01. intertextualidade pre

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01. intertextualidade pre

  1. 1. Prof. TeixeiraIntertextualidade
  2. 2. “Todo texto se constrói como um mosaico decitações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto” Julia Kristeva
  3. 3. Dicionário HouaissINTERTEXTUALIDADEn substantivo femininoRubrica: literatura. superposição de um texto literário a outro1. influência de um texto sobre outro que o toma como modelo ouponto de partida, e que gera a atualização do texto citado2. utilização de uma multiplicidade de textos ou de partes de textospreexistentes de um ou mais autores, de que resulta a elaboraçãode um novo texto literário3. em determinado texto de um autor, utilização de referências oupartes de obras anteriores deste mesmo autor
  4. 4. Meus oito anos - Casimiro de AbreuOh! Que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!(...)
  5. 5. Meus oito anos - Oswald de AndradeOh! Que saudades que eu tenhoDa aurora de minha vidaDas horasDe minha infânciaQue os anos não trazem maisNaquele quintal de terraDa Rua de santo AntônioDebaixo da bananeiraSem nenhum laranjais (...)
  6. 6. Inocêncio X (1649)Diego VelázquezÓleo sobre lienzo 140x120 cm
  7. 7. Estudo baseadono retrato doPapa InocêncioX feito porVelázques.Francis Bacon,1953
  8. 8. Mona Lisa –Leonardo da Vinci
  9. 9. O Grito –Edvard Munch
  10. 10. Tipos de intertextualidade Epígrafe Citação Paráfrase Paródia Pastiche Referência ou alusão Intratextualidade
  11. 11. Referência ou alusão Procedimento mais pontual, a alusão ou referência nada mais é do que a leve menção ao título de outro texto, a um autor, a um personagem etc.; e não uma transcrição de uma passagem do texto em si.
  12. 12. — Vós sois a Penélope da nossa república,disse ele ao terminar; tendes a mesmacastidade, paciência e talentos. Refazei o saco,amigas minhas, refazei o saco, até que Ulisses,cansado de dar às pernas, venha tomar entrenós o lugar que lhe cabe. Ulisses é aSapiência.(fragmento do conto “A sereníssima república”,de Machado de Assis)
  13. 13. O romance que marca o início do Realismo sechama Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e foipublicado em 1857. O Naturalismo, por sua vez,ganhou expressão maior com a publicação dasobras de Émile Zola, dentre as quais se destacamThérèse Raquin (1867), O romance experimental(1880) e Germinal (1885). Já o Parnasianismo estáligado à publicação de antologias surgidas a partirde 1866 com o título de Le Parnasse Contemporain,que traziam poemas de Lecomte de Lisle, Banville eGautier. autor: Teixeira
  14. 14. Citação Citação: trata-se da retomada explícita de um fragmento de texto no corpo de outro texto. Embora na literatura a citação possa aparecer sem a utilização de marcadores gráficos; em textos dissertativos ou ensaios, nos quais ela é comum, o uso de aspas é necessário, para que fique claro o “pedido de licença” para a inserção de palavras de outro autor, e assim evite-se o “plágio” (roubo textual).
  15. 15. Exemplo de citação Roland Barthes certa vez disse que “todo texto é um intertexto; outros textos estão presentes nele, em diversos níveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis”.
  16. 16. O pesquisador M. Cavalcanti Proença registra uma fraseque virá reproduzida em quase todos os trabalhosposteriores sobre o escritor Aníbal Machado: A narrativa de Aníbal Machado se desenvolve em terreno fronteiriço, ora pisando chão de realidade, ora pairando nas nuvens do imaginário, entre sonho e vigília, entre espírito e matéria, verdade e mentira, relatório e ficção. Outro crítico que merece citação é Raul Antelo que, emLiteratura em Revista (1984), afirma: “...o duplo de AníbalMachado está diretamente relacionado à exploraçãosurrealista do inconsciente, à cultura e à modernidade”.
  17. 17. Epígrafe Epígrafe: do grego ‘epi’ (em posição superior) e ‘graphé’ (escrita), epígrafe é uma espécie de citação que aparece antes de um texto, introduzindo-o e antecipando o que nele será apresentado. é uma citação entre o título e o texto.
