Reformas Católicas 
A busca por mudanças internas 
História Eclesiástica II 
Pr. André dos Santos Falcão Nascimento 
Blog: http://prfalcao.blogspot.com 
Email: goldhawk@globo.com 
Seminário Teológico Shalom
Reformas Católicas 
 O movimento reformador da igreja católica pode ser 
dividido em duas fases: Antes e Depois de Lutero 
 A Reforma Católica anterior a Lutero teve origem nos 
reinos espanhóis de Aragão e Castela, onde seus 
monarcas, Fernando e Isabel, buscavam mudar o 
panorama da igreja em seus países. 
 A Reforma Católica posterior a Lutero, também conhecida 
como Contra Reforma, teve origem na Itália e teve a 
intenção de responder os questionamentos protestantes e 
reafirmar a fé romana.
Reforma Espanhola 
 A Reforma Espanhola tem origem nos 
esforços dos reis Isabel de Castela e 
Fernando de Aragão, ambos católicos 
convictos. 
 Antes de se casarem, os dois regentes já haviam percebido 
que a igreja local enfrentava enormes dificuldades e 
precisava ser transformada. 
 Entre os problemas da igreja espanhola, estavam o 
belicismo e a politicagem do Alto Clero, a ignorância bíblica 
e pobreza do Baixo Clero, a “vida mole” dos conventos e 
mosteiros e o concubinato generalizado.
Reforma Espanhola 
 Os interesses de ambos na Reforma 
eram distintos. Fernando, tendo tido 
contato com a Itália renascentista, 
desejava usar a igreja com fins 
políticos. 
 Já Isabel, mulher cristã devota, se escandalizava com a 
decadência moral que havia atingido o clero. 
 Desta forma, até a fusão do reino, ambos conjugavam seus 
esforços para mudar a igreja por dentro em seus reinos, 
segregando suas ações apenas quando seus interesses 
divergiam. Neste caso, cada um aplicava as medidas em 
seu próprio reino.
Renovação do clero 
 Para realizar seus intentos, os soberanos obtiveram 
de Roma o direito de nomeação, que lhes permitia 
nomear os prelados do Reino. 
 Fernando demonstrou seus intentos nomeando seu 
filho bastardo de seis anos como arcebispo de 
Zaragoza. 
 Já Isabel aproveitou a oportunidade para 
nomear o frade franciscano Francisco 
Ximenez de Cisneros, frade relacionado ao 
movimento humanista erasmista, como 
arcebispo de Toledo, mas não sem resistência 
de Fernando, que queria nomear seu filho 
para o posto.
Renovação dos conventos 
 Inicialmente, Isabel e Frei Francisco colaboraram 
na reforma dos conventos. Isabel trabalhou as 
casas das religiosas, visitando os locais e 
conversando com as freiras suavemente enquanto 
trabalhava em sua roca, exortando quando 
necessário. Caso houvesse reincidência, era mais 
dura. 
 Já Frei Francisco, responsável pelos 
mosteiros masculinos, fazia uso direto de sua 
autoridade para impor sua vontade, o que lhe 
gerou inimigos na corte. Tanto os cônegos de 
Toledo quanto alguns franciscanos 
reclamaram com Roma, que travou as 
reformas até a interferência da rainha.
Reforma Intelectual 
 Tanto Isabel quanto Francisco sabiam que 
precisavam adestrar melhor os dirigente da 
igreja, por isso resolveram fomentar os estudos. 
Fernando não nutria tanto tal interesse. 
 Para tal, fomentou a imprensa em diversas 
cidades e a formação da Universidade de Alcalá 
(1508), onde se formaram Miguel de Cervantes 
e Inácio de Loyola, e modelo para outras. 
 Além disso, Francisco coordenou a criação da Bíblia Poliglota 
Complutense (1520), formada pelo texto grego, hebraico e latino 
em paralelo. A Bíblia levou 10 anos para ser produzida e foi feita 
com a combinação dos esforços de judeus conversos, um 
cretense, dois helenistas e os melhores latinistas espanhóis.
Armas de repressão 
 Como forma de reprimir aqueles que se 
opusessem à Reforma (judeus, árabes e 
hereges), Isabel conseguiu de Roma autorização 
para a criação de uma Inquisição no país. A 
inovação foi que, ao contrário da Inquisição da 
Idade Média, o comando ficaria nas mãos da 
coroa. 
