Como se livrar da indisciplina
A garotada voa pelos corredores, conversa em sala, briga no recreio, insiste em usar boné e em trazer para a sala
materiais que não são os de estudo. A paciência do professor está por um fio. Cansado e confuso, ele se sente com os
braços atados. Não suporta mais as cenas que vê e não sabe o que fazer. Quer obediência! Quer controle! Quer mudanças
no comportamento dos alunos!
Para ter uma turma atenta e motivada, a primeira mudança necessária talvez esteja nos pais, na escola e nos professores.
O comportamento inadequado do aluno não pode ser visto como uma causa da dificuldade para lecionar. Na verdade, ele
é resultado da falta de adequação no processo de ensino.
Para avançarnessa reflexão, é preciso entender que a indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra.
O primeiro são as morais, construídas socialmente com base em princípios que visam o bem comum, ou seja, em
princípios éticos. Por exemplo, não xingar e não bater. Sobre essas, não há discussão: elas valem para todas as escolas e
em qualquer situação. O segundo tipo são as chamadas convencionais, definidas por um grupo com objetivos específicos.
Aqui entram as que tratamdo uso do celular e da conversa em sala de aula, por exemplo. Nesse caso, a questão não pode
ser fechada. Ela necessariamente varia de escola para escola ou ainda dentro de uma mesma instituição, conforme o
momento. Afinal, o diálogo durante a aula pode não ser considerado indisciplina se ele se referir ao conteúdo tratadono
momento, certo?
1. Com distinguir moralidade e convenção?
Não é fácil distinguir entre moralidade e convenção. Frequentemente, mistura-se tudo em extensos regimentos que
pouco colaboram para manter o bom funcionamento da instituição e o clima necessário à aprendizagem em sala de aula.
"As crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustentam. Elas não
sentem a necessidade de respeitá-los e acabam atése voltando contra essas normas", explica Ana Aragão, da Faculdade
de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
2. Como a criança aprende o valor das regras?
O movimento contínuo de construção e reavaliação de regras, mais o respeito a elas, é a base de todo convívio em
sociedade. Da mesma forma que os conflitos nunca vão deixar de existir na vida em comunidade - no contexto escolar,
especificamente, os conflitos também não vão desaparecer. Saber lidar com eles faz com que o professor consiga
trabalhar melhor. Ensinar o tema aos alunos também é uma tarefa dele. "Esperarque os pequenos, de modo espontâneo,
saibam se portar perante os colegas e educadores é um engano. É abrir mão de um dever docente", explica Luciene
Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp.
3. A formação moral tem de ser feita pela família?
Muitos professores esperam, sem razão, que essa formação moral seja feita 100% pela família. "Nãose trata de destituí-la
dessa tarefa, mas é preciso enxergar o espaço escolar como propício para a vivência de relações interpessoais", pondera
Áurea de Oliveira, do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp),
campus de Rio Claro.
4. Como a escola deve tratar as questões morais?
As questões ligadas à moral e à vida em grupo devem ser tratadascomo conteúdos de ensino. Caso contrário, corre-se o
risco de permitir que as crianças se tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação, incapazes de
dialogar e cooperar. Pesquisa de 2002 com 120 universitários, de Montserrat Moreno e Genoveva Sastre, da Universidade
de Barcelona, indagou sobre a utilidade do que eles aprenderam na escola para a resolução de conflitos na vida adulta.
Apenas 3% apontaram que os professores lhes ensinaram atitudes e formas específicas de agir. "Esses resultados
certamente são próximos da realidade brasileira", afirma Luciene Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional
da Faculdade de Educação da Unicamp. "Nosso estilo de ensinar é parecido, pois joga pouca luz sobre o currículo oculto,
aquele que leva em conta o sentimento do estudante, seus desejos, suas incompreensões."
5. Como se forma a moral na criança?
Saber como o ser humano se desenvolve moralmente é essencial para encontrar as raízes da indisciplina. Antes de
entender por que precisam agir corretamente, as crianças pequenas vivem a chamada moral heterônoma, ou seja,
seguem regrasà risca, ditadas por terceiros, sem usar a própria consciência para reelaborá-las de acordo com a situação.
Por exemplo: se elas sabem que não se deve derramarágua no chão, julgam o fato um erro mesmo no caso de um
acidente. Nessa fase, a autoridade é fundamental para o bom andamento das relações.
Por volta dos 9 anos, abre-se espaço para a moral autônoma, quando o respeito mútuo se sobrepõe à coação. Mas a
mudança não é mágica. O cientista suíço Jean Piaget (1896-1980) questionava a possibilidade de a criança adquirir essa
consciência se todo dever sempre emana de pessoas superiores. Assim, é possível dizer que a autonomia só passa a existir
quando as relações entre crianças e adultos (e delas com elas mesmas) são baseadas, desde a fase heterônoma, na
cooperação e no entendimento do que é ou não é moralmente aceito e por quê. Sem isso, é natural que, conforme
cresçam, mais indisciplinados fiquem os alunos.
7. É possível resolver a indisciplina?
Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao
convívio social e criarum ambiente de cooperação. Pesquisa realizada em 2008 pela Organização dos Estados Ibero-
Americanos com cerca de 8,7 mil professores mostrou que 83% deles defendem medidas mais duras em relaçãoao
comportamento dos alunos, 67% acreditam que a expulsão é o melhor caminho e 52% acham que deveria aumentar o
policiamento nas escolas.
8. A repressão funciona contra a indisciplina?
Não. Se a repreensão funcionasse, a indisciplina não seria apontada como o aspecto da Educação com o qual é mais difícil
lidar em sala de aula, como mostrou outra pesquisa, da Fundação SM, feita em 2007 com 3,5 mil docentes de todo o país.
Até mesmo os alunos acreditam que o problema vem crescendo. Em investigação feita em 2006 por Isabel Leme, da
Universidade de São Paulo (USP), com 4 mil estudantes das redes pública e privada de São Paulo, mais de 50% deles
afirmaram que os conflitos aumentaram mesmo nas escolas que estão cada vez mais rígidas. "O problema é que as
intervenções são muito pontuais e imediatistas. O resultado é uma piora nas relações entre alunos e professores e,
consequentemente, no comportamento da turma", acredita Adriana de Melo Ramos, do Grupo de Estudo e Pesquisa em
Educação Moral (Gepem), da Unesp, campus de Rio Claro.
Nos próximos itens, apresentamos soluções para os professores encaminharem o problema. Não se trata de um manual
de instruções. As questões ligadas à indisciplina são da natureza humana. Portanto, complexas e incertas. Esse é um ponto
de partida para quem convive com o problema. Para se sair bem, é preciso estudar muito e sempre revisitar o tema.
9. É importante distinguir as regras morais das convencionais
Erro comum em regimentos escolares é situar regras morais e convencionais num mesmo patamar. "As morais merecem
mais atenção", afirma Telma Vinha, do Gepem da Unicamp. Já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do
trabalho. Ao distingui-las, você será capaz de interpretar melhor uma transgressão e, assim, encaminhá-la
adequadamente.
Não mentir é um exemplo clássico de regra moral. O princípio ético em jogo, nesse caso, é a honestidade. Trata-se,
portanto, de um preceito inegociável. Quando algum aluno mente, a solução passa por uma boa conversa - prática
imprescindível já na Educação Infantil. Desde essa fase, é importante explicar para a criança como se sente o colega que
foi enganado e mostrar que isso é errado. Pergunte: "E se fosse comvocê?"
Regrasconvencionais, por sua vez, têm seu fundamento na negociação e na clareza de definição. Tome o exemplo da
conversa. Mesmo numa sala que está barulhenta porque os jovens realizam um trabalho em grupo - e em função disso
trocam ideias sobre um tema proposto -, o silêncio será necessário em algum momento. É preciso estar acertado que,
quando um aluno ou o professor precisarem da atenção, o grupo deve parar para ouvir o que será dito. Também são
consideradas regras convencionais não usar boné e ir para escola sempre de uniforme. Nesse grupo, entram imposições
que em nada afetam o processo de ensino e aprendizagem. Há escolas em que o uso do uniforme é uma questão de
segurança, pois ele permite identificar quem é ou não aluno. Em outras, isso pode não ser necessário. No caso do boné, as
normas desse tipo precisam de constante revisão e discussão.
10. É importante pesar a reação a um problema
Analisar a quebra de uma regra sob a ótica da moral e da convenção facilita equilibrar a resposta ao problema. É sempre
importante avaliar a real gravidade da transgressão.
Os conflitos entre alunos e entre eles e os professores também são problemáticos. Uma pesquisa da USP feita por Isabel
Leme, em 2006, com 55 diretores, mostrou que a gestão de conflitos é apontada por 85% deles como fundamental para
garantira paz na escola. A prática, porém, é outra. Procura-se evitar os conflitos, vistos como algo antinatural, que deixa
os educadores assustados e inseguros. Câmeras, inspetores e marcaçãocerrada são exemplos disso. "Se as desavenças
fazem parte da vida dos adultos, por que com crianças e jovens seria diferente?", pondera Telma Vinha.
Com isso, gasta-se tempo tentando impedir ou antecipar qualquer tipo de encrenca. Quando algo foge desse imaginado
controle, o impulso é mandar para a diretoria ou censurar. "O ideal é respirar, tentar se controlar e reconhecer que o
embate pertence aos envolvidos. No caso de uma discussão mais quente entre a garotada, o caminho é relataro que você
viu com linguagem descritiva e ouvir as partes. "Peça que todos contem como se sentiram e por que discutiram. Isso
demonstra respeito pelos valores de cada um", sugere Vanessa Vicentin, da Universidade de Franca (Unifran). Quando o
conflito é com o professor, ele deve se comportar sempre com sabedoria. "A agressão não é pessoal, mas contra um fato
com o qual o aluno não concorda", diz Telma Vinha. E, claro, nem sempre haverá saída, já que as relações humanas são
complexas. É preciso ter paciência. A aprendizagem é gradual e resulta da reflexão contínua, do diálogo e da coerência nos
procedimentos. "Os mediadores desse processo devem se pautar por ações transparentes e convictas", diz Maria Tereza
Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba.
12. É importante construir um ambiente cooperativo
Ninguém, em sã consciência, pode deixar a turma fazer o que quiser, num regime anárquico. Longe disso. Um dos maiores
desafios é, portanto, construir um ambiente cooperativo, no qual os alunos tenham voz, sejam respeitados e aprendam a
respeitar. Isso faz com que o comportamento seja adequado naturalmente e não por medo de sanções.
Numa escola da rede municipal de Rio Claro, a 184 quilômetros de São Paulo, as agressões entres os alunos eram comuns.
A situação foi contornada quando se deu mais espaço para que eles se manifestassem e procurassem, juntos, uma solução
para os conflitos.
É claro que essa perspectiva não exime o professor de exercer a figura da autoridade moral e intelectual como o
coordenador do processo educacional. Afinal, além de conhecer os objetivos pedagógicos, é ele o adulto da situação. A
negociação é a palavra. E ela tem de ser justa. Não vale induzir os estudantes a conclusões e normas que somente um dos
lados - o do professor - queira ver implantadas. "Mas isso tem de ser construído gradativamentepelo grupo, com base no
respeito mútuo, na reciprocidade e nos princípios de justiça", completa a especialista.
13. É importante agir na hora certa e sempre manter a calma
Mesmo que o professor aja da forma mencionada nos itens anteriores, em momentos conturbados na sala ele tem de
manifestar desagrado com relação a comportamentos inadequados. Quando um aluno insiste em conversar sobre o fim
de semana durante a explicação de uma atividade, não basta fazer pequenas mudanças, como colocar a carteira do
bagunceiro ao lado da sua mesa, como forma de castigá-lo, e continuar a aula normalmente. Isso não ajuda a resolver o
problema em si nem leva a turma a aprender. É preciso chamar a atenção, mas sempre com respeito e mostrando que o
grupo é que está sendo prejudicado, e não apenas você, pessoalmente. Trataro estudante dessa forma faz com ele
também perceba como agirem momentos de conflito.
15. É importante incentivar e respeitar a autonomia do jovem
Em outras situações, elas esperam chamar a atenção e solicitar que o professor se aproxime e se interesse pelas ideias
delas. "É como se pedissem por cuidado e apreço ou ainda que se delimite o que se deseja delas com o que está sendo
realizado", explica Maria Tereza Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba.
Convivendo num ambiente em que atitudes como essas sejam o padrão, a criança vai, aos poucos, adquirindo autonomia
e ficando mais apta a tomar decisões responsáveis. Cada aluno, em diferentes situações, coloca sempre novos desafios.
Ele necessita de referências e de orientação. O que ele espera é ajuda para pensar. É importante que alguém - na escola, o
professor; em casa, os pais - coloque as regras, atéque, efetivamente convictos, crianças e jovens possam gerenciá-las e,
de forma autônoma, viver bem em sociedade.
16. Nada como uma boa conversa
O problema? As carteiras do Colégio Comunitário de Campinas apareceram com moedas coladas. A solução? A direção
pediu ajuda aos alunos: "Temos um problema e precisamos da colaboração de vocês". Quando mais carteiras apareceram,
mas com o adesivo ainda fresco, ficou evidente que o problema vinha do 9º ano, que acabara de deixar a sala. O
orientador educacional Marcos Roberto Márcio pediu que os responsáveis se identificassem: "Isso prejudica a imagem da
classe, gera tumulto e um clima ruim". Consciente, a turma pediu que os culpados assumissem, já que a delação,
moralmente condenável, não é aceita pela escola. "Admitir a culpa não isenta a punição, mas é uma atitude responsável,
que atenua o que fizeram", diz. Quatro garotos se manifestaram e tiveram de apresentar uma pesquisa sobre a legislação
referente ao respeito ao patrimônio público, além de limpar as carteiras.
17. Nada como uma dose a mais de interação
O problema? Em 2006, a Escola Ativa, em Itapira, a 174 quilômetros de São Paulo, estava abrindo a 5ª série, com 12
alunos, que lá estudavam desde a 1ª. O fato de a turma ser pequena, que parecia uma vantagem, se tornou um problema.
Os adolescentes se comunicavam pelo olhar. Conversavam em aula e começaram a mentir para os professores. A um,
diziam que haviam feito talcombinado com outro, o que não era verdade. A solução? A equipe se reuniu e definiu novas
pautas de estudo. "Tivemos de melhorar a interação entre os professores e acordamos novas regrase o que não poderia
ser negociado", explica a diretora, Andrea Stevanatto Bataglini. Debates foram realizados com a turma e os dilemas
morais ganharam mais espaço nas aulas. A relação entre professores e alunos foi revista, de modo a levar os estudantes a
pensar se estavam agindo moralmente com quem lhes respeitava. "Hoje eles estão no 9º ano e a situação nunca mais se
repetiu", conta Andrea.
18. Nada como uma assembleia
O problema? No ano passado, as agressões físicas e verbais estavam se tornando cada vez mais graves e frequentes na
EMEFI Antonio Maria Marrote, em Rio Claro.
A solução? A coordenadora pedagógica Rosemeire Archangelo propôs um programa de formação aos professores e
funcionários. Nele, todos trabalharama redefinição do conceito de indisciplina, questões relacionadas a respeito e moral e
a necessidade de trabalhar esses conteúdos. Foram implementadas assembleias em cada sala, durante as quais os
problemas tinham de ser debatidos. A ideia era ajudar no desenvolvimento moral de todos."Todas se surpreenderam.
Com o projeto, elas comprovaram que é possível, sim, que as crianças resolvam conflitos com o diálogo", completa. A
escola não virou o paraíso, mas todos aprenderam e passaram a praticar outras formas de se relacionar e conviver com as
diferenças no dia a dia.
VIOLÊNCIA NA ESCOLA E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Na última década a violência nas escolas tem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela
forma como esta tem se configurado. O conflito e violência sempre existiram e sempre existirão, principalmente, na
escola, que é um ambiente social em que os jovens estão experimentando, isto é, estão aprendendo a conviver com as
diferenças, a viver em sociedade.
O grande problema é que a violência tem se tornado em proporções inaceitáveis. Os menos jovens, como eu, estão
assustados. Os professores estão angustiados, com medo, nunca se sabe o que pode acontecer no cotidiano escolar; os
pais, preocupados. Não é raro os jornais noticiarem situações de violência nas escolas, as mais perversas.
Não quero dizer com isso que antes não existia violência. Existia sim, e muita. “Desde que o mundo é mundo, há
violência entre os jovens”. Todos os diferentes, para o bem ou para o mal, são vítimas em potencial na escola, há
muito tempo. Brigas, agressões físicas, enfim, sempre existiram.
O que não existia antes e, que hoje tornou comum é que os jovens depredam a escola, quebram os ventiladores, portas,
vidros, enfim, tudo que é possível destruir, eles destroem. Antes, não se riscava, não murchava ou cortava o pneu do
carro do professor. Agredir fisicamente ou fazer ameaças ao mestre, nem pensar. Não se levava revolver e faca e não
se consumia drogas e álcool no interior das escolas. No meu tempo, por exemplo, nunca se ouviu falar que um colega
tinha assassinado um amiguinho na sala de aula ou que alguém tinha jogado álcool no colega e ateado fogo. Enfim,
são muitos os relatos de violência extrema no interior das escolas.
Muitas de nossas crianças e adolescente passam por violências, e ficam calados – algumas delas não têm coragem de
revelar, outras, por medo da retaliação do agressor. Essa violência entre colegas não é a única. A violência entre
professores e alunos também tem crescido. Assustadoramente, a violência de alunos contra professores é a regra
agora, e não mais o oposto. A violência não contra um ou outro, mas contra a escola mesmo, em todos os sentidos e
modos, também tem aumentado.
O que tem intrigado a todos é que esse aumento da violência veio junto com a ampliação dos direitos dos cidadãos e
com o Estatuto da Criança e Adolescente. Essa é uma questão que não devemos desprezar. No meu ponto de vista, o
Estatuto prioriza os direitos em detrimento dos deveres.
Após a promulgação do Estatuto as ações contra a violência nas escolas tem se realizado a partir da mediação,
conselhos, etc. O que, também, é muito bom. A mediação de conflitos é importante, necessária, e muitos problemas
são resolvidos, mas, muitas vezes, não basta. Junto com a mediação, infelizmente, tem que haver a punição. Vou citar
um exemplo que não é do ambiente escolar, mas por analogia podemos refletir sobre essa questão. Por exemplo, o
problema de dirigir um veículo embriagado. A conscientização é importante? Sim. Resolve? Não. É necessário
fiscalização, multa, prisão, etc.
Não estamos conseguindo resolver o problema da violência nas escolas e, isto é grave. Por quê? Falta, para isso,
entendimento, lucidez. Ou seja, falta pensamento crítico, entender o “porque” agir e “como” se deve agir. Com tais
perguntas é que os problemas podem ser amenizados. Para resolver, de fato, é preciso sair da mera indignação moral
baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor. Aqueles que expõem suas emoções se mostram
como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente capacitados porque emotivos. Porém, não basta.
As emoções em relação à violência na escola passam e tudo continua como antes. Para isso, não podemos ver o
problema da violência sob um só viés. É preciso dialética, racionalidade, determinação e, sobretudo, a união de todos.
Podemos classificar inúmeras questões que levam a violência para o ambiente escolar. Por exemplo, os mais gerais:
diferenças sociais, culturais, psicológicas, etc. e tantas outras como: experiências de frustrações, diferenças de
personalidades, competição, etc. Também, podemos enumerar vários tipos, áreas, níveis de violência. Cada área do
saber tem o seu método próprio de análise, a Filosofia, Sociologia, Psicologia e o Direito. Hoje, sabemos que a
tendência da desfragmentação do saber é o melhor caminho a trilhar. Amultidisciplinaridade e a interdisciplinaridade é
a proposta em voga de superação da fragmentação do saber. Somente através do dialogo aliado a práxis efetiva é que
poderemos amenizar o grau de violência no interior das escolas.
Esse círculo de violência deve ter um olhar mais universal, principalmente, por aqueles que pensam sobre a educação.
É necessário ver que a violência contra a instituição escolar, contra colegas e professores e, de certo modo, a violência
dos adultos contra as crianças, também, contém elementos de caracterização bem comuns. A não aceitação das
diferenças em toda a sua amplitude – se é diferente, é hostilizado, desprezado, humilhado. E quando a vítima reage é
violentada.
A não aceitação das diferenças, também, perpassa pela escola como instituição, com seus próprios professores,
funcionários e com os próprios alunos. Essa uniformização, isto é, uniformizar o diferente, é feita com violência – em
todos os casos. E esse comportamento institucional, gera violência.
Não são raros os casos em que o professor que faz a aula diferente, ainda que seja boa, é admoestado pelo diretor. O
diretor que pensa diferente é castrado pelos supervisores ou pelo dirigente regional de ensino e, assim,
sucessivamente. O aluno que é diferente, que pergunta demais é admoestado pelo professor e, aquele que pergunta na
hora que a aula está acabando é vaiado pelos colegas. Essas são pequenas violências que alimentam as grandes
violências. Não reconhecer nesse processo é o nosso grande problema. Atualmente, vivemos um problema ético de
não reconhecimento da nossa incompetência, o problema sempre são os outros, eu não.
A escola é o primeiro ambiente social que a criança experimenta, antes disso, ou seja, na socialização primária se
restringe a família, igrejas, vizinhos, enfim, um circuito bastante restrito. É na escola, aonde ele vai, realmente,
experimentar um ambiente social – lá ele vai aprender a conviver com as diferenças e constituir um ser para si. Esse
ser é para a sociedade.
Por isso, a urgência que se tornou essencial hoje – e que muitos não percebem, é tratar a violência na escola como um
trabalho de lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas, sobretudo, com o que nele se planta e
define o rumo futuro. Para isso, é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade
no qual o bem de todos esteja realmente em vista.
VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS: ELA REPRODUZ AS LOUCURAS DA NOSSA SOCIEDADE
"A violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é um fenômeno intramuros isolado", afirma a
coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto- Por Luis Pellegrini
A violência entrou de vez no currículo escolar dos brasileiros. Só que agora, infelizmente, em vez de um saudável e
democrático conflito no campo das ideias, alunos, professores, diretores e funcionários precisam cada vez mais
conviver com agressões, ameaças e abusos.
Não é preciso ir longe para se verificar tudo isso. Basta recorrer ao buscador do Google e pedir "violência nas
escolas". Aparecem centenas de artigos, análises, denúncias, resumo de encontros e simpósios de especialistas em
ciências da educação e do comportamento, além de livros inteiros, disponibilizados gratuitamente, na tentativa de
analisar o problema e apresentar possibilidades de solução. Se você for ao Youtube, vai encontrar coisa ainda pior: é
imenso o acervo de postagens, contendo cenas às vezes alucinantes de violência destrutiva pura, com frequência
captadas e publicadas pelas câmeras celulares dos próprios alunos. Há vídeos de brigas, de bullying, de quebra-
quebras, de mutilações e até de assassinatos cometidos dentro das salas de aula e nos pátios das escolas.
Exemplos disso são dois casos de agressão ocorridos recentemente em Brasília. Na maior universidade da capital do
país, um professor acabou no hospital após ser agredido por um estudante. Em uma escola pública de ensino básico,
um aluno foi morto a facadas pelo colega.
Violência não é fenômeno isolado - "A violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é um fenômeno
intramuros isolado", afirma a coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto.
Segundo a educadora, os ambientes escolares deixaram de ser lugares protegidos e muitos pais perderam a
tranquilidade ao levar os filhos à escola. Ela destaca que a ausência de regras claras de convivência entre alunos e
professores contribui para o aumento da violência.
Para o professor da faculdade de Educação da Universidade de Brasília e da Universidade Católica Célio da Cunha, há
uma profunda crise de valores humanos. "A violência na escola vem da Idade Média, é uma prática inconcebível no
século 21. A escola tem que refletir uma cultura de respeito, da merendeira ao diretor", diz. Cunha defende que é
preciso recuperar a dimensão humana da educação, que foi transformada em um negócio.
A educadora Marlova Noleto aponta para a importância de um bom clima na escola. "Na escola, aprendemos não só a
ser,mas a fazer, a viver juntos e a conhecer. Um conjunto de regras e valores educam para a vida, não educam apenas
no ambiente escolar", acredita. A especialista reconhece que, em primeiro lugar, é preciso que o professor goste do
que faz. "Ensinar é um ato de amor e é sempre uma via de mão dupla. É preciso estar aberto para ensinar e aprender",
aponta.
"Na maioria dos casos, o aluno reproduz na sala de aula aquilo que vive em sua própria casa, no convívio com a
família, e nas ruas. Há, de modo geral, uma crescente banalização da má educação, uma ausência de consciência de
limites, uma violência instalada nos lares. Reflexo de um fenômeno que se alastra por toda a sociedade", opina a
matemática Nelma Pellegrini Franco, que amargou trinta anos de magistério em escolas públicas de São Paulo.
Estimular o respeito à diferença ´- Em muitos casos, a violência na escola é decorrente do medo de ser reprovado
ou de ameaças que o aluno sofre em casa. Marlova Noleto diz que é preciso incluir as famílias no processo de
educação e ajudar as crianças desde cedo a desenvolver um sentido ético. "Quando estimulamos nossos alunos a
respeitar a diferença, estamos também evitando a violência", observa. Em última instância, destaca Marlova, a
educação deve propiciar também a satisfação dos alunos. "Se o processo de aprendizagem não trouxer também
felicidade, dificilmente aprenderemos com qualidade", afirma.
Para Miriam Abramovay, coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de
Ciências Sociais e coordenadora de pesquisas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação,a ciência e
a cultura), os conflitos são resultado de relações sociais ruins e da falta de diálogo. Pesquisadora do tema há mais de
dez anos, Miriam defende a criação de políticas públicas de prevenção da violência escolar, diagnóstico dos problemas
e a formação específica de professores: "Um bom professor é o que ensina bem a disciplina, mas também que sabe ser
amigo, que sabe entender o que é ser jovem".
Em recente entrevista à jornalista Marcelle Souza, do Portal UOL, Miriam Abramovay diz que a escola deve ser
espaço de proteção e não de violência:
Aumentaram os casos de violência na escola? Eu acho que não dá para dizer que aumentou ou não a violência no
ensino. Não existe nenhuma pesquisa que abarque todo o Brasil e que faça uma avaliação do que aconteceu nesses
últimos dez anos sobre a violência nas escolas. Se você pegar os casos de violência em geral ou de mortalidade dos
jovens, a situação é cada ano pior. Então, é óbvio que por um lado a escola recebe essa influência, mas por outro ela
também produz violência, que são muito específicas do âmbito escolar.
A ciberviolência e a divulgação de vídeos de violência na internet aumentaram a sensação de violência?
Eu acho que é uma questão muito importante e a escola não tem as ferramentas mínimas para poder prevenir esse tipo
de violência. A escola é muito centrada em si mesma, no que pensam os adultos. Em segundo lugar, ela não sabe o
que acontece na vida desse jovem. Colocar uma coisa na internet é uma forma de exibicionismo e nós vivemos numa
sociedade do espetáculo. Isso tem um valor muito grande, principalmente para o jovem.
O que motiva os atos de violência na escola hoje em dia? Brigar, eles sempre brigaram, isso sempre aconteceu.
Mas eu acho que estamos vivendo um fenômeno da exacerbação da masculinidade e da cultura da violência. Aparece
aquele que é mais violento, que sabe brigar melhor. Eu digo masculinidade, mas é para garotos e garotas. Aí também
entra o uso das armas, porque a arma é símbolo de força e de poder.
Qual é o principal motivo do conflito entre professores, alunos e diretores?
Eu acho que as relações sociais -- aluno-aluno, aluno-professor e professor-diretor-- estão muito ruins. Ainda acho que
as mais complicadas são as relações com os adultos. Isso porque a escola é muito centrada nela mesma e muito pouco
do que se propõe é dialogar com os jovens. Eu acho que isso cria um clima muito ruim. Nós estamos fazendo uma
pesquisa e percebemos que o professor que os alunos mais gostam coincide com a matéria que eles mais gostam. Ou
seja, a relação entre o professor e os jovens ainda é muito importante. Um bom professor é o que ensina bem a
disciplina, mas também o que sabe ser amigo, que sabe entender o que é ser jovem.
Por que ocorrem casos de abuso sexual dentro da escola?A escola não é uma torre de marfim, ela também reproduz
as próprias loucuras da nossa sociedade. Eu acho que tem ainda o abuso dos professores e das professoras relacionado
à fragilidade do que é ser adolescente. Nós temos uma postura de negação a tudo o que é jovem, no sentido de não ser
positivo. Por outro lado, existe admiração, porque são bonitos e estão vivendo coisas que os adultos já viveram, o que
causa muito fascínio em muitos professores também. Acho que é uma falta de limite desses professores e professoras e
uma falta de autoridade. A escola tinha que ser um local de proteção e não de reprodução dessa violência. Você
pesquisa a violência escolar desde o início dos anos 2000.
Algo mudou nos últimos dez anos? Eu acho que muito pouco, infelizmente, porque os tipos de comportamento vêm
se repetindo. Nós não temos políticas públicas efetivas, diagnósticos importantes sobre esse tema. Nós não temos
formação de professores, o que é fundamental, porque eles não tiveram isso na sua formação.
Qual é o papel da escola no combate ao bullying? Eu acho que a escola tem que prestar atenção no que está
acontecendo com ela: como se dão as relações entre os alunos, as relações com os professores, em todos os fenômenos
da violência, que são ameaças,a entrada de armas na escola, a homofobia, a violência de gênero... A escola tem que se
dar conta disso.
Como combater a violência escolar em comunidades em que a violência já faz parte do cotidiano?
Uma escola que está num local de violência não obrigatoriamente é violenta. A escola tem uma violência de fora para
dentro, mas tem a violência que ela produz. Então, você pode ter um lugar supertranquilo em que a escola é
superviolenta. E vice-versa. A escola tem as suas próprias características, não é uma consequência direta do que
acontece fora dela. Não obrigatoriamente a comunidade tem interferência nas relações entre os alunos, no racismo, na
homofobia, em como os professores tratam os alunos, porque isso pode ser violência também. Se você tem uma
concepção de violência como só a violência dura, que é a entrada de tráfico e de armas nas escolas, então você tem
razão, quanto mais a comunidade é violenta mais a escola é violenta. Mas se você tem uma concepção de que
violência é uma coisa mais ampla, que existe uma violência simbólica, não obrigatoriamente a comunidade vai fazer
com que as relações sociais sejam piores. Dependendo dos professores, dos alunos, da relação com a família, a escola
pode ser um lugar de proteção, independente do bairro ou da comunidade ser violenta ou não.
Há uma relação entre a participação dos pais e a violência escolar? Nós fizemos uma pesquisa há muito anos que
mostrava que quanto mais havia a participação dos pais na escola mais a escola poderia se tornar uma escola protetora.
Ou seja, abrir as portas para os pais, os pais buscarem entender o que está acontecendo com os filhos, pedirem ajuda,
[fazer com] que essa relação escola e família não seja de competição, é fundamental para o clima escolar.
Em que momento a polícia pode entrar na escola? Está acontecendo um fenômeno hoje que é a judicialização da
educação. Quer dizer, a escola joga para a Justiça seus principais problemas. A polícia tem que entrar na escola
quando a violência é dura, quando existe droga e armas dentro da escola. Senão, não existe nenhum sentido de a
polícia estar dentro da escola. Mas está acontecendo o contrário, quer dizer, o conselho tutelar a toda hora é chamado
por coisas mais banais que acontecem. O que a escola está dizendo é "eu não tenho autoridade de resolver os meus
problemas e vou chamar a polícia para isso".
Qual é o papel do Estado na redução da violência nas escolas?
Eu acho que nós temos que ter uma política pública sobre esse tema, que abarque diagnósticos, formação de
professores. Não adianta só ter pequenos programas, nós temos que ter políticas para a gente saber o que está
acontecendo, depois pensar muito na formação de professores, para eles saberem o que fazer.
A INDISCIPLINA E AGRESSIVIDADE NO CONTEXTO FAMILIAR E ESCOLAR
Temos que trazer e despertar o interesse de pais e educadores os limites da disciplina numa maneira bem-humorada e
realista, mostrando que pai ou professor, é o educador, e não pode se esquivar da tarefa de apontar na medida certa os
limites para que os jovens se desenvolvam bem e consigam viver bem em harmonia.
As crianças aprendem a comportar-se em sociedade ao conviver com outras pessoas, principalmente com os próprios
pais. A maioria dos comportamentos infantis é aprendida por meio da imitação, da experimentação e da invenção.
È preciso lembrar que uma criança, quando faz algo pela primeira vez, sempre olha em volta para ver se agradou
alguém. Se agradou, repete o comportamento, pois entende que agrado é aprovação, e ela ainda não tem condições de
avaliar a adequação do seu gesto.
A força dos pais está em transmitir aos filhos a diferença entre o que é aceitável ou não, supérfluo, e assim por diante.
O professor também perdeu a autoridade inerente à sua função.
É preciso continuar investindo na melhoria da qualidade do ensino em nossas escolas, para isso é fundamental o maior
interesse das políticas públicas na educação, incentivando a formação e aperfeiçoamento do quadro docente,
realizando melhorias do espaço físico das escolas, além de contar com a participação efetiva da família e da
comunidade.
Quando o limite é apresentado com afeto, a criança o aceita mais facilmente. Sem dúvida, não é um trabalho fácil, mas
geralmente funciona. Além da família, cabe à escola este papel. Afinal, os educadores continuam a deter parte
considerável da responsabilidade pela formação da criança.
Nos tempos atuais, família e escola parecem perder o poder e o espaço que tiveram outrora no sentido da formação do
individuo. As crianças começaram a entrar mais cedo na escola, fato que pode favorecê-las ou desfavorecê-las,
dependendo do acompanhamento escolar e familiar realizado. Caso a criança seja bem acompanhada, esse ingresso
prematuro na instituição pode ajudá-la a se desenvolver melhor em todos os aspectos: sociais, cognitivos, etc. Porém,
se a família coloca-a na escola, mas não acompanha pode gerar na criança um sentimento de descaso em relação ao
seu desenvolvimento.
Em outras ocasiões pode-se criar uma criança autoritária e desobediente por culpa dos próprios pais que por
trabalharem demais e estarem ausentes da rotina do filho permitem, por um sentimento de culpa, que a criança faça
tudo que desejar. Tal comportamento dos pais é prejudicial à própria criança, que fora do ambiente familiar não
encontrará tamanha facilidade. A escola por sua vez, também procura subterfúgios para “escapar” da culpa pelos
possíveis fracassos escolares de seus alunos, entre as desculpas mais freqüentes esta a de culpar os pais pela falta de
tempo no convívio com os filhos. Fato que acaba gerando alunos com problemas de aprendizagem, relacionamento,
etc.
Cabe a sociedade, não só aos setores ligados à educação, através de pequenas ações o cotidiano da escola e da família,
para que esta compreenda a importância dos objetivos traçados pela escola, que deve tornar possível ao aluno
aquisição de conteúdos de forma mais atraente. A renovação de conteúdos de forma suscita a renovação dos métodos e
das relações entre professores e alunos, das obrigações e da disciplina. Com a inovação dos métodos, os conteúdos não
podem se tornar inconscientes, pois, devem proporcionar condições de conduzir a satisfação. A escola, enquanto
instituição, já traz embutido o conceito de ordem, a necessidade de disciplina, utilizando-se de certas punições a fim
de manter a ordem já estabelecida e tornar o aluno obediente e passivo como forma de dominação, nesse sentido, a
escola acaba reduzindo a indisciplina e a agressividade do aluno.
Partimos do princípio de que nenhuma criança nasce agressiva, ela torna-se de acordo com o meio, pois limite e
disciplina transitam no caminho do afeto e da liberdade, e isso se reflete nos locais onde ela se insere. Segundo Içami
Tiba (1996, p.173) O maior estímulo pata ter disciplina é o desejo de atingir um objetivo.
Em termos operativos e sociais, o comportamento de qualquer cidadão deve estar baseado pelo menos em cinco
princípios: Gratidão, Disciplina, Religiosidade, Cidadania e Ética. Estes valores devem estar presentes nos processos
educativos familiares e escolares.
O desenvolvimento da indisciplina corresponde ao surgimento de um controle interno, uma obediência às regras que
não dependa mais exclusivamente do controle dos pais ou de outras pessoas. Isso implica a assimilação racional das
regras, o que faz surgir a reciprocidade, o respeito mútuo que vem a ser a capacidade de respeitar o outro e por ele ser
respeitado.
