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Watchman Nee by Lcp Passold
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I
O SANGUE DE CRISTO
O que é vida cristã?
O objetivo deste estudo é mostrar que a vida que levamos é algo muito diferente do
que deve ser na realidade a verdadeira vida do cristão. Ao análisarmos a Palavra de
Deus pregada por Jesus, no Sermão da Montanha, nos leva a perguntar, se tal vida já foi
vivida sobre a terra? “A não ser, unicamente, pelo próprio Filho de Deus”. Mas, nesta
edição, encontraremos a resposta à essa pergunta.
O apóstolo Paulo nos dá a sua própria definição da vida cristã, “logo, já não sou
mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, Ga 2.20. Creio que aqui se apresenta o
plano de Deus para o cristão, que pode ser resumido nas seguintes palavras: Vivo não
mais eu, mas Cristo vive a sua vida em mim. Deus nos revela claramente na sua Palavra,
que “há somente uma resposta para cada necessidade humana, seu Filho, Jesus
Cristo”. Em toda ação a nosso respeito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho,
colocando “Cristo, o Substituto”, em nosso lugar:
• Cristo morreu em nosso lugar, para obtermos o perdão.
• Cristo vive em nós, para alcançarmos a libertação e a santificação.
Podemos falar de duas substituições:
• Substituição na Cruz, que assegura o nosso perdão.
• Substituição interior que assegura a nossa vitória.
Será de grande ajuda e evitará muita confusão, se conservarmos vivo o fato de Deus
responder a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do seu
Filho.
Nosso duplo problema: os pecados e o poder do pecado
Os primeiros oito capítulos de Romanos constituem se em uma unidade completa.
Porém, podemos dividi-lo em duas seções. Uma leitura cuidadosa nos revelará que o
conteúdo das duas seções não são o mesmo. A primeira seção desta unidade está em,
Rm 1.1 a 5.11, onde encontramos em proeminência a palavra plural "pecados" e a
segunda seção em, Rm 5.12 a 8.39, onde o ênfase é mudado, e a palavra pecados ocorre
apenas uma vez, enquanto a palavra singular "pecado" é usada repetidas vezes, e
constitui o assunto básico e principal das considerações. O porquê desta separação?
Isso acontece, porque a primeira seção considera a questão dos pecados que
cometemos diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que
a segunda, trata do pecado como princípio que opera em nós. Sejam quais forem os
pecados que cometemos, é sempre o poder do pecado residente em nós, que nos leva a
cometê-los. Preciso de perdão para os meus pecados, mas preciso também ser liberto do
poder do pecado. Os primeiros tocam a minha consciência, o último a minha vida.
3
Posso receber perdão para todos os meus pecados, mas por causa do minha natureza
pecadora não tenho paz interior permanente.
Quando a luz de Deus brilha pela primeira vez no meu coração clamo por perdão,
porque compreendo que cometi pecados diante dele; mas após ter recebido o perdão
destes pecados, faço uma nova descoberta, que o pecado continua habitando em mim.
Agora posso compreender que não só cometi pecados diante de Deus, mas também que
existe algo de errado dentro de mim. Descubro que tenho uma natureza pecadora. Existe
dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que me leva a pecar.
Enquando este poder andar solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o
perdão, depois, porém peco outra vez. E assim, a vida continua num círculo vicioso de
pecar e ser perdoado e depois pecar outra vez. Sou grato pelo bendito perdão de Deus,
mas desejo algo mais, pois preciso de perdão para o que tenho feito e também ser liberto
daquilo que sou.
O duplo remédio de Deus: o Sangue e a Cruz
Em Romanos, apresentam-se dois aspectos da salvação: o perdão dos pecados e a
libertação do poder do pecado. Vamos conciderar os fatos que identificam estes
aspectos:
• O perdão dos pecados - “Deus propôs no seu sangue (Cristo), como propiciação,
mediante a fé, para manifestar a sua justiça”, Rm 3.25, e “sendo justificado pelo seu
sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.9. Os argumentos centralizam-se em torno
do sangue do Senhor Jesus derramado na cruz para justificação e remissão dos pecados.
• A libertação do poder do pecado - “sabendo isto: que foi crucificado com ele
nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido, e não sirvamos o
pecado como escravos”, Rm 6.6, Este versiculo nos mostra que fomos crucificados com
Cristo. Isto introduz uma nova idéia, a nossa união com Cristo no momento de sua
morte, sepultamento e ressureição. Este fato tem muito valor, porque:
• O Sangue soluciona o problema daquilo que fizemos.
• A Cruz soluciona o problema daquilo que somos.
O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa
capacidade de pecar
O problema dos nossos pecados
O Sangue do Senhor Jesus Cristo é de grande valor para nós, porque trata dos
nossos pecados e nos justifica perante Deus; conforme Paulo declara nas seguintes
passagens: "Todos pecaram”, Rm 3.23.”Mas Deus prova o seu próprio amor para
conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo,
muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”,
Rm 5.8,9. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que
há em Cristo Jesus; a quem Deus propos, no seu sangue, como propiciação, mediante a
fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerancia, deixado impune os
pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no
tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”,
Rm 3.24-26.
4
O pecado, quando entrou, expressou-se em forma de desobediência a Deus, Rm
5.19, e quando pecamos, o que imediatamente acontece é o sentimento de culpa.
O pecado entra na forma de desobediência, e o resultado é:
• A separação entre Deus e o homem.
• O afastamento de Deus, dá a Satanaz a chance de nos acusar em nossos corações e
tambem diante de Deus.
Deus já não pode ter comunhão com o homem, porque agora existe algo que
impede, e que através de toda a Escritura, é conhecido como pecado. Desta forma, é
Deus quem primeiramente diz: "Todos... estão debaixo do pecado", Rm 3.9. Em
segundo lugar, o pecado, depois de acariciado constitui uma barreira à comunhão do
homem com Deus, O pecado também traz um sentimento de culpa, afastamento e
separação de Deus. Agora é o próprio homem que mediante a sua consciência
despertada diz: "Pai pequei contra o céu e diante de ti", Lc 15.18. E ainda não é tudo,
porque o pecado oferece a Satanás a possibilidade de acusar-nos diante de Deus, e
também de acusar-nos em nossos corações por meio do sentimento de culpa, que resulta
do pecado. O "acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite,
diante de nosso Deus", Ap 12.10, que agora nos diz: tu pecaste.
Assim, para nos remir e nos fazer regressar ao propósito de Deus, o Senhor Jesus
teve que agir em relação as questões: dos pecados, da culpa, e das acusações de Satanás:
• A questão dos pecados foi resolvida pelo precioso Sangue de Cristo, que agrada
plenamente a Deus.
• A questão da culpa é resolvida somente quando temos entendimento que o Sangue
apaga os nossos pecados e reestabelece a paz em nossa consciência.
• O ataque do inimigo tem que ser encarado e as suas acusações respondidas,
porque a divida já foi paga por Cristo.
As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três
aspectos: em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás. Temos
portanto, necessidade de nos apropriar destes valores do Sangue, que nos aproximam de
Deus, nos libertam da culpa e dos ataques do inimigo. Se quisermos prosseguir no
caminho de Senhor é absolutamente essencial ter uma clara compreensão da morte do
Senhor Jesus como nosso Substituto sobre a Cruz, e do poder do seu Sangue em relação
aos nossos pecados, porque sem isto, não poderemos ser novas criaturas.
O Sangue é primariamente para Deus
O Sangue é para expiação e em primeiro lugar relaciona-se com a nossa posição
diante de Deus. Precisamos do perdão dos pecados cometidos para não cairmos em
julgamento. Os nossos pecados são perdoados, não porque Deus não os leva a sério,
mas porque ele vê o Sangue de Cristo. O Sangue primariamente não é para nós, mas
para Deus. Se eu quero entender o valor do Sangue, devo aceitar a avaliação que Deus
faz dele. Se não conheço o valor que Deus dá ao Sangue, nunca saberei qual é o seu
valor para mim. É só na medida em que o Espirito Santo abre o meu entendimento a
respeito da estimativa que Deus faz do Sangue, é que eu posso compreender o seu valor,
e ver quão precioso o Sangue realmente é para mim. Todavia, o seu primeiro aspecto é
para Deus. Através do Velho e do Novo Testamento, a palavra sangue é usada inumeras
5
vezes em conexão com a idéia da expiação de pecados e em toda a Escritura é sempre
algo que diz respeito a Deus.
No calendário do Velho Testamento há um dia que tem grande significado quanto
aos nossos pecados, o Dia da Expiação ou dia da Purificação do Santuario. Nada explica
está questão dos pecados tão claramente como a descrição deste dia. Em Levítico 16
lemos: que no Dia da Expiação o sangue era tomado da oferta pelos pecados e levado ao
Lugar Santíssimo e ali espargido sete vezes diante do Senhor. Naquele dia, a oferta
pelos pecados era oferecida publicamente no pátio do Tabernáculo. Tudo estava ali à
vista de todos, e por todos podia ser observado. Mas o Senhor ordenou que nenhum
homem entrasse no Tabernáculo, a não ser o sumo sacerdote. Somente ele poderia
colher o sangue, entrar no Lugar Santíssimo e espargi lo ali, para fazer a expiação
perante Deus. Porquê era necessário este ritual? Porque o sumo sacerdote era um tipo de
Cristo em sua obra redentora, Hb 9.11,12, assim em figura, era o único que poderia
fazer este trabalho. Ninguém, exceto ele, podia aproximar-se da entrada. Além disso,
havia um ato que se relacionava com a sua entrada no Tabernaculo: a apresentação do
sangue a Deus, como propiciação dos pecados do povo. Era uma transação entre o
sumo sacerdote e Deus, dentro do Santuário, fora da vista dos homens que receberiam
os beneficios desta transação. O Senhor exigia este ritual. O Sangue é em primeiro lugar
para Deus.
Mas, anteriormente, encontramos descrito em Exodo, o derramamento do sangue
do cordeiro pascal no Egito, para redenção de Israel. Este foi um dos melhores tipos, no
Velho Testamento, da nossa redenção. O sangue foi posto na verga e nas ombreiras das
portas, enquanto que a carne do cordeiro era servida no interior da casa; e Deus disse:
"O sangue vos será por sinal nas casas onde estiverdes; quando eu vir o sangue,
passarei por cima”, Ex 12.13. Eis outra ilustração, onde o sangue não se destina a ser
apresentado ao homem, e sim, a Deus, pois o sangue era posto nas vergas e nas
ombreiras das portas, de modo que os que se encontravam em festa dentro das casas não
pudessem vê-lo.
Deus está satisfeito
É a santidade de Deus e a sua justiça que exige, que uma vida sem pecados seja
dada em favor dos pecados dos homens. Há vida no Sangue, por isso o Sangue tem que
ser derramado em favor dos pecados cometidos. Deus requer que o Sangue seja
apresentado com o fim de satisfazer a sua própria justiça, é Ele que diz: "Vendo eu
sangue passarei por cima de vós", isto é, não os destruirei. O Sangue de Cristo satisfaz
a Deus inteiramente.
Desejo agora dizer uma palavra a respeito disto aos meus irmãos mais novos no
Senhor, porque é neste caso que muitas vezes temos dificuldades. Na condição de
descrentes não somos molestados pela nossa consciência, até que a Palavra de Deus
começe a nos despertar. A nossa consciência estava morta e quem se encontra nesta
condição, certamente não têm qualquer serventia para Deus. Mas, a partir do momento
que cremos, a nossa consciência tornar-se extremamente sensível, e isto pode vir a ser
um problema real. O sentimento de pecado e de culpa que antes não existia, agora torna
se tão grande e terrível, que quase nos paralisa, porque faz perder de vista a verdadeira
6
eficácia do Sangue. Tornam os nossos pecados tão intrínsecos que chegamos ao ponto
de imaginá-los maiores do que o Sangue de Cristo. Ora, o mal reside na procura
subjetiva, daquilo que o poder do Sangue representa para nós. Não devemos agir assim,
porque o Sangue não opera desta forma: não é basicamente para nós, mas para Deus, só
depois de ser aceito por Deus irá operar em nós. Destina-se primeiramente a ser visto
por Deus. Temos que aceitar a avaliação que Deus faz dele, para então acharmos a
nossa própria estimativa. Se, ao invés disto, procuramos avaliá-lo por meio do que
sentimos, não iremos nos libertar dos nossos pecados e permaneceremos em trevas. O
perdão dos pecados é uma questão de fé no Sangue de Cristo.
Devemos crer que o Sangue é precioso para Deus, porque ele assim o diz: “pelo
precioso sangue de, como de cordeiro sem defeito e sem macula, o sangue de Cristo”,
IPe 1.18. Se Deus aceitou o Sangue como pagamento pelos nossos pecados e como
pagamento da nossa redenção, então temos a certeza que o débito foi pago. Se Deus está
satisfeito, logo, o Sangue deve ser aceitável. Cristo é santo e justo e o Deus santo e justo
tem o direito de dizer: O Sangue é inteiramente aceitável.
O acesso do crente ao sangue
O Sangue satisfez a Deus, e deve nos satisfazer da mesma forma. Há também, um
segundo valor para o Sangue. “Pelo Sangue de Jesus... em plena certeza da fé, tendo o
coração purificado de má conciência”, Hb 10.22. O Sangue purifica a consciência.
Revelamos uma compreensão errada se declaramos que o Senhor, purifica o meu
coração do pecado pelo seu Sangue ou relacionar o coração com o Sangue, porque Deus
diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”, Jr 17.9. Deus tem que fazer
algo mais fundamental do que apenas purificar o nosso coração, tem que nos dar um
coração novo. A obra de Deus em nós tem que ser algo inteiramente novo. "Dar-vos-ei
coração novo, e porei dentro de vós espírito novo", Ez 36.26. Não encontramos a
declaração de que o Sangue purifica o nosso coração, mas a oferta de Deus é sermos
renovados mediante um coração novo e um espirito novo. Não lavamos, nem passamos
a ferro roupas que vamos jogar fora. Veremos depois, que a carne é demasiadamente má
para ser purificada; tem que ser crucificada.
Qual então o significado?
Significa, que havia algo se interpondo entre mim e Deus; e o resultado disto, erá
minha consciência sempre me acusando. Quando procurava me aproximar, lembrava da
barreira que permanecia entre mim e Deus. Mas, agora, a operação do precioso Sangue
removeu a barreira que existia. Este fato está revelado em sua Palavra. Quando creio em
Cristo e o aceito, a minha consciência fica imediatamente limpa, o meu sentimento de
culpa é removido e já não tenho má consciência diante de Deus.
Cada um de nós sabe quão precioso é ter uma consciência pura quando nos
relacionamos com Deus. Um coração pleno de fé, e uma consciência limpa de toda e
qualquer acusação são essenciais, desde que sejam interdependentes. Logo que
verificamos que a nossa consciência não tem paz, a fé desvanece e imediatamente
achamos que não podemos encarar Deus. O Sangue nunca perderá a sua eficácia como
fundamento do nosso acesso a Deus; que ele transforme em realidade a nossa
7
dependencia dele, porque somente ele nos habilita a entrar no Lugar Santíssimo. Sem
esta base não existiria o livre acesso a Deus.
Podemos perguntar se estamos realmente procurando o caminho para a presença de
Deus através do Sangue, ou por outros meios? O que quero dizer, quando afirmo pelo
Sangue? Quero dizer que: reconheço os meus pecados, confesso que necessito de
purificação e expiação, por isso, venho a Deus confiante na obra consumada do Senhor
Jesus e me aproximo dele exclusivamente através dos meritos de Cristo, e não na base
do meu comportamento. Nunca, por méritos próprios.
A tentação de muitos quando procuram aproximar-se de Deus é pensar que por
causa do conhecimento das escrituras estãos mais perto dele, por isso podem alcança-lo
por si mesmo. “Jamais, o único acesso é Cristo”. Ele disponibilizou este caminho por
meio do seu sofrimento na cruz e do seu precioso Sangue derramado por nós.
Creio que muitos irmãos pensam, que são seus atos que os aproximam ou afastam
de Deus. Atos do tipo: fui mais cuidadoso ou tive um bom dia ou li a Palavra com
fervor de modo que, hoje posso orar; ou então, tive algumas problemas familiares ou
comecei mal o dia, ou estou deprimido, por isso, não posso me aproximar de Deus. A
aproximação de Deus é sempre pela confiança no Sangue, e nunca pelas aquisições
pessoais. Qualquer que seja a medida alcançada por nossos próprios recursos hoje,
ontem ou no passado, não capacitarão o nosso ascesso ao Lugar Santissimo, somente o
Sangue de Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, abre este caminho até Deus. Devemos
permanecer no único fundamento seguro, o Sangue derramado. Esse é o fundamento
sobre o qual somos capacitados a entrar na presença de Deus, não há outro. “agora em
Cristo Jesus, vós, que antes estaveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”,
Ef 2.13. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue
de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é pela sua
carne, e tendo como grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-no, com
sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má conciencia”,
Hb 10.19-22. A nossa posição perante Deus foi garantida pelo Sangue. Porque fomos
aproximados pelo sacrificio de Cristo, e sempre será por Ele, não há outro meio de
entrarmos no Lugar Santissimo.
As vezes chegamos a pensar que por causa do nosso progressos espiritual podemos
dispensar o Sangue, isto jamais acontecerá. Não é pela minha qualificação que me
aproximo de Deus é pelo Sangue. Está é a unica forma que a todo momento posso ir
perante o Altissímo. E assim será até o fim; sempre e unicamente pelo Sangue. O que
importa aqui, é saber que “o Sangue é real e suficiente”. Devemos ser gratos e orar:
"Senhor, entendo que o Sangue de Cristo satisfaz totalmente a Ti. Percebo agora que
não se trata de meu progresso ou de algo que eu possa ter alcançado, e sim,
unicamente pelo precioso Sangue de Cristo". Somente o sangue purifica a nossa
consciência diante de Deus. "tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam
consciência de pecados", Hb 10.2. Estas palavras têm significado transcendente e
transmitem a certeza, que fomos purificados de todo pecado. "Bem-aventurado o
homem a quem o Senhor jamais imputará pecado", Rm 4.8.
8
Vencendo o acusador
Como é que o Sangue opera contra Satanás? A queda deu a Satanás o livre acesso
ao homem, de forma que Deus foi compelido a se retirar. Agora, o homem está fora do
Jardim, destituído da glória de Deus, Rm 3.23, porque interiormente está separado de
Deus. A consequencia do pecado foi o afastamento de Deus. Mas o Sangue remove esta
barreira e restitui o homem a Deus e Deus ao homem. Agora, em Cristo, o novo homem
está em afinidade com Deus, e pode encarar Satanás sem temor.
Lembre-se do seguinte versículo: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de
todo pecado", IJo 1.7. Não é todo pecado, no seu sentido geral, é cada pecado, um por
um. O que significa isto? É algo maravilhoso! Deus está na luz, e na medida em que
andamos na luz juntamente com Ele, tudo fica exposto, de modo que Deus pode ver
tudo e nestas condições o Sangue pode nos purificar de cada pecado cometido. Que
purificação! O Sangue pode fazê-lo plenamente.
As vezes, por estarmos oprimidos por nossas próprias fraquezas, somos tentados a
pensar que os pecados que cometemos são imperdoáveis. Recordemos de novo a
Palavra: O sangue de Jesus, seu Filho nos purifica de todo pecado. Pecados que podem
ser muito negros e outros que não parecem tão graves assim; pecados que podem ser
perdoados e pecados que pensamos ser imperdoáveis; sim, todos os pecados,
conscientes ou inconscientes, recordados ou esquecidos, se incluem nas palavras: "todo
pecado", porque o Sangue nos purifica de todo pecado e satisfaz inteiramente a Deus.
Sabendo que Deus vê todos os nossos pecados na luz e pode nos perdoar por causa
do Sangue, então, em que base poderá Satanás nos acusar? "Se Deus é por nós, quem
será contra nós?", Rm 8.31. Deus mostra o Sangue do seu querido Filho, que é
totalmente suficiente, contra o qual Satanás não tem apelação. "Quem intentará
acusação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É
Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e
também intercede por nós”, Rm 8.33-34. Precisamos reconhecer a absoluta suficiência
do Sangue precioso. "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote... pelo seu
próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna
redenção", Hb 9.11-12. Cristo foi Redentor uma só vez, há dois mil anos e agora é
nosso Advogado e Sumo Sacerdote. Ali permanece, na presença de Deus. "Jesus Cristo
o justo, ele è a propiciação pelos nossos pecados", IJo 2.2. "muito mais o sangue de
Cristo, que pelo Espirito eterno, a si mesmo se ofereceu... Este é o sangue da aliança, a
qual Deus prescreveu para vós outros... sem derramamento de sangue não há
remissão... Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de
muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para salvação”, Hb
9.14,28. O Sangue de Cristo evidencia a suficiência do seu ministério e é totalmente
“suficiente para Deus”.
Qual é a nossa atitude para com Satanás?
Satanás nos acusa não só perante Deus, mas também em nossa própria consciência.
"Você pecou, e continua pecando. Você é fraco, e não há mais nada que Deus possa
fazer por você". Ao aceitarmos seus argumentos, estamos olhando para dentro de nós na
tentativa nos defender; procurando algo de bom em nós, que nos dê algum motivo para
9
crer que estamos certos e o inimigo errado, se agirmos assim, com certeza iremos
fracassar.
A acusação é uma das armas mais eficazes de Satanás. Ele aponta para os nossos
pecados e procura acusar-nos perante Deus, se aceitarmos as suas acusações seremos
destruidos. A unica razão de aceitarmos tão rapidamente as suas acusações é que ainda
esperamos ter alguma justiça própria; está atitude constitui uma falsa base de esperança.
Quando Satanás consegue nos induzir, a olhar na direção errada, ele atinge o seu
objetivo de nos afastar do único que tem o poder de vence-lo que é Cristo. Se não mais
confiarmos na carne, não teremos que temer, quando surgirem os pecados, posto que
pecar faz parte da natureza intrínseca da carne. Mas, se ainda confiamos em nós, então
desconhecemos a nossa natureza pecadora, e com certeza iremos tropeçar, quando
Satanaz levanta suas acusações. O Sangue é efetivo, quando confiamos no seu poder
para solucionar o problema dos nossos pecados; porém, ele nada pode fazer por um
homem que se submete à acusação do inimigo. Cristo é o nosso Advogado, mas nós os
acusados nos colocamos do lado do acusador, quando deixamos de olhar para Cristo e
focamos a atenção em nós. Somente Deus pode responder ao acusador e já o fez por
meio do precioso Sangue de Cristo, tornando Satanás um inimigo vencido.
Nossa salvação está em olharmos firmemente para o Senhor Jesus, reconhecendo
que o Sangue do Cordeiro já solucionou toda a situação criada pelos nossos pecados.
Este é o fundamento seguro em que devemos nos firmar. Nunca devemos responder a
Satanás, tendo por base a nossa boa conduta, e sim, sempre com o Sangue. Sabemos que
estamos repletos de pecados, mas graças a Deus que o Sangue nos purifica de todos
eles! Deus ao olhar para os nossos pecados contempla o Sangue, por meio do qual o
seu Filho enfrenta a acusação, e Satanás perde toda possibilidade de atacar. Somente a
nossa fé no Sangue precioso, e a nossa recusa de sairmos desta posição, podem
silenciar as suas acusações e afugentá-lo, Rm 8.33,34; e será assim até a volta de Jesus,
Ap 12.11, quando iremos viver a plena libertação oferecida por Deus, se valorizarmos
mais o precioso Sangue do seu amado Filho!
10
II
A CRUZ DE CRISTO
O Sangue trata daquilo que fizemos, enquanto que a Cruz trata daquilo que somos.
