emcomum,mas tambémguardandosingularidades.Épossível dizerque cadafamília
possui umaidentidade própria,trata-se naverdade,comoafirmamváriosautores,de um
agrupamentohumanoemconstante evolução,constituídocomointuitobásicode provera
subsistênciade seusintegrantese protegê-los.
Estão presentesdessamaneira,sentimentospertinentesaocotidianode qualquer
agrupamentocomoamor, ódio,ciúme,inveja,entre outros.Emrelaçãoàs expectativasda
famíliacom relaçãoà escolacom seusfilhosencontram-se váriasfantasiasfamiliarescomoo
desejode que ainstituiçãoescolar“eduque”ofilhonaquiloque afamílianãose julgacapaz,
como,por exemplo,limite e sexualidade;e que ele sejapreparadoparaobterêxito
profissionale financeiroviade regraingressandoemumaboauniversidade.
A sociedade procuraterna escolaumainstituiçãonormativaque trate de transmitiracultura,
incluindoalémdosconteúdosacadêmicos,oselementoséticose estruturais.Éapartir daí que
se constrói o currículo manifesto(escritoemseusestatutos)e ocurrículo latente (odia-a-dia).
(Outeiral apudSiqueira,2002, p.01).
Embora bemdelimitadasasdiferençasentre casae escola,passou-se abuscarmais o apoio
desta,entendendo-seaeficáciadaação normalizadoradaescolasobre crianças e jovens
quandorespaldadaspeloconhecimentoe aquiescênciadafamília.A despeitodisso,reservava-
se à escola,24 os direitossobre oconhecimentocientíficoacercadas áreasdisciplinares,como
tambémsobre aquelesque diziamrespeitoaosprocessosde aprendizagemdascriançase
adolescentes,conhecimentosestesinformadospelabiologia,psicologiae ciênciassociais
preservandoaescola,destaforma,seulugarde autoridade nogerenciamentodasquestões
pedagógico- educacionais.
Hoje vivemosumoutrotempo,bemmaiscomplexo,diversoe inquietantedoque háalgumas
décadas,a escolaenfrenta,alémdodesafiofrente aodomíniodoconhecimento,em
permanente mudança,tambémodesafiodarelaçãocomseusalunos,sejamelescrianças
pequenasoujovens.
Semdúvidaesse contextoé perspassadoporquestõesde diferentesnaturezas,entre asquais
os dilemasdodesempenhocurricularaserpropostona contemporaneidade,osimpassesda
escolhadosencaminhamentosmetodológicosmaisadequadosasrelaçõesde ensino,os
limitese possibilidadesdamanutençãode umarelaçãoprofessoralunocomqualidadee a
famíliaé consideradapeçachave nesse momentode crise.
Ao ladoda família,aescolapermanece sendoumespaçode formaçãoque deve,paratanto,
repensara suaação formadora,preocupando-se emformarseuseducadoresparaque os
mesmosreúnamrecursosque ospermitamlidarcomos conflitosinerentesaocotidiano
escolar.É, portanto,na escola,refletindosobre oque há para serensinadoàscriançassobre a
metodologiaque pode tornarmaiscoesaaação do conjuntodocente,que aescolapoderá
encontrarsaídas legítimasàsuperaçãodos problemasmoraise éticosque assolamoseudia-a-
dia.Nesse sentido,semabdicardolugarreservadoaoensinoformal,é precisoque osespaços
destinadosàformaçãodoseducadoresnointeriordaescoladêem, também, prioridade à
reflexãopolítico-filosóficasobre ossentidose possibilidadesdaação educacional paraque se
possa,destafeita,recuperarouconstituirumnovoideárioparaa escola.
A escolanãoé a única instânciade formaçãode cidadania.Mas,o desenvolvimentodos
indivíduose dasociedade depende cadavezmaisdaqualidade e daigualdade de
oportunidadeseducativas.Formarcidadãosnaperspectivaaqui delineadasupõe Instituições
onde se possaresgatar a subjetividade interrelacionadacomadimensãosocial doserhumano,
emque a produçãoe comunicaçãodoconhecimentoocorramatravésde práticas
participativase criativas.
Trata-se de uma instituiçãodasociedade naqual a criança atua efetivamente comosujeito
individuale social.Éum espaçoconcretoe fundamentalparaa formaçãode significadose para
o exercíciodacidadania:na medidaemque possibilitaaaprendizagemde participaçãocrítica
e criativa,contribui paraformarcidadãosque atuemna articulaçãoentre o Estadoe a
sociedade civil.Paraa família,oensinoquantomaisindividualizado,melhorparaseufilho,
poisnessaconjeturavai havera peculiaridadede melhorajudá-lose adestacá-lo.As
preocupaçõestransitam,portantonoâmbitodoprivado.Este enfoque maissocialdoque
individual,carregaobjetivoséticos,poisaescoladeve serumespaçode valorizaçãotantoda
informação,comoda formaçãode seusalunos,dentrode umaestruturacoletiva.
A escolacomoinstituiçãobuscaatravésde seuensino,que seusalunospossamassumira
responsabilidade poreste mundo,comodizArendt(apudCastro,2002):
Ultrapassaos desejosindividuaise estaresponsabilidadesó poderáadvir,atravésdo
enlaçamentoentre conhecimento,e ação,entre osabere as atitudes,entre osinteresses
individuaise sociais.A escola,comoum novomodelo,iráampliaromundodosalunos,
convidando-osaolharsuasexperiênciascomumaoutralente,que nãoa familiar,oque
alteraráos significadosjáconhecidos.A escolapúblicatemmaisfortemente,então,a
responsabilidade daapresentaçãode conceitose conteúdosherdadosde nossacultura,pois
muitascrianças sóterão acessoa estaherança, atravésde sua passagempelaescola,que deve
então,abrircaminhosde acessoà culturade maneiraigualitáriaparatodose neste sentido,
lutarcontra os privilégiosde umaclasse social.Todoeducadorenquantomediadordovínculo
entre alunoe a cultura, entre a escolae a família,estámergulhadose comprometidosnesta
rede de interessesdosdominantese dosdominados.(p.01).
Existemescolasque trabalhamvisivelmente noobjetivode reproduçãodosvalorese
ideologiasdominantes,outrastemumaposição maiscrítica,mas todas assumemposições
políticas,poisa escolhadosconteúdosaseremensinados,oestiloe ométododeste ensino,
suas regras,sua maneirade avaliar,de receberafamíliaetc.,traduzemosobjetivosdas
instituições,deixandoclarasas opçõese desvelandoseusinteressesmaisespecíficos.
Partindode um levantamentodahistóriadaparticipaçãodafamíliana educaçãovimosque os
interessesdasfamíliasforamacolhidosmaisfortemente naescolabrasileira,apartirdas
décadasde 60/70, atravésdo movimentode RenovaçãoPedagógica,que abriuumagrande
lacunapara a entradade um olharmais psicológiconoâmbitoescolar,ampliandoaatenção
com cada criança, suasescolhase desejos,seutempode aprenderentre tantos.
Enfrentamos,porém, conflitosdecorrentesdasituaçãovivida,poispassamosde umvalor
centradono conteúdoe no educador,paraum valorcentradona criança e emseuprocessode
aprender.Odesafiodasescolashoje é sairdosextremos,buscandovalorizartantoa
informação, comoa formação,tanto no educadorcomono educando,tantoo métodocomo
os conhecimentosacumulados,resgatandoaimportânciadogrupona construçãode conceitos
e valores.Conforme esclareceCampos(1983):
A palavrafamília,nasociedade ocidental contemporâneatemaindaparaa maioriadas
pessoas,conotaçãoaltamente impregnadaparaa maioriadaspessoas,conotaçãoaltamente
impregnadade carga afetiva.Osapologistasdoambientedafamíliacomoideal paraa
educaçãodos filhos,geralmente evidenciamo calormaternoe o amor como contribuiçãopara
o estabelecimentodoeloafetivomãe-filho,inexistentenocasode criançasinstitucionalizadas.
Um dos representantesdestepontode vistafoi Bowlby.(p.19).
A complexidade doprocessode socializaçãoé evidentee torna-se bastante expressivadentro
do processoensino-aprendizagematravésde aspectosdotipo:imitação,identificaçãoe mais
um conjuntode característicasdeterminadaspelocontextofamiliar,que irãointeragirno
desenvolvimentodacriançadentroda instituiçãoescolar.
De umamaneirageral,sobre a relaçãofamíliae educação,afirmaNérici (1972)
A educaçãodeve orientaraformação dohomempara ele podersero que é da melhorforma
possível,semmistificações,semdeformações,emsentidode aceitaçãosocial.
Assim,aação educativadeve incidirsobre arealidade pessoal doeducando,tendoemvista
explicitarsuaspossibilidades,emfunçãodasautênticasnecessidadesdaspessoase da
sociedade (...).A influênciadaFamília,noentanto,é básica e fundamental noprocesso
educativodoimaturoe nenhumaoutrainstituiçãoestáemcondiçõesde substituí-la.(...) A
educaçãopara ser autêntica,temde descerà individualização,àapreensãodaessência
humanade cada educando,embuscade suas fraquezase temores,de suasfortalezase
aspirações.(...) Oprocessoeducativodeveconduziràresponsabilidade,liberdade,críticae
participação.Educar,não como sinônimode instruir,masde formar,de terconsciênciade
seusprópriosatos.“De modogeral,instruiré dizeroque uma coisaé, e educar e dar o sentido
moral e social dousodestacoisa”.(p.12).
Por outrolado,Connel (1995) faz umaabordagememque visualizaafamíliadentrodeste
parâmetrosugerindoque arelaçãoentre professorese paisdeve serentendidacomouma
relaçãode classes.Assim,ospaisda classe dominante vêemosprofessorescomoseusagentes
pagos:capazese especialistas.Assim,esclarece Connel (1995):
A escolasecundáriaé fortementedeterminadapelomodocomoage seudiretor. Eisto
tambémé verdadeiroparaa escolaparticular,masacho que pelarazão de o diretorda escola
particularprestarcontas a um curador ou diretoria,existe maispressãosobre ele paraobter
resultadosdoque o diretordaescolasecundáriaestadual que prestacontasauma Secretaria
de Educação. A escolaparticularproduziráemmédiamelhoresdiretoresporquese estesnão
realizaremserãodespedidosouaescolairá decairmuitorapidamente.(p.126).
Entretanto,Freire (2000) evidenciaque ensinarexige compreenderque aeducaçãoé uma
formade intervençãonomundo,umatomadade posição,umadecisão,porvezes,até uma
ruptura com o passadoe o presente.Paraeste renomadopesquisadore educador,asclasses
dominantesenxergamaeducaçãocomoimobilizadorae ocultadorade verdades.
A educaçãoé umaforma de se intervirnomundo,dentrodestalinhade pensamentode Freire
(2000), que falade educaçãocomo intervenção.Ele se refere amudançasreaisnasociedade,
no campoda economia,dasrelaçõeshumanas, dapropriedade,dodireitoaotrabalho,aterra,
a educação,a saúde,comreferênciaàsituaçãonoBrasil e noutrospaísesda AméricaLatina.
Quantomaiscriticamente aliberdade assumaolimite necessário,tantomaisautoridade ela
tem.Eticamente falando,paracontinuarlutandoemseunome,destaformase posiciona
Freire (2000):
Gostaria umavezmais de deixarbemexpressooquantoapostona liberdade,oquantome
parece fundamental que elaexerciteassumindodecisões.(...).A liberdade amadurece no
confrontocom outrasliberdades,nadefesade seusdireitosemface daautoridade dospais,
do professore doEstado.(p.119).
Castro (2002) emrecente artigo:OCaos Institucional e aCrise da Modernidade se referemà
faltade parâmetrosquantoao papel que a escoladeve assumiremumasociedade em
permanente mudançae,emconformidadeaisto,que sentidodeveassumirapráticadocente,
quandoa própriaprodução e veiculaçãodoconhecimento,assumemformascadavezmais
fragmentáveise,muitasvezes,dissociadasde qualquersignificaçãoética,social e cultural?
Hoje,assistimosaoaprofundamentodadesagregaçãosocial que impede aconstituiçãode
qualquerconsensosobre osprincípiose valoresque deveriamregerasrelaçõesentre os
sujeitose instituições sociais,dificultandoadefiniçãode qual deve sere comodeve serforjado
nossoprojetode escolae sociedade.
(...) Otipode escolae conhecimentoque se fundacomocapitalismo,legitima-seemum
modelode arquiteturasocial voltadaàsatisfaçãodosdireitosintelectuaisde umaelite
econômica,amparadaemsólidacomposiçãofamiliarque,aprincípio,pode fornecerolastro
moral,éticoe civilizacional,necessáriosaobomdesempenhode todosaquelesque a
freqüentam.Hoje,contudo,asituaçãoé outra. A sociedade pós-industrial alterou,
significativamente,suamaneirade operare produzirmercadorias,conhecimentose valores,
afetandodiretamente aescola,afetandoseuseixosparadigmáticos,tantonoque se refere à
sua organizaçãofuncional,curricular e metodológica,quantoaosprincípioséticose
participativosque sustentamsuapráticacotidiana.Este panoramadificultaadefiniçãode
rumos,a fimde que se possadeterminarasmetasa serematingidaspelaescolanocampodos
saberes,mas,também,nocampoda participaçãodos diversossegmentosque acompõem,
principalmente dospais.( Castro,2000. p.01).
Atravessamosumaautênticasocializaçãodivergente.Vivemosnumasociedade pluralista,em
que grupossociaisdistintosdefendemmodelosde educaçãoopostos,emque se dáprioridade
a valoresdiferentese até contraditórios.Ouseja,aunidade racionalistarepresentadaporum
modelounitáriode escolaestáemcrise,emfunçãodaascensãode um paradigmaeducacional
que não pode maiscolocarpara debaixo dotapete,adiversidade sócio-cultural como
elementocentral dosconflitosque marcamaescolanosdias de hoje.
Toda estamovimentaçãonoplanosocial produzrupturasna formacomo historicamente,
algumasinstituiçõesse organizamparagerarconhecimento,condicionarhábitose impor
comportamento.Destas,asmaisafetadasforam, comcerteza,a famíliae a escola.Nãoé por
outra razão que hoje essasduasinstituiçõesse vêemcompelidasaumaaproximaçãoque,até
a algunsanos atrás,não seriapossível ou mesmodesejável.
Tradicionalmente aescolaolhouparaa famíliacom certa desconfiançae,quandonãoteve
alternativa,apenassuportouaparticipaçãodospaisna condiçãode ouvintescomportadosdos
relatosporelesproduzidos,acercadatrajetóriadisciplinare pedagógicadosalunos.
Raramente essaparticipaçãosuperouoslimitesde açãobeneficente,envolvendo-se coma
parte organizacional doprojetocurriculardaescola.Para a escola,a famíliafoi e é o locusde
construçãode moralidade,base indispensável paraagarantia do projetomoralizadore
civilizacional representadopelaescola.
A famíliafezdaescola,sobretudonaetapaque antecedeuamassificaçãodoprocesso
institucional,umainstituiçãoaserviçodamonopolizaçãodocapital cultural nasmãosde uma
elite econômicareproduzindo,noplanoeducativo,asdesigualdadesdocamposocial.
Assistimosaumareviravoltaneste cenáriodecorrentedacrise dosmodelosforjadospela
modernidade.Omodelode famílianuclearpredominante até meadosdadécadade 50 deu
lugara novasformasde representaçãoe organizaçãoparental comreflexosdiretosnoque
concerne às relaçõesentre paise filhos.Cresceu,vertiginosamente,onúmerode separações
entre casais,o que temprovocadoa perda de referênciasético-moraisparaumaparte
significativade jovense crianças.
Alémdisso,acrescente presençadamulhernomercadode trabalhoe sua maior
independênciadarepresentaçãode mulhervoltadaàvidadomésticae àeducação da prole
resultaramemcerta lacunacom relaçãoao desenvolvimentoafetivo,social e educacional das
novasgerações.Para completareste cenário,asmudançastecnológicasque prometiamuma
maiordisponibilidade de tempoparaque os indivíduosse dedicassemasi mesmose aos
outros,revelaram-sefalsas;otrabalhoe a velocidade cotidianasófizeramafastaraspessoas
do convíviocomunitário,isolando-as,cadavezmaise,conseqüentemente,
descompromissando-asdasresponsabilidadespúblicas,dentre asquais,destaca-seaformação
da juventude.
Os estudosrealizados,emváriospaíses,nasúltimastrêsdécadas,mostraramque,quandoos
paisse envolvemnaeducaçãodosfilhos,elesobtêmmelhoraproveitamentoescolar.De todas
as variáveisestudadas,oenvolvimentodospaisnoprocessoeducativofoi aque obteve maior
impacto,estandoesse impactopresente emtodososgrupossociaise culturais.
Quandofalamosemcolaboraçãoda escolacom os pais,estamosafalar de muitascoisas.
Desde logo,acomunicaçãoentre o professore os paisdosalunosaparece à cabeça,
constituindoaformamaisvulgare maisantigade colaboração.
Muitosprofessoresnãovãoalémdessapráticae,muitasvezes,limitam-seaseros
mensageirosdasmásnotícias.Talvez,porissomuitospaisolhemparaa escolacom um misto
de receio e de preocupação,porque sósãochamados peloprofessorquandoosfilhosrevelam
problemasde aprendizagemoude indisciplina.Mashá outrasformasde colaboração.Por
exemplo,oapoiosocial epsicológicoque aescolapode daraos alunose respectivasfamílias
atravésdos serviçosde apoiosocial escolare dosserviçosde psicologiae orientação
vocacional.Paramuitasfamíliasnolimiardapobreza,estaé a únicaforma de colaboração
conhecida.
As famíliasdaclasse médiasempre praticaramumaoutra forma de colaboração:o apoioao
estudo,emcasa.Essas famíliasapóiamosfilhosnarealizaçãodostrabalhosde casa e no
estudorecorrendo,muitasvezes,aprofessoresparticulares.Nosjardinsde infânciae nas
escolasdoensinobásico,começaa sercomum à participaçãodospaisem atividades
escolares:festas,comemoraçõese visitasde estudo.Algumasdestasformasde colaboração
têmefeitosexpressivosnamelhoriadoaproveitamentoescolardosalunos,aumentaa
motivaçãodosalunosno estudo,ajudaaque os paiscompreendammelhoroesforçodos
professores.Melhoraaimagemsocial daescola,reforçao prestígioprofissional dos
professores,ajudaospaisaseremmelhorespais.Damesmaforma,estimulaosprofessoresa
seremmelhoresprofessores.
Não há umaúnica maneiracorretade envolverospais.Asescolasdevemprocuraroferecer
um menuque se adapte as características e necessidadesde umacomunidade educativacada
vezmaisheterogênea.A intensidade docontatoé importante e deve incluirreuniõesgerais e
o recursoà comunicaçãoescrita,mas,sobretudoosencontrosessesagentes(escolae família).
Intensidade e diversidadeparecemserascaracterísticasmaismarcantes dosprogramas
eficazes.
Nada é piorpara o bemestare desenvolvimentodascriançase dosjovensdoque a ausência
de referênciassegurase aprivaçãodo contato continuadoe duradourocomadultos
significativos.
Quandoos pais,por motivosrelacionadoscomomercadode trabalhoe o afastamentodo
local de trabalhoda sua área de habitação, não dispõemde tempoparaestarcom os filhos,
deixando,porisso,de tomaras refeiçõesemcomum, ascrianças e os jovenssãoobrigadosa
cresceremcoma ausênciade referênciasculturaisseguras.Essaausênciade referênciasfaz
aumentara necessidade de osprofessorescriaremprogramasque aproximemasescolasdas
famílias,contribuindoparaa recriaçãode pequenascomunidadesde apoioaosalunosque
sejamumapresençaforte na vidadeles.
Quandoos valoresdaescolacoincidemcomosvaloresda família, quandonãohá rupturas
culturais,aaprendizagemocorre commaisfacilidade.Nascomunidadeshomogêneas,emque
os professorespartilhamosmesmosvalores,linguageme padrõesculturaisdospaisdos
alunos,estágarantidaa continuidade entreaescolae a família.Contudo,sãocadavezmais as
escolascompopulaçõesestudantisheterogêneas,nasquaisosprofessorese ospaistêmraízes
culturaisdiferentes,provocando,nosalunos,dificuldadesde adaptação.
Se tivermospresente amaneiracomoosalunosaprendem, torna-se evidenteàimportânciada
continuidade cultural entre aescolae as famílias.Oalunoaprende assimilandoainformação
pelaexperiênciadiretacompessoase objetos,ouseja,professores,pais,colegas,livros,
programasde televisãoe Internet.Essainformaçãoéincorporadanassuasestruturasmentais,
modificando-as,tornando-asmaiscomplexase abrangentes.Éo desejode adquirirsentido,de
tentarcompreender,que levaoalunoaaprender.
Quantomaisrico e variadoforo seu mundofamiliar,maisoportunidadesoalunoteráde
adquiririnformaçãorelevante.Osalunosmovem-se paraoestágiocognitivoque lhesestá
maispróximo,quandoreconhecemque háumadiscrepânciaentre oque experenciame o
sentidoque estãoadar as novas informações. Masograu de discrepâncianãodeve sernem
muitoelevadonemmuitoreduzido.Perante situaçõesmoderadamentediscrepantes,oaluno
reorganizaa sua estruturamental,quandodescobertasacercadodesequilíbriocognitivo,é a
necessidadedoproblemaserapropriadoacapacidade dacriança para resolvê-lo.
As afirmaçõesanterioresajudam-nosacompreenderoque acontece a umalunoque chega a
uma escolaque lhe oferece umcurrículosemcontinuidadescomasua cultura familiar.
Diferençasde linguagem,de proximidade e de distânciaentre pessoas,de formasde
tratamentoe de regrasde comportamentotornammaisdifícil que oalunosejacapazde
aplicaras suas experiênciase conhecimentospassadosàsnovasaprendizagensescolares.
Confrontadoscomgrandesdescontinuidadesentre acasae a escola,incapazesde
compreenderemaculturaescolare de aplicaremassuas experiênciaspassadasaosnovos
contextos,essesalunospodemrejeitarouignorara nova informação.Quandoissoacontece,
estãocriadas as condiçõesparaque o alunorejeite aculturaescolar.Essarejeição
podeassumirváriasformas:indisciplina,violência,abandono,passividade e resignação.Seja
qual for a forma assumidapelarejeição,ossinaisdessarejeiçãodevemserinterpretadospelo
professor,cabendolhe traçarum planode ação que incluaa comunicaçãocom os pais.
O envolvimentodospaisnasescolasproduzefeitospositivostantonospaiscomonos
professores,nasescolase nascomunidadeslocais.Ospaisque colaboramhabitualmente com
a escolaficammaismotivadosparase envolverememprocessosde atualizaçãoe reconversão
profissionale melhoramasuaauto-estimacomopais.
O envolvimentofamiliartraz,também, benefíciosaosprofessoresque,regrageral,sentem
que o seutrabalhoé apreciado pelospaise se esforçamparaque o grau de satisfaçãodospais
sejagrande.A escolatambémganha porque passaa disporde maisrecursoscomunitários
para desempenharassuasfunções,nomeadamente comacontribuiçãodospaisna realização
de atividadesde complementocurricular.
Quandoa escolase aproximadas famílias,registra-se umapressãopositivanosentidode os
programaseducativosresponderemàsnecessidadesdosváriospúblicosescolares.As
comunidadeslocaistambémganhamporque oenvolvimento familiarfazparte domovimento
cívico maisgeral de participaçãona vidadas comunidades,sendo,porvezes,uma
oportunidade paraospaisinterviremnosdestinosdassuascomunidadese desenvolverem
competênciasde cidadania.
Restoupara a escolaa responsabilidadede estabeleceraordemneste caose,como não lhe é
possível reorganizaroquadrofamiliar,resta-lheabrirmaisportaspara tentaruma parceria
educativacomos pais,de modoque possa instituirumanovaestabilidade,que tragade volta,
à escola,a legitimidadeque acrise da modernidade lheretirou.
Semdúvidaque este estudofazparte de uma novaetapanas relaçõesescola/família,emque
os papéisserãoreconstituídossobnovasbaseséticas,políticase culturais.
4.1 CONTEXTUALIZANDOHISTORICAMENTE
Ao longodahistóriabrasileiraafamíliaveiopassandoportransformaçõesimportantesque se
relacionadiretamente comocontextosócio-econômico-políticodopaís.
O Brasil - Colônia,marcadopelotrabalhoescravoe pelaproduçãorural para a exportação,
identifica-seummodelode famíliatradicional extensae patriarcal,noqual os casamentos
baseavam-se eminteresseseconômicos,que àmulher,eradestinadaacastidade,afidelidade
e a subserviência.Aosfilhos,consideradosextensãodopatrimôniodopatriarca.Aonascer
dificilmenteexperimentavamosabordoaconchegoe da proteçãomaterna,poiseram
amamentadose cuidadospelasamasde leite.
A partirdas últimasdécadasdoséculoXIX,identifica-se umnovomodelode família.A
Proclamaçãoda República,ofimdotrabalhoescravo,as novaspráticas de sociabilidade como
iníciodo processode industrialização,urbanizaçãoe modernizaçãodopaísconstituemterreno
fértil paraproliferaçãodomodelode famílianuclearburguesa,origináriodaEuropa.Trata-se
de uma famíliaconstituídaporpai,mães e poucosfilhos.Ohomemcontinuadetentorda
autoridade e "rei"doespaçopúblico;enquantoamulherassume umanovaposição:"rainhado
lar","rainha doespaçoprivadoda casa". Desde cedo,a meninaé educadapara desempenhar
seupapel de mãe e esposa,zelarpelaeducaçãodosfilhose peloscuidadoscomo lar.
No âmbitolegal,aConstituiçãoBrasileirade 1988, aborda a questãodafamílianos artigos
5º, 7º, 201º, 208º e 226º a 230º, trazendoalgumasinovações(artigo226) como umnovo
conceitode família:uniãoestável entre ohomeme amulher(§3º) e a comunidade formada
por qualquerdospaise seusdescendentes(§4º).E aindareconhece que:''osdireitose
deveresreferentesàsociedade conjugalsãoexercidosigualmente pelohomeme pelamulher''
(§ 5º).
Nosúltimosvinte anos,váriasmudançasocorridasnoplanosócio-político-econômico
relacionadasaoprocessode globalizaçãodaeconomiacapitalistavêminterferindona
dinâmicae estruturafamiliare possibilitandomudançasemseupadrãotradicional de
organização.
Conforme Pereira(1995),as maisevidentessão:
- Quedada taxade fecundidade,devidoaoacessoaosmétodoscontraceptivose de
esterilização;
- Tendênciade envelhecimentopopulacional;
- Declíniodonúmerode casamentose aumentodadissoluçãodosvínculosmatrimoniais
constituídos,comcrescimentodastaxasde pessoasvivendosozinhas;
- Aumentodataxade coabitações,oque permite que ascriançasrecebamoutrosvalores;
menostradicionais;
- Aumentodonúmerode famíliaschefiadasporumasópessoa,principalmentepormulheres,
que trabalhamfora e têm menostempoparacuidardacasa e dos filhos.
Entretanto,evidenciamosque essasmudançasnãodevemserencaradascomotendências
negativasousintomasde crise.A aparente desorganizaçãodafamíliaé umdos aspectosda
reestruturaçãoque elavemsofrendo.Porumlado,pode causarproblemas,poroutro,
apresentarsoluções.Trata-se de umprocessocontraditórioque aomesmotempoemque
abalao sentimentode segurançadaspessoascoma faltaou diminuiçãodasolidariedade
familiar,proporcionatambémapossibilidadede emancipaçãode segmentostradicionalmente
aprisionadosnoespaçorestritivode muitassociedadesconjugaisopressoras.
Com ele,também,ospapéissociaisatribuídosdiferenciadamente aohomeme àmulher
tendemadesaparecernãosó no lar,mas tambémnotrabalho,na rua, no lazere emoutras
esferasdaatividade humana.
Embora,a cada momentohistóricocorrespondaummodelode famíliapreponderante,elenão
é único,ouseja,concomitante aosmodelosdominantesde cadaépoca,existiamoutroscom
menorexpressãosocial,comoé ocaso das famíliasafricanasescravizadas.Alémdisso,o
surgimentodestatendêncianãoimpediaimediatamenteaoutra,prova distoé que neste início
de séculopodemosidentificarapresençadohomempatriarca,da mulher"rainhadolar" e da
mulhertrabalhadora.Assim, nãopodemosfalarde família,masde famílias,paraque
possamostentarcontemplaradiversidade de relaçõesque convivememnossasociedade.
Outro aspectoa serressaltado,dizrespeitoaosignificadosocialdafamíliae qual a sua razão
de existência.
SegundoKaloustian(1988),a famíliaé o lugarindispensável paraa garantiada sobrevivênciae
da proteçãointegral dosfilhose demaismembros,independentementedoarranjofamiliarou
da formacomo vêmse estruturando.Éa famíliaque propiciaosaportesafetivose,sobretudo
materiaisnecessáriosaodesenvolvimentoe bem-estardosseuscomponentes.Ela
desempenhaumpapel decisivonaeducaçãoformal e informal,e é emseuespaçoque são
absorvidosovaloréticoe humanitário,emque se aprofundamoslaçosde solidariedade.É
tambémemseuinteriorque se constroemasmarcas entre as geraçõese são observados
valoresculturais.
Gokhale (1980) acrescentaque a famílianãoé somente oberçoda culturae a base da
sociedade futura,masé tambémo centroda vidasocial.A educaçãobem sucedidadacriança
na famíliaé que vai servirde apoioà sua criatividade e aoseucomportamentoprodutivo
quandofor adulto.A famíliatemsido,é,e será a influênciamaispoderosaparao
desenvolvimentodapersonalidadee docaráter das pessoas.
E evidenciadononossotipode organizaçãosocial,opapel crucial dafamíliaquantoà
proteção,afetividade e educação,A questãoque colocamosaseguiré aonde buscar
fundamentaçãoparaa relaçãoeducaçãoescola-família.
O deverdafamíliacom o processode escolaridade e aimportânciadasua presençano
contextoescolaré publicamente reconhecidonalegislaçãonacionale nasdiretrizesdo
MinistériodaEducação aprovadasnodecorrerdos anos90, tais como:
-Estatutoda Criança e do Adolescente (Lei 8069/90),nos artigos4º e5º;
-PolíticaNacional de EducaçãoEspecial,que adotacomoumas de suas diretrizesgerais:adotar
mecanismosque oportunizemaparticipaçãoefetivadafamílianodesenvolvimentoglobaldo
aluno.
E ainda,conscientizare comprometerossegmentossociais,acomunidade escolar,afamíliae
o próprioportadorde necessidadesespeciais,nadefesade seusdireitose deveres.Entre seus
objetivosespecíficos,temos:envolvimentofamiliare dacomunidade noprocessode
desenvolvimentodapersonalidadedoeducando.
-Lei de Diretrizese BasesdaEducação (Lei 9394/96), artigos1º, 2º, 6º e 12°;
-PlanoNacional de Educação(aprovadopelaLei nº10172/2002), que define comoumade
suas diretrizesaimplantaçãode conselhosescolarese outrasformasde participaçãoda
comunidade escolar(compostatambémpelafamília)e local namelhoriadofuncionamento
das instituiçõesde educaçãoe noenriquecimentodasoportunidadeseducativase dos
recursospedagógicos.
E não podemosdeixarde registrararecente iniciativadoMEC – MinistériodaEducaçãoe
Cultura,que instituiuadatade 24 de abril com o Dia Nacional daFamíliana Escola.Neste,
todasas escolasdeveriamconvidarosfamiliaresdosalunosparaparticiparde suasatividades
educativas,poisconforme declaraçãodoMinistroPauloRenatoSouza:“Quandoospais se
envolvemnaeducaçãodosfilhos,elesaprendemmais".
Relacionadosossustentáculosformaisdarelaçãofamília/escola/educação,é importante
pontuaraindaalgunsaspectos:emprimeirolugar,é precisoreconhecerque a
famíliaindependentedomodelocomose apresente,pode serumespaçode afetividade e de
segurança,mas tambémde medos,incertezas,rejeições,preconceitose até de violência.
Em segundolugar,narelação família/educadores,umsujeitosempre esperaalgodooutro.E
para que istode fatoocorra é precisoque sejamoscapazesde construirmoscoletivamente
uma relaçãode diálogomútuo,emque cada parte envolvidatenhaoseumomentode fala,
mas tambémde escrita,noqual existaumaefetivatrocade saberes.A capacidade de
comunicaçãoexige acompreensão damensagemque ooutroquertransmitire para tal faz-se
necessárioodesejode quererescutarooutro,a atençãoàs idéiasemitidase aflexibilidade
para recebermosidéiasque podemserdiferentesdasnossas.
Assim,é fundamental que conheçamososalunose asfamíliascom as quaislidamos.
Sobretudoque conheçamosquaissãosuasdificuldades,seusplanos,seusmedose anseios.
Enfim,que característicase particularidadesmarcama trajetóriade cada famíliae
conseqüentemente,doeducandoaquematendemos.Estasinformaçõessãodadospreciosos
para que possamosavaliaro êxitode nossasaçõesenquantoeducadores,identificar
demandase construirpropostaseducacionaiscompatíveiscomanossa realidade.
Uma atitude de desinteresse e de preconceitospode danificarprofundamente arelação
família/escolae trazersériosprejuízosparao sucessoescolare pessoal doseducandos.
Geralmente,afamíliade educandossurdosesperae necessitadaescolainúmeras
informações,apoioe orientaçãosobre comolidarcoma situaçãodeconvíviocomumapessoa
surda.A faltade atençãopara estademandapossivelmente teráconseqüênciasnegativaspara
educadores,educandose familiares.
Enfim,muitospodemserosignificadodapalavraparticipar.Éprecisoque conheçamosas
razõespelasquaisasfamíliasnão têmcorrespondidoaoque nóseducadoresesperamos
enquantosuaparticipaçãona escola.Paratal,precisamosnosdespirdapostura de juízesque
condenamsemconhecerasrazõese incorporarmosoespíritoinvestigadorque buscaas
causas para o desconhecido.
CONCLUSÃO
A partirdas abordagensdispostasnopresente trabalho,apresente pesquisaprocuroutratar
da questãoda indisciplinanaescolae dosváriosaspectosque estãorelacionadosaeste tema.
Dar limitesàscrianças na Educação Infantil é iniciaroprocessode compreensãoe apreensão
do outro,ninguémpode respeitarseussemelhantesse nãoaprenderquaissãoosseuslimites,
e issoinclui compreenderque nemsempre se pode fazertudoque se desejanavida.Éde
suma importânciaumaanálise conjunta:famíliae escola.Afinal,aos“pais”estásubtendido
que são os responsáveispelacriança.A parceriaentre famíliae escolaé necessáriapara
detectaras possíveisfalhase tentarsolucionarosproblemasdadisciplina.
A complexidade davidamodernaacabadelegandoaosprofessorespapeisantessóde
responsabilidade dospais.A famíliade hoje contamuitocoma escola,ouseja,comseus
professoresnaformaçãodascrianças e dosjovens.Elaprecisaestarinformadasobre alinha
de conduta que a escolatemcom seusfilhose,oque é fundamental,concordarcomestalinha:
é precisofalara mesmalíngua.Nosdiasde hoje,o professordeve serum“líder”,deve saber
tambémque liderançanãose impõe,se conquista.Nasalade aula,ele representaadireção,a
própriafamília.Ali ele é o“donoda lei”.O educadornecessitaterqualidadeshumanas
imprescindíveiscomo,porexemplo:equilíbrioemocional,responsabilidade,caráter,alegriade
viver,éticae principalmente gostarde ser professor.Alémé clarode terum maior
conhecimentosobre omanejode salae de como melhorse relacionarcomo aluno.Tambémo
professor,temumpapel de mediadorentre nossarealidade sociale afunção de educar.
Criançasgostam de professoresque lhe dêemlimites.Osprofessoresbonzinhosnuncaserão
respeitados;cairãonoesquecimentocommuitafacilidade.Ele nãodeve permitirque somente
as crianças participemdoprocessode estabelecimentode regras,massimdiscutiroque é o
estabelecimentode regras,ofereceridéiasde comocriá-las,fixá–lasporescritonasala de aula
e envolvê-lasnocomprimentodestas.
É importante que osprofessoresadotemumpadrãobásicode atitudesperante asindisciplinas
maiscomuns,como se todosvestissemomesmouniforme comportamental.Esse uniforme
protege a individualidade doprofessor.Quandoumalunoultrapassaoslimites,nãoestá
simplesmentedesrespeitandoumprofessoremparticular,masasnormas da escola.Portanto,
faz necessáriooprofessorteramentalidade abertae acompanharoprocessode construção
do conhecimento,agindocomoagente entreosobjetosdosabere a aprendizagem, serparao
alunoseudecifradorde códigose receptadorde suasmuitaslinguagens,significaestabelecer
limitese construirdemocraticamenteumainteraçãoonde emlugarde opressãoe da
prepotênciaeleva-se adignidadede quemeduca,acertezade quemplantaamanhã.
Uma soluçãopossível seriade revitalizaraconfiançada famílianoseupapel de formadorae
trazê-lacada vezmaispara dentroda instituição.Aolevarospaisa participarde encontros,
palestras,reuniõese trocade experiênciascomoutrospais,elessaemfortalecidose sentem
que não estãosozinhosnessaluta.
Enfim,nãoé apenaso professorque deve estarinteressadonaboadisciplina,mastodaa
escolacomotambémna família,poisé na sala de aulaque se ajudaa construirfuturos
cidadãoscom personalidade,ondevãoaprenderalimitarseusinstintosque sãoimpulsivose
necessitamde correçãodesde aprimeirainfância.
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Acessadoem:20.03.2002.
A INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL
SUMÁRIO
JUSTIFICATIVA
Durante os estágiosobservamosque emturmasdoEnsinoinfantilhámuitoscasosde
indisciplinapudemosperceberque aindisciplinaestáassociadadiretamenteafaltade limites
dos alunos.
A equipe pedagógicaprecisaterumaposturamaisfirme diante dosalunosparaa construção
de uma disciplinabaseadanodiálogoentreeducadore educandovisandoaparticipaçãoe o
compromissode ambos.Observandoodia-a-diadascriançase a atitude doprofessor
constatamosque os alunosveemde casacom problemasfamiliares,ouseja,afamíliatambém
estádentrodeste contexto,poisé abase para que as criançastenhambomcomportamento
na sala de aulae na sociedade,comodizPauloFreire (1998) “Disciplinaprontanãoexiste,é
precisoque todosossujeitosenvolvidosnoprocessoeducacional participemdaconstruçãodo
sistemade disciplina”.
De outrasformas,a indisciplinatambémpode estarrelacionadaaaspectosdesenvolvidosna
escola,comrelaçõesProfessor-alunoe aluno-aluno.
Porém,existemváriascausaspara se chegar á indisciplinaescolarcomoa condutado
professor,àsua práticapedagógicae até mesmoas práticasda própriaescola.Onde,aescola
temcomo papel desenvolverestratégiasparagarantiratividadesapropriadasaoprocesso
deensino-aprendizagemdeixandode sertãotradicional parabuscar um poucomaiso lúdico
na sala de aula.
Os alunosprecisamcompreenderque nemsemprepodemosfazertudoque queremos,e que
existemregrasase cumprir,sejana escolaou na vida.
O professorprecisaterautoridade,e nãodeve usá-lade formaabusiva,masporela,
apresentarsuasidéias,conhecimentose experiências,semdesrespeitaroconhecimentodo
grupo,sempre osencorajandoà participação,comosujeitosconscientese responsáveispelos
seusprópriosprocessosde aprendizagem.
DELIMITAÇÃODO PROBLEMA
Na realizaçãodosnossosestágiospercebemosque osalunosnãotêmlimites,e aindisciplina
estápredominandoemsalade aula.Osalunossão desordeiros,maucomportados,
desrespeitamosprofessores.
No entanto,aindisciplinapode ser definidapelainstabilidade e rupturanocontatosocial da
aprendizagem.Sendoassimumabarreiraque afetaarelação entre educadorese alunos.
Conquistarosalunosemsalade aulatornou-se umverdadeirodesafioparaoensino,tantonas
instituiçõespúblicasquantonasprivadas.
Por que as crianças nãoobedeceme causama indisciplinanasalade aula?Porque o problema
vemde casa, algunspaisdão liberdade excessivaaseusfilhos,criandofilhosindisciplinados,
cheiosde dengosque nãosabemlidarcom o não;que almejamsero centrodas atenções;os
indisciplinadostambémvêmde laresdesestruturados,sãoagressivose muitasvezessem
perspectivas.
Portanto,é necessáriodisciplina,ordem, limitesparaestesalunos;aoseducadoresamissãode
compreendere consideraroeducandocomoumser emprocessode desenvolvimento,com
desejosde integraçãonomeiosocial.Aospais(família) reavaliarse estárealmente cumprindo
seupapel de fazerda criança um cidadãoque respeitaoslimitesimpostospelasociedade que
estáinserido.
Ressaltandoque amaiorarma do professoré atrair estesindisciplinadosaoinvésde repudiá-
los,é cativá-loscomas aulas transformandodistraçãoematençãoe consequentemente em
aprendizado.
REFERÊNCIALTEÓRICO
A INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL
Naturalmente,oprofessornãodeve permitirque ascriançasdiscutamsobre normase regras
no que dizrespeitoaindisciplina,afinal qual seriaométodoque ascrianças usariam?
Provavelmente iriamquererumasociedadecommuitaliberdadee compoucasregras, o que
sabemosque naprática não funcionadestamaneira.