1.1 Características da indisciplina e da agressividade
O comportamento de uma pessoa obedece a atitudes e valores mais ou menos internalizados. Os problemas de
disciplina, que também podem ser chamados “de convivência”, nas escolas, são um reflexo de uma crise de valores
que está se produzindo em nossa sociedade em geral, e claro, na escola como subconjunto institucional criado por esta
sociedade. Em um mundo cada vez mais globalizado, a informação chega diariamente aos lares, mostrando uma
infinidade de cenários de violência. Ao mesmo tempo, a família como instituição esta demonstrando fortes mudanças
com a incorporação da mulher ao trabalho e a cada vez mais frequente separação dos casais, transformando-se em
mono parentais, no próprio lar, muitas crianças aprendem sobre a violência e os maus tratos, a falta de respeito com os
mais velhos etc. Na rua, a aprendizagem do darwinismo social, a assunção de determinismos e contra-valores para a
sobrevivência e a estima no bairro e no grupo.
Para os estudantes de hoje a escola não tem o mesmo significado de algumas décadas atrás, pois boa parte já assumiu
o seu meio de visão que não será assegurado mediante os estudos, e que aqueles que têm expectativas de estudos
superiores advertem as dificuldades existentes hoje para encontrar emprego dentro de sua qualificação. Não nos
surpreende que o estudante mais afetado por estes cenários, e ainda mais se, como já ocorre em muitos países, à
escolaridade fundamental é obrigatória para toda a população, eventualmente mostre conatos de comportamento
indisciplinado, violento, desrespeitoso e de ruptura. A escola não pode por si só modificar as causas que originam este
problema, mas pode fazer o possível para não contribuir para isto e, pelo contrario, apresentar um quadro amigável,
dialogador, pacifista, democrático e um currículo integrado, baseado em seus interesses e suas vivencias. De acordo
com Içami Tiba (1996, p. 165) O aluno que não respeita os outros precisa ser educado ou ser tratado.
Isto nos leva a considerar que os problemas “de convivência” irão aparecer sempre, porém o importante não é só
evitá-los, mas manejá-los de maneira educativa. Assim, em uma análise das características de indisciplina e
agressividade mais frequentes entre os estudantes, aparecem às seguintes:
a) Incompetência emocional, grande parte dos problemas de violência provém de uma falta de controle das emoções;
b) Aumento do individualismo, do egocentrismo, impedindo o aluno de ver o outro como um mediador na busca do
conhecimento escolar, seja o outro professor ou o colega nas trocas indispensáveis nos trabalhos em grupo. Tentativas
constantes de fazer a aula girar em torno de seus interesses e idéias;
c) Desapego da escola, as mesmas atitudes individualistas e a falta de sentido de cooperação levam a um desapego do
aluno a respeito da instituição escolar como micro sociedade na qual convive em grande parte do tempo;
d) Condutas violentas, a aprendizagem da violência, em um contexto no qual esta aparece como única forma de
solução dos conflitos leva a atitudes e comportamentos violentos, o que freqüentemente é potencializado pela
incompetência emocional anteriormente assinalada;
e) Ausência de limites sociais gerando interrupções inoportunas, confusões, conflitos em sala de aula que perturbam o
ambiente externo adequado a uma boa aprendizagem;
f) Desvalorização, desqualificação do professor, da situação escolar, dos conhecimentos escolares;
g) Tendência à intolerância, os contra-valores mencionados, de individualismo, competitividade, falta de
solidariedade, etc., freqüentemente levam também a uma intolerância com o diferente;
h) Tensões, grande ansiedade junto com a conduta indisciplinada causando alterações no foco de atenção,
atrapalhando a memória imediata e do meio prazo em testes e provas, perturbando as construções de relações lógicas
apoiadas nas informações do momento e nas anteriores;
i) Atenção dispersa, dividida, voltada para as brigas, trapaças, roubos, etc., em que esteja envolvido direta ou
indiretamente, ou seja, simples “torcedor” na sala de aula ou fora dela;
j) Perda de aulas por atraso ou retirada de sala por indisciplina ou ainda suspensões disciplinares, gerando
descontinuidade na construção de determinados conhecimentos;
k) Não cumprimento de tarefas escolares fora do horário regulamentar que auxiliariam na desejada fixação e
ampliação de conteúdos programáticos que seriam suportes para novos conhecimentos posteriores;
1.2 Razões da indisciplina e da agressividade
Desde alguns anos atrás,vai instalando-se em nossas sociedades, e de maneira especial em nossas escolas, a convicção
de que os estudantes vão sendo cada vez mais indisciplinados e mal-ducados, mostrando comportamentos que
interrompem o clima acadêmico da escola, quando não protagonizam agressões verbais e físicas, furtos, destruição do
mobiliário, etc.O fato de que na escola surjam problemas de convivência não é nada novo. Sempre tem acontecido, se
bem que o seu tratamento tem estado muito centrado nos aspectos punitivos e na seleção.
Pressupõe uma visão pobre ou psicologista das causas de problema, atribuindo-se à falta de interesse do aluno, à sua
escassa capacidade, sua preguiça, ou inclusive, ao seu “caráter violento” etc., ou então se explica pela sua origem
(classe social, raça, etc.), assumindo-se que os problemas sempre surgirão a partir destas classes sociais porque
carecem de uma adequada educação,não tem expectativas de estudos posteriores, etc. No entanto, estes problemas são
multicausais e têm sua raiz não apenas no ambiente social e nas mudanças socioeconômicas que vão se produzindo,
diante dos quais as crianças são mais vulneráveis do que os outros, quanto as suas expectativas de futuro. Segundo
Içami Tiba (1996, p.79) A educação escapou ao controle da família porque, desde pequena a criança já recebe
influências da escola, dos amigos, da televisão e da internet.
A agressividade aqui colocada está focalizada como uma das manifestações da indisciplina e apresenta as seguintes
razões:
a) Excesso de repressão, professor autoritário em classe, regras rígidas na escola, intolerância, etc. Podem provocar
uma natural onda de revolta principalmente naqueles que não sejam passivamente submissos e queiram saudavelmente
participar das atividades. Assim a indisciplina pode surgir como não aceitação do absolutismo e autoritarismo
excludente. A repressão não educa;
b) Excesso de liberdade, professor e família permissivo em classe, escola sem direção, ausência de regras também na
escola, etc. Quando os alunos ficam entregues aos próprios critérios de convivência os mais abusados podem não
respeitar as autoridades naturais inerente aos educadores nem poupam os próprios colegas. Ausência de limites
também não educa;
c) Pais desinteressados no aprendizado, mas querem aprovação, são pais retrógrados que mandam os filhos para a
escola para serem aprovados e não aprenderem a ampliar o seu mundo e crescer. O que lhes interessa é o diploma. O
que faltar futuramente aos filhos os pais está disposto a supri-los. Assim os filhos estudam o suficiente para passar de
ano. Então eles sendo preparado para o futuro trabalharem o suficiente para não serem despedidos quando empregados
e/ou pagarem o mínimo necessário para seus empregados não os abandonarem, caso sejam empregadores;
d) Pais que terceirizam para Escola a educação dos seus filhos, hoje há pais que por perderem suas referencias
educativas delegam à escola a responsabilidade de educar os seus filhos. Para a escola, os alunos são meros
“transeuntes curriculares” isto é, mudam de escola num piscar de olhos por qualquer motivo e saem da escola quando
terminam o curso. Mais para os pais, os filhos são para sempre. Filhos são como navios. Os pais são os estaleiros que
fabricam os navios e a escola vai capacitá-los através de instrumentos que vão auxiliá-los a navegar pelos mares
muitas vezes desconhecidos dos seus próprios pais. Portanto escola e pais têm funções diferentes, mas
complementares. Os pais não devem jamais abrir mão de educar seus filhos. Como ninguém consegue dar o que não
tem, é importante que os pais sejam progressivos e se preparem para poder dar uma boa educação aos seus filhos. São
retrógados os pais que por encontrarem dificuldades abandonam suas funções e passa a ser muito cômodo poder
cobrar dos outros as suas próprias falhas, estas falhas vão gerar indisciplina;
e) Drogas, um grande problema que infelizmente esta aumentando, sejam elas licitas ou ilícitas, elas prejudicam o
desempenho escolar e relacional dos alunos. O usuário fica à mercê dos seus defeitos químicos e sua vontade já não
esta mais sob o seu controle. Assim ele passa a fazer o que a droga lhe permite. Uma das primeiras estruturas a serem
tiradas de função é o superego. È ele que nos torna adequado a diversos meios que freqüentando e consigamos ter
força de vontade e produtividade.
Na ausência, o usuário fica mais a disposição dos seus instintos e vontades que não combinam com o assistir aulas,
fazer provas, respeitar outras pessoas como professores, colegas, etc. è importante que os educadores estejam
preparados, no mínimo informados, para lidar bem com seus usuários;
1.4 Evidências da agressividade na família
Ninguém desconhece que a falta do amparo familiar, mais precisamente a carência afetiva durante a infância, pode
conduzir a uma deterioração integral da personalidade, e consequentemente do comportamento. Segundo ensinam os
psicólogos, os comportamentos de cuidado maternos são tão indispensáveis para o futuro da criança que, na sua falta,
se encontram as raízes fundamentais do desajuste infantil, que acaba no adulto desajustado. Quando o relacionamento
familiar é precário, certamente irá influenciar nos relacionamentos sociais de seus membros, principalmente dos
filhos.
Alguns pais não têm noção do mal que causam aos seus filhos quando não estabelecem limites para eles, atendendo
todos os seus desejos sem questioná-los, crianças que não sabem controlar suas vontades, provavelmente não saberão
lidar com problemas corriqueiros do seu dia-a-dia.
Segundo Içami Tiba (195, p. 43) Quando falha o grande controlador, que é a família, representada na figura dos pais,
os abusos começam a acontecer. E, quando um abuso é bem sucedido, ele se estende para social, na delinqüência, na
compulsão pelas drogas. Quando a família deixa o filho fazer sempre suas vontades, este com certeza criará problemas
futuros., essa forma de educar os filhos, baseado no amor incondicional sem estabelecer as devidas restrições, dizendo
com firmeza não e sim na hora certa, com explicações moderadas e objetivas estão levando as crianças a se tornarem
jovens automaticamente dependentes, sem autocontrole e inseguros, incapazes de solucionar problemas que surgem na
dinâmica de sua própria vida, sem perspectiva de uma vida futura progressiva, sem realizações enriquecedoras e
positivas. Tendo em vista que o ser humano é por excelência insaciável, seus instintos de necessidades infinitas não
são trabalhados e contidos por regras e pulso firme de seus pais, quando adultos, estarão sempre insatisfeitos com sua
própria vida e com o mundo.
A ausência de limites, instituídas na educação familiar por pais demasiadamente tolerantes, fecunda conseqüências
desastrosas, produzindo crianças indisciplinadas, extremamente agressivas, insolentes, rebeldes, por conseguinte
vivem sempre em conflitos internos, demonstram insegurança em tudo realizam, crescem ampliando paralelamente
sentimentos nada plausíveis, como o egoísmo e a intolerância, pois estão sempre convictos de que as pessoas que os
rodeiam, que matem contato independente de que seja sua mãe ou não, estarão a sua disposição para satisfazer suas
necessidades. (Santos, 2002, p. 46)
Geralmente, pais que satisfazem todos os desejos instintivos de seus filhos, superprotegendo, afirmam que fazem tudo
para vê-los alegres, com efeito, ao verem que as ações de seus filhos são antagônicas as suas expectativas, cometem
atitudes irresponsáveis, não respeitam os outros provocam brigas em qualquer ambiente ao mesmo tempo em que não
desempenham com dignidade e de forma espontânea as atividades escolares e extra-escolares. Içami Tiba (1995),
comenta que a disciplina é algo vivo, que confere satisfação nos próprios atos de se organizar, de realizar e do colher.
Cada etapa precisa ter a própria satisfação para animar a pessoa a seguir em frente.
Souza (2001), diz que é impossível a permanência de coesão familiar sem alguém que exerça com segurança e
continuidade o princípio aglutinador da autoridade respeitosa, e estimulando as dimensões das possibilidades se as
crianças são capazes de realizar, seus potenciais que estão escondidos e que com esforço desabrocharão, tornando-se
um ser maduro e fortificador. A satisfação consigo mesmo, depende em última instância do bom uso da liberdade
aprendia desde a infância.
Pelo exposto, pode-se compreender que, a firmeza dos pais, sendo proteção contra o domínio do capricho e fonte de
bem estar, tendo em vista que irá permitir quando jovens a conscientizar-se de suas tendências, de conhecer a si
mesmo e dos outros, o progresso intelectual e equilíbrio emocional consciente, o significado da responsabilidade.
A interiorização das boas condutas não acontece por si só, exige de pais a autoridade equilibrada dizer sim e não nos
momentos apropriados em função da firmeza, do bom senso e da integridade no caminho da vida, baseando nesses
preceitos, vale ressaltar que é conveniente dar oportunidade nas circunstâncias oportunas de os filhos expressarem
seus aborrecimentos contra eventuais injustiças e incompreensões do dia-a-dia.
1.5 Evidências da indisciplina e agressividade na escola
A indisciplina e a agressividade manifestam-se de diversas formas na vida de um estudante, e apesar da bagunça e do
barulho não serem as únicas formas, são elas as formas que mais se destacam na sala de aula. Pois quase sempre a
indisciplina passa a ser vista como um problema quando a sala começa “a pegar fogo”, ou seja, quando sofrem
influência no comportamento dos alunos e é percebida na “bagunça”, no “barulho”, na “falta de atenção” e de forma
mais agravante na agressividade. Nessas horas, é que realmente a preocupação do professor cresce e o faz pensar
sobre a indisciplina do aluno.
Ações indisciplinadas na escola são traduzidas em comportamentos como: empurrar e bater nos colegas, destruir ou
pegar seus materiais e trabalhos, sair dos seus lugares e da sala de aula com freqüência e sem permissão, pedir para ir
toda hora ao banheiro, conversar muito durante as explicações do professor, dispersão ou negação em participar das
atividades. Tais atitudes acima citadas não violam as normas legais da sociedade, caracterizam-se por atos que afetam
a vida das escolas, mas estão longe de serem consideradas ações delinqüentes e/ou patológicas. De acordo com Içami
Tiba (1996, p.178) O exemplo é muito importante na educação. Quem sabe fazer, aprendeu fazendo.
Na verdade, a indisciplina poderia ser percebida muito antes de tornar-se um problema de comportamento como a
bagunça ou a agressividade, que são formas de expressão da total falta de respeito com os estudos. O não
acompanhamento das aulas já é um forte indício de indisciplina. Se os professores partirem do princípio que todo
aprendiz quer aprender (mesmo quando esta vontade está escondida no consciente), então, pode concluir que o
mínimo de organização e disciplina o aluno apresente para alcançar o aprendizado. A ausência de disciplina e a falta
de organização nos estudos começam a aparecer quando o aluno começa a perder essa vontade intrínseca de querer
aprender, e com o passar do tempo tornar-se um enfado, ou seja, deixa de ser vontade e passa a se quase um sacrifício.
Um mesmo ato indisciplinado acaba tendo a mesma conseqüência para alguém que agiu pela primeira vez e para o
reincidente. Apenas com o desenvolvimento da capacidade cognitiva e com a experiência no grupo social é que o
adolescente começará a ser capaz de julgar o certo e o errado, considerando as circunstâncias. Tudo isso para
demonstrar que a caminho, sedimentado com coerência, consistência e a intervenção sistemática da escola, família e
sociedade. Por isso a influencia da agressividade e da indisciplina no processo de ensino-aprendizagem será melhor
trabalhada e superada com a união de todos os responsáveis neste processo, tendo como objetivo principal a formação
integral do indivíduo.
2.1 Preparo do professor para lidar com alunos-problemas
Estamos vivendo um momento de desafio em nossas escolas, assistimos um aumento considerável da indisciplina e
atos violentos, bem como as preocupações de professores e pais em relação ao comportamento escolar dos alunos,
precisando ser melhor refletido e enfrentado.
O professor precisa desempenhar seu papel, o que inclui disposição para dialogar sobre objetivos e limitações e para
mostrar ao aluno o que a escola (e a sociedade) espera dele. Só quem tem certeza da importância do que está
ensinando e domina várias metodologias consegue desatar esses nós. De acordo com a psicóloga e pesquisadora em
educação Tânia Zagury (Revista Nova Escola, edição nº149, jan./fev.02) Quando há relacionamento de afeto e um
professor atencioso, qualquer caso pode ser revertido em pouco tempo.
Acreditamos que esses alunos-problemas têm um porquê e um para quê e nós precisamos nos ajudar, porque sozinhos
não conseguiremos ser uma escola de fato. Uma escola que pensa na vida, partindo da vida das pessoas... Está na hora
de repensarmos o processo, a teoria que nos embasa, o currículo, a gestão e o conselho escolar; de repensarmos se
estamos apenas brincando de democracia. Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Hoje, porém, novos elementos
vieram tornar o trabalho docente ainda mais difícil. A disciplina parece ter-se tornado particularmente problemática.
Na escola são vistas como alunos problemas, em casa como bagunceiras ou, dependendo do caso, distraídas. Essa é a
realidade de crianças com sintomas de inquietação, baixo rendimento escolar, dificuldade nos relacionamentos,
ansiedade, agressividade e resistência a receber ordens.
Segundo Gadotti (1995), são necessárias algumas diretrizes básicas, dentre as quais estão: a autonomia da escola,
incluindo uma gestão democrática, a valorização dos profissionais de educação e de suas iniciativas pessoais.
Oportunizar uma escola de tempo integral para os alunos, bem equipada, capaz de lhe cultivar a curiosidade e a paixão
pelos estudos, a curiosidade e a paixão pelos estudos, a valorização de sua cultura, propondo-lhes a espontaneidade e o
inconformismo. Inconformismo traduzido no sentimento de perseverança nas utopias, nos projetos e nos valores,
elementos fundadores da ideia de educação e eficazes na batalha contra o pessimismo, a estagnação e o
individualismo.
O preparo e bom senso do professor é o elemento chave para que essas questões possam ser melhores abordadas. A
problemática varia de acordo com cada etapa da escolarização e, principalmente, de acordo com os traços pessoais de
personalidade de cada aluno. De um modo geral, há momentos mais estressantes na vida de qualquer criança, como
por exemplo, as mudanças, as novidades, as exigências adaptativas, uma nova escola ou, simplesmente, a adaptação à
adolescência. As crianças e adolescentes como ocorrem em qualquer outra faixa etária, reagem diferentemente diante
das adversidades e necessidades adaptativas, são diferentes na maneira de lidar com as tensões da vida. É exatamente
nessas fases de provação afetiva e emocional que vêem à tona as características da personalidade de cada um, as
fragilidades e dificuldades adaptativas.
Os alunos podem trazer consigo um conjunto de situações emocionais intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, podem trazer
para escola alguns problemas de sua própria constituição emocional (ou personalidade) e, extrinsecamente, podem
apresentar as conseqüências emocionais de suas vivências sociais e familiares. Como se sabe, a escola é um universo
de circunstâncias pessoais e existenciais que requerem do educador, ao menos uma boa dose de bom senso, quando
não, uma abordagem direta com alunos que acabam demandando uma atuação muito além do posicionamento
pedagógico e metodológico da prática escolar. O tão mal afamado "aluno-problema", pode ser reflexo de algum
transtorno emocional, muitas vezes advindo de relações familiares conturbadas, de situações trágicas ou transtornos do
desenvolvimento, e esse tipo de estigmatização docente passa a ser um fardo a mais, mais um dilema e aflição
emocional agravante. Para esses casos, o conhecimento e sensibilidade dos professores podem se constituir em um
bálsamo para corações e mentes conturbados, essas crianças geralmente são incompreendidas tanto em casa como na
escola. Também costumam ser marginalizadas e isoladas pelos colegas. Nesse caso, é importante que a escola ofereça
atendimento e acompanhamento personalizado, para estimular o crescimento pessoal e social dessas crianças,
educação deve ser uma parceria, senão não funciona.
2.2 - Atitudes docentes para melhoria comportamental dos alunos
Um aluno que tenha uma autoimagem negativa, que se considera um fracassado, mesmo reconhecendo a sua
dificuldade, provavelmente vai buscar nas outras pessoas que estão ao seu redor responsabilidade pelo seu fracasso?
Dirá que o professor é chato, ou que a matéria não serve para nada ou mesmo que os colegas é que são ruins. Esse
aluno acaba por desenvolver comportamentos problemáticos na sala de aula, ou torna-se indisciplinado.
Para lidar com a indisciplina, em primeiro lugar, é importante que o professor garanta em sua relação com os alunos
condições igualitárias de participação, proporcionando diferentes contribuições para o processo de aprendizagem. Na
verdade, a questão da indisciplina ou da disciplina tem sido muitas vezes utilizada para justificar práticas autoritárias
por um lado e, de outro, estimular uma espécie de domínio por parte os aluno, o que prejudica o projeto pedagógico da
escola.
Em segundo lugar, fazer da inquietação, da agitação e da movimentação elementos que possibilitem o ato de conhecer.
Transformar o que aparentemente denominamos indisciplina em disciplina poderá estar construindo, na interação da
sala de aula, o surgimento da criatividade e o nascimento do novo.
Você pode observar que tanto o aluno “problema” como o aluno “excelente” possuem uma característica comum, que
é o querer se mostrar, ou tornar-se visível. Eles se tornam visíveis, nos fazendo felizes ou nos fazendo sofrer. É
importante notar que, enquanto esses tipos de aluno aparecem mais, os outros, considerados “normais”, correm o risco
de cair em uma zona sombria, do esquecimento. Não podemos nos esquecer de que cada aluno é singular, único,
diferente do outro.
O fato de dar importância apenas aos aspectos considerados negativos ou positivos do comportamento de um aluno
pode fazer com que não prestemos atenção na relação que estamos construindo com ele dia-a-dia. Essa postura
provavelmente fará com que evidenciamos uma prática muito comum, que é a superficialidade com que a escola ou
cada um de nós se relaciona com os outros, com o saber e com a própria vida. Dessa maneira, aquilo que
consideramos problema, na nossa relação com os alunos, deve ser transformado em um momento de reflexão sobre
nossa prática, sobre as dúvidas que aqueles alunos-problema fazem nascer em nós a respeito de nosso papel de
professores-educadores. Cabe então, ao professor, enquanto educador, participar da formação de seus alunos,
garantindo uma relação que evite que uns se calem, outros apenas obedeçam e outros dominem, estabelecendo
condições para a colaboração, a compreensão mútua e uma boa comunicação.
A intervenção do professor é fundamental para que as interações sociais que acontecem na sala de aula façam parte da
formação de todos os que dela participam. É importante fornecer aos alunos referencias que possibilitem uma relação
de confiança e respeito mútuo para que as questões afetivas, emocionais, presentes no processo de aprendizagem,
possam ser discutidas e ressignificadas.
3. AÇÕES PREVENTIVAS DA INDISCIPLINA E AGRESSIVIDADE ATRAVÉS DE TEMAS
TRANSVERSAIS
A indisciplina e a agressividade representam um dos principais fenômenos que geram dificuldades no contexto
escolar. Esse fato vem se agravando de tal forma que nem a escola, nem a família conseguem solucionar o problema.
Tal fenômeno é caracterizado de diversas formas, porém, as idéias acerca desse tema estão longe de serem
consensuais. Procuramos discutir os sentidos atribuídos por alunos do ensino fundamental ao fenômeno “indisciplina e
agressividade escolar”, as causas que são consideradas por eles como geradoras desse fenômeno e a avaliação das
medidas que estão sendo tomadas para resolver ou amenizar o problema. Partimos do pressuposto que, se desejamos
intervir na realidade educacional, devemos conhecer, de antemão, a forma como os sujeitos que estão envolvidos
nessa realidade compreendem os dilemas que vivenciam e as alternativas de modificação dessa situação. Piaget (1977,
p. 435) define as normas morais "como regras racionais de acordo mútuo”. Uma norma é boa quando satisfaz as "leis
da reciprocidade" e para reconhecer se uma norma é boa, a criança "terá de colocar-se numa perspectiva que se
harmonize com outras perspectivas."
Os sentidos atribuídos pelos alunos ao fenômeno refletem uma pluralidade de terminologias. Não é um problema que
poderá ser resolvido de forma isolada, somente abrangendo a esfera escolar. Faz-se necessário uma aproximação
maior entre a escola, a família e as esferas públicas, como o conselho tutelar, as promotorias de infância e de
adolescência, as universidades (professores e, principalmente, os acadêmicos que estão em formação em diferentes
áreas), visando um trabalho integrado, não apenas discutindo as dificuldades existentes no contexto escolar, mas com
a inserção desses novos olhares possibilitarem uma ressignificação das formas e modelos de intervenção nesse
contexto.
Evidentemente, os alunos devem aprender desde a mais tenra infância a abrir mão, em alguns momentos, da realização
direta de seus desejos, para que possam estar em grupo e viver numa comunidade (no caso as classes de aula).
Todavia, um dos papeis de educador não é exatamente o de possibilitar esse crescimento e amadurecimento para as
relações pessoais por parte dos alunos? O que ocorre que impede essa realização?
Alguns dirão que a educação e os ensinamentos de limites são papeis das famílias. Têm razão os que assim pensam.
Acontece que as famílias têm tido pouco tempo e não conseguem exercer o seu papel de educação das crianças. Além
disso, a televisão ainda exerce uma influência negativa no que tange à aquisição de limites pelas crianças. Então, o
"problema" estoura na escola, dentro e fora das salas de aulas.
Indisciplina, agressividade, inquietação e mau-humor são sintomas que podem indicar problemas psicológicos de
crianças e adolescentes, como no caso da hiperatividade e de outros transtornos psíquicos apresentados por alguns
alunos.
Entretanto, antes de mandarmos "todos os alunos de um determinado grupinho" aos divãs de psicólogos, devemos
analisar se os problemas não estão mais relacionados aos adultos, à equipe de educadores das escolas, enfim, ao plano
pedagógico e às relações estabelecidas pelos adultos e os seus alunos. "Devemos ser como os geógrafos, que sobem à
montanha para conhecer a planície e descem à planície para melhor ver a montanha” (Napoleão Bonaparte).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Escolhemos este tema para contribuir com uma aprendizagem de qualidade partindo do pressuposto de que não existe
qualidade em um ambiente de indisciplina e agressividade. Faz-se necessário buscar novos caminhos que levem a
família, a equipe pedagógica, os professores e os alunos a assumirem o seu verdadeiro papel neste processo.
O problema da indisciplina e agressividade tem constituído em um desafio para a escola, pois muitos alunos não
respeitam seus professores, e essa indisciplina prejudica o ensino e a aprendizagem. Professores e orientadores têm
dificuldade em estabelecer limites na sala de aula e não sabem até que ponto devem intervir em comportamentos
inadequados que ocorrem nos pátios escolares. È preciso recuperar a autoridade fisiológica, o que não significa ser
autoritário cheio de desmandos, injustiças e inadequações. As instituições de ensino, cuja tarefa é introduzir as
crianças nas normas da sociedade, muitas vezes se omitem. O professor também perdeu a autoridade inerente a sua
função. Quanto maior a perda, mais anárquica torna-se a aula. É essencial aos agentes da educação saber estabelecer
limites e valorizar a disciplina, e para isso é necessária a presença de uma autoridade saudável.
Tendo em vista as dificuldades de aprendizagem causadas pela indisciplina e agressividade é que desenvolvemos
nosso tema, visando entender qual a relação entre aprendizagem e indisciplina em sala de aula, pois toda indisciplina é
gesto de desinteresse e todo desinteresse se encarcera quando não existe significação da aula. E nenhuma aula é
realmente significativa, quando não existe busca para a consciência da aprendizagem. O grande desafio da sociedade
moderna é a educação.
DEPREDAÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO ESCOLAR
Maior parte do orçamento para obras de reparo é gasto com vandalismo Das 2.174 escolas estaduais, a maioria já
sofreu com o vandalismo, as vezes praticado pelos próprios alunos. Em 2008, o estado gastou R$ 28 milhões para
arrumar depredações. Uma noite de baderna e vandalismo, com tintas usadas para pichar uma escola inteira. O
Colégio[ ... ] emRecife,foi depredadonamadrugadadodia 10 de julho.Trêsadolescentes,dentre eles um aluno da
própria escola, foram identificados como os autores do crime. Como punição, os três jovens tiveram que comprar
tintase pintarnovamente todaaescola.“Só gastamosdinheiro, só deu prejuízo”, reconheceu o aluno que praticou
as pichações.
Para manter a estrutura física da escola em ordem é necessário que além das manutenções periódicas, haja a
participação de todos os integrantes da comunidade escolar no sentido de preservar e conservar o patrimônio
público. O importante é que todos se sintam pertencentes e responsáveis pelo espaço. Ajudar a manter a
integralidadefísicae cultural daescolalevaoindivíduoalegitimarseu papel na comunidade, valoriza o sentimento
de pertencimentoaumgrupocapaz de vencerdesafios, reafirma valores e faz com que todos vejam a escola como
um patrimônio da comunidade. De acordo com Miranda (2009) todo ano, o Poder Executivo destina parte
significativadoorçamentoparaa manutençãodasescolaspúblicas.Sãogastoscomreformade instalações,conserto
de equipamentos,pinturas,trocade carteiras,entre outras despesas. Esses recursos poderiam ser economizados e
investidos outros em setores da educação se não fossem os atos de vandalismo e de destruição do patrimônio
escolar. Souza (2009) destaca que a luta pela valorização do patrimônio tem seu início na própria luta pela defesa
dos bens que cercam a escola. Não podemos aceitar que jovens depredem seu próprio ambiente de estudo e que
destruamaquiloque elesmesmospoderiamdesfrutar.Évital que hajauma vigilânciade todosnosentidode evitara
depredação de bens da escola que ao serem destruídos estarão causando prejuízos a todos na medida em que
podemescasseare atrapalharo desenvolvimentodasações educativas. Nesse sentido, é necessário que as escolas
desenvolvampráticasque tenhamporobjetivomostraraosalunosa importânciadosbenspatrimoniaisque ocupam
o espaço da escola e que, por serem públicos, pertencem a todos. Segundo Simas (2012), a estrutura precária das
escolasestáafetandoaqualidade do ensino nas escolas públicas. Tal afirmação é notícia do Jornal Gazeta do Povo.
Estrutura precáriaafetao ensinoEscolasdepredadase comespaçosdesconfortáveisfazemcomque oalunosinta-se
desmotivado e até abandone os estudos Duas em cada dez escolas brasileiras estão depredadas. Entre os
problemas, portas e janelas quebradas, brinquedos mal conservados e paredes e muros pichados. Diante desse
cenário, especialistas alertam para a interferência do ambiente na qualidade do ensino e do aprendizado. Uma
estruturadeficiente tornaasatividadesde alunose professoresmaiscomplicadae pode contribuir, inclusive, com a
evasão de estudantes. O dado faz parte de um estudo conduzido pela Fundação Victor Civita – que trabalha com a
produçãode conteúdose pesquisas na área de educação – e, segundo a diretora-executiva, Angela Dannemann, o
número só não é maior porque engloba instituições públicas e privadas. Embora não estimado, o total de escolas
mantidas pelo poder público em péssimo estado de conservação é muito superior. Para os educadores, um
ambiente escolar limpo, pintado e organizado faz o aluno se sentir acolhido, disposto a usufruir o que o espaço
oferece e empenhado em aprender mais. “A escola é como um shopping center, em que tudo é voltado para um
objetivo.Nocasodoshopping é o consumo e no da escola, a educação. Todo espaço que cerca o estudante tem de
ser atrativo e passar alguma informação. Por isso é importante que os jovens gostem de ficar nela, se sintam à
vontade e não queiram ir embora o mais rápido possível”, diz a psicopedagoga e professora da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná Evelize Portilho. Estrutura Além das estruturas pedagógicas básicas – como
playground, cancha de esportes e carteiras e quadros negros adequados –, outros aspectos, que à primeira vista
parecemumdetalhe,sãoessenciaisparagarantirque crianças e adolescentespassem quatro ou cinco horas por dia
emum ambiente semse sentiremdesconfortáveis.Entre essesdetalhesestãoo tamanho da sala de aula, o formato
das janelase a existênciade áreasverdes.Osdoisprimeirositensestãorelacionados à ventilação. Eles precisam ter
um tamanho adequado para permitir a entrada de ar. Caso contrário, um ambiente abafado pode fazer com que o
aluno perca a atenção e fique sonolento. O espaço verde é funcional e serve como área de convivência. “A
vegetação, combinada com um bom projeto paisagístico, além de criar um espaço público e recreativo mais
agradável,ajudanoconfortotérmicoe acústico. Para amenizar o ruído que vem da rua, é importante ter um trecho
de árvores entre ela [rua] e a entrada da escola”, explica a arquiteta Andressa Ferraz Damiani, da Cosmopolita
Arquitetura,que trabalhounaaprovaçãode projetosde escolaspúblicasparaoFundoNacional de Desenvolvimento
da Educação (FNDE). Manter um ambiente escolar adequado não é tão simples quanto parece. Quando se trata de
instituições públicas, ainda é preciso vencer a burocracia. No Paraná, as escolas estaduais têm recursos do Fundo
Rotativo para fazer pequenos reparos, como arrumar um vidro quebrado ou limpar a caixa d’água. Para reformas
maiores,é precisoentraremuma listade prioridade.Comodoisterçosdas2.136 escolasprecisam de algum reparo,
as que ficamdestelhadasporcausade chuva, porexemplo,têmprioridade.“Umengenheirovai até olocal e analisa.
Se o problema comprometer as aulas, a escola é atendida”, explica Jaime Sunye Neto, superintendente de
DesenvolvimentoEducacional.Alunodevese sentircomoparte daescola.Escolasantigastendem a apresentar mais
problemas estruturais. Falhas que, se mantidas por muito tempo, podem estigmatizar o local. “Se um professor
puder escolher onde dar aula, vai preferir os espaços mais confortáveis e melhores. Isso gera um círculo vicioso,
onde as instituições com melhor infraestrutura são também as com melhores docentes e viceversa”, comenta
Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita. Dentro desse ciclo, alunos que não se sentem
como parte da escola, ajudando a mantê-la em ordem, também têm mais chances de abandonar os estudos. Com
uma estrutura bem cuidada e ações que envolvam os jovens para conservá-la, a importância daquele local para a
vidado estudante torna-se maisevidente. “Esse trabalho de conscientização deve ser feito pela gestão escolar. Se
não houverisso,osalunosvãocontinuardepredando,poisaveemcomoalgo público, que pertence a todos e não a
ele”, diz a psicopedagoga Evelize Portilho. Comunidade O envolvimento da comunidade também é fundamental
nesse processo de identificação do aluno com a escola. Por essa razão, é de suma importância uma ações que
incentivem os alunos participarem individual e coletivamente na defesa da escola.
PATRIMÔNIO PÚBLICO ESCOLAR -Garcia (2004), no entendimento da Lei de Ação Popular Lei 4.717, de 29/6/1965
em seu artigo 1°, parágrafo 1° define Patrimônio Público, como o conjunto de bens e direitos de valor econômico,
artístico, estético, histórico ou turístico, pertencentes aos entes da administração pública direta ou indireta. Esses
benspúblicos,de acordo com o Código Civil, são, entre outros, os rios, mares, estradas, ruas e praças (bens de uso
comumdo povo),edifíciosouterrenosdestinadosaserviçoouestabelecimentodaadministração federal, estadual,
ou municipal.Conforme oCadernode Orientaçõesparaa PreservaçãodosPrédiosEscolares(2009, p. 6), patrimônio
escolar engloba tanto os bens incorpóreos, imateriais e intangíveis, assim chamados, pois não apresentam uma
formafísica taiscomo: cultura,valores,filosofia,oprojetopedagógico,atradição,a históriae seussímbolos.Quanto
aos bensmateriaisoufísicos,que é tudoaquiloque pode servistoe tocado,tambémchamamos de bens corpóreos,
ou ainda, de bens tangíveis. O patrimônio compõe a identidade e a imagem da escola e, por isso, ele precisa estar
sempre em ordem, sob pena de colocar em risco a segurança das pessoas e o projeto pedagógico. Paulo Freire
(1991, p. 22) quandoSecretariode Educaçãona cidade de São Paulo afirmouque:“Se nãoapenasconstruirmosmais
salas de aula, mas também as mantermos bem cuidadas, zeladas limpas, alegres, bonitas, cedo ou tarde a própria
boniteza do espaço requer outra boniteza: a do ensino competente, a da alegria de aprender, a da i maginação
criadora tendoliberdade de exercitar-se, a da aventura de criar”. É impossível uma escola alcançar bons índices de
aprendizagem com alunos e professores convivendo num prédio mal conservado com paredes rachadas, vidros
quebradose mobiliáriosdanificados.Paraque a aprendizagemaconteça,é necessárioque oambiente seja propício.