Precisamos do Sangue para o perdão, e da Cruz para a libertação. Já tratamos do sangue,
e agora vamos considerar como a Cruz nos liberta do poder do pecado. Antes, vamos
considerar algumas características que contribuem para demonstrar a diferença, entre o
perdão dos pecados e a libertaçao do poder do pecado.
Algumas distinções e aspectos da ressureição.
"Jesus nosso Senhor... foi entregue por causa das nossas transgressões, e
ressuscitou por causa da nossa justificação", Rm 4.25. Trata-se aqui da nossa posição
de justificados perante Deus. "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus,
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo", Rm 5.1. Quando os meus pecados são
perdoados, Deus não será mais motivo de temor para mim. Eu, que era inimigo, fui
"reconciliado com Deus mediante a morte do Seu Filho", Rm 5.10. Logo descubro, no
entanto, que sou eu quem irá causar dificuldades para mim mesmo, havendo algo em
meu íntimo que me perturba e me leva novamente a pecar. Há paz com Deus, sem
porém, haver paz comigo mesmo. Trava-se uma guerra interna em meu próprio coração,
onde a carne e o espírito estão em conflito mortal. Porque o pendor da carne dá para a
morte, por ser inimizade contra Deus, mas o do Espírito, para a vida e paz, Rm 8.6.
Deus nos oferece um novo caminho, o da ressurreição em Cristo, que nos comunica
uma nova vida a fim de termos um andar santo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado
dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida",
Rm 6.4.
Se conhecemos somente a preciosa verdade da justificação pela fé, isto é só a
metade do que precisamos saber, porque soluciona apenas o problema dos pecados, falta
ainda solucionar o problema do pecador para acertar nossa posição diante de Deus. À
medida que prosseguimos, veremos que Deus tem algo mais para nos oferecer, além do
perdão dos pecados.
Como podemos então viver uma vida cristã real?
Sabemos que o Sangue trata objetivamente dos nossos pecados, porém precisamos
dar agora um passo a mais no plano de Deus para compreender como Ele trata o
princípio do pecado em nós. Veremos que o primeiro passo depende do segundo e o
segundo passo depende do primeiro.
O Sangue pode lavar e apagar os meus pecados, mas não pode remover o corpo do
pecado. Por isso, é necessárioa a Cruz para crucificar o corpo do pecado. O Sangue trata
dos pecados, mas a Cruz trata do pecador!. “Portanto, assim como por um só homem
entrou opecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a
todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12. Mostra, que o homem é considerado
pecador porque nasceu pecador, e não por ter cometido pecados. É mais por
constituição do que por ação que somos pecadores.
11
"Pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores", Rm 5.19.
Como é que nos tornamos pecadores? Pela desobediência de Adão. Não nos tornamos
pecadores por aquilo que fizemos, e sim, devido àquilo que Adão fez. As escrituras
afirmam que “todos pecaram”, Rm 3.9-12, mas, não é por isso, que nos tornamos
pecadores. Porque mesmo aquele que não comete pecados, por pertencer à raça de
Adão, também é pecador e necessita da redenção. Há pecadores maus e pecadores bons;
pecadores morais e pecadores corruptos, mas todos são igualmente pecadores.
Pensamos às vezes, que tudo nos iria bem se não fizéssemos determinadas coisas; o
problema no entanto, é muito mais profundo do que aquilo que fazemos, “está naquilo
que somos”. O que conta é o nascimento; sou pecador porque nasci de Adão. Não é
questão do meu comportamento, e sim, da minha hereditariedade, do meu parentesco.
Não sou pecador porque peco, mas peco porque descendo de uma linhagem má. Peco
por ser pecador.
Tendemos a pensar que o que fazemos pode ser muito mau, e que nós mesmos não
somos tão maus assim. O que Deus deseja realmente nos mostrar é que nós somos
fundamentalmente errados. A raiz do problema está no pecador: é com ele que se deve
tratar. Os nossos pecados são solucionados pelo Sangue, mas nós próprios devemos ser
tratados pela Cruz. “O Sangue nos perdoa pelo que fizemos e a Cruz nos liberta daquilo
que somos”.
A condição do homem por natureza
No começo da nossa vida cristã, ficamos preocupados com o que fazemos, e não
com o que somos. Nos sentimos tristes, mais pelo que temos feito, do que pelo que
somos. Pensamos que se apenas mudassemos certas coisas, nos tornaríamos bons
cristãos e então, procuramos modificar as nossas ações. Porém está atitude não altera a
nossa vida de pecados. Descobrimos com grande espanto que se trata de algo maior do
que as dificuldades externas que enfrentamos e que realmente existe em nosso íntimo
um problema mais sério. Procuramos agradar ao Senhor, mas descobrimos que há algo
dentro de nós que não deseja agrada-Lo. Procuramos ser humildes, mas há algo em
nosso próprio eu que se recusa a ser humilde. Procuramos demonstrar afeto, mas não
sentimos ternura no íntimo. Sorrimos e procuramos parecer muito amáveis, mas no
íntimo sentimos absoluta falta de amabilidade. Quanto mais procuramos corrigir as
coisas na parte exterior, mais temos entendimento de quão profundamente se arraigou o
problema na parte interior. Então, nos rendemos ao Senhor, dizendo: "Senhor, agora
compreendo! Não é só o que tenho feito que está errado! Eu é que sou errado".
A conclusão de, Rm 5.19 começa a se tornar clara para nós. Somos pecadores.
Somos membros de uma raça que é diferente daquela que Deus planejou. Por causa da
queda, houve uma transformação no caráter de Adão, em virtude da qual se tornou
pecador e incapaz de agradar a Deus; está é a semelhança hereditaria que todos nós
temos com ele, não é meramente superficial, expressa-se também no nosso caráter
interior. Como aconteceu isto? Pela desobediência de um, diz Paulo.
A nossa vida vem de Adão. Onde estaria você agora, se o seu bisavô tivesse
morrido com três anos de idade? Teria morrido nele! A sua experiência está unida à
dele. A experiência de cada um de nós está unida à de Adão da mesma forma.
12
Potencialmente, quando Adão se rendeu às palavras da serpente no Eden, todos nós
estávamos nele. Fomos todos envolvidos no pecado de Adão e sendo nascidos em Adão,
recebemos como herança, tudo aquilo, em que ele se tornou. O resultado do seu pecado
e a sua natureza pecadora se tornou a nossa natureza. A nossa existencia deriva dele.
Porque a sua natureza se tornou pecaminosa; a natureza que deriva dele também é
pecaminosa. De modo que o problema está na nossa hereditariedade e não no nosso
procedimento. A menos que possamos modificar o nosso parentesco, não há livramento
para nós. Mas é precisamente neste ponto que encontraremos a solução do nosso
problema, porque foi exatamente assim que Deus encarou a situação.
Como em Adão, assim em Cristo
"Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores,
assim também por meio da obediência de um só muitos se tornaram justos", Rm 5.19.
As expressões ”em Adão” e ”em Cristo” são muito pouco compreendidas pelos
cristãos, desejo salientar por meio de uma ilustração, que se acha em Hebreus 7, o
significado racial e hereditário da expressão em Cristo. Em Hebreus 7.1-10, o escritor
procura demonstrar ser Melquisedeque maior do que Levi. A finalidade desta
demonstração é provar que o sacerdócio de Cristo é maior do que o de Arão, que era da
tribo de Levi. Porque o sacrifício de Cristo é segundo a ordem de Melquisedeque e o de
Arão, segundo a ordem de Levi, Hb 7.7-17.
Abraão, voltando da batalha dos reis, Gn 14, ofereceu a Melquisedeque o dízimo
dos despojos. Este fato, revela ser Abraão de menor categoria que Melquisedeque,
porque é o menor que entrega os dizimos ao maior, Hb 7.7. O fato de Abraão ter
oferecido o dízimo a Melquisedeque implica que Isaque, em Abraão, também o
ofereceu, e o mesmo se aplica a Jacó, e também a Levi. De modo que Levi é menor que
Melquisedeque, e assim, o sacerdócio de Levi é inferior ao de Cristo. Nem sequer se
pensava em Levi na época da batalha dos reis, contudo, fez sua oferta de dizimo na
pessoa do seu pai ascendente Abraão, antes de ter sido gerado, Hb 7.9,10.
Ora, é justamente isto que significa a expressão "em Cristo". Abraão, como o
cabeça da família da fé, incluiu, em si mesmo toda a sua descendencia. Quando ele fez a
sua oferta a Melquisedeque, toda a sua família participou daquele ato. Não fizeram
ofertas separadamente como indivíduos, mas estavam nele, porque toda a sua semente
estava incluída nele.
Assim, em Adão, tudo se perdeu. Pela desobediência de um só homem fomos todos
constituídos pecadores. O pecado entrou por ele e pelo pecado entrou a morte e desde
aquele dia o pecado impera em toda a raça, produzindo a morte. Agora porém, um raio
de luz incide sobre a cena. Pela obediência de Outro, podemos ser constituídos justos.
Onde o pecado abundou, superabundou a graça e como o pecado reinou na morte, do
mesmo modo a graça pode reinar por meio da justiça, para a vida eterna em Jesus
Cristo, nosso Senhor, Rm 5.19-21. O nosso desespero está em Adão; a nossa esperança
em Cristo.
13
O processo divino da libertação
Deus certamente deseja que estas considerações nos levem à libertação da prática
do pecado. Paulo deixou isto bem claro, quando perguntou: "Permaneceremos no
pecado? Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” Rm 6.1,2
Todo o seu ser se revolta perante a simples sugestão de pecar. Como poderia um Deus
Santo ter satisfação em possuir filhos não santos, presos aos grilhões do pecado? Deus
ofereceu a provisão certa e adequada para nos libertar do domínio do pecado.
Aqui está o nosso problema: se nascemos pecadores, como poderemos extirpar a
nossa hereditariedade pecaminosa? Desde que todos nascem em Adão, como podem sair
dele, livrar-se dele? Quero afirmar que o Sangue não pode nos tirar para fora de Adão.
Há somente um caminho. Se estamos em Adão pelo nascimento, o único caminho para
sair dele é a morte. Para nos despojarmos da nossa pecaminosidade, temos que nos
despojar da nossa vida. Se a escravidão do pecado veio pelo nascimento; a libertação do
pecado vem pela morte e foi exatamente este o caminho de escape que Deus ofereceu. A
morte é o segredo da emancipação. Estamos mortos para o pecado, Rm 6.2. Como,
afinal, isto pode acontecer? Alguns procuram mediante grande esforço libertar-se desta
vida pecaminosa, mas verificam que é impossivel libertar-se do pecado pelo esforço
próprio. O caminho que conduz a saída não é nos matarmos, e sim, reconhecer que
Deus, em Cristo, cuidou da nossa situação. O apóstolo Paulo mostra como Deus efetuou
a morte do corpo de pecado por meio de Cristo: "todos os que fomos batizados em
Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte", Rm 6.3.
Se, Deus solucionou nosso caso "em Cristo", logo temos que “estar nele”, para que
isto se torne realidade. Como podemos entrar em Cristo? É neste sentido que Deus vem
de novo em nosso auxílio, pois por nós mesmos, não temos meio algum de entrar nele,
Porém, Deus nos mostra que não precisamos tentar entrar, porque já estamos nele.
Deus fez por nós, o que nós não poderíamos fazer por nós mesmos. Ele nos colocou em
Cristo. "Vós sois dele ( Deus), em Cristo Jesus", ICo 1.30. Graças a Deus! Não nos
pediu para procurar um caminho de acesso ou elaborar um plano. Deus fez os planos
necessários. Não só planejou como também executou. "Vós sois dele, em Cristo Jesus".
Estamos nele; portanto, não precisamos procurar entrar. É um ato divino, e está
consumado.
Em Hebreus 7, vimos que em Abraão todo Israel e portanto Levi, que ainda não
nascera, ofereceu o dízimo a Melquisedeque. Não fizeram esta oferta separada e
individualmente, mas estavam em Abraão quando ele fez a oferta, incluindo nesse ato
toda a sua semente. Isto é, pois, uma verdadeira figura de nós próprios em Cristo.
“Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, todos nós morremos”, não fisicamente, porque
ainda nem tínhamos nascido, mas estando nele. Podemos ter certeza deste fato, porque
Deus está dizendo em sua Palavra. Por isto sabemos que morremos juntamente com Ele.
"Um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. “Quando Ele foi crucificado,
todos nós fomos crucificados”.
"Vós sois dele, em Cristo Jesus". O próprio Deus nos colocou em Cristo e tratando
com Ele, Deus tratou com toda a raça. O nosso destino está ligado ao dele. Pelas
experiências que Cristo passou, nós igualmente passamos, porque estar "em Cristo"
significa: ser identificado com Ele, tanto na sua morte como na sua ressurreição.
14
Cristo foi crucificado; o que então sucedeu conosco? Devemos pedir a Deus que
nos crucifique? Não, porque quando Cristo foi crucificado, nós que hoje estamos em
Cristo, fomos crucificados juntamente com Ele; sendo a sua crucifixão há dois mil anos,
e a nossa também. Se fomos crucificados juntamente com Ele, não precisamos ficar nos
crucicando agora no presente, nem no futuro quando se apresentarem as tentações. Não
existe nenhum texto no Novo Testamento que diz, que devemos nos crucificar. Todas as
referências dizem: que fomos crucificados juntamente com Cristo, "feito uma vez e para
sempre", "eternamente passado", Rm 6.6, Gl 2.20 e 5.24. Deus não nos pede que
crucifiquemos a nós próprios. Fomos crucificados quando Cristo foi crucificado, pois
Deus nos incluiu nele na Cruz. A nossa morte em Cristo não é meramente uma posição
de doutrina, é um fato real e eterno.
A morte e ressurreição de Cristo são inclusivas
Quando o Senhor Jesus morreu na Cruz derramou o seu Sangue, dando assim a sua
vida isenta de pecado para expiar os nossos pecados, e assim, satisfez a justiça e a
santidade de Deus. Tal ato, constitui prerrogativa exclusiva do Filho de Deus. Nenhum
homem poderia participar dele. A Escritura nunca disse: que nós derramamos o nosso
sangue juntamente com Cristo. Na sua obra expiatória perante Deus, Ele agiu sozinho.
Ninguém poderia participar deste ato com Ele. O Senhor, no entanto, não morreu apenas
para derramar o seu sangue: morreu para que nós pudéssemos morrer. Morreu como
nosso representante. Na sua morte Ele incluiu a “você e a mim”.
Freqüentemente usamos os termos “substituição e identificação” para descrever
estes dois aspectos da morte de Cristo. A palavra identificação muitas vezes é correta;
mas pode sugerir que a experiência começa do nosso lado e que somos nós que estamos
nos identificando com o Senhor. Concordo que a palavra é verdadeira, mas deve ser
empregada de maneira certa. É melhor aceitar a verdade plena, que o Senhor me incluiu
na sua morte. É a morte inclusiva do Senhor, que me habilita a ser identificado com Ele.
Está verdade mostra, que eu não preciso me identificar com Ele para ser incluído em sua
morte. É aquilo que Deus fez, incluindo-me em Cristo, que importa. É por isso que o
termo “em Cristo” sempre satisfaz a Deus e a nós também.
A morte e a ressurreição de Cristo e a nova vida
“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primicias dos que
dormem. Visto que a morte veio por um homem, tambem por um homem veio a
ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão todos morrem, assim tambem
todos serão vivificados em Cristo. Cada um porém, por sua própria ordem; Cristo as
primicias; depois, os que são de Cristo na sua vinda, ICo 15.20-23.
Cristo como o último Adão é a soma de toda humanidade; e Cristo como as
primicias é a Cabeça de uma nova raça. De modo que temos aqui duas uniões, uma
refere-se à sua morte e outra à sua ressurreição. Em primeiro lugar a sua união com a
raça humana, como último Adão, começou historicamente em Belém, e terminou na
Cruz e no sepulcro. Cristo reuniu em si mesmo tudo o que era de Adão, por isso foi
levado a julgamento e morte. Em segundo lugar, a nossa união com Ele como as
primicias, começa com a ressurreição e termina na eternidade, ou seja, nunca. Pois,
15
tendo acabado por meio da sua morte com a herança de Adão, em quem se frustrará o
propósito de Deus, ressuscitou como o Cabeça de uma nova raça de homens, nele o
proposito de Deus foi plenamente realizado e restabelecido.
• Cristo como último Adão, foi crucificado. Na cruz reuniu em si e anulou tudo o
que pertencia ao primeiro Adão. Como o último Adão, pôs termo à velha raça.
• Cristo como as primicias, inicia a nova raça. A sua ressurreição nos oferece uma
nova vida, onde os que estão em Cristo forão incluídos.
"Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o
seremos também na semelhança da sua ressurreição", Rm 6.5. Morremos nele como o
último Adão e vivemos nele, por causa da sua ressureição. A Cruz é o poder de Deus
que nos transfere de Adão para Cristo.
16
III
A VEREDA DO PROGRESSO:
SABER
A nossa velha história termina com a Cruz e a nossa nova história começa com a
Ressurreição. "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já
passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. A Cruz põe termo à primeira criação, e
por meio de sua morte e ressureição surge a nova criação em Cristo. Se estamos em
Adão, tudo quanto estava em Adão necessariamente recai sobre nós. Torna-se
involuntariamente nosso, pois nada precisamos fazer para participar desta realidade.
Sem esforço, sem perder a calma, sem cometer mais pecados vem naturalmente sobre
nós, independente da nossa vontade. Da mesma forma, se estamos em Cristo, tudo o que
há em Cristo nos é atribuído pela livre graça, sem esforço próprio, simplesmente pela fé.
Como está experiência pode se tornar real em nós?
Através do estudo de Romanos 6,7 e 8, descobrimos que para viver uma vida cristã
real é preciso:
• Saber.
• Considerar-se.
• Oferecer-se a Deus.
• Andar no Espirito.
Estas quatro condições são nescessarias para uma vida cristã plena. À medida que
estudarmos cada um delas, o Santo Espirito do Senhor irá nos iluminar para que
possamos andar no espirito.
A nossa morte com Cristo: um fato consumado
A morte do Senhor Jesus é representativa e inclusiva, na sua morte todos nós
morremos. Nenhum de nós pode progredir espiritualmente sem perceber isto. Assim
como Cristo levou os nossos pecados sobre a Cruz, também, levou a nós próprios na
Cruz, para nossa santificação, Rm 6.1-11. Não somente foram colocados sobre Ele os
nossos pecados, mas também fomos incluídos nele, todos nós que estamos em Cristo.
Como recebemos o perdão? Aceitando o fato que o Senhor Jesus morreu na cruz,
como nosso Substituto, levando sobre ele os nossos pecados, e o seu sangue foi der-
ramado para nos purificar. Quando percebemos que todos os nossos pecados foram
levados sobre a Cruz, o que fazemos? Dissemos, porventura: "Senhor Jesus, por favor,
vem morrer pelos meus pecados?” Não, de forma alguma, apenas damos graças. Não
lhe suplicamos que venha morrer por nós, porque compreendemos que Ele já o fez.
Está verdade, que diz respeito ao nosso perdão, também se refere à nossa libertação.
A obra já foi feita. Não há necessidade de orar, mas apenas agradecer. Porque Deus
incluiu a todos em Cristo, de modo que, quando Cristo foi crucificado, nós também
fomos. Não há, portanto, necessidade de orar: "Sou uma pessoa muito má Senhor,
crucifica-me, por favor". Apenas, precisamos agradecer a Deus, por termos morrido em
17
Cristo, mediante a sua morte. Já morremos nele, louvemos por isso e vivamos à luz
desta realidade. "Então creram nas suas palavras e lhe cantaram louvores", Sl 106.12.
Você crê na morte de Cristo? É claro que sim. Então, a mesma Escritura que diz:
Ele morreu por nós, também diz que nós morremos com Ele. Se cremos que "Cristo
morreu por nós", Rm 5.8. Está é uma declaração biblica tão fundamental quanto a que
diz: "Foi crucificado com ele o nosso velho homem", Rm 6.6. "Morremos com Cristo",
Rm 6.8. Quando fomos nós crucificados? Qual é a data da crucificação do nosso velho
homem? A Bíblia diz: foi crucificado com Cristo (ao mesmo tempo) o nosso velho
homem, isto aconteceu há dois mil anos. Graças a Deus, porque quando Ele morreu na
Cruz, eu morri com Ele. Não morreu apenas em meu lugar e sim, levou-me com Ele à
Cruz, de forma que, quando Ele morreu, eu morri com Ele. Se eu creio na morte do
Senhor Jesus, posso também crer na minha própria morte, tão seguramente como creio
na dele.
Por que você acredita que o Senhor Jesus já morreu? É porque sente que ele
morreu? Não, isto se torna real pela fé, não pelo que sentimos. Quando o Senhor foi
crucificado, dois ladrões também foram crucificados ao mesmo tempo. Não temos
duvida que eles foram crucificados com ele, porque a Escritura afirma de modo
absolutamente claro. Assim também, crêmos na morte do Senhor, porque a Palavra de
Deus a declara.
Os ladrões foram crucificados ao mesmo tempo que o Senhor, mas em cruzes
diferentes, enquanto que você, foi crucificado na mesma cruz com Cristo, porque estava
nele quando Ele morreu. Como pode saber disto? É porque Deus disse. Não depende
daquilo que você sente. Cristo morreu, quer você sinta isso, quer não. Nós também
morremos com Ele, independente do que sentimos, pois trata-se de fatos divinos. Cristo
morreu, é um fato, que os dois ladrões morreram, é outro, e a nossa morte juntamente
com Cristo é igualmente um fato. Posso afirmar: "Você já morreu". Já está posto à
parte, eliminado! O Eu que aborrece você ficou na Cruz, em Cristo. "Porqunto quem
morreu, esta justificado do pecado",Rm 6.7. Este é o Evangelho para os cristãos!
A nossa crucificação jamais se tornará eficaz através da nossa vontade, do nosso
esforço, e sim, unicamente por aceitarmos o que o Senhor Jesus Cristo fez na Cruz. Os
nossos olhos devem estar abertos à obra consumada» no Calvário. Talvez, você tenha
procurado salvar a si mesmo: lendo a Bíblia, orando, freqüentando a Igreja, dando
ofertas. Mas, o sentimento constante era de mornidão espiritual, até que um dia seus
olhos foram abertos e você percebeu que a plena salvação já foi providenciada na Cruz.
Glória a Deus por está provisao de Graça em Cristo Jesus. A partir desta verdade o seu
coração será permeado pela paz e alegria. Ora, a santificação foi dada na mesma base
que a salvação. Recebemos a libertação do poder do pecado do mesmo modo, que
recebemos o perdão dos pecados.
A maneira do homem se libertar do poder do pecado é diferente do que Deus
planejou:
• O homem se esforça por suprimir o pecado, procurando vencê-lo.
• O processo divino consiste em remover o pecador, por meio da morte do velho
homem, o homem carnal.
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Muitos cristãos lamentam as suas fraquezas, pensando que se fossem mais fortes,
tudo lhes iria bem. Tem a idéia, de que são as fraquezas que causam as derrotas na
tentativa de viver uma vida santa. Por isso, pensam que por meio do esforço próprio
serão vencedores, isto conduz naturalmente a um conceito falso do caminho da
libertação. Se é a nossa incapacidade de vencer o poder do pecado que nos preocupa,
concluímos que isso acontece porque está faltando esforço da nossa parte. Achamos
que, se tivermos mais força de vontade poderemos vencer as explosões violentas de
comportamento, e assim, teremos o tão sonhado dominio próprio. Tal conceito está
completamente errado, não é cristão. O meio divino de nos libertar do poder do pecado
não consiste em nos fazer cada vez mais fortes, e sim, em nos tornar cada vez mais
fracos. Certamente pode-se dizer que é uma forma de vitória bastante estranha, mas essa
é a maneira de Deus agir em nós. Deus nos livra do domínio do pecado, não por meio
de fortalecer o nosso velho homem, mas crucificando-o.