 A perseguição não foi imediata. Inicialmente 
houve uma pregação geral contra a heresia. 
 Com o início das perseguições, reclamações a Roma fizeram-nas 
serem suspensas por Sixto IV, em meio à tensão das relações 
entre Espanha e Roma. Foi o infame papa Alexandre VI (Rodrigo 
de Bórgia) quem autorizou seu reinício, após influência de Isabel.
Armas de repressão 
 O líder da Inquisição Espanhola foi o dominicano 
Tomás de Torquemada, que ficou conhecido pela 
intolerância e crueldade. 
 A Inquisição era um processo em que a pessoa 
acusada de heresia era torturada até confessar e se 
retratar ou ser executada. Na Espanha, como regra, o 
acusador não precisava se apresentar, diferente da 
Idade Média, onde isso era exceção. 
 Como os bens dos condenados à morte ficavam com a coroa, alega-se 
que a Inquisição teve também motivação econômica. 
 Originalmente a Inquisição teve apoio popular, por sua oposição a judeus 
e mouros convertidos, acusados de manterem as velhas práticas. 
 O saldo foi de 12 mil mortos, 10 mil sob Torquemada e 2 mil sob 
Ximenes.
As expulsões e assimilações 
 Para acabar com a influência dos povos pagãos, 
os Inquisidores conseguiram que judeus e 
mouros fossem expulsos da Espanha. Os judeus 
foram expulsos em 1492, tendo que vender seus 
bens e sem poder tirar ouro, prata, armas ou 
cavalos do país, ficando à mercê dos banqueiros 
e suas letras de câmbio (50 a 200 mil exilados). 
 Tanto judeus quanto mouros receberam a opção de se batizarem. 
A grande maioria dos judeus não aceitou e emigrou. Os mouros 
se rebelaram e foram proibidos de emigrar, pois o êxodo seria 
maciço. Isso forçou o batismo, gerando um grupo chamado de 
“mouriscos”, obrigados em 1516 a abandonar seus trajes e 
costumes, sem êxito. Eventualmente foram expulsos no séc. XVII.
Consequência das expulsões 
 A expulsão dos judeus gerou vários 
problemas econômicos para a 
Espanha, pois grande parte deles 
eram dos mais produtivos ao país. 
 Entre eles, estavam os banqueiros 
com quem a Espanha se financiava. 
Com sua expulsão, a Espanha teve 
que fazer empréstimos com a Itália 
ou Alemanha, gerando prejuízos à 
coroa.
Reforma Católica Pós-Lutero 
 Oratório do Amor Divino (1517-1527): 
Organização informal de aproximadamente 60 
clérigos e leigos para aprofundamento da vida 
espiritual por exercícios. Membros mais 
importantes: Giovanni Pietro Caraffa (Paulo IV) e 
Gaetano di Tiene, fonte de inspiração dos papas 
reformadores. 
 Caraffa intimamente ligado ao dogma medieval da Igreja Romana. 
 Os mais capazes do grupo se tornam cardeais pelas mãos de 
Paulo III e redigem documento que dizia que os abusos na Igreja 
Romana eram culpa de pontífices e cardeais corruptos anteriores. 
 Novas ordens religiosas: Teatinos (1524), Capuchinhos (1525), 
Ursulinas (1535).
Reforma Católica Pós-Lutero 
 O Papa Paulo III pode ser considerado o 
precursor do movimento reformadora católico. 
Sob sua liderança, foram criadas a ordem dos 
Jesuítas, o Index de Livros e foi instalado o 
Concílio de Trento, em 1545. 
 Sob influência de Caraffa, autorizou a criação da 
Inquisição Romana, para perseguir os hereges. 
 Pio IV, sucessor de Paulo IV, elimina o nepotismo e regulamenta 
os poderes do Colégio de Cardeais. 
 Sisto V, seu sucessor, realiza uma reforma financeira. 
 Tais ações geram retornos de protestantes ao seio católico. Em 
1590, o resultado reduz o avanço protestante na Europa.