Sendoassimé importante que osprofessoresadotemparâmetrosde atitudesdiante das
indisciplinas,e mostremaosalunosque existemlimitesaseremseguidos.Quandooaluno
ultrapassaros limites,ele nãoestásimplesmente desrespeitandoumprofessoremparticular,
ele estaráquebrandoasnormas.
Aquino(1996. P. 98), afirmaque,a tarefade educar,não é responsabilidadedaescola,é tarefa
da família,que aodocente cabe repassarseusconhecimentosacumulados,ele aindaaponta
que a soluçãopode estarna forma da relaçãoentre professore aluno,ouseja,a formaque
suas relaçõese vínculosse estabelecem,apontatambémque asoluçãopode estarno
desenvolvimentodo resgate damoralidade descente atravésdarelaçãocomo conhecimento
e que esse conhecimentodeveserconstruídosocialmente,semrigidezouautoridade.
Portantoé necessárioque oprofessortenhaamente abertae acompanhe oprocessode
construçãodo conhecimentoagindocomoagente entre osobjetosdosaber,e a aprendizagem
será para o alunoseudecifradorde códigose receptorde suasmuitaslinguagens.
A indisciplinavemsendovistacomoumaatitude de desrespeito,de intolerânciaaoacordo
firmadodo não cumprimentode regrascapazesde pautar a condutade umindivíduooude
um grupo,é consideradatambémumreflexodaindisciplinageneralizadaemque se encontra
a humanidade atualmente,é oresultadode umasociedade onde nãoexiste maisrespeito,
amor, a compreensãoe ovalora família.Sendoassimé maisdifícil estabeleceradisciplinae
fazê-larespeitar.Comasevoluçõesdavidaemtodosos sentidos,ascriançasse tornaram mais
independentesdosadultos.
Sendoassimemrelaçãoaos conceitosmencionados,ospaisoptampornão colocar limites.
Outrosalegamque a geração atual recebe outrostiposde modeloatravésdamídiae acabam
sofrendosuainfluênciaparaessaabordagemliberalospaisestãosendoinfluenciadosem
modelosliberaise terminampor assumirumpapel mais“moderno”de educar.
Piaget(1973) defende que temosduasalternativas:“formarpersonalidadeslivresou
conformistas”.Se oobjetivodaeducaçãoforo de formarindivíduosautônomose
cooperativos,entãoé necessáriopropiciarpara que ele se desenvolvaemumambiente de
cooperação.
Nestaconcepçãocabe aos paisdelegarao filhotarefasque ele jáé capazde cumprir.Essa é a
medidacertado seulimite.Noentantoospaisnuncadevemfazertudopelofilho,masajuda-
losomente até o exatopontoemque ele precisa,paraque depois,realize sozinhassuas
tarefas.É assimque o filhoadquire autoconfiança,poisestáconstruindosuaautoestima.
Contudoé precisoque os paistenhamacimade tudo autoridade,e diálogocomeles.
Para Franco (1986, p.62):
Em geral,quandoos educadoresreferem-se aoproblemadadisciplinanaescola,normalmente
o reduzemaalgo quemdizrespeitosomente aoaluno.
O problemadadisciplinapassaaserentendidocomooda indisciplinadoaluno.
Franco (1986, p.62).
A indisciplinaescolarque aosolhosde muitossempre existiue sempre vai existir,agoraexige
um novoolhar.
Portantoa falta de compreensãoporparte do professordascausasda indisciplinadoseu
alunopode teruma grande repercussãonegativanoseudesempenhodocente.
Mesmoassim,não faltamdenominaçõesparaosespecíficos.
Nesse casoconforme ocontextosóciohistóricovigente(Estrela,1994). Sendoumproblema
recorrente nasescolasnosdiasatuais,há uma buscaconstante por parte dos estudiososda
educaçãoem colocarememdebate suasimpressõesarespeitodaindisciplina.
De acordocom La Taille (1996) destacadentre a possível traduçãopara a indisciplinao
desenvolvimentodasnormasvigentes.
Normalmente,todainstituiçãoouempresatemumregimentoapartirdo qual se extraemas
orientaçõesparaa condutade convivênciadogruponaquele espaço.Portantooautor
apresentaotema da indisciplinaapartirda disciplinae considerandocomosendoperigoso.
A respeitodissoAquino(1996.P.43).
Com a crescente democratizaçãopoliticadospaise emtese,adesmilitarizaçãodasrelações
sociais,umanovageração se criou. Temosdiante de nósumnovo aluno,umnovosujeito
histórico,masemcerta medida,guardamoscomopadrãopedagógicoaimagemdaquele aluno
submissoe temeroso.
Aquino(1996, p.13).
Nessaperspectivaé interessante ressaltarque asmaioriasdosautoresconcordamquantoà
noção de exemplospráticodocomportamentoe falamalheios.A criançaentãoestariaapenas
repetindoasaçõese falasobservadasdaquelesque estãoasua volta.Oque se pode entender
que os exemplosdadospelosadultos,sejamelesfamiliaresounão,temgrande pesona
definiçãodarepresentaçãoe suaaplicaçãono seudia-a-dia.
Acriançadificilmente poderádescobrirvaloresdiferentesdaquelesque sãovigentesnos
ambientesque ocerca.As estruturassociaiscomplexase desequilibradasé noslúcido
perguntarse a criança farásempre a melhorescolha.
Estrela(1994, p. 24).
Diante dessasdefiniçõesacerca da indisciplinapercebemosque ascriançasseguemomodelo
que elesobservam,ouseja,elaimitaaprópriasociedade oque afetaatomada de decisãode
quemprecisase impor,nocaso dos paise dosprofessores.Destaformaaindisciplinaestá
cada vezmaior na escola, porque ascriançasutilizam-nacomomeioparaque o adultoperceba
que elasexistem.
O que é indisciplina?
É um “fenômenorelacionadoe interativo”que se concretizanodescumprimentodasregras
que prescindemorientame estabelecemascondiçõesdastarefasnaaula e,ainda,no
desrespeitode normase valoresque fundamentamoconvívioentre parese a relaçãocom o
professor,enquantopessoae autoridade.
A respeitodisso(Tiba1996, p.125) afirma:
Haverá interessedoalunopeloconteúdodoprogramaescolasempre que houveruma
correlaçãoentre este e o dia-a-diadoestudante.Oprofessorsábioestabelece tal correlação.
(Tiba1996, p.125)
Algunsestudiososressaltamque agrande causa da indisciplinaé ofatoda escolater parado
no tempo.Osejaestes estudiososalegamque omodeloquadroe gizjánão funcionamSob
estavisãoos alunosqueremaulasdinâmicase criativascomousode novidades.
Indisciplinaporquê?
A indisciplinanaescolae na sala de aulavemsendouma preocupaçãode sempre,é hoje um
temaescritona agendade todos quandose refletemsobre aeducaçãodosjovens.
Professores,políticosadministradoresdaeducaçãoe jornalistas,sobretudo,afirmama
instabilidade dasituaçãoe vãoabrangendoacusaçõesfáceis,tantasvezessemsequerterem
feitoalgumesforçosérioparacompreenderofenômenoe asrespectivascausas.Porissoé
importante encararo assuntoseriamente,identificandotodososfatoresque se conjugam
para produzira chamada indisciplinaescolar.
SegundoD’Antola(1989, p.86).
O alunoque é deixadode lado,ocupadocomtarefasque nãolhe interessa,pode tenderpara
duas atitudesextremas:ouse tornaapáticoe se sente diminuídoe alheioaostrabalhos
escolares,ouse tornarevoltado,chamandoparaser ouvir.
(D’Antola,1989, p.86)
Dessaforma a escola,mesmodentrodosparâmetrosdasociedade estarácontribuindoparaa
transformaçãosocial e estariaajudandopara a melhoriadaqualidade de ensinoe paraa
socializaçãodosaber.Destaformaa indisciplinaresultade fatoresestruturaise sociaise
pessoaisdeve serestudadaatrêsníveis;Odo ministériodaeducação,oda escolae os dos
atores.Enquantoprodutoresde trêstiposde regras,legais,institucionaise sociais,
respectivamente.
Sociedade e família
A sociedade é outrofatorqueinfluêncianaindisciplinadosalunos.Percebe-senasociedade
brasileira,mudançasprofundastaiscomoaceleraçãodoprocessoda industrialização,a
expansãodastelecomunicações,crise ética(levarvantagememtudo,corrupção,desemprego
subemprego,gastoselevadíssimos,faltaqualidadedapropagandanosmeiosde
comunicações).
Sob estavisãoesse caminhodeveriapartirde umtrabalhoem conjuntoentre escola,família,e
sociedade parasonaros problemasdisciplinares.Éindispensável umaparticipaçãocoletivados
elementosque fazemparte daescola,naconstruçãode regrasgeraisque a escolatenhae
devater para um bomdesempenhodosmembrospertencentesàescola,inclusiveospaise a
sociedade emgeral.
É um processolongoe difícil, masse essasregras forembemelaboradas,discutidase
colocadasemprática realmente colheremosbonsresultados.
Na opiniãode Tiba(1996, p.169).
Há pais que por manterseusfilhosnaescola,achamque estaé responsávelpelaeducaçãodos
mesmos.Quando aescolareclamade mauscomportamentosoudasindisciplinasdosalunos,
os paisjogama responsabilidadesobre aescola.
(Tiba1996, p. 169).
Por sua vez,a famílianãoestácumprindosuatarefa de estabelecerlimitese desenvolver
hábitosbásicos.Ouseja,ospais,precisamser,masautoritáriose teremdiálogoscomseus
filhose nãocederaos caprichosdeles.
No que á salade auladizrespeito,aindisciplinaestámuitorelacionadocoma relaçãoque se
estabelecenointeriordaaulae esta relaçãodepende sobre tudodamotivaçãodosalunos
para os conteúdosaprendizageme doclimarelacional.
O professortemumpapel essencial comofonte emissorade informaçãoque osalunosvão
transformaremconhecimento.Algunsestudantesadoramoudetestamdeterminadas
matérias,justamenteporcausado professor.
(Tiba,1996, p.125).
Sob estavisãoo professoré umemissorde conhecimentos,mastambémprecisadeixarseu
ladoautoritárioe permitirumaparticipaçãomaisativado alunoemsala de aula.
É precisonão esqueceralgunstraçosessenciaisdasituaçãodoalunona escola:
Frequentaraescolapor obrigaçãolegal oupor força de condicionamentossociaise familiares
e nãovoluntariamente.
É incluídoemagrupamentos(turmas) que se nãoconstituemde formavoluntariamente.
O seupapel é definidoporumconjuntode obrigações:Aprendermatériasque nãoescolheu
realizaratividadesimpostas,propostasaceitarservigiadonosseuscomportamentos.
Fatoresrelacionadosàcausa da indisciplinanaeducaçãoinfantil.
Podemosressaltarafaltade acompanhamentosdospaisnoque dizrespeitoalimitese as
normasestabelecidaspelaescolae sociedade.Hoje apuniçãoé cada vezmaisrara, tanto na
escolacomoem casa. Os paistêmlarga parcelade culpa,no que dizrespeitoàindisciplina
dentroda classe.È uma situaçãocada vezmaiscomum, elestrabalhammuitoe temmenos
tempopara dedica-se culpadospelaomissão,evitamdizernãoaosfilhose esperaque aescola
assumaa funçãoque deveriaserdeles,ade passar para a criança os valoreséticosde
comportamentosbásicos.
O modocomo algumascrianças aprendemaobteratençãoe reconhecimentos,porexemplo,
representaumasituaçãomuitasvezescomumde indisciplinanocontinuocasa-escola.Uma
possibilidade,aqui,resideemaprenderaobteratençãosobre si atravésde condutas
intempestivas.Estaaprendizagemtende asermaisefetivaàmedidaque paise professores
dediquemumaatençãodiferenciada,maisintensa,acondutasindisciplinadas.
Portantoos paise professoresprecisam cumprirseupapel e trazerascrianças cada vezmais
para dentroda instituição,fazendocomque elesse sintamsegurose fortalecidos,nestaluta
educacional e social.
Poiscomodiz PauloFreire (1998) “disciplinaprontanãoexiste,é precisoque todosossujeitos
envolvidosnoprocessoreducacionalparticipemdaconstruçãodosistemade disciplina”.Ou
seja,todasas sociedades,famíliae professoresandamjuntoumé à base do outro para uma
boa disciplina.
Nível cultural dospaisno desenvolvimento
O nível cultural dos,poistambéminfluênciaacriança, poiselasempre querimitá-los.Tal
imitaçãodepende muitodonível emque elavive.Havendoumaimitaçãonegativa,por
exemplo,falarerradoouexpressar-sede formadiferente,travacomoconsequênciao processo
de construção da identidadee consequentementenaformaçãoda personalidade doindividuo
no ambiente social que estáinserido.Paro(1973) diz,“a criança é consideradaindisciplinada
quandoapresentaprivaçãocultural”.
Quandonão frequentapré-escolacomoprevençãodosproblemasinfantis.Seriaportanto
aquelacriançasem orientação,que ficaodia todo,na rua sem, fazerabsolutamentenada.O
ambiente sócio-moralmente praticado.Issoporque oambiente sócio-moral e todaarede de
relaçõesentre pessoasemsalade aula.Essasrelaçõesparatodos osaspectosdas experiências
da criança na escola.
Vinte passosparacombatera indisciplinacomalunos
1º- Estabeleçaregrasclaras.
2°- Faça com que seusalunosascompreendam.
3º Determine umasançãopara a quebradas mesmas.
4º- Determine umarecompensaparaseucumprimento.
5º- Peça apoiode seuscolegasde equipe.
6º- Estabeleçaestratégiasemconjuntocomaequipe;osalunosprecisampercebera
hegemoniadasatitudes.
7º- Respeite seusalunos.
8º- Ouça-os.
9º- Respondaao que lhe forperguntadocomeducação e paciência.
10º- Elogie boascondutas.
11º Sejaclaro e objetivoemsuasintervenções.
12º- Deixe clarooque é erradoé o comportamento,nãooaluno.
13º- Sejacoerente emsuasexpectativas.
14°- Reconheçaossentimentosde seusalunose respeite-os.
15º- Nãodiga o que fazer:permitaque cheguemàssuasprópriasconclusões.16°- Não
descarregue asua metralhadorade mágoasemcima deles.
17º- Encoraje-ossempre.
18º- Acredite nopotencial de cadaume no seu.
19º- trabalhe crençasnegativastransformando-asempositivas.
20°- Sejaafetivo.
CONCLUSÃO
A reflexãosobre indisciplinase expandee nãose esgotainúmerosteóricosse debruçamem
pesquisasparadesmistificare melhorara indisciplinanasalade aula.
A partirdos estudose dasobservaçõesrealizadasnosestágiospercebemosque osalunosnão
têmlimitese aindisciplinaestápredominandonassalasde aula.
No entantoestáficandocadavez,mas difícil paraos educadoreslidaremcomessassituações.
O que chamou a atençãofoi a faltade respeitodoseducandoscomosprofessores.
Com base na pesquisavoltadaparaindisciplinanaeducaçãoinfantil,considera-seque os
educadoresveemaindisciplinacomoumpontonegativonaaprendizagemdosalunos.
Diante desse,olharoprofessordesenvolve suasatividadespedagógicasde formalúdicapara
que os alunosbrinqueme aprendamaomesmotempodeixandoasconversasparalelas,e se
envolvendonoassuntodaclasse escolare ao mesmotempobrincandoe aprendendo.A
intensidadee ocaráter da indisciplina,hoje,parecemindicarmenosanecessidade de
inovaçãoda escola.
Ao observaroscontextosnoqual se inseri indisciplina,percebe-seque é necessárioque o
gestor,pais,sociedade tenham concepçõesinovadorasecumpramcadaum com seusdeveres
e a escolareúnaos professorese juntospreparemaulasflexíveisdinamicamente adequadasàs
necessidadesdoseducandosparaassimmelhoraressaindisciplina.
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Introdução
Em um concursopara professoresde ensinofundamental e educaçãoinfantil realizadona
cidade de São Pauloem2010 do qual participei,houveumaperguntasobre indisciplina.Nesta
questãofoi descritaumasituaçãona qual uma criança de quatro anoshaviarasgado todosos
trabalhosdoscolegase,com o ocorrido,a professoracolocoua criança sentadaemumlugar
para “pensar”.O que se queriasabererase a professorahaviaagidopedagogicamente ao
tomar essaatitude.
Esse fato inquietou-me muito,poisnuncadei aulaparacrianças e,emborase ouça muito
sobre indisciplina,nuncame questionei sobre oque fariaaesse respeito,muitomenosoque
seria“pedagogicamentecorreto”.Percebique sabiamuitopoucosobre indisciplinana
educaçãoinfantil,e de maneirageral,resolvi fazeressetrabalhode pesquisaparasabermais
sobre o assuntoe,principalmente,comoagirei quandoestiveremsalade aula.
O temadesse trabalhoé,portanto,sobre indisciplinanaescola,maisespecificamente sobre as
atitudestomadaspelosprofessorespararesolveremquestõesde indisciplinanaeducação
infantil.Porisso,levanta-se aseguinte questãoparaorientarestapesquisa:comoos
professorespoderiamsolucionarproblemasde indisciplinanaeducaçãoinfantil pormeioda
construçãode limitesbemclaros?
Defende-se oposicionamentosegundooqual oprofessordeve mostrar-se firme,expressando
autoridade,mastambémé importante que eviteoautoritarismoque,de certaforma,rebaixa
o aluno.A imposiçãode limitese orespeitoàsregras,porém, devemsercolocadosàsclaras.
Muitas vezesoprofessorquerresolveraquestãodaindisciplinacomautoritarismoassim
como seusprofessoresagiamnotempoemque estudavam.Nãoacreditandomuitoque o
problemadaindisciplinapossaserresolvido,muitosprofessoresnãoprocurambuscarsuas
causas,colocandoa culpa,simplesmente,nafamíliaouna sociedade.
No intuitode direcionaressapesquisaàfinalidadeproposta,traçam-se objetivospara
consolidá-lataiscomoexporumasíntese dopanorama geral da indisciplinanassalasde aula,
abordar os motivosdasdificuldadesque os professoresenfrentamparasolucionarproblemas
de indisciplina,refletirsobre asatitudesdosprofessoresemrelaçãoàindisciplinanaeducação
infantil,revelarcomoascrianças adquiremasua autonomiae proporaos professoresalgumas
atitudesque visemsolucionarproblemasde indisciplina.
É justoque se pergunte pelarelevânciade tal empreendimento,ouseja,de se gastar tempoe
energiacomo temaaqui discutido.Porém,ele é importantepelasuaatualidade,poisestá
vinculadoàrealidade doprofessorque,emsalade aula,enfrentadiariamente desafioscom
comportamentosindesejáveisdascriançasnaeducaçãoinfantil e,muitasvezes,nãosabemo
quefazer.Atravésdesse trabalho,procurar-se-áauxiliaroprofissional daeducaçãoque deve
lidarcom a realidade daindisciplinaemsalade auladiariamente.
Que este textopossaservirde instrumentode reflexãoque leve àpráticade ensino“ordeiro”
atravésda “desordem”;de ensinoque,pelairreverênciada“indisciplina”dascrianças,
subvertao caos emoportunidade de aprendizageme de crescimento.
A presente pesquisase divide emtrêscapítulos:nocapítulo1 (“apresentandoarealidade”),
apresentarádefiniçõesde “disciplina”e de “indisciplina”,bemcomoessestemasnocotidiano
escolar;no capítulo2 (“refletindosobre ummundoemtransformação”),procurará
compreenderoindivíduonocontextodasociedade,dafamíliae daescola,e sobre a própria
criança nesse contexto,apartirda teoriade JeanPiagetao abordaros conceitosde
heteronomiae autonomia,e de LevSemyonovitchVygotskye suateoriainteracionista.E,
finalmente,nocapítulo3 (“oprofessore a indisciplinaemsalade aula”),abordaráo tema
“autoridade ouautoritarismo”,seguidodaquestãorelativaàconstrução da identidade da
criança. E, finalmente,domodocomooprofessorpoderálidarcomesse assunto.
CAPÍTULOI
apresentandoumarealidade
É comum hoje emdiareferir-se àescolacomoo lugarcaracterizadopelaindisciplina,oque
temlevadomuitosprofissionaisdaeducaçãoà completadesilusãoemrelaçãoaoexercícioda
docência.Parece que nãohá maisjeito,que nadaque se faça dará bons resultadosemrelação
a esse aspecto.É necessário,porém, que se tenhaemmente que todoproblema,mesmoo
que parece insolúvel,pode tersoluçãoouaomenossertrabalhadode formaconstrutiva
quandose reflete sobre ele.Epara começar tal exercício,nadamelhordoque dar nome ao
problema,ouseja,defini-lo.
Portanto,se um dosproblemasque acontecememsalade aulaé o da indisciplina,é
importante que se deixe bemclarooque se entende poresse termo.Daíeste capítuloter
iníciona definiçãode “disciplina”e de seuoposto,a “indisciplina”.
1 — Definindoostermos
Costuma-se ouvirque tal alunoé “indisciplinado”ouque falta“disciplina”naescola.Oque tais
termossignificamou,emoutraspalavras,oque as pessoasque osempregamqueremdizer?O
que esperam?
1.1 — Disciplina
É possível defini-lasegundoodicionário,comoo“conjuntodasobrigaçõesque regema vida
emcertas corporações,emassembleiasetc.Submissãoauma regra,aceitaçãode certas
restrições.Ensino,instrução,educação”(FERNANDES,1993).
Vasconcellos(1998) apresentaaforma idealizadade disciplinaque tantooprofessoralmejada
parte dos alunosemsua aula:que elesse comportem;que venham, de maneiraespecífica,a
procederconforme odesejodoprofessor.Assim, elelocalizabemaquestãoda“disciplina”ao
associá-laà“obediência”.
Mas “disciplina”nãodeixade serumconceitoumtanto vago e passível de inúmeras
interpretações.Depende dotempoe dolugaremque é empregado.Etambémpossui uma
compreensãoque expressainteressessociaise políticosbemdefinidos.ParaGroppaAquino
(1996), por exemplo,adisciplinaescolarque caracterizavaaescolanaprimeirametade do
século20 (e depois) nãodeixavade representarumainstituiçãode caráterelitistae
conservador,daqual aindaexiste ovestígioe que causa o saudosismo.Nãodeixava,porém,de
manifestar-seideologicamenteatravésdocontrole doscorposdosalunose do feitiopouco(ou
nada) democráticopornão permitirque essesse expressassem, masque estivessem
completamentesubmissosàsordensdoprofessor,denominadopeloautorcitadode “general
de papel”.TambémVasconcelos(1998) apontapara umarazão sócio-políticade se pensare
defenderumtipode disciplinaque priveoalunoodireitode construirautonomiaque olevará
a ser cidadãoconsciente e participativonavidasocial;comoele escreve:“nanossarealidade,
no sentidogeral,disciplinarcorresponde aadequaçãoàsociedade existente;significa,pois,
inculcação,domesticação,resignaçãoàexploração,etc.”(VASCONCELLOS,1998)
Não se pode deixarde definirdisciplina,também, comosendoumahabilidadeinternade cada
pessoaque a ajudaa cumprirsuasobrigações,é umautodomínio,é acapacidade de utilizara
sua liberdade pessoal parapoder,livremente,atuarnavidadiária,tendoa possibilidadede
superaros seuscondicionamentosinternose osexternos,que se apresentam.
1.2 — Indisciplina
É definida,segundoodicionárioAurélio,como“desordem;desobediência;rebelião”
(FERNANDES).Pode serentendidatambémcomo“faltade limite dosalunos,bagunça,
tumulto,maucomportamento,desinteresse e desrespeitoàsfigurasde autoridade daescola e
tambémdopatrimônio”(MACHADO).Comissoaindisciplinaé sempre umcomportamento
impróprioque pode chegaraté a agressão.
Rego(1996) aponta que o conceitode indisciplinaé dinâmico,pode variarconforme a
situação,mediante osvaloresde umacultura,omomentohistórico,nãosomente difereentre
uma sociedade e outra,masse modificaemuma mesmasociedade emseusdiversosaspectos,
sejamelesrelativosàsclassessociais,sejameminstituiçõesdiversase tambémemuma
mesmacamada social.E continuandooconceitode indisciplinanoplanoindividual:“apalavra
‘indisciplina’pode terdiferentessentidos,que dependerãodasvivênciasde cadasujeitoe do
contextoemque foraplicada”.Mas o que vema serum alunoindisciplinado?A mesmaautora
responde aessaperguntaescrevendoque essesujeitoé aqueleque nãotemlimites,que não
sabe respeitaraspessoas,suasopiniõese sentimentos,nãosecolocandoemseulugar.Ele
apresentadificuldadeemse relacionarcomosdemaisconvivendode formacooperativae
nemmesmoconsegue dialogarparaentenderopontode vistada outra pessoa.
Com a definiçãodoconceitode indisciplina,aautora relataa complexidade dessapalavrae
demonstraque este nãoé um termoconsensual e que necessitade maiorespesquisasobre o
assunto.
É precisosabero que realmente algunsprofessoresentendemporessestermosaplicando-os
emsala de aula.
2 — Disciplinae a indisciplinanodiaa dia
Para muitosprofessores,oconceitode disciplinase revelaquandoascriançasse mantêm
sentadas,nãoconversamaltoe não atrapalhamo professornahora que ele estáfalandoou
explicandoalgo.
Vaz,na pesquisaque realizoucomotema“A ‘criança-problema’e anormatizaçãodo cotidiano
da Educação Infantil”(2005), apresentaosprocedimentosde ADIs,nascreches,e professoras,
nas EMEIs, emrelação ao comportamentodisciplinardascrianças,procedimentosestesque
envolvemasrestriçõesaque ascrianças são submetidas,ocontrole dasconversassem
objetivosemsalade aulae até os momentosde atividadesrecreativasregulamentadas.Nos
depoimentosdasADIse professorasparece serinconcebível punirseveramenteascrianças
pelasua “indisciplina”,excetoemcasosextremos,comoaautora escreve:
Criança disciplinadaseveramente,semdireitoavoz,pareceserconsideradoalgoinapropriado
“pedagogicamente”,algoque asADIssomente admitememcasosextremos,quando,como
formade castigo,excluemdogrupoacriança que precisa“pensarsobre oque fez”.O mais
comumé a educadorase utilizardaestratégiade chantagemafetiva,emque acriança, com
medode perdero afetoda “tia”,cede ao controle.
Nessesdepoimentos,asADIse professorastambémrelatamque aconversatambémserve
para controlare disciplinarascrianças,o que acontece “na roda” de conversadedicadapara
este fim,naqual elasouvemcomodevemounão se comportar.Para elas,é necessárioque as
crianças fiquem“sossegadas”e “obedientes”paraque ocorram o seudesenvolvimentoe asua
aprendizagem.
Ao definirosconceitosde disciplinae indisciplinae a maneiracomose manifestamnodiaa dia
da sala de aula,restasaber osmotivosque levamasituaçãode indisciplina.Éo que será
discutidonopróximocapítulo.
CAPÍTULOII
Indisciplina,porquê?
Deve-se perguntarpelosmotivosque têmlevadoasituaçõesde indisciplinaemsalade aula.O
quadroé conhecido:alunosfalandoaltoougritando,saindode seuslugares,jogandopapel
unsnos outrose o(a) professor(a) nervoso(a),àsvezesgritando,tentandocolocarordemna
turma. Qual o motivodesse comportamentodascrianças?
Neste capítulo,procurar-se-áchegararespostaspara a perguntacolocadaemseutítulo.Para
isso,seránecessáriorefletirsobre situaçõesque nãosãoas mesmasde quandoo(a)
professor(a) eraaluno(a)...Emoutraspalavras,grandesmudançastêmocorridoemtodosos
âmbitosda sociedade e dacultura,verdadeirastransformaçõesnomodocomose vive,se vê o
mundoe com ele se relaciona.Daía subdivisãodoprimeiroitememtrêspontosbásicos,que
poderãoserconsideradosfundamentaisparase compreenderocomportamentodascrianças
emsala de aula; pontosessesque visamao“lugar”da criança. São eles:asociedade,afamília
e a escola.
Em um segundomomento,ofocoserácolocadosobre a criança, considerandoseu
desenvolvimento,aaquisiçãoda“autonomia”e,consequentemente,asuarelaçãocom a
discussãoa respeitodadisciplinaemsalade aula.
2.1 — Refletindosobre ummundoemtransformação
Falar de mundoemtransformaçãoé dizerque ascoisas jánão são como costumavamser.
Muitosvalores,costumes,atitudes,visõesde mundo,têmsidoquestionados,abandonadosou
alteradosnasegundametade doséculoXX.Taisprocessosde mudançatambémalcançaram
trêselementosessenciaisque sãoimportantes paraa reflexãosobre adisciplinaemsalade
aula:a sociedade,afamíliae a escola.
2.1.1 — Sociedade
Embora hajauma espécie de “saudosismo”emrelaçãoacomo a escolamantinhaa disciplina
de seusalunosno passado,é precisoque osprofessorese demaisprofissionaisdaeducação
tenhamconsciênciade que o“mundo”está emconstante movimento.Emoutraspalavras,a
sociedade tempassadopormudançasconsideráveisque têmafetadodiretamente o
comportamentodosalunose dasalunas.E parece inútil aosprofessorestentarmantero
antigocomportamentodisciplinarnosdiasde hoje.
O assuntorelacionadoàsociedade e suastransformaçõesé vastíssimode maneiraque,neste
item,é possível apenasesboçaralgumasconsiderações.
O aspecto“saudosista”presente nasexpectativasde muitosprofessoresocorre pelofatode
elesidealizaremosistemaeducacionalde outroraaocompararem-nocomo que considerama
“anarquia”disciplinaratual.
Groppa Aquino(1996:43) observaque operfil daescolanão corresponde maisàquele
idealizado,porque a“democratizaçãopolíticadopaís” e a “desmilitarizaçãodasrelações
sociais”abriramespaçopara uma novaescolae um novoaluno.Ele escreve:“temosdiantede
nós umnovoaluno,um novosujeitohistórico(...)”.Dessaforma,a hierarquizaçãoanteriordeu
lugara um tipode relaçãoprofessoraalunono qual aquele nãoé maisconsideradoodetentor
do saber,enquantoesse deveriaserapenasapessoaque absorve conhecimento.Ele (GROPPA
AQUINO,1996:43) aindaescreve:
É presumível,portanto,que asrelaçõesescolaresfossemdeterminadasemtermosde
obediênciae subordinação.Oprofessornãoerasóaquele que sabiademais,masque podia
maisporque estavamaispróximodalei,afiliadoaela.Suafunçãoprecípua, então,passaa ser
a de modelarmoralmenteosalunos,alémde asseguraraobservânciadospreceitoslegais
maisamplos,aosquaisos deveresdosescolaresestavamsubmetidos.
O mundotemmudado,princípiose valorestambémmudaram, dandoorigemaumnovo
tempo,noqual crianças e adolescentestêmassumidonovos“lugares”nasociedade.
Vasconcellos(1998:23-24) explicaque taismudançastêmocasionadovárioselementosque
afetamdiretamenteaspessoas,como“crise ética”,“concentraçãode renda”,“economia
recessiva”“desemprego”e “subemprego”.Comtudoisso,gerou-se uma“crise dossentidose
dos limites”(VASCONCELLOS,1998:24-26), que repercute naescola,oumelhor,nasala de
aula.
2.1.2 — Família
Mudanças sociaisimplicamemtransformaçõesemtodososâmbitosdasociedade,inclusiveo
da família.Considerandoanaturezasocial doindivíduo,afamíliaé o “lugar” por excelência
onde ele desenvolve,emgrande medida,suaidentidade.
Atualmente,aestruturafamiliartradicionaltemdeixadode serumparadigmaemrelaçãoà
realidade social vigente.A famíliadita“nuclear”nãoapresentamaisocaráter normativode
temposatrás.SegundoClarice EhlersPeixoto,noprefácioque escreve aolivrode Françoisde
Singly(2007:16) e sintetizandoaprópriaopiniãodestesociólogo:“afamíliamudade estatuto
ao se tornar um espaçorelacional maisdoque umainstituição”.
Em outras palavras,jánão se pensacomo famíliaapenasnaexistênciade umgrupocomposto
por pai,mão e filhos;atualmente,devidoàsmudançasnopapel damulher(nesse caso,aos
própriosmovimentosfeministas),suaemancipação(devidoaotrabalhoemcujomercadoela
temse inseridoe aocontrole dacontracepção),e a tantos outrosfatores(porexemplo,o
crescente númerode divórcio),“família”passaase referiràvivênciade umapessoanasua
relaçãocom outras,mesmonão possuindolaçossanguíneos.
Nesse contexto,inserem-se ascriançasque frequentamasescolas.Elastambémtrazemsuas
históriasde vida,produtosdosrelacionamentosfamiliarese extrafamiliares;e assimvivem
seusrelacionamentosintraescolares.
A partirdessanova realidade que se estabelece noâmbitoescolar,surge aapreensãodos
professoresrelativaà“indisciplina”dosalunose a culpaque lançam na família,comolugarde
desagregação,desestruturaçãoetc.
Partindode uma visãocaracterizadapelosestudosde Vygotsky,Rego(1996:95-97) salientaa
importânciadafamíliacomo contextooumeiode interaçãodacriança. Dessaforma,o caráter
indisciplinadooudisciplinadodoalunotambémse relacionacomseudesenvolvimentono
meiohistórico-cultural aque pertence.E,aqui,levaemcontaopapel dospais
comoeducadores(REGO,1996:97):
A família,entendidacomooprimeirocontextode socialização,exerce,indubitavelmente,
grande influênciasobre a criança e o adolescente.A atitude dospaise suaspráticasde criação
e educaçãosão aspectosque interferemnodesenvolvimentoindividuale,consequentemente,
influenciamocomportamentodacriançana escola.
A partirdaí, a autora apresentatrêsmodelosde pais:os“autoritários”,os“permissivos”e os
“democráticos”.Osprimeirosrestringemseusfilhosexigindodelesumcomportamento
“exemplar”,de maneiraque sãoinibidoresdascriançase de suasiniciativas;osegundogrupo
refere-seàqueletipoque nãoimpõe regrasaosfilhos,permitindoque elesfaçamoque
queiram;oterceirogrupotrabalhacom as crianças de maneiraa respeitarsualiberdade,mas
se importammaisem desenvolvernosfilhossensode responsabilidade(REGO,1996:97-98).
Resumindo,o conceitode “família”atualmente develevaremcontaa multiplicidade relacional
emque se inseremascrianças;consequentemente,seusvalores,crençase comportamentos.
2.1.3 — Escola
“Ir à escolapraquê?”Podemoscomeçaressareflexãosobre asmudanças naescolacom essa
perguntaque,háalgumasdécadasatrás, seriafácil de ser respondida.Vasconcellos(1998)
apresentamudançasfundamentaisque têmocorridonoBrasil,noque se refere àescolae ao
professor,nosúltimos30/40 anos.Começarelatandoque,antes,aescolaeravalorizada
socialmente e vistacomoumaformade ascensãosocial;oprofessoreravalorizado,possuía
certo “status”,sendoconsideradoummediadordaascensãosocial,e sua formaçãoera mais
consistente emrelaçãoasua realidade;a remuneraçãodoprofessoreramaiscondizente com
sua função;ele eravistopelaescolacomouma pessoaprivilegiadaparaa transmissãode
informações;aescolatinhatotal apoioda famíliaemrelaçãoà educaçãode seusfilhos;a
“clientela”que freqüentava aescolatambémtinhamaisfacilidadeemacompanharos
conteúdosque ali eramensinados.
Em contraste com esse passado,Vasconcellos(1998:22-23), apontaas transformaçõesradicais
nas últimasdécadas,comooaumentodo númerode escolasparasuprira demandaporum
lado,e quedada qualidade doensino,dooutro;aumentode vagasnoEnsinoFundamental e
Médionas escolaspúblicase noEnsinoSuperior,nasescolasparticulares;aformaçãodo
professorumtantovaga e fragmentada;a“diminuiçãodrásticadosaláriodoprofessor”;falta
de condiçõesde trabalhonoque se refere aomaterial pedagógico,equipamentos,instalações
etc.
Os dadosacima descritos,e que denunciamoque oautor denominade “crise de identidade
da escola”,revelamasdificuldadesque os profissionaisdaeducaçãotêmsentidoemrelaçãoa
como lidarcom osnovostempose,de maneiraespecífica,como“novoaluno”
(VASCONCELLOS,1998:25).
Groppa Aquino(1996:43) tece certascríticas ao modelotradicionalde escola:
Tambémé possível deduzirque aestruturae o funcionamentoescolaresde entãoespelhavam
o quartel,a caserna;e o professor,umsuperiorhierárquico.Umaespécie de militarização
difusaparecia,assim,definirasrelaçõesinstitucionaiscomoumtodo.
Tambémele consideraesse modelo“elitistae conservador”(GROPPA AQUINO,1996: 44). Isso
significaque é necessáriorepensaronossomodode vera escola,nãomais segundoaforma
antiquadae conservadora,mas,sim,comoespaçodemocráticoda inclusãodasmaioriasantes
excluídasdo processoeducacional.
A reflexãosobre astransformaçõesocorridasnasociedade,nafamíliae naescolaauxilia
quandose trata de entenderqual arelaçãodo desenvolvimentodacriançae sua autonomia
com todasas consequênciasdessasmudanças.Porisso,umaabordagemàquestãorelativaa
essesassuntosse faznecessáriaaose estudaro temade disciplinaemsalade aula.
2.2 — A criança
Apósalgumasconsideraçõessobre trêsaspectosconsideradosimportantesemrelaçãoà
educaçãoformal das crianças,ou seja,sobre a sociedade,afamíliae a escola,cabe agora um
espaçopara a reflexãoarespeitododesenvolvimentodacriança,no sentidode compreendê-
la cada vezmaiscomo sujeitodoprocessoeducacional e,porconseguinte,comoo
elementofundamentalparaa questãodadisciplinaemsalade aula,é claro.
Doisteóricossãomuitoimportantesquandose falaemdesenvolvimentoinfantil,para
compreendê-lonocontextodaescolae dadisciplina:JeanPiaget(1896-1980) e Lev
SemyonovitchVygotsky(1896-1934).
2.2.1 — JeanPiaget
A obra desse pesquisadoré fundamental parase refletirarespeitodocomportamentoda
criança emsala de aula.Primeiramenteporque esseambiente acolhepessoascomdiversas
experiênciasque deverãosertrabalhadaspeloprofessorpedagogicamente;mastambém
porque,nasala de aula,há o ambiente paraa contribuiçãodaformação da autonomiados
alunos.
Baseadoempressupostoskantianos,Piagetdesenvolveuateoriade que a formaçãoda
moralidade dacriançase caracterizapor três“momentos”:o da anomia,oda heteronomiae o
da autonomia.
A anomiadizrespeitoàfase da criança recém-nascida,que nãoestásubmetidaanenhuma
regra,mas, completamente,aumestadode egocentrismo,sendoelao“centro”do mundoe
cujas necessidadesdevemsersatisfeitas.ComodefineAraújo(GROPPA AQUINO,1996:107):
Utilizandooexemplodacriançarecém-nascida,elaencontra-senaanomia,numestadode
egocentrismoradical emque nãose diferenciadomundo,semperceberaexistênciados
outros,semsaberque existemregrasde convivênciasocial — coisasque devemounãoser
feitas.
É importante observarque odesenvolvimentodojuízodacriança tambémé compreendidopor
Piagetsobo panode fundodostrabalhosde Durkheime de Bovet.Nãoentrandoaqui nos
detalheselaboradosporcadaum, basta,porém, perceberoque elestêmemcomum:
“consideramosentimentodobeme a consciênciadodevercomoaspectosessenciaisparase
compreenderaação miral”e mais:“quandoDurkheime Bovetfortalecemopapel da
autoridade comoúnicafonte para a sua constituiçãodamoral,acabam por submeterobem
ao dever”.ComissoPiagetdemonstraasua cumplicidadecomosautorescitadosemrelaçãoà
moral autônoma,resultadodaação da criança em ultrapassara moral do dever,heterônoma,
que procede daautoridade dapessoaadulta.Esse é umdesenvolvimentointerno,segundoo
qual a criança se sente obrigadaa“agir autonomamente de acordocomo bem” (GROPA
AQUINO,1996: 109). Essas são as conclusõesde Piagetconcernentesaoassunto;comoele
escreve (PIAGET,1994:91):
Em suma,quer noscoloquemosnumounoutrodosdoispontosde vistade Durkheime de
Bovet,é precisodistinguir,paracompreenderosfatos,doisgruposde realidadessociaise
morais:coação e respeitounilateral,de um lado,cooperaçãoe respeitomútuo,de outro(...).
Piagetescreve arespeitodaconvivênciacomos“outros”,isto é,na família,nasociedade,
como o contextode onde acriança aprende regrasmediante acoação. Ele a define
como“unilateral”porse caracterizar pelaordemimpostapelosadultos.Dessaforma,o
pequeninopassadaanomiaparaa heteronomia.
Mas, o últimoestágiorelativoaodesenvolvimentodojuízomoral é significativoquandose
trata de estabeleceraautonomiadaconsciênciaque agirá,nãomaispelodever,masporsaber
o que é certoe errado,e porrespeitoaosoutros.
Kamii (1994:106), quandoescreve sobre aautonomiacomofinalidade daeducaçãotendoem
vistaa teoriade Piaget,formulaumquestionamentosobre comoalgunsadultospodemse
tornar moralmente autônomos:
A respostade Piagetparaessaperguntaera a de que osadultosreforçama heteronomia
natural das crianças,quandousam recompensase castigos,e estimulamodesenvolvimentoda
autonomiaquandointercambiampontosde vistacomascrianças.