  18. 18. MODERNISMO “Tupy, or not tupy, that is the question” Oswald de Andrade – Manifesto Antropófago As vanguardas europeias, como dissemos, tiveram grande importânciapara o nosso Modernismo, que também se nutriu das artes negra e ameríndia.É preciso lembrar que não há uma data precisa para o “fim” do Pré-Modernismoe que algumas obras do Parnasianismo e do Simbolismo ainda aparecem atémeados de 1920. Quando a Semana de Arte Moderna ocorre, os leitores daépoca ainda estavam afeitos à poesia parnasiana. No contexto histórico, noentanto, fortes mudanças ocorriam. A Primeira Guerra Mundial findava em1918. São Paulo, que em 1900 contava com quase 240 mil habitantes, contavacom quase 580 mil habitantes em 1920. Marcos Teixeira
  19. 19. EpígrafeConheces o país onde florescem as laranjeiras?Ardem na escura fronde os frutos de ouro...Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir
  20. 20. Paráfrase A paráfrase é a recuperação de um texto por outro, mantendo-se os efeitos de sentido do texto “modelo”, embora a expressão seja alterada. Ou seja, trata-se de dar continuidade às ideias de um texto através de outras palavras.
  21. 21. Cidadezinha qualquer Carlos Drummond de AndradeCasas entre bananeirasmulheres entre laranjeiraspomar amor cantar.Um homem vai devagar.Um cachorro vai devagar.Um burro vai devagar.Devagar... as janelas olham.Eta vida besta, meu Deus. texto 01
  22. 22. Texto 02 – paráfrase do anterior No poema “Cidadezinha qualquer”, de CarlosDrummond de Andrade, encontramos a vida dointerior relatada em versos. Na primeira estrofehá uma referência ao ambiente interiorano,quase rural. Sabemos então que há casasentre bananeiras e mulheres entre laranjeiras.As palavras pomar, amor e cantar sugerem otipo de ocupação ou distração que as pessoasali possuem... texto 02
  23. 23. Meus olhos brasileiros se fecham saudososMinha boca procura a ‘Canção do Exílio’.Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?Eu tão esquecido de minha terra…Ai terra que tem palmeirasOnde canta o sabiá! Carlos Drummond de Andrade “Europa, França e Bahia”.
  24. 24. Paródia Paródia: ao contrário da paráfrase, em que há uma relação de continuidade, a paródia estabelece uma ruptura com o sentido do texto utilizado como “base”. Normalmente, esse procedimento acarreta um tom crítico e irônico.
  25. 25. Minha terra tem macieiras da Califórniaonde cantam gaturamos de Veneza. (...)Eu morro sufocado em terra estrangeira.Nossas flores são mais bonitasnossas frutas são mais gostosasmas custam cem mil réis a dúzia.Ai quem me dera chupar uma carambola de verdadee ouvir um sabiá com certidão de idade! Murilo MendesGaturamo: uma ave
  26. 26. Jogos Florais I Antonio Carlos de BritoMinha terra tem palmeirasonde canta o tico-tico.Enquanto isso o sabiávive comendo o meu fubá.Ficou moderno o Brasilficou moderno o milagre:a água já não vira vinho,vira direto vinagre.
  27. 27. Pastiche Pastiche: muito frequente na literatura contemporânea, o pastiche não é a apropriação das ideias ou palavras de outro texto, mas sim uma espécie de “imitação” do estilo de um autor, de uma época, de um gênero.
  28. 28. 1. — Então Noé disse a seus filhos Jafé, Sem e Cam: —"Vamos sair da arca, segundo a vontade do Senhor, nós, enossas mulheres, e todos os animais. A arca tem de parar nocabeço de uma montanha; desceremos a ela.2. — "Porque o Senhor cumpriu a sua promessa, quando medisse: Resolvi dar cabo de toda a carne; o mal domina a terra,quero fazer perecer os homens. Faze uma arca de madeira;entra nela tu, tua mulher e teus filhos.3. — "E as mulheres de teus filhos, e um casal de todos osanimais.4. — "Agora, pois, se cumpriu a promessa do Senhor. e todosos homens pereceram, e fecharam-se as cataratas dó céu;tornaremos a descer à terra, e a viver no seio da paz e daconcórdia."5. — Isto disse Noé, e os filhos de Noé muito se alegraram deouvir as palavras de seu pai; e Noé os deixou sós, retirando-sea uma das câmaras da arca. Machado de Assis
  29. 29. Intratextualidade A intratextualidade ocorre quando, numa obra, o escritor cita a si próprio fazendo menção a outra obra de sua autoria.
  30. 30. — Já leram Diva? Respondeu um silêncio cheio de surpresa. Ninguémtinha notícia do livro, nem supunham que valesse a penade gastar o tempo com essas cousas. — É um tipo fantástico, impossível! sentenciou ocrítico. Acrescentou ele ainda algumas cousas acerca doromance, cujo estilo censurou de incorreto, cheio degalicismos, e crivado de erros de gramática. O desenlaceespecialmente provocou acres censuras. José de Alencar – Senhora.

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