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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU
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REPRODUÇÃO BOVINA
BEATRIZ CORDENONSI LOPES
MARCOS BRANDÃO DIAS FERREIRA
CAMILA DE MORAES RAYMUNDO
UBERABA – 2015
APRESENTAÇÃO
Dra Beatriz Cordenonsi Lopes
Beatriz Cordenonsi Lopes, nascida em Americana, SP, em 19/09/1972, formou-se em
Medicina Veterinária em 1995, pela UFMG, concluiu Mestrado em Medicina Veterinária e
Doutorado em Ciência Animal, na mesma Instituição, pesquisando a reprodução de animais
zebuínos. Já atuou como professora na UFMG, foi responsável pelo Escritório Seccional do
IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) em Campina Verde, MG e consultora técnica de
Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, na delegacia regional de Sete Lagoas e de
Uberaba. Instalou e coordenou o |Polo de Excelência em Genética Bovina, projeto da
Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, sediado na
Associação Brasileira de Criadores de Zebu. Foi presidente do Instituto de Estudos
Avançados em Veterinária “José Caetano Borges” e Diretora do Hospital Veterinário de
Uberaba, de 2009 a 2013. Atualmente é pesquisadora da Pesquisadora da Empresa de
Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), na área de reprodução de ruminantes,
colaboradora técnico-científica do Museu do Zebu e professora da pós-graduação nas
Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU.
Dr. Marcos Brandão Dias Ferreira
Marcos Brandão Dias Ferreira é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG, em 1980), onde também concluiu o Mestrado em
Reprodução Animal no ano de 1997. Em 2011 concluiu o Doutorado em Reprodução Animal
na Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (campus Jaboticabal). Foi
professor substituto na UFMG, entre os anos de 1996 e 1997. Já atuou nas áreas de
Inseminação Artificial e Fertilização In vitro, reprodução e produção de zebu leiteiro,
andrologia de touros Zebuínos e mestiços, manejo reprodutivo e sanitário de vacas leiteiras
da raça Gir criadas a pasto, produção e avaliação de fêmeas F1 leiteiras, além de puberdade e
manejo reprodutivo de novilhas zebuínas. Atualmente é Pesquisador da Empresa de Pesquisa
Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e professor visitante em Bovinocultura de Leite na
Universidade de Uberaba - UNIUBE
M.Sc. Camila de Moraes Raymundo
Professora das Faculdades Associadas de Uberaba
Camila de Moraes Raymundo é graduada em Zootecnia pela Universidade Federal de
Lavras em 2008 e, na mesma instituição completou o Mestrado em Zootecnia, com ênfase em
Reprodução, em 2010. Em 2011, fez um curso de aperfeiçoamento na University of
Wyoming, na área de Ciência Animal e lá trabalhou no laboratório de reprodução do
Departamento de Zootecnia, onde estudou comportamento sexual de ovinos machos e
aspectos nutricionais no desenvolvimento reprodutivo de novilhas de corte. Foi bolsista do
Polo de Excelência em Genética Bovina (SECTES), como Coordenadora do Centro de
Inteligência, entre os anos de 2012 e 2014. Em 2013 passou a fazer parte do Conselho
Editorial da FAZU em Revista. No início de 2015 passou a atuar como Assessora de Pós-
Graduação, Pesquisa e Extensão das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU), onde desde
maio do mesmo ano, ministra aulas de Reprodução Animal para o curso de Zootecnia.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO................................................................................................................... 5
PARTE I – MANEJO REPRODUTIVO DE BOVINOS DE CORTE.............................. 6
CAPÍTULO 1 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DO REBANHO DE CORTE
NO BRASIL........................................................................................................................ 6
1.1. Índices reprodutivos...................................................................................................... 6
1.2. Fisiologia reprodutiva da fêmea bovina........................................................................ 7
1.2.1. Puberdade................................................................................................................. 7
1.2.2. Fertilidade no primeiro cio....................................................................................... 9
1.2.3. Nutrição e puberdade............................................................................................... 9
1.2.4. Bioestimulação e puberdade.................................................................................... 10
1.2.5. Endocrinologia do ciclo estral.................................................................................. 10
1.2.6. Fases do ciclo estral.................................................................................................. 12
1.3. Endocrinologia da reprodução de machos.................................................................... 14
1.3.1. Puberdade e maturidade sexual................................................................................ 15
CAPÍTULO 2 – MANEJO REPRODUTIVO: A INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO E
ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL NA REPRODUÇÃO....................................... 15
2.1. Influência da nutrição na reprodução de bovinos......................................................... 15
2.1.1. Energia..................................................................................................................... 15
2.1.2. Gordura.................................................................................................................... 16
2.1.3. Carbiodratos............................................................................................................. 17
2.1.4. Proteínas................................................................................................................... 17
2.1.5. Vitaminas e minerais................................................................................................ 18
2.2. Escore de Condição Corporal – Bovinos de Corte....................................................... 20
2.2.1. Leptina, condição corporal e reprodução................................................................. 20
2.2.2. Avaliação da condição corporal............................................................................... 21
2.2.3. Escore ideal e quando avaliar................................................................................... 23
CAPÍTULO 3 – ESTAÇÃO DE MONTA.......................................................................... 24
3.1. Vantagens da Estação de Monta................................................................................... 24
3.2. Desvantagens da Estação de Monta.............................................................................. 24
3.3. Duração da Estação de Monta...................................................................................... 25
3.4. Período ideal para implementação da Estação de Monta............................................. 25
3.5. Como implementar a Estação de Monta....................................................................... 26
3.6. Fecundação durante a Estação de Monta...................................................................... 27
3.6.1. Estação de Monta com touros................................................................................... 28
3.6.1.1. Manejo de touros Pré Estação de Monta............................................................... 28
3.6.1.2. Manejo de touros durante a Estação de Monta..................................................... 28
3.6.2. Estação de Monta com Inseminação Artificial......................................................... 29
CAPÍTULO 4 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL .............................................................. 29
4.1. Vantagens e desvantagens da inseminação artificial..................................................... 30
4.2. Comportamento da fêmea em cio.................................................................................. 30
4.3. Detecção de cio............................................................................................................. 30
4.3.1. Estros noturnos e curtos........................................................................................... 31
4.4. Momento da Inseminação Artificial.............................................................................. 31
CAPÍTULO 5 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM TEMPO FIXO.............................. 32
CAPÍTULO 6 – COLETA DE SÊMEN E AVALIAÇÃO ANDROLÓGICA................. 33
6.1. Coleta de sêmen............................................................................................................. 33
6.2. Avaliação andrológica................................................................................................... 34
6.2.1. Interpretando o exame andrológico.......................................................................... 34
4
6.3. Teste de libido............................................................................................................... 35
6.4. Cálculo da relação touro:vaca........................................................................................ 36
PARTE II – REPRODUÇÃO DE BOVINOS DE LEITE................................................. 37
CAPÍTULO 7 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DE BOVINOS LEITEIROS. 37
CAPÍTULO 8 – MANEJO REPRODUTIVO DE VACAS LEITEIRAS......................... 38
8.1. Considerações sobre o manejo reprodutivo e nutricional.............................................. 38
8.1.1. Escore de Condição Corporal para Bovinos de Leite.............................................. 39
8.2. Fisiologia da reprodução no pós-parto.......................................................................... 39
8.3. Sanidade – Doenças relacionadas à produção e reprodução......................................... 41
8.3.1. Mastite...................................................................................................................... 41
8.3.2. Metrite...................................................................................................................... 41
8.3.3. Edometrite................................................................................................................ 41
8.3.4. Retenção de placenta................................................................................................ 42
8.3.5. Piometra.................................................................................................................... 42
CAPÍTULO 9 – FUNÇÃO REPRODUTIVA E LACTAÇÃO......................................... 42
9.1. Glândula mamária e lactogênese................................................................................... 42
9.1.1. Lactogênese............................................................................................................. 42
9.2. Relação entre lactação e reprodução............................................................................. 43
CAPÍTULO 10 – BIOTECNOLOGIAS: FIV E TE............................................................ 44
10.1. Transferência de embriões........................................................................................... 44
10.1.1. Superovulação da doadora..................................................................................... 46
10.1.2. Coleta e classificação de embriões......................................................................... 47
10.1.3. Sincronização das receptoras................................................................................. 49
10.2. Fertilização in vitro...................................................................................................... 50
CAPÍTULO 11 – USO DO SÊMEN SEXADO................................................................. 51
11.1. Reversão do sêmen..................................................................................................... 52
REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 53
5
INTRODUÇÃO
O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com aproximadamente
208 milhões de bovinos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA –
IBGE, 2014). Ao longo dos últimos anos, vem perdendo áreas da pecuária para a produção de
outras culturas, como milho, soja, cana de açúcar e para o reflorestamento. Embora o setor
pecuário apresente aumento crescente de produtividade e no volume de carne produzida,
mesmo perdendo áreas para a agricultura, ainda é baixa a taxa de desfrute do rebanho
brasileiro, ou seja, sua capacidade de gerar excedente (Anuário Brasileiro da Pecuária –
ANUALPEC, 2013). Com grandes desafios pela frente, o setor requer investimentos em
técnicas e manejos que permitam a maior eficiência do sistema por unidade de área.
Um dos principais fatores limitantes da produtividade em gado de corte é a eficiência
reprodutiva, sendo o estabelecimento de uma estação de monta de curta duração uma das
decisões mais importantes do manejo reprodutivo e de maior impacto na fertilidade do
rebanho. A reprodução é um importante indicador de eficiência produtiva de rebanho bovino
de corte ou leite, assegurando satisfatório custo-benefício na atividade. A reprodução e as
biotecnologias a ela relacionadas são valorosas ferramentas para os programas de
melhoramento genético, que podem levar a ganhos quantitativos e qualitativos, que se
traduzem em maior número de crias e com características produtivas superiores, seja para a
produção de carne como também de leite.
Este material aborda os principais aspectos relacionados à fisiologia, desempenho e
manejo reprodutivo de fêmeas e machos bovinos, à estruturação e condução de estação de
monta com monta natural, inseminação artificial ou inseminação artificial em tempo fixo,
manejo do neonato e a avaliação dos índices reprodutivos relacionados à estação de monta.
Além de discutir parâmetros que influenciam diretamente nos índices reprodutivos de um
rebanho como crescimento e produção, manejo nutricional e reprodutivo, melhoramento
genético pelo uso de bitecnologias reprodutivas e sanidade.
6
PARTE I: MANEJO REPRODUTIVO DE BOVINOS DE CORTE
CAPÍTULO 1 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DO REBANHO DE CORTE
NO BRASIL
No ano de 2014 o Brasil foi o país de maior rebanho bovino comercial do mundo,
com 208,3 milhões de cabeças (IBGE, 2014). Sabe-se também que deste total, 80% do
rebanho é zebuíno devido a questões de adaptabilidade destes animais às condições tropicais
predominantes no Brasil, com exceção da região Sul.
Em relação à produção de bovinos de corte, em 2014 foram abatidos cerca de 27
milhões de cabeças (BRASIL. MINISTÉRIO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO – MAPA, 2015) e a produção de carne foi de 10,07 milhões de
toneladas equivalente carcaça (tec – medida de padronização do peso da carne bovina), dos
quais 7,9 milhões tec foram para o mercado interno (IBGE, 2014).
Apesar dos números indicarem uma produção considerável, a produtividade ainda
necessita ser melhorada, pois para assegurar retorno econômico, a pecuária de corte requer
máxima eficiência dos produtores. Segundo Faria e Corsi (1997, p. 1), além dos índices
zootécnicos, as taxa reprodutivas são importantes indicadores de eficiência produtiva do
rebanho, assegurando satisfatório custo-benefício na atividade. Ademais, a reprodução e as
biotecnologias a ela relacionadas são valorosas ferramentas para os programas de
melhoramento genético, o que indica que, quando bem implementados, possibilita-se obter
ganhos quantitativos e qualitativos, que se traduzem em maior número de bezerros e com
características produtivas superiores.
1.1. ÍNDICES REPRODUTIVOS
Dentro do contexto supramencionado, os índices reprodutivos são aqueles a serem
avaliados para maximizar a fertilidade de um rebanho, bem como o número e qualidade dos
produtos obtidos. A eficiência reprodutiva (ER) é portanto, a característica que expressa o
desempenho reprodutivo, considerando todas as outras características. Nas fêmeas, este
índice é avaliado desde a desmama até o último parto. Nos machos a ER pode ser mensurada
no período da estação de monta, período de coleta ou durante sua vida reprodutiva. Para
medir a eficiência do manejo reprodutivo é necessário que se avalie os resultados, e para tal
há várias informações que devem ser registradas, sendo fundamental além a análise dos dados
zootécnicos que possibilitam efetuar alguns cálculos e a obtenção de vários índices, úteis para
avaliar o sistema de produção.
Em bovinos de corte criados extensivamente, a idade à primeira cobrição (IPC)
ideal é de 18 a 24 meses para zebuínos e 11 a 15 meses para taurinos. Com isto a idade ao
primeiro parto (IPP) adequada seria entre 27 e 33 meses para fêmeas de origem zebuína e
20 a 24 meses para taurinos. A seleção reprodutiva para precocidade é bem estabelecida no
Bos taurus taurus e vem sendo realizada no Zebu, sobretudo na raça Nelore, de maneira que
há fêmeas zebuínas parindo em torno dos 24 meses em rebanhos selecionados. O quanto
antes as novilhas entrarem em reprodução menor será o número de fêmeas na recria,
reduzindo o custo fixo do sistema de produção, situação interessante para a lucratividade do
sistema. Extremamente importante, a habilidade materna (HM) é um índice que mensura o
peso ao desmame dos bezerros, onde vacas de boa HM desmamam bezerros mais pesados,
entre os 5 e 7 meses de idade.
O período compreendido entre o parto e a próxima fecundação é denominado período
de serviço (PS), o qual é constituído pelo período puerperal (PP – involução uterina e
retorno à atividade ovariana) e o serviço (S) propriamente dito que é aquele em que a vaca
está em reprodução, seja por monta natural ou inseminação artificial.
7
O intervalo entre partos (IP) é medido nas multíparas. O ideal é um intervalo de 12
meses, para que haja a produção de um bezerro por ano. Considerando-se que a matriz Zebu
tem uma gestação de aproximadamente 290 dias, tirando-se o período de 365 dias (1 ano)
temos a diferença de 75 dias para a fêmeas recuperar-se do parto, retomar a atividade
ovariana, ciclar, manifestar cio e emprenhar. Verifica-se que o desafio é relevante e que
organizar o rebanho em estação de monta curta, favorece a não sobreposição da estação de
nascimento com a de monta, assim, proporcionam-se maiores condições das matrizes
emprenharem no início da estação e apresentarem o intervalo de parto em torno de 12 meses.
O IP é calculado pela diferença entre a data do parto atual e a data do parto anterior.
A taxa de prenhez é obtida após o diagnóstico de gestação ao final da estação de
monta por palpação retal (a partir de 45 dias) ou ultrassonografia (a partir de 30 dias).
Representa a porcentagem de fêmeas do lote em estação que tornaram-se gestantes. Deseja-se
eficiência acima de 85%.
Taxa de prenhez = No de fêmeas gestantes x 100
No de fêmeas em cobertura
A taxa de desmame indica o número de crias desmamadas em relação ao total de
matrizes disponíveis para a reprodução durante a estação de monta. O índice é resultado de
várias informações sobre o sistema de produção como a fertilidade das fêmeas, perdas
embrionárias ou fetais e da mortalidade de bezerros. Uma boa taxa de desmame está acima de
75%.
Taxa de desmame = Nº de bezerros desmamados x100
Nº de fêmeas disponíveis em estação de monta
Taxa de desfrute mede a capacidade de gerar excedente do rebanho, ou seja,
representa a produção (em @, kg, ou cabeças) que teve em um ano em relação ao rebanho
inicial.
Taxa de desfrute= Nº de cabeças total- Nº de cabeças inicial – compras + vendas
Estoque inicial
1.2. FISIOLOGIA REPRODUTIVA DA FÊMEA BOVINA
1.2.1. Puberdade
Na fêmea bovina a atividade reprodutiva cíclica é determinada pela presença e ação
de vários fatores (nutrição, manejo sanitário, clima, aspectos raciais entre outros) que agem
em sincronia com os hormônios secretados pelo hipotálamo, hipófise, ovários e útero. A
idade a puberdade é mais avançada nos trópicos, como consequência principalmente do baixo
peso a desmama (condições nutricionais das pastagens tropicais) e da predominância da
genética zebuína, cuja seleção para fertilidade iniciou-se recentemente, ao contrário de
animais taurinos, que há mais de um século vem sendo selecionados para várias
características produtivas, como redução da idade a puberdade e fertilidade no pós-parto.
A puberdade é definida como a idade na qual novilhas têm sua primeira ovulação e
fase luteal com duração típica para a espécie. A idade em que as novilhas entram em
puberdade está associada ao peso, composição corporal e raça. É estimado que o início da
puberdade ocorra quando as fêmeas atingem de 60 a 65% do peso adulto e pode ser
influenciada por fatores como a nutrição, genótipo, seleção genética, bioestimulação durante
8
a pré-puberdade (presença de fêmeas cíclicas ou de macho nos lotes) e a utilização de
hormônios estimuladores.
O início da puberdade é resultado de uma série de complexos eventos endócrinos que
ocorrem dentro do eixo endócrino reprodutivo. Estes estão funcionais antes do início da
puberdade, sendo o hipotálamo, o último a se desenvolver. Na peri-puberdade (50 dias para a
puberdade) ocorrem alterações no hipotálamo que resultam no aumento da freqüência de
liberação de pulsos de GnRH dentro dos vasos porta-hipotalâmicos que são necessários para
estimular o crescimento de folículos até o estágio pré-ovulatório em novilhas, um importante
pré-requisito para a ovulação.
O LH é o hormônio determinante para a ocorrência da primeira ovulação e das
subsequentes. Apesar de pulsos de LH estarem aparentes na circulação periférica de novilhas
ao primeiro mês de vida, eles aumentam de forma cúbica durante os 140 dias precedentes ao
início da puberdade, sendo que a maior alteração na freqüência dos pulsos ocorre próximo
dos 46 dias que faltam para o início da puberdade. Na pré-puberdade (mais de 50 dias para a
puberdade) os pulsos são infreqüentes (1 a 4 em 24 horas), aos 50 dias antes da puberdade, a
freqüência de pulsos aumenta e aproxima-se de 24 em 24 horas, durante poucos dias antes da
puberdade. Este aumento pré-púbere da freqüência de pulso de LH é um importante evento
no desenvolvimento do processo de maturação sexual. Já o hormônio folículo estimulate
(FSH) está circulante antes do início da puberdade e sua concentração não está associada ao
tempo da puberdade em novilhas.
Os esteróides ovarianos regulam a liberação do LH via mecanismo de “feedback”. O
FSH é o hormônio que estimula o crescimento dos folículos ovarianos que sintetizam os
esteróides: testosterona, estrógeno e progesterona. Baixas concentrações de estrógeno
exercem “feedback” negativo sobre a liberação tônica de LH. Estes efeitos são mais aparentes
em novilhas pré-púberes. Com o avançar da idade há diminuição da resposta ao “feedback”
negativo do estradiol, que está associada ao decréscimo no número de receptores para
estradiol não ocupados no hipotálamo e hipófise. A redução de receptores para estradiol
aliada a elevada concentração deste esteroide produzido pelos folículos ovarianos, via
estímulo FSH (fase folicular) desencadeia o “feedback” positivo, onde a onda (pico) de LH
induz a ovulação e proporciona a ocorrência do primeiro cio e consequentemente do primeiro
ciclo estral.
A manifestação de cio na ausência de ciclicidade ovariana pode ocorrer em algumas
novilhas durante a pré-puberdade e tem sido chamado de estro não puberal O cio
anovulatório pode advir de ondas de crescimento folicular e ser resultado da produção
suficiente de estrógeno para induzir o comportamento de cio, mas não a ovulação. O estro
não puberal varia dentro de raças de novilhas, e a incidência pode estar relacionada com a
estação do ano.
Aumentos transitórios na concentração da progesterona circulante antes da primeira
ovulação, também podem ser detectadas. Elas são mais baixas em magnitude e curtas na
duração que aquelas características da fase luteal do ciclo estral bovino. A advém de tecido
luteal intra-ovariano, que no entanto, não apresenta papila ovulatória, sugerindo que a
ovulação não é necessária para a formação destas estruturas.
Esse aumento da progesterona antes do início da puberdade provavelmente exerce
papel importante nas mudanças endócrinas que levam o estabelecimento da secreção normal
de gonadotropinas, preparando o sistema reprodutivo para a ciclicidade ovariana. Além disto,
este esteróide é crítico para o estabelecimento e manutenção da gestação.
O aumento nas concentrações de estradiol na circulação, quando se aproxima a
puberdade, pode contribuir para aumentar a taxa de crescimento do útero, principalmente
durante os estágios finais da peri-puberdade, enquanto a função luteal antes do cio puberal,
pode proporcionar um ambiente uterino apropriado para o embrião se a concepção ocorrer
9
como resultado de cobrição no cio púbere. É verificada uma marcada alteração no tamanho
uterino durante a peri-puberdade evidenciada pelo aumento da massa uterina, subseqüente ao
primeiro aumento da progesterona circulante em novilhas. Embora o peso corporal das
novilhas continue a aumentar após a puberdade, o peso do cérvix e do útero e comprimento
dos ovidutos apresentam pouco ou nenhum aumento após este período.
As novilhas que alcançam a puberdade antes do início da estação de monta têm mais
oportunidades para acasalar do que novilhas que atingem a puberdade dentro da estação,
tendo a possibilidade de conceberem precocemente e parirem cedo na estação de
nascimentos. Novilhas que parem cedo na estação de nascimento continuam a parir cedo
durante toda a vida produtiva, desmamando bezerros mais pesados que novilhas que parem
mais tarde na estação de nascimentos.
1.2.2. Fertilidade no primeiro cio
A maturidade sexual, definida como a idade que o animal atinge o máximo de seu
potencial reprodutivo, está diretamente relacionada à idade à puberdade da fêmea.
Geralmente, são necessários de 3 a 4 ciclos estrais após a ovulação puberal para que a fêmea
atinja a maturidade e a capacidade de levar uma gestação a termo.
É importante salientar que a fertilidade a primeira cobrição em novilhas é baixa. A
fertilidade é maior ao terceiro cio após a puberdade que no cio púbere, assim, as novilhas
devem ser cobertas 2 ou 3 ciclos após o início da puberdade.
1.2.3. Nutrição e puberdade
O peso corporal constitui um dos principais fatores que afeta a idade a puberdade,
desta maneira o acompanhamento do ganho de peso diário e a mensuração do peso corporal
tornam-se ferramentas úteis para a predição da puberdade. Por outro lado, a monitoração da
condição corporal das novilhas apresenta-se como bom indicador do estado nutricional dos
animais, sendo de fácil mensuração e repetibilidade entre técnicos.
A puberdade pode ser reduzida via sistemas de alimentação programados para
aumentar o ganho de peso de novilhas. Os benefícios reprodutivos são obtidos com tal
artifício em novilhas pré-púberes, entretanto dietas ricas em energia podem reduzir a
produção de leite subseqüente, tanto em novilhas de leite, quanto de corte, reduzindo o peso
dos bezerros a desmama.
