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1
A alma do homem é o
próprio homem, onde reside
a sua personalidade, o seu
caráter e os seus desejos.
2
I
VIVER NA CARNE OU NO ESPIRITO DE DEUS
A alma está ligada ao mundo natural através do corpo e está ligada ao mundo
espiritual através do espirito. Na queda do ser humano, o espirito dado por Deus deixou
o comando para a alma, como a alma é fraca, deixa-se governar pelo corpo, que é a
carne.
Aqueles que não nasceram de novo estão mortos, podem não ter consciência de
seus pecados ou podem estar orgulhosos considerando-se melhores que os outros. O
homem não entende a palavra de Deus e tenta melhorar e reformar a sua carne. “O que
nasce da carne é carne” Jo 3.6. Deus afirma que a carne é imutável. Se tentarmos
reformar a carne, estamos tentando mudar o que Deus disse que é imutável. Deus não
transforma a carne, ele nos dá o poder para vencer a concupiscência da carne. A carne
deve ser crucificada. “Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas
paixões e concupiscências” Ga 5.24. A minha carne foi crucificada, mas as tentações
continuam a nos provar, porém não cedemos, porque morremos para o pecado.
A carne é totalmente corrompida, a única maneira de se libertar dos pecados da
carne é a sua morte. “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que,
como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela gloria do Pai, assim também
andemos nós em novidade de vida” Rm 6.4. Nós não temos que crucificar a carne, mas
sim, reconhecer o que Deus nos diz, que a carne foi crucificada na cruz. Não andar mais
segundo nossa visão do pecado, mas sobre a nossa fé na palavra de Deus. Todos que
aceitaram a Jesus estão cheios do Espirito de Deus e não tem inclinação para o pecado,
porém não estão livres de cair em pecado. Qual morte nós escolhemos? A morte da
carne, que é a cruz, para vivermos no Espirito de Deus ou a morte do Espirito para
vivermos na carne, que é a vontade do nosso corpo. Se a carne estiver viva o Espirito
Santo não pode se manifestar em nós. Cristo liberta o crente do poder do pecado por
meio da cruz e por meio do Espirito Santo, residente nele, capacita-o a vencer o seu eu,
dia após dia, para uma obediência completa. A negação do eu tem que ser uma
experiência diária e continua. Deus quer que todos venham a ele, num espirito de
dependência, totalmente submissos a seu Espirito e esperando humildemente nele.
Cristo crucificado é a sabedoria de Deus em nós. Tem que acontecer uma transformação
em nossa vida, de maneira que, agora, amamos o que antes odiava e odiamos o que
antes amava. Vivendo pela fé na obra do Senhor Jesus.
Tentar seguir a Deus sem negar o eu é a raiz de todos os fracassos. Se não damos à
carne a oportunidade de pecar, ela está disposta a fazer o bem. Embora, se lhe dermos
oportunidade de fazer o bem, logo voltará a pecar, é assim que Satanás engana os filhos
de Deus. Se os crentes mantivessem a carne crucificada, o inimigo seria vencido, porque
é na carne que ele age com suas tentações. Se toda carne, não só uma parte, estiver
crucificada, ele não tem como agir, fica sem trabalho. Por isso, ele está disposto a
permitir que levemos à parte pecaminosa de nossa carne a morte, se ele puder nos
enganar para que retenhamos a parte boa. O inimigo sabe perfeitamente, se a parte boa
3
permanecer intacta, a vida da carne ficará preservada, ainda terá um lado da ponte para
recuperar o território perdido e retornar ao pecado. Isto explica porque muitos crentes
tornam a servir ao pecado depois de terem sido libertos.
Se, o Espirito Santo não tiver o controle na questão de adoração a Deus, também
não poderá manter o domínio na nossa vida diária. Se eu não me negar por completo
diante de Deus, também não posso me negar diante dos homens e vencer o meu ódio e o
meu egoísmo. Por ignorar esta verdade, os crentes tentam aperfeiçoar pela carne o que
começaram no Espirito. Se não proibimos a carne de fazer o bem natural, não podemos
impedi-la de fazer o mal. Precisamos ter o entendimento, que a corrupção da carne é a
mesma ao gabar-se por fazer o bem, como a de seguir as más paixões. O Senhor Jesus
disse: “O espirito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” Jo 6.63. Tanto faz, se
for o pecado da carne ou a bondade da carne. Por mais, que os crentes tentem
aperfeiçoar a carne, aos olhos de Deus tudo é inútil. Porque a carne não pode melhorar a
vida espiritual, nem efetuar a justiça de Deus: “Porque o pendor da carne dá para a
morte” Rm 8.6. A única saída é levar a carne a cruz. “Por isso, o pendor da carne é
inimizade contra Deus” Rm 8.7. A carne se opõe a Deus. “Não está sujeito à lei de
Deus, nem mesmo pode estar” Rm 8.7. Quanto mais a carne se esforça, mais se afasta
de Deus. “Pela lei vem o conhecimento do pecado” Rm 3.20. “Os que estão na carne
não podem agradar a Deus” Rm 8.8, Só podemos agradar a Deus, através de seu Filho.
O que fazemos pode parecer bom, mas provem da carne. Para satisfazer a Deus, a
origem das nossas intenções deve estar em Jesus, somente nele, o único que satisfaz a
Deus. Agora, que sabemos como são inúteis os esforços da carne para agradar a Deus,
precisamos viver de acordo com a vontade do espirito.
Como seres humanos, podemos discernir mentalmente quais são as boas obras e as
más. Deus vai além e faz a distinção apoiada na origem de cada obra. Repito, a melhor
das ações da carne desagrada a Deus tanto quanto uma obra má, porque as duas são da
carne. Do mesmo modo, que a injustiça aborrece a Deus, a justiça própria também o
aborrece. As boas ações que fazemos naturalmente sem a regeneração que provem da
união com Cristo ou da dependência do Espirito Santo, não são menos carnais para
Deus, do que a imoralidade, impureza e libertinagem. Por melhores que sejam as ações
do homem, senão vierem de uma verdadeira confiança no Espirito Santo, são carnais, e
Deus as rejeita. Tudo que pertence à carne aborrece a Deus, Ele não leva em conta a
aparência de santidade ou pecaminosidade. Seu veredicto sempre é: a carne deve
morrer. “Eu sei, isto é, em minha carne não habita bem algum” Rm 7.18. Muitos
pensam que só as pessoas do mundo precisam ser convencidas de seus pecados. A
convicção que todos somos pecadores deve ser produzida de modo incessante em nossas
vidas, para que não esquecermos nem por um momento a nossa verdadeira condição e a
avaliação que Deus faz da vida carnal.
Se houve alguém que poderia se orgulhar de sua carne, este seria Paulo, porque teve
um encontro com Cristo ressuscitado e foi usado grandemente por ele. Deus abriu os
seus olhos para que visse, que em sua carne não habitava bem algum, só o pecado. A
justiça própria, que tinha se orgulhado no passado, considerou lixo e a partir daí,
aprendeu a não confiar mais na carne. “Não tendo justiça própria, que procede da lei,
se não a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus” Fp 3.9. Da
mesma maneira, que o cristão deve ser libertado do poder do pecado da carne por meio
da cruz, também deve ser libertado da justiça da carne.
4
Andando no espirito, o crente não vai seguir a carne para o pecado nem para a
justiça própria. Se, estamos na carne e não no espirito, tudo o que fazemos tem por
intenção a ostentação própria, com o objetivo de ser visto e admirado pelos outros.
Existe tanto o bem natural como o mal natural em nossa carne, só o Espirito de
Deus pode vivificar a carne. Não estamos discutindo o pecado, mas as consequências da
vida natural do homem. Tudo o que é natural, não é espiritual. Tanto a nossa justiça
própria, como a nossa sabedoria devem ser cravadas na cruz.
A vida da carne pode ser usada no serviço a Deus: na oração, no louvor e na
execução de boas obras. O cristão pode fazer com que a sua vida natural de a impressão
que está servindo a vontade de Deus, mas “os que estão na carne não podem agradar a
Deus” Rm 8.8. Porque, a origem de todas as coisas que realizamos deve estar
unicamente no espirito.
Antes, que o Espirito Santo possa encher plenamente uma pessoa, tem que haver
uma entrega completa da carne a cruz. Ser crucificado com Cristo significa aceitar o
vitupério, que nosso Senhor aceitou. Não somos humildes o suficiente para aceitar de
boa vontade a cruz, resistimos em admitir, que somos impotentes, inúteis e totalmente
corruptos até o ponto de visualizar, que para nós não existe outra saída, a não ser a
morte.
Que morte é essa? É morte consciente do eu, que abre o caminho para o Espirito
Santo atuar em nosso íntimo por meio da cruz, fazendo com que o Espirito de Jesus seja
a nossa experiência de vida. Como a morte acontece? O Espirito da cruz atua em nossas
escolhas até que o morrer para as coisas que o mundo oferece seja completo. O ato de
crucificar o nosso ego na cruz é permanente. Não nos enganemos pensando que somos
tão avançados espiritualmente, que a carne já não tem poder para nos seduzir. Essa é a
intenção do inimigo, a de nos apartar da base da cruz, com o objetivo de nos tornar
carnais interiormente e espirituais por fora. O caminho seguro está no Espirito Santo de
quem dependemos e por meio da sua presença, seremos ensinados a não ceder terreno à
carne. Temos que nos submeter com alegria e confiar que o Espirito Santo nos dará
forças para crucificar a carne na cruz de Cristo. Se antes, éramos cheios do poder
natural, agora estamos cheios do Espirito, e podemos dizer: “a vida que agora vivo na
carne, não a vivo eu, mas Cristo vive em mim” Ga 2.20. Devemos simplesmente
acreditar, que nosso Senhor nos deu seu Espirito e que agora ele habita em nós. Este é o
mistério de Deus: a vida de Cristo habitando em nós, por meio do seu Espirito que
reside no mais profundo do nosso ser, no nosso espirito. O que devemos fazer para
tornar este fato uma realidade em nós? Devemos aprender a esperar no espirito. Esta
direção, não surge na mente ou nos pensamentos; mas através da vida do Espirito de
Deus se manifestando em nós. Temos que ceder diante de Deus e deixar que seu
Espirito governe tudo. Ele vai manifestar o Senhor Jesus em nossa vida. “Porque
circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espirito, e nos gloriamos em Cristo
Jesus, e não confiamos na carne” Fp 3.3. Temos que confiar no Espirito Santo, e nos
submeter somente a ele. Com este tipo de confiança e obediência a carne perderá todo o
seu poder. Por isso, o espirito deve ter o controle da nossa mente e dos nossos
pensamentos, porque o que acontece em segredo em nosso intimo irá se manifestar
externamente em palavras e atos.
5
II
O VELHO HOMEM E A CRUZ
A libertação do poder do pecado acontece no exato momento em que o pecador
aceita ao Senhor Jesus como Senhor e Salvador; este é o momento em que ele nasce de
novo. Ele não precisa esperar ser um crente de muitos anos de estrada, nem sofrer uma
multidão de derrotas para usufruir desta verdade. “Sabendo isto, que o nosso velho
homem foi crucificado com ele, (no batismo) para que o corpo do pecado fosse desfeito,
a fim de não servirmos mais ao pecado” Rm 6.6. A Palavra nos diz, que fomos escravos
do pecado e o pecado era nosso amo. Temos que reconhecer que o pecado tem poder,
porque nos torna escravos. O poder do pecado nos arrasta para obedecer ao velho
homem, de modo que passamos a pecar. Pecamos porque o velho homem ama o pecado
e o seu poder está carregado de desejos carnais.
O processo de pecar segue está ordem:
• O pecado usa seu poder para atrair o homem e induzi-lo a pecar.
• O velho homem se deleita no pecado e submete o corpo a pecar.
• O corpo serve como um boneco, um escravo e pratica o pecado.
O pecado se apodera do corpo e o força a servidão. O corpo passou a ser fortaleza
do pecado, seu instrumento e guarnição. Portanto, não há designação mais apropriada
para o velho homem do que o corpo do pecado:
• “Para que o corpo do pecado seja reduzido à impotência” Rm 6.6.
• “Não reine, pois o pecado em seu corpo mortal, de modo em que o obedeçam em
suas concupiscências”, Rm 6.12.
• “Nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumento
de iniquidade” Rm 6.13.
• “Me fazendo cativo do pecado que está em meus membros” 7.23.
Deus não arranca a raiz do pecado que reside dentro do homem, nem elimina o
pecado que está do lado de fora do homem (o pecado que está no mundo, que é a
tentação); ele trata do velho homem, que está entre estes dois lados.
O Senhor Jesus quando esteve na cruz, levou sobre si não só os nossos pecados,
mas também nosso velho homem para morte. Como a cruz é um fato consumado,
também o nosso velho homem, que foi crucificado com ele, é um fato consumado. A
atitude do crente de ficar crucificando a si mesmo, demostra falta de revelação ou falta
de fé. Os resultados são evidentes, não possuem poder para serem libertos do pecado. A
Palavra nunca nos instruiu para que crucifiquemos a nós mesmos. Ela diz: que
estávamos em Cristo, quando ele foi ao calvário e ali nos crucificou juntamente com ele.
Se, fomos crucificados com Cristo, um fato que já se realizou. Como é maravilhosa a
realidade de estarmos em Cristo, e nele, sermos libertos do pecado. Entretanto, o fato
de termos a certeza desta verdade, não nos capacita a resistir à tentação. Está revelação
se confirma pela presença do Espirito Santo, que manifesta em nossa vida o seu poder,
nos capacitando a acreditar e viver está verdade. A fé vem pela revelação.
6
Como consequência da crucificação do velho homem, o corpo do pecado foi
reduzido à impotência. Anteriormente, quando o pecado nos estimulava, o nosso velho
homem respondia e o corpo cometia pecado. Com a crucificação do velho homem e sua
substituição pelo novo homem, o pecado ainda pode tenta-lo, mas não prospera, porque
aquele que se deleitava com o pecado está morto. A ocupação do corpo antigamente era
pecar, planejava e arquitetava os pecados, mas este corpo de pecado agora está sem
ocupação, porque o velho homem foi posto de lado. Louvado seja o Senhor por esta
nova vida, onde não servimos mais ao pecado como escravos. Isto, foi o que Deus fez
em nós, para nos libertar do poder do pecado. O pecado não vai mais exercer domínio
sobre nós. Aleluia, temos que louvar a Deus por esta libertação. “Considerai-vos mortos
para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” Rm 6.11.
Se persistirmos com fé e obediência, poderemos contar com o poder da Palavra de
Deus que nos dá força para vencer todas as tentações, mas se não renunciarmos os
prazeres antigos e resistirmos à vontade do Espirito, o pecado vai voltar a ter domínio, e
já não permanecemos em Cristo. Se, sabemos que Cristo habita em nós, e que por onde
quer que andemos já não estamos mais sozinhos, então nunca devemos nos considerar
fora dele, vivendo desta maneira não teremos coragem de profanar o corpo de Cristo
que está em nós. Nenhum sacrifício que fazemos é alto demais para Deus, pois ele deu a
vida de seu Filho por nós. Se formos filhos obedientes, o pecado não terá mais poder
sobre nós.
7
III
A ALMA E A VIDA NATURAL
Antes da queda do homem, a alma ficava a disposição do espirito para ser dirigida,
mas depois da queda, o homem tornou-se um ser carnal, e o pecado passou a reinar no
corpo, e a natureza carnal passou a escravizar a alma e a vida do homem. Desta forma o
pecado passou a fazer parte da natureza do homem e alma passou a ser a vida do
homem.
Enquanto ainda somos pecadores, nossa vida é dirigida pela alma e a nossa natureza
é escrava do pecado. Vivemos por meio da alma e os nossos desejos e deleites estão em
conformidade com o pecado. Podemos dizer que o que decide o nosso andar é o pecado,
mas o que proporciona a força para andar de maneira pecaminosa é a alma. O pecado se
apresenta e a alma executa, está é a condição do não crente.
Quando o crente aceita a graça do Senhor Jesus como seu substituto na cruz, recebe
a vida de Deus, e seu espirito é avivado. A partir deste momento abrem-se dois
caminhos na vida do crente: a vida do espirito que é a natureza de Deus e a vida da alma
que é a natureza do pecado.
A vida inicial do crente varia entre êxitos e fracassos. Mais tarde, quando ele
conhece a libertação da cruz e aprende a exercitar a fé, e considerar o velho homem
crucificado, ele estará capacitado a vencer as tentações e o pecado não o dominará mais
como antes. A libertação do poder do pecado é o primeiro passo na santificação. Uma
vez derrotado o pecado, nós somos chamado a vencer o ego e as boas intenções da alma.
O perigo agora está em tentar agradar a Deus com poder da alma, em vez de aprender a
ter entendimento da vontade que procede do Espirito.
Para realizar a vontade de Cristo em nossa vida, é fundamental:
• Estar liberto do poder do pecado.
• Ter a capacidade de negar a si mesmo.
• Libertar-se da força natural da vida da alma.
Quando entendemos, que além do pecado há dois poderes que residem em nós: o
poder do Espirito e o poder da alma. O poder do Espirito, recebemos do Espirito Santo
na nossa conversão, enquanto que o poder da alma nos foi concedido de modo natural
quando nascemos.
O caminho de Deus é claro, temos que negar tudo o que provém da nossa vontade.
Aquilo que somos, o que temos e o que podemos fazer. A falha de entender ou obedecer
à vontade do Espirito, nos deixa apenas a alternativa de voltar a viver segundo o poder
da alma.
O crente espiritual é aquele cujo espirito é guiado pelo Espirito de Deus e que
recebe dele o poder para o seu caminho diário de vida. Não vive neste mundo
procurando fazer a própria vontade, nem confia na capacidade natural de planejar e
executar o serviço a Deus. A regra é permanecer no espirito, sem ser influenciado e
controlado pelo poder da alma. O crente carnal é controlado pelo poder da alma, embora
tenha o poder do Espirito de Deus residente, porém não tira recursos do mesmo para sua
vida. Em sua experiência diária persiste em fazer a vontade da alma.
8
A vida da alma e a vida do espirito coexistem dentro de nós. Somente, quando a
influência dominadora da alma for quebrada é que poderemos seguir a intuição do
espirito. Só então, seremos crentes seguidores e o Espirito Santo o originador. O crente
espiritual não deve depender de si mesmo, e empregar a própria força para executar a
vontade de Deus. “Sempre que for requerida uma ação, ele deve se aproximar de Deus
com um proposito fervoroso, plenamente consciente de sua fraqueza e pedir um
caminho”. Só agir guando receber a direção e o poder do Espirito Santo. Com uma
atitude assim, Deus sem dúvida irá conceder poder para que a obra seja realizada de
maneira perfeita no espirito.
Repito, se o crente examinar-se cuidadosamente, sob a luz de Deus, irá perceber
dois tipos de poder dentro dele: por um lado andar pela fé, confiando no Espirito Santo
e por outro andar por si mesmo, na vida da alma, seguindo as próprias emoções, idéias e
vícios. Somente se a orientação do Espirito Santo prevalecer será capaz de detestar as
escolhas da alma. O tipo de vida que escolher determinará se ele é carnal ou espiritual.
Quem é espiritual não vive pelo sentimento, mas sim pela fé. O crente que a alma está
no controle, não espera em Deus, tudo o que faz é precipitado, impetuoso e com pressa.
Opera mais por impulso do que por princípio. É impulsionado pela autoconfiança até ao
ponto de nunca esperar pela vontade de Deus, só se volta para ele, quando esgota os
seus recursos. Todos que vivem no reino da alma possuem uma voraz ambição, seus
desejos ocupam com frequência o primeiro lugar, aspiram serem operários poderosos e
usados grandemente pelo Senhor. A Bíblia e a vida real provam: que os crentes carnais
são controlados simultaneamente por seu corpo para incorrer em pecado ou por sua
alma para viver conforme os seus desejos. Algumas vezes, seguem o pecado do corpo e
outras a vontade da alma. A força da vida da alma é o ego, e as faculdades da alma
são: à vontade, a mente e a emoção. É vital que os crentes vejam a sua verdadeira
condição exposta pela luz de Deus para serem libertos e não usem mais a sua própria luz
para ilumina-los. Está é a base para um crescimento espiritual verdadeiro.