Na sequência,elademonstraasconsequênciasdapuniçãoe da troca de pontode vistacom a
criança. Em relaçãoà punição,estatemcomo consequênciaofatoda repetiçãodoatopela
criança, masdestavezevitaráser pega,poiso medoestáemserdescoberta;a criança se torna
uma criança conformista,obedecendocegamente aoque lhe é impostoe,comisso,não
precisarátomar decisões,bastandoobedecer;e arevoltacomosendomaisuma das
consequênciasdapunição.Estaúltimapode se apresentarquandoascrianças,que sempre
forampunidas,masque sempre tiveramumbomcomportamento(talvezpormedode serem
castigadasou por seremconformista) resolvemse revoltar,cansadasde obedeceraoutrose
decidindoseguirporcontaprópria,apresentandocaracterísticasde indisciplinacontraaqueles
aos quaisse submeteram,paise professores.Estaatitude fazcomque elassaiamdo
conformismo,masnãode maneiraautônomae simcom sentimentode revolta,poisháuma
“vasta diferençaentre autonomiae revolta”.Comissonota-se que apuniçãoreforçaa
heteronomiae nãopermite que ascriançasdesenvolvamaautonomia(KAMII,1994:106-108).
Segundoaautora, Piagetdizque nãose pode “evitartotalmente apunição”,istoé ,não é
possível permitirque acriança faça o que bemquiser,tendoemvistaosperigosde algumas
ações,e se elao fizer,teráas suasconsequências.Dessaformafazuma“distinçãoentre
puniçãoe sançõespor reciprocidade”.Punir,paraPiaget,é nãofazerrelaçãoentre o ato
praticado e o castigo:“privara criança da sobremesapordizermentirasé umexemplode
punição,poisa relaçãoentre mentirae sobremesaé arbitrária”.Jásançõesporreciprocidade,
relacionamoato com a “consequência”domesmo.Énesse pontoque se deve aplicar a“troca
de pontode vistacom a criança” para o desenvolvimentodaautonomia.Kamii apontaquatro
dos seisexemplosde sançõesdadasporPiaget,entre elas:“exclusãodogrupo”:isolandoa
criança do grupoquandoestanão se portaadequadamente,atrapalhandoosdemais;“apelar
para a consequênciadiretae material doato”:quandose dizque não se poderáacreditarmais
na criança quandoestadisserumamentira;“privara criança da coisaque elausoumal”:
quandoa criança usa determinadosbrinquedos,porexemplo,e aprofessoracolocaregras
para que sejamobedecidase acriança não as cumpre,elaé impedidade se utilizarnovamente
do brinquedoaté que se julgue que elaé merecedora.Epor fimoquarto exemploé oda
“reparação”: quandoa criança, por exemplo,estragaumtrabalhode umcolegae a professora
pede que oculpadoa ajude aconsertá-lo.A autora finalizaessacolocaçãosobre oúltimo
exemplodizendoque “quandoascriançasnão têmmedode serpunidas,elasse manifestam
espontaneamentee fazema reparação.”(KAMII,1994:107-111).
Ao se abordar o assuntoda indisciplinaemsalade aula,a obra de Piagetsobre a formação
moral da criança se torna relevanteaoproporcionaraoprofessorinstrumental importante
para a compreensãoe,maisque isso,odiscernimentodoalunocomopessoa,talvez
“indisciplinada”,masnão“imoral”(Araújo,1996:110), jáque ele trazseusvalores,oriundos
das relaçõesfamiliarese extra-escolares.
E, também,tal conhecimentopoderáserútil aoprofessoremsalade aulapara realizarseu
projetopedagógiconosentidode estimularoalunoa desenvolverconsciênciaautônoma,ou
seja,queoleve aseruma pessoade boa convivênciasocial,que respeiteaspessoasporque
issoé o certoa fazere não porque sejaobrigadoatal, e que contribuapara uma sociedade
melhor.Nesse caso,oambiente de salade aulaseráadequadocomoo “espaçoda
autonomia”.Mas issoserádiscutidodetalhadamente nocapítuloIII.
2.2.2 — LevSemyonovitchVygotsky
Grande estudiosoe representante do“interacionismo”,tendênciaque acreditaque apessoa
se desenvolve nainteração,naação recíproca, com a sociedade,sendoela,portanto,
fortemente marcadapelahistóriae pelaculturanaqual se criou.
Rego(1996:91-95) apresentaalgunsaspectosdopensamentodoescritorrussoque são
fundamentaisparase compreenderaformaçãoda pessoa.Sãoeles:a linguagem, “opapel
mediadorexercidoporoutraspessoasnosprocessosde formaçãodosconhecimentos,
habilidadesde raciocínioe procedimentoscomportamentaisde cadasujeito”e a
“internalização”dessesconteúdos.
Em A formaçãosocial da mente,Vygotskyapresentasuateoriaconcernenteàformaçãodo
que ele denomina“funçõespsicológicassuperiores”.Apósapresentardadosextraídosde
experiênciasrealizadasporele e suaequipe,e de discutirresultadosapresentadosem
pesquisasde outroscientistas,ele enfatizacomoa mente dacriança se desenvolve,emseus
primeirosanos,nocontatocom outras pessoasque contribueme incentivamoseu
avançopara estágiossuperiores— de maneiraparticular,issoocorre coma brincadeira
(VYGOTSKY,2007:107-124) e com a linguagem, medianteaqual a criança internaliza“as
formasculturaisde comportamento”(VYGOTSKY,2007:58).
Quandose fala sobre indisciplinaemsalade aula,os postuladosde Vygotskysãomuito
importantesparaa compreensãodacriança como pessoaque teminteragidocomum
contextosocial que,de certaforma,temlhe providode conteúdoscomosquaisse
relacionam.ComoafirmaRego:
(...) É possível afirmarque um comportamentomaisoumenosindisciplinadode um
determinadoindivíduodependeráde suasexperiências,de suahistóriaeducativa,que,porsua
vez,sempre terárelaçõescomas característicasdo grupo social e da épocahistóricaemque
se insere.
Assim,ocontextosocial,históricoe cultural,maisodesenvolvimentodacriançaao apreendê-
lopor intermédiodalinguagem(sobretudonainternalizaçãode signoslingüísticos) e do
brinquedo,sãofatoresimportantesparaa compreensãodoaluno,nãonosentidode se acusar
tal e tal ambiente comoo“responsável”porsua“indisciplina”,mascomoimportante
instrumentopeloqual sejapossível aconstruçãode “pontes”que visemàformaçãodo aluno
mediante suainteraçãocomo ambiente escolar.Éoque tambémserá discutidonopróximo
capítulo.
cAPÍTULO iii
O professore a indisciplinaemsalade aula
Depoisdatentativade se definir“disciplina”e “indisciplina’(oque foi realizadonocapítuloI) e
de procurar entenderosmotivosque levamáindisciplinaemsalade aula(capítuloII),é
importante que se reflitaarespeitodasatitudesdoprofessorfrente aoproblema,de modo
que sua reação sejaconstrutivae inseridaemumprojetopedagógicoque vise o
desenvolvimentodosalunos.Paratanto,trêspontosde discussão serãoabordadosneste
capítulopor se entenderseremrelevantes:primeiramente umareflexãosobre osconceitos
“autoridade”e “autoritarismo”;aseguir,outradiscussãoa respeitodaimportânciade se
compreendercomose dáa construçãoda identidade dacriança;e,como terceiroponto,de
que maneirao professorpoderáusara indisciplinacomoinstrumentopedagógico.
3.1 — Autoridade ouautoritarismo
É comum a confusãoque ocorre entre “autoridade”e “autoritarismo”.Quantasvezes,emsala
de aula,o segundoconceitoé aplicadopeloprofessorimaginandoque estáexpressandoo
primeiro.Porisso,é relevanteumareflexãosobre ambos,paraque oprofessortenha
consciênciae a habilidadenecessáriaparainteragire/oureagiraosalunosditos
“indisciplinados”.
A concepçãoque normalmente se temde autoridade emsalade aularelaciona-seaoda
posiçãodo professorcomoalguémque impõe aordeme o respeitomediante sançõese gritos.
Geralmente,esseconceitovincula-se aumaideiadeescolaque pertence aopassado,aoutra
realidade,quandoosalunoseramcontroladospelosistemaescolaremseuscorpose falas,
como bemapontaGroppa Aquino(1996) ao mostrar, comoexemplo,osistemaescolarcomoé
apresentadopelasRecomendaçõesdisciplinaresde 1922. Tal descriçãoé consideradapelo
autor citadocomo “militar”e expressava,nafiguradoprofessor,aencarnaçãoda ordeme da
disciplina.Comoeleescreve(GROPPAAQUINO1996:43):
É presumível,portanto,que asrelaçõesescolaresfossemdeterminadasemtermosde
obediênciae subordinação.Oprofessornãoerasó aquele que sabiamais,masque podiamais
porque estavamaispróximodalei,afiliadoaela.Suafunçãoprecípua,então,passa a sera de
modelarmoralmente osalunos,alémde asseguraraobservânciadospreceitoslegaismais
amplos,aosquaisos deveresescolaresestavamsubmetidos.
Tal conceito,porém,trazproblemassériosàformaçãodosalunosporque idealizaumsistema
escolardo passado(e,diga-se de passagem, deficiente) emrelaçãoauma realidade
completamentediferente.Eisaqui a grande questão:trataruma situaçãodo presente com
“soluções”dopassado.
Em outras palavras,oque está descritoacimase define como“autoritarismo”e nãocomo
“autoridade”.
Aindanesse sentido,Araújo(1996),tendoporbase os conceitosde heteronomiae de
autonomiaemJeanPiaget,apresentaumacríticaao modo que eleentende ser“autoritário”e
que caracterizamuitasposturase ideaisde professores,quandoessesentendemque uma
classe “disciplinada”é a que corresponde aseusinteresses
Comovimosno capítuloI, noqual Vazapresentaoresultadode entrevistasefetuadascom
ADIs,emcreches,e professorasde EMEIsa respeitodadisciplinadascrianças,que,segundoa
qual,elaconstataa ênfase teóricanumaformaçãodemocráticacomo objetivode fazercom
que a criança atinjaa autonomia.Éprecisosalientaroque Vazescreve sobre a“ênfase
teórica”,pois,muitosprofessoresconhecemateoriade comose deve agiremsalade aula,
mas na hora de por emprática a coisa é outra: agemde maneiraautoritária,impondoasua
vontade,pensandoque estãoexercendosuaautoridade.Vaz,porém,percebenapráticaos
procedimentosque envolvemasrestriçõesaque as criançassão submetidasacabam
enquadrandoascrianças numsistemanormativoque asdesconsideracomocrianças“reais”
emnome de uma idealizaçãoque se fazdelas,caracterizandooprocessoeducativocomo
“passagem”de um nível a outro.Comoa autora observa:“A ideiade ‘passagem’,recorrente
nas representaçõesdasprofessorase ADIs,sugere nãoexistir,nessaspráticas,tempoe espaço
para a criança de ‘aqui,agora’”. (VAZ,2005)1.
A esse respeitoD’Antola(1989:50) tambémobservaque:
(...) nossasescolastêmumatradiçãoautoritária.Nelas,opoderde decisãoestásempre
colocadona autoridade hierarquicamente superiore asrelaçõesse dãode cima para baixo.
(...) Ora,os alunossãoos sujeitosaquemas açõesda escolase destinam.Porque nãotomam
parte nas decisõesque osenvolvem?
A respostaconvencionalé ade que só oseducadorestêmcompetênciaparadecidiroque é
melhorparaos alunos(...).
Será que as relaçõesde poderemnossasescolasestãofuncionandode acordocomesses
padrõesde competência?2
E logo a seguira autora responde negativamente,poismostra comooprocedimentodesses
profissionaisdaeducaçãoaindase prende aum modelotradicional autoritáriaque nãotraz
benefíciosaosalunosemtermosde desenvolvimentosaudável.
Daí elaobservaremváriosprofessoresadiferençaentre teoria(democrática) e prática
autoritária(D’Antola,1989) e propõe o que eladenominade “climademocrático”,noqual,
deveráexistiraparticipaçãoe a vozdo alunoaté na elaboraçãode regrasa seremseguidasna
escola.Nesse contexto,oprofessorcontinuasendooeducador,possuindoautoridade,mas
usandodelade formarespeitosaemrelaçãoaoalunoe nãoimpositivae ditatorial,como
ocorre nocaso de autoritarismodomodeloescolartradicional.
Abrirespaçopara o diálogoe a cooperaçãoentre alunose professores,não significaminimizar
a autoridade dessesúltimos,nemcairnaanarquia.Significaapenasrespeitareconsideraros
alunoscomosujeitosdoaprendizadoe nãoapenasobjetospassivosdoatode “aprender”.
Essa é a opiniãode outroeducadorque deixousuasmarcasna história:PauloFreire.Paraele,
“autoridade”,porum lado,nãosignifica“autoritarismo”e,poroutro,não querdizer
“libertinismo”.
PauloFreire discute arespeitodesseslimitesentre umconceitoe outro.Emoutras palavras,é
necessárionãoconfundir“liberdade”com“desordem”.Comoele escreve (FREIRE,1996:105):
O grande problemaque se colocaao educadorou à educadorade opção democráticaé como
trabalharno sentidode fazerpossível que anecessidade dolimite sejaassumidaeticamente
pelaliberdade.Quantomaiscriticamentealiberdade assumaolimitenecessáriotantomais
autoridade temela,eticamente falando,paracontinuarlutandoemseunome.
E mais adiante (FREIRE,1996:108), afirmaestaideia:
O que sempre deliberadamenterecusei,emnome doprópriorespeitoàliberdade,foi sua
distorçãoemlicenciosidade.Oque sempre procurei foi viveremplenitudearelaçãotensa,
contraditóriae não mecânica,entre autoridade e liberdade,nosentidode assegurarorespeito
entre ambas,cuja rupturaprovoca a hipertrofiade umaoude outra.
Se autoritarismonãodeve caracterizara relaçãoentre professore aluno,autoridade e,
portanto,limites,sãofundamentaisparaoexercíciode relaçõesdemocráticasnaescola,
asquaisbeneficiarãoalunose professores.
3.2 — Construindoaidentidade dacriança
Ao refletirarespeitodotema“autoridade ouautoritarismo”,tinha-se emmente“prepararo
terreno”para se discutirsobre a relaçãodo professorcomos alunosemsalade aula.A
aplicaçãoda autoridade,porém,deve-se aoconhecimento(quantomaismelhor) dacriançae
do desenvolvimentode suaidentidade.Eesse é o assuntodeste item.
Apósapresentara aplicaçãoque JeanPiagetfazdosconceitoskantianosde heteronomiae
autonomia,Araújo(1996:114) defende que oprofessorcontribua,emsalade aula,para que os
alunosconstruamuma identidade autônoma,pautadanos“ideaisdemocráticosde justiçae
igualdade”.Paraesse autor,taisprincípiossãoaplicáveisquandooprofessordáa liberdade
para os alunosparticiparemativamente daelaboraçãode regrase de um comportamento
cooperativo,fazendo-ossentiremque tambémsãorespeitados.Aomencionarduasposturas
do professorexistentesnocontextode salade aula,aautoritáriae a democrática,ele escreve
(ARAÚJO,1996:111):
Acreditoque se deve buscarumaperspectivaque rompaessadicotomia.De acordocom o
referencial teóricoapresentado,issosóserápossível coma democratizaçãodasescolas,a
partir de relaçõesde respeitomútuoe reciprocidade que modifiquemavisãosobre opapel
que as regras devemexercernasinstituições.
Sobre aquestãode cooperação,De La Taille (2000:113) escreve que acriança deve viverem
ambientesque nãoapenassejamdirigidospelaautonomia,masque proporcionemasua
participaçãona mudançados destinosdosprópriosambientes.Oautordeixaclaroque é a
partir da cooperaçãoque a criança terá incorporadoa autonomiaemsuapersonalidade,pois
“só assimilamosoque experimentamos”.Cooperarneste casonãoteriao sentido de “ajudar”
e sim,de fazerjuntocom o outro,serautor em uniãocomo outro e,ao estabeleceressas
relaçõesde cooperaçãoe de construçãode regras,a criança envolve todaasua personalidade
e passaa respeitaressasregrasconstruídasconjuntamente. Épormeiodacooperação que a
“criança aprende a organizarseusargumentose a escutare compreenderosdasoutras
pessoas”.A cooperaçãopara De La Taille,portanto,significa“acordo,diálogo,envolvimentoe
compromisso.Eautonomiaé respeitopelooutroe exigênciade serrespeitado”.
Quandoo autor escreve que aautonomiaé respeitopelooutro,ele se refere aosurgimentode
um sentimentoadvindodaadmiração,dadependênciae domedo:orespeito,oqual a criança
sente pelospaisquandoestesasubmetem“àssuasordens,àssuasvontades,àssuas
punições”e “ao respeitarospais,tende aassumirseusvalorese a obedeceràssuasordens.
Ora, o sentimentodorespeitomoral equivale aosentimentode obrigatoriedade”(De LaTaille,
2000:92). Sendoassim,acriança se sente nodeverde respeitarooutro.Esse sentimentode
respeito,comocolocao autor,temorigemna relaçãoentre o adulto(paise/ouprofessores) e
a criança, quandoaquele exerce sobreestaafunçãode autoridade,colocandovalorese
limitesàssuasações.De La Taille enfatizaque odesenvolvimentodacriançaemdireçãoa
autonomianasce dessarelação,que paraPiaget,é “pedagogianecessáriaparaa entradada
criança no mundoda moralidade“e que tambémdepende de outrasrelaçõese maneiras de
colocá-los(De La Taille,2000:92-93).
Antesde abordar taisrelações,De La Taille deixaclaroque,emboraacriança devater
experiênciasde relaçõesde autoridade comumaeducação“bempensadae bemfeitadesde a
maistenra idade”,issonãoimpede que umadolescente,que nãoteve essasexperiências,não
possater a sua educaçãomodificadaradicalmente frenteanovassituações,decorrentesdas
relaçõescomo outro e com acontecimentosnasociedade,aqual tambéminterferenasua
formaçãoe que “exige”essamudança.
As relaçõesentre oadultoe a criança, e a maneirade colocaros limites,abrangemtrêstipos
de educação que se referemaotema“autoridade”e “autoritarismo”:a“educação autoritária”
(caracterizadapela“imposiçãode regras”,castradora, noindivíduo,de qualquerautonomia);a
“educaçãopor ameaça de retiradade amor” (chantagememocional que certospaise
professoresfazemcomacriança para que elalhessejasubmissa) e a“educaçãoelucidativa”
(que consiste emordeme/ourepreensãoque trazosmotivose as consequênciasdasatitudes
censuradas) (De La Taille,2000:95-96).
SegundoDe La Taille,a“educação elucidativa”possui trêsdimensõesfundamentaisparaque o
desenvolvimentomoral dacriança ocorra de modosatisfatório.Primeiramente,é importante
que a criança experimente osvaloresque lhe sãotransmitidosnosrelacionamentoscomseus
paise professores(emoutraspalavras,elesdevemviveroque ensinam).Tambémé de se
esperarque elaparticipe de atividadesde cooperação,comojá mencionadoanteriormente.E,
finalmente,que paise professorestrabalhemaafetividadedascrianças,valorizandoobeme
rejeitandooque forprejudicialaoseuconvíviocomo outro (De La Taille,2000).
Esse trabalhode explicaçãodasrazõesdaordeme da repreensãoé umaformaque se
aproximamaisde uma educaçãodemocrática,semautoritarismoe sim, comautoridade,
emboranão sejaumarelação autênticade democracia,poisordeme repreensãosão
colocadaspara a criança sema participaçãoda mesma,noentanto,possibilitamque ela
alcance e valorize aigualdade essencialparaa autonomia.
3.3 — Um novoolharsobre a “indisciplina”
O pontoa que se querchegar neste trabalhode pesquisaé justamente ode propor
aosprofessoresalgumasatitudesque visemsolucionarproblemasde indisciplina.
Groppa Aquinoargumentaque é necessárioque asescolasre-criemseusconteúdose
métodosparaque se torneminteressantesparaosalunos(AQUINO:52-53).E o professorteria
como papel tornarconcreto,na escolae para osalunos,todoaparato conceitual que deverá
serutilizado.E,dessaforma,disciplinanãodeveráserconsideradasinônimode “silêncio”,mas
de aprendizagem,mesmopormeiode umcomportamentoque se expresse como“barulho”e
“agitação”. Ele escreve:
É presumível,portanto,que umanovaespécie de disciplinapossadespontaremrelações
orientadasdestamaneira:aquelaque denotatenacidade,perseverança,obstinação,vontade
de saber.Um outrosignificadomuitomaisinteressante paraoconceitode disciplina,não?
(AQUINO,1996:53).
Tal abordagemao tematorna-se interessante pormanifestarumarepresentaçãodoambiente
escolarmaispróximodarealidade atual.
Tambémfoi possível percebercomoosnovostemposdemandamnovasformasde se lidar
com a indisciplinaemsalade aula,considerandotodasasmudançasocorridasna sociedade e,
consequentemente,nafamíliae na própriaescola.Seguemalgumasobservações.
É possível que,emmuitoscasosde indisciplinaemsalade aula,oproblemaestejanométodo
pedagógicousadopeloprofessor.Deve-seperguntarcomoele fazoplanejamentode suaaula,
se orealiza,ouse tempor hábitoimprovisá-lo.O“diz-que-diz”semobjetivoespecíficotornaa
aulaentediante e,claro,muitosalunosnãoagüentamficarparados.
Tambémé importante que oprofessoracredite noque faz.Semessafé e o amor à sua
profissão,ele mesmopoderácontribuir,semoquerer,paraque a aula se torne um “inferno”.
Abrirespaçospara a interaçãodos alunose aproveitarsuasenergiasparaa elaboração
conjuntae a realizaçãode projetospedagogicamente viáveis.Assim, comoescreveGroppa
Aquino(1996:53):
(...) A partir daí, o barulho,a agitação,a movimentaçãopassamaser catalisadoresdoatode
conhecer,de tal sorte que a indisciplinapode se tornar,paradoxalmente,ummovimento
organizado,se estruturadoemtornode determinadasideias,conceitos,proposiçõesformais.
Gentile (2002) entrana questãodoagir democráticonarelaçãodo professore aluno.Esse
modonão se limitaa lidarcom o problemade disciplinae indisciplina,masde compreendero
alunocomo serhumanoque traz sua própriaformaçãosócio-cultural e familiar.A partirdessa
disposição,compete aoprofessorconstruirpontesque façamaligaçãoentre ele e a pessoado
alunoemum processode interaçãoemque amboscontribuampara a efetivaçãodo
amadurecimentoe desenvolvimentodoaluno.Cabe aoprofessorse disporaconhecere
sensibilizar-secoma necessidadedoaluno,procurandodialogar,discutirsobre ocasode
indisciplinae,se precisofor,aplicarsançõesque dizemrespeitoaoatoem questão.Segundoa
autora (GENTILE,2002)3:
O professorprecisadesempenharseupapel oque inclui disposiçãoparadialogarsobre
objetivose limitaçõese paramostrarao alunoo que a escola(e a sociedade) esperamdele.Só
quemtemcertezada importânciadoque estáensinandoe dominaváriasmetodologias
consegue desataressesnós.(...) Otruque é transformara contestaçãoemaliada,dando
atençãoao joveme ajudando-oaentenderoque o incomoda.
Nesse contexto,nãocaberiamaisaoprofessor“colocara criança sentadaemum lugarpara
pensar”,pois,consciente de seupapel comoeducador,ele sabe dasimplicaçõesdesseato,
que não proporcionaa autonomiadacriança por seruma atitude autoritária,nãoa respeita
como umser emformação e impede oseudesenvolvimento.
Vasconcellos(s/d)4emseuartigoOsDesafiosdaIndisciplinaemSalade Aulae na Escola,dá
algumassugestõesarespeitodoprocedimentodoprofessoremrelaçãoaoaluno:cuidarpara
não cair emmodismos,maslevarideiasasério;anecessidade de se estabelecer“sentidoe
exigência”naconstruçãode um projetopedagógicoque sejarelevante paraarealidade dos
alunose para o próprioprofessor,considerandoaformaçãocrítica de cada um no que se
relacionaaosdiversosaspectosde suavida;estabelecer“sentidoparaoestudo”
(VASCONCELLOS:243),percebendooprofessorqual sejaaimportânciaque suafunçãode
educadore que a própriaescolapossuemparaa transformaçãoda realidade (VASCONCELLOS:
243-244)5.
Um ponto que se torna relevante paraVasconcelos6é o temado respeito.Oprofessor
conseguirálidarmelhorcoma questãode indisciplinaemsalade aula,e,portanto,com o
estabelecimentode disciplinaaoganharo respeitode seusalunosmediante aconfiançaneles
como pessoasque têmcapacidade de crescere produzir.Issosignificamudançade
perspectivasmetodológicas,passandode umavisão“metafísica”doensino(“issoé ounãoé”)
para uma dialética(“issoé e nãoé”) (VASCONCELLOS:246-247).
Levandoa sérioo seupapel de educadorinseridonarealidade de seuseducandos,veráo
mestre que essainteraçãoe a abertura de espaçopara atuação (“indisciplinada”) deles,agora
utilizadanoprojetopedagógicopormeiode elaboraçãoconjuntade regras,de atividadesetc.,
apenasmostrará com maiorclarezaa autoridade que ele tememrelaçãoaosalunos,oque
criará um ambiente noqual ele serárespeitado(VASCONCELLOS7).
É claro que a discussãoemtornoda autoridade doprofessore doautoritarismo,realizadano
iníciodeste capítulo,tambémteráaqui o seudesfecho.Combase norespeitoe nomodosério
com que demonstrarsuaatençãoà importânciade seupapel de educador,oprofessor
exercerálegítimaautoridade,comopessoaque agirásegundo“anecessidade dogrupo
naquele momentoe tendoemvista,commuitaclareza,osobjetivosque se buscam, parater
critériosde orientaçãoparaa tomadade decisão”(VASCONCELLOS:248)8.
Consideraçõesfinais
Utopiaé o lugar que nãoexiste,umideal comoqual sonhamos,masnempor issopode
continuardeixandode existir,é precisoteroolhar voltadoparaesse “lugar”,o horizonte aser
alcançado,para que se sejaimpulsionadopelavontade de chegarlá,procurandocaminhos
que permitamatingiresse alvoessameta.
Pode-se dizerque esse é ocaminhopropostoporessapesquisa:contribuircomalgumas
observaçõesparaque o professorvenhaalidarcom o problemadaindisciplinaemsalade
aula.
Diante da questãodadisciplinae daindisciplinaemsalade aula,e de sua dura realidade paraa
maioriadosprofessores,buscou-se delimitaroproblemaperguntandocomoosprofessores
poderiamsolucionarproblemasde indisciplinanaeducaçãoinfantil,pormeiodaconstrução
de limitesbemclaros.Abordaram-seascausasde comportamentosindisciplinadosemsalade
aula,e considerouaformaçãoda criança emseu contextomaisamplo,ouseja,oda sociedade
e,consequentemente,dafamíliae daescola.
Delimitadooproblema,buscaram-se paraele possíveis soluçõesmediante umareflexãosobre
autoridade e autoritarismo,aconstruçãodaidentidade dacriançae osprocedimentosque
seriaminteressantesparaque oprofessorlidasse comaquestãodaindisciplinaemsalade
aula.Constatou-se anecessidade dare-elaboraçãode conteúdose métodospelaescolae
pelosprofessores,dapaixãodoprofessorpeloque faz,daaberturade espaçospara a
interaçãocom os alunos,implicandoemaçõesconjuntasde cunhodemocrático,pelasquaisse
deixariaevidentearesponsabilidadedosalunosparaelesmesmos,aolidarcomsituaçõesde
disciplinae,principalmente,paracultivarorespeitounscomosoutros
Não existemfórmulasmágicasparaa resoluçãode problemasdessaordem;mas,pode haver
força de vontade nopotencial transformadordodiálogo,daamizade e daresponsabilidade.O
caminhonão é curto e muitomenosfácil,porém, fazparte de umprocessode pequenos
passos,masde passosconcretos,decisivos,conscientese crendoque a disciplinaemsalade
aula,iniciando-sepelaeducaçãoinfantil,poderádeixarde serumautopia,transformando-se
empossibilidade.
ReferênciasBibliográficas
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DE LA TAILLE, Yves.Limites:três dimensõeseducacionais.3ªed.SãoPaulo:EditoraÁtica,2000.
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PIAGET,Jean. O juízo moral na criança. 4ª ed.São Paulo:Summus,1994.
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(Família,geraçãoe cultura).
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(Psicologiae pedagogia).
Dicionário
FERNANDES,Francisco.DicionáriobrasileiroGlobo.30ªed.São Paulo:Globo,1993.
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. Acessoem:06 mar. 2010.
VAZ,Solange.A criançaproblemae a normatizaçãodo cotidianodaeducaçãoinfantil.Centro
de EstudosSobre Intolerância - Maurício Tragtenberg,s/d.Disponível em:.Acessoem:02
out.10.
INDISCIPLINA ELIMITES NA EDUCAÇÃOINFANTIL:
São José dosCampos
Junho/ 2012
Universidade Anhanguera–Uniderp
Centrode Educação a Distância
HeloisaHelenaPontesdoAmaral – 2314341809 – SJC
KleberAlexandrede Paula–4336819542 – SJC
Márcio FranciscoMartins – 3306507054 – SJC
Maria CristinaRamosMarinho – 2307349443 – SJC
Thalitade Castro Braga VilasBoas – 2320370304 – SJC
INDISCIPLINA ELIMITES NA EDUCAÇÃOINFANTIL:
Trabalhode ProjetoMultidisciplinarIapresentadoàprofessoraMariaClotilde Bastosda
Faculdade Anhanguera–Uniderp,polode SãoJosé dosCampos – SP para finsde avaliação
parcial nestadisciplinadocursode pedagogia.
São José dosCampos
Junho/ 2012
APRESENTAÇÃO.
Este trabalhotrata-se de umprojetopara alunosda Educação Infantil sobre Indisciplinae
Limites,umcontextomuitorico,porémpoucousadonosdiasde hoje.INTRODUÇÃO.
Foi feitaumapesquisaàrespeitode tema:“Indisciplinae LimitesnaeducaçãoInfantil.Tema
este muitocomentadonasescolas,porémpoucopraticado.Talvezpormedo,faltade
informaçõesconcretas,insegurançaporparte doseducadores.
Hoje é gritante a faltade disciplinadascriançasnaEducação Infantil,muitasvezesas
justificativasdadassão:hiperativismo,carênciafamiliar,faltade convíviosocial,faltade status
entre outrasmais.
Os professoresnãoconseguemimporregrasemumasalade aula,sentemmuitasdificuldades
quandose deparamcom situaçõesde agressividade,principalmentecomcriançasna faixa
etáriaentre 03 e 06 anos.
OBJETIVO.
Nossoobjetivoé fazercomque o leitortenhaemmãométodossimples,maseficazpara
aplicarno diaa diaemsuas aulas.
JUSTIFICATIVA.
Atualmente nossascriançasencontram-se totalmente semlimites,nossoseducadores
encontram-se encurraladosdiante de tantas“leis”,que muitasvezesnãoajudam, somente
complicam.Vivemosnumasociedadeque cadavezmaispede porética.Mas como agirmos
diante de taissituações,onde alei muitasvezesfavorece oaluno,deixandooprofessorsem
ação?
Nossapropostaé convenceroprofessorque ele pode e develevarparasalade aula métodos
que o auxiliaráemsuasdúvidas,e tambémconscientizarafamíliasobre a importânciado
convívioescola-família.
FUNDAMENTAÇÃOTEÓRICA.
O educadore psicólogofrancês,Yvesde La Taille temváriasmatériassobre oassunto,entre
elas:
LabirintosdaMoral, Mario SérgioCortellae Yvesde La Taille,112 págs.,Ed. Papirus.
Limites:TrêsDimensõesEducacionais,Yvesde LaTaille,152 págs.,Ed.Ática,tel.0800-115-
152, Moral e Ética - Dimensões Intelectuaise Afetivas,Yvesde LaTaille,192 págs.,Ed. Artmed.
Vergonha,aFeridaMoral, Yvesde La Taille,288 págs.,Ed. Vozes,
METODOLOGIA.
Foi usadocomo base de estudoparanossoprojetoa experiênciadoeducadore psicólogo
francês,Yvesde La Taille.Váriasentrevistasdadaporele sobre ocontexto.
Yvesé especialistaemmoral,e em umade suas palestrasfalasobre exemplosde paise falhas
das escolasnoensinode ética.Ele afirmaque ascrianças são observadoras,e mesmonão
sendocapazesde raciocinarou fazerdeduçõescomaquiloque estãovendoelaspercebemas
contradiçõesentre odiscursodospaise sua prática.A criança guarda tudo,e com o tempo
constrói seuspróprioscostumes.
As escolasde hoje nãoconseguemaplicaraéticapara seusalunos,oque se temsão regras
emexcesso.Se poracaso acontecerumasituaçãofora do que se temprevistonaescola,todos
se perdem,nãosabemcomo agir.
A indisciplinaexiste quandoaposturadoalunoé geradae alimentadanointeriordaescola.
Precisamosconstruirumambiente cooperativoe respeitosoentre professore alunoe unir
escolae família,poisassimpoderáatingirpassosimportantesparase venceraindisciplina.
A personalidade dacriançaé formadapor característicashereditáriasjuntamentecomo
ambiente familiar.
A agressividade dacriançamuitasvezesé associadapela:falta de carinhono âmbitofamiliar,
ou até mesmoquandoa famíliaé desestruturadaemocionalmenteacabarefletindono
desenvolvimentoemocional dacriança.Se a criança receberagressãoseucomportamento
com os colegasserátambémde agressividade.
Hoje o que se percebe é que os adultosestãopreocupadossomentecomquestõesindividuais,
ou seja,passamgrande parte do tempoforade casa tentandorealizarseusdesejos,(àsvezes
por necessidade,precisamtrabalhar) e acabaminconscientemente,abandonandoseusfilhos,
deixandoque outraspessoasfaçamopapel de “família”.
Na Educação Infantil apalavraLIMITE temváriossignificados.Começanopotencial de cada
criança com o grupo e vai até sua tolerânciae aceitaçãocom as regrasimpostas.
Na criança o limite sóé alcançadoquandose temum autoconhecimento.Opedagogotemo
papel de dar condiçõesparaque a criança adote umadisciplinaprópria.
A criança traz para sala de aulatudo o que sente tudoo que vivenciaemfamília.
Na salade aula,emtodomomentoé cobrado a disciplinae tambémemqualquersituação
lúdica,pode sertrabalhadooconceitolimite,portantocabe aoprofessormediarasrelaçõese
as atitudesdascrianças durante asbrincadeiras.
A criança quandoé indisciplinadanãoaceitaoslimites,nãocumpre asregras,e por muitas
vezesé agressivacomos colegas.
Para se tentar amenizarasituação devemoscomopedagogos,nosunirmose tentarmosum
trabalhoconjuntojuntamente comospais,afinal tudoé iniciadoem“casa”,e nósnão temos
autoridade diante dosalunos.
SegundoVasconcellos:
[...] oprofessorcomautoridade é tambémaquele que deixatransparecerasrazõespelasquais
a exerce:nãopor prazer,não por capricho,nemmesmoporinteressespessoais,masporum
compromissogenuínocomo processo pedagógico,ouseja,comaconstrução de sujeitosque,
conhecendoarealidade,disponha-seamodificá-laemconsonânciacomumprojetocomum
(1995, p. 44).
Devemostrazerospaispara participarmaisativamente comseufilho,navidaescolar.Fazê-los
entenderaimportânciadapresençafamiliarparaa criança.Conscientizá-losque adisciplinaé
indispensável paraodesenvolvimentodacriança,é extremamente importanteparaseu
crescimentoe seudesenvolvimentosocial,e que ensinaracriança a seguirregulamentose
regras ajudaa adaptar-se ao mundoe a terum comportamentoaceitável.Sendoassima
criança terá noçãodos direitosdosoutrose passará a respeitá-los.
Fazê-losentenderque adisciplinase constrói pelainteraçãodosujeitocomoutrose com a
realidade,até chegaraoautodomínioe que é muitoimportante amaneiracomo a família
valorizaa educação.
Para Vasconcellos:
A construçãodo relacionamentohumanoé fundamental paraoprocessoeducativo.Os
própriosalunospercebemque umaclasse unida, onde hácalorhumano,respeito,aceitação,é
motivode “dar gostovir para a escola”,ajudando,inclusive,cadauma lidarcom seusdefeitos,
com seuslimites.Nãopodemosperderde vistaque aconstrução do conhecimentoemsalade
aulanecessitadaconstrução da pessoae estadepende daconstruçãodocoletivo,base de
toda construção(1995, p. 81).
Professores,paise alunosdevemrefletirsobre aindisciplinae apresentarpontosdiferentesà
sertrabalhadosde maneiraconjuntana lutapelaqualidade educativae pelacriaçãode um
ambiente adequadoaoprocessode ensinoe aprendizagem.
SegundoFreire:
“Ninguémdisciplinaninguém.Ninguémse disciplinasozinho.Oshomensse disciplinamem
comunhão,mediadospelarealidade”(1981,p.79).
Para que possamos realizarnossoprojetoseguiremosasseguintesetapas:
1ª Etapa: Trazer para escolaospaisjuntamente comseusfilhos,realizandopalestrassobre
faltade disciplinade umaformadinâmicaonde hajainteraçãoentre todos.
2ª Etapa: Trabalharcom as crianças por meiode jogoseducativos,sempretrabalhandoa
disciplinaparaque percebamaimportânciadamesma.
3ª Etapa: Fazerpeçasde teatroenvolvendoascriançaspara que elaspercebamnaprática
como deve serumacriança disciplinada.
4ª Etapa: Elaborarcartazes com imagensdascriançasque se destacaremdisciplinadamente
durante o mêsemcada sala,e incentivarosoutrospara que elestambémpossamestarnos
cartazes.
CRONOGRAMA.
MÊS / ETAPAS
1º mês
2º mês
3º mês
4º mês
1ª Etapa: Interação:pais – filhos –escola.
Uma vez a cada 15 dias,durante o 1º mês.
2ª Etapa:
Jogoseducativos.
Uma vez porsemana,durante o 2º mês.
3ª Etapa:
Teatro na escola.
Uma vez a cada 15 dias,durante o 3º mês.
4ª Etapa:
Mural com cartazes.
Uma vez nomês,durante os quatrosmeses.
Trazer para escolaos paisjuntamente comseusfilhos,realizandopalestrassobre faltade
disciplinade umaformadinâmicaonde hajainteraçãoentre todos.
Trabalhar com as criançaspor meiode jogoseducativos,sempretrabalhandoadisciplinapara
que percebamaimportânciadamesma.
Fazerpeças de teatroenvolvendoascriançaspara que elaspercebamna práticacomo deve
seruma criança disciplinada.
Elaborar cartazescom imagensdascrianças que se destacaremdisciplinadamente durante o
mêsemcada sala,e incentivarosoutrospara que elestambémpossamestarnoscartazes.
ORÇAMENTO.
Para realizaçãodasetapasserá preciso:
Cartazes
Fotosdos alunos.
Vídeoseducativos
Palestrantes.
Grupos de teatros.
BIBLIOGRAFIA.
TAILE, Yvesde La. As Criançasnotam contradiçõeséticas.Disponível em:,Acessoem30 mai.
2012.
TAILE, Yvesde La. Nossosalunosprecisamde princípios,e nãosóde regras.Disponível em:<
http://revistaescola.abril.com.br>,Acessoem30 mai.2012.
TAILE, Yvesde La. Disponível em:<http://2.forumcec.org.br/convidado/yves-de-la-taille/>,
Acessoem01 jun.2012.
TODERO, Francieli,Disponível em:,Acessoem01 jun.2012.
RevistadoEducador,ano4 - nº42 julho2006. EditoraLua
RevistadoEducador,ano5 - nº59 dezembro2007. EditoraLua.
ProjetosEscolaresEducaçãoFundamental,ano3- nº27. EditoraOn line.
ProjetosEscolaresEducaçãoInfantil,ano3- nº29. EditoraOn line.
RevistaNovaEscola,Educação Infantil,ediçãoespecial nº9,editoraAbril 2006.
CHALITA,Gabriel,Educação:A soluçãoestáno afeto.6. Ed. SãoPaulo:Gente,2002.