Os efeitos deletérios da dieta de elevada energia parecem ser mediados pela
somatotropina (BST), já que este hormônio está reduzido quando o nível energético da dieta é
elevado, estando o BST diretamente relacionado ao desenvolvimento do parênquima
mamário
De acordo com Martin; Lemenager; Srinivasan, (1981, p. 33), novilhas
superalimentadas antes da puberdade (até os 8 meses de idade) produzem progênies com
menores pesos à desmama que àquelas alimentadas com níveis nutricionais moderados
devido ao efeito negativo do excesso de energia sobre o desenvolvimento da glândula
mamária interferindo na produção de leite (HIXON et al., 1982, p. 467).
1.2.4. Bioestimulação e puberdade
A atividade reprodutiva de vacas e novilhas é beneficiada pela convivência com
machos em idade reprodutiva e fêmeas cíclicas, sendo a bioestimulação manejo que pode ser
efetuado para antecipar a idade a puberdade e diminuir o período do anestro pós-parto.
Segundo Menezes; Brauner; Pimentel (2010, p. 1). há indicações de que haja menor
evidência de efeitos positivos da bioestimulação sobre a atividade reprodutiva de novilhas em
relação às primíparas e multíparas. Ainda assim, a utilização de rufiões vasectomizados no
lote de novilhas, é manejo simples que pode auxiliar na antecipação da puberdade,
10
possibilitando que as novilhas entrem em sua primera estação de monta já ciclando, dispondo
de mais oportunidades para ciclarem e se tornarem gestantes. O mesmo benefício pode ser
obtido ao se reduzir o intervalo parto primeiro cio com a introdução de machos nos lotes de
fêmeas no pós-parto recente.
A introdução de machos (efeito macho) no lote de novilhas e de vacas paridas
estimula a secreção do GnRH e consequentemente o pico de LH e a ovulação. É evidente que
no caso da puberdade para que haja o estímulo, as fêmeas deverão possuir o peso e idade
aproximados aos de sua entrada na puberdade (pré-puberdade) para serem beneficiadas e a
vacas no pós-parto não podem apresentar condição corporal excessivamente baixas (escore 1
e 4, na escala de 1 a 9 pontos), os maiores benefícios são registrados em vacas com condição
corporal de baixa para moderada de 3 a 5, na escala de 9 pontos), sendo que em fêmeas de
boa condição corporal o efeito macho é minimizado.
A introdução de fêmeas cíclicas (vacas que apresentam cio em intervalos de 21 dias)
no lote de novilhas também estimula a atividade ovariana das fêmeas pré-púberes.
O agrupamento de fêmeas em cio favorece a manifestação do comportamento sexual e
proporciona estros de maior duração (acima de 12 horas quando 4 ou mais fêmeas em cio
estão agrupadas), favorecendo a identificação. Fêmeas que encontram-se no proestro, estro e
metaestro agrupam-se e formam o grupo sexualmente ativo, interagindo intimamente. É
importante observar que no grupo de fêmeas há aquelas que são dominantes e que são mais
enfáticas em instigar as demais fêmeas, ao mesmo tempo que, aquelas mais tímidas podem
não participar do grupo sexualmente ativo mesmo estando em cio. Assim, é importante
trabalhar com lotes de fêmeas por categoria produtiva, não misturando primíparas com
multíparas e vacas mais velhas com as muito jovens, bem como observar aquelas fêmeas que
aproximam-se do grupo ativo tentando interagir, quando deseja-se identificar o cio.
Lotes de fêmeas sem a presença do macho interagem mais, quando em cio do que
com a presença do touro ou rufião. No entanto é benéfico o estimulo da presença do macho
para a ciclicidade ovariana.
Com relação a presença do macho e a antecipação da puberdade, nem todos os
pesquisadores que mediram este estímulo registraram tal influência, por outro lado, há relatos
de estímulo pela exposição das novilhas à urina de touros (IZARD; VANDENBERGH, 1982,
p. 1160) e de aumento em 4% de fertilidade ao final da estação de monta em novilhas que
foram expostas aos machos (rufiões) por 46 dias (MAKARECHIAN; FARID; BERG, 1985,
p. 595) e de 6% naquelas expostas ao rufião a partir de 56 dias antes do início da estação de
monta (FERREIRA, 1999). Novilhas da raça Aberdeen Angus estimuladas pela presença do
macho por 75 dias antes do acasalamento atingiram a maturidade sexual antes daquelas não
bioestimuladas (ASSIS et al., 2000, p. 226).
1.2.5. Endocrinologia do ciclo estral
O ciclo estral bovino é caracterizado por uma série de ondas foliculares. Em cada
onda, aproximadamente de 5 a 7 folículos antrais (3 a 5 mm de diâmetro) sensíveis às
gonadotropinas são estimulados a iniciar o crescimento. Deste grupo emerge um folículo
dominante, que continua seu crescimento e secreta grandes quantidades de estradiol (E2),
inibina e outros fatores, favorecendo a atresia e regressão dos demais folículos. Na presença
do corpo lúteo, o folículo dominante continua seu desenvolvimento até atingir seu tamanho
máximo, após o que entra em atresia. A perda da funcionalidade do folículo dominante
resulta no aumento transitório do FSH plasmático, que estimula a emergência de nova onda
folicular. O padrão de crescimento em ondas foliculares é repetido até que a presença de um
folículo dominante coincida com a regressão do corpo lúteo, que marca o início de um novo
ciclo estral. Quando há queda da progesterona (P4), retira-se seu efeito de “feedback”
negativo sobre o hipotálamo e hipófise que aliado ao aumento da concentração de estradiol
11
permitem o aumento na freqüência de pulsos de LH, seu pico pré-ovulatório e a ovulação do
folículo dominante. Durante o ciclo estral bovino, aproximadamente 20 a 30 folículos
emergem, apresentam crescimento inicial e regridem. Os hormônios esteróides têm uma
importância fundamental na secreção das gonadotropinas, tanto do FSH (hormônio folículo
estimulante) quanto do LH (hormônio luteinizante). Estes efeitos podem ocorrer como
resultado da modificação na secreção do GnRH pelos hormônios esteróides ou pelo efeito
direto destes hormônios sobre a glândula pituitária anterior.
O estradiol dirige a ciclicidade reprodutiva nas fêmeas mamíferas pela sua habilidade
em estimular o pico de GnRH, enquanto a progesterona controla a duração do ciclo, por
modificar a resposta do sistema neurosecretório do GnRH ao estradiol. A secreção do GnRH
é regulada via mecanismos de “feedback” que são afetados por influências diversas como
fotoperíodo, nutrição, estresse e idade.
Os esteróides gonadais são os fatores controladores mais importantes da secreção de
GnRH tanto nas fêmeas quanto nos machos mamíferos. Especialmente nas fêmeas, tanto o
estradiol quanto a progesterona regulam a secreção do GnRH. A importância do estradiol em
aumentar a sensibilidade da pituitária ao GnRH durante o período pré- ovulatório é
questionada, já que o aumento no RNAm para os receptores de GnRH precede o aumento nas
concentrações circulantes do estradiol.
Os diferentes e variados efeitos da progesterona sobre a atividade do sistema
neurossecretório do GnRH bem como a habilidade de uma variedade de fatores influenciarem
a sua secreção, fazem deste esteróide um importante elemento regulador da função
reprodutiva normal.
Os neurônios GnRH não possuem receptores para a progesterona ou para o estradiol,
de maneira que vários sistemas de neurotransmissores receptivos a estes esteróides no
hipotálamo regulam indiretamente a atividade neurossecretória do GnRH. Neurônios com
receptores para o estradiol interpretam os sinais mediados pelo estrógeno e estimulam direta
ou indiretamente os neurônios GnRH gerando o pico de GnRH.
A progesterona bloqueia os sinais do estradiol tanto na fase de ativação quanto na fase
de transmissão dos sinais aos neurônios GnRH, indicando poder ela atuar de várias maneiras
para bloquear o pico de GnRH prevenindo a ovulação.
É evidente que os esteróides gonadais alteram a habilidade de síntese e/ou de secreção
da pituitária anterior, além de regularem indiretamente a liberação do GnRH.
O efeito do estradiol na adenohipófise, geralmente de curto tempo, é estimulatório
para a síntese do LH, pois aumenta a sensibilidade da glândula ao GnRH, a síntese de
receptores para o GnRH e a síntese de LH. Por outro lado, os efeitos da progesterona são
inibitórios à síntese desta gonadotropina Os efeitos dos esteróides sobre a síntese de
gonadotropinas podem ser mediados via interação direta do esteróide com o receptor
hormonal na pituitária ativando o elemento resposta para a síntese de gonadotropina.
Indiretamente, podem atuar induzindo a síntese de proteínas que afetam as gonadotropinas.
Tanto o FSH quanto o LH são sintetizados e liberados pelos gonadotrófos, embora
diferentes mecanismos regulatórios, possivelmente, estejam envolvidos na elaboração das
duas gonadotropinas. Múltiplos mecanismos regulatórios modulam o nível, o padrão e a
potência biológica do FSH circulante, estando a regulação neuroendócrina, autócrina e
parácrina envolvida na produção e secreção do FSH.
O mecanismo de “feedback” que ocorre no eixo hipotalâmico-hipofisário-ovariano-
uterino pode ser observado na figura 1.
12
Figura 1 – Mecanismo de feedback no eixo hipotalâmico-
hipofisário-ovariano-uterino.
Fonte: Elaborado pelo autor.
1.2.6. Fases do ciclo estral
O ciclo estral da fêmea bovina dura em média 21 dias, variando entre 17 a 24 dias. De
acordo com a fase hormonal do ciclo, ele é divido em quatro fases: proestro, estro, metaestro
e diestro. Na figura 2 é apresentada a dinâmica hormonal entre dois períodos estrais. O ciclo
inicia-se no dia 0, denominado estro ou cio, o qual dura de 10 a 18 horas, sendo mais curto
no zebu (em torno de 12 horas), podendo durar mais tempo nos taurinos. O estro é o
momento do auge da receptividade sexual da fêmea no qual ela aceita a monta e cópula do
macho. No cio ocorre o pico de LH e os níves circulantes de progesterona e estrógeno estão
reduzido (FIG. 2). O metaestro compreende os 5 dias subsequentes ao estro (dias 1 a 5 –
FIG. 2), no qual ocorre a ovulação (30 horas após o início do cio) e há um aumento
progressivo dos níveis circulantes da progesterona advinda do corpo lúteo em formação
(nesta época denominado corpo amarelo) e cessa a receptividade sexual.O diestro é o período
mais longo do ciclo estral, em torno de 12 a 14 dias (dia 6 até dia 17 – FIG. 2) e corresponde
ao auge da função do corpo lúteo, no qual os níveis de progesterona estão elevados, durante
este período não há receptividade sexual. A partir do 18º dia os níveis de progesterona (FIG.
2) declinam devido a lise do corpo lúteo simultaneamente ao aumento do estrógeno circulante
produzido pelos folículos ovarianos, iniciando-se gradativamente a receptividade sexual, este
período é denominado de proestro (dias 18 até 0 FIG. 2)
13
Figura 2 – Dinâmica hormonal no intervalo entre dois períodos estrais.
Fonte: Desconhecida
As concentrações séricas de estradiol são mínimas durante a fase luteínica, elevando-
se de quatro a cinco dias antes do estro. Após atingir um certo limiar, o estrógeno promove a
liberação da onda de LH e o início do comportamento estral, por mecanismo do tipo “tudo ou
nada”, já que, uma vez atingido valores plasmáticos estimulatórios, quantidades adicionais do
estradiol não promovem a exacerbação do comportamento estral. Por outro lado, a
progesterona é um potente inibidor do comportamento estral mesmo na presença de elevados
níveis de estradiol.
Durante o proestro, o folículo ovulatório, sob influência das gonadotropinas sofre a
maturação folicular, apresenta maior atividade aromatase nas células foliculares, com
consequente secreção de elevadas concentrações de estradiol até valores de pico. Na ausência
relativa da progesterona, o estrógeno atua sobre a região mediobasal do hipotálamo induzindo
o pico de LH e o comportamento estral. O início do comportamento sexual e do pico de LH
coincidem com o pico de estradiol plasmático e tem duração média de 12 a 16 horas.
As concentrações séricas de progesterona são muito baixas durante o proestro e o
estro, sendo um pré requisito necessário para a expressão do cio. Uma vez alcançado o limiar
plasmático da progesterona, o estro é inibido mesmo que o estradiol tenha atingido valor
necessário para ocasionar o cio. A ação da progesterona têm prioridade sobre a do estradiol
em relação ao comportamento do estro.
A exposição prévia à progesterona pode influenciar o tempo para o efeito do
“feedback” positivo do estradiol sobre a secreção de gonadotropina, aumentar a amplitude do
pico de GnRH induzido pelo estradiol e é requisitada para a expressão do comportamento
reprodutivo induzida pelo estradiol, embora alguns autores não tenham verificado a
necessidade de “priming” da progesterona para a manifestação do estro, exceto no pós parto
recente.
A ação do estradiol depende da condição fisiológica do animal para induzir o
comportamento estral, já que elevados valores deste hormônio no final da gestação
bloqueiam a resposta do cérebro ao estradiol, de forma a induzir o estro não acompanhado
por sinais clínicos. A progesterona luteal atua como um hormônio que desbloqueará os
circuitos cerebrais para a resposta ao estradiol, permitindo que a segunda ovulação do pós
parto em resposta a elevação do estradiol seja acompanhada de sinais de estro.
14
A progesterona pode bloquear os efeitos de feedback positivo do estradiol sobre a
secreção de gonadotropinas, e o comportamento estral, sendo importante reguladora dos
ciclos estrais, pois previne a ovulação de folículos estrogênicos na fase luteal e ou na
gestação, evitando a fertilização e o desenvolvimento embrionário em períodos que não
favoreçam o desenvolvimento embrionário.
O sinal fisiológico que inicia a motivação sexual está nos hormônios esteróides. Uma
vez liberado na corrente sangüínea, o estrógeno rapidamente se liga aos receptores no sistema
nervoso central. Quando o animal é motivado sexualmente, os eventos comportamentais são
iniciados e estímulos sensoriais são integrados ao cérebro que elícita reações motoras
apropriadas.
O estro seguido de ovulação pode variar na intensidade de manifestação de sinais
clínicos e comportamentais. A maioria dos estudos indica que a ovulação sem sinais de cio é
uma ocorrência rara, exceto no pós-parto recente.
A interação entre os hormônios esteróides e sistemas monoaminérgicos (dopamina,
noradrenalina e serotonina) exerce grande importância na integração do comportamento
reprodutivo com a função gonadal. As monoaminas estão associadas ao controle do
comportamento sexual de machos e fêmeas, sendo a interação entre progesterona, estradiol e
a noradrenalina responsável pela indução do reflexo de imobilidade nas fêmeas. Os
esteróides, sobretudo a progesterona e o estradiol modulam a síntese das monoaminas, bem
como a afinidade e o número de receptores para estas substâncias.
Quando várias vacas estão no proestro, estro ou metaestro formam um grupo de
intensa interação denominado de grupo sexualmente ativo.
Lopes (2004, p. 1) avaliando o comportamento sexual de vacas zebuínas registrou
estros com duração média de aproximadamente 12 horas e que a presença de no mínimo 4
fêmeas em estro simultaneamente favoreceu a ocorrência de estros com esta duração ou
superior, favorecendo a identificação destas fêmeas em programas convencionais de detecção
de cio.
1.3. ENDOCRINOFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO DO MACHO
O testículo é a gônada masculina que possui função gametogênica (produção de
espermatozoides) e esteroidogênica (produção de hormônios esteroides (testosterona,
dihidrotestorena, estrógeno e progesterona). O testículo é composto por túbulos seminíferos
eu contem as células de Sertoli, dentro das quais ocorre a espermatogênese e por células de
Leydig, que estão no interstício e são responsáveis pela esteroidogênese.
A função reprodutiva do macho é regulada pelo eixo hipotalâmico-hipofisário-
testicular, que se inter-relacionam via mecanismo de "feedback".
O ciclo do epitélio seminífero é compreendido pelo tempo que a espermatogônia-A
leva para sofrer uma série de divisões mitóticas e duas meióticas e gerar em torno de 256
espermatozóides, o que leva em torno de 60 dias. Por isso, quando se encontram alterações na
qualidade do sêmen que podem ser advindas do estresse recomenda-se repetir o exame daí
aproximadamente 60 a 65 dias.
Na sequência do testículo há o epidídimo que é composto por cabeça e corpo e cauda.
A passagem dos espermatozóides pelo epidídimo no bovino dura aproximadamente 10 dias,
sendo que na cabeça e no corpo do epidídimo que ocorre a maturação dos espermatozoides e
na cauda o armazenamento dos mesmos.
Em sua trajetória do testículo ao ambiente externo (ejaculado) os espermatozoides são
adicionados ao plasma seminal que compreende a secreção das glândulas acessórias:
glândulas vesiculares, prostáta e bulbo-uretral.
As glândulas vesiculares são em pares e possuem a frutose como principal
componente, responsável pelo suprimento entergético para os espermatozoides. Seu conteúdo
15
funciona como um sistema tampão impedindo alterações de pH no ambiente ao redor dos
espermatozoides.
Na próstrata é produzida uma proteína chamada antiaglutinina que previne a
aglutinação dos espermatozoides para se movimentem livremente, sua secreção alcalina e
confere o odor característico ao sêmen
As glândulas bulbouretrais produzem mucina, que conferem um aspecto gelatinoso ao
sêmen e também possuem função de proteção aos espermatozoides.
1.3.1. Puberdade e maturidade sexual
A idade a puberdade em tourinhos tem sido definida como aquela em que o há no
ejaculado, no mínimo, uma concentração de 50 milhões de espermatozóides, com 10 % de
motilidade. Já a maturidade sexual é considerada como a idade na qual o sêmen apresenta no
mínimo 50% de motilidade progressiva e no máximo 10 % de defeitos maiores e 20 % de
defeitos menores (GUIMARÃES, 1993)
A idade a puberdade em taurinos gira em torno dos 8 aos 10 meses, em regiões
temperadas, enquanto sob condições tropicais é mais tardia (entre 12 e 14 meses), porém
inferior aos zebuínos, que está acima dos 25 meses, em condições de campo.
Atividade suplementar do capítulo
2. Baseado na Figura 1 deste capítulo, explique o mecanismo de feedback que acontece no
eixo hipotalâmico-hipofiário-ovariano-uterino.
3. Quais benefícios à vida produtiva de novilhas e vacas, a bioestimulação propicia? Quais
os mecanismos fisiológicos envolvidos?
CAPÍTULO 2 – MANEJO REPRODUTIVO: A INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO E DO
ESCORE DA CONDIÇÃO CORPORAL NA REPRODUÇÃO
2.1.INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO NA REPRODUÇÃO DE BOVINOS
2.1.1. Energia
Energia é um nutriente essencial na dieta de fêmeas bovinas, principalmente leiteiras,
mas também muito importante no metabolismo de animais de corte, pois é o nutriente mais
relacionado a eventos reprodutivos. As principais fontes de energia na alimentação animal
são açúcar, amido, lipídeos, proteínas e fibras.
A energia deve ser cuidadosamente balanceada na dieta, calculada pela ingestão de
matéria seca (IMS). Animais que consomem menos energia do que a necessária para
mantença, crescimento e produção entram em balanço energético negativo (BEN). Vacas em
estado de BEN têm longos períodos de anestro e problemas de fertilidade. Em seus estudos,
SCHILLO (1992, p. 1271) relatam que a redução dos pulsos de LH em fêmeas bovinas está
relacionada à perda de gordura corporal dada pelo BEN. Além disso, animais com déficit de
energia na alimentação apresentam aumento na concentração de ácidos graxos não
esterificados (AGNE), -hidroxibutirato e ureia na corrente sanguínea e, por outro lado, há
uma queda nos níveis de IGF-I, glicose e insulina. Estas variações nos níveis séricos destas
substâncias estão relacionadas a falhas na função ovariana e consequente queda na
fertilidade. Também, Leroy et al. (2008, p. 623) verificaram que ovócitos maturados in vitro,
em ambiente com altos níveis de AGNE e baixas concentrações de glicose, apresentaram
desenvolvimento embrionário desfavorável.
Por outro lado, a ingestão excessiva de energia tem efeitos deletérios e podem refletir
na queda na qualidade oocitária, relacionada à hiperinsulinemia (ADAMIAK et al., 2005, p.
16
918) e aumento das taxas de morte embrionária devido aos altos níveis de glicose e IGF-I,
que prejudicam o transporte de glicose ao embrião, causando morte celular (SANTOS;
CERRI; SARTORI, 2008, p. 88). Outro problema relacionado à alta ingestão energética é a
queda nos níveis séricos de progesterona. Fêmeas superalimentadas apresentam maior
metabolismo da progesterona, levando à diminuição de suas concentrações sanguíneas, o que
pode levar à diminuição da fertilidade (FONSECA et al., 1983, p.1128), além de menores
taxas de clivagem e produção in vitro de embriões (PFEIFER et al., 2009, p. 473).
Os níveis ótimos de energia na dieta de fêmeas bovinas devem ser calculados de
acordo com a época de produção ou reprodução que o animal se encontra. Quando se trata de
energia, é necessário encontrar o percentual ótimo para a dieta, pois a sub ou
superalimentação podem ter efeitos danosos no trato reprodutivo de vacas e novilhas.
2.1.2. Gordura
A suplementação lipídica é uma alternativa para aumentar a densidade energética da
dieta de vacas e novilhas em estação reprodutiva. A gordura deve estar na dieta na ordem de
5 a 6% da matéria seca (MS); valores mais altos podem suprimir a IMS e digestibilidade da
fibra da dieta (PALMQUIST; JENKINS, 1980, p. 1). De acordo com Van Soest (1994) as
gorduras presentes nos grãos são, em sua maioria, os triglicerídeos e nas forragens estão
presentes os fosfolipídios e glicolipídios.
A atuação das gorduras na reprodução se dá através de ácidos graxos (AGs). Dias et
al. (2009, p. 95) relataram que a adição de gorduras na dieta de vacas pode ter influência
positiva no desempenho reprodutivo pois podem atuar favoravelmente no metabolismo de
hormônios que agem nos ovários e útero, além de influenciar a codificação genética de
proteínas fundamentais às funções reprodutivas.
Estudos realizados in vitro e in vivo, relataram efeitos positivos dos AGPs na
maturação, desenvolvimento (à blastocisto) e qualidade de oócitos de vacas (MAREI;
WATHES; FOULADI-NASHTA, 2009, p. 1064). Lucy et al. (1991, p. 483) relataram efeitos
benéficos dos AG polinsaturados (AGPs – ômega 3 e ômega 6) na fertilidade de vacas,
atuando qualitativamente e quantitativamente sobre o folículo. Estes mesmos autores
verificaram que os efeitos da dieta lipídica sobre a dinâmica folicular se deu devido à
prostaglandina PGF2. Isso pode ser explicado pois o ácido linoleico (C18:2 ou n-6) é um dos
precursores da PGF2. Por outro lado, a manutenção da gestação está relacionada à
permanência do corpo lúteo (CL), sendo a PGF2 responsável pela luteólise, a secreção desta
substância pode ser controlada pela dieta de AGPs, evitando-se a morte embrionária.