Os crentes carnais confundem emoções com espiritualidade. Eles desejam sentir
emoções e sensações em sua alma. A Bíblia traduz o termo alma como: ser vivente,
criatura vivente, animal ou vida animal. Está definição pode nos ajudar a entender o
poder da alma. Podemos então descrever a vida e a obra dos crentes que estão no reino
da alma, como atividades animais. Muitos planos, muitas atividades, pensamentos
confusos e emoções misturadas. Todo o ser, tanto por dentro como por fora é agitação e
tumulto. Sabemos que a vontade da alma é caída e a sua tendência é fazer o crente:
servir a Deus com as próprias forças e almejar sensações físicas em seu relacionamento
com Deus. Deus considera a nossa atividade animal no serviço espiritual como
insolência. “Todas as nossas justiças, são como trapos de imundícia” Is 64.6.
O pensamento da maioria dos crentes é de que mal pode haver em viver segundo as
forças naturais? Por isso, fazem tudo o que podem para demostrar bondade, inspirados
em suas próprias virtudes. Afirmam que Deus lhes concedeu dons e talentos e estão
trabalhando para ele, então, porque não podem usar o próprio entendimento para
planejar e executar a obra do Senhor. Esta afirmação resume o que muitos crentes
questionam em seus corações, e mostra que não sabem fazer distinção entre a vida
espiritual e a vida natural da alma. Não receberam as revelações do Espirito Santo sobre
os vários males da obra fundamentada na vida natural da alma. É necessário que se
tornem humildes e sinceros, e tenham boa vontade para abandonar tudo o que não for
9
revelado, para que o Espirito Santo possa mostrar, no momento apropriado, à corrupção
existente em sua vida natural.
O Espirito de Deus irá capacita-los, para que compreendam que toda sua obra e
progresso estão centrados no eu e não no Senhor. Suas boas obras são feitas, não só
pelos seus próprios esforças, mas também para sua própria gloria. Não procuram
obedecer à vontade de Deus, nem aceitam a sua direção. Embora, estes crentes usem os
talentos concedidos por Deus, pensam apenas nos grandes dons que possuem e
esquecem o Doador desses dons. Com alegria admiram a Palavra de Deus, mas
procuram conhecimento somente para satisfazer a aspiração de sua mente, resistem a
esperar que Deus lhes dê sua revelação no devido tempo. A busca da presença de Deus,
não é por amor a ele, mas sim, para sua própria realização.
Só depois de serem iluminados pelo Espirito Santo sobre o caráter aborrecível desta
vida, é que se tornam alertas e despertos da loucura de prender-se a vida da alma. Esta
iluminação não chega toda de uma vez, mas de forma gradual em ocasiões distintas.
Quando os crentes são iluminados pelo Espirito pela primeira vez, se arrependem e
voluntariamente entregam a vida do eu a morte, mas o tempo, a autoconfiança, o
egoísmo e o prazer pessoal atuam e restauram a vida natural. A falta de perseverança
nas dificuldades enfrentadas faz com que percam a iluminação do Espirito e retornem a
sua vida natural da alma. Devem adotar o ponto de vista de Deus, porque o nosso andar
natural está contaminado. Tem que permitir que o Espirito Santo mostre toda a
corrupção da vida da alma e exercitar a fé, sempre esperando que o Espirito revele o
caminho da libertação.
A intenção de Deus é tornar seus filhos espirituais. Primeiro ele põem em
movimento o espirito do homem, em seguida ilumina a mente da alma e finalmente
executa a sua obra por meio do corpo. Os crentes que nasceram de novo devem viver no
espirito, pois já estão qualificados para discernir a vontade de Deus e cooperar com seu
Espirito para vencer as estratégias do inimigo.
O perigo de retroceder ao reino do corpo está sempre rondando o crente, porque as
obras da carne tem sua origem natural nas concupiscências do corpo humano e nas
atividades da alma. O egoísmo, a dissenção e o espirito de facção fluem de modo
natural do homem interior. Por isso é preciso estar atento para que o poder das trevas,
não tire vantagem da falta de entendimento que as obras da vida da alma podem causar.
Aqueles que perseveram no espirito, não cederão às estratégias do inimigo.
“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom entendimento as suas
obras em mansidão e sabedoria. Mas se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em
vosso coração, não vos glorieis nem mintais contra a verdade. Essa não é sabedoria
que vem do alto (Espiritual), mas é terrena (da alma) e diabólica” Tg 3.13. Há uma
sabedoria que vem de Satanás, é a mesma surge da alma humana. A carne é a oficina do
diabo, e a sua obra se manifesta na concupiscência que está ativa no corpo físico. Os
cristãos sabem que o inimigo pode nos seduzir ao pecado, mas não compreendem que
ele pode inserir pensamentos em suas mentes.
A queda do homem foi por causa do amor ao poder, ao conhecimento e a sabedoria.
“como Deus sereis conhecedores do bem e do mal”, Gn 3.5. Satanás está empregando a
mesma tática hoje, para reter a alma dos crentes sob o seu domínio. O plano dele é
preservar para si, tudo o que puder de nossa antiga criação caída. Se falhar em fazer os
crentes caírem em suas redes de pecado, vai tentar induzi-los a conservarem a sua vida
10
natural para tirar vantagem dos que desconhecem as suas estratégias. Porque, se não
tiver êxito, todo o seu exército de anjos caídos ficarão sem ocupação.
Quanto mais o crente se une ao Senhor, mais a vida do Espirito Santo flui em seu
espirito e mais a cruz operara em suas escolhas. Como resultado, haverá uma
eliminação progressiva da velha criação, que resulta em menos terreno cedido para o
inimigo operar. O inimigo tenta nos seduzir reavivando a nossa velha criação, pois ele
não se atreve a usar a sua energia em nossa nova criação, onde está à própria vida de
Deus. Por isso, ele tenta de modo incessante persuadir os filhos de Deus a reter algo da
velha criação, quer seja um pecado acariciado ou uma agradável vida natural, de modo
que possa continuar operando. Ele conspira contra os crentes e os confunde para que
amem sua própria vida, apesar do fato de aborrecerem o pecado.
Quando nós cristãos, ainda éramos pecadores, “andávamos nos desejos de nossa
carne, fazendo a vontade da carne” Ef 2:3. Os pecados relacionados com os desejos da
carne influenciavam tanto a nossa alma como o corpo. Esta verdade mostra que os
espíritos malignos operam tanto no corpo como na alma. Os filhos de Deus devem ser
libertos não só do pecado, mas também do seu reino natural para que a vitória sobre o
inimigo seja completa.
11
IV
O CHAMADO DA CRUZ
“Quem não toma sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha sua
vida perdê-la-á; quem, todavia, perder a vida por minha causa achá-la-á” Mt 10.38. O
Senhor Jesus nos chama a renunciar a vida da alma e entrega-la a cruz como prova do
nosso amor por ele. Ele quer que amemos aos outros, não com nosso afeto natural, mas
com o amor que vem de Deus, o amor ágape. Temos de receber de seu amor, para
sermos capazes de amar aos outros, não pelo que eles são ou representam para nós. Se
Deus quiser que amemos, amaremos inclusive nossos inimigos, mas sem a presença
dele, não amaremos nem mesmo os nossos entes queridos.
O Senhor deseja que o nosso coração não esteja apegado às coisas do mundo, para
que possamos servi-lo livremente. Se priorizarmos as coisas espirituais como
evangelizar, a oração, a leitura da Bíblia, ajudar ao próximo de maneira altruísta,
priorizar um desconhecido necessitado em vez dos amigos, preferir participar de um
enterro onde poderá consolar alguém com a Palavra do que se alegrar numa festa, e
escolher trabalhos e lazer que nos aproximem de Deus; agindo assim estaremos negando
a vida da alma, isto é o que chamamos de tomar a própria cruz e seguir a Cristo. Ao
obedecer desta maneira a Cristo, chegamos ao ponto de ignorar o nosso afeto natural.
Esse tipo de sofrimento e dor se torna uma cruz para o crente. Para alma é terrível
renunciar os prazeres da vida natural e o apego aos próprios amados, para priorizar a
vontade do Senhor. São estas escolhas que libertam o crente do poder da alma. Ao
perder o afeto natural, ele abre caminho para que o Espirito Santo derrame o amor de
Deus em seu coração, capacitando-o a amar com o amor que provem de Deus. O Senhor
está nos chamando a vencer o amor natural, para que possamos descansar em Deus, o
doador de todos os dons. Ele não quer que nos apeguemos a nada, exceto a ele.
Temos que aborrecer nossa vida natural da alma e recusar os seus apelos, para nos
libertar de toda inércia, comodidade e vícios carnais residentes em nós. O caminho do
Senhor é completamente diferente daquele que almejamos, pois o que era amado antes
deve ser agora ignorado, até o órgão que gera o amor, a vida da alma, deve ser
ignorada. Este é o caminho espiritual. Se verdadeiramente levarmos a cruz, não seremos
controlados nem influenciados pelos afetos naturais, mas seremos aptos para amar no
poder do Espirito. Foi assim que o Senhor Jesus amou sua família quando esteve na
terra. “Qualquer que fizer a vontade de Deus este é meu irmão, irmã e mãe”, Mc 3.35.
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo
se negue, tome a sua cruz e siga-me” Mt 16:24. Uma vez mais nosso Senhor Jesus está
chamando seus discípulos a tomarem a cruz, para levar à alma a morte. E Pedro reprova
o Senhor, e diz: “Senhor tenha misericórdia de ti”. Pedro pensava no homem natural,
insistindo para que o seu Mestre evitasse a dor da cruz na carne, porque não tinha ainda
compreendido que o homem deve centra-se nas coisas de Deus, mesmo numa questão
como a morte em uma cruz. Falhou em compreender que o interesse em fazer a vontade
de Deus deve suplantar qualquer interesse próprio. O Senhor mostrou que não era só ele
que teria de passar pela cruz, mas todos deveriam passar por ela também. Seu caminho
12
será igual ao meu. Não pensem que apenas eu, é que faço a vontade de Deus, todos
vocês farão a sua vontade. Desta maneira, tal como eu não penso em mim mesmo, e
obedeço a Deus de modo incondicional até a morte na cruz, assim vocês também terão
que negar a vida do eu, e estar dispostos a perdê-la, para obedecer a Deus.
Quando Deus nos chama a negarmos a nós mesmos por meio da cruz, e a
renunciarmos a tudo por amor a ele; nossa vida natural responde de modo intuitivo
tentando esquivar-se. Mas, sempre que escolhemos o caminho estreito da cruz e
sofremos por amor a Cristo a nossa vida da alma sofrerá perda. É assim que perdemos a
vida da alma. Só desta maneira a cruz de Cristo será entronizada pura e suprema dentro
de nós. Se o Senhor Jesus, o Filho de Deus, negou sua própria vida da alma para servi-
lo, certamente nós também devemos nos desapegar da vida da alma para servi-lo. Ele
chama os crentes a entregar a sua vida natural a morte, não apenas para serem libertos
do amor ao mundo, mas também como uma demonstração de obediência a sua vontade.
Atender aos desejos de Deus significa despojar-se da própria vontade da alma. Sempre
que obedecemos à vontade de Deus, a vontade da alma fica esmagada.
Quero enfatizar que, enquanto a vida do eu não for entregue a morte, o inimigo
possui um instrumento para operar, porque o bem que eu desejo é originado pela
vontade da carne, que é manipulada por ele. Enquanto permanecer ativa a vida da alma,
seu negócio irá prosperar. O inimigo não se importa muito com as pessoas que se
deleitam com sua vida natural, porque estes estão sob o seu poder, mas o que ele
realmente teme, é aqueles que vivem em Espirito e Verdade, pois contra esses ele não
tem poder para operar as suas maldades. Que Deus nos mostre quão perigosa é a vida da
alma. Deus não pode trabalhar em nós, enquanto a nossa alma não for quebrantada.
A autocompaixão, o amor próprio, o temor do sofrimento, o esquivar-se da cruz são
todas manifestações da vida da alma ainda ativa, porque a sua manifestação primaria é a
preservação do eu, que resiste bravamente a sofrer qualquer perda. O Senhor disse que
cada um receberia uma cruz para carregar. Embora seja a nossa cruz, ela está
intimamente ligada com a cruz do Senhor. Cada vez que carregamos a nossa cruz,
sofremos a perda da vida da alma. Cada vez que fugimos da cruz, a vida da alma é
alimentada e preservada.
A cruz que condenou o pecado a morte é um fato consumado e sabemos que não
precisamos fazer nada a respeito, apenas devemos crer e aceitar o que o Senhor Jesus
fez por nós, mas a cruz que nos liberta da vida da alma é diferente. O negar-se a si
mesmo não é uma questão já consumada; pois nunca chegaremos a perder
completamente a vida da alma. Por isso, devemos tomar a nossa cruz diariamente para
que o poder da cruz de Cristo nos de forças para negarmos a vida da alma. A vida do eu
tem que ser vencida passo a passo, quanto mais profundamente penetrar a Palavra de
Deus, mais profundamente opera a cruz e mais intensamente o Espirito Santo completa
a união do nosso espirito com o Espirito do Senhor Jesus, até que o caráter dele seja
formado em nós.
13
V
O APEGO DA ALMA AS COISAS DO MUNDO
É possível que o crente abandone exteriormente o mundo e deixe tudo para traz,
mas interiormente continue apegado aos mesmos elementos que abandonou por amor a
Cristo. Não é necessário retornar ao mundo para recuperar o que já havia abandonado
para indicar que a vida da alma ainda está ativa, basta que ele desvie o olhar de desejo
para traz, para revelar que não entendeu plenamente a sua relação com a cruz de Cristo.
A vida da alma é mundana, porque se deleita com as coisas do mundo. O cristão só
poderá se libertar da influencia das coisas que o mundo oferece, quando realmente se
sentir unido a Cristo em sua morte na cruz. Quando a vida da alma é esmagada de modo
genuíno, não há nada neste mundo que possa atrair novamente o coração do crente. Ele
não somente morre para o pecado, mas também para a vida pessoal.
Ter uma vida espiritual está condicionado a sofrer perdas. Não podemos medir
nossa vida em termos de ganho, tem que ser medida em termos de perdas. Nossa
espiritualidade não consiste em quanto retemos, mas sim, o quanto lançamos fora.
Aqueles que mais perdem são os que mais têm para dar. Se o nosso coração não está
separado do amor ao mundo, nossa vida da alma ainda tem que passar pela cruz. Só nos
libertaremos completamente das coisas do mundo, quando o Espirito Santo nos mostrar
como é perfeita a vida no espirito. Porque as coisas de baixo não podem ser comparadas
as coisas de cima. A experiência de Paulo, em Filipense 3, mostra muito bem este fato,
onde ele disse: Nós que adoramos a Deus no Espirito, e nos gloriamos em Cristo Jesus,
e não confiamos na carne, mas consideramos tudo como perda, até o ponto de perder
todas as coisas e as considerar como refugo, para ganhar a Cristo. Isto só foi possível,
porque o apostolo conheceu o poder da ressureição de Cristo, quando teve um encontro
pessoal com ele. Esta é a vida perfeita, que Deus deseja para nós.
O filho de Deus que se permite uma vida de comer, beber e folgar requer uma
porção maior da cruz, para libertar seu espirito da escravidão e influência da alma. Todo
aquele que suspira pelas coisas do mundo, ainda tem que aprender a perder a sua vida
da alma, por meio de uma experiência mais profunda da cruz. “Se o grão de trigo
caindo na terra não morrer, fica só, mas se morrer dá muito fruto” Jo 12.24. O Senhor
descreve que a operação da cruz se compara a um grão de trigo. Se o grão não cair na
terra e morrer permanece sozinho, mas se ele cair na terra e quebrar a casca, crucificar a
vida da alma, e morrer distribuirá a vida de Deus a muitos. A condição é a morte, sem
morte não há frutos. Não há outro caminho para gerar frutos, que não seja passar pela
morte.
Tal como o grão, que é incapaz de gerar frutos a menos que morra, assim também
não pode haver frutos espirituais até que a vida alma tenha sido quebrantada. Todas as
energias geradas na alma, como o talento, os dons naturais, o conhecimento e a
sabedoria, não podem capacitar o crente para gerar frutos espirituais. Se o Senhor Jesus
teve que morrer para gerar frutos espirituais, também nós, seus discípulos, temos que
14
morrer para produzi-los. O Senhor considera o poder da alma como inútil para Deus em
sua obra de dar frutos.
Nossa alma, nesta vida, nunca será aniquilada completamente, mas ao passarmos
pela cruz ela será quebrantada, e Deus poderá comunicar a Sua vida. Manter a vida da
alma significa uma grande perda para o crente, mas perde-la significa guardá-la para a
eternidade. Temos que ceder “nossos membros a Deus como instrumento de justiça”,
Rm 6.13, para que o corpo do pecado seja destruído. Quando a vida natural for
sacrificada a morte, todas as faculdades da alma serão renovadas e avivadas pelo
Espirito Santo. A alma do homem é o próprio homem, onde reside o seu caráter, a sua
personalidade, e onde se expressa. Se, a alma não aceitar o poder da vida do Espirito de
Deus, então ela vai tirar poder para viver de sua vida natural mundana. O propósito de
Deus é fazer com que a vida da alma passe pela morte, para que a vida ressurreta de
Cristo seja inserida no novo homem. Estando unido a ele produzirá frutos para
eternidade.
A alma ama incondicionalmente satisfazer a vontade da carne, por isso não sente
prazer nas coisas espirituais. Essa guerra entre a alma e o espirito se faz de modo
secreto, mas interminável no interior dos filhos de Deus. A alma procura manter sua
autoridade e operar independente, enquanto o espirito se esforça em domina-la, para que
a vontade de Deus prevaleça. Se o crente permitir que o ego seja o amo, enquanto
espera a vontade do Espirito, nunca produzirá frutos espirituais. A razão de tantas
derrotas no mundo espiritual é que este setor da alma não foi tratado de maneira radical.
Assim como no princípio, a Palavra de Deus operou sobre a criação separando as
trevas da luz, do mesmo modo agora o seu poder opera dentro de nós, com a espada do
Espirito, separando a alma e do espirito, para que ele possa habitar em nosso espirito.
Por isso, alegrai-vos, porque é no espirito, o lugar onde Deus reside. A Palavra de Deus
guia o seu povo a um reino mais profundo do que o da mera sensação, e os leva ao reino
do Espirito Eterno. Só depois de ter aprendido a diferenciar na pratica essas duas classes
de vida, somos tirados de um andar superficial para chegar ao descanso. A vida da alma
nunca pode nos proporcionar descanso. É necessário passar pela cruz para que o
Espirito de Deus possa fluir no nosso espirito e liberta-lo da servidão da alma.
“A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de
dois gumes e penetra até a divisão da alma e espirito” Hb 4.12. Este versículo mostra,
que é a Palavra de Deus que separa a alma do espirito. O Senhor Jesus, é ele mesmo o
Verbo, que é a Palavra de Deus, quem efetua está divisão. Se quisermos entrar num
caminho verdadeiramente espiritual temos que obedecer a Palavra, porque ela é a
espada que separa a alma e o espirito.
Por meio da Palavra e do Espirito de Deus que nos reveste, somos capacitados a
diferenciar as operações e expressões do espirito como distintas das da alma. Podemos
perceber com clareza o que é do espirito e o que é da alma, sem a necessidade de ficar
se perguntando se algo é do espirito ou não, porque já sabemos qual é a sua origem.
15
VI
A ALMA SOB O CONTROLE DO ESPIRITO
No templo de Deus, no antigo testamento, havia um véu que separava o Lugar
Santo do Lugar Santíssimo. Esse véu servia para encerrar a gloria e a presença de Deus
dentro do Lugar Santíssimo, excluindo-a do Lugar Santo. Os homens naquele tempo
não tinham acesso ao Lugar Santíssimo, não podiam sentir a presença de Deus. Este
véu, entretanto, era temporário, porque no momento designado, quando o corpo do
Senhor Jesus foi crucificado na cruz, o véu foi rasgado de cima a baixo. A partir dai não
existe mais separação entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo.
