As mil faces da Resiliência

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De que falamos quando falamos em resiliência? É algo individual ou tem forte influência do contexto? Qual o papel da família? Ao longo desta apresentação, utilizo um estudo de caso real e a história de Malala Yousafzai para responder a algumas destas questões. No final, deixo ainda três pequenas abordagens diferentes à resiliência: no casal ('trauma' infidelidade), no ex-casal ('trauma 'divórcio) e no grupo de pais ('trauma' vigilância do sistema).

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As mil faces da Resiliência

  1. 1. As mil faces da resiliência Luana Cunha Ferreira Faculdade de Psicologia Associação Casa Estrela-do-mar Congresso Novo Futuro“ Construir Futuros, Recriando Caminhos” Lisboa, 17 e 18 Outubro de 2014
  2. 2. As mil faces da resiliência Trauma multigeracional Caso Rosa Resiliência do casal Resiliência do ex- casal Resiliência via grupo
  3. 3. Resiliência….é o quê? Capacidade de um material absorver energia quando é comprimido e libertar essa energia quando é descomprimido.
  4. 4. Resiliência….é o quê? Adaptação positiva à adversidade apesar das sérias ameaças à adaptação ou desenvolvimento. Masten
  5. 5. Resiliência….é o quê? Propriedade emergente de um conjunto de sistemas protetores hierarquicamente organizados que amortecem de forma cumulativa os efeitos da adversidade e que quase nunca devem ser pensados como propriedades intrínsecas dos indivíduos. (Roisman et al., 2002)
  6. 6. Resiliência….é o quê? Resiliência é não só ultrapassar a adversidade como também potencialmente transformar subtil ou drasticamente aspetos dessa adversidade (boing boing collective)
  7. 7. Malala Yousafzai Prémio Nobel da Paz 2014 (com Kailash Satyarthi )
  8. 8. Recursos internos, familiares, e contextuais Acesso aos melhores cuidados Forte exposição positiva nos média Reconhecimento internacional Luta global e Impacto real?
  9. 9. Recursos internos, familiares, e contextuais Acesso aos melhores cuidados Forte exposição positiva nos média Reconhecimento internacional Luta global e Impacto real? Resiliência é não só ultrapassar a adversidade como também potencialmente transformar subtil ou drasticamente aspetos dessa adversidade (boing boing collective)
  10. 10. As mil faces da resiliência Trauma multigeracional Caso Rosa Resiliência do casal Resiliência do ex- casal Resiliência via grupo
  11. 11. Família multi desafiada Tipologia neto adolescente + avó Ideação suicida Cliente involuntário
  12. 12. Como trabalhar para a resiliência? •Premissa: As dificuldades humanas são o produto da interação entre o sujeito e a realidade •Cuidadores como co-terapeutas que promovem a mudança, providenciando a família com estratégias e recursos para gerirem a sua realidade. •3 princípios da intervenção do MRI: •Não consertar o que não está partido; •Parar de fazer o que não funciona e fazer algo diferente; • Se funciona, fazer mais disso.
  13. 13. Processos de comunicação Mensagens claras e consistentes Partilha emocional e humor Postura colaborativa e proactiva Recursos organizacionais Flexibilidade e estabilidade Rede, ligação, liderança Recursos familiares, sociais e económicos Sistema de Crenças Significados atribuído à crise familiar e desafios Esperança e Optimismo Transcendência e espiritualidade Chaves para a resiliência familiar Walsh
  14. 14. Encontro •Encaminhamento CPCJ •Avó como co-terapeuta 1)Definição do problema: foco no presente e foco na queixa principal 2) Soluções tentadas 3) Definição de objectivos Avaliação de necessidades baseada nas rotinas de forma a perceber como se processam as actividades familiares diárias 1)Dificuldade em gerir o comportamento do Rui 2)Falta de expressão emocional por parte de Rui; 3)Dificuldades de comunicação entre os dois Gritar e Bater 1)Desempenho escolar positivo; 2)Maior abertura na comunicação e partilha entre ambos Forte desqualificação de Raquel, afirmando, magoada, que Rui estava muito parecido com ela e que Raquel não se preocupava com ninguém, especialmente com o filho.
  15. 15. Evolução Paradoxo 1: Rosa não consegue responder às solicitações de criar um jovem, mas receia o afastamento de Rui, ‘natural’ ou por reaproximação à mãe dele. Paradoxo 2: Quer ajudar a filha (trabalhando no seu café) , mas sente-se injustiçada por não receber nada (afecto, dinheiro) em troca do seu sacrifício. Ideação suicida “Rui, quando eu me for o que vai ser de ti?” “nessa altura mato-me…não ando cá a fazer nada…o que é que eu sou?” •Desempenho escolar vs. comportamento •Papel de cuidadora vs. autonomia •‘Tristeza transgeracional’ O discurso em sessão afastou-se do tom negativo para um discurso de forças e competências, focado no facto de Rosa ter conseguido, sozinha, criar os seus netos de forma saudável.