A suplementação lipídica também pode atuar sobre as concentrações séricas de
progesterona (P4). Guardieiro et al. (2010, p. 408) trabalharam com suplementação de
novilhas Nelore com 100 gramas por dia de gordura protegida (Megalac-E®) e observaram
aumento nas nos níveis circulantes de P4. Elevados níveis de P4 podem estar associados à
manutenção da gestação pela permanência do CL.
A suplementação com gordura também tem efeito no aumento de insulina e IGF-I,
através da gliconeogênese hepática e aumento da produção de propionato no rúmen
(NOGUEIRA, 2008, p. 17). O IGF-I e a insulina agem na esteroidogênese folicular e as
concentrações de glicose (provenientes do aumento da insulina), estão relacionados ao
crescimento folicular. Associado a este fator, WILLIAMS (2001, p. 95) relatou que pode
haver influência das gorduras na dieta com a liberação de FSH. O mesmo autor cita que
concentrações basais de LH aumentaram discretamente em vacas com bezerro ao pé,
suplementadas com gordura, mas a atuação deste nutriente no GnRH, LH e FSH ainda
deverão ser melhor elucidadas. A suplementação energética através do uso de gorduras deve
ser bem equilibrada já que seu uso, em percentuais, é pequeno. Mas se bem trabalhado, pode
resultar efeitos benéficos na fertilidade de fêmeas bovinas.
17
2.1.3. Carboidrato
Os carboidratos constituem aproximadamente 70 a 80% da matéria seca (MS) total
ingerida na dieta de bovinos. Ainda com foco sobre dietas energéticas, a conversão de
carboidratos em ácidos graxos voláteis são os responsáveis pela maioria da energia advinda
da dieta. A fonte, concentração e taxa de degradação ruminal dos carboidratos predizem o
tipo de produtos resultantes da fermentação (SNIFFEN et al., 1992, p. 3562).
Dietas a base de milho, tem grandes quantidades de carboidratos não fibrosos (CNF),
sendo o amido um dos mais importantes. A degradação do amido no rúmen está relacionada
ao aumento dos níveis séricos de glicose e insulina (SANTOS et al., 2000, p. 1004). Isso
ocorre pois o aumento do propionato proveniente do metabolismo de amido estimulo o fígado
a produzir glicose, além disso estas duas substâncias – glicose e propionato – estimulam a
secreção de insulina. Além disso, como discutido anteriormente, dietas energéticas levam ao
aumento dos níveis de IGF-I na corrente sanguínea (NOGUEIRA, 2008, p.17). O IGF-I e a
insulina agem na esteroidogênese folicular, ou seja, produção de progesterona pelas células
da granulosa e as concentrações de glicose (provenientes do aumento da insulina), estão
relacionados ao crescimento folicular através do estímulo à mitose nas células da granulosa
(SPICER; ECHTERNKAMP, 1995, p. 223).
A glicose é também a principal fonte de energia utilizada pelo sistema nervoso central
(SNC). Dentro disto, animais em BEN e subnutrição grave entram em estado de
hipoglicemia, acarretando na supressão do SNC e diminuição dos pulsos de GnRH pelo
hipotálamo e LH pela hipófise, levando à diminuição da atividade ovariana (HESS et al.,
2005, p. E-90).
Dietas energéticas, com teores balanceados de carboidrato e lipídios, levam a uma
equilibrada IMS e produção de níveis ótimos de insulina, glicose e IGF-I que podem ser
fatores essenciais ao desempenho reprodutivo de vacas. No entanto, quando a energia da
dieta é extrapolada pelo desequilíbrio dos nutrientes supracitados, ocorre um metabolismo
excessivo dos hormônios esteroides e demasiadas concentrações dos metabólitos – glicose,
insulina e IGF-I – que podem levar a efeitos deletérios na produção e qualidade de ovócitos e
embriões, além de queda nas taxas de concepção (SARTORI; GUARDIEIRO, 2010, p. 422).
2.1.4. Proteína
Diversas funções no organismo de ruminantes são dependentes da proteína. Segundo
NRC (2001), este nutriente pode estar na forma de proteína bruta (PB), degradável no rúmen
(PDR), microbiana (originária do metabolismo da PDR) e não degradável no rúmen (PNDR).
Por outro lado, dietas contendo altas proporções de PB podem ser prejudiciais às
funções reprodutivas (SANTOS; AMSTALDEN, 1998, p. 19). Canfield; Sniffen; Butler
(1990, p. 2342) relataram que a ureia é proveniente do metabolismo de PB ou suplementação
de nitrogênio não proteico (NNP) na dieta, o que explica suas altas concentrações em dietas
altamente proteicas. Também à partir da PB, um metabólito resultante é a amônia. Estudos
têm demonstrado que concentrações altas de ureia e amônia estão relacionadas à diminuição
das taxas de concepção em vacas recebendo excesso de PDR ou PNDR (BUTLER, 1998, p.
2533). Isso pode ser explicado, pois ocorrem alterações no pH uterino quando há elevadas
concentrações séricas de uréia, advinda de elevados níveis de PDR e PNDR na dieta
(ELOLD; VAN AMBURGH; BUTLER, 1993, p. 702).
A proteína também pode exercer efeitos negativos no desenvolvimento embrionário
de vacas em alta produção, sendo relatados degeneração precoce e problemas no
desenvolvimento de embriões de vacas alimentadas com excessivos níveis de PB na dieta
(BLANCHARD et al., 1990, p. 905). Além disso, dietas com baixo teor energético, porém
com alta quantidade de PDR, pode levar à perdas embrionárias (EROLD; BUTLER, 1993, p.
18
694), podendo estar relacionada a queda nas concentrações de progesterona, intimamente
relacionada à manutenção da gestação (BUTLER, 1998, p2533).
Ao estudar níveis de amônia no fluido folicular, Sinclair; Sinclair, L.A.; Robinson
(2000, p. 2659) encontraram elevadas taxas deste metabólito em folículos de vacas
alimentadas com elevados níveis proteicos. Estes autores também relataram menores taxas de
clivagem de oócitos coletados de novilhas alimentadas com alta proteína, e consequente
concentrações séricas maiores de amônia.
2.1.5. Vitaminas e minerais
As vitaminas são reguladores metabólicos necessários em pequenas quantidades no
organismo. Algumas vitaminas – hidrossolúveis e lipossolúveis – são sintetizadas no rúmen,
como metabólitos da digestão, desta forma, para ruminantes as vitaminas a serem
suplementadas são somente A, D e E (lipossolúveis, TORRE; CAJA, 1998, p. 67).
A insuficiência de vitamina A pode estar relacionada com aumento na taxa de aborto
e queda na atividade ovariana, acarretando na diminuição da eficiência reprodutiva de vacas
(HURLEY; DOANE, 1989, p. 784). Nos machos, esta vitamina pode estar relacionada ao
crescimento e fertilidade. De acordo com Andriguetto et al. (1984, p. 1) a deficiência desta
vitamina pode levar ao aumento de folículos atrésicos persistentes e maior índice de
degeneração cística. Também é relatado maior número de aborto, retenção de placenta e
bezerros natimortos (SCHAFHAUSER JR; GAEDE, 1997, p. 93) em casos de deficiência
severa de vitamina A. A vitamina D pode ser obtida através de suplementação ou exposição
do animal ao sol. De acordo com Andriguetto et al. (1990, p. 1) a vitamina D tem função
indispensável na absorção de cálcio e fósforo da dieta. A deficiência desta vitamina é
associada à desmineralização dos ossos, raquitismo em animais jovens e osteomalácia em
animais adultos. A vitamina E tem ação oxidante agindo na proteção de membranas, junto ao
selênio, e também no metabolismo energético, além da síntese de ácido ascórbico. Na
reprodução, tem função na produção das gonadotrofinas (FOX, 1992, p. 1) e pode sua
suplementação adequada pode diminuir a incidência de retenção de placenta no pós-parto
(LEBLANC et al., 2004, p. 609). A tabela 1 sintetiza os efeitos da deficiência destas
vitaminas, bem como os benefícios de uma suplementação correta (FUCK; MORAES;
SANTOS, 1995, p. 1).
Tabela 1 – Efeitos da deficiência e respostas positivas da suplementação das vitaminas A, D e
E.
Vitamina Deficiência Benefícios
A Reduzidas taxas de concepção;
mortes embrionárias; aborto;
retenção de placenta; nascimentos
de bezerros fracos, cegos ou
natimortos; lesões inflamatórias e
degenerativas nas mucosas genitais.
Favorecimento do comportamento de
cio, da função lútea, redução da
ocorrência de cistos ovarianos, redução
do número de dias em aberto .
D Raquitismo e fraqueza muscular;
atraso no primeiro cio e aumento do
intervalo de partos.
Homeostasia do cálcio para o
crescimento, lactação e controle de
processos intracelulares.
E Retenção de placenta. Função antioxidante; Redução da
incidência de metrites e cistos
ovarianos; redução do tempo de
involução uterina em vacas com
metrite; produção das gonadotrofinas.
Fonte: Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1); Adaptado de Lopes, 2013.
19
As pastagens nativas brasileiras podem ser deficientes em minerais, por isso é
importante a suplementação, principalmente de cálcio (Ca), fósforo (P), zinco (Zn), sódio
(Na), cobalto (Co), cobre (Cu) e Iodo (I).
As ações destes minerais nas funções reprodutivas são variáveis. Fuck; Moraes;
Santos (1995, p. 1) relataram que a síntese de esteroides como a progesterona, responsável
pela manutenção da gestação, é dependente de Ca e manganês (Mn). Kenn et al. (1998,
p.1003S) observaram que o déficit de Cu, I, ferro (Fe), magnésio (Mg) e Zn na dieta pode
levar má formação embrionária ou fetal. Por outro lado, a suplementação adequada destes
minerais e de selênio (Se) leva ao adequado desenvolvimento de embriões e fetos
(HOSTETLER; KINCAID; MIRANDO, 2003, p. 125). Estes mesmos autores observaram
ainda que matrizes que não consumiram quantidades adequadas de minerais durante o
período gestacional, podem gerar proles susceptíveis à deficiências. No pós-parto alguns
autores encontraram que a deficiência de Mg, Cu, I, Zn, Fe e Se podem ser fatores indutores
da retenção de placenta (FUCK; MORAES; SANTOS, 1995, p. 1).
Para melhor compreensão das ações dos minerais no organismo bovino, a tabela 2
contém informações sobre os benefícios e problemas causados pela deficiência de minerais,
baseado na revisão de Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1).
Tabela 2 - Efeitos da deficiência e respostas positivas da suplementação dos minerais.
Mineral Deficiência Benefícios
Cálcio Paresia puerperal, atraso na involução
uterina, aumento da incidência de
distocia, retenção de placenta e prolapso
uterino.
Formação de esteróides
(mecanismos dependentes de
cálcio).
Fósforo Redução na taxa de concepção, cios
irregulares, anestro, diminuição na
atividade ovariana, aumento na
incidência de cistos foliculares.
Excesso – menores taxas de fertilidade
Componente de ácidos nucléicos,
nucleotídeos, fosfolipídeos.
Sódio e
Potássio
Excesso de K e deficiência de Na – cios
irregulares, estros prolongados, cistos e
corrimentos vaginais.
-
Zinco Possui várias funções biológicas e
é ativador de várias enzimas
envolvidas na esteroidogênese.
Deve ser componente obrigatório
nas misturas minerais.
Cobre Morte embrionária, atraso ou inibição
do cio, redução na taxa de concepção,
aumento na taxa retenção de placenta e
dificuldade ao parto.
Está envolvido em vários
complexos enzimáticos.
Envolvido na manutenção dos
hormônios hipofisários.
Molibidênio É antagônico ao Cobre, seu excesso
pode causar deficiência de cobre. O
excesso pode acarretar dificuldade de
conceber e alteração da libido e lesões
testiculares no macho.
É necessário para o
funcionamento de algumas
enzimas.
Iodo Problemas reprodutivos decorrentes da
disfunção da tireóide – morte do feto
em desenvolvimento, aborto,
Possui grande importância no
funcionamento da tireóide. A
suplementação com iodo reduz o
20
natimortos, fetos com bócio, débeis,
associado à gestação prolongada.
número de inseminações por
concepção, natimortos e retenção
de placenta. Obs. Concentrações
acima de 50 ppm estão associadas
ao aborto e teratogenia.
Manganês Anestro, retorno irregular do estro,
baixo desenvolvimento folicular, atraso
na ovulação, redução na taxa de
concepção, aumento na incidência de
abortos. Nascimento de bezerros fracos
com engrossamento das articulações.
Papel importante na ativação de
várias enzimas. Relação entre
manganês e síntese de esteroides.
Cobalto Anemia e fraqueza geral. Atraso na
involução uterina, cios silenciosos,
estros irregulares, atraso na puberdade,
abortos, nascimento de bezerros fracos e
ovário afuncionais.
Necessário para a síntese
microbiana de vitamina B12.
Selênio Retenção de placenta. Função antioxidante; Redução da
incidência de metrites e cistos
ovarianos; redução do tempo de
involução uterina em vacas com
metrite.
Fonte: Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1); Adaptado de Lopes, 2013.
2.2. ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL DE BOVINOS DE CORTE
2.2.1. Leptina, condição corporal e reprodução
A leptina é um hormônio que tem sido relacionado à CC e a reprodução. Como as
concentrações de leptina são proporcionais à gordura corporal é indicado que este hormônio
atue como um sinal para o sistema reprodutivo da reserva energética existente para dar
suporte a uma bem sucedida concepção e prenhez.
A leptina tem sido indicada como um hormônio regulador importante dos eventos
reprodutivos, já que é sintetizado e liberado dos adipócitos quando as condições nutricionais
são favoráveis, regulando a ingestão de alimentos e atuando indiretamente na secreção do
GnRH, estimulando sua liberação e consequentemente os ciclos reprodutivos. Pode-se dizer
que ela indica o status energético do animal sinalizando ao organismo como reagir à falta ou
abundância de alimentos para a realização das atividades metabólicas, manutenção da cria e
perpetuação da espécie.
A leptina é um hormônio proteico, produzido pelo tecido adiposo branco, que controla
o metabolismo energético, a ingestão de alimentos, a termogênese e a reprodução.
Aumentos nos depósitos de triglicerídeos no tecido adiposo acarretam o aumento na
produção da leptina, que ocasiona um estimulo cerebral para a redução na ingestão de
alimentos e o aumento do gasto energético. Quando a ingestão e o gasto energético são
semelhantes, a leptina reflete a quantidade de triglicerídeos estocados no tecido adiposo, no
entanto, a redução em torno de 10% no peso corporal acarreta redução de 53% nos níveis
circulantes de leptina. Em contraposição, aumento de 10% no peso corporal proporciona
aumento de 300% na leptina circulante. A leptina circulante é um indicador do status
nutricional do animal e não apresenta ação imediata, informando ao cérebro o estado
metabólico geral como o acúmulo ou perda de reservas corporais ao longo do tempo.
A ação da leptina no sistema nervoso central ocorre principalmente via inibição no
neuropeptídio Y (NPY), que é um potente estimulador da ingestão, inibidor da termogênese e
21
promotor do aumento dos níveis plasmáticos de insulina e glicocorticoides. A subnutrição
eleva a concentração do neuropeptídio Y no hipotálamo o qual tem efeito negativo
diminuindo a secreção de GnRH e conseqüentemente de LH.
O hormônio do crescimento (GH) tem efeito na partição de nutrientes e pode ser um
dos mediadores do efeito da leptina nos tecidos periféricos. A leptina estimula o liberação de
GnRH pelos neurônios GnRH, mediados também via NPY (o NPY tem ação inibitória sobre
a secreção de GnRH), proporcionando aumentos na secreção de LH e FSH, sendo
considerada um possível mediador da puberdade nos animais domésticos, que está associada
a um peso crítico atingido e uma determinada porcentagem mínima de gordura corporal.
2.2.2. Avaliação da condição corporal
Existe uma alta correlação entre o escore corporal e a quantidade de gordura
depositada no subcutâneo e intermuscular e Dias (1991, p.1) registrou que a condição
corporal foi o melhor indicador do desempenho reprodutivo em fêmeas zebuínas.
Um dos principais fatores influenciador da duração do intervalo pós-parto é o escore
de condição corporal da vaca (CC) no momento do parto, sendo a CC uma excelente
indicadora do desempenho reprodutivo em fêmeas zebuínas.
Existe uma alta correlação entre o escore corporal e a quantidade de gordura
depositada no subcutâneo e intermuscular, permitindo estimar o status nutricional do animal
pela pontuação de escore corporal. A utilização de escalas para a pontuação da condição
corporal em bovinos tem se mostrado eficiente em refletir o estado nutricional dos animais,
podendo-se prever o “status reprodutivo de acordo com a pontuação estabelecida”. Por estes
motivos e por ser a avaliação do escore fácil de executar e apresentar alta repetibilidade entre
os técnicos, a utilização de escalas para a pontuação de escores corporais têm sido úteis no
auxílio do manejo reprodutivo dos rebanhos
Tabelas de pontuação para avaliação da condição corporal devem possibilitar a
visualização de variações anatômicas nos animais com a adoção de diferentes notas para cada
estado, sendo de fácil difusão e consistência entre avaliadores. Várias são as escalas de escore
corporal utilizadas (4, 5, 6, 8, 9 até 17 pontos). Nicholson; Sayers, (1987, p. 127),
comparando tabelas da condição corporal com escalas de seis e de nove pontos, verificaram
que, principalmente quando os animais apresentaram-se magros, a escala de nove pontos foi
mais sensível em indicar o estado nutricional dos animais.
Normalmente, utiliza-se a escala de 5 pontos para gado de leite, principalmente em
raças taurinas. A maioria dos trabalhos realizados com gado de corte utilizam a escala de 9
pontos. A ABCZ, Associação Brasileira de Criadores de Zebu, preconiza a escala de 5
pontos, para animais zebuínos. Dias (1991, p. 1) propôs uma escala de 9 pontos para gado de
corte, baseada na visualização e palpação da gordura corporal (Quadro 1) enquanto Ferreira
et al. (2005, p.46) preconizaram uma escala de avaliação, também de 9 pontos, para o zebu
leiteiro.
Independente da opção pela escala que se faça, é importante identificar o escore ideal
ao parto que propicie o mais rápido retorno à atividade ovariana e que adotando-se a escala
seja fiel à ela e que os demais técnicos que atuam junto ao gado sejam capacitados para
utiliza-la, padronizando-se a linguagem técnica adotada.
Na avaliação da condição corporal, deve-se levar em consideração a visualização e
palpação de regiões anatômicas dos animais, com ênfase especial para a deposição de gordura
na inserção da cauda, nos processos espinhosos e transversos das vértebras lombares/ou
dorsais, nas costelas e tuberosidades isquiádicas e sacral.
22
Quadro 1 – Escore de Condição Corporal para Gado de Corte, na escala de 1 a 9.
ECC
Condição
Corporal
Aspecto
1
Debilitada Percebe-se o aspecto caquético do animal extremamente magro sem
gordura detectável sobre os processos vertebrais espinhoso e
transverso ou sobre os ossos da bacia e costelas.
2
Muito magra Pouca musculatura sobre a coluna vertebral, sem depósitos de
gordura.
3
Magra A musculatura lombar com aspecto convexo em relação
perpendicular a coluna vertebral. Alguns depósitos de gordura e
costelas visíveis.
4
Limite A musculatura lombar apresenta-se plana. Costelas dianteiras não
perceptíveis.
5
Moderada Aparência geral boa. Musculatura lombar esta de plana para
ligeiramente côncava. A 12ª e 13ª costelas não são visíveis.
6
Boa É preciso aplicar pressão sobre a espinha para sentir os processos
espinhosos. Bastante gordura palpável sobre as costelas e ao redor
da inserção da cauda. Musculatura lombar encontra-se côncava.
Ainda percebe-se o contorno ósseo da tuberosidade ilíaca.
7
Muito boa Abundância de gordura na inserção da cauda. Aparecem "cintos" e
"bolos" de gordura. Alguma gordura ao redor da vulva e na virilha.
A tuberosidade ilíaca e isquiádica tem a forma arredondada e estão
cobertas de gordura.
8
Gorda Animal muito gordo e cobertura espessa e densa de gordura. Grande
depósito de gordura sobre as costelas, na região da inserção da
cauda e abaixo da vulva.
9 Obesa Excesso de gordura em todo o corpo e aparência de um bloco.
Fonte: Adaptado de Dias (1991, p.1).
Os efeitos da condição corporal ao parto sobre o intervalo pós-parto não são lineares,
sendo os efeitos mais acentuados quando os escores são mais baixos (menores de 4, numa
escala de 0 a 9), que quando a condição corporal aumenta, exercendo pouco efeito sobre a
reprodução quando superior a 7.
Considerando que a condição corporal indica o estado nutricional do animal, é
importante conhecer como se dá a utilização de nutrientes nos bovinos para as atividades
fisiológicas. Short; Adams (1988, p. 29) propuseram uma estratégia de partição de nutrientes
com relação à energia nas vacas para as várias funções corporais, indicando a seguinte ordem
de utilização de energia: metabolismo basal; atividade; crescimento; reserva de energia;
gestação; lactação; reservas energéticas adicionais; ciclo estral e início da gestação e reservas
excessivas. A ordem da partição reflete que para que haja reprodução, o animal tem que
apresentar reservas energéticas, que constituem a condição corporal. Destaca-se que os
nutrientes que são utilizados para o crescimento e estocados como reserva são os únicos que
podem retornar ao pool de energia disponível para uma nova partição e utilização para outros
usos.
O intervalo pós-parto é maior quando vacas e novilhas chegam ao parto com
deficiente condição corporal, ou quando a ingestão de nutrientes antes do parto é restrita. Este
efeito negativo é mais pronunciado em vacas de primeira cria que em multíparas. Quando
primíparas de corte estão em balanço energético negativo no pré-parto, a variação na
condição corporal à parição é o principal fator determinante da duração do anestro pós-parto.
23
2.2.3. Escore ideal e quando avaliar
Numa escala de 9 pontos, para que a reprodução seja otimizada, as vacas devem ser
manejadas para que atinjam CC ao parto de 5 a 7.
O escore deve ser avaliado durante toda a estação de monta a fim de impedir a queda
acentuada da CC. Planejar melhores condições corporais ao parto é o ideal, assim, na
desmama dos bezerros é necessário que se avalie a CC das matrizes para eventuais ajustes,
como suplementação volumosa, sal proteinado, concentrado ou outros (considerar relação
custo:benefício) naquelas que apresentam-se magras (escore inferior a 4 – escala de 1 a 9
pontos). Como as fêmeas estão gestantes, estão em fase de anabolismo metabólico, ou seja,
os nutrientes da dieta são direcionados mais facilmente para o acúmulo de reservas corporais,
fato que facilita a aquisição de escore corporal nesta etapa fisiológica. Por outro lado se as
fêmeas perderem peso ou parirem muito magras, no pós-parto recente, por entrarem em
estado catabólico terão dificuldade de recuperar o escore, o que retardará a retomada dos
ciclos ovarianos, ocasionando longos períodos de anestro pós-parto, o que afetará o índice de
prenhez ao final da estação.