Os Jesuítas 
 A Companhia de Jesus, principal braço da Contra 
Reforma, foi fundada por Inácio de Loyola em 
1540. 
 Filho de nobres bascos, Inácio também foi 
atormentado por seu sentimento de pecado até 
crer na graça divina. Porém, ao contrário de 
Lutero, dedicou sua vida à Virgem. 
 Manco de uma perna (esmagada em batalha em 1521 contra os 
franceses), Inácio viajou à Palestina em 1523, mas foi dispensado 
pelos franciscanos locais, por medo de seu temperamento. 
 Volta a estudar, entrando em Paris em 1528, também passando por 
Barcelona, Alcalá e Salamanca.
Os Jesuítas 
 A Ordem cresceu rapidamente, sendo formada por 
monges habilidosos na pregação, treinados para 
reconverter os protestantes. 
 Para orientar os noviços, escreve os Exercícios 
Espirituais em 1548, com diversas semanas sendo 
gastas em meditações sobre pecado, a vida, morte 
e ressurreição de Cristo. 
 As regras de Loyola exigiam obediência cega ao papa, além de 
pureza, pobreza e castidade. 
 Principais objetivos da ordem: Educação, combate à heresia e 
missões estrangeiras. 
 Sua obra ajudou na reconquista do sul da Holanda e da Polônia. 
 Gerou vários missionários, entre eles Francisco Xavier (Índia e Japão)
O Índex de Livros 
 O Index Librorum Prohibitorum, promulgado por 
Paulo IV em 1559, foi um instrumento criado pela 
Igreja Romana para coibir a disseminação e leitura 
de material protestante por parte dos fieis 
católicos. 
 A obra apresentava uma lista de livros cuja leitura 
era proibida pelos fiéis católicos. 
 A edição original apresentou os livros de Erasmo e algumas edições 
protestantes da Bíblia. 
 Em 1571, uma comissão especial foi encarregada pelo Papa de 
manter a lista atualizada. 
 O Índex foi abolido somente em 1966.
O Concílio de Trento 
 O Concílio de Trento foi a forma que o 
papa Paulo III encontrou de efetivar a 
reforma na Igreja Católica, enfrentando ao 
mesmo tempo o surgimento da fé 
reformada na Europa. 
 O Concílio foi aberto em 13/12/1545, durando até 04/12/1563 após 
longos períodos sem sessão. 
 Como o concílio teve votação individual e 75% do colegiado era de 
prelados italianos, o papado conseguiu controlar as decisões de 
acordo com seus interesses. 
 255 clérigos assinaram os decretos finais, porém não mais de 75 
estiveram presentes na maioria das 25 sessões.
O Concílio de Trento 
 Os objetivos iniciais do Concílio eram: 
 Reforma dos abusos clericais 
 Discussão da doutrina da igreja 
 Possibilidade de convocação de cruzada contra os infiéis 
 A primeira sessão (1545-1547) discutiu a doutrina e determinou: 
 A Bíblia, os livros apócrifos e a tradição da igreja constituíam autoridade 
final para os fiéis. 
 O homem é justificado pela fé e pelas obras subsequentes. 
 Confirmação dos sete sacramentos. 
 Decretos sobre a reforma dos abusos eclesiásticos. 
 A segunda sessão (1551-1552) confirmou o dogma da 
transubstanciação, além de outras questões reformistas.
O Concílio de Trento 
 A terceira sessão (1562-1563) se preocupou com: 
 Os demais sacramentos 
 Regras sobre o casamento 
 Decretos sobre o purgatório 
 Assuntos reformistas gerais 
 1564: Por bula papal, é formulada a Confissão de Fé 
Tridentina, com todos os sacerdotes, professores católicos 
romanos e convertidos do protestantismo tendo que subscrevê-la, 
jurando “verdadeira obediência ao papa”.
O Concílio de Trento 
 Demais consequências do Concílio: 
 Vulgata torna-se a versão católica oficial da Bíblia. 
 Abertura de seminários para formar ministros. 
 Elevação do padrão moral entre o clero. 
 Separação final de católicos e protestantes, por conta da 
inclusão da tradição como regra de fé. 
 Fim do Conciliarismo, com triunfo do absolutismo 
papal/curial.