O primeiro passo: Saber
A vida cristã real tem que começar com um "saber" bem definido, que não é apenas
saber algo a respeito da verdade, nem compreender alguma doutrina importante. Não é,
de forma alguma, um conhecimento intelectual, mas consiste em abrir os olhos do
coração para ver o que temos em Cristo.
Como é que você sabe que os seus pecados estão perdoados? É porque o seu pastor
disse? Não, você simplesmente sabe. Porque tal conhecimento vem por revelação do
próprio Senhor. As evidencias do perdão para os pecadores estão na Bíblia, mas para a
Palavra escrita se transformar em Palavra viva, Deus teve que lhe dar o "espírito de
sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele", Ef 1.17. Precisou tomar
conhecimento da Palavra, deste modo a cada nova revelação de Cristo, o saber se instala
no próprio coração, e agora pode “vêr em espírito”. Uma luz brilha no seu íntimo de
modo que você fica persuadido do fato. O que é verdadeiro acerca do perdão dos
pecados não é menos verdadeiro a respeito da libertação do poder do pecado. Quando a
luz de Deus começa a raiar em nosso coração, vemos que estamos em Cristo. Não é
porque alguém nos disse, nem meramente porque Romanos 6 afirma. É algo mais do
que isso. Sabemos porque Deus nos revelou pelo seu Espírito. Talvez não o sintamos,
mas sabemos, porque o temos visto. Uma vez que temos visto a nós mesmos em Cristo,
nada pode abalar a nossa certeza a respeito deste bendito fato.
Se perguntar a alguns crentes que entraram na vida cristã real, como chegaram a
esta experiência, uns dirão que foi desta forma, e outros de forma diferente. Cada um
ressalta a forma específica como entrou na experiência, e cita versículos para apoiá-la;
infelizmente, muitos cristãos procuram usar suas experiências individuais e suas
escrituras especiais para colocar-se em conflito com outros cristãos. Embora, os
caminhos são diferentes para uma vida mais profunda em Cristo, não devemos
considerar exclusivas, mas apenas complementares. Uma coisa é certa: Toda,
experiência verdadeira só pode ser alcançada através da revelação de algo mais da
Pessoa e da Obra do Senhor Jesus Cristo. Está é a prova crucial e absolutamente segura.
Paulo mostra que tudo depende desta verdade: "Sabendo isto, que foi crucificado com
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ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o
pecado como escravos", Rm 6.6.
A revelação divina é essencial ao conhecimento
Assim sendo, nosso primeiro passo é buscar da parte de Deus o conhecimento que
vem da revelação, não de nós mesmos, mas da obra consumada do Senhor Jesus Cristo
na Cruz. A experiencia que Hudson Taylor, o fundador da Missão para o Interior da
China, teve para entrar na vida cristã real, foi a seguinte: Ele falava do problema que há
muito tempo estava sentindo. “O que fazer para viver em Cristo". Sabia perfeitamente
que devia ter a vida de Cristo emanando através de si mesmo, contudo, não sentia isto
acontecendo com ele. Via claramente que as suas necessidades deviam ser satisfeitas em
Cristo. Eu sabia, dizia ele, escrevendo à sua irmã, de Chinkiang, em 1869, “se eu apenas
pudesse permanecer em Cristo, tudo iria bem, mas, não consigo". Quanto mais
procurava entrar em Cristo, tanto mais se afastava, até que um dia a luz brilhou, a
revelação veio e ele entendeu tudo. Sinto que está aqui o segredo: não em perguntar
como vou conseguir tirar a seiva da videira para colocá-la em mim mesmo, mas em
aceitar que Jesus é a Videira, a raiz, a cepa, as varas, os renovos, as folhas, a flor, o
fruto, tudo. Cristo é tudo, na verdade. Não preciso fazer de mim mesmo uma vara. “Sou
parte de Cristo, apenas preciso crer nisso e agir em conformidade”. Muitas vezes tinha
visto está verdade na Bíblia, mas agora creio nela como realidade viva em mim.
Foi como se a verdade que sempre existira se tornasse real para ele, sob uma nova
forma. Outra vez escreve à irmã: Não sei até que ponto serei capaz de me tornar
inteligível a este respeito, pois não há nada novo, mas todavia, tudo é maravilhoso!
Numa palavra, "Eu era cego e agora vejo. Estou morto e crucificado com Cristo. Sim,
ressurreto e assunto também. Deus me reconhece assim, e me diz, que é assim que me
considera”. Ele é Quem sabe! Oh, que alegria ver esta verdade! Oro, com todas as
forças do meu ser, para que os olhos do seu entendimento também possam ser
iluminados, para que vejas as riquezas que livremente nos foram dadas em Cristo, para
que voce possa se regozijar nelas.
Realmente, que coisa grandiosa é ver que estamos em Cristo! Procurar entrar
numa sala, dentro da qual já estamos, seria criar em nós um senso de confusão enorme.
Pense no absurdo, de pedir a alguém que nos ponha lá dentro. Se já estamos dentro, não
precisamos mais fazer esforços para entrar. Se tivéssemos mais revelações, teríamos
menos petições e mais louvores. Muitas das nossas orações a nosso favor, são proferidas
porque somos cegos a respeito daquilo que Deus já nos deu.
Lembro-me de um dia em Xangai quando falava com um irmão bastante exaltado e
preocupado quanto à sua condição espiritual. Dizia ele: "Existem tantos que vivem
vidas belas e santas! Sinto vergonha de mim mesmo. Chamo-me cristão, mas quando
me comparo com outros, sinto que não sou cristão à altura de forma alguma. Quero
conhecer essa vida crucificada, essa vida ressurreta, mas não a conheço. Não vejo forma
de alcançá-la". Tentamos levar o homem a ver, que nada poderia ter separadamente de
Cristo, mas os nossos esforços não alcançaram êxito. Então, ele nos disse: "A melhor
coisa que eu posso fazer é orar pedindo a Deus está experiencia". Mas, se Deus já lhe
deu tudo, por que precisa pedir? " perguntamos. "Ele ainda não o fez", respondeu, "visto
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que eu ainda perco o meu domínio próprio, falho constantemente; de modo que devo
continuar orando". Perguntamos, voce alcança as coisas que pede em oração? Lamento
dizer que não consigo nada", respondeu. Tentamos chamar sua atenção para o fato dele
não ter feito nada em favor da sua justificação, do mesmo modo, não precisava fazer
coisa alguma a respeito da sua santificação. Em dado momento, um terceiro irmão
muito usado pelo Senhor, entrou e juntou-se a nós. Havia uma garrafa térmica em cima
da mesa, e este irmão há pegou e disse: "O que é isto? " "Uma garrafa térmica". "Bem,
imaginemos que esta garrafa térmica pudesse orar, e que começasse a orar da seguinte
maneira: "Senhor, desejo muito ser uma garrafa térmica. Concede a tua graça Senhor,
para que eu me torne uma garrafa térmica. Por favor, faz de mim uma garrafa termica!"
O que diria o amigo? "Penso que nem mesmo uma garrafa térmica seria tão pateta",
respondeu o nosso amigo. "Não faz sentido orar desse modo. Ela já é uma garrafa
térmica!" Então, aquele irmão disse: "Você está fazendo exatamente a mesma coisa.
Deus já o incluiu em Cristo; quando Ele morreu, você também morreu; quando Ele
ressuscitou, você também ressuscitou. Portanto, você não pode dizer hoje: Quero
morrer! Quero ser crucificado! Quero ter uma vida ressurreta! Porque o Senhor
simplesmente olhará para você e dirá: Você já está morto! Você já tem uma nova vida!
A sua oração é tão absurda como a da garrafa térmica. Você não tem necessidade de
orar ao Senhor para pedir o que já possue. Apenas, precisa ter os olhos abertos para ver
que Ele já fez tudo isso.
Esta é a questão: Não precisamos trabalhar para alcançarmos a morte do velho
homem, nem precisamos esperar para morrer, porque já estamos mortos para o pecado.
Agora, só nos falta reconhecer o que o Senhor já fez, e louvá-lo por isso. Uma nova luz
desceu sobre aquele homem. Com lágrimas nos olhos, disse: Senhor, louvo-te porque já
me incluíste em Cristo, agora sei, que tudo o que é dele é meu. A revelação chegou, e a
fé o capacitou para que a verdade se torna-se real. Tempos depois, quando encontramos
aquele irmão, verificamos a tranformção que a revelação fez em sua vida.
A Cruz atinge a raiz dos nossos problemas
A obra consumada de Cristo realmente atingiu a raiz dos nossos problemas,
solucionando-os para Deus. Sabendo isto, "que foi crucificado com ele o nosso velho
homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como
escravos", Rm 6.6. “Ou, porventura ignorais que todos nós que fomos batizados em
Cristo Jesus fomos batizados em sua morte?”, Rm 6.3.
21
IV
A VEREDA DO PROGRESSO:
CONSIDERAR-SE
Entramos agora num assunto sobre o qual tem havido alguma confusão entre os
filhos de Deus. Em Rm 6.6, "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho
homem". O tempo do verbo é muito preciso, pois situa o acontecimento no passado
distante. É um acontecimento final, realizado de uma vez para sempre, e não pode ser
desfeito. O nosso velho homem foi crucificado, uma vez para sempre, e jamais poderá
voltar à situação de não crucificado. Sabendo que o nosso velho homem foi crucificado
com Cristo, o passo seguinte é considerar-se. "Assim também vós considerai-vos mortos
para o pecado", Rm 6.11. A ordem natural é está: "Sabendo isto, que foi crucificado
com ele o nosso velho homem... considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.6,11.
Infelizmente a ênfase desta verdade de sabermos da nossa união com Cristo tem
sido colocada de lado, porque priorisam o fato de considerar-se mortos, como se fosse
este o ponto a ser alcançado, enquanto o que deve ser ressaltado é a necessidade de
saber que estamos mortos. O ato de considerar-se deve basear-se no conhecimento da
Palavra, pois, de outro modo, a fé não tem fundamento. As pessoas sempre procuram
considerar-se, sem previamente saber. Não tiveram previamente a revelação do fato
pelo Espírito, mas ainda assim procuram considerar-se e logo se vêem abraçados a toda
espécie de dificuldades. “Quando as tentações se manifestam, começam fracamente a
considerar-se: "Estou morto; estou morto; estou morto!” Mas, no próprio ato de
considerar-se, perdem a serenidade. Depois, dizem: "não está dando certo”. Há certeza,
de que realmente estou morto para o pecado, como experiência de vida, tem sua origem
no entendimento que já fui crucificado, um fato que já foi consumado.
Qual é o segredo de considerar-se? É a revelação. Precisamos de revelação da parte
do próprio Deus, Mt 16.17 e Ef 1.17. A união com Cristo e uma experiencia de vida. É
algo que vai além de conhecer sua doutrina; tal revelação não é coisa vaga e indefinida.
Muitos recordam o dia em que aceitaram “a Cristo como Senhor e Salvador”, e
devem ter está mesma certeza, de que também “morremos com Cristo”. Está morte não
deve deixar duvidas, precisa estar bem definida, porque é a base para prosseguirmos.
Estou morto não porque me considero assim, mas por causa daquilo que Deus fez
comigo em Cristo, por isso me considero morto. É este o verdadeiro sentido de
considerar-se. Não se trata de considerar-se para ficar morto, mas de considerar-se
morto com Cristo, porque essa é a pura realidade.
O segundo passo: Conciderar-se
O que significa considerar-se? “Considerar” no Grego, significa “fazer contas”. A
contabilidade é a única coisa no mundo, que nós seres humanos sabemos que deve ser
exata. Considerai-vos, refere-se há uma atitude definida a tomar. Deus pede que
22
façamos a escrituração, lançando na conta: estou morto, e firmar-se nesta realidade.
“Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, eu estava nele”; portanto, considero este fato
verdadeiro e realizado. Considero e declaro que morri nele. Paulo disse: Considerai-vos
mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como isso é possível? Em Cristo Jesus.
Nunca se esqueça que é sempre e somente verdade em Cristo. Se você olhar para si, não
sentirá está morte. É questão de fé no Senhor, de olhar para Ele e ver que já realizou.
Reconheça e considere o fato consumado em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé.
Conciderar-se e a Fé .
Somos justificados pela fé em Cristo, Rm 3.28 e 5.1. A justificação, o perdão dos
pecados e a paz com Deus tornam-se reais pela fé. Sem fé. ninguém pode desfrutar
destas dadivas. Em Rm 6, no entanto, não encontramos a fé mencionada tantas vezes, e
à primeira vista pode parecer que há uma mudança no ênfase, mas não é assim, porque a
expressão “considerar-se” toma o lugar das palavras “fé” e ”crer”. Isto acontece,
porque fé, crer e considerar-se neste contesto tem o mesmo significado.
O que é fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e o seu fundamento sempre se
encontra no passado, mas se relaciona com o futuro. Embora, a fé tenha muitas vezes o
seu objetivo no futuro, como em Hebreus 11. Talvez, seja por essa razão que a palavra
considerar-se, se relaciona unicamente com o passado, como algo já realizado, que nos
faz olhar para trás e não como qualquer coisa ainda por acontecer. "Tudo quanto em
oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco", Mc 11.24. Fé é crer que
já alcançou. Aqueles que dizem que Deus pode ou pode ser que Deus realize, não crêem
de forma alguma, porque a fé sempre diz: Deus já fez.
Portanto, quando é que tenho fé no que diz respeito à minha crucificação? Não
quando digo que Deus pode ou Deus quer crucificar-me, mas quando afirmo com
alegria: Graças a Deus, estou crucificado com Cristo!
Desafios a fé: tentações e fracassos
Sabemos que o Sangue trata dos nossos pecados e a Cruz de nós próprios. Mas que
diremos com respeito à tentação? Qual será a nossa atitude quando os velhos desejos
surgirem novamente? Pior ainda, se caírmos em pecados conhecidos mais uma vez?
Será que cai por terra o que foi dito?
Um dos principais objetivos de Satánas é nos levar a duvidar da Palavra de Deus
Gn 3.4. Após termos recebido, pela revelação do Espírito, que estamos mortos em
Cristo; vem o Diabo e coloca na mente: "Alguma coisa está se mexendo no seu íntimo;
o que você diz a isto? Podemos dizer que isto é morte?" Qual será a nossa resposta em
tal caso? Escolhemos crer nos fatos tangíveis do plano natural que estão perante os
nossos olhos, ou nos fatos intangíveis do plano espiritual, que não se vêem nem se
provam cientificamente? Devemos ser perseverantes a este respeito, porque a nossa fé
precisa estar apoiada nas verdades divinas. Em que termos Deus declara que foi
efetuada a nossa libertação? A sua Palavra não diz, que o pecado e a tentação, foram
desarraigados ou removidos. Não, porque eles estão bem presentes, e se dermos
oportunidade cairemos.
23
O método de Deus tratar dos pecados cometidos é direto, apagando-os da
lembrança por meio do Sangue, mas no que diz respeito ao princípio do pecado e a
libertação do poder do pecado, Ele opera através do método indireto: não remove o
pecado, e sim, o objeto do pecado. O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e,
por causa disto, o corpo, que antes fora veículo do pecado, fica desempregado, Rm 6.6.
O pecado, ainda está presente, mas o escravo que o servia foi morto e o pecado não
encontra mais lugar. Os membros que serviam ao pecado agora estão desempregados. A
mão que jogava de apostas ou a língua que blasfemava estão agora desempregados;
assim tais membros passam a ser úteis "a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.13.
A vontade de pecar não faz parte da natureza daquele que é nascido de Deus. "Todo
aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado... não pode viver pecando"
IJo 3.9. Não esta dizendo que o pecado nunca mais entrará em nossa vida e que não
pecaremos mais. A vida de Cristo foi plantada em nós pelo novo nascimento, e a Sua
natureza é caracterizada por não cometer pecados. Há, porém, uma grande diferença
entre a natureza de uma coisa e o seu comportamento, assim como, há uma grande
diferença entre a natureza de Cristo que há em nós e o nosso viver diario.
A questão consiste em escolher o que orienta a nossa vida, se são fatos tangíveis da
nossa experiência diária ou a presença de Cristo em nós. O poder da Sua ressurreição
está ao nosso lado, e todo o poder de Deus está operando na nossa salvação, Rm 1.16,
mas está realidade divina depende de nossas escolhas para se tornar real em nossa
experiencia de vida.
Como é que substancializamos uma coisa? Primeiro devemos conhecer a diferença
entre substância e substancializar? Uma substância é um objeto, uma coisa na minha
frente. Substancializar significa que tenho poder ou faculdade de tornar aquela
substância real para mim. Por meio dos sentidos, substancializamos as coisas do mundo
e da natureza, e as transferimos para o nosso conhecimento e percepção interna para
poder apreciá-las. A vista e o ouvido, por exemplo, são duas faculdades que nos permite
substancializar a luz e o som. Ao olhar para as cores: vermelho, amarelo, verde e azul
elas se tornam reais, mas se fechar os olhos, as cores deixam de ser reais; elas
simplesmente desaparecem. Com a faculdade da vista possuo o poder de substancializar
objetos e cores. Se fosse cego, não poderia substancializa-las ou se fosse surdo, não
poderia substancializar a música. A música e a cor, no entanto, são realidades que não
são afetadas por minha capacidade ou incapacidade de apreciá-las.
Aqui estamos considerando algo superior, que embora não sejam vistas, são
eternas, e portanto reais. Evidentemente, não é com nossos sentidos naturais que
poderemos substancializar as coisas divinas. Há uma faculdade para a
substancialização das coisas que se esperam de Cristo, é a fé. A fé faz com que as coisas
que ainda não são reais, se tornem reais na minha experiência. A fé substancializa para
mim as coisas de Cristo. "Foi crucificado com Ele o nosso velho homem", Rm 6.6. Por
meio da fé substancializo está verdade; mas para os incrédulos, que não são iluminados
espiritualmente, não é verdade. "Ora a fé é a certeza das coisas que se esperam e a con-
vicção de fatos que se não vêem", Hb 11.1, “e as coisas que se não vêem são eternas",
IICo 4.18. "A fé é a substancializaçao das coisas que se esperam", Hb 11.1 Darby. A
palavra substancialização significa tornar real as coisas que se esperam
24
É importante lembrar que não estamos lidando com promessas, e sim, com fatos.
As promessas de Deus nos são reveladas pelo Espírito, a fim de que nos apropriemos
delas; os fatos porém, permanecem fatos, quer creiamos neles ou não. Se não crermos
nos fatos da Cruz, estes ainda permanecerão tão reais como sempre, mas não terão
qualquer valor para nós. A fé não é necessária para tornar fatos em coisas reais em si
mesmos, mas sim, para substancializá-las e torná-las reais em nossa própria experiência.
Qualquer coisa que contradiga a verdade da Palavra de Deus deve ser considerada
mentira do Diabo. Qualquer fato que pareça real, aos nossos sentidos, deve curvar-se
ao fato maior declarado pela palavra de Deus. Passei por uma experiência que serve
para ilustrar este princípio.
Há alguns anos, encontrava-me doente. Passei seis noites com febre alta, sem
conseguir dormir. Finalmente, Deus me deu, através das Escrituras, uma palavra pessoal
de cura e portanto, esperava que se desvanecessem imediatamente todos os sintomas da
enfermidade. Ao invés disso, não conseguia conciliar o sono, e me senti ainda mais
perturbado; a temperatura aumentou, o pulso batia mais rapidamente e a cabeça doía
mais do que antes. O inimigo perguntava: "Onde está a promessa de Deus". "Onde está
a sua fé? Qual o valor das suas orações?" Desta forma, senti-me tentado a levar o
assunto de novo a Deus em oração, mas fui repreendido por este verso que me veio à
mente: "A tua palavra é a verdade", Jo 17.17. Pensei, se a Palavra de Deus é a verdade,
então, o que significam estes sintomas? Devem ser mentiras do inimigo e declarei: "Esta
falta de sono é uma mentira, esta dor de cabeça é uma mentira, esta febre é uma mentira,
esta pulsação elevada é uma mentira. Em face do que Deus me disse, os presentes
sintomas de enfermidade são apenas mentiras, e a Palavra de Deus, para mim, é a
verdade". Em cinco minutos, já estava dormindo e na manhã seguinte acordei
perfeitamente curado.
Ora, num caso pessoal como este, existe a possibilidade de ter me enganado a
respeito do que Deus havia me dito, mas jamais poderá haver qualquer dúvida quanto ao
fato da Cruz. Devemos crer em Deus, não importa quão convincentes pareçam os
instrumentos de Satanás. O inimigo se utiliza da mentira para facilmente enganar os
nossos sentidos, tanto por meio de palavras, como de gestos e atos. Ele recorre a sinais,
sentimentos e experiências falsas na tentativa de abalar a nossa fé na Palavra de Deus.
Se estivermos firmes na posição que nos foi revelada em Cristo, o fato de estarmos
mortos para pecado será é uma realidade no nosso viver diário. Mesmo, que Satanás nos
ataque com suas armas de engano, a escolha quem faz somos nós. Acreditamos nas
mentiras do inimigo ou na verdade de Deus? Somos governados pelas aparências ou
pela Palavra de Deus?
Eu morri com Cristo, quer sinta, ou não. Como posso ter a certeza disso? Porque
Cristo morreu por todos; e desde que "um morreu por todos, logo todos morreram",
IICo 5.14. Quer a minha experiência comprove ou não, o fato permanece inalterável.
Enquanto, eu estiver conciente de que estou em Cristo, Satanás não poderá prevalecer
contra mim. Sabemos que seu ataque será sempre contra a nossa certeza. O seu alvo é
nos fazer duvidar da Palavra de Deus, quando isto acontece seu objetivo é alcançado, e
estaremos em seu poder; mas se descansamos inabaláveis no fato declarado por Deus,
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firmes em sua Palavra e crendo que suas obras são imutáveis, poderemos discernir as
tática de Satanás.
Toda a tentação consiste primariamente em desviar os olhos do Senhor, para
depois, ser impressionado pelas aparências. A nossa mente sempre encontra uma
montanha de motivos para nos desviar da Palavra de Deus. Pode ser qualquer coisa:
fracassos, atitudes, sentimentos ou sugestões, tudo contribue para nos desviar do
caminho. Se recorrermos aos sentidos na busca pela verdade, seremos induzidos pelas
mentiras de Satanás, porém, se recusamos a aceitar qualquer coisa que contradiga as
escrituras e mantivermos uma atitude de fé, veremos as mentiras do inimigo se
dissolverem. O fato de estarmos firmes na Palavra produz uma real justificação e uma
real santificação. Esta é a marca da maturidade, que Paulo aplicou aos galatas, quando
disse: "De novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós", Ga 4:19. A fé
é a substancialização das coisas que são eternamente verdade.
Permanecer em Cristo
Estamos familiarizados com as palavras do Senhor Jesus: "Permanecei em mim, e
eu permanecerei em vós”, Jo 15.4. Elas nos lembram, mais uma vez, que jamais
teremos que lutar para entrar em Cristo. Não nos mandam alcançar está posição, porque
já estamos lá; a ordem é para permanecer onde já fomos colocados. Foi um ato do
próprio Deus que nos colocou em Cristo, e nós devemos permanecer nele.
Além disso, este versículo estabelece o princípio divino: que Deus fez a obra em
Cristo, e não em nós como indivíduos. A morte e ressurreição do Filho de Deus incluí
todos nós, porém foi cumprida totalmente à parte de nós. É a vida de Cristo que se torna
a experiência do cristão, e não, que teremos experiências espirituais separadas dele.