O ideal é que as vacas cheguem ao parto com CC ao redor de pelo menos 5 pontos
(escala de 9 pontos) para obtenção de melhores taxas de prenhez e menores intervalos de
partos. Por outro lado, o supercondicionamento dos animais, para CC acima de 7 representa
custo desnecessário com a nutrição e pode reduzir os índices de concepção.
O ideal é que se favoreça a condição corporal ao parto, pois além da partição de
nutrientes no pré-parto favorecer a deposição de reservas corporais, durante o pós-parto o
animal passará pelos efeitos do balanço energético negativo, onde a ingestão de nutrientes
poderá ficar comprometida, sendo que suplementação energética nesta época pode ser
onerosa.
O balanço energético positivo é essencial para a retomada dos cios em novilhas que
parem com insuficiente condição corporal. O intervalo pós-parto é reduzido com o aumento
do balanço energético no início da lactação.
Além da condição corporal das vacas ao parto, a CC à cobrição também tem mostrado
exercer marcada influência sobre a fertilidade e a manutenção da CC após o parto tem reflexo
sobre a duração do anestro. Vacas de corte que mantém o escore corporal no pós-parto ciclam
antes daquelas que perdem condição corporal neste período.
No estudo realizado por Lopes (1999, p.1), que registrou escore médio de 3 pontos
(escala de 9 pontos) em primíparas zebuínas a pasto, aos 100 dias pós-parto, no semi-árido
brasileiro, foi verificado que a aquisição de um ponto na escala de escore corporal, nesta
época, antecipou em 22,11 dias a manifestação clínica do primeiro cio.
Vários estudos destacam a íntima relação da condição corporal da vaca ao parto e
durante a estação de monta com os eventos reprodutivos e produtivos como o intervalo de
partos, a fertilidade ao final da estação da monta, a produção de leite e o peso à desmama dos
bezerros.
A condição corporal moderada ao parto interfere não somente na duração do período
de anestro pós-parto, mas tem impacto econômico também sobre o peso do bezerro a
desmama, sendo que vacas que parem com CC moderada desmamam bezerros mais pesados
que aquelas baixa condição corporal.
Atividade suplementar do capítulo
1. Os carboidratos e as gorduras são significantes fontes de energia na dieta de bovinos.
Com isso, explique a relação da energia com a reprodução de fêmeas bovinas, baseado-
se nas secreções de IGF-I, glicose e insulina.
2. Explique detalhadamente a relação entre leptina, escore de condição corporal e
reprodução.
24
CAPÍTULO 3 – ESTAÇÃO DE MONTA
A estação de monta (EM) é um manejo reprodutivo que visa concentrar os meses de
cobrição e parição em épocas estratégicas, principalmente relacionadas à disponibilidade de
forragem. O objetivo central da EM é a melhora de índices reprodutivos na propriedade, pois
animais que entram e saem de uma estação em boas condições nutricionais e,
consequentemente corporais e reprodutivas, tendem a ter melhor recuperação pós-parto,
retorno precoce à atividade ovariana, menores números de serviços à concepção e boas taxas
de prenhez na próxima EM.
3.1. VANTAGENS DA ESTAÇÃO DE MONTA
Ao adotar a EM para o manejo reprodutivo é possível organizar a propriedade
obtendo uma série de vantagens como:
 Melhor relação custo-benefício entre nutrição e reprodução das matrizes: o auge da
produção do leite, ou seja, da maior demanda metabólica coincide com o auge da
oferta natural de forragem (alimento de baixo custo);
 Lotes homogêneos à desmama: por concentrar as parições em curto período de tempo,
a diferença de idade dos lotes contemporâneos é pequena, o que favorece a seleção
dos animais e o poder de revenda destes produtos, facilitando também a produção em
escala para o mercado;
 Seleção de novilhas para a reposição: como a EM concentra as parições oferece lotes
homogêneos de fêmeas à desmama, permitindo identificar com mais facilidade
àquelas que deverão permanecer no rebanho para a reposição;
 Descarte racional de matrizes: a concentração das atividades reprodutivas em época
comum permite identificar as fêmeas de baixa fertilidade, facilitando o descarte e a
reposição com animais de qualidade e fertilidade superior;
 Manejo e seleção de touros: a EM permite o repouso sexual dos machos nas épocas de
menor disponibilidade de forragem, quando a qualidade do sêmen diminui e
possibilita programar com antecedência e maior critério a necessidade de aquisição de
novos reprodutores;
 Maximização da utilização de touros de alta fertilidade e capacidade de serviço
possibilitando a obtenção de progênies com potencial genético superior para
fertilidade;
 Aumento da disponibilidade de pastagem: tanto a racionalização do manejo das
matrizes quanto dos touros aumenta a quantidade de pastagens disponível para as
fêmeas gestantes da propriedade, já que animais inférteis ou subférteis são
descartados;
 Concentração e racionalização das atividades da fazenda (manejo e mão de obra):
lotes contemporâneos com pequena variação de idade permitem a intensificação de
manejos em datas épocas específicas do ano, como a organização do calendário
sanitário (vacinações, controle de ecto e endoparasito), castrações, marcações e
desmama.
3.2. DESVANTAGEM DA ESTAÇÃO DE MONTA
A utilização de Estação de Monta permite sem dúvida desfrutar e maximizar o
potencial reprodutivo dos rebanhos, a eventual desvantagem que pode ser considerada em
relação a sua utilização seria o excesso de oferta de produtos numa mesma época, o que
poderia desvalorizar o valor da venda. Tal inconveniente pode ser evitado com planejamento
e fechamento de contratos futuros.
25
3.3. DURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE MONTA
O ideal é que a estação de monta seja inferior a 90 dias assim não há sobreposição da
estação de nascimento à estação de monta, o que facilita muito o manejo. Assim, as tarefas
rotineiras são melhores definidas, concentrando-se os esforços em tarefas específicas em
épocas específicas. Desta maneira na época dos nascimentos o empenho é de acompanhar o
pós-parto das vacas e cuidar dos bezerros. Na EM vistoriar o comportamento dos touros, o
escore corporal dos animais e as condições do manejo. No caso da inseminação, o foco será a
eficiente detecção do cio e a qualidade dos procedimentos de IA.
Na pecuária é estabelecido o ideal de se obter uma cria por ano por vaca, ou seja um
intervalo entre parto de 12 meses. Considerando-se que a gestação da vaca zebu é de
aproximadamente 295 dias (o da taurina em torno de 285 dias) e que o puerpério (período de
involução uterina e do retorno à atividade ovariana luteal cíclica) de 45 dias, o período
disponível para uma fêmea emprenhar e obter um produto por ano é de 25 dias [365 dias –
(295d gestação+ 45 d puerpério)]. Teoricamente, isto restringiria a uma EM de 25 dias, no
qual as fêmeas teriam a possibilidade de apresentar um ciclo estral (21 dias).
Na prática, para que haja vantagens na adoção da estação de monta é importante que
ela seja curta. Na monta natural, se ela for tão curta como os 25 dias da explanação anterior
não haverá tempo suficiente para a cobrição efetiva de todas as fêmeas. Deve-se ter como
meta uma EM de 75 a 90 dias para vacas e de 45 a 60 dias para novilhas, quando utiliza-se a
Monta Natural e ou a Inseminação Artificial. Na Inseminação Artificial em Tempo Fixo
(IATF) é possível a obtenção de EM mais curtas, favorecendo a redução dos intervalos entre
partos do rebanho.
A EM mais curta para novilhas permite atender dois preceitos: primeiro, maior
pressão de seleção nestas fêmeas, já que o desafio desta categoria animal é apenas “ciclar “ou
seja manifestar cio em intervalos de 21 dias, sem gastos energéticos para a lactação; e
segundo, proporcionar maior tempo de recuperação no pós-parto quando tornarem-se
primíparas, já que apresentarão elevados gastos energéticos para a produção de leite,
mantença, continuidade do crescimento e reprodução. Dentro do período de 45 a 60 dias é
ofertada a possibilidade das novilhas apresentarem 2 ciclos estrais, possibilitando a cobertura
de todas as fêmeas neste período. Para vacas adultas, numa EM de 75 ou de 90 dias é dada a
oportunidade da ocorrência de 3 e 4 ciclos dentro da estação, respectivamente. Após a EM é
possível identificar as fêmeas mais férteis visto que as condições foram semelhantes para
todas as matrizes.
3.4. PERÍODO IDEAL PARA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTAÇÃO DE MONTA
Uma dúvida recorrente sobre a EM é sobre quando a mesma deve ser realizada.
Buscando-se a economicidade do sistema deve-se aliar a época de maior demanda metabólica
das fêmeas, que é a lactação, principalmente no pós-parto recente, com a maior
disponibilidade natural de alimentos (forragem natural – pastagem), que ocorre com o retorno
da época das águas (FIG. 3). Neste manejo há o favorecimento do retorno dos cios nas
matrizes, sendo vantajoso para as vacas, pois permite aliar o período da gestação, no qual a
fisiologia da fêmea favorece a conversão dos nutrientes em reservas corporais (estado
anabólico) a uma época de menor disponibilidade de alimentos e minimizar a mobilização
excessiva das reservas corporais (estado catabólico) que ocorre no início da lactação diante
da maior disponibilidade de alimentos e baixo custo. Considerações são feitas em relação a
dificuldade de se manejar os bezerros recém-nascidos na época das águas e que a EM nestas
condições desfavoreceria as crias, é importante fazer a ressalva que quanto menor for a EM
não haverá coincidência entre a estação de nascimento e a de monta, assim, a maioria dos
bezerros nascerá antes do auge da estação da chuva. Estações de monta efetuadas na seca
26
desfavorecem as vacas, que só retornarão a ciclar com suplementação nutricional, fato que
elevará muito o custo de produção.
Para se decidir a melhor época para se efetuar a EM é importante considerar o regime
pluviométrico da região a disponibilidade de forragem ao longo do ano, o tipo de rebanho
envolvido, a época do desmama, do ganho compensatório e do abate, bem como as
peculiaridades de cada região e sistemas de produção.
Estações de montas curtas como a representada na FIGURA 3 permitem que não haja
sobreposição entre a EM e a Estação de Nascimento o que facilita o manejo e possibilita
maior tempo de descanso pós-parto para a retomada dos ciclos ovarianos, aumentando as
oportunidades de prenhez das fêmeas durante a EM.
Figura 3 – Representação esquemática de estação de monta (EM) com duração de 75
dias para vacas e de 45 dias para novilhas iniciando-se em 1º de dezembro
Fonte: Elaborado pelo autor.
3.5. COMO IMPLANTAR A ESTAÇAO DE MONTA
Nas condições extensivas há uma concentração natural dos partos, decorrentes do fato
das fêmeas manifestarem cio quando as condições nutricionais são melhores, assim, a maioria
das parições concentra-se num período de 5 a 6 meses, subsequentes às concepções ocorridas
na época das águas (primavera-verão). Para implantar a EM é importante que se busque esta
informação nos registros zootécnicos do rebanho.
No gado de corte, sobretudo no zebu, o pico de lactação se dá entre os 30 e 50 dias do
pós-parto, quando planeja-se a EM deve-se ter em mente que nesta fase as fêmeas deverão ter
forragem abundante e de alta qualidade para suprir suas necessidades fisiológicas. Levando-
se em conta esta informação determina-se a data de início da EM, que varia conforme a
região, sendo habitual a escolha de início para 1º de novembro, 1º de dezembro ou 1º de
27
janeiro. A data é flexível de acordo com as peculiaridades de cada região e pode ser alterada
de acordo com o regime pluviométrico e objetivos propostos.
As primeiras estações de monta deverão ser programas com períodos superiores ao
objetivo de 45 dias para novilhas e 75 para vacas, já que há flutuação das parições ao longo
do ano. Inicia-se o programa com duração em torno de 120 a 150 dias e anualmente reduz-se
em 15 a 30 dias.
A idade em que as novilhas entram em puberdade está associada ao peso, composição
corporal e raça. É estimado que o início da puberdade ocorre quando as fêmeas atingem de 60
a 65% do peso adulto. Assim, deve-se considerar a predominância genética das fêmeas, a
idade e o peso para colocá-las em estação. Geralmente a idade à primeira concepção no zebu
gira em torno de 24 a36 meses, nos mestiços, de 14 a 24 meses e nos taurinos em torno de 12
a 18 meses.
Deve-se separar as categorias animais para serem servidas durante a EM devido a
hierarquia existente de vacas mais velhas sobre mais novas, que interfere na interação de
fêmeas em cio e no acesso do touro. É importante que se maneje as categorias: novilha,
primíparas e multíparas em lotes distintos e que não se faça grandes alterações de manejos
nestes lotes, como trocas de animais e introdução frequente de novos animais sem tempo
adequado para adaptação.
Para implantar o regime de Estação de Monta em uma propriedade algumas etapas
deverão ser seguidas:
 Retirada dos touros: os machos deverão ser apartados das fêmeas antes da seca, este
manejo permitirá o repouso sexual e a avaliação andrológica, permitindo reconhecer a
fertilidade dos mesmos e a necessidade de aquisição de outros animais para a EM;
 Diagnóstico de gestação: 30 a 60 dias após a retirada dos touros deve-se separar as
gestantes das vazias. Esta medida permite estimar a época de parição do lote de
gestante, reconhecer a situação das vacas vazias e planejar a reposição;
 Identificar a quantidade de novilhas existentes para a reposição: de acordo com o
número de fêmeas jovens em idade reprodutiva para reposição planeja-se o descarte
das vacas vazias;
 Descarte de vacas: avalia-se o lote de fêmeas vazias para a EM e adota-se o descarte
de acordo com o número de fêmeas jovens para a reposição, seguindo alguns critérios:
o Vacas vazias que estão 2 anos sem parir;
o Problemas reprodutivos: endometrites, cistos e outras afecções;
o Idade: vacas com mais de 10 anos;
o Baixa habilidade materna: baixo peso a desmama, tetos perdido, histórico de
rejeição de bezerro, etc.;
o Temperamento: animais com temperamento agressivo;
o Descarte zootécnico: tamanho da vaca, caracterização racial, etc;
o Neste descarte deve-se poupar as primíparas, pois esta categoria animal requer
maiores cuidados devido sua elevada demanda metabólica.
3.6. FECUNDAÇÃO DURANTE A ESTAÇÃO DE MONTA
A fertilização das fêmeas pode ser feita por touros pela monta ou via inseminação
artificial (IA), o lote de matrizes também pode ser utilizado como receptoras de embriões,
recebendo, via transferência transcervical um embrião de outra fêmea (doadora) produzido in
vitro ou in vivo.
28
3.6.1. Estação de monta com touros
Geymonat; Mendez, (1987, p. 47), relata que pelo fato de um touro acasalar em média
com 25 fêmeas durante a estação de monta, o mesmo é responsável por mais de 80 % do
melhoramento genético que se pode alcançar nas características produtivas do rebanho.
3.6.1.1. Manejo de Touros Pré-Estação de Monta
Os touros que atenderão mesmos lotes de fêmeas deverão ser agrupados antes da EM,
para habituarem-se a convivência e formarem um grupo social. Os grupos devem possuir
animais com características semelhantes, evitando-se juntar indivíduos com idades muito
diferentes, de raças distintas e mochos/mochados com animais de chifre.
Touros jovens devem ser condicionados antes de entrarem em estação (escola de
tourinhos). Como são inexperientes sexualmente, é importante que se promova a interação
por aproximadamente um mês antes da EM com o lote de vacas solteiras para estimular o
comportamento reprodutivo. Na EM, os tourinhos deverão servir lotes com fêmeas adultas,
que já possuem experiência sexual.
3.6.1.2. Manejo dos touros durante a Estação de Monta
Tanto na monta natural, quanto na inseminação artificial com repasse por touros é
fundamental conhecer o potencial reprodutivo do macho o que permitirá maximizar sua
utilização no lote fêmeas e imprimir características de fertilidade no rebanho.
Na utilização de touros pode-se optar pela monta natural ou pela monta dirigida
(controlada).
Na monta natural ou a campo o touro permanece junto ao lote de fêmeas durante toda
a EM e vários touros podem atender a um mesmo lote de fêmeas. A fertilidade dos touros e
sua capacidade reprodutiva devem ser avaliadas para garantir adequadas taxas de concepção
(exame clínico, avaliação andrológica e de comportamento). A escolha dos touros também
deve ser baseada nos propósitos de seleção, preferindo-se touros cuja ascendência seja
conhecida. A vantagem da monta natural está no fato de dispensar a necessidade de detecção
de cio, manejo que requer mão de obra qualificada e infraestrutura adequada. Quando se
utiliza mais de um touro num mesmo lote de fêmeas, este manejo impede a determinação da
paternidade da cria antes do nascimento, visto que uma mesma fêmea pode ser coberta por
mais de um touro e as coberturas normalmente não são acompanhadas e registradas pelo
homem. Se houver o interesse em identificar a paternidade, esta poderá ser feita após o parto,
por exame de DNA, desde que haja interesse nesta informação. Na monta natural o macho
cobre a fêmea durante todo o cio, o que promove um desgaste maior dos touros em relação a
monta dirigida, mas assegura a realização do serviço.
A monta dirigida corresponde a identificação da matriz em cio pelo homem e a
exposição dela ao touro, registrando-se os dados do cio, definindo-se o momento da cobertura
e o touro a ser utilizado. O sistema possibilita identificar a paternidade da cria, o aumento da
relação touro:vaca e o menor desgaste dos touros. No entanto, o sucesso do sistema
dependerá da eficiência do programa de identificação de cio, fato que é um dos grandes
gargalos dos programas de inseminação artificial.
Seja na monta natural ou na controlada, a escolha de reprodutores deve considerar o
potencial genético dos mesmos de acordo com o objetivo do sistema de produção, a
capacidade de identificar fêmeas em cio, efetuar cópula e emprenhar, mesmo quando
desafiados para um elevado número de fêmeas.
Para que estes requisitos sejam atendidos é imprescindível que se faça a avaliação
andrológica de todos os reprodutores, os da propriedade e os que serão adquiridos, o exame
permitirá selecionar os aptos a entrarem em estação e aliado ao resultado do teste de libido
permitirá estabelecer a proporção de fêmeas para cada touro durante a EM.
29
Atenção deve ser dada para a qualidade das pastagens (forragem de qualidade), com
presença de sombra, livre de irregularidades ou sujidades (tocos, arames, etc) que possam
ferir o aparelho locomotor dos animais. Áreas muito grandes prejudicam a cobertura de todas
as fêmeas, pois pode haver dispersão de fêmeas e de machos.
Para o sucesso da monta natural é imprescindível o acompanhamento do desempenho
dos touros durante a estação. Os touros podem estar em manejo individual, quando o macho
atende sozinho um lote de fêmeas, ou coletivo, quando vários machos atendem lotes com
grande número de fêmeas. Em ambos manejos, é importante que o funcionário responsável
pelo acompanhamento do rebanho (peão, vaqueiro) esteja treinando para observar e registrar
o comportamento dos animais, se estão interagindo com as fêmeas, se estão copulando, se são
muito tímidos ou se apanham de outros animais, se apresentam problemas de aprumos, se
estão perdendo peso, ou qualquer outra alteração que comprometa a habilidade reprodutiva.
Estas informações devem ser registradas e providências devem ser tomadas para não haver
comprometimento dos resultados esperados.
A avaliação do escore corporal dos touros antes, durante e após a EM é ferramenta
útil de manejo que permite adequar às condições nutricionais para que não haja perdas na
fertilidade.
Diagnósticos intermediários de gestação durante a EM, permitirão acompanhar o
desempenho dos touros, sendo importantes para intervenções como substituição de
reprodutores, alterações nos lotes de fêmeas, mudanças de pasto entre outras medidas.
3.6.2. Estação de monta com inseminação artificial
A inseminação artificial é tecnologia que permite uma série de vantagens como: a
obtenção de maiores ganhos genéticos nos plantéis quando se utiliza touros provados para os
propósitos que se deseja selecionar; a utilização de material genético de reprodutores que já
morreram; a realização de cruzamento industrial com raças não adaptadas ao ambiente
nativo; a obtenção de lotes padronizados e de mais produtos por touro; o controle de doenças
sexualmente transmissíveis e confere melhor relação custo-benefício em relação a monta
natural (manejo do touro, disponibilidade de forragem) entre outras.
Apesar dos ganhos mencionados, a IA ainda é utilizada em torno de 12% do rebanho
brasileiro (Associação Brasileira de Inseminação Artificial – ASBIA, 2014, p.1), sendo o
manejo correto da detecção do cio e da inseminação das fêmeas, grandes gargalos do sistema
por depender da qualidade do trabalhado prestado pela mão de obra empregada (dependência
de fator humano), além dos equipamentos e da infraestrutura necessária.
O registro dos dados é fundamental para o sucesso da IA, é importante que cada
fêmea tenha sua ficha reprodutiva, para o acompanhamento dos estros, data da IA, previsão
do parto, data do parto, sexo do bezerro dentre outras informações. Os registros permitem a
avaliar a eficiência dos acasalamentos e o desempenho individual das fêmeas, sendo
importante ferramenta para o descarte ou manutenção de vacas no rebanho e
acompanhamento dos resultados durante a IA.
Atividade suplementar do capítulo
1. Fale sobre as vantagens e limitações da EM como um todo e, em seguida, explique qual a
melhor época para implementar a EM e porquê.
CAPÍTULO 4 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
Segundo a ASBIA (2014, p. 1), em 2014 foram produzidas quase seis milhões de
doses de sêmen de raças de corte, das quais foram exportadas aproximadamente 67 milhões,
30
sendo a raça de maior venda a Nelore (23.600 doses). Neste ano, o percentual de
inseminações (médio) no Brasil foi de 11,9% e, destes, quase 60% referem-se a vacas de
corte.
A inseminação artificial (IA) em bovinos, trata-se de uma técnica a qual o sêmen é
introduzido artificialmente no corpo do útero da fêmea.
4.1. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
Dentre as vantagens da IA, destacam-se:
 Maior número de produtos (crias) por touro;
 Ganho genético através da seleção e utilização de animais provados;
 Custo benefício: em detrimento ao custo de reposição de touros;
 Controle de doenças;
 Manejo da fertilidade;
 Padronização do rebanho e
 Uso de touros após a morte.
Por outro lado, a técnica apresenta algumas limitações:
 Necessidade de infraestrutura, equipamentos e mão de obra adequados;
 Eficiência na detecção de cio;
 Higiene exímia, para evitar infecções, perdas e aumento do custo de produção.
4.2. COMPORTAMENTO DA FÊMEA EM CIO
O estro ou cio é o momento em que a fêmea apresenta receptividade sexual a outras
fêmeas e ao macho. Os sinais de cio incluem inquietação, interação com o macho e outras
fêmeas (tentativas de monta, roçar de cabeça em várias partes do corpo, cheirar o períneo
entre outras), aumento da vocalização, micção frequente (aumento da frequência de descarga
de urina), edema e hiperemia vulvar (inchaço da vulva e coloração rósea), descarga de muco
cristalino pela vulva (semelhante a clara de ovo) e principalmente a aceitação da monta. A
fêmea só pode ser considerada em cio somente quando a aceitar a monta de outra fêmea ou
do macho (touro ou rufião), no entanto os demais sinais servem como auxiliares para indicar
a necessidade de observar com mais atenção quem os apresentem e devem ser registrados,
pois podem indicar que a fêmea está no proestro (vai “entrar” no cio ainda) ou no metaestro
(já manifestou o cio). Nestes casos a presença do rufião com bursal marcador é bem útil para
o esclarecimento da fase estral das novilhas ou vacas.