PROJETO INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL - justificativa

PROJETO INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL - justificativa

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    1 JUSTIFICATIVA Esse projetonasceudanecessidade de investigarsobre otemaindisciplina,poisé umdos temasatuaisque maispreocupamos professorese todososenvolvidosnoprocessode ensino. Alémde transformar– se emdesordem, aindisciplina dificultaarelaçãocomo professor, alunoe aprendizageme pode apresentarsériascomplicaçõesnodesenvolvimentocognitivo, moral e social. Assim,pormeiodogerenciamentonaEducaçãoInfantil pode-se resguardarque todosos alunosestejamativamente envolvidosnastarefas.Deste modooprofessorprevine as questõesque desestabilizamadisciplinadasalaantesque elasocorram.O professortorna-se proativoe deixade serreativo.É necessárioque acriança inicie oseuconvíviocomregras. É interessante que,aoproporumaatividade,oprofessorjátenhapreparadoomaterial e o ambiente emque trabalharácomo grupo.Alémdisso,temque pensarotempode duração das atividades.Eaconvivêncianecessitadoestabelecimentode algumasregras. Por meiodadisciplina,acriançacomunica-se consigomesmae como mundo,aceitaa existênciadosoutros,estabelece relaçõessociaisconstrói conhecimentos,desenvolve integralmente.A salade aulaé e sempre foi umespaçoque expressacontinuidadedavida, reflexodoentorno.Se assimnãofor,nãoserá salade aula verdadeira,nãopermitiráque o alunocontextualize emsuaexistênciaossaberesque ali aprende.(ANTUNES,2005). Diante disso,gerouaseguinte problemática,Comoresolveroproblemadaindisciplinanasala de aula? É essencial que se restaure adisciplinaemsalade aula,que se faça desse valorumobjetivoa se perseguir,nãopara que a salase isole dasociedade e tambémnãoparaque a aulado professorfique maisconfortável,masantesparaque ali ao menosse aprendacomo tentar modificarocaos urbanoque o desrespeitosocial precipitou.(ANTUNES,2005) O alunoindisciplinadoé aquele cujasaçõesrompemcomasregras da escola,mastambém aquele que nãoestádesenvolvendosuasprópriaspossibilidadescognitivas,atitudinaise morais.(GARCIA,1999). Então, o alunodisciplinadoteráumbomrendimentonaaprendizageme nocomportamento ético,ouseja, autocontrole,hábitosde obediência,controle damente e docaráter,que contribuiráparao convívioemsociedade. Contudo,transformara disciplinaemum“valor”.Istoé, fazercom que sejavistacomouma qualidade humana,imprescindível àconvivênciaé fundamentalparaas boasrelações interpessoais.Este projetoé relevantesocialmente porqueoportunizarámaiorreflexãono contextodaescolae cientificamente possibilitarácompreendermelhoroprocessode indisciplinaalémde superarlacunassobre otemaestudado. Este projetoserárealizadonacreche turma do pré I no CMEI – João PauloI,localizadonaRua 13 S/N do bairro Joãode Deus.Envolvendoasdisciplinasde Português,Matemática,Ciênciase Artescom duração de quinze diasserãocolhidasasinformaçõescomaprofessoradasala investigadae acoordenadoradainstituição.
  • 2.
    2 OBJETIVOS 2.1 GERAL: Investigarotrabalhodesenvolvidopeloprofessorparaminimizaraindisciplinanasaladeaula da educaçãoinfantil,nacreche dobairro Joãode Deus. 2.2 ESPECÍFICOS: Verificarque atividadessãoutilizadasemsalade aulapara desenvolversentimentose atitudes necessáriosaconvivênciasocial. Identificarascausasmotivadorasparao comportamentoindisciplinar. Analisarfatoresinternosque podeminterferi nasquestõesdisciplinaresdaescola. 3 PROBLEMA
  • 3.
    Que fatoresque geramaindisciplinanumaturmado pré I da educaçãoinfantil,numacreche emPetrolina? 3.1 QUESTÕES NORTEADORAS Que atitudesdocentessãousadasparamelhoriacomportamental dosalunos? O que deve fazera escolapara desenvolverregras naconvivência? Que atividadessãomaisimportantesparadesenvolveraconcentraçãoe criatividade das crianças? 4 DISCURSSÃOTEÓRICA A Educação Infantil é onível educacional que,é parte integrante daEducaçãoBásica doPaís destinadaatodas as criançasde zeroa cinco anosde idade.Noentanto,este nível de ensino nemsempre ocupouumespaçorelevante naformaçãoda criança,como nos diasde hoje.Seu surgimentoocorreulentamentee foi,durante oséculoXIX,mediante significativas contribuiçõesteóricase dasmudançaspolíticase econômicasdaépoca,que se iniciouseu desenvolvimento. É nestafase que a criança aumentasuasrelaçõessociaise adquire noçõesde convivênciacom o coletivo.Começatambémadesenvolverasnoções de valores,de justiçae de moralidade,e a aprimorar seudesenvolvimentoaprendizagem, motore cognitivo.Nestaprimeiraetapada Educação Básica,onde as crianças estãono iníciode seudesenvolvimentosocial,asnoçõesde disciplinajácomeçamaser expostase osatos de indisciplinajácomeçama aparecer. (OLIVEIRA,2010) A indisciplinanaetapada Educação Infantil é demonstradade formasbemparticulare
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    diferente dasque ocorrememidadesmaisavançadas.Portanto,aocontráriodoquealguns possampensar,elajáexiste desde que acriançaentra na escolae virauma das maiores preocupaçãodosprofessoresdestaetapa,que estãofocadosnaestimulaçãodo desenvolvimentodacriançacomo um todoe na educaçãopara a cidadania. Karline Berger(1977, p. 103) complementa,que “algumascriançasdesde que começama freqüentaraescola,jádemonstramalgumtipode indisciplina”.Entãocaberiaao professor destaetapacriar possibilidadesdacriançase desenvolverparaa vidaem sociedade, independente dohistóricofamiliarde cadauma delas. Assimcomoemqualqueroutrolugar,o espaçoda Educação Infantil tambémapresenta diferentesdemonstraçõesde indisciplinae que sópodemserpercebidasse forconsideradoo contextoemque elasocorrem.Osentendimentossobre aindisciplina,segundoVergés(2003, p. 31) variam,poisdependemdavivênciafamiliarde cadacriança, doscostumes,dacrença e da culturaem que a criança estáinserida,assimcomopodemdependerdostraçosde personalidadede cadauma,das fasesdodesenvolvimentoemque estápassandoe,também, da influênciadoprofessor,daescolae dametodologiade ensinoutilizada.Háumavariedade de causas e sentidosportrásdas demonstraçõesde indisciplinaescolare,identificá-lasé o primeiropasso parainibi-las. O importante é identificaroque envolveumatode indisciplinaparamelhorcompreendê-loe defini-lo,destacandose suamanifestaçãose tratade umaquestãopessoal dacriança, familiar, relacional ouescolar.Vergése Sana(2009, p. 35) sugerem: O que devemosentenderé que nenhumalunonasce indisciplinado;ele se tornaindisciplinado emdeterminadassituações,dependendodosentidodaindisciplinaparaele naquele momento,comváriosfatoresque possamlevá-loaagirdessaforma. Na Educação Infantil,de umamaneirageral,osatosindisciplinadosenvolvemaintolerânciaà frustração,a necessidade de atenção,oegocentrismo –aindacaracterístico da faixaetáriaem que se encontramas crianças, o desinteressepelaaula,aexclusãododiferente,afaltade limitesdefinidose afalta de orientaçãoe consistêncianoambiente familiardacriança. (ESTRELA,1992). Outro aspectocomumente envolvidonasexpressõesde indisciplina,nesta fase,se refere aodesenvolvimentodoesquemacorporal que emalgumascriançasaindanão estácompleto,assim,aindaapresentaumcomportamentocomunicativodevidoàfaltade coordenaçãomotorafina,principalmente.Nestescasos,ascrianças sãoidentificadascomo “estabanadas”,pisamnospé das outras,gostamde brincarde luta,exigindocontatofísico, atingemosoutroscom peças de jogos,abraçam com força,podendomachucaro colegae podem,até mesmo,seridentificadascomoagressivas. Nosoutros casos,o aparecimentode indisciplinademonstraumacondição de aborrecimento, como já citado,pode serde ordemfamiliar,pessoal,relacional ouescolar,reveladocomo desinteresse,desatenção,resistência,desrespeitoe faltade empatia.Dessaformapercebe-se que não é apenaso contextofamiliaroupessoal que determinaaocorrênciadosatos de indisciplinaemsalade aula,comotambém, a própriasalade aula,o professor,ametodologia de ensinoe a relaçãopedagógicapodemdesencadearaindisciplinaescolar.Segundokarline Berger(1977, p. 20), quandoa aulanão estáinteressante e atraente paraascrianças,elas perdemointeresse ouficamdesmotivadas,oque aslevaa agirde formaindisciplinadapara demonstrarque estãoinsatisfeitacomalgumacoisa.
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    As demonstraçõesde aborrecimentoqueenvolvemosatos de indisciplinanascriançasda Educação Infantil podemsercaracterizadaspormorder,beliscaroubaternocolega,brincarde luta,destruiromaterial escolar,conversarenquantoaprofessoraououtrocolegaestá falando,apresentarumcomportamentodesafiador,fazendocaretasourespondendomal à professorae nãofazera atividade propostaemsalade aula,se recusandoouresistindoa participar. É válidodestacarque a agitação motoraé uma característica própriaao comportamentodas crianças nestafaixade idade que precisambrincarse movimentare criarpara extravasara energia.A movimentaçãoe obarulhopodemseresperado.Neste sentido,Vergés(2003, p.32) afirmaque: a criança que questiona,perguntae se movimentaemsalade aula,não pode ser considerada indisciplinada,porque naconstruçãodoconhecimento,acriançaprecisabuscar as alternativas para encontraro melhorcaminhopara aprender.Agora,aquele alunoque nãotemlimites, não respeitaaopiniãoe ossentimentosdoscolegas,esse sim, é umalunoque pode ser consideradoindisciplinado. Os momentosde brincadeirase jogos,noparquinhoouemsalade aulaconstituem, facilmente,umcampode observaçãodas manifestaçõesde indisciplina,poisexpressõesde intolerânciaàfrustraçãoe desrespeitosãocomunsnestesambientesnaEducaçãoInfantil, onde as crianças aindaestãodesenvolvendosuasnoçõesde moralidade.Ascriançasque não têmlimitesestabelecidose nãorespeitamoscolegas,aprofessorae asregras,e brincadeiras, elasfreqüentemente apresentamcomportamentosindisciplinados.Cabe aescolae ao professortransmitirosvalorese promoveraaprendizagemdasregrasde convivênciasocial,a auto-regulageme aautodisciplina.LaTaille dizque “ascriançasprecisamaderirasregras que implicamemvalorese formasde conduta.”Em outraspalavras,o pensadoremconsideração estavadizendoque aeducaçãodeve começardesde osseusprimeirosanostrabalhando, temasconcernentesaoassunto.Éum meiode diminuirlánafrente osmaus comportamentos dos alunos. As brincadeiraspodemlevaroacontecimentode conflitos,de desrespeitoaoscolegase a agressividade.Essademonstraçãode intolerânciae frustraçãoque envolve oatoindisciplinado implica,entre outrosfatores,arelaçãoque a criança temcom as regras,ou seja,a não relação que a criança tem desenvolvidacomamoral. A indisciplinamanifestadanessesmomentos,alémde perturbaroambiente e asrelaçõesem salade aula,prejudicaodesenvolvimentoe oprocessode aprendizagem daprópriacriança. Estas crianças exigemmaioratençãoe estímuloparaque possamse desenvolvermoralmente e,conseqüentemente,socialmente.Ocampode relaçõessociaisque aEducação Infantil propicia,nasatividades,brincadeiras,lanche e higiene, recreiooueducaçãofísica,constitui o ambiente que acriança necessitaparadesenvolvertodasassuascompetênciase aprendera convivercomo coletivo.Parte deste desenvolvimentoestáodesenvolvimentomoral,que envolve oprocessode conscientizaçãodasregrasna criança e que,conduzas crianças à autonomiae à autodisciplina,fazcomque as manifestaçõesde indisciplinase tornemcadavez maisimprováveis.5METODOLOGIA
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    O trabalhoseráfeitopormeiode umaabordagemqualitativa,propondoentendercomo resolveroproblemadaindisciplinanodesenvolvimentocognitivodascriançasnaeducação infantil,nacreche – JoãoPaulol,e entenderavivenciadoprofessoremrelaçãoaisso. A pesquisaserárealizadanacreche turmado pré I no CMEI – João Paulo I,localizadonaRua 13 S/N do bairroJoão de Deusem PetrolinaPernambuco,serãoinvestigadaaprofessorae a coordenadorapedagógica,paraidentificarcomose processaa indisciplinanaeducaçãoinfantil e que fatoresgerama indisciplina. Para a realizaçãoda pesquisaseráutilizadoométodoqualitativo,sendoque essetipode abordagemé essencial aopesquisador,poispropiciaumainterpretaçãomelhordosdados. SegundoRodrigues(2006),é utilizadaparainvestigarproblemasembeneficiode sua complexidade.Assimessetipoé caracterizadopelaconstruçãodoconhecimentoapartirde hipótesese interpretaçõesque opesquisadorconstrói. O projetoempregaráaentrevistanãoestruturadae observaçãonãoparticipante,bemcomoo uso doquestionário.Para acoletade algunsdadospara o trabalho,a pesquisadoraobservará os sujeitosdessealvo,pois´´a observaçãoconsiste emumatécnicade coletade dados a partir da observaçãoe do registro,de formadireta,dofenômenooufatoestudado``.(BARROS; LENFELD, 2010) Justifica–se aescolhade entrevistaporserum meioemque o pesquisadorobtéminformações maiscompletase detalhadas.A entrevistaé umatécnicautilizadaparaobterinformaçõespor meiode uma conversaorientadacomo entrevistadoe deve atenderaum objetivo predeterminado.Oquestionáriotambémé uminstrumentode coletade dados.Constituído por uma listade questõesrelacionadascomoproblemade pesquisa,oquestionáriodeve ser aplicadoa um númerodeterminadode informantes.(BARROS;LENFELD,2000). O estudotambémcontarácom o diáriode campo, que é importante,poisé oregistrode fatos observadosatravésde observações.(BARROS;LENFELD,2000). O trabalhoserá direcionado aos alunosdaeducação infantil,professore coordenador. Os dadosserãoanalisadosapartir de observaçãoemsala de aulae entrevistacomoprofessor e coordenador,estabelecendo-se umconfrontocomasleiturasrealizadassobre otema.
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    IMPRESSÃOX ENTREGA FINAL X REFERÊNCIAS ANTUNES,Celso.A Artede Comunicar,.EditoraVozes.SãoPaulo.2005; BARROS,Cridil JesusdaSilveira;LENFELDE,Neide Aparecidade Souza.Fundamentosde metodologiacientifica.2.ed.emp.SãoPaulo:Macron Books,2000. DE LA TAILLE, Yves.A indisciplinae osentimentode vergonha.In:AQUINO,JúlioGroppa(Org.). Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.14. ed.São Paulo:Summus,1996. p. 9 – 24. ESTRELA, Maria Teresa.Relaçãopedagógica,disciplinae indisciplinanaaula.3. ed.Porto: Porto,1992. GARCIA,Joe.Indisciplinanaescola:umareflexãosobre adimensãopreventiva.Revista Paranaense de Desenvolvimento,Curitiba,n.95, p. 101 – 108. Jan/Abrde 1999. KARLIN,Muriel Schoenbrun;BERGER,Regina.Comolidarcomo alunoproblema.traduçaode Ana Cecíliade CarvalhoGontijoBeloHorizonte,interlivros,1977. OLIVEIRA,Zilmade MoraesRamos.Educação Infantil:fundamentose métodos.5.ed.São Paulo:Cortez,2010. RODRIGUES, Auvode Jesus.Metodologiacientifica.SãoPaulo:Avercampy2006. VERGÉS, Maritza Rolimde Moura; SANA,Marli Aparecida.Limitese indisciplinanaeducação infantil.2.ed.Campinas:Alínea,2009. VERGÉS, Maritza Rolimde Moura. Ossentidosdaindisciplinanaeducaçãoinfantil,2003. Trabalhode Conclusãode Curso (Pedagogia)–Faculdade de CiênciasHumanas,Letrase Artes, Universidade TuiutidoParaná,Curitiba,2003.
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    INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL Serrinha 2013 CRESCENCIANAJUNQUEIRA SANTOS INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL ArtigocientíficoapresentadoaoInstitutoPróSaber,comorequisitoparcial obrigatóriopara conclusãodo cursode PósGraduação em Educação infantil. Orientador:WagnerReis
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    Serrinha 2013 SUMÁRIO RESUMO: Com base nasmetodologiasaplicadasnoensinodaEducaçãoInfantil,discutiu-seideiasque se consideremimportantesparacompreendersituaçõesde indisciplinacomagressividade em crianças nestafase da educação.Comosuporte teórico,otrabalhofoi embasadoemRego, Carvalho,Camargo,Cardoso,Winnicott,Içami Tiba.Oestudoda origemdaindisciplinae de suas formasde manifestaçãonaprimeirainfânciapode nosfornecerelementosimportantes para a compreensãodessetemade modoaentendercomoessamudançade comportamento iniciae se transformaem indisciplina.Porassimser,percebe-se que umestudoprofundo dessesfenômenospodeauxiliarpais,professorese gestoresaentenderemoselementosque levamà práticada indisciplinae encontrarsoluçõesparaasmesmas.
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    Será feitaumaentrevistasemi-estruturadaestabelecendoquestões/temasque devemser colocadasaosparticipantescomoinstrumentoque permite entraremcontatocomas posições singularesde cadaindivíduoe deverãosersomadosaoutrosindíciossobre o Fenômeno estudado.Paratal entrevista serãoutilizadosdoistiposde questionáriosaseremaplicadosna Creche CriançaFelizI,Praça AgripinoMacedo,S/N,Centro,Teofilândia - BA que atende crianças na faixaetáriade doisa seisanosde idade.Divisãodosquestionários:QuestionárioI – Paisou responsáveisde alunose QuestionárioII –Professores.Éválidosalientarque todo trabalhofoi precedidode autorizaçãosolicitadapreviamente aCoordenaçãodaCreche citada acima e das professorasde cadauma das turmas envolvidas,bemcomo,foi realizadoum contato com ospais dascrianças selecionadasparaa participaçãodelese dosfilhosnareferida pesquisa.Atravésdosdadoslevantadosnapesquisafoi fácil verificarque existe uma conformidade entre afamíliae ocomportamentodessascrianças.Asmaisindisciplinadassão exatamente asque nãoencontramemcasa a segurançanecessáriaparaa formaçãoda personalidadee nafaltadessasegurança,a criança manifestarebeldiaemsalade aulacomo formade chamar a atençãodos professores,vistoque emcasaelanão encontraapoioe orientaçãonecessáriaparaa formaçãode suaeducação comocidadão.Já a criançaque vive emum ambiente saudávelonde é amparadae recebe total apoioeorientaçãodafamília, torna-se umacriança tranquilae disciplinada. Considerandoque afunçãoda InstituiçãoInfantil é de promoverodesenvolvimentointegral dascriançasemparceriacom a família,observamos durante essapesquisaque,aCreche nãopossui pessoal habilitadoparalidarcomessareferida adversidade que permeiamasInstituiçõesde EducaçãoInfantil.Sendoassim,decidi fazermeu artigoseguindoessalinha,pretendendocomesse estudobuscarestratégias,de intervenção educativa,que possibilite aessascrianças,experiênciaspromotorasdascapacidadese habilidadesemcomplementaçãoaação das famílias,buscandosempre respeitara particularidade de cadaumadelas. Palavrachave:Indisciplina;EducaçãoInfantil;Creche;Família; INTRODUÇÃO Ao nospreocuparmoscomo fator indisciplinanaeducaçãoinfantil,períodoemque acriança se encontraem processode formação,estaremostrabalhandonaconstruçãodopróprio sujeito,envolvendovalorese oprópriocaráternecessárioparao seudesenvolvimento integral.Poressarazão tentaremoscompreender, sentir,fazere repartiresse processode formação.Há umditadochinêsque diz,“se doishomensvemandandoporuma estrada,cada um carregandoum pãoe, ao se encontrarem, elestrocamospães,cada homemvai embora
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    com um; porém,sedoishomensvieremandandoporumaestrada,cada um carregandouma ideiae,aose encontrarem,elestrocamasideias,cadahomemvai emboracom duas”.Quem sabe é esse mesmoosentidodonossofazer:repartirideiasparatodosterempão...(CORTELA, 1998, p.159). O presente estudotevecomoobjetivoidentificare compreenderosdiferentestiposde indisciplinaapresentadosporcriançasde uma referidacreche paraintervirde formabenéfica. Temosconsciênciade que asatitudesdodocente nasala de aula e dos paisou responsáveis emcasa poderãointerferirde formapositivaounegativanoprocessocognitivoe afetivoda criança e para comprovaro que está sendodito,realizou-se umapesquisade campoemuma creche da zona urbanana cidade de Teofilândia-BA,que tevecomoobjetivoespecífico:1- Analisara históriade vidae os diferentescomportamentosapresentadospelascriançasna referidacreche e emseuambiente familiar,sejamelesobserváveisdiretamente ouinferidosa partir de gestos,posturacorporal ou outrasformasde linguagem.2- Conheceradinâmica familiarde umacriança consideradaindisciplinadae de outraconsideradadisciplinada.3- Buscar compreenderquaisaspectosinfluenciouessacriançaamanifestaraindisciplina.4- Contribuiresclarecendoosmotivospelosquaisosprofessorestemsidoalvode atosagressivos dos alunose ao mesmotempotentarintervirmostrandocaminhosparaque se possacorrigir esse tipode comportamento. Durante a pesquisa,buscou-se teóricosque se aprofundaramaotemaindisciplina.Afinal oque vema ser indisciplina?SegundooDicionárioAurélio –‘procedimento,atoouditocontrárioà disciplina,desobediência,rebelião’. O conceitode indisciplina,nãoé uniforme e nemuniversal.Elase relacionacomoconjuntode valorese experiênciasque variamaolongodahistória,entre asdiferençasculturaise numa mesmasociedade,nasdiversasclassessociais.“Noplanoindividual,apalavraindisciplinapode ter diferentessentidosque dependerãodasvivênciasde cadasujeitoe docontextoemque foramaplicados.”(REGO,1996, p.84). Os traços de cada ser humanoestãovinculadosaoaprendizadodoseugrupocultural.Diante disso,é possível afirmarque ocomportamentoindisciplinadodoindivíduodependeráde sua históriae das característicassociaisemque estáinserido.Oserhumanovai adquirindoa indisciplinaatravésdasinfluênciasque recebenodecorrerdoseudesenvolvimentoemseu âmbitofamiliarounoespaçoescolar.De acordo com o sociólogofrancêsFrançoisDubet (1997), “a disciplinaé conquistadatodososdias,é precisosempre lembrarasregrasdo jogo, cada vezé precisoreinteressá-los,cadavezé precisoameaçar,cada vezé preciso recompensar”.Issonosfazanalisaro quantoé importante orespeitoàsregrasdentrode uma instituiçãoparaque seufuncionamentosejapositivo.SegundoIçami Tiba(1996) adisciplina escolaré como um conjuntode regrasque devemserobedecidastantopelosfuncionários quantopelospaise alunospara que o aprendizadoescolartenhaêxito.Portanto,adisciplina escolaré uma qualidade de relacionamentohumanoentre ocorpodocente e osalunosem uma salade aula.
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    DESENVOLVIMENTO A indisciplinarepresentaumagrande ameaçaàdesobediênciaàsregrasestabelecidas.A famíliatransmite valoresàscriançase a escolatransmite conhecimentohistórico,científico, social e moral.As crianças que noseu seiofamiliarnãosãoamadas e nãocompartilham valores,consequentemente serãoalunoscomproblemasafetivose se sentirãodesprotegidos, com dificuldadede manterrelaçõessociaispositivascomosoutros.Carvalho,(1996, p.138), relataa importânciade criar formasprópriasde enfrentaroscasos de indisciplina.De acordo com Rego(1996) os chamadospaisautoritáriosvalorizamaobediênciacomnormase regras, semse preocuparem explicaràscriançasos motivosdasameaças,dos castigose das imposições’.A importânciaque aeducaçãofamiliartemsobre oindivíduo,dopontode vista cognitivo,afetivoe moral é muitogrande,porém, as influênciasque caracterizarãoosjovens ao longode seudesenvolvimentonãoserãosomente asvivenciadasnasuafamília,mas tambémas aprendizagensdosdiferentescontextossociais,comonaescola.Sendoassim,uma relaçãoentre professorese alunosbaseadanocontrole excessivo,daameaça,da puniçãoou tolerânciapermissiva,provocaráreaçõesdiversas.ParaRego(1996), a escolae os educadores precisamadequaras suasexigênciasàspossibilidadese necessidadesdosalunos.Devemdar condiçõesparaque os alunosconstruame interiorizemosvalorese asposturasconsideradas corretasna nossacultura(atitudesde solidariedade,cooperação,respeitoaoscolegase professores).De acordocom Rego(1996), oseducadoresprecisamsercoerentesentresua condutae a que esperadosalunos,poisé atravésda imitaçãodosvaloresexternosque a criança aprende sernormal. DonaldWoodsWinnicott,psiquiatrainfantil,apresentasuaconcepçãode criança normal: Uma criança normal se tema confiançado pai e da mãe,usa de todosos meiospossíveispara se impor.Com o passardo tempo,põe à provao seupoderde desintegrar,destruir,assustar, cansar, manobrar,consumire apropriar-se.Tudooque levaas pessoasaostribunais(ouaos manicômios,poucoimportaocaso) temo seu equivalentenormal nainfância,narelaçãoda criança com seuprópriolar.Se o lar consegue suportartudoque a criança pode fazerpara desorganizá-lo,elasossegae vai brincar;mas primeiroosnegócios,ostestestemque ser feitose,especialmente,se acriança tiveralgumadúvidaquantoàestabilidadeda instituiçãoparental e dolar(que paramim é muitomaisdo que a casa). Antesde maisnada,a criança precisaestarconsciente de umquadrode referênciase quisersentir-selivree ser capaz de brincar, de fazerseusprópriosdesenhos,serumacriança irresponsável.(WINNICOTT, 1946, p.121) Winnicottdizo quantoé importante oambiente familiarparaumperfeitodesenvolvimento psicológicodacriança,pois,possibilitamumsentimentode segurançae de amparoe somente
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    desse modoa criançavai se sentira vontade porque pormaisque elafantasie seumundo,o ambiente se manteráestável.Todavia,quandoissonãoocorre,acriança vai se tornar indisciplinadae arrediaemoutrosambientes,nomeiode outraspessoasparatentar encontrarum quadrode referência: Ao constatarque o quadro de referênciase desfez,eladeixade se sentirlivre.Torna-se angustiadae,se temalgumaesperança,trata de procurar um quadrode referênciaforadolar. A criança cujolar não lhe ofereceuumsentimentode segurançabuscaforade casa às quatro paredes;aindatemesperançae recorre aos avôs,tiose tias, amigosdafamília,escola.Procura uma estabilidade externasemaqual poderáenlouquecer.Fornecidaemtempooportuno,essa estabilidade poderátercrescidonacriança como os ossosemseucorpo, de modoque, gradualmente,nodecorrerdosprimeirosmesese anosdevida,teráavançadoda dependência e da necessidade de sercuidada,paraa independência.Éfrequente acriançaobteremsuas relaçõese na escolao que lhe faltouemseuprópriolar.(WINNICOTT,1946, p. 121) Essa citação reforçao motivoque levaumacriança a apresentarumcomportamentohostil. Winnicottvê issocomouma formade comunicaçãoda realidade interiordessascrianças,que assimagempor desespero,tentandoencontrarosentimentode segurançaque nãoencontrou emseular. Winnicottcitaoutro pontoque ressaltoaimportânciadoambiente familiarparaa criança: De fato,é a partirdas coisasaparentemente pequenasque ocorremnolare emtorno dele que a criança tece tudo que uma imaginaçãofértil pode tecer.Ovastomundoé um excelente lugarpara osadultosbuscaremuma fugapara o tédiomas,geralmente,ascriançasnãosabem o que sejao tédioe podemtertodosos sentimentosde que sãocapazesentre asquatro paredesde seuquarto, emsua própriacasa, ou apenasa algunsminutosdaporta da rua. O mundoserámais importante e satisfatóriose forcrescendo,paracada indivíduo,apartirda porta de casa, ou do quintal dosfundos...Sim, aimaginaçãode umacriançapode encontrar amplocampo de atividade nopequenomundode atividadede seuprópriolare da rua em frente;e,de fato,é a segurançareal propiciadapelolarque liberaacriança para brincar e desfrutarde outrasmaneirasde suahabilidade paraenriqueceromundosaídode suaprópria cabeça.(WINNICOTT,1945, p. 54) Issonos fazver o quantoà criança se sente aceitae seguraquandoconsegue experimentar suas outrashabilidadesde imaginaçãoe criaçãoe assimampliarseuconhecimentodomundo e de si mesma.Os paistêma função de dar amor, carinhoe limitessemagredi-las: Às vezes,aagressãose manifestaplenamente e se consome,ouprecisade alguémpara enfrentá-lae fazeralgoque impeçaosdanos que elapoderiacausar.Outrasvezesosimpulsos agressivosse manifestamabertamente,masaparecemsoba formade algum tipode oposto... As aparênciaspodemvariar,masexistemdenominadorescomunsnosproblemashumanos. Pode serque uma criança tendapara a agressividade e outradificilmenterevele qualquer sintomade agressividade,desde oprincípio,emboraambastenhamomesmoproblema. Acontece simplesmenteque essascriançasestãolidandode maneirasdistintascomsuas cargas de impulsosagressivos.(WINNICOTT,1964, p. 97) Ao analisarmosoque dizo psiquiatrainfantil,podemosafirmarque adisciplinaouindisciplina depende dopontode vistade quemanalisaasituação,depende docontextoe dossujeitos envolvidos.Porém, alunose sociedade nãopodemesquecerque afinalidade principal da escolaé a preparaçãopara o exercícioda cidadaniae para seremcidadãos,precisade conhecimento,respeitopeloespaçopúblico,ética,normase relaçõesinterpessoais.Paulo Freire diz:“(...) bomsenso.Autoridade nãopode serentendidacomoautoritarismo”(FREIRE, 1996, p.14). O professorprecisaperceberemcertasocasiõesospontosfalhosdoalunoe ao invésde reprimi-lo,temque ajudá-locomhumildade e tolerância.Temossentimentos,desejos
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    e necessidadese,essessentimentosprecisamserrespeitadostantopeloeducadorquanto peloeducando,poisamaneiracomonos relacionamoséque mostraosresultadosdessa relação.SegundoFreire: O professorautoritário,oprofessorlicencioso, oprofessorcompetente,sério,oprofessor incompetente,irresponsável,oprofessoramorosodavidae dasgentes,oprofessormal amado,sempre comraiva do mundoe das pessoas,frio,burocrático,racionalista,nenhum dessespassapelosalunossemdeixar suamarca.(FREIRE,1996, p. 73) O professortrazdentrodele todasua históriade vidae desconhece totalmenteavidado aluno.SegundoCharlot: Um educadornão é apenasumacriança de tal família,nãoé apenaso membrode um grupo sóciocultural.Ele é tambémsujeitocomumahistóriapessoal e escolar.Éum alunoque encontrouna escolataisprofessorestaisamigos,taisaulas,e que teve surpresasboase más.É uma criança que cujospaisdisseramque oque se aprende naescolaé muitoimportante para a vida,ou ao contrário,que não serve paranada. É umacriança que temmuitosirmãosou irmãsou não, que sãobemsucedidonaescolaou não,e o que pode ajudara criança ou não, ... (CHARLOT,2002. p.28) Ao refletirmosnoque disse Charlot,todoeducador precisareversuaspráticaspedagógicas.A busca de especializaçãoparaatuar na Educação Infantil é muitoimportante paratentar amenizaralgunsproblemasde indisciplinaemsalade aula.Içami Tiba(1996) diz que os grandesresponsáveispelaeducaçãodos jovens,afamíliae a escola,nãoestão sabendo cumpriro seupapel.O que se observahoje é a falênciadaautoridade dospaisemcasa, do professornasala de aulae do orientadornaescola.ParaIçami,tanto os fatoresexternos quantoos internospodem influenciarnocomportamentode umacriança.Dependendodo mimoe do trato, a criança pode ser maisoumenosindisciplinada.Todacriançaao sair do seio familiar,entraemummundototalmente diferente e emvirtude disso,oprofissionalda educação,o professor,deve serético,humilde,conhecedorde seuslimites.Içami Tibafaz referênciaàgeraçãode paisque confundemautoridadecomautoritarismoe optampornão colocar limitesnosfilhos:“Cabe ospaisdelegaraofilhotarefasque ele jáé capazde cumprir. O que ele aprendeué dele.A mãe deveriaficarorgulhosapeloseucrescimento,emvezde se sentirlesadapornão sermaisútil.”(TIBA,1996, p.35). É porissoque os paisnunca devem fazertudopelofilho,bastaajudá-loaté opontoemque ele consigarealizarsuastarefas sozinhosparaadquirirauto-confiançae elevarsuaauto-estima.Içami tambémcita:“Nenhuma criança nasce folgada,elaaprende aser.A indolênciaconstantenãoé natural.Resultada dificuldadede realizarseusdesejos.A criança sópode ser consideradafolgadaquando conhece as suasresponsabilidadese nãoascumpre”.(TIBA,1996, p.37).A partir do momento que os paisnão impõemlimitese regras,ofilhotorna-se folgado:“Ofilhotorna-se folgado porque deixoude fazeroque é capaz e precisaexecutar,e a mãe torna-se umasufocada porque precisadar tarefasque nãolhe cabemmais,alémde muitasoutras atividades”.(TIBA, 1996, p.39). Hoje emdia,os paisestãopermitindoperderaprópriaautoridade.Costuma-se ouvirmuitos paisse queixaremque osfilhosqueremaqualquercustoumdeterminadoobjeto,e ospais que acostumarama fazertodosos gostosdo filho,sempremovidoporumadesculpa,acaba cedendoaoscaprichosdo filhomimando-o.Atualmente,coma perdada autoridade paterna, os filhosé que se tornamimplacáveiscomospais.Quandoo pai tentaimporuma disciplina, negandoalgopara o filhoacostumadoater de tudo,este vê o pai comoum empecilhoe tenta eliminá-lo.Tibarelataque:
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    “Nessasúltimasdécadas,amulher emancipou-see ganhoudestaquesócioeconômico, profissionale cultural,masnamaioriaoinstintomaternoaindafalamaisaltodoque todas as suas conquistas.Emvirtude desse instintoé que aindahoje asmulheresse sentemtão culpadaspor ficaremlonge dosfilhos.”(TIBA,1996, p. 40) Os pais,cada vezmaisausentesdosfilhosdevidoàjornadade trabalhoouseparações,estão causandoa desestruturaçãodasfamíliase assim, se sentemculpados.Esse sentimentode culpalevaos paisa fazeremmimostentandoamenizarasituação,e issoobrigao educadorà capacitar-se,buscarhabilidadese principalmente gostarde serprofessorparalhe darcom esse tipode comportamento.A criançajá vemde casa com seusmimos,todofolgado, totalmente cheiosde vontade.SegundoRossini (2001),“crianças gostamde professoresque lhe dêemlimites”.Éprecisoque oprofissionaldaeducaçãoestabeleçaregras,faça combinadosadotemumpadrãobásicode atitudesperante asindisciplinasmaiscomuns. Quandoum alunonãocumpre os combinados,ultrapassamoslimites,elenãoestá simplesmentedesrespeitandoumprofessoremparticular,masasnormas da escola.Assim cabe ao professoratuarcom competênciaprofissional e coerência,sentindo-seresponsáveis peloque ocorre ao seuredor e os paistêma grande responsabilidade de estácientede tudo que se passa com o filhonaunidade escolar.Masa realidade é totalmentediferente,pois,os paistrabalhammuitoe têm menostempoparadedicarà educaçãodosfilhose queremque a escolaassumaa função que deveriaserdeles:ade passar para a criança os valoreséticose de comportamentobásicos. Com o propósitode buscarformase métodosque possamajudara amenizaresse tipode comportamentode formasaudável,devemosreforçarqual aprincipal funçãodasinstituições de educação infantil:Ascriançasde zeroa seisanosde idade têmnecessidadesespecíficasde cuidados,cabendoaosseusresponsáveisproporcionarsituaçõesque lhesauxiliemaadquirir capacidadesmotoras(sentar,andar,controlaros esfíncteres‘músculoscircularesque aperta as cavidadesaque corresponde’)psíquicas,(falar,pensar) e sociais(estabelecerrelaçõescom outras pessoas).Essasinstituiçõesde EducaçãoInfantil sãoreconhecidasnaConstituição Federal de 1988 e dispõe seusobjetivose normasde funcionamentodisciplinadopelaLei de Diretrizese Base daEducação Nacional.Segundoseuartigo4º:“O deverdoestadocom a educaçãoescolarpúblicaseráefetivadomedianteagarantiade:[...];IV – Atendimento gratuitoemcrechese pré-escolasàscriançasde zeroa seisanosde idade”.(LDBEN nº 9394/96. Art. 04). Quantosua finalidade,ofertae formade avaliaçãoforamdefinidasdaseguinte forma: Art. 29. A Educação Infantil primeiraetapadaeducaçãobásica,tem como finalidade o desenvolvimentointegral dacriançaaté seisanosde idade,emseusaspectos físico,psicológico,intelectual e social complementandoaaçãoda famíliae da comunidade. Art. 30. A Educação Infantil seráoferecidaem: I- crechesouentidadesequivalentes,paracriançasde até seisanosde idade; II- pré-escolas,paracriançasde quatro a seisanosde idade. Art. 31. Na Educação Infantil aavaliaçãofar-se-ámedianteacompanhamentoe registrodoseu desenvolvimento,semoobjetivode promoção,mesmoparaoacessoao ensinofundamental. Conforme oque nos diza LDBEN, os profissionaisdaáreadevemestárevendocomfrequência suas práticaspedagógicas,tercomoobjetivomaior,propiciarumatendimentode qualidade, socializare nortearo trabalhoeducativocriandoestratégiasque melhoremascondiçõesde
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    trabalhojá que asmãesentregamseusfilhosnascrechesconfiandonasboascondiçõese cuidadosemque os mesmosirãoreceber.Issonoslevaaacreditaro quanto é importante o planejamentodasatividadesaseremdesenvolvidasnainstituição.Regochamaatençãoaisso: O comportamentoindisciplinadoestádiretamenterelacionadoàineficiênciadaprática pedagógicadesenvolvida:propostascurricularesproblemáticase metodologiasque subestimamacapacidade doaluno(assuntospoucointeressantesoufáceisdemais),[ ...], constante usode sançõese ameaçasvisandoao silênciodaclasse,poucodiálogoetc.Isso apontaque em toda indisciplinaexiste umarazãoque precisaserinvestigada.(REGO,1996, p. 100) É muitoimportante inovar,criar,buscarincessantemente meiosparanãodeixaroaluno ansioso.Uma dasformasde inovaçãoé a inclusãode jogosnoplanejamentodacreche. Vejamosoque nosdizFreire: Professoresrealmente preocupadoscomodesenvolvimentodascaracterísticashumanas,ao invésde tentaremeliminarocarátercompetitivodosjogos,deveriamprocurarcompreendê-lo e utilizá-loparavalorizarasrelações.Creiosermaiseducativoreconheceraimportânciado vencidoe dovencedordo que nunca competir.(FREIRE,1997, p. 153). A inserçãode jogosnasaulas de educaçãoinfantil é umaformade fazercom que o aluno trabalhe o corpoe a cabeça, podendosercooperativooucompetitivo,poisapesardosjogos cooperativospossuíreminúmeras vantagens,nãopode,simplesmente,deixarde ladoosjogos com caráter competitivo,poisse elesforemtrabalhadosde maneiraadequada,acriança incorpora,igualmente,valoresimportantesparaavida,como a importânciadovencedore do vencido,acooperaçãoentre os colegase o respeitoparacom todososjogadores. O professordeve ofereceremseuplanejamentooportunidadesparaestimulartodosos sentidosdacriança,principalmente otato,que transmite segurança,Carvalhoe Rubiano (1994) dizque “à medidaque característicasfísicasdoambiente convidamaotoque,aumenta a sensaçãode segurança,permitindoácriançaexploraroespaçomaisprontamente.”A ludicidade é umadasmaneirasde se explorarossentidosdascrianças.Ferreiradiz: Brincar é um dos meiosde realizare agirno mundo,nãounicamente paraas criançasse prepararempara ele,mas,usando-ocomoumrecursocomunicativo,paraparticiparemda vidaquotidianapelasversõesdarealidadeque sãofeitasnainteraçãosocial,dandosignificado às ações.Brincar é parte integrante davidasocial e é umprocessointerpretativocomuma texturacomplexa,onde fazerrealidaderequernegociaçãodosignificado,conduzidopelo corpo e pelalinguagem.”( FERREIRA,2004, p. 84) Toda criança usa a brincadeiracomoprincipal modode ação.Elas não fazemdistinçãoentre brincar e levara sério,nãoconsegue separaro real do imaginárioe acabamutilizando-as naturalmente. Ao considerarpertinentesessasreflexões,relatam-seosresultadosobtidosnaentrevistasemi- estruturadaque permitiurefletirsobre ahistóriade vidade doisalunosemseuambiente familiare naInstituiçãode Educação Infantil (CrecheCriançaFelizI,Praça AgripinoMacedo, S/N,Centro,Teofilândia–BA) que atende criançasnafaixaetáriade doisa seisanosde idade, no qual os paisou responsáveisdosreferidosalunosresponderamaumdeterminado questionárioe doisprofessoresresponderamaoutrotipode questionário. É válidosalientarque todotrabalhofoi precedidodeautorizaçãosolicitadaprimeiramente a Coordenaçãoda Creche.Ademais,antesde cadaum dosprocedimentos,foi solicitadaa autorizaçãodas professorasde cadauma das turmasenvolvidasbemcomofoi realizadoum contato com ospais dascrianças selecionadasparaa participaçãodelese dosfilhosnareferida pesquisa.