Fomos crucificados, vivificados, ressuscitados e sentados por Deus nos lugares
celestiais, e nele estamos perfeitos, Rm 6.6, Ef 2.5,6 e Cl 2.10. Não se trata de alguma
coisa, que ainda precisa ser efetuada em nós (embora carecemos deste aspecto). É algo
que já foi efetuado, por estarmos associados com Ele.
O que Deus fez, no seu propósito gracioso, foi incluir-nos em Cristo. Ao tratar de
Cristo, Deus tratou do cristão; no seu trato com a Cabeça, tratou também dos membros.
“É inteiramente errado pensar que podemos ter experiências espirituais separados de
Cristo”. Toda a experiência espiritual do cristão esta fundamentada em Cristo como
fonte de realização.
O que chamamos de nossa experiência é somente a nossa entrada na vida de Cristo.
Seria sem fundamento numa videira um galho produzir uvas vermelhas, outro uvas
verdes e outro uvas roxas, porque os galhos não podem produzir uvas com
características próprias, pois é a videira que determina as carateristicas dos galhos.
Todavia, há crentes que buscam experiências próprias, para eles a crucifixão é uma
coisa, a ressurreição é outra, a ascensão é outra, e nunca se detêm para pensar que todas
estas coisas estão relacionadas com uma única Pessoa. Experiência espiritual verdadeira
significa mais de Cristo em nós. Que coisa maravilhosa conhecer as realidades de Cristo
como o fundamento da nossa experiência!
Qual a finalidade das crises no viver cristão? Não há dúvida, que alguns passaram
por crises em suas vidas. Por exemplo, G. Muller teve sua crise, quando previu a volta
26
de Jesus para o dia 22 de outubro de 1844; mas o fato não aconteceu. A realidade das
experiências espirituais pelas quais passamos, nem sempre são positivas, porém as
crises que nos sobrevem, sempre satisfazem ao propósito divino. As experiências que
Deus permite que nos sobrvenham são apenas uma participação daquilo que Ele já
passou, quando aqui esteve. “A experiência de Cristo torna-se a nossa, pois não temos
uma vida separado da dele”. Todo o trabalho de Deus a esse respeito, não é efetuado
em nós, mas em Cristo. Deus não faz um trabalho separado para cada indivíduo, à parte
do que ele já fez no Calvário. Mesmo, a vida eterna não é dada a nós como indivíduos:
“A vida está no Filho, e quem tem o Filho tem a vida", IJo 5.11-12. Deus fez tudo no
seu Filho e nós somos incluidos nele; estamos incorporados em Cristo.
Ora, o que queremos frisar com tudo isto, é que: Deus nos incluiu em Cristo e
portanto, tudo que é verdade a respeito dele também se aplica a nós. Satanás sempre
procura nos convencer, através de tentações, fracassos, sofrimentos e provações na
tentativa de mostrar que estamos fora de Cristo. Geralmente, quando passamos por estas
provações o nosso primeiro pensamento é que, se estivéssemos em Cristo, não
estaríamos passando por estas crises. Então, começamos a orar: "Senhor, coloca-me em
Cristo". Não! O mandamento de Deus é para permanecermos em Cristo. Mas, porquê
deve ser assim? Porque este é caminho do livramento, pois dá a possibilidade de Deus
intervir na nossa vida e realizar a sua obra em nós. Assim, há lugar para a operação do
seu poder superior, o poder da ressurreição, Rm 6.4,9,10, de modo que os fatos de Cristo
se tornam progressivamente os fatos da nossa experiência diária. “Onde antes o pecado
reinou", Rm 5.21, agora descobrimos que já “não servimos o pecado como escravos”,
Rm 6.6.
À medida que permanecemos firmes nos fundamentos de Cristo, a sua experiência
se torna realidade em nós. Mas, se ao invés disto, olharmos para a base daquilo que
somos, para nós próprios, acharemos que tudo que se relaciona a nossa velha natureza
continua vivo em nós. Por isso, muitas vezes vamos procurar a morte do nosso eu no
lugar errado. É em Cristo que a encontramos. Mortos para o pecado, mas "vivos para
Deus", Rm 6.11.
Permanecei em mim e eu em vós. Esta frase consiste em um mandamento ligado a
sua promessa. O trabalho de Deus, tem um aspecto objetivo e outro subjetivo, e o lado
subjetivo depende do objetivo; Deus em nós é o resultado da nossa posição de
permanecer nele. Não devemos nos preocupar demais com o lado subjetivo das coisas,
que nos leva a ficar voltados para nós mesmos, e sim, permanecer naquilo que é o nosso
objetivo, permanecer em Cristo, e deixar que Deus tome conta do aspecto subjetivo.
Para andar com Deus a nossa atenção deve fixar-se em Cristo. Permanecei em mim,
e eu em vós, esta é a ordem divina. É assim que o apóstolo Paulo apresenta esta verdade:
"Todos nós... contemplando... a glória do Senhor, somos transformados na sua própria
imagem", IICo 3.18. O mesmo princípio domina na vida frutífera: "Quem permanece
em mim, e eu nele, esse dá muito fruto", Jo 15.5. Não devemos nos preocupar em
produzir frutos, nem nos concentrar no frutos produzidos. A parte que nos toca é olhar
para Cristo, porque ele irá cumprir a sua Palavra em nós.
Como é que permanecemos em Cristo? Vós sois de Deus em Cristo Jesus. Coube a
Deus nos colocar em Cristo, e ele já o fez. Agora, que estamos em Cristo não olhamos
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para nós mesmos, como se não estivéssemos nele, mas olhamos para Cristo, e nos
vemos nele, com a certeza que Deus nos incluiu no seu Filho, e a nossa expectativa é
que ele complete a sua obra em nós. Cabe a Ele cumprir a gloriosa promessa de que "o
pecado não terá domínio sobre vós", Rm 6.14.
28
V
A LINHA DIVISÓRIA DA CRUZ
O reino deste mundo não é o reino de Deus. Deus tinha no seu coração um sistema
cósmico, o universo da sua criação teria Cristo, o seu Filho, por cabeça, Cl 1.16,17.
Satanás porém, operando através da carne do homem estabeleceu um sistema rival,
conhecido nas Escrituras como este mundo, sistema em que nós estamos envolvidos e
que é dominado por Satanás. Ele se tornou realmente "o príncipe deste mundo", Jo
12.31. Desta forma, nas mãos de Satanás, a primeira criação se transformou em velha
criação, e Deus está trabalhando para reverter está situação. Ele está introduzindo a
nova criação, o novo reino e o novo mundo e nada da velha criação, do velho reino e do
velho mundo poderá ser transferido para o novo. Trata-se de dois reinos rivais, nós
temos que fazer a escolha a qual deles damos a nossa lealdade.
O apóstolo Paulo, não nos deixa em dúvidas sobre qual dos dois reinos realmente
pertencemos, quando disse: que Deus, pela redenção, "nos libertou do império das
trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor", Cl 1.13. Deus teve que
fazer algo novo, nos transformar em novas criaturas, porque nada que pertença a velha
criação entrará em seu novo reino. "O que é nascido da carne, é carne," e "carne e
sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção", Jo
3.6; ICo 15.50. A carne, por mais educada, culta e melhorada que seja, continua sendo
carne.
O que determina se estamos aptos para o novo reino é a criação à qual pertencemos.
Se pertencemos à antiga criação ou à nova? Nascemos da carne ou do Espírito? Em
última análise, é a nossa origem que define se somos aptos para o novo reino. A questão
não é o fato de sermos bons ou maus, e sim, se pertencermos à carne ou ao Espírito. "O
que é nascido da carne, é carne", e nunca será outra coisa. O que pertence à velha
criação, nunca poderá ser transferido para a nova, tem que morrer.
Uma vez que realmente compreendemos que Deus procura algo inteiramente novo
para si, perceberemos que nada há do velho mundo que possa contribuir para o novo.
Deus nos desejou para si mesmo, mas não poderia nos levar assim como estávamos.
Para pertencermos a nova criação, é necessário eliminar a nossa velha vida. Isto, se
tornou possivel através da cruz, ressureição e glorificação de Cristo. "Se alguém está em
Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo
5.17. Sendo, agora, uma nova criatura, com uma nova natureza, podemos entrar no novo
reino e no novo mundo.
A Cruz foi o meio que Deus empregou para pôr fim às coisas antigas, pondo
inteiramente à parte o nosso velho homem, e a ressurreição foi o meio que ele empregou
para nos transmitir tudo que era necessário para a nossa vida no novo mundo. "Para
que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também
andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4.
29
O maior ato de correção do universo é a Cruz, porque por meio dela, Deus riscou e
destruiu tudo o que não era dele. O maior ato de beneficio do universo é a ressurreição,
pois por meio dela, Deus trouxe à existência tudo o que ele quer que desfrutemos nesta
nova esfera. Assim, a ressurreição está no limiar da nova criação. É coisa abençoada ver
que a Cruz acaba com tudo aquilo que pertence ao primeiro sistema e que a ressurreição
introduz tudo o que pertence ao novo sistema. Tudo o que teve o seu começo antes da
ressurreição deve ser abolido. A ressurreição deve ser, antes de tudo, o novo ponto de
partida para Deus.
Temos pois, dois mundos diante de nós, o velho e o novo. No velho, Satanás tem
domínio absoluto. Você pode ser um homem bom na velha criação, mas enquanto a ele
pertencer está sob a sentença de morte, porque coisa alguma da velha criação pode ter
acesso à nova. A Cruz é o ato de Deus para nos transformar, onde tudo o que pertence à
velha criação tem que morrer. Nada do primeiro Adão pode passar para além da Cruz,
tudo acaba ali. Quanto mais cedo percebemos isso melhor, pois foi pela Cruz que Deus
traçou para nós um caminho de libertação da velha criação. Deus reuniu na Pessoa do
seu Filho, tudo o que era de Adão, e crucificou; assim, tudo o que era de Adão foi
abolido por meio de Cristo. Depois, por assim dizer, Deus fez uma proclamação por
todo o universo, dizendo: "Pela Cruz, eu afastei tudo que não é meu; vós que pertenceis
à velha criação estão todos incluídos nela; porque vós também fostes crucificados com
Cristo!” Ninguém pode escapar deste veredito.
Isso nos leva ao assunto do batismo. "Ou, porventura, ignorais que todos os que
fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepul-
tados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.3,4. Qual é o significado destas palavras?
O batismo, nas Escrituras, está associado com a salvação. "Quem crer e for batizado
será salvo", Mc 16.16. Não podemos falar de regeneração batismal, mas podemos falar
de salvação batismal.
O que é a salvação? Ser salvo não está relacionado apenas com os nossos pecados,
nem com o poder do pecado, mas com o Cosmos, ou sistema do universo. Neste mundo
estamos envolvidos no sistema satânico. Ser salvo, significa sair deste sistema de
Satanaz e entrar no sistema cósmico de Deus.
Por causa da cruz de Crisro, "o mundo está crucificado para mim, e eu para o
mundo", Gl 6.14. Veja a ilustração desenvolvida por Pedro, quando escreveu acerca das
oito almas que foram "salvas pela água", IPe 3.20. Entrando na arca, Noé e os que
estavam com ele marcharam, pela fé, para fora daquele mundo velho e corrupto, com
destino a um mundo novo. Não se tratava deles pessoalmente não terem se afogado,
mas por se encontrarem fora daquele sistema corrupto. Isto é salvação.
Pedro prossegue: “a qual [as aguas do diluvio], figurando o batismo agora
também vos salva", IPe 3.21. Noutras palavras, o aspecto da Cruz figurado no batismo,
nos liberta deste mundo mau. Pelo batismo nas águas estamos unidos em sua morte na
cruz, pondo fim a velha criação; mas também visa uma nova criação em Jesus Cristo,
Rm 6.3. Ao afundarmos na água o nosso velho mundo, figurativamente, também afunda
conosco e ao emergimos em Cristo, o nosso velho mundo e o velho homem ficam afun-
dados (sepultados).
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Disse Paulo em Filipos. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe
pregaram a palavra de Deus, e a todos os da sua casa... A seguir foi ele batizado, e
todos os seus, At 16.31-33. Atravéz deste ato testificaram perante Deus, perante o povo
e aos poderes espirituais que se encontravam realmente salvos de um mundo sob
julgamento. Como resultado, "todos os seus, manifestava grande alegria por terem
crido em Deus", At 16.34.
É claro, pois, que o batismo não é mera questão de uma taça de água, nem mesmo
de um batistério de aspersão de água, sendo algo muito maior, porque está relacionado
com a morte e ressurreição do Senhor Jesus. Para ser real, torna-se nescessário afundar,
sepultar em aguas profundas, e depois emergir em novidade de vida. Tendo em vista a
separação entre os dois mundos existentes, o velho e o novo.
A sepultura significa o fim
Qual é a minha resposta ao veredito de Deus sobre a velha criação? Respondo,
pedindo o batismo, porque o batismo significa sepultuamento. "Fomos sepultados com
ele na morte pelo batismo", Rm 6.4. O batismo está evidentemente relacionado tanto
com a morte como com a ressurreição. Mas quem está preparado para a sepultura?
Somente os mortos. De modo que, quando pedimos o batismo, proclamamos que
estamos mortos e aptos somente para a sepultura. Se os nossos olhos não forem abertos
por Deus, para ter o entendimento que morremos com Cristo e que fomos sepultados
juntamente com ele, não temos o direito de ser batizados. A razão de entrarmos na água,
é o reconhecimento de que aos olhos de Deus, já morremos. É está verdade que
testificamos. A pergunta de Deus é clara e simples: "Cristo morreu e incluíu você nele”;
qual a sua resposta? Respondo: "Creio Senhor que tu já operaste a crucifixao, e digo
sim, à morte e à sepultura”. Cristo levou-me à morte e à sepultura, e ao pedir o batismo,
dou meu testemunho público deste fato.
Na China, certa mulher perdeu o marido, mas sofrendo um problema mental
provocado pela perda, recusou-se totalmente a permitir que ele fosse sepultado. Dia
após dia, durante uma quinzena, ele jazeu em casa. "Não" dizia ela, "ele não está morto;
falo com ele todas as noites". Não queria que o marido fosse sepultado porque a coitada
não acreditava que estivesse morto. Quando é que estamos prontos a sepultar os nossos
queridos? Apenas, quando certificamos que eles faleceram. Enquanto restar a mais
tênue esperança de que eles podem estar vivos, nunca iremos sepultá-los. Quando é,
pois, que peço o batismo? Quando percebo que o caminho de Deus é perfeito, que
mereço morrer, e estou verdadeiramente preparado perante Deus, para entregar o velho
homem para ser sepultado. Só, então posso dizer: "Graças a Deus estou morto para o
mundo! Senhor, sepulta-me!"
Há um mundo velho e um mundo novo, e entre os dois há um túmulo. Deus já me
crucificou, mas eu tenho que consentir em colocar o velho homem no túmulo. O meu
batismo confirma a sentença de Deus pronunciada sobre mim na cruz do seu Filho.
Declara que eu fui cortado do velho mundo, e que pertenço agora ao novo. Assim, o
batismo é um ato de grande importância. Significa para mim um corte consciente e
definitivo com o velho modo de vida. É este o significado de, Rm 6.2, "Como viveremos
ainda no pecado, nós que para ele morremos?". Paulo diz, com efeito: "Se querem
31
continuar no velho mundo, porquê então ser batizados? Nunca deveriam ser batizados
se tencionavam continuar a viver no velho sistema". Uma vez que temos entendimento,
desimpedimos os alicerces da nova criação, pelo ato de consentir em sepultar a velha.
Depois, em Rm 6.3,5, escrevendo ainda àqueles que foram batizados, ele afirma que
fomos "unidos com ele (Cristo) na semelhança da sua morte", porque pelo batismo
reconhecemos, em figura, que Deus operou uma união íntima entre nós e Cristo, no que
se refere à sua morte e ressurreição.
Certo dia, procurava dar relevo a esta verdade perante um irmão. Tomávamos chá
juntos, e tomei um cubo de açúcar e o coloquei na minha xícara de chá. Dois minutos
depois perguntei: "Pode me dizer agora onde está o açúcar e onde se encontra o chá?"
"Não", disse ele. "Juntaram-se, um se uniu ao outro; não podem agora ser separados".
Era uma ilustração simples, mas auxiliou a perceber a intimidade e a finalidade da nossa
união com Cristo na morte. Foi Deus que nos incluiu nele, e os atos de Deus não podem
ser anulados.
Qual é o significado real desta união? Na Cruz fomos inseridos na morte de Cristo,
onde a sua morte tornou-se a nossa. As duas mortes se identificaram tão intimamente
que é impossível traçar uma divisão entre elas. É está união com Cristo, operada por
Deus, que acontece conosco, quando consentimos em ser imersos na água pelo batismo.
O testemunho público do batismo é hoje o nosso reconhecimento, de que a morte de
Cristo há dois mil anos incluiu a todos. É suficientemente poderosa e inclusiva para por
termo a tudo que não provém da parte de Deus.
Ressurreição em novidade de vida
”Se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos
também na semelhança da sua ressureição”, Rm 6.5. Em relação a ressureição, a figura
é diferente, porque algo novo é introduzido. “Sou batizado na sua morte”, mas não
entro na sua ressureição exatamente assim. Louvado seja o Senhor, porque é a sua
ressureição que me comunica uma vida nova. Na morte do Senhor resalta-se somente,
eu em Cristo. Com a ressureição um novo enfase e acrecentado, Cristo em mim. Como é
possivel que Cristo me comunique sua vida ressurreta? Como recebo está vida nova?
Paulo diz que fomos unidos, no Grego o sentido é enxertados. Assim, a vida divina e
sem pecado de Cristo foi comunicada a nós atravéz da sua ressurreição.
Como pode uma árvore produzir fruto de outra? Como pode uma árvore inferior
produzir bom fruto? Somente por meio do enxerto. Somente se nela implantarmos a
vida de uma árvore boa. Se um homem pode enxertar um ramo de uma árvore noutra,
não pode Deus tomar da vida de Seu Filho e enxertá-la em nós?
Certa mulher chinesa queimou o braço gravemente e foi levada ao hospital. A fim
de evitar sérias complicações devido à cicatrização, achou-se necessário enxertar um
pouco de pele nova na área lesada, mas o médico cirurgião tentou em vão enxertar um
pedaço da pele da própria mulher no braço. Devido à sua idade e a uma alimentação
deficiente, o enxerto da pele era demasiado pobre e não pegava. Então, uma enfermeira
estrangeira ofereceu um pedaço de pele, e a operação foi feita com êxito. A pele nova
uniu-se com a velha e a mulher saiu do hospital com o braço perfeitamente curado; mas
32
ficou ali um remendo de pele branca e estrangeira no seu braço amarelo, para contar
aquele incidente do passado.
Se um cirurgião humano pode tomar um pedaço da pele de uma pessoa e enxertá-lo
noutra, não pode o Divino Cirurgião implantar a vida de seu Filho em mim? Não sei
como é feito. "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem,
nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito", Jo 3.8. Não sabemos
explicar como Deus realizou a sua obra em nós, só sabemos que o fez. Deus já
completou a obra por meio da ressurreição de Cristo. Deus fez tudo. Há somente uma
vida frutífera no mundo, e esta vida tem sido enxertada em milhões de outras vidas. É
isto que chamamos novo nascimento. O novo nascimento é quando recebo uma vida que
eu não possuía antes. Não se trata da minha vida ter sido, de algum modo, modificada, e
sim, que outra vida, uma vida inteiramente nova, inteiramente divina, foi implantada em
mim.
Deus cortou e excluiu a velha criação pela Cruz do Seu Filho, a fim de produzir
uma nova criação em Cristo, pela ressurreição. Encerrou a porta para o velho reino das
trevas e me transferiu para o reino do seu Filho Amado. Eu me glorio nisso, que pela
Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele velho mundo "está crucificado para mim e
eu para o mundo", Gl 6.14. O meu batismo é o meu testemunho público real deste fato e
por meio dele, assim como pelo meu testemunho oral, faço a minha confissão para a
salvação.
33
VI
A VEREDA DO PROGRESSO:
OFERECER-SE
Vamos considerar agora a verdadeira natureza da consagração. “Não reine,
portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;
nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de
iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos
membros a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.12;13. Paulo diz: “Oferecei-vos a
Deus como ressurretos dentre os mortos”. O que aqui se refere não é a consagração de
qualquer coisa pertencente à velha criação, mas somente o que passou através da morte
para a ressurreição. A atitude de oferecer-se é o resultado de saber e conciderar, que o
meu velho homem foi crucificado.
Saber, considerar-se e oferecer-se a Deus esta é a ordem divina. Sabendo isto, que
fui crucificado com Cristo, então, espontaneamente, “me considero morto”, Rm 6.6,11 e
quando tenho entendimento que ressuscitei juntamente com Ele dentre os mortos, então,
considero-me "vivo para Deus em Cristo Jesus", Rm 6.9,11.Tanto o aspecto da cruz,
denominado morte, como o da ressurreição, que é a nova vida, se tornam reais pela fé.
A nossa entrega depende desta revelação. Na ressurreição, Cristo é a fonte da minha
vida, de modo que ofereço tudo a ele, pois tudo foi feito por ele e para ele. Mas, sem
passar pela morte, nada tenho para consagrar, nada há de aceitável a Deus, pois tudo
quanto é da velha criação, já foi condenado na cruz. A morte acabou com tudo o que
não pode ser consagrado a Deus, somente a ressurreição torna possível qualquer
consagração. Oferecer-me a Deus, significa que daqui em diante considero a minha vida
como pertencente a ele.
O terceiro passo: Oferecer-se
O ato de oferecer-se está relacionado aos membros do nosso corpo, que agora estão
desempregados, porque tudo o que se relaciona com o pecado está morto. "Oferecei-vos
a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus como
instrumento de justiça", Rm 6.13. Deus quer que consideremos todos os nossos mem-
bros e faculdades como propriedades dele. É uma coisa grandiosa quando descobrimos
que não pertencemos mais a nós mesmos, pois somos dele. Porquê Cristo ressuscitou,
estamos vivos para Deus e não para agradar a nós próprios! A vida cristã real começa
com o conhecimento desta verdade. Será, que a nossa vida está fundamentada neste
sentimento tão forte de pertencer a Outro e não mais utilizarmos o nosso tempo,
dinheiro e talento para satisfazer a nossa própria vontade?
Certa ocasião, um irmão chinês viajava de trem, juntamente com três pessoas não
crentes, que queriam jogar baralho para passar o tempo. Faltando um quarto parceiro
para completar o jogo, convidaram este irmão a fazer parte da partida. "Lamento
decepcioná-los", disse ele, "mas não posso participar do jogo, porque não trouxe
34
comigo as minhas mãos". Atônitos, olharam para ele e disseram: "Que é que você quer
dizer?". "Este par de mãos não me pertence", disse ele, passando então a explicar a
transferência de propriedade que tivera lugar na sua vida. Aquele irmão considerava os
membros do seu corpo como pertencentes inteiramente ao Senhor. Este é o verdadeiro
caminho para santificação. "Oferecei, agora os vossos membros para servirem à justiça
para a santificação", Rm 6.19. Tornemos real o ato de "oferecer-nos a Deus".
Separados para o Senhor
O que é santidade? Muitas pessoas pensam que para tornar-se santos precisam
eliminar o mal que existe dentro deles. Não, o verdadeiro sentido de santidade se refere:
a ser separados para Deus. Nos tempos do Antigo Testamento o homem escolhido para
ser inteiramente de Deus era publicamente ungido com óleo e dizia-se então, que estava
santificado. Daí em diante era considerado como posto à parte para Deus. Do mesmo
modo, os animais e até as coisas, um cordeiro ou os útencilios de ouro do templo
podiam ser santificados, não pela extirpação de alguma coisa má, mas por estarem
reservados exclusivamente para o Senhor. A santidade, no sentido hebraico, significava
posto à parte para o Senhor, Ex 8.36. A verdadeira santificação é entregar-se
inteiramente a Cristo.