4.3. DETECÇÃO DO CIO
O êxito de programas de inseminação artificial depende da eficiência na detecção de
cio.
O estro deve ser observado durante toda a EM, pelo menos duas vezes ao dia, por
períodos de no mínimo 60 minutos (1 hora). Neste tempo é possível identificar aqueles que
estão manifestando características de receptividade e de confirmar o cio pelo registro da
aceitação da monta. O número da vaca em cio deve ser anotado para posterior inseminação.
Gwazdauskas; Lineweaver; McGilliard (1983, p. 1510) relataram eficiência de 50% na
detecção de cio com uma observação diária, 80% para duas e de 95% para três observações
diárias, assim se houver a possibilidade de aumentar a frequência de observações durante o
dia poderá haver acréscimos a taxa de cios detectada, no entanto a relação custo beneficio da
mão de obra deve ser avaliada.
Para facilitar a identificação dos animais em cio, normalmente concentra-se as fêmeas com os
rufiões num dos cantos do piquete para favorecer a interação do lote.
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Apostila reprodução bovina final

  • 1. CANAL RURAL FACULDADES ASSOCIADAS DE UBERABA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU AGROCURSO MÓDULO REPRODUÇÃO BOVINA BEATRIZ CORDENONSI LOPES MARCOS BRANDÃO DIAS FERREIRA CAMILA DE MORAES RAYMUNDO UBERABA – 2015
  • 2. APRESENTAÇÃO Dra Beatriz Cordenonsi Lopes Beatriz Cordenonsi Lopes, nascida em Americana, SP, em 19/09/1972, formou-se em Medicina Veterinária em 1995, pela UFMG, concluiu Mestrado em Medicina Veterinária e Doutorado em Ciência Animal, na mesma Instituição, pesquisando a reprodução de animais zebuínos. Já atuou como professora na UFMG, foi responsável pelo Escritório Seccional do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) em Campina Verde, MG e consultora técnica de Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, na delegacia regional de Sete Lagoas e de Uberaba. Instalou e coordenou o |Polo de Excelência em Genética Bovina, projeto da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, sediado na Associação Brasileira de Criadores de Zebu. Foi presidente do Instituto de Estudos Avançados em Veterinária “José Caetano Borges” e Diretora do Hospital Veterinário de Uberaba, de 2009 a 2013. Atualmente é pesquisadora da Pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), na área de reprodução de ruminantes, colaboradora técnico-científica do Museu do Zebu e professora da pós-graduação nas Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU. Dr. Marcos Brandão Dias Ferreira Marcos Brandão Dias Ferreira é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, em 1980), onde também concluiu o Mestrado em Reprodução Animal no ano de 1997. Em 2011 concluiu o Doutorado em Reprodução Animal na Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (campus Jaboticabal). Foi professor substituto na UFMG, entre os anos de 1996 e 1997. Já atuou nas áreas de Inseminação Artificial e Fertilização In vitro, reprodução e produção de zebu leiteiro, andrologia de touros Zebuínos e mestiços, manejo reprodutivo e sanitário de vacas leiteiras da raça Gir criadas a pasto, produção e avaliação de fêmeas F1 leiteiras, além de puberdade e manejo reprodutivo de novilhas zebuínas. Atualmente é Pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e professor visitante em Bovinocultura de Leite na Universidade de Uberaba - UNIUBE M.Sc. Camila de Moraes Raymundo Professora das Faculdades Associadas de Uberaba Camila de Moraes Raymundo é graduada em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras em 2008 e, na mesma instituição completou o Mestrado em Zootecnia, com ênfase em Reprodução, em 2010. Em 2011, fez um curso de aperfeiçoamento na University of Wyoming, na área de Ciência Animal e lá trabalhou no laboratório de reprodução do Departamento de Zootecnia, onde estudou comportamento sexual de ovinos machos e aspectos nutricionais no desenvolvimento reprodutivo de novilhas de corte. Foi bolsista do Polo de Excelência em Genética Bovina (SECTES), como Coordenadora do Centro de Inteligência, entre os anos de 2012 e 2014. Em 2013 passou a fazer parte do Conselho Editorial da FAZU em Revista. No início de 2015 passou a atuar como Assessora de Pós- Graduação, Pesquisa e Extensão das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU), onde desde maio do mesmo ano, ministra aulas de Reprodução Animal para o curso de Zootecnia.
  • 3. SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................... 5 PARTE I – MANEJO REPRODUTIVO DE BOVINOS DE CORTE.............................. 6 CAPÍTULO 1 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DO REBANHO DE CORTE NO BRASIL........................................................................................................................ 6 1.1. Índices reprodutivos...................................................................................................... 6 1.2. Fisiologia reprodutiva da fêmea bovina........................................................................ 7 1.2.1. Puberdade................................................................................................................. 7 1.2.2. Fertilidade no primeiro cio....................................................................................... 9 1.2.3. Nutrição e puberdade............................................................................................... 9 1.2.4. Bioestimulação e puberdade.................................................................................... 10 1.2.5. Endocrinologia do ciclo estral.................................................................................. 10 1.2.6. Fases do ciclo estral.................................................................................................. 12 1.3. Endocrinologia da reprodução de machos.................................................................... 14 1.3.1. Puberdade e maturidade sexual................................................................................ 15 CAPÍTULO 2 – MANEJO REPRODUTIVO: A INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO E ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL NA REPRODUÇÃO....................................... 15 2.1. Influência da nutrição na reprodução de bovinos......................................................... 15 2.1.1. Energia..................................................................................................................... 15 2.1.2. Gordura.................................................................................................................... 16 2.1.3. Carbiodratos............................................................................................................. 17 2.1.4. Proteínas................................................................................................................... 17 2.1.5. Vitaminas e minerais................................................................................................ 18 2.2. Escore de Condição Corporal – Bovinos de Corte....................................................... 20 2.2.1. Leptina, condição corporal e reprodução................................................................. 20 2.2.2. Avaliação da condição corporal............................................................................... 21 2.2.3. Escore ideal e quando avaliar................................................................................... 23 CAPÍTULO 3 – ESTAÇÃO DE MONTA.......................................................................... 24 3.1. Vantagens da Estação de Monta................................................................................... 24 3.2. Desvantagens da Estação de Monta.............................................................................. 24 3.3. Duração da Estação de Monta...................................................................................... 25 3.4. Período ideal para implementação da Estação de Monta............................................. 25 3.5. Como implementar a Estação de Monta....................................................................... 26 3.6. Fecundação durante a Estação de Monta...................................................................... 27 3.6.1. Estação de Monta com touros................................................................................... 28 3.6.1.1. Manejo de touros Pré Estação de Monta............................................................... 28 3.6.1.2. Manejo de touros durante a Estação de Monta..................................................... 28 3.6.2. Estação de Monta com Inseminação Artificial......................................................... 29 CAPÍTULO 4 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL .............................................................. 29 4.1. Vantagens e desvantagens da inseminação artificial..................................................... 30 4.2. Comportamento da fêmea em cio.................................................................................. 30 4.3. Detecção de cio............................................................................................................. 30 4.3.1. Estros noturnos e curtos........................................................................................... 31 4.4. Momento da Inseminação Artificial.............................................................................. 31 CAPÍTULO 5 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM TEMPO FIXO.............................. 32 CAPÍTULO 6 – COLETA DE SÊMEN E AVALIAÇÃO ANDROLÓGICA................. 33 6.1. Coleta de sêmen............................................................................................................. 33 6.2. Avaliação andrológica................................................................................................... 34 6.2.1. Interpretando o exame andrológico.......................................................................... 34
  • 4. 4 6.3. Teste de libido............................................................................................................... 35 6.4. Cálculo da relação touro:vaca........................................................................................ 36 PARTE II – REPRODUÇÃO DE BOVINOS DE LEITE................................................. 37 CAPÍTULO 7 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DE BOVINOS LEITEIROS. 37 CAPÍTULO 8 – MANEJO REPRODUTIVO DE VACAS LEITEIRAS......................... 38 8.1. Considerações sobre o manejo reprodutivo e nutricional.............................................. 38 8.1.1. Escore de Condição Corporal para Bovinos de Leite.............................................. 39 8.2. Fisiologia da reprodução no pós-parto.......................................................................... 39 8.3. Sanidade – Doenças relacionadas à produção e reprodução......................................... 41 8.3.1. Mastite...................................................................................................................... 41 8.3.2. Metrite...................................................................................................................... 41 8.3.3. Edometrite................................................................................................................ 41 8.3.4. Retenção de placenta................................................................................................ 42 8.3.5. Piometra.................................................................................................................... 42 CAPÍTULO 9 – FUNÇÃO REPRODUTIVA E LACTAÇÃO......................................... 42 9.1. Glândula mamária e lactogênese................................................................................... 42 9.1.1. Lactogênese............................................................................................................. 42 9.2. Relação entre lactação e reprodução............................................................................. 43 CAPÍTULO 10 – BIOTECNOLOGIAS: FIV E TE............................................................ 44 10.1. Transferência de embriões........................................................................................... 44 10.1.1. Superovulação da doadora..................................................................................... 46 10.1.2. Coleta e classificação de embriões......................................................................... 47 10.1.3. Sincronização das receptoras................................................................................. 49 10.2. Fertilização in vitro...................................................................................................... 50 CAPÍTULO 11 – USO DO SÊMEN SEXADO................................................................. 51 11.1. Reversão do sêmen..................................................................................................... 52 REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 53
  • 5. 5 INTRODUÇÃO O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com aproximadamente 208 milhões de bovinos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE, 2014). Ao longo dos últimos anos, vem perdendo áreas da pecuária para a produção de outras culturas, como milho, soja, cana de açúcar e para o reflorestamento. Embora o setor pecuário apresente aumento crescente de produtividade e no volume de carne produzida, mesmo perdendo áreas para a agricultura, ainda é baixa a taxa de desfrute do rebanho brasileiro, ou seja, sua capacidade de gerar excedente (Anuário Brasileiro da Pecuária – ANUALPEC, 2013). Com grandes desafios pela frente, o setor requer investimentos em técnicas e manejos que permitam a maior eficiência do sistema por unidade de área. Um dos principais fatores limitantes da produtividade em gado de corte é a eficiência reprodutiva, sendo o estabelecimento de uma estação de monta de curta duração uma das decisões mais importantes do manejo reprodutivo e de maior impacto na fertilidade do rebanho. A reprodução é um importante indicador de eficiência produtiva de rebanho bovino de corte ou leite, assegurando satisfatório custo-benefício na atividade. A reprodução e as biotecnologias a ela relacionadas são valorosas ferramentas para os programas de melhoramento genético, que podem levar a ganhos quantitativos e qualitativos, que se traduzem em maior número de crias e com características produtivas superiores, seja para a produção de carne como também de leite. Este material aborda os principais aspectos relacionados à fisiologia, desempenho e manejo reprodutivo de fêmeas e machos bovinos, à estruturação e condução de estação de monta com monta natural, inseminação artificial ou inseminação artificial em tempo fixo, manejo do neonato e a avaliação dos índices reprodutivos relacionados à estação de monta. Além de discutir parâmetros que influenciam diretamente nos índices reprodutivos de um rebanho como crescimento e produção, manejo nutricional e reprodutivo, melhoramento genético pelo uso de bitecnologias reprodutivas e sanidade.
  • 6. 6 PARTE I: MANEJO REPRODUTIVO DE BOVINOS DE CORTE CAPÍTULO 1 – PANORAMA E PARTICULARIDADES DO REBANHO DE CORTE NO BRASIL No ano de 2014 o Brasil foi o país de maior rebanho bovino comercial do mundo, com 208,3 milhões de cabeças (IBGE, 2014). Sabe-se também que deste total, 80% do rebanho é zebuíno devido a questões de adaptabilidade destes animais às condições tropicais predominantes no Brasil, com exceção da região Sul. Em relação à produção de bovinos de corte, em 2014 foram abatidos cerca de 27 milhões de cabeças (BRASIL. MINISTÉRIO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO – MAPA, 2015) e a produção de carne foi de 10,07 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec – medida de padronização do peso da carne bovina), dos quais 7,9 milhões tec foram para o mercado interno (IBGE, 2014). Apesar dos números indicarem uma produção considerável, a produtividade ainda necessita ser melhorada, pois para assegurar retorno econômico, a pecuária de corte requer máxima eficiência dos produtores. Segundo Faria e Corsi (1997, p. 1), além dos índices zootécnicos, as taxa reprodutivas são importantes indicadores de eficiência produtiva do rebanho, assegurando satisfatório custo-benefício na atividade. Ademais, a reprodução e as biotecnologias a ela relacionadas são valorosas ferramentas para os programas de melhoramento genético, o que indica que, quando bem implementados, possibilita-se obter ganhos quantitativos e qualitativos, que se traduzem em maior número de bezerros e com características produtivas superiores. 1.1. ÍNDICES REPRODUTIVOS Dentro do contexto supramencionado, os índices reprodutivos são aqueles a serem avaliados para maximizar a fertilidade de um rebanho, bem como o número e qualidade dos produtos obtidos. A eficiência reprodutiva (ER) é portanto, a característica que expressa o desempenho reprodutivo, considerando todas as outras características. Nas fêmeas, este índice é avaliado desde a desmama até o último parto. Nos machos a ER pode ser mensurada no período da estação de monta, período de coleta ou durante sua vida reprodutiva. Para medir a eficiência do manejo reprodutivo é necessário que se avalie os resultados, e para tal há várias informações que devem ser registradas, sendo fundamental além a análise dos dados zootécnicos que possibilitam efetuar alguns cálculos e a obtenção de vários índices, úteis para avaliar o sistema de produção. Em bovinos de corte criados extensivamente, a idade à primeira cobrição (IPC) ideal é de 18 a 24 meses para zebuínos e 11 a 15 meses para taurinos. Com isto a idade ao primeiro parto (IPP) adequada seria entre 27 e 33 meses para fêmeas de origem zebuína e 20 a 24 meses para taurinos. A seleção reprodutiva para precocidade é bem estabelecida no Bos taurus taurus e vem sendo realizada no Zebu, sobretudo na raça Nelore, de maneira que há fêmeas zebuínas parindo em torno dos 24 meses em rebanhos selecionados. O quanto antes as novilhas entrarem em reprodução menor será o número de fêmeas na recria, reduzindo o custo fixo do sistema de produção, situação interessante para a lucratividade do sistema. Extremamente importante, a habilidade materna (HM) é um índice que mensura o peso ao desmame dos bezerros, onde vacas de boa HM desmamam bezerros mais pesados, entre os 5 e 7 meses de idade. O período compreendido entre o parto e a próxima fecundação é denominado período de serviço (PS), o qual é constituído pelo período puerperal (PP – involução uterina e retorno à atividade ovariana) e o serviço (S) propriamente dito que é aquele em que a vaca está em reprodução, seja por monta natural ou inseminação artificial.
  • 7. 7 O intervalo entre partos (IP) é medido nas multíparas. O ideal é um intervalo de 12 meses, para que haja a produção de um bezerro por ano. Considerando-se que a matriz Zebu tem uma gestação de aproximadamente 290 dias, tirando-se o período de 365 dias (1 ano) temos a diferença de 75 dias para a fêmeas recuperar-se do parto, retomar a atividade ovariana, ciclar, manifestar cio e emprenhar. Verifica-se que o desafio é relevante e que organizar o rebanho em estação de monta curta, favorece a não sobreposição da estação de nascimento com a de monta, assim, proporcionam-se maiores condições das matrizes emprenharem no início da estação e apresentarem o intervalo de parto em torno de 12 meses. O IP é calculado pela diferença entre a data do parto atual e a data do parto anterior. A taxa de prenhez é obtida após o diagnóstico de gestação ao final da estação de monta por palpação retal (a partir de 45 dias) ou ultrassonografia (a partir de 30 dias). Representa a porcentagem de fêmeas do lote em estação que tornaram-se gestantes. Deseja-se eficiência acima de 85%. Taxa de prenhez = No de fêmeas gestantes x 100 No de fêmeas em cobertura A taxa de desmame indica o número de crias desmamadas em relação ao total de matrizes disponíveis para a reprodução durante a estação de monta. O índice é resultado de várias informações sobre o sistema de produção como a fertilidade das fêmeas, perdas embrionárias ou fetais e da mortalidade de bezerros. Uma boa taxa de desmame está acima de 75%. Taxa de desmame = Nº de bezerros desmamados x100 Nº de fêmeas disponíveis em estação de monta Taxa de desfrute mede a capacidade de gerar excedente do rebanho, ou seja, representa a produção (em @, kg, ou cabeças) que teve em um ano em relação ao rebanho inicial. Taxa de desfrute= Nº de cabeças total- Nº de cabeças inicial – compras + vendas Estoque inicial 1.2. FISIOLOGIA REPRODUTIVA DA FÊMEA BOVINA 1.2.1. Puberdade Na fêmea bovina a atividade reprodutiva cíclica é determinada pela presença e ação de vários fatores (nutrição, manejo sanitário, clima, aspectos raciais entre outros) que agem em sincronia com os hormônios secretados pelo hipotálamo, hipófise, ovários e útero. A idade a puberdade é mais avançada nos trópicos, como consequência principalmente do baixo peso a desmama (condições nutricionais das pastagens tropicais) e da predominância da genética zebuína, cuja seleção para fertilidade iniciou-se recentemente, ao contrário de animais taurinos, que há mais de um século vem sendo selecionados para várias características produtivas, como redução da idade a puberdade e fertilidade no pós-parto. A puberdade é definida como a idade na qual novilhas têm sua primeira ovulação e fase luteal com duração típica para a espécie. A idade em que as novilhas entram em puberdade está associada ao peso, composição corporal e raça. É estimado que o início da puberdade ocorra quando as fêmeas atingem de 60 a 65% do peso adulto e pode ser influenciada por fatores como a nutrição, genótipo, seleção genética, bioestimulação durante
  • 8. 8 a pré-puberdade (presença de fêmeas cíclicas ou de macho nos lotes) e a utilização de hormônios estimuladores. O início da puberdade é resultado de uma série de complexos eventos endócrinos que ocorrem dentro do eixo endócrino reprodutivo. Estes estão funcionais antes do início da puberdade, sendo o hipotálamo, o último a se desenvolver. Na peri-puberdade (50 dias para a puberdade) ocorrem alterações no hipotálamo que resultam no aumento da freqüência de liberação de pulsos de GnRH dentro dos vasos porta-hipotalâmicos que são necessários para estimular o crescimento de folículos até o estágio pré-ovulatório em novilhas, um importante pré-requisito para a ovulação. O LH é o hormônio determinante para a ocorrência da primeira ovulação e das subsequentes. Apesar de pulsos de LH estarem aparentes na circulação periférica de novilhas ao primeiro mês de vida, eles aumentam de forma cúbica durante os 140 dias precedentes ao início da puberdade, sendo que a maior alteração na freqüência dos pulsos ocorre próximo dos 46 dias que faltam para o início da puberdade. Na pré-puberdade (mais de 50 dias para a puberdade) os pulsos são infreqüentes (1 a 4 em 24 horas), aos 50 dias antes da puberdade, a freqüência de pulsos aumenta e aproxima-se de 24 em 24 horas, durante poucos dias antes da puberdade. Este aumento pré-púbere da freqüência de pulso de LH é um importante evento no desenvolvimento do processo de maturação sexual. Já o hormônio folículo estimulate (FSH) está circulante antes do início da puberdade e sua concentração não está associada ao tempo da puberdade em novilhas. Os esteróides ovarianos regulam a liberação do LH via mecanismo de “feedback”. O FSH é o hormônio que estimula o crescimento dos folículos ovarianos que sintetizam os esteróides: testosterona, estrógeno e progesterona. Baixas concentrações de estrógeno exercem “feedback” negativo sobre a liberação tônica de LH. Estes efeitos são mais aparentes em novilhas pré-púberes. Com o avançar da idade há diminuição da resposta ao “feedback” negativo do estradiol, que está associada ao decréscimo no número de receptores para estradiol não ocupados no hipotálamo e hipófise. A redução de receptores para estradiol aliada a elevada concentração deste esteroide produzido pelos folículos ovarianos, via estímulo FSH (fase folicular) desencadeia o “feedback” positivo, onde a onda (pico) de LH induz a ovulação e proporciona a ocorrência do primeiro cio e consequentemente do primeiro ciclo estral. A manifestação de cio na ausência de ciclicidade ovariana pode ocorrer em algumas novilhas durante a pré-puberdade e tem sido chamado de estro não puberal O cio anovulatório pode advir de ondas de crescimento folicular e ser resultado da produção suficiente de estrógeno para induzir o comportamento de cio, mas não a ovulação. O estro não puberal varia dentro de raças de novilhas, e a incidência pode estar relacionada com a estação do ano. Aumentos transitórios na concentração da progesterona circulante antes da primeira ovulação, também podem ser detectadas. Elas são mais baixas em magnitude e curtas na duração que aquelas características da fase luteal do ciclo estral bovino. A advém de tecido luteal intra-ovariano, que no entanto, não apresenta papila ovulatória, sugerindo que a ovulação não é necessária para a formação destas estruturas. Esse aumento da progesterona antes do início da puberdade provavelmente exerce papel importante nas mudanças endócrinas que levam o estabelecimento da secreção normal de gonadotropinas, preparando o sistema reprodutivo para a ciclicidade ovariana. Além disto, este esteróide é crítico para o estabelecimento e manutenção da gestação. O aumento nas concentrações de estradiol na circulação, quando se aproxima a puberdade, pode contribuir para aumentar a taxa de crescimento do útero, principalmente durante os estágios finais da peri-puberdade, enquanto a função luteal antes do cio puberal, pode proporcionar um ambiente uterino apropriado para o embrião se a concepção ocorrer