A intenção de Deus não era residir permanentemente só no Lugar Santíssimo, pelo
contrário, também desejava estender sua presença ao Lugar Santo. Estava apenas
esperando que a cruz completa-se sua obra, porque unicamente a cruz teria poder para
rasgar o véu e permitir que a gloria de Deus brilhasse fora do Lugar Santíssimo.
Sempre que os filhos de Deus em seu espirito permitirem que a cruz do Senhor
aperfeiçoem suas obras, isto faz com que a comunhão entre o Santo e o Santíssimo se
aprofunde, dia após dia, até que ocorra uma grande mudança. É a cruz rasgando o véu.
A cruz funciona de tal forma na vida do crente, que o seu poder rasga o véu que existe
entre a alma e o espirito, libertando o espirito do crente, que estava obscurecido pelos
pecados da alma. Assim, o espirito assume a soberania sobre a alma para uma vida nova
no Espirito. A vida natural da alma perde a sua independência e espera submissa a
vontade do Espirito de Deus para receber direção e provisão. “E o véu do santuário
rasgou-se em duas partes, de alto a abaixo” Mc 15.38.
O ato de rasgar o véu é obra de Deus, portanto, renovemos nossa consagração e
ofereçamos a nós mesmos a ele sem reservas entregando à vida da alma a morte, para
que o Senhor, que mora no Lugar Santíssimo que é o nosso espirito, possa terminar a
obra que foi realizada na cruz e completa-la em nós. Então a gloria daquele que habita
em nós, constrangerá nossa vida cotidiana para as boas obras. Todo o nosso andar será
santificado pela presença do Senhor, tal como é no espirito, assim também nossa alma
será revestida e controlada pelo Espirito de Deus. Nossa mente, emoções e vontade
serão cheias da sua presença. O que vivenciávamos pela fé no espirito, conheceremos e
experimentaremos também na alma. “Glória a Deus por esta vida bem aventurada que
agora desfrutamos”. O nosso viver glorifica o nome a Deus, porque não andamos mais
pelo que vemos ou sentimos, mas em novidade de vida mediante a fé. “Recebei com
mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar vossas almas”
Tg 1.21. Quando a Palavra de Deus é implantada, recebemos a natureza divina em nós e
assim podemos produzir frutos. Embora, o poder da alma ainda permanece vivo, porém
ele foi suplantado pelo poder do espirito, que opera pelo poder da Palavra de Deus.
O corpo humano é muito sensível e ativado facilmente pelos estímulos exteriores.
As palavras, as formas, os ambientes e os sentimentos nos afetam grandemente. Nossa
mente se ocupa com pensamentos, planos e fantasias, que são um mundo de confusão.
Nossa vontade é ativada para agirmos de acordo com os nossos deleites. Nenhum dos
órgãos da alma podem nos trazer paz. De modo singular ou coletivo, perturbam,
16
bagunçam e confundem a nossa existência. Porém, se aprendermos com o Senhor Jesus
que, quando era desprezado pelos homens continuava fazendo a vontade de Deus e não
a própria, a nossa alma não perderá a paz. “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa almas” Mt
11.29.
A alma que fica sob a autoridade do Espirito Santo é uma alma em repouso. Antes
andava ocupada fazendo planos, agora está calma confiando no Senhor, antes fervilhava
inúmeros pensamentos e ambições, agora considera que a vontade de Deus é melhor e
descansa nele. “Não servindo a vista, como para agradar a homens, mas como servos
de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” Ef 6.6. A alma que antes se rebelava
contra a vontade de Deus, agora está perfeitamente entregue a ele, por meio da operação
da cruz. O que antes executava a sua própria vontade, ou fazia a vontade de Deus de
acordo com sua mente, agora é um com o coração de Deus em todas as coisas. “Não
estejas ansiosos, quanto a vossa vida (a alma)”, Mt 6.25. A alma agora, procura
primeiro o reino de Deus e sua justiça, porque acredita que Deus suprirá todas as
necessidades diárias. Embora, a primeira expressão da alma é preservar os seus dons
naturais e tendências ao pecado, porém aqueles que se entregam verdadeiramente nas
mãos de Deus jamais serão vencidos. Toda obra da alma, incluindo o amor a si próprio e
o orgulho pessoal foram eliminados, ela não tem mais o comando.
Quando a cruz de Cristo opera em nosso viver diário, não necessitamos mais fazer
planos. Em vez de sofrer ansiedade, oramos e entregamos o fardo não mãos de Deus. Os
cuidados desta vida aparecem como pequenos detalhes durante o caminho que iremos
percorrer. “A minha alma se apega a ti” Sl 63.8. Não mais, nos atrevemos a ser
independentes de Deus, nem servi-lo segundo a vontade da alma. Mas, o seguimos de
perto com alegria, porque nossa alma está submissa ao Senhor. “Servindo ao Senhor
com toda humildade, porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo” At
20.19,24. O crente que tem como alvo o chamado de Cristo não prioriza o amor próprio
nem desiste da sua cruz. A alma que renuncia a si mesmo habitará na infinidade da vida
de Deus. Isto é liberdade e prosperidade. Quanto mais perdemos, mais ganhamos.
Nossas posses não se medem por quanto ganhamos, mas sim, por quanto damos. O ato
de dar representam os frutos da nova vida.
Não devemos desanimar mediante os tropeços, porque o sofrimento nos aproxima
de Deus. A cruz é progressiva e deve ser levada fielmente com os olhos voltados para o
Senhor Jesus, que já passou pela cruz e venceu.
17
VII
O CORPO
Além do espirito e da alma temos também um corpo. Não importa que a intuição, a
comunhão e a consciência do nosso espirito estejam perfeitamente saudáveis ou que a
emoção, a mente e a vontade da nossa alma estejam totalmente renovadas. O nosso
corpo também precisa estar sadio e restaurado, do mesmo modo que o espirito e a alma.
Se isso não acontecer, nunca alcançaremos a condição de crentes espirituais, nem
seremos aperfeiçoados. Devemos crescer espiritualmente sem negligenciar nosso lado
físico. O corpo é importante, do contrário Deus não teria criado o homem com um
corpo. A Bíblia mostra o valor que Deus dá ao nosso corpo. O mais extraordinário de
tudo é que o “Verbo se fez carne e habitou entre nós” Jo 1.14. O Filho de Deus
assumiu um corpo de carne e sangue semelhante ao nosso, embora tenha morrido e
ressuscitado, continua tendo está vestimenta para sempre.
“Se, porém, Cristo está em nós, o corpo na verdade está morto por causa do
pecado, mas o espirito é vida, por causa da justiça”, Rm 8.10. Inicialmente tanto o
nosso corpo quanto o nosso espirito estavam mortos. Contudo, quando ouvimos a
pregação do evangelho e cremos no Senhor Jesus, neste momento o Espirito Santo passa
a habitar em nos e vivifica o nosso espirito. A partir da conversão, apenas o corpo
permanece morto. A condição comum de todo crente é um espirito vivo num corpo
morto.
Essa experiência revela a enorme diferença entre o estado interior do cristão e o
exterior. Em nosso ser interior flui vida, ao passo que o homem exterior está cheio de
morte. Interiormente estamos bem vivos, todavia existimos numa casa de morte. Existe
uma diferença radical entre a vida do espirito e a vida do corpo. A vida do espirito está
ativa, mas a do corpo é morte certa. Porque a nossa constituição física ainda é o corpo
do pecado, por mais avançado que seja o nível espiritual do cristão, sua carne continua
sendo o corpo do pecado. Um dia teremos uma constituição espiritual, ressurreta e
gloriosa, isto será a “redenção do nosso corpo” Rm 8.23, que se dará no futuro, quando
Jesus voltar em Glória. O pecado foi expulso da vontade da alma, mas não foi eliminado
do corpo. É a permanência do pecado que faz com que o corpo esteja morto. O nosso
espirito recebe vida por causa da justiça que há em Cristo; porque, quando o aceitamos
como Senhor e Salvador, nós o recebemos como nossa justiça, e Deus vê Cristo em nós,
e nos justifica.
Num primeiro momento Cristo nos comunica a sua própria vida, depois Deus nos
justifica por causa desta vida que recebemos de Cristo. Se Cristo não comunicar sua
justiça, não pode haver justificação. No momento em que recebemos a Cristo, obtemos
a justificação diante de Deus e passamos a desfrutar da experiência da justiça
comunicada por Cristo no nosso viver. Cristo entra em nós como vida, a fim de vivificar
o nosso espirito, que estava morto. “Se habita em vós o espirito daquele que ressuscitou
a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos
vivificara também o vosso corpo mortal, por meio do seu espirito, que em vós habita”
Rm 8.11. O corpo também será vivificado, porque o Espirito Santo que habita em nós
18
dará vida ao nosso corpo. O que Paulo está afirmando, não é que o nosso corpo de
humilhação foi transformado em um corpo glorioso, também não diz que este corpo
mortal se revestiu de imortalidade, isso não se realizará neste momento. A redenção de
nosso vaso de barro deve aguardar até que o Senhor volte. É impossível ocorrer
mudança de natureza ainda neste mundo. Por isso a expressão o Espirito Santo da vida
ao nosso corpo, significa que ele nos restaurará quando estivermos doentes e nos
preservará para não adoecermos. O Espirito Santo fortalecerá o nosso tabernáculo
terreno para que possamos realizar a sua obra, sem que a nossa vida e o reino de Deus
venham a sofrer por causa da fraqueza do nosso corpo. Isso é o que Deus preparou para
todos que aceitarem o seu Filho. Contudo poucos cristãos experimentam essa vida que o
Espirito proporciona ao corpo.
A vida espiritual de muitos é ameaçada por suas condições físicas. Muitos caem por
estarem escravizados por doenças. Outros conhecem a provisão do Espirito para seu
corpo, creem nela e a desejam, mas não apresentam seu corpo a Deus como sacrifício
vivo. Porém, aqueles que realmente desejam viver para Deus, e pela fé se apropriam de
suas promessas, experimentarão a real plenitude da vida do corpo conforme o Espirito
Santo lhes concede. Essa provisão capacita o espirito a comandar o corpo para que este
não venha sofrer danos físicos.
Antes, nós éramos devedores a carne, incapazes de negar aquilo que era exigido,
cobiçado e desejado. Vivíamos debaixo do domínio da carne, cometendo inúmeros
pecados. Agora, temos a provisão do Espirito de Deus e as cobiças da carne perderam o
controle sobre nós, e assim, as fraquezas, doenças e sofrimentos do corpo já não nos
atinge mais. Todavia não devemos descuidar de nossas necessidades físicas. Devemos
comer quando tivermos fome, beber quando tivermos sede, descansar quando cansados
e agasalhar-nos quando estivermos com frio. Contudo, não devemos permitir que esses
cuidados penetrem em nossos corações, ao ponto de se tornarem a nossa principal meta
de vida. “Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo
Espirito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” Rm 8.13. Por causa da
consequência do pecado, o nosso corpo está destinado à morte. Se vivermos segundo a
carne não receberemos a vida que o Espirito Santo dá ao corpo. Além disso,
encurtaremos nossos dias aqui na terra, pois todo pecado é prejudicial ao corpo. O
pecado manifesta seus efeitos na carne, e o resultado é a morte. “Mas, se pelo Espirito,
mortificardes os feitos do corpo certamente vivereis”. Devemos receber o Espirito
Santo não apenas como doador de vida ao nosso corpo, mas também como aquele que
mortifica os desejos carnais.
Se o Espirito Santo nos der saúde e força, sem que antes, tenhamos nos oferecido
inteiramente a Deus, iriamos viver mais intensamente para satisfazer a nós mesmos, e o
resultado seria uma vida mais pecaminosa do que a anterior. Muitos buscam no Senhor
vida e saúde para o seu corpo mortal, mas não tem o entendimento de que não podem
desfrutar desta experiência, pois ainda não mortificaram os feitos do corpo. Primeiro
precisamos entender o que significa estar crucificado com Cristo e viver esta realidade,
porque o Espirito opera em harmonia com a cruz. A cruz sem o Espirito de Deus é
totalmente ineficaz. Somente o Espirito Santo pode capacitar o crente a carregar a sua
cruz. Se ouvirmos a verdade da cruz, porém não permitimos que o Espirito a aplique em
nossa vida, o nosso conhecimento não passa de teoria. É muito bom saber que “nosso
velho homem foi crucificado com ele (Cristo), para que o corpo do pecado seja
19
destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” Rm 6.6. Contudo, se pelo Espirito
não mortificarmos os feitos do corpo, permanecemos escravizados por ele. Somente o
Espirito pode tornar real a experiência da cruz em nossa vida. Se não nos entregarmos a
Deus, confiando plenamente em seu poder para mortificar os feitos do corpo, a verdade
que professamos, não será uma realidade em nossa vida. Só o Espirito Santo pode
mortificar a vontade do corpo e dar vida ao nosso corpo mortal.
20
VIII
GLORIFICAR A DEUS COM O NOSSO CORPO
“Todas as coisas me são licitas, mas nem todas me convêm. Todas as coisas me
são licitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” ICo 6.12. Somos
livres para fazer muitas coisas com o nosso corpo, porém como pertencemos a Deus,
podemos abrir mão de algumas delas para a gloria de Deus. “Os alimentos são para o
estomago, e o estomago para os alimentos; mas Deus destruirá tanto este como aquele.
Porém o corpo não é para impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo” ICo
6:13. Ao comer e beber o cristão tem a oportunidade de provar na pratica que o corpo é
para o Senhor.
Muitos cristãos não sabem glorificar a Deus no seu comer e beber. Devemos evitar
usar o nosso corpo para nosso próprio prazer, para glorificar a nós mesmo. O comer não
deve atrapalhar a nossa comunhão com Deus. A finalidade da nossa alimentação é
preservar o corpo. Devemos resistir inteligentemente a qualquer excesso, tanto na
bebida como na comida. Qualquer ato que praticarmos em qualquer área de nosso
corpo, apenas por prazer pessoal, desagrada a Deus. O corpo é para o Senhor e não para
manjares, bebedices e imoralidades sexuais. A santificação do espirito e da alma só é
alcançada se não negligenciarmos o nosso corpo. Se as nossas obras, condutas,
sensações e palavras não forem dedicadas ao Senhor, nunca alcançaremos a vida
perfeita que agrada a Deus.
“O Senhor é para o corpo” significa que: se consagramos nosso corpo ao Senhor,
ele concederá a sua vida e seu poder ao nosso corpo físico. Muitos pensam que Deus
não tem bênçãos para o nosso corpo. O Senhor Jesus deu o seu corpo por nós e espera
que oferecer o nosso por ele. Por termos consciência das fraquezas, impurezas,
imoralidades e mortalidade do corpo; achamos que é impossível o Senhor ser para o
nosso corpo. Porém, se oferecermos nosso corpo a Deus, suas promessas se cumprirão
em nós:
• O Senhor é para nossas doenças físicas. Do mesmo modo que ele nos libertou dos
nossos pecados, ele também nos cura das enfermidades. As enfermidades são apenas
manifestação do pecado em nosso corpo.
• O Senhor é para o nosso viver no corpo. Ele será a força e a vida do corpo, se
permitirmos que ele seja Senhor da nossa vontade.
• O Senhor é para a glorificação do corpo. É verdade que podemos alcançar um
elevado nível de vida ainda neste mundo, se vivermos em Cristo. Porém, isso não irá
mudar a natureza do nosso corpo. Contudo, virá um dia em que o Senhor há de redimir
o nosso corpo de humilhação, transformando-o na semelhança do seu corpo glorioso.
“Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder” ICo 6.14.
Seremos ressuscitados e glorificados. Isso se sucederá no futuro, mas desde agora
podemos antegozar o poder da ressureição.
Deus não contempla cada crente individualmente, ele engloba todos dentro de sua
visão de Cristo. “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo”? ICo 6.15.
Nenhum cristão pode existir fora de Cristo, porque é dele que provem as forças para o
21
viver diário. Para Deus, a união dos crentes com Cristo é uma realidade perfeitamente
definida. O corpo de Cristo não é apenas uma visão espiritual, ele é um fato real. Da
mesma maneira, que o nosso corpo físico está unido à cabeça, também estamos unidos a
Cristo por meio do espirito. Aos olhos de Deus, nossa união com Cristo é perfeita,
ilimitada e absoluta. Em outras palavras, nosso espirito está unido ao de Cristo. Se,
estamos unidos, devemos andar como Cristo andou e a nossa vontade, afeição e mente
deve refletir está união. Se a união com Cristo é completa, como poderá a parte física do
nosso ser ficar de fora desta união? Se, somos membros de Cristo nosso corpo também
pertence a ele.
Pela fusão do nosso espirito com o Espirito do Senhor, nosso corpo se torna um
membro de Cristo. “Aquele que se une ao Senhor é um em espirito com ele” ICo 6.17.
Isso é a prova final que o corpo é para o Senhor e o Senhor para o corpo. Se, somos um
com o Senhor, não devemos destruir nosso corpo forçando-o a ir além de sua
capacidade física, nem usa-lo indevidamente para não darmos lugar à atuação das forças
de espíritos malignos. Porque as potestades malignas, sendo espíritos que não tem
corpo, estão sempre desejando corpos humanos para habitar. Isso harmoniza com as leis
que regem o mundo espiritual.
Não podemos nos comunicar fisicamente com Deus, porque ele é Espirito e se
comunica com o espirito do crente. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do
Espirito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entende-las, porque se discernem
espiritualmente” ICo 2.14. Se alguém insistir em buscar experiência física com Deus,
os espíritos malignos vão aproveitar a oportunidade para entrar, concedendo-lhes aquilo
que ingenuamente estão buscando. O resultado será que os espíritos malignos ocuparão
este corpo.
Precisamos entender bem o lugar de nosso corpo no plano redentor de Deus. Cristo
veio a este mundo, morreu, ressuscitou e foi glorificado, e após ser glorificado enviou o
Espirito Santo para substitui-lo. Precisamos exercitar a fé e crer nessa verdade para que
o Espirito Santo possa agir e gerar santidade, alegria, justiça e o amor de Cristo a nossa
alma, como também vida, poder, saúde ao nosso corpo cansado e doente.
“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do
corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” ICo 6.18. A
fornicação é o único pecado pelo qual unimos nosso corpo a outro. Logo é um pecado
que praticamos contra o corpo. Isto significa que nenhum outro pecado, além da
fornicação, pode fazer com que um membro de Cristo se torne membro de uma
prostituta. A fornicação é um pecado grave, pois está relacionado com nosso corpo, que
é um membro de Cristo. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espirito
Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos”
ICo 6.19. Aqui diz: que o nosso corpo é santuário do Espirito Santo, significa que
devemos resguardar e santificar também o nosso corpo.
Quando nosso corpo verdadeiramente morrer com Cristo, isto é, quando rejeitarmos
toda vontade própria, toda ação independente e vivermos de maneira altruísta,
certamente o Espirito Santo manifestará a vida de Cristo ressurreto em nosso corpo
mortal. Como é bom experimentar a presença do Senhor manifestando em nós saúde e
vida. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso
corpo” ICo 6.20. Somos membros de Cristo, somos templo do Espirito Santo, não
pertencemos a nós mesmos. Fomos comprados por preço. Tudo que é nosso pertence a
22
Cristo, principalmente nosso corpo. A presença de Cristo em nós indica que fomos
selados pelo Espirito Santo. Isto é a prova viva, que o nosso corpo pertence ao Senhor.
Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. Sendo sóbrios e vigilantes, não
priorizando a vontade do corpo para deleite próprio. Pertencemos a Deus, tanto pela
criação como pela redenção. Não apenas pertencemos a ele, mas todas as nossas posses
também pertencem a ele. Não possuímos nada além de nossas escolhas. Por isso,
devemos permanecer em Cristo Jesus, para que, quando ele se manifestar, não nos
afastemos envergonhados na sua vinda, IJo 2.28.
23
IX
AS DOENÇAS E O PECADO
As doenças são um acontecimento comum na vida. Para manter o nosso corpo em
condição de glorificar a Deus, precisamos saber qual atitude iremos tomar quando
formos atingidos por doenças. Se não soubermos lidar com as doenças, certamente
seremos derrotados por elas.
