A Desconhecida Origem Judáica de Muitos de Nós
Brasileiros
Por Patrícia Caldeira de Almeida
São Paulo, Brasil.
12.06.2003
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Brasil. Até hoje em nossa socied...
pequenos atirados com força contra as paredes, tendo seu crânio esmagado. Muitos judeus
frente ao desespero da conversão f...
Eliate, Escobar, Espadilha, Espinhoza, Espinoza, Esteves, Évora. Faísca, Falcão, Faria,
Farinha, Faro, Farto, Fatexa, Febo...
Costumes de cristãos novos nas tradições familiares brasileiras:
Segue-se uma lista de aspectos culturais e perguntas que ...
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SEFARDIM
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O rigem judaica brasileira

  1. 1. A Desconhecida Origem Judáica de Muitos de Nós Brasileiros Por Patrícia Caldeira de Almeida São Paulo, Brasil. 12.06.2003 Todos aprendemos na escola, logo cedo nas aulas de história, que o povo brasileiro é composto basicamente da mistura de três raças: branco, negro e índio. Contudo, os historiadores passaram por cima de um detalhe importantíssimo: como era composto o grupo dos brancos (portugueses). Graças a esta omissão, apenas agora muitos brasileiros descobrem que podem ser descendentes dos judeus massacrados pela Inquisição promovida por Isabel de Castela, rainha católica da Espanha, com todo o apoio, conhecimento e ajuda, da Igreja Católica. Isabel, através de contrato de casamento, estendeu a Inquisição à Portugal, obrigando o Rei a livrar-se dos judeus. Os judeus sefarditas (judeus de Portugal e Espanha, também chamados de sefardim, sefaradim, sefaraditas) foram forçados a se converter ao cristianismo, sendo então denominados "cristãos novos" e deixando para trás toda a cultura e tradição judaicas. Modificaram seus sobrenomes (Aboab, Cohen, Abravanel, Aruch, entre tantos outros), adotando nomes muito comuns entre nós brasileiros até hoje: Pereira, Araújo, Almeida, Bezerra, Caldeira, Dias, Cardoso, Melo, Lopes, Oliveira, Saldanha... Para descobrir as esquecidas origens judaicas, é necessário inteirar-se da história; do que aconteceu durante a Inquisição, de tudo o que os judeus sofreram e foram obrigados a deixar para trás. Só assim entenderemos como muitos de nós, criados em famílias católicas, somos em verdade, judeus sefarditas. Os judeus sefarditas tiveram sua ascendência na Espanha e de lá foram para Portugal, Brasil, Turquia, Marrocos e norte da África. A população da comunidade judaica chegou a representar mais de 20% da população ibérica. Os judeus cresceram e prosperaram durante séculos. Dominavam a ciência, a medicina, a astronomia, a matemática, o comércio e deram origem aos primeiros bancos para empréstimos de dinheiro, inclusive para o próprio Estado. A Inquisição na Espanha iniciou-se em 1478 e foi até 1834. Em Portugal ela se estende de 1536 a 1821 e a Inquisição Romana (reorganizada) em 1542 e abolida em 1746 e em 1800 no quadro de diversos Estados Italianos. No Brasil, compreendeu o período de 1591, quando nosso país recebeu pela primeira vez a visita do Inquisidor oficial da Corte Portuguesa, até 1821. Mas, se considerarmos que desde o descobrimento os judeus aqui chegaram já em número significativo nas expedições do cristão novo Fernando de Noronha em 1503, podemos afirmar que o período inquisitorial no Brasil durou mais de 300 anos. A expulsão dos judeus da Espanha: Nos séculos treze e quatorze, até ao século quinze, a igreja católica crescia e com isto a pressão sobre a conversão dos judeus também. Em outras palavras, para um judeu, ser batizado e aceitar o catolicismo era sinônimo de garantir um futuro aparentemente seguro, mesclando-se com os mouros, visigodos, fenícios, romanos e