  • 9. 9 como resultado de cobrição no cio púbere. É verificada uma marcada alteração no tamanho uterino durante a peri-puberdade evidenciada pelo aumento da massa uterina, subseqüente ao primeiro aumento da progesterona circulante em novilhas. Embora o peso corporal das novilhas continue a aumentar após a puberdade, o peso do cérvix e do útero e comprimento dos ovidutos apresentam pouco ou nenhum aumento após este período. As novilhas que alcançam a puberdade antes do início da estação de monta têm mais oportunidades para acasalar do que novilhas que atingem a puberdade dentro da estação, tendo a possibilidade de conceberem precocemente e parirem cedo na estação de nascimentos. Novilhas que parem cedo na estação de nascimento continuam a parir cedo durante toda a vida produtiva, desmamando bezerros mais pesados que novilhas que parem mais tarde na estação de nascimentos. 1.2.2. Fertilidade no primeiro cio A maturidade sexual, definida como a idade que o animal atinge o máximo de seu potencial reprodutivo, está diretamente relacionada à idade à puberdade da fêmea. Geralmente, são necessários de 3 a 4 ciclos estrais após a ovulação puberal para que a fêmea atinja a maturidade e a capacidade de levar uma gestação a termo. É importante salientar que a fertilidade a primeira cobrição em novilhas é baixa. A fertilidade é maior ao terceiro cio após a puberdade que no cio púbere, assim, as novilhas devem ser cobertas 2 ou 3 ciclos após o início da puberdade. 1.2.3. Nutrição e puberdade O peso corporal constitui um dos principais fatores que afeta a idade a puberdade, desta maneira o acompanhamento do ganho de peso diário e a mensuração do peso corporal tornam-se ferramentas úteis para a predição da puberdade. Por outro lado, a monitoração da condição corporal das novilhas apresenta-se como bom indicador do estado nutricional dos animais, sendo de fácil mensuração e repetibilidade entre técnicos. A puberdade pode ser reduzida via sistemas de alimentação programados para aumentar o ganho de peso de novilhas. Os benefícios reprodutivos são obtidos com tal artifício em novilhas pré-púberes, entretanto dietas ricas em energia podem reduzir a produção de leite subseqüente, tanto em novilhas de leite, quanto de corte, reduzindo o peso dos bezerros a desmama. Os efeitos deletérios da dieta de elevada energia parecem ser mediados pela somatotropina (BST), já que este hormônio está reduzido quando o nível energético da dieta é elevado, estando o BST diretamente relacionado ao desenvolvimento do parênquima mamário De acordo com Martin; Lemenager; Srinivasan, (1981, p. 33), novilhas superalimentadas antes da puberdade (até os 8 meses de idade) produzem progênies com menores pesos à desmama que àquelas alimentadas com níveis nutricionais moderados devido ao efeito negativo do excesso de energia sobre o desenvolvimento da glândula mamária interferindo na produção de leite (HIXON et al., 1982, p. 467). 1.2.4. Bioestimulação e puberdade A atividade reprodutiva de vacas e novilhas é beneficiada pela convivência com machos em idade reprodutiva e fêmeas cíclicas, sendo a bioestimulação manejo que pode ser efetuado para antecipar a idade a puberdade e diminuir o período do anestro pós-parto. Segundo Menezes; Brauner; Pimentel (2010, p. 1). há indicações de que haja menor evidência de efeitos positivos da bioestimulação sobre a atividade reprodutiva de novilhas em relação às primíparas e multíparas. Ainda assim, a utilização de rufiões vasectomizados no lote de novilhas, é manejo simples que pode auxiliar na antecipação da puberdade,
  • 10. 10 possibilitando que as novilhas entrem em sua primera estação de monta já ciclando, dispondo de mais oportunidades para ciclarem e se tornarem gestantes. O mesmo benefício pode ser obtido ao se reduzir o intervalo parto primeiro cio com a introdução de machos nos lotes de fêmeas no pós-parto recente. A introdução de machos (efeito macho) no lote de novilhas e de vacas paridas estimula a secreção do GnRH e consequentemente o pico de LH e a ovulação. É evidente que no caso da puberdade para que haja o estímulo, as fêmeas deverão possuir o peso e idade aproximados aos de sua entrada na puberdade (pré-puberdade) para serem beneficiadas e a vacas no pós-parto não podem apresentar condição corporal excessivamente baixas (escore 1 e 4, na escala de 1 a 9 pontos), os maiores benefícios são registrados em vacas com condição corporal de baixa para moderada de 3 a 5, na escala de 9 pontos), sendo que em fêmeas de boa condição corporal o efeito macho é minimizado. A introdução de fêmeas cíclicas (vacas que apresentam cio em intervalos de 21 dias) no lote de novilhas também estimula a atividade ovariana das fêmeas pré-púberes. O agrupamento de fêmeas em cio favorece a manifestação do comportamento sexual e proporciona estros de maior duração (acima de 12 horas quando 4 ou mais fêmeas em cio estão agrupadas), favorecendo a identificação. Fêmeas que encontram-se no proestro, estro e metaestro agrupam-se e formam o grupo sexualmente ativo, interagindo intimamente. É importante observar que no grupo de fêmeas há aquelas que são dominantes e que são mais enfáticas em instigar as demais fêmeas, ao mesmo tempo que, aquelas mais tímidas podem não participar do grupo sexualmente ativo mesmo estando em cio. Assim, é importante trabalhar com lotes de fêmeas por categoria produtiva, não misturando primíparas com multíparas e vacas mais velhas com as muito jovens, bem como observar aquelas fêmeas que aproximam-se do grupo ativo tentando interagir, quando deseja-se identificar o cio. Lotes de fêmeas sem a presença do macho interagem mais, quando em cio do que com a presença do touro ou rufião. No entanto é benéfico o estimulo da presença do macho para a ciclicidade ovariana. Com relação a presença do macho e a antecipação da puberdade, nem todos os pesquisadores que mediram este estímulo registraram tal influência, por outro lado, há relatos de estímulo pela exposição das novilhas à urina de touros (IZARD; VANDENBERGH, 1982, p. 1160) e de aumento em 4% de fertilidade ao final da estação de monta em novilhas que foram expostas aos machos (rufiões) por 46 dias (MAKARECHIAN; FARID; BERG, 1985, p. 595) e de 6% naquelas expostas ao rufião a partir de 56 dias antes do início da estação de monta (FERREIRA, 1999). Novilhas da raça Aberdeen Angus estimuladas pela presença do macho por 75 dias antes do acasalamento atingiram a maturidade sexual antes daquelas não bioestimuladas (ASSIS et al., 2000, p. 226). 1.2.5. Endocrinologia do ciclo estral O ciclo estral bovino é caracterizado por uma série de ondas foliculares. Em cada onda, aproximadamente de 5 a 7 folículos antrais (3 a 5 mm de diâmetro) sensíveis às gonadotropinas são estimulados a iniciar o crescimento. Deste grupo emerge um folículo dominante, que continua seu crescimento e secreta grandes quantidades de estradiol (E2), inibina e outros fatores, favorecendo a atresia e regressão dos demais folículos. Na presença do corpo lúteo, o folículo dominante continua seu desenvolvimento até atingir seu tamanho máximo, após o que entra em atresia. A perda da funcionalidade do folículo dominante resulta no aumento transitório do FSH plasmático, que estimula a emergência de nova onda folicular. O padrão de crescimento em ondas foliculares é repetido até que a presença de um folículo dominante coincida com a regressão do corpo lúteo, que marca o início de um novo ciclo estral. Quando há queda da progesterona (P4), retira-se seu efeito de “feedback” negativo sobre o hipotálamo e hipófise que aliado ao aumento da concentração de estradiol
  • 11. 11 permitem o aumento na freqüência de pulsos de LH, seu pico pré-ovulatório e a ovulação do folículo dominante. Durante o ciclo estral bovino, aproximadamente 20 a 30 folículos emergem, apresentam crescimento inicial e regridem. Os hormônios esteróides têm uma importância fundamental na secreção das gonadotropinas, tanto do FSH (hormônio folículo estimulante) quanto do LH (hormônio luteinizante). Estes efeitos podem ocorrer como resultado da modificação na secreção do GnRH pelos hormônios esteróides ou pelo efeito direto destes hormônios sobre a glândula pituitária anterior. O estradiol dirige a ciclicidade reprodutiva nas fêmeas mamíferas pela sua habilidade em estimular o pico de GnRH, enquanto a progesterona controla a duração do ciclo, por modificar a resposta do sistema neurosecretório do GnRH ao estradiol. A secreção do GnRH é regulada via mecanismos de “feedback” que são afetados por influências diversas como fotoperíodo, nutrição, estresse e idade. Os esteróides gonadais são os fatores controladores mais importantes da secreção de GnRH tanto nas fêmeas quanto nos machos mamíferos. Especialmente nas fêmeas, tanto o estradiol quanto a progesterona regulam a secreção do GnRH. A importância do estradiol em aumentar a sensibilidade da pituitária ao GnRH durante o período pré- ovulatório é questionada, já que o aumento no RNAm para os receptores de GnRH precede o aumento nas concentrações circulantes do estradiol. Os diferentes e variados efeitos da progesterona sobre a atividade do sistema neurossecretório do GnRH bem como a habilidade de uma variedade de fatores influenciarem a sua secreção, fazem deste esteróide um importante elemento regulador da função reprodutiva normal. Os neurônios GnRH não possuem receptores para a progesterona ou para o estradiol, de maneira que vários sistemas de neurotransmissores receptivos a estes esteróides no hipotálamo regulam indiretamente a atividade neurossecretória do GnRH. Neurônios com receptores para o estradiol interpretam os sinais mediados pelo estrógeno e estimulam direta ou indiretamente os neurônios GnRH gerando o pico de GnRH. A progesterona bloqueia os sinais do estradiol tanto na fase de ativação quanto na fase de transmissão dos sinais aos neurônios GnRH, indicando poder ela atuar de várias maneiras para bloquear o pico de GnRH prevenindo a ovulação. É evidente que os esteróides gonadais alteram a habilidade de síntese e/ou de secreção da pituitária anterior, além de regularem indiretamente a liberação do GnRH. O efeito do estradiol na adenohipófise, geralmente de curto tempo, é estimulatório para a síntese do LH, pois aumenta a sensibilidade da glândula ao GnRH, a síntese de receptores para o GnRH e a síntese de LH. Por outro lado, os efeitos da progesterona são inibitórios à síntese desta gonadotropina Os efeitos dos esteróides sobre a síntese de gonadotropinas podem ser mediados via interação direta do esteróide com o receptor hormonal na pituitária ativando o elemento resposta para a síntese de gonadotropina. Indiretamente, podem atuar induzindo a síntese de proteínas que afetam as gonadotropinas. Tanto o FSH quanto o LH são sintetizados e liberados pelos gonadotrófos, embora diferentes mecanismos regulatórios, possivelmente, estejam envolvidos na elaboração das duas gonadotropinas. Múltiplos mecanismos regulatórios modulam o nível, o padrão e a potência biológica do FSH circulante, estando a regulação neuroendócrina, autócrina e parácrina envolvida na produção e secreção do FSH. O mecanismo de “feedback” que ocorre no eixo hipotalâmico-hipofisário-ovariano- uterino pode ser observado na figura 1.
  • 12. 12 Figura 1 – Mecanismo de feedback no eixo hipotalâmico- hipofisário-ovariano-uterino. Fonte: Elaborado pelo autor. 1.2.6. Fases do ciclo estral O ciclo estral da fêmea bovina dura em média 21 dias, variando entre 17 a 24 dias. De acordo com a fase hormonal do ciclo, ele é divido em quatro fases: proestro, estro, metaestro e diestro. Na figura 2 é apresentada a dinâmica hormonal entre dois períodos estrais. O ciclo inicia-se no dia 0, denominado estro ou cio, o qual dura de 10 a 18 horas, sendo mais curto no zebu (em torno de 12 horas), podendo durar mais tempo nos taurinos. O estro é o momento do auge da receptividade sexual da fêmea no qual ela aceita a monta e cópula do macho. No cio ocorre o pico de LH e os níves circulantes de progesterona e estrógeno estão reduzido (FIG. 2). O metaestro compreende os 5 dias subsequentes ao estro (dias 1 a 5 – FIG. 2), no qual ocorre a ovulação (30 horas após o início do cio) e há um aumento progressivo dos níveis circulantes da progesterona advinda do corpo lúteo em formação (nesta época denominado corpo amarelo) e cessa a receptividade sexual.O diestro é o período mais longo do ciclo estral, em torno de 12 a 14 dias (dia 6 até dia 17 – FIG. 2) e corresponde ao auge da função do corpo lúteo, no qual os níveis de progesterona estão elevados, durante este período não há receptividade sexual. A partir do 18º dia os níveis de progesterona (FIG. 2) declinam devido a lise do corpo lúteo simultaneamente ao aumento do estrógeno circulante produzido pelos folículos ovarianos, iniciando-se gradativamente a receptividade sexual, este período é denominado de proestro (dias 18 até 0 FIG. 2)
  • 13. 13 Figura 2 – Dinâmica hormonal no intervalo entre dois períodos estrais. Fonte: Desconhecida As concentrações séricas de estradiol são mínimas durante a fase luteínica, elevando- se de quatro a cinco dias antes do estro. Após atingir um certo limiar, o estrógeno promove a liberação da onda de LH e o início do comportamento estral, por mecanismo do tipo “tudo ou nada”, já que, uma vez atingido valores plasmáticos estimulatórios, quantidades adicionais do estradiol não promovem a exacerbação do comportamento estral. Por outro lado, a progesterona é um potente inibidor do comportamento estral mesmo na presença de elevados níveis de estradiol. Durante o proestro, o folículo ovulatório, sob influência das gonadotropinas sofre a maturação folicular, apresenta maior atividade aromatase nas células foliculares, com consequente secreção de elevadas concentrações de estradiol até valores de pico. Na ausência relativa da progesterona, o estrógeno atua sobre a região mediobasal do hipotálamo induzindo o pico de LH e o comportamento estral. O início do comportamento sexual e do pico de LH coincidem com o pico de estradiol plasmático e tem duração média de 12 a 16 horas. As concentrações séricas de progesterona são muito baixas durante o proestro e o estro, sendo um pré requisito necessário para a expressão do cio. Uma vez alcançado o limiar plasmático da progesterona, o estro é inibido mesmo que o estradiol tenha atingido valor necessário para ocasionar o cio. A ação da progesterona têm prioridade sobre a do estradiol em relação ao comportamento do estro. A exposição prévia à progesterona pode influenciar o tempo para o efeito do “feedback” positivo do estradiol sobre a secreção de gonadotropina, aumentar a amplitude do pico de GnRH induzido pelo estradiol e é requisitada para a expressão do comportamento reprodutivo induzida pelo estradiol, embora alguns autores não tenham verificado a necessidade de “priming” da progesterona para a manifestação do estro, exceto no pós parto recente. A ação do estradiol depende da condição fisiológica do animal para induzir o comportamento estral, já que elevados valores deste hormônio no final da gestação bloqueiam a resposta do cérebro ao estradiol, de forma a induzir o estro não acompanhado por sinais clínicos. A progesterona luteal atua como um hormônio que desbloqueará os circuitos cerebrais para a resposta ao estradiol, permitindo que a segunda ovulação do pós parto em resposta a elevação do estradiol seja acompanhada de sinais de estro.
  • 14. 14 A progesterona pode bloquear os efeitos de feedback positivo do estradiol sobre a secreção de gonadotropinas, e o comportamento estral, sendo importante reguladora dos ciclos estrais, pois previne a ovulação de folículos estrogênicos na fase luteal e ou na gestação, evitando a fertilização e o desenvolvimento embrionário em períodos que não favoreçam o desenvolvimento embrionário. O sinal fisiológico que inicia a motivação sexual está nos hormônios esteróides. Uma vez liberado na corrente sangüínea, o estrógeno rapidamente se liga aos receptores no sistema nervoso central. Quando o animal é motivado sexualmente, os eventos comportamentais são iniciados e estímulos sensoriais são integrados ao cérebro que elícita reações motoras apropriadas. O estro seguido de ovulação pode variar na intensidade de manifestação de sinais clínicos e comportamentais. A maioria dos estudos indica que a ovulação sem sinais de cio é uma ocorrência rara, exceto no pós-parto recente. A interação entre os hormônios esteróides e sistemas monoaminérgicos (dopamina, noradrenalina e serotonina) exerce grande importância na integração do comportamento reprodutivo com a função gonadal. As monoaminas estão associadas ao controle do comportamento sexual de machos e fêmeas, sendo a interação entre progesterona, estradiol e a noradrenalina responsável pela indução do reflexo de imobilidade nas fêmeas. Os esteróides, sobretudo a progesterona e o estradiol modulam a síntese das monoaminas, bem como a afinidade e o número de receptores para estas substâncias. Quando várias vacas estão no proestro, estro ou metaestro formam um grupo de intensa interação denominado de grupo sexualmente ativo. Lopes (2004, p. 1) avaliando o comportamento sexual de vacas zebuínas registrou estros com duração média de aproximadamente 12 horas e que a presença de no mínimo 4 fêmeas em estro simultaneamente favoreceu a ocorrência de estros com esta duração ou superior, favorecendo a identificação destas fêmeas em programas convencionais de detecção de cio. 1.3. ENDOCRINOFISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO DO MACHO O testículo é a gônada masculina que possui função gametogênica (produção de espermatozoides) e esteroidogênica (produção de hormônios esteroides (testosterona, dihidrotestorena, estrógeno e progesterona). O testículo é composto por túbulos seminíferos eu contem as células de Sertoli, dentro das quais ocorre a espermatogênese e por células de Leydig, que estão no interstício e são responsáveis pela esteroidogênese. A função reprodutiva do macho é regulada pelo eixo hipotalâmico-hipofisário- testicular, que se inter-relacionam via mecanismo de "feedback". O ciclo do epitélio seminífero é compreendido pelo tempo que a espermatogônia-A leva para sofrer uma série de divisões mitóticas e duas meióticas e gerar em torno de 256 espermatozóides, o que leva em torno de 60 dias. Por isso, quando se encontram alterações na qualidade do sêmen que podem ser advindas do estresse recomenda-se repetir o exame daí aproximadamente 60 a 65 dias. Na sequência do testículo há o epidídimo que é composto por cabeça e corpo e cauda. A passagem dos espermatozóides pelo epidídimo no bovino dura aproximadamente 10 dias, sendo que na cabeça e no corpo do epidídimo que ocorre a maturação dos espermatozoides e na cauda o armazenamento dos mesmos. Em sua trajetória do testículo ao ambiente externo (ejaculado) os espermatozoides são adicionados ao plasma seminal que compreende a secreção das glândulas acessórias: glândulas vesiculares, prostáta e bulbo-uretral. As glândulas vesiculares são em pares e possuem a frutose como principal componente, responsável pelo suprimento entergético para os espermatozoides. Seu conteúdo
  • 15. 15 funciona como um sistema tampão impedindo alterações de pH no ambiente ao redor dos espermatozoides. Na próstrata é produzida uma proteína chamada antiaglutinina que previne a aglutinação dos espermatozoides para se movimentem livremente, sua secreção alcalina e confere o odor característico ao sêmen As glândulas bulbouretrais produzem mucina, que conferem um aspecto gelatinoso ao sêmen e também possuem função de proteção aos espermatozoides. 1.3.1. Puberdade e maturidade sexual A idade a puberdade em tourinhos tem sido definida como aquela em que o há no ejaculado, no mínimo, uma concentração de 50 milhões de espermatozóides, com 10 % de motilidade. Já a maturidade sexual é considerada como a idade na qual o sêmen apresenta no mínimo 50% de motilidade progressiva e no máximo 10 % de defeitos maiores e 20 % de defeitos menores (GUIMARÃES, 1993) A idade a puberdade em taurinos gira em torno dos 8 aos 10 meses, em regiões temperadas, enquanto sob condições tropicais é mais tardia (entre 12 e 14 meses), porém inferior aos zebuínos, que está acima dos 25 meses, em condições de campo. Atividade suplementar do capítulo 2. Baseado na Figura 1 deste capítulo, explique o mecanismo de feedback que acontece no eixo hipotalâmico-hipofiário-ovariano-uterino. 3. Quais benefícios à vida produtiva de novilhas e vacas, a bioestimulação propicia? Quais os mecanismos fisiológicos envolvidos? CAPÍTULO 2 – MANEJO REPRODUTIVO: A INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO E DO ESCORE DA CONDIÇÃO CORPORAL NA REPRODUÇÃO 2.1.INFLUÊNCIA DA NUTRIÇÃO NA REPRODUÇÃO DE BOVINOS 2.1.1. Energia Energia é um nutriente essencial na dieta de fêmeas bovinas, principalmente leiteiras, mas também muito importante no metabolismo de animais de corte, pois é o nutriente mais relacionado a eventos reprodutivos. As principais fontes de energia na alimentação animal são açúcar, amido, lipídeos, proteínas e fibras. A energia deve ser cuidadosamente balanceada na dieta, calculada pela ingestão de matéria seca (IMS). Animais que consomem menos energia do que a necessária para mantença, crescimento e produção entram em balanço energético negativo (BEN). Vacas em estado de BEN têm longos períodos de anestro e problemas de fertilidade. Em seus estudos, SCHILLO (1992, p. 1271) relatam que a redução dos pulsos de LH em fêmeas bovinas está relacionada à perda de gordura corporal dada pelo BEN. Além disso, animais com déficit de energia na alimentação apresentam aumento na concentração de ácidos graxos não esterificados (AGNE), -hidroxibutirato e ureia na corrente sanguínea e, por outro lado, há uma queda nos níveis de IGF-I, glicose e insulina. Estas variações nos níveis séricos destas substâncias estão relacionadas a falhas na função ovariana e consequente queda na fertilidade. Também, Leroy et al. (2008, p. 623) verificaram que ovócitos maturados in vitro, em ambiente com altos níveis de AGNE e baixas concentrações de glicose, apresentaram desenvolvimento embrionário desfavorável. Por outro lado, a ingestão excessiva de energia tem efeitos deletérios e podem refletir na queda na qualidade oocitária, relacionada à hiperinsulinemia (ADAMIAK et al., 2005, p.
  • 16. 16 918) e aumento das taxas de morte embrionária devido aos altos níveis de glicose e IGF-I, que prejudicam o transporte de glicose ao embrião, causando morte celular (SANTOS; CERRI; SARTORI, 2008, p. 88). Outro problema relacionado à alta ingestão energética é a queda nos níveis séricos de progesterona. Fêmeas superalimentadas apresentam maior metabolismo da progesterona, levando à diminuição de suas concentrações sanguíneas, o que pode levar à diminuição da fertilidade (FONSECA et al., 1983, p.1128), além de menores taxas de clivagem e produção in vitro de embriões (PFEIFER et al., 2009, p. 473). Os níveis ótimos de energia na dieta de fêmeas bovinas devem ser calculados de acordo com a época de produção ou reprodução que o animal se encontra. Quando se trata de energia, é necessário encontrar o percentual ótimo para a dieta, pois a sub ou superalimentação podem ter efeitos danosos no trato reprodutivo de vacas e novilhas. 2.1.2. Gordura A suplementação lipídica é uma alternativa para aumentar a densidade energética da dieta de vacas e novilhas em estação reprodutiva. A gordura deve estar na dieta na ordem de 5 a 6% da matéria seca (MS); valores mais altos podem suprimir a IMS e digestibilidade da fibra da dieta (PALMQUIST; JENKINS, 1980, p. 1). De acordo com Van Soest (1994) as gorduras presentes nos grãos são, em sua maioria, os triglicerídeos e nas forragens estão presentes os fosfolipídios e glicolipídios. A atuação das gorduras na reprodução se dá através de ácidos graxos (AGs). Dias et al. (2009, p. 95) relataram que a adição de gorduras na dieta de vacas pode ter influência positiva no desempenho reprodutivo pois podem atuar favoravelmente no metabolismo de hormônios que agem nos ovários e útero, além de influenciar a codificação genética de proteínas fundamentais às funções reprodutivas. Estudos realizados in vitro e in vivo, relataram efeitos positivos dos AGPs na maturação, desenvolvimento (à blastocisto) e qualidade de oócitos de vacas (MAREI; WATHES; FOULADI-NASHTA, 2009, p. 1064). Lucy et al. (1991, p. 483) relataram efeitos benéficos dos AG polinsaturados (AGPs – ômega 3 e ômega 6) na fertilidade de vacas, atuando qualitativamente e quantitativamente sobre o folículo. Estes mesmos autores verificaram que os efeitos da dieta lipídica sobre a dinâmica folicular se deu devido à prostaglandina PGF2. Isso pode ser explicado pois o ácido linoleico (C18:2 ou n-6) é um dos precursores da PGF2. Por outro lado, a manutenção da gestação está relacionada à permanência do corpo lúteo (CL), sendo a PGF2 responsável pela luteólise, a secreção desta substância pode ser controlada pela dieta de AGPs, evitando-se a morte embrionária. A suplementação lipídica também pode atuar sobre as concentrações séricas de progesterona (P4). Guardieiro et al. (2010, p. 408) trabalharam com suplementação de novilhas Nelore com 100 gramas por dia de gordura protegida (Megalac-E®) e observaram aumento nas nos níveis circulantes de P4. Elevados níveis de P4 podem estar associados à manutenção da gestação pela permanência do CL. A suplementação com gordura também tem efeito no aumento de insulina e IGF-I, através da gliconeogênese hepática e aumento da produção de propionato no rúmen (NOGUEIRA, 2008, p. 17). O IGF-I e a insulina agem na esteroidogênese folicular e as concentrações de glicose (provenientes do aumento da insulina), estão relacionados ao crescimento folicular. Associado a este fator, WILLIAMS (2001, p. 95) relatou que pode haver influência das gorduras na dieta com a liberação de FSH. O mesmo autor cita que concentrações basais de LH aumentaram discretamente em vacas com bezerro ao pé, suplementadas com gordura, mas a atuação deste nutriente no GnRH, LH e FSH ainda deverão ser melhor elucidadas. A suplementação energética através do uso de gorduras deve ser bem equilibrada já que seu uso, em percentuais, é pequeno. Mas se bem trabalhado, pode resultar efeitos benéficos na fertilidade de fêmeas bovinas.