A Bíblia revela que existe uma relação muito estreita entre a doença e o pecado, e
que a consequência final do pecado é a morte. As doenças encontram-se no meio dos
dois, entre o pecado e a morte. Elas são o efeito do pecado e o preludio da morte. Se no
mundo não houvesse pecado, não haveria nem doença nem morte. Se Adão não tivesse
pecado, não haveria doenças na terra. As doenças, assim como os outros males,
surgiram por causa do pecado.
Deus quer que levemos nossas fraquezas e enfermidades a ele. Não é para ficar
doente que o servo de Deus está aqui na terra, mas para dar glorias ao Senhor. Se as
doenças nos levam a glorificar o nome do Senhor, elas se transformam em benção.
Contudo, nem todas as enfermidades o glorificam. Consequentemente, devemos
aprender a confiar no Senhor Jesus mesmo quando doentes, reconhecendo que ele
carregou sobre si também as nossas enfermidades. Enquanto ele esteve no mundo, curou
um grande número de pessoas. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Por isso,
podemos entregar nossas enfermidades a ele, se for da vontade dele seremos curados.
O pecado não produz nenhum fruto, nem santidade, já a doença sim. Quanto mais
uma pessoa peca mais corrupta se torna. Porém, a doença produz o fruto da santidade,
porque Deus está disciplinando o doente por meio do sofrimento. Tal circunstancia faz
com que nos submetamos à poderosa mão de Deus. Não devemos enxergar as doenças
como algo terrível. Se, sabemos que Deus comanda todas as coisas, porque então,
ficamos ansiosos por causa das enfermidades, como se tudo estivesse nas mãos do
inimigo? Lembre-se que todas as doenças passam pelo crivo de Deus. Para ser exato, é
Satanás quem dá origem a elas, é ele quem torna as pessoas doentes. No entanto, os que
leram o livro de Jó entendem que para o inimigo atacar o nosso corpo com
enfermidades precisa da permissão de Deus, porque tudo está debaixo do controle do
Senhor. Deus permitiu que Satanás acometesse enfermidades a Jó, mas não permitiu que
tocasse em sua vida. Depois que encerrou o período de provação de Jó, as suas doenças
desapareceram, pois já tinham realizado o seu propósito. É sempre bom ter em mente
que as doenças estão nas mãos de Deus e vem a cada um de nós na medida exata de
nossa necessidade, para que possamos aprender qual é a lição divina. Quanto mais cedo
aprendemos, mais cedo ficamos livres delas.
Algumas vezes o inimigo pode desfechar ataques repentinos contra nós, ou então,
nós mesmos podemos por excesso ou deficiência violar alguma lei natural. Para buscar
a cura devemos entender a maneira de Deus operar em nossas enfermidades:
• Pelo poder do Senhor: Deus pode. Em Marcos 9.21 “Perguntou Jesus ao pai do
menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu; e muitas vezes,
o tem lançado no fogo e na agua para matá-lo; mas se tu podes alguma coisa tem
24
compaixão de nós e ajuda-nos. Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível
ao que crê”. O problema aqui não é se Deus pode, mas se você pode crer. O primeiro
problema que temos com uma doença é a dúvida quanto ao poder divino. Quando Jesus
ouviu o pai da criança dizer: Se tu podes alguma coisa tem compaixão de nós e ajuda-
nos. Jesus interrompeu dizendo: Porque dizes se podes? Todas as coisas são possíveis
ao que crê. Na doença, a questão não é se o Senhor pode, mas se você crê.
• Pela vontade do Senhor: Deus quer. Em Marcos 1.40 “Aproximando-se dele um
leproso rogando-lhe de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente
compadecido, estendeu a mão, e tocou-o e disse-lhe: Quero fica limpo”. Por maior que
seja o poder de Deus, se ele não quiser curar, seu poder não será derramado. O segundo
problema a ser resolvido é se Deus quer. O Senhor Jesus disse quero. Com a mesma
compaixão Jesus quer curar-nos das nossas enfermidades.
• Pela ação do Senhor: Deus faz. “Por isso vos digo que tudo quanto em oração
pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” Mc 11.23. Como é que a fé
age? A fé confia no poder, na ação e na vontade de Deus de realizar a sua palavra em
nós. Se crermos, certamente receberemos. Nós que cremos na Palavra de Deus,
devemos apenas agradecer: “Obrigado Deus pela cura que já realizaste em mim”.
Muitos crentes apenas esperam ser curados. Se esperam, é porque ainda não receberão.
A esperança vê os fatos ainda no futuro e a fé as considera no passado.
Se realmente crermos, não vamos esperar, mas levantemos a nossa vós ao Senhor
dizendo: “Graças a Deus, estou limpo, graças a Deus, estou bem, graças a Deus estou
curado”. Uma fé perfeita proclama: Deus pode, Deus quer e Deus já realizou.
25
X
A VIDA DO CORPO
O corpo é templo do Espirito Santo. Grande parte dos crentes pensa que a vida de
Cristo apenas se manifesta no espirito, mas não interfere no corpo. Poucos entendem,
que o Senhor Jesus primeiro dá vida ao espirito e depois alcança o nosso corpo. O
Espirito Santo, que habita em nós, santifica o nosso homem interior e vivifica o nosso
corpo mortal, tornando-o sadio. O poder de sua vida penetra em cada uma de nossas
células para que possamos experimentar o seu poder e a sua vida.
Cristo tornou-se nossa fonte de vida. “Logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive
em mim” Ga 2.20. Hoje, ele vive em nós, da mesma maneira que no passado viveu em
sua própria carne. Em nosso corpo existe agora duas forças em ação: a morte e a vida.
De um lado está o desgaste físico natural, que nos conduz a morte e do outro o
reabastecimento que fazemos através dos alimentos e do descanso, que sustentam a
nossa vida. Porém, não devemos confiar apenas nas provisões naturais que sustentam o
nosso corpo. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da
boca de Deus” Mt 4.4. Somente a vida do Senhor Jesus poderá satisfazer todas as
nossas necessidades. Só ele nos concede a vitalidade necessária para vencer o pecado,
as tentações do inimigo e as doenças. Deus deseja que a vida de Cristo seja a nossa
força. Quando estamos unidos a Cristo, ele é a videira e nós os ramos. Dependemos
dessa união para receber a seiva da vida que alimenta o nosso espirito alma e corpo. Se
perdermos a comunhão com Cristo, nosso espirito certamente perderá a paz, e o corpo
não terá saúde. Se permanecermos em Cristo, a vida dele estará continuamente fluindo
em nosso espirito e corpo. Agora, que temos o entendimento que a Palavra de Deus é a
vida para o nosso corpo, temos que toma-la como alimento e digerir para que se
incorpore ao nosso ser da mesma forma que o alimento natural. Se a recebermos com fé,
ela se transformara em vida para o nosso espirito e corpo.
Porém, não devemos priorizar apenas a cura física e ignorar a parte da Palavra de
Deus que pede para ama-lo e obedecê-lo, porque Deus olha o que motiva o nosso
coração. Se o procuramos apenas para satisfazer os nossos desejos carnais ficaremos
sem receber, porque ele não vai conceder a sua vida, para que a usemos de maneira
egoísta, centralizado apenas em nós e vivendo cada vez mais para satisfazer os nossos
desejos pecaminosos. O Senhor espera que seus filhos renunciem ao seu ego, para
depois conceder-lhes o que estão buscando.
O apostolo Paulo ensina que: quando ele se permitiu “a operação do morrer de
Jesus em seu próprio corpo”, (o morrer para as coisas do mundo) a vida de Cristo
também se manifestou em sua carne mortal. Deus está esperando aqueles que estão
dispostos a aceitar “o morrer de Jesus”, para que ele possa viver neles.
A pergunta é: Quem está disposto a seguir a vontade de Deus? A força do Senhor
se aperfeiçoa em nossas fraquezas. Quanto mais reconhecemos que somos incapazes,
mais o seu poder se manifestará. Nossa própria força jamais pode cooperar com o
Senhor. Se tentarmos empregar as nossas forças para reforçar a dele, nada colheremos,
senão derrota e vergonha. Em nós mesmos, não temos poder para realizar nenhuma
26
tarefa para o Senhor, apenas confiando nele e no seu poder podemos realizar tarefas
perfeitas e sair vencedores.
Sabemos que o Senhor é para o nosso corpo. Se nos entregarmos totalmente,
apresentando o nosso corpo como sacrifício vivo, veremos o Senhor operar e controlar a
nossa vida e o nosso futuro. Então, a Palavra de Deus, que diz: o nosso corpo é para o
Senhor, se tornará realidade para nós. Aquilo que antes nos preocupava, já não pode nos
abalar. O inimigo pode tentar desviar-nos dos caminhos do Senhor, mas não cedemos,
porque não estamos mais andando sozinhos. Agora, temos a força e o poder de Cristo
Jesus que nos liberta de todas as dúvidas e acusações do inimigo. Portanto, nada pode
acontecer em nossa vida sem o conhecimento e permissão dele. Nosso corpo não nos
pertence mais, porque já o entregamos ao Senhor por completo. Não somos mais
senhores de nós mesmos. Se o tempo mudar repentinamente em nossa vida, a
responsabilidade é do Senhor, ele provera a solução. Ainda que o inimigo nos ataque de
forma inesperada, não temeremos, porque sabemos que a batalha não é mais nossa, mas
do Senhor. Numa situação como está muitos perdem a paz, ficam desesperados e se
apreçam em buscar uma solução humana para o problema. Nós que exercitamos a fé e
vivemos por meio da vida de Deus, sabemos que daqui por diante não viveremos
preocupados com o que: comer, beber ou vestir, nem por qualquer outra coisa, mas sim,
pela presença de Deus em nossa vida. Se agirmos assim a vida de Deus fluirá através de
nosso corpo. Nós que temos a certeza que o Senhor é para o corpo, podemos nos
apropriar das riquezas de Deus para suprir as nossas necessidades. Sempre que houver
uma necessidade urgente, haverá uma provisão divina. Seja qual for à situação,
recusamos a usar a nossa própria força para ajudar a Deus. Não tentamos mais resolver
o problema antes da hora determinada por ele.
Enquanto as pessoas do mundo correm ansiosamente em busca de socorro para o
seu sofrimento e dor, nós podemos esperar com serenidade a hora de Deus e suas
dadivas, pois sabemos que ele está no controle. Não seguramos a vida em nossas
próprias mãos, mas buscamos o cuidado do Pai. Essa é verdadeira paz! Agindo assim, o
crente está glorificando a Deus de diversas maneiras. Ele recebe tudo que lhe
sobrevenha como uma oportunidade de manifestar a gloria de Deus. Não usa os seus
próprios métodos, evitando interferir com a gloria, somente devida ao Senhor Jesus. E
quando o Senhor estender o braço para livra-lo, então ele está pronto para render
louvores. O grande anseio deste filho já não é mais receber a benção do Pai, porque ele
é muito mais precioso do que qualquer uma de suas dadivas. Se, desejamos apenas a
provisão e a proteção ou apenas o procuramos nas horas difíceis para pedir livramento
das tentações, simplesmente não receberemos e cairemos. Porque, a realidade de Deus
em nossa vida, não pode ser apenas um negócio. Aqueles que realmente o conhecem,
não imploram a cura, mas sempre o buscam primeiro. Se, estar bem de saúde implica
em desviar-se da presença de Deus, então devemos preferir não ser curados. Devemos
lembrar-nos constantemente que: sempre que desejarmos os dons de Deus em vez do
próprio Deus, estamos trilhando o caminho errado que irá nos afastar dele, em vez de
nos aproximar. Se vivermos realmente para o Senhor, não ficaremos ansiosos pelas suas
bênçãos ou provisões, pelo contrário devemos ansiar pela sua presença em nós, e o mais
ele fará.
27
XI
VENCENDO A MORTE
. “O último inimigo a ser destruído é a morte” ICo 15.26. Se não vencermos a
morte estamos deixando o inimigo nos vencer. O objetivo de Deus é levar seus filhos a
vencer a morte ainda nesta vida. É fato, que precisamos triunfar sobre o pecado, sobre o
mundo, sobre o ego e sobre Satanás. Contudo nossa vitória não estará completa se não
vencermos também a morte.
“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” Rm 5.17. A morte não
apenas existe, mas reina também. Embora, o nosso corpo ainda esteja vivo, a morte já
está reinando sobre ele. A influência dela ainda não alcançou seu apogeu, mas ela está
se manifestando, e vai se expandindo mais e mais, visando absorver todo o corpo.
Vários sintomas que descobrimos em nosso corpo demonstram como é amplo o poder
da morte sobre nós. Todos estes acontecimentos conduzem a pessoa para aquele final: a
morte física. “Os que recebem a abundancia da graça e o dom da justiça reinarão em
vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” Rm 5.17. Paulo afirma que os que
recebem a abundancia da graça reinarão em vida, por uma força que excede em muito o
poder que opera a morte. Contudo, os cristãos têm estado tão ocupados com o problema
do pecado que praticamente se esquecem do problema da morte. “Quem me livrará do
corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor”, Rm 7.24,25. Ele
nos deu a vitória não apenas dos pecados, mas também da morte quando morreu na cruz
em nosso lugar.
Antes de nos convertermos estávamos mortos em nossos pecados, pois o pecado e a
morte reinavam sobre nós. “O salário do pecado é a morte” Rm 6.23. Todavia, o
Senhor Jesus, morrendo em nosso lugar, pagou a divida dos nossos pecados e nos
libertou da morte. Anteriormente a morte reinava em nosso corpo, porém, quando nos
identificamos com a morte de Cristo, morremos para o pecado e nos tornamos vivos
para Deus Rm 6.10. Por causa da nossa união com Cristo, a morte já não tem domínio
sobre nós. A salvação que provem de Cristo substitui o pecado pela justiça e a morte
pela vida. “A lei do Espirito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da
morte” Rm 8.2.
Todos os que creem em Jesus tem como objetivo de vida não pecar, porém não
consideram o fato de não morrer. Em Cristo vencemos de modo absoluto tanto o pecado
como a morte. Por isso, Deus quer que apliquemos em nossa vida a vitória sobre ambos.
Se, assumirmos uma atitude passiva para vencer o pecado seremos escravos do pecado,
da mesma maneira, não podemos vencer a morte negligenciando-a. Deus quer que
tenhamos uma atitude de seriedade a respeito da vitória sobre a morte.
A humanidade marcha em direção à sepultura. A morte é uma herança comum a
toda raça caída e a nossa tendência natural é adotar uma atitude passiva em relação a
ela. Não aprendemos a nos levantar contra a morte. É verdade que, a justiça de Deus
opera em nós, por isso passamos a detestar o pecado, porém não permitimos que a vida
de Deus opere em nosso corpo para vencermos a morte.
28
A morte veio por causa do pecado, e a nossa vitória sobre ela vem da cruz de
Cristo, que morreu por nós e nos salvou do pecado e da morte. Sua obra redentora está
intimamente ligada à morte. “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de
carne e sangue, destes, também ele, igualmente participou, para que, por sua morte,
destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo
pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”, Hb 2.14. A cruz é à
base da nossa vitória.
Satanás tem o poder da morte, e o obteve devido ao pecado. Contudo, o Senhor
Jesus conquistou o domínio da morte e através de seu ato redentor, removeu as
correntes que nos prendiam ao pecado, desarmando assim o poder de Satanás.
A vitória de Cristo nos deu poder para vencer a morte:
• Só morrer depois de terminada a nossa obra: Se os sinais da morte se tornarem
visíveis em nosso corpo antes do termino de nossa obra, decididamente devemos resistir
tanto a morte como as seus sinais. Porque, cremos que os fortes sinais de debilidade
física do nosso corpo serão restaurados pela vida de Jesus que habita em nós.
Observe que Jesus também resistiu às garras de sua morte: primeiro quando o povo
tentou empurra-lo do penhasco e depois quando os judeus tentaram mata-lo com pedras
no templo; ele também não andava pela Judeia, porque os judeus estavam a sua procura
para mata-lo. Porque Jesus resistiu três vezes à morte? Porque sua hora ainda não havia
chegado, ele não poderia morrer antes do momento designado por Deus.
.Paulo não tinha medo de morrer. Pela fé em Deus, sabia que não morreria antes de
concluir sua obra. Essa foi a sua vitória sobre a morte. E no final de sua vida quando
disse: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa
da justiça está guardada, a qual o Senhor reto juiz, me dará naquele Dia, e não
somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”, IITm 4.7,8. Ele sabia
que o tempo de sua partida era chegado. Não devemos morrer antes de completar nossa
carreira.
Pedro também teve conhecimento do momento de sua partida. “Certo de que estou
prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso Senhor Jesus Cristo me
revelou, mas de minha parte esforçar-me-ei, diligentemente”, IIPe 1.14. É errado
afirmar, sob avaliação humana, que a nossa hora chegou. Devemos esperar uma
revelação clara de Deus. Vivemos para ele, por isso devemos morrer por ele. Temos que
resistir a qualquer impulso de partir, se não for um chamado divino.
Seja nossa vida longa ou curta, não podemos perecer como os que estão no mundo
do pecado. Isto é, antes que se cumpram os dias designados por Deus. O tempo que ele
nos dá aqui neste mundo deve ser suficiente para realizarmos a nossa missão. Só quando
chegar a hora determinada por Deus, podemos partir em paz e de forma natural, tendo
sobre nós a graça de Deus. Vencer a morte, não significa necessariamente não passar
pela sepultura, porque Deus pode desejar que, alguns passem pela morte e ressureição,
como aconteceu ao Senhor Jesus.
• Não ter medo da morte: O Senhor Jesus nos libertou, por isso já perdemos o temor
da morte. A dor, as trevas e a solidão que acompanham a morte, não podem nos
amedrontar, pois temos a certeza de que a morte é apenas um sono e seremos
despertados quando “Jesus Voltar”. “Não queremos, porém, irmãos, que sejais
ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais,
que não tem esperança. Porquanto o Senhor mesmo descerá dos céus, e os mortos em
29
Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles entre as nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e assim,
estaremos para sempre com o Senhor” ITs 14.13,16,17.
Jesus comparou a morte a um sono, quando disse a seus discípulos: Lazaro
adormeceu e vou desperta-lo. Jo 11.11. Jesus falava a respeito da morte de Lazaro, mas
eles supunham que tivesse falando do repouso do sono.
• Ser arrebatados vivos, por ocasião da volta de Jesus: Sabemos, que na volta de
Jesus muitos serão arrebatados vivos. Essa é última maneira de vencer a morte. “Eis que
vos digo um mistério, nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num
momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta
soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós os vivos seremos transformados”
ICo 15.51. Não existe data determinada para a volta do Senhor Jesus, porque ele pode
voltar a qualquer momento, pois estamos vivendo no tempo do fim. “Assim, pois, não
durmamos como os demais; pelo contrario vigiemos e sejamos sóbrios. Porque Deus
não nos destinou para ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus
Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em
união com ele.” ITs 5.6,9,10.
O Espirito Santo atualmente está nos inspirando a travar a última batalha com a
morte, antes que venha o arrebatamento. Satanás entretanto, reconhece que seus dias
estão contados, por isso, ele tenta acusar, destruir e matar a todos que perseveram nos
caminhos do Senhor.
O inimigo comunica ansiedade na mente das pessoas para leva-los a perder sono
durante a noite ou tenta induzi-los a trabalhar além daquilo que podem suportar, para
que adoeçam e manifestem no corpo a presença da morte. Muitas mortes são resultados
de ataques do inimigo, embora poucos reconheçam esse fato. Porque a tendência do ser
humano é sempre procurar uma causa natural para expressar as manifestações das
doenças em seu organismo. Atribuem os problemas de saúde a impureza, a irá, ao
ciúme, a licenciosidade, a idade ou a outros fatores, deixando de entender o real
significado do que está acontecendo. Se percebessem o poder da morte atuando,
aprenderiam a resistir e triunfariam.