Fontes 
 Texto base: CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma 
história da igreja cristã. 3 ed. Trad. Israel Belo de Azevedo e Valdemar 
Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2008. 
 Textos auxiliares: 
 DREHER, Martin N. Coleção História da Igreja, 4 vols. 4 ed. São Leopoldo: 
Sinodal, 1996. 
 GONZALEZ, Justo L. História ilustrada do cristianismo. 10 vols. São Paulo: 
Vida Nova, 1983

História da Igreja II: Aula 6: Reformas Católicas

  • 1.
    Reformas Católicas Abusca por mudanças internas História Eclesiástica II Pr. André dos Santos Falcão Nascimento Blog: http://prfalcao.blogspot.com Email: goldhawk@globo.com Seminário Teológico Shalom
  • 2.
    Reformas Católicas O movimento reformador da igreja católica pode ser dividido em duas fases: Antes e Depois de Lutero  A Reforma Católica anterior a Lutero teve origem nos reinos espanhóis de Aragão e Castela, onde seus monarcas, Fernando e Isabel, buscavam mudar o panorama da igreja em seus países.  A Reforma Católica posterior a Lutero, também conhecida como Contra Reforma, teve origem na Itália e teve a intenção de responder os questionamentos protestantes e reafirmar a fé romana.
  • 3.
    Reforma Espanhola A Reforma Espanhola tem origem nos esforços dos reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão, ambos católicos convictos.  Antes de se casarem, os dois regentes já haviam percebido que a igreja local enfrentava enormes dificuldades e precisava ser transformada.  Entre os problemas da igreja espanhola, estavam o belicismo e a politicagem do Alto Clero, a ignorância bíblica e pobreza do Baixo Clero, a “vida mole” dos conventos e mosteiros e o concubinato generalizado.
  • 4.
    Reforma Espanhola Os interesses de ambos na Reforma eram distintos. Fernando, tendo tido contato com a Itália renascentista, desejava usar a igreja com fins políticos.  Já Isabel, mulher cristã devota, se escandalizava com a decadência moral que havia atingido o clero.  Desta forma, até a fusão do reino, ambos conjugavam seus esforços para mudar a igreja por dentro em seus reinos, segregando suas ações apenas quando seus interesses divergiam. Neste caso, cada um aplicava as medidas em seu próprio reino.
  • 5.
    Renovação do clero  Para realizar seus intentos, os soberanos obtiveram de Roma o direito de nomeação, que lhes permitia nomear os prelados do Reino.  Fernando demonstrou seus intentos nomeando seu filho bastardo de seis anos como arcebispo de Zaragoza.  Já Isabel aproveitou a oportunidade para nomear o frade franciscano Francisco Ximenez de Cisneros, frade relacionado ao movimento humanista erasmista, como arcebispo de Toledo, mas não sem resistência de Fernando, que queria nomear seu filho para o posto.
  • 6.
    Renovação dos conventos  Inicialmente, Isabel e Frei Francisco colaboraram na reforma dos conventos. Isabel trabalhou as casas das religiosas, visitando os locais e conversando com as freiras suavemente enquanto trabalhava em sua roca, exortando quando necessário. Caso houvesse reincidência, era mais dura.  Já Frei Francisco, responsável pelos mosteiros masculinos, fazia uso direto de sua autoridade para impor sua vontade, o que lhe gerou inimigos na corte. Tanto os cônegos de Toledo quanto alguns franciscanos reclamaram com Roma, que travou as reformas até a interferência da rainha.
  • 7.
    Reforma Intelectual Tanto Isabel quanto Francisco sabiam que precisavam adestrar melhor os dirigente da igreja, por isso resolveram fomentar os estudos. Fernando não nutria tanto tal interesse.  Para tal, fomentou a imprensa em diversas cidades e a formação da Universidade de Alcalá (1508), onde se formaram Miguel de Cervantes e Inácio de Loyola, e modelo para outras.  Além disso, Francisco coordenou a criação da Bíblia Poliglota Complutense (1520), formada pelo texto grego, hebraico e latino em paralelo. A Bíblia levou 10 anos para ser produzida e foi feita com a combinação dos esforços de judeus conversos, um cretense, dois helenistas e os melhores latinistas espanhóis.
  • 8.