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    Indisciplinade JoãoPaulo:comportamento(relaçõesnoambientefamiliare nacreche). Amãe de JoãoPaulo,apesarde manterum contatofrequente comofilho,estáenvolvidaem um ambiente de alcoolismoe de agressividade comomarido.O pai de JoãoPaulorepresenta uma ameaçaconstante,onde palavrõesfazemparte dovocabuláriodessafamília.A mãe tem trêsfilhose Joãoé o segundo.Testemunhade constantesbrigasdospais,que utilizavam armas frias,Joãojá relatoudetalhesdessasbrigasnacreche.Em virtude dessatotal faltade estruturafamiliar,omesmochegouaopontode ameaçar matar a própriamãe caso elanão desse oque ele queria. Sabemosque para obterdisciplinaemqualquerambienteemque vivemosdevemosfalarde respeitoe cadapessoavemjuntocom sua vidaintelectual,afetivae religiosaumavidamoral e João,aos cinco anosde idade,nãoestá tendoesse direitoe,porconta disso,se tornouuma criança excessivamente inquieta,agitadae indisciplinada,que se destacadogrupopela dificuldadede aceitare cumpriras normasda creche devidoa vivênciae experiênciade suacasa. Ele nãoconsegue produziroesperadoparasua idade,e issorepresentaumdesafio constante para professorese gestoresdacreche.Suaidade cronológica(aque fornece uma estimativaaproximadadonível de desenvolvimentodoindivíduo,que pode sermais precisamente determinadoporoutrosmeios,taiscomoidade óssea,dental,sexual e motora) não condizcom a estruturacognitivaprévia.OmodocomoJoão exploravaosobjetos,a curiosidade diante de situaçõesnovasnãoindicavamumdesenvolvimentocognitivo adequado,suainabilidade socialcomprometiatodasessasqualidades.Joãonãoconseguia dominaros conhecimentosescolaresde reconhecimentode cores,de letrase números.Além de todosessesproblemas,JoãoPauloapresentavasériostranstornos;nãoconseguiacontrolar os esfíncteres:faziaxixi naroupa,sujavasuacueca de côco, não tinhanoção algumade higiene e o piordeleseraa constante evacuaçãode fezescomum odorinsuportável.No decorrerdessapesquisaaprofessoradescobriuque Joãofaziaasnecessidadesnacueca porque a mãe não deixavautilizarosanitárioe mandavaos filhosfazerasnecessidades fisiológicasnomatagal que tinhapróximodaresidênciae assim, nacreche,Joãose sentia amedrontadonomomentode evacuare com medoacabava defecandonacueca.Esse constrangimentodeixava-oaborrecidoporque oscolegasriame issoo irritavalevando-aa cometerváriosatosdeindisciplina. AtravésdosdispositivoslegaisdaLDBEN e de algunsestudiososdaáreacomo Carvalhoe Rubiano,(1994) e Faria,(1999) evidenciamaimportânciadasInstituiçõesde EducaçãoInfantil promoveremodesenvolvimentointegral peladuplafunçãode cuidare educar.O cuidarno sentidomaisamplodeve serpensadocomoanecessidadede acrescentarnoprojeto pedagógicodascrechesaçõesdirecionadotantoparaa satisfaçãodas necessidadesfisiológicas e de higiene quantoparaodesenvolvimentopsicológicoe emocional dascriançase para tanto é precisoque essainstituiçãoincremente atividadesde “cuidado”paraassegurar-lheum melhordesenvolvimento.Deve-sepensarematividadesde promoçãoe socialização. Analisandoasidéiasde Winnicottquantoàtendênciaanti-social,aindisciplinade JoãoPaulo mostra comoele sempre buscachamar a atençãona creche já que em casa ele nãoencontraa segurançae a aceitaçãonecessáriasparatranquilizá-loe é precisoque osresponsáveis possuamfirmezae tranquilidade aomesmotempo,paraproporcionaràscriançasatividades rotineirascapazesde transmitirsegurança,sentimentode confiançabásicatãofundamental nas atividadescotidianas. Disciplinade Tatiane:comportamento(relaçõesnoambiente familiare nacreche). Tatiane é uma criança modelonacreche.Sua obediência,suaeducação,seucompromissoe seucontrole nosmovimentose nafalareforçamoconceitode alunadisciplinada.Noentanto, emcasa elase mostravauma meninaextrovertida,agitadae direta.Elase encaixanaidéiade
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    Winnicottquantoà criança “normal”queprovoca,manobra tentandose impor. Tatiane interagiae se relacionavabemcoma turma, cumpriaos combinados,contavasuas façanhasde final de semana,inventavahistórias, repartiaosbrinquedose sempre estavacom suas atividadesde casaemdia. A reflexãosobre adisciplinade Tatiane nacreche e seucomportamentoemcasa reforçao entendimentode que acriançadeve estáinseridaemumambiente saudável que lhe proporcione maiorsatisfaçãoe lhe dê limites:“Parachegarà birra, a mãe foi uma indisciplinada:proibiue deu,proibiue deu.Desrespeitousuasproibições,ensinandoseufilho a fazero mesmo:desrespeitá-la.”(TIBA,1996, p.38). ComoTatiane sempre encontrouem casa um ambiente equilibrado,ondeasregraseramsempre cumpridase o lazerum direito dela,nãofoi difícil paraTatiane se adequaraoscombinadosdacreche.A mãe de Tatiane relata que nunca deixouafilhaditarasregras, sempre teve autoridadeparacoma mesmae concediasempre odireitode sercriançaalegre e feliz.SegundoIçami Tiba: Quandoos paisse submetemaoscaprichosdo filho,eleficacaprichosotambémemrelaçãoàs outras pessoas.Seupensamentopode sertraduzidoassim:Se até meuspaisque podem mandar emmimnão mandam,quemsãovocêsparamandar emmim?Sentem-se então,o poderosodacasa. (TIBA,1996, p.58) Precisamosestánospoliciandoquantoeducadores,pois,ascriançascopiamo comportamento dos adultos; Filhosfolgadose internamente insegurosforade casapodemse submetertimidamente ao primeiroque lhescolocarumlimite,umamigoouprofessor,porincapacidade de se defender. Entretanto,comoas crianças usam tudoa seufavor,às vezesacontece oinverso:emcasa se submeteme descontamdepoisnaescola.(TIBA,1996,p.59) Ao refletirmossobre avidadessasduascrianças,observa-se oquantoé importante se conhecera realidade dosalunose comoé importante se colocarnas atividadesinfantis brincadeirasde faz-de-contae jogoslúdicosparase garantirum desenvolvimentopsicológico saudável.Vygotsky(1984) consideraas experiênciassociaiscomoumelementoque influencia tanto na maturaçãoe aprimoramentododesenvolvimentoemocional quantono desenvolvimentointelectual.
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    CONSIDERAÇÕESFINAIS Com isso,aorealizaresse trabalho,gostariadeapresentarminhaavaliaçãoemrelaçãoaoque dizos teóricosque me ajudarama escreveresse artigosobre aIndisciplinanaEducação Infantil.Rego(1996, p.100) defendeque “ocomportamentoindisciplinadoestádiretamente relacionadoàineficiênciadapráticapedagógicadesenvolvida:propostascurriculares problemáticas[...],constante usode sançõese ameaças,etc.”(REGO,1996, p. 100); Içami Tiba (1996) argumentaa disciplinaescolaré umconjuntode regras que devemserobedecidas tanto pelosprofessoresquantopelosalunosparaque oaprendizadoescolartenhaêxito. Freire nosdiz:“O professortemque entender,emcertasocasiões,pontosfalhosdoaluno.Ao invés de reprimi-lo,temque ajudá-locomhumildade e tolerância.”(FREIRE,1996). Os estudiososlevam-nosaentenderaimportânciadasinteraçõessociaiscomofonte de desenvolvimentoe transformaçãosocial.Osproblemasestudadosindicamque ainfânciaé um períodopeculiar,e porissodeve serdefinidoatravésdavivênciade cadacriança. De acordo com os teóricosacima,ficouconstatadoque osprofessoresdevembuscarinovação, habilidades,capacitação.Vejamosoque nosdizFreire: Professoresque ministram umaboaaula,umaaula que faça sucessoentre osalunose pronto; trata-se de uma preparaçãopara a vida,de dar a elescondiçõesde tornarem-secidadãos autônomos,oferecerconhecimentosque se incorporemàvida,possibilitando-osseremlivres, decidindo de acordocoma suaprópria consciência,ouseja,educaré maisque transmitir conteúdos,é ensinaraviver(FREIRE,2005, p. 06). Freire noslevaa verque o professordeve demonstrarsegurançanaquiloque estáfazendo, para ser respeitadoporseusalunosdesdeoprimeirodiade aulae paraissofaz-se necessário um bomplanejamento,ambiente adequado,estrutura,materialdidáticosuficiente e criação de normas que possamsercumpridascom eficiência. Não bastaapenaso professorestáinteressadonaboadisciplinae nobomandamentodo aluno,mas,toda a creche juntamente coma família.É na salade aula que se ajuda a construir futuroscidadãoscom personalidade,onde vãoaprenderalimitarseusinstintosque são impulsivose necessitamde correçãodesde a primeirainfância,acomeçarpelafamília. Ao levarospaisa participarde encontros,palestras,reuniõese trocade experiênciascom outrospais,elessairãofortalecidose sentirãoque nãoestãosozinhosnessaluta.É exatamente aíque entraa importânciadoGestor.Ele precisatermuitacriatividade,iniciativa, bomhumor,respeitohumanoe disciplinaparaconscientizarospaisàfrequentarema instituiçãoque ofilhoestuda,comoobjetivode participarde eventosque osauxiliarãoa superare resolveralgunsproblemasde indisciplinaemseuambiente familiar. Tendonesse artigoinformaçõessobre ocomportamentode duascriançasdiferentesemseu ambiente familiare nacreche,ficareforçadaa necessidade de integraçãoentre famíliae instituiçãono que se refere àgarantiade vínculosde qualidade.Paraissoé precisoque se criempolíticaspúblicasconcretase urgentesparaauxiliare organizarmelhoraatuação e aintegraçãodessasinstituições. Vimosque oestudoda indisciplinae suasdiferentes formasde manifestaçãonaprimeira infâncianosfornecemelementosimportantesparaauxiliarpais,professorese gestoresa encontrarsoluçõesparaas mesmas.Destacoa necessidade dasociedade e doestadoagirem de modo a subsidiaraatuação dessasinstituiçõesmelhorandooprocessopedagógico,criando cursos profissionalizantese estabelecendomedidasconcretasparaapoiaras famíliase melhorara qualidade de vidadaspessoas.
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    Por fim,recomendamosoaprofundamentode estudossobreaindisciplinanaEducação Infantil que poderãotrazernovosolhares,comnovasabordagense que essespossamservir como alavancapropulsorade novasreflexõesparaessaquestãopolêmica,nãocomofórmula mágica,mas, que sejaquestionada,provadae quemsabe,aprovada,jáque omeuobjetivoé identificare compreenderosdiferentestiposde indisciplinaapresentadospelascriançasdas crechespara intervirde formabenéfica. REFERÊNCIAS BRASIL,S. F. Lei de Diretrizese BasesdaEducação Nacional:n° 9394/96. Brasília:1996. CARVALHO,AnaMaria Almeida.RegistroemvídeonapesquisaemPsicologia:Reflexõesa partir de relatosde experiência.Psicologia:Teoriae Pesquisa,1996. CARVALHOMara; RUBIANO,Márcia. Organizaçãodo Espaço emInstituiçõespré-escolares. Educação Infantil.SãoPaulo:Cortez,1994. CORTELLA, Mario Sergio.A escolae o conhecimento:fundamentosepistemológicose políticos. São Paulo:EditoraCortez,1998. DUBET, François.Quandoo sociólogoquersaberoque é ser professor:entrevistacom FrançoisDubet.SãoPaulo:RevistaBrasileirade Educação,n.5, maio/ago.1997. FERREIRA,AurélioBuarque de Holanda.DicionárioAurélio.Riode Janeiro:EditoraNova Fronteira,1986.
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    FREIRE, Paulo.Pedagogiadooprimido.23ªed.São Paulo:EditoraPaze Terra,1996. FREIRE, JoãoBatista.Educação de CorpoInteiro – Teoriae prática da Educação Física. São Paulo:Scipione,1997. REGO, TerezaCristina.A indisciplinae oprocessoeducativo:Umaanálise naperspectiva vigotskiana.SãoPaulo:Vozes,1945 ROSSINI,MariaAugustaSanches.PedagogiaAfetiva.4ªed.Riode Janeiro:Vozes,2001. TIBA,Içami.Disciplina,LimitenaMedidaCerta.38. ed.SãoPaulo:Gente 1996. VIGOTSKY,L. S. A formação Social da mente.SãoPaulo:MartinsFontes,1984. WINNICOTT, D. W. De novoem casa. Em: Privaçãoe delinquência.2ªed.Riode Janeiro: Martins Fontes,1945. WINNICOTT, D. W. Algunsaspectospsicológicosdadelinquênciajuvenil.Em:Privaçãoe delinquência.2ªed.Rio de Janeiro:MartinsFontes,1946. WINNICOTT, D. W. Raízesda agressão.Em: Privaçãoe delinqüência.Agressãoe suasraízes.2ª ed.Riode Janeiro:MartinsFontes,1964 1 INTRODUÇÃO Com reflexõessobre aindisciplinanaeducaçãoinfantil,buscamosdiscutirsobre anecessidade de ampliaçãoda visãocriticaem relaçãoà indisciplina,alémde atentarparaa questãodo papel daescola,paise da relaçãoprofessor-alunonestaestabelecida. A escolasofre reflexosdomeioemque estáinserida.Oproblemadisciplinaré, frequentemente,repercussãodosconflitosdafamíliae domeiosocial envolvente. As pessoasque rodeiamoaluno,maispropriamente aspessoasde família,influemmuitono seucomportamento,poisacriança nasce no seiodesta,sendo,portanto,ospaisosprimeiros educadores. A extraordináriainfluênciadosque quotidianamentetratamcomos alunos reflete-se emmuitosdosatospraticadosporeles.A ação da Famíliacomeça desde oberço, muitoantesda ação da Escola.Sendoa importânciada ação familiarnatarefaeducativa reconhecidapelaEscola,impõe-seumaíntimacolaboração,que deverásignificaraajuda mútuana consecuçãodo ideal educativo. Para uma educaçãoidealmenteconstruída,adisciplinadeveriaserconseqüênciavoluntáriada escolhalivre e,comoconsequênciadadisciplina,aliberdadedeveriaenriquecer-se de possibilidades,nãosendoantagônicososdoisprincípiosde liberdade e de disciplina. O climada aula deve serde liberdade e de tolerância,de modoapermitirque osalunos tomemconsciênciadosseusvalorese ajamemsintoniacomeles.A autonomiaconduzà autodisciplina,nãosignificando,noentanto,que oprofessortenhaumaatitude de indiferença,oude apatiaperante osalunos.Pelocontrário,assuasatitudes,embora
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    democráticas,devemserfirmes. Nosnossosdias,cada vezé maisdifícilestabeleceradisciplinae fazê-larespeitar.Comoefeito da evoluçãodascondiçõesgeraisde vida,emtodososmeios,ascrianças tornaram-se mais independentes,menosdispostasaobedeceràautoridade dosadultos. Hoje,vive-senumasociedadeemque aunidade familiarse encontradesgastada,semque o lar possaofereceraconchego,umavezque ospais,graças às deslocaçõesparao empregoe às longasjornadasde trabalhoque lhesasseguramasubsistência,deixamde estarpresentesnos momentosmaisdifíceis. Este tema é,semdúvida,demasiadovasto.Tendoemconsideraçãoasua amplitude,serão tratadas apenasalgumasvertentes,nãonumaperspectivade metade chegadade conhecimentosdefinitivos,masde pontode partida para outras abordagensinterativasdoato educativo.Comoaindisciplinaconstitui,atualmente,unsdosproblemasmaisgravesque a Escola enfrenta,nãopodiamdeixarde serreferidos,também, osefeitosnegativosque ela produzemrelação aosdocentes. Portanto,o objetivoque orase propõe opresente trabalhoseráidentificarconcepçõesde disciplinae comoprofessores,paise alunosasincorporamnoseucotidiano. Para tanto,tivemoscomobase os estudosde Groppa(1996) e de Estrela(1994), nosquais, atravésda abordagemqualitativa,procuramosdemonstrarasváriaspossibilidadesde entendimentosobre otemaproposto,alémde discutiraquestãoda disciplinae daindisciplina como elementopertencente aoprocessoeducativo,e porissomesmo,fomentador deste. O presente trabalhoconstade Introdução,naqual apresentamosotema,a justificativae os objetivosdapesquisa. Capítulo1. A Trajetóriada Pesquisa(justificativa) Capitulo2.Indisciplinaescolar,noqual desenvolvemosreflexõesacercadosváriosaspectos emque pode ser consideradaaindisciplinae adisciplina,alémdosefeitossobre osdocentes. Capitulo3.Onde falada diferençaentre autoridade e autoritarismonapráticado docente e tambémdopapel da escolae da relaçãoprofessor-aluno. Capitulo4.Referencial teórico(A ParticipaçãodospaisnaEd. Escolar) CAPITULOI – A TRAJETÓRIA DA PESQUISA 1.1 JUSTIFICATIVA Historicamente,aescolae a família,tal qual as conhecemoshoje,sãoinstituiçõesque surgem, com o adventodamodernidade, ambasdestinadasaocuidadoe educaçãodascrianças e jovens.Naverdade,àescolacoube a funçãode educar a juventude namedidaemque o tempoe a competênciadafamíliaeramconsideradosescassosparao cumprimentode tal tarefa.Os saberesdiversose especializados,necessários,àformaçãodasnovasgerações, demandavamcadavezmaisao longodo tempo,umespaçoprópriodedicadoaotrabalhode apresentaçãoe sistematizaçãode conhecimentosdessanatureza,diferente,portanto,daquele organizadopelafamília. No Brasil,aescola,como instituiçãodistintadafamília,construiu-seaospoucos,àscustas das pressõescientíficase doscostumescaracterísticosde uma vidamais urbana.Aproximadamente doisséculos,sinalizaramparaanecessidade de umaorganização voltadaà formaçãofísica, moral e mental dosindivíduos;missãoessaimpossívelparao âmbito doméstico. Esse modeloesteve aserviço,sobretudodurante oséculoXIX,damoldagemdaselites intelectuaisnacionais.A escolaeraprofundamente diferente dafamíliae,ofereciaàformação
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    das crianças edos jovensauma educaçãoda qual nenhumaoutrainstituiçãopoderiase ocupar. OsprimórdiosdaRepública,naondadosmovimentossociais,políticose culturaisque marcaram a época,impuseramanecessidade de modernizarasociedade e colocara Nação nos trilhosdocrescimento,exigindoentãoumoutromodeloe umamaiorabrangênciadaação educacional. Assim,comopodemosobservar,adiscussãosobre aparticipaçãoda famíliana vidaescolarde seusfilhosnão é recente.Hádécadasque se vemrefletindosobre comoenvolverafamília, promovera co-responsabilidadee torná-laparte doprocessoeducativo.Semdúvida,tal aproximaçãotrata-se de umadifícil tarefa,isto,emfunçãodasinseguranças,incertezase da faltade esclarecimentosobre oprocessoeducacional,suaslimitações,bemcomosua abrangência. Comporuma parceriaentre escolae famíliapressupõe de ambasaspartes,a compreensãode que a relaçãofamília-escoladevese manifestarde formaque ospais não responsabilizem somente àescolaa educaçãode seusfilhose,poroutrolado,a escolanão pode eximir-sede serco-responsável noprocessoformativodoaluno. A presente pesquisajustifica-se pelanecessidadede contribuirnoprocessoensino- aprendizagemdacriançade zero a seisanosda Educação Infantil,e porentendermosque a parceriaentre a famíliae a escolaé de suma importânciaparao sucessono desenvolvimento intelectual,moral e naformação doindivíduonessafaixaetária. Os paradigmasde interpretaçãoe de gestãodasrealidadessociaisdefendemmodelos sistêmicosnumaperspectivade integraçãofuncional emque aflexibilidade,amudançae o conflitosãoelementosque devemsercoagidos.Neste sentido,alémdoestudodasestruturas e dasfunçõesda famíliae da escola,havemosde considerar,também,astransformaçõesque estãoocorrendona sociedade moderna,nassuasinstituiçõese conforme osquadrossociais que estãoinstáveis,daídecorrentesque exigemumacompreensãodinâmicae respostasmais articuladas. 1.2 EDUCAÇÃOINFANTIL As preocupaçõescoma educaçãoinfantil nãoé umfato recente,desde oiniciodascivilizações que elatemseupapel na formaçãodo indivíduo.Oque mudoufoi a maneirade pensaressa educação. Na Gréciaantiga, o conhecimentoeratransmitidocomoobjetivode elevaçãointelectual, porémcom o passar dotempoe muitosdesgastesnastécnicaseducacionais,levarama educaçãoa serresumidaatransmissãode conhecimentos,e acessível apenasásclasses abastadas.Porémcom a criação da escolapública(séc.XVI) inspiradanasidéiasalemãs, tornou-se maisacessível áquase todos,porémaeducaçãoainda nãoera de muita qualidade. O progressoalcançadoempoucosanos noscuidadose educação das crianças,pode ser atribuídomaisa umdespertarde consciênciadoque á evoluçãodascondiçõesde vida.Nãofoi apenaso progressodevidoahigieneinfantil que se desenvolveuemespecial naúltimadécada do séculoXVIII,apersonalidade daprópriacriançamanifestou-sesobnovosaspectos, assumindoamaisalta importância,comofrisaMONTESSORI(1980):"Não é a criança física ,masa psíquicaque poderádar ao aperfeiçoamentohumanoumimpulsodominante e poderoso."A concepçãode educaçãoinfantil implantadanoséculoXVIII,foi de suma importânciaparaa criança ,poissegundooeducadore fundadordosjardins-de-infânciao alemãoFROEBEL (1782-1852) ,a infânciaé a fase maisimportante e decisivanaformaçãode pessoas,e comparava-asa umaplanta emsua fase de formação,exigindocuidadosperiódicos para que cresça de maneirasaudável .Astécnicasutilizadasaté hoje emEducaçãoInfantil
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    devemmuitoaFroebel ,poisparaele,asbrincadeirassãoosprimeirosrecursosnocaminhoda aprendizagem. É noperíodopré-escolar,que ascrianças têma oportunidade de trabalharcomconteúdos adequadosparasua idade,sendomanipuladosde formacorretaparaseremabsorvidospor elas,trabalharcom atividadeslúdicas,de formacomque estacontribuacom seu desenvolvimento,auxiliandocoma construçãodo conhecimento,e assim, naformaçãoda criança, pois,jáse sabe ,que acriança não aprende apenascomatividadesformaise sistematizadas. A socializaçãoé outracontribuiçãofornecidapelaEducaçãoInfantil,poisdepoisdafamília,o primeirocontato que a criança tem,é comum grupoestanhoe acontece nascrechese pré– escolas,oportunizando-asexploraronovo. Enfim,a Educação Infantil temumpapel umpapel significativonomundoinfantil,pois apresentaráatividadesque iramauxiliarnoseudesenvolvimentosocial,cultural,psíquico, motor sensorial e cognitivo,construindooaprendizadoatravésdasexperiênciasvivenciadas pelacriança. 1.3 A EDUCAÇÃOINFANTILCOMODIREITO DA CRIANÇA As significativasmudançasocorridas,noâmbitolegal,social e educacional,determinando novasdiretrizese parâmetrosnoatendimentoácriançasde 0 á 3 anos de idade promoverama necessidadede reordenamentonaestruturafuncional e organizacional dessasinstituições,e principalmente naquelasvoltadasparaoatendimentode criançasvulnerabilizadaspela situaçãopelasituaçãode pobreza,abrangendoalémdaassistênciasocial ,alcançara educação. Estas mudançasse deram nãoapenaspor movimentossociaisorganizados,maspela promulgaçãoda ConstituiçãoFederal de1988(CF/98),naqual a criança é reconhecidaemsua cidadania,e portantocomo sujeitode direitos. A CF/88 em seuartigo208-IV determinaque "odeverdoEstadocom a educaçãoás crianças de 0 á 6 anos seráefetivadomediantegarantiade atendimentoemcrechese pré-escola." Por sua vez,oEstatuto da Criançae do Adolescente,em1990 retificouque é deverdoEstado assegurar..atendimentoemcrechese pré-escolaáscriançasde zeroa seisanosde idade..(ECA,art54-IV). A lei nº394, de 20 de dezembrode 1996 ,Lei de Diretrizese Bases(LDB),emseuartigo4°- VI,confirmou,maisumavez,que oatendimentogratuitoemcrechese pré-escolaé deverdo Estado.Deixouclarotambémque oatendimentoaestafaixaetáriaestásoba incumbênciados municípios(art.11-V),determinandoque todasasinstituiçõesde EducaçãoInfantil ,publicase privadas,estejaminseridasnosistemade ensino.Comoparte integrantedaprimeiraetapada educaçãobásica,aEducação Infantil foi divididaemcreche(zeroatrêsanos) e pré- escola(quatro áseisanos),conforme artigo31-Ida LDB/96. CAPÍTULOII – FATORESCONDICIONANTESDA DISCIPLINA/INDISCIPLINA São múltiplososfatoresque condicionamadisciplina,tantonoespaçosalade aula,como no espaçoEscola. SegundoDomingues(1995),podemconsiderar-sefatoresestruturais(escolaridadeobrigatória, númerode alunosporturma, currículosescolarese autoridade doprofessor),fatoressociais (representaçõessociais,subculturasdocentese discentes,e poderesdosprofessorese dos alunos) e fatorespessoais(objetivosindividuais,estilosde ensinoe estratégiasde
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    aprendizagem). 2.1 INDISCIPLINA ESCOLAR Nestemomento,discorremosacercadasdiscussõesemtornodosconflitosque permeiama educaçãoformal e dasvárias tentativasde se estabelecer,ouaindade se encontraras causas dos distúrbiosnoprocessode aprendizagem,é que propomos,comeste trabalho,confrontar idéiasque têmcomofiocondutora questãoda indisciplinanasalade aula,sobpensamentos advindosdoprocessoeducativocomoumtodo. É a partirda ótica panorâmicade Groppa (1996), a problemáticageradapelaindisciplinana escolaesuasrelaçõescomosaspectosformadoresdohomem, taiscomoos psicológicos, sociológicos,filosóficos,políticose éticos,que desenvolvemosnossa pesquisa. Indisciplinaé sempre comportamentoimpróprio(desobediência,desrespeitoou agressividade),sejanafamíliaquandoumacriançafaz algode perigoso,se elaforagredidaao invésde orientadapode se tornaragressivae expressarsuarevoltaemformade indisciplina.Noesporte háregrasmasse elasforemmal aplicadastambémpoderágerar indisciplina.Omesmoocorre naescola,quandoasregrasde convívionãosão bemelaborada se esclarecidas:ocorre aindisciplina.PoiscomodizFREIRE(1998): "Disciplinaprontanão existe,é precisoque todosossujeitosenvolvidosnoprocessoeducacional (pais,alunose escolas) participemdaconstruçãodosistemade disciplina". Numpaís que prima peladesorganização,pelodesrespeitoatodoe qualquertipode ordem ou norma,que coloca interessesde algumaspessoasougruposminoritáriospoderososacima de valoreshumanosde dignidade,respeitoe solidariedade,disciplinaré nãosó uma proposta temerária,comoumgrande desafio. A escolavemestruturadacomuma série de regras,diferentesdadisciplinadafamília,e querendoenquadrartodosnessaregra.A escolatomaadisciplinacomoregrae não como objetivoeducacional,comodeveria. De acordocom o pesquisador,oexcessode indisciplinanaescolasugere que ainstituiçãonão estácumprindoseupapel."Asescolasde hoje se dizempreocupadascoma formaçãocidadã dos alunose propõemoensinode regrasdeconvivênciasocial.Porisso,aindisciplinaouo excessodelademonstrafracassonoseutrabalhode socialização",argumenta.A indisciplina afetaa vidaescolarporque perturbaa relaçãopedagógica,impactandonegativamente o aprendizadodosalunos.SegundoCampos,existempesquisasque demonstramque osalunos de periferiasãomaisafetadosporesse distúrbionarelaçãode aprendizado."Issoé maisuma barreira,que se soma às outrasque a gente jáconhece",conclui. A indisciplinaemcriançasemidade pré-escolarpode ocorrertambémpelofatode aaulaser mal planejadaounão planejada,tendoemvistaque nessaidadeasatividadesescolares devemserdiversificadase de curto tempo,poisacriança. 2.2 OS VÁRIOSASPECTOSDA INDISCIPLINA De acordocom os estudosde Groppa (1996), a problemáticageradapelaindisciplinanaescola estárelacionadacoma interpretaçãoe administraçãodoato indisciplinado.Éopontoem que o educador,(porsentira substituiçãodaautoridade pelaperplexidade),se perde e iniciaa busca por soluçõesimediatistas,umavezque alinhadivisóriaentre aindisciplinae a violência é muitotênue. Desse modo,é sobas consideraçõesde Yvese de La Taille,que encontramossubsídiosou argumentos,paratratar dosproblemasrelacionadosàaprendizagem, (consideradosna
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    maioriadasvezessobuma visãosimplista)àluzde umaótica emque estão inseridosmaisque as questõesescolarese sãoconsideradososaspectosouelementosformadoresdohomem. Assim,aindisciplinapassaaser discutidasobdimensõeshumanasemque nãocabemmais julgamentos,rótulosoujustificativasculposas,e simquestionamentos,reflexõese aampliação do conhecimentoacercadohomemcontemporâneo,dadisciplina,daaprendizageme do espaçoe da identidadeocupadoshoje pelaescola. Para La Taille (1996),trata-se de estenderaindisciplinaàarticulaçãode váriasdimensõesem que não cabemmaisa normatizaçãodotemaapenasà questãomoral,aoseureducionismo psicológicosobumúnicoviés,assimcomoa indiferençapelacomplexidade que compõe.Sob tal pensamento,oautordiscorre que [...] Se entendemospordisciplinacomportamentosregidosporumconjuntode normas,a indisciplinapoderáse traduzirde duasformas:1) a revoltacontraestasnormas; 2) o desconhecimentodelas.Noprimeirocaso,aindisciplinatraduz-seporumaformade desobediênciainsolente;nosegundo, pelocaosdoscomportamentos,peladesorganização das relações.(LA TAILLE1996, p.10) Sob taisconsiderações,é tecidaalinhade pensamentonaqual oautor observaque o desconhecimentodasnormas,osconflitoscomportamentaise oestremecimentodasrelações, atualmente revelamoquadroemque se encontraa educaçãobrasileira. Assim,oautor utiliza-sedotextode Yvese de La Taille,paraquestionarporque ascrianças não obedecemnemaospaise nemaos professorese porque elasnãotêmlimites. Tal questionamentotambémé feitoporEstrela(1994), sobo pensamentode que oproblema da disciplinanaaulae na escolaé um problemade prevençãoe é a nível de prevenção,e não da correção que a pesquisatemavançadoe tambémfornecidomaterialimportante paraa reflexãoe açãodosdocentes. Desse modo,a autora consideraque,aescolaenquantosistemaabertoemconstante interaçãocom o meiosofre reflexode todososconflitosexistentes,comoporexemplo: turmas numerosas,escolassuperlotadas,nível de remuneraçãobaixodosdocentes,oque afasta doensinoosmaiscapazes,númeroelevadode alunosoriundosde meios economicamentedegradados. No entanto,amanutençãoda disciplinaconstituiumapreocupaçãode todasas épocas,a vida do professortemsido sempre amarguradapelaindisciplinadascriançasque perturbam ‘ordeminstituídaparaseuprópriobem’. Para Estrela(1994), é importante que tenhamosumainterpretaçãofuncional daindisciplina, que nos permitafazerdistinçãoentre indisciplinanaescola e outras formasde indisciplina social e nesse sentido,aautorapontuaque a indisciplinaescolarnãodeve,portanto, confundir-se comdelinqüência. Groppa (1996) argumentaque a disciplinapode serentendidacomocondiçãonecessáriapara arrancar o homemde suacondiçãonatural selvageme nessaperspectiva,apermanência quietanasala de aula,serviriapara ensinaracriança a controlar seusimpulsose afetose não para o bom funcionamentodaescola,jáque a questãoorganizacional daescolanãodepende cem porcento docomportamentodoalunoe simda interaçãodeste como funcionamentode suas políticasinternas.Nestecaso,existeumfocodispensadomuitomaisaospreceitosmorais da disciplina,doque areal dimensãoemque estase insere,umavezque estetemanãose encerrano contextoescolar,aocontrário,este é apenasumreflexodasituaçãosocial vigente. 2.3 – EFEITOSDA INDISCIPLINA SOBREOPROFESSOR
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    A indisciplinaproduzefeitosnegativosnoaproveitamentoescolare nasocializaçãodosalunos. Estesefeitosnegativosexercem-setambémsobreoprofessor,provocandonele desgaste físico e psicológico,ansiedade,fadiga,tensão,perdade eficáciaeducativa,diminuiçãode auto- estima,sentimentode frustraçãoe desânimoe "stress".Este conjunto de fatorespodelevar, emúltimocaso,ao abandonoda profissão(Estrela,1992). Estesaspectosnegativosatingem,sobretudoosprofessoresmenosexperientese menos preparadospedagogicamente. CAPITULOIII - AUTORIDADEE AUTORITARISMONA PRATICA DOCENTE Muitas vezesacriança se depara com umaaula mal planejadaounão planejada,com conteúdosincoerentescomsuaidade e/ourealidade social daturma,e reage a issocom a indisciplina,e osprofessorespassamausar seucargo de autoridade,emformade autoritarismo,parainibir-los. A autoridade porparte do professoré fundamentalparacontrolara disciplina,poiscomo defende FREIRE(1989):"A criança entregue aelamesma,dificilmentese disciplinará".Todavia, ele tambémprega,que estaautoridade nãodeve se daremforma de autoritarismo,pelo contrario,oprofessortemque respeitarascaracterísticas sócio-culturaisdosalunos. Há uma necessidade de autoridade,poissemessanãose fazeducação; o alunoprecisadela, sejapara se orientar,sejapara poderopor-se (oconflitocomaautoridade é normal, especialmentenoadolescente),noprocessode constituiçãode suapersonalidade.Oque se critica é o autoritarismo,que é a negaçãoda verdadeiraautoridade,poisse baseiana coisificação,nadomesticação dooutro. A autoridade se definesempreemcontextoshistóricosconcretos.Eo primeirogrande desafio para o resgate da autoridade doprofessoré a necessidade de ressignificaroespaçoescolar, ganhar clarezasobre qual é de fatoo papel daescolahoje, porque serájustamenteneste espaçosocial que o professordeveráexercersuaautoridade,que obviamentecareceráde sentidose a própriainstituiçãonãoconseguirjustificarsuaexistência.Umsegundodesafioé o professorconseguirse refazer,se reconstruirdepoisdesteturbilhãotodoaque foi - e ainda está- submetido. 3.1 O PAPELDA ESCOLA E A RELAÇÃOPROFESSOR-ALUNO Ao abordara questãodopapel daescolana sociedade e sobre aresponsabilidadedestaem relaçãoà criação de espaçosque proporcionamoexercíciodacidadania,La Taille (1996), considerao‘olharadmirador’dosdiasde hoje,noqual o homempós-modernoage de acordo com a relaçãovergonha-sociedade,(jásofre astiraniasdaintimidadee seuinteresse diz respeitoàsua personalidade, aseusafetos),parasituaro que ele denominade declíniodo Homem-Público. Nesse sentido,discorre sobre asconseqüênciasmorais,que estassãonaturaisa este processo do declínio,(nãoque ohomemsejaimoral),porémconsideraque suaaçãomoral fica relutante emassumircertosvaloresque estariamcontradizendosuabuscadeprazer,oque lhe seriamaisautêntico. Remetendotaisconsideraçõesàindisciplinaemsalade aulaLa Taille,(1996),desenvolve seus pensamentossobidéiade que “Todamoral pede disciplina,mastodadisciplinanãoé moral.” E desse modolançao seguinte questionamento:“Oque há de moral empermanecerem silênciohorasafio,ouem fazerfila?”La Taille (1999, p.19). Nessaperspectiva,oautorenfatizaconsideraaimportânciae a necessidade doexamedas
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    razõesde ser dasnormasimpostase doscomportamentosesperadossoboângulodo enfraquecimentodarelaçãovergonha-moral,daatençãodadasomente aoque é particular,do direcionamentodasmotivaçõesdoserhumanoaodesejo,davergonhade servelhoe parecer joveme da desvalorizaçãodoestudoe dainstrução. Groppa (1999, p.23), defende umalinhade pensamentocomplexaemque “[...] paraser cidadãos,sãonecessáriossólidosconhecimentos,memórias,respeitopeloespaçopúblico, um conjuntomínimode normasde relaçõesinterpessoais,e diálogofrancoentre olhareséticos. Não há democraciase houvercompletodesprezopelaopiniãopública.” Tambémas consideraçõesde Estrela(1994),vêmde encontroà concepçãohumanistade que é a partir de relaçõesreaisque oindivíduopode aprenderalidarcom as maisdiversas situaçõese considerandoaescolacomoum espaçoonde intencionalmente conhecimentoe culturasão exercitados,pode-selidarcomaindisciplinae construirumnovopadrão de disciplina. Nestestermos,cadaescola,cadasala de aula,é um espaçohistórico-pedagógico;apesardas modificaçõesprofundasque aescolasofreunaépocacontemporânea,existemnela,ainda, herançasdo magistrocentrismotradicionalemque oprofessoré o donodo saber,que resistemàmudançasdos tempose dasvontades. Para Groppa (1996), o pontode vistapsicológicoentende o‘reconhecimentodaautoridade’ externaque é anteriorà escolarização,daíporque a queixadoseducadoressobre a inexistência, nosujeitodanoçãode autoridade e aindaque há de se pensara estruturaescolar juntamente comafamiliar,poissãoduasdimensõesque se articulam. Desse modo,a educaçãonão é responsabilidadeintegral daescola,e sim, umdoseixosque compõe todoprocesso.Entretanto,narelaçãoprofessor-aluno,que aindaexiste,percebe-sea ênfase ànormatizaçãoindividual,esvaziandoaescolade seuobjetivomaior,que é otrabalho de recriação do legadocultural,oque fazcom que gaste-se muitomaisenergiae tempocoma questãodisciplinadoradoque com a tarefaepistêmicafundamental. No entanto,parao autor, investirnumasedimentaçãomoral doalunoexigiriaumanova posiçãoconsensual dosenvolvidossobre estainfra-estruturapsíquicae istonãoexiste.Assim, a tarefa doprofessor,aocontrário,é bemdefinidae dizrespeitoaoconhecimentoacumulado. De acordocom os estudosaqui apresentados,procuramosatentarparaa questãodadisciplina e da indisciplinaemseussentidosmaisamplos,de modoque nãopairasse aidéiade visão reducionistaentre ume outrotema.Buscamos,ainda,deixarimplícitasreflexõesacercado papel daescolae da importânciadarelaçãoeducador-aluno,paraque afunçãodaescolase cumpra. Fica clara,portanto,que a indisciplinaháque servistocomo umfenômenoprópriodohomem contemporâneoe dasimplicaçõesadvindasde seumeiosocial. A grande questão,é que,quandose trata de observara indisciplinanocontextoescolar,mais precisamente nasalade aula,entramemconfrontoa ótica da escola,(pautadaemuma educaçãotradicional,que temoautoritarismocomobase),aeducaçãodemocrática (defendidaporváriosestudiosos)e oalunoreal,freqüentadordaescolae que é frutoda sociedade contemporâneae porissomesmo,comanseios democráticos,libertadores, autônomos. Desse modo,oque deve sermudadoneste conflito,é óticapelaqual adisciplinae a indisciplinasãoobservadas. Há então,que se ampliarasvisões,osconhecimentos,asconsiderações,osestudose as relações,paraque professores,alunose cidadãospossaminter-relacionarem-se emuma escolareal,comvaloresreais,e que cumpra seureal papel que é o de fornecerespaçosde culturae de vidapara que o alunoque de lá saia,estejaprontoparapraticar a cidadania
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    apreendidadocontextoescolar. Nessaperspectiva,e de acordocomosautoresaqui abordados,a indisciplinadeixaráde sero motivodasdoresde cabeça dos educadores,paraatuar comoagente revolucionadore construtordos váriosconhecimentosque oindivíduonecessitaparaviveremcomunidade e emcomunhãoconsigoe com osoutros. CAPÍTULOIV - A PARTICIPAÇÃODOSPAISNA EDUCAÇÃOESCOLAR(REFERENCIALTEÓRICO) A escolapode serpensadacomoo meiodocaminhoentre a famíliae asociedade. Neste delicadolugar,tantoafamíliaquantoà sociedade lançamolharese exigênciasàescola. No que se refere àfamília,é necessáriodizerque ahistoriografiabrasileiranoslevaaconcluir que não existe um“modelode família”e simumainfinidade de modelosfamiliares, com traços emcomum,mas tambémguardandosingularidades.Épossível dizerque cadafamília possui umaidentidade própria,trata-se naverdade,comoafirmamváriosautores,de um agrupamentohumanoemconstante evolução,constituídocomointuitobásicode provera subsistênciade seusintegrantese protegê-los. Estão presentesdessamaneira,sentimentospertinentesaocotidianode qualquer agrupamentocomoamor, ódio,ciúme,inveja,entre outros.Emrelaçãoàs expectativasda famíliacom relaçãoà escolacom seusfilhosencontram-se váriasfantasiasfamiliarescomoo desejode que ainstituiçãoescolar“eduque”ofilhonaquiloque afamílianãose julgacapaz, como,por exemplo,limite e sexualidade;e que ele sejapreparadoparaobterêxito profissionale financeiroviade regraingressandoemumaboauniversidade. A sociedade procuraterna escolaumainstituiçãonormativaque trate de transmitiracultura, incluindoalémdosconteúdosacadêmicos,oselementoséticose estruturais.Éapartir daí que se constrói o currículo manifesto(escritoemseusestatutos)e ocurrículo latente (odia-a-dia). (Outeiral apudSiqueira,2002, p.01). Embora bemdelimitadasasdiferençasentre casae escola,passou-se abuscarmais o apoio desta,entendendo-seaeficáciadaação normalizadoradaescolasobre crianças e jovens quandorespaldadaspeloconhecimentoe aquiescênciadafamília.A despeitodisso,reservava- se à escola,24 os direitossobre oconhecimentocientíficoacercadas áreasdisciplinares,como tambémsobre aquelesque diziamrespeitoaosprocessosde aprendizagemdascriançase adolescentes,conhecimentosestesinformadospelabiologia,psicologiae ciênciassociais preservandoaescola,destaforma,seulugarde autoridade nogerenciamentodasquestões pedagógico- educacionais. Hoje vivemosumoutrotempo,bemmaiscomplexo,diversoe inquietantedoque háalgumas décadas,a escolaenfrenta,alémdodesafiofrente aodomíniodoconhecimento,em permanente mudança,tambémodesafiodarelaçãocomseusalunos,sejamelescrianças pequenasoujovens. Semdúvidaesse contextoé perspassadoporquestõesde diferentesnaturezas,entre asquais os dilemasdodesempenhocurricularaserpropostona contemporaneidade,osimpassesda escolhadosencaminhamentosmetodológicosmaisadequadosasrelaçõesde ensino,os limitese possibilidadesdamanutençãode umarelaçãoprofessoralunocomqualidadee a famíliaé consideradapeçachave nesse momentode crise. Ao ladoda família,aescolapermanece sendoumespaçode formaçãoque deve,paratanto, repensara suaação formadora,preocupando-se emformarseuseducadoresparaque os mesmosreúnamrecursosque ospermitamlidarcomos conflitosinerentesaocotidiano
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    escolar.É, portanto,na escola,refletindosobreoque há para serensinadoàscriançassobre a metodologiaque pode tornarmaiscoesaaação do conjuntodocente,que aescolapoderá encontrarsaídas legítimasàsuperaçãodos problemasmoraise éticosque assolamoseudia-a- dia.Nesse sentido,semabdicardolugarreservadoaoensinoformal,é precisoque osespaços destinadosàformaçãodoseducadoresnointeriordaescoladêem, também, prioridade à reflexãopolítico-filosóficasobre ossentidose possibilidadesdaação educacional paraque se possa,destafeita,recuperarouconstituirumnovoideárioparaa escola. A escolanãoé a única instânciade formaçãode cidadania.Mas,o desenvolvimentodos indivíduose dasociedade depende cadavezmaisdaqualidade e daigualdade de oportunidadeseducativas.Formarcidadãosnaperspectivaaqui delineadasupõe Instituições onde se possaresgatar a subjetividade interrelacionadacomadimensãosocial doserhumano, emque a produçãoe comunicaçãodoconhecimentoocorramatravésde práticas participativase criativas. Trata-se de uma instituiçãodasociedade naqual a criança atua efetivamente comosujeito individuale social.Éum espaçoconcretoe fundamentalparaa formaçãode significadose para o exercíciodacidadania:na medidaemque possibilitaaaprendizagemde participaçãocrítica e criativa,contribui paraformarcidadãosque atuemna articulaçãoentre o Estadoe a sociedade civil.Paraa família,oensinoquantomaisindividualizado,melhorparaseufilho, poisnessaconjeturavai havera peculiaridadede melhorajudá-lose adestacá-lo.As preocupaçõestransitam,portantonoâmbitodoprivado.Este enfoque maissocialdoque individual,carregaobjetivoséticos,poisaescoladeve serumespaçode valorizaçãotantoda informação,comoda formaçãode seusalunos,dentrode umaestruturacoletiva. A escolacomoinstituiçãobuscaatravésde seuensino,que seusalunospossamassumira responsabilidade poreste mundo,comodizArendt(apudCastro,2002): Ultrapassaos desejosindividuaise estaresponsabilidadesó poderáadvir,atravésdo enlaçamentoentre conhecimento,e ação,entre osabere as atitudes,entre osinteresses individuaise sociais.A escola,comoum novomodelo,iráampliaromundodosalunos, convidando-osaolharsuasexperiênciascomumaoutralente,que nãoa familiar,oque alteraráos significadosjáconhecidos.A escolapúblicatemmaisfortemente,então,a responsabilidade daapresentaçãode conceitose conteúdosherdadosde nossacultura,pois muitascrianças sóterão acessoa estaherança, atravésde sua passagempelaescola,que deve então,abrircaminhosde acessoà culturade maneiraigualitáriaparatodose neste sentido, lutarcontra os privilégiosde umaclasse social.Todoeducadorenquantomediadordovínculo entre alunoe a cultura, entre a escolae a família,estámergulhadose comprometidosnesta rede de interessesdosdominantese dosdominados.(p.01). Existemescolasque trabalhamvisivelmente noobjetivode reproduçãodosvalorese ideologiasdominantes,outrastemumaposição maiscrítica,mas todas assumemposições políticas,poisa escolhadosconteúdosaseremensinados,oestiloe ométododeste ensino, suas regras,sua maneirade avaliar,de receberafamíliaetc.,traduzemosobjetivosdas instituições,deixandoclarasas opçõese desvelandoseusinteressesmaisespecíficos. Partindode um levantamentodahistóriadaparticipaçãodafamíliana educaçãovimosque os interessesdasfamíliasforamacolhidosmaisfortemente naescolabrasileira,apartirdas décadasde 60/70, atravésdo movimentode RenovaçãoPedagógica,que abriuumagrande lacunapara a entradade um olharmais psicológiconoâmbitoescolar,ampliandoaatenção com cada criança, suasescolhase desejos,seutempode aprenderentre tantos. Enfrentamos,porém, conflitosdecorrentesdasituaçãovivida,poispassamosde umvalor
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    centradono conteúdoe noeducador,paraum valorcentradona criança e emseuprocessode aprender.Odesafiodasescolashoje é sairdosextremos,buscandovalorizartantoa informação, comoa formação,tanto no educadorcomono educando,tantoo métodocomo os conhecimentosacumulados,resgatandoaimportânciadogrupona construçãode conceitos e valores.Conforme esclareceCampos(1983): A palavrafamília,nasociedade ocidental contemporâneatemaindaparaa maioriadas pessoas,conotaçãoaltamente impregnadaparaa maioriadaspessoas,conotaçãoaltamente impregnadade carga afetiva.Osapologistasdoambientedafamíliacomoideal paraa educaçãodos filhos,geralmente evidenciamo calormaternoe o amor como contribuiçãopara o estabelecimentodoeloafetivomãe-filho,inexistentenocasode criançasinstitucionalizadas. Um dos representantesdestepontode vistafoi Bowlby.(p.19). A complexidade doprocessode socializaçãoé evidentee torna-se bastante expressivadentro do processoensino-aprendizagematravésde aspectosdotipo:imitação,identificaçãoe mais um conjuntode característicasdeterminadaspelocontextofamiliar,que irãointeragirno desenvolvimentodacriançadentroda instituiçãoescolar. De umamaneirageral,sobre a relaçãofamíliae educação,afirmaNérici (1972) A educaçãodeve orientaraformação dohomempara ele podersero que é da melhorforma possível,semmistificações,semdeformações,emsentidode aceitaçãosocial. Assim,aação educativadeve incidirsobre arealidade pessoal doeducando,tendoemvista explicitarsuaspossibilidades,emfunçãodasautênticasnecessidadesdaspessoase da sociedade (...).A influênciadaFamília,noentanto,é básica e fundamental noprocesso educativodoimaturoe nenhumaoutrainstituiçãoestáemcondiçõesde substituí-la.(...) A educaçãopara ser autêntica,temde descerà individualização,àapreensãodaessência humanade cada educando,embuscade suas fraquezase temores,de suasfortalezase aspirações.(...) Oprocessoeducativodeveconduziràresponsabilidade,liberdade,críticae participação.Educar,não como sinônimode instruir,masde formar,de terconsciênciade seusprópriosatos.“De modogeral,instruiré dizeroque uma coisaé, e educar e dar o sentido moral e social dousodestacoisa”.(p.12). Por outrolado,Connel (1995) faz umaabordagememque visualizaafamíliadentrodeste parâmetrosugerindoque arelaçãoentre professorese paisdeve serentendidacomouma relaçãode classes.Assim,ospaisda classe dominante vêemosprofessorescomoseusagentes pagos:capazese especialistas.Assim,esclarece Connel (1995): A escolasecundáriaé fortementedeterminadapelomodocomoage seudiretor. Eisto tambémé verdadeiroparaa escolaparticular,masacho que pelarazão de o diretorda escola particularprestarcontas a um curador ou diretoria,existe maispressãosobre ele paraobter resultadosdoque o diretordaescolasecundáriaestadual que prestacontasauma Secretaria de Educação. A escolaparticularproduziráemmédiamelhoresdiretoresporquese estesnão realizaremserãodespedidosouaescolairá decairmuitorapidamente.(p.126). Entretanto,Freire (2000) evidenciaque ensinarexige compreenderque aeducaçãoé uma formade intervençãonomundo,umatomadade posição,umadecisão,porvezes,até uma ruptura com o passadoe o presente.Paraeste renomadopesquisadore educador,asclasses dominantesenxergamaeducaçãocomoimobilizadorae ocultadorade verdades.