celtas que também habitavam a Península Espano-Portuguesa. Assim, um filho de cristãos-novos já nascia alheio às tradições e costumes judaicos. A história nos mostra que netos e bisnetos dos judeus conversos acabaram se tornando frades e padres, pois abraçavam a religião com grande obstinação, fato este peculiar à raça hebréia. O famoso padre Antônio Vieira (Sermão da Sexagésima) que fez parte da história do Brasil é um exemplo desta assimilação. Os judeus sefarditas começaram sofrer um processo assimilativo, tornando-se cidadãos comuns, assassinando suas raízes judaicas, abandonando a celebração do Shabat e passando a freqüentar as missas de Domingo. Mas, isto não acontecia com todos aqueles que se tornavam cristãos-novos. Uma boa parte assumia o cristianismo externamente e acabavam se tornando o chamado "católico relapso", passando apenas pelo batismo e daí para frente não
  2. 2. assumia nenhum compromisso. Grande parte destes judeus vieram mais tarde para colonizar o Brasil. Até hoje em nossa sociedade este tipo de católico é muito comum. E, finalmente, uma outra parte não significativa praticava o criptojudaísmo, não assumindo interiormente a fé católica. A terminologia pejorativa de "marranos", que quer dizer porco / sujo em Espanhol, era atribuído aos criptojudeus. Um fato historicamente marcante aconteceu quando surgiu Torquemada, grande perseguidor dos judeus e confessor da rainha Isabel da Espanha. Isabel casou-se, então, com o rei Ferdinando Aragão em 1469, de Portugal. O trio da crueldade estava formado e dez anos mais tarde os reinos estariam unidos, tendo uma causa comum: a Inquisição. Neste período havia vários decretos proibindo o judeu converso a ocupar cargos públicos, bem como de usar ou valer-se de qualquer outro privilégio do Estado. A partir de 1480 o trio Torquemada, Ferdinando e Isabel pôs em prática certas táticas de inquisição contra os judeus e conversos, instituindo os chamados "Autos de Fé" levando esses a uma degradação desumana, mostrando seu lado covarde e perverso. Surgia nesta época artefatos engenhosos para os mais variados tipos de tortura. Os pobres não tinham outra alternativa a não ser ir para a tortura, declarar-se judeu e optar pela fé católica, escapando da morte. Para os mais ricos a pena poderia ser computada sob a égide de uma fiança exorbitante. Várias proibições surgiram na época, como por exemplo, os profissionais não poderiam exercer suas funções de médico, advogado, tão pouco usar jóias de ouro, prata, nem seda ou até mesmo deixar a barba crescer. Não podiam receber dinheiro nem mercadorias de qualquer espécie.Realmente, os judeus viveram maus momentos no período que foi de 1480 até 1492. Neste doze anos a miséria da comunidade judaica espanhola foi extrema. Já havia uma imigração deste povo para Portugal, onde a situação para estes judeus era mais amena. Finalmente, o Decreto de Expulsão dos judeus da Espanha ocorreu em 31 de março de 1492 promulgado pelos reis católicos. Conforme dados históricos, os judeus imigraram para os seguintes países e em tais números: - Para Turquia : 90.000 judeus - Para Holanda : 25.000 - Para Marrocos : 20.000 - Para França : 10.000 - Para Itália : 10.000 - Para América do Norte : 5.000 - Para Portugal : 120.000 Total : 280.000 - Morreram procurando um lar : 20.000 judeus sefaradis - Batizaram-se e permaneceram na Espanha: 50.000 judeus A imigração para Portugal: Em Portugal os hebreus eram favorecidos da corte e protegidos da fidalguia, a qual lhes tiravam boa parte dos rendimentos. Além de ser um país vizinho e mais perto, havia similaridade da língua e costumes. Portugal recebeu assim, o maior número de judeus. No entanto, Isabel de Castela conseguiu através