  16. 16. Quebras Forte ambivalência Rosa/Raquel: Sessão familiar Resistência e desdobramento da intervenção de forma guardar a aliança terapêutica 1 Mês de faltas (queixas vagas) Re-focar: -temas da promoção da autonomia -- questões de disciplina -- projectar o Rui para uma vida para além da morte da avó “O que faz para conseguir ter um neto que não faz nada em casa?” ou ilusão de alternativas 1)discurso : “ele é agressivo” 2) sentimento “eu tenho medo dele” 3)expectativa dos outros “a minha filha avisou-me que ele pode ser violento” 4)provocação, já que Rosa lha bateu; 5)reacção a adoptar “se ele vier para mim eu agarro tudo o que tiver à mão “ruindade vs “violência gera violência”. Pausa para reflectir: “Sr Cat”
  17. 17. Foco nos sistemas Circularidade Padrões Narrativa e linguagem Poder e controlo Papéis Fronteiras e limites Contexto cultural Ciclo de vida Co-construção da relação Recursos Hipótese sistémica Sr.Cat: Systemic Reflexive Case Analysis Tool
  18. 18. Foco nos sistemas Circularidade Padrões Narrativa /linguagem Poder e controlo Papéis Fronteiras e limites Contexto cultural Ciclo de vida Co-construção da relação Recursos Hipótese sistémica Sr.Cat: Systemic Reflexive Case Analysis Tool pouco apoio social e questões de vinculação dificuldade em se pôr na perspectiva de Raquel desqualificação , violência doméstica, entrega dos filhos cuidadora e vítima intimidade física entre avó e neto Operária e forte crença no trabalho poder de cuidadora e o poder de vítima foco no negativo criou três crianças sozinha, Rui mantêm boas relações com professores, canais de comunicação abertos deixar de ter dependentes e passar a depender; autonomia de Rui verbaliza o gostar das sessões vs. ameaça à aliança
  19. 19. Foco nos sistemas Circularidade Padrões Narrativa e linguagem Poder e controlo Papéis Fronteiras e limites Contexto cultural Ciclo de vida Co-construção da relação Recursos Hipótese sistémica Sr.Cat: Systemic Reflexive Case Analysis Tool pouco apoio social e questões de vinculação dificuldade em se pôr na perspectiva de Raquel desqualificação entre Rosa e Raquel, violência doméstica trangeracional, entrega dos filhos cuidadora e vítima intimidade física entre avó e neto Operária e forte crença no trabalho entre o poder de ser cuidadora e o poder de ser vítima, o que é que controla? foco no negativo sobrevivente, criou três crianças sozinha, Rui mantêm boas relações com os professores, canais de comunicação abertos entre Rosa e Rui deixar de ter dependentes e passar a depender; autonomia de Rui como tarefa de desenvolvimento na adolescência verbaliza o gostar das sessões vs. ameaça à aliança Aproximação de Raquel a Rui é ameaça para Rosa. Depender de alguém em vez de ter dependentes. Ambas estas questões provocam uma situação de cristalização e de homeostase que paralizam Rosa e empurram Rui para uma terra de ninguém.
  20. 20. Quebras Forte ambivalência Rosa/Raquel: Sessão familiar Resistência e desdobramento da intervenção de forma guardar a aliança terapêutica 1 Mês de faltas (queixas vagas) Re-focar: -Promoção da autonomia -Disciplina - Projectar o Rui para uma vida para além da morte da avó “O que faz para conseguir ter um neto que não faz nada em casa?” ou ilusão de alternativas 1)discurso : “ele é agressivo” 2)sentimento “eu tenho medo dele” 3)expectativa dos outros “a minha filha avisou-me que ele pode ser violento” 4)provocação, já que Rosa lha bateu; 5)reacção a adoptar “se ele vier para mim eu agarro tudo o que tiver à mão” “ruindade vs “violência gera violência”.