    Armas de repressão  Como forma de reprimir aqueles que se opusessem à Reforma (judeus, árabes e hereges), Isabel conseguiu de Roma autorização para a criação de uma Inquisição no país. A inovação foi que, ao contrário da Inquisição da Idade Média, o comando ficaria nas mãos da coroa.  A perseguição não foi imediata. Inicialmente houve uma pregação geral contra a heresia.  Com o início das perseguições, reclamações a Roma fizeram-nas serem suspensas por Sixto IV, em meio à tensão das relações entre Espanha e Roma. Foi o infame papa Alexandre VI (Rodrigo de Bórgia) quem autorizou seu reinício, após influência de Isabel.
  • 9.
    Armas de repressão  O líder da Inquisição Espanhola foi o dominicano Tomás de Torquemada, que ficou conhecido pela intolerância e crueldade.  A Inquisição era um processo em que a pessoa acusada de heresia era torturada até confessar e se retratar ou ser executada. Na Espanha, como regra, o acusador não precisava se apresentar, diferente da Idade Média, onde isso era exceção.  Como os bens dos condenados à morte ficavam com a coroa, alega-se que a Inquisição teve também motivação econômica.  Originalmente a Inquisição teve apoio popular, por sua oposição a judeus e mouros convertidos, acusados de manterem as velhas práticas.  O saldo foi de 12 mil mortos, 10 mil sob Torquemada e 2 mil sob Ximenes.
  • 10.
    As expulsões eassimilações  Para acabar com a influência dos povos pagãos, os Inquisidores conseguiram que judeus e mouros fossem expulsos da Espanha. Os judeus foram expulsos em 1492, tendo que vender seus bens e sem poder tirar ouro, prata, armas ou cavalos do país, ficando à mercê dos banqueiros e suas letras de câmbio (50 a 200 mil exilados).  Tanto judeus quanto mouros receberam a opção de se batizarem. A grande maioria dos judeus não aceitou e emigrou. Os mouros se rebelaram e foram proibidos de emigrar, pois o êxodo seria maciço. Isso forçou o batismo, gerando um grupo chamado de “mouriscos”, obrigados em 1516 a abandonar seus trajes e costumes, sem êxito. Eventualmente foram expulsos no séc. XVII.
  • 11.
    Consequência das expulsões  A expulsão dos judeus gerou vários problemas econômicos para a Espanha, pois grande parte deles eram dos mais produtivos ao país.  Entre eles, estavam os banqueiros com quem a Espanha se financiava. Com sua expulsão, a Espanha teve que fazer empréstimos com a Itália ou Alemanha, gerando prejuízos à coroa.
  • 12.
    Reforma Católica Pós-Lutero  Oratório do Amor Divino (1517-1527): Organização informal de aproximadamente 60 clérigos e leigos para aprofundamento da vida espiritual por exercícios. Membros mais importantes: Giovanni Pietro Caraffa (Paulo IV) e Gaetano di Tiene, fonte de inspiração dos papas reformadores.  Caraffa intimamente ligado ao dogma medieval da Igreja Romana.  Os mais capazes do grupo se tornam cardeais pelas mãos de Paulo III e redigem documento que dizia que os abusos na Igreja Romana eram culpa de pontífices e cardeais corruptos anteriores.  Novas ordens religiosas: Teatinos (1524), Capuchinhos (1525), Ursulinas (1535).
  • 13.
    Reforma Católica Pós-Lutero  O Papa Paulo III pode ser considerado o precursor do movimento reformadora católico. Sob sua liderança, foram criadas a ordem dos Jesuítas, o Index de Livros e foi instalado o Concílio de Trento, em 1545.  Sob influência de Caraffa, autorizou a criação da Inquisição Romana, para perseguir os hereges.  Pio IV, sucessor de Paulo IV, elimina o nepotismo e regulamenta os poderes do Colégio de Cardeais.  Sisto V, seu sucessor, realiza uma reforma financeira.  Tais ações geram retornos de protestantes ao seio católico. Em 1590, o resultado reduz o avanço protestante na Europa.
  • 14.