de contrato de casamento perpetrar sua inquisição em Portugal, também. As humilhações, perseguições e torturas às quais os marranos, judeus, cristãos novos, foram submetidos são incontáveis e absurdas. Em certo momento, em Portugal, foi ordenado que todas as crianças de dois a dez anos fossem tiradas de seus pais, e transportadas à ilha de São Tomé, que havia sido há pouco descoberta e cujos únicos moradores eram lagartos, serpentes e outros muitos bichos selvagens, conforme relata Samuel Usque em seu livro, cap. 27. Estas crianças eram deixadas a própria sorte em São Tomé e obviamente, morriam sozinhas e apavoradas. Várias atrocidades foram cometidas contra esses judeus, que tinham seus bens confiscados, saqueados, sendo suas mulheres prostituídas e atiradas às chamas das fogueiras em praças públicas e suas crianças eram deportadas órfãs para as ilhas da colônia portuguesa. Suas casas eram invadidas e seus filhos
  3. 3. pequenos atirados com força contra as paredes, tendo seu crânio esmagado. Muitos judeus frente ao desespero da conversão forçada, matavam aos filhos e depois a si mesmos. Crianças judias eram roubadas de suas famílias e dadas para famílias católicas, sendo por elas criadas e esquecendo-se para sempre de suas raízes judaicas. É importante salientar que apesar de forçados à conversão, não necessariamente a perseguição terminava aí. Os cristãos novos não eram aceitos pelo restante da população cristã, sendo sempre vistos como "judeus" A situação estava insuportável no ano de 1499. Um milagre precisava urgentemente acontecer. Os portugueses foram mais perspicazes do que os espanhóis, pois ao invés de expulsar os judeus, proibiram-nos de deixar o país, a fim de não desmantelar a situação financeira e comercial daquela época, pois os judeus eram prósperos, desenvolvidos na medicina e principalmente, na astrologia e navegação. Os judeus sefarditas, então, eram obrigados a viver numa situação penosa, pois, por um lado, eram obrigados a confessar a fé cristã e por outro, seus bens eram espoliados, viviam humilhados e confinados naquele país. Voltar para Espanha, de onde haviam sido expulsos em 1492, era impossível, bem como seguir em frente, tendo à vista o imenso oceano Atlântico. O Brasil foi a melhor solução que se apresentou. E assim, tanto criptojudeus quanto cristãos novos aqui chegaram na intenção de conseguir viver, trabalhar e criar seus filhos, longe dos horrores da inquisição. Os sobrenomes: Uma das marcantes características das conversões forçadas era que o converso deveria abandonar seu sobrenome judeu e escolher qualquer outro. Alguns escolhiam nomes de animais, plantas, objetos. Outros escolhiam sobrenomes que já existiam em Portugal e Espanha e eram usados pelos "cristãos velhos" Como pode ser observado na listagem abaixo, estes sobrenomes escolhidos são usados por nós até hoje. Possuir um destes sobrenomes não garante que a pessoa seja um descendente de judeu sefardita. Porém, é um indício importante e que não deve ser descartado. Outro forte indício é a família dizer-se católica, mas possuir alguns costumes judaicos em seu dia a dia. Listarei alguns destes costumes mais adiante. Alguns sobrenomes foram criados ou utilizados pela primeira vez pelo próprio converso, tendo dado este então origem a uma família específica; como o caso do judeu converso espanhol Nuno Lopez, que trocou de sobrenome (já depois de convertido) para Saldaña. Tendo imigrado para Portugal, adotou a escrita Saldanha, que nunca tinha sido utilizado como sobrenome antes.. Segue abaixo uma interessante lista de sobrenomes muito utilizados pelos conversos: Abreu, Abrunhosa, Affonseca, Affonso,Aguiar, Ayres,Alam, Alhertú, Albuquerque, AlÍaro, Almeida, Alonso, Alvade, Alvarado, Alvarenga, Alvares, Aivarez, Anelos, Alveres, Alves, Aivim, Alvorada, Alvres, Amado, Amaral, Andrada, Andrade, Anta, Antônio, Antunes, Arailjo, Araújo, Arrahaça,Arroyo, Arroja, Aspalhão, Assumpção, Athayde, Avila, Avis,. Azeda, Azeitado, Azeredo, Azevedo.. Bacelar, Balão, Baihoa, Balíeyro, Balteiro, Bandes, Baptista, Barata, Barbalha, Barhosa, Barhoza, Bareda, Barrajas, Barreira, Barreta, Barreto, Barros, Bastos, Bautista, Batista, Beirão, Belinque, Belmonte, Bello, Bentes, Bernal, Bernardes, Bezerra, Bicudo, Bispo, Bivar, Bocarro, Boned, Bonsucesso, Borges, Borralho, Botelho, Bragança, Brandão, Bravo, Brites, Brito, Brum, Bueno, Bulhão.. Cahaço, Cahral, Cahreíra, Cáceres, Caetano, Calassa, Caldas, Caldeira, Caldeyrão, Callado, Camacho, Câmara, Camejo, Caminha, Campo, Campos, Candeas, Capote, Cárceres, Cardoso, Cardozo, Carlos, Carneiro, Carrança, Carnide, Carreira, Carrilho, Carrollo, Carvalho, Casado, Casqueiro, Cásseres, Castanheda, Castanho, Castelo, Castelo Branco, Castelhano, Castilho, Castro, Cazado, Cazales, Ceya, Cespedes, Chacla, Chacon, Chaves, Chito, Cid, Cobilhos, Coché, Coelho, Collaço, Contreíras, Cordeiro, Corgenaga, Coronel, Corrêa, Cortei., Comjo, Costa, Coutinho, Couto, Covilhã, Crasto, Cruz, Cunha.. Damas, Daniel, Datto, Delgado, Devei, Diamante, Dias, Diniz, Dionísio, Dique, Déria, Dona, Dourado, Drago, Duarte, Duraes..
  4. 4. Eliate, Escobar, Espadilha, Espinhoza, Espinoza, Esteves, Évora. Faísca, Falcão, Faria, Farinha, Faro, Farto, Fatexa, Febos, Feijão, Feijó, Fernandes, Ferrão, Ferraz, Ferreira, Ferro, Fialho, Fidalgo, Figueira, Figueiredo, Figueiró, Figueiroa, Flores, Fogaça, Fonseca, Fontes, Forro, Fraga, Fragozo, França, Frances, Francisco, Franco, Freire, Freitas, Froes, Frois, Furtado. . Gabriel, Gago, Galante, Galego, Galeno, Gallo, Galvão, Gama, Gamboa, Gançoso, Ganso, Garcia, Gasto, Gavilão, Gil, Godirtho, Godins,Goes, Gomes, Gonçalves, Gouvea, Gracia, Gradis, Gramacho, Guadalupe, Guedes, Gueybara, Gueyros, Guerra, Guerreiro, Gusniao, Guterres.. Henriques, Homem. . Idanha, Lscol, Isidro. . Jordâo, Jorge, Jnbim, Julião. . Lafaia, Lago, Laguna, Lmy, Lara, Lassa, Leal, Leão, Ledcsma, Leitão, Leite, Lemos, Lima, Liz, Lobo, Lodesma, Lopes, Loução, Loureiro, Lourenço, Louzada , Louzano, Lucena, Luíz, Lima, Luzarte.. Macedo, Machado, Machuca, Madeira, Madureira, Magalhães, Maia, Maioral, Maj, Maldonado, Malheiro, Manem, Manganês, Manhanas, Manoel, Manzona, Marçal, Marques, Martins, Mascarenhas, Mattos, Matoso, Medalha, Meddros, Medina, Melão, Mello, Mendanha, Mendes, Mendonça, Menezes, Mesquita, Mezas, Miffio, Miles, Miranda, Moeda, Mogadouro, Mogo, Molina, Mot,forte, Monguinho, Moniz, Monsanto, Montearroyo, Monteiro, Montes, Montezinhos, Moraes, Morales, Morão, Morato, Moreas, Moreira, Moreno, Motta, Moura, Mouzinho, Munhoz.. Nabo, Nagera, Navarro, Negrão, Neves, Nicolao, Nobre, Nogueira, Noronha, Novaes, Mines.. Oliva, Olivares, Oliveira, Oróbio.. Pacham, Pachão, Paixão, Pacheco, Paes, Paiva, Palancho, Palhano. Pantoja, Pardo, Paredes, Parra, Páscoa, Passos, Paz, Pedrozo, Pegado,Peinado, Penalvo, Penha, Penso, Penteado, Peralta, Perdigão, Pereira,Peres, Pessoa, Pestana, Picanço, Pilar, Pimentel, Pina, Pineda, Pinhâo,Pinheiro, Pinto, Pires, Pisco, Pissarro, Piteyra, Pizarro, Ponheiro, Ponte, Porto, Pouzado, Prado, Preto, Proença.. Quadros, Quaresma, Queiroz, Quental.. Rabelo, Rabocha, Raphael, Ramalho, Ramires, Ramos, Rangel, Raposo, Rasquete, Rehello, Rego, Reis, Rezende, Ribeiro, Rios, Robles, Rocha, Rodrigues, Roldão, Romão, Romeiro, Rosário, Rosa, Rosas, Rosado, Ruivo, Ruiz.. . Sá, Saldanha, Salvador,Samora, Sampaio, Samuda, Sanches, Sandoval, Santarém, Santiago, Santos, Saraiva, Sarilho, Saro, Sarzedas, Seixas, Sena, Semedo, Sequeira, Seralvo, Serpa , Serqueira, Serra, Serrano, Serrão, Sorveira, Silva, Silveira, Simão, Simões, Siqueira, Soares, Sodenha, Sodré, Soeyro, Sola, Solis, Sondo, Soutto-Mayor, Souza. . Tagarro, Tareu, Tavares, Taveira, Teixeira, Telles, Thomás, Toloza, Torres, Torrones, Tola, Tourinho, Tovar, Trigillos, Trigueiros, Trindade.. Uchfla.. Valladolid, Valle, Valença, Valente, Vareja, Vargas, Vasconcellos, Vasques, Vaz Veiga, Velasco, Vellez, Velho, Veloso, Vergueiro, Vianna, Vicente,Viegas, Vieira,Vigo, Vilhalva,Vilhegas, Villena, Villa, Villalão, Villa-Lobos, Villanova, Villar, Villa-Real, Villella, Vizeu. . Xavier, Ximenes.. Zuriaga..
  5. 5. Costumes de cristãos novos nas tradições familiares brasileiras: Segue-se uma lista de aspectos culturais e perguntas que podem revelar a origem judaica de uma família, dividida em tópicos: Família, Ritos Natalícios, Ritos Matrimoniais, Refeições, Objetos, Costumes e Ritos Fúnebres; a lista apresenta práticas possivelmente já esquecidas pelas tradições familiares no decorrer dos tempos. Família Alguém, pai, avô, ou outro parente, já falou algo sobre a família ser de judeus? .Na cidade em que a família morava, há algum judeu ou comunidade judaica antiga?Alguém da família fala/falava alguma língua desconhecida? Parecia com o espanhol? Era totalmente desconhecida? Ladino?. Algum parente evita ou evitava igrejas católicas?As Igrejas, mesmo católicas, que os familiares freqüentavam não tinham imagens?. Alguém da família participava de reuniões secretas, ou de encontros onde só homens ou só os pais podiam ir? Ou de algum grupo de oração secreto?. Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os familiares? Ritos Natalícios: Colocar a cabeça de um galo em cima da porta do quarto onde o nascimento iria acontecer. Depois do nascimento, a mãe não deveria descobrir-se ou mudar de roupas durante 30 dias. Ela deveria permanecer em repouso em sua cama, e afastada do contato com outras pessoas, pois segundo a Lei, a mulher fica impura durante 30 dias após um parto. Parecida com esta prática é a de afastar-se no período menstrual, em que também é considerada impura. Ainda durante esses trinta dias, a mulher só comia frango, de manhã, de tarde e de noite. Dava força para a recuperação.. Lançar uma moeda prateada na primeira água de banho do bebê. . Dizer uma oração oito dias depois de nascimento na qual o nome do bebê é citado. . Realizar a circuncisão ou mesmo batizar o menino ao oitavo dia de nascido. . Acender alguma vela ou lamparina no quarto onde o parto ia acontecer, porque o menino não podia ficar no escuro até ser batizado (ou circuncidado) . Ritos Matrimoniais: Os noivos e seus padrinhos e madrinhas deveriam jejuar no dia do casamento. Na cerimônia, as mãos dos noivos eram envoltas por um pano branco, enquanto fazia-se uma oração. Da cerimônia seguia-se uma refeição leve: vinho, ervas, mel, sal e pão sem fermento. Noivo e noiva comiam e tomavam do mesmo prato e copo. Refeições: A prática de jejuns era comum. . Era proibido comer carne com sangue. Às vezes também se retiravam os nervos, com uma faca especial para tal.Ovos com mancha de sangue eram jogados fora.. Não se comia carne de porco, pois é considerada impura.. Não era permitido cozinhar carne e leite juntos. Ás vezes esperava-se um certo tempo entre a ingestão do leite e da carne.. Comia-se apenas comida preparada pela mãe ou pela avó materna.. Um menino deveria jejuar durante 24 horas antes de completar sete anos.. Costumava-se beijar qualquer pedaço de pão que cai no chão.. Era proibido comer carne de animal de sangue quente que não tivesse sido sangrado.. Havia certas restrições quanto aos tipos de peixe comestíveis: os peixes "de couro"; (sem escamas) não serviam para consumo, e às vezes só os peixes do mar podiam ser ingeridos. Moluscos e mariscos também eram proibidos.. Há ainda hoje um hábito