Oferecer-me a Deus, implica no reconhecimento de que sou inteiramente dele. Este
ato de me entregar ao Senhor é algo bem definido, tal como, o reconhecimento de que
em certo dia da minha vida, eu passei das minhas próprias mãos para as mãos dele, e a
partir deste dia não pertenço mais a mim mesmo. Isso significa, que não me consagro
para ser pregador ou missionário, mas me consagro ao Senhor. Infelizmente, muitos são
missionários não porque se consagraram a Deus, mas por consagrar a si proprio. Então,
utilizam suas faculdades naturais não crucificadas, para realizar a obra de Deus; porém,
está não é a consagração que Deus pede de nós. O que deve ser consagrado? Não, é a
nossa vontade de fazer a obra de Deus, e sim, nos mesmos para entender e fazer à
vontade de Deus.
Se você é crente, então Deus, já tem um caminho preparado para você, uma carreira
como disse Paulo, “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”, IITm
4.7. Não só a carreira de Paulo, como também a de todo crente, foi claramente traçada
por Deus; é de máxima importância que cada um conheça e ande no caminho designado
por Deus. Se não comhecemos a vontade de Deus, podemos orar: "Senhor entrego-me a
ti, com o desejo sincero de conhecer e andar no caminho que escolheste para mim".
Essa é a verdadeira entrega. Se no fim da vida pudermos dizer como Paulo: Completei a
carreira, então seremos verdadeiramente abençoados. Não há nada mais trágico do que
chegar ao fim da vida e descobrir que andamos no caminho errado. Temos apenas uma
vida para viver e somos livres para fazer com ela o que nos agradar, mas se buscarmos o
nosso próprio prazer nunca glorificaremos a Deus. Ouvi certa vez uma irmã devota
dizer: "Nada quero para mim; quero tudo para Deus". Você deseja alguma coisa
separadamente de Deus, ou todo o seu desejo se centraliza na vontade dele? Será que
podemos dizer que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita", Rm 12.2?
A nossa vontade com tendencias para as coisas do mundo, tem que ir à cruz, para
que a vontade de Deus prevaleça em nós. Não podemos esperar que um alfaiate nos faça
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VIDA CRISTÃ REAL

  • 1. 1 Watchman Nee by Lcp Passold
  • 2. 2 I O SANGUE DE CRISTO O que é vida cristã? O objetivo deste estudo é mostrar que a vida que levamos é algo muito diferente do que deve ser na realidade a verdadeira vida do cristão. Ao análisarmos a Palavra de Deus pregada por Jesus, no Sermão da Montanha, nos leva a perguntar, se tal vida já foi vivida sobre a terra? “A não ser, unicamente, pelo próprio Filho de Deus”. Mas, nesta edição, encontraremos a resposta à essa pergunta. O apóstolo Paulo nos dá a sua própria definição da vida cristã, “logo, já não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, Ga 2.20. Creio que aqui se apresenta o plano de Deus para o cristão, que pode ser resumido nas seguintes palavras: Vivo não mais eu, mas Cristo vive a sua vida em mim. Deus nos revela claramente na sua Palavra, que “há somente uma resposta para cada necessidade humana, seu Filho, Jesus Cristo”. Em toda ação a nosso respeito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho, colocando “Cristo, o Substituto”, em nosso lugar: • Cristo morreu em nosso lugar, para obtermos o perdão. • Cristo vive em nós, para alcançarmos a libertação e a santificação. Podemos falar de duas substituições: • Substituição na Cruz, que assegura o nosso perdão. • Substituição interior que assegura a nossa vitória. Será de grande ajuda e evitará muita confusão, se conservarmos vivo o fato de Deus responder a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do seu Filho. Nosso duplo problema: os pecados e o poder do pecado Os primeiros oito capítulos de Romanos constituem se em uma unidade completa. Porém, podemos dividi-lo em duas seções. Uma leitura cuidadosa nos revelará que o conteúdo das duas seções não são o mesmo. A primeira seção desta unidade está em, Rm 1.1 a 5.11, onde encontramos em proeminência a palavra plural "pecados" e a segunda seção em, Rm 5.12 a 8.39, onde o ênfase é mudado, e a palavra pecados ocorre apenas uma vez, enquanto a palavra singular "pecado" é usada repetidas vezes, e constitui o assunto básico e principal das considerações. O porquê desta separação? Isso acontece, porque a primeira seção considera a questão dos pecados que cometemos diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que a segunda, trata do pecado como princípio que opera em nós. Sejam quais forem os pecados que cometemos, é sempre o poder do pecado residente em nós, que nos leva a cometê-los. Preciso de perdão para os meus pecados, mas preciso também ser liberto do poder do pecado. Os primeiros tocam a minha consciência, o último a minha vida.
  • 3. 3 Posso receber perdão para todos os meus pecados, mas por causa do minha natureza pecadora não tenho paz interior permanente. Quando a luz de Deus brilha pela primeira vez no meu coração clamo por perdão, porque compreendo que cometi pecados diante dele; mas após ter recebido o perdão destes pecados, faço uma nova descoberta, que o pecado continua habitando em mim. Agora posso compreender que não só cometi pecados diante de Deus, mas também que existe algo de errado dentro de mim. Descubro que tenho uma natureza pecadora. Existe dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que me leva a pecar. Enquando este poder andar solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o perdão, depois, porém peco outra vez. E assim, a vida continua num círculo vicioso de pecar e ser perdoado e depois pecar outra vez. Sou grato pelo bendito perdão de Deus, mas desejo algo mais, pois preciso de perdão para o que tenho feito e também ser liberto daquilo que sou. O duplo remédio de Deus: o Sangue e a Cruz Em Romanos, apresentam-se dois aspectos da salvação: o perdão dos pecados e a libertação do poder do pecado. Vamos conciderar os fatos que identificam estes aspectos: • O perdão dos pecados - “Deus propôs no seu sangue (Cristo), como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça”, Rm 3.25, e “sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.9. Os argumentos centralizam-se em torno do sangue do Senhor Jesus derramado na cruz para justificação e remissão dos pecados. • A libertação do poder do pecado - “sabendo isto: que foi crucificado com ele nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido, e não sirvamos o pecado como escravos”, Rm 6.6, Este versiculo nos mostra que fomos crucificados com Cristo. Isto introduz uma nova idéia, a nossa união com Cristo no momento de sua morte, sepultamento e ressureição. Este fato tem muito valor, porque: • O Sangue soluciona o problema daquilo que fizemos. • A Cruz soluciona o problema daquilo que somos. O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa capacidade de pecar O problema dos nossos pecados O Sangue do Senhor Jesus Cristo é de grande valor para nós, porque trata dos nossos pecados e nos justifica perante Deus; conforme Paulo declara nas seguintes passagens: "Todos pecaram”, Rm 3.23.”Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.8,9. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propos, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerancia, deixado impune os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”, Rm 3.24-26.
  • 4. 4 O pecado, quando entrou, expressou-se em forma de desobediência a Deus, Rm 5.19, e quando pecamos, o que imediatamente acontece é o sentimento de culpa. O pecado entra na forma de desobediência, e o resultado é: • A separação entre Deus e o homem. • O afastamento de Deus, dá a Satanaz a chance de nos acusar em nossos corações e tambem diante de Deus. Deus já não pode ter comunhão com o homem, porque agora existe algo que impede, e que através de toda a Escritura, é conhecido como pecado. Desta forma, é Deus quem primeiramente diz: "Todos... estão debaixo do pecado", Rm 3.9. Em segundo lugar, o pecado, depois de acariciado constitui uma barreira à comunhão do homem com Deus, O pecado também traz um sentimento de culpa, afastamento e separação de Deus. Agora é o próprio homem que mediante a sua consciência despertada diz: "Pai pequei contra o céu e diante de ti", Lc 15.18. E ainda não é tudo, porque o pecado oferece a Satanás a possibilidade de acusar-nos diante de Deus, e também de acusar-nos em nossos corações por meio do sentimento de culpa, que resulta do pecado. O "acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante de nosso Deus", Ap 12.10, que agora nos diz: tu pecaste. Assim, para nos remir e nos fazer regressar ao propósito de Deus, o Senhor Jesus teve que agir em relação as questões: dos pecados, da culpa, e das acusações de Satanás: • A questão dos pecados foi resolvida pelo precioso Sangue de Cristo, que agrada plenamente a Deus. • A questão da culpa é resolvida somente quando temos entendimento que o Sangue apaga os nossos pecados e reestabelece a paz em nossa consciência. • O ataque do inimigo tem que ser encarado e as suas acusações respondidas, porque a divida já foi paga por Cristo. As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três aspectos: em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás. Temos portanto, necessidade de nos apropriar destes valores do Sangue, que nos aproximam de Deus, nos libertam da culpa e dos ataques do inimigo. Se quisermos prosseguir no caminho de Senhor é absolutamente essencial ter uma clara compreensão da morte do Senhor Jesus como nosso Substituto sobre a Cruz, e do poder do seu Sangue em relação aos nossos pecados, porque sem isto, não poderemos ser novas criaturas. O Sangue é primariamente para Deus O Sangue é para expiação e em primeiro lugar relaciona-se com a nossa posição diante de Deus. Precisamos do perdão dos pecados cometidos para não cairmos em julgamento. Os nossos pecados são perdoados, não porque Deus não os leva a sério, mas porque ele vê o Sangue de Cristo. O Sangue primariamente não é para nós, mas para Deus. Se eu quero entender o valor do Sangue, devo aceitar a avaliação que Deus faz dele. Se não conheço o valor que Deus dá ao Sangue, nunca saberei qual é o seu valor para mim. É só na medida em que o Espirito Santo abre o meu entendimento a respeito da estimativa que Deus faz do Sangue, é que eu posso compreender o seu valor, e ver quão precioso o Sangue realmente é para mim. Todavia, o seu primeiro aspecto é para Deus. Através do Velho e do Novo Testamento, a palavra sangue é usada inumeras
  • 5. 5 vezes em conexão com a idéia da expiação de pecados e em toda a Escritura é sempre algo que diz respeito a Deus. No calendário do Velho Testamento há um dia que tem grande significado quanto aos nossos pecados, o Dia da Expiação ou dia da Purificação do Santuario. Nada explica está questão dos pecados tão claramente como a descrição deste dia. Em Levítico 16 lemos: que no Dia da Expiação o sangue era tomado da oferta pelos pecados e levado ao Lugar Santíssimo e ali espargido sete vezes diante do Senhor. Naquele dia, a oferta pelos pecados era oferecida publicamente no pátio do Tabernáculo. Tudo estava ali à vista de todos, e por todos podia ser observado. Mas o Senhor ordenou que nenhum homem entrasse no Tabernáculo, a não ser o sumo sacerdote. Somente ele poderia colher o sangue, entrar no Lugar Santíssimo e espargi lo ali, para fazer a expiação perante Deus. Porquê era necessário este ritual? Porque o sumo sacerdote era um tipo de Cristo em sua obra redentora, Hb 9.11,12, assim em figura, era o único que poderia fazer este trabalho. Ninguém, exceto ele, podia aproximar-se da entrada. Além disso, havia um ato que se relacionava com a sua entrada no Tabernaculo: a apresentação do sangue a Deus, como propiciação dos pecados do povo. Era uma transação entre o sumo sacerdote e Deus, dentro do Santuário, fora da vista dos homens que receberiam os beneficios desta transação. O Senhor exigia este ritual. O Sangue é em primeiro lugar para Deus. Mas, anteriormente, encontramos descrito em Exodo, o derramamento do sangue do cordeiro pascal no Egito, para redenção de Israel. Este foi um dos melhores tipos, no Velho Testamento, da nossa redenção. O sangue foi posto na verga e nas ombreiras das portas, enquanto que a carne do cordeiro era servida no interior da casa; e Deus disse: "O sangue vos será por sinal nas casas onde estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por cima”, Ex 12.13. Eis outra ilustração, onde o sangue não se destina a ser apresentado ao homem, e sim, a Deus, pois o sangue era posto nas vergas e nas ombreiras das portas, de modo que os que se encontravam em festa dentro das casas não pudessem vê-lo. Deus está satisfeito É a santidade de Deus e a sua justiça que exige, que uma vida sem pecados seja dada em favor dos pecados dos homens. Há vida no Sangue, por isso o Sangue tem que ser derramado em favor dos pecados cometidos. Deus requer que o Sangue seja apresentado com o fim de satisfazer a sua própria justiça, é Ele que diz: "Vendo eu sangue passarei por cima de vós", isto é, não os destruirei. O Sangue de Cristo satisfaz a Deus inteiramente. Desejo agora dizer uma palavra a respeito disto aos meus irmãos mais novos no Senhor, porque é neste caso que muitas vezes temos dificuldades. Na condição de descrentes não somos molestados pela nossa consciência, até que a Palavra de Deus começe a nos despertar. A nossa consciência estava morta e quem se encontra nesta condição, certamente não têm qualquer serventia para Deus. Mas, a partir do momento que cremos, a nossa consciência tornar-se extremamente sensível, e isto pode vir a ser um problema real. O sentimento de pecado e de culpa que antes não existia, agora torna se tão grande e terrível, que quase nos paralisa, porque faz perder de vista a verdadeira
  • 6. 6 eficácia do Sangue. Tornam os nossos pecados tão intrínsecos que chegamos ao ponto de imaginá-los maiores do que o Sangue de Cristo. Ora, o mal reside na procura subjetiva, daquilo que o poder do Sangue representa para nós. Não devemos agir assim, porque o Sangue não opera desta forma: não é basicamente para nós, mas para Deus, só depois de ser aceito por Deus irá operar em nós. Destina-se primeiramente a ser visto por Deus. Temos que aceitar a avaliação que Deus faz dele, para então acharmos a nossa própria estimativa. Se, ao invés disto, procuramos avaliá-lo por meio do que sentimos, não iremos nos libertar dos nossos pecados e permaneceremos em trevas. O perdão dos pecados é uma questão de fé no Sangue de Cristo. Devemos crer que o Sangue é precioso para Deus, porque ele assim o diz: “pelo precioso sangue de, como de cordeiro sem defeito e sem macula, o sangue de Cristo”, IPe 1.18. Se Deus aceitou o Sangue como pagamento pelos nossos pecados e como pagamento da nossa redenção, então temos a certeza que o débito foi pago. Se Deus está satisfeito, logo, o Sangue deve ser aceitável. Cristo é santo e justo e o Deus santo e justo tem o direito de dizer: O Sangue é inteiramente aceitável. O acesso do crente ao sangue O Sangue satisfez a Deus, e deve nos satisfazer da mesma forma. Há também, um segundo valor para o Sangue. “Pelo Sangue de Jesus... em plena certeza da fé, tendo o coração purificado de má conciência”, Hb 10.22. O Sangue purifica a consciência. Revelamos uma compreensão errada se declaramos que o Senhor, purifica o meu coração do pecado pelo seu Sangue ou relacionar o coração com o Sangue, porque Deus diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”, Jr 17.9. Deus tem que fazer algo mais fundamental do que apenas purificar o nosso coração, tem que nos dar um coração novo. A obra de Deus em nós tem que ser algo inteiramente novo. "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo", Ez 36.26. Não encontramos a declaração de que o Sangue purifica o nosso coração, mas a oferta de Deus é sermos renovados mediante um coração novo e um espirito novo. Não lavamos, nem passamos a ferro roupas que vamos jogar fora. Veremos depois, que a carne é demasiadamente má para ser purificada; tem que ser crucificada. Qual então o significado? Significa, que havia algo se interpondo entre mim e Deus; e o resultado disto, erá minha consciência sempre me acusando. Quando procurava me aproximar, lembrava da barreira que permanecia entre mim e Deus. Mas, agora, a operação do precioso Sangue removeu a barreira que existia. Este fato está revelado em sua Palavra. Quando creio em Cristo e o aceito, a minha consciência fica imediatamente limpa, o meu sentimento de culpa é removido e já não tenho má consciência diante de Deus. Cada um de nós sabe quão precioso é ter uma consciência pura quando nos relacionamos com Deus. Um coração pleno de fé, e uma consciência limpa de toda e qualquer acusação são essenciais, desde que sejam interdependentes. Logo que verificamos que a nossa consciência não tem paz, a fé desvanece e imediatamente achamos que não podemos encarar Deus. O Sangue nunca perderá a sua eficácia como fundamento do nosso acesso a Deus; que ele transforme em realidade a nossa
  • 7. 7 dependencia dele, porque somente ele nos habilita a entrar no Lugar Santíssimo. Sem esta base não existiria o livre acesso a Deus. Podemos perguntar se estamos realmente procurando o caminho para a presença de Deus através do Sangue, ou por outros meios? O que quero dizer, quando afirmo pelo Sangue? Quero dizer que: reconheço os meus pecados, confesso que necessito de purificação e expiação, por isso, venho a Deus confiante na obra consumada do Senhor Jesus e me aproximo dele exclusivamente através dos meritos de Cristo, e não na base do meu comportamento. Nunca, por méritos próprios. A tentação de muitos quando procuram aproximar-se de Deus é pensar que por causa do conhecimento das escrituras estãos mais perto dele, por isso podem alcança-lo por si mesmo. “Jamais, o único acesso é Cristo”. Ele disponibilizou este caminho por meio do seu sofrimento na cruz e do seu precioso Sangue derramado por nós. Creio que muitos irmãos pensam, que são seus atos que os aproximam ou afastam de Deus. Atos do tipo: fui mais cuidadoso ou tive um bom dia ou li a Palavra com fervor de modo que, hoje posso orar; ou então, tive algumas problemas familiares ou comecei mal o dia, ou estou deprimido, por isso, não posso me aproximar de Deus. A aproximação de Deus é sempre pela confiança no Sangue, e nunca pelas aquisições pessoais. Qualquer que seja a medida alcançada por nossos próprios recursos hoje, ontem ou no passado, não capacitarão o nosso ascesso ao Lugar Santissimo, somente o Sangue de Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, abre este caminho até Deus. Devemos permanecer no único fundamento seguro, o Sangue derramado. Esse é o fundamento sobre o qual somos capacitados a entrar na presença de Deus, não há outro. “agora em Cristo Jesus, vós, que antes estaveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”, Ef 2.13. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é pela sua carne, e tendo como grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-no, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má conciencia”, Hb 10.19-22. A nossa posição perante Deus foi garantida pelo Sangue. Porque fomos aproximados pelo sacrificio de Cristo, e sempre será por Ele, não há outro meio de entrarmos no Lugar Santissimo. As vezes chegamos a pensar que por causa do nosso progressos espiritual podemos dispensar o Sangue, isto jamais acontecerá. Não é pela minha qualificação que me aproximo de Deus é pelo Sangue. Está é a unica forma que a todo momento posso ir perante o Altissímo. E assim será até o fim; sempre e unicamente pelo Sangue. O que importa aqui, é saber que “o Sangue é real e suficiente”. Devemos ser gratos e orar: "Senhor, entendo que o Sangue de Cristo satisfaz totalmente a Ti. Percebo agora que não se trata de meu progresso ou de algo que eu possa ter alcançado, e sim, unicamente pelo precioso Sangue de Cristo". Somente o sangue purifica a nossa consciência diante de Deus. "tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados", Hb 10.2. Estas palavras têm significado transcendente e transmitem a certeza, que fomos purificados de todo pecado. "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado", Rm 4.8.
  • 8. 8 Vencendo o acusador Como é que o Sangue opera contra Satanás? A queda deu a Satanás o livre acesso ao homem, de forma que Deus foi compelido a se retirar. Agora, o homem está fora do Jardim, destituído da glória de Deus, Rm 3.23, porque interiormente está separado de Deus. A consequencia do pecado foi o afastamento de Deus. Mas o Sangue remove esta barreira e restitui o homem a Deus e Deus ao homem. Agora, em Cristo, o novo homem está em afinidade com Deus, e pode encarar Satanás sem temor. Lembre-se do seguinte versículo: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado", IJo 1.7. Não é todo pecado, no seu sentido geral, é cada pecado, um por um. O que significa isto? É algo maravilhoso! Deus está na luz, e na medida em que andamos na luz juntamente com Ele, tudo fica exposto, de modo que Deus pode ver tudo e nestas condições o Sangue pode nos purificar de cada pecado cometido. Que purificação! O Sangue pode fazê-lo plenamente. As vezes, por estarmos oprimidos por nossas próprias fraquezas, somos tentados a pensar que os pecados que cometemos são imperdoáveis. Recordemos de novo a Palavra: O sangue de Jesus, seu Filho nos purifica de todo pecado. Pecados que podem ser muito negros e outros que não parecem tão graves assim; pecados que podem ser perdoados e pecados que pensamos ser imperdoáveis; sim, todos os pecados, conscientes ou inconscientes, recordados ou esquecidos, se incluem nas palavras: "todo pecado", porque o Sangue nos purifica de todo pecado e satisfaz inteiramente a Deus. Sabendo que Deus vê todos os nossos pecados na luz e pode nos perdoar por causa do Sangue, então, em que base poderá Satanás nos acusar? "Se Deus é por nós, quem será contra nós?", Rm 8.31. Deus mostra o Sangue do seu querido Filho, que é totalmente suficiente, contra o qual Satanás não tem apelação. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”, Rm 8.33-34. Precisamos reconhecer a absoluta suficiência do Sangue precioso. "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote... pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção", Hb 9.11-12. Cristo foi Redentor uma só vez, há dois mil anos e agora é nosso Advogado e Sumo Sacerdote. Ali permanece, na presença de Deus. "Jesus Cristo o justo, ele è a propiciação pelos nossos pecados", IJo 2.2. "muito mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito eterno, a si mesmo se ofereceu... Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros... sem derramamento de sangue não há remissão... Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para salvação”, Hb 9.14,28. O Sangue de Cristo evidencia a suficiência do seu ministério e é totalmente “suficiente para Deus”. Qual é a nossa atitude para com Satanás? Satanás nos acusa não só perante Deus, mas também em nossa própria consciência. "Você pecou, e continua pecando. Você é fraco, e não há mais nada que Deus possa fazer por você". Ao aceitarmos seus argumentos, estamos olhando para dentro de nós na tentativa nos defender; procurando algo de bom em nós, que nos dê algum motivo para
  • 9. 9 crer que estamos certos e o inimigo errado, se agirmos assim, com certeza iremos fracassar. A acusação é uma das armas mais eficazes de Satanás. Ele aponta para os nossos pecados e procura acusar-nos perante Deus, se aceitarmos as suas acusações seremos destruidos. A unica razão de aceitarmos tão rapidamente as suas acusações é que ainda esperamos ter alguma justiça própria; está atitude constitui uma falsa base de esperança. Quando Satanás consegue nos induzir, a olhar na direção errada, ele atinge o seu objetivo de nos afastar do único que tem o poder de vence-lo que é Cristo. Se não mais confiarmos na carne, não teremos que temer, quando surgirem os pecados, posto que pecar faz parte da natureza intrínseca da carne. Mas, se ainda confiamos em nós, então desconhecemos a nossa natureza pecadora, e com certeza iremos tropeçar, quando Satanaz levanta suas acusações. O Sangue é efetivo, quando confiamos no seu poder para solucionar o problema dos nossos pecados; porém, ele nada pode fazer por um homem que se submete à acusação do inimigo. Cristo é o nosso Advogado, mas nós os acusados nos colocamos do lado do acusador, quando deixamos de olhar para Cristo e focamos a atenção em nós. Somente Deus pode responder ao acusador e já o fez por meio do precioso Sangue de Cristo, tornando Satanás um inimigo vencido. Nossa salvação está em olharmos firmemente para o Senhor Jesus, reconhecendo que o Sangue do Cordeiro já solucionou toda a situação criada pelos nossos pecados. Este é o fundamento seguro em que devemos nos firmar. Nunca devemos responder a Satanás, tendo por base a nossa boa conduta, e sim, sempre com o Sangue. Sabemos que estamos repletos de pecados, mas graças a Deus que o Sangue nos purifica de todos eles! Deus ao olhar para os nossos pecados contempla o Sangue, por meio do qual o seu Filho enfrenta a acusação, e Satanás perde toda possibilidade de atacar. Somente a nossa fé no Sangue precioso, e a nossa recusa de sairmos desta posição, podem silenciar as suas acusações e afugentá-lo, Rm 8.33,34; e será assim até a volta de Jesus, Ap 12.11, quando iremos viver a plena libertação oferecida por Deus, se valorizarmos mais o precioso Sangue do seu amado Filho!