  • 17. 17 2.1.3. Carboidrato Os carboidratos constituem aproximadamente 70 a 80% da matéria seca (MS) total ingerida na dieta de bovinos. Ainda com foco sobre dietas energéticas, a conversão de carboidratos em ácidos graxos voláteis são os responsáveis pela maioria da energia advinda da dieta. A fonte, concentração e taxa de degradação ruminal dos carboidratos predizem o tipo de produtos resultantes da fermentação (SNIFFEN et al., 1992, p. 3562). Dietas a base de milho, tem grandes quantidades de carboidratos não fibrosos (CNF), sendo o amido um dos mais importantes. A degradação do amido no rúmen está relacionada ao aumento dos níveis séricos de glicose e insulina (SANTOS et al., 2000, p. 1004). Isso ocorre pois o aumento do propionato proveniente do metabolismo de amido estimulo o fígado a produzir glicose, além disso estas duas substâncias – glicose e propionato – estimulam a secreção de insulina. Além disso, como discutido anteriormente, dietas energéticas levam ao aumento dos níveis de IGF-I na corrente sanguínea (NOGUEIRA, 2008, p.17). O IGF-I e a insulina agem na esteroidogênese folicular, ou seja, produção de progesterona pelas células da granulosa e as concentrações de glicose (provenientes do aumento da insulina), estão relacionados ao crescimento folicular através do estímulo à mitose nas células da granulosa (SPICER; ECHTERNKAMP, 1995, p. 223). A glicose é também a principal fonte de energia utilizada pelo sistema nervoso central (SNC). Dentro disto, animais em BEN e subnutrição grave entram em estado de hipoglicemia, acarretando na supressão do SNC e diminuição dos pulsos de GnRH pelo hipotálamo e LH pela hipófise, levando à diminuição da atividade ovariana (HESS et al., 2005, p. E-90). Dietas energéticas, com teores balanceados de carboidrato e lipídios, levam a uma equilibrada IMS e produção de níveis ótimos de insulina, glicose e IGF-I que podem ser fatores essenciais ao desempenho reprodutivo de vacas. No entanto, quando a energia da dieta é extrapolada pelo desequilíbrio dos nutrientes supracitados, ocorre um metabolismo excessivo dos hormônios esteroides e demasiadas concentrações dos metabólitos – glicose, insulina e IGF-I – que podem levar a efeitos deletérios na produção e qualidade de ovócitos e embriões, além de queda nas taxas de concepção (SARTORI; GUARDIEIRO, 2010, p. 422). 2.1.4. Proteína Diversas funções no organismo de ruminantes são dependentes da proteína. Segundo NRC (2001), este nutriente pode estar na forma de proteína bruta (PB), degradável no rúmen (PDR), microbiana (originária do metabolismo da PDR) e não degradável no rúmen (PNDR). Por outro lado, dietas contendo altas proporções de PB podem ser prejudiciais às funções reprodutivas (SANTOS; AMSTALDEN, 1998, p. 19). Canfield; Sniffen; Butler (1990, p. 2342) relataram que a ureia é proveniente do metabolismo de PB ou suplementação de nitrogênio não proteico (NNP) na dieta, o que explica suas altas concentrações em dietas altamente proteicas. Também à partir da PB, um metabólito resultante é a amônia. Estudos têm demonstrado que concentrações altas de ureia e amônia estão relacionadas à diminuição das taxas de concepção em vacas recebendo excesso de PDR ou PNDR (BUTLER, 1998, p. 2533). Isso pode ser explicado, pois ocorrem alterações no pH uterino quando há elevadas concentrações séricas de uréia, advinda de elevados níveis de PDR e PNDR na dieta (ELOLD; VAN AMBURGH; BUTLER, 1993, p. 702). A proteína também pode exercer efeitos negativos no desenvolvimento embrionário de vacas em alta produção, sendo relatados degeneração precoce e problemas no desenvolvimento de embriões de vacas alimentadas com excessivos níveis de PB na dieta (BLANCHARD et al., 1990, p. 905). Além disso, dietas com baixo teor energético, porém com alta quantidade de PDR, pode levar à perdas embrionárias (EROLD; BUTLER, 1993, p.
  • 18. 18 694), podendo estar relacionada a queda nas concentrações de progesterona, intimamente relacionada à manutenção da gestação (BUTLER, 1998, p2533). Ao estudar níveis de amônia no fluido folicular, Sinclair; Sinclair, L.A.; Robinson (2000, p. 2659) encontraram elevadas taxas deste metabólito em folículos de vacas alimentadas com elevados níveis proteicos. Estes autores também relataram menores taxas de clivagem de oócitos coletados de novilhas alimentadas com alta proteína, e consequente concentrações séricas maiores de amônia. 2.1.5. Vitaminas e minerais As vitaminas são reguladores metabólicos necessários em pequenas quantidades no organismo. Algumas vitaminas – hidrossolúveis e lipossolúveis – são sintetizadas no rúmen, como metabólitos da digestão, desta forma, para ruminantes as vitaminas a serem suplementadas são somente A, D e E (lipossolúveis, TORRE; CAJA, 1998, p. 67). A insuficiência de vitamina A pode estar relacionada com aumento na taxa de aborto e queda na atividade ovariana, acarretando na diminuição da eficiência reprodutiva de vacas (HURLEY; DOANE, 1989, p. 784). Nos machos, esta vitamina pode estar relacionada ao crescimento e fertilidade. De acordo com Andriguetto et al. (1984, p. 1) a deficiência desta vitamina pode levar ao aumento de folículos atrésicos persistentes e maior índice de degeneração cística. Também é relatado maior número de aborto, retenção de placenta e bezerros natimortos (SCHAFHAUSER JR; GAEDE, 1997, p. 93) em casos de deficiência severa de vitamina A. A vitamina D pode ser obtida através de suplementação ou exposição do animal ao sol. De acordo com Andriguetto et al. (1990, p. 1) a vitamina D tem função indispensável na absorção de cálcio e fósforo da dieta. A deficiência desta vitamina é associada à desmineralização dos ossos, raquitismo em animais jovens e osteomalácia em animais adultos. A vitamina E tem ação oxidante agindo na proteção de membranas, junto ao selênio, e também no metabolismo energético, além da síntese de ácido ascórbico. Na reprodução, tem função na produção das gonadotrofinas (FOX, 1992, p. 1) e pode sua suplementação adequada pode diminuir a incidência de retenção de placenta no pós-parto (LEBLANC et al., 2004, p. 609). A tabela 1 sintetiza os efeitos da deficiência destas vitaminas, bem como os benefícios de uma suplementação correta (FUCK; MORAES; SANTOS, 1995, p. 1). Tabela 1 – Efeitos da deficiência e respostas positivas da suplementação das vitaminas A, D e E. Vitamina Deficiência Benefícios A Reduzidas taxas de concepção; mortes embrionárias; aborto; retenção de placenta; nascimentos de bezerros fracos, cegos ou natimortos; lesões inflamatórias e degenerativas nas mucosas genitais. Favorecimento do comportamento de cio, da função lútea, redução da ocorrência de cistos ovarianos, redução do número de dias em aberto . D Raquitismo e fraqueza muscular; atraso no primeiro cio e aumento do intervalo de partos. Homeostasia do cálcio para o crescimento, lactação e controle de processos intracelulares. E Retenção de placenta. Função antioxidante; Redução da incidência de metrites e cistos ovarianos; redução do tempo de involução uterina em vacas com metrite; produção das gonadotrofinas. Fonte: Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1); Adaptado de Lopes, 2013.
  • 19. 19 As pastagens nativas brasileiras podem ser deficientes em minerais, por isso é importante a suplementação, principalmente de cálcio (Ca), fósforo (P), zinco (Zn), sódio (Na), cobalto (Co), cobre (Cu) e Iodo (I). As ações destes minerais nas funções reprodutivas são variáveis. Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1) relataram que a síntese de esteroides como a progesterona, responsável pela manutenção da gestação, é dependente de Ca e manganês (Mn). Kenn et al. (1998, p.1003S) observaram que o déficit de Cu, I, ferro (Fe), magnésio (Mg) e Zn na dieta pode levar má formação embrionária ou fetal. Por outro lado, a suplementação adequada destes minerais e de selênio (Se) leva ao adequado desenvolvimento de embriões e fetos (HOSTETLER; KINCAID; MIRANDO, 2003, p. 125). Estes mesmos autores observaram ainda que matrizes que não consumiram quantidades adequadas de minerais durante o período gestacional, podem gerar proles susceptíveis à deficiências. No pós-parto alguns autores encontraram que a deficiência de Mg, Cu, I, Zn, Fe e Se podem ser fatores indutores da retenção de placenta (FUCK; MORAES; SANTOS, 1995, p. 1). Para melhor compreensão das ações dos minerais no organismo bovino, a tabela 2 contém informações sobre os benefícios e problemas causados pela deficiência de minerais, baseado na revisão de Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1). Tabela 2 - Efeitos da deficiência e respostas positivas da suplementação dos minerais. Mineral Deficiência Benefícios Cálcio Paresia puerperal, atraso na involução uterina, aumento da incidência de distocia, retenção de placenta e prolapso uterino. Formação de esteróides (mecanismos dependentes de cálcio). Fósforo Redução na taxa de concepção, cios irregulares, anestro, diminuição na atividade ovariana, aumento na incidência de cistos foliculares. Excesso – menores taxas de fertilidade Componente de ácidos nucléicos, nucleotídeos, fosfolipídeos. Sódio e Potássio Excesso de K e deficiência de Na – cios irregulares, estros prolongados, cistos e corrimentos vaginais. - Zinco Possui várias funções biológicas e é ativador de várias enzimas envolvidas na esteroidogênese. Deve ser componente obrigatório nas misturas minerais. Cobre Morte embrionária, atraso ou inibição do cio, redução na taxa de concepção, aumento na taxa retenção de placenta e dificuldade ao parto. Está envolvido em vários complexos enzimáticos. Envolvido na manutenção dos hormônios hipofisários. Molibidênio É antagônico ao Cobre, seu excesso pode causar deficiência de cobre. O excesso pode acarretar dificuldade de conceber e alteração da libido e lesões testiculares no macho. É necessário para o funcionamento de algumas enzimas. Iodo Problemas reprodutivos decorrentes da disfunção da tireóide – morte do feto em desenvolvimento, aborto, Possui grande importância no funcionamento da tireóide. A suplementação com iodo reduz o
  • 20. 20 natimortos, fetos com bócio, débeis, associado à gestação prolongada. número de inseminações por concepção, natimortos e retenção de placenta. Obs. Concentrações acima de 50 ppm estão associadas ao aborto e teratogenia. Manganês Anestro, retorno irregular do estro, baixo desenvolvimento folicular, atraso na ovulação, redução na taxa de concepção, aumento na incidência de abortos. Nascimento de bezerros fracos com engrossamento das articulações. Papel importante na ativação de várias enzimas. Relação entre manganês e síntese de esteroides. Cobalto Anemia e fraqueza geral. Atraso na involução uterina, cios silenciosos, estros irregulares, atraso na puberdade, abortos, nascimento de bezerros fracos e ovário afuncionais. Necessário para a síntese microbiana de vitamina B12. Selênio Retenção de placenta. Função antioxidante; Redução da incidência de metrites e cistos ovarianos; redução do tempo de involução uterina em vacas com metrite. Fonte: Fuck; Moraes; Santos (1995, p. 1); Adaptado de Lopes, 2013. 2.2. ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL DE BOVINOS DE CORTE 2.2.1. Leptina, condição corporal e reprodução A leptina é um hormônio que tem sido relacionado à CC e a reprodução. Como as concentrações de leptina são proporcionais à gordura corporal é indicado que este hormônio atue como um sinal para o sistema reprodutivo da reserva energética existente para dar suporte a uma bem sucedida concepção e prenhez. A leptina tem sido indicada como um hormônio regulador importante dos eventos reprodutivos, já que é sintetizado e liberado dos adipócitos quando as condições nutricionais são favoráveis, regulando a ingestão de alimentos e atuando indiretamente na secreção do GnRH, estimulando sua liberação e consequentemente os ciclos reprodutivos. Pode-se dizer que ela indica o status energético do animal sinalizando ao organismo como reagir à falta ou abundância de alimentos para a realização das atividades metabólicas, manutenção da cria e perpetuação da espécie. A leptina é um hormônio proteico, produzido pelo tecido adiposo branco, que controla o metabolismo energético, a ingestão de alimentos, a termogênese e a reprodução. Aumentos nos depósitos de triglicerídeos no tecido adiposo acarretam o aumento na produção da leptina, que ocasiona um estimulo cerebral para a redução na ingestão de alimentos e o aumento do gasto energético. Quando a ingestão e o gasto energético são semelhantes, a leptina reflete a quantidade de triglicerídeos estocados no tecido adiposo, no entanto, a redução em torno de 10% no peso corporal acarreta redução de 53% nos níveis circulantes de leptina. Em contraposição, aumento de 10% no peso corporal proporciona aumento de 300% na leptina circulante. A leptina circulante é um indicador do status nutricional do animal e não apresenta ação imediata, informando ao cérebro o estado metabólico geral como o acúmulo ou perda de reservas corporais ao longo do tempo. A ação da leptina no sistema nervoso central ocorre principalmente via inibição no neuropeptídio Y (NPY), que é um potente estimulador da ingestão, inibidor da termogênese e
  • 21. 21 promotor do aumento dos níveis plasmáticos de insulina e glicocorticoides. A subnutrição eleva a concentração do neuropeptídio Y no hipotálamo o qual tem efeito negativo diminuindo a secreção de GnRH e conseqüentemente de LH. O hormônio do crescimento (GH) tem efeito na partição de nutrientes e pode ser um dos mediadores do efeito da leptina nos tecidos periféricos. A leptina estimula o liberação de GnRH pelos neurônios GnRH, mediados também via NPY (o NPY tem ação inibitória sobre a secreção de GnRH), proporcionando aumentos na secreção de LH e FSH, sendo considerada um possível mediador da puberdade nos animais domésticos, que está associada a um peso crítico atingido e uma determinada porcentagem mínima de gordura corporal. 2.2.2. Avaliação da condição corporal Existe uma alta correlação entre o escore corporal e a quantidade de gordura depositada no subcutâneo e intermuscular e Dias (1991, p.1) registrou que a condição corporal foi o melhor indicador do desempenho reprodutivo em fêmeas zebuínas. Um dos principais fatores influenciador da duração do intervalo pós-parto é o escore de condição corporal da vaca (CC) no momento do parto, sendo a CC uma excelente indicadora do desempenho reprodutivo em fêmeas zebuínas. Existe uma alta correlação entre o escore corporal e a quantidade de gordura depositada no subcutâneo e intermuscular, permitindo estimar o status nutricional do animal pela pontuação de escore corporal. A utilização de escalas para a pontuação da condição corporal em bovinos tem se mostrado eficiente em refletir o estado nutricional dos animais, podendo-se prever o “status reprodutivo de acordo com a pontuação estabelecida”. Por estes motivos e por ser a avaliação do escore fácil de executar e apresentar alta repetibilidade entre os técnicos, a utilização de escalas para a pontuação de escores corporais têm sido úteis no auxílio do manejo reprodutivo dos rebanhos Tabelas de pontuação para avaliação da condição corporal devem possibilitar a visualização de variações anatômicas nos animais com a adoção de diferentes notas para cada estado, sendo de fácil difusão e consistência entre avaliadores. Várias são as escalas de escore corporal utilizadas (4, 5, 6, 8, 9 até 17 pontos). Nicholson; Sayers, (1987, p. 127), comparando tabelas da condição corporal com escalas de seis e de nove pontos, verificaram que, principalmente quando os animais apresentaram-se magros, a escala de nove pontos foi mais sensível em indicar o estado nutricional dos animais. Normalmente, utiliza-se a escala de 5 pontos para gado de leite, principalmente em raças taurinas. A maioria dos trabalhos realizados com gado de corte utilizam a escala de 9 pontos. A ABCZ, Associação Brasileira de Criadores de Zebu, preconiza a escala de 5 pontos, para animais zebuínos. Dias (1991, p. 1) propôs uma escala de 9 pontos para gado de corte, baseada na visualização e palpação da gordura corporal (Quadro 1) enquanto Ferreira et al. (2005, p.46) preconizaram uma escala de avaliação, também de 9 pontos, para o zebu leiteiro. Independente da opção pela escala que se faça, é importante identificar o escore ideal ao parto que propicie o mais rápido retorno à atividade ovariana e que adotando-se a escala seja fiel à ela e que os demais técnicos que atuam junto ao gado sejam capacitados para utiliza-la, padronizando-se a linguagem técnica adotada. Na avaliação da condição corporal, deve-se levar em consideração a visualização e palpação de regiões anatômicas dos animais, com ênfase especial para a deposição de gordura na inserção da cauda, nos processos espinhosos e transversos das vértebras lombares/ou dorsais, nas costelas e tuberosidades isquiádicas e sacral.
  • 22. 22 Quadro 1 – Escore de Condição Corporal para Gado de Corte, na escala de 1 a 9. ECC Condição Corporal Aspecto 1 Debilitada Percebe-se o aspecto caquético do animal extremamente magro sem gordura detectável sobre os processos vertebrais espinhoso e transverso ou sobre os ossos da bacia e costelas. 2 Muito magra Pouca musculatura sobre a coluna vertebral, sem depósitos de gordura. 3 Magra A musculatura lombar com aspecto convexo em relação perpendicular a coluna vertebral. Alguns depósitos de gordura e costelas visíveis. 4 Limite A musculatura lombar apresenta-se plana. Costelas dianteiras não perceptíveis. 5 Moderada Aparência geral boa. Musculatura lombar esta de plana para ligeiramente côncava. A 12ª e 13ª costelas não são visíveis. 6 Boa É preciso aplicar pressão sobre a espinha para sentir os processos espinhosos. Bastante gordura palpável sobre as costelas e ao redor da inserção da cauda. Musculatura lombar encontra-se côncava. Ainda percebe-se o contorno ósseo da tuberosidade ilíaca. 7 Muito boa Abundância de gordura na inserção da cauda. Aparecem "cintos" e "bolos" de gordura. Alguma gordura ao redor da vulva e na virilha. A tuberosidade ilíaca e isquiádica tem a forma arredondada e estão cobertas de gordura. 8 Gorda Animal muito gordo e cobertura espessa e densa de gordura. Grande depósito de gordura sobre as costelas, na região da inserção da cauda e abaixo da vulva. 9 Obesa Excesso de gordura em todo o corpo e aparência de um bloco. Fonte: Adaptado de Dias (1991, p.1). Os efeitos da condição corporal ao parto sobre o intervalo pós-parto não são lineares, sendo os efeitos mais acentuados quando os escores são mais baixos (menores de 4, numa escala de 0 a 9), que quando a condição corporal aumenta, exercendo pouco efeito sobre a reprodução quando superior a 7. Considerando que a condição corporal indica o estado nutricional do animal, é importante conhecer como se dá a utilização de nutrientes nos bovinos para as atividades fisiológicas. Short; Adams (1988, p. 29) propuseram uma estratégia de partição de nutrientes com relação à energia nas vacas para as várias funções corporais, indicando a seguinte ordem de utilização de energia: metabolismo basal; atividade; crescimento; reserva de energia; gestação; lactação; reservas energéticas adicionais; ciclo estral e início da gestação e reservas excessivas. A ordem da partição reflete que para que haja reprodução, o animal tem que apresentar reservas energéticas, que constituem a condição corporal. Destaca-se que os nutrientes que são utilizados para o crescimento e estocados como reserva são os únicos que podem retornar ao pool de energia disponível para uma nova partição e utilização para outros usos. O intervalo pós-parto é maior quando vacas e novilhas chegam ao parto com deficiente condição corporal, ou quando a ingestão de nutrientes antes do parto é restrita. Este efeito negativo é mais pronunciado em vacas de primeira cria que em multíparas. Quando primíparas de corte estão em balanço energético negativo no pré-parto, a variação na condição corporal à parição é o principal fator determinante da duração do anestro pós-parto.
  • 23. 23 2.2.3. Escore ideal e quando avaliar Numa escala de 9 pontos, para que a reprodução seja otimizada, as vacas devem ser manejadas para que atinjam CC ao parto de 5 a 7. O escore deve ser avaliado durante toda a estação de monta a fim de impedir a queda acentuada da CC. Planejar melhores condições corporais ao parto é o ideal, assim, na desmama dos bezerros é necessário que se avalie a CC das matrizes para eventuais ajustes, como suplementação volumosa, sal proteinado, concentrado ou outros (considerar relação custo:benefício) naquelas que apresentam-se magras (escore inferior a 4 – escala de 1 a 9 pontos). Como as fêmeas estão gestantes, estão em fase de anabolismo metabólico, ou seja, os nutrientes da dieta são direcionados mais facilmente para o acúmulo de reservas corporais, fato que facilita a aquisição de escore corporal nesta etapa fisiológica. Por outro lado se as fêmeas perderem peso ou parirem muito magras, no pós-parto recente, por entrarem em estado catabólico terão dificuldade de recuperar o escore, o que retardará a retomada dos ciclos ovarianos, ocasionando longos períodos de anestro pós-parto, o que afetará o índice de prenhez ao final da estação. O ideal é que as vacas cheguem ao parto com CC ao redor de pelo menos 5 pontos (escala de 9 pontos) para obtenção de melhores taxas de prenhez e menores intervalos de partos. Por outro lado, o supercondicionamento dos animais, para CC acima de 7 representa custo desnecessário com a nutrição e pode reduzir os índices de concepção. O ideal é que se favoreça a condição corporal ao parto, pois além da partição de nutrientes no pré-parto favorecer a deposição de reservas corporais, durante o pós-parto o animal passará pelos efeitos do balanço energético negativo, onde a ingestão de nutrientes poderá ficar comprometida, sendo que suplementação energética nesta época pode ser onerosa. O balanço energético positivo é essencial para a retomada dos cios em novilhas que parem com insuficiente condição corporal. O intervalo pós-parto é reduzido com o aumento do balanço energético no início da lactação. Além da condição corporal das vacas ao parto, a CC à cobrição também tem mostrado exercer marcada influência sobre a fertilidade e a manutenção da CC após o parto tem reflexo sobre a duração do anestro. Vacas de corte que mantém o escore corporal no pós-parto ciclam antes daquelas que perdem condição corporal neste período. No estudo realizado por Lopes (1999, p.1), que registrou escore médio de 3 pontos (escala de 9 pontos) em primíparas zebuínas a pasto, aos 100 dias pós-parto, no semi-árido brasileiro, foi verificado que a aquisição de um ponto na escala de escore corporal, nesta época, antecipou em 22,11 dias a manifestação clínica do primeiro cio. Vários estudos destacam a íntima relação da condição corporal da vaca ao parto e durante a estação de monta com os eventos reprodutivos e produtivos como o intervalo de partos, a fertilidade ao final da estação da monta, a produção de leite e o peso à desmama dos bezerros. A condição corporal moderada ao parto interfere não somente na duração do período de anestro pós-parto, mas tem impacto econômico também sobre o peso do bezerro a desmama, sendo que vacas que parem com CC moderada desmamam bezerros mais pesados que aquelas baixa condição corporal. Atividade suplementar do capítulo 1. Os carboidratos e as gorduras são significantes fontes de energia na dieta de bovinos. Com isso, explique a relação da energia com a reprodução de fêmeas bovinas, baseado- se nas secreções de IGF-I, glicose e insulina. 2. Explique detalhadamente a relação entre leptina, escore de condição corporal e reprodução.