  6. 6. muito difundido, especialmente no interior, de derramar um pouco da bebida e da comida "para o santo", com raízes na páscoa judaica.. Em algumas casas de famílias cristãs-novas, na mesa de jantar, havia gavetas, que serviam para esconder a comida kasher, a comida recomendada pela Torah, caso chegasse alguma visita inesperada. Costumes: Acender velas nas sextas-feiras à noite. . Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa. As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa judaica freqüentemente coincidem.. Limpar a casa nas sextas-feiras durante o dia. Era proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à noite (até mesmo lavagem de cabelo). . Realizar alguma reunião familiar nas sextas-feiras à noite.Aos sábados, velas eram acesas diante do oratório e deveriam queimar até o fim do dia. . Havia roupas especiais para o sábado. Às vezes eram simplesmente roupas novas ou roupas limpas. . Dizeres comuns: "O Sábado é o dia da glória", ou "Deus te crie" (Hayim Tovim), para quando alguém espirrava. . Comemorações diferentes das católicas, como o "Dia Puro" (Yom Kippur) ou algum feriado de Primavera. . Era costume de alguns acender no Natal oito velas. . Em imitação a alguns personagens bíblicos, quando acontecia algo importante, rasgavam-se as vestes. . Um costume ainda muito comum hoje em dia era varrer o chão longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com a crença de que se o contrário fosse feito as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática está ligada ao respeito pela Mezuzah, que era pendurada nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um sacrilégio.. Ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se fazer com a mão sobre a cabeça.. Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia de celebração nas casas judaicas), começava com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não. Então ensinava-se às crianças a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos. Ritos Fúnebres: Cobrir todos os espelhos da casa. Toda a água da casa do defunto era jogada fora. Cortar as unhas do defunto (ou pelo menos um par delas) como também alguns fios de cabelo e envolver tudo em um pedaço de papel ou pano.Lavar o corpo com água trazida da fonte em um recipiente novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas brancas, as mortalhas.O corpo era velado durante um dia, e então uma procissão levava-o à igreja e de lá ao cemitério. A casa então era lavada.Durante uma semana manter-se-ia o quarto do finado iluminado.. A casa da família enlutada fechada ao máximo, durante uma semana, com incenso queimando pelos cômodos. Quase ninguém entrava ou saía durante esse período. Os homens não se barbeavam durante trinta dias..Manter o lugar do defunto à mesa, encher o prato dele ou dela e dar a comida a um mendigo. Não comer carne durante uma semana depois de uma morte na família. Jejuar no terceiro e oitavo dia e uma vez a cada três meses durante um ano. .Convidar um mendigo para comer e servir a comida que o morto mais gostava. . Colocar comida perto da cama do defunto. Fazer a cama do defunto com linho fresco e queimar uma luz perto dela durante um ano. As parentes mulheres deveriam cobrir suas cabeças e esconder as faces com uma manta. Ir para o quarto do defunto por oito dias e dizer: "Que Deus te dê um boa noite. Você foi uma vez como nós, nós seremos como você ". Passar uma moeda de ouro ou prata em cima da boca do defunto, e então dá-la a um mendigo. Passar um pedaço de pão em cima dos olhos do defunto e dá-lo a um mendigo. Dar esmolas em toda esquina antes da procissão funerária chegar ao cemitério. Dar pelo menos para um mendigo um terno completo