  • 10. 10 II A CRUZ DE CRISTO O Sangue trata daquilo que fizemos, enquanto que a Cruz trata daquilo que somos. Precisamos do Sangue para o perdão, e da Cruz para a libertação. Já tratamos do sangue, e agora vamos considerar como a Cruz nos liberta do poder do pecado. Antes, vamos considerar algumas características que contribuem para demonstrar a diferença, entre o perdão dos pecados e a libertaçao do poder do pecado. Algumas distinções e aspectos da ressureição. "Jesus nosso Senhor... foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação", Rm 4.25. Trata-se aqui da nossa posição de justificados perante Deus. "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo", Rm 5.1. Quando os meus pecados são perdoados, Deus não será mais motivo de temor para mim. Eu, que era inimigo, fui "reconciliado com Deus mediante a morte do Seu Filho", Rm 5.10. Logo descubro, no entanto, que sou eu quem irá causar dificuldades para mim mesmo, havendo algo em meu íntimo que me perturba e me leva novamente a pecar. Há paz com Deus, sem porém, haver paz comigo mesmo. Trava-se uma guerra interna em meu próprio coração, onde a carne e o espírito estão em conflito mortal. Porque o pendor da carne dá para a morte, por ser inimizade contra Deus, mas o do Espírito, para a vida e paz, Rm 8.6. Deus nos oferece um novo caminho, o da ressurreição em Cristo, que nos comunica uma nova vida a fim de termos um andar santo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4. Se conhecemos somente a preciosa verdade da justificação pela fé, isto é só a metade do que precisamos saber, porque soluciona apenas o problema dos pecados, falta ainda solucionar o problema do pecador para acertar nossa posição diante de Deus. À medida que prosseguimos, veremos que Deus tem algo mais para nos oferecer, além do perdão dos pecados. Como podemos então viver uma vida cristã real? Sabemos que o Sangue trata objetivamente dos nossos pecados, porém precisamos dar agora um passo a mais no plano de Deus para compreender como Ele trata o princípio do pecado em nós. Veremos que o primeiro passo depende do segundo e o segundo passo depende do primeiro. O Sangue pode lavar e apagar os meus pecados, mas não pode remover o corpo do pecado. Por isso, é necessárioa a Cruz para crucificar o corpo do pecado. O Sangue trata dos pecados, mas a Cruz trata do pecador!. “Portanto, assim como por um só homem entrou opecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12. Mostra, que o homem é considerado pecador porque nasceu pecador, e não por ter cometido pecados. É mais por constituição do que por ação que somos pecadores.
  • 11. 11 "Pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores", Rm 5.19. Como é que nos tornamos pecadores? Pela desobediência de Adão. Não nos tornamos pecadores por aquilo que fizemos, e sim, devido àquilo que Adão fez. As escrituras afirmam que “todos pecaram”, Rm 3.9-12, mas, não é por isso, que nos tornamos pecadores. Porque mesmo aquele que não comete pecados, por pertencer à raça de Adão, também é pecador e necessita da redenção. Há pecadores maus e pecadores bons; pecadores morais e pecadores corruptos, mas todos são igualmente pecadores. Pensamos às vezes, que tudo nos iria bem se não fizéssemos determinadas coisas; o problema no entanto, é muito mais profundo do que aquilo que fazemos, “está naquilo que somos”. O que conta é o nascimento; sou pecador porque nasci de Adão. Não é questão do meu comportamento, e sim, da minha hereditariedade, do meu parentesco. Não sou pecador porque peco, mas peco porque descendo de uma linhagem má. Peco por ser pecador. Tendemos a pensar que o que fazemos pode ser muito mau, e que nós mesmos não somos tão maus assim. O que Deus deseja realmente nos mostrar é que nós somos fundamentalmente errados. A raiz do problema está no pecador: é com ele que se deve tratar. Os nossos pecados são solucionados pelo Sangue, mas nós próprios devemos ser tratados pela Cruz. “O Sangue nos perdoa pelo que fizemos e a Cruz nos liberta daquilo que somos”. A condição do homem por natureza No começo da nossa vida cristã, ficamos preocupados com o que fazemos, e não com o que somos. Nos sentimos tristes, mais pelo que temos feito, do que pelo que somos. Pensamos que se apenas mudassemos certas coisas, nos tornaríamos bons cristãos e então, procuramos modificar as nossas ações. Porém está atitude não altera a nossa vida de pecados. Descobrimos com grande espanto que se trata de algo maior do que as dificuldades externas que enfrentamos e que realmente existe em nosso íntimo um problema mais sério. Procuramos agradar ao Senhor, mas descobrimos que há algo dentro de nós que não deseja agrada-Lo. Procuramos ser humildes, mas há algo em nosso próprio eu que se recusa a ser humilde. Procuramos demonstrar afeto, mas não sentimos ternura no íntimo. Sorrimos e procuramos parecer muito amáveis, mas no íntimo sentimos absoluta falta de amabilidade. Quanto mais procuramos corrigir as coisas na parte exterior, mais temos entendimento de quão profundamente se arraigou o problema na parte interior. Então, nos rendemos ao Senhor, dizendo: "Senhor, agora compreendo! Não é só o que tenho feito que está errado! Eu é que sou errado". A conclusão de, Rm 5.19 começa a se tornar clara para nós. Somos pecadores. Somos membros de uma raça que é diferente daquela que Deus planejou. Por causa da queda, houve uma transformação no caráter de Adão, em virtude da qual se tornou pecador e incapaz de agradar a Deus; está é a semelhança hereditaria que todos nós temos com ele, não é meramente superficial, expressa-se também no nosso caráter interior. Como aconteceu isto? Pela desobediência de um, diz Paulo. A nossa vida vem de Adão. Onde estaria você agora, se o seu bisavô tivesse morrido com três anos de idade? Teria morrido nele! A sua experiência está unida à dele. A experiência de cada um de nós está unida à de Adão da mesma forma.
  • 12. 12 Potencialmente, quando Adão se rendeu às palavras da serpente no Eden, todos nós estávamos nele. Fomos todos envolvidos no pecado de Adão e sendo nascidos em Adão, recebemos como herança, tudo aquilo, em que ele se tornou. O resultado do seu pecado e a sua natureza pecadora se tornou a nossa natureza. A nossa existencia deriva dele. Porque a sua natureza se tornou pecaminosa; a natureza que deriva dele também é pecaminosa. De modo que o problema está na nossa hereditariedade e não no nosso procedimento. A menos que possamos modificar o nosso parentesco, não há livramento para nós. Mas é precisamente neste ponto que encontraremos a solução do nosso problema, porque foi exatamente assim que Deus encarou a situação. Como em Adão, assim em Cristo "Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornaram justos", Rm 5.19. As expressões ”em Adão” e ”em Cristo” são muito pouco compreendidas pelos cristãos, desejo salientar por meio de uma ilustração, que se acha em Hebreus 7, o significado racial e hereditário da expressão em Cristo. Em Hebreus 7.1-10, o escritor procura demonstrar ser Melquisedeque maior do que Levi. A finalidade desta demonstração é provar que o sacerdócio de Cristo é maior do que o de Arão, que era da tribo de Levi. Porque o sacrifício de Cristo é segundo a ordem de Melquisedeque e o de Arão, segundo a ordem de Levi, Hb 7.7-17. Abraão, voltando da batalha dos reis, Gn 14, ofereceu a Melquisedeque o dízimo dos despojos. Este fato, revela ser Abraão de menor categoria que Melquisedeque, porque é o menor que entrega os dizimos ao maior, Hb 7.7. O fato de Abraão ter oferecido o dízimo a Melquisedeque implica que Isaque, em Abraão, também o ofereceu, e o mesmo se aplica a Jacó, e também a Levi. De modo que Levi é menor que Melquisedeque, e assim, o sacerdócio de Levi é inferior ao de Cristo. Nem sequer se pensava em Levi na época da batalha dos reis, contudo, fez sua oferta de dizimo na pessoa do seu pai ascendente Abraão, antes de ter sido gerado, Hb 7.9,10. Ora, é justamente isto que significa a expressão "em Cristo". Abraão, como o cabeça da família da fé, incluiu, em si mesmo toda a sua descendencia. Quando ele fez a sua oferta a Melquisedeque, toda a sua família participou daquele ato. Não fizeram ofertas separadamente como indivíduos, mas estavam nele, porque toda a sua semente estava incluída nele. Assim, em Adão, tudo se perdeu. Pela desobediência de um só homem fomos todos constituídos pecadores. O pecado entrou por ele e pelo pecado entrou a morte e desde aquele dia o pecado impera em toda a raça, produzindo a morte. Agora porém, um raio de luz incide sobre a cena. Pela obediência de Outro, podemos ser constituídos justos. Onde o pecado abundou, superabundou a graça e como o pecado reinou na morte, do mesmo modo a graça pode reinar por meio da justiça, para a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor, Rm 5.19-21. O nosso desespero está em Adão; a nossa esperança em Cristo.
  • 13. 13 O processo divino da libertação Deus certamente deseja que estas considerações nos levem à libertação da prática do pecado. Paulo deixou isto bem claro, quando perguntou: "Permaneceremos no pecado? Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” Rm 6.1,2 Todo o seu ser se revolta perante a simples sugestão de pecar. Como poderia um Deus Santo ter satisfação em possuir filhos não santos, presos aos grilhões do pecado? Deus ofereceu a provisão certa e adequada para nos libertar do domínio do pecado. Aqui está o nosso problema: se nascemos pecadores, como poderemos extirpar a nossa hereditariedade pecaminosa? Desde que todos nascem em Adão, como podem sair dele, livrar-se dele? Quero afirmar que o Sangue não pode nos tirar para fora de Adão. Há somente um caminho. Se estamos em Adão pelo nascimento, o único caminho para sair dele é a morte. Para nos despojarmos da nossa pecaminosidade, temos que nos despojar da nossa vida. Se a escravidão do pecado veio pelo nascimento; a libertação do pecado vem pela morte e foi exatamente este o caminho de escape que Deus ofereceu. A morte é o segredo da emancipação. Estamos mortos para o pecado, Rm 6.2. Como, afinal, isto pode acontecer? Alguns procuram mediante grande esforço libertar-se desta vida pecaminosa, mas verificam que é impossivel libertar-se do pecado pelo esforço próprio. O caminho que conduz a saída não é nos matarmos, e sim, reconhecer que Deus, em Cristo, cuidou da nossa situação. O apóstolo Paulo mostra como Deus efetuou a morte do corpo de pecado por meio de Cristo: "todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte", Rm 6.3. Se, Deus solucionou nosso caso "em Cristo", logo temos que “estar nele”, para que isto se torne realidade. Como podemos entrar em Cristo? É neste sentido que Deus vem de novo em nosso auxílio, pois por nós mesmos, não temos meio algum de entrar nele, Porém, Deus nos mostra que não precisamos tentar entrar, porque já estamos nele. Deus fez por nós, o que nós não poderíamos fazer por nós mesmos. Ele nos colocou em Cristo. "Vós sois dele ( Deus), em Cristo Jesus", ICo 1.30. Graças a Deus! Não nos pediu para procurar um caminho de acesso ou elaborar um plano. Deus fez os planos necessários. Não só planejou como também executou. "Vós sois dele, em Cristo Jesus". Estamos nele; portanto, não precisamos procurar entrar. É um ato divino, e está consumado. Em Hebreus 7, vimos que em Abraão todo Israel e portanto Levi, que ainda não nascera, ofereceu o dízimo a Melquisedeque. Não fizeram esta oferta separada e individualmente, mas estavam em Abraão quando ele fez a oferta, incluindo nesse ato toda a sua semente. Isto é, pois, uma verdadeira figura de nós próprios em Cristo. “Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, todos nós morremos”, não fisicamente, porque ainda nem tínhamos nascido, mas estando nele. Podemos ter certeza deste fato, porque Deus está dizendo em sua Palavra. Por isto sabemos que morremos juntamente com Ele. "Um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. “Quando Ele foi crucificado, todos nós fomos crucificados”. "Vós sois dele, em Cristo Jesus". O próprio Deus nos colocou em Cristo e tratando com Ele, Deus tratou com toda a raça. O nosso destino está ligado ao dele. Pelas experiências que Cristo passou, nós igualmente passamos, porque estar "em Cristo" significa: ser identificado com Ele, tanto na sua morte como na sua ressurreição.
  • 14. 14 Cristo foi crucificado; o que então sucedeu conosco? Devemos pedir a Deus que nos crucifique? Não, porque quando Cristo foi crucificado, nós que hoje estamos em Cristo, fomos crucificados juntamente com Ele; sendo a sua crucifixão há dois mil anos, e a nossa também. Se fomos crucificados juntamente com Ele, não precisamos ficar nos crucicando agora no presente, nem no futuro quando se apresentarem as tentações. Não existe nenhum texto no Novo Testamento que diz, que devemos nos crucificar. Todas as referências dizem: que fomos crucificados juntamente com Cristo, "feito uma vez e para sempre", "eternamente passado", Rm 6.6, Gl 2.20 e 5.24. Deus não nos pede que crucifiquemos a nós próprios. Fomos crucificados quando Cristo foi crucificado, pois Deus nos incluiu nele na Cruz. A nossa morte em Cristo não é meramente uma posição de doutrina, é um fato real e eterno. A morte e ressurreição de Cristo são inclusivas Quando o Senhor Jesus morreu na Cruz derramou o seu Sangue, dando assim a sua vida isenta de pecado para expiar os nossos pecados, e assim, satisfez a justiça e a santidade de Deus. Tal ato, constitui prerrogativa exclusiva do Filho de Deus. Nenhum homem poderia participar dele. A Escritura nunca disse: que nós derramamos o nosso sangue juntamente com Cristo. Na sua obra expiatória perante Deus, Ele agiu sozinho. Ninguém poderia participar deste ato com Ele. O Senhor, no entanto, não morreu apenas para derramar o seu sangue: morreu para que nós pudéssemos morrer. Morreu como nosso representante. Na sua morte Ele incluiu a “você e a mim”. Freqüentemente usamos os termos “substituição e identificação” para descrever estes dois aspectos da morte de Cristo. A palavra identificação muitas vezes é correta; mas pode sugerir que a experiência começa do nosso lado e que somos nós que estamos nos identificando com o Senhor. Concordo que a palavra é verdadeira, mas deve ser empregada de maneira certa. É melhor aceitar a verdade plena, que o Senhor me incluiu na sua morte. É a morte inclusiva do Senhor, que me habilita a ser identificado com Ele. Está verdade mostra, que eu não preciso me identificar com Ele para ser incluído em sua morte. É aquilo que Deus fez, incluindo-me em Cristo, que importa. É por isso que o termo “em Cristo” sempre satisfaz a Deus e a nós também. A morte e a ressurreição de Cristo e a nova vida “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primicias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, tambem por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão todos morrem, assim tambem todos serão vivificados em Cristo. Cada um porém, por sua própria ordem; Cristo as primicias; depois, os que são de Cristo na sua vinda, ICo 15.20-23. Cristo como o último Adão é a soma de toda humanidade; e Cristo como as primicias é a Cabeça de uma nova raça. De modo que temos aqui duas uniões, uma refere-se à sua morte e outra à sua ressurreição. Em primeiro lugar a sua união com a raça humana, como último Adão, começou historicamente em Belém, e terminou na Cruz e no sepulcro. Cristo reuniu em si mesmo tudo o que era de Adão, por isso foi levado a julgamento e morte. Em segundo lugar, a nossa união com Ele como as primicias, começa com a ressurreição e termina na eternidade, ou seja, nunca. Pois,
  • 15. 15 tendo acabado por meio da sua morte com a herança de Adão, em quem se frustrará o propósito de Deus, ressuscitou como o Cabeça de uma nova raça de homens, nele o proposito de Deus foi plenamente realizado e restabelecido. • Cristo como último Adão, foi crucificado. Na cruz reuniu em si e anulou tudo o que pertencia ao primeiro Adão. Como o último Adão, pôs termo à velha raça. • Cristo como as primicias, inicia a nova raça. A sua ressurreição nos oferece uma nova vida, onde os que estão em Cristo forão incluídos. "Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição", Rm 6.5. Morremos nele como o último Adão e vivemos nele, por causa da sua ressureição. A Cruz é o poder de Deus que nos transfere de Adão para Cristo.
  • 16. 16 III A VEREDA DO PROGRESSO: SABER A nossa velha história termina com a Cruz e a nossa nova história começa com a Ressurreição. "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. A Cruz põe termo à primeira criação, e por meio de sua morte e ressureição surge a nova criação em Cristo. Se estamos em Adão, tudo quanto estava em Adão necessariamente recai sobre nós. Torna-se involuntariamente nosso, pois nada precisamos fazer para participar desta realidade. Sem esforço, sem perder a calma, sem cometer mais pecados vem naturalmente sobre nós, independente da nossa vontade. Da mesma forma, se estamos em Cristo, tudo o que há em Cristo nos é atribuído pela livre graça, sem esforço próprio, simplesmente pela fé. Como está experiência pode se tornar real em nós? Através do estudo de Romanos 6,7 e 8, descobrimos que para viver uma vida cristã real é preciso: • Saber. • Considerar-se. • Oferecer-se a Deus. • Andar no Espirito. Estas quatro condições são nescessarias para uma vida cristã plena. À medida que estudarmos cada um delas, o Santo Espirito do Senhor irá nos iluminar para que possamos andar no espirito. A nossa morte com Cristo: um fato consumado A morte do Senhor Jesus é representativa e inclusiva, na sua morte todos nós morremos. Nenhum de nós pode progredir espiritualmente sem perceber isto. Assim como Cristo levou os nossos pecados sobre a Cruz, também, levou a nós próprios na Cruz, para nossa santificação, Rm 6.1-11. Não somente foram colocados sobre Ele os nossos pecados, mas também fomos incluídos nele, todos nós que estamos em Cristo. Como recebemos o perdão? Aceitando o fato que o Senhor Jesus morreu na cruz, como nosso Substituto, levando sobre ele os nossos pecados, e o seu sangue foi der- ramado para nos purificar. Quando percebemos que todos os nossos pecados foram levados sobre a Cruz, o que fazemos? Dissemos, porventura: "Senhor Jesus, por favor, vem morrer pelos meus pecados?” Não, de forma alguma, apenas damos graças. Não lhe suplicamos que venha morrer por nós, porque compreendemos que Ele já o fez. Está verdade, que diz respeito ao nosso perdão, também se refere à nossa libertação. A obra já foi feita. Não há necessidade de orar, mas apenas agradecer. Porque Deus incluiu a todos em Cristo, de modo que, quando Cristo foi crucificado, nós também fomos. Não há, portanto, necessidade de orar: "Sou uma pessoa muito má Senhor, crucifica-me, por favor". Apenas, precisamos agradecer a Deus, por termos morrido em
  • 17. 17 Cristo, mediante a sua morte. Já morremos nele, louvemos por isso e vivamos à luz desta realidade. "Então creram nas suas palavras e lhe cantaram louvores", Sl 106.12. Você crê na morte de Cristo? É claro que sim. Então, a mesma Escritura que diz: Ele morreu por nós, também diz que nós morremos com Ele. Se cremos que "Cristo morreu por nós", Rm 5.8. Está é uma declaração biblica tão fundamental quanto a que diz: "Foi crucificado com ele o nosso velho homem", Rm 6.6. "Morremos com Cristo", Rm 6.8. Quando fomos nós crucificados? Qual é a data da crucificação do nosso velho homem? A Bíblia diz: foi crucificado com Cristo (ao mesmo tempo) o nosso velho homem, isto aconteceu há dois mil anos. Graças a Deus, porque quando Ele morreu na Cruz, eu morri com Ele. Não morreu apenas em meu lugar e sim, levou-me com Ele à Cruz, de forma que, quando Ele morreu, eu morri com Ele. Se eu creio na morte do Senhor Jesus, posso também crer na minha própria morte, tão seguramente como creio na dele. Por que você acredita que o Senhor Jesus já morreu? É porque sente que ele morreu? Não, isto se torna real pela fé, não pelo que sentimos. Quando o Senhor foi crucificado, dois ladrões também foram crucificados ao mesmo tempo. Não temos duvida que eles foram crucificados com ele, porque a Escritura afirma de modo absolutamente claro. Assim também, crêmos na morte do Senhor, porque a Palavra de Deus a declara. Os ladrões foram crucificados ao mesmo tempo que o Senhor, mas em cruzes diferentes, enquanto que você, foi crucificado na mesma cruz com Cristo, porque estava nele quando Ele morreu. Como pode saber disto? É porque Deus disse. Não depende daquilo que você sente. Cristo morreu, quer você sinta isso, quer não. Nós também morremos com Ele, independente do que sentimos, pois trata-se de fatos divinos. Cristo morreu, é um fato, que os dois ladrões morreram, é outro, e a nossa morte juntamente com Cristo é igualmente um fato. Posso afirmar: "Você já morreu". Já está posto à parte, eliminado! O Eu que aborrece você ficou na Cruz, em Cristo. "Porqunto quem morreu, esta justificado do pecado",Rm 6.7. Este é o Evangelho para os cristãos! A nossa crucificação jamais se tornará eficaz através da nossa vontade, do nosso esforço, e sim, unicamente por aceitarmos o que o Senhor Jesus Cristo fez na Cruz. Os nossos olhos devem estar abertos à obra consumada» no Calvário. Talvez, você tenha procurado salvar a si mesmo: lendo a Bíblia, orando, freqüentando a Igreja, dando ofertas. Mas, o sentimento constante era de mornidão espiritual, até que um dia seus olhos foram abertos e você percebeu que a plena salvação já foi providenciada na Cruz. Glória a Deus por está provisao de Graça em Cristo Jesus. A partir desta verdade o seu coração será permeado pela paz e alegria. Ora, a santificação foi dada na mesma base que a salvação. Recebemos a libertação do poder do pecado do mesmo modo, que recebemos o perdão dos pecados. A maneira do homem se libertar do poder do pecado é diferente do que Deus planejou: • O homem se esforça por suprimir o pecado, procurando vencê-lo. • O processo divino consiste em remover o pecador, por meio da morte do velho homem, o homem carnal.