  • 24. 24 CAPÍTULO 3 – ESTAÇÃO DE MONTA A estação de monta (EM) é um manejo reprodutivo que visa concentrar os meses de cobrição e parição em épocas estratégicas, principalmente relacionadas à disponibilidade de forragem. O objetivo central da EM é a melhora de índices reprodutivos na propriedade, pois animais que entram e saem de uma estação em boas condições nutricionais e, consequentemente corporais e reprodutivas, tendem a ter melhor recuperação pós-parto, retorno precoce à atividade ovariana, menores números de serviços à concepção e boas taxas de prenhez na próxima EM. 3.1. VANTAGENS DA ESTAÇÃO DE MONTA Ao adotar a EM para o manejo reprodutivo é possível organizar a propriedade obtendo uma série de vantagens como:  Melhor relação custo-benefício entre nutrição e reprodução das matrizes: o auge da produção do leite, ou seja, da maior demanda metabólica coincide com o auge da oferta natural de forragem (alimento de baixo custo);  Lotes homogêneos à desmama: por concentrar as parições em curto período de tempo, a diferença de idade dos lotes contemporâneos é pequena, o que favorece a seleção dos animais e o poder de revenda destes produtos, facilitando também a produção em escala para o mercado;  Seleção de novilhas para a reposição: como a EM concentra as parições oferece lotes homogêneos de fêmeas à desmama, permitindo identificar com mais facilidade àquelas que deverão permanecer no rebanho para a reposição;  Descarte racional de matrizes: a concentração das atividades reprodutivas em época comum permite identificar as fêmeas de baixa fertilidade, facilitando o descarte e a reposição com animais de qualidade e fertilidade superior;  Manejo e seleção de touros: a EM permite o repouso sexual dos machos nas épocas de menor disponibilidade de forragem, quando a qualidade do sêmen diminui e possibilita programar com antecedência e maior critério a necessidade de aquisição de novos reprodutores;  Maximização da utilização de touros de alta fertilidade e capacidade de serviço possibilitando a obtenção de progênies com potencial genético superior para fertilidade;  Aumento da disponibilidade de pastagem: tanto a racionalização do manejo das matrizes quanto dos touros aumenta a quantidade de pastagens disponível para as fêmeas gestantes da propriedade, já que animais inférteis ou subférteis são descartados;  Concentração e racionalização das atividades da fazenda (manejo e mão de obra): lotes contemporâneos com pequena variação de idade permitem a intensificação de manejos em datas épocas específicas do ano, como a organização do calendário sanitário (vacinações, controle de ecto e endoparasito), castrações, marcações e desmama. 3.2. DESVANTAGEM DA ESTAÇÃO DE MONTA A utilização de Estação de Monta permite sem dúvida desfrutar e maximizar o potencial reprodutivo dos rebanhos, a eventual desvantagem que pode ser considerada em relação a sua utilização seria o excesso de oferta de produtos numa mesma época, o que poderia desvalorizar o valor da venda. Tal inconveniente pode ser evitado com planejamento e fechamento de contratos futuros.
  • 25. 25 3.3. DURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE MONTA O ideal é que a estação de monta seja inferior a 90 dias assim não há sobreposição da estação de nascimento à estação de monta, o que facilita muito o manejo. Assim, as tarefas rotineiras são melhores definidas, concentrando-se os esforços em tarefas específicas em épocas específicas. Desta maneira na época dos nascimentos o empenho é de acompanhar o pós-parto das vacas e cuidar dos bezerros. Na EM vistoriar o comportamento dos touros, o escore corporal dos animais e as condições do manejo. No caso da inseminação, o foco será a eficiente detecção do cio e a qualidade dos procedimentos de IA. Na pecuária é estabelecido o ideal de se obter uma cria por ano por vaca, ou seja um intervalo entre parto de 12 meses. Considerando-se que a gestação da vaca zebu é de aproximadamente 295 dias (o da taurina em torno de 285 dias) e que o puerpério (período de involução uterina e do retorno à atividade ovariana luteal cíclica) de 45 dias, o período disponível para uma fêmea emprenhar e obter um produto por ano é de 25 dias [365 dias – (295d gestação+ 45 d puerpério)]. Teoricamente, isto restringiria a uma EM de 25 dias, no qual as fêmeas teriam a possibilidade de apresentar um ciclo estral (21 dias). Na prática, para que haja vantagens na adoção da estação de monta é importante que ela seja curta. Na monta natural, se ela for tão curta como os 25 dias da explanação anterior não haverá tempo suficiente para a cobrição efetiva de todas as fêmeas. Deve-se ter como meta uma EM de 75 a 90 dias para vacas e de 45 a 60 dias para novilhas, quando utiliza-se a Monta Natural e ou a Inseminação Artificial. Na Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é possível a obtenção de EM mais curtas, favorecendo a redução dos intervalos entre partos do rebanho. A EM mais curta para novilhas permite atender dois preceitos: primeiro, maior pressão de seleção nestas fêmeas, já que o desafio desta categoria animal é apenas “ciclar “ou seja manifestar cio em intervalos de 21 dias, sem gastos energéticos para a lactação; e segundo, proporcionar maior tempo de recuperação no pós-parto quando tornarem-se primíparas, já que apresentarão elevados gastos energéticos para a produção de leite, mantença, continuidade do crescimento e reprodução. Dentro do período de 45 a 60 dias é ofertada a possibilidade das novilhas apresentarem 2 ciclos estrais, possibilitando a cobertura de todas as fêmeas neste período. Para vacas adultas, numa EM de 75 ou de 90 dias é dada a oportunidade da ocorrência de 3 e 4 ciclos dentro da estação, respectivamente. Após a EM é possível identificar as fêmeas mais férteis visto que as condições foram semelhantes para todas as matrizes. 3.4. PERÍODO IDEAL PARA IMPLEMENTAÇÃO DA ESTAÇÃO DE MONTA Uma dúvida recorrente sobre a EM é sobre quando a mesma deve ser realizada. Buscando-se a economicidade do sistema deve-se aliar a época de maior demanda metabólica das fêmeas, que é a lactação, principalmente no pós-parto recente, com a maior disponibilidade natural de alimentos (forragem natural – pastagem), que ocorre com o retorno da época das águas (FIG. 3). Neste manejo há o favorecimento do retorno dos cios nas matrizes, sendo vantajoso para as vacas, pois permite aliar o período da gestação, no qual a fisiologia da fêmea favorece a conversão dos nutrientes em reservas corporais (estado anabólico) a uma época de menor disponibilidade de alimentos e minimizar a mobilização excessiva das reservas corporais (estado catabólico) que ocorre no início da lactação diante da maior disponibilidade de alimentos e baixo custo. Considerações são feitas em relação a dificuldade de se manejar os bezerros recém-nascidos na época das águas e que a EM nestas condições desfavoreceria as crias, é importante fazer a ressalva que quanto menor for a EM não haverá coincidência entre a estação de nascimento e a de monta, assim, a maioria dos bezerros nascerá antes do auge da estação da chuva. Estações de monta efetuadas na seca
  • 26. 26 desfavorecem as vacas, que só retornarão a ciclar com suplementação nutricional, fato que elevará muito o custo de produção. Para se decidir a melhor época para se efetuar a EM é importante considerar o regime pluviométrico da região a disponibilidade de forragem ao longo do ano, o tipo de rebanho envolvido, a época do desmama, do ganho compensatório e do abate, bem como as peculiaridades de cada região e sistemas de produção. Estações de montas curtas como a representada na FIGURA 3 permitem que não haja sobreposição entre a EM e a Estação de Nascimento o que facilita o manejo e possibilita maior tempo de descanso pós-parto para a retomada dos ciclos ovarianos, aumentando as oportunidades de prenhez das fêmeas durante a EM. Figura 3 – Representação esquemática de estação de monta (EM) com duração de 75 dias para vacas e de 45 dias para novilhas iniciando-se em 1º de dezembro Fonte: Elaborado pelo autor. 3.5. COMO IMPLANTAR A ESTAÇAO DE MONTA Nas condições extensivas há uma concentração natural dos partos, decorrentes do fato das fêmeas manifestarem cio quando as condições nutricionais são melhores, assim, a maioria das parições concentra-se num período de 5 a 6 meses, subsequentes às concepções ocorridas na época das águas (primavera-verão). Para implantar a EM é importante que se busque esta informação nos registros zootécnicos do rebanho. No gado de corte, sobretudo no zebu, o pico de lactação se dá entre os 30 e 50 dias do pós-parto, quando planeja-se a EM deve-se ter em mente que nesta fase as fêmeas deverão ter forragem abundante e de alta qualidade para suprir suas necessidades fisiológicas. Levando- se em conta esta informação determina-se a data de início da EM, que varia conforme a região, sendo habitual a escolha de início para 1º de novembro, 1º de dezembro ou 1º de
  • 27. 27 janeiro. A data é flexível de acordo com as peculiaridades de cada região e pode ser alterada de acordo com o regime pluviométrico e objetivos propostos. As primeiras estações de monta deverão ser programas com períodos superiores ao objetivo de 45 dias para novilhas e 75 para vacas, já que há flutuação das parições ao longo do ano. Inicia-se o programa com duração em torno de 120 a 150 dias e anualmente reduz-se em 15 a 30 dias. A idade em que as novilhas entram em puberdade está associada ao peso, composição corporal e raça. É estimado que o início da puberdade ocorre quando as fêmeas atingem de 60 a 65% do peso adulto. Assim, deve-se considerar a predominância genética das fêmeas, a idade e o peso para colocá-las em estação. Geralmente a idade à primeira concepção no zebu gira em torno de 24 a36 meses, nos mestiços, de 14 a 24 meses e nos taurinos em torno de 12 a 18 meses. Deve-se separar as categorias animais para serem servidas durante a EM devido a hierarquia existente de vacas mais velhas sobre mais novas, que interfere na interação de fêmeas em cio e no acesso do touro. É importante que se maneje as categorias: novilha, primíparas e multíparas em lotes distintos e que não se faça grandes alterações de manejos nestes lotes, como trocas de animais e introdução frequente de novos animais sem tempo adequado para adaptação. Para implantar o regime de Estação de Monta em uma propriedade algumas etapas deverão ser seguidas:  Retirada dos touros: os machos deverão ser apartados das fêmeas antes da seca, este manejo permitirá o repouso sexual e a avaliação andrológica, permitindo reconhecer a fertilidade dos mesmos e a necessidade de aquisição de outros animais para a EM;  Diagnóstico de gestação: 30 a 60 dias após a retirada dos touros deve-se separar as gestantes das vazias. Esta medida permite estimar a época de parição do lote de gestante, reconhecer a situação das vacas vazias e planejar a reposição;  Identificar a quantidade de novilhas existentes para a reposição: de acordo com o número de fêmeas jovens em idade reprodutiva para reposição planeja-se o descarte das vacas vazias;  Descarte de vacas: avalia-se o lote de fêmeas vazias para a EM e adota-se o descarte de acordo com o número de fêmeas jovens para a reposição, seguindo alguns critérios: o Vacas vazias que estão 2 anos sem parir; o Problemas reprodutivos: endometrites, cistos e outras afecções; o Idade: vacas com mais de 10 anos; o Baixa habilidade materna: baixo peso a desmama, tetos perdido, histórico de rejeição de bezerro, etc.; o Temperamento: animais com temperamento agressivo; o Descarte zootécnico: tamanho da vaca, caracterização racial, etc; o Neste descarte deve-se poupar as primíparas, pois esta categoria animal requer maiores cuidados devido sua elevada demanda metabólica. 3.6. FECUNDAÇÃO DURANTE A ESTAÇÃO DE MONTA A fertilização das fêmeas pode ser feita por touros pela monta ou via inseminação artificial (IA), o lote de matrizes também pode ser utilizado como receptoras de embriões, recebendo, via transferência transcervical um embrião de outra fêmea (doadora) produzido in vitro ou in vivo.
  • 28. 28 3.6.1. Estação de monta com touros Geymonat; Mendez, (1987, p. 47), relata que pelo fato de um touro acasalar em média com 25 fêmeas durante a estação de monta, o mesmo é responsável por mais de 80 % do melhoramento genético que se pode alcançar nas características produtivas do rebanho. 3.6.1.1. Manejo de Touros Pré-Estação de Monta Os touros que atenderão mesmos lotes de fêmeas deverão ser agrupados antes da EM, para habituarem-se a convivência e formarem um grupo social. Os grupos devem possuir animais com características semelhantes, evitando-se juntar indivíduos com idades muito diferentes, de raças distintas e mochos/mochados com animais de chifre. Touros jovens devem ser condicionados antes de entrarem em estação (escola de tourinhos). Como são inexperientes sexualmente, é importante que se promova a interação por aproximadamente um mês antes da EM com o lote de vacas solteiras para estimular o comportamento reprodutivo. Na EM, os tourinhos deverão servir lotes com fêmeas adultas, que já possuem experiência sexual. 3.6.1.2. Manejo dos touros durante a Estação de Monta Tanto na monta natural, quanto na inseminação artificial com repasse por touros é fundamental conhecer o potencial reprodutivo do macho o que permitirá maximizar sua utilização no lote fêmeas e imprimir características de fertilidade no rebanho. Na utilização de touros pode-se optar pela monta natural ou pela monta dirigida (controlada). Na monta natural ou a campo o touro permanece junto ao lote de fêmeas durante toda a EM e vários touros podem atender a um mesmo lote de fêmeas. A fertilidade dos touros e sua capacidade reprodutiva devem ser avaliadas para garantir adequadas taxas de concepção (exame clínico, avaliação andrológica e de comportamento). A escolha dos touros também deve ser baseada nos propósitos de seleção, preferindo-se touros cuja ascendência seja conhecida. A vantagem da monta natural está no fato de dispensar a necessidade de detecção de cio, manejo que requer mão de obra qualificada e infraestrutura adequada. Quando se utiliza mais de um touro num mesmo lote de fêmeas, este manejo impede a determinação da paternidade da cria antes do nascimento, visto que uma mesma fêmea pode ser coberta por mais de um touro e as coberturas normalmente não são acompanhadas e registradas pelo homem. Se houver o interesse em identificar a paternidade, esta poderá ser feita após o parto, por exame de DNA, desde que haja interesse nesta informação. Na monta natural o macho cobre a fêmea durante todo o cio, o que promove um desgaste maior dos touros em relação a monta dirigida, mas assegura a realização do serviço. A monta dirigida corresponde a identificação da matriz em cio pelo homem e a exposição dela ao touro, registrando-se os dados do cio, definindo-se o momento da cobertura e o touro a ser utilizado. O sistema possibilita identificar a paternidade da cria, o aumento da relação touro:vaca e o menor desgaste dos touros. No entanto, o sucesso do sistema dependerá da eficiência do programa de identificação de cio, fato que é um dos grandes gargalos dos programas de inseminação artificial. Seja na monta natural ou na controlada, a escolha de reprodutores deve considerar o potencial genético dos mesmos de acordo com o objetivo do sistema de produção, a capacidade de identificar fêmeas em cio, efetuar cópula e emprenhar, mesmo quando desafiados para um elevado número de fêmeas. Para que estes requisitos sejam atendidos é imprescindível que se faça a avaliação andrológica de todos os reprodutores, os da propriedade e os que serão adquiridos, o exame permitirá selecionar os aptos a entrarem em estação e aliado ao resultado do teste de libido permitirá estabelecer a proporção de fêmeas para cada touro durante a EM.
  • 29. 29 Atenção deve ser dada para a qualidade das pastagens (forragem de qualidade), com presença de sombra, livre de irregularidades ou sujidades (tocos, arames, etc) que possam ferir o aparelho locomotor dos animais. Áreas muito grandes prejudicam a cobertura de todas as fêmeas, pois pode haver dispersão de fêmeas e de machos. Para o sucesso da monta natural é imprescindível o acompanhamento do desempenho dos touros durante a estação. Os touros podem estar em manejo individual, quando o macho atende sozinho um lote de fêmeas, ou coletivo, quando vários machos atendem lotes com grande número de fêmeas. Em ambos manejos, é importante que o funcionário responsável pelo acompanhamento do rebanho (peão, vaqueiro) esteja treinando para observar e registrar o comportamento dos animais, se estão interagindo com as fêmeas, se estão copulando, se são muito tímidos ou se apanham de outros animais, se apresentam problemas de aprumos, se estão perdendo peso, ou qualquer outra alteração que comprometa a habilidade reprodutiva. Estas informações devem ser registradas e providências devem ser tomadas para não haver comprometimento dos resultados esperados. A avaliação do escore corporal dos touros antes, durante e após a EM é ferramenta útil de manejo que permite adequar às condições nutricionais para que não haja perdas na fertilidade. Diagnósticos intermediários de gestação durante a EM, permitirão acompanhar o desempenho dos touros, sendo importantes para intervenções como substituição de reprodutores, alterações nos lotes de fêmeas, mudanças de pasto entre outras medidas. 3.6.2. Estação de monta com inseminação artificial A inseminação artificial é tecnologia que permite uma série de vantagens como: a obtenção de maiores ganhos genéticos nos plantéis quando se utiliza touros provados para os propósitos que se deseja selecionar; a utilização de material genético de reprodutores que já morreram; a realização de cruzamento industrial com raças não adaptadas ao ambiente nativo; a obtenção de lotes padronizados e de mais produtos por touro; o controle de doenças sexualmente transmissíveis e confere melhor relação custo-benefício em relação a monta natural (manejo do touro, disponibilidade de forragem) entre outras. Apesar dos ganhos mencionados, a IA ainda é utilizada em torno de 12% do rebanho brasileiro (Associação Brasileira de Inseminação Artificial – ASBIA, 2014, p.1), sendo o manejo correto da detecção do cio e da inseminação das fêmeas, grandes gargalos do sistema por depender da qualidade do trabalhado prestado pela mão de obra empregada (dependência de fator humano), além dos equipamentos e da infraestrutura necessária. O registro dos dados é fundamental para o sucesso da IA, é importante que cada fêmea tenha sua ficha reprodutiva, para o acompanhamento dos estros, data da IA, previsão do parto, data do parto, sexo do bezerro dentre outras informações. Os registros permitem a avaliar a eficiência dos acasalamentos e o desempenho individual das fêmeas, sendo importante ferramenta para o descarte ou manutenção de vacas no rebanho e acompanhamento dos resultados durante a IA. Atividade suplementar do capítulo 1. Fale sobre as vantagens e limitações da EM como um todo e, em seguida, explique qual a melhor época para implementar a EM e porquê. CAPÍTULO 4 – INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL Segundo a ASBIA (2014, p. 1), em 2014 foram produzidas quase seis milhões de doses de sêmen de raças de corte, das quais foram exportadas aproximadamente 67 milhões,
  • 30. 30 sendo a raça de maior venda a Nelore (23.600 doses). Neste ano, o percentual de inseminações (médio) no Brasil foi de 11,9% e, destes, quase 60% referem-se a vacas de corte. A inseminação artificial (IA) em bovinos, trata-se de uma técnica a qual o sêmen é introduzido artificialmente no corpo do útero da fêmea. 4.1. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL Dentre as vantagens da IA, destacam-se:  Maior número de produtos (crias) por touro;  Ganho genético através da seleção e utilização de animais provados;  Custo benefício: em detrimento ao custo de reposição de touros;  Controle de doenças;  Manejo da fertilidade;  Padronização do rebanho e  Uso de touros após a morte. Por outro lado, a técnica apresenta algumas limitações:  Necessidade de infraestrutura, equipamentos e mão de obra adequados;  Eficiência na detecção de cio;  Higiene exímia, para evitar infecções, perdas e aumento do custo de produção. 4.2. COMPORTAMENTO DA FÊMEA EM CIO O estro ou cio é o momento em que a fêmea apresenta receptividade sexual a outras fêmeas e ao macho. Os sinais de cio incluem inquietação, interação com o macho e outras fêmeas (tentativas de monta, roçar de cabeça em várias partes do corpo, cheirar o períneo entre outras), aumento da vocalização, micção frequente (aumento da frequência de descarga de urina), edema e hiperemia vulvar (inchaço da vulva e coloração rósea), descarga de muco cristalino pela vulva (semelhante a clara de ovo) e principalmente a aceitação da monta. A fêmea só pode ser considerada em cio somente quando a aceitar a monta de outra fêmea ou do macho (touro ou rufião), no entanto os demais sinais servem como auxiliares para indicar a necessidade de observar com mais atenção quem os apresentem e devem ser registrados, pois podem indicar que a fêmea está no proestro (vai “entrar” no cio ainda) ou no metaestro (já manifestou o cio). Nestes casos a presença do rufião com bursal marcador é bem útil para o esclarecimento da fase estral das novilhas ou vacas. 4.3. DETECÇÃO DO CIO O êxito de programas de inseminação artificial depende da eficiência na detecção de cio. O estro deve ser observado durante toda a EM, pelo menos duas vezes ao dia, por períodos de no mínimo 60 minutos (1 hora). Neste tempo é possível identificar aqueles que estão manifestando características de receptividade e de confirmar o cio pelo registro da aceitação da monta. O número da vaca em cio deve ser anotado para posterior inseminação. Gwazdauskas; Lineweaver; McGilliard (1983, p. 1510) relataram eficiência de 50% na detecção de cio com uma observação diária, 80% para duas e de 95% para três observações diárias, assim se houver a possibilidade de aumentar a frequência de observações durante o dia poderá haver acréscimos a taxa de cios detectada, no entanto a relação custo beneficio da mão de obra deve ser avaliada. Para facilitar a identificação dos animais em cio, normalmente concentra-se as fêmeas com os rufiões num dos cantos do piquete para favorecer a interação do lote.