Hoje, nossa batalha é pela vida. Em toda parte, há espíritos malignos e assassinos
agindo. Se os crentes não reagirem, resistindo e orando, serão derrotados. Se
continuarem passivos, inevitavelmente morrerão. Não devemos nos render as doenças
que atingem o nosso corpo. É possível até que já estejamos contaminados por alguma
enfermidade, porém podemos vencê-las, entregando-as a Deus em oração, pedindo que
as vença por nós. “Nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como
trouxe a luz, a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” IITm 1.10. A vida e a
imortalidade constituem a porção comum de todos aqueles que recebem o evangelho de
Jesus. Todos que crerem poderão antegozar os poderes do mundo vindouro. “Graças a
Deus, que nos dá a vitória por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo” ICo 15.57.
Embora Paulo esteja se referindo a vitória final sobre a morte que ocorrerá no futuro,
também declara, que podemos vencer por meio do Senhor Jesus, agora!
Sabemos, que estamos no tempo do fim, que a volta de Cristo se aproxima e deve
consumar-se enquanto vivemos. Por isso, devemos exercitar a fé e nos apropriar da
Palavra de Deus, confiando que não morreremos, mas veremos a face de Senhor ainda
vivos. Todos nós que temos está esperança, devemos viver em Cristo para receber dele
30
o poder de sua vida ressurreta para suprir as necessidades do espirito, da alma e do
corpo, confiando que não morreremos, mas seremos transformados e arrebatados vivos.
Como é perfeita a salvação que Deus preparou para nós! Como é maravilhosa a
gloria futura! Que a carne não tenha mais lugar em nós! Que o mundo não exerça mais
nenhuma atração sobre nós! Que o amor do Pai esteja em nós! Que o inimigo não tenha
mais aceso a nossa vida! Que o Senhor Jesus satisfaça os nossos corações, de tal
maneira, que não necessitamos acrescentar mais nada, além do pedido:
“ ”
Estudo sobre os escritos de Watchman Nee
Por: Lc. Password

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LIVRE DO PODER DO PECADO

  • 1. 0
  • 2. 1 A alma do homem é o próprio homem, onde reside a sua personalidade, o seu caráter e os seus desejos.
  • 3. 2 I VIVER NA CARNE OU NO ESPIRITO DE DEUS A alma está ligada ao mundo natural através do corpo e está ligada ao mundo espiritual através do espirito. Na queda do ser humano, o espirito dado por Deus deixou o comando para a alma, como a alma é fraca, deixa-se governar pelo corpo, que é a carne. Aqueles que não nasceram de novo estão mortos, podem não ter consciência de seus pecados ou podem estar orgulhosos considerando-se melhores que os outros. O homem não entende a palavra de Deus e tenta melhorar e reformar a sua carne. “O que nasce da carne é carne” Jo 3.6. Deus afirma que a carne é imutável. Se tentarmos reformar a carne, estamos tentando mudar o que Deus disse que é imutável. Deus não transforma a carne, ele nos dá o poder para vencer a concupiscência da carne. A carne deve ser crucificada. “Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências” Ga 5.24. A minha carne foi crucificada, mas as tentações continuam a nos provar, porém não cedemos, porque morremos para o pecado. A carne é totalmente corrompida, a única maneira de se libertar dos pecados da carne é a sua morte. “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela gloria do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” Rm 6.4. Nós não temos que crucificar a carne, mas sim, reconhecer o que Deus nos diz, que a carne foi crucificada na cruz. Não andar mais segundo nossa visão do pecado, mas sobre a nossa fé na palavra de Deus. Todos que aceitaram a Jesus estão cheios do Espirito de Deus e não tem inclinação para o pecado, porém não estão livres de cair em pecado. Qual morte nós escolhemos? A morte da carne, que é a cruz, para vivermos no Espirito de Deus ou a morte do Espirito para vivermos na carne, que é a vontade do nosso corpo. Se a carne estiver viva o Espirito Santo não pode se manifestar em nós. Cristo liberta o crente do poder do pecado por meio da cruz e por meio do Espirito Santo, residente nele, capacita-o a vencer o seu eu, dia após dia, para uma obediência completa. A negação do eu tem que ser uma experiência diária e continua. Deus quer que todos venham a ele, num espirito de dependência, totalmente submissos a seu Espirito e esperando humildemente nele. Cristo crucificado é a sabedoria de Deus em nós. Tem que acontecer uma transformação em nossa vida, de maneira que, agora, amamos o que antes odiava e odiamos o que antes amava. Vivendo pela fé na obra do Senhor Jesus. Tentar seguir a Deus sem negar o eu é a raiz de todos os fracassos. Se não damos à carne a oportunidade de pecar, ela está disposta a fazer o bem. Embora, se lhe dermos oportunidade de fazer o bem, logo voltará a pecar, é assim que Satanás engana os filhos de Deus. Se os crentes mantivessem a carne crucificada, o inimigo seria vencido, porque é na carne que ele age com suas tentações. Se toda carne, não só uma parte, estiver crucificada, ele não tem como agir, fica sem trabalho. Por isso, ele está disposto a permitir que levemos à parte pecaminosa de nossa carne a morte, se ele puder nos enganar para que retenhamos a parte boa. O inimigo sabe perfeitamente, se a parte boa
  • 4. 3 permanecer intacta, a vida da carne ficará preservada, ainda terá um lado da ponte para recuperar o território perdido e retornar ao pecado. Isto explica porque muitos crentes tornam a servir ao pecado depois de terem sido libertos. Se, o Espirito Santo não tiver o controle na questão de adoração a Deus, também não poderá manter o domínio na nossa vida diária. Se eu não me negar por completo diante de Deus, também não posso me negar diante dos homens e vencer o meu ódio e o meu egoísmo. Por ignorar esta verdade, os crentes tentam aperfeiçoar pela carne o que começaram no Espirito. Se não proibimos a carne de fazer o bem natural, não podemos impedi-la de fazer o mal. Precisamos ter o entendimento, que a corrupção da carne é a mesma ao gabar-se por fazer o bem, como a de seguir as más paixões. O Senhor Jesus disse: “O espirito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” Jo 6.63. Tanto faz, se for o pecado da carne ou a bondade da carne. Por mais, que os crentes tentem aperfeiçoar a carne, aos olhos de Deus tudo é inútil. Porque a carne não pode melhorar a vida espiritual, nem efetuar a justiça de Deus: “Porque o pendor da carne dá para a morte” Rm 8.6. A única saída é levar a carne a cruz. “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus” Rm 8.7. A carne se opõe a Deus. “Não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” Rm 8.7. Quanto mais a carne se esforça, mais se afasta de Deus. “Pela lei vem o conhecimento do pecado” Rm 3.20. “Os que estão na carne não podem agradar a Deus” Rm 8.8, Só podemos agradar a Deus, através de seu Filho. O que fazemos pode parecer bom, mas provem da carne. Para satisfazer a Deus, a origem das nossas intenções deve estar em Jesus, somente nele, o único que satisfaz a Deus. Agora, que sabemos como são inúteis os esforços da carne para agradar a Deus, precisamos viver de acordo com a vontade do espirito. Como seres humanos, podemos discernir mentalmente quais são as boas obras e as más. Deus vai além e faz a distinção apoiada na origem de cada obra. Repito, a melhor das ações da carne desagrada a Deus tanto quanto uma obra má, porque as duas são da carne. Do mesmo modo, que a injustiça aborrece a Deus, a justiça própria também o aborrece. As boas ações que fazemos naturalmente sem a regeneração que provem da união com Cristo ou da dependência do Espirito Santo, não são menos carnais para Deus, do que a imoralidade, impureza e libertinagem. Por melhores que sejam as ações do homem, senão vierem de uma verdadeira confiança no Espirito Santo, são carnais, e Deus as rejeita. Tudo que pertence à carne aborrece a Deus, Ele não leva em conta a aparência de santidade ou pecaminosidade. Seu veredicto sempre é: a carne deve morrer. “Eu sei, isto é, em minha carne não habita bem algum” Rm 7.18. Muitos pensam que só as pessoas do mundo precisam ser convencidas de seus pecados. A convicção que todos somos pecadores deve ser produzida de modo incessante em nossas vidas, para que não esquecermos nem por um momento a nossa verdadeira condição e a avaliação que Deus faz da vida carnal. Se houve alguém que poderia se orgulhar de sua carne, este seria Paulo, porque teve um encontro com Cristo ressuscitado e foi usado grandemente por ele. Deus abriu os seus olhos para que visse, que em sua carne não habitava bem algum, só o pecado. A justiça própria, que tinha se orgulhado no passado, considerou lixo e a partir daí, aprendeu a não confiar mais na carne. “Não tendo justiça própria, que procede da lei, se não a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus” Fp 3.9. Da mesma maneira, que o cristão deve ser libertado do poder do pecado da carne por meio da cruz, também deve ser libertado da justiça da carne.
  • 5. 4 Andando no espirito, o crente não vai seguir a carne para o pecado nem para a justiça própria. Se, estamos na carne e não no espirito, tudo o que fazemos tem por intenção a ostentação própria, com o objetivo de ser visto e admirado pelos outros. Existe tanto o bem natural como o mal natural em nossa carne, só o Espirito de Deus pode vivificar a carne. Não estamos discutindo o pecado, mas as consequências da vida natural do homem. Tudo o que é natural, não é espiritual. Tanto a nossa justiça própria, como a nossa sabedoria devem ser cravadas na cruz. A vida da carne pode ser usada no serviço a Deus: na oração, no louvor e na execução de boas obras. O cristão pode fazer com que a sua vida natural de a impressão que está servindo a vontade de Deus, mas “os que estão na carne não podem agradar a Deus” Rm 8.8. Porque, a origem de todas as coisas que realizamos deve estar unicamente no espirito. Antes, que o Espirito Santo possa encher plenamente uma pessoa, tem que haver uma entrega completa da carne a cruz. Ser crucificado com Cristo significa aceitar o vitupério, que nosso Senhor aceitou. Não somos humildes o suficiente para aceitar de boa vontade a cruz, resistimos em admitir, que somos impotentes, inúteis e totalmente corruptos até o ponto de visualizar, que para nós não existe outra saída, a não ser a morte. Que morte é essa? É morte consciente do eu, que abre o caminho para o Espirito Santo atuar em nosso íntimo por meio da cruz, fazendo com que o Espirito de Jesus seja a nossa experiência de vida. Como a morte acontece? O Espirito da cruz atua em nossas escolhas até que o morrer para as coisas que o mundo oferece seja completo. O ato de crucificar o nosso ego na cruz é permanente. Não nos enganemos pensando que somos tão avançados espiritualmente, que a carne já não tem poder para nos seduzir. Essa é a intenção do inimigo, a de nos apartar da base da cruz, com o objetivo de nos tornar carnais interiormente e espirituais por fora. O caminho seguro está no Espirito Santo de quem dependemos e por meio da sua presença, seremos ensinados a não ceder terreno à carne. Temos que nos submeter com alegria e confiar que o Espirito Santo nos dará forças para crucificar a carne na cruz de Cristo. Se antes, éramos cheios do poder natural, agora estamos cheios do Espirito, e podemos dizer: “a vida que agora vivo na carne, não a vivo eu, mas Cristo vive em mim” Ga 2.20. Devemos simplesmente acreditar, que nosso Senhor nos deu seu Espirito e que agora ele habita em nós. Este é o mistério de Deus: a vida de Cristo habitando em nós, por meio do seu Espirito que reside no mais profundo do nosso ser, no nosso espirito. O que devemos fazer para tornar este fato uma realidade em nós? Devemos aprender a esperar no espirito. Esta direção, não surge na mente ou nos pensamentos; mas através da vida do Espirito de Deus se manifestando em nós. Temos que ceder diante de Deus e deixar que seu Espirito governe tudo. Ele vai manifestar o Senhor Jesus em nossa vida. “Porque circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espirito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” Fp 3.3. Temos que confiar no Espirito Santo, e nos submeter somente a ele. Com este tipo de confiança e obediência a carne perderá todo o seu poder. Por isso, o espirito deve ter o controle da nossa mente e dos nossos pensamentos, porque o que acontece em segredo em nosso intimo irá se manifestar externamente em palavras e atos.
  • 6. 5 II O VELHO HOMEM E A CRUZ A libertação do poder do pecado acontece no exato momento em que o pecador aceita ao Senhor Jesus como Senhor e Salvador; este é o momento em que ele nasce de novo. Ele não precisa esperar ser um crente de muitos anos de estrada, nem sofrer uma multidão de derrotas para usufruir desta verdade. “Sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, (no batismo) para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado” Rm 6.6. A Palavra nos diz, que fomos escravos do pecado e o pecado era nosso amo. Temos que reconhecer que o pecado tem poder, porque nos torna escravos. O poder do pecado nos arrasta para obedecer ao velho homem, de modo que passamos a pecar. Pecamos porque o velho homem ama o pecado e o seu poder está carregado de desejos carnais. O processo de pecar segue está ordem: • O pecado usa seu poder para atrair o homem e induzi-lo a pecar. • O velho homem se deleita no pecado e submete o corpo a pecar. • O corpo serve como um boneco, um escravo e pratica o pecado. O pecado se apodera do corpo e o força a servidão. O corpo passou a ser fortaleza do pecado, seu instrumento e guarnição. Portanto, não há designação mais apropriada para o velho homem do que o corpo do pecado: • “Para que o corpo do pecado seja reduzido à impotência” Rm 6.6. • “Não reine, pois o pecado em seu corpo mortal, de modo em que o obedeçam em suas concupiscências”, Rm 6.12. • “Nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumento de iniquidade” Rm 6.13. • “Me fazendo cativo do pecado que está em meus membros” 7.23. Deus não arranca a raiz do pecado que reside dentro do homem, nem elimina o pecado que está do lado de fora do homem (o pecado que está no mundo, que é a tentação); ele trata do velho homem, que está entre estes dois lados. O Senhor Jesus quando esteve na cruz, levou sobre si não só os nossos pecados, mas também nosso velho homem para morte. Como a cruz é um fato consumado, também o nosso velho homem, que foi crucificado com ele, é um fato consumado. A atitude do crente de ficar crucificando a si mesmo, demostra falta de revelação ou falta de fé. Os resultados são evidentes, não possuem poder para serem libertos do pecado. A Palavra nunca nos instruiu para que crucifiquemos a nós mesmos. Ela diz: que estávamos em Cristo, quando ele foi ao calvário e ali nos crucificou juntamente com ele. Se, fomos crucificados com Cristo, um fato que já se realizou. Como é maravilhosa a realidade de estarmos em Cristo, e nele, sermos libertos do pecado. Entretanto, o fato de termos a certeza desta verdade, não nos capacita a resistir à tentação. Está revelação se confirma pela presença do Espirito Santo, que manifesta em nossa vida o seu poder, nos capacitando a acreditar e viver está verdade. A fé vem pela revelação.
  • 7. 6 Como consequência da crucificação do velho homem, o corpo do pecado foi reduzido à impotência. Anteriormente, quando o pecado nos estimulava, o nosso velho homem respondia e o corpo cometia pecado. Com a crucificação do velho homem e sua substituição pelo novo homem, o pecado ainda pode tenta-lo, mas não prospera, porque aquele que se deleitava com o pecado está morto. A ocupação do corpo antigamente era pecar, planejava e arquitetava os pecados, mas este corpo de pecado agora está sem ocupação, porque o velho homem foi posto de lado. Louvado seja o Senhor por esta nova vida, onde não servimos mais ao pecado como escravos. Isto, foi o que Deus fez em nós, para nos libertar do poder do pecado. O pecado não vai mais exercer domínio sobre nós. Aleluia, temos que louvar a Deus por esta libertação. “Considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” Rm 6.11. Se persistirmos com fé e obediência, poderemos contar com o poder da Palavra de Deus que nos dá força para vencer todas as tentações, mas se não renunciarmos os prazeres antigos e resistirmos à vontade do Espirito, o pecado vai voltar a ter domínio, e já não permanecemos em Cristo. Se, sabemos que Cristo habita em nós, e que por onde quer que andemos já não estamos mais sozinhos, então nunca devemos nos considerar fora dele, vivendo desta maneira não teremos coragem de profanar o corpo de Cristo que está em nós. Nenhum sacrifício que fazemos é alto demais para Deus, pois ele deu a vida de seu Filho por nós. Se formos filhos obedientes, o pecado não terá mais poder sobre nós.
  • 8. 7 III A ALMA E A VIDA NATURAL Antes da queda do homem, a alma ficava a disposição do espirito para ser dirigida, mas depois da queda, o homem tornou-se um ser carnal, e o pecado passou a reinar no corpo, e a natureza carnal passou a escravizar a alma e a vida do homem. Desta forma o pecado passou a fazer parte da natureza do homem e alma passou a ser a vida do homem. Enquanto ainda somos pecadores, nossa vida é dirigida pela alma e a nossa natureza é escrava do pecado. Vivemos por meio da alma e os nossos desejos e deleites estão em conformidade com o pecado. Podemos dizer que o que decide o nosso andar é o pecado, mas o que proporciona a força para andar de maneira pecaminosa é a alma. O pecado se apresenta e a alma executa, está é a condição do não crente. Quando o crente aceita a graça do Senhor Jesus como seu substituto na cruz, recebe a vida de Deus, e seu espirito é avivado. A partir deste momento abrem-se dois caminhos na vida do crente: a vida do espirito que é a natureza de Deus e a vida da alma que é a natureza do pecado. A vida inicial do crente varia entre êxitos e fracassos. Mais tarde, quando ele conhece a libertação da cruz e aprende a exercitar a fé, e considerar o velho homem crucificado, ele estará capacitado a vencer as tentações e o pecado não o dominará mais como antes. A libertação do poder do pecado é o primeiro passo na santificação. Uma vez derrotado o pecado, nós somos chamado a vencer o ego e as boas intenções da alma. O perigo agora está em tentar agradar a Deus com poder da alma, em vez de aprender a ter entendimento da vontade que procede do Espirito. Para realizar a vontade de Cristo em nossa vida, é fundamental: • Estar liberto do poder do pecado. • Ter a capacidade de negar a si mesmo. • Libertar-se da força natural da vida da alma. Quando entendemos, que além do pecado há dois poderes que residem em nós: o poder do Espirito e o poder da alma. O poder do Espirito, recebemos do Espirito Santo na nossa conversão, enquanto que o poder da alma nos foi concedido de modo natural quando nascemos. O caminho de Deus é claro, temos que negar tudo o que provém da nossa vontade. Aquilo que somos, o que temos e o que podemos fazer. A falha de entender ou obedecer à vontade do Espirito, nos deixa apenas a alternativa de voltar a viver segundo o poder da alma. O crente espiritual é aquele cujo espirito é guiado pelo Espirito de Deus e que recebe dele o poder para o seu caminho diário de vida. Não vive neste mundo procurando fazer a própria vontade, nem confia na capacidade natural de planejar e executar o serviço a Deus. A regra é permanecer no espirito, sem ser influenciado e controlado pelo poder da alma. O crente carnal é controlado pelo poder da alma, embora tenha o poder do Espirito de Deus residente, porém não tira recursos do mesmo para sua vida. Em sua experiência diária persiste em fazer a vontade da alma.