    Os Jesuítas A Companhia de Jesus, principal braço da Contra Reforma, foi fundada por Inácio de Loyola em 1540.  Filho de nobres bascos, Inácio também foi atormentado por seu sentimento de pecado até crer na graça divina. Porém, ao contrário de Lutero, dedicou sua vida à Virgem.  Manco de uma perna (esmagada em batalha em 1521 contra os franceses), Inácio viajou à Palestina em 1523, mas foi dispensado pelos franciscanos locais, por medo de seu temperamento.  Volta a estudar, entrando em Paris em 1528, também passando por Barcelona, Alcalá e Salamanca.
  • 15.
    Os Jesuítas A Ordem cresceu rapidamente, sendo formada por monges habilidosos na pregação, treinados para reconverter os protestantes.  Para orientar os noviços, escreve os Exercícios Espirituais em 1548, com diversas semanas sendo gastas em meditações sobre pecado, a vida, morte e ressurreição de Cristo.  As regras de Loyola exigiam obediência cega ao papa, além de pureza, pobreza e castidade.  Principais objetivos da ordem: Educação, combate à heresia e missões estrangeiras.  Sua obra ajudou na reconquista do sul da Holanda e da Polônia.  Gerou vários missionários, entre eles Francisco Xavier (Índia e Japão)
  • 16.
    O Índex deLivros  O Index Librorum Prohibitorum, promulgado por Paulo IV em 1559, foi um instrumento criado pela Igreja Romana para coibir a disseminação e leitura de material protestante por parte dos fieis católicos.  A obra apresentava uma lista de livros cuja leitura era proibida pelos fiéis católicos.  A edição original apresentou os livros de Erasmo e algumas edições protestantes da Bíblia.  Em 1571, uma comissão especial foi encarregada pelo Papa de manter a lista atualizada.  O Índex foi abolido somente em 1966.
  • 17.
    O Concílio deTrento  O Concílio de Trento foi a forma que o papa Paulo III encontrou de efetivar a reforma na Igreja Católica, enfrentando ao mesmo tempo o surgimento da fé reformada na Europa.  O Concílio foi aberto em 13/12/1545, durando até 04/12/1563 após longos períodos sem sessão.  Como o concílio teve votação individual e 75% do colegiado era de prelados italianos, o papado conseguiu controlar as decisões de acordo com seus interesses.  255 clérigos assinaram os decretos finais, porém não mais de 75 estiveram presentes na maioria das 25 sessões.
  • 18.
    O Concílio deTrento  Os objetivos iniciais do Concílio eram:  Reforma dos abusos clericais  Discussão da doutrina da igreja  Possibilidade de convocação de cruzada contra os infiéis  A primeira sessão (1545-1547) discutiu a doutrina e determinou:  A Bíblia, os livros apócrifos e a tradição da igreja constituíam autoridade final para os fiéis.  O homem é justificado pela fé e pelas obras subsequentes.  Confirmação dos sete sacramentos.  Decretos sobre a reforma dos abusos eclesiásticos.  A segunda sessão (1551-1552) confirmou o dogma da transubstanciação, além de outras questões reformistas.
  • 19.
    O Concílio deTrento  A terceira sessão (1562-1563) se preocupou com:  Os demais sacramentos  Regras sobre o casamento  Decretos sobre o purgatório  Assuntos reformistas gerais  1564: Por bula papal, é formulada a Confissão de Fé Tridentina, com todos os sacerdotes, professores católicos romanos e convertidos do protestantismo tendo que subscrevê-la, jurando “verdadeira obediência ao papa”.
  • 20.
    O Concílio deTrento  Demais consequências do Concílio:  Vulgata torna-se a versão católica oficial da Bíblia.  Abertura de seminários para formar ministros.  Elevação do padrão moral entre o clero.  Separação final de católicos e protestantes, por conta da inclusão da tradição como regra de fé.  Fim do Conciliarismo, com triunfo do absolutismo papal/curial.
  • 21.
    Fontes  Textobase: CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3 ed. Trad. Israel Belo de Azevedo e Valdemar Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2008.  Textos auxiliares:  DREHER, Martin N. Coleção História da Igreja, 4 vols. 4 ed. São Leopoldo: Sinodal, 1996.  GONZALEZ, Justo L. História ilustrada do cristianismo. 10 vols. São Paulo: Vida Nova, 1983