Para manter a estrutura física da escola em ordem é necessário que além das manutenções periódicas, haja a
participação de todos os integrantes da comunidade escolar no sentido de preservar e conservar o patrimônio
público.A propostada educaçãopatrimonial visadespertara.curiosidade doseducandos,paraque essesdescubram
por meiodosobjetosoumanifestaçõesculturaismaisinformaçõesarespeitodomeioemque vivem.Sendoaplicada
a partir das séries iniciais, a metodologia da educação patrimonial, vai ao encontro daqueles que ainda não tendo
seus valores totalmente formados, possuem um maior potencial para adquirir e transmitir essas noções de
valorizaçãoe preservação dos patrimônios para o restante da comunidade. (OLIVEIRA e SOARES, 2009, p.115 / 125)
Sabe-se que somentecoma participaçãoda sociedade nasdecisões que regem a vida em comum, poderemos ter a
garantia de que haverá o retorno esperado pela população dos tributos pagos em forma de qualidade de vida.
(ESPÍRITO SANTO, 2010, p.36) Para Espírito Santo (2010) o Programa Nacional de Educação Fiscal (PNEF) e as
parcerias com as instituições de ensino regular a fim de formar cidadãos conscientes de seus deveres e direitos
quanto à tributação e seus repasses por meio do Estado, para garantir qualidade de vida em forma de políticas
públicas,nasce aoportunidade darealizaçãode um estudo voltado para a valorização do patrimônio público e para
a função sócio econômica do tributo deste mesmo estabelecimento de ensino. Os mesmo visualizaram nesta
questãoum bom momento de sensibilização de seus alunos quanto ao não desperdício de verba pública, uma vez
que o que seriagasto na reformada escola,ou na reposição de objetos por eles depredados, poderia ser revertido
para outras necessidades da comunidade onde a escola está inserida: policiamento, urbanização, saúde,
saneamento básico, entre outras. Dessa forma, a função sócia econômica do tributo vem ao encontro de um dos
papéisdaescola,enquantofórumprivilegiado,paradiscussõesacercada cidadania, ética e participação política dos
cidadãos na vida em sociedade.
Na visãodosprofessores,osatosde vandalismoindicamainexistênciadosentimentode pertença à instituição, não
há o sentimento de cuidado e de zelo pelo ambiente e pelos recursos da escola, não há a cultura do respeito pelo
espaço público e pelos outros alunos que utilizarão esse espaço. Relatos de que própria comunidade depreda a
escola,nãoé passadopelospaisaosfilhosorespeitopeloambiente escolar.Algunsprofessoresentendemque,além
do desenvolvimentode umaculturadopertencimento,dorespeitoe dapreservaçãodoespaço,serianecessárioque
houvesse aidentificaçãoe aresponsabilização dosalunosque cometematosde vandalismo, para que a depredação
escolar diminuísse. (COSTA, 2011, p. 9032)
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
Para Brandão (1981) a educação esta em todos os lugares, em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou
de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar.
Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. E ainda para
Brandão (1981), todosos seressão alvosde umprocessoeducativo.Ospássaros,porexemplo,desde cedoexpulsam
seus filhotes do ninho, fazendo com que experimentem o processo de aprendizagem do voo, e este exercício é
fundamental paraa continuidadedavida.Osbebêssentemnecessidade de aprender e esta aprendizagem iniciada
desde a mais tenra idade, objetiva socializar o indivíduo na sociedade por meio do ensino de hábitos, costumes e
valoresconvencionadosde formaconsensual pela coletividade. Para Maria Lúcia Arruda Aranha (1996), a partir das
relações que criam entre si, os homens produzem padrões de comportamento, instituições e saberes, cujo
aperfeiçoamentoé feitopelasgeraçõessucessivas,oque lhespermiteassimilar e modificar os modelos valorizados
em denominada cultura. É a educação, portanto, que mantém viva a memória de um povo e dá condições para
sobrevivência. Quando falamos de educação logo nos chega a imagem da escola. Conforme Bandão (1981), os
antropólogos ao se referirem sobre o assunto pouco querem falar de processos formalizados de ensino. Eles
identificam processos sociais de aprendizagem onde não existe ainda nenhuma situação propriamente escolar de
transferência do saber. A rotina das aldeias tribais, o saber vai da confecção do arco e flecha à recitação das rezas
sagradas aosdeusesdatribo. Tudo o que se sabe aos poucos se adquire por viver muitas e diferentes situações de
trocas entre pessoas,como corpo,com a consciência,comocorpo e a consciência. As pessoas convivem umas com
as outras e o saber flui, pelos atos de quem “sabe-e-faz”, para quem “não-sabe-se-aprende”. Mesmo quando os
adultosencorajame guiam os momentos e situações de aprender de crianças e adolescentes, são raros os tempos
especialmentereservadosapenaspara o ato de ensinar. Outro aspecto para Brandão (1981), há educação quando a
mãe corrige o filho para que ele fale direito a língua do grupo, ou quando fala à filha sobre as normas sociais do
modode “sermulher”ali.Existe quandoopai ensinaofilhoapolira ponta da flecha,ou quando os guerreiros saem
com os jovens para ensiná-los a caçar. Conforme Aranha (1996) os povos primitivos viviam em tribos em que as
relações sociais ainda permanecem igualitárias. Com o desenvolvimento da técnica e dos ofícios especializados, a
sociedade se torna mais complexa, ocorrendo a divisão das classes e o aparecimento do Estado. As primeiras
civilizaçõessurgemnonorte daÁfricae na Ásia(Oriente Próximo,OrienteMédioe Extremo Oriente). A invenção da
escrita é outro fato que se associa ao aparecimento do Estado, pois a manutenção da máquina estatal supõe uma
classe especial e funcionárioscapazesde exercerfunçõesadministrativase legaiscujo o registro e imprescindível. A
educaçãoaparece sempre que surgemformassociaisde conduçãoe controle da aventura de “ensinar-e-aprender”,
efatiza Brandão (1981). E o ensino formal é o momento em que a educação se sujeita à pedagogia (a teoria da
educação);cria situaçõesprópriasparao seuexercício,produzosseusmétodos,estabelece suas regras e tempos, e
constitui executoresespecializados. É quando aparecem a escola, o aluno e o professor. “Nas civilizações orientais
não há propostaspropriamente pedagógicas”. (ARANHA, 1996, p. 33). Nestas sociedades, ao se criarem segmentos
privilegiados,apopulação,compostaporlavradores,comerciantese artesãos,nãotemdireitospolíticosnemacesso
ao saber da classe dominante. A princípio o conhecimento da escrita é bastante restrito, devido ao seu caráter
sagrado e esotérico.Teminício,então,o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para
os filhosdosfuncionários.A grande massaé excluídadaescolae restringidaàeducaçãofamiliarinformal. Conforme
Aranha (1996) a Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. A palavra pedagogos significa aquele
que conduz a criança, no caso o escravo que acompanha a criança à escola. Com o tempo, o sentido se amplia para
designar toda a teoria da educação. De modo geral, a educação grega está constantemente centrada na formação
integral – corpoe espírito – mesmoque,de fato, a ênfase se deslocasse ora mais para o preparo esportivo ora para
o debate intelectual, conforme a época ou lugar. Nos primeiro tempos, quando não existia a escrita, a educação é
ministradapelaprópriafamília,conforme atradiçãoreligiosa.Apenas com o advento das pólis começam a aparecer
as primeiras escolas, visando a atender a demanda. Segundo Brandão (1981, p. 48) a educação na Grécia Antiga,
denominada de Paidéia, se iniciou como comunitária, mas com o desenvolvimento da sociedade se tornou
específica, onde havia uma educação para nobres, outra para plebeus e nenhuma para os escravos e em Roma a
educação surgiu como na Grécia, comunitária, mas se desenvolveu de forma diferente, onde a formação do
patriarca agricultorsobressaiasobre ocidadão.Maistarde surge a escolaprimária,comoa escolade primeirasletras
gregas, também surge à escola gramáticos, e muito mais tarde a Lector. Havia em Roma a educação que formavam
os trabalhadoresnaoficinade trabalho,e ocidadão eraeducadopara tambémempregarseusaberna sociedade.Da
Antiguidade decadente àIdade Média,daIdade Médiaao Renascimento(umtempodaHistóriaricoemredefinições
da ideiade educação) e do RenascimentoàIdade Moderna,foi preciso esperar muitos séculos para que de novo os
brancos civilizadosaprendessem a repensar a educação como os índios. E uma nova maneira de definir a educação
como uma prática social cuja origem e destino são a sociedade e a cultura, foi formulada com muita clareza pelo
sociólogofrancêsEmile Durkheim. A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não
se encontram ainda preparadas para a vida social; por objeto suscitar e desenvolver na criança certo número de
estadosfísicos,intelectuaise moraisreclamadospelasociedadepolíticanoseuconjunto e pelo meio especial a que
a criança, particularmente, se destina." (DURKHEIM, apud BRANDÃO,1981, p.71) De acordo com Brandão (1981),
entre muitas outras, esta é uma maneira sociológica de compreender a educação. Depois de Durkheim, inúmeros
sociólogos,antropólogos,filósofose educadorescomeçaramaformularpontosde vistasemelhantes.Nãoé que eles
tivessem uma proposta de uma "nova educação", menos abstrata e desancorada do que a "Educação Humanista"
que criticavam.O que elesbuscaramfazerfoi esclarecermaise mais como a sociedade e a cultura são e funcionam,
na realidade. Como, portanto, a educação existe dentro delas e funciona sob a determinação de exigências,
princípiose controlessociais.Nomundoocidental,é depoisdoadventoe da difusão do Cristianismo que aparecem
ideias sobre a educação que isolam o saber da sociedade e o submetem ao destino individual do cristão, afirma
Brandão (1981). O homem que aprende busca na sabedoria a perfeição que ajuda à salvação da alma. Mas não é o
Cristianismo Primitivo quem sugere a "educação humanista", de que os cursos de "humanidades" que houve no
Brasil até há pouco tempo são o melhor exemplo. Foi necessário que, a partir de Roma, o Estado cristianizado e as
elites de sua sociedade tomassem posse da mensagem cristã de militância e salvação, fazendo dela parte de sua
ideologia. Tornando-a o repertório de símbolos e valores pelos quais representavam o mundo, representavam-se
nele e,assim,legitimavam,comaspalavrasoriginalmente dirigidasapobrese deserdados,asua posiçãode domínio
econômicoe de hegemoniapolíticasobre eles. Foi então preciso o advento de uma nobreza plenamente separada
do trabalho produtivo e, cada vez mais, até mesmo do trabalho político - entregue nas mãos de intelectuais
mediadores de seus interesses para que surgisse uma classe de gente capaz de representar o mundo quase fora
dele. Esta elite ociosa e seus intelectuais sacerdotes, filósofos e artistas puderam imaginar como "puras" a vida, a
arte,a ciênciae até mesmoa educação.A educaçãopassa a ser vista como uma arma que serve para impor ao povo
a vontade e a visão do mundo do dominador. Plutarco descreveu como Roma usou a educação para “domar” os
espanhóisdominados:“Asarmasnãotinhamconseguidosubmetê-losanãoserparcialmente,foi a educação que os
domou”(BRANDÃO,1981, p. 53) Brandão(1981, p.59), escreve dopoderque constitui a educação no país e propõe
o exercício de uma prática idealizada. A fala dos praticantes da educação, os educadores, faz então a critica da
distânciaque háentre a promessae a realidade.Fazmais,denunciaaalteraçãopara piordas própriasleisque dizem
o que é e como deve ser a Educação no Brasil. Para Brandão (1981), não há apenas ideias opostas ou ideias
diferentes a respeito da Educação, sua essência: e seus fins. Há interesses econômicos, políticos que se projetam
também sobre a Educação. Não é raro que aqui, como em toda parte, a fala que idealiza a educação esconda, no
silênciodoque nãodizos interessesque pessoase grupostêmparaos seususos. Pois, do ponto de vista de quem a
controla, muitas vezes definir a educação e legislar sobre ela implica justamente ocultar a parcialidade destes
interesses,ouseja,arealidade de que eles servem a grupos, a classes sociais determinadas, e não tanto lia todos",
"à Nação", "aosbrasileiros".Dopontode vistade quemresponde porfazer a educação funcionar, parte do trabalho
de pensá-la implica justamente desvendar o que faz com que a educação, na realidade, negue e renegue o que
oficialmente se afirmadelanalei e nateoria.Mas a razão de desavençasé anteriore,mesmo entre educadores, ela
tem alguns fundamentos na diferença entre modos de compreender o que o ato de ensinar afinal é o que o
determina e, finalmente, a que e a quem ele serve. De acordo com Brandão (1981), estatísticas que denunciavam
até poucos anos, que o Brasil possuía um dos maiores índices de analfabetismo de todo o mundo. Podemos dizer
que haviaduas educações:Umadestinadaaosfilhosdas“gentesde bem”,que somavaalémdoensinodasprimeiras
letras,para aquelesque prosseguiam os estudos após o primário, letras, o Latim, Grego, Literatura e Música, todos
não profissionalizantes. Conforme Brandão (1981), até por volta da década de 1930, mesmo entre os mais ricos
eram raras as pessoas que faziam o curso superior. Outra era da oficina, destinada aos “filhos da pobreza”. Foi
tambémnas primeirasdécadasdoséculoXXque teve inícioalutapelademocratizaçãodoensino,aqual resultou na
escola pública, gratuita, laica, a qual mantida pelo governo concederia direito de estudar para todas as pessoas.
Brandão (1981) assinala que essa democratização do ensino possuía duas facetas, uma vez que políticos e
educadores, “ao pregarem ideias de uma educação voltada para a vida, a mudança, o progresso, a democracia,
traduziamao mesmotempooimagináriodemocráticode seutempoe, por outro lado, o projeto político que servia
aos interessesde novosdonosdopoder e da economia”.Introduzemassimnovostipos de usos políticos do aparato
pedagógico, adaptado aos novos modelos de controle da cidadania instituído pela demanda de “quadros”
qualificadosparaotrabalhonas fábricas,numprocessode transferênciado capital da agricultura para as indústrias.
Brandão (1981), em seu livro “O que é Educação”, aponta que algumas pesquisas de sociólogos americanos
realizadasnadécadade 1950, confirmamque,mesmonosEstadosUnidos,oingresso da criança pobre nas salas das
escolasnãofezdesapareceradivisãoanteriorentre o“aprender-na-oficinaparao trabalhosubalternoe oaprender-
na-escolaparao trabalhodominante”.Desse modo,“ofilhodo operário estuda para ser operário que acaba sendo,
e o filho do médico para ser médico ou engenheiro”, sendo igualmente comum fazerem alardes em festa de
formatura quando um filho de operário consegue sair formado na Faculdade de Engenharia, o que denota que “a
educaçãoda sociedade capitalistaavançadareproduznamoitae consagraa desigualdade social”.Pode-se completar
afirmando, tal como o faz Brandão, que a educação “vale como um bem de mercado, e por isso é paga e às vezes
custa caro”. Diante das contradiçõesassumidaspelaeducação,atesta-sesuadupladimensãode valorcapitalista:“a)
valercomo alguma coisa cuja posse se detém para uso próprio ou de grupos reduzidos, que se vende e compra; b)
valercomoinstrumentode controle daspessoas,dasclassessociaissubalternas,pelopoderde difusãodasideias de
quemcontrolao seu exercício”. Ainda hoje a educação que se pratica ainda é classista e centralizadora, na medida
emque os sujeitosdiretamente envolvidos no processo não são chamados a participarem das decisões, pois estas
estãorestritasaos“donos dopoderpolítico”e às “pequenasconfrariasde intelectuaisconstituídascomoseusporta-
vozespedagógicos”.Consumimosideiasprontassobre aeducaçãoe reproduzimosconteúdos impostos à educação.
Tal como atesta Brandão (1981, p.94), “a educação que chega à favela, chega pronta na escola, no livro e na lição”.
Para Paulo Freire (1981), aqueles que olham para os favelados como “naturalmente inferiores e incapazes” e
imputam a esta “inferioridade” todas as deficiências materiais que caracterizam uma favela, sugeriríamos que
discutissemum dia com estas pessoas sobre o que significa sua existência. Porventura alguns entre esses sujeitos
descobrissem afinal que, se há algo intimamente mau, que deve ser radicalmente transformado, é o sistema
capitalista mesmo, incapaz ele sim, de resolver o problema com seus propósitos “modernizantes” Fonte:
www.pedagogiaaopedaletra.com/wp-content/uploadsEmoutraspalavrasFreire (1991) dizque:“Afirmarcomo ideia
o que negacomo prática é o que move o mecanismodaeducaçãoautoritáriana sociedade desigual”.Narealidade,a
educação escolar, revestida de sua nova configuração democrática, camufla na prática o que promete na teoria, a
proclamada igualdade. LEI 9394/96 - A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB só veio acrescentar
informaçõese obrigatoriedadesde extremaimportância na educação do Brasil, pois de acordo com ela, a educação
é um direito de todos e as crianças precisam ter acesso ao ensino desde os primeiros anos de vida, com a inclusão
dessas em creches e em pré-escolas. Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na
vidafamiliar,naconvivênciahumana,notrabalho,nasinstituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e
organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Art. 2º A educação, dever da família e do Estado,
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimentodoeducando,seupreparopara o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º
O ensinoseráministradocombase nosseguintesprincípios:I – igualdade de condiçõesparao acessoe permanência
na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III –
pluralismo de ideiase de concepções pedagógicas; IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância; V – coexistência
de instituiçõespúblicase privadasde ensino; VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII –
valorizaçãodoprofissional daeducaçãoescolar;VIII –gestãodemocráticadoensinopúblico,na forma desta lei e da
legislaçãodossistemasde ensino;IX –garantia de padrão de qualidade;X – valorizaçãodaexperiência extraescolar;
XI – vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais (LDB, Lei 9394/96) A atual constituição do
estado do Paraná promulgada em 1989, coloca a educação nos artigos 177 a 189 como um direito de todos e dever
do Estado, sem excluir a família e sociedade, fortalecendo assim a gestão democrática no processo educacional, a
saber: Art. 177. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a
colaboraçãoda sociedade,visandoaoplenodesenvolvimentodapessoa,seupreparoparao exercíciodacidadania e
sua qualificaçãoparao trabalho.Art.178. O ensinoseráministradocom base nos seguintes princípios: I - igualdade
de condição para acesso e permanência na escola, vedada qualquer forma de discriminação e segregação; II -
gratuidade de ensino em estabelecimentos mantidos pelo Poder Público estadual, com isenção de taxas e
contribuiçõesde qualquernatureza;III - liberdadede aprender,ensinar,pesquisare divulgaropensamento, a arte e
o saber;IV - valorizaçãodosprofissionaisdoensino,garantindo-se,na forma da lei, planos de carreira para todos os
cargos do magistériopúblico,pisosalarialde acordocom o grau de formaçãoprofissional e ingresso,exclusivamente
por concursode provase títulos,realizadoperiodicamente, sob o regime jurídico adotado pelo Estado; V – garantia
de padrão de qualidade em toda a rede e níveis de ensino a ser fixada em lei; VI - pluralismo de ideias e de
concepções pedagógicas e religiosas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VII -
asseguramento da pluralidade de oferta de ensino de língua estrangeira na rede pública estadual de educação.
ESCOLA
Escola/liceuAlgunsalunospodematé duvidar,masantigamente a escola era encarada como uma bela diversão. Na
Grécia Clássica,estudareraumaatividade possível apenasparaaquelesprivilegiadosque não precisavam trabalhar.
Daí que o nome scholé, depois schola no latim, designava lazer, descanso o alguma atividade feita na hora do
descanso, como... estudar! Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam, quer dizer,
estudavam.Portanto,quandofazemosdasalade aulaum lugarprazeroso,estamos, de fato, retornando às origens.
Já a palavra liceu se refere ao local onde Aristóteles ministrava suas aulas, o lykeion. Durante o Império Romano,
lycaeuganhou o sentido de "escola onde os jovens podiam dominar alguns ofícios". A mesma ideia prevaleceu no
Brasil,comoprova o Liceude Artes e Ofícios. Apenas quando a democratização da cultura e da participação na vida
pública coloca a necessidade da democratização do saber, é que surge a escola aberta a qualquer menino livre da
cidade-estado. A escola primária surge em Atenas por volta do ano 600 a.C. Antes dela havia locais de ensino de
metecose rapsodistasque aosinteressadosensinavam "a fixar em símbolos os negócios e os cantos". Só depois da
invenção da escola de primeiras letras é que o seu estudo é pouco a pouco incorporado à educação dos meninos
nobres.Assim,surgememAtenasescolasde bairro,nãoraro "lojas de ensinar”, aberta entre as outras no mercado.
Ali um humilde mestre- escola, "reduzido pela miséria a ensinar", leciona as primeiras letras e contas. O menino
escravo,que aprende como trabalhoa que o obrigam, não chegasequer a esta escola. O menino livre e plebe u em
geral para nela.O meninolivre e nobre passa por ela depressa em direção aos lugares e aos graus onde a educação
grega forma de fato o seu modelo de "adulto educado". Citação de Sólon, legislador grego: "As crianças devem,
antes de tudo, aprender a nadar e a ler; em seguida, os pobres devem exercitar-se na agricultura ou em uma
indústriaqualquer,aopassoque osricosdevemse preocuparcom a músicae a equitação,e entregar-se àfilosofia,à
caça e à frequência aos ginásios." Esta concepção Xenofonte, historiador, poeta, filósofo e militar grego, criticaria
quase doisséculosdepois:"Sóosque podemcriar os seusfilhosparanãofazeremnadaé que osenviam à escola; os
que não podem, não enviam." A escola é um espaço privilegiado do conhecimento. E esse é um trabalho de todos
que delafazemparte.É precisocriar nosmembrosda comunidade escolar,osentimentode pertencimento à escola
pública, no sentido de participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão. Para Freire (2002) a
educação deve ter uma visão global do aluno, com sentimentos e emoções, tornando relevante o estudo das
dimensões ética e estética. A prática e a teoria freiriana, fundamentam-se em uma ética inspirada na relação
"homem-no-mundo", ou seja, estar no mundo, e na construção de seu "serno-mundo-com-os-outros", isto é, ser
capaz de se relacionar com as pessoas e com a sociedade. A expressão desta ética se dá nas formas da estética, no
resgate e na busca de todas as formasde expressão humana sua beleza estética própria e o aprimoramento destas
expressões. Assim, conforme nos apresenta Freire (2002), a beleza não é privilégio de uma classe, mas uma
construção compartilhada por todos, precisando ser conquistada a cada momento, a cada decisão, por meio de
experiências,atitudescapazesde criare recriaro mundo.O professortem o dever de dar suas aulas, de realizar sua
tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move
menoseficazmente noespaçopedagógico.Às vezes,ascondiçõessão de tal maneira perversa que nem se move. O
desrespeito a este espaço é uma ofensa aos educandos, aos educadores e a pratica pedagógica. Freire (2002),
contudo,chama a atençãopara umaspectofundamental.Existe umaligaçãoprofundaentre o processo educativo e
os demais processos essenciais à vida de uma sociedade: a atividade política, econômica, cultural. O processo
educativonãoé apenas uma atividade humana entre outras, mas uma dimensão inerente a qualquer atividade do
homemcomoser social.Dentrodestavisãoatarefa educativa não se limita ao caso particular do sistema formal de
educação.Não é elaprivilégiodo educador. Assim a família, os grupos sociais, a empresa, as associações de classe,
os partidos políticos e qualquer outro tipo de organização social são chamados a desempenhar uma tarefa
educativa.Emoutras palavras,a práticaeducativanãoé responsabilidade exclusiva dos profissionais reconhecidos
pelosistema,masde todososmembrosda sociedade.Paraconhecerumaescolaé precisoconheceroseucotidiano,
que traduz o que elarealmente é.Eelaé o que fazem dela os seus participantes. Nesse sentido, nenhuma escola é
igual a outra, emborapossamserparecidas,porexpressaremelementoscomuns.Umaescolapode situar-se em um
determinado ponto de diversos eixos situacionais, como por exemplo, entre ser: aberta, transparente -fechada;
flexível inflexível; democrática-autoritária; proativa-reativa; inovadora-conservadora; orientada pelo passado −
orientada por visão de futuro. (LÜCK, 2009, P.129) Para Heloisa Lück (2009), esses eixos situacionais, oferecem
perspectivade análise docotidianocoma possibilidade de identificação do conservadorismo – dinâmica da escola −
assim como a compreensão de aspectos que merecem a atenção do diretor escolar na promoção de escola
dinâmica, ativa e em contínua renovação e desenvolvimento de competência na realização de educação de
qualidade. A Escola que queremos? Uma escola de verdade, com estrutura de verdade. A escola não é somente o
prédio,umainstituiçãoburocratizada,cheia de normas. A escola, sobretudo é gente: gente que estuda, gente que
trabalha, gente que faz amigos. A escola é um lugar privilegiado para aprendermos a conviver uns com os outros,
tornando-nos mais humanos.
Drogas e socialização - o papel da escola na prevenção e promoção de qualidade de vida sem drogas -
Autor: Flora Fernandes Lima* |
A adolescência é conceituada por PALACIOS E OLIVA (2002), como uma etapa de transição, um período
psicossociológico entre a infância e a vida adulta do sujeito, fruto da organização da nossa sociedade tal como a
conhecemos. Um dos fatores mais marcantes durante a adolescência é a busca dos jovens por um grupo que o
defina. OLIVA (2004, p.357), aponta que
Ainda que durante a adolescência, a família continue ocupando umlugarpreferencial como
contexto socializador, à medida que os adolescentes vão desvinculando-se de seus pais, as
relações comos companheirosganhamemimportância, emintensidade e emestabilidade e
o grupo de iguais passa a ser o contexto de socialização mais influente.
Segundo o mesmo autor há o risco de suscetibilidade à “pressão dosiguais” durante a adolescência, principalmente no
início da mesma. O consumo de drogas é algo que se mostra presente em todas as sociedades, e de forma bastante
incisiva na faixa de idade que corresponde à adolescência, TAVARES, BÉRIA, LIMA (2001); BRUSARELLO e
SUREKI (2008); SUDBRACK e DALBOSCO (2005).
O conceito de droga é dado pela OMS como qualquer substância que “abrange qualquer substância não produzida
pelo organismo que tema propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu
funcionamento”.
Segundo BRUSARELLO e SUREKI (2008), o consumo de drogas psicotrópicas, que sempre esteve presente no meio
social, aumentou de forma considerável passando de uso ritualístico e em pequenas quantidades para produção,
consumo e distribuição em grande escala. Tornou-se problema de saúde pública devido ás resultantes de seu uso
abusivo, como alterações cognitivas e mudanças no comportamento global do sujeito.
Para DÉA, SANTOS E ITAKURA (2002), o consumo de drogas por jovens é elevado quando comparado as outras
faixas populacionais sendo que a adolescência e a idade adulta constituem-se como períodos de vulnerabilidade
aumentada, uma espécie de “janela de risco”. Sendo assim uma atenção maior deve ser dada ao jovem e aos fatores
que terminam por levar às condições que viabilizam contato deste com as drogas.
O contexto das drogas
A toxicomania é um fenômeno de origem múltipla resultante do encontro do sujeito com o produto de um
determinado contexto sócio-histórico, ou seja, as causas para sua ocorrência não devem ser legadas exclusivamente ao
próprio indivíduo ou ao seu contexto. Deve-se levar em consideração também que nem todas as formas de consumo de
produtos tóxicos não devem ser necessariamente rotuladas como toxicomanias (CAVALCANTE, 1997).
Campos (2001) define toxicomania como “estado de intoxicação periódico ou crônico, prejudicial ao indivíduo e à
sociedade, causado pelo consumo repetido de uma droga, em que há incontrolável desejo ou necessidade de consumi-
la e de aumentar a dose, levando a uma dependência psicológica e às vezes física.” (2001, p. 92).
Nem todos os usuários de drogas estão no mesmo nível de dependência. Cavalcante apud Olivenstein (1997) classifica
quatro níveis de usuários:
Usuários recreativos - consumidores que fazem uso de maneira muito episódica e que não sofrem
prejuízos no seu equilíbrio socioprofissional ou escolar,afetivo ou familiar
Usuários ocasionais - aqueles que têm uso das drogas de forma mais repetitiva,mas sem chegar a
comprometer o equilíbrio sócio-familiar, escolar, etc.
Usuários semi-ocasionais – sujeitos eu já apresentam um ou mais sinais-sintomas indicando já o
início de uma ruptura na vida do indivíduo como faltas ou fugas da escola, distúrbios de sono e das
condutasalimentares,por exemplo.
Adolescentestoxicomânicos – aqueles cuja relação jovem-droga forma um duo indissociável,
invadindo a vida relacional e afetiva. É o adolescente que apresenta todos os seus interesses de
alguma forma ligadosao consumo de drogas.
Essa classificação é exclusiva para adolescentes e não pode ser considerada como permanente dado à personalidade
ainda em estruturação, característica dessa faixa etária. Deve, no entanto, servir de alerta para os problemas que este
jovem possa vir a estar passando, não necessariamente o consumo de drogas, possíveis expressões de dificuldades
psíquicas ou mesmo familiares.
As drogas mais consumidas são o álcool, o tabaco, a maconha, as anfetaminas e os barbitúricos. Dos contatos
realizados com drogas o álcool mostra ser, de acordo com DÉA, SANTOS E ITAKURA apud CEBRID(2002), a
substância entorpecente mais presente nas experiências dos jovens. Sendo que mais de 50% dos estudantes
pesquisados na faixa de idade de 10 aos 12 anos já fizeram uso dessa droga.
O consumo de drogas nessa faixa de idade teria conseqüências múltiplas, dentre elas prejuízo da cognição, capacidade
de julgamento, do humor e das relações interpessoais, além do risco de dependência, superdosagem, acidentes, danos
físicos e psicológicos e morte prematura. Além disso, as alterações da percepção e reações psicomotoras resultantes
do uso da droga podem levar a acidentes fatais e ao suicídio. Somando-se a esses fatores existe ainda a possibilidade
do aumento das possibilidades de envolvimento em crimes e prostituição para financiar o próprio hábito (GIUSTI,
2008).
Os adolescentes toxicomaníacos estariam, conforme apontam MARQUES e CRUZ (2008), em mais riscos do que os
já convencionalmente existentes em se tratando de adultos. As substâncias psicoativas aumentariam a probabilidade de
acidentes e violência incidindo, de acordo com os autores, sobre o já fragilizado mecanismo de autopreservação desses
sujeitos.
Ainda segundo os autores o uso de drogas constitui “um grave problema de saúde pública, comsérias conseqüências
pessoais e sociaisno futuro dosjovense de toda a sociedade”. Sendo assim a temática deve prioritariamente ser foco
de discussões por parte dos pais e educadores bem como ser alvo de políticas públicas que visem trabalhar a situação.
Processos de socialização e drogadição - Faz parte da Síndrome Normal da Adolescência (ABERATURY e
KUOBEL, 1981), a tendência grupal do indivíduo na busca da identidade. Existe segundo os autores um processo de
superidentificação em massa tornando-se por vezes muito difícil a separação da turma, dos caprichos ou modas em
relação à vestimenta, costumes e preferências como um todo. Na adolescência há em geral a mudança de figuras de
referência do círculo familiar para o grupo de amizades. Para os adolescentes com uma sustentação não adequada do
projeto identificatório, a sensação de “vazio existencial” é constante. Este não poupará esforços na busca por “algo”
que amenize sua instabilidade e insegurança, (TAKEUTI, 2002).
A incidência do uso de drogas entre adolescentes é considerada alta quando comparada as outras faixas populacionais.
Autores como Becker (2000), explicam esse fato fazendo referência ao contexto de geralmente difícil transição e
busca de auto-afirmação e enquadramento com a nova identidade nascente. Dentre as experiências de descoberta as
drogas quase sempre fazem presentes
A vivência desse período se faz de maneira conflituosa e as pressões do meio ambiente mostram-se de maneira mais
representativa. O ingresso no consumo de drogas aconteceria na maioria das vezes por influência dos colegas,
(TAKEUTI, 2002). A busca dos amigos para fugir dos conflitos familiares e a sede por transgressões fariam parte do
comportamento característico dessa faixa de idade.
De acordo com RIBEIRO E TOROSSIAN et al(1998) “a adolescência é caracterizada como um período complexo
no qual as drogas podemser usadas, entre outras coisas, como umartifício virtual para catalisar a resolução dessas
tarefas”. Sendo assim em nossa cultura, durante essa fase da vida é bastante comum que o jovem entre em contato
com algum tipo de droga durante o processo de socialização que ocorre durante a adolescência.
A aproximação dos jovens com as drogas se de forma considerável através de grupos. Os contatos sociais feitos dentro
das escolas, muitas vezes, demarcam a presença de gangues na escola como uma constante e fazem dessa instituição
uma das vias de acesso fácil dos adolescentes às drogas. (ABRAMANOVAY, 2002)
Sendo assim, uma atenção maior sobre a forma como se dá o contato nesse contexto, bem como a busca por um maior
entendimento sobre os problemas e dificuldades enfrentados pelos adolescentes precisa ser levada em conta para que
se possa realizar um acompanhamento de jovens envolvidos em situações de risco com drogas.
A escola, por ser um elemento de presença forte para os jovens e - juntamente com a família - responsável pela
educação destes de forma global, tem as ferramentas necessárias para proporcionar prevenção do uso de drogas.
Prevenção no contexto escolar
Cavalcante (1997) aponta que o trabalho com drogas pode vir a ser feito em três níveis - prevenção, repressão e
tratamento. A prevenção divide-se em duas etapas: prevenção primária que procura desestimular a primeira
experiência dos não iniciados e a prevenção secundária que busca prevenir o aprofundamento do uso experimental.
A prevenção coloca-se, portanto como imperativo desse processo já que o tratamento de pessoas já em dependência é
longo difícil, aleatório e caro. Quanto mais precoce, de preferência antes do contato do jovem com a mesma, maiores
são as possibilidades de eficácia da mesma.
Ela pode vir a seguir vários modelos: princípio moral (uso de drogas como algo condenável do ponto de vista ético e
moral), amedrontamento (enfatiza aspectos negativos e perigosos das drogas), conhecimento científico (propõe
fornecimento de informações de modo imparcial e científico), educação afetiva (modificação dos fatores
predisponentes ao uso de drogas), estilo de vida saudável e pressão de grupo positiva (o grupo como fator de proteção
do jovem contra as drogas).
Para SUDBRACK e DALBOSCO (2005), na impossibilidade de excluir as drogas do domínio social há que se
trabalhar visando à construção de sujeitos mais preparados para enfrentar os problemas causados por elas. A
prevenção entraria, portanto como parte da formação dos sujeitos dentro do ambiente escolar.
As informações, como meio mais importante de prevenção, devem focar a qualidade de vida e não as drogas – produto
- em si. Isso poderia surtir o efeito contrário, excitar a curiosidade dos adolescentes, tão ligado a situações
desafiadoras. O processo de prevenção deve buscar abranger a qualidade de vida ligada aos hábitos dos adolescentes,
englobando seus problemas e interesses (CAVALCANTE, 1997).
Ribeiro, Pergher e Torossian (2008) pontuam que se verifica na prática que as políticas de prevenção geralmente não
fazem uso da capacidade de julgamento moral e espírito crítico do jovem e de modo geral repassam informações
deturpadas e já definidas como certas.
O jovem acaba sendo colocado numa posição de fragilidade e muitas de suas capacidades e possíveis contribuições
vem a ser ignoradas. Dessa forma, os trabalhos realizados no sentido de evitar o envolvimento destes com as drogas
acabam sendo desvalorizados e perdem muito nos seus objetivos finais.