  • 9. 8 A vida da alma e a vida do espirito coexistem dentro de nós. Somente, quando a influência dominadora da alma for quebrada é que poderemos seguir a intuição do espirito. Só então, seremos crentes seguidores e o Espirito Santo o originador. O crente espiritual não deve depender de si mesmo, e empregar a própria força para executar a vontade de Deus. “Sempre que for requerida uma ação, ele deve se aproximar de Deus com um proposito fervoroso, plenamente consciente de sua fraqueza e pedir um caminho”. Só agir guando receber a direção e o poder do Espirito Santo. Com uma atitude assim, Deus sem dúvida irá conceder poder para que a obra seja realizada de maneira perfeita no espirito. Repito, se o crente examinar-se cuidadosamente, sob a luz de Deus, irá perceber dois tipos de poder dentro dele: por um lado andar pela fé, confiando no Espirito Santo e por outro andar por si mesmo, na vida da alma, seguindo as próprias emoções, idéias e vícios. Somente se a orientação do Espirito Santo prevalecer será capaz de detestar as escolhas da alma. O tipo de vida que escolher determinará se ele é carnal ou espiritual. Quem é espiritual não vive pelo sentimento, mas sim pela fé. O crente que a alma está no controle, não espera em Deus, tudo o que faz é precipitado, impetuoso e com pressa. Opera mais por impulso do que por princípio. É impulsionado pela autoconfiança até ao ponto de nunca esperar pela vontade de Deus, só se volta para ele, quando esgota os seus recursos. Todos que vivem no reino da alma possuem uma voraz ambição, seus desejos ocupam com frequência o primeiro lugar, aspiram serem operários poderosos e usados grandemente pelo Senhor. A Bíblia e a vida real provam: que os crentes carnais são controlados simultaneamente por seu corpo para incorrer em pecado ou por sua alma para viver conforme os seus desejos. Algumas vezes, seguem o pecado do corpo e outras a vontade da alma. A força da vida da alma é o ego, e as faculdades da alma são: à vontade, a mente e a emoção. É vital que os crentes vejam a sua verdadeira condição exposta pela luz de Deus para serem libertos e não usem mais a sua própria luz para ilumina-los. Está é a base para um crescimento espiritual verdadeiro. Os crentes carnais confundem emoções com espiritualidade. Eles desejam sentir emoções e sensações em sua alma. A Bíblia traduz o termo alma como: ser vivente, criatura vivente, animal ou vida animal. Está definição pode nos ajudar a entender o poder da alma. Podemos então descrever a vida e a obra dos crentes que estão no reino da alma, como atividades animais. Muitos planos, muitas atividades, pensamentos confusos e emoções misturadas. Todo o ser, tanto por dentro como por fora é agitação e tumulto. Sabemos que a vontade da alma é caída e a sua tendência é fazer o crente: servir a Deus com as próprias forças e almejar sensações físicas em seu relacionamento com Deus. Deus considera a nossa atividade animal no serviço espiritual como insolência. “Todas as nossas justiças, são como trapos de imundícia” Is 64.6. O pensamento da maioria dos crentes é de que mal pode haver em viver segundo as forças naturais? Por isso, fazem tudo o que podem para demostrar bondade, inspirados em suas próprias virtudes. Afirmam que Deus lhes concedeu dons e talentos e estão trabalhando para ele, então, porque não podem usar o próprio entendimento para planejar e executar a obra do Senhor. Esta afirmação resume o que muitos crentes questionam em seus corações, e mostra que não sabem fazer distinção entre a vida espiritual e a vida natural da alma. Não receberam as revelações do Espirito Santo sobre os vários males da obra fundamentada na vida natural da alma. É necessário que se tornem humildes e sinceros, e tenham boa vontade para abandonar tudo o que não for
  • 10. 9 revelado, para que o Espirito Santo possa mostrar, no momento apropriado, à corrupção existente em sua vida natural. O Espirito de Deus irá capacita-los, para que compreendam que toda sua obra e progresso estão centrados no eu e não no Senhor. Suas boas obras são feitas, não só pelos seus próprios esforças, mas também para sua própria gloria. Não procuram obedecer à vontade de Deus, nem aceitam a sua direção. Embora, estes crentes usem os talentos concedidos por Deus, pensam apenas nos grandes dons que possuem e esquecem o Doador desses dons. Com alegria admiram a Palavra de Deus, mas procuram conhecimento somente para satisfazer a aspiração de sua mente, resistem a esperar que Deus lhes dê sua revelação no devido tempo. A busca da presença de Deus, não é por amor a ele, mas sim, para sua própria realização. Só depois de serem iluminados pelo Espirito Santo sobre o caráter aborrecível desta vida, é que se tornam alertas e despertos da loucura de prender-se a vida da alma. Esta iluminação não chega toda de uma vez, mas de forma gradual em ocasiões distintas. Quando os crentes são iluminados pelo Espirito pela primeira vez, se arrependem e voluntariamente entregam a vida do eu a morte, mas o tempo, a autoconfiança, o egoísmo e o prazer pessoal atuam e restauram a vida natural. A falta de perseverança nas dificuldades enfrentadas faz com que percam a iluminação do Espirito e retornem a sua vida natural da alma. Devem adotar o ponto de vista de Deus, porque o nosso andar natural está contaminado. Tem que permitir que o Espirito Santo mostre toda a corrupção da vida da alma e exercitar a fé, sempre esperando que o Espirito revele o caminho da libertação. A intenção de Deus é tornar seus filhos espirituais. Primeiro ele põem em movimento o espirito do homem, em seguida ilumina a mente da alma e finalmente executa a sua obra por meio do corpo. Os crentes que nasceram de novo devem viver no espirito, pois já estão qualificados para discernir a vontade de Deus e cooperar com seu Espirito para vencer as estratégias do inimigo. O perigo de retroceder ao reino do corpo está sempre rondando o crente, porque as obras da carne tem sua origem natural nas concupiscências do corpo humano e nas atividades da alma. O egoísmo, a dissenção e o espirito de facção fluem de modo natural do homem interior. Por isso é preciso estar atento para que o poder das trevas, não tire vantagem da falta de entendimento que as obras da vida da alma podem causar. Aqueles que perseveram no espirito, não cederão às estratégias do inimigo. “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom entendimento as suas obras em mansidão e sabedoria. Mas se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis nem mintais contra a verdade. Essa não é sabedoria que vem do alto (Espiritual), mas é terrena (da alma) e diabólica” Tg 3.13. Há uma sabedoria que vem de Satanás, é a mesma surge da alma humana. A carne é a oficina do diabo, e a sua obra se manifesta na concupiscência que está ativa no corpo físico. Os cristãos sabem que o inimigo pode nos seduzir ao pecado, mas não compreendem que ele pode inserir pensamentos em suas mentes. A queda do homem foi por causa do amor ao poder, ao conhecimento e a sabedoria. “como Deus sereis conhecedores do bem e do mal”, Gn 3.5. Satanás está empregando a mesma tática hoje, para reter a alma dos crentes sob o seu domínio. O plano dele é preservar para si, tudo o que puder de nossa antiga criação caída. Se falhar em fazer os crentes caírem em suas redes de pecado, vai tentar induzi-los a conservarem a sua vida
  • 11. 10 natural para tirar vantagem dos que desconhecem as suas estratégias. Porque, se não tiver êxito, todo o seu exército de anjos caídos ficarão sem ocupação. Quanto mais o crente se une ao Senhor, mais a vida do Espirito Santo flui em seu espirito e mais a cruz operara em suas escolhas. Como resultado, haverá uma eliminação progressiva da velha criação, que resulta em menos terreno cedido para o inimigo operar. O inimigo tenta nos seduzir reavivando a nossa velha criação, pois ele não se atreve a usar a sua energia em nossa nova criação, onde está à própria vida de Deus. Por isso, ele tenta de modo incessante persuadir os filhos de Deus a reter algo da velha criação, quer seja um pecado acariciado ou uma agradável vida natural, de modo que possa continuar operando. Ele conspira contra os crentes e os confunde para que amem sua própria vida, apesar do fato de aborrecerem o pecado. Quando nós cristãos, ainda éramos pecadores, “andávamos nos desejos de nossa carne, fazendo a vontade da carne” Ef 2:3. Os pecados relacionados com os desejos da carne influenciavam tanto a nossa alma como o corpo. Esta verdade mostra que os espíritos malignos operam tanto no corpo como na alma. Os filhos de Deus devem ser libertos não só do pecado, mas também do seu reino natural para que a vitória sobre o inimigo seja completa.
  • 12. 11 IV O CHAMADO DA CRUZ “Quem não toma sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perder a vida por minha causa achá-la-á” Mt 10.38. O Senhor Jesus nos chama a renunciar a vida da alma e entrega-la a cruz como prova do nosso amor por ele. Ele quer que amemos aos outros, não com nosso afeto natural, mas com o amor que vem de Deus, o amor ágape. Temos de receber de seu amor, para sermos capazes de amar aos outros, não pelo que eles são ou representam para nós. Se Deus quiser que amemos, amaremos inclusive nossos inimigos, mas sem a presença dele, não amaremos nem mesmo os nossos entes queridos. O Senhor deseja que o nosso coração não esteja apegado às coisas do mundo, para que possamos servi-lo livremente. Se priorizarmos as coisas espirituais como evangelizar, a oração, a leitura da Bíblia, ajudar ao próximo de maneira altruísta, priorizar um desconhecido necessitado em vez dos amigos, preferir participar de um enterro onde poderá consolar alguém com a Palavra do que se alegrar numa festa, e escolher trabalhos e lazer que nos aproximem de Deus; agindo assim estaremos negando a vida da alma, isto é o que chamamos de tomar a própria cruz e seguir a Cristo. Ao obedecer desta maneira a Cristo, chegamos ao ponto de ignorar o nosso afeto natural. Esse tipo de sofrimento e dor se torna uma cruz para o crente. Para alma é terrível renunciar os prazeres da vida natural e o apego aos próprios amados, para priorizar a vontade do Senhor. São estas escolhas que libertam o crente do poder da alma. Ao perder o afeto natural, ele abre caminho para que o Espirito Santo derrame o amor de Deus em seu coração, capacitando-o a amar com o amor que provem de Deus. O Senhor está nos chamando a vencer o amor natural, para que possamos descansar em Deus, o doador de todos os dons. Ele não quer que nos apeguemos a nada, exceto a ele. Temos que aborrecer nossa vida natural da alma e recusar os seus apelos, para nos libertar de toda inércia, comodidade e vícios carnais residentes em nós. O caminho do Senhor é completamente diferente daquele que almejamos, pois o que era amado antes deve ser agora ignorado, até o órgão que gera o amor, a vida da alma, deve ser ignorada. Este é o caminho espiritual. Se verdadeiramente levarmos a cruz, não seremos controlados nem influenciados pelos afetos naturais, mas seremos aptos para amar no poder do Espirito. Foi assim que o Senhor Jesus amou sua família quando esteve na terra. “Qualquer que fizer a vontade de Deus este é meu irmão, irmã e mãe”, Mc 3.35. “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” Mt 16:24. Uma vez mais nosso Senhor Jesus está chamando seus discípulos a tomarem a cruz, para levar à alma a morte. E Pedro reprova o Senhor, e diz: “Senhor tenha misericórdia de ti”. Pedro pensava no homem natural, insistindo para que o seu Mestre evitasse a dor da cruz na carne, porque não tinha ainda compreendido que o homem deve centra-se nas coisas de Deus, mesmo numa questão como a morte em uma cruz. Falhou em compreender que o interesse em fazer a vontade de Deus deve suplantar qualquer interesse próprio. O Senhor mostrou que não era só ele que teria de passar pela cruz, mas todos deveriam passar por ela também. Seu caminho
  • 13. 12 será igual ao meu. Não pensem que apenas eu, é que faço a vontade de Deus, todos vocês farão a sua vontade. Desta maneira, tal como eu não penso em mim mesmo, e obedeço a Deus de modo incondicional até a morte na cruz, assim vocês também terão que negar a vida do eu, e estar dispostos a perdê-la, para obedecer a Deus. Quando Deus nos chama a negarmos a nós mesmos por meio da cruz, e a renunciarmos a tudo por amor a ele; nossa vida natural responde de modo intuitivo tentando esquivar-se. Mas, sempre que escolhemos o caminho estreito da cruz e sofremos por amor a Cristo a nossa vida da alma sofrerá perda. É assim que perdemos a vida da alma. Só desta maneira a cruz de Cristo será entronizada pura e suprema dentro de nós. Se o Senhor Jesus, o Filho de Deus, negou sua própria vida da alma para servi- lo, certamente nós também devemos nos desapegar da vida da alma para servi-lo. Ele chama os crentes a entregar a sua vida natural a morte, não apenas para serem libertos do amor ao mundo, mas também como uma demonstração de obediência a sua vontade. Atender aos desejos de Deus significa despojar-se da própria vontade da alma. Sempre que obedecemos à vontade de Deus, a vontade da alma fica esmagada. Quero enfatizar que, enquanto a vida do eu não for entregue a morte, o inimigo possui um instrumento para operar, porque o bem que eu desejo é originado pela vontade da carne, que é manipulada por ele. Enquanto permanecer ativa a vida da alma, seu negócio irá prosperar. O inimigo não se importa muito com as pessoas que se deleitam com sua vida natural, porque estes estão sob o seu poder, mas o que ele realmente teme, é aqueles que vivem em Espirito e Verdade, pois contra esses ele não tem poder para operar as suas maldades. Que Deus nos mostre quão perigosa é a vida da alma. Deus não pode trabalhar em nós, enquanto a nossa alma não for quebrantada. A autocompaixão, o amor próprio, o temor do sofrimento, o esquivar-se da cruz são todas manifestações da vida da alma ainda ativa, porque a sua manifestação primaria é a preservação do eu, que resiste bravamente a sofrer qualquer perda. O Senhor disse que cada um receberia uma cruz para carregar. Embora seja a nossa cruz, ela está intimamente ligada com a cruz do Senhor. Cada vez que carregamos a nossa cruz, sofremos a perda da vida da alma. Cada vez que fugimos da cruz, a vida da alma é alimentada e preservada. A cruz que condenou o pecado a morte é um fato consumado e sabemos que não precisamos fazer nada a respeito, apenas devemos crer e aceitar o que o Senhor Jesus fez por nós, mas a cruz que nos liberta da vida da alma é diferente. O negar-se a si mesmo não é uma questão já consumada; pois nunca chegaremos a perder completamente a vida da alma. Por isso, devemos tomar a nossa cruz diariamente para que o poder da cruz de Cristo nos de forças para negarmos a vida da alma. A vida do eu tem que ser vencida passo a passo, quanto mais profundamente penetrar a Palavra de Deus, mais profundamente opera a cruz e mais intensamente o Espirito Santo completa a união do nosso espirito com o Espirito do Senhor Jesus, até que o caráter dele seja formado em nós.
  • 14. 13 V O APEGO DA ALMA AS COISAS DO MUNDO É possível que o crente abandone exteriormente o mundo e deixe tudo para traz, mas interiormente continue apegado aos mesmos elementos que abandonou por amor a Cristo. Não é necessário retornar ao mundo para recuperar o que já havia abandonado para indicar que a vida da alma ainda está ativa, basta que ele desvie o olhar de desejo para traz, para revelar que não entendeu plenamente a sua relação com a cruz de Cristo. A vida da alma é mundana, porque se deleita com as coisas do mundo. O cristão só poderá se libertar da influencia das coisas que o mundo oferece, quando realmente se sentir unido a Cristo em sua morte na cruz. Quando a vida da alma é esmagada de modo genuíno, não há nada neste mundo que possa atrair novamente o coração do crente. Ele não somente morre para o pecado, mas também para a vida pessoal. Ter uma vida espiritual está condicionado a sofrer perdas. Não podemos medir nossa vida em termos de ganho, tem que ser medida em termos de perdas. Nossa espiritualidade não consiste em quanto retemos, mas sim, o quanto lançamos fora. Aqueles que mais perdem são os que mais têm para dar. Se o nosso coração não está separado do amor ao mundo, nossa vida da alma ainda tem que passar pela cruz. Só nos libertaremos completamente das coisas do mundo, quando o Espirito Santo nos mostrar como é perfeita a vida no espirito. Porque as coisas de baixo não podem ser comparadas as coisas de cima. A experiência de Paulo, em Filipense 3, mostra muito bem este fato, onde ele disse: Nós que adoramos a Deus no Espirito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne, mas consideramos tudo como perda, até o ponto de perder todas as coisas e as considerar como refugo, para ganhar a Cristo. Isto só foi possível, porque o apostolo conheceu o poder da ressureição de Cristo, quando teve um encontro pessoal com ele. Esta é a vida perfeita, que Deus deseja para nós. O filho de Deus que se permite uma vida de comer, beber e folgar requer uma porção maior da cruz, para libertar seu espirito da escravidão e influência da alma. Todo aquele que suspira pelas coisas do mundo, ainda tem que aprender a perder a sua vida da alma, por meio de uma experiência mais profunda da cruz. “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica só, mas se morrer dá muito fruto” Jo 12.24. O Senhor descreve que a operação da cruz se compara a um grão de trigo. Se o grão não cair na terra e morrer permanece sozinho, mas se ele cair na terra e quebrar a casca, crucificar a vida da alma, e morrer distribuirá a vida de Deus a muitos. A condição é a morte, sem morte não há frutos. Não há outro caminho para gerar frutos, que não seja passar pela morte. Tal como o grão, que é incapaz de gerar frutos a menos que morra, assim também não pode haver frutos espirituais até que a vida alma tenha sido quebrantada. Todas as energias geradas na alma, como o talento, os dons naturais, o conhecimento e a sabedoria, não podem capacitar o crente para gerar frutos espirituais. Se o Senhor Jesus teve que morrer para gerar frutos espirituais, também nós, seus discípulos, temos que
  • 15. 14 morrer para produzi-los. O Senhor considera o poder da alma como inútil para Deus em sua obra de dar frutos. Nossa alma, nesta vida, nunca será aniquilada completamente, mas ao passarmos pela cruz ela será quebrantada, e Deus poderá comunicar a Sua vida. Manter a vida da alma significa uma grande perda para o crente, mas perde-la significa guardá-la para a eternidade. Temos que ceder “nossos membros a Deus como instrumento de justiça”, Rm 6.13, para que o corpo do pecado seja destruído. Quando a vida natural for sacrificada a morte, todas as faculdades da alma serão renovadas e avivadas pelo Espirito Santo. A alma do homem é o próprio homem, onde reside o seu caráter, a sua personalidade, e onde se expressa. Se, a alma não aceitar o poder da vida do Espirito de Deus, então ela vai tirar poder para viver de sua vida natural mundana. O propósito de Deus é fazer com que a vida da alma passe pela morte, para que a vida ressurreta de Cristo seja inserida no novo homem. Estando unido a ele produzirá frutos para eternidade. A alma ama incondicionalmente satisfazer a vontade da carne, por isso não sente prazer nas coisas espirituais. Essa guerra entre a alma e o espirito se faz de modo secreto, mas interminável no interior dos filhos de Deus. A alma procura manter sua autoridade e operar independente, enquanto o espirito se esforça em domina-la, para que a vontade de Deus prevaleça. Se o crente permitir que o ego seja o amo, enquanto espera a vontade do Espirito, nunca produzirá frutos espirituais. A razão de tantas derrotas no mundo espiritual é que este setor da alma não foi tratado de maneira radical. Assim como no princípio, a Palavra de Deus operou sobre a criação separando as trevas da luz, do mesmo modo agora o seu poder opera dentro de nós, com a espada do Espirito, separando a alma e do espirito, para que ele possa habitar em nosso espirito. Por isso, alegrai-vos, porque é no espirito, o lugar onde Deus reside. A Palavra de Deus guia o seu povo a um reino mais profundo do que o da mera sensação, e os leva ao reino do Espirito Eterno. Só depois de ter aprendido a diferenciar na pratica essas duas classes de vida, somos tirados de um andar superficial para chegar ao descanso. A vida da alma nunca pode nos proporcionar descanso. É necessário passar pela cruz para que o Espirito de Deus possa fluir no nosso espirito e liberta-lo da servidão da alma. “A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes e penetra até a divisão da alma e espirito” Hb 4.12. Este versículo mostra, que é a Palavra de Deus que separa a alma do espirito. O Senhor Jesus, é ele mesmo o Verbo, que é a Palavra de Deus, quem efetua está divisão. Se quisermos entrar num caminho verdadeiramente espiritual temos que obedecer a Palavra, porque ela é a espada que separa a alma e o espirito. Por meio da Palavra e do Espirito de Deus que nos reveste, somos capacitados a diferenciar as operações e expressões do espirito como distintas das da alma. Podemos perceber com clareza o que é do espirito e o que é da alma, sem a necessidade de ficar se perguntando se algo é do espirito ou não, porque já sabemos qual é a sua origem.