  21. 21. •Elogios aos comportamento e assiduidade, menos duas negativas •Corte de cabelo “Não me chateei com ele, nunca mais lhe falei nisso e funcionou” •Rui “está diferente, mais meigo, até já voltamos aqueles cumprimento que tínhamos” (sic) – referindo-se a “Olá avó… Olá neto”…”está mais homem” •Não mudança em relação à percepção de Raquel: “quando a minha filha fala a verdade cai-lhe um braço e ela ainda têm os dois”. Mudanças
  22. 22. •Arquivamento do processo CPCJ; Melhoria de 4 negativas – transitou de ano •Follow-up e Prevenção de recaídas –Amplificação das mudanças –Aumento do sentimento de competências –Desenvolvimento de novas narrativas (sucessos, soluções e forças) –A família possui recursos para ultrapassar eventuais dificuldades futuras –Diferenciação entre Rui e Raquel “o caminho que ela levou ele não leva” Rosa - “Rui, quando eu morrer o que vai ser de ti?” (sic) Rui -“Eu fico aqui em casa e depois arranjo trabalho e mulher…tenho que organizar a vinha vida” Finalização
  23. 23. As mil faces da resiliência Trauma multigeracional Caso Rosa Resiliência do casal Resiliência do ex- casal Resiliência via grupo
  24. 24. Resiliência no casal: Trauma ‘Infidelidade’ Avaliação do impacto •Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD): depressão, ansiedade, hipervigilância, flashbacks Gestão da crise •Política ‘livro aberto’ vs. Limites e fronteiras •Autocuidado e auto-conforto •2 lentes: vítima/agressor vs os responsáveis/pequenas traições •Limitar a intensidade das discussões •Adiar decisão Avançar •Construir a narrativa partilhada sobre o que aconteceu •O perdão não é esquecimento, é mudar a REC de sítio •Novas âncoras, novas intimidades, escolha consciente.
  25. 25. Resiliência no ex-casal: Trauma divórcio Um dos melhores legados a deixar ao filhos é um bom divórcio. Limites e fronteiras: Privacidade & Informação Canal parental 24/7: •Estratégias de gestão parental •Distribuição estratégica de tarefas • Queixas vs pedidos Gestão emocional •Separar sentimentos e comportamentos •Estruturar discussões difíceis •Treino de relaxamento •Activar a rede
  26. 26. Resiliência no grupo parental: Trauma ‘vigilância do sistema’ 1.Envolvimento contínuo 2.Auto-gestão do grupo & depowerment 3.Continuidade entre sessões 4.Investimento na parentalidade masculina 5.Foco no apoio social e promoção de relações sociais informais 6.Estratégias de gestão emocional fora da sessão 7.Experiências práticas 8.Ligação aos recursos comunitários 9.Promoção da activa da assiduidade 10.Ritual de partilha estruturada de estratégias gestão do comportamento
  27. 27. “…a resiliência constitui um processo natural, em que aquilo que somos num determinado momento deve obrigatoriamente tricotar-se com os meios ecológicos, afectivos e verbais. Basta que um só destes meios falhe para que tudo desabe. Basta que encontremos um único ponto de apoio e a construção poderá começar” Cyrulnik (1999, p.14)
  28. 28. "All I want is an education, and I am afraid of no one."
  29. 29. Referências •Oliver, Thomas & Thompson. (2013). Resilient and regenerative design in New Orleans: the case of the Make It Right project »,S.A.P.I.EN.S [Online], 6.1 URL : http://sapiens.revues.org/1610 •Boing Boing, colectivo de recursos para a resiliência: http://www.boingboing.org.uk •Cyrulnik , B. (1999). Uma infelicidade maravilhosa. Lisboa: Editora Ambar. •Ferreira, L. C., Ferreira, F. G., & Mendes, G. M. Costa, A.D., Cabrita, A.P. & Narciso, I (Março, 2009). How do I begin to make sense of this mess: The Systemic and Reflexive Case Analysis Tool (SrCAT). Actas da XVIII International Family Therapy Conference, Portoroz, Eslovénia. •Walsh, F. (2006). Strengthening family resilience (2nd ed.). New York, NY: Guilford. •Walsh, F. (2003). Family resilience: A framework for clinical practice. Family Process, 42 (1),1-18 •Hoffman, L. (2003). Terapia Familiar. Climepsi Editores. •McWilliam, R. A. (2003). RBI Report Form. Center for Child Development, Vanderbilt University Medical Center, Nashville, TN. •Nelson, G. and Prilleltensky, I. (2005) Community psychology : in pursuit of liberation and well-being. Palgrave Macmillan, New York •Watzlawick, P., Weakland, J. H., & Fisch, R. (1974). Change: Principles of problem formation and problem resolution. New York: W. W. Norton & Company. •Weakland, J. H., Fisch, R., Watzlawick, P., & Bodin, A. M. (1974). Brief therapy: Focused problem resolution. Family Process, 13, 141-168. Lista completa através de luanacunhaferreira@gmail.com
  30. 30. As mil faces da resiliência Luana Cunha Ferreira Faculdade de Psicologia Associação Casa Estrela-do-mar www.luanacunhaferreira.com Congresso Novo Futuro“ Construir Futuros, Recriando Caminhos” Lisboa, 17 e 18 Outubro de 2014

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