HÁBITOS ALIMENTARES NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta, marcado por intensas mudanças corporais da
puberdade e pelos impulsos dos desenvolvimentos emocional, mental e social (EISENSTEIN et al., 2000). A
puberdade, processo de desenvolvimento físico de uma criança em adulto, é viabilizada pela atuação de
neurotransmissores (excitatórios e inibitórios) sobre o hipotálamo e inclui a maturação do corpo todo. 20 É esse
também é o momento em que a taxa de crescimento experimenta um grande aumento, com o adolescente chegando a
ganhar cerca de 20% de altura e 50% do peso de adulto durante este período (SPEAR,2002). Essa maturidade para a
vida reprodutiva vem ocorrendo cada vez mais precocemente na história da humanidade e,dentre os fatores apontados
como responsáveis por esse fenômeno, está a melhora do aspecto nutricional (e de saúde) das populações no século
XX. Outro fator que pode estar envolvido é a natureza dos alimentos consumidos pelas pessoas durante a infância:
com o aumento do consumo de carne (“in natura” ou em forma de embutidos), as pessoas,eventualmente, poderiam
apresentar uma ingestão elevada de hormônios esteróides nessa (e em outras) fase da vida. Segundo critérios propostos
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é cronologicamente, o período da vida que vai dos 10
anos aos 19 anos, 11 meses e 29 dias (CARVALHO et al.,2001). No que se refere ao desenvolvimento da
personalidade, Salles (1998) aponta que, nessa fase,o jovem busca uma maior independência em relação à família e
estabelece ligações mais fortes com o grupo de amigos, procurando definir novos modelos de comportamento e de
identidade. Essa busca por maior independência tem reflexos em vários aspectos da vida dos adolescentes e nas
escolhas que ele vai realizar, dentre as quais se destacam os amigos, o vestuário, o lazer e o seu comportamento
alimentar. De acordo com Juzwiak et al. (2000), a escolha de alimentos é uma das situações nas quais os jovens
podem mostrar sua determinação e expressar suas preferências. De acordo com Kazapi et al. (2001), o adolescente
parece estar em conflito consigo e com o mundo e esse comportamento se reflete também no perfil alimentar. As
grandes mudanças físicas que ocorrem com o adolescente levam a uma profunda valorização de sua imagem corporal,
podendo até mesmo afetar os hábitos alimentares (ALBANO,2000). 21 No que se refere aos hábitos alimentares de
adolescentes,estudos mostram que eles preferem uma alimentação rápida e monótona (“fast food”), constituída de
alimentos bem difundidos no grupo e que são da “moda” (KAZAPI et al., 2001). A esse respeito, pesquisa realizada na
Inglaterra, com 2672 crianças e jovens com idades entre 4 a 18 anos, verificou que mais de 80% dos participantes
referiu como os alimentos mais freqüentemente consumidos o pão branco, a batata-frita, os biscoitos, o purê de batata
e o chocolate. A pesquisa também revelou uma baixa ingestão de vegetais folhosos e de fontes de vitamina A, cálcio,
magnésio, potássio e zinco (GREGORY et al. 2000). Outro problema, segundo Fisberg et al. (2000) é que alguns
adolescentes costumam omitir refeições especialmente o café da manhã, o que pode influenciar no seu rendimento
escolar. De acordo com os autores, há estudos demonstrando que no Brasil o almoço e o jantar são substituídos por
lanches, principalmente quando esse é o hábito alimentar de muitas famílias. O adolescente, normalmente
“preguiçoso”, não gosta de muitos esforços e isso o levaria a buscar uma alimentação facilitada, com excesso de
comidas prontas, sanduíches, salgadinhos e bolacha. A esses maus hábitos alimentares pode-se acrescentar ainda o
agravante de que muitos adolescentes não praticam nenhum tipo de atividade física, restringindo o seu lazer à
televisão, ao videogame ou ao computador. Quando se considera a realidade de tal quadro diante das necessidades
nutricionais nesse período da vida, pode-se avaliar as conseqüências a longo prazo para a saúde e para a constituição
física do adolescente. De modo geral, existe diferença significativa entre o consumo alimentar ideal recomendado e o
consumo alimentar efetivo dos adolescentes. A investigação das causas dessa diferença é uma questão extremamente
importante porque ela parece não estar necessariamente relacionada à falta de informação sobre o assunto. Segundo
Fisberg et al. (2000), uma grande porcentagem de jovens ingere regularmente “salgadinhos” e outros alimentos ricos
em gordura e açúcares simples entre as refeições,em desacordo com as recomendações nutricionais, ou seja, apesar
de estar bem informada sobre os princípios de uma alimentação equilibrada, tem atitudes que não correspondem ao
conhecimento adquirido. Esses dados são corroborados por Cintra e Fisberg, (2004), que apontam como hábitos
alimentares típicos dos adolescentes, nos últimos anos, o freqüente apego à alimentação comprovadamente
inadequada, assim como o uso de alimentos de fácil preparo e a omissão de refeições,aumentando o risco nutricional
nessa faixa etária. Um outro aspecto a ser considerado, já apontado por Fisberg (2000), em trabalho citado
anteriormente, é a relação entre alimentação inadequada e baixo rendimento na escola. Nesse sentido, estudo feito por
Alaimo et al. (2001), em crianças e adolescentes até os 16 anos de idade, aponta problemas relacionando alimentação
e desempenho na escola, sendo que os alunos com deficiências alimentares em sua maioria eram também aqueles que
tinham pior desempenho escolar e dificuldades no relacionamento com colegas da mesma idade. Para os autores as
carências alimentares na infância podem causar deficiências de aprendizagem e problemas psicossociais nessa faixa
etária. Como se vê, hábitos alimentares inadequados podem gerar sérias conseqüências tanto físicas quanto
psicológicas, afetando a saúde e a qualidade de vida de crianças e jovens. Não só a deficiência alimentar representa
um problema porquanto a obesidade e os transtornos alimentares também têm sido freqüentemente reportados em
estudos envolvendo esse segmento da população, o que vem ao encontro da necessidade de se conhecer melhor o
assunto. Segundo Muller, (2001), a adolescência é apontada como um dos momentos críticos para o aparecimento da
obesidade, não só pelo aumento de gordura no tecido adiposo, mas em função do próprio aumento do número de
células que ocorre nesta fase da vida. Dados da década passada já apontavam o Brasil como um país em transição
nutricional em razão da crescente prevalência de obesidade e de doenças crônicas (DOYLE; FELDMAN,1997).
Realmente, o aumento da freqüência do excesso de peso é preocupante, pois está associado a vários fatores de risco
para doenças metabólicas e cardiovasculares que afetam o indivíduo na fase adulta (GAMBA; BARROS FILHO,
1999). Tanto o consumo excessivo quanto a ingestão insuficiente de alimentos podem causar danos para a saúde e
podem levar os adolescentes a desenvolverem uma série de doenças na idade adulta. A preocupação com uma boa
alimentação na adolescência é fundamental para garantir uma boa saúde da população. Para Burgess-Champoux et al.
(2006), o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis na infância tem uma grande chance de se traduzir em
hábitos alimentares saudáveis na vida adulta. Por isso é tão fundamental ensinar e incentivar a alimentação correta
para as crianças e para os adolescentes. Como já mencionado anteriormente, além da obesidade, outras doenças como
a anorexia nervosa e a bulimia nervosa também têm sido freqüentes entre os jovens e têm causado muita preocupação
por serem doenças graves com sérias conseqüências para a saúde. Dessa forma,em função de sua relevância e
atualidade, os temas da obesidade e dos transtornos alimentares na adolescência serão abordados em um tópico
específico neste trabalho. 2.3.
TRANSTORNOS ALIMENTARES - Na época contemporânea,principalmente nas últimas décadas,aconteceram
transformações globais nos padrões alimentares com importantes conseqüências sociais. Paradoxalmente,o aumento
das populações subnutridas foi acompanhado pela ampliação da alimentação excessiva nas sociedades ocidentais. A
obesidade tornou-se um problema de saúde pública, enquanto a anorexia nervosa e a bulimia nervosa são doenças que
revelam explicitamente a infelicidade em relação à alimentação. A prática de regimes alimentares é cada vez mais
freqüente nas populações que estão preocupadas obsessivamente com a imagem do corpo e com princípios de um
comportamento alimentar saudável(CARNEIRO,2003). Buscando esse novo ideal de corpo e a adequação à nova
realidade alimentar, algumas pessoas chegam a extremos que podem levar a transtornos alimentares, nos quais o
padrão e o comportamento alimentares estão seriamente comprometidos e são difíceis de serem clinicamente tratados
e revertidos (ALVARENGA,2004). De acordo com Cordás, et al. (2004), os transtornos alimentares são doenças
psiquiátricas que afetam,na sua maioria, adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, podendo levar a grandes
prejuízos biológicos e psicológicos e aumento da morbidade e mortalidade. Entre os principais transtornos alimentares
estão a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. A anorexia nervosa, na maior parte dos casos,é caracterizada por grande
perda de peso à custa de dieta extremamente rígida, pela busca desenfreada da magreza,pela distorção grosseira da
imagem corporal e por alterações no ciclo menstrual. A bulimia nervosa, cuja principal característica psicológica é a
excessiva preocupação com o peso corporal, é caracterizada por grande e rápida ingestão de alimentos com sensação
de perda de controle alimentar, os chamados episódios bulímicos, acompanhados de métodos compensatórios
inadequados para o controle de peso, como vômitos auto-induzidos, uso de medicamentos, dietas e exercícios físicos
(CORDÁS,et al. 2004). Segundo Araújo (2004), a anorexia e a bulimia não são situações opostas, mas duas faces de
um mesmo problema. Concordando neste aspecto,Borges et al. (2006), consideram que essas duas doenças estão
intimamente relacionadas por apresentarem alguns sintomas comuns, como a idéia prevalente envolvendo a
preocupação excessiva com o peso, distorção grosseira da imagem corporal e um enorme temor de engordar, pela
apologia atual do culto ao “corpo perfeito”, um ideal inatingível para a maior parte das pessoas. O estabelecimento e a
persistência da doença dependerão da ocorrência de circunstâncias que ativem a vulnerabilidade do indivíduo a fatores
de risco e da atuação de fatores de proteção (NUNES; PINHEIRO,1998). Para Romanelli (2006), nos dias atuais, a
anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a obesidade são doenças que explicitam que a relação das pessoas com a comida
é mediada por um complexo sistema simbólico que organiza as escolhas alimentares. Embora os transtornos
alimentares afetem principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, o perfil dos portadores tem se
tornado cada vez mais heterogêneo, com um número cada vez maior de adolescentes do sexo masculino apresentando
sintomas da doença. A explicação para tal fato é a de que os adolescentes seriam muito mais vulneráveis às influências
externas,apresentando, portanto, maior risco de apresentar distorção de imagem corporal e problemas graves
relacionados à alimentação. Para a faixa etária dos adolescentes, o desenvolvimento de uma imagem corporal - a
imagem do próprio físico que inclui um corpo adulto - é uma tarefa intelectual e emocional mesclada com
considerações nutricionais. Nessa idade as pessoas freqüentemente se sentem desconfortáveis com seus corpos e o
desejo de alterar sua taxa de crescimento ou suas proporções corpóreas pode levá-los a manipular a alimentação
causando conseqüências negativas para a saúde (SPEAR,2002). Vilela et al. (2004) investigaram a freqüência de
possíveis transtornos alimentares e comportamentos alimentares inadequados em crianças e adolescentes de seis
cidades do interior de Minas Gerais. A amostra final foi de 1807 alunos de escolas públicas, 26 entrevistados, sendo
887 (49,1%) do sexo masculino e 920 (50,9%) do sexo feminino, com idades entre 7 e 19 anos. De acordo com a auto
escala BITE,1,1% dos estudantes apresentou escore compatível com bulimia nervosa. Segundo a auto-escala de EAT,
13,3% dos alunos apresentaram possíveis transtornos de alimentação, com predominância significativa naqueles do
sexo feminino. Além disso, 59% dos participantes estavam insatisfeitos com sua imagem corporal. Poucos são os
estudos sobre transtornos alimentares em crianças e adolescentes,principalmente em populações de países em
desenvolvimento. Estudos dessa natureza são necessários porque os resultados obtidos até agora evidenciam que
existe uma alta prevalência de possíveis transtornos, situação semelhante à encontrada em países considerados
desenvolvidos. Tal situação precisa ser melhor investigada na busca de soluções que minimizem os efeitos causados
por esses transtornos. Os transtornos alimentares são enfermidades muito complexas, sendo que o aumento dos casos
de anorexia nervosa e bulimia nervosa nos últimos anos é atribuído basicamente a fenômenos sociais e culturais
relacionados com valores estéticos de extrema magreza,difundidos pela indústria da moda e pela mídia. As mulheres,
principalmente as adolescentes,se sentem pressionadas a castigar o próprio corpo para obter uma imagem delgada que
se associe ao triunfo profissional e social, bem como ao sucesso entre os homens (CASTELL, 2004). Ainda de acordo
com o mesmo autor, a mídia ensina e incentiva as adolescentes a ter um corpo magro, vendendo esse padrão como o
ideal de beleza, e propagando diversas maneiras para obter um corpo perfeito por meio de dietas, prática de exercícios,
uso de cosméticos e até a realização de cirurgias plásticas, banalizadas e oferecidas livremente na TV com pagamento
em “suaves” prestações mensais. Já há algum tempo os pesquisadores têm afirmado que os transtornos alimentares
constituem síndromes vinculadas à cultura e que não podem ser compreendidos fora de seu contexto cultural
específico, principalmente porque as mulheres mostram-se muito preocupadas com sua aparência e com a aprovação
dos outros. Em uma sociedade onde a magreza é valorizada e a mulher magra é considerada atraente,especialmente os
jovens, na formação de sua identidade, são vulneráveis, a todos os estímulos para obter esse padrão de beleza em
conseqüência de sua insatisfação com a própria aparência (NUNES; PINHEIRO1998). De acordo com Alessi (2006),
um forte papel nesse sentido vem sendo desempenhado pela televisão e por publicações direcionadas principalmente
ao público feminino pela divulgação do consumo de alimentos light e diet, e adoção de dietas da moda
propagandeadas por personalidades famosas. Veiculam um preocupante comportamento de resistência a certos tipos
de alimentos, comportamento esse popularizado pela silhueta das modelos e manequins e pelas suas condutas
orientadas pelo narcisismo que tem convertido o físico num símbolo de representação da própria personalidade. Nunes
e Pinheiro (1998), entendem que, ao encorajarem dietas restritivas e a exclusão de determinados alimentos no
consumo diário, os próprios pais podem aumentar o risco de que seu filho desenvolva transtornos alimentares. Como
os transtornos alimentares se iniciam em geral na fase escolar,a prioridade deve ser desenvolver intervenções efetivas
para esse grupo e nesse sentido, a educação alimentar e nutricional é fundamental para orientar e formar um
comportamento alimentar sadio, principalmente entre os adolescentes,alertando-os sobre os sérios riscos dos
transtornos alimentares e estimulando e valorizando a prática de comportamentos saudáveis.
A ESCOLA E A EDUCAÇÃO NUTRICIONAL A educação nutricional e educação para o consumo são instrumentos
específicos que possibilitam uma interpretação mais correta da oferta em favor de uma escolha racional para uma
alimentação agradável, suficiente e adequada (FIELDHOUSE,1986). Um indivíduo que tem conhecimento do que
consome na sua alimentação e pode fazer escolhas que sejam mais conscientes, certamente será alguém mais saudável.
Nesse sentido, existe uma relação muito estreita entre educação e saúde,sendo que os programas de educação em
saúde direcionados para jovens são, em geral, realizados dentro das escolas. Embora educar para a saúde seja
responsabilidade de diferentes segmentos, a escola é instituição privilegiada, que pode se transformar num espaço
genuíno de promoção da saúde (BRASIL, 1998). Na escola, onde crianças e jovens passam grande parte de seu dia, as
ações de orientação de promoção da saúde constituem importante meio de informação. A escola, local onde vivem,
aprendem e trabalham muitas pessoas,é um espaço no qual programas de educação e saúde podem ter grande
repercussão,atingindo os estudantes nas etapas influenciáveis de sua vida, quais sejam, a infância e adolescência
(BRASIL,2002). É também na escola que muitos alunos fazem suas refeições, realizando escolhas que revelam suas
preferências e hábitos alimentares. De acordo com os PCNs,os alunos vivenciam na escola situações que lhes
possibilitam valorizar conhecimentos, práticas e comportamentos saudáveis ou não, o que indica que os espaços
escolares e as atitudes cotidianas praticadas dentro da escola tanto podem desenvolver atitudes voltadas para a saúde
como podem ignorá-las. Na concepção de Ochsenhofer et al. (2006), a escola deve ser o melhor espaço de
oportunidades para prevenir a má-nutrição por uma série de motivos, dentre os quais a possibilidade de, nesse
ambiente, ser viável o trabalho relativo à educação nutricional e alimentar e pela possibilidade de a criança e do
adolescente se tornarem agentes de mudanças na família. Cabe destacar,ainda, que o papel da escola vem se tornando
cada vez mais importante na formação de hábitos saudáveis. Nesse ambiente, deve haver espaço para educadores e
alunos discutirem questões sobre alimentação e saúde. Quando entram para a escola as crianças trazem concepções e
comportamentos relacionados à saúde, aprendidos na família, em seus grupos de relação direta e com a mídia.
Jeito de falar tem relação com a personalidade da pessoa
Você fala rápido ou devagar? Veja as dicas para controlar a sua fala.
O jeito que a gente fala tem a vercom a nossa personalidade. Tem gente que fala tão rápido que fica até difícilde entender, e
gente que fala tão devagarque ninguém deixa terminar a frase.Você gostaria de mudar sua voz? Falarmais firme,com
propriedade,com menosansiedade,comendo menos asletras,as palavras? Ou falar com mais tranquilidade,menos forte,
porque as pessoaste acham bravo,impaciente? O Bem Estardesta quarta-feira (3)mostrou o que você pode mudarna sua
fala para passar mais confiança,por exemplo. Participaram do programa a fonoaudióloga Leny Kyrillos e o psiquiatra e
consultor
De acordo com o doutor DanielBarros,falarmuito rápido transmite ansiedade,nervosismo e tensão. Já quem fala devagar
transmite um pensamento lento,uma personalidade reflexiva,que pensa antes de responder. Afluência da fala nem sempre
está relacionada ao pensamento. “Pessoas que pensam rápido podem termais fluência na fala,masnem todo mundo que fala
devagar tem uma fluência ruim de pensamento.”
Quem fala rápido vaicontinuarfalando rápido,explica a fonoaudióloga. “A pessoa não consegue mudar,masexistem
técnicas que ensinam a pontuarmelhor a fala e torná-la mais atraente,se adequando àssituações.”
O padrão diz que o normalé falar no mínimo 145 palavras por minuto,mas muita gente não consegue atingir esse número.A
fonoaudióloga deu algumas dicas para quem fala devagar:faça uma lista de mensagensque quer transmitir; comece a reunião
pontuando as mensagens principais e depois construa as justificativas; ao falar,eleja expressões fortes,marcantes; se coloque
em uma postura correta,com ombrospara trás e olhe para a pessoa com quem está falando;capriche nas expressões.“A
pessoa pode serlenta,mas não pode sermonótona”,alerta Leny Kyrillos.
O seu problema é falarrápido demais? Anote as dicas:melhore a articulação,exagerando osmovimentos da boca; observe
mais a articulação,com isso você acaba falando mais devagar;relaxe osbraços e se fizer gestos,coloque as mãosna linha da
cintura. Pessoasque falam rápido têm tendência de ficar pegando no outro durante o diálogo e projetar o corpo para frente,
em uma postura de ataque. Não faça isso.
Falar baixo ou alto não é agradável. Quem fala muito baixo nem sempre é entendido pelo outro porque é difícilde ouvir.
Quem grita ao falarpode se tornar inconveniente. Otom de voz pode sermudado com exercícios de fonoaudiologia.
Avoz alta muito temavercomapoluição sonora
A voz alta, em 99% dos casos,é de origem emocional, mas atualmente a maior causa da voz alta é a poluição sonora,
já iniciada dentro de nossa casa,onde deixamos a televisão e rádio ligados a pleno volume, e, devido a isso, somos
obrigados a conversar em altos tons. Fora isso, há o caso de pessoas que moram em locais de altos índices de poluição
sonora, geralmente em grandes centros, onde, quando se abre uma janela, a comunicação torna-se impossível.
Alguns ambientes de trabalho também são responsáveis pela voz alta.
Todo esse processo de poluição sonora, no futuro, irá causar uma baixa auditiva e uma irritabilidade constante nessas
pessoas,e assim podemos constatar em pessoas que falam muito alto uma certa agitação e ansiedade.
Tenha o controle da sua voz através do nosso método revolucionário e do nosso curso de oratória.
OExibicionista que fala alto
Existe a pessoa que fala alto só por exibicionismo, quando deseja que todos notem ou participem de sua conversa,
mesmo que esta não interesse aos outros. É muito comum encontrar essas pessoas dentro do ônibus e nas filas
tradicionais, onde dão início a um bate-papo que, daí a segundos, já estará em altos tons, É chato, por exemplo quando
encontramos uma mulher com voz estridente falando alto e acelerado – não há quem aguente.
CausasOrgânicas davozalta
As causas orgânicas da voz alta também têm origem em problemas auditivos mas acontecem mais raramente. Lembro
o caso de um cliente que apresentava um quadro de excesso de cera nos dois ouvidos e constantemente era obrigado a
fazer uma limpeza no otorrino. Nos períodos quando o problema se agravava, ele reagia falando alto, já que sua
audição ficava prejudicada.
Outro fator que afeta a audição é a altitude, devido á pressão atmosférica que tende a abafar a audição.
OMétodo utilizado paraotratamentodavoz alta
Trato dos casos de voz baixa e voz alta através da colocação da voz e também de um sistema de retorno, onde a pessoa
ouve a sua voz simultaneamente através do “headphone” no momento que fala ao microfone. Com isso, ela passa a ter
um controle de como sua voz está saindo para quem ouve.
Nãofale altoaotelefone!
As pessoas têm mania de falar alto ao telefone. Com a evolução da tecnologia, as comunicações através de telefone
ficam cada vez mais nítidas, e com isso não há mais a necessidade de ficar berrando no fone como antigamente. o
importante é dirigir o fone na direção da boca, o mais perto possível, para não perder a potência vocal. Um dos
exercícios importantes para corrigir a voz alta é colocar o paciente na aula de oratória em grupo, instigando-o ao
máximo e fazendo com que ele argumente sob muita pressão, controlando sua voz sempre que ele extrapolar. Frases
de efeito nessa hora são: “Fala baixo!” “Meu ouvido não é penico!”
Outra técnica é combinar previamente com a platéia para que esta se retire quando o paciente estiver em altos brados.
Com isso, ele com certeza “cairá na real” e terá que se controlar, caso contrário não terá ouvintes.
Pras pessoas que sabem que falam gritando (e ainda dizem que é o jeito delas)
Não, não é o jeito delas, é o jeito que elas foram acostumadas a tratar as pessoas,com indelicadeza, com grosseria, e
se achando tão superiores que não precisam baixar o tom de voz pra falar com ninguém, essas pessoas se sentem bem,
se orgulham em falar mais alto que todos, e tentam ganhar todo tipo de argumentação na base do grito, pra essas
pessoas,tente fazer o seguinte:
Converse calmamente e seriamente com essa pessoa,mostre pra ela que não só você se incomoda com a forma de
falar, como sente vergonha da maneira como essa pessoa fala todo o tempo como se estivesse brigando.
Se essa pessoa se importar com você, tente demonstrar tristeza, realmente mostrar que a atitude dela te
deixa realmente pra baixo.
Mantenha o tom de voz baixo, sempre, tente fazer essa pessoa perceber que a sua forma de falar também funciona e
cansa bem menos, desafie essa pessoa a passar um dia falando num tom mais ameno, pode dizer que é só
pra experimentar, que depois ela pode falar no volume que quiser.
Explique pra essa pessoa que quando alguém grita o tempo inteiro, esse alguém nunca vai conseguir destacar nada que
fala, e nunca vai ser levado a sério, como você vai destacar algo no seu texto se você escreve ele todo em negrito, não
é mesmo?
Não adianta se estressar,nem tentar falar mais alto que essa pessoa,tenha criatividade, paciência e procure maneiras
diferentes de mostrar que essa pessoa está sendo mal educada ao limite!
Pras pessoas que simplesmente não sabem como se portar (e são inocentes demais pra se tocar)
Infelizmente, alguém tem que falar, não é legal deixar essa pessoa agindo assim pra sempre,até porque o mundo não
vai aceitar uma pessoa que fala esbravejando, pro bem dessa pessoa,faça uma abordagem positiva, não fale que ela
está sendo inconveniente, apenas mostre como ser ainda mais agradável, tente o seguinte:
Tente convidar essa pessoa pra lugares mais silenciosos, como cinemas, teatros, lugares onde ela vai ser obrigada a
falar baixo, isso, com o tempo, vai condicionar a fala dela.
Pode abusar de indiretas, comentando coisas como: "Nossa, esse cara da novela fala alto demais, parece que a pessoa
tá do outro lado da rua" talvez a indireta funcione, talvez não, mas vale a pena tentar.
Faça um tour pela cultura japonesa com a pessoa,não importa como, tente filmes, documentários,
até canais no YouTube (recomendamos esse aqui, da Camila Pipoka), isso porque no Japão é algo extremamente
tradicional falar muito baixo e muito educadamente.
Tenha sempre muita delicadeza quando for falar do tom de voz dessa pessoa,lembre que ela não faz ideia de que está
errada,e passou a vida falando assim, não é de uma hora pra outra que você vai resolver isso, tenha paciência e faça o
esforço diário!
O mais difícil nesse caso é entender que não é culpa da pessoa,ela pode ter sido educada assim, viveu num meio em
que é normal falar alto, até a descendência pode influenciar nisso, são vários os motivos possíveis, então,
tenha paciência e é certeza que você vai conseguir melhorar muito o convívio dessa pessoa com você, e com o mundo!
Concluindo...
Seja qual for o motivo que leve uma pessoa a berrar como uma gralha, é muito importante ter em mente que isso não
é um comportamento aceitável, não é educado, e não é legal, em ninguém!
"Uma pessoa grita,outra grita mais alto pra se sobreporà primeira, e a primeira grita ainda mais alto, emmenos de
vinte minutos você estará numa gritaria emque ninguémse entende, e isso simplesmente não faz sentido!" - Cafeína
Mágica
Muita força pra você que precisa lidar com esse tipo de pessoa,e acima de tudo, muito autocontrole pra não terminar
se tornando igual a essas pessoas,poupe sua garganta, seu fôlego, e sua paz de espírito, tranquilidade e educação
sempre, e boa sorte pra você na solução do seu problema!
Falar alto pode sugerir que a pessoa precisa se impor pelo volume, porque, pela qualidade das ideias expressas pela
fala, ela jamais será capaz de fazer suas opiniões serem levadas em conta.
Há uma diferença enorme em falar alto para uma platéia de seiscentas pessoas e falar alto no trabalho. É feio e má
educação,gritar ou falar muito alto, quando é possível conversar. Normalmente quem age assim denota um
comportamento exibicionista, parece que precisam chamar atenção a todo o momento.
O falar alto sem necessidade sempre me lembra um pedido de socorro: Estou aqui, por favor, me veja!
A capacidade de falar é exclusiva dos seres humanos. Aprender a falar no tom correto a cada ambiente, grupo de
pessoas e contexto significa autoestima adequada e, consequentemente, comunicação eficaz e transparente.
E para quem tem ao lado um colega inconveniente e enfrenta situações dessa natureza vai a dica: a melhor maneira de
lidar com essas pessoas,é mostrar o contrário daquilo que ela faz. Falar baixo e com calma, esta é uma forma
inteligente e sábia de agir. Assim, você tem grandes chances de ensinar “sutilmente” ao sem noção como agir, sem
precisar xingar, sem ser agressivo, resolvendo tudo no diálogo e compreensão.
Teste sua audição. O hábito de falar alto pode ser resultado de uma perda auditiva. Vá ao médico se observar que tem
problemas para escutar o interlocutor devido aos sons ambientais e se não conseguir entender o que os outros falam
com clareza, pois esses são sintomas de perda auditiva neurossensorial.
Poluição na sala de aula
Poluição na sala de aula Alisson Dias Diego Cardozo A poluição está aumentando cada dia mais, os lixos continuam
nas ruas, trancando os bueiros, ao invés de estarem no lixo ou em algum lugar sendo reciclado ou sendo transformado
em alguma obra de arte ou reaproveitada para muitas coisas. A poluição do meio ambiente começa dentro da sala de
aula. As salas de aula estão sujas também, pois muitas pessoas jogam o lixo (papéis de bala, folhas de caderno,pontas
de lápis, entre outras coisas) no chão da sala. Perguntamos às funcionarias da limpeza sobre o assunto e elas disseram
que tiram dois sacos de lixo por dia. Fomos às salas de aula e a maioria das pessoas da escola tocam lixo no chão. A
solução para o problema é fácil: colocar lixo na lixeira, reciclar e trabalhar conjuntamente. O que é difícil é mudar o
modo das pessoas se relacionarem com o meio ambiente, mostrar a consequência da poluição e lembrar as pessoas de
que não devemos poluir.
LIXO – CONSCIENTIZAÇÃODO LIXO ESCOLAR
É indiscutível que no ambiente escolar há elevados índices de desperdícios tanto de material didático, quanto
da merenda escolar, percebendo-se que a falta de conscientização torna a escola um espaço fora dos padrões
esperados.
E as causas disso, vêm da primeira comunidade a qual os indivíduos não estão sendo conscientizados para
conviver com o meio em que está inserido, o que torna a parte educativa um meio desconexo, pois no processo de
aprendizagem o individuo não consegue perceber o que suas ações involuntárias podem causar ao meio ambiente e a
si mesmo a curto, médio e longo prazo.
Pode-se mencionar, por exemplo, as atividades realizadas em sala de aula o local onde moramos, onde
trabalhamos, ou estudamos como parte do meio ambiente, pois a educação é mediadora na atividade humana, articula
teoria e prática, fazendo com que o sujeito envolvido no processo educacional, se aproprie dos conhecimentos
fornecidos e seja capaz de agir de forma responsáveldiante do ambiente em que vive.
Podemos, portanto, dizer que a crítica proporcionar uma tomada de consciência de nossos alunos e comunidade do
valor do seu meio ambiente na aquisição de conhecimentos, habilidades, experiências e determinação que os tornem
aptos a agir individualmente e coletivamente no processo de realização de atividades de reciclagem e
reaproveitamento útil do lixo.
o LIXO jogado por aí!
A falta de conscientização nas pessoas é o grande fator dos problemas com os lixos jogado na rua. É algo enraizado,
você percebe quando as pessoas estão andando, por uma ação automática, jogam os lixos nas ruas, mesmo tendo as
lixeiras próximo delas.
Precisamos alertar sempre as pessoas para que isso encaixe na cabeça e que a ação automática não seja jogar o lixo na
rua, mas sim esperar uma lixeira próxima para colocar o lixo no lugar certo.
Só para se ter uma idéia, apenas metade do lixo é coletado no país, desta metade,uma pequena parcela vai para os
locais adequados, como aterros sanitários, incineradores, usinas de reciclagem e compostagem.
Uma outra parte é jogada em rios que abastecem regiões inteiras, ou levada para lixões clandestinos a céu aberto.
Nesse cálculo, entra também o lixo jogado nas ruas,aquele que entope bueiros e galerias de águas pluviais,
provocando enchentes desastrosas na época das chuvas.
Nas comunidades carentes,onde a situação é precária, que não têm serviço de coleta, muitas vezes o lixo é lançado
nas encostas e nos cursos d’água e,quando chove, a força d’água e o volume do lixo provocam graves desabamentos,
o que vemos quase sempre na televisão. Nos grandes centros urbanos esse problema é cada dia mais crítico.
Os problemas causados pelo lixo
O lixo que o ser humano produz e joga no planeta todos os dias é um risco muito sério à saúde de todos os seres vivos
e do planeta em si.São bilhões de pessoas morando no planeta Terra. Dê uma olhada na lixeira da sua sala de aula ou
de sua cozinha. Repare o quanto aquele lixo aumenta todos os dias. Depois, tente imaginar que cada uma das famílias
do mundo (esses bilhões de pessoas) faz a mesma coisa, diariamente. Dá para imaginar o tamanho do lixo?!
Veja alguns dos problemas que o lixo pode causar:
Doenças: O lixo que vai para lixões a céu aberto ou terrenos baldios produz bactérias e fungos. Também atrai baratas,
ratos, moscas,mosquitos etc. Esses animais podem transmitir doenças sérias,como dengue, febre tifóide, cólera,
disenteria, peste bubônica e leishmaniose.
Acidentes aéreos: lixo acumulado perto de aeroportos causam acidente (o avião se choca com um urubus ou outra ave
grande).
Chorume: é um líquido mal-cheiroso e nojento que o lixo acumulado produz quando vai se decompondo. O chorume
é dez vezes mais poluente que o esgoto. Isso porque, além de conter matéria orgânica apodrecida, ele tem substâncias
químicas e metais muito tóxicos. O chorume contamina o solo e pode chegar aos lençóis freáticos (espécies de rios
subterrâneos que existem por toda a Terra e que jogam sua água nos mares,lagos, mangues e rios). Quanto mais o
chorume se espalha, mais vai poluindo.
Poluição do ar:o lixo – queimado ou não, produz gases que fazem mal à saúde dos seres vivos e do planeta, como o
gás metano e o gás sulfídrico. Esses gases poluem o ar e podem causar doenças respiratórias. O lixo queimado produz
gás carbônico, um gás que é tóxico se estiver em grandes quantidades. Se a gente se lembrar que o ar do planeta já está
cheio de gás carbônico por causa dos carros e das fábricas…
Inundações: garrafas de PET,sacos plásticos e outros lixos são levados pelas águas numa chuva forte. Eles acabam
entupindo bueiros e até impedindo os rios de correrem por seus leitos. Isso causa inundações terríveis. A água suja das
inundações estraga as casas das pessoas,mata animais domésticos e causa mais doenças na população.
O lixo é um grande problema. Mas ele pode ser um problema um pouco menor, desde que os governos, as instituições
(escolas, hospitais etc.), as empresas e cada pessoa façam a sua parte. Isso inclui você e sua família.
A importância de mobilizar os alunos em questões relacionadas ao meio ambiente
Falta de água, desastres naturais,aquecimento global, reciclagem, uso consciente, temperaturas fora do comum. Em
toda a história da humanidade, assuntos relacionados ao meio ambiente nunca foram tão debatidos como nos dias de
hoje. Essa preocupação permeia grandes encontros políticos e sociais, mas também se faz muito necessária nas
relações familiares e, principalmente, no ambiente escolar.
Hoje, a grande incumbência da sociedade é diminuir os impactos negativos causados por nós, seres humanos, no
planeta. Para isso, é preciso mudar atitudes pessoais e coletivas, afim de “salvar” o mundo dessa ameaça que,a cada
dia, se torna mais real.
Diante desse cenário preocupante, a escola assume um papel importante já que tem em suas mãos a oportunidade de
educar e conscientizar as crianças e jovens que serão o futuro do mundo. Muitas instituições de ensino reconhecem a
relevância de desenvolver em seus alunos a mentalidade ambiental e,por meio de estudos e ações diárias, elas estão
ajudando os estudantes a formar uma cultura de defesa do planeta, envolvendo, também, as comunidades e famílias
nesse processo de reflexão.
A Educação Ambiental precisa ser contínua e exige muito conhecimento e comprometimento por parte dos
educadores,pois eles são espelhos para os seus jovens alunos. Vejamos a seguir algumas estratégias que podem
auxiliar as escolas no desenvolvimento da consciência ambiental nos estudantes.
Compreendendo o problema-É comum relacionar o meio ambiente com as disciplinas de Ciências e Geografia. No
entanto, para o aprendizado ser efetivo e internalizado pelos alunos, ultrapassando os muros da escola, é importante
envolver os estudantes em tarefas multidisciplinares e que envolvam a comunidade ao redor para, assim, permitir que
eles construam novas maneiras de se relacionar com a realidade à sua volta.
Abordar problemas “macros”, como o desmatamento das florestas, ajudam os estudantes a entenderem a dimensão da
situação. Entretanto, é essencial mostrar também os problemas de menor repercussão e que, as vezes, passam
desapercebidos. Por exemplo, um bueiro entupido no bairro onde a escola está localizada pode ser um case trabalhado
em sala de aula. Quais motivos levaram a esse entupimento? Os moradores do bairro influenciaram nesse problema?
O que um bueiro entupido pode causar? As enchentes poderiam ser evitadas se o bueiro estivesse funcionando
normalmente? Jogar lixo na rua pode ocasionar esse problema?
A partir desses questionamentos de uma ocorrência ambiental “micro”, os alunos conseguem visualizar o impacto que
as ações do dia a dia de cada um de nós causam no planeta, tanto para bem quanto para o mal.