  7. 7. e comida aos Sábados durante um ano. . Ter várias luzes iluminando em véspera de Dia Puro, em memória do defunto. . Em algumas cidades havia o chamado "abafador", que deveria ajudar alguém gravemente doente a ir embora antes que um médico viesse examiná-lo e descobrisse que o enfermo é judeu. O abafador, a portas fechadas, sufocava o doente, proferindo calmamente a frase "Vamos, meu filho, Nosso Senhor está esperando!". Feito o trabalho, o corpo era recomposto e o abafador saía para dar a notícia aos parentes: "ele se foi como um passarinho." Há cerca de três anos, comecei a montar minha árvore genealógica, por mera curiosidade. Confesso que não fui muito longe, pois infelizmente minha família tem um total desinteresse pelo passado. Contudo, minha maior descoberta foi meu sangue judeu. . Muito mais importante do que descobrir o nome de meus tataravós e sua cidade natal, foi saber-me judia. . Hoje tenho consciência da minha obrigação de passar esta descoberta aos meus filhos e fazer o caminho de volta ao judaísmo; caminho de onde meus antepassados foram cruelmente arrancados, e colocar a mim e aos meus descendentes nos trilhos originais de nossa história pessoal.. Carrego com orgulho minha estrela de David e toda vez que alguém demonstra interesse, explico a história dos judeus da inquisição e de Nuno Lopez, o primeiro Saldanha (sobrenome de solteira da mãe de meu pai).. Hoje começo a aprender as tradições do meu povo. Isso é muito maior do que qualquer nome de parentes distantes que eu nunca vou saber. Pois coube a mim, corrigir o trajeto dos Caldeira, Almeida, Dias, Cardoso, Resende, Pereira, Rodrigues, Saldanha, Sá e todos os outros sobrenomes que já desapareceram da família. Os sobrenomes desapareceram, mas o sangue judeu não. E mesmo com toda a eficiência de Isabel de Castela, Ferdinando e Torquemada, nós vencemos..Mesmo depois das humilhações em praça pública, da miséria, dos roubos de nossos filhos, das inúmeras fogueiras e da perda de nossos sobrenomes, ainda assim nós vencemos. Não os inquisidores, mas nós, os sefarditas.. Cada um de nós que descobre sua origem judaica e retorna ao judaísmo, está honrando todos aqueles que morreram queimados só porque sua crença não era igual a da maioria e porque não tínhamos um país para o qual retornar.. Nossos antepassados em seus momentos de pavor não poderiam imaginar maior vingança contra a "Santa Inquisição"; do que o movimento que ocorre hoje no mundo todo: o de seus descendentes, que por vontade própria, cavam suas origens remotas e caminham de volta à fé que nos foi violentamente roubada. Por isso digo que fomos nós que vencemos.. A todos aqueles que como eu, empenham-se em retornar ao caminho original e legítimo do judaísmo, deixo meu melhor Shalom, na certeza de que nosso sangue judeu é muito mais forte do que foi a ira da inquisição.. Patrícia Caldeira de Almeida.. São Paulo, Brasil. 12.06.2003. Para comentários, críticas, elogios, dúvidas e qualquer outro contato, meu e.mail é:. sefardipati@ hotmail.com - pati_caldeira@ yahoo.com. br Este texto foi parcialmente escrito por mim e parcialmente retirado de textos disponíveis na internet e de autores variados. Gostaria de citar as seguintes fontes de pesquisa: - Raízes Judaicas no Brasil; Flávio Mendes de Carvalho. - Vínculos de Fogo; Alberto Flínes. - ABRADJIN (Associação Brasileira dos Descendentes de Judeus da Inquisição) - Os marranos e a diáspora sefardita- Hélio Daniel Cordeiro.

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