  • 16. 15 VI A ALMA SOB O CONTROLE DO ESPIRITO No templo de Deus, no antigo testamento, havia um véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Esse véu servia para encerrar a gloria e a presença de Deus dentro do Lugar Santíssimo, excluindo-a do Lugar Santo. Os homens naquele tempo não tinham acesso ao Lugar Santíssimo, não podiam sentir a presença de Deus. Este véu, entretanto, era temporário, porque no momento designado, quando o corpo do Senhor Jesus foi crucificado na cruz, o véu foi rasgado de cima a baixo. A partir dai não existe mais separação entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo. A intenção de Deus não era residir permanentemente só no Lugar Santíssimo, pelo contrário, também desejava estender sua presença ao Lugar Santo. Estava apenas esperando que a cruz completa-se sua obra, porque unicamente a cruz teria poder para rasgar o véu e permitir que a gloria de Deus brilhasse fora do Lugar Santíssimo. Sempre que os filhos de Deus em seu espirito permitirem que a cruz do Senhor aperfeiçoem suas obras, isto faz com que a comunhão entre o Santo e o Santíssimo se aprofunde, dia após dia, até que ocorra uma grande mudança. É a cruz rasgando o véu. A cruz funciona de tal forma na vida do crente, que o seu poder rasga o véu que existe entre a alma e o espirito, libertando o espirito do crente, que estava obscurecido pelos pecados da alma. Assim, o espirito assume a soberania sobre a alma para uma vida nova no Espirito. A vida natural da alma perde a sua independência e espera submissa a vontade do Espirito de Deus para receber direção e provisão. “E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a abaixo” Mc 15.38. O ato de rasgar o véu é obra de Deus, portanto, renovemos nossa consagração e ofereçamos a nós mesmos a ele sem reservas entregando à vida da alma a morte, para que o Senhor, que mora no Lugar Santíssimo que é o nosso espirito, possa terminar a obra que foi realizada na cruz e completa-la em nós. Então a gloria daquele que habita em nós, constrangerá nossa vida cotidiana para as boas obras. Todo o nosso andar será santificado pela presença do Senhor, tal como é no espirito, assim também nossa alma será revestida e controlada pelo Espirito de Deus. Nossa mente, emoções e vontade serão cheias da sua presença. O que vivenciávamos pela fé no espirito, conheceremos e experimentaremos também na alma. “Glória a Deus por esta vida bem aventurada que agora desfrutamos”. O nosso viver glorifica o nome a Deus, porque não andamos mais pelo que vemos ou sentimos, mas em novidade de vida mediante a fé. “Recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar vossas almas” Tg 1.21. Quando a Palavra de Deus é implantada, recebemos a natureza divina em nós e assim podemos produzir frutos. Embora, o poder da alma ainda permanece vivo, porém ele foi suplantado pelo poder do espirito, que opera pelo poder da Palavra de Deus. O corpo humano é muito sensível e ativado facilmente pelos estímulos exteriores. As palavras, as formas, os ambientes e os sentimentos nos afetam grandemente. Nossa mente se ocupa com pensamentos, planos e fantasias, que são um mundo de confusão. Nossa vontade é ativada para agirmos de acordo com os nossos deleites. Nenhum dos órgãos da alma podem nos trazer paz. De modo singular ou coletivo, perturbam,
  • 17. 16 bagunçam e confundem a nossa existência. Porém, se aprendermos com o Senhor Jesus que, quando era desprezado pelos homens continuava fazendo a vontade de Deus e não a própria, a nossa alma não perderá a paz. “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa almas” Mt 11.29. A alma que fica sob a autoridade do Espirito Santo é uma alma em repouso. Antes andava ocupada fazendo planos, agora está calma confiando no Senhor, antes fervilhava inúmeros pensamentos e ambições, agora considera que a vontade de Deus é melhor e descansa nele. “Não servindo a vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” Ef 6.6. A alma que antes se rebelava contra a vontade de Deus, agora está perfeitamente entregue a ele, por meio da operação da cruz. O que antes executava a sua própria vontade, ou fazia a vontade de Deus de acordo com sua mente, agora é um com o coração de Deus em todas as coisas. “Não estejas ansiosos, quanto a vossa vida (a alma)”, Mt 6.25. A alma agora, procura primeiro o reino de Deus e sua justiça, porque acredita que Deus suprirá todas as necessidades diárias. Embora, a primeira expressão da alma é preservar os seus dons naturais e tendências ao pecado, porém aqueles que se entregam verdadeiramente nas mãos de Deus jamais serão vencidos. Toda obra da alma, incluindo o amor a si próprio e o orgulho pessoal foram eliminados, ela não tem mais o comando. Quando a cruz de Cristo opera em nosso viver diário, não necessitamos mais fazer planos. Em vez de sofrer ansiedade, oramos e entregamos o fardo não mãos de Deus. Os cuidados desta vida aparecem como pequenos detalhes durante o caminho que iremos percorrer. “A minha alma se apega a ti” Sl 63.8. Não mais, nos atrevemos a ser independentes de Deus, nem servi-lo segundo a vontade da alma. Mas, o seguimos de perto com alegria, porque nossa alma está submissa ao Senhor. “Servindo ao Senhor com toda humildade, porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo” At 20.19,24. O crente que tem como alvo o chamado de Cristo não prioriza o amor próprio nem desiste da sua cruz. A alma que renuncia a si mesmo habitará na infinidade da vida de Deus. Isto é liberdade e prosperidade. Quanto mais perdemos, mais ganhamos. Nossas posses não se medem por quanto ganhamos, mas sim, por quanto damos. O ato de dar representam os frutos da nova vida. Não devemos desanimar mediante os tropeços, porque o sofrimento nos aproxima de Deus. A cruz é progressiva e deve ser levada fielmente com os olhos voltados para o Senhor Jesus, que já passou pela cruz e venceu.
  • 18. 17 VII O CORPO Além do espirito e da alma temos também um corpo. Não importa que a intuição, a comunhão e a consciência do nosso espirito estejam perfeitamente saudáveis ou que a emoção, a mente e a vontade da nossa alma estejam totalmente renovadas. O nosso corpo também precisa estar sadio e restaurado, do mesmo modo que o espirito e a alma. Se isso não acontecer, nunca alcançaremos a condição de crentes espirituais, nem seremos aperfeiçoados. Devemos crescer espiritualmente sem negligenciar nosso lado físico. O corpo é importante, do contrário Deus não teria criado o homem com um corpo. A Bíblia mostra o valor que Deus dá ao nosso corpo. O mais extraordinário de tudo é que o “Verbo se fez carne e habitou entre nós” Jo 1.14. O Filho de Deus assumiu um corpo de carne e sangue semelhante ao nosso, embora tenha morrido e ressuscitado, continua tendo está vestimenta para sempre. “Se, porém, Cristo está em nós, o corpo na verdade está morto por causa do pecado, mas o espirito é vida, por causa da justiça”, Rm 8.10. Inicialmente tanto o nosso corpo quanto o nosso espirito estavam mortos. Contudo, quando ouvimos a pregação do evangelho e cremos no Senhor Jesus, neste momento o Espirito Santo passa a habitar em nos e vivifica o nosso espirito. A partir da conversão, apenas o corpo permanece morto. A condição comum de todo crente é um espirito vivo num corpo morto. Essa experiência revela a enorme diferença entre o estado interior do cristão e o exterior. Em nosso ser interior flui vida, ao passo que o homem exterior está cheio de morte. Interiormente estamos bem vivos, todavia existimos numa casa de morte. Existe uma diferença radical entre a vida do espirito e a vida do corpo. A vida do espirito está ativa, mas a do corpo é morte certa. Porque a nossa constituição física ainda é o corpo do pecado, por mais avançado que seja o nível espiritual do cristão, sua carne continua sendo o corpo do pecado. Um dia teremos uma constituição espiritual, ressurreta e gloriosa, isto será a “redenção do nosso corpo” Rm 8.23, que se dará no futuro, quando Jesus voltar em Glória. O pecado foi expulso da vontade da alma, mas não foi eliminado do corpo. É a permanência do pecado que faz com que o corpo esteja morto. O nosso espirito recebe vida por causa da justiça que há em Cristo; porque, quando o aceitamos como Senhor e Salvador, nós o recebemos como nossa justiça, e Deus vê Cristo em nós, e nos justifica. Num primeiro momento Cristo nos comunica a sua própria vida, depois Deus nos justifica por causa desta vida que recebemos de Cristo. Se Cristo não comunicar sua justiça, não pode haver justificação. No momento em que recebemos a Cristo, obtemos a justificação diante de Deus e passamos a desfrutar da experiência da justiça comunicada por Cristo no nosso viver. Cristo entra em nós como vida, a fim de vivificar o nosso espirito, que estava morto. “Se habita em vós o espirito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificara também o vosso corpo mortal, por meio do seu espirito, que em vós habita” Rm 8.11. O corpo também será vivificado, porque o Espirito Santo que habita em nós
  • 19. 18 dará vida ao nosso corpo. O que Paulo está afirmando, não é que o nosso corpo de humilhação foi transformado em um corpo glorioso, também não diz que este corpo mortal se revestiu de imortalidade, isso não se realizará neste momento. A redenção de nosso vaso de barro deve aguardar até que o Senhor volte. É impossível ocorrer mudança de natureza ainda neste mundo. Por isso a expressão o Espirito Santo da vida ao nosso corpo, significa que ele nos restaurará quando estivermos doentes e nos preservará para não adoecermos. O Espirito Santo fortalecerá o nosso tabernáculo terreno para que possamos realizar a sua obra, sem que a nossa vida e o reino de Deus venham a sofrer por causa da fraqueza do nosso corpo. Isso é o que Deus preparou para todos que aceitarem o seu Filho. Contudo poucos cristãos experimentam essa vida que o Espirito proporciona ao corpo. A vida espiritual de muitos é ameaçada por suas condições físicas. Muitos caem por estarem escravizados por doenças. Outros conhecem a provisão do Espirito para seu corpo, creem nela e a desejam, mas não apresentam seu corpo a Deus como sacrifício vivo. Porém, aqueles que realmente desejam viver para Deus, e pela fé se apropriam de suas promessas, experimentarão a real plenitude da vida do corpo conforme o Espirito Santo lhes concede. Essa provisão capacita o espirito a comandar o corpo para que este não venha sofrer danos físicos. Antes, nós éramos devedores a carne, incapazes de negar aquilo que era exigido, cobiçado e desejado. Vivíamos debaixo do domínio da carne, cometendo inúmeros pecados. Agora, temos a provisão do Espirito de Deus e as cobiças da carne perderam o controle sobre nós, e assim, as fraquezas, doenças e sofrimentos do corpo já não nos atinge mais. Todavia não devemos descuidar de nossas necessidades físicas. Devemos comer quando tivermos fome, beber quando tivermos sede, descansar quando cansados e agasalhar-nos quando estivermos com frio. Contudo, não devemos permitir que esses cuidados penetrem em nossos corações, ao ponto de se tornarem a nossa principal meta de vida. “Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo Espirito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” Rm 8.13. Por causa da consequência do pecado, o nosso corpo está destinado à morte. Se vivermos segundo a carne não receberemos a vida que o Espirito Santo dá ao corpo. Além disso, encurtaremos nossos dias aqui na terra, pois todo pecado é prejudicial ao corpo. O pecado manifesta seus efeitos na carne, e o resultado é a morte. “Mas, se pelo Espirito, mortificardes os feitos do corpo certamente vivereis”. Devemos receber o Espirito Santo não apenas como doador de vida ao nosso corpo, mas também como aquele que mortifica os desejos carnais. Se o Espirito Santo nos der saúde e força, sem que antes, tenhamos nos oferecido inteiramente a Deus, iriamos viver mais intensamente para satisfazer a nós mesmos, e o resultado seria uma vida mais pecaminosa do que a anterior. Muitos buscam no Senhor vida e saúde para o seu corpo mortal, mas não tem o entendimento de que não podem desfrutar desta experiência, pois ainda não mortificaram os feitos do corpo. Primeiro precisamos entender o que significa estar crucificado com Cristo e viver esta realidade, porque o Espirito opera em harmonia com a cruz. A cruz sem o Espirito de Deus é totalmente ineficaz. Somente o Espirito Santo pode capacitar o crente a carregar a sua cruz. Se ouvirmos a verdade da cruz, porém não permitimos que o Espirito a aplique em nossa vida, o nosso conhecimento não passa de teoria. É muito bom saber que “nosso velho homem foi crucificado com ele (Cristo), para que o corpo do pecado seja
  • 20. 19 destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” Rm 6.6. Contudo, se pelo Espirito não mortificarmos os feitos do corpo, permanecemos escravizados por ele. Somente o Espirito pode tornar real a experiência da cruz em nossa vida. Se não nos entregarmos a Deus, confiando plenamente em seu poder para mortificar os feitos do corpo, a verdade que professamos, não será uma realidade em nossa vida. Só o Espirito Santo pode mortificar a vontade do corpo e dar vida ao nosso corpo mortal.
  • 21. 20 VIII GLORIFICAR A DEUS COM O NOSSO CORPO “Todas as coisas me são licitas, mas nem todas me convêm. Todas as coisas me são licitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” ICo 6.12. Somos livres para fazer muitas coisas com o nosso corpo, porém como pertencemos a Deus, podemos abrir mão de algumas delas para a gloria de Deus. “Os alimentos são para o estomago, e o estomago para os alimentos; mas Deus destruirá tanto este como aquele. Porém o corpo não é para impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo” ICo 6:13. Ao comer e beber o cristão tem a oportunidade de provar na pratica que o corpo é para o Senhor. Muitos cristãos não sabem glorificar a Deus no seu comer e beber. Devemos evitar usar o nosso corpo para nosso próprio prazer, para glorificar a nós mesmo. O comer não deve atrapalhar a nossa comunhão com Deus. A finalidade da nossa alimentação é preservar o corpo. Devemos resistir inteligentemente a qualquer excesso, tanto na bebida como na comida. Qualquer ato que praticarmos em qualquer área de nosso corpo, apenas por prazer pessoal, desagrada a Deus. O corpo é para o Senhor e não para manjares, bebedices e imoralidades sexuais. A santificação do espirito e da alma só é alcançada se não negligenciarmos o nosso corpo. Se as nossas obras, condutas, sensações e palavras não forem dedicadas ao Senhor, nunca alcançaremos a vida perfeita que agrada a Deus. “O Senhor é para o corpo” significa que: se consagramos nosso corpo ao Senhor, ele concederá a sua vida e seu poder ao nosso corpo físico. Muitos pensam que Deus não tem bênçãos para o nosso corpo. O Senhor Jesus deu o seu corpo por nós e espera que oferecer o nosso por ele. Por termos consciência das fraquezas, impurezas, imoralidades e mortalidade do corpo; achamos que é impossível o Senhor ser para o nosso corpo. Porém, se oferecermos nosso corpo a Deus, suas promessas se cumprirão em nós: • O Senhor é para nossas doenças físicas. Do mesmo modo que ele nos libertou dos nossos pecados, ele também nos cura das enfermidades. As enfermidades são apenas manifestação do pecado em nosso corpo. • O Senhor é para o nosso viver no corpo. Ele será a força e a vida do corpo, se permitirmos que ele seja Senhor da nossa vontade. • O Senhor é para a glorificação do corpo. É verdade que podemos alcançar um elevado nível de vida ainda neste mundo, se vivermos em Cristo. Porém, isso não irá mudar a natureza do nosso corpo. Contudo, virá um dia em que o Senhor há de redimir o nosso corpo de humilhação, transformando-o na semelhança do seu corpo glorioso. “Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder” ICo 6.14. Seremos ressuscitados e glorificados. Isso se sucederá no futuro, mas desde agora podemos antegozar o poder da ressureição. Deus não contempla cada crente individualmente, ele engloba todos dentro de sua visão de Cristo. “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo”? ICo 6.15. Nenhum cristão pode existir fora de Cristo, porque é dele que provem as forças para o
  • 22. 21 viver diário. Para Deus, a união dos crentes com Cristo é uma realidade perfeitamente definida. O corpo de Cristo não é apenas uma visão espiritual, ele é um fato real. Da mesma maneira, que o nosso corpo físico está unido à cabeça, também estamos unidos a Cristo por meio do espirito. Aos olhos de Deus, nossa união com Cristo é perfeita, ilimitada e absoluta. Em outras palavras, nosso espirito está unido ao de Cristo. Se, estamos unidos, devemos andar como Cristo andou e a nossa vontade, afeição e mente deve refletir está união. Se a união com Cristo é completa, como poderá a parte física do nosso ser ficar de fora desta união? Se, somos membros de Cristo nosso corpo também pertence a ele. Pela fusão do nosso espirito com o Espirito do Senhor, nosso corpo se torna um membro de Cristo. “Aquele que se une ao Senhor é um em espirito com ele” ICo 6.17. Isso é a prova final que o corpo é para o Senhor e o Senhor para o corpo. Se, somos um com o Senhor, não devemos destruir nosso corpo forçando-o a ir além de sua capacidade física, nem usa-lo indevidamente para não darmos lugar à atuação das forças de espíritos malignos. Porque as potestades malignas, sendo espíritos que não tem corpo, estão sempre desejando corpos humanos para habitar. Isso harmoniza com as leis que regem o mundo espiritual. Não podemos nos comunicar fisicamente com Deus, porque ele é Espirito e se comunica com o espirito do crente. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espirito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entende-las, porque se discernem espiritualmente” ICo 2.14. Se alguém insistir em buscar experiência física com Deus, os espíritos malignos vão aproveitar a oportunidade para entrar, concedendo-lhes aquilo que ingenuamente estão buscando. O resultado será que os espíritos malignos ocuparão este corpo. Precisamos entender bem o lugar de nosso corpo no plano redentor de Deus. Cristo veio a este mundo, morreu, ressuscitou e foi glorificado, e após ser glorificado enviou o Espirito Santo para substitui-lo. Precisamos exercitar a fé e crer nessa verdade para que o Espirito Santo possa agir e gerar santidade, alegria, justiça e o amor de Cristo a nossa alma, como também vida, poder, saúde ao nosso corpo cansado e doente. “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” ICo 6.18. A fornicação é o único pecado pelo qual unimos nosso corpo a outro. Logo é um pecado que praticamos contra o corpo. Isto significa que nenhum outro pecado, além da fornicação, pode fazer com que um membro de Cristo se torne membro de uma prostituta. A fornicação é um pecado grave, pois está relacionado com nosso corpo, que é um membro de Cristo. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espirito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos” ICo 6.19. Aqui diz: que o nosso corpo é santuário do Espirito Santo, significa que devemos resguardar e santificar também o nosso corpo. Quando nosso corpo verdadeiramente morrer com Cristo, isto é, quando rejeitarmos toda vontade própria, toda ação independente e vivermos de maneira altruísta, certamente o Espirito Santo manifestará a vida de Cristo ressurreto em nosso corpo mortal. Como é bom experimentar a presença do Senhor manifestando em nós saúde e vida. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” ICo 6.20. Somos membros de Cristo, somos templo do Espirito Santo, não pertencemos a nós mesmos. Fomos comprados por preço. Tudo que é nosso pertence a
  • 23. 22 Cristo, principalmente nosso corpo. A presença de Cristo em nós indica que fomos selados pelo Espirito Santo. Isto é a prova viva, que o nosso corpo pertence ao Senhor. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. Sendo sóbrios e vigilantes, não priorizando a vontade do corpo para deleite próprio. Pertencemos a Deus, tanto pela criação como pela redenção. Não apenas pertencemos a ele, mas todas as nossas posses também pertencem a ele. Não possuímos nada além de nossas escolhas. Por isso, devemos permanecer em Cristo Jesus, para que, quando ele se manifestar, não nos afastemos envergonhados na sua vinda, IJo 2.28.