Mobilização a favor do planeta-Ao compreender a importância da mudança de comportamento da sociedade para
“salvar” o planeta, chegou o momento de mobilizar os alunos em ações socioambientais. De acordo com a
pesquisadora em Educação Ambiental, Michèle Sato, “o aprendizado ambiental é um componente vital, pois oferece
motivos que levam os alunos a se reconhecerem como parte integrante do meio em que vivem e os faz pensar nas
alternativas para soluções dos problemas ambientais e ajudar a manter os recursos para as futuras gerações.”
Algumas ações desenvolvidas a princípio dentro da escola ajudam a mobilizar e a engajar os alunos em questões
ambientais também em casa e durante o seu dia a dia. A reciclagem do lixo no colégio, por exemplo, é uma ótima
maneira de enfatizar a importância de dar ao lixo um destino correto. Utilizar materiais que iam para os lixões, como
as garrafas pet,em atividades das aulas de Artes Plásticas, demonstram que o hábito de reaproveitar recursos é
importante, já que o nosso planeta não tem espaço suficiente para armazenar todo o lixo produzido pelos humanos e a
reutilização de matérias-primas é um dos caminhos para “salvar” o planeta.
Outro ponto de mobilização que pode ser trabalhado na escola é a criação de uma horta a ser cuidada pelos próprios
estudantes. Além de ser uma atividade bem divertida, é possível ensinar técnicas de plantio, formas de cultivo de
determinadas espécies vegetais e também mostrar como as plantas melhoram a qualidade de vida dos seres humanos.
Entretanto, a professora da Universidade de São Paulo diz: “Nada adianta montar uma horta e depois não mantê-la. Ou
separar o lixo na escola e depois não ter como dar fim a ele”, pondera.
Trabalhar questões ambientais nas escolas se tornou algo essencial na busca por melhorias na qualidade de vida e
bem-estar da sociedade. As crianças e os jovens que hoje ocupam as cadeiras escolares têm esse grande desafio em
suas mãos e só com a educação e com a conscientização eles conseguirão reverter esse cenário tão negativo.

Tema indisciplina

  • 1.
    Como se livrarda indisciplina A garotada voa pelos corredores, conversa em sala, briga no recreio, insiste em usar boné e em trazer para a sala materiais que não são os de estudo. A paciência do professor está por um fio. Cansado e confuso, ele se sente com os braços atados. Não suporta mais as cenas que vê e não sabe o que fazer. Quer obediência! Quer controle! Quer mudanças no comportamento dos alunos! Para ter uma turma atenta e motivada, a primeira mudança necessária talvez esteja nos pais, na escola e nos professores. O comportamento inadequado do aluno não pode ser visto como uma causa da dificuldade para lecionar. Na verdade, ele é resultado da falta de adequação no processo de ensino. Para avançarnessa reflexão, é preciso entender que a indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra. O primeiro são as morais, construídas socialmente com base em princípios que visam o bem comum, ou seja, em princípios éticos. Por exemplo, não xingar e não bater. Sobre essas, não há discussão: elas valem para todas as escolas e em qualquer situação. O segundo tipo são as chamadas convencionais, definidas por um grupo com objetivos específicos. Aqui entram as que tratamdo uso do celular e da conversa em sala de aula, por exemplo. Nesse caso, a questão não pode ser fechada. Ela necessariamente varia de escola para escola ou ainda dentro de uma mesma instituição, conforme o momento. Afinal, o diálogo durante a aula pode não ser considerado indisciplina se ele se referir ao conteúdo tratadono momento, certo? 1. Com distinguir moralidade e convenção? Não é fácil distinguir entre moralidade e convenção. Frequentemente, mistura-se tudo em extensos regimentos que pouco colaboram para manter o bom funcionamento da instituição e o clima necessário à aprendizagem em sala de aula. "As crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustentam. Elas não sentem a necessidade de respeitá-los e acabam atése voltando contra essas normas", explica Ana Aragão, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 2. Como a criança aprende o valor das regras? O movimento contínuo de construção e reavaliação de regras, mais o respeito a elas, é a base de todo convívio em sociedade. Da mesma forma que os conflitos nunca vão deixar de existir na vida em comunidade - no contexto escolar, especificamente, os conflitos também não vão desaparecer. Saber lidar com eles faz com que o professor consiga trabalhar melhor. Ensinar o tema aos alunos também é uma tarefa dele. "Esperarque os pequenos, de modo espontâneo, saibam se portar perante os colegas e educadores é um engano. É abrir mão de um dever docente", explica Luciene Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp. 3. A formação moral tem de ser feita pela família? Muitos professores esperam, sem razão, que essa formação moral seja feita 100% pela família. "Nãose trata de destituí-la dessa tarefa, mas é preciso enxergar o espaço escolar como propício para a vivência de relações interpessoais", pondera Áurea de Oliveira, do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro. 4. Como a escola deve tratar as questões morais? As questões ligadas à moral e à vida em grupo devem ser tratadascomo conteúdos de ensino. Caso contrário, corre-se o risco de permitir que as crianças se tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação, incapazes de dialogar e cooperar. Pesquisa de 2002 com 120 universitários, de Montserrat Moreno e Genoveva Sastre, da Universidade de Barcelona, indagou sobre a utilidade do que eles aprenderam na escola para a resolução de conflitos na vida adulta. Apenas 3% apontaram que os professores lhes ensinaram atitudes e formas específicas de agir. "Esses resultados certamente são próximos da realidade brasileira", afirma Luciene Tognetta, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp. "Nosso estilo de ensinar é parecido, pois joga pouca luz sobre o currículo oculto, aquele que leva em conta o sentimento do estudante, seus desejos, suas incompreensões." 5. Como se forma a moral na criança? Saber como o ser humano se desenvolve moralmente é essencial para encontrar as raízes da indisciplina. Antes de entender por que precisam agir corretamente, as crianças pequenas vivem a chamada moral heterônoma, ou seja, seguem regrasà risca, ditadas por terceiros, sem usar a própria consciência para reelaborá-las de acordo com a situação. Por exemplo: se elas sabem que não se deve derramarágua no chão, julgam o fato um erro mesmo no caso de um acidente. Nessa fase, a autoridade é fundamental para o bom andamento das relações. Por volta dos 9 anos, abre-se espaço para a moral autônoma, quando o respeito mútuo se sobrepõe à coação. Mas a mudança não é mágica. O cientista suíço Jean Piaget (1896-1980) questionava a possibilidade de a criança adquirir essa consciência se todo dever sempre emana de pessoas superiores. Assim, é possível dizer que a autonomia só passa a existir quando as relações entre crianças e adultos (e delas com elas mesmas) são baseadas, desde a fase heterônoma, na cooperação e no entendimento do que é ou não é moralmente aceito e por quê. Sem isso, é natural que, conforme cresçam, mais indisciplinados fiquem os alunos. 7. É possível resolver a indisciplina?
  • 2.
    Não há soluçãofácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criarum ambiente de cooperação. Pesquisa realizada em 2008 pela Organização dos Estados Ibero- Americanos com cerca de 8,7 mil professores mostrou que 83% deles defendem medidas mais duras em relaçãoao comportamento dos alunos, 67% acreditam que a expulsão é o melhor caminho e 52% acham que deveria aumentar o policiamento nas escolas. 8. A repressão funciona contra a indisciplina? Não. Se a repreensão funcionasse, a indisciplina não seria apontada como o aspecto da Educação com o qual é mais difícil lidar em sala de aula, como mostrou outra pesquisa, da Fundação SM, feita em 2007 com 3,5 mil docentes de todo o país. Até mesmo os alunos acreditam que o problema vem crescendo. Em investigação feita em 2006 por Isabel Leme, da Universidade de São Paulo (USP), com 4 mil estudantes das redes pública e privada de São Paulo, mais de 50% deles afirmaram que os conflitos aumentaram mesmo nas escolas que estão cada vez mais rígidas. "O problema é que as intervenções são muito pontuais e imediatistas. O resultado é uma piora nas relações entre alunos e professores e, consequentemente, no comportamento da turma", acredita Adriana de Melo Ramos, do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral (Gepem), da Unesp, campus de Rio Claro. Nos próximos itens, apresentamos soluções para os professores encaminharem o problema. Não se trata de um manual de instruções. As questões ligadas à indisciplina são da natureza humana. Portanto, complexas e incertas. Esse é um ponto de partida para quem convive com o problema. Para se sair bem, é preciso estudar muito e sempre revisitar o tema. 9. É importante distinguir as regras morais das convencionais Erro comum em regimentos escolares é situar regras morais e convencionais num mesmo patamar. "As morais merecem mais atenção", afirma Telma Vinha, do Gepem da Unicamp. Já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do trabalho. Ao distingui-las, você será capaz de interpretar melhor uma transgressão e, assim, encaminhá-la adequadamente. Não mentir é um exemplo clássico de regra moral. O princípio ético em jogo, nesse caso, é a honestidade. Trata-se, portanto, de um preceito inegociável. Quando algum aluno mente, a solução passa por uma boa conversa - prática imprescindível já na Educação Infantil. Desde essa fase, é importante explicar para a criança como se sente o colega que foi enganado e mostrar que isso é errado. Pergunte: "E se fosse comvocê?" Regrasconvencionais, por sua vez, têm seu fundamento na negociação e na clareza de definição. Tome o exemplo da conversa. Mesmo numa sala que está barulhenta porque os jovens realizam um trabalho em grupo - e em função disso trocam ideias sobre um tema proposto -, o silêncio será necessário em algum momento. É preciso estar acertado que, quando um aluno ou o professor precisarem da atenção, o grupo deve parar para ouvir o que será dito. Também são consideradas regras convencionais não usar boné e ir para escola sempre de uniforme. Nesse grupo, entram imposições que em nada afetam o processo de ensino e aprendizagem. Há escolas em que o uso do uniforme é uma questão de segurança, pois ele permite identificar quem é ou não aluno. Em outras, isso pode não ser necessário. No caso do boné, as normas desse tipo precisam de constante revisão e discussão. 10. É importante pesar a reação a um problema Analisar a quebra de uma regra sob a ótica da moral e da convenção facilita equilibrar a resposta ao problema. É sempre importante avaliar a real gravidade da transgressão. Os conflitos entre alunos e entre eles e os professores também são problemáticos. Uma pesquisa da USP feita por Isabel Leme, em 2006, com 55 diretores, mostrou que a gestão de conflitos é apontada por 85% deles como fundamental para garantira paz na escola. A prática, porém, é outra. Procura-se evitar os conflitos, vistos como algo antinatural, que deixa os educadores assustados e inseguros. Câmeras, inspetores e marcaçãocerrada são exemplos disso. "Se as desavenças fazem parte da vida dos adultos, por que com crianças e jovens seria diferente?", pondera Telma Vinha. Com isso, gasta-se tempo tentando impedir ou antecipar qualquer tipo de encrenca. Quando algo foge desse imaginado controle, o impulso é mandar para a diretoria ou censurar. "O ideal é respirar, tentar se controlar e reconhecer que o embate pertence aos envolvidos. No caso de uma discussão mais quente entre a garotada, o caminho é relataro que você viu com linguagem descritiva e ouvir as partes. "Peça que todos contem como se sentiram e por que discutiram. Isso demonstra respeito pelos valores de cada um", sugere Vanessa Vicentin, da Universidade de Franca (Unifran). Quando o conflito é com o professor, ele deve se comportar sempre com sabedoria. "A agressão não é pessoal, mas contra um fato com o qual o aluno não concorda", diz Telma Vinha. E, claro, nem sempre haverá saída, já que as relações humanas são complexas. É preciso ter paciência. A aprendizagem é gradual e resulta da reflexão contínua, do diálogo e da coerência nos procedimentos. "Os mediadores desse processo devem se pautar por ações transparentes e convictas", diz Maria Tereza Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba. 12. É importante construir um ambiente cooperativo Ninguém, em sã consciência, pode deixar a turma fazer o que quiser, num regime anárquico. Longe disso. Um dos maiores desafios é, portanto, construir um ambiente cooperativo, no qual os alunos tenham voz, sejam respeitados e aprendam a respeitar. Isso faz com que o comportamento seja adequado naturalmente e não por medo de sanções. Numa escola da rede municipal de Rio Claro, a 184 quilômetros de São Paulo, as agressões entres os alunos eram comuns. A situação foi contornada quando se deu mais espaço para que eles se manifestassem e procurassem, juntos, uma solução
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    para os conflitos. Éclaro que essa perspectiva não exime o professor de exercer a figura da autoridade moral e intelectual como o coordenador do processo educacional. Afinal, além de conhecer os objetivos pedagógicos, é ele o adulto da situação. A negociação é a palavra. E ela tem de ser justa. Não vale induzir os estudantes a conclusões e normas que somente um dos lados - o do professor - queira ver implantadas. "Mas isso tem de ser construído gradativamentepelo grupo, com base no respeito mútuo, na reciprocidade e nos princípios de justiça", completa a especialista. 13. É importante agir na hora certa e sempre manter a calma Mesmo que o professor aja da forma mencionada nos itens anteriores, em momentos conturbados na sala ele tem de manifestar desagrado com relação a comportamentos inadequados. Quando um aluno insiste em conversar sobre o fim de semana durante a explicação de uma atividade, não basta fazer pequenas mudanças, como colocar a carteira do bagunceiro ao lado da sua mesa, como forma de castigá-lo, e continuar a aula normalmente. Isso não ajuda a resolver o problema em si nem leva a turma a aprender. É preciso chamar a atenção, mas sempre com respeito e mostrando que o grupo é que está sendo prejudicado, e não apenas você, pessoalmente. Trataro estudante dessa forma faz com ele também perceba como agirem momentos de conflito. 15. É importante incentivar e respeitar a autonomia do jovem Em outras situações, elas esperam chamar a atenção e solicitar que o professor se aproxime e se interesse pelas ideias delas. "É como se pedissem por cuidado e apreço ou ainda que se delimite o que se deseja delas com o que está sendo realizado", explica Maria Tereza Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba. Convivendo num ambiente em que atitudes como essas sejam o padrão, a criança vai, aos poucos, adquirindo autonomia e ficando mais apta a tomar decisões responsáveis. Cada aluno, em diferentes situações, coloca sempre novos desafios. Ele necessita de referências e de orientação. O que ele espera é ajuda para pensar. É importante que alguém - na escola, o professor; em casa, os pais - coloque as regras, atéque, efetivamente convictos, crianças e jovens possam gerenciá-las e, de forma autônoma, viver bem em sociedade. 16. Nada como uma boa conversa O problema? As carteiras do Colégio Comunitário de Campinas apareceram com moedas coladas. A solução? A direção pediu ajuda aos alunos: "Temos um problema e precisamos da colaboração de vocês". Quando mais carteiras apareceram, mas com o adesivo ainda fresco, ficou evidente que o problema vinha do 9º ano, que acabara de deixar a sala. O orientador educacional Marcos Roberto Márcio pediu que os responsáveis se identificassem: "Isso prejudica a imagem da classe, gera tumulto e um clima ruim". Consciente, a turma pediu que os culpados assumissem, já que a delação, moralmente condenável, não é aceita pela escola. "Admitir a culpa não isenta a punição, mas é uma atitude responsável, que atenua o que fizeram", diz. Quatro garotos se manifestaram e tiveram de apresentar uma pesquisa sobre a legislação referente ao respeito ao patrimônio público, além de limpar as carteiras. 17. Nada como uma dose a mais de interação O problema? Em 2006, a Escola Ativa, em Itapira, a 174 quilômetros de São Paulo, estava abrindo a 5ª série, com 12 alunos, que lá estudavam desde a 1ª. O fato de a turma ser pequena, que parecia uma vantagem, se tornou um problema. Os adolescentes se comunicavam pelo olhar. Conversavam em aula e começaram a mentir para os professores. A um, diziam que haviam feito talcombinado com outro, o que não era verdade. A solução? A equipe se reuniu e definiu novas pautas de estudo. "Tivemos de melhorar a interação entre os professores e acordamos novas regrase o que não poderia ser negociado", explica a diretora, Andrea Stevanatto Bataglini. Debates foram realizados com a turma e os dilemas morais ganharam mais espaço nas aulas. A relação entre professores e alunos foi revista, de modo a levar os estudantes a pensar se estavam agindo moralmente com quem lhes respeitava. "Hoje eles estão no 9º ano e a situação nunca mais se repetiu", conta Andrea. 18. Nada como uma assembleia O problema? No ano passado, as agressões físicas e verbais estavam se tornando cada vez mais graves e frequentes na EMEFI Antonio Maria Marrote, em Rio Claro. A solução? A coordenadora pedagógica Rosemeire Archangelo propôs um programa de formação aos professores e funcionários. Nele, todos trabalharama redefinição do conceito de indisciplina, questões relacionadas a respeito e moral e a necessidade de trabalhar esses conteúdos. Foram implementadas assembleias em cada sala, durante as quais os problemas tinham de ser debatidos. A ideia era ajudar no desenvolvimento moral de todos."Todas se surpreenderam. Com o projeto, elas comprovaram que é possível, sim, que as crianças resolvam conflitos com o diálogo", completa. A escola não virou o paraíso, mas todos aprenderam e passaram a praticar outras formas de se relacionar e conviver com as diferenças no dia a dia.
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    VIOLÊNCIA NA ESCOLAE SUAS CONSEQUÊNCIAS Na última década a violência nas escolas tem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela forma como esta tem se configurado. O conflito e violência sempre existiram e sempre existirão, principalmente, na escola, que é um ambiente social em que os jovens estão experimentando, isto é, estão aprendendo a conviver com as diferenças, a viver em sociedade. O grande problema é que a violência tem se tornado em proporções inaceitáveis. Os menos jovens, como eu, estão assustados. Os professores estão angustiados, com medo, nunca se sabe o que pode acontecer no cotidiano escolar; os pais, preocupados. Não é raro os jornais noticiarem situações de violência nas escolas, as mais perversas. Não quero dizer com isso que antes não existia violência. Existia sim, e muita. “Desde que o mundo é mundo, há violência entre os jovens”. Todos os diferentes, para o bem ou para o mal, são vítimas em potencial na escola, há muito tempo. Brigas, agressões físicas, enfim, sempre existiram. O que não existia antes e, que hoje tornou comum é que os jovens depredam a escola, quebram os ventiladores, portas, vidros, enfim, tudo que é possível destruir, eles destroem. Antes, não se riscava, não murchava ou cortava o pneu do carro do professor. Agredir fisicamente ou fazer ameaças ao mestre, nem pensar. Não se levava revolver e faca e não se consumia drogas e álcool no interior das escolas. No meu tempo, por exemplo, nunca se ouviu falar que um colega tinha assassinado um amiguinho na sala de aula ou que alguém tinha jogado álcool no colega e ateado fogo. Enfim, são muitos os relatos de violência extrema no interior das escolas. Muitas de nossas crianças e adolescente passam por violências, e ficam calados – algumas delas não têm coragem de revelar, outras, por medo da retaliação do agressor. Essa violência entre colegas não é a única. A violência entre professores e alunos também tem crescido. Assustadoramente, a violência de alunos contra professores é a regra agora, e não mais o oposto. A violência não contra um ou outro, mas contra a escola mesmo, em todos os sentidos e modos, também tem aumentado. O que tem intrigado a todos é que esse aumento da violência veio junto com a ampliação dos direitos dos cidadãos e com o Estatuto da Criança e Adolescente. Essa é uma questão que não devemos desprezar. No meu ponto de vista, o Estatuto prioriza os direitos em detrimento dos deveres. Após a promulgação do Estatuto as ações contra a violência nas escolas tem se realizado a partir da mediação, conselhos, etc. O que, também, é muito bom. A mediação de conflitos é importante, necessária, e muitos problemas são resolvidos, mas, muitas vezes, não basta. Junto com a mediação, infelizmente, tem que haver a punição. Vou citar um exemplo que não é do ambiente escolar, mas por analogia podemos refletir sobre essa questão. Por exemplo, o problema de dirigir um veículo embriagado. A conscientização é importante? Sim. Resolve? Não. É necessário fiscalização, multa, prisão, etc. Não estamos conseguindo resolver o problema da violência nas escolas e, isto é grave. Por quê? Falta, para isso, entendimento, lucidez. Ou seja, falta pensamento crítico, entender o “porque” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que os problemas podem ser amenizados. Para resolver, de fato, é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente capacitados porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à violência na escola passam e tudo continua como antes. Para isso, não podemos ver o problema da violência sob um só viés. É preciso dialética, racionalidade, determinação e, sobretudo, a união de todos. Podemos classificar inúmeras questões que levam a violência para o ambiente escolar. Por exemplo, os mais gerais: diferenças sociais, culturais, psicológicas, etc. e tantas outras como: experiências de frustrações, diferenças de personalidades, competição, etc. Também, podemos enumerar vários tipos, áreas, níveis de violência. Cada área do saber tem o seu método próprio de análise, a Filosofia, Sociologia, Psicologia e o Direito. Hoje, sabemos que a tendência da desfragmentação do saber é o melhor caminho a trilhar. Amultidisciplinaridade e a interdisciplinaridade é a proposta em voga de superação da fragmentação do saber. Somente através do dialogo aliado a práxis efetiva é que poderemos amenizar o grau de violência no interior das escolas. Esse círculo de violência deve ter um olhar mais universal, principalmente, por aqueles que pensam sobre a educação. É necessário ver que a violência contra a instituição escolar, contra colegas e professores e, de certo modo, a violência dos adultos contra as crianças, também, contém elementos de caracterização bem comuns. A não aceitação das diferenças em toda a sua amplitude – se é diferente, é hostilizado, desprezado, humilhado. E quando a vítima reage é violentada. A não aceitação das diferenças, também, perpassa pela escola como instituição, com seus próprios professores, funcionários e com os próprios alunos. Essa uniformização, isto é, uniformizar o diferente, é feita com violência – em todos os casos. E esse comportamento institucional, gera violência. Não são raros os casos em que o professor que faz a aula diferente, ainda que seja boa, é admoestado pelo diretor. O diretor que pensa diferente é castrado pelos supervisores ou pelo dirigente regional de ensino e, assim, sucessivamente. O aluno que é diferente, que pergunta demais é admoestado pelo professor e, aquele que pergunta na hora que a aula está acabando é vaiado pelos colegas. Essas são pequenas violências que alimentam as grandes violências. Não reconhecer nesse processo é o nosso grande problema. Atualmente, vivemos um problema ético de não reconhecimento da nossa incompetência, o problema sempre são os outros, eu não.
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    A escola éo primeiro ambiente social que a criança experimenta, antes disso, ou seja, na socialização primária se restringe a família, igrejas, vizinhos, enfim, um circuito bastante restrito. É na escola, aonde ele vai, realmente, experimentar um ambiente social – lá ele vai aprender a conviver com as diferenças e constituir um ser para si. Esse ser é para a sociedade. Por isso, a urgência que se tornou essencial hoje – e que muitos não percebem, é tratar a violência na escola como um trabalho de lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas, sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso, é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista. VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS: ELA REPRODUZ AS LOUCURAS DA NOSSA SOCIEDADE "A violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é um fenômeno intramuros isolado", afirma a coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto- Por Luis Pellegrini A violência entrou de vez no currículo escolar dos brasileiros. Só que agora, infelizmente, em vez de um saudável e democrático conflito no campo das ideias, alunos, professores, diretores e funcionários precisam cada vez mais conviver com agressões, ameaças e abusos. Não é preciso ir longe para se verificar tudo isso. Basta recorrer ao buscador do Google e pedir "violência nas escolas". Aparecem centenas de artigos, análises, denúncias, resumo de encontros e simpósios de especialistas em ciências da educação e do comportamento, além de livros inteiros, disponibilizados gratuitamente, na tentativa de analisar o problema e apresentar possibilidades de solução. Se você for ao Youtube, vai encontrar coisa ainda pior: é imenso o acervo de postagens, contendo cenas às vezes alucinantes de violência destrutiva pura, com frequência captadas e publicadas pelas câmeras celulares dos próprios alunos. Há vídeos de brigas, de bullying, de quebra- quebras, de mutilações e até de assassinatos cometidos dentro das salas de aula e nos pátios das escolas. Exemplos disso são dois casos de agressão ocorridos recentemente em Brasília. Na maior universidade da capital do país, um professor acabou no hospital após ser agredido por um estudante. Em uma escola pública de ensino básico, um aluno foi morto a facadas pelo colega. Violência não é fenômeno isolado - "A violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é um fenômeno intramuros isolado", afirma a coordenadora de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto. Segundo a educadora, os ambientes escolares deixaram de ser lugares protegidos e muitos pais perderam a tranquilidade ao levar os filhos à escola. Ela destaca que a ausência de regras claras de convivência entre alunos e professores contribui para o aumento da violência. Para o professor da faculdade de Educação da Universidade de Brasília e da Universidade Católica Célio da Cunha, há uma profunda crise de valores humanos. "A violência na escola vem da Idade Média, é uma prática inconcebível no século 21. A escola tem que refletir uma cultura de respeito, da merendeira ao diretor", diz. Cunha defende que é preciso recuperar a dimensão humana da educação, que foi transformada em um negócio. A educadora Marlova Noleto aponta para a importância de um bom clima na escola. "Na escola, aprendemos não só a ser,mas a fazer, a viver juntos e a conhecer. Um conjunto de regras e valores educam para a vida, não educam apenas no ambiente escolar", acredita. A especialista reconhece que, em primeiro lugar, é preciso que o professor goste do que faz. "Ensinar é um ato de amor e é sempre uma via de mão dupla. É preciso estar aberto para ensinar e aprender", aponta. "Na maioria dos casos, o aluno reproduz na sala de aula aquilo que vive em sua própria casa, no convívio com a família, e nas ruas. Há, de modo geral, uma crescente banalização da má educação, uma ausência de consciência de limites, uma violência instalada nos lares. Reflexo de um fenômeno que se alastra por toda a sociedade", opina a matemática Nelma Pellegrini Franco, que amargou trinta anos de magistério em escolas públicas de São Paulo. Estimular o respeito à diferença ´- Em muitos casos, a violência na escola é decorrente do medo de ser reprovado ou de ameaças que o aluno sofre em casa. Marlova Noleto diz que é preciso incluir as famílias no processo de educação e ajudar as crianças desde cedo a desenvolver um sentido ético. "Quando estimulamos nossos alunos a respeitar a diferença, estamos também evitando a violência", observa. Em última instância, destaca Marlova, a educação deve propiciar também a satisfação dos alunos. "Se o processo de aprendizagem não trouxer também felicidade, dificilmente aprenderemos com qualidade", afirma. Para Miriam Abramovay, coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e coordenadora de pesquisas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação,a ciência e a cultura), os conflitos são resultado de relações sociais ruins e da falta de diálogo. Pesquisadora do tema há mais de dez anos, Miriam defende a criação de políticas públicas de prevenção da violência escolar, diagnóstico dos problemas e a formação específica de professores: "Um bom professor é o que ensina bem a disciplina, mas também que sabe ser amigo, que sabe entender o que é ser jovem". Em recente entrevista à jornalista Marcelle Souza, do Portal UOL, Miriam Abramovay diz que a escola deve ser espaço de proteção e não de violência:
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    Aumentaram os casosde violência na escola? Eu acho que não dá para dizer que aumentou ou não a violência no ensino. Não existe nenhuma pesquisa que abarque todo o Brasil e que faça uma avaliação do que aconteceu nesses últimos dez anos sobre a violência nas escolas. Se você pegar os casos de violência em geral ou de mortalidade dos jovens, a situação é cada ano pior. Então, é óbvio que por um lado a escola recebe essa influência, mas por outro ela também produz violência, que são muito específicas do âmbito escolar. A ciberviolência e a divulgação de vídeos de violência na internet aumentaram a sensação de violência? Eu acho que é uma questão muito importante e a escola não tem as ferramentas mínimas para poder prevenir esse tipo de violência. A escola é muito centrada em si mesma, no que pensam os adultos. Em segundo lugar, ela não sabe o que acontece na vida desse jovem. Colocar uma coisa na internet é uma forma de exibicionismo e nós vivemos numa sociedade do espetáculo. Isso tem um valor muito grande, principalmente para o jovem. O que motiva os atos de violência na escola hoje em dia? Brigar, eles sempre brigaram, isso sempre aconteceu. Mas eu acho que estamos vivendo um fenômeno da exacerbação da masculinidade e da cultura da violência. Aparece aquele que é mais violento, que sabe brigar melhor. Eu digo masculinidade, mas é para garotos e garotas. Aí também entra o uso das armas, porque a arma é símbolo de força e de poder. Qual é o principal motivo do conflito entre professores, alunos e diretores? Eu acho que as relações sociais -- aluno-aluno, aluno-professor e professor-diretor-- estão muito ruins. Ainda acho que as mais complicadas são as relações com os adultos. Isso porque a escola é muito centrada nela mesma e muito pouco do que se propõe é dialogar com os jovens. Eu acho que isso cria um clima muito ruim. Nós estamos fazendo uma pesquisa e percebemos que o professor que os alunos mais gostam coincide com a matéria que eles mais gostam. Ou seja, a relação entre o professor e os jovens ainda é muito importante. Um bom professor é o que ensina bem a disciplina, mas também o que sabe ser amigo, que sabe entender o que é ser jovem. Por que ocorrem casos de abuso sexual dentro da escola?A escola não é uma torre de marfim, ela também reproduz as próprias loucuras da nossa sociedade. Eu acho que tem ainda o abuso dos professores e das professoras relacionado à fragilidade do que é ser adolescente. Nós temos uma postura de negação a tudo o que é jovem, no sentido de não ser positivo. Por outro lado, existe admiração, porque são bonitos e estão vivendo coisas que os adultos já viveram, o que causa muito fascínio em muitos professores também. Acho que é uma falta de limite desses professores e professoras e uma falta de autoridade. A escola tinha que ser um local de proteção e não de reprodução dessa violência. Você pesquisa a violência escolar desde o início dos anos 2000. Algo mudou nos últimos dez anos? Eu acho que muito pouco, infelizmente, porque os tipos de comportamento vêm se repetindo. Nós não temos políticas públicas efetivas, diagnósticos importantes sobre esse tema. Nós não temos formação de professores, o que é fundamental, porque eles não tiveram isso na sua formação. Qual é o papel da escola no combate ao bullying? Eu acho que a escola tem que prestar atenção no que está acontecendo com ela: como se dão as relações entre os alunos, as relações com os professores, em todos os fenômenos da violência, que são ameaças,a entrada de armas na escola, a homofobia, a violência de gênero... A escola tem que se dar conta disso. Como combater a violência escolar em comunidades em que a violência já faz parte do cotidiano? Uma escola que está num local de violência não obrigatoriamente é violenta. A escola tem uma violência de fora para dentro, mas tem a violência que ela produz. Então, você pode ter um lugar supertranquilo em que a escola é superviolenta. E vice-versa. A escola tem as suas próprias características, não é uma consequência direta do que acontece fora dela. Não obrigatoriamente a comunidade tem interferência nas relações entre os alunos, no racismo, na homofobia, em como os professores tratam os alunos, porque isso pode ser violência também. Se você tem uma concepção de violência como só a violência dura, que é a entrada de tráfico e de armas nas escolas, então você tem razão, quanto mais a comunidade é violenta mais a escola é violenta. Mas se você tem uma concepção de que violência é uma coisa mais ampla, que existe uma violência simbólica, não obrigatoriamente a comunidade vai fazer com que as relações sociais sejam piores. Dependendo dos professores, dos alunos, da relação com a família, a escola pode ser um lugar de proteção, independente do bairro ou da comunidade ser violenta ou não. Há uma relação entre a participação dos pais e a violência escolar? Nós fizemos uma pesquisa há muito anos que mostrava que quanto mais havia a participação dos pais na escola mais a escola poderia se tornar uma escola protetora. Ou seja, abrir as portas para os pais, os pais buscarem entender o que está acontecendo com os filhos, pedirem ajuda, [fazer com] que essa relação escola e família não seja de competição, é fundamental para o clima escolar. Em que momento a polícia pode entrar na escola? Está acontecendo um fenômeno hoje que é a judicialização da educação. Quer dizer, a escola joga para a Justiça seus principais problemas. A polícia tem que entrar na escola quando a violência é dura, quando existe droga e armas dentro da escola. Senão, não existe nenhum sentido de a polícia estar dentro da escola. Mas está acontecendo o contrário, quer dizer, o conselho tutelar a toda hora é chamado por coisas mais banais que acontecem. O que a escola está dizendo é "eu não tenho autoridade de resolver os meus problemas e vou chamar a polícia para isso". Qual é o papel do Estado na redução da violência nas escolas? Eu acho que nós temos que ter uma política pública sobre esse tema, que abarque diagnósticos, formação de professores. Não adianta só ter pequenos programas, nós temos que ter políticas para a gente saber o que está acontecendo, depois pensar muito na formação de professores, para eles saberem o que fazer.
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    A INDISCIPLINA EAGRESSIVIDADE NO CONTEXTO FAMILIAR E ESCOLAR Temos que trazer e despertar o interesse de pais e educadores os limites da disciplina numa maneira bem-humorada e realista, mostrando que pai ou professor, é o educador, e não pode se esquivar da tarefa de apontar na medida certa os limites para que os jovens se desenvolvam bem e consigam viver bem em harmonia. As crianças aprendem a comportar-se em sociedade ao conviver com outras pessoas, principalmente com os próprios pais. A maioria dos comportamentos infantis é aprendida por meio da imitação, da experimentação e da invenção. È preciso lembrar que uma criança, quando faz algo pela primeira vez, sempre olha em volta para ver se agradou alguém. Se agradou, repete o comportamento, pois entende que agrado é aprovação, e ela ainda não tem condições de avaliar a adequação do seu gesto. A força dos pais está em transmitir aos filhos a diferença entre o que é aceitável ou não, supérfluo, e assim por diante. O professor também perdeu a autoridade inerente à sua função. É preciso continuar investindo na melhoria da qualidade do ensino em nossas escolas, para isso é fundamental o maior interesse das políticas públicas na educação, incentivando a formação e aperfeiçoamento do quadro docente, realizando melhorias do espaço físico das escolas, além de contar com a participação efetiva da família e da comunidade. Quando o limite é apresentado com afeto, a criança o aceita mais facilmente. Sem dúvida, não é um trabalho fácil, mas geralmente funciona. Além da família, cabe à escola este papel. Afinal, os educadores continuam a deter parte considerável da responsabilidade pela formação da criança. Nos tempos atuais, família e escola parecem perder o poder e o espaço que tiveram outrora no sentido da formação do individuo. As crianças começaram a entrar mais cedo na escola, fato que pode favorecê-las ou desfavorecê-las, dependendo do acompanhamento escolar e familiar realizado. Caso a criança seja bem acompanhada, esse ingresso prematuro na instituição pode ajudá-la a se desenvolver melhor em todos os aspectos: sociais, cognitivos, etc. Porém, se a família coloca-a na escola, mas não acompanha pode gerar na criança um sentimento de descaso em relação ao seu desenvolvimento. Em outras ocasiões pode-se criar uma criança autoritária e desobediente por culpa dos próprios pais que por trabalharem demais e estarem ausentes da rotina do filho permitem, por um sentimento de culpa, que a criança faça tudo que desejar. Tal comportamento dos pais é prejudicial à própria criança, que fora do ambiente familiar não encontrará tamanha facilidade. A escola por sua vez, também procura subterfúgios para “escapar” da culpa pelos possíveis fracassos escolares de seus alunos, entre as desculpas mais freqüentes esta a de culpar os pais pela falta de tempo no convívio com os filhos. Fato que acaba gerando alunos com problemas de aprendizagem, relacionamento, etc. Cabe a sociedade, não só aos setores ligados à educação, através de pequenas ações o cotidiano da escola e da família, para que esta compreenda a importância dos objetivos traçados pela escola, que deve tornar possível ao aluno aquisição de conteúdos de forma mais atraente. A renovação de conteúdos de forma suscita a renovação dos métodos e das relações entre professores e alunos, das obrigações e da disciplina. Com a inovação dos métodos, os conteúdos não podem se tornar inconscientes, pois, devem proporcionar condições de conduzir a satisfação. A escola, enquanto instituição, já traz embutido o conceito de ordem, a necessidade de disciplina, utilizando-se de certas punições a fim de manter a ordem já estabelecida e tornar o aluno obediente e passivo como forma de dominação, nesse sentido, a escola acaba reduzindo a indisciplina e a agressividade do aluno. Partimos do princípio de que nenhuma criança nasce agressiva, ela torna-se de acordo com o meio, pois limite e disciplina transitam no caminho do afeto e da liberdade, e isso se reflete nos locais onde ela se insere. Segundo Içami Tiba (1996, p.173) O maior estímulo pata ter disciplina é o desejo de atingir um objetivo. Em termos operativos e sociais, o comportamento de qualquer cidadão deve estar baseado pelo menos em cinco princípios: Gratidão, Disciplina, Religiosidade, Cidadania e Ética. Estes valores devem estar presentes nos processos educativos familiares e escolares. O desenvolvimento da indisciplina corresponde ao surgimento de um controle interno, uma obediência às regras que não dependa mais exclusivamente do controle dos pais ou de outras pessoas. Isso implica a assimilação racional das regras, o que faz surgir a reciprocidade, o respeito mútuo que vem a ser a capacidade de respeitar o outro e por ele ser respeitado. 1.1 Características da indisciplina e da agressividade O comportamento de uma pessoa obedece a atitudes e valores mais ou menos internalizados. Os problemas de disciplina, que também podem ser chamados “de convivência”, nas escolas, são um reflexo de uma crise de valores que está se produzindo em nossa sociedade em geral, e claro, na escola como subconjunto institucional criado por esta sociedade. Em um mundo cada vez mais globalizado, a informação chega diariamente aos lares, mostrando uma infinidade de cenários de violência. Ao mesmo tempo, a família como instituição esta demonstrando fortes mudanças com a incorporação da mulher ao trabalho e a cada vez mais frequente separação dos casais, transformando-se em mono parentais, no próprio lar, muitas crianças aprendem sobre a violência e os maus tratos, a falta de respeito com os mais velhos etc. Na rua, a aprendizagem do darwinismo social, a assunção de determinismos e contra-valores para a sobrevivência e a estima no bairro e no grupo.