  • 18. 18 Muitos cristãos lamentam as suas fraquezas, pensando que se fossem mais fortes, tudo lhes iria bem. Tem a idéia, de que são as fraquezas que causam as derrotas na tentativa de viver uma vida santa. Por isso, pensam que por meio do esforço próprio serão vencedores, isto conduz naturalmente a um conceito falso do caminho da libertação. Se é a nossa incapacidade de vencer o poder do pecado que nos preocupa, concluímos que isso acontece porque está faltando esforço da nossa parte. Achamos que, se tivermos mais força de vontade poderemos vencer as explosões violentas de comportamento, e assim, teremos o tão sonhado dominio próprio. Tal conceito está completamente errado, não é cristão. O meio divino de nos libertar do poder do pecado não consiste em nos fazer cada vez mais fortes, e sim, em nos tornar cada vez mais fracos. Certamente pode-se dizer que é uma forma de vitória bastante estranha, mas essa é a maneira de Deus agir em nós. Deus nos livra do domínio do pecado, não por meio de fortalecer o nosso velho homem, mas crucificando-o. O primeiro passo: Saber A vida cristã real tem que começar com um "saber" bem definido, que não é apenas saber algo a respeito da verdade, nem compreender alguma doutrina importante. Não é, de forma alguma, um conhecimento intelectual, mas consiste em abrir os olhos do coração para ver o que temos em Cristo. Como é que você sabe que os seus pecados estão perdoados? É porque o seu pastor disse? Não, você simplesmente sabe. Porque tal conhecimento vem por revelação do próprio Senhor. As evidencias do perdão para os pecadores estão na Bíblia, mas para a Palavra escrita se transformar em Palavra viva, Deus teve que lhe dar o "espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele", Ef 1.17. Precisou tomar conhecimento da Palavra, deste modo a cada nova revelação de Cristo, o saber se instala no próprio coração, e agora pode “vêr em espírito”. Uma luz brilha no seu íntimo de modo que você fica persuadido do fato. O que é verdadeiro acerca do perdão dos pecados não é menos verdadeiro a respeito da libertação do poder do pecado. Quando a luz de Deus começa a raiar em nosso coração, vemos que estamos em Cristo. Não é porque alguém nos disse, nem meramente porque Romanos 6 afirma. É algo mais do que isso. Sabemos porque Deus nos revelou pelo seu Espírito. Talvez não o sintamos, mas sabemos, porque o temos visto. Uma vez que temos visto a nós mesmos em Cristo, nada pode abalar a nossa certeza a respeito deste bendito fato. Se perguntar a alguns crentes que entraram na vida cristã real, como chegaram a esta experiência, uns dirão que foi desta forma, e outros de forma diferente. Cada um ressalta a forma específica como entrou na experiência, e cita versículos para apoiá-la; infelizmente, muitos cristãos procuram usar suas experiências individuais e suas escrituras especiais para colocar-se em conflito com outros cristãos. Embora, os caminhos são diferentes para uma vida mais profunda em Cristo, não devemos considerar exclusivas, mas apenas complementares. Uma coisa é certa: Toda, experiência verdadeira só pode ser alcançada através da revelação de algo mais da Pessoa e da Obra do Senhor Jesus Cristo. Está é a prova crucial e absolutamente segura. Paulo mostra que tudo depende desta verdade: "Sabendo isto, que foi crucificado com
  • 19. 19 ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos", Rm 6.6. A revelação divina é essencial ao conhecimento Assim sendo, nosso primeiro passo é buscar da parte de Deus o conhecimento que vem da revelação, não de nós mesmos, mas da obra consumada do Senhor Jesus Cristo na Cruz. A experiencia que Hudson Taylor, o fundador da Missão para o Interior da China, teve para entrar na vida cristã real, foi a seguinte: Ele falava do problema que há muito tempo estava sentindo. “O que fazer para viver em Cristo". Sabia perfeitamente que devia ter a vida de Cristo emanando através de si mesmo, contudo, não sentia isto acontecendo com ele. Via claramente que as suas necessidades deviam ser satisfeitas em Cristo. Eu sabia, dizia ele, escrevendo à sua irmã, de Chinkiang, em 1869, “se eu apenas pudesse permanecer em Cristo, tudo iria bem, mas, não consigo". Quanto mais procurava entrar em Cristo, tanto mais se afastava, até que um dia a luz brilhou, a revelação veio e ele entendeu tudo. Sinto que está aqui o segredo: não em perguntar como vou conseguir tirar a seiva da videira para colocá-la em mim mesmo, mas em aceitar que Jesus é a Videira, a raiz, a cepa, as varas, os renovos, as folhas, a flor, o fruto, tudo. Cristo é tudo, na verdade. Não preciso fazer de mim mesmo uma vara. “Sou parte de Cristo, apenas preciso crer nisso e agir em conformidade”. Muitas vezes tinha visto está verdade na Bíblia, mas agora creio nela como realidade viva em mim. Foi como se a verdade que sempre existira se tornasse real para ele, sob uma nova forma. Outra vez escreve à irmã: Não sei até que ponto serei capaz de me tornar inteligível a este respeito, pois não há nada novo, mas todavia, tudo é maravilhoso! Numa palavra, "Eu era cego e agora vejo. Estou morto e crucificado com Cristo. Sim, ressurreto e assunto também. Deus me reconhece assim, e me diz, que é assim que me considera”. Ele é Quem sabe! Oh, que alegria ver esta verdade! Oro, com todas as forças do meu ser, para que os olhos do seu entendimento também possam ser iluminados, para que vejas as riquezas que livremente nos foram dadas em Cristo, para que voce possa se regozijar nelas. Realmente, que coisa grandiosa é ver que estamos em Cristo! Procurar entrar numa sala, dentro da qual já estamos, seria criar em nós um senso de confusão enorme. Pense no absurdo, de pedir a alguém que nos ponha lá dentro. Se já estamos dentro, não precisamos mais fazer esforços para entrar. Se tivéssemos mais revelações, teríamos menos petições e mais louvores. Muitas das nossas orações a nosso favor, são proferidas porque somos cegos a respeito daquilo que Deus já nos deu. Lembro-me de um dia em Xangai quando falava com um irmão bastante exaltado e preocupado quanto à sua condição espiritual. Dizia ele: "Existem tantos que vivem vidas belas e santas! Sinto vergonha de mim mesmo. Chamo-me cristão, mas quando me comparo com outros, sinto que não sou cristão à altura de forma alguma. Quero conhecer essa vida crucificada, essa vida ressurreta, mas não a conheço. Não vejo forma de alcançá-la". Tentamos levar o homem a ver, que nada poderia ter separadamente de Cristo, mas os nossos esforços não alcançaram êxito. Então, ele nos disse: "A melhor coisa que eu posso fazer é orar pedindo a Deus está experiencia". Mas, se Deus já lhe deu tudo, por que precisa pedir? " perguntamos. "Ele ainda não o fez", respondeu, "visto
  • 20. 20 que eu ainda perco o meu domínio próprio, falho constantemente; de modo que devo continuar orando". Perguntamos, voce alcança as coisas que pede em oração? Lamento dizer que não consigo nada", respondeu. Tentamos chamar sua atenção para o fato dele não ter feito nada em favor da sua justificação, do mesmo modo, não precisava fazer coisa alguma a respeito da sua santificação. Em dado momento, um terceiro irmão muito usado pelo Senhor, entrou e juntou-se a nós. Havia uma garrafa térmica em cima da mesa, e este irmão há pegou e disse: "O que é isto? " "Uma garrafa térmica". "Bem, imaginemos que esta garrafa térmica pudesse orar, e que começasse a orar da seguinte maneira: "Senhor, desejo muito ser uma garrafa térmica. Concede a tua graça Senhor, para que eu me torne uma garrafa térmica. Por favor, faz de mim uma garrafa termica!" O que diria o amigo? "Penso que nem mesmo uma garrafa térmica seria tão pateta", respondeu o nosso amigo. "Não faz sentido orar desse modo. Ela já é uma garrafa térmica!" Então, aquele irmão disse: "Você está fazendo exatamente a mesma coisa. Deus já o incluiu em Cristo; quando Ele morreu, você também morreu; quando Ele ressuscitou, você também ressuscitou. Portanto, você não pode dizer hoje: Quero morrer! Quero ser crucificado! Quero ter uma vida ressurreta! Porque o Senhor simplesmente olhará para você e dirá: Você já está morto! Você já tem uma nova vida! A sua oração é tão absurda como a da garrafa térmica. Você não tem necessidade de orar ao Senhor para pedir o que já possue. Apenas, precisa ter os olhos abertos para ver que Ele já fez tudo isso. Esta é a questão: Não precisamos trabalhar para alcançarmos a morte do velho homem, nem precisamos esperar para morrer, porque já estamos mortos para o pecado. Agora, só nos falta reconhecer o que o Senhor já fez, e louvá-lo por isso. Uma nova luz desceu sobre aquele homem. Com lágrimas nos olhos, disse: Senhor, louvo-te porque já me incluíste em Cristo, agora sei, que tudo o que é dele é meu. A revelação chegou, e a fé o capacitou para que a verdade se torna-se real. Tempos depois, quando encontramos aquele irmão, verificamos a tranformção que a revelação fez em sua vida. A Cruz atinge a raiz dos nossos problemas A obra consumada de Cristo realmente atingiu a raiz dos nossos problemas, solucionando-os para Deus. Sabendo isto, "que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos", Rm 6.6. “Ou, porventura ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados em sua morte?”, Rm 6.3.
  • 21. 21 IV A VEREDA DO PROGRESSO: CONSIDERAR-SE Entramos agora num assunto sobre o qual tem havido alguma confusão entre os filhos de Deus. Em Rm 6.6, "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem". O tempo do verbo é muito preciso, pois situa o acontecimento no passado distante. É um acontecimento final, realizado de uma vez para sempre, e não pode ser desfeito. O nosso velho homem foi crucificado, uma vez para sempre, e jamais poderá voltar à situação de não crucificado. Sabendo que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, o passo seguinte é considerar-se. "Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.11. A ordem natural é está: "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem... considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.6,11. Infelizmente a ênfase desta verdade de sabermos da nossa união com Cristo tem sido colocada de lado, porque priorisam o fato de considerar-se mortos, como se fosse este o ponto a ser alcançado, enquanto o que deve ser ressaltado é a necessidade de saber que estamos mortos. O ato de considerar-se deve basear-se no conhecimento da Palavra, pois, de outro modo, a fé não tem fundamento. As pessoas sempre procuram considerar-se, sem previamente saber. Não tiveram previamente a revelação do fato pelo Espírito, mas ainda assim procuram considerar-se e logo se vêem abraçados a toda espécie de dificuldades. “Quando as tentações se manifestam, começam fracamente a considerar-se: "Estou morto; estou morto; estou morto!” Mas, no próprio ato de considerar-se, perdem a serenidade. Depois, dizem: "não está dando certo”. Há certeza, de que realmente estou morto para o pecado, como experiência de vida, tem sua origem no entendimento que já fui crucificado, um fato que já foi consumado. Qual é o segredo de considerar-se? É a revelação. Precisamos de revelação da parte do próprio Deus, Mt 16.17 e Ef 1.17. A união com Cristo e uma experiencia de vida. É algo que vai além de conhecer sua doutrina; tal revelação não é coisa vaga e indefinida. Muitos recordam o dia em que aceitaram “a Cristo como Senhor e Salvador”, e devem ter está mesma certeza, de que também “morremos com Cristo”. Está morte não deve deixar duvidas, precisa estar bem definida, porque é a base para prosseguirmos. Estou morto não porque me considero assim, mas por causa daquilo que Deus fez comigo em Cristo, por isso me considero morto. É este o verdadeiro sentido de considerar-se. Não se trata de considerar-se para ficar morto, mas de considerar-se morto com Cristo, porque essa é a pura realidade. O segundo passo: Conciderar-se O que significa considerar-se? “Considerar” no Grego, significa “fazer contas”. A contabilidade é a única coisa no mundo, que nós seres humanos sabemos que deve ser exata. Considerai-vos, refere-se há uma atitude definida a tomar. Deus pede que
  • 22. 22 façamos a escrituração, lançando na conta: estou morto, e firmar-se nesta realidade. “Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, eu estava nele”; portanto, considero este fato verdadeiro e realizado. Considero e declaro que morri nele. Paulo disse: Considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como isso é possível? Em Cristo Jesus. Nunca se esqueça que é sempre e somente verdade em Cristo. Se você olhar para si, não sentirá está morte. É questão de fé no Senhor, de olhar para Ele e ver que já realizou. Reconheça e considere o fato consumado em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé. Conciderar-se e a Fé . Somos justificados pela fé em Cristo, Rm 3.28 e 5.1. A justificação, o perdão dos pecados e a paz com Deus tornam-se reais pela fé. Sem fé. ninguém pode desfrutar destas dadivas. Em Rm 6, no entanto, não encontramos a fé mencionada tantas vezes, e à primeira vista pode parecer que há uma mudança no ênfase, mas não é assim, porque a expressão “considerar-se” toma o lugar das palavras “fé” e ”crer”. Isto acontece, porque fé, crer e considerar-se neste contesto tem o mesmo significado. O que é fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e o seu fundamento sempre se encontra no passado, mas se relaciona com o futuro. Embora, a fé tenha muitas vezes o seu objetivo no futuro, como em Hebreus 11. Talvez, seja por essa razão que a palavra considerar-se, se relaciona unicamente com o passado, como algo já realizado, que nos faz olhar para trás e não como qualquer coisa ainda por acontecer. "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco", Mc 11.24. Fé é crer que já alcançou. Aqueles que dizem que Deus pode ou pode ser que Deus realize, não crêem de forma alguma, porque a fé sempre diz: Deus já fez. Portanto, quando é que tenho fé no que diz respeito à minha crucificação? Não quando digo que Deus pode ou Deus quer crucificar-me, mas quando afirmo com alegria: Graças a Deus, estou crucificado com Cristo! Desafios a fé: tentações e fracassos Sabemos que o Sangue trata dos nossos pecados e a Cruz de nós próprios. Mas que diremos com respeito à tentação? Qual será a nossa atitude quando os velhos desejos surgirem novamente? Pior ainda, se caírmos em pecados conhecidos mais uma vez? Será que cai por terra o que foi dito? Um dos principais objetivos de Satánas é nos levar a duvidar da Palavra de Deus Gn 3.4. Após termos recebido, pela revelação do Espírito, que estamos mortos em Cristo; vem o Diabo e coloca na mente: "Alguma coisa está se mexendo no seu íntimo; o que você diz a isto? Podemos dizer que isto é morte?" Qual será a nossa resposta em tal caso? Escolhemos crer nos fatos tangíveis do plano natural que estão perante os nossos olhos, ou nos fatos intangíveis do plano espiritual, que não se vêem nem se provam cientificamente? Devemos ser perseverantes a este respeito, porque a nossa fé precisa estar apoiada nas verdades divinas. Em que termos Deus declara que foi efetuada a nossa libertação? A sua Palavra não diz, que o pecado e a tentação, foram desarraigados ou removidos. Não, porque eles estão bem presentes, e se dermos oportunidade cairemos.
  • 23. 23 O método de Deus tratar dos pecados cometidos é direto, apagando-os da lembrança por meio do Sangue, mas no que diz respeito ao princípio do pecado e a libertação do poder do pecado, Ele opera através do método indireto: não remove o pecado, e sim, o objeto do pecado. O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e, por causa disto, o corpo, que antes fora veículo do pecado, fica desempregado, Rm 6.6. O pecado, ainda está presente, mas o escravo que o servia foi morto e o pecado não encontra mais lugar. Os membros que serviam ao pecado agora estão desempregados. A mão que jogava de apostas ou a língua que blasfemava estão agora desempregados; assim tais membros passam a ser úteis "a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.13. A vontade de pecar não faz parte da natureza daquele que é nascido de Deus. "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado... não pode viver pecando" IJo 3.9. Não esta dizendo que o pecado nunca mais entrará em nossa vida e que não pecaremos mais. A vida de Cristo foi plantada em nós pelo novo nascimento, e a Sua natureza é caracterizada por não cometer pecados. Há, porém, uma grande diferença entre a natureza de uma coisa e o seu comportamento, assim como, há uma grande diferença entre a natureza de Cristo que há em nós e o nosso viver diario. A questão consiste em escolher o que orienta a nossa vida, se são fatos tangíveis da nossa experiência diária ou a presença de Cristo em nós. O poder da Sua ressurreição está ao nosso lado, e todo o poder de Deus está operando na nossa salvação, Rm 1.16, mas está realidade divina depende de nossas escolhas para se tornar real em nossa experiencia de vida. Como é que substancializamos uma coisa? Primeiro devemos conhecer a diferença entre substância e substancializar? Uma substância é um objeto, uma coisa na minha frente. Substancializar significa que tenho poder ou faculdade de tornar aquela substância real para mim. Por meio dos sentidos, substancializamos as coisas do mundo e da natureza, e as transferimos para o nosso conhecimento e percepção interna para poder apreciá-las. A vista e o ouvido, por exemplo, são duas faculdades que nos permite substancializar a luz e o som. Ao olhar para as cores: vermelho, amarelo, verde e azul elas se tornam reais, mas se fechar os olhos, as cores deixam de ser reais; elas simplesmente desaparecem. Com a faculdade da vista possuo o poder de substancializar objetos e cores. Se fosse cego, não poderia substancializa-las ou se fosse surdo, não poderia substancializar a música. A música e a cor, no entanto, são realidades que não são afetadas por minha capacidade ou incapacidade de apreciá-las. Aqui estamos considerando algo superior, que embora não sejam vistas, são eternas, e portanto reais. Evidentemente, não é com nossos sentidos naturais que poderemos substancializar as coisas divinas. Há uma faculdade para a substancialização das coisas que se esperam de Cristo, é a fé. A fé faz com que as coisas que ainda não são reais, se tornem reais na minha experiência. A fé substancializa para mim as coisas de Cristo. "Foi crucificado com Ele o nosso velho homem", Rm 6.6. Por meio da fé substancializo está verdade; mas para os incrédulos, que não são iluminados espiritualmente, não é verdade. "Ora a fé é a certeza das coisas que se esperam e a con- vicção de fatos que se não vêem", Hb 11.1, “e as coisas que se não vêem são eternas", IICo 4.18. "A fé é a substancializaçao das coisas que se esperam", Hb 11.1 Darby. A palavra substancialização significa tornar real as coisas que se esperam
  • 24. 24 É importante lembrar que não estamos lidando com promessas, e sim, com fatos. As promessas de Deus nos são reveladas pelo Espírito, a fim de que nos apropriemos delas; os fatos porém, permanecem fatos, quer creiamos neles ou não. Se não crermos nos fatos da Cruz, estes ainda permanecerão tão reais como sempre, mas não terão qualquer valor para nós. A fé não é necessária para tornar fatos em coisas reais em si mesmos, mas sim, para substancializá-las e torná-las reais em nossa própria experiência. Qualquer coisa que contradiga a verdade da Palavra de Deus deve ser considerada mentira do Diabo. Qualquer fato que pareça real, aos nossos sentidos, deve curvar-se ao fato maior declarado pela palavra de Deus. Passei por uma experiência que serve para ilustrar este princípio. Há alguns anos, encontrava-me doente. Passei seis noites com febre alta, sem conseguir dormir. Finalmente, Deus me deu, através das Escrituras, uma palavra pessoal de cura e portanto, esperava que se desvanecessem imediatamente todos os sintomas da enfermidade. Ao invés disso, não conseguia conciliar o sono, e me senti ainda mais perturbado; a temperatura aumentou, o pulso batia mais rapidamente e a cabeça doía mais do que antes. O inimigo perguntava: "Onde está a promessa de Deus". "Onde está a sua fé? Qual o valor das suas orações?" Desta forma, senti-me tentado a levar o assunto de novo a Deus em oração, mas fui repreendido por este verso que me veio à mente: "A tua palavra é a verdade", Jo 17.17. Pensei, se a Palavra de Deus é a verdade, então, o que significam estes sintomas? Devem ser mentiras do inimigo e declarei: "Esta falta de sono é uma mentira, esta dor de cabeça é uma mentira, esta febre é uma mentira, esta pulsação elevada é uma mentira. Em face do que Deus me disse, os presentes sintomas de enfermidade são apenas mentiras, e a Palavra de Deus, para mim, é a verdade". Em cinco minutos, já estava dormindo e na manhã seguinte acordei perfeitamente curado. Ora, num caso pessoal como este, existe a possibilidade de ter me enganado a respeito do que Deus havia me dito, mas jamais poderá haver qualquer dúvida quanto ao fato da Cruz. Devemos crer em Deus, não importa quão convincentes pareçam os instrumentos de Satanás. O inimigo se utiliza da mentira para facilmente enganar os nossos sentidos, tanto por meio de palavras, como de gestos e atos. Ele recorre a sinais, sentimentos e experiências falsas na tentativa de abalar a nossa fé na Palavra de Deus. Se estivermos firmes na posição que nos foi revelada em Cristo, o fato de estarmos mortos para pecado será é uma realidade no nosso viver diário. Mesmo, que Satanás nos ataque com suas armas de engano, a escolha quem faz somos nós. Acreditamos nas mentiras do inimigo ou na verdade de Deus? Somos governados pelas aparências ou pela Palavra de Deus? Eu morri com Cristo, quer sinta, ou não. Como posso ter a certeza disso? Porque Cristo morreu por todos; e desde que "um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. Quer a minha experiência comprove ou não, o fato permanece inalterável. Enquanto, eu estiver conciente de que estou em Cristo, Satanás não poderá prevalecer contra mim. Sabemos que seu ataque será sempre contra a nossa certeza. O seu alvo é nos fazer duvidar da Palavra de Deus, quando isto acontece seu objetivo é alcançado, e estaremos em seu poder; mas se descansamos inabaláveis no fato declarado por Deus,
  • 25. 25 firmes em sua Palavra e crendo que suas obras são imutáveis, poderemos discernir as tática de Satanás. Toda a tentação consiste primariamente em desviar os olhos do Senhor, para depois, ser impressionado pelas aparências. A nossa mente sempre encontra uma montanha de motivos para nos desviar da Palavra de Deus. Pode ser qualquer coisa: fracassos, atitudes, sentimentos ou sugestões, tudo contribue para nos desviar do caminho. Se recorrermos aos sentidos na busca pela verdade, seremos induzidos pelas mentiras de Satanás, porém, se recusamos a aceitar qualquer coisa que contradiga as escrituras e mantivermos uma atitude de fé, veremos as mentiras do inimigo se dissolverem. O fato de estarmos firmes na Palavra produz uma real justificação e uma real santificação. Esta é a marca da maturidade, que Paulo aplicou aos galatas, quando disse: "De novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós", Ga 4:19. A fé é a substancialização das coisas que são eternamente verdade. Permanecer em Cristo Estamos familiarizados com as palavras do Senhor Jesus: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”, Jo 15.4. Elas nos lembram, mais uma vez, que jamais teremos que lutar para entrar em Cristo. Não nos mandam alcançar está posição, porque já estamos lá; a ordem é para permanecer onde já fomos colocados. Foi um ato do próprio Deus que nos colocou em Cristo, e nós devemos permanecer nele. Além disso, este versículo estabelece o princípio divino: que Deus fez a obra em Cristo, e não em nós como indivíduos. A morte e ressurreição do Filho de Deus incluí todos nós, porém foi cumprida totalmente à parte de nós. É a vida de Cristo que se torna a experiência do cristão, e não, que teremos experiências espirituais separadas dele. Fomos crucificados, vivificados, ressuscitados e sentados por Deus nos lugares celestiais, e nele estamos perfeitos, Rm 6.6, Ef 2.5,6 e Cl 2.10. Não se trata de alguma coisa, que ainda precisa ser efetuada em nós (embora carecemos deste aspecto). É algo que já foi efetuado, por estarmos associados com Ele. O que Deus fez, no seu propósito gracioso, foi incluir-nos em Cristo. Ao tratar de Cristo, Deus tratou do cristão; no seu trato com a Cabeça, tratou também dos membros. “É inteiramente errado pensar que podemos ter experiências espirituais separados de Cristo”. Toda a experiência espiritual do cristão esta fundamentada em Cristo como fonte de realização. O que chamamos de nossa experiência é somente a nossa entrada na vida de Cristo. Seria sem fundamento numa videira um galho produzir uvas vermelhas, outro uvas verdes e outro uvas roxas, porque os galhos não podem produzir uvas com características próprias, pois é a videira que determina as carateristicas dos galhos. Todavia, há crentes que buscam experiências próprias, para eles a crucifixão é uma coisa, a ressurreição é outra, a ascensão é outra, e nunca se detêm para pensar que todas estas coisas estão relacionadas com uma única Pessoa. Experiência espiritual verdadeira significa mais de Cristo em nós. Que coisa maravilhosa conhecer as realidades de Cristo como o fundamento da nossa experiência! Qual a finalidade das crises no viver cristão? Não há dúvida, que alguns passaram por crises em suas vidas. Por exemplo, G. Muller teve sua crise, quando previu a volta
  • 26. 26 de Jesus para o dia 22 de outubro de 1844; mas o fato não aconteceu. A realidade das experiências espirituais pelas quais passamos, nem sempre são positivas, porém as crises que nos sobrevem, sempre satisfazem ao propósito divino. As experiências que Deus permite que nos sobrvenham são apenas uma participação daquilo que Ele já passou, quando aqui esteve. “A experiência de Cristo torna-se a nossa, pois não temos uma vida separado da dele”. Todo o trabalho de Deus a esse respeito, não é efetuado em nós, mas em Cristo. Deus não faz um trabalho separado para cada indivíduo, à parte do que ele já fez no Calvário. Mesmo, a vida eterna não é dada a nós como indivíduos: “A vida está no Filho, e quem tem o Filho tem a vida", IJo 5.11-12. Deus fez tudo no seu Filho e nós somos incluidos nele; estamos incorporados em Cristo. Ora, o que queremos frisar com tudo isto, é que: Deus nos incluiu em Cristo e portanto, tudo que é verdade a respeito dele também se aplica a nós. Satanás sempre procura nos convencer, através de tentações, fracassos, sofrimentos e provações na tentativa de mostrar que estamos fora de Cristo. Geralmente, quando passamos por estas provações o nosso primeiro pensamento é que, se estivéssemos em Cristo, não estaríamos passando por estas crises. Então, começamos a orar: "Senhor, coloca-me em Cristo". Não! O mandamento de Deus é para permanecermos em Cristo. Mas, porquê deve ser assim? Porque este é caminho do livramento, pois dá a possibilidade de Deus intervir na nossa vida e realizar a sua obra em nós. Assim, há lugar para a operação do seu poder superior, o poder da ressurreição, Rm 6.4,9,10, de modo que os fatos de Cristo se tornam progressivamente os fatos da nossa experiência diária. “Onde antes o pecado reinou", Rm 5.21, agora descobrimos que já “não servimos o pecado como escravos”, Rm 6.6. À medida que permanecemos firmes nos fundamentos de Cristo, a sua experiência se torna realidade em nós. Mas, se ao invés disto, olharmos para a base daquilo que somos, para nós próprios, acharemos que tudo que se relaciona a nossa velha natureza continua vivo em nós. Por isso, muitas vezes vamos procurar a morte do nosso eu no lugar errado. É em Cristo que a encontramos. Mortos para o pecado, mas "vivos para Deus", Rm 6.11. Permanecei em mim e eu em vós. Esta frase consiste em um mandamento ligado a sua promessa. O trabalho de Deus, tem um aspecto objetivo e outro subjetivo, e o lado subjetivo depende do objetivo; Deus em nós é o resultado da nossa posição de permanecer nele. Não devemos nos preocupar demais com o lado subjetivo das coisas, que nos leva a ficar voltados para nós mesmos, e sim, permanecer naquilo que é o nosso objetivo, permanecer em Cristo, e deixar que Deus tome conta do aspecto subjetivo. Para andar com Deus a nossa atenção deve fixar-se em Cristo. Permanecei em mim, e eu em vós, esta é a ordem divina. É assim que o apóstolo Paulo apresenta esta verdade: "Todos nós... contemplando... a glória do Senhor, somos transformados na sua própria imagem", IICo 3.18. O mesmo princípio domina na vida frutífera: "Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto", Jo 15.5. Não devemos nos preocupar em produzir frutos, nem nos concentrar no frutos produzidos. A parte que nos toca é olhar para Cristo, porque ele irá cumprir a sua Palavra em nós. Como é que permanecemos em Cristo? Vós sois de Deus em Cristo Jesus. Coube a Deus nos colocar em Cristo, e ele já o fez. Agora, que estamos em Cristo não olhamos
  • 27. 27 para nós mesmos, como se não estivéssemos nele, mas olhamos para Cristo, e nos vemos nele, com a certeza que Deus nos incluiu no seu Filho, e a nossa expectativa é que ele complete a sua obra em nós. Cabe a Ele cumprir a gloriosa promessa de que "o pecado não terá domínio sobre vós", Rm 6.14.