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    A educaçãoé umaformade se intervirnomundo,dentrodestalinhade pensamentode Freire (2000), que falade educaçãocomo intervenção.Ele se refere amudançasreaisnasociedade, no campoda economia,dasrelaçõeshumanas, dapropriedade,dodireitoaotrabalho,aterra, a educação,a saúde,comreferênciaàsituaçãonoBrasil e noutrospaísesda AméricaLatina. Quantomaiscriticamente aliberdade assumaolimite necessário,tantomaisautoridade ela tem.Eticamente falando,paracontinuarlutandoemseunome,destaformase posiciona Freire (2000): Gostaria umavezmais de deixarbemexpressooquantoapostona liberdade,oquantome parece fundamental que elaexerciteassumindodecisões.(...).A liberdade amadurece no confrontocom outrasliberdades,nadefesade seusdireitosemface daautoridade dospais, do professore doEstado.(p.119). Castro (2002) emrecente artigo:OCaos Institucional e aCrise da Modernidade se referemà faltade parâmetrosquantoao papel que a escoladeve assumiremumasociedade em permanente mudançae,emconformidadeaisto,que sentidodeveassumirapráticadocente, quandoa própriaprodução e veiculaçãodoconhecimento,assumemformascadavezmais fragmentáveise,muitasvezes,dissociadasde qualquersignificaçãoética,social e cultural? Hoje,assistimosaoaprofundamentodadesagregaçãosocial que impede aconstituiçãode qualquerconsensosobre osprincípiose valoresque deveriamregerasrelaçõesentre os sujeitose instituições sociais,dificultandoadefiniçãode qual deve sere comodeve serforjado nossoprojetode escolae sociedade. (...) Otipode escolae conhecimentoque se fundacomocapitalismo,legitima-seemum modelode arquiteturasocial voltadaàsatisfaçãodosdireitosintelectuaisde umaelite econômica,amparadaemsólidacomposiçãofamiliarque,aprincípio,pode fornecerolastro moral,éticoe civilizacional,necessáriosaobomdesempenhode todosaquelesque a freqüentam.Hoje,contudo,asituaçãoé outra. A sociedade pós-industrial alterou, significativamente,suamaneirade operare produzirmercadorias,conhecimentose valores, afetandodiretamente aescola,afetandoseuseixosparadigmáticos,tantonoque se refere à sua organizaçãofuncional,curricular e metodológica,quantoaosprincípioséticose participativosque sustentamsuapráticacotidiana.Este panoramadificultaadefiniçãode rumos,a fimde que se possadeterminarasmetasa serematingidaspelaescolanocampodos saberes,mas,também,nocampoda participaçãodos diversossegmentosque acompõem, principalmente dospais.( Castro,2000. p.01). Atravessamosumaautênticasocializaçãodivergente.Vivemosnumasociedade pluralista,em que grupossociaisdistintosdefendemmodelosde educaçãoopostos,emque se dáprioridade a valoresdiferentese até contraditórios.Ouseja,aunidade racionalistarepresentadaporum modelounitáriode escolaestáemcrise,emfunçãodaascensãode um paradigmaeducacional que não pode maiscolocarpara debaixo dotapete,adiversidade sócio-cultural como elementocentral dosconflitosque marcamaescolanosdias de hoje. Toda estamovimentaçãonoplanosocial produzrupturasna formacomo historicamente, algumasinstituiçõesse organizamparagerarconhecimento,condicionarhábitose impor comportamento.Destas,asmaisafetadasforam, comcerteza,a famíliae a escola.Nãoé por outra razão que hoje essasduasinstituiçõesse vêemcompelidasaumaaproximaçãoque,até a algunsanos atrás,não seriapossível ou mesmodesejável. Tradicionalmente aescolaolhouparaa famíliacom certa desconfiançae,quandonãoteve
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    alternativa,apenassuportouaparticipaçãodospaisna condiçãode ouvintescomportadosdos relatosporelesproduzidos,acercadatrajetóriadisciplinarepedagógicadosalunos. Raramente essaparticipaçãosuperouoslimitesde açãobeneficente,envolvendo-se coma parte organizacional doprojetocurriculardaescola.Para a escola,a famíliafoi e é o locusde construçãode moralidade,base indispensável paraagarantia do projetomoralizadore civilizacional representadopelaescola. A famíliafezdaescola,sobretudonaetapaque antecedeuamassificaçãodoprocesso institucional,umainstituiçãoaserviçodamonopolizaçãodocapital cultural nasmãosde uma elite econômicareproduzindo,noplanoeducativo,asdesigualdadesdocamposocial. Assistimosaumareviravoltaneste cenáriodecorrentedacrise dosmodelosforjadospela modernidade.Omodelode famílianuclearpredominante até meadosdadécadade 50 deu lugara novasformasde representaçãoe organizaçãoparental comreflexosdiretosnoque concerne às relaçõesentre paise filhos.Cresceu,vertiginosamente,onúmerode separações entre casais,o que temprovocadoa perda de referênciasético-moraisparaumaparte significativade jovense crianças. Alémdisso,acrescente presençadamulhernomercadode trabalhoe sua maior independênciadarepresentaçãode mulhervoltadaàvidadomésticae àeducação da prole resultaramemcerta lacunacom relaçãoao desenvolvimentoafetivo,social e educacional das novasgerações.Para completareste cenário,asmudançastecnológicasque prometiamuma maiordisponibilidade de tempoparaque os indivíduosse dedicassemasi mesmose aos outros,revelaram-sefalsas;otrabalhoe a velocidade cotidianasófizeramafastaraspessoas do convíviocomunitário,isolando-as,cadavezmaise,conseqüentemente, descompromissando-asdasresponsabilidadespúblicas,dentre asquais,destaca-seaformação da juventude. Os estudosrealizados,emváriospaíses,nasúltimastrêsdécadas,mostraramque,quandoos paisse envolvemnaeducaçãodosfilhos,elesobtêmmelhoraproveitamentoescolar.De todas as variáveisestudadas,oenvolvimentodospaisnoprocessoeducativofoi aque obteve maior impacto,estandoesse impactopresente emtodososgrupossociaise culturais. Quandofalamosemcolaboraçãoda escolacom os pais,estamosafalar de muitascoisas. Desde logo,acomunicaçãoentre o professore os paisdosalunosaparece à cabeça, constituindoaformamaisvulgare maisantigade colaboração. Muitosprofessoresnãovãoalémdessapráticae,muitasvezes,limitam-seaseros mensageirosdasmásnotícias.Talvez,porissomuitospaisolhemparaa escolacom um misto de receio e de preocupação,porque sósãochamados peloprofessorquandoosfilhosrevelam problemasde aprendizagemoude indisciplina.Mashá outrasformasde colaboração.Por exemplo,oapoiosocial epsicológicoque aescolapode daraos alunose respectivasfamílias atravésdos serviçosde apoiosocial escolare dosserviçosde psicologiae orientação vocacional.Paramuitasfamíliasnolimiardapobreza,estaé a únicaforma de colaboração conhecida. As famíliasdaclasse médiasempre praticaramumaoutra forma de colaboração:o apoioao estudo,emcasa.Essas famíliasapóiamosfilhosnarealizaçãodostrabalhosde casa e no estudorecorrendo,muitasvezes,aprofessoresparticulares.Nosjardinsde infânciae nas escolasdoensinobásico,começaa sercomum à participaçãodospaisem atividades escolares:festas,comemoraçõese visitasde estudo.Algumasdestasformasde colaboração têmefeitosexpressivosnamelhoriadoaproveitamentoescolardosalunos,aumentaa motivaçãodosalunosno estudo,ajudaaque os paiscompreendammelhoroesforçodos professores.Melhoraaimagemsocial daescola,reforçao prestígioprofissional dos professores,ajudaospaisaseremmelhorespais.Damesmaforma,estimulaosprofessoresa
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    seremmelhoresprofessores. Não há umaúnicamaneiracorretade envolverospais.Asescolasdevemprocuraroferecer um menuque se adapte as características e necessidadesde umacomunidade educativacada vezmaisheterogênea.A intensidade docontatoé importante e deve incluirreuniõesgerais e o recursoà comunicaçãoescrita,mas,sobretudoosencontrosessesagentes(escolae família). Intensidade e diversidadeparecemserascaracterísticasmaismarcantes dosprogramas eficazes. Nada é piorpara o bemestare desenvolvimentodascriançase dosjovensdoque a ausência de referênciassegurase aprivaçãodo contato continuadoe duradourocomadultos significativos. Quandoos pais,por motivosrelacionadoscomomercadode trabalhoe o afastamentodo local de trabalhoda sua área de habitação, não dispõemde tempoparaestarcom os filhos, deixando,porisso,de tomaras refeiçõesemcomum, ascrianças e os jovenssãoobrigadosa cresceremcoma ausênciade referênciasculturaisseguras.Essaausênciade referênciasfaz aumentara necessidade de osprofessorescriaremprogramasque aproximemasescolasdas famílias,contribuindoparaa recriaçãode pequenascomunidadesde apoioaosalunosque sejamumapresençaforte na vidadeles. Quandoos valoresdaescolacoincidemcomosvaloresda família, quandonãohá rupturas culturais,aaprendizagemocorre commaisfacilidade.Nascomunidadeshomogêneas,emque os professorespartilhamosmesmosvalores,linguageme padrõesculturaisdospaisdos alunos,estágarantidaa continuidade entreaescolae a família.Contudo,sãocadavezmais as escolascompopulaçõesestudantisheterogêneas,nasquaisosprofessorese ospaistêmraízes culturaisdiferentes,provocando,nosalunos,dificuldadesde adaptação. Se tivermospresente amaneiracomoosalunosaprendem, torna-se evidenteàimportânciada continuidade cultural entre aescolae as famílias.Oalunoaprende assimilandoainformação pelaexperiênciadiretacompessoase objetos,ouseja,professores,pais,colegas,livros, programasde televisãoe Internet.Essainformaçãoéincorporadanassuasestruturasmentais, modificando-as,tornando-asmaiscomplexase abrangentes.Éo desejode adquirirsentido,de tentarcompreender,que levaoalunoaaprender. Quantomaisrico e variadoforo seu mundofamiliar,maisoportunidadesoalunoteráde adquiririnformaçãorelevante.Osalunosmovem-se paraoestágiocognitivoque lhesestá maispróximo,quandoreconhecemque háumadiscrepânciaentre oque experenciame o sentidoque estãoadar as novas informações. Masograu de discrepâncianãodeve sernem muitoelevadonemmuitoreduzido.Perante situaçõesmoderadamentediscrepantes,oaluno reorganizaa sua estruturamental,quandodescobertasacercadodesequilíbriocognitivo,é a necessidadedoproblemaserapropriadoacapacidade dacriança para resolvê-lo. As afirmaçõesanterioresajudam-nosacompreenderoque acontece a umalunoque chega a uma escolaque lhe oferece umcurrículosemcontinuidadescomasua cultura familiar. Diferençasde linguagem,de proximidade e de distânciaentre pessoas,de formasde tratamentoe de regrasde comportamentotornammaisdifícil que oalunosejacapazde aplicaras suas experiênciase conhecimentospassadosàsnovasaprendizagensescolares. Confrontadoscomgrandesdescontinuidadesentre acasae a escola,incapazesde compreenderemaculturaescolare de aplicaremassuas experiênciaspassadasaosnovos contextos,essesalunospodemrejeitarouignorara nova informação.Quandoissoacontece, estãocriadas as condiçõesparaque o alunorejeite aculturaescolar.Essarejeição podeassumirváriasformas:indisciplina,violência,abandono,passividade e resignação.Seja qual for a forma assumidapelarejeição,ossinaisdessarejeiçãodevemserinterpretadospelo professor,cabendolhe traçarum planode ação que incluaa comunicaçãocom os pais.
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    O envolvimentodospaisnasescolasproduzefeitospositivostantonospaiscomonos professores,nasescolase nascomunidadeslocais.Ospaisquecolaboramhabitualmente com a escolaficammaismotivadosparase envolverememprocessosde atualizaçãoe reconversão profissionale melhoramasuaauto-estimacomopais. O envolvimentofamiliartraz,também, benefíciosaosprofessoresque,regrageral,sentem que o seutrabalhoé apreciado pelospaise se esforçamparaque o grau de satisfaçãodospais sejagrande.A escolatambémganha porque passaa disporde maisrecursoscomunitários para desempenharassuasfunções,nomeadamente comacontribuiçãodospaisna realização de atividadesde complementocurricular. Quandoa escolase aproximadas famílias,registra-se umapressãopositivanosentidode os programaseducativosresponderemàsnecessidadesdosváriospúblicosescolares.As comunidadeslocaistambémganhamporque oenvolvimento familiarfazparte domovimento cívico maisgeral de participaçãona vidadas comunidades,sendo,porvezes,uma oportunidade paraospaisinterviremnosdestinosdassuascomunidadese desenvolverem competênciasde cidadania. Restoupara a escolaa responsabilidadede estabeleceraordemneste caose,como não lhe é possível reorganizaroquadrofamiliar,resta-lheabrirmaisportaspara tentaruma parceria educativacomos pais,de modoque possa instituirumanovaestabilidade,que tragade volta, à escola,a legitimidadeque acrise da modernidade lheretirou. Semdúvidaque este estudofazparte de uma novaetapanas relaçõesescola/família,emque os papéisserãoreconstituídossobnovasbaseséticas,políticase culturais. 4.1 CONTEXTUALIZANDOHISTORICAMENTE Ao longodahistóriabrasileiraafamíliaveiopassandoportransformaçõesimportantesque se relacionadiretamente comocontextosócio-econômico-políticodopaís. O Brasil - Colônia,marcadopelotrabalhoescravoe pelaproduçãorural para a exportação, identifica-seummodelode famíliatradicional extensae patriarcal,noqual os casamentos baseavam-se eminteresseseconômicos,que àmulher,eradestinadaacastidade,afidelidade e a subserviência.Aosfilhos,consideradosextensãodopatrimôniodopatriarca.Aonascer dificilmenteexperimentavamosabordoaconchegoe da proteçãomaterna,poiseram amamentadose cuidadospelasamasde leite. A partirdas últimasdécadasdoséculoXIX,identifica-se umnovomodelode família.A Proclamaçãoda República,ofimdotrabalhoescravo,as novaspráticas de sociabilidade como iníciodo processode industrialização,urbanizaçãoe modernizaçãodopaísconstituemterreno fértil paraproliferaçãodomodelode famílianuclearburguesa,origináriodaEuropa.Trata-se de uma famíliaconstituídaporpai,mães e poucosfilhos.Ohomemcontinuadetentorda autoridade e "rei"doespaçopúblico;enquantoamulherassume umanovaposição:"rainhado lar","rainha doespaçoprivadoda casa". Desde cedo,a meninaé educadapara desempenhar seupapel de mãe e esposa,zelarpelaeducaçãodosfilhose peloscuidadoscomo lar. No âmbitolegal,aConstituiçãoBrasileirade 1988, aborda a questãodafamílianos artigos 5º, 7º, 201º, 208º e 226º a 230º, trazendoalgumasinovações(artigo226) como umnovo conceitode família:uniãoestável entre ohomeme amulher(§3º) e a comunidade formada por qualquerdospaise seusdescendentes(§4º).E aindareconhece que:''osdireitose deveresreferentesàsociedade conjugalsãoexercidosigualmente pelohomeme pelamulher'' (§ 5º). Nosúltimosvinte anos,váriasmudançasocorridasnoplanosócio-político-econômico relacionadasaoprocessode globalizaçãodaeconomiacapitalistavêminterferindona
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    dinâmicae estruturafamiliare possibilitandomudançasemseupadrãotradicionalde organização. Conforme Pereira(1995),as maisevidentessão: - Quedada taxade fecundidade,devidoaoacessoaosmétodoscontraceptivose de esterilização; - Tendênciade envelhecimentopopulacional; - Declíniodonúmerode casamentose aumentodadissoluçãodosvínculosmatrimoniais constituídos,comcrescimentodastaxasde pessoasvivendosozinhas; - Aumentodataxade coabitações,oque permite que ascriançasrecebamoutrosvalores; menostradicionais; - Aumentodonúmerode famíliaschefiadasporumasópessoa,principalmentepormulheres, que trabalhamfora e têm menostempoparacuidardacasa e dos filhos. Entretanto,evidenciamosque essasmudançasnãodevemserencaradascomotendências negativasousintomasde crise.A aparente desorganizaçãodafamíliaé umdos aspectosda reestruturaçãoque elavemsofrendo.Porumlado,pode causarproblemas,poroutro, apresentarsoluções.Trata-se de umprocessocontraditórioque aomesmotempoemque abalao sentimentode segurançadaspessoascoma faltaou diminuiçãodasolidariedade familiar,proporcionatambémapossibilidadede emancipaçãode segmentostradicionalmente aprisionadosnoespaçorestritivode muitassociedadesconjugaisopressoras. Com ele,também,ospapéissociaisatribuídosdiferenciadamente aohomeme àmulher tendemadesaparecernãosó no lar,mas tambémnotrabalho,na rua, no lazere emoutras esferasdaatividade humana. Embora,a cada momentohistóricocorrespondaummodelode famíliapreponderante,elenão é único,ouseja,concomitante aosmodelosdominantesde cadaépoca,existiamoutroscom menorexpressãosocial,comoé ocaso das famíliasafricanasescravizadas.Alémdisso,o surgimentodestatendêncianãoimpediaimediatamenteaoutra,prova distoé que neste início de séculopodemosidentificarapresençadohomempatriarca,da mulher"rainhadolar" e da mulhertrabalhadora.Assim, nãopodemosfalarde família,masde famílias,paraque possamostentarcontemplaradiversidade de relaçõesque convivememnossasociedade. Outro aspectoa serressaltado,dizrespeitoaosignificadosocialdafamíliae qual a sua razão de existência. SegundoKaloustian(1988),a famíliaé o lugarindispensável paraa garantiada sobrevivênciae da proteçãointegral dosfilhose demaismembros,independentementedoarranjofamiliarou da formacomo vêmse estruturando.Éa famíliaque propiciaosaportesafetivose,sobretudo materiaisnecessáriosaodesenvolvimentoe bem-estardosseuscomponentes.Ela desempenhaumpapel decisivonaeducaçãoformal e informal,e é emseuespaçoque são absorvidosovaloréticoe humanitário,emque se aprofundamoslaçosde solidariedade.É tambémemseuinteriorque se constroemasmarcas entre as geraçõese são observados valoresculturais. Gokhale (1980) acrescentaque a famílianãoé somente oberçoda culturae a base da sociedade futura,masé tambémo centroda vidasocial.A educaçãobem sucedidadacriança na famíliaé que vai servirde apoioà sua criatividade e aoseucomportamentoprodutivo quandofor adulto.A famíliatemsido,é,e será a influênciamaispoderosaparao desenvolvimentodapersonalidadee docaráter das pessoas. E evidenciadononossotipode organizaçãosocial,opapel crucial dafamíliaquantoà proteção,afetividade e educação,A questãoque colocamosaseguiré aonde buscar fundamentaçãoparaa relaçãoeducaçãoescola-família. O deverdafamíliacom o processode escolaridade e aimportânciadasua presençano
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    contextoescolaré publicamente reconhecidonalegislaçãonacionalenasdiretrizesdo MinistériodaEducação aprovadasnodecorrerdos anos90, tais como: -Estatutoda Criança e do Adolescente (Lei 8069/90),nos artigos4º e5º; -PolíticaNacional de EducaçãoEspecial,que adotacomoumas de suas diretrizesgerais:adotar mecanismosque oportunizemaparticipaçãoefetivadafamílianodesenvolvimentoglobaldo aluno. E ainda,conscientizare comprometerossegmentossociais,acomunidade escolar,afamíliae o próprioportadorde necessidadesespeciais,nadefesade seusdireitose deveres.Entre seus objetivosespecíficos,temos:envolvimentofamiliare dacomunidade noprocessode desenvolvimentodapersonalidadedoeducando. -Lei de Diretrizese BasesdaEducação (Lei 9394/96), artigos1º, 2º, 6º e 12°; -PlanoNacional de Educação(aprovadopelaLei nº10172/2002), que define comoumade suas diretrizesaimplantaçãode conselhosescolarese outrasformasde participaçãoda comunidade escolar(compostatambémpelafamília)e local namelhoriadofuncionamento das instituiçõesde educaçãoe noenriquecimentodasoportunidadeseducativase dos recursospedagógicos. E não podemosdeixarde registrararecente iniciativadoMEC – MinistériodaEducaçãoe Cultura,que instituiuadatade 24 de abril com o Dia Nacional daFamíliana Escola.Neste, todasas escolasdeveriamconvidarosfamiliaresdosalunosparaparticiparde suasatividades educativas,poisconforme declaraçãodoMinistroPauloRenatoSouza:“Quandoospais se envolvemnaeducaçãodosfilhos,elesaprendemmais". Relacionadosossustentáculosformaisdarelaçãofamília/escola/educação,é importante pontuaraindaalgunsaspectos:emprimeirolugar,é precisoreconhecerque a famíliaindependentedomodelocomose apresente,pode serumespaçode afetividade e de segurança,mas tambémde medos,incertezas,rejeições,preconceitose até de violência. Em segundolugar,narelação família/educadores,umsujeitosempre esperaalgodooutro.E para que istode fatoocorra é precisoque sejamoscapazesde construirmoscoletivamente uma relaçãode diálogomútuo,emque cada parte envolvidatenhaoseumomentode fala, mas tambémde escrita,noqual existaumaefetivatrocade saberes.A capacidade de comunicaçãoexige acompreensão damensagemque ooutroquertransmitire para tal faz-se necessárioodesejode quererescutarooutro,a atençãoàs idéiasemitidase aflexibilidade para recebermosidéiasque podemserdiferentesdasnossas. Assim,é fundamental que conheçamososalunose asfamíliascom as quaislidamos. Sobretudoque conheçamosquaissãosuasdificuldades,seusplanos,seusmedose anseios. Enfim,que característicase particularidadesmarcama trajetóriade cada famíliae conseqüentemente,doeducandoaquematendemos.Estasinformaçõessãodadospreciosos para que possamosavaliaro êxitode nossasaçõesenquantoeducadores,identificar demandase construirpropostaseducacionaiscompatíveiscomanossa realidade. Uma atitude de desinteresse e de preconceitospode danificarprofundamente arelação família/escolae trazersériosprejuízosparao sucessoescolare pessoal doseducandos. Geralmente,afamíliade educandossurdosesperae necessitadaescolainúmeras informações,apoioe orientaçãosobre comolidarcoma situaçãodeconvíviocomumapessoa surda.A faltade atençãopara estademandapossivelmente teráconseqüênciasnegativaspara educadores,educandose familiares. Enfim,muitospodemserosignificadodapalavraparticipar.Éprecisoque conheçamosas razõespelasquaisasfamíliasnão têmcorrespondidoaoque nóseducadoresesperamos enquantosuaparticipaçãona escola.Paratal,precisamosnosdespirdapostura de juízesque condenamsemconhecerasrazõese incorporarmosoespíritoinvestigadorque buscaas
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    causas para odesconhecido. CONCLUSÃO A partirdas abordagensdispostasnopresente trabalho,apresente pesquisaprocuroutratar da questãoda indisciplinanaescolae dosváriosaspectosque estãorelacionadosaeste tema. Dar limitesàscrianças na Educação Infantil é iniciaroprocessode compreensãoe apreensão do outro,ninguémpode respeitarseussemelhantesse nãoaprenderquaissãoosseuslimites, e issoinclui compreenderque nemsempre se pode fazertudoque se desejanavida.Éde suma importânciaumaanálise conjunta:famíliae escola.Afinal,aos“pais”estásubtendido que são os responsáveispelacriança.A parceriaentre famíliae escolaé necessáriapara detectaras possíveisfalhase tentarsolucionarosproblemasdadisciplina. A complexidade davidamodernaacabadelegandoaosprofessorespapeisantessóde responsabilidade dospais.A famíliade hoje contamuitocoma escola,ouseja,comseus professoresnaformaçãodascrianças e dosjovens.Elaprecisaestarinformadasobre alinha de conduta que a escolatemcom seusfilhose,oque é fundamental,concordarcomestalinha: é precisofalara mesmalíngua.Nosdiasde hoje,o professordeve serum“líder”,deve saber tambémque liderançanãose impõe,se conquista.Nasalade aula,ele representaadireção,a própriafamília.Ali ele é o“donoda lei”.O educadornecessitaterqualidadeshumanas imprescindíveiscomo,porexemplo:equilíbrioemocional,responsabilidade,caráter,alegriade viver,éticae principalmente gostarde ser professor.Alémé clarode terum maior conhecimentosobre omanejode salae de como melhorse relacionarcomo aluno.Tambémo professor,temumpapel de mediadorentre nossarealidade sociale afunção de educar. Criançasgostam de professoresque lhe dêemlimites.Osprofessoresbonzinhosnuncaserão respeitados;cairãonoesquecimentocommuitafacilidade.Ele nãodeve permitirque somente as crianças participemdoprocessode estabelecimentode regras,massimdiscutiroque é o estabelecimentode regras,ofereceridéiasde comocriá-las,fixá–lasporescritonasala de aula e envolvê-lasnocomprimentodestas. É importante que osprofessoresadotemumpadrãobásicode atitudesperante asindisciplinas maiscomuns,como se todosvestissemomesmouniforme comportamental.Esse uniforme protege a individualidade doprofessor.Quandoumalunoultrapassaoslimites,nãoestá simplesmentedesrespeitandoumprofessoremparticular,masasnormas da escola.Portanto, faz necessáriooprofessorteramentalidade abertae acompanharoprocessode construção do conhecimento,agindocomoagente entreosobjetosdosabere a aprendizagem, serparao alunoseudecifradorde códigose receptadorde suasmuitaslinguagens,significaestabelecer limitese construirdemocraticamenteumainteraçãoonde emlugarde opressãoe da prepotênciaeleva-se adignidadede quemeduca,acertezade quemplantaamanhã. Uma soluçãopossível seriade revitalizaraconfiançada famílianoseupapel de formadorae trazê-lacada vezmaispara dentroda instituição.Aolevarospaisa participarde encontros, palestras,reuniõese trocade experiênciascomoutrospais,elessaemfortalecidose sentem que não estãosozinhosnessaluta. Enfim,nãoé apenaso professorque deve estarinteressadonaboadisciplina,mastodaa escolacomotambémna família,poisé na sala de aulaque se ajudaa construirfuturos cidadãoscom personalidade,ondevãoaprenderalimitarseusinstintosque sãoimpulsivose necessitamde correçãodesde aprimeirainfância. REFERÊNCIASBIBLIOGRAFICAS
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    ALTHUON, Beate.Revistapedagogia.Ano3,nº15, ago/out.SãoPaulo:Art.Med, 1999. ANSHEN,Ruth.A família:suafunçãoe destino.Lisboa:Meridiano,1998. AQUINO,JulioGroppa.Indisciplinanaescola:AlternativasTeóricase Práticas10ª Ed. São Paulo:Summus,1996. BRASIL.Estatuto da criança e do Adolescente.Lei nº8069, de julhode 1990. BRASIL.Lei de diretrizese basesdaeducação.Lei nº9424, de dezembrode 1996. BRASIL.Planonacional de educação.Brasília,MEC, 2001. BRASIL.Secretariade educaçãoespecial.Políticanacional de educaçãoespecial:livro1. Brasília,MEC/SEESP, 1994.CAMPOS, Jacira Calasãs,CARVALHO,HilzaA.Psicologiado desenvolvimento:influênciadafamília.SãoPaulo:EDICON,1983. CASTRO,Edmilsonde.Famíliae Escola:O caos Institucional e acrise da modernidade. Disponível em:.Acessadoem:20.03.2002 CONNEL,R.org.Estabelecendoadiferença:Escolas,famíliase divisãosocial.PortoAlegre: ArtesMédicas,1995. DE LA TAILLE, YvesJ.J.M.R.(1994) Prefácioà ediçãobrasileira.InJeanPiaget.Ojuízomoral na criança. São Paulo:Summus. ________________. Yves.Limites:Trêsdimensõeseducacionais.SãoPaulo:Ática,1998 Domingues,I.(1995). ControlodisciplinarnaEscola,Processos e Práticas.Lisboa:Texto Editora,Lda.. ESTRELA, Maria Tereza.Relaçãopedagógica,disciplinae indisciplinanaaula.Porto – Portugal: PortoEditora,1994. FREIRE, Paulo.PedagogiadaAutonomia:Saberesnecessáriosàpráticaeducativa.Riode Janeiro:Paze Terra,2000. http://www.webartigos.com/articles/7291/1/A-Pratica-Docente-Frente-a-Questao-Da- Indisciplina-Na-Educacao-Infantil/pagina1.html#ixzz0uvzcYqUp GOKHALE, S.D.A famíliadesaparecerá?InRevistadebatessociaisnº30, ano XVI.Riode Janeiro,CBSSIS,1980. KALOUSTIAN,SM(org.) Famíliabrasileira,abase de tudo.Brasília:UNICEF, 1988. LÉVI-STRAUSS;etal.A famíliacomo instituição.Porto:Meridiano,1977. NÉRICI,ImídeoG. Lar, escolae educação.SãoPaulo:Atlas,1972.
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    JUSTIFICATIVA Durante os estágiosobservamosqueemturmasdoEnsinoinfantilhámuitoscasosde indisciplinapudemosperceberque aindisciplinaestáassociadadiretamenteafaltade limites dos alunos. A equipe pedagógicaprecisaterumaposturamaisfirme diante dosalunosparaa construção de uma disciplinabaseadanodiálogoentreeducadore educandovisandoaparticipaçãoe o compromissode ambos.Observandoodia-a-diadascriançase a atitude doprofessor constatamosque os alunosveemde casacom problemasfamiliares,ouseja,afamíliatambém estádentrodeste contexto,poisé abase para que as criançastenhambomcomportamento na sala de aulae na sociedade,comodizPauloFreire (1998) “Disciplinaprontanãoexiste,é precisoque todosossujeitosenvolvidosnoprocessoeducacional participemdaconstruçãodo sistemade disciplina”. De outrasformas,a indisciplinatambémpode estarrelacionadaaaspectosdesenvolvidosna escola,comrelaçõesProfessor-alunoe aluno-aluno. Porém,existemváriascausaspara se chegar á indisciplinaescolarcomoa condutado professor,àsua práticapedagógicae até mesmoas práticasda própriaescola.Onde,aescola temcomo papel desenvolverestratégiasparagarantiratividadesapropriadasaoprocesso deensino-aprendizagemdeixandode sertãotradicional parabuscar um poucomaiso lúdico na sala de aula. Os alunosprecisamcompreenderque nemsemprepodemosfazertudoque queremos,e que existemregrasase cumprir,sejana escolaou na vida. O professorprecisaterautoridade,e nãodeve usá-lade formaabusiva,masporela, apresentarsuasidéias,conhecimentose experiências,semdesrespeitaroconhecimentodo grupo,sempre osencorajandoà participação,comosujeitosconscientese responsáveispelos seusprópriosprocessosde aprendizagem. DELIMITAÇÃODO PROBLEMA Na realizaçãodosnossosestágiospercebemosque osalunosnãotêmlimites,e aindisciplina estápredominandoemsalade aula.Osalunossão desordeiros,maucomportados, desrespeitamosprofessores. No entanto,aindisciplinapode ser definidapelainstabilidade e rupturanocontatosocial da aprendizagem.Sendoassimumabarreiraque afetaarelação entre educadorese alunos. Conquistarosalunosemsalade aulatornou-se umverdadeirodesafioparaoensino,tantonas instituiçõespúblicasquantonasprivadas. Por que as crianças nãoobedeceme causama indisciplinanasalade aula?Porque o problema
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    vemde casa, algunspaisdãoliberdade excessivaaseusfilhos,criandofilhosindisciplinados, cheiosde dengosque nãosabemlidarcom o não;que almejamsero centrodas atenções;os indisciplinadostambémvêmde laresdesestruturados,sãoagressivose muitasvezessem perspectivas. Portanto,é necessáriodisciplina,ordem, limitesparaestesalunos;aoseducadoresamissãode compreendere consideraroeducandocomoumser emprocessode desenvolvimento,com desejosde integraçãonomeiosocial.Aospais(família) reavaliarse estárealmente cumprindo seupapel de fazerda criança um cidadãoque respeitaoslimitesimpostospelasociedade que estáinserido. Ressaltandoque amaiorarma do professoré atrair estesindisciplinadosaoinvésde repudiá- los,é cativá-loscomas aulas transformandodistraçãoematençãoe consequentemente em aprendizado. REFERÊNCIALTEÓRICO A INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃOINFANTIL Naturalmente,oprofessornãodeve permitirque ascriançasdiscutamsobre normase regras no que dizrespeitoaindisciplina,afinal qual seriaométodoque ascrianças usariam? Provavelmente iriamquererumasociedadecommuitaliberdadee compoucasregras, o que sabemosque naprática não funcionadestamaneira. Sendoassimé importante que osprofessoresadotemparâmetrosde atitudesdiante das indisciplinas,e mostremaosalunosque existemlimitesaseremseguidos.Quandooaluno ultrapassaros limites,ele nãoestásimplesmente desrespeitandoumprofessoremparticular, ele estaráquebrandoasnormas. Aquino(1996. P. 98), afirmaque,a tarefade educar,não é responsabilidadedaescola,é tarefa da família,que aodocente cabe repassarseusconhecimentosacumulados,ele aindaaponta que a soluçãopode estarna forma da relaçãoentre professore aluno,ouseja,a formaque suas relaçõese vínculosse estabelecem,apontatambémque asoluçãopode estarno desenvolvimentodo resgate damoralidade descente atravésdarelaçãocomo conhecimento e que esse conhecimentodeveserconstruídosocialmente,semrigidezouautoridade. Portantoé necessárioque oprofessortenhaamente abertae acompanhe oprocessode construçãodo conhecimentoagindocomoagente entre osobjetosdosaber,e a aprendizagem será para o alunoseudecifradorde códigose receptorde suasmuitaslinguagens.