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    Para os estudantesde hoje a escola não tem o mesmo significado de algumas décadas atrás, pois boa parte já assumiu o seu meio de visão que não será assegurado mediante os estudos, e que aqueles que têm expectativas de estudos superiores advertem as dificuldades existentes hoje para encontrar emprego dentro de sua qualificação. Não nos surpreende que o estudante mais afetado por estes cenários, e ainda mais se, como já ocorre em muitos países, à escolaridade fundamental é obrigatória para toda a população, eventualmente mostre conatos de comportamento indisciplinado, violento, desrespeitoso e de ruptura. A escola não pode por si só modificar as causas que originam este problema, mas pode fazer o possível para não contribuir para isto e, pelo contrario, apresentar um quadro amigável, dialogador, pacifista, democrático e um currículo integrado, baseado em seus interesses e suas vivencias. De acordo com Içami Tiba (1996, p. 165) O aluno que não respeita os outros precisa ser educado ou ser tratado. Isto nos leva a considerar que os problemas “de convivência” irão aparecer sempre, porém o importante não é só evitá-los, mas manejá-los de maneira educativa. Assim, em uma análise das características de indisciplina e agressividade mais frequentes entre os estudantes, aparecem às seguintes: a) Incompetência emocional, grande parte dos problemas de violência provém de uma falta de controle das emoções; b) Aumento do individualismo, do egocentrismo, impedindo o aluno de ver o outro como um mediador na busca do conhecimento escolar, seja o outro professor ou o colega nas trocas indispensáveis nos trabalhos em grupo. Tentativas constantes de fazer a aula girar em torno de seus interesses e idéias; c) Desapego da escola, as mesmas atitudes individualistas e a falta de sentido de cooperação levam a um desapego do aluno a respeito da instituição escolar como micro sociedade na qual convive em grande parte do tempo; d) Condutas violentas, a aprendizagem da violência, em um contexto no qual esta aparece como única forma de solução dos conflitos leva a atitudes e comportamentos violentos, o que freqüentemente é potencializado pela incompetência emocional anteriormente assinalada; e) Ausência de limites sociais gerando interrupções inoportunas, confusões, conflitos em sala de aula que perturbam o ambiente externo adequado a uma boa aprendizagem; f) Desvalorização, desqualificação do professor, da situação escolar, dos conhecimentos escolares; g) Tendência à intolerância, os contra-valores mencionados, de individualismo, competitividade, falta de solidariedade, etc., freqüentemente levam também a uma intolerância com o diferente; h) Tensões, grande ansiedade junto com a conduta indisciplinada causando alterações no foco de atenção, atrapalhando a memória imediata e do meio prazo em testes e provas, perturbando as construções de relações lógicas apoiadas nas informações do momento e nas anteriores; i) Atenção dispersa, dividida, voltada para as brigas, trapaças, roubos, etc., em que esteja envolvido direta ou indiretamente, ou seja, simples “torcedor” na sala de aula ou fora dela; j) Perda de aulas por atraso ou retirada de sala por indisciplina ou ainda suspensões disciplinares, gerando descontinuidade na construção de determinados conhecimentos; k) Não cumprimento de tarefas escolares fora do horário regulamentar que auxiliariam na desejada fixação e ampliação de conteúdos programáticos que seriam suportes para novos conhecimentos posteriores; 1.2 Razões da indisciplina e da agressividade Desde alguns anos atrás,vai instalando-se em nossas sociedades, e de maneira especial em nossas escolas, a convicção de que os estudantes vão sendo cada vez mais indisciplinados e mal-ducados, mostrando comportamentos que interrompem o clima acadêmico da escola, quando não protagonizam agressões verbais e físicas, furtos, destruição do mobiliário, etc.O fato de que na escola surjam problemas de convivência não é nada novo. Sempre tem acontecido, se bem que o seu tratamento tem estado muito centrado nos aspectos punitivos e na seleção. Pressupõe uma visão pobre ou psicologista das causas de problema, atribuindo-se à falta de interesse do aluno, à sua escassa capacidade, sua preguiça, ou inclusive, ao seu “caráter violento” etc., ou então se explica pela sua origem (classe social, raça, etc.), assumindo-se que os problemas sempre surgirão a partir destas classes sociais porque carecem de uma adequada educação,não tem expectativas de estudos posteriores, etc. No entanto, estes problemas são multicausais e têm sua raiz não apenas no ambiente social e nas mudanças socioeconômicas que vão se produzindo, diante dos quais as crianças são mais vulneráveis do que os outros, quanto as suas expectativas de futuro. Segundo Içami Tiba (1996, p.79) A educação escapou ao controle da família porque, desde pequena a criança já recebe influências da escola, dos amigos, da televisão e da internet. A agressividade aqui colocada está focalizada como uma das manifestações da indisciplina e apresenta as seguintes razões: a) Excesso de repressão, professor autoritário em classe, regras rígidas na escola, intolerância, etc. Podem provocar uma natural onda de revolta principalmente naqueles que não sejam passivamente submissos e queiram saudavelmente participar das atividades. Assim a indisciplina pode surgir como não aceitação do absolutismo e autoritarismo excludente. A repressão não educa; b) Excesso de liberdade, professor e família permissivo em classe, escola sem direção, ausência de regras também na escola, etc. Quando os alunos ficam entregues aos próprios critérios de convivência os mais abusados podem não respeitar as autoridades naturais inerente aos educadores nem poupam os próprios colegas. Ausência de limites também não educa;
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    c) Pais desinteressadosno aprendizado, mas querem aprovação, são pais retrógrados que mandam os filhos para a escola para serem aprovados e não aprenderem a ampliar o seu mundo e crescer. O que lhes interessa é o diploma. O que faltar futuramente aos filhos os pais está disposto a supri-los. Assim os filhos estudam o suficiente para passar de ano. Então eles sendo preparado para o futuro trabalharem o suficiente para não serem despedidos quando empregados e/ou pagarem o mínimo necessário para seus empregados não os abandonarem, caso sejam empregadores; d) Pais que terceirizam para Escola a educação dos seus filhos, hoje há pais que por perderem suas referencias educativas delegam à escola a responsabilidade de educar os seus filhos. Para a escola, os alunos são meros “transeuntes curriculares” isto é, mudam de escola num piscar de olhos por qualquer motivo e saem da escola quando terminam o curso. Mais para os pais, os filhos são para sempre. Filhos são como navios. Os pais são os estaleiros que fabricam os navios e a escola vai capacitá-los através de instrumentos que vão auxiliá-los a navegar pelos mares muitas vezes desconhecidos dos seus próprios pais. Portanto escola e pais têm funções diferentes, mas complementares. Os pais não devem jamais abrir mão de educar seus filhos. Como ninguém consegue dar o que não tem, é importante que os pais sejam progressivos e se preparem para poder dar uma boa educação aos seus filhos. São retrógados os pais que por encontrarem dificuldades abandonam suas funções e passa a ser muito cômodo poder cobrar dos outros as suas próprias falhas, estas falhas vão gerar indisciplina; e) Drogas, um grande problema que infelizmente esta aumentando, sejam elas licitas ou ilícitas, elas prejudicam o desempenho escolar e relacional dos alunos. O usuário fica à mercê dos seus defeitos químicos e sua vontade já não esta mais sob o seu controle. Assim ele passa a fazer o que a droga lhe permite. Uma das primeiras estruturas a serem tiradas de função é o superego. È ele que nos torna adequado a diversos meios que freqüentando e consigamos ter força de vontade e produtividade. Na ausência, o usuário fica mais a disposição dos seus instintos e vontades que não combinam com o assistir aulas, fazer provas, respeitar outras pessoas como professores, colegas, etc. è importante que os educadores estejam preparados, no mínimo informados, para lidar bem com seus usuários; 1.4 Evidências da agressividade na família Ninguém desconhece que a falta do amparo familiar, mais precisamente a carência afetiva durante a infância, pode conduzir a uma deterioração integral da personalidade, e consequentemente do comportamento. Segundo ensinam os psicólogos, os comportamentos de cuidado maternos são tão indispensáveis para o futuro da criança que, na sua falta, se encontram as raízes fundamentais do desajuste infantil, que acaba no adulto desajustado. Quando o relacionamento familiar é precário, certamente irá influenciar nos relacionamentos sociais de seus membros, principalmente dos filhos. Alguns pais não têm noção do mal que causam aos seus filhos quando não estabelecem limites para eles, atendendo todos os seus desejos sem questioná-los, crianças que não sabem controlar suas vontades, provavelmente não saberão lidar com problemas corriqueiros do seu dia-a-dia. Segundo Içami Tiba (195, p. 43) Quando falha o grande controlador, que é a família, representada na figura dos pais, os abusos começam a acontecer. E, quando um abuso é bem sucedido, ele se estende para social, na delinqüência, na compulsão pelas drogas. Quando a família deixa o filho fazer sempre suas vontades, este com certeza criará problemas futuros., essa forma de educar os filhos, baseado no amor incondicional sem estabelecer as devidas restrições, dizendo com firmeza não e sim na hora certa, com explicações moderadas e objetivas estão levando as crianças a se tornarem jovens automaticamente dependentes, sem autocontrole e inseguros, incapazes de solucionar problemas que surgem na dinâmica de sua própria vida, sem perspectiva de uma vida futura progressiva, sem realizações enriquecedoras e positivas. Tendo em vista que o ser humano é por excelência insaciável, seus instintos de necessidades infinitas não são trabalhados e contidos por regras e pulso firme de seus pais, quando adultos, estarão sempre insatisfeitos com sua própria vida e com o mundo. A ausência de limites, instituídas na educação familiar por pais demasiadamente tolerantes, fecunda conseqüências desastrosas, produzindo crianças indisciplinadas, extremamente agressivas, insolentes, rebeldes, por conseguinte vivem sempre em conflitos internos, demonstram insegurança em tudo realizam, crescem ampliando paralelamente sentimentos nada plausíveis, como o egoísmo e a intolerância, pois estão sempre convictos de que as pessoas que os rodeiam, que matem contato independente de que seja sua mãe ou não, estarão a sua disposição para satisfazer suas necessidades. (Santos, 2002, p. 46) Geralmente, pais que satisfazem todos os desejos instintivos de seus filhos, superprotegendo, afirmam que fazem tudo para vê-los alegres, com efeito, ao verem que as ações de seus filhos são antagônicas as suas expectativas, cometem atitudes irresponsáveis, não respeitam os outros provocam brigas em qualquer ambiente ao mesmo tempo em que não desempenham com dignidade e de forma espontânea as atividades escolares e extra-escolares. Içami Tiba (1995), comenta que a disciplina é algo vivo, que confere satisfação nos próprios atos de se organizar, de realizar e do colher. Cada etapa precisa ter a própria satisfação para animar a pessoa a seguir em frente. Souza (2001), diz que é impossível a permanência de coesão familiar sem alguém que exerça com segurança e continuidade o princípio aglutinador da autoridade respeitosa, e estimulando as dimensões das possibilidades se as crianças são capazes de realizar, seus potenciais que estão escondidos e que com esforço desabrocharão, tornando-se um ser maduro e fortificador. A satisfação consigo mesmo, depende em última instância do bom uso da liberdade aprendia desde a infância.
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    Pelo exposto, pode-secompreender que, a firmeza dos pais, sendo proteção contra o domínio do capricho e fonte de bem estar, tendo em vista que irá permitir quando jovens a conscientizar-se de suas tendências, de conhecer a si mesmo e dos outros, o progresso intelectual e equilíbrio emocional consciente, o significado da responsabilidade. A interiorização das boas condutas não acontece por si só, exige de pais a autoridade equilibrada dizer sim e não nos momentos apropriados em função da firmeza, do bom senso e da integridade no caminho da vida, baseando nesses preceitos, vale ressaltar que é conveniente dar oportunidade nas circunstâncias oportunas de os filhos expressarem seus aborrecimentos contra eventuais injustiças e incompreensões do dia-a-dia. 1.5 Evidências da indisciplina e agressividade na escola A indisciplina e a agressividade manifestam-se de diversas formas na vida de um estudante, e apesar da bagunça e do barulho não serem as únicas formas, são elas as formas que mais se destacam na sala de aula. Pois quase sempre a indisciplina passa a ser vista como um problema quando a sala começa “a pegar fogo”, ou seja, quando sofrem influência no comportamento dos alunos e é percebida na “bagunça”, no “barulho”, na “falta de atenção” e de forma mais agravante na agressividade. Nessas horas, é que realmente a preocupação do professor cresce e o faz pensar sobre a indisciplina do aluno. Ações indisciplinadas na escola são traduzidas em comportamentos como: empurrar e bater nos colegas, destruir ou pegar seus materiais e trabalhos, sair dos seus lugares e da sala de aula com freqüência e sem permissão, pedir para ir toda hora ao banheiro, conversar muito durante as explicações do professor, dispersão ou negação em participar das atividades. Tais atitudes acima citadas não violam as normas legais da sociedade, caracterizam-se por atos que afetam a vida das escolas, mas estão longe de serem consideradas ações delinqüentes e/ou patológicas. De acordo com Içami Tiba (1996, p.178) O exemplo é muito importante na educação. Quem sabe fazer, aprendeu fazendo. Na verdade, a indisciplina poderia ser percebida muito antes de tornar-se um problema de comportamento como a bagunça ou a agressividade, que são formas de expressão da total falta de respeito com os estudos. O não acompanhamento das aulas já é um forte indício de indisciplina. Se os professores partirem do princípio que todo aprendiz quer aprender (mesmo quando esta vontade está escondida no consciente), então, pode concluir que o mínimo de organização e disciplina o aluno apresente para alcançar o aprendizado. A ausência de disciplina e a falta de organização nos estudos começam a aparecer quando o aluno começa a perder essa vontade intrínseca de querer aprender, e com o passar do tempo tornar-se um enfado, ou seja, deixa de ser vontade e passa a se quase um sacrifício. Um mesmo ato indisciplinado acaba tendo a mesma conseqüência para alguém que agiu pela primeira vez e para o reincidente. Apenas com o desenvolvimento da capacidade cognitiva e com a experiência no grupo social é que o adolescente começará a ser capaz de julgar o certo e o errado, considerando as circunstâncias. Tudo isso para demonstrar que a caminho, sedimentado com coerência, consistência e a intervenção sistemática da escola, família e sociedade. Por isso a influencia da agressividade e da indisciplina no processo de ensino-aprendizagem será melhor trabalhada e superada com a união de todos os responsáveis neste processo, tendo como objetivo principal a formação integral do indivíduo. 2.1 Preparo do professor para lidar com alunos-problemas Estamos vivendo um momento de desafio em nossas escolas, assistimos um aumento considerável da indisciplina e atos violentos, bem como as preocupações de professores e pais em relação ao comportamento escolar dos alunos, precisando ser melhor refletido e enfrentado. O professor precisa desempenhar seu papel, o que inclui disposição para dialogar sobre objetivos e limitações e para mostrar ao aluno o que a escola (e a sociedade) espera dele. Só quem tem certeza da importância do que está ensinando e domina várias metodologias consegue desatar esses nós. De acordo com a psicóloga e pesquisadora em educação Tânia Zagury (Revista Nova Escola, edição nº149, jan./fev.02) Quando há relacionamento de afeto e um professor atencioso, qualquer caso pode ser revertido em pouco tempo. Acreditamos que esses alunos-problemas têm um porquê e um para quê e nós precisamos nos ajudar, porque sozinhos não conseguiremos ser uma escola de fato. Uma escola que pensa na vida, partindo da vida das pessoas... Está na hora de repensarmos o processo, a teoria que nos embasa, o currículo, a gestão e o conselho escolar; de repensarmos se estamos apenas brincando de democracia. Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Hoje, porém, novos elementos vieram tornar o trabalho docente ainda mais difícil. A disciplina parece ter-se tornado particularmente problemática. Na escola são vistas como alunos problemas, em casa como bagunceiras ou, dependendo do caso, distraídas. Essa é a realidade de crianças com sintomas de inquietação, baixo rendimento escolar, dificuldade nos relacionamentos, ansiedade, agressividade e resistência a receber ordens. Segundo Gadotti (1995), são necessárias algumas diretrizes básicas, dentre as quais estão: a autonomia da escola, incluindo uma gestão democrática, a valorização dos profissionais de educação e de suas iniciativas pessoais. Oportunizar uma escola de tempo integral para os alunos, bem equipada, capaz de lhe cultivar a curiosidade e a paixão pelos estudos, a curiosidade e a paixão pelos estudos, a valorização de sua cultura, propondo-lhes a espontaneidade e o inconformismo. Inconformismo traduzido no sentimento de perseverança nas utopias, nos projetos e nos valores, elementos fundadores da ideia de educação e eficazes na batalha contra o pessimismo, a estagnação e o individualismo. O preparo e bom senso do professor é o elemento chave para que essas questões possam ser melhores abordadas. A problemática varia de acordo com cada etapa da escolarização e, principalmente, de acordo com os traços pessoais de
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    personalidade de cadaaluno. De um modo geral, há momentos mais estressantes na vida de qualquer criança, como por exemplo, as mudanças, as novidades, as exigências adaptativas, uma nova escola ou, simplesmente, a adaptação à adolescência. As crianças e adolescentes como ocorrem em qualquer outra faixa etária, reagem diferentemente diante das adversidades e necessidades adaptativas, são diferentes na maneira de lidar com as tensões da vida. É exatamente nessas fases de provação afetiva e emocional que vêem à tona as características da personalidade de cada um, as fragilidades e dificuldades adaptativas. Os alunos podem trazer consigo um conjunto de situações emocionais intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, podem trazer para escola alguns problemas de sua própria constituição emocional (ou personalidade) e, extrinsecamente, podem apresentar as conseqüências emocionais de suas vivências sociais e familiares. Como se sabe, a escola é um universo de circunstâncias pessoais e existenciais que requerem do educador, ao menos uma boa dose de bom senso, quando não, uma abordagem direta com alunos que acabam demandando uma atuação muito além do posicionamento pedagógico e metodológico da prática escolar. O tão mal afamado "aluno-problema", pode ser reflexo de algum transtorno emocional, muitas vezes advindo de relações familiares conturbadas, de situações trágicas ou transtornos do desenvolvimento, e esse tipo de estigmatização docente passa a ser um fardo a mais, mais um dilema e aflição emocional agravante. Para esses casos, o conhecimento e sensibilidade dos professores podem se constituir em um bálsamo para corações e mentes conturbados, essas crianças geralmente são incompreendidas tanto em casa como na escola. Também costumam ser marginalizadas e isoladas pelos colegas. Nesse caso, é importante que a escola ofereça atendimento e acompanhamento personalizado, para estimular o crescimento pessoal e social dessas crianças, educação deve ser uma parceria, senão não funciona. 2.2 - Atitudes docentes para melhoria comportamental dos alunos Um aluno que tenha uma autoimagem negativa, que se considera um fracassado, mesmo reconhecendo a sua dificuldade, provavelmente vai buscar nas outras pessoas que estão ao seu redor responsabilidade pelo seu fracasso? Dirá que o professor é chato, ou que a matéria não serve para nada ou mesmo que os colegas é que são ruins. Esse aluno acaba por desenvolver comportamentos problemáticos na sala de aula, ou torna-se indisciplinado. Para lidar com a indisciplina, em primeiro lugar, é importante que o professor garanta em sua relação com os alunos condições igualitárias de participação, proporcionando diferentes contribuições para o processo de aprendizagem. Na verdade, a questão da indisciplina ou da disciplina tem sido muitas vezes utilizada para justificar práticas autoritárias por um lado e, de outro, estimular uma espécie de domínio por parte os aluno, o que prejudica o projeto pedagógico da escola. Em segundo lugar, fazer da inquietação, da agitação e da movimentação elementos que possibilitem o ato de conhecer. Transformar o que aparentemente denominamos indisciplina em disciplina poderá estar construindo, na interação da sala de aula, o surgimento da criatividade e o nascimento do novo. Você pode observar que tanto o aluno “problema” como o aluno “excelente” possuem uma característica comum, que é o querer se mostrar, ou tornar-se visível. Eles se tornam visíveis, nos fazendo felizes ou nos fazendo sofrer. É importante notar que, enquanto esses tipos de aluno aparecem mais, os outros, considerados “normais”, correm o risco de cair em uma zona sombria, do esquecimento. Não podemos nos esquecer de que cada aluno é singular, único, diferente do outro. O fato de dar importância apenas aos aspectos considerados negativos ou positivos do comportamento de um aluno pode fazer com que não prestemos atenção na relação que estamos construindo com ele dia-a-dia. Essa postura provavelmente fará com que evidenciamos uma prática muito comum, que é a superficialidade com que a escola ou cada um de nós se relaciona com os outros, com o saber e com a própria vida. Dessa maneira, aquilo que consideramos problema, na nossa relação com os alunos, deve ser transformado em um momento de reflexão sobre nossa prática, sobre as dúvidas que aqueles alunos-problema fazem nascer em nós a respeito de nosso papel de professores-educadores. Cabe então, ao professor, enquanto educador, participar da formação de seus alunos, garantindo uma relação que evite que uns se calem, outros apenas obedeçam e outros dominem, estabelecendo condições para a colaboração, a compreensão mútua e uma boa comunicação. A intervenção do professor é fundamental para que as interações sociais que acontecem na sala de aula façam parte da formação de todos os que dela participam. É importante fornecer aos alunos referencias que possibilitem uma relação de confiança e respeito mútuo para que as questões afetivas, emocionais, presentes no processo de aprendizagem, possam ser discutidas e ressignificadas. 3. AÇÕES PREVENTIVAS DA INDISCIPLINA E AGRESSIVIDADE ATRAVÉS DE TEMAS TRANSVERSAIS A indisciplina e a agressividade representam um dos principais fenômenos que geram dificuldades no contexto escolar. Esse fato vem se agravando de tal forma que nem a escola, nem a família conseguem solucionar o problema. Tal fenômeno é caracterizado de diversas formas, porém, as idéias acerca desse tema estão longe de serem consensuais. Procuramos discutir os sentidos atribuídos por alunos do ensino fundamental ao fenômeno “indisciplina e agressividade escolar”, as causas que são consideradas por eles como geradoras desse fenômeno e a avaliação das medidas que estão sendo tomadas para resolver ou amenizar o problema. Partimos do pressuposto que, se desejamos intervir na realidade educacional, devemos conhecer, de antemão, a forma como os sujeitos que estão envolvidos nessa realidade compreendem os dilemas que vivenciam e as alternativas de modificação dessa situação. Piaget (1977,
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    p. 435) defineas normas morais "como regras racionais de acordo mútuo”. Uma norma é boa quando satisfaz as "leis da reciprocidade" e para reconhecer se uma norma é boa, a criança "terá de colocar-se numa perspectiva que se harmonize com outras perspectivas." Os sentidos atribuídos pelos alunos ao fenômeno refletem uma pluralidade de terminologias. Não é um problema que poderá ser resolvido de forma isolada, somente abrangendo a esfera escolar. Faz-se necessário uma aproximação maior entre a escola, a família e as esferas públicas, como o conselho tutelar, as promotorias de infância e de adolescência, as universidades (professores e, principalmente, os acadêmicos que estão em formação em diferentes áreas), visando um trabalho integrado, não apenas discutindo as dificuldades existentes no contexto escolar, mas com a inserção desses novos olhares possibilitarem uma ressignificação das formas e modelos de intervenção nesse contexto. Evidentemente, os alunos devem aprender desde a mais tenra infância a abrir mão, em alguns momentos, da realização direta de seus desejos, para que possam estar em grupo e viver numa comunidade (no caso as classes de aula). Todavia, um dos papeis de educador não é exatamente o de possibilitar esse crescimento e amadurecimento para as relações pessoais por parte dos alunos? O que ocorre que impede essa realização? Alguns dirão que a educação e os ensinamentos de limites são papeis das famílias. Têm razão os que assim pensam. Acontece que as famílias têm tido pouco tempo e não conseguem exercer o seu papel de educação das crianças. Além disso, a televisão ainda exerce uma influência negativa no que tange à aquisição de limites pelas crianças. Então, o "problema" estoura na escola, dentro e fora das salas de aulas. Indisciplina, agressividade, inquietação e mau-humor são sintomas que podem indicar problemas psicológicos de crianças e adolescentes, como no caso da hiperatividade e de outros transtornos psíquicos apresentados por alguns alunos. Entretanto, antes de mandarmos "todos os alunos de um determinado grupinho" aos divãs de psicólogos, devemos analisar se os problemas não estão mais relacionados aos adultos, à equipe de educadores das escolas, enfim, ao plano pedagógico e às relações estabelecidas pelos adultos e os seus alunos. "Devemos ser como os geógrafos, que sobem à montanha para conhecer a planície e descem à planície para melhor ver a montanha” (Napoleão Bonaparte). CONSIDERAÇÕES FINAIS Escolhemos este tema para contribuir com uma aprendizagem de qualidade partindo do pressuposto de que não existe qualidade em um ambiente de indisciplina e agressividade. Faz-se necessário buscar novos caminhos que levem a família, a equipe pedagógica, os professores e os alunos a assumirem o seu verdadeiro papel neste processo. O problema da indisciplina e agressividade tem constituído em um desafio para a escola, pois muitos alunos não respeitam seus professores, e essa indisciplina prejudica o ensino e a aprendizagem. Professores e orientadores têm dificuldade em estabelecer limites na sala de aula e não sabem até que ponto devem intervir em comportamentos inadequados que ocorrem nos pátios escolares. È preciso recuperar a autoridade fisiológica, o que não significa ser autoritário cheio de desmandos, injustiças e inadequações. As instituições de ensino, cuja tarefa é introduzir as crianças nas normas da sociedade, muitas vezes se omitem. O professor também perdeu a autoridade inerente a sua função. Quanto maior a perda, mais anárquica torna-se a aula. É essencial aos agentes da educação saber estabelecer limites e valorizar a disciplina, e para isso é necessária a presença de uma autoridade saudável. Tendo em vista as dificuldades de aprendizagem causadas pela indisciplina e agressividade é que desenvolvemos nosso tema, visando entender qual a relação entre aprendizagem e indisciplina em sala de aula, pois toda indisciplina é gesto de desinteresse e todo desinteresse se encarcera quando não existe significação da aula. E nenhuma aula é realmente significativa, quando não existe busca para a consciência da aprendizagem. O grande desafio da sociedade moderna é a educação. DEPREDAÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO ESCOLAR Maior parte do orçamento para obras de reparo é gasto com vandalismo Das 2.174 escolas estaduais, a maioria já sofreu com o vandalismo, as vezes praticado pelos próprios alunos. Em 2008, o estado gastou R$ 28 milhões para arrumar depredações. Uma noite de baderna e vandalismo, com tintas usadas para pichar uma escola inteira. O Colégio[ ... ] emRecife,foi depredadonamadrugadadodia 10 de julho.Trêsadolescentes,dentre eles um aluno da própria escola, foram identificados como os autores do crime. Como punição, os três jovens tiveram que comprar tintase pintarnovamente todaaescola.“Só gastamosdinheiro, só deu prejuízo”, reconheceu o aluno que praticou as pichações. Para manter a estrutura física da escola em ordem é necessário que além das manutenções periódicas, haja a participação de todos os integrantes da comunidade escolar no sentido de preservar e conservar o patrimônio público. O importante é que todos se sintam pertencentes e responsáveis pelo espaço. Ajudar a manter a integralidadefísicae cultural daescolalevaoindivíduoalegitimarseu papel na comunidade, valoriza o sentimento de pertencimentoaumgrupocapaz de vencerdesafios, reafirma valores e faz com que todos vejam a escola como um patrimônio da comunidade. De acordo com Miranda (2009) todo ano, o Poder Executivo destina parte significativadoorçamentoparaa manutençãodasescolaspúblicas.Sãogastoscomreformade instalações,conserto
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    de equipamentos,pinturas,trocade carteiras,entreoutras despesas. Esses recursos poderiam ser economizados e investidos outros em setores da educação se não fossem os atos de vandalismo e de destruição do patrimônio escolar. Souza (2009) destaca que a luta pela valorização do patrimônio tem seu início na própria luta pela defesa dos bens que cercam a escola. Não podemos aceitar que jovens depredem seu próprio ambiente de estudo e que destruamaquiloque elesmesmospoderiamdesfrutar.Évital que hajauma vigilânciade todosnosentidode evitara depredação de bens da escola que ao serem destruídos estarão causando prejuízos a todos na medida em que podemescasseare atrapalharo desenvolvimentodasações educativas. Nesse sentido, é necessário que as escolas desenvolvampráticasque tenhamporobjetivomostraraosalunosa importânciadosbenspatrimoniaisque ocupam o espaço da escola e que, por serem públicos, pertencem a todos. Segundo Simas (2012), a estrutura precária das escolasestáafetandoaqualidade do ensino nas escolas públicas. Tal afirmação é notícia do Jornal Gazeta do Povo. Estrutura precáriaafetao ensinoEscolasdepredadase comespaçosdesconfortáveisfazemcomque oalunosinta-se desmotivado e até abandone os estudos Duas em cada dez escolas brasileiras estão depredadas. Entre os problemas, portas e janelas quebradas, brinquedos mal conservados e paredes e muros pichados. Diante desse cenário, especialistas alertam para a interferência do ambiente na qualidade do ensino e do aprendizado. Uma estruturadeficiente tornaasatividadesde alunose professoresmaiscomplicadae pode contribuir, inclusive, com a evasão de estudantes. O dado faz parte de um estudo conduzido pela Fundação Victor Civita – que trabalha com a produçãode conteúdose pesquisas na área de educação – e, segundo a diretora-executiva, Angela Dannemann, o número só não é maior porque engloba instituições públicas e privadas. Embora não estimado, o total de escolas mantidas pelo poder público em péssimo estado de conservação é muito superior. Para os educadores, um ambiente escolar limpo, pintado e organizado faz o aluno se sentir acolhido, disposto a usufruir o que o espaço oferece e empenhado em aprender mais. “A escola é como um shopping center, em que tudo é voltado para um objetivo.Nocasodoshopping é o consumo e no da escola, a educação. Todo espaço que cerca o estudante tem de ser atrativo e passar alguma informação. Por isso é importante que os jovens gostem de ficar nela, se sintam à vontade e não queiram ir embora o mais rápido possível”, diz a psicopedagoga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná Evelize Portilho. Estrutura Além das estruturas pedagógicas básicas – como playground, cancha de esportes e carteiras e quadros negros adequados –, outros aspectos, que à primeira vista parecemumdetalhe,sãoessenciaisparagarantirque crianças e adolescentespassem quatro ou cinco horas por dia emum ambiente semse sentiremdesconfortáveis.Entre essesdetalhesestãoo tamanho da sala de aula, o formato das janelase a existênciade áreasverdes.Osdoisprimeirositensestãorelacionados à ventilação. Eles precisam ter um tamanho adequado para permitir a entrada de ar. Caso contrário, um ambiente abafado pode fazer com que o aluno perca a atenção e fique sonolento. O espaço verde é funcional e serve como área de convivência. “A vegetação, combinada com um bom projeto paisagístico, além de criar um espaço público e recreativo mais agradável,ajudanoconfortotérmicoe acústico. Para amenizar o ruído que vem da rua, é importante ter um trecho de árvores entre ela [rua] e a entrada da escola”, explica a arquiteta Andressa Ferraz Damiani, da Cosmopolita Arquitetura,que trabalhounaaprovaçãode projetosde escolaspúblicasparaoFundoNacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Manter um ambiente escolar adequado não é tão simples quanto parece. Quando se trata de instituições públicas, ainda é preciso vencer a burocracia. No Paraná, as escolas estaduais têm recursos do Fundo Rotativo para fazer pequenos reparos, como arrumar um vidro quebrado ou limpar a caixa d’água. Para reformas maiores,é precisoentraremuma listade prioridade.Comodoisterçosdas2.136 escolasprecisam de algum reparo, as que ficamdestelhadasporcausade chuva, porexemplo,têmprioridade.“Umengenheirovai até olocal e analisa. Se o problema comprometer as aulas, a escola é atendida”, explica Jaime Sunye Neto, superintendente de DesenvolvimentoEducacional.Alunodevese sentircomoparte daescola.Escolasantigastendem a apresentar mais problemas estruturais. Falhas que, se mantidas por muito tempo, podem estigmatizar o local. “Se um professor puder escolher onde dar aula, vai preferir os espaços mais confortáveis e melhores. Isso gera um círculo vicioso, onde as instituições com melhor infraestrutura são também as com melhores docentes e viceversa”, comenta Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita. Dentro desse ciclo, alunos que não se sentem como parte da escola, ajudando a mantê-la em ordem, também têm mais chances de abandonar os estudos. Com uma estrutura bem cuidada e ações que envolvam os jovens para conservá-la, a importância daquele local para a vidado estudante torna-se maisevidente. “Esse trabalho de conscientização deve ser feito pela gestão escolar. Se não houverisso,osalunosvãocontinuardepredando,poisaveemcomoalgo público, que pertence a todos e não a ele”, diz a psicopedagoga Evelize Portilho. Comunidade O envolvimento da comunidade também é fundamental nesse processo de identificação do aluno com a escola. Por essa razão, é de suma importância uma ações que incentivem os alunos participarem individual e coletivamente na defesa da escola. PATRIMÔNIO PÚBLICO ESCOLAR -Garcia (2004), no entendimento da Lei de Ação Popular Lei 4.717, de 29/6/1965 em seu artigo 1°, parágrafo 1° define Patrimônio Público, como o conjunto de bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico, pertencentes aos entes da administração pública direta ou indireta. Esses