  • 28. 28 V A LINHA DIVISÓRIA DA CRUZ O reino deste mundo não é o reino de Deus. Deus tinha no seu coração um sistema cósmico, o universo da sua criação teria Cristo, o seu Filho, por cabeça, Cl 1.16,17. Satanás porém, operando através da carne do homem estabeleceu um sistema rival, conhecido nas Escrituras como este mundo, sistema em que nós estamos envolvidos e que é dominado por Satanás. Ele se tornou realmente "o príncipe deste mundo", Jo 12.31. Desta forma, nas mãos de Satanás, a primeira criação se transformou em velha criação, e Deus está trabalhando para reverter está situação. Ele está introduzindo a nova criação, o novo reino e o novo mundo e nada da velha criação, do velho reino e do velho mundo poderá ser transferido para o novo. Trata-se de dois reinos rivais, nós temos que fazer a escolha a qual deles damos a nossa lealdade. O apóstolo Paulo, não nos deixa em dúvidas sobre qual dos dois reinos realmente pertencemos, quando disse: que Deus, pela redenção, "nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor", Cl 1.13. Deus teve que fazer algo novo, nos transformar em novas criaturas, porque nada que pertença a velha criação entrará em seu novo reino. "O que é nascido da carne, é carne," e "carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção", Jo 3.6; ICo 15.50. A carne, por mais educada, culta e melhorada que seja, continua sendo carne. O que determina se estamos aptos para o novo reino é a criação à qual pertencemos. Se pertencemos à antiga criação ou à nova? Nascemos da carne ou do Espírito? Em última análise, é a nossa origem que define se somos aptos para o novo reino. A questão não é o fato de sermos bons ou maus, e sim, se pertencermos à carne ou ao Espírito. "O que é nascido da carne, é carne", e nunca será outra coisa. O que pertence à velha criação, nunca poderá ser transferido para a nova, tem que morrer. Uma vez que realmente compreendemos que Deus procura algo inteiramente novo para si, perceberemos que nada há do velho mundo que possa contribuir para o novo. Deus nos desejou para si mesmo, mas não poderia nos levar assim como estávamos. Para pertencermos a nova criação, é necessário eliminar a nossa velha vida. Isto, se tornou possivel através da cruz, ressureição e glorificação de Cristo. "Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. Sendo, agora, uma nova criatura, com uma nova natureza, podemos entrar no novo reino e no novo mundo. A Cruz foi o meio que Deus empregou para pôr fim às coisas antigas, pondo inteiramente à parte o nosso velho homem, e a ressurreição foi o meio que ele empregou para nos transmitir tudo que era necessário para a nossa vida no novo mundo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4.
  • 29. 29 O maior ato de correção do universo é a Cruz, porque por meio dela, Deus riscou e destruiu tudo o que não era dele. O maior ato de beneficio do universo é a ressurreição, pois por meio dela, Deus trouxe à existência tudo o que ele quer que desfrutemos nesta nova esfera. Assim, a ressurreição está no limiar da nova criação. É coisa abençoada ver que a Cruz acaba com tudo aquilo que pertence ao primeiro sistema e que a ressurreição introduz tudo o que pertence ao novo sistema. Tudo o que teve o seu começo antes da ressurreição deve ser abolido. A ressurreição deve ser, antes de tudo, o novo ponto de partida para Deus. Temos pois, dois mundos diante de nós, o velho e o novo. No velho, Satanás tem domínio absoluto. Você pode ser um homem bom na velha criação, mas enquanto a ele pertencer está sob a sentença de morte, porque coisa alguma da velha criação pode ter acesso à nova. A Cruz é o ato de Deus para nos transformar, onde tudo o que pertence à velha criação tem que morrer. Nada do primeiro Adão pode passar para além da Cruz, tudo acaba ali. Quanto mais cedo percebemos isso melhor, pois foi pela Cruz que Deus traçou para nós um caminho de libertação da velha criação. Deus reuniu na Pessoa do seu Filho, tudo o que era de Adão, e crucificou; assim, tudo o que era de Adão foi abolido por meio de Cristo. Depois, por assim dizer, Deus fez uma proclamação por todo o universo, dizendo: "Pela Cruz, eu afastei tudo que não é meu; vós que pertenceis à velha criação estão todos incluídos nela; porque vós também fostes crucificados com Cristo!” Ninguém pode escapar deste veredito. Isso nos leva ao assunto do batismo. "Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepul- tados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.3,4. Qual é o significado destas palavras? O batismo, nas Escrituras, está associado com a salvação. "Quem crer e for batizado será salvo", Mc 16.16. Não podemos falar de regeneração batismal, mas podemos falar de salvação batismal. O que é a salvação? Ser salvo não está relacionado apenas com os nossos pecados, nem com o poder do pecado, mas com o Cosmos, ou sistema do universo. Neste mundo estamos envolvidos no sistema satânico. Ser salvo, significa sair deste sistema de Satanaz e entrar no sistema cósmico de Deus. Por causa da cruz de Crisro, "o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo", Gl 6.14. Veja a ilustração desenvolvida por Pedro, quando escreveu acerca das oito almas que foram "salvas pela água", IPe 3.20. Entrando na arca, Noé e os que estavam com ele marcharam, pela fé, para fora daquele mundo velho e corrupto, com destino a um mundo novo. Não se tratava deles pessoalmente não terem se afogado, mas por se encontrarem fora daquele sistema corrupto. Isto é salvação. Pedro prossegue: “a qual [as aguas do diluvio], figurando o batismo agora também vos salva", IPe 3.21. Noutras palavras, o aspecto da Cruz figurado no batismo, nos liberta deste mundo mau. Pelo batismo nas águas estamos unidos em sua morte na cruz, pondo fim a velha criação; mas também visa uma nova criação em Jesus Cristo, Rm 6.3. Ao afundarmos na água o nosso velho mundo, figurativamente, também afunda conosco e ao emergimos em Cristo, o nosso velho mundo e o velho homem ficam afun- dados (sepultados).
  • 30. 30 Disse Paulo em Filipos. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os da sua casa... A seguir foi ele batizado, e todos os seus, At 16.31-33. Atravéz deste ato testificaram perante Deus, perante o povo e aos poderes espirituais que se encontravam realmente salvos de um mundo sob julgamento. Como resultado, "todos os seus, manifestava grande alegria por terem crido em Deus", At 16.34. É claro, pois, que o batismo não é mera questão de uma taça de água, nem mesmo de um batistério de aspersão de água, sendo algo muito maior, porque está relacionado com a morte e ressurreição do Senhor Jesus. Para ser real, torna-se nescessário afundar, sepultar em aguas profundas, e depois emergir em novidade de vida. Tendo em vista a separação entre os dois mundos existentes, o velho e o novo. A sepultura significa o fim Qual é a minha resposta ao veredito de Deus sobre a velha criação? Respondo, pedindo o batismo, porque o batismo significa sepultuamento. "Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.4. O batismo está evidentemente relacionado tanto com a morte como com a ressurreição. Mas quem está preparado para a sepultura? Somente os mortos. De modo que, quando pedimos o batismo, proclamamos que estamos mortos e aptos somente para a sepultura. Se os nossos olhos não forem abertos por Deus, para ter o entendimento que morremos com Cristo e que fomos sepultados juntamente com ele, não temos o direito de ser batizados. A razão de entrarmos na água, é o reconhecimento de que aos olhos de Deus, já morremos. É está verdade que testificamos. A pergunta de Deus é clara e simples: "Cristo morreu e incluíu você nele”; qual a sua resposta? Respondo: "Creio Senhor que tu já operaste a crucifixao, e digo sim, à morte e à sepultura”. Cristo levou-me à morte e à sepultura, e ao pedir o batismo, dou meu testemunho público deste fato. Na China, certa mulher perdeu o marido, mas sofrendo um problema mental provocado pela perda, recusou-se totalmente a permitir que ele fosse sepultado. Dia após dia, durante uma quinzena, ele jazeu em casa. "Não" dizia ela, "ele não está morto; falo com ele todas as noites". Não queria que o marido fosse sepultado porque a coitada não acreditava que estivesse morto. Quando é que estamos prontos a sepultar os nossos queridos? Apenas, quando certificamos que eles faleceram. Enquanto restar a mais tênue esperança de que eles podem estar vivos, nunca iremos sepultá-los. Quando é, pois, que peço o batismo? Quando percebo que o caminho de Deus é perfeito, que mereço morrer, e estou verdadeiramente preparado perante Deus, para entregar o velho homem para ser sepultado. Só, então posso dizer: "Graças a Deus estou morto para o mundo! Senhor, sepulta-me!" Há um mundo velho e um mundo novo, e entre os dois há um túmulo. Deus já me crucificou, mas eu tenho que consentir em colocar o velho homem no túmulo. O meu batismo confirma a sentença de Deus pronunciada sobre mim na cruz do seu Filho. Declara que eu fui cortado do velho mundo, e que pertenço agora ao novo. Assim, o batismo é um ato de grande importância. Significa para mim um corte consciente e definitivo com o velho modo de vida. É este o significado de, Rm 6.2, "Como viveremos ainda no pecado, nós que para ele morremos?". Paulo diz, com efeito: "Se querem
  • 31. 31 continuar no velho mundo, porquê então ser batizados? Nunca deveriam ser batizados se tencionavam continuar a viver no velho sistema". Uma vez que temos entendimento, desimpedimos os alicerces da nova criação, pelo ato de consentir em sepultar a velha. Depois, em Rm 6.3,5, escrevendo ainda àqueles que foram batizados, ele afirma que fomos "unidos com ele (Cristo) na semelhança da sua morte", porque pelo batismo reconhecemos, em figura, que Deus operou uma união íntima entre nós e Cristo, no que se refere à sua morte e ressurreição. Certo dia, procurava dar relevo a esta verdade perante um irmão. Tomávamos chá juntos, e tomei um cubo de açúcar e o coloquei na minha xícara de chá. Dois minutos depois perguntei: "Pode me dizer agora onde está o açúcar e onde se encontra o chá?" "Não", disse ele. "Juntaram-se, um se uniu ao outro; não podem agora ser separados". Era uma ilustração simples, mas auxiliou a perceber a intimidade e a finalidade da nossa união com Cristo na morte. Foi Deus que nos incluiu nele, e os atos de Deus não podem ser anulados. Qual é o significado real desta união? Na Cruz fomos inseridos na morte de Cristo, onde a sua morte tornou-se a nossa. As duas mortes se identificaram tão intimamente que é impossível traçar uma divisão entre elas. É está união com Cristo, operada por Deus, que acontece conosco, quando consentimos em ser imersos na água pelo batismo. O testemunho público do batismo é hoje o nosso reconhecimento, de que a morte de Cristo há dois mil anos incluiu a todos. É suficientemente poderosa e inclusiva para por termo a tudo que não provém da parte de Deus. Ressurreição em novidade de vida ”Se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressureição”, Rm 6.5. Em relação a ressureição, a figura é diferente, porque algo novo é introduzido. “Sou batizado na sua morte”, mas não entro na sua ressureição exatamente assim. Louvado seja o Senhor, porque é a sua ressureição que me comunica uma vida nova. Na morte do Senhor resalta-se somente, eu em Cristo. Com a ressureição um novo enfase e acrecentado, Cristo em mim. Como é possivel que Cristo me comunique sua vida ressurreta? Como recebo está vida nova? Paulo diz que fomos unidos, no Grego o sentido é enxertados. Assim, a vida divina e sem pecado de Cristo foi comunicada a nós atravéz da sua ressurreição. Como pode uma árvore produzir fruto de outra? Como pode uma árvore inferior produzir bom fruto? Somente por meio do enxerto. Somente se nela implantarmos a vida de uma árvore boa. Se um homem pode enxertar um ramo de uma árvore noutra, não pode Deus tomar da vida de Seu Filho e enxertá-la em nós? Certa mulher chinesa queimou o braço gravemente e foi levada ao hospital. A fim de evitar sérias complicações devido à cicatrização, achou-se necessário enxertar um pouco de pele nova na área lesada, mas o médico cirurgião tentou em vão enxertar um pedaço da pele da própria mulher no braço. Devido à sua idade e a uma alimentação deficiente, o enxerto da pele era demasiado pobre e não pegava. Então, uma enfermeira estrangeira ofereceu um pedaço de pele, e a operação foi feita com êxito. A pele nova uniu-se com a velha e a mulher saiu do hospital com o braço perfeitamente curado; mas
  • 32. 32 ficou ali um remendo de pele branca e estrangeira no seu braço amarelo, para contar aquele incidente do passado. Se um cirurgião humano pode tomar um pedaço da pele de uma pessoa e enxertá-lo noutra, não pode o Divino Cirurgião implantar a vida de seu Filho em mim? Não sei como é feito. "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito", Jo 3.8. Não sabemos explicar como Deus realizou a sua obra em nós, só sabemos que o fez. Deus já completou a obra por meio da ressurreição de Cristo. Deus fez tudo. Há somente uma vida frutífera no mundo, e esta vida tem sido enxertada em milhões de outras vidas. É isto que chamamos novo nascimento. O novo nascimento é quando recebo uma vida que eu não possuía antes. Não se trata da minha vida ter sido, de algum modo, modificada, e sim, que outra vida, uma vida inteiramente nova, inteiramente divina, foi implantada em mim. Deus cortou e excluiu a velha criação pela Cruz do Seu Filho, a fim de produzir uma nova criação em Cristo, pela ressurreição. Encerrou a porta para o velho reino das trevas e me transferiu para o reino do seu Filho Amado. Eu me glorio nisso, que pela Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele velho mundo "está crucificado para mim e eu para o mundo", Gl 6.14. O meu batismo é o meu testemunho público real deste fato e por meio dele, assim como pelo meu testemunho oral, faço a minha confissão para a salvação.
  • 33. 33 VI A VEREDA DO PROGRESSO: OFERECER-SE Vamos considerar agora a verdadeira natureza da consagração. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.12;13. Paulo diz: “Oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos”. O que aqui se refere não é a consagração de qualquer coisa pertencente à velha criação, mas somente o que passou através da morte para a ressurreição. A atitude de oferecer-se é o resultado de saber e conciderar, que o meu velho homem foi crucificado. Saber, considerar-se e oferecer-se a Deus esta é a ordem divina. Sabendo isto, que fui crucificado com Cristo, então, espontaneamente, “me considero morto”, Rm 6.6,11 e quando tenho entendimento que ressuscitei juntamente com Ele dentre os mortos, então, considero-me "vivo para Deus em Cristo Jesus", Rm 6.9,11.Tanto o aspecto da cruz, denominado morte, como o da ressurreição, que é a nova vida, se tornam reais pela fé. A nossa entrega depende desta revelação. Na ressurreição, Cristo é a fonte da minha vida, de modo que ofereço tudo a ele, pois tudo foi feito por ele e para ele. Mas, sem passar pela morte, nada tenho para consagrar, nada há de aceitável a Deus, pois tudo quanto é da velha criação, já foi condenado na cruz. A morte acabou com tudo o que não pode ser consagrado a Deus, somente a ressurreição torna possível qualquer consagração. Oferecer-me a Deus, significa que daqui em diante considero a minha vida como pertencente a ele. O terceiro passo: Oferecer-se O ato de oferecer-se está relacionado aos membros do nosso corpo, que agora estão desempregados, porque tudo o que se relaciona com o pecado está morto. "Oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus como instrumento de justiça", Rm 6.13. Deus quer que consideremos todos os nossos mem- bros e faculdades como propriedades dele. É uma coisa grandiosa quando descobrimos que não pertencemos mais a nós mesmos, pois somos dele. Porquê Cristo ressuscitou, estamos vivos para Deus e não para agradar a nós próprios! A vida cristã real começa com o conhecimento desta verdade. Será, que a nossa vida está fundamentada neste sentimento tão forte de pertencer a Outro e não mais utilizarmos o nosso tempo, dinheiro e talento para satisfazer a nossa própria vontade? Certa ocasião, um irmão chinês viajava de trem, juntamente com três pessoas não crentes, que queriam jogar baralho para passar o tempo. Faltando um quarto parceiro para completar o jogo, convidaram este irmão a fazer parte da partida. "Lamento decepcioná-los", disse ele, "mas não posso participar do jogo, porque não trouxe
  • 34. 34 comigo as minhas mãos". Atônitos, olharam para ele e disseram: "Que é que você quer dizer?". "Este par de mãos não me pertence", disse ele, passando então a explicar a transferência de propriedade que tivera lugar na sua vida. Aquele irmão considerava os membros do seu corpo como pertencentes inteiramente ao Senhor. Este é o verdadeiro caminho para santificação. "Oferecei, agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação", Rm 6.19. Tornemos real o ato de "oferecer-nos a Deus". Separados para o Senhor O que é santidade? Muitas pessoas pensam que para tornar-se santos precisam eliminar o mal que existe dentro deles. Não, o verdadeiro sentido de santidade se refere: a ser separados para Deus. Nos tempos do Antigo Testamento o homem escolhido para ser inteiramente de Deus era publicamente ungido com óleo e dizia-se então, que estava santificado. Daí em diante era considerado como posto à parte para Deus. Do mesmo modo, os animais e até as coisas, um cordeiro ou os útencilios de ouro do templo podiam ser santificados, não pela extirpação de alguma coisa má, mas por estarem reservados exclusivamente para o Senhor. A santidade, no sentido hebraico, significava posto à parte para o Senhor, Ex 8.36. A verdadeira santificação é entregar-se inteiramente a Cristo. Oferecer-me a Deus, implica no reconhecimento de que sou inteiramente dele. Este ato de me entregar ao Senhor é algo bem definido, tal como, o reconhecimento de que em certo dia da minha vida, eu passei das minhas próprias mãos para as mãos dele, e a partir deste dia não pertenço mais a mim mesmo. Isso significa, que não me consagro para ser pregador ou missionário, mas me consagro ao Senhor. Infelizmente, muitos são missionários não porque se consagraram a Deus, mas por consagrar a si proprio. Então, utilizam suas faculdades naturais não crucificadas, para realizar a obra de Deus; porém, está não é a consagração que Deus pede de nós. O que deve ser consagrado? Não, é a nossa vontade de fazer a obra de Deus, e sim, nos mesmos para entender e fazer à vontade de Deus. Se você é crente, então Deus, já tem um caminho preparado para você, uma carreira como disse Paulo, “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”, IITm 4.7. Não só a carreira de Paulo, como também a de todo crente, foi claramente traçada por Deus; é de máxima importância que cada um conheça e ande no caminho designado por Deus. Se não comhecemos a vontade de Deus, podemos orar: "Senhor entrego-me a ti, com o desejo sincero de conhecer e andar no caminho que escolheste para mim". Essa é a verdadeira entrega. Se no fim da vida pudermos dizer como Paulo: Completei a carreira, então seremos verdadeiramente abençoados. Não há nada mais trágico do que chegar ao fim da vida e descobrir que andamos no caminho errado. Temos apenas uma vida para viver e somos livres para fazer com ela o que nos agradar, mas se buscarmos o nosso próprio prazer nunca glorificaremos a Deus. Ouvi certa vez uma irmã devota dizer: "Nada quero para mim; quero tudo para Deus". Você deseja alguma coisa separadamente de Deus, ou todo o seu desejo se centraliza na vontade dele? Será que podemos dizer que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita", Rm 12.2? A nossa vontade com tendencias para as coisas do mundo, tem que ir à cruz, para que a vontade de Deus prevaleça em nós. Não podemos esperar que um alfaiate nos faça