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    A indisciplinavemsendovistacomoumaatitude dedesrespeito,de intolerânciaaoacordo firmadodo não cumprimentode regrascapazesde pautar a condutade umindivíduooude um grupo,é consideradatambémumreflexodaindisciplinageneralizadaemque se encontra a humanidade atualmente,é oresultadode umasociedade onde nãoexiste maisrespeito, amor, a compreensãoe ovalora família.Sendoassimé maisdifícil estabeleceradisciplinae fazê-larespeitar.Comasevoluçõesdavidaemtodosos sentidos,ascriançasse tornaram mais independentesdosadultos. Sendoassimemrelaçãoaos conceitosmencionados,ospaisoptampornão colocar limites. Outrosalegamque a geração atual recebe outrostiposde modeloatravésdamídiae acabam sofrendosuainfluênciaparaessaabordagemliberalospaisestãosendoinfluenciadosem modelosliberaise terminampor assumirumpapel mais“moderno”de educar. Piaget(1973) defende que temosduasalternativas:“formarpersonalidadeslivresou conformistas”.Se oobjetivodaeducaçãoforo de formarindivíduosautônomose cooperativos,entãoé necessáriopropiciarpara que ele se desenvolvaemumambiente de cooperação. Nestaconcepçãocabe aos paisdelegarao filhotarefasque ele jáé capazde cumprir.Essa é a medidacertado seulimite.Noentantoospaisnuncadevemfazertudopelofilho,masajuda- losomente até o exatopontoemque ele precisa,paraque depois,realize sozinhassuas tarefas.É assimque o filhoadquire autoconfiança,poisestáconstruindosuaautoestima. Contudoé precisoque os paistenhamacimade tudo autoridade,e diálogocomeles. Para Franco (1986, p.62): Em geral,quandoos educadoresreferem-se aoproblemadadisciplinanaescola,normalmente o reduzemaalgo quemdizrespeitosomente aoaluno. O problemadadisciplinapassaaserentendidocomooda indisciplinadoaluno. Franco (1986, p.62). A indisciplinaescolarque aosolhosde muitossempre existiue sempre vai existir,agoraexige um novoolhar. Portantoa falta de compreensãoporparte do professordascausasda indisciplinadoseu alunopode teruma grande repercussãonegativanoseudesempenhodocente. Mesmoassim,não faltamdenominaçõesparaosespecíficos. Nesse casoconforme ocontextosóciohistóricovigente(Estrela,1994). Sendoumproblema recorrente nasescolasnosdiasatuais,há uma buscaconstante por parte dos estudiososda educaçãoem colocarememdebate suasimpressõesarespeitodaindisciplina. De acordocom La Taille (1996) destacadentre a possível traduçãopara a indisciplinao desenvolvimentodasnormasvigentes. Normalmente,todainstituiçãoouempresatemumregimentoapartirdo qual se extraemas orientaçõesparaa condutade convivênciadogruponaquele espaço.Portantooautor apresentaotema da indisciplinaapartirda disciplinae considerandocomosendoperigoso. A respeitodissoAquino(1996.P.43). Com a crescente democratizaçãopoliticadospaise emtese,adesmilitarizaçãodasrelações sociais,umanovageração se criou. Temosdiante de nósumnovo aluno,umnovosujeito histórico,masemcerta medida,guardamoscomopadrãopedagógicoaimagemdaquele aluno submissoe temeroso. Aquino(1996, p.13). Nessaperspectivaé interessante ressaltarque asmaioriasdosautoresconcordamquantoà noção de exemplospráticodocomportamentoe falamalheios.A criançaentãoestariaapenas
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    repetindoasaçõese falasobservadasdaquelesque estãoasuavolta.Oque se pode entender que os exemplosdadospelosadultos,sejamelesfamiliaresounão,temgrande pesona definiçãodarepresentaçãoe suaaplicaçãono seudia-a-dia. Acriançadificilmente poderádescobrirvaloresdiferentesdaquelesque sãovigentesnos ambientesque ocerca.As estruturassociaiscomplexase desequilibradasé noslúcido perguntarse a criança farásempre a melhorescolha. Estrela(1994, p. 24). Diante dessasdefiniçõesacerca da indisciplinapercebemosque ascriançasseguemomodelo que elesobservam,ouseja,elaimitaaprópriasociedade oque afetaatomada de decisãode quemprecisase impor,nocaso dos paise dosprofessores.Destaformaaindisciplinaestá cada vezmaior na escola, porque ascriançasutilizam-nacomomeioparaque o adultoperceba que elasexistem. O que é indisciplina? É um “fenômenorelacionadoe interativo”que se concretizanodescumprimentodasregras que prescindemorientame estabelecemascondiçõesdastarefasnaaula e,ainda,no desrespeitode normase valoresque fundamentamoconvívioentre parese a relaçãocom o professor,enquantopessoae autoridade. A respeitodisso(Tiba1996, p.125) afirma: Haverá interessedoalunopeloconteúdodoprogramaescolasempre que houveruma correlaçãoentre este e o dia-a-diadoestudante.Oprofessorsábioestabelece tal correlação. (Tiba1996, p.125) Algunsestudiososressaltamque agrande causa da indisciplinaé ofatoda escolater parado no tempo.Osejaestes estudiososalegamque omodeloquadroe gizjánão funcionamSob estavisãoos alunosqueremaulasdinâmicase criativascomousode novidades. Indisciplinaporquê? A indisciplinanaescolae na sala de aulavemsendouma preocupaçãode sempre,é hoje um temaescritona agendade todos quandose refletemsobre aeducaçãodosjovens. Professores,políticosadministradoresdaeducaçãoe jornalistas,sobretudo,afirmama instabilidade dasituaçãoe vãoabrangendoacusaçõesfáceis,tantasvezessemsequerterem feitoalgumesforçosérioparacompreenderofenômenoe asrespectivascausas.Porissoé importante encararo assuntoseriamente,identificandotodososfatoresque se conjugam para produzira chamada indisciplinaescolar. SegundoD’Antola(1989, p.86). O alunoque é deixadode lado,ocupadocomtarefasque nãolhe interessa,pode tenderpara duas atitudesextremas:ouse tornaapáticoe se sente diminuídoe alheioaostrabalhos escolares,ouse tornarevoltado,chamandoparaser ouvir. (D’Antola,1989, p.86) Dessaforma a escola,mesmodentrodosparâmetrosdasociedade estarácontribuindoparaa transformaçãosocial e estariaajudandopara a melhoriadaqualidade de ensinoe paraa socializaçãodosaber.Destaformaa indisciplinaresultade fatoresestruturaise sociaise pessoaisdeve serestudadaatrêsníveis;Odo ministériodaeducação,oda escolae os dos
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    atores.Enquantoprodutoresde trêstiposde regras,legais,institucionaisesociais, respectivamente. Sociedade e família A sociedade é outrofatorqueinfluêncianaindisciplinadosalunos.Percebe-senasociedade brasileira,mudançasprofundastaiscomoaceleraçãodoprocessoda industrialização,a expansãodastelecomunicações,crise ética(levarvantagememtudo,corrupção,desemprego subemprego,gastoselevadíssimos,faltaqualidadedapropagandanosmeiosde comunicações). Sob estavisãoesse caminhodeveriapartirde umtrabalhoem conjuntoentre escola,família,e sociedade parasonaros problemasdisciplinares.Éindispensável umaparticipaçãocoletivados elementosque fazemparte daescola,naconstruçãode regrasgeraisque a escolatenhae devater para um bomdesempenhodosmembrospertencentesàescola,inclusiveospaise a sociedade emgeral. É um processolongoe difícil, masse essasregras forembemelaboradas,discutidase colocadasemprática realmente colheremosbonsresultados. Na opiniãode Tiba(1996, p.169). Há pais que por manterseusfilhosnaescola,achamque estaé responsávelpelaeducaçãodos mesmos.Quando aescolareclamade mauscomportamentosoudasindisciplinasdosalunos, os paisjogama responsabilidadesobre aescola. (Tiba1996, p. 169). Por sua vez,a famílianãoestácumprindosuatarefa de estabelecerlimitese desenvolver hábitosbásicos.Ouseja,ospais,precisamser,masautoritáriose teremdiálogoscomseus filhose nãocederaos caprichosdeles. No que á salade auladizrespeito,aindisciplinaestámuitorelacionadocoma relaçãoque se estabelecenointeriordaaulae esta relaçãodepende sobre tudodamotivaçãodosalunos para os conteúdosaprendizageme doclimarelacional. O professortemumpapel essencial comofonte emissorade informaçãoque osalunosvão transformaremconhecimento.Algunsestudantesadoramoudetestamdeterminadas matérias,justamenteporcausado professor. (Tiba,1996, p.125). Sob estavisãoo professoré umemissorde conhecimentos,mastambémprecisadeixarseu ladoautoritárioe permitirumaparticipaçãomaisativado alunoemsala de aula. É precisonão esqueceralgunstraçosessenciaisdasituaçãodoalunona escola: Frequentaraescolapor obrigaçãolegal oupor força de condicionamentossociaise familiares e nãovoluntariamente. É incluídoemagrupamentos(turmas) que se nãoconstituemde formavoluntariamente. O seupapel é definidoporumconjuntode obrigações:Aprendermatériasque nãoescolheu realizaratividadesimpostas,propostasaceitarservigiadonosseuscomportamentos. Fatoresrelacionadosàcausa da indisciplinanaeducaçãoinfantil. Podemosressaltarafaltade acompanhamentosdospaisnoque dizrespeitoalimitese as normasestabelecidaspelaescolae sociedade.Hoje apuniçãoé cada vezmaisrara, tanto na
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    escolacomoem casa. Ospaistêmlarga parcelade culpa,no que dizrespeitoàindisciplina dentroda classe.È uma situaçãocada vezmaiscomum, elestrabalhammuitoe temmenos tempopara dedica-se culpadospelaomissão,evitamdizernãoaosfilhose esperaque aescola assumaa funçãoque deveriaserdeles,ade passar para a criança os valoreséticosde comportamentosbásicos. O modocomo algumascrianças aprendemaobteratençãoe reconhecimentos,porexemplo, representaumasituaçãomuitasvezescomumde indisciplinanocontinuocasa-escola.Uma possibilidade,aqui,resideemaprenderaobteratençãosobre si atravésde condutas intempestivas.Estaaprendizagemtende asermaisefetivaàmedidaque paise professores dediquemumaatençãodiferenciada,maisintensa,acondutasindisciplinadas. Portantoos paise professoresprecisam cumprirseupapel e trazerascrianças cada vezmais para dentroda instituição,fazendocomque elesse sintamsegurose fortalecidos,nestaluta educacional e social. Poiscomodiz PauloFreire (1998) “disciplinaprontanãoexiste,é precisoque todosossujeitos envolvidosnoprocessoreducacionalparticipemdaconstruçãodosistemade disciplina”.Ou seja,todasas sociedades,famíliae professoresandamjuntoumé à base do outro para uma boa disciplina. Nível cultural dospaisno desenvolvimento O nível cultural dos,poistambéminfluênciaacriança, poiselasempre querimitá-los.Tal imitaçãodepende muitodonível emque elavive.Havendoumaimitaçãonegativa,por exemplo,falarerradoouexpressar-sede formadiferente,travacomoconsequênciao processo de construção da identidadee consequentementenaformaçãoda personalidade doindividuo no ambiente social que estáinserido.Paro(1973) diz,“a criança é consideradaindisciplinada quandoapresentaprivaçãocultural”. Quandonão frequentapré-escolacomoprevençãodosproblemasinfantis.Seriaportanto aquelacriançasem orientação,que ficaodia todo,na rua sem, fazerabsolutamentenada.O ambiente sócio-moralmente praticado.Issoporque oambiente sócio-moral e todaarede de relaçõesentre pessoasemsalade aula.Essasrelaçõesparatodos osaspectosdas experiências da criança na escola. Vinte passosparacombatera indisciplinacomalunos 1º- Estabeleçaregrasclaras. 2°- Faça com que seusalunosascompreendam. 3º Determine umasançãopara a quebradas mesmas. 4º- Determine umarecompensaparaseucumprimento. 5º- Peça apoiode seuscolegasde equipe. 6º- Estabeleçaestratégiasemconjuntocomaequipe;osalunosprecisampercebera hegemoniadasatitudes. 7º- Respeite seusalunos. 8º- Ouça-os. 9º- Respondaao que lhe forperguntadocomeducação e paciência. 10º- Elogie boascondutas. 11º Sejaclaro e objetivoemsuasintervenções. 12º- Deixe clarooque é erradoé o comportamento,nãooaluno. 13º- Sejacoerente emsuasexpectativas.
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    14°- Reconheçaossentimentosde seusalunoserespeite-os. 15º- Nãodiga o que fazer:permitaque cheguemàssuasprópriasconclusões.16°- Não descarregue asua metralhadorade mágoasemcima deles. 17º- Encoraje-ossempre. 18º- Acredite nopotencial de cadaume no seu. 19º- trabalhe crençasnegativastransformando-asempositivas. 20°- Sejaafetivo. CONCLUSÃO A reflexãosobre indisciplinase expandee nãose esgotainúmerosteóricosse debruçamem pesquisasparadesmistificare melhorara indisciplinanasalade aula. A partirdos estudose dasobservaçõesrealizadasnosestágiospercebemosque osalunosnão têmlimitese aindisciplinaestápredominandonassalasde aula. No entantoestáficandocadavez,mas difícil paraos educadoreslidaremcomessassituações. O que chamou a atençãofoi a faltade respeitodoseducandoscomosprofessores. Com base na pesquisavoltadaparaindisciplinanaeducaçãoinfantil,considera-seque os educadoresveemaindisciplinacomoumpontonegativonaaprendizagemdosalunos. Diante desse,olharoprofessordesenvolve suasatividadespedagógicasde formalúdicapara que os alunosbrinqueme aprendamaomesmotempodeixandoasconversasparalelas,e se envolvendonoassuntodaclasse escolare ao mesmotempobrincandoe aprendendo.A intensidadee ocaráter da indisciplina,hoje,parecemindicarmenosanecessidade de inovaçãoda escola. Ao observaroscontextosnoqual se inseri indisciplina,percebe-seque é necessárioque o gestor,pais,sociedade tenham concepçõesinovadorasecumpramcadaum com seusdeveres e a escolareúnaos professorese juntospreparemaulasflexíveisdinamicamente adequadasàs necessidadesdoseducandosparaassimmelhoraressaindisciplina.
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    REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS AQUINO,JúlioGroppa(organizador).Indisciplinanaescola – Alternativasteóricasepráticas.4ª EDIÇÃO.São Paulo:SummusEditorial,1996, p.43 à 98. D’ ANTOLA,Arlete (org.).DisciplinanaescolaSãoPaulo:E.P.U.,1989 p.79-90. ESTRELA, Maria Tereza.Disciplinae Indisciplinanasprincipaiscorrentespedagógicas contemporâneas.In:__ Relaçãopedagógica,disciplinanaaula.Porto:EditorIta das 1994, p.15 á 26. FRANCO,LuizAntônioCarvalho.A indisciplinanaescola.RevistaAnde.Ano6.Nº11, 1986, p. 62 a 67. FREIRE, Paulo.PedagogiadaAutonomia33ª ed.São Paulo:Paze Terra 1998, p.61 a 90. FREIRE, Paulo.Educaçãoe Mudança. São Paulo:Paze Terra,1991, p. 79. LA TAILLE, Yvesde.A indisciplinae osentimentode vergonha.In:Aquino,JúlioGroppa.(org.). Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.SãoPauloSummus1996, p.09 à 23. PAROVitorHenrique.Qualidade doensino:acontribuiçãodospais.S.1:Ed. Xamã,2000. PIAGET,Jean.Para onde vai á educação.Riode Janeiro. LivrariaJosé Olímpio(Ed.Orig.1948), 1973. TIBA Içam.Disciplina–Limite namedidacerta.São Paulo:EditoraGente,1996 8ª edição.P. 117 a 169. Introdução Em um concursopara professoresde ensinofundamental e educaçãoinfantil realizadona cidade de São Pauloem2010 do qual participei,houveumaperguntasobre indisciplina.Nesta questãofoi descritaumasituaçãona qual uma criança de quatro anoshaviarasgado todosos trabalhosdoscolegase,com o ocorrido,a professoracolocoua criança sentadaemumlugar para “pensar”.O que se queriasabererase a professorahaviaagidopedagogicamente ao
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    tomar essaatitude. Esse fatoinquietou-me muito,poisnuncadei aulaparacrianças e,emborase ouça muito sobre indisciplina,nuncame questionei sobre oque fariaaesse respeito,muitomenosoque seria“pedagogicamentecorreto”.Percebique sabiamuitopoucosobre indisciplinana educaçãoinfantil,e de maneirageral,resolvi fazeressetrabalhode pesquisaparasabermais sobre o assuntoe,principalmente,comoagirei quandoestiveremsalade aula. O temadesse trabalhoé,portanto,sobre indisciplinanaescola,maisespecificamente sobre as atitudestomadaspelosprofessorespararesolveremquestõesde indisciplinanaeducação infantil.Porisso,levanta-se aseguinte questãoparaorientarestapesquisa:comoos professorespoderiamsolucionarproblemasde indisciplinanaeducaçãoinfantil pormeioda construçãode limitesbemclaros? Defende-se oposicionamentosegundooqual oprofessordeve mostrar-se firme,expressando autoridade,mastambémé importante que eviteoautoritarismoque,de certaforma,rebaixa o aluno.A imposiçãode limitese orespeitoàsregras,porém, devemsercolocadosàsclaras. Muitas vezesoprofessorquerresolveraquestãodaindisciplinacomautoritarismoassim como seusprofessoresagiamnotempoemque estudavam.Nãoacreditandomuitoque o problemadaindisciplinapossaserresolvido,muitosprofessoresnãoprocurambuscarsuas causas,colocandoa culpa,simplesmente,nafamíliaouna sociedade. No intuitode direcionaressapesquisaàfinalidadeproposta,traçam-se objetivospara consolidá-lataiscomoexporumasíntese dopanorama geral da indisciplinanassalasde aula, abordar os motivosdasdificuldadesque os professoresenfrentamparasolucionarproblemas de indisciplina,refletirsobre asatitudesdosprofessoresemrelaçãoàindisciplinanaeducação infantil,revelarcomoascrianças adquiremasua autonomiae proporaos professoresalgumas atitudesque visemsolucionarproblemasde indisciplina. É justoque se pergunte pelarelevânciade tal empreendimento,ouseja,de se gastar tempoe energiacomo temaaqui discutido.Porém,ele é importantepelasuaatualidade,poisestá vinculadoàrealidade doprofessorque,emsalade aula,enfrentadiariamente desafioscom comportamentosindesejáveisdascriançasnaeducaçãoinfantil e,muitasvezes,nãosabemo quefazer.Atravésdesse trabalho,procurar-se-áauxiliaroprofissional daeducaçãoque deve lidarcom a realidade daindisciplinaemsalade auladiariamente. Que este textopossaservirde instrumentode reflexãoque leve àpráticade ensino“ordeiro” atravésda “desordem”;de ensinoque,pelairreverênciada“indisciplina”dascrianças, subvertao caos emoportunidade de aprendizageme de crescimento. A presente pesquisase divide emtrêscapítulos:nocapítulo1 (“apresentandoarealidade”), apresentarádefiniçõesde “disciplina”e de “indisciplina”,bemcomoessestemasnocotidiano escolar;no capítulo2 (“refletindosobre ummundoemtransformação”),procurará compreenderoindivíduonocontextodasociedade,dafamíliae daescola,e sobre a própria criança nesse contexto,apartirda teoriade JeanPiagetao abordaros conceitosde heteronomiae autonomia,e de LevSemyonovitchVygotskye suateoriainteracionista.E, finalmente,nocapítulo3 (“oprofessore a indisciplinaemsalade aula”),abordaráo tema “autoridade ouautoritarismo”,seguidodaquestãorelativaàconstrução da identidade da criança. E, finalmente,domodocomooprofessorpoderálidarcomesse assunto. CAPÍTULOI apresentandoumarealidade É comum hoje emdiareferir-se àescolacomoo lugarcaracterizadopelaindisciplina,oque
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    temlevadomuitosprofissionaisdaeducaçãoà completadesilusãoemrelaçãoaoexercícioda docência.Parece quenãohá maisjeito,que nadaque se faça dará bons resultadosemrelação a esse aspecto.É necessário,porém, que se tenhaemmente que todoproblema,mesmoo que parece insolúvel,pode tersoluçãoouaomenossertrabalhadode formaconstrutiva quandose reflete sobre ele.Epara começar tal exercício,nadamelhordoque dar nome ao problema,ouseja,defini-lo. Portanto,se um dosproblemasque acontecememsalade aulaé o da indisciplina,é importante que se deixe bemclarooque se entende poresse termo.Daíeste capítuloter iníciona definiçãode “disciplina”e de seuoposto,a “indisciplina”. 1 — Definindoostermos Costuma-se ouvirque tal alunoé “indisciplinado”ouque falta“disciplina”naescola.Oque tais termossignificamou,emoutraspalavras,oque as pessoasque osempregamqueremdizer?O que esperam? 1.1 — Disciplina É possível defini-lasegundoodicionário,comoo“conjuntodasobrigaçõesque regema vida emcertas corporações,emassembleiasetc.Submissãoauma regra,aceitaçãode certas restrições.Ensino,instrução,educação”(FERNANDES,1993). Vasconcellos(1998) apresentaaforma idealizadade disciplinaque tantooprofessoralmejada parte dos alunosemsua aula:que elesse comportem;que venham, de maneiraespecífica,a procederconforme odesejodoprofessor.Assim, elelocalizabemaquestãoda“disciplina”ao associá-laà“obediência”. Mas “disciplina”nãodeixade serumconceitoumtanto vago e passível de inúmeras interpretações.Depende dotempoe dolugaremque é empregado.Etambémpossui uma compreensãoque expressainteressessociaise políticosbemdefinidos.ParaGroppaAquino (1996), por exemplo,adisciplinaescolarque caracterizavaaescolanaprimeirametade do século20 (e depois) nãodeixavade representarumainstituiçãode caráterelitistae conservador,daqual aindaexiste ovestígioe que causa o saudosismo.Nãodeixava,porém,de manifestar-seideologicamenteatravésdocontrole doscorposdosalunose do feitiopouco(ou nada) democráticopornão permitirque essesse expressassem, masque estivessem completamentesubmissosàsordensdoprofessor,denominadopeloautorcitadode “general de papel”.TambémVasconcelos(1998) apontapara umarazão sócio-políticade se pensare defenderumtipode disciplinaque priveoalunoodireitode construirautonomiaque olevará a ser cidadãoconsciente e participativonavidasocial;comoele escreve:“nanossarealidade, no sentidogeral,disciplinarcorresponde aadequaçãoàsociedade existente;significa,pois, inculcação,domesticação,resignaçãoàexploração,etc.”(VASCONCELLOS,1998) Não se pode deixarde definirdisciplina,também, comosendoumahabilidadeinternade cada pessoaque a ajudaa cumprirsuasobrigações,é umautodomínio,é acapacidade de utilizara sua liberdade pessoal parapoder,livremente,atuarnavidadiária,tendoa possibilidadede superaros seuscondicionamentosinternose osexternos,que se apresentam. 1.2 — Indisciplina É definida,segundoodicionárioAurélio,como“desordem;desobediência;rebelião” (FERNANDES).Pode serentendidatambémcomo“faltade limite dosalunos,bagunça, tumulto,maucomportamento,desinteresse e desrespeitoàsfigurasde autoridade daescola e tambémdopatrimônio”(MACHADO).Comissoaindisciplinaé sempre umcomportamento impróprioque pode chegaraté a agressão.
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    Rego(1996) aponta queo conceitode indisciplinaé dinâmico,pode variarconforme a situação,mediante osvaloresde umacultura,omomentohistórico,nãosomente difereentre uma sociedade e outra,masse modificaemuma mesmasociedade emseusdiversosaspectos, sejamelesrelativosàsclassessociais,sejameminstituiçõesdiversase tambémemuma mesmacamada social.E continuandooconceitode indisciplinanoplanoindividual:“apalavra ‘indisciplina’pode terdiferentessentidos,que dependerãodasvivênciasde cadasujeitoe do contextoemque foraplicada”.Mas o que vema serum alunoindisciplinado?A mesmaautora responde aessaperguntaescrevendoque essesujeitoé aqueleque nãotemlimites,que não sabe respeitaraspessoas,suasopiniõese sentimentos,nãosecolocandoemseulugar.Ele apresentadificuldadeemse relacionarcomosdemaisconvivendode formacooperativae nemmesmoconsegue dialogarparaentenderopontode vistada outra pessoa. Com a definiçãodoconceitode indisciplina,aautora relataa complexidade dessapalavrae demonstraque este nãoé um termoconsensual e que necessitade maiorespesquisasobre o assunto. É precisosabero que realmente algunsprofessoresentendemporessestermosaplicando-os emsala de aula. 2 — Disciplinae a indisciplinanodiaa dia Para muitosprofessores,oconceitode disciplinase revelaquandoascriançasse mantêm sentadas,nãoconversamaltoe não atrapalhamo professornahora que ele estáfalandoou explicandoalgo. Vaz,na pesquisaque realizoucomotema“A ‘criança-problema’e anormatizaçãodo cotidiano da Educação Infantil”(2005), apresentaosprocedimentosde ADIs,nascreches,e professoras, nas EMEIs, emrelação ao comportamentodisciplinardascrianças,procedimentosestesque envolvemasrestriçõesaque ascrianças são submetidas,ocontrole dasconversassem objetivosemsalade aulae até os momentosde atividadesrecreativasregulamentadas.Nos depoimentosdasADIse professorasparece serinconcebível punirseveramenteascrianças pelasua “indisciplina”,excetoemcasosextremos,comoaautora escreve: Criança disciplinadaseveramente,semdireitoavoz,pareceserconsideradoalgoinapropriado “pedagogicamente”,algoque asADIssomente admitememcasosextremos,quando,como formade castigo,excluemdogrupoacriança que precisa“pensarsobre oque fez”.O mais comumé a educadorase utilizardaestratégiade chantagemafetiva,emque acriança, com medode perdero afetoda “tia”,cede ao controle. Nessesdepoimentos,asADIse professorastambémrelatamque aconversatambémserve para controlare disciplinarascrianças,o que acontece “na roda” de conversadedicadapara este fim,naqual elasouvemcomodevemounão se comportar.Para elas,é necessárioque as crianças fiquem“sossegadas”e “obedientes”paraque ocorram o seudesenvolvimentoe asua aprendizagem. Ao definirosconceitosde disciplinae indisciplinae a maneiracomose manifestamnodiaa dia da sala de aula,restasaber osmotivosque levamasituaçãode indisciplina.Éo que será discutidonopróximocapítulo.
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    CAPÍTULOII Indisciplina,porquê? Deve-se perguntarpelosmotivosque têmlevadoasituaçõesdeindisciplinaemsalade aula.O quadroé conhecido:alunosfalandoaltoougritando,saindode seuslugares,jogandopapel unsnos outrose o(a) professor(a) nervoso(a),àsvezesgritando,tentandocolocarordemna turma. Qual o motivodesse comportamentodascrianças? Neste capítulo,procurar-se-áchegararespostaspara a perguntacolocadaemseutítulo.Para isso,seránecessáriorefletirsobre situaçõesque nãosãoas mesmasde quandoo(a) professor(a) eraaluno(a)...Emoutraspalavras,grandesmudançastêmocorridoemtodosos âmbitosda sociedade e dacultura,verdadeirastransformaçõesnomodocomose vive,se vê o mundoe com ele se relaciona.Daía subdivisãodoprimeiroitememtrêspontosbásicos,que poderãoserconsideradosfundamentaisparase compreenderocomportamentodascrianças emsala de aula; pontosessesque visamao“lugar”da criança. São eles:asociedade,afamília e a escola. Em um segundomomento,ofocoserácolocadosobre a criança, considerandoseu desenvolvimento,aaquisiçãoda“autonomia”e,consequentemente,asuarelaçãocom a discussãoa respeitodadisciplinaemsalade aula. 2.1 — Refletindosobre ummundoemtransformação Falar de mundoemtransformaçãoé dizerque ascoisas jánão são como costumavamser. Muitosvalores,costumes,atitudes,visõesde mundo,têmsidoquestionados,abandonadosou alteradosnasegundametade doséculoXX.Taisprocessosde mudançatambémalcançaram trêselementosessenciaisque sãoimportantes paraa reflexãosobre adisciplinaemsalade aula:a sociedade,afamíliae a escola. 2.1.1 — Sociedade Embora hajauma espécie de “saudosismo”emrelaçãoacomo a escolamantinhaa disciplina de seusalunosno passado,é precisoque osprofessorese demaisprofissionaisdaeducação tenhamconsciênciade que o“mundo”está emconstante movimento.Emoutraspalavras,a sociedade tempassadopormudançasconsideráveisque têmafetadodiretamente o comportamentodosalunose dasalunas.E parece inútil aosprofessorestentarmantero antigocomportamentodisciplinarnosdiasde hoje. O assuntorelacionadoàsociedade e suastransformaçõesé vastíssimode maneiraque,neste item,é possível apenasesboçaralgumasconsiderações. O aspecto“saudosista”presente nasexpectativasde muitosprofessoresocorre pelofatode elesidealizaremosistemaeducacionalde outroraaocompararem-nocomo que considerama “anarquia”disciplinaratual. Groppa Aquino(1996:43) observaque operfil daescolanão corresponde maisàquele idealizado,porque a“democratizaçãopolíticadopaís” e a “desmilitarizaçãodasrelações sociais”abriramespaçopara uma novaescolae um novoaluno.Ele escreve:“temosdiantede
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    nós umnovoaluno,um novosujeitohistórico(...)”.Dessaforma,ahierarquizaçãoanteriordeu lugara um tipode relaçãoprofessoraalunono qual aquele nãoé maisconsideradoodetentor do saber,enquantoesse deveriaserapenasapessoaque absorve conhecimento.Ele (GROPPA AQUINO,1996:43) aindaescreve: É presumível,portanto,que asrelaçõesescolaresfossemdeterminadasemtermosde obediênciae subordinação.Oprofessornãoerasóaquele que sabiademais,masque podia maisporque estavamaispróximodalei,afiliadoaela.Suafunçãoprecípua, então,passaa ser a de modelarmoralmenteosalunos,alémde asseguraraobservânciadospreceitoslegais maisamplos,aosquaisos deveresdosescolaresestavamsubmetidos. O mundotemmudado,princípiose valorestambémmudaram, dandoorigemaumnovo tempo,noqual crianças e adolescentestêmassumidonovos“lugares”nasociedade. Vasconcellos(1998:23-24) explicaque taismudançastêmocasionadovárioselementosque afetamdiretamenteaspessoas,como“crise ética”,“concentraçãode renda”,“economia recessiva”“desemprego”e “subemprego”.Comtudoisso,gerou-se uma“crise dossentidose dos limites”(VASCONCELLOS,1998:24-26), que repercute naescola,oumelhor,nasala de aula. 2.1.2 — Família Mudanças sociaisimplicamemtransformaçõesemtodososâmbitosdasociedade,inclusiveo da família.Considerandoanaturezasocial doindivíduo,afamíliaé o “lugar” por excelência onde ele desenvolve,emgrande medida,suaidentidade. Atualmente,aestruturafamiliartradicionaltemdeixadode serumparadigmaemrelaçãoà realidade social vigente.A famíliadita“nuclear”nãoapresentamaisocaráter normativode temposatrás.SegundoClarice EhlersPeixoto,noprefácioque escreve aolivrode Françoisde Singly(2007:16) e sintetizandoaprópriaopiniãodestesociólogo:“afamíliamudade estatuto ao se tornar um espaçorelacional maisdoque umainstituição”. Em outras palavras,jánão se pensacomo famíliaapenasnaexistênciade umgrupocomposto por pai,mão e filhos;atualmente,devidoàsmudançasnopapel damulher(nesse caso,aos própriosmovimentosfeministas),suaemancipação(devidoaotrabalhoemcujomercadoela temse inseridoe aocontrole dacontracepção),e a tantos outrosfatores(porexemplo,o crescente númerode divórcio),“família”passaase referiràvivênciade umapessoanasua relaçãocom outras,mesmonão possuindolaçossanguíneos. Nesse contexto,inserem-se ascriançasque frequentamasescolas.Elastambémtrazemsuas históriasde vida,produtosdosrelacionamentosfamiliarese extrafamiliares;e assimvivem seusrelacionamentosintraescolares. A partirdessanova realidade que se estabelece noâmbitoescolar,surge aapreensãodos professoresrelativaà“indisciplina”dosalunose a culpaque lançam na família,comolugarde desagregação,desestruturaçãoetc. Partindode uma visãocaracterizadapelosestudosde Vygotsky,Rego(1996:95-97) salientaa importânciadafamíliacomo contextooumeiode interaçãodacriança. Dessaforma,o caráter indisciplinadooudisciplinadodoalunotambémse relacionacomseudesenvolvimentono meiohistórico-cultural aque pertence.E,aqui,levaemcontaopapel dospais comoeducadores(REGO,1996:97): A família,entendidacomooprimeirocontextode socialização,exerce,indubitavelmente, grande influênciasobre a criança e o adolescente.A atitude dospaise suaspráticasde criação e educaçãosão aspectosque interferemnodesenvolvimentoindividuale,consequentemente, influenciamocomportamentodacriançana escola.