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    benspúblicos,de acordo como Código Civil, são, entre outros, os rios, mares, estradas, ruas e praças (bens de uso comumdo povo),edifíciosouterrenosdestinadosaserviçoouestabelecimentodaadministração federal, estadual, ou municipal.Conforme oCadernode Orientaçõesparaa PreservaçãodosPrédiosEscolares(2009, p. 6), patrimônio escolar engloba tanto os bens incorpóreos, imateriais e intangíveis, assim chamados, pois não apresentam uma formafísica taiscomo: cultura,valores,filosofia,oprojetopedagógico,atradição,a históriae seussímbolos.Quanto aos bensmateriaisoufísicos,que é tudoaquiloque pode servistoe tocado,tambémchamamos de bens corpóreos, ou ainda, de bens tangíveis. O patrimônio compõe a identidade e a imagem da escola e, por isso, ele precisa estar sempre em ordem, sob pena de colocar em risco a segurança das pessoas e o projeto pedagógico. Paulo Freire (1991, p. 22) quandoSecretariode Educaçãona cidade de São Paulo afirmouque:“Se nãoapenasconstruirmosmais salas de aula, mas também as mantermos bem cuidadas, zeladas limpas, alegres, bonitas, cedo ou tarde a própria boniteza do espaço requer outra boniteza: a do ensino competente, a da alegria de aprender, a da i maginação criadora tendoliberdade de exercitar-se, a da aventura de criar”. É impossível uma escola alcançar bons índices de aprendizagem com alunos e professores convivendo num prédio mal conservado com paredes rachadas, vidros quebradose mobiliáriosdanificados.Paraque a aprendizagemaconteça,é necessárioque oambiente seja propício. Para manter a estrutura física da escola em ordem é necessário que além das manutenções periódicas, haja a participação de todos os integrantes da comunidade escolar no sentido de preservar e conservar o patrimônio público.A propostada educaçãopatrimonial visadespertara.curiosidade doseducandos,paraque essesdescubram por meiodosobjetosoumanifestaçõesculturaismaisinformaçõesarespeitodomeioemque vivem.Sendoaplicada a partir das séries iniciais, a metodologia da educação patrimonial, vai ao encontro daqueles que ainda não tendo seus valores totalmente formados, possuem um maior potencial para adquirir e transmitir essas noções de valorizaçãoe preservação dos patrimônios para o restante da comunidade. (OLIVEIRA e SOARES, 2009, p.115 / 125) Sabe-se que somentecoma participaçãoda sociedade nasdecisões que regem a vida em comum, poderemos ter a garantia de que haverá o retorno esperado pela população dos tributos pagos em forma de qualidade de vida. (ESPÍRITO SANTO, 2010, p.36) Para Espírito Santo (2010) o Programa Nacional de Educação Fiscal (PNEF) e as parcerias com as instituições de ensino regular a fim de formar cidadãos conscientes de seus deveres e direitos quanto à tributação e seus repasses por meio do Estado, para garantir qualidade de vida em forma de políticas públicas,nasce aoportunidade darealizaçãode um estudo voltado para a valorização do patrimônio público e para a função sócio econômica do tributo deste mesmo estabelecimento de ensino. Os mesmo visualizaram nesta questãoum bom momento de sensibilização de seus alunos quanto ao não desperdício de verba pública, uma vez que o que seriagasto na reformada escola,ou na reposição de objetos por eles depredados, poderia ser revertido para outras necessidades da comunidade onde a escola está inserida: policiamento, urbanização, saúde, saneamento básico, entre outras. Dessa forma, a função sócia econômica do tributo vem ao encontro de um dos papéisdaescola,enquantofórumprivilegiado,paradiscussõesacercada cidadania, ética e participação política dos cidadãos na vida em sociedade. Na visãodosprofessores,osatosde vandalismoindicamainexistênciadosentimentode pertença à instituição, não há o sentimento de cuidado e de zelo pelo ambiente e pelos recursos da escola, não há a cultura do respeito pelo espaço público e pelos outros alunos que utilizarão esse espaço. Relatos de que própria comunidade depreda a escola,nãoé passadopelospaisaosfilhosorespeitopeloambiente escolar.Algunsprofessoresentendemque,além do desenvolvimentode umaculturadopertencimento,dorespeitoe dapreservaçãodoespaço,serianecessárioque houvesse aidentificaçãoe aresponsabilização dosalunosque cometematosde vandalismo, para que a depredação escolar diminuísse. (COSTA, 2011, p. 9032) A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO Para Brandão (1981) a educação esta em todos os lugares, em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. E ainda para Brandão (1981), todosos seressão alvosde umprocessoeducativo.Ospássaros,porexemplo,desde cedoexpulsam seus filhotes do ninho, fazendo com que experimentem o processo de aprendizagem do voo, e este exercício é fundamental paraa continuidadedavida.Osbebêssentemnecessidade de aprender e esta aprendizagem iniciada desde a mais tenra idade, objetiva socializar o indivíduo na sociedade por meio do ensino de hábitos, costumes e valoresconvencionadosde formaconsensual pela coletividade. Para Maria Lúcia Arruda Aranha (1996), a partir das relações que criam entre si, os homens produzem padrões de comportamento, instituições e saberes, cujo aperfeiçoamentoé feitopelasgeraçõessucessivas,oque lhespermiteassimilar e modificar os modelos valorizados em denominada cultura. É a educação, portanto, que mantém viva a memória de um povo e dá condições para sobrevivência. Quando falamos de educação logo nos chega a imagem da escola. Conforme Bandão (1981), os antropólogos ao se referirem sobre o assunto pouco querem falar de processos formalizados de ensino. Eles
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    identificam processos sociaisde aprendizagem onde não existe ainda nenhuma situação propriamente escolar de transferência do saber. A rotina das aldeias tribais, o saber vai da confecção do arco e flecha à recitação das rezas sagradas aosdeusesdatribo. Tudo o que se sabe aos poucos se adquire por viver muitas e diferentes situações de trocas entre pessoas,como corpo,com a consciência,comocorpo e a consciência. As pessoas convivem umas com as outras e o saber flui, pelos atos de quem “sabe-e-faz”, para quem “não-sabe-se-aprende”. Mesmo quando os adultosencorajame guiam os momentos e situações de aprender de crianças e adolescentes, são raros os tempos especialmentereservadosapenaspara o ato de ensinar. Outro aspecto para Brandão (1981), há educação quando a mãe corrige o filho para que ele fale direito a língua do grupo, ou quando fala à filha sobre as normas sociais do modode “sermulher”ali.Existe quandoopai ensinaofilhoapolira ponta da flecha,ou quando os guerreiros saem com os jovens para ensiná-los a caçar. Conforme Aranha (1996) os povos primitivos viviam em tribos em que as relações sociais ainda permanecem igualitárias. Com o desenvolvimento da técnica e dos ofícios especializados, a sociedade se torna mais complexa, ocorrendo a divisão das classes e o aparecimento do Estado. As primeiras civilizaçõessurgemnonorte daÁfricae na Ásia(Oriente Próximo,OrienteMédioe Extremo Oriente). A invenção da escrita é outro fato que se associa ao aparecimento do Estado, pois a manutenção da máquina estatal supõe uma classe especial e funcionárioscapazesde exercerfunçõesadministrativase legaiscujo o registro e imprescindível. A educaçãoaparece sempre que surgemformassociaisde conduçãoe controle da aventura de “ensinar-e-aprender”, efatiza Brandão (1981). E o ensino formal é o momento em que a educação se sujeita à pedagogia (a teoria da educação);cria situaçõesprópriasparao seuexercício,produzosseusmétodos,estabelece suas regras e tempos, e constitui executoresespecializados. É quando aparecem a escola, o aluno e o professor. “Nas civilizações orientais não há propostaspropriamente pedagógicas”. (ARANHA, 1996, p. 33). Nestas sociedades, ao se criarem segmentos privilegiados,apopulação,compostaporlavradores,comerciantese artesãos,nãotemdireitospolíticosnemacesso ao saber da classe dominante. A princípio o conhecimento da escrita é bastante restrito, devido ao seu caráter sagrado e esotérico.Teminício,então,o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para os filhosdosfuncionários.A grande massaé excluídadaescolae restringidaàeducaçãofamiliarinformal. Conforme Aranha (1996) a Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. A palavra pedagogos significa aquele que conduz a criança, no caso o escravo que acompanha a criança à escola. Com o tempo, o sentido se amplia para designar toda a teoria da educação. De modo geral, a educação grega está constantemente centrada na formação integral – corpoe espírito – mesmoque,de fato, a ênfase se deslocasse ora mais para o preparo esportivo ora para o debate intelectual, conforme a época ou lugar. Nos primeiro tempos, quando não existia a escrita, a educação é ministradapelaprópriafamília,conforme atradiçãoreligiosa.Apenas com o advento das pólis começam a aparecer as primeiras escolas, visando a atender a demanda. Segundo Brandão (1981, p. 48) a educação na Grécia Antiga, denominada de Paidéia, se iniciou como comunitária, mas com o desenvolvimento da sociedade se tornou específica, onde havia uma educação para nobres, outra para plebeus e nenhuma para os escravos e em Roma a educação surgiu como na Grécia, comunitária, mas se desenvolveu de forma diferente, onde a formação do patriarca agricultorsobressaiasobre ocidadão.Maistarde surge a escolaprimária,comoa escolade primeirasletras gregas, também surge à escola gramáticos, e muito mais tarde a Lector. Havia em Roma a educação que formavam os trabalhadoresnaoficinade trabalho,e ocidadão eraeducadopara tambémempregarseusaberna sociedade.Da Antiguidade decadente àIdade Média,daIdade Médiaao Renascimento(umtempodaHistóriaricoemredefinições da ideiade educação) e do RenascimentoàIdade Moderna,foi preciso esperar muitos séculos para que de novo os brancos civilizadosaprendessem a repensar a educação como os índios. E uma nova maneira de definir a educação como uma prática social cuja origem e destino são a sociedade e a cultura, foi formulada com muita clareza pelo sociólogofrancêsEmile Durkheim. A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; por objeto suscitar e desenvolver na criança certo número de estadosfísicos,intelectuaise moraisreclamadospelasociedadepolíticanoseuconjunto e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destina." (DURKHEIM, apud BRANDÃO,1981, p.71) De acordo com Brandão (1981), entre muitas outras, esta é uma maneira sociológica de compreender a educação. Depois de Durkheim, inúmeros sociólogos,antropólogos,filósofose educadorescomeçaramaformularpontosde vistasemelhantes.Nãoé que eles tivessem uma proposta de uma "nova educação", menos abstrata e desancorada do que a "Educação Humanista" que criticavam.O que elesbuscaramfazerfoi esclarecermaise mais como a sociedade e a cultura são e funcionam, na realidade. Como, portanto, a educação existe dentro delas e funciona sob a determinação de exigências, princípiose controlessociais.Nomundoocidental,é depoisdoadventoe da difusão do Cristianismo que aparecem ideias sobre a educação que isolam o saber da sociedade e o submetem ao destino individual do cristão, afirma Brandão (1981). O homem que aprende busca na sabedoria a perfeição que ajuda à salvação da alma. Mas não é o Cristianismo Primitivo quem sugere a "educação humanista", de que os cursos de "humanidades" que houve no Brasil até há pouco tempo são o melhor exemplo. Foi necessário que, a partir de Roma, o Estado cristianizado e as elites de sua sociedade tomassem posse da mensagem cristã de militância e salvação, fazendo dela parte de sua ideologia. Tornando-a o repertório de símbolos e valores pelos quais representavam o mundo, representavam-se
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    nele e,assim,legitimavam,comaspalavrasoriginalmente dirigidasapobresedeserdados,asua posiçãode domínio econômicoe de hegemoniapolíticasobre eles. Foi então preciso o advento de uma nobreza plenamente separada do trabalho produtivo e, cada vez mais, até mesmo do trabalho político - entregue nas mãos de intelectuais mediadores de seus interesses para que surgisse uma classe de gente capaz de representar o mundo quase fora dele. Esta elite ociosa e seus intelectuais sacerdotes, filósofos e artistas puderam imaginar como "puras" a vida, a arte,a ciênciae até mesmoa educação.A educaçãopassa a ser vista como uma arma que serve para impor ao povo a vontade e a visão do mundo do dominador. Plutarco descreveu como Roma usou a educação para “domar” os espanhóisdominados:“Asarmasnãotinhamconseguidosubmetê-losanãoserparcialmente,foi a educação que os domou”(BRANDÃO,1981, p. 53) Brandão(1981, p.59), escreve dopoderque constitui a educação no país e propõe o exercício de uma prática idealizada. A fala dos praticantes da educação, os educadores, faz então a critica da distânciaque háentre a promessae a realidade.Fazmais,denunciaaalteraçãopara piordas própriasleisque dizem o que é e como deve ser a Educação no Brasil. Para Brandão (1981), não há apenas ideias opostas ou ideias diferentes a respeito da Educação, sua essência: e seus fins. Há interesses econômicos, políticos que se projetam também sobre a Educação. Não é raro que aqui, como em toda parte, a fala que idealiza a educação esconda, no silênciodoque nãodizos interessesque pessoase grupostêmparaos seususos. Pois, do ponto de vista de quem a controla, muitas vezes definir a educação e legislar sobre ela implica justamente ocultar a parcialidade destes interesses,ouseja,arealidade de que eles servem a grupos, a classes sociais determinadas, e não tanto lia todos", "à Nação", "aosbrasileiros".Dopontode vistade quemresponde porfazer a educação funcionar, parte do trabalho de pensá-la implica justamente desvendar o que faz com que a educação, na realidade, negue e renegue o que oficialmente se afirmadelanalei e nateoria.Mas a razão de desavençasé anteriore,mesmo entre educadores, ela tem alguns fundamentos na diferença entre modos de compreender o que o ato de ensinar afinal é o que o determina e, finalmente, a que e a quem ele serve. De acordo com Brandão (1981), estatísticas que denunciavam até poucos anos, que o Brasil possuía um dos maiores índices de analfabetismo de todo o mundo. Podemos dizer que haviaduas educações:Umadestinadaaosfilhosdas“gentesde bem”,que somavaalémdoensinodasprimeiras letras,para aquelesque prosseguiam os estudos após o primário, letras, o Latim, Grego, Literatura e Música, todos não profissionalizantes. Conforme Brandão (1981), até por volta da década de 1930, mesmo entre os mais ricos eram raras as pessoas que faziam o curso superior. Outra era da oficina, destinada aos “filhos da pobreza”. Foi tambémnas primeirasdécadasdoséculoXXque teve inícioalutapelademocratizaçãodoensino,aqual resultou na escola pública, gratuita, laica, a qual mantida pelo governo concederia direito de estudar para todas as pessoas. Brandão (1981) assinala que essa democratização do ensino possuía duas facetas, uma vez que políticos e educadores, “ao pregarem ideias de uma educação voltada para a vida, a mudança, o progresso, a democracia, traduziamao mesmotempooimagináriodemocráticode seutempoe, por outro lado, o projeto político que servia aos interessesde novosdonosdopoder e da economia”.Introduzemassimnovostipos de usos políticos do aparato pedagógico, adaptado aos novos modelos de controle da cidadania instituído pela demanda de “quadros” qualificadosparaotrabalhonas fábricas,numprocessode transferênciado capital da agricultura para as indústrias. Brandão (1981), em seu livro “O que é Educação”, aponta que algumas pesquisas de sociólogos americanos realizadasnadécadade 1950, confirmamque,mesmonosEstadosUnidos,oingresso da criança pobre nas salas das escolasnãofezdesapareceradivisãoanteriorentre o“aprender-na-oficinaparao trabalhosubalternoe oaprender- na-escolaparao trabalhodominante”.Desse modo,“ofilhodo operário estuda para ser operário que acaba sendo, e o filho do médico para ser médico ou engenheiro”, sendo igualmente comum fazerem alardes em festa de formatura quando um filho de operário consegue sair formado na Faculdade de Engenharia, o que denota que “a educaçãoda sociedade capitalistaavançadareproduznamoitae consagraa desigualdade social”.Pode-se completar afirmando, tal como o faz Brandão, que a educação “vale como um bem de mercado, e por isso é paga e às vezes custa caro”. Diante das contradiçõesassumidaspelaeducação,atesta-sesuadupladimensãode valorcapitalista:“a) valercomo alguma coisa cuja posse se detém para uso próprio ou de grupos reduzidos, que se vende e compra; b) valercomoinstrumentode controle daspessoas,dasclassessociaissubalternas,pelopoderde difusãodasideias de quemcontrolao seu exercício”. Ainda hoje a educação que se pratica ainda é classista e centralizadora, na medida emque os sujeitosdiretamente envolvidos no processo não são chamados a participarem das decisões, pois estas estãorestritasaos“donos dopoderpolítico”e às “pequenasconfrariasde intelectuaisconstituídascomoseusporta- vozespedagógicos”.Consumimosideiasprontassobre aeducaçãoe reproduzimosconteúdos impostos à educação. Tal como atesta Brandão (1981, p.94), “a educação que chega à favela, chega pronta na escola, no livro e na lição”. Para Paulo Freire (1981), aqueles que olham para os favelados como “naturalmente inferiores e incapazes” e imputam a esta “inferioridade” todas as deficiências materiais que caracterizam uma favela, sugeriríamos que discutissemum dia com estas pessoas sobre o que significa sua existência. Porventura alguns entre esses sujeitos descobrissem afinal que, se há algo intimamente mau, que deve ser radicalmente transformado, é o sistema capitalista mesmo, incapaz ele sim, de resolver o problema com seus propósitos “modernizantes” Fonte: www.pedagogiaaopedaletra.com/wp-content/uploadsEmoutraspalavrasFreire (1991) dizque:“Afirmarcomo ideia
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    o que negacomoprática é o que move o mecanismodaeducaçãoautoritáriana sociedade desigual”.Narealidade,a educação escolar, revestida de sua nova configuração democrática, camufla na prática o que promete na teoria, a proclamada igualdade. LEI 9394/96 - A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB só veio acrescentar informaçõese obrigatoriedadesde extremaimportância na educação do Brasil, pois de acordo com ela, a educação é um direito de todos e as crianças precisam ter acesso ao ensino desde os primeiros anos de vida, com a inclusão dessas em creches e em pré-escolas. Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vidafamiliar,naconvivênciahumana,notrabalho,nasinstituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimentodoeducando,seupreparopara o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensinoseráministradocombase nosseguintesprincípios:I – igualdade de condiçõesparao acessoe permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideiase de concepções pedagógicas; IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância; V – coexistência de instituiçõespúblicase privadasde ensino; VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII – valorizaçãodoprofissional daeducaçãoescolar;VIII –gestãodemocráticadoensinopúblico,na forma desta lei e da legislaçãodossistemasde ensino;IX –garantia de padrão de qualidade;X – valorizaçãodaexperiência extraescolar; XI – vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais (LDB, Lei 9394/96) A atual constituição do estado do Paraná promulgada em 1989, coloca a educação nos artigos 177 a 189 como um direito de todos e dever do Estado, sem excluir a família e sociedade, fortalecendo assim a gestão democrática no processo educacional, a saber: Art. 177. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboraçãoda sociedade,visandoaoplenodesenvolvimentodapessoa,seupreparoparao exercíciodacidadania e sua qualificaçãoparao trabalho.Art.178. O ensinoseráministradocom base nos seguintes princípios: I - igualdade de condição para acesso e permanência na escola, vedada qualquer forma de discriminação e segregação; II - gratuidade de ensino em estabelecimentos mantidos pelo Poder Público estadual, com isenção de taxas e contribuiçõesde qualquernatureza;III - liberdadede aprender,ensinar,pesquisare divulgaropensamento, a arte e o saber;IV - valorizaçãodosprofissionaisdoensino,garantindo-se,na forma da lei, planos de carreira para todos os cargos do magistériopúblico,pisosalarialde acordocom o grau de formaçãoprofissional e ingresso,exclusivamente por concursode provase títulos,realizadoperiodicamente, sob o regime jurídico adotado pelo Estado; V – garantia de padrão de qualidade em toda a rede e níveis de ensino a ser fixada em lei; VI - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e religiosas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VII - asseguramento da pluralidade de oferta de ensino de língua estrangeira na rede pública estadual de educação. ESCOLA Escola/liceuAlgunsalunospodematé duvidar,masantigamente a escola era encarada como uma bela diversão. Na Grécia Clássica,estudareraumaatividade possível apenasparaaquelesprivilegiadosque não precisavam trabalhar. Daí que o nome scholé, depois schola no latim, designava lazer, descanso o alguma atividade feita na hora do descanso, como... estudar! Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam, quer dizer, estudavam.Portanto,quandofazemosdasalade aulaum lugarprazeroso,estamos, de fato, retornando às origens. Já a palavra liceu se refere ao local onde Aristóteles ministrava suas aulas, o lykeion. Durante o Império Romano, lycaeuganhou o sentido de "escola onde os jovens podiam dominar alguns ofícios". A mesma ideia prevaleceu no Brasil,comoprova o Liceude Artes e Ofícios. Apenas quando a democratização da cultura e da participação na vida pública coloca a necessidade da democratização do saber, é que surge a escola aberta a qualquer menino livre da cidade-estado. A escola primária surge em Atenas por volta do ano 600 a.C. Antes dela havia locais de ensino de metecose rapsodistasque aosinteressadosensinavam "a fixar em símbolos os negócios e os cantos". Só depois da invenção da escola de primeiras letras é que o seu estudo é pouco a pouco incorporado à educação dos meninos nobres.Assim,surgememAtenasescolasde bairro,nãoraro "lojas de ensinar”, aberta entre as outras no mercado. Ali um humilde mestre- escola, "reduzido pela miséria a ensinar", leciona as primeiras letras e contas. O menino escravo,que aprende como trabalhoa que o obrigam, não chegasequer a esta escola. O menino livre e plebe u em geral para nela.O meninolivre e nobre passa por ela depressa em direção aos lugares e aos graus onde a educação grega forma de fato o seu modelo de "adulto educado". Citação de Sólon, legislador grego: "As crianças devem, antes de tudo, aprender a nadar e a ler; em seguida, os pobres devem exercitar-se na agricultura ou em uma indústriaqualquer,aopassoque osricosdevemse preocuparcom a músicae a equitação,e entregar-se àfilosofia,à caça e à frequência aos ginásios." Esta concepção Xenofonte, historiador, poeta, filósofo e militar grego, criticaria quase doisséculosdepois:"Sóosque podemcriar os seusfilhosparanãofazeremnadaé que osenviam à escola; os que não podem, não enviam." A escola é um espaço privilegiado do conhecimento. E esse é um trabalho de todos que delafazemparte.É precisocriar nosmembrosda comunidade escolar,osentimentode pertencimento à escola pública, no sentido de participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão. Para Freire (2002) a
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    educação deve teruma visão global do aluno, com sentimentos e emoções, tornando relevante o estudo das dimensões ética e estética. A prática e a teoria freiriana, fundamentam-se em uma ética inspirada na relação "homem-no-mundo", ou seja, estar no mundo, e na construção de seu "serno-mundo-com-os-outros", isto é, ser capaz de se relacionar com as pessoas e com a sociedade. A expressão desta ética se dá nas formas da estética, no resgate e na busca de todas as formasde expressão humana sua beleza estética própria e o aprimoramento destas expressões. Assim, conforme nos apresenta Freire (2002), a beleza não é privilégio de uma classe, mas uma construção compartilhada por todos, precisando ser conquistada a cada momento, a cada decisão, por meio de experiências,atitudescapazesde criare recriaro mundo.O professortem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move menoseficazmente noespaçopedagógico.Às vezes,ascondiçõessão de tal maneira perversa que nem se move. O desrespeito a este espaço é uma ofensa aos educandos, aos educadores e a pratica pedagógica. Freire (2002), contudo,chama a atençãopara umaspectofundamental.Existe umaligaçãoprofundaentre o processo educativo e os demais processos essenciais à vida de uma sociedade: a atividade política, econômica, cultural. O processo educativonãoé apenas uma atividade humana entre outras, mas uma dimensão inerente a qualquer atividade do homemcomoser social.Dentrodestavisãoatarefa educativa não se limita ao caso particular do sistema formal de educação.Não é elaprivilégiodo educador. Assim a família, os grupos sociais, a empresa, as associações de classe, os partidos políticos e qualquer outro tipo de organização social são chamados a desempenhar uma tarefa educativa.Emoutras palavras,a práticaeducativanãoé responsabilidade exclusiva dos profissionais reconhecidos pelosistema,masde todososmembrosda sociedade.Paraconhecerumaescolaé precisoconheceroseucotidiano, que traduz o que elarealmente é.Eelaé o que fazem dela os seus participantes. Nesse sentido, nenhuma escola é igual a outra, emborapossamserparecidas,porexpressaremelementoscomuns.Umaescolapode situar-se em um determinado ponto de diversos eixos situacionais, como por exemplo, entre ser: aberta, transparente -fechada; flexível inflexível; democrática-autoritária; proativa-reativa; inovadora-conservadora; orientada pelo passado − orientada por visão de futuro. (LÜCK, 2009, P.129) Para Heloisa Lück (2009), esses eixos situacionais, oferecem perspectivade análise docotidianocoma possibilidade de identificação do conservadorismo – dinâmica da escola − assim como a compreensão de aspectos que merecem a atenção do diretor escolar na promoção de escola dinâmica, ativa e em contínua renovação e desenvolvimento de competência na realização de educação de qualidade. A Escola que queremos? Uma escola de verdade, com estrutura de verdade. A escola não é somente o prédio,umainstituiçãoburocratizada,cheia de normas. A escola, sobretudo é gente: gente que estuda, gente que trabalha, gente que faz amigos. A escola é um lugar privilegiado para aprendermos a conviver uns com os outros, tornando-nos mais humanos. Drogas e socialização - o papel da escola na prevenção e promoção de qualidade de vida sem drogas - Autor: Flora Fernandes Lima* | A adolescência é conceituada por PALACIOS E OLIVA (2002), como uma etapa de transição, um período psicossociológico entre a infância e a vida adulta do sujeito, fruto da organização da nossa sociedade tal como a conhecemos. Um dos fatores mais marcantes durante a adolescência é a busca dos jovens por um grupo que o defina. OLIVA (2004, p.357), aponta que Ainda que durante a adolescência, a família continue ocupando umlugarpreferencial como contexto socializador, à medida que os adolescentes vão desvinculando-se de seus pais, as relações comos companheirosganhamemimportância, emintensidade e emestabilidade e o grupo de iguais passa a ser o contexto de socialização mais influente. Segundo o mesmo autor há o risco de suscetibilidade à “pressão dosiguais” durante a adolescência, principalmente no início da mesma. O consumo de drogas é algo que se mostra presente em todas as sociedades, e de forma bastante incisiva na faixa de idade que corresponde à adolescência, TAVARES, BÉRIA, LIMA (2001); BRUSARELLO e SUREKI (2008); SUDBRACK e DALBOSCO (2005). O conceito de droga é dado pela OMS como qualquer substância que “abrange qualquer substância não produzida pelo organismo que tema propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento”. Segundo BRUSARELLO e SUREKI (2008), o consumo de drogas psicotrópicas, que sempre esteve presente no meio social, aumentou de forma considerável passando de uso ritualístico e em pequenas quantidades para produção, consumo e distribuição em grande escala. Tornou-se problema de saúde pública devido ás resultantes de seu uso abusivo, como alterações cognitivas e mudanças no comportamento global do sujeito. Para DÉA, SANTOS E ITAKURA (2002), o consumo de drogas por jovens é elevado quando comparado as outras faixas populacionais sendo que a adolescência e a idade adulta constituem-se como períodos de vulnerabilidade aumentada, uma espécie de “janela de risco”. Sendo assim uma atenção maior deve ser dada ao jovem e aos fatores que terminam por levar às condições que viabilizam contato deste com as drogas. O contexto das drogas
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    A toxicomania éum fenômeno de origem múltipla resultante do encontro do sujeito com o produto de um determinado contexto sócio-histórico, ou seja, as causas para sua ocorrência não devem ser legadas exclusivamente ao próprio indivíduo ou ao seu contexto. Deve-se levar em consideração também que nem todas as formas de consumo de produtos tóxicos não devem ser necessariamente rotuladas como toxicomanias (CAVALCANTE, 1997). Campos (2001) define toxicomania como “estado de intoxicação periódico ou crônico, prejudicial ao indivíduo e à sociedade, causado pelo consumo repetido de uma droga, em que há incontrolável desejo ou necessidade de consumi- la e de aumentar a dose, levando a uma dependência psicológica e às vezes física.” (2001, p. 92). Nem todos os usuários de drogas estão no mesmo nível de dependência. Cavalcante apud Olivenstein (1997) classifica quatro níveis de usuários: Usuários recreativos - consumidores que fazem uso de maneira muito episódica e que não sofrem prejuízos no seu equilíbrio socioprofissional ou escolar,afetivo ou familiar Usuários ocasionais - aqueles que têm uso das drogas de forma mais repetitiva,mas sem chegar a comprometer o equilíbrio sócio-familiar, escolar, etc. Usuários semi-ocasionais – sujeitos eu já apresentam um ou mais sinais-sintomas indicando já o início de uma ruptura na vida do indivíduo como faltas ou fugas da escola, distúrbios de sono e das condutasalimentares,por exemplo. Adolescentestoxicomânicos – aqueles cuja relação jovem-droga forma um duo indissociável, invadindo a vida relacional e afetiva. É o adolescente que apresenta todos os seus interesses de alguma forma ligadosao consumo de drogas. Essa classificação é exclusiva para adolescentes e não pode ser considerada como permanente dado à personalidade ainda em estruturação, característica dessa faixa etária. Deve, no entanto, servir de alerta para os problemas que este jovem possa vir a estar passando, não necessariamente o consumo de drogas, possíveis expressões de dificuldades psíquicas ou mesmo familiares. As drogas mais consumidas são o álcool, o tabaco, a maconha, as anfetaminas e os barbitúricos. Dos contatos realizados com drogas o álcool mostra ser, de acordo com DÉA, SANTOS E ITAKURA apud CEBRID(2002), a substância entorpecente mais presente nas experiências dos jovens. Sendo que mais de 50% dos estudantes pesquisados na faixa de idade de 10 aos 12 anos já fizeram uso dessa droga. O consumo de drogas nessa faixa de idade teria conseqüências múltiplas, dentre elas prejuízo da cognição, capacidade de julgamento, do humor e das relações interpessoais, além do risco de dependência, superdosagem, acidentes, danos físicos e psicológicos e morte prematura. Além disso, as alterações da percepção e reações psicomotoras resultantes do uso da droga podem levar a acidentes fatais e ao suicídio. Somando-se a esses fatores existe ainda a possibilidade do aumento das possibilidades de envolvimento em crimes e prostituição para financiar o próprio hábito (GIUSTI, 2008). Os adolescentes toxicomaníacos estariam, conforme apontam MARQUES e CRUZ (2008), em mais riscos do que os já convencionalmente existentes em se tratando de adultos. As substâncias psicoativas aumentariam a probabilidade de acidentes e violência incidindo, de acordo com os autores, sobre o já fragilizado mecanismo de autopreservação desses sujeitos. Ainda segundo os autores o uso de drogas constitui “um grave problema de saúde pública, comsérias conseqüências pessoais e sociaisno futuro dosjovense de toda a sociedade”. Sendo assim a temática deve prioritariamente ser foco de discussões por parte dos pais e educadores bem como ser alvo de políticas públicas que visem trabalhar a situação. Processos de socialização e drogadição - Faz parte da Síndrome Normal da Adolescência (ABERATURY e KUOBEL, 1981), a tendência grupal do indivíduo na busca da identidade. Existe segundo os autores um processo de superidentificação em massa tornando-se por vezes muito difícil a separação da turma, dos caprichos ou modas em relação à vestimenta, costumes e preferências como um todo. Na adolescência há em geral a mudança de figuras de referência do círculo familiar para o grupo de amizades. Para os adolescentes com uma sustentação não adequada do projeto identificatório, a sensação de “vazio existencial” é constante. Este não poupará esforços na busca por “algo” que amenize sua instabilidade e insegurança, (TAKEUTI, 2002). A incidência do uso de drogas entre adolescentes é considerada alta quando comparada as outras faixas populacionais. Autores como Becker (2000), explicam esse fato fazendo referência ao contexto de geralmente difícil transição e busca de auto-afirmação e enquadramento com a nova identidade nascente. Dentre as experiências de descoberta as drogas quase sempre fazem presentes A vivência desse período se faz de maneira conflituosa e as pressões do meio ambiente mostram-se de maneira mais representativa. O ingresso no consumo de drogas aconteceria na maioria das vezes por influência dos colegas, (TAKEUTI, 2002). A busca dos amigos para fugir dos conflitos familiares e a sede por transgressões fariam parte do comportamento característico dessa faixa de idade. De acordo com RIBEIRO E TOROSSIAN et al(1998) “a adolescência é caracterizada como um período complexo no qual as drogas podemser usadas, entre outras coisas, como umartifício virtual para catalisar a resolução dessas tarefas”. Sendo assim em nossa cultura, durante essa fase da vida é bastante comum que o jovem entre em contato com algum tipo de droga durante o processo de socialização que ocorre durante a adolescência.