  • 24. 23 IX AS DOENÇAS E O PECADO As doenças são um acontecimento comum na vida. Para manter o nosso corpo em condição de glorificar a Deus, precisamos saber qual atitude iremos tomar quando formos atingidos por doenças. Se não soubermos lidar com as doenças, certamente seremos derrotados por elas. A Bíblia revela que existe uma relação muito estreita entre a doença e o pecado, e que a consequência final do pecado é a morte. As doenças encontram-se no meio dos dois, entre o pecado e a morte. Elas são o efeito do pecado e o preludio da morte. Se no mundo não houvesse pecado, não haveria nem doença nem morte. Se Adão não tivesse pecado, não haveria doenças na terra. As doenças, assim como os outros males, surgiram por causa do pecado. Deus quer que levemos nossas fraquezas e enfermidades a ele. Não é para ficar doente que o servo de Deus está aqui na terra, mas para dar glorias ao Senhor. Se as doenças nos levam a glorificar o nome do Senhor, elas se transformam em benção. Contudo, nem todas as enfermidades o glorificam. Consequentemente, devemos aprender a confiar no Senhor Jesus mesmo quando doentes, reconhecendo que ele carregou sobre si também as nossas enfermidades. Enquanto ele esteve no mundo, curou um grande número de pessoas. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Por isso, podemos entregar nossas enfermidades a ele, se for da vontade dele seremos curados. O pecado não produz nenhum fruto, nem santidade, já a doença sim. Quanto mais uma pessoa peca mais corrupta se torna. Porém, a doença produz o fruto da santidade, porque Deus está disciplinando o doente por meio do sofrimento. Tal circunstancia faz com que nos submetamos à poderosa mão de Deus. Não devemos enxergar as doenças como algo terrível. Se, sabemos que Deus comanda todas as coisas, porque então, ficamos ansiosos por causa das enfermidades, como se tudo estivesse nas mãos do inimigo? Lembre-se que todas as doenças passam pelo crivo de Deus. Para ser exato, é Satanás quem dá origem a elas, é ele quem torna as pessoas doentes. No entanto, os que leram o livro de Jó entendem que para o inimigo atacar o nosso corpo com enfermidades precisa da permissão de Deus, porque tudo está debaixo do controle do Senhor. Deus permitiu que Satanás acometesse enfermidades a Jó, mas não permitiu que tocasse em sua vida. Depois que encerrou o período de provação de Jó, as suas doenças desapareceram, pois já tinham realizado o seu propósito. É sempre bom ter em mente que as doenças estão nas mãos de Deus e vem a cada um de nós na medida exata de nossa necessidade, para que possamos aprender qual é a lição divina. Quanto mais cedo aprendemos, mais cedo ficamos livres delas. Algumas vezes o inimigo pode desfechar ataques repentinos contra nós, ou então, nós mesmos podemos por excesso ou deficiência violar alguma lei natural. Para buscar a cura devemos entender a maneira de Deus operar em nossas enfermidades: • Pelo poder do Senhor: Deus pode. Em Marcos 9.21 “Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu; e muitas vezes, o tem lançado no fogo e na agua para matá-lo; mas se tu podes alguma coisa tem
  • 25. 24 compaixão de nós e ajuda-nos. Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê”. O problema aqui não é se Deus pode, mas se você pode crer. O primeiro problema que temos com uma doença é a dúvida quanto ao poder divino. Quando Jesus ouviu o pai da criança dizer: Se tu podes alguma coisa tem compaixão de nós e ajuda- nos. Jesus interrompeu dizendo: Porque dizes se podes? Todas as coisas são possíveis ao que crê. Na doença, a questão não é se o Senhor pode, mas se você crê. • Pela vontade do Senhor: Deus quer. Em Marcos 1.40 “Aproximando-se dele um leproso rogando-lhe de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, e tocou-o e disse-lhe: Quero fica limpo”. Por maior que seja o poder de Deus, se ele não quiser curar, seu poder não será derramado. O segundo problema a ser resolvido é se Deus quer. O Senhor Jesus disse quero. Com a mesma compaixão Jesus quer curar-nos das nossas enfermidades. • Pela ação do Senhor: Deus faz. “Por isso vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” Mc 11.23. Como é que a fé age? A fé confia no poder, na ação e na vontade de Deus de realizar a sua palavra em nós. Se crermos, certamente receberemos. Nós que cremos na Palavra de Deus, devemos apenas agradecer: “Obrigado Deus pela cura que já realizaste em mim”. Muitos crentes apenas esperam ser curados. Se esperam, é porque ainda não receberão. A esperança vê os fatos ainda no futuro e a fé as considera no passado. Se realmente crermos, não vamos esperar, mas levantemos a nossa vós ao Senhor dizendo: “Graças a Deus, estou limpo, graças a Deus, estou bem, graças a Deus estou curado”. Uma fé perfeita proclama: Deus pode, Deus quer e Deus já realizou.
  • 26. 25 X A VIDA DO CORPO O corpo é templo do Espirito Santo. Grande parte dos crentes pensa que a vida de Cristo apenas se manifesta no espirito, mas não interfere no corpo. Poucos entendem, que o Senhor Jesus primeiro dá vida ao espirito e depois alcança o nosso corpo. O Espirito Santo, que habita em nós, santifica o nosso homem interior e vivifica o nosso corpo mortal, tornando-o sadio. O poder de sua vida penetra em cada uma de nossas células para que possamos experimentar o seu poder e a sua vida. Cristo tornou-se nossa fonte de vida. “Logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” Ga 2.20. Hoje, ele vive em nós, da mesma maneira que no passado viveu em sua própria carne. Em nosso corpo existe agora duas forças em ação: a morte e a vida. De um lado está o desgaste físico natural, que nos conduz a morte e do outro o reabastecimento que fazemos através dos alimentos e do descanso, que sustentam a nossa vida. Porém, não devemos confiar apenas nas provisões naturais que sustentam o nosso corpo. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” Mt 4.4. Somente a vida do Senhor Jesus poderá satisfazer todas as nossas necessidades. Só ele nos concede a vitalidade necessária para vencer o pecado, as tentações do inimigo e as doenças. Deus deseja que a vida de Cristo seja a nossa força. Quando estamos unidos a Cristo, ele é a videira e nós os ramos. Dependemos dessa união para receber a seiva da vida que alimenta o nosso espirito alma e corpo. Se perdermos a comunhão com Cristo, nosso espirito certamente perderá a paz, e o corpo não terá saúde. Se permanecermos em Cristo, a vida dele estará continuamente fluindo em nosso espirito e corpo. Agora, que temos o entendimento que a Palavra de Deus é a vida para o nosso corpo, temos que toma-la como alimento e digerir para que se incorpore ao nosso ser da mesma forma que o alimento natural. Se a recebermos com fé, ela se transformara em vida para o nosso espirito e corpo. Porém, não devemos priorizar apenas a cura física e ignorar a parte da Palavra de Deus que pede para ama-lo e obedecê-lo, porque Deus olha o que motiva o nosso coração. Se o procuramos apenas para satisfazer os nossos desejos carnais ficaremos sem receber, porque ele não vai conceder a sua vida, para que a usemos de maneira egoísta, centralizado apenas em nós e vivendo cada vez mais para satisfazer os nossos desejos pecaminosos. O Senhor espera que seus filhos renunciem ao seu ego, para depois conceder-lhes o que estão buscando. O apostolo Paulo ensina que: quando ele se permitiu “a operação do morrer de Jesus em seu próprio corpo”, (o morrer para as coisas do mundo) a vida de Cristo também se manifestou em sua carne mortal. Deus está esperando aqueles que estão dispostos a aceitar “o morrer de Jesus”, para que ele possa viver neles. A pergunta é: Quem está disposto a seguir a vontade de Deus? A força do Senhor se aperfeiçoa em nossas fraquezas. Quanto mais reconhecemos que somos incapazes, mais o seu poder se manifestará. Nossa própria força jamais pode cooperar com o Senhor. Se tentarmos empregar as nossas forças para reforçar a dele, nada colheremos, senão derrota e vergonha. Em nós mesmos, não temos poder para realizar nenhuma
  • 27. 26 tarefa para o Senhor, apenas confiando nele e no seu poder podemos realizar tarefas perfeitas e sair vencedores. Sabemos que o Senhor é para o nosso corpo. Se nos entregarmos totalmente, apresentando o nosso corpo como sacrifício vivo, veremos o Senhor operar e controlar a nossa vida e o nosso futuro. Então, a Palavra de Deus, que diz: o nosso corpo é para o Senhor, se tornará realidade para nós. Aquilo que antes nos preocupava, já não pode nos abalar. O inimigo pode tentar desviar-nos dos caminhos do Senhor, mas não cedemos, porque não estamos mais andando sozinhos. Agora, temos a força e o poder de Cristo Jesus que nos liberta de todas as dúvidas e acusações do inimigo. Portanto, nada pode acontecer em nossa vida sem o conhecimento e permissão dele. Nosso corpo não nos pertence mais, porque já o entregamos ao Senhor por completo. Não somos mais senhores de nós mesmos. Se o tempo mudar repentinamente em nossa vida, a responsabilidade é do Senhor, ele provera a solução. Ainda que o inimigo nos ataque de forma inesperada, não temeremos, porque sabemos que a batalha não é mais nossa, mas do Senhor. Numa situação como está muitos perdem a paz, ficam desesperados e se apreçam em buscar uma solução humana para o problema. Nós que exercitamos a fé e vivemos por meio da vida de Deus, sabemos que daqui por diante não viveremos preocupados com o que: comer, beber ou vestir, nem por qualquer outra coisa, mas sim, pela presença de Deus em nossa vida. Se agirmos assim a vida de Deus fluirá através de nosso corpo. Nós que temos a certeza que o Senhor é para o corpo, podemos nos apropriar das riquezas de Deus para suprir as nossas necessidades. Sempre que houver uma necessidade urgente, haverá uma provisão divina. Seja qual for à situação, recusamos a usar a nossa própria força para ajudar a Deus. Não tentamos mais resolver o problema antes da hora determinada por ele. Enquanto as pessoas do mundo correm ansiosamente em busca de socorro para o seu sofrimento e dor, nós podemos esperar com serenidade a hora de Deus e suas dadivas, pois sabemos que ele está no controle. Não seguramos a vida em nossas próprias mãos, mas buscamos o cuidado do Pai. Essa é verdadeira paz! Agindo assim, o crente está glorificando a Deus de diversas maneiras. Ele recebe tudo que lhe sobrevenha como uma oportunidade de manifestar a gloria de Deus. Não usa os seus próprios métodos, evitando interferir com a gloria, somente devida ao Senhor Jesus. E quando o Senhor estender o braço para livra-lo, então ele está pronto para render louvores. O grande anseio deste filho já não é mais receber a benção do Pai, porque ele é muito mais precioso do que qualquer uma de suas dadivas. Se, desejamos apenas a provisão e a proteção ou apenas o procuramos nas horas difíceis para pedir livramento das tentações, simplesmente não receberemos e cairemos. Porque, a realidade de Deus em nossa vida, não pode ser apenas um negócio. Aqueles que realmente o conhecem, não imploram a cura, mas sempre o buscam primeiro. Se, estar bem de saúde implica em desviar-se da presença de Deus, então devemos preferir não ser curados. Devemos lembrar-nos constantemente que: sempre que desejarmos os dons de Deus em vez do próprio Deus, estamos trilhando o caminho errado que irá nos afastar dele, em vez de nos aproximar. Se vivermos realmente para o Senhor, não ficaremos ansiosos pelas suas bênçãos ou provisões, pelo contrário devemos ansiar pela sua presença em nós, e o mais ele fará.
  • 28. 27 XI VENCENDO A MORTE . “O último inimigo a ser destruído é a morte” ICo 15.26. Se não vencermos a morte estamos deixando o inimigo nos vencer. O objetivo de Deus é levar seus filhos a vencer a morte ainda nesta vida. É fato, que precisamos triunfar sobre o pecado, sobre o mundo, sobre o ego e sobre Satanás. Contudo nossa vitória não estará completa se não vencermos também a morte. “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” Rm 5.17. A morte não apenas existe, mas reina também. Embora, o nosso corpo ainda esteja vivo, a morte já está reinando sobre ele. A influência dela ainda não alcançou seu apogeu, mas ela está se manifestando, e vai se expandindo mais e mais, visando absorver todo o corpo. Vários sintomas que descobrimos em nosso corpo demonstram como é amplo o poder da morte sobre nós. Todos estes acontecimentos conduzem a pessoa para aquele final: a morte física. “Os que recebem a abundancia da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” Rm 5.17. Paulo afirma que os que recebem a abundancia da graça reinarão em vida, por uma força que excede em muito o poder que opera a morte. Contudo, os cristãos têm estado tão ocupados com o problema do pecado que praticamente se esquecem do problema da morte. “Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor”, Rm 7.24,25. Ele nos deu a vitória não apenas dos pecados, mas também da morte quando morreu na cruz em nosso lugar. Antes de nos convertermos estávamos mortos em nossos pecados, pois o pecado e a morte reinavam sobre nós. “O salário do pecado é a morte” Rm 6.23. Todavia, o Senhor Jesus, morrendo em nosso lugar, pagou a divida dos nossos pecados e nos libertou da morte. Anteriormente a morte reinava em nosso corpo, porém, quando nos identificamos com a morte de Cristo, morremos para o pecado e nos tornamos vivos para Deus Rm 6.10. Por causa da nossa união com Cristo, a morte já não tem domínio sobre nós. A salvação que provem de Cristo substitui o pecado pela justiça e a morte pela vida. “A lei do Espirito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” Rm 8.2. Todos os que creem em Jesus tem como objetivo de vida não pecar, porém não consideram o fato de não morrer. Em Cristo vencemos de modo absoluto tanto o pecado como a morte. Por isso, Deus quer que apliquemos em nossa vida a vitória sobre ambos. Se, assumirmos uma atitude passiva para vencer o pecado seremos escravos do pecado, da mesma maneira, não podemos vencer a morte negligenciando-a. Deus quer que tenhamos uma atitude de seriedade a respeito da vitória sobre a morte. A humanidade marcha em direção à sepultura. A morte é uma herança comum a toda raça caída e a nossa tendência natural é adotar uma atitude passiva em relação a ela. Não aprendemos a nos levantar contra a morte. É verdade que, a justiça de Deus opera em nós, por isso passamos a detestar o pecado, porém não permitimos que a vida de Deus opere em nosso corpo para vencermos a morte.
  • 29. 28 A morte veio por causa do pecado, e a nossa vitória sobre ela vem da cruz de Cristo, que morreu por nós e nos salvou do pecado e da morte. Sua obra redentora está intimamente ligada à morte. “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes, também ele, igualmente participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”, Hb 2.14. A cruz é à base da nossa vitória. Satanás tem o poder da morte, e o obteve devido ao pecado. Contudo, o Senhor Jesus conquistou o domínio da morte e através de seu ato redentor, removeu as correntes que nos prendiam ao pecado, desarmando assim o poder de Satanás. A vitória de Cristo nos deu poder para vencer a morte: • Só morrer depois de terminada a nossa obra: Se os sinais da morte se tornarem visíveis em nosso corpo antes do termino de nossa obra, decididamente devemos resistir tanto a morte como as seus sinais. Porque, cremos que os fortes sinais de debilidade física do nosso corpo serão restaurados pela vida de Jesus que habita em nós. Observe que Jesus também resistiu às garras de sua morte: primeiro quando o povo tentou empurra-lo do penhasco e depois quando os judeus tentaram mata-lo com pedras no templo; ele também não andava pela Judeia, porque os judeus estavam a sua procura para mata-lo. Porque Jesus resistiu três vezes à morte? Porque sua hora ainda não havia chegado, ele não poderia morrer antes do momento designado por Deus. .Paulo não tinha medo de morrer. Pela fé em Deus, sabia que não morreria antes de concluir sua obra. Essa foi a sua vitória sobre a morte. E no final de sua vida quando disse: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça está guardada, a qual o Senhor reto juiz, me dará naquele Dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”, IITm 4.7,8. Ele sabia que o tempo de sua partida era chegado. Não devemos morrer antes de completar nossa carreira. Pedro também teve conhecimento do momento de sua partida. “Certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso Senhor Jesus Cristo me revelou, mas de minha parte esforçar-me-ei, diligentemente”, IIPe 1.14. É errado afirmar, sob avaliação humana, que a nossa hora chegou. Devemos esperar uma revelação clara de Deus. Vivemos para ele, por isso devemos morrer por ele. Temos que resistir a qualquer impulso de partir, se não for um chamado divino. Seja nossa vida longa ou curta, não podemos perecer como os que estão no mundo do pecado. Isto é, antes que se cumpram os dias designados por Deus. O tempo que ele nos dá aqui neste mundo deve ser suficiente para realizarmos a nossa missão. Só quando chegar a hora determinada por Deus, podemos partir em paz e de forma natural, tendo sobre nós a graça de Deus. Vencer a morte, não significa necessariamente não passar pela sepultura, porque Deus pode desejar que, alguns passem pela morte e ressureição, como aconteceu ao Senhor Jesus. • Não ter medo da morte: O Senhor Jesus nos libertou, por isso já perdemos o temor da morte. A dor, as trevas e a solidão que acompanham a morte, não podem nos amedrontar, pois temos a certeza de que a morte é apenas um sono e seremos despertados quando “Jesus Voltar”. “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não tem esperança. Porquanto o Senhor mesmo descerá dos céus, e os mortos em
  • 30. 29 Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles entre as nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor” ITs 14.13,16,17. Jesus comparou a morte a um sono, quando disse a seus discípulos: Lazaro adormeceu e vou desperta-lo. Jo 11.11. Jesus falava a respeito da morte de Lazaro, mas eles supunham que tivesse falando do repouso do sono. • Ser arrebatados vivos, por ocasião da volta de Jesus: Sabemos, que na volta de Jesus muitos serão arrebatados vivos. Essa é última maneira de vencer a morte. “Eis que vos digo um mistério, nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós os vivos seremos transformados” ICo 15.51. Não existe data determinada para a volta do Senhor Jesus, porque ele pode voltar a qualquer momento, pois estamos vivendo no tempo do fim. “Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrario vigiemos e sejamos sóbrios. Porque Deus não nos destinou para ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele.” ITs 5.6,9,10. O Espirito Santo atualmente está nos inspirando a travar a última batalha com a morte, antes que venha o arrebatamento. Satanás entretanto, reconhece que seus dias estão contados, por isso, ele tenta acusar, destruir e matar a todos que perseveram nos caminhos do Senhor. O inimigo comunica ansiedade na mente das pessoas para leva-los a perder sono durante a noite ou tenta induzi-los a trabalhar além daquilo que podem suportar, para que adoeçam e manifestem no corpo a presença da morte. Muitas mortes são resultados de ataques do inimigo, embora poucos reconheçam esse fato. Porque a tendência do ser humano é sempre procurar uma causa natural para expressar as manifestações das doenças em seu organismo. Atribuem os problemas de saúde a impureza, a irá, ao ciúme, a licenciosidade, a idade ou a outros fatores, deixando de entender o real significado do que está acontecendo. Se percebessem o poder da morte atuando, aprenderiam a resistir e triunfariam. Hoje, nossa batalha é pela vida. Em toda parte, há espíritos malignos e assassinos agindo. Se os crentes não reagirem, resistindo e orando, serão derrotados. Se continuarem passivos, inevitavelmente morrerão. Não devemos nos render as doenças que atingem o nosso corpo. É possível até que já estejamos contaminados por alguma enfermidade, porém podemos vencê-las, entregando-as a Deus em oração, pedindo que as vença por nós. “Nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe a luz, a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” IITm 1.10. A vida e a imortalidade constituem a porção comum de todos aqueles que recebem o evangelho de Jesus. Todos que crerem poderão antegozar os poderes do mundo vindouro. “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo” ICo 15.57. Embora Paulo esteja se referindo a vitória final sobre a morte que ocorrerá no futuro, também declara, que podemos vencer por meio do Senhor Jesus, agora! Sabemos, que estamos no tempo do fim, que a volta de Cristo se aproxima e deve consumar-se enquanto vivemos. Por isso, devemos exercitar a fé e nos apropriar da Palavra de Deus, confiando que não morreremos, mas veremos a face de Senhor ainda vivos. Todos nós que temos está esperança, devemos viver em Cristo para receber dele
  • 31. 30 o poder de sua vida ressurreta para suprir as necessidades do espirito, da alma e do corpo, confiando que não morreremos, mas seremos transformados e arrebatados vivos. Como é perfeita a salvação que Deus preparou para nós! Como é maravilhosa a gloria futura! Que a carne não tenha mais lugar em nós! Que o mundo não exerça mais nenhuma atração sobre nós! Que o amor do Pai esteja em nós! Que o inimigo não tenha mais aceso a nossa vida! Que o Senhor Jesus satisfaça os nossos corações, de tal maneira, que não necessitamos acrescentar mais nada, além do pedido: “ ” Estudo sobre os escritos de Watchman Nee Por: Lc. Password