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    A partirdaí, aautora apresentatrêsmodelosde pais:os“autoritários”,os“permissivos”e os “democráticos”.Osprimeirosrestringemseusfilhosexigindodelesumcomportamento “exemplar”,de maneiraque sãoinibidoresdascriançase de suasiniciativas;osegundogrupo refere-seàqueletipoque nãoimpõe regrasaosfilhos,permitindoque elesfaçamoque queiram;oterceirogrupotrabalhacom as crianças de maneiraa respeitarsualiberdade,mas se importammaisem desenvolvernosfilhossensode responsabilidade(REGO,1996:97-98). Resumindo,o conceitode “família”atualmente develevaremcontaa multiplicidade relacional emque se inseremascrianças;consequentemente,seusvalores,crençase comportamentos. 2.1.3 — Escola “Ir à escolapraquê?”Podemoscomeçaressareflexãosobre asmudanças naescolacom essa perguntaque,háalgumasdécadasatrás, seriafácil de ser respondida.Vasconcellos(1998) apresentamudançasfundamentaisque têmocorridonoBrasil,noque se refere àescolae ao professor,nosúltimos30/40 anos.Começarelatandoque,antes,aescolaeravalorizada socialmente e vistacomoumaformade ascensãosocial;oprofessoreravalorizado,possuía certo “status”,sendoconsideradoummediadordaascensãosocial,e sua formaçãoera mais consistente emrelaçãoasua realidade;a remuneraçãodoprofessoreramaiscondizente com sua função;ele eravistopelaescolacomouma pessoaprivilegiadaparaa transmissãode informações;aescolatinhatotal apoioda famíliaemrelaçãoà educaçãode seusfilhos;a “clientela”que freqüentava aescolatambémtinhamaisfacilidadeemacompanharos conteúdosque ali eramensinados. Em contraste com esse passado,Vasconcellos(1998:22-23), apontaas transformaçõesradicais nas últimasdécadas,comooaumentodo númerode escolasparasuprira demandaporum lado,e quedada qualidade doensino,dooutro;aumentode vagasnoEnsinoFundamental e Médionas escolaspúblicase noEnsinoSuperior,nasescolasparticulares;aformaçãodo professorumtantovaga e fragmentada;a“diminuiçãodrásticadosaláriodoprofessor”;falta de condiçõesde trabalhonoque se refere aomaterial pedagógico,equipamentos,instalações etc. Os dadosacima descritos,e que denunciamoque oautor denominade “crise de identidade da escola”,revelamasdificuldadesque os profissionaisdaeducaçãotêmsentidoemrelaçãoa como lidarcom osnovostempose,de maneiraespecífica,como“novoaluno” (VASCONCELLOS,1998:25). Groppa Aquino(1996:43) tece certascríticas ao modelotradicionalde escola: Tambémé possível deduzirque aestruturae o funcionamentoescolaresde entãoespelhavam o quartel,a caserna;e o professor,umsuperiorhierárquico.Umaespécie de militarização difusaparecia,assim,definirasrelaçõesinstitucionaiscomoumtodo. Tambémele consideraesse modelo“elitistae conservador”(GROPPA AQUINO,1996: 44). Isso significaque é necessáriorepensaronossomodode vera escola,nãomais segundoaforma antiquadae conservadora,mas,sim,comoespaçodemocráticoda inclusãodasmaioriasantes excluídasdo processoeducacional. A reflexãosobre astransformaçõesocorridasnasociedade,nafamíliae naescolaauxilia quandose trata de entenderqual arelaçãodo desenvolvimentodacriançae sua autonomia com todasas consequênciasdessasmudanças.Porisso,umaabordagemàquestãorelativaa essesassuntosse faznecessáriaaose estudaro temade disciplinaemsalade aula. 2.2 — A criança
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    Apósalgumasconsideraçõessobre trêsaspectosconsideradosimportantesemrelaçãoà educaçãoformal dascrianças,ou seja,sobre a sociedade,afamíliae a escola,cabe agora um espaçopara a reflexãoarespeitododesenvolvimentodacriança,no sentidode compreendê- la cada vezmaiscomo sujeitodoprocessoeducacional e,porconseguinte,comoo elementofundamentalparaa questãodadisciplinaemsalade aula,é claro. Doisteóricossãomuitoimportantesquandose falaemdesenvolvimentoinfantil,para compreendê-lonocontextodaescolae dadisciplina:JeanPiaget(1896-1980) e Lev SemyonovitchVygotsky(1896-1934). 2.2.1 — JeanPiaget A obra desse pesquisadoré fundamental parase refletirarespeitodocomportamentoda criança emsala de aula.Primeiramenteporque esseambiente acolhepessoascomdiversas experiênciasque deverãosertrabalhadaspeloprofessorpedagogicamente;mastambém porque,nasala de aula,há o ambiente paraa contribuiçãodaformação da autonomiados alunos. Baseadoempressupostoskantianos,Piagetdesenvolveuateoriade que a formaçãoda moralidade dacriançase caracterizapor três“momentos”:o da anomia,oda heteronomiae o da autonomia. A anomiadizrespeitoàfase da criança recém-nascida,que nãoestásubmetidaanenhuma regra,mas, completamente,aumestadode egocentrismo,sendoelao“centro”do mundoe cujas necessidadesdevemsersatisfeitas.ComodefineAraújo(GROPPA AQUINO,1996:107): Utilizandooexemplodacriançarecém-nascida,elaencontra-senaanomia,numestadode egocentrismoradical emque nãose diferenciadomundo,semperceberaexistênciados outros,semsaberque existemregrasde convivênciasocial — coisasque devemounãoser feitas. É importante observarque odesenvolvimentodojuízodacriança tambémé compreendidopor Piagetsobo panode fundodostrabalhosde Durkheime de Bovet.Nãoentrandoaqui nos detalheselaboradosporcadaum, basta,porém, perceberoque elestêmemcomum: “consideramosentimentodobeme a consciênciadodevercomoaspectosessenciaisparase compreenderaação miral”e mais:“quandoDurkheime Bovetfortalecemopapel da autoridade comoúnicafonte para a sua constituiçãodamoral,acabam por submeterobem ao dever”.ComissoPiagetdemonstraasua cumplicidadecomosautorescitadosemrelaçãoà moral autônoma,resultadodaação da criança em ultrapassara moral do dever,heterônoma, que procede daautoridade dapessoaadulta.Esse é umdesenvolvimentointerno,segundoo qual a criança se sente obrigadaa“agir autonomamente de acordocomo bem” (GROPA AQUINO,1996: 109). Essas são as conclusõesde Piagetconcernentesaoassunto;comoele escreve (PIAGET,1994:91): Em suma,quer noscoloquemosnumounoutrodosdoispontosde vistade Durkheime de Bovet,é precisodistinguir,paracompreenderosfatos,doisgruposde realidadessociaise morais:coação e respeitounilateral,de um lado,cooperaçãoe respeitomútuo,de outro(...). Piagetescreve arespeitodaconvivênciacomos“outros”,isto é,na família,nasociedade, como o contextode onde acriança aprende regrasmediante acoação. Ele a define como“unilateral”porse caracterizar pelaordemimpostapelosadultos.Dessaforma,o pequeninopassadaanomiaparaa heteronomia. Mas, o últimoestágiorelativoaodesenvolvimentodojuízomoral é significativoquandose trata de estabeleceraautonomiadaconsciênciaque agirá,nãomaispelodever,masporsaber
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    o que écertoe errado,e porrespeitoaosoutros. Kamii (1994:106), quandoescreve sobre aautonomiacomofinalidade daeducaçãotendoem vistaa teoriade Piaget,formulaumquestionamentosobre comoalgunsadultospodemse tornar moralmente autônomos: A respostade Piagetparaessaperguntaera a de que osadultosreforçama heteronomia natural das crianças,quandousam recompensase castigos,e estimulamodesenvolvimentoda autonomiaquandointercambiampontosde vistacomascrianças. Na sequência,elademonstraasconsequênciasdapuniçãoe da troca de pontode vistacom a criança. Em relaçãoà punição,estatemcomo consequênciaofatoda repetiçãodoatopela criança, masdestavezevitaráser pega,poiso medoestáemserdescoberta;a criança se torna uma criança conformista,obedecendocegamente aoque lhe é impostoe,comisso,não precisarátomar decisões,bastandoobedecer;e arevoltacomosendomaisuma das consequênciasdapunição.Estaúltimapode se apresentarquandoascrianças,que sempre forampunidas,masque sempre tiveramumbomcomportamento(talvezpormedode serem castigadasou por seremconformista) resolvemse revoltar,cansadasde obedeceraoutrose decidindoseguirporcontaprópria,apresentandocaracterísticasde indisciplinacontraaqueles aos quaisse submeteram,paise professores.Estaatitude fazcomque elassaiamdo conformismo,masnãode maneiraautônomae simcom sentimentode revolta,poisháuma “vasta diferençaentre autonomiae revolta”.Comissonota-se que apuniçãoreforçaa heteronomiae nãopermite que ascriançasdesenvolvamaautonomia(KAMII,1994:106-108). Segundoaautora, Piagetdizque nãose pode “evitartotalmente apunição”,istoé ,não é possível permitirque acriança faça o que bemquiser,tendoemvistaosperigosde algumas ações,e se elao fizer,teráas suasconsequências.Dessaformafazuma“distinçãoentre puniçãoe sançõespor reciprocidade”.Punir,paraPiaget,é nãofazerrelaçãoentre o ato praticado e o castigo:“privara criança da sobremesapordizermentirasé umexemplode punição,poisa relaçãoentre mentirae sobremesaé arbitrária”.Jásançõesporreciprocidade, relacionamoato com a “consequência”domesmo.Énesse pontoque se deve aplicar a“troca de pontode vistacom a criança” para o desenvolvimentodaautonomia.Kamii apontaquatro dos seisexemplosde sançõesdadasporPiaget,entre elas:“exclusãodogrupo”:isolandoa criança do grupoquandoestanão se portaadequadamente,atrapalhandoosdemais;“apelar para a consequênciadiretae material doato”:quandose dizque não se poderáacreditarmais na criança quandoestadisserumamentira;“privara criança da coisaque elausoumal”: quandoa criança usa determinadosbrinquedos,porexemplo,e aprofessoracolocaregras para que sejamobedecidase acriança não as cumpre,elaé impedidade se utilizarnovamente do brinquedoaté que se julgue que elaé merecedora.Epor fimoquarto exemploé oda “reparação”: quandoa criança, por exemplo,estragaumtrabalhode umcolegae a professora pede que oculpadoa ajude aconsertá-lo.A autora finalizaessacolocaçãosobre oúltimo exemplodizendoque “quandoascriançasnão têmmedode serpunidas,elasse manifestam espontaneamentee fazema reparação.”(KAMII,1994:107-111). Ao se abordar o assuntoda indisciplinaemsalade aula,a obra de Piagetsobre a formação moral da criança se torna relevanteaoproporcionaraoprofessorinstrumental importante para a compreensãoe,maisque isso,odiscernimentodoalunocomopessoa,talvez “indisciplinada”,masnão“imoral”(Araújo,1996:110), jáque ele trazseusvalores,oriundos das relaçõesfamiliarese extra-escolares. E, também,tal conhecimentopoderáserútil aoprofessoremsalade aulapara realizarseu projetopedagógiconosentidode estimularoalunoa desenvolverconsciênciaautônoma,ou seja,queoleve aseruma pessoade boa convivênciasocial,que respeiteaspessoasporque
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    issoé o certoafazere não porque sejaobrigadoatal, e que contribuapara uma sociedade melhor.Nesse caso,oambiente de salade aulaseráadequadocomoo “espaçoda autonomia”.Mas issoserádiscutidodetalhadamente nocapítuloIII. 2.2.2 — LevSemyonovitchVygotsky Grande estudiosoe representante do“interacionismo”,tendênciaque acreditaque apessoa se desenvolve nainteração,naação recíproca, com a sociedade,sendoela,portanto, fortemente marcadapelahistóriae pelaculturanaqual se criou. Rego(1996:91-95) apresentaalgunsaspectosdopensamentodoescritorrussoque são fundamentaisparase compreenderaformaçãoda pessoa.Sãoeles:a linguagem, “opapel mediadorexercidoporoutraspessoasnosprocessosde formaçãodosconhecimentos, habilidadesde raciocínioe procedimentoscomportamentaisde cadasujeito”e a “internalização”dessesconteúdos. Em A formaçãosocial da mente,Vygotskyapresentasuateoriaconcernenteàformaçãodo que ele denomina“funçõespsicológicassuperiores”.Apósapresentardadosextraídosde experiênciasrealizadasporele e suaequipe,e de discutirresultadosapresentadosem pesquisasde outroscientistas,ele enfatizacomoa mente dacriança se desenvolve,emseus primeirosanos,nocontatocom outras pessoasque contribueme incentivamoseu avançopara estágiossuperiores— de maneiraparticular,issoocorre coma brincadeira (VYGOTSKY,2007:107-124) e com a linguagem, medianteaqual a criança internaliza“as formasculturaisde comportamento”(VYGOTSKY,2007:58). Quandose fala sobre indisciplinaemsalade aula,os postuladosde Vygotskysãomuito importantesparaa compreensãodacriança como pessoaque teminteragidocomum contextosocial que,de certaforma,temlhe providode conteúdoscomosquaisse relacionam.ComoafirmaRego: (...) É possível afirmarque um comportamentomaisoumenosindisciplinadode um determinadoindivíduodependeráde suasexperiências,de suahistóriaeducativa,que,porsua vez,sempre terárelaçõescomas característicasdo grupo social e da épocahistóricaemque se insere. Assim,ocontextosocial,históricoe cultural,maisodesenvolvimentodacriançaao apreendê- lopor intermédiodalinguagem(sobretudonainternalizaçãode signoslingüísticos) e do brinquedo,sãofatoresimportantesparaa compreensãodoaluno,nãonosentidode se acusar tal e tal ambiente comoo“responsável”porsua“indisciplina”,mascomoimportante instrumentopeloqual sejapossível aconstruçãode “pontes”que visemàformaçãodo aluno mediante suainteraçãocomo ambiente escolar.Éoque tambémserá discutidonopróximo capítulo. cAPÍTULO iii O professore a indisciplinaemsalade aula Depoisdatentativade se definir“disciplina”e “indisciplina’(oque foi realizadonocapítuloI) e de procurar entenderosmotivosque levamáindisciplinaemsalade aula(capítuloII),é importante que se reflitaarespeitodasatitudesdoprofessorfrente aoproblema,de modo que sua reação sejaconstrutivae inseridaemumprojetopedagógicoque vise o desenvolvimentodosalunos.Paratanto,trêspontosde discussão serãoabordadosneste capítulopor se entenderseremrelevantes:primeiramente umareflexãosobre osconceitos “autoridade”e “autoritarismo”;aseguir,outradiscussãoa respeitodaimportânciade se compreendercomose dáa construçãoda identidade dacriança;e,como terceiroponto,de
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    que maneirao professorpoderáusaraindisciplinacomoinstrumentopedagógico. 3.1 — Autoridade ouautoritarismo É comum a confusãoque ocorre entre “autoridade”e “autoritarismo”.Quantasvezes,emsala de aula,o segundoconceitoé aplicadopeloprofessorimaginandoque estáexpressandoo primeiro.Porisso,é relevanteumareflexãosobre ambos,paraque oprofessortenha consciênciae a habilidadenecessáriaparainteragire/oureagiraosalunosditos “indisciplinados”. A concepçãoque normalmente se temde autoridade emsalade aularelaciona-seaoda posiçãodo professorcomoalguémque impõe aordeme o respeitomediante sançõese gritos. Geralmente,esseconceitovincula-se aumaideiadeescolaque pertence aopassado,aoutra realidade,quandoosalunoseramcontroladospelosistemaescolaremseuscorpose falas, como bemapontaGroppa Aquino(1996) ao mostrar, comoexemplo,osistemaescolarcomoé apresentadopelasRecomendaçõesdisciplinaresde 1922. Tal descriçãoé consideradapelo autor citadocomo “militar”e expressava,nafiguradoprofessor,aencarnaçãoda ordeme da disciplina.Comoeleescreve(GROPPAAQUINO1996:43): É presumível,portanto,que asrelaçõesescolaresfossemdeterminadasemtermosde obediênciae subordinação.Oprofessornãoerasó aquele que sabiamais,masque podiamais porque estavamaispróximodalei,afiliadoaela.Suafunçãoprecípua,então,passa a sera de modelarmoralmente osalunos,alémde asseguraraobservânciadospreceitoslegaismais amplos,aosquaisos deveresescolaresestavamsubmetidos. Tal conceito,porém,trazproblemassériosàformaçãodosalunosporque idealizaumsistema escolardo passado(e,diga-se de passagem, deficiente) emrelaçãoauma realidade completamentediferente.Eisaqui a grande questão:trataruma situaçãodo presente com “soluções”dopassado. Em outras palavras,oque está descritoacimase define como“autoritarismo”e nãocomo “autoridade”. Aindanesse sentido,Araújo(1996),tendoporbase os conceitosde heteronomiae de autonomiaemJeanPiaget,apresentaumacríticaao modo que eleentende ser“autoritário”e que caracterizamuitasposturase ideaisde professores,quandoessesentendemque uma classe “disciplinada”é a que corresponde aseusinteresses Comovimosno capítuloI, noqual Vazapresentaoresultadode entrevistasefetuadascom ADIs,emcreches,e professorasde EMEIsa respeitodadisciplinadascrianças,que,segundoa qual,elaconstataa ênfase teóricanumaformaçãodemocráticacomo objetivode fazercom que a criança atinjaa autonomia.Éprecisosalientaroque Vazescreve sobre a“ênfase teórica”,pois,muitosprofessoresconhecemateoriade comose deve agiremsalade aula, mas na hora de por emprática a coisa é outra: agemde maneiraautoritária,impondoasua vontade,pensandoque estãoexercendosuaautoridade.Vaz,porém,percebenapráticaos procedimentosque envolvemasrestriçõesaque as criançassão submetidasacabam enquadrandoascrianças numsistemanormativoque asdesconsideracomocrianças“reais” emnome de uma idealizaçãoque se fazdelas,caracterizandooprocessoeducativocomo “passagem”de um nível a outro.Comoa autora observa:“A ideiade ‘passagem’,recorrente nas representaçõesdasprofessorase ADIs,sugere nãoexistir,nessaspráticas,tempoe espaço para a criança de ‘aqui,agora’”. (VAZ,2005)1. A esse respeitoD’Antola(1989:50) tambémobservaque: (...) nossasescolastêmumatradiçãoautoritária.Nelas,opoderde decisãoestásempre colocadona autoridade hierarquicamente superiore asrelaçõesse dãode cima para baixo.
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    (...) Ora,os alunossãoossujeitosaquemas açõesda escolase destinam.Porque nãotomam parte nas decisõesque osenvolvem? A respostaconvencionalé ade que só oseducadorestêmcompetênciaparadecidiroque é melhorparaos alunos(...). Será que as relaçõesde poderemnossasescolasestãofuncionandode acordocomesses padrõesde competência?2 E logo a seguira autora responde negativamente,poismostra comooprocedimentodesses profissionaisdaeducaçãoaindase prende aum modelotradicional autoritáriaque nãotraz benefíciosaosalunosemtermosde desenvolvimentosaudável. Daí elaobservaremváriosprofessoresadiferençaentre teoria(democrática) e prática autoritária(D’Antola,1989) e propõe o que eladenominade “climademocrático”,noqual, deveráexistiraparticipaçãoe a vozdo alunoaté na elaboraçãode regrasa seremseguidasna escola.Nesse contexto,oprofessorcontinuasendooeducador,possuindoautoridade,mas usandodelade formarespeitosaemrelaçãoaoalunoe nãoimpositivae ditatorial,como ocorre nocaso de autoritarismodomodeloescolartradicional. Abrirespaçopara o diálogoe a cooperaçãoentre alunose professores,não significaminimizar a autoridade dessesúltimos,nemcairnaanarquia.Significaapenasrespeitareconsideraros alunoscomosujeitosdoaprendizadoe nãoapenasobjetospassivosdoatode “aprender”. Essa é a opiniãode outroeducadorque deixousuasmarcasna história:PauloFreire.Paraele, “autoridade”,porum lado,nãosignifica“autoritarismo”e,poroutro,não querdizer “libertinismo”. PauloFreire discute arespeitodesseslimitesentre umconceitoe outro.Emoutras palavras,é necessárionãoconfundir“liberdade”com“desordem”.Comoele escreve (FREIRE,1996:105): O grande problemaque se colocaao educadorou à educadorade opção democráticaé como trabalharno sentidode fazerpossível que anecessidade dolimite sejaassumidaeticamente pelaliberdade.Quantomaiscriticamentealiberdade assumaolimitenecessáriotantomais autoridade temela,eticamente falando,paracontinuarlutandoemseunome. E mais adiante (FREIRE,1996:108), afirmaestaideia: O que sempre deliberadamenterecusei,emnome doprópriorespeitoàliberdade,foi sua distorçãoemlicenciosidade.Oque sempre procurei foi viveremplenitudearelaçãotensa, contraditóriae não mecânica,entre autoridade e liberdade,nosentidode assegurarorespeito entre ambas,cuja rupturaprovoca a hipertrofiade umaoude outra. Se autoritarismonãodeve caracterizara relaçãoentre professore aluno,autoridade e, portanto,limites,sãofundamentaisparaoexercíciode relaçõesdemocráticasnaescola, asquaisbeneficiarãoalunose professores. 3.2 — Construindoaidentidade dacriança Ao refletirarespeitodotema“autoridade ouautoritarismo”,tinha-se emmente“prepararo terreno”para se discutirsobre a relaçãodo professorcomos alunosemsalade aula.A aplicaçãoda autoridade,porém,deve-se aoconhecimento(quantomaismelhor) dacriançae do desenvolvimentode suaidentidade.Eesse é o assuntodeste item. Apósapresentara aplicaçãoque JeanPiagetfazdosconceitoskantianosde heteronomiae autonomia,Araújo(1996:114) defende que oprofessorcontribua,emsalade aula,para que os alunosconstruamuma identidade autônoma,pautadanos“ideaisdemocráticosde justiçae igualdade”.Paraesse autor,taisprincípiossãoaplicáveisquandooprofessordáa liberdade
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    para os alunosparticiparemativamentedaelaboraçãode regrase de um comportamento cooperativo,fazendo-ossentiremque tambémsãorespeitados.Aomencionarduasposturas do professorexistentesnocontextode salade aula,aautoritáriae a democrática,ele escreve (ARAÚJO,1996:111): Acreditoque se deve buscarumaperspectivaque rompaessadicotomia.De acordocom o referencial teóricoapresentado,issosóserápossível coma democratizaçãodasescolas,a partir de relaçõesde respeitomútuoe reciprocidade que modifiquemavisãosobre opapel que as regras devemexercernasinstituições. Sobre aquestãode cooperação,De La Taille (2000:113) escreve que acriança deve viverem ambientesque nãoapenassejamdirigidospelaautonomia,masque proporcionemasua participaçãona mudançados destinosdosprópriosambientes.Oautordeixaclaroque é a partir da cooperaçãoque a criança terá incorporadoa autonomiaemsuapersonalidade,pois “só assimilamosoque experimentamos”.Cooperarneste casonãoteriao sentido de “ajudar” e sim,de fazerjuntocom o outro,serautor em uniãocomo outro e,ao estabeleceressas relaçõesde cooperaçãoe de construçãode regras,a criança envolve todaasua personalidade e passaa respeitaressasregrasconstruídasconjuntamente. Épormeiodacooperação que a “criança aprende a organizarseusargumentose a escutare compreenderosdasoutras pessoas”.A cooperaçãopara De La Taille,portanto,significa“acordo,diálogo,envolvimentoe compromisso.Eautonomiaé respeitopelooutroe exigênciade serrespeitado”. Quandoo autor escreve que aautonomiaé respeitopelooutro,ele se refere aosurgimentode um sentimentoadvindodaadmiração,dadependênciae domedo:orespeito,oqual a criança sente pelospaisquandoestesasubmetem“àssuasordens,àssuasvontades,àssuas punições”e “ao respeitarospais,tende aassumirseusvalorese a obedeceràssuasordens. Ora, o sentimentodorespeitomoral equivale aosentimentode obrigatoriedade”(De LaTaille, 2000:92). Sendoassim,acriança se sente nodeverde respeitarooutro.Esse sentimentode respeito,comocolocao autor,temorigemna relaçãoentre o adulto(paise/ouprofessores) e a criança, quandoaquele exerce sobreestaafunçãode autoridade,colocandovalorese limitesàssuasações.De La Taille enfatizaque odesenvolvimentodacriançaemdireçãoa autonomianasce dessarelação,que paraPiaget,é “pedagogianecessáriaparaa entradada criança no mundoda moralidade“e que tambémdepende de outrasrelaçõese maneiras de colocá-los(De La Taille,2000:92-93). Antesde abordar taisrelações,De La Taille deixaclaroque,emboraacriança devater experiênciasde relaçõesde autoridade comumaeducação“bempensadae bemfeitadesde a maistenra idade”,issonãoimpede que umadolescente,que nãoteve essasexperiências,não possater a sua educaçãomodificadaradicalmente frenteanovassituações,decorrentesdas relaçõescomo outro e com acontecimentosnasociedade,aqual tambéminterferenasua formaçãoe que “exige”essamudança. As relaçõesentre oadultoe a criança, e a maneirade colocaros limites,abrangemtrêstipos de educação que se referemaotema“autoridade”e “autoritarismo”:a“educação autoritária” (caracterizadapela“imposiçãode regras”,castradora, noindivíduo,de qualquerautonomia);a “educaçãopor ameaça de retiradade amor” (chantagememocional que certospaise professoresfazemcomacriança para que elalhessejasubmissa) e a“educaçãoelucidativa” (que consiste emordeme/ourepreensãoque trazosmotivose as consequênciasdasatitudes censuradas) (De La Taille,2000:95-96). SegundoDe La Taille,a“educação elucidativa”possui trêsdimensõesfundamentaisparaque o desenvolvimentomoral dacriança ocorra de modosatisfatório.Primeiramente,é importante que a criança experimente osvaloresque lhe sãotransmitidosnosrelacionamentoscomseus
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    paise professores(emoutraspalavras,elesdevemviveroque ensinam).Tambéméde se esperarque elaparticipe de atividadesde cooperação,comojá mencionadoanteriormente.E, finalmente,que paise professorestrabalhemaafetividadedascrianças,valorizandoobeme rejeitandooque forprejudicialaoseuconvíviocomo outro (De La Taille,2000). Esse trabalhode explicaçãodasrazõesdaordeme da repreensãoé umaformaque se aproximamaisde uma educaçãodemocrática,semautoritarismoe sim, comautoridade, emboranão sejaumarelação autênticade democracia,poisordeme repreensãosão colocadaspara a criança sema participaçãoda mesma,noentanto,possibilitamque ela alcance e valorize aigualdade essencialparaa autonomia. 3.3 — Um novoolharsobre a “indisciplina” O pontoa que se querchegar neste trabalhode pesquisaé justamente ode propor aosprofessoresalgumasatitudesque visemsolucionarproblemasde indisciplina. Groppa Aquinoargumentaque é necessárioque asescolasre-criemseusconteúdose métodosparaque se torneminteressantesparaosalunos(AQUINO:52-53).E o professorteria como papel tornarconcreto,na escolae para osalunos,todoaparato conceitual que deverá serutilizado.E,dessaforma,disciplinanãodeveráserconsideradasinônimode “silêncio”,mas de aprendizagem,mesmopormeiode umcomportamentoque se expresse como“barulho”e “agitação”. Ele escreve: É presumível,portanto,que umanovaespécie de disciplinapossadespontaremrelações orientadasdestamaneira:aquelaque denotatenacidade,perseverança,obstinação,vontade de saber.Um outrosignificadomuitomaisinteressante paraoconceitode disciplina,não? (AQUINO,1996:53). Tal abordagemao tematorna-se interessante pormanifestarumarepresentaçãodoambiente escolarmaispróximodarealidade atual. Tambémfoi possível percebercomoosnovostemposdemandamnovasformasde se lidar com a indisciplinaemsalade aula,considerandotodasasmudançasocorridasna sociedade e, consequentemente,nafamíliae na própriaescola.Seguemalgumasobservações. É possível que,emmuitoscasosde indisciplinaemsalade aula,oproblemaestejanométodo pedagógicousadopeloprofessor.Deve-seperguntarcomoele fazoplanejamentode suaaula, se orealiza,ouse tempor hábitoimprovisá-lo.O“diz-que-diz”semobjetivoespecíficotornaa aulaentediante e,claro,muitosalunosnãoagüentamficarparados. Tambémé importante que oprofessoracredite noque faz.Semessafé e o amor à sua profissão,ele mesmopoderácontribuir,semoquerer,paraque a aula se torne um “inferno”. Abrirespaçospara a interaçãodos alunose aproveitarsuasenergiasparaa elaboração conjuntae a realizaçãode projetospedagogicamente viáveis.Assim, comoescreveGroppa Aquino(1996:53): (...) A partir daí, o barulho,a agitação,a movimentaçãopassamaser catalisadoresdoatode conhecer,de tal sorte que a indisciplinapode se tornar,paradoxalmente,ummovimento organizado,se estruturadoemtornode determinadasideias,conceitos,proposiçõesformais. Gentile (2002) entrana questãodoagir democráticonarelaçãodo professore aluno.Esse modonão se limitaa lidarcom o problemade disciplinae indisciplina,masde compreendero alunocomo serhumanoque traz sua própriaformaçãosócio-cultural e familiar.A partirdessa disposição,compete aoprofessorconstruirpontesque façamaligaçãoentre ele e a pessoado alunoemum processode interaçãoemque amboscontribuampara a efetivaçãodo amadurecimentoe desenvolvimentodoaluno.Cabe aoprofessorse disporaconhecere
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    sensibilizar-secoma necessidadedoaluno,procurandodialogar,discutirsobre ocasode indisciplinae,seprecisofor,aplicarsançõesque dizemrespeitoaoatoem questão.Segundoa autora (GENTILE,2002)3: O professorprecisadesempenharseupapel oque inclui disposiçãoparadialogarsobre objetivose limitaçõese paramostrarao alunoo que a escola(e a sociedade) esperamdele.Só quemtemcertezada importânciadoque estáensinandoe dominaváriasmetodologias consegue desataressesnós.(...) Otruque é transformara contestaçãoemaliada,dando atençãoao joveme ajudando-oaentenderoque o incomoda. Nesse contexto,nãocaberiamaisaoprofessor“colocara criança sentadaemum lugarpara pensar”,pois,consciente de seupapel comoeducador,ele sabe dasimplicaçõesdesseato, que não proporcionaa autonomiadacriança por seruma atitude autoritária,nãoa respeita como umser emformação e impede oseudesenvolvimento. Vasconcellos(s/d)4emseuartigoOsDesafiosdaIndisciplinaemSalade Aulae na Escola,dá algumassugestõesarespeitodoprocedimentodoprofessoremrelaçãoaoaluno:cuidarpara não cair emmodismos,maslevarideiasasério;anecessidade de se estabelecer“sentidoe exigência”naconstruçãode um projetopedagógicoque sejarelevante paraarealidade dos alunose para o próprioprofessor,considerandoaformaçãocrítica de cada um no que se relacionaaosdiversosaspectosde suavida;estabelecer“sentidoparaoestudo” (VASCONCELLOS:243),percebendooprofessorqual sejaaimportânciaque suafunçãode educadore que a própriaescolapossuemparaa transformaçãoda realidade (VASCONCELLOS: 243-244)5. Um ponto que se torna relevante paraVasconcelos6é o temado respeito.Oprofessor conseguirálidarmelhorcoma questãode indisciplinaemsalade aula,e,portanto,com o estabelecimentode disciplinaaoganharo respeitode seusalunosmediante aconfiançaneles como pessoasque têmcapacidade de crescere produzir.Issosignificamudançade perspectivasmetodológicas,passandode umavisão“metafísica”doensino(“issoé ounãoé”) para uma dialética(“issoé e nãoé”) (VASCONCELLOS:246-247). Levandoa sérioo seupapel de educadorinseridonarealidade de seuseducandos,veráo mestre que essainteraçãoe a abertura de espaçopara atuação (“indisciplinada”) deles,agora utilizadanoprojetopedagógicopormeiode elaboraçãoconjuntade regras,de atividadesetc., apenasmostrará com maiorclarezaa autoridade que ele tememrelaçãoaosalunos,oque criará um ambiente noqual ele serárespeitado(VASCONCELLOS7). É claro que a discussãoemtornoda autoridade doprofessore doautoritarismo,realizadano iníciodeste capítulo,tambémteráaqui o seudesfecho.Combase norespeitoe nomodosério com que demonstrarsuaatençãoà importânciade seupapel de educador,oprofessor exercerálegítimaautoridade,comopessoaque agirásegundo“anecessidade dogrupo naquele momentoe tendoemvista,commuitaclareza,osobjetivosque se buscam, parater critériosde orientaçãoparaa tomadade decisão”(VASCONCELLOS:248)8.
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    Consideraçõesfinais Utopiaé o lugarque nãoexiste,umideal comoqual sonhamos,masnempor issopode continuardeixandode existir,é precisoteroolhar voltadoparaesse “lugar”,o horizonte aser alcançado,para que se sejaimpulsionadopelavontade de chegarlá,procurandocaminhos que permitamatingiresse alvoessameta. Pode-se dizerque esse é ocaminhopropostoporessapesquisa:contribuircomalgumas observaçõesparaque o professorvenhaalidarcom o problemadaindisciplinaemsalade aula. Diante da questãodadisciplinae daindisciplinaemsalade aula,e de sua dura realidade paraa maioriadosprofessores,buscou-se delimitaroproblemaperguntandocomoosprofessores poderiamsolucionarproblemasde indisciplinanaeducaçãoinfantil,pormeiodaconstrução de limitesbemclaros.Abordaram-seascausasde comportamentosindisciplinadosemsalade aula,e considerouaformaçãoda criança emseu contextomaisamplo,ouseja,oda sociedade e,consequentemente,dafamíliae daescola. Delimitadooproblema,buscaram-se paraele possíveis soluçõesmediante umareflexãosobre autoridade e autoritarismo,aconstruçãodaidentidade dacriançae osprocedimentosque seriaminteressantesparaque oprofessorlidasse comaquestãodaindisciplinaemsalade aula.Constatou-se anecessidade dare-elaboraçãode conteúdose métodospelaescolae pelosprofessores,dapaixãodoprofessorpeloque faz,daaberturade espaçospara a interaçãocom os alunos,implicandoemaçõesconjuntasde cunhodemocrático,pelasquaisse deixariaevidentearesponsabilidadedosalunosparaelesmesmos,aolidarcomsituaçõesde disciplinae,principalmente,paracultivarorespeitounscomosoutros Não existemfórmulasmágicasparaa resoluçãode problemasdessaordem;mas,pode haver força de vontade nopotencial transformadordodiálogo,daamizade e daresponsabilidade.O caminhonão é curto e muitomenosfácil,porém, fazparte de umprocessode pequenos passos,masde passosconcretos,decisivos,conscientese crendoque a disciplinaemsalade aula,iniciando-sepelaeducaçãoinfantil,poderádeixarde serumautopia,transformando-se empossibilidade. ReferênciasBibliográficas Livros AQUINO,JulioGroppa.Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.10ª ed.São Paulo:Summus,1996. ARAÚJO,UlissesFerreirade.Moralidadee indisciplina:umaleiturapossível apartirdo referencial piagentiano.InAQUINO,J.R.G.(Org.) Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.10ª ed.São Paulo:Summus,1996. p.103-115. DE LA TAILLE, Yves.Limites:três dimensõeseducacionais.3ªed.SãoPaulo:EditoraÁtica,2000. FREIRE, P.et al . Disciplinanaescola:autoridade versusautoritarismo.SãoPaulo:EPU,1989. ________. Pedagogiadaautonomia.SãoPaulo:Paz e Terra, 1996. (Coleçãoleitura). PIAGET,Jean. O juízo moral na criança. 4ª ed.São Paulo:Summus,1994. REGO, TeresaCristinaR.In AQUINO,J.R.G.(Org.) Indisciplinanaescola:alternativasteóricase práticas.10ª ed.São Paulo:Summus,1996. p. 83-101. SINGLY,Françoisde.Sociologiadafamíliacontemporânea.Riode Janeiro:EditoraFGV,2009. . (Família,geraçãoe cultura). VASCONCELLOS,CelsodosS.Disciplina:construçãodadisciplinaconsciente e interativaem
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    salade aulae naescola.SãoPaulo:Libertad – CadernospedagógicosdaLibertad,1998. VYGOTSKY,Lev S.A formaçãosocial da mente.7ª ed.São Paulo:MartinsFontes,2007 (Psicologiae pedagogia). Dicionário FERNANDES,Francisco.DicionáriobrasileiroGlobo.30ªed.São Paulo:Globo,1993. Documentoseletrônicos GENTILE, Paola.A indisciplinacomoaliada.RevistaNovaEscola,2002. Disponível em: . Acessoem:06 mar. 2010. VAZ,Solange.A criançaproblemae a normatizaçãodo cotidianodaeducaçãoinfantil.Centro de EstudosSobre Intolerância - Maurício Tragtenberg,s/d.Disponível em:.Acessoem:02 out.10. INDISCIPLINA ELIMITES NA EDUCAÇÃOINFANTIL: São José dosCampos Junho/ 2012 Universidade Anhanguera–Uniderp Centrode Educação a Distância HeloisaHelenaPontesdoAmaral – 2314341809 – SJC KleberAlexandrede Paula–4336819542 – SJC Márcio FranciscoMartins – 3306507054 – SJC Maria CristinaRamosMarinho – 2307349443 – SJC Thalitade Castro Braga VilasBoas – 2320370304 – SJC INDISCIPLINA ELIMITES NA EDUCAÇÃOINFANTIL:
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    Trabalhode ProjetoMultidisciplinarIapresentadoàprofessoraMariaClotilde Bastosda FaculdadeAnhanguera–Uniderp,polode SãoJosé dosCampos – SP para finsde avaliação parcial nestadisciplinadocursode pedagogia. São José dosCampos Junho/ 2012 APRESENTAÇÃO. Este trabalhotrata-se de umprojetopara alunosda Educação Infantil sobre Indisciplinae Limites,umcontextomuitorico,porémpoucousadonosdiasde hoje.INTRODUÇÃO. Foi feitaumapesquisaàrespeitode tema:“Indisciplinae LimitesnaeducaçãoInfantil.Tema este muitocomentadonasescolas,porémpoucopraticado.Talvezpormedo,faltade informaçõesconcretas,insegurançaporparte doseducadores. Hoje é gritante a faltade disciplinadascriançasnaEducação Infantil,muitasvezesas justificativasdadassão:hiperativismo,carênciafamiliar,faltade convíviosocial,faltade status entre outrasmais. Os professoresnãoconseguemimporregrasemumasalade aula,sentemmuitasdificuldades quandose deparamcom situaçõesde agressividade,principalmentecomcriançasna faixa etáriaentre 03 e 06 anos.
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    OBJETIVO. Nossoobjetivoé fazercomque oleitortenhaemmãométodossimples,maseficazpara aplicarno diaa diaemsuas aulas. JUSTIFICATIVA. Atualmente nossascriançasencontram-se totalmente semlimites,nossoseducadores encontram-se encurraladosdiante de tantas“leis”,que muitasvezesnãoajudam, somente complicam.Vivemosnumasociedadeque cadavezmaispede porética.Mas como agirmos diante de taissituações,onde alei muitasvezesfavorece oaluno,deixandooprofessorsem ação? Nossapropostaé convenceroprofessorque ele pode e develevarparasalade aula métodos que o auxiliaráemsuasdúvidas,e tambémconscientizarafamíliasobre a importânciado convívioescola-família.
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    FUNDAMENTAÇÃOTEÓRICA. O educadore psicólogofrancês,YvesdeLa Taille temváriasmatériassobre oassunto,entre elas: LabirintosdaMoral, Mario SérgioCortellae Yvesde La Taille,112 págs.,Ed. Papirus. Limites:TrêsDimensõesEducacionais,Yvesde LaTaille,152 págs.,Ed.Ática,tel.0800-115- 152, Moral e Ética - Dimensões Intelectuaise Afetivas,Yvesde LaTaille,192 págs.,Ed. Artmed. Vergonha,aFeridaMoral, Yvesde La Taille,288 págs.,Ed. Vozes,
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    METODOLOGIA. Foi usadocomo basede estudoparanossoprojetoa experiênciadoeducadore psicólogo francês,Yvesde La Taille.Váriasentrevistasdadaporele sobre ocontexto. Yvesé especialistaemmoral,e em umade suas palestrasfalasobre exemplosde paise falhas das escolasnoensinode ética.Ele afirmaque ascrianças são observadoras,e mesmonão sendocapazesde raciocinarou fazerdeduçõescomaquiloque estãovendoelaspercebemas contradiçõesentre odiscursodospaise sua prática.A criança guarda tudo,e com o tempo constrói seuspróprioscostumes. As escolasde hoje nãoconseguemaplicaraéticapara seusalunos,oque se temsão regras emexcesso.Se poracaso acontecerumasituaçãofora do que se temprevistonaescola,todos se perdem,nãosabemcomo agir. A indisciplinaexiste quandoaposturadoalunoé geradae alimentadanointeriordaescola. Precisamosconstruirumambiente cooperativoe respeitosoentre professore alunoe unir escolae família,poisassimpoderáatingirpassosimportantesparase venceraindisciplina. A personalidade dacriançaé formadapor característicashereditáriasjuntamentecomo ambiente familiar. A agressividade dacriançamuitasvezesé associadapela:falta de carinhono âmbitofamiliar, ou até mesmoquandoa famíliaé desestruturadaemocionalmenteacabarefletindono desenvolvimentoemocional dacriança.Se a criança receberagressãoseucomportamento com os colegasserátambémde agressividade. Hoje o que se percebe é que os adultosestãopreocupadossomentecomquestõesindividuais, ou seja,passamgrande parte do tempoforade casa tentandorealizarseusdesejos,(àsvezes por necessidade,precisamtrabalhar) e acabaminconscientemente,abandonandoseusfilhos, deixandoque outraspessoasfaçamopapel de “família”. Na Educação Infantil apalavraLIMITE temváriossignificados.Começanopotencial de cada criança com o grupo e vai até sua tolerânciae aceitaçãocom as regrasimpostas. Na criança o limite sóé alcançadoquandose temum autoconhecimento.Opedagogotemo papel de dar condiçõesparaque a criança adote umadisciplinaprópria. A criança traz para sala de aulatudo o que sente tudoo que vivenciaemfamília. Na salade aula,emtodomomentoé cobrado a disciplinae tambémemqualquersituação lúdica,pode sertrabalhadooconceitolimite,portantocabe aoprofessormediarasrelaçõese as atitudesdascrianças durante asbrincadeiras. A criança quandoé indisciplinadanãoaceitaoslimites,nãocumpre asregras,e por muitas vezesé agressivacomos colegas. Para se tentar amenizarasituação devemoscomopedagogos,nosunirmose tentarmosum trabalhoconjuntojuntamente comospais,afinal tudoé iniciadoem“casa”,e nósnão temos autoridade diante dosalunos. SegundoVasconcellos: [...] oprofessorcomautoridade é tambémaquele que deixatransparecerasrazõespelasquais a exerce:nãopor prazer,não por capricho,nemmesmoporinteressespessoais,masporum compromissogenuínocomo processo pedagógico,ouseja,comaconstrução de sujeitosque, conhecendoarealidade,disponha-seamodificá-laemconsonânciacomumprojetocomum (1995, p. 44). Devemostrazerospaispara participarmaisativamente comseufilho,navidaescolar.Fazê-los entenderaimportânciadapresençafamiliarparaa criança.Conscientizá-losque adisciplinaé indispensável paraodesenvolvimentodacriança,é extremamente importanteparaseu
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    crescimentoe seudesenvolvimentosocial,e queensinaracriança a seguirregulamentose regras ajudaa adaptar-se ao mundoe a terum comportamentoaceitável.Sendoassima criança terá noçãodos direitosdosoutrose passará a respeitá-los. Fazê-losentenderque adisciplinase constrói pelainteraçãodosujeitocomoutrose com a realidade,até chegaraoautodomínioe que é muitoimportante amaneiracomo a família valorizaa educação. Para Vasconcellos: A construçãodo relacionamentohumanoé fundamental paraoprocessoeducativo.Os própriosalunospercebemque umaclasse unida, onde hácalorhumano,respeito,aceitação,é motivode “dar gostovir para a escola”,ajudando,inclusive,cadauma lidarcom seusdefeitos, com seuslimites.Nãopodemosperderde vistaque aconstrução do conhecimentoemsalade aulanecessitadaconstrução da pessoae estadepende daconstruçãodocoletivo,base de toda construção(1995, p. 81). Professores,paise alunosdevemrefletirsobre aindisciplinae apresentarpontosdiferentesà sertrabalhadosde maneiraconjuntana lutapelaqualidade educativae pelacriaçãode um ambiente adequadoaoprocessode ensinoe aprendizagem. SegundoFreire: “Ninguémdisciplinaninguém.Ninguémse disciplinasozinho.Oshomensse disciplinamem comunhão,mediadospelarealidade”(1981,p.79). Para que possamos realizarnossoprojetoseguiremosasseguintesetapas: 1ª Etapa: Trazer para escolaospaisjuntamente comseusfilhos,realizandopalestrassobre faltade disciplinade umaformadinâmicaonde hajainteraçãoentre todos. 2ª Etapa: Trabalharcom as crianças por meiode jogoseducativos,sempretrabalhandoa disciplinaparaque percebamaimportânciadamesma. 3ª Etapa: Fazerpeçasde teatroenvolvendoascriançaspara que elaspercebamnaprática como deve serumacriança disciplinada. 4ª Etapa: Elaborarcartazes com imagensdascriançasque se destacaremdisciplinadamente durante o mêsemcada sala,e incentivarosoutrospara que elestambémpossamestarnos cartazes.
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    CRONOGRAMA. MÊS / ETAPAS 1ºmês 2º mês 3º mês 4º mês 1ª Etapa: Interação:pais – filhos –escola. Uma vez a cada 15 dias,durante o 1º mês. 2ª Etapa: Jogoseducativos. Uma vez porsemana,durante o 2º mês. 3ª Etapa: Teatro na escola. Uma vez a cada 15 dias,durante o 3º mês. 4ª Etapa: Mural com cartazes. Uma vez nomês,durante os quatrosmeses. Trazer para escolaos paisjuntamente comseusfilhos,realizandopalestrassobre faltade disciplinade umaformadinâmicaonde hajainteraçãoentre todos. Trabalhar com as criançaspor meiode jogoseducativos,sempretrabalhandoadisciplinapara que percebamaimportânciadamesma. Fazerpeças de teatroenvolvendoascriançaspara que elaspercebamna práticacomo deve
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    seruma criança disciplinada. Elaborarcartazescom imagensdascrianças que se destacaremdisciplinadamente durante o mêsemcada sala,e incentivarosoutrospara que elestambémpossamestarnoscartazes. ORÇAMENTO. Para realizaçãodasetapasserá preciso: Cartazes Fotosdos alunos. Vídeoseducativos Palestrantes. Grupos de teatros. BIBLIOGRAFIA. TAILE, Yvesde La. As Criançasnotam contradiçõeséticas.Disponível em:,Acessoem30 mai. 2012. TAILE, Yvesde La. Nossosalunosprecisamde princípios,e nãosóde regras.Disponível em:< http://revistaescola.abril.com.br>,Acessoem30 mai.2012. TAILE, Yvesde La. Disponível em:<http://2.forumcec.org.br/convidado/yves-de-la-taille/>, Acessoem01 jun.2012. TODERO, Francieli,Disponível em:,Acessoem01 jun.2012. RevistadoEducador,ano4 - nº42 julho2006. EditoraLua RevistadoEducador,ano5 - nº59 dezembro2007. EditoraLua. ProjetosEscolaresEducaçãoFundamental,ano3- nº27. EditoraOn line. ProjetosEscolaresEducaçãoInfantil,ano3- nº29. EditoraOn line. RevistaNovaEscola,Educação Infantil,ediçãoespecial nº9,editoraAbril 2006. CHALITA,Gabriel,Educação:A soluçãoestáno afeto.6. Ed. SãoPaulo:Gente,2002.