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    A aproximação dosjovens com as drogas se de forma considerável através de grupos. Os contatos sociais feitos dentro das escolas, muitas vezes, demarcam a presença de gangues na escola como uma constante e fazem dessa instituição uma das vias de acesso fácil dos adolescentes às drogas. (ABRAMANOVAY, 2002) Sendo assim, uma atenção maior sobre a forma como se dá o contato nesse contexto, bem como a busca por um maior entendimento sobre os problemas e dificuldades enfrentados pelos adolescentes precisa ser levada em conta para que se possa realizar um acompanhamento de jovens envolvidos em situações de risco com drogas. A escola, por ser um elemento de presença forte para os jovens e - juntamente com a família - responsável pela educação destes de forma global, tem as ferramentas necessárias para proporcionar prevenção do uso de drogas. Prevenção no contexto escolar Cavalcante (1997) aponta que o trabalho com drogas pode vir a ser feito em três níveis - prevenção, repressão e tratamento. A prevenção divide-se em duas etapas: prevenção primária que procura desestimular a primeira experiência dos não iniciados e a prevenção secundária que busca prevenir o aprofundamento do uso experimental. A prevenção coloca-se, portanto como imperativo desse processo já que o tratamento de pessoas já em dependência é longo difícil, aleatório e caro. Quanto mais precoce, de preferência antes do contato do jovem com a mesma, maiores são as possibilidades de eficácia da mesma. Ela pode vir a seguir vários modelos: princípio moral (uso de drogas como algo condenável do ponto de vista ético e moral), amedrontamento (enfatiza aspectos negativos e perigosos das drogas), conhecimento científico (propõe fornecimento de informações de modo imparcial e científico), educação afetiva (modificação dos fatores predisponentes ao uso de drogas), estilo de vida saudável e pressão de grupo positiva (o grupo como fator de proteção do jovem contra as drogas). Para SUDBRACK e DALBOSCO (2005), na impossibilidade de excluir as drogas do domínio social há que se trabalhar visando à construção de sujeitos mais preparados para enfrentar os problemas causados por elas. A prevenção entraria, portanto como parte da formação dos sujeitos dentro do ambiente escolar. As informações, como meio mais importante de prevenção, devem focar a qualidade de vida e não as drogas – produto - em si. Isso poderia surtir o efeito contrário, excitar a curiosidade dos adolescentes, tão ligado a situações desafiadoras. O processo de prevenção deve buscar abranger a qualidade de vida ligada aos hábitos dos adolescentes, englobando seus problemas e interesses (CAVALCANTE, 1997). Ribeiro, Pergher e Torossian (2008) pontuam que se verifica na prática que as políticas de prevenção geralmente não fazem uso da capacidade de julgamento moral e espírito crítico do jovem e de modo geral repassam informações deturpadas e já definidas como certas. O jovem acaba sendo colocado numa posição de fragilidade e muitas de suas capacidades e possíveis contribuições vem a ser ignoradas. Dessa forma, os trabalhos realizados no sentido de evitar o envolvimento destes com as drogas acabam sendo desvalorizados e perdem muito nos seus objetivos finais. HÁBITOS ALIMENTARES NA ADOLESCÊNCIA A adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta, marcado por intensas mudanças corporais da puberdade e pelos impulsos dos desenvolvimentos emocional, mental e social (EISENSTEIN et al., 2000). A puberdade, processo de desenvolvimento físico de uma criança em adulto, é viabilizada pela atuação de neurotransmissores (excitatórios e inibitórios) sobre o hipotálamo e inclui a maturação do corpo todo. 20 É esse também é o momento em que a taxa de crescimento experimenta um grande aumento, com o adolescente chegando a ganhar cerca de 20% de altura e 50% do peso de adulto durante este período (SPEAR,2002). Essa maturidade para a vida reprodutiva vem ocorrendo cada vez mais precocemente na história da humanidade e,dentre os fatores apontados como responsáveis por esse fenômeno, está a melhora do aspecto nutricional (e de saúde) das populações no século XX. Outro fator que pode estar envolvido é a natureza dos alimentos consumidos pelas pessoas durante a infância: com o aumento do consumo de carne (“in natura” ou em forma de embutidos), as pessoas,eventualmente, poderiam apresentar uma ingestão elevada de hormônios esteróides nessa (e em outras) fase da vida. Segundo critérios propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é cronologicamente, o período da vida que vai dos 10 anos aos 19 anos, 11 meses e 29 dias (CARVALHO et al.,2001). No que se refere ao desenvolvimento da personalidade, Salles (1998) aponta que, nessa fase,o jovem busca uma maior independência em relação à família e estabelece ligações mais fortes com o grupo de amigos, procurando definir novos modelos de comportamento e de identidade. Essa busca por maior independência tem reflexos em vários aspectos da vida dos adolescentes e nas escolhas que ele vai realizar, dentre as quais se destacam os amigos, o vestuário, o lazer e o seu comportamento alimentar. De acordo com Juzwiak et al. (2000), a escolha de alimentos é uma das situações nas quais os jovens podem mostrar sua determinação e expressar suas preferências. De acordo com Kazapi et al. (2001), o adolescente parece estar em conflito consigo e com o mundo e esse comportamento se reflete também no perfil alimentar. As grandes mudanças físicas que ocorrem com o adolescente levam a uma profunda valorização de sua imagem corporal, podendo até mesmo afetar os hábitos alimentares (ALBANO,2000). 21 No que se refere aos hábitos alimentares de adolescentes,estudos mostram que eles preferem uma alimentação rápida e monótona (“fast food”), constituída de alimentos bem difundidos no grupo e que são da “moda” (KAZAPI et al., 2001). A esse respeito, pesquisa realizada na
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    Inglaterra, com 2672crianças e jovens com idades entre 4 a 18 anos, verificou que mais de 80% dos participantes referiu como os alimentos mais freqüentemente consumidos o pão branco, a batata-frita, os biscoitos, o purê de batata e o chocolate. A pesquisa também revelou uma baixa ingestão de vegetais folhosos e de fontes de vitamina A, cálcio, magnésio, potássio e zinco (GREGORY et al. 2000). Outro problema, segundo Fisberg et al. (2000) é que alguns adolescentes costumam omitir refeições especialmente o café da manhã, o que pode influenciar no seu rendimento escolar. De acordo com os autores, há estudos demonstrando que no Brasil o almoço e o jantar são substituídos por lanches, principalmente quando esse é o hábito alimentar de muitas famílias. O adolescente, normalmente “preguiçoso”, não gosta de muitos esforços e isso o levaria a buscar uma alimentação facilitada, com excesso de comidas prontas, sanduíches, salgadinhos e bolacha. A esses maus hábitos alimentares pode-se acrescentar ainda o agravante de que muitos adolescentes não praticam nenhum tipo de atividade física, restringindo o seu lazer à televisão, ao videogame ou ao computador. Quando se considera a realidade de tal quadro diante das necessidades nutricionais nesse período da vida, pode-se avaliar as conseqüências a longo prazo para a saúde e para a constituição física do adolescente. De modo geral, existe diferença significativa entre o consumo alimentar ideal recomendado e o consumo alimentar efetivo dos adolescentes. A investigação das causas dessa diferença é uma questão extremamente importante porque ela parece não estar necessariamente relacionada à falta de informação sobre o assunto. Segundo Fisberg et al. (2000), uma grande porcentagem de jovens ingere regularmente “salgadinhos” e outros alimentos ricos em gordura e açúcares simples entre as refeições,em desacordo com as recomendações nutricionais, ou seja, apesar de estar bem informada sobre os princípios de uma alimentação equilibrada, tem atitudes que não correspondem ao conhecimento adquirido. Esses dados são corroborados por Cintra e Fisberg, (2004), que apontam como hábitos alimentares típicos dos adolescentes, nos últimos anos, o freqüente apego à alimentação comprovadamente inadequada, assim como o uso de alimentos de fácil preparo e a omissão de refeições,aumentando o risco nutricional nessa faixa etária. Um outro aspecto a ser considerado, já apontado por Fisberg (2000), em trabalho citado anteriormente, é a relação entre alimentação inadequada e baixo rendimento na escola. Nesse sentido, estudo feito por Alaimo et al. (2001), em crianças e adolescentes até os 16 anos de idade, aponta problemas relacionando alimentação e desempenho na escola, sendo que os alunos com deficiências alimentares em sua maioria eram também aqueles que tinham pior desempenho escolar e dificuldades no relacionamento com colegas da mesma idade. Para os autores as carências alimentares na infância podem causar deficiências de aprendizagem e problemas psicossociais nessa faixa etária. Como se vê, hábitos alimentares inadequados podem gerar sérias conseqüências tanto físicas quanto psicológicas, afetando a saúde e a qualidade de vida de crianças e jovens. Não só a deficiência alimentar representa um problema porquanto a obesidade e os transtornos alimentares também têm sido freqüentemente reportados em estudos envolvendo esse segmento da população, o que vem ao encontro da necessidade de se conhecer melhor o assunto. Segundo Muller, (2001), a adolescência é apontada como um dos momentos críticos para o aparecimento da obesidade, não só pelo aumento de gordura no tecido adiposo, mas em função do próprio aumento do número de células que ocorre nesta fase da vida. Dados da década passada já apontavam o Brasil como um país em transição nutricional em razão da crescente prevalência de obesidade e de doenças crônicas (DOYLE; FELDMAN,1997). Realmente, o aumento da freqüência do excesso de peso é preocupante, pois está associado a vários fatores de risco para doenças metabólicas e cardiovasculares que afetam o indivíduo na fase adulta (GAMBA; BARROS FILHO, 1999). Tanto o consumo excessivo quanto a ingestão insuficiente de alimentos podem causar danos para a saúde e podem levar os adolescentes a desenvolverem uma série de doenças na idade adulta. A preocupação com uma boa alimentação na adolescência é fundamental para garantir uma boa saúde da população. Para Burgess-Champoux et al. (2006), o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis na infância tem uma grande chance de se traduzir em hábitos alimentares saudáveis na vida adulta. Por isso é tão fundamental ensinar e incentivar a alimentação correta para as crianças e para os adolescentes. Como já mencionado anteriormente, além da obesidade, outras doenças como a anorexia nervosa e a bulimia nervosa também têm sido freqüentes entre os jovens e têm causado muita preocupação por serem doenças graves com sérias conseqüências para a saúde. Dessa forma,em função de sua relevância e atualidade, os temas da obesidade e dos transtornos alimentares na adolescência serão abordados em um tópico específico neste trabalho. 2.3. TRANSTORNOS ALIMENTARES - Na época contemporânea,principalmente nas últimas décadas,aconteceram transformações globais nos padrões alimentares com importantes conseqüências sociais. Paradoxalmente,o aumento das populações subnutridas foi acompanhado pela ampliação da alimentação excessiva nas sociedades ocidentais. A obesidade tornou-se um problema de saúde pública, enquanto a anorexia nervosa e a bulimia nervosa são doenças que revelam explicitamente a infelicidade em relação à alimentação. A prática de regimes alimentares é cada vez mais freqüente nas populações que estão preocupadas obsessivamente com a imagem do corpo e com princípios de um comportamento alimentar saudável(CARNEIRO,2003). Buscando esse novo ideal de corpo e a adequação à nova realidade alimentar, algumas pessoas chegam a extremos que podem levar a transtornos alimentares, nos quais o padrão e o comportamento alimentares estão seriamente comprometidos e são difíceis de serem clinicamente tratados e revertidos (ALVARENGA,2004). De acordo com Cordás, et al. (2004), os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas que afetam,na sua maioria, adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, podendo levar a grandes prejuízos biológicos e psicológicos e aumento da morbidade e mortalidade. Entre os principais transtornos alimentares estão a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. A anorexia nervosa, na maior parte dos casos,é caracterizada por grande
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    perda de pesoà custa de dieta extremamente rígida, pela busca desenfreada da magreza,pela distorção grosseira da imagem corporal e por alterações no ciclo menstrual. A bulimia nervosa, cuja principal característica psicológica é a excessiva preocupação com o peso corporal, é caracterizada por grande e rápida ingestão de alimentos com sensação de perda de controle alimentar, os chamados episódios bulímicos, acompanhados de métodos compensatórios inadequados para o controle de peso, como vômitos auto-induzidos, uso de medicamentos, dietas e exercícios físicos (CORDÁS,et al. 2004). Segundo Araújo (2004), a anorexia e a bulimia não são situações opostas, mas duas faces de um mesmo problema. Concordando neste aspecto,Borges et al. (2006), consideram que essas duas doenças estão intimamente relacionadas por apresentarem alguns sintomas comuns, como a idéia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com o peso, distorção grosseira da imagem corporal e um enorme temor de engordar, pela apologia atual do culto ao “corpo perfeito”, um ideal inatingível para a maior parte das pessoas. O estabelecimento e a persistência da doença dependerão da ocorrência de circunstâncias que ativem a vulnerabilidade do indivíduo a fatores de risco e da atuação de fatores de proteção (NUNES; PINHEIRO,1998). Para Romanelli (2006), nos dias atuais, a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a obesidade são doenças que explicitam que a relação das pessoas com a comida é mediada por um complexo sistema simbólico que organiza as escolhas alimentares. Embora os transtornos alimentares afetem principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, o perfil dos portadores tem se tornado cada vez mais heterogêneo, com um número cada vez maior de adolescentes do sexo masculino apresentando sintomas da doença. A explicação para tal fato é a de que os adolescentes seriam muito mais vulneráveis às influências externas,apresentando, portanto, maior risco de apresentar distorção de imagem corporal e problemas graves relacionados à alimentação. Para a faixa etária dos adolescentes, o desenvolvimento de uma imagem corporal - a imagem do próprio físico que inclui um corpo adulto - é uma tarefa intelectual e emocional mesclada com considerações nutricionais. Nessa idade as pessoas freqüentemente se sentem desconfortáveis com seus corpos e o desejo de alterar sua taxa de crescimento ou suas proporções corpóreas pode levá-los a manipular a alimentação causando conseqüências negativas para a saúde (SPEAR,2002). Vilela et al. (2004) investigaram a freqüência de possíveis transtornos alimentares e comportamentos alimentares inadequados em crianças e adolescentes de seis cidades do interior de Minas Gerais. A amostra final foi de 1807 alunos de escolas públicas, 26 entrevistados, sendo 887 (49,1%) do sexo masculino e 920 (50,9%) do sexo feminino, com idades entre 7 e 19 anos. De acordo com a auto escala BITE,1,1% dos estudantes apresentou escore compatível com bulimia nervosa. Segundo a auto-escala de EAT, 13,3% dos alunos apresentaram possíveis transtornos de alimentação, com predominância significativa naqueles do sexo feminino. Além disso, 59% dos participantes estavam insatisfeitos com sua imagem corporal. Poucos são os estudos sobre transtornos alimentares em crianças e adolescentes,principalmente em populações de países em desenvolvimento. Estudos dessa natureza são necessários porque os resultados obtidos até agora evidenciam que existe uma alta prevalência de possíveis transtornos, situação semelhante à encontrada em países considerados desenvolvidos. Tal situação precisa ser melhor investigada na busca de soluções que minimizem os efeitos causados por esses transtornos. Os transtornos alimentares são enfermidades muito complexas, sendo que o aumento dos casos de anorexia nervosa e bulimia nervosa nos últimos anos é atribuído basicamente a fenômenos sociais e culturais relacionados com valores estéticos de extrema magreza,difundidos pela indústria da moda e pela mídia. As mulheres, principalmente as adolescentes,se sentem pressionadas a castigar o próprio corpo para obter uma imagem delgada que se associe ao triunfo profissional e social, bem como ao sucesso entre os homens (CASTELL, 2004). Ainda de acordo com o mesmo autor, a mídia ensina e incentiva as adolescentes a ter um corpo magro, vendendo esse padrão como o ideal de beleza, e propagando diversas maneiras para obter um corpo perfeito por meio de dietas, prática de exercícios, uso de cosméticos e até a realização de cirurgias plásticas, banalizadas e oferecidas livremente na TV com pagamento em “suaves” prestações mensais. Já há algum tempo os pesquisadores têm afirmado que os transtornos alimentares constituem síndromes vinculadas à cultura e que não podem ser compreendidos fora de seu contexto cultural específico, principalmente porque as mulheres mostram-se muito preocupadas com sua aparência e com a aprovação dos outros. Em uma sociedade onde a magreza é valorizada e a mulher magra é considerada atraente,especialmente os jovens, na formação de sua identidade, são vulneráveis, a todos os estímulos para obter esse padrão de beleza em conseqüência de sua insatisfação com a própria aparência (NUNES; PINHEIRO1998). De acordo com Alessi (2006), um forte papel nesse sentido vem sendo desempenhado pela televisão e por publicações direcionadas principalmente ao público feminino pela divulgação do consumo de alimentos light e diet, e adoção de dietas da moda propagandeadas por personalidades famosas. Veiculam um preocupante comportamento de resistência a certos tipos de alimentos, comportamento esse popularizado pela silhueta das modelos e manequins e pelas suas condutas orientadas pelo narcisismo que tem convertido o físico num símbolo de representação da própria personalidade. Nunes e Pinheiro (1998), entendem que, ao encorajarem dietas restritivas e a exclusão de determinados alimentos no consumo diário, os próprios pais podem aumentar o risco de que seu filho desenvolva transtornos alimentares. Como os transtornos alimentares se iniciam em geral na fase escolar,a prioridade deve ser desenvolver intervenções efetivas para esse grupo e nesse sentido, a educação alimentar e nutricional é fundamental para orientar e formar um comportamento alimentar sadio, principalmente entre os adolescentes,alertando-os sobre os sérios riscos dos transtornos alimentares e estimulando e valorizando a prática de comportamentos saudáveis. A ESCOLA E A EDUCAÇÃO NUTRICIONAL A educação nutricional e educação para o consumo são instrumentos específicos que possibilitam uma interpretação mais correta da oferta em favor de uma escolha racional para uma
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    alimentação agradável, suficientee adequada (FIELDHOUSE,1986). Um indivíduo que tem conhecimento do que consome na sua alimentação e pode fazer escolhas que sejam mais conscientes, certamente será alguém mais saudável. Nesse sentido, existe uma relação muito estreita entre educação e saúde,sendo que os programas de educação em saúde direcionados para jovens são, em geral, realizados dentro das escolas. Embora educar para a saúde seja responsabilidade de diferentes segmentos, a escola é instituição privilegiada, que pode se transformar num espaço genuíno de promoção da saúde (BRASIL, 1998). Na escola, onde crianças e jovens passam grande parte de seu dia, as ações de orientação de promoção da saúde constituem importante meio de informação. A escola, local onde vivem, aprendem e trabalham muitas pessoas,é um espaço no qual programas de educação e saúde podem ter grande repercussão,atingindo os estudantes nas etapas influenciáveis de sua vida, quais sejam, a infância e adolescência (BRASIL,2002). É também na escola que muitos alunos fazem suas refeições, realizando escolhas que revelam suas preferências e hábitos alimentares. De acordo com os PCNs,os alunos vivenciam na escola situações que lhes possibilitam valorizar conhecimentos, práticas e comportamentos saudáveis ou não, o que indica que os espaços escolares e as atitudes cotidianas praticadas dentro da escola tanto podem desenvolver atitudes voltadas para a saúde como podem ignorá-las. Na concepção de Ochsenhofer et al. (2006), a escola deve ser o melhor espaço de oportunidades para prevenir a má-nutrição por uma série de motivos, dentre os quais a possibilidade de, nesse ambiente, ser viável o trabalho relativo à educação nutricional e alimentar e pela possibilidade de a criança e do adolescente se tornarem agentes de mudanças na família. Cabe destacar,ainda, que o papel da escola vem se tornando cada vez mais importante na formação de hábitos saudáveis. Nesse ambiente, deve haver espaço para educadores e alunos discutirem questões sobre alimentação e saúde. Quando entram para a escola as crianças trazem concepções e comportamentos relacionados à saúde, aprendidos na família, em seus grupos de relação direta e com a mídia. Jeito de falar tem relação com a personalidade da pessoa Você fala rápido ou devagar? Veja as dicas para controlar a sua fala. O jeito que a gente fala tem a vercom a nossa personalidade. Tem gente que fala tão rápido que fica até difícilde entender, e gente que fala tão devagarque ninguém deixa terminar a frase.Você gostaria de mudar sua voz? Falarmais firme,com propriedade,com menosansiedade,comendo menos asletras,as palavras? Ou falar com mais tranquilidade,menos forte, porque as pessoaste acham bravo,impaciente? O Bem Estardesta quarta-feira (3)mostrou o que você pode mudarna sua fala para passar mais confiança,por exemplo. Participaram do programa a fonoaudióloga Leny Kyrillos e o psiquiatra e consultor De acordo com o doutor DanielBarros,falarmuito rápido transmite ansiedade,nervosismo e tensão. Já quem fala devagar transmite um pensamento lento,uma personalidade reflexiva,que pensa antes de responder. Afluência da fala nem sempre está relacionada ao pensamento. “Pessoas que pensam rápido podem termais fluência na fala,masnem todo mundo que fala devagar tem uma fluência ruim de pensamento.” Quem fala rápido vaicontinuarfalando rápido,explica a fonoaudióloga. “A pessoa não consegue mudar,masexistem técnicas que ensinam a pontuarmelhor a fala e torná-la mais atraente,se adequando àssituações.” O padrão diz que o normalé falar no mínimo 145 palavras por minuto,mas muita gente não consegue atingir esse número.A fonoaudióloga deu algumas dicas para quem fala devagar:faça uma lista de mensagensque quer transmitir; comece a reunião pontuando as mensagens principais e depois construa as justificativas; ao falar,eleja expressões fortes,marcantes; se coloque em uma postura correta,com ombrospara trás e olhe para a pessoa com quem está falando;capriche nas expressões.“A pessoa pode serlenta,mas não pode sermonótona”,alerta Leny Kyrillos. O seu problema é falarrápido demais? Anote as dicas:melhore a articulação,exagerando osmovimentos da boca; observe mais a articulação,com isso você acaba falando mais devagar;relaxe osbraços e se fizer gestos,coloque as mãosna linha da cintura. Pessoasque falam rápido têm tendência de ficar pegando no outro durante o diálogo e projetar o corpo para frente, em uma postura de ataque. Não faça isso. Falar baixo ou alto não é agradável. Quem fala muito baixo nem sempre é entendido pelo outro porque é difícilde ouvir. Quem grita ao falarpode se tornar inconveniente. Otom de voz pode sermudado com exercícios de fonoaudiologia. Avoz alta muito temavercomapoluição sonora A voz alta, em 99% dos casos,é de origem emocional, mas atualmente a maior causa da voz alta é a poluição sonora, já iniciada dentro de nossa casa,onde deixamos a televisão e rádio ligados a pleno volume, e, devido a isso, somos obrigados a conversar em altos tons. Fora isso, há o caso de pessoas que moram em locais de altos índices de poluição sonora, geralmente em grandes centros, onde, quando se abre uma janela, a comunicação torna-se impossível. Alguns ambientes de trabalho também são responsáveis pela voz alta. Todo esse processo de poluição sonora, no futuro, irá causar uma baixa auditiva e uma irritabilidade constante nessas pessoas,e assim podemos constatar em pessoas que falam muito alto uma certa agitação e ansiedade. Tenha o controle da sua voz através do nosso método revolucionário e do nosso curso de oratória. OExibicionista que fala alto Existe a pessoa que fala alto só por exibicionismo, quando deseja que todos notem ou participem de sua conversa, mesmo que esta não interesse aos outros. É muito comum encontrar essas pessoas dentro do ônibus e nas filas tradicionais, onde dão início a um bate-papo que, daí a segundos, já estará em altos tons, É chato, por exemplo quando encontramos uma mulher com voz estridente falando alto e acelerado – não há quem aguente.
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    CausasOrgânicas davozalta As causasorgânicas da voz alta também têm origem em problemas auditivos mas acontecem mais raramente. Lembro o caso de um cliente que apresentava um quadro de excesso de cera nos dois ouvidos e constantemente era obrigado a fazer uma limpeza no otorrino. Nos períodos quando o problema se agravava, ele reagia falando alto, já que sua audição ficava prejudicada. Outro fator que afeta a audição é a altitude, devido á pressão atmosférica que tende a abafar a audição. OMétodo utilizado paraotratamentodavoz alta Trato dos casos de voz baixa e voz alta através da colocação da voz e também de um sistema de retorno, onde a pessoa ouve a sua voz simultaneamente através do “headphone” no momento que fala ao microfone. Com isso, ela passa a ter um controle de como sua voz está saindo para quem ouve. Nãofale altoaotelefone! As pessoas têm mania de falar alto ao telefone. Com a evolução da tecnologia, as comunicações através de telefone ficam cada vez mais nítidas, e com isso não há mais a necessidade de ficar berrando no fone como antigamente. o importante é dirigir o fone na direção da boca, o mais perto possível, para não perder a potência vocal. Um dos exercícios importantes para corrigir a voz alta é colocar o paciente na aula de oratória em grupo, instigando-o ao máximo e fazendo com que ele argumente sob muita pressão, controlando sua voz sempre que ele extrapolar. Frases de efeito nessa hora são: “Fala baixo!” “Meu ouvido não é penico!” Outra técnica é combinar previamente com a platéia para que esta se retire quando o paciente estiver em altos brados. Com isso, ele com certeza “cairá na real” e terá que se controlar, caso contrário não terá ouvintes. Pras pessoas que sabem que falam gritando (e ainda dizem que é o jeito delas) Não, não é o jeito delas, é o jeito que elas foram acostumadas a tratar as pessoas,com indelicadeza, com grosseria, e se achando tão superiores que não precisam baixar o tom de voz pra falar com ninguém, essas pessoas se sentem bem, se orgulham em falar mais alto que todos, e tentam ganhar todo tipo de argumentação na base do grito, pra essas pessoas,tente fazer o seguinte: Converse calmamente e seriamente com essa pessoa,mostre pra ela que não só você se incomoda com a forma de falar, como sente vergonha da maneira como essa pessoa fala todo o tempo como se estivesse brigando. Se essa pessoa se importar com você, tente demonstrar tristeza, realmente mostrar que a atitude dela te deixa realmente pra baixo. Mantenha o tom de voz baixo, sempre, tente fazer essa pessoa perceber que a sua forma de falar também funciona e cansa bem menos, desafie essa pessoa a passar um dia falando num tom mais ameno, pode dizer que é só pra experimentar, que depois ela pode falar no volume que quiser. Explique pra essa pessoa que quando alguém grita o tempo inteiro, esse alguém nunca vai conseguir destacar nada que fala, e nunca vai ser levado a sério, como você vai destacar algo no seu texto se você escreve ele todo em negrito, não é mesmo? Não adianta se estressar,nem tentar falar mais alto que essa pessoa,tenha criatividade, paciência e procure maneiras diferentes de mostrar que essa pessoa está sendo mal educada ao limite! Pras pessoas que simplesmente não sabem como se portar (e são inocentes demais pra se tocar) Infelizmente, alguém tem que falar, não é legal deixar essa pessoa agindo assim pra sempre,até porque o mundo não vai aceitar uma pessoa que fala esbravejando, pro bem dessa pessoa,faça uma abordagem positiva, não fale que ela está sendo inconveniente, apenas mostre como ser ainda mais agradável, tente o seguinte: Tente convidar essa pessoa pra lugares mais silenciosos, como cinemas, teatros, lugares onde ela vai ser obrigada a falar baixo, isso, com o tempo, vai condicionar a fala dela. Pode abusar de indiretas, comentando coisas como: "Nossa, esse cara da novela fala alto demais, parece que a pessoa tá do outro lado da rua" talvez a indireta funcione, talvez não, mas vale a pena tentar. Faça um tour pela cultura japonesa com a pessoa,não importa como, tente filmes, documentários, até canais no YouTube (recomendamos esse aqui, da Camila Pipoka), isso porque no Japão é algo extremamente tradicional falar muito baixo e muito educadamente. Tenha sempre muita delicadeza quando for falar do tom de voz dessa pessoa,lembre que ela não faz ideia de que está errada,e passou a vida falando assim, não é de uma hora pra outra que você vai resolver isso, tenha paciência e faça o esforço diário! O mais difícil nesse caso é entender que não é culpa da pessoa,ela pode ter sido educada assim, viveu num meio em que é normal falar alto, até a descendência pode influenciar nisso, são vários os motivos possíveis, então, tenha paciência e é certeza que você vai conseguir melhorar muito o convívio dessa pessoa com você, e com o mundo! Concluindo... Seja qual for o motivo que leve uma pessoa a berrar como uma gralha, é muito importante ter em mente que isso não é um comportamento aceitável, não é educado, e não é legal, em ninguém! "Uma pessoa grita,outra grita mais alto pra se sobreporà primeira, e a primeira grita ainda mais alto, emmenos de vinte minutos você estará numa gritaria emque ninguémse entende, e isso simplesmente não faz sentido!" - Cafeína Mágica
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    Muita força pravocê que precisa lidar com esse tipo de pessoa,e acima de tudo, muito autocontrole pra não terminar se tornando igual a essas pessoas,poupe sua garganta, seu fôlego, e sua paz de espírito, tranquilidade e educação sempre, e boa sorte pra você na solução do seu problema! Falar alto pode sugerir que a pessoa precisa se impor pelo volume, porque, pela qualidade das ideias expressas pela fala, ela jamais será capaz de fazer suas opiniões serem levadas em conta. Há uma diferença enorme em falar alto para uma platéia de seiscentas pessoas e falar alto no trabalho. É feio e má educação,gritar ou falar muito alto, quando é possível conversar. Normalmente quem age assim denota um comportamento exibicionista, parece que precisam chamar atenção a todo o momento. O falar alto sem necessidade sempre me lembra um pedido de socorro: Estou aqui, por favor, me veja! A capacidade de falar é exclusiva dos seres humanos. Aprender a falar no tom correto a cada ambiente, grupo de pessoas e contexto significa autoestima adequada e, consequentemente, comunicação eficaz e transparente. E para quem tem ao lado um colega inconveniente e enfrenta situações dessa natureza vai a dica: a melhor maneira de lidar com essas pessoas,é mostrar o contrário daquilo que ela faz. Falar baixo e com calma, esta é uma forma inteligente e sábia de agir. Assim, você tem grandes chances de ensinar “sutilmente” ao sem noção como agir, sem precisar xingar, sem ser agressivo, resolvendo tudo no diálogo e compreensão. Teste sua audição. O hábito de falar alto pode ser resultado de uma perda auditiva. Vá ao médico se observar que tem problemas para escutar o interlocutor devido aos sons ambientais e se não conseguir entender o que os outros falam com clareza, pois esses são sintomas de perda auditiva neurossensorial. Poluição na sala de aula Poluição na sala de aula Alisson Dias Diego Cardozo A poluição está aumentando cada dia mais, os lixos continuam nas ruas, trancando os bueiros, ao invés de estarem no lixo ou em algum lugar sendo reciclado ou sendo transformado em alguma obra de arte ou reaproveitada para muitas coisas. A poluição do meio ambiente começa dentro da sala de aula. As salas de aula estão sujas também, pois muitas pessoas jogam o lixo (papéis de bala, folhas de caderno,pontas de lápis, entre outras coisas) no chão da sala. Perguntamos às funcionarias da limpeza sobre o assunto e elas disseram que tiram dois sacos de lixo por dia. Fomos às salas de aula e a maioria das pessoas da escola tocam lixo no chão. A solução para o problema é fácil: colocar lixo na lixeira, reciclar e trabalhar conjuntamente. O que é difícil é mudar o modo das pessoas se relacionarem com o meio ambiente, mostrar a consequência da poluição e lembrar as pessoas de que não devemos poluir. LIXO – CONSCIENTIZAÇÃODO LIXO ESCOLAR É indiscutível que no ambiente escolar há elevados índices de desperdícios tanto de material didático, quanto da merenda escolar, percebendo-se que a falta de conscientização torna a escola um espaço fora dos padrões esperados. E as causas disso, vêm da primeira comunidade a qual os indivíduos não estão sendo conscientizados para conviver com o meio em que está inserido, o que torna a parte educativa um meio desconexo, pois no processo de aprendizagem o individuo não consegue perceber o que suas ações involuntárias podem causar ao meio ambiente e a si mesmo a curto, médio e longo prazo. Pode-se mencionar, por exemplo, as atividades realizadas em sala de aula o local onde moramos, onde trabalhamos, ou estudamos como parte do meio ambiente, pois a educação é mediadora na atividade humana, articula teoria e prática, fazendo com que o sujeito envolvido no processo educacional, se aproprie dos conhecimentos fornecidos e seja capaz de agir de forma responsáveldiante do ambiente em que vive. Podemos, portanto, dizer que a crítica proporcionar uma tomada de consciência de nossos alunos e comunidade do valor do seu meio ambiente na aquisição de conhecimentos, habilidades, experiências e determinação que os tornem aptos a agir individualmente e coletivamente no processo de realização de atividades de reciclagem e reaproveitamento útil do lixo. o LIXO jogado por aí! A falta de conscientização nas pessoas é o grande fator dos problemas com os lixos jogado na rua. É algo enraizado, você percebe quando as pessoas estão andando, por uma ação automática, jogam os lixos nas ruas, mesmo tendo as lixeiras próximo delas. Precisamos alertar sempre as pessoas para que isso encaixe na cabeça e que a ação automática não seja jogar o lixo na rua, mas sim esperar uma lixeira próxima para colocar o lixo no lugar certo. Só para se ter uma idéia, apenas metade do lixo é coletado no país, desta metade,uma pequena parcela vai para os locais adequados, como aterros sanitários, incineradores, usinas de reciclagem e compostagem.
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    Uma outra parteé jogada em rios que abastecem regiões inteiras, ou levada para lixões clandestinos a céu aberto. Nesse cálculo, entra também o lixo jogado nas ruas,aquele que entope bueiros e galerias de águas pluviais, provocando enchentes desastrosas na época das chuvas. Nas comunidades carentes,onde a situação é precária, que não têm serviço de coleta, muitas vezes o lixo é lançado nas encostas e nos cursos d’água e,quando chove, a força d’água e o volume do lixo provocam graves desabamentos, o que vemos quase sempre na televisão. Nos grandes centros urbanos esse problema é cada dia mais crítico. Os problemas causados pelo lixo O lixo que o ser humano produz e joga no planeta todos os dias é um risco muito sério à saúde de todos os seres vivos e do planeta em si.São bilhões de pessoas morando no planeta Terra. Dê uma olhada na lixeira da sua sala de aula ou de sua cozinha. Repare o quanto aquele lixo aumenta todos os dias. Depois, tente imaginar que cada uma das famílias do mundo (esses bilhões de pessoas) faz a mesma coisa, diariamente. Dá para imaginar o tamanho do lixo?! Veja alguns dos problemas que o lixo pode causar: Doenças: O lixo que vai para lixões a céu aberto ou terrenos baldios produz bactérias e fungos. Também atrai baratas, ratos, moscas,mosquitos etc. Esses animais podem transmitir doenças sérias,como dengue, febre tifóide, cólera, disenteria, peste bubônica e leishmaniose. Acidentes aéreos: lixo acumulado perto de aeroportos causam acidente (o avião se choca com um urubus ou outra ave grande). Chorume: é um líquido mal-cheiroso e nojento que o lixo acumulado produz quando vai se decompondo. O chorume é dez vezes mais poluente que o esgoto. Isso porque, além de conter matéria orgânica apodrecida, ele tem substâncias químicas e metais muito tóxicos. O chorume contamina o solo e pode chegar aos lençóis freáticos (espécies de rios subterrâneos que existem por toda a Terra e que jogam sua água nos mares,lagos, mangues e rios). Quanto mais o chorume se espalha, mais vai poluindo. Poluição do ar:o lixo – queimado ou não, produz gases que fazem mal à saúde dos seres vivos e do planeta, como o gás metano e o gás sulfídrico. Esses gases poluem o ar e podem causar doenças respiratórias. O lixo queimado produz gás carbônico, um gás que é tóxico se estiver em grandes quantidades. Se a gente se lembrar que o ar do planeta já está cheio de gás carbônico por causa dos carros e das fábricas… Inundações: garrafas de PET,sacos plásticos e outros lixos são levados pelas águas numa chuva forte. Eles acabam entupindo bueiros e até impedindo os rios de correrem por seus leitos. Isso causa inundações terríveis. A água suja das inundações estraga as casas das pessoas,mata animais domésticos e causa mais doenças na população. O lixo é um grande problema. Mas ele pode ser um problema um pouco menor, desde que os governos, as instituições (escolas, hospitais etc.), as empresas e cada pessoa façam a sua parte. Isso inclui você e sua família. A importância de mobilizar os alunos em questões relacionadas ao meio ambiente Falta de água, desastres naturais,aquecimento global, reciclagem, uso consciente, temperaturas fora do comum. Em toda a história da humanidade, assuntos relacionados ao meio ambiente nunca foram tão debatidos como nos dias de hoje. Essa preocupação permeia grandes encontros políticos e sociais, mas também se faz muito necessária nas relações familiares e, principalmente, no ambiente escolar. Hoje, a grande incumbência da sociedade é diminuir os impactos negativos causados por nós, seres humanos, no planeta. Para isso, é preciso mudar atitudes pessoais e coletivas, afim de “salvar” o mundo dessa ameaça que,a cada dia, se torna mais real. Diante desse cenário preocupante, a escola assume um papel importante já que tem em suas mãos a oportunidade de educar e conscientizar as crianças e jovens que serão o futuro do mundo. Muitas instituições de ensino reconhecem a relevância de desenvolver em seus alunos a mentalidade ambiental e,por meio de estudos e ações diárias, elas estão ajudando os estudantes a formar uma cultura de defesa do planeta, envolvendo, também, as comunidades e famílias nesse processo de reflexão. A Educação Ambiental precisa ser contínua e exige muito conhecimento e comprometimento por parte dos educadores,pois eles são espelhos para os seus jovens alunos. Vejamos a seguir algumas estratégias que podem auxiliar as escolas no desenvolvimento da consciência ambiental nos estudantes. Compreendendo o problema-É comum relacionar o meio ambiente com as disciplinas de Ciências e Geografia. No entanto, para o aprendizado ser efetivo e internalizado pelos alunos, ultrapassando os muros da escola, é importante envolver os estudantes em tarefas multidisciplinares e que envolvam a comunidade ao redor para, assim, permitir que eles construam novas maneiras de se relacionar com a realidade à sua volta. Abordar problemas “macros”, como o desmatamento das florestas, ajudam os estudantes a entenderem a dimensão da situação. Entretanto, é essencial mostrar também os problemas de menor repercussão e que, as vezes, passam desapercebidos. Por exemplo, um bueiro entupido no bairro onde a escola está localizada pode ser um case trabalhado em sala de aula. Quais motivos levaram a esse entupimento? Os moradores do bairro influenciaram nesse problema? O que um bueiro entupido pode causar? As enchentes poderiam ser evitadas se o bueiro estivesse funcionando normalmente? Jogar lixo na rua pode ocasionar esse problema?
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    A partir dessesquestionamentos de uma ocorrência ambiental “micro”, os alunos conseguem visualizar o impacto que as ações do dia a dia de cada um de nós causam no planeta, tanto para bem quanto para o mal. Mobilização a favor do planeta-Ao compreender a importância da mudança de comportamento da sociedade para “salvar” o planeta, chegou o momento de mobilizar os alunos em ações socioambientais. De acordo com a pesquisadora em Educação Ambiental, Michèle Sato, “o aprendizado ambiental é um componente vital, pois oferece motivos que levam os alunos a se reconhecerem como parte integrante do meio em que vivem e os faz pensar nas alternativas para soluções dos problemas ambientais e ajudar a manter os recursos para as futuras gerações.” Algumas ações desenvolvidas a princípio dentro da escola ajudam a mobilizar e a engajar os alunos em questões ambientais também em casa e durante o seu dia a dia. A reciclagem do lixo no colégio, por exemplo, é uma ótima maneira de enfatizar a importância de dar ao lixo um destino correto. Utilizar materiais que iam para os lixões, como as garrafas pet,em atividades das aulas de Artes Plásticas, demonstram que o hábito de reaproveitar recursos é importante, já que o nosso planeta não tem espaço suficiente para armazenar todo o lixo produzido pelos humanos e a reutilização de matérias-primas é um dos caminhos para “salvar” o planeta. Outro ponto de mobilização que pode ser trabalhado na escola é a criação de uma horta a ser cuidada pelos próprios estudantes. Além de ser uma atividade bem divertida, é possível ensinar técnicas de plantio, formas de cultivo de determinadas espécies vegetais e também mostrar como as plantas melhoram a qualidade de vida dos seres humanos. Entretanto, a professora da Universidade de São Paulo diz: “Nada adianta montar uma horta e depois não mantê-la. Ou separar o lixo na escola e depois não ter como dar fim a ele”, pondera. Trabalhar questões ambientais nas escolas se tornou algo essencial na busca por melhorias na qualidade de vida e bem-estar da sociedade. As crianças e os jovens que hoje ocupam as cadeiras escolares têm esse grande desafio em suas mãos e só com a educação e com a conscientização eles conseguirão reverter esse